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McCracken

PRÓTESE
PARCIAL
REMOVÍVEL
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12ª Edição

McCracken

PRÓTESE
PARCIAL
REMOVÍVEL
Alan B. Carr, DMD, MS
Professor
Department of Dental Specialties
Mayo Clinic
Rochester, Minnesota

David T. Brown, DDS, MS


Chair
Department of Restorative Dentistry
Indiana University
School of Dentistry
Indianapolis, Indiana
© 2012 Elsevier Editora Ltda.
Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Mosby – um selo editorial Elsevier Inc.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998.
Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou
transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou
quaisquer outros.
ISBN: 978-85-352-4538-7
Copyright © 2011, 2005, 2000, 1995, 1989, 1985, 1981, 1977, 1973, 1969, 1964, 1960 by Mosby, Inc., an affiliate
of Elsevier Inc.
This edition of McCracken’s Removable Partial Prosthodontics, 12th edition by Alan B. Carr, David T. Brown is
published by arrangement with Elsevier Inc.
ISBN: 978-0-323-06990-8
Capa
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Thomson Digital
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NOTA
O conhecimento médico está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança devem ser
seguidos, mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, alterações no
tratamento e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou apropriadas. Os leitores são aconselhados a
checar informações mais atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado,
para verificar a dose recomendada, o método e a duração da administração e as contraindicações. É responsa-
bilidade do médico, com base na experiência e contando com o conhecimento do paciente, determinar as
dosagens e o melhor tratamento para cada um individualmente. Nem o editor nem o autor assumem qualquer
responsabilidade por eventual dano ou perda a pessoas ou a propriedade originada por esta publicação.
O Editor

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
C299 m
Carr, Alan B.
  McCracken : prótese parcial removível / Alan B. Carr, David T. Brown ; [tradução Caroline Cotes
Marinho ... et al.]. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2011.
  400p. : il. ; 28 cm
  Tradução de: McCracken’s removable partial prosthodontics, 12th ed.
  Anexos
  Inclui bibliografia e índice
  ISBN 978-85-352-4538-7
  1. Prótese dentária parcial removível. 2. Prótese dentária parcial. I. McCracken, William L. II. David
T. Brown. III. Título.
11-6404. CDD: 617.692
CDU: 616.314-089.22
26.09.11 04.10.11
030141
Revisão Científica e Tradução

Revisão Científica
Ana Cristina A. R. Perasso Guariglia (Caps. 1 a 4, 6, 11 e 15)
Mestre e Doutora em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia da Universidade de
São Paulo (FOUSP)
João Eduardo Miranda Franco (Caps. 5, 7 a 10, 12 a 14, 16 a 25, Apêndices A e B, Índice)
Mestre e Doutorando em Prótese Dentária pela Faculdade de Odontologia da Universidade
de São Paulo (FOUSP)

Tradução
Ademar Takahama Junior (Caps. 1 e 3)
Mestre e Doutor em Estomatopatologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Professor Adjunto de Estomatologia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal
Fluminense – Polo Universitário de Nova Friburgo (UFF/PUNF)
Apoena de Aguiar Ribeiro (Caps. 2, 10, 13 e 24)
Mestre em Odontopediatria e Doutora em Microbiologia e Imunologia pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Professora Adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF)
Coordenadora das Disciplinas de Odontopediatria e Unidade de Adequação Clínica
­(Cariologia) da Faculdade de Odontologia da UFF/PUNF
Caroline Cotes Marinho (Caps. 17, 22 e 23)
Graduação em Odontologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Mestranda em Odontologia Restauradora na Faculdade de Odontologia de São José dos
Campos (UNESP)
Cintia Garcia Cardoso (Índice)
Especialista em Dentística pela Associação Brasileira de Odontologia – Seção do Rio de
Janeiro (ABO-RJ)
Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz)
Eduardo Varanda (Cap. 21)
Graduação em Odontologia pela UFRJ
Especialista em Dentística pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Especialista em Prótese Dentária pelo Hospital da Guarnição da Vila Militar
Mestre em Dentística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Fernanda Campos (Caps. 7 e 8)
Mestranda em Odontologia Restauradora na Faculdade de Odontologia de São José dos
Campos (UNESP)
Fernanda Garcia Braga (Cap. 15)
Especialista em Periodontia pela PUC-Rio
Atualização em Cirurgia Pré-Protética na Odontoclínica Central do Exército (OCEX)
Atualização em Restaurações Estéticas Indiretas no Instituto de Odontologia da PUC-Rio
(IOPUC)
Marcela Filizola (Cap. 11)
Graduação em Comunicação Visual (PUC-Rio)
Graduanda em Letras (PUC-Rio)

v
vi Revisão Científica e Tradução 

Mayra Cardoso (Cap. 25)


Especialista em Prótese Dentária pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio)
Mestre em Prótese Dentária pela UERJ
Doutoranda em Odontologia Restauradora (Prótese Dentária) da Faculdade de Odontologia de
São José dos Campos (UNESP)
Priscila Monteiro de Barros Discini (Cap. 16 e Apêndices A e B)
Cirurgiã-dentista clínico geral
Ricardo Faria Ribeiro (Caps. 12 e 18)
Professor Titular, Mestre e Doutor em Reabilitação Oral
Livre-docente em Prótese Parcial Removível da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto
(USP)
Especialista em Prótese Dental
Rodrigo Melo do Nascimento (Caps. 19 e 20)
Graduação em Odontologia pela UFRJ (Cum Laude)
Pós-Graduação em Radiologia pela UFRJ
Rodrigo Tiossi (Cap. 14)
Professor convidado do Instituto Latino Americano de Pesquisa e Ensino Odontológico
(ILAPEO)
Pós-doutorando da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (USP)
Mestre e Doutor em Reabilitação Oral pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto
(USP)
Especialista em Prótese Dental
Taís Munhoz (Caps. 5 e 9)
Mestre e Doutora em Engenharia de Materiais – Área de Concentração Biomateriais
(PEMM-COPPE-UFRJ)
Vinicius Farias Ferreira (Caps. 4 e 6)
Doutorando em Periodontia pela UERJ
Mestre em Clínica Odontológica (Periodontia) pela UFF
Especialista em Prótese Dentária pela PUC-Rio
Apresentação

Com esta nova edição, mais uma vez reconhecemos a oportu- ção e a instabilidade funcional relacionada à dor crônica da
nidade de fornecer instruções úteis e atualizadas na área de mucosa são situações nas quais os objetivos do tratamento têm
prótese parcial removível como uma responsabilidade significa- impacto positivo por meio da instalação seletiva dos implantes
tiva. As próteses parciais removíveis (PPRs) continuam sendo dentários. Quando realizada considerando-se as futuras neces-
uma opção para a reposição de dentes em todo o mundo. Como sidades do paciente, com base na avaliação do risco individual,
o uso de implantes dentários continua a crescer, tanto na sua a manutenção de uma oclusão funcional torna-se, ao longo do
aplicação como no seu alcance como uma opção para estabilizar tempo, uma reação ativa com planejamento de assistência e
a substituição de dentes, as PPRs permanecem sendo a prótese processo educativo ao paciente, e não uma resposta reativa. É
de escolha para muitos pacientes e situações clínicas, criando a óbvio que a aplicação continuada de implantes com PPRs
necessidade de uma base sólida de educação continuada. necessariamente levará a modificações dos desenhos das próte-
Embora os dentistas sejam sempre desafiados a tentar novas ses. A razão de tais modificações deve equilibrar os requisitos
técnicas, aparelhos e materiais; na prática, o cuidado adequado do material visando à durabilidade, às vantagens da percepção
do paciente parcialmente desdentado continua a exigir uma do paciente para o benefício do volume reduzido e à tolerância
atenção especial aos princípios básicos de prótese dentária. O biológica de todos tecidos orais envolvidos.
principal problema na reabilitação com as PPRs é sempre como Esta edição continua a utilizar modificações incorporadas
uma nova abordagem poderá aumentar o fornecimento do nas edições anteriores, que foram respostas às evoluções das
suporte, estabilidade e retenção necessários — princípios fun- necessidades de aprendizagem dos alunos. Para fornecer uma
damentais para todas as próteses de substituição de dentes. perspectiva para o entendimento do impacto das próteses par-
Na Apresentação da última edição, a estabilidade funcional foi ciais removíveis, uma revisão sobre a perda dentária e suas
destacada de maneira crítica. Como objetivo terapêutico, isto sequelas, restauração funcional com próteses e resultados pro-
continua a acontecer, como prova de que o problema com a téticos é apresentada no início para definir um contexto para o
estabilidade funcional ainda não foi solucionado. estudante. Além disso, a nova arte e fotos clínicas coloridas
O que surgiu como um meio eficaz de resolver o problema foram fornecidas para a atualização completa do material que
da instabilidade em função da PPR é a maior aplicação de suplementa o texto. Demos continuidade à estratégia iniciada
implantes para estabilizar as PPRs em pacientes que são capazes na última edição de fazer uma distinção de conteúdo para faci-
de tirar proveito delas. Os autores levam em consideração o uso litar tanto para o aluno iniciante quanto para o clínico mais
seletivo de implantes dentários, para resolver problemas de um experiente. A convenção utilizada foi de separar o material de
paciente individual, relacionados ao suporte e estabilidade nível avançado por quadros com retícula. Isto foi realizado por
como objetivos de tratamento utilizando as PPRs. entendermos que tal distinção nem sempre é clara, e que alguns
Esta edição de McCracken – Prótese Parcial Removível tentou leitores gostarão de saber como determinado assunto foi classi-
adicionar considerações sobre implantes no diagnóstico e sobre ficado. Nossa esperança é de que isto ajudará a esclarecer o
tratamentos básicos aos cuidados com a PPR. A utilização de material para a maioria dos leitores.
implantes em PPRs é também abordada no Capítulo 25, que
reforça a aplicação específica de implantes para as limitações Alan B. Carr
encontradas no exame clínico. O suporte como a maior limita- David T. Brown

vii
Sobre o Livro

Novidades desta edição


• Informações adicionais no uso de implantes
• Capítulo 4: nova seção sobre o impacto dos implantes na movimentação da prótese
parcial
• Capítulo 6: nova seção sobre os implantes como um apoio
• Capítulo 7: nova seção sobre os implantes como retentores diretos
• Capítulo 10: nova seção sobre a consideração dos implantes no desenho da prótese
• Capítulo 25: um novo capítulo, Considerações para o Uso de Implantes Dentários com Próteses
Parciais, apresenta considerações básicas de quando escolher implantes para melhorar o
desempenho da prótese por meio do aumento da estabilidade funcional.
• Renovado programa de arte. A arte do livro foi completamente redesenhada em cores para
ilustrar melhor as técnicas e os detalhes anatômicos. Além disso, novas fotografias coloridas
foram adicionadas quando apropriadas.

Características Principais
• O conteúdo considerado além do nível básico é posicionado dentro de um quadro reticulado.
• Uma ampla seleção de referências relevantes é apresentada após o texto no Apêndice B para
um acesso rápido e fácil.
• Várias filosofias e técnicas são apresentadas completamente, facilitando a seleção e incorpo-
ração de técnicas aplicáveis com base em cada caso.
• Os capítulos são apresentados em três seções em sequência lógica:
• Conceitos Gerais/Plano de Tratamento
• Clínica e Laboratório
• Manutenção

viii
Agradecimentos

Gostaríamos de expressar a nossa gratidão a todos que de várias formas contribuíram para este
texto. Essas contribuições foram fornecidas pelo Dr. Tom Salinas, que auxiliou com o capítulo
de Implante, e pelo Dr. Vanchit John, que forneceu informações a respeito da terapia periodontal
no preparo dos tecidos bucais. Também gostaríamos de agradecer aos seguintes profissionais
que contribuíram com as imagens clínicas: Drs. Ned Van Roekel, James Taylor, Miguel Alfaro e
Carl Andres. Agradecemos ainda pelo trabalho prestativo de um dedicado grupo de técnicos de
laboratório que contribuíram nas atualizações de muitas imagens de procedimentos laborato-
riais: Sr. Joe Bly, Sr. Albert Evans e Sr. Rick Lee. Reconhecemos, por fim, e agradecemos o auxílio
das Sras. Melanie Budihas e Sra. Barbara Jarjoura.
Alan B. Carr
David T. Brown

ix
Sobre os Autores

Dr. Alan B. Carr, Departamento de Especialidades Dentárias da Sua linha de pesquisa inclui implante endo-ósseo oral e cranio-
Clínica Mayo, é consultor na Divisão de Prótese Dentária e facial, privação do tabaco e o impacto na saúde oral e geral,
professor de Odontologia na Escola de Medicina da Clínica especialmente em pacientes idosos e com doenças crônicas.
Mayo e se especializou em prótese dentária na Clínica Mayo.
Após sua especialização, se tornou Professor assistente na Uni- Dr. David T. Brown, Indiana University School of Dentistry, é o
versidade de Marquette e, depois, Professor na Ohio Universi- Chefe do Departamento de Odontologia Restauradora e Profes-
dade de State, onde seus deveres clínicos incluíram Diretor de sor de Prótese Dentária. Dr. Brown é graduado Summa Cum
Prótese Maxilofacial no James Cancer Hospital. Ele retornou à Laude na Faculdade de Odontologia da Universidade do Estado
Clínica Mayo em 2000. Dr. Carr é certificado pelo Colégio Ame- de Ohio com honra ao mérito, e se especializou em prótese
ricano de Prótese Dentária. Ele serviu na Força Aérea e tem dentária na Clínica Mayo/Escola de Graduação em Medicina
titulação da University of Southern Mississippi, Universidade de Mayo. Foi membro do corpo docente na Universidade de Indiana
Mississipi, e Escola de Graduação de Medicina Mayo. Também desde 1986, lecionando em programas de graduação e pós-gra-
é membro de várias organizações profissionais, incluindo a duação na área de prótese dentária. Dr. Brown é certificado pela
Academia Americana de Prótese Maxilofacial, o Colégio Ame- Academia Americana de Prótese Dentária. Ele foi revisor de
ricano de Prótese e a Associação Dentária Americana. Realizou diversas revistas profissionais e é membro de várias organizações
dezenas de apresentações nacionais e internacionais. A sua dentárias e de prótese. Atualmente, é membro do Conselho Exe-
prática clínica tem ênfase na combinação de prótese dentária e cutivo da Academia de Prótese Dentária. Dr. Brown mantém sua
reconstrução de pacientes com condições orais desfavoráveis. clínica limitando-se à área de prótese dentária.

x
Sumário

PARTE I:  CONCEITOS GERAIS/PLANO DE Nichos Oclusais Interproximais 59


TRATAMENTO Apoios Oclusais Internos 61
Nichos 61
  1 Epidemiologia, Fisiologia e Terminologia dos Apoios Linguais em Caninos e Incisivos 63
Desdentados Parciais 2 Apoios e Nichos Incisais 64
Perda Dentária e Idade 3 Implantes como Apoios 66
Consequências da Perda Dentária 5
Restauração Funcional com Próteses 5   7 Retentores Diretos 67
Uso Atual da Prótese Parcial Removível 7 Papel dos Retentores Diretos no Controle do
Necessidade de Prótese Parcial Removível 7 Movimento das Próteses 67
Princípios Básicos do Desenho dos Grampos 68
  2 Considerações para o Tratamento da Perda Tipos de Retentores Diretos 70
Parcial dos Dentes: Reposição dos Dentes Critérios para Selecionar um Determinado Grampo 71
pela Perspectiva do Paciente 8 Tipos de Grampo 71
Pontos de Vista 8 Análise do Contorno do Dente para Grampos
Prótese Dentossuportada 9 Retentivos 86
Próteses Dentomucosossuportadas 10 Quantidade de Retenção 87
Seis Fases da Instauração da Prótese Parcial 12 Implantes Atuando como Retentores Diretos 92
Razões para o Fracasso das Próteses Parciais Outros Tipos de Retentores 92
Removíveis Retidas por Grampos 14 Encaixes Intracoronários 93

  3 Classificação das Arcadas Parcialmente   8 Retentores Indiretos 96


Desdentadas 16 Papel dos Retentores Indiretos no Controle
Requisitos de um Método de Classificação do Movimento das Próteses 96
Aceitável 17 Fatores que Influenciam na Efetividade
Classificação de Kennedy 17 dos Retentores Indiretos 99
Regras de Applegate para a Aplicação da Funções Auxiliares dos Retentores Indiretos 99
Classificação de Kennedy 20 Formas dos Retentores Indiretos 99

  4 Biomecânica das Próteses Parciais   9 Considerações sobre a Base da Prótese 103


Removíveis 21 Funções da Base da Prótese no Controle do
Biomecânica e Soluções de Desenho 21 Movimento da Prótese 103
Considerações Biomecânicas 22 Métodos de União da Base da Prótese 106
Movimentos Possíveis das Próteses Parciais 23 Material Ideal para a Base da Prótese 106
Impacto dos Implantes nos Movimentos das Vantagens da Base de Metal 107
Próteses Parciais 28 Métodos para Montagem de Dentes Artificiais 109
Necessidade de Reembasamento 112
  5 Conectores Maiores e Menores 29 Rompe-forças (Equalizadores de Tensão) 114
Papel dos Conectores Maiores no Controle
do Movimento da Prótese 30 10 Princípios do Desenho da Prótese
Conectores Menores 46 Parcial Removível 115
Linhas de Término 49 Diferença no Suporte da Prótese e
Reação dos Tecidos ao Recobrimento Metálico 49 Influência no Desenho 115
Revisão dos Conectores Maiores 52 Diferenciação entre Dois Tipos Principais
de Prótese Parcial Removível 116
  6 Apoios e Nichos 56 Fatores Essenciais do Desenho da Prótese Parcial 119
Papel dos Apoios no Controle do Movimento da Componentes do Desenho da Prótese Parcial 120
Prótese 56 Considerações do Implante no Desenho 126
Forma do Apoio Oclusal e do Nicho 58 Exemplos de Abordagem Sistemática para Desenho 126
Apoio Oclusal Estendido 59 Considerações Adicionais que Influenciam o Desenho 128
xi
xii Sumário 

11 Delineamento 130 Coroas Provisórias Quando Estiver Sendo Usada


Descrição do Delineador Dentário 131 Prótese Parcial Removível 215
Finalidades do Delineador 133 Confecção de Restaurações que se Ajustem aos
Fatores que Determinam os Eixos de Inserção Retentores Protéticos já Existentes 216
e de Remoção 137
Procedimentos Passo a Passo para Delinear
15 Materiais de Moldagem e Procedimentos
um Modelo de Diagnóstico 138
para Próteses Parciais Removíveis 219
Eixo de Inserção Final 141 Materiais Rígidos 219
Registrando a Relação do Modelo com o Delineador 142 Materiais Termoplásticos 220
Delineamento do Modelo de Trabalho 143 Materiais Elásticos 221
Calibragem da Retenção 143 Moldagem do Arco Parcialmente Desdentado 222
Bloqueio do Modelo de Trabalho 145 Moldeiras Individuais para Moldagem 226
Alívio do Modelo de Trabalho 146
Boqueio Paralelo, Bloqueio Modelado, 16 Suporte para a Base da Prótese no
Bloqueio Arbitrário e Alívio 147 Extremo Livre Distal 231
Prótese Parcial Removível de Extremidade
PARTE II: CLÍNICA E LABORATÓRIO Livre Distal 232
Fatores que Influenciam o Suporte da Base
12 Diagnóstico e Plano de Tratamento 150 no Extremo Livre Distal 232
Propósito e Individualidade do Tratamento 150 Moldagem Anatômica 236
Anamnese do Paciente 150 Métodos para Obtenção de Suporte Funcional
Tomada de Decisão Compartilhada 151 para a Base de Extremo Livre Distal 236
Exame Clínico 151
17 Relações Oclusais para Próteses
Objetivos do Tratamento Protético 151
Parciais Removíveis 242
Exame Intraoral 152
Modelos de Estudo 156 Relação de Contato Oclusal Desejável para
Achados Diagnósticos 165 Próteses Parciais Removíveis 243
Interpretação dos Dados dos Exames 165 Métodos para Estabelecimento das
Controle de Infecção 172 Relações Oclusais 244
Diagnóstico Diferencial: Prótese Parcial Materiais para Dentes Artificiais Posteriores 251
Fixa ou Parcial Removível 174 Estabelecimento das Relações Maxilomandibulares
Escolha entre Prótese Total e Prótese para uma Prótese Parcial Removível Inferior
Parcial Removível 179 Antagônica a uma Prótese Total Superior 251
Fatores Clínicos na Seleção das Ligas
Metálicas Usadas para Armação 18 Procedimentos Laboratoriais 253
de Prótese Parcial Removível 180 Duplicação do Modelo de Gesso 253
Resumo 183 Enceramento da Armação da Prótese
Parcial Removível 254
13 Preparo da Boca para as Próteses Colocação dos Condutos de Alimentação, Inclusão,
Parciais Removíveis 185 Eliminação da Cera, Fundição e Acabamento
Preparo Cirúrgico 185 da Estrutura da Prótese Parcial Removível 261
Condicionamento dos Tecidos Injuriados e Irritados 191 Confecção de Bases de Registro 267
Preparo Periodontal 194 Planos de Oclusão 270
Preparo dos Dentes Pilares 200 Confecção de um Gabarito de Oclusão em
Gesso a partir do Registro Funcional
14 Preparo dos Dentes Pilares 205 de Oclusão 271
Classificação dos Dentes Pilares 206 Montagem dos Dentes Posteriores contra
Sequência dos Preparos sobre Esmalte o Modelo Antagonista ou o Gabarito 272
Hígido ou sobre Restaurações já Tipos de Dentes Anteriores 273
Existentes nos Dentes Pilares 206 Enceramento e Inclusão da Prótese Parcial
Preparo dos Pilares Usando Restaurações Removível Antes do Processamento das
Conservadoras 206 Bases de Resina Acrílica 274
Preparo dos Pilares Usando Coroas 208 Processamento da Prótese 277
Contenção dos Dentes Pilares 212 Remontagem e Correção da Oclusão contra um
Uso de Dentes Isolados como Pilares 213 Gabarito de Oclusão 280
Ausência de Dentes Anteriores 214 Polimento da Prótese 282
Sumário xiii

19 Autorizações de Trabalho para Próteses 23 Próteses Parciais Removíveis Provisórias 311


Parciais Removíveis 284 Estética 311
Autorização de Trabalho 284 Manutenção de Espaço 312
Instruções Definitivas pelas Autorizações de Trabalho 286 Restabelecimento das Relações Oclusais 313
Aspectos Legais das Autorizações de Trabalho 287 Condicionamento dos Dentes e Rebordos
Definição das Responsabilidades pelas Residuais 313
Autorizações de Trabalho 287 Prótese Provisória durante o Tratamento 313
Condicionamento do Paciente para a
20 Instalação, Ajuste e Manutenção Utilização da Prótese 313
da Prótese Parcial Removível 289 Procedimentos Clínicos de Instalação 314
Ajustes das Superfícies de Suporte das
Bases da Prótese 290 24 Considerações da Prótese Parcial
Interferência Oclusal da Armação da Prótese 290 Removível em Próteses Maxilofaciais 316
Ajuste da Oclusão em Harmonia com a Prótese Maxilofacial 316
Dentição Natural e Artificial 290 Cronograma do Tratamento Protético Dental
Instruções ao Paciente 294 e Maxilofacial para Defeitos Adquiridos 317
Serviços de Manutenção 296 Próteses Intraorais: Considerações do Desenho 323
Preservação Cirúrgica para Benefício
PARTE III: MANUTENÇÃO da Prótese 323
Prótese Superior 328
21 Reembasamento e Troca da Base da Prótese Prótese Inferior 330
Parcial Removível 299 Registros da Relação da Arcada para Pacientes
Reembasamento de Bases de Próteses com Ressecção Mandibular 336
Dentossuportadas 300 Resumo 337
Reembasamento de Bases de Próteses com
25 Considerações para o Uso de Implantes
Extremidade Livre Distal 301
Dentários com Próteses Parciais
Métodos de Restabelecer a Oclusão em uma
Removíveis 338
Prótese Parcial Removível Reembasada 302
Distinção Fisiológica entre Próteses 339
22 Reparos e Acréscimos para as Próteses Restituindo Anatomia e Capacidade Funcional 339
Parciais Removíveis 305 Implantes Estrategicamente Instalados para
Braços Quebrados do Grampo 305 Estabilidade da PPR e Melhora da Adaptação
Apoios Oclusais Fraturados 307 do Paciente 340
Distorções ou Ruptura de Outros Controle de Movimento com Instalação Seletiva
Componentes—Conectores Maiores e Menores 307 de Implantes 340
Perda de um Dente ou de Dentes não Envolvidos Plano de Tratamento 341
no Suporte ou na Retenção da Prótese 308 Exemplos Clínicos 341
Perda de um Dente Pilar com Necessidade Agradecimentos 345
de sua Substituição e de Confecção de um Novo
Retentor Direto 308 Apêndice A Glossário 346
Outros Tipos de Reparos 308
Reparos por Soldagem 308 Apêndice B Recursos de Leitura Selecionados 349
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I
P A R T E

Conceitos Gerais/Plano
de Tratamento

1
1
Ca p í t ulo

Epidemiologia, Fisiologia e Terminologia


dos Desdentados Parciais
SUMÁRIO DO CAPÍTULO Este livro-texto tem seu foco no que os clínicos deveriam saber
sobre pacientes parcialmente desdentados para apropriada-
Perda Dentária e Idade mente fornecer-lhes substituição dentária confortável e útil na
Consequências da Perda Dentária forma de próteses parciais removíveis. As próteses parciais
Anatômicas removíveis representam um tipo de prótese dentária que indica
Fisiológicas o ramo da odontologia responsável pela restauração e manuten-
Restauração Funcional com Próteses ção da função oral, conforto, aparência e saúde do paciente pela
Mastigação restauração dos dentes naturais e/ou a substituição de dentes e
Redução do alimento tecidos craniofaciais perdidos com substitutos artificiais.
Uso Atual da Prótese Parcial Removível A prática atual no manejo da perda dentária parcial envolve
Necessidade de Prótese Parcial Removível a consideração de vários tipos de próteses (Figura 1-1). Cada
tipo de prótese requer o uso de vários dentes remanescentes,
implantes, e/ou tecidos e, consequentemente, demanda aplica-
ção apropriada de conhecimento e pensamento crítico para
assegurar o melhor resultado possível, de acordo com as neces-
sidades e desejos do paciente. Embora mais de um tipo de
prótese possa satisfazer as necessidades do paciente, qualquer
delas deve ser fornecida como parte do manejo total, que atende
os objetivos básicos do tratamento protético, o que compreende
(1) a eliminação de doenças orais na melhor maneira possível;
(2) a preservação da saúde e a relação entre os dentes e a saúde
das estruturas orais e periorais, que melhorarão o desenho da
prótese parcial removível; e (3) a restauração das funções orais
de maneira confortável, esteticamente agradável e que não
interfira na fala do paciente. É de importância crítica enfatizar
que a preservação da saúde requer a manutenção adequada das
próteses parciais removíveis. Para fornecer uma perspectiva
para o entendimento do impacto da prótese parcial removível,
uma revisão da perda dentária e suas sequelas, a restauração
funcional com próteses e a utilização e o resultado das próteses,
estão em ordem.
É necessária a familiaridade com a terminologia aceita de
prótese dentária relacionada com a prótese parcial removível.
As Figuras 1-2 e 1-3 fornecem termos sobre prótese relaciona-
dos às estruturas mandibulares e maxilares, e o Apêndice A
fornece uma revisão de termos protéticos selecionados. A ter-
minologia adicional pode ser revisada no The Glossary of Pros-
thodontic Terms,1 e em um glossário de termos reconhecidos em

2
Capítulo 1  Epidemiologia, Fisiologia e Terminologia dos Desdentados Parciais 3

Figura 1-1    A, Prótese parcial fixa que restaura a perda dos dentes anteriores (22) e posteriores (14 e 25). Os dentes vizinhos aos
espaços desdentados são usados como pilares. B, Prótese parcial removível com grampos restaurando a perda de dentes posteriores.
Dentes adjacentes ao espaço desdentado servem como suporte. C, Prótese parcial removível dentossuportada restaurando a perda
dentária anterior e posterior. Os dentes que delimitam o espaço protético fornecem suporte, retenção e estabilidade para a restauração.
D, Prótese parcial removível inferior com extensão distal bilateral restaurando a perda de pré-molares e molares. Suporte, retenção e
estabilidade são compartilhados pelos dentes pilares e o rebordo residual.

todas as especialidades da odontologia, como o Mosbýs Dental de tratamento quando forem idosos. A estimativa atual mostra
Dictionary, segunda edição.2 que 13% da população dos Estados Unidos têm 65 anos ou
mais. No ano de 2030 espera-se que esta porcentagem dobre,
com um significativo aumento também da expectativa no
Perda Dentária E Idade
mundo inteiro. Esses indivíduos deverão ser mais saudáveis, e
Não é surpresa que exista uma relação direta entre a perda as estratégias de cuidados de saúde para este grupo de pacientes
dentária e a idade. Foi documentada uma relação de perda de deveriam centrar-se na manutenção da vida ativa e produtiva.
dentes específicos com o aumento da idade. Isto ocorre porque A saúde bucal deverá ser mais procurada e considerada um
alguns dentes são mantidos em boca por mais tempo do significativo componente de cuidado geral da saúde.
que outros. Sugere-se que, no geral, ocorre uma diferença entre Os padrões de perda dentária associados à idade também
as arcadas quanto à perda de dentes, onde os dentes superiores estão evoluindo. Segundo alguns estudos, a proporção de adultos
são perdidos mais precocemente que os dentes inferiores. Essas desdentados está diminuindo, embora isto varie com o local.
observações estão provavelmente relacionadas à suscetibilidade Entretanto, foi relatado que o número absoluto de pacientes
à cárie, que foram relatadas (Tabela 1-1). Frequentemente os desdentados que necessitam de tratamento está, na realidade,
últimos dentes remanescentes na arcada são os anteriores infe- aumentando. Mais relevante para este texto é que as estimativas
riores, especialmente os caninos inferiores, e este é um achado sugerem que a necessidade por restauração de condições par-
comum em pacientes com maxila desdentada total em oposição cialmente desdentadas também estarão aumentando. Uma
aos dentes mandibulares anteriores. explicação para isto é apresentada em um argumento que diz
Se for aceito que existe uma relação direta entre a perda que 62% dos americanos da geração “baby boomer”* e mais
dentária e a idade, como isto afetará o presente e o futuro
da  prática odontológica? A substituição de dentes perdidos é *Nota da Revisão Científica: período de crescimento do número de
uma necessidade comum dos pacientes, e eles exigirão este tipo bebês.
4 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 1-2    Estrutura inferior projetada para uma arcada parcialmente desdentada Classe II de Kennedy, modificação 1 (Capítulo 3).
Vários componentes da estrutura são indicados para identificação. Os capítulos subsequentes irão descrever suas funções, confecções
e utilizações. A, Conector maior. B, Apoios. C, Retentor direto. D, Conector menor. E, Plano-guia. F, Retentor indireto.

Figura 1-3    Estrutura superior projetada para uma arcada parcialmente desdentada Classe I de Kennedy (Capítulo 3). Como na Figura 1-2,
as partes dos componentes são indicadas para identificação. A, Conector maior. B, Apoios. C, Retentor direto. D, Conector menor.
E, Plano-guia. F, Retentor indireto.
Capítulo 1  Epidemiologia, Fisiologia e Terminologia dos Desdentados Parciais 5

Tabela 1-1 Fisiológicas


Avaliação do Risco de Cáries * O que estamos substituindo quando consideramos a reposição
de dentes perdidos? Estamos substituindo tanto as ferramen-
Alto Risco Inferior 6 e 7 Primeiros e segundos tas físicas anatômicas para a mastigação como a capacidade
molares inferiores oral para as funções neuromusculares para manipular o ali-
Superior 6 e 7 Primeiros e segundos mento. Estudos de mastigação têm demonstrado que o feed-
molares superiores back sensorial oral que guia o movimento da mandíbula na
Inferior 5 Segundos pré-molares mastigação vem de uma variedade de fontes. O estímulo mais
inferiores sensível, que fornece o controle de movimento mais preciso e
Superior 1, 2, 4, 5 Incisivos centrais refinado, vem dos mecanorreceptores periodontais (MRPs),
e laterais inferiores com estímulo adicional vindo da gengiva, da mucosa, do
Primeiros e segundos
periósteo/osso e do complexo da articulação temporomandi-
pré-molares bular (ATM).
superiores A mastigação como um comportamento aprendido tem um
Superior 3 e Caninos superiores,
padrão básico de movimento que é formado no sistema nervoso
Baixo Risco
inferior 4 primeiros central. Na função típica, esse movimento padronizado é
pré-molares inferiores moderado com base no alimento e na tarefa necessária pelo
Inferior 1, 2, 3 Incisivos centrais,
estímulo sensorial oral de várias fontes. Com a perda da con-
laterais e caninos tribuição finamente sintonizada dos MRPs dos dentes, a
inferiores influência do receptor periférico resultante é menos precisa na
orientação muscular, produzindo função mastigatória mais
Dados de Klein H, Palmer CE: Estudo da Cárie Dental: XII. Comparação variável, e o tipo de prótese selecionada para substituir os
da suscetibilidade à cárie de vários tipos morfológicos de dentes permanen- dentes perdidos pode contribuir potencialmente para impedi-
tes. J Dent Res 20:203-216, 1941. mentos funcionais.
*
Se perda dentária caminha em paralelo com a atividade de cárie, o risco de O impacto estético da perda dentária pode ser altamente
cárie pode ser um promotor para a perda dentária.
significativo e mais preocupante para o paciente do que a perda
da função. Percebe-se geralmente que na sociedade de hoje a
perda de dentes visíveis, especialmente da região anterior,
jovens beneficiaram com água fluoretada. O resultado de tal carrega consigo um significativo estigma social. Com a perda
exposição tem sido um decréscimo na perda de dentes associada dos dentes e a diminuição do rebordo residual, as características
às cáries. Além disso, estimativas atuais sugerem que os pacien- faciais podem mudar como resultado de um suporte labial
tes estão mantendo os dentes por mais tempo, demonstrado alterado e/ou uma altura facial reduzida, causados pela redução
pelo fato de que 71,5% dos indivíduos entre 65 a 74 anos de na dimensão vertical de oclusão. A restauração da estética facial
idade são parcialmente desdentados (média dos números de de modo a manter uma aparência apropriada pode ser um
dentes mantidos em boca = 18,9). Tem sido sugerido que con- desafio e é um fator importante na restauração e manutenção
dições parcialmente desdentadas são mais comuns na arcada das decisões tomadas para vários tratamentos protéticos.
superior, e que os dentes ausentes mais comuns são os primeiros
e segundos molares.
Restauração Funcional
Com Próteses
Consequências Da Perda Dentária
Indivíduos com a dentição completa relatam algumas variações
Anatômicas nos níveis da função mastigatória. A perda de dentes pode levar
Com a perda dentária, a crista do rebordo alveolar não se bene- os pacientes a procurarem atendimento por motivos funcionais
ficia mais do estímulo funcional que possuía anteriormente. Por se eles observarem a diminuição da função para um nível ina-
esta razão, pode-se esperar a perda do volume do rebordo — ceitável por eles. O nível no qual um paciente acha a função
tanto em largura quanto em altura. Esses achados não são pre- inaceitável varia entre os indivíduos. Essa variabilidade aumenta
visíveis para todos os indivíduos com perdas dentárias, pois já com a aceleração da perda dos dentes. Essas variáveis podem ser
se relatou que a mudança anatômica é variável nos vários grupos confusas para os clínicos, que podem perceber que forneceram
de pacientes. Geralmente, a perda óssea é maior na mandíbula próteses de qualidade igual a diferentes pacientes com o mesmo
que na maxila, e mais pronunciada posteriormente que ante- padrão de perda dentária e, no entanto, receberam desses
riormente, o que produz uma arcada mandibular mais ampla pacientes diferentes relatos de sucesso.
enquanto a arcada maxilar fica mais constrita. Essas alterações Um entendimento dessas variações entre os indivíduos com
anatômicas podem representar desafios na confecção de próte- a dentição completa e aqueles com próteses pode auxiliar os
ses, incluindo próteses implantossuportadas e próteses parciais clínicos a formular objetivos realistas de tratamento que podem
removíveis. Associado a esta perda óssea, existe uma alteração ser passados aos pacientes. Uma revisão das funções orais, espe-
paralela na mucosa oral. A gengiva inserida do osso alveolar cialmente a mastigação, pode auxiliar os clínicos interessados a
pode ser substituída por uma mucosa oral menos queratinizada, entenderem melhor as questões relacionadas ao impacto da
que é mais facilmente traumatizada. função da prótese parcial removível.
6 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Mastigação uma diminuição na habilidade de mastigar é refletida em


Embora considerada funcionalmente um ato separado, a partículas maiores no limiar da deglutição.
mastigação como parte do processo da alimentação precede Essas medidas objetivas, que mostram os benefícios do
a deglutição e não representa um final em si. A interação contato dos molares em indivíduos dentados, se encontram
entre estes dois aspectos distintos mas coordenados da ali- em conflito com algumas medidas subjetivas de pacientes
mentação sugere que o término ou integralidade da masti- que expressam não ter percebido problemas funcionais asso-
gação precede o início da deglutição. Embora a sequência da ciados à oclusão apenas com os pré-molares. Esse conceito
mastigação-deglutição seja óbvia, a interação dessas duas de arcada dental diminuída tem destacado que as percepções
funções não é amplamente compreendida e pode ser impor- de comprometimento funcional pelos pacientes, assim como
tante para o uso das próteses quando as próteses parciais um benefício, deveriam ser consideradas quando se decide
removíveis são consideradas. substituir os molares ausentes. Quando a perda dos dentes
A mastigação envolve duas atividades distintas mas bem posteriores resulta em uma posição dentária instável, como
sincronizadas: a subdivisão do alimento por força aplicada e a migração distal ou vestibular, a substituição dos dentes
a manipulação seletiva pela língua e bochechas para separar deve ser considerada cuidadosamente; esta é uma situação
as partículas grossas e trazê-las para a superfície oclusal dos separada daquela do conceito de arcada dental diminuída.
dentes para outra repartição. A subdivisão inicial ou fase Foi relatado que a substituição protética de dentes fornece
cominutiva envolve o processo de seleção, que se refere à uma função que é frequentemente menor do que a encon-
possibilidade de que uma partícula seja posicionada entre os trada na dentição natural completa. As medidas funcionais
dentes em posição para ser quebrada e a quebra, que é o grau estão mais próximas do estado natural quando as substitui-
de fragmentação de uma partícula selecionada. O tamanho, ções são próteses parciais fixas rigidamente apoiadas por
formato e textura das partículas do alimento fornecem o dentes ou implantes, têm função intermediária quando as
estímulo sensorial que influencia a configuração e área de substituições são próteses removíveis e suportadas por
cada mordida. Em uma mastigação eficiente, as partículas dentes, têm função menor quando as substituições são
maiores são reduzidas seletivamente em tamanho mais rapi- removíveis e suportadas por dentes e rebordos desdentados,
damente do que as partículas finas. O processo de mastiga- e têm função mínima quando as substituições são removíveis
ção é, portanto, muito influenciado por fatores que afetam e suportadas apenas pelo rebordo alveolar.
a habilidade física de reduzir o alimento e de monitorar o As medidas objetivas e subjetivas da função oral de um
processo de redução pelas vias neurossensoriais. paciente frequentemente não estão em acordo. Foi demons-
trado que as medidas subjetivas da habilidade mastigatória
são frequentemente superestimadas comparadas aos testes
Redução do Alimento funcionais objetivos, e para os usuários de prótese total o
Os dentes ou as próteses têm a função de reduzir o alimento critério subjetivo pode ser mais apropriado no monitora-
a um estágio em que ele esteja pronto para ser deglutido. O mento dos resultados percebidos. Alguns estudos mostram
índice de redução do alimento é descrito como eficiência que determinados pacientes descrevem que as próteses par-
mastigatória, ou a habilidade de reduzir o alimento até um ciais removíveis adicionam muito pouco benefício se compa-
determinado tamanho em um determinado tempo. Uma radas à ausência de próteses. Entretanto, esses achados podem
forte correlação tem sido demonstrada entre a eficiência estar relacionados a vários fatores, incluindo a falta de manu-
mastigatória e o número de dentes em oclusão em indiví- tenção da relação da oclusão dentária, limitações deste tipo
duos dentados, o que poderia sugerir variabilidade de seleção de prótese dentária para pacientes que podem não ser con-
de partículas relacionadas com os dentes em contato. A fiáveis na manutenção de consultas de acompanhamento e
mensuração do desempenho revela uma grande variabili- variação intrínseca na resposta do paciente à prótese.
dade funcional em pacientes com número semelhante de A redução alimentar também é influenciada pela habili-
dentes em oclusão, e uma variabilidade ainda maior é encon- dade de monitorar o processo requerido para determinar o
trada entre a população com um grande número de perdas momento no qual se inicia a deglutição. Como mencionado
dentárias (aumento no grau de edentulismo). anteriormente, o tamanho, o formato e a textura do ali-
Como a área do contato oclusal é altamente correlacio- mento são monitorados durante a mastigação para possibi-
nada com o desempenho mastigatório, é de se esperar que a litar modificação no movimento mandibular para uma
perda dos molares tenha um grande impacto nas medidas redução alimentar eficiente. Isso foi demonstrado em indi-
do desempenho, uma vez que o molar tem a maior área de víduos dentados, dando-se a eles partículas alimentares de
contato oclusal. Esse efeito foi demonstrado em indivíduos tamanhos e concentrações variadas suspensas em iogurte,
com perda dos molares, que apresentam um número maior que revelaram que o aumento nas concentrações e no
de mastigações requeridas e um tamanho de partícula maior tamanho das partículas necessitou de um tempo maior de
antes da deglutição. O momento no qual um indivíduo está preparo para a deglutição (i.e., maior limiar de deglutição).
preparado para deglutir o bolo alimentar é outra medida do Esses achados sugerem que a mucosa oral tem uma função
desempenho e é descrito como o limiar da deglutição. A crítica na detecção de características necessárias para a mas-
capacidade mastigatória superior, que é altamente correla- tigação eficiente. A influência da prótese parcial removível
cionada à área do contato oclusal, também alcança maior na habilidade da mucosa para executar essa função na mas-
redução alimentar no limiar da deglutição. Reciprocamente, tigação não é conhecida.
Capítulo 1  Epidemiologia, Fisiologia e Terminologia dos Desdentados Parciais 7

Tabela 1-2
Distribuição das Próteses

Próteses parciais removíveis PPR/PPR 9,0% PPR/– 15,3%, –/PPR 4,5%


Próteses totais PTS/PTI 3,8% PTS/– 20,7%
Combinação PTS/PPR 11,5% PPR/PTI 0,3%

PTI, prótese total inferior; PTS, prótese total superior; PPR, prótese parcial removível. Dentes naturais indicados com um traço (–).

Tabela 1-3
Questões de Qualidade Técnica a Respeito das Próteses Parciais Removíveis
Falta de Estabilidade Falta de Integridade Falta de Retenção Reembasador/Adesivo Uso Excessivo
PPR Superior 43,9% 24,3% 6,2% 3,9% 21,6%
PPR Inferior 38,2% 13,2% 21,2% 21,6% 7,1%

PPR, prótese parcial removível

Uso Atual Da Prótese Parcial Removível a próteses parciais removíveis ruins. Essas características estão
diretamente relacionadas à estabilidade funcional da prótese.
Uma vez entendida a relação entre perda dentária e idade, as
consequências dessa perda e nossa habilidade em restaurar a
função com próteses parciais removíveis, o que sabemos sobre Necessidade DE Prótese Parcial
o atual uso de próteses para essas condições, e quais são os Removível
resultados clínicos mais comuns? Um estudo recente estimou O que todas essas informações significam para nós atualmente?
que 21,4% dos indivíduos de 15 a 74 anos utilizam próteses. No Significam que existem vários fatores importantes a serem con-
grupo entre 55 a 64 anos, 22,2% utilizavam próteses parciais siderados. A necessidade de tratamento de pacientes parcial-
removíveis. Esta faixa etária apresentou a maior taxa de utiliza- mente desdentados estará aumentando. A taxa de utilização da
ção de próteses parciais removíveis entre aqueles estudados. Foi prótese parcial removível foi elevada no passado e se espera que
sugerido que a taxa de utilização de próteses parciais removíveis continue assim no futuro. Alguns pacientes que podem escolher
entre os indivíduos acima de 55 anos é ainda maior. entre uma prótese inteiramente suportada por implantes ou
A análise desse estudo nos fornece algumas informações uma prótese parcial removível não são capazes de adotar os
importantes para considerações. Pacientes parcialmente des- cuidados necessários com os implantes.
dentados que não utilizavam nenhum tipo de prótese eram seis Finalmente, esses achados sugerem que deveríamos nos
vezes mais propensos a ter falta de dentes na arcada inferior empenhar para entendermos como maximizar a oportunidade
(19,4%) que na arcada superior (2,2%). Isso pode sugerir maior para o fornecimento e manutenção da estabilidade da prótese,
dificuldade na utilização de próteses inferiores. A distribuição pois este é o aspecto mais frequentemente deficiente em próte-
das próteses utilizadas neste grande grupo de pacientes é mos- ses parciais removíveis. Consequentemente, ao longo deste texto
trada na Tabela 1-2. Nesse estudo, as próteses foram avaliadas os princípios básicos de diagnóstico, preparo da boca, desenho
com base em cinco características de qualidade técnica: integri- da prótese, confecção, instalação e manutenção serão reforçados
dade, desgaste excessivo dos dentes posteriores, presença de para melhorar o entendimento do leitor sobre os cuidados com
material reembasador ou condicionador de tecido ou adesivo, as próteses parciais removíveis.
estabilidade e retenção. Como mostrado na Tabela 1-3, a falta de
estabilidade foi sete vezes mais prevalente que a falta de retenção.
Na mandíbula, a falta de estabilidade foi 1,8 vez mais prevalente Referências
que a falta de retenção. Em outro estudo, o formato do apoio, a 1. The glossary of prosthodontic terms, ed 8. From The Journal of
extensão da sela da prótese, a distribuição do estresse e o encaixe Prosthetic Dentistry 94:10-81, 2005.
da estrutura foram identificados como falhas comuns associadas 2. Mosby’s dental dictionary, ed 2, St Louis, 2008, Mosby/Elsevier.
2
Ca p í t ulo

Considerações para o Tratamento da


Perda Parcial dos Dentes
Reposição dos Dentes pela Perspectiva do Paciente

Sumário Do Capítulo Pontos De Vista


Pontos de Vista Tratamos ou controlamos a perda dos dentes? É a distinção
Reposições dos dentes pela perspectiva do paciente importante, uma vez que tentamos ajudar nossos pacientes a
Tomada de decisão compartilhada decidirem que tipo de prótese escolher? Para pacientes que
Prótese Dentossuportada querem saber o que esperar agora e no futuro, é útil fazer essa
Próteses Dentomucosossuportadas distinção, pois isso os ajuda a compreender que tal decisão tem
Seis Fases da Instauração da Prótese Parcial implicações para as necessidades futuras que podem ser dife-
Educação do paciente rentes entre as próteses.
Diagnóstico, planejamento de tratamento, desenho,
Reposição dos Dentes pela Perspectiva do Paciente
sequência do tratamento e preparo de boca
Suporte para prótese com base de extensão distal A perda dos dentes é uma condição permanente em que a
(extremidade livre) ordem natural foi interrompida, e nesse sentido é muito pare-
Estabelecimento e verificação das relações oclusais cida com uma condição médica crônica. Como hipertensão ou
diabetes, duas condições médicas irreversíveis e que requerem
e disposição do dente
controle médico para monitorar o cuidado a fim de assegurar
Procedimentos iniciais de instalação
resposta adequada ao longo do tempo, próteses de reposição
Revisão periódica
dental também devem ser manejadas para assegurar uma res-
Razões para o Fracasso das Próteses Parciais Removíveis posta apropriada ao longo do tempo.
Retidas por Grampos O termo manejo sugere um foco em atender às necessidades
que podem mudar ao longo do tempo. Essas necessidades
podem ser esperadas ou inesperadas. Os resultados esperados
são aqueles que acompanham o curso clínico comum para um
tipo de prótese que está relacionado à resposta do dente-tecido.
Essa resposta biológica é fortemente influenciada pelo tipo de
prótese escolhida. Além disso, várias necessidades devido à
degradação da prótese e relacionadas à expectativa de tempo
para retratamento são avaliadas com relação à expectativa de
vida. Necessidades inesperadas são aquelas que podem envolver
fatores relacionados ao nosso controle de manipulação (tais
como dano ou injúria dos tecidos, falhas no material ou desenho
da prótese) ou aqueles fora de nosso controle (tais como para-
função ou trauma acidental).
Com isso em mente, é útil considerar como abordamos
educar nossos pacientes acerca do manejo da falta do dente.

8
Capítulo 2  Considerações para o Tratamento da Perda Parcial dos Dentes 9

Frequentemente, uma sequência típica é usada para discutir pacientes a considerarem diferenças importantes entre os
opções de reposição dos dentes com os pacientes: prótese den- diferentes tipos de próteses.
tária implantossuportada, prótese fixa e, finalmente, prótese O que então define diferenças importantes? Resultados
parcial removível. Quando são sugeridas próteses parciais múltiplos se combinam para descrever o impacto geral do
removíveis, estas raramente são descritas em detalhe, como são tratamento protético para todos os pacientes. Isso inclui resul-
descritas próteses fixas ou implantes, uma vez que geralmente tados técnicos, físicos, estéticos, várias necessidades de manu-
são consideradas menos parecidas com dentes e não como uma tenção, custos iniciais e futuros, e até mesmo resultados
reposição desejada. É importante considerar a vantagem de uma fisiológicos que sugerem até que ponto as próteses se parecem
prótese, e como as próteses parciais removíveis (PPR) são menos com um dente.
parecidas com dentes que outras reposições, é importante reco- Quando as próteses de reposição dos dentes são considera-
nhecer o que isso sugere a partir ds perspectiva do paciente. das a partir da perspectiva do paciente, pode ser percebido que
As experiências dos pacientes envolveram dentes naturais, e o desejo é repor o dente que cumpre o papel funcional e social
suas expectativas de reposição seriam mais bem descritas dentro na vida cotidiana. Considerando como vários tipos de próteses
desse contexto. A ordem com a qual oferecemos opções de podem ir ao encontro das necessidades específicas do paciente,
reposição protética para consideração é provavelmente desen- é útil perceber que aspectos da dentição original — o padrão
volvida com base em vários fatores, incluindo os seguintes: ouro, nesse caso — nos esforçamos para duplicar na reposição.
podemos acreditar que sabemos o que é melhor para nossos Embora seja comum achar que as condições bucais existentes
pacientes, nosso estilo de clínica pode não incluir opções remo- não possibilitam facilmente a completa restauração até o estado
víveis, podemos não ter tido boa experiência com próteses de um paciente totalmente dentado, considerar as respectivas
removíveis e estas terem diminuído nossa confiança em seu uso, forças e fraquezas das opções protéticas (comparadas com esse
ou as PPR não combinarem com nossos recursos clínicos. “padrão ouro”) ajuda na identificação de expectativas
Apesar de estes serem fatores importantes, a razão de incluir realistas.
PPR na discussão está relacionada a identificar se tal prótese é Nesse texto, o foco será em um tipo de prótese de reposição
viável e, se for, se é a melhor opção para o paciente. Só desco- para pacientes com alguns, mas não todos, dentes faltando. A
brimos isso interagindo com nossos pacientes no que se refere prótese de reposição deve idealmente propiciar função e um
a suas expectativas e compreendendo sua capacidade para usu- nível de conforto o mais equivalente possível da dentição
fruir as opções únicas de cada tipo de prótese. normal. Conseguindo isso, estabilidade durante a mastigação
é um foco primordial de atenção, e devemos nos esforçar para
determinar o que é necessário para assegurar isso. Se a prótese
Tomada de Decisão Compartilhada vai ser visível durante a fala casual, quando sorrir e/ou garga-
Quando os pacientes recebem informações acerca do estado de lhar, é óbvio que a reposição deve parecer tão natural quanto
sua saúde oral, o que inclui doença e déficits funcionais, assim o ambiente ao seu redor. Em suma, as próteses de reposição
como os meios de abordar ambos, o que eles precisam ouvir? dos dentes devem apresentar uma combinação de várias
Para alcançar um estado de saúde bucal, eles precisam reco- características do dente natural: ter aparência socialmente
nhecer problemas comportamentais relativos ao controle do aceitável funcionalmente, ser confortável e estável na função
biofilme (placa bacteriana), de modo que, uma vez controlada e de fácil manutenção ao longo de sua vida útil, a um custo
a doença ativa, tenham uma compreensão que garanta melhor razoável.
a saúde futura. Quando é necessário tomar decisões para a
reposição dos dentes, frequentemente são requeridas mudan-
Prótese Dentossuportada
ças complexas na escolha dos cuidados para a manutenção. A
abordagem da “decisão compartilhada” enfoca a necessidade Para pacientes parcialmente desdentados, as opções protéti-
de informar completamente os pacientes sobre os riscos e cas disponíveis incluem próteses parciais fixas dentossupor-
benefícios do tratamento e assegura que os valores e preferên- tadas, próteses parciais removíveis e próteses parciais fixas
cias do paciente desempenhem um papel proeminente na implantossuportadas. Quão bem essas opções restauram e
decisão final. mantêm as características do dente natural já mencionadas
É reconhecido que pacientes variam em seu desejo de tomar dependendo em grande parte do número e dos locais dos
parte em tais decisões, portanto, nossa indagação ativa é neces- dentes perdidos. As categorias mais importantes da perda
sária para engajá-los na discussão. Isso se torna especialmente parcial do dente (Capítulo 3) são aquelas (1) com dentes
importante quando se considera o tratamento eletivo, que anteriores e posteriores ao espaço (um espaço dentossupor-
envolve opções de alta responsabilidade e de custo alto e com tado), e (2) com dente anterior ou posterior ao espaço (um
requisitos de manutenção muito variáveis. espaço dentomucosossuportado). Todas as opções protéticas
Quando os pacientes desejam participar, é nossa respon- listadas estão disponíveis para o espaço protético limitado
sabilidade fornecer-lhes informação específica e suficiente por dentes (apesar de não serem necessariamente indicadas
que eles possam usar para decidir entre as opções de trata- para todas as situações clínicas), mas apenas próteses parciais
mento. A informação específica vem, idealmente, de nossos removíveis e próteses implantossuportadas são eficazes para
próprios resultados clínicos, que fornecem dados de eficácia a extensão distal (reconhecendo aplicação limitada de próte-
e características específicas. Informação suficiente descreve ses fixas em cantiléveres).
exatamente quais aspectos do tratamento são importantes Próteses parciais removíveis podem ser desenhadas de várias
para a decisão completa. Por fim, é nosso papel ajudar os maneiras a fim de tornar possível o uso do dente de suporte e
10 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

mucosa de suporte para obter estabilidade, apoio e retenção da como o suporte da mucosa na prótese parcial removível den-
prótese. Em termos de espaços protéticos limitados por dente, tomucosossuportada muda, como esperado, ao longo do
a prótese parcial removível é como uma prótese parcial fixa tempo, para manejar adequadamente a perda parcial do dente
porque o dente natural por si só proporciona resistência direta com uma prótese removível devemos monitorar nossos
às forças funcionais. Como o dente natural suporta a prótese, pacientes cuidadosamente a fim de manter o suporte e assegu-
esta não deve se mover quando sofre forças funcionais. Nessa rar a máxima função protética.
condição, a interface entre (ou a relação deles) a estrutura da A prótese parcial retida por grampo, com retentores diretos
prótese parcial removível e o dente de apoio devem ser proje- extracoronários (grampos), é significativamente mais usada que
tados para tirar vantagem dos dentes de apoio — semelhante à a prótese parcial com encaixe de precisão (Figura 2-1). Ela é
relação entre um retentor de prótese parcial fixa e um dente capaz de prover tratamento fisiológico para a maioria dos
preparado. Isso significa que tal relação deve proporcionar pacientes que precisam de restaurações protéticas parciais.
suporte vertical positivo (preparos dos nichos) e um ângulo Apesar de a prótese parcial com grampo de retenção ter desvan-
restritivo de desalojamento (planos guias de oposição). Em tagens, suas vantagens de baixo custo e curto tempo de fabrica-
outras palavras, quando a prótese parcial removível é selecio- ção asseguram que ela continuará amplamente utilizada. A
nada para uma situação onde o espaço protético é limitado por seguir estão algumas possíveis desvantagens de uma prótese
dente, a estabilidade sob carga funcional deve ser tão bem con- parcial retida por grampo:
trolada quanto uma prótese parcial fixa, quando o preparo dos 1. A tensão no dente pilar muitas vezes é causada por preparo
dentes suporte for oferecido. Como os grampos da prótese impróprio do dente ou do desenho do grampo, e/ou perda
parcial removível não circundam o dente completamente, como do suporte da mucosa sob a extensão distal da base da prótese
o faz o retentor de uma prótese parcial fixa, portanto devem ser parcial.
desenhados para abraçar mais da metade da circunferência, a 2. Os grampos podem ser antiestéticos, particularmente quando
fim de possibilitar que a prótese mantenha a posição mesmo colocados em superfícies visíveis do dente sem se levar em
sob a influência de cargas mastigatórias horizontais. Deve estar consideração do impacto estético.
óbvio que o planejamento e a execução cuidadosa das modifi- 3. Cáries podem se desenvolver abaixo dos componentes do
cações necessárias do contorno do dente natural são exigidas grampo, especialmente no caso de o paciente não manter
para assegurar o controle do movimento e a estabilidade fun- limpos a prótese e os retentores.
cional para próteses parciais removíveis dentossuportadas. As Apesar dessas desvantagens, o uso de próteses removíveis
semelhanças entre a interface prótese-dente para próteses par- pode ser preferido sempre que os espaços desdentados margea-
ciais fixas e para próteses parciais removíveis são realçadas para dos por dentes forem muito largos para ser seguramente res-
enfatizar os princípios de modificação necessários, a fim de taurados com prótese fixa, ou quando são desejáveis a estabilização
assegurar estabilidade no controle do movimento em próteses do arco cruzado e a maior distribuição de forças para o dente
parciais removíveis. Ao longo do tempo, o suporte do dente suporte e mucosas. Próteses parciais fixas, entretanto, devem
natural pode ser mantido, assim como a prótese parcial fixa. O sempre ser consideradas e usadas quando indicado.
Capítulo 14 ajuda a explicar como isso é alcançado quando A prótese parcial removível retida por encaixes internos
realizamos modificações no dente natural ou nas coroas elimina algumas desvantagens dos grampos, porém há outras
fresadas. desvantagens, umas das quais é ser mais cara, o que a torna
mais difícil de ser obtida para uma porcentagem maior de
pacientes que precisam de próteses parciais. Entretanto, quando
Próteses DENTOMUCOSOSSUPORTADAS
o alinhamento dos dentes pilares é favorável e a saúde perio-
Para próteses parciais removíveis que não tem o benefício do dontal e o suporte ósseo são adequados, quando a coroa clínica
suporte do dente natural em cada extremidade dos dentes de é de comprimento suficiente e a morfologia da polpa pode
reposição (base de extensão da prótese parcial removível), é acomodar o preparo adequado do dente, e quando a condição
necessário que o rebordo residual seja usado para ajudar na econômica do paciente possibilita, uma prótese com encaixe
estabilidade funcional da prótese. Quando uma prótese parcial interno tem uma vantagem inquestionável por razões estéticas.
removível é selecionada para um arco dentomucosossupor- Quando essa situação existe, é preciso uma cuidadosa indica-
tado, a prótese precisa ser planejada a fim de possibilitar o ção quanto ao encaixe intracoronário no dente versus as opções
movimento funcional da base à extensão esperada pelo rebordo de encaixes amaciados aos implantes (Ver PPR e Implantes,
residual da mucosa. Esse movimento da mucosa é variável, Capítulo 25).
porém, para um rebordo residual (mastigatório) de mucosa Na maioria dos casos, se a prótese parcial com grampo de
saudável, espera-se um movimento de 1 a 3 mm. Consequen- retenção extracoronário for desenhada apropriadamente, a
temente, diferente do espaço protético limitado por dentes, a única vantagem da prótese com encaixe interno é estética,
modificação do dente para a prótese dentomucosossuportada porque a proteção do pilar e os componentes estabilizadores
deve ser desenhada com o objetivo duplo de contato da estru- devem ser usados com retentores tanto internos quanto exter-
tura no dente para possibilitar estabilidade funcional apro- nos. Contudo, se o custo do tratamento não for empecilho, a
priada do dente, mas possibilitando o movimento antecipado estética, por si só, pode justificar o uso de retentores com encai-
da base protética no sentido vertical e/ou horizontal. Isso xes internos, especialmente quando uma coroa é indicada por
introduz o conceito de movimento antecipado com uma razões que não a PPR.
prótese e a exigência de que temos um papel no desenho de O uso desnecessário de encaixes internos pode levar a carga
próteses para um movimento de controle apropriado. Ademais, de torque excessiva nos pilares que suportam a prótese parcial
Capítulo 2  Considerações para o Tratamento da Perda Parcial dos Dentes 11

Figura 2-1    A, Próteses parciais removíveis maxilares e mandibulares retidas por grampos. Todos os grampos são retentores extra-
coronários (grampos) sobre os pilares. B, Prótese de (A) mostrada intraoralmente em oclusão. C, Prótese maxilar usando retentores
intracoronários e cobertura palatina total. A porção macho dos encaixes são mostradas na posição mesial dos dentes artificiais e se
encaixarão dentro dos nichos intracoronários. D, Prótese com encaixe interno na boca do paciente. Note o ajuste preciso das porções
macho e fêmea dos encaixes.

removível de extremidade livre, especialmente na mandíbula. O quando utilizados; assim, devemos nos esforçar para fornecer e
uso de encaixes extracoronários (charneiras) ou outros tipos de manter a prótese o mais estável possível, dados os meios dispo-
rompe-forças não é aconselhado nessas situações. Não que níveis. Como assegurar a estabilidade funcional? Compreen-
sejam ineficazes, mas são frequentemente mal utilizados. Por dendo que uma prótese parcial removível pode mover sob
exemplo, no arco inferior, uma prótese parcial removível de função (porque não é cimentada aos dentes como uma prótese
extremidade livre distal com encaixes rompe-forças não fornece parcial fixa). Devemos seguir alguns passos para realizar o ajuste
estabilidade ao arco cruzado do espaço protético e frequente- protético necessário aos dentes (e tecido) para controlar o
mente sujeita ao rebordo desdentado a um trauma excessivo movimento o máximo possível. Isso implica em fornecer pre-
causado pelas forças horizontais e de rotação. Assim, é preferí- paros adequados aos dentes naturais, assegurando um adequado
vel um desenho rígido, e a indicação de algum tipo de grampo encaixe da estrutura no dente e no tecido, proporcionar uma
retentor extracoronário é o mais lógico e também o mais usado. relação de contato simultâneo entre os dentes naturais e os
Parece que o seu uso ainda continuará até que um retentor mais dentes protéticos opostos, e proporcionar e manter um melhor
amplamente aceitável seja inventado. apoio do tecido mole e dos dentes.
Como visto anteriormente no Capítulo 1, o problema mais Como será visto no Capítulo 4, o controle do movimento
comumente citado, associado a próteses parciais removíveis, é a antecipado da sua prótese é definido determinando-se a parte
instabilidade. Dentes naturais saudáveis não devem se mover componente apropriada da prótese para contatar/encaixar o
12 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

dente ou tecido de modo que torne possível movimento e A educação do paciente deve começar no contato inicial
remoção da prótese. Há movimentos que devemos controlar com ele e deve continuar ao longo do tratamento. Esse proce-
que são mais importantes que outros? Apesar de reconhecermos dimento educacional é especialmente importante quando o
a necessidade de tirar o movimento dos dentes e da mucosa a tratamento e prognóstico são discutidos com o paciente. As
fim de impedir que a prótese saia da boca, as forças mais pre- limitações impostas ao sucesso do tratamento pela falha do
judiciais são as resultantes do fechamento funcional durante a paciente em aceitar a responsabilidade devem ser explicadas
mastigação (e em alguns pacientes, parafunção). Consequente- antes de realizado o tratamento definitivo. Um paciente nor-
mente, o controle combinado dos movimentos vertical (movi- malmente não lembrará de toda a informação apresentada nas
mentos em direção à mucosa) e horizontal é mais crítico e é consultas de instruções de educação. Por essa razão, deve-se dar
importante nas modificações do dente (nichos e preparos dos aos pacientes sugestões por escrito a fim de reforçar as orien-
componentes estabilizadores) e na verificação do encaixe ade- tações orais.
quado da estrutura nos dentes.
Diagnóstico, Planejamento de Tratamento,
Seis Fases Da Instauração Da Desenho, Sequência do Tratamento e
Prótese Parcial Preparo de Boca
A instauração da prótese parcial pode ser logicamente dividida O desenho e planejamento do tratamento começam com as
em seis fases. A primeira fase está relacionada à educação do histórias médica e dentária completas. O exame bucal completo
paciente. A segunda fase inclui o diagnóstico, o planejamento deve incluir interpretação clínica e radiográfica (1) da cárie, (2)
do tratamento, o desenho da moldura da prótese parcial, a das condições das restaurações preexistente, (3) das condições
sequência do tratamento e a execução dos preparos da cavidade periodontais, (4) das respostas dos dentes (especialmente dentes
bucal da boca. A terceira fase é a provisão adequada do suporte pilares) e rebordos residuais ao estresse anterior e (5) da vitali-
para prótese com base em extensão distal. A quarta fase é a dade dos dentes remanescentes. Complementando, a avaliação
verificação e o estabelecimento de relações oclusais e dentais do plano oclusal, a forma do arco e as relações oclusais dos dentes
harmoniosas com os dentes naturais remanescentes e oposito- remanescentes devem ser meticulosamente concluídas por
res. A quinta fase envolve procedimentos iniciais de instalação, ­avaliação visual clínica e montagem de diagnóstico. Após uma
incluindo ajustes aos contornos e às superfícies de suporte da avaliação diagnóstica completa ter sido efetuada e uma prótese
base da prótese, ajustes para assegurar a harmonia oclusal, e a parcial removível ter sido selecionada como tratamento de
revisão das instruções dadas ao paciente para manter as estru- escolha, é dada sequência a um plano de tratamento e é desen-
turas orais e as restaurações protéticas de maneira adequada. A volvido um desenho da prótese parcial de acordo com o suporte
sexta e última fase da instalação da prótese parcial consiste no disponível.
acompanhamento do dentista por meio das consultas de revisão O delineador (Figura 2-2) é absolutamente necessário em
para avaliação periódica das respostas do tecido bucal às res- todo consultório dentário no qual os pacientes estejam sendo
taurações protéticas e da aceitação das mesmas pelo paciente. tratados com próteses parciais removíveis. O delineador é indis-
O acompanhamento é uma verificação geral dessas fases. O pensável para diagnosticar e guiar o preparo apropriado do dente
contexto de cada fase é discutido em mais detalhes nos capítulos e verificar que o preparo da boca foi corretamente efetuado. Não
respectivos desse livro. há mais razão para justificar sua ausência no equipamento de um
dentista do que há em ignorar a necessidade do equipamento
Educação do Paciente radiológico, do espelho de boca e explorador, ou a sonda perio-
O termo educação do paciente é descrito no Mosbýs Dental dontal, usados para propósitos de diagnóstico.
­Dictionary como “o processo de informar um paciente sobre a Estão disponíveis muitos delineadores com preços modera-
importância da saúde para o consentimento informado seguro, dos que cumprem os procedimentos necessários para desenhar
a cooperação e um alto nível de aceitação do paciente.” a prótese parcial adequadamente. Em muitos consultórios
O dentista e o paciente dividem a responsabilidade para o odontológicos, essa fase mais importante do diagnóstico dental
sucesso final de uma prótese parcial removível. É uma tolice supor é delegada ao laboratório protético porque não há essa ferra-
que um paciente terá compreensão dos benefícios de uma prótese menta inestimável ou porque o dentista sente-se inexperiente
parcial removível a menos que ele/ela esteja bem informado. É ou é displicente. Essa situação coloca o técnico no papel de
também pouco provável que o paciente terá conhecimento para diagnosticador. Qualquer tratamento clínico fundamentado no
evitar o mau uso da prótese ou que será capaz de manter os diagnóstico do técnico continua sob responsabilidade do den-
cuidados bucais necessários e os procedimentos de manutenção tista. Isso não faz mais sentido, é como confiar no técnico para
que asseguraram o sucesso da prótese parcial, a menos que ele/ que interprete as radiografias e faça um diagnóstico.
ela seja devidamente aconselhado. Após o planejamento do tratamento, uma sequência prede-
A melhor prótese parcial removível biologicamente orien- terminada de preparos de boca pode ser feita com um objetivo
tada está frequentemente fadada ao sucesso limitado caso o definido em mente. É obrigatório que o plano de tratamento
paciente falhe no exercício dos hábitos apropriados de higiene seja revisado para assegurar que o preparo de boca necessário
bucal ou ignore as consultas de revisão. A preservação das estru- para acomodar o desenho da prótese parcial removível tenha
turas bucais, um dos principais objetivos do tratamento proté- sido apropriadamente sequenciado. Os preparos de boca, na
tico, será comprometida sem a cooperação do paciente quanto sequência apropriada, devem ser orientados com o objetivo de
à higiene bucal e às visitas regulares de manutenção. promover o suporte adequado, a estabilidade, a retenção e uma
Capítulo 2  Considerações para o Tratamento da Perda Parcial dos Dentes 13

moldados sob alguma carga, de modo que a base seja feita para
se adaptar à forma do rebordo quando está sob função. Isso dá
suporte e assegura a manutenção desse suporte pelo maior
tempo possível. Esse requisito faz com que a prótese parcial
removível de extremidade livre seja única no aspecto de que o
apoio dos tecidos subjacentes à base de extensão distal precisa
ser feito o mais possível igual e compatível com o dente de
suporte.
Uma prótese total é inteiramente mucossuportada, e toda a
prótese pode se mover em direção ao tecido sob função. Em
contraste, qualquer movimento de uma base de prótese parcial
removível é inevitavelmente um movimento rotacional que, se
em direção à mucosa, pode resultar em forças de torção inde-
sejáveis aos dentes pilares e na perda de contatos oclusais pla-
nejados. Portanto, todo esforço deve ser feito para fornecer o
melhor suporte possível para a base de extensão distal a fim de
minimizar essas forças.
Normalmente, uma única técnica de moldagem não pode
registrar adequadamente a forma anatômica dos dentes e as
estruturas adjacentes e ao mesmo tempo registrar a forma de
suporte do rebordo mandibular desdentado. Deve ser usado
um método que possa registrar esses tecidos em sua forma
Figura 2-2    O delineador facilita o desenho de uma prótese de suporte ou em uma relação de suporte com o resto da
parcial removível. É um instrumento pelo qual o paralelismo ou prótese (Figura 2-3). Isso pode ser alcançado por um dos
a falta de paralelismo dos dentes pilares e outras estruturas muitos métodos que serão discutidos posteriormente no
orais, em um modelo em gesso pedra, pode ser determinado Capítulo 16.
(visão aproximada mostra superfície paralela do plano guia). O uso
do delineador é discutido posteriormente.
Estabelecimento e Verificação das Relações
Oclusais e Disposição do Dente
oclusão harmoniosa para a prótese parcial removível. Colocar Se a prótese parcial é dentossuportada ou tem uma ou mais
uma coroa ou restaurar um dente fora de sequência pode extremidades livres, o registro e a verificação das relações
resultar na necessidade de restaurar dentes que não estavam oclusais e a disposição dos dentes são passos importantes para
planejados para serem restaurados, ou pode necessitar refazer a construção de uma prótese parcial removível. Para a prótese
a prótese parcial removível ou até mesmo arriscar o sucesso parcial removível dentossuportada, o formato do rebordo é
dela. Com a ajuda dos modelos de diagnóstico no qual o esboço de menor significância do que quando esta for dentomuco-
da prótese parcial foi determinado, e os preparos de boca sossuportada, pois o rebordo não é utilizado para suportar a
foram indicados em lápis colorido, os ajustes oclusais, as res- prótese. Para a prótese de extremidade livre, entretanto, os
taurações dos pilares, e as modificações dos pilares podem ser registros da relação maxilomandibulares devem ser feitos
realizados. apenas após se obter o melhor suporte possível para a base
da prótese. Isso requer que se faça uma base de registro que
Suporte para Prótese com Base de Extensão Distal proporcionará o mesmo suporte que o da prótese concluída.
(Extremidade Livre) Portanto, as relações maxilomandibulares finais devem ser
registradas após aprovada a estrutura metálica pelo dentista,
A terceira das seis fases no tratamento de um paciente com uma
o encaixe da mesma aos dentes pilares e a oclusão do arco
prótese parcial envolve obter suporte adequado para as bases de
antagonista terem sido verificados e corrigidos e ter sido feita
extensão distal. Desse modo, não se aplica às próteses parciais
uma moldagem correta. Então uma nova base de resina ou
removíveis dentossuportadas. Nesta última, o suporte vem
uma base corrigida deve ser utilizada para registrar as relações
inteiramente dos dentes pilares pelo uso de apoios.
maxilomandibulares.
Para a prótese parcial removível com extensão distal, entre-
Os registros oclusais para uma prótese parcial removível
tanto, uma base feita para se ajustar ao rebordo anatômico não
podem ser feitos pelos métodos que serão descritos no
fornece suporte adequado quando sob carga oclusal (Figura 2-3).
­Capítulo 17.
Também não fornece a extensão máxima da borda nem o
detalhe exato da borda. Portanto, algum tipo de correção na
moldagem se fez necessário. Isso pode ser conseguido de várias Procedimentos Iniciais de Instalação
maneiras, qualquer uma que satisfaça os requisitos para suporte A quinta fase do tratamento ocorre quando se entrega ao
de qualquer base da prótese parcial removível com extensão paciente a prótese parcial removível. Inevitavelmente podem
distal. ocorrer algumas mudanças de última hora nas relações oclusais
Em primeiro lugar está o requisito de que certos tecidos durante o processamento das próteses. Não só a harmonia
moles na área de suporte primário devem ser registrados ou oclusal deve ser assegurada antes que o paciente receba as
14 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 2-3    A, Vista oclusal do modelo de uma moldagem preliminar, que produziu um modelo do rebordo anatômico (esquerdo),
e um do modelo alterado do mesmo rebordo mostrando um modelo funcional ou com a área basal delimitada (direito). A moldagem
alterada do modelo coloca seletivamente a pressão na região de fundo de sulco vestibular, a qual receberá a carga mastigatória rebordo
residual mandibular posterior. B, Vista vestibular modelo anatômico do rebordo. C, Vista vestibular do modelo de trabalhar após a
moldagem funcional. Note que o modelo funcional do rebordo delimita claramente a extensão de cobertura da base da prótese (área
basal) e é mais diferente modelo anatômico quando a mucosa livre é facilmente deslocada.

