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MINISTÉRIO DO ENSINO SUPERIOR

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DO KUITO

DEPARTAMENTO PARA OS ASSUNTOS ACADÊMICOS E PEDAGÓGICO

IªS JORNADAS CIENTÍFICAS

Aplicação da matemática na solução de problemas económicos

Kuito, 2017
Francisco Lindome Lussati

Aplicação da matemática na solução de problemas económicos

Artigo científico a ser apresentado nas Iªs Jornadas


Científicas, que tem como anfitriã o Instituto Superior
Politécnico do Kuito, afecto ao Ministério do Ensino
Superior.

Kuito, 2017
Resumo
A presente pesquisa é um resumo dos aspectos teóricos e práticos da matemática aplicada à
economia, administração e contabilidade. Aborda sobre os principais conceitos como o da função
envolvendo variáveis económicas, tal como, o preço, as curvas da oferta e da demanda, restrição
orçamentária (explica o impacto no OGE do recente fenómeno social vivenciado no país, que é o
aumento salarial quanto ao principio da diferenciação positiva, aprovado o Decreto presidencial 1
pelo conselho de Ministros em Abril. Porém publicado no Diário da Republica, I série, Nº 91, 8 de
Junho de 2017, equilíbrio do mercado, custo total, receita total, assim como, o conceito de lucro.
Porém, a pesquisa aborda todos estes conceitos no âmbito matemático. Ainda mesmo nas funções,
um dos conceitos que se introduz é a depreciação 2 de equipamentos, que tem muito a ver com a
contabilidade. Por outro lado, a pesquisa traz o estudo das derivadas e a sua concepção económica,
quando se quer determinar a marginalidade de funções, como: custo, receita, lucro e elasticidade da
demanda. Todavia, a derivada também tem outras e grande aplicabilidade prática, quanto a
determinação da propensão marginal a 3consumir e a poupar, conceito que analisa o comportamento
da economia em função da renda familiar. Entretanto, este conceito não foi tratado na pesquisa, mas
faz parte do estudo. Outro ponto que não é menos importante, é o uso do integral na resolução de
problemas económicos. Os seus conceitos e suas práticas, facilitam de certa maneira a determinar os
excedentes, tanto do consumidor, bem como do produtor. Também é de realçar outras
aplicabilidades dos integrais quando se trata de economia. Os integrais ajudam a calcular o valor
médio de uma variável económica, a calcular taxas de juros e os montantes correspondente, no caso,
os valores presente e futuro de um fluxo de renda em capitalização contínua. Também, ajudam na
estimativa do crescimento populacional, tal como referiu Recarde Multhus, o economista mais
polémico da história económica, quando disse: “a população cresce de forma exponencial
(geométrica) e que a produção cresce de forma linear (aritmética) ”. Porém, o integral salienta o
crescimento populacional. Portanto, muitos conceitos abordados pelos integrais, são estudados
dentro do conceito de funções.

“Quando se instrui alguém numa ciência,


começa-se por lhe dar uma introdução geral”
S. Tomás de Aquino

Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é


curiosidade;
Outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade;
Outras, para enriquecerem com a sua ciência, e isso é
negócio torpe;
Outros, para serem edificados, e isso é prudência;
Outros, para edificarem os outros, e isso é caridade.
S. Tomás de Aquino

