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UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA

DIREITO CONTRATUAL I
PROFª VIVIAN MILANI

EMYLY STEFANY DOS PASSOS


R.A: 00171443

“DOS CONTRATOS EM GERAL”

Piracicaba
2021
INTRODUÇÃO

Contratos, em Direito Civil, são acordos realizados por uma ou mais partes na
conformidade da ordem jurídica. Eles são considerados um instrumento através do qual
os indivíduos podem expressar suas vontades. Assim, um contrato estabelece
juridicamente a expressa vontade de todas as partes envolvidas em seu acordo.

O presente trabalho tem como objeto de estudo os contratos em geral, analisando


suas formações e características dentro do âmbito jurídico brasileiro até finalizar em sua
extinção.

DA FORMAÇÃO DOS CONTRATOS

O primeiro e mais importante passo para a existência do negócio jurídico é o


momento objetivo, ou seja, aquele em que a vontade se exterioriza por meio da
declaração. Assim, é de extrema importância existir a declaração da vontade e não ela
própria.

A manifestação da vontade pode ser expressa ou tácita, sendo expressa quando a


lei exige. O silêncio pode ser interpretado como manifestação tácita da vontade quando
as circunstâncias ou os usos o autorizarem e não for necessária a declaração expressa, e
também quando a lei autorizar (ex: doação pura), ou ainda quando tal efeito ficar
convencionado em um pré-contrato.

1.1 Fase de negociação preliminar

Esta é a primeira fase na formação de um contrato civil, pois, em virtude do


princípio da autonomia privada, existe uma maior abrangência em relação à formação
contratual, ou seja, esta é apenas uma conversa, um diálogo entre as partes para a futura
ou possível celebração preliminar ou definitiva do contrato.

Entretanto, esta fase de formação não está expressa no Código Civil, mas existem
enunciados que abrangem esta fase contratual, ou seja, essa fase ou proposta advém do
diálogo entre as partes, não estando formalizada no Código Civil, mas geram
responsabilidade contratual.

Quanto à responsabilidade contratual civil, existe uma divergência doutrinária,


pois, devido esta fase não estar expressa no Código Civil, alguns autores alegam que não
deve gerar, portanto, responsabilidade devido a este simples fato.
Porém, existem outros autores que alegam haver responsabilidade contratual civil,
caso esta fase seja desrespeitada, pois ela pode gerar uma expectativa de firmação do
contrato, devido à expectativa depositada nela gerando obrigações de lealdade e confiança
das partes.

Assim, esta fase abraça o princípio da boa-fé objetiva (Art. 422. Os contratantes
são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os
princípios de probidade e boa-fé) em que, havendo desrespeito, surge o direito de
indenizar (Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-
fé ou pelos bons costumes).

1.2 Fase de proposta

A segunda fase de formação do contrato é a fase de proposta, policitação ou


oblação, que nada mais é do que o proponente realizando de maneira formalizada a
proposta ao aceitante que pode ser a uma determinada pessoa, ou seja, de maneira
individualizada ou a uma pessoa determinável, quando a proposta é feita ao público em
geral.

Esta fase envolve os requisitos legais de formação do contrato, que envolvem o


consentimento do aceitante, os prazos de aceitação da proposta, o lugar de celebração do
contrato e se a proposta é feita entre presentes e ausentes.

A proposta de contrato deve ser clara, séria, definitiva, precisa. Quando a proposta
é feita entre presentes, ou seja, quando ela é feita pessoalmente, espera-se a resposta do
aceitante imediatamente.

O contrato pode também ser formado entre pessoas ausentes, ou seja, quando o
proponente faz a proposta ao aceitante e ele não o responde imediatamente se recebeu a
proposta, devido ao fato de não presenciar imediatamente a proposta. Caracteriza o
contrato entre ausentes, os casos de proposta de contrato por e-mail, carta, dentre outros.

