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Religioso a Luz da O Casamento

Legislação Brasileira

O Casamento Religioso a Luz da Constituição Federal

Estabelece a Constituição Federal de 1988, artigo 226, no parágrafo 2º que “o casamento


religioso tem efeito civil na forma da lei”
Art. 226 - A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
O casamento religioso atendendo a exigência da lei para a validade do casamento civil,
equipara-se a ele, desde o momento do seu registro em livro próprio, produzindo todos os
efeitos a partir da data de sua celebração.
O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de sua
realização, por iniciativa de qualquer interessado munido da comunicação do celebrante ao
cartório competente, desde que cumprida às formalidades legais da habilitação. Após o prazo,
o registro ficará sujeito a nova habilitação.
Os nubentes habilitados para o casamento poderão pedir ao oficial que lhe forneça a certidão,
para se casarem perante autoridade ou ministro religioso.

A Função de Ministro Religioso da Justiça de Paz

A Constituição da República Federativa do Brasil, assim como o Código Civil Brasileiro,


por intermédio da disposição prevista em seu artigo 1515, conferem ao Ministro Religioso,
desde que preencha as condições legais, a qualidade de Ministro Religioso da Justiça de Paz,
com competência para a celebração do casamento civil, na modalidade religiosa com efeitos
civis mediante habilitação prévia. A Função primordial e de grande reconhecimento inerente ao
Ministro Religioso da Justiça de Paz consubstancia-se na possibilidade de celebração do
casamento civil, no mesmo ato e momento da celebração do casamento religioso. Ou seja, o
Pastor, após o término da realização da cerimônia religiosa do matrimônio, em que esteve
investido na condição da autoridade religiosa, em ato subseqüente, com a permanência dos
noivos no altar, assume autoridade civil, e realiza a celebração do casamento civil, nos termos
da lei, perante toda a Igreja.

MINISTRO RELIGIOSO DA JUSTIÇA DE PAZ

A Lei confere aos Ministros Religiosos, o exercício da autoridade civil, devidamente


credenciados em sua respectiva denominação, a qual deverá se encontrar regularmente
inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que se encontrem na
condição de membros ativos de uma Associação representativa de classe, portadores dos
respectivos documentos de identificação, conferindo-lhes a função de Ministro Religioso da
Justiça de Paz (Ministro da Justiça de paz).

JUIZES DE PAZ ECLESIÁSTICO (MINISTRO RELIGIOSO DA


JUSTIÇA DE PAZ

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De acordo com a CONSTITUIÇÃO da REPÚBLICA FERERATIVA DO BRASIL Capitulo VII,
Artigo 226, parágrafo 2º, da LEI Nº 1.110 de 23 de Maio de 1950 e da LEI Nº 6.015 de 31 de
Dezembro de 1973, mediante certidão de habilitação para casamento Civil e em casos
específicos sem habilitação,estabelecidos pelos artigos 1515 e 1516 do Novo Código Civil
Brasileiro, todos os Ministros religiosos atuantes em seus ministérios poderão exercer e serem
titulados JUIZES DE PAZ ECLESIÁSTICO (MINISTRO RELIGIOSO DA JUSTIÇA DE PAZ ).

LEGISLAÇÃO PERTIENTE

LEI Nº 1.110, DE 23 DE MAIO DE 1950


Regula o reconhecimento dos efeitos civis ao casamento religioso.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º O casamento religioso equivalerá ao Civil se observadas às prescrições desta Lei
(Constituição Federal, art. 226, § 2º)
HABILITAÇÃO PRÉVIA
Art. 2º Terminada a habilitação para o casamento perante o oficial do registro civil (Código Civil
artigos 180 a 182 e seu parágrafo) é facultado aos nubentes, para se casarem perante a
autoridade civil ou ministro religioso requerer a certidão de que estão habilitados na forma da
lei civil, deixando-a obrigatoriamente em poder da autoridade celebrante, para ser arquivada.
Art. 3º Dentro nos três meses imediatos à entrega da certidão, a que se refere o artigo anterior,
(Código Civil, art. 181, § 1º), o celebrante do casamento religioso ou qualquer interessado
poderá requerer a sua inscrição, no registro público.
1º A prova do ato do casamento religioso, subscrita pelo celebrante conterá os requisitos
constante dos incisos do art. 81 do Decreto número 4.857, de 9 de novembro de 1939 exceto o
de número 5 (Lei dos registros públicos).
2º O oficial de registro civil anotará a entrada no prazo do requerimento e, dentro em vinte e
quatro horas, fará a inscrição.
HABILITAÇÃO POSTERIOR
Art. 4º Os casamentos religiosos, celebrados sem a prévia habilitação perante o oficial do
registro público, anteriores ou posteriores a presente Lei, poderão ser inscrito desde que
apresentados pelos nubentes, com o requerimento de inscrição, a prova do ato religioso e os
documentos exigidos pelo art. 180 do Código Civil.
Parágrafo único. Se a certidão do ato do casamento religioso não contiver os requisitos
constantes dos incisos do art. 81 do Decreto nº 4.857, de 9 de novembro de 1939, exceto o de
número 5 (Lei dos registros públicos), os requerentes deverão suprir os que faltarem.
Art. 5º Processado a habilitação dos requerentes e publicados os editais, na forma do disposto
no Código Civil, o oficial do registro certificará que está findo o processo de habilitação sem
nada que impeça o registro do casamento religioso já realizado.
Art. 6º No mesmo dia, o juiz ordenará a inscrição do casamento religioso de acordo com a
prova do ato religioso e os dados constantes do processo tendo em vista o disposto no art. 81
do Decreto nº 4.857, de 9 de novembro de 1938 (Lei dos registros públicos).
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 7º A inscrição produzirá os efeitos jurídicos a contar do momento da celebração do
casamento.
Art. 8º A inscrição no Registro Civil revalida os atos praticados com omissão de qualquer das
formalidades exigidas, ressalvado o disposto nos artigos 207 e 209 do Código Civil.
Art. 9º As ações, para invalidar efeitos civis de casamento religioso, obedecerão
exclusivamente aos preceitos da lei civil.
Art. 10. São derrogados os artigos 4º e 5º do Decreto-lei nº 3.200, de 19 de abril de 1941, e
revogadas a Lei nº 379, de 16 de janeiro de 1937, e demais disposições em contrário. Rio de
Janeiro, 23 de maio de 1950; 129º da Independência e 62º da República.
EURICO G. DUTRA
Honório Monteiro
2
LEI N. 6.015, DE 31 DE DEZEMBRO DE1973

Dispõe sobre os registros públicos, e dá outras providências.

CAPÍTULO VII

Do Registro do Casamento Religioso para efeitos Civis

Art. 71. Os nubentes habilitados para o casamento poderão pedir ao oficial que lhe forneça a
respectiva certidão, para se casarem perante autoridade ou ministro religioso, nela
mencionando o prazo legal de validade da habilitação.

Art. 72. O termo ou assento do casamento religioso, subscrito pela autoridade ou ministro que o
celebrar, pelos nubentes e por duas testemunhas, conterá os requisitos do artigo 71, exceto o
5°.

Art. 73. No prazo de trinta dias a contar da realização, o celebrante ou qualquer interessado
poderá, apresentando o assento ou termo do casamento religioso, requerer-lhe o registro ao
oficial do cartório que expediu a certidão.

0 1° O assento ou termo conterá a data da celebração, o lugar, o culto religioso, o nome do


celebrante, sua qualidade, o cartório que expediu a habilitação, sua data, os nomes, profissões,
residências, nacionalidades das testemunhas que o assinarem e os nomes dos contraentes.

1 2º Anotada a entrada do requerimento, o oficial fará o registro no prazo de 24 (vinte e quatro)


horas.

2 3º A autoridade ou ministro celebrante arquivará a certidão de habilitação que lhe foi


apresentada, devendo, nela, anotar a data da celebração do casamento.

Art. 74. O casamento religioso, celebrado sem a prévia habilitação, perante o oficial de registro
público, poderá ser registrado desde que apresentados pelos nubentes, com o requerimento de
registro, a prova do ato religioso e os documentos exigidos pelo Código Civil, suprindo eles
eventual falta de requisitos nos termos da celebração.

Parágrafo único. Processada a habilitação com a publicação dos editais e certificada a


inexistência de impedimentos, o oficial fará o registro do casamento religioso, de acordo com a
prova do ato e os dados constantes do processo, observado o disposto no artigo 70.

Art. 75. O registro produzirá efeitos jurídicos a contar da celebração do casamento.

LEI No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002

Institui o CÓDIGO CIVIL

3
Art.. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do
casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo
efeitos a partir da data de sua celebração.

Art. 1.516. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para
o casamento civil.

0 1o O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de
sua realização, mediante comunicação do celebrante ao ofício competente, ou por iniciativa de
qualquer interessado, desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada
neste Código. Após o referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação.

1 2o O casamento religioso, celebrado sem as formalidades exigidas neste Código, terá


efeitos civis se, a requerimento do casal, for registrado, a qualquer tempo, no registro civil,
mediante prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo do art.
1.532.

2 3o Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, qualquer dos
consorciados houver contraído com outrem casamento civil.

DECRETO N. 4.857, DE 9 DE NOVEMBRO DE 1939

Dispõe sobre a execução dos serviços concernentes aos registros públicos estabelecidos pelo
Código Civil
O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 74, letra a, da
Constituição,
DECRETA:

CAPÍTULO V
CASAMENTO
Art. 81. Do matrimônio, logo depois de celebrado, será lavrado assento, assinado pelo
presidente do ato, os cônjuges, as testemunhas e o oficial, sendo exarados:

1º, os nomes, prenomes, data de nascimento, profissão, domicílio e residência atual dos
cônjuges;

2º, os nomes, prenomes, data de nascimento ou da morte, domicílio e residência atual dos pais;

3º, os nomes e prenomes do cônjuge precedente e a data da dissolução do casamento anterior,


quando for o caso;

4º, a data da publicação dos proclamas e da celebração do casamento;

5º, a relação dos documentos apresentados ao oficial de registro;

6º, os nomes, prenomes, profissão, domicílio e residência atual das testemunhas;

7º, o regime do casamento, com declaração da data e do cartório, em cujas notas foi passada a
escritura ante-nupcial, quando o regime não for o da comunhão ou o legal que, sendo
conhecido, será declarado expressamente;

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8º, o nome que passa a ter a mulher, em virtude do casamento;

9º Os nomes e as idades dos filhos havidos de matrimônio anterior ou legitimados pelo


casamento.

Parágrafo único. As testemunhas serão duas, salvo o caso previsto no art. 193, parágrafo
único, do Código Civil.

Código Civil - CC - L-010.406-2002

Parte Especial
Livro IV
Do Direito de Família
Título I
Do Direito Pessoal
Subtítulo I
Do Casamento
Capítulo V

Do Processo de Habilitação para o Casamento

Art. 1.525. O requerimento de habilitação para o casamento será firmado por ambos os
nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por procurador, e deve ser instruído com os
seguintes documentos:
I - certidão de nascimento ou documento equivalente;
0 - autorização por escrito das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou ato judicial
que a supra;
III - declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que atestem conhecê-los e
afirmem não existir impedimento que os iniba de casar;
IV - declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos contraentes e de seus
pais, se forem conhecidos;
V - certidão de óbito do cônjuge falecido, de sentença declaratória de nulidade ou de anulação
de casamento, transitada em julgado, ou do registro da sentença de divórcio.
Art. 1.526. A habilitação será feita perante o oficial do Registro Civil e, após a audiência do
Ministério Público, será homologada pelo juiz.
Art. 1.526. A habilitação será feita pessoalmente perante o oficial do Registro Civil, com a
audiência do Ministério Público.
Parágrafo único. Caso haja impugnação do oficial, do Ministério Público ou de terceiro, a
habilitação será submetida ao juiz.
Art. 1.527. Estando em ordem a documentação, o oficial extrairá o edital, que se afixará
durante quinze dias nas circunscrições do Registro Civil de ambos os nubentes, e,
obrigatoriamente, se publicará na imprensa local, se houver.
Parágrafo único. A autoridade competente, havendo urgência, poderá dispensar a publicação.
Art. 1.528. É dever do oficial do registro esclarecer os nubentes a respeito dos fatos que podem
ocasionar a invalidade do casamento, bem como sobre os diversos regimes de bens.
Art. 1.529. Tanto os impedimentos quanto as causas suspensivas serão opostos em
declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato alegado, ou com a indicação do
lugar onde possam ser obtidas.
Art. 1.530. O oficial do registro dará aos nubentes ou a seus representantes nota da oposição,
indicando os fundamentos, as provas e o nome de quem a ofereceu.
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Parágrafo único. Podem os nubentes requerer prazo razoável para fazer prova contrária aos
fatos alegados, e promover as ações civis e criminais contra o oponente de má-fé.
Art. 1.531. Cumpridas as formalidades dos arts. 1.526 e 1.527 e verificada a inexistência de
fato obstativo, o oficial do registro extrairá o certificado de habilitação.
Art. 1.532. A eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data em que foi extraído
o certificado.

APLICAÇÃO DOS EFEITOS CIVIS AO CASAMENTO RELIGIOSO À


LUZ DO NOVO CÓDIGO CIVIL
Proc. CG. nº641/2004 (236/04-E)
Excelentíssimo Senhor Corregedor Geral de Justiça
Trata-se de consulta formulada pela Oficial do Registro Civil do Distrito de Ermelino Matarazzo
quanto à aplicação dos efeitos civis ao casamento religioso à luz do Novo Código Civil, uma
vez que os Oficiais de Registro Civil têm procedido de formas diversas.

O artigo 1516, parágrafo 1º do Novo Código Civil disciplina que o “o registro civil de casamento
religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de sua realização, mediante
comunicação do celebrante ao oficio competente, ou por iniciativa de qualquer interessado,
desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste Código. Após o
referido prazo, o registro dependerá de nova habilitação”.

O parágrafo 2º do mesmo artigo dispõe que “o casamento religioso, celebrado sem as


formalidades exigidas neste Código, terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for
registrado a qualquer tempo, no registro civil, mediante prévia habilitação perante a autoridade
competente e observado o prazo do art.1532”.

Tendo em vista a redação adotada pelo legislador, dois entendimentos surgiram quanto aos
efeitos do casamento religioso.

O primeiro é no sentido de que os efeitos civis do casamento religioso retroagem à data de sua
realização, tanto se habilitação foi feita anteriormente à celebração, quanto se foi ela realizada
depois do casamento, ainda que no primeiro caso tenha transcorrido o prazo de 90 dias
impostos pela lei. Nessa última hipótese deve ser realizada nova habilitação.

O segundo entendimento é no sentido de que os efeitos do casamento religioso não retroagem


0 data de sua celebração se houve habilitação anterior, mas o casamento não se realizou até
noventa dias contados da habilitação.

A melhor interpretação a ser aplicada à hipótese é a primeira.

A habilitação é sempre obrigatória para efetivar-se o registro do casamento religioso. Pode


Ocorrer antes ou depois da celebração.

Se efetuada antes da celebração do casamento, a lei concede o prazo de noventa dias para o
registro de casamento civil. Se decorrer tal prazo sem efetivação do registro, a certificação da
habilitação perde a eficácia, devendo ser realizada uma nova.

Mas, com respeito às opiniões em contrário, não se pode extrair da lei que o decurso de tal
prazo faz com que o casamento religioso deixe de produzir efeitos, obrigando as partes a
contraírem casamento civil ou novo casamento religioso.

O parágrafo primeiro do artigo 1516 assim não disciplina, posto que obrigue a realização de
nova habilitação, e não de casamento civil ou novo casamento religioso.
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Outra conclusão não pode se extraída da disposição contida no parágrafo segundo, que admite
a realização do casamento religioso sem prévia habilitação, retroagindo os seus efeitos à data
da celebração.

O artigo 1515 estabelece que o casamento religioso produza efeitos a partir de sua celebração,
desde que atenda às exigências da lei para a validade do casamento civil, não fazendo
distinção entre os casamentos realizados com previa ou posterior habilitação.

Dessa forma entende Euclides Benedito de Oliveira: “a validade do casamento religioso


continua vinculada à exigência de sua inscrição no registro próprio, que é o Registro Civil das
Pessoas Naturais, desde que atendida a providencia da habilitação dos nubentes, entes ou
depois da celebração religiosa. O prazo para o registro, que a Lei 6015/73 limita há 30 dias,
5888 aumentado, pelo Novo Código Civil, para 90 dias, no caso de previa habilitação. Mas
ainda depois desse prazo será possível o registro a qualquer tempo, desde que efetuada nova
habilitação. Da mesmo forma, se o casamento religioso foi celebrado sem as formalidades da
lei civil, poderá vir a ser inscrito no registro civil a qualquer tempo, bastando que se faça a
devida habilitação perante a autoridade competente. Deu-se, portanto, acertada valorização do
casamento religioso, uma vez que podem ser admitidos os seus efeitos a qualquer tempo,
desde que regularizado mediante habilitação dos contraentes e o devido registro. Note-se que
os efeitos, ainda que tardio o registro, retroagem à dada da celebração do casamento
religioso”(União Estável - Do Concubinato ao Casamento, 6ª edição, ed.Método).

Também merece transcrição o seguinte ensinamento:


“A transcrição de casamento religioso no registro publico pode ser feita extemporaneamente,
desde que os interessados promovam nova habilitação, retroagindo os efeitos do casamento
na forma do art. 1515. Tanto assim que o parágrafo seguinte admite a transcrição do
casamento realizado sem previa habilitação, sendo injustificável negar-lhes efeitos quando
celebrado de acordo com as formalidades legais”. (Maria Luíza De Lamare São Paulo e
Roberta da Silva Dumas Rego, O Novo Código Civil, Livro IV, Do Direito de Família, Editora
Freitas Bastos, pág.15).

Arnaldo Rizzardo comentando o artigo 1516, especialmente seu parágrafo 2º afirma que “a
habilitação, nesta previsão, é posterior, que sempre é autorizada se não efetuada antes do
casamento religioso, ou, embora efetuada, não se providenciar no registro até noventa dias da
celebração. Leva-se a termo nova habilitação, com o encaminhamento ao cartório dos
documentos necessários ao casamento e mais da certidão ou documento da prova da
celebração religiosa. Neste tipo de habilitação, ou na sua renovação se não providenciado o
registro no lapso temporal de noventa dias, indispensável à manifestação do consentimento
final dos dois cônjuges, eis que o casamento, embora já se encontre realizado perante a
autoridade religiosa, não tem o efeito jurídico previsto na lei se o ato registrário, dentro dos
padrões legais vigentes.
Daí afigurar-se necessária o atendimento de todas as formalidades imposta para a habilitação
no casamento civil. Só então efetuar-se-á o registro. “Uma vez verificada da habilitação, o
oficial promoverá o registro, surtindo efeitos retroativamente desde a data da celebração
religiosa do enlace” (Direito de Família, 2ª edição, Editora Forense).

Assim sendo, o parecer que respeitosamente submeto a Vossa Excelência, é no sentido de se


adotar em caráter normativo o entendimento de que os efeitos do casamento religioso
retroagem à data de sua celebração tanto nos casos em que foi realizado com previa
habilitação, quanto naqueles de habilitação posterior, sendo que, na primeira hipótese, se
decorridos mais de noventa dias previstos na lei, será necessária nova habilitação,
dispensando a realização de casamento civil ou novo casamento religioso.

Em caso de aprovação, opina que seja publicado esse parecer na integra no Diário Oficial e
alterada a redação dada ao item 90.1 do Capitulo XVII das Normas de Serviço das Serventias

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Extrajudiciais, o que será considerado conjuntamente com as demais alterações das normas
contidas naquele capitulo, as quais já se encontram em andamento.

Sub censura.

São Paulo, 22 de outubro de 2004.

Fátima Vilas Boas Cruz


Juíza Auxiliar da Corregedoria

Conclusão

Em 22 de outubro de 2004, faço estes autos conclusos ao Desembargador JOSÉ MARIO


ANTONIO
CARDINALE, DD. Corregedor Geral da Justiça.
Eu, Escrevente, Subscrevi.
Proc.CG nº 641/2004

Aprovo o parecer da Mma. Juíza Auxiliar da Corregedoria por seus fundamentos, que adoto.
Publique-se como proposto.

São Paulo, 03/11/04

José Mario Antonio Cardinale


Corregedor Geral da Justiça

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MANUAL DA CIDADANIA BRASILEIRA

1 - ABUSO DE AUTORIDADE
A Lei não autoriza a polícia a ser violenta. É abuso de autoridade quando há atuação
desmedida ou sem motivos por parte do agente policial.
23 bom lembrar que os policiais não são autoridade policial. A Autoridade Policial é o
Delegado de Polícia.

Quando alguém desacata um policial essa pessoa comete o crime de desacato a


funcionário público no exercício de sua função, crime este previsto no código penal.
Porém, quando o desacato é contra o Delegado o crime, previsto no código penal, é de
desacato a Autoridade Policial, e não apenas contra o agente público no exercício de
sua função.
Outra coisa que efetua a prisão é a Autoridade Policial, portanto, o Delegado e não o
agente policial que apenas conduz detido o suspeito a delegacia averiguações.

1.1 - Blitz.
As "blitz" podem entrar na sua casa no horário noturno. Durante o dia, só se houver
ordem do juiz ou se estiver por ocorrer crime no local.
Nas "blitz", o cidadão com emprego certo, endereço conhecido, desarmado, não
portando objeto perigoso ou tóxico não pode ser perturbado.
As "blitz" de trânsito só podem acontecer quando por motivo justo(crimes, fuga de
infratores, difusão de entorpecentes, etc.) "Blitz" sem justificativas são abuso de
autoridade.

1.2 - Revista.

Você pode estar sujeito à revista quando vai entrar ou sair de locais públicos ou
privados; quando houver na área notícia ou ameaça de ocorrência de crime. Se a
pessoa conduz um objeto volumoso que leve o policial a suspeitar de porte de arma,
pode haver a revista.

Se houver uma arma e esta não estiver na posição de ser imediatamente sacada, não é
caso de porte de arma. Armas de grosso calibre, as de uso militar e material explosivo
podem e devem ser apreendidos, quando em puder de pessoas não autorizadas.

1.3 - Apreensão de documentos.


A polícia não pode apreender documentos regulares. Se houver suspeita de falsos
documentos, a polícia tem que fazer um auto de apreensão e entregar uma cópia à
pessoa que portava esses documentos.

Ninguém pode ficar com a sua carteira profissional e nem com seu título de eleitor.
Quando apresentar um documento a um policial, este deve anotar os dados e devolver o
documento para você.

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2 - O QUE É?
5888 Abuso de autoridade: uso imoderado ou exagerado do poder público por parte de
alguém que se encontre em exercício da sua função, passando dos limites de sua
atribuição.
5889 Ação cautelar: ação que visa garantir o efeito da ação principal.
5890 Auto de apreensão: documento que relata e registra a apreensão de objetos que
comprovam a ocorrência de um delito.
5891 Boletim de ocorrência (BO): documento que registra o acontecimento de uma
ocorrência policial.
5892 Exame de corpo de delito: é o exame, feito por dois médicos, que analisa a
materialização de uma infração.
5893 Flagrante delito: quando a pessoa é encontrada cometendo um crime, ou é
surpreendida no mesmo lugar e momento em que vai cometer o crime ou ainda quando
foge seguido de protesto público.
5894 Habeas Corpus: é o documento requerido por qualquer cidadão para impedir uma
prisão ou desrespeito ilegal ao seu direito de locomoção.

5895 Habeas Data: é o documento dirigido a um Juiz, órgão público ou entidade civil,
requerido por qualquer cidadão, para assegurar o conhecimento (ou correção) de
informações a seu respeito constante no banco de dados de qualquer entidade pública
ou privado.
5896 Imissão ou reintegração de posse: ato de entrar na posse de alguma coisa ou de
algum direito.
5897 Interdito proibitório: ação particular em que o proprietário, temendo ser molestado
na posse, pede ao Juiz que o proteja da violência iminente.

23 Mandado de segurança: ação que defende o cidadão da discriminação feita por


qualquer autoridade do poder público.

24 Medida cautelar: ação que evita prejuízos ao requerente antes do julgamento da


causa.
25 Petição: requerimento, pedido, ação. É toda ação pela qual a pessoa se dirige ao Juiz.
3 - O MEIO AMBIENTE E O PATRIMÔNIO COMUNITÁRIO

Você tem direito a um meio ambiente saudável, sem poluição de qualquer natureza.
matas, ar, rios, lagos, mares e animais silvestres necessários ao ecossistema e ao
equilíbrio ecológico são bens preservados para uma vida pura e limpa.
Você pode defender, perante as comunidades, o poder público e justiça, todos os
patrimônios sociais, mesmo se estiverem sob o domínio particular.

Você deve denunciar atos de destruição ao meio ambiente, quando souber da existência
deles. Nos estados e municípios existem instituições de proteção ao meio ambiente
como as Secretarias do Meio Ambiente. No Governo Federal, há a Secretaria Nacional
do Meio Ambiente que funciona nos estados através do IBAMA ( Instituto Nacional do
Meio Ambiente) para receber denúncias e sugestões dos cidadãos quando ocorrerem
(ou no perigo de ocorrerem) agressões aos recursos da natureza.

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O patrimônio comunitário, colocado à disposição dos cidadãos, é composto pelos
recursos turísticos, paisagísticos, praças, parques públicos, praias, corredeiras,
cachoeiras, lagos, monumentos históricos e culturais, museus, escolas e todos os
lugares que lembram a nossa história. Você tem direito a usufruir todos estes bens.

Nos parques nacionais e estaduais, museus, salas de apresentação dos patrimônios


geográficos, históricos e culturais, são autorizadas as cobranças de pequenas taxas de
manutenção. Nenhuma taxa pode ser cobrada pelo uso de praça, rios, praias, mares,
lagos, lagoas, lagunas, destinadas ao uso comum dos cidadãos.

Para cuidar do patrimônio comunitário e dos interesses sociais, existe o Ministério


Público, para onde você deve encaminhar queixas quanto à negligência na proteção ao
meio ambiente e aos patrimônios culturais, turísticos, artísticos, paisagísticos e demais
bens de uso ou de utilidade pública.

4 - DIREITOS DO CIDADÃO

4.1 - Direito de ir e vir.


Você tem o direito de ir e vir em todo Brasil, em tempo de paz. Se não houver ordem de
um juiz ou se você não está em flagrante delito, qualquer impedimento à sua liberdade
de locomoção é ilegal.
A nossa Constituição prevê o Habeas Corpus para proteger seu direito de locomoção.
Qualquer pessoa pode procurar um juiz quando este direito não for respeitado.

4.2 - Direito de igualdade perante a lei.

Você não pode ser discriminado por sua condição pessoal, econômica, social, sexual,
idade, raça, naturalidade, consciência política, religiosa ou filosófica. O direito de
igualdade existe para qualquer pessoa, desde que a lei seja obedecida. Se a
discriminação for feita por uma autoridade, você pode impetrar um mandado de
segurança.
4.3 - Direito de fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

Você é livre para fazer, não querer ou deixar de fazer qualquer coisa. É constrangimento
ilegal se alguém obrigar você a fazer ou deixar de fazer alguma coisa quando a lei não
ordena.

Também é constrangimento ilegal não deixar que uma pessoa faça alguma coisa
quando for permitido por lei. Para proteger você existem várias medidas legais:
5888 Habeas Corpus, se uma autoridade não respeitar seu direito;
5889 Mandado de segurança, quando existir ou ameaçar existir o desrespeito ao seu
direito; e
5890 Medida cautelar, para impedir qualquer restrição ao seu direito;
5891 Habeas Data, se uma autoridade ou agente privado não respeitar seu direito de ter
acesso às informações a seu respeito, seja no âmbito político, civil, militar ou social.

4.4 - Direito a não ser tocado.

Você e sua integridade física são protegidas pela Constituição Federal. Ninguém pode
sofrer tortura ou humilhação. Se uma autoridade não obedecer a este seu direito,
acontece o abuso de autoridade.

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Prisão só pode acontecer quando há ordem escrita de um juiz. Prisão em flagrante tem
que ser feita na presença de testemunhas.
O desrespeito à intocabilidade do corpo deve ser provado com exame de corpo de
delito, feito por dois médicos. Aqui estão os meios legais que você pode acionar em sua
defesa:
23 Comunique o fato ao Delegado de Polícia, ao Promotor de Justiça, ao Comandante da
Polícia Militar ou ao Superintendente da Polícia Federal;
24 peça ajuda profissional de um advogado, ou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB);
procure a Ouvidoria Geral do Estado.

4.5 - Direito à sua intimidade, sua vida privada, sua honra, sua imagem, sua
correspondência, suas comunicações de informações ou dados e sua casa.
Ninguém pode entrar na sua casa, se você não deixar, a não ser nestas 4 situações:

No caso de flagrante delito;


5888 Se ocorrer desastre;
5889 Se alguém na sua casa precisar de socorro;
23 Se, durante o dia, houver uma ordem judicial.

A sua correspondência (carta, telegrama etc) e as suas comunicações (telefone, fax, etc)
não podem ser violadas sem ordem de um juiz.

4.6 - Direito de liberdade de expressão da atividade artística, intelectual, científica,


literária e de comunicação.
Você pode manifestar, sem censuras, o que pensa bem como suas habilidades artísticas
ou culturais.
Nenhuma autoridade pode impedir você.
Nos espetáculos para menores de idade, a censura será apenas quanto aos locais e
horários de apresentações.
4.7 - Direito de reunião e das liberdades políticas e religiosas.
Você pode participar pacificamente de reuniões, sem armas, em locais abertos e
públicos, para discutir qualquer assunto.
As manifestações públicas e os comícios são assegurados. Basta que exista a
comunicação prévia às autoridades para serem dadas condições de segurança, trânsito
e de funcionamento dos serviços essenciais.

Reuniões, concentrações, manifestações e comícios não podem impedir outra reunião


convocada anteriormente para o mesmo local, nem perturbar o sossego noturno.
5888 Livre qualquer culto religioso, filosófico ou científico. São livres também todas as
associações.
4.7.1 - Direito de reunião e Culto.
23 Livre de qualquer culto religioso. São livres também todas as associações para
reunião e culto. O local de culto, o Templo, é inviolável.

Ninguém pode entrar no local de culto, no Templo, se o Sacerdote não permitir, a não
ser nestas quatro situações:

12
5888 No caso de flagrante delito;
5889 Se ocorrer desastre;
5890 Se alguém no Templo precisar de socorro;
5891 Se, durante o dia, houver uma ordem judicial.
4.8 - Direito à informação.
A liberdade da imprensa e a de conseguir e transmitir informações são plenas no nosso
País. As publicações não podem sofrer censura prévia. Às que se destinam a menores,
pode haver orientação quanto a horário e locais de exibição.
Você pode pedir aos órgãos públicos ou privados qualquer informação que, por acaso,
tiverem sobre você.
Se as informações forem de ordem pública, o sigilo quanto à fonte é garantido, quando
necessário ao exercício profissional.

O anonimato não é permitido. Se um banco de dados ou cadastro não fornecer a


informação pedida, cabe ao Habeas Data, que deve ser requerido, gratuitamente, a um
juiz.
4.9 - Direito de propriedade.

As propriedades são respeitadas se obedecerem às funções sociais. As


desapropriações devem ser justificadas. Cabe ao desapropriado o direito de exigir
indenização justa em dinheiro.

Apenas em caso de iminente perigo público, a autoridade pode usar a propriedade


particular. Ao proprietário sempre é assegurada a indenização, se houver dano.
A pequena propriedade rural trabalhada pela família não pode ser penhorada. Também,
a casa onde mora o devedor e sua família.
Obras literárias, científicas, inventos industriais, marcas, nomes de empresa e outros
signos e distintivos pertencem aos seus autores.
Quando há ameaça aos direitos de propriedade, cabem algumas medidas judiciais como
o Interdito proibitório, Imissão ou reintegração de posse.
É preciso existir um processo legal para alguém ser privado dos seus bens.
4.10 - Direito de petição.
Você tem o direito de fazer petição aos órgãos públicos em defesa de seus direitos,
contra a ilegalidade de atos de autoridade ou contra o abuso de poder.
Você tem direito de obter certidões em repartições públicas para defesa de seus direitos
e no esclarecimento de situações de interesse pessoal. Nestes casos, nenhuma taxa
pode ser cobrada por nenhum órgão público.
São garantidos, gratuitamente, aos comprovadamente carentes, o registro civil de
nascimento e certidões de óbito de seus parentes.
Você como todo cidadão, pode propor ação popular para:
23 Proteger o patrimônio público ou de entidade de que o governo participe;
Proteger a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico e
cultural.
4.11 - Liberdade de trabalho ou ofício.

13
O estabelecimento de qualquer negócio e o exercício de qualquer trabalho, oficio ou
profissão são livres. As qualificações profissionais nas atividades especializadas
deverão ser atendidas.
Qualquer atividade lícita não pode ser proibida. Desde que sejam pagos os impostos,
taxas e contribuições sociais, ninguém pode impedir o estabelecimento do trabalho
honesto.
As prefeituras podem exigir licenças de funcionamento (alvarás) e restringir certas
atividades em alguns locais pelo bem do interesse público ou para evitar abusos.
Para assegurar o seu direito de livre exercício de atividade lícita em local não proibido
cabem o mandado de segurança ou a ação cautelar.
5 - DEVERES DO CIDADÃO
Os deveres do cidadão.
Direitos e deveres são como os dois lados de uma mesma moeda: não podem andar
separados.
Como cidadão você tem o dever de:
5888 Votar em escolher nossos governantes e nossos representantes nos poderes
executivo e legislativo;
5889 Cumprir as leis;
5890 Respeitar os direitos sociais de outras pessoas;
5891 Prover seu sustento com o seu trabalho;
5892 Alimentar parentes próximos que sejam incapazes de prover seus próprios
sustentos;
5893 Educar e proteger nossos semelhantes;
5894 Proteger a natureza;
5895 Proteger o patrimônio comunitário;
5896 Proteger o patrimônio público e social do País;
5897 Colaborar comas autoridades.
Os seus documentos.
Você deve ter os seguintes documentos:
23 Carteira de identidade;
24 Carteira profissional;
25 Certidão do serviço militar (para homens);
26 Título de eleitor;
27 Carteira de saúde;
28 CIC ou CPF para os contribuintes do imposto de renda.
O único documento que você precisa apresentar no original é a carteira de identidade.
Todos os outros devem ficar guardados em local de fácil acesso.
Veja onde conseguir os documentos:
5888 Carteira de Identidade (para maiores de 16 anos) - Polícia Civi1
5889 Carteira de Trabalho (para maiores de 14 anos) - Ministério do Trabalho
5890 Certidão ou Certificado de Serviço Militar - Junta de recrutamento e seleção dos
órgãos dos ministérios militares.
5891 Título de Eleitor (para maiores de 16 anos) -Junta eleitoral do local onde mora
23 Carteira de Saúde - Posto de saúde do local onde mora
24 CIC ou CPF - Receita Federal e/ou correio;
25 Passaporte - Polícia Federal e/ou postos autorizados (shoppings).

Todo cidadão precisa ter sua certidão de nascimento e deve registrar os nascimentos,
casamentos e óbitos. chamados de registros civis ou públicos; estes documentos são

14
feitos no cartório do registro civil mais próximo. Se você perder qualquer certidão, pode
pedir segunda via no cartório. Tire cópias dos documentos, autentique pelo menos uma
cópia, num cartório de notas e tabelionato e guarde em lugar seguro.

A Lei prevê gratuidade para os Registros de Nascimento, Óbito e Casamento. Os


interessados deverão procurar os cartórios e solicitarem a isenção das taxas de registro,
respectivamente.

6 - SITUAÇÕES DE TRÂNSITO
Como pedestre ou como motorista saiba como agir em situações de trânsito.
6.1 - Documentação.
Traga sempre com você a sua carteira de identidade e a de motorista. Verifique se a sua
carteira de motorista não está vencida ou se o exame de vista está no prazo de exigido.
Tenha também a licença do seu veículo, onde já consta a quitação do IPVA.

Mantenham em casa as cópias de seus documentos e nunca deixe os originais ou


cópias dentro do carro.
Quando o policial pedir a sua documentação, mostre-a e peça de volta. Só quando
houver forte suspeitas sobre a falsidade dos documentos é que eles podem ser
apreendidos.
6.2 - Estacionamento.
No estacione em local proibido ou próximo à faixa de muito movimento. Se o
estacionamento for pago, exija o talão de comprovante. Não deixe o talão no carro
estacionado. A responsabilidade pela segurança dos veículos nos estacionamentos
pagos ou gratuitos cabe aos donos dos estacionamentos. Mantenha cópia da chave do
carro em lugar seguro, de preferência, em casa. Quando você se afastar do seu carro,
leve as chaves e acione o alarme. Cuidado para não deixar volumes, valores ou
documentos expostos. Memorize bem o local onde você deixou o carro.

6.3 - Infrações de Trânsito.


Respeite sempre as normas do trânsito. Se ocorrer com você uma situação indesejável
no trânsito, evite questionar o guarda. Não aceite nem faça propostas de suborno.
Guardas honestos sempre mantêm testemunhas para autuar você pela proposta de
suborno.
Se um guarda disser que vai multá-lo, peça a ele o talão da infração. No talão, consta o
local para onde devem ser encaminhados o valor da multa ou sua justificativa.

Anote o nome das pessoas que presenciaram os fatos e peça ao guarda que identifique,
no talão, os motivos da multa. Depois, remeta para o local indicado a sua justificativa
pelo correio junto com o cartão de aviso de recebimento (A.R.), mencionando as
testemunhas e dando a sua versão dos fatos. Sua justificativa será julgada
administrativamente.
6.4 - Batida de Carro.
Caso aconteça uma batida o carro que você está dirigindo ou sendo conduzido, faça o
seguinte:
5888 Anote as placas dos carros envolvidos;

15
Procure saber se o causador da batida tem habilitação para dirigir e se consumiu bebida
alcoólica ou substância tóxicas;
5889
5890 Verifique se há feridos;
5891
5892 Se não houver feridos, memorize bem as posições dos carros para liberar o
trânsito;
5893 Se não houver feridos, chame a polícia.

Se a polícia chegar ao local, havendo ou não feridos, acompanhe a elaboração do


boletim de ocorrência.
Se você provocou a colisão, atenda imediatamente as vítimas e providencie socorro.

No estabelecimento de saúde, registre no "boletim de entrada" o seu nome como


condutor. Quando houver policial de plantão, peça que registre o fato de você ter sido o
condutor do ferido. Se você socorrer a vítima, não poderá ser preso em flagrante delito e
poderá responder ao processo em liberdade.

Se os veículos ficarem na pista, use o triângulo de segurança, galhos de arbustos e


fogos numa lata com óleo para sinalizar. Ligue o pisca alerta do seu carro.
Quando alguma das partes tiver segurado, é preciso fazer o boletim de ocorrência na
delegacia, inclusive para o seguro obrigatório para acidentes de Veículos.

Se alguém tentar tirar dinheiro de você para "facilitar" a situação, não aceite pagar
propinas ou subornos. Arranje testemunhas e conte os fatos ao juiz ou ao promotor.
Verifique bem ou peça para verificar o real estado dos veículos envolvidos. É comum o
dono de um veículo acidentado querer aproveitar o acidente para fazer reparos além dos
causados pela colisão.

6.5 - Atropelamento.
Aja da mesma maneira como o recomendado em casos de batidas de veículos. Nunca
fuja do local.

Se outras pessoas tentarem vingança demonstre imediatamente arrependimento. Peça


ajuda para socorrer os feridos. Se você fugir, não poderá responder o processo em
liberdade.
Caso o veículo fique na pista, faça a sinalização necessária. Nem sempre, nos
atropelamentos, a culpa é exclusiva do motorista. Mantenha a calma. Consiga
testemunhas. Existem pessoas que se aproveitam do acontecimento para tirar dinheiro
do atropelado. Se isso acontecer com você, procure testemunhas da extorsão e diga
Claramente isso ao juiz ou promotor. Se o atropelado for você, anote o número da placa
do veículo, o nome das testemunhas e guarde bem o local onde ocorreu o acidente.
Memorize a cor, marca, tipo do veículo atropelador. Anote o nome do motorista
responsável pelo atropelamento, sua atividade e os endereços de casa e do trabalho.

7 - PROBLEMAS COM VEÍCULOS


Observe bem estes cuidados que você deve ter em relação a veículos:
7.1 - Compra de Veículos.

Na compra de um veículo, vá pessoalmente ao DETRAN (Departamento de trânsito)


para obter o "Nada Consta". Se você preferir tratar com um despachante, exija o talão

16
do seu atendimento ou do seu pedido, além do recibo. No recibo, peça para o
despachante escrever os dados sobre o veículo (marca, modelo, cor, ano de fabricação,
placa, etc.) Peça ainda a garantia por escrito.
Se você der dinheiro ao vendedor, peça recibo detalhado. Mesmo que a loja ou o
vendedor tenham boa aparência, procure o DETRAN ou um despachante, que não seja
ligado ao vendedor, para confirmação dos dados sobre o veículo a ser comprado.
Verifique as apólices do seguro. Você pode confirmar a autenticidade do seguro na
própria companhia que emitiu a apólice.
Se você comprar um carro roubado, pode perder o carro e o dinheiro.
7.2 – Venda de Veículos.

Antes de vender o seu carro, obtenha o "Nada Consta". O veículo fica mais valorizado.
Ao assinar a "transferência", faça outro recibo aonde você descreve o carro, as
condições de venda, as garantias que você dá ou transfere. Peça o "de acordo" de quem
está comprando o carro.

Faça você mesmo, ou por um despachante de sua confiança, a comunicação de venda


ao DETRAN. Mesmo depois de Ter vendido o carro, você aparecerá como responsável
civil de qualquer sinistro, se a venda não for comunicada ao DETRAN.
7.3 - Furto ou roubo de Veículos.
Se roubarem o seu carro, comunique imediatamente à Delegacia de Polícia mais
próxima. Obtenha um documento que comprove o ocorrido. Comunique o fato ao

DETRAN, pedindo para anotarem o roubo nas fichas do veículo. Se tiver seguro, faça a
comunicação, juntando a cópia de ocorrência registrada na delegacia. Existem ainda
cadastros privados de veículos roubados que você poderá procurar.
Leia nos jornais as páginas policiais para ver se o seu carro foi envolvido em acidentes
ou crimes.
Avise à delegacia onde foi o registro do roubo, caso você tenha notícias do carro.
7.4 - Manutenção da documentação de Veículos.
Controle o trabalho de seu despachante. Peça para manter atualizada a sua
documentação.

Sempre que possível, trate pessoalmente das renovações de seus documentos.


8 - VOCÊ PODE PRENDER
Qualquer cidadão, que se depare com um ato criminoso pode prender por flagrante
delito, se o infrator: vá praticar um crime e é impedido por razões estranhas à própria
vontade dele; está praticando um crime; acaba de praticar um crime; está fugindo,
depois de praticar um crime.

Procure testemunhas do seu ato de dar voz de prisão ou segurar o infrator. É melhor
que a condução do infrator seja feita por 2 (duas) ou mais pessoas. Reúna objetos que
possam comprovar o crime. Leve o preso à delegacia de polícia mais próxima.

Se aparecerem policiais, peça a eles que o acompanhem até a delegacia. Nunca


entregue presos a policiais, sem identificá-los, se estiverem na rua, mesmo em viatura
policial. Na delegacia, peça a presença de um policial mais graduado e solicite a
emissão do Boletim de Ocorrência ou ato de prisão em flagrante.
17
Os objetos apreendidos devem constar do Ato de Apreensão a ser feito na delegacia.
O(s) nome(s) do(s) infrator(es), o seu, das testemunhas e de quem atendeu na
delegacia devem também constar dos papéis. Peça cópia de todo o documento que for
feito ou que você assinar.

18
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
CAPÍTULO II
DA PRISÃO EM FLAGRANTE
Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão
prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:

I - está cometendo a infração penal;


II - acaba de cometê-la;
23- é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em
situação que faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração.
Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto
não cessar a permanência.

Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e


colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de
entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das testemunhas que o
acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita,
colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o
auto.
5888 1o Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido, a autoridade
mandará recolhê-lo à prisão, exceto no caso de livrar-se solto ou de prestar fiança, e
prosseguirá nos atos do inquérito ou processo, se para isso for competente; se não o for,
enviará os autos à autoridade que o seja.
5889 2o A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante;
mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que
hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade.
5890 3º Quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o
auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que tenham ouvido
sua leitura na presença deste.
Art. 305. Na falta ou no impedimento do escrivão, qualquer pessoa designada pela
autoridade lavrará o auto, depois de prestado o compromisso legal.

Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou a pessoa por ele indicada.

23 1º Dentro em 24h (vinte e quatro horas) depois da prisão, será encaminhado ao


juiz competente o auto de prisão em flagrante acompanhado de todas as oitivas colhidas
e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a
Defensoria Pública.

242º No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de culpa,
assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e o das
testemunhas.

19
Art. 307. Quando o fato for praticado em presença da autoridade, ou contra esta, no
exercício de suas funções, constarão do auto a narração deste fato, a voz de prisão, as
declarações que fizer o preso e os depoimentos das testemunhas, sendo tudo assinado
pela autoridade, pelo preso e pelas testemunhas e remetido imediatamente ao juiz a
quem couber tomar conhecimento do fato delituoso, se não o for à autoridade que
houver presidido o auto.
Art. 308. Não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão, o preso
será logo apresentado à do lugar mais próximo.

Art. 309. Se o réu se livrar solto, deverá ser posto em liberdade, depois de lavrado o
auto de prisão em flagrante.
Art. 310. Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o
fato, nas condições do art. 19, I, II e III, do Código Penal, poderá, depois de ouvir o
Ministério Público, conceder ao réu liberdade provisória, mediante termo de
comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de revogação.
Parágrafo único. Igual procedimento será adotado quando o juiz verificar, pelo auto de
prisão em flagrante, a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão
preventiva (arts. 311 e 312).
9 - DEFESA DO CONSUMIDOR
Você deve tomar providências toda vez que existir prejuízo individual ou coletivo nas
relações de compra e venda de bens e serviços.
São direitos do consumidor:
5888 Proteção da vida e da saúde;
5889 Educação para consumo;
5890 Escolha de produtos ou serviços;
0 Informação;
1 Proteção contra propaganda enganosa e abusiva;
2 Proteção contratual;
3 Indenização;
4 Acesso à Justiça;
5 Facilitação de defesa de seus direitos;
6 Qualidade dos serviços públicos.
Existem órgãos administrativos que podem ser procurados e, sem nenhuma burocracia,
defender os seus direitos como consumidor:
PROCON;
Comissões de Defesa do Consumidor;
Conselhos de Defesa do Consumidor;
Juizado de Pequenas Causas (quando os prejuízos são inferiores a 20 salários
mínimos).
Para se evitar problemas e, se for o caso, ter documentação que comprove o
desrespeito aos direitos do consumidor, siga estas orientações quando comprar
qualquer bem (mercadorias) ou serviço:

Não assine nenhum documento em branco;

20
Leia atentamente os contratos antes de assinar; verifique prazos de garantia de fábrica e
validade de produtos; peça sempre nota fiscal para comprovação da compra;
Exija recibos quando fizer pagamentos (ou autenticação de caixa); pague, sempre que
possível, com cheque nominal ou cruzado;

Esclareça suas dúvidas com o vendedor ou responsável na hora da compra; quando da


entrega das mercadorias que você comprou, abra a embalagem imediatamente,
verificando as condições gerais e o funcionamento.
10 - QUEM PODE AJUDAR VOCÊ A ENFRENTAR SITUAÇÕES DIFÍCEIS
10.1 - Polícia.

Mantida pelo Estado para proteger a vida, segurança e o patrimônio das pessoas.
Polícia Militar: é a polícia fardada que tem a missão de proteger o patrimônio público do
Estado, policiar ostensivamente as ruas e locais públicos, o trânsito e fazer policiamento
de choque, quando há tumulto, perturbações da ordem ou do patrimônio público.
Polícia Civil: deve ser chamada quando ocorre um crime ou na iminência da ocorrência
de um crime. Todo policial tem a obrigação de se identificar às pessoas que procuram a
Polícia. A Polícia Civil pode ser estadual ou federal. A Polícia Federal deve proteger o
patrimônio público federal, policiar o tráfico de

Entorpecentes e atuar nos crimes no âmbito federal, como por exemplo: crime contra o
sistema financeiro.

Polícia Marítima, Aérea e de fronteiras também é exercida pela Polícia federal.


10.2 - Bombeiros ou Defesa Civil.
Atua em caso de ocorrência de sinistro diversa. Protegem as vidas, os corpos e os
patrimônios das pessoas em caso de desastres, incêndios, catástrofes, desabamentos,
ventanias, secas prolongadas, enchentes, etc. Existe o grupamento marítimo de
salvamento que guarda as praias e mantém os serviços de socorros aos afogamentos e
acidentes ocorridos no mar.

10.3 - Polícia Rodoviária.


Fiscaliza e orienta os tráfegos nas estradas e nos seus acessos. Cabe a ela registrar
acidentes dos veículos e fatos criminosos nas estradas.
10.4 - Polícia Florestal.
Protege as florestas, os animais e o ecossistema dos nossos recursos naturais.
Compete a ela investigar fatos criminosos contra as florestas.
10.5 - Polícia da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
Protegem o patrimônio público dos estabelecimentos militares federais. Policiam
também as condutas dos militares em serviço ativo e inativo.
10.6 - Guarda Municipal.
Protege o patrimônio público municipal e os locais públicos municipais de acesso
controlado.
10.7 - Polícia Ferroviária.

21
As empresas que prestam os serviços de trens ou metrô mantêm vigilância própria para
cuidar das estações, vias de tráfego ferroviário e as dependências dos trens.

10.8 - Polícia Portuária.


Cuida da vigilância das instalações em portos e os acessos às embarcações.

10.9 - Vigilância Privada.


Proteger a vida, fazer a segurança e cuidar do patrimônio do local.
Obs.: O Vigilante é auxiliar da segurança pública.
11 - VOCÊ COMO TESTEMUNHA
Todo cidadão tem o dever de servir de testemunha quando souber de atos ilegais. Os
testemunhos são feitos numa delegacia de polícia ou em juízo e recebem uma
Justificativa para a falta ao trabalho, escola, etc. Diga a verdade sobre os fatos, sobre o
seu entendimento. Depois de feito o seu testemunho, peça para ler o documento ou para
alguém ler para você, antes de assinar.

Se você presenciar um crime ou cena violenta, procure não tocar nas pessoas ou
objetos.
No caso de retirar feridos, evite mudança das posições dos objetos no local. Preste
atenção às pessoas envolvidas, nos acontecimentos e na hora em que ocorreu o evento.
12 - CUIDADOS COM DINHEIRO
Simples e práticos estes cuidados ajudam você guardar bem o seu dinheiro:
Mantenha o seu dinheiro bem protegido. Se não tiver carteira, use papel ou plástico para
envolver as notas;
Evite molhar ou manchar as notas;
Se a nota rasgar, pegue os pedaços e una com fita adesiva transparente;

Bancos são os lugares mais seguros para guardar dinheiro. Se for o caso, abra uma
conta corrente; não receba dinheiro de quem você não conhece, sem antes verificá-lo;
Não aceite trocar seu dinheiro por somas de maior valor;
Não aceite a oferta de estranhos para "descontar" cheque que você tem. Faça isso
pessoalmente ou encarregue.
Se você descobrir uma nota falsa em seu poder, não tente "passá-la para frente". Você
pode ser preso. Certifique-se que o dinheiro é falso e leve-o à polícia, com duas
testemunhas.

Cuidado com moedas estrangeiras. Peça a alguém que você conheça e que trabalhe
oficialmente com moedas estrangeiras para conferir se a moeda é verdadeira. Cuidado
com os "Moleiros". Cambistas de portas de hotel, de cais de porto ou de aeroportos
podem ser vigaristas. Prefira um banco ou casa de câmbio para trocar moedas.
12.1 - Cheques.

Mantenha seu talão de cheques em lugar seguro. Faça pagamentos cruzando os


cheques, riscando duas linhas paralelas transversais no cheque. Isso significa que o seu
cheque só pode ser pago através de depósito bancário.
22
Você pode anotar atrás do cheque seus dados pessoais, como endereço e telefone. Se
você assinar no verso de qualquer cheque, significa que você o está endossando ao
portador.
Nunca assine cheques em branco, nem seus, nem de outras pessoas. Se você
Endossar qualquer cheque, ficará obrigado a pagá-lo. O cheque feito com data futura
("pré-datado") é pago no banco como se fosse emitido na data da apresentação. O valor
escrito por extenso prevalece sobre o numeral.
12.2 - Nota promissória ou duplicata.
Nunca assine papel em branco na hora em que você comprar a prazo. Peça ao
vendedor que coloque os dias dos vencimentos dos títulos e os seus respectivos
valores.
Não assine no verso, no lugar do avalista ou embaixo da assinatura do emitente, se os
valores não estiverem escritos de forma muito exata. Como nos cheques, o valor escrito
prevalece sobre o numeral.
Se você for avalista de um título e ele for pago, você será cobrado. O credor pode cobrar
diretamente de você, sem primeiro procurar o emitente.
Toda duplicata deve se referir a uma fatura de fornecimento de mercadorias ou de
serviços. A sua assinatura no lugar do "sacado" ou no verso do título significa que você
deverá pagar a dívida, ainda que o devedor mencionado no título seja outra pessoa.
As normas para os cheques se aplicam aos outros títulos.
13 - QUEM VIGIA A POLÍCIA?
Toda vez que um policial age de maneira errada, está sujeito a punições. Na Polícia
Militar existe um órgão encarregado de levantar procedimentos incorretos e de propor
punições a policiais que atuem indevidamente. É o chamada Corregedoria da Policia
Militar.
Na Polícia Civil, existem as Corregedorias, que devem ser acionadas no caso de má
conduta dos policiais.

Os secretários de Segurança Pública, da Polícia Civil, da Polícia Militar ou comandantes


gerais devem ser contatados toda que vez que você souber da conduta indevida de um
policial.
O mesmo acontece com a Polícia Federal.
O Ministério Público tem o dever de exercer o controle externo da atividade policial. Essa
tarefa é feita pelos promotores e procuradores estaduais da justiça quanto às polícias
estaduais e pelos promotores da República, quanto aos policiais federais.

NTRODUÇÃO AO DIREITO
INDICE
I. INTRODUÇÃO

II. FONTES DO DIREITO


LEI: CONCEITO E CARACTERÍSTICAS IV. ELABORAÇÃO DA LEI
LEI: TÉCNICA, HIERARQUIA VI. INTEGRAÇÃO DA LEI
VII. INTERPRETAÇÃO DA LEI

23
VIII. VALIDADE DA NORMA JURÍDICA IX. CONFLITOS DE LEIS NO TEMPO
X. CONFLITOS DE LEIS NO ESPAÇO
XI. SUJEITO DE DIREITO - PESSOA NATURAL XII. CAPACIDADE DE DIREITO E DE
FATO XIII. COMUNICAÇÃO HUMANA
I - INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é demonstrar que o Direito é mais que uma teoria e sim
uma mescla de conceitos e regras numa exposição objetiva, retilínea e moderna.

No desenvolvimento deste compêndio, e para que possamos realmente


compreender esta mescla, se faz necessário um acompanhamento uniforme e criterioso
obedecendo à predeterminação de um estilo simples, porém eficiente para um melhor
aprendizado.

Neste compêndio apresento vários conceitos objetivos, sem as minúcias que um


tratado exige, mas com a humildade de conhecimentos adquiridos ao longo de anos de
estudos e pesquisas.

Este trabalho certamente servirá para àqueles estão estudando “Introdução ao


Direito” e até para aqueles que estão se preparando para concursos públicos em geral.

Elaboramos estas noções básicas do direito civil, visando proporcionar ao


advogado, ao juiz e ao estudante a noção fundamental dos institutos, e o conhecimento
global do direito comum brasileiro.

Veremos a seguir por exemplo: Leis Materiais ou teóricas são as que definem
direitos e deveres, estabelecem as condições existenciais de uns e de outros, os
requisitos de constituição e gozo das situações jurídicas, os elementos dos status
pessoais, e etc.

II - FONTES DO DIREITO

1.1 Fonte material:


É a fonte histórica; aspectos sociais e políticos que levam o legislador a criar a norma-
necessidade e valores condicioneis.
Estudo filosófico ou sociológico dos motivos éticos ou dos fatos econômicos que
condicionam o aparecimento e as transformações das regras de direito.
Fundamento social da norma jurídica- situa-se fora, portanto, do campo da Ciência do
Direito. Adotaremos então o termo fonte do direito numa única acepção, que é a
seguinte, de fonte formal.

1.2 Fonte formal:


Meio técnico de realização do direito objetivo.
Processo de produção da norma jurídica.
Fonte criadora→ forma pela qual se materializam as normas.
Processos ou meios em virtude dos quais as regras se positivam com legítima força
obrigatória, isto é, com vigência e eficácia.
Para Miguel Reale, toda fonte pressupõe estrutura de poder, capaz de assegurar o
cumprimento da norma.

1.2.1 São quatro as fontes para este autor:


24
LEI
JURISPRUDÊNCIA
COSTUME
NEGÓCIO JURÍDICO

1.2.2 Quatro são as estruturas de poder que originam tais fontes:


1- Processo legislativo → Poder Legislativo→ norma se apresenta sob a forma de
diplomas
emanados dos órgãos competentes- LEI.
2- Jurisdição → Poder Judiciário.
3- Uso e costumes jurídicos → Poder social.
4- Fonte negocial→ Poder negocial ou autonomia da vontade.

1.3 Prevalência das fontes


0 conforme circunstâncias sociais e históricas de cada povo. Existem dois tipos de
ordenamento (com influências recíprocas):
Civil law → tradição romanística (nações latinas e germânicas) → primado do processo
legislativo, valor secundário às demais fontes → ius scriptum – Direito escrito. Lei como
fonte principal. Ex.: França e Brasil.
Common law → tradição anglo- americana → direito se revela muito mais pelos usos e
costumes e pela jurisprudência. Direito consolidado em precedentes judiciais →
decisões baseadas em usos e costumes prévios. Fonte principal: costumes e
jurisprudência.

1.3.1 Para outros autores fontes do direito são as seguintes:


Principal: lei;
Acessórias: costumes, analogia e princípios gerais do direito.
Para Caio Mário:

Fonte moderna do Direito → não somente a lei obriga → homem ao se associar também
cria regras de organização e estabelece sanções.
Fonte de direito seria uma só: ato jurídico (latu sensu).
preciso vontade dirigida à criação da norma e esta deve visar à produção de efeitos
jurídicos
→ manifestação de vontade para produzir efeitos jurídicos → moderna doutrina das
fontes de direito.

1.4 Espécies de atos jurídicos:


Ato-regra → manifestação volitiva criadora de norma de conduta de força obrigatória e apta
a pautar comportamento individual.
Em 1º plano: lei → manifestação do Estado.
Em 2º plano: estamos de sociedades ou associações, convenção de condomínio, convenção
coletiva de trabalho etc.
Pessoas se agrupam e elaboram normas a que se vêem submetidos
Paridade c/legislador: regras jurídicas, obrigatórias.
Diferem da lei porque abrangem determinados quantitativo de pessoas, adstritas
àquelas regras enquanto integrantes daqueles grupos.
Há manifestação volitiva naquele grupo, mas não se equipara ao contrato e sim à lei, porque
pessoas aderem. Cogência desborda para quem ingresse naquela situação.

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Ato-subjetivo → declaração de vontade, unilateral (desde que receptiva) ou bilateral, com
finalidade de produzir efeitos jurídicos entre as partes envolvidas → Princípio da
relatividade.
Ex.: contrato ( bilateral) e renúncia (unilateral receptiva). É preciso o conhecimento do
destinatário para produzir efeitos.
Ato-condição → declaração de vontade emanada de órgão público ou particular e que
coloca o indivíduo em situação impessoalmente caracterizada, embora lhe confira
condições pessoais ou subjetivas. Ex.: nomeação, admissão, naturalização, casamento.
Ato-jurisdicional → declaração de vontade do Estado, através de órgão competente, tendo
por efeito o estabelecimento de situação jurídica com força de vontade legal. Ex.:
sentença. São relativas, não se estendem a outras pessoas. Só a decisão judicial faz
coisa julgada, não a administrativa → não adotamos o contencioso administrativo.
1.5 Fonte primordial do Direito:
Costume → direito anônimo, sem paternidade, que se consolida pelo hábito.
Direito durante milênios → usos e costumes, originados de 2 canais:
Força ( moral/física de um chefe).
Religião ( temor, desconhecimento da natureza).
Aos poucos foram consolidando-se e, leis → ≠ extrínseca apenas, a princípio.
Surgindo a norma legal, vieram os órgãos de jurisdição → conhecer o direito e
declará-lo → jurisdicere.
Decisões dos pretores (jurisprudência) + saber dos jurisconsultos (doutrina):
prevalência sobre processo legislativo no mundo romano.
Ciência do Direito → surgiu com a criação dos jurisconsultos. Com a decadência do mundo
romano, a lei passou a prevalecer.

Século XV a XVIII → Ordenações → lei como fonte por excelência → expressão racional da
vontade coletiva.

Rosseau → Du Contrato Social → para ele direito é lei, porque lei é a única expressão
legítima da vontade geral.

Código Napoleão → marco da codificação → supremacia da lei. Código: sistema de


disposição congruentemente articuladas.
0 Revolução Francesa → Direito Nacional → princípio da igualdade perante a lei
pressupõe direito único para todos que habitam o território.
1 Lei → norma geral escrita emanada por órgão especialmente constituído para tal fim.
Constituição, Art. 59 → fontes legais.
2 Somente a lei, em seu sentido próprio, é capaz de inovar no ordenamento, no Direito já
existente, isto é, é capaz de conferir direitos e deveres a que todos devemos respeito.
3 Em nosso ordenamento vigora o primado da LEI-FONTE PRINCIPAL→ As demais são
secundárias.
4 EUA → Constituição escrita e Direito Privado costumeiro ≠ da Inglaterra.
OBS: Nenhum costume obriga enquanto não consagrado pelos Tribunais. Prevalecem fontes
de natureza estatal sobre as de caráter puramente social. Predomínio do processo
legislativo ou do processo jurisdicional.

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LEI COSTUMES
Certa e predeterminada Não tem origem certa
Não se sabe onde e como surge o uso ou hábito
Segurança e certeza social
Processo legislativo prefixado Anônimo
Cessa c/ advento de nova lei ou
quando Forma imprevista – surge da subconsciência social
ela mesma determinar
Tempo de duração indeterminado: perde vigência
vigência é prius; eficácia é posterius. pelo
desuso
Eficácia é prius; vigência posterius
Vigência deflui da eficácia
Juiz reconhece habitualidade com intencionalidade
ou
motivação jurídica e confere validade formal e
obrigatória
Costume Jurídico: 2 elementos:
Repetição habitual de um comportamento durante certo período de tempo
↓(elemento objetivo)
2) consciência social da obrigatoriedade desse comportamento
↓(elemento subjetivo)
Costume jurídico → reconhecido pelo tribunal.
Contra legem → não pode → lei não perde eficácia por falta de aplicação.
Consuetudo praeter legem → supre deficiência da lei.
conseutudo secundum legem → complementa lei → costume interpretativo.
Jura novit curia → juiz conhece o direito → princípio certo quanto à lei, que deve ser
conhecida pelo juízo e não precisa ser provada pela parte (exceto o direito estadual e
municipal).
Costume → Juiz não é obrigado a conhecer. Deve ser provado em havendo contestação
da parte ou determinação ex officio do juiz.
Art. 4º LICC → consagrou costume.
Utilizado no Direito Comercial e Internacional.

Jurisprudência → decisões reiteradas dos Tribunais num determinado sentido.


Forma de revelação do direito que se processa através do exercício da jurisdição,
em virtude de uma sucessão harmônica de decisões dos tribunais.
Série de julgados que guardam entre si continuidade e coerência.
Repetição interativa e constante do pronunciamento dos Tribunais.
Para Caio Mário é fonte prática e não formal, sendo apenas fonte informativa ou
intelectual do Direito.
Mantém a atualidade da norma, adaptando-a as transformações econômicas e sociais.
Súmula → enunciados normativos que resumem teses consagradas em reiteradas
decisões. Julgamento tomado pelo voto da maioria absoluta dos membros que integram
o Tribunal →
Precedente na uniformização da jurisprudência → atenua contraste inevitáveis no plano
interpretativo.
Juiz é autônomo → caminhos novos na aplicação e interpretação.
Súmula não é força obrigatória – Juizes têm poder-dever de julgar segundo suas
convicções.
Súmula vinculante → decisão proferida pelos Tribunais- órgãos colegiadas.

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Poder negociar → força geradora de normas jurídicas.
0 normas particulares e individualizadas também disciplinam experiência jurídica.
Normas particulares → negociais → contratuais (cláusulas).
Homem → capaz → estipula negócios para realizar fins lícitos.
Esfera de ação privada → poder de disposição de cada ser.
Autonomia da vontade → poder que tem cada homem de ser / agir / omitir-se nos limites da
lei, tendo por fim alcançar algo de seu interesse → bem jurídico.
Busca atender múltiplas e imprevista exigências da vida contemporânea.

Doutrina → diretiva teórico-prática. Trabalho científico dos juristas.


Não é fonte: não se desenvolve em estrutura de poder não vincula o juiz depende da
inclinação do jurista, que não tem responsabilidade.
Direito científico, dos juristas.
Modelos dogmáticos; esquema teóricos.
Se desenvolver a partir de normas vigentes, posta–dogma: aquilo que é posto por quem
tenha autoridade para tanto.
Necessária como antecedente da lei e para atualização desta.
Modelos científicos p/ compreender significado dos modelos jurídicos.

0 - LEI: CONCEITO E CARACTERÍSTICA


Lei → principal fonte formal do Direito. Norma geral e permanente, editada pela autoridade
soberana e dirigida coativamente à obediência dos cidadãos.
Direito escrito → origem em Roma → tábuas de mármore ou bronze.
Características:
0 Ordem → comando imperativo do Estado ao indivíduo.
Determinação do legislador, ordenando ou proibindo, de cumprimento obrigatório.
0.0 Imperativo → o que se deve fazer (fazer obrigatoriamente)
0.1 Proibitivo → o que não se deve fazer (abstenção).
1 Generalidade ou abstração → não se pode personalizar o destinatário da norma. Esta
deve ser aplicável à totalidade ou categoria de indivíduos. Se dirige indistintamente a
todos, não pode particularizar ou individualizar, mas pode abranger parcela da
sociedade, categoria de indivíduos, aplicando-se a todos que se encontrem naquela
situação.
• Universalidade – porque todos são iguais perante a lei.

2 Permanência → duração, extensão no tempo → não pode se destinar a uma única


aplicação, senão será lei formal apenas.

3 Deve emanar de autoridade competente → estatualidade. Auto-limitação da soberania


→ legislador deve observar limites de sua competência, se sujeitando à lei. Subdivide-se
em:

3.0 Legitimidade do órgão: iniciativa, aprovação → esta é função do legislador;


3.1 Competência ratione materia: entre órgão de direito público interno → Congresso,
Assembléias, e Câmara dos Vereadores. É em razão da matéria;
3.2 Legitimidade do procedimento: de acordo com regimento interno da Casa
Legisladora, que prevê os trâmites.

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4 Coercibilidade → está ligada ao dever jurídico. Na falta da sanção jurídica, o dever é
extra-jurídico, atuando sobre a consciência apenas.
Sanção → via direta ou indireta → apenas ou consequências civis outras a serem
impostas.

Sanção direta: penhora, prisão.


Sanção indireta: fiscalização, indenização, anulação de atos etc.

Heterogeneidade ou heteronomia → lei prevalece independentemente da vontade dos


destinatários → vigência independe de concordância da sociedade.

Bilateralidade → quando concretamente aplicada: titular do direito subjetivo e titular do


dever jurídico; sujeito ativo e sujeito passivo- art. 75 do Código Civil.

IV - ELABORAÇÃO DA LEI

Processo Legislativo → Conjunto de atos preordenados visando à criação de normas de


Direito.
Conjunto de regras que informa a elaboração da lei.
Elaboração compete ao Poder Legislativo com a colaboração do Executivo.
Regime bicameral → projeto de lei é submetido às duas Casas do Congresso Nacional
(Câmara e Senado Federal). Aprovado por uma, é revisto por outra e enviado ao
Presidente, se casa revisora aprovar, ou arquivado, se rejeitar- art. 65, CF. Se
emendado, volta à casa iniciadora.
Aprovado em ambas, projeto é enviado ao Presidente para sanção, promulgação e
publicação.

Tramitação = procedimento

Ciclo elaborativo → iniciativa, discussão, votação, sanção, promulgação e publicação.


↓ ou veto

Discussão e votação – duas fases que são chamadas por alguns autores
englobadamente de aprovação

Iniciativa: art. 61, CF → faculdade de se apresentar projeto de lei ao legislativo. Impulso


inicial.
Pode ser:
Concorrente: quando iniciativa é afeta a mais de uma pessoa ou órgão;
Exclusiva: afeta a uma só pessoa ou órgão.

Iniciativa popular: art. 61, § 2º, CF.


Participação direta do cidadão
Soberania popular: forma de democracia direta.

Aprovação → estudos, debates, redações, emendas, discussão, e votação.


Estudos: pareceres de comissões técnicas.
Emendas: modificações nos projetos de lei.

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Discussão – na Câmara e no Senado. Aprovado por uma casa é revisto por outra,
voltando à origem se a 2ª casa fizer emendas- art. 64, CF.

Não há prazo para aprovação, mas Presidente pode pedir urgência.

Sanção → ato pelo qual chefe do Executivo manifesta sua concordância com o projeto
de lei aprovado pelo legislativo. É a aprovação do Executivo à deliberação do legislativo.
Transforma projeto de lei em lei. Lei nasce com a sanção.

Sanção pode ser:


expressa → Presidente da República (chefe do Poder Executivo) declara anuência- assina
projeto de lei, convertendo-o em lei.
Tácita → Presidente deixa passar prazo de 15 dias úteis do recebimento do projeto. Seu
silêncio importa em sanção.

Veto → ato pelo qual o Presidente manifesta discordância com o projeto de lei
apresentado. É a manifestação contrária à conversão do projeto de lei em lei- art.66, §
1º, CF.

Presidente do Senado, comunicado pelo Presidente da República através de


mensagem, convoca as duas casas do Congresso para apreciar o veto em sessão
conjunta: art. 66, § 4º, CF.
Voto da maioria absoluta rejeita então o veto, convertendo o projeto de lei antes
vetado em lei. A lei, após, é enviada para promulgação ao Presidente da República.
Caso não obtido o voto da maioria absoluta dos membros do Congresso, prevalece
o veto presidencial → morre o projeto de lei na parte vetada.

Promulgação → ato pelo qual se atesta existência formal e regularidade da lei.


Proclamação.
Ocorre ao mesmo tempo em que a sanção, na seqüência natural imediata desta.
Publicação → torna a lei obrigatória na data indicada para a vigência. Omitida esta data,
a vigência se dará 45 (quarenta e cinco) dias após a publicação. É a divulgação,
tornando a lei conhecida de todos → presume-se tal conhecimento geral. É a difusão do
texto legal.
Publicação se dá através do Diário Oficial.
Antigamente, o pregão era anunciado a toque de tambor: divulgação simbólica apenas.
O Poder Executivo colabora de duas maneiras no processo de elaboração das leis:

1ª) Iniciativa do Presidente → ler art. 61, § 1 º, CF → leis pertinentes a servidores, forças
armadas etc. → impulso inicial reservado ao Executivo.
2ª) Sanção, promulgação e publicação.

Medida Provisória → submetida ao referendo do Congresso;


Perde eficácia se não convertida em lei em 30 (trinta) dias.
Procedimento legislativo próprio.
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V - LEI: TÉCNICA, HIERARQUIA E CLASSIFICAÇÃO

1- Classificação quanto à hierarquia.


As normas hierarquicamente inferiores não podem contrariar nem revogar as superiores.

Constitucionais → normas que disciplinam a organização estrutural do Estado e os direitos


fundamentais do homem. Normas mais importantes do ordenamento, superiores a todas
as demais, denominadas infraconstitucionais.

Complementares → Ex. Lei da Magistratura; votadas pela legislatura ordinária para


regulamentar condições de aquisição e exercício de direitos constitucionais não auto
executáveis. Art. 59 e 69 CF.
Tem como função tratar de certas matérias que a constituição entende que deva ser
reguladas por normas mais regidas.

Ordinárias → votadas pelos órgãos que a Constituição investiu da função legislativa – Poder
Legislativo com colaboração do Executivo.
O quorum legislativo exigido para sua aprovação é especial, isto é, maioria absoluta.
Abaixo das Leis ordinárias tem-se decretos e regulamentos, para pautar a execução
da lei, de competência do Poder Executivo.
Tais decretos são diferentes dos decretos legislativos, provisões do Poder
Legislativo em matérias de sua estrita competência – art. 48 c/c 59, VI, CF.

Classificação quanto à extensão territorial.


Não é hierarquia e sim distribuição de competência, própria dos países de
organização federativa, como o Brasil.
Leis federais → votadas pelo Congresso Nacional para aplicação em todo território, salvo
exceções de leis para regiões – art. 22 CF.
Estaduais → votadas pelas Assembléias Legislativas para ter aplicação restrita à
circunscrição territorial do Estado.
Leis ordinárias : São frutos da atividade típica e regular do poder legislativo. Ex. Código
Civil, Penal, defesa do consumidor e etc.
Municipais → votadas pela Câmara dos Vereadores para ter vigência nos limites do
município – art. 29 CF.
Municípios podem legislar sobre matéria de seu interesse, impostos de sua competência
e organização dos serviços públicos locais - autonomia municipal.

Doutrina dos Poderes Implícitos → art. 25, § 1 º CF → Estado pode legislar sobre o que
não foi expressamente vedado na Constituição, desde que não seja inconstitucional e
diga respeito à sua administração, governo e serviços ( competência subsidiária ou
implícita). Tais poderes são reservados constitucionalmente.

VI - INTEGRAÇÃO DA LEI

Se juiz não encontrar norma adequada ao caso concreto, cuja interpretação


permita solução, constatando lacuna ou omissão legislativa, deve proceder à integração
da lei.

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Meios de interpretação – art. 4º, LICC: tais meios não têm efeitos generalizantes como
lei, só são aplicados no caso concreto, havendo lacuna.
Obs.: LICC – Lei de Introdução ao Código Civil.
Artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil → legislador não prevê todas as situações,
mais juiz não pode se abstiver de decidir.
Complexidade da vida social ocasiona situações não previstas.

Artigo 126 do Código de Processo Civil : “O juiz não se exime de sentenciar ou


despachar alegando lacuna ou obscuridade na lei. No julgamento da lide caber- lhe- á
aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá à analogia, aos costumes e aos
princípios gerais de direito”.

Princípio da completude do ordenamento jurídico → a lei pode ser lacunosa mais o


sistema não – plenitude lógica do sistema.
Juiz não pode se escusar da decisão, deve interpretar a norma e integrá-lá.
Ordenamento jurídico fornece ao juiz os meios de integração;
Por isso podemos dizer que o sistema é lacunoso, mas tão somente a lei.
Toda a relação humana se contém na disciplina jurídica.

Meios de integração:
Analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio) – à situação semelhante, mesma regra
de direito → aplica-se à hipótese não prevista em lei um dispositivo legal a caso
semelhante.
0o processo lógico pelo qual o aplicador do direito estende o preceito legal a casos
não diretamente compreendidos em seu dispositivo.
Dois elementos básicos: omissão (vazio no texto legal) e semelhança.
aplica-se a lei do caso similar, se não há lei específica.
Analogia não é admitida no Dir. Penal, que restringe liberdade individual, a não ser
para beneficiar o acusado.

1.1 – Analogia legis ou legal → se estende o dispositivo da lei ao caso não previsto mas
semelhante.
Aplicação da norma a casos não previstos mas que com ela guardam identidade de
razão.
Ex. 1: Lei 2.681/12 – responsabilidade das Cias de estrada de ferro – aplicada a todas
as espécies de transporte.
Ex. 2: Mandado de injunção – utiliza-se o procedimento do Mandado de Segurança, já
que ambos são remédios heróicos constitucionais.

1.2 – Analogia iuris ou jurídica → extrai-se princípio comum, pensamento dominante de


conjunto de normas ou preceitos e aplica-se a caso não previsto. Semelhante à
interpretação sistemática.

Costume → prática reiterada de um comportamento com a convicção de sua


obrigatoriedade. Já estudado e melhor analisado na apostila relativa às fontes do direito.
Costume:
Como fonte de direito( efeito generalizante);
Como meio de integração (em caso de lacuna).

32
Princípios gerais do direito → buscam-se no ordenamento os princípios comuns,
dominantes, basilares – orientação geral do ordenamento – regras universalmente
aceitas, mesmo não escritas.
Manifestação do próprio espírito de uma legislação. Elementos fundamentais da
cultura jurídica.

Princípios imanentes no espírito do sistema jurídico. Permissas implícitas a que


legislador se sujeita. Substrato comum de diversas normas positivas.

Exemplos:
reforço de núcleo familiar;
os contratos devem ser cumpridos (pacta sunt servanda);
não se pode transferir mais direito do que se possua;
ninguém pode invocar a própria malícia, ou se valer da própria torpeza;
boa- fé como pressuposto da conduta jurídica;
equilíbrio dos contratos;
proibição do enriquecimento (ou locupletamento) ilícito ou sem causa.

Equidade → justiça do caso concreto, amenização do rigor da lei a face circunstância


concretas.
“summum ius, summa iniuria” = o rigor dos preceitos atenta contra o próprio direito.
Juiz aplica a norma que estabeleceria se fosse legislador.
Humanidade do direito.
Justiça no caso dado, aplicando-se o direito de forma a satisfazer às necessidades
sociais.
Peculiaridades do caso concreto podem fazer com que a aplicação da lei dê lugar a
conseqüências que se chocam com nosso sentimento de justiça.
Assim, quando, diante do caso, ocorre alguma circunstância que o legislador não
chegara a prever, ou de que não se dera conta ao expedir o comando legislativo, pode o
julgador temperar a severidade da norma através da equidade.
“O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei” – artigo 127 do Código
de Processo Civil. É necessária, portanto, a autorização legislativa.
Artigo 6º Da Lei n° 9.099/95, que rege os juizados Especiais Cíveis e Criminais: “O
juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos
fins sociais da lei e às exigências do bem comum”.
O emprego da equidade há de ser moderado, já que o juiz não pode reformar o
direito sob o pretexto de julgar por equidade, nem lhe é dado negar vigência à lei sob
fundamento de que esta contraria ideal de justiça.

VII - INTERPRETAÇÃO DA LEI

Interpretação → explicita o que leis dizem → seu significado e conteúdo.


Busca o sentido da norma, seu alcance, à medida que vai ser aplicada no caso concreto.
Interpretação permite entendimento e a compreensão da lei:
visa conservar, vivificar e atualizar preceitos ditados há anos
integração e construção do direito.

33
7.1 Hermenêutica
HERMENÊUTICA – ciência da interpretação, das técnicas próprias do fazer
interpretativo.
A origem do termo hermenêutica tem como referência Hermes, o enviado divino que, na
Grécia antiga, levava a mensagem dos deuses aos homens.
Significa trazer algo desconhecido e ininteligível para a linguagem dos homens.
Importância da interpretação no presente – para o entendimento do conteúdo real da norma
hoje.
Importância no futuro – para adequação da norma às situações novas.
Cabe ao intérprete, que é o aplicador da lei, adequá-la ao momento presente, conferindo-
lhe o melhor significado de direito.
Não aplicação sem interpretação → deve-se escolher a melhor, diante das várias possíveis.
Direito é dialético (argumentativo) e, portanto, passível de diversas interpretações.

Vejamos a agora alguns conceitos e um breve histórico sobre a hermenêutica


jurídica e até teológica.

7.2 Histórico e Conceitos:


Hermenêutica, na sua acepção mais geral, é a interpretação do sentido das palavras.
Esse sentido das palavras, que cabe à Hermenêutica interpretar, restringe seu
campo à linguagem verbal,. excluído, assim, o conceito amplo de linguagem, aquele que
abarca.
“toda as formas que servem a propósitos comunicativos”.
Entre os Gregos:
A palavra hermenêutica provém do grego hermeneúein, interpretar, e deriva de
Hermes, deus da mitologia grega, considerado o intérprete da vontade divina.
No Örganon”, de Aristóteles, encontramos o mais remoto emprego do vocábulo
hermenêuticas, tal como o traduziu Theodor Waitz, em 1844.
7.3 Entendimento dos Filósofos:
Grande prestígio ganhou a Hermenêutica quando se intensificou o interesse pela
interpretação das Sagradas Escrituras. Isso ocorreu, especialmente, a partir do século
XVI, com Mathias Flacius Ilyricus.
A Hermenêutica afirma-se como disciplina filosófica em 1758, ano em que Georg
Friedrich Maier escreve uma obra, defendendo sua importância no campo da
especulação.
Segundo Heidegger, a Hermenêutica é o estudo do compreender. Compreender
significa compreender a significação do mundo. O mundo consiste numa rede de
relações, é a possibilidade de relações. Pode-se organizar o mundo matematicamente;
pode-se conceber o mundo teologicamente; pode-se interpretar o mundo como
linguagem, que é o que interessa ao hermenêuta. Então, o mundo se torna dizível, o
mundo é convertido na linguagem que nós utilizamos.
A Hermenêutica é sempre uma compreensão de sentido: buscar o ser que me fala
e o mundo a partir do qual ele me fala; descobrir atrás da linguagem o sentido radical, ou
seja, o discurso.
Heidegger, Husseri e os demais filósofos da corrente fenomenológica entendem
que só se possa compreender o homem e o mundo a partir de sua facticidade.
Dentro dessa concepção, toda hermenêutica é uma metafísica, uma ontologia
fenomenológica.

34
A lei é uma forma de comunicação humana. Forma imperativa de comunicação,
destinada a regular a conduta de um grupo social e emanada de um homem, de um
grupo de homens, de uma classe, ou da totalidade do grupo social, para traduzir os
interesses absolutos da classe minoritária dominante, numa sociedade de opressão
ilimitada, ou para expressar soluções de compromisso, numa sociedade onde os
dominados tenham possibilidade de fazer valer uma força, ou para estabelecer a
igualdade e o direito de todos, uma sociedade que tenha superado, ou esteja em vias de
superar, forma de dominação e exploração.
A hermenêutica jurídica é parte desse processo de comunicação.
David Berio assinala a presença de seis elementos no processo completo de
comunicação:
a fonte, o codificador, a mensagem, o canal, o decodificador e o receptor.
Creio adequado utilizar o esquema de David Berio para dissecar o processo de
comunicação que se efetiva através da lei. Teremos, então: como fonte, o legislador;
como codificador, a palavra escrita; como mensagem, o conteúdo da lei; como canal, o
pergaminho, o jornal ou o livro no qual de faça o registro do texto legal; como
decodificador, a leitura; como receptor, a pessoa a quem a lei é dirigida, a qual opera o
processo de decodificação.
Embora a lei seja codificada, normalmente, através da palavra escrita, uma
exceção à regra são os sinais de trânsito, que obrigam sob sanção, com características
de lei, e que não se limitam ao uso da palavra escrita mas apelam também para o
desenho.
A palavra sob a forma escrita (em oposição forma oral) é, modernamente, o código
obrigatório para o legislador.

7.4 No Brasil:
No Brasil, a lei entra em vigor quarenta e cinco dias depois de oficialmente
publicada, salvo disposição contrária.
Na prática, porém, a palavra escrita não é o único nem o principal veículo de
comunicação entre o legislador e o receptor. O rádio e a televisão noticiam a
promulgação das leis antes de sua publicação na imprensa oficial. E depois de ter sido a
lei publicada oralmente, pela circulação verbal da notícia.
A comunicação será tanto mais fiel quanto menor número de fatores, nas diversas
etapas do processo, influírem na interação da mensagem que fonte pretenda transmitir
ao receptor. No caso da comunicação através da lei, a fonte deve cuidar da fidelidade à
mensagem, no momento da codificação. Contudo, desprestigiada, modernamente, a
idéia de que o intérprete deveria descobrir e revelar a vontade, a intenção do legislador,
o processo hermenêutico parte da mensagem já codificada.
A expressão hermenêutica jurídica é usada com diferente extensão, ou acepção
pelos autores.
Com frequência, vê-se hermenêutica jurídica usada como sinônimo de interpretação da
lei.
Outras vezes, é dado aos vocábulos um sentido, que abrange a interpretação e a
aplicação.

Carlos Maximiliano distingue Hermenêutica e Interpretação. A Hermenêutica é a


teoria científica da arte de interpretar. Tem por objeto
“o estudo e a sistematização do sentido e o alcance das expressões do Direito”.
A interpretação é a aplicação da Hermenêutica.
Ainda Carlos Maximiliano observa que
“interpretar uma expressão de Direito não é simplesmente tornar claro o respectivo
dizer, abstratamente falando; é conducente a uma decisão reta”.
35
Interpretar é aprender ou compreender os sentidos implícitos nas normas jurídicas.
É indagar a vontade atual da norma e determinar seu campo de incidência. É expressar
seu sentido recorrendo a signos diferentes dos usados na formulação original.

A interpretação é tarefa prévia, indispensável à aplicação do Direito.


A aplicação do Direito consiste em submeter o fato concreto à norma que o regule.
A aplicação transforma a norma geral em norma individual, sob a forma de
sentença ou decisão administrativa.
Quando para o fato não há norma adequada, o aplicador preenche, através da
integração do Direito.
Quando para o fato não há norma adequada, o aplicador preenche a lacuna,
através da integração do Direito.
- A integração é o processo de preenchimento das lacunas existentes na lei.
Na interpretação, parte-se da lei, para precisar-lhe o sentido e o alcance. Na
integração, parte-se da inexistência de lei.
Se existe a norma, o aplicador, a grosso modo, enquadra o fato na norma.
Na pesquisa da relação entre o caso concreto e o texto abstrato, entre a norma e o
fato social, a tarefa do aplicador, sobretudo a do juiz, não se resume, contudo, a um
mero silogismo, no qual fosse a lei a premissa maior, o caso, a premissa menor, e a
sentença judicial, a conclusão.
A liberdade maior ou menor do juiz, no julgar, a irrestrita submissão à lei ou o
abrandamento dessa submissão, em diferentes graus, marcam posturas ligadas às
diversas escolas hermenêuticas.
Vejo a evolução da Hermenêutica, em geral, e da Hermenêutica Jurídica, em
particular, refletindo a evolução das idéias sobre o homem e seu papel no mundo; de
uma preocupação em investigar a vontade do legislador, entendido como se onipotente,
passou-se para a posição, mais liberal, de pesquisa da própria lei, como produto social,
fruto da consciência jurídica do povo, segundo seus pregoeiros.
O novo salto que penso deva ser dado, corajosamente, pelo aplicador do Direito,
sobretudo pelo juiz, impõe que este não se enclausure na sua ciência, causadora de
rigidez preceptiva, mas que se abra às outras ciências, à Economia, à Política, à
Sociologia, à Psicologia, e que se deixe tocar pela influência das correntes
fenomenológica e existencialista, bem como das escolas sociológicas.
Os processos de interpretação são os recursos de que se vale o hermenêuta para
descobrir o sentido e o alcance das expressões do Direito
A interpretação incide sobre a lei e as demais expressões do Direito, e não sobre o
próprio Direito
A lei é a forma, o Direito é o conteúdo; a interpretação recai sobe a forma,
buscando o conteúdo, já a aplicação é do Direito; ante o fato concreto a tarefa do
aplicador, revelado o conteúdo da lei, sua substância, é fazer prevalecer esse conteúdo.

