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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE

MINAS GERAIS – CAMPUS BAMBÍ


Curso Superior de Zootecnia

ÁLVARO LUIS CARDOSO PEREIRA

FATORES QUE AFETAM A SÍNTESE DE PROTEÍNA MICROBIANA EM


RUMINANTES

BAMBUÍ – MG
2016
ÁLVARO LUIS CARDOSO PEREIRA

FATORES QUE AFETAM A SÍNTESE DE PROTEÍNA MICROBIANA EM


RUMINANTES

Trabalho Conclusão de Curso


apresentada ao Instituto Federal Minas
Gerais – Campus Bambuí como requisito
parcial para conclusão do curso de
Bacharelado em Zootecnia.
Orientadora Profa. MSc. Sandra Regina
Faria.
Coorientadora Profa. Dra. Silvana Lúcia
dos Santos Medeiros.

Bambuí – MG
2016
ÁLVARO LUIS CARDOSO PEREIRA

FATORES QUE AFETAM A SÍNTESE DE PROTEÍNA MICROBIANA EM


RUMINANTES

Trabalho Conclusão de Curso


apresentada ao Instituto Federal Minas
Gerais – Campus Bambuí como
requisito parcial para conclusão do
curso de Bacharelado em Zootecnia.

Aprovada em ____ de __________ de 2016.

MSc. Sandra Regina Faria – IFMG – Campus Bambuí


(ORIENTADORA)

Dra. Silvana Lúcia dos Santos Medeiros – IFMG – Campus Bambuí


(COORIENTADORA)

MSc. Cássia Maria Silva Noronha – IFMG – Campus Bambuí

Dra. Sonia de Oliveira Duque Paciulli – IFMG – Campus Bambuí

Bambuí
Minas Gerais - BRASIL
AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a DEUS, que permitiu que tudo isso acontecesse ao


longo de minha vida, е não somente nestes anos como universitário, por sempre
iluminar o meu caminho e pela a saúde е força para superar as dificuldades.

Agradeço aos meus pais Ivane Silvério Pereira e Joana Darc Cardoso Pereira, as
minhas irmãs Beatriz Cardoso Pereira e Roberta Cardoso Pereira, minhas sobrinhas Ana
Beatriz e Marina е a toda minha família que, com muito carinho е apoio, não mediram
esforços para que eu chegasse até esta etapa de minha vida.

Agradeço aos meus amigos de longa data de Córrego Danta, e aos meus amigos
que eu tive a honra de conhecer durante minha graduação espero que essa amizade dure
para sempre.

Agradeço a minha orientadora Sandra Regina Faria, e coorientadora Silvana


Lúcia dos Santos Medeiros, pelo o carinho, paciência e incentivo. Através de suas
orientações este trabalho se tornou possível.

Agradeço as professora Cássia Maria Silva Noronha e Sonia de Oliveira Duque


Paciulli pelos os seus ensinamentos. É um prazer tê-las na banca examinadora.

Enfim agradeço a todos que diretamente ou indiretamente participaram de minha


formação o meu muito obrigado!
“Homens realmente grandes, não nascem grandes, tornam-se grandes.”
(O Poderoso Chefão)
RESUMO
PEREIRA, Álvaro Luis Cardoso. Fatores que afetam a síntese da proteína
microbiana em ruminantes. Bambuí: IFMG Campus Bambuí, 2016. 39 p.

O grande desafio na produção animal consiste em explorar o potencial genético máximo


do animal; mas para alcançar essa meta temos que procurar atender as necessidades de
manejo, nutrição, sanidade, ambiência e genética. Todos estes fatores são importantes
para a maximização da produtividade, mais por participar em torno de 70% do custo de
produção, a nutrição se torna crucial, qualquer erro pode afetar a produção, aumentando
ainda mais os custos ou diminuído na produtividade animal. Após que o Mapa
(Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) restringiu o uso de ingredientes
de origem animal para os ruminantes como uma forma para combater encefalopatia
espongiforme bovina (EEB) popularmente conhecida como doença da vaca louca, o
favorecimento da síntese de proteína microbiana se torna uma alternativa viável na
nutrição dos mesmos. Esta proteína apresenta um aporte excelente de aminoácidos que
compara a do leite ou carne, deve ter uma alta digestibilidade e bom aproveitamento
para suprir as necessidades de um bovino. Neste presente trabalho objetivou revisar
alguns fatores que contribuem com a síntese da proteína microbiana, sempre
demostrando os pontos fortes e fracos de sua utilização. Visou elucidar como a proteína
microbiana é importante na nutrição de ruminantes e sua produção pode ser a diferença
entre produzir um animal eficiente ou não. O favorecimento da síntese de proteína
microbiana afetara o desempenho animal seja ela voltada para pecuária leiteira ou de
corte, uma vez que aumentará a disponibilidade de aminoácidos altamente digestíveis e
com excelente perfil.

Palavras-chave: Nutrição, Pecuária, Digestão de proteína.


ABSTRACT

PEREIRA, Álvaro Luis Cardoso. Factors affecting the synthesis of microbial protein
in ruminants. Bambuí: IFMG Campus Bambuí, 2016. 39 p.

The big challenge in animal production is to exploit the maximum genetic potential of
the animal; but to achieve this goal we have to endeavor to meet management needs,
nutrition, health, ambience and genetics. All these factors are important for maximizing
productivity over a part around 70% of the production cost, nutrition becomes crucial,
an error may affect the production, further increasing costs or decreased animal
productivity. After the map (Ministry of Agriculture, Livestock and Supply) restricted
the use of animal ingredients for ruminants as a way to combat bovine spongiform
encephalopathy (BSE) commonly known as mad cow disease, favoring microbial
protein synthesis it becomes a viable alternative nutrition from them. This protein has an
excellent supply of amino acids compared to milk or meat, must have a high
digestibility and good use to meet the needs of a bovine. In this present study aimed to
review some factors that contribute to the synthesis of microbial protein, always
demonstrating the strengths and weaknesses of their use. Aims to elucidate how the
microbial protein is important in the nutrition of ruminants and their production can be
the difference between producing an efficient or not animal. The favoring of microbial
protein synthesis affect the animal performance it is directed to dairy farming or cutting,
since increase the availability of highly digestible and excellent amino acid profile.

Keywords: Nutrition, Livestock, protein digestion.