Quanto aos prazos que o aceitante tem para firmar o contrato, eles vão depender
da maneira como o contrato está sendo formado ou dos usos e costumes do lugar de sua
celebração. Alguns não possuem prazo, dessa forma, a proposta de recebimento deve ser
respondida imediatamente ou quando o aceitante tem um tempo indeterminado para dar
a resposta.
Em relação ao lugar de firmação do contrato, prevê o CC que se reputa celebrado
o contrato no lugar em que foi formado, podendo ser em um lugar físico, como a casa do
proponente ou pode ser em um lugar fictício, é o caso da internet, dos contratos firmados
online. Em casos de contratos internacionais, caso envolva o Código Civil brasileiro,
firmar-se-á o contrato celebrado no Brasil, obedecendo suas normas, ou seja, será
constituído no lugar que residir o proponente.

1.3 Fase de contrato preliminar

Esta fase de formação do contrato é a terceira fase na formação do contrato, ela é


opcional, podendo ser dispensada, ou seja, as partes optam por querer ou não firmar o
contrato preliminar.

O contrato preliminar é aquele que possui todos os requisitos de validade do


negócio jurídico e encontra-se em prefeitas condições para que ocorra o contrato
definitivo. Ele pode conter clausulas de arrependimento, entretanto, isto cabe às partes,
que tem autonomia de vontades, especificar se querem ou não abordar tal clausula. Caso
não exista essa clausula, o contrato preliminar ao ser firmado, não pode ser desfeito, sem
prejuízos à parte que quer desfazê-lo, pois responderá por perdas e danos.

O contrato preliminar possui duas formas, a de passar a ser definitivo, que são
chamados de compromissos de contrato, são elas: compromisso unilateral ou contrato de
opção e a de compromisso bilateral.

No primeiro, cabe a uma das partes, que estará especificado nas cláusulas do
contrato, ativar ou não o contrato definitivo, caso ele seja ativado ou provocado pela parte
competente, o contrato definitivo deverá ser firmado. Já no compromisso bilateral, ambas
as partes, são competentes para provocar a firmação do contrato definitivo.

Existe um dispositivo que trata de contrato a pessoa a declarar, a clausula “pro


amico eligendo”, um aspecto interessante, pois os contratos preliminares podem ser
aplicados perfeitamente nos casos em que as partes expressam no contrato que, caso o
contrato definitivo seja firmado, ou seja, após o contrato preliminar, especificado no
contrato preliminar, que uma terceira pessoa assumirá obrigação do negócio jurídico,
sendo a beneficiária dos direitos decorrentes da obrigação contratual.

Enquanto, é necessário ocorrer a informação da pessoa ao qual é tida por terceiro,


no prazo especificado no contrato preliminar ou no prazo fixado na lei 10.406 (Código
Civil) que é de 5 dias, artigo 468. Este aspecto da informação abraça o princípio da boa-
fé objetiva, pois só assim, ele será eficaz

1.4 Fase de contrato definitivo

Enfim, chega-se a última fase de formação do contrato civil, a fase quatro. Esta
fase baseia-se na autonomia privada e na liberdade que as partes têm, haverá, assim, um
choque de vontades entre as partes. Nesse caso, o contrato está perfeito, a partir de então,
o contrato pode gerar todas as suas obrigações, deveres, bem como gerar consequências,
como por exemplo, o inadimplemento.

DA PROMESSA DE FATO DE TERCEIRO

A promessa de fato de terceiro está prevista nos artigos 439 e 440 do Código Civil
e ela implica no fato de que uma pessoa se compromete com outra a obter o consentimento
de uma terceira pessoa na conclusão de um contrato sem ter recebido preliminarmente o
consentimento desta última pessoa para a conclusão deste contrato. A eficácia deste
contrato depende da ratificação posterior da terceira pessoa que não está, a priori,
obrigada a nada.

A pessoa que se compromete com outra a obter o consentimento de uma terceira


pessoa normalmente assume este compromisso porque tem um bom relacionamento com
esta última, seja ele decorrente de amizade ou de laços de família. Desta forma, para
realizar a venda de um imóvel que se encontra indivisível quando um dos coproprietários
é ausente ou menor, os outros coproprietários se comprometem a obter sua ratificação
posteriormente.

A promessa de fato de terceiro possui uma fase de antecipação onde não existe
ainda a conclusão do contrato em virtude da ausência do consentimento da terceira pessoa
e uma segunda fase onde existe a decisão da terceira pessoa.

