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GABARITO - PEÇA 2 - MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL

(Fonte 12, Arial ou Times New Roman, espaçamento entre linhas 1,5)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO X

(pular aproximadamente 5 linhas entre o endereçamento e o preâmbulo)

AQUATRANS, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o número...,


representada por seu administrador..., com endereço na..., bairro..., cidade...,
Estado..., por seu advogado, com endereço profissional na..., bairro..., cidade...,
Estado..., que indica para os fins do artigo 106, do CPC/2015, com fundamento no
artigo 5º, LXIX da CRFB/88 e artigo 1º da Lei nº 12.016/09, vem impetrar
(espaço de uma linha)
MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR
(espaço de uma linha)
em face de ato ilegal do GOVERNADOR DO ESTADO X, com endereço...,
integrante da pessoa jurídica de direito público o ESTADO X, pelos fatos e
fundamentos de direito a seguir aduzidos:

(espaço de duas linhas)


I- DOS FATOS (Síntese dos fatos)

(espaço de duas linhas)


II- DOS FUNDAMENTOS

Diante dos fatos aduzidos, verifica-se o cabimento da presente medida,


encontrando a impetrante (AQUATRANS) amparo no artigo 5º, LXIX, da CRFB/88 e
na Lei nº 12.016/09, que prevê a concessão de mandado de segurança para
proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus, sendo claro o ato
ilegal praticado pela autoridade coatora, excelentíssimo Governador do Estado.

O Decreto nº 1.234 que declarou a caducidade padece de graves vícios de


legalidade, conforme será amplamente demonstrado.

A caducidade é meio de extinção do contrato de concessão por iniciativa do


Poder Concedente (ESTADO X), antes de seu termo final, em razão de
inadimplência contratual da concessionária. O regime jurídico dessa forma de
extinção contratual vem previsto pelo artigo 38 da Lei Geral das Concessões de
Serviços Públicos (Lei nº 8.987/95).

Art. 38. Lei nº 8.987/95: A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a


critério do poder concedente, a declaração de caducidade da concessão ou a
aplicação das sanções contratuais, respeitadas as disposições deste artigo, do art.
27, e as normas convencionadas entre as partes.
        § 1  A caducidade da concessão poderá ser declarada pelo poder concedente
o

quando:

        I - o serviço estiver sendo prestado de forma inadequada ou deficiente, tendo


por base as normas, critérios, indicadores e parâmetros definidores da qualidade do
serviço;

        II - a concessionária descumprir cláusulas contratuais ou disposições legais ou


regulamentares concernentes à concessão;

        III - a concessionária paralisar o serviço ou concorrer para tanto, ressalvadas as


hipóteses decorrentes de caso fortuito ou força maior;

        IV - a concessionária perder as condições econômicas, técnicas ou


operacionais para manter a adequada prestação do serviço concedido;

        V - a concessionária não cumprir as penalidades impostas por infrações, nos


devidos prazos;

        VI - a concessionária não atender a intimação do poder concedente no sentido


de regularizar a prestação do serviço; e

        VII - a concessionária for condenada em sentença transitada em julgado por


sonegação de tributos, inclusive contribuições sociais.
        VII - a concessionária não atender a intimação do poder concedente para, em cento e oitenta
dias, apresentar a documentação relativa a regularidade fiscal, no curso da concessão, na forma
do art. 29 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993.                             (Redação dada pela Medida
Provisória nº 577, de 2012)

 VII - a concessionária não atender a intimação do poder concedente para, em 180 (cento e
oitenta) dias, apresentar a documentação relativa a regularidade fiscal, no curso da concessão, na
forma do art. 29 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.                              (Redação dada pela Lei
nº 12.767, de 2012)

O § 2º, do artigo 38, da Lei nº 8.987/95 exige que a declaração de caducidade


seja precedida da verificação do inadimplemento em processo administrativo
próprio, dentro do qual seja assegurado à concessionária o direito constitucional ao
contraditório e à ampla defesa, o que não se verificou no caso em tela, como se
pode deduzir dos termos do próprio Decreto estadual. Houve, portanto, violação não
só ao § 2º, mas especialmente aos princípios do devido processo legal, do
contraditório e da ampla defesa, ambos tutelados pela Carta da República, em seu
artigo 5º, incisos LIV e LV, respectivamente.

 § 2o A declaração da caducidade da concessão deverá ser precedida da verificação da inadimplência


da concessionária em processo administrativo, assegurado o direito de ampla defesa.

Ademais, consoante determinação expressa do § 3º, do artigo 38, da Lei nº


8.987/95, a instauração do processo administrativo voltado a apurar a inadimplência
da concessionária só pode ser efetivado após a concessionária ter sido
comunicada, formal e detalhadamente, acerca das suas falhas. E mais: essa
comunicação deve conceder um prazo para que as falhas sejam corrigidas. Tais
providências preliminares se caracterizam, no dizer de Celso Antônio Bandeira de
Mello, requisitos procedimentais necessários à validade de um ato ou procedimento
administrativo. Assim, conclui-se que o Decreto em apreço também violou o referido
§ 3º, do artigo 38, da Lei 8.987/95.

