Você está na página 1de 32

Física: termodinâmica e ondas

Aula 3

Professor Cristiano Cancela da Cruz

1
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Conversa Inicial
Seja bem-vindo à terceira aula de Física, Termodinâmica e Ondas!
Confira a seguir o conteúdo de hoje que será estudado!
A percepção auditiva é um dos cinco sentidos utilizados para entender o
mundo que nos cerca, ela consiste de um processo mental que é iniciado por um
estímulo sonoro, e este é captado por nossos ouvidos. Este estímulo sonoro
nada mais é do que um sinal acústico, originado por uma onda sonora, devido a
alguma vibração mecânica do meio material a nossa volta. Quando chega até
nossos ouvidos, esta onda sonora desencadeia um processo neural, o qual o
cérebro reconhece, permitindo identificar o causador daquele som e até mesmo
localizando a origem da fonte sonora.

Nossa pretensão aqui não é desvendar o funcionamento da audição, mas


sim estudar o comportamento das ondas chamadas ondas mecânicas e o som
é um exemplo importante. Para isso, iremos determinar equações matemáticas
que possibilitem descrever o comportamento de uma onda, utilizaremos como
modelo as ondas periódicas, nas quais os valores das grandezas físicas que
descrevem a configuração da onda se repetem em intervalo de tempo igual,
conforme a onda se propaga.
Vamos, também, conhecer e analisar o fenômeno ondulatório chamado
de interferência, fenômeno que ocorre quando há superposição de duas ondas
ou mais, no mesmo local do meio e ao mesmo tempo.

Assista no material online à explicação do professor Cristiano!

2
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Contextualizando
Maria Júlia ligou para Fabiano, e como toda boa namorada, ela quis logo
saber onde ele estava e o que estava fazendo, afinal, como ela sempre diz, quem
ama cuida. Em meio a conversa, Fabiano que trabalhava como decorador de
festa infantil, resolveu fazer uma brincadeira. Naquele momento ele acabara de
prender diversos balões de gás hélio pelo salão de festa alugado por dona Sônia,
como esta senhora era sempre exagerada, sobraram diversos balões. Fabiano
então, pegou um destes balões, soltou o nó que prendia o bico e deixou o gás
escapar lentamente, inalando o gás liberado durante uma inspiração profunda.
Neste instante, ao falar, a voz de Fabiano, que sempre foi meio rouca, soou em
tom agudo parecendo voz de mulher, seu colega Leandro que assistia a cena,
caiu na gargalhada.
O que Fabiano não esperava era a reação da moça, pois Júlia, ciumenta
por natureza, ao ouvir aquela voz aguda, foi logo colocando Fabiano contra a
parede, enfurecida ela dizia sem parar não dando chance para o rapaz se
explicar: “quem está aí com você?”, “tem alguma mulher aí?”, “quem é? Pode
me falar Fabiano!”.
Apesar da história acima ser apenas ficção, você já deve ter visto em
vídeos na internet, ou até mesmo feito essa brincadeira de inalar gás hélio e
posteriormente falar. O som produzido ao falar é emitido em tom agudo, diferente
do qual estamos acostumados.

Você neste momento deve estar se perguntando, o que isso tem a


ver com essa aula? Vamos conferir a seguir!

3
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
A brincadeira em si, realmente não tem nada a ver com a aula, mas as
diferenças entre as ondas sonoras que são produzidas ao se falar sem inalar gás
hélio e quando se inala têm grande relação com esta aula, afinal, o tema que
iremos abordar são as ondas mecânicas e o som é um exemplo importante de
onda mecânica. É claro que ele não é o único exemplo, pois as ondas produzidas
em um lago quando se joga uma pedra, ou em uma corda posta a oscilar, assim
como a corda de um violão, e até mesmo as ondas sísmicas produzidas por um
terremoto, são também todas ondas mecânicas.
A origem de uma onda mecânica ocorre com a perturbação de algum meio
material, deslocando-o de uma posição de equilíbrio para outra de maior energia.
Essa perturbação propaga-se através do meio carregando a energia fornecida
na forma de uma onda. Quando jogamos uma pedra em um lago, a pedra
provoca a perturbação do meio, que neste caso é a água, fornecendo energia no
local, no ponto onde a pedra caiu. A energia fornecida se propaga para o restante
da água, deslocando-se na forma de onda.
As ondas mecânicas não são a única forma de onda existente na
natureza, também existem as ondas eletromagnéticas, nesta forma
encontram-se as ondas de luz, ondas de rádio, ondas de micro-ondas, entre
outras. Esses tipos de ondas são gerados por vibrações eletromagnéticas, de
uma maneira geral, se um campo elétrico for variável em relação ao tempo, este
produzirá um campo magnético também variável, formando assim uma onda
eletromagnética que se desloca no espaço. Portanto, uma onda eletromagnética
caracteriza-se por oscilações de campos elétricos e campos magnéticos.
A diferença entre as ondas mecânicas e eletromagnéticas consiste no fato
que as ondas eletromagnéticas não necessitam de um meio material para se
propagarem, assim como ocorre com as ondas mecânicas.