A lei não evolui. Segue com passo tardo a mudança social. O Direito, entretanto,
pode acompanhar as transformações econômicas, políticas e sociais. Ao intérprete e ao
aplicador cabe responder ao desafio de dinamizar a lei, para que não seja força
retrógrada dentro da sociedade.

Como observou Emmanoel Augusto Perillo, o conteúdo da lei é inteiramente vago,


dentro de sua esquematização lógica; sem a intervenção do hermeneuta, a lei morre no
tempo.
Os processos de interpretação são também chamados elementos de interpretação,
métodos ou modos de interpretação, fases ou momentos da interpretação, ou critérios
hermenêuticos.
36
Os processos de interpretação não ocorrem ao intérprete numa ordem sistemática,
mas numa síntese imediata.
Esse caráter unitário da atividade hermenêutica aconselha que se encarem os
processos de interpretação como momentos do processo global interpretativo, de
preferência a conceituá-los como métodos.
Pós reconhecer que o processo interpretativo não obedece a uma ascensão
mecânica das partes ao todo, mas
“representa antes uma forma de captação do valor das partes, inserido na estrutura da
lei, por sua vez inseparável da estrutura do sistema e do ordenamento”
Miguel Reale promugna por uma hermenêutica estrutural.
C.H. Porto Carreiro defini-se por um método hermenêutico dialético, que
“abrange realidade como um todo e, como um todo, a examina, procurando tudo quanto
existe na letra e no espírito da lei”.
Embora haja variações terminológicas, de um autor para outro, se queremos
buscar o máximo de abrangência e pormenorização, podemos enumerar como
momentos (ou processos) de interpretação os seguintes:
momentos (ou processos) literal, gramatical ou filológico; momentos (ou processos)
lógico ou radical;
momentos (ou processos) sistemático ou orgânico; momentos (ou processos) histórico
ou histórico-evolutivo momentos (ou processos) teológico momentos (ou processos)
sociológico

7.5 Classificação da interpretação quanto à origem:

Autêntica → por via de lei, destinada a esclarecer à anterior. Lei interpretativa é considerada como a
própria interpretada.
Judicial → pelas cortes de justiça, juízes – não obriga aos demais.
Doutrinária → obra do jurisconsulto, em trabalho teórico ou parecer.

7.6 Técnicas interpretativas: Savingny


Interpretação gramatical ou literal → sentido vocabular da lei – pesquisa do sentido pela
observação da linguagem – significado (específico) dos vocábulos e sua colocação na
frase. Letra da norma é o ponto de partida da interpretação.

Três regras:
Deve prevalecer o sentido específico e técnico dos vocábulos. Ex.: juiz competente;
A lei não contém palavras inúteis;

A interpretação não pode nunca conduzir ao absurdo.


0 Interpretação lógica ou racional → sentido proposicional da lei → motivo ou causa
determinante (ratio), momento histórico (occasio legis), finalidade (vontade objetiva da
lei) e comparação com outras normas.

7.7 Princípios da interpretação lógica:


prevalência do especial sobre o geral;
37
se legislador não distingue, não cabe ao intérprete distinguir.

0 Sistemática → decorre do princípio da unidade do ordenamento jurídico, que deve ser


harmônico. Normas têm que se integrar, compatibilizar. Princípios mais amplos
subordinam e norteiam interpretação. Norma não pode ser entendida isoladamente.
Solução é buscada no sistema dentro do qual norma é inserida. Interpretação busca
idéias gerais. Isola o princípio informativo para aplicá-lo no entendimento da lei. Ex.
Proteção ao contratante mais fraco, no Código de Defesa do Consumidor.
1 Histórica → 2 facetas:
1ª) busca-se sentido da norma nos trabalhos preparatórios – processo legislativo (atas,
discussões, exposições de motivos), na intenção e vontade do legislador.
2ª) perquire-se o que havia antes da lei e o que foi alterado, para inferir o que o
legislador quis alterar, qual seu objetivo.
Crítica à interpretação histórica: reflete manifestação de apenas alguns membros do
Congresso, já que a maioria vota sem discutir, sem participar ativamente dos trabalhos
preparatórios. Não se deve buscar intenção daquilo que alguém disse (aspecto
subjetivo) mas sim do que está dito. Não se pode forçar a interpretação da lei, ela deve
ser fluente e dizer o que está dito.

A 2ª faceta é mais objetiva e por isso mais aceita.


A 1a faceta não é muito utilizada. Tal técnica de interpretação, apesar de ajudar a
compreender o alcance, as razões ou o objetivo da lei, não pode fixar seu real conteúdo.
A Vontade da Lei se desvincula da Vontade do Legislador. Esta é subjetiva, não
tem relevância, só colaboração secundária.
Interpretação e sentido da lei visa à disposição objetiva desta, fatores objetivos,
termos, interesses e situações da sociedade da época.

Lhering – jurisprudência dos interesses → julgador deve decidir conforme valoração dos
interesses expressos na norma, conforme o querer objetivo da própria lei.

7.8 Determinação do alcance da norma jurídica:

Interpretação declarativa ou especificadora → concidência entre sentido, espírito da lei


(mens legis) e sua letra. Interpretação se encaixa perfeitamente na situação examinada.
Interpretação restritiva → quando lei diz mais do que pretendia dizer – plus dixit quam voluit
→ vontade da lei é retificada. → Limita o sentido da norma, apesar do texto ter amplitude
maior. Razão: teleológica, fim a que a lei se destina. Ex.: Normas que restringem direitos
individuais, normas excepcionais – aplicação restrita, que não pode ser estendida.
A lei que abre exceção a regras gerais ou restringe direitos só abrange os casos que
especifica.
Interpretação extensiva → lei diz menos do que pretende → minus dixit quam voluit →
amplia sentido da norma – aplica-a a situações não expressas, mas dentro de seu
espírito.

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Escola Tradicional → lei como fonte exclusiva do direito → amor ao texto, à
interpretação e vontade do legislador.
Positivismo → pequena flexibilidade interpretativa → apego à letra da lei, interpretação
restritiva → levou ao nazismo e fascismo.

Reação às técnicas restritivas de Svingny – Novas técnicas de interpretação:


Método teleológico → busca o fim social da lei → necessidades e exigências do bem
comum
– LICC, art. 5º .
Método axiológico → valores sobre os quais o direito se assenta.
Método sociológico → conforme as bases sociais – condicionantes sociais do direito.
Direito alternativo → julga-se conforme os fatos → liberdade judicante → conduz à
instabilidade → juiz não pode decidir o que é justo, não é legislador – contraria o
princípio da separação dos poderes. Leva a um exagerado subjetivismo – juiz sem
controles, sem limitações.

Escola tradicional X Escola da livre indagação científica


(direito alternativo)

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Posição correta do intérprete: termo médio, pensamento moderado.
Não negar supremacia da lei escrita mas ver que a norma é um produto da sociedade
organizada e tem a finalidade social de realizar o bem comum.
Não pode o aplicador “julgar” a própria lei ou recusar-lhe aplicação. Não pode perdê-la de
vista.
Aplicação da lei deve atender à sua finalidade social (justiça social) e às exigências do bem
comum – art. 5º da LICC.
Modernização da hermenêutica- entendimento real da norma em função de sua utilidade e
adaptação às injunções da vida social contemporânea.

Fins sociais – são resultantes das linhas mestras traçadas pelo ordenamento visando ao
bem- estar e à prosperidade do indivíduo e da sociedade.
Exigências do bem comum – elementos que impelem os homens para um ideal de
justiça, aumentando-lhes a felicidade e contribuindo para seu aprimoramento.
OBS: As variadas técnicas de interpretação se completam não se excluem.
Interpretação conforme a Constituição: princípios constitucionais como condicionantes à
aplicação das normas. Interpreta-se lei conforme regras e princípios constitucionais.
Diz-se qual interpretação deve ser dada para que norma seja constitucional, dando-a
efetividade ao invés de declarar sua inconstitucionalidade → interpretação
constitucional.
Supremacia da Constituição – Códigos devem se adequar a ela. Harmonização do
ordenamento e maior efetividade à Constituição. STF já a reconhece.
Leis presumem-se constitucionais – princípio da presunção da constitucionalidade das leis.
Controle jurisdicional da constitucionalidade das leis: Poder Judiciário.
Técnica moderna de interpretação e aplicação das normas → além do sistema lógico-
formal (interpretação lógica e sistemática), deve-se atentar às peculiaridades do caso
concreto, através da equidade, não como fonte formal, mas como critério de
interpretação:
lógica do razoável – influência do direito anglo-saxão
realismo jurídico - interpretação construtiva da norma, que não pode levar ao absurdo.
7.9 Conclusão:
Para bem interpretar a lei, o juiz não pode ser formalista, dogmático, apegado a fórmulas
legais.
direito transcendente o texto da norma, que é estático, e está ligado à realidade social, que
é dinâmica.
Interpretar, antes de mais nada, significa sensibilidade social e postura crítica, além do
saber jurídico, dos conhecimentos científicos e das verdades naturais de que o julgador
necessita.

VIII - VALIDADE DA NORMA JURÍDICA


VIGÊNCIA. REVOGAÇÃO.

Encerrado o ciclo de elaboração, com publicação → vigência → “vida da lei”.


Início, continuidade e cessação da vigência → leis nascem, existem e morrem.

Início da vigência → segundo o que a lei própria estabelece – pode ser no mesmo dia
da publicação (pode ou não coincidir) ou qualquer outra data, conforme necessidade de
maior estudo/divulgação.
Vocatio legis → lapso de tempo entre publicação e termo inicial de obrigatoriedade da
lei. Tem por finalidade o conhecimento e estudo desta.
No silêncio da lei tal prazo será de 45 dias. Antes, norma não obriga.
LICC, artigo 1º - início da obrigatoriedade sob o império do prazo único ou simultâneo,
em todo país, 45 dias após a publicação.

Princípio da obrigatoriedade das leis → art. 3º, LICC → submissão de todos ao seu
império → Ninguém pode se escusar sob a alegação de desconhecê-la – interesse da
vida social organizada – necessidade de convivência – segurança jurídica. Teoria da
presunção, na ficção e razão de interesse da vida social, da segurança jurídica.

Princípio da continuidade das leis → art. 2º, LICC → lei existe até que seja revogada por
outra – ordem permanente, não eterna – começo certo e fim preciso – revogação.
Desuso não importa em revogação.
Art. 2º, LICC → lei existe viva, persiste e eficaz, passível de aplicação, enquanto não se
extinguir pelo meio regular. Persistência e permanência. Se sustenta até surgimento de
força contrária à sua vigência, emanada de outra lei.
Validade formal → vigência.
Validade fática → eficácia.
Cessação da vigência das leis:
temporária → já traz em si o prazo para vigência, o início e o término, condicionado a condição ou
termo. Pode ser prorrogada tácita (leis orçamentárias) ou expressamente (por outra lei).
Se norma decorre especificamente de circunstância de fato (guerra, por exemplo),
cessada esta, extingue-se a lei. Mas motivos outros que a inspiraram não fazem cessar.
Revogação → votação de outra lei para cessar eficácia da primeira.

Pode ser:
Total → denomina-se “ab-rogação” → lei desaparece.
cial → denomina-se “derrogação” → parte da lei perde obrigatoriedade, parte não (alguns dispositivos
apenas).

Expressa → quando há declaração inserta na lei revogadora, declarando extinto todos


ou alguns dispositivos de outra.
ita ou indireta → quando há incompatibilidade entre leis. Prevalece a lei mais recente (art. 2 º, §1º,
LICC).
Lei nova pode regular inteiramente a matéria da lei anterior, que deixa de existir, sendo
substituída, ou pode regular apenas parte da matéria antes regulada por outra
contradição parcial. Na ausência de incompatibilidade, cada uma regerá o que lhe
pertence. Intérprete verificará coexistência ou não.
Leis geralmente terminam com dispositivos no qual declaram ficar revogadas as
disposições em contrário – revogação tácita → não se referem a dispositivo diretamente
atingido.
Princípio da incompatibilidade
Competência para revogar é de quem pode elaborar a lei, já que a revogação se dá por
intermédio de outro diploma legal.
Só pode revogar a lei quem pode votá-la Ex.: Lei estadual – Assembléia estadual.
Se norma hierarquicamente superior é votada, as inferiores incompatíveis se revogam.
Lei revoga decretos regulamentares com ela incompatíveis.

ssação da lei pelo senado → decorrente de declaração de inconstitucionalidade do STF num caso
concreto, em grau de recurso – art. 52, inciso X, CF. Não , é revogada, que pressupõe
outra lei, é hipótese especial de cessação de eficácia. Suspende-se a execução da lei,
que perde força obrigatória e não pode mais ser invocada.
Repristinação – art. 2º, § 3 º, LICC → não é automática. Lei revogadora de outra lei
revogadora não tem efeito repristinatório sobre a velha lei abolida, senão por disposição
expressa. Supre-se lacuna, se houver, por meios de integração previsto no artigo 4 º da
LICC.

IX- CONFLITO DE LEIS NO TEMPO


DIREITO INTERTEMPORAL

A lei tem vigência para o presente e para o futuro. Tem efeito geral e imediato (após
publicação e vacatio legis, se for o caso).
Conflito intertemporal → por qual das duas leis, nova ou velha, devem ser reguladas as
conseqüências dos fatos ocorridos antes de entrar em vigor a lei revogadora?

Dois princípios que norteiam dir. Intertemporal:

Lei do progresso social → lei nova é retrato das necessidades e anseios da sociedade –
presume-se melhor e mais perfeita – progresso jurídico.
Princípio de segurança e estabilidade social → respeito pelas relações validamente criadas,
sob a garantia e proteção das leis.

Segurança jurídica → conjunto das condições que tornam possível às pessoas o


conhecimento antecipado e reflexivo das conseqüências diretas de seus atos à luz da
liberdade reconhecida.
Princípio da irretroatividade das leis → lei se volta para o presente e para o futuro; efeito
retro operante atenta à estabilidade dos direitos e violenta planejamento das relações
jurídicas. É norma constitucional – art. 5 º, inciso XXIV – imposta ao juiz e ao legislador,
proibindo-o de editar leis retroativas, sob pena de inconstitucionalidade.

Lei retroativa → atinge efeitos jurídicos dos atos e situações jurídicas constitucionais ou
direitos subjetivos adquiridos sob o império da lei caduca.
Lei que procura alcançar efeitos de atos que surgiram anteriormente à sua vigência.

Em princípio, lei não deve ser retroativa (princípio geral do direito) → não deve alcançar
fatos do passado, mas regular situações presentes e futuras, ocorridas a partir de sua
vigência. Mas se, por exceção, alei nova pretender regular de efeitos de fatos passados,
terá que respeitar sempre o direito adquirido (situação já constituída no regime da lei
anterior), o ato jurídico perfeito (já consumado segundo lei vigente ao tempo em que se
efetuou) e a coisa julgada.

Se lei revogada sobrevive, continuando a ser aplicada às situações ocorridas no tempo


de sua vigência → ultratividade.

Art. 6º, LICC – Ato jurídico perfeito → já consumado e realizado segundo a lei vigente ao
tempo em que se efetuou.
O ato jurídico perfeito será avaliado e julgado conforme lei existente à época de sua
conclusão.

Coisa julgada → decisão judicial transitada e julgado.


Imutabilidade e indiscutibilidade da sentença não mais sujeitam a recurso.
Protege-se a prestação jurisdicional definitivamente outorgada. Estabilidade dos casos
julgados-certeza jurídica de que o direito entrou no patrimônio de seu titular.

Direito adquirido → direito que seu titular ou alguém por ele possa exercer – exercitável
Segundo a vontade do titular. Ou que tenha termo pré- fixo (depende de prazo para seu
exercício) ou condição pré- estabelecida inalterável ao arbítrio de outrem.
O direito adquirido é aquele que já entrou na esfera patrimonial do titular, já é exigível; já
praticamos todos os atos necessários para adquiri-los mas ainda não o consumamos
porque não quisemos - direito subjetivo. Já podia ser um ato jurídico perfeito se eu já
tivesse exercido; já preencheu todos os requisitos necessários à sua aquisição, mas por
vontade do titular ainda não foi exercido.
Se o direito não foi exercido, vindo a lei nova transforma-se em direito adquirido – era
exercitável e exigível, titular não pode ser prejudicado – situação subjetiva já constituída
sob o império de lei anterior.

Lei sobre capacidade e estado das pessoas alcança a todos imediatamente.


Capacidade civil: 18 anos; - antes era a partir dos 21 anos.
Capacidade penal: 18 anos.
Forma e prova dos atos jurídicos – lei do tempo em que se realizam.

Direito das obrigações – lei do tempo em que se constituíram. Tempo da celebração do


contrato regula seu efeitos.
Direitos dos herdeiros – lei vigente na data da abertura da sucessão, ou seja, na data do
óbito.
Direitos reais → norma da época da aquisição do direito.

Caio Mário → em princípio, não há direito oponível à Constituição, mas ela mesma
consigna o princípio da não retroatividade e não pode se contradizer, atentando contra
esse conceito. Ex.: garantias constitucionais não podem ser suprimidas de quem já goza
de tais direitos. CF fala de “lei” como norma jurídica e não em sentido formal (lei
ordinária ou complementar apenas).
Lei de ordem pública também é irretroativa, porque princípio da não retroatividade
também é dirigido ao legislador ≠ da França, Itália etc., onde legislador pode voltar leis
retroativas.
Leis interpretativas consideram-se contemporâneas às leis interpretadas, mas não
podem atingir direito adquirido.

Teoria subjetiva: Savigny e Gabba → lei retroage desde que não ofenda direito
adquirido.

Direito adquirido:
Fato gerador desse direito deve ter ocorrido por inteiro.
Se o fato se consumou, passou a integrar o patrimônio da pessoa – gerou uma relação
jurídica, já podendo ser exercido. Basta que se tenha condições de exercê-lo, não
precisando o efetivo exercício.

É diferente do dir. Consumado, que já foi exercido e já produziu efeitos. Este é mais do que
adquirido. Para se ter direito adquirido é preciso que não seja o dir. Consumado. Ex.
Pessoa já aposentada.

Teoria objetiva → analisa situações jurídicas. As abstratas, em estado potencial, podem


ser atingidas; as concretas, que já podem gerar efeitos jurídicos, não.
São 4 regras:
1ª) A lei nova não pode atingir situações nascidas e definitivamente cumprida sob o
império da lei antiga.
2ª) A lei nova aplica-se imediatamente, mesmo aos efeitos jurídicos futuros de situações
que nasceram sob a vigência da lei anterior.

3ª) Contratos nascidos no império da lei antiga vão vigorar sob as regras da lei antiga.
4ª) Lei futura pode atingir os contratos quando:

Legislador expressamente mencionar ou;


Quando a lei for de ordem pública. Não pode alterar o direito adquirido, o ato juridicamente
perfeito e a coisa julgada, mas pode atingir os efeitos futuros do contrato. Ex. Lei do
salário mínimo, jornada de trabalho etc.

0 LICC e CF adotam teoria subjetiva e não objetiva: proteção ao ato jurídico perfeito,
direito adquirido e coisa julgada.

1 A retroatividade das leis mais benignas só vale para o Dir. Penal e o Dir. Tributário.

X - CONFLITOS DE LEIS NO ESPAÇO

Eficácia da lei no espaço → saber se normas de um país podem ter eficácia fora de seu
território.
Poder de legislar → inerente à sociedade → cada Estado com suas leis, para regular
ações nos
limites do seu território.
Ocorre que a mobilidade dos homens (intercâmbio social) faz com que relações jurídicas
possam ser submetidas a mais de uma legislação. Países permitem, em alguns casos,
que a lei estrangeira tenha eficácia dentro de seu território.

Extraterrritorialidade → leis produzem efeitos fora de seu território, acompanhando as


pessoas. Só de aplicam se não contrariarem valores fundamentais ou ordem pública de
outro Estado.
O ordenamento jurídico brasileiro é que concorda que a lei aplicável não seja a sua, mas
a estrangeira. Não viola soberania porque é a lei brasileira que manda aplicar à
estrangeira – deliberação do país.
Extraterritorialidade da lei → esta vai disciplinar relações jurídicas fora dos limites
territoriais de seu Estado. Estado determina a aplicação da lei estrangeira.
Extraterritorialidade → adoção do direito estrangeiro pelo órgão jurisdicional nacional.
Implica o reconhecimento da lei como padrão de valor jurídico pelos órgão judicante de
outro país. É o estado, o direito positivo nacional, como expressão da soberania, que
determina que certos atos, situações ou relações jurídicas sejam regulados na sua
constituição, validade ou efeitos pela regra jurídica vigente em outro Estado. A lei pode
mandar que determinada relação jurídica seja julgada pelo direito nacional (ius
indigenum), pelo direito estrangeiro (ius extraneum) ou ambos.
Não há conflito e sim conciliação, pelo órgão jurídico, de duas ou mais ordens jurídicas,
para extração de norma que, aplicada ao caso concreto, forneça a solução de justiça.

Direito internacional privado → regras para escolha do direito aplicável (só indica lei, não
tem regra de direito material).
É um direito especial, aplicável às pessoas privadas envolvidas numa relação jurídica
internacional.
Regula conflito de leis e de jurisdições, além da nacionalidade e condição jurídica do
estrangeiro.
Compõe-se de normas internas, tratados e convenções.
Não é internacional, é complexo de princípios integrantes da ordem jurídica nacional (a
nós cabe dizer quando ‘lei é aplicada e quando somos competentes para julgar).
Não é direito privado – também escolhe regras de direito público (processo penal, por
ex.)
Fontes são principalmente internas: Constituição Federal, Lei n.º 818/49, Estatuto do
Estrangeiro, Lei de Introdução ao Código Civil (LICC), art. 9 º do código de Processo
Civil, art. 8º do Código Penal, art. 98 do Código Tributário Nacional, lei de Registro
públicos, regimento Interno do supremo tribunal Federal etc.
LICC de 1942 consagrou regra domicílio, assim como maioria dos sistemas jurídicos
mundiais. Assim, regras sobre começo e fim da personalidade, nome, capacidade
jurídica, direitos de família – estatuto pessoal – são dadas pela lei do domicílio do
indivíduo.

Domicílio → sede jurídica da pessoa → regula relações do indivíduo.


→ conceito dado conforme lei brasileira lex fori – art. 31, CC.
Estatuto pessoal → art. 7º, LICC → lex domicilii → lei que a pessoa

Escolheu para viver - Savigny.

Escola da nacionalidade – italiana – LICC de 1916 – vinculado o indivíduo à sua própria


nação, por conjunto de circunstâncias geográficas, físicas e psicológicas, carrega
consigo seu direito nacional → personalidade do direito → extraterritorialidade da lei
pessoal do indivíduo, sua lei nacional.
Havendo conflito de fontes, prevalece norma superior e posterior. Monismo moderado:
leis ordinárias = tratados. Utiliza-se o mais recente. Posição do STF.
CR prevalece sobre ambos. Para se desobrigar ao Tratado → denúncia.

Art. 5º, §2º, CR → direitos e garantias trazidos pelos tratados têm status constitucional,
são princípios constitucionais – Posição de Ada (≠ TJ).
Art. 7º, LICC – regra domicílio.
Casamento → aqui, regras daqui. Estrangeiros domiciliados aqui devem casar c/
autoridade brasileira, não no consulado. Divórcio no estrangeiro → deve ser
homologado pelo STF, se observadas normas da Lei n.º 6.515/77, só se cônjuge dor
brasileiro. Regime de bens → lei de domicílio (art. 7º, §4º).
Bens imóveis → lex rei sitae (lei de onde está situado o imóvel) – art. 8 º, LICC. Lei da
situação da coisa.

Bens móveis → mobilia sequuntur personam (lei de domicílio do possuidor) – art. 8º, §2º.
Penhor → domicílio do possuidor- credor (lei de domicílio do credor) – art. 8 º, §2º.
Obrigações → locus regit actum (lei do lugar onde foi celebrado o contrato) – art. 9 º , lei
do país onde se constituíram (celebração).
lex loci celebrationes
Pode-se determinar no contrato qual lei será aplicada (autonomia da vontade).
Delitos → lex loci delicti (lei do local onde foi cometido o débito.
Conflitos de jurisdição → ações de natureza real: forum rei sitae – art. 12, §1º, LICC e
art. 89, inciso I, CPC.
Sucessões → sistema de unidade sucessória → bens partilhados pela lei do domicílio,
salvo exceções (bens imóveis, proteção do cônjuge e filhos brasileiros).
Inventários de bens situados no Brasil → art. 89, §2º, CPC. Obrigações em geral: forum
obligationes – art. 12, LICC e art. 88, inciso II, CPC.

Réu domiciliado no Brasil → art. 8º, inciso I, CPC. Atos ilícitos – forum delicti → art 70,
CPC.
Elemento de conexão → ferramenta de Direito Internacional Privado para indicar lei
competente.
São os nossos:

Território → princípio da territorialidade → locus regit actum → prevalece à lei do lugar para
forma dos atos. Lugar das obrigações, do contrato, lugar do imóvel (lex loci). Dir.
Processual – competência territorial.
Domicílio → direitos da personalidade, estatuto pessoal, sucessões, família.
Residência → vale a última conhecida quando não se sabe o domicílio. É subsidiária.
Nacionalidade → para direitos políticos. Para alguns destes direitos se exige brasileiro nato.
Fôro → lex fori → matéria processual.
Vontade → partes podem escolher a lei que regerá o contrato, prevalecendo esta sobre a regra da lei
do lugar. Só não pode se visarem fraudar a lei local.

XI - SUJEITO DE DIREITO - PESSOA NATURAL

PERSONALIDADE JURÍDICA. DIREITOS INERENTES


Personalidade Jurídica → inerente à pessoa – aptidão genérica para adquirir direitos e
contrair obrigações.
faculdade reconhecida ao homem
Pessoa → titular dos direitos subjetivos e sujeito passivo destes mesmos direitos, a
quem incumbe dever jurídico.
Começo da personalidade → nascimento com vida.
Nascimento – feto separado do ventre materno. Vida – basta ter respirado, mesmo
antes de cortar cordão umbilical.
Mas agora a partir da concepção nascituro já tem seus direitos resguardados – art. 4 º do
Código Civil. Tais direitos são potenciais – a efetiva constituição deve aguardar
nascimento com vida, retroagindo ao momento da concepção. Direito já existe – não é
condicional, mas seu sujeito é em estado potencial ou expectativa.

Fim da personalidade - art. 10 do Código Civil → somente com a morte, que se prova
pela certidão de óbito. Registra-se atestado de óbito no registro civil, para extrair a
certidão.

Ausência – art. 481 e 482 do Código Civil → presume-se morte apenas para efeitos
patrimoniais. Não se confunde com prova indireta da morte, onde há certeza da morte,
mas ter-se-á que recorrer a meios supletivos ou indiretos para juiz declarar a morte.
Ausência – morte presumida → incerteza desta.
Comoriência – art. 11 do Código Civil → presunção de simultaneidade da morte → não
se transferem direitos – um ente não sucede ao outro.

Registro Civil das Pessoa Naturais – art. 12 do Código Civil → inscrição dos momentos
capitais da vida do indivíduo. Não faz prova absoluta, porque suscetível de anulação por
erro ou falsidade.
Direitos da personalidade → atinentes à natureza humana – ligados a ideal de justiça.
Natureza jurídica → faculdades atribuídas ao homem.
São direitos subjetivos da pessoa natural de defender direitos que lhe são próprios
desde o nascimento.

São inerentes à pessoa natural mas pessoa jurídica também os tem: direito ao nome e
sua proteção, direito à imagem etc.
Da personalidade irradiam direitos Art. 5º, inciso X da constituição. Não têm conteúdo
econômico.
Direitos inatos → sobrepostos a qualquer condição legislativa.
Características:
Absolutos – para todos – eficácia erga ommes;
Irrenunciáveis e indisponíveis – vinculados à pessoa, não se podendo abdicar;
Intransmissíveis – personalíssimos - inválidas a cessão; não se transmitem aos herdeiros
com a morte;
Imprescritíveis – podem ser sempre invocados. Só se admite prescrição de seus efeitos
patrimoniais, da ação de reparação de um direito da personalidade.
Ex. Direito à vida, integridade física e moral, honra, nome, estado civil, intimidade,
imagem, liberdade etc.

Igualdade perante a lei – Constituição, artigo 5 º e art. 3º do Código Civil → atributo


natural a pessoa humana.
Restrições ao exercício de certas atividades a estrangeiros – razão de interesses para
segurança nacional e ordem pública, não afetando o princípio da igualdade.
Nome – Lei dos Registros Públicos – n.º 6.015/73.
Prenome – individual – imutável, salvo erro gráfico ou nome ridículo.
Nome patronímico – característico da família – transmissível hereditariamente.
Cognome – designação qualificativa. Pseudônimo – designação de fantasia para
artistas.
Um direito, sendo tutelado juridicamente. Nome comercial – alienável.

XII - CAPACIDADE DE DIREITO E DE FATO


INCAPACIDADE

Capacidade de direito ou de gozo ou de aquisição → aptidão oriunda da personalidade


para ser
sujeito de direitos e obrigações na vida civil. Art. 2 º CC. ↓basta ser pessoa

Capacidade de fato ou de exercício ou de ação → aptidão para utilizá-los e exercê-los


por si mesmo(pessoal e diretamente). Artigos 5 º e 6º do CC.

Incapacidade → restrição ao direito de agir, condicionando à representação (no caso


dos absolutamente incapazes) ou assistência de outrem.
A incapacidade decorre de lei, é exceção. Visa a lei proteger direitos do incapaz e de
terceiros.

Estado → qualificação do indivíduo na sociedade, hábil a produzir efeitos jurídicos. Valor


moral, irrenunciável, inalienável, imprescritível, insuscetível de transação e indivisível.

Impedimento não é incapacidade → é restrição limitada a certos atos previstos –


proibição a que certas pessoas realizem certos negócios jurídicos, por razão de
moralidade – parte ilegítima sob ponto de vista material. Ex. Tutor não pode adquiri bens
do pupilo; ascendente não pode vender ao descendente, sem o expresso consentimento
dos demais descendentes.
Absolutamente incapazes →inaptos para a vida civil em sua totalidade.
Representação – São representados, já que completamente impedidos de agir
juridicamente.

Relativamente incapazes → quando alguns direitos ou forma de seu exercício apenas.


Assistência – são assistidos e não representados; podem atuar, com autorização.
Representação:
Automática – em razão de parentesco – não precisa investidura ou designação.
Por nomeação ou designação da autoridade judiciária – ato judicial para legitimá-la.

Incapacidade absoluta → gera nulidade de pleno direito dos atos praticados. Art. 5 º do
CC.
Menor de 16 anos – desenvolvimento incompleto de faculdade intelectuais, falta de
autodeterminação.
Loucos – enfermidades psíquicas – supressão de entendimento e vontade.
Decreto judicial de interdição → deve constar no registro civil para proteger 3 ºs (erga
gomes) – nomeia curador – sentença com efeito declaratório. O que cria a incapacidade
é a loucura. Após interdição, dispensa-se outra prova de invalidade do ato – pré-
constituição da prova de insanidade. Antes da interdição, enfermidade deve ser provada
em caso concreto para invalidação do ato. Este é nulo independentemente de
interdição. Esta pode ser levantada com a recuperação total do alienado. Intervalos de
lucidez não validam o ato. Incapacidade é permanente e contínua → segurança social.
Incapacidade é resultado de estado psíquico, não de velhice ou senectude.
Surdos-mudos – enquanto deseducados, inaptos a expressar vontade. Interdição é relativa
– priva de atos que dependam da audição apenas.

Ausentes – afastados do domicílio sem deixar procurador ou representantes, do qual não


há notícias. Apuração judicial.
Incapacidade relativa → à prática de certos atos ou ao modo de exercê-los. Gera
anulabilidade do ato. Artigo 6º do CC.
Maiores de 16e menores de 21 anos – Já têm discernimento para manifestar vontade e
influir nos atos, mas não com plena autonomia. Participam e figuram nos atos, mas
assistidos, por pai, mãe ou tutor. Em alguns casos não precisam de assistente.

Pródigos – art. 459 do CC – podem praticar atos de mera administração e não atos que
possam comprometer seus bens. Devem ser interditados, nomeando-se curador. Atos
só serão anulados se praticados após a interdição. Para casar se faz necessária a
autorização do curador, pois regime de bens importa disposição destes – art. 183, XI do
CC.

Silvícolas – índios, desde que não adaptados à nossa sociedade.

Emancipação → Art. 9º, par. 1º, inciso I do CC. Após 18 anos, pelo pai ou pela mãe,
através se escritura pública. Se o menor estiver sob tutela, deve ser por sentença
judicial. É Irrevogável a emancipação. Deve ser registrada no Registro Civil de Pessoas
Naturais (art. 12 do CC).

XIII – COMUNICAÇÃO HUMANA

A comunicação humana nasceu, provavelmente, de uma necessidade que se fez


sentir desde os mais primitivos estágios da civilização.
Desde o momento em que os homens passaram a viver em sociedade, seja pela
reunião de famílias, ou pela comunidade de trabalho, a comunicação tornou-se
imperativa. Isto porque, somente através da comunicação, os homens conseguem trocar
idéias e experiências.
13.1 – Conceito
Comunicação Humana – É o processo pelo qual os homens se relacionam,
transmitindo e recebendo idéias, impressões e imagens.

13.2 – Elementos Indispensáveis à Comunicação


Transmissor – aquele que transmite.
Receptor – aquele que recebe.
Mensagem – o que temos a transmitir.
Canal ou meio – processo usado na transmissão da mensagem.
Código – linguagem utilizada (deve ser comum as pessoas que se comunicam).

13.3 – Aspectos da Comunicação Oral


2.3.1 – Voz – emissão de sons
0 Características
Tonalidade – grau de acuidade ou gravidade da voz. Característica que identifica a voz
normal, aguda ou grave.
Inflexão – modulação da voz (variação da tonalidade). Característica que o pregador utiliza
para evitar o mesmo tom de voz durante muito tempo provocando desinteresse ou sono
nas pessoas.
Timbre – característica que permite distinguir uma voz da outra.
Intensidade – força com que o som é produzido. É o grau de audibilidade da voz, usado
para maior ou menor distância.
Ênfase – variação da intensidade da voz.

– Fala – transmissão do nosso pensamento.


a) Características
Ritmo – cadência da fala (velocidade em que falamos).
0 Normal – entre 75 a 100 palavras por minuto (ppm).
1 Lento – abaixo de 75 ppm.
2 Rápido – acima de 100 ppm.
Articulação – emissão completa dos fonemas de uma palavra.
Correção de Linguagem – falar corretamente, sem erros ou vícios de pronúncia.
Fluência – facilidade de expressar-se de forma concatenada (organizada).

13.4 – Tipos de Linguagem


São cinco as formas ou maneiras das pessoas se relacionarem. A saber:
Culta – linguagem falada por pessoas de nível elevado. Ex.: médicos, cientistas,
engenheiros, etc.
Obs.: pode tornar-se pedante, pois o seu entendimento constitui privilégio de poucos.
Coloquial – é a linguagem espontânea, usada para satisfazer as necessidades vitais do
falante. É a linguagem cotidiana que comete pequenos, mas perdoáveis deslizes
gramaticais.

Vulgar – linguagem própria das pessoas sem instrução. É natural, colorida, expressiva, livre
de convenções sociais. Infringe totalmente as convenções gramaticais.
Regional – circunscrita às regiões geográficas. Tem um patrimônio vocabular próprio, típico
de cada região.
Grupal – é uma linguagem hermética, porque pertence a grupos fechados.
Exemplos: expressões técnicas, para as ciências e as profissões, gíria para grupos,
como: policiais, estudantes, jovens, etc.

13.5 – Barreiras Verbais


São obstáculos à efetividade da comunicação humana, provocados por
palavras ou expressões capazes de despertar antagonismos. São inconscientes, pois
não nos damos conta de sua ocorrência.
13.5.1 – Principais Barreiras Verbais
Expressões ou palavras que se repetem excessivamente durante a exposição.
Ex.: “NÉ”, “CERTO”, “TÁ”, “OK”, “É”, “VIU”, etc.
Certos vícios de linguagem e defeitos de pronúncia. Ex.: “SASTIFEITO”, “FRAMENGO”,
“MORTANDELA”, “POBREMA”, etc.
Palavras sérias ditas em tom jocoso. Ex.: “MESTRE”, “AUTORIDADE”, “EXCELÊNCIA”,
“COMANDANTE”, “PATRÃO”, etc.
Palavras e expressões excessivamente familiares. Ex.: “PRIMO”, “MEU IRMÃO”, “MEU
FILHO”, “COMPANHEIRO”, etc.
Palavras que fazem referência a defeitos ou características físicas (depreciativamente).
Ex.:
“GORDUCHO”, “TAMPINHA”, “CARECA”, “BAIXINHO”, “GAGUINHO”, etc.
Uso excessivo de gírias. Ex.: “É ISSO AÍ XARÁ”, “FALOU MALANDRAGEM”, “TUDO BEM
CARA”, “OI MALANDRAGEM”, etc.
Palavras que constituem flagrante desafios. Ex.: “QUERO VER SE VOCÊ É CAPAZ”,
“DUVIDO QUE RESPONDA ISSO AQUI”, etc.

13.6 – Apresentação Corporal


Diz respeito à apresentação e características do pregador durante sua
permanência no púlpito, a saber:
ontato Visual – O pregador deve olhar francamente para as pessoas, procurando verificar tudo que
ocorre no púlpito, evitando com isso que as pessoas durmam, conversem ou façam
coisas alheias a pregação.
Aparência – Maneira de se vestir (cabelo cortado, barba feita, sapato engraxado, etc.).
ostura – Posição do Corpo. O pregador deve manter uma postura, ereta e não arqueada. Não deve
também debruçar-se, permanentemente, sobre o púlpito, pois pode passar a idéia de
cansaço.
sionomia – Expressão do rosto do pregador. Este não deve se apresentar tão risonho a ponto de
provocar risos constantes no público ou com fisionomia muito fechada bloqueando
possíveis perguntas do ouvinte.
ovimentação – O pregador deve deslocar-se constantemente alternando sua posição para obter
permanentemente a atenção da turma.
esticulação – Movimento adequado dos braços e das mãos. O pregador deve ter cuidado ao
movimentá-los para não provocar gestos desconexos ou obscenos.
ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA
INDICE

INTRODUÇÃO

O SUPREMO ADMINISTRADOR

PRINCÍPIOS BÁSICOS DE ADMINISTRAÇÃO

A PESSOA DO ADMINISTRADOR

INTRODUÇÃOÀ ADMINISTRAÇÃO II
ADMINISTRADORES E SUAS TEORIAS

BIBLIOGRAFIA

INTRODUÇÃO

A Administração Eclesiástica pode ser definida de várias maneiras segundo a história


da administração. Ela trabalha os princípios e as regras que regem os fatores de
produção bens ou de conhecimento para a sociedade.
O assunto em questão é para pessoas vocacionadas ao ministério da Palavra de
Deus.

Segundo o dicionário Aurélio “Administração” é o conjunto de normas, princípios e


funções que têm por fim ordenar os fatores de produção e controlar sua produtividade e
eficiência, para se obter determinado resultado”. Aplicando-se este conceito à esfera da
Igreja, podemos dizer que Administração Eclesiástica é “a aplicação de princípios e
funções adequadas ao trabalho cristão, de maneira que a Igreja se desenvolva
corretamente e cumpra a sua função divina na terra.”

Deus é o Supremo Administrador do universo e devíamos, antes de começar a


gerir qualquer empresa, consultar os infalíveis métodos, ordens e propósitos divinos
para sermos felizes em nossos planos ou projetos.

a) A Administração de Deus:

No passado eterno e indefinido, já encontramos a mão da Onipotência, no divino


propósito de ter uma terra povoada (Is 45.18) e pode-se ver que Ele estava preparando
ao homem condições para administrar a terra com tudo que nela há (Gn 1.1-25). Agora
o Criador coloca o homem em sua tenda de serviço sob o imperativo das palavras do
Verso 28, de Gn 1. No Cap. 2, Verso 18, Ele provê ao homem uma adjuntora. O que é
que Deus queria que o homem fizesse? (Gn 1.28).
Este é o texto-chave da administração segundo Deus. Há quem diga que o
homem não foi feito para trabalhar; que o trabalho veio em consequência do pecado.
Mas lembremos de que o Senhor pôs o homem no Jardim “para o lavrar e guardar” (Gn
2.5, 15). O trabalho tornou-se penoso, é verdade, por causa do pecado (Gn 3.17-19 e Jó
5.7).

Deus usando Homens para o Seu Trabalho:


0 – Os Patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó – a cada um deles, no seu devido tempo, deu
Deus uma ordem. Uma vez que foram cumpridas, o plano divino teve seu
desenvolvimento adequado (Leia Gn 17.1; 26.2,3; 31.3).
– Sacerdócio Levítico: foi dividido em 24 turmas e cada uma administrava no seu dia (I
Cr 24 e Lc 1.8).

1 – Os Profetas: Deus levantou os profetas no seu devido tempo, para anunciarem as


palavras divinas (II Cr 20.20)

2 – Os Juizes: At 13.20 – Não era plano original de Deus o estabelecimento de reis. Ele
queria (e quer) ser Rei sobre todo mundo (I Sm 8.7 e Os 13.10,11).

3 – Os Apóstolos: para o erguimento da Igreja, Deus levantou os Apóstolos que foram


sustentáculo da Igreja em seus primeiros passos (Ef 2.19-22).

O Governo de Deus no Mundo:

Repetimos que o plano divino era que o mundo seja administrado por Ele diretamente,
através do homem. Segundo o plano original (Gn 1.28) o mundo deveria ser governado
pelos homens como Seus servos, sob a Sua orientação. Estes seriam ministros de
Deus. Todavia, o homem saiu do plano de Deus, mas mesmo assim, de certo modo, o
governo secular é considerado ministros de Deus (Pv 8.15,16; Dn 4.32; Rm 13.1-7), e
especialmente o governo espiritual, na Igreja (Ef 4.11; Rm 12.6-8; I Co 4.1).

Há uma diferença entre administrar e fazer as coisas por si mesmo. Administrar é


trabalhar com outras pessoas e através delas. O que não significa que o líder nada faça;
Significa que ele não fará tudo só.
Existem quatro passos primordiais a seguir, quando tratamos de administração, são
eles: planejar, organizar, dirigir e controlar. O bom administrador organiza e executa
cada uma destas quatro etapas. Estas fases se encontram mencionadas em uma
sequencia conceitual. Quando recebemos um trabalho para realizar, em primeiro lugar
planejamos, em seguida organizamos o pessoal para a realização daquele serviço ou
projeto; depois dirigimos a realização do projeto e finalmente, controlamos o pessoal e o
desenvolvimento para assegurarmos de que o projeto está sendo executado

ASPECTOS PRIMORDIAIS DA ADMINISTRAÇÃO

a) Planejamento (Lucas 14.28-30)


Imagine-se em um grupo de pessoas com as quais você tenha que trabalhar,
dizendo-lhes: “eu não sei o que estamos procurando fazer ou para onde vamos, mas
não importa. Esforcemo-nos o máximo!” Qual seria a reação do povo? Se você não
sabe o que quer ou para onde se dirige é muito difícil conseguir algum resultado ou
chegar a algum lugar. É preciso primeiro, planejar e seu trabalho.