­ róteses, como também as suas bases processadas devem estar


p
razoavelmente adequadas para se ajustar à área basal. É preciso
Razões Para O Fracasso Das
certificar-se de que o paciente compreendeu as sugestões e
Próteses Parciais Removíveis
recomendações dadas pelo dentista para o cuidado das próteses Retidas Por Grampos
e das estruturas bucais e entender acerca das expectativas (com A experiência com a prótese parcial removível retida por
base na discussão da “Decisão Compartilhada”) nas fases de grampos confeccionada pelos métodos descritos provou seu
ajuste e no uso das próteses. Essas facetas do tratamento serão mérito e justifica o seu uso atualmente. A objeção ocasional
discutidas em detalhes no Capítulo 20. à visibilidade dos grampos de retenção pode ser minimizada
pelo uso de braços de retenção de grampos flexíveis
Revisão Periódica (wrought-wire). Para o uso de uma prótese parcial retida por
A instalação e o ajuste inicial das próteses certamente não é o meio de grampos apropriadamente desenhada, poucas são
fim do tratamento para o paciente parcialmente desdentado. A as contraindicações. Praticamente todas as objeções a esse
reavaliação periódica do paciente é imprescindível para o reco- tipo de prótese podem ser eliminadas apontando-se defi-
nhecimento precoce de alterações nas estruturas bucais a fim de ciências no preparo da boca, no desenho e fabricação da
possibilitar os passos a serem dados para manter a saúde oral. prótese e na educação do paciente. Isso inclui o seguinte:
Esses exames devem monitorar a condição da mucosa bucal, a
resposta do dente suporte da PPR, a prótese, a aceitação do Diagnóstico e planejamento do tratamento
paciente e o compromisso do paciente em manter a higiene 1. Diagnóstico inadequado
bucal. Apesar do período de revisão de seis meses ser adequado 2. Falha ao usar um delineador ou usar um delinea-
para a maioria dos pacientes, alguns podem precisar de avalia- dor inapropriadamente durante o planejamento do
ção mais frequente. O Capítulo 20 abordará algumas sugestões tratamento
acerca dessa sexta fase de tratamento.
Capítulo 2  Considerações para o Tratamento da Perda Parcial dos Dentes 15

Procedimentos de Preparo da Boca 2. Falha em registrar a área basal de maneira funcional


1. Falha em sequenciar apropriadamente os procedi- (moldagem funcional incorreta).
mentos de preparo da boca.
Oclusão
2. Preparos inadequados da boca, normalmente resul-
1. Falha em desenvolver um oclusão harmoniosa.
tando do planejamento insuficiente do desenho da
2. Falha em usar materiais compatíveis para as faces
PPR ou falha para verificar se os preparos necessários
oclusais do arco antagonista.
foram corretamente realizados.
3. Falha nos condicionamentos do tecido mole de Relação Paciente-Dentista
suporte, obtendo a saúde do mesmo, antes dos pro- 1. Falha do dentista em fornecer informação adequada
cedimentos de moldagem. sobre a saúde bucal, incluindo detalhes no cuidado e
4. Moldagem incorreta dos tecidos moles e duros. no uso das próteses.
2. Falha do dentista em proporcionar oportunidades de
Desenho da Estrutura revisão periodicamente.
1. Falha na correta localização e no tamanho dos apoios. 3. Falha do paciente em realizar os cuidados dentais de
2. Conectores maiores e menores, flexíveis ou mal higiene e responder aos chamados de revisão.
localizados. Uma prótese parcial removível desenhada e planejada
3. Uso incorreto dos desenhos dos grampos. de modo a evitar os erros e as deficiências listadas é aquela
4. Uso de grampos fundidos que têm muita pouca fle- que prova que a PPR a grampo pode ser feita funcional e
xibilidade, são amplos no abraçamento do dente e com uma estética agradável e de longa durabilidade sem
têm pouca consideração com a estética. causar dano às estruturas de suporte. A prova do mérito
deste tipo de restauração repousa no conhecimento de que
Procedimentos Laboratoriais ela (1) torna possível o tratamento para um alto número
1 Problemas no preparo do modelo de trabalho. de pacientes a um custo razoável; (2) proporciona restau-
a. Moldagem inadequada rações que são confortáveis e eficientes por longo período
b. Modelos de baixa qualidade de tempo, com suporte adequado e manutenção das rela-
c. Incompatibilidade do gesso ao material de ções maxilomandibulares; (3) pode possibilitar um pilar
moldagem saudável, livre de cárie e de doenças periodontais; (4) pode
2 Falha em fornecer ao técnico um desenho específico e proporcionar saúde contínua aos tecidos que apoiam as
a informação necessária para possibilitar que ele realize selas protéticas; (5) faz com que a prótese removível seja
o projeto. um trabalho definitivo e não um tratamento meramente
3 Falha do técnico em seguir o projeto e as instruções temporário.
escritas. Próteses parciais feitas assim contribuirão para um conceito
de reabilitação protética que tem como objetivo a promoção
Suporte para as Bases das Próteses (Selas) da saúde bucal, a reabilitação de bocas parcialmente desdenta-
1. Cobertura inadequada da área basal. das e a eliminação da necessidade final de próteses totais.
3
Ca p í t ulo

Classificação das Arcadas


Parcialmente Desdentadas
SUMÁRIO DO CAPÍTULO Embora os relatos recentes tenham mostrado um declínio cons-
tante na prevalência da perda dentária durante as últimas
Requisitos de um Método de Classificação Aceitável décadas, permanece uma variação significativa na distribui-
Classificação de Kennedy ção da perda dentária. Seria mais útil considerar quais combi-
Regra de Applegate para a Aplicação da Classificação de nações de perda dentária são mais comuns e classificá-las com
Kennedy o propósito de auxiliar o tratamento de pacientes parcialmente
desdentados. Várias classificações de arcadas parcialmente des-
dentadas têm sido propostas e estão sendo utilizadas. Esta varie-
dade tem levado a algumas confusões e discordâncias sobre qual
classificação descreve melhor todas as possíveis configurações e
deve ser adotada.
As classificações mais familiares são aquelas originalmente
propostas por Kennedy, Cummer e Bailyn. Beckett, Godfrey,
Swenson, Friedman, Wilson, Skinner, Applegate, Avant, Miller e
outros também propuseram classificações. É evidente que se
deve realizar uma tentativa para combinar as melhores caracte-
rísticas de todas as classificações de modo que uma classificação
universal possa ser adotada.
Uma classificação que é baseada em critérios diagnósticos foi
proposta recentemente para desdentados parciais.1 O propósito
deste sistema de classificação é facilitar as decisões do trata-
mento com base na complexidade do caso. A complexidade é
determinada por quatro amplas categorias diagnósticas que
incluem: local e extensão da área desdentada, condição dos
pilares, características e requisitos oclusais e características do
rebordo residual. A vantagem deste sistema de classificação em
comparação àqueles mais utilizados atualmente ainda não foi
documentada.
Hoje, o método de Kennedy é provavelmente a classificação
mais amplamente aceita de arcadas parcialmente desdentadas.
Em uma tentativa de simplificar o problema e encorajar uma
utilização mais universal de uma classificação, e no interesse de
comunicação adequada, será utilizada neste livro a classificação
de Kennedy. O estudante pode consultar a seção Recursos de
Leitura Selecionados para informações relativas a outras
classificações.

16
Capítulo 3  Classificação das Arcadas Parcialmente Desdentadas 17

Embora as classificações sejam na verdade descrição de Classificação De Kennedy


arcadas parcialmente desdentadas, a prótese parcial removível
que restaura uma classe particular de arcada é descrita como O método de classificação de Kennedy foi originalmente proposto
uma prótese daquela classe. Por exemplo, falamos de uma pelo Dr. Edward Kennedy em 1925. Ele tenta classificar as arcadas
prótese parcial removível Classe III ou Classe I. É mais simples parcialmente desdentadas de um modo que sugere certos princí-
dizer “uma prótese parcial Classe II” do que dizer “uma prótese pios de desenho da prótese para uma dada situação (Figura 3-1).
parcial restaurando uma arcada parcialmente desdentada Kennedy dividiu todas as arcadas parcialmente desdentadas
Classe II”. em quatro classes básicas. Áreas desdentadas que não aquelas
que determinam as classes básicas foram designadas como
espaços de modificação (Figura 3-2).
A seguir, apresentamos a classificação de Kennedy:
Requisitos De Um Método De
Classe I Área desdentada bilateral localizada posteriormente
Classificação Aceitável
aos dentes naturais
A classificação das arcadas parcialmente desdentadas deveria Classe II Uma área desdentada unilateral localizada posterior-
satisfazer os seguintes requisitos: mente aos dentes naturais
1. Possibilitar uma visualização imediata do tipo de arcada Classe III Uma área desdentada unilateral com dentes naturais
parcialmente desdentada que está sendo considerada. remanescentes tanto posterior como anterior a eles (intercalar)
2. Possibilitar a diferenciação imediata entre a prótese dentos- Classe IV Uma área desdentada única, mas bilateral (cruzando
suportada e dentomucosossuportada. a linha média), localizada anterior aos dentes naturais
3. Ser universalmente aceita. remanescentes

Figura 3-1    Exemplos representativos de arcadas parcialmente desdentadas classificadas pelo método de Kennedy.
18 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 3-2    Classificação de Kennedy com exemplos de modificações. A, Arcada maxilar Classe I. B, Arcada mandibular Classe II.
C, Arcada mandibular Classe III. D, Arcada maxilar Classe IV. E, Arcada mandibular Classe II, modificação 1. F, Arcada maxilar Classe II,
modificação 1. G, Arcada mandibular Classe II, modificação 2. H, Arcada maxilar Classe III, modificação 2.
Capítulo 3  Classificação das Arcadas Parcialmente Desdentadas 19

Quadro 3-1
Regras Para A Aplicação Do Método De Kennedy
Regra 1 Regra 6
A classificação deve ser feita após quaisquer extrações de dentes Áreas desdentadas com exceção daquelas que determinam a
que possam alterar a classificação original. classificação são denominadas modificações e são designadas por
seu número.
Regra 2
Se um terceiro molar está faltando e não é para ser substituído, Regra 7
ele não é considerado na classificação. A extensão da modificação não é considerada, apenas o número
de áreas desdentadas adicionais.
Regra 3
Se um terceiro molar está presente e será utilizado como suporte, Regra 8
ele é considerado na classificação. Áreas de modificação não podem ser incluídas nas arcadas
Classe IV. (Outras áreas desdentadas que se encontram posterior
Regra 4 às únicas áreas bilaterais cruzando a linha média determinam a
Se um segundo molar está ausente e não será substituído, ele classificação; veja Regra 5.)
não é considerado na classificação (p. ex., se o segundo molar
oposto também está ausente e não vai ser substituído).

Regra 5
A área desdentada mais posterior (ou áreas) sempre determina
a classificação.

Figura 3-3    Nove configurações de arcadas parcialmente desdentadas. Identifique-as. As respostas podem ser encontradas no final
do capítulo, após a referência.
20 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Uma das principais vantagens do método de Kennedy é que ter uma base de extensão mucosossuportada, a prótese deve ser
ele favorece a visualização imediata da arcada parcialmente des- desenhada de forma semelhante à prótese Classe I. Frequente-
dentada e possibilita uma fácil distinção entre a prótese dentos- mente, entretanto, um componente dentossuportado, ou Classe
suportada e a dentomucosossuportada. Aqueles que aprenderam III, está presente em outras partes da arcada. Portanto, a prótese
esta classificação e que conhecem os princípios de desenho de parcial Classe II cai justamente entre a Classe I e a Classe III por
próteses parciais podem prontamente fazer a relação com o incorporar características de desenho comuns a ambos. De
desenho da configuração da arcada para ser utilizada na prótese acordo com o princípio de que o desenho é fundamentado na
parcial básica. Este método torna possível uma abordagem classificação, a aplicação de tais princípios de desenho é sim-
lógica dos problemas do desenho da prótese. Ele torna possível plificada retendo-se a classificação original de Kennedy.
a aplicação dos bons princípios de desenho de próteses parciais A Figura 3-3 apresenta uma oportunidade de testar suas
e é, portanto, um método lógico de classificação. Entretanto, habilidades. Reveja a figura e classifique as arcadas parcialmente
um sistema de classificação não deve ser utilizado para estereo- desdentadas ilustradas. As respostas estão relacionadas a seguir.
tipar ou limitar os conceitos de desenho de próteses.

Regras De Applegate Para A Aplicação Referência


Da Classificação De Kennedy
McGarry TJ, Nimmo A, Skiba JF, et al: Classification system for partial
A classificação de Kennedy seria difícil de aplicar em todas as edentulism, J Prosthodont 11(3):181–193, 2002.
situações sem certas regras de aplicação. Applegate forneceu
oito regras que controlam a aplicação do método de Kennedy Respostas para a Figura 3-3:
(Quadro 3-1). A. Cl IV
Embora inicialmente possa ocorrer alguma confusão, como B. Cl II Modificação 2
por que a Classe I deve se referir a duas áreas desdentadas e a C. Cl I Modificação 1
Classe II deve se referir a uma, os princípios de desenho tornam D. Cl III Modificação 3
lógica esta distinção. Kennedy colocou a Classe II unilateral com E. Cl III Modificação 1
extensão distal entre a Classe I bilateral com extensão distal e a F. Cl III Modificação 1
classificação Classe III dentossuportada porque a prótese parcial G. Cl IV
Classe II deve incorporar características de ambas, especialmente H. Cl II
quando as modificações dentossuportadas estão presentes. Por I. Cl III Modificação 5
4
C a p í t ulo

Biomecânica das Próteses


Parciais Removíveis
SUMÁRIO Do Capítulo Com foi dito no Capítulo 1, o objetivo das Próteses Parciais
Removíveis é promover restaurações eficientes e funcionais
Biomecânica e Soluções de Desenho com base no entendimento de como se maximizar qualquer
Considerações Biomecânicas oportunidade para confeccionar próteses estáveis e assim
Movimentos Possíveis das Próteses Parciais mantê-las. Uma vez que as próteses parciais removíveis não são
Impacto dos Implantes nos Movimentos das ligadas rigidamente aos dentes, o controle do movimento
Próteses Parciais potencial sob cargas funcionais é crítico para se promover a
melhor chance de estabilidade e conforto ao paciente. A con-
sequência do movimento das próteses sob as cargas funcionais
é a aplicação de tensão ao dente e aos tecidos que estão em
contato com a prótese. É importante que esta tensão não exceda
o nível de tolerância fisiológica, que é o alcance máximo de
estímulos mecânicos que o sistema pode resistir sem rompi-
mento ou consequências traumáticas. Na terminologia da
engenharia mecânica, a prótese induz tensão nos tecidos igual
à força aplicada na área de contato com os dentes e/ou tecidos.
Esta mesma tensão atua na produção de uma compressão no
tecido de suporte, que resulta em deslocamento de carga no
dente e no tecido. O entendimento de como estes fenômenos
mecânicos agem dentro do ambiente biológico, que é único
para cada paciente, pode ser discutido em termos da biomecâ-
nica. Ao se planejar uma prótese parcial removível, com foco
no objetivo de se promover e manter as próteses estáveis, é
essencial que se considerem os princípios básicos de biomecâ-
nica associados às características únicas de cada boca. A higiene
oral e os procedimentos de manutenção da prótese apropriados
são necessários para o benefício contínuo dos princípios bio-
mecânicos otimizados.

Biomecânica e Soluções de Desenho


As próteses parciais removíveis, pelo desenho, são planejadas
para serem instaladas e removidas da boca. Por causa disso,
elas não podem ser conectadas rigidamente aos dentes ou
tecidos. Isto faz com que estas próteses sejam passíveis de se
movimentarem em resposta às cargas funcionais, como
aquelas criadas pela mastigação. É importante para os clínicos
que oferecem próteses removíveis entender os movimentos

21
22 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

possíveis em resposta à função e ser capaz de desenhar logi- Considerações Biomecânicas


camente os componentes da prótese parcial removível para
auxiliar no controle desses movimentos. Como isto é conse- Como Maxfield afirmou: “A observação comum identifica
guido de uma maneira lógica, pode não ser claro para um claramente que a capacidade das coisas vivas de tolerarem as
clínico principiante neste exercício. Um método para auxiliar forças é fortemente dependente da magnitude ou intensidade
a organizar o pensamento do desenho é considerá-lo um da força.” As estruturas de suporte das próteses parciais remo-
exercício de criação de soluções. víveis (dentes pilares e rebordos residuais) são coisas vivas que
O desenho de uma prótese parcial removível pode ser estão sujeitas a forças. A capacidade das estruturas de suporte
considerado semelhante ao projeto clássico e multifacetado de resistirem às forças depende de (1) que força típica necessita
da engenharia convencional, que é caracterizado por ser de resistência, (2) qual a duração e a intensidade dessas forças,
aberto e não estruturado. Ser aberto significa que os pro- (3) qual a capacidade que o dente e/ou a mucosa tem de resistir
blemas possuem tipicamente mais de uma solução, e não a essas forças, (4) como a utilização do material influencia esta
estruturado quer dizer que as soluções não são resultado de resistência dente-tecido e (5) se a resistência se altera com o
fórmulas matemáticas padronizadas utilizadas de alguma tempo.
maneira estruturada. O processo de desenho, que é uma série A consideração das forças inerentes à cavidade bucal é
de etapas que conduzem à solução de um problema, inclui crítica. Isto inclui direção, duração, frequência e magnitude da
identificação da necessidade, definição do problema, estabe- força. Em uma análise final, é o osso que oferece o suporte para
lecimento dos objetivos do projeto, pesquisa pelas informa- a prótese removível (p. ex., o osso alveolar por meio do liga-
ções e dados de experiências anteriores, desenvolvimento de mento periodontal e o rebordo residual através do tecido mole
um fundamento para o desenho, elaboração e avaliação de de cobertura). Se as forças potencialmente destrutivas puderem
soluções alternativas e a promoção da solução (p. ex., pro- ser minimizadas, então as tolerâncias fisiológicas das estruturas
cesso de tomada de decisão e comunicação das soluções) de suporte não são excedidas e não vão ocorrer alterações pato-
(Quadro 4-1). lógicas. As forças possíveis de ocorrer com a função das próteses
A base para o desenho deve ser desenvolvida logicamente a removíveis podem ser amplamente distribuídas e direcionadas
partir da análise da condição bucal específica de cada paciente e seus efeitos minimizados pelo desenho apropriado da prótese
sob consideração. Entretanto, é possível que “soluções” com parcial removível. O projeto adequado inclui a seleção e loca-
desenhos alternativos possam ser aplicadas, e é a avaliação da lização dos componentes em conjunção com uma oclusão
percepção do mérito desses vários desenhos que parece ser mais harmoniosa.
confusa para os cirurgiões-dentistas. Inquestionavelmente, o desenho das próteses parciais remo-
As considerações biomecânicas a seguir oferecem uma con- víveis necessita de considerações mecânicas e biológicas. A
textualização relacionada aos princípios destes movimentos maioria dos cirurgiões-dentistas é capaz de aplicar os princí-
potenciais associados às próteses parciais removíveis, e os capí- pios mecânicos básicos de uma prótese parcial removível. Por
tulos subsequentes abordando os vários componentes descre- exemplo, a tampa de uma lata de tinta pode ser removida mais
vem como estes componentes são aplicados no projeto para facilmente com uma chave de fenda do que com uma moeda
controlar os movimentos resultantes das próteses. de 50 centavos. Quanto maior o cabo, menos esforço (força) se
faz. Esta é uma simples aplicação da mecânica das alavancas.
Quadro 4-1 Pelo mesmo princípio, um sistema de alavancas representado
pela extensão distal de uma prótese parcial removível pode
Processo De Desenho Para Próteses aumentar a força da oclusão aplicada aos pilares terminais, o
Parciais Removíveis que pode ser indesejável.
Tylman afirma que: “Muito cuidado e reserva são essenciais
Necessidade
quando é feita uma tentativa para se interpretar um fenômeno
Substituição de dentes biológico inteiramente por cálculos matemáticos.” Entretanto,
Definição do problema o entendimento de máquinas simples aplicado ao desenho de
próteses parciais removíveis auxilia na conquista do objetivo
Fornecimento de próteses removíveis estáveis
de preservação das estruturas bucais. Sem tal entendimento,
Objetivos uma prótese parcial removível pode ser inadvertidamente dese-
Movimento funcional limitado dentro da tolerância dos dentes nhada como uma máquina de destruição.
e dos tecidos As máquinas podem ser classificadas em duas categorias
gerais: simples ou complexas. Máquinas complexas são combi-
Informação de fundo nações de várias máquinas simples. Os seis tipos de máquinas
Forças da oclusão, caráter e potencial para movimento do “des- simples são a alavanca, a cunha, o parafuso, a roda e o eixo, as
locamento por carga” do tecido, princípios biomecânicos aplicados polias e o plano inclinado (Figura 4-1). Dentre as máquinas
às características específicas individuais da boca, componentes da simples, a alavanca, a cunha e o plano inclinado devem ser
prótese parcial removível destinadas a controlar os movimentos evitados no desenho de próteses parciais removíveis.
Escolha da solução (entre alternativas) a ser aplicada Em sua forma mais simples, uma alavanca é uma barra
rígida apoiada em algum lugar ao longo de seu comprimento.
Baseadas em experiências anteriores, princípios e conceitos apren-
Ela pode estar repousando em um apoio ou pode estar supor-
didos na faculdade e livros-texto e pesquisas clínicas aplicáveis
tada por sua parte superior. O ponto de apoio é chamado de
Capítulo 4  Biomecânica das Próteses Parciais Removíveis 23

Figura 4-1    As seis máquinas simples são alavanca, cunha, plano inclinado, parafuso, polias e roda e eixo. O fulcro, a cunha e o plano
inclinado são questões consideradas no desenho de prótese parcial removível devido ao potencial de lesão se estes não forem controlados
apropriadamente. F, Fulcro.

fulcro, e a alavanca pode se mover em torno do fulcro Um dente é aparentemente mais capaz de tolerar forças
(Figura 4-2; Figura 6-6). direcionadas verticalmente do que forças não verticais, de
O movimento rotacional de um tipo de prótese parcial torque ou horizontais. Esta característica é observada clinica-
removível com base estendida, quando uma força é aplicada na mente, e parece ser razoável que mais fibras periodontais sejam
sela protética, é ilustrado na Figura 4-3. Esta irá sofrer rotação ativadas para resistir à aplicação de forças verticais do que para
em relação aos três planos cranianos devido às diferenças nas resistir às forças não verticais (Figura 4-9).
características do suporte dos dentes pilares e dos tecidos moles Mais uma vez, uma extensão distal das próteses parciais
de cobertura do rebordo residual. Embora o movimento real da removíveis rotaciona quando forças são aplicadas aos dentes
prótese possa ser pequeno, uma força de alavanca pode ser artificiais ligados à sela da prótese. Como se pode admitir que
imposta ao dente pilar. Isto é especialmente prejudicial quando essa rotação precisa criar forças predominantemente não ver-
a manutenção da prótese é negligenciada. Três tipos de alavan- ticais, a localização dos componentes de estabilização e reten-
cas são utilizados: primeira, segunda e terceira classe (Figura ção em relação ao eixo horizontal de rotação dos pilares se
4-2). O potencial de um sistema de alavanca para aumentar torna extremamente importante. Um dente pilar tolera melhor
uma força é ilustrado na Figura 4-4. forças não verticais se as forças forem aplicadas o mais próximo
Um cantiléver, ou alavanca em balanço, é uma viga supor- possível do eixo de rotação horizontal do pilar (Figura 4-10).
tada por uma extremidade que pode atuar como uma alavanca O contorno da superfície axial do dente pilar deve ser alterado
de primeira classe (Figura 4-5). O desenho em cantiléver deve para localizar os componentes do grampo mais favoravel-
ser evitado (Figura 4-6). Exemplos de outros desenhos de mente em relação ao eixo horizontal de rotação do pilar
alavancas e sugestões para alternativas para minimizar ou (Figura 4-11).
evitar o seu potencial destrutivo são mostrados nas Figuras 4-7
e 4-8. Os meios mais eficientes para resolver os efeitos poten-
MOVIMENTOS POSSÍVEIS Das
ciais de uma alavanca são promover um elemento rígido na
extremidade não apoiada e não possibilitar o movimento. Esta
Próteses Parciais
é a utilização mais benéfica dos implantes osseointegrados em Caso se presuma que os retentores diretos estão atuando para
conjunção com as próteses parciais removíveis (PPR) e deve minimizar o deslocamento vertical, o movimento rotacional
ser aventada quando é muito pouca a capacidade de suporte ocorrerá em torno de algum eixo enquanto a sela ou selas de
da extensão distal. extensão distal se movem em direção (compressão), para
24 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Um movimento é a rotação no eixo através dos pilares


mais posteriores. Este eixo pode passar através dos apoios
oclusais ou qualquer outra porção rígida de um retentor
direto localizado mais oclusal ou incisal em relação aos pilares
primários (Figuras 4-6 e 4-7). Este eixo, conhecido com
linha de fulcro, é o centro de rotação quando a base da exten-
são distal se move em direção ao tecido de suporte (com-
pressão) durante a aplicação de uma carga oclusal. Este eixo
de rotação pode mudar em direção a componentes instalados
mais anteriormente, mais oclusais ou incisais à altura do
contorno do pilar, quando a sela se afasta do tecido de suporte
durante as forças de deslocamento verticais das próteses par-
ciais removíveis. Essas forças de deslocamento resultam da
tração vertical dos alimentos entre as superfícies dos dentes,
dos efeitos do movimento das bordas do tecido e da força da
gravidade contra a prótese parcial removível superior. Se for
presumido que os retentores diretos são funcionais e que os
componentes de suporte anterior permanecem assentados,
deve ocorrer a rotação, e não o deslocamento total. O movi-
mento vertical da sela da prótese em direção ao tecido é
limitado pela mucosa do rebordo residual na proporção da
qualidade do suporte deste tecido, da precisão da adaptação
da sela da prótese e da quantidade total de força oclusal
aplicada. O movimento da sela na direção oposta é limitado
pela ação dos braços de retenção dos grampos nos pilares
terminais e pela ação de estabilização dos conectores menores
em conjunto com os elementos de suporte verticais assenta-
dos da infraestrutura anterior aos pilares terminais, agindo
como retentores indiretos. Os retentores indiretos devem ser
instalados o mais distante possível da extensão distal da sela,
possibilitando a melhor alavanca possível contra a elevação
da porção distal da prótese.
Um segundo movimento é a rotação sobre o eixo longitu-
dinal quando a sela da extensão distal se move em direção
rotacional sobre o rebordo residual (Figura 4-3). Este movi-
mento é limitado, primeiramente, pela rigidez dos conectores
Figura 4-2    A-C, As três classes de alavancas. A classificação é maiores e menores e por sua habilidade de resistir ao torque.
baseada na localização do fulcro (F), na resistência (R) e no sentido Se os conectores não forem rígidos, ou se existir um rompe-
do esforço (força) (E). Em termos odontológicos, E pode represen- forças entre a extensão distal e o conector maior, esta rotação
tar a força de oclusão ou da gravidade; F pode ser uma superfície sobre o eixo longitudinal aplica tensões indevidas nas laterais
dentária tal como um apoio oclusal; e R é a resistência promovida do rebordo remanescente ou causa a mudança horizontal da
por um retentor direto ou a superfície de um plano guia. sela da prótese.
Um terceiro movimento é a rotação sobre um eixo vertical
imaginário próximo ao centro do arco dental (Figura 4-4). Este
longe (tração) ou horizontal (cisalhamento) ou sobre o tecido movimento ocorre durante a função porque as forças oclusais
subjacente. Infelizmente, estes movimentos possíveis não diagonais e horizontais são exercidas na prótese parcial. É limi-
ocorrem isoladamente ou de forma independente, porém tada pelos componentes de estabilização, tais como os braços
tendem a ser dinâmicos e ocorrer todos ao mesmo tempo. O de reciprocidade dos grampos e os conectores menores que
maior movimento possível é encontrado nas próteses dento- estão em contato com as superfícies verticais dos dentes. Tais
mucosossuportadas devido à forma com que a extensão distal componentes de estabilização são essenciais para qualquer
distribui as cargas mastigatórias entre o dente e a mucosa. O desenho de prótese parcial, independente do tipo de suporte e
movimento da sela da extensão distal em direção aos tecidos da retenção direta empregada. Os componentes estabilizadores
da crista do rebordo proporciona a qualidade do tecido, a no lado do arco agem como estabilizadores da prótese parcial
precisão e a extensão da sela da prótese e a carga funcional contra forças horizontais aplicadas no lado oposto. É evidente
total aplicada. Uma revisão sobre o movimento rotacional de que os conectores rígidos devem ser utilizados para tornar este
próteses que é possível em vários eixos na boca oferece algum efeito possível.
entendimento de como os componentes da prótese parcial As forças horizontais sempre vão existir em algum grau
removível devem ser prescritos para controlar o movimento devido às tensões laterais que ocorrem durante a mastigação, o
da prótese. bruxismo, o apertamento e outros hábitos do paciente. Essas
Capítulo 4  Biomecânica das Próteses Parciais Removíveis 25

Figura 4-3    As próteses parciais removíveis com extensão distal irão sofrer rotação quando a força for direcionada para a sela da
prótese. As diferenças na capacidade de deslocamento do ligamento periodontal do dente pilar e dos tecidos moles que cobrem o
rebordo residual tornam possível esta rotação. Parece que a rotação da prótese ocorre em uma combinação de direções em vez de
acontecer em apenas uma direção única. Os três movimentos possíveis das próteses parciais com extensão distal são (A) rotação
em torno de uma linha de fulcro que passa através dos pilares mais posteriores quando a base da prótese se move verticalmente
em direção ou afastando-se dos tecidos de suporte residuais; (B) rotação ao redor do eixo longitudinal formado pela crista do rebordo
residual e (C) rotação ao redor do eixo vertical localizado próximo ao centro do arco.
26 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 4-4    O comprimento de uma alavanca a partir do


fulcro (F) (Figura 4-7) até a resistência (R) é chamado de braço
de resistência. Aquela porção da alavanca do fulcro até o ponto
de aplicação da força (E) é chamada de braço de potência. Toda
vez que o braço de potência for mais longo que o braço de
resistência, a vantagem mecânica fica a favor do braço de potên-
cia, proporcionalmente à diferença do comprimento destes dois
braços. Em outras palavras, quando o braço de potência for
duas vezes maior que o de resistência, um peso de 11,36 kg no
braço de potência irá equilibrar um peso de 22,73 kg no final do
braço de resistência. O oposto também é verdadeiro e ajuda a
ilustrar a estabilização contralateral do arco. Quando o braço
de resistência é aumentado (montagem de grampos contrala-
terais posicionados em um segundo molar [R2] versus um
segundo pré-molar [R1]), o braço de potência é neutralizado com
maior eficiência.
Figura 4-5    Um cantiléver pode ser descrito como uma viga
rígida apoiada apenas por uma de suas extremidades. Quando
a força é direcionada contra a extremidade não apoiada (assim
como neste apoio colocado em um pôntico em balanço), o
cantiléver pode atuar como uma alavanca de classe I. A vanta-
gem mecânica nesta ilustração favorece o braço de potência.

forças são acentuadas pela falha na consideração da orientação


do plano oclusal, da influência dos dentes mal-posicionados
no arco e dos efeitos das relações anormais dos arcos. A fabri-
cação de uma oclusão que esteja em harmonia com a dentição
oposta e que esteja livre de interferência lateral durante os
movimentos excêntricos da mandíbula pode minimizar a mag-
nitude das tensões laterais. A quantidade de movimento hori-
zontal que ocorre na prótese parcial depende, portanto, da
magnitude da força lateral que é aplicada e da eficiência dos
componentes de estabilização.
Em uma prótese parcial removível dentossuportada, o
movimento da base em direção ao rebordo edentado (ou
Figura 4-6    Desenho observado frequentemente para uma desdentado) é prevenido principalmente pelos apoios nos
extensão distal de uma prótese parcial removível. Um retentor dentes pilares e, em algum grau, por qualquer porção rígida
direto tipo grampo circunferencial encaixa na área retentiva da infraestrutura localizada mais oclusal em relação à altura
mesiovestibular e é suportado por um apoio disto-oclusal. Se for do contorno. O movimento de afastamento do rebordo eden-
ligado rigidamente ao dente pilar, isto pode ser considerado um tado é impedido pela ação dos retentores diretos nos pilares
desenho em cantiléver (balanço), e a força da alavanca classe I que estiverem situados nas extremidades do espaço edentado
pode ser aplicada ao dente pilar se o tecido subjacente possibi- e pelos componentes estabilizadores do conector menor
litar o movimento vertical excessivo em direção ao rebordo. rígido.
Capítulo 4  Biomecânica das Próteses Parciais Removíveis 27

Portanto, o primeiro dos três movimentos possíveis pode é impedido pelos componentes rígidos dos retentores diretos
ser controlado nas próteses dentossuportadas. O segundo nos dentes pilares e pela capacidade dos conectores maiores de
movimento possível, que ocorre ao longo do eixo longitudinal, resistirem ao torque. Este movimento é muito menor nas
próteses dentossuportadas por causa da presença de dentes
pilares posteriores. O terceiro movimento possível ocorre em
todas as próteses parciais removíveis. Portanto, os componen-
tes estabilizadores contra o movimento horizontal devem ser
incorporados em todos os desenhos de próteses parciais
removíveis.
Em próteses capazes de movimentação nos três planos, os
apoios oclusais devem promover suporte oclusal apenas para
resistir ao movimento de intrusão contra os tecidos. Todos os
outros movimentos da prótese parcial devem ser limitados
pelos outros componentes que não os apoios oclusais. A
entrada do apoio oclusal na função de estabilização pode resul-
tar em transferência direta de torque ao dente pilar. Como os
movimentos em torno dos três diferentes eixos são possíveis
Figura 4-7    Como demonstrado na Figura 4-6, o potencial para em uma prótese parcial com extensão distal, um apoio oclusal
a ação de alavanca classe I pode existir também em desenhos de para tais próteses não deve ter paredes verticais íngremes ou
infraestruturas de próteses parciais removíveis de Classe II de retenção do tipo cauda de andorinha. O desenho do apoio é
Kennedy com modificação 1. Se for utilizado um retentor direto caracterizado pela falta de movimento livre, que pode causar
tipo grampo circunferencial fundido com retenção mesiovestibular
forças horizontais e de torque aplicadas intracoronariamente
em um primeiro pré-molar direito, a força localizada na sela da
ao dente pilar.
prótese pode transmitir forças de movimentação para cima e para
Em próteses dentossuportadas, os únicos movimentos de
posterior no pré-molar, resultando em perda de contato entre o
pré-molar e o canino. O suporte dos tecidos da área da sela da
alguma significância são o horizontal, e estes podem ser
extensão distal é mais importante para minimizar a ação do limitados pelos efeitos estabilizadores dos componentes ins-
grampo. O desenho do retentor pode ajudar a acomodar mais talados nas superfícies axiais dos pilares. Portanto, em pró-
força direcionada anteriormente durante a rotação da sela da teses dentossuportadas, a utilização de apoios intracoronários
prótese em uma tentativa de manter o contato dentário. Outras é possibilitada. Nestes casos, os apoios promovem não apenas
alternativas para o desenho do retentor direto no primeiro pré- o suporte oclusal, mas também estabilização horizontal
-molar incluem um braço retentivo cônico de fio fundido que notável.
utiliza a área retentiva mesiovestibular ou que apenas tenha um Em contraste, todas as próteses parciais Classes I e II, que têm
braço estabilizador acima do equador protético. uma ou duas selas em extremidades distais, não são totalmente

Figura 4-8    Conceito de apoio mesial para prótese parciais com extensão distal. Com o reconhecimento de que o movimento
dos grampos ocorre com o deslocamento funcional da sela da extensão distal, o primeiro objetivo de um apoio mesial é alterar a
posição do fulcro e o movimento do grampo resultante, não possibilitando o comprometimento deletério do dente pilar. A, Um
retentor tipo barra e conector menor em contato com o plano-guia na superfície distal do pré-molar e apoio mesio-oclusal utilizado
para reduzir a força do cantiléver ou da alavanca de primeira classe quando e se a prótese rotacionar em direção ao rebordo residual.
B, Braço de retenção cônico com fio e conector menor em contato com o plano-guia na superfície distal do pré-molar e o apoio
mésio-oclusal. O desenho é aplicável quando a retenção distovestibular não puder ser localizada ou criada, ou quando a área de
retenção contraindicar a instalação de um braço de retenção do tipo barra. Este desenho deve ser mais gentil para o ligamento
periodontal que o fundido. Novamente, o suporte de tecido da sela da extensão distal é o fator primordial na redução da ação de
alavanca no braço do grampo. Observação: Dependendo da quantidade de contato da placa proximal do conector menor com o
plano-guia, o ponto de fulcro poderá mudar.
28 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 4-9    Mais fibras periodontais são ativadas para resistir


às forças direcionadas verticalmente no dente do que para resis-
tir às forças horizontais (não verticais). O eixo horizontal de
rotação é localizado em algum lugar na raiz do dente.
Figura 4-11    Os pilares foram recontornados (ver área sombre-
ada) para possibilitar localizações mais favoráveis de componen-
tes estabilizadores retentivos e recíprocos (visão em espelho).

Impacto Dos Implantes Nos


Movimentos Das Próteses PARCIAIS
Semelhante ao processo de se considerar como um dente é mais
bem utilizado no desenho de uma PPR para controlar os movi-
mentos da prótese, a utilização de um implante deve ser direcio-
nada para o controle de movimento mais benéfico. Enquanto os
possíveis papéis da utilização dos implantes incluem todos os três
princípios desejáveis demonstrados pelas próteses – suporte, esta-
bilidade e retenção –, a principal demanda funcional é imposta pela
mastigação, e, portanto, o maior benefício da utilização dos implan-
Figura 4-10    Grampos instalados próximos às superfícies tes envolve a limitação da instabilidade pela melhoria do suporte.
oclusais/incisais têm uma maior probabilidade de transmitir Neste contexto, como se considera que os implantes aumen-
forças inclinadas aos pilares. tam o desenho da PPR e não proporcionam apoio para uma
prótese fixa, outros benefícios para o paciente são o custo redu-
zido e morbidade cirúrgica menor. Por ser o custo normalmente
uma das considerações principais quando se escolhe entre os
suportadas pelos dentes. Tampouco estas têm retenção com- diferentes tipos de próteses, e como o uso de uma PPR promove
pletamente limitada aos pilares. Qualquer prótese parcial extensa uma vantagem distinta no custo, a seleção da posição mais van-
de Classe III ou IV que não tenha suporte adequado dos pilares tajosa do(s) implante(s) baseada no desenho é o objetivo princi-
recai nesta mesma categoria. Estas últimas próteses podem obter pal a ser considerado. A minimização da rotação sobre o eixo em
algum suporte do rebordo edentado e, portanto, podem ter uma Classe I ou II de Kennedy, ou qualquer modificação com
suporte composto pelo dente e pelos tecidos do rebordo. espaço protético grande, é importante para se considerar.
5
C a p í t ulo

Conectores Maiores e Menores


Sumário Do Capítulo Os componentes de uma prótese removível típica estão ilus-
trados na Figura 5-1
Papel dos Conectores Maiores no Controle do 1. Conectores maiores
Movimento da Prótese 2. Conectores menores
Localização 3. Apoios
Conectores maiores mandibulares 4. Retentores diretos
Conectores maiores maxilares 5. Componentes de reciprocidade e estabilização (parte do
Conectores Menores retentor direto)
Funções 6. Retentores indiretos (se a prótese removível tem uma ou
Forma e localização mais extremidades livres)
Apoio tecidual 7. Uma ou mais bases, que dão suporte a um ou mais dentes
Linhas de Término artificiais (Figura 5-1)
Reação dos Tecidos ao Recobrimento Metálico Quando uma prótese removível é utilizada, esta deve se
Revisão dos Conectores Maiores estender aos dois lados da arcada. Isto torna possível que as
forças funcionais da oclusão sejam transferidas da base da
prótese para todos os tecidos e dentes de suporte envolvidos
no arco, resultando em uma estabilidade excelente. É por meio
deste contato com os dentes contralaterais da arcada, que
ocorre a alguma distância da força funcional, que a resistência
ótima pode ser alcançada. Esta condição é mais efetivamente
alcançada quando um conector maior rígido une a porção da
prótese que está recebendo a função a regiões selecionadas em
toda a arcada.
As funções primordiais de um conector maior incluem união
das partes maiores da prótese, distribuição da força aplicada
através do arco para os dentes selecionados e tecidos e a mini-
mização do torque aos dentes. Um conector maior rígido bem
desenhado efetivamente distribui as forças pela arcada e atua
reduzindo as cargas em todas as partes enquanto controla o
movimento da prótese de forma eficiente.
O princípio da alavanca está relacionado com este compo-
nente da prótese. Um conector maior rígido vai limitar as pos-
sibilidades de movimento atuando como uma alavanca de
oposição. Este fenômeno é conhecido como estabilidade cruzada
no arco. Esta estabilidade se torna ainda mais importante em
situações associadas a grandes possibilidades de movimento da
prótese (p. ex., próteses de extremidade livre).
Neste capítulo, os conectores maiores e menores serão con-
siderados separadamente quanto à sua função, localização e
critérios de desenho. Outros componentes serão apresentados
em seus capítulos específicos
29
30 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 5-1    A, Armação de uma prótese parcial removível inferior com os seguintes componentes: 1, conector maior tipo barra
lingual; 2a, conector menor para fixação da base de resina acrílica; 2b, conector menor, placa proximal, que é parte do grampo; 2c,
conector menor utilizado para conectar os apoios ao conector maior 3, apoios oclusais; 4, braço de retenção direto que é parte inte-
grante do grampo; 5, componentes de reciprocidade e estabilização do retentor direto (incluindo conectores menores); e 6, retentor
indireto constituído por um conector menor e um apoio oclusal. B, Prótese parcial removível superior com bases em resina acrílica
sustentando dentes artificiais posteriores. As bases estão fixadas à armação metálica por conectores menores em escada similar ao
observado em 2a. C, Prótese parcial removível de extremidade livre distal inferior com bases de resina acrílica sustentando dentes
artificiais posteriores.

Papel Dos Conectores Maiores No prejudicaria o conforto do paciente. A falha do conector


Controle Do Movimento Da Prótese maior em promover a rigidez desejada pode se manifestar
como traumas ao periodonto de sustentação dos pilares,
O conector maior é a parte da prótese parcial que conecta as injúria ao rebordo remanescente ou em impactos sobre os
partes da prótese localizadas em um lado da arcada com aquelas tecidos subjacentes. É responsabilidade do dentista garantir
do outro lado. É aquela parte da prótese parcial pela qual todas que o desenho e a fabricação adequada do conector maior
as outras partes estarão direta ou indiretamente ligadas. Este sejam adequados.
componente também fornece estabilidade cruzada no arco e
contribui para evitar o deslocamento provocado por tensões
funcionais. Localização
O conector maior pode ser comparado a um chassi de Os conectores maiores devem ser desenhados e localizados com
carro ou à fundação de um prédio. É através do conector as seguintes diretrizes em mente:
maior que os outros componentes da prótese parcial são 1. Devem estar livres de tecidos móveis.
unidos e eficientes. Se o conector maior fosse flexível, a ine- 2. Qualquer choque com os tecidos gengivais deve ser
ficácia dos componentes comprometeria as estruturas orais e evitado.
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 31

3. Proeminências ósseas e de tecido mole devem ser evitadas que a borda superior de uma barra lingual esteja a pelo menos
durante a inserção e remoção. 4 mm abaixo da margem gengival (Figura 5-2). O fator limitante
4. Deve ser feito um alívio para prevenir o seu assentamento no arco inferior é a altura dos tecidos móveis no assoalho da boca.
em áreas de possível interferência, como um tórus inoperável Uma vez que o conector precisa ter largura e volume suficientes
ou uma junção palatina mediana elevada. para prover rigidez, uma placa lingual é comumente usada
5. Conectores maiores devem ser situados ou aliviados de quando não há espaço suficiente para uma barra lingual.
maneira a evitar choques com os tecidos quando da rotação No arco superior, uma vez que não existem tecidos móveis
funcional da base da prótese numa extremidade livre. no palato como no assoalho da boca, as bordas dos conectores
O alívio adequado sob o conector maior evita a necessidade maiores podem ser posicionadas suficientemente distantes dos
de um ajuste posteriormente à ocorrência de injúria aos tecidos. tecidos gengivais. Estruturalmente, os tecidos que recobrem o
Além do desperdício de tempo, o desgaste para fornecer o alívio palato são bastante adequados para receber um conector, uma
necessário para evitar choques pode enfraquecer seriamente o vez que o tecido conjuntivo da submucosa é firme e há uma
conector maior, resultando em flexibilidade ou, possivelmente, irrigação sanguínea profunda. Porém, quando o tecido mole
em fratura. Os conectores maiores devem ser cuidadosamente que recobre a porção mediana do palato é menos passível de
desenhados visando à forma, espessura e localização corretas. deslocamento que os tecidos do restante do rebordo, uma
Abreviar estas dimensões por desgaste só será prejudicial. O quantidade variável de alívio sob os conectores precisa ser
alívio é discutido no final deste capítulo e, mais amplamente, providenciada para evitar traumas aos tecidos. A quantidade
no Capítulo 11. de alívio necessário é diretamente proporcional à diferença
As margens dos conectores maiores adjacentes aos tecidos entre a capacidade de deslocamento dos tecidos que recobrem
gengivais devem ser localizadas a uma distância tal que evite a rafe palatina e aqueles tecidos sobre o rebordo remanescente.
qualquer tipo de impacto. Para conseguir isto, é recomendável Os tecidos gengivais, por outro lado, precisam ter uma ­irrigação
o
Sistema métric

4 mm
4 mm
Padrão de formato Arredondado
4 mm
em meia-pera depois de fundido
da barra lingual em metal

Padrão placa
lingual Arredondado
depois de fundido
em metal

A
B

Grampo
Barra contínuo
sublingual (cíngulo)

C D

Figura 5-2    A, Um conector maior tipo barra lingual deve estar localizado a pelo menos quatro milímetros abaixo da borda livre da
gengiva e ainda mais, se possível. A altura vertical da barra lingual deve ser pelo menos quatro milímetros para conferir resistência e
rigidez. Se há menos de 8 mm entre a margem gengival e o assoalho da boca, uma placa lingual (B), uma barra sublingual (C) ou um
grampo contínuo (D) devem ser a escolha como conector maior. Um alívio deve ser feito para o tecido mole sob todas as áreas do
conector maior inferior e em qualquer ponto em que a armação da prótese cruza com as margens gengivais. A borda inferior do
conector maior inferior deve ser ligeiramente arredondada depois de fundida para eliminar as arestas vivas.
32 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Quadro 5-1
Características dos conectores maiores
6 mm
que contribuem para a saúde e o bem-estar
6 mm
1. São confeccionados de uma liga compatível com os tecidos
orais
2. São rígidos e fornecem estabilidade cruzada no arco por
meio do princípio da ampla distribuição de tensões
3. Não interferem nem irritam a língua
4. Não alteram substancialmente o contorno natural da
superfície lingual do rebordo alveolar inferior ou da abóbada
palatina
5. Não traumatizam os tecidos orais quando a prótese for
colocada, retirada ou rotacionada durante a função
6. Recobrem somente os tecidos absolutamente necessários
7. Não contribuem para a retenção ou aprisionamento de
Figura 5-3    O conector maior palatino deve ser situado a pelo restos alimentares
menos 6 mm da borda livre da gengiva e paralela à sua curvatura 8. Têm o apoio de outros elementos da armação para
média. Todos os conectores menores adicionados devem atra- minimizar as tendências a rotação durante a função
vessar os tecidos gengivais de maneira abrupta e se unir ao 9. Contribuem para o suporte da prótese
conector maior aproximadamente em ângulo reto.

sanguínea irrestrita para se manterem saudáveis. Por isto, é Conectores Maiores Mandibulares
recomendável que as bordas do conector palatino sejam posi-
Os seis tipos de conectores maiores inferiores são:
cionadas paralelas à margem gengival e, no mínimo, a 6 mm
1. Barra lingual (Figura 5-4, A)
desta. Os conectores menores que precisam atravessar os
2. Placa lingual (Figura 5-4, B)
tecidos gengivais devem fazê-lo abruptamente, unindo-se no
3. Barra sublingual (Figura 5-4, C)
conector maior próximo a um ângulo reto (Figura 5-3). Desta
4. Barra lingual com grampo contínuo (barra contínua) (Figura
maneira, a maior liberdade possível aos tecidos gengivais estará
5-4, D)
assegurada.
5. Grampo contínuo (barra contínua) (Figura 5-4, E)
Exceto pelo tórus palatino ou por uma rafe mediana proe-
6. Barra vestibular (Figura 5-4, F)
minente, os conectores palatinos normalmente não requerem
A barra lingual e a placa lingual são os conectores maiores
alívio, nem o alívio é desejável. O contato íntimo entre o conec-
frequentemente mais utilizados em próteses parciais removíveis
tor e os tecidos de suporte contribui muito para a retenção,
inferiores.
estabilidade e suporte da prótese. Exceto pelas áreas gengivais,
o contato em todos os outros pontos do palato não é por si só
prejudicial à saúde dos tecidos, se sustentados por apoios nos Barra Lingual
dentes que evitem movimentos danosos. A forma básica do conector maior inferior é a de uma meia pera.
Uma barra palatina anterior ou a borda anterior de uma Ele está localizado acima dos tecidos moles, porém o mais dis-
placa palatina também devem ficar o mais distante posterior- tante possível dos tecidos gengivais. Normalmente é confeccio-
mente possível para evitar qualquer interferência na língua na nado de cera calibre 6, com secção de meia pera, reforçada ou
área das rugosidades. Deve ser uniformemente fina e sua borda em padrão de plástico similar (Figura 5-5).
anterior deve seguir os contornos entre as cristas das rugosida- O conector maior precisa ser esculpido de modo a não apre-
des. Portanto, a borda anterior destes conectores maiores terá sentar margens afiadas para a língua nem causar irritação ou
um contorno irregular na medida em que seguir os vales entre incômodo em função de um perfil angulado. A borda superior
as rugosidades. A língua pode então passar da proeminência de um conector maior tipo barra lingual deve ser angulada, deve
de uma rugosidade para outra sem encontrar a borda da prótese ir se afilando gradualmente em direção aos tecidos gengivais,
entre elas. Quando a borda de um conector precisar atravessar com o seu maior volume na borda inferior, resultando no con-
a crista de uma rugosidade, isto deve ser feito de maneira torno em meia pera. Os padrões de barra lingual, tanto de cera
abrupta, evitando a crista na medida do possível. O limite pos- como de plástico, devem ser confeccionados nesta forma con-
terior do conector maior na maxila deve ficar um pouco aquém vencional. Porém, a borda inferior da barra lingual deve ser
do limite entre o palato duro-palato mole. Uma regra útil, ligeiramente arredondada quando a armação for polida. Uma
aplicada aos conectores maiores e às próteses parciais de um borda arredondada não irá traumatizar os tecidos linguais
modo geral, é tentar evitar acrescentar qualquer volume da quando as bases da prótese rotacionarem para baixo sob a ação
armação da prótese a uma superfície já convexa. de cargas oclusais. Frequentemente, é necessário um volume
As características dos conectores que contribuem para a adicional para garantir a rigidez adequada, especialmente
manutenção da saúde bucal e do bem-estar do paciente podem quando a barra é longa ou é utilizada quando uma liga menos
ser enumeradas como no Quadro 5-1. rígida. Isto é obtido colocando-se uma lâmina de cera calibre
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 33

A B

C D

E F

Figura 5-4    Conectores maiores inferiores A, Barra lingual. B, Placa lingual. C, Barra sublingual. D, Barra lingual com grampo
­contínuo. E, Grampo contínuo F, Barra vestibular.

24 sobre o padrão pré-fabricado em vez de se alterar o formato


original de meia pera.
A borda inferior de um conector maior lingual inferior
deve ser situada de modo a não encontrar com os tecidos do
Alívio assoalho da boca na medida em que estes mudam de altura
durante as atividades normais de mastigação, deglutição, fala,
lamber os lábios e assim por diante. Contudo, ao mesmo
tempo, parece lógico localizar a borda inferior destes conecto-
res o mais baixo possível para evitar interferências na língua
em repouso e o acúmulo de restos alimentares. Ademais,
Figura 5-5    Corte sagital mostrando a forma em meia pera da quanto mais para baixo puder ser situada a barra lingual, mais
barra lingual. O afilamento da borda superior da barra em direção distante a parte superior da barra poderá ficar dos sulcos gen-
ao tecido mole minimiza a interferência da língua e torna o givais linguais dos dentes adjacentes, evitando assim traumas
conjunto mais aceitável pelo paciente que um contorno dife- ao tecido gengival.
rente. Um alívio é necessário para proteger o tecido mole do Existem pelo menos dois métodos clinicamente aceitáveis
assoalho da boca. para determinar a altura relativa do assoalho da boca e localizar
34 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

o limite para a borda inferior do conector maior inferior lingual. Placa Lingual
O primeiro método é o de medir a altura do assoalho com uma Se o espaço retangular é circunscrito pela barra lingual, os con-
sonda periodontal tendo como referência as margens gengivais tatos dos dentes anteriores, os cíngulos e os conectores menores
dos dentes adjacentes (Figura 5-6). Durante esta medida, a estão neste espaço, e então a indicação é uma placa lingual
ponta da língua do paciente deve estar tocando ligeiramente a (Figura 5-7).
borda do vermelhão do lábio superior. A tomada destes valores Uma placa lingual deve ser confeccionada o mais fino quanto
possibilita sua transferência para modelos tanto de diagnóstico tecnicamente possível e deve ser contornada de maneira a seguir
como de trabalho, assegurando uma indicação útil para a borda os contornos dos dentes e das ameias interproximais (Figura 5-8).
inferior do conector maior. O segundo método é usar uma O paciente deve estar ciente de que será adicionado o menor
moldeira individual cuja borda lingual seja cerca de 3 mm volume e menos alterações de contorno possíveis. A borda
aquém do assoalho da boca na posição elevada e em seguida superior deve seguir a curvatura natural das superfícies acima
fazer uma moldagem com um material de moldagem que pos- dos cíngulos dos dentes e não deve se situar acima do terço
sibilite o registro da altura do assoalho quando o paciente médio da superfície lingual, exceto para recobrir espaços inter-
lamber os lábios. A borda inferior do conector maior bem pla- proximais até o ponto de contato. O formato da borda inferior
nejado pode então ser localizada na altura do sulco lingual do deve ser o mesmo em meia pera da barra lingual, para dar
modelo resultante desta moldagem. Dos dois métodos, obser- volume e rigidez. Todos os sulcos gengivais e ameias profundas
vamos que a medida da altura do assoalho da boca é menos devem ser bloqueados paralelamente à via de inserção para
variável e mais aceitável clinicamente. evitar irritação gengival ou qualquer esmagamento entre os

A B

C D

Figura 5-6    A, A altura do assoalho da boca (língua elevada) em relação aos sulcos gengivais linguais medida com uma sonda
periodontal. B, As medidas são transferidas para o modelo de estudo e depois para o modelo de trabalho quando o preparo da boca
for terminado. A linha que une as marcas indica a localização da borda inferior do conector maior. Se uma cirurgia periodontal for
executada, a linha no modelo de trabalho poderá ser relacionada às bordas incisais dos dentes e as medidas anotadas para uso pos-
terior. C, Moldagem feita registrando os movimentos funcionais da língua para demonstrar o local mais elevado do assoalho da boca.
Isto possibilite a visualização das estruturas anatômicas que estabilizam a extremidade inferior do conector maior. Se uma moldeira
de estoque impedir o livre movimento para o registro desta posição funcional, então uma moldeira individualizada deve ser utilizada.
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 35

Figura 5-9    Se um conector maior tipo placa lingual é indi-


cado para este paciente com dentes anteriores apinhados, um
recontorno cuidadoso das superfícies linguais e proximais dos
Figura 5-7    Vista de uma Classe I inferior com uma placa
incisivos central e lateral direitos e lateral esquerdo eliminaria
lingual. A placa lingual é confeccionada o mais fina possível e
em parte as retenções grosseiras, possibilitando uma adaptação
segundo os contornos dos dentes contatados, resultando numa
íntima da extensão metálica do conector maior.
margem superior esculpida. Neste exemplo, a margem superior
pode ser mais volumosa na região do cíngulo, causando descon-
forto para a língua.
como apoios terminais para a placa lingual ou para o grampo
contínuo.
Uma vez que nenhum componente da prótese parcial remo-
vível deve ser acrescentado arbitrariamente, cada componente
deve ter uma função claramente definida. As indicações para
utilização de uma placa lingual podem ser listadas como segue:
1. Quando o freio lingual for alto ou o espaço disponível para
uma barra lingual for limitado. Em qualquer destes casos, a
borda superior da barra lingual teria que ser posicionada
muito próxima dos tecidos gengivais. Uma irritação só
poderia ser evitada com um alívio generoso, que, além de ser
incômodo para a língua, também iria possibilitar o aprisio-
namento de alimentos. Quando a medida clínica a partir das
margens gengivais livres até assoalho levemente elevado do
fundo da cavidade bucal for menor que 8 mm, deve ser indi-
cada uma placa lingual em vez de uma barra lingual. O uso
Figura 5-8    A extensão metálica da placa lingual (vista interna)
de uma placa lingual possibilita um posicionamento mais
é bem adaptada aos dentes, estendendo-se às ameias nas áreas
sem retentividade, resultando na margem superior esculpida. superior da borda inferior sem que ocorra irritação da língua
Quando bem adaptado, este recobrimento metálico se beneficia ou dos tecidos gengivais e sem comprometer a rigidez.
do contato com alguns dos dentes anteriores, atuando para 2. Nos casos Classe I nos quais o rebordo remanescente sofreu
resistir a tendências de rotação horizontal da prótese, especial- reabsorção vertical excessiva. Rebordos achatados oferecem
mente se a forma do rebordo posterior não contribui para esta pouca resistência às tendências de rotação horizontal da
resistência. prótese. Os dentes remanescentes devem ser passíveis de
resistir a esta rotação. Uma placa lingual bem desenhada
envolve os dentes remanescentes para evitar rotações
dentes. Em muitos casos, um recontorno criterioso das super- horizontais.
fícies proximais linguais de dentes anteriores apinhados possi- 3. Para estabilização de dentes periodontalmente comprometi-
bilita uma adaptação melhor da placa lingual, eliminando o que dos, a contenção com uma placa lingual pode ser útil quando
de outra forma seriam ameias interproximais profundas a serem se faz uso de apoios bem delimitados e de dentes adjacentes
recobertas (Figura 5-9). saudáveis. Como discutido anteriormente, pode ser usado um
A placa lingual não serve, por si só, como um retentor grampo contínuo para alcançar este mesmo propósito, uma
indireto. Quando uma retenção indireta for necessária, apoios vez que este é equivalente à borda superior de uma placa
bem definidos precisam ser confeccionados para esta finali- lingual, mas sem o recobrimento gengival. Um grampo con-
dade. Tanto a placa lingual como a grampo contínuo, ideal- tínuo oferece estabilização entre outras das vantagens da placa
mente, devem ter um apoio terminal de cada lado, independente lingual. Entretanto, frequentemente é mais ofensivo à língua
da necessidade de retenção indireta. Mas quando são necessá- do paciente e certamente tem maior tendência a acumular
rios retentores indiretos, estes apoios podem servir também alimentos que o recobrimento promovido pela placa lingual.
36 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Alívio

Figura 5-10    Corte sagital através de uma placa lingual


demonstrando a forma básica de meia pera da borda inferior
Figura 5-11    Placa lingual interrompida na presença de
com a extensão metálica subindo para incisal. A placa lingual foi
espaços interproximais.
estendida até o equador no pré-molar para englobar o espaço
interproximal de forma larga e triangular, abaixo do ponto de
contato entre o pré-molar e o canino. Estes espaços podem
frequentemente ser recobertos para eliminar a retenção de ali-
mentos. É feito um alívio para todo o tecido mole abaixo de todas 1° passo: Delimitar as áreas basais de suporte no modelo de
as partes do conector maior inferior e em qualquer ponto em estudo (Figura 5-12, A)
que a armação da prótese atravessa a gengiva marginal. 2° passo: Delimitar a borda inferior do conector maior (Figura
5-12, B)
3° passo: Delimitar a borda superior do conector maior (Figura
5-12, C)
4. Quando uma futura substituição de um ou mais incisivos 4˚ passo: Unir as áreas basais de suporte com o conector maior
for facilitada pelo acréscimo de alças de retenção à placa e adicionar os conectores menores para reter o material da
lingual existente. Incisivos inferiores periodontalmente com- base da prótese de resina acrílica (Figura 5-12, D)
prometidos podem ser mantidos com condição de futuras
perdas e futuras adaptações.
As mesmas razões para se indicar o uso de uma placa lingual
anterior se aplicam ao seu emprego em outras partes do arco
Barra Sublingual
inferior. Se uma barra lingual está indicada na região anterior,
Uma modificação da barra lingual que tem sido de grande
não há razão para se utilizar o recobrimento gengival em outro
utilidade quando a altura do assoalho da boca não possibilita
local. Porém, quando uma contenção auxiliar for usada para
o posicionamento do limite superior da barra lingual a pelo
estabilização dos dentes remanescentes, ou para a estabilização
menos uma distância de 4 mm da margem gengival livre é a
horizontal da prótese, ou ambos, pequenos espaços retangulares
barra sublingual. O formato da barra permanece essencial-
por vezes persistem. A resposta tecidual a estes pequenos espaços
mente o mesmo que o de uma barra lingual, mas a sua
é melhor quando estes são fechados por um recobrimento do
localização é inferior e posterior à posição normal da barra
que quando são deixados abertos. Geralmente isto é indicado
lingual, situando-se sobre e paralelamente à porção anterior
para evitar irritação gengival, aprisionamento de restos alimen-
do assoalho da boca. Geralmente se aceita o uso de uma
tares ou para recobrir áreas que receberam grandes alívios que
barra sublingual no lugar de uma placa lingual se o freio
seriam irritantes para a língua (Figura 5-10).
lingual não interferir na prótese ou na presença de uma área
Algumas vezes, o dentista se depara com uma situação clínica
retentiva lingual que iria requerer a confecção de um blo-
em que uma placa lingual é indicada como o conector maior de
queio considerável para uma barra lingual convencional. As
escolha mesmo quando os dentes anteriores estão bastante
contraindicações incluem a presença de tórus lingual inter-
espaçados, mas o paciente se opõe categoricamente à presença
ferente, a inserção alta do freio lingual e a interferência em
de qualquer metal aparente através dos espaços interdentais.
um assoalho de boca com alta elevação durante os movi-
Ainda assim, uma placa lingual pode ser confeccionada sem que
mentos funcionais.
um grande volume de metal fique aparente entre os dentes
anteriores espaçados (Figura 5-11) e sem que a rigidez do
conector maior seja muito alterada; porém, este desenho pode
Grampo Contínuo (Barra Contínua)
Quando uma placa lingual for o conector maior de escolha,
reter restos alimentares tanto quanto um conector maior tipo
mas o alinhamento axial dos dentes anteriores for tal que
grampo contínuo.
exija um bloqueio excessivo dos espaços interproximais, um
grampo contínuo pode ser indicado. Um grampo contínuo
Desenho de Conectores Maiores Mandibulares
situado sobre ou ligeiramente acima dos cíngulos dos
A seguinte abordagem sistemática para o desenho de um conec-
dentes anteriores pode ser adicionado à barra lingual ou
tor maior do tipo barra lingual e placa lingual pode ser aplicada
pode ser utilizado independentemente (Figura 5-13).
nos modelos de estudo depois de se considerar os dados de
Ademais, quando ocorrem diastemas amplos entre os
diagnóstico e relacioná-los aos princípios básicos de desenho de
dentes anteriores inferiores, um conector tipo grampo
um conector maior:
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 37

A B

C D

Figura 5-12    Sequência de considerações sobre o desenho de um conector maior inferior. A, Modelo de estudo com as áreas basais
assinaladas. B, A borda inferior do conector maior é delimitada. A localização da borda inferior foi determinada como sugerido na
Figura 5-6 e se estende para a mesial do molar direito inferior. C, A borda superior do conector maior é delimitada. Um espaço limitado
para a barra lingual obriga a utilização de um conector maior tipo placa lingual. Uma placa lingual requer descansos sobre os caninos
e primeiro pré-molar para um suporte positivo. D, As áreas dos descansos nos dentes posteriores são delimitadas e é feito um esboço
dos conectores menores (selas) para retenção da base de resina da prótese.

A B

Figura 5-13    A, Barra lingual e grampo contínuo. A porção superior deste conector maior está localizada no cíngulo dos dentes
anteriores. A necessidade de suporte positivo pelos descansos, pelo menos tão anteriormente como os caninos, é crítica. Observe que
a borda superior da porção lingual da barra é geralmente situada próxima demais das margens gengivais, o que é indesejável se um
volume muito grande é necessário para se obter a rigidez adequada. Este tipo de conector maior definitivamente retém alimento e,
frequentemente, representa maior desconforto para o paciente que uma placa lingual. B, Conector maior tipo grampo contínuo. Apesar
de este desenho reduzir a possibilidade de acúmulo de alimentos, ela pode não oferecer rigidez adequada.

c­ ontínuo pode ser mais esteticamente aceitável que uma o uso de uma barra lingual. Com um preparo de boca conser-
placa lingual. vador, utilizando recontornos e bloqueios, um conector lingual
quase sempre pode ser utilizado. Dentes inclinados para
Barra Vestibular lingual podem receber nova forma através de coroas. Embora
Felizmente, existem poucas situações em que a inclinação a necessidade do uso de um conector maior vestibular seja rara,
lingual dos pré-molares e incisivos é tão acentuada que impede esta estratégia deve ser evitada, fazendo-se os preparos
38 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 5-14    A, A inclinação lingual acentuada dos caninos e pré-molares do paciente impede o uso de uma barra lingual. B, Uma
barra vestibular foi utilizada para o tratamento. A retenção foi conseguida nos suportes terminais. Suporte e estabilidade foram con-
seguidos por meio da utilização de apoios, de conectores menores partindo da barra vestibular e de bases bem ajustadas.

­ ecessários na boca, em vez de se aceitar uma condição que,


n
de outra maneira, poderia ser corrigível (Figura 5-14). O
mesmo se aplica ao uso de uma barra vestibular quando um
tórus mandibular interfere na colocação de uma barra lingual.
A menos que uma cirurgia seja definitivamente contraindi-
cada, qualquer tórus mandibular deve ser removido para
evitar o uso de um conector tipo barra vestibular.
Uma modificação em uma placa lingual é a barra vesti-
bular articulada.
Este conceito é aplicado no desenho tipo Swing Lock*,
que consiste em uma barra vestibular unida ao conector
maior por uma dobradiça de um lado e um fecho do outro
(Figura 5-15).
O suporte é fornecido pelos apoios múltiplos sobre os Figura 5-15    A articulação para este conector tipo barra vesti-
dentes naturais remanescentes. A estabilidade e a reciproci- bular contínua é localizada vestibular e distalmente à dentição
dade são proporcionadas por uma placa lingual que faz remanescente (área do elemento 34). O mecanismo de travamento
contato com os dentes remanescentes e são reforçadas pela é oposto à articulação, adjacente ao elemento 44. Nesta localização,
barra vestibular com suas barras retentivas. A retenção é ele será posicionado dentro dos limites vestibulares da prótese.
proporcionada por braços retentivos tipo barra que se pro-
jetam das barras vestibulares em direção à zona retentiva das
faces vestibulares dos dentes.
A aplicação do conceito Swing-Lock parece principalmente
indicada quando estão presentes as seguintes condições:
1. Ausência de pilares estratégicos. Quando todos os dentes
remanescentes presentes são utilizados para proporcionar
retenção e estabilidade, a ausência de dentes pilares-chave
(tais como caninos) pode não representar um problema
tão sério para o tratamento quando se aplica este conceito
quanto em desenhos mais convencionais (Figura 5-16)
2. Contorno dental desfavorável. Quando os contornos dos
dentes presentes (não corrigíveis com restaurações ade-
quadas) ou a inclinação vestibular dos dentes anteriores
é excessiva, de forma a impedir o desenho de grampos
convencionais, os princípios básicos de desenho de pró-
teses parciais removíveis podem ser melhor aplicados Figura 5-16    A ausência do canino inferior requer que todos
com o conceito Swing-Lock. os dentes anteriores remanescentes sejam usados para retenção
e estabilização da prótese. O conceito Swing-Lock pode ser usado
para garantir que todos os dentes remanescentes se dividam na
*Swing-Lock Inc, Milford, Texas estabilização e retenção da prótese (função de grupo).
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 39

3. Contorno desfavorável dos tecidos moles. Zonas retenti- interproximais dos conectores maiores que se posicionam no
vas extensas no tecido mole frequentemente impedem o terço cervical dos dentes e nos tecidos gengivais que estrutural-
posicionamento adequado dos componentes de uma mente são incapazes de oferecer suporte podem causar trauma-
prótese parcial removível convencional ou de uma over- tismos. Para prevenir sequelas desta origem, deve ser garantido
denture. O conceito de barra vestibular articulada pode aos conectores maiores apoio em dentes, deve ser feito alívio em
dar uma solução coadjuvante para acomodar estes con- tecidos gengivais e/ou o conector deve ser posicionado distante
tornos desfavoráveis de tecido mole. o suficiente da margem gengival para evitar qualquer bloqueio
4. Dentes com prognóstico duvidoso. A possibilidade de possível à passagem normal de sangue ou acúmulo de restos de
perda de um dente pilar estratégico com prognóstico alimentos. Sempre que houver a necessidade de se atravessar a
duvidoso afeta seriamente a retenção e a estabilidade de gengiva, deve-se fazê-lo de maneira abrupta e em ângulo reto
uma prótese convencional. Uma vez que todos os dentes do conector maior, sempre com o alívio adequado. A criação de
remanescentes funcionam como suporte em uma prótese formas anguladas, afinadas em qualquer parte do conector
tipo Swing-Lock, aparentemente a perda de um dente não maior superior deve ser evitada e todas as bordas devem ser
comprometeria a retenção e a estabilidade tão intensa- desenhadas afiladas em direção aos tecidos.
mente. O uso de uma barra vestibular articulada pode
resultar em um prognóstico mais satisfatório em algumas Cinta Simples
situações clínicas. Da mesma maneira que para todos os Uma prótese bilateral, dentossuportada, com extensão curta
outros tipos de prótese removível, uma boa higiene oral, pode ser unida com eficiência por uma cinta simples e ampla,
manutenção e controle periódicos bem como uma minu- principalmente quando as áreas desdentadas estão localizadas
ciosa atenção aos detalhes do desenho são imprescindí- posteriormente (Figura 5-18). Este conector pode ser confeccio-
veis para o êxito da aplicação deste conceito de nado rígido, sem um volume incômodo e sem interferir na
tratamento. língua, desde que a superfície da armação repouse sobre três
As contraindicações ao uso de barra vestibular articulada planos. A rigidez adequada, sem volume excessivo, pode ser
são óbvias. A mais óbvia é uma higiene oral deficiente ou a conseguida para a confecção de uma cinta simples pelo técnico
falta de motivação no controle da placa pelo paciente. Outras protético utilizando um padrão de plástico calibre 22.
contraindicações são a presença de um vestíbulo raso ou a Em razão da ocorrência de torque e de movimentos de ala-
inserção alta do freio labial. Qualquer um destes fatores vanca, um conector maior tipo cinta simples não deve ser uti-
impediria o posicionamento adequado dos componentes da lizado para unir substituições anteriores com bases com
prótese parcial removível tipo Swing-Lock. extremidade livre distal. Para ser rígido o suficiente para resistir
a forças de torque, bem como proporcionar o suporte vertical
e a estabilização horizontal adequados, a cinta simples teria de
Conectores Maiores Maxilares ser inconvenientemente volumosa. Quando posicionado ante-
riormente, este volume se tornaria ainda mais incômodo para
Seis tipos básicos de conectores maiores para a maxila são
o paciente, uma vez que interferiria na fala.
considerados:
1. Cinta simples (Figura 5-17, A)
2. Cinta combinada anteroposterior (Figura 5-17, B) Cinta Combinada Anteroposterior
3. Placa palatina (Figura 5-17, C) Estruturalmente, este é o mais rígido dos conectores maiores
4. Conector palatino em forma de U (Figura 5-17, D) palatinos. A cinta combinada anteroposterior pode ser usada
5. Barra palatina simples (Figura 5-17, E) em quase todos os desenhos de prótese parcial removível supe-
6. Barra palatina anteroposterior (Figura 5-17, F) rior (Figura 5-19).
Quando for necessário que o conector palatino faça contato A cinta posterior deve ter uma forma achatada e deve ter
com os dentes por uma questão de suporte, então se deve prover pelo menos 8 mm de largura. Os conectores palatinos posterio-
um suporte dentário adequado. Este suporte é mais bem alcan- res devem ser posicionados o mais posteriormente possível para
çado quando se fazem apoios nos dentes pré-selecionados como evitar interferências na língua, mas anteriores à linha de junção
pilares. Estes apoios devem estar localizados distantes o sufi- entre os palatos duro e mole. A única condição que impede a
ciente da inserção gengival para que seja possível atravessar o sua indicação é a presença de um tórus maxilar inoperável que
sulco gengival sem seu bloqueio. Ao mesmo tempo, devem ser se estende posteriormente até o palato mole. Nesta situação,
suficientemente baixos em relação ao dente para evitar movi- pode ser utilizado um amplo conector maior em U, como expli-
mentos desfavoráveis de alavanca e suficientemente baixos nos cado neste capítulo.
incisivos e caninos superiores para evitar interferência oclusal A resistência do desenho deste conector maior decorre do
dos antagonistas. fato de que os componentes anteriores e posteriores estão
Componentes dos conectores maiores que repousam sobre unidos por conectores longitudinais em cada lado, formando
superfícies dentárias inclinadas e não preparadas podem resul- um arcabouço quadrado ou retangular. Cada componente
tar em deslizamento da prótese, em movimento ortodôntico do protege os demais contra possíveis torques e flexões. Movimen-
dente ou em ambos. De qualquer maneira, o apoio nos tecidos tos de flexão são praticamente inexistentes neste tipo de
gengivais é inevitável. Quando o suporte vertical oferecido pelos desenho.
apoios não é suficiente, a saúde dos tecidos circundantes nor- O conector anterior pode ser estendido anteriormente para
malmente fica comprometida. Da mesma maneira, as projeções sustentar dentes em espaços protéticos anteriores. Desta maneira,
40 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

C D

E F

Figura 5-17    Conectores maiores superiores. A, Cinta palatina simples. B, Cinta combinada anteroposterior. C, Placa palatina.
D, Conector palatino em forma de U. E, Barra palatina simples. F, Barra palatina anteroposterior.

um conector em “U” se torna mais rígido pelo acréscimo da reto, e não na diagonal. Isto por razões de simetria. A língua,
barra horizontal posteriormente. Na ocorrência de um tórus por ser um órgão bilateral, aceitará mais facilmente componen-
maxilar, este pode ser circundado por este tipo de conector tes dispostos simetricamente que aqueles dispostos sem simetria
maior sem sacrifícios para a rigidez. bilateral.
A combinação de conectores anteriores e posteriores pode
ser utilizada em qualquer classe de Kennedy para arco parcial- Placa Palatina
mente desdentado. Esta combinação é empregada mais frequen- Na ausência de uma terminologia melhor, o nome placa pala-
temente nas Classes II e IV, enquanto a cinta simples ampla é tina é utilizado para designar qualquer recobrimento do palato
mais frequentemente empregada nos casos de Classe III. Nos que seja fino, amplo e contornado, usado como conector
casos de Classe I, a placa palatina ou o conector de recobrimento maior e abrangendo pelo menos metade do palato duro
total são utilizados mais frequentemente, por razões que serão (Figura 5-20). As réplicas da anatomia palatina apresentam
explicadas posteriormente neste capítulo. Todos os conectores espessura e resistência uniformes, mesmo na presença de con-
maiores maxilares devem cruzar a linha mediana em ângulo tornos corrugados. Com o uso do polimento eletrolítico, a
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 41

Figura 5-19    Conector maior palatino tipo cinta anteroposte-


rior. O componente anterior é uma faixa achatada e posicionada
o mais posteriormente possível para evitar o recobrimento das
rugosidades e interferência na língua. A borda anterior desta
cinta deve ser situada imediatamente posterior à crista da rugo-
sidade ou no vale entre duas cristas. O componente posterior é
fino, com um mínimo de 8 mm de largura e localizado o mais
posterior possível, embora ainda sobre o palato duro. Ele deve
ser em ângulo reto com a linha mediana, nunca diagonal.