4
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Pesquise

TEMA 1: Tipos de ondas mecânicas


A origem de uma onda mecânica ocorre a partir da perturbação do meio
material, esta perturbação propaga-se através do meio carregando a energia
fornecida na forma de uma onda. A medida que a onda se propaga pelo meio
material, as partículas que compõem esse meio são deslocadas de sua posição
de equilíbrio para posições de maior energia que posteriormente a passagem da
onda, devido a forças restauradoras, retornam para suas posições de origem.
A maneira como essas partículas são deslocadas irão determinar a
natureza da onda. Quando a perturbação faz com que as partículas do meio se
desloquem perpendicularmente em relação a direção de propagação da onda,
dizemos que essa onda é uma onda transversal. Já quando o deslocamento
das partículas ocorre na mesma direção da propagação da onda, ela é chamada
de onda longitudinal. Mas, dependendo da maneira com que ocorre a
perturbação do meio, pode existir uma combinação de deslocamentos
transversais e longitudinais produzindo ondas mistas.

Independentemente do tipo de onda mecânica (transversal,


longitudinal ou mista) a propagação dela ocorre com velocidade constante, a
qual, depende do tipo do meio de propagação, essa velocidade de propagação
é chamada de velocidade da onda.
Apesar da onda se deslocar através do meio material, as partículas que o
compõem não se deslocam com a onda, elas apenas oscilam em relação a um
ponto médio de equilíbrio durante a passagem da onda. Uma onda, portanto,
transmite apenas energia e jamais transporta matéria de uma região para outra
do meio.

5
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Ondas Periódicas

Um tipo de onda transversal muito comum de se observar, ocorre quando


oscilamos para cima e para baixo a extremidade de uma corda esticada. Esta
perturbação faz com que pulsos de onda se propaguem ao longo do
comprimento da corda. Se a oscilação ocorrer em movimentos repetitivos
periódicos, cada partícula da corda também sofrerá movimentos periódicos com
a mesma frequência de oscilação da fonte que originou a perturbação. O
resultado disso é a formação de uma onda periódica transversal.
Iremos supor que a perturbação da corda ocorreu por um movimento

harmônico simples, com amplitude (A), frequência (f), frequência angular ( ) e

período (T). O resultado desta ação é a formação de uma onda na corda com
uma sequência simétrica de cristas e ventres.
Observa a figura a seguir em que as ondas periódicas produzidas em
uma corda são mostradas em nove instantes diferentes.

A onda avança uniformemente para direita, repetindo sua forma em


intervalo de tempos iguais, conforme pode-se ver na parte sombreada da figura.
A medida que a onda se propaga, qualquer partícula da corda oscila
verticalmente em MHS em torno de uma região de equilíbrio, com a mesma
frequência da fonte oscilatória que a gerou.

ATENÇÃO! Movimento de onda x movimento de partícula. Tome cuidado


para não confundir o movimento de uma onda transversal ao longo da corda com
o movimento de uma partícula da corda. A corda se desloca com uma velocidade
v ao longo da corda, enquanto o movimento da partícula é um MHS transversal
(perpendicular) à direção da propagação da onda.

6
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
(Fonte: Física II; Sears e Zemanski)

A figura a seguir indica algumas características das ondas periódicas.

 Comprimento de onda () – é a medida linear da distância entre

duas cristas ou dois ventres consecutivos.

 Período (T) – O intervalo de tempo entre uma oscilação completa


da onda e a próxima.

 Velocidade de propagação (V) – toda propagação de uma onda em


Onda periódica transversal
um meio qualquer se propaga com uma determinada velocidade que
depende do meio em que a onda se desloca.

 Frequência (f) – o número de ondas completas que passam pelo


mesmo ponto em um intervalo de tempo igual a 1 segundo
estabelece a frequência da onda. A frequência da onda é dada em
Hertz (Hz) que significa o número de ondas formadas por segundo.

 Amplitude (A) – Distância média do deslocamento das partículas do


meio material da sua posição de equilíbrio até seu deslocamento
máximo quando sujeitas a onda.

7
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
A relação entre as grandezas da onda, como o comprimento de onda

(, velocidade de propagação da onda (V) e frequência (f) é dado por:

𝑣 = 𝜆. 𝑓
A velocidade da onda é igual ao produto do comprimento de onda pela
frequência de oscilação das partículas do meio.
Neste exemplo, ondas produzidas em uma corda, a onda se propaga em
uma única dimensão. No entanto, a teoria aqui desenvolvida é válida para ondas
que se propagam em duas, como ondas em um lago, e até mesmo três
dimensões, como é o caso da onda sonora.

Leitura obrigatória (pesquise na Biblioteca Virtual)


Sears e Zemansky – Física II – p. 106-107 (exemplo 15.1) – ONDAS
PERIÓDICAS LONGITUDINAIS. Editora Pearson.
Veja à explicação deste tema com o professor Cristiano, no material online!

TEMA 2: Descrição matemática das ondas


Descrever matematicamente as características de uma onda periódica
em termos da velocidade da onda (V), comprimento de onda (), frequência (f),
período (T) e amplitude (A) parece ser suficiente para entender o comportamento
desta onda. No entanto, muitas vezes para uma descrição mais detalhada do
comportamento da onda, precisamos determinar a posição e o movimento de
cada partícula do meio em função do tempo durante a passagem da onda. Para
isso, será necessário descrever a onda através de uma equação ou função de
onda.
Para ilustrar continuaremos a observar ondas propagando-se em uma
corda esticada, utilizaremos o sistema cartesiano (x, y), veja a figura da tela a
seguir, onde o eixo x será posicionado ao longo da corda quando essa encontra-
se na condição de equilíbrio, os valores da coordenada x irão determinar a
posição na corda em relação ao local onde a corda será oscilada pela fonte,

8
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
ponto inicial, e as coordenadas do eixo y irão determinar a posição da partícula
da corda localizada pela coordenada x quando essa é deslocada na vertical em
relação a sua posição de equilíbrio.
O valor da coordenada y depende de uma partícula específica da corda,
determinada pela coordenada x, portanto a coordenada y depende da
coordenada x e também do tempo t, ela é uma função de x e do tempo, y (x, t),
que é a função de onda.