LISTA DE TABELAS

TABELA 1: Escore quimico¹, Índice de AAE (AAEi²) e AAE mais limitantes³ de


diferentes fontes de proteína, quando comparado com a proteína do leite.....................19
TABELA 2: Efeito do processamento dos grãos de milho e sorgo sobre o local de
digestão do amido no trato digestivo dos ruminantes.....................................................22
TABELA 3: Efeito da degradabilidade da proteína do suplemento sobre a ingestão e
fluxo de N para o duodeno..............................................................................................23
TABELA 4: Médias de pH, nitrogênio amoniacal (N-NH3) e ácidos graxos de cadeia
curta (AGCC) no rúmen, síntese de proteína microbiana (Pmic) e eficiência de síntese
de Pmic (EMPS), erro padrão da media (EPM) e níveis descritivos de probabilidade (p-
valor), em novilhos Nelores alimentados com diferentes relações V:C na dieta............25
TABELA 5: Médias de pH e do número dos protozoários ciliados (x10 mL) do
conteúdo ruminal de novilhos Nelore recebendo diferentes fontes de gordura..............29
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Esquema da degradação proteica pelas bactérias ruminais..............................16


Figura 2: Diagrama representado quantitativamente o fluxo típico do nitrogênio (g/dia)
no rúmen de ovinos consumindo alfafa...........................................................................17
Figura 3: Reciclagem de nitrogênio na forma de ureia no trato gastrintestinal dos
ruminantes.......................................................................................................................18
Figura 4: Relação entre as concentrações dos ácidos acéticos, propiônico e lático e pH
Ruminal...........................................................................................................................25
Figura 5: FDNef vs. pH Ruminal....................................................................................27
LISTA DE ABREVIATURAS SIGLAS

AGV Ácido Graxo Volátil

ATP Trifosfato de adenosina


CNE Carboidratos não Estruturais

FDN Fibra em detergente neutro

FDNe Fibra em detergente neutro efetivo

FDNef Fibra em detergente neutro fisicamente efetivo

NDT Nutrientes digestíveis totais

PB Proteína bruta

PDR Proteína degradável no rúmen

PNDR Proteína não degradável no rúmen

RNA Ácido ribonucleico

V:C Volumoso: Concentrado

DNA Ácido desoxirribonucleico

N Nitrogênio

pH Potencial hidrogeniônico
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO......................................................................................................12

2. MICRORGANISMOS RUMINAIS.....................................................................13

3. DEGRADAÇÃO RUMINAL DE PROTEÍNA...................................................14

4. SÍNTESE E COMPOSIÇÃO DA PROTEÍNA MICROBIANA.......................19

5. DIGESTÃO E ABSORÇÃO INTESTINAL DE PROTEÍNAS.........................21

6. ALGUNS FATORES QUE AFETAM A SÍNTESE DE PROTEÍNA


MICROBIANA..............................................................................................................22

6.1. Características da dieta..........................................................................................22

6.2. Relação Concentrado:Volumoso (V:C)................................................................24

6.3. Fibra na sintese de proteína microbiana..............................................................26

6.4. Teor de gordura na dieta.......................................................................................28

7. MÉTODOS UTILIZADOS PARA QUANTIFICAR A SÍNTESE DE


PROTEÍNA MICROBIANA........................................................................................31

7.1. Marcadores internos..............................................................................................31

7.1.1. Derivados de Purinas............................................................................................31

7.2. Marcadores Externos.............................................................................................32

7.2.1. 15N..........................................................................................................................32

7.2.2. 35S...........................................................................................................................32

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................34

BIBLIOGRAFIA...........................................................................................................35
1. INTRODUÇÃO

Em 2014 o rebanho nacional chegou 212,3 milhões de cabeças, permitindo que o


Brasil mantivesse o segundo lugar no ranking mundial, atrás somente da Índia (PORTAL
BRASIL., 2015). FAO (2015), estima e que em 2020 a população mundial será de 9 bilhões.
O consumo de carne aumentará 25%, o consumo de leite aumentará 35%, o Brasil terá
capacidade de ser a maior potência agrícola mundial e produzir um terço do alimento
consumido no mundo.
O grande desafio na produção animal consiste em explorar o potencial genético
máximo do animal; mas para alcançar essa meta tem que procurar atender as necessidades de
manejo, nutrição, sanidade, ambiência e genética. Onde todos estes fatores são importantes
para a maximização da produtividade, mais por participar em torno de 70% do custo de
produção, a nutrição se torna crucial qualquer erro pode afetar a produção, aumentando ainda
mais os custos ou diminuído na produtividade animal.
Segundo Valadares Filho (2006), apud Ribeiro, et al., (2014), a proteína é um dos
nutrientes de maior importância dentro do sistema de produção. Por ser um dos nutrientes que
mais encarece à composição de uma dieta, a sua suplementação deve ser feita com
responsabilidade afim de que as necessidades sejam supridas para bom desempenho animal.
O excesso de proteína pode acarretar problemas ambientais por ocorrência do
aumento de excreção de nitrogênio. Segundo Van Soest (1994), a deficiência deste nutriente
essencial vai limitar o crescimento microbiano, reduzindo a digestibilidade da parede celular e
levando a baixo consumo que pode afetar negativamento o desempenho animal.
A proteína microbiana sintetizada no rúmen é a fonte majoritária de aminoácidos
absorvíveis no intestino delgado de vacas leiteiras (PEREIRA, 2003). Ela pode suprir 50% do
essencial de proteína metabolizável pelo bovino de corte e é responsavel por 13,05% do total
dos nutrientes digestíveis (CARVALHO , et al., 2003). A sua maximização é uma forma
barata e eficiente para suprir as necessidades de proteína de alta qualidade aos ruminantes,
desta forma mostra a importância desta na nutrição.
A quantificação da proteína microbiana sintetizada no rúmen como resultado da
fermentação microbiana, é de interesante para o nutricionista pois há evidências de que a
proteína microbiana pode ser influenciada pela dieta (SERRANO, 2011).

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O objetivo deste trabalho foi demonstrar quais as estratégias nutricionais que tem sido
usadas para influenciar/estimular a síntese de proteína microbiana, com a finalidade de
aumentar a produtividade seja de leite ou de carne.

