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ANOTAÇÕES - FILOSOFIA

KANT-RAZÃO PURA
Anotações sobre o problema geral da razão pura:

“...o verdadeiro problema da razão pura está contido na seguinte pergunta: como são possíveis os
juízos sintéticos a priori?” (CRP, B19)

Sobre o que é um juízo “...designaremos, doravante, por juízos a priori, não aqueles que não dependem
desta ou daquela experiência, mas aqueles em que se verifica absoluta independência de toda e qualquer
experiência” (CRP, B3)

Definição de Juízo: “Um juízo é a representação da unidade da consciência de diversas representações,


ou a representação da relação das mesmas, na medida em que constituem um conceito”. (L, A156)

O juízo esse ‘poder’ do espírito de unir representações em novas representações, ou seja, o poder de
produzir conhecimentos mediante a cópula de outros conhecimentos. Estes ‘novos conhecimentos’
(estes juízos) podem ser produzidos sintética ou analiticamente. Voltemos ao texto:

No início da Estética Transcendental:

“Sejam quais forem o modo e os meios pelos quais um conhecimento se possa referir a objectos, é pela
intuição que se relaciona imediatamente com estes e é ela o fim para o qual tende, como meio, todo o
pensamento.”.

Na Lógica Transcendental: “O nosso conhecimento provém de duas fontes fundamentais do espírito,


das quais a primeira consiste em receber as representações (a receptividade das impressões) e a segunda
é a capacidade de conhecer um objeto mediante estas representações (espontaneidade dos conceitos)”
(CRP, B74).

Sobre a Diferença entre juízos Analíticos e Sintéticos: “Em todos os juízos, nos quais se pensa a relação
entre um sujeito e um predicado... esta relação é possível de dois modos. Ou o predicado B pertence ao
sujeito A como algo que está contido (implicitamente) nesse conceito A, ou B está totalmente fora do
conceito A, embora em ligação com ele. No primeiro caso chamo analítico ao juízo, no segundo,
sintético”. (CRP, A7)

O juízo sintético é, assim, uma cópula entre representações que não são pensadas como intrínsecas
uma a outra, deriváveis (uma da outra) pelo princípio da não-contradição. A cópula precisa ser legitimada
de outra forma.

Ela pode ser legitimada, por exemplo, através da experiência (“conhecimento mediante percepções
ligadas entre si – CRP, B161) ; dessa forma, a cópula pode ser efetuada por meio de uma intuição
empírica, produzindo assim um juízo sintético (como o são todos os juízos de experiência (CRP, B11) a
posteriori. Sobre a distinção entre a priori e a posteriori

O juízo a priori é aquele que é absolutamente independente de qualquer experiência. Os juízos


analíticos podem prescindir absolutamente da experiência, pois o predicado é extraído do sujeito
mediante o princípio da não-contradição (que, obviamente, jamais poderia ser extraído da experiência).
E, finalmente, chegamos ao nosso problema, que reformularemos assim:

Com que legitimidade pode uma ciência produzir representações não implícitas em outras
representações, sem recorrer à experiência, e mais, formulando algo que é absolutamente independente
dela e que, ainda assim, é legitimamente aplicado a toda e qualquer delas? Qual conceito ou intuição lhe
serve de base para produzir tal juízo (sintetizá-lo), sendo que este conceito ou intuição deve
necessariamente ter um caráter a priori, pois, caso contrário, tornaria o juízo a posteriori como qualquer
outro juízo de experiência.

“Necessidade e rigorosa universalidade são pois os sinais seguros de um conhecimento a priori e são
inseparáveis uma da outra” (CRP, B4)

“...se um juízo é pensado com rigorosa universalidade, quer dizer, de tal modo que nenhuma excepção se
admite como possível, não é derivado da experiência, mas é absolutamente válido a priori” (CRP, B4)

É evidente que a experiência jamais poderá nos ensinar algo de universal, já que é impossível ter uma
experiência capaz de nos ensinar que não há exceção para uma determinada regra – porque a
experiência nos fornece um particular; da mesma forma, e no mínimo por algumas das mesmas razões, é
impossível que ela nos ensine algo de necessário – algo que não pode ser de outra forma, porque ela
apenas nos fornece contingência.

Bibliografia CRP: KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2008.

Traduzido do alemão por Alexandre Fradique Morujão e Manuela Pinto dos Santos. L : KANT, Immanuel.
Lógica. Tempo Brasileiro, RJ, 2003. Texto de Gottlob Benjamin Jäsche traduzido do alemão por Guido
Antônio de Almeida.

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