Coordenadas x, y para ondas em uma corda.

Com o conhecimento dessa função, pode-se determinar a posição de


qualquer partícula da corda e em qualquer instante, isto nos permite calcular a
velocidade e a aceleração dessa partícula e também a forma da corda durante
a passagem da onda.

Veja um exemplo de simulador, acessando o link:


https://phet.colorado.edu/sims/html/wave-on-a-string/latest/wave-on-a-
string_en.html

Função de onda de uma onda senoidal


O formato da corda quando uma onda transversal se propaga por ela
sugere que a função de onda que a descreve é uma função senoidal. Iremos
supor que a onda parte da esquerda se deslocando para direita do eixo x, no
sentido de aumento dos valores da coordenada x ao longo da corda. Conforme
a onda se desloca cada partícula da corda atingida pela onda oscila sofrendo
MHS com frequência e amplitude iguais ao do oscilador, fonte, que originou a
onda.

9
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
O deslocamento y de uma partícula da corda localizada na posição x para
um tempo 𝒕, será dado por: 𝒚(𝒙, 𝒕) = 𝑨 𝐜𝐨𝐬 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕). Esta equação representa
a função de onda para uma onda senoidal propagando-se em uma corda
esticada no sentido +x.

A - Amplitude da onda
Onde 𝒌 - Número de onda
𝝎 - Frequência angular da onda

A grandeza k (número de onda) é determinada pela razão entre 2 


radianos e o comprimento de onda .
𝟐𝝅
𝒌=
𝝀
𝒓𝒂𝒅
A unidade do número de ondas é o radiano por metro ( ).
𝒎

Através da função de onda podemos determinar a forma da onda para


determinado instante de tempo t fixo. Esse gráfico fornece o deslocamento y de
uma partícula a partir de sua posição de equilíbrio em função da coordenada x
da partícula.

10
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Figura 4 - Gráfico do deslocamento y em função de x para tempo t = 0.

Analisando a equação de onda também podemos representar o gráfico da


coordenada y em função do tempo, para um valor fixo da coordenada x, neste
caso estaremos representando o movimento de determinada partícula localizada
pela coordenada x.

Figura 5 - Gráfico do deslocamento y em função do tempo t quando x = 0

Atenção!
Apesar dos gráficos da figura 4 e da figura 5 parecerem iguais, eles não
são idênticos. A figura 4 é uma fotografia instantânea da forma da corda
quando t = 0 e a figura 5 representa o gráfico do deslocamento y de
uma partícula x = 0 em função do tempo.

Quando a onda periódica se propaga no sentido negativo do eixo x, ou seja,


quando os valores das coordenadas do eixo x diminuem conforme a onda se
propaga, devemos fazer uma pequena modificação na função de onda,
alterando o sinal negativo por positivo. Logo, teremos:
𝒚(𝒙, 𝒕) = 𝑨 𝐜𝐨𝐬 (𝒌𝒙 + 𝝎𝒕). Independente do sentido de propagação a onda,
sentido positivo do eixo x, +x, ou sentido negativo, - x, a grandeza (𝒌𝒙 ± 𝝎𝒕) é
denominada fase da onda.
O resultado da combinação das grandezas envolvidas na fase da onda
determinarão um ponto específico da onda representado pela coordenada y.

11
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Para determinarmos a velocidade de propagação desta onda será necessário
viajar ao longo dela para que a fase de determinado ponto permaneça constante.
Supondo uma onda esteja viajando no sentido positivo do eixo x, a fase
será determinada por (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕) e, como vimos, esta fase deve permanecer
constante, logo:
(𝒌𝒙 − 𝝎𝒕) = 𝒄𝒐𝒏𝒔𝒕𝒂𝒏𝒕𝒆

Derivando ambos os lados da equação em relação ao tempo, obtemos:


𝒅(𝒌𝒙 − 𝝎𝒕) 𝒅 (𝒄𝒐𝒏𝒔𝒕𝒂𝒏𝒕𝒆)
=
𝒅𝒕 𝒅𝒕
𝒅 𝒌𝒙 𝒅 𝝎𝒕
− =𝟎
𝒅𝒕 𝒅𝒕
𝒅𝒙 𝒅𝒕
𝒌 −𝝎 =𝟎
𝒅𝒕 𝒅𝒕
𝒅𝒙
𝒌 =𝝎
𝒅𝒕

𝒅𝒙 𝝎
=
𝒅𝒕 𝒌

𝒅𝒙
Como é a velocidade da onda v , chamada de velocidade de
𝒅𝒕

fase, teremos:

𝝎
𝒗=
𝒌

Leitura obrigatória (pesquise na Biblioteca Virtual):


Sears e Zemansky – Física II – p. 110 (exemplo 15.2) – ONDAS
PERIÓDICAS LONGITUDINAIS. Editora Pearson.

