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CENTRO DE ENSINO UNIFICADO DE TERESINA – CEUT

FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E JURÍDICAS DE TERESINA

ALEXANDRE RABÊLO NETO

ANÁLISE DA VIABILIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO PLANEJAMENTO


ESTRATÉGICO COMO FORMA DE OBTER RESULTADOS: Um Estudo de caso
do “Conjunto Roque Moreira”

Teresina
2008
ALEXANDRE RABÊLO NETO

ANÁLISE DA VIABILIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO PLANEJAMENTO


ESTRATÉGICO COMO FORMA DE OBTER RESULTADOS: Um Estudo de caso
do “Conjunto Roque Moreira”

Monografia apresentada Centro de Ensino Superior


Unificado de Teresina – CEUT como requisito parcial para
a obtenção do título de especialista em Gestão
Estratégica de Pessoas, realizada sob a orientação da
Pro. Ms, Maria Auxiliadora Pereira da Cruz.
Teresina
2008

Dedico à minha avó


Maria Salomé Silva
Rabêlo, com muito
amor.

AGRADECIMENTOS

À minha esposa Samara Eugênia pelo estímulo, e o amor a mim dedicado.

À minha orientadora Maria Auxiliadora Pereira da Cruz, pela paciência e pelo tempo
dedicado.

Ao CEUT pela possibilidade de adquirir conhecimentos e fazer este importante


trabalho.

Aos Componentes da Banda Roque Moreira pelo entusiasmo e dedicação ao


Trabalho proposto.

Ao amigo Hortêncio (Kasbafy) pela ajuda inestimável através do seu conhecimento


sobre a cena musical alternativa de Teresina, e por ceder seu estúdio de ensaio
para o trabalho em questão.

Finalizando agradeço a Deus por me dispensar a paz e a saúde necessária para não
desistir dessa pesquisa tão importante para mim.
“Longe se vai sonhando
demais, mas onde se chega
assim? Vou descobrir o que
me faz sentir eu caçador de
mim”
(Milton Nascimento)
RESUMO

Esse estudo foi realizado com o “Conjunto Roque Moreira”, que atua no
mercado musical de Teresina. A ausência de um planejamento Estratégico nos sete
anos de existência desta banda motivou o presente estudo, que tem o objetivo de
analisar fatores externos e internos que venham a facilitar ou dificultar a implantação
desse planejamento Estratégico. Na realização deste estudo utilizou-se a
metodologia de Planejamento Estratégico Participativo - PEP, desenvolvido por
Souto-Maior (1994), como um meio eficaz e eficiente de se obter resultados para
essa organização. A pesquisa em questão caracteriza-se como um estudo de caso,
de natureza exploratória e descritiva, utilizando uma abordagem de pesquisa-ação.
No desenvolvimento do estudo, inicialmente, foi feito uma pesquisa histórica sobre a
música independente no país e no Estado do Piauí, e, também, uma revisão da
literatura sobre os conceitos de Estratégia, Planejamento e Planejamento
Estratégico Participativo. Na segunda parte do Estudo foram enumeradas e
comentadas a aplicação de cada uma das etapas do PEP, nesse estudo de caso.
Conclui-se que a Banda Roque Moreira necessita adotar um planejamento que
estabeleça estratégias, de forma a possibilitar a manutenção da Banda no mercado
musical de Teresina e do país, com produtos e serviços inovadores e de qualidade,
através da otimização de seus recursos financeiros, materiais e humanos.

Palavras-chave: Estratégia. Planejamento. Planejamento participativo.


ABSTRACT

This study was carried through with the “Roque Moreira Band”, which is in
the music market of Teresina. The absence of a strategical planning in the
seven years of existence of this band motivated the present study, it has the
objective to identify and to analyze external and internal factors that may
facilitate or make it difficult the implantation of this strategical planning. In the
accomplishment of this study the Strategical Planning Participative - PEP,
developed by Souto-Maior was used (1994), as an effective and efficient
way of getting results for this organization. The research in question is
characterized as a case study, of exploratory and descriptive nature, using
an research-action approach. In the development of the study, initially, a
historical research on independent music nationwide and in the state of the
Piauí was made, and, also, a revision of literature on the concepts of
Strategy, Planning and Strategical Planning Participative. In the second part
of the Study it has been enumerated and commented the application of each
one of the stages of the PEP, in this study case. The main conclusion, is that
the Band Roque Moreira needs to adopt a planning that establish strategies,
in a way to make it possible the maintenance of the Band in the music
market of Teresina and nationwide, with innovative products and quality
services through the optimization of its financial, material and human
resources.

Keywords: Strategy. Planning. Participative Planning.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................10
1.1 Importância do Estudo.........................................................................................11
1.2 Objetivos do Estudo.............................................................................................12
CAPÍTULO II - A Música Independente no Brasil......................................................13
2.1 A Música Independente no Piauí........................................................................16
2.2 Estratégia.............................................................................................................19
2.3 Planejamento.......................................................................................................20
2.4 Planejamento Estratégico....................................................................................21
2.5 Planejamento Estratégico Participativo...............................................................22
3 METODOLOGIA.....................................................................................................25
3.1 Formulação do Problema.....................................................................................25
3.2 Limitações da Pesquisa.......................................................................................26
3.3 Etapas da Pesquisa.............................................................................................26
3.4 Contexto e Participantes......................................................................................27
3.5 Instrumentos de Coleta de Dados.......................................................................27
3.6 Análise dos Dados...............................................................................................28
3.7 Validação da Pesquisa........................................................................................28
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DO RESULTADO.........................................................29
4.1 Fase de Preparação............................................................................................29
4.2 Fase de Resgate da História da Organização.....................................................31
4.3 Fase da Formulação da Missão, Visão e dos Valores .......................................32
4.4 Fase de Análise do Ambiente Externo................................................................32
4.5 Fase de Análise do Ambiente Interno.................................................................39
4.6 Fase da Formulação das Questões Estratégicas................................................46
4.7 Propostas Estratégicas........................................................................................47
4.7.1 Obstáculos Encontrados...................................................................................54
CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................60
REFERÊNCIAS.........................................................................................................66
ANEXOS....................................................................................................................68
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INTRODUÇÃO

Esse estudo tem a finalidade de analisar, numa perspectiva mercadológica,


a relação do “Conjunto Roque Moreira” e os novos mercados musicais existentes na
cidade de Teresina, no Estado do Piauí, no ano de 2008.
O surgimento da internet parece ter modificado a cultura de consumo
cultural e musical no mundo, e mais especificamente em Teresina. O consumidor de
músicas e shows culturais teve acesso, de uma forma mais rápida, às novas bandas
e seus produtos (cd’s, dvd’s e shows) através de Donwloads ( Arquivos com mídia
de áudio) disponibilizados nos sites da Web. Como conseqüência desse cenário
mais competitivo, as bandas estão sentindo a necessidade de desenvolver
estratégias de comunicação e comercialização de seus produtos e serviços com o
público consumidor, que sejam mais eficazes, já que a todo dia surgem uma gama
de novas bandas no mercado, que por sua vez, parece ter múltiplas e novas
demandas, pela rapidez da informação.
O planejamento estratégico para o “Conjunto Roque Moreira” é um
documento que objetiva o desenvolvimento das atividades propostas pela banda
com o fito de utilizar os recursos disponíveis de uma forma eficaz e eficiente,
focalizando e assegurando que seus membros estejam trabalhando em prol dos
mesmos objetivos, avaliando e adequando sua resposta a um esforço comum.
O “Conjunto Roque Moreira” é uma banda que atua na área de música
alternativa em Teresina desde o ano de 2001. Além da capital, já fez shows em
diversas cidades do Piauí. Já se apresentaram, também, em outras cidades do
país, com críticas favoráveis, o que denota uma grande possibilidade de crescimento
no mercado musical do Brasil. É constituída de cinco integrantes em forma de
sociedade civil.
Hodiernamente a cultura tem sido vista como um investimento estratégico,
garantia de desenvolvimento de uma sociedade, e conquista plena da cidadania. A
música como parte desse contexto tem um papel importante em todos esses
aspectos, e também, no reconhecimento de identidade cultural de uma sociedade.
Essa organização tem desempenhado ao longo dos anos suas atividades
musicais de uma forma obstinada e independente. Como resultado desse trabalho,
lançou em 2005 o CD “Sintonia da mata” - trabalho autoral com quatorze músicas -
11

através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, “Lei A. Tito Filho”, que teve como
parceira a instituição bancária “Caixa Econômica Federal”. Em 2007 participou da
“Mostra Cumbuca Cultural”, um evento onde as quatro mais representativas bandas
de música alternativa de Teresina produziram um DVD para divulgar seus trabalhos
autorais (Músicas e Show ao vivo). No início de 2008, lançou no mercado o cd “ao
vivo” da apresentação feita na “Mostra Cumbuca Cultural”.
O planejamento estratégico que esse estudo propõe como forma de
aumentar a penetração no mercado musical do “Conjunto Roque Moreira” constitui
uma abordagem estruturada e sistêmica, que incorpora visões, conceitos e métodos
de preparações de ações futuras. Desse modo, Planejar tem sido um conjunto de
princípios e normas para alavancar harmoniosamente o processo de planejamento
da situação futura desejada pela organização como um todo, permitindo focalizar
uma direção a ser seguida, visando maior grau de interação da organização com
seus ambientes internos e externos.
O mercado musical exige uma constante profissionalização e o
desenvolvimento musical das bandas, já que se caracteriza pela volatilidade. Assim
sendo, esse estudo terá uma importância teórica e prática. Teórica porque ao
analisar a implantação da metodologia PEP (Souto- Maior 1994) nessa organização,
os resultados possibilitarão uma nova abordagem na direção que as bandas
independentes poderão tomar, já que a literatura existente é insuficiente na
abordagem de planejamento estratégico para a área cultural e, principalmente para
o mercado de música independente no país.
Este Estudo, que definirá um planejamento estratégico para o “Conjunto
Roque Moreira”, será conduzido de uma forma participativa, constituindo-se em
alternativa de superação dos modelos tradicionais de gestão, possibilitando a
melhoria do desempenho da banda, através do esforço coletivo e do aumento da
auto-estima dos componentes.
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1.1 A Importância do Estudo

Do ponto de vista prático esse estudo se justifica pela necessidade do


surgimento de novos mercados para as bandas independentes, através da
identificação dos pontos fortes e fracos da banda objeto de estudo, e das ameaças e
oportunidades existentes no mercado musical atual, com o intuito de obter
resultados de uma forma significativa.
No contexto cultural local, seria de suma importância que uma banda
independente despontasse no cenário cultural e musical do país. Isso, com certeza,
elevaria a auto-estima do povo teresinense, e em longo prazo, voltaria o olhar de
produtores nacionais para a cena musical local, o que possibilitaria um crescimento
cultural do Estado, incrementando assim, outras áreas sociais e econômicas do
Piauí. Citemos como exemplo, o Turismo Cultural, como tem acontecido em outras
capitais do nordeste, como Salvador e o “Festival de Verão”, Ceará com o “Ceará
Music”, e Recife com o “Rec Beat” e o “Abril pro Rock”.
Outro ponto a ser citado é a forma com que o empresariado local passaria a
ver as bandas independentes. Haveria uma mudança de paradigma, já que a maior
parte do empresariado de Teresina não vê o incentivo cultural como uma forma de
investimento, ou mesmo de responsabilidade social, visam somente o lucro (o que
nos remete à escola racionalista).
A maioria das bandas independentes do Piauí atua de uma forma incipiente
e sem visão de mercado. Nesse meio em que as tecnologias mudam de uma forma
imprevisível e constante, não conseguem sobreviver por muito tempo e acabam por
se desintegrarem, perdendo oportunidades de crescimento e, conseqüentemente, de
sustentabilidade do seu negócio.

1.2. Objetivos do Estudo

Analisar a viabilidade da implantação de um planejamento Estratégico


Participativo PEP (Souto- Maior 1994) para a banda “Roque Moreira” como forma de
obter melhores resultados no mercado musical do Estado do Piauí e no Brasil.
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Elaborar uma proposta de Planejamento Estratégico Participativo que


possibilite à banda “Roque Moreira” uma maior penetração no mercado musical de
Teresina e no Brasil.
Propor a implantação de um Planejamento Estratégico Participativo para a
banda “Roque Moreira” utilizando a metodologia PEP.