Na fase de antecipação o objetivo é o de realizar um contrato válido que possa ser


executado, substituindo-se a vontade de uma das partes ainda não expressa, que é
justamente a da terceira pessoa.

O contratante que se compromete a obter o comprometimento da terceira pessoa


assume uma responsabilidade pessoal pelo fato prometido, neste momento existe um
contrato imperfeito e válido porque ainda não houve a ratificação pela terceira pessoa,
ficando somente os contratantes obrigados.
A promessa de fato de terceiro não é submetida a alguma forma particular e
pode inclusive ser tácita. Através da ratificação o terceiro aprova a iniciativa daquele
que o representou desprovido de poderes e caberá a ele a opção em concluir ou não o
contrato.

A partir do momento em que ocorre a ratificação o terceiro torna-se parte no


contrato e este opera efeitos retroativos, salvo quando a ratificação for de um contrato
nulo frente a terceiros.

A recusa do terceiro pode ser explícita ou resultar de um ato manifestando sua


vontade de não o concluir, como o ajuizamento de uma ação reivindicatória exercida
contra a pessoa que tenha tomado posse de seu bem. Se o terceiro demorar para tomar
uma decisão ele poderá ser constituído em mora.

A falta de ratificação acarreta a responsabilidade por perdas e danos (desde que


provados) do promitente frente a seu co-contratante, conforme estabelece o caput do
artigo 439 do Código Civil, em virtude de que este se comprometeu em obter o
consentimento do terceiro.

DAS GARANTIAS CONTRATUAIS

Na fase contratual, o contrato está produzindo efeitos e cada contrato possui seus
próprios efeitos e garantias para que o mesmo seja cumprido. Porém, existem garantias
gerais, incorporadas na maioria dos contratos, sendo elas:

1.1 Vícios redibitórios

É o vício oculto, é o defeito cuja existência, nenhuma circunstância pode revelar,


senão mediante exames ou testes. É chamado de redibitório pela doutrina pois confere ao
contratante prejudicado o direito de redibir o contrato, devolvendo a coisa e recebendo
do vendedor a quantia paga.

É importante destacar que o vício redibitório só se aplica nos contratos


comutativos, ou seja, aqueles que trazem a previsão de obrigações certas para ambas as
partes. Nesse sentido é a previsão do Art. 441 do Código Civil:

Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser


enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso
a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações
onerosas. ”
Caso seja um contrato aleatório, ou seja, aquele contrato em que há um elemento
de aleatoriedade, não há aplicação do conceito de vício redibitório, a menos que seja sobre
uma parte do contrato que não está sujeita ao acaso.

Identificado o vício redibitório, o comprador pode rejeitar a coisa, requerendo a


devolução do valor, ou requerer o abatimento proporcional do preço, como previsto nos
Arts. 441 e 442 do Código Civil. Esse direito sempre vai assistir ao comprador,
independente do vendedor saber ou não da existência do vício, no entanto, a ciência do
vendedor é muito importante para saber sobre as próximas consequências.

Se o vendedor não sabia sobre o vício redibitório, ele deverá devolver o valor
recebido (ou o abatimento proporcional) mais os custos do contrato, porém, se o
vendedor sabia do vício e ocultou do comprador, além de devolver o valor recebido, ele
responderá por perdas e danos.

Caso o bem seja móvel, o comprador tem o prazo de 30 dias para reclamar. Sendo
imóvel, tem o prazo de 1 ano. Se o vício for oculto, de difícil constatação, esses prazos
passam a correr de sua descoberta, mas essa descoberta deve ocorrer em até 180 dias, no
caso de bens móveis, e 1 ano, no caso de bens imóveis.

1.2 Evicção

A evicção é a perda da posse, propriedade ou uso de determinado bem ou coisa.

A evicção ocorre quando quem comprou um bem ou está em uso de uma coisa se
vê obrigado a restituir a outro o bem ou a coisa, por força de sentença judicial. Assim
como no exemplo citado no início do conteúdo: a pessoa compradora do carro foi
obrigada a devolvê-lo.