2. MICRORGANISMOS RUMINAIS

O rúmen pode ser considerado um ecossistema microbiano diverso. Seu meio é


anaeróbico, com temperatura em torno de 39°a 42°C, com pH que varia entre 6,0 a 6,5, com
presença constante de substrato. No interior do rúmen habitam bactérias, protozoários e
fungos (KOZLOSKI, 2011).
As bactérias são os microrganismos mais abundantes no rúmen (10 10-11/ml). Os
protozoários são menos numerosos do que as bactérias (105- 6/ml), por causa de seu tamanho e
mobilidade ocupam uma porção significativa da biomassa microbiana total no rúmen. Ainda
são encontrados fungos anaeróbios restritos no rúmen representam 8% da biomassa
microbiana nos animais que recebem dieta rica em fibras, também que formam a microbiota
ruminal (NRC, 2001).
Segundo Oliveira, et al., (2007) p. 3 - 4, as bactérias podem ser classificadas como:
Bactérias fermentadoras de carboidratos estruturais consiste nas bactérias
que degradam a celulose e a hemicelulose dos vegetais, o seu crescimento é
mais lento e depende de amônia e ácido graxo de cadeia ramificada para que
a síntese de proteína ocorra. E em bactérias fermentadoras de carboidratos
não-estruturais degradam amido, dextrinas, frutosanas e açúcares o seu
crescimento é mais rápido e utilizam amônia, aminoácidos e peptídeos para
síntese de suas proteínas.
As bactérias proteolíticas são as responsáveis pela a degradação de proteínas. No
entanto, existem algumas espécies que utilizam os aminoácidos como o principal substrato
energético e tem atividade proteolítica mais intensa que as demais (KOZLOSKI, 2011).
Os protozoários são responsáveis pela a predação e competição de substrato com as
bactérias proteolíticas, como consequência ocorre a redução na síntese microbiana
(BERCHIELLI, et al., 2011).
Proporcionar um ambiente adequado para o crescimento e multiplicação dos
microrganismo é de extrema importância, qualquer alteração pode ser prejudicial aos mesmos,
afetando a síntese de proteína microbiana.

13
3. DEGRADAÇÃO RUMINAL DE PROTEÍNA

Proteínas podem ser definidas como:


Macromoléculas que estão presentes nas células que apresentam diversas
funções como componentes estruturais, enzimáticas, hormonais e
armazenamento de informações genéticas. As proteínas são compostas de
unidades formadoras, os aminoácidos, unidas por ligações peptídicas.
(BERCHIELLI, et al., 2011, p. )
Em comum com carboidratos e gorduras, as proteinas têm carbono, hidrogênio e
oxigênio, mas, também contêm nitrogênio e enxofre (MCDONALD, et al., 2010).
A proteína dietética refere a proteína bruta (PB) contida no alimento, a qual é definida
para alimentos como o teor de nitrogênio x 6,25. A definição baseia-se no pressuposto de que
o teor de nitrogênio médio de alimentos é em torno de 16 g por 100 g de proteína. O teor de
PB calculado inclui tanto a proteína verdadeira e quanto o nitrogênio não proteico (NRC,
2001).
Os aminoácidos são produzidas quando as proteínas são hidrolisadas por enzimas
(MCDONALD, et al., 2010), estes podem ser classificados como essenciais e não essenciais.
Os aminoácidos essenciais são aqueles que o organismo não consegue sintetizar ou se
sintetiza o faz em quantidades insuficientes ao animal para atender as suas exigências
nutricionais, onde necessita de uma suplementação destes. São eles: argina, histidina,
isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina (ALVES,
2004). Chalupa & Sniffen (1991), apud Alves, (2004), também consideram a tirosina e a
cisteína como aminoácidos essenciais para a produção de leite.
Já os aminoácidos não essenciais são aqueles que o organismo consegue sintetizar,
assim não necessitando sua suplementação. São eles: alanina, ácido aspártico, asparagina,
ácido glutâmico, glutamina, glicina, prolina e serina (BERCHIELLI, et al., 2011).
A digestão de proteína em ruminantes, pode ser dividida em duas frações: proteína
degradável no rúmen (PDR) e proteína não degradável no rúmen (PDNR) (BERCHIELLI, et
al., 2011).
A fração não degradável no rúmen passa pelo rúmen sem que ocorra a degradação,
ocorrendo absorção desta no intestino delgado. Esta será utilizada pelo animal nas mais
diversas funções vitais para a manutenção, crescimento, reprodução e lactação (NRC, 2001).
A fração degradável no rúmen, sofre hidrólise pela ação dos microrganismos e os
produtos desta quebra são utilizados pelos mesmos microrganismos para o seu crescimento,

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multiplicação e reprodução; passaram a ser utilizados pelos ruminantes quando estes
morrerem formam a proteína microbiana (BERCHIELLI, et al., 2011).
A degradação da proteína no rúmen é efetuada por sistema multienzimático
(KOZLOSKI, 2011), isto é, para que a degradação ocorra é necessário a ação de várias
enzimas, que são secretadas pelos os microrganismos (proteases, peptidases e deaminases);
esses microrganismos vão degradar a fração PDR o resultado desta quebra gera peptídeos,
aminoácidos e amônia (BERCHIELLI, et al., 2011).
O primeiro passo para que ocorra a degradação da proteína no rúmen é a adsorção
pelas bactérias, pois as enzimas proteolíticas são intimamente associadas à parede celular
destas (BERCHIELLI, et al., 2011). Inicialmente as proteínas são hidrolisadas em
oligopeptídeos, que por sua vez são quebrados pela ação das aminopeptidases liberando
dipeptídeos, e estes são hidrolisados pela dipeptidase liberando aminoácidos livres e pequenos
peptídeos (KOZLOSKI, 2011).
Os peptídeos e aminoácidos, que não foram metabolizados pelos microrganismos
ruminais, passam para o duodeno para serem absorvidos pelos ruminantes (BERCHIELLI, et
al., 2011).
Os aminoácidos livres, peptídeos e oligopeptídeos com até cinco resíduos são captados
pelas células bacterianas ruminais e transportadas para o interior das mesmas. (KOZLOSKI,
2011). Segundo o NRC, 2001 ocorre cinco eventos no interior das células bacterianas:

 A hidrólise imediata de peptídeos para aminoácidos livres no citoplasma;


 A utilização de aminoácidos livres para a síntese de proteína microbiana;
 Catabolismo de aminoácidos livres para amônia e esqueletos de carbono. Os
esqueletos de carbono são utilizados como fonte de energia e convertidos em ácidos
graxos voláteis (AVG) (KOZLOSKI, 2011).
 Utilização de amônia para ressíntese de aminoacidos;
 Difusão da amônia para fora da célula.

Na figura 1 está demonstrado todos os passos que ocorrem na degradação de proteínas


pelas bactérias ruminais.

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Figura 1: Esquema da degradação proteica pelas bactérias ruminais.