Figura 5-18    A, Esta cinta palatina simples se ajusta melhor


para próteses dentossuportadas com espaços desdentados bila-
terais curtos. Pode ser também utilizada para espaço unilateral
em próteses dentossuportadas com dispositivos para ligação
cruzada no arco, tipo retentores extracoronários ou encaixes. A
largura da barra deve estar dentro dos limites dos apoios da
prótese. B, Vista sagital. A porção central do conector maior é
ligeiramente elevada para prover rigidez. Esta espessura do
conector maior não altera significativamente o contorno do
palato.

uniformidade da espessura pode ser mantida e os contornos


anatômicos do palato podem ser reproduzidos fielmente na Figura 5-20    Conector maior palatino recobrindo dois terços
prótese final. do palato. A borda anterior segue os vales entre as rugosidades
O conector maior que faz uma réplica anatômica do palato e não se estende a frente dos retentores indiretos nos primeiros
tem várias vantagens sobre outros tipos de conectores maiores pré-molares. A borda posterior está localizada no limite dos
palatinos. Algumas das vantagens são as seguintes: palatos duro e mole, não se estendendo sobre este. Na situação
1. Torna possível a confecção de uma placa metálica uniforme- de extremidade livre bilateral, retentores indiretos são essenciais
mente fina que reproduz fielmente os contornos anatômicos para auxiliar a resistir à rotação horizontal da prótese. Observe
do palato do próprio paciente. Em função da uniformidade que dispositivos foram previstos para uma ligação junta de topo,
de espessura, da sensação familiar para a língua do paciente unindo a base da prótese e a armação, uma vez que cada lado
e da condutividade térmica do metal, a placa palatina é mais passa sobre a fossa pterigomaxilar.
rapidamente aceita pela língua e tecidos subjacentes que
qualquer outro tipo de conector.
2. A anatomia corrugada da prótese com réplica anatômica Com isto, a espessura uniforme original do padrão de cera
soma rigidez à peça; tornando possível a confecção de uma será mantida.
peça mais fina e com rigidez adequada. 4. Em função do contato íntimo, a tensão superficial na inter-
3. As irregularidades da superfície são intencionais e não aciden- face do metal com os tecidos subjacentes proporciona maior
tais; assim, é necessário somente um polimento eletrolítico. retenção para a prótese. A retenção precisa ser adequada
42 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 5-22    Conector maior palatino com recobrimento total.


A borda posterior termina na junção dos palatos mole e duro. A
porção anterior, na forma de uma placa lingual superior, é apoiada
Figura 5-21    Placa palatina para prótese parcial removível de sobre descansos palatinos bem definidos sobre os caninos. A
um arco Classe I, modificação 1. A borda posterior repousa bem localização das linhas de término neste tipo de conector é extre-
atrás, sobre o palato duro e atravessa a linha mediana em ângulo mamente importante. Anteroposteriormente, estas linhas devem
reto. O contato por todo o palato proporciona excelente retenção ser paralelas a uma linha ao longo do centro da crista do rebordo
auxiliar. e localizada ligeiramente para lingual em relação a uma linha
imaginária em contato com as superfícies palatinas dos dentes
naturais ausentes. Uma alteração ao contorno natural do palato
para resistir à força de tração dos alimentos grudentos, à deve ser evitada, em função do seu efeito negativo sobre a foné-
ação dos tecidos moles no entorno da borda da prótese, à tica, se estes contornos não são seguidos.
força da gravidade, e a forças mais fortes, como ao tossir ou
espirrar. Elas são todas superadas, até certo ponto, pela As várias vantagens do palato em metal sobre o de resina o
retenção da base em si. A retenção é proporcional à área total torna preferível mesmo com um custo ligeiramente maior. Entre-
da base da prótese em contato com os tecidos de suporte. A tanto, a placa de resina ou parcialmente metálica também pode
quantidade de retenção direta e indireta necessária depen- ser usada satisfatoriamente quando se prevê a necessidade de
derá da quantidade de retenção proporcionada pela base da reembasamento posterior ou quando o custo é um fator impor-
prótese. tante. A placa palatina total não é um conector que vem recebendo
A placa palatina pode ser usada em qualquer uma das três indicações universais, mas tem-se tornado bem aceita como o
maneiras. Ela pode ser usada como uma placa de largura variá- conector palatino para muitas próteses parciais removíveis supe-
vel recobrindo a área entre duas ou mais áreas desdentadas, riores. Em todas as circunstâncias, as partes que fazem contato
como uma placa completa ou parcial que se estende posterior- com os dentes remanescentes precisam ter o suporte de nichos de
mente até a junção dos palatos duro e mole (Figuras 5-21 e apoio adequados. O dentista deve se familiarizar com o emprego
5-22), ou na forma de um conector maior palatino anterior com das placas palatinas e, ao mesmo tempo, com suas limitações e
a possibilidade de extensão posterior da base da prótese com vantagens, de modo a utilizá-la de forma inteligente e tirando da
resina acrílica (Figura 5-23). peça o melhor proveito.
A placa palatina deve ficar localizada anteriormente à porção
posterior da área de selamento palatino. Um selamento palatino Desenho de Conectores Maiores Maxilares
posterior típico como no caso de próteses totais superiores Em 1953, Blatterfein descreveu uma abordagem sistemática
não é necessário em uma prótese parcial superior em que se usa para o desenho de conectores maiores superiores. Seu método
uma placa palatina em função da precisão e da estabilidade das envolve cinco passos básicos e é certamente aplicável à maioria
placas metálicas fundidas. dos casos de prótese parcial removível superior. Com o modelo
Quando o último pilar em cada um dos lados de um arco de estudo à mão e conhecendo o potencial de deslocamento dos
Classe I é o canino ou o primeiro pré-molar, o recobrimento tecidos, inclusive estes tecidos que recobrem a rafe mediana
palatino completo é altamente aconselhável, principalmente palatina, ele recomenda os passos básicos a seguir:
quando os rebordos sofreram reabsorção vertical excessiva. Isto 1° passo: Delimitar as áreas principais de suporte. As áreas prin-
pode ser feito por uma das duas maneiras possíveis. O primeiro cipais de suporte são aquelas que serão recobertas pela base
método é o de usar um palato totalmente metálico, estendido até da prótese (Figura 5-24, A e B)
o limite dos palatos duro e mole (Figura 5-22). O outro método 2° passo: Delimitar as áreas que não são de suporte. As áreas que
seria o de usar um conector maior metálico anterior com dis- não são de suporte são os tecidos gengivais até 5 a 6 mm dos
positivos de retenção posteriores, para fixação de uma base de dentes remanescentes, as áreas de tecido duro na rafe mediana
prótese de resina, que se estenderá posteriormente até o ponto do palato (incluindo qualquer tórus) e os tecidos posteriores
anatômico anteriormente citado (Figura 5-23). ao limite do palato duro com o palato mole (Figura 5-24, C)
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 43

A B
Figura 5-23    A, Conector maior palatino na forma de placa lingual superior com dispositivos para a fixação do recobrimento pela
base de resina acrílica. B, Prótese parcial removível terminada, com a base de resina acrílica. A placa lingual superior está apoiada
sobre descansos de cíngulo preparados sobre restaurações metálicas nos caninos. Este tipo de prótese parcial removível é particular-
mente aplicável onde: (1) os rebordos residuais sofreram reabsorção vertical extrema; e (2) quando os suportes terminais apresentem
alguma perda óssea e uma contenção não puder ser feita.

A B

C D
Figura 5-24    A, Modelo de estudo de uma arcada superior parcialmente desdentada. B, A extensão palatina das áreas basais da
prótese é localizada a 2 mm da superfície palatina dos dentes posteriores. C, As áreas de alívio assinaladas em preto, incluindo o tecido mole
a 5 ou 6 mm dos dentes sobre o palato, uma área firme de mucosa sobre a rafe mediana e o palato mole. O espaço limitado pelas
áreas de apoio e pelas áreas de não apoio está disponível para a colocação do conector maior. D, O conector maior escolhido será
rígido, não interferirá na língua e recobrirá um mínimo do palato.
44 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

3° passo: Delimitar as áreas de conector. Depois dos passos 1 e volume suficiente, o desenho em “U” leva ao aumento da
2, tem-se delimitada a área disponível para as partes do flexibilidade e movimento nas extremidades abertas. Nas
conector maior (Figura 5-24, C). próteses de extremidade livre distal, em que o suporte den-
4° passo: Seleção do tipo de conector. A escolha do tipo de tário posterior não existe, o movimento é especialmente per-
conector(es) está baseada em quatro fatores: conforto, ceptível e traumático para o rebordo residual. Independente
rigidez, localização das bases da prótese e retenção indireta. de quão bom for o suporte para a base no extremo livre ou
Os conectores devem ter o menor volume possível e devem quão harmoniosa seja a oclusão, sem um conector maior
ser posicionados de modo a não interferir na língua durante rígido o rebordo residual sofre.
a fala e a mastigação. Os conectores devem ter a maior rigidez Quanto mais amplo o recobrimento do conector maior
possível para distribuir as forças bilateralmente. A cinta em “U”, mais este irá parecer-se com o conector tipo placa
dupla é o tipo de conector maior que proporciona rigidez palatina com suas várias vantagens. Mas quando utilizado
máxima sem ser volumoso e sem o recobrimento total dos como um desenho em “U” estreito, geralmente falta a rigidez
tecidos. Muitas vezes, a escolha da cinta é limitada pela loca- necessária. Um conector em “U” pode ficar mais rígido com
lização das áreas de rebordo remanescente. Quando as áreas
desdentadas são localizadas anteriormente, o uso de uma
única cinta posterior não é recomendável. Da mesma
maneira, quando as áreas desdentadas estão presentes apenas
posteriormente, o uso de apenas uma cinta anterior não é
recomendável. A necessidade de retenção indireta influencia
a delimitação do conector maior. Devem ser previstos pontos
para que sejam posicionados retentores indiretos.
5° Passo. União. Depois da seleção do tipo de conector maior
baseada nas considerações do 4° passo, as áreas da base da
prótese e os conectores devem ser unidos (Figura 5-24, D).
As indicações para o uso do recobrimento total do palato
foram discutidas anteriormente neste capítulo. Embora haja
muita variação entre os conectores maiores palatinos, a com-
pleta compreensão de todos os fatores que influenciam seu
desenho levará a seleção do melhor desenho para cada
paciente.

Conector Palatino em Forma de U


Tanto do ponto de vista do paciente como do ponto de vista Figura 5-25    O conector palatino em forma de U é provavel-
mecânico, o conector palatino em “U” é o menos desejável dos mente o conector maior superior menos rígido e deve ser utili-
conectores maiores para a maxila. Ele nunca deve ser empre- zado somente quando um tórus palatino grande e inoperável
gado arbitrariamente. Quando há a presença de um grande impede que o recobrimento total ou um conector duplo, antero-
tórus palatino inoperável e, ocasionalmente, quando vários posterior seja usado.
dentes anteriores precisarem ser substituídos, o conector pala-
tino em “U” terá de ser utilizado (Figura 5-25). Na maioria
dos casos, porém, outros desenhos serão mais eficientes.
As principais objeções ao uso de um conector em “U”
são as seguintes:
1. Falta de rigidez (quando comparado a outros desenhos)
por possibilitar flexão lateral sob ação de forças oclusais
e resultar em torque ou forças laterais diretas nos dentes
pilares.
2. O desenho do conector falha em prover boas caracterís-
ticas de suporte e pode possibilitar trauma nos tecidos
subjacentes a suas bordas palatinas quando submetidos a
cargas oclusais.
3. O aumento do volume para aumentar a rigidez resulta
em grande espessura em áreas que funcionam como um
obstáculo para a língua.
Muitas próteses parciais removíveis superiores fracassam
por nenhuma outra razão que não a flexibilidade do conec- Figura 5-26    Um desenho comum de prótese removível
tor maior em “U” (Figura 5-26). Para ser rígido, o conector usando o indesejável conector maior em U. Este conector carece
palatino em “U” precisa de volume onde a língua precisa de de rigidez, é volumoso onde é mais indesejável para o paciente
mais liberdade — a área das rugosidades palatinas. Sem e traumatiza os tecidos gengivais palatinos dos elementos
remanescentes.
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 45

a utilização de múltiplos dentes de suporte por meio de A sulcagem é facilmente executada utilizando-se um ins-
nichos de apoio precisos. Porém, um erro comum no trumento apropriado, como uma espátula de escultura.
desenho do conector em “U” é a proximidade ou mesmo o Deve-se ter o cuidado de não criar um sulco que exceda
contato direto com os tecidos gengivais. O princípio de que 0,5 mm em largura ou profundidade (Figura 5-31).
as bordas dos conectores maiores devem ou ser sustentadas
por apoios sobre descansos preparados ou ser localizadas
distante o suficiente dos tecidos gengivais já foi descrito
anteriormente. A maioria dos conectores em “U” não
obedece nem uma nem outra condição, resultando na irri-
tação gengival e trauma periodontal dos tecidos adjacentes
aos dentes remanescentes.

Barra Palatina Simples


Para diferenciar uma barra de uma cinta palatina, um com-
ponente de conector com largura menor que 8 mm será
considerado como uma barra neste livro. A barra palatina
simples é talvez o mais amplamente utilizado e o menos
lógico de todos os conectores maiores palatinos. É difícil
dizer se é a barra ou o conector maior em forma de “U” o
mais criticável dos conectores palatinos.
Para que a barra palatina simples tenha a rigidez neces-
sária para uma distribuição de forças entre os arcos é preciso
ter um volume considerável, o que geralmente não é obser-
vado, infelizmente. Para que a barra palatina simples seja Figura 5-27    Combinação de barra palatina anteroposterior.
eficiente, ela deve ser suficientemente rígida para oferecer Para ser suficientemente rígido para oferecer o suporte e a esta-
suporte e estabilidade cruzada no arco e ainda deve estar bilidade necessários, este tipo de conector maior deve ser exces-
centralizada entre as duas metades da prótese. Mecanica- sivamente volumoso. Por causa do seu volume e localização, a
mente, esta prática pode ser perfeitamente válida, mas, do barra anterior frequentemente interfere na língua.
ponto de vista do conforto do paciente e da alteração do
contorno do palato, é altamente criticável.
Uma prótese removível feita com uma barra palatina
simples frequentemente é muito fina e muito flexível ou
muito volumosa e desconfortável para a língua do paciente.
A decisão de usar uma barra palatina simples em lugar de
uma cinta deve estar baseada no tamanho das áreas de apoio
da prótese que estão sendo unidas e se apenas um conector
localizado entre estas partes seria rígido o suficiente sem
resultar em um volume inconveniente.

Barra Palatina Anteroposterior


Estruturalmente, esta combinação de conectores maiores
apresenta muitas das desvantagens da barra palatina simples
(Figura 5-27). Para ser suficientemente rígido e fornecer o
suporte e a estabilidade necessários, este tipo de conector
deve ser muito volumoso e pode interferir na função da
língua.

Sulcagem do Modelo Superior


Sulcagem é o termo utilizado para a confecção de um risco
raso no modelo superior de trabalho que delimita o conector
maior palatino fora da área das rugosidades (Figura 5-28).
Os objetivos da confecção deste sulco são os seguintes:
1. Transferir o desenho do conector maior para o modelo
de revestimento (Figura 5-29, A e B) Figura 5-28    A armação desenhada sobre o modelo de traba-
2. Fornecer uma linha de término visível para a peça metá- lho antes do preparo para duplicação no revestimento. Um sulco
lica (Figura 5-30) raso (0,5mm) foi riscado sobre as bordas anterior e posterior do
3. Assegurar o contato íntimo do conector maior com conector maior. A marcação é facilmente feita com um esculpi-
dor do tipo Hollemback. Um corte levemente arredondado é
tecidos palatinos selecionados.
melhor que em V.
46 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 5-29    A, Modelo de revestimento. Observe a delimitação do conector maior transferida na duplicação do modelo de trabalho.
B, O padrão em cera (ceroplastia) do conector maior pode ser executado precisamente respeitando-se estes sulcos. O conector maior
se situa entre os limites previamente estabelecidos.

contíguo com a placa lingual. Da mesma maneira, a parte da


armação da base da prótese que sustenta o grampo e o apoio
oclusal é um conector menor, que se une ao conector maior
com o corpo do grampo propriamente dito. Estas partes da
prótese parcial removível, por meio das quais as bases da prótese
são mantidas, são conectores menores.

Funções
Além de unir as partes da prótese, o conector menor serve ainda
a dois outros fins.
1. Transferir forças funcionais aos dentes pilares. Esta é uma
função prótese-pilar dos conectores menores. As forças
oclusais aplicadas sobre os dentes artificiais são transferidas
por meio da base para os tecidos do rebordo residual subja-
Figura 5-30    Modelo de trabalho e armação mostrando a
cente se esta base é essencialmente mucossuportada. As
margem metálica produzida pelo sulco de 0,5mm feito no
modelo. Esta margem é facilmente terminada no laboratório e
forças oclusais aplicadas aos dentes artificiais são também
oferece contato íntimo com o tecido, impedidndo que os alimen- transferidas para os dentes pilares por meio dos apoios olcu-
tos desloquem a prótese facilmente. Deve ser tomado cuidado sais. São os conectores menores originados do conector
para que esta margem esteja adaptada a tecidos não compres- maior rígido que fazem possível esta transferência de forças
síveis, como a rafe palatina. funcionais por todo o arco dentário.
2. Transferir o efeito dos retentores, apoios e componentes de
estabilização para o resto da prótese. Esta é uma função
Conectores Menores
pilar-prótese do conector menor. As forças aplicadas em uma
Os conectores menores são aqueles componentes que funcio- região da prótese podem sofrer reação por outros compo-
nam como ligação entre o conector maior ou a base da prótese nentes da prótese situados em outra região e posicionados
parcial removível e as demais partes da prótese, tais como para esta função. Um componente de estabilização num dos
grampos, retentores indiretos, apoios oclusais e apoios de lados do arco pode ser adicionado para resistir a forças hori-
cíngulo. Em muitos casos, o conector menor pode ser contínuo zontais originadas do lado oposto. Isto é possível somente
com outras partes da prótese. Por exemplo, um apoio oclusal por causa do efeito de transferência do conector menor, que
num dos lados de uma placa lingual é em realidade o término sustenta este componente de estabilização e a rigidez do
de um conector menor, mesmo que este conector menor esteja conector maior.
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 47

A B

Figura 5-31    A, Lado interno da peça. Observe uma crista suave que delimita as regiões abertas anterior, posterior e no centro do
palato deste conector maior anteroposterior. B, Armação acabada nas linhas demarcadas e posicionada no modelo, mostrando
adaptação íntima.

Figura 5-33    O conector menor que contata o plano-guia é


parte do conjunto do grampo. Ele pode estar separado das
outras partes ou, como nesse caso, pode estar ligado à porção
Figura 5-32    Em um espaço de ameia, o conector menor é
de estabilização lingual do grampo. O contato da placa proximal
afilado em direção ao dente para evitar volume e para acomodar
do conector menor é cerca de metade da distância entre as
a língua.
pontas das cúspides vestibular e lingual do dente pilar e ainda
se estende cervicalmente, contatando a área do dentes pilares
desde a crista marginal até dois terços do tamanho da coroa.
Forma e Localização Visto de cima, tem formato triangular, a ponta do triângulo se
Assim como o conector maior, o conector menor precisa ter localiza vestibularmente, e a base, lingualmente. Conectores
volume suficiente para ser rígido; do contrário, a transferência menores bem delimitados resultam em menos interferência com
de forças funcionais para os tecidos e dentes de suporte não será os dentes adjacentes artificiais.
eficaz. Da mesma maneira, o volume do conector menor deve
ser o menos incômodo possível. mínimo de tecido gengival possível. Ele deve ir aumentando a
Um conector menor que contata a superfície axial de um espessura conforme se aproxima da superfície lingual, afilando
dente de suporte não deve estar situado sobre uma superfície para a área de contato (Figura 5-33).
convexa e sim ficar numa ameia (Figura 5-32), onde ficará A parte mais profunda da ameia interdental deve ser blo-
menos perceptível pela língua. Ele deve estar adaptado à ameia queada para evitar interferência na colocação e remoção da
interdental, passando verticalmente a partir do conector maior, prótese e para evitar qualquer efeito de cunha entre os dentes
de modo que a passagem pela gengiva seja abrupta e cubra o contatados.
48 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

interdental, da mesma maneira que ficaria entre dois dentes


naturais.
Como dito anteriormente, as partes da armação da
prótese por meio das quais as bases de resina acrílica são
fixadas são conectores menores. Este tipo de conector menor
deve então ser desenhado de modo a ficar completamente
inserido no volume da base da prótese.
As conexões destes conectores menores mandibulares
com o conector maior devem ser junções resistentes, mas
sem um volume apreciável (Figura 5-34). Os ângulos forma-
Figura 5-34    A linha de término na junção do conector menor
dos nestas junções entre os conectores não devem ser maiores
(sela) com formato de escada e o conector maior ocorre sem
que 90 graus, garantindo assim a forma de ligação mecânica
ressalto e alcança o plano-guia na distal do segundo pré-molar.
A armação é afilada no sentido do tecido a partir da linha de mais vantajosa e sólida entre a resina acrílica da base da
término para evitar muito volume nesta área, sem comprometer prótese e o conector maior.
a resistência da junção. Uma malha aberta ou com desenho do tipo escada é
preferível e é convenientemente confeccionada utilizando-se
tiras pré-conformadas de cera semicirculares calibre 12 e
circulares calibre 18. O conector menor para a base da
prótese inferior de extremidade livre deve se estender poste-
Foi proposta uma modificação dos conectores menores das riormente cerca de dois terços do comprimento do rebordo
próteses parciais removíveis convencionais. Esta aplicação foi desdentado e deve ter elementos tanto na superfície lingual
sugerida apenas para o arco superior, com o conector menor como na superfície vestibular. Este arranjo não só acrescenta
localizado no centro da superfície palatina do dente pilar resistência à base da prótese, mas também pode minimizar
superior. as distorções da base polimerizada decorrentes das tensões
Foi sugerido que esta modificação reduza a quantidade de inerentes ao processamento. O conector menor precisa ser
recobrimento dos tecidos gengivais, ofereça melhor guia para a planejado com cuidado de modo a não interferir na monta-
remoção e inserção da prótese parcial e aumente a estabilização gem dos dentes artificiais (Figura 5-35).
contra forças horizontais e rotacionais. Entretanto, em função Deve-se providenciar uma forma de fixar as moldeiras
da sua localização, esta variação no desenho poderia invadir individualizadas de resina acrílica na armação inferior quando
o espaço da língua e criar um grande potencial para acúmulo uma moldagem de correção está planejada no momento em
de alimentos. A variação proposta deve ser utilizada com que a ceroplastia da armação estiver sendo desenvolvida. Três
cuidado. conectores menores confeccionados como se fossem parte
Quando um conector menor contata as superfícies dentais do conector menor da base da prótese servem bem para
em qualquer um dos lados da ameia onde ele está inserido, ele cumprir este objetivo. A menos que outra solução seme-
deve ser afilado em direção aos dentes de modo que a língua lhante seja encontrada, as moldeiras de resina podem se
encontre uma superfície lisa. Isto evita ângulos vivos, que podem soltar ou afrouxar durante o procedimento de moldagem.
impedir o movimento da língua, e elimina os espaços onde Os conectores menores para bases de próteses superiores de
poderiam ficar retidos restos de alimentos (Figura 5-34). extremidade livre devem ser estendidos por todo o compri-
É o conector menor que contata as superfícies dos planos- mento do rebordo residual e devem ter um desenho tipo
guia dos dentes suporte, quer como parte integrante do retentor escada e alças (Figura 5-36).
direto, quer como uma entidade separada (Figura 5-33). Aqui
o conector menor precisa ser suficientemente largo para que o
plano-guia seja usado em sua plenitude. Quando dele surge um
Apoio Tecidual
braço de grampo, o conector deve ser afilado em direção ao Os apoios teciduais são parte integrante dos conectores
dente adjacente abaixo da origem do grampo. Se não há a menores e são desenhados para contribuir para a retenção
­presença de um braço de grampo, como é o caso quando o das bases de resina acrílica. Eles fornecem estabilidade à
grampo em barra se origina em outro ponto, o conector deve armação da prótese durante os estágios de transferência e
ser afilado em uma borda em lâmina, em todo o comprimento processamento e são particularmente úteis para evitar a
de sua extensão vestibular. distorção da armação durante os procedimentos de proces-
samento da resina acrílica. Os apoios teciduais podem ter a
Quando um dente artificial for colocado contra um conector função de relacionar as vertentes lingual e vestibular do
menor proximal, o maior volume deste conector deve ficar rebordo remanescente e assim contribuir para a estabilidade
do lado lingual do dente suporte. Desta maneira, estará (Figura 5-37).
assegurado um volume suficiente com a menor interferência Os procedimentos de moldagem funcional muitas vezes
possível na montagem dos dentes artificiais. De modo ideal, requerem que os apoios teciduais sejam aumentados subse-
o dente artificial deve contatar o dente suporte com apenas quentemente ao desenvolvimento do modelo funcional. Isto
uma fina espessura de metal intervindo por vestibular. Por pode ser facilmente conseguido com o acréscimo de resina
lingual, o volume do conector menor deve ficar na ameia acrílica quimicamente ativada (Figura 5-38).
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 49

Outra parte integrante do conector menor que retém a


base da prótese de resina acrílica é semelhante a um apoio
tecidual, mas tem uma função diferente. Esta parte é
situada na distal do dente suporte terminal e é uma conti-
nuação do conector menor que contata o plano-guia. Sua
finalidade é estabelecer um índice final de apoio em tecido
para a base de resina acrílica depois do processamento
(Figura 5-39).

Linhas de Término
A junção da linha de término com o conector maior deve
ter um ângulo menor que 90°, ficando assim um tanto agudo
(Figura 5-40). Claro que a extensão para a linha mediana do
conector menor depende da extensão lateral do conector
maior palatino. Pouca atenção é dada quanto à localização das Figura 5-35    O desenho do conector menor (sela) para
linhas de término em muitos casos. Se a linha de término for receber a base de resina deve ser feito de modo que a colocação
situada muito medialmente, o contorno natural do palato será dos dentes na prótese não seja comprometida. O desenho do
alterado pela espessura da junção e da resina acrílica que conector menor não deve ter uma grade escorada na crista do
sustenta os dentes artificiais (Figura 5-41). Se, por outro rebordo ou no local designado para os dentes.
lado, a linha de terminação for situada muito para vestibular,
será muito difícil criar um contorno natural na resina acrí-
lica na superfície lingual dos dentes artificiais. A localização
da linha de término na junção dos conectores maior e menor
deve estar baseada na restauração da forma natural do palato,
levando em consideração o posicionamento dos dentes
artificiais.
Da mesma maneira, deve-se considerar a junção dos
conectores menores e os braços de retenção do retentor
direto tipo barra. Estas junções são do tipo junta de topo em
90° e devem seguir as mesmas orientações para o contorno
da base e o comprimento dos grampos.

Reação Dos Tecidos Ao


Recobrimento Metálico
A reação dos tecidos ao recobrimento metálico de uma prótese
parcial removível tem sido alvo de significativa controvérsia, Figura 5-36    A extensão da linha de término até a área da
particularmente nas áreas de recobrimento da gengiva marginal fossa pterigomaxilar proporciona uma junção para a retenção da
e onde há o amplo contato do metal com os tecidos. Estas porção terminal posterior da base de resina através da fossa
reações do tecido podem resultar de pressões causadas pela falta pterigomaxilar (setas).
de suporte, falta de hábitos de higiene e contato prolongado
resultante do uso contínuo da prótese.
Se o alívio sob os cruzamentos com a gengiva e outras áreas
de contato com tecidos incapazes de sustentar a prótese for os tecidos orais forem recobertos ou atravessados por elemen-
inadequado, então a pressão destes tecidos subjacentes é ine- tos da prótese removível.
vitável. Um traumatismo ocorrerá da mesma maneira se a A falta de higienização adequada pode resultar em reações
prótese se adaptar com a perda de suporte dentário ou de do tecido provocadas pelo acúmulo de alimentos e bactérias.
tecido. Isto pode ser causado pelo insucesso do descanso resul- O recobrimento dos tecidos orais com próteses parciais que
tante de um desenho inadequado, pela ocorrência de cárie, não são mantidas devidamente limpas é danoso a estes tecidos
pela fratura do próprio apoio ou pela intrusão dos dentes de pelo acúmulo dos fatores irritantes. Isto tem levado a uma
suporte sob as cargas oclusais. É fundamental manter o alívio interpretação equivocada do efeito do recobrimento dos
adequado e o suporte suficiente tanto de dentes como de tecidos por peças protéticas. Uma preocupação adicional no
tecidos. A adaptação da prótese a situações em que houve que se refere à limpeza é a higiene dos tecidos subjacentes à
perda dos tecidos de suporte pode resultar em pressão em área da prótese.
outras partes do arco tais como sob conectores maiores. Esta As duas primeiras causas que resultam em reação tecidual
adaptação precisa ser evitada ou corrigida se vier a se manifes- desagradável podem ser agravadas pelo tempo durante o qual
tar. A pressão excessiva deve, portanto, ser evitada sempre que a prótese é utilizada. Quanto mais tempo em posição, mais
50 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

C D

Figura 5-37    A, A seta aponta o local do apoio sobre o tecido. B, Modelo de trabalho parcialmente preparado para duplicação em
revestimento. Depois de um alívio em cera na distal do rebordo residual (seta), um apoio em tecido será encerado. C, Apoio em tecido
encerado localizado distalmente ao alívio (seta). Depois da fundição, isto resulta em um contato da armação com o tecido. D, Apoio
em tecido visto pela vestibular. E, Armação terminada mostra o contato com o tecido posterior ao conector menor com o alívio pla-
nejado. A seta aponta para o apoio em tecido feito.

resposta tecidual irá acontecer. Está claro que a membrana tecidos vivos não devem ser recobertos todo o tempo ou ocor-
mucosa não pode tolerar este constante contato com a prótese rerão mudanças nestes tecidos. Próteses removíveis devem ser
sem que ocorra uma inflamação e uma lesão à barreira epite- mantidas fora da boca durante várias horas todos os dias, de
lial. Alguns pacientes ficam tão habituados ao uso da prótese modo que os tecidos possam repousar e retomar ao seu estado
removível que negligenciam que deve ser feita uma remoção normal.
periódica para dar aos tecidos um descanso do contato cons- A experiência clínica com o uso de placa lingual e com o
tante. Isto é especialmente verdadeiro quando se trata de uma recobrimento metálico total do palato tem demonstrado con-
prótese removível com dentes anteriores, em que o indivíduo clusivamente que quando fatores de pressão, higiene e tempo
não possibilita que a prótese fique fora de sua boca senão na são controlados, o recobrimento tecidual não é, por si só, pre-
privacidade do banheiro durante a escovação. Acontece que os judicial à saúde dos tecidos orais.
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 51

A B

Figura 5-38    A, Metade inferior da mufla onde a prótese de extremidade livre distal foi incluída. Observe que a porção terminal do
conector menor (apoiada sobre tecido originalmente) está afastada do rebordo residual. A armação foi confeccionada sobre o modelo onde
o rebordo foi moldado na sua forma anatômica. O rebordo residual foi depois moldado na sua forma funcional, por isso o apoio em
tecido elevado. B, Resina acrílica quimicamente ativada é acrescida entre o apoio em tecido e o rebordo para manter a posição do
conector menor durante o processamento da resina acrílica da base da prótese.

A B

C D

Figura 5-39    Índex de apoio tecidual. A, Desenhada para facilitar o acabamento da base da prótese na região do pilar terminal.
Observe o espaço na região anterior do alívio em cera. A armação será encerada de modo a preencher este espaço e fornecer contato
positivo com o tecido. B, Modelo de revestimento mostrando espaço distal ao pilar. C, Padrão de cera preenchendo o espaço para um
futuro índex de contato com o tecido. D, Armação com índex de apoio em tecido anterior ao alívio sob o conector menor da base da
prótese com extremidade livre posterior ao pilar primário.
52 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 5-40    Seção frontal através das linhas de acabamento dos conectores palatinos maiores. A imagem da direita é através da
armação metálica completa da base do conector maior; a da esquerda é através da base de resina. Em ambas as situações, a localização
das linhas de término minimiza o volume de resina prendendo os dentes artificiais. Os contornos palatinos são restaurados, melho-
rando a fala e contribuindo para uma sensação natural para o paciente.

Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Todas as áreas


retentivas teciduais paralelas à via de inserção da prótese.
(2)  Uma espessura adicional de cera calibre 32 quando a
superfície lingual do rebordo alveolar for retentiva ou para-
lela à via de inserção da prótese (Figuras 11-23 e 11-24).
(3)  Nenhum alívio se faz necessário quando a superfície
lingual do rebordo alveolar é inclinada inferiormente e pos-
teriormente. (4) Uma lâmina de cera número 7 sob as áreas
de apoio basais (para elevar os conectores menores que
fixam as bases da prótese de resina acrílica).
Especificações de Ceroplastia: (1) Cera calibre 6, formato de
meia pera reforçada por uma lâmina de cera de calibre 22 a
24 ou um padrão de plástico semelhante adaptado à largura
do desenho. (2) Uma barra longa necessita de mais volume
que uma barra curta, entretanto, o formato na transversal
Certo Errado
permanece inalterado.
Linhas de Término: Ligações junta de topo com conectores
Figura 5-41    A junção do conector maior com o conector
menores para retenção da base da prótese.
menor nas linhas de término palatinas deve estar localizada
medialmente a 2 mm de uma linha imaginária que faria contato
com as superfícies linguais dos dentes ausentes posteriores. A
linha de término à direita está muito distante na direção medial
do palato. Os contornos naturais do palato serão alterados. Placa Lingual Inferior
Indicações de Uso: (1) Quando o assoalho de boca se aproxima
tanto dos sulcos gengivais linguais que não deixa uma largura
adequada para uma barra lingual. (2) Nos casos em que um
Revisão Dos Conectores Maiores rebordo residual em um arco tipo Classe I sofreu tanta reab-
sorção que oferece apenas o mínimo de resistência aos movi-
mentos horizontais da base da prótese. (3) Quando se usa
Barra Lingual Inferior um dente periodontalmente comprometido, em função de
Indicações de Uso: A barra lingual deve ser usada para próteses grupo, para dar suporte a prótese e ajudar a resistir a movi-
parciais removíveis quando há espaço suficiente entre o assoa- mentos rotacionais horizontais das próteses do tipo de extre-
lho da boca, ligeiramente elevado, e o tecido gengival lingual. midade livre. (4) Quando a substituição de um ou mais
Características e Localização: (1) Formato de meia pera com a incisivos será facilitada pela adição de alças de retenção a
parte mais volumosa localizada inferiormente. (2) Borda uma placa lingual pré-existente.
superior afilada em direção ao tecido. (3) Borda superior Características e Localização: (1) Formato de meia pera, com
localizada a pelo menos 4 mm de distância da margem gen- a parte mais volumosa localizada inferiormente. (2) Reco-
gival e o mais distante possível desta. (4) Borda inferior brimento metálico, fino, se estendendo superiormente,
localizada na altura determinada pelo assoalho da boca entrando em contato com o cíngulo dos dentes anteriores e
quando o paciente eleva a língua ligeiramente. as superfícies linguais dos dentes posteriores na altura dos
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 53

contornos. (3) Recobrimento se estendendo pela interproxi- Barra Lingual Inferior com Grampo
mal até a altura dos pontos de contato (isto é, fechando os contínuo
espaços interproximais). (4) Contorno recortado do reco-
brimento como requerido pelo bloqueio interproximal. (5) Indicações de Uso: (1) Quando uma placa lingual é indicada,
Borda superior terminada em um plano contínuo com os mas o alinhamento axial dos dentes anteriores é tanto que
dentes em contato. (6) Borda inferior localizada na altura necessita de um bloqueio excessivo das áreas interproximais.
determinada pelo assoalho da boca quando o paciente eleva (2) Quando há um amplo diastema entre os dentes anterio-
a língua ligeiramente. res inferiores e uma placa lingual exporia o metal inconve-
Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Todas as zonas nientemente em uma visão frontal.
retentivas de contato com os dentes paralelas à via de inser- Características e Localização: (1) Convencionalmente confor-
ção da prótese. (2) Todos os sulcos gengivais envolvidos. mada e localizada da mesma maneira que o conector maior
(3)  O mesmo que se aplica para as superfícies linguais do tio barra lingual quando possível. (2) Alça de metal fina,
rebordo alveolar e áreas de apoio basais para as barras estreita (3 mm) localizada no cíngulo dos dentes anteriores,
linguais. recortada para seguir as ameias interproximais com as bordas
Especificações da Ceroplastia: (1) Borda inferior: calibre 6, inferiores e superiores afinadas na direção da superfície dos
formato de meia pera, reforçada com uma lâmina de cera de dentes. (3) Origina-se bilateralmente de apoios incisais,
calibre 24 ou um padrão de plástico semelhante. (2) Reco- linguais ou oclusais dos pilares principais adjacentes.
brimento: lâmina de cera calibre 24. Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) As superfícies
Linhas de Término: Ligações junta de topo com conectores linguais do rebordo alveolar e as áreas de apoio da base da
menores para retenção da base da prótese. prótese são semelhantes às da barra lingual. (2) Não se faz
alívio para uma barra contínua exceto o bloqueio dos espaços
interproximais paralelos à viade inserção da prótese.
Especificações da Ceroplastia: (1) Conector maior tipo barra
Barra Sublingual Inferior lingual encerado e conformado da mesma maneira que uma
Indicações de Uso: A barra sublingual deve ser utilizada em pró- barra lingual. (2) Padrão em barra contínua confeccionado
teses parciais removíveis inferiores quando a altura entre do pela adaptação de duas tiras de 3 mm de largura de uma
assoalho da boca e as margens gengivais livres forem menores lâmina de cera calibre 28, uma de cada vez, sobre o cíngulo
que 6 mm. Ela também pode ser indicada quando é desejável e dentro dos espaços interproximais.
manter as margens gengivais livres dos dentes remanescentes Linhas de Término: Ligações junta de topo com conectores
anteriores expostas e a profundidade do assoalho da boca é menores para retenção da base da prótese.
inadequada para a colocação de uma barra lingual.
Contraindicações de Uso: Dentes remanescentes anteriores
intensamente inclinados para a lingual.
Características e Localização: A barra sublingual tem essencial-
Grampo contínuo
mente o mesmo formato em meia pera que uma barra Indicações de Uso: Quando uma placa lingual ou uma barra
lingual, exceto pelo fato de que a parte mais volumosa é sublingual é indicada, mas o alinhamento axial dos dentes
localizada para a lingual e a parte cônica é em direção à anteriores é tanto que ocorreria um bloqueio interproximal
vestibular. A borda superior da barra deve estar a pelo menos excessivo.
3 mm das margens gengivais livres dos dentes. A borda infe- Contraindicações ao Uso: (1) Dentes anteriores muito inclina-
rior é localizada na altura do assoalho de boca quando o dos para a lingual. (2) Na presença de diastemas amplos
paciente eleva a língua ligeiramente. Para isto, é necessária entre os dentes anteriores inferiores, possibilitando que o
uma moldagem funcional do vestíbulo lingual para registrar grampo contínuo ficasse muito exposto em uma visão
com precisão a altura do vestíbulo. frontal.
Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Todas as zonas Características e Localização: (1) Alça de metal fina, estreita
retentivas teciduais paralelas à via de inserção da prótese. (2) (3 mm) localizada no cíngulo dos dentes anteriores, recor-
Uma espessura adicional de cera calibre 32 quando a super- tada para seguir as ameias interproximais com as bordas
fície lingual do rebordo alveolar é retentiva ou paralela à via inferiores e superiores afinadas na direção da superfície dos
de inserção da prótese. (3) Uma lâmina de cera número 7 dentes. (2) Origina-se bilateralmente de apoios incisais,
sob as áreas de apoio basais (para elevar os conectores linguais ou oclusais dos pilares principais adjacentes.
menores que fixam as bases da prótese de resina acrílica). Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: Não se faz alívio para
Especificações da Ceroplastia: (1) Cera calibre 6, formato de um grampo contínuo, exceto o bloqueio dos espaços inter-
meia pera reforçada por uma lâmina de cera de calibre 22 a proximais paralelos à via de inserção da prótese.
24 ou um padrão de plástico semelhante adaptada a largura Especificações da Ceroplastia: Padrão em grampo contínuo
do desenho. (2) Uma barra longa necessita de mais volume confeccionado pela adaptação de duas tiras de 3 mm de
que uma barra curta, entretanto, o formato na transversal largura de uma lâmina de cera calibre 28, uma de cada vez,
permanece inalterado. sobre o cíngulo e dentro dos espaços interproximais.
Linhas de Término: Ligações junta de topo com conectores Linhas de Término: Ligações junta de topo com conectores
menores para retenção da base da prótese. menores para retenção da base da prótese.
54 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Barra Vestibular Inferior Traçado: (Figuras 5-37 a 5-40.)


Especificações da Ceroplastia: Reprodução anatômica equiva-
Indicações de Uso: (1) Quando a inclinação lingual dos pré- lente a uma cera calibre 22-24, dependendo da largura da
molares e incisivos remanescentes não pode ser corrigida, arcada.
impedindo a indicação de um conector tipo barra lingual Linhas de Término: (1) Recortada e levemente elevada. (2) Distante
convencional. (2) Na presença de um tórus lingual que não a 2 mm no máximo da linha medial imaginária que contata
pode ser removido e impede o uso de uma barra lingual ou as superfícies palatinas dos pilares principais e os dentes a
de um conector tipo placa lingual. (3) Quando o recorte do serem substituídos. (3) Segue a curvatura do arco.
tecido mole lingual é tão abrupto que faz com que seja
impraticável o uso de conectores maiores tipo barra ou placa
lingual.
Características e Localização: (1) Formato de meia pera com a
Barra Palatina Ampla
parte mais volumosa localizada inferiormente na face vesti-
bular da mandíbula. (2) Borda superior afilada em direção Indicações de Uso: (1) Arcadas parcialmente edêntulas Classe I
ao tecido. (3) Borda superior localizada a pelo menos 4 mm com rebordos residuais que sofreram pouca reabsorção ver-
de distância da margem gengival e o mais distante possível tical e oferecem excelente suporte. (2) Palatos em forma de
desta. (4) Borda inferior localizada na face vestibular e na U ou de V. (3) Dentes pilares fortes (por si ou reforçados
junção entre a mucosa livre (móvel) e a mucosa inserida através de contenção). (4) Mais que seis dentes remanescen-
(imóvel). tes anteriores na arcada. (5) A retenção direta não é um
Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Todas as zonas problema. (6) Ausência de tórus que interfere na prótese.
retentivas teciduais paralelas à via de inserção da prótese, Características e Localização: (1) Formato de uma réplica ana-
uma espessura adicional de cera calibre 32 quando a super- tômica. (2) A borda anterior segue os vales entre as rugosi-
fície vestibular do rebordo alveolar é retentiva ou paralela à dades palatinas, o mais próximo possível, em ângulo reto
via de inserção da prótese. (2) Nenhum alívio é necessário com a rafe mediana e não se estende anteriormente aos
quando a superfície vestibular do rebordo alveolar se inclina apoios oclusais ou retentores indiretos. (3) A borda posterior
inferiormente para a face vestibular. (3) As áreas de apoio se estende até a junção entre os palatos mole e duro, mas não
basais são equivalentes às de um conector maior tipo barra invade o palato mole; faz um ângulo reto com a rafe palatina
lingual. e se estende posteriormente até a fossa pterigomaxilar.
Especificações das Ceras: (1) Cera calibre 6, formato de meia Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Geralmente não
pera reforçada por uma lâmina de cera de calibre 22 a 24 ou é necessário nenhum alívio, exceto na presença de uma rafe
um padrão de plástico semelhante adaptado a largura do palatina volumosa ou de qualquer exostose atravessada pelo
desenho. (2) Uma barra longa necessita de mais volume que conector. (2) Uma espessura de cera número 7 sobre as áreas
uma barra curta, entretanto, o formato na transversal per- de apoio basais (para elevar os conectores menores e aplicar
manece inalterado. (3) Os conectores menores se ligam à a resina acrílica da base da prótese).
oclusal ou a outros componentes superiores pela vestibular. Traçado: (Figuras 5-37 a 5-40).
(4) Conectores menores ligados à base pela vestibular. Especificações das Ceras: Reprodução anatômica equivalente à
Linhas de Término: Ligações junta de topo com conectores espessura de uma lâmina de cera calibre 24.
menores para retenção da base da prótese. Linhas de Término: (1) Promover ligações junta de topo nas
fossas pterigomaxilares. (2) Retentivas e levemente elevada.
(2) Distante a 2 mm no máximo da linha medial imaginária
que contata as superfícies palatinas dos pilares principais e os
Cinta Palatina Simples dentes a serem substituídos. (3) Segue a curvatura do arco.
Indicações de Uso: Espaços edêntulos curtos bilaterais em uma
prótese dentossuportada.
Características e Localização: (1) Formato de uma réplica ana-
Cinta Palatina Anteroposterior
tômica. (2) A borda anterior segue os vales entre as rugosi-
dades palatinas, o mais próximo possível, em ângulo reto Indicações de Uso: (1) Arcadas Classe I e II, em que há pilares
com a rafe mediana. (3) A borda posterior faz um ângulo e rebordos residuais excelentes e é possível retenção direta
reto com a rafe palatina. (4) A cinta deve ter 8 mm de largura adequada sem a necessidade de retenção indireta. (2) Espaços
ou aproximadamente a largura de um pré-molar e um pri- edêntulos longos em arcadas Classe II modificação 1.
meiro molar juntos. (5) Confinada na área delimitada pelos (3)  Arcadas Classe IV em que os dentes anteriores têm de
quatro apoios principais. ser substituídos por uma prótese parcial removível. (4)
Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Geralmente não Tórus palatino inoperável que não se estende posteriormente
é necessário nenhum alívio, exceto na presença de uma rafe a junção entre os palatos mole e duro.
palatina volumosa ou de qualquer exostose atravessada pelo Características e Localização: (1) Formato de um paralelogramo
conector. (2) Uma espessura de cera para base sobre as áreas aberto na área central. (2) Cintas palatinas anteriores e pos-
de apoio basais (para elevar os conectores menores e aplicar teriores relativamente largas (8 a 10 mm). (3) Cintas palatinas
a resina acrílica da base da prótese). laterais mais estreitas (7 a 9 mm) e paralelas a curvatura da
Capítulo 5  Conectores Maiores e Menores 55

arcada; distantes a pelo menos 6 mm das margens gengivais anteriormente por áreas de apoio positivas. (2) Placa palatina
dos dentes remanescentes. (4) Cinta palatina anterior: borda suportada anteriormente e desenhada para receber a extensão
anterior não deve se posicionar mais anteriormente que os posterior de resina acrílica. (3) Faz contato com todos ou quase
apoios anteriores e não deve ficar mais próxima que 6 mm todos os dentes remanescentes do arco. (4) Borda posterior:
das margens gengivais e segue os vales das rugosidades pala- deve terminar na junção dos palatos mole e duro, se estender
tinas em ângulo reto em relação a rafe mediana. (5) Conector até a área da fossa pterigomaxilar no lado da(s) extremidade(s)
palatino posterior: a borda posterior deve estar localizada na livre(s) e em ângulo reto com a rafe palatina.
junção dos palatos mole e duro, em ângulo reto com a rafe Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Geralmente não
palatina e se estender até a área da fossa pterigomaxilar no é necessário nenhum alívio, exceto na presença de uma rafe
lado da(s) extremidade(s) livre(s). (6) Réplica anatômica ou palatina volumosa ou de qualquer exostose palatina pequena.
superfície rugosa. (2) Uma lâmina de cera 7 sobre as áreas de apoio basais (para
Bloqueio e Alívio do Modelo de Trabalho: (1) Geralmente não elevar os conectores menores e aplicar a resina acrílica da
é necessário nenhum alívio, exceto na presença de uma rafe base da prótese).
palatina volumosa ou de qualquer exostose atravessada pelo Traçado: (Figuras 5-37 a 5-40).
conector. (2) Uma lâmina de cera 7 sobre as áreas de apoio Especificações da Ceroplastia: (1) Reprodução anatômica equiva-
basais (para elevar os conectores menores e aplicar a resina lente a uma cera calibre 22-24. (2) A extensão em resina acrílica
acrílica da base da prótese). da placa palatina é equivalente a de uma prótese total.
Traçado: (Figuras 5-37 a 5-40). Linhas de Término: Como ilustrado e discutido anteriormente.
Especificações da Ceroplastia: (1) Reprodução anatômica ou
superfície rugosa equivalente a espessura de uma lâmina de
cera calibre 22. (2) Componente palatino posterior: uma
Palatino em forma de U
lâmina de espessura calibre 22, de 8 a 10 mm de comprimento
(um formato aproximadamente semi-oval, com espessura e Este conector deve ser indicado apenas nas situações em que um
largura calibre 6) também pode ser utilizada. tórus inoperável se estende até o limite entre os palatos duro
Linhas de Término: O mesmo que se aplica à barra palatina e mole.
ampla. O conector maior palatino em forma de U é o que apresenta o
formato mais desfavorável, já que não apresenta a rigidez
que os outros tipos de conectores apresentam. Quando ele
tem de ser indicado, retentores indiretos devem dar suporte
Placa palatina (Recobrimento Palatino
a qualquer parte do conector que se estenda anteriormente ao
Completo)
apoio oclusal principal. As áreas de bordas anteriores deste
Indicações de Uso: (1) Na maioria das situações em que os tipo de conector devem ficar a pelo menos 6 mm dos dentes
remanescentes são apenas alguns ou mesmo todos os dentes adjacentes. Se, por alguma razão, a borda anterior necessitar
anteriores. (2) Arcadas Classe II com modificação posterior de contato com os dentes remanescentes, o conector deve ser
grande e falta de alguns dentes anteriores. (3) Arcadas Classe novamente suportado por apoios colocados em nichos pre-
I com um até quatro pré-molares e alguns ou todos os dentes parados adequadamente. Ele não deve nunca se apoiar,
anteriores remanescentes, quando o suporte dado pelos mesmo que temporariamente, por superfícies palatinas de
pilares é pobre e não pode ser melhorado; rebordo remanes- dentes anteriores inclinados.
cente sofreu reabsorção vertical extrema e é difícil obter As especificações sobre as ceras, linhas de término e tudo mais,
retenção direta. (4) Na ausência de tórus pediculado. são as mesmas que se aplicam a fundições para placa palatina
Características e Localização: (1) Reprodução das formas anatô- ou para outro conector maior semelhante, discutidas
micas do palato completo presentes no modelo, suportadas anteriormente.
Ca p í t ulo

6
Apoios e Nichos
SUMÁRIO Do Capítulo A capacidade de os dentes resistirem às forças funcionais e per-
manecerem estáveis ao longo do tempo é promovida por meio
Papel dos Apoios no Controle do Movimento da Prótese de seus sofisticados mecanismos de suporte. Estudos têm demons­
Forma do Apoio Oclusal e do Nicho trado que o deslocamento e a recuperação após a carga oclusal
Apoio Oclusal Estendido são mais bem realizados pelos dentes naturais do que pela
Nichos Oclusais Interproximais mucosa bucal. Consequentemente, a utilização apropriada dos
Apoios Oclusais Internos dentes para auxiliar na resistência às forças funcionais em pró-
Nichos teses parciais removíveis é uma estratégia crítica para controlar
Apoios Linguais em Caninos e Incisivos o movimento da prótese e obter a estabilidade funcional.
Apoios e Nichos Incisais
Implantes como Apoios
Papel dos Apoios no Controle do
Movimento da Prótese
A utilização apropriada dos dentes requer a consideração de
como se empregar os dentes de uma maneira melhor para as
qualidades de suporte que eles podem promover. Como a resis-
tência mais efetiva pode ser promovida se o dente for pressio-
nado no seu longo eixo, a estrutura da prótese deve empregar o
dente de modo que estimule a carga axial. As várias formas dos
apoios têm como objetivo principal possibilitar a carga axial. É
importante lembrar que este objetivo pode ser obtido apenas
pela modificação da forma dos dentes.
O suporte vertical deve ser promovido para uma prótese remo-
vível. Qualquer componente da prótese parcial removível sobre a
superfície do dente que promova suporte vertical é chamado de
apoio (Figura 6-1). Os apoios devem estar sempre localizados em
superfícies de dentes apropriadamente preparadas. A superfície do
dente pilar preparada para receber o apoio é denominada nicho.
Os apoios são designados pela superfície do dente preparada para
recebê-los (apoio oclusal, apoio lingual e apoio incisal). A topo-
grafia de qualquer apoio deve restabelecer a forma do dente que
existia antes de o nicho ter sido preparado.
O objetivo primário do apoio é promover suporte vertical
para prótese parcial removível. Ao fazê-lo, também proporciona
o seguinte:
1. Mantém os componentes em suas posições planejadas
2. Mantém as relações oclusais estabelecidas pela prevenção de
deslocamento da prótese
3. Previne a compressão dos tecidos moles
4. Direciona e distribui as cargas oclusais para os dentes pilares

56
Capítulo 6  Apoios e Nichos 57

A B

C D

Figura 6-1    A, Apoios oclusais preparados em molar e pré-molar para promover suporte vertical de uma prótese parcial removível.
B, Infraestrutura para prótese parcial removível dentossuportada. Os apoios no lado direito promovem suporte vertical para a nova
dentição; os apoios do lado esquerdo promovem o suporte e estabilização contralateral. C, O suporte dentário para esta prótese é
promovido pelos apoios que ocupam nichos definidos, preparados nas superfícies linguais do canino e superfícies oclusais dos dentes
posteriores selecionados. D, Arco superior classe III de Kennedy, modificação 1 com apoios preparados na superfície lingual do canino
e incisivo lateral e nas superfícies oclusais dos pré-molares e molares.

Além disso, o apoio serve para manter a posição da prótese Quando os apoios impedem movimentos da prótese em
parcial removível e para resistir ao movimento em direção aos direção apical, a posição da porção retentiva do braço do grampo
tecidos. Os apoios servem para transmitir forças verticais aos pode ser mantida na relação designada da anatomia do dente.
dentes pilares e para direcionar estas forças por todo o longo Embora seja passivo quando está na porção terminal, a porção
eixo dos dentes. A esse respeito, os apoios das próteses parciais retentiva do braço do grampo deve permanecer em contato com
removíveis dentossuportadas funcionam de uma maneira o dente, pronta para resistir à força de deslocamento vertical.
similar aos retentores de próteses parciais fixas. É obvio que, Então, quando a força de deslocamento é aplicada, o braço do
para este tipo de estabilidade existir, os apoios devem ser rígidos grampo deve se tornar imediatamente conectado ativamente
e precisam receber suporte positivo do dente pilar, o que signi- para resistir ao deslocamento vertical. Se o assentamento da
fica que, sob a carga oclusal, o apoio e o dente devem permane- prótese resultar em braços dos grampos que fiquem afastados
cer em contato estabilizado e que não ocorra deslizamentos ou do dente, algum deslocamento vertical é possível antes que o
movimentos independentes. retentor se torne funcional. O apoio serve para impedir tal des-
Em uma prótese parcial removível que tenha uma ou mais locamento e, portanto, auxilia na manutenção da estabilidade
bases em extensão distal, à prótese se torna cada vez mais supor- vertical da prótese parcial removível.
tada pela mucosa à medida que a distância do pilar aumenta. A utilização de um implante como apoio também pode ser
Quanto mais próximo ao pilar, entretanto, mais da força oclusal considerada. Nesta aplicação, o implante elimina a compressão
é transmitida ao dente pilar por meio dos apoios. A carga é, dos tecidos moles de suporte, controla o movimento vertical da
portanto, distribuída entre o pilar e o suporte de tecido do rebordo base da prótese, elimina ou altera as linhas de fulcro e serve para
residual. aumentar o suporte e a estabilidade da prótese.
58 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Forma Do Apoio Oclusal E Do Nicho da prótese no pilar, que pode resultar em forças seme-
lhantes às forças ortodônticas aplicadas em plano inclinado
1. A forma do contorno de um nicho oclusal deve ser a de um ao pilar, que possivelmente levará ao movimento dentário
triângulo arredondado com o ápice voltado para o centro da (Figura 6-6).
superfície oclusal (Figura 6-2). Quando o preparo de um apoio oclusal existente é inclinado
2. Este deve ser mais longo que largo e a base da forma trian- apicalmente em direção à crista marginal reduzida e não pode
gular (na crista marginal) deve ter, pelo menos, 2,5 mm tanto ser modificado ou aprofundado devido ao medo de perfuração
para molares quanto para pré-molares. Os nichos de dimen- do esmalte ou restauração, então um apoio oclusal secundá-
sões menores não oferecem volume de metal para os apoios, rio deve ser empregado para impedir o deslocamento do apoio
especialmente se o apoio é contornado para restaurar a mor-
fologia oclusal do dente pilar.
3. A crista marginal do dente pilar no local do apoio deve ser
desgastada para possibilitar volume suficiente de metal para
garantir a resistência e a rigidez do apoio e do conector Menor que 90
menor. Isso significa que a redução da crista marginal de
aproximadamente 1,5 mm é normalmente necessária.
4. O assoalho do nicho oclusal deve ser apical em relação à
crista marginal e à superfície oclusal, e deve ser côncavo ou
em formato de colher (Figura 6-3). Deve-se tomar cuidado
no preparo do nicho para evitar a criação de arestas afiadas
ou ângulos durante o preparo.
5. O ângulo formado entre o apoio oclusal e o conector menor
vertical, de onde se origina, deve ser menor que 90  graus
(Figuras 6-4 e 6-5). Apenas dessa maneira as forças oclu-
sais podem ser direcionadas por todo o longo eixo dos
dentes pilares. Um ângulo maior que 90 graus fracassa ao
transmitir forças oclusais ao longo do eixo vertical de
suporte do dente pilar. Isto também torna possível o deslize

Parte mais
Figura 6-4    O apoio oclusal deve ter o formato de uma colher
profunda
do nicho e ser ligeiramente inclinado apicalmente a partir da crista mar-
ginal. O apoio deve restaurar a morfologia oclusal do dente que
existia anteriormente ao preparo do nicho.
Figura 6-2    A parte mais profunda do preparo do nicho deve
ser dentro da crista marginal reduzida no X. A crista marginal é
reduzida para possibilitar volume e para acomodar a origem do
apoio oclusal com menor interferência oclusal.

Menor que
90

Figura 6-5    O assoalho do nicho oclusal deve ser inclinado


apicalmente a partir da crista marginal reduzida. Qualquer
Figura 6-3    Preparo do nicho em molar. O preparo é arredon- ângulo menor que 90 graus é aceitável enquanto o preparo da
dado, com uma concavidade triangular de margens suaves na super- superfície proximal e a redução da crista marginal arredondada
fície oclusal e com uma crista marginal reduzida e arredondada. deve preceder a conclusão do nicho.
Capítulo 6  Apoios e Nichos 59

A C

D B

Figura 6-6    O resultado da força aplicada a um plano incli-


nado quando o assoalho do preparo do nicho oclusal se inclina
apicalmente em direção à crista marginal de um dente pilar.
F, Força oclusal aplicada ao dente pilar. AB, Relação do apoio
oclusal e do dente pilar quando o ângulo é maior que 90 graus.
ABC, Infraestrutura da prótese parcial removível. ABD, Dente Figura 6-8    Modelo mostrando um nicho oclusal estendido
pilar. em um primeiro molar inferior, desenhado para garantir o
suporte máximo a partir do dente. Se for posicionado na mesial
de um molar inclinado, próximo a um espaço de modificação
(como na Figura 6-7), o apoio estendido pode garantir que as
forças sejam direcionadas para baixo no longo eixo do pilar e,
portanto, o apoio disto-oclusal não seria necessário.

de ­travamento do apoio oclusal, que pode causar a aplicação de


alavancas no dente pilar.

Apoio Oclusal Estendido


Em situações de Classe II de Kennedy, modificação 1 e Classe
III onde o pilar mais posterior é um molar inclinado para
mesial, um apoio oclusal estendido deve ser desenhado e pre-
parado para minimizar futuras inclinações do pilar e para
garantir que as forças sejam direcionadas para baixo do longo
Figura 6-7    Avaliação do molar inclinado em modelo de eixo dos pilares. Este apoio deve ser estendido mais que metade
estudo. A inclinação para anterior impede o preparo de um nicho
da largura do dente, deve ser aproximadamente um terço da
aceitável na superfície mésio-oclusal. O paciente não poderia
largura vestíbulo-lingual do dente e deve possibilitar uma espes-
arcar com uma coroa para melhorar o alinhamento axial ou tra-
sura mínima de 1,0 mm de metal; o preparo deve ser arredon-
tamento ortodôntico para verticalizar o molar. Os apoios oclusais
serão utilizados nas superfícies mésio-oclusal e disto-oclusal dado, sem bordas ou ângulos vivos (Figura 6-8).
para suportar a restauração e direcionar as forças para o maior Em situações nas quais o pilar estiver severamente incli-
volume radicular do dente pilar. O grampo em anel é proposto nado, a extensão oclusal deve tomar a forma de uma onlay para
e desenhado. restaurar o plano oclusal (Figura 6-9). O preparo do dente
para este tipo de apoio estendido deve incluir a remoção ou
restauração de fossas, fissuras ou ranhuras; a instalação de um
primário e o movimento ortodôntico do dente pilar (Figura 6-7). bisel de 1 a 2 mm nas superfícies oclusais vestibulares e lin-
Tal apoio deve cruzar a crista marginal reduzida no lado do guais para tornar possível que o apoio (onlay) ofereça estabi-
dente oposto ao apoio primário e deve, se possível, ser inclinado lização; deve possibilitar ao apoio restaurar o contorno e a
ligeiramente apicalmente a partir da crista marginal. Entre- oclusão do dente natural; e deve garantir que este apoio dire-
tanto, dois apoios oclusais apostos sobre um dente com incli- cione as forças para baixo do longo eixo do dente. O preparo
nação divergente funcionam para prevenir forças desfavoráveis do dente deve também incluir um plano guia de 1 a 2 mm na
se todos os conectores relacionados forem suficientemente superfície mesial do pilar.
rígidos. Em qualquer prótese parcial dentomucosossuportada
a relação do apoio oclusal e do dente pilar deve ser um encaixe
Nichos Oclusais Interproximais
tipo bola raso, para prevenir uma possível transferência de tensões
horizontais aos dentes pilares. O apoio oclusal deve promover O desenho de um retentor direto pode necessitar da utilização
apenas apoio oclusal. A estabilização contra movimentos hori- de apoios oclusais interproximais (Figura 6-10). Estes apoios
zontais da prótese deve ser promovida por outros componen- são preparados individualmente como nichos oclusais, com a
tes da prótese parcial removível em vez de qualquer efeito exceção de que o preparo deve ser estendido lingualmente além
60 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Vestibular

Lingual

Figura 6-11    Preparos de nichos em pré-molar e molar que


preenche os requisitos necessários para os apoios. Os preparos
são estendidos para lingual para promover resistência (por meio
do volume) sem preencher o espaço interproximal com um
conector menor. Este tipo de preparo é desafiador para a confor-
mação dos dentes naturais e, portanto, deve-se tomar cuidado
para evitar a violação dos pontos de contato – ainda que as
cristas marginais de cada pilar devam ser reduzidas suficiente-
Figura 6-9    A superfície do entalhe de um apoio oclusal tipo
mente (1,5mm).
onlay restaurando a oclusão do molar superior.

Figura 6-12    A vista de modelos montados com a infraestru-


tura completamente assentada ilustra que o espaço interoclusal
Figura 6-10    Desenho no modelo de trabalho da forma de um foi mantido pelo preparo apropriado dos nichos.
retentor direto montado em um pré-molar e um molar inferior
que incorporou os apoios interproximais. Os retentores diretos
na área de retenção distovestibular do molar e na área mesioves-
tibular do pré-molar são estendidos a partir dos apoios oclusais Quando tais nichos são preparados, deve-se tomar cuidado
unidos, que ocupam os nichos adjacentes preparados. para se evitar a redução ou eliminação dos pontos de contato
dos dentes pilares. No entanto, deve ser removida estrutura
suficiente do dente para possibilitar volume adequado do compo­
nente para resistir e possibilitar que o componente seja confeccio­
do que já foi completado (Figura 6-11). Apoios adjacentes, em nado sem alterar a oclusão. Para tanto, a análise dos modelos de
vez de um apoio unitário, são utilizados para prevenir a forma- diagnóstico montados é imperativa para a avaliação das áreas
ção de cunhas interproximais pela infraestrutura da prótese. de contato interoclusal onde os apoios serão instalados. Deve
Além disso, os apoios unidos são desenhados para desviar os estar presente ou deve ser criado espaço suficiente para evitar
alimentos dos pontos de contato. interferência na instalação de apoios (Figura 6-12).
Capítulo 6  Apoios e Nichos 61

A área interproximal lingual necessita apenas de um preparo Os apoios instalados sobre esmalte hígido não contribuem
menor. A criação de uma área de retenção vertical deve ser para a lesão de cárie em uma boca com baixo índice de cárie,
evitada para prevenir o efeito de torque nos pilares pelos conec- contanto que uma boa higiene bucal seja mantida. As superfí-
tores menores. cies proximais dos dentes são muito mais vulneráveis ao ataque
de cáries que as superfícies oclusais que suportam os apoios
oclusais. A decisão de se utilizar alguma cobertura para o pilar
Apoios Oclusais Internos
normalmente é baseada na necessidade de preparo da boca,
Uma prótese parcial removível que é totalmente dentossuportada determinada pela avaliação dos modelos de estudo no delinea-
por meio de retentores fundidos sobre todos os dentes pilares dor, para acomodar as modificações dos dentes pilares necessá-
pode utilizar apoios intracoronários tanto para o suporte coro- rias para se confeccionar uma prótese parcial removível
nário quanto para a estabilização horizontal (Figura 6-13). (Capítulo 11). Quando fissuras pré-cariosas são formadas nas
Um apoio intracoronal não é um retentor e não deve ser con- áreas dos apoios oclusais em dentes que estão hígidos, elas
fundido com um encaixe. O suporte oclusal é derivado do assoalho podem ser removidas e apropriadamente restauradas sem a
do nicho. A estabilização horizontal é derivada das paredes quase proteção mais extensa do pilar. Apesar de não se poder negar
verticais deste tipo de nicho. A forma do apoio deve ser paralela à que a melhor proteção contra as cáries para um dente pilar seja
via de inserção, ligeiramente cônica na oclusal e com uma suave a sua cobertura total, é imperativo que tal coroa seja apropria-
cauda de andorinha para impedir o deslocamento proximal. damente preparada para promover o suporte, a estabilização e
As principais mudanças do apoio interno são que ele facilita a retenção para a prótese parcial.
a eliminação de braços visíveis dos grampos por vestibular e Quando a decisão de se usar esmalte hígido desprotegido
torna possível a localização do nicho em posições mais favorá- para os apoios for feita, a vulnerabilidade futura de cada dente
veis em relação ao eixo de rotação (horizontal) dos pilares. A deve ser considerada, porque a fabricação de coroas totais para
retenção é promovida pelo braço lingual do grampo, tanto a acomodação de apoios e braços de grampos não é tão fácil
fundido quanto por um fio adaptado, repousando sobre uma depois que uma prótese parcial removível foi confeccionada.
área natural ou preparada do dente pilar. Em muitos casos, o esmalte hígido pode ser utilizado com segu-
Os apoios internos são esculpidos em cera ou por erosão rança para suportar apoios oclusais. Em tais situações, o paciente
eletrolítica dos casquetes dos pilares. Padrões pré-fabricados em deve ser advertido de que a futura susceptibilidade às cáries não
plástico estão amplamente disponíveis e podem ser encerados é previsível e que ela depende de higiene bucal e de outras pos-
em coroas ou padrões de coroas parciais, incluídos e fundidos síveis mudanças na propensão ao desenvolvimento de cáries.
após terem sido posicionados paralelamente à via de inserção Embora a decisão de utilizar pilares desprotegidos seja do den-
no delineador. Futuros desenvolvimentos e técnicas prometem tista, fatores econômicos podem influenciar a decisão final. O
a utilização mais ampla dos apoios internos, porém apenas para paciente deve ser informado dos riscos envolvidos e das suas
próteses dentossuportadas. responsabilidades na manutenção de uma boa higiene bucal e
dos retornos periódicos para observação.
O preparo dos nichos devem ser feito em esmalte sadio. Na
Nichos
maioria dos casos, o preparo das superfícies proximais do dente
Os apoios podem ser instalados em esmalte hígido ou em qual- é necessário para promover planos-guia proximais e para se
quer material restaurador que tenha mostrado cientificamente eliminarem retenções indesejáveis para as partes rígidas da
ser capaz de resistir a fratura e deformação quando for aplicada infraestrutura que devam passar durante a instalação e remoção
força sobre eles. da prótese. O preparo dos apoios oclusais deve sempre seguir

A B

Figura 6-13    Prótese parcial removível dentossuportada superior utilizando apoios oclusais internos. A, Padrão de cera desenvolvido
utilizando apoios internos nos caninos, pré-molares e molares. B, Infraestrutura superior em modelo com os apoios internos adaptados
nas coroas delineadas.
62 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

o preparo proximal, nunca precedê-lo. Apenas após a alteração A possibilidade de que uma restauração existente possa ser
das superfícies do dente serem completadas pode ser determi- perfurada no processo de preparo de um nicho oclusal está
nada a localização dos nichos para os apoios oclusais em relação sempre presente. Apesar de algum comprometimento ser
à crista marginal. Quando o preparo proximal sucede o preparo possibilitado, a eficiência do nicho não deve ser prejudicada
do nicho oclusal, a consequência inevitável é que a crista mar- pelo medo da perfuração da restauração existente. O nicho
ginal fica muito alta e muito aguda, com o centro do assoalho pode ser alargado para compensar a profundidade. No entanto,
do nicho muito próximo da crista marginal. Portanto, frequen- o assoalho do nicho deve permanecer ligeira­mente inclinado
temente é impossível corrigir o preparo do nicho sem fazê-lo apicalmente a partir da crista marginal. Quando isto não for
muito profundo, o que causa danos irreparáveis ao dente. possível, um nicho secundário deve ser utilizado no lado
Os nichos oclusais em esmalte sadio podem ser preparados oposto do dente para impedir o deslizamento do nicho
com brocas e pontas de acabamento que deixem a superfície primário.
do esmalte tão lisa quando o esmalte original (Figura 6-14). Quando a perfuração ocorrer, pode ser reparada. No entanto,
A broca esférica maior é utilizada inicialmente para baixar a ocasionalmente, a realização de uma nova restauração é inevi-
crista marginal e para estabelecer o contorno do nicho. O tável. Em tal situação, o preparo original deve ser modificado
nicho oclusal resultante é então completado exceto pelo para acomodar o nicho oclusal evitando, portanto, o risco de
assoalho, que não está suficientemente côncavo. Uma broca perfuração da restauração ou da fabricação de um nicho
esférica ligeiramente menor é utilizada para aprofundar o inadequado.
assoalho do nicho oclusal. Neste momento, se forma o con- A localização do nicho oclusal em uma nova restauração
torno desejado de colher dentro da crista marginal reduzida. deve ser conhecida quando o dente for preparado de modo que
O preparo é polido com uma ponta de acabamento de tamanho se tenha espaço livre suficiente para o apoio no preparo. A etapa
e forma adequados. Quando um pequeno defeito de esmalte final no preparo do dente deve ser a confirmação deste espaço
é encontrado no preparo do nicho oclusal, normalmente é livre e, se não houver, fazer uma depressão para acomodar a
melhor ignorá-lo até que o preparo esteja completo. Então, profundidade do apoio (Figura 6-15).
com brocas pequenas, o defeito remanescente deve ser prepa- Os nichos oclusais em coroas protéticas e inlays geralmente
rado para receber uma pequena restauração. O término da são mais profundos que os feitos em esmalte. Aqueles confec-
restauração pode ser nivelado com o assoalho do nicho cionados em coroas protéticas de dentes pilares de próteses
preparado. dentossuportadas podem ser ligeiramente mais profundos que
Um gel fluoretado deve ser aplicado no dente pilar após a os nichos em pilares de próteses com extremo livre; portanto,
redução e o recontorno do esmalte. Se o modelo de trabalho for se aproximam da eficiência dos encaixes internos.
feito a partir de uma moldagem de alginato, a aplicação do gel Nichos internos também podem ser criados primeiramente
deve ser postergada até que a moldagem seja realizada, pois em cera, tanto com brocas adequadas em uma peça de mão
alguns tipos de gel e alginato podem ser incompatíveis. quanto pelo enceramento em torno de um mandril lubrifi-
O preparo do nicho oclusal em restaurações existentes é cado, que é mantido no delineador. Em qualquer situação, o
tratado de uma maneira semelhante ao preparo em esmalte preparo deve ser terminado sobre o modelo com brocas em
sadio. Qualquer preparo proximal deve ser realizado antes do uma peça de mão ou com brocas de precisão. Calços de metal
nicho, pois se o nicho for preparado antes da superfície proxi- ou plástico que de adaptam ao mandril estão disponíveis para
mal, algumas vezes a forma do nicho fica irreparavelmente este propósito. Portanto, um modelo com lisura adequada é
alterada. garantido, e a necessidade de acabamento no interior do nicho

A B

Figura 6-14    O recontorno das superfícies axiais e o preparo dos nichos em esmalte pode ser rapidamente completado com o uso
selecionado das brocas. A, Duas brocas multilaminadas em formato de pera (duas brocas da esquerda) podem ser utilizadas para nichos
em região de cíngulo e para arredondar cristas marginais; a mais longa, multilaminada para desgaste de esmalte (broca do meio) é
ideal para ajustes na altura do contorno (linha guia equatorial) e para o preparo do plano guia; brocas esféricas de carbide (três brocas
à direita do meio) são usadas para o preparo do nicho oclusal; e a broca tipo cone invertido (broca mais à direita) pode ser utilizada
para a região de cíngulo também. B, Várias pontas de polimento de borracha abrasivas são necessárias para o acabamento seguido
do preparo. Seguindo-se a sequência recomendada pelo fabricante, devem devolver à superfície a lisura compatível com a condição
original. Materiais diamantados não são recomendados para este tipo de desgaste dentário.
Capítulo 6  Apoios e Nichos 63

interno com brocas é eliminada. Deve-se providenciar espaço prótese. Além disso, um dente anterior pode ser utilizado, oca-
livre suficiente no preparo do pilar para acomodar a profun- sionalmente, como um retentor indireto ou um apoio auxiliar.
didade do apoio interno. Para este propósito, é preferível um canino a um dente incisivo.
Quando o canino não estiver presente, apoios múltiplos que são
espalhados sobre vários incisivos são preferíveis em vez da uti-
Apoios Linguais Em Caninos E Incisivos
lização de um único incisivo. A forma e o comprimento da raiz,
A análise dos modelos de estudo montados é imprescindível a inclinação do dente e a proporção de comprimento entre a
na avaliação das áreas de contato incisais e linguais dos coroa clínica e o suporte alveolar devem ser consideradas
apoios a serem desenhados. Deve existir ou deve ser criado quando se determinar o local e a forma dos apoios instalados
espaço suficiente para evitar interferência na instalação dos em incisivos.
apoios. Um apoio lingual é melhor que um incisal por estar posicio-
Embora o local de preferência para um apoio externo seja a nado mais próximo do eixo horizontal de rotação (eixo de
superfície oclusal de um molar ou pré-molar, um dente anterior inclinação) do dente pilar e, portanto, apresentará menor ten-
pode ser o único pilar disponível para o suporte oclusal da dência de inclinação do dente. Além disso, apoios linguais são
mais aceitáveis esteticamente.
Se um dente anterior estiver sadio e a inclinação lingual for
gradual em vez perpendicular, um apoio lingual pode ser colo-
cado em um nicho preparado em esmalte na região do cíngulo
ou mais incisal em relação ao mesmo (Figura 6-16). Este tipo
de apoio lingual é normalmente confinado aos caninos superio-
res que possuem uma inclinação lingual gradual e um cíngulo
proeminente. Em poucos casos, tal apoio também pode ser ins-
talado em um incisivo central superior. A concavidade lingual
do canino inferior é muito íngreme para que um nicho lingual
adequado seja confeccionado em esmalte, e algum outro tipo
de suporte precisa ser feito. Os preparos para nichos linguais
raramente são satisfatórios em dentes inferiores anteriores
devido à falta de espessura de esmalte para o preparo de um
nicho com suporte adequado.
O preparo de um dente anterior para receber um apoio
lingual deve ser obtido de uma de duas maneiras:
Figura 6-15    Preparo de um pré-molar inferior para uma cora 1. Um V ligeiramente arredondado é preparado na superfície
delineada que incorporou o espaço para um nicho mésio-oclusal. lingual na junção dos terços gengival e médio. O ápice do V
A redução oclusal adequada foi obtida para conseguir acomodar é direcionado para incisal. Este preparo pode ser iniciado
a profundidade do nicho na coroa protética. A modificação para com a utilização de uma broca diamantada tipo cone inver-
este nicho foi executada seguida de um preparo convencional tido, progredindo para brocas menores até pedras montadas
para coroa total. cônicas com pontas arredondadas para completar o preparo.

