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Questionamentos:

1. O que são minerais secundários e quais os principais tipos?


2. Qual a diferença entre clivagem e fratura?
3. Descreva cinco propriedades utilizadas para a identificação visual dos minerais.
4. Qual a classe dos minerais mais comuns na natureza, ou seja, dos minerais formadores
de rocha. Descreva cinco minerais desta classe, e em que tipo de rocha podem ser
encontrados.
5. Para se familiarizar com as rochas, faça um levantamento dos tipos mais frequentes ao
seu redor e liste suas principais características com o auxílio das tabelas, figuras, e da
descrição das rochas, como cor, dureza, textura, estrutura e composição.
6. A estrutura e textura das rochas é de grande importância para a geologia de engenharia.
Como são geradas e qual sua influência nas propriedades da rocha?
7. As rochas encontram-se classificadas em três grandes grupos. Como estes se
relacionam? Cite cinco características distintivas entre as rochas pertencentes a estes
três grupos.
8. Faça uma breve pesquisa sobre a importância dos argilominerais em Geologia de
Engenharia e Ambiental.

Respostas:

1- Os minerais secundários são formados pela desintegração e alteração de minerais


primários por meio do intemperismo. Os principais tipos são filossilicatos da classe dos
argilominerais (serpentina, caulinita, e montmorillonita) como também óxidos e
hidróxidos de ferro e alumínio.

2- A clivagem está relacionada como uma propriedade física do mineral de se partir em


superfícies planas, lisas definidas e paralelas entre si, quando uma força é aplicada a
este mineral e se rompe, na descrição é necessário informar a qualidade (perfeita, boa,
regular, ou indistinta) e a direção cristalográfica. Já a fratura, é a maneira como o
mineral se rompe quando se produz superfícies de clivagem ou partição, como fratura
conchoidal no quartzo.

3- O hábito: é usado para designar a forma externa de um cristal de determinado mineral,


ou do agregado constituído por este e por outros. Desta forma, o hábito pode refletir a
estrutura interna do mineral (cubo, romboedro, prisma, etc.); irregularidades de seu
crescimento (capilar, fibroso, esqueletiforme, etc.) ou o arranjo que o conjunto de cristais
constituem (fibro-radial, geodo, drusa, etc.), refletindo o ambiente de sua formação.
Cor: Existem minerais alocromáticos que têm a cor variável, mas outros têm sempre a
mesma cor (minerais idiocromáticos), é importante em alguns casos para a descrição.
Por exemplo, a pirita é sempre amarela e a malaquita, sempre verde. Já o quartzo pode
ser incolor, amarelo, laranja, roxo (ametista), dentre outros.
Traço: é a cor do pó fino que um mineral deixa ao ser esfregado em uma superfície
mais dura. É usado uma porcelana branca e esfrega-se o mineral na porcelana para
determinar a cor do traço.
Brilho: Existem diversos tipos de brilho, como: baços (aqueles minerais que não
apresentam brilho); Metálicos: cobreado, prateado, aluminoso, (derivam do próprio
metal/mineral metálico). Sub-metálico: intermediário entre metálico e não metálico. Ex.:
terroso-terra; Não metálicos: diamante; Vítreo: quartzo; Sedoso: Se parece com o brilho
de uma seda. Ex. gipsita; Resinoso: Lembra uma resina. Ex. âmbar;
Fratura: É uma superfície de quebra de cristal que não segue qualquer direção
cristalográfica preferencial, os principais tipos são: fratura conchoidal (ex: quartzo);
fratura fibrosa ou estilhaçada (ex: enxofre); fratura serrilhada (ex: ouro, prata, cobre);
fratura desigual ou irregular.

4- A classe dos minerais mais comuns na natureza é a dos silicatos. Os 5 minerais