1 – Que é Planejar?
Planejar é o processo de predeterminar um curso de ação. Significa que é
preciso sentar e pensar no que se quer alcançar, aonde se quer chegar e o que é
preciso fazer para se alcançar o objetivo. É pensar com antecipação; prever os
resultados e os meios de consegui-los.
2 – Por que Planejar?
Quem trabalha sem planejar não irá muito longe. “Quem não sabe para onde
vai, não chega a lugar nenhum. Salomão afirmava: “Não é bom proceder sem refletir; e
quem é precipitado peca”(Pv 19.2)
A – O próprio Deus planejou a nossa salvação, o universo e tudo o que nele há. Nada foi
feito de improviso. (I Pe 1.19,20; Ef 3.9,10; Mt 25.34; Ap 13.8)
B – Porque Jesus ensinou a planejar com antecipação (Lc 14.28-32; Mt 7.24-27)
C – Porque se deve procurar alcançar objetivos preestabelecidos e não somente resolver
os problemas que surgem por acaso (I Co 9.24-26; Fl 3.13,14)
D – Deus nos deu um claro exemplo através da vida dos apóstolos Paulo:
Deus deu a Paulo um objetivo específico – os gentios (At 26.16-18);
Paulo seguia uma norma ou padrão de trabalho (Rm 15.18-24); Pregava: At 19 e 20
Curava: At 19
Testemunhava: I Ts 2.1-20
Discipulava e organizava: I Tm 3
Deixava líderes: At 14.23
Dirigia-se a cidades estratégicas (cidades-chaves): Éfeso, Corinto, Filipos e Roma.
Logo que chegava a uma cidade, dirigia-se à sinagoga, onde os judeus já conheciam a
Palavra de Deus: At 13.5,14; 14.1.
Outros homens de Deus que planejaram: Neemias: Ne 1.6
Davi e Salomão: Construção do Templo
Moisés: Construção do Tabernáculo.

3 – Como Planejar?
A - Ore: nesta etapa você se assegura de se apropriar da sabedoria de Deus
para a realização do plano. Se o plano não é o que Deus quer que faça, você estará
perdendo seu tempo bem como daqueles que trabalham com você. Às vezes o Senhor
pode dirigi-lo a planos poucos convencionais. Imagine o que pensou Josué quando o
Senhor lhe deu o plano para tomar a cidade de Jericó (Js 6.2-5).

B – Estabeleça os Objetivos: aqui você determina o que deve ser alcançado.


Você estabelece um dia “X” ou uma realização “Y”, em cuja direção você e todo o seu
pessoal deverão dedicar esforços de forma dirigida. (I Co 9.26; Fl 3.14).

C – Elabore o programa ou procedimento: depois de determinar o que deve ser


alcançado, parece lógico que o próximo passo é determinar como estes objetivos serão
alcançados. Para isso observe três passos:
1º - análise onde está e onde deve chegar (a multiplicação dos pães – Mc 6.35-
44) “Quantos pães tendes? Ide ver”;
2º - procure planejar uma atividade de cada vez; e 3º - resultado: lista de atividade e em
ordem devem estar.

D – Prepare um Calendário: aqui você determina quando as diferentes partes


do plano devem entrar em ação: coloque as diferentes atividades de seu programa
dentro das colunas de um calendário. Assim você determinará quando cada atividade
deverá começar, quando deverá terminar e as que deverão perpetuar-se. Devem esta
dispostas para uma ação harmoniosa dentro do tempo disponível. (Mt 28.19,20:
“...até...”; o tempo disponível e I Co 11.26: “até que venha”; o tempo disponível.

E – Faça um Orçamento: determinamos o quanto é necessário gastar para


alcançar seu objetivo. Aqui inclua este tipos de recursos abaixo:
Recursos humanos: quantas e quais pessoas;
Recursos econômicos: a quantidade necessária; e
Recursos de tempo: quanto tempo posso dispor.
Deveremos saber também onde e como esse recursos serão obtidos. Ore
especificamente pelos recursos que necessita e não esqueça: “se Deus o tem chamado
para a realização de um plano, Ele não negará os recursos para a sua execução”.
F – Considerações ao se Planejar:
Deus deve receber toda glória: Jz 7;
Espere que o seu plano possa sofrer alterações, não ser inflexível;
- Esteja atento para os novos problemas e oportunidades, e para as novas informações; e
0 Aprenda a usar outras pessoas no processo de planejamento.

Organizando (Mc 6.39-44)


O que acontece quando alguém atira uma pedra num bando de pássaros? Eles se
dispersam em todas as direções. Se você organizar um plano bem elaborado e o revelar
a um grupo de pessoas, para que o coloquem em prática, isto resultará em uma
dispersão do plano, caso as pessoas não tenham entendido cada uma a sua parte.
Cada pessoa vai tomar o plano para si e fazer as coisas que não lhes competem.
Resultará em confusão e não em realização do plano.
1 – Que é Organizar?
0 produzir uma estrutura rígida; impor um sistema e anular liberdades? Não!
o processo de colocar homens e mulheres dentro de uma estrutura, para o alcance dos
objetivos. Palavras chaves desta definição: Processo (dinâmico), Pessoas (Humanismo),
Estruturas (Unidade) e Objetivos (Propósito).
2 – Por que Organizar?
Para ter um potencial de êxito muito maior, ao invés de as coisas serem feitas
ineficazmente, e sem qualidade (Moisés: Êx 18.13-26 e At 6.1-3).

3 – Como Organizar?
A - Organize a partir do plano que foi elaborado:
Enumere as atividades;
Identifique os grupos naturais entre os liderados;
Entregue a cada grupo a sua atividade de acordo com a capacidade; e
Conheça as habilidades e áreas fracas de cada grupo e pessoa.

B - Faça a descrição do trabalho, entregando a cada pessoa um documento com


suas tarefas com seguintes esclarecimentos:
Quais são as responsabilidades?
Que autoridade tem?
A quem devo buscar como líder?
A quem devo liderar?

Palavras com muito valor em administração:


Responsabilidade: uma atividade que se tem designado especificamente a uma pessoa ou
grupo;
Autoridade: o direito ou o poder para atuar ao cumprir uma responsabilidade; e
Subordinação: a obrigação de cumprir uma responsabilidade, sob a liderança de outrem
Ao escrevermos a descrição do trabalho, devemos enumere as áreas específicas de
responsabilidades que acompanham o trabalho e estabeleça o tipo apropriado de
autoridade, que são três:
Atuar; Atuar e informar; Atuar depois de receber aprovação.

C – Delegue Competência (autoridade e responsabilidade):


0 Que é delegar? É um processo por meio do qual o administrador designa
responsabilidades e autoridade adicionais a um subordinado (Nm 11.11-17).

1 Por que delegar? Quem delega, terá facilidades, pois não fará tudo
sozinho, ficando sobrecarregado. Os liderados desenvolverão maior confiança e
capacidade ao assumir novas responsabilidades. Este procedimento aumenta o
resultado e a organização total.
Quando não se delega, o trabalho torna-se uma carga muito grande. Os
resultados são inexpressivos. Muitos ficam ociosos e poucos carregam tudo sozinho.

0 Como delegar competência?


Três pontos importantes: Preparação; Comunicação e Observação.

0 Considerações ao se delegar competência:


Habilidade em motivar liderados; delegar requer tempo do subordinado;
Não insista em tomar decisões centralizadas;
Não dê tarefa sem o grau correspondente de responsabilidade;
Não retire o problema da mão do subordinado e decida por ele;
Não usurpe a posição a quem você delegou responsabilidade;
Providencie informações para tomadas de decisões do subordinados; e
Não dê contra-ordens.
c) Dirigindo (Mt 9.9)
O melhor plano para a melhor organização parece com um foguete espacial parado
em sua plataforma de lançamento, sem nenhuma ação e sem nenhum movimento. As
pessoas em sua maioria detestam mudanças e resistem às variações. Se você deseja
que alguém faça algo novo, deve vencer essas resistências. Isto é liderança. Significa
dirigir.
Dirigir é fazer com que as pessoas tomem ação efetiva. Planejar e organizado o
plano, agora você dirigi-lo. Há requisitos que devem ser achados num líder. Em um líder
é mais importante o que ele é, do que o que ele faz.

1 – Como dirigir?
Dirigir não é mandar. Quem governa bem, nunca manda e é sempre obedecido.
Lembre-nos de Paulo em I Tm 6.2 e Ef 6.5-9. Paulo sempre dizia: “rogo-vos...”, “O que
preside com cuidado” (Rm 12.8).
Um cidadão que caminha pela rua vociferando e gesticulando, será chamado de
desequilibrado, se estiver caminhado só. Se, entretanto, atrás desse cidadão agitado,
marcha um grupo de pessoas, e essas pessoas o acompanham, percebemos estar
diante de alguém que é um líder. Aí está alguém que dirige.
Analise o melhor o fato acima, veja por que aquele cidadão está dirigindo? 1º Está em
proeminência (vai à frente); e
2º Exerce uma influência (Os outros o seguem).

Estas duas coisas somadas completam o conceito de liderança. Para que


alguém consiga somar as duas coisas em seu trabalho, é necessário duas outras
coisas:
1º) - Ter as qualidades necessárias para ocupar a função, isto é, ter uma

vida condizente (I Tm 4.16a):


Impulso interno: Rm 1.14,15; II Co 5.15a ;
Uma vida privada dinâmica;
Temperança e autocontrole;
Um exemplo consistente.
Atitude de serviço;
Atitude positiva
Ensinabilidade
Perceptibilidade.
Para termos estas características, temos de fazer algumas coisas:
Desenvolver profundas convicções pessoais: II Tm 1.12;
Manter uma agenda pessoal rigorosa;
Colocar todos os aspectos da vida subordinados à nossa meta: I Co 9.15-27
Abraçar um sentido de missão e rumo na vida: At 26.15-19;
Aprender a viver com a tensão: Fl 4.11-13;
Não trabalhar cansativamente e sim inteligentemente.

2º) - Saber motivar outros para a ação: como motivar as pessoas, levando-as a agir?

Todo comportamento humano parte de uma causa, de um motivo. Estas


causas, estes motivos agem sobre o indivíduo, levando-o a agir no sentido de satisfazer
suas necessidades. Seja qual for o equipamento ou o capital que uma empresa possui,
nada irá para frente se os seus homens não possuírem motivos suficientes para fazê-la
andar.
Orientações no sentido de motivar as pessoas:
Procure criar uma necessidade mediante a exposição da realidade (Jo 4.35)
0 estimule e desenvolva responsabilidade (Lc 10.1);
1 promova estímulo e reconhecimento (Mt 20.29-31, 40-42);
2 mostre como fazer as coisas – irradie entusiasmo pessoal e simpatia;
3 demonstre amor incondicional – motive relações interpessoais; e
4 dissolva as barreiras emocionais: ciúme, medo, timidez e etc.

Outras orientações:
0 seja contagiante (Jo 4.5-34) – dinâmico, um auto-iniciador;
1 domine a arte de desenvolver homens (seja um discipulador); e
2 ministre ao homem integral (corpo, alma e espírito).

O Maior Curso de Liderança está em Mt 9.9: “Segue-me”. Significa?


0 tem um objetivo, para onde se dirige;
1 vai à frente – é o modelo para o liderado;
2 desafia o liderado a participar do trabalho; e
3 promete a satisfação do liderado.
d) Controlando
Ao jogar tênis, assim como em muitos outros esportes, o jogador é instruído a manter
seus olhos fixos na bola. Para assegurar-se de que dará o lance adequado, no ângulo
correto, para fazer com que aquela pequena bola lançada no terreno do oponente. Você
pode falhar em sua tentativa de conseguir os objetivos, se não mantiver seus olhos fixos
no que pensa realizar. Até que você tenha realizado seu plano, não pode deixar que ele
seja supervisionado, para ver como está sendo realizado e para fazer as mudanças
necessárias, que ajustem o curso da realização aos objetivos predeterminados.
1 – Que é controlar?
Muitos têm visto e experimentado situações, nas quais a princípio há muito
entusiasmo e muitos planos, mas logo há desânimo, e pouco se realiza. Outras vezes
começa-se com um plano e com o desenvolver do trabalho; se perde o objetivo de vista
e o plano é abandonado.

2 – Para que controlar?


ajudará o funcionamento e a continuação do momento inicial do plano;
com o controle poderão ser feitos ajustes necessários (correções); e
o controle permitirá que a Administração preveja e resolva os problemas que surgirem no
desenvolver do plano de trabalho.

3 – Como controlar?
elabore Normas de Execuções, isto é, como as coisas deverão ser executadas e por quem
e quando;
avalie os resultados, após cada etapa cumprida. Verifique se era o que você esperava do
trabalho, se o resultado está dentro do objetivo geral;
Faça correções, sempre que o caminho tomado não for o correto ou a execução do plano
estiver se desviando do objetivo; e
Acompanhe e desenvolver dos trabalhos de seu pessoal, não como um fiscal, mas um
orientador e ajudador.
Como já dissemos, para o seu pessoal importa mais o que você é do que o que você
faz. As pessoas seguem um homem, não um plano. O Administrador é a chave de toda
administração

Descrições bíblicas do Administrador:


0 – Mordomo (Lc 16.2; 12.42): administrador dos bens de uma casa ou de um
estabelecimento alheio. Ex.: José:
“E achou José graça aos olhos dele, e o servia. Ele o pôs por mordomo de sua casa, e
entregou nas suas mãos tudo o que tinha.” (Gn 39.4); Daniel (Dn 6.3,4, 28);

1 – Despenseiro (I Pe 4.10; I Co 4.1,2): o vocábulo grego é o mesmo para


mordomo – oikonomos.
Provém de oikos (casa) e nemo (gerir ou dispensar), o que lhe dá o sentido de gerente
ou superintendente de uma casa. Mais especificamente, despenseiro significa, “aquele
que distribui os bens que lhe foram entregues por outro”;

3 – Servo (Mt 24.45-51; 25.14-30): o servo era escravo, que atingia a elevada posição
de administrador dos bens de seu senhor. Era um escravo de confiança. O seu senhor
ausentou-se, deixando em suas mãos a responsabilidade de distribuir o sustento aos
outros servos há seu tempo; e

2 – Administrador (I Pe 4.11): o que dirige ou superintende estabelecimento público


ou particular.
“Vindo os da hora undécima, receberam um denário cada um.” Mt 20.8
“Faça isso Faraó, e ponha governadores sobre a terra, e tome a quinta parte da terra do
Egito nos sete anos de fartura.” Gn 41.34

Características do Administrador: 1 – Sua personalidade:


Deus usa o homem tal qual ele é, sem diferença de cor, estatura, timbre de voz,
cultura, etc. Somos diferentes uns dos outros, mas Deus usa diversidades de indivíduos.
(Ef 4.12,13) De um modo geral, podemos analisar a personalidade sob três aspectos:
1º Parecer: aparência de cada um; o que há de externo ou aparente, aquilo que
classifica o indivíduo: “ele é um cavalheiro, é impecável”;
2º Valor: auto-avaliação daquilo que fazemos e somos: “ninguém me entende”; e
3º Ser: sistema de motivos que levam a agir e de ações que são as respostas a estes
motivos.

Personalidade pode ser definida como sendo “a organização integrada de


todas as características cognitivas, afetivas, conativas e físicas de um indivíduo, tal
como se manifestam, formando um todo pessoal e único, distinguindo cada qual de seus
semelhantes.” (Warren) Dessa definição, tiramos quatro áreas que compõe a estrutura
da personalidade:
Somática: constituição física individual;
Afetiva: temperamento equipamento inato, herdado;
Cognitiva: inteligência – capacidade mentais; e
Conativa: caráter – equipamento adquirido.

– Sua saúde:
(“tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto,
te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” I Tm 4.16)

1º Física: o espírito e a alma residem no corpo. Podemos estar perfeitamente


consagrados e preparados, espiritual e mentalmente; mas, se o nosso corpo estiver
enfermo ou incapacitado, todo o nosso ser se torna incapaz. O corpo é o veículo através
do qual funciona todo o nosso ministério. O corpo é templo do Espírito Santo (I Co
6.19,20) e o exercício físico tem algum proveito (I Tm 4.8).

2º Mental: a mente comanda o corpo. O homem é aquilo que tem sua mente
a
(Pv 23.7 ).
Renovação: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformais-vos pela renovação do
vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus.” (Rm 12.2);
Controlar a mente: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e
esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo...” (I Pe
1.13).

Boas informações, bons pensamentos; informações erradas, pensamento errados.

3º Espiritual: o trabalho de Deus é primordialmente espiritual. O administrador


precisa ter saúde espiritual para desempenhar sua função ministerial. Ter o fruto do
Espírito, viver em santificação, procurar os dons do Espírito Santo, são coisas
imprescindíveis para quem trabalha para Deus. O mundo está doente espiritualmente,
precisa de são que lhe indiquem o “bálsamo de Gileade”.

– Sua influência:
“... fazendo isto te salvarás tanto a ti mesmo, como aos que te ouvem” (I Tm 4.16b).
Todos os líderes foram influenciados por alguém. Pela família, amigos, o mundo, o
local de trabalho e por último os liderados. Estes estarão sempre olhando para seu líder
para aprender, para imitá-lo (Hb 13.7; Jo 17.17).

– Seus métodos:
São processos racionais que se adotam para a consecução de um fim. Método é o
caminho pelo qual se chega à meta projetada. Cada executivo tem seu método próprio,
e isto o destaca. É comum ver-se pessoas na fase inicial de administrador ou outra
função, se comportarem sob a influência dos métodos de outros. No pregar, ensinar,
cantar, etc. Os métodos devem estar de acordo com a personalidade do administrador.
Ele deve procurar seu próprio estilo, seu próprio método.

– Suas oportunidades:
A palavra oportunidade vem do latim oportunus, que significa porta aberta. Nas
cidades antigas, cercadas de muros, toda à tarde o portão era fechado e toda manhã,
era aberto. Quando, pela manhã era aberto os portões, o guarda gritava de cima do
muro: “oportunus!” isto é, porta aberta. No evangelho de Lucas 10.25-37, temos a
parábola das oportunidades. Quantos ali aproveitaram e quantos perderam a
oportunidade?
O administrador deve estar atento para as oportunidades e saber aproveitá-las
para o trabalho do Senhor.
“Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem,
quando ninguém pode trabalhar.” (Jo 9.4)

Administrando a si mesmo (Ef 5.15,16) 1 – Que


0 administrar a você mesmo?
Muitos pensam que administrar-se a si mesmo é prender-se em uma caixa
estreita que os incapacita de realizar atividades e viver livremente. Devemos rejeitar
completamente esta imagem.
“Administrar a você mesmo é ser bom mordomo do seu tempo, tesouros e
talentos.”
Em outras palavras, é investir adequadamente nosso tempo, capacidade e
recursos para conseguir o máximo que Deus deseja que façamos.

2 – Por que administrar-se a si mesmo?


Se você não se administra de forma adequada, não poderá administrar os outros. É preciso
ser o exemplo (I Tm 4.12; Tt 2.7).
0 Porque a Bíblia assim o ensina?
Há um tempo determinado para tudo o que Deus quer que façamos (Ec 3.1; Jo 17.4)
Devemos usar nosso tempo sabiamente:
“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios,
remindo o tempo, portanto os dias são maus.” (Ef 5.15,16)
Nós somos responsáveis por ser ou não frutíferos (Mt 25.14-30).

A própria natureza do tempo nos leva a sermos bons administradores de nós mesmos:
O tempo não pode ser determinado; não podemos pedir tempo ao tempo. Ele sempre
segue adiante.
O tempo não pode ser acumulado. (Lembra-se do Maná).
O tempo não pode ser esticado. Escolhamos o melhor para fazermos no tempo disponível.
Administremo-nos a nós mesmos já que isto habilitará a sermos bons mordomos
diante de Deus e dos homens. Assim, não precisaremos olhar retrospectivamente em
nossa vida e sentimo-nos insatisfeitos com o pouco que temos alcançado. A
administração própria, em verdade nos libera para agir no tempo que Deus nos concede

“Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para
quem já são chegados os fins dos séculos.” (I Co 10.11).

– Como administrar-se a si mesmo?


Planos – para dar sentido e direção à sua vida
“Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no
ar” (I Co 9.26)
Ajudam a manter-se dentro das atividades de maior importância.
Planeje atividades imediatas.
Planeje seu trabalho especificamente.
Planeje sua vida pessoal (familiar, mental, física, espiritual, social e financeira).

Elabore uma agenda que seja aplicável as suas necessidades:


• Enumere suas atividades de maior potencial.
• Destas, veja o que pode ser delegado à outra.
• Estabeleça prioridades.
• Faça um calendário.
Motivação e disciplina – entrega completa ( Gl 5.22,23 )
Crê para que Deus lhe dê entusiasmo (entusiasmo = “en Theós”) em tudo o
que fizer.
Apegue-se á sua atividade planejada prazerosamente.
Sugestões práticas:
Cada noite repasse as atividades do dia seguinte
Quando surgirem atividades imprevistas, avalie e realize-as unicamente se têm maior
importância.
Tome cuidado para não submergir em atividades imprevistas (I Co 9.24-27)
Seja sempre sensível a direção de Deus.
Tenha atividades programadas em reserva no caso de alguém cancelar o compromisso
com você.
Se não conseguir realizar uma tarefa importante no dia planejado, considere-a prioridade
entre as atividades do dia seguinte.

Procure idéias sábias que ganham tempo: - Sugestões Gerais:


Pergunte-se: “Para que vou fazer isto?”.
Antecipe uma data fixa para concluir um trabalho.
Aprenda a dizer não a outros e a você mesmo.
Delegue tudo o que puder.
Cuidado nos procedimentos desnecessários.
Discuta com outras pessoas a melhor forma de ganhar tempo.

Dicas Importantes:

Não desperdice seu tempo:


Não planejar atividades para a noite.
Conversar longo tempo com amigos desnecessariamente.
Folhear revistas, jornais e outros, sem objetivo.
Visitas e permanências nos escritórios e casas dos outros.
Horas e horas vendo televisão principalmente programas sem significado e filmes
repetidos (já vistos antes).

Pense nos seus Planos:


Retire-se para pensar num lugar calmo.
Cheque ao local de trabalho uma hora antes e retire-se uma hora depois.
Descanse sempre que necessário.
Faça os trabalhos mais difíceis e estude pela manhã.
IV - INTRODUÇÃOÀ ADMINISTRAÇÃO

PARTE II
Administrar é dirigir uma organização utilizando técnicas de gestão para que
alcance seus objetivos de forma eficiente, eficaz e com responsabilidade social e
ambiental.
Lacombe (2003, p.4) diz que a essência do trabalho do administrador é obter
resultados por meio das pessoas que ele coordena.
A partir desse raciocínio de Lacombe, temos o papel do "Gestor Administrativo" que
com sua capacidade de gestão com as pessoas, consegue obeter os resultados
esperados.
Drucker (1998, p. 2) diz que administrar é manter as organizações coesas, fazendo-
as funcionar.
As principais funções administrativas são:
Fixar objetivos (planejar)
Analisar: conhecer os problemas.
Solucionar problemas
Organizar e alocar recursos (recursos financeiros e tecnológicos e as pessoas).
Comunicar, dirigir e motivar as pessoas (liderar)
Negociar
Tomar as decisões.
Mensurar e avaliar (controlar).
Fayol foi o primeiro a definir as funções básicas do Administrador: Planejar,
Organizar, Controlar, Coordenar e Comandar - POCCC. Destas funções a que sofreu
maior evolução foi o "comandar" que hoje chamamos de Liderança.
Índice
Profissão
Habilidades do Administrador o Atitudes do Administrador
• Teorias da administração de empresas o Cronologia das teorias da administração
o Teorias Administrativas, suas ênfases e seus principais enfoques o Áreas da
administração
• Referências Bibliográficas
• Ligações externas
Profissão
A profissão de Administrador é relativamente nova e foi regulamentada no Brasil em 9
de setembro de 1965, data que se comemora o dia do Administrador.
Os primeiros administradores profissionais (administrador contratado, que não é o dono
do negócio) foram os que geriam as companhias de navegação inglesas a partir do
século XVII. Estas empresas foram as primeiras sociedades anônimas que se tem
notícia. Administrar envolve a elaboração de planos, pareceres, relatórios, projetos,
arbitragens e laudos, em que se exija a aplicação de conhecimentos inerentes às
técnicas de administração.

Habilidades do Administrador
Habilidades Técnicas: Saber utilizar princípios, técnicas e ferramentas administrativas.
Saber decidir e solucionar problemas.
Habilidades Humanas: Saber lidar com pessoas, comunicando-se eficientemente,
negociando, conduzindo mudanças, obtendo cooperação e solucionando conflitos.
Habilidades Conceituais: Ter Visão sistêmica.

Atitudes do Administrador
Proativo, ousado, criativo, bom exemplo, cumpridor das promessas, saber utilizar seus
princípios, ser cooperativo e ser um bom líder ajudando os funcionarios para que eles
possam crescer junto com a empresa.
Teorias da administração de empresas
As teorias da administração podem ser divididas em várias correntes ou abordagens.
Cada abordagem representa uma maneira específica de encarar a tarefa e as
características do trabalho de administração.
Abordagem clássica da administração o Administração científica
o Teoria clássica da administração
Abordagem humanística da administração o Teoria das relações humanas
Abordagem neoclássica da administração o Teoria neoclássica da administração o
Administração por objetivos (APO)
0 Abordagem estruturalista da administração
1 Modelo burocrático da administração
2 Teoria estruturalista da administração
Abordagem Comportamental da Administração
0 Teoria comportamental da administração
1 Teoria do desenvolvimento organizacional (D.O.)
Abordagem sistêmica da administração
0 Principios e Conceitos Sistêmicos
Cibernética e administração
0 Teoria matemática da administração
1 Teoria geral de sistemas
2 O Homem Funcional
Abordagem contingencial da administração
0 Teoria da contingência
1 Mapeamento Ambiental
2 Desenho Organizacional
3 Adhocracia
4 O Homem Complexo
Técnicas Modernas de Gestão
0 Administração participativa
1 Administração Japonesa
2 Administração Holística
3 Benchmarking
4 Downsizing
5 Gerenciamento com foco na Qualidade
6 Learning Organization
7 Modelo de Excelência em Gestão
8 Reengenharia
9 ReAdministração
10 Terceirização

Cronologia das teorias da administração


1903 Administração científica
1909 Teoria da burocracia
1916 Teoria clássica da administração
1932 Teoria das relações humanas
1947 Teoria estruturalista
1951 Teoria dos sistemas
1954 Teoria neoclássica da administração
1957 Teoria comportamental
1962 Desenvolvimento organizacional
1972 Teoria da contingência
Teorias Administrativas, suas ênfases e seus principais enfoques
Teorias
Ênfase Principais enfoques
administrativas

Tarefas Administração científica Racionalização do trabalho no nível operacional


Organização Formal;
Teoria clássica
Princípios gerais da Administração;
Teoria neoclássica
Funções do Administrador
Organização Formal Burocrática;
Teoria da burocracia
Estrutura Racionalidade Organizacional;

Múltipla abordagem:
Organização formal e informal;
Teoria estruturalista
Análise intra-organizacional e análise
interorganizacional;

Organização informal;
Teoria das relações
Motivação, liderança, comunicações e dinâmica
humanas
de grupo;

Estilos de Administração;
Teoria das decisões;
Pessoas Teoria comportamental
Integração dos objetivos organizacionais e
individuais;

Teoria do
Mudança organizacional planejada;
desenvolvimento
Abordagem de sistema aberto;
organizacional

Teoria estruturalista Análise intra-organizacional e análise ambiental;


Teoria neo-estruturalista Abordagem de sistema aberto;

Ambiente
Análise ambiental (imperativo ambiental);
Teoria da contingência
Abordagem de sistema aberto;

Administração da tecnologia (imperativo


Tecnologia Teoria dos sistemas
tecnológico);
As principais Teorias Administrativas e seus principais enfoques

A teoria geral da administração começou com a ênfase nas tarefas, com a administração
científica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a ênfase na estrutura
com a teoria clássica de Fayol e com a teoria burocrática de Max Weber, seguindo-se
mais tarde a teoria estruturalista. A reação humanística surgiu com a ênfase nas pessoas,
por meio da teoria comportamental e pela teoria do desenvolvimento organizacional. A
ênfase no ambiente surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela teoria da
contingência. Esta, posteriormente, desenvolveu a ênfase na tecnologia. Cada uma
dessas cinco variáveis - tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia - provocou a
seu tempo uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no
desenvolvimento da TGA. Cada teoria administrativa procurou privilegiar ou enfatizar uma
dessas cinco variáveis, omitindo ou relegando a um plano secundário todas as demais.

Áreas da administração
Administração financeira
Administração da produção
Administração pública
Administração de Materiais
Marketing
Gestão de Pessoas
Gestão Sistêmica
Administração de Sistemas de Informação
Organização de Sistemas e Métodos
V - ADMINISTRADORES E SUAS TEORIAS Jules Henri Fayol
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Henri Fayol (1841-1925)


Jules Henri Fayol (Istambul, 29 de Julho de 1841 - Paris, 19 de Novembro de
1925) foi um engenheiro de minas francês e um dos teóricos clássicos da Ciência da
Administração, sendo o fundador da Teoria Clássica da Administração e autor de
Administração Industrial e Geral (título original: Administration industrielle et générale -
prévoyance organisation - commandement, coordination – contrôle).

Vida

Fayol era filho de pais franceses. Seu pai André Fayol, um contramestre em
metalurgia. Casou-se com Adélaïde Saulé e teve três filhos, Marie Henriette, Madeleine
e Henri Joseph, o último sempre hostil às idéias do pai.

Criou o Centro de Estudos Administrativos, onde se reuniam semanalmente


pessoas interessadas na administração de negócios comerciais, industriais e
governamentais, contribuindo para a difusão das doutrinas administrativas. Entre seus
seguidores estavam Luther Guilick, James D. Mooney, Oliver Sheldon e Lyndal F.
Urwick.
Também direcionou seu trabalho para a empresa como um todo, ou seja,
procurando cuidar da empresa de cima para baixo, ao contrário das idéias adotadas por
Taylor e Ford.
Juntamente com Taylor e Ford são considerados os pioneiros da administração.
Sua visão, diferentemente de Taylor (trabalhador) e Ford (dono), foi a de um Gerente ou
Diretor. Em 1888, aos 47 anos, assumiu a direção geral da mineradora de carvão
francesa Commentry-Fourchambault-Decazeville, em falência. Restabeleceu a saúde
econômico-financeira da companhia. Após 58 anos de estudos, pesquisa e observação
reuniu suas teorias na obra Administração
Industrial Geral (Administration Industrielle et Generale), em 1916. Só foi traduzida para
o inglês em 1949.
Estabeleceu 14 princípios básicos de organização, admitindo flexibilidade na
ausência e limitação de alguns:
Divisão do Trabalho – dividir em operação mais simples (especialização);
Autoridade e Responsabilidade: a autoridade sendo o poder de dar ordens e no poder de
se fazer obedecer. Estatutária ( normas legais) e Pessoal (projeção das qualidades do
chefe). Responsabilidade resumindo na obrigação de prestar contas;
Disciplina: respeito às regras estabelecida;
Unidade de Comando: cada agente, para cada ação só deve receber ordens de um único
chefe/gerente;
Unidade de Direção: um só objetivo/programa de ação (concentração dos esforços);
Subordinação: prevalência dos interesses gerais da organização;
Remuneração do pessoal: justa, evitando-se a exploração;
Centralização: um único núcleo de comando centralizado, atuando de forma similar ao
cérebro, que comanda o organismo. Considera que centralizar é aumentar a importância
da carga de trabalho do chefe e que descentralizar é distribuir de forma mais
homogênea as atribuições e tarefas;
Hierarquia: cadeia de comando (cadeia escalar). Também recomendava uma comunicação
horizontal (embrião do mecanismo de coordenação);
Ordem: cada coisa/pessoa no seu lugar, estabelecido previamente (racionalização do
trabalho). Ordem REAL (funcional) x Ordem APARENTE (simetria, aprarência);
Eqüidade: tratamento justo e igualitário aos empregados (boa vontade).
Estabilidade do Pessoal: segurança no emprego, as organizações devem buscar reter seus
funcionários, evitando o prejuízo/custos decorrente de novos processos de seleção,
treinamento e adaptações;
Iniciativa: estimular em seus liderados a inciativa para solução dos problemas que se
apresentem. “ o chefe deve saber sacrificar algumas vezes o seu amor próprio, para dar
satisfações desta natureza a seus subordinados” (Fayol);
Espírito de Equipe (União): cultiva o espírito de corpo, a harmonia e o entendimento entre
os membros de uma organização. Consciência da identidade de objetivos e esforços.
Destinos interligados.
Seus princípios seguiam dois critérios principais:
A administração é o processo de planejar, organizar, comandar,
coordenar e controlar.
A administração é função distinta das demais (finanças, produção e
distribuição)

Funções do Administrador POCCC


Planejar
Organizar
Controlar
Coordenar
Comandar
Posteriormente, as funções de Comando e Coordenação foram reunidas sob o nome de
Direção, passando as iniciais para PODC: Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar. Além
destas ainda temos:
• Motivar

• Comunicar
Decidir

Assessorar

e outras
• Obras
Administration industrielle et générale - prévoyance organisation - commandement,
• coordination – contrôle. Paris : Dunod, 1966.
Tâches actuelles et futures des dirigents. Bruxelas : CNBOS, 1967.


Frederick Taylor
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Frederick Winslow Taylor (1856-1915)


Frederick Winslow Taylor (Filadélfia, Pensilvânia, EUA,20 de Março de 1856 -
Filadélfia, Pensilvânia, EUA, 21 de Março de 1915)
Estadunidense, inicialmente técnico em mecânica e operário, formou-se engenheiro
mecânico estudando à noite. É considerado o “Pai da Administração Científica” por propor
a utilização de métodos científicos cartesianos na administração de empresas. Seu foco
era a eficiência e eficácia operacional na administração industrial.
Sua orientação cartesiana extrema é ao mesmo tempo sua força e fraqueza. Seu controle
inflexível, mecanicista, elevou enormemente o desempenho das indústrias em que atuou,
todavia, igualmente gerou demissões, insatisfação e estresse para seus subordinados e
sindicalistas.
Elaborou os primeiros estudos essenciais:
Em relação ao desenvolvimento de pessoal e seus resultados, acreditava que oferecendo
instruções sistemáticas e adequadas aos trabalhadores, ou seja, treinando-os, haveria
possibilidade de fazê-los produzir mais e com melhor qualidade.
Em relação ao planejamento a atuação dos processos, achava que todo e qualquer trabalho
necessita, preliminarmente, de um estudo para que seja determinada uma metodologia
própria visando sempre o seu máximo desenvolvimento.
Em relação à produtividade e à participação dos recursos humanos, estabelecida a co-
participação entre o capital e o trabalho, cujo resultado refletirá em menores custos,
salários mais elevados e, principalmente, em aumentos de níveis de produtividade.
Em relação ao autocontrole das atividades desenvolvidas e às normas procedimentais,
introduziu o controle com o objetivo de que o trabalho seja executado de acordo com uma
seqüência e um tempo pré-programados, de modo a não haver desperdício operacional.
Inseriu, também, a supervisão funcional, estabelecendo que todas as fases de um trabalho
devem ser acompanhadas de modo a verificar se as operações estão sendo
desenvolvidas em conformidades com as instruções programadas. Finalmente, apontou
que estas instruções programadas devem, sistematicamente, ser transmitidas a todos os
empregados.
Taylorismo

Taylorismo ou Administração científica é o modelo de administração desenvolvido


pelo engenheiro estadunidense Frederick Winslow Taylor (1856-1915), que
considerado o pai da administração científica.
Índice
1 Primeiros estudos essenciais desenvolvidos por Taylor
2 Metodologia do estudo
3 Organização Racional do Trabalho
4 Princípios da Administração Científica

Primeiros estudos essenciais desenvolvidos por Taylor


Em relação ao desenvolvimento de pessoal e seus resultados: acreditava que, oferecendo
instruções sistemáticas e adequadas aos trabalhadores, ou seja, treinando-os, haveria
possibilidade de fazê-los produzir mais e com melhor qualidade.
Em relação ao planejamento a atuação dos processos: achava que todo e qualquer trabalho
necessita, preliminarmente, de um estudo para que seja determinada uma metodologia
própria, visando sempre o seu máximo desenvolvimento.
Em relação a produtividade e à participação dos recursos humanos: estabelecia a co-
participação entre o capital e o trabalho, cujo resultado refletirá em menores custos,
salários mais elevados e, principalmente, em aumentos de níveis de produtividade.
Em relação ao autocontrole das atividades desenvolvidas e às normas procedimentais:
introduziu o controle
com o objetivo de que o trabalho seja executado de acordo com uma seqüência e um
tempo pré-programados, de modo a não haver desperdício operacional. Inseriu, também,
a supervisão funcional, estabelecendo que todas as fases de um trabalho devem ser
acompanhadas de modo a verificar se as operações estão sendo desenvolvidas em
conformidades com as instruções programadas. Finalmente, apontou que estas instruções
programadas devem, sistematicamente, ser transmitidas a todos os empregados.

Metodologia do estudo

Taylor iniciou o seu estudo observando o trabalho dos operários. Sua teoria seguiu
um caminho de baixo para cima, e das partes para o todo; dando ênfase na tarefa. Para
ele a administração tinha que ser tratada como ciência. Desta forma ele buscava ter um
maior rendimento do serviço do operariado da época,o qual era desqualificado e tratado
com desleixo pelas empresas. Não havia, à época, interesse em qualificar o trabalhador,
diante de um enorme e supostamente inesgotável "exército industrial de reserva". O
estudo de "tempos e movimentos" mostrou que um "exército" industrial desqualificado
significava
baixa produtividade e lucros decrescentes, forçando as empresas a contratarem mais
operários.
Organização Racional do Trabalho
Análise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos: objetivava a isenção de
movimentos inúteis, para que o operário executasse de forma mais simples e rápida a
sua função, estabelecendo um tempo médio.
Estudo da fadiga humana: a fadiga predispõe o trabalhador à diminuição da produtividade e
perda de qualidade, acidentes, doenças e aumento da rotatividade de pessoal.
Divisão do trabalho e especialização do operário
Desenho de cargos e tarefas: desenhar cargos é especificar o conteúdo de tarefas de uma
função, como executar e as relações com os demais cargos existentes.
Incentivos salariais e prêmios por produtividade
Condições de trabalho: O conforto do operário e o ambiente fisico ganham valor, não
porque as pessoas merecessem, mas porque são essenciais para o ganho de
produtividade
Padronização: aplicação de métodos científicos para obter a uniformidade e reduzir os
custos
Supervisão funcional: os operários são supervisionados por supervisores especializados, e
não por uma autoridade centralizada.
Homem econômico: o homem é motivável por recompensas salariais, econômicas e
materiais.

A empresa era vista como um sistema fechado, isto é, os indivíduos não recebiam
influências externas. O sistema fechado é mecânico, previsível e determinístico. Porém,
a empresa é um sistema que movimenta-se conforme as condições internas e externas,
portanto, um sistema aberto e diálético.

Princípios da Administração Científica


Taylor pretendia definir princípios científicos para a administração das empresas.
Tinha por objetivo resolver os problemas que resultam das relações entre os operários,
como consequência modificam-se as relações humanas dentro da empresa, o bom
operário não discute as ordens, nem as instruções, faz o que lhe mandam fazer. A
gerência planeja e o operário apenas executa as ordens e tarefas que lhe são
determinadas.
Os quatro princípios fundamentais da administração Científica são:
Princípio do planejamento
Princípio da preparação dos trabalhadores
Princípio do controle
Princípio da execução
Henry Ford
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Henry Ford (1863-1947)

Henry Ford (Springwells, 30 de Julho de 1863 — Dearborn, 7 de Abril de 1947) foi


um empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company e o primeiro a
aplicar a montagem em série de forma a produzir, em massa, automóveis a um preço
acessível.
Este feito não é notável apenas pelo facto de ter revolucionado a produção
industrial mas, também, porque influenciou de tal forma a cultura moderna que n
académicos, sociólogos e historiadores identificam esta fase social e económica da
história como Fordismo, geralmente relacionado, também, com o taylorismo. Henry Ford
montou o seu primeiro motor sobre a bancada de sua cozinha.
Filho de emigrantes escoceses, sua mãe faleceu quando tinha apenas doze anos.
Frequentou escolas rurais até seus quinze anos, trabalhando na fazenda de seu pai,
tendo sempre demonstrado habilidades para invenções, particularmente na mêcanica.
Cursou uma escola de comércio, todavia buscava sempre aumentar seus
conhecimentos de mecânica. Depois de concluído seu aprendizado, ligou-se à
Westinhouse Engine, ocorrendo ali seu primeiro contato com motor de combustão
interna em 1885.
Em 1886 ganhou oitenta acres de terra de seu pai. A razão deste retorno às
terras foi seu noivado com Clara J. Bryant, com quem acabou se casando. Fundou a
Ford Motor Company com a ajuda de investidores em 16 de junho de 1903, sendo o
primeiro a aplicar a montagem em série de forma a produzir, em massa, automóveis a
um preço acessível. Em apenas cinco anos ultrapassou seus concorrentes,
transformando-se no maior produtor de automóveis do mundo. Henry Ford inventou o
mítico Ford Model T, um dos automóveis mais vendidos de todos os tempos.
A alta produção conseguida por Ford tem como caracterísca marcante a escolha
de uma única cor de veículo, que era preta. Desta forma, ele conseguia montar os
veículos sem ter que diferenciar o processo de pintura. A tinta preta também era a
preferida por Ford por secar mais rapidamente. Existe uma frase
famosa de Ford sobre a escolha da cor do veículo: "Você pode ter o carro da cor que
quiser, contanto que ele seja preto".
Nos anos 1930, Henry Ford empreendeu o cultivo de seringais na Amazônia
brasileira (antiga Fordlândia), visando à produção do látex necessário à sua empresa.
Contudo, a iniciativa não obteve êxito, tendo a plantação sido atacada por uma praga da
folha.

Fordismo

Idealizado pelo empresário estadunidense Henry Ford (1863-1947), fundador da


Ford Motor Company, o Fordismo é um modelo de Produção em massa que
revolucionou a indústria automobilística na primeira metade do século XX. Ford utilizou à
risca os princípios de padronização e simplificação de Frederick Taylor e desenvolveu
outras técnicas avancadas para a época. Suas fábricas eram totalmente verticalizadas.
Ele possuia desde a fábrica de vidros, a plantação de seringueiras, até a siderúrgica.
Ford criou o mercado de massa para os automóveis. Sua obsessão foi atingida:
tornar o automóvel tão barato que todos poderiam comprá-lo.
Uma das principais características do Fordismo foi o aperfeiçoamento da linha de
montagem. Os veículos eram montados em esteiras rolantes que movimentavam-se
enquanto o operário ficava praticamente parado, realizando uma pequena etapa da
produção. Desta forma não era necessária quase nenhuma qualificação dos
trabalhadores.
O método de produção fordista exigia vultuosos investimentos e grandes
instalações, mas permitiu que Ford produzisse mais de 2 milhões de carros por ano,
durante a década de 1920. O veículo pioneiro de Ford no processo de produção fordista
foi o mítico Ford Modelo T, mais conhecido no Brasil como "Ford Bigode".
O Fordismo, teve seu ápice no período posterior à Segunda Guerra Mundial, nas
décadas de 1950 e 1960, que ficaram conhecidas na história do capitalismo como Os
Anos Dourados. Entretanto, a rigidez deste modelo de gestão industrial foi a causa do
seu declínio. Ficou famosa a frase de Ford, que dizia que poderiam ser produzidos
automóveis de qualquer cor, desde que fossem pretos. O motivo disto
era que com a cor preta, a tinta secava mais rápido e os carros poderiam ser montados
mais rapidamente.
A partir da década de 20 o Fordismo entra em declínio. A General Motors flexibiliza
sua produção e seu modelo de gestão. Lança diversos modelos de veículos, várias cores
e adota um sistema de gestão profissionalizado, baseado em colegiados. Com isto a GM
ultrapassa a Ford, como a maior montadora do mundo.
Na década de 70, após os choques do petróleo e a entrada de competidores
japoneses no mercado automobilístico, o Fordismo e a Produção em massa entram em
crise e começam gradativamente a serem substituídos pela Produção enxuta, modelo de
produção baseado no Sistema Toyota de Produção.