Figura 6-16    Três vistas do nicho lingual preparado em esmalte de um canino superior. O nicho, a partir da lingual, assume a forma
de um V invertido e largo, mantendo o contorno natural visto algumas vezes no cíngulo de caninos superiores. Um chanfro tem seu
centro no meio para guiar o nicho e ao mesmo tempo direciona as forças de maneira mais favorável no sentido apical. A partir de uma
vista incisal, pode ser notado que o preparo do nicho é alargado mais para lingual do canino. Conforme o preparo se aproxima da
superfície proximal do dente, é menos largo que qualquer outra área. A vista proximal mostra a inclinação correta do assoalho do
nicho. Também deve ser observado que as bordas do nicho são ligeiramente arredondadas para evitar ângulos vivos no preparo. O
comprimento mesiodistal do preparo deve ter um mínimo de 2,5 a 3 mm, com largura vestíbulo-lingual de aproximadamente 2 mm e
profundidade incisoapical de no mínimo 1,5 mm. É um preparo arriscado e não deve ser tentado na dentição inferior anterior.
64 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Todos os ângulos vivos devem ser eliminados e o nicho deve contorno excessivo ou inadequado para a instalação de um
ser preparado apenas em esmalte. O esmalte deve ser extre- braço de retenção do grampo, ou se a descalcificação dentária
mamente polido. Pontas de polimento de borracha abrasiva ou cáries estiverem presentes, uma coroa com cobertura total
seguidas de pastas polidoras ou pedra-pomes produzem deve ser utilizada.
polimento adequado do nicho. Uma via de inserção prede- Em alguns casos, nichos tipo bola podem ser utilizados em
terminada para a prótese deve ser guardada em mente nichos preparados. Tais nichos podem ser preparados cuidado-
quando o nicho estiver sendo preparado. O nicho lingual samente nas superfícies dos dentes com espessura de esmalte
não deve ser preparado com o pensamento de que seria excessiva ou podem ser preparados em restaurações instaladas
abordado a partir de uma direção perpendicular à concavi- em dentes com espessura inadequada de esmalte. Restaurações
dade lingual. O assoalho do nicho deve ser em direção ao conservadoras (p. ex., amálgama de prata, inlays com pino,
cíngulo e não à parede axial. Deve-se tomar cuidado para resina composta) em dentes anteriores podem ser mais bem
não criar uma retenção de esmalte que possa interferir na indicadas para nichos tipo bola do que em restaurações menos
instalação da prótese (Figura 6-16). conservadoras com nichos tipo V invertido.
2. O nicho lingual mais satisfatório a partir do ponto de vista Alguma evidência científica demonstra que nichos de ligas
do suporte é aquele posicionado sobre uma restauração especificamente de cromo-cobalto formam (aderida à super-
fundida (Figura 6-17). Isto é feito com maior eficiência fície lingual de dentes anteriores pelo uso de cimentos resino-
pelo planejamento e execução do nicho em cera do que sos com condicionamento ácido), facetas laminadas, e resinas
quando é realizado na boca. O contorno da infraestrutura compostas têm sido utilizadas com sucesso com abordagens
pode restaurar a forma lingual do dente. conservadoras para formação de nichos em dentes com con-
Quando o cíngulo é acentuado no enceramento, seu assoalho tornos linguais inaceitáveis (Figura 6-19). Bráquetes ortodôn-
é prontamente escavado para ser a porção mais apical do preparo. ticos cerâmicos de safira também têm sido aderidos nas
Uma forma de sela, que promove um nicho positivo localizado superfícies linguais de caninos inferiores e conformados como
favoravelmente em relação ao longo eixo é formada. A infraestru- nichos. Estes possuem a vantagem sobre os nichos confeccio-
tura da prótese é feita para preencher a continuidade da superfície nados em metais colados de não necessitarem de uma etapa
lingual de modo que a língua contate uma superfície lisa sem que laboratorial e a resistência adesiva alcançada é maior. A prin-
o paciente perceba e sem irregularidades ou volume. cipal desvantagem da utilização de bráquetes ortodônticos é
O nicho lingual pode ser colocado na superfície lingual da que a remoção do nicho pode necessitar que eles sejam des-
coroa total tipo veneer (Figura 6-18), de uma coroa 3/4, de gastados com o potencial de geração de calor e possível dano
uma  inlay, de uma faceta laminada, de uma restauração em pulpar.
resina composta ou uma restauração metálica adesiva. A última
mostra menos metal que uma coroa 3/4, especialmente no
canino inferior, onde o nicho lingual colocado na restauração
Apoios E Nichos Incisais
fundida é frequentemente utilizado e é uma restauração mais
conservadora. A coroa 3/4 pode ser utilizada se a superfície Os apoios incisais são posicionados nos ângulos incisais de
vestibular do dente estiver hígida, e se o contorno retentivo for nichos preparados. Apesar de esta ser a localização menos
satisfatório. Entretanto, se a superfície vestibular apresentar desejada para um nicho pelas razões já mencionadas, este

Figura 6-18    Suporte positivo vertical é oferecido pelos nichos


preparados em coroas metalocerâmicas esplintadas (unidas).
Os nichos de cíngulo são posicionados o mais próximo possível
Figura 6-17    O preparo de um nicho pode ser exagerado para do eixo horizontal de rotação para minimizar as forças de
melhor suporte quando é realizado em coroas protéticas. inclinação.
Capítulo 6  Apoios e Nichos 65

Figura 6-19    Nicho lingual de cromo-cobalto em canino infe-


rior retido por cimento resinoso com condicionamento ácido.

pode ser utilizado com sucesso em pacientes selecionados


quando o pilar é sadio e quando uma coroa protética não é
indicada. Portanto, os apoios incisais geralmente são coloca-
dos no esmalte (Figura 6-20). Os apoios incisais são utilizados
predominantemente com apoios auxiliares ou retentores
indiretos.
Embora o apoio incisal possa ser utilizado em caninos em
ambos os arcos, ele é mais aplicável no canino inferior. Este
tipo de apoio promove um suporte definido com relativamente B
pouca perda de estrutura dentária e pouca exposição de metal.
Esteticamente é preferível em relação à coroa 3/4. O mesmo Figura 6-20    A, Nicho incisal colocado na mesial da aresta
critério pode ser aplicado quando se decide pela utilização de incisal do canino inferior. Observe que o ponto de contato não
esmalte desprotegido para um apoio oclusal sobre um molar foi envolvido no preparo do nicho. B, Nichos incisais mesiais
ou pré-molar. Um apoio incisal é mais provável de provocar em caninos promovem excelente suporte vertical e retenção
forças ortodônticas que um apoio lingual devido a fatores de indireta para a prótese. O apoio incisal no dente 33 também
alavanca. oferece um terceiro ponto de referência quando a orientação
Um nicho incisal é preparado na forma de um chanfro da estrutura é estabelecida durante os procedimentos de
arredondado no ângulo incisal de um canino ou na borda reembasamento.
incisal de um incisivo, com a porção mais profunda do preparo
apical à borda incisal (Figura 6-21). O chanfro deve ser bise-
lado tanto por lingual quanto por vestibular, e o esmalte
lingual deve ser conformado para acomodar a parte rígida do
conector menor entre o apoio e a infraestrutura. Um nicho
incisal deve ter aproximadamente 2,5 mm de largura por No caso de apoios incisais totais serem considerados, o
1,5 mm de profundidade, de maneira a ser resistente o sufi- paciente deve ser informado sobre o impacto de sua localização,
ciente sem ter de exceder o contorno natural da borda incisal forma e estética.
(Figura 6-22). Isso é essencial tanto para o modelo de trabalho quanto
Na ausência de outras posições possíveis para os apoios e para a fundição ser precisa se os apoios estão assentados cor-
nichos incisais, os apoios incisais em vários incisivos inferiores retamente. O apoio incisal deve ter um ligeiro sobrecontorno
podem ser considerados. A utilização de tais apoios pode ser para possibilitar o acabamento vestibular e lingual sobre o
justificada pelos seguintes fatores: esmalte adjacente, da mesma maneira que é feito com uma
1. Eles podem se utilizar da vantagem das faces incisais coroa 3/4 ou da margem de uma inlay. Desta maneira, a expo-
naturais. sição mínima do metal é possível sem prejudicar a eficiência
2. A morfologia dos dentes não permite outros desenhos. do apoio.
3. Tais apoios podem restaurar a anatomia defeituosa ou des- Deve-se tomar cuidado na seleção do tipo de nicho a ser
gastada. utilizado, no preparo deste e na confecção da infraestrutura
4. Os apoios incisais promovem estabilização. para garantir o sucesso de qualquer tipo de apoio. A topografia
5. Os apoios incisais totais podem restaurar ou promover guia de qualquer apoio deve ser tal que restaure a topografia do dente
anterior. que existia antes do preparo.
66 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 6-21    Três vistas do preparo de um nicho incisal em canino inferior adjacente a um espaço de modificação. A vista ves-
tibular mostra o assoalho do nicho, que possibilita que forças sejam direcionadas o mais próximo possível do longo eixo do dente
pilar. Observe que o assoalho do nicho foi estendido ligeiramente sobre a vestibular do dente. Como pode ser visto de uma vista
proximal, a aresta proximal do nicho é mais arredondada que reta. A vista lingual mostra que todas as bordas do nicho são arre-
dondadas para evitar ângulos vivos. Isto é especialmente importante para evitar ângulos vivos na junção da parede axial do preparo
com o assoalho do nicho. O apoio que ocupa tal preparo deve ser capaz de se mover ligeiramente em uma direção lateral para
evitar o torque do dente pilar.

IMPLANTES Como APOIOS


Os implantes também podem ser considerados para servir
2,5 mm como um apoio quando se aproveita a sua resistência vertical
característica. Nesta aplicação, podem servir para resistir ao
movimento de compressão dos tecidos e podem ser considera-
1,5 mm dos úteis para as necessidades de retenção. Quando um papel
duplo é considerado, a seleção do elemento de retenção neces-
sita avaliar quanto de tensão haverá no movimento vertical (a
função do apoio) para afetar a função retentiva do mecanismo
do encaixe.
Quando utilizado como apoio, o implante pode servir para
resistir eficientemente aos movimentos verticais e promover
suporte positivo. Esta utilização torna possível uma conexão
com perfil baixo (p. ex., próximo do rebordo), implicando em
Figura 6-22    Dimensões dadas em uma ilustração para o menos torque ao implante. A localização pode ser prescrita para
preparo de um nicho incisal que promove resistência adequada a vantagem máxima, e os implantes podem alterar de maneira
da infraestrutura na junção do apoio com o conector menor. eficaz a rotação em torno da linha de fulcro — eliminando-a se
Nichos de dimensões menores se mostraram insatisfatórios aplicado no final de um rebordo com extremidade livre, ou
devido à liga metálica utilizada para confecção da estrutura. reduzindo os efeitos pela diminuição do braço de alavanca.
7
C a p í t ulo

Retentores Diretos
Sumário Do Capítulo Papel Dos Retentores Diretos No
Papel dos Retentores Diretos no Controle do Movimento
Controle Do Movimento Das Próteses
das Próteses A retenção de protéses removíveis é a única preocupação quando
Princípios Básicos do Desenho dos Grampos comparadas às outras próteses. Quando alguém está lidando com
Funções dos braços de oposição uma coroa ou uma prótese parcial fixa, o uso combinado de
Tipos de Retentores Diretos geometria do preparo (ou seja, formas de resistência e retenção)
Critérios para Selecionar um Determinado Grampo e agente de cimentação pode fixar a prótese ao dente de tal
Tipos de Grampo maneira que resista a todas as forças a que o dente está sujeito.
Grampos desenhados para acomodar movimentos Como mencionamos no Capítulo 4, o sentido das forças pode ser
funcionais de encontro, através ou para longe dos tecidos. Em geral, as forças
Grampos desenhados sem acomodação do que atuam para mover as próteses em direção ou lateralmente
movimento aos dentes suporte e/ou tecido são as forças de maior intensidade.
Isto é porque, na maioria das vezes, elas são forças de oclusão.
Análise do Contorno do Dente para Grampos Retentivos
As forças que atuam para deslocar as próteses dos tecidos
Quantidade de Retenção
podem consistir na gravidade atuando contra próteses superio-
Tamanho e distância no ângulo de convergência
res, na ação de alimentos pegajosos atuando para deslocar pró-
cervical teses na abertura da boca durante a mastigação ou em forças
Comprimento do braço do grampo funcionais atuando por meio de um fulcro para deslocar a
Diâmetro do braço do grampo prótese. As duas primeiras destas forças raramente são da mag-
Forma da secção transversal do braço do grampo nitude de forças funcionais, e estas são minimizadas com o uso
Material usado para confecção do braço do grampo de  suporte adequado. O componente utilizado para resistir a
Uniformidade relativa de retenção este movimento de afastamento dos dentes e/ou dos tecidos
Braço de estabilização-reciprocidade do grampo fornece retenção para a prótese e é chamado de retentor direto.
fundido Um retentor direto é qualquer unidade de uma prótese dentária
Implantes Atuando como Retentores Diretos removível que faz com que um dente pilar ou um implante
Outros Tipos de Retentores resista ao movimento de deslocamento das próteses para fora
Retenção lingual em conjunto com apoios do tecido da área basal. A habilidade dos retentores diretos de
intracoronários resistir a estes movimentos é enormemente influenciada pela
Encaixes Intracoronários estabilidade e suporte das próteses fornecida pelos conectores
maiores e menores, apoios e bases. Este relacionamento entre
os componentes de apoio e retenção destaca a relativa impor-
tância destes componentes. Embora as forças que trabalham
contra a prótese parcial removível para deslocá-la dos tecidos
geralmente não sejam tão grandes quanto as forças funcionais
que causam tensão em direção ao tecido, a prótese parcial remo-
vível deve ter retenção apropriada para resistir razoavelmente às
forças de deslocamento. Muitas vezes, a preocupação com a
retenção é maior do que a apropriada, especialmente se tal
preocupação diminui uma consideração mais séria com relação
à resistência às forças funcionais típicas.

67
68 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Uma retenção suficiente é fornecida por dois meios. Uma Vestibular Vestibular
retenção primária para próteses parciais removíveis é reali-
zada mecanicamente colocando-se elementos de retenção
(retentores diretos) nos dentes pilares. Uma retenção secun-
dária é fornecida pelo íntimo relacionamento do contato dos
conectores menores com os planos-guia e as bases de prótese
e do conector maior (superior) com o tecido subjacente. A
última é semelhante à retenção nas próteses totais. Ela é pro-
porcional proporcionado à exatidão da moldagem, à exatidão
do ajuste da base da prótese e à área de contato total envol-
vida. A retenção também pode ser fornecida por meio do
envolvimento de um mecanismo de fixação em um implante
A Lingual B Lingual
dentário.
Figura 7-1    A, A linha tracejada através da ilustração representa
Princípios Básicos Do mais de 180 graus da maior circunferência do pilar a partir do
Desenho Dos Grampos apoio oclusal. A menos que partes do braço de reciprocidade
lingual e o braço de retenção vestibular sejam estendidos além
O conjunto de grampos tem uma função na prótese parcial da linha, o dente pilar pode ser forçado para longe do retentor
removível semelhante à função que uma coroa de retenção para pela ação de torque do grampo ou a prótese parcial removível
uma prótese parcial fixa. Ambos devem envolver o dente prepa- pode ser movida do seu suporte. B, No retentor com grampo a
rado de maneira que previna movimentos isolados dos dentes barra, o envolvimento de mais de 180 graus da circunferência do
em relação ao retentor. Emprestando um termo da prótese fixa, pilar é realizado pelo conector menor do apoio oclusal, o conec-
limitar a liberdade de deslocamento refere-se ao efeito de uma tor menor que contacta um plano-guia na superfície proximal
superfície cilíndrica (a infraestrutura envolvendo o dente) em distal e o braço de retenção.
outra superfície cilíndrica (o dente). Isto implica que a curva
que define a infraestrutura está na maneira correta se ela impede
movimentos perpendiculares em relação ao eixo longo do dente.
Este princípio básico do desenho do grampo oferece um duplo
benefício. Primeiro, ele assegura a estabilidade da posição do
dente por causa da contenção pelo abraçamento; segundo, ele
assegura a estabilidade do grampo por causa do controle da
posição deste em três dimensões.
Portanto, o princípio básico do desenho dos grampos, deno-
minado princípio do abraçamento, significa que mais de 180° na
maior circunferência do dente, passando da superfície axial
divergente para a superfície axial convergente, devem ser envol-
vidos pelo grampo (Figura 7-1). O abraçamento pode ocorrer
na forma de contato contínuo, como em um grampo circunfe-
rencial, ou contato descontínuo, como no uso de um grampo a
barra. Ambos fornecem contato do dente em pelo menos três A
áreas envolvendo o dente: a área de apoio oclusal, a área da da
ponta retentiva do grampo e área do término do grampo de
oposição.
Além do abraçamento, outros princípios básicos do desenho
dos grampos são os seguintes:
1. O apoio oclusal deve ser desenhado para prevenir movimen-
tos dos braços do grampo em direção à cervical.
2. Cada ponta retentiva deve ser oposta por um braço de opo-
sição capaz de resistir a qualquer pressão transitória exercida
B
pelo braço de retenção durante assentamento e remoção. Os
componentes estabilizadores e opositores devem ser rigida- Figura 7-2    A, A ação de flexão do braço retentivo do grampo
mente conectados bilateralmente (através do arco) para rea- inicia-se à medida que a ponta ativa ultrapassa o equador pro-
lizar reciprocidade dos elementos retentivos (Figura 7-2). tético, o que promove uma pressão no sentido da linha mediana
3. Grampos de retenção nos dentes pilares adjacentes às extre- sobre os dentes suportes. B, A reciprocidade à pressão medial-
midades livres distais da base devem ser desenhados de mente dirigida é contrabalançada por braços rígidos colocados
modo a evitarem transmissão direta de forças de inclinação lingualmente em contato com os pilares simultaneamente com
e de rotação aos pilares. Na verdade, eles devem atuar como os braços de retenção ou por componentes de estabilização
rompe-forças, tanto pelo seu desenho quanto pela sua con- rígidos da armação entrando em contato com planos-guia lin-
fecção. Isto é realizado mediante adequada localização da guais quando os braços vestibulares começam a se flexionar.
Capítulo 7  Retentores Diretos 69

Terço
oclusal

a b a
b
Terço
médio
Estabilização
Linha
Retenção delineada
Terço
a cervical

a
b
a
b Figura 7-4    Leis mecânicas simples demonstram que quanto
mais próximos os elementos de estabilidade-reciprocidade e
retenção estão localizados do eixo horizontal de rotação do pilar,
menor a probabilidade de exceder a tolerância fisiológica do
ligamento periodontal. O eixo horizontal de rotação do dente
pilar está localizado em algum lugar em sua raiz.
Figura 7-3    Os grampos retentivos devem ser bilateralmente
opostos. Isto significa que retenções bilaterais vestibulares ou
retenções bilaterais linguais devem ser utilizadas, como mostrado
neste arco Classe III, modificação 2, no qual a retenção pode ser deformação do braço de retenção se este envolver um dente na
(a) vestibular bilateralmente ou (b) lingual bilateralmente. linha equatorial. O braço de oposição do grampo retribui
o efeito desta deformação, prevenindo o movimento dentário.
Para isto ocorrer, o braço de oposição deve estar em contato
durante a deformação do braço de retenção. A menos que
ponta retentiva em relação ao apoio ou pelo uso de um braço
o dente pilar tenha sido especialmente contornado, o braço de
do grampo mais flexível em relação à rotação prevista da
oposição do grampo não entrará em contato com o dente até a
prótese sob forças funcionais.
prótese estar totalmente assentada e o braço de retenção do
4. A não ser que os planos-guia controlem positivamente a
grampo ter novamente se tornado passivo. Quando isso acon-
via de remoção e estabilizem os pilares contra movimen-
tece, uma força momentânea de inclinação é aplicada aos dentes
tos rotacionais, grampos retentivos devem ser bilateral-
pilares durante cada colocação e remoção. Esta força pode não
mente opostos (ou seja, uma retenção vestibular em um
ser danosa – pois ela é transitória – desde que a força não exceda
lado do arco deve ser oposta por uma retenção vestibular
a elasticidade normal do ligamento periodontal. Uma verda-
no outro lado do arco, ou uma retenção lingual de um lado
deira reciprocidade durante a colocação e a remoção é possível
do arco oposto por uma retenção lingual no outro lado do
somente por meio do uso de superfícies feitas na coroa paralelas
arco). Em situações de Classe II, o terceiro pilar pode ter
ao eixo de inserção. O uso de restaurações fundidas permite que
retenção vestibular ou lingual. Em situações Classe III, a
superfícies paralelas entrem em contato com os braços de opo-
retenção pode ocorrer bilateralmente ou pode ser diame-
sição de tal maneira que uma verdadeira reciprocidade torne-se
tralmente oposta (Figura 7-3).
possível. Isto é discutido no Capítulo 14.
5. A via de escape da ponta retentiva do grampo deve ser outra
Os braços de oposição devem ter também funções adicio-
que não paralela à via de remoção da prótese para requerer
nais. Os braços de oposição do grampo devem ser localizados
engajamento do grampo com a resistência à deformação que
de modo que a prótese seja estabilizada contra movimentos
é retenção.
horizontais. Essa estabilização só é possível com o uso de
6. A quantidade de retenção deve sempre ser o mínimo neces-
braços de grampo rígidos, conectores menores rígidos e um
sário para resistir às forças de deslocamento razoáveis.
conector maior rígido. Forças horizontais aplicadas de um lado
7. Elementos de oposição dos grampos devem ser localizados
do arco dental são suportadas pelos componentes estabilizado-
na junção dos terços gengivais e médios das coroas dos dentes
res no lado oposto, fornecendo estabilidade de um lado a outro
pilares. A ponta do braço de retenção é otimamente colocada
do arco. Obviamente, quanto maior o número destes compo-
no terço gengival da coroa (Figura 7-4 até Figura 7-6). Essas
nentes, dentro de valores razoáveis, maior será a distribuição
localizações permitem melhor resistência às forças horizon-
das tensões horizontais.
tais e de torque causadas pela redução no braço de potência,
O braço de oposição do grampo também pode atuar em
como descrito no Capítulo 4.
menor intensidade como um retentor indireto. Isto é verdade
somente quando ele se apoia em uma superfície acima da linha
Funções dos Braços de Oposição equatorial de um dente pilar situado anteriormente à linha de
Como mencionamos anteriormente, os braços de oposição são fulcro (Figura 8-8). A elevação da base na extremidade livre distal
planejados para resistir a movimentos dos dentes em resposta à afastado-a do tecido é então sustentada por um braço rígido, o
70 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Suporte Terço oclusal

Estabilização Terço médio

Retenção Terço cervical

A Lingual

B Oclusal

Suporte Terço oclusal

Estabilização Terço médio

Retenção Terço cervical

C Vestibular

Figura 7-5    Grampo a barra em um pré-molar inferior. A, O suporte é fornecido pelo apoio oclusal. B, Estabilidade é fornecida pelo
apoio oclusal e pelos conectores menores mesial e distal. C, A retenção é fornecida pela barra em I vestibular. A reciprocidade é obtida
pela localização dos conectores menores. O envolvimento de mais de 180 graus da circunferência do pilar é realizada pela adequada
localização dos componentes em contato com as superfícies axiais. (O conector menor suporta o apoio oclusal, a placa proximal do
conector menor e a barra em I vestibular.)

qual não é facilmente deslocado cervicalmente. A efetividade de dente pilar ou pelo envolvimento de uma área retentiva à cer-
tal retentor indireto é limitada por sua proximidade com a linha vical do equador protético do dente pilar. Dois tipos básicos de
de fulcro, que lhe dá uma vantagem mecânica relativamente retentores diretos estão disponíveis: retentores intracoronários
pequena, e pelo fato de que uma derrapagem ao longo da e retentores extracoronários. O retentor extracoronário (tipo
inclinação do dente é sempre possível. O último caso pode ser grampo) é o retentor mais comumente usado para próteses
prevenido pelo uso de um degrau em uma restauração fundida; parciais removíveis.
no entanto, isto não é feito nas superfícies do esmalte. O retentor intracoronário pode ser fundido ou pode ser
totalmente encaixado dentro do contorno natural de um
dente pilar restaurado. Ele é tipicamente composto de um
Tipos de retentores diretos
sistema de encaixe macho/fêmea, usinado com paredes para-
A retenção mecânica das próteses parciais removíveis é realizada lelas verticais opostas, que servem para limitar os movimentos
por meio de retentores diretos de um tipo ou outro. A retenção e resistir à remoção da prótese parcial pela resistência fric­
é realizada por atrito, pelo envolvimento de uma depressão no cional (Figura 7-7). O retentor intracoronário é geralmente
Capítulo 7  Retentores Diretos 71

Suporte Terço oclusal


Critérios Para Selecionar Um
Determinado Grampo
Estabilização Terço médio Quando um desenho de grampo particular é selecionado para
determinada situação, suas funções e limitações devem ser cui-
dadosamente avaliadas. Retentores diretos extracoronários,
Retenção Terço cervical
como parte do conjunto do grampo, devem ser considerados
como componentes da armação de próteses parciais removíveis.
Eles devem ser desenhados e localizados para executarem funções
específicas de suporte, estabilização, oposição e retenção. Não
Vestibular
importa se os retentores diretos como um todo estão fisicamente
ligados entre si ou originam-se do conector maior ou menor da
armação (Figuras 1-2 e 1-3, B-E). Se alguma atenção for direcio-
Suporte Terço oclusal
nada para as funções separadas de cada componente do grampo
de retenção direta, então a seleção deste é simplificada.
Estabilização Terço médio Embora algumas concepções bastante complexas sejam
usadas para os grampos, todos eles devem ser classificados em
Retenção Terço cervical uma das duas categorias básicas. Uma é o braço de grampo
circunferencial, que aborda a área retentiva vindo de uma direção
oclusal. A outra é o braço do grampo a barra, que aborda a área
retentiva de uma direção cervical. Um conjunto de grampos
Lingual pode incluir vários braços retentivos (ou seja, circunferencial
fundido, um braço de grampo a barra ou um retentor de fio
Figura 7-6    Grampo circunferencial em um pré-molar inferior. trefilado), dependendo da necessidade específica para a cons-
O suporte é fornecido pelo apoio oclusal, a estabilidade é forne- trução do retentor, tendo em conta o ajuste necessário, posição
cida pelos apoio oclusal, conector menor proximal, braço lingual de abordagem do grampo e perícia na linha de colocação.
do grampo e porção rígida do braço retentivo vestibular do Um grampo deve consistir em quatro partes componentes.
grampo sobre a linha equatorial; a retenção é realizada pela Primeiro, um ou mais conectores menores devem estar presen-
ponta retentiva do braço vestibular do grampo; a reciprocidade tes, a partir do qual os componentes do grampo se originam.
é fornecida pelo braço lingual não flexível do grampo. O conjunto Segundo, um apoio principal deve ser desenhado para direcio-
envolve mais de 180 graus da circunferência do dente pilar. nar a tensão no eixo longo do dente. Terceiro, um braço reten-
tivo deve ocupar a área de retenção de um dente. Para a maioria
dos grampos, a área de retenção é somente no seu término.
Quarto, um braço não retentivo (ou outro componente) deve
estar presente no lado oposto do dente para estabilização e reci-
denominado encaixe intracoronário ou de precisão. O prin- procidade contra movimentos horizontais da prótese (a rigidez
cípio do encaixe intracoronário foi formulado pelo Dr. Herman deste braço do grampo é essencial para este propósito).
E. S. Chayes em 1906. Não deve existir confusão entre a escolha dos braços do
O retentor extracoronário usa a resistência mecânica para grampo e o propósito para o qual são utilizados. Qualquer tipo
posicionar os componentes através do deslocamento sobre as de braço de grampo fundido (a barra ou circunferencial) deve
superfícies externas de um dente pilar ou encaixados nelas. O ser feito cônico e retentivo, ou não cônico (rígido) e não reten-
retentor extracoronário está disponível em três formas princi- tivo. A escolha depende de ele ser usado para retenção, estabili-
pais. O retentor tipo grampo (Figuras 7-8 e 7-9), a forma mais dade ou oposição. Um apoio oclusal, como no conceito RPI
comumente usada, retém por meio de braços retentivos flexí- (partes componentes apoio, placa proximal e barra em I do
veis. Este braço envolve uma superfície externa do dente pilar conjunto do grampo), pode ser usado em lugar de braços de
em uma área cervical na maior convexidade do dente ou envolve oposição para satisfazer à necessidade de abraçamento, desde
uma depressão preparada para receber a ponta ativa do braço. que ele esteja localizado em um lugar em que possa cumprir o
Todas as outras formas envolvem encaixes pré-fabricados que mesmo propósito (Figura 7-10, ver também a Figura 7-9). A
incluem componentes de embricamento ou o uso de um dispo- adição de uma capa lingual a um braço de oposição fundido
sitivo de mola que envolve o contorno do dente para resistir ao não altera nem seu propósito primário nem a necessidade por
deslocamento oclusal. Outro tipo é o encaixe pré-fabricado, que adequada localização para cumprir tal propósito.
usa clipes ou anéis flexíveis que envolvem um componente
rígido fundido ou anexado à superfície externa de uma coroa
Tipos De Grampo
do dente pilar.
Em situações em que as necessidades de suporte são satis- Uma grande variedade de grampos está disponível para os
feitas adequadamente por dentes disponíveis e/ou tecidos orais, clínicos utilizarem. Esta variedade existe em grande parte por
implantes dentários podem ser usados para retenção e adicio- causa da imaginação dos clínicos e técnicos de laboratório
nam a vantagem de eliminar os grampos visíveis. quando modificações nos dentes não eram ou não podiam
72 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 7-7    A, O retentor intracoronário consiste de um encaixe do tipo macho e fêmea com uma tolerância extremamente pequena.
A fêmea é contida dentro da coroa do pilar e (B) o macho é anexado na armação da prótese parcial removível. C, A resistência friccional
para remoção e colocação e a limitação do movimento servem para reter e estabilizar a prótese.

ser feitas. Para simplificar o desenho dos grampos e melhorar dos movimentos. O clínico não deve interpretar essas categorias
a previsibilidade funcional das próteses, os clínicos contem- como mutuamente exclusivas, pois a maioria dos grampos pode
porâneos devem perceber a necessidade de modificações nos ser usada para reter uma prótese bem suportada e sustentada.
dentes.
Alguns conjuntos de grampos são desenhados para acomodar Grampos Desenhados para Acomodar
os movimentos funcionais das próteses (como mencionado Movimentos Funcionais
anteriormente nos princípios básicos) e outros não incorporam Rpi, Rpa e Grampo a Barra
tais recursos de desenho. Embora tenha sido demonstrado por Conjuntos de grampos que acomodem movimentos funcionais
Kapu e colaboradores que resultados adversos não são sempre das próteses são desenhados para resolver a preocupação com a
associados ao uso de grampos rígidos em classificações com alavanca na Classe I. A preocupação é que a extremidade livre
extremidade livre distal, os grampos seguintes serão descritos distal atua como um longo “braço de potência” através do
como desenhos de grampos para acomodar movimentos funcio- “fulcro” no apoio distal para causar o “braço de resistência” na
nais de extensão da base e grampos desenhados sem acomodação ponta do grampo que abraça o dente na área retentiva. Isto
Capítulo 7  Retentores Diretos 73

resulta em acúmulo ou torque do dente, prejudiciais, o que é


Suporte maior com grampos rígidos e aumento dos movimentos da base
Estabilização da prótese. Duas estratégias podem ser adotadas para mudar a
localização do fulcro e subsequentemente o efeito de envolvi-
Retenção mento do “braço de resistência” (grampos concebidos com
B
apoios mesiais) ou para minimizar o efeito de alavanca por meio
do uso de braços flexíveis (braço retentivo de fio trefilado).
Grampos concebidos com apoios mesiais têm sido propostos
para realizar a acomodação dos movimentos pela mudança da
Lingual
localização do fulcro. Este conceito inclui os grampos RPI e RPA
(apoio, placa proximal e Akers). O RPI é um conceito atual de
C desenho de grampo a barra que se refere às partes componentes
Suporte
apoio, placa proximal e grampo em I. Basicamente, este grampo
consiste em um apoio mésio-oclusal com um conector menor
Estabilização colocado na ameia mésio-lingual, mas sem tocar o dente adjacente
Retenção
(Figura 7-11, A). Um plano-guia distal, estendendo-se da crista
A marginal até a junção dos terços médio e cervical do dente pilar,
é preparado para receber uma placa proximal (Figura 7-11, B).
A largura vestíbulo-lingual do plano-guia é determinada pelo
contorno proximal do dente (Figura 7-11, A e C). A placa pro-
Vestibular ximal, em conjunto com o conector menor suporta o apoio,
fornecendo aspectos de estabilidade e reciprocidade do retentor.
Figura 7-8    Retentor direto extracoronário do tipo circunferen- O grampo em I deve estar localizado no terço cervical da
cial. O conjunto consiste (A) no braço retentivo vestibular; (B) no superfície vestibular do pilar numa retenção de 0,25mm
braço lingual rígido estabilizador (de reciprocidade); e (C) no suporte (Figura  7-11, D). O braço do grampo I deve ser afilado até a
do apoio oclusal. A porção terminal do braço retentivo é flexível e ponta, com não mais do que 2 mm de sua ponta tocando o pilar.
envolve uma certa retenção. O conjunto continua passivo até ser A ponta retentiva toca o dente na sua parte inferior da linha
ativado pela colocação ou remoção da prótese ou quando sujeito a equatorial (Figura 7-11, E). Esta área de contato, juntamente com
forças mastigatórias que tendem a deslocar a base da prótese. o apoio e com o contato da placa proximal, fornece estabilidade

EP

AT

D D

Suporte
Suporte

B Estabilização B Estabilização
C
Retenção Retenção

Vestibular Lingual

Figura 7-9    Retentor direto extracoronário do tipo barra. O conjunto consiste (A) no braço vestibular retentivo envolvendo a retenção
calibrada (com pequena extensão oclusal para estabilidade — veja o detalhe, em que EP é o equador protético e AT é a área retentiva);
(B) nos elementos estabilizadores (reciprocidade), com a placa proximal distal; (C) no conector menor mesiolingual colocado para o
apoio oclusal, que também funciona como um componente estabilizador (reciprocidade), e (D) no suporte do apoio oclusal colocado
mesialmente. O conjunto continua passivo até ser ativado.
74 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

(Figura 7-15, A) e o braço de retenção do grampo localizado a


0,25 mm da área retentiva no terço cervical do dente na maior
proeminência ou em direção a mesial afastando-se da área
edêntula (Figura 7-14, C). Se o dente pilar demonstrar con-
traindicação para um grampo tipo barra (ou seja, inclinação
vestibular ou lingual exagerada, zona retentiva tecidual muito
pronunciada ou vestíbulo raso) e a retenção desejável estiver
localizada no terço cervical do dente longe do espaço protético,
deve ser considerada uma modificação para o sistema RPI (o
grampo RPA) (Figura 7-15, B). A aplicação de cada abordagem
é indicada na distribuição da carga a ser aplicada sobre o dente
e o rebordo edêntulo.
O grampo a barra, que deu origem ao RPI, é discutido aqui
por causa desta associação. Ele não deve ser, mas pode ser con-
figurado para permitir movimentos funcionais. O termo grampo
a barra é geralmente preferido em detrimento do termo menos
descritivo grampo de Roach. Reduzido a seu termo mais simples,
o braço do grampo a barra surge da armação da prótese ou de
uma base metálica e atinge a área retentiva numa direção
Figura 7-10    O apoio oclusal auxiliar (frente/verso) pode ser ­cérvico-oclusal (Figura 7-11). O braço do grampo a barra tem
utilizado em lugar de um braço de reciprocidade sem violar
sido classificado pela forma da ponta retentiva. Deste modo, ele
qualquer princípio do desenho do grampo. Suas maiores des-
tem sido identificado como um “T”, “T” modificado, “I” ou
vantagens são que um segundo nicho para apoio deve ser pre-
“Y”. A forma que a ponta toma tem pouca significância, desde
parado e que o espaço tecidual incluso na margem gengival pode
resultar em captura de alimentos. Um segundo apoio oclusal que seja mecanicamente e funcionalmente efetiva, recubra a
também é usado para prevenir contra o escorregamento do menor superfície dentária possível e mostre a menor quanti-
apoio principal quando o descanso deste não pode ser inclinado dade de metal possível.
para cervical a partir da crista marginal. O conector menor utili- Em muitas situações, o grampo a barra pode ser utilizado
zado para fechamento do espaço interproximal frequentemente em próteses parciais dentossuportadas, em áreas de modificação
requer apoios sobre dentes adjacentes para evitar um efeito de ou quando a área retentiva do dente pilar, que pode ser logica-
cunha quando uma força é aplicada sobre a prótese. mente usada pelo grampo, fica adjacente a uma extremidade
livre distal da base (Figura 7-16). Se uma retenção gengival
impede o uso de um grampo a barra, podem ser usados um
grampo em anel originando-se mesialmente, ou um grampo de
através do abraçamento (Figura 7-11, C). A porção horizontal fio trefilado ou um grampo de ação reversa. A preparação de
do braço de retenção deve estar localizada a pelo menos 4 mm pilares adjacentes (dentes naturais) para receber qualquer tipo
da margem gengival ou mesmo mais afastada, se possível. de retentor direto interproximal, atravessando da superfície
Três abordagens básicas da aplicação do sistema RPI podem lingual para a vestibular, é mais difícil de realizar adequada-
ser usadas. A localização do apoio, o desenho do conector menor mente. Inevitavelmente, o tamanho relativo da mesa oclusal é
(placa proximal) em relação ao plano-guia e a localização do aumentado, contribuindo para cargas funcionais indesejáveis e
braço de retenção são fatores que influenciam na função deste adicionais.
sistema de retenção. Variações nestes fatores fornecem a base As indicações específicas para o uso de grampo a barra
para as diferenças entre essas abordagens. Todos defendem a incluem (1) quando existe um pequeno grau de retenção
localização de um apoio mesialmente no dente pilar primário (0,25 mm) no terço cervical do dente pilar, que pode ser alcan-
adjacente à área da extremidade livre da base. Um enfoque çado a partir de um sentido gengival; (2) no dente pilar para
recomenda que o plano-guia e a placa proximal correspondente próteses dentossuportadas ou áreas de modificação dentossu-
devem se estender por todo o comprimento da superfície pro- portadas (Figura 7-17); (3) em situações de extremidade livre
ximal do dente, com um alívio no tecido fisiológico eliminando distal da base; e (4) nos casos cujas considerações estéticas
o trauma na gengiva marginal livre (Figura 7-12). Um segundo devam ser objetivadas e um grampo fundido for indicado.
enfoque sugere que o plano-guia e a placa proximal corres- Assim, o uso de grampos a barra são contraindicados quando
pondente devam se estender da crista marginal até a junção existir uma acentuada profundidade cervical ou quando existir
entre os terços médio e cervical da superfície proximal do dente uma severa retenção dentária e/ou tecidual, o que obrigaria um
(Figura 7-13). Ambas as abordagens recomendam que o braço alívio excessivo. Quando existem retenções dentárias e teciduais
de retenção do grampo deve estar localizado no terço cervical severas, um grampo de retenção a barra geralmente é um incô-
da superfície vestibular do pilar numa retentividade de 0,25 mm. modo para a língua e bochechas e também retém restos alimen-
A colocação do braço de retenção do grampo geralmente ocorre tares. Outros fatores limitantes na seleção de grampos a barra
em uma região inferior localizada na maior proeminência incluem um vestíbulo raso ou uma excessiva inclinação vesti-
mesiodistal do dente ou adjacente à área edêntula. (Figura 7-14, bular ou lingual do dente pilar (Figura 7-18). Alguns erros
A e B). O terceiro enfoque favorece uma placa proximal que comuns no desenho dos grampos tipo barra são ilustrados na
toque aproximadamente 1 mm da porção cervical do plano-guia Figura 7-19.
Capítulo 7  Retentores Diretos 75

Suporte Terço oclusal

Estabilização Terço médio

Retenção Terço cervical

B
Lingual

Suporte

Estabilização

Retenção

C D
Vestibular

Figura 7-11    Retentor do tipo barra. A, Vista oclusal. Partes componentes (placa proximal, apoio com conector menor e braço de
retenção) formam um tripé de estabilidade para o pilar, de modo a prevenir sua migração. B, A placa proximal é estendida o quanto
possível lingualmente, de modo que se combine com o conector menor mesial para evitar migração lingual do pilar. C, Sobre pilares
estreitos ou cônicos (primeiros pré-molares inferiores), a placa proximal deve ser desenhada para ser tão estreita quanto possível, mas
ainda suficientemente larga para prevenir a migração lingual. D, Retentor do tipo barra I localizado na maior proeminência do dente
no terço cervical. E, Vista mesial de uma barra I ilustrando a relação da ponta retentiva com a área retentiva e uma região superior à
linha equatorial, a qual funciona como estabilização pelo abraçamento.

O braço do grampo a barra não é particularmente um braço midade livre distal da base. Existem situações, no entanto, em
flexível por causa dos efeitos de sua forma semicircular e seus que o grampo a barra pode ser usado em benefício do pilar
vários planos de origem. Embora o grampo circunferencial terminal sem prejudicá-lo. Um grampo numa área retentiva
fundido possa ser feito mais flexível que o grampo a barra, o distal pode ser uma escolha lógica, porque o movimento do
grampo combinado é preferido para o uso em pilares terminais pilar quando do deslocamento da base na extremidade livre
quando forças de torque ou tombamento são possíveis, por distal no sentido do tecido é minimizado pela localização distal
causa do envolvimento de uma área retentiva afastada da extre- da ponta do grampo.
76 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

PP B
A C
PG Força
oclusal

Alívio mínimo
do tecido

Figura 7-12    Retentor a barra no qual o plano-guia (PG) e a Figura 7-14    Vista oclusal do grampo a barra RPI (apoio,
placa proximal (PP) correspondente estendem-se em toda a placa proximal e barra I). Colocação da barra I em uma retenção
superfície proximal do dente. É necessário um alívio fisiológico de 0,25 mm (A) na superfície distovestibular; (B) na maior proe-
para evitar choque nos tecidos gengivais durante a função. minência mesiodistal; e (C) na superfície mesiovestibular.
Estendendo a placa proximal para entrar em contato sobre todo
plano-guia, as forças funcionais tem uma resultante horizontal,
subsequentemente os dentes são mais solicitados que o rebordo
desdentado.
retenção deve ser considerada retentiva. Apenas uma ponta
de tal grampo deve ser colocada na área retentiva (Figura
PP 7-20). O restante do braço do grampo pode ser supérfluo,
a  menos que seja necessário como parte do conjunto do
Força
PG oclusal
grampo para abraçar o dente pilar por mais de 180 graus em
sua maior circunferência. Se o grampo a barra é feito para
ser flexível por motivos de retenção, qualquer porção do
grampo acima do equador fornecerá apenas estabilidade
limitada, porque ele também faz parte de um braço flexível.
Consequentemente, em vários casos, esta porção do grampo
T ou Y acima do equador do dente pode ser removida e a
ponta do grampo a barra deve ser desenhada para ser bioló-
Figura 7-13    Retentor a barra no qual o plano-guia (PG) e a gica e mecanicamente correta em vez de se conformar com
placa proximal (PP) correspondente estendem-se da crista margi- qualquer configuração alfabética.
nal até a junção entre os terços médio e cervical da superfície
proximal do dente. Esta diminuição (comparada com a Figura 7-23)
na quantidade de contato da área de superfície da placa proximal
no plano-guia distribui de maneira mais uniforme a força funcional
Grampo Combinado
Outra estratégia que pode ser utilizada para reduzir os efeitos
entre o dente e o rebordo edêntulo.
de alavanca de Classe I em situações de extremidade livre distal
inclui um componente flexível no “braço de resistência”; esta
estratégia é empregada no grampo combinado. O grampo com-
binado consiste em um braço de retenção de fio trefilado e um
Algumas vantagens atribuídas ao grampo localizado abaixo
braço de oposição fundido (Figura 7-21). Embora o último
da protuberância do dente são (1) sua localização interpro-
possa ser visto no formato de grampo a barra, ele é geralmente
ximal, que pode ser usado para melhorar a estética; (2) reten-
um braço circunferencial. O braço retentivo é quase sempre
ção aumentada sem ação de torque no pilar; e (3) menor
circunferencial, mas ele também deve ser usado como uma
chance de distorção acidental em função de sua proximidade
barra, originando-se cervicalmente da base da prótese.
da borda da prótese. O usuário deve ser meticuloso no
As vantagens do grampo combinado incluem sua flexibili-
cuidado de sua prótese, não só por razões de higiene oral,
dade, ajustabilidade e a aparência do braço retentivo de fio
mas também para impedir que restos alimentares cariogêni-
trefilado. Ele é usado quando é desejável uma flexibilidade
cos fiquem retidos contra as superfícies dentárias.
máxima, como em um dente pilar adjacente à extremidade livre
Os braços de grampo a barra em T ou Y são geralmente
distal da base ou em um pilar fraco quando um retentor direto
mal empregados. É improvável que a área total do término
tipo barra é contraindicado. Ele pode ser usado por sua ajusta-
T ou Y seja sempre necessária para uma retenção adequada
bilidade quando requisitos precisos de retenção são imprevisí-
do grampo. Ainda que a maior área de contato forneça
veis equando pode ser necessário um ajustamento posterior
maior retenção friccional, esta não é uma retenção verda-
para aumentar ou diminuir a retenção. Uma terceira justifica-
deira do grampo e somente a porção que atinge a área de
tiva para seu uso é sua vantagem estética sobre grampos
Capítulo 7  Retentores Diretos 77

PP

PG

Força
PG oclusal
PP
B

Figura 7-15    A, Retentor a barra no qual a placa proximal (PP) entra em contato com aproximadamente 1 mm da porção cervical do
plano-guia (PG). Durante a função, a placa proximal e o braço em barra I do grampo são desenhados para se moverem em um sentido
mesiocervical, desprendendo-se do dente. Essa falta de contato mantida entre a placa proximal e o plano-guia distribui mais força
funcional pelo rebordo edêntulo. O asterisco (*) indica o centro de rotação. B, A modificação do sistema RPI (apoio, placa proximal
parte componente em barra I) é indicada (apoio, placa proximal e Akers ou grampo RPA) quando o grampo do tipo barra é contrain-
dicado e a zona retentiva desejável está localizada no terço cervical do espaço protético, longe da área de extensão da base.

Figura 7-16    Braço de grampo a barra devidamente utilizado


em um pilar terminal. A combinação de apoio, placa proximal e Figura 7-17    Um retentor a barra é usado no pilar anterior ao
grampo a barra entrando em contato com o dente pilar fornece espaço de modificação com retenção distovestibular. A prótese
mais que 180 graus de abraçamento. Uma conicidade uniforme é desenhada para rotacionar em volta dos pilares terminais
da barra garante flexibilidade adequada e distribuição interna da quando forças são dirigidas em direção ao assentamento da
tensão. A conicidade pode originar-se de uma junção com um base no lado esquerdo. Essa rotação vai transmitir forças sobre
conector menor ou numa linha de finalização indicando a exten- o pré-molar direito em direcão súpero-anterior. No entanto, esta
são anterior da base da prótese. O abraçamento não requer que direção da força é em grande parte resistida pelo contato mesial
uma modificação da ponta retentiva (em forma de T) seja provi- com o canino. O rententor direto no pré-molar direito com reten-
denciada, e tal modificação adiciona pouco ao conjunto do ção mesiovestibular tenderia a forçar o dente superiormente e
grampo. posteriormente.
78 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B C

Figura 7-18    Contraindicações para seleção de grampos do tipo barra. A, Severa inclinação vestibular ou lingual do dente pilar.
B, Severa retenção tecidual. C, Vestíbulo ou assoalho rasos.

Terço oclusal

Terço médio

Terço cervical

A B C

Terço oclusal

Terço médio

Terço cervical

D E F

Figura 7-19    Erros comuns e correções recomendadas no desenho de um grampo a barra. A, Linha equatorial inalcançável para o
grampo a barra (muito alta). B, Porção retentiva do grampo a barra indevidamente contornada para resistir à força de deslocamento
na direção oclusal. C, Ponta retentiva não localizada no terço cervical do pilar. D, Contorno do pilar corretamente alterado para receber
um grampo a barra. E e F, Posição correta do grampo a barra.

f­ undidos. Sendo estruturalmente trabalhado, eles pode ser uti- com desenho apropriado de um grampo a barra ou com um
lizado em diâmetros menores que os grampos fundidos, com grampo em anel (apesar de suas várias desvantagens), um
menor perigo de fratura. Por ele ser redondo, a luz é refletida grampo fundido pode ser localizado de modo que ele não venha
de tal maneira que a exibição do metal é menos perceptível do a causar inclinação do pilar quando a extremidade livre distal
que com as superfícies mais amplas dos grampos fundidos. da base move no sentido do tecido. Quando a retenção está na
O uso mais comum do grampo combinado é em um dente região do pilar distante da base, o braço retentivo cônico em
pilar adjacente à extremidade livre distal da base, onde existe fio ­trefilado oferece maior flexibilidade do que o grampo
apenas uma retenção mesial no pilar ou onde uma grande reten- fundido e consequentemente melhor dissipação das tensões
ção tecidual contraindica um retentor tipo barra (Figura 7-22). funcionais. Por esta razão, o grampo combinado é preferido
Quando existe uma retenção distal que pode ser alcançada (Figura 7-22, D).
Capítulo 7  Retentores Diretos 79

Suporte Terço oclusal

Estabilização Terço médio

Retenção Terço cervical

Vestibular

Figura 7-20    Apenas uma porção do braço retentivo envolve a retenção no terço cervical do pilar. A porção do braço retentivo acima
da maior circunferência do dente fornece apenas uma estabilidade limitada e pode ser eliminada.

Via de inserção

Equador
protético

Fio trefilado
A redondo calibre 18

Figura 7-21    A, Um grampo combinado consiste em um braço de reciprocidade fundido e um braço de retenção afilado em fio
trefilado redondo. O último é fundido ou soldado à armação. Este desenho é recomendado para o pilar anterior de um espaço de
modificação posterior em um arco parcialmente edêntulo Classe II, onde apenas uma retenção mesiovestibular existe, para minimizar
os efeitos de alavanca de classe I. B, Adicionalmente às vantagens de flexibilidade, ajustabilidade e estética, um braço retentivo de fio
trefilado faz contato apenas com uma linha do dente pilar, em vez de um contato mais amplo com o grampo fundido.

O grampo combinado tem várias desvantagens: (1) ele falha por fadiga em serviço com o braço retentivo cônico de fio
envolve passos extras na fabricação, particularmente quando trefilado versus um braço retentivo de semicírculo fundido.
são utilizadas ligas de cromo de alta fusão; (2) ele pode ser As desvantagens listadas anteriormente não devem impedir
­distorcido pelo manuseio descuidado por parte do paciente; seu uso, independentemente do tipo de liga metálica que é
(3)  como ele é dobrado a mão, pode ser menos precisamente utilizada para a armação fundida. Problemas técnicos são mini-
adaptado ao dente e consequentemente pode fornecer menor mizados pela seleção do melhor fio trefilado para este propósito,
estabilidade na porção expulsiva do dente; e (4) ele pode dis- e então inserindo na fundição ou soldando-o à armação fundida.
torcer com a função e não abraçar o dente. As desvantagens do A seleção do fio trefilado, a união deste à armação e os subse-
grampo de fio trefilado são compensadas por suas várias van- quentes procedimentos laboratoriais para manter suas ótimas
tagens, as quais incluem (1) sua flexibilidade; (2) sua ajustabi- propriedades físicas são apresentadas no Capítulo 12.
lidade; (3) sua vantagem estética sobre outros grampos O paciente pode ser ensinado a evitar distorção do fio trefi-
circunferenciais retentivos; (4) cobertura de uma superfície lado explicando-se a ele que, para remover uma prótese parcial,
mínima do dente como resultado de sua linha de contato com a unha deve sempre ser posicionada a seu ponto de origem,
o dente, em vez de de ter um contato de superfície de uma braço onde ele é seguro rigidamente por causa da fundição, e não de
de grampo fundido; e (5) uma ocorrência menos provável de sua ponta flexível. Frequentemente, a retenção lingual pode ser
80 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

C D

Figura 7-23    Braços retentivos do grampo circunferencial


fundido devidamente desenhados. Eles se originam na oclusal
da linha equatorial, a qual eles cruzam então no seu terço termi-
E F nal e envolvem progressivamente as área retentivas conforme
sua conicidade diminui e sua flexibilidade aumenta.
Figura 7-22    Cinco tipos de retentores extracoronários que
podem ser usados em pilares adjacentes a extremidade livre
distal da base para impedir ou minimizar os efeitos de alavanca.
As setas indicam a direção geral do movimento das pontas
retentivas dos braços do retentor quando a base da prótese pode ser realizada pelo levantamento contra o braço de oposi-
rotaciona em direção ao rebordo desdentado ou ao contrário. ção fundido localizado no lado vestibular do dente. Isto nega a
A, Retenção distovestibular envolvida pela metade de um grampo vantagem estética do braço de grampo de fio trefilado, e deve
tipo barra T. A porção do braço do grampo sobre e acima da ser dada preferência à estética quando há escolha entre retenção
linha equatorial pode dar alguma estabilidade contra rotação vestibular e lingual. Na maioria da situações, no entanto, a
horizontal da base da prótese. B, Barra I colocada na retenção retenção deve ser usada onde ela é possível e em conformidade
no meio (anteroposteriormente) da superfície vestibular. Este com o desenho do grampo.
retentor entra em contato com o dente somente pela sua ponta.
Note que o plano-guia na distal do pilar entra em contato com Grampos Desenhados sem
o metal da armação da prótese e é usado que um apoio mesial. Acomodação do Movimento
C, Grampo interproximal em anel envolvendo a retenção disto- Grampo Circunferencial
vestibular. O retentor do tipo barra não pode ser usado, pois
Embora um completo conhecimento dos princípios do desenho
existem retenções teciduais inferiormente à superfície vestibular
dos grampos deva conduzir a uma aplicação lógica destes prin-
do pilar. D, Braço do retentor circunferencial de callibre 18 de fio
cípios, é melhor quando alguns dos desenhos de grampo mais
trefilado arredondado e uniformemente cônico envolvendo a
comuns são considerados individualmente. O grampo circun-
retenção mesiovestibular. Um braço de fio trefilado, em vez de
um braço fundido, deve ser usado nesta situação por causa da ferencial será considerado o primeiro entre todos os grampos
habilidade de flexionar-se em todas as direções. Um braço de fundidos.
retentor fundido semicircular não seria flexível no sentido verti- O grampo circunferencial é geralmente o grampo mais
cal, o que pode resultar em forças excessivas no dente quando lógico para usar com todas as próteses parciais removíveis den-
a rotação da base da prótese ocorre. E, Um grampo de ação tossuportadas por causa de suas habilidades de retenção e esta-
reversa pode ser usado quando a retenção encontra-se cervical bilidade (Figura 7-23). Somente quando a região retentiva pode
à origem do braço do retentor. Ambos os grampos de ação ser mais bem abordada com um grampo a barra ou quando a
reversa e em anel interproximal podem ser usados para atingir estética será melhorada o último deve ser utilizado. O braço do
a retenção distovestibular no pilar terminal da extremidade livre grampo circunferencial tem as seguintes desvantagens:
distal da prótese. No entanto, a retenção distovestibular no pilar 1. É coberta uma maior quantidade de superfície dentária do
terminal deve ser envolvida por um grampo tipo barra na ausên- que com um grampo a barra por causa de sua origem
cia de uma retenção tecidual grande abaixo do suporte terminal oclusal.
da prótese. O grampo de ação reversa e o grampo em anel inter- 2. Em algumas superfícies dentárias, particularmente nas
proximal são os menos desejáveis nas situações descritas aqui. superfícies vestibulares dos dentes inferiores e nas superfícies
F, A vista lingual mostra o uso de apoio oclusal duplo conectado palatinas dos dentes superiores, esta abordagem oclusal pode
à barra lingual pelo conector menor nos desenhos ilustrados. aumentar a largura da superfície oclusal do dente.
Esta concepção elimina a necessidade de um braço lingual do 3. No arco inferior, mais metal pode ser exibido do que com o
grampo, situa a linha de fulcro anteriormente, para fazer um grampo a barra.
melhor uso do rebordo residual para suporte e fornece estabili-
4. Como com todos os grampos fundidos, sua seção transversal
dade contra rotação horizontal da base da prótese.
em forma de semicírculo não permite ajustes para aumentar
ou diminuir a retenção. Os ajustes na retenção possibilitados
usada em vez da retenção vestibular, especialmente em um pilar por um grampo fundido deve ser feito pela movimentação
inferior, de modo que o paciente nunca toque o braço de fio da ponta do grampo cervicalmente no ângulo de convergên-
trefilado durante a remoção da prótese. Em vez disso, a remoção cia cervical ou oclusalmente em uma área de menor retenção.
Capítulo 7  Retentores Diretos 81

A B

C D

Figura 7-24    Braço retentivo do grampo circunferencial fundido. E F G

Figura 7-25    Algumas aplicações indevidas do desenho do


grampo circunferencial e sua correções recomendadas. A, Dente
Apertar um grampo contra o dente ou afrouxá-lo do dente com altura de contorno indesejada no seu terço oclusal. B, Con-
aumenta ou diminui a resistência friccional e não afeta o torno e localização inadequados do braço retentivo do grampo
potencial retentivo do grampo. Um verdadeiro ajuste é, con- em um pilar não modificado. C, Um equador mais favorável
sequentemente, impossível com a maioria dos grampos alcançado pela modificação do pilar. D, Braço de retenção do
fundidos. grampo devidamente desenhado e localizado em um pilar modi-
Apesar de suas desvantagens, o braço do grampo circunfe- ficado. E, Contorno e localização inadequados do braço retentivo
rencial fundido pode ser utilizado efetivamente, e algumas de em relação ao equador (a configuração do braço em linha reta
suas desvantagens podem ser minimizadas pelo preparo da fornece uma abordagem ruim da área retentiva e é menos resis-
boca. Um preparo de boca adequado possibilitará que seu ponto tente a forças de deslocamento. F, Porção terminal do braço
de origem seja colocado suficientemente abaixo da superfície retentivo do grampo localizado muito perto da margem gengival.
oclusal para evitar uma estética empobrecida e o aumento das G, Braço do grampo devidamente desenhado e localizado.
dimensões do dente (Figura 7-23). Embora algumas das des­
vantagens enumeradas impliquem em que grampo tipo barra
deva ser preferido, o grampo circunferencial é realmente supe- Um deles é o grampo em anel, que envolve aproximadamente
rior ao grampo a barra que é indevidamente utilizado e mal todo um dente a partir de seu ponto de origem (Figura 7-26).
desenhado. Ele é usado quando uma área retentiva próxima não pode ser
A experiência tem mostrado que as possíveis vantagens dos abordada por outros meios. Por exemplo, quando uma retenção
grampos a barra são muitas vezes negadas pela aplicação e mesiolingual em um molar inferior não pode ser abordada dire-
desenho inadequados enquanto o grampo circunferencial não tamente por causa de sua proximidade com a área de apoio
é tão facilmente mal empregado. oclusal e não pode ser abordada com um braço de grampo a
A forma básica do grampo circunferencial é um braço ves- barra por causa da inclinação lingual do dente, o grampo em
tibular e um braço lingual originando-se do mesmo corpo anel envolve o dente tornando possível que a retenção seja abor-
(Figura 7-24). Este grampo é usado indevidamente quando dada a partir do segmento distal do dente.
dois braços retentivos do grampo originam-se de áreas do corpo e O grampo nunca deve ser utilizado como um anel sem
de apoio oclusal e atingem áreas retentivas bilaterais opostas suporte (Figura 7-27), pois se ele está livre para abrir e fechar
ao ponto de origem. A maneira correta deste grampo tem como um anel, ele não pode fornecer oposição e estabilidade.
apenas um braço retentivo, oposto por um braço de reciproci- Em vez disso, o grampo tipo anel deve sempre ser usado com
dade do lado oposto. Um erro comum é usar este grampo inde- uma estrutura de suporte no lado não retentivo, com ou sem
vidamente fazendo retentivas ambas pontas do grampo. Isto um apoio oclusal auxiliar sobre a crista marginal oposta. A
não somente é desnecessário, como também desrespeita o vantagem de um apoio auxiliar é que o movimento adicional
requisito de reciprocidade e estabilidade bilateral. Outros erros de um dente com inclinação mesial é impedido pela presença
comuns no desenho de grampos circunferenciais são ilustrados de um apoio distal. Em qualquer evento, a estrutura de suporte
na Figura 7-25. deve ser considerada como um conector menor a partir do qual
Grampo em Anel.  O grampo tipo circunferencial pode ser o braço retentivo flexível se origina. A oposição vem então da
utilizado de diversas formas. Parece que muitas dessas formas porção rígida do grampo compreendida entre a estrutura de
do desenho básico do grampo circunferencial foram desenvol- suporte e o apoio oclusal principal.
vidas para acomodar situações em que corretas modificações no O grampo do tipo anel deve ser usado em pilares protegidos,
dente não poderiam ser ou não foram realizadas pelo dentista. sempre que possível, pois ele cobre de tal maneira uma grande
82 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 7-26    Grampo(s) em anel envolvendo aproximadamente todo o dente a partir de seu ponto de origem. A, Grampo
originando-se na superfície mesiovestibular e envolvendo o dente para alcançar a retenção mesiolingual. B, Grampo originando-se na
superfície mesiolingual e envolvendo o dente para alcançar a rentenção mesiovestibular. Em cada exemplo, uma estrutura de suporte
é usada no lado não retentivo (ambas desenhadas tanto na visão direta do lado próximo ao dente como na visão espelhada do lado
oposto).

área da superfície do dente. A estética não necessita ser consi-


derada em tais dentes posteriormente localizados.
Um grampo do tipo anel pode ser invertido e usado em um
pilar localizado anteriormente a um espaço edêntulo interca-
lado (Figura 7-28). Ainda que seja potencialmente um grampo
efetivo, este grampo cobre uma porção excessiva da superfície
dentária e pode ser esteticamente censurável. A única justifica-
tiva para seu uso é quando uma retenção distovestibular ou
distolingual não pode ser abordada diretamente por uma área
de apoio oclusal e/ou retenções teciduais impedem sua aproxi-
mação de uma direção gengival por um grampo a barra.
Grampo Gêmeo.  Na confecção de uma prótese parcial
removível Classe II ou Classe III sem modificações, nenhum
espaço edêntulo está disponível no lado oposto do arco para
ajudar na colocação de grampos. Mecanicamente isto é uma
Figura 7-27    Grampo em anel impropriamente desenhado desvantagem. No entanto, quando os dentes são íntegros e
faltando suporte necessário. Este grampo não tem nenhuma áreas retentivas estão disponíveis ou quando múltiplas restau-
ação de estabilização ou reciprocidade porque toda a circunfe- rações são indicadas, podemos nos valer do grampo gêmeo
rência do grampo está livre para abrir e fechar. Uma estrutura de (Figura 7-29).
suporte deve ser sempre adicionada no lado não retentivo do Deve-se prover espaço suficiente entre os dentes pilares nos
dente pilar, que então se tornará, de fato, um conector menor a seus terços oclusais para permitir a colocação do corpo comum
partir do qual um braço retentivo do grampo cônico e flexível se do grampo gêmeo (Figura 7-30), embora a área de contato não
origina. deva ser totalmente eliminada. Historicamente, este grampo
Capítulo 7  Retentores Diretos 83

Figura 7-30    Braços de retenção dos grampos circunferencial


de ação reversa e gêmeo. O término de cada um envolve uma
área retentiva adequada. O uso de um grampo do tipo de ação
reversa no segundo molar se faz necessário pelo fato de apenas
uma retenção disponível originar-se diretamente abaixo do ponto
de origem do braço do grampo.

Figura 7-28    O grampo em anel pode ser usado em reverso


no pilar localizado anteriormente ao espaço protético contido. ser estabelecidos (Figura 7-31). Isto é feito para evitar uma ação
de cunha pela prótese, o que poderia causar separação dos
dentes pilares, resultando em impactação alimentar e desloca-
mente do grampo. Além de promoverem suporte, apoios oclu-
sais servem para desviar a comida para fora das áreas de contato.
Por essa razão, apoios oclusais devem sempre ser usados toda
vez que for possível impactação alimentar.
O grampo gêmeo deve ter dois braços de retenção e dois
braços de oposição que são bilateralmente ou diagonalmente
opostos. Um apoio oclusal auxiliar ou um grampo a barra
podem ser substituídos por um braço de oposição circunferen-
cial, desde que resulte em reciprocidade e estabilidade corretas.
Um grampo retentivo colocado lingualmente pode ser substi-
tuído se um grampo circunferencial rígido é colocado na super-
fície vestibular para oposição, desde que a retenção lingual seja
utilizada do lado oposto do arco. Outras modificações menos
utilizadas do grampo circunferencial fundido que são de inte-
resse histórico são o grampo múltiplo, o grampo meio a meio
Figura 7-29    Grampos gêmeos estendendo-se através da e o grampo de ação reversa.
ameia oclusal para atingir as faces retentivas estão presentes
quando espaços não modificados.

Grampo de Ação Reversa.  O grampo de ação reversa é uma


demonstra uma alta porcentagem de fratura causada por pre-
modificação do grampo em anel; ele tem todas as mesmas
paração inadequada do dente na área de contato. Como as áreas
desvantagens e nenhuma vantagem aparente (Figura 7-32).
vulneráveis do dente são envolvidas, é recomendada a proteção
Seu uso é difícil de ser justificado. A área retentiva pode,
do pilar com incrustações ou coroas. A decisão de utilizar pilares
geralmente ser também abordada usando um grampo cir-
desprotegidos deve ser feita quando do exame clínico e baseada
cunferencial convencional, com menor cobertura do dente e
na idade do paciente, no índice de cárie e higiene oral, bem
menor exposição de metal. Com o grampo circunferencial,
como em serem os contornos do dentes existentes favoráveis ou
a superfície proximal do dente pode ser usada como
precisarem ser tornados favoráveis pela modificação do dente.
plano-guia, desde que ela possa ser, e o apoio oclusal possa
O preparo de dentes adjacentes, contactantes e sem coroas para
ter o suporte rígido requerido. Um apoio oclusal sempre
receberem qualquer tipo de grampo gêmeo de volume inter-
deve ser anexado a algum conector menor rígido e nunca
proximal adequado é dificultado, especialmente com antagonis-
deve ser suportado por um braço de grampo apenas. Se o
tas naturais.
apoio oclusal é parte de um conjunto flexível, ele pode não
O grampo gêmeo deve sempre ser usado com duplos apoios
funcionar adequadamente como um apoio oclusal.
oclusais, mesmo quando ombros proximais definidos podem
84 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

B
Figura 7-33    Grampo múltiplo é, na verdade, dois grampos
Figura 7-31    A, Exemplo do uso de um grampo gêmeo para circunferenciais opostos unidos na extremidade final de dois
um arco parcialmente edêntulo Classe II. O grampo gêmeo nos braços de oposição (frente/verso).
dois molares esquerdos foram usados na ausência de um espaço
de modificação posterior. B, Superfícies oclusal e proximal do
molar e do pré-molar adjacentes preparados para o grampo
gêmeo. Note que os preparos para nichos estão estendidos
tanto vestibularmente quanto lingualmente para acomodar os
braços de retenção e oposição do grampo. O preparo adequado Grampo Múltiplo.  O grampo múltiplo simplesmente con-
limitado ao esmalte raramente pode ser realizado para este siste em dois grampos circunferenciais opostos unidos pela
grampo, especialmente quando o dente em questão é oposto extremidade terminal dos dois braços de oposição (Figura
por dentes naturais. 7-33). Este grampo é utilizado quando são necessárias reten-
ção adicional e estabilidade, geralmente em próteses parciais
dentossuportadas. Ele pode ser usado para retenção múltipla
em casos em que a prótese parcial substitui todo um meio
arco dental inteiro. Ele pode ser usado em vez de um grampo
gêmeo quando as únicas áreas retentivas são adjacentes umas
às outras. Sua desvantagem é que são necessárias duas abor-
dagens nas ameias em vez de uma única ameia comum para
ambos os grampos.
Grampo Meio a Meio.  O grampo meio a meio consiste em
um braço retentivo circunferencial que surge de uma direção
e um braço de oposição que surge de outra (Figura 7-34). O
segundo braço deve partir de um segundo conector menor
e este braço é utilizado com ou sem um apoio oclusal auxi-
liar. A oposição partindo de um segundo conector menor
geralmente pode ser realizada com uma barra curta ou com
um apoio oclusal auxiliar, desta forma evitando uma cober-
tura muito grande do dente. Há pouca justificativa para o
uso de um grampo meio a meio no caso de extremidades
livres bilaterais. Seu desenho foi originalmente destinado a
fornecer uma retenção dual, um princípio que deve ser apli-
cado somente em próteses parciais unilaterais.
Grampo de Ação Reversa.  O braço de grampo de ação
reversa, ou em anzol, é desenhado para permitir que se atinja
Figura 7-32    Grampo de ação reversa usado em suporte um uma área retentiva próxima com uma aproximação oclusal
pré-molar anterior de um espaço edêntulo.
Capítulo 7  Retentores Diretos 85

Figura 7-35    Um grampo de ação reversa, ou anzol, pode ser


utilizado em pilares de prótese dentossuportadas quando a
Figura 7-34    O grampo meio a meio consiste em um braço retenção proximal origina-se abaixo do ponto de origem do
circunferencial retentivo originando-se da face distal e um grampo (frente/verso). Ele pode ser esteticamente censurável e
segundo braço circunferencial originando-se de mesial do lado cobrir uma superfície dentária considerável. Pode ser usado
oposto, com ou sem um apoio oclusal secundário. A linha ponti- somente quando um braço retentivo do tipo barra é contraindi-
lhada ilustra um braço de reciprocidade usado sem um apoio cado por causa de retenção tecidual, de um dente inclinado ou
oclusal secundário (frente/verso). de um vestíbulo raso.

