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Observatório Covid-19

41 e 42 de 10 a 23 de
outubro de 2021

O s dados registrados nas duas últimas Semanas Epide-


miológicas (10 a 23 de outubro) reforçam a estabilidade
de indicadores da transmissão do Sars-CoV-2, já
apresentada nas últimas semanas, com manutenção da tendên-
de UTI Covid-19 para adultos no SUS, com a predominância de
taxas inferiores a 50% e paulatina desativação de leitos de UTI
Covid-19 em várias Unidades da Federação.
Apesar da melhoria dos indicadores, o que representa ganhos
cia de redução dos impactos da Covid-19 no país, demonstran- importantes para a saúde pública brasileira, a pandemia não
do que a campanha de vacinação está atingindo um dos seus acabou. O país ainda se encontra em uma emergência de saúde
principais objetivos, que é o de redução de casos graves que pública. Neste cenário, é fundamental ampliar e acelerar a vacina-
levam à internação e ao óbito. Contudo, ainda não se pode falar ção para alcançar população com esquema vacinal completo e
em bloqueio completo da circulação do vírus e, portanto, da para aplicação da terceira dose para os elegíveis. É preciso,
transmissão da doença. O quadro geral das Síndromes Respira- sobretudo, proteger os grupos populacionais mais vulneráveis
tórias Agudas Graves (SRAG) segue em estabilidade no país (idosos e pessoas com comorbidades) e os mais expostos,
nas últimas semanas epidemiológicas, com a maioria dos principalmente os trabalhadores nos diversos locais de trabalho.
estados com estimativas para as taxas de incidências permane- Nos últimos meses, o relaxamento das medidas de distan-
cendo altas, em níveis acima de 1 caso por 100 mil habitantes, ciamento físico tem aumentado a concentração de pessoas em
sendo registradas entre eles variações que vão de ligeira ambientes fechados, e essa circulação tenderá a crescer ainda
elevação até a queda de casos. mais nos meses de novembro e dezembro, com as festas de
Neste contexto, os ganhos em termos de redução dos fim de ano. Por isso, insistimos que o uso das máscaras como
números absolutos de impactos da Covid-19 compartilham medida de proteção individual ainda é extremamente importan-
espaço de destaque com as internações em enfermarias, em te, combinado com a higienização das mãos. Além disso, é
leitos de UTI, e de óbitos, que atingem mais os idosos de forma fundamental a adoção de medidas que garantam melhor
proporcional. A proporção de casos internados entre idosos qualidade do ar nos ambientes fechados. Também considera-
está em 63,3%, e os óbitos em 81,9%. A letalidade hospitalar mos fundamental que empregadores e trabalhadores avancem
entre idosos, quando comparada com adultos, é 2,5 vezes conjuntamente em campanhas, estimulando e induzindo a
maior. A idade, portanto, precisa ser considerada como um adoção do passaporte de vacinas nos diversos ambientes de
aspecto de vulnerabilidade, e requer medidas de proteção, trabalho (bares e restaurantes, escolas e universidades, comér-
manejo clínico e vigilância diferenciados. cio e serviços entre outros). É preciso destacar os benefícios de
O cenário atual é de melhoria dos indicadores gerais da proteção coletiva não só para os trabalhadores, mas para suas
pandemia (vacinação, casos, óbitos e internações). Na atualida- famílias, crianças, colegas de trabalho e a comunidade. É
de temos 72% da população do país com a primeira dose, e especialmente importante que se complete o esquema vacinal
53% da população com primeira e segunda dose. Importante com duas doses ou dose única, dependendo do imunizante,
mencionar que apenas seis estados apresentam mais de 50% incluindo a dose de reforço quando houver indicação, para que
da população com o esquema de vacinação completo. Temos possamos alcançar um patamar de maior segurança, com pelo
constatado a queda contínua das taxas de ocupação de leitos menos 80% da população protegida.

PORTAL.FIOCRUZ.BR/OBSERVATORIO-COVID-19 INFORMAÇÃO PARA AÇÃO


Observatório Covid-19 SEMANAS
EPIDEMIOLÓGICAS 41 e 42 de 10 a 23 de
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24,5
RR -1,1
AP

-0,7 2,4 4,2


PA 1,1 RN
AM 2,1
MA CE 1,1
PB
-3,6
PI 1,1
2,2 PE
AC -1,3 -0,1
3,4 TO
AL
RO 4,9
3,0
1,0 SE
9,2
BA
MT -7,9 9,4
RR
DF AP
-2,0
GO

0,7
MG -1,5 -7,1 0,0 1,6
-1,2 ES AM PA -3,1 2,5 RN
MS MA CE -2,4
-4,6 PB
SP
-0,1
-3,3 PI -1,9
-1,9 RJ -4,5 PE
PR AC 4,6 0,5
-1,5 TO
AL
0,3 RO -2,8
SC 1,2
1,9 SE
BA
MT -1,5
-4,1
DF
RS
-2,7
GO

0,0
MG 0,8
-4,3 ES
MS

Observatorio Covid−19 | Fiocruz


-4,0
SP
-3,9
3,3 RJ
PR

0,7
SC

2,8
Tendência Redução Manutenção Crescimento RS

Os mapas têm como objetivo apontar tendências na incidência de casos e de mortalidade nas últimas duas semanas epidemiológicas. O valor acima de 5% indica uma
situação de alerta máximo; variação entre a -5 e +5% indica estabilidade e manutenção do alerta e menor que -5% indica redução, mesmo que temporária, da transmissão.