Fonte: Autor (2016)

Os protozoários também participam ativamente e significativamente na degradação da


proteína no rúmen (NRC, 2001). A ação dos protozoários é diferente das bactérias, eles
ingerem principalmente bactérias, fungos e partículas pequenas de alimento que são digeridos
no interior da sua célula (BERCHIELLI, et al., 2011). Proteínas ingeridas são degradadas no
interior da célula protozoária para produzir uma mistura de péptidos e aminoácidos livres;
onde estes são incorporados na proteína dos protozoários (NRC, 2001).
Outra diferença dos protozoários com as bactérias e que os protozoários não
conseguem sintetizar aminoácidos a partir de amônia (NRC, 2001). Por ter uma pequena taxa
de passagem esses microrganismos, contribui pouco com a proteína microbiana liberada para
o intestino (BERCHIELLI, et al., 2011).
A absorção de amônia é diretamente proporcional à sua concentração no rúmen
(KOZLOSKI, 2011). Quando a velocidade de degradação ruminal da proteína excede a
velocidade de utilização dos compostos nitrogenados para síntese de proteína microbiana; o
excesso de amônia produzida no rúmen (BERCHIELLI, et al., 2011), pode atravessar a

16
parede ruminal e ser convertida em uréia no fígado onde essa pode ser perdida via urina e uma
parte volta ao trato gastrointestinal via saliva ou via transepitelial (KOZLOSKI, 2011).
Na figura 2 está representado um diagrama da quantidade do fluxo de nitrogênio no
rúmen. Quando um composto nitrogenado é ingerido logo é degradado pelos microrganismos,
liberando aminoácidos, peptídeos e amônia. Em média cerca de 40 a 95% da proteína
microbiana pode ser de origem da incorporação de amônia e o restante da incorporação de
aminoácidos e peptídeos. A amônia, grande parte, vem da absorção de nitrogênio do epitélio
ruminal. O fluxo de nitrogênio no rúmen pode ser influenciado pela a dieta do animal
(KOZLOSKI, 2011).

Figura 2: Diagrama representado quantitativamente o fluxo típico do nitrogênio (g/dia) no rúmen de


ovinos consumindo alfafa.

Fonte: KOZLOSKI, 2011.

A uréia reciclada é rapidamente desaminada em amônia pela ação da urease e utilizada


como fonte de nitrogênio, pelos microrganismos. (CARVALHO , et al., 2003)
Em média 33% da uréia sintetizada no fígado é excretada na urina e 67% retorna via
saliva ou transepitelial para o trato digestivo. Do nitrogênio reciclado na forma de uréia, em
média 10% são excretados nas fezes, 40% são reabsorvidos como amônia e 50% são
utilizados na síntese de proteína ruminal. (KOZLOSKI, 2011). As taxas de reciclagem de
nitrogênio são demonstrado na figura 3:

17
Figura 3: Reciclagem de nitrogênio na forma de ureia no trato gastrintestinal dos ruminantes.

Fonte: KOZLOSKI, 2011.

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4. SÍNTESE E COMPOSIÇÃO DA PROTEÍNA MICROBIANA

A proteína microbiana consiste na proteína vinda das bactérias, protozoários e fungos


que passam do rúmen para o abomaso após morrerem. Essa proteína tem bom perfil de
aminoácidos essenciais e é de alta digestibilidade no duodeno em torno de 80% (PEREIRA,
2004).
O modelo de Cornell, assume que a massa microbiana que passa para o abomaso é
composta por 62,5% de PB, 12% de lipídeos e 4,4% de cinzas. A proteína microbiana é
composta por 60% de proteína verdadeira disponível, 25% de proteína da parede celular não
disponível e 15% de ácidos nucleicos (BERCHIELLI, et al., 2011).
Na tabela 1 observa se a superioridade da proteína microbiana em relação com as
principais formas proteicas que são utilizadas na formulação da dieta dos ruminantes:

TABELA 1: Escore quimico¹, Índice de AAE (AAEi²) e AAE mais limitantes³ de diferentes fontes de
proteína, quando comparado com a proteína do leite.

Me Il
Fonte de Proteína His Phe Leu Thr t Arg Val e Trp Lis AAEi AA limitantes
10
Farinha de sangue 0 100 93 86 45 33 70 10 76 91 60 Ile Arg Met
Farinha de peixe 77 69 58 68 100 59 59 47 71 80 68 Ile Leu Val
Farinha de penas 11 59 66 59 23 32 38 32 29 13 34 His Lis Met
Farinha de carne 67 65 46 59 49 76 51 36 39 58 53 Ile Trp Leu
Farinha de carne e osso 64 64 46 59 49 76 48 36 32 55 51 Trp Ile Leu
Farelo de glúten de milho -60 67 100 100 60 100 36 48 40 30 18 52 Lis Trp Arg
Farelo de alfafa 69 100 55 80 60 50 66 51 100 46 65 Lis Arg Ile
Resíduo de cervejaria 56 100 83 65 78 53 65 74 87 34 67 Lis Arg His
Resíduo de destilaria 74 84 72 63 81 42 53 38 45 24 54 Lis Ile Arg
Fonte: SANTOS
Farelo de soja et al. (1998) apud BERCHIELLI, 2011.
89 100 56 74 56 89 60 55 75 70 71 Ile Leu Met
Microrganismo 90 97 54 100 97 79 66 61 99 100 82 Leu Ile Val

Segundo Pina, et al., (2006), a composição de aminoácidos na proteína microbina se


equivale a proteína que é encontrada no leite e nos tecidos; têm maior concentração de lisina
e metionina, quanto comparado com alimentos de origem vegetal o que é benéfico, pois, após
que o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) restringiu o uso de dietas
contêndo ingredientes de origem animal como uma forma para combater encefalopatia

19
espongiforme bovina (EEB) popularmente conhecida como doença da vaca louca, a proteína
microbiana se tornou fonte que atende as exigências de aminoácidos para ruminantes. Onde
diversos fatores podem influenciar a composição da proteína microbiana, tais como o tipo de
microrganismo, a fase de crescimento e a disponibilidade de nutrientes (BERCHIELLI, et al.,
2011).
Os aminoácidos que ficam expostos no meio ruminal, são utilizados pelas bactérias
ruminais diretamente na síntese de proteína microbiana. (CARVALHO , et al., 2003).
A eficiência da síntese de proteína microbiana leva em consideração os nutrientes
digestíveis totais (NDT) consumidos, em média assume que 13 g de produção de proteína
microbiana para cada 100g de NDT (DIAS, et al., 2000). Por esse motivo o fornecimento de
13% de NDT como proteína degradável no rúmen é recomendavel (RIBEIRO, et al., 2014).
A energia para a síntese de proteína microbiana é originada principalmente dos
carboitrados e a proteína bruta, contida na dieta (CARVALHO, et al., 1997). Que são
fermentados em nitrogênio amoniacal, aminóacidos, esqueletos de carbono e energia na forma
de ATP que auxiliam nesta sintese (DÓREA, 2011).