São requisitos para evicção:

a) Perda
Quando há perda da coisa, seja de forma parcial ou total. Pode ocorrer de forma
parcial quando, por exemplo, há perda de 1/5 de um terreno adquirido, existência de ônus
real ou limitações administrativas.

Este é tratado no artigo 455 do Código Civil, que conceitua que quando há perda
considerável o evicto poderá optar pela rescisão do contrato e a indenização pela perda.
A palavra considerável no artigo deve ser entendida quando houver a perda do
interesse do evicto pela coisa que deve ser analisada caso a caso.

b) Onerosidade

Quando, em regra, há onerosidade na aquisição da coisa e pode ocorrer com bens


adquiridos em hasta pública.

Dizemos em regra, pois se admite evicção nos contratos gratuitos, se deste


contrato houver certa onerosidade, como por exemplo, na doação de um terreno para que
se construa um abrigo.

c) Ignorância do adquirente

Este acontece caso o adquirente souber do litígio. Porque presume-se que assumiu
o risco pela perda da coisa.

d) Sentença judicial

Quando uma sentença judicial determinar o direito do terceiro. Parte da doutrina


admite a perda da coisa por ato de autoridade administrativa.

É importante ressaltar que, para que haja a evicção, todos os requisitos acima
devem ser preenchidos. Se houver a perda do objeto por fato alheio (caso fortuito ou de
força maior como furto, roubo ou perecimento da coisa na pendência da lide) não será
permitido ao adquirente demandar contra o alienante.

Quando há evicção total, ou seja, perda do objeto ou da coisa, o alienante deve


ressarcir o adquirente, compreendendo:

 A indenização a restituição do valor pago pela coisa a época que venceu;


 Indenização de frutos;
 Benfeitorias necessárias ou úteis não abonadas ao evicto;
 Os prejuízos diretos do adquirente, como por exemplo, juros adquiridos no
empréstimo tomado para pagar o valor do bem.

Na evicção parcial, o evicto pode requerer a rescisão do contrato e a


indenização pela perda. No caso de existir interesse na continuidade do bem, é possível
requerer somente a indenização. E, por fim, se a perda não for considerável, fará jus
apenas a indenização.
O adquirente pode exigir do alienante a indenização sobre a perda da propriedade,
posse ou o uso do bem que foi restituído ao terceiro. Essa medida é nomeada de ação de
evicção.

Neste caso, por ser tipicamente de reparação civil, submete-se ao prazo


prescricional de três anos, previsto no art. 206, § 3º, V, do Código Civil de 2002.

1.3 Contrato aleatório

É um contrato que traz incertezas aos contraentes. Na evicção, se um adquirente


tinha ciência de que o direito do alienante era duvidoso, trata-se de um contrato aleatório.
Portanto, neste caso não há responsabilidade do alienante.

Os “contratos aleatórios”, por sua vez, estão previstos na Seção VII, a partir do
artigo 458 do Código Civil. Coloca o autor MARTINS:

“Aleatório é o contrato em que uma prestação pode deixar de


existir em virtude de um acontecimento incerto e futuro. É o caso, no
mesmo contrato de compra e venda, quando se compra coisa incerta
ou futura (compro a colheita de um campo de trigo, que pode existir se
o campo produzir o trigo, ou deixar de existir, caso não produza) ou o
contrato de seguro, em que a contraprestação do segurador só é devida
se ocorrer um evento futuro (no seguro contra incêndio, a indenização
só será devida se a coisa se incendiar) ”. (1990:109).

Existem duas modalidades de contratos aleatórios então, aqueles que se referem a


coisas futuras e aqueles que versam sobre coisas já existentes, mas que estão sujeitas a
riscos futuros.

O artigo 458 do Novo Código Civil trata do risco sobre a “existência” da coisa,
retratando, desta forma a “emptio spei”, ou seja, a venda da “esperança”, a “probabilidade
de a coisa existir”, caso em que o alienante terá direito a todo o preço da coisa que venha
a não existir.

O artigo 459, por sua vez, trata dos casos de coisas futuras, quando o adquirente
assume o risco de virem a existir em qualquer quantidade.