0.5 DF

PR
0.4
RJ
Taxa de mortalidade

ES
0.3
GO

MG RS
0.2
SC
RR TO

SP PE RO MT
CE
0.1
MS PI
Observatorio Covid−19 | Fiocruz

AL PB
SE AM PA
RN
0.0 AC MA BA AP
0 5 10 15 20
Taxa de incidência de casos
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Casos e óbitos por Covid-19


Os dados registrados nas duas últimas Semanas Epidemiológicas de queda. No Piauí, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, ao contrário,
(10 a 23 de outubro) mostram a estabilidade de indicadores da houve uma queda expressiva no número de casos divulgados, o que
transmissão da Covid-19. Foram notificados ao longo da SE 42 uma pode apontar a retenção de registros nesses sistemas de informação.
média diária de 12.100 casos confirmados e 330 óbitos por Covid-19. Conforme relatado em boletins anteriores do Observatório Covid-19
São valores que representam aumento no número de casos registra- Fiocruz, algumas Unidades da Federação estão tendo problemas com
dos (2,7 % ao dia) e pequena redução do número de óbitos (-0,1 % ao os sistemas de informação, o que pode gerar interpretações equivoca-
dia). É necessário salientar a defasagem entre esses indicadores, que das sobre as tendências locais da pandemia e produzir decisões
em algumas situações podem apresentar sinais contrários, como baseadas em dados incompletos.
observado na semana corrente. A alta no número de casos pode A irregularidade do fluxo de notificação de casos e óbitos prejudica
resultar em um aumento de óbitos após algumas semanas, se o acompanhamento da pandemia e a avaliação dos possíveis impac-
configurarem quadros graves da doença e sem a atenção médica tos de medidas de flexibilização que vêm sendo adotadas em alguns
necessária. estados e municípios. A proximidade da temporada de festas e de
Considerando a série histórica recente, os dados mostram a férias apresenta riscos de decisões equivocadas, baseadas em dados
manutenção da tendência de redução dos impactos da Covid-19 no com atraso e sujeitos a represamento. O país e suas Unidades
país, que vem se mantendo numa taxa de decréscimo entre 1 e 2 % Federadas devem estar preparados para identificar com rapidez e
ao dia ao longo das últimas 18 semanas. As informações sobre precisão possíveis surtos locais, ou mesmo o retorno de altas taxas de
vacinação e indicadores da transmissão de Covid-19 podem ser transmissão da doença, como está acontecendo em alguns países do
visualizados no sistema MonitoraCovid-19, disponibilizado pelo leste europeu. Para assegurar o transcurso do verão em condições
Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (ICICT) da Fiocruz. seguras, é essencial o aperfeiçoamento dos sistemas de informação,
A oscilação de indicadores, que nas últimas semanas tiveram assim como a análise e divulgação oportuna de tendências e
momentos de queda rápida e inesperada, pode ser resultado de falhas condições de risco.
no fluxo de dados pelo e-SUS e Sivep-Gripe. Esses sistemas vêm Também é importante alertar que a taxa de letalidade da doença
apresentando problemas na coleta, digitalização e disponibilização de no Brasil, cerca de 2,7%, se mantém em valores considerados altos
registros de casos e de óbitos. Isso se reflete na divulgação de em relação aos padrões internacionais, o que reflete a insuficiência de
registros, ora muito abaixo do esperado, ora de aumento abrupto no programas de testagem e diagnóstico clínico de casos suspeitos e
número divulgado de casos de Covid-19, como observado entre as SE seus contatos.
41 e 42. A tendência de redução desses indicadores, mesmo considerando
Em algumas Unidades da Federação, essas oscilações foram as oscilações verificadas nas últimas SE, demonstra que a campanha
ainda maiores, o que não pode ser explicado pela dinâmica de de vacinação está atingindo um dos seus principais objetivos, qual
transmissão e adoecimento pela Covid-19. Observou-se, por exem- seja, a redução do impacto da doença, produzindo menos óbitos e
plo, em Roraima, Amapá, Tocantins e Sergipe, fortes aumentos nos casos graves. No entanto, sem o bloqueio completo da transmissão
números de casos e de óbitos, após algumas semanas consecutivas da doença.

TENDÊNCIAS DA INCIDÊNCIA E DA MORTALIDADE POR COVID-19

Região UF Casos % Óbitos % Taxa de casos Taxa de óbitos

Norte Rondônia 3,4 -1,5 7,7 0,1

Norte Acre 2,2 -4,5 0,7 0,0

Norte Amazonas -0,7 -7,1 1,0 0,0

Norte Roraima 24,5 9,2 6,8 0,2

Norte Pará 2,4 -0,0 2,7 0,0

Norte Amapá -1,1 9,4 3,1 0,0

Norte Tocantins -1,3 4,6 8,8 0,2

Nordeste Maranhão 1,1 -3,1 2,0 0,0

Nordeste Piauí -3,6 -0,1 6,8 0,1

Nordeste Ceará 2,1 2,5 1,0 0,1

Nordeste Rio Grande do Norte 4,2 1,6 4,1 0,0

Nordeste Paraíba 1,1 -2,4 3,0 0,1

Nordeste Pernambuco 1,1 -1,9 3,3 0,1

Nordeste Alagoas -0,1 0,5 1,9 0,1

Nordeste Sergipe 4,9 -2,8 0,5 0,0

Nordeste Bahia 3,0 1,2 2,4 0,0

Sudeste Minas Gerais 0,7 0,0 6,6 0,2

Sudeste Espírito Santo -1,5 0,8 16,6 0,3

Sudeste Rio de Janeiro -3,3 -3,9 6,2 0,4

Sudeste São Paulo -4,6 -4,0 2,8 0,1

Sul Paraná -1,9 3,3 11,4 0,4

Sul Santa Catarina 0,3 0,7 10,7 0,2

Sul Rio Grande do Sul -4,1 2,8 6,8 0,2

Centro-Oeste Mato Grosso do Sul -1,2 -4,3 4,5 0,1

Centro-Oeste Mato Grosso 1,0 1,9 9,5 0,1

Centro-Oeste Goiás -2,0 -2,7 17,6 0,3

Centro-Oeste Distrito Federal -7,9 -1,5 22,8 0,5

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Níveis de atividade e incidência de Síndromes