20
5. DIGESTÃO E ABSORÇÃO INTESTINAL DE PROTEÍNAS

A digestão intestinal de proteínas em ruminantes é semelhante aos monogástricos


(KOZLOSKI, 2011). Os compostos nitrogenados que chegam no abomaso e intestino são
proteínas microbianas (entre 55 a 80% do nitrogênio total), a PNDR e proteína endógena
(BERCHIELLI, et al., 2011).
No abomaso tem a ação da pepsina, que passa a atuar devido o pH ácido do estômago
que age sobre o pepsinogênio e se prolonga até no duodeno, essa enzima age nas moléculas de
proteínas e geram peptídeos (BERCHIELLI, et al., 2011). O pâncreas secreta as formas
inativas da tripsina, quimiotripsina e elastase (KOZLOSKI, 2011). A ativação da tripsina
ocorre pela a ação da enzima enteroquinase no tripsinogênio que está presente na membrana
luminal dos enterócitos, onde a tripsina ativa as demais proenzimas posteriormente. O produto
final da atividade dessas enzimas são aminoácidos e oligopeptídeos (ARGENZIO, 1996).
Absorção dos oligopeptídeos e aminoácidos ocorre no intestino delgado, pelo sistema
de transporte ativo que depende de sódio ou prótons. Alguns aminoácidos podem apresentar o
sistema de transporte facilitado e difusão passiva para serem absorvidos. As taxas de absorção
são diferentes entre os aminoácidos, por exemplo, leucina, lisina e fenilalanina são mais altas,
já a glicina apresenta menor taxa de absorção entre os aminoácidos. (KOZLOSKI, 2011)

21
6. ALGUNS FATORES QUE AFETAM A SÍNTESE DE PROTEÍNA
MICROBIANA

6.1. Características da dieta

O tipo do ingrediente utilizado, o processamento deste, o tamanho de partícula tem


influência nos padrões de fermentação ruminal, produção de proteína microbiana e na taxa de
passagem (PASSINI, et al., 2004).
Os processamentos são utilizados afim de aumentar a área de superfície dos grãos,
reduzir a interação da matriz proteíca com grânulos de amido e/ou aumentar a solubilidade
dos grânulos de amido em água, dessa forma aumentar a disponibilidade do amido e proteína
no rúmen e no intestino delgado (BERCHIELLI, et al., 2011). Portanto estando mais
digestível no rúmen, o amido vai promover uma maior produção de ácidos graxos voláteis,
levando a aumento do crescimento microbiano com aumento da produção e passagem de
proteína microbiana para o intestino (SOUZA ; BOIN, 2001).
Segundo Souza ; Boin, (2001), os principais tipos de processamento do alimento são:
moagem, laminação, floculação a vapor e a ensilagem, na tabela 2 está descrito a
digestibilidade do amido nestes diferentes processamentos. A escolha de qual o
processamento a ser usado vai depender da tecnologia que o produtor tem em suas mãos.

TABELA 2: Efeito do processamento dos grãos de milho e sorgo sobre o local de digestão do amido
no trato digestivo dos ruminantes.

  % do amido na dieta
Método de Rúmen Trato dig. Total
processamento   Intestino  
Delgado Grosso
Milho
Inteiro 58,9 17 2,8 91,7
Moído grosso 68,9 12,9 8,2 87,6
Laminado 71,8 16,1 4,9 93,2
Moído fino 77,7 13,7 4,3 93,5
Ensilado 86 5,5 1 94,6
Floculado a vapor 82,8 15,6 1,3 97,8
Sorgo
Laminado 67,8 13,4 5,9 86,4
Ensilado 86,2 9,5 1,1 93,6

22
Analisando os dados da tabela 2, é possivel concluir que o de processamento ensilado
e floculado a vapor apresentam uma maior digestibilidade ruminal, consequentemente haverá
uma maior síntese de proteína microbiana por haver uma alta disponibilidade de energia
rapidamente fermentável no rúmen.
Segundo NRC (2001), a alta digestibilidade ruminal da ensilagem ocorre devido a
proteolíse ocorrida no silo pela a ação dos microrganismos que converte a proteína verdadeira
em nitrogênio não proteico. A baixa da digestibilidade do milho inteiro se explica pelo fato de
um menor contato dos microrganismos com o alimento (SANTOS, et al., 2002).
Dórea (2011), relata que a disponibilidade de PDR também pode influenciar na
eficiência da síntese, pois a deficiência desta fração pode diminui o consumo do alimento
pelos animais que afeta o desempenho produtivo. A PDR em quantidades adequadas vai
elevar os teores de nitrogênio amoniacal, que será usado pelos microrganismos do rúmen,
aumentando o fluxo de proteína microbiana para o duodeno, como mostra a tabela 3
(PROTEÍNA..., 2006).

Tabela 3:Efeito da degradabilidade da proteína do suplemento sobre a ingestão e fluxo de N para o


duodeno.
Item Controle PDR PNDR
Ingestão de N (g/KgPV) 0,209 0,382 0,37
Fluxo de N para duodeno
(g/KgPV/dia) 0,306 0,537 0,545
Fluxo de N bacteriano (g/KgPV/dia) 0,237 0,423 0,35
Fluxo de N não bacteriano
(g/KgPV/dia) 0,069 0,114 0,195
% N bacteriano (%N total) 78,7 79,1 64,3
Dietas formuladas para fornecer 0,10%PV de Proteína/dia. PDR= 82%PB, PNDR= 60% PB.
Fonte: adaptado Bohnert et al. (2002), apud, BeefPoint, (2006).

Os alimentos que são pouco degradados no rúmen aumentam a quantidade de proteína


que chega ao duodeno, mas diminuem a concentração de proteína microbiana sintetizada no
rúmen (MENDES, et al., 2006). As fontes de PDR mais comuns são de origem vegetal, como
os farelos de soja, girassol e algodão, além de subprodutos como, por exemplo, o farelo
proteinoso de milho (BEEFPOINT, 2006).
Segundo Hoover ; Stokes, (1991), apud, Clarindo, (2008); afim de maximizar a
produção e a eficiência da proteína, as dietas tem que conter entre 10-13% de PDR e 56% de
carboidratos não estruturais.