(Figura 7-35). Outros métodos de obter este mesmo resul- equatorial para atingir a área retentiva. A curva que conecta
tado envolvem o uso de um grampo em anel originando-se as partes superiores e inferiores do braço deve ser arredon-
no lado oposto do dente ou um grampo a barra originando-se dada para evitar acúmulo de tensão e fratura do braço na
de uma direção cérvico-oclusal. No entanto, quando a área curva. O grampo deve ser desenhado e fabricado com isto
retentiva próxima necessita ser usada em um pilar posterior, em mente.
e quando retenções teciduais, dentes inclinados ou inserções Existem vários tipos de grampos circunferenciais fun-
teciduais altas contra indicam o uso de um grampo a barra, didos. Como já mencionado, eles podem ser usados em
o grampo de ação reversa pode ser utilizado com sucesso. combinação com grampo a barra enquanto uma diferen-
Embora o grampo em anel possa ser preferível, áreas reten- ciação é feita entre retenção e oposição por sua forma e
tivas linguais podem impedir a colocação de uma estrutura localização. Braços de grampo circunferenciais e a barra
de suporte sem interferência lingual. Nesta situação limitada, podem ser feitos flexíveis (retentivos) ou rígidos (oposi-
o grampo de ação reversa funciona adequadamente, apesar ção) em qualquer combinação, enquanto cada braço de
de suas inúmeras desvantagens. O grampo recobre conside- grampo retentivo é oposto por um componente de reci-
rável superfície dentária e pode capturar restos; sua origem procidade rígido.
oclusal pode aumentar a carga funcional sobre o dente e sua O uso de várias das formas de grampos menos desejáveis
flexibilidade é limitada. A estética geralmente não precisa ser pode ser evitada pela alteração da forma da coroa dos pilares
considerada quando o grampo é utilizado em um pilar pos- através de modificação dos dentes a partir de desgaste do
terior, mas o braço do grampo de ação reversa tem a desvan- esmalte ou com restaurações. Quando um recobrimento do
tagem adicional de exibir muito metal para uso em um pilar pilar é confeccionado, o contorno do dente deve ser estabe-
anterior. lecido para permitir o uso da forma mais desejável de
Quando adequadamente desenhado, o grampo de ação grampo, em vez de uma forma que necessite de um grampo
reversa deve fazer uma curva como um anzol para atingir indesejável. Isto é mais bem realizado pela prévia alteração
uma área retentiva abaixo do ponto de origem (Figura 7-35). do contorno dos dentes pilares, não indicados para restau-
A parte superior do braço deste grampo deve ser considerada ração, para atender aos requisitos de plano-guia e de locali-
como um conector maior, dando origem a um braço afilado zação da linha equatorial. Isto é seguido pelo preparo da
inferior. Portanto, apenas a parte inferior do braço deve ser coroa prescrito. Antes de feita a redução do dente para o
flexível. Com a porção retentiva começando após a volta, preparo da coroa, os requisitos de plano-guia e localização
apenas a parte inferior do braço deve flexionar sobre a linha da linha equatorial devem ser conhecidos.
86 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

ANÁLISE DO CONTORNO DO DENTE PARA cima. O braço vertical, quando em contato com a superfície do
GRAMPOS RETENTIVOS dente, identifica na coroa clínica a localização da maior con-
cavidade. Esta linha, chamada de linha equatorial (específico
Embora o retentor direto extracoronário, ou tipo grampo, seja para a trajetória definida pelo delineador) é a fronteira entre (1)
usado mais frequentemente que o encaixe intracoronário, ele é uma região oclusal ou incisal do dente que é livremente aces-
comumente mal empregado. Espera-se que um melhor enten- sível pela prótese e (2) uma região cervical do dente que
dimento dos princípios do desenho do grampo conduzirá a um pode ser alcançada somente quando uma porção da prótese
uso mais inteligente deste retentor. Para melhor entendimento,
é vitalmente importante que os clínicos considerem como o
contorno do dente e os componentes da prótese parcial remo-
vível devem interagir (se relacionar) para possibilitar uma função
estável da prótese. Assim como um dente inalterado não está
devidamente contornado para receber próteses parciais fixas
sem preparo, os dentes que estão envolvidos em uma prótese
parcial removível devem ser contornados para dar suporte,
estabilidade e retenção para a prótese funcionar. A análise e a
realização de modificações do dente quando necessárias para
otimizar a estabilidade e a retenção são necessárias para o
sucesso da prótese.
Áreas críticas de um pilar que prevejam retenção e estabili-
dade (reciprocidade) podem ser identificadas somente com o
uso de um delineador (Tabela 7-1). Para melhorar o entendi-
mento dos retentores diretos, é apropriada neste momento uma
introdução ao delineador dental. O delineamento será explicado
em detalhes no Capítulo 11.
O delineador (Figura 7-36) é um instrumento simples porém
essencial para o planejamento do tratamento com próteses
parciais removíveis. Suas principais partes ativas são o braço
vertical e a mesa ajustável, a qual apoia o modelo em uma
relação fixa com o braço vertical. Esta relação do braço vertical
com o modelo representa a trajetória de colocação que a prótese
parcial removível irá tomar em última instância quando colo-
cada ou removida da boca (Figura 7-37).
A mesa ajustável pode ser inclinada em relação ao braço
vertical do delineador até que uma trajetória possa ser encon-
trada para melhor satisfazer todos os fatores envolvidos Figura 7-36    Partes essenciais de um delineador (paralelôme-
(Figura  7-38). Um modelo em uma relação horizontal com o tro de Ney, Dentsply Ceramco, Burlington, NJ), mostrando o eixo
braço vertical representa uma via de inserção vertical; um vertical em relação a uma mesa ajustável.
modelo em uma relação inclinada representa uma via de inser-
ção voltada para o lado do modelo que está inclinado para
Via
de inserção
Tabela 7-1
Função e Posição de Componentes dos Grampos
Componente Função Localização Equador
protético x
Apoio Suporte Oclusal, lingual, incisivo x
Conector menor Estabilização Superfícies proximais
estendendo-se desde o
rebordo marginal A B
preparado até a junção
do meio e terço Figura 7-37    Ângulo de convergência cervical em dois dentes
cervical da coroa de apresentando contornos diferentes. O maior ângulo de conver-
suporte gência cervical no dente A exige a colocação do término do
Braços do Estabilização Porção apical do terço grampo, X, mais perto da linha equatorial do que quando existe
grampo (reciprocidade) médio da coroa um ângulo menor, como em B. É evidente que uma retenção
Retenção Terço cervical da coroa uniforme do grampo depende da profundidade (quantidade) de
com retenção calibrada retenção do dente e não da distância abaixo da linha equatorial
na qual a ponta do grampo é colocado.
Capítulo 7  Retentores Diretos 87

B
A

Figura 7-38    Relação entre equador protético, área retentiva e área expulsiva. A, Quando um ovo é colocado com seu longo eixo
paralelo à ferramenta do delineador, a linha equatorial é encontrada na maior circunferência, aqui designada pela seta. Neste exemplo,
a segunda linha está diagonal à linha que define a linha equatorial e está também acima da linha equatorial (lado direito do ovo),
denominada região de expulsão, ou abaixo da linha equatorial (lado esquerdo do ovo), denominada região de retenção. B, Se o longo eixo
do ovo é reorientado, de forma que a linha diagonal anterior esteja agora na circunferência maior, a linha original do equador protético
já não se encontra na circunferência maior. O segmento de linha em A é a região expulsiva e o segmento de linha B é a região de
retenção. a mudança de orientação altera a relação das superfícies relativas à circunferência maior e consequentemente altera-se a
localização da área expulsiva e da área retentiva. C, Assim como o equador protético muda conforme a orientação muda para o ovo,
quando a orientação do dente muda, a linha equatorial é alterada. Para este molar, a linha H foi produzida com orientação horizontal.
Quando o dente estava inclinado vestibularmente, o equador protético moveu-se para B, com relação à localização horizontal. Alter-
nativamente, quando o dente foi inclinado lingualmente, o equador protético moveu-se para L com relação à localização horizontal.

deforma-se elasticamente e recupera-se para entrar em contato pela observação do triângulo de luz visível entre o dente e a faca
com o dente. Esta trajetória definida pelo delineamento e a do delineador. Por essa razão, é usada uma faca de delineador
subsequente linha equatorial indicarão as áreas disponíveis mais ampla em vez de uma ferramenta pequena cilíndrica, pois
para retenção e aquelas disponíveis para suporte e estabilidade, é mais fácil ver o triângulo de luz. A importância do ângulo
assim como a existência de um dente ou outro tecido interfe- reside na sua relação com a quantidade de retenção.
rindo na trajetória de inserção.
Quando a faca do delineador entra em contato com o dente
Quantidade De Retenção
no modelo na sua maior convexidade, forma-se um triângulo.
O ápice do triângulo está no ponto de contato da faca do deli- A retenção no grampo é baseada na resistência à deformação
neador com o dente e a base é a área do modelo representando do metal. Para um grampo ser retentivo ele deve ser colocado
o tecido gengival (Figura 11-18). O ângulo apical é chamado de em uma área de retenção do dente em que ele seja forçado a
ângulo de convergência cervical (Figura 7-37). Esse ângulo pode deformar a partir da aplicação de uma força vertical de desloca-
ser medido como descrito no Capítulo 11 ou pode ser estimado mento (Figura 7-39). É essa resistência à deformação ao longo
88 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

de uma trajetória devidamente selecionada que gera a retenção Tamanho e Distância no Ângulo
(Figura 7-40). Essa resistência à deformação é dependente de de Convergência Cervical
vários fatores e é também proporcionada pela flexibilidade do Para ser retentivo, um dente precisa ter um ângulo de conver-
braço do grampo. gência cervical na altura do equador. Quando ele é delineado,
A interação de uma série de fatores sob o controle do clínico qualquer dente sozinho terá uma linha equatorial ou uma
se combinam para produzir retenção. Estes fatores são o dente área de maior convexidade. Áreas de convergência cervical
(planejado e executado pelo clínico) e a prótese (que será pla- podem não existir quando o dente é visto em relação a uma
nejada pelo dentista e executada pelo técnico de laboratório). determinada via de inserção. Também, certas áreas de conver-
Os fatores relacionados aos dentes incluem o tamanho do gência cervical podem não ser utilizáveis para a colocação de
ângulo de convergência cervical (profundidade da retenção) e grampos retentivos por sua proximidade com os tecidos
quão longe a ponta do grampo é colocada no ângulo de con- gengivais.
vergência cervical. Os fatores relacionados às próteses incluem Isto é mais bem ilustrado pela montagem de um objeto
a flexibilidade do braço do grampo. A flexibilidade do grampo esférico, como um ovo, na mesa ajustável de um delineador
é o produto do comprimento do grampo (medido a partir de (Figura 7-38). O ovo agora representa o modelo de um arco
seu ponto de origem até sua extremidade final), do diâmetro dental, ou, mais corretamente, um dente de um arco dental. O
relativo do grampo (independente da forma de secção trans- ovo primeiramente é colocado perpendicular a base do delinea-
versal), da forma ou contorno de sua secção transversal (se ela é dor e delineado de forma que a linha equatorial seja determi-
arredondada, em semicírculo ou de alguma outra forma) e do nada. O braço vertical do delineador representa a via de inserção
material usado para confeccionar o grampo. As características de que a prótese irá tomar e reciprocamente a sua trajetória de
retenção da liga de ouro, da liga de cromo, do titânio ou da liga remoção.
de titânio dependem de ele estar na forma fundida ou forjada. Com um marcador de carbono, uma linha circunferencial
foi desenhada em um ovo na sua circunferência maior, como
mostrado pela seta na Figura 7-38, A. Esta linha, que Kennedy
Força elevatória
chamou de equador protético, é sua maior convexidade. Cummer
falou dela como uma linha guia, porque ela é usada como um
guia na inserção dos grampos retentivos e não retentivos. A isto,
DeVan adicionou o termo expulsivo, denotando a superfície
inclinada superiormente, e retentivo, denotando a superfície
inclinada inferiormente.
Qualquer área cervical do equador protético pode ser usada
para inserção dos componentes retentivos do grampo, enquanto
que a área para oclusal da linha equatorial pode ser usada para
a inserção de componentes não retentivos, estabilizadores e de
reciprocidade. Obviamente, apenas componentes flexíveis
podem ser colocados cervicalmente do equador protético
Força elevatória
porque elementos rígidos não se flexionariam sobre a linha
equatorial ou em contato com o dente na área retentiva.
Com o equador original marcado no ovo, este será agora
inclinado a partir de uma relação perpendicular para uma
relação angular com a base do delineador (Figura 7-38, B).
Sua relação com o braço vertical do delineador foi agora
mudada, apenas com uma mudança na posição do modelo
dental trazida a partir de uma relação diferente com o deli-
neador. O braço vertical do delineador ainda representa a via
de inserção. No entanto, sua relação com o ovo é totalmente
diferente.
Novamente, o marcador de carbono é usado para delinear
o equador protético ou a maior convexidade. Será visto que
Figura 7-39    A retenção é proporcionada principalmente pela áreas que eram antigamente retentivas são agora expulsivas, e
porção flexível do grampo. Pontas retentivas são preferencial- vice-versa. Um braço retentivo do grampo colocado abaixo da
mente colocadas em zonas retentivas calibradas no terço cervical linha equatorial na posição original pode agora ser excessiva-
das coroas dos pilares. Quando uma força atua para deslocar a mente retentivo ou não retentivo, considerando que um braço
prótese no sentido oclusal, o braço retentivo é forçado a se de oposição ou de estabilização não retentivo que é colocado
deformar enquanto ele passa pelo equador protético. A quanti- abaixo da linha equatorial na primeira posição pode agora estar
dade de retenção fornecida pelo braço do grampo é determinada em uma área de retenção. A Figura 7-35 C ilustra este princípio,
por seu comprimento, diâmetro, conicidade, forma da secção comparado com o exemplo do dente, mostrando que mudan-
transversal, contorno, tipo de liga e localização e profundidade ças na inclinação podem alterar significativamente a linha
alcançada na área retentiva. equatorial.
Capítulo 7  Retentores Diretos 89

A B

Bala
de caramelo

Figura 7-40    A, As áreas retentivas não são suficientes para resistir a forças razoáveis de deslocamento quando o modelo é delineado
em sua posição mais vantajosa (plano oclusal paralelo à mesa do delineador), embora planos-guia possam ser estabelecidos com
modificações dentárias menores. B, A inclinação do modelo cria contornos dos dentes funcionalmente ineficazes, que estão presentes
apenas com o dispositivo do delineador e não existem quando comparados com a posição mais vantajosa (posição em que a prótese
será sujeita a forças de deslocamento numa direção oclusal). C-D, Grampos desenhados inclinados não são efetivos sem o desenvol-
vimento de planos-guia correspondentes para resistir ao deslocamento quando a restauração é sujeita a forças de deslocamento na
direção oclusal.

A localização e a profundidade da retenção do dente dispo- posição ideal nas superfícies dentárias e em relação com o tecido
nível são, portanto, relativas somente à via de inserção e mole. Então, o preparo da boca é planejado tendo-se em mente
remoção da prótese parcial. Ao mesmo tempo, áreas não reten- a via de inserção definida.
tivas em que componentes rígidos do grampo podem ser colo- É importante lembrar que superfícies dentárias podem ser
cados existem apenas para uma determinada via de inserção recontornadas através de desgaste seletivo ou da colocação de
(Figura 7-39). restaurações (preparos de boca) para alcançar uma trajetória de
Se são encontradas condições não favoráveis para uma via inserção mais adequada. A via de inserção também necessita
de inserção particular sob consideração, deve ser um estudo levar em consideração a presença de retenção tecidual que pode
conduzido para uma trajetória de inserção diferente. O modelo interferir na inserção do conector maior, na localização dos
é meramente inclinado em relação ao braço vertical até que a conectores menores verticais, na origem dos grampos a barra e
trajetória mais adequada seja conseguida. A via de inserção mais nas bases da prótese.
adequada é geralmente considerada para ser a que exigirá a Quando a teoria da retenção do grampo é aplicada ao
menor quantidade de preparo de boca necessária para coloca- dente pilar no arco dental durante o delineamento do modelo
ção dos componentes da prótese parcial removível em sua dental, cada dente pode ser considerado individualmente e
90 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

em relação com o outro dente pilar na medida em que os dese-


T
nhos dos componentes de retenção e estabilidade (reciprocidade) ½T
são  considerados. Isto é necessário porque a relação de cada Um décimo ou menos do comprimento do grampo
dente com o arco inteiro e com o desenho da prótese como um
T
todo tem sido considerado previamente quando os dentes são ½T
selecionados ou modificados para alcançar a mais adequada via
de inserção. Uma vez que este relacionamento do modelo com
o delineador foi estabelecido, a linha equatorial em cada dente
pilar se torna fixa e o desenho do grampo para cada dente deve ½T T
ser considerado separadamente. T
Uma trajetória de inserção e de remoção positiva é tornada ½T
possível pelo contato das partes rígidas da armação da prótese
com as superfícies paralelas do dente, as quais atuam como Figura 7-41    O braço retentivo do grampo fundido deve ser
planos-guia. Como os planos-guia controlam a via de inserção desbastado uniformemente a partir de seu ponto de origem no
e remoção, eles podem fornecer retenção adicional para as corpo do grampo até sua ponta. As dimensões na ponta são
próteses parciais removíveis pela limitação das possibilidades de cerca de metade daquela no ponto de origem. Um braço do
grampo com este afilamento é aproximadamente duas vezes
deslocamento existentes. Quanto mais verticais são as paredes
mais flexível que um sem qualquer conicidade. T, espessura do
(planos-guia) preparadas paralelas a via de inserção, menores
grampo. (Cortesia de The Argen Corporation, New York, N. Y.)
são as possibilidades de deslocamento. Se existe algum grau de
paralelismo durante a inserção e a remoção, são inevitáveis
traumas aos dentes e às estruturas de suporte e pressão sobre
as partes da prótese. Isto basicamente resulta em dano ao
dente e seu suporte periodontal, ou à própria prótese, ou
ambos. Portanto, sem planos-guia a retenção do grampo será
menor ou praticamente não existirá. Se a retenção do grampo
é friccional somente por causa de uma relação ativa do grampo
com o dente, então acontecerão movimentos ortodônticos ou
danos ao tecido periodontal, ou ambos. Em vez disso, um
grampo deve ter uma relação passiva com o dente, exceto
quando forças de deslocamento são aplicadas. Além do grau
do  ângulo cervical de convergência e da distância em que o
grampo é colocado do ângulo cervical de convergência, a quan-
tidade de retenção gerada pelo grampo depende de sua flexibi- Figura 7-42    O comprimento do braço de retenção de um
lidade. Isto é uma função do comprimento do grampo, do seu grampo fundido é medido ao longo da porção central do braço
diâmetro, de sua conicidade, de sua forma da secção transversal até sua junção com o corpo do grampo (circunferencial) ou se
e do material. torna parte da base da prótese ou é incluído na base (grampo
A quantidade de retenção também depende da flexibilidade tipo barra).
do braço do grampo. Isto é uma função do comprimento do
grampo, do seu diâmetro, de sua conicidade, de sua forma da
secção transversal e do material. rencial, sua flexibilidade será menor porque sua forma de
semicírculo recai sobre vários planos, o que evita que sua fle-
Comprimento do Braço do Grampo xibilidade seja proporcional ao seu comprimento total. As
Quanto maior for o braço do grampo, mais flexível ele será, Tabelas 7-2 e 7-3 dão uma profundidade aproximada de reten-
mantidos iguais os outros fatores. O comprimento de um braço ção que pode ser usada para fundição de braços de retenção
de um grampo circunferencial é medido a partir do ponto no de grampos circunferenciais e do tipo barra em ouro e
qual o afilamento uniforme se inicia. A modificação do dente cromo-cobalto. Com base em um limite proporcial de 60.000 psi
para promover aumento do comprimento da porção expulsiva e assumindo que o braço do grampo é adequadamento cônico,
de um grampo retentivo, possibilitando que a ponta retentiva o braço do grampo deve ser capaz de flexionar repetidamente
se aproxime da área retentiva, vindo de uma direção cervical, dentro dos limites estabelecidos sem endurecer ou ocorrer
otimiza a retenção do grampo (Figura 7-8). O braço retentivo ruptura por fadiga. Foi estimado que aplicações alternadas de
do grampo circunferencial deve ser uniformemente cônico estresse do tipo fadiga são colocadas no braço do retentor
desde seu ponto de origem (Figura 7-41). durante a mastigação e outras funções produtoras de forças
O comprimento de um braço de grampo a barra também cerca de 300.000 vezes por ano.
é medido a partir do ponto em que a conicidade uniforme
começa. Geralmente o afilamento do braço do grampo a barra Diâmetro do Braço do Grampo
deve começar no seu ponto de origem a partir de uma base Quanto maior o diâmetro médio do braço do grampo, menos
metálica ou no ponto em que ele emerge da base de resina flexível ele será, mantidos iguais todos os outros fatores. Se sua
(Figura 7-42). Embora um braço de grampo a barra geral- conicidade é absolutamente uniforme, o diâmetro médio será o
mente vá ser mais longo que um braço de grampo circunfe- ponto a meio caminho ente sua origem e sua extremidade final.
Capítulo 7  Retentores Diretos 91

Tabela 7-2 localização da área retentiva é talvez o fator isolado mais impor-
tante na seleção do grampo para o uso com próteses parciais
Flexibilidades Permitidas de Grampos dos Tipos Barra e removíveis de extremidade livre distal.
Circunferenciais de Ligas de Ouro do Tipo IV*
Material Usado para Confecção
Circunferencial Tipo barra
do Braço do Grampo
Comprimento Flexibilidade Comprimento Flexibilidade
(polegadas) (polegadas) (polegadas) (polegadas) Embora todas as ligas fundidas usadas na construção das pró-
teses parciais removíveis tenham flexibilidade, sua flexibilidade
0 a 0,3 0,01 0 a 0,7 0,01 é proporcional ao seu volume. Se isto não fosse verdade, outros
0,3 a 0,6 0,02 07 a 0,9 0,02 componentes da prótese parcial não teriam a rigidez necessária.
0,6 a 0,8 0,03 0,9 a 1,0 0,03 Uma desvantagem de uma prótese parcial fundida em ouro é
*
que suas dimensões precisam ser aumentadas para obter a
Com base nas dimensões aproximadas dos modelos plásticos de grampo necessária rigidez às custas da adição de peso e aumento do
pré-formados da Jelenko (JF Jelenko, New York, NY).
custo. Não se pode negar que é possível maior rigidez com
menor corpo por meio do uso de ligas de cromo-cobalto.
Ainda que ligas de ouro fundidas possam ter melhor resi-
Tabela 7-3 liência do que ligas de cromo-cobalto fundidas, permanece o
fato de que a estrutura natural do grampo fundido não se apro-
Flexibilidades Permitidas de Grampos dos Tipos Barra e
xima da flexibilidade e da natureza ajustável do grampo de fio
Circunferenciais de Ligas de Cromo-Cobalto*
trefilado. Por ter se tornado fio pelo repuxo do metal, o braço
Circunferencial Tipo barra trefilado tem resistência que excede a de um braço fundido. A
Comprimento Flexibilidade Comprimento Flexibilidade força de tração de uma estrutura trefilada é pelo menos 25%
(polegadas) (polegadas) (polegadas) (polegadas) maior do que da liga fundida pelo mesmo material. Ele pode,
portanto, ser usado em diâmetros menores para fornecer maior
0 a 0,3 0,004 0 a 0,7 0,004
flexibilidade sem fadiga e eventual fratura.
0,3 a 0,6 0,008 07 a 0,9 0,008
0,6 a 0,8 0,012 0,9 a 1,0 0,012 Uniformidade Relativa de Retenção
*
Agora que os fatores inerentes a determinação da quantidade de
Com base nas dimensões aproximadas dos modelos plásticos de grampo
retenção para grampos individuais foram revisados, é impor-
pré-formados da Jelenko (JF Jelenko, New York, NY).
tante considerar a coordenação da retenção relativa entre vários
grampos numa única prótese.
O tamanho do ângulo de convergência determinará quão
Se sua conicidade não for uniforme, existirá um ponto de flexão longe um determinado braço do grampo deve ser colocado
– e, portanto, um ponto de fraqueza; este, então, será o fator neste ângulo. Desconsiderando – por enquanto – variações na
determinante de sua flexibilidade, independentemente do diâ- flexibilidade do grampo, a uniformidade relativa de retenção
metro médio de seu comprimento total. dependerá da localização da parte retentiva do braço do grampo,
não em relação ao equador protético, mas em relação ao ângulo
Forma da Secção Transversal do Braço do Grampo cervical de convergência.
A flexibilidade pode existir em qualquer forma, mas ela é limitada A retenção em todos os pilares principais deve ser tão equi-
em um sentido no caso de uma forma semicircular. A única valente quanto possível. Embora a colocação estética dos braços
forma universalmente flexível é a forma arredondada, que é pra- dos grampos seja desejável, pode não ser possível colocar todos
ticamente impossível de se obter por fundição ou polimento. os braços dos grampos na mesma relação oclusocervical devido
Como muitos grampos fundidos são essencialmente na às variações nos contornos dos dentes. No entanto, superfícies
forma de semicírculos, eles podem ser fletidos para fora do retentivas podem ficar parecidas pela alteração do contorno do
dente, mas a flexão (e o ajuste) no sentido vertical é limitada. dente ou pelo uso de restaurações fundidas com contornos
Por essa razão, braços de retenção de grampos fundidos são semelhantes.
mais aceitáveis em prótese parciais removíveis dentossuporta- Os braços retentivos dos grampos devem ser localizados de
das em que eles são solicitados a se flexionarem apenas durante modo que fiquem aproximadamente com o mesmo grau de reten-
a inserção e a remoção da prótese. Um braço de retenção em ção em cada dente pilar. Na Figura 7-37, isto acontece no ponto
um pilar adjacente a uma extremidade livre distal não só neces- X em ambos os dentes – A e B – apesar da variação na distância
sita flexionar-se durante a inserção e remoção, como também abaixo da linha equatorial. Se ambos os braços do grampo fossem
deve ser capaz de flexionar-se durante movimentos funcionais colocados igualmente abaixo da linha equatorial, a localização
desta base. Ele deve ter flexibilidade universal para evitar a mais alta no dente B teria muito pouca retenção, enquanto a
transmissão de forças de torque para o dente pilar ou deve ser localização mais baixa no dente A seria muito retentiva.
capaz de se liberar da área retentiva quando forças verticais A medição do grau de retenção por meios mecânicos com o
direcionadas contra a prótese recaem sobre o rebordo residual. uso do delineador é importante. No entanto, a identificação da
Um grampo arredondado é a única forma de grampo circunfe- retenção é apenas um fator importante a se considerar quando
rencial que pode ser seguramente utilizada para atingir a área se está fornecendo apropriada retenção para a prótese parcial
retentiva no lado oposto à extremidade livre do dente pilar. A removível.
92 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Se as condições anatômicas são satisfeitas, a colocação de um


T
½T implante dentro do espaço de modificação, beneficiando as
necessidades de retenção,  exige considerações quanto da sua
Um décimo ou menos do comprimento do grampo colocação anterior, média ou distal do espaço protético. Como
os retentores que utilizam dentes foram sempre restritos à loca-
lização do dente em cada ponta de uma extensão, a localização
T
½T no meio da extensão tipicamente não é considerada. No entanto,
o uso de implantes torna possível planejar qual local é mais
benéfico para promover retenção e onde pode ser fornecida a
força de resistência mais eficiente contra movimentos de deslo-
½T camento da base da prótese. A instalação em cada extremidade
T da base da prótese pode permitir uma movimentação maior do
que a colocação em um ponto médio, e portanto ser levada em
consideração.
Figura 7-43    O braço de reciprocidade de um retentor direto
deve ser rígido. Um braço cônico nos sentidos do comprimento
e da profundidade é mais flexível que um braço com as mesmas
dimensões cônicas apenas no comprimento. T, espessura do
grampo.
Outros tipos de retentores
Retenção Lingual em Conjunto
Braço de Estabilização-Reciprocidade com Apoios Intracoronários
do Grampo Fundido
Os apoios intracoronários são comentados no Capítulo 6.
Quando o retentor direto entra em contato com o dente, a Foi enfatizado que o apoio intracoronário não é usado como
armação deve ser estabilizada contra movimentos horizontais um retentor, mas que suas paredes quase verticais preveem
para que ocorra a deformação necessária do grampo. Esta esta- reciprocidade contra um braço retentivo do grampo lingual-
bilização é derivada dos contatos da armação nos dois lados do mente colocado. Por essa razão, braços de grampos visíveis
arco ou do grampo de estabilização ou reciprocidade no mesmo podem ser eliminados, evitando assim uma das principais
conjunto de grampo. Para fornecer verdadeira reciprocidade, objeções ao retentor extracoronário.
o  grampo de oposição deve estar em contato durante todo o Este braço de retenção, terminando em uma área reten-
período da deformação do braço retentivo. Isto é obtido de tiva já existente ou preparada no dente pilar, pode ser de
maneira mais satisfatória com superfícies de planos-guia qualquer desenho aceitável. Ele é geralmente um braço cir-
linguais-palatais. cunferencial que se origina do corpo de uma armação de
Um braço de estabilização (reciprocidade) do grampo deve prótese na área do apoio. Ele pode ser trefilado porque as
ser rígido. Portanto, ele é feito um pouco diferente de um braço vantagens de ajustabilidade e flexibidade fazem o braço
de retenção fundido, que deve ser flexível. Seu diâmetro médio deste grampo preferível. Ele pode ser fundido em ouro ou
deve ser maior que o diâmetro médio do braço retentivo oposto, em liga de cromo-cobalto de baixa fusão ou pode ser
para aumentar a desejada rigidez. Um braço retentivo fundido montado e soldado a um das ligas de cromo-cobalto de alta
é cônico em duas dimensões, como ilustrado na Figura 7-41, fusão. Em qualquer situação, ajustes futuros ou reparos são
enquanto um braço de oposição deve ser cônico em apenas uma facilitados.
dimensão, como apresentado na Figura 7-43. Alcançar tal forma O uso de retenção extracoronária lingual evita grande
para o braço requer padrões de cera a mão livre. parte do custo de um encaixe intracoronário e dispõe ainda
de um braço de grampo visível quando a estética precisa ser
Implantes ATUANDO COMO Retentores considerada. Frequentemente empregados em prótese parcial
Diretos removível dentossuportada somente nos pilares anteriores e
quando a estética não é primordial, os pilares posteriores são
Como foi afirmado anteriormente, em situações em que os feitos de maneira convencional.
requisitos de suporte são adequadamente satisfeitos por tecidos Uma das principais considerações dos dentistas na seleção
orais disponíveis, os implantes dentários podem ser usados para do grampo é o controle da tensão transferida ao dente pilar
promover retenção e eliminar um grampo visível. O aspecto quando o paciente excede uma força oclusal nos dentes
único, com o uso de implante junto a próteses parciais removí- artificiais. A localização e o desenho dos apoios, os braços do
veis (PPRs), é que sua localização geralmente pode ser prescrita, grampo e a posição com que os conectores menores se rela-
significando que o clínico pode escolher a melhor localização. cionam com os planos-guia são fatores-chave no controle da
A localização dentro do espaço de modificação precisa primeiro transferência da tensão sobre os pilares. Erros no desenho de
considerar as características anatômicas de disponibilidade um grampo podem resultar em tensões não controladas nos
óssea. Não seria uma grande vantagem para o paciente se pro- dentes pilares e seus tecidos de suporte. Alguns erros comuns
cedimentos de aumento extensos fossem necessários para pos- e suas correções são ilustrados nas Figuras 7-44 e 7-45.
sibilitar a colocação do implante em conjunto com um PPR.
Capítulo 7  Retentores Diretos 93

A escolha do desenho do grampo deve ser baseada em Encaixes Intracoronários


princípios biológicos e mecânicos. A responsabilidade do
dentista pelo tratamento que está sendo feito deve ser capaz Como mencionamos anteriormente neste capítulo, os prin-
de justificar o desenho do grampo usado para cada dente cípios de encaixe intracoronário foram formulados primei-
pilar mantendo esses princípios. ramente pelo Dr. Hermam E. S. Chayes em 1906. Um encaixe
manufaturado e vendido comercialmente ainda carrega seu
nome. Embora ele possa ser fabricado por um técnico den-
tário como um encaixe apropriado em um receptáculo na
contraparte da coroa do pilar, as ligas utilizadas em encaixes
pré-fabricados e a precisão com que eles são construídos
Sem contato
fazem com que encaixes prontos sejam preferíveis a qualquer
um dos tipos que podem ser fabricados em laboratórios
Força dentários. O maior crédito é devido aos fabricantes de metais
oclusal usados em Odontologia pelo melhoramento contínuo no
desenho de encaixes intracoronários.
O encaixe intracoronário tem duas grandes vantagens
sobre os retentores extracoronários: eliminação de compo-
A nentes de retenção e suporte visíveis e melhor suporte
vertical através do nicho localizado mais favoravelmente
em relação ao eixo horizontal do dente pilar. Por essas
Conector menor em razões, o encaixe intracoronário pode ser preferível em
contato com o dente
situações eletivas. Ele fornece estabilidade horizontal pare-
Força oclusal cida com a do apoio intracoronário. No entanto, a estabili-
dade extracoronária adicional é geralmente desejável.
Afirma-se que a estimulação do tecido subjacente é maior
B quando encaixes intracoronários são empregados devido à
massagem vertical intermitente. Isto, provavelmente, não é
Figura 7-44    A, O conector menor suportando o apoio distal maior que a possível com retentores extracoronários de
não entra em contato com o plano-guia preparado, resultando construção semelhante.
em tensão não controlada no dente pilar. B, Um conector menor
contacta o plano-guia preparado e direciona tensão em torno do
arco através dos contatos proximais.

Sem contato Possível cunha Sem contato

Força
oclusal

A B

pg
Força Força
oclusal oclusal

C D

Figura 7-45    A, O retentor é desenhado de forma que a força oclusal vertical resulte em movimento da placa proximal cervicalmente
e fora de contato com o plano-guia, como ilustrado em (B). Essa falta de contato pode contribuir para um possível efeito de cunha.
C, Aumentar o contato da placa proximal no plano-guia preparado ou, como em (D), eliminar o espaço entre o dente artificial e o plano
guia (pg) ajudará a direcionar a tensão em torno do arco através dos contatos proximais.
94 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Algumas das desvantagens dos encaixes intracoronários vido dispositivos e técnicas específicas para a retenção de
incluem as seguintes: (1) eles requerem pilares e peças fun- próteses parciais removíveis. O uso de dispositivos de reten-
didas preparadas; (2) requerem alguns procedimentos clíni- ção patenteados e outras técnicas caem na mesma categoria
cos e laboratoriais complicados; (3) por fim desgastam-se, limitada, como as próteses de encaixe intracoronário, e estão,
com progressiva perda de resistência friccional à remoção da por razões econômicas e técnicas, disponíveis somente para
prótese; (4) são difíceis de consertar e trocar; (6) são difíceis uma pequena porcentagem dos pacientes que necessitam de
de colocar completamente dentro da circunferência do dente próteses parciais removíveis.
pilar por causa do tamanho da polpa e (7) são considerados Encaixes intracoronários do tipo que trava ou encaixe em
de alto custo. formato de cauda de andorinha têm inquestionavelmente
Como o princípio do encaixe intracoronário não possibi- inúmeras vantagens sobre as próteses a grampo em situações
lita movimento horizontal, todos os movimentos horizontais, dentossuportadas. No entanto, é questionável se este encaixe
de torção e de rotação da prótese são transmitidos diretamente é indicado para próteses parciais removíveis com extremi-
ao dente pilar. O encaixe intracoronário, portanto, não deve ser dade livre distal, com ou sem rompe-forças, com ou sem
usado em conjunto com bases de prótese de extremidade contenção dos pilares, devido a sua excessiva alavanca ine-
livre distal extensas, a menos que algum tipo de rompe-forças rente a estes tipos de encaixe.
seja usado entre a base móvel e o encaixe rígido. Embora O tipo não travante de encaixe intracoronário, em con-
dispositivos de rompe-forças possam ser usados, ele têm junto com sólido princípios de prótese, pode ser vantajo-
algumas desvantagens – são discutidas posteriormente – e seu samente usados em muitas situações de arcos parcialmente
uso aumenta o custo da prótese parcial. edêntulos Classe I e Classe II. No entanto, a menos que o
Foram planejados numerosos outros tipos de retentores eixo de rotação bilateral seja comum a ambos os encaixes
para próteses parciais removíveis que não podem ser classifi- instalados, o torque nos pilares pode acontecer (Figura 7-46).
cados como principalmente intracoronários ou extracoroná- Excelentes livros dedicados à confecção de sistemas de
rios. Também não podem ser classificados como dependentes retentores intra e extracoronários estão disponíveis. Por
primordialmente de resistência friccional ou inserção de um essa razão, este texto preocupa-se primariamente com os
elemento numa área retentiva para impedir o deslocamento retentores diretos do tipo extracoronário (grampos).
da prótese. No entanto, todos eles usam algum tipo de dis- Vários encaixes intracoronários bem desenhados estão
positivo que trava, localizado intracoronariamente ou extra- disponíveis no mercado odontológico e podem ser usados
coronariamente, para fornecer retenção sem um grampo em situações que requerem retenção especial. A literatura
visível. Embora a motivação subjacente ao desenvolvimento descritiva e os manuais técnicos são disponibilizados pelos
de outros tipos de retentores tenha sido geralmente o desejo de fabricantes.
eliminar grampos de retenção visíveis, o desejo de minimizar Outros tratamentos conservadores para arcos parcial-
esforços de torque sobre os dentes pilares também tem sido mente edêntulos com próteses parciais removíveis são
considerado. possíveis em uma variedade de formas. O tratamento
Todos os retentores que foram discutidos aqui têm seu ainda é dependente da localização e da condição dos
mérito, e muito crédito é devido àqueles que têm desenvol- dentes remanescentes, bem como do contorno e qualidade

A B

Figura 7-46    A, Eixos de rotação, embora paralelos, não são comuns porque um eixo está localizado anterior ao outro eixo.
B, Quando um encaixe intracoronário sem travamento estiver acima do seu par do lado oposto em relação ao rebordo residual, os eixos
de rotação não recairão sobre uma linha comum; portanto, algum torque deve ser antecipado sobre os suportes. No entanto, em
alguns casos, o efeito produzido por essa situação não excederá a tolerância fisiológica das estruturas de suporte dos pilares – mantidos
iguais todos os outros fatores de torque.
Capítulo 7  Retentores Diretos 95

do rebordo residual. Os princípios e conceitos básicos de


planejamento relativos a suporte e estabilidade precisam
ser respeitados mesmo que se possa incorporar uma
grande variedade de dispositivos de retenção. Exemplos de
alguns desses dispositivos de retenção estão ilustrados na
Figuras 7-47 até 7-50.

Figura 7-49    Foto semelhante à da Figura 7-48, mostrando o


encaixe no espaço de modificação anterior. É necessário arranjo
cuidadoso dos componentes para maximizar as vantagens esté-
ticas do uso do encaixe em tal região.

Figura 7-47    Prótese parcial removível maxilar Classificação


II, modificação 1, com três encaixes intracoronários. Armação em
ouro com encaixes soldados que ganham retenção através da
ativação do macho na região cervical (ver o detalhe).

Figura 7-50    Prótese com três encaixes intracoronários mos-


trada do lado do tecido, descrevendo uma trajetória comum para
cada. Note a ampla cobertura do rebordo e o uso de um conector
maior tipo barra dupla (anterior e posterior) para ajudar no
suporte da prótese, minimizando a tensão nos encaixes.

Figura 7-48    Mesma prótese da Figura 7-47, mostrando a


posição do encaixe em relação aos componentes distal do conec-
tor menor palatino e distal da armação.
Ca p í t ulo

8
Retentores Indiretos
SUMÁRIO do Capítulo Papel Dos Retentores Indiretos No
Papel dos Retentores Indiretos no Controle
Controle Do Movimento Das Próteses
do Movimento das Próteses Como descrito no Capítulo 4, pode existir movimento nas
Fatores que Influenciam na Efetividade dos Retentores próteses parciais removíveis em três planos. As próteses parciais
Indiretos dentossuportadas usam efetivamente os dentes para controlar
Funções Auxiliares dos Retentores Indiretos o movimento de afastamento da mucosa. As próteses parciais
Formas dos Retentores Indiretos dentomucosossuportadas não têm essa capacidade, pois uma de
Apoio oclusal auxiliar suas extremidades é livre para fazer esse movimento de afasta-
Apoios nos caninos mento da mucosa. Isso pode acontecer devido aos efeitos da
Extensões caninas dos apoios oclusais gravidade no arco superior ou devido a comidas pegajosas em
Barras de cíngulo (barras contínuas) e placas linguais qualquer um dos arcos. A atenção aos detalhes do desenho e à
Áreas de modificação localização dos componentes da prótese parcial no controle de
movimentos funcionais é uma estratégia utilizada no desenho
Suporte nas rugosidades palatinas
de próteses parciais removíveis.
Quando a base da extremidade livre da prótese é deslocada
da área basal, ela tende a rotacionar em torno da linha de fulcro.
Teoricamente, este movimento de afastamento da mucosa pode
ser anulado pela ativação dos retentores diretos, dos compo-
nentes estabilizadores dos grampos e dos componentes rígidos
da armação das próteses parciais removíveis, que estão locali-
zados sobre descansos bem definidos do lado oposto à linha de
fulcro e distante da extremidade livre. Estes componentes são
referidos como retentores indiretos (Figuras 8-1 e 8-2). Os
­componentes dos retentores indiretos devem ser colocados
tão longe quanto possível da extremidade livre, pois assim irão
promover uma proteção mais efetiva contra o deslocamento
(Figura 8-3).
Para um melhor entendimento na discussão sobre localiza-
ção e função dos retentores indiretos, as linhas de fulcro devem
ser consideradas o eixo sobre o qual a prótese irá rotacionar
quando a base se desloca do rebordo residual.
Um retentor indireto consiste em um ou mais apoios e
seus conectores menores de suporte (Figuras 8-4 e 8-5). As
placas proximais, adjacentes às áreas edêntulas, também pro-
movem retenção indireta. Embora seja costume identificar
todo o conjunto como retentor indireto, deve-se lembrar que
o apoio é na verdade um retentor indireto unido ao conector
maior por um conector menor. Isto é, não se deve interpretar
qualquer contato com as paredes dos dentes como sendo
parte da retenção indireta. Um retentor indireto deve ser

96
Capítulo 8  Retentores Indiretos 97

E R
F

Figura 8-1    Prótese parcial removível inferior de extremidade livre mostrando a extensão da base sendo levantada do rebordo e o
conjunto do grampo sendo ativado e envolvidos com o retentor indireto promovendo estabilização contra o deslocamento.

A B

Figura 8-2    Linhas de fulcro encontradas em vários tipos de


arcos parcialmente desdentados, em torno dos quais a prótese
pode rotacionar quando as bases são sujeitas a forças direcio-
nadas para perto ou para longe do rebordo residual. As setas
C D indicam a posição mais vantajosa do(s) retentor(es) indireto(s).
A-B, Em um arco Classe I, a linha de fulcro passa através dos
pilares mais posteriores, desde que algum componente rígido
da armação esteja para oclusal do equador dos pilares. C, Em
um arco Classe II, a linha de fulcro é diagonal, passando através
do pilar da extremidade livre e do pilar mais posterior no lado
oposto. D, Se o dente pilar anterior ao espaço protético se encon-
tra suficientemente distante da linha de fulcro, ele pode ser
efetivamente usado como suporte de um retentor indireto. E-F,
E F Em um arco Classe IV, a linha de fulcro passa através de dois
pilares adjacentes ao único espaço protético. G, Em um arco
Classe III com um dente posterior no lado direito, o qual tem
um pobre prognóstico e eventualmente pode ser perdido, a linha
de fulcro é considerada a mesma linha que teríamos se o dente
não estivesse presente. Portanto, essa perda futura não pode
exigir alteração no desenho original da armação da prótese
parcial removível. H, Em um arco Classe III com dentes anterio-
res que não podem ser utilizados para suporte, a área edêntula
adjacente é considerada mucossuportada, com uma linha de
fulcro diagonal passando através dos dois principais pilares,
G H como em um arco Classe II.
98 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Força
F

Ponto de fulcro
Ponto de fulcro
F

A B
Força
Força
Retentor direto Retentor indireto
RD DR RI
Ponto de fulcro
Ponto de fulcro

RD RD RI

RD RI
RD
C D

Figura 8-3    Princípio do retentor indireto. A, Vigas são suportadas em vários pontos. B, Uma força de levantamento vai deslocar a
viga inteira na ausência de retentores. C, Com retentores diretos (RD) no fulcro, a força de levantamento vai baixar uma extremidade
da viga e elevar a outra. D, Com retentores diretos e retentores indiretos (RI) em função, a força de levantamento não deslocará a viga.
Quanto mais longe o retentor indireto estiver do fulcro, mais efetivamente ele deverá controlar o movimento.

Figura 8-4    Planejando a localização para um retentor indi-


reto para uma prótese parcial removível para um arco Classe II, Figura 8-5    Exemplo de retentor indireto usado em conjunto
modificação 2. A melhor distância do eixo de rotação em torno com conector maior em placa palatina. Retentores indiretos são
dos apoios mais distais (linha de fulcro) irá ser no elemento 33. placas proximais nos segundos pré-molares e apoios oclusais
A decisão sobre usar um apoio incisal ou um apoio no cíngulo localizados nos primeiros pré-molares. Uma função secundária
irá depender da preocupação do paciente com relação ao impacto dos apoios oclusais auxiliares é prevenir o deslocamento da
na estética de um apoio incisal versus realizar uma coroa (para porção anterior do conector maior e promover estabilidade
o apoio no cíngulo). contra movimentos horizontais.
Capítulo 8  Retentores Indiretos 99

colocado tão longe da base da extremidade livre quanto pos- 2. O contato do conector menor com as superfícies axiais dos
sível em um nicho preparado em um dente capaz de suportar dentes ajuda na estabilização contra a movimentação hori-
essa função. zontal da prótese. Tais superfícies, quando feitas paralelas à
Apesar de a localização mais efetiva para um retentor indi- via de inserção, podem também atuar como planos guias
reto ser comumente no entorno do dente incisivo, este dente auxiliares.
pode não ser forte o bastante para suportar um retentor indi- 3. Dentes anteriores que suportam retentores indiretos são
reto e pode apresentar paredes muito inclinadas que não estabilizados contra movimentos linguais.
possam ser favoravelmente modificadas para sustentar um 4. Ele pode atuar como um apoio auxiliar para suportar uma
apoio. Em algumas situações, o canino mais próximo ou a porção do conector maior, facilitando a distribuição de
superfície mésio-oclusal do primeiro pré-molar podem ser a tensões. Por exemplo, uma barra lingual pode ser impedida
melhor localização para os retentores indiretos, embora esses de realizar movimento de encontro ao tecido por retentores
dentes não estejam tão distantes da linha de fulcro. Sempre indiretos que atuariam como apoios auxiliares. Deve-se ser
que possível, dois retentores indiretos próximos à linha de capaz de diferenciar entre um apoio auxiliar colocado para
fulcro são usados para compensar o comprometimento em dar suporte a um conector maior, um colocado para dar
distância. retenção indireta e um que serve para os dois propósitos.
Alguns apoios auxiliares são adicionados somente para pro-
mover suporte a um segmento da prótese e não devem ser
Fatores Que Influenciam Na Efetividade
confundidos com um retentor indireto.
Dos Retentores Indiretos
5. Ele pode fornecer a primeira indicação visual para a neces-
Os seguintes fatores influenciam na efetividade de um retentor sidade de reembasar uma prótese parcial de extremidade
indireto: livre. Deficiências no suporte dessas bases são manifestadas
1. Os principais apoios oclusais nos dentes pilares primários pelo deslocamento de retentores indiretos de seus nichos
devem ser moderadamente presos em seus nichos por preparados quando a base da prótese é rebaixada e ocorre
braços retentivos dos retentores diretos. Se os apoios esti- rotação em torno do fulcro.
verem totalmente presos em seus nichos, devem acontecer Essas funções auxiliares derivadas dos retentores indiretos são
rotações em torno de um eixo, o que subsequentemente fatores importantes a se considerar, especialmente devido à con-
ativaria os retentores indiretos. Se ocorrer o deslocamento trovérsia relatada quanto à eficácia dos retentores indiretos.
total dos apoios, não vai ocorrer nenhuma rotação em
torno do fulcro e os retentores indiretos não vão ser Formas Dos Retentores Indiretos
ativados.
2. Distância da linha de fulcro. As três áreas seguintes devem O retentor indireto pode tomar qualquer umas das várias
ser consideradas: formas. Todas são eficazes em proporção ao seu suporte e à
a. Comprimento da base na extremidade livre. distância da linha de fulcro.
b. Localização da linha de fulcro.
c. Quanto além da linha de fulcro está colocado o retentor Apoio Oclusal Auxiliar
indireto. O retentor indireto mais comumente utilizado é um apoio
3. Rigidez dos conectores que suportam o retentor indireto. oclusal auxiliar localizado em uma superfície oclusal e tão longe
Todos os conectores devem ser rígidos para que o retentores da base da extremidade livre quanto possível. Em um arco Classe
indiretos funcionem como pretendido. I inferior, esta localização é geralmente na  crista  marginal
4. Efetividade da superfície dentária de suporte. O retentor mesial do primeiro pré-molar em cada lado do arco (Figura 8-4).
indireto deve ser colocado em um nicho preciso em que não A posição ideal para o retentor indireto perpendicular à linha
poderão ocorrer deslizamentos ou movimentos dentários. de fulcro seria na vizinhança dos incisivos centrais, que são
Dentes muito inclinados ou dentes fragilizados nunca devem muito frágeis e têm surperfícies linguais muito íngremes para
ser usados como suporte de retentores indiretos. sustentar um apoio. Apoios bilaterais nos primeiros pré-molares
são bastante efetivos, embora estejam localizados muito perto
do eixo de rotação.
Funções Auxiliares Dos Retentores
Os mesmos princípios são aplicados a qualquer prótese
Indiretos
parcial para arco Classe I superior quando são utilizados reten-
Além de ativar efetivamente o retentor direto para prevenir o tores indiretos. Apoios bilaterais na crista marginal mesial de
movimento de afastamento de uma base, em relação ao rebordo primeiros pré-molares geralmente são preferencialmente usados
residual na extremidade livre, um retentor indireto pode atuar em detrimento dos apoios nos dentes incisivos (Figura 8-5).
nas seguintes funções auxiliares: Não só são eficazes por protegerem os dentes unirradiculares
1. Ele tende a  reduzir  as forças de alavanca  anteroposteriores mais frágeis, como por fazerem com que o incômodo com o
que inclinariam os pilares principais. Isto é particularmente contato com a língua seja bem menor quando o conector menor
importante quando um dente isolado está sendo utilizado pode ser colocado na ameia entre canino e pré-molar em vez de
como um pilar — uma situação que deve ser evitada sempre ser colocado anterior ao canino.
que possível. Geralmente, um contato proximal com um Retentores indiretos para prótese parciais Classe II são geral-
dente adjacente previne esta inclinação de um pilar quando mente colocados na crista marginal do primeiro pré-molar no
a base é deslocada para fora do rebordo. lado oposto do arco da extremidade livre (Figura 8-6). Apoios
100 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 8-6    Desenho para arco Classe II inferior mostrando Figura 8-7    Desenho para arco Classe I inferior usando exten-
uma localização favorável para os retentores indiretos na região sões caninas do apoio oclusal como retentores indiretos. A
mésio-oclusal do primeiro pré-molar inferior direito. Esta locali- extensão canina deve ser colocada em nichos preparados, de
zação está a 90 graus em relação à linha de fulcro entre os modo que a resistência será direcionada o mais próximo possível
apoios primários—disto-oclusal do segundo molar inferior do longo eixo do pilar canino.
direito e disto-oclusal do segundo pré-molar inferior esquerdo
—e promove eficiente resistência  a  uma  elevação  da base da
prótese baseada na maior distância ao suporte do apoio resis-
tente e porque o apoio oclusal está perpedicular à carga.
apoio terminal na crista marginal mesial do dente pré-molar.
Mesmo quando eles não são usados como retentores indire-
tos, extensões caninas, retentores em barra contínua e placas
bilaterais raramente são indicados, exceto quando um apoio linguais nunca devem ser usadas sem um apoio terminal
oclusal auxiliar é necessário para suporte do conector maior, ou devido à resultante das forças que atuam quando eles são
quando o prognóstico para o pilar distal é pobre e a posição está colocados somente sobre planos inclinados.
sendo considerada para uma posterior conversão em uma
prótese parcial Classe I. Barras de Cíngulo (Barras Contínuas)
e Placas Linguais
Apoios nos Caninos Tecnicamente, barras de cíngulo (barras contínuas) e placas
Quando a crista marginal mesial do primeiro pré-molar está linguais não são retentores indiretos porque elas se apoiam
muito perto da linha de fulcro ou quando os dentes estão sobre- em inclinações linguais não preparadas dos dentes anterio-
postos de forma que a linha de fulcro não é acessível, pode ser res. Os retentores indiretos são na verdade qualquer dos
usado um apoio no dente canino adjacente. Este apoio pode ser apoios terminais e que ocorrem na forma de apoios oclusais
feito mais efetivo colocando-se o conector menor na ameia auxiliares ou apoios caninos (Capítulo 5).
anterior ao canino, quer curvando-o para trás e se apoiando Em próteses parciais Classe I e Classe II, um barra de
num descanso lingual preparado, quer estendendo-o até um cíngulo ou uma placa lingual pode aumentar a efetividade
apoio mesioincisal. Os mesmos tipos de apoios nos caninos de um retentor indireto se for usada como apoio terminal
como os descritos anteriormente — apoios linguais ou incisais de cada lado. Em próteses parciais dentossuportadas, uma
— podem ser usados (Capítulo 6). barra de cíngulo ou uma placa lingual é colocada por outras
razões, mas sempre com apoios terminais (Capítulo 5).
Especialmente em próteses parciais Classe I e Classe II,
Extensões Caninas dos Apoios Oclusais um retentor em barra contínua ou a borda superior da placa
Ocasionalmente, uma extensão delgada do apoio do pré- lingual nunca deve ser colocado acima do terço médio do
-molar é colocada em um preparo lingual na região acima dente, de modo a evitar movimentos ortodônticos durante
do cíngulo no dente canino adjacent (Figura 8-7). Esta a rotação da prótese de extremidade livre. Esta regra não é
extensão é usada para causar uma retenção indireta aumen- tão importante quando os seis dentes anteriores estão quase
tando a distância de um elemento resistente da linha de em uma linha reta, mas quando o arco é estreito e afunilado,
fulcro. Este método é particularmente aplicável quando um uma barra de cíngulo ou uma placa lingual nos dentes ante-
primeiro pré-molar precisa funcionar como um pilar primá- riores se estende bem além dos apoios terminais e movimen-
rio. A distância anterior à linha de fulcro é apenas a distância tos ortodônticos destes dentes são mais prováveis. Embora
entre o apoio mésio-oclusal e a terminação anterior da estes destinem-se principamente a estabilizar dentes anterio-
extensão delgada. Neste caso, embora a extensão se apoie em res frágeis, eles podem ter o efeito oposto se não usados com
uma superfície preparada, é usada em conjunto com um critério.
Capítulo 8  Retentores Indiretos 101

Áreas de Modificação fulcro para ser efetivo. Nessas situações, é necessário um


Ocasionalmente, o apoio oclusal em um pilar secundário em apoio oclusal auxiliar na crista marginal mesial do primeiro
uma prótese parcial Classe II pode funcionar como um pré-molar, tanto para retenção indireta quanto para suporte
retentor indireto. Este uso dependerá em quão longe da linha a um conector principal não suportado.
de fulcro o pilar secundário está localizado. O suporte para uma área de modificação estendendo-se
Os pilares primários em uma prótese parcial Classe II, anteriormente ao pilar canino é obtido por qualquer uma
modificação 1 são os pilares adjacentes à extremidade livre das formas de apoio canino descritas, como já delineado no
e o pilar mais distal no lado dentossuportado. A linha de Capítulo 6. Nesta situação, o dente canino promove tanto
fulcro é um eixo diagonal entre os dois pilares terminais retenção indireta próxima ao ideal quanto suporte para o
(Figura 8-8). conector principal.
O pilar anterior no lado dentossuportado é um pilar
Suporte nas Rugosidades Palatinas
secundário, que serve para suportar e reter um término do
segmento dentossuportado e proporciona estabilização hori- Alguns clínicos consideram a cobertura da área das rugosi-
zontal para a prótese. Se o espaço da modificação não estiver dades palatinas do arco superior uma retenção indireta, pois
presente, como em um arco Classe II não-modificado, apoios esta área é firme e geralmente bem localizada para fornecer
oclusais auxiliares e componentes estabilizadores na mesma retenção indireta para uma prótese parcial removível Classe
posição ainda seriam essenciais para o desenho da prótese I. Embora seja verdade que a ampla cobertura da área das
(Figura 8-9). No entanto, a presença de um espaço de modi- rugosidades palatinas possa fornecer dentro do possível
ficação promove convenientemente um dente pilar para algum suporte, permanece o fato de que o suporte tecidual
suporte, estabilização e retenção. é menos efetivo que o suporte dental positivo e de que a
Se o apoio oclusal no pilar secundário encontra-se tão cobertura das rugosidades palatinas é indesejável se puder
longe da linha de fulcro, pode servir adequadamente como ser evitada.
um retentor indireto. Sua dupla função é então de dente de O uso do suporte nas rugosidades palatinas para retenção
suporte para um término de uma área de modificação e indireta é geralmente parte de um desenho em forma de
suporte para um retentor indireto. O exemplo mais típico é ferradura no palato. Devido à retenção posterior ser geral-
um apoio oclusal distal em um primeiro pré-molar quando mente inadequada nessa situação, a necessidade de retenção
um segundo pré-molar e o primeiro molar são perdidos e o indireta é provavelmente maior do que o que pode ser satis-
segundo molar funciona como um dos pilares primários. A feito apenas por este tipo de suporte tecidual.
perpendicular maior da linha de fulcro cai no entorno do No arco inferior, a retenção da extremidade livre por si só
primeiro pré-molar, fazendo com que a localização do reten- é normalmente inadequada para prevenir o movimento de
tor indireto fique próxima ao ideal. afastamento da base do tecido do rebordo. No arco superior,
Por outro lado, se está faltando apenas um dente, como
um primeiro molar, no lado da modificação, o apoio oclusal
no pilar do segundo pré-molar está muito perto da linha de

Figura 8-8    Armação de uma prótese parcial removível Classe II, Figura 8-9    Desenho de uma armação de uma prótese parcial
modificação 1. A linha de fulcro vai do segundo pré-molar removível Classe II superior. A linha de fulcro vai do canino
esquerdo ao segundo molar direito, quando a base da prótese é direito do paciente ao segundo molar esquerdo. Forças que
deslocada em direção ao rebordo residual. Quando forças tendem a deslocar a prótese de sua área basal serão resistidas
tendem a afastar a prótese do apoio basal, o elemento de suporte pela ativação dos elementos retentivos no canino e no molar,
(apoio disto-oclusal) do retentor direto no primeiro pré-molar com o uso de elementos de suporte no primeiro pré-molar
direito funciona como um retentor indireto. esquerdo como um retentor indireto.
102 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

em que apenas dentes anteriores permaneceram, a cobertura vista sob a forma de uma base de resina, a retenção acrescen-
total do palato é geralmente necessária. De fato, com qualquer tada e a redução da quantidade de metal fundido no palato
prótese parcial removível Classe I superior que se estende dis- fazem esta forma preferível (Capítulo 5). Entretanto, na ausên-
talmente do primeiro pré-molar, exceto quando um tórus cia de uma cobertura total do palato, um retentor indireto deve
maxilar impede seu uso, a cobertura palatina pode ser usada ser usado com outros desenhos de conectores maiores palatais
em seu benefício. Apesar de a cobertura completa poder ser para as próteses parciais removíveis Classe I.
9
C a p í t ulo

Considerações sobre a Base da Prótese


Sumário Do Capítulo Funções Da Base Da Prótese No
Controle Do Movimento Da Prótese
Funções da Base da Prótese no Controle do Movimento
da Prótese A base da prótese sustenta os dentes artificiais e consequente-
Base da prótese parcial dentossuportada mente recebe as forças funcionais da oclusão e as transfere às
Base da prótese parcial com extremidade livre estruturas orais de suporte (Figura 9-1). Esta função é mais
Métodos de União da Base da Prótese crítica para as próteses de extensão distal, uma vez que a esta-
Material Ideal para a Base da Prótese bilidade funcional e o conforto estão frequentemente relaciona-
Vantagens da Base de Metal dos à capacidade desta transferência de forças ocorrer sem
Precisão e manutenção de forma movimentos indesejados.
Comparação da resposta tecidual Embora seu propósito principal esteja relacionado à função
Condutividade térmica mastigatória, a base da prótese também pode acrescentar um
efeito cosmético à peça, especialmente quando são usadas as
Peso e volume
técnicas de pigmentação e contornos de aspecto natural. A
Métodos para Montagem de Dentes Artificiais
maioria das técnicas para criar um aspecto natural nas próteses
Dentes artificiais de resina acrílica ou de porcelana
totais são igualmente aplicáveis às próteses parciais.
unidos com resina acrílica
Ainda outra função da base da prótese é o estímulo aos
Dentes de porcelana ou resina do tipo tubo e facetas tecidos subjacentes do rebordo remanescente. Algum movi-
cimentados diretamente sobre a base metálica mento vertical acontece com qualquer base de prótese, até
Dentes de resina processados diretamente sobre mesmo aquelas inteiramente apoiadas em dentes, por causa
a base metálica do movimento fisiológico destes dentes quando em função.
Dentes de metal É claramente evidente que os tecidos orais submetidos a
União química forças funcionais dentro de uma tolerância fisiológica
Necessidade de Reembasamento mantêm a sua forma e tônus melhor que os tecidos similares
Rompe-forças (Equalizadores de Tensão) submetidos ao desuso. O termo atrofia por desuso é aplicável
tanto aos tecidos periodontais como aos tecidos do rebordo
remanescente.

Base da Prótese Parcial Dentossuportada


As bases das próteses diferem quanto ao seu propósito funcio-
nal e podem diferir quanto ao material do qual são feitas. Em
próteses dentossuportadas, a base da prótese é, primordial-
mente, uma extensão entre dois suportes sustentando os dentes
artificiais. Sendo assim, as forças oclusais são transferidas dire-
tamente aos dentes de suporte pelos apoios. Além disso, a base
da prótese e os dentes colocados têm a função de prevenir a
migração horizontal dos dentes de apoio na arcada parcial-
mente edêntula e a migração vertical dos dentes da arcada
antagonista.
Quando somente os dentes posteriores estão sendo substi-
tuídos, a estética é, geralmente, uma consideração secundária.
103
104 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

C D

Figura 9-1    A, Base de prótese parcial removível superior Classe I mostrando o lado de contato com o tecido (região interna). B, Lado
oclusal de prótese superior: dentes posteriores artificiais são fixados a base. C, Prótese parcial removível inferior Classe II, modificação 1,
mostrando a região interna da modificação e da extremidade livre. D, Lado oclusal da prótese inferior: dentes posteriores artificiais são
fixados à base. Para ambas as próteses, as bases se estendem até os limites para a atividade fisiológica das estruturas orais
circundantes.

Por outro lado, quando os dentes anteriores são substituídos, a O máximo suporte fornecido pelo rebordo remanescente pode
estética pode ser de importância primordial. Teoricamente, a ser obtido pelo uso de uma base de prótese ampla e bem adap-
base das próteses parciais dentossuportadas que substituem tada, que distribui a carga oclusal igualmente sobre toda a área
dentes anteriores deve cumprir as seguintes funções: (1) pro- disponível para tal suporte. O espaço disponível para uma base
mover estética favorável; (2) suportar e manter os dentes artifi- de prótese é determinado pelas estruturas circundantes e pelos
ciais de forma que eles promovam função mastigatória eficiente seus movimentos durante a função. O máximo de suporte for-
e contribuam na transferência de forças oclusais diretamente ao necido por uma base é, portanto, alcançado somente com o uso
dente-suporte pelos apoios; (3) prevenir a movimentação ver- do conhecimento das estruturas anatômicas limítrofes e da
tical e horizontal dos dentes remanescentes; (4) eliminar inde- natureza histológica das áreas basais, precisão da moldagem e
sejáveis retenções de alimentos (limpeza oral); e (5) estimular adaptação da base da prótese (Figura 9-2). Os dois primeiros
os tecidos adjacentes. aspectos referem-se ao tamanho total e à natureza histológica
dos tecidos do rebordo remanescente. Estes são altamente variá-
Base da Prótese Parcial com Extremidade Livre veis entre pacientes e consequentemente nem todos os rebordos
Em uma prótese removível com extremidade livre, a base da podem fornecer a mesma qualidade de suporte. Portanto, a
prótese, diferentemente da variação dentossuportada, deve con- capacidade de controlar deslocamentos funcionais da extensão
tribuir para o suporte da prótese. Tal suporte é crítico quando distal da base é uma determinação única para cada paciente
se considera o objetivo de minimizar movimentos funcionais e individualmente.
melhorar a estabilidade da prótese. Apesar de o dente pilar O princípio do sapato de neve, em que uma cobertura ampla
fornecer suporte para a extensão distal da base, à medida que a fornece o melhor suporte com a menor carga por unidade de
distância entre os dentes-suporte aumenta, o suporte realizado área, é o princípio de escolha para oferecer o máximo suporte.
pelo rebordo remanescente se torna cada vez mais importante. Dessa maneira, o suporte deve ser a consideração primária na
Capítulo 9  Considerações sobre a Base da Prótese 105

A B

Figura 9-2    Próteses parciais removíveis superior e inferior de extremidade livre com as bases de resina acrílica. As bases são estendidas
por vestibular até a tolerância das estruturas da borda. A, Base superior recobre as tuberosidades maxilares, se estende pela fossa pteri-
gomaxilar e fornece adaptação ao longo da borda posterior, com o cuidado de não invadir os limites do palato mole. B, Prótese parcial
removível inferior com duas extremidades livres cobrindo a dobra retromolar, alcançando a fossa retromilo-hióidea. O procedimento de
moldagem utilizado estabelece a área da linha oblíqua externa como área de suporte primário para o assentamento da prótese.

seleção, desenho e fabricação de uma base de prótese parcial de selamento marginal e resulta em um vácuo parcial sob a base
extremidade livre. De importância secundária (mas a ser con- quando uma força de deslocamento é aplicada; (4) molda-
siderada) são a estética, o estímulo aos tecidos subjacentes e a gem fisiológica dos tecidos ao redor das superfícies polidas
higiene oral. Os métodos utilizados para se alcançar o suporte da prótese; e (5) os efeitos da gravidade na prótese
máximo da restauração através da(s) sua(s) base(s) estão apre- mandibular.
sentados nos Capítulos 15 e 16. Boucher, escrevendo sobre o assunto em moldagem de pró-
Além das diferenças de propósito funcional, as bases da teses totais, descreveu estas forças como segue:
prótese variam quanto ao material de fabricação. Esta diferença
está diretamente relacionada a sua função, por causa da neces- Adesão e coesão são eficazes quando há a perfeita aposição
sidade de algumas próteses de serem reembasadas. da superfície moldada da prótese com as superfícies mucosas.
Estas forças perdem seu efeito se qualquer força horizontal
Uma vez que a base dentossuportada tem um dente-suporte
de deslocamento da prótese quebra a continuidade deste
de cada lado onde um apoio foi colocado, o reembasamento
contato. A pressão atmosférica é eficaz principalmente
pode não vir a ser necessário para se restabelecer o suporte. O
quando forças de deslocamento extremas são aplicadas à
reembasamento é necessário somente quando ocorrerem
prótese. Depende de uma adaptação marginal perfeita a
mudanças no tecido abaixo da prótese dentossuportada ao capacidade de manter a pressão aplicada a apenas um lado
ponto que resulte em uma estética deficiente ou no acúmulo de da prótese. A presença de ar na superfície de moldagem neu-
restos alimentares. Apenas por estas razões, bases dentossupor- tralizaria a pressão do ar contra a superfície polida. Como
tadas feitas logo após extrações devem ser confeccionadas em cada uma destas forças é diretamente proporcional à área
um material que permita posterior reembasamento. Estes mate- coberta pelas próteses, estas deveriam se estender aos limites
riais são resinas para prótese, sendo as mais comuns as resinas das estruturas de suporte.
copoliméricas e as de metil metacrilato. A moldagem dos tecidos moles ao redor das superfícies
A retenção primária da prótese parcial removível é conse- polidas das bases das próteses contribui para o perfeito
guida mecanicamente pela utilização de elementos de retenção selamento marginal. Além disso, forma uma trava mecâ-
no dente-suporte. A retenção secundária é conseguida pela nica em certos pontos da prótese, quando estas superfícies
relação íntima das bases da prótese e os conectores maiores estão adequadamente preparadas. Esta trava se desen­
(maxilares) com os tecidos subjacentes. Esta última é seme- volve automaticamente sem esforços pelo paciente se a
lhante à retenção das próteses totais e é proporcional à precisão moldagem é feita com o conhecimento das possibilidades
da moldagem, à precisão do ajuste da base da prótese e à área anatômicas.*
de contato total envolvida.
A retenção das bases foi descrita como resultado das
seguintes forças: (1) adesão, que é a atração da saliva à prótese
e aos tecidos; (2) coesão, que é a atração das moléculas da *De Boucher CO: Complete denture impression based upon the
saliva entre si; (3) pressão atmosférica, que é dependente do anatomy of the mouth, J Am Dent Assoc 31:117-1181, 1994.
106 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Poucas próteses parciais são feitas sem alguma retenção


mecânica. A retenção das bases da prótese pode contribuir para
a retenção como um todo da prótese parcial e, portanto, deve
ser levada em conta. Bases de próteses devem ser desenhadas e
confeccionadas de forma que elas contribuam o máximo pos-
sível para a retenção da prótese parcial. Entretanto, é questio-
nável o quanto a pressão atmosférica tem um papel importante
na retenção das próteses parciais removíveis, uma vez que o
selamento marginal não pode ser tão adequadamente obtido
quanto nas próteses totais. Desta maneira, a adesão e coesão atin-
gidas pela excelente aposição da base da prótese e os tecidos
moles para assentamento basal representam um papel impor-
tante na retenção.