Respiratórias Agudas Graves (SRAG)
O quadro geral das Síndromes Respiratórias Agudas Graves de SRAG estiveram ainda mais altas, acima de 5 casos por 100 mil
(SRAG) segue em estabilidade no país nas últimas semanas epidemio- habitantes. Os estados do Maranhão e Mato Grosso do Sul têm as taxas
lógicas. De forma geral, como reportado em boletins anteriores, a de incidência mais baixas, estimadas em 0,3 casos por 100 mil habitan-
estimativa de nowcasting das SRAGs para o país, realizada no InfoGripe tes e 0,9 casos por 100 mil habitantes, respectivamente. Os demais
(PROCC/Fiocruz), manteve-se em estabilidade e permanece acima de 1 estados têm taxas de incidência que se situam na faixa entre 1 a 5 casos
caso por 100 mil habitantes. Em parte, esta estabilidade ocorre porque por 100 mil habitantes, que são valores altos, considerando-se que são
alguns estados encontram-se em ligeira tendência de aumento da casos graves de doenças respiratórias, como a Covid-19.
SRAG, ao passo que em outros se observa um declínio no número de A vacinação tem-se mostrado muito efetiva na prevenção das
casos. Verificou-se aumento nos estados de Roraima, Amapá, Pará, formas graves da Covid-19, conjugada com medidas de supressão da
Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e transmissão de vírus respiratórios. É especialmente importante que se
Rio Grande do Sul. Entretanto, houve tendência de redução de casos no complete o esquema vacinal com duas doses ou dose única, dependen-
Amazonas, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, do do imunizante, para maior efetividade e inclusive a dose de reforço,
Goiás, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas quando houver indicação.
Gerais, Maranhão e Pernambuco. Apenas o Acre e a Bahia aparecem A técnica nowcasting pelo InfoGripe avalia, para o período mais
com estabilidade nas últimas duas semanas. recente, o volume de casos de SRAG que ainda não foi computado nas
Apesar da tendência de redução de casos em alguns estados, na estatísticas, devido ao tempo necessário para entrada de dados na base
maioria dos estados as estimativas para as taxas de incidências perma- de vigilância do SIVEP-gripe. Desde o início de 2020, dentre os casos de
necem altas, em níveis acima de 1 caso por 100 mil habitantes. No caso SRAG com detecção de vírus, os casos de Covid-19 foram majoritaria-
de Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal, as taxas de incidência mente dominantes, pois representam 98% destes casos.

NÍVEIS DE ATIVIDADE E INCIDÊNCIA DE SÍNDROMES RESPIRATÓRIAS AGUDAS GRAVES (SRAG)

Região UF Casos Taxa Nível

Norte Rondônia 1,2 Alta

Norte Acre 1,1 Alta

Norte Amazonas 1,5 Alta

Norte Roraima 4,3 Alta

Norte Pará 1,4 Alta

Norte Amapá 1,9 Alta

Norte Tocantins 1,7 Alta

Nordeste Maranhão 0,3 Pré-epidêmica

Nordeste Piauí 2,6 Alta

Nordeste Ceará 1,3 Alta

Nordeste Rio Grande do Norte 2,3 Alta

Nordeste Paraíba 1,8 Alta

Nordeste Pernambuco 2,3 Alta

Nordeste Alagoas 1,7 Alta

Nordeste Sergipe 2,5 Alta

Nordeste Bahia 1,2 Alta

Sudeste Minas Gerais 3,8 Alta

Sudeste Espírito Santo 1,7 Alta

Sudeste Rio de Janeiro 2,5 Alta

Sudeste São Paulo 3,7 Alta

Sul Paraná 5,9 Muito alta

Sul Santa Catarina 4,0 Alta

Sul Rio Grande do Sul 5,9 Muito alta


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Centro-Oeste Mato Grosso do Sul 2,2 Alta

Centro-Oeste Mato Grosso 0,9 Epidêmica

Centro-Oeste Goiás 4,0 Alta

Centro-Oeste Distrito Federal 5,1 Muito alta


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NÍVEL DE SRAG (E INCIDÊNCIA DE CASOS POR 100.000 HAB.)

4,3
RR 1,9
AP

1,5 1,4 2,3


PA 0,3 RN
AM 1,3
MA CE 1,8
PB
2,6
PI 2,3
1,1 PE
AC 1,7 1,7
1,2 TO
AL
RO 2,5
1,2
0,9 SE
BA
MT 5,1
DF

4,0
GO
Nível Pré-epidêmica
3,8
MG 1,7
Epidêmica 2,2 ES
MS
Alta 3,7
SP
2,5
Muito alta 5,9 RJ
PR