Além destas duas características dos contratos “de futuro”, existe ainda outra
modalidade de contrato aleatório, que se refere às coisas já existentes, mas que estão
sujeitas a se danificarem, estes casos estão previstos no artigo 460 do Código Civil, sendo
que como exposto por ALVES:
“Trata-se de contrato aleatório tendo por objeto coisas existentes, mas
expostas a risco. O adquirente assume o risco de não receber a coisa
adquirida, ou recebê-la parcialmente, ou ainda danificada, deteriorada,
ou desvalorizada, pagando, entretanto, ao alienante todo o valor […]
exemplo da mercadoria embarcada, tomando sobre si o adquirente a
sorte (álea) de vir ou não a receber, devido a acidente ou naufrágio”.
(2004:412).

Desta forma, mesmo que a coisa resultado do objeto do contrato já não existisse
no todo ou em parte, o risco assumido obriga o adquirente ao pagamento do preço, com
a exceção trazida pelo artigo 461 em que o contrato poderá ser anulado, provando o
adquirente e prejudicado a conduta dolosa do alienante que, não ignorando o perecimento
do bem em detrimento da consumação do risco, o aliena mesmo quando já não existe.

DA EXTINÇÃO DOS CONTRATOS

A extinção normal dos contratos ocorre com o cumprimento das prestações


avençadas, ou ainda, com o termo final nos contratos de trato sucessivo. Mas o contrato
pode extinguir-se antes do cumprimento das obrigações, por variados motivos, desse
modo, estudaremos cada situação e seus efeitos.

É necessário distinguir a anulação do contrato de sua dissolução. A anulação


ocorre quando causas anteriores a formação do contrato atua de modo a extinguir a
relação contratual, determinando sua anulação. Na dissolução, causas supervenientes a
formação do negócio é que ensejam sua extinção.

São formas de extinção dos contratos a resolução, a resilição e a rescisão.

1.1 Resolução
Surge de situações de inexecução das obrigações contratuais (não cumprimento
das obrigações, mora e cumprimento defeituoso).

A causa da resolução é a inexecução relevante das obrigações de uma das partes,


seja ela culposa ou involuntária, ou derivada de considerável dificuldade na execução da
prestação contratual em razão de onerosidade excessiva advinda das prestações. No
primeiro caso, aquele que não cumpre com a obrigação pode ser compelido a cumpri-la,
ou então a satisfazer as perdas e danos.
a) Resolução por inexecução voluntária e suas modalidades:

Pressupõe inadimplemento e extingue o contrato desde sua origem (salvo os


contratos de trato sucessivo). As prestações cumpridas são restituídas, para que não ocorra
o enriquecimento sem causa, arcando o inadimplente com o pagamento das perdas e
danos.

São modalidades de resolução por inexecução voluntária:

 Cláusula resolutiva tácita: é a cláusula que, implícita, autoriza o término da


relação contratual nos casos de inadimplemento das obrigações. No Brasil,
seguimos o sistema francês, sendo necessária ação judicial para que se possa
extinguir o contrato com base na cláusula resolutiva tácita, que não atua senão
através de sentença constitutiva (diferentemente do que ocorre no sistema alemão,
onde a resolução age sem a necessidade de intervenção judicial);
 Pacto Comissório Expresso: é a cláusula resolutiva quando clausulada
expressamente no contrato, não sendo necessária aqui a intervenção judicial. Não
obstante as controvérsias, opera de imediato suas consequências em favor de que
padece com o inadimplemento.

b) Resolução por inexecução involuntária

Ocorre por impossibilidade superveniente, total e definitiva, do cumprimento da


prestação avençada.

Neste caso a parte inadimplente libera-se do vínculo contratual, de pleno direito,


estendendo-se os efeitos da liberação até a origem do contrato. Mas é facultado ao
devedor que se responsabilize por indenizar as perdas e danos em caso de fortuito ou força
maior, desde que o faça de forma expressa.

O devedor responde pelo fortuito ou força maior se estiver em mora.