12
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Velocidade e aceleração de uma partícula do meio material oscilando por
uma onda senoidal
Até agora fomos capazes de determinar a função de onda que nos
possibilita determinar a posição de qualquer partícula do meio material sujeita a
uma onda periódica senoidal transversal. Se esta onda viaja no sentido positivo
do eixo x a função de onda é: 𝒚(𝒙, 𝒕) = 𝑨 𝐜𝐨𝐬 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)
Agora precisamos determinar uma equação que nos forneça a velocidade
de oscilação de determinada partícula, localizada pela coordenada x constante.
Para isso iremos determinar a velocidade dessa partícula no eixo y (vy) pela
derivada parcial da função de onda em relação ao tempo:

𝜕 𝑦 (𝑥, 𝑡)
= 𝑣𝑦 (𝑥, 𝑡)
𝜕𝑡
𝜕 𝐴 cos (𝑘𝑥 − 𝜔𝑡)
𝑣𝑦 (𝑥, 𝑡) = = 𝜔 𝐴 𝑠𝑒𝑛 (𝑘𝑥 − 𝜔𝑡)
𝜕𝑡
𝒗𝒚 (𝒙, 𝒕) = 𝝎 𝑨 𝒔𝒆𝒏 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)
A equação da tela anterior nos mostra que a velocidade transversal de
determinada partícula varia com o tempo em função de um MHS. A velocidade
máxima da partícula ocorrerá quando 𝒔𝒆𝒏 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕) = 𝟏, e neste caso a
velocidade será:
𝒗𝒚 𝒎á𝒙 (𝒙, 𝒕) = 𝝎 𝑨
Da mesma forma que fizemos para determinar a velocidade transversal
da partícula sujeita a onda senoidal, iremos proceder para obter a aceleração
da partícula no decorrer do tempo, e para isso vamos realizar a derivada parcial
de segunda ordem na equação de posição em função do tempo para onda
senoidal:

𝜕 2𝑦 (𝑥,𝑡) 𝜕 𝜔 𝐴 𝑠𝑒𝑛 (𝑘𝑥−𝜔𝑡)


= 𝑎𝑦 (𝑥, 𝑡) 𝑎𝑦 (𝑥, 𝑡) = = − 𝜔2 𝐴 𝑐𝑜𝑠 (𝑘𝑥 − 𝜔𝑡)
𝜕𝑡 2 𝜕𝑡

𝒂𝒚 (𝒙, 𝒕) = − 𝝎𝟐 𝑨 𝒄𝒐𝒔 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)

13
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Portanto a aceleração de determinada partícula é igual a (− 𝝎𝟐 ) vezes o
seu deslocamento:

𝒂𝒚 (𝒙, 𝒕) = − 𝝎𝟐 𝒚(𝒙, 𝒕)

Velocidade de uma onda transversal


Uma característica importante das ondas é a sua velocidade de
propagação, cada tipo específico de onda tem sua própria velocidade de
propagação para um meio material particular.

Mas o que determina esta velocidade de propagação? Vejamos a seguir!

Para responder à pergunta, continuaremos utilizando como exemplo as


ondas transversais em uma corda vibrante. Os resultados obtidos na análise
desse tipo de onda são válidos e podem ser aplicados a outros tipos de ondas
mecânicas. As grandezas físicas envolvidas para determinar a velocidade de
propagação da onda em uma corda, são: a tensão na corda F, ou seja, a força

aplicada a corda que a mantém esticada e também a massa específica linear 


da corda, massa por unidade de comprimento.
A relação matemática que determina a velocidade de propagação e uma
onda em uma corda vibrante é dada pela raiz quadrada da razão entre a tensão
na corda e sua massa específica linear:

𝑭
𝒗= √
𝝁

Assista à videoaula do professor Cristiano no material online!

14
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
TEMA 3: Energia no movimento ondulatório
Lembra que destacamos no início da aula que algumas das
características é que durante a propagação de qualquer onda ela transporta
apenas energia e nunca matéria, portanto todo movimento ondulatório possui
uma determinada energia associada a ele.
Vimos também que o início de uma onda mecânica ocorre com a
perturbação do meio material, deslocando-se uma partícula do meio de sua
posição de equilíbrio para outra posição de maior energia. Para isso, devemos
aplicar uma força nessa partícula movendo-a para uma posição diferente da
posição de equilíbrio, portanto realizando um trabalho sobre ela. A medida que
a onda se propaga uma porção do meio exerce força nas partículas adjacentes
e realiza um trabalho sobre elas, possibilitando a propagação da onda através
do meio e carregando a energia fornecida de uma região para outra.
Se analisarmos o gráfico da coordenada y em função da coordenada x
para uma onda que viaja em uma corda da esquerda para direita, veja figura 6.
Observe o ponto a localizado na corda durante a passagem da onda, ele
foi ampliado e podemos ver que a inclinação da corda pode ser determinada pela

forças que estão atuam no ponto a neste instante, pois a parte da corda a direita
do ponto a exerce força na parte da corda a esquerda do ponto a e vice-versa.
Na figura abaixo podemos ver a configuração dessas forças quando omitimos a
parte da corda do lado esquerdo ao ponto a substituindo-a pela força que ela
aplica no ponto a.

Figura 6 – Análise de um ponto a em um gráfico da


coordenada y em relação a x de uma onda deslocando-
se da esquerda para direita.

15
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Essa força foi decomposta em suas componentes retangulares F e Fy, sendo
a força F a força de tensão na corda e a força Fy a força que irá realizar trabalho no
ponto a deslocando-o para outra posição no eixo y.
A razão entre Fy e F é igual a inclinação negativa da corda no ponto a, que
∆𝐲
também é determinada por entos
∆𝐱
𝝏𝒚
infinitesimais nos eixos y e x, podemos escrever .
𝝏𝒙

Matematicamente, temos:
𝑭𝒚 𝝏𝒚
= −
𝑭 𝝏𝒙

Figura 7 – Componentes F e Fy da força


exercida pela parte da esquerda da corda
sobre o ponto a.