Métodos De União Da Base Da Prótese


Bases de resina são unidas à armação da prótese removível por Figura 9-3    Ceroplastia sobre o modelo de revestimento de
meio de um conector menor desenhado de tal modo que existe uma Classe II, modificação 1, inferior. A preparação está ade-
um espaço entre ele e os tecidos subjacentes do rebordo rema- quada para fixar a base de resina ao conector maior no lado
nescente (Figura 9-3). Um alívio de pelo menos calibre 20 de edêntulo através de um conector menor em forma de escada e
espessura sobre as áreas basais do modelo de trabalho é feito uma ligação tipo cabeça de alfinete. Um conector com desenho
para criar um ressalto no modelo de revestimento sobre o qual semelhante será usado para o espaço da modificação. Nota: Um
o padrão para a malha retentiva é colocado (Figura 9-4). Assim, espaço de alívio abaixo dos conectores menores foi feito com
após a fundição, a malha onde a base de resina acrílica vai ser cera colocada no modelo original e duplicado neste modelo
unida ficará suficientemente afastada da superfície tecidual para refratário. Isto permite que a resina processada envolva os
possibilitar perfeita colocação e escoamento da resina sob a sua conectores menores quando a base for confeccionada.
superfície.
A malha para a confecção da base deve ficar mergulhada no
material da base com espessura suficiente de resina (1,5 mm)
para possibilitar qualquer alívio se isto for necessário durante o
ajuste da prótese nas áreas sensíveis ou durante os procedimen-
tos de reembasamento. Uma certa espessura também é neces-
sária para dar resistência e evitar subsequente fratura do material
da base de resina em torno da armação metálica.
O uso de padrões de malha em plástico para formar a parte
retentiva geralmente deixa a desejar em relação a uma malha
mais aberta (Figura 9-4). Esta forma mais aberta resulta em
menor enfraquecimento da resina pela armação nela mergu-
lhada. Assim, pedaços de cera meia-cana, calibre 12 ou 14, e cera
redonda calibre 18 são usados para formar uma malha em
forma de escada em vez de um reticulado mais fino presente
nos padrões de malha pré-fabricados. O desenho preciso da
malha, a não ser que seja localizada tanto por vestibular como Figura 9-4    Diferente do desenho de conector menor obser-
por lingual, não é tão importante quanto a sua efetiva rigidez e vado na Figura 9-3, o desenho utilizado nesta prótese tem um
resistência quando mergulhada na resina acrílica da base. Esta padrão de malha plástica. Mesmo que este desenho possa ser
também não deve interferir nos ajustes futuros e na montagem reforçado para ser mais rígido, o volume do conector por si só
dos dentes artificiais e deve ser suficientemente aberta para pode contribuir para o enfraquecimento da base de resina. Um
evitar o enfraquecimento de qualquer parte da resina acrílica tipo de conector menor mais aberto parece preferível.
do entorno. O desenho da armação retentiva da base da prótese
com elementos tanto na vestibular como na lingual do rebordo
remanescente não só reforçará a base de resina como também
Material Ideal Para A Base Da Prótese
irá minimizar a deformação da base em função da liberação de
tensões inerentes na base de resina acrílica durante o uso ou Os requisitos para um material de base de prótese ideal são os
armazenamento da prótese (Figura 9-5). As bases metálicas são seguintes:
normalmente fundidas como parte integral da armação da 1. Adaptação precisa aos tecidos, com mudanças volumétricas
prótese removível. pequenas
As bases metálicas mandibulares podem também ser confec- 2. Superfície densa e não irritante capaz de receber e manter
cionadas e unidas à armação com resina acrílica (Figura 9-6). um bom acabamento
Capítulo 9  Considerações sobre a Base da Prótese 107

Figura 9-6    Base metálica de prótese parcial removível supe-


rior com extremidade livre. Bases fundidas são parte integrante
da estrutura da prótese e não só fornecem suporte para os
dentes da prótese como também reforçam a rigidez da infra­
estrutura.
Figura 9-5    Observe que conectores menores, pelos quais a
resina acrílica da base será fixada a armação, são configurações
abertas, com forma de escada, que se estendem tanto pelas
superfícies tanto lingual como vestibular. Isto não só propor-
ciona a melhor fixação da resina acrílica das bases, como também
minimiza a deformação decorrente da liberação das tensões em
resinas moldadas por compressão. conhecida é o estímulo positivo que dá aos tecidos subjacentes,
prevenindo atrofias ósseas que de outra forma ocorrem sob a
3. Condutividade térmica base de acrílico, prolongando assim a saúde dos tecidos que
4. Gravidade específica baixa; leveza na boca contacta. Algumas das vantagens das bases de metal são discu-
5. Resistência suficiente; resistência à fratura ou deformação tidas nos parágrafos que seguem.
6. Fácil higienização
7. Aceitável estética Precisão e Manutenção de Forma
8. Potencial reembasamento futuro Bases metálicas fundidas, de ligas de ouro ou de cromo, não
9. Baixo custo inicial só podem ser fundidas com mais precisão que as de resina
Este material ideal para base de prótese não existe; nem é como também mantêm sua estabilidade de forma na boca,
provável que venha a ser desenvolvido em um futuro próximo. sem mudanças. Tensões internas que podem ser liberadas
Porém, qualquer base de prótese, seja de resina ou metal, e tardiamente e causar distorção não estão presentes. Muito
independente do método de fabricação deve se aproximar o embora algumas resinas e algumas técnicas de processa-
máximo possível desse ideal. mento sejam superiores a outras em precisão e manutenção
de forma, as ligas de metal modernas para fundição são
geralmente superiores com relação a este aspecto. Prova
disso está na possibilidade de se eliminar um selamento
Vantagens Da Base De Metal
posterior adicional por completo quando se usa um palato
Exceto nos rebordos remanescentes com extrações recentes, fundido para uma prótese total em comparação com a neces-
metal pode ser usado em bases dentossuportadas, uma vez que sidade por uma zona de selamento posterior quando este
apresenta uma série de vantagens. Sua maior desvantagem é o palato é de resina. A deformação de base de resina acrílica se
difícil reembasamento e ajuste. Contudo, uma vantagem bem manifesta, na prótese superior, pelo seu deslocamento no
108 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

sentido contrário aos tecidos na direção das abas vestibulares Peso e Volume
das tuberosidades. Quanto maior a curvatura dos tecidos, Uma liga metálica pode ser fundida numa espessura muito
maior será esta distorção. Distorções semelhantes ocorrem menor que a resina e mesmo assim ter resistência e rigidez
na prótese inferior, mas são ­detectadas com maior dificul- adequadas. Aquelas confeccionadas com ouro precisam de
dade. Peças metálicas precisas não estão sujeitas a distorções, volume ligeiramente maior para prover a mesma quantidade
como na maioria das próteses de acrílico, pela liberação de de rigidez, mas podem ainda ser de espessura menor que mate-
tensões internas. riais resinosos. Ainda menor peso e volume são possíveis
Por causa de sua precisão, a base metálica proporciona quando a base da prótese é confeccionada com ligas de cromo
um contato íntimo que contribui consideravelmente para a ou titânio.
retenção da prótese. Algumas vezes chamada de tensão Existem ocasiões, porém, que tanto o peso como o
superficial da interface, a retenção direta resultante por uma volume podem ser usados como vantagem nas bases de
base de prótese fundida é significativa e diretamente propor- prótese. No arco inferior, o peso da prótese pode ser útil no
cional à área envolvida. Isto já foi mencionado como um que que se refere à retenção, razão pela qual uma base
fator importante tanto na retenção direta como na retenção fundida com ouro pode ser desejável. Por outro lado, a perda
direta-indireta de próteses superiores. Tal contato íntimo extrema de osso no rebordo alveolar pode tornar necessário
não é possível em bases de resina acrílica. o acréscimo de certo volume à base da prótese para restabe-
A manutenção de forma da base metálica também está lecer os contornos faciais normais e preencher o vestíbulo
assegurada pela sua resistência à abrasão pelos agentes de bucal com prótese, para evitar que qualquer alimento se
limpeza de prótese. A higienização da base deve ser enfatizada, acumule no vestíbulo, sob a prótese. Nessas situações, uma base
porém a escovação constante do lado interno da base de resina, de resina pode ser preferível a uma base metálica, mais fina.
se eficaz, inevitavelmente causa alguma perda da adaptação No arco superior, uma base de resina pode ser preferível
por abrasão. O contato íntimo, que nunca é tão grande com a uma metálica mais fina para prover o preenchimento neces-
uma base de resina quanto com uma base metálica, está ainda sário do rebordo ou para preencher a porção vestibular da
ameaçado pelos hábitos de higienização. As bases metálicas, maxila. A resina pode também ser mais vantajosa que a base
particularmente as de ligas mais duras, como as de cromo, metálica mais fina por razões estéticas. Neste caso, a espessura
suportam limpeza frequente sem mudanças significativas na mais fina da base de metal pode não apresentar qualquer
precisão da superfície. vantagem, mas nas áreas onde a língua ou as bochechas neces-
sitem de espaço a espessura menor pode ser vantajosa.
Comparação da Resposta Tecidual Os contornos da base da prótese para o contato funcional
Observações clínicas têm demonstrado que a limpeza ine- da língua e bochechas podem ser mais bem conseguidos com
rente à base metálica contribui para a saúde dos tecidos orais resina. As bases metálicas são comumente confeccionadas
quando comparada à base de resina acrílica. Possivelmente, finas para minimizar o volume e o peso, enquanto as bases de
algumas das razões para isto são a maior densidade e a ação resina podem ser contornadas para prover superfícies polidas
bacteriostática resultante da ionização e oxidação da base ideais que contribuem para a retenção da prótese, restauram
metálica. As bases de resina tendem a acumular depósitos de os contornos faciais e evitam o acúmulo de alimento nas
placa contendo partículas de alimento bem como depósitos bordas da prótese. As superfícies linguais normalmente são
calcários. A decomposição de partículas de alimento e enzimas confeccionadas côncavas, exceto na área distopalatina. As
bacterianas e a irritação mecânica provocada pelo cálculo superfícies vestibulares são feitas convexas nas margens
resultam em reações teciduais desfavoráveis se a prótese não ­gengivais sobre as proeminências radiculares e na borda
for mantida limpa mecanicamente. Embora o cálculo, que para  preencher as áreas registradas na moldagem. Entre
deve ser removido periodicamente, possa se precipitar na a  borda e os contornos gengivais, a base pode ser feita
base metálica, outros depósitos não se acumulam como na convexa para  auxiliar na retenção e facilitar o retorno do
base de resina acrílica. Por esta razão, uma base metálica é bolo alimentar para a mesa oclusal durante a mastigação.
mais limpa, naturalmente, do que uma base de resina. Estes contornos evitam que o alimento fique acumulado na
bochecha e penetrem sob a prótese. Essa vantagem não pode
ser conseguida facilmente com bases metálicas.
Condutividade Térmica Porém, as vantagens da base metálica não precisam ser
Mudanças de temperatura são transmitidas através da base sacrificadas em favor da estética ou de contornos protéticos
metálica aos tecidos subjacentes, contribuindo para manter a quando o uso de tal base está indicado. Uma base de prótese
saúde destes tecidos. A mobilidade do intercâmbio de tempe- pode ser desenhada para prover um recobrimento metálico
ratura entre os tecidos recobertos e as influências do meio quase total, mesmo que tenha bordas de resina acrílica para
externo (temperatura dos alimentos, dos líquidos e do ar ins- evitar a exposição de metal e para preencher o volume ves-
pirado) pode contribuir para o paciente não sentir a prótese tibular quando necessário (Figura 9-7). As vantagens da
como um corpo estranho. Por outro lado, as bases de prótese condutividade térmica não são necessariamente perdidas
de resina acrílica têm propriedades isolantes, que impedem o pelo recobrimento de partes da base metálica desde que
intercâmbio de temperatura entre as partes interna e externa outras partes da prótese fiquem expostas aos efeitos de
da base da prótese. mudança de temperatura por condução.
Capítulo 9  Considerações sobre a Base da Prótese 109

Dentes de Porcelana ou Resina do Tipo Tubo


e Facetas Cimentados Diretamente sobre a Base
Metálica (Figura 9-8)
Algumas das desvantagens relacionadas a este tipo de união
são as dificuldades em se obter uma oclusão satisfatória,
a  falta de contornos adequados para o contato funcional
da  língua e bochechas e ainda a deficiência estética provo-
cada pela exposição de metal nas margens gengivais. Esta
última pode ser evitada quando o dente é introduzido dire-
tamente sobre o rebordo, mas neste caso, a retenção para o
dente se torna frequentemente inadequada.
Figura 9-7    Bases de metal parciais usadas com uma cinta Uma modificação deste método é a união de dentes de
palatina e dentes de resina fixados diretamente à base de metal. resina pré-fabricados à base metálica com resina acrílica da
Se necessário, uma flange vestibular pode ser adicionado nesta
mesma cor. Este método é chamado de prensagem sobre um
região da base; entretanto, para estes espaços pequenos, não foi
dente de resina e não é o mesmo que se usar resina acrílica
necessária a adição de flanges.
para cimentação. Este método é particularmente indicado
nas substituições anteriores, onde é oportuno saber antes da
fundição da armação que a cor e o contorno dos dentes
selecionados será adequada (Figura 9-7). Após se confeccio-
nar um gabarito vestibular da posição dos dentes, a porção
Métodos Para Montagem De Dentes lingual dos dentes pode ser removida ou pode ser preparado
Artificiais um nicho para retenção na peça. Posteriormente, o dente
será unido à prótese com resina acrílica da mesma cor. Uma
A seleção dos dentes artificiais quanto à forma, cor e mate- vez que isto é feito sob pressão ,a união de resina acrílica tem
rial devem preceder a sua colocação na prótese. Dentes arti- dureza e resistência comparáveis às do dente de estoque.
ficiais podem ser unidos à base da prótese de várias maneiras, Dentes tipo tubo ou com fenda lateral precisam ser sele-
como com resina acrílica, cimentados, confeccionados dire- cionados antes do enceramento da armação da prótese
tamente sobre o metal, fundidos com a armação e por adesão (Figura 9-9). Porém, para a melhor relação oclusal, os regis-
química. O uso de resina acrílica para unir os dentes arti­ tros das relações intermaxilares sempre devem ser feitos com
ficiais à base da prótese é o método mais comumente a peça fundida na boca. Este problema pode ser resolvido
utilizado. selecionando-se os dentes tipo tubo pela largura, mas com
superfícies oclusais ligeiramente maiores do que as que serão
necessárias. Os dentes serão, portanto, desgastados para se
Dentes Artificiais de Resina Acrílica ou de Porcelana ajustarem ao rebordo com uma folga inferior suficiente para
Unidos com Resina Acrílica receber uma base metálica fina e biselada para acomodar a
Os dentes artificiais de porcelana são retidos mecanicamente. estrutura metálica. Se um dente de plástico tipo tubo for
Os dentes posteriores são retidos como resina acrílica, preen- usado, o nicho de retenção deve ser levemente aumentado. A
chendo nichos preexistentes. Os dentes de porcelana ­anteriores peça deve ser completada e experimentada, as relações oclu-
são retidos pela resina acrílica que envolve os pinos de reten- sais devem ser registradas e os dentes são então desgastados
ção colocados na porção lingual. Dentes artificiais de resina até uma oclusão harmoniosa com a dentição antagonista.
são retidos por união química com o acrílico da base da Como será discutido no Capítulo 17, os dentes posteriores
prótese durante os procedimentos de processamento de artificiais nas próteses removíveis raramente são utilizados
laboratório. sem alterações, mas devem ser considerados materiais a partir
A união da resina acrílica à base metálica pode ser conse- do quais as formas oclusais podem ser criadas para trabalhar
guida com retentores do tipo cabeça de alfinete, alças retentivas harmoniosamente com a oclusão natural remanescente.
ou agulhas distribuídas ao acaso. Os mecanismos de união
devem ser dispostos de modo a não interferir na colocação dos Dentes de Resina Processados Diretamente
dentes na base metálica (Figura 9-7). sobre a Base Metálica
Toda união de resina com metal deve ocorrer em uma região
Os copolímeros modernos com ligações cruzadas permitem
de linha de término retentiva ou ser associada com alguma área
ao profissional cirurgião-dentista ou ao protético confeccio-
retentiva. Uma vez que existe somente uma união mecânica
nar dentes de resina acrílica com resistência à abrasão e dureza
entre o metal e a resina, devem ser feitos todos os esforços
satisfatórias para muitas situações. Assim, a oclusão pode ser
para evitar a separação e a infiltração, o que resulta em mudança
criada sem recorrer a modificações de dentes artificiais pré-
de cor e acúmulo de detritos. A presença de odores na prótese
fabricados (Figura 9-10). Recessos no padrão da prótese
é frequentemente causada por aposições na junção da resina
podem ser esculpidos a mão ou criados em torno de dentes
com o metal quando não existe uma união mecânica. A sepa-
de estoque que serão usados somente para formar um recesso
ração que ocorre entre a resina e o metal pode eventualmente
no padrão. As relações oclusais podem ser estabelecidas na
levar a alguma perda da base de resina.
110 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

boca sobre a armação da prótese e transferidas a um articu-


lador. Os dentes podem ser então esculpidos e confeccionados
em resina acrílica da cor indicada para se ajustar ao registro
oclusal antagonista. É possível uma melhor união com a base
metálica do que com cimentação. Ademais, dentes longos,
curtos, largos ou estreitos podem ser criados quando houver
a necessidade de se preencher espaços dificilmente preenchí-
veis com a seleção limitada de dentes comerciais disponíveis.
A oclusão sobre dentes de resina pode ser restabelecida
para compensar o desgaste funcional ou o arranjo provoca-
dos pelo reprocessamento de resinas acrílicas novas ou pelo
A uso de resinas acrílicas fotopolimerizáveis quando se julgar
necessário. Sempre se deve diferenciar entre a necessidade de
reembasamento para restabelecer a oclusão (na prótese de
extremidade livre distal) e a necessidade de reconstrução das
superfícies oclusais numa base satisfatória sob todos os
outros aspectos (numa prótese removível dentossuportada
ou dentomucosossuportada).
O restabelecimento da oclusão também pode ser conse-
guido colocando-se restaurações de ouro ou de outra liga
disponível nos dentes de resina existentes. Embora isto
também possa ser feito sobre dentes de porcelana, é difícil
preparar nichos na porcelana, a não ser que sejam utilizados
métodos de abrasão por ar. Assim, se estão previstos acrés-
cimos posteriores às superfícies oclusais, dentes de resina
acrílica devem ser usados para facilitar a colocação de mais
resina ou de superfícies fundidas de ouro. Uma técnica
simples que pode ser utilizada na fabricação de superfícies
B oclusais fundidas em ouro e sua união a dentes de acrílico é
descrita no Capítulo 18.

Dentes de Metal
Ocasionalmente, um segundo molar pode ser substituído
como parte da armação da prótese removível (Figura 9-11).
Normalmente isto é feito quando o espaço é muito limitado
para a colocação de um dente artificial, embora a presença
de um segundo molar seja desejável para evitar a extrusão
do segundo molar antagonista. Já que a superfície oclusal
precisa ser encerada antes da fundição, uma perfeita oclusão
não é possível. Uma vez que o metal, particularmente as ligas
de cromo, é resistente à abrasão, a área de contato oclusal
deve ser reduzida ao mínimo para evitar danos ao perio-
donto do dente antagonista e desconforto para o paciente. O
C ajuste em superfícies oclusais de ouro é facilmente conse-
guido, enquanto em dentes de metal em ligas de cromo são
Figura 9-8    Superfície tecidual de uma prótese parcial remo- difíceis de ajustar por serem extremamente duras, a ponto
vível Classe IV, em que a dentição artificial foi adicionada a uma de se vetar seu uso nas superfícies oclusais. Portanto, essas
base de metal. A, Os dentes foram posicionados antes da finali- ligas devem ser usadas somente para preencher espaços e
zação da estrutura para permitir modificações do desenho dos evitar a extrusão de antagonistas.
espaços para incorporar os dentes modificados. B, Dentes ante-
riores foram ajustados ao rebordo, criando uma cobertura no União Química
rebordo; a seguir, a armação foi encerada para acomodar os Desenvolvimentos recentes na união de resina têm proporcio-
dentes em posição. C, Reforços metálicos aumentam a resistên- nado os meios para uma fixação química direta da resina
cia de dentes artificiais e protegem contra deslocamentos. acrílica a armação metálica. Os tecidos artificiais de revesti-
mento, alveolares e gengivais podem ser unidos sem o uso de
alças, malhas ou retenções mecânicas de superfície. Partes da
armação metálica que deve sustentar os dentes artificiais
podem ser deixadas irregulares com o uso de abrasivos e
Capítulo 9  Considerações sobre a Base da Prótese 111

Retenção cônica

Colar lingual

Bisel em 45°

Figura 9-9    O dente de estoque de porcelana ou de resina tipo tubo ou dente artificial usado como dente tipo tubo deve ser desgastado
para ser acomodado sobre estrutura metálica, como ilustrado. Um buraco é feito pela parte inferior do dente artificial ou, se o buraco já
existe, ele deve ser ampliado. O dente, então, deve ser desgastado de modo a se ajustar sobre o rebordo com espaço suficiente para um
mínimo de espessura de metal. Um bisel de 45 graus é então confeccionado em torno da base do dente; por fim, é feito um degrau no
lado lingual que se estende até a área interproximal. O dente é então lubrificado e a ceroplastia da base da prótese é feita à sua volta.

A B

Figura 9-10    Fixação direta de dentes de resina sobre as bases metálicas. A, Espaço da modificação anterior preparado para receber
o dente da prótese, que será reforçado por um pino. B, Molar posterior fixado a uma base previamente encerada para receber especi-
ficamente o dente de substituição.

depois tratadas com um recobrimento de sílica vaporizada. um material de sílica particulada especial, RocatecPlus®
Nesta superfície é aplicado um agente de união para a resina (3M  Espe, Irvine CA). As partículas de sílica deste sistema
acrílica, seguido de um filme fino de resina, que atuará como incrustam-se por impacto à armação metálica. Um silano é
um substrato para posterior fixação dos dentes de estoque ou adicionado a este filme cerâmico e para promover a adesão
tecidos de revestimento artificiais de resina (Figura 9-12). química entre a camada de silicato e a base da prótese de resina
Um segundo método para fundir uma camada de cerâ- acrílica. Bases de resina acrílica confeccionadas com monô-
mica microscópica a um metal é o recobrimento triboquímico. mero reativo (4-meta) também estão disponíveis e fornecem
Este sistema envolve jateamento da armação metálica com um sistema de adesão química da resina acrílica ao metal.
112 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 9-11    Molares superiores fundidos como parte da


armação. Limitações no espaço interoclusal obrigaram o uso de A
metal em vez de outra forma de dente artificial. Observe que
recobrimentos oclusais nos pré-molares e molares foram reali-
zados para resistir aos desgastes. (Cortesia de Dr. C. J. Andres,
Indianapolis, IN.)

Necessidade De Reembasamento
A base de uma prótese de extremidade livre difere de uma base
dentossuportada sob vários aspectos, um dos quais é que deve ser
feita de um material que possa ser reembasado quando se tornar
necessário o restabelecimento do suporte tecidual da extensão
distal. Assim sendo, materiais à base de resina acrílica que podem
ser reembasados são geralmente usados nas bases das próteses.
Muito embora técnicas satisfatórias para se confeccionar B
bases de próteses removíveis de extremidade livre em metal
estejam disponíveis, em função da dificuldade, o fato de essas
bases de metal serem difíceis, senão impossíveis de reembasar,
seu uso está limitado a rebordos estáveis que mudarão muito
pouco ao longo de muito de tempo.
A perda de suporte para as bases de extremidade livre é
resultado de mudanças na forma do rebordo ao longo do tempo.
Essas mudanças podem não ser prontamente visíveis, porém as
manifestações desta variação no rebordo podem ser percebidas.
Uma destas é a perda de oclusão entre a base da prótese na
extremidade livre e a dentição antagonista, que aumenta à
medida que aumenta a distância do pilar (Figura 9-13). Esta
variação pode ser testada fazendo-se o paciente morder sobre
tiras de cera verde calibre 28 ou qualquer cera semelhante C
ocluindo somente em oclusão central. As indentações numa tira
de cera de espessura conhecida são quantitativas, enquanto que Figura 9-12    O recobrimento das armações metálicas com
as marcas feitas com carbono de articulação são somente qua- sílica vaporizada facilita a aplicação e o selamento da resina
litativas. Em outras palavras, as indentações na cera podem ser acrílica ou resina composta para a base. O exemplo mostra uma
interpretadas como leves, médias ou pesadas, enquanto é difícil, base superior com grânulos para retenção adicional (A), depois
senão impossível, interpretar uma marca feita com carbono de da preparação da superfície por abrasão a ar (B) e depois do
articulação como leve ou pesada. Na realidade, um contato recobrimento com sílica (C).
oclusal pesado pode perfurar o papel de articulação e fazer
uma marca menor que uma área de contato mais leve. Assim, este fim, ­geralmente é usada cera verde ou azul de calibre 28,
o uso de qualquer carbono de articulação é de valor limitado embora a mais fina, calibre 30, ou a mais grossa, calibre 26,
na análise intraoral da oclusão. Ao fazer ajustes oclusais, o possam também ser usadas para uma avaliação melhor do
carbono de articulação deve ser usado somente para indicar espaço entre as áreas que não estão em contato.
onde devem ser feitos alívios após a necessidade de alívio ter A perda do suporte em uma base de extremidade livre resul-
sido verificada com tiras de cera de espessura conhecida. Para tará numa perda de contato oclusal entre os dentes da ­substituição
Capítulo 9  Considerações sobre a Base da Prótese 113

oclusão deve ser estabelecida para a base existente. O reembasa-


mento neste caso seria a solução errada para o problema.
A perda de suporte também pode ser avaliada clinicamente
por outros métodos. Uma camada de hidrocoloide irreversível
fluido, cera ou material para condicionamento de tecidos pode
ser espalhada na porção interna da base da prótese seca e levada
à boca do paciente. Deve-se tomar todo o cuidado para se asse-
gurar de que a prótese seja corretamente posicionada (apoios e
retentores indiretos nas posições planejadas). A prótese deve ser
removida quando da presa do hidrocoloide. Uma espessura
significativa de hidrocoloide sob a base indica a falta de contato
íntimo da base com o rebordo, sugerindo a necessidade de um
reembasamento.
Mais frequentemente, todavia, a perda da oclusão é acompa-
nhada pelo reposicionamento da prótese de tal forma em que é
Figura 9-13    Cera verde macia calibre 28 usada para registrar possível a observação de rotação sobre a linha de fulcro. Uma vez
os contatos oclusais entre uma base de prótese parcial removível que o reembasamento é a solução que deve ser tomada antes de
inferior Classe 1 e uma prótese total superior. se refazer uma nova base, o uso de bases de resina acrílica desde o
início é geralmente recomendado para facilitar os reembasamen-
tos. Por essa razão, as bases de resina acrílica nas próteses removí-
protética e a dentição antagonista e uma consequente sobrecarga veis de extremidade livre são geralmente a melhor escolha.
oclusal nos dentes naturais remanescentes. Normalmente, esta é A pergunta que persiste é quando, se há alguma situação, as
uma indicação de que o reembasamento é necessário para resta- bases metálicas com suas várias vantagens devem ser usadas
belecer a oclusão original pelo restabelecimento do contato de para próteses de extremidade livre. É discutível qual tipo de
suporte com o rebordo residual. Deve ser lembrado, porém, que rebordo será mais propenso a permanecer estável sob o carre-
a oclusão na extremidade livre é mantida, por vezes, às expensas gamento funcional sem mudança aparente. Certamente a idade
da extrusão dos dentes naturais antagonistas. Neste caso, a ava- e as condições gerais de saúde do paciente influenciarão a capa-
liação isolada da oclusão não mostrará os ajustes que a base de cidade do rebordo de se manter em função. Uma oclusão mínima
extremidade livre sofreu, já que mudanças no rebordo remanes- e harmoniosa e a precisão com que a base está ajustada aos
cente podem também ter acontecido. tecidos subjacentes influenciará a quantidade de trauma que
Uma segunda manifestação de mudanças no rebordo também ocorrerá quando a prótese está em função. A ausência de trauma
deve ser observada para justificar o reembasamento. Esta segunda desempenha papel preponderante na capacidade do rebordo de
manifestação no rebordo remanescente é a evidência de uma manter sua forma original.
rotação em tomo da linha de fulcro, com os retentores indiretos A melhor indicação para o uso de metal em próteses com
se levantando das suas posições quando a extremidade livre da extremidade livre é para aquele rebordo que já suportou uma
base é pressionada contra o rebordo. Se, originalmente, a extre- prótese removível anteriormente sem ter se tornado afilado ou
midade livre da base foi feita de forma a se adaptar ao rebordo, achatado ou que não seja um rebordo que sofreu grandes alte-
nenhuma rotação em torno da linha de fulcro seria perceptível. rações em seus tecidos moles. Quando essas mudanças ocorre-
No momento do posicionamento inicial, nenhum movimento ram sob uma prótese utilizada anteriormente, mudanças
rotacional anteroposterior deve ser observado quando pressões posteriores devem ser previstas por causa da possibilidade de os
digitais alternadas são aplicadas sobre os retentores indiretos e a tecidos orais em questão não serem capazes de sustentar uma
borda distal da base ou sobre a extremidade livre. Depois que base da prótese sem transformações indesejáveis. A despeito de
acontecem mudanças na forma do rebordo que podem ocasio- cada vantagem a seu favor, aparentemente existem alguns
nar alguma perda de suporte, a rotação ocorre em torno da linha pacientes cujo rebordo responde de modo desfavorável quando
de fulcro quando a pressão digital alternada é aplicada. Isto solicitado a sustentar qualquer base de prótese.
evidencia mudanças no rebordo remanescente que precisam ser Em outros casos, como quando uma nova prótese removível
compensadas pelo reembasamento. deve ser confeccionada em função da perda de outros dentes,
Se o contato oclusal foi perdido e a rotação em torno da linha os rebordos podem ainda estar firmes e sadios. Nestes casos, já
de fulcro é evidente, o reembasamento está indicado. Por outro que o rebordo sustentou previamente uma base de prótese e a
lado, se o contato oclusal foi perdido sem indício de rotação e se oclusão, as trabéculas ósseas se rearranjaram para melhor sus-
a estabilidade da base é satisfatória sob todos os outros aspectos, tentar as cargas verticais e horizontais, o osso cervical pode ter
o restabelecimento da oclusão é a solução e não o reembasamento. sido formado e os tecidos se tornaram mais favoráveis a oferecer
Neste caso, a base original da prótese pode ser usada da mesma suporte a uma base de prótese.
maneira que a base de prova que originalmente fora utilizada para Em apenas poucos casos em que a necessidade para o reem-
registrar a relação oclusal. Os dentes podem ser então reposicio- basamento da base na extremidade livre não foi prevista, as bases
nados contra um modelo antagonista ou um modelo de orienta- metálicas podem ser usadas. Existem, porém, vários casos que
ção oclusal com o uso de resina acrílica fotopolimerizável com a podem ser considerados limites. Nestes casos, as bases metálicas
cor dos dentes, compósitos da cor dos dentes, superfícies oclusais podem ser empregadas com a completa concordância por parte
fundidas ou dentes novos. De qualquer maneira, uma nova do paciente de que uma nova prótese pode se tornar necessária
114 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

se no futuro ocorrerem transformações teciduais não previstas. A oclusal e escolha correta de retentores diretos. Geralmente dois
técnica demonstrada na Figura 9-6 permite a substituição apenas tipos principais de braços são usados em próteses de extremi-
das porções distais da extremidade livre sem ser obrigatória a dade livre por causa do seu desenho que rompe forças. Braços
confecção de toda uma nova prótese. Este método deve ser forte- de retenção podem ser fundidos somente se atingem áreas
mente considerado todas as vezes em que uma prótese removível retentivas nos dentes pilares de tal maneira que o movimento
de extremidade livre for confeccionada com base de metal. da base com extremidade livre transmita apenas uma fração
Pelas razões anteriormente descritas, a possibilidade de que mínima deste movimento ao suporte. Por outro lado, um
os tecidos permaneçam mais sadios sob uma base de metal que braço de retenção em fio trefilado pode ser utilizado por causa
sob uma base de resina pode justificar o uso mais amplo de bases de sua maior flexibilidade. Apesar da sua flexibilidade, o braço
de metal em próteses de extremidade livre. Por meio de um de fio trefilado, redondo e afilado atua como um rompe-forças
planejamento cuidadoso, uma ótima educação do paciente quanto entre a base da prótese e o dente-suporte.
aos fatores envolvidos com a confecção de uma prótese de extre- Outro conceito de rompe-forças enfatiza a separação dos
midade livre e a observação de todos os cuidados durante a elementos retentivos do movimento da base por possibilitar
confecção das bases, o metal pode ser preferivelmente usado em movimentos independentes da base da prótese (ou da sua
situações em que a base de resina é comumente usada. estrutura de armação) e dos retentores diretos. Essa forma
de rompe-forças, também denominada equalizador de tensão,
tem sido usada como uma forma de compensar desenhos
Rompe-Forças (Equalizadores inadequados de próteses parciais removíveis. A Figura 9-14
De Tensão) mostra um exemplo de um conector maior, que é um
rompe-forças frequentemente utilizado.
Os capítulos anteriores que trataram dos componentes inte- Independentemente do seu desenho, quase todos os
grantes de uma prótese removível presumem a rigidez abso- rompe-forças efetivamente dissipam as cargas verticais, que é
luta de todas as partes da armação da prótese, com exceção a razão pela qual eles são usados. Entretanto, isto ocorre às
do braço de retenção do retentor direto. Todas as forças expensas da estabilidade horizontal e dos efeitos nocivos de
verticais e horizontais aplicadas aos dentes da prótese são uma estabilidade horizontal diminuída (absorção excessiva
distribuídas por todas as estruturas de sustentação do arco do rebordo, traumas ao tecido, mastigação ineficiente), que,
dental. Uma ampla distribuição de forças é conseguida por de longe, compensam os benefícios de um rompe-forças ver-
meio de conectores maiores e menores rígidos. O efeito dos tical. É a natureza rígida das próteses parciais removíveis mais
componentes de estabilização são tornados possíveis pela convencionais que permite o cumprimento de todos os requi-
rigidez dos conectores. sitos para o suporte, estabilidade e retenção sem sobrevalori-
No caso de uma prótese de extremidade livre, o uso de zação de um princípio em detrimento dos tecidos orais.
conexões rígidas entre a base da prótese e os dentes de suportes Ao estudante são indicados dois livros-texto que descrevem
deve levar em consideração que os eventuais movimentos da com detalhes o uso de rompe-forças e desenhos de próteses
base não devem causar nenhum tipo de dano aos dentes e aos parciais removíveis articuladas: (1) Precision Attachments in
tecidos. Nessas situações, a aplicação de forças ao dente pilar Dentisty, ed. 3 de H.W. Priskel; e (2) Theory and Practice of
e ao rebordo remanescente pode ser minimizada pelo uso de Precision Attachment Removable Partial Dentures, de J.L. Baker
uma moldagem funcional, uma ampla cobertura, ­harmonia e R.J. Goodkind.

A B

Figura 9-14    Com o carregamento oclusal de forças na prótese com extremidade livre, a borda lingual do conector maior mandibular
é deslocada do plano de contato planejado. Se não ocorre o retorno do contato adequado entre o conector maior e os dentes depois
que a carga posterior é removida, isto indica que o rebordo é pobre e que a função oclusal é aquém do ótimo. Deve-se considerar o
reembasamento da base da prótese para se restabelecer os contatos de oclusão, garantindo seu uso funcional.
10
C a p í t ulo

Princípios do Desenho da Prótese


Parcial Removível
Sumário Do Capítulo Diferença No Suporte Da Prótese E
Diferença no Suporte da Prótese e Influência no
Influência No Desenho
Desenho Algumas das considerações biomecânicas do desenho da prótese
Diferenciação entre Dois Tipos Principais de Prótese parcial removível foram apresentadas no Capítulo 4. A estraté-
Parcial Removível gia de selecionar partes componentes para uma prótese parcial
Diferenças no suporte para ajudar o controle do movimento da prótese sob carga
Registro de moldagem funcional, tem sido destacada como um método a ser conside-
Diferenças no desenho do grampo rado para desenho lógico da prótese parcial. Os requisitos para
Fatores Essenciais do Desenho da Prótese Parcial o controle do movimento são geralmente funções de a prótese
Componentes do Desenho da Prótese Parcial vir a ser dentossuportada ou dentomucosossuportada.
Suporte do dente Para uma prótese dentossuportada, o movimento potencial
Suporte do rebordo é menor porque a resistência à carga funcional é dada pelos
dentes. Os dentes não variam muito na sua habilidade em dar
Conectores maiores e menores
esse suporte; consequentemente, os desenhos para as próteses
Retentores diretos para próteses parciais
são menos variáveis. Esse é o caso no qual, apesar do volume do
dentossuportadas
osso de suporte, são bem estabelecidas a proporção coroa-raiz,
Retentores diretos para próteses parciais de as morfologias da coroa e da raiz e o número do dente e sua
extremidade livre distal posição no arco em relação aos espaços edêntulos, e podem ser
Componentes estabilizadores variáveis para próteses parciais removíveis (PPR) dentossupor-
Plano-guia tadas ou dentomucosossuportadas. Para uma prótese dentomu-
Retentores indiretos cosossuportada, o rebordo residual (osso alveolar remanescente e
Considerações do Implante no Desenho tecido conectivo sobrejacente coberto com mucosa) apresenta-­-
Exemplos de Abordagem Sistemática para Desenho se com potencial variável para suporte. O osso alveolar subjacente
Prótese parcial removível Classe III não só demonstra forma variável após a extração como conti-
Próteses parciais removíveis de extremidade livre, nua a mudar com o tempo. Enquanto o osso alveolar responde
bilateral, Classe I de Kennedy à perda dos dentes, a mucosa e o tecido conectivo subjacente
Próteses parciais removíveis Classe II de Kennedy passam por mudanças que colocam o tecido mole em risco para
Considerações Adicionais que Influenciam o Desenho mudanças inflamatórias induzidas por pressão. Esse suporte
Uso de barra de contenção para suporte da prótese potencial variável do tecido adiciona complexidade às conside-
Encaixe por clipe interno rações do desenho quando se está lidando com prótese dento-
Recobrimento oclusal do dente suporte para o apoio mucosossuportada. Isso ocorre porque diferente do suporte
da base da prótese eficiente dado pelos dentes, que resulta em movimento limitado
Uso de um componente parcial para adquirir suporte da prótese, a reação do rebordo tecidual às forças funcionais
podem ser altamente variáveis, levando a quantidades variáveis de
movimento da prótese. É útil uma compreensão das origens
potenciais da força funcional do arco oposto que pode ter um
efeito no movimento potencial da prótese.

115
116 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 10-1    A, Arco parcialmente edêntulo Classe I de Kennedy. O conector maior para as bases da prótese precisa vir dos
rebordos residuais, sendo o suporte dos apoios oclusais dos dentes efetivos apenas na porção anterior de cada base. B, O arco de
Kennedy Classe III de Kennedy, modificação 1, parcialmente edêntulo fornece total suporte do dente para a prótese. Uma prótese
parcial removível feita para esse arco é totalmente suportada por apoios em nichos oclusais apropriadamente preparados em quatro
dentes pilares.

Fatores relacionados à posição dentária no arco antagonista,


a existência e natureza do suporte protético do arco antagonista
e o potencial para estabelecer uma oclusão harmoniosa podem
Mucosa/Periósteo
influenciar muito o desenho da prótese parcial. As posições [2,0  mm]
dentárias dos antagonistas que aplicam forças fora do suporte
]
principal da prótese podem introduzir forças de alavanca que
agem para deslocar a prótese. Tal efeito é variável e é fundamen-
tado na natureza da oclusão oposta, porque as forças de oclusão
diferem entre dentes naturais, próteses parciais removíveis e
próteses totais. Em geral, próteses parciais removíveis antagôni-
cas a dentes naturais precisarão de maior suporte e estabilização
ao longo do tempo devido a maiores demandas da carga fun-
cional. Assim, relações oclusais em máxima intercuspidação
devem ser de modo geral amplamente dissipadas para as uni- Ligamento periodontal
[0,25  0,1 mm]
dades de suporte.

Figura 10-2    A deformação dos tecidos sobre o rebordo edên-


tulo será de aproximadamente 500 mm sob 4 newtons de força,
Diferenciação Entre Dois Tipos
enquanto os dentes pilares demonstrarão aproximadamente
Principais De Prótese Parcial Removível 20 mm de intrusão sob a mesma carga.
Com base na discussão anterior, é claro que existem dois tipos
claramente diferentes de PPRs. Alguns pontos da diferença estão
presentes entre os tipos de próteses parciais Classe I e Classe II
de Kennedy de um lado e as próteses parciais Classe III do outro. presente para elevar a partir de mucosas de suporte, devido à
A primeira consideração é quanto à maneira pela qual cada uma ação de alimentos pegajosos e dos movimentos dos tecidos da
é suportada. O tipo Classe I e o lado de extensão distal do tipo boca contra as bordas da prótese. Isso porque cada extremidade
Classe II derivam seu principal suporte de tecidos subjacentes de cada base da prótese é segura por um retentor direto nos
da base e o suporte secundário dos dentes pilares (Figura 10-1, dentes pilares. Sendo assim, a prótese parcial dentossuportada
A e Figura 10-2). A Classe III deriva todo seu suporte dos dentes não gira sobre um fulcro, como o faz a prótese parcial com
pilares (Figura 10-1, B e Figura 10-2). extremo livre.
Segundo, por razões diretamente relacionadas ao modo de Quarto, a maneira pela qual o aparelho removível de exten-
suporte, o método de registro de moldagem e o registro da são distal é suportada frequentemente precisa do uso de um
arcada para cada tipo vão variar. material de base que possa ser reembasado para compensar as
Terceiro, a necessidade de alguma forma indireta de retenção mudanças do tecido. A resina acrílica é geralmente usada
existe no tipo de extensão distal da prótese parcial, enquanto na como material de base nesses casos. Por outro lado, a prótese
dentossuportada tipo Classe III nenhuma base de ­extensão está parcial Classe III, que é inteiramente dentossuportada, não
Capítulo 10  Princípios do Desenho da Prótese Parcial Removível 117

requer reembasamento, exceto quando é aconselhável elimi- Registro de Moldagem


nar uma condição anti-higiênica, antiestética ou desconfortá- Um registro de moldagem para a fabricação de uma prótese
vel, resultante da perda de tecido de contato. Bases de metal, parcial deve preencher os dois seguintes requisitos:
entretanto, são mais frequentemente usadas em restaurações 1. A forma anatômica e a relação dos dentes remanescentes
dentossuportadas, porque não é muito provável haver neces- no arco dental, assim como os tecidos moles circunvizi-
sidade de reembasá-las. nhos, devem ser precisamente moldados para que a
prótese não exerça pressão naquelas estruturas além de
seus limites fisiológicos. Um tipo de material de molda-
Diferenças no Suporte gem que possa ser removido de áreas de retenção sem
A prótese parcial de extremidade livre deriva seu principal distorção permanente deve ser usado para preencher esse
suporte do rebordo residual com sua cobertura de tecido requisito. Materiais de moldagem elásticos, como hidro-
conjuntivo fibroso. O comprimento e o contorno deste coloide irreversível (alginato), mercaptana (Thiocol),
rebordo influenciam significativamente o volume de suporte materiais de moldagem de silicone (tanto de condensação
disponível e a estabilidade (Figura 10-3). Algumas áreas do quanto de adição) e os poliéteres servem melhor a esse
rebordo residual são firmes, com capacidade de deslocamento propósito.
limitada, enquanto outras áreas são deslocáveis, dependendo da 2. A forma de suporte dos tecidos moles subjacentes à base
espessura e do caráter estrutural dos tecidos que revestem o com extensão distal da prótese parcial deve ser moldada
osso alveolar. O movimento da base sob função determina para que áreas firmes sejam usadas como áreas primárias
a  eficiência oclusal da prótese parcial e também o grau ao de sustentação e os tecidos facilmente deslocáveis não
qual  os dentes pilares estão sujeitos a torque e estresse de sejam sobrecarregados. Apenas dessa maneira o suporte
inclinação. máximo da base da prótese parcial pode ser obtido. Um

Deslocamento
de 2 mm do tecido

Figura 10-3    A, Quanto mais longa a área desdentada coberta pela base da prótese, maior o potencial de alavanca sobre os dentes
pilares. Se uma área de extensão da base é 30 mm (ac) e o deslocamento do tecido é de 2 mm (ab), a quantidade de movimento da
placa proximal no plano-guia será aproximadamente de 0,25 mm: [a = √ (ab)2 + (ac)2]; arco da tangente ab/ad = x/cd (2/30 = x/3,75 = 0,25 mm).
B, O rebordo plano proverá bom suporte, mas pouca estabilidade. C, O rebordo afilado proverá pouco suporte, e estabilidade pouca
a razoável. D, O tecido deslocável no rebordo irá oferecer pouco suporte e pouca estabilidade.
118 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

material de moldagem capaz de deslocar o tecido suficien- com um apoio distal) devem ser capazes de se flexionar sufi-
temente para registrar a forma de suporte do rebordo cientemente a fim de dissipar o estresse que, caso contrário,
preencherá esse segundo requisito. Uma cera fluida à tem- seria diretamente transmitido aos dentes pilares como um
peratura da boca ou qualquer um dos materiais de molda- movimento de alavanca. Por outro lado, um grampo usado em
gem fluidos (base de borracha, os silicones, ou os poliéteres conjunção com um apoio mesial pode não transmitir tanto
em uma moldeira individual) podem ser empregados para estresse aos dentes pilares por causa da redução nas forças de
registrar a forma de suporte. Pasta de moldagem à base de alavanca que resultam de uma mudança na posição do fulcro.
óxido de zinco e eugenol também pode ser usada quando Isso serve ao propósito de reduzir ou “quebrar” o estresse, daí
apenas a área de extensão da base está sendo moldada o termo rompe-forças, e é uma estratégia frequentemente incor-
(Capítulo 15). porada nos desenhos de próteses parciais mediante várias
Nenhum material de moldagem único pode cumprir satis- maneiras. Alguns dentistas acreditam fortemente que uma
fatoriamente ambos os requisitos já mencionados. Registrar barra rompe-forças é a melhor maneira de prevenir que o
a forma anatômica, tanto dos dentes quanto dos tecidos de movimento de alavanca seja transmitido aos dentes pilares.
suporte, resultará em suporte inadequado para a base com Outros também acreditam que um fio trefilado ou um braço
extensão distal. Isso porque o modelo não representará formas de retenção do tipo barra cumpre mais efetivamente esse
coordenadas ótimas, o que requer que o rebordo tenha de ­propósito com maior simplicidade e facilidade de aplicação.
estar relacionado aos dentes de maneira a suportá-los. Essa Um braço do grampo de retenção feito de fio trefilado pode
coordenação do suporte maximiza a capacidade de suporte se flexionar mais facilmente em todas as direções do que o
para o arco e minimiza o movimento da prótese parcial sob modelo de braço do grampo meia-cana. Desse modo, ele pode
função. dissipar mais efetivamente esses estresses que, de outra forma,
poderiam ser transmitidos aos dentes pilares. Uma discussão
das limitações das barras rompe-forças foi apresentada no
Diferenças no Desenho do Grampo Capítulo 9.
Um quinto ponto de diferença entre os dois principais tipos de Apenas o braço retentivo do grampo circunferencial, entre-
próteses parciais removíveis recai sobre seus requisitos para a tanto, deve ser feito de fio trefilado. A reciprocidade e estabi-
retenção direta. lidade contra o movimento lateral e de torque devem ser
A prótese parcial dentossuportada, que é totalmente obtidas pelo uso dos elementos fundidos rígidos que consti-
suportada por dentes pilares, é retida e estabilizada por um tuem o restante do grampo. Isso é chamado de grampo com-
grampo em cada extremo dos espaços edêntulos. Como esse binado, porque é formado de materiais fundidos e forjados
tipo de prótese não se move sob função (exceto dentro das incorporados em um retentor direto. Isto é frequentemente
limitações fisiológicas das unidades de suporte do dente), o utilizado no pilar terminal para prótese parcial de extremi-
único requisito para tais grampos é que eles se flexionem dade livre distal e é indicado onde há retenção mesiovestibu-
suficientemente durante a colocação e remoção da prótese lar, sem retenção distovestibular, ou onde existe uma retenção
para passarem pelo equador protético dos dentes ao se apro- espessa de tecido, cervical e vestibular para o dente pilar. Deve
ximarem ou escaparem da área de retenção. Enquanto está em sempre ser lembrado que os fatores como comprimento e
sua posição final no dente, um grampo retentivo deve ser material contribuem para a flexibilidade dos braços do
passivo e não deve se flexionar, exceto quando um está envol- grampo. Do ponto de vista das propriedades físicas dos mate-
vendo a área de retenção do dente para resistir a uma força riais, um braço curto de fio trefilado pode ser um elemento
de deslocamento vertical. destrutivo devido a sua reduzida habilidade de se flexionar,
Os braços de retenção fundidos são geralmente usados para comparada com um braço de fio fundido longo demais.
esse propósito. Estes podem ser do tipo circunferencial, sur- Entretanto, além da sua maior flexibilidade, comparada ao
gindo do corpo do grampo e aproximando-se da área retentiva grampo circunferencial fundido, o grampo de combinação
a partir de uma direção oclusal, ou do tipo barra, surgindo da possui mais vantagens de ajuste, contato mínimo com o dente
base da prótese e se aproximando da área de retenção a partir e melhor estética, o que justifica seu uso ocasional em dese-
de uma direção gengival. Cada um desses dois tipos de grampo nhos dentossuportados.
fundido tem suas vantagens e desvantagens. A quantidade de tensão transferida aos rebordos edêntulos
Na combinação PPR dentossuportada e dentomucosossupor- e aos dentes pilares dependerá (1) da direção e magnitude da
tada, devido ao movimento funcional antecipado da base com força; (2) do comprimento do(s) braço(s) de alavanca da base
extensão distal, o retentor direto adjacente à base de extensão protética; (3) da qualidade da resistência (suporte dos rebordos
distal (extremidade livre) deve cumprir ainda outra função, edêntulos e dentes naturais remanescentes); e (4) das caracte-
além de resistir ao deslocamento vertical. Devido à falta de rísticas do desenho da prótese parcial. Como mencionado no
suporte distal do dente, a base da prótese se moverá em direção Capítulo 7, a localização do apoio, o desenho do conector menor
à mucosa sob função proporcionalmente à qualidade (habili- e como ele se relaciona ao seu plano-guia correspondente, e a
dade de deslocamento) dos tecidos moles de suporte, à precisão localização do braço de retenção são todos fatores que influen-
da base da prótese e à carga oclusal total aplicada. Devido a ciam o modo como um sistema de grampo funciona. Quanto
esse movimento em direção à mucosa, aqueles elementos de maior a área da superfície de contato de cada conector menor
um grampo que ficam em uma área de retenção mesial ao a seu plano-guia correspondente, mais horizontal é a distribui-
fulcro para uma extensão distal (como é frequentemente visto ção da força (Figura 10-4).
Capítulo 10  Princípios do Desenho da Prótese Parcial Removível 119

Força Força Força


oclusal oclusal oclusal

Força Força Força


elevatória elevatória elevatória

Figura 10-4    1, O contato máximo da placa proximal do conector menor com o plano-guia produz maior distribuição horizontal
de tensões ao dente suporte. 2, O contato mínimo ou desencaixe do conector menor com o plano-guia permite a rotação ao redor
do fulcro localizado no apoio mésio-oclusal, produzindo maior distribuição vertical das tensões para a área do rebordo. 3, O contato
do conector menor com o plano-guia da crista marginal até a junção do terço médio e gengival do dente pilar distribui a carga
verticalmente para o rebordo e horizontalmente para o dente pilar. F é a localização do movimento do fulcro para a base de
extensão distal.

disponível das áreas de rebordo desdentados, deve-se levar em


Fatores Essenciais Do Desenho Da
consideração (1) a qualidade do rebordo residual, que inclui
Prótese Parcial
contorno e qualidade do osso suporte (como o osso respondeu
O desenho da armação da prótese parcial deve ser sistematica- a estresse anterior) e qualidade da mucosa de revestimento; (2)
mente desenvolvido e esboçado em um modelo de diagnóstico a extensão na qual o rebordo residual será coberto pela base da
preciso com base nos seguintes conceitos protéticos: em que a prótese; (3) o tipo e a precisão do material de moldagem; (4) a
prótese é suportada, como o suporte é conectado, como a precisão da base protética; (5) as características do desenho das
prótese é retida, como o suporte e a retenção são conectados e partes componentes da estrutura metálica da prótese parcial; e
como o suporte da base edêntula é conectado. (6) a carga oclusal prevista. No Capítulo 16 encontra-se uma
Ao desenvolver o desenho, primeiro é necessário determi- explicação completa do suporte da mucosa para próteses par-
nar como a prótese parcial será suportada. Em uma prótese ciais com base em extensão.
parcial inteiramente dentossuportada, a localização ideal para Áreas da base protética adjacentes aos dentes pilares são
as unidades de suporte (apoios) é nos nichos de apoio prepa- primordialmente dentossuportadas. Como uma área prosse-
rados nas superfícies oclusal, incisiva ou cíngulo do pilar gue fora dos dentes pilares, as próteses ficam mais mucossu-
adjacente a cada espaço edêntulo (Figura 10-1, B). O tipo de portadas. Sendo assim, é necessário incorporar características
apoio e a quantidade de suporte necessária devem ser funda- no desenho da prótese parcial que distribuirão a carga funcio-
mentados na interpretação dos dados do diagnóstico coletados nal igualmente entre os dentes pilares e os tecidos de suporte
do paciente. Ao avaliar o suporte potencial que os dentes do rebordo edêntulo. Situar as unidades de suporte dentárias
pilares podem prover, deve-se levar em consideração (1) a (apoios) nos dentes pilares principais e desenhar os conecto-
saúde periodontal; (2) as morfologias da coroa e da raiz; (3) res menores que são adjacentes às áreas edêntulas para unir os
a relação coroa-raiz; (4) a área de índice ósseo (como o dente planos-guia de tal maneira que a carga funcional seja igual-
respondeu a estresse anterior); (5) a localização do dente no mente dispersa entre as unidades de dente e tecido disponíveis
arco; (6) a relação do dente com as outras unidades de suporte fornecerá desenhos com distribuição controlada de suporte
(comprimento da amplitude edêntula); e (7) a dentição anta- (Figura 10-4).
gonista. (Para uma compreensão mais profunda dessas condi- O segundo passo no desenvolvimento sistemático do
ções, rever os Capítulos 6 e 12). desenho para qualquer prótese parcial removível é conectar as
Em uma prótese parcial dentossuportada e dentomucosos- unidades de suporte do dente e da mucosa. Essa conexão é
suportada, deve-se dar atenção a essas mesmas considerações facilitada localizando-se e desenhando-se os conectores maiores
quanto aos dentes pilares. Entretanto, o suporte correto deve vir e menores de acordo com os princípios e conceitos básicos
das áreas de rebordo edêntulas. Ao avaliar o suporte potencial apresentados no Capítulo 5. Os conectores maiores devem ser
120 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

rígidos para que as forças aplicadas a qualquer porção da Componentes Do Desenho


prótese possam ser efetivamente distribuídas às estruturas de Da Prótese Parcial
suporte. Os conectores menores que vêm do conector maior
tornam possível transferir a tensão funcional para cada dente Todas as próteses parciais têm duas coisas em comum: (1)
pilar por meio de suas conexões com o apoio correspondente devem ser suportadas por estruturas orais, e (2) devem ser
e também transferir os efeitos dos retentores, apoios, e compo- retidas contra forças de deslocamento razoáveis.
nentes de estabilização ao restante da prótese e através do arco Na prótese parcial Classe III de Kennedy, são necessários três
dental. componentes: suporte fornecido por apoios, os conectores
O terceiro passo é determinar como a prótese parcial remo- (componentes de estabilização) e os retentores.
vível será retida. A retenção deve ser suficiente para resistir a A prótese parcial que não tem a vantagem do suporte do
forças de deslocamento razoáveis. Como foi afirmado no Capí- dente em cada extremidade do espaço edêntulo ainda deve ser
tulo 7, a retenção é alcançada pela colocação de elementos suportada, mas nessa situação, o suporte vem de ambos os
mecânicos de retenção (grampos) nos dentes pilares e pela dentes e dos tecidos subjacentes do rebordo e não dos dentes
relação íntima das bases da prótese e conectores maiores (supe- sozinhos. Isso é um suporte composto, e a prótese deve ser
riores) com os tecidos subjacentes. A chave para selecionar um fabricada para que o suporte resiliente fornecido pelo rebordo
desenho de grampo bem-sucedido para qualquer situação dada edêntulo seja coordenado com um suporte mais estável ofere-
é escolher um que irá (1) evitar a transmissão direta de forças cido pelos dentes pilares. Os elementos essenciais — suporte,
de torque ou inclinação ao pilar; (2) acomodar os princípios conectores e retentores — devem ser desenhados e executados
básicos do desenho do grampo pela localização definitiva mais cuidadosamente devido ao movimento das áreas da base
das partes componentes corretamente posicionadas nas super- da prótese mucossuportada. Ademais, a provisão deve ser feita
fícies dos dentes pilares; (3) promover a retenção contra forças por três fatores, como:
de deslocamento razoáveis (com consideração para retenção 1. O melhor suporte possível deve ser obtido dos tecidos resi-
direta); e (4) ser compatível com a localização da retenção, com lientes que cobrem os rebordos. Isso é alcançado mais pela
contorno do tecido e com os desejos estéticos do paciente. técnica de moldagem que pelo desenho da prótese, apesar de
A  localização da retenção é o fator isolado mais importante a área coberta pela base da prótese parcial ser um fator de
na  seleção de um grampo. A localização da retenção, entre- contribuição no suporte.
tanto, pode ser modificada fazendo-se um novo contorno ou 2. O método de retenção direta deve levar em conta o movi-
restaurando-se os dentes pilares para acomodarem um desenho mento inevitável em direção à mucosa da base de exten-
de grampo mais adequado a fim de satisfazer o critério para a são distal sob os esforços da mastigação e oclusão.
seleção do grampo. Retentores diretos devem ser desenhados de modo que a
A importância relativa da retenção é destacada pelos resul- carga oclusal vá resulta na transmissão direta ao longo
tados de um ensaio clínico de investigação de desenhos de eixo dos dentes pilares e não ao invés de transmissão
próteses. Um ensaio clínico randomizado de 5 anos de dois como alavanca.
desenhos básicos de prótese parcial removível — uma com 3. A prótese parcial, com uma ou mais bases protéticas em
apoio, placa proximal e grampo a barra I (RPI) e uma com extremo livre, deve ser desenhada a fim de que o movi-
desenho de grampo circunferencial — não demonstrou mento da extremidade para fora dos tecidos seja minimi-
mudanças perceptíveis após 60 meses em nove componentes zado. Isso é muitas vezes chamado de retenção indireta e é
de saúde periodontal dos dentes pilares com ambos os dese- mais bem descrita em relação a um eixo de rotação por
nhos. Os resultados completos indicam que os dois desenhos meio das áreas de apoio dos pilares principais (Capítulo 8).
não diferiram quanto aos níveis de sucesso, manutenção ou Entretanto, a retenção da base da prótese parcial removível
efeitos nos dentes pilares. Sendo assim, uma prótese parcial pode por si só ser feita para ajudar a prevenir esse movi-
removível bem construída, que seja suportada por pilares mento e, nesse caso, pode ser discutida como retenção
favoráveis e bons rebordos residuais apropriadamente prepa- direta-indireta.
rados e mantidos em um paciente que apresente boa higiene
oral, oferece a melhor oportunidade para um tratamento
Suporte do Dente
satisfatório.
O quarto passo é a união das unidades de retenção às uni- O suporte da prótese parcial removível pelos dentes pilares é
dades de suporte. Se os retentores diretos e indiretos são para dependente do suporte alveolar desses dentes, da morfologia
funcionar tal como desenhados, cada um deve ser rigidamente da coroa e da raiz, da rigidez da armação da prótese parcial e
anexado ao conector maior. Os critérios para seleção, localiza- do desenho dos apoios oclusais. Por meio de interpretação
ção e desenho são os mesmos já indicados para conectar as clínica e radiográfica, o dentista pode avaliar os dentes pilares
unidades de suporte do dente e da mucosa. e decidir se eles darão suporte adequado. Em alguns casos, é
O quinto e último passo na abordagem sistemática para conveniente a esplintagem de dois ou mais dentes, tanto pelo
desenhar é delimitar e unir a área edêntula aos componentes do uso de prótese parcial fixa quanto pela união de duas ou mais
desenho já estabelecidos. É necessária estrita atenção aos deta- restaurações juntas. Em outros casos, um dente pode ser con-
lhes das características do desenho delineados anteriormente, a siderado muito fraco para ser usado como um pilar, e a exo-
fim de assegurar a rigidez do material de base sem interferir na dontia é indicada em favor da obtenção de melhor suporte de
colocação do dente. um dente adjacente.
Capítulo 10  Princípios do Desenho da Prótese Parcial Removível 121

Tendo decidido sobre os pilares, o dentista é responsável pela osso, que são comparativamente flexíveis sob forças oclusais.
preparação e restauração dos dentes pilares a fim de acomodar Tecidos resilientes, que são deformados ou deslocados por
o desenho mais ideal da prótese parcial. Isso inclui a forma dos carga oclusal, são incapazes de dar suporte para a base protética
nichos de apoio oclusal. Essas modificações podem ser prepa- em comparação ao oferecido pelos dentes pilares. Esse pro-
radas no esmalte hígido do dente ou em materiais restaurativos blema do suporte é posteriormente complicado pelo fato de o
que resistirão ao estresse funcional e ao desgaste das partes paciente ter dentes naturais remanescentes que podem exercer
componentes da prótese parcial removível. O técnico não pode muito mais força oclusal nas mucosas de suporte do que o que
ser responsável pela preparação inadequada dos dentes pilares, resultaria se o paciente fosse completamente edêntulo. Esse
tal como pelo suporte do apoio oclusal. Por outro lado, o técnico fato é claramente evidente no dano que muitas vezes ocorre a
é o único culpado no caso de ele/ela sobreestender o apoio, ou um rebordo edêntulo quando este é antagonizado por uns
falhar em incluir as áreas totalmente preparadas. Se o dentista poucos dentes anteriores remanescentes no arco oposto, e
tiver reduzido suficientemente as áreas do rebordo marginal do especialmente quando a oclusão oposta dos dentes anteriores
nicho de apoio a fim de evitar interferência dos dentes antago- foi arranjada para que o contato ocorra nas posições cêntrica
nistas, e se um nicho de apoio oclusal definitivo for fielmente e excêntrica.
registrado no modelo principal e delineado no desenho, então Os tecidos do rebordo registrados em sua forma de repouso
nenhuma desculpa pode ser dada para forma inadequada do ou forma não funcional são incapazes de fornecer o suporte
apoio oclusal na prótese parcial. composto necessário para uma prótese que deriva seu suporte
tanto do tecido mole quanto do tecido duro. Três fatores devem
Suporte do Rebordo ser considerados na aceitação de uma técnica de moldagem para
O suporte para a prótese parcial removível dentossuportada ou próteses parciais removíveis de extremo livre: (1) o material
do espaço de modificação dentossuportado vem inteiramente deve registrar os tecidos cobrindo as áreas de sustentação pri-
dos dentes pilares por meio de apoios. O suporte para a base márias em sua forma funcional; (2) tecidos dentro da área basal,
protética com extremo livre vem principalmente dos tecidos em vez de áreas de sustentação primárias, devem ser registrados
moles sobrejacentes e do osso alveolar residual da área da base em sua forma anatômica; e (3) a área total coberta pela molda-
de extremo livre. Por último, o suporte do apoio é efetivo apenas gem deve ser suficiente para distribuir a carga pelo máximo de
no final do pilar da base da prótese. área possível quanto pode suportar os tecidos periféricos. Isso
A efetividade do suporte da mucosa depende de seis fatores: é uma aplicação do princípio do sapato de neve.
(1) a qualidade do rebordo residual; (2) a extensão em que o Qualquer um que tenha tido a oportunidade de comparar
rebordo residual será coberto pela base da prótese; (3) a pre- dois modelos de estudo para o mesmo arco edêntulo — um
cisão e o tipo do registro de moldagem; (4) a precisão da base molde tendo a área de extremo livre registrada em sua forma
da prótese; (5) as características do desenho das partes com- anatômica ou de repouso e o outro tendo a área de extremo
ponentes da armação da prótese parcial; e (6) a carga oclusal livre registrada em sua forma funcional — ficou impressionado
aplicada. com as diferenças na topografia (Figura 10-6). A base de uma
A qualidade do rebordo residual não pode ser influenciada, prótese processada da forma funcional é geralmente menos
com exceção do seu aperfeiçoamento pelo condicionamento da irregular e fornece maior cobertura de área que uma base de
mucosa, ou pode ser modificada por intervenção cirúrgica. Tais prótese processada para a forma anatômica ou de repouso.
modificações são quase sempre necessárias, mas não são fre- Além disso, e de para maior significância, a base de uma prótese
quentemente feitas. feita para forma anatômica exibe menos estabilidade sob forças
A precisão da técnica de moldagem está inteiramente nas de rotação e/ou torque que uma base de prótese processada para
mãos do dentista. A cobertura máxima do tecido de suporte que forma funcional, e assim falha em manter sua relação oclusal
abrange as áreas primárias de sustentação deve ser o principal com os dentes antagonistas. Quando o paciente é solicitado a
objetivo em qualquer técnica de moldagem de prótese parcial. ocluir sobre tiras de cera macia, é evidente que a oclusão é
A maneira pela qual isso é alcançado deve se basear na com- mantida em um ponto de equilíbrio por um período de tempo
preensão biológica do que acontece sob a base de extremo livre mais longo quando a base da prótese foi feita para a forma
da prótese quando uma carga oclusal é aplicada. funcional. Por outro lado, evidências indicam que o “aprofun-
A precisão da base protética é influenciada pela escolha de damento” rápido da base da prótese ocorre quando foi feita para
materiais e pela exatidão das técnicas de processamento. Bases a forma anatômica, com um retorno precoce da oclusão de
protéticas imprecisas e deformadas influenciam adversamente contato somente dos dentes naturais. Tal prótese não apenas
o suporte da prótese parcial. Materiais e técnicas que vão falha em distribuir a carga oclusal igualmente, mas também
assegurar a melhor estabilidade dimensional devem ser possibilita movimento rotacional, que é prejudicial aos dentes
selecionados. pilares e a suas estruturas.
A carga oclusal total aplicada ao rebordo residual pode ser Um implante pode servir eficientemente para melhorar o
influenciada reduzindo-se a área de contato oclusal. Isso é feito suporte do rebordo trocando-se a compressão do tecido visto
com o uso de dentes artificiais em menor número, mais estrei- sobre carga funcional com a resistência firme oferecida
tos, e de forma mais eficiente (Figura 10-5). pelo osso que suporta um implante. O benefício para o controle
A prótese parcial removível de extremo livre é a única na do ­movimento é alcançado como se fosse feita uma mudança
qual seu suporte é derivado dos dentes pilares, que são com- de uma prótese dentomucosossuportada para uma prótese
parativamente inflexíveis, e dos tecidos moles suprajacentes ao dentossuportada.
122 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 10-5    A, A carga oclusal total aplicada pode ser reduzida usando-se dentes posteriores comparativamente menores repre-
sentados pela ilustração à direita. B, Será exigida menos força muscular para penetrar o bolo alimentar com uma mesa oclusal reduzida,
por conseguinte reduzindo forças para as estruturas orais de suporte.

Figura 10-6    A, Modelo de arco parcialmente edêntulo representando a forma anatômica dos rebordos residuais. Foi feita uma
moldagem na moldeira de estoque usando hidrocoloide irreversível. B, Foi uma moldagem funcional ou da forma de suporte do rebordo
residual feita com uma moldeira individualizada, possibilitando o correto deslocamento dos tecidos e uma moldagem de forma
definitiva.

Conectores Maiores e Menores conector maior e o juntam com os outros componentes da


Conectores maiores são as unidades da prótese parcial que prótese; portanto, eles servem para conectar as unidades de
conectam as partes da prótese localizada em um lado do arco suporte dentário e tecidual. Um conector maior deve ser
com as do lado oposto. Conectores menores surgem do apropriadamente localizado em relação aos tecidos gengivais
Capítulo 10  Princípios do Desenho da Prótese Parcial Removível 123

e aos tecidos móveis e devem ser desenhados para ser rígidos. pode algumas vezes, mas raramente, eliminar a necessidade de
A rigidez em um conector maior é necessária para fornecer retentores indiretos.
distribuição das forças apropriadamente para e dos compo-
nentes de suporte.
Um conector de barra lingual deve ser afunilado superior- Retentores Diretos para Próteses Parciais
mente, apresentando, em corte transversal, um formato de meia Dentossuportadas
pera e deve ser aliviado suficientemente, mas não excessiva-
Retentores para próteses parciais dentossuportadas têm apenas
mente, sobre o tecido subjacente quando este alívio é indicado.
duas funções: reter a prótese contra forças de deslocamento
A adição de uma barra retentora contínua ou uma extensão
razoáveis sem dano aos dentes pilares e auxiliar a resistir a
lingual não altera o desenho básico da barra lingual. Estes são
qualquer tendência da prótese a ser deslocada em um plano
adicionados somente para suporte, estabilização, rigidez e pro-
horizontal. A prótese não pode mover-se verticalmente em
teção dos dentes anteriores e não são conectores ou retentores
direção à mucosa porque os componentes retentivos do grampo
indiretos. A borda inferior, tanto da barra lingual como da placa
reunidos são suportados pelo apoio. Nenhum desalojamento
lingual, deve ser gentilmente arredondada para prevenir irrita-
em relação aos tecidos deve ocorrer e, portanto, nenhuma
ção aos tecidos subjacentes quando a prótese, em função, se
rotação em torno de um fulcro, porque o componente retentivo
move levemente.
está seguro por um retentor direto.
O uso de uma placa lingual é indicado quando os dentes
Qualquer tipo de retentor direto é aceitável, desde que os
anteriores inferiores estão enfraquecidos por doença periodon-
dentes pilares não sejam ameaçados por sua presença. Reten-
tal. Também é indicado em arcos parcialmente edêntulos de
tores intracoronários (friccionais) são ideais para próteses
Classe I de Kennedy quando é necessária resistência de rotação
dentossuportadas e oferecem vantagens estéticas que não são
horizontal adicional da prótese devido a rebordos residuais
possíveis com retentores extracoronários (grampos). No
excessivamente reabsorvidos. Ainda é vista outra indicação
entanto, grampos tipo barra e circunferenciais são mecanica-
nessas situações na qual o assoalho bucal aproxima-se muito da
mente efetivos e mais economicamente construídos do que os
gengiva lingual dos dentes anteriores, de tal modo que uma
retentores intracoronários e, assim, são mais universalmente
barra lingual inflexível não pode ser adequadamente posicio-
usados.
nada sem colidir nos tecidos gengivais.
Áreas vulneráveis nos dentes pilares devem ser protegidas
Experiência com a placa lingual mostrou que com boa
por restaurações com ambos os tipos de retentores. O grampo
higiene oral os tecidos subjacentes continuam saudáveis e não
não deve invadir os tecidos gengivais. O grampo não deve
surge nenhum efeito prejudicial aos tecidos pela cobertura
exercer torque excessivo nos dentes pilares durante a colocação e
metálica por si só. Entretanto, o alívio adequado deve ser dado
a remoção. Ele deve ser localizado na menor distância dentro
ainda que um componente de metal cruze as margens gengivais
da área retentiva do dente e deve ser desenhado com um mínimo
e a gengiva marginal. Alívio excessivo deve ser evitado porque
de carga e contato do dente.
os tecidos tendem a preencher um vazio, resultando em um
Grampo em barra deve ser usado apenas quando a área
crescimento exagerado de tecido anormal. O volume do alívio
para retenção estiver perto da margem gengival do dente e for
usado, assim, deve ser apenas o mínimo necessário para evitar
necessário pouco alívio do tecido. Se o grampo tiver de ser
o traumatismo da gengiva.
colocado alto, se o vestíbulo for extremamente raso, ou se
Não parece haver muitas vantagens a serem descobertas no
existir um espaço indesejável sob o braço do grampo em barra
uso da barra contínua versus a placa lingual. Em raros casos,
devido ao alívio de uma área de retenções teciduais, o braço
quando uma placa lingual for visível por meio de múltiplos
do grampo em barra não deve ser usado. No caso de uma
espaços interproximais, o retentor em barra contínua pode ser
retenção tecidual extensa, deve-se levar em consideração o
preferível apenas por questões estéticas. Em outros casos,
recontorno do pilar e o uso de algum tipo de retentor direto
quando existe um único diastema, uma placa lingual pode ser
circunferencial.
cortada nessa área para evitar a exposição do metal, sem sacri-
ficar seu uso, quando de outra forma indicado.
A rigidez de um conector maior palatino é tão importante
quanto a sua localização e desenho tão críticos quanto para Retentores Diretos para Próteses Parciais de
uma barra lingual. Um conector palatino em U é raramente Extremidade Livre Distal
justificado, exceto para evitar um tórus palatino inoperável Retentores para próteses parciais de extremidade livre,
que se estenda à junção dos palatos duro e mole. Nem pode enquanto retêm a prótese, devem também ser capazes de se
ser justificável o uso rotineiro de uma estreita barra palatina flexionar ou se afastar quando a base da prótese se mover
única. A combinação de um conector maior palatino antero- cervicalmente sob função. Assim o retentor pode agir como
posterior do tipo cinta é mecanicamente e biologicamente rompe-forças. Rompe-forças mecânicos realizam a mesma
sadia se for localizada de maneira a não infringir os tecidos. O coisa, mas eles o fazem em detrimento da estabilização hori-
conector maior palatino amplo e anatômico é frequentemente zontal. Quando algum tipo de rompe-forças é usado, a base da
preferido devido a sua rigidez, melhor aceitação pelo paciente prótese deve ser capaz de prevenir movimento horizontal.
e melhor estabilidade sem dano aos tecidos. Ademais, esse tipo Desenhos de grampos que permitem flexão do braço do
de conector pode proporcionar retenção direta-indireta que grampo retentivo podem alcançar o mesmo propósito que o
124 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

do rompe-forças, sem sacrificar a estabilização horizontal, e significa que eles devem ser confinados aos espaços interden-
com técnicas menos complicadas. tais sempre que possível. Quando conectores menores são
Ao avaliar a habilidade de um braço do grampo de agir como localizados nas superfícies verticais do dente, é melhor que
rompe-forças, deve-se entender que flexionar em um único essas superfícies sejam paralelas ao eixo de inserção. Quando
plano não é o bastante. O braço do grampo deve ser livremente são usadas restaurações fundidas, essas superfícies dos padrões
flexível em qualquer direção, como ditado pelo esforço aplicado. de cera devem ser feitas paralelas no delineador antes da
Espessos, os braços do grampo meia-cana ou semicicular não fundição.
podem fazer isso, tampouco o pode um grampo tipo barra que Foi proposta uma modificação no desenho do conector
esteja situado em uma área retentiva do lado do dente, distante menor, que coloca o conector menor no centro da superfície
da base protética. Circulares, as formas cônicas de grampo ofe- lingual dos dentes pilares (Figura 10-7). Os que propõem esse
recem as vantagens de melhor e maior flexibilidade universal, desenho alegam que isso reduz o volume de tecido gengival
menor contato dentário e melhor estética. Tanto a combinação coberto e promove escoramento e orientação aprimorados
grampo circunferencial com seu braço retentivo com fio trefi- durante a colocação. As desvantagens podem incluir invasão
lado como o grampo a barra ou circunferencial apropriada- acentuada no espaço da língua, bordas mais óbvias e espaço
mente desenhado e cuidadosamente localizado pode ser potencialmente maior entre o conector e os dentes pilares. Essa
considerado para uso em todos os dentes pilares adjacentes ao variação proposta, entretanto, quando combinada com princí-
extremo livre da prótese se estes tiverem sido apropriadamente pios de desenho bem pensados, pode trazer algum benefício
preparados e o suporte da mucosa efetivamente alcançado e se para a saúde periodontal dos dentes pilares e pode ser aceitável
o paciente exercer boa higiene oral. para alguns pacientes.
Os braços dos grampos de reciprocidade também devem ser
Componentes Estabilizadores rígidos e precisam ser situados oclusalmente ao equador proté-
Componentes estabilizadores da armação da prótese parcial tico dos dentes pilares, onde não serão retentivos. Por sua
são aqueles componentes rígidos que auxiliam a estabilizar a rigidez, esses braços do grampo antagonizam o braço retentivo
prótese contra movimento horizontal. O propósito de todos os oposto; eles também previnem movimento horizontal da
componentes estabilizadores deve ser o de distribuir as cargas prótese sob esforços funcionais. Para um braço de oposição ser
igualmente a todos os dentes de suporte sem sobrecarregar colocado favoravelmente, frequentemente é necessária alguma
nenhum dente. Os conectores menores que unem os apoios e redução das superfícies do dente envolvido para aumentar a
os retentores ao conector maior servem como componentes área de convergência oclusal.
estabilizadores. Quando são usadas coroas, um braço de oposição lingual
Todos os conectores menores que contatam superfícies pode ser inserido no contorno do dente por meio de um degrau
verticais do dente (e todos os braços de reciprocidade) agem na coroa na qual o braço de oposição pode repousar. Isso pos-
como componentes estabilizadores. É necessário que os conec- sibilita o uso de um braço de oposição maior e reconstitui o
tores menores tenham volume suficiente para serem rígidos e contorno do dente mais próximo do normal, ao mesmo tempo
ainda apresentem para a língua o menor volume possível. Isso mantendo sua força e rigidez (Capítulo 14).

Figura 10-7    As superfícies prospectivas do plano-guia são indicadas por linhas localizadas nas superfícies respectivas dos dentes
pilares. Essas superfícies, quando usadas, podem ser recontornadas para ficarem paralelas ao eixo de inserção. Entretanto, ao incluir
superfícies de plano-guia, que não estão no mesmo plano paralelo horizontalmente (setas), mas são divergentes, a resistência frente
a uma rotação horizontal da prótese é aumentada.
Capítulo 10  Princípios do Desenho da Prótese Parcial Removível 125

Plano-Guia
O termo plano-guia é definido como duas ou mais superfícies
verticais dos dentes pilares, paralelas, formadas para direcionar
uma prótese durante a inserção e a remoção. Após a trajetória
de inserção mais favorável ter sido definida, as superfícies axiais
dos dentes pilares são preparadas paralelas ao eixo de inserção,
e então se tornam paralelas entre si. Planos-guia podem ser
contatados por vários componentes da prótese parcial — o
corpo de um retentor direto extracoronário, o braço de estabi-
lização de um retentor direto, a porção do conector menor de
um retentor indireto — ou por um conector menor especifica-
mente desenhado para contatar a superfície do plano-guia.
As funções dos planos-guia são as seguintes: (1) fornecer um
eixo de inserção e remoção da prótese (para eliminar tensão
prejudicial aos dentes pilares e componentes da armação
durante a colocação e remoção); (2) assegurar as ações preten-
didas dos componentes de reciprocidade, de estabilização e de
retenção (para fornecer retenção contra deslocamento da
prótese quando a força de deslocamento é dirigida e não para-
lela ao eixo de inserção e também para fornecer estabilização Figura 10-8    A, A superfície do plano-guia deve ser parecida
contra rotação horizontal da prótese); e (3) eliminar áreas gros- com a área de um objeto cilíndrico. Esta deve ser uma superfície
seiras de apreensão de alimentos entre os dentes pilares e os contínua ilimitada pelos mesmos ângulos de linhas arredondadas.
componentes da prótese. B, O conector menor contatando a superfície do plano-guia tem
As superfícies do plano-guia devem ser criadas para que a mesma curvatura daquela superfície. De uma vista oclusal, ela
estreita vestibularmente a partir da porção lingual mais espessa,
sejam paralelas ao longo eixo dos dentes pilares o máximo pos-
possibilitando assim contato mais próximo do dente pilar e do
sível. Estabelecer planos-guia em muitos dentes pilares (prefe-
dente artificial fornecido. Visto por vestibular, o conector menor
rencialmente mais de dois dentes), localizados em posições
contata o esmalte do dente em sua superfície proximal em torno
amplamente separadas no arco dental, promove um uso mais
de dois terços de seu comprimento.
eficaz dessas superfícies. A eficácia das superfícies do plano-guia
é aprimorada se essas superfícies forem preparadas em mais de
uma parede axial comum dos dentes pilares (Figura 10-7).
Como regra, as superfícies proximais do plano-guia devem
ser cerca da metade da largura da distância entre as pontas das
cúspides vestibular e lingual adjacentes, ou cerca de um terço
da largura linguovestibular do dente, e devem se estender ver-
ticalmente cerca de dois terços do comprimento da porção da
coroa do esmalte do dente a partir da crista marginal cervical-
mente. Na preparação das superfícies do plano-guia, deve-se ter
cuidado para evitar a criação de ângulos na vestibular como na
lingual (Figura 10-8). Admitindo-se que o braço de estabiliza-
ção ou de retenção de um retentor direto pode se originar na
região do plano-guia, uma preparação no diedro poderia enfra-
quecer tanto um como ambos os componentes do conjunto de
grampos.
Um plano-guia deve ser localizado na superfície pilar adja-
cente a uma área edêntula. Entretanto, torque excessivo é inevi-
tável se os planos-guia forem usados diametralmente opostos
num pilar de suporte adjacente a uma área de extremo livre
(Figura 10-9).
Figura 10-9    Planos-guia diametralmente opostos não devem
Retentores Indiretos ser preparados em um dente pilar isoladamente. Os conectores
menores da armação (áreas cinza) colocariam tensão indevida no
Um retentor indireto deve ser colocado o mais longe possível pilar quando a prótese fosse verticalmente rotacionada tanto supe-
da linha do fulcro permitida pelo dente suporte, se for para riormente quanto inferiormente.
funcionar com o retentor direto para restringir movimento de
uma base de extremo livre para fora dos tecidos basais. Ele deve
ser colocado em um nicho preparado em um dente pilar superfície inclinada do dente, nem pode um único dente inci-
que seja capaz de resistir às forças que incidirão sobre ele. Um sivo fraco ser usado para esse propósito. Um dente canino ou
retentor indireto não pode funcionar efetivamente em uma pré-molar deve ser usado para o suporte de um retentor
126 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

i­ ndireto, e o nicho deve ser preparado com o máximo cuidado


como dado a qualquer nicho. Um apoio incisivo ou lingual
pode ser usado em um dente anterior, contanto que um nicho
definitivo possa ser obtido em esmalte hígido ou em uma res-
tauração conveniente.
Uma segunda finalidade dos retentores indiretos no desenho
da prótese parcial é a de suporte para conectores maiores. Uma
barra lingual longa ou um conector maior palatino anterior é
assim impedido de se assentar nos tecidos. Mesmo na ausência
de uma necessidade de retenção indireta, o fornecimento de tal
apoio auxiliar é por vezes indicado.
Ao contrário do uso comum, nem a barra contínua, nem a
placa lingual agem por si mesmos como um retentor indireto.
Por serem localizadas em superfícies inclinadas do dente, elas
servem mais como ferramentas ortodônticas que como suporte
para a prótese parcial. Quando é usada uma barra contínua ou
uma placa lingual, devem sempre ser fornecidos apoios termi-
nais em cada extremidade para estabilizar a prótese e para
prevenir movimento ortodôntico dos dentes contatados. Tais Figura 10-10    Prótese parcial removível em arco superior
apoios terminais podem funcionar como retentores indiretos, Classe III. O desenho consiste em conectores em barra palatina
mas estes funcionariam igualmente bem nessa habilidade sem anterior e posterior, dentes artificiais suportados por resina e
retentor a barra contínua ou placa lingual. grampo a barra ao longo destes.