§ 3o Não será instaurado processo administrativo de inadimplência antes de comunicados à


concessionária, detalhadamente, os descumprimentos contratuais referidos no § 1º deste artigo,
dando-lhe um prazo para corrigir as falhas e transgressões apontadas e para o enquadramento, nos
termos contratuais.

Em síntese, no caso em comento, não se encontravam presentes as


condições legais para amparar o Decreto nº 1.234, quais sejam: a) procedimento
administrativo próprio para apuração do “motivo de fato” da caducidade. b) prévia
comunicação detalhada à concessionária exigida pelo § 3º, do artigo 38, da Lei de
Concessões.

Nesse sentido é a jurisprudência do Egrégio Tribunal: (inserir jurisprudência/


artigo/doutrina, usar recuo de margem por se tratar de citação e identificar a
citação).

TJ-RS - Agravo de Instrumento AI 70053827796 RS (TJ-RS). Data


de publicação: 24/05/2013. Ementa: ADMINISTRATIVO.
TRANSPORTE COLETIVO. CASSAÇÃO DE CONCESSÃO. ART. 5º,
LV, CF/88. ARTIGOS 35, §§ 1º A 4º, 38, §§ 1º A 6º, E 40, LEI Nº
8.987/95. NECESSIDADE DE PRÉVIO PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO. AMPLA DEFESA. A cassação de concessão ou
permissão, reclama prévio procedimento administrativo, em que
assegurada ampla defesa, tal como dimana, com toda a clareza, dos
artigos 5º, LV, CF/88, e 35, §§ 1º a 4º, 38, §§ 1º a 6º, e 40, Lei nº
8.987/05, o que não é suprido por atividade investigatória do
Ministério Público, que tem forma e finalidades distintas
relativamente ao procedimento reclamado pela lei de regência das
concessões. A definição da caducidade da concessão e o
enquadramento da situação do concessionário como mero
precarista, com o banimento da exploração do serviço concedido,
sem qualquer figura procedimental que lhe dê mínimas condições de
defesa, configura, prima facie, ilegalidade. (Agravo de Instrumento Nº
70053827796, Vigésima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: Armínio José Abreu Lima da Rosa, Julgado em
08/05/2013). Disponível em: http://www (site), Acesso em: __/__/___)

Portanto, restou configurado o direito líquido e certo da impetrante de ver


invalidado o Decreto nº 1.234 por ter sido expedido em desacordo com o Direito
vigente.
(espaço de duas linhas)
III- DA CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR

Encontram-se presentes os requisitos ensejadores da concessão de medida


liminar na forma do artigo 7º, III, e parágrafos, da Lei nº 12.016/09, quais sejam, o
fumus boni iuris (o magistrado não está julgando se a pessoa tem direito; isso
somente será feito na sentença de mérito, quando decidir o processo), mas se ela
parece ter o direito que alega) e periculum in mora (significa que se o magistrado
não conceder a liminar imediatamente, o direito poderá perecer ou sofrer dano, por
vezes, irreparável)

O primeiro requisito reside no fato de a impetrante não ter sequer sido


notificada sobre eventual descumprimento do contrato, não exercendo o legítimo
direito de defesa. O segundo requisito, no fato de que o Decreto nº 1.234, enquanto
ato administrativo, é dotado de presunção de legitimidade e de autoexecutoriedade,
o que permite ao Poder Concedente executá-lo imediatamente sem necessidade de
prévia autorização judicial, e a execução imediata do Decreto implicará a
desmobilização do aparato administrativo e operacional desta impetrante/postulante,
gerando sérios danos materiais.

Considerando os fatores acima alinhados, é necessária a concessão de


medida liminar destinada a suspender os efeitos do ato administrativo ora
impugnado até que a questão seja definitivamente decidida nestes autos,
considerando, ainda, que a permanência da impetrante no contrato até o julgamento
final, como já vem fazendo há sete anos, não causa prejuízo à Administração
Pública.

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IV- DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer:

a) a CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR para determinar a suspensão dos efeitos


do ato impugnado até o julgamento definitivo da pretensão deduzida nesta ação;

b) a notificação da autoridade coatora, para que, querendo, no prazo legal, preste


as informações que entender pertinentes, conforme artigo 7º, I, da Lei nº 12.016/09;

c) seja dada ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica


interessada, para que, querendo, ingresse no feito;

d) a intimação do Ilustre Membro do Ministério Público, na forma do artigo 12 da Lei


nº 12.016/09;

e) que o pedido seja ao final julgado procedente para conceder a segurança


declarando a invalidade do Decreto 1.234, da Chefia do Poder Executivo Estadual,
tornando definitiva a liminar concedida;

f) a condenação do impetrado em custas processuais.


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V- DAS PROVAS

Requer a análise das provas anexadas à presente ação.

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VI- DO VALOR DA CAUSA
Dá-se à causa o valor de R$ 1.100,00 (valor por extenso), para fins fiscais.
art. 291, do CPC/2015.
(espaço de duas linhas)
Nestes termos, pede deferimento.
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Local..., data...
(espaço de uma linha)
Advogado...
OAB/UF n.º...

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