23
6.2. Relação Concentrado:Volumoso (V:C)

Para que haja síntese microbiana, os microrganismos ruminais dependem de


esqueletos de carbono, disponibilidade de energia e juntamente o fornecimento de amônia e
peptídeos (BERCHIELLI, et al., 2011).
Segundo Pereira, et al., (2005), p. 128:
A disponibilidade de carboidratos no rúmen é muito importante e tem grande
efeito sobre a utilização dos compostos nitrogenados; pois as bactérias
ruminais podem incorporar os aminoácidos e fermentá-los como fonte de
energia. Através da manipulação da relação volumoso:concentrado é
possível alterar os processos fermentativos e maximizar a eficiência de
síntese microbiana, bem como a eficiência de utilização dos nutrientes
dietéticos.
O crescimento microbiano depende da transferência de energia da fermentação de
carboidratos para o processo biossintético, por exemplo, de síntese de proteína microbiana. O
processo catabólico (fermentação de carboidratos) é completamente vinculado ao processo
anabólico (síntese microbiana) (PEREIRA, et al., 2005).
Dietas ricas em concentrado aumentam a produção microbiana, como demostra a
tabela 4, devido o maior teor de carboidratos não fibrosos (açucares, amido, e pectina) no
rúmen, resultando uma maior disponibilidade de energia para os microrganismos
(BERCHIELLI, et al., 2011).
Geralmente, quando carboidratos são limitantes, os aminoácidos dietéticos são usados
como fonte de energia, ocorrendo acúmulo de amônia. Portanto, a adição de carboidratos,
além de promover síntese de proteína microbiana, exerce um efeito poupador de aminoácidos
pois as bactérias mais presentes no rúmen são as amilolitícas e as celulolitícas (PEREIRA, et
al., 2005).
Dietas com alta proporção de volumoso, pode limitar o consumo pelo volume ocupado
e a capacidade anatômica do rúmen-retículo, restringindo a ingestão de energia e proteína,
fatores nutricionais que mais limitam o crescimento microbiano (CLARK et al., 1992 apud
SALCEDO, 2013).

24
TABELA 4: Médias de pH, nitrogênio amoniacal (N-NH3) e ácidos graxos de cadeia curta (AGCC)
no rúmen, síntese de proteína microbiana (Pmic) e eficiência de síntese de Pmic (EMPS), erro padrão
da media (EPM) e níveis descritivos de probabilidade (p-valor), em novilhos Nelores alimentados com
diferentes relações V:C na dieta.

Relação V:C (%)


  70:30 60:40 40:60 20:80
a a
pH 6,33 6,23 6,27a 6,00b
N-NH3, mg/dL 22,91b 21,08bc 18,38c 31,86a
Ácido Acético 67,47 68,29 64,56 64,99 As
b b
Ácido Propiônico 16,07 17,23 18,09b 23,59a
Ácido Butírico 9,93ab 11,03a 9,07b 11,75a
Relação A:P 4,26 4,16 3,82 3,61
Pmic (g/dia) 350,66 449,11 444,67b
c b
536,84a
EMPS (g de Pmic/100 g MODR) 10,89 11,39 12,78 13,6
A:P = acetato:napropionato,
mudanças relação V:CPmic
nas= dietas
síntesepodem
de proteína
afetarmicrobiana, EMPS= de
as características Eficiência de síntese
fermentação de
ruminal
Pmic, MODR = matéria orgânica degradada no rúmen.
tais (SALCEDO,
Fonte: como o pH, devido a rápida taxa de degradação dos carboidratos não fibrosos
2013).
principalmente o amido (BERCHIELLI, et al., 2011), e a produção de ácidos graxos de cadeia
curta, aumentado a produção de ácido prôpionico e lático, este último também afeta o pH, e a
diminuição da produção de ácido acético, em decorrência da inibição do crescimento de
bactérias celuliticas que são responsaveis pela a síntese desde ácido, como mostra a figura 4
(SALCEDO, 2013).

Figura 4: Relação entre as concentrações dos ácidos acéticos, propiônico e lático e pH


Ruminal.

Fonte: adaptado de KAUFMANN, et al., (1980), apud BERCHIELLI, et al., (2011).


Outro fator limitante na utilização de dietas com o alto teor de concentrado é o
aparecimento de quadros de doenças metabólicas como acidose, timpanismo e laminite que

25
pode trazer prejuízos econômicos ao produtor; estas ocorrem principalmente pela mudança
brusca de pH ruminal (CARVALHO et al.,1997). Outro problema é o declinio do teor de
gordura no leite devido a menor produção do ácido acético, sendo este o principal AGV
responsável pela a sintese de gordura no leite (JÚNIOR , 2016).

6.3. Fibra na sintese de proteína microbiana

Van Soest (1994), apresenta os ruminantes com um maior aproveitamento de energia


dos alimentos fibrosos que os demais herbívoros. Se define como fibra o componente
estrutural das plantas (parede celular) que é lentamente digestível e que ocupa espaço no trato
gastrintestinal, não é digerida por enzimas de mamíferos (WEISS, 1993).
Palucci (2010), afirma que a fibra é importante pois ela:

 Estimula a motilidade, que é importante por aumentar o contato do substrato com as


enzimas extracelulares dos microrganismos do rúmen;
 Auxilia na ruminação e na renovação de conteúdo ruminal, ajudando a aumentar a
taxa de passagem;
 Está relacionada com os processos mecânicos da digestão, como mastigação, o que
estimula a salivação;
 Favorece o crescimento das papilas da mucosa ruminal para favorecer absorção de
AGVs.

A fibra dietética é constituída pela parede celular dos vegetais, e está por sua vez é
composta pelos os polímeros: celulose, hemicelulose, lignina e proteína que favorecem a flora
microbiana (MACEDO JÚNIOR, et al., 2007).
A qualidade e a quantidade de forragens é o primeiro fator a ser analisado na
formulação de dietas para ruminantes. Já os componentes concentrados são usados para
complementar as contribuições nutricionais das forragens. Por esse motivo a escolha certa da
forrageira, a taxa de lotação, entrada e saída dos animais, o manejo correto quando adubação,
etc. devem ser feitas com responsabilidade (BIANCHINI, et al., 2007).
O aumento na proporção de forragem na dieta, vai favorecer a eficiência da síntese de
proteína microbiana uma vez que o ambiente ruminal estará mais favorável em pH e taxa de

26
passagem mais rápida, uma consequência na diminuição do teor de concentrado a produção é
reduzia (BERCHIELLI, et al., 2011).
O estímulo à mastigação de um ruminante é resultado da efetividade da porção fibrosa
do vegetal, a qual é representada pela fibra em detergente neutro (FDN), que é composta pela
celulose e da hemicelulose em associação com a lignina (SILVA ; NEUMANN, 2012).
A fração fibrosa (FDN), pode ser fracionada em FDN fisicamente efetiva (FDNef) e
FDN efetiva (FDNe) ( PALUCCI, 2010):

 FDNef: está relacionada às características físicas da fibra (principalmente com o


tamanho de partícula) a qual influencia na atividade de mastigação e na natureza do
conteúdo ruminal.
 FDNe: está relacionada a soma total da habilidade de um alimento para substituir a
forragem ou o volumoso em uma ração, de modo que a percentagem de gordura do
leite, produzida por vacas que consumam esta ração, seja eficientemente mantida.