Como Fy e também 𝝏𝒚 são variáveis que dependem do valor da


coordenada x e do tempo t, podemos escrever:
𝝏𝒚(𝒙, 𝒕)
𝑭𝒚 (𝒙, 𝒕) = − 𝑭
𝝏𝒙

Esta equação é válida para qualquer onda se propagando em uma


corda, senoidal ou não. Quando a onda for senoidal, podemos utilizar a função
de onda vista no item anterior e realizar a derivada em relação a x.
𝒚(𝒙, 𝒕) = 𝑨 𝐜𝐨𝐬 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)

16
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Logo, neste caso, a força que desloca as partículas da corda realizando
trabalho sobre elas, será:
𝑭𝒚 (𝒙, 𝒕) = 𝑭 𝒌 𝑨 𝐬𝐞𝐧(𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)
A taxa com que a força realiza trabalho permitindo o deslocando da onda
é a potência da onda 𝑷 (𝒙, 𝒕), determinada por:
𝑃 (𝑥, 𝑡) = 𝐹𝑦 (𝑥, 𝑡) . 𝑣𝑦 (𝑥, 𝑡)

𝝏𝒚(𝒙, 𝒕) 𝝏𝒚(𝒙, 𝒕)
𝑷 (𝒙, 𝒕) = − 𝑭 .
𝝏𝒙 𝝏𝒕
Como para onda senoidal:
𝝏𝒚(𝒙, 𝒕)
= 𝝎𝑨 𝐬𝐞𝐧(𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)
𝝏𝒕

Podemos escrever a potência como:


𝑷 (𝒙, 𝒕) = 𝑭𝒌𝝎𝑨𝟐 𝐬𝐞𝐧𝟐 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)
Uma forma alternativa para essa equação é substituir 𝝎 = 𝒗𝒌 e 𝒗𝟐 =
𝑭
, obteremos:
𝝁

𝑷 (𝒙, 𝒕) = √𝝁𝑭𝝎𝟐 𝑨𝟐 𝐬𝐞𝐧𝟐 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)


O valor máximo de potência instantânea será dado quando
𝐬𝐞𝐧𝟐 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕) = 𝟏, logo:
𝑷𝒎á𝒙 (𝒙, 𝒕) = √𝝁𝑭𝝎𝟐 𝑨𝟐
E a potência média transmitida pela onda senoidal será obtida quando
𝟏
𝐬𝐞𝐧𝟐 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕) = , o que corresponde à média em um ciclo completo, dada por:
𝟐

𝟏
𝑷𝒎é𝒅 (𝒙, 𝒕) = √𝝁𝑭𝝎𝟐 𝑨𝟐
𝟐

Leitura obrigatória (pesquise na Biblioteca Virtual)


Sears e Zemansky – Física II – p. 117 (exemplo 15.4) –
Ondas periódicas longitudinais. Editora Pearson.

17
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Intensidade da onda
A intensidade de uma onda é calculada tomando-se a taxa média de
energia que é transportada pela onda em relação ao tempo, por unidade de área
em uma superfície perpendicular à direção de propagação da onda. Mas a taxa
da energia em relação ao tempo é a potência, matematicamente:
𝑬𝒏𝒆𝒓𝒈𝒊𝒂
𝑷=
𝒕𝒆𝒎𝒑𝒐
Em outras palavras, a intensidade da onda é igual a potência média
transportada pela onda, pela unidade de área, que essa onda transpassa.
Aplicando esse conceito em ondas que se propagam em três dimensões,
como exemplo temos as ondas sísmicas e as ondas sonoras, obtemos a
seguinte configuração, veja a figura 8.

Figura 8 – Fonte de onda ao centro e três esferas


concêntricas de raios r1, r2, r3.

A fonte de onda localiza-se no centro das esferas de raios r1, r2 e r3.


Podemos querer calcular a intensidade média da onda a uma distância r1 da
fonte, portanto a intensidade será dada por:
𝑷
𝑰𝟏 =
𝟒𝝅𝒓𝟐𝟏

18
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Ou seja, a razão entre a potência média fornecida pela fonte P pela área

da casca esférica de raio r1.

Podemos usar o mesmo procedimento para calcular a intensidade da

onda em um ponto afastado uma distância r2 da fonte, teremos:

𝑷
𝑰𝟐 =
𝟒𝝅𝒓𝟐𝟐
Se nenhuma energia da onda foi dissipada entre o ponto em r1 até o ponto
em r2 a potência média da fonte é a mesma para os dois pontos, então podemos
escrever:
𝑰𝟏 𝟒𝝅𝒓𝟐𝟏 = 𝑰𝟐 𝟒𝝅𝒓𝟐𝟐
Simplificando, temos:
𝑰𝟏 𝒓𝟐𝟐
= 𝟐
𝑰𝟐 𝒓𝟏
A intensidade I em qualquer distancia r da fonte é inversamente

proporcional a r2. Podemos escrever,

𝑰𝟏 𝒓𝟐𝟑 𝑰 𝒓𝟐𝟑
= ou 𝑰𝟐 =
𝑰𝟑 𝒓𝟐
𝟏 𝟑 𝒓𝟐𝟐

Essa relação é conhecida como lei do inverso do quadrado para intensidade.

Leitura obrigatória (pesquise na Biblioteca Virtual)


Sears e Zemansky – Física II – p. 118 (exemplo 15.5) – ONDAS
PERIÓDICAS LONGITUDINAIS. Editora Pearson.

Interferência de ondas e princípio da superposição


Quando duas ondas ou mais se encontram propagando-se no mesmo
meio, e no mesmo local estas ondas sofrem um fenômeno ondulatório chamado
de interferência.