1
Este Decreto, aprova o reajuste do vencimento base do funcionário público.
2
Diminuição progressiva de valor, legalmente contabilizável, do capital fixo de uma empresa (imóveis, equipamentos,
instalações, etc.), devida ao desgaste físico.
3
Proporção de um aumento da renda que é gasta na compra de mercadorias e serviços.
Índice de figuras
Figura 1. Curva da Oferta.....................................................................................................................4
Figura 2. Curva da Demanda................................................................................................................4
Figura 3. Restrição Orçamentária.........................................................................................................4
Figura 4. Equilíbrio do Mercado..........................................................................................................5
Figura 5. Custo Total............................................................................................................................6
Figura 6. Lucro Máximo......................................................................................................................6
Figura 7. Lucro Máximo......................................................................................................................8
Figura 8. Excedente de Consumo e de Produção.................................................................................9
Figura 9. Excedente de Consumo.......................................................................................................10
Índice
Introdução.............................................................................................................................................1
Desenvolvimento..................................................................................................................................3
Funções.............................................................................................................................................3
Exercício nº1. Preço.....................................................................................................................3
Exercício nº2. Curva de Oferta e Curva de Demanda..................................................................4
Exercício nº3. Restrição Orçamentária.........................................................................................4
Exercício nº4. Equilíbrio de Mercado..........................................................................................5
Exercício nº5. Custo Total............................................................................................................5
Exercício nº6. Receita e Lucro Total............................................................................................6
Derivação..........................................................................................................................................7
Exercício nº1. Função Custo Marginal.........................................................................................7
Exercício nº2. Função Receita Marginal......................................................................................7
Exercício nº3. Função Lucro Marginal........................................................................................8
Exercício nº4. Elasticidade – Preço da Demanda.........................................................................8
Integração.........................................................................................................................................9
Exercício nº1. Excedente de Consumo e Excedente de Produção...............................................9
Conclusão...........................................................................................................................................11
Bibliografia.........................................................................................................................................12
Introdução
Todos os dias tomamos decisões económicas. Algumas menores, mas importantes para nós, outras
maiores, que afectam a sociedade, o país ou, ate, o mundo. No entanto, é importante ter presente
que a Economia está liga ao essencial da vida de cada um. Cada pessoa depende dos outros, do
funcionamento da economia para a maior parte das coisas: alimentação, vestuário, informação.
Somos incapazes de produzir as coisas mais básicas: pão, um fosforo, uma lâmpada, um par de
calças, um motor de automóvel. Foi a compreensão desta ideia que deu inicia à teoria económica.
[CITATION Nev04 \p 1 \t \l 2070 ]
A matemática não é sobre símbolos e contas. Estas são apenas ferramentas do ofício. A matemática
é sobre ideias. Em particular, é sobre a forma como diferentes ideias se relacionam entre si. Dada
uma certa informação, que mais necessariamente se segue? O objectivo da matemática é perceber
estas questões pondo de lado o acessório e penetrando no âmago do problema. Não é só uma
questão de obter respostas certas; mais do que isso importa perceber porque uma resposta é de todo
possível, e porque tem determinada forma.[CITATION 2 \p 1 \t \l 2070 ]
No entanto, a presente pesquisa introduz um dos mais fundamentais conceitos da matemática, o de
função. O conceito de função refere-se essencialmente à correspondência entre conjuntos. Uma
função associa elementos de um conjunto a elementos de outro conjunto. As funções nesta pesquisa,
são definidas como funções reais de variáveis real. Neste ponto, a pesquisa apresenta alguns
problemas que evidenciam a importância da matemática na modelação de fenómenos ligados às
mais diversas áreas do saber. Ainda, trabalhou-se com os conceitos de taxa de variação média e taxa
de variação instantânea, trazendo consigo o conceito de derivada de uma função em um ponto e seu
significado numérico e gráfico. Atenção à derivada de uma função! Pois trata-se de um dos
conceitos mais importantes do cálculo diferencial e integral. Tanto mais que a pesquisa aponta a
aplicação da derivada na análise do comportamento local de uma função, bem como as suas
aplicações na análise geral de uma função e de modelos da economia, administração e
contabilidade. No decorrer do estudo, far-se-á abordagens práticas, sobre o conceito de integral.
Com tal conceito, ver-se-á, por exemplo, que é possível obter a variação total da produção em um
intervalo a partir da taxa de variação da produção. Obter-se-á, estimativas numéricas para a integral
definida e analisa a interpretação gráfica definida a partir do conceito de área.
Portanto, com toda essa abordagem, devemos ter em atenção no seguinte: os países que vencerão a
batalha do desenvolvimento no século XXI, não serão os mais ricos em matéria – primas, mas
aqueles que forem percebidos como tendo melhor gestão da coisa pública e que garantirem
segurança económica para as empresas nacionais e estrageiras.
Para que a pesquisa tenha um caracter científico, é apresentado o seguinte Problema científico:
Qual é o problema que o angolano apresenta: Economia ou Matemática?
Ideia a defender: Se as instituições escolares ensinassem a matemática aplicada, a população não
teriam problemas na gestão dos recursos económicos.
Objecto de estudo: Matemática Aplicada.
Campo de acção: Aplicação da matemática à Economia, Administração e Contabilidade.
Objectivo geral: solucionar problemas que envolvem contextos matemáticos na gestão e economia
por meio da comparação dos conhecimentos adquiridos.
Objectivo específico: Resolver problemas económicos com o auxílio da matemática, precisamente
no âmbito das funções, derivadas e integrais.