A inexecução tem efeitos diversos de acordo com o tipo de contrato. Vejamos:

 Contratos unilaterais: quem suporta o risco é o credor, parte que esperava a


satisfação e não pôde receber por algum motivo;
 Contratos bilaterais: resolvido o contrato as partes voltam a situação anterior,
devolvendo inclusive o que tiverem pago umas às outras.
c) Resolução por onerosidade excessiva

Ocorre nos contratos comutativos de execução diferida quando, em virtude de um


acontecimento extraordinário e imprevisível, surge onerosidade que dificulta muito o
cumprimento das obrigações de um contratante. Note-se que apenas dificulta, mas não
impossibilita a prestação. Os requisitos são: a diferença de valor da prestação no momento
da formação para o da execução do contrato, a diferença causada por acontecimento
imprevisível e extraordinário e o contrato comutativo de execução diferida ou periódica.

Aqui não opera propriamente a resolução, mas sim, quando possível, a


intervenção judicial para reequilibrar as prestações.

Cabe a parte que sofre o desequilíbrio requerer pronunciamento judicial antes de


seu inadimplemento, e a sentença, caso venha a resolver o contrato, terá efeito retroativo,
eximindo o inadimplente inclusive das perdas e dados.

1.2 Resilição

Extinção dos contratos pela vontade de uma ou ambas as partes. Para que ocorra
é necessário acordo das partes neste sentido, partindo a vontade de um ou ambos os
contratantes. Por isso falamos em resilição bilateral ou unilateral:

a) Distrato

É a resilição bilateral na qual as partes resolvem, de comum acordo, dissolver o


negócio rompendo a relação jurídica. Pode ocorrer através do distrato ou estar prevista
no contrato a autorização para que uma das partes dissolva o negócio sem a necessidade
da outra (resilição convencional).

O distrato deve tomar a mesma forma do contrato quando esta integra a substância
do ato, caso não integre a forma a substância do contrato, podem as partes seguir a forma
que lhes aprouver.

b) Resilição unilateral

Aceita-se a resilição unilateral não obstante o contrato derivar de um acordo de


vontade. Tal resilição pode ser exercida: nos contratos por tempo indeterminado; nos
contratos de execução continuada ou periódico; contratos onde não tenham se iniciado os
atos de execução, contatos benéficos e contratos de atividade.
Poder de resilir é um direito potestativo, exercido mediante declaração de vontade
da parte a quem o contrato não mais interessa. Tal declaração recebe o nome de denúncia.

A denúncia, a princípio, não precisa ser justificada, e tem efeito liberatório com
repercussão “ex nunc”.

1.3 Rescisão

É a ruptura do contrato onde houver lesão e não seja possível restaurar o equilíbrio
contratual. Aproxima-se tal hipótese da anulação, já que há necessidade de sentença
judicial para sua declaração.

Há no contrato vantagem desproporcional obtida por uma das partes, em prejuízo


da outra. A sentença rescisória tem efeitos “ex tunc” e o que receber fica obrigado a
restituir.

CONCLUSÃO

O presente trabalho apresentou o estudo os contratos em geral, analisando suas


formações e características dentro do âmbito jurídico brasileiro até finalizar em sua
extinção.

Foram tratados os tipos de formação do contrato, abordando cada uma de suas


etapas, bem como o fenômeno da promessa de fato de terceiro, explorando sua previsão
no Código Civil e suas implicações no contrato.

Analisamos também as garantias contratuais que, muitas vezes, são encontradas


em grande parte dos contratos, o presente estudo apresentou cada espécie de garantia.

Por fim, explanamos as espécies de extinção contratual encontradas no


ordenamento jurídico brasileiro, sendo elas: resolução, resilição e rescisão.
REFERÊNCIAS

ALMEIDA, C.F. Contratos II: conteúdo, contratos de troca. 3ª ed. Coimbra: Almedina,
2012.

Formação dos Contratos (um breve resumo) | Jurídico Certo (juridicocerto.com).

L10406compilada (planalto.gov.br).

Código Civil. 2 ed.pdf (senado.leg.br).

Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. 5. Ed. Rev., atual. E ampl. –
Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2015.

Formação do contrato civil (jusbrasil.com.br).


Da promessa de fato de terceiro - Âmbito Jurídico (ambitojuridico.com.br).

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