CAPÍTULO II

A MÚSICA INDEPENDENTE NO BRASIL

No mercado musical artista independente é aquele que não tem ligação


alguma com as grandes gravadoras – EMI, Sony, Warner e Universal. É aquele que
financiou, sozinho, o valor da produção do seu produto (Cd ou DVD), ou seja, as
horas de estúdio, arte gráfica, prensagem do cd. Assim sendo, excluímos desse rol
de artistas e bandas como Pato Fu, Gilberto Gil, Skank, Natirus, que apesar de ter
no seu trabalho características independentes, contam com acordos firmados com
as multinacionais (Warner, Sony,Bmg, EMI) para a distribuição do seu produto.
Podemos dizer que “Feito em Casa”, de Antônio Adolfo (1977) é o primeiro
disco independente lançado no Brasil. Antônio Adolfo ficou conhecido com a canção
vencedora do V Festival Internacional da Canção “BR 3” interpretada por Tony
Tornado (1971).
Nos anos setenta e começo dos anos oitenta a produção de música
independente no país foi quase nenhuma. A causa principal desse fato é que as
gravadoras não pagavam imposto (ICM), desde que mantivessem contratos com
artistas brasileiros. Artistas e Gravadoras lançavam seus discos sem a devida
preocupação com a quantidade de discos vendidos porque as vendas dos discos
das bandas internacionais bancavam o custo de produção dos discos das bandas
nacionais.
Nos anos oitenta o marco da música independente foi o disco “Clara
Crocodilo”, de Arrigo Barnabé. Considerado uma sinfonia, o trabalho teve a
influência da semiótica de Humberto Eco, da dodecafonia que é caracterizada pela
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construção de séries de doze sons com o retardo do som já escutado pelo maior
tempo possível fugindo-se da repetição, dificultando assim, a memorização. Esse
disco serviu como fonte inspiradora da Vanguarda Paulistana. Como exemplo
podemos citar Itamar Assumpção, “Língua de Trapo”, “Premeditando o Breque”, que
através do Teatro e do selo “Lira Paulistana”, conseguiram uma independência em
relação às grandes gravadoras nacionais. O “Lira Paulistana” consolidou-se, na sua
breve existência, como alternativa para a distribuição dos discos dos artistas
experimentais e alternativos de São Paulo. Vários artistas desse movimento
assinaram, depois do “Lira Paulistana”, contratos com as grandes gravadoras.
Ocorre que as gravadoras não sabiam como trabalhar com essa vertente da música
de vanguarda brasileira, encontrando uma enorme dificuldade em divulgar e
distribuir os discos desses artistas que não tinham um padrão definido, já que
misturavam vários estilos musicais em um só trabalho.
O começo de uma nova etapa da música independente no país acontece no
início dos anos oitenta com o selo musical “Baratos e afins”, de São Paulo, com o
lançamento do disco solo de Arnaldo Baptista dos “Mutantes”. Através do selo
“Barato e afins” as bandas de rock nacionais distribuíram no mercado uma enorme
quantidade de produtos. Este selo tornou-se o principal distribuidor de música
independente do país na década de oitenta.
Durante os anos oitenta a indústria cultural passou por enormes mudanças,
causadas pela procura de algo inusitado e desconhecido. Esse viés do
comportamento adolescente da época pode ser bem delineado no movimento punk.
Ricardo Alexandre ilustra esse momento com enorme propriedade, dessa forma: “se
ninguém fala da sua banda predileta, fale você... Se ninguém faz a música que você
quer ouvir, faça você” (ALEXANDRE, 2002, p. 50). O movimento punk foi o primeiro
sinal de que as mudanças começavam a ocorrer. Saíram do cenário musical os
arranjos mais rebuscados e entraram em cena o som distorcido das guitarras
guiannini e das musicas feitas somente, como se diz, por três acordes.
Entretanto, a pequena vendagem desses discos, fez com que a indústria
musical no Brasil se retraísse. Naquele momento, passaram a preferir e esperar que
novos artistas conseguissem um determinado público antes de pensar em contratá-
los.
O movimento punk Paulista repercutiu com uma maior intensidade em
decorrência do documentário “Garotos do subúrbio”, que retratava o perfil dos
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freqüentadores da loja “Punk rock discos” onde se concentravam todos os


formadores de opinião do movimento daquela época. Podemos citar como exemplo
as bandas “Cólera”, “Olho seco” e os “Inocentes” do vocalista Clemente. Dessa
reunião de Bandas foi lançado o disco “Grito Suburbano” no começo de 1982.
Nesse mesmo período, na cidade do Rio de Janeiro, nasce a rádio
“Fluminense FM”, considerada a primeira rádio rock do país. Essa rádio tinha como
característica a divulgação de fitas demos de bandas iniciantes na sua programação.
Desse novo conceito de rádio saíram do anonimato várias bandas, entre elas,
“Paralamas do Sucesso”, “Kid Abelha”, “Lobão e os Ronaldos”, Léo Jaime e “João
Penca e os Miquinhos Amestrados”.
Na mesma época, nasceu a “Blitz” com Evandro Mesquita e Fernanda
Abreu, que se tornou a banda de maior vendagem da época, com mais de cem mil
cópias de discos vendidas.
Em São Paulo, seguindo o mesmo formato da “Fluminense FM”, surgiu a
“89 FM” na mesma época do “Rock in Rio”. O diferencial da “89 FM” foi o espaço
que ela deu às novas bandas que haviam lançado discos no ano de 1984. Surgem,
então, nesse novo cenário, as bandas Titãs, “Ultraje a Rigor”, “Paralamas do
Sucesso” (Os passos do Lui), Lulu Santos (Tudo Azul) e o “Barão Vermelho” (Maior
Abandonado).
Nesse mesmo período é lançado o primeiro disco da banda “Legião
Urbana”, que diferentemente dos Punks Paulistas, eram das classes médias e altas
de Brasília.
Se os anos oitenta têm como característica a enorme quantidade de
trabalhos independentes lançados no Mercado, os anos noventa se caracterizam
pela diversidade de estilos musicais e formas novas de penetração das bandas no
novo mercado musical que se apresentava, já que houve um grande avanço
tecnológico nos estúdios de gravação, proporcionando custos menores para a
produção da nova mídia que era o cd. Como exemplo dessa diversidade temos a
Banda de heavy metal “Sepultura” com o seu álbum “Roots” e “Chico Science e
Nacão Zumbi” com o “Mangue Beat”. No entanto, as gravadoras só passaram a
contratar artistas depois que eles conseguissem seu público no mercado
independente, daí surgiram bandas como “Skank”, “Cidade Negra”, “Jota Quest”,
“Pato Fu”, “Os Mamonas Assasinas”, “Raimundos”, “Natirus” (Nativus), entre outras.
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Com o advento do Cd e do avanço dos Softwares dos computadores


pessoais, a partir do início dos anos 2000 ficou absurdamente fácil a produção de
Cd’s, já que não era necessário pagar grandes quantias de dinheiro em horas de
Estúdio de gravação. A partir desse momento ficou possível para as bandas
independentes produzirem Cd’s - a um custo relativamente baixo - para venderem
nos Shows e para a distribuição à imprensa, facilitando a divulgação do seu produto.
Com a chegada e massificação da internet essa divulgação fica cada vez
mais fácil. O ouvinte pode escolher o que quer ouvir em qualquer lugar do mundo,
através dos sites das bandas que disponibilizam suas músicas para downloads
(pagos ou gratuitos). Esse tipo de divulgação passou a ser a preferida pelas bandas
independentes, já que é uma forma barata e de grande resultado.
A ausência do controle das gravadoras em relação aos produtos
independentes é uma característica marcante desse século. A internet é a grande
responsável por essa independência. Através desse canal de comunicação com os
diversos públicos consumidores de música, as bandas disponibilizam seus cd’s e
outros produtos (camisetas, dvd’s, vídeos e shows) sem a interferência das grandes
multinacionais da indústria musical, dando a esse consumidor a oportunidade de
adquirir produtos originais e diversificados, sem a alienação da mídia paga pelas
gravadoras (jabá) quando lançam seus produtos.
Outro fato que merece menção é que as gravadoras perderam o poder de
investimento por causa da pirataria. Isso, de certa forma, inviabiliza a existência
delas.

2.1 A Música independente no Piauí

Traçando um paralelo entre a música independente no Brasil e no Estado do


Piauí, podemos dizer que no nosso Estado o inicio se deu na década de oitenta,
através das influências que os músicos iniciantes recebiam da mídia televisiva e
escrita do país.
O “Caminhão da Cultura”, um projeto desenvolvido pelo governo do Estado
do Piauí, onde bandas iniciantes faziam seus shows pelos bairros de Teresina, pode
ser visto como o começo do movimento de música independente no Estado. A partir
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dali as bandas, principalmente as de rock, começaram a produzir material


fonográfico. O primeiro de que se tem notícia é o da banda “Vênus”, informação
recebida do produtor cultural “Kasbaf”, profundo conhecedor da “cena independente”
de Teresina. Daí foi lançado o primeiro disco de rock do Estado, o “Independência
ou Rock”, entre as bandas participantes uma chama atenção pelo nome inusitado –
“Citoplasma e suas Mitocôndrias Malucas”.
Outra vertente a ser citada como parte inicial do desenvolvimento da música
independente no Estado, é a nascida dos Festivais Universitários de Música. Destes
festivais surgiram vários nomes – vários deles ainda hoje em atividade - da música
do Estado, como por exemplo Edvaldo Nascimento, Geraldo Brito, Grupo Candeia
(Ensaio Vocal), “Grupo Varanda”, “Haja Sax” e Márcio Menezes, que atua na área
de música instrumental.
Entretanto, o espaço onde a música independente do Estado cresceu e
começou a marcar seu território, foi nos Shows promovidos pelo DCE (Diretório
Central dos Estudantes) da UFPI (Universidade Federal do Piauí), e principalmente,
os shows realizados por ocasião do Salão de Humor do Piauí, que tiveram seu auge
na década de noventa, donde saíram bandas importantes no cenário musical
alternativo daquele momento. Entre elas: “Wagark”, “M16”, “Noigandres”, “Espinha
de Peixe”, “Megahertz”, “Avalon”, “Vênus”, “Cidade Ur”, e “Asseclas”.
Desse momento em diante, as bandas começam a produzir materiais
fonográficos autorais, totalmente independentes – nisto foi pioneiro o estúdio
“Scandinnavium” de propriedade de Per Arns Johansson (Pépe) - sem nenhuma
ajuda do poder público. Tampouco tinham a ajuda das rádios, que se negavam a
abrir espaço para a música piauiense em suas programações. A desculpa era que o
material produzido pelas bandas era de péssima qualidade, o que poderia até ser
verdade, devido às limitações técnicas dos estúdios da época, mas, que não
justificava a negativa, já que naquele momento a direção tomada pelas rádios
nacionais era a contrária, principalmente no segmento de rock.
A primeira música de banda piauiense que tocou em uma rádio local, a “FM
Cidade Verde”,pela ousadia do seu diretor César Filho, foi “Segunda-Feira”, da
banda “Noigandres”. Esta foi a única rádio que, apesar dos problemas técnicos das
demos das bandas, teve a coragem de acreditar no momento inicial da música
independente do Piauí. A partir daí as demais bandas passaram a enviar material
para a “FM Cidade Verde”, que continuou a tocar as músicas, infelizmente, por
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pouco tempo apenas, já que as rádios locais passaram a segmentar suas


programações por estilos musicais. Umas tocavam apenas forró, outras música
sertaneja, e a maioria “impregnou os ouvidos” dos teresinenses com música Baiana,
a chamada Axémusic.
No entanto, naquele momento, a resistência das bandas locais contra o
sistema de divulgação das rádios, que tocavam só o que era ditado pelas grandes
gravadoras, tomou corpo e solidez. A saída foi a produção conjunta de eventos
dessas bandas, que atingiu seu ápice com o “Setembro Rock”, o maior evento
produzido por bandas locais de música independente de que se tem notícia no
Estado do Piauí.
Na passagem da década de noventa para a década atual, o mercado
independente de música do Estado recebeu um novo estímulo para continuar
crescendo. O surgimento da banda “Narguilé Hidromecânico”, com uma mistura de
vários estilos musicais (Rock, Forró, Reggae, etc.) e a utilização de “samplers”,
influenciada pelo movimento Mangue Beat, pode ser citada como uma das
precursoras daquele momento.
Depois do Narguilé, várias bandas começaram a apostar nessa mistura
rítmica como forma de diversificar sua música, o que deu à música local uma
diversidade ímpar e de ótima qualidade, engrandecendo, assim, a produção de
música independente.
Junto com o Narguilé podemos citar as bandas “Mano Crispin”, “Eitapiula”,
“Lado2stéreo”, Teófilo Lima, “Os Caipora”, “Flagrante” (movimento hip hop) e mais
recentemente, “Acesso”, “Karranka”, ”FullReggae”, “Batuque Elétrico”, “Captamata”,
“Validuaté” e o “Conjunto Roque Moreira”, sendo as duas últimas bandas acima
citadas, as que atingiram um público maior e mais diversificado.
Atualmente, temos em nosso Estado poucas leis de incentivo cultural para
fomentar a música independente local. Como exceção podemos citar, com mérito e
louvor, na pessoa do professor José Reis, a Fundação Cultural Monsenhor Chaves,
instituição mantida pela prefeitura de Teresina, que aposta na música piauiense,
promovendo eventos importantes como o Festival de Música “Chapada do Corisco”
e o evento de música pop “Teresina é Pop”; e a “FM cultura”, que sempre divulgou a
música produzida pelos artistas locais, de forma imparcial e democrática.
A qualidade dos cd’s produzidos pelas bandas piauienses fez com que a
resistência e o preconceito das rádios por suas música diminuísse. Embora muito já
19

tenha sido feito, existe, ainda, um longo caminho a ser percorrido para que as
bandas possam sobreviver da sua arte, já que por falta de incentivo do Governo
Estadual, o piauiense tem internalizado no seu inconsciente a máxima de “o que é
bom é o que vem de fora”. Isto se dá justamente pela falta de visão dos
governantes, ao longo do tempo, que vêem na cultura um “cabide de empregos”,
não se importando com a divulgação da música produzida no Piauí como uma forma
de afirmação da auto-estima do piauiense.