1
O presente trabalho, apresenta um certo contributo prático para a sociedade académica em primeiro
lugar e em segundo para a sociedade em geral, visto que somos caracterizados por natureza como
seres consumistas. Podemos aplicar os conceitos da matemática não somente para subtrairmos e
somarmos, assim para multiplicarmos e dividirmos as nossas riquezas.
Metodologia
Para o alcance dos objectivos propostos e consequentemente mostrar uma solução viável e
convincente ao problema proposto, adoptou-se os seguintes tipos de pesquisa:
 Quanto a natureza: Básica ou teórica.
 Quanto a forma de abordagem do problema: Qualitativa.
 Quanto aos objectivos: Explicativa.
 Quanto ao procedimento técnico: Bibliográfica.
A pesquisa apresenta como suporte os seguintes métodos teóricos:
 Analítico – sintético.
 Indutivo – dedutivo.
 Topológico4.

4
Parte da matemática na qual se investigam as propriedades das configurações que permanecem invariantes nas
transformações biunívocas e bicontínuas.
2
Desenvolvimento
Funções
Sejam A e B subconjunto de R 5, uma função f:A→B, ou seja, [x → y = f(x)] é uma lei ou regra que
a cada elemento de A faz corresponder um único elemento de B. O conjunto A é chamado de
domínio de f e é denotado por D(f). O conjunto B é chamado de contradomínio. [CITATION Fle \p
12-53 \t \l 2070 ]
Segundo Beirão e Morgadinho [CITATION Bei05 \n \t \l 2070 ], as funções como expressão
analítica classificam-se em funções algébricas (estas apresentam operações básicas da matemática.
Elas são identificadas como: inteiras “polinomiais”, fraccionarias “racionais” e irracionais) e
funções transcendentes (estas apresentam operações mais complexas da matemática, como o caso
das funções trigonométricas, exponenciais e logarítmicas). Portanto, é claro qua uma função f só
está definida quando é conhecida a forma como a cada elemento x do domínio faz corresponder um
(e um só) elemento de y do contradomínio.
Na análise de fenómenos económicos, muitas vezes usamos funções matemáticas para descrevê-los
e interpretá-los. Nesse sentido, as funções matemáticas são usadas como ferramentas que auxiliam a
resolução de problemas ligados à economia e administração de empresas.
Exercício nº1. Preço6
O preço de uma corrida de táxi, é constituída de uma parte fixa, chamada bandeirada 7 e de uma
parte variável, que depende do número de quilómetros rodados.
Em uma cidade do Cuito a bandeirada é fixa em 10,00 Kzs e o preço por quilómetro rodado é dado
por 0,50 Kzs.
a) Determina a função que representa o preço da corrida.
b) Se algum pegar um táxi no centro da Cidade e se deslocar para sua casa à 8 Km de distância,
quanto pagará?
Solução:
a) Inicialmente dever-se-á identificar as variáveis:
P - preço, a - preço por Km rodado, b – bandeirada e x – número de Km rodados.
Extraídos os dados, escreve-se então a função que determina o preço da corrida por P(x) = b +ax,
logo, a expressão fica: P(x) = 10,00 + 0,50x. que é uma função do 1º grau.
b) Para a situação descrita deste item, x = 8 Km, fica: P(8) = 10,00 + 0,50*8 → P(8) = 14,00 Kzs.