19
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Quando essa situação ocorre devemos aplicar o princípio da
superposição de ondas que afirma que o deslocamento total da onda resultante
no ponto onde duas ou mais ondas se superpõe é igual à soma dos
deslocamentos das ondas individuais. Ou seja, a função de onda resultante é
obtida pela soma das funções de onda das duas ondas que estão sofrendo
interferência.
𝒚 (𝒙, 𝒕) = 𝒚𝟏 (𝒙, 𝒕) + 𝒚𝟐 (𝒙, 𝒕)

Podemos observar o princípio da superposição fazendo propagar dois


pulsos de onda com sentidos de propagação opostos em uma mesma corda a
partir das extremidades da corda.
Suponha que os pulsos estejam invertidos um em relação ao outro, eles
irão se aproximar e quando ambos estiverem na mesma posição da corda eles
irão sofrer interferência, superpondo-se um em relação ao outro. Veja figura 9 a
seguir.

Figura 9 – Dois pulsos de onda invertidos se


propagando em uma corda em sentidos opostos
e sofrendo superposição. (Fonte: Física II; Sears
e Zemanski, pág. 120, figura 15.20).

20
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Na figura 10 os pulsos deslocam-se em sentidos opostos, mas não estão
invertidos. Quando eles se encontram ocorre interferência construtiva,
resultando em uma onda com amplitude maior, isso devido a soma das
amplitudes dos pulsos individuais.

Figura 10 – Dois pulsos de onda deslocando-se em sentidos


opostos na mesma corda, no momento do encontro eles sofrem
superposição. (Fonte: Física II; Sears e Zemanski, pág. 120,
figura 15.21).

Leitura obrigatória (pesquise na Biblioteca Virtual)


Sears e Zemansky – Física II – pág. 121 – Ondas estacionarias em uma
corda.

O professor Cristiano apresenta sobre o tema de hoje no material online. Confira!

21
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
TEMA 4: Ondas sonoras
As ondas sonoras são definidas como ondas mecânicas longitudinais. As
ondas sonoras podem ser geradas mecanicamente, como por exemplo, com o
diapasão. Em aparelhos de ultrassom se geram por meio dos chamados
transdutores eletroacústicos. Qualquer objeto que vibra é uma fonte de som.
As ondas mecânicas perceptíveis ao ouvido humano estão
compreendidas, aproximadamente entre as frequências de 20 Hz a 20.000 Hz.
Quanto maior a frequência, mais agudo é o som, quanto menor a frequência
mais grave é o som. Os sons de frequência abaixo de 20 Hz, chamados de
infrassom, e com frequência acima de 20.000 Hz, ultrassom, não são detectados
pelo ouvido humano.
Como vimos, a velocidade de propagação de uma onda depende do meio
material onde ele se propaga, e no caso da onda sonora, também depende da
temperatura do meio material. Por exemplo, se o meio material de propagação
da onda sonora for o ar atmosférico e a temperatura for de 0 ºC, a velocidade de
propagação da onda sonora é de aproximadamente 330 m/s; já para
temperaturas mais elevadas, como por exemplo a 20 ºC, a velocidade passa a
ser de aproximadamente 340 m/s.
Apesar das ondas sonoras serem longitudinais, a teoria vista envolvendo
ondas mecânicas transversais em cordas também se aplica neste caso.
Portanto, uma onda sonora também pode ser uma onda senoidal, com
amplitude, frequência e comprimento de onda bem definidos.
As ondas sonoras normalmente propagam-se em três dimensões a partir
da fonte. Para este estudo, iremos considerar que a onda sonora seja uniforme
e desloque-se em um meio material homogêneo.

22
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Neste caso, apesar da onda deslocar-se em três dimensões, afastando-
se da fonte sonora, podemos escolher uma única direção de propagação para
estudar o comportamento desta onda, pois independente do eixo que
escolhamos, o comportamento da onda será o mesmo, portanto, com o intuito
de facilitar o entendimento, iremos supor uma onda sonora movendo-se no
sentido positivo do eixo x.

Para esse caso, a função de onda é dada por:


𝒚 (𝒙, 𝒕) = 𝑨 𝐜𝐨𝐬(𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)
Nesta equação a coordenada x, localiza uma partícula no meio material a
partir da origem onde encontra-se a fonte sonora, seu eixo encontra-se paralelo
ao deslocamento da onda. Já a coordenada y, quando a onda é longitudinal, seu
eixo encontra-se paralelo ao eixo da coordenada x, e fornece o deslocamento da
partícula localizada pela coordenada x no meio material quando atingido pela
onda.
A amplitude da onda, A, também chamada de amplitude de deslocamento,
é o deslocamento máximo da partícula selecionada a partir da posição de
equilíbrio. Veja a figura 11 ao lado. Um tubo é preenchido por um fluido, neste
tubo, posicionado na extremidade esquerda, existe um êmbolo movimentando-
se em MHS que exerce pressões no fluido provocando o surgimento de uma
onda que se desloca neste fluido.

Figura 11 – Onda senoidal longitudinal deslocando-se para direita em


um fluido.

23
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
A propagação da onda foi registrada em nove instantes de tempo até que

ela complete o intervalo de tempo de um período. Observe que a coordenada x1

localiza uma partícula do fluido no meio material, partícula destacada em


vermelho, quando a onda atinge esta partícula, ela começa a oscilar deslocando-
se da sua posição de equilíbrio até uma amplitude máxima A. Repare também,
que existem regiões de maior pressão, quando as partículas do fluido estão mais
próximas umas das outras e regiões de menor pressão, quando as partículas
estão mais afastadas umas das outras, veja figura 12 nas telas seguintes.
A distância entre uma região de maior pressão e a próxima região de

maior pressão, é o comprimento de onda Devido a essas diferenças de

pressão no fluido quando uma onda sonora se propaga por ele, as ondas
sonoras podem ser descritas através das flutuações de pressão do fluido.