2.2 Estratégia

De acordo com Andrews (Apud, Mintzberg e Quinn,1992), estratégia é um


padrão de decisões para determinar objetivos ou metas, produzir as principais
políticas e planos para atingir as metas propostas e definir a série de negócios que a
empresa vai perseguir, o tipo de organização econômica e humana que ela pretende
ser, e a natureza da contribuição econômica que ela pretende produzir para seus
acionistas, funcionários, clientes e comunidades.
Segundo Ansoff e McDonnel (1993), estratégia é um conjunto de regras de
tomada de decisão para orientação de uma organização: são regras pelas quais o
desempenho organizacional é medido; regras surgidas da relação organização e
meio ambiente (estratégia empresarial); regras surgidas no estabelecimento das
relações e dos processos internos e externos (estratégia organizacional); regras
organizacionais que conduzem as atividades do dia-a-dia (estratégia operacional).
Neste sentido uma estratégia de negócios tem diversas características, ou
seja, não resulta em qualquer ação imediata, deve ser usada para gerar projetos
estratégicos através de um processo de busca; não se faz necessária quando a
dinâmica da organização a leva aonde ela quer ir; seu uso exige um feedback
estratégico, representa o meio para alcançar os fins, diferente dos objetivos que
representam os próprios fins da organização.
Para Chandler (1962), estratégia é a determinação de metas básicas a longo
prazo e dos objetivos de uma empresa e adoção das linhas de ação e locação de
recursos necessários para alcançar suas metas e seus objetivos.
Conforme Simon (1975, p. 79), “estratégia é um conjunto de decisões que
determinam o comportamento a ser exigido em determinado período de tempo”.
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Mintzberg e Quinn, (1992), apresentam cinco concepções na definição de


estratégia:
• Como Plano, estratégia seria um guia para lidar com uma determinada
situação. Neste sentido, as estratégias apresentam duas características: são
produzidas anteriormente às ações para as quais são aplicadas e são desenvolvidas
consciente e deliberadamente.
• Como Manobra, estratégia seria um artifício para provocar uma ação da
concorrência, que beneficiaria o seu autor, evidenciando uma visão voltada para
aspectos dinâmicos e competitivos.
• Como Padrão, estratégia seria definida como um padrão de
comportamento dentro de um fluxo de ações. Esse comportamento poderia ser
intencional ou não.
• Como Posição, estratégia seria como uma organização se localiza no seu
ambiente, seria a força mediadora entre a organização e o ambiente externos e
internos que a influenciam.
• Como Perspectiva, seria o contrário da estratégia como posição. Nessa
concepção, a visão é focalizada para dentro da organização, poderia ser vista como
o caráter da organização.
Segundo esses autores, os administradores têm que exercer um papel
proativo, consciente e racional na formulação das estratégias da organização.
Continuando, podemos dizer que toda organização apresenta uma estratégia,
mesmo que não tenha conhecimento desse aspecto em questão e mesmo que
nunca tenha concebido estratégias de uma forma mais explícita.

2.3. Planejamento

Para Friedmann (1992) a ação deveria ser planejada como um instrumento


para aproximar duas dimensões, teoria e prática.
Na visão de Motta e Caravantes (1979), a aproximação da teoria com a
prática também é verificada como decorrência da tendência crescente ao
processualismo, devido ao crescimento e a complexidade das organizações e das
pressões originadas da instabilidade do ambiente.
21

Drucker Apud (Stoner e Freeman, 1999, p. 136) estabelece dois critérios que
são indispensáveis para o bom funcionamento das organizações: eficácia e
eficiência, sendo eficácia a capacidade de determinar objetivos apropriados, e
eficiência, a capacidade de minimizar o uso de recursos, para alcançar os objetivos
da organização. Segundo Drucker, a eficácia é mais importante, pois a eficiência,
por maior que seja, irá compensar uma escolha ruim dos objetivos, evidenciando
que não adianta a organização tornar-se eficiente operacionalmente, se antes foram
cometidos erros na definição dos objetivos da organização.
De acordo com esses autores o planejamento é a função inicial da
administração.

Talvez seja melhor pensar no planejamento como a locomotiva que


puxa o trem das ações de organizar, liderar, e controlar. Ou talvez
devêssemos pensar no planejamento como a raiz principal de uma
magnífica árvore, da qual saem os ramos da organização, da
liderança e do controle. (STONER; FREEMANN, 1999, p. 136).

Segundo Chiavenato (2004), o planejamento consiste na tomada antecipada


de decisões, não se trata da previsão das decisões que deverão ser tomadas no
futuro, mas da tomada de decisão que produzirá efeitos e conseqüências futuras.

2.4 Planejamento Estratégico

Conforme Bryson (1989), o planejamento estratégico é um instrumento que


focaliza a organização, diagnosticando e solucionando questões que lhe digam
respeito à curto prazo, cujas repercussões são relevantes e se farão notar a longo
prazo.
Ackoff (1976) entende que o planejamento estratégico representa um
aprimoramento do planejamento tradicional. Para esse autor, o planejamento
estratégico procura focalizar a organização e sua relação com o meio.
Oliveira (1993), planejamento estratégico é uma metodologia gerencial que
permite estabelecer a direção a ser seguida pela empresa, visando um maior grau
de interação com o ambiente.
22

Chiavenato (2004) nos diz que o planejamento estratégico pode ser


conservador quando é voltado para a manutenção da situação existente,
planejamento estratégico otimizante que é aquele voltado para a adaptabilidade e
inovação da organização, ou prospectivo quando está voltado para as contingências
e para o futuro da organização.
Para Fischmann e Almeida (1990), o planejamento estratégico se constitui
numa técnica administrativa que, através da análise do ambiente de uma
organização, cria a consciência das suas oportunidades e ameaças, dos seus
pontos fortes e fracos para o efetivo cumprimento da sua missão e através desta
consciência estabelece o propósito de direção que a organização deve seguir para
aproveitar as oportunidades e evitar os riscos do ambiente.

Planejamento estratégico é um processo que consiste na análise


sistemática dos pontos fortes e fracos da empresa e das
oportunidades e ameaças do meio ambiente como o intuito de
estabelecer objetivos, estratégias e ações que possibilitem um
aumento da competitividade empresarial. (FISCHMANN, ALMEIDA;
CUNHA, 1998, p. 10).

Existem diversas modalidades de planejamento estratégico que podem ser


implantados nas organizações, cada um apresenta seus pontos específicos a serem
seguidos. No entanto, quase que a totalidade deles tem três pontos em comum:

- Definição de uma missão;


- Análise do ambiente interno (pontos fortes e pontos fracos) e ambiente
externo (oportunidades e ameaças);
- Definição das estratégias e como serão utilizadas pela organização;

2.5 Planejamento Estratégico Participativo

Esse modelo de planejamento estratégico foi desenvolvido por Souto-


Maior(1994) através da adaptação das etapas sugeridas por Bryson(1989), para o
Brasil. Tal adaptação levou em conta aspectos sociais, culturais e econômicos do
nosso país, e dessa abordagem originou-se o PEP ( Planejamento Estratégico
23

Participativo). Segundo Souto-Maior, essa metodologia permite a qualquer


organização pública, privada, ou uma comunidade, desenvolver e implementar de
uma forma disciplinada e participativa um conjunto de estratégias,decisões e ações,
não só para manter a sobrevivência dessas organizações mas, principalmente,
ações fundamentais para o progresso, eficiência e a eficácia dessas organizações.
Essa metodologia permite a formulação da missão, o mandato
organizacional, a visão e os valores presentes nessa empresa.
As etapas do PEP são:
- Preparação, onde ocorrem reuniões dos tomadores de decisão para um
acordo sobre a necessidade de implantação do PEP. Nessa etapa devem ser
esclarecidos os passos do planejamento estratégico participativo, e definidos
os participantes com suas respectivas funções. O fundamental nessa etapa é
que todos se sensibilizem e se comprometam com a idéia.

- Resgate histórico da organização e definição do seu mandato. Nessa


etapa há um levantamento histórico da organização através de documentos
existentes, regimentos e estatutos com o objetivo de determinar o mandato
que estabelece qual o campo de atuação, especificando o que a organização
pode ou não fazer.

- Definição da Missão, da Visão e dos valores da organização. A missão é


a razão de ser e de existir da organização, sendo estabelecida a partir da
identificação do negócio. A visão é a imagem que a organização tem a
respeito de si e do seu futuro. É o ato de ver a si própria no espaço e no
tempo, estabelecendo uma identidade comum quanto aos propósitos da
organização para o futuro. Os valores constituem crenças e atitudes que
ajudam a determinar o comportamento individual dentro das organizações.

- Análise do ambiente externo. Neste ponto são identificados diversos


fatores externos à organização, fatores sociais, fatores políticos, inovações
tecnológicas e fatores econômicos que podem significar oportunidades ou
ameaças ao negócio da empresa e, também, a relação da organização com
seus clientes e fornecedores.
24

- Análise do ambiente interno. Nesta etapa são avaliados internamente os


recursos materiais, financeiros e humanos da organização, bem como o
contexto em relação ao clima organizacional, à estrutura da empresa, ao
desempenho, às estratégias utilizadas, às tendências do mercado. A partir
dessa avaliação são identificados os pontos fortes e os pontos fracos da
organização que facilitam ou dificultam o alcance e o cumprimento da missão
e da visão definidas.

- Definição das questões estratégicas. Serão definidas neste ponto as


questões vitais para o desenvolvimento e a sobrevivência da organização,
tendo como base o levantamento feito nas etapas anteriores e através da
análise do quadro SWOT que tem como característica a análise sistemática
dos pontos fortes e dos pontos fracos da organização e das oportunidades e
ameaças que serão encontradas pela organização no ambiente externo.

- Formulação das propostas estratégicas. Elabora-se nesse momento


propostas estratégicas para resolver e solucionar as questões estratégicas
definidas na etapa anterior. Essas propostas serão alternativas a serem
seguidas, sendo que, para cada uma delas, é necessária a análise dos
obstáculos que a organização enfrentará para sua execução
e,também,definidas as ações de superação desses obstáculos.É de suma
importância identificar e especificar o porque,como,por quem,quando e com
que recursos estas estratégias serão implementadas.

- Acompanhamento, avaliação e revisão. Nesta última etapa são definidos


os mecanismos de controle do planejamento estratégico, com a finalidade de
corrigir problemas que possam ocorrer, sendo que essa correção contribuirá
para o desenvolvimento da organização, através dos resultados do
planejamento estratégico.

Em Souto - Maior e Gondim (1990) e Souto - Maior e Limeira (1992) estão


definidos os critérios para uma gestão participativa, são eles: oportunidade;
equidade; pluralidade; representatividade e responsabilidade.
25

METODOLOGIA

Esse estudo se caracteriza como um estudo de caso e uma pesquisa-ação


de natureza exploratória e descritiva. Esse modelo procura analisar um objeto de
estudo singular, tendo valor em si, mesmo que depois sejam percebidas
semelhanças com outros casos. O estudo de caso, seja ele simples ou complexo, é
sempre bem delimitado e seus contornos são definidos de uma forma clara no
desenrolar do estudo.
Minucci(1992, p. 84) nos diz que “a principal característica de um estudo de
caso, é possibilitar o estudo minucioso e objetivo de uma situação que foi
investigada permitindo uma análise ampla e permitindo o intercâmbio de idéias.”
Em relação ao aspecto descritivo de uma pesquisa, Richardson (1999, p. 71)
discorre que “os estudos de natureza descritiva propõem-se em investigar o que é,
ou seja, descobrir as características de um fenômeno como tal”. Nesse sentido são
considerados como objetos de estudo uma situação específica, um grupo ou um
indivíduo.
A pesquisa ação é vista por Dencker (1998, p. 127-128) da seguinte forma:

Pesquisa empírica com estreita vinculação com uma ação ou


resolução de um problema coletivo, onde os pesquisadores e
participantes representativos da situação ou do problema estão
envolvidos de um modo cooperativo e participativo. Não obedece a um
plano rígido de pesquisa (o plano é redefinido em função dos
resultados e do andamento da pesquisa). Utiliza critérios qualitativos.
Os membros das situações pesquisadas integram-se na pesquisa e o
pesquisador se integra no processo, com o objetivo de agir sobre a
realidade imediata, promovendo uma intervenção direta e contínua na
mesma. É útil para a solução de problemas comunitários e pode ser
utilizada na realização de estágios no contexto das organizações.

3.1 Formulação do problema

Toda pesquisa científica se inicia com a formulação do problema e objetiva


buscar soluções para ele. A formulação do problema é a designação do problema
prático e da área de conhecimento a ser abordada.
26

O problema (qual seria o processo de implementação de planejamento em


uma banda) ( objetivo geral – analisar de estudo desse trabalho foi da análise da
viabilidade de implantação de um planejamento estratégico no “Conjunto Roque
Moreira” através da metodologia participativa de Souto - Maior (PEP).

3.2 Limitações da pesquisa

- O estudo foi limitado a uma banda independente, o “Conjunto Roque Moreira”.

- O estudo ficou limitado às percepções dos entrevistados, ou seja, os integrantes da


banda, essa é uma das características de uma pesquisa descritiva.

- As conclusões se limitaram a essa organização, não houve uma comparação com


outras bandas independentes.

- O estudo sofreu uma limitação pelo pouco tempo para a aplicação do método PEP.

3.3 Etapas da pesquisa

Esse estudo que foi realizado de acordo com a metodologia PEP teve as
seguintes etapas:

1) Coleta de dados através de entrevistas, depoimentos e da observação dos


envolvidos no processo;

2) Coleta e análise de dados através de reuniões durante o processo de


formulação do planejamento estratégico participativo;

3) Identificação e análise dos fatores que influenciaram na aplicação da


metodologia PEP nesta organização.
27

3.4 Contexto dos participantes

Essa pesquisa foi realizada com o “Conjunto Roque Moreira”, banda


independente que atua no mercado musical de Teresina, no estúdio de ensaio do
Músico “Kasbafy” situado no bairro “Vermelha” em Teresina, capital do Estado do
Piauí.
Os participantes da pesquisa foram os responsáveis pela elaboração do
conhecimento e produziram as práticas para solucionar os problemas que
identificaram. Devido ao pequeno número de participantes o grupo optou por
trabalhar com todos os que fazem parte da banda, escolhidos com a intenção de
instigá-los a buscar soluções para suas questões estratégicas.