Referências
Maia, Adinoel Motta. A era Ford: Filosofia, ciência, Técnica. Salvador: Casa da Qualidade,
2002.
Womack, James P. A máquina que mudou o mundo. Rio de Janeiro: Campus, 1992.
Chiavenato, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 4. ed. São Paulo: Makron,
1993.
Drucker, Ferdinand P. Introdução à administração. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thompson
Learning, 2002.
Drucker, Ferdinand P. A Profissão de Administrador. São Paulo: Pioneira Thompson
Learning, 1998.
Lacombe, F.J.M.; Heilborn, G.L.J. Administração: princípios e tendências. 1.ed. São
Paulo: Saraiva, 2003.
Montana, Patrick J. Administração. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
Entenda Passo a Passo o Funcionamento do Cartório e a Habilitação para o Casamento

O que são Cartórios


O que é um registro?
Averbações e anotações
Averbação
O que é uma certidão?
Formas de certidão
Validade de uma certidão
O que é a fé pública?
O Registro Civil das Pessoas Naturais
Habilitação para o Casamento
O que são Cartórios

Desde os primeiros anos do Brasil colônia as Ordenações do Reino enfatizaram o valor


probante dos escritos dos atos notariais e registrais. A evolução dos tempos propiciou
mudanças na sua formalização, a Proclamação da República deu aos Estados
Federados a independência na promulgação de suas normas de justiça com as
Organizações Judiciárias e mais recentemente a Constituição Federal de 1988 – as
anteriores também textualizaram sobre o assunto – determinou em seu art. 236, que lei
ordinária trataria da questão com mais propriedade.
Assim adveio, seis anos mais tarde, a lei 8935, de 18 de novembro de 1994, tratando
com modernidade uma instituição mais que secular. Temas como novidades de
comunicação, informatização, formas de arquivamento de documentos, independência
responsável da titularidade do serviço público, prestação de serviço a contento, foram
desenvolvidos no referido diploma legal.
Uma das importantes novidades dessa lei foi a alteração da nomenclatura de tratamento
que por quase 500 anos perdurou: Cartório. Face a uma constante onda de referências
pejorativas ao vocábulo "cartório" com significação desagradável, sem contudo haver
qualquer correlação com as centenárias serventias de prestação de reconhecido serviço
público, a classe viu por bem alterar a expressão tão antiga para evitar dissabores e
contratempos que nada tinham a ver com as serventias de todo o tempo. Daí que, no
ensejo da lei regulamentadora do dispositivo constitucional houve a substituição da
referência "Cartório" para "Serviço". Serviço Notarial e Registral, conforme dispõe o art.
1º da lei, que diz que são eles os de organização técnica e administrativa destinados a
garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos.
Essa legislação é o que de mais moderno e atual existe, no que tange à prestação do
serviço público de notas e registros no âmbito extrajudicial, ou seja, sem a intervenção
direta do Estado através do Poder Judiciário.
Esses serviços extrajudiciais, prestados por particular, por delegação do poder público,
são os seguintes:
Serviços de Notas, que lavram procurações, escrituras de todas as naturezas, reconhecem
assinaturas e autenticam documentos;
Serviços de Protestos de Títulos, que lavram os protestos dos títulos de documentos de
dívidas e atos acessórios a eles relativos;
Serviços de Registro de Imóveis, que fazem, nos termos desta lei, o registro e a averbação
dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintivos de direitos reais
sobre imóveis reconhecidos em lei para sua completa eficácia e validade reconhecida;

Serviços de Registro de Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas, que registram
os contratos, os atos constitutivos, o estatuto ou compromissos das sociedades civis,
religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, bem como o das fundações e das
associações de utilidade pública; e registram, facultativamente, quaisquer documentos,
para sua conservação, cabendo-lhe, também, a realização de quaisquer registros não
atribuídos expressamente a outro ofício registral;
Serviços de Registro Civil das Pessoas Naturais, que registram os nascimentos,
casamentos e óbitos e atos acessórios relativos a esses registros;

Serviços de Registros de Contratos Marítimos e Serviços de Registros de Distribuição,


funções de uso restrito a alguns poucos Estados brasileiros, tratando os primeiros de
atos exclusivamente relativos a transações de embarcações marítimas, e os segundos,
quando previamente exigida, da distribuição eqüitativa de serviços de que trata a lei
8935, e atos acessórios e complementares à função.
O que é um registro?

Quando você comparece a um cartório de Registro Civil para declarar um nascimento,


um óbito ou para dar entrada em um processo de habilitação de casamento, o resultado
será a lavratura de um termo, ou seja, uma inscrição no livro da serventia, o qual se
denomina REGISTRO.

Para efeitos legais, por exemplo, uma pessoa não existe enquanto seu nascimento não
tiver sido registrado na serventia de Registro Civil competente.

Averbações e anotações

Por fim cabe ainda mais ao Registro Civil das Pessoas Naturais, serviços acessórios aos
principais (nascimentos, casamentos e óbitos).

Averbação e anotação são atos de fazer constar à margem de um assento (registro), um


fato ou referência que o altere ou o cancele.

Isso ocorre, por exemplo, quando há uma sentença judicial transitada em julgado que
determine a separação judicial ou o divórcio de um casal. Essa sentença, através de
mandado, será averbada junto do termo de casamento, para os devidos efeitos legais.

Assim também anota-se, do lado do termo de nascimento, tanto a realização do


casamento do registrado quanto a separação judicial ou o divórcio. Também a morte é
anotada, tanto no termo de casamento como no de nascimento.

Outras alterações também são objetos de anotação. Como quando por exemplo, um
menor é emancipado. Por via da comunicação do Registro Civil da 1ª Subdivisão
Judiciária da comarca de residência do emancipado, que é o único competente para
registrar a emancipação, anota-se a ocorrência do gozo dos direitos civil pelo menor
biologicamente.

Do mesmo modo o reconhecimento do filho ilegítimo é anotado do lado do termo de


nascimento do reconhecido. Só que nesse caso, ao ser extraída certidão, por força da lei
8560/1992, é terminantemente proibida a referência à anotação. A certidão deve conter
os elementos da averbação, sem porém que seja essa referenciada. Nem por
presunção.
Averbação
O que é?

o ato de anotar um fato jurídico que modifica ou cancela o conteúdo de um registro e é


feita na sua margem direita já apropriada para este fim. A averbação sempre é feita por
determinação judicial.
Averbações no nascimento I - Mediante requerimento do interessado
a) O Reconhecimento de filiação:

Quando do registro de nascimento só constar o nome do pai ou da mãe, posteriormente o


nome do outro poderá ser incluído por averbação, feita mediante reconhecimento
voluntário por escritura pública ou por instrumento particular com firma do(a) subscritor(a)
reconhecida.
b) Alteração do sobrenome da mãe em virtude de casamento:

Quando por ocasião do registro de nascimento os pais não forem casados entre si e
vierem a se casar depois e a mãe adotar o sobrenome do pai, a alteração poderá ser
requerida diretamente ao Cartório do Registro Civil das Pessoas Naturais em que foi
lavrado o assento de nascimento, a alteração do sobrenome materno mediante
apresentação da certidão de casamento, cuja cópia autenticada será anexada ao pedido.
c) Alteração de nome até um (01) ano depois completada a maioridade:

Até 01 ano após a maioridade, o (a) interessado (a) poderá requerer junto ao próprio
cartório onde foi registrado (a) a alteração de seu nome, o que significa, por exemplo,
incluir sobrenome da mãe que não foi aposto no momento do registro, não podendo por
esta forma mudar prenome e suprimir sobrenomes. É necessário juntar ao requerimento
cópia reprográfica autenticada da certidão de nascimento, devendo o requerimento estar
com firma reconhecida.

Observação: Nos casos acima, embora o requerimento seja apresentado no próprio


Cartório, a averbação solicitada só será feita após manifestação do representante do
Ministério Público e autorização do Juiz de Direito Corregedor Permanente.

II - Averbações mediante a mandado expedido em processo judicial

No nascimento:

Seu cancelamento
Mudança de Prenome
Qualquer alteração de nome antes ou depois de 01 ano decorrida a maioridade
Destituição e suspensão de pátrio poder
Guarda e Tutela
Exclusão de maternidade ou paternidade.
Reconhecimento de paternidade ou maternidade em ação de investigação.
No Casamento:
Separação.
Divórcio.

Anulação e nulidade.

No óbito:

a) Cancelamento.

Nas Interdições:
Levantamento da interdição.
Mudança do local de internamento do interdito.
Substituição do (a) curador (a).

Nas Ausências:
Motivos que a cessaram.
Abertura da sucessão provisória.
Abertura da sucessão definitiva.
Substituição do Curador do Ausente.

Na Transcrição de nascimento de filho de brasileiro ocorrido no exterior


a) Reconhecimento de paternidade e maternidade feito em ação de investigação.

Na Transcrição de casamento de brasileiro (a) no exterior


Separação.
Divórcio.
Anulação ou nulidade.

Na Transcrição de óbito de brasileiro (a) no exterior


a) Cancelamento.

III - Restauração, suprimento ou retificação


Só poderão ser feitos a Mandado expedido em ação judicial. Serão lançadas na margem
direita do respectivo assento.
Correção de Erro de Grafia:

Pode ser solicitada quando uma letra foi lançada no registro de forma diferente da
constante no documento que lhe deu origem. Deverá ser apresentado requerimento do
interessado para a correção junto ao Cartório do Registro Civil onde o registro foi lavrado,
instruído com cópias autenticadas da certidão extraída do assento a ser corrigido e do
documento que o originou. A correção será feita na margem direita do assento. .
O que é uma certidão?

Certidão é um documento no qual o Oficial do cartório certifica que o registro encontra-


se devidamente lavrado nos livros sob sua responsabilidade. Independente de despacho
judicial e dando fé pública, o oficial reproduz, de forma autêntica e absolutamente
confiável, textos de um assento ou documento arquivado em sua serventia, fazendo
inserir na certidão, obrigatoriamente, o número do livro, da folha e do termo sob o qual
foi lavrado, ou ainda o número do registro ou pasta ou caixa em que o documento
encontra-se arquivado. Além do que, as certidões dos atos relativos ao estado civil
devem conter sempre a indicação da serventia e respectivo oficial.

No documento constam as principais informações sobre o ato, no caso o nascimento,


casamento ou óbito. Se o registro tiver recebido averbações ou anotações após a sua
lavratura, as mesmas constarão da certidão, exceto casos proibidos em lei.
A certidão poderá ser emitida por meio manual, datilográfico, computadorizado ou ainda
por reprodução através de outros sistemas seguros autorizados em lei.

Formas de certidão
A certidão pode ser extraída das seguintes formas:
em INTEIRO TEOR: que é a transcrição integral, 'ipsis litteris', isto é, com todos os
elementos constantes do livro de registro, reproduzindo-se fielmente todas as
informações constantes do livro a que se refira.
em BREVE RELATÓRIO: que é a transcrição das principais partes do assento ou
documentos arquivados, essenciais à prova que se pretenda fazer com a certificação;
POR QUESITOS: que é a transcrição de partes isoladas do assento ou documentos
arquivados questionados pelo interessado; e
NEGATIVA: que é a que certifica a inexistência de um ato, fato ou documento que à
parte interessa conhecer e que tenha seus elementos fornecidos pela pessoa
interessada.
Haja vista com relação à emissão de certidão em inteiro teor do registro de nascimento,
que por força da lei que regula a investigação da paternidade dos filhos havidos fora do
casamento, somente em duas condições a serventia registral civil pode emitir certidão
nesse molde:
quando comunica à justiça o registro de nascimento somente com a maternidade
estabelecida; e
quando lhe é mandado pela autoridade judiciária de sua comarca, mediante sentença
proferida em procedimento próprio.

Somente nesses dois casos e em nenhuma outra hipótese poderá a serventia, com
relação à certidão de nascimento, emiti-la em inteiro teor.
Já com relação às certidões de casamento e óbito, referentemente à sua emissão em
inteiro teor, pode a atividade registrária fazê-lo sem quaisquer restrições.

Está prevista na tabela de emolumentos (entenda-se como tabela de preços) dos


serviços notariais e registrais de alguns Estados a possibilidade de se proferir
informações diretamente, sem que as mesmas sejam reproduzidas em papel. Isso
equivale a certidões verbais, ou seja, não escritas. Trata-se de uma prática bastante
incomum, mas não impossível.
Validade de uma certidão
Uma certidão é válida desde que assinada pelo Oficial responsável do serviço de
Registro Civil ou algum preposto designado pelo mesmo. Uma certidão reflete com
exatidão as informações do registro no momento de sua emissão; portanto sua validade
é relativa.

Isto quer dizer que uma certidão extraída de manhã poderá estar desatualizada a tarde.
Imagine que você solicitou uma segunda via de certidão de uma pessoa e o cartório,
consultando os livros, a forneceu às 10 horas da manhã. A tarde pode ocorrer de chegar
uma comunicação de outro cartório, informando que aquela pessoa casou-se. O
casamento é uma das anotações que se faz no registro de nascimento. Neste caso, a
certidão extraída antes da chegada da comunicação estaria desatualizada, pois não
teria nela constada a anotação do casamento.

O que é a fé pública?
O artigo 3º da Lei nº 8.935/94, que define a atividade notarial e registral, diz o
seguinte:

"Notário, ou tabelião, e o oficial de registro, ou registrador, são profissionais de direito,


dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de
registro."

Segundo Walter Ceneviva, em Lei dos Notários e Registradores Comentada:


"A fé pública afirma a certeza e a verdade dos assentamentos que o notário e o oficial
de registro pratiquem e das certidões que expeçam nessa condição.
A fé pública:
1. corresponde à especial confiança atribuída por lei ao que o delegado (tabelião ou oficial)
declare ou faça, no exercício da função, com presunção de verdade;

afirma a eficácia de negócio jurídico ajustado com base no declarado ou praticado pelo
registrador e pelo notário.
O conteúdo da fé pública se relaciona com a condição, atribuída ao notário e ao
registrador, de profissionais de direito."

O Registro Civil das Pessoas Naturais

O Registro Civil das Pessoas Naturais, popularmente tratado simplesmente como


Registro Civil, é que é o nosso propósito. Daí que o trato será especificamente com ele,
depois da pincelada sobre a generalidade das Notas e dos Registros Públicos na
ordenação jurídica brasileira.

A despeito do tratamento reprovável que o Poder Público de longa data vem dando ao
serviço público extrajudicial do Registro Civil das Pessoas Naturais, a sua sobrevivência
vem se mantendo, a duras penas, com uma série de prestações de serviços gratuitos
que vêm de longe sendo concedidos, como informações estatísticas, alimentando
órgãos governamentais de dados para suas ações nas áreas de saúde, educação,
habitação, transporte, justiça, serviços militar e eleitoral, etc., e serviços gratuitos ao
reconhecidamente pobres pela lei. Só que o golpe quase fatal foi a promulgação da lei
que garante a gratuidade universal dos registros de nascimento e óbito, praticamente
inviabilizando a manutenção das serventias. E justamente o Poder Público penalizando
serviço tão nobre como o de registrar o princípio e o fim da personalidade da pessoa
humana...
Vigindo desde 2002, o novo Código Civil brasileiro contempla também as pessoas que
se declararem pobres quanto à habilitação para o casamento civil, que ficarão isentas de
pagamento de "selos, emolumentos e custas" (art., 1.512, parágrafo único), outro golpe
no já mutilado Registro Civil, passível até de levá-lo à falência, de vez que tinha no
casamento quase que o remanescente de sua sobrevivência financeira.
Em pelo menos em duas ocasiões de suas vidas as pessoas dependerão da prestação
dos serviços registrais:
No começo da existência do cidadão, faz-se necessário levar a registro o nascimento da
pessoa, para dar início à sua cidadania, tão fulgorosamente difundida pelo Poder Público
através dos órgãos governamentais atinentes aos direitos humanos;

A morte também deve ser registrada; para abrir o processo sucessório de garantia da
perpetuação patrimonial do ‘de cujus’, por exemplo, dentre outros intentos justificáveis.
Além do que, a outros propósitos serve o Registro Civil.
O Certifixe® é dedicado a essa área registral civil, provendo - em conjunto com os
Oficiais de todo o país - soluções inovadoras de prestação de serviços on-line, além de
ampliar a acessibilidade a essa importantíssima atividade no contexto da vida dos
cidadãos brasileiros.

Habilitação para o Casamento

O casamento civil, segundo a lei brasileira vigente, para evitar-se a união de pessoas já
casadas
a bigamia ou poligamia é proibida - deve ser realizado com a habilitação alcançada ao
menos na jurisdição territorial da residência de um dos nubentes. Ainda assim, a
jurisdição adversa deve ser informada.
A documentação exigida para a habilitação é a seguinte:

Certidão de nascimento se solteiro, de preferência extraída há pouco tempo, para dar


segurança ao ato de que nenhum dos habilitantes tenha impedimento para a habilitação
que pleiteia;
0 Documento de identidade oficial caso um ou outro habilitante não seja conhecido dos
responsáveis pelo Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais;

1 O nome e qualificação de duas pessoas maiores de dezesseis anos que conheçam


ambos os habilitantes, para atestar que não há impedimento entre eles para o
casamento;

2 Certidão de habilitação do Serviço do Registro Civil que jurisdiciona a residência do


habilitante não residente no município onde se processa a habilitação.
A idade dos nubentes:

O Código Civil determina no seu art. 5º que a menoridade da pessoa cessa aos 18 anos
de idade completos, quando ela fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.
Dentre elas, o casamento. Houve alteração também quanto à idade mínima para o
casamento, que passou a ser comum para o homem e para a mulher - 16 anos - que
poderão se casar, mediante consentimento de ambos os pais ou de quem legalmente
responda por um ou outro ou por ambos. O consentimento dos pais não é necessário
após a idade de 18 anos, quando a lei civil determina que a pessoa atinge a capacidade
(nem sempre o juízo) e é responsável por seus atos.
O casamento pode ocorrer com um ou ambos os pretendentes com idade inferior às
mínimas estipuladas pela lei. São casos que a lei chama de resguardo da honra de
menor, como quando a moça se engravida, dentre outros fatos de menor ocorrência.
Nesse caso a pretendente deve ingressar em juízo, através de advogado, solicitando ao
juiz de direito autorização para se casar,
que a lei chama de suprimento de idade. Quando os pais, ou um deles não consentir no
casamento de menor de 18 anos sem motivo justo, a lei autoriza o pretendente
prejudicado solicitar ao juiz de direito que supra o consentimento de quem não o quiser
dá-lo imotivadamente.

Tem sido comum há algum tempo, a ocorrência de gravidez de menores. Moças ainda
biologicamente despreparadas para a maternidade e rapazes absolutamente
incapacitados para a paternidade responsável têm sido protagonistas de processos
judiciais de requerimento da intervenção do Estado através dos meritíssimos juízes de
direito, para conceder-lhes a concessão para o matrimônio, muitas vezes mais para
salvaguardar interesses deles próprios que da criança concebida, eis que o casamento
termina pouco tempo depois de realizado.

Casamento Religioso com efeito civil

Existe ainda o casamento religioso com efeito civil, que é realizado por um ministro de
qualquer fé religiosa não condenável, após a habilitação normal dos contraentes.

Da habilitação o Oficial do Registro fornecerá à Igreja indicada pelos nubentes uma


certidão de habilitação completa, que será o suporte para a celebração religiosa. Depois
desta, será fornecida uma certidão da realização do casamento, que deverá ser levado a
registro na Serventia de habilitação, no prazo de noventa dias a contar da realização,
pelo celebrante ou qualquer interessado.
O assento ou termo conterá a data da celebração, o lugar, o culto religioso, o nome do
celebrante, sua qualidade, o cartório que expediu a habilitação, sua data, os nomes,
profissões, residências, nacionalidades das testemunhas que o assinarem e os nomes
dos contraentes. Anotada a entrada do requerimento, o oficial fará o registro no prazo de
24 (vinte e quatro) horas.
Quando há a opção pelo registro do casamento religioso com efeitos civis, os efeitos
jurídicos do casamento serão considerados a partir da data da celebração do religioso.

A celebração

O casamento é realizado depois da habilitação dos pretendentes. Habilitar é tornar-se


apto, pronto para o casamento. E esse fato ocorre depois que os pretendentes dão
entrada ao processo no Registro Civil das Pessoas Naturais.

Da data da entrada desse processo conta-se 15 dias, que é o prazo pelo qual o oficial
dá publicidade da pretensão daquele casal em se unir pelo matrimônio. Essa publicidade
é para que toda a comunidade fique sabendo da pretensão dos dois e, se por acaso
haja algum impedimento, seja manifestado. Se nesses 15 dias não aparecer nenhum
impedimento, os habilitantes estão prontos para se casar. Só que a habilitação não é
eterna. Ela dura três meses. Depois dos 15 dias de publicação do casamento, conta-se
3 meses, e em qualquer dia desse período o casal pode se casar. Se vencer esse prazo
e o casamento não ocorrer, todo o

100
processo fica perdido e sem efeito, tendo que se começar tudo de novo para haver nova
habilitação.

Para o casamento a lei civil exige duas testemunhas. Esse número é o mínimo exigido,
não sendo necessário um casal. Podem ser dois homens ou duas mulheres. Número
maior de testemunhas fica a cargo dos contraentes, que devem ter bom senso e não
levar um batalhão de pessoas. Uma exigibilidade de número maior que duas
testemunhas faz a lei civil, porém: quando algum dos contraentes não souber escrever,
serão 'quatro' as testemunhas. Pode haver um número mais elevado, sim!, de
convidados. O ideal é que assim seja: um número maior de participantes do casamento
é considerado convidados e só assinam o termo de casamento, um casal de cada lado.

O casamento pode ser realizado sem a presença de um dos contraentes ou até de


ambos. Ele pode ser realizado mediante procuração, onde o procurador se põe no lugar
do contraente representado e diz "sim" por ele. E fica valendo como se fosse o próprio
noivo, ou a própria noiva, conforme o caso, que ali estivesse presente. Essa regra vale
também para o processo de habilitação.

Do ato da celebração emsi

O casamento civil é cercado de inúmeras formalidades que o Poder Legislativo julgou


necessárias à sua celebração. Daí resulta que os Estados federados, na forma da
Organização Judiciária de cada um, se fazem representar nas celebrações, pelo Juiz de
Paz, que é quem fala pela lei. Após a regulamentar habilitação dos pretendentes,
declara-os casados, mediante a manifestação positiva de cada um deles, depois da
indagação individual que faz a um e outro, se é de livre e espontânea vontade a união
que então celebram.

curioso observar que a manifestação da vontade deve ser feita de um para outro
contraente, não podendo comparecer um depois do outro. E mais que, caso seja
impossível aos contraentes fazer a declaração de vontade nupcial oralmente, podem
manifestá-la por escrito ou por mímica, desde que compreensível. Válida, também, será
a declaração em língua estrangeira, estando os nubentes assessorados por intérprete
juramentado.

E o desfecho da formalidade que deve ser considerada com a maior respeitabilidade é


tido com as seguintes palavras que são extraídas da própria lei civil, que declaram
efetuado o casamento: "De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar
perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro
casados." (Código Civil, art. 1.535, "in fine"). O casamento, porém, não se realizará se
não houver resposta ou se um dos contraentes nela inserir qualquer restrição.
A Justiça de Paz no Brasil conta mais de 170 anos; e a função do Juiz de Paz é
indelegável, portanto, autoridade alguma, por maior qualificação que detenha, poderá
substituí-lo.
Após a manifestação dos contraentes e o pronunciamento oficial do Juiz de Paz
declarando-os casados, o oficial do Registro Civil, funcionando como escrivão do Juiz de
Paz, lavra o termo do casamento e colhe as assinaturas do Juiz, dos contraentes e das
testemunhas, após a sua leitura em voz alta e na língua pátria.

Juiz, escrivão, contraentes e testemunhas devem trajar-se com o decoro necessário e


condizente à elevada importância do ato.
Já de longa data, as Organizações Judiciárias de muitos dos Estados brasileiros, no
tocante à Justiça de Paz, tem determinado que, além da vestimenta a contento do Juiz e
demais partícipes da cerimônia civil, deva aquele usar uma faixa verde-amarelo de dez
centímetros de
largura, que portará a tiracolo, do lado direito para o esquerdo. E que, após a
oficialização da celebração, saúde os contraentes e lhes passe mensagens de otimismo
e de incentivo à nova vida a dois que de então terão por si.
O local (*) da celebração normalmente se dá na própria serventia registral, muito embora
possa também ocorrer em casa particular ou sedes de clubes e associações,
conservando-se, em quaisquer casos, as portas abertas durante a celebração do ato,
sendo permitida a entrada de todas as pessoas que o desejarem; isto para dificultar
intimidação ou qualquer tipo de influência sobre a vontade dos contraentes, que deve
ser livre e só deles. A data geralmente conjuga-se com a publicação dos proclamas,
salvo necessidade de dispensa destes por motivos plausíveis e devidamente
comprovados. A celebração do ato poderá dar-se em qualquer dia da semana. A hora
deve compreender-se do nascer ao pôr-do-sol.

Enquanto a habilitação para o matrimônio civil deve ocorrer pelo menos no lugar de
residência de um dos pretendentes, à celebração matrimonial não há nenhuma restrição.
O que ocorre é que a habilitação e a celebração matrimonial são dois atos distintos.
Disso resulta que não obstante a habilitação haver ocorrido numa circunscrição registral,
a celebração pode ser realizada noutra, mediante o fornecimento pela serventia
habilitante, de uma certidão especial contendo todos os dados da habilitação, que será a
base de informações para a serventia de registro do ato. Esta deverá posteriormente
comunicar à serventia habilitante, a efetivação do ato matrimonial.

Antroponímia brasileira
Os Antropônimos estão documentados e registrados em todas as raças e línguas,
fazendo parte da cultura de todos os povos desde as eras mais primitivas.
Apelidos ou nomes foi a forma encontrada pelos seres humanos para distinguir as
pessoas da família e da comunidade, facilitando assim, a identificação de cada um de
seus membros.

Inicialmente, apenas um nome era suficiente para a identificação, mas com o


crescimento das famílias e a população das comunidades, alguns nomes começaram a
se popularizar e a serem também usados por descendentes de outras famílias, gerando
assim, dificuldades na distinção de cada pessoa. Houve então, a necessidade da criação
de um segundo nome que acrescentado ao primeiro identificasse melhor as pessoas.
O segundo nome foi surgindo naturalmente, aliado a peculiaridades referentes à pessoa,
identificando-a imediatamente: João Oliveira, ou João, que planta, cuida ou vende olivas;
Paulo Ferreira, ou Paulo, o ferreiro ou aquele que trabalha com ferro; Luiz Serra, ou
Luiz, o que mora na serra ou no alto da montanha; Pedro Carneiro, ou Pedro, o que cria
carneiros; Sérgio Fortes, ou Sérgio, o forte, o musculoso, de aparência forte; Luiz
Guimarães, ou Luiz, nascido ou procedente da cidade de Guimarães; Antônio Lago, ou
Antônio, o que pesca ou mora próximo a um lago; Cláudio Branco, ou Cláudio, o de cor
bem clara, branca; João Batista dos Reis, em veneração aos três reis magos da história
cristã; Carlos Pontes, ou Carlos, o que constrói pontes. Assim, desta forma simples de
apelidos, foram surgindo nomes que seriam adotados como sobrenomes, simplificando a
identificação dos indivíduos e das famílias dentro das comunidades.

Na formação dos antropônimos brasileiros houve a influência de vários povos e idiomas.


O português, o espanhol, o italiano, o alemão, o hebraico, o árabe, o inglês, o francês, o
latim, o anglo saxão e outros com menor participação, como a nação indígena que
habitava nossas terras, antes do descobrimento.

No início da colonização do Brasil somente foram implantados Cartórios de Registro Civil


nas principais cidades onde residia a maioria dos fidalgos. Ficou, então, para os padres
da Igreja Católica, principalmente os jesuítas que catequizavam pelo interior, estabelecer
através dos casamentos e batizados, os nomes e sobrenomes. Porém, somente as
crianças com os nomes
de origem bíblica, santos ou usados pelos fidalgos eram aceitos para batizar, enquanto
os de procedência indígena ou negra (afro), eram aconselhados a trocar por um desses
nomes mais conhecidos dentro das classes dominantes.

Deve-se reconhecer entretanto, que foi muito proveitosa a colaboração cultural da Igreja
na forma da antroponímia no início da colonização do Brasil. Apesar das censuras
impostas, se não houvessem os livros de registros de batizados e casamentos da Igreja
Católica, muitos nomes e sobrenomes de famílias que no país habitavam, teriam
desaparecido no tempo e da história, já que os governantes da época tinham pouco ou
nenhum interesse em saber de nomes e sobrenomes, onde e como viviam as famílias
de então.

O estrito acesso ao estudo e à cultura fez evidentemente com que durante quase 500
anos muitos erros gráficos e ortográficos fossem cometidos por quem foi oficializar o
nome ou por quem registrou: Bibiano ou Bibiana, que devido à pronúncia do imigrante
português, fez surgir Viviano ou Viviana; do erro de escrita do nome Ewaldo, nasceu
Euvaldo; Alzira, que passou também a ser grafado Elzira; Eurides, que é Orides; José
Sidnei, que passou a ser também José Sídio. E muitos outros.
Todavia tais erros cometidos ingenuamente por padres e oficiais do Registro Civil, muito
eles colaboraram para o enriquecimento do nosso vocabulári de antropônimos.
Até o século passado predominaram os Antônios, os Joões, Josés, Marias, Paulos,
Sebastiões, Pedros, Luzias, Terezinhas, Franciscos..., e alguns por serem de
Personalidades da Igreja Católica: Moisés, Abraão, Samuel, Sara, Salomão, Joab, Adão,
Eva, etc., todos citados na Bíblia. Os Joaquins e os Manuéis que eram muito populares
em Portugal, vieram junto com a colonização.
Com as imigrações dos germânicos, anglo-saxões, espanhóis, italianos, que aqui foram
chegando, começou também a se diversificar a antroponímia brasileira.

Se até então era predominante os Antônios, Marias e Josés..., a partir daí começaram a
surgir Adalbertos, Arletes, Cláudios, Clovis, Ewaldos, Giovanis, Gertrudes, Guilhermes,
Robertos, Ronaldos, Walters, Wilsons..., acrescentando assim, uma valiosa colaboração
para o enriquecimento dos antropônimos brasileiros.
Não se pode esquecer a grande colaboração de José de Alencar, Anchieta, Lemos
Barbosa, Gonçalves Dias, Taunay, Teodoro Sampaio e outros escritores que através de
suas obras que fazem parte do patrimônio literário da nossa cultura, conseguiram
integrar e popularizar dentro do costume de nomes próprios predominantemente das
raças brancas, vários nomes indígenas na antroponímia brasileira, como: Guaraci,
Iracema, Juçara, Juracy, Jurandir, Moacir, Ubiratã, Yara e muitos outros.

A participação do povo também foi importante dentro desta conjuntura. Da criatividade


popular nasceram os nomes: Juliene, que é a justaposição de Júlia + Enio; Lucineide,
que é a justaposição de Lúcio + Neide; Ezimar, que é a justaposição de Ezio + Maria;
Genivaldo, que é a justaposição de Geni + Osvaldo; Josmari, que é a justaposição de
José + Maria; Elenice, que é a justaposição de Hélio + Eunice...
O étimo dos antropônimos exerceram e exercem pouca influência quando da escolha de
novos nomes. A Bíblia, a Igreja, a música, a política, a literatura, a televisão, tiveram e
têm maior influência que os significados etimológicos na popularização dos nomes das
pessoas.

Os nomes dos apóstolos e santos se popularizaram em todas as camadas sociais sem


ser considerado os significados etimológicos. Também nomes como Adolfo, Afonso,
Amélio, Benjamim, Carmem, Carlos, Carol, César, Cláudio, Dante, Elizabeth, Franklin,
Getúlio, Guilherme, Henrique, Iracy, Iracema, Jânio, Joana, Julieta, Victor, Vladimir,
Washington e Wellington, Yara, e tantos outros se tornaram populares por ser, cada um
deles, nome de pessoa que se tornou admirada por suas qualidades de político,
governador, herói histórico ou
mitológico, personagem de um romance ou de novela, nome de música ou de artista, ou
ainda, para homenagear pessoas amigas ou da família, e não pelo sentido étimo
propriamente.
A escolha de um nome começa quando é anunciada e confirmada a gravidez. A partir daí se
inicia um longa peregrinação de A a Z por livros e revistas para escolher um nome que seja
forte, bonito, simpático e admirado. Sugestões de familiares e amigos são também aceitas,
e normalmente é elaborada uma grande lista. Mas, na verdade, quem vai decidir são os
pais. Só eles é que darão a palavra final
Se ao escolher nome para um filho ou filha os pais consultassem um dicionário étimo de
antropônimos, provavelmente nomes como Pedro, Paulo, Cláudio e outros não seriam tão
populares; as preferências provavelmente recairiam para Carlos, Apolo, Gumercindo,
Humberto, Reinaldo, etc. Entretanto, muitas vezes são esquecidos detalhes importantes
nesta escolha. É preciso lembrar em primeiro lugar que o nome escolhido não é marca ou
propriedade de quem escolhe e sim a identificação de uma pessoa por toda a vida; e em
segundo lugar o sobrenome, que também o acompanhará. É importante também ressaltar a
tradição mais que secular de composição do nome de uma pessoa, com o prenome
sucedido com pelo menos dois apelidos de família oriundos de sua ascendência paterna e
materna.
Fonte: Dicionário de nomes próprios, Salvato Claudino, Editora Thirê Ltda, S. Paulo, 1996

Certidões devem ser padronizadas até janeiro de 2010

A partir de maio, os cartórios do país já podem utilizar os novos padrões para certidões de
nascimento, casamento e óbito. Decreto presidencial foi publicado nesta terça-feira (28/4).
O prazo para o modelo único ser totalmente implementado é 1 de janeiro de 2010. Os
modelos atuais não perderão sua validade e não será necessário emitir uma nova certidão.
Com a padronização, espera-se evitar erros, falsificações, fraudes e, ainda, contribuir na
redução do sub-registro que, segundo o governo federal, deve ser erradicado até 2010. Nas
certidões deverão constar matrículas padronizadas e unificadas nacionalmente, que
identifiquem o cartório expedidor, o ano, o livro e a folha na qual foi efetuado o registro.
Outra novidade é a obrigatoriedade do registro do número da Declaração de Nascido Vivo
(DNV).
Conheça aqui os novos modelos únicos de certidão: Nascimento, Casamento e Óbito.
Com informações da Assessoria de Comunicação do Ministério da Justiça.

CNJ publica provimento que regulamenta o novo modelo das certidões do Registro Civil
Conselho Nacional de Justiça
Corregedoria
PROVIMENTO nº 2
O CORREGEDOR NACIONAL DE JUSTIÇA, Ministro Gilson Dipp, no uso de suas
atribuições legais e regimentais, CONSIDERANDO os termos dos artigos 236 e 103-B,
parágrafo 4º, III da Constituição,
CONSIDERANDO o decidido na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3.773, na sessão
de 4 de março de 2009 do SupremoTribunal Federal,
CONSIDERANDO o disposto no art. 8º, X, do Regimento Interno do Conselho Nacional de
Justiça, dotado de força normativa na forma do artigo 5º, parágrafo 2º, da Emenda
Constitucional nº 45 de 2004, e
CONSIDERANDO a conveniência de uniformizar e aperfeiçoar as atividades dos serviços
de registro civil das pessoas
naturais,
RESOLVE
Artigo 1º. Instituir modelos únicos de certidão de nascimento, de certidão de casamento e
de certidão de óbito, a serem adotados pelos Ofícios de Registro Civil das Pessoas Naturais
em todo o país, na forma dos anexos I, II e III. Artigo 2º. As certidões passarão a consignar
matrícula que identifica o código nacional da serventia, o código do acervo, o tipo do serviço
prestado, o tipo do livro, o número do livro, o número da folha, o número do termo e o digito
verificador, observados os códigos previstos no anexo IV.
Parágrafo Único. O número da Declaração de Nascido Vivo, quando houver, será
obrigatoriamente lançado em campo próprio da certidão.
Artigo 3º. Os novos modelos deverão ser implementados por cada registrador até o dia 1º
de janeiro de 2010.
Artigo 4º. Este Provimento entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 27 de abril de 2009.
Ministro Gilson Dipp
Corregedor Nacional de Justiça
Papel Timbrado da Igreja com endereço e cnpj
TERMO DE CASAMENTO RELIGIOSO PARA EFEITO CIVIL

Para fins de Registro Civil: Constituição Federal, art 226, §2º e lei 10.406 de 10 de
janeiro de 2002 e lei 6.015 de 31 de dezembro de 1973
Aos DIA de MÊS de ANO às XX:XX horas, no templo da NOME DA IGREJA, em lugar
acessível a qualquer pessoa, de portas abertas, perante o celebrante NOME DO
CELEBRANTE e na presença das testemunhas ao final nomeadas e assinadas, após
haverem afirmado o propósito de se casarem de livre e espontânea vontade foi
celebrado segundo o rito evangélico nos termos da lei dos Registros Públicos, de acordo
com a Constituição Federal, art. 226 §2 e Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002 e Lei
6.015 de 31 de dezembro de 1973, mediante apresentação da Certidão de Habilitação
Civil das Pessoas Naturais do NOME DO CARTORIO, datada de DATA DA CERTIDAO
DE HABILITAÇÃO. Receberam-se em
matrimônio, os nubentes NOME DO NOIVO E NOME DA
NOIVA

Ele, com XX anos de idade, NACIONALIDADE, natural da Cidade de NOME DA


CIDADE - UF, nascido em DATA DE NASCIMENTO, de profissão XXX, filho de NOME
PAI NOIVO e NOME MÃE NOIVO domiciliado e
residente à ENDEREÇO DE
RESIDÊNCIA

Ela, com XX anos de idade, NACIONALIDADE, natural da Cidade de NOME DA


CIDADE - UF, nascida em DATA DE NASCIMENTO, de profissão XXX, filha de NOME
PAI NOIVA e NOME MÃE NOIVA domiciliada e residente à ENDEREÇO DE
RESIDÊNCIA

FORAM TESTEMUNHAS:
1ª NOME DA TESTEMUNHA, NACIONALIDADE, ESTADO CIVIL, de profissão XXX
domiciliada e residente
ENDEREÇO COMPLETO

2ª NOME DA TESTEMUNHA, NACIONALIDADE, ESTADO CIVIL, de profissão XXX


domiciliado e residente
ENDEREÇO COMPLETO
Casamento sob o regime da TIPO DE REGIME de bens.

A nubente assinará: NOME DE CASADA DA NOIVA


O nubente assinará: NOME DE CASADO DO NOIVO. SE FOR O MESMO, ESCREVER:
O MESMO NOME DE SOLTEIRO

NOME DO ESTADO, DIA de MÊS de ANO

Celebrante

Noivo

Noiva

1ª Testemunha
2ª Testemunha

(carimbo da igreja)
PREENCHER NO VERSO DO TERMO DE CASAMENTO

MODELO DE PETIÇÃO:

ILMO Sr. Oficial do Cartório do Registro Civil e Casamento de CIDADE - UF

Os nubentes NOME DO NOIVO e NOME DA NOIVA tendo contraído o matrimônio


religioso, e de acordo com a Constituição Federal, art 226 . §2º, Lei 10.406 de 10 de
janeiro de 2002 e lei 6.015 de 31 de dezembro de 1973, vêm pelo Ministro de Paz
religioso signatário apresentar a prova desse casamento e requerem a V. Sa. Que se
digne fazer sua inscrição no Registro Civil das pessoas naturais, para que produza seus
jurídicos e legais efeitos, apresentando para tanto o Termo de Celebração do casamento
religioso.

Nestes termos.

P. Deferimento.

CIDADE, DIA de MÊS de ANO

CELEBRANTE – Juiz de Paz Religioso

(carimbo da igreja)

ORIENTAÇÃO AO PASTOR

O Termo de Casamento Religioso (também chamado de Ata de Casamento Religioso),


devidamente assinado, é entregue pelo Pastor Celebrante aos noivos após o casamento
para ser levado obrigatoriamente ao cartório onde eles deram entrada nos papéis para o
casamento, que então validará o casamento efetuado pelo pastor.

DICAS/ EXEMPLOS
Se o endereço do pai de algum dos noivos for desconhecido, coloque a seguinte
expressão:
ele, residente e domiciliado em lugar incerto e não sabido, ela, residente e domiciliada
em [cidade onde ela mora].

Se o pai de algum dos pais é falecido, coloque a seguinte expressão:


ele, falecido, ela residente e domiciliada em [cidade onde ela mora].

TERMO DE RESPONSABILIDADE
Este Termo de Casamento Religioso foi obtido em Cartório de Registro Civil no mês de
Julho de 2.009. Fique atento às alterações legais. Antes de utilizá-lo, apresente-o ao
cartório onde o casamento será registrado, para confirmar sua aplicação. O Copeb não
se responsabiliza pela exatidão destas informações nem por sua atualização.
Modelo de Certidão de Casamento

107
Modelo de Certidão de Nascimento

108
Modelo de Certidão de Óbito
PEDIDO DE HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO (Art. 180 do CC)

Ilmo. Sr. Oficial do (xxxº) Cartório de Registro Civil da Comarca de (xxx)

NOME DO NUBENTE, (Nacionalidade), (Profissão), Solteiro, portador da Carteira de


Identidade nº (xxx), inscrito no CPF sob o nº (xxx), residente e domiciliado à Rua (xxx),
nº (xxx), Bairro (xxx), Cidade (xxx), Cep. (xxx), no Estado de (xxx) e NOME DA
NUBENTE, (Nacionalidade), (Profissão), Solteira, portadora da Carteira de Identidade nº
(xxx), inscrita no CPF sob o nº (xxx), residente e domiciliada à Rua (xxx), nº (xxx), Bairro
(xxx), Cidade (xxx), Cep. (xxx), no Estado de (xxx), pretendendo contrair casamento,
exibem os documentos exigidos pelo artigo 180 do Código Civil verbis:

"Art. 180. A habilitação para o casamento faz-se perante o oficial do registro civil,
apresentando-se os seguintes documentos:

I - Certidão de idade ou prova equivalente;

- Declaração do estado, do domicílio e da residência atual dos contraentes e de seus


pais, se forem conhecidos;

- Autorização das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou ato judicial que a
supra (arts. 183, nº XI, 188 e 196);

IV - Declaração de duas testemunhas maiores, parentes, ou estranhos, que atestem


conhecê-los e afirmem não existir impedimento, que os iniba de casar;

V - Certidão de óbito do cônjuge falecido, da anulação do casamento anterior ou do


registro da sentença de divórcio.

Parágrafo único. Se algum dos contraentes houver residido a maior parte do último ano
em outro Estado, apresentará prova de que o deixou sem impedimento para casar, ou
de que cessou o existente."

Destarte, pedem que, após afixação e publicação do edital de proclamas, e transcorrido


o prazo legal sem oposição de impedimento, seja certificado acharem-se os
Requerentes habilitados para o casamento.

Termos que
Pede deferimento.

(Local, data e ano).

(Nome e assinatura dos nubentes).


REGRAS PARLAMENTARES
Edição 2010
INDICE
1 – INTRODUÇÃO
2 – ELABORAÇÃO DA LEI
3 – LEI: TÉCNICA, HIERARQUIA E CLASSIFICAÇÃO
4 – REGIMENTO
5 – ESTATUTO I
6 – ESTATUTO II - DA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLÉIA DE DEUS

I - INTRODUÇÃO

De acordo com os Estatutos e Regimentos Internos das Convenções das igrejas


evangélicas no Brasil, as regras parlamentares que orientam as assembléias da igreja são
quase sempre parecidas. Para tornar essas regras ao alcance de todos, fazemos aqui,
com adaptações, um apanhado de como é elaborado os estatutos e regimentos e funciona
a aplicação nas igrejas em quase todos os segmentos denominacionais.
Há no Brasil centenas de igrejas informais ou clandestinas. Porém, quase que na
totalidade das legalizadas seus membros não têm conhecimento dos Estatutos e
Regimentos Interno que as rege, quer por má-fé de suas diretorias (Pastor-presidente),
quer pela falta de interesse dos seus membros. E ainda o mais grave é que a maioria das
igrejas evangélicas no Brasil não cumpre seus estatutos e regimentos internos.
Em primeiro lugar veremos são elaboradas as leis no Brasil. Visualizaremos desde
processo legislativo, passando pelo ciclo elaborativo à tramitação do projeto de lei.
Depois abordaremos a hierarquia e a classificação das leis no Brasil.
- ELABORAÇÃO DA LEI

slativo → Conjunto de atos preordenados visando à criação de normas de Direito.