escolhidos da classe dos silicatos: Quartzo pertence ao grupo dos tectossilicatos de
fórmula química SiO2; os cristais são normalmente prismáticos com seção basal
hexagonal de brilho vítreo; apresenta cor variada e fratura conchoidal; pode estar
presente em rochas plutônicas, sedimentares e metamórficas. Albita pertence ao grupo
dos tectossilicatos, subgrupo dos grupos dos plagioclásios; fórmula química NaAlSi3O8;
os cristais são normalmente tabulares, alongados segundo o eixo “b”; possui clivagem
perfeita em {001}; mineral típico de rochas magmáticas alcalinas e ácidas. Anortoclásio
pertencente ao grupo dos tectossilicatos subgrupo do grupo dos feldpatos; fórmula
química (Na,K)AlSi3O8; os cristais são prismáticos curtos geralmente; possui geminação
segundo as Leis de Baveno, Carlsbad e Manebach; mineral encontrado em rochas
vulcânicas sódicas de alta temperatura e também em lavas e rochas hipoabissais
levemente alcalinas a alcalinas. Labradorita pertencente ao grupo dos tectossilicatos,
subgrupo do grupo dos plagioclásios; fórmula química (Ca,Na)(Si,Al)4O8; os cristais são
tipicamente finos, tabulares; possui brilho vítreo; mineral comum em rochas magmáticas
básicas, efusivas ou plutônicas e rochas metamórficas de grau médio a alto ricas em
cálcio. Nefelina pertencente ao grupo dos tectossilicatos, subgrupo do grupo dos
feldpatoides; fórmula química NaAlSiO4; os cristais são prismáticos; fratura
subconchoidal; cor pode ser amarelo, branco, incolor ou cinza; mineral comum em
rochas efusivas, hipoabissais e plutônicas.

5- Atualmente estou na minha cidade natal : Jaíba/MG. As informações e as imagens


abaixo foram obtidas a partir do Programa de Mapeamento geológico do Estado de
Minas gerais: Projeto Norte de Minas - Folha Barreiro da Jaíba SE.23-Z-C-VI.
Autores: Matheus Kuchenbecker, Dora Atman, e Ricardo Diniz da Costa. Maio/2014
As rochas que se encontram nessa região são majoritariamente rochas carbonáticas
(calcarenitos, calcilutitos). Os calcarenitos apresentam coloração cinza, variam de finos
a grossos, são em geral estratificados e podem apresentar porções oolíticas ( são grãos
formados por acresção químicas, possui formato esférico) e intraclásticas( grãos
formados dentro da bacia). Localmente ocorrem corpos estromatolíticos (formada por
microrganismos) e camadas calcirrudíticas. Também apresenta rochas sedimentares
siliciclásticas como arenitos, e siltitos.
Nesta figura tem-se os afloramentos da Formação Lagoa do Jacaré (a); o paredão
carstificado (b); marcas onduladas ©; uma imagem microscópica de uma rocha carbonática
(d); grãos de origem carbonática como oólitos, e psólitos; calcirrudito intraclático (e).

Os calcários da Formação Lagoa do Jacaré apresenta diversas estruturas:


estratificação plano-paralela, estratificações cruzadas tabulares, acamamento tipo flaser,
estruturas tipo teepee, marcas onduladas. Os calcirruditos contém clastos de calcilutito
achatados e muitas vezes imbricados.
Nesta figura tem-se a Formação serra da Saudade; pelitos aflorantes (a); argilitos
laminados (b); siltito carbonático (c); ritmito em afloramento (d).
A Formação Serra da Saudade é caracterizada por camadas de siltito,arenito e
lentes carbonáticas. O siltito ocorre em camadas tabulares e é geralmente arenoso, mas
lâminas argilosas também são frequentes.

6- A textura de uma rocha diz respeito à organização interna, a partir do arranjo dos
grãos minerais que integram a rocha. Nas rochas ígneas tem-se 5 tipos de texturas:
porfirítica - caracterizada por grãos menores; fanerítica - caracterizada pela uniformidade de
tamanho entre os grãos da rocha; afanítica - apresenta uniformidade entre os grãos, porém
não é visível a olho nu; vítrea - apresenta um aspecto brilhante devido a percentagem de
vidro vulcânico; vesicular - presença de espaços vazios na rocha devido a volatilização de
gases presentes no magma em um resfriamento rápido. A textura porfirítica tem menor
resistência devido os porfiroblastos. A textura vesicular tem espaços que podem ser
preenchidos por minerais plásticos ou expansivos.
Nas rochas sedimentares as estruturas são geradas durante tanto durante o
processo de diagênese como posteriormente. As mais comuns são: estratificação - arranjo
dos grãos em camadas superpostas de acordo com o ritmo de deposição, podendo ser de
diversas formas (cruzada, plano-paralela, acanalada dentre outros); gradação
granulométrica - arranjo dos grãos em camadas de acordo com sua dimensão, em função
da massa específica, pode ser normal( grãos maiores em baixo, e menores em cima) ou
inversa (grãos maiores em cima, e menores embaixo); estruturas de ressecamentos -
comuns nos sedimentos mais finos, são estruturas de caráter vertical com fragmentação
quando a perda de água por parte do sedimento. Estas estruturas influenciam as
propriedades da rocha pois a resistência da rocha nos planos de estratificação é menor, são
planos potenciais de ruptura.
Nas rochas metamórficas textura se reflete na estrutura. As mais comuns são:
foliação - qualquer tipo de orientação mineral em planos ou superfícies de rochas
metamórficas; xistosidade - superfície gerada pela orientação de minerais planares;
clivagem - orientação de pequenas partículas minerais de formas planares ou aciculares.
Nas propriedades das rochas, estas estruturas apresentam planos potenciais de
instabilidade, como também estas superfícies podem se tornar caminhos preferenciais de
percolação de água, podendo gerar grande perda de resistência.

