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Característica da Geografia Clássica [Resumo e ideias principais]

O período clássico inicia-se a partir da consolidação e difusão do conhecimento geográfico,


tendo sido pavimentado pelos institucionalizadores da ciência geográfica durante o primeiro
período que o precedeu.

Em linhas gerais, considera-se que teve seu início no ano de 1901 se entendendo até 1946,
data marcada pelo termino da segunda guerra mundial.

Com tudo, deve-se levar em consideração que essa delimitação temporal é relativa, pois
mesmo já estando no período caracterizado como clássico, importantes autores do século XIX
continuaram a produzir suas obras e desenvolver suas pesquisas tendo por referência idéias
dominantes de seu período.

Desse modo, para distingui-los é importante apontar para suas diferenças, sendo a primeira
delas definida pela queda no prestígio do finalismo positivista e evolucionista e do esforço de
encontrar leis gerais que explicassem as diferenciações existentes na superfície da terra, de
forma uniforme para todo o planeta. Com a impossibilidade de usar as leis da física como base
de explicação do processo de produção do espaço pelo homem, os geógrafos adotaram a
geografia como uma ciência física, deixando de lado o conceito da geografia humana. A partir
da metade do século XX acentuasse a influência da geografia regional que tinha como objetivo
o estudo de regiões específicas, caracterização e explicação de paisagens e de tipos de relação
entre o homem e o meio.

Tal influência resultou em prejuízo a Geografia Geral, pois o avanço do capitalismo industrial e
a necessidade cada vez maior de um conhecimento aprofundado do espaço produtivo fizeram
com que os geógrafos se dedicassem ao estudo de porções específicas da superfície terrestre
partindo da premissa de que a análise das várias partes levaria à soma das mesmas e ao
melhor conhecimento do todo.

Desse modo, limitando-se as suas respectivas regiões os alemães davam importância à


descrição e a análise da paisagem, em suas características naturais, já os franceses davam
grande importância à visualização da paisagem, tanto em seus aspectos físicos como nas
marcas deixadas pelo homem.

Esses estudos voltados ao regionalismo obtiveram influência entre os geógrafos que admitiam
sua legítima importância para a Geografia por se preocuparem tanto com os aspectos naturais
como com os sociais, com tudo não percebeu-se que na análise regional, ao invés da
integração do físico ao humano, era feita a justaposição dos campos, pois o estudo estava
diretamente ligado a formação do geógrafo.

Devido à preponderância das condições naturais as regiões geográficas passaram a ser


chamadas de regiões naturais, pois considerou-se que as condições naturais determinavam a
delimitação das regiões, enquanto a intervenção humana, apenas as dividia em zonas.

A proposição da Região Geográfica veio em 1941 com André Chollay que a caracterizava como
sendo o resultado da influência dos domínios físicos - estrutura geológica, clima, relevo e
hidrografia -, do meio natural - flora e fauna - e da organização humana.

A divisão entre a Geografia Geral e a Regional proporcionou uma maior especialização entre os
geógrafos o que resultou em áreas de investigação separadas, tendo a Geografia Física e
Biológica de um lado e a Geografia Humana do outro. Do desenvolvimento dessas linhas de
pensamento surgem campos autônomos do conhecimento científico tanto capítulos da
Geografia Física - Geomorfologia, Climatologia, Hidrografia, Fitogeograia, Zoogeografia - como
da Geografia Humana - Geografia da População, Agrária, da Indústria, da Circulação e
Transportes, Econômica, Política, Social etc.

Apesar dessa variação de conhecimento, a compartimentação trouxe prejuízos a Geografia


como ciência proporcionando incertezas em alguns famosos geógrafos como Camille Valloux e
Henry Baulig, vindo desse modo a empobrecer epistemológica e metodologicamente a Ciência
Geográfica.

O estudo das regiões proporcionou ao geógrafo uma visão totalizante, o fazendo compreender
e explicar a realidade como um todo, com a máxima fidelidade e para isso buscou ampliar sua
área de conhecimento baseando-se em outras ciências, denominadas auxiliares, que se faziam
importantes para a explicação da paisagem e à interpretação da realidade regional. Esse fato
explica a acusação de enciclopedismo que recaiu sobre os geógrafos.

A partir disso houve tentativas de explicar as inter-relações entre as ciências quando


direcionadas a uma mesma área ou um mesmo tema de estudos. O conceito positivista que já
não possuía seu prestígio, mas mantinha sua influência sobre o pensamento científico,
defendia o emprego de uma série de ciências que buscassem objetos específicos em contra
ponto a existência de uma única ciência social, sendo essa concepção reproduzida entre os
geógrafos que consideravam a Geografia como uma ciência natural e não como uma ciência
social, podendo ser tomado como exemplo o geógrafo francês Vidal de la Blache, que admitia
que a Geografia era uma ciência dos lugares e não do homem.

Posteriormente Pierre George e de Paul Claval mudam essa concepção através de seus
estudos, difundindo a ideia de que a Geografia é uma ciência social, do homem, e não uma
ciência da natureza. Visão tida como assertiva considerando que, se a Geografia fosse uma
ciência natural, não haveria espaço para compreensão e explicação do como e do por que a
sociedade produz e reproduz permanentemente o espaço social, se atendo a estudar os
resultados deste trabalho. Por outro lado, quando considerada como sendo uma ciência social,
assumi a responsabilidade de analisar a própria sociedade, as relações que atuam no tipo de
espaço produzido e explicar a razão de ser da ação da sociedade sobre esse espaço.