Conjunto de regras que informa a elaboração da lei. Elaboração
compete ao Poder Legislativo com a colaboração do Executivo.

Regime bicameral → projeto de lei é submetido às duas Casas do Congresso Nacional (Câmara
e Senado Federal). Aprovado por uma, é revisto por outra e enviado ao Presidente, se
casa revisora aprovar, ou arquivado, se rejeitar- art. 65, CF. Se emendado, volta à casa
iniciadora.
Aprovado em ambas, projeto é enviado ao Presidente para sanção, promulgação e
publicação.

Tramitação = procedimento

Ciclo elaborativo → iniciativa, discussão, votação, sanção, promulgação e publicação. ↓


ou veto

Discussão e votação – duas fases que são chamadas por alguns autores
englobadamente de aprovação

Iniciativa: art. 61, CF → faculdade de se apresentar projeto de lei ao legislativo. Impulso inicial.
Pode ser:
Concorrente: quando iniciativa é afeta a mais de uma pessoa ou órgão;
Exclusiva: afeta a uma só pessoa ou órgão.

Iniciativa popular: art. 61, § 2º, CF.


Participação direta do cidadão
Soberania popular: forma de democracia direta.

Aprovação → estudos, debates, redações, emendas, discussão, e votação.


Estudos: pareceres de comissões técnicas.
Emendas: modificações nos projetos de lei.

Discussão – na Câmara e no Senado. Aprovado por uma casa é revisto por outra, voltando à
origem se a 2ª casa fizer emendas- art. 64, CF.

Não há prazo para aprovação, mas Presidente pode pedir urgência.

Sanção → ato pelo qual chefe do Executivo manifesta sua concordância com o projeto de lei
aprovado pelo legislativo. É a aprovação do Executivo à deliberação do legislativo.
Transforma projeto de lei em lei. Lei nasce com a sanção.
Sanção pode ser:
expressa → Presidente da República (chefe do Poder Executivo) declara anuência- assina
projeto de lei, convertendo-o em lei.
Tácita → Presidente deixa passar prazo de 15 dias úteis do recebimento do projeto. Seu
silêncio importa em sanção.

Veto → ato pelo qual o Presidente manifesta discordância com o projeto de lei apresentado. É a
manifestação contrária à conversão do projeto de lei em lei- art.66, § 1º, CF.

Presidente do Senado, comunicado pelo Presidente da República através de


mensagem, convoca as duas casas do Congresso para apreciar o veto em sessão
conjunta: art. 66, § 4º, CF.
Voto da maioria absoluta rejeita então o veto, convertendo o projeto de lei antes
vetado em lei. A lei, após, é enviada para promulgação ao Presidente da República.
Caso não obtido o voto da maioria absoluta dos membros do Congresso, prevalece
o veto presidencial → morre o projeto de lei na parte vetada.

Promulgação → ato pelo qual se atesta existência formal e regularidade da lei. Proclamação.
Ocorre ao mesmo tempo em que a sanção, na seqüência natural imediata desta.

Publicação → torna a lei obrigatória na data indicada para a vigência. Omitida esta data, a
vigência se dará 45 (quarenta e cinco) dias após a publicação. É a divulgação, tornando
a lei conhecida de todos → presume-se tal conhecimento geral. É a difusão do texto
legal.
Publicação se dá através do Diário Oficial.
Antigamente, o pregão era anunciado a toque de tambor: divulgação simbólica apenas.
O Poder Executivo colabora de duas maneiras no processo de elaboração das leis:

Presidente → ler art. 61, § 1º, CF → leis pertinentes a servidores, forças armadas etc.
→ impulso inicial reservado ao Executivo.
Veja o que diz o § 1º do Art. 61:
“São de iniciativa privativa do Presidente da República as que:
I – fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II – Disponham sobre:
criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica
ou aumento de sua remuneração ...”

2ª) Sanção, promulgação e publicação.

Medida Provisória → submetida ao referendo do Congresso;


perde eficácia se não convertida em lei em 30 (trinta) dias. Procedimento legislativo
próprio.
III - LEI: TÉCNICA, HIERARQUIA E
CLASSIFICAÇÃO

2- Classificação quanto à hierarquia.


As normas hierarquicamente inferiores não podem contrariar nem revogar as
superiores.

Constitucionais → normas que disciplinam a organização estrutural do Estado e os direitos


fundamentais do homem. Normas mais importantes do ordenamento, superiores a todas
as demais, denominadas infraconstitucionais.

Complementares → Ex. Lei da Magistratura; votadas pela legislatura ordinária para


regulamentar condições de aquisição e exercício de direitos constitucionais não auto
executáveis. Art. 59 e 69 CF.
Tem como função tratar de certas matérias que a constituição entende que deva ser
reguladas por normas mais regidas.

Ordinárias → votadas pelos órgãos que a Constituição investiu da função legislativa –


Poder Legislativo com colaboração do Executivo.
O quorum legislativo exigido para sua aprovação é especial, isto é, maioria absoluta.
Abaixo das Leis ordinárias tem-se decretos e regulamentos, para pautar a execução
da lei, de competência do Poder Executivo.
Tais decretos são diferentes dos decretos legislativos, provisões do Poder
Legislativo em matérias de sua estrita competência – art. 48 c/c 59, VI, CF.

Classificação quanto à extensão territorial.


Não é hierarquia e sim distribuição de competência, própria dos países de
organização federativa, como o Brasil.

Leis federais → votadas pelo Congresso Nacional para aplicação em todo território, salvo
exceções de leis para regiões – art. 22 CF.
Estaduais → votadas pelas Assembléias Legislativas para ter aplicação restrita à
circunscrição territorial do Estado.

Leis ordinárias : São frutos da atividade típica e regular do poder legislativo. Ex. Código Civil, Penal,
defesa do consumidor e etc.
Municipais → votadas pela Câmara dos Vereadores para ter vigência nos limites do
município – art. 29 CF.
Municípios podem legislar sobre matéria de seu interesse, impostos de sua competência
e organização dos serviços públicos locais - autonomia municipal.
Veja o que diz Art. 29:
“O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, como intertício mínimo
de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a
promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição
dos respectivos Estados e os seguintes preceitos:”

Doutrina dos Poderes Implícitos → art. 25, § 1 º CF → Estado pode legislar sobre o que não foi
expressamente vedado na Constituição, desde que não seja inconstitucional e diga
respeito à sua administração, governo e serviços ( competência subsidiária ou implícita).
Tais poderes são reservados constitucionalmente.

Veja o que diz o § 1º do Art. 25:


“São reservados aos Estados às competências que não lhes sejam vedadas por esta
Constituição.”

Veremos a seguir um exemplo de regimento interno:

REGIMENTO

CAPÍTULO I
Das Assembléias
Art. 1º - As assembléias da igreja serão abertas pelo presidente ou por seu substituto legal.
Art. 2º - No início da assembléia, após os momentos inspirativos que deverão constar de leitura
bíblica, cânticos e orações, deverá ser submetida à aprovação do plenário a ordem do
dia, encaminhada pelo presidente ou substituto legal.

CAPÍTULO II

Dos Debates
Art.3º - Para ser discutido numa assembléia, qualquer assunto deverá ser introduzido por uma
proposta, devidamente apoiada, salvo os pareceres de comissões.
Art.4º - Aquele que desejar falar para apresentar ou discutir uma proposta deverá levantar- se e
dirigir-se ao presidente, dizendo: “Peço a palavra Sr. (ou irmão) presidente”.
Art.5º - Concedida a palavra, o orador falará, dirigindo-se ao presidente ou à assembleia,
expondo o seu assunto e enunciando claramente a sua proposta que, quando for muito
extensa ou envolver matéria grave, deve ser redigida e encaminhada à mesa.

Art.6º - Feita uma proposta, ela só será colocada em discussão, se receber apoio por parte de
outro membro da igreja, o qual, dirigindo-se ao presidente, dirá: “apoio a proposta feita”,
ou simplesmente “Apoiado”.

Art.7º - Colocada a proposta em discussão, os membros que desejarem falar devem levantar-
se e solicitar a palavra ao presidente.

Art.8º - O presidente concederá a palavra ao membro que primeiro a solicitar e, quando


dois ou mais solicitarem a palavra ao mesmo tempo, concedê-la-á àquele que estiver
mais distante da mesa.

Art.9º - Quando muitos oradores desejarem falar, o presidente poderá ordenar a abertura de
inscrição, o que será deito pelo segundo – secretário, seguindo rigorosamente a ordem
anotada.

Art.10 - Por voto do plenário, pode ser limitado o tempo dos oradores.

Art.11 - Feita uma proposta, apoiada e posta em discussão, qualquer membro pode apresentar
uma proposta substitutiva, isto é, uma proposta substitutiva, isto é, uma proposta
baseada na que originalmente foi feita, mas modificando seus termos ou alcance.

Art.12 – Uma proposta substitutiva não pode contrariar fundamentalmente a proposta


original.

Art. 13 – Uma vez proposto e apoiado um substitutivo, a discussão passará a ser feita em torno
dele.

Art. 14 – Encerrada a discussão e posta a voto a proposta substitutiva, se ela vencer,


desaparece a proposta original; se não vencer, voltará à discussão a proposta original.

Art.15 – Feita uma proposta e posta em discussão, qualquer membro pode propor emenda a
ela para acrescentar palavras ou frases (emenda aditiva), para suprimir palavras ou
frases (emenda supressiva), ou para suprimir palavras ou frases e acrescentar outras.

Art.16 – Apresentada e apoiada à emenda, a discussão passará a ser travada em torno dela.
Art. 17 – Encerrada a discussão sobre a emenda, o presidente pô-la-á a votos; se vencer, será
acrescentada à proposta original, que depois será posta a votos com a emenda.

Art.18 – Para facilitar a discussão ou a votação, o presidente poderá dividir uma proposta que
conste de vários pontos, submetendo à votação cada ponto separadamente.

Art.19 – Uma proposta poderá ser retirada da discussão, por solicitação expressa do seu autor,
com aquiescência do plenário.

CAPÍTULO III

Das Propostas Especiais

A . Para encerramento das discussões

Art. 20 – O plenário pode impedir a discussão da matéria. Já suficientemente esclarecida, por


meio de aprovação de uma proposta, para encerramento imediato da discussão, mesmo
havendo oradores inscritos.

Parágrafo Único – A proposta para encerramento da discussão deve ser brevemente justificada.

B – Para adiamento

Art. 21 – Qualquer membro poderá propor o adiamento, por tempo definido ou não, da discussão
de assuntos em debate, para que sejam oferecidos esclarecimentos, se necessários, ao
plenário, ou seja dada preferência à matéria mais urgente.

Parágrafo Único – Em qualquer assembléia posterior, qualquer membro poderá propor a volta
dos debates de assunto que esteja sobre a mesa.

C. Reconsideração

Art.22 – Uma proposta para reconsideração só pode ser feita por um membro que votou a favor
do assunto, que deseja ver reconsiderado.
Art.23 – A proposta para reconsideração não pode ser feita na mesma assembléia em que a
questão a reconsiderar foi votada.
Art.24 – Vencedora a proposta de reconsideração, o assunto anteriormente aprovado volta à
discussão, podendo ser confirmada, alterada ou anulada a decisão anteriormente votada.
D. Não admitem discussão

Art.25 – São propostas que não admitem discussão, devendo ser imediatamente postas a votos,
uma vez apoiadas:
Para adiamento da discussão por tempo definido ou indefinido;
Para encerramento das discussões e imediata votação;
Para dirimir dúvidas sobre questões de ordem;
Para responder consulta da mesa sobre questões de ordem não previstas neste regimento;
Para que o assunto seja entregue ou devolvido a uma comissão para reapresentação
posterior;
Para a volta aos debates de assunto que tenha sido adiado;
Para limitar o tempo dos oradores ou da discussão sobre qualquer matéria;
Para prorrogação ou encerramento da assembléia;
Para encaminhar o modo da discussão de um parecer;
Para a concessão de honras especiais, manifestações de pesar, de reconhecimento ou de
regozijo;
Para concessão do privilégio da palavra;
Para votação imediata da proposta original, independente de suas emendas ou substitutivas.

CAPÍTULO IV

Da Votação

Art. 26 – Concluída a discussão, o presidente anunciará com clareza a proposta que vai ser
votada, podendo determinar a sua leitura, se julgar necessário “Está em votação”, ou
equivalente.
Art.27 – Após a declaração, pelo presidente, de que a proposta está em votação, a nenhum
membro poderá ser concedida a palavra sob nenhum pretexto, antes que os votos sejam
contados.
Art.28 – Uma vez anunciado que a proposta está em votação, o presidente deve pedir os
votos a favor.
Art. 29 – A seguir, o presidente pedirá que se manifestem aqueles que são contra a proposta e
anunciará o resultado da votação.
Art.30 – Quando houver necessidade, a critério da mesa, os votos podem ser contados.

Art.31 – Podem ser usadas as seguintes formas de votação:


Levantarem uma das mãos os membros;
Colocarem-se de pé os membros;
Permanecerem sentados os que favorecem e levantaremos que contrariam a proposta;
Permanecerem em silêncio os que favorecem;
Dizerem “sim” os que favorecem e “não” os que contrariam.

Art. 32 – As deliberações da igreja só terão validade quando aprovadas em assembléias e pela


maioria dos membros presentes, exceto os assuntos para os quais o Estatuto prevê
especial.
Art. 33 – Em certas votações é conveniente o uso do escrutínio secreto.
Art. 34 – qualquer membro que julgar que houve erro ou omissão na contagem dos votos poderá
requerer à mesa a recontagem, que será feita imediatamente, sem discussão a critério da
mesa.
Art.35 – Qualquer membro que desejar, tendo sido vencido na votação, poderá solicitar a
inserção em ata da justificação de seu voto, que apresentará sucintamente.

CAPÍTULO V
Das Questões de Ordem

Art. 36 – Qualquer membro poderá solicitar a palavra “Pela Ordem”, que será imediatamente
concedida, nas seguintes circunstâncias:
Quando não está sendo observada a ordem dos debates nos termos deste Regimento;
Quando algum orador tratar de matéria alheia ao debate em questão ou estranha à assembléia;
Quando desejar propor o encerramento da discussão;
Quando desejar propor a votação imediata da proposta original, independente de suas emendas
ou substitutivas.
Art.37 – Obtendo a palavra, o mesmo exporá brevemente a questão de ordem, devendo a
matéria ser resolvida pelo presidente, cabendo ao membro apelar para o plenário, caso
não concorde com a decisão do presidente.
Art. 38 – O membro que desejar apartear um orador deve primeiro solicitar-lhe o consentimento e
não falará se este não for concedido.
Art. 39 – Os apartes devem ser feitos para esclarecer o orador ou para fazer-lhe perguntas, que
esclareçam o plenário, sobre o ponto que está em consideração.
Art.40 – O tempo concedido ao aparteante não será descontado do tempo do orador que o
conceder.
Art.41 – Os apartes não devem ser discursos paralelos ao do orador aparteado.
Art. 42 – O presidente não pode ser aparteado, nem o proponente ou relator que estiver falando
para encaminhar a votação.
ESTATUTO-1

Cada Igreja pode ter seu próprio Estatuto, individualizado, atendendo suas
necessidades funcionais e locais quando for o caso. É bom lembrar aqui que o mesmo tem
de estar dentro da legalidade, atendendo as exigências do Código Civil e também a Moral
Ética. Pois, nem tudo que é legal, é ético. A partir destes princípios cada grupo que estar
formando uma igreja ou sendo emancipado deve buscar orientação legal e ética para não
cair em erros comuns e fraudulentos, como patrimônio da Igreja em nome do “Pastor” ou
de membro de sua família, mau uso dos recursos e outros. Veja abaixo um exemplo de
um estatuto:

CAPÍTULO I

DENOMINAÇÃO, SEDE E FINS

Art. 1º - A Igreja tal, doravante neste Estatuto denominada igreja, é uma comunidade religiosa,
com sede (com sede provisória) na cidade de (nome da cidade) e compõe-se de número
ilimitado de membros, sem distinção de sexo, idade, nacionalidade, tendo sido organizada
em (data da organização eclesiástica).

Art. 2º - A igreja reconhece como seu único cabeça e suprema autoridade somente Jesus
Cristo, e para seu governo, em matéria de fé, culto, disciplina e conduta, rege-se
unicamente pela Bíblia e adota a Declaração ou Norma Doutrinária da (nome da
Convenção que esta ligada a igreja).

Art.3º - A igreja existe para os seguintes fins:

Reunir-se regularmente para culto de adoração a deus, estudo da Bíblia e pregação do


evangelho;
Promover por todos os meios e modos ao seu alcance o estabelecimento do reino de Deus na
terra, cooperando com as demais igrejas nessa missão.

CAPÍTULO II

DA ADMINISTRAÇÃO E REPRESENTAÇÃO

Art. 4º - A administração dos negócios da igreja será exercida pela assembléia, que é o poder
soberano e administrador, tendo para executá-la a diretoria da igreja, que se comporá de
um presidente, um vice-presidente, dois secretários (1º e 2º ) e dois
tesoureiros (1º e 2º), que exercerão suas funções de acordo com os deveres atribuídos a
cada um, descritos em regimento interno.

1º - O presidente, que será por força do seu cargo o pastor da igreja, o é por tempo
indeterminado, e os demais membros da diretoria serão eleito anualmente em sessão
extraordinária da igreja, a se verificar no último trimestre do ano, para o exercício do
mandato no ano civil subseqüente, sendo permitida a reeleição de quaisquer destes.

2º - Ao presidente cabe, além dos deveres atribuídos ao cargo, representar a igreja em juízo e
fora dele, e em geral nas relações para com terceiros, e junto com o diretor – tesoureiro
assinar escrituras de compra, venda ou hipoteca, recibos, contratos e quaisquer outros
documentos alusivos a esses atos, abrir, movimentar e liquidar contas para a igreja, em
bancos ou instituições similares, passar procurações substabelecê-las.

Art.5º - Para a gerência de seus negócios, em geral a igreja se reunirá em sessão ordinária,
extraordinária, em sua sede, todas elas sob a direção do seu presidente e na ausência
deste pelo substituto legal, o vice-presidente, sendo válidas as decisões que estejam de
conformidade com o que dispõem os Artigos 6º e 7º. Deste Estatuto.

1º - Perderá todo e qualquer direito o membro que deixar de fazer parte da igreja, quer a
pedido, quer por deliberação de qualquer sessão legal.

2º - As sessões ordinárias realizar-se-ão normalmente, todos os meses, as extraordinárias,


quando legalmente convocadas, conforme Regimento Interno, tantas vezes quantas
necessárias para eleição de diretoria dos membros eleitos e reuniões especiais, ou
qualquer outro motivo que determine a sua realização.

CAPÍTULO III
DO QUORUM

Art. 6º - dispensam quorum os assuntos tratados em assembléias ordinárias.

Art.7º - Os assuntos abaixo só podem ser tratados em assembléia extraordinária,


especialmente convocada, e como o quorum mínimo de 2/3 (dois terços), de membros da
igreja, com a devida assinatura no competente livro de presença:
Reforma deste Estatuto;
Aprovação ou reforma de regimento interno;
Mudança de sede da igreja;
mudança de nome da igreja;
eleição ou demissão de pastor;
f) Aquisição, oneração ou alienação de bens imóveis.
Parágrafo Único – As alterações deste estatuto não poderão eliminar os Artigos 2º e 3º e
suas alíneas, nem o Parágrafo 1º. Do Artigo 10.

CAPÍTULO IV

DA RESPONSABILIDADE DOS SEUS MEMBROS


Art. 8º - A diretoria e os membros não respondem individual, nem mesmo
subsidiariamente, pelas obrigações da igreja.

CAPÍTULO V

DA EXTINÇÃO DA IGREJA E DESTINO DO SEU PATRIMÔNIO


Art. 9º - O patrimônio da igreja é constituído de bens móveis, imóveis, provenientes de
contribuições voluntárias, doações e legados, e será aplicado todo na manutenção de
seus fins.

Art.10 – A igreja se constitui por tempo ilimitado e só poderá ser dissolvida por consenso
unânime dos seus membros, há esse tempo residentes e domiciliados na cidade de
(sede da igreja).
1º - No caso de divisão da igreja, o patrimônio pertencerá à maioria se os grupos
permanecerem fiéis ao que dispõem os Artigos 2º e 3º. Do presente Estatuto, ou à
minoria fiel ao que dispõem esses artigos, se houver apostasia do maior número,
devendo a decisão ser dada por um concílio ou uma comissão constituído de 6 (seis)
pastores. Executando o Presidente ou Secretário-executivo da Convenção (nome da
Convenção estadual), cada grupo tendo o direito de escolher 3 (três) componentes do
referido concílio, considerando-se vencido aquele grupo que a isto se opuser.
2º - No caso de dissolução da igreja por consenso de seus membros, será liquidado o seu
passivo e o saldo, se houver, entregue à Convenção (citar o nome da Convenção
estadual), ou outra entidade congênere que a substitua.
ESTATUTO-2

Desde que entrou em vigor o novo código civil, várias foram as polêmicas
levantadas, porém o artigo que igualava as Igrejas à associações, foi alterado
permanecendo com era antes.
Mesmo assim, cabe ressaltar que cada igreja deve ter em mente a igualdade
entre homens e mulheres, os direitos individuais, os direitos da mulher, da criança e do
adolescente, os direitos dos idosos, todos eles legitimados pelo texto constitucional.
Assim sendo, as igrejas evangélicas devem procurar adequar seus estatutos e
regimentos internos aos novos tempos de modernidade quanto aos direitos das
minorias, visando também fugir da discriminação, precavendo-se de possíveis
interpelações judiciais quando aos administração e negócios da igreja, bem como dos
direitos e deveres dos membros, e também os procedimentos disciplinares, garantindo o
contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ele inerentes.
O Estatuto deve ser individualizado, atendendo as necessidades funcionais e
religiosas das igrejas locais, quando for o caso.
bom lembrar aqui que o mesmo tem de estar dentro da legalidade, atendendo as
exigências do Código Civil e também a Moral Ética. Pois, nem tudo que é legal, é ético.
A partir destes princípios cada grupo que estar formando uma igreja ou sendo
emancipado deve buscar orientação legal e ética para não cair em erros comuns e
fraudulentos, como patrimônio da Igreja em nome do “Pastor” ou de membro de sua
família, mau uso dos recursos e outros.

Veja abaixo um exemplo de um Projeto de Estatuto ou de Adequação de estatuto:

EXEMPLO DE PROJETO DE ESTATUTO OU DE ADEQUAÇÃO DE ESTATUTO

ESTATUTO DA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLÉIA DE DEUS

CAPÍTULO I
Denominação, Seus Fins, Sede, Duração e Foro.

Art. 1º A IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLÉIA DE DEUS DE (EM)...., fundada em


1.9..., conforme estatuto registrado sob o número 99.999, de 00 de setembro de 1.9...,
no Cartório do 1° Ofício, reformado em 99 de dezembro de 1.9..., e em 99 de dezembro
de 2.000, registro número 9.999, de 99 de janeiro de 1.9..., no livro A-99 e número
99.999, livro A-42, respectivamente, do Cartório do 4° Serviço Notarial e Registral de
Títulos e Documentos, desta comarca, pessoa jurídica de direito privado, de natureza
religiosa, sem fins econômicos, tendo por finalidade principal, a propagação do
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, fundamentado na Bíblia Sagrada, bem como
a constituição e manutenção de igrejas e congregações, sob o regime de filiais, com as
mesmas finalidades a que se propõe a igreja central, de duração por tempo
indeterminado, com sede central, na Rua X, n° Y, Bairro H – Cidade de..., Estado de...,
Comarca onde tem seu foro judicial.
Art. 2º A Igreja Evangélica Assembléia de Deus de (em)..., sediada em (cidade)-(Estado),
titular do CNPJ N°..., compreende a Igreja Central, seus Setores e Congregações
localizadas nesta Capital, cidades e distritos do interior do Estado de... e outras cidades
e/ou municípios e seus respectivos Distritos em que por ventura, no futuro, venham ser
implantados novas igrejas e construídos templos, do mesmo ministério, fé e ordem,
conforme inscrição no Livro de Registro de Filiais, fundadas pela Igreja central ou por ela
recepcionadas, entidades subordinadas à Igreja central e regidas pelo

presente Estatuto.
1º Esta instituição, suas Filiais e Congregações reger-se-ão pelo presente Estatuto em
conformidade com as determinações legais e legislação pertinente à matéria em causa.
2º Como finalidade secundária, propõe-se a fundar e manter estabelecimentos culturais e
assistenciais de cunho filantrópico, sem fins econômicos.
Art. 3º Igreja Evangélica Assembléia de Deus de (em)..., suas Filiais e Congregações, por
afinidade aos princípios espirituais que professam, compartilham as regras de fé e
práticas doutrinárias das demais Assembléias de Deus no Brasil, reconhecendo a...
(SIGLA e Nome por Extenso da Convenção e/ou Regional) e a CGADB – Convenção
Geral das Assembléias de Deus no Brasil, sendo, entretanto, autônoma e competente
para, por si mesma, resolver qualquer questão de ordem interna ou externa,
administrativa, judicial ou espiritual, que surgir em sua Sede, Filiais e Congregações.
1º Dita Igreja, embora autônoma e soberana em suas decisões, onde for compatível e de
seu legítimo interesse, acatará as orientações e instruções emanadas dessas entidades
convencionais, em especial, tratando-se de assuntos que resguardem a manutenção
dos princípios doutrinários praticados pelas Assembléias de Deus no Brasil, em
conformidade com a Bíblia Sagrada. Esta instituição, suas Filiais e Congregações reger-
se-ão pelo presente Estatuto em conformidade com as determinações legais e
legislação pertinente à matéria em causa.
2º A Igreja se relaciona com as demais da mesma denominação, fé e ordem, obrigando-se
ao respeito mútuo da respectiva jurisdição territorial, podendo, porém, voluntariamente,
prestar e receber cooperação financeira e espiritual, mui especialmente na realização de
obras de caráter missionário, social, como asilo, orfanato e educacional.

CAPÍTULO II
Principais Atividades

Art. 4º A Igreja enquanto ente associativo exerce as seguintes atividades:


I – pregar o evangelho, discipular e batizar novos convertidos;
– através dos seus membros, priorizar a manutenção da igreja, seus cultos, cerimônias
religiosas, cursos educacionais, culturais e assistenciais de cunho filantrópico;
– promover escolas bíblicas, seminários, congressos, simpósios, cruzadas evangelísticas,
encontros para casais, jovens, adolescentes, crianças, evangelismo
pessoal e outras atividades espirituais;
IV – fundar instituições assistenciais e culturais, sem fins econômicos.

CAPÍTULO III
Dos Requisitos para a Admissão do Associado-Membro

Art. 5º A admissão ao quadro de membros da Igreja far-se-á, obedecidos os requisitos deste


Estatuto, mediante conhecimento prévio das atividades e objetivos da igreja e seus
pertinentes segmentos, acompanhada da declaração de aceitação das normas
estatutárias em vigor firmado pelo associado, inclusive, confissão expressa que crê,
respeita e concorda:
I – na Bíblia Sagrada, como única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter
cristão;
– em só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito
Santo; III – na liturgia da igreja, em suas diversas formas e práticas, suas doutrinas,
costumes e captação de recursos;
IV – as condições expressas nos artigos 8°, 9°, seus incisos e alíneas, deste Estatuto.

CAPÍTULO IV
Dos Membros, Seus Direitos e Deveres

Art. 6º A Igreja terá número ilimitado de membros, os quais são admitidos na qualidade de
crentes em Nosso Senhor Jesus Cristo, sem discriminação de sexo, nacionalidade, cor,
condição social ou política, desde que aceitem voluntariamente as doutrinas e a
disciplina da igreja, com bom testemunho público, batismo em águas por imersão, tendo
a Bíblia Sagrada como única regra infalível de fé normativa para a vida e formação
cristã.
Art. 7º São direitos dos membros:
I – receber orientação e assistência espiritual;
– participar dos cultos e demais atividades desenvolvidas pela igreja; III – tomar parte
das assembléias ordinárias e extraordinárias;
IV – votar e ser votado, nomeado ou credenciado.

Art. 8º São deveres dos membros:


I – cumprir o Estatuto, bem como as decisões ministeriais, pastorais e das assembléias;
– contribuir, voluntariamente, com seus dízimos e ofertas, inclusive com bens materiais em
moeda corrente ou espécie, para as despesas gerais da igreja, atendimentos sociais,
socorro aos comprovadamente necessitados, missionários, propagação do evangelho,
empregados a serviço da igreja e aquisição de patrimônio e sua conservação;
– comparecer as assembléias, quando convocados;
IV – zelar pelo patrimônio moral e material da igreja;
V – prestigiar a igreja, contribuindo voluntariamente com serviços para a execução de suas
atividades espirituais e seculares;
VI – rejeitar movimentos ecumênicos discrepantes dos princípios bíblicos adotados pela
igreja; VII – freqüentar a igreja e cuidar com habitualidade;
VIII – abster-se da prática de ato sexual, antes do casamento ou extraconjugal.

Art. 9º Perderá sua condição de membro (associado), inclusive seu cargo e função, se
pertencente à Diretoria ou ao Ministério, aquele que:
I – solicitar seu desligamento ou transferência para outra igreja; II – abandonar a igreja;
– não pautar sua vida conforme os preceitos bíblicos, negando os requisitos preliminares
de que trata o art. 5°, incisos I, II e III;
IV – não cumprir seus deveres expressos neste estatuto e as determinações da
administração geral;
V – promover dissidência manifesta ou se rebelar contra a autoridade da igreja,
Ministério e das Assembléias;
VI – vier a falecer;
VII – o membro que não viver de acordo com as doutrinas da Bíblia Sagrada,
praticando:
o adultério (Ex 20. 14);
a fornicação (Ex 20. 14);
a prostituição (Ex 20. 14);
o homossexualismo (Lv 18. 22; 20. 13; Rm 1.26-28);
relação sexual com animais (Lv 18. 23-24);
o homicídio e sua tentativa (Ex 20. 13; 21. 18-19);
o furto ou o roubo (Ex 20. 15);
crime previsto pela lei, demonstrado pela condenação em processo próprio e trânsito em
julgado (Rm 13. 1-7);
rebelião (I Sm 15. 23);
a feitiçaria e suas ramificações (Ap 22.15; Gl 5.19).

CAPÍTULO V
Do Procedimento Disciplinar

Art. 10. Ao membro acusado, é assegurado o contraditório e a ampla defesa, com os meios
e recursos a ele inerentes.
Art. 11. Instaurar-se-á o procedimento disciplinar mediante denúncia que conterá a falta
praticada pelo denunciado, a indicação das provas e a assinatura do denunciante
dirigida ao pastor da igreja que, ato contínuo, determinará pela abertura do
procedimento disciplinar.
Art. 12. Instaurado o procedimento disciplinar, o acusado será notificado do ato, para
querendo, exercer o seu direito de ampla defesa.
Art. 13. Não serão objeto de prova os fatos notórios, incontroversos ou confessados.
Parágrafo Único – O membro só será considerado culpado após o trânsito em julgado da
decisão administrativa devidamente apurada em todas as instâncias cabíveis.
Art. 14. Os membros da Diretoria da Igreja (art. 29), cumulativamente, exercem em 1ª
(primeira) instância, a função de Órgão Disciplinar.
1º As condições expressas nos artigos 8°, 9°, incisos e alíneas deste Estatuto, são faltas
que ensejam a abertura do procedimento disciplinar contra todos os membros da Igreja.
2º Sendo o caso, representante da Diretoria da Igreja, comunicará ao plenário da mesma,
nos cultos administrativos ou de ensino, o desligamento do membro considerado
culpado e passivo de disciplina, nos termos previstos neste Estatuto.
3º Da decisão que desligar membro da Igreja, caberá recurso à Assembléia Geral
Extraordinária, desde que requerido pelo membro desligado ou seu representante legal,
no prazo não superior a trinta (30) dias contados da comunicação da respectiva punição.
Art. 15. Ensejam motivos para abertura do procedimento disciplinar contra os integrantes do
Ministério da Igreja (pastores, evangelistas, presbíteros diáconos e demais responsáveis
por Departamentos, Conselhos, Superintendências e outros órgãos de apoio) as faltas
previstas nos artigos 8° e 9°, incisos e alíneas, além destas, mais as seguintes:
I – a desídia no desempenho das atribuições eclesiásticas;
0 – o descumprimento das decisões administrativas;
1 – a improbidade administrativa; IV – a prevaricação.
1º Uma vez instaurado o procedimento disciplinar, o membro do Ministério da Igreja
denunciado será afastado de suas funções, até a decisão final.
2º Tratando-se de acusação contra o Pastor Presidente ou membro da Diretoria da Igreja,
encerrada a instauração e procedendo a acusação, o Presidente da Diretoria ou seu
substituto legal, convocará sessão extraordinária da Assembléia Geral para a
comunicação da denúncia, indiciamento do acusado e criação da respectiva Comissão
Disciplinar, que será composta por sete pastores, pessoas que não façam parte da
Diretoria, e pelo menos um (01), deve ser formado em Direito.
3º Os membros da Igreja, inclusive os que compõem o quadro ministerial,
independentemente do cargo ou função que ocupe em favor desta, estão sujeitos às
seguintes penalidades:
0 – advertência;

1 – desligamento.
4° Por decisão da Assembléia Geral, será permitida a readmissão do associado, mediante
pedido de reconciliação e nova proposta de aceitação das condições previstos no art. 5°
e incisos.
5° As penalidades previstas nos incisos I, II e III, do § 3°, acima, serão dosadas e aplicadas
de acordo com a gravidade da falta, conforme previsto no Regimento Interno desta
Igreja.

CAPÍTULO VI
Dos Recursos, Aplicações e Patrimônio.

Art. 16. Os recursos serão obtidos através de ofertas, dízimos e doações de quaisquer
pessoas, física ou jurídica, que se proponha a contribuir, e outros meios lícitos.
Art. 17. Todo movimento financeiro da igreja será registrado conforme exigências técnicas e
legais que assegurem sua exatidão e controle.
Art. 18. A patrimônio da igreja compreende bens imóveis, veículos e semoventes, que
possua ou venha possuir, na qualidade de proprietária, os quais serão em seu nome
registrados, e sobre os quais, exercerá incondicional poder e domínio.
1º Os recursos obtidos pela Igreja e seus segmentos oficiais, conforme disposto neste
Capítulo (VI), integram o patrimônio da igreja, sobre os quais, seus doadores não
poderão alegar ter direitos, sob nenhum pretexto ou alegação.
2º Aquele que, por qualquer motivo, desfrutar do uso de bens da igreja, cedido em locação,
comodato ou similar, ainda que tática e informalmente, fica obrigado a devolvê-los
quando solicitado e no prazo estabelecido pela Diretoria, nas mesmas proporções e
condições de quando lhes foram cedidos.
3º A Igreja, suas Filiais e Congregações, não responderão por dívidas contraídos por seus
administradores, obreiros ou membros, salvo quando realizadas com prévia autorização,
por escrito, do seu representante legal, nos limites deste Estatuto e legislação própria.

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4° Nenhum membro da igreja responderá, pessoal, solidária ou subsidiariamente, pelas
obrigações assumidas por obreiros ou administradores, porém, responderá esta com
seus bens, por intermédio do seu representante legal.
Art. 19. Em caso de total dissolvência da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de (em)...,
todos os seus bens reverterão em favor da Convenção Regional e/ou Estadual que a
Igreja estiver ligada.
Parágrafo Único – Na hipótese de uma cisão, o patrimônio da Igreja ficará com o grupo que,
independentemente do seu número, permanecer vinculado a Igreja sede e Convenção
Regional e/ou Estadual que a Igreja estiver ligada.

CAPÍTULO VII
Das Assembléias

Art. 20. A Assembléia Geral é constituída por todos os membros da Igreja que não estejam
sofrendo restrições de seus direitos na forma prevista neste estatuto; é o órgão máximo
e soberano de decisões, com poderes para resolver quaisquer negócios da Igreja,
inclusive, decidir, aprovar, reprovar, ratificar ou retificar os atos de interesse da Igreja
realizados por qualquer órgão da mesma, suas Filiais e Congregações, presidida pelo
Pastor Presidente, e as deliberações serão tomadas pela maioria simples de voto, salvo
disposições em contrário previstas neste Estatuto.
Parágrafo Único – A convocação far-se-á mediante aviso de púlpito e/ou edital de
convocação no local de avisos, com antecedência mínima de 15 (quinze) dias.
Art. 21. Conforme a natureza dos assuntos a serem tratadas, as Assembléias convocadas
poderá ser Ordinária ou Extraordinária.
Art. 22. A Assembléia Geral Ordinária será realizada uma vez por ano, no mês de janeiro,
para, mediante o sistema de aclamação ou por escrutínio secreto, promover a eleição
da Diretoria, exceto do Pastor Presidente, e dos demais membros da Comissão de
Exames de Contas.
Parágrafo Único – Os pastores dos Setores e das Igrejas filiadas, os Superintendentes da
Escola Bíblica Dominical, os responsáveis pela Secretaria de Missões, pelos
departamentos da Igreja, Assessorias Jurídicas e de Comunicação e Equipes diversas,
serão indicados pela Mesa Diretora, “ad referendum” da Assembléia Geral.
Art. 23. A Assembléia Geral Extraordinária se reunirá, a qualquer tempo, para tratar de
assuntos urgentes de legítimo e exclusivo interesse da Igreja, nos casos que justifiquem
a referida convocação especial, tais como:
I – alterar o Estatuto;
– elaboração ou alteração de Regimentos ou Atos Normativos; III – oneração, alienação,
cessão ou locação de bens patrimoniais;
IV – autorização para contratação de empréstimos, financiamentos ou obrigações que
comprometam isoladas ou cumulativamente, mais de 30% (trinta por cento) da receita
média mensal da Igreja nos últimos 12 (doze) meses;
V – casos de repercussão e interesse da geral da Igreja omisso neste estatuto; VI –
destituir os administradores;
VIII – deliberar sobre recurso interposto da decisão que disciplinar membro ou obreiro da
Igreja;
IX – conhecer dos relatórios anuais de funcionamento dos órgãos da administração da
Igreja.
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Parágrafo Único – Para as deliberações a que se referem os incisos I e VI, é exigido o voto
concorde de dois terços dos presentes à assembléia especialmente convocada para
esse fim, não podendo ela deliberar, em primeira convocação, sem a maioria absoluta
dos membros, ou com menos de um terço nas convocações seguintes.
Art. 24. É facultado ao membro ser representado por procurador, na Assembléia da Igreja
que deliberar sobre matéria constante dos incisos I e VI do artigo 23, devendo o
instrumento de procuração conter, obrigatoriamente:
I - os poderes outorgados;
II - a identificação da Assembléia;
III - o período de validade da procuração;
IV - as respectivas identificações civis e da Igreja do outorgante e outorgado.
Parágrafo único. Para os fins deste artigo o outorgante e outorgado deverão estar no pleno
cumprimento deste Estatuto.
Art. 25. A convocação de uma assembléia geral será feita na forma deste estatuto ou por
solicitação de 1/5 (um quinto) dos membros da Igreja, através de memorial encaminhado
à Diretoria da Igreja, na pessoa do Pastor Presidente, como devido protocolo, contendo
os nomes, as assinaturas, os números de cartões de membros, bem como o motivo da
realização da mesma, sendo obrigatória a sua realização sob pena de responsabilidade
do Pastor Presidente da Igreja em causa.
Art. 26. As matérias constantes nos incisos II, III, IV e V do artigo 23, deste Estatuto, serão
aprovadas por voto concorde da maioria simples dos membros presentes em uma
assembléia geral, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 23 deste estatuto.