3.5 Instrumentos de coleta de dados

Para a obtenção dos dados primários foram utilizadas entrevistas semi-


estruturadas, depoimentos, reuniões e a observação direta. Os dados secundários
foram obtidos por meio da análise de publicações em revistas, internet, release, e
jornais.
Gil (1991) e Triviños (1995) colocam que o processo de análise e coleta de
dados estão estreitamente relacionados, e são conduzidos numa intenção
constante.
Para a realização das reuniões foram utilizadas as técnicas de brainstorming
e do grupo nominal. O brainstorming é uma técnica grupal de pensamentos
divergentes para a produção de idéias; expondo a inteligência dos participantes no
seu ponto máximo possível, com o objetivo de desbloquear hábitos e atitudes que
inibem o processo criativo.
Na técnica do grupo nominal, os participantes geram idéias que são listadas,
discutidas e priorizadas, com o fito de promover a participação de todos no
processo, proporcionando a tolerância de idéias contrárias.
28

Em relação à observação direta, Richardson (1999, p. 259) nos diz que “a


observação é um exame minucioso ou a mirada atenta sobre um fenômeno no seu
todo ou em alguma de suas partes; é a captação precisa do objeto examinado”.

3.6 Análise de dados

A análise de dados nesse estudo caracterizou-se como uma análise


descritiva de natureza qualitativa, sendo utilizadas transições entre reuniões,
entrevistas e depoimentos. Por tratar-se de um planejamento estratégico
participativo, a análise de dados também foi feita pelos participantes do estudo.
Segundo Patton(1990), a análise de dados qualitativos é um processo
criativo que demanda um rigor intelectual, uma grande quantidade de dificuldades e
um trabalho muito cuidadoso,pois as diferentes pessoas dirigem sua
criatividade,seu esforço intelectual e seu trabalho de modos diferentes,não existe
apenas uma forma correta para organizar, analisar e interpretar dados qualitativos.

3.7 Validação a pesquisa

A técnica de triangulação que é a técnica que confronta as múltiplas fontes


de dados (os participantes da pesquisa, os clientes, o mercado), e os múltiplos
instrumentos de coleta de dados (documentos, entrevistas, internet, jornais e
revistas) utilizados serviram para dar validade a esta pesquisa.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Nesta etapa do estudo foram analisados e discutidos os dados coletados


através dos instrumentos de coleta de dados relacionados no capítulo anterior.
Estão descritas as etapas da formulação do planejamento estratégico no “Conjunto
Roque Moreira”.
29

A metodologia escolhida cujas fases foram mencionadas no capitulo dois


deste trabalho, foi a metodologia PEP, formulada por Souto-Maior (1994), com todas
as suas etapas e os seus procedimentos.
A seguir, tem-se uma descrição detalhada de cada etapa do processo de
formulação do planejamento estratégico participativo que foi proposto para o
“Conjunto Roque Moreira”.

4.1. Fase de preparação

No primeiro momento realizou-se uma reunião do pesquisador com os


integrantes do “Conjunto Roque Moreira”, onde foi apresentado um plano para
formulação do planejamento estratégico. A receptividade foi a melhor possível, e
foram marcados os dias das reuniões seguintes para todos os domingos do mês de
junho e julho com a presença de todos os envolvidos no processo.
A segunda reunião teve a duração de três horas. Sendo que a primeira hora
fora destinada à sensibilização dos participantes para a importância do planejamento
estratégico para o sucesso do negócio. Após o intervalo de quinze minutos, os
quarenta e cinco minutos restantes da segunda hora foram destinados à exposição
dos temas e conceitos do planejamento estratégico, e também as etapas que
envolvem a aplicação do PEP.
Os temas abordados foram:

- Conceitos – foram apresentados os conceitos de estratégia, planejamento,


planejamento estratégico e gestão de negócio.

- Objetivos – foram colocados os objetivos da implementação de um


planejamento estratégico em uma organização, destacando que o “Conjunto
Roque Moreira”, nunca fez parte de uma experiência deste tipo.

- Apresentação do PEP – foi detalhada cada etapa do PEP com suas


características, produtos, objetivos e resultados.
30

Na terceira hora do seminário de sensibilização, definiram-se as regras a


serem seguidas durante as horas dedicadas às reuniões. Foram elas:

• As reuniões deveriam ser aos domingos;

• Começariam sempre às quatorze horas, e terminariam as dezessete, sob a


coordenação do pesquisador;

•Os celulares dos participantes deveriam permanecer desligados;

• Haveria intervalo de quinze minutos a cada hora;

• A chegada de todos os participantes seria imprescindível para o inicio dos


trabalhos;

• O pesquisador participaria apenas como facilitador do processo, não


interferindo nas decisões tomadas pelo grupo;

Nos minutos restantes, o espaço ficou aberto para as perguntas, sugestões


e opiniões dos integrantes do “Conjunto Roque Moreira”. Os questionamentos, em
sua maioria, giraram em torno da aplicação prática deste tipo de planejamento, e
que benefícios ele traria. Respondidas as questões, complementado o que fora
abordado nas primeiras horas da sensibilização, a reunião foi encerrada com os
participantes convencidos da importância do trabalho que se iniciava.

4.2. Fase de resgate histórico da organização e definição do seu mandato

No domingo seguinte, dia 08 de junho, iniciou-se a aplicação das técnicas de


implantação do PEP, com o objetivo de determinar o mandato histórico do “Conjunto
Roque Moreira”.
31

Essa etapa foi realizada a partir dos depoimentos que os integrantes da


banda forneceram, e através do material de divulgação (Release, matérias de
jornais, revistas, etc.). Nesta mesma reunião foi apresentada ao grupo uma
entrevista semi-estruturada para a aplicação entre os participantes com o objetivo de
identificar os pontos que fazem parte das outras etapas do planejamento estratégico.
Feito isso, deu-se por encerrada a reunião.

4.3. Fase de formulação da Missão, Visão e dos Valores

Identificar o negócio da organização foi a primeira tarefa seguida pelo grupo,


já que o foco das ações do planejamento devem estar voltadas para o mercado e os
clientes da empresa. O grupo, através de questões levantadas sobre a área de
atuação do “Conjunto Roque Moreira”, e sobre o tipo de produto e serviço que são
oferecidos por esta empresa ao seu mercado, após as discussões que se fizeram
necessárias, chegou a um consenso sobre o negócio da organização, mediante
votação. Após a identificação do negócio partiu-se para as outras etapas.

NEGÓCIO: Prestação de serviços na área de entretenimento e música.

Após analisar os dados coletados, tendo como base o negócio da empresa,


as expectativas dos clientes e do mercado sobre sua atuação, e as reflexões sobre a
razão de existir da organização, os participantes do grupo redigiram, em folha
individual, suas propostas de missão. Em seguida foram feitas as seguintes etapas:

- Cada participante leu sua proposta de missão;

- Partes em comum foram identificadas e separadas;

- Após as discussões chegou-se a um consenso do grupo;

MISSÃO: Planejar, produzir e prover o mercado musical com produtos e


serviços de qualidade, visando a satisfação de seus clientes internos e externos.
32

Com base na missão que o grupo determinou, o passo seguinte foi


identificar a visão da organização, que se caracteriza como um ponto futuro no
tempo e no espaço, a ser alcançado pela organização. Através da análise das
crenças e dos princípios que o “Conjunto Roque Moreira” deve priorizar para atingir
sua missão e sua visão, foram formulados os valores da empresa.

VISÃO: Tornar-se um referencial no mercado musical do país, através de


uma gestão participativa eficaz e eficiente, oferecendo ao mercado produtos e
serviços de qualidade, visando a satisfação plena do cliente de uma forma auto-
suficiente buscando sempre a melhoria contínua e a valorização do cidadão.
Definidos NEGÓCIO, MISSÃO e VISÃO, passou-se para a análise e
identificação dos valores listados por cada participante do grupo. Partes em comum
foram identificadas e separadas. Após as discussões chegou-se a um consenso
sobre quais valores deveriam ser seguidos pela organização.

VALORES: Ética profissional, gestão participativa, honestidade,


compromisso com a qualidade, compromisso com a organização, cooperação, pró-
atividade, valorização do cidadão.

4.4 Análise do Ambiente Externo

Nessa etapa foram identificadas e priorizadas as oportunidades e as


ameaças. Os participantes executaram essa fase da seguinte forma:

- Cada participante do grupo relacionou individualmente as oportunidades e


as ameaças;

- Identificou e selecionou as dez oportunidades e ameaças mais importantes;

- Foram anexadas as oportunidades e as ameaças identificadas por cada


membro do grupo às identificadas na entrevista aplicada anteriormente;
33

- O grupo separou as oportunidades e ameaças que eram semelhantes


selecionadas no passo anterior;

- Juntou as ameaças e oportunidades selecionadas que falavam do mesmo


tema;

- Priorizou as oportunidades e as ameaças a serem trabalhadas no


planejamento estratégico participativo, através de um processo de votação.

Nessa análise de ambiente externo foram identificados como clientes do


“Conjunto Roque Moreira” os consumidores de produtos ligados à música ( Cd’s,
Dvd’s ,Shows) que, tem como perfil definido como jovens de ambos os sexos,com
idade variando entre 15 (quinze) e 30 (trinta) anos, em sua maioria universitários,
que são os formadores de opinião nesse mercado específico. Como fonte tivemos
os depoimentos dos integrantes da banda, e a observação nos shows e sites de
relacionamento como Orkut e Myspace. Como fornecedores temos as lojas de
instrumentos musicais, empresas de design gráfico, estúdios de gravação,
gravadoras, empresas de locação de P.A (Power Amplification) para show “ao vivo”
e empresas de iluminação de palco.
Abaixo, estão descritas as oportunidades e as ameaças priorizadas pelo
grupo de estudo. Cada uma delas será comentada a seguir.

- Oportunidades do Ambiente Externo:

a) Mercado em expansão;

b) Leis de incentivos culturais;

c) Facilidade de divulgação nos meios existentes;

d) Avanço tecnológico;

e) Parcerias com o terceiro setor (Sistema “S”, Ong’s);


34

f) Movimento da música independente em expansão no país.

a) Mercado em expansão

Decorre do surgimento de outros segmentos de consumidores e da dinâmica


dos públicos-alvos existentes. O planejamento estratégico fará com que a
organização identifique outras possibilidades de crescimento no mercado que já
existe e possibilitará a prospecção de novos públicos-alvo, dentro de uma visão
empreendedora diante das oportunidades.

b) Leis de incentivos culturais

Os projetos culturais desenvolvidos pelas Fundações de Cultura do Piauí e


da prefeitura de Teresina são uma grande oportunidade para as bandas
independentes do estado. Neles a pressão pelo retorno financeiro visado pelo órgão
patrocinador é mínima, já que o objetivo principal desses projetos é o
engrandecimento da cultura local, o que é de suma importância para o
desenvolvimento da música produzida no estado.

c) Facilidade de divulgação nos meios existentes

Hoje, com o avanço da mídia existente, não é necessário que os artistas


tenham uma assessoria de imprensa trabalhando para o seu crescimento no
mercado. Os meios de divulgação são de fácil acessibilidade e de um custo
operacional relativamente pequeno. Podemos citar a internet, mais especificamente
os sites de relacionamento virtual como Myspace e o Orkut, os sites individuais das
bandas, e blogs.

d) Avanço Tecnológico

Esta oportunidade identificada é primordial. Para a sobrevivência


organização, o acompanhamento dos avanços tecnológicos dentro desse segmento
que se caracteriza pela mudança constante dos meios de produção, e pela
defasagem rápida dos equipamentos utilizados, ganhará mercado a empresa que
35

agir com flexibilidade e rapidez diante das mudanças que venham a ocorrer. A falta
de visão para este aspecto significa um retrocesso frente à concorrência, já que a
empresa atenderá com atraso as demandas dos consumidores e da sociedade.
Nesse contexto, é necessário manter o conhecimento atualizado para manter a
competitividade.

e) Parcerias com o terceiro setor (Sistema “S”, Ong’s )

Um dos grandes incentivadores da Cultura do país é o sistema “S”, que


através de entidades como o Sebrae (Piauí-Sampa),o Sesc que em todo país
promove shows nas suas unidades – como exemplo, Sesc Pompéia( São Paulo),
Sesc Interlagos(São Paulo),e as demais unidades que tem uma vasta programação
cultural - tornando-se um nicho de mercado importante para as bandas
independentes do país inteiro. Manter parcerias com esse setor é fundamental para
o negócio dessa organização, pois através dessas entidades é possível ampliar a
visão empreendedora do negócio, aumentar os conhecimentos em relação ao
mercado e identificar oportunidades para o crescimento da organização.

f) Movimento de música independente em expansão no país

Essa década se caracteriza pelo número crescente de festivais de música


pop (Rec beat - PE, Abril pro rock - PE, Piauí music - PI, Ceará music - CE, Porão
do Rock - DF) com espaço para bandas alternativas e independentes, ou seja, as
que produzem seu produto sem a ajuda de gravadoras, e pela ausência de
investimento das grandes gravadoras em bandas iniciantes.
As multinacionais preferem esperar que as bandas consigam a aceitação de
uma fatia do mercado musical para, então, contratá-las. Entretanto, poucas são as
bandas que conseguem um bom contrato. A grande maioria consegue apenas um
contrato de distribuição, que geralmente não garante a sobrevivência nem a
sustentabilidade do negócio dessas organizações. Vê-se, diante dessa situação, que
não há vantagem alguma para as bandas nesse tipo de acordo.
As bandas independentes perceberam nesse obstáculo uma enorme
oportunidade propiciada pelo avanço dos meios de comunicação. Ocorreu uma
mudança de paradigma, e os artistas independentes passaram a utilizar a internet
36

para fazer o trabalho que seria da gravadora, ou seja, distribuir seus cd’s e dvd’s,
vender seus shows e seus produtos secundários (Camisetas, downloads, bottons) e
para intensificar a fixação da marca dessas organizações frente aos consumidores.
Essa facilidade em produzir material independente aliada à enorme facilidade de
divulgação fez com que o número de bandas novas no mercado crescesse. Perdeu-
se o medo de concorrer com as multinacionais.