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Extremamente Alta
4,0
SC

5,9
RS

Leitos de UTI para COVID19


O cenário relativo às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 (44%), Florianópolis (51%), Porto Alegre (57%), Campo Grande (11%),
para adultos no SUS, segundo dados obtidos em 25 de outubro de Cuiabá (31%) e Goiânia (27%).
2021, mantém-se sob controle, com a predominância de taxas inferio- Frente à melhora do quadro pandêmico, todos os esforços devem
res a 50% e paulatina desativação de leitos de UTI Covid-19 em várias ser empreendidos no sentido de se evitar reveses, ao mesmo tempo
Unidades da Federação. O Distrito Federal, que esteve na zona de que atividades laborais, escolares, sociais, culturais e de lazer vão
alerta crítico nas três semanas anteriores, volta à zona de alerta sendo retomadas. Considerando experiências internacionais, sabemos
intermediário (71%), com contínua retirada de leitos durante todo o que a implementação do passaporte vacinal e manutenção de medidas
período. O Espírito Santo permanece na zona de alerta intermediário, comprovadamente efetivas na prevenção da transmissão do vírus, tais
com a mesma taxa observada em 18 de outubro, apesar de redução no como o uso de máscaras em locais fechados e locais abertos com
número de leitos disponíveis (352 para 334). Adicionalmente, embora aglomeração, distanciamento físico e higiene constante das mãos, são
em patamares baixos, os estados do Piauí (46% para 59%) e Paraíba estratégias que devem ser associadas à vacinação massiva da popula-
(20% para 25%) apresentaram, entre os dias 18 e 25 de outubro, ção. Evidências científicas mostram que a vacinação, embora não
incrementos nas taxas de ocupação não atribuíveis à retirada de leitos. impeça totalmente a transmissão do vírus, contribui significativamente
Na última semana, registraram-se reduções de leitos de UTI para a sua redução. É plausível assumir que em um ambiente onde as
Covid-19 no SUS para adultos no Tocantins, Maranhão, Ceará, Rio pessoas estão majoritariamente ou totalmente vacinadas contra a
Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Covid-19, o risco de transmissão do vírus se torna muito menor do que
Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, em um ambiente onde parte das pessoas não está vacinada.
Mato Grosso e Distrito Federal. Em um momento em que muitos defendem o direito de não se
No balanço geral, o Espírito Santo e o Distrito Federal estão na vacinar, defendemos o direito da maior parte da população, que
zona de alerta intermediário, ambos com taxa de 71%. Os outros 25 incorporando os cuidados preconizados, deseja retomar, da forma mais
estados estão fora da zona de alerta: Rondônia (36%), Acre (3%), segura possível, suas rotinas no trabalho, escolas, universidades,
Amazonas (16%), Roraima (22%), Pará (34%), Amapá (10%), cinemas, teatros, estádios de futebol, academias, restaurantes, lojas
Tocantins (18%), Maranhão (32%), Piauí (59%), Ceará (46%), Rio comerciais e tantos outros espaços. Estamos ainda em uma pandemia
Grande do Norte (41%), Paraíba (25%), Pernambuco (48%), Alagoas e, em nome da proteção coletiva, consideramos legítimas as restrições
(32%), Sergipe (29%), Bahia (34%), Minas Gerais (18%), Rio de de empregadores, escolas, companhias de transporte, estabelecimen-
Janeiro (32%), São Paulo (27%), Paraná (39%), Santa Catarina (41%), tos culturais e comerciais à circulação de pessoas não vacinadas nos
Rio Grande do Sul (52%), Mato Grosso do Sul (12%), Mato Grosso seus espaços. Também consideramos adequada a exigência do uso de
(26%) e Goiás (36%). máscaras.
Entre as capitais, Porto Velho (61%), Vitória (78%) e Brasília (71%) Por outro lado, não podemos deixar de assinalar que cabe a empre-
estão na zona de alerta intermediário. A demais capitais estão fora da gadores, gestores de escolas, empresas de transporte e estabeleci-
zona de alerta, inclusive com três delas, Belém, Fortaleza e Recife, já mentos culturais e comerciais, cuidados no sentido de garantir as
declarando, no nível municipal, a retirada total de leitos de UTI para melhores condições ambientais desses espaços, com adequações
adultos dedicados à Covid-19. As taxas observadas são: Rio Branco para a instalação de filtros e melhor circulação do ar.
(2%), Manaus (30%), Boa Vista (22%), Macapá (11%), Palmas (31%), No mais, neste momento não podemos prescindir de vigilância
São Luís (20%), Teresina (58%), Fortaleza (43%), Natal (43%), João epidemiológica com ampla testagem e reavaliação contínua, pelos
Pessoa (27%), Maceió (51%), Aracaju (29%), Salvador (35%), Belo gestores municipais e estaduais, sobre decisões de flexibilização de
Horizonte (45%), Rio de Janeiro (43%), São Paulo (36%), Curitiba atividades e medidas de prevenção contra a Covid-19.
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TAXA DE OCUPAÇÃO (%) DE LEITOS DE UTI COVID-19 PARA ADULTOS

Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá


100

80

60

40

20

Tocantins Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba


100

80

60

40

20

Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Minas Gerais Espírito Santo


100
Taxa de ocupação (%)

80

60

40

20

Rio de Janeiro (estado) Rio de Janeiro (capital) São Paulo Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul
100

80

60

40

20

0
jul jan jul jul jan jul
Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal
100

80

60 Observatorio Covid−19 | Fiocruz

40

20

0
jul jan jul jul jan jul jul jan jul jul jan jul
Data
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TAXA DE OCUPAÇÃO (%) DE LEITOS DE UTI COVID-19 PARA ADULTOS

22
RR 10
AP

16 34 41
PA 32 RN
AM 46
MA CE 25
PB
59
PI 48
3 PE
AC 18 32
36 TO
AL
RO 29
34
26 SE
BA
MT 71
DF

36
GO

18
MG 71
13 ES
MS
27
SP
32
39 RJ
PR

41
SC

52
RS
Alerta Baixo Médio Crítico

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Perfil demográfico: 81,9% dos óbitos ocorrem em pessoas


acima de 60 anos. Letalidade hospitalar é 2,5 vezes maior
entre idosos que entre adultos
A análise demográfica do boletim desta quinzena traz compara- mediana foi o mesmo que o dos óbitos (53 anos), e na SE 41 o
ções para o período entre a semana epidemiológica (SE) 1 (03 a 09 patamar foi de 68 anos. A média e mediana de casos internados
de janeiro) e a semana epidemiológica 41 (10/10 a 16/10) de 2021. totais e em UTI encontram-se estáveis há 5 semanas. Os mesmos
Os casos graves e fatais permanecem concentrados nas idades mais indicadores para os óbitos, no entanto, após 3 semanas de
avançadas. A mediana de internações, ou seja, a idade que delimita a estabilidade, voltaram a aumentar (Figura 1). Para os óbitos, a
concentração de 50% dos casos, chegou ao menor patamar entre a menor mediana, que foi de 58 anos, foi observada entre a SE 21 (23
SE 23 (06 a 12/06) e 27 (04 a 10/07), de 51 anos. Na SE 41 a media- a 29/05) e SE 24 (13 a 19/06), e na SE 41 foi de 74 anos. A média de
na foi de 67 anos. Para as internações em UTI, o período de menor idade das internações, internações em UTI e óbitos na SE 41 foi,

1. A análise inclui dados até a semana epidemiológica 41. Os dados da semana epidemiológica 42 ainda se encontram em processamento, pois muitos casos permanecem
abertos, ainda em investigação.