5
Designação do conjunto dos números reais.
6
Valor de um bem ou serviço medido em quantidade monetária.
7
Quantia fixa marcada pelo taxímetro dos automóveis de praça, e que constitui o preço mínimo que o passageiro deverá
pagar.
3
Exercício nº2. 8Curva de Oferta e Curva de Demanda
Em economia, estamos interessados em saber como o preço
influencia a demanda e a oferta de um dado produto. Para isso,
usam-se as curvas de oferta e demanda.
Dadas as curvas da Oferta e da Demanda, respectivamente, qual a
leitura pratica que faz?
Solução:
Nas figuras apresentadas, podemos observar que na Curva da
Oferta9, por um preço inferior, os produtores não encontram-se
dispostos a produzir qualquer quantidade do produto. A partir de
Figura 1. Curva da Oferta
P0, à medida que o preço aumenta, a quantidade do produto a ser
ofertada também aumenta. E, no entanto retracta a possibilidade do
aumento de lucro, o que é comum na prática.
Por outra, na 10Curva da Demanda11, observa-se que ao nível do P1
não há demanda para o produto, ou seja, ninguém está disposto a
pagar esse preço pelo produto. A medida que o preço diminui, a
demanda aumenta, chegando a um ponto de saturação q1. Isso
significa que, quando chega-se ao nível q1, não há mais aumento na
demanda, mesmo que o produto seja oferecido de graça.

Figura 2. Curva da Demanda


Exercício nº3. Restrição Orçamentária
Em nosso País alguns dos problemas que o Governo enfrenta, diz
respeito à alocação12 de verbas para Programas Sociais e
Pagamentos de funcionários.
Sabe-se que na elaboração do Orçamento13 para o exercício do ano
seguinte, estima-se as receitas e fixa-se as despesas. Vamos supor
que existe um montante fixo, M, a ser repartido entre os dois
propósitos. Se denominarmos por X o montante a ser gasto com
pagamento de funcionários e por Y o montante destinado aos
programas sociais, teremos: M = X + Y. A presente equação é
conhecida como Restrição Orçamentaria. Figura 3. Restrição Orçamentária

Segundo a representação gráfica da equação orçamentária,


determine:
a) Qual a leitura pratica que pode-se fazer do mesmo?

8
Gráfico representando a relação entre o preço de uma mercadoria e a quantidade oferecida.
9
Quantidade de um produto que os produtores estão dispostos a vender. Lei da oferta, a quantidade oferecida de um
produto aumenta à medida que sobe o seu preço.
10
Gráfico da relação entre o preço de um bem e quantidade demandada.
11
Quantidade de um produto que os consumidores estão dispostos a adquirir. Lei da demanda, a quantidade
demandada (procurada) de um produto diminui à medida que o seu preço aumenta.
12
Destinar (fundo orçamentário, verba, etc.) a um fim específico, ou a uma entidade.
13
Documento onde estão previstas as despesas e as receitas a efectuar pelo Estado por um determinado período de
tempo.
4
b) Supondo que numa empresa qualquer existam 200 funcionários que ganham um salario de
800,00 Kzs mensal e que o montante orçado é de 300.000,00 Kzs. Qual o montante mensal
disponível para o programa social? Os funcionários reivindicaram um aumento de 13%. Qual é o
impacto desse aumento sobre o programa social?
Solução:
a) A leitura que se faz da recta de restrição orçamentária é que o aumento dos gastos de um sector
acarretará a diminuição dos gastos do outro sector.
b) Como temos 200 funcionários com salários de 800,00 Kzs, vem: X = 200*800,00 → X=
160.000,00. E, como M = 300.000,00, vem: Y = M - X → Y = 300.000,00 – 160.000,00 → Y =
140.000,00.
Contudo, um aumento de 13% sobre os salários, produzirá um incremento no montante gasto com
os funcionários, logo calcula-se: X +13 % =160.000,00+ 160.000,00∗13 %=180.000,00 Kzs .
Portanto, o aumento feito sobre os salários, implicará uma diminuição na verba disponível para os
programas sociais a: Y = 300.000,00 – 180.800,00→ Y = 119.200,00 Kzs.
Exercício nº4. 14Equilíbrio de Mercado
Analisar o equilíbrio sob a óptica do mercado implica a definição de um conjunto de variáveis que
se relacionam, ajustados umas das outras, envolvidas em um modelo matemático. Entretanto, é
importante deixar claro que o equilíbrio perde a relevância se outras variáveis são incluídas no
modelo, pois a ideia básica é que haverá uma inexistência de mudança. Suponhamos que:
Qd → quantidade procurada de mercadoria (quantidade da demanda);
Qs → quantidade ofertada de mercadoria;
P → preço.
A suposição que alicerça o equilíbrio é que o excesso da
demanda é zero, ou seja, Qd – Qs = 0.
Do ponto de vista Geométrico, o equilíbrio do mercado
representa a intersecção entre duas curvas, e caso sejam
linear, então diz-se entre duas rectas. Algebricamente,
estaremos diante da resolução de um sistema de equações.
Analisemos a questão: Qd = -2p + 15 e Qs = 3p – 3. Qual é o
ponto que marca o equilíbrio de mercado?
Fazendo Qd = Qs, vem: -2p + 15 = 3p -3 → 5p = 18 → p =
3,60 e Qd = Qs = 7,8.
Figura 4. Equilíbrio do Mercado
Exercício nº5. Custo Total
A definição formal de custo vária conforme o contexto. Por exemplo, em economia trata-se de custo
de forma diferente do que em contabilidade. Ou seja, em contabilidade incluem-se a desvalorização
dos equipamentos ao passo que em economia preocupa-se com os custos que ocorrerão no futuro.
Entretanto, os custos de uma empresa variam de acordo o nível de produção. Os custos classificam-
se em variável15 e fixo16. Dependendo da empresa, pode-se considerar como exemplo de custos
fixos, os gastos com a manutenção da fábrica, seguros e um número mínimo de funcionários. E,