- Ameaças do ambiente externo

a) Bandas Covers ( Bandas que não tem trabalho autoral);

b) Segmentação da mídia de Rádio e TV;

c) Falta de ética dos concorrentes;

d) Falta de percepção dos produtores para a inovação;

e) Mudanças políticas;

f) Deflação nos preços praticados no mercado;

A análise de cada ameaça definida pelo grupo de estudo, segue abaixo:

a) Bandas Covers (bandas que não tem trabalho autoral)

A principal ameaça advinda das bandas covers, é que elas, por não terem
trabalho próprio, intensificam para o consumidor, uma audição exagerada do tipo de
música que são executadas nas rádios privadas. A política dessas rádios é tocar as
músicas impostas pelas gravadoras mediante pagamentos que variam de acordo
com o estilo musical (Jabá). O que vende fácil e é descartável aparece na grade de
programação das FMs com maior freqüência e o preço pago pela gravadora é maior,
pelo fato de ser um produto que alcança uma grande margem de lucro rapidamente,
no entanto, é um produto com um ciclo de vida curto. Isso dificulta ao consumidor
escolher de uma forma democrática o que ele quer ouvir.
37

Como conseqüência as bandas alternativas têm um ínfimo espaço em rádios


privadas, ou as suas músicas só tocam em horários que não são tidos como
comerciais.
Outra ameaça a ser citada é que este tipo de banda quase sempre é
composta por profissionais de outras áreas, que tem a música como um hobby, e
que por causa disso, tocam sem cobrar um preço justo, ou não cobram,
inviabilizando a sustentabilidade do negócio das bandas profissionais e
deflacionando o mercado.

b) Segmentação da mídia de rádio e TV

Como foi dito acima, as mídias tradicionais (Rádio,TV,Jornal) segmentaram


seus espaços para conseguirem sobreviver diante do avanço tecnológico. As
rádios, por exemplo, vendem para as gravadoras suas grades de programação de
música de acordo com os estilos musicais cobrando por isso preços variados (Jabá),
e, há entre elas, aquelas que tocam apenas determinado estilo de música. Como se
vê, esse espaço nunca é destinado a bandas iniciantes, o que dificulta seu
crescimento.
Esta ameaça que o grupo de estudo identificou torna-se importante porque
limita a atuação da organização e dificulta o alcance da missão e da visão da
empresa, já que uma das características de uma banda independente é agir por sua
conta e risco, em geral, com uma deficiência de recursos financeiros.

c) Falta de ética da concorrência

A falta de ética na concorrência aparece como uma ameaça importante para


o grupo de estudo. Dela surgem as práticas desleais em relação a preços, a
fechamento de contratos, ao relacionamento entre as bandas, entre outros fatores.
Isso poderia ser minimizado se a O.M.B (Ordem dos Músicos do Brasil) exercesse
uma fiscalização severa e constante nos locais de eventos, em bares e restaurantes,
com o objetivo de inibir a prática ilegal da profissão de Músico.
Direcionando a questão para a arrecadação de direitos autorais, onde as
bandas independentes poderiam obter bons resultados para seu crescimento, o
ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), Órgão arrecadador de
38

direitos autorais, não repassa de uma forma transparente os direitos devidos às


bandas e artistas independentes, já que o mesmo não fiscaliza de uma forma
eficiente a execução dos fonogramas nas rádios, TVs e outras espécies de mídias
que utilizam áudio no seu formato ou divulgação.

d) Falta de percepção dos produtores culturais para a inovação

O que caracteriza uma banda independente é que o material fonográfico


produzido por ela é inédito e pouco disponível para as vendas em lojas, já que este
produto não está atrelado a nenhuma gravadora. A conseqüência disso é que os
produtores não apostam nesse ineditismo e preferem investir em produtos ditos
comerciais, que estão tocando nas rádios através do “Jabá”. Por isso, o grupo de
estudo identificou esta falta de visão dos produtores como uma ameaça a ser
solucionada, pois ela atravanca o processo de desenvolvimento do mercado de
música alternativa, já que os pontos de vendas tradicionais (Lojas de cd’s) são muito
importantes para escoar essa grande produção independente, facilitando o
crescimento do público consumidor das bandas, e, conseqüentemente, um
crescimento no volume de negócios e contratos.

e) Mudanças políticas

Essa ameaça ocorre pelo fato de não haver uma continuidade dos projetos
culturais implementados. Os governos mudam sua forma de agir no campo cultural
constantemente. A cada mudança política, ocorre uma mudança no planejamento
cultural do país. Sendo assim, projetos importantes que já estão em andamento
sofrem com a falta de investimento e acabam por não alcançar os objetivos para que
foram criados. Quem perde mais com esse tipo de situação são justamente os
artistas independentes que não mantêm acordos nem são contratados de uma
grande gravadora.
f) Deflação nos preços praticados no mercado

Os shows são uma fonte de renda e de sustentabilidade para as bandas


autorais que conseguem através dos contratos manter suas atividades. A deflação
nos preços de shows causados pelas bandas covers (não autorais) que recebem
39

abaixo da média por apresentação, fez com que os preços pagos por empresários
na área de eventos tivessem uma queda em relação aos preços praticados
anteriormente. “Em 2005 a gente conseguia fechar contratos de até mil e quinhentos
reais, hoje o máximo é seiscentos reais”. (Depoimento dos integrantes do “Conjunto
Roque Moreira”).
A conseqüência desse tipo de atuação dos empresários de eventos é que
muitas bandas não conseguem sobreviver nesse mercado desleal e competitivo,
encerrando suas atividades precocemente.
O “Conjunto Roque Moreira” tem conseguido suportar essa situação por
causa dos shows que faz fora do Estado.

4.5. Análise do Ambiente Interno

Nesta fase, onde o olhar do grupo de estudo está voltado para a


organização, analisou-se o ambiente interno do “Conjunto Roque Moreira”. Foram
seguidos os mesmos passos da etapa anterior para identificar e priorizar os pontos
fortes e os pontos fracos da empresa. Todos estão relacionados abaixo em ordem
decrescente de prioridade, e em seguida serão analisados individualmente.

- Pontos Fortes do Ambiente Interno

a) Clima organizacional favorável;

b) Comprometimento com a missão e a visão da empresa;

c) Disponibilidade dos integrantes em assumir riscos;

d) Qualidade dos músicos e do produto;

e) Qualidade dos recursos materiais utilizados;

f) Bom nível de organização nas tomadas de decisão;


40

g) Descentralização das tarefas;

A seguir, analisaremos cada ponto definido no passo anterior.

a) Clima organizacional favorável

O ambiente interno do “Conjunto Roque Moreira” é caracterizado pela


informalidade, sem que isso se transforme em falta de foco nas ações, o que torna o
trabalho mais produtivo e alegre. No entanto, nota- se a necessidade de que os
integrantes mantenham a motivação em alta. É de suma importância, a cooperação
entre todos da organização, para se atingir os resultados esperados com esse
planejamento estratégico.

b) Comprometimento com a missão e a visão da banda

A partir da etapa em que foram determinadas a missão e a visão da banda,


os participantes decidiram fechar um pacto de comprometimento entre todos do
“Conjunto Roque Moreira”, para que fossem perseguidos incansavelmente os
objetivos da banda, através do cumprimento da missão e da visão que o grupo de
estudo definiu para a organização. O grupo identificou este aspecto como um ponto
forte em relação aos concorrentes.

c) Disponibilidade dos integrantes em assumir riscos

Esse mercado tem como uma de suas características a instabilidade e a


volatilidade, decorrentes das mudanças constantes e do avanço tecnológico. Dessa
forma, uma banda onde todos estão dispostos a correr riscos em prol de um objetivo
comum, leva uma enorme vantagem sobre as demais, já que são priorizados
aspectos positivos como a cooperação, pró-atividade, interesse coletivo,
pensamento comum entre os participantes e, serão anulados aspectos indesejáveis
tais como: egocentrismo, a falta de companheirismo entre os integrantes, os
conflitos internos desnecessários e a falta de foco nas ações.
41

d) Qualidade dos músicos e do produto

Todos que fazem parte do “Conjunto Roque Moreira” acreditam na qualidade


de seu produto, que é conseqüência da qualidade dos seus integrantes. O cd
produzido por eles é um dos mais vendidos entre as bandas independentes de
Teresina, e suas músicas estão entre as mais tocadas na “FM Cultura”, que é a
rádio mais importante da capital, no que tange à divulgação da música independente
do Piauí.
Nota-se que, apesar das dificuldades existentes, todos estão com a auto-
estima elevada, principalmente a partir do começo desse estudo. Todos os
participantes acreditam no planejamento estratégico que está sendo proposto para o
“Conjunto Roque Moreira”.

e) Qualidade dos recursos materiais utilizados

Os recursos materiais, a que nos referimos, são os instrumentos musicais


utilizados pela banda. São todos de uma qualidade que varia de bom para ótimo, em
avaliação, o que não quer dizer que os integrantes não desejam melhorar neste
aspecto. “Instrumentos de boa qualidade ajudam a definir melhor o som da banda”,
disse um integrante. Segundo a observação que foi feita nos shows do “Conjunto
Roque Moreira” realmente é fácil constatar a opinião citada acima. Vimos que o
tempo de “passagem de som” (Horário destinado à montar os equipamentos da
banda e equalizar o som que vai ser utilizado) é menor, facilitando o trabalho e
diminuindo a fadiga e o cansaço dos integrantes.

f) Bom nível de organização nas tomadas de decisões

As decisões são tomadas através do consenso entre os integrantes, o que


às vezes demanda certo tempo; mas, por outro lado, é o meio mais democrático
para decidir as questões importantes para a empresa. Os integrantes da banda
admitem que precisam melhorar na organização interna do negócio, mas, têm
certeza que a melhor forma de gerir o empreendimento é através da participação de
todos os envolvidos no processo de crescimento, e de uma visão sistêmica e
empreendedora.
42

g) Descentralização das tarefas

A flexibilidade é um fator competitivo para as organizações. Através de uma


contínua adaptação ao ambiente, a empresa consegue minimizar os riscos e
otimizar o uso de seus recursos e mantém seu espaço no mercado por um período
longo de tempo.
A flexibilidade só é possível a partir de uma descentralização nas tarefas a
serem executadas. Dessa maneira, a organização ganha agilidade em relação à
concorrência, mantendo o dinamismo e a competitividade, sem conflitos no processo
decisório da organização.
O grupo de estudo definiu esse tópico como um ponto forte pelo fato da
organização já ter uma descentralização de tarefas nas execuções das ações, e
todos estarem comprometidos com os resultados que serão alcançados com a
implantação do planejamento estratégico.