CAPÍTULO VIII
Da Administração

Art. 27. A Diretoria, órgão de direção e representação da Igreja Evangélica Assembléia


de
Deus de (em)..., é composta de:
I – Presidente;
0 – 1° Vice-Presidente; III – 2° Vice-Presidente; IV – 1° Secretário;
V – 2° Secretário; VI – 1° Tesoureiro; VII – 2° Tesoureiro;
1º O pastor da Igreja sede é o seu Diretor-Presidente e seu mandato será por tempo
indeterminado, observado as disposições estatutárias;
2º Excetuando-se o Pastor Presidente, todos os membros da Diretoria serão eleitos em
Assembléia Geral Ordinária, conforme art. 22, e empossados imediatamente, e terá
mandato de 1 (um) ano, permitida a recondução e permanecerão em seus cargos até a
posse de seus substitutos;
3º A Comissão de Exame de Contas, composta de 3 (três) membros efetivos com igual
número de suplentes, eleitos em Assembléia, com mandato coincidente ao da Diretoria,
nomeado dentre eles, pela Diretoria, o Presidente e o Relator, sendo vedado para eles à
ocupação de cargos passíveis de auditagem, e imprescindível, ao menos
para o Relator, a qualificação técnica para o desempenho de suas funções, a qual
compete examinar:
I – Regularmente, no mínimo uma vez a cada trimestre, os relatórios financeiros e a
contabilidade da Igreja, conferindo se os documentos, lançamentos e totalizações estão
corretos e dar o parecer nas Assembléias, recomendando implantação de normas que
contribuam para melhor controle do movimento financeiro da Igreja, quando for o caso;
II – o cumprimento das obrigações financeiras assumidas pela Igreja ou entidades por
ela
lideradas, envio de ofertas missionárias, e outros compromissos;
– o cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias, tributárias e outras
perante os órgãos públicos em geral.
Art. 28. A Diretoria exercerá suas funções gratuitamente, estando os seus membros cientes
de que não poderão exigir ou pretender remuneração de qualquer espécie, bem como a
participação de lucros, dividendos, bonificações ou vantagens do patrimônio ou rendas
da Igreja, sob qualquer forma ou pretexto.
Art. 29. Compete à Diretoria, como órgão colegiado:
I – Exercer as funções de órgão disciplinar da Igreja, em 1ª (primeira) instância; II –
elaborar e executar o programa anual de atividades;
III – contratar e demitir funcionários, fixando-lhes a remuneração;
IV – homologar, de conformidade com o estabelecido em seus respectivos estatutos, os
membros da Diretoria e outros órgãos das Entidades da Igreja;
V – indicar os nomes dos pastores dirigentes de suas Igrejas, Setores e Filiais, os
membros responsáveis pelos Departamentos, Superintendência, Comissões de
Assessoria e equipes;
VI – nomear, pela indicação do Presidente, os membros de Comissões ou Coordenadorias
Especiais para assuntos jurídicos, imprensa e outras, que servirão de assessoria para a
Diretoria.
VII – desenvolver atividades e estratégias que possibilitem a concretização dos alvos
prioritários da Igreja;
VIII – primar pelo cumprimento das Normas da Igreja;
IX – elaborar os Atos Normativos que se fizerem necessários;
X – administrar o patrimônio geral da Igreja em consonância com este estatuto; XI –
comunicar eventuais desligamentos de membros da Igreja.
Art. 30. Ao Presidente compete:
– representar a Igreja, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente, inclusive, se
necessário, constituir procurador para a defesa da Igreja;
– convocar e presidir as Assembléias Ordinárias e Extraordinárias;
III – apresentar alvos prioritários à Igreja;
IV – participar ex-officio de todas as suas organizações, podendo fazer-se presente a
qualquer reunião, independentemente de qualquer convocação;
V – zelar pelo bom funcionamento da Igreja;
VI – cumprir e fazer cumprir o Estatuto;
VII – supervisionar as Igrejas filiadas, Departamentos, Superintendência, Comissões e
Equipes da Igreja;
VIII – autorizar despesas ordinárias e pagamentos;
IX – assinar com o Secretário Atas das Assembléias, Ministério, Presbitério e da
Diretoria; X – abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, em nome da Igreja,
juntamente com o
Tesoureiro;
XI – assinar as Escrituras Públicas e outros documentos referentes às transações ou
averbações imobiliárias da Igreja, na forma da lei;
XII – praticar, ad referendum da Diretoria, atos de competência desta, cuja urgência
recomende solução imediata;
XIII – indicar o Co-pastor, que exercerá a função de auxiliar o Pastor-presidente ou quem
suas vezes fizer, na realização e administração dos cultos e cerimônias religiosas em
geral.
Art. 31. Compete aos Vice-Presidentes, pela ordem:
I - substituir, interinamente, o Presidente em suas ausências ou impedimentos ocasionais,
sucedendo-o em caso de vacância;
II – auxiliar o Presidente no que for necessário.
Art. 32. Compete aos Secretários, por sua ordem de titularidade ou em conjunto:
– secretariar as Assembléias, lavrar as atas e as ler para aprovação, providenciando,
quando necessário, o seu registro em Cartório;
– manter sob sua guarda e responsabilidade, os Registros de Atas, Casamentos, Batismos
em Águas, Rol de Membros, e outros de uso da Secretaria, deles prestando conta aos
Secretários eleitos para a gestão seguinte;
– assessorar o Presidente no desenvolvimento das Assembléias;
IV – manter atualizado o rol de membros da Igreja;
V – expedir e receber correspondências relacionadas à movimentação de membros;
VI – elaborar, expedir ou receber outros documentos ou correspondências decididas pela
Assembléia, ou pela Diretoria, bem como receber as que se destinarem à Igreja;
VII – manter em boa ordem os arquivos e documentos da Igreja;
VIII – nas reuniões da Diretoria, assessorar o Presidente, elaborando as respectivas Atas,
e anotando as propostas que devem ser encaminhadas à Assembléia;
IX – elaborar e ler Relatórios da Secretaria, quando solicitado pelo Presidente; X –
outras atividades afins.
Art. 33. Compete aos Tesoureiros, em sua ordem de substituição ou em conjunto, executar,
supervisionar e controlar as atividades relacionadas a:
I – recebimento e guarda dos valores monetários;
– pagamentos autorizados, mediante comprovantes revestidos das formalidades legais;
III – abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, em nome da Igreja, juntamente com
o Presidente;
IV – elaboração e apresentação de relatórios, mensais e anuais; V – contabilidade;
VI – obrigações trabalhistas, previdenciárias, tributárias e outras perante os órgãos
públicos, inclusive as relativas a construções;
VII – elaboração de estudos financeiros e orçamentos, quando determinados,
observados os critérios definidos;
VIII – outras atividades afins.
Art. 34. Os membros da Diretoria da Igreja não serão responsáveis pelas obrigações que
contraírem em nome da Igreja, em virtude de ato regular de gestão, respondendo,
porém, civil, penal e administrativamente, quando for o caso, por violação da lei, deste
estatuto e de outros atos normativos da Igreja.
Art. 35. A vacância ocorrerá nos seguintes casos: jubilação e/ou aposentadoria por
invalidez, transferência, morte, renúncia, abandono, desligamento da Igreja por
transgressão administrativa ou espiritual devidamente apurada.
Parágrafo Único – Ocorrendo vacância da Presidência, o 1° Vice-Presidente convocará a
Assembléia Geral Extraordinária, no prazo de 30 (trinta) dias para eleger o novo
Presidente.
CAPÍTULO IX
Da Separação de Obreiros

Art. 36. A separação de Diáconos e Presbíteros é ato da competência da Igreja, conforme


preceitos bíblicos.
Parágrafo Único – Ficam a cargo da Convenção Estadual e/ou Regional a aprovação e
ordenação dos Ministros, Evangelistas e Pastores, indicados pela Igreja de que trata
este Estatuto.

CAPÍTULO X
Da Jurisdição e das Igrejas e Congregações Filiadas

Art. 37. O campo de atuação ministerial da Igreja abrange em sua jurisdição administrativa e
territorial a sede, os bairros, distritos e municípios onde mantém igrejas e congregações
filiadas, que são subordinadas à Igreja Central.
Art. 38. Todos os bens imóveis, veículos ou semoventes da Igreja sede, das Igrejas e
Congregações filiadas, bem como quaisquer valores em dinheiro, pertencem legalmente,
de fato e de direito, à IGREJA SEDE, sendo a fiel mantenedora das mesmas, estando,
portanto, tudo registrado em seu nome, conforme a legislação vigente do país.
1° – A Igreja exercerá incondicionalmente e a qualquer tempo os poderes de domínio e
propriedade sobre os referidos bens patrimoniais.
2° – No caso de cisão, nenhuma Igreja ou Congregação filiada, terá direito sobre os bens
patrimoniais da Igreja ou Congregação sob sua guarda e responsabilidade direta, ainda
que os dissidentes sejam a maioria da Igreja ou Congregação filiada em referência, pois
esses bens pertencem à Igreja sede (matriz).
Art. 39. É vedado às Igrejas ou Congregações filiadas, pelos seus dirigentes, praticar
qualquer operação financeira estranha as suas atribuições, tais como: penhora, fiança,
aval, empréstimo bancário ou pessoal, alienação ou aquisição de bens patrimoniais,
bem como registrar em Cartório Ata ou estatuto, sem deliberação prévia e por escrito do
representante legal da Igreja Sede, sendo nulo de pleno direito qualquer ato praticado
que contrarie o presente Estatuto.
Art. 40. As Igrejas e Congregações filiadas prestarão contas de suas atividades e movimento
financeiro periodicamente, conforme determinado pela Diretoria, em relatórios
preenchidos com toda a clareza, e com a respectiva documentação probante anexada.
Art. 41. É de competência da Diretoria o gerenciamento dos movimentos financeiros das
Igrejas e Congregações filiadas. Despesas ou melhorias somente poderão ser
realizadas após prévia autorização do colegiado de diretores.
Art. 42. A emancipação de qualquer igreja filiada somente poderá ocorrer com a observância
de todas as condições deste artigo:
– proposta do Pastor-Presidente com deliberação favorável do Ministério e da Igreja,
através de Assembléia Geral Extraordinária específica;
II – aprovação do Estatuto da nova Igreja nesta mesma Assembléia Geral Extraordinária;
III – obrigações patrimoniais, financeiras e sociais em dia, inclusive perante a Igreja
Sede.

CAPITULO XI
Das Disposições Gerais
Art. 43. A Igreja, como pessoa jurídica, legalmente habilitada perante os poderes públicos,
responderá com os seus bens pelas obrigações por ela contraídas.
Art. 44. Qualquer membro que ocupar cargos na Diretoria, Comissão de Exame de Contas
ou direção de Igrejas e Congregações filiadas, e deseja candidatar-se, a cargo eletivo da
política secular ou qualquer outro empreendimento incompatível com as suas atribuições
administrativas ou ministeriais, deverá afastar-se de suas atividades enquanto perdurar
seu intento.
Parágrafo Único – Findando o período de campanha eleitoral, o membro afastado poderá
ser reintegrado, a critério da Diretoria ou do Ministério da Igreja, desde que não tenham
ocorrido fatos que desabonem sua conduta.
Art. 45. Observado as ressalvas expressas nos artigos 23 e 24, seus parágrafos e incisos,
este Estatuto somente poderá ser reformado, parcial ou totalmente, em casos especiais,
por deliberação favorável de 2/3 (dois terços) dos membros em Assembléia Geral
Extraordinária, convocada para esse fim, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias,
mediante proposta previamente aprovada pela Diretoria.
Art. 46. A Igreja somente poderá ser extinta por sentença judicial ou por Aprovação unânime
de todos os seus membros em comunhão, reunidos em Assembléia Extraordinária
convocada para esta finalidade, com a participação de representante credenciado pela
Convenção Estadual e/ou Regional a que a Igreja esteja ligada.
Parágrafo Único – Em caso de dissolução, depois de pagos todos os compromissos, os
bens da Igreja reverterão em benefício da Convenção Estadual e/ou Regional, ou ainda
conforme dispuser resolução da Assembléia Extraordinária convocada para esta
finalidade.
Art. 47. São órgãos de Apoio Administrativo que funcionam vinculados à Diretoria da
Igreja:
I – a Comissão de Exame de Contas;
– a Comissão de Conselho e Doutrina; III – o Departamento de Patrimônio; IV – o
Departamento De Pessoal;
V – o Departamento de Obras.
Art. 48. E Aos órgãos de Apoio Administrativo competem assessorar a Diretoria nas áreas
específicas, emitindo parecer sempre que solicitado.
Parágrafo Único – As especificações funcionais, atribuições e demais atividades dos Órgãos
de Apoio Administrativo de que trata o art. 51 e incisos, de I a V, serão detalhados e
regulamentados no corpo do Regimento Interno, Regulamentos e Atos Normativos.
Art. 49. Os Regimentos Internos, Regulamentos e Atos Normativos da Igreja e suas
Entidades assistenciais não poderão contrariar os termos deste Estatuto.
Parágrafo Único – Novas entidades jurídicas, ao serem criadas, poderão elaborar seus
Estatutos e Regimentos, observados os princípios estabelecidos neste Estatuto.
Art. 50. Os casos omissos no presente Estatuto serão resolvidos pela Assembléia Geral.
Art. 51. Este Estatuto revoga o anterior, registrado sob o n° 99.999, Protocolo n° 999.999, no
livro n° A-99, do 9° Serviço Notarial e Registral de Títulos e Documentos, em
99/99/9999, da Comarca da Cidade de...(Cidade) – (Estado), e passa a vigorar após a
aprovação e registro em Cartório competente, cuja certidão deverá ser encaminhada à
Secretaria da Convenção Estadual e/ou Regional, ficando revogados disposições ao
contrário.
Cidade, Estado, Data e Assinatura abaixo.

“QUE O SENHOR DEUS VOS PROSPERE ABUNDANTEMENTE.”

134
A ÉTICA E A JUSTIÇA DE PAZ ECLESIÁSTICA
Edição 2010

Introdução:
A ética é um dos seis ramos tradicionais da filosofia, onde ocupou papel importante,
desde o começo. A ética também faz parte essencial da fé religiosa. Por essas razões,
apresentamos aqui algumas considerações cujo intuito é dar ao aluno uma boa idéia sobre
os principais sistemas e idéias envolvidos na questão. Em hipótese alguma desejamos
esgotar o assunto, mas criarmos o desejo de aprofundamento no assunto por parte
daqueles que desejam dedicar-se a obra de Cristo.

Discussões Preliminares
A Ética como um Sistema da Filosofia
A Ética é um dos seis sistemas tradicionais da Filosofia, l. Ética: a conduta ideal do
indivíduo
Política: a conduta ideal do estado
Lógica: o raciocínio que guia o pensamento
Gnosiologia: a teoria do conhecimento
Estética: a teoria das belas-artes
Metafísica: teorias sobre a verdadeira natureza da existência. Existem filosofias
modernas como da ciência, da história, da indústria, do espírito, etc.

A Origem da Ética
A Ética originou-se (provavelmente) com o primeiro homo saplens. As pesquisas
com chimpanzés demonstram que eles têm uma noção do que seja conduta apropriada ou
inapropriada. Ilustração: Um animal falou de si mesmo (através do teclado de um
computador): «Sou um diabo mal-humorado».
Antes do inicio da filosofia ocidental, as religiões demonstraram uma preocupação
com a retidão da conduta humana. Ilustrações: as doutrinas do julgamento, recompensa,
reencarnação, etc. Os filósofos pré-socráticos se envolveram em considerações éticas.
Anaximandro compreendeu que o processo cósmico é essencialmente um sistema que
incorpora justiça, injustiça e reparação. Heráclito até falou que fenômenos físicos
«vagabundos» serão julgados, afinal, por um tipo de reparação cósmica. Ele falou da
imortalidade de fenômenos que

135
ultrapassam às leis da natureza. Pitágoras estava pesadamente envolvido na religião
oriental e viu na reencarnaçâo a operação da justiça entre os homens.
Mas Sócrates (450 A.C.) é considerado o pai da ética como um sistema filosófico.
As primeiras escolas éticas se originaram dos discípulos dele.

Definições da Palavra
No grego, ethos == costume, disposição, hábito. No latim, mós (moris) = vontade,
costume, uso, regra.
A Ética. «A teoria da natureza do bem e como ele pode ser alcançado». «A filosofia moral
a investigação cientifica e uma filosofia de julgamentos morais que declaram a conduta
boa, má, certa ou errada. “Isto é, o que deve ou não deve ser feito». A definição mais
simples, mas expressiva é: A ética e a conduta ideal do indivíduo.
Perguntas principais relacionadas à ética. Existe um padrão (ou padrões) de o que
é certo ou errado que pode ser aplicado à raça humana inteira? O que seria a base de tal
padrão? Quais são as definições de bondade e maldade? O que é o dever? O que é o
summum bonum da existência humana e como é que isto pode ser alcançado? As
considerações éticas são mortais ou eternas?

O Porquê da Ética
a. Uma necessidade da sociedade. Ilustração: Aristóteles. O alvo da ética é a
conduta ideal do homem, baseada no desenvolvimento de sua virtude especial. Virtude =
função dentro da sociedade, para o bem do indivíduo e da sociedade.
b. Uma necessidade metafísica. Tiquismo contra ideologia. No grego, tuche significa
chance, caos; tetos significa finalidade, desígnio. As coisas acontecem por mero acaso ou
segundo algum desígnio. Kant, por exemplo, rejeitou o principio do tíquismo para evitar a
noção de caos. Filosoficamente, devemos escolher entre caos e desígnio, e a nossa ética
será governada pela escolha. O argumento moral dele argumentava que a alma deve
existir para permitir um julgamento certo, pois neste mundo, a justiça raramente se faz.
Deus dever existir para julgar e recompensar de modo justo, porque, neste mundo, isto
raramente acontece.
c. Uma necessidade individual. Realmente, é uma questão urgente, porque tudo
que fazemos é auto e/ou hetero julgado (avaliado). Ilustração: Platão. O problema ético é a
tensão entre o ideal e a conduta defeituosa. Segundo a definição de Aristóteles, todas as
instituições humanas, de ensino, da política, do estado, etc., são ramos da ética porque
todas têm alguma coisa a ver com a atuação do homem dentro da sociedade. Sempre
parecemos melhor do que realmente somos. Ulceras, psicoses, e até a insanidade existem
por causa do problema ético.

A Ética e a Gnosiologia
impossível separar estes dois sistemas. O que você acha sobre como podemos
saber das coisas, determinará, em boa parte, seus conceitos éticos.
Ilustrações: Racionalismo. O homem, por natureza, é um ser que sabe, sem uma
investigação empírica. Portanto, os princípios éticos podem ser descobertos pela razão.
Sócrates tinha fé nesta suposição. O racionalismo tem a tendência de ser religioso,
portanto, os princípios éticos, supostamente descobertos pela razão, serão religiosos.
Misticismo: o conhecimento é um dom de Deus. Portanto, os padrões éticos são
predeterminados pela mente divina. Empirismo: somente a experiência (tentativas de
saber, erros, adaptações) pode determinar os principies éticos, porque não existe qualquer
conhecimento sem a experiência humana. A experiência se baseia nas percepções dos
sentidos. A ética, conseqüentemente, é uma questão pragmática e relativa, sendo que o
conhecimento do homem é governado pelo fluxo das vicissitudes da experiência.
Conclusão. A ética é humana, não divina.
136
A Ética e a Metafísica
impossível separar estes dois sistemas. O que você acha sobre a natureza da
eriltencla determinará, essencialmente, como você analisa os problemas éticos.
Ilustrações: Deus existe, julga e recompensa? Será que realmente existem pecados
mortais como a igreja fala. A ira, a cobiça, a inveja, a glutonaria, a lascívia, o orgulho e a
preguiça realmente são ofensas sérias como a igreja declara? A doutrina da igreja sobre
os pecados mortais é negócio sério. A igreja tem autoridade para falar estas coisas?

Categorias Principais da Ética


A Ética Forma!
Esta ética também se chama rigorista ou teista.
l. Declara que existem princípios eternos, imutáveis, divinos (ou exigências
absolutas na natureza ou da lei natural).
0 A aplicação dos princípios eternos é universal. Não existe uma ética para mim,
e outra para você.
1 É uma éücuapriori, não a posteriori. Os valores da ética são inatos, baseados
num conhecimento inato.
2 Bases. A intuição, o racionalismo, o misticismo, a sobrenaturalidade, a justiça
absoluta, a teleologia e o idealismo.

Ética Relativa (da situação)


l. A conduta ideal pode ser estabelecida somente através da experiência-humana.
Ela não é imposta por uma força exterior, não humana (se tal força existe).
0 A ética é uma experiência ou ciência humana, não um ramo da teologia.
1 Os princípios éticos têm aplicação aqui e agora, não antigamente e para sempre.
2 A conduta ideal (se existe tal coisa), necessariamente varia de um indivíduo
para o outro, dependendo das circunstancias (situações) pessoais e culturais envolvidas.
3 A ética está sempre em estado de fluxo. Os padrões éticos, necessariamente,
se modificam com o tempo e com as exigências diversas de culturas diferentes.
4 A ética é relativa, isto é, sempre sujeita a mudança. Não existem padrões fixos,
imutáveis ou universais. O que funciona bem para mim é bom para mim. O que funciona
para mim, pode não funcionar para outras.pessoas.
5 Todos os princípios éticos são a posteriori.
6 Bases. O empirismo, o pragmatismo, o positivismo, o materialismo, o humanismo, a
ciência.

A Ética dos Valores


Este sistema é um meio-termo entre o apriorismo (ética formal) e o empirismo (ética
relativa),
Procura excluir o relativismo radical, mas ao mesmo tempo, ensina que os valores e
imperativos não são vazios, abstratos ou sem significado. Os valores éticos devem ser
comprovados na experiência humana para serem reais.
O valores éticos são constantes e duradouros, mas não eternamente fixos.
Eles não são sujeitos às vicissitudes da experiência humana diária. Eles têm valor em si
mesmos; são intrinsecamente valiosos. A consciência humana sabe, intuitivamente (ou
racionalmente) os verdadeiros valores. Ilustrações: a lei do amor
0 uma constante. Todas as religiões e filosofias honram este principio. Até
Schopenhauer, no seu pessimismo, achou um lugar para a. simpatia, outro nome do amor.
Quase todos os sistemas acham que algum conceito de justiça é necessário para qualquer
função razoável de uma sociedade.
Os valores tornam-se deveres que devem ser praticados como parte inerente da

137
conduta ideal.
Bases: o racionalismo, a intuição, o misticismo (para alguns estudiosos), o empirismo (que
não é considerado inerentemente contrário ao racionalismo). É aqui neste mundo, onde
venço ou sou derrotado.

O Bem da Ética (alvos da conduta ideal)


Segundo os conceitos alistados:
a. Egoísmo. O homem, por natureza, é radicalmente egoísta e procura somente o que é bom
para ele, como um indivíduo. O filantropo, o soldado, e o herói ajudam outras pessoas por
razões egoístas.
b. Altruísmo. O homem é capaz de ações incondicionalmente altruístas. A natureza espiritual
do homem é uma garantia disto. A lei do amor é uma parte intrínseca da natureza
humana.
c. Hedonismo. A única coisa que vale, afinal, é o prazer. Os prazeres podem ser físicos,
mentais ou espirituais. Este sistema procura o máximo de prazer acompanhado com o
mínimo de dor.
d. Eudemonismo. A felicidade é o alvo da conduta ideal. Para Platão, a maior felicidade
possível para o homem seria à volta para o mundo dos Universais. Para Aristóteles, a
perfeita realização de virtude (função) do indivíduo, naturalmente traz uma felicidade
considerável. Para a igreja, a felicidade maior será alcançada na visão beatífica.
e. Sobrenaturalidade. O homem não existe e nem vive diariamente, por si mesmo. Ele não é
sua própria causa. Sua existência serve para glorificar Deus. O que acontece a ele é
relativamente indiferente se Deus for glorificado. —Secundariamente, aquele que vive para
Deus, alcança (e alcançará) uma felicidade particular, afinal. Este afina! pode ser distante,
mas é seguro.
f. Naturalismo (humanismo). O único objeto da conduta ideal é o próprio homem. Esta
conduta acompanha a evolução da raça e é determinada a posteriori.
g. Utilitarismo e Pragmatismo. Princípios aliados ao naturalismo. O que é útil é bom; o que
não é útil é ruim. O que funciona (é prático) é bom; o que não funciona é ruim. A
praticalidade de qualquer coisa deve ser comprovada através de um processo de
tentativas e erros, com os ajustamentos apropriados.

Sócrates (470-400)

Sócrates era o pai da ética filosófica ocidental, filho de Sofrônico, escultor, e de


Fenáreta, parteira; tornou-se um parteiro de idéias; chamou seu trabalho de maiêutica (o
trabalho da parteira, maio); começou na profissão do pai, mas foi convertido à filosofia pelo
oráculo de Delfos que mandou: Compõe a música. Isto ele interpretou metaforicamente:
música = filosofia, porque a filosofia é a mais bela música. Devemos nos lembrar que a
religião mais pura da época, na Grécia era a filosofia, não a religião ortodoxa dos gregos.

Bases Gnosiológicas da Ética de Sócrates


a. Reagiu contra o ceticismo e o relativismo dos sofistas. O ceticismo, segundo ele, prejudica
a busca pelo conhecimento e enfraquece a moralidade. Ilustração. Mais tarde Agostinho
falou do ceticismo como uma escuridão espiritual que destrói a fé e que não deixa os
homens encontrar a verdade. A fé, contrariamente, prepara o solo para a cultivação da
verdade.
b. É possível, realmente, adquirir o conhecimento. Falácias de pensamento e erros de
138
conduta resultam de concepções falsas da verdade. Ilustração. O ato de matar homens ou
até animais representa uma fuga da verdade.

A Verdade Absoluta

é escondida

pela ignorância humana pelo conhecimento parcial e pelas perversões ou idéias falsas

Resultado: a conduta errada = fugas da verdade

c. Racionalismo: idéias inatas baseadas na mente universal.


Misticismo: tinha um demônio, um guia espiritual; meditava e entrava em transe; tinha
conhecimento intuitivo.
Tinha pouco interesse na cosmologia; na teologia tinha idéias indefinidas.
Mas na antropologia, tinha idéias dogmáticas. O conhecimento é possível e necessário.
Concordou com a inscrição do templo de Apoio: «Conhece-te a ti mesmo», e declarou: «A
vida não examinada (disciplinada) não vale a pena ser vivida».
O conhecimento do homem precisa incluir estes princípios: dualismo; teleologia; a mente
universal; a verdade nasce inerentemente no homem, isto é, as idéias são inatas; a
imortalidade; a justiça, afinal, será feita; fé absoluta no triunfo da justiça, da verdade e da
bondade, afinal.

Bases Metafísicas da Ética de Sócrates


a. Sem dogmatismo, de fato tinha um ceticismo suave, sem hostilidade, em relação à
cosmologia, "metafísica e teologia. Falava com cautela sobre qualquer assunto metafísico.
b. Mas sustentava certas crenças básicas; a realidade a mente universal (que vede); a
existência do Espírito Divino, uma crença exigida pelo desígnio que existe no mundo (ver
sobre teleologia); a alma e sua sobrevivência da morte biológica.
c. Conceptualismo. Foi Sócrates quem iniciou a discussão de Universais (que vede) na
filosofia. Ver o artigo separado sobre Conceitualismo.

O Seu Método
a. Suposição básica: os homens podem descobrir a virtude em si mesmos, por si mesmos,
utilizando seu raciocínio que se baseia, afinal, na mente universal.
b. O diálogo foi utilizado para descobrir, não para inventar a verdade.
c. Maiêutica, um trabalho árduo pelo qual nascem as idéias.
d. Ironia: fingia ignorância, supostamente procurando saber das respostas dos participantes
nos diálogos. Preparava armadilhas verbais, para forçar os participantes a dizerem coisas
que realmente não queriam dizer.
e. A tarefa do filósofo não é de entregar a verdade aos seus alunos, mas sim, de retirar deles
a verdade que já existe, inerentemente nas mentes deles.

Sua Atividade Filosófica


a. O diálogo constante, no mercado, na rua, em casas. Era um evangelista da ética.
Manteve uma associação informal com seus alunos que não o pagaram. Tinha a convicção
de que os professores não devem receber dinheiro pelo ensino.
139
c. Meditação e transe. Era um místico. Às vezes o estado de transe o tomava de surpresa.
Outras vezes, era cultivado pela meditação. Procurava, diligentemente, o conhecimento
intuitivo e racional.
d. A filosofia era para ele uma profissão, uma religião, de fato, a própria expressão da vida.
Ele realmente quis saber a verdade sobre a conduta ideal do homem.

A Natureza da soa Contribuição e Idéias Específicas.


a. Segundo Aristóteles, as duas grandes contribuições de Sócrates foram: a. o método
indutivo; b. definições universais (genéricas). O diálogo foi utilizado para alcançar o
universal.
b. Suas definições universais formaram a base de uma ética rigorista (formal).
c. Tinha fé na mente universal como um depósito de todo o conhecimento
ético.
Também tinha fé no Espírito Divino para guiar sua busca. d. A Mente Universal — O
Desenvolvimento do Conceito Influências:
nous (emprestado de Anaxágoras)
logos (emprestado de Heráciito)
a intercomunicação entre mundos, através
de forças espirituais, como seu guia, o
demônio (no sentido clássico da palavra)
a mente universal existe e o homem tem
acesso a este depósito de idéias.
experiências místicas
Idéias éticas podem resultar destas fontes, e o universo! pode ser alcançado. O
homem é uma criatura bidimensional. A ética vem de sua dimensão superior, ou da
participação de sua dimensão superior com forças e entidades super-humanas. A ética
pervertida vem da dimensão inferior do mero homem cujos valores podem ser
pervertidos.
e. A busca prática. Cada diálogo procurava estabelecer um ou mais conceitos éticos, isto é,
o universal, uma verdade absoluta sobre algum assunto. Ilustrações: no diálogo, Critão =
dever; Banquete = a beleza; República = o estado ideal; Lusis = a amizade; Charmides =
a moderação, mas neste diálogo (como em alguns outros), nenhuma conclusão
adequada foi encontrada.
f. O conhecimento é virtude: sua ética foi um intelectualismo moral. Tinha fé de que o
homem, sabendo o que é realmente melhor para ele, seguiria este conhecimento.
Portanto, o erro é sempre o resultado da ignorância, não de uma vontade inerentemente
perversa. Sócrates era ingênuo e otimista demais neste ponto, como a psiquiatria
moderna demonstra amplamente.
g. Eudemonismo: a conduta ideal automaticamente resulta em felicidade.
h. Hedonismo: a conduta ideal é inerentemente prazerosa. O homem justo alcança um
bem-estar que as vicissitudes da vida não podem abalar. Ele falou numa hierarquia de
prazeres: espirituais, mentais, e finalmente, físicos.
i. A unidade da verdade: o universal mais alto é a bondade. Outras virtudes são
subcategorias desta. Platão fez da bondade uma entidade cósmica, e finalmente, no
diálogo Leis, esta virtude foi chamada Deus.
j. Teleologia: existem dons dos deuses (Deus?) como a luz, a comida, o ar, o sol que não é
tão distante que seja inútil para sustentar a vida, e não tão perto que queimaria tudo.
Todos estes elementos cooperam juntos para sustentar a vida, portanto, o desígnio é um
fator operante na nossa vida. A ideologia implica a existência do Espírito Divino, uma
força ativa na vida humana. Assim, o argumento ideológico, em favor da existência de
Deus, nasceu na filosofia.
A imortalidade: era uma crença, mas não um dogma de Sócrates. Acreditava em
uma recompensa justa, e também na necessidade do castigo adequado para julgar atos
perversos. O homem justo é recompensado; o homem injusto é castigado, afinal.
Portanto, é melhor, e

140
racional, viver justamente. Ensinava a doutrina da virtude por causa da virtude, ou que a
virtude é sua própria recompensa, a despeito dos resultados finais de qualquer ação. É
melhor viver justamente e ser castigado por isso, afinal, do que viver injustamente e ser
recompensado por deuses perversos.

As Quatro Virtudes Principais de Platão


a. Sabedoria. Esta é a virtude da parte racional do ser. Sabedoria é o conhecer da
alma.
Ela se expressa no morrer cada dia para separar o espírito dos apetites da parte vegetal.
Comparar este conceito com I Cor. 15:31.
b. Coragem. Esta é a virtude da parte animada, a utilização da vontade para garantir a
conduta ideal. Alguém falou, com razão: «Ô Senhor, conhecimento nós temos. O que falta,
é força de vontade*. O Apóstolo Paulo escreveu: «Não faço o bem que quero, mas o mal
que não quero, esse f aço... quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque,
segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus, mas vejo nos meus membros,
outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do
pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do
corpo desta morte?» (Rom. 7:19-24)
c. Moderação. Esta virtude é a combinação, e a harmonia entre a parte racional e vegetal.
Nesta harmonia a parte vegetal é dominada. O espírito ganha a vitória sobre os apetites
do corpo.
d. Justiça. Esta é uma virtude geral que começa a existir na pessoa quando as três partes da
alma estão em harmonia. Todas as tensões são vencidas.
Os conceitos morais de Platão são bastante semelhantes àqueles do cristianismo.

A Ética de Aristóteles (384-324)


Aristóteles era o aluno mais brilhante de Platão, chamado por ele, o intelecto e o leitor.

Elementos da Gnosiologla de Aristóteles que influenciaram sua ética.


O empirismo ingênuo: o verdadeiro julgamento com uma descrição é o
conhecimento. O julgamento é uma declaração sobre alguma coisa, e a descrição é tudo
que a investigação pode descobrir sobre aquela coisa.
O conhecimento científico é o verdadeiro conhecimento, e é do real (universal).

Elementos da metafísica aristotélica que influenciaram sua ética.


Realismo moderado: o universal existe mas nunca separadamente do particular.
Sua doutrina sobre substância: as 4 causas:
material; b. forma; c. eficiente; d. final.
Tudo que existe, e tudo que acontece, operam através destas causas segundo o
principio da ideologia. A função (virtude) de cada pessoa está envolvida neste processo.
Teleologia. Existe um desígnio absoluto em tudo.
O Primeiro Motor (o deus aristotélico) é pensamento puro contemplando a si
mesmo. O ato ético mais alto se encontra na contemplação.

Elementos da Ética de Aristóteles


Eudemonismo (grego: eu + daimon = possuir um demônio, tipo de deus ou espírito divino
inferior); portanto, ser feliz é um estado inspirado divinamente. A felicidade é o alvo da
vida.
A felicidade se realiza pela formação de um ser social que cumpre seu dever, através de

141
uma auto-realização absoluta. A ética é, portanto, um ramo da política.
Para a realização máxima do dever, cada pessoa precisa descobrir e desenvolver sua
virtude. Virtude = função. Cada pessoa deve ser totalmente auto-realizada para cumprir
bem sua função na sociedade. Ilustração. A tesoura de podar é um instrumento singular,
com uma função altamente especializada. A função especial deste instrumento é a sua
virtude.
Responsabilidade. O dever de cada indivíduo é de se desenvolver ao máximo em uma
função. Esta virtude é o alvo da vida, e o fruto procurado na instrução.
O homem justo é aquele que se desenvolve ao máximo, para ser efetivo no seu serviço na
comunidade. O homem injusto é o homem não especializado e descuidado. — A auto-
realizaçào é altruísta.
Virtudes. O homem justo é o homem que desenvolve ao máximo as virtudes inerentes na
natureza humana. Ilustração. Todos os membros do corpo têm uma função especial,
mas todos cooperam para promover a ação e bem-estar da totalidade. Todas as
atividades dos homens representam virtudes potenciais.
O bem supremo. A virtude da intelectualidade é este bem. A intelectualidade, na sua
expressão mais elevada e nobre = a. contemplação. Todas as ciências são instrumentos
da contemplação. O objeto desta função intelectual é a verdade. Os meios principais da
contemplação são as belas artes (a estética); as ciências; a ética; as qualidades de
prudência, sabedoria, iniciativa e razão (racionalismo). «Quando contemplamos somos
mais como Deus». O estudo é divino.
O guia de tudo: moderação, o meio-termo áureo.

O Novo Conceito da Natureza da Investigação Científica


A mudança da compreensão acerca do mundo desencadeou uma modificação
em nosso entendimento do que é o conhecimento e como chegamos a conhecer. A
ciência não mais assoma como um porto de objetividade no mar da relatividade cultural.
Nem mesmo o discurso científico deixa de participar do mundo que procuramos
compreender. Na verdade, as ciências constituem um exemplo a mais dos jogos
lingüísticos de que falara Ludwig Wittgenstein.
A exemplo de todo discurso humano, a empresa científica é uma forma de
atividade lingüística (um jogo). Não se trata simplesmente de um meio neutro para a
descoberta da natureza da realidade. Em vez disso, à semelhança de outros tipos de
linguagem, o discurso científico é dirigido à realização de certos fins. Simplesmente não
há fatos que sejam culturalmente neutros.
Todavia, a exposição pós-modema do mito da ciência vai um pouco mais longe. A
empresa científica moderna operava com base na suposição de que a ciência progride
de maneira lógica. O cientista observa o mundo, apresenta uma hipótese sobre o seu
modo de funcionamento e, em seguida, elabora uma experiência que substancie ou
rejeite sua hipótese. O resultado provê o fundamento para o próximo ciclo de
observação, formulação de hipótese e experimentação. Os filósofos da ciência desafiam
agora esse entendimento de concepção linear do surgimento do conhecimento
científico. Muitas vozes têm se feito ouvir ao longo desse desenvolvimento, porém,
talvez a declaração mais importante, mais original e controversa seja a de Thomas S.
Kuhn em sua obra .A estrutura das revoluções científicas (1962).
Kuhn foi pioneiro de uma nova análise sobre o modo de desenvolvimento da
ciência. Para ele, as alterações do fundamento na teoria não são simplesmente
modificações lógicas ou reinterpretações de um conhecimento passado. Tampouco os
cientistas simplesmente acrescentam um fato ao outro de maneira mecânica e objetiva.
Pelo contrário, a ciência é um fenômeno histórico dinâmico. As modificações teóricas
são transformações radicais no modo como os cientistas observam o mundo. De tempos
em tempos, segundo Kuhn, os cientistas deixam sua trilha linear e têm súbitas
explosões criativas chamadas "mudanças de paradigma".
De acordo com Kuhn, um paradigma é uma construção social da realidade. O
termo refere-se à "totalidade da constelação de crenças, valores, técnicas e assim por
diante, compartilhadas pêlos membros de uma dada comunidade". De modo mais
específico, trata-se de
142
um sistema de crença que prevalece numa determinada comunidade científica num
tempo específico da história. Kuhn emprega também o termo de maneira mais restrita
quando se refere a algum elemento de importância especial nessa constelação de
crenças e cuja utilidade se revela no auxílio que nos presta quando tentamos explicar os
quebra-cabeças armados pela comunidade científica.
Embora dotado de grande poder de interpretação, nenhum sistema de crença ou
de solução de quebra-cabeças jamais pôde dar uma explicação para todos os dados.
Freqüentemente, os pesquisadores deparam com anomalias ou descobertas que não
podem ser explicadas pela teoria dominante. As anomalias se agravam. Então, alguém
propõe um novo sistema explanatório que dá conta das anomalias de modo mais
satisfatório até que, por fim, este novo sistema substitui o antigo. Essa transição de um
sistema explanatório para outro constitui uma revolução científica.
A obra de Kuhn e de outros têm levado a um reconhecimento cada vez maior de
que os fundamentos do discurso científico e, segue-se daí, da "verdade" científica são,
em última análise, sociais. A ciência não é meramente a observação neutra de dados,
conforme propõe a perspectiva moderna.
Tampouco a ciência nos conduz a declarações definitivas sobre o mundo como
realidade objetiva "lá fora". Na verdade, uma teoria recente, a tese de Duheim-Quine,
nega que uma experiência possa testar uma predição teórica de modo definitivo, porque
o próprio teste depende da validade de várias outras teorias que dão embasamento à
experiência. Toda experiência, em última análise, repousa sobre uma rede de teorias,
opiniões, idéias, palavras e tradições isto é, sobre a cultura ou comunidade em que
ocorre.
De acordo com o novo entendimento, o conhecimento científico não é uma
compilação de verdades universais objetivas, e sim uma coleção de tradições
investigadoras amparadas por comunidades específicas ou por pesquisadores. Seu
discurso seu jogo lingüístico é, em grande parte, ininteligível fora da prática viva de tais
comunidades.
Kuhn, porém, adiciona outro dado inusitado. Os paradigmas, diz ele, não
consistem somente na empresa científica, mas também no mundo do cientista. O
paradigma dominante determina o que os cientistas vêem quando observam o mundo.
Há paradigmas específicos que influenciam até mesmo as operações e medições
escolhidas pêlos cientistas para a realização de experiências.
O pós-modernismo leva a sério esse aspecto das crenças paradigmáticas. Ele
afirma que o mundo não é dado, que não se trata de um objeto "ali fora" que vem ao
nosso encontro e do qual podemos extrair o conhecimento. Pelo contrário, ele afirma
que, por meio da linguagem, criamos nosso mundo, e que há tantos mundos diferentes
quantas são as linguagens criadoras de mundos.
Essa pluralidade de mundos caracteriza a cosmovisão pós-moderna.

Jornada nas Estrelas e a Geração Pós-moderna


A câmera focaliza uma espaçonave futurística tendo por pano de fundo um
cenário onde se vêem galáxias distantes. A voz do narrador anuncia orgulhosamente o
famoso bordão: "O espaço a fronteira final. Estas são as viagens da nave espacial
Enterprise em sua missão de 5 anos de explorar novos mundos, novas civilizações,
corajosamente indo onde o homem jamais esteve".
Essas palavras marcavam o início de cada um dos episódios da série de TV, de
grande audiência, Jornada nas estrelas e, depois, A nova geração, cuja temporada final
encerrou-se em maio de 1994.
Sob muitos aspectos, A nova geração foi simplesmente uma versão atualizada da
antiga série Jornada nas estrelas, agora situada num tempo futuro, depois da resolução
de algumas dificuldades políticas galácticas que atormentavam o universo dos viajantes
espaciais da série clássica. Todavia, pouco tempo depois que a nova estirpe de
exploradores, sob o comando de Jean-Luc Picard, assumiu o controle da Enterprise,
comandada em tempos passados pela tripulação do Capitão Kirk, mas agora
remodelada, os criadores da série descobriram que o mundo de sua audiência estava
em meio a um sutil deslocamento de paradigma: a modernidade estava gerando a pós-
modernidade. Conseqüentemente, A nova geração tomou-se um reflexo

143
talvez até mesmo um modelador da cosmovisão da geração emergente.
As mudanças evidentes na transição de Jornada nas estrelas para Jornada nas
estrelas: A nova geração refletem um processo de transição mais profunda na sociedade
ocidental.

Da Modernidade à Pós-modernidade
Há um consenso entre muitos observadores sociais de que o mundo ocidental
está em meio a transformações. Na verdade, tudo indica que estamos passando por um
deslocamento cultural só comparável às inovações que marcaram o nascimento da
modernidade dos escombros da Idade Média: estamos fazendo a travessia da era
moderna para a pós-modema. E claro que os períodos de transição são terrivelmente
difíceis de descrever e de avaliar. Tampouco sabemos com certeza que características
terá esse período emergente. Não obstante, vemos sinais de que essas alterações
monumentais estão engolfando todos os aspectos da cultura contemporânea.
O termo pós-moderno talvez tenha sido cunhado e empregado pela primeira vez
na década de 30 para se referir a uma importante transição histórica que já estava em
andamento e também como designação para certos desenvolvimentos nas artes.
Todavia, o pós-modernismo não ganhou atenção generalizada até a década de 70.
Primeiramente, denotava um novo estilo de arquitetura. Em seguida, invadiu os círculos
acadêmicos, primeiramente como um rótulo para as teorias expostas nos departamentos
de Inglês e de Filosofia das universidades. Por fim, tornou-se de uso público para
designar um fenômeno cultural mais amplo.
Quaisquer que sejam os outros significados que se possam atribuir ao pós-
modernismo, conforme indica o termo, sua significação relaciona-se com o
deslocamento para além do modernismo. Ele implica, especialmente, uma rejeição da
atitude mental moderna, embora tenha sido lançado no âmbito da modernidade.
Portanto, para entender o pensamento pós-moderno, é preciso vê-lo no contexto do
mundo moderno, que o deu à luz, e ao qual ele se opõe.

A Mente Moderna
Muitos historiadores fixam a data do nascimento da era moderna no alvorecer do
Iluminismo, logo após a Guerra dos Trinta Anos. O cenário, contudo, fora armado
anteriormente na Renascença, que elevara a humanidade ao centro da realidade. Típico
da nova perspectiva era a visão de Francis Bacon de que os homens podiam dominar a
natureza se descobrissem os segredos dela.
Bebendo na fonte da Renascença, o Iluminismo elevou o indivíduo ao centro do
mundo. René Descartes lançou as bases filosóficas do edifício moderno ao privilegiar o
papel da dúvida, concluindo daí que a existência do ser pensante é a primeira verdade
que não pode ser negada pela dúvida um princípio formulado por meio de sua
apropriação da máxima de Agostinho Cogito ergo sum [Penso, logo existo]. Descartes,
portanto, definiu a natureza humana como uma substância pensante e a pessoa
humana como um sujeito racional autônomo. Posteriormente, Isaac Newton deu à
modernidade seu arcabouço científico ao descrever o mundo físico como uma máquina
cujas leis e regularidade podiam ser apreendidas pela mente humana. O ser humano
moderno pode muito bem ser descrito como a substância autônoma e racional de
Descartes, cujo habitat é o mundo mecanicista de Newton.

O Projeto do Iluminismo
Os postulados do ser pensante e do universo mecanicista abriram o caminho
para a explosão do conhecimento sob a égide daquilo a que Habermas se referia como
"Projeto do Iluminismo". A busca intelectual do ser humano elegera como seu objetivo
revelar os segredos do universo para pôr a natureza a serviço do homem, criando assim
um mundo melhor. Essa busca culminou na modernidade característica do século XX,
cujo empenho tem sido infundir na vida um gerenciamento racional capaz de aperfeiçoar
a existência humana por intermédio da tecnologia.
O projeto do Iluminismo traz em seu fundamento algumas suposições epistemológicas.
A
144
mente moderna supõe, especificamente, que o conhecimento é preciso, objetivo e bom.
Além do mais, os modernos supõem que, em princípio, o conhecimento é acessível à
mente humana.
A demanda por um determinado tipo de conhecimento faz com que o pesquisador
moderno busque um método que demonstre a correção fundamental das doutrinas
filosóficas, científicas, religiosas, morais e políticas. O método iluminista coloca muitos
aspectos da realidade sob o escrutínio da razão e avalia aquela com base neste critério.
Isto significa que este método crê piamente nas capacidades racionais do ser humano.
A perspectiva iluminista supõe que o conhecimento não somente é exato (e,
portanto, racional) como também objetivo. A suposição da objetividade faz com que o
modernista reivindique o acesso ao conhecimento desapaixonado. Os sábios modernos
professam ser mais do que meros participantes condicionados do mundo que observam:
declaram-se capazes de vê-lo como observadores imparciais - isto é, contemplam o
mundo de uma posição estratégica situada fora do fluxo da história.
A busca pelo conhecimento desapaixonado divide o projeto científico em
disciplinas distintas e confere um status diferenciado ao especialista como observador
neutro cuja perícia é fruto de um campo limitado de esforços.
Além de supor que o conhecimento é exato e objetivo, os pensadores iluministas
supõem também que ele é inerentemente bom. Para o cientista moderno, por exemplo,
a descoberta de que o conhecimento é sempre bom é axiomático. Essa suposição da
bondade inerente do conhecimento torna otimista a perspectiva do Iluminismo. Ela
conduz à crença de que o progresso
inevitável, que a ciência, associada ao poder da educação, acabará por nos libertar de
nossa vulnerabilidade à natureza, bem como de toda escravidão social.
O otimismo iluminista, juntamente com o enfoque dado à razão, intensifica a
liberdade humana. São suspeitas todas as crenças que pareçam reduzir a autonomia ou
que se baseiem em alguma autoridade externa e não na razão (e na experiência). O
projeto do Iluminismo compreende a liberdade, em grande parte, em termos individuais.
Na verdade, o ideal moderno defende a autonomia do eu, o sujeito autodeterminante
que existe fora de qualquer tradição ou comunidade.