14
Quando os compradores e vendedores estão de acordo em relação às quantidades a transaccionar e respectivo preço.
15
Custo suportado pela empresa e que varia consoante a quantidade produzida.
16
Custo que a empresa tem de suportar, mesmo que que a sua produção seja nula.
5
como custos variáveis, salários e matéria – primas. Teoricamente, o custo total é a soma dos custos
variáveis com os custos fixos: CT = CF + CV.
A empresa ABC, produtora de tecidos apresenta um custo total representado no seguinte gráfico:
a) Encontre a lei de formação que representa o custo total.
b) Determine o custo total para produzir 20 metros deste produto.

Solução:
a) Como o gráfico é uma linha recta, temo: Y = b + aX.
Onde CF = b e CV = aX.
X = 0 → 20 = b + a*0 → b = 20.
X = 5 → 30 = b + a*5 → 30-20 =5a → a = 2.
Significa que, CF = 20 e CV = 2X.
Assim sendo, a lei de formação que representa o custo
total é escrita: CT (x) = 20 + 2x.
b) Na produção de 20 metros desse produto, a empresa
incorrerá em: CT (20) = 20 + 2*20 → CT (x) = 60.000,00
Kzs.
Exercício nº6. Receita e Lucro Total
Se o preço de produto é “p” e a quantidade demandada a Figura 5. Custo Total
esse nível de preço é “q”, pode-se definir receita total como:
R = p*q.
Portanto, uma vez discutida a função custo e receita
total, podemos estabelecer a função lucro total, como a
diferença entre a receita e o custo. Ou seja: L = R - CT.
Uma indústria comercializa um certo produto e tem uma
função custo total em mil Kwanzas, dada por CT (q) =
q2 + 20q + 475, q ≥ 0. A função receita total em mil
Kwanzas é dada por R (q) = 120q. Determine:
a) O Lucro na venda de 80 unidades.
b) Qual é o valor de “q” que maximiza o lucro?
Solução:
a) Como o dado por L (q) = R (q) – C (q), vem: L (q)
= 120q – (q2 + 20q + 475) → L (q) = 120q - q2 - 20q -
475 → L (q) = - q 2 +100q – 475. Logo, o lucro na
venda de 80 unidades é dado por L (80) = - (80)2
Figura 6. Lucro Máximo
+100*80 – 475 → L (80) = 1.125,00 Kzs.
b) Para que se saiba o valor de “q” tal que o lucro seja máximo, dever-se-á calcular as coordenadas
do vértice da parábola já a função lucro é representada por uma função quadrática (2º grau), L (q) =
−b −∆
- q2 +100q – 475 e V (q; Lmax) → V ( ; ), ∆ = b2 – 4ac, assim, a = -1, b = 100 e c = -475. No
2a 4a
−100
entanto, a quantidade que maximiza o lucro é dade por: q= =50 e o lucro máximo é dado
2∗(−1 )