A seguir serão analisados os pontos fracos determinados pelo grupo de


estudo.
Pontos fracos do Ambiente Interno da organização:

a) Recursos financeiros e humanos insuficientes;

b) Ausência de uma visão empreendedora no negócio;

c) Relacionamento com a iniciativa privada deficiente;

d) Não dedicação exclusiva dos integrantes;

e) Ausência de relatórios referentes às receitas do negócio;

f) Organização deficiente na divisão de tarefas;

g) Ausência de um plano de Marketing;


43

h) Falta de articulação com as entidades governamentais;

i) Desmotivação causada por fatores externos;

Foi feita uma análise de cada um dos tópicos citados acima.

a) Recursos financeiros e humanos insuficientes

O “Conjunto Roque Moreira” mantém suas atividades a partir dos recursos


advindos dos shows, da venda de cd’s e de patrocínios esporádicos. Esses recursos
não são suficientes para suprir as necessidades dos participantes, nem tão pouco,
para contratar pessoal de apoio (Roadies,Técnicos de som,Assessoria de imprensa).

b) Ausência de uma visão empreendedora do negócio

Não existe na organização uma preocupação em empreender, ou seja,


procurar mercados que ainda não foram identificados pela concorrência, manter-se
atualizado sobre as estratégias desenvolvidas por outras bandas, promover uma
capacitação de seus componentes, entre outros aspectos que são imprescindíveis
para o sucesso do negócio.

c) Relacionamento deficiente com a iniciativa privada

A iniciativa privada é um grande patrocinador de eventos culturais. Manter


um relacionamento constante com esse setor é uma deficiência que foi identificada
nesta empresa, por falta de uma assessoria de imprensa. Como essa banda não
tem um grande apelo comercial, as empresas privadas não vêem nela uma
oportunidade de retorno para o seu investimento, nem uma oportunidade de ganho
financeiro.

d) Não dedicação exclusiva dos integrantes

Os integrantes do “Conjunto Roque Moreira”, por terem que trabalhar em


outras atividades fora do campo da música para sobreviverem, não dedicam seu
44

tempo integral à banda, dificultando o desenvolvimento de estratégias, a


implementação de novas ações, o ritmo de ensaios. Como conseqüência, temos o
entrave das ações propostas pelo grupo e a falta de agilidade em relação ao
mercado.

e) Ausência de Escrituração referente às receitas do negócio

Não existe no “Conjunto Roque Moreira” a preocupação em manter uma


escrituração das receitas obtidas com os contratos. O controle sobre os recursos
financeiros ocorre através de extratos bancários. Sendo assim, nesse aspecto, a
confiança entre todos é o fator mais importante.
Esse ponto fraco dificulta a exposição a todos do que ocorre financeiramente
com a banda por não existir um livro caixa. A falta desse acompanhamento provoca
instabilidade interna no negócio já que nem todos sabem realmente o que acontece
com os recursos que são injetados na empresa.

f) Organização deficiente na divisão de tarefas

Todos admitem que esse aspecto é um ponto fraco na empresa. Através de


depoimento dos integrantes ficou claro que a divisão de tarefas precisa ser melhor
estruturada, já que constantemente ocorre acúmulo de tarefas e funções para uns e
a ausência de trabalho para outros. Isso dificulta o fluxo das informações internas na
organização, causando atropelos nas decisões a serem tomadas, e,
conseqüentemente, aumentando o nível de estresse e conflitos organizacionais.

g) Ausência de um plano de Marketing

Não existe na organização um plano de marketing para otimizar a utilização


dos seus recursos.Neste contexto, ficou claro que não há uma coordenação e uma
unificação dos esforços empreendidos,dificultando o controle e a avaliação dos
resultados alcançados nas atividades.
Um plano de Marketing é importante porque através dele a organização
identifica oportunidades de mercado e cria nos participantes do negócio uma
45

consciência de que existem obstáculos a serem superados, facilitando, através


desses pontos, o avanço rumo aos objetivos traçados pela empresa.

h) Falta de articulação com as entidades governamentais

A falta de articulação com as entidades financiadoras dos projetos culturais


é um ponto fraco que deve ser superado. Através dessa articulação, a empresa
pode ser inserida nos eventos financiados pelo Governo do Estado, que geralmente
são uma fonte de renda sem custo operacional para o prestador de serviço.
Mantendo um conhecimento prévio do que ocorre no setor cultural governamental, o
“Conjunto Roque Moreira” poderia apresentar projetos nas áreas de fomento da
Fundação de Cultura do Piauí, com o fito de manter a rotatividade do seu produto
( cd’s e dvd’s) e do seu serviço (Shows) junto ao mercado consumidor, aumentando
ali sua penetração.

i) Desmotivação causada por fatores externos

A falta de reconhecimento causado por todos os fatores citados no capítulo


onde foram identificadas as ameaças do ambiente externo, aliadas à falta de
recursos financeiros dos seus integrantes, faz desse tópico, o ponto fraco de maior
perigo para a organização. Esses motivos, segundo os depoimentos colhidos junto
aos integrantes do “Conjunto Roque Moreira”, são os que mais influenciam na
motivação dos componentes do grupo que, algumas vezes, pensaram em desistir do
negócio.

4.6 Fase da formulação das questões estratégicas


46

Nessa etapa, o grupo de estudo fez uma análise do quadro SWOT,


tomando como base os dados coletados em etapas anteriores, visando,
principalmente, ações neutralizadoras dos pontos fracos e das ameaças, e
priorizando ações que maximizem as oportunidades e os pontos fortes da
organização.
Foram identificadas e priorizadas as questões estratégicas da organização.
Os passos seguidos pelo grupo de estudos foram:

- Cada participante escreveu em folha separada as questões estratégicas que


ele achava importante para a organização, segundo suas percepções;

- As questões estratégicas formuladas no passo anterior que eram


semelhantes foram separadas;

- As questões estratégicas selecionadas que abordavam o mesmo assunto


foram juntadas e reformuladas;

- Foram priorizadas as questões estratégicas a serem trabalhadas no PEP,


através de votação;

Em ordem decrescente, estão relacionadas abaixo as questões estratégicas


definidas pelo grupo de estudo.

1 - Como tornar o “Conjunto Roque Moreira” uma empresa eficaz e eficiente


com uma visão empreendedora em relação ao mercado musical?

2 - Como posicionar o “Conjunto Roque Moreira” no mercado musical do


Estado do Piauí objetivando a valorização do seu produto com a finalidade de
manter um lucro constante?

3- Como intensificar a inserção do “Conjunto Roque Moreira” na mídia e


eventos no Estado do Piauí e no Brasil?
47

4 - Como levar o produto do “Conjunto Roque Moreira” aos consumidores


através de um planejamento estratégico com técnicas de Marketing eficientes
e eficazes?

5 - Como firmar novas parcerias com o terceiro setor e o sistema “S” (Ong’s,
Sebrae, Senac, Sesi,Sesc)?

6 – Como tornar o mercado musical de Teresina mais ético e profissional em


relação a preços?

7 – Como inserir e manter o “Conjunto Roque Moreira” no mercado Musical


do país com produtos inovadores?

4.7 Propostas Estratégicas

Na definição das propostas estratégicas as questões estratégicas foram


analisadas individualmente, e para cada uma, os passos usados no tópico anterior
foram repetidos.
Após a priorização as propostas estratégicas foram classificadas quanto ao
prazo de execução em:

- Curto prazo (CP) - Até um ano após a formulação do planejamento


estratégico;

- Médio prazo (MP) – Até dois anos após a formulação do planejamento


estratégico;

- Longo prazo (LP) – Acima de dois anos após a formulação do planejamento


estratégico.
Nesta classificação, levaram-se em conta os recursos financeiros, materiais
e humanos que a organização dispõe ou planeja dispor nos próximos dois anos.
48

Segue abaixo, em ordem decrescente de prioridade, as propostas definidas


pelo grupo de estudo para cada uma das questões estratégicas identificadas no
passo anterior. Todas as propostas foram analisadas, e entre parênteses, está sua
classificação quanto ao prazo de execução:

Questão Estratégica I – Como tornar o “Conjunto Roque Moreira” uma


empresa eficaz e eficiente com uma visão empreendedora em relação ao mercado
musical?

Propostas estratégicas:

1) – Investir em cursos de capacitação para os membros da empresa


através de parcerias com o sistema “S” ( Sebrae,Senac) – (CP) – Essa capacitação
deve ser voltada para motivar e estimular o desenvolvimento de uma visão
empreendedora entre os membros da banda. Dessa forma, todos se sentirão donos
do negócio, todos terão uma percepção melhor sobre o mercado e os obstáculos
existentes, que deverão ser superados, e estarão melhores preparados para assumir
responsabilidades e os riscos da profissão de músico e da gestão do negócio.

2) – Regularização formal da empresa – (CP) – Ter uma empresa


regularizada junto aos órgãos governamentais facilita a obtenção de parcerias, a
aquisição de novos clientes, a aquisição de equipamentos, a inserção em projetos
culturais do Governo do Estado, entre outras possibilidades de crescimento. O
objetivo da regularização formal da empresa é, dentro de uma visão
empreendedora, dimensionar melhor as ações da organização em relação aos
benefícios e oportunidades existentes dentro dos projetos na área cultural
implementadas por essas instituições.

3) – Ter uma sede própria – (CP) – A organização sente a necessidade de


ter um espaço próprio para facilitar e estruturar melhor suas ações tais como:
ensaios,gravações,tarefas institucionais, divulgação via internet. Outro fator
importante seria a facilidade de acesso dos fornecedores e clientes da empresa aos
produtos e serviços por ela oferecidos.
49

Questão Estratégica II – Como posicionar o “Conjunto Roque Moreira” no


mercado musical do estado do Piauí objetivando a valorização do seu produto com a
finalidade de manter um lucro constante?

Propostas estratégicas:

1) – Elaborar um planejamento de Marketing para identificar o público alvo


da organização e executar ações e técnicas que possibilitem uma vantagem
competitiva da empresa em relação à concorrência no mercado da música do estado
(CP) - O posicionamento,neste contexto, é o produto na mente do consumidor,
através de uma percepção e de uma segmentação do mercado em públicos-alvos
diferentes. Uma análise de posicionamento permite concluir, por exemplo, qual a
posição atual da organização em relação à concorrência e quais são as preferências
e tendências musicais que o público consumidor está disposto a comprar, facilitando
ações e estratégias para cada setor diferente do mercado.

2) – Oferecer produtos e serviços de qualidade – (CP) – Manter a qualidade


dos produtos e serviços oferecidos pela empresa ao mercado consumidor interno e
externo é imprescindível para o crescimento da organização.Um dos objetivos desse
estudo é fazer com que o “Conjunto Roque Moreira” seja uma empresa com o foco
voltado para a satisfação dos clientes. Nesse sentido, oferecer e manter no mercado
um produto com um alto valor agregado fará com que a empresa consiga um
posicionamento competitivo em relação à concorrência, nos aspectos da qualidade
que os clientes consideram importantes, ou seja, conformidade, estética, qualidade
percebida, característica, confiabilidade.

3) – Criar uma rede de pontos de venda que facilite ao cliente a


acessibilidade aos produtos e serviços da empresa – (CP) - A organização deve
selecionar e definir seus pontos de venda objetivando uma comunicação clara e
fluida com os seus clientes,através de um mechandising interno bem planejado.
Dessa maneira, torna-se mais fácil um aumento nas vendas. O meshandising
funcionará como informação para influenciar na decisão de compra dos
consumidores com dados precisos e concretos sobre o preço, os valores agregados
à marca, facilitando o êxito das ações estratégicas da empresa, levando-se em
50

conta a posição geográfica e as diferenças regionais quanto ao consumo, que


podem interferir diretamente na aceitação dos produtos e serviços oferecidos.

Questão Estratégica III - Como intensificar a inserção do “Conjunto Roque


Moreira” nas mídias de TV, Rádio, Jornais e Internet e nos eventos promovidos no
Estado do Piauí e no Brasil?

Propostas estratégicas:

1) – Manter uma constante atualização da marca através da inovação com a


finalidade de instigar os meios de comunicação para a divulgação dos produtos e
serviços da organização - (MP) – Essa atualização inovadora poderá ser
conseguida através da customização da marca e dos produtos e serviços com a
finalidade de manter a organização sempre em evidência no mercado, tornando-se
referência no cenário musical independente do Estado.

2) - Criar uma rede de relacionamento entre a organização e os formadores


de opinião nos meios de comunicação com o objetivo inserir melhor a empresa na
mídia local e nacional – (MP) – Através de parcerias com rádios, TV, produtores
culturais, selos de gravação, é possível intensificar a inserção da banda nos meios
de comunicação e propiciar a criação de uma rede de relacionamento para manter a
banda como um referencial a ser seguido. Assim sendo, ficará mais fácil a
participação em eventos no Estado e no país, já que estes aspectos estão inter-
relacionados, conforme notamos.

Questão Estratégica IV – Como levar o produto do “Conjunto Roque


Moreira” a consumidores do público em geral através de um planejamento
estratégico com técnicas de Marketing eficientes e eficazes?

Propostas estratégicas:

1) – Elaborar uma pesquisa de mercado que possibilite a identificação dos


públicos-alvos da organização – (CP) – Nessa pesquisa serão levadas em conta as
variáveis necessárias para o desenvolvimento de um plano de Marketing. Entre elas
51

podemos citar os hábitos de consumo, a idade dos consumidores, a classe social e


o nível cultural dos consumidores. Desta forma, a organização poderá agir nos
pontos-chaves que irão alavancar o sucesso do empreendimento, minimizando os
riscos e maximizando os resultados.

2) – Aumentar a distribuição dos produtos e serviços da organização através


de pontos de vendas e de uma logística eficiente e eficaz – (MP) – Através de uma
análise da demanda do mercado a organização pode mensurar o volume de vendas
e as necessidades de distribuição. Essa análise também permite identificar os níveis
de serviços de distribuição requeridos pelos clientes e os custos advindos dessas
ações. Os fatores importantes que devem ser determinados pela organização antes
de implementar um sistema de distribuição são: o número,tamanho e localização
dos pontos de venda, a localização geográfica dos mercados consumidores, o
número e os tipos de produtos a serem oferecidos, a freqüência de compra dos
clientes, os custos orçados para a distribuição e o número e o tamanho dos pedidos.

3) – Intensificar a divulgação da marca nas diversas mídias existentes. (CP)


– A propaganda é uma comunicação impessoal e persuasiva que leva as pessoas a
comprarem um produto, um serviço ou uma idéia, onde a venda face a face é
excluída. Neste contexto, torna-se um diferencial competitivo em relação a outros
produtos e marcas, afetando a elasticidade da demanda pelo produto ou serviço da
organização, criando preferências e gerando dificuldades à entrada de produtos
concorrentes em um determinado negócio.

Questão Estratégica V – Como firmar novas parcerias com o terceiro setor


e o sistema “S” (Ong’s, Sebrae , Senac, Sesc, Sesi)?