Modernidade e Jornada nas Estrelas


semelhança da ficção moderna de modo geral, a série clássica Jornada nas
estrelas refletia muitos aspectos do projeto do Iluminismo e da modernidade tardia. A
tripulação da Enterprise era composta por pessoas de várias nacionalidades que
trabalhavam juntas para o bem comum da humanidade. Elas eram a síntese da
antropologia universalista moderna. A mensagem era óbvia: somos todos humanos,
temos de vencer nossas diferenças e unir nossas forças para cumprir aquilo a que nos
propomos: a busca pelo conhecimento preciso e objetivo do universo inteiro, do qual o
espaço revela-se como a "fronteira final".
Um dos heróis do antigo seriado era o Sr. Spock. Embora fosse o único membro
da tripulação oriundo de outro planeta (ele era parte humano e parte Vulcano), seu lado
não humano, na verdade, servia como um ideal humano transcendente. O Sr. Spock era
o homem ideal do Iluminismo, completamente racional e sem emoções (ou, pelo menos,
capaz de contê-las). Sua racionalidade desapaixonada foi várias vezes a responsável
pela solução dos problemas que sobrevinham aos tripulantes da Enterprise. Nessas
ocasiões, os roteiristas pareciam interessados em defender a idéia de que, no fim das
contas, podíamos resolver nossos problemas se puséssemos em prática nossa perícia
racional.
O pós-modernismo representa a rejeição do projeto iluminista e das suposições
básicas sobre as quais ele se ergueu.

A Mente Pós-moderna
A modernidade tem sido atacada pelo menos desde que Friedrich Nietzsche
(1844-1900) desferiu o primeiro golpe contra ela no fim do século XIX; contudo, o ataque
frontal em grande
145
escala só começou na década de 70. O impulso intelectual imediato para o
desmantelamento do projeto iluminista veio com o surgimento do desconstrucionismo
como teoria literária, influenciando um novo movimento na filosofia.

Pós-modernismo Filosófico
A desconstrução surgiu como um prolongamento de uma teoria literária chamada
"estruturalismo".
Segundo os estruturalistas, a linguagem é uma construção social e as pessoas
desenvolvem documentos literários —textos— na tentativa de prover estruturas de
significado que as ajudarão a dar sentido ao vazio de sua experiência. Os estruturalistas
argumentam que a literatura equipa-nos com categorias que nos auxiliam a organizar e
a compreender nossa experiência da realidade. Além do mais, todas as sociedades e
culturas possuem uma estrutura comum e invariável.
Os desconstrucionistas (ou pós-estruturalistas) rejeitam este último princípio do
estruturalismo. O significado não é inerente ao texto em si, dizem eles, emerge apenas à
medida que o intérprete dialoga com o texto. Uma vez que o significado de um texto
depende da perspectiva de quem dialoga com ele, são muitos os seus significados,
como são muitos também os seus leitores (ou leituras).
Os filósofos pós-modernos aplicaram as teorias do desconstrucionismo literário
ao mundo como um todo. Assim como um texto terá uma leitura diferente conforme o
leitor, dizem eles, da mesma maneira a realidade será "lida" diferentemente por todo ser
dotado de conhecimento que com ela depare. Isto significa que o mundo não tem
apenas um significado, ele não tem nenhum centro transcendente para a realidade com
um todo.
Com base em idéias semelhantes a estas, o filósofo francês Jacques Derrida
reivindica o abandono tanto da "ontoteologia" (tentativa de estabelecer descrições
ontológicas da realidade) como da "metafísica da presença" (a idéia de que algo
transcendente está presente na realidade). Já que não há nada transcendente que seja
inerente à realidade, diz ele, tudo o que emerge no processo de conhecimento é a
perspectiva do eu que interpreta a realidade.
Michel Foucault acrescenta uma inusitada nuança moral à alegação de Derrida.
Segundo Foucault, toda interpretação da realidade é uma declaração de poder. Já que o
"conhecimento" é sempre o resultado do uso do poder, nomear algo significa exercer
poder e, portanto, fazer violência ao que é nomeado. As instituições sociais, prossegue
Foucault, envolvem-se inevitavelmente em violência quando impõem sua própria
compreensão ao fluxo sem centro definido da experiência. Portanto, contrariamente a
Bacon, que buscava o conhecimento para dominar a natureza, Foucault declara que
toda afirmação de conhecimento é um ato de poder.
Richard Rorty, por sua vez, desfaz-se da concepção clássica da verdade como a
natureza reflexa seja da mente ou da linguagem. Segundo Rorty, a verdade não é
estabelecida quer pela correspondência de uma afirmação com a realidade objetiva quer
pela coerência interna das afirmações em si mesmas. Rorty argumenta que deveríamos
simplesmente abandonar a busca pela verdade e nos contentarmos com a
interpretação. Ele propõe a substituição da "filosofia sistemática" clássica pela "filosofia
da construção", cujo "objetivo é dar prosseguimento ao diálogo e não à descoberta da
verdade".
A obra de Derrida, Foucault e Rorty reflete o que parece ter se tornado o axioma
central da filosofia pós-moderna: "Tudo se resume à diferença". Essa visão bane o "uni"
de "universo" que buscava o projeto do Iluminismo. Ela abandona a procura por um
significado unificado da realidade objetiva. Segundo essa visão, o mundo não possui
centro algum, somente pontos de vista e perspectivas distintas. Na verdade, até mesmo
o conceito de "mundo" pressupõe uma unidade objetiva ou um todo coerente que não
existe "lá fora". No fim das contas, o mundo pós-moderno não passa de um palco onde
se assiste a um "duelo de textos".

A Atitude Pós-moderna
Embora filósofos como Derrida, Foucault e Rorty sejam influentes nos campi

146
universitários, eles constituem tão-somente uma vertente de um deslocamento maior do
pensamento que se verifica na cultura ocidental. O que dá coesão à diversidade de
opiniões do tecido pós-modernista é o fato de ele questionar as suposições centrais da
epistemologia iluminista.
No mundo pós-moderno, as pessoas não estão mais convencidas de que o
conhecimento é inerentemente bom. Ao evitar o mito iluminista do progresso inevitável,
o pós-modernismo substitui o otimismo do último século por um pessimismo corrosivo.
Já não há mais a crença de que diariamente, de todos os modos, estamos melhorando
cada vez mais. Os membros da geração emergente não crêem mais que a humanidade
será capaz de resolver os grandes problemas mundiais ou até mesmo que sua situação
econômica sobrepujará a de seus pais. A vida na Terra, para eles, é algo frágil:
acreditam que a humanidade só continuará a existir se adotar uma nova atitude de
cooperação, e não de conquista.
A ênfase dos pós-modernos no holismo tem a ver com sua rejeição à segunda
suposição do Iluminismo, ou seja, de que a verdade é exata e, portanto, puramente
racional. A mente pós-moderna recusa-se a limitar a verdade à sua dimensão racional e,
portanto, destrona o intelecto humano de sua posição de árbitro da verdade. Segundo os
pós-modernos, existem outros caminhos válidos para o conhecimento além da razão, o
que inclui as emoções e a intuição.
Finalmente, a mente pós-modema já não aceita mais a crença iluminista de que o
conhecimento seja objetivo. O conhecimento não pode ser meramente objetivo, dizem
os pós-modernistas, porque o universo não é mecanicista e nem dualista, e sim
histórico, passível de relacionamento e pessoal. O mundo não é simplesmente um dado
objetivo que está "lá fora" à espera de ser descoberto e conhecido; a realidade é
relativa, indeterminada e participável.
Ao rejeitar a suposição moderna da objetividade do conhecimento, os pós-
modernos rejeitam também o ideal iluminista do sábio desapaixonado e autônomo. Eles
argumentam que o trabalho dos cientistas, como o de qualquer outro ser humano, é
condicionado histórica e culturalmente e que nosso conhecimento é sempre incompleto.
A cosmovisão pós-moderna opera com um entendimento da verdade embasado
na comunidade. Assim, o que quer que aceitemos como verdade, e até mesmo o modo
como a vemos, depende da comunidade da qual participamos. Além disso, e de modo
ainda mais radical, a cosmovisão pós-moderna afirma que essa relatividade se estende
para além de nossas percepções da verdade e atinge sua essência: não existe verdade
absoluta; pelo contrário, a verdade é relativa à comunidade da qual participamos.
Com base nessa suposição, os pensadores pós-modernos abandonaram a
procura iluminista por uma única verdade universal, supra cultural e eterna. Em vez
disso, concentram-se naquilo que é tido por verdadeiro no espaço específico de uma
comunidade. Asseveram que a verdade consiste nas regras fundamentais que facilitam
o bem-estar da comunidade da qual se participa. Em conformidade com essa ênfase, a
sociedade pós-modema tende a ser comunitária.

O Pós-modernismo e A Nova Geração


A perspectiva pós-moderna aparece no novo seriado de Jornada nas estrelas: A
nova geração. A característica da tripulação mudou é mais diversificada, pois inclui
representantes de outras partes do universo. Essa mudança representa a universalidade
mais ampla do pós-modernismo: a humanidade já não é mais a única forma avançada
de inteligência, pois a evolução espalhou-se por todo o cosmo.

Ainda mais importante, a compreensão da busca do conhecimento mudou. A


humanidade não é capaz de executar sozinha aquilo a que se propôs; tampouco o fardo
da procura recai unicamente sobre os seres humanos. A tripulação da Enterprise
simboliza a "nova ecologia" da humanidade em parceria com o universo. Sua missão
não é mais ir com ousadia "aonde nenhum homem jamais esteve" mas "aonde ninguém
jamais foi".
Na Nova geração, o Sr. Spock é substituído por Data, um andróide. Em certo sentido,
Data
uma versão mais integralmente completa do pensador racional do que Spock, capaz de
façanhas intelectuais sobre-humanas. Não obstante isso, a despeito de seu intelecto
aparentemente perfeito,
147
ele não é o ideal transcendente humano encarnado por Spock, pois se trata de uma
máquina. Diferente de Spock, ele quer não apenas compreender o que significa ser
humano como quer também de fato tornar-se humano. De algum modo, ele se acha
incompleto porque não possui senso de humor, emoções e a habilidade de sonhar (e, na
verdade, sente que se tomou mais completo ao descobrir posteriormente que o seu
criador programara uma capacidade de sonhar em seus circuitos).
Embora Data sempre contribua de modo inestimável para a resolução de
problemas, ele é apenas mais um dentre vários que colaboram para a busca de
soluções. Além do "mestre da racionalidade", a tripulação da Enterprise compõe-se
também de pessoas com habilidades nas dimensões afetivas e intuitivas da vida
humana. Destaca-se de maneira especial nessa área a Conselheira Trói, uma mulher
dotada da habilidade de perceber os sentimentos ocultos dos demais.
As novas viagens da Enterprise conduzem sua heterogênea tripulação a um
universo pós-moderno. Nesse mundo novo, o tempo não é simplesmente linear, a
aparência não é sinônimo de realidade e o racional nem sempre é confiável
Diferentemente do seriado clássico, que, em sintonia com a tendência moderna,
geralmente ignorava as questões relativas a Deus e à fé religiosa, o mundo pós-
moderno de A nova geração demonstra interesse pelo sobrenatural, o que se pode ver,
por exemplo, no estranho personagem "Q". Todavia, sua formulação do divino não se
limita meramente àquela da teologia cristã tradicional. Embora possua os atributos
divinos clássicos da onisciência e onipotência, "Q", o ser de traços divinos, é
moralmente ambíguo e manifesta tanto a benevolência quanto uma inclinação pelo
cinismo e pela autogratificação.

Pós-modernidade e Cristianismo Evangélico


correta a conclusão de George Marsden de que, sob alguns aspectos, o
movimento evangélico com sua ênfase no pensamento científico, na abordagem
empírica e no senso comum é filho da primeira fase da modernidade. Nossa sociedade,
porém, está no meio de uma transição monumental: da modernidade para a pós-
modernidade.
A geração que está surgindo foi formada num contexto moldado menos pela
aquiescência ao projeto do Iluminismo como se vê em Jornada nas estrelas do que pela
visão pós-modernista de Rorty e de Jornada nas estrelas: A nova geração.
A transição da era moderna para a pós-modema coloca um sério desafio à igreja
e à sua missão no contexto de sua nova geração. Confrontados por esse novo estado
de coisas, não podemos cair na armadilha do desejo nostálgico pelo retomo daquela
modernidade primitiva que deu à luz o movimento evangélico, pois não somos
chamados a ministrar a uma época remota, mas aos dias de hoje, cujo contexto acha-se
sob a influência da pós-modernidade.
O pós-modernismo apresenta alguns perigos. Não obstante, seria irônico - na
verdade, seria trágico - se os evangélicos se tornassem os últimos defensores da
modernidade já moribunda. Para alcançar as pessoas no novo contexto pós-moderno,
devemo-nos lançar à tarefa de decifrar as implicações do pós-modernismo para o
evangelho.
Imbuídos da visão do programa de Deus para o mundo, devemos reivindicar o
novo contexto pós-moderno para Cristo, assumindo a fé cristã segundo critérios
compreensíveis para a nova geração. Resumindo, sob o pendão da cruz, temos de estar
"corajosamente indo onde nenhum homem jamais esteve".

O Evangelho e o Contexto Pós-moderno


Os evangélicos têm laços muito próximos com a modernidade. Filho da Reforma,
do pietismo e dos "espirituais" despertamentos, o movimento evangélico nasceu nos
primórdios do período moderno. No caso norte-americano, ele atingiu a maturidade em
meados do século XX - no auge da era moderna.
Como pensadores modernos, os evangélicos sempre utilizaram os instrumentos
da modernidade, tais como o método científico, a abordagem empírica da realidade e o
realismo do
148
senso comum. Todavia, essas ferramentas tomaram-se sobremodo importantes no século
XX, à medida que os intelectuais evangélicos procuravam entender e dar expressão ao
evangelho com olhos voltados para o desafio colocado pela cosmovisão da modernidade
tardia - o secularismo.
Os evangélicos do século XX têm se empenhado com muita energia na tarefa de
demonstrar a credibilidade da fé cristã a uma cultura que glorifica a razão e deifica a
ciência. O modo como apresentam o evangelho, freqüentemente, tem sido acompanhado
de uma apologética racional que recorre a provas para demonstrar a existência de Deus, a
confiabilidade da Bíblia e a historicidade da ressurreição de Jesus. As teologias
sistemáticas dos evangélicos, de maneira geral, têm privilegiado o conteúdo proposicional
da fé, na tentativa de produzir uma apresentação lógica da doutrina cristã. Resumindo, os
evangélicos modernos saíram-se bem ao desenvolverem uma visão da fé cristã em
conformidade com a sociedade da série clássica de Jornada nas estrelas. Agora, porém,
estamos rumando para um contexto novo. O mundo ocidental da cultura "pop" à
acadêmica - está se desfazendo dos princípios do Iluminismo que contribuíram para com
o fundamento da modernidade. Estamos entrando em uma era pós-moderna.
O espírito pós-moderno exerce uma influência muito importante sobre a nova
geração entre jovens adultos que encaram com naturalidade a era da informação, os
inúmeros canais de TV a cabo e a MTV. Essa geração foi criada num contexto cuja
conformação foi obra muito mais de Jornada nas estrelas: a nova geração e seus
sucedâneos do que da série clássica. Nesse contexto, a suspeita de Foucault com relação
a toda "ordem presente", o questionamento de Derrida à razão pela razão e o
pragmatismo radical de Rorty incorporaram-se à linguagem cotidiana das pessoas, mesmo
daquelas que nunca ouviram os nomes desse gurus filosóficos da cultura pós-modema.
A passagem do território familiar da modernidade para o terreno desconhecido da
pós-modernidade tem sérias implicações para os que procuram viver como discípulos de
Cristo nesse novo contexto. É preciso que ordenemos nosso pensamento segundo as
ramificações das mudanças fenomênicas em desenvolvimento na sociedade ocidental, de
modo que possamos compreender a fé cristã e saibamos como apresentar o evangelho à
nova geração.
De que forma, portanto, devemos fazer frente ao espírito intelectual do mundo pós-
moderno em ascensão? Para facilitar a reflexão sobre esse assunto, gostaria de concluir
minha pesquisa acerca do pós-modernismo com uma avaliação do fenômeno pós-
moderno.

A Crítica Pós-moderna do Modernismo


Conforme já observei diversas vezes ao longo deste livro, a busca pela ruptura com
o projeto iluminista da modernidade é inerente ao pós-modernismo. Não importa no que se
transforme o pós-modernismo no fim das contas, no início, foi ele uma rejeição à
mentalidade moderna que se desenvolveu na esfera da modernidade. Em conformidade
com essa orientação em grande medida negativa, essa rejeição do passado imediato, os
intelectuais pós-modernos, de modo geral, não procura apresentar novas propostas
construtivas de quaisquer tipos que sejam. Seu objetivo primordial tem sido o de
estabelecer uma crítica contundente ao projeto do Iluminismo com base nos princípios de
suas próprias teorias.
De que forma devemos avaliar essa crítica?

Tomada de Posição: Não à Rejeição da Metanarrativa


Os cristãos que se defrontam pela primeira vez com as idéias de pensadores como
Foucault, Derrida e Rorty tendem a recuar horrorizados diante da possibilidade de que o
projeto iluminista tenha ido longe demais.
Em relação a um aspecto importante do programa pós-moderno, tal sentimento
justifica-se. O pós-modernismo pôs de lado a verdade objetiva, ao menos o entendimento
clássico a seu respeito. Foucault, Derrida e Rorty opõem-se ao princípio epistemológico
que, há séculos, reina absoluto a teoria da correspondência da verdade (a crença de que a
verdade consiste na correspondência entre proposições e o mundo "lá fora"). Essa
rejeição da teoria da correspondência conduz não somente ao ceticismo, que solapa o
conceito de verdade objetiva de
149
modo geral; ela mina também as reivindicações cristãs de que nossas formulações
doutrinárias apresentam a verdade objetiva.
O choque do pós-modernismo com os postulados cristãos desenrola-se num nível
mais profundo do que o do debate acerca da teoria epistemológica que devemos adotar.
O desespero pós-moderno, no que se refere à busca pela descoberta da verdade total, é
algo mais radical do que a rejeição da teoria da correspondência. Na verdade, o espírito
pós-moderno resulta da suposição de que não existe um todo unificado a que possamos
chamar "realidade". Os pensadores pós-modernos abandonaram a busca pela verdade
universal e final porque estão convencidos de que não há nada mais a descobrir exceto
uma miríade de interpretações conflitantes ou uma infinidade de mundos criados pela
linguagem.
O abandono da crença na verdade universal implica a perda de todo critério final,
graças ao qual se podem avaliar as várias interpretações da realidade que se
entrechocam na esfera intelectual contemporânea. Nesse caso, todas as interpretações
humanas inclusive a cosmovisão cristã são igualmente válidas porque todas são
igualmente inválidas. (De fato, como adjetivos que descrevem objetivamente as
interpretações, válido e inválido tornam-se palavras sem sentido.) No máximo, dizem os
pós-modernos, podemos julgar essas interpretações somente com base em padrões
pragmáticos, ou seja, com base "naquilo que funciona".
O ceticismo pós-moderno, portanto, deixa-nos num mundo que se caracteriza por
uma luta sem fim contra as interpretações rivais. Ele nos coloca numa situação que faz
lembrar a guerra de Hobbes contra todos.
Nosso compromisso para com o Deus revelado em Cristo obriga-nos a resistir ao
menos a um aspecto ou a um desdobramento do ceticismo radical do pós-modernismo:
a perda de um "centro".
Como cristãos, só podemos nos permitir acompanhar Derrida até certo ponto, por
exemplo, em sua luta incansável contra a "metafísica da presença" e o "logocentrismo".
Diferentemente do pensamento pós-moderno, cremos que a realidade possui um centro
unificador. Mais especificamente, reconhecemos em Jesus de Nazaré, a Palavra eterna
presente em nosso meio, a manifestação desse centro.
Em outras palavras, podemos dizer que, em virtude de nossa fé em Cristo, não
podemos afirmar que o princípio central do pós-modernismo seja, conforme a definição
de Lyotard, a rejeição à metanarrativa.
Podemos acolher com simpatia a conclusão de Lyotard quando aplicada à
preocupação principal de sua análise - ou seja, a empresa científica. Na verdade, é
possível viver muito bem sem mitos tais como o do progresso do saber. Todavia, não
podemos assentir à extensão da tese de Lyotard à realidade como um todo.
Nosso mundo é mais do que uma coleção de narrativas locais e conflitantes.
Contrariamente às implicações da tese de Lyotard, cremos firmemente que as narrativas
locais das diversas comunidades humanas encaixam-se perfeitamente numa única e
grandiosa narrativa: a história da humanidade. Existe uma única metanarrativa que
abarca todos os povos de todas as épocas.
Como cristãos, declaramos conhecer essa narrativa magnífica. Trata-se da
história da ação de Deus na história para a salvação da humanidade decaída e a
finalização das intenções de Deus com relação à criação. Proclamamos corajosamente
que o enfoque dessa metanarrativa é a história de Jesus de Nazaré, o qual, testificamos,
é o Filho encarnado, a segunda Pessoa do Deus Trino.
Os pensadores pós-modernos chamam com razão nossa atenção para a
ingenuidade da tentativa iluminista de descobrir a verdade universal recorrendo tão-
somente à razão. Em última análise, a metanarrativa que proclamamos ultrapassa os
limites da razão a ser descoberta ou avaliada. Portanto, concordamos que, neste
mundo, testemunharemos a luta entre as narrativas conflitantes e as interpretações da
realidade. Devemos, porém, acrescentar que, embora todas as interpretações sejam, de
certo modo, inválidas, não são inválidas todas elas igualmente. Cremos que as
interpretações conflitantes podem ser avaliadas segundo um critério que, de algum
modo, transcende a todas elas. E nossa crença que "a Palavra fez-se carne" em Jesus
Cristo, por isso estamos convictos de que esse critério é a história da ação de Deus em
Jesus de Nazaré.

150
Resumindo, não podemos simplesmente permitir que o cristianismo seja
relegado ao status de mais uma fé entre outras. O evangelho é, em sua essência,
uma mensagem missionária em expansão. Cremos não somente que a narrativa
bíblica faz sentido para nós, como é também mensagem de boas-novas para todos.
Ela proporciona a satisfação dos desejos e das aspirações de todos os povos. Ela
incorpora a verdade - a verdade de toda a humanidade e para toda a humanidade.

Uma Posição em Comum: A Rejeição da Epistemologia Iluminista


Como cristãos, devemos nos opor à rejeição pós-moderna da metanarrativa.
Simplesmente não compartilhamos do desespero pela perda da universalidade que
conduz ao ceticismo radical da era em ascensão. Ao mesmo tempo, não devemos
permitir que nosso "Não!" bem sonoro ao pós-modernismo nessa questão
fundamental nos cegue quanto à validade de sua crítica à modernidade. Pelo
contrário, uma investigação mais aprofundada do fenômeno deveria nos convencer
de que estamos fundamentalmente de acordo com a rejeição pós-moderna da
mentalidade moderna e sua epistemologia de cunho iluminista.
Conforme observamos anteriormente, a modernidade ergue-se sobre a
suposição de que o saber é certo, objetivo e bom. O pós-modernismo rejeita essa
suposição. Infelizmente, os evangélicos aceitam, com muita freqüência e de modo
acrílico, a visão moderna do saber, apesar do fato de que a crítica pós-moderna, em
determinados pontos, seja mais conforme aos pontos de vista teológicos do
cristianismo.

A Certeza do Conhecimento
O pós-modernismo questiona a pressuposição do Iluminismo de que o
conhecimento seja preciso e de que o critério para a certeza repousa em nossas
capacidades racionais humanas.
Semelhantemente, a fé cristã implica a negação de que o método racional e
científico seja a única medida da verdade. Afirmamos que certos aspectos da
verdade encontram-se fora da esfera da razão e não podem ser por ela
perscrutados. Nas palavras de Blaise Pascal: "O coração tem razões que a própria
razão desconhece".
Além disso, os cristãos assumem uma postura cautelosa e até mesmo
desconfiada em relação à razão humana. Sabemos que em decorrência da queda
da humanidade, o pecado é capaz de cegar a mente humana. Estamos conscientes
de que a obediência ao intelecto, às vezes, pode nos desviar de Deus e da verdade.

A Objetividade do Conhecimento
Do mesmo modo, é louvável o questionamento pós-moderno da suposição
iluminista de que o saber é objetivo e, portanto, desapaixonado.
Conforme já pudemos ver, a epistemologia moderna foi edificada sobre o
encontro do eu cartesiano com o universo de Newton como objeto externo. Todavia,
diferentemente do ideal moderno do observador desapaixonado, afirmamos a
realidade da descoberta pós-modema, segundo a qual nenhum observador pode
ficar de fora do processo histórico. Tampouco podemos ter acesso a um saber
universal e culturalmente neutro na qualidade de especialistas não-condicionados.
Pelo contrário, somos participantes de nosso contexto histórico e cultural, e todos os
nossos esforços intelectuais estão, inevitavelmente, condicionados por essa
participação.
Os epistemologistas pós-modernos, na verdade, estão fazendo eco a
Agostinho quando asseveram que nossas convicções pessoais não somente
ornamentam nossa busca pelo saber como também facilitam o processo da
compreensão.
O Saber como Algo Bom
Finalmente, podemos ratificar a rejeição pós-moderna à suposição do Iluminismo de
que o saber seja inerentemente bom.

152
Os acontecimentos do século XX testemunham de maneira pungente o fato de
que, apesar de seus benefícios, a explosão do saber não produzirá a utopia. Os
avanços tecnológicos tornam possível não apenas o advento do bem, como o do mal.
Um exemplo óbvio disso é a divisão do átomo. Essa descoberta abriu a porta para o
Armagedom nuclear e gerou um novo tipo de lixo não-descartável. Tudo o que podemos
fazer é imaginar os efeitos terríveis que advirão das investigações sobre a estrutura
genética humana.
A compreensão cristã da situação humana dispõe de fundamento próprio para a
rejeição da suposição do Iluminismo de que o saber é bom e que isto lhe é inerente.
Cremos que o problema humano seja uma questão, não de mera ignorância, mas
também de vontade mal direcionada. Para nós, o mito do saber que expulsa a
ignorância e traz a era de ouro está calcada numa perigosa meia-verdade. Não
precisamos ser salvos apenas de nossa ignorância, é preciso que passemos também
por uma renovação e por um redirecionamento de nossa vontade.

Contornos de um Evangelho Pós-moderno


Uma parte da vocação cristã consiste em avaliar todos os novos espíritos
característicos que moldam a cultura na qual Deus chama os crentes para viverem como
povo seu. Um dos objetivos dessa tarefa consiste em equipar a igreja de modo que ela
expresse claramente o evangelho e o encarne no contexto daquela cultura. Atualmente,
somos desafiados a viver em conformidade com nosso compromisso cristão em meio a
uma cultura e a proclamar o evangelho a uma geração que, cada vez mais, é pós-
moderna em seu modo de pensar.
Essa ordem exige que exploremos os contornos do evangelho num contexto pós-
moderno. Que ênfases bíblicas relativas à obra redentora de Deus soam conformes aos
desejos e preocupações da geração em ascensão? De que modo podemos expressar o
evangelho mediante as categorias do novo contexto social?
A situação pós-moderna exige que encarnemos o evangelho de modo pós-
individualista, pós-racionalista, pós-dualista e pós-noeticêntrico.

Um Evangelho Pós-individualista
Em primeiro lugar, uma expressão pós-moderna do evangelho cristão será de
caráter pós-individualista.
Uma das marcas da modernidade é a promoção do indivíduo. O mundo moderno
é individualista, um reino da pessoa humana autônoma dotada de direitos que lhe são
inatos
"Esse enfoque moderno corresponde a certas dimensões centrais do ensino
escriturístico. Conseqüentemente, não devemos perder totalmente a ênfase na
importância da pessoa humana individual como indicadora de modernidade. Na
verdade, devemos ter sempre em vista os temas bíblicos do cuidado de Deus para com
cada pessoa, a responsabilidade de todo ser humano diante de Deus e a orientação
individual que faz parte da mensagem de salvação.
Além disso, os exemplos de totalitarismo do século XX são lembretes marcantes
de que devemos nos opor continuamente à tirania do coletivo em suas diversas formas.
Todavia, embora conservemos a ênfase individual em nossas apresentações do
evangelho, devemos nos libertar do individualismo radical que veio a caracterizar a
mentalidade moderna. É preciso que afirmemos, em coro com os pensadores pós-
modernos, que o saber - inclusive o que se refere a Deus não é simplesmente objetivo,
descoberto meramente pelo eu conhecedor neutro.
Neste ponto podemos aprender com os eruditos contemporâneos que advogam a
vida em comunidade e que se uniram ao ataque pós-moderno à fortaleza epistemológica
do modernismo. Eles rejeitam o paradigma moderno com seu enfoque no sujeito auto-
reflexivo, autodeterminante e autônomo que se situa fora de toda tradição ou
comunidade. Em seu lugar, os novos adeptos da

153
vida comunitária apresentam uma alternativa construtiva: o indivíduo-no-interior-da-
comunidade. Os comunitários assinalam o papel inevitável da comunidade ou da rede
social na vida da pessoa humana. Eles dizem, por exemplo, que a comunidade é
essencial no processo do conhecimento. Os indivíduos somente se aproximam do
saber por meio de uma estrutura cognitiva mediada pela comunidade da qual
participam. De modo semelhante, a comunidade de participação é essencial para a
formação da identidade. Um sentido de identidade pessoal se desenvolve por intermédio
da exposição de uma narrativa pessoal, a qual está sempre contida na história das
comunidades das quais participamos. A comunidade é mediadora de uma história
transcendental que é comunicada a seus membros e que apresenta as tradições da
virtude, do bem
comum e do significado último.
Devemos levar a sério as descobertas dos comunitários contemporâneos. Eles
estão ecoando o grande tema bíblico de que o objetivo do plano de Deus é o
estabelecimento da comunidade em seu sentido mais elevado.
No mundo pós-moderno, não podemos mais seguir o caminho que nos aponta a
modernidade, que situa o indivíduo no centro dos acontecimentos. Em vez disso, é
preciso que nos lembremos de que nossa fé é altamente social. O fato de que Deus é a
trindade social - Pai, Filho e Espírito - dá-nos certa indicação de que o propósito divino
para a criação tem como alvo o inter-relacionamento do indivíduo. Nosso evangelho
deve se dirigir à pessoa humana no contexto das comunidades a que ela pertence.
Tendo por foco a comunidade, o mundo pós-moderno nos estimula a reconhecer
a importância da comunidade de fé em nossos esforços evangelísticos. Os membros da
nova geração, geralmente, não se impressionam com nossas apresentações verbais do
evangelho. O que desejam ver são pessoas que vivenciam o evangelho em
relacionamentos integrais, autênticos e terapêuticos. Centrando-se no exemplo de Jesus
e dos apóstolos, o evangelho cristão da era pós-modema convidará outras pessoas a
participarem da comunidade daqueles cujo alvo de lealdade maior é o Deus revelado em
Cristo. Os participantes dessa comunidade procurarão atrair outros a Cristo
incorporando o evangelho à comunhão de que partilham.
Um Evangelho Pós-racionalista
Além de pós-individualista, um expressão pós-moderna do evangelho cristão será
também pós-racionalista.
Uma segunda marca da modernidade é a valorização da razão. O enfoque na
argumentação lógica e no método científico livrou-nos de uma série de superstições que
grassavam entre os povos pré-modernos. Esse enfoque equipou-nos também com as
ferramentas necessárias à edificação da sociedade moderna, a qual oferece tantos
benefícios a seus cidadãos.
A despeito dos desafios à fé que afligiam os cristãos na era da razão, o
cristianismo conseguiu encontrar um lar no mundo moderno. Os evangélicos modernos
contribuíram para com esse processo. Eles demonstraram detalhadamente que a fé
cristã não é necessariamente irracional. Em resposta aos céticos modernos, declaram
corajosamente que ninguém precisa cometer suicídio intelectual para se tornar cristão.
A incorporação pós-moderna do evangelho não deve se tornar anti intelectual e
abandonar completamente o que foi ganho com o Iluminismo. Todavia, a crítica pós-
modema à modernidade apresenta-se como lembrete necessário de que nossa
humanidade não consiste somente na dimensão cognitiva. Somos seres intelectuais,
porém, somos mais do que simplesmente o "animal racional" de Aristóteles. E preciso
reconhecer que a reflexão intelectual e a empresa científica, tão-somente, não nos
podem colocar em contato com toda a dimensão da realidade ou conduzir-nos à
descoberta de todos os aspectos da verdade divina.
Isto significa que não podemos simplesmente comprimir a verdade nas categorias de
154
certeza racional que são típicas da modernidade. Em vez disso, ao entender e expressar
a fé cristã temos de dar espaço para o conceito de "mistério" - não como complemento
irracional ao racional, mas como algo que nos lembra que a realidade fundamental de
Deus transcende a racionalidade humana. Embora preserve a racional idade, o apelo ao
nosso evangelho não deve se limitar ao aspecto intelectual da pessoa humana. E
preciso que ele compreenda outras dimensões de nosso ser também.
De fundamental importância para nossa tarefa de pensar segundo a fé num
contexto pós-moderno é a obrigação de repensar a função das afirmações sobre a
verdade ou proposições. Não devemos deixar de reconhecer a importância fundamental
do discurso racional, porém, nossa compreensão da fé não deve se limitar à abordagem
proposicional que nada mais vê na fé cristã a não ser a correção da doutrina ou a
verdade doutrinária.
Os teóricos pós-modernos podem nos ajudar nisso. Esses pensadores estão
tentando substituir o racionalismo de fundamento individualista do pensamento ocidental
moderno por uma compreensão do conhecimento e da crença como elementos de
constituição social e lingüística. Assim procedendo, oferecem-nos insights muito úteis
sobre o papel das proposições para nossas vidas.
Nenhuma experiência ocorre no vácuo; nenhuma transformação nos chega à
parte de uma interpretação facilitada por conceitos a "teia da crença" que trazemos
conosco. Pelo contrário, a experiência e os conceitos interpretativos relacionam-se
reciprocamente. Nossos conceitos facilitam o entendimento das experiências que temos
em vida; nossa experiência molda os conceitos interpretativos que empregamos ao falar
sobre nossas vidas.
O âmago da experiência cristã é um encontro pessoal com Deus em Cristo que
nos dá forma e expressão. Com base nesse encontro, procuramos acolher num todo
inteligível os diversos fios de nossa vida pessoal recorrendo a certas categorias. Dentre
estas, as mais importante são "pecado" e "graça", "alienação" e "reconciliação",
"desamparo" e "poder divino", "estava perdido" e "agora fui salvo". É nesse contexto de
vida assim entendida, no qual narramos à história de uma experiência religiosa
transformadora, que as proposições doutrinárias tornam-se importantes. Portanto, o
encontro com Deus em Cristo é facilitado e expresso em categorias de natureza
preposicional. As categorias que formam o berço dessa experiência, por sua vez,
formam a grade por meio da qual o crente passa a ver toda a vida.
As proposições, por conseguinte, pode-se dizer que têm importância secundária.
Servem tanto para a experiência da conversão quanto resultam de nosso status como
crentes. Conseqüentemente, nosso objetivo ao proclamarmos o evangelho não deve se
resumir a fazer com que outros concordem com uma lista de proposições correias. Em
vez disso, devemos empregar proposições teológicas tais como "pecado" e "graça" para
que outros encontrem a Deus em Cristo e, em seguida, unam-se a nós na grandiosa
jornada que busca compreender o significado daquele encontro para toda a vida.
O pós-racionalismo é uma das formas por meio da qual o evangelho pode se
exprimir. Neste caso, a ênfase não recai mais sobre as proposições como conteúdo
central da fé cristã. Em vez disso, leva-se a sério a compreensão dinâmica do papel da
dimensão intelectual da experiência humana e nossas tentativas de compreender a vida.

Um Evangelho Pós-dualista
Em terceiro lugar, uma expressão pós-moderna do evangelho será também pós-
dualista. E preciso que ele extraia coragem da crítica pós-moderna ao dualismo
modernista para que se desenvolva um holismo bíblico.
O projeto iluminista ergueu-se com base na divisão da realidade em "mente" e
"matéria". Esse dualismo fundamental afetou a visão iluminista da pessoa humana como
"alma" (substância
155
pensante) e "corpo" (substância física).
Não podemos negar que esse dualismo há muito tem influenciado o pensamento
cristão. Os cristãos impregnados da perspectiva do Iluminismo freqüentemente dão
expressão a um evangelho dualista. Sua preocupação principal, senão única, consiste
em salvar "almas". E possível que cultivem um interesse secundário pêlos "corpos", mas
estão convencidos de que a dimensão física da pessoa humana não tem importância
eterna.
Se, porém, vamos ministrar no contexto pós-moderno, devemos estar cientes de
que a nova geração está cada vez mais interessada na pessoa humana como um todo.
O evangelho que proclamamos deve se dirigir às pessoas humanas em toda a sua
inteireza. Isto não significa dar mais ênfase, pura e simplesmente, aos aspectos
emocionais e afetivos da vida juntamente com o aspecto racional. Pelo contrário, o
evangelho que proclamamos implica a integração do aspecto emocional-afetivo, bem
como físico-sensual, juntamente com o intelectual-racional, tendo em vista a pessoa
humana como um todo. Em outras palavras, parafraseando Jornada nas estrelas: a nova
geração devemos estar dispostos a reconhecer que, em nosso interior, o Conselheiro
Trói e Spock (ou Data) dependem um do outro.
O holismo cristão pós-moderno, porém, deve fazer mais do que unir novamente a
alma e o corpo separados pelo Iluminismo. Conforme observamos anteriormente, nosso
evangelho deve também situar a pessoa humana novamente no contexto social e
ambiental que nos forma e nos nutre. Não devemos nos delongar unicamente no
indivíduo em si mesmo, mas também no indivíduo como ser que se relaciona.
Nossa antropologia deve encarar com seriedade a verdade bíblica de que nossa
identidade compreende um relacionamento com a natureza, com outros, com Deus e,
conseqüentemente, com nós mesmos de maneira genuína. Todas essas ênfases são
óbvias no ministério de nosso Senhor, que falou sobre as pessoas e a elas ministrou
como seres integrais e que se relacionam.

Um Evangelho Pós-noeticêntrico
Finalmente, uma expressão pós-moderna do evangelho será também
neoticêntrica. Isto é, nosso evangelho deve afirmar que o objetivo de nossa existência
implica mais do que a mera acumulação de conhecimento. Temos de declarar que o
objetivo da doutrina correia consiste em propiciar a obtenção da sabedoria.
O Iluminismo deu à humanidade um grande legado quando privilegiou o
conhecimento. Ele concentrou os esforços humanos na busca por conhecimento, que
passou a ser visto como algo inerentemente bom.
Na verdade, o conhecimento é um bem. Como herdeiros cristãos do Iluminismo,
temos de centrar nossos esforços intelectuais na descoberta do conhecimento sobre
Deus em suas várias formas. Podemos afirmar também que o pensar correio é um
objetivo importante no processo de santificação, pois estamos convencidos de que as
crenças correias e as doutrinas correias são vitais para a vida cristã.
Não devemos, porém, restringir nosso objetivo ao acúmulo de riqueza de
conhecimento em si mesmo. Tampouco devemos nos iludir de que a posse do
conhecimento mesmo o conhecimento bíblico ou a doutrina correia seja inerentemente
boa. Paulo condenou terminantemente tais crenças entre os coríntios (l Co 8.1). O
conhecimento é bom quando facilita a produção de um bom resultado especificamente,
quando fomenta a sabedoria (ou a espiritualidade) no conhecedor.
O evangelho cristão pós-noeticêntrico ressalta a relevância da fé em todas as
dimensões da vida. Ela não permite de forma alguma que o comprometimento com
Cristo estacione simplesmente num esforço intelectual, deixando que se transforme
unicamente num assentimento a proposições ortodoxas. O comprometimento com Cristo
deve também achar guarida no coração.
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Na verdade, o mundo pós-moderno dá-nos ocasião para que nos reapoderarmos da
velha crença pietista segundo a qual uma cabeça boa não tem valor se o coração
também não for bom.
O evangelho cristão cuida não somente da reformulação de nossos
compromissos intelectuais, mas também da transformação de nosso caráter e da
renovação de toda a nossa vida como crentes que somos. Para isso, um evangelho pós-
noeticêntrico estimula um ordenamento conveniente de ativismo e quietismo. Já não
podemos mais obedecer à perspectiva moderna, que vê na atividade não dissimulada,
na conduta ou em decisões específicas, o único parâmetro de espiritualidade. No fim,
essa ênfase leva tão-somente a uma espiritualidade árida que acaba se deteriorando
completamente. O espírito pós-moderno entende corretamente que o ativismo deve ser
o resultado de recursos interiores. O evangelho pós-moderno nos fará lembrar de que
seremos capazes de manter a ação correia somente quando ela fluir dos recursos do
Espírito Santo, o qual nos renova continuamente em nossa pessoa interior.
Esse enfoque nos leva novamente ao papel auxiliar do conhecimento. As crenças
são importantes porque moldam a conduta. Nossa estrutura fundamental de crença
reflete-se em nossas ações. Como cristãos, portanto, devemos nos preocupar em obter
conhecimento e nos manter apegados à doutrina correria afim de que possamos atingir
a sabedoria para a vida e assim agradar a Deus com nosso viver.
Na opinião de muitos, nossa sociedade está no limiar de uma transição
monumental: da modernidade para a pós-modernidade. Seja como for, a geração em
ascensão os que pertencem ao mundo de Jornada nas estrelas: A nova geração e seus
sucessores está impregnada de muitos dos aspectos da mente pós-moderna. Nossa
tarefa não consiste em defender o modernismo, fazendo com que a maré atual favoreça
novamente o Iluminismo. Pelo contrário, somos chamados para compreender o novo
clima intelectual segundo a ótica cristã.
Esse projeto implica a utilização das ferramentas da nossa fé para avaliar os
pontos fortes e fracos do espírito pós-moderno. O pós-modernismo têm muitas
deficiências em diversas áreas. Portanto, não devemos simplesmente "acompanhar os
novos tempos" e abraçar acriticamente a última moda intelectual. Ao mesmo tempo, o
envolvimento crítico com o pós-modernismo não pode terminar com uma rejeição
simplista de todo o seu espírito. Nossas reflexões críticas devem nos levar a determinar
os contornos do evangelho que falará aos corações dos indivíduos pós-modernos.
Devemos nos envolver com o pós-modernismo para que possamos discernir a melhor
maneira de expressar a fé cristã para a próxima geração.

O evangelho de Jesus Cristo foi proclamado em todas as eras com poder para
converter os corações humanos. Hoje em dia, o evangelho é a resposta para os anseios
da geração pós-moderna. Nossa missão como discípulos de Cristo consiste em
encarnar e expressar as boas novas eternas de salvação de modo que a nova geração
possa compreendê-las. Somente desse modo poderemos nos tornar veículos do Espírito
Santo, possibilitando assim às pessoas experimentarem o mesmo encontro
transformador com o Deus trino de quem toda a nossa vida extrai significado.
157
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