FIGURA 1 - EVOLUÇÃO TEMPORAL DA MÉDIA E MEDIANA DA IDADE DOS CASOS INTERNADOS E ÓBITOS POR COVID-19

Média Mediana

75 75

70 70

65 65

60 60

55 55

50 50
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41
Semana Epidemiológica Semana Epidemiológica

Sivep-Gripe, 2021
Internações Óbitos Internações em UTI Internações Óbitos Internações em UTI

FIGURA 2 - DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL DE CASOS INTERNADOS E ÓBITOS POR COVID-19 EM HOSPITALIZAÇÕES SEGUNDO SEMANA EPIDEMIOLÓGICA. BRASIL, 2021

Casos Internados Óbitos


3.5 4.0

3.0 3.5

3.0
2.5

2.5
2.0
2.0
%

1.5
1.5

1.0
1.0

0.5 0.5

0.0 0.0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110

Idade Idade
Sivep-Gripe, 2021

SE 1 SE 24 SE 41 SE 1 SE 23 SE 41
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FIGURA 3 - PROPORÇÃO DE CASOS INTERNADOS E ÓBITOS POR COVID-19 SEGUNDO FAIXA ETÁRIA

Casos internados Óbitos


41 10.4% 22.8% 45.8% 17.5% 41 3.3%14.2% 49.1% 32.8%
40 11.2% 24.0% 43.4% 18.7% 40 4.5% 20.5% 44.5% 30.2%
39 10.8% 23.4% 43.5% 19.0% 39 3.5% 16.8% 47.1% 32.0%
38 11.5% 24.7% 42.7% 18.0% 38 4.6% 15.2% 48.8% 30.6%
37 12.5% 25.7% 39.9% 18.6% 37 3.9% 16.6% 46.7% 31.9%
36 12.8% 27.2% 38.4% 18.4% 36 4.9% 17.2% 44.3% 32.9%
35 14.6% 27.1% 38.1% 17.0% 35 5.6% 18.9% 46.4% 28.6%
34 17.3% 27.8% 35.8% 15.8% 34 6.5% 18.7% 45.0% 28.8%
33 18.6% 28.9% 34.3% 15.2% 33 7.3% 20.5% 44.2% 27.3%
32 21.1% 30.3% 32.7% 13.5% 32 7.8% 22.1% 43.5% 26.0%
31 22.7% 30.9% 31.2% 12.7% 31 8.4% 23.0% 42.9% 25.3%
30 22.6% 33.6% 30.1% 11.5% 30 9.4% 25.5% 41.3% 23.5%
29 22.3% 37.6% 27.8%10.2% 29 9.3% 27.7% 40.9% 21.6%
28 21.9% 40.6% 25.7% 9.9% 28 8.7% 31.8% 37.9% 21.1%
27 20.4% 45.8% 23.6%8.4% 27 8.2% 35.8% 36.8% 18.9%
26 20.4% 47.9% 22.3%7.7% 26 9.8% 39.3% 33.9% 16.7%
25 20.2% 49.7% 20.8%7.6% 25 10.0% 40.9% 32.2% 16.4%
Semana Epidemiológica (2021)
Semana Epidemiológica (2021)

24 20.5% 50.5% 20.1%7.3% 24 10.7% 41.9% 31.4% 15.7%


23 19.9% 51.6% 19.8%7.0% 23 10.4% 44.4% 30.4% 14.4%
22 19.9% 51.2% 20.2%7.2% 22 10.7% 44.6% 29.7% 14.6%
21 18.8% 49.8% 22.6%7.2% 21 9.4% 43.6% 32.5% 14.1%
20 17.8% 48.3% 25.5%6.9% 20 9.0% 41.1% 35.7% 13.8%
19 17.2% 46.0% 28.4%6.7% 19 8.5% 38.9% 39.2% 13.0%

18 16.4% 43.2% 31.9%7.0% 18 7.7% 35.9% 43.3% 12.8%

17 15.1% 41.0% 35.4%7.0% 17 7.2% 32.5% 47.4% 12.6%

16 14.3% 39.2% 37.9%7.0% 16 6.7% 31.4% 49.2% 12.3%

15 13.6% 37.7% 40.0%7.2% 15 6.3% 28.8% 52.3% 12.3%

14 13.3% 37.2% 40.4%7.9% 14 6.4% 28.5% 51.9% 12.9%

13 13.3% 37.1% 40.1%8.3% 13 6.1% 28.4% 51.7% 13.5%

12 13.1% 36.4% 40.0% 9.3% 12 6.0% 26.8% 51.3% 15.6%

11 13.2% 36.4% 38.8%10.2% 11 5.7% 26.9% 50.0% 17.1%

10 13.6% 36.1% 38.6%10.3% 10 6.1% 25.8% 50.0% 17.9%

9 13.8% 35.8% 37.7% 11.2% 9 5.6% 25.3% 48.9% 19.8%

8 13.8% 34.6% 38.2% 11.7% 8 5.6% 23.1% 49.6% 21.4%

7 13.2% 34.3% 38.3% 12.4% 7 5.0% 23.4% 49.0% 22.3%

6 12.7% 33.6% 38.3% 13.5% 6 4.8% 22.6% 48.3% 24.0%

5 11.5% 32.6% 38.9% 15.0% 5 4.4% 21.0% 47.2% 27.0%

4 10.8% 31.5% 40.9% 14.9% 4 3.8% 19.6% 49.7% 26.4%

3 10.2% 30.6% 41.9% 15.3% 3 3.7% 19.3% 49.7% 26.8%

2 10.9% 29.3% 40.7% 16.6% 2 4.3% 18.1% 48.8% 28.3%

1 9.0% 23.2% 41.3% 22.1% 1 3.1%15.1% 47.8% 33.6%

0% 20% 40% 60% 80% 100% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
%
%

0 a 19 anos 20 a 39 anos 40 a 59 anos 0 a 19 anos 20 a 39 anos 40 a 59 anos


60 a 79 anos 80 anos e mais 60 a 79 anos 80 anos e mais
Sivep-Gripe, 2021
Observatório Covid-19 SEMANAS
EPIDEMIOLÓGICAS 41 e 42 de 10 a 23 de
outubro de 2021 P.10

FIGURA 4 - CONCENTRAÇÃO RELATIVA DE CASOS INTERNADOS E ÓBITOS POR COVID-19 NAS FAIXAS ETÁRIAS
SEGUNDO SEMANA EPIDEMIOLÓGICA. BRASIL, 2021.