7- Estes três grupos estão relacionados no ciclo das rochas. As rochas ígneas
originada pelo resfriamento do magma pode sofrer metamorfismo pela mudança de
temperatura e pressão, e se tornar uma rocha metamórfica, ou então sofrer efeitos de
intemperismo e erosão e se tornar uma rocha sedimentar. Assim como rocha sedimentar
pode se tornar metamórfica por mudanças altas na temperatura e pressão, ou até virar
magma a depender das condições físicas. 5 características das rochas ígneas: são
formadas pelo resfriamento do magma; possui cinco texturas para caracterizar com base na
organização dos minerais e está ligado com o resfriamento rápido ou lento da rocha; as
foliações na rocha são decorrentes do movimento do magma; em relação à composição são
classificadas em félsicas( ricas em Si e Al) ou máficas (Ricas em Mg e Fe) que está
relacionado também com a profundidade que o magma resfria; podem ser vulcânicas ou
plutônicas.
5 características das rochas sedimentares: formada por processos de intemperismo,
erosão, transporte e deposição; podem ter textura clástica (formada por grãos), cristalina(
formada por cristais) ou bioconstruída; existem 3 tipos de rochas sedimentares:
siliciclásticas, carbonáticas e evaporítica; as estruturas sedimentares (estratificação, marcas
onduladas, gretas de contração..etc) são importantes indicativos do ambiente o qual a
rocha se formou; a forma (arredondamento, esfericidade) como os grãos estão e a
composição dos minerais são indicativos da maturidade da rocha, ou seja o quanto de
transporte ela percorreu, por exemplo uma rocha apenas por grãos de areia, de formato
arredondado, apenas composto por quartzo é bem selecionado e teve transporte longo.
5 características das rochas metamórficas: são formadas quando tem-se variação
das condições de temperatura e pressão diferentes daquela a qual a rocha foi formada; as
principais texturas são xistosidade, foliação e clivagem; pode-se formar de rocha ígnea ou
sedimentar; os tipos de metamorfismo são variados, os básicos são metamorfismo de
contato, metamorfismo geotermal, metamorfismo cataclástico, metamorfismo regional e
metamorfismo hidrotermal; a mineralogia das rochas metamórficas podem ser divididas em
minerais essenciais e minerais típicos.

8- Uma das aplicações muito importante na geologia de engenharia e ambiental é o uso de


argilominerais na adsorção de poluentes. A expansividade dos argilominerais pode causar
problemas também pois estruturas apoiadas sobre solos expansivos podem provocar
levantamento ou deslocamento de estruturas.
Referências:

● <https://museuhe.com.br/minerais/> Acesso: ago/2020


● KUCHENBECKER, M.; ATMAN, D.; COSTA, R.D.(2014). Programa de Mapeamento
geológico do Estado de Minas gerais: Projeto Norte de Minas - Folha Barreiro da
Jaíba SE.23-Z-C-VI.
● LOLLO, J.A.(2008). Geologia para engenheiros I. Disponível em
<https://pt.slideshare.net/PublicaTUDO/apostila-geologia-17385016>. Acesso:
ago/2020.
● Simões de Oliveira, A.G.; Jesus, A.C; Miranda, S.B. Estudo Geológico – Geotécnico
dos Solos Expansivos da Região do Recôncavo Baiano.

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