Propostas estratégicas:

1) – Elaborar um portfólio do “Conjunto Roque Moreira” com o objetivo de


facilitar o interesse das instituições para o investimento no negócio da organização.
(CP) – O modelo de portfólio de negócios ou de produtos leva em consideração a
missão corporativa, as vantagens competitivas, a natureza dos mercados, as
unidades estratégicas de negócios (partes do todo que é o portfólio de negócios)
52

com o objetivo de analisar o potencial e a competitividade da organização em


relação às oportunidades do mercado, a participação da empresa no mercado e o
crescimento do mercado ou do ramo de negócio. Outra finalidade importante do
portfólio da organização é que através de uma análise do ciclo de vida dos produtos
associada a uma análise do portfólio de produtos obtém-se um melhor controle das
estratégias implementadas. Dessa forma, as novas parcerias da empresa com as
instituições acima citadas têm uma maior probabilidade de acontecer.

2) – Propiciar uma articulação entre a empresa e as instituições do sistema


“S” através de cursos de capacitação para os membros da organização – (MP) –
Através da capacitação uma rede de comunicação entre as instituições e os
membros da organização será criada facilitando o intercâmbio de informações e
conhecimentos, e propiciando para a empresa uma melhor articulação e inserção
frente aos projetos culturais desenvolvidos por essas entidades.

Questão Estratégica VI – Como tornar o mercado musical de Teresina mais


ético e profissional em relação a preços?

Propostas estratégicas:

1) – Incentivar a sindicalização dos músicos para a construção de um


sindicato atuante e transparente – (LP) – Segundo a visão dos integrantes do grupo
de estudo, o sindicato dos músicos é a melhor forma de tornar o mercado musical de
Teresina mais ético e transparente. Para isso é necessário o apoio da classe e a
mudança dos gestores atuais.

2) – Incentivar a regularização dos músicos que atuam no mercado – (LP) –


Através de reuniões com outras bandas será colocada a importância da
regularização da profissão e a necessidade de um mercado onde os profissionais
atuem de uma forma ética e transparente. Isso se dá através da inscrição na ordem
dos músicos através da carteira funcional da O.M.B.(Ordem dos Músicos do Brasil) e
da atuação de um sindicato forte e atuante,que através da fiscalização em eventos e
casas de espetáculos coibirá a prática ilegal da profissão de músico inibindo a
prática de preços desleais no mercado.
53

3) – Atuar junto aos órgãos reguladores da profissão (O.M.B, ECAD)


exigindo uma fiscalização junto aos promotores de eventos quanto à contratação de
músicos regularizados; e também, em relação à transparência de suas gestões –
(LP) – O grupo de estudo identificou essa sugestão como sendo a de maior
dificuldade de implantação.O maior problema é que nem os órgãos, nem os
promotores de eventos, e tampouco as bandas, estão, ainda, dispostos a mudar as
suas formas de agirem. Ou seja, ainda não há um ambiente propicio para uma
mudança de paradigma dentro das atividades exercidas pelos órgãos fiscalizadores
associadas às práticas existentes no mercado musical atual de Teresina.

Questão Estratégica VII – Como inserir e manter o “Conjunto Roque


Moreira” no mercado musical do Brasil com produtos inovadores?

Propostas estratégicas:

1) Manter uma rede de comunicação com os produtores culturais do país –


(L P) – A organização acredita que através de uma comunicação eficiente com os
formadores de opinião no mercado musical do país ficará mais fácil manter a marca
“Roque Moreira” dentro deste mercado específico. Além disso, é preciso criar meios
de diversificar os produtos e os serviços buscando sempre a melhoria contínua dos
processos de produção, através de um processo criativo e conceitual, visando uma
inovação constante a ser oferecida nos mercados-alvos da organização.

2) – Buscar o conhecimento tecnológico através de capacitações e


pesquisas com o objetivo de manter no mercado produtos criativos e inovadores –
(LP) - A busca do conhecimento para o uso da tecnologia existente no setor musical
é fator primordial para a sobrevivência e a sustentabilidade do negócio. Este setor,
especificamente, caracteriza-se pela constante mudança dos meios de produção e
pela volatilidade dos produtos ofertados no mercado. Os conceitos mudam
constantemente e o que é inovador hoje será obsoleto em um curto período de
tempo. A organização precisa ser flexível e ágil o suficiente para chegar à frente da
concorrência aos mercados por ela definidos, dentro de uma visão empreendedora,
e estar atualizado quanto às novas tecnologias, é garantir uma vantagem
54

competitiva importante. Isso fará com que a empresa sobreviva por um período de
tempo maior e duradouro no mercado, de uma forma sustentável, através da
inovação e criatividade dos seus produtos e serviços.

4.7.1 Obstáculos Encontrados

Na identificação dos obstáculos, foram utilizadas pelo grupo de estudo, os


mesmos passos usados na definição das questões e propostas estratégicas. O
grupo observou que os obstáculos encontrados eram comuns à maior parte das
propostas estratégicas definidas anteriormente, então , ficou decidido, que não havia
a necessidade de separar os obstáculos encontrados para cada proposta
especificamente, e sim, analisá-los de uma forma geral.
Foram priorizados os obstáculos que tiveram um maior impacto sobre o
maior número de propostas estratégicas da organização.
Após a priorização os obstáculos foram analisados individualmente, e em um
momento posterior, o grupo de estudo propôs para cada um deles ações de
superação, utilizando-se da mesma técnica anterior para a definição das questões e
propostas estratégicas.
Segue abaixo os obstáculos priorizados pelo grupo de estudo, em ordem
decrescente. Após serem analisados individualmente, foram definidas as ações de
superação para cada um deles:

1º Obstáculo - A deficiência de recursos financeiros e humanos –


Observou-se que um dos maiores obstáculos enfrentados pela organização na
implantação de um planejamento estratégico é a deficiência de recursos financeiros
e humanos. Isso sobrecarrega os integrantes da empresa, que executam várias
tarefas ao mesmo tempo, com o objetivo de diminuir os custos de produção e
manutenção do negócio. A deficiência de recursos financeiros é a causa de vários
problemas encontrados nesta organização. São eles: desmotivação dos integrantes,
entrave na implantação de ações de divulgação e compra de matérias-primas,
demora na reposição de produtos, falta de capital para participação em eventos fora
do estado.
55

“Sem dinheiro não dá para fazer nada, fica tudo parado e a gente vai
perdendo o foco e a motivação”. (Depoimento de um integrante da banda)

Ações de superação:

1 - Destinar um percentual do valor dos contratos e venda de produtos para


um fundo financeiro da organização;

2 – Redistribuir as tarefas a serem executadas pelos integrantes do negócio;

3 – Intensificar a venda de shows, cd’s e dvd’s;

4 – Promover momentos de integração entre os componentes da banda;

2° Obstáculo – Falta de conhecimento na área de pesquisa – Notou-se que


esta organização nunca desenvolveu planejamentos anteriores, por isso, ficou
evidenciado a falta de conhecimento em técnicas de pesquisa de mercado que
facilitem a implantação das estratégias propostas por esse estudo.
“Não dá para esperar mais, ou a gente faz uma pesquisa de mercado ou
vamos continuar de olhos fechados para o nosso público” (Depoimento do produtor
da banda, Kasbafy).

Ações de superação:

1 – Contratar uma empresa, através de convênio com o SEBRAE, que faça


uma pesquisa de mercado para a empresa com o objetivo de determinar e
segmentar os mercados-alvos da organização;
2 – Pesquisar nos sites de relacionamentos disponíveis (Orkut, Myspace,
Messenger) qual o perfil do público consumidor dos produtos do “Conjunto Roque
Moreira”;

3 – Promover ações de capacitação para os integrantes da banda com o


intuito de despertar neles o interesse e a visão empreendedora necessária para a
identificação de novos mercados.
56

3º Obstáculo - Falta de credibilidade dos órgãos fiscalizadores da profissão


– Para que o mercado musical de Teresina se torne ético e profissional é necessário
que os órgãos fiscalizadores tenham credibilidade junto à classe profissional e junto
aos promotores de eventos. Hoje o que se vê é uma ausência quase que total de
fiscalização, ou uma fiscalização direcionada para os eventos maiores, onde as
bandas independentes participam sem receber cachê. Isso aumenta o descrédito
dos órgãos responsáveis pela fiscalização e regulamentação da profissão, já que
essa medida parece estar voltada apenas para a arrecadação de verbas para essas
instituições.
“A Ordem dos Músicos não está nem um pouco preocupada em resolver as
questões relacionadas ao preço cobrado pelas bandas covers e não está nem aí
para quem está tocando na noite, isso acaba com o mercado” (Depoimento dos
integrantes do “Conjunto Roque Moreira)

Ações de superação:

1 – Incentivar a regularização dos músicos que atuam no mercado para


aumentar o poder do sindicato dos músicos;

2 – Exigir uma prestação de contas da Ordem dos Músicos do Brasil – PI,


como um meio de fornecer aos músicos uma transparência nas ações dessa
instituição;

3 – Exigir uma maior fiscalização nas casas de shows e eventos que


contratam bandas e artistas independentes;

4 – Fortalecer o sindicato dos músicos com a finalidade de obter junto aos


poderes políticos constituídos uma representação que facilite as mudanças na área
cultural do estado;

5 – Manter o compromisso com a missão e a visão definida pela


organização.
57

4° Obstáculo – Mudança constante no mercado musical do país – O


mercado de música independente se caracteriza pela enorme quantidade de
produtos lançados a cada dia no mercado e pela grande quantidade de bandas em
atividade. Isso dificulta a identificação de públicos-alvos, a comparação com as
ações da concorrência, a segmentação da linha de produtos e o processo de
atualização tecnológica da organização.
“Todo dia lançam no mercado novos instrumentos, softwares, programas de
gravação,sem falar nas bandas novas que aparecem, fica difícil acompanhar a
dinâmica do mercado musical” (Depoimento de um integrante da banda)
Ações de superação:

1 – Criar um processo de medida de desempenho e avaliação que facilite a


identificação das necessidades de mudanças que possam ocorrer;

2 – Manter os integrantes da empresa atualizados em relação às novas


tecnologias existentes no mercado;

3 – Manter uma constante pesquisa quanto a novas formas de divulgação e


identificação de mercados-alvos;

4 – Promover um intercâmbio entre a empresa e outras organizações do


mesmo setor de atuação.

5º Obstáculo – Visão dos gestores públicos e dos promotores de eventos


em relação ao mercado cultural – Os gestores e promotores de eventos culturais do
estado não vêem Cultura como forma de auto-estima do povo piauiense, isso
dificulta a penetração das bandas alternativas e independentes no mercado musical
de Teresina, já que o poder de investimento e de divulgação em rádios, TV, jornal
está atrelado a essas instituições. Todos da organização acreditam que as pessoas
não valorizam a nossa música e cultura porque não conhecem ou não são
estimulados a conhecerem o que é produzido no nosso estado em termos culturais.

Ações de superação:
58

1 – Promover reuniões junto ao Governo do Estado para informar as ações


praticadas pelas bandas independentes como fonte alternativa de renda e trabalho e
solicitar ações que desenvolvam melhor o mercado de música no Piauí;

2 - Solicitar à prefeitura de Teresina que intensifique ações culturais e


festivais de música para o desenvolvimento do povo piauiense;

3 – Solicitar ao poder público, projetos culturais de inserção da música


piauiense no interior do Estado;

4 – Solicitar ao poder público, através da ação do sindicato dos músicos, leis


que assegurem a participação das bandas independentes do Piauí em eventos
nacionais que aconteçam no estado, com o mesmo nível de divulgação dado às
bandas nacionais;

5 – Solicitar do poder público, leis que determinem a execução dos


fonogramas produzidos pelas bandas locais nas rádios, em horários que possibilitem
uma melhor divulgação das bandas piauienses;

6 – Elaborar junto ao governo do Estado um plano de inserção nacional das


bandas independentes do estado, na mesma linha de atuação do que foi promovido
pelo governo de Pernambuco em relação às bandas daquele estado.