SEMANA EPIDEMIOLÓGICA

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

32

33

34

35

36

37

38

39

40

41
1

9
0 a 4 anos
5 a 9 anos
10 a 14 anos
15 a 19 anos
20 a 24 anos
25 a 29 anos
30 a 34 anos
35 a 39 anos
40 a 44 anos
45 a 49 anos
50 a 54 anos
55 a 59 anos
60 a 64 anos
65 a 69 anos
70 a 74 anos
75 a 79 anos
80 a 84 anos
85 a 89 anos
90 anos e mais
Casos internados
0 a 4 anos
5 a 9 anos
10 a 14 anos
15 a 19 anos
20 a 24 anos
25 a 29 anos
30 a 34 anos
35 a 39 anos
40 a 44 anos
45 a 49 anos
50 a 54 anos
55 a 59 anos
60 a 64 anos
65 a 69 anos
70 a 74 anos
75 a 79 anos
80 a 84 anos
85 a 89 anos

Sivep-Gripe, 2021
90 anos e mais
Óbitos

respectivamente, 62,1; 64,2 e 71,6 anos. Após o início da vacinação dentre aqueles internados, mostra que a probabilidade de morte
entre adultos jovens, a média e mediana de idade dos três indicado- entre idosos que foram internados é 2,5 vezes a probabilidade de
res – internações gerais, internações em UTI e óbitos – voltaram ao morte entre adultos que precisaram de hospitalização.
patamar superior a 60 anos. Isto significa que mais da metade de Finalmente, ao observar as internações em leitos de terapia intensiva
casos graves e fatais ocorre entre idosos. (Figura 5), corroboramos a evidência descrita: mantém-se o panora-
Os dados do SIVEP Gripe evidenciam a reversão do rejuvenes- ma de maior contribuição relativa das faixas etárias mais idosas entre
cimento, ocorrido principalmente no primeiro semestre de 2021, as internações em UTI. As faixas etárias de 60 a 69 anos, e 70 a 79
deslocando novamente a curva de hospitalizações para a população anos, representam os grupos etários de maior contribuição relativa
mais idosa, mas em termos relativos (Figura 2). Isto significa dizer nas internações em UTI. Aparentemente, a transição da idade dos
que, no conjunto de internações em enfermarias, em leitos de UTI, e casos graves pode ter alcançado seu limite. No entanto, a manu-
entre os óbitos, os idosos voltam a se destacar de forma proporcio- tenção da tendência de aumento da concentração de óbitos
nal. O padrão atual da distribuição de casos internados e óbitos é nesta faixa etária requer atenção para a necessidade de adoção
semelhante ao período anterior ao início da vacinação. Este cenário de protocolos diferenciados de rastreamento populacional e
sugere que o efeito da vacinação já é perceptível de forma homogê- principalmente manejo clínico dos pacientes internados, para
nea na população adulta. A idade, portanto, precisa ser conside- que se evite atraso diagnóstico. A observação de sintomas por
rada como um aspecto de vulnerabilidade, e requer manejo faixa etária precisa ser pesquisada, e a resposta dos idosos aos
clínico e vigilância diferenciados. protocolos de tratamento de adultos precisa ser avaliada.
A proporção de casos internados entre idosos, que já esteve O aumento progressivo da cobertura vacinal entre adultos
em 27% (SE 23, 06 a 12/06), hoje se encontra em 63,3%. Já para jovens está sendo decisivo para uma queda sustentada dos casos.
os óbitos, que encontrou na mesma semana 23 a menor contri- É importante ressaltar que os plenamente vacinados também
buição de idosos (44,6%), hoje se encontra em 81,9% (Figura 3). A protegem os não vacinados, criando uma barreira que impede o
inspeção visual da concentração relativa de casos internados e óbitos vírus de ter contato com os suscetíveis. Portanto, mesmo aqueles
por Covid-19 nas faixas etárias segundo semana epidemiológica com esquema vacinal completo precisam manter-se preserva-
(Figura 4) ratifica a reversão do rejuvenescimento dos casos interna- dos, evitando aglomerações. Para aqueles que ainda não
dos e óbitos, com concentração substancialmente maior entre idosos fizeram a dose de reforço, a recomendação é de que atualizem
há 6 semanas. A letalidade hospitalar, ou seja, o número de óbitos seus esquemas vacinais com urgência!
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FIGURA 5 - INTERNAÇÕES EM UTI POR COVID-19 POR FAIXA ETÁRIA E SEGUNDO SEMANA EPIDEMIOLÓGICA. BRASIL, 2021

30%

25%

20%

15%

10%

5%

0%
SE 1 SE 25 SE 41
0 a 9 anos 10 a 19 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos
40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 a 69 anos 70 a 79 anos
80 a 90 anos 90 anos e mais

30%

25%

20%

15%

10%

5%

0%
SE 1 SE 25 SE 41
0 a 9 anos 10 a 19 anos 60 a 69 anos 70 a 79 anos
80 a 90 anos 90 anos e mais 20 a 29 anos 30 a 39 anos
Sivep-Gripe, 2021

40 a 49 anos 50 a 59 anos
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O avanço da vacinação e a distribuição de imunizantes


Segundo dados do MonitoraCovid-19/@coronavirusbra1, oriundos 2,8% destinadas à terceira dose (reforço ou adicional). O estado do
das informações das Secretarias Estaduais de Saúde, mais de 275 Mato Grosso do Sul apresenta o maior percentual de doses destina-
milhões de doses de vacinas foram administradas no país, o que das a completar o esquema vacinal, com 45%, e ainda o maior
representa a imunização de 72% da população com a primeira dose e percentual de terceiras doses, com 6,5%. O Amapá e Roraima
53% da população com o esquema de vacinação completo. apresentam as maiores diferenças entre aplicação de primeira e
Dez estados apresentam mais de 70% da população com vacina- segunda doses/doses únicas, no Acre observa-se o menor numero de
ção de primeira dose e seis estados apresentam mais de 50% da doses de reforço ou doses adicionais.
população com segunda dose. O estado de São Paulo, com mais de Os dados do Ministério da Saúde (tabela 2) apontam que mais de
80% da população vacinada com a primeira dose e 65% com a segun- 334 milhões de doses de imunizantes foram distribuídas aos estados
da ou dose única, apresenta o maior percentual de imunizados no país. e que 92% destes já foram destinados aos municípios para aplicação.
Os dados apontam que foram aplicadas, até o dia 28 de outubro Dentre as 27 Unidades da Federação, os estados de Roraima e Rio
de 2021, mais de 275 milhões de doses dos imunizantes, sendo Grande do Norte apresentam o menor percentual de repasses de
55,9% destas destinadas à primeira, 41,3% destinadas à segunda e imunizantes dos estados para os municípios.