6
−1002−4∗(−1 )∗(−475 ) 8100
por Lmax = = =2.025,00 Kzs . Ou seja, L (50) = - (50)2 +100*50 – 475
4∗(−1 ) 4
→ L (50) = 2.025,00 Kzs.
Derivação
Dada uma curva y = f(x), seja P(x 1;y1) um ponto sobre ela “a curva”. A inclinação da recta tangente
∆y f ( x 2 )−f (x 1)
à curva no ponto P é dada por: m ( x1 ) = lim = lim , quando o limite existe. Fazendo
Q→P ∆ x x →x x2 −x1
2 1

f ( x 2 )−f ( x 1)
x2 = x1+∆x, podemos reescrever o limite na forma: m ( x1 ) = lim .[CITATION Fle \p
∆ x→ 0 ∆x
116-193 \t \l 2070 ]
Neste ponto, abordar-se-á alguns dos usos mais importantes das derivadas em economia e
administração, que é a marginalidade do custo, da renda, do lucro e na elasticidade – preço.
Exercício nº1. Função 17Custo Marginal
O custo marginal é aproximadamente igual á variação do custo, decorrente da produção de uma
unidade adicional, a partir de “q0” unidade (quantidade padrão), e representa-se pela expressão: C
´(q0) = ∆C = C (q0+1) – C (q0).
Suponhamos que C(q) seja o custo total de fabricação de certo par de calçados de marca Nike, e é
dada a equação o representa: C(q) = 110 + 4q + 0,02q 2. Determina o custo marginal, quando q =
50.
Solução:
O custo de fabricação do quinquagésimo primeiro par de calçado é: C´(50) = ∆C = C (50+1) – C
(50) → C´(50) = C (51) – C (50) → C´(50) = [110 + 4*51 + 0,02*(51) 2] – [110 + 4*50 +
0,02*(50)2] → C´(50) = 366,02 – 360 → C´(50) = 6,02 Kzs.
Entretanto, usando as regras da derivação, fica: C(q) = 110 + 4q + 0,02q 2 → C´(x) = 4 + 0,04q,
substituindo q = 50, calcula-se: C´(50) = 4 + 0,04*50 → C´(50) = 4 + 2 → C´(50) = 6,00 Kzs.
Logo, C´(50) é o custo aproximado da produção do quinquagésimo primeiro par de calçados de
marca Nike. Portanto, o custo marginal quando q = 50 é de 6,00 Kzs.
Exercício nº2. Função Receita Marginal
A receita marginal é aproximadamente igual à variação da receita, decorrente da venda de uma
unidade adicional, a partir de “q0” unidade. E, e representa-se pela expressão: R´(q0) = ∆R = R
(q0+1) – R (q0).
Suponhamos que R(q), seja a receita total na venda de certa quantidade de carteiras numa
determinada Escola, R(q) = -4q2 + 2000q. Calcule a receita marginal para q = 40.
Solução:
Aplicando a expressão da receita, vem: R´(40) = ∆R = R (40+1) – R (40) → R´(40) = R (41) – R
(40) → R´(40) = R (41) – R (40) → R´(40) =[-4*(41)2 + 2000*41] – [-4*(40)2 + 2000*40] → R
´(40) =75.276 – 73.600 → R´(40) =1.676,00 Kzs. No entanto, usando as regras de derivação,
teremos: R(q) = -4q2 + 2000q → R´(q) = -8q + 2000, substituindo a quantidade q = 40, fica: R
´(40) = -8*40 + 2000 → R´(40) = -320 + 2000 → R´(40) = 1.680,00 Kzs.

17
Aumento no custo total originado pela produção de mais uma unidade.
7
Logo, a receita efectiva da venda da quadragésima primeira carteira, ou marginal quando q = 40 é
de 1.680,00 Kzs.