Ondas Sonoras como Flutuação de Pressão

Para ilustrar a teoria de como representar uma onda sonora como


variações momentâneas da pressão do fluido iremos utilizar como exemplo uma
onda sonora que se propaga no ar atmosférico em uma única direção com
frequência constante.
Iremos considerar a situação ideal onde a pressão do ar atmosférico inicial
é constante em todos os pontos do fluido.
O ar atmosférico é composto por oxigênio na forma molecular O2, que
corresponde a aproximadamente 21 % da composição do ar, também existe o
nitrogênio, N2, o gás mais abundante da atmosfera, 78 % da composição.
Ainda fazem parte o gás carbônico, a forma da molécula é o CO2, ele
contribui apenas com 0,03% da atmosfera e alguns gases nobres como argônio
Ar, neônio Ne, radônio Rn, o famoso hélio He, criptônio Kr e o xenônio Xe, que
ocupam cerca de 0,93% do ar atmosférico.

24
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Esses gases só existem na forma atômica, e, portanto, não sofrem
reações químicas e não fazem ligações químicas com nenhum elemento, por
essas características são chamados de gases nobres.
Além desses gases, não podemos esquecer a presença do vapor da
água, H2O, e também das partículas de poeira e poluição, quanto a esses
elementos não existe em uma quantidade específica, sua proporção varia de
região para região, depende do clima e outros fatores.
Sabendo que o ar atmosférico real é composto por diversas moléculas e
átomos, idealizaremos um modelo físico para o ar atmosférico, e utilizaremos
este modelo para estudar a propagação da onda sonora através dele. Neste
modelo iremos considerar cada molécula e átomo presente na atmosfera como
uma pequena esfera (figura 12, na tela a seguir) cada uma dessas esfera é
considerada uma partícula do gás.

Figura 12 – Representação gráfica de um fluido.

Estas partículas estão em constante movimento aleatório, colidindo umas


com as outras e com os limites geométricos do recipiente que contém o fluido,
suas paredes. A distância média entre cada partícula depende da pressão do
fluido, quando a pressão é menor as partículas tendem a se afastar e quando a
pressão aumenta as partículas ficam mais próximas umas das outras.

25
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Durante a propagação de uma onda sonora no ar atmosférico, a pressão
do ar varia com valores acima e abaixo da pressão atmosférica, conforme a onda
se propaga. Sabendo destas características, analisaremos etapa por etapa a
propagação da onda sonora no ar atmosférico. Para isso, vamos utilizar a figura
11, a qual representa a propagação da onda em nove instantes de tempo
diferentes até completar um período de propagação da onda. Começaremos
com a primeira imagem, para t = 0.

Nesta figura existe um tubo cilíndrico de vidro, o qual ao lado esquerdo


encontra-se um embolo que pode entrar e sair do tubo, este embolo oscila em
MHS pressionando o gás que se encontra no interior do tubo.

As partículas desse gás estão sendo representadas por linhas verticais


azuis, onde cada linha é composta por uma fileira de partículas do ar. A partir
desse instante inicial uma partícula do fluido, apresentada pela linha vertical

vermelha, está localizada pela coordenada x1, no eixo x que tem como origem
a posição do embolo neste instante. Entre as posições de x = 0 e x = x1 a onda

já está propagando-se, mas ainda não atingiu a partícula em x1, portanto essa

se encontra na sua posição de equilíbrio, posição localizada no eixo y quando y


= 0.
Neste instante inicial o embolo está entrando no tubo criando um pulso de
maior pressão, o deslocamento do pulso no interior do tubo ocorre com a
velocidade da onda. Com a aproximação do pulso de maior pressão da partícula

em x1, ela será forçada a deslocar-se para região de menor pressão que se

encontra a sua direita e isso nos leva a próxima imagem da sequência.

26
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Veja que a partícula realmente foi levada para direita, saindo a posição de
equilíbrio, mas também o pulso de maior pressão foi deslocado para direita, esse
movimento do pulso de maior pressão continua a pressionar a partícula para
direita até que ela chegue na posição de amplitude máxima, ou seja, o máximo
deslocamento que o fluido permite que a partícula se desloque em relação a sua
posição de equilíbrio. Isso pode ser observado na próxima imagem.

Veja que neste instante, t = 2/8 T, a partícula destacada em vermelho


encontra-se na posição de amplitude máxima y = A, a partir deste momento o
embolo começa a retornar indo para esquerda, criando regiões de menor
pressão. Agora o pulso de maior pressão encontra-se a direita da partícula que
estamos observando, naturalmente essa partícula irá se deslocar para esquerda,
pois é lá que se encontra uma região de menor pressão, e ela assim o faz, indo
agora em direção ao ponto onde y = 0, veja no próximo instante.

27
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
A partícula continua a deslocar-se para região de menor pressão a sua
esquerda.

Neste instante, decorrido metade do período da onda, t = ½ T, a partícula


retornou para sua posição de equilíbrio, agora ela está posicionada em uma
região de menor pressão, região onde a pressão do gás é menor que pressão
atmosférica, mas o movimento cinético da partícula a leva a ultrapassar essa
posição e ela é deslocada para esquerda da posição de equilíbrio, para onde os
valores de y são negativos.