PERCENTUAL DA POPULAÇÃO VACINADA

Brasil Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará


100

71,72
70 63,66 59,79 61,08 57,24
51,76
50 51,30
41,40 41,58 38,66
36,92
30 28,09

Amapá Tocantins Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte


100

69,84 69,52 69,93


70 62,88 58,61
54,28
50 49,34 48,14
44,36
38,73 38,41
30 27,39

Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Minas Gerais


100

72,41 69,87 70,75 73,60


66,11 68,35
70
Percentual

50 47,07 50,69
41,48 45,79 44,47
39,93
30

Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul
100
80,23
73,02 71,49 72,35 75,02 74,27
70 65,39
52,85 53,91 54,58 57,13
50 46,79

30

0
jan abr jul out jan abr jul out
Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal
100

68,55 68,84 72,36


66,51
70 62,93
50 49,94
42,50 42,49
30

0
jan abr jul out jan abr jul out jan abr jul out jan abr jul out
Data

Dose aa 1a dose aa 2a dose


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TABELA 1 - DOSES APLICADAS, PERCENTUAL SEGUNDO DOSE VACINAL E DIFERENÇA PERCENTUAL ENTRE AS DOSES

% doses
Doses Dose 2 % doses destinadas a % terceira
UF Dose 1 / Dose única Dose 3 destinadas a segunda dose dose
aplicadas primeira dose e dose única

BRASIL 275.436.454 154.056.389 113.647.161 7.732.904 55,9 41,3 2,8


ACRE 908.565 547.732 354994 5839 60,3 39,1 0,6
ALAGOAS 3.769.336 2.259.278 1440635 69.423 59,9 38,2 1,8
AMAZONAS 4.479.159 2.603.719 1814703 60.737 58,1 40,5 1,4
AMAPÁ 751.945 483.486 259939 8520 64,3 34,6 1,1
BAHIA 17.567.676 10.299.318 6919901 348.457 58,6 39,4 2
CEARÁ 11.413.138 6.450.739 4782027 180372 56,5 41,9 1,6
DISTRITO FEDERAL 3.988.910 2.246.992 1629814 112.104 56,3 40,9 2,8
ESPÍRITO SANTO 5.523.068 3.009.196 2219089 294.783 54,5 40,2 5,3
GOIÁS 8.444.935 5.028.534 3246914 169.487 59,5 38,4 2
MARANHÃO 7.132.715 4.220.526 2787996 124.193 59,2 39,1 1,7
MINAS GERAIS 27.921.861 15.864.662 11274304 782.895 56,8 40,4 2,8
MATO GROSSO DO SUL 4.023.968 1.952.510 1810912 260.546 48,5 45 6,5
MATO GROSSO 4.140.451 2.424.328 1651570 64.553 58,6 39,9 1,6
PARÁ 8.541.030 5.036.681 3402877 101472 59 39,8 1,2
PARAÍBA 4.876.318 2.924.007 1844494 107.817 60 37,8 2,2
PERNAMBUCO 11.677.010 6.828.374 4591858 256.778 58,5 39,3 2,2
PIAUÍ 3.860.191 2.311.534 1503965 44692 59,9 39 1,2
PARANÁ 15.545.950 8.576.760 6658377 310.813 55,2 42,8 2
RIO DE JANEIRO 22.127.781 12.636.388 8701883 789.510 57,1 39,3 3,6
RIO GRANDE DO NORTE 4.409.670 2.503.489 1765565 140.616 56,8 40 3,2
RONDÔNIA 2.007.965 1.164.771 809691 33.503 58 40,3 1,7
RORAIMA 545.116 341.928 195750 7438 62,7 35,9 1,4
RIO GRANDE DO SUL 15.944.118 8.603.972 6831681 508.465 54 42,8 3,2
SANTA CATARINA 9.986.253 5.548.544 4185975 251.734 55,6 41,9 2,5
SERGIPE 2.865.291 1.662.429 1135287 67575 58 39,6 2,4
SÃO PAULO 71.268.110 37.506.444 31164526 2.597.140 52,6 43,7 3,6
TOCANTINS 1.715.924 1.020.048 662434 33.442 59,4 38,6 1,9

Fonte: : https://coronavirusbra1.github.io/ 28/10/2021

TABELA 2 - DOSES DISTRIBUÍDAS AOS ESTADOS E REPASSADAS AOS MUNICÍPIOS

UF DOSES DISTRIBUÍDAS PELO DOSES DISTRIBUÍDAS PELOS PERCENTUAL DE


MINISTÉRIO DA SAÚDE AOS ESTADOS ESTADOS AOS MUNICÍPIOS REPASSE

BRASIL 334.157.732 309.401.120 92,6


ACRE 1.321.200 1.099.291 83,2
ALAGOAS 4.807.715 4.295.767 89,4
AMAZONAS 5.990.190 5.187.234 86,6
AMAPÁ 1.183.080 1.113.033 94,1
BAHIA 22.523.647 21.171.461 94,0
CEARÁ 14.343.878 13.288.557 92,6
DISTRITO FEDERAL 5.352.477 5.352.477 100,0
ESPÍRITO SANTO 6.597.890 6.340.199 96,1
GOIÁS 10.643.430 9.874.022 92,8
MARANHÃO 9.904.685 8.867.673 89,5
MINAS GERAIS 34.792.009 32.242.191 92,7
MATO GROSSO DO SUL 4.480.045 4.339.902 96,9
MATO GROSSO 5.586.789 5.056.711 90,5
PARÁ 11.863.745 11.606.296 97,8
PARAÍBA 6.373.385 5.745.910 90,2
PERNAMBUCO 14.614.260 13.823.467 94,6
PIAUÍ 4.967.335 4.825.021 97,1
PARANÁ 18.321.590 17.896.574 97,7
RIO DE JANEIRO 28.404.459 28.020.036 98,6
RIO GRANDE DO NORTE 5.350.810 3.360.438 62,8
RONDÔNIA 2.694.708 2.427.557 90,1
RORAIMA 1.033.198 623.792 60,4
RIO GRANDE DO SUL 18.639.506 18.362.383 98,5
SANTA CATARINA 11.876.584 11.057.660 93,1
SERGIPE 3.500.915 3.487.056 99,6
SÃO PAULO 76.739.737 73.019.058 95,2
TOCANTINS 2.250.465 2.269.831 100,9