Mesmo possuindo pontos negativos, a Geografia Clássica contribuiu principalmente para a


burguesia ao atender desafios relacionados à exploração dos recursos e dos homens na
superfície da Terra. Da mesma forma teve grande importância para os países auxiliando os
governos nos seus processos de desenvolvimento o que resultou na sua fragmentação dando
origem a escolas nacionais e regionais, desse modo nascem as escolas alemã, francesa,
britânica, americana dentre outras.

Elas por sua vez possuíam um objetivo bem específico ao qual orientavam-se para estudos de
maior interesse do país e procuravam soluções e orientação que justificassem suas respectivas
ações o que atribuía a cada uma dessas escolas um sentido profundamente nacionalista
estando comprometidas com os governos de que dependiam e a que serviam.

A escola alemã buscou justificar e tentar legitimar a luta pelo espaço vital, a francesa e
britânica voltaram-se para entender os seus impérios coloniais, a americana e russa
procuraram justificar e consolidar a expansão por áreas contínuas e habitadas por povos
pobres que permaneceriam sob o seu domínio e orientação.
Escola alemã [Resumo]
A Alemanha é reconhecidamente a pioneira na institucionalização da Geografia, tendo a sua
disposição os Geógrafos Humboldt, Ritter e Ratzel, conhecidos como os pais da Geografia
Moderna. Consequentemente, no período clássico, era o país de maior relevância no âmbito
dos estudos geográficos tendo suas ideias se expandido largamente para outros países, com
destaque para os Estados Unidos.

Além dos três estudiosos citados acima que possuem seus nomes e suas contribuições
marcados na história da Geografia, a escola alemã proporcionou o surgimento de outros
estudiosos e com eles, novas ideias e formas de pensar que contribuiriam e complementariam
a ciência.

Dentre estes importantes geógrafos alemães podemos iniciar falando sobre Alfred Hettner,
que teve grandes preocupações epistemológicas em um momento histórico em que os
geógrafos em geral se voltaram para os estudos da realidade. Ele considerava a Geografia
como uma ciência do espaço, admitindo que seria "a ciência da superfície da terra, segundo as
dimensões regionais". Recusava-se a contrapor o regional ao geral e admitia que a Geografia
era, a um só tempo, ciência da natureza e do homem. Encaminhava o conhecimento
geográfico em direção à ecologia, preocupando-se com a paisagem natural e com a ação do
homem, usando e degradando esta paisagem.

Eduard Hahn, Outro geógrafo alemão, dedicou-se a fazer a Geografia Natural Moderna,
reconstituindo a história da domesticação · dos animais e da adaptação dos vegetais à
agricultura. Desenvolveu estudos sobre gêneros de vida e sobre problemas religiosos.

Schluter voltou seus estudos para a ação do homem sobre o meio considerando grupos
organizados, dando ênfase às manifestações materiais e buscando a análise regional para
atingir a compreensão do todo. Desenvolveu dessa forma, estudos sobre o Landschaft.

Durante o período clássico pode ser observado uma forte tendência por parte dos geógrafos
alemães se dedicavam ao estudo das paisagens, dando maior peso à participação do natural
sobre o social na formação da mesma. Como exemplo disso destaca-se o geomorfólogo
Siegfrid Passarge, com estudos na Namíbia, observando sobretudo a formação do relevo nas
áreas de clima desértico.

Na área da geopolítica A. Dix e posteriormente Haushofen, tendo como referência os trabalhos


de Ratzel, passaram a propagar suas ideias buscando legitimar a política expansionista alemã e
defender a conquista de territórios vizinhos. Para isso adotam uma visão racista e admitem a
necessidade de expansão do seu espaço vital.

No âmbito econômico destaca-se os estudos dirigidos e coordenados por Otremba e também


os estudos implementados dentro da linha naturalista por Leo Waibel, caracterizado como
Geografia Tropical, desenvolvendo sua pesquisa inclusive no Brasil, onde analisou os
resultados da colonização alemã nos estados do Sul, como se procedeu à produção do espaço
colonial no Sul do Brasil e quais os resultados obtidos pelo homem, pela sociedade na
utilização da natureza.
Nos estudos de localização, aplicados tanto na agricultura como na indústria, Von Thunen
buscou o raciocínio sobre a existência de um estado ideal, fisicamente uniforme que se
desenvolveria a partir de um centro dinamizador com zonas concentradas, a partir deste
centro, as mais próximas, especializadas na produção de mercadorias com necessidade de um
consumo mais rápido e de maiores proporções até aqueles de manutenção de florestas.

Esta teoria daria origem a especulações de outros estudiosos alemães, como Alfred Weber e
Losch, e chegaria até Walter Christaller, que na década de 30 desenvolveu a teoria dos lugares
centrais, pouco aceita ao ser formulada, mas que alcançou grande difusão após a Segunda
Guerra Mundial. A reflexão sobre os seus trabalhos na década de 60 e de 70 provocou grande
florescimento da chamada geografia quantitativa e do consequente uso dos métodos
matemático-estatísticos nos estudos geográficos. Ela contribuiria para a perda de influência da
geografia regional e representava uma volta ao positivismo, alimentando a escola neopositiva
moderna.

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