6° Obstáculo – Divergências de interesses entre as bandas que atuam no


mercado de Teresina – As bandas que atuam no mercado musical de Teresina
divergem em relação aos interesses e no modo de gerir seus negócios,
principalmente em relação a preços e meios de inserção e divulgação, isso causa
um clima ruim dentro desse mercado, impossibilitando o diálogo entre elas como
uma possibilidade de um crescimento mútuo, dentro de uma visão ética e
profissional.
“A gente não cobra mais caro porque tem banda que vai e toca quase de
graça, aí só quem ganha é o empresário da noite que não está preocupado com a
qualidade da música, só quer saber do preço” (Depoimento do produtor Kasbafy)
59

Ações de superação:

1 – Promover reuniões entre as bandas para determinar uma ação conjunta


dentro do mercado;

2 – Exigir do sindicato uma fiscalização dos preços praticados e uma


punição para as bandas desleais;

3 – Exigir do sindicato uma fiscalização junto às casas de shows quanto à


contratação dos músicos para shows;

4 – Criar acordos entre as bandas com uma mesma visão de mercado para
determinar meios de atuações conjuntas quanto ao preço praticado;

5 – Manter sempre e em primeiro lugar o interesse coletivo entre as bandas


afins.
60

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O “Conjunto Roque Moreira” desde a sua fundação nunca se utilizou da


técnica administrativa do planejamento. A empresa nasceu da necessidade dos
integrantes desenvolverem suas idéias musicais conjuntamente, sem uma
preocupação mercadológica nem econômica.
Com o passar dos anos, a organização foi agregando valores ao seu
produto e serviço, através de uma maior abrangência no mercado musical do estado
do Piauí, criando uma necessidade de diversificação nas tarefas executadas pelos
membros da equipe, o que causou um crescimento desordenado e sem um correto
planejamento.
Pelo fato do “Conjunto Roque Moreira” estar inserido em um meio
imprevisível, dentro de um setor de mercado que evolui e se diversifica de uma
forma dinâmica e veloz, torna-se evidente a necessidade de uma gestão eficiente e
eficaz, tendo como principal ferramenta de ação, a implantação de um planejamento
estratégico participativo, que é o tipo de planejamento que melhor se adapta a esse
ramo de negócio.
Na abordagem PEP, as reuniões devem ser realizadas, primeiramente, em
locais diferentes do ambiente de trabalho, em horários diferentes do expediente, de
maneira contínua. Com o “Conjunto Roque Moreira” não foi possível seguir à risca
todas as recomendações citadas acima, devido a limitações de tempo dos
integrantes e questões pessoais. Por outro lado, os aspectos que determinavam a
avaliação do ambiente interno da empresa, ficaram de fácil identificação pelo fato
das reuniões serem marcadas para o estúdio de ensaio utilizado pela banda para o
seu processo de criação e de reuniões internas da empresa. Na verdade, esse
estúdio funciona como uma espécie de sede da banda.
Na fase de preparação da metodologia PEP, foi aplicado um seminário de
sensibilização, realizadas as entrevistas e definido um calendário para as reuniões
seguintes.
Na definição do histórico da organização, essa pesquisa encontrou
dificuldades na identificação de fatos relevantes ou mudanças na estrutura da
empresa, pelo fato de não existirem registros documentais significativos e pela
61

inexistência de um planejamento anterior das atividades executadas por esta


organização.
Na fase da formulação da missão, da visão e dos valores da empresa, o
grupo de estudo optou em determinar, inicialmente, o negócio da empresa. Em
seguida determinou-se a missão, a visão e os valores que a organização deve
cultivar na sua existência. Ficou claro, nesta fase, que o “Conjunto Roque Moreira”
não deve ser apenas mais uma banda independente no cenário musical de
Teresina, essa empresa deve oferecer ao mercado produtos de qualidade que visem
a satisfação dos seus clientes internos e externos.
Na análise dos ambientes internos e externos da organização, através das
reuniões realizadas, o grupo de estudo determinou as oportunidades e ameaças do
ambiente externo e os pontos fortes e fracos da organização, numa visão
mercadológica e empreendedora, através das respostas as entrevistas feitas ao
grupo de estudo.
No estabelecimento e na priorização das questões estratégicas foi utilizada
a análise de SWOT. O grupo de estudo chegou à conclusão que deveria priorizar
sete questões estratégicas.
Na fase de elaboração das propostas estratégicas o grupo de estudo optou
por priorizar e classificar as propostas quanto ao prazo de execução em: curto
prazo, médio prazo e longo prazo, levando-se em conta os recursos disponíveis da
organização para um período de dois anos. Nessa etapa, foram priorizados e
identificados os obstáculos à execução das propostas estratégicas definidas pelo
grupo de estudo.
As ações de superação demoraram um certo período de tempo para serem
definidas, pelo fato do grupo de estudo analisar exaustivamente os obstáculos que
dificultariam a execução das propostas estratégicas determinadas pelo grupo.
Terminada essa fase, ficou claro que o “Conjunto Roque Moreira” tem como
objetivo maior conseguir o reconhecimento e a credibilidade de seus clientes através
de produtos e serviços de qualidade, tornando-se referência no mercado musical do
estado do Piauí e no país. Para isso, a empresa deve estabelecer estratégias que
possibilitem a esta organização um melhoramento constante nos seus processos de
produção, através de uma contínua atualização tecnológica, utilizando seus recursos
financeiros e humanos de uma forma eficaz e eficiente.
62

Ao final deste estudo, com base nos dados coletados e analisados, a


principal conclusão é de que a implantação de um planejamento estratégico no
“Conjunto Roque Moreira” é um fator primordial para a sobrevivência e a
sustentabilidade desta organização. Uma empresa que desenvolve produtos e
presta serviços a diversos clientes no estado e no Brasil, em um mercado dinâmico,
imprevisível e em desenvolvimento, não pode improvisar em relação às suas
estratégias e decisões. Esse tipo de improviso custa caro e é determinante para o
fracasso dos negócios que não buscam um planejamento para suas ações.
Analisando o comportamento dos integrantes do grupo de estudo, ficou
evidente o sentimento de todos para a priorização dos aspectos a serem trabalhados
no “Conjunto Roque Moreira”. São eles: a autonomia financeira, a capacitação dos
integrantes do grupo, um plano de Marketing, a satisfação dos clientes internos e
externos em relação aos produtos e serviços oferecidos e a busca por novas
parcerias.
Na análise dos aspectos citados acima, chegou-se à conclusão dos
seguintes fatos:

1) Em relação à autonomia financeira, as propostas apontam para um maior


faturamento com os contratos de shows,venda de cd’s e dvd’s e a busca por
novos clientes no mercado externo;

2) A capacitação dos integrantes da organização depende das parcerias


firmadas com entidades do sistema “S” e está relacionada com a autonomia
financeira;

3) Um plano de marketing depende de parcerias com órgãos de pesquisa e


sua execução requer uma análise das competências, dos recursos da
organização e de uma análise do cenário do mercado externo;

4) A satisfação dos clientes desta organização depende da correta execução


dos itens citados acima.

Segue-se às conclusões específicas para os objetivos definidos para essa


pesquisa.
63

Nos objetivos definidos por este estudo a literatura de administração


estratégica foi revista, em particular sobre a abordagem participativa proposta por
Souto-Maior. Esses objetivos foram contemplados na fundamentação teórica desse
trabalho de pesquisa. Houve uma grande dificuldade em encontrar dados de outras
organizações parecidas com a do nosso estudo, pelo fato de ser um estudo pouco
realizado para este setor da economia. Isso causou uma limitação quanto à
comparações com outras empresas do mesmo ramo de negócio.
Considerando o fato da abordagem de planejamento estratégico proposto
para o “Conjunto Roque Moreira” ter sido participativa e a empresa ser uma
sociedade civil prestadora de serviços na área musical, faz-se necessário as
seguintes recomendações para uma implantação do modelo PEP em organizações
semelhantes ao “Conjunto Roque Moreira”.

1) - A implantação de um planejamento de Marketing – Na busca da


satisfação de necessidades recíprocas organizacionais e de clientes e
consumidores, uma instituição precisa planejar o seu futuro. Além disso, precisa ser
viável, sobrevivendo e crescendo quando possível. Um dos grandes desafios para
uma boa implantação de um planejamento estratégico é, sem dúvida, a análise dos
ambientes da organização, porque por melhores que sejam os métodos de
diagnósticos sempre restará a incerteza do ambiente em contínua mutação.
Como as necessidades atuais e futuras de empresa são muitas, é preciso
compatibilizá-las em um planejamento que estabeleça objetivos e preveja os
recursos disponíveis e indispensáveis à sua execução. Tudo se inicia com uma auto-
avaliação acerca do negócio da organização. Em que negócio ela está e em qual
deveria ou deverá estar.
A definição do negócio da organização deve respeitar as seguintes
dimensões: o grupo de consumidores a serem atendidos, as necessidades desses
consumidores, e a tecnologia necessária para atender essas necessidades.
Outro ponto importante, é a necessidade de uma constante pesquisa e
avaliação em relação aos propósitos da organização, pois eles podem ser alterados.
Há algumas questões fundamentais para essa análise, tais como: Qual é o negócio
da organização hoje? Quem é nosso cliente hoje? Qual o valor agregado do nosso
negócio para o nosso cliente hoje? Qual será nosso cliente amanhã? Qual será
nosso negócio amanhã?
64

Todas as adaptações que possam ser feitas no negócio da organização


tornam-se mais fáceis se a empresa possui sinergias que permitam rápidas
utilizações de capacidades produtivas (produzir novos produtos com os mesmos
recursos materiais), da força distributiva (vender outros produtos ou serviços com a
mesma equipe de vendas ou com os mesmos canais de distribuição).
Neste contexto, sinergia significa as reservas operacionais, onde o todo é
maior que a soma das partes.

2) Capacitação dos funcionários – Capacitar os colaboradores já consta


como uma fase da etapa de preparação do PEP. Em uma empresa que atua nesse
ramo de negócio, que é caracterizado pela instabilidade, esse aspecto deve ter uma
ênfase muito maior, pois a capacitação para a utilização das novas tecnologias e
conhecimentos em relação ao mercado será, para essa organização, um diferencial
importante em competitividade em relação à concorrência.

3) Maior participação dos clientes – esta organização tem o objetivo de


oferecer ao mercado produtos e serviços inovadores e de qualidade, dessa
forma,torna-se impossível a proposição e a implantação de um planejamento
estratégico participativo sem ouvir e identificar as necessidades de seus clientes
internos e externos. Se a satisfação dos clientes não for conseguida com a
implementação do planejamento, todo processo terá sido em vão, ou seja, deve-se
ter o entendimento para uma correta execução do planejamento o fato de que
satisfazer o cliente é fator preponderante para o sucesso do planejamento e do
negócio da organização.

4) Realização de constantes avaliações – A evolução dos mercados e das


tecnologias leva a uma necessidade de reavaliações constantes do planejamento
estratégico de uma organização que atua na área musical, pois esse mercado é
instável e volátil, onde os produtos e serviços se modificam constantemente.

Com base no envolvimento dos integrantes do “Conjunto Roque Moreira”, o


grupo de estudo resolveu propor as seguintes recomendações e ações a serem
implementadas na estrutura da organização:
65

- Mudanças na divisão de tarefas para que a organização se adéqüe às suas


necessidades de trabalho atuais;

- Descentralização do atendimento aos clientes consumidores através de uma


rede de pontos de venda melhor distribuída no mercado;

- Implantação de um processo de avaliação de desempenho da organização,


em relação à concorrência, através de constantes pesquisas de mercado;

- Direcionamento das ações da organização para os seus clientes internos e


externos, com a consciência de que uma organização existe para servir a
sociedade;

- Direcionamento das ações para buscar o melhoramento constante dos


processos de produção da organização;

- Buscar o aprimoramento na gestão do conhecimento e da informação como


forma de melhorar os resultados;

- Incentivar programas e treinamentos que promovam a integração dos


colaboradores com o objetivo de manter um bom clima organizacional.
66

REFERÊNCIAS

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estratégica. São Paulo: Atlas,1993.

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Organization: a guide to strangthenning and sustaining organizational achievement.
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industrial enterprise. Cambridge, Massachusets: the mit press, 1962.

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São Paulo, Futura, 1998.

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67

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e controle. São Paulo, Atlas,1998.

MINUCCI, Agostinho. Técnicas de trabalho em Grupo: condição de reuniões,


entrevistas e estudo de casos, simpósio e conferências, organizações de congresso.
São Paulo: Atlas,1992.

MOTTA, Paulo R.; CARAVANTES, Geraldo R. Planejamento Organizacional:


dimensões sistêmico-gerenciais. Porto Alegre: Fundação para o desenvolvimento de
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RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa Social: métodos e técnicas. São Paulo,


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RUIZ, Téo; LEMISKI, Estrela. Contra-Indústria. Minas Gerais, Selo Editorial,2006.

SOUTO-MAIOR, Joel. Pesquisa em Administração: em defesa do estudo de caso.


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SOUTO-MAIOR, Joel. Planejamento Estratégico Participativo: uma abordagem


para o setor público. Anais da XVIII ENANPAD. Curitiba, v. 3, p. 54-57, 1994.

SOUTO-MAIOR, Joel; GODIM, Linda M. Avaliação de Arranjos Institucionais para a


Gestão e Planejamento Democrátricos. Anais da XIV reunião da ANPAD.
Florianópolis, p. 161-172, 1990.

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Experiências de Participação Popular: o caso do plano de ação do Governo do
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TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais. São Paulo,


Atlas, 1995.
68

ANEXOS
69

ANEXO A

“CONJUNTO ROQUE MOREIRA”

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARTICIPATIVO

ROTEIRO PARA ENTREVISTA

Baseado nos conhecimentos adquiridos durante o seminário de


sensibilização responda as seguintes questões abaixo:

1) Qual é o negócio da Organização?

2) Qual é a missão da Empresa?

3) Quais as oportunidades do ambiente externo em ordem decrescente de


prioridade?

4) Quais as ameaças do ambiente externo em ordem decrescente de prioridade?

5) Quais são os pontos fortes da Organização em ordem decrescente de prioridade?

6) Quais são os pontos fracos da Organização em ordem decrescente de


prioridade?
70

ANEXO B

OPORTUNIDADES DO AMBIENTE EXTERNO

1-

2-

3-

4-

5-

6-

7-

8-

9-

10-
71

ANEXO C

AMEAÇAS DO AMBIENTE EXTERNO

1-

2-

3-

4-

5-

6-

7-

8-

9-

10-
72

ANEXO D

PONTOS FORTES DO AMBIENTE INTERNO

1-

2-

3-

4-

5-

6-

7-

8-

9-

10-
73

ANEXO E

PONTOS FRACOS DO AMBIENTE INTERNO

1-

2-

3-

4-

5-

6-

7-

8-

9-

10-
74

BANDA ROQUE MOREIRA


ANÁLISE DA VIABILIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

DIRETORIA
RESPONSÁVEL
META
DATA DE INÍCIO
DATA TÉRMINO
ATIVIDADES RESPONSÁVEL RECURSOS HUMANOS MATERIAIS CUSTO PRAZO

LEGENDA
CONCLUÍDA DENTRO DO PRAZO ATRASADA

OBS: Para incluir a cor azul na coluna c (Controle) digite 1 , verde digite 2 e vermelho digite 3