A saliva tem um importante papel na regulação do pH, pois é rica em tampões como o
fosfato e bicarbonato. Dietas pobre em fibras, diminuirá a produção de saliva e
consequentemente o pH do rúmen se torna ácido, como mostra a figura 5 (BERCHIELLI, et
al., 2011).

Figura 5: FDNef vs. pH Ruminal.

Fonte: TEDSCHI, et al, (2004) apud PALUCCI, (2010).

A redução do pH no rúmen prejudica a síntese de proteína microbiana, segundo


STROBEL e RUSSELL (1986), apud, PINA, et al., (2006), em pH 5,7 a produção de proteína
27
microbiana teve uma diminuição de 50% quando comparado á um pH igual em 6,7. Segundo
os mesmos autores para cada decréscimo de 1% de FDN na matéria seca a síntese de proteína
decresce 2,5%.
Subprodutos que contêm alta quantidade e qualidade de fibra altamente fermentescível
no rúmen, como casca de soja e farelo de girassol, podem ser adicionados às dietas para
minimizar os efeitos negativos associados à alta quantidade de carboidratos não estruturais
(CNE) da dieta. Um balanço adequado de CNE e FDN na dieta pode otimizar a fermentação
ruminal e maximizar a produção de proteína microbiana (CAÑIZARES et al.,2009).

6.4. Teor de gordura na dieta

O uso do lipídeos na dieta de ruminantes tem sido uma estratégia para aumentar o teor
de energia na dieta, sem que ocorra distúrbios nutricionais que são causados pelo aumento do
concentrado (VAN SOEST,1994). Os lipídeos são hidrolisados pela ação das bactérias
ruminais lipolíticas (Anaerovibrio lipolytica) (KOZLOSKI, 2011), liberando glicerol e ácidos
graxos, onde estes, são fermentados e biohidrogenados repectivamente no rúmen (FREITAS ,
et al., 2008).
O processo de biohidrogenação, consiste em colocar os hidrogênios nas ligações
insaturadas (duplas ligações), tornando-as ligações saturadas (simples), isso ocorre para
diminuir os ácidos graxos insaturados que seriam mais tóxicos aos microrganismos
(MEDEIROS ; MARIANO, 2015).
O uso de um alto nivel de lipídeos na dieta, acima de 5% na MS, podem ser prejudicial
ao ruminante (KOZLOSKI, 2011). Segundo Freitas , et al., (2008), existem duas teorias que
explicam o efeito não desejado dos óleos no rúmen:

1. O lípidio exerce um impedimento físico sobre os microrganismos, uma vez que se


forma uma camada hidrofóbica na partícula do alimento, dificultando a aderência das
bactérias ruminais reduzindo assim a sua ação e a digestibilidade da fibra;
2. Os efeitos tóxicos que os ácidos graxos insaturados exercem diretamente aos
microrganismo, onde esses se incorporam na membrana das bactérias e, desta
forma, alteram sua permeabilidade e fluidicidade.

28
O uso de óleo na dieta pode proporcionar alguns efeitos desejáveis, como inibição da
produção de metano e amônia no rúmen e aumento na eficiência de síntese microbiana
(PAULA, et al., 2012).
O metano está diretamente relacionado com a eficiência de fermentação ruminal, pois
sua produção representa desperdício de carbono ou hidrogênio com consequente perda de
energia, resultando em menor desempenho animal (PAULA, et al., 2012) .
Freitas , et al., (2008) disseram que a redução na taxa de metanogênese ocorre devido
a menor disponibilidade de H+, por causa da biohidrogenação dos ácidos insaturados da dieta.
Outros fatores como a diminuição do consumo em função da maior densidade energética e a
redução da fermentação ruminal da matéria orgânica e da fibra da dieta também auxiliam na
diminuição do metano (PAULA, et al., 2012). A a redução da concentração de amônia no
rúmen está realcionado com a diminuição da desaminação dos aminoácidos (proteólise)
(MEDEIROS & MARIANO, 2015).
O aumento da eficiência na síntese de proteína microbiana, ocorre principalmente pela
redução do número de protozoários ciliados em dietas com óleos (FREITAS , et al., 2008).
Em experimento com novilhos Nelore, fistulados e canulados no rúmen, Valinote, et al.,
(2005), demostrou essa redução, realizaram quatro tratamentos: tratamento controle (CTRL);
tratamento com sal de cálcio de ácido graxo (SC); tratamento com caroço de algodão (CA);
tratamento com caroço de algodão sem monensina (CASM), como demostrado na tabela 5:

Tabela 5: Médias de pH e do número dos protozoários ciliados (x10 mL) do conteúdo ruminal de
novilhos Nelore recebendo diferentes fontes de gordura.

Tratamento
CRTL SC CA CASM
pH 6,33 6,32 6,41 6,5
Protozoários
Entodinium 52,81 49,71 6,01 9,22
Diplodinium 1,51 1,64 0 0
Epidinium 0,78 1,04 0 0
Isotricha 2,35 1,7 0,48 0,74
Dasytricha 2,92 5,8 0 0
Eudiplodinium 4,23 6,03 0,68 0,64
Ostracodinium 0,86 1,04 0 0
Total 65,65 66,78 7,18 10,6
Fonte: (Valinote, et al., 2005).