8
Exercício nº3. Função Lucro Marginal
Sabe-se que o custo total na produção de certa quantidade em toneladas de um produto, é dado por:
C(q) = 0,03q3- 1,8q2 + 39q, e sabendo que a empresa pode vender tudo o que produz, determine o
lucro máximo que pode ser obtido, se a cada tonelada do produto for vendida um preço de 21,00
Kzs.
a) Qual é o lucro máximo na venda de toda produção?
Solução:
A função receita total é dada pelo produto da quantidade “q” de toneladas vendidas pelo preço
unitário de cada tonelada, ou seja: R (q) = p*q → R (q) = 21q. Logo, o lucro obtido pela empresa é
dado pela equação: L (q) = R (q) – C (q) → L (q) = 21q – (0,03q 3- 1,8q2 + 39q) → L (q) = -
0,03q3+ 1,8q2 - 18q. Para maximizar o lucro, deve-se achar a primeira derivada da função, no caso,
será: L´(q) = - 0,09q2+ 3,6q – 18. Agora, deve-se achar os pontos críticos (onde poderá sair a
quantidade que maximizará o lucro). Fazendo, L´(q) = 0, vem: - 0,01q2+ 0,4q – 2 = 0 e ter-se-á:
q 1/ 2=−0,4 −¿+ ¿ √0,08 ∴ q1=5,86 ¿
¿
2∗(−0,01) { q 2=34,14

Desta feita, deve-se achar a segunda derivada par


determinar entre os pontos “q1 e q2” qual deles é a
quantidade que maximiza o lucro. Assim sendo, a
segunda derivada corresponde a determinação das
concavidades da curva, ou voltada para cima ou
voltada para baixo (Lucro Máximo).
L´(q) = - 0,09q2+ 3,6q – 18 → L´´(q) = - 0,18q+ 3,6.
Agora, avalia-se os valores de q1 e q2 na função
encontrada: para q1 = 5,86, L´´(5,86) = - 0,18*5,86+
3,6 → L´´(5,86) = 2,54>0 (Concavidade voltada para
cima) e para q2 = 34,14, L´´(34,14) = - 0,18*34,14+
3,6 → L´´(34,14) = -2,54<0 (Concavidade voltada
para baixo).
Logo, q2 = 34,14 é a quantidade que maximiza o
lucro. Portanto, o lucro máximo é obtido: L (q) = -
0,03q3+ 1,8q2 - 18q → L (34,14) = - 0,03*(34,14) 3+
1,8*(34,14)2 – 18*(34,14) → L (34,14) = 289,71 Kzs.
Figura 7. Lucro Máximo
Exercício nº4. 18Elasticidade – Preço da Demanda
Sabe-se que, em relação aos consumidores, a demanda de um produto pode ser associada ao seu
preço. Em geral, se o preço aumenta, a demanda diminui. Entretanto, para produtos diferentes
existem diferentes comportamentos de mudança da demanda em relação às variáveis de preço. Por
exemplo, se houver um considerável aumento no preço do sal, a demanda dos consumidores
praticamente não se altera, uma vez que tal produto é indispensável e tem pouco peso no orçamento
doméstico; por outro, se houver um considerável aumento no preço da carne bovina a demanda se
alterará uma vez que tal produto pode ser substituído por outros tipos de carne, além de ter grande
peso no orçamento doméstico.

18
Medida da intensidade da resposta da quantidade demandada a alterações no preço do bem, é calculada como a
variação percentual da quantidade demandada dividida pela variação percentual do preço.
9
Assim, de maneira diferenciados, a demanda por um produto é “sensível” à mudança dos preços.
Avalia-se aqui a “sensibilidade” da demanda em relação às mudanças de preço com o auxílio do
conceito da elasticidade – preço da demanda. Nesse particular, medir a “Elasticidade” da demanda
significa medir a “Sensibilidade” da demanda em relação à variação do preço.
A demanda para um certo produto é dada por q = 100 -5p, onde o preço varia no intervalo de
[0;20].
a) Obtenha a função que dá elasticidade – preço da demanda.
b) Obtenha a elasticidade para os preços: p = 5, p = 10 e p = 15.
Solução:
´∗p
a) A Elasticidade – preço da demanda é dada por: |E|=q % , Fazendo q´ = - 5 e substituindo
q
−5∗p
na fórmula, obtém-se então a Função Elasticidade: |E|= %.
100−5 p
b) Agora, para que se explique a sensibilidade da demanda em função do preço, deve-se achar as
percentagens da elasticidade
−5∗5
Para p = 5, teremos: |E|= =0,33 % . Significa que, se ocorrer um aumento no preço à
100−5∗5
5,00 Kzs, a demanda diminuirá em 0.33%.
−5∗10
Para p = 10, teremos: |E|= =1 %. Significa que, se ocorrer um aumento no preço à
100−5∗10
10,00 Kzs, a demanda diminuirá em 1%.
−5∗15
Para p = 15, teremos: |E|= =3 %. Significa que, se ocorrer um aumento no preço à
100−5∗15
15,00 Kzs, a demanda diminuirá em 3%.
Integração
Para Murolo e Bonetto [CITATION Mur04 \n \t \l 2070 ], uma função F(x) é chamada primitiva
da função f(x) em um intervalo I, se, para todo xϵI, temos F´(x) = f(x). De acordo esse definição, as
primitivas de uma função f(x) estão sempre definidas sobre algum intervalo.
Aqui, abordar-se-á de forma muito sucinta o significado económico do excedente do consumidor e
do excedente do produtor.
Exercício nº1. 19Excedente de Consumo e 20Excedente de Produção
Em geral as pessoas consideradas como
consumidores adquirem mercadoria porque lhes
proporcionam satisfação das suas necessidades.
Quão melhor será a satisfação das pessoas, em
conjunto, por poderem adquirir um produto do
mercado? Esta pergunta pode ser respondida
utilizando-se integração no cálculo do excedente do
consumidor que é a diferença entre o preço que um
consumidor estaria disposto a pagar por uma
mercadoria e o preço que realmente paga. Para