Considerações Do Implante
No Desenho
Como mencionado no Capítulo 4, os objetivos do desenho da
PPR são de repor um dente perdido com uma prótese que
apresente movimento limitado sob a influência de forças fun-
cionais e de assegurar que o movimento fique dentro da tole-
rância fisiológica. A tolerância fisiológica pode incluir a
tolerância do tecido assim como a habilidade fisiológica do
paciente de se acomodar à prótese.
A PPR dentossuportada Classe III de Kennedy apresenta
menor desafio à acomodação do paciente e dos tecidos orais que
as próteses dentomucosossuportadas de Classe I e II de Kennedy.
O desafio é principalmente relacionado ao movimento da
prótese a uma extremidade livre permitida pela capacidade de
deslocamento do tecido sob uma força aplicada. O uso de
implantes dentários para reduzir esse deslocamento pode bene-
ficiar significativamente a capacidade de tolerância do tecido e Figura 10-11    Armação da prótese parcial removível em arco
reduzir qualquer desafio à acomodação apresentado pelo movi- superior Classe III. O desenho consiste de um único conector
mento da prótese. O uso de implantes também pode ajudar maior de alça palatina, braços de retenção circunferencial e a
outras metas que valem a pena, tais como estabilidade e reten- barra, e um meio de fixar dentes artificiais retidos por resina.
ção aperfeiçoadas quando esses aspectos são necessários devido
a deficiências anatômicas ou fatores relacionados.
O clínico deve considerar os movimentos potenciais da
para se ajustar às superfícies preparadas da forma anatômica
prótese e a habilidade de controlar os movimentos dados os
dos dentes e estruturas circunvizinhas. Não requer uma mode-
tecidos orais, dentes e oclusão existentes. A aplicação seletiva de
lagem da forma funcional dos tecidos de rebordo, nem tam-
implantes dentários pode fornecer o necessário controle de
pouco requer retenção indireta. Podem ser usados fundidos da
movimento.
variedade circunferencial, do tipo barra, ou a combinação de
grampos, dependendo de como se pode modificar as superfícies
Exemplos De Abordagem Sistemática dos dentes pilares (planos-guia, apoios, contorno para localiza-
Para Desenho ção apropriada dos braços do grampo). A menos que a neces-
sidade de reembasamento posterior seja antecipada, como no
Prótese Parcial Removível Classe III caso de dentes recentemente extraídos, a base da prótese pode
A prótese parcial removível Classe III de Kennedy (Figuras ser feita de metal, o que oferece várias vantagens. A prótese
10-10 e 10-11), inteiramente dentossuportada, pode ser feita parcial Classe III frequentemente pode ser usada como uma
Capítulo 10  Princípios do Desenho da Prótese Parcial Removível 127

valiosa ajuda no tratamento periodontal por sua influência


estabilizadora nos dentes remanescentes.

Próteses Parciais Removíveis de Extremidade Livre,


Bilateral, Classe I de Kennedy
As próteses parciais removíveis de extremidade livre, bilateral,
Classe I de Kennedy, são tão diferentes do tipo Classe III quanto
podem ser duas restaurações dentárias (Figura 10-1). Como ela
deriva seu principal suporte dos tecidos subjacentes a sua base,
uma prótese parcial Classe I feita à forma anatômica do rebordo
não pode prover suporte uniforme e adequado. No entanto,
infelizmente, muitas próteses parciais removíveis inferiores
Classe I são feitas de uma única moldagem com hidrolocoide
irreversível. Nesses casos, tanto os dentes pilares quanto os
rebordos residuais sofrem porque a carga oclusal posta sobre os Figura 10-12    Prótese parcial removível inferior Classe II com
dentes remanescentes é acentuada pela falta de suporte poste- base de extremo livre distal. Por causa da retenção tecidual
rior adequado. vestibular abaixo da superfície do segundo pré-molar direito e da
Muitos dentistas, reconhecendo a necessidade de algum tipo falta de retenção distovestibular, foi usado um braço retentivo
de registro de moldagem que registrará a forma de suporte do de fio trefilado (cônico).
rebordo residual, tentam registrar essa forma com pasta de
óxido metálico, borracha ou silicone. Tais materiais, na verdade,
registram apenas a forma anatômica do rebordo, exceto quando
o desenho especial da moldeira permite o registro das principais
áreas de tensões de sustentação primárias sob uma carga simu-
lada. Outros preferem colocar uma base, feita para adaptar a
forma anatômica do rebordo, sob alguma pressão no momento
em que ela está ligada aos dentes remanescentes, assim obtendo
suporte funcional. Outros ainda, que acreditam que uma cera à
temperatura da boca apropriadamente composta deslocará
apenas aqueles tecidos que são incapazes de prover suporte para
a base da prótese, usam uma moldagem secundária em cera para
registrar a forma funcional, ou de suporte, dos rebordos edên-
tulos. Qualquer registro de moldagem será influenciado pela
consistência do material de impressão e pela quantidade de
pressão hidráulica exercida por seu confinamento dentro da
moldeira.
Figura 10-13    Arco parcialmente edêntulo, Classe II inferior,
Próteses Parciais Removíveis Classe II de Kennedy modificação. 1, Note que os braços retentivos do tipo barra são
A prótese parcial removível Classe II de Kennedy (Figuras 10-12 usados em ambos os pré-molares, envolvendo retenções disto-
e 10-13) na verdade pode ser uma combinação de próteses vestibulares em suas terminações. Forças de alavanca podem
mucossuportadas e dentossuportadas. A base de extremo livre não ser prontamente transmitidas ao pré-molar direito como
deve ter suporte adequado da mucosa, uma vez que bases den- seria o caso se fosse utilizado um retentor direto circunferencial
tossuportadas em outros lugares do arco podem ser feitas para fundido numa retenção mesiovestibular.
se encaixar na forma anatômica do rebordo subjacente. A reten-
ção indireta deve ser fornecida; entretanto, ocasionalmente o
pilar anterior no lado dentossuportado satisfará esse requeri- racional, sob essas circunstâncias, minimizar esses efeitos por
mento. Se for preciso retenção indireta adicional, devem ser meio da boa adaptação da base da prótese, para reduzir o movi-
criadas condições para isso. mento ou para prover suporte do implante (Figura 10-13). O
Os grampos fundidos são geralmente usados no lado den- retentor tipo barra deve ser contraindicado devido a uma reten-
tossuportado; entretanto, um desenho de grampo no qual um ção tecidual severa ou à existência de apenas uma retenção
fio trefilado seja usado, pode reduzir a aplicação do torque nos mesiovestibular no pilar anterior, então deve ser usada uma
dentes pilares adjacentes ao extremo livre e devem ser conside- combinação de um retentor direto com um braço retentivo feito
rados. O uso de um de grampo circunferencial fundido, envol- de fio ortodôntico. É necessária uma total compreensão das
vendo uma área retentiva mesiovestibular no pilar anterior do vantagens e desvantagens de vários desenhos de grampos na
espaço de modificação dentossuportado, pode resultar em uma determinação do tipo de retentor direto que deve ser usado para
ação tipo alavanca Classe I se os dentes pilares não tiverem sido cada dente pilar.
apropriadamente preparados e/ou se o suporte da mucosa da A fabricação de uma prótese parcial Classe II segue estri-
área da base de extremidade livre não for adequado. Parece tamente os mesmos passos usados com a prótese parcial
128 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Classe I, exceto que a base de extremo livre é normalmente r­ etentores usados, a barra de conexão pode ser fundida em
feita de um material de resina acrílica, ao passo que a base uma liga  rígida ou uma barra disponível comercialmente
para qualquer área dentossuportada pode ser feita de metal. pode ser  usada e fundida ao pilar ou inserida no pilar por
Isso é permissível porque o rebordo residual abaixo das soldagem.
bases dentossuportadas não é solicitado para prover suporte O comprimento do vão influencia o tamanho de uma
para a prótese e não é muito provável que mais tarde seja barra de contenção. Vãos longos requerem barras mais
necessário reembasamento. rígidas (calibre 10) do que vãos curtos (calibre 13). Se a
barra é para ser soldada, é melhor que sejam formadas reces-
sões nas superfícies proximais dos pilares e que a barra de
Considerações Adicionais Que conexão, que repousa suavemente no tecido, seja fundida ou
Influenciam O Desenho feita para se adaptar nestas recessões e depois conectadas por
soldagem.
Todo esforço deve ser feito para conquistar o melhor suporte Devido à maior rigidez das ligas cromo-cobalto, a barra
possível para próteses removíveis com o uso de pilares em de contenção é preferencialmente fundida nestes materiais e
espaços edêntulos limitados. Isso não só aliviará os rebordos depois anexada aos pilares por soldagem. O conjunto com-
residuais de algumas de suas obrigações para suportar, mas pleto (suportes e barra conectora) é então cimentado per-
também pode permitir que o desenho da armação seja em manentemente ao dente pilar, da mesma forma que uma
grande parte simplificado. Para esse fim, deveriam ser con- prótese parcial fixa. A moldagem para a prótese removível é
siderados o uso de barras de contenção, encaixes internos então realizada, e um modelo de trabalho é obtido de forma
do tipo clipe, recobrimento oclusal do dente pilar, encaixes que este reproduza com exatidão os contornos dos pilares e
do tipo macho-fêmea, um componente parcial e implantes. da barra de contenção. A armação da prótese é então feita
para se adaptar aos pilares e à barra, estendendo-se os conec-
Uso de Barras de Contenção para Suporte tores maiores ou os conectores menores para cobrirem e se
da Prótese apoiarem sobre a barra de contenção. A retenção para o
Na discussão do Capítulo 14 sobre dentes anteriores ausen- encaixe de uma base de resina, ou outra forma aceitável de
tes, é mencionado o fato de que dentes anteriores ausentes colocar os dentes anteriores a serem substituídos, é incorpo-
são mais bem recolocados com uma prótese parcial fixa. A rada no desenho. Nessas situações, quando a prótese parcial
seguinte menção foi copiada daquele capítulo: “De um ponto removível será dentossuportada, a barra de contenção pode
de vista biomecânico... uma prótese parcial removível deve ser curvada para seguir a crista do rebordo residual. Entre-
substituir apenas os dentes posteriores que faltam após o tanto, numa situação de extremo livre distal, devido à rotação
arco remanescente ter sido restaurado por elementos fixos.” vertical da prótese, deve-se ter cuidado para formar uma
Ocasionalmente, é encontrada uma situação na qual é barra de contenção de forma que o torque excessivo não se
necessário que vários dentes anteriores ausentes sejam pre- acumule nos pilares de apoio (Figura 10-14). O contorno
ferencialmente substituídos por prótese parcial removível proximal dos pilares adjacentes às barras de contenção deve
enão por próteses fixas. Isso pode ser causado pela extensão ser paralelo ao eixo de inserção. Isso serve a três propósitos:
da amplitude edêntula ou pela perda de grande quantidade (1) possibilita um arranjo desejável dos dentes artificiais; (2)
do rebordo residual devido a reabsorção, acidente, cirurgia auxilia na resistência à rotação horizontal da prótese; e (3)
ou outra situação na qual o espaço vertical demasiado estes componentes agem como plano-guia para direcionar a
impede o uso de uma prótese parcial fixa, ou na qual os prótese removível para a sua posição terminal.
requisitos estéticos podem ser mais bem preenchidos pelo A barra de contenção deve ser posicionada anteroposte-
uso de dentes adicionados à armação protética. Nesses casos, riormente e lingualmente ao rebordo residual para permitir
é necessário que seja fornecido o melhor suporte possível um arranjo estético dos dentes artificiais. A prótese parcial
para os dentes anteriores substituídos. Normalmente isso é resultante terá vantagens estéticas de substituições removí-
feito pela colocação de apoios oclusais ou linguais, ou ambos, veis anteriores mais o apoio positivo, retenção e estabilidade
nos dentes naturais adjacentes, mas quando a extensão edên- da barra de contenção subjacente (Figura 10-15).
tula é muito grande para assegurar suporte adequado, outros
métodos devem ser usados. Isso está incluído aqui apenas
porque influencia o desenho do conector maior que deve Encaixe por Clipe Interno
então ser usado. O encaixe por clipe interno difere da barra de contenção no
Uma barra de contenção anterior pode estar conectada que diz respeito ao encaixe de clipe interno fornecer tanto
aos dentes adjacentes ao espaço protético de uma tal maneira suporte quanto retenção da barra de conexão.
que a contenção fixa do dente pilar resulta em uma barra suave Várias barras conectoras pré-fabricadas estão comercial-
repousando suavemente no tecido gengival para suportar a mente disponíveis em padrões de plástico. Elas podem ser
prótese parcial removível (Figura 10-14). Assim como em customizadas para o comprimento e modelo na liga de
qualquer prótese parcial fixa, o tipo de retentores e a decisão metal de escolha. Encaixes por clipe interno também estão
de usar pilares múltiplos dependerão do comprimento comercialmente disponíveis em várias ligas de metal e náilon
do  vão e suporte disponível e estabilidade dos dentes durável. Quando uma barra/clipe customizada é fabricada,
usados  como pilares. Independentemente do tipo de a barra deveria ser fundida a partir de um conduto de
Capítulo 10  Princípios do Desenho da Prótese Parcial Removível 129

Figura 10-15    Caninos inferiores e incisivos laterais esplinta-


dos juntos com a barra de contenção. A longevidade destes
dentes é muito aumentada pela contenção. As superfícies do
tecido são minimamente contactadas pela forma arredondada
da porção inferior da barra. As vertentes anterior e posterior da
barra de contenção devem ser compatíveis com o eixo de inser-
ção da prótese. O paciente usará fio dental para limpar a porção
inferior da barra de contenção.

Figura 10-14    A, Na medida do possível, uma barra de con-


tenção deve ser arredondada ou ovoide. Devem ser feitas
medidas na construção e localização da barra, para que o fio
dental possa ser introduzido debaixo da barra para permitir a porção da coroa de um molar muito danificado por meio
limpeza adequada pelo paciente. B, Como visto acima, a barra é de tratamento endodôntico. Um molar envolvido periodon-
em linha reta entre os pilares. Isto é especialmente crítico para talmente, outrora indicado para extração, muitas vezes pode
o extremo livre distal de próteses parciais removíveis, para evitar ser recuperado por tratamento endodôntico e periodontal
excesso de torque nos pilares pela rotação da prótese em função. acompanhado pela redução da coroa clínica quase no
C, Secção sagital através da barra demonstra formas arredonda- mesmo nível dos tecidos gengivais. Em outra situação, um
das da barra fazendo ponto de contato com o rebordo residual. molar sem antagonista pode ter extruído a uma tamanha
Toda a superfície do tecido da barra é facilmente acessível para extensão que restaurar o dente com uma coroa é inade-
limpeza com fio dental. Uma barra em forma de pera (em corte quado para desenvolver uma oclusão harmoniosa. Então,
transversal) vai permitir a rotação da prótese parcial removível também não é incomum encontrar um molar que seja tão
sem resistência apreciável ou torque. acentuadamente inclinado anteriormente que não possa
servir como pilar, a não ser que a coroa clínica seja drasti-
camente reduzida.
a­ limentação de cera de calibre 10 ou 13. A barra fundida Tais dentes devem ser considerados para possível suporte
deve repousar levemente ou deve ser localizada ligeiramente para uma base de prótese de extremo livre distal. O trata-
sobre os tecidos. A retenção é proporcionada por um dos mento endodôntico e a preparação da porção coronária do
clipes comerciais pré-fabricados de metal ou náilon, o qual dente como um pilar ligeiramente elevado em forma convexa
é contornado para se adaptar à barra e é retido em uma caixa frequentemente oferece uma alternativa para a base de
metálica pré-fabricada ou parcialmente mergulhada, por extremo livre distal. Para fontes de informação sobre prótese
meio de extensões ou alças retentivas, na resina circundante com recobrimento oclusal e encaixe de overdenture, o leitor
da base protética. deve consultar a seção “Recursos de Leitura Selecionada”
O encaixe de clipe interno então fornece suporte, estabi- (livros; suporte de retentores).
lidade e retenção para a área de modificação anterior e pode
servir para eliminar tanto apoios oclusais quanto grampos Uso de um Componente Parcial para
retentivos nos dentes pilares adjacentes. Adquirir Suporte
Um componente parcial é uma prótese parcial removível na
Recobrimento Oclusal do Dente Suporte para o qual a armação é desenhada e fabricada em partes separadas.
Apoio da Base da Prótese O suporte do dente e os componentes mucossuportados são
Toda consideração deve girar em torno de prevenir a neces- fabricados individualmente, e os dois são unidos com uma
sidade de uma prótese parcial removível em extremo livre resina acrílica de alto impacto para se tornarem uma única
distal. Em muitos casos, é possível recuperar as raízes e uma unidade rígida de funcionamento.
11
Ca p í t ulo

Delineamento
Sumário Do Capítulo Quando se prepara uma prótese parcial fixa (PPF), é preciso
controlar a orientação da ponta diamantada da broca para
Descrição do Delineador Dentário remover uma quantidade de estrutura dentária necessária
Finalidades do Delineador para satisfazer as exigências do eixo de inserção da prótese.
Delineando o modelo de diagnóstico Verifica-se, finalmente, a realização dos preparos paralelos
Preparo dos padrões de cera (fresagem) por meio do assentamento completo da prótese, porém seria
Delineando coroas metalocerâmicas tipo veneer possível verificar o mesmo no modelo de trabalho ou nos
Colocação de retentores intracoronários (encaixes modelos de estudo pelo uso do delineador. Uma vez que a PPF
internos) é fabricada e completamente assentada, assegura-se o envol-
Colocação de descansos dos apoios internos vimento total de toda a circunferência e do suporte oclusal
Retífica das restaurações fundidas com micromotor dos pilares retentores. Caso se forneça uma forma de  resis-
Delineando o modelo-mestre ou de trabalho tência e um ajuste da prótese adequado, é boa a chance de
Fatores que Determinam os Eixos de Inserção e de haver estabilidade funcional equivalente àquela dos dentes
Remoção naturais. Não se pode assegurar isso a menos que a relação
Planos-guia entre a prótese fixa e os dentes preparados tenha sido cuida-
Áreas retentiva dosamente controlada.
Interferência Para a prótese removível, é igualmente importante a neces-
Estética sidade de um preparo dental apropriadamente planejado e
Procedimentos Passo a Passo para Delinear um Modelo executado, seguido por uma verificação do bom encaixe da
de Diagnóstico prótese aos dentes, como planejado. Como mencionado sucin-
Planos-guia tamente no Capítulo 7, um delineador dentário é de extrema
importância no planejamento, execução e verificação de modi-
Áreas retentiva
ficações bucais apropriadas para uma prótese parcial removível.
Interferência
Embora não necessariamente afete os preparos oclusais dos des-
Estética
cansos nos dentes pilares, o uso do delineador é crítico para
Eixo de Inserção Final planejar as modificações em todas as superfícies dos dentes
Registrando a Relação do Modelo com o Delineador envolvidos no suporte, na estabilização e na retenção da prótese.
Delineamento do Modelo de Trabalho Nesta situação, o uso de um delineador para determinar o
Calibragem da Retenção preparo bucal necessário é extremamente importante para se
Bloqueio do Modelo de Trabalho obter uma prótese removível estável e confortável.
Alívio do Modelo de Trabalho Definiu-se um delineador dentário como um instrumento
Bloqueio Paralelo, Bloqueio Modelado, Bloqueio usado para determinar o paralelismo relativo de duas ou mais
Arbitrário e Alívio superfícies dos dentes ou outras partes do modelo de uma
arcada dentária. Portanto, o principal objetivo do delineamento
é identificar as modificações de estruturas bucais necessárias
para a confecção de uma prótese parcial removível que terá um
prognóstico bem-sucedido. A modificação das superfícies do
dente para acomodar a colocação de partes componentes da
prótese parcial na posição designada ideal aos dentes pilares é
o que facilita este prognóstico.

130
Capítulo 11  Delineamento 131

Qualquer um dos diversos delineadores de preço moderado near a altura dos contornos nas superfícies dos dentes pilares
existentes no mercado servirá para realizar adequadamente os e nas áreas de interferência que requerem redução de
procedimentos necessários no desenho e na construção da bloqueio)
prótese parcial. Além disso, é possível usar estes delineadores 7. Mandril para segurar instrumentos especiais (pontas aces-
para paralelizar os descansos internos e os retentores intracoro- sórias) (Figura 11-3)
nários. Acoplando-se uma peça de mão aos delineadores, As partes principais do delineador tipo Jelenko são essencial-
torna-se possível usá-los para retificar os descansos internos e mente as mesmas que as partes do delineador tipo Ney, exceto
tornar paralelas as superfícies de planos-guia das restaurações quando se afrouxa a porca no topo do braço vertical, tornando
pilares. possível girar o braço horizontal. O objetivo deste atributo, ori-
ginalmente desenvolvido pelo Dr. Noble Wills, é possibilitar
certa liberdade ao movimento do braço em um plano horizon-
Descrição Do Delineador Dentário
tal em vez de depender inteiramente do movimento horizontal
Os delineadores mais amplamente utilizados são o tipo Ney do modelo. Para alguns isso é confuso, pois assim, torna-se
(Figura 11-1) e o tipo Jelenko (Figura 11-2). Ambos são ins- necessário coordenar dois movimentos horizontais. Para aqueles
trumentos de alta precisão. Diferem principalmente no fato de que preferem mover o modelo somente em relação horizontal
o braço do Jelenko girar enquanto que o braço do Ney é fixo. A ao braço vertical fixo, devem apertar a porca e usar o braço
técnica de delineamento e fresagem do bloqueio é, portanto, de horizontal em uma posição fixa.
algum modo diferente. Outros delineadores também diferem Outra diferença entre os delineadores tipo Ney e tipo Jelenko
nesse aspecto, e, por esse motivo, o dentista pode preferir um é o braço vertical, que no delineador tipo Ney se retém dentro
em vez do outro. de um rolamento fixo por atrito. Dentro desse rolamento,
As principais partes do delineador tipo Ney são as seguintes: pode-se mover o eixo para cima ou para baixo, mas ele per-
1. Plataforma na qual se move a base manece em uma posição vertical até que seja movido nova-
2. Braço vertical que suporta a superestrutura mente. É possível fixar o eixo em qualquer posição vertical
3. Braço horizontal do qual se suspende as pontas de desejada apertando um parafuso. Em contraste, o braço vertical do
delineamento delineador tipo Jelenko é de mola e retorna à posição inicial ao
4. Mesa à qual se anexa o modelo ser liberado. É necessário segurá-lo contra a tensão da mola
5. Base em que a mesa gira durante o processo de utilização, o que para alguns é uma des-
6. Pontas para paralelizar ou para marcar linhas-guia (essa vantagem. A mola pode ser removida, mas o atrito dos dois
ferramenta entra em contato com a superfície convexa para rolamentos que suportam o braço não o prende na posição de
que se faça um estudo de maneira tangencial; assim, pode-se forma tão segura quanto um rolamento projetado para essa
determinar o paralelismo relativo de uma superfície com
outra; com a substituição pela ponta grafite é possível deli-

Figura 11-1    O delineador Ney é amplamente utilizado pela


sua simplicidade e durabilidade. Deve-se exigir dos alunos de
odontologia que tenham este delineador. Ao se familiarizarem e
se tornarem dependentes do seu uso, eles provavelmente conti-
nuarão a usar mais o delineador no trabalho como um equipa- Figura 11-2    O delineador Jelenko. Note a mola como ferra-
mento necessário para diagnósticos mais adequados, menta de paralelismo e o suporte giratório no topo do braço
planejamento de tratamentos mais eficazes e realização de vertical. É possível fixar o braço horizontal em qualquer posição
muitos outros aspectos do tratamento protético. ao apertar a porca no topo do braço vertical.
132 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Calibragem da retenção
do tipo Ney

)
mm
0,25 Ponta de carbono e estojo
1(
0,0 metálico do tipo Ney
0,02 (0,51 mm) C
A
0,0
3(
0,7
6m
m)

)
m
m
,76
(0
03 0,02 (0,51 mm)
0,

0,01 (0,25 mm)

Ponta calibradora
B da retenção
do tipo Jelenko D Ponta de carbono
do tipo Jelenko

Eixo de inserção

Recortador para
cera do tipo Ney

F
Ponta cônica de 2°
Cera de bloqueio

Lâmina do
delineador tipo Ney

E Ponta cônica de 6° G

Figura 11-3    Várias ferramentas que podem ser usadas com o delineador dentário. A, Pontas calibradoras do tipo Ney. B, Pontas
calibradoras do tipo Jelenko. C, Pontas de carbono do tipo Ney com estojo metálico para reforço. D, Ponta de carbono do tipo Jelenko.
E, Pontas cônicas, dois e seis graus, para aparar o bloqueio quando se deseja algum não paralelismo. F, Aparador para cera do tipo
Ney para paralelizar o bloqueio. G, Lâmina do delineador usada para aparar bloqueio.

finalidade. Essas pequenas diferenças nos dois delineadores possível usar a peça de mão para cortar rebaixos com precisão em
podem levar a preferências pessoais, mas não diminuem a efi- restaurações fundidas com fresas ou pontas de carborundum de
cácia de qualquer um deles se usados corretamente. diversos tamanhos em uma peça de mão dentária.
Devido à estabilidade do eixo do delineador tipo Ney em qual- Vários outros tipos de delineadores foram desenvolvidos e
quer posição vertical — ainda que possa se mover verticalmente estão em uso atualmente. Muitos destes são bem elaborados e
com facilidade —, este se presta bem à função de uma broca caros, contudo fornecem pouca vantagem sobre os tipos mais
quando uma peça de mão é adicionada (Figura 11-4). Assim, é simples de delineadores.
Capítulo 11  Delineamento 133

Eixo
de inserção

Figura 11-5    A inclinação do modelo na mesa ajustável de um


delineador em relação ao braço vertical estabelece o eixo de inser-
ção e remoção que a prótese parcial removível terá. É preciso fazer
todos os preparos bucais de modo que se conformem a esse eixo
de inserção determinado, que foi gravado com a marcação na
base do modelo ou com o apoio tripé.

suas partes rígidas com os dentes pilares. Quando se desenha


Figura 11-4    Fixador da peça de mão no laboratório. Suportes a prótese corretamente, tendo planos-guia positivos, o
da peça de mão se acoplam ao eixo vertical dos delineadores e paciente poderá colocar e remover a prótese com facilidade
é possível usá-los para criar e retificar qualquer superfície para- em um só sentido. Isso é possível somente por causa da
lela em uma coroa delineada, funciona como uma broca de influência guiadora das superfícies do dente (planos-guia),
prensar para preparar descansos internos e recortes nos padrões feitas paralelas ao eixo de inserção.
de cera e/ou fundições e para estabelecer as superfícies linguais 2. Identificar as superfícies proximais do dente que são ou
acima da borda que serão paralelas ao eixo de inserção nas res- precisam ser colocadas em paralelo, para que ajam como
taurações pilares. planos-guia durante a inserção e remoção.
3. Localizar e medir as áreas do dente que possam ser usadas
Finalidades Do Delineador para a retenção.
4. Determinar se as áreas dentárias e ósseas de interferência
É possível utilizar o delineador para delinear o modelo de diag- terão necessidade de ser eliminadas cirurgicamente ou por
nóstico, recontornar os dentes pilares no modelo de diagnós- meio da seleção de um eixo de inserção diferente.
tico, recortar os padrões de cera, medir uma profundidade 5. Determinar o eixo de inserção mais apropriado que irá pos-
específica de um corte, delinear as coroas metalocerâmicas tipo sibilitar a localização dos retentores e dos dentes artificiais
Venner fresadas, posicionar retentores intracoronários, posicio- para que forneçam a melhor vantagem estética.
nar descansos internos, retificar as restaurações metálicas fun- 6. Permitir um planejamento exato dos preparos bucais a serem
didas e bloquear o modelo de trabalho ou mestre. feitos. Isto inclui o preparo das superfícies proximais dos
dentes, fornecendo planos-guia e redução dos contornos
Delineamento do Modelo de Diagnóstico excessivos dos dentes para eliminar as interferências e pos-
Delinear o modelo de diagnóstico é essencial para um diagnós- sibilitar uma localização mais favorável para os braços de
tico eficaz e um plano de tratamento. Os objetivos são os retenção e de reciprocidade dos grampos. Ao marcar estas
seguintes: áreas no modelo de diagnóstico em vermelho, usando um
1. Determinar o eixo de inserção mais favorável que eliminará calibrador de corte para estimar a quantidade de estrutura
ou minimizará a interferência na instalação e remoção dentária que pode seguramente ser removida (sem expor a
(Figura 11-5). O eixo de inserção é a direção em que a prótese dentina) e então aparando as áreas marcadas no modelo de
se move do ponto de contato inicial de suas partes rígidas gesso com a lâmina do delineador, torna-se possível estabe-
com os dentes pilares até sua posição de assentamento final, lecer a angulação e a extensão da redução do dente antes que
com apoios encaixados e a base (ou sela) protética em sejam preparados na boca (Figura 11-6). Com o modelo de
contato com os tecidos. O trajeto de remoção é exatamente diagnóstico no delineador no momento do preparo bucal é
o inverso porque é a direção do movimento da prótese da possível realizar a redução dos contornos dentários com
sua posição de assentamento final para o último contato de aceitável precisão.
134 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B C

Figura 11-6    A, linha sólida representa a altura do contorno no pilar na orientação selecionada do modelo de diagnóstico para o eixo
vertical do delineador. A linha pontilhada representa a altura desejável do contorno para idealmente localizar componentes do conjunto
do retentor direto. Usa-se um calibre de corte de 0,25 mm (0,01 polegadas) para marcar a posição da ponta do braço retentivo do
retentor direto. B, Ao reduzir o contorno axial do dente em somente 0,25 mm, é possível alcançar a altura ideal do contorno sem expor
a dentina. C, Apara-se o dente de gesso com a lâmina do delineador para a altura desejável do contorno. Marca-se a área aparada com
lápis vermelho e esta serve como modelo para recontornos similares na boca. Se for possível supor seguramente que o esmalte tem
de 1 a 1,5 mm de espessura na área de redução contemplada, é preciso remover somente 0,25 mm de esmalte para alcançar a altura
ideal do contorno.

A B

Figura 11-7    Após a fixação do modelo no delineador com o eixo de inserção predeterminado, alteram-se com a lâmina do delineador
as superfícies axiais designadas do padrão de cera para atender as exigências específicas para colocação dos componentes da estrutura.
A, desgasta-se o padrão de cera com a lâmina do delineador para produzir uma superfície de plano-guia distal paralela ao eixo de
inserção selecionado. B, Modifica-se o mesmo padrão do plano-guia distal ao longo da superfície vestibular para alinhar a superfície
com a altura do contorno mais favorável às especificações do retentor direto.

7. Delinear a altura do contorno em dentes pilares e localizar as Preparo dos Padrões de Cera (Fresagem)
áreas de recortes dentários indesejáveis que devem ser evita- Ao longo dessa fase de preparo bucal, usa-se a lâmina de corte
das, eliminadas ou bloqueadas. Isto incluirá áreas dos dentes do delineador como instrumento de recorte da cera, de modo
que entrarão em contato com conectores rígidos, com a que se possa manter o eixo de inserção proposto nas restaura-
posição dos braços não retentivos recíprocos e estabilizadores ções fundidas para os dentes pilares (Figura 11-7).
e com a posição das extremidades retentivas dos grampos. Planos-guia devem ser realizados em todas as superfícies
8. Gravar a posição do modelo para referência futura em proximais de padrões de cera adjacentes às áreas edentadas,
relação ao eixo de inserção selecionado. Pode-se fazer isso paralelos ao eixo de inserção previamente determinado. Do
localizando três pontos ou linhas paralelas no modelo, assim mesmo modo, todos os outros contornos de dente que entra-
estabelecendo o plano horizontal em relação ao braço verti- rão em contato com componentes rígidos devem ficar para-
cal do delineador (Figuras 11-6 e 11-16). lelos. Devem-se contornar as superfícies das restaurações em
Capítulo 11  Delineamento 135

que se colocarão componentes recíprocos e estabilizadores


Colocação de Retentores Intracoronários
para permitir seu posicionamento bem abaixo das superfícies
(Encaixes Internos)
oclusais e das áreas não retentivas. É preciso contornar
aquelas superfícies das restaurações que devem fornecer Na colocação de retentores intracoronários, usa-se o deli-
retenção para os braços dos grampos para que seja possível neador da seguinte maneira:
colocar os grampos de retenção no terço cervical da coroa e 1. Selecionar um eixo de inserção em relação ao longo eixo
para que seja possível ter a melhor vantagem estética. Geral- dos dentes pilares que devem evitar as áreas de interfe-
mente, uma pequena quantidade de corte de 0,250 a 0,50 mm rência em outras partes da arcada
(0,01 a 0,02 polegadas) ou menos é suficiente para finalidades 2. Preparar os dentes de gesso do modelo de diagnóstico
retentivas. para estimar a proximidade do desgaste até a polpa (usado
em conjunto com informações da radiografia para estimar
o tamanho e a localização da polpa) e para facilitar a
Delineando Coroas Metalocerâmicas tipo Veneer fabricação de gabaritos de metal ou resina para guiar os
Usam-se frequentemente coroas metalocerâmicas tipo veneer preparos dos desgastes na boca
para restaurar dentes pilares em que se colocarão os retentores 3. Gravar os desgastes em padrões de cera, colocar os moldes
extracoronários diretos. O delineador é usado para fresar de encaixes internos em padrões de cera ou recortar
todas  as áreas do padrão de cera da coroa veneer, exceto as encaixes nas fundições com um suporte de peça de mão
superfícies vestibulares. É preciso lembrar que um dos princi- (qualquer método é válido)
pais objetivos de se usar uma coroa veneer de porcelana é desen- 4. Colocar a matrix do encaixe no modelo antes de incluir
volver uma réplica estética de um dente natural. É improvável e soldar; todos os encaixes devem localizar-se paralelos
que se possa confeccionar a faceta de cerâmica exatamente na entre si em qualquer lugar da arcada
forma exigida para a colocação planejada dos braços retentivos O estudante deve consultar a seção “Recursos de Leitura
dos grampos sem que se faça alguma remodelagem com pedras Selecionados” no livro-texto para fontes de informação sobre
e borrachas de desgaste. Antes de realizar o glazeamento final, retentores intracoronários (encaixes internos).
é preciso retornar as coroas veneer pilares ao delineador em um
modelo completo da arcada para assegurar um contorno correto Colocação de Descansos dos Apoios Internos
das facetas ou para localizar aquelas áreas que necessitam de
Pode-se usar o delineador com uma broca de desgaste, aco-
recontorno (Figura 11-8). O glazeamento final é realizado
plado com uma peça de mão dentária anexada ao braço
somente após o recontorno das coroas.
vertical. Pode-se moldar nos padrões de cera os descansos
dos apoios internos e refiná-los com a peça de mão após a
fundição, ou é possível fresar todo o descanso do apoio na
restauração fundida com a peça de mão. O melhor é esculpir
a forma do contorno do descanso do apoio na cera e após
a fundição da restauração refinar a forma com a peça de
mão.
Um descanso interno difere de um encaixe interno no
fato de que se encera e funde uma parte da estrutura metálica
da prótese para caber dentro do descanso, chamado apoio
em vez de se usar uma matrix de encaixe e um trilho de
inserção (Figuras 6-13 e 6-14). O primeiro geralmente é não
retentivo, mas fornece um apoio definitivo para a prótese
parcial removível ou um apoio para uma prótese parcial fixa
com rompe-força. Quando usados com prótese parcial fixa,
permite-se colocar os pedaços separadamente, pois os pilares
não estão paralelos.
O apoio interno na construção da prótese parcial fornece
um suporte oclusal positivo que se localiza mais favoravel-
mente em relação ao eixo rotativo do dente pilar do que o
apoio oclusal convencional em formato de colher. Fornece
também estabilidade horizontal por meio do paralelismo das
paredes verticais, desse modo servindo ao mesmo propósito
Figura 11-8    Coroa metalocerâmica delineada resultante da de braços de estabilização e reciprocidade colocados extra-
Figura 11-7, que está sendo retificada para manter o plano-guia coronariamente. Por causa do movimento de uma base de
distal e a altura do contorno vestibular previamente desenhado. extensão distal, é possível aplicar mais torque ao dente pilar
O glazeamento final na coroa venner não foi realizado para per- por um tipo de apoio interligado, e por essa razão considera-­-
mitir fazer as alterações de superfícies exigidas para se confor- se contraindicado o seu uso em conjunto com uma prótese
mar a colocação ideal do retentor (linha sólida). O glazeamento parcial de extensão distal. Deve-se usar em desenhos de
final da porcelana é realizado somente após a realização das
prótese parcial de extensão distal um apoio oclusal em
mudanças de recontorno necessário.
136 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

formato de colher ou o encaixe tipo esfera e soquete, ou não motivos relativos à usinagem. Posiciona-se então o novo modelo
travante. É preciso limitar o uso do apoio interno em formato no delineador, adequando-o ao eixo de inserção da prótese
articulado ou interligado a restaurações removíveis com parcial, e utiliza-se nas superfícies verticais um micromotor
suporte de dente, exceto quando usado em conjunto com com uma ponta cilíndrica de carborundum em verdadeiro
algum tipo de rompe-força entre os pilares e a base removí- funcionamento.
vel. Discutiu-se o uso dos rompe-forças no Capítulo 9. Embora se considere o paralelismo feito com micromotor
Pode-se fazer descansos de apoios internos na forma de ideal e pouco possível na esfera da aplicação diária, seus méritos
uma caixa não retentiva, de uma caixa retentiva cujo desenho mais do que justificam os passos adicionais necessários para
baseia-se no encaixe interno ou de uma caixa semirretentiva. realizá-lo. Quando se realiza e se reproduz tal paralelismo no
Nesta última, as paredes são normalmente paralelas e não modelo-mestre (ou de trabalho) é essencial que se direcione os
retentivas, mas um rebaixo no chão da caixa impede movi- passos laboratoriais subsequentes para o uso destas superfícies
mento proximal da parte macho. Cortam-se os assentamen- de planos-guia paralelas.
tos de descanso interno com brocas dentárias de diversos
Delineando o Modelo-mestre ou de Trabalho
tamanhos e formatos. Usam-se brocas com pontas de fissura
cônicas ou cilíndricas para formar as paredes verticais, e Como o delineamento do modelo-mestre ocorre após os pre-
usam-se pequenas pontas de broca redondas para cortar paros bucais, deve-se saber o eixo de inserção, a localização de
rebaixos no chão do descanso do apoio. áreas retentivas e a localização de interferências restantes antes
que se complete o desenho final da estrutura da prótese. Os
objetivos do delineamento do modelo-mestre são os seguintes:
1. Selecionar o eixo de inserção mais apropriado, seguindo os
Retífica das Restaurações Fundidas preparos bucais que satisfazem os requisitos de planos-guia,
com Micromotor retenção, não interferência e estética.
Com um suporte de peça de mão acoplado (Figura 11-4), é 2. Possibilitar a calibragem das áreas retentivas e identificar a
possível retificar as superfícies axiais das restaurações metálicas posição das extremidades dos grampos em proporção à fle-
fundidas e das cerâmicas utilizando um micromotor com uma xibilidade dos braços do grampo que estão sendo usados; a
fresa cilíndrica de carborundum apropriada. É possível melho- flexibilidade dependerá de vários dos seguintes fatores: do
rar as superfícies proximais das coroas e das restaurações metá- metal usado no grampo, do desenho e tipo de grampo, se a
licas fundidas, que servirão de planos-guia, e as superfícies sua forma é redonda ou semirredonda, se o seu material é
verticais acima das bordas das coroas utilizando o micromotor, fundido ou forjado e do comprimento do braço do grampo
mas somente se a relação de uma coroa com outra estiver do seu ponto de origem à sua extremidade final; a retenção
correta (Figura 14-9). A menos que o assentamento de instru- então dependerá (a) da flexibilidade do braço do grampo,
mentos removíveis esteja exato e eles sejam mantidos no lugar (b) da magnitude do dente cortado e (c) da profundidade
por pedra ou gesso adicional, deve-se primeiro experimentar as da extremidade do grampo colocada neste corte.
restaurações metálicas fundidas na cavidade bucal e depois 3. Localizar áreas de corte indesejáveis que serão cruzadas por
transferi-las, por meio de uma moldagem indicativa de gesso partes rígidas da restauração durante a instalação e a
ou resina acrílica, para um modelo de gesso duro reforçado por remoção; estas devem ser eliminadas por bloqueio.

A B

Figura 11-9    Modificam-se os modelos-mestre por meio da adição de alívio de cera em regiões que não tinham e pela colocação
da cera de bloqueio paralela ao eixo de inserção em regiões abaixo da altura de contorno onde o contato da estrutura não é planejado
(p. ex., todas as áreas exceto pontas de grampo retentivas). A, Fornece-se a cera de bloqueio para contornos do dente abaixo da altura
do contorno nos dentes n° 34 e 44. B, Realizou-se um bloqueio parecido para o molar mandibular n° 37 O bloqueio é retificado com
uma lâmina do delineador direta para assegurar paralelismo com o eixo de inserção identificado.
Capítulo 11  Delineamento 137

4. Aparar o material de bloqueio paralelo ao eixo de inserção de oposição dos dentes pilares; o outro meio é alterar a flexibi-
antes da duplicação (Figura 11-9). lidade do braço do grampo por meio de uma mudança em seu
É preciso desenhar a prótese parcial de modo que (1) não desenho, tamanho e comprimento ou no material de que é
cause estresse aos dentes pilares além da sua tolerância fisioló- feito.
gica; (2) o paciente possa facilmente colocá-la e retirá-la; (3) ela
se retenha contra consideráveis forças de deslocamento; e não Interferência
se crie uma aparência desfavorável. É necessário delinear o
É possível desenhar a prótese de modo que ela possa ser colo-
modelo do diagnóstico com estes princípios em mente. Deve-se,
cada e removida sem encontrar a interferência dos dentes e dos
portanto, planejar o preparo bucal de acordo com certos fatores
tecidos moles. Pode-se selecionar um eixo de inserção que
que influenciarão o eixo de inserção e remoção.
encontre interferência somente quando a interferência puder
ser eliminada durante o preparo bucal ou no modelo-mestre
Fatores Que Determinam Os Eixos por uma quantidade moderada de bloqueio. As interferências
De Inserção E De Remoção podem ser eliminadas em preparos bucais por meio de cirurgias,
exodontias, modificações de superfícies de interferências dentá-
Os fatores que determinarão o eixo de inserção e de remoção
rias ou alterações dos contornos dentários com restaurações.
são planos-guia, áreas retentivas, interferências e estética.
Geralmente, a interferência que não puder ser eliminada por
um motivo ou outro tomará precedência sobre os fatores de
Planos-guia retenção e planos-guia. Algumas vezes estas áreas podem ser
É preciso encontrar ou criar superfícies proximais do dente que feitas áreas de não interferência somente por se selecionar um
tenham uma relação de paralelismo umas com as outras para eixo de inserção diferente à custa de áreas retentivas existentes
agirem como planos-guia durante a instalação e a remoção da e planos-guia. Deve-se, então, modificar estes com restaurações
prótese. Os planos-guia são necessários para assegurar a pas- que fiquem em harmonia com o trajeto ditado pela interferên-
sagem de partes rígidas da prótese por áreas de interferência cia existente. Por outro lado, se áreas de interferência puderem
existentes. Assim, é possível para o paciente colocar e remover ser eliminadas por diversos meios consideráveis, isto deve ser
a prótese facilmente sem causar tensão aos dentes com quem feito. Quando isso ocorre, é possível usar frequentemente os
mantém contato ou à própria prótese e sem causar dano aos contornos axiais de pilares existentes com pouca alteração.
tecidos moles encontrados abaixo.
Planos-guia são também necessários para assegurar um Estética
conjunto de funções previsíveis aos grampos, incluindo reten-
Por meio de um eixo de inserção, torna-se possível a melhor
ção e estabilidade. Para um grampo ser retentivo, é preciso
posição estética dos dentes artificiais e se expõe menos grampo
forçar o seu braço retentivo a flexionar. Portanto, planos-guia
de metal e material de base.
são necessários para dar uma direção positiva ao movimento da
A posição das áreas retentivas pode influenciar o eixo de
restauração, que deve sair e voltar à posição final.
inserção selecionado; portanto, deve-se sempre selecionar as
áreas retentivas com as posições mais esteticamente agradáveis
Áreas Retentivas para os grampos em mente. Quando precisam ser feitas res-
As áreas retentivas devem existir para um dado eixo de intalação taurações por outros motivos, deve-se contorná-las para pos-
e devem entrar em contato com os braços retentivos dos sibilitar a menor exposição do metal do grampo. Geralmente,
grampos que são forçados a se flexionarem sobre superfícies menos metal ficará exposto se o grampo retentivo for colocado
convexas durante a colocação e a remoção. A retenção satisfató- em uma área mais distogengival da superfície do dente, o que
ria do grampo nada mais é do que a resistência do metal à se torna possível por meio do eixo de inserção selecionado ou
deformação. Para um grampo ser retentivo, seu trajeto de escape pelo contorno das restaurações.
deve ser um que não seja paralelo ao trajeto de remoção da A estética também pode ditar a escolha do trajeto selecio-
própria prótese; caso contrário, ele não será forçado a se flexio- nado quando dentes anteriores precisam ser substituídos pela
nar e, desse modo, gerar a resistência conhecida como retenção. prótese parcial. Nestas situações, um eixo de inserção mais ver-
A retenção do grampo depende, portanto, da existência de um tical é normalmente necessário para que não se modifique
eixo de inserção e de remoção definidos. excessivamente nem os dentes artificiais nem os dentes naturais
Embora seja desejável, a retenção em cada pilar principal adjacentes (Figura 11-10). Neste caso, a estética pode ter prece-
pode não estar equilibrada em relação ao dente que se encontra dência sobre outros fatores. Isso torna necessário o preparo
no lado oposto da arcada (exatamente igual e oposto em mag- dos dentes pilares para eliminar interferências e para fornecer
nitude e posição relativa); entretanto, deve estar presente a reci- planos-guia e retenção em harmonia com aquele eixo de inser-
procidade positiva da arcada cruzada para com os elementos ção ditado pelos fatores estéticos.
retentivos. A retenção deve ser apenas suficiente para resistir às Como a consideração principal deve ser a preservação dos
consideráveis forças de deslocamento. Em outras palavras, deve tecidos bucais remanescentes, não se deve possibilitar que a
ser o minimamente aceitável para retenção adequada contra estética ameace o sucesso da prótese parcial. A substituição dos
consideráveis forças de deslocamento. dentes anteriores que faltam deve, então, ser realizada por meio
É possível obter retenção razoavelmente igual por um de dois de próteses parciais fixas quando possível, especialmente se a
meios. Um é mudar o eixo de inserção para aumentar ou dimi- eficácia mecânica e funcional da prótese parcial precisar de um
nuir o ângulo de convergência cervical das superfícies retentivas preparo dental significativo.
138 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Figura 11-11    Método recomendado para manipular o deli-


neador dental. A mão direita está apoiada no braço horizontal
do delineador, e usam-se os dedos, como ilustrado, para levantar
e abaixar a haste no seu eixo. A mão esquerda segurando o
modelo na mesa ajustável desliza horizontalmente na plataforma
em relação ao braço vertical. Usa-se a mão direita para afrouxar
e apertar o mecanismo de inclinação enquanto se determina
uma inclinação do modelo anteroposterior e lateral adequada
em relação ao delineador.
B
Procedimentos Passo A Passo Para
Delinear Um Modelo De Diagnóstico
Anexe o modelo à mesa ajustável do delineador com um grampo.
Posicione a mesa ajustável de modo que as superfícies oclusais
dos dentes estejam aproximadamente paralelas à plataforma
(Figura 11-11). Tal orientação é uma maneira provisória, porém
prática, para começar a considerar os fatores que influenciam o
eixo de inserção e remoção.
C Planos-guia
Determine o paralelismo relativo das superfícies proximais de
Figura 11-10    A, Quando é preciso substituir os dentes ante-
todos os dentes pilares potenciais pelo contato das superfícies
riores com uma prótese parcial removível, o eixo vertical selecio-
proximais do dente com a lâmina do delineador ou com o esti-
nado deve considerar a junção do dente natural com o dente da
lete de diagnóstico. Altere a posição do modelo anteroposterior-
prótese. É desejável que o eixo de inserção requeira a mínima
quantidade de alteração do dente natural e do dente da prótese
mente até que essas superfícies proximais estejam o mais próximo
(maximizando contornos dos espaços naturais). B, Distal do possível de uma posição paralela com relação uma à outra ou
canino levemente alterado para acomodar o eixo que melhora a próximas o suficiente para que possam ser tornadas paralelas por
instalação da prótese dos dentes anteriores. C, Coroas caninas recontorno. Para modificações posteriores de espaços, isto
necessárias para satisfazer os contornos desejáveis dos dentes determinará a inclinação anteroposterior do modelo em relação
naturais e dos dentes protéticos. ao braço vertical do delineador (Figura 11-12). Embora a mesa
do delineador seja universalmente ajustável, deve-se pensar nela
como tendo somente dois eixos, assim permitindo unicamente
inclinações anteroposteriores e laterais.
Capítulo 11  Delineamento 139

A B

Figura 11-13    Quando se determina a inclinação anteropos-


terior do modelo mais desejável em relação à lâmina do delinea-
dor, é preciso fazer uma escolha entre as posições ilustradas em
A e B. Em A, seria preciso estender a superfície distal do pilar
pré-molar esquerdo por meio de uma restauração. Em B, seria
possível alterar levemente o pré-molar direito para fornecer um
plano-guia aceitavelmente paralelo. A menos que restaurações
sejam necessárias por outras razões, prefere-se a inclinação
mostrada em B.

cervical como um triângulo de luz entre a lâmina do delineador


e o ápice da superfície do dente sob estudo (Figura 7-41).
Altere a posição do modelo inclinando-o lateralmente até
Figura 11-12    O paralelismo relativo de superfícies proximais que existam áreas retentivas semelhantes nos principais dentes
do dente determinará a inclinação anteroposterior do modelo pilares. Se somente dois dentes pilares se envolverem, como em
em relação ao braço vertical do delineador. uma arcada parcialmente edentada da Classe I de Kennedy,
serão ambos os pilares principais. No entanto, se quatro dentes
pilares se envolverem (como estão em uma Classe III de Kennedy,
modificação 1), eles serão todos pilares principais, e áreas reten-
Quando se faz uma escolha entre ter contato com uma tivas devem ser posicionadas em todos os quatro. Contudo,
superfície proximal somente na área cervical ou contato somente se três dentes pilares se envolverem (como estão em uma Classe
no cume marginal, prefere-se o último porque é possível então II de Kennedy, modificação 1), o pilar posterior no lado em que
estabelecer um plano por meio do recontorno (Figura 11-13). o  dente tem suporte e o pilar no lado da extensão distal são
É óbvio que, quando existe somente contato gengival, uma res- considerados os pilares principais, e é preciso igualar a retenção
tauração é o único meio de estabelecer um plano-guia. Portanto, adequadamente. É possível considerar o terceiro pilar secundá-
se uma inclinação que não fornece contato proximal está apa- rio, e espera-se menos retenção dele do que dos outros dois.
rente, deve-se estabelecer a superfície proximal com algum tipo Ocorre uma exceção quando o pilar posterior no lado em
de restauração. que o dente tem suporte aparece com um prognóstico ruim, e
O resultado final ao estabelecer uma inclinação anteropos- desenha-se a prótese para ser, por fim, uma Classe I. No caso
terior apropriada deve ser de fornecer as maiores áreas reunidas desta situação, consideram-se os dois pilares mais fortes os
de superfícies proximais paralelas que podem agir como planos-­ pilares principais.
guia. Também se usam outras superfícies axiais de dentes Quando se inclina o modelo lateralmente para estabelecer
pilares como planos-guia. Isto é feito normalmente pelo contato uma uniformidade razoável de retenção, torna-se necessário
do componente estabilizador do conjunto retentor direto em girar a mesa em um eixo longitudinal imaginário sem perturbar
sua totalidade com a superfície axial do pilar, que se encontrou a inclinação anteroposterior previamente estabelecida. A posição
ou se fez paralela ao eixo de inserção (Figuras 14-7 a 14-9). resultante é uma que fornece ou torna possível que os planos-­
Portanto, também é preciso considerar uma inclinação lateral guia fiquem paralelos e forneçam a retenção aceitável nos dentes
do molde para o braço vertical do delineador, assim como a pilares. Deve notar-se que esta posição mais desejada sempre
inclinação anteroposterior, quando se usam planos-guia. requererá algumas modificações nos dentes para ser atingida.
Note que uma possível interferência a este eixo de inserção
Áreas Retentivas provisório não foi, até agora, levada em consideração.
Por meio do contato das superfícies vestibular e lingual dos
dentes pilares com a lâmina do delineado, é possível determinar Interferência
a quantidade de retenção existente abaixo da sua altura da con- Caso se esteja delineando um modelo mandibular, verifique as
vexidade. A melhor forma de realizar esta tarefa é direcionando superfícies da língua que serão cruzadas por um conector maior
para o modelo uma pequena fonte de luz vinda do lado oposto do tipo barra lingual durante a colocação e a remoção. Proemi-
ao do dentista. Observa-se melhor o ângulo de convergência nências ósseas e dentes pré-molares com inclinações para lingual
140 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

são as causas mais comuns de interferência em um conector do dente. Os braços dos grampos não retentivos e estabilizadores
tipo barra lingual. são mais bem posicionados entre o terço médio e gengival da
Se a interferência for bilateral, a cirurgia ou o recontorno das coroa do que no terço oclusal.
superfícies linguais do dente, ou ambos, podem ser inevitáveis. É possível eliminar as áreas de interferência à colocação
Se a interferência for apenas unilateral, uma mudança na incli- apropriada dos braços dos grampos por meio da remodelação
nação lateral pode evitar uma área de interferência no dente ou das superfícies do dente durante os preparos da cavidade bucal.
no tecido. Ao mudar o eixo de inserção para impedir interfe- Estas áreas devem estar indicadas no modelo de diagnóstico.
rência, é possível perder os planos-guia previamente estabeleci- Áreas de interferência à colocação de grampos podem precisar
dos e a posição ideal para os elementos retentivos. Então, será de pequenas mudanças no eixo de inserção ou mudanças no
preciso tomar uma decisão sobre remover a interferência exis- desenho do grampo. Por exemplo, um braço de grampo do tipo
tente por qualquer meio necessário ou recorrer às restaurações barra que se origina da porção mesial do conector maior para
nos dentes pilares, desse modo mudando as áreas proximais e fornecer reciprocidade e estabilidade pode ser substituído por
retentivas para se conformar ao novo eixo de inserção. um braço circunferencial que se origine na porção distal.
De maneira semelhante, é preciso avaliar os cortes ósseos que Áreas de interferência normalmente negligenciadas são as
oferecerão interferência ao assentamento das bases da prótese e dos ângulos da linha distal de dentes pilares pré-molares e dos
tomar uma decisão sobre removê-los cirurgicamente; mudar o ângulos da linha mesial de pilares molares. Essas áreas frequen-
eixo de inserção à custa de modificar ou restaurar os dentes para temente oferecem interferência à origem dos braços dos grampos
conseguir planos-guia e retenção; ou desenhar as bases da circunferenciais. Se não forem detectadas no momento da ava-
prótese para evitar tais áreas retentivas. O último pode ser feito liação inicial, não serão incluídas no plano de preparo de boca.
encurtando-se as bordas das bases das próteses por vestibular e Quando tal corte existe, é possível considerar as três alternativas
na extensão distolingual. Contudo, é importante lembrar que se seguintes:
deve usar a área máxima disponível para o apoio da base da 1. É possível bloqueá-las como qualquer outra área de interfe-
prótese sempre que possível. rência. Isso é sem dúvida o método menos satisfatório,
Raramente existe interferência nos conectores maiores na porque a origem do grampo precisa então ficar afastada do
arcada maxilar. Áreas de interferência normalmente encontram-se dente em proporção a quantidade de bloqueio usado. Embora
em dentes posteriores com inclinação vestibular e naquelas este método seja talvez menos condenável do que se colo-
áreas ósseas no rebordo alveolar edentado por vestibular. cado oclusalmente, pode ser desagradável para a língua e
Assim, como com o modelo mandibular, é necessário tomar a para bochecha e pode criar um local de aglutinação de
decisão sobre o caso de eliminá-las, de mudar o eixo de inserção comida.
à custa de modificar ou restaurar dentes para obter os planos- 2. É possível contorná-las por meio de uma aproximação da
guia e a retenção exigida ou de redesenhar os conectores e as área retentiva de uma direção gengival com um braço de
bases para evitá-las. grampo do tipo barra. Esta geralmente é uma solução satis-
Outras áreas de possíveis interferências a serem avaliadas são fatória ao problema se não estiverem presentes outras con-
aquelas superfícies dos dentes pilares que suportarão ou serão traindicações ao uso de um braço de grampo do tipo barra,
cruzadas por conectores menores e pelos braços dos grampos. como um corte severo do tecido ou uma área retentiva que
Embora seja possível bloquear a interferência nos conectores é muito alta no dente.
menores verticais, fazer isso pode causar desconforto à língua 3. É possível eliminá-las por meio de uma redução no contorno
do paciente e pode criar espaços desagradáveis, que poderiam ofensivo do dente durante o preparo bucal. Isto possibilita
resultar em aglutinação de comida. É também desejável que o uso de um braço de grampo circunferencial originando
superfícies do dente em contato com conectores verticais sejam bem abaixo da superfície oclusal de uma maneira satisfató-
usadas como planos-guia auxiliares sempre que possível. Um ria. Se o dente precisar ser modificado durante os preparos
grande alívio talvez seja melhor do que um pequeno por causa da boca, deve-se indicar no modelo de diagnóstico com um
da possibilidade de irritação dos tecidos moles. É sempre melhor lápis colorido.
colocar o alívio com algum objetivo em mente. Se possível, um Quando a área retentiva localiza-se em uma altura não favo-
conector menor deve passar verticalmente ao longo de uma rável do dente pilar ou o corte é muito severo, podem existir
superfície do dente que seja paralela ao eixo de inserção (que é interferências também em superfícies do dente que fazem
considerado ideal) ou afilar-se oclusalmente. Se existirem cortes suporte aos grampos retentivos. Tais áreas de extrema ou alta
do dente que precisem usar uma quantidade desagradável de convexidade devem ser consideradas áreas de interferência e
bloqueios, eles podem ser eliminados ou diminuídos por meio devem ser reduzidas adequadamente. Essas áreas são também
de sutis mudanças no eixo de inserção e/ou eliminados durante indicadas no modelo de diagnóstico para redução durante os
os preparos da cavidade bucal. A necessidade para tal alteração preparos da boca.
deve estar indicada no modelo de diagnóstico em lápis verme-
lho após aceitação final do eixo de inserção. Estética
As superfícies do dente em que se colocarão os braços dos Deste modo, o eixo de inserção estabelecido deve ainda ser
grampos recíprocos e estabilizadores devem ser estudadas para considerado do ponto de vista estético, tanto quanto à posição
ver se existem áreas suficientes acima da linha-guia equatorial dos grampos como a distribuição dos dentes artificiais.
para a colocação destes componentes. A adição de um braço de Normalmente, é possível selecionar desenhos de grampos
grampo no terço oclusal de um dente pilar acrescenta à sua que forneçam estética satisfatória para qualquer eixo de inser-
dimensão oclusal e, consequentemente, à carga oclusal daquele ção selecionado. Em alguns casos, é possível usar os braços dos
Capítulo 11  Delineamento 141

grampos do tipo barra posicionados gengivalmente de forma e lingual e no preparo dos assentamentos de descanso. Exceto
vantajosa; em outros, pode-se usar os braços dos grampos cir- quando são colocados no padrão de cera para restauração
cunferenciais posicionados cervicalmente. Isto se torna espe- fundida, o preparo dos assentamentos de descanso deve sempre
cialmente verdadeiro quando outros dentes pilares localizados ser adiada até que se completem todos os outros preparos
mais posteriormente podem carregar a maior responsabilidade bucais.
pela retenção. Ainda em outras situações, é possível utilizar um A posição real dos descansos será determinada pelo desenho
braço de grampo retentivo de fios forjados com mais vantagem proposto da estrutura da prótese. Por isso, deve-se desenhar o
estética do que um braço de grampo fundido. A colocação dos projeto provisório no modelo de diagnóstico a lápis após decisão
braços dos grampos por motivos estéticos normalmente não sobre o eixo de inserção. Isto é feito não só para localizar as áreas
justifica alterar o eixo de inserção à custa de fatores mecânicos. de descanso, mas também para gravar graficamente o plano de
Contudo, é preciso considerá-la simultaneamente com outros tratamento antes do preparo bucal. No tempo entre as consultas
fatores, e se a escolha entre dois trajetos de inserção de méritos do paciente é possível que se tenha considerado outras restau-
iguais permitirem uma colocação mais esteticamente agradável rações na prótese parcial. O dentista deve ter o plano de trata-
dos braços dos grampos de um sob o outro, deve-se dar prefe- mento prontamente disponível a cada consulta subsequente
rência a esse trajeto. para evitar confusão e para manter um lembrete daquilo que
Quando estão envolvidas reposições anteriores, a escolha do vai ser feito e a sequência que irá requerer.
trajeto é limitada a uma mais vertical por razões já indicadas. O plano de tratamento deve incluir (1) o modelo de diagnós-
Somente nesta situação deve-se dar consideração principal à tico com os preparos bucais e o projeto da prótese demarcado
estética, mesmo à custa de alterar o eixo de inserção e de fazer nele; (2) uma ficha mostrando o projeto proposto e o trata-
todos os outros fatores conformarem-se. Deve-se lembrar deste mento planejado para cada pilar; (3) uma ficha de trabalho
fator quando se considerar os outros três, para que se façam mostrando todo o tratamento envolvido que permitirá uma
acordos no momento que estiverem considerando outros breve revisão e a checagem de cada passo já concluído com
fatores. o progresso do trabalho; e (4) um registro do orçamento dado
para cada fase do tratamento que pode ser excluído da lista ao
ser registrado no cadastro permanente do paciente.
Eixo De Inserção Final
Usam-se marcações feitas com lápis vermelho no modelo de
O eixo de inserção final será a posição do modelo anteropos- diagnóstico para indicar a localização dos descansos (Figura 11-14).
terior e lateral, em relação ao braço vertical do delineador, que Embora não seja necessário o preparo de áreas de descanso no
melhor satisfaz todos os quatro fatores: planos-guia, retenção, modelo de diagnóstico, aconselha-se ao estudante novato que
interferência e estética. tenha isso feito antes de prosseguir na alteração dos dentes
É preciso marcar com lápis vermelho todas as mudanças pilares. Isto se aplica igualmente aos preparos das coroas e das
bucais sugeridas no modelo de diagnóstico, com a exceção das restaurações nos dentes pilares. É aconselhável, no entanto,
restaurações a serem feitas. Estas também podem estar indica- mesmo para o dentista mais experiente que tenha aparado os
das em uma ficha em anexo se desejado. Dá-se prioridade a dentes no modelo de gesso com a lâmina do delineador onde
exodontias e cirurgias para dar tempo à cicatrização. As marcas quer que se precise fazer redução do dente. Isto identifica não
vermelhas restantes representam modificações efetivas dos só a quantidade a ser removida em uma dada área, mas
dentes que ficam para serem feitas, o que consiste no preparo também em qual plano se deve preparar o dente. Por exemplo,
das superfícies proximais, na redução das superfícies vestibular pode ser preciso recontornar uma superfície proximal somente

A B

Figura 11-14    Modelos de diagnóstico podem servir como guias visuais para o preparo do dente. A, Modelos delineados mostram
áreas que requerem redução do dente em vermelho (descanso mésio-oclusal e plano-guia distal no dente n° 44, descanso de cíngulo
no dente n° 43), assim como marcas de apoio tripé do eixo de inserção. B, Nesse molar, inclinação para mesial foi indicado um grampo
tipo anel. Marcações em vermelho mostram os preparos dos descansos mésio-oclusal e disto-oclusal necessários, assim como o
plano-guia mesial. Também apresenta a necessidade de redução para diminuir a altura do contorno lingual no ângulo da linha mesio-
lingual. Todos os ajustes de contornos axiais requeridos são determinados pelo uso correto do delineador.
142 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

no terço superior ou no terço médio para estabelecer um modelo-mestre ou posicionar os braços dos grampos em relação
plano-guia que será paralelo ao eixo de inserção. Este não é às áreas retentivas.
normalmente paralelo ao eixo longo do dente, e se instrumento Obviamente, a base recortada variará com cada modelo; por
giratório for colocado o contra a lateral do dente, o ângulo de isso, gravar a posição da mesa do delineador não tem valor
superfície existente será mantido, evitando assim a necessi- algum. Se tivesse, seria possível incorporar calibragens à mesa
dade de estabelecer um novo plano que seria paralelo ao eixo do delineador, o que permitiria o restabelecimento da mesma
de inserção. posição. Em vez disso, a posição de cada modelo precisa ser
É possível usar a lâmina do delineador, que representa o eixo estabelecida separadamente e qualquer registro de posição
de inserção, de forma vantajosa para aparar a superfície do aplica-se somente àquele modelo.
dente pilar sempre que aparecer uma marca vermelha. A super- Dos diversos métodos, dois parecem ser os mais convenien-
fície resultante representa a quantidade de dente a ser removida tes e exatos. Um método é colocar três pontos amplamente
na boca e indica o ângulo que se deve segurar a peça de mão. A divergentes com a ponta de um marcador de grafite na super-
superfície cortada no dente do modelo de gesso não está nova- fície de tecido gengival do modelo com o braço vertical do
mente marcada com lápis vermelho, mas está delineada em lápis delineador em uma posição travada. Preferivelmente, não se
vermelho para que se localize corretamente a área que deverá deve colocar estes pontos nas áreas do modelo envolvidas no
ser preparada. desenho da estrutura. Os pontos devem estar circundados com
um lápis colorido para uma fácil identificação. Quando o
modelo retornar ao delineador, será possível incliná-lo até que
Registrando A Relação Do Modelo
a ponta da lâmina do delineador ou da ponta de diagnóstico
Com O Delineador toque novamente os três pontos no mesmo plano. Essa aborda-
É preciso usar algum método de registro da relação do modelo gem, que produzirá a posição original do modelo e, assim, o
com o braço vertical do delineador para que se possa retornar eixo de inserção original, é conhecida como tripoidismo do
o modelo ao delineador como referência futura, especialmente modelo (Figura 11-15). Alguns dentistas preferem fazer peque-
durante os preparos de boca. O mesmo se aplica à necessidade nas marcas redondas no modelo na posição dos pontos do tripé
de retornar qualquer modelo de trabalho ao delineador para para preservar a orientação do modelo e para transferir esta
enceramento e recorte dos padrões de cera, aparar bloqueios no relação ao modelo refratário.


 

B
Haste de carbono
substituída para marcar
a altura do contorno
(também chamada
de linha-guia
equatorial)

A D C

Figura 11-15    A-B, Determina-se o eixo de inserção e marca-se na base do modelo para registrar sua relação com o delineador para
reposicionamento futuro. C, Um método alternativo de registrar a relação do modelo com o delineador é conhecido como apoio tripé.
Coloca-se um marcador de carbono no braço vertical do delineador e ajusta-se o braço para a altura em que o modelo pode ser tocado
em três posições divergentes. O braço vertical é trancado na posição, e traz-se o modelo para o contato com a ponta do marcador de
carbono. Circulam-se as três marcas resultantes com lápis colorido para facilitar a identificação. Realiza-se a reorientação do modelo
com o delineador ao inclinar o modelo até que o plano criado pelas três marcas esteja em um ângulo reto com o braço vertical do
delineador.
Capítulo 11  Delineamento 143

O segundo método é marcar os dois lados e a face dorsal da


base do modelo com um instrumento afiado segurado contra a
lâmina do delineador (Figura 11-15). Quando se inclina o
modelo até que todas as três linhas estejam novamente paralelas
à lâmina do delineador, a posição original do modelo pode ser
restabelecida. Felizmente, as linhas riscadas serão reproduzidas
em qualquer duplicação, permitindo assim qualquer molde
duplicado se relacionar com o delineador de uma maneira
semelhante. Enquanto não se pode fazer um modelo de diag-
nóstico e um modelo-mestre para serem intercambiáveis, um
modelo refratário, que é uma duplicação do modelo-mestre,
pode ser reposicionado no delineador a qualquer momento. É Figura 11-16    É preciso descartar um marcador de carbono
preciso advertir ao técnico para não recortar os lados do modelo desgastado (esquerda) porque ele irá invariavelmente marcar
no recortador de modelos e, desse modo, perder as marcas de enganosamente a linha guia equatorial para uma dada orienta-
referência para o reposicionamento. ção do modelo para o eixo vertical do delineador. O carbono que
É preciso lembrar que reposicionar um modelo em um deli- não está desgastado (direita) com uma ponta angulosa é prefe-
neador em qualquer momento pode envolver certa quantidade rível para marcar a linha-guia equatorial em dentes pilares e
de erro humano. Estimou-se que um erro de 0,2 mm pode ser realizar delineamentos em áreas de tecido mole.
antecipado quando se reposiciona um modelo pelo método do
tripoidismo. Esse erro de reposicionamento pode influenciar na A base do modelo está agora marcada ou o modelo está com
colocação adequada da cera de bloqueio e pode resultar na o registro do tripodismo (três pontos) como descrito previa-
colocação ineficaz dos retentores diretos nas áreas retentivas mente. É possível, então, substituir a lâmina do delineador ou a
predeterminadas e contatos impróprios dos conectores menores ponta de diagnóstico por uma ponta grafite, e podem-se deli-
com os planos-guia. Consequentemente, é preciso fazer o repo- near os contornos da altura da convexidade de cada dente pilar
sicionamento do modelo ao delineador utilizando qualquer e tecido mole. De igual modo, deve-se indicar com o grafite
método com grande cuidado. quaisquer áreas de interferência nas partes rígidas da estrutura
durante o assentamento e a remoção para que se possa localizar
DELINEAMENTO DO MODELO De Trabalho áreas de retenção ou alívio.
É importante descartar os grafites que ficarem, mesmo que
É preciso delinear o modelo-mestre como um novo modelo, levemente desgastados pelo uso. Um grafite desgastado (afilado)
mas as superfícies proximais de planos-guia preparadas indica- indicará alturas de contornos mais oclusalmente localizadas do
rão a inclinação anteroposterior correta. Alguns acordos podem que aquelas que de fato existem. O grafite deve estar paralelo ao
ser necessários, mas a quantidade de superfícies de planos-guia eixo vertical do delineador (Figura 11-16). Deve-se sempre
remanescentes após o bloqueio deve ser máxima para cada verificar a ponta de diagnóstico para assegurar que este não
dente. Não se consideram como parte da área de plano-guia as esteja curvado ou distorcido.
áreas acima do ponto de contato com a lâmina do delineador
nem as áreas de cortes gengivais, que serão bloqueadas.
CALIBRAGEM DA Retenção
A inclinação lateral será a posição que fornecerá áreas reten-
tivas iguais em todos os pilares principais em relação ao Usa-se o delineador com o modelo-mestre (ou de trabalho) por
desenho de grampo planejado. É preciso considerar fatores de duas razões: (1) para delinear a altura do contorno dos dentes
flexibilidade, inclusive a necessidade de flexibilidade extra em pilares para localizar os braços dos grampos e também para
pilares de extensão distal, quando se está decidindo o que identificar a localização e a magnitude das áreas retentivas; e
fornecerá igual retenção em todos os dentes pilares. Por (2) para livrar o bloqueio de qualquer interferência que interfira
exemplo, deve-se ponderar o uso do grampo de retenção na colocação e na remoção da prótese. As áreas envolvidas são
fundido circunferencial ou tipo barra no dente suporte em um aquelas que partes rígidas da estrutura da prótese cruzarão no
desenho tipo Classe II contra uma retenção de fio de aço eixo de inserção.
calibre-18 em um pilar distal somente se o grampo fundido mais É preciso medir e marcar no modelo-mestre a localização
rígido abraçar uma porção menor do que o braço do grampo exata que as extremidades dos grampos retentivos irão ocupar
de fio de aço. Portanto, o grau de retenção sozinho não asse- (Figura 11-17). É possível medir essas áreas com um instru-
gura uma retenção relativamente igual, a menos que se usem mento de calibragem, como aqueles fornecidos pelos delinea-
os braços do grampo de igual comprimento, diâmetro, forma dores Ney e Jelenko. A quantidade de retenção é medida em
e material. centésimos de polegada, com os instrumentos permitindo
A interferência bruta deverá ter sido eliminada durante o medidas até 0,76 mm (0,03 polegada). Teoricamente, a quanti-
preparo bucal. Assim, para um dado eixo de inserção que dade de retenção usada pode variar com o grampo que será
fornece planos-guia e retenção equilibrada, qualquer interfe- usado, até no máximo 0,76 mm (0,03 polegada). No entanto,
rência restante precisa ser eliminada com bloqueio. Se os pre- calibragens de 0,25 mm (0,01 polegada) são frequentemente
paros bucais tiverem sido adequadamente planejados e adequadas para retenção em retentores fundidos. A retenção
executados, os alívios restantes a serem bloqueados devem ser por meio de fios de aço pode seguramente usar até 0,51 mm
mínimos. (0,02 polegada) sem induzir torque indesejável no dente pilar,
144 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 11-17    A, A ponta calibradora medirá a profundidade da área retentiva localizada abaixo da altura do contorno (ou da linha
guia equatorial). Um retentor direto do tipo barra entrará em contato com o dente do ponto retentivo até a altura do contorno (ou da
linha guia equatorial). A profundidade em que se pode colocar o braço do grampo retentivo depende não só do seu comprimento,
afilamento e diâmetro e do metal de que é feito, mas também do tipo de grampo. Um braço de grampo circunferencial é mais flexível
do que um braço de grampo do tipo barra do mesmo comprimento (Capítulo 7). B, É possível verificar a medida específica da retenção
partindo da gengiva para a linha guia equatorial com o uso de uma ponta calibradora de retenção acoplada ao delineador. O contato
simultâneo da haste da ponta calibradora de retenção na altura do contorno e da aba de um calibre de retenção específico em um
dente na área de protuberância inferior estabelece definitivamente o grau e a localização da retenção. Portanto, é possível colocar a
ponta do braço retentivo do retentor direto na profundidade planejada de retenção.

desde que o braço retentivo do fio seja longo o suficiente (pelo


menos 8 mm). O uso de 0,76 mm (0,03 polegada) raramente é
justificável (se alguma vez é) com qualquer grampo. Quando se
requer maior retenção, como quando dentes pilares permane-
cem somente em um lado da arcada, é melhor que se usem
pilares múltiplos, em vez de aumentar a retenção em apenas um
único dente.
Quando se direciona uma fonte de luz para o dente que está
sendo delineado, torna-se visível um triângulo de luz. Delimita-­-
se o triângulo por meio da superfície do dente pilar em um
lado e da lâmina do delineador no outro, sendo o ápice o
ponto de contato na altura da convexidade e a base do triângulo
sendo os tecidos gengivais (Figura 11-18). A retenção será
determinada pela (1) magnitude do ângulo de convergência
cervical abaixo do ponto de convexidade; (2) pela profundidade
na qual se coloca a extremidade do grampo no ângulo; e (3)
pela flexibilidade do braço do grampo. A aplicação inteligente
de grampos com desenhos diversos e suas relativas flexibilida-
des é mais importante do que a habilidade de calibrar a retenção
com precisão exata.
Após esta etapa é possível desenhar o projeto final no
modelo-mestre com um lápis fino de cera, preferivelmente um
que não saia durante a duplicação. O grafite normalmente se
mexe na duplicação, mas algumas marcações feitas com lápis de
cera resistirão à duplicação sem borrar nem transferir. Dimen-
sionar e pulverizar o modelo-mestre para proteger tais marca- Figura 11-18    Uma área retentiva do dente é mais bem visu-
ções de lápis não é normalmente aconselhável, a menos que seja alizada contra uma boa fonte de luz passando através de um
feito com extremo cuidado para evitar obliteração dos detalhes triângulo delimitado pela superfície do dente pilar, pela lâmina
da superfície. do delineador e pelos tecidos gengivais.
Capítulo 11  Delineamento 145

A B

Figura 11-19    A borda de cera na superfície vestibular do pilar molar será duplicada em um modelo refratário para exata colocação
do padrão do grampo. Note que a borda foi socavada ligeiramente abaixo do contorno do lápis do braço do grampo. Isso possibilitará
o polimento da borda gengival do braço do grampo e que ainda assim a borda permaneça em sua relação planejada com o dente
quando a prótese for assentada. Também se deve notar que a borda de cera estabelece definitivamente a colocação planejada da ponta
do retentor direto na área retentiva medida.

