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CORREÇÃO DO 2º TESTE DE LITERATURA PORTUGUESA

GRUPO I
1. A canção das raparigas que passam causa alguns efeitos no sujeito poético.
Em primeiro lugar, provoca nele recordações, transportando-o à sua
infância e trazendo-lhe de volta as ilusões e a felicidade («Que me transporte ao
meu perdido Lar» - v.4 – e «Das ruínas do meu Lar desaterrai/Todas aquelas
ilusões antigas» -vv.10-11).
Em segundo lugar, adormece-o, o que é sinónimo de paz e tranquilidade
(«Adormecei-me nessa voz…Cantai!» - v.14).
Estes efeitos mostram a importância que essa canção tem para o sujeito
poético.

2. Neste soneto, existem duas realidades contrastantes: o passado e o


presente.
O passado, que corresponde provavelmente à infância, é retratado como
feliz, cheio de ilusões, marcado pela plenitude. Toda esta realidade é
simbolizada pelo lar.
O presente depreende-se que é de alguma desilusão provocada pela idade
adulta («Todas aquelas ilusões antigas/Que eu vi morrer num sonho como um
ai…» - vv. 11-12).
Assim, a relação entre estas realidades é de oposição.

3. As raparigas referidas são caracterizadas como alegres, pois passam pelas


estradas a cantar («Pelas estradas ermas a cantar» - v.2) e com voz poderosa
(«Cantai-me nessa voz omnipotente » - v.5).

4. Podemos afirmar que este texto é fruto das memórias do «eu» lírico. De facto, o
mesmo recorda a sua infância com agrado, o que se comprova pela presença de
expressões como «Que me transporte ao meu perdido Lar» (v.4) e «(…)
desaterrai/Todas aquelas ilusões antigas» (vv. 10-11).

5. Na segunda estrofe, entre outros recursos, está presente a enumeração em «O Sol


que tomba, aureolando o Mar, /A fartura da seara reluzente,/O Vinho, a Graça, a
formosura, o luar!» (vv.6-8). Este recurso apresenta o conteúdo da canção das
«virgens», ou seja, as referências à natureza e à abundância das colheitas.

GRUPO II

1. Nas quadras, estão presentes cinco frases do tipo interrogativo e uma do


tipo exclamativo.
As primeiras são perguntas retóricas que contribuem para encadear e o
raciocínio e a reflexão do sujeito poético sobre quem causou o cenário de
destruição referido.
A segunda constitui um à-parte, uma opinião pessoal sobre esses atos,
onde se nota alguma revolta e descontentamento.
Assim, estes tipos de frase reforçam o estado de espírito negativo do
sujeito lírico.

2. Os elementos destruídos simbolizam o passado feliz e inocente do sujeito


poético em companhia da mãe. Esses elementos remetem todos para o bem-estar
em família («jardim», «mesa de eu cear», «lenha», «vinho») e para a inocência
(«lençóis de linho»). A sua destruição, ou seja, a destruição da felicidade do
sujeito poético, resulta da morte da mãe.

3. A interpelação à mãe («Ó minha pobre mãe!...» -v. 9) justifica-se pelo facto de
ter sido a morte desta que destroçou o sujeito poético. Então, este pede-lhe para
ela não vaguear mais pela casa a fim de não sofrer também com o sofrimento
causado ao filho («Não te ergas mais da cova.» - v.9 – e «Não venhas mais ao
lar. Não vagabundes mais, /Alma da minha mãe… Não andes mais à neve,» - vv.
12-13).

4. Camilo Pessanha, neste poema, usa alguns processos que contribuem para
a musicalidade do mesmo.
Um deles é a pontuação, como as reticências e os pontos de interrogação
que marcam um ritmo binário no poema, como se verifica nos seguintes versos:
«E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?» (v. 7).
Outro é a utilização de anáforas como se pode ver nas duas quadras (Poe
exemplo: «Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho?» - v. 1).

GRUPO III

Um dos temas mais recorrentes da poesia de Cesário Verde é o binómio


cidade-campo. Este poeta prefere o campo e apresenta, por isso, muitas vezes,
uma visão crítica da cidade. Façamos, pois, uma análise do seu olhar sobre a
cidade.
Em primeiro lugar, no que diz respeito ao espaço físico, Cesário
descreve a cidade como um espaço conotado com a doença, onde, devido à falta
de higiene e de condições de habitação, se espalham epidemias como a cólera e
a febre amarela. Isso é visível no poema «Nós», onde a fuga para o campo
salvou o sujeito poético e a sua família. É também um espaço de mal-estar e
falta de liberdade.
Em segundo lugar, relativamente ao espaço social, a cidade é
caracterizada como palco de desigualdades e injustiças sociais, como se vê no
poema «Num bairro moderno», em que a vendedora de frutas e legumes é
humilhada por um criado de uma «casa apalaçada». Também no poema
«Contrariedades, a engomadeira é descrita como alguém que leva uma vida
dura. Neste mesmo poema, também o sujeito lírico se queixa de lhe terem sido
rejeitados uns versos, por um jornal, criticando assim a imprensa.
Em suma, Cesário Verde não se mostra indiferente ao que observa à sua
volta, no espaço citadino, mas participa nesse espaço com a sua visão subjetiva e
crítica. (221 palavras)

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