19
Situação em que a quantidade demandada é maior do que a quantidade oferecida.
20
Situação em que a quantidade oferecida é maior do que a quantidadeFigura 8. Excedente de Consumo e de Produção
demandada.
10
calcular o excedente do consumidor bem como de produtor, é necessário conhecer as curvas da
demanda e da oferta, respectivamente.
A função demanda para uma certa peça de reposição de motores de barco é dada por: P = - 0,01q2 –
0,1q + 4, sendo P o preço unitário em kwanza e q a quantidade medida em unidade. Determine o
excedente de consumo se o preço de mercado é estabelecido por 2,00 Kzs cada peça.
Solução:
Primeiramente, deve-se determinar a quantidade correspondente ao preço de mercado.
q 1/ 2=−(−0,1) −¿ +¿ √0,09 ∴ q1=−20 ? ? ¿
¿
2∗(−0,01) { q2=10

Como em economia os valores negativos


não têm significados, o
gráfico da função e a área que representa
o excedente de consumo, apresenta-
se no primeiro quadrante.

Figura 9. Excedente de Consumo

Observemos que para o preço de mercado estabelecido, a quantidade demandada é 10 unidades


desse produto, logo o excedente de consumo é determinado como:
10 10
EC =∫ [ (−0,01 q 2−0,1 q+ 4 ) −2 ] dq → EC =∫ (−0,01 q2 −0,1 q+2 ) dq →
0 0

−0,01∗q3 ¿ q2 −0,01∗103 0,1∗102


EC =( −0,1 + 2∗q⃒ 10 → EC = ( − + 2∗10 ) →
3 2 0 3 2
3 2
¿ 10 −0,01∗1000 0,1∗100
EC =( + 2∗10 )
−0,01∗10
3
−0,1
2
→ EC = ( 3

2
+ 20 ) →

EC = ( −103 − 102 + 20) → EC =11,67 Kzs .


Assim, a diferença entre o preço que os consumidores estariam dispostos a pagar por uma peça e o
preço que realmente pagam é de 11,67 Kzs.
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Conclusão
Nas mais diversas áreas utilizam-se funções para a compreensão de fenómenos e resolução de
problemas. Formalmente diz-se que estamos modelando o mundo ao nosso redor. Entretanto, essa
afirmação não é completamente verdadeira, pois o mundo ao nosso redor é altamente complexo e ao
trabalharmos com um modelo fazemos simplificações para reduzir essa complexidade. Em geral, os
modelos, são validados para que sejam efectivamente aplicáveis como ferramentas, a fim de
analisar e entender diferentes fenómenos. A pesquisa abordou que, a interpretação da derivada
como uma taxa de variação é amplamente utilizada em economia, envolvendo os conceitos de
custos marginal, receita marginal, lucro marginal e elasticidade que associa à renda e à demanda de
um produto. No entanto, a denominação “marginal” utilizada em economia, indica uma variação na
margem, significando que é considerada como um limite. A pesquisa analisou também alguns dos
usos mais importantes das integrais em economia e administração, que é o excedente do
consumidor e o excedente do protutor.

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Bibliografia
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