29
Eles observaram uma redução no número de protozoários ciliados no tratamento com
caroço de algodão quando comparado com os outros tratamentos. Essa diminuição ocorreu
pelo o motivo que mesmo que a liberação de gordura do caroço de algodão seja lenta, ela é
suficientemente tóxica aos mesmos por favorecer a salivação e mastigação. Não houve
diferença estatisticamente entre tratamento controle e o tratamento com sal de cálcio de ácido
graxo, o motivo que esse último não afeta os protozoários e que este passa pelo o rúmen
inerte, ocorrendo a liberação de gordura somente a partir do abomaso.
Com a redução ou eliminação dos protozoários ciliados no rúmen, pode levar a maior
eficiência de síntese de N de origem bacteriana e maior fluxo de N bacteriano ao duodeno
(VALINOTE, et al., 2005), isso ocorre devido ao decréscimo na competição por substratos
e/ou na predação por protozoários, uma vez que esse engolfa as bactérias proteolíticas
(PAULA, et al., 2012 ).

30
7. MÉTODOS UTILIZADOS PARA QUANTIFICAR A SÍNTESE DE PROTEÍNA
MICROBIANA

Em média 55% da proteína que chega no intestino delgado é de origem microbiana, a


sua quantificação é de extrema importância, pois essa proteína tem um papel fundamental na
nutrição de ruminantes (BERCHIELLI, et al., 2011).
Existem duas técnicas para estimar a contribuição das proteínas microbianas nos
ruminantes que utilizam marcadores microbianos, que podem ser internos ou externos
(SERRANO, 2011).

7.1. Marcadores internos

Os marcadores internos são constituintes das células microbianas e por isso não
precisam ser administrados aos animais. O método mais utilizado para estimar a síntese de
proteína microbiana é a partir da excreção urinária de derivados de purinas (SERRANO,
2011).

7.1.1. Derivados de Purinas

Serrano (2011), demonstra que as pesquisas ao longo dos anos apresentam a relação
entre produção de proteína microbiana e a excreção urinária de derivados de purinas
(alantoína, ácido úrico, xantina e hipoxantina), e estes derivados são constituintes dos ácidos
nucléicos presentes no RNA e DNA de todo os seres vivos. É um método simples e não
invasivo para estimar a produção de proteína microbiana. (SOARES, et al., 2005)
Em bovinos, ocorre a conversão da xantina e hipoxantina no sangue e tecidos, através
da enzima xantina oxidase, em ácido úrico por este motivo na urina de bovinos apenas
alantoína e ácido úrico estão presentes (SOARES, et al., 2005). A excreção de alantoína e
ácido úrico constitui cerca de 98% dos derivados urinários de purinas, (PINA, et al., 2006).
A técnica assume que todos os ácidos nucléicos de origem dietética são degradados no
rúmen e que, portanto, todos os ácidos nucléicos que deixam o rúmen são essencialmente de
origem microbiana (SERRANO, 2011). Para estimar os derivados de purinas requer a coleta
total da urina do animal e para diminuir erros essa coleta deve ser realizada pelo menos por
cinco dias em diferentes horas (OLIVEIRA, et al., 2001).
31
Segundo Chen ; Gomes (1992) apud, Rennó, et al., (2000), o primeiro passo para
estimar o fluxo de proteína microbiana para duodeno a partir da excreção de derivados de
purinas na urina, é conhecer a relação nitrogênio da purina: nitrogênio total dos micro-
organismos ruminais, esta relação é igual a 0,116, mais este parâmetro ainda não está
totalmente definido acha-se na literatura várias relações diferentes.

7.2. Marcadores Externos

Os marcadores externos devem ser administrados aos animais para que sejam
incorporados pelos microrganismos ruminais. Os principais são os minerais nitrogênio (15N) e
o enxofre (35S) (SERRANO, 2011). Este método torna necessário a utilização de animais
fistulados no abomaso ou intestino delgado (SOARES, et al., 2005) para melhorar avaliação
deste método.

15
7.2.1. N

O nitrogênio é parte integrante dos aminoácidos, os microrganismos ruminais utilizam


este mineral para síntese de proteína microbiana.
15
Segundo Pina, et al., (2006), o N é muito utilizado por apresentar baixo risco
ambiental, ser de baixo custo em relação a outros isótopos e por não ser encontrado
naturalmente na proteína dos alimentos, este método determina a síntese de proteína
microbiana in vivo.
Uma fonte enriquecida em 15N é fornecida aos animais, ou, colocada diretamente no
rúmen. As proteínas são sintetizadas com nitrogênio marcado, onde são coletadas as amostras
da digesta no duoedno e assim se determina a quantidade de proteína que passa para o restante
do sistema digestório através deste íon ativo (SERRANO, 2011).

35
7.2.2. S

O enxofre é um mineral muito importante tanto para o animal quando para os micro-
organismos. No rúmen desempenha a função de auxílio a assimilação do nitrogênio não
proteico, parte constituinte dos aminoácidos sulfurados e na síntese das vitaminas do
complexo B (JÚNIOR, et al., 2011).

32
Para realizar a quantificação da síntese de proteína microbiana com esse método, é
fornecido ao animal dosagem ou colocada diretamente no rúmen os sais de amônia
(Na235SO4), onde o enxofre é reduzido a sulfito 35S e logo é incorporado na proteína bacteriana
através da síntese de novos aminoácidos sulfurados (metionina e cistina) (SERRANO, 2011).
Apresenta baixo risco ao meio ambiente, mais apresenta ricos a saúde humana pois ocorre um
acúmulo deste mineral isótopo na carne e também é secretado no leite, onde os animais
devem ser descartados adequadamente (SOARES, et al., 2005).

33
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A proteína microbiana na nutrição de ruminantes é de muita importância para o


desempenho destes animais; ao otimizar a sua síntese, efeitos desejáveis, como a melhoria da
eficiência da proteína degradável no rúmen, menor perda de amônia e uréia e aumento do
fluxo de proteína metabolizável de excelente perfil de aminoácidos para o intestino, o que
afetara a produtividade, seja ela voltada para pecuária leiteira ou de corte.
Os microrganismos ruminais usam os carboidratos como fonte de energia e a as
proteínas como fonte de nitrogênio e é muito interessante a combinação da degradação destas
duas frações. Altos teores de açucares e amido na dieta, aumentam a produção de proteína
microbiana, mais podem trazer problemas para a produção, uma vez que o pH do rúmen se
torna ácido o que é prejudicial aos microrganismos, além das doenças metabólicas e a redução
do teor de gordura no leite.
Na formulação da dieta sempre deve se procurar o equilíbrio, para que todas as
exigências nutricionais do animal sejam atendidas, e desta forma para favorecer o síntese de
proteína sem que afete a produtividade do animal. Recomenda-se, portanto, o uso de
ingredientes que sejam mais digestíveis no rúmen, ter quantidade adequada de fibra, PDR,
CNE, e trabalhar com relação ideal de V:C e teor de gordura para uma ótima fermentação
ruminal.

34
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