Para o instante de tempo, quando t = 5/8 do período, o embolo continua


seu deslocamento para esquerda e a partícula também, porém outro pulso de
maior pressão aproxima-se da partícula.

É quando a partícula chega na sua posição de maior amplitude negativa


y = - A, o embolo para e começa a retornar entrando novamente no tubo e
gerando outro pulso de maior pressão, com a aproximação de uma região de
maior pressão, a partícula é forçada novamente para direita, região neste
momento de menor pressão, em sentido à sua posição de equilíbrio.

28
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Com o pulso de onda se aproximando, a partícula não pode fazer outra
coisa que não seja ir para direita.

Quando o tempo completa o período, t = T, a partícula retornou para sua


posição inicial de equilíbrio, e o processo se repete.
Como você pode ver em detalhes, a propagação da onda ocorre por
variações de pressão momentâneas do gás, ou em outras palavras, como
flutuações de pressão.
Podemos querer determinar a pressão do gás dentro do tubo em
determinada posição x e instante de tempo t. Para isso devemos utilizar a
relação matemática: 𝑷 (𝒙, 𝒕) = 𝑩𝒌𝑨 𝒔𝒆𝒏 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕)
A - Amplitude da onda
Onde k - Número de onda
B – Módulo de compressão do gás

O valor de B depende do tipo de gás onde a onda se propaga, ele indica


o quanto o gás pode ser comprimido ou não. Para valores elevados do módulo
de compressão indica que o gás é menos compressível. Quando a relação
𝒔𝒆𝒏 (𝒌𝒙 − 𝝎𝒕) = 𝟏 o valor da pressão atinge o seu valor máximo, chamado
amplitude de pressão, e dado por: 𝑷𝒎á𝒙 = 𝑩𝒌𝑨.

29
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Leitura obrigatória (pesquise na sua Biblioteca Virtual):
Leitura Obrigatória - Sears e Zemansky – Física II – pág. 143 – Exemplo
16.2.

Velocidade das ondas sonoras


Vimos ao estudar ondas transversais propagando-se em uma corda
esticada que a
Por analogia, para uma onda sonora propagando-se em um gás iremos
substituir a tensão F aplicada, pelo módulo de compressão B e a densidade

linear, pela densidade do gás . Logo, a velocidade de propagação de uma onda

sonora em um gás será determinada pela relação:

𝑩
𝒗= √
𝝆

Portanto a velocidade de propagação de um pulso ondulatório longitudinal


em um fluido depende apenas do módulo de compressão do fluido e da
densidade do meio. Esta equação é válida para toda onda longitudinal se
propagando em um fluido, como a velocidade do som no ar ou na água.

Intensidade e nível de intensidade sonora


Como destacamos no início da aula, todo onda transfere energia de um
ponto do meio material onde ela se propaga para outro local deste meio material,
vimos que a intensidade I de uma onda sonora é determinada pela taxa temporal
média com a qual a energia é transferida pela onda, por unidade de área.
𝑷
𝑰=
𝟒𝝅𝒓𝟐
O que pretendemos agora é expressar a intensidade de uma onda sonora
senoidal em termos da amplitude de deslocamento A, omitindo alguns passos,
obtemos a expressão abaixo:

30
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
𝟏
𝑰= √𝝆𝑩𝝎𝟐 𝑨𝟐
𝟐
(Intensidade de uma onda sonora senoidal)
Muitas vezes é mais útil determinar a intensidade da onda sonora
senoidal em função da amplitude da pressão Pmáx, para esse caso
obtemos:
𝑷𝒎á𝒙 𝑷𝟐𝒎á𝒙
𝑰= =
𝟐𝝆𝒗 𝟐√𝝆𝑩

Leitura Obrigatória:

Sears e Zemansky – Física II – pág. 151 – Exemplo 16.6.

Escala Decibel
Como o ouvido humano é sensível para um intervalo de intensidade
sonoras muito grande, para facilitar adotamos uma escala logarítmica para

definir a intensidade sonora chamada escala decibel  .

O nível da intensidade sonora  de uma onda sonora é a medida

logarítmica de sua intensidade, medida em relação a Io uma intensidade


arbitraria de referência definida como igual a 10-12 W/m2, valor perto do limiar da
audição humana. O nível da intensidade sonora é expresso em decibel (dB),
pela relação:
𝑰
𝜷 = 𝟏𝟎 𝒅𝑩 𝐥𝐨𝐠
𝑰𝒐

Sugestão de leitura (pesquise na sua Biblioteca Virtual): Livro da


disciplina. Sears e Zemansky – Física II – pág. 152 – Exemplo 16.9.

Sobre o que você estudou até agora, confira na videoaula no material


online!

31
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Trocando ideias
Acesse o fórum da disciplina e poste para os seus colegas outros tipos
de ondas, diferentes das que estudamos até aqui. Veja o que os seus colegas
postaram também, escola dois e classifique quais são os tipos de ondas destes
dois que você escolheu.

Na Prática
Por falar em tipos diferentes de ondas, lembra do exemplo visto no início
desta aula? O exemplo do balão de gás hélio em que pudemos perceber que há
diferentes ondas sonoras. Agora é a sua vez: pesquise por exemplos de
situações cotidianas nas quais podemos encontrar ondas.

Depois disso, assista à proposta prática com o professor Cristiano no


material online!

Síntese

Vamos relembrar tudo o que foi estudado até aqui? O professor


Cristiano sintetiza este encontro na videoaula do material online.

Referências
Sears e Zemanski – Física II – Termodinâmica e Ondas – 12ª edição –
ed. Pearson.

32
CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico

Você também pode gostar