BLOQUEIO DO MODELO De Trabalho


Após estabelecer o eixo de inserção e a localização de áreas
de retenção no modelo-mestre, é preciso eliminar com o
bloqueio quaisquer áreas retentivas que serão cruzadas
por partes rígidas da prótese (que são todas as partes da
estrutura da prótese exceto as extremidades do grampo
retentivo).
Em um sentido mais amplo do termo, bloqueio não inclui Figura 11-20    Todas as áreas do plano-guia devem estar para-
somente as áreas cruzadas pela estrutura da prótese durante lelas ao eixo de inserção e devem estar livres de retenção todas
a inserção e a remoção, mas também (1) aquelas áreas não as outras áreas que entrarão em contato com as partes rígidas
envolvidas que são bloqueadas por conveniência; (2) as da estrutura da prótese, realizando-se o bloqueio paralelo. As
bordas em que serão colocadas os enceramentos dos concavidades gengivais e a margem gengival também devem ser
grampos; (3) o alívio abaixo dos conectores para evitar com- aliviadas. Regiões pretas indicam bloqueio paralelo em superfícies
pressão do tecido; e (4) o alívio para fornecer o encaixe da proximais do plano-guia e alívio ao longo da gengiva marginal
base da prótese à estrutura. palatina.
Saliências ou degraus (bloqueio com formato) podem ou
não ser usados para localizar os enceramentos dos grampos
(Figura 11-19). Contudo, não se deve confundir isto com o
verdadeiro bloqueio de áreas retentivas que ofereceriam os conectores maiores e menores cruzarão. Outras áreas que
interferência na instalação da estrutura da prótese. Somente devem ser bloqueadas por conveniência ou para evitar difi-
a última é feita no delineador, com a lâmina do delineador culdades na duplicação devem ser bloqueadas com lâminas
ou o estilete do diagnóstico usados como um dispositivo de de cera rígida ou argila de moldagem a óleo (argila de mol-
paralelismo. dagem para artista). Tais áreas incluem as faces vestibulares
Pode-se usar satisfatoriamente a colocação de cera rígida e as áreas retentivas vestibulares que não estão envolvidos no
como material de bloqueio. É facilmente aplicada e aparada desenho da prótese e as áreas sublinguais e distolinguais além
com a lâmina do delineador. Facilita-se o aparamento aque- dos limites do desenho da prótese. Estas são bloqueadas arbi-
cendo levemente a lâmina do delineador com uma lampa- trariamente com lâminas de cera rígida ou argila, mas por
rina de álcool. Embora seja verdade que qualquer cera não terem nenhuma relação com o eixo de inserção, elas não
derreterá mais rapidamente que uma mistura de argila com requerem o uso do delineador. Não é indicado o uso da argila
cera se a temperatura do material de duplicação estiver de moldagem quando se envolvem procedimentos de dupli-
muito alta, deve-se presumir que o material de duplicação cação, pois a argila é solúvel em água.
não será usado em uma temperatura tão elevada. Se a tem- Por outro lado, as áreas que os conectores rígidos cru-
peratura do material de duplicação for alta o suficiente para zarão devem ser aparadas com a lâmina do delineador ou
causar dano ao bloqueio de cera, podem ocorrer outras dis- alguma outra ferramenta do delineador paralela ao eixo de
torções e a duplicação será imprecisa. inserção (Figura 11-20). Isto impõe uma responsabilidade
O bloqueio paralelo é necessário para as áreas cervicais às considerável ao técnico. Se o bloqueio não estiver suficien-
superfícies de plano-guia e para todas as áreas retentivas que temente aparado para expor as superfícies do plano-guia,
146 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

A B

Figura 11-21    Bloqueio paralelo (A, superfícies vestibulares de todos os dentes e gengivas ao grampo retentivo no dente n° 17) e
alívio (B, gengivas marginais das superfícies palatinas dos dentes e no conector menor distal) no preparo para a fundição da estrutura.
Estes espaços permitem o assentamento planejado da estrutura sem trauma dos tecidos e melhor acomodando a adição da resina
acrílica abaixo do conector menor de extensão distal para suporte de base sem contato metálico.

os efeitos destes planos-guia, que o dentista estabeleceu


cuidadosamente, serão anulados. Se, por outro lado, o
técnico for excessivamente zeloso em paralelizar o blo-
queio, é possível que o modelo de gesso se desgaste por
meio do contato pesado com a lâmina do delineador.
Embora o resultado da fundição da estrutura resultante do
molde pudesse assentar no modelo-mestre sem interferên-
cia, a interferência ocorreria no momento da instalação na
boca. Isto tornaria necessário desgastar a estrutura metá-
lica no momento da prova no paciente, o que não é
somente uma operação indesejável e demorada, mas
também uma que pode ter o efeito de obliterar as superfí-
cies de planos-guia.

ALÍVIO DO MODELO De Trabalho Figura 11-22    Alívio e bloqueio do modelo-mestre antes da


duplicação. Bloquearam-se todas as áreas retentivas envolvidas
As áreas retentivas do tecido que precisam ser bloqueados
no desenho da prótese paralelas ao eixo de inserção, exceto as
devem estar paralelas às áreas retentivas bloqueadas dos
pontas retentivas dos grampos retentores. Rebordos residuais
dentes. A diferença entre bloqueio e alívio precisa ser clara-
foram aliviados com cera calibre-20 para o material da base da
mente entendida (Figuras 11-21 e 11-22). Por exemplo, prótese (base acrílica).
áreas retentivas de tecido que ofereceriam interferência ao
assentamento de um conector do tipo barra lingual são
bloqueados com cera de bloqueio e são aparadas paralela-
mente ao eixo de inserção. Isto em si mesmo não necessaria-
mente proporciona um alívio para evitar a compressão do
tecido. Além de tal bloqueio, usa-se às vezes um alívio de prótese em volta de pilares posteriores coloca a barra ainda
espessura variante, dependendo da posição do conector, da mais longe do aspecto lingual do processo alveolar quando
inclinação relativa do processo alveolar e do efeito previsível esta superfície se inclina inferiormente e posteriormente
da rotação da prótese. Deve-se supor que se fornecem reten- (Figura 11-23). Nesses casos, obtém-se o alívio adequado
tores indiretos, como este, ou retenção indireta no desenho dos tecidos moles adjacentes à barra lingual pelo acabamento
da prótese para impedir a rotação da barra lingual inferior- e polimento iniciais da estrutura. Contudo, a rotação exces-
mente. Uma rotação vertical e para baixo das bases da siva vertical e para cima da barra lingual se chocará contra
Capítulo 11  Delineamento 147

Figura 11-23    Seção sagital do modelo e da estrutura da


prótese. O rebordo lingual alveolar inclina-se inferiormente e
posteriormente (figura superior). Quando se direciona a força Figura 11-24    Um rebordo alveolar retentivo foi bloqueado
para deslocar a base da prótese para baixo, a barra lingual gira paralelo ao eixo de inserção na confecção da barra lingual (figura
para frente e para cima, mas não se choca com o tecido mole superior). A aplicação de força vertical causará a rotação da barra
do rebordo alveolar (figura inferior). Portanto, em tais situações, lingual para cima e pode causar choque do tecido lingual no
ganha-se alívio adequado para evitar choques quando o lado de rebordo alveolar (figura inferior). Para evitar o choque nestas
tecido da barra lingual é altamente polido durante o processo de circunstâncias, não só deveria o modelo-mestre ser bloqueado
acabamento. paralelo ao eixo de inserção, mas deve-se usar um alívio adicio-
nal de lâmina de cera com espessura de 32 para aliviar o modelo
em tais áreas em que a prótese irá se apoiar.

os tecidos ­linguais se o processo alveolar estiver quase verti- alívio judicioso do lado do tecido da barra lingual com rodas
cal ou com corte para com o eixo de inserção (Figura 11-24). de borracha no local da irritação geralmente corrigirá a dis-
A região do modelo envolvendo a colocação proposta da crepância. Sob nenhuma circunstância deve-se ameaçar a
barra lingual deveria, nessa situação, ser primeiro aliviada rigidez do conector maior desgastando qualquer parte dele.
pelo bloqueio paralelo e depois por uma tira de cera calibre Ainda outras áreas que requerem alívio são as áreas em
32. Não se deveria usar cera de moldagem de baixa fusão, que partes componentes cruzam a gengiva e as cristas gen-
como a cera de moldagem verde da marca Kerr®, para esta givais. É preciso proteger todas as áreas gengivais cercadas
finalidade: ela se funde muito facilmente durante a adapta- pela estrutura da prótese de possíveis compressões resul-
ção e pode ser afetada pela temperatura do material de tantes da rotação da estrutura da prótese. Cera dura de
duplicação. Deve-se usar cera de moldagem rosa, mesmo fundição pode ser usada para bloquear as cristas gengivais
que seja difícil de adaptá-la uniformemente. Prefere-se uma (Figura 11-21).
cera de moldagem sensível a pressão e revestida de adesivo
porque se adapta prontamente e adere à superfície do
modelo. Qualquer cera, até do tipo adesivo, deve ser fundida Bloqueio Paralelo, Bloqueio
nas bordas, por todos os lados, com uma espátula quente
Modelado, Bloqueio Arbitrário
para impedir a sua soltura quando o modelo for umedecido
E Alívio
antes ou durante a duplicação.
Tendências de rotação horizontal da extensão distal man- A Tabela 11-1 demonstra as diferenças entre bloqueio para-
dibular de próteses parciais removíveis levam a muitas das lelo, bloqueio modelado, bloqueio arbitrário e alívio. Aplicam-se
irritações de tecido vistas adjacentes a um conector maior os mesmos fatores a ambas as arcadas, maxilar e mandibular,
lingual-mandibular. Normalmente é possível evitar estas exceto que o alívio não é comumente usado abaixo de conectores
irritações por meio do bloqueio de todas as áreas retentivas maiores palatinos, como é com conectores do tipo barra
adjacentes à barra paralela ao eixo de inserção e, depois, a mandibular-lingual, exceto quando não se pode contornar
inclusão de componentes de estabilização adequados no o tórus maxilar, ou quando se encontram rafes palatinas
desenho da estrutura para resistir à rotação horizontal. Um medianas elevadas.
148 Parte I  Conceitos Gerais/Plano de Tratamento 

Tabela 11-1
Diferenças entre Bloqueio Paralelo, Bloqueio Modelado, Bloqueio Arbitrário e Alívio
Local Material Espessura
Bloqueio Paralelo
Superfícies proximais do dente a serem Lâminas de cera dura ou Apenas a área localizada abaixo do contato da lâmina
usadas como planos-guia material de bloqueio do delineador com a superfície do dente
Abaixo de todos os conectores menores Lâminas de cera dura ou Apenas a área localizada abaixo do contato da lâmina
material de bloqueio do delineador com a superfície do dente
Áreas retentivas de tecidos a serem Lâminas de cera dura ou Apenas a área retentiva localizada abaixo do contato da
cruzados por conectores rígidos material de bloqueio lâmina do delineador com a superfície do modelo
Área de tecidos a serem cruzados pela Lâminas de cera dura ou Apenas a área localizada abaixo do contato da lâmina
origem das barras dos grampos material de bloqueio do delineador com a superfície do modelo
Espaços interproximais profundos a Lâminas de cera dura ou Apenas a área localizada abaixo do contato da lâmina
serem cobertos por conectores material de bloqueio do delineador com a superfície do modelo
menores ou placas linguais
Abaixo dos braços dos grampos a barra Lâminas de cera dura ou Apenas a área retentiva envolvida no encaixe do braço
nas cristas gengivais material de bloqueio do grampo ao conector menor
Bloqueio Modelado
Nas superfícies vestibular e lingual, para Lâminas de cera dura Bordas para localização dos braços de oposição dos
localizar padrões de cera ou de grampos para seguir a altura ou convexidade para que
plástico, para os braços dos grampos possam ser colocados o mais cervical possível sem se
tornarem retentivos
Bordas para localização dos braços retentivos dos grampos
para serem colocados no local mais cervical
possibilitado pelo contorno do dente; o ponto de
origem do grampo pode ser oclusal ou incisal à altura
da convexidade, cruzando a linha-guia equatorial no
quarto terminal, e para incluir a área retentiva
previamente selecionada em consonância com a
flexibilidade do tipo de grampo que está sendo utilizado
Bloqueio Arbitrário
Todas as cristas gengivais Lâminas de cera dura Suficiente para simplesmente eliminar a concavidade
gengival
Áreas retentivas dos tecidos situados Lâminas de cera dura ou Nivelado arbitrariamente com uma espátula para cera
abaixo de áreas envolvidas no argila oleosa
desenho da estrutura da prótese
Áreas retentivas dos tecidos distalmente Lâmina de cera dura ou Alisado arbitrariamente com uma espátula para cera
à estrutura da prótese argila oleosa
Faces vestibulares dos dentes e áreas Lâminas de cera dura ou Preenchido e retificado com uma espátula dentro do
retentivas vestibulares dos tecidos não argila oleosa terço superior ou coronário
envolvidos no desenho da prótese
Alívio
Abaixo de conectores do tipo barra Cera adesiva fundida ao Cera calibre 32 se a inclinação da crista alveolar lingual
lingual ou a parte da barra das placas modelo; deve ser mais for paralela ao eixo de inserção; cera calibre 32 após
linguais quando indicado (texto) larga que o conector bloqueio paralelo das áreas retentivas se a inclinação
maior para ser da crista alveolar lingual estiver interferindo no eixo de
colocada sobre ele inserção da prótese
Áreas em que conectores maiores Lâminas de cera dura Fina camada de cera fundida com espátula para cera
entrarão em contato com tecido fino, aquecida; contudo, se for preciso cobrir o tórus
como as áreas duras tão maxilar, a espessura do alívio deve representar a
frequentemente encontradas nas diferença no grau de deslocamento dos tecidos que
cristas alveolares mandibulares recobrem o tórus e os tecidos que recobrem os
linguais e rafes palatinas elevadas rebordos residuais
Abaixo da extensão da estrutura Cera adesiva, bem Cera calibre-20
metálica em direção à área do adaptada ao modelo e
rebordo alveolar para encaixe da base fundida a ele além da
de resina (selas) área envolvida
II
P A R T E

Clínica e Laboratório

149
12
Ca p í t ulo

Diagnóstico e Plano de Tratamento


Sumário Do Capítulo Comparação das propriedades físicas das ligas de
ouro e cobalto-cromo
Propósito e Individualidade do Tratamento
Fio trefilado: seleção e controle de qualidade
Anamnese do Paciente
Resumo
Tomada de Decisão Compartilhada
Exame Clínico
Objetivos do Tratamento Protético
Propósito E Individualidade Do
Exame Intraoral
Tratamento
Sequência para exame intraoral
Modelos de Estudo O propósito do tratamento odontológico é responder às neces-
Propósito dos modelos de estudo sidades dos pacientes, tanto aquelas percebidas pelo paciente
Montagem dos modelos de estudo quanto aquelas demonstradas por meio do exame clínico e da
Sequência para montagem do modelo maxilar em anamnese. Embora tenham sido notadas semelhanças entre os
relação ao plano orbital pacientes parcialmente desdentados (como as designações de
Registros da relação intermaxilar dos modelos de Classificação), existem diferenças significativas, tornando
estudo únicos cada paciente e o tratamento estabelecido.
Materiais e métodos para registro da relação cêntrica A determinação da individualidade de cada paciente ocorre
por meio da anamnese e do processo de exame clínico diagnós-
Achados Diagnósticos
tico. Isto inclui quatro processos distintos: (1) compreensão dos
Interpretação dos Dados dos Exames
desejos do paciente ou considerações/queixas principais sobre
Interpretação radiográfica
sua condição (incluindo sua história) mediante um processo de
Considerações periodontais anamnese sistemático, (2) certificação das necessidades odonto-
Considerações sobre avaliação do risco de cárie lógicas do paciente por meio de exame clínico e diagnóstico, (3)
Avaliação das bases protéticas – dentes e rebordo desenvolvimento de um plano de tratamento que melhor geren-
residual cie as demandas e necessidades (que influenciam exclusivamente
Preparo cirúrgico a condição médica ou do ambiente bucal), e (4) execução de
Análise dos fatores oclusais sequência apropriada de tratamento com manutenção plane-
Próteses fixas jada. O tratamento final é individualizado para possibilitar o
Tratamento ortodôntico controle da doença e coordenar necessidades restauradoras e
Necessidade de determinar o tipo de conector maior protéticas que são específicas do paciente. Oferecer o melhor
mandibular cuidado a um paciente pode significar não tratamento, trata-
Necessidade de recontorno dos dentes remanescentes mento limitado, ou tratamento extensivo, e o dentista deve estar
Controle de Infecção preparado para ajudar o paciente a optar pela melhor alternativa
Diagnóstico Diferencial: Prótese Parcial Fixa ou Parcial de tratamento dadas as circunstâncias individuais de cada um.
Removível
Indicações para o uso de próteses fixas
Indicações para próteses parciais removíveis Anamnese Do Paciente
Escolha entre Prótese Total e Prótese Parcial Removível
Fatores Clínicos na Seleção das Ligas Metálicas Usadas Embora a saúde bucal seja um importante aspecto da saúde
para Armação de Prótese Parcial Removível geral, pode ser uma busca eletiva para a maioria dos indivíduos.

150
Capítulo 12  Diagnóstico e Plano de Tratamento 151

Consequentemente, os pacientes se apresentam para avaliação Tomada De Decisão Compartilhada


profissional (1) para tratar alguma percepção de uma anorma-
lidade que requeira correção, ou (2) para manter ótima saúde Quando ajudamos os pacientes a compreender sua condição de
bucal. Em cada situação, mais especialmente para o paciente que saúde bucal, abrangendo considerações sobre doença e deficiên-
apresenta uma queixa principal (frequentemente com uma his- cias e os meios de solucioná-las, devemos considerar cuidado-
tória importante relacionada àquela queixa), é imperativo que samente o que eles precisam ouvir de nós. Para a maioria dos
o dentista entenda claramente o que trouxe o paciente para essa pacientes parcialmente desdentados, a discussão deve envolver
avaliação. Falhas neste aspecto levarão o paciente à insatisfação sinceramente opções restauradoras complexas para repor os
com os resultados do tratamento, já que não será solucionada a dentes perdidos. Devido a essa complexidade, nossa reponsabi-
razão pela qual buscou ajuda. Com experiência, este ponto sutil lidade é ajudá-los a escolher dentre as opções na tentativa de
se torna o principal componente do foco de gestão de um auxiliá-los a tomar a melhor decisão para si. O uso de um
clínico. modelo de comunicação chamado tomada de decisão comparti-
O objetivo fundamental da anamnese do paciente, que lhada dá estrutura ao processo no qual o profissional e o paciente
acompanha o exame clínico diagnóstico, é obter a clara com- identificam, juntos, o melhor rumo para o tratamento. Este
preensão de por que o paciente buscou avaliação; isto implica processo reconhece que pode haver escolhas complexas a tomar
fazer o paciente descrever a história relacionada à queixa prin- para o tratamento e relaciona as necessidades para informar
cipal. Para problemas clínicos complicados, a anamnese e o totalmente o paciente sobre riscos e benefícios de cada opção,
exame diagnóstico requerem duas consultas para possibilitar a assim como assegurar a ele o importante papel que seus valores
completa obtenção de todas as informações diagnósticas neces- e preferências terão no processo. Embora esteja claro que nem
sárias para formular o plano de tratamento completo. todos os pacientes desejam participar de forma equânime das
A anamnese, uma oportunidade para desenvolver um rela- decisões, porque as opções podem variar de forma significativa
cionamento harmonioso com o paciente, implica ouvir e com- (algumas são mais invasivas, têm maiores riscos, são acompa-
preender as queixas e interesses principais do paciente sobre nhadas de maior sofrimento que outras; frequentemente há
sua saúde bucal. Isso pode incluir sintomas clínicos dolorosos necessidades variadas de manutenção entre as opções), devemos
(provocados ou espontâneos), dificuldades funcionais, preo- envolver ativamente os pacientes no processo. Isto é mais
cupação com a aparência, problemas com a prótese existente importante dado o fato de que a reposição de um dente frequen-
ou qualquer combinação de sintomas relacionados aos dentes, temente é uma busca eletiva, e por causa disto raramente há
ao periodonto, aos maxilares ou ao tratamento odontológico grande urgência em tomar uma decisão.
anterior. É importante ouvir o porquê de o paciente ter esta-
belecido a razão da busca de avaliação; isso porque todas as
informações subsequentes obtidas serão usadas para discutir
Exame Clínico
essas preocupações e estabelecer se o tratamento pode afetar
o paciente de alguma maneira. Essa discussão logo no início
dos cuidados ao paciente ajuda a estabelecer expectativas Objetivos Do Tratamento Protético
realistas. Os objetivos de qualquer tratamento protético podem ser esta-
Embora sejam variadas as formas de conduzir a anamnese belecidos como segue: (1) a eliminação da doença; (2) a preser-
(e o exame clínico) do paciente para assegurar eficiência, o vação, restauração e manutenção da saúde dos dentes e tecidos
dentista deve seguir uma sequência que inclui: orais remanescentes (que enriquecerão o desenho da PPR); e
1. Queixa principal e sua história (3) a reposição seletiva de dentes perdidos, para o propósito de
2. Revisão da história médica (4) restauração da função de maneira que se assegure ótima
3. Revisão da história dental, especialmente relacionada a expe- estabilidade e conforto com estética satisfatória. Preservação é
riências protéticas anteriores um princípio que protege contra a tomada de decisões que
4. Expectativas do paciente privilegiem em alto nível preocupações cosméticas, e é obriga-
É a partir da interação exposta que a singularidade do ção do dentista enfatizar a importância de restaurar a boca
paciente, como mencionado anteriormente, é mais bem esta- inteira a um estado de saúde e de preservação dos dentes e
belecida. As expectativas descritas pelo paciente são críticas tecidos adjacentes.
para a compreensão de se uma prótese parcial removível irá O diagnóstico e o plano de tratamento para a reabilitação
satisfazer os objetivos do tratamento. O fato de a prótese oral de bocas parcialmente desdentadas devem levar em consi-
parcial removível por necessidade requerer volume de material deração o seguinte: controle de cáries e doença periodontal,
e frequentemente usar tecidos moles para suporte pode ser de restaurações de dentes individualmente, obtenção de relações
difícil compreensão para pacientes sem história protética. oclusais harmoniosas e a reposição de dentes perdidos com
Ajudar o paciente a entender a fase normal de adaptação àquela próteses fixas (usando dentes naturais e/ou implantes) ou
prótese é um importante ponto de discussão na sua seleção. removíveis. Como esses procedimentos estão integralmente
Para aqueles pacientes com experiência protética prévia nega- relacionados, a seleção apropriada e o estabelecimento da
tiva, é necessário determinar, antes que o tratamento seja ini- sequência de tratamento deve preceder qualquer procedimento
ciado, se o desenho, adaptação, oclusão ou falta de manutenção irreversível.
das próteses podem ser melhorados para proporcionar expe- O plano de tratamento para prótese parcial removível, que
riências mais positivas. frequentemente é o passo final numa longa sequência de
152 Parte II  Clínica e Laboratório 

t­ ratamento, deve preceder a todos, menos o tratamento de Sequência para Exame Intraoral
emergência. Isto permite que os dentes pilares e outras áreas Um exame intraoral deve ser executado na seguinte sequência:
da boca sejam apropriadamente preparados para suportar, exame visual, alívio da dor e restaurações provisórias, radiogra-
estabilizar e reter a prótese parcial removível. Isso significa fias, profilaxia oral, avaliação de dentes e periodonto, testes de
que modelos de estudo para o desenho e planejamento do vitalidade de dentes individualmente, determinação da posição
tratamento com prótese parcial removível devem ser feitos do assoalho bucal e moldagem de cada arcada.
antes que qualquer tratamento definitivo seja realizado. Após 1. Alívio de dor e do desconforto e controle de cáries com colocação
avaliação dos principais fatores que geram forças funcio- de restaurações provisórias. É feito um exame preliminar para
nais e compreensão daqueles que resistem a estas forças, a determinar a necessidade de controle de fatores agudos e se
prótese parcial removível é desenhada sobre o modelo de é necessária uma profilaxia para conduzir um perfeito exame
estudo, paralelamente ao detalhado registro das condições intraoral. É recomendável não somente aliviar desconfortos
bucais e do tratamento proposto. Este será o plano-guia a ser provocados pelos defeitos dentais, mas também determinar,
seguido para o preparo da boca e o desenho da prótese parcial tão cedo quanto possível, a extensão das cáries e paralisar
removível. futuras atividade de cárie até que o tratamento definitivo seja
Como apontado no Capítulo 1, falhas das próteses parciais instituído. Se os contornos dentais são recuperados com
removíveis usualmente podem ser atribuídas a fatores que restaurações provisórias, o molde não será rasgado durante
resultam em estabilidade deficiente. Estas podem ser resultado a remoção da boca e um modelo de estudo mais preciso
de diagnóstico inadequado e falhas em avaliar com proprie- pode ser obtido.
dade as condições presentes. Isto resulta em erros na prepara- 2. Uma perfeita e completa profilaxia intraoral. Um exame
ção do paciente e dos tecidos orais antes que os modelos de adequado pode ser mais bem executado com os dentes
trabalho sejam obtidos. A importância do exame, de conside- livres de acúmulo de cálculo e resíduos. Também, modelos
rações de aspectos favoráveis e desfavoráveis relativos ao con- de estudo precisos dos arcos dentais só podem ser obtidos se
trole de movimentação e a importância de planejar a eliminação os dentes estiverem limpos; de outra maneira os dentes
de influências desfavoráveis não podem ser superestimadas reproduzidos no modelo de estudo não serão a representa-
(Capítulo 2). ção fiel dos contornos dentais e gengivais. Um exame super-
Como mencionamos anteriormente, para tratamentos com- ficial pode preceder a profilaxia, mas o exame completo
plexos, frequentemente são necessárias duas consultas. A pri- deve ser postergado até que os dentes estejam perfeitamente
meira provavelmente incluirá um exame intraoral preliminar limpos.
(para determinar necessidades de controle de fatores agudos), 3. Exame radiográfico intraoral completo (Figura 12-1). Os obje-
uma profilaxia, exame radiográfico completo, modelos de tivos do exame radiográfico são (a) localizar áreas de infecção
estudo e registro de mordida, se não forem necessárias bases de e outras patologias que podem estar presentes; (b) revelar a
registro. A consulta seguinte incluirá a montagem dos modelos presença de fragmentos radiculares, corpos estranhos, espí-
de estudo (quando as bases de registro são necessárias), exame culas ósseas e cristas de formação irregular; (c) revelar a
intraoral definitivo, revisão das radiografias para destacar e presença e a extensão de cáries e a relação dessas lesões
relacionar achados clínicos e marcação de consultas adicio- cariosas com a polpa e o ligamento periodontal; (d) possibi-
nais quando necessário. Em seguida à coleta e síntese de todas litar a avaliação de restaurações existentes para evidenciar
as informações do paciente, incluindo o delineamento dos cáries recorrentes, infiltração marginal e excessos nas margens
modelos, é apresentado um plano de tratamento (geralmente gengivais; (e) revelar a presença de obturações endodônticas
com opções). e permitir sua avaliação e prognóstico (o desenho da prótese
parcial removível pode depender da decisão de manter ou
Exame Intraoral extrair um dente tratado endodonticamente); (f) possibilitar
a avaliação das condições periodontais presentes e estabelecer
O exame intraoral completo precede qualquer decisão de trata-
necessidades e possibilidades de tratamento; e (g) avaliar o
mento. Deve incluir exames visuais e digitais dos dentes e tecidos
suporte alveolar dos dentes pilares, seu número, morfologia
adjacentes usando espelhos, explorador, sonda periodontal,
testes de vitalidade de dentes críticos e exame dos modelos de
estudo corretamente montados em articulador. Achados clíni-
cos são ampliados e relacionados ao exame radiográfico
completo.
Durante o exame, o objetivo a ser mantido em mente deve
ser a consideração de possibilidades para restaurar e manter
as estruturas bucais num estado de saúde por um longo
período de tempo. Isto é melhor obtido pela avaliação de
fatores que geram forças funcionais e daqueles que resistem a Figura 12-1    O exame radiográfico intrabucal completo dos
elas. A estabilidade dos dentes e da posição das próteses é a dentes remanescentes e áreas desdentadas adjacentes revela
meta dessa avaliação. A sequência seguinte de exame possibi- muita informação vital para um diagnóstico e um plano de tra-
lita que seja dada atenção a aspectos de cada um desses achados tamento eficazes. A resposta do osso à tensão anterior é de valor
críticos para avaliação da função de uma prótese parcial particular para estabelecer o prognóstico dos dentes que poderão
removível. ser utilizados como pilares.
Capítulo 12  Diagnóstico e Plano de Tratamento 153

e suporte de suas raízes, a quantidade relativa de perda óssea ser registrados em fichas impressas ou eletrônicas para
alveolar decorrente de processos patológicos e a quantidade referência futura (Figuras 12-2 e 12-3).
de suporte alveolar remanescente. O exame visual irá revelar muitos dos sinais de doenças
4. Moldagens para obtenção de modelos de estudo precisos a dentais. Considerações a respeito da suscetibilidade à cárie são
serem montados para exame oclusal. Os modelos preferen- de fundamental importância. O número de dentes restaurados
cialmente serão articulados num instrumento adequado. A presentes, sinais de cáries recorrentes e evidência de descalcifi-
importância de modelos de estudo acurados e seu uso serão cação devem ser anotados. Somente aqueles pacientes que
discutidos posteriormente neste capítulo. demonstraram bons hábitos de higiene bucal e baixa suscetibi-
5. Exame dos dentes, estruturas de revestimento e rebordos resi- lidade à cárie devem ser considerados de baixo risco sem a
duais. Dentes, periodonto e rebordos residuais podem ser tomada de medidas profiláticas como a restauração dos dentes
explorados por instrumentos e métodos visuais. O registro pilares. Este exame provavelmente não fornecerá informações
de dados relevantes, clínicos e da história do paciente em suficientes para estabelecer o diagnóstico definitivo e o plano
fichas de diagnóstico é importante para documentar de tratamento. Para este propósito, deve ser realizado exame
achados importantes para a apresentação clínica. Podem periodontal completo, que inclui a profundidade de bolsas,

PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL

NOME DO PACIENTE: NÚMERO DO PACIENTE

PLANO DE TRATAMENTO INSTRUÇÕES PARA O LABORATÓRIO

ESPECIFICAÇÕES DO DESENHO:
7 8 9 1. APOIOS
10
6 11
5
12
4
13 2. RETENÇÃO
3
14
2
15
1
3. RECIPROCIDADE
16
R L

4. CONECTOR MAIOR

R L

32 17 5. RETENÇÃO INDIRETA
31 18
30
19 6. PLANOS-GUIA
29
20
28
21
27 22
26
25 24 23 7. RETENÇÃO DA BASE

CÓDIGO DE CORES:
8. ÁREAS A SEREM MODIFICADAS
AZUL :---- METAL FUNDIDO
OU CONTORNADAS
VERMELHO: ----- BASE DE RESINA E FIO TREFILADO
VERDE: — ÁREAS A SEREM CONTORNADAS

INSTRUTOR:

APROVAÇÃO PARA ENVIO AO LABORATÓRIO: DATA:

Figura 12-2    A, Ficha de diagnóstico para registro dos dados pertinentes. (continua)
154 Parte II  Clínica e Laboratório 

NOME DO PACIENTE John Doe FICHA No. 383838

NOME DO ALUNO Joe Smith GRADUAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO ALUNO No. 1234

DATA DE INÍCIO: 14/1/1999 ASSINATURA DO INSTRUTOR PGreen

DATA DA CONCLUSÃO ASSINATURA DO INSTRUTOR

PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL


PPR Superior PPR Inferior
DIAGNÓSTICO
1. Você usa ou usou uma prótese bucal? Não Sim  Se sim, de que tipo? Metal + resina
2. Se a prótese usada anteriormente não estava completamente satisfatória, quais eram os problemas com ela, na sua opinião?
Falta de retenção + dentes em mau estado
3. Qual foi a causa da perda dos dentes naturais? Perio________ Cáries_________ Trauma _________________
EXAME INTRAORAL

1. Índice de higiene oral: Boa________Razoável__ 2. Índice de cáries: Alto_______ Moderado______Baixo________


3. A oclusão cêntrica e a relação cêntrica são coincidentes? Sim _________ Não_________
4. Existem freios ou inserções musculares que podem interferir na melhor adaptação e no conforto? Sim _____ Não_______
5. O tipo e a qualidade da saliva são normais? Sim _________ Não_________ Obs.:________________________________
6. Examine as seguintes áreas quanto a possíveis interferências à melhor adaptação e ao conforto.
Linha oblíqua interna Normal  Outro:_________ Tecidos do rebordo alveolar Normal 
Tuberosidade Normal  Outro:_________ Osso alveolar de suporte Normal 
Presença de tórus Sim______ Não_____

7. Há algum procedimento cirúrgico indicado para melhor o prognóstico? Não_________


 Nota__________________

ANÁLISE DO MODELO DE ESTUDO


No Articulador
1. Há espaço intermaxilar adequado para a prótese planejada? Sim _________
 Não_________
2. O plano oclusal é recuperável? Sim _________
 Duvidoso_________
3. Há espaço interoclusal adequado para os apoios e descansos planejados onde serão necessários?

Sim _________
 Não_________
4. Há alguma anomalia que não estava evidente no exame intraoral? Não _________
 Obs.:_________
No Delineador
35
1. Quais dentes são mais indicados como pilares? Pilar N° 1_________ 45
Pilar N° 2 _________ Pilar N° 3___________

Pilar N° 4 _________ Outro_________


2. Os pilares têm retenção adequada numa posição favorável? Sim _________ Não_________
3. Planos-guia adequados podem ser preparados nos prováveis pilares? Sim_________ Não_________
4. Serão necessárias alterações dos dentes? Não _________ Sim _________

INTERPRETAÇÃO RADIOGRÁFICA
1:3 Pilar N° 2 ______
1. Qual é a proporção coroa/raiz de cada pilar? Pilar N° 1 ______ 1:3 Pilar N° 3________
Pilar N° 4 ____

2. O suporte ósseo parece ser de boa qualidade? Sim _________ Não_________

Figura 12-2, (cont.)   B, Ficha de tratamento para registro do plano de tratamento e do progresso do tratamento.
Capítulo 12  Diagnóstico e Plano de Tratamento 155

Nome: John Doe Data: 01 de julho, 1999

Resumo do planejamento 7 8 9 10
6 11
Prótese total superior
5
convencional 12
4
Prótese parcial removível 13
3 14
inferior Classe II mod. 1
Coroas metalocerâmicas 2 15
nos dentes 37, 45 1 16

Direito Esquerdo
Procedimentos:
32 17
Condicionamento dos tecidos
do arco superior 31 Cr 18

Moldagem inicial de ambos os 30 19


arcos; fazer moldeiras individuais Cr
29 20
Preparos. Contorno e preparo 28 21
de apoios oclusais 34, 44. 27 22
Preparo de coroas 37, 45. 26
25 24 23
Prova das coroas dos pilares; transferência
para o modelo de fundição da armação Prova da montagem dos dentes;
verificar relações intermaxilares
Prova das coroas e da estrutura metálica
Moldagem funcional com cera fluida: Instalação: coroas mandibulares,
fazer modelo aliviado prótese parcial,
prótese total superior
Registro das relações intermaxilares;
seleção de cor e forma dos dentes
Manutenção
Montagem dos dentes
Assinale em vermelho cada item concluído

Figura 12-3    Ficha clínica simples. Restaurações dos dentes individualmente, coroas e próteses parciais fixas a serem feitas podem
ser marcadas na ficha e assinaladas quando concluídas durante o preparo da boca.

determinação dos níveis de inserção envolvimento de furcas, à diferença de deslocamento dos tecidos sobre a linha mediana
problemas mucogengivais e mobilidade dental. do palato e rebordos residuais.
O número de dentes remanescentes, a localização das áreas Durante o exame, deve ser considerado não somente cada
desdentadas e a qualidade do rebordo residual terão papel arco individualmente, mas também sua relação oclusal com o
importante na quantidade de suporte que a prótese parcial arco antagonista. Uma situação que parece simples quando os
removível receberá dos dentes e cristas desdentadas. O contorno dentes estão separados pode ser complicada quando os dentes
dos tecidos moles pode indicar a presença de um rebordo resi- estão em oclusão. Por exemplo, uma sobremordida profunda
dual bem formado; entretanto, a palpação frequentemente pode complicar a colocação de dentes anteriores numa prótese
indica que o osso de suporte foi reabsorvido e reposto por um superior. A extrusão de um dente ou de dentes para uma área
tecido conjuntivo fibroso, deslocável. Esta situação é comum na desdentada antagonista pode complicar a reposição dos dentes
região das tuberosidades maxilares. A prótese parcial removível da área desdentada ou criar interferência oclusal, que compli-
não pode ser adequadamente suportada por tecidos facilmente cará a localização e o desenho dos grampos de retenção e os
deslocáveis. Quando a boca é preparada, este tecido deve ser apoios oclusais. Estes achados serão melhor avaliados posterior-
recontornado ou removido cirurgicamente, a menos que con- mente na cuidadosa análise dos modelos de estudo montados
traindicado. Um rebordo residual pequeno e estável é preferível em articulador.
a outro amplo, mas instável, para o suporte da prótese. A pre- Um desdobramento dos custos pode ser registrado no verso
sença de tórus ou outras exostoses ósseas deve ser detectada e da ficha clínica para fácil referência se forem necessários ajustes
sua presença em relação ao desenho da estrutura metálica deve ou substituições em decorrência de alterações no diagnóstico à
ser avaliada. Falhas na palpação dos tecidos sobre a rafe palatina medida que o trabalho progride.
mediana para verificar o deslocamento dos tecidos moles que 6. Testes de vitalidade dos dentes remanescentes. Testes de vitali-
cobrem os rebordos residuais podem levar a uma prótese que dade devem ser feitos especialmente para os dentes que serão
se mexe, instável e desconfortável e a um paciente insatisfeito. usados como pilares e para aqueles com restaurações ou
O alívio adequado para conectores maiores palatinos deve ser lesões de cáries profundas. Devem ser realizados com auxílio
planejado, e a quantidade de alívio é diretamente proporcional de meios térmicos e eletrônicos.
156 Parte II  Clínica e Laboratório 

7. Determinação da altura do assoalho bucal para localizar a as possibilidades de interferência na localização de apoios
borda inferior dos conectores maiores linguais. Procedimentos podem ser determinados. Como foi estabelecido anterior-
de preparo da boca são influenciados pela escolha dos conec- mente, oportunidades para o melhoramento do esquema
tores maiores (Figura 5-6). Esta determinação deve preceder oclusal, por ajuste ou reconstrução oclusal, são melhor ava-
alterações de contorno dos dentes pilares. liadas com a análise e modificação dos modelos de estudo
O custo do exame, que deve incluir os valores do exame montados. Estes procedimentos frequentemente incluem o
radiográfico e dos modelos de estudo montados em articulador, enceramento diagnóstico para determinar a possibilidade de
deve ser estabelecido antes da realização desse exame e não deve melhoria da oclusão antes que o tratamento definitivo seja
ter relação com o custo do tratamento. Deve ser compreendido iniciado (Figura 12-4). Em outras palavras, os modelos de
que o custo do exame é fundamentado no tempo envolvido no estudo possibilitam ao dentista planejamento antecipado
serviço executado e que o valor material de radiografias e para evitar comprometimentos indesejáveis do tratamento
modelos de estudo é incidental para a efetividade do exame. oferecido a um paciente.
O registro do exame deve sempre estar disponível no con- 2. Modelos de estudo são usados para possibilitar a análise
sultório para consultas futuras. Se for necessário consultar outro topográfica do arco dental que está sendo restaurado com
dentista, devido aos riscos de exposição desnecessária à radia- uma prótese parcial removível. O modelo do arco em
ção, é justificado o empréstimo das radiografias a esse dentista. questão pode ser analisado individualmente num delinea-
Entretanto, duplicatas das radiografias devem ser mantidas dor para determinar o paralelismo ou a ausência de parale-
arquivadas. lismo das superfícies dentais envolvidas e para estabelecer
sua influência no desenho da prótese parcial removível. As
Modelos De Estudo principais considerações no estudo do paralelismo das
superfícies dos dentes e tecidos de cada arco dental são para
Um modelo de estudo deve ser uma reprodução acurada de determinar as necessidades de preparo da boca: (a) faces
todos os achados potenciais que auxiliem o diagnóstico. Estes proximais dos dentes, que podem ser feitas paralelas para
incluem a localização, contorno dos dentes e relacionamento do servirem de planos-guia; (b) áreas retentivas e não retentivas
plano oclusal; contorno, tamanho e consistência dos rebordos dos dentes pilares; (c) áreas de interferência à inserção e
alveolares; e a anatomia bucal, determinando a extensão das remoção; e (d) efeitos estéticos de uma via de inserção sele-
próteses (vestíbulos, papilas retromolares, sulcos pterigomaxi- cionada. Deste delineamento, uma via de inserção pode ser
lares, junção palato duro/mole, assoalho bucal e freios). Infor- selecionada e irá satisfazer os requisitos de paralelismo e
mações adicionais providas por modelos corretamente retenção para obter a melhor vantagem mecânica, funcional
montados incluem orientação do plano oclusal e o impacto e estética. Assim os preparos da boca podem ser planejados
sobre o arco antagonista; relacionamento dente-tecidos moles de acordo.
palatinos; e relacionamento dente-crista, tanto vertical quanto 3. Modelos de estudo são usados para possibilitar ao paciente
horizontalmente. uma apresentação fundamentada e lógica das suas necessida-
O modelo de estudo usualmente é feito de gesso pedra des restauradoras atuais e futuras, assim como dos riscos de
devido à sua resistência e ao fato de que é menos facilmente negligências futuras. Modelos individuais e ocluídos podem
desbatado que o gesso comum. Geralmente, gesso pedra melho- ser usados para apontar ao paciente (a) evidência de migra-
rado (para troquel) não é utilizado para modelos de estudo ção dental e os resultados desta migração; (b) efeitos de
devido ao custo. Sua grande resistência à abrasão, entretanto, futuras migrações dentais; (c) perda de suporte oclusal e suas
justifica seu uso para modelos de trabalho. consequências; (d) riscos de contatos oclusais traumáticos;
A moldagem para o modelo de estudo usualmente é feita em e (e) implicações cariogênicas e periodontais de negligências
hidrocoloide irreversível (alginato) em moldeira de estoque futuras. O planejamento do tratamento finalmente pode ser
(perfurada ou sólida retentiva). O tamanho do arco determi- executado com o paciente presente, de modo que conside-
nará o tamanho da moldeira a ser usada. A moldeira deve ser rações financeiras possam ser discutidas. Este uso dos
grande o suficiente para assegurar ótima espessura do material modelos de estudo permite justificar os custos para o paciente
de moldagem, evitando distorção ou rasgamento durante a mediante a compreensão dos problemas envolvidos e das
remoção da boca. A técnica para moldagem é abordada em necessidades de tratamento. Ainda assim, como os procedi-
maiores detalhes no Capítulo 15. mentos de reabilitação da boca são frequentemente longos e
irreversíveis, deve haver um completo acordo entre dentista
Propósito dos Modelos de Estudo e paciente antes que um tratamento extensivo seja iniciado,
Modelos de estudo atendem a vários propósitos, como auxiliar e os arranjos financeiros devem ser concluídos durante a fase
de diagnóstico e plano de tratamento. Alguns destes são os de planejamento.
seguintes: 4. Moldeiras individuais podem ser fabricadas sobre os modelos
1. Modelos de estudo suplementam o exame intraoral por pos- de estudo, ou estes modelos podem ser usados para seleção
sibilitar a visão da oclusão do lado lingual, bem como do e ajuste de moldeiras de estoque para a moldagem de traba-
lado vestibular. Análise da oclusão existente se torna pos- lho. Se um alívio de cera vai ser usado para fabricar a mol-
sível quando os modelos antagonistas estão ocluídos, assim deira individual, então o modelo de estudo deve ser duplicado
como um estudo das possibilidades de melhoras por ajuste com uma moldagem de hidrocoloide irreversível (alginato)
oclusal, reconstrução oclusal, ou ambos. O grau de sobre- para este propósito. O modelo de estudo é valioso demais
mordida, a quantidade de espaço interoclusal disponível e para obtenção de futuras referências para que se arrisque a
Capítulo 12  Diagnóstico e Plano de Tratamento 157

A B

Figura 12-4    A, Em seguida à montagem dos modelos de estudo, pode ser realizada a montagem dos dentes para atender os
requisitos do plano oclusal inferior. B, Após a colocação dos dentes anteriores superiores numa posição ideal, a montagem para estudo
da oclusão resultou num espaço distal à coroa 43. Se isso for questionável, podem ser analisadas montagens alternativas. Isso não é
possível a menos que o exame diagnóstico completo seja concluído. C, A oclusão da prótese parcial removível inferior será melhorada
pela correção do plano oclusal superior dos molares extruídos.

danificá-lo durante a confecção de uma moldeira. Por outro minada. Só assim a forma do dente pilar no modelo de
lado, se um alívio com massa de modelar for usado, o modelo estudo duplicado serve de guia para a forma do pilar. Isto é
de estudo pode ser usado sem receio de dano. particularmente verdadeiro se o enceramento for delegado a
5. Os modelos de estudo podem ser usados como referências um técnico, como ocorre num consultório movimentado.
constantes durante o progresso dos trabalhos. Marcas a lápis 6. Modelos de estudo intactos, sem alterações, devem se tornar
indicando o tipo de restauração, áreas das superfícies dentais parte permanente dos registros do paciente porque as con-
a serem modificadas, localização dos apoios e o desenho da dições antes do início do tratamento são tão importantes
estrutura da prótese parcial removível, bem como a via de quanto as radiografias pré-operatórias. Portanto, modelos de
inserção e remoção podem, todos, ser registrados no modelo estudo devem ser duplicados, um servindo para registro per-
para futura referência (Figura 12-5). Então, estes passos manente e outro para situações que requeiram sua
poderão ser checados e riscados da lista de trabalho quando alteração.
completados. Áreas dos dentes pilares a serem modificadas
devem primeiramente ser alteradas na duplicação do modelo Montagem dos Modelos de Estudo
de estudo usando as lâminas do delineador. É então realizado Com finalidade de diagnóstico, os modelos devem ser relacio-
um registro da localização e do grau de modificação a ser nados num articulador anatomicamente apropriado para
feito na boca. Isto deve ser feito em relação à via de inserção melhor compreensão do papel que a oclusão pode ter no
definida. Qualquer preparo da boca realizado com novas desenho e na estabilidade funcional da prótese parcial removí-
restaurações requer que os dentes restaurados sejam contor- vel. Isto se torna ainda mais importante quanto mais dentes a
nados de acordo com a via de inserção previamente deter- prótese repõe. Se o paciente se apresenta com uma oclusão
158 Parte II  Clínica e Laboratório 

É melhor que os modelos sejam montados em relação ao


plano eixo-orbital para possibilitar melhor interpretação
do plano de oclusão em relação ao plano horizontal.
Embora seja verdade que uma montagem eixo-orbital não
tenha valor funcional num articulador não arcon porque
aquele plano deixa de existir quando os modelos antago-
nistas são afastados, o valor daquela montagem está na
orientação dos modelos quando em oclusão. (Um articu-
lador arcon é aquele no qual os côndilos estão no ramo
inferior, como na natureza, e o termo é uma derivação
cunhada por Bergström a partir das palavras articulador e
côndilo. Muitos dos articuladores mais usados, como os
Hanau da série H, Dentatus e o Gysi modificado, têm os
côndilos ligados ao ramo superior e são, portanto, ins-
trumentos não arcon).

Figura 12-5    As alterações propostas para a boca e o desenho


da armação da prótese parcial removível são indicadas a lápis
no modelo de estudo em relação à via de inserção previamente Sequência para Montagem do Modelo Maxilar em
determinada. Isto serve como um meio de comunicação com o Relação ao Plano Orbital
paciente e como um guia de modificação dos dentes. Os passos iniciais possibilitam o registro da relação maxila-­
articulação temporomandibular (ATM):
  1. Identifique os pontos de referência anterior e posterior
para o arco facial (p. ex., meatos auditivos externos,
harmoniosa e os espaços desdentados são dentossuportados, orbital).
geralmente a simples articulação manual pode ser o necessário.   2. Prepare o garfo de mordida e as bases de registro de
Entretanto, quando a dentição natural não é harmoniosa e/ou oclusão.
quando os dentes repostos precisam ser posicionados dentro   3. Coloque o garfo de mordida centralizado no arco, inde-
dos padrões normais de movimentação intermaxilares, os xando sua posição em relação aos dentes com cera ou
modelos de estudo devem ser anatomicamente relacionados elastômero.
para o diagnóstico. Isto significa a colocação do modelo supe-   4. Coloque o arco facial sobre a parte anterior do garfo de
rior numa posição relativa ao eixo de abertura do articulador, mordida.
que é similar à posição da maxila em relação à articulação   5. Coloque o arco firmemente dentro do ouvido, pos-
temporomandibular do paciente (Figura 12-6). O modelo infe- teriormente.
rior é então colocado abaixo do modelo superior numa posição   6. Mantenha seguro o arco anteriormente.
horizontal ditada pela rotação mandibular sem contatos dentais   7. Posicione o arco anteriormente em relação ao terceiro
e com abertura vertical mínima. ponto de referência (estabeleça o plano horizontal).
O Glossary of Prosthodontics Terms* descreve o articulador   8. Aperte o parafuso vertical do garfo de mordida, a seguir o
como um dispositivo mecânico que representa as articulações parafuso horizontal (mantenha o arco firme para evitar
temporomandibulares e os maxilares, ao qual podem ser fixados torque).
os modelos de estudo superior e inferior. Devido à influência   9. Solte o arco anteriormente para possibilitar o relaxamento
dominante que o plano oclusal e as cúspides dos dentes rema- e então retire-o dos ouvidos.
nescentes têm sobre o movimento mandibular, a reprodução 10. Remova o garfo para baixo e para fora da boca com o arco
anatômica das trajetórias condilares provavelmente não é no conjunto.
necessária. Ainda, o movimento de um modelo em relação ao 11. Confira cuidadosamente se os parafusos estão apertados.
outro como influenciado pelo plano oclusal e cúspides dos Os próximos passos possibilitam transferir as relações regis-
dentes remanescentes, quando montados numa distância tradas para o articulador:
razoavelmente precisa a partir do eixo de rotação condilar, 1. Posicione os pontos de referência posteriores no articulador
torna possível uma análise relativamente válida das relações (geralmente usando pinos de fixação posteriores).
oclusais. Isto é anatomicamente mais preciso que uma monta- 2. Aperte os pontos segurando o arco anteriormente.
gem simples em charneira. 3. Relacione verticalmente o arco ao ponto de referência ante-
rior do articulador.
4. Posicione o modelo superior no registro de mordida (em
cera ou elastômero).
*The Journal of Prosthetic Dentistry, Vol. 94, N° 1, the Glossary of
Prosthodontic Terms, 8th edition, 2005, pp. 10-81. Disponível em: 5. Feche o articulador e verifique o espaço para o gesso de
http://www.journals.elsevierhealth.com/periodicals/ympr/article/ montagem (desgaste a base do modelo, se necessário).
PIIS0022391305001757/fulltext 6. Use gesso de baixa expansão para a montagem.
Capítulo 12  Diagnóstico e Plano de Tratamento 159

Figura 12-6    O uso do arco facial torna possível o registro do relacionamento espacial da maxila para alguns pontos de referência
anatômicos e a transferência desse relacionamento para um articulador.

O arco facial é um dispositivo relativamente simples usado Uma transferência dos modelos maxilares com arco facial,
para obter um registro de transferência da orientação do orientados segundo o plano eixo-orbital num articulador
modelo superior no articulador. Originalmente, o arco facial adequado, não é um procedimento complicado. O articula-
era usado apenas para transferir o raio a partir dos pontos dor Hanau série Wide-Vue 183-2 e todos os modelos 96H2-0,
de referência condilar, de modo que um dado ponto no o Whip-Mix (Whip-Mix Corp, Louisville, KY) e o Dentatus
modelo estaria à mesma distância do côndilo que estaria no modelo ARH (Dentatus EUA, Nova Iorque, NY) aceitarão
paciente. A adição da haste infraorbital ajustável ao arco facial essa transferência. Os arcos faciais auriculares Hanau
e do indicador do plano orbital ao articulador torna possível modelos 153 e 158, o arco facial Hanau 132-2SM e o arco
a transferência da altura do modelo em relação ao plano facial Dentatus tipo AEB incorporam o plano infraorbital
eixo-orbital. Isto possibilita que o modelo superior seja cor- ao articulador. Nenhum deles é arco de eixo de rotação; são
retamente orientado no articulador num espaço comparável usados, ao contrário, com pontos arbitrários.
com a relação da maxila ao plano eixo-orbital no paciente. A localização de um ponto ou eixo arbitrário foi há muito
Para acomodar esta orientação do modelo superior e ainda tema de controvérsia. Gysi e outros o posicionam de 11 a
ter espaço para o modelo inferior, os pilares de um articu- 13 mm anterior ao terço superior do trágus do ouvido, numa
lador convencional devem ser aumentados em comprimento. linha que se estende da margem superior do meato auditivo
O antigo articulador Hanau modelo H geralmente não externo até o canto do olho. Outros o posicionam 13 mm à
permite uma transferência do arco facial com haste frente da margem posterior do centro do trágus do ouvido
infraorbital. numa linha que se estende até o canto do olho. Bergström
Um arco facial pode ser usado para transferir um raio a posicionou o eixo arbitrário 10 mm à frente do centro do
partir de pontos de referência arbitrários, ou pode ser dese- dispositivo esférico inserido no meato auditivo externo e
nhado para que a transferência possa ser feita a partir dos 7 mm abaixo do plano horizontal de Frankfort.
pontos do eixo de rotação. Este último tipo de transferência Numa série de experimentos relatados por Beck, foi
requer que um arco fixado à mandíbula seja usado inicial- demonstrado que o eixo arbitrário sugerido por Bergström
mente para determinar os pontos do eixo de rotação, aos fica constantemente mais próximo do eixo cinemático que
quais será ajustado o arco facial para se fazer a transferência os outros dois. Embora a maioria dos autores concorde que
do eixo de rotação. qualquer um dos três eixos possibilita a transferência do
160 Parte II  Clínica e Laboratório 

modelo superior com razoável precisão, parece que o ponto rência posterior, a técnica de arco facial Whip-Mix (DB
de Bergström é mais compatível com o eixo cinemático. 2000, Whip-Mix Corp, Louisville, KY). O garfo do arco é
O ponto mais baixo da margem orbital inferior é tomado coberto com poliéter, silicone ou uma camada de cera macia
como o terceiro ponto de referência para estabelecer o plano igualmente distribuída dos lados superior e inferior do garfo.
eixo-orbital. Alguns autores usam o ponto da margem infe- Então o garfo é levemente pressionado sobre o modelo de
rior do osso da órbita em linha com o centro da pupila do estudo com a linha mediana coincidindo com a linha média
olho. Por uma questão de coerência é usado o ponto infra- dos incisivos centrais (Figura 12-8). Isto deixará as impres-
orbitário direito e o arco facial montado nesta relação. Todos sões das superfícies oclusais e incisais do modelo superior e
os três pontos (direito e esquerdo do eixo e o ponto infra- dos planos de orientação sobre a camada de cera e é um
orbital) são marcados na face com um ponto de tinta antes auxiliar na correta orientação do garfo do arco facial na boca
de realizar a transferência. do paciente. O garfo do arco facial é posicionado na boca e
Os modelos são preparados para a montagem no articu- pede-se ao paciente que morda a cera, para estabilizá-la na
lador fazendo-se três sulcos de indexação na base. Dois posição. Ele é então removido da boca e resfriado em água
sulcos em forma de “V” na região posterior e um na região fria e em seguida reposicionado na boca do paciente. Um
anterior da base do modelo (Figura 12-7). método alternativo de estabilização do garfo do arco facial e
Um plano de oclusão corretamente orientado deve ser das bases de registro é contar com o auxílio do paciente.
usado nos procedimentos com arco facial nas transferências Se um arco facial auricular for usado, o paciente deve ser
de modelos representativos de situações de desdentamento lembrado de que os dispositivos plásticos posicionados nos
de Classe I e II. Sem os planos de orientação, estes modelos canais auditivos ampliarão muito os ruídos ouvidos. Com
não podem ser perfeitamente posicionados nas indentações o garfo do arco facial em posição, o retentor do arco facial
da cera que recobre o garfo do arco facial. Os tecidos que é colocado pela projeção anterior do garfo de mordida
recobrem os rebordos residuais podem ser grosseiramente (Figura 12-9). O paciente pode auxiliar a colocação das
deslocados quando o paciente oclui sobre a cera do garfo do olivas nos meatos auditivos externos. O paciente pode,
arco facial. então, segurar em posição as hastes do arco facial com
E assim as impressões dos tecidos moles na cera não serão pressão firme enquanto o operador prende o garfo de
verdadeiramente negativos das regiões desdentadas do mordida ao arco facial. Isto estabelece o raio de transferên-
modelo de estudo. cia do arco facial.
Para fins de ilustração, será mostrado um arco facial Se um apontador do ponto infraorbital for usado, será
utilizando o meato auditivo externo como ponto de refe- posicionado na extrema direita do arco facial, angulado em

Figura 12-8    A orientação do garfo do arco facial contra o


modelo superior e o plano de orientação evitará o deslocamento
deste plano quando o paciente morder ou por outra força desi-
gual. O silicone (polivinilsiloxano) foi uniformemente distribuído
Figura 12-7    A base do modelo foi preparada para montagem pelo garfo do arco facial, e toma-se cuidado para posicionar o
pela confecção de três sulcos triangulares para possibilitar a garfo centrado na linha média-incisal, sem deixar qualquer exten-
indexação quando montado. Os sulcos são preparados com uma são do garfo posterior à base de registro, o que pode causar
pedra de 76,2 mm montada num torno de laboratório. desconforto.
Capítulo 12  Diagnóstico e Plano de Tratamento 161

Figura 12-9    A fixação horizontal do arco facial Whip-Mix tipo Figura 12-10    Suporte do garfo utilizado para manter o garfo
auricular (1) é deslizada sobre a haste do garfo saindo da boca e o modelo em posição durante a montagem.
do paciente. O paciente, então, ajuda a guiar as olivas plásticas
nos meatos auditivos externos e as mantém no lugar enquanto
o operador aperta os três parafusos (2) e centra a peça plástica
nasal (3) cuidadosamente no násio. A fixação horizontal é posi-
cionada e fixada próxima ao lábio (mas não o toca). O parafuso
T (4) sobre a barra vertical é apertado. NOTA: Deve-se tomar
extremo cuidado para não inclinar o arco facial para fora de
posição quando se aperta. O terceiro ponto de referência é o indicador do plano
orbital, que deve ser girado para a direita de modo que ficará
acima da ponta do apontador infraorbitário. Todo o arco
facial com o modelo superior posicionado precisa ser levan-
tado até que a ponta do indicador toque o plano orbital
indicado. Tendo estabelecido assim a altura, para efeitos
práticos é melhor agora remover o indicador do plano orbital
direção ao ponto infraorbital anteriormente definido e e o pino pode ser removido porque pode interferir com a
marcado com tinta. Ele é então travado em posição com sua colocação do gesso de montagem.
extremidade tocando levemente a pele do paciente naquele Um dispositivo auxiliar chamado suporte do modelo está
ponto. Isto estabelece a elevação do arco facial em relação ao disponível; ele é usado para suportar o garfo do arco facial
plano eixo-orbital. Muito cuidado deve ser tomado para com o modelo superior durante a montagem (Figura 12-10).
evitar qualquer deslocamento que possa machucar o olho do Com este dispositivo, o peso do modelo e do gesso de
paciente. montagem são suportados em separado do arco facial,
Com todos os componentes firmemente apertados, prevenindo qualquer deslocamento para baixo resultante
pede-se ao paciente que abra a boca, e então todo o conjunto do peso combinado. O suporte do modelo é elevado até
é removido, lavado em água fria e deixado de lado. O arco fazer contato com o arco facial depois que este é posicio-
facial registrou não somente o raio a partir dos côndilos até nado em relação ao plano orbital. O uso de algum tipo de
os contatos incisais dos incisivos centrais superiores, mas suporte para o modelo é recomendado como auxiliar em
também a relação angular do plano oclusal com o plano qualquer montagem de arco facial.
eixo-orbital. O modelo superior, indexado e lubrificado, é agora unido
O arco facial deve ser posicionado no articulador na ao ramo superior do articulador com gesso, completando a
mesma relação plano eixo-orbital que no paciente. Se for transferência do arco facial (Figura 12-11). O arco facial
usado um arco facial do tipo arbitrário, os côndilos do arco possibilitou não só a montagem do modelo superior com
facial geralmente não irão se ajustar aos côndilos do articu- precisão razoável, mas serviu também como suporte deste
lador, a menos que as distâncias entre os côndilos sejam modelo durante a montagem. Uma vez dominado, seu uso
coincidentes. Com um arco facial Hanau modelo 132-25M, se torna de grande conveniência, em vez de de ser um pro-
as calibrações devem ser refeitas quando do posicionamento cesso chato e demorado.
no articulador. Por exemplo, foi medido 74 (mm) de cada É preferível que o modelo superior seja montado na pre-
lado do paciente, mas deve ser ajustado para 69 (mm) de sença do paciente, eliminando a possibilidade de um reagen-
cada lado do articulador. Alguns modelos posteriores de damento caso o registro do arco facial tenha sido insatisfatório
articulador têm côndilos reguláveis e podem ser ajustados por qualquer razão. Não tão infrequentemente é necessário
ao arco facial. É necessário que o arco facial seja autocen- que o registro do arco facial tenha de ser refeito para possibi-
trante, como é o Hanau Spring-Bow (Whip-Mix Corp, litar que o garfo de mordida seja reposicionado sem interfe-
Louisville, KY). rência em alguma parte do articulador.
162 Parte II  Clínica e Laboratório 

podem ser feitas com segurança na máxima intercuspidação


dos dentes remanescentes. Entretanto, quando a maioria dos
pontos de parada cêntrica foram perdidos, a prótese proposta
deve ser confeccionada de modo que a posição de intercuspi-
dação máxima seja harmônica com a relação cêntrica. De
longe, a grande maioria das próteses parciais removíveis deve
ser confeccionada numa relação horizontal de relação cêntrica.
Na maioria dos casos nos quais os espaços desdentados não
tenham sido restaurados, os dentes remanescentes posteriores
irão assumir posições de desalinhamento por meio de migra-
ção, inclinação ou extrusão. A correção da oclusão natural
resultante para criar a coincidência entre a relação cêntrica e
a posição de intercuspidação máxima é indicada em muitas
destas situações.
Independentemente do método usado para estabelecer uma
relação oclusal harmoniosa, uma avaliação das relações exis-
tentes entre os dentes naturais antagonistas deve ser feita e é
realizada com a montagem de diagnóstico. Esta avaliação
Figura 12-11    A montagem do arco facial está completa. A é realizada adicionalmente e em conjunto com outros procedi-
relação do modelo superior com os componentes condilares do
mentos de diagnóstico que contribuem para um diagnóstico e
articulador é anatomicamente semelhante à que existe entre a
plano de tratamento adequados. Os modelos de estudo propor-
maxila do paciente e o complexo bilateral das articulações tem-
cionam uma oportunidade para avaliar as relações entre as
poromandibulares (ATM). Qualquer arranjo posterior dos dentes
estruturas orais adjacentes quando corretamente montados no
e desenvolvimento dos contatos oclusais representará a boca
com mais precisão que uma montagem mais arbitrária. Os articulador semiajustável, usando a transferência com arco
benefícios da semelhança anatômica são vistos na oclusão mais facial e registros interoclusais. Modelos de estudo são montados
apurada da prótese finalizada (i.e., é necessário menos ajuste em relação cêntrica (posição mais retruída da mandíbula em
intraoral). relação à maxila) de modo que os contatos oclusais deflectivos
possam ser correlacionados àqueles observados na boca. Con-
tatos deflectivos dos dentes antagonistas geralmente são des-
trutivos para as estruturas de suporte envolvidas e devem ser
eliminados. Os modelos de estudo demonstram a presença e a
Registros da Relação Intermaxilar localização destes contatos dentais interferentes e possibilitam
dos Modelos de Estudo a visualização do tratamento que será necessário para sua cor-
Uma das primeiras decisões críticas que envolvem o serviço de reção. As alterações dos dentes, necessárias para harmonizar a
prótese parcial removível é a seleção da relação intermaxilar oclusão, podem ser realizadas inicialmente em duplicatas dos
horizontal na qual a prótese será confeccionada (relação cên- modelos de estudo montados, para servir como guias das cor-
trica ou posição de máxima intercuspidação). Todos os preparos reções correspondentes na boca. Em muitos casos, o grau de
de boca dependem desta análise. Qualquer erro nesta decisão alteração necessário indicará a necessidade de coroas ou incrus-
pode resultar numa prótese com estabilidade deficiente, des- tações, ou de recontorno, reposicionamento ou eliminação de
confortável, e deterioração dos rebordos residuais e dentes dentes extruídos.
pilares. Como dito anteriormente, o modelo superior é corretamente
É recomendado que os contatos oclusais deflectivos nas orientado em relação ao eixo de abertura do articulador pela
posições de intercuspidação máxima e excêntrica sejam corri- transferência do arco facial e fica espacialmente relacionado ao
gidos como medida preventiva. Nem todos os dentistas concor- ramo superior do articulador na mesma relação que a maxila tem
dam que a relação cêntrica e a posição de máxima intercuspidação com o eixo de rotação e o plano de Frankfort. Da mesma
devam ser harmoniosas na dentição natural. Muitas dentições maneira, quando o registro da relação cêntrica é feito numa
funcionam satisfatoriamente com os dentes antagonistas maxi- determinada dimensão vertical, a mandíbula está na sua posição
mamente intercuspidados numa posição excêntrica sem que mais retruída em relação à maxila. Portanto, quando o modelo
haja indícios subjetivos ou diagnosticáveis de disfunção da superior está corretamente orientado em relação ao eixo do arti-
articulação temporomandibular, disfunção muscular ou doença culador, o modelo inferior automaticamente se torna orientado
das estruturas de suporte dos dentes. Em muitas destas situa- em relação ao eixo de abertura, quando unido e montado com
ções, nenhuma tentativa de alterar a oclusão deve ser feita. Não um registro oclusal preciso em relação cêntrica.
há nenhuma necessidade de interferir com a oclusão simples- Ao contrário do registro da relação fixa entre a maxila e o
mente porque ela pode não ser concordante com uma relação arco de abertura da mandíbula (usando o registro de transfe-
oclusal considerada ideal. rência do arco facial), a posição mandibular é registrada no
Se a maioria dos dentes posteriores está presente e não há espaço e não é um ponto fixo. Consequentemente, é necessário
evidência de distúrbios da articulação temporomandibular, provar que a relação de montagem dos modelos está correta.
disfunção neuromuscular ou distúrbios periodontais relacio- Isto pode ser feito simplesmente por um novo registro intero-
nados aos fatores oclusais existentes, as restaurações propostas clusal em relação cêntrica, ajustando os modelos a esse registro
Capítulo 12  Diagnóstico e Plano de Tratamento 163

e checando se os elementos condilares do articulador estão Materiais e Métodos para Registro


firmemente posicionados contra as paredes de seu alojamento. da Relação Cêntrica
Se isto não for obtido, outro registro é feito até que registros Os materiais disponíveis para registro da relação cêntrica são
duplicados sejam produzidos. Como a relação cêntrica é a única (1) cera, (2) godiva, (3) gesso de moldagem de presa rápida,
posição intermaxilar que pode ser repetida pelo paciente, a (4) pasta de óxidos metálicos para registro de mordida, (5) polié-
montagem nesta posição pode ser replicada e verificada quanto ter de moldagem e (6) silicones de moldagem. Destes, a cera é
à exatidão. o menos satisfatório se não for corretamente manuseada. Se
Um registro em posição de protrusão é feito para ajustar as não for uniformemente amolecida quando introduzida na
inclinações condilares do articulador. Registros laterais excên- boca, pode registrar uma posição com deslocamento desigual
tricos são feitos para que as inclinações laterais dos côndilos dos tecidos. Também, pode não permanecer rígida e dimen-
sejam ajustadas adequadamente. Todos os registros interoclu- sionalmente estável após a remoção, a menos que seja cuida-
sais devem ser feitos o mais próximo possível da relação vertical dosamente resfriada e manuseada após a remoção da boca
de oclusão. Não se deve permitir o contato dos dentes ou planos (Figura 12-12).
de orientação antagonistas durante os registros. O contato dos A godiva é um meio de registro satisfatório porque pode ser
planos inclinados dos dentes antagonistas irá invalidar o regis- flambada e condicionada até que amoleça uniformemente antes
tro interoclusal. de ser colocada na boca. Depois que a godiva é resfriada, é
Em alguns casos, a montagem das duplicatas dos modelos suficientemente estável para possibilitar a montagem dos
de estudo na posição de máxima intercuspidação pode ser dese- modelos com precisão. Por estas razões, é um meio satisfatório
jável para possibilitar o estudo desta posição no articulador. de registro das relações oclusais, tanto para prótese total quanto
Uma vez que os articuladores somente simulam os movimentos para prótese parcial removível. Também pode ser usada com
mandibulares, não é irracional admitir que a relação dos dentes naturais antagonistas.
modelos montados em relação cêntrica pode diferir pouco da O gesso para moldagem tem a vantagem de estar mole quando
posição de máxima intercuspidação vista no articulador e introduzido na boca e a rigidez após a presa, o que o torna um
observada na boca. Quando os modelos de estudo são relacio- material satisfatório para o registro das relações intermaxilares.
nados manualmente em máxima intercuspidação, é essencial Seu uso é altamente recomendado quando são utilizados planos
que três (preferencialmente quatro) contatos positivos dos de orientação para montar corretamente os modelos de estudo
dentes posteriores antagonistas estejam presentes, com amplos ou para ajustar articuladores com registros oclusais excêntricos.
contatos molares em cada lado do arco. Se planos de oclusão A pasta de óxidos metálicos para registro de mordida oferece
são necessários para orientar corretamente os modelos no arti- muitas das vantagens do gesso e é menos friável. Embora não
culador, a relação cêntrica usualmente deve ser a posição hori- seja suficientemente resistente para ser usada isoladamente,
zontal de relação na qual a prótese parcial removível será feita. quando suportada por uma gaze presa a um suporte metálico é

A B

Figura 12-12    A, Registro interoclusal de cera feito sobre uma estrutura fundida. Os espaços de modificação receberam primeiro
uma base de suporte; estas foram ajustadas na boca para proporcionar espaço para o registro em cera na dimensão vertical de oclusão,
a cera foi amolecida com uma espátula de cera e banho de água quente, a armação foi colocada na boca e tomou-se cuidado para
orientar o paciente a fechar numa posição interoclusal anteriormente verificada (e pra