Fonte: : https://qsprod.saude.gov.br/extensions/DEMAS_C19VAC_Distr/DEMAS_C19VAC_Distr.html 28/10/2021


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A Covid-19 nos ambientes de trabalho: estímulo


à vacina e cuidados com os trabalhadores
Como já sinalizamos em boletins anteriores, a vacinação ampla oferecendo alternativas para facilitar sua ida aos postos de vacina-
da população vem demonstrando seus efeitos positivos. O número ção. Atenção especial deve ser dada às gestantes, que precisam ser
de casos graves que resultam em internações e óbitos vem diminuin- mais protegidas de quaisquer exposições ao vírus e ser orientadas a
do consistentemente ao longo dos últimos três meses, como completar seu esquema vacinal. De acordo com o Observatório
mostram as taxas de ocupação de leitos UTI Covid-19 para adultos Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr), gestantes e puérperas sem a
no SUS em todo o país. Apesar disso, a vacinação precisa ser combi- vacinação apresentaram cinco vezes mais chances de ir a óbito do
nada com outras medidas para redução da transmissão do vírus que as que receberam as duas doses do imunizante3.
Sars-CoV-2, como o uso de máscaras e o distanciamento físico. Empregadores devem também orientar que os seus trabalhado-
A queda nos indicadores da pandemia tem como principal fator o res reportem a ocorrência de quaisquer eventos adversos da vacina
avanço na vacinação da população, quanto mais acelerado e amplo através do VigiMed4, e incentivar que baixem o aplicativo que
for este processo, maior segurança teremos no controle da pande- comprova sua vacinação – o passaporte de vacinas – cuja obtenção
mia. Diante desta evidência e dos ganhos alcançados até aqui, varia de município para município.
temos defendido a adoção do passaporte de vacinas como uma A garantia de ventilação adequada pode reduzir o risco de
estratégia de saúde pública para a proteção coletiva e estímulo à infecção por Covid-19. Neste contexto, a OPAS sistematizou um
vacinação. Neste boletim, chamamos atenção para a importância do roteiro5 com as principais questões para avaliação da ventilação de
adequado tratamento dessa temática nos diversos ambientes de ambientes fechados e as etapas necessárias para atingir os níveis de

FOTO: THOMSON REUTERS


trabalho, como lojas e shoppings, bares e restaurantes, indústrias e ventilação recomendados ou simplesmente melhorar a qualidade do
serviços, escolas e universidades, entre outros. ar interno, de forma a reduzir o risco de propagação da Covid-19.
Embora qualquer pessoa esteja potencialmente exposta ao O objetivo geral da ventilação em edificações é garantir que o ar
contágio por doenças infecciosas na sua interação com outras, cerca nos espaços fechados seja saudável para a respiração. No entanto,
de 20% dos trabalhadores brasileiros têm ocupações que os expõem cada configuração do ambiente de produção, comércio e prestação
a um maior risco de doenças como a Covid-191. De acordo com um de serviços tem requisitos específicos de ventilação, definidos por
relatório da Lagom Insights2, que utilizou dados do Cadastro Geral de órgãos reguladores nacionais. Por exemplo, os sistemas de ventila-
Empregados e Desempregados (Caged), os 15 setores que mais ção em unidades de saúde, como hospitais, ambulatórios e centros
registraram desligamento por morte em 2019 e 2020 foram: transpor- de saúde, visam a prevenção de infecções; nas edificações residen-
te rodoviário de carga; condomínios prediais; comércio varejista e ciais, os sistemas objetivam, principalmente, criar um ambiente
mercadorias em geral; construção de edifícios; limpeza em prédios e termicamente confortável com uma qualidade aceitável de ar interno.
em edifícios; atividades de atendimento hospitalar; administração O referido roteiro da OPAS concentra-se em três configurações
pública em geral; restaurantes e similares; atividade de vigilância e diferentes, de acordo com os objetivos específicos de prevenção e
segurança privada; transporte rodoviário coletivo de passageiros; controle de infecções (PCI): ambientes de assistência à saúde;
criação de bovinos para corte; fabricação de açúcar em bruto; comér- ambientes não residenciais (ambientes fechados públicos e privados
cio varejista de combustíveis para veículos automotores; atividades caracterizados por uma taxa de ocupação heterogênea, que inclui
de associação de defesa de direitos sociais; lanchonetes, casas de pessoas que não pertencem ao mesmo domicílio, como locais de
chá, de sucos e similares. trabalho, escolas e universidades, edifícios do segmento de hotelaria
Ao estimular e facilitar a vacinação de seus trabalhadores, as e ambientes religiosos e comerciais); e ambientes residenciais.
instituições e empresas (pequenas, médias e grandes) assumem a Convém reforçar que as medidas precisam ser adotadas de
responsabilidade social de promover o retorno mais seguro às suas forma conjunta. Elas são complementares e se potencializam. A
atividades presenciais, contribuindo para a manutenção de uma ventilação de ambientes fechados faz parte de um conjunto abran-
força de trabalho mais protegida contra a infecção pelo Sars-CoV-2. gente de medidas de prevenção e controle que podem limitar a
Vale destacar que esta medida resulta também na proteção de seus propagação de certas doenças respiratórias virais, incluindo a
usuários e clientes. É importante que os empregadores assumam o Covid-19. No entanto, por si só, mesmo quando corretamente imple-
compromisso de garantir as condições necessárias para que seus mentada, ela é insuficiente para fornecer um nível adequado de
funcionários se vacinem. Isto inclui, entre outras iniciativas, a dispen- proteção. As medidas de proteção individual continuam sendo uma
sa no dia de vacinação, seguindo o calendário definido pela prefeitu- arma poderosa, simples e barata de cuidados essenciais contra a
ra de sua cidade. Covid-19. O uso das máscaras e a higienização das mãos são
As Instituições e empresas devem contribuir para a promoção de benéficos à saúde. Portanto, não há razão em haver pressa em
ambientes que promovam a confiança nas vacinas e a responsabili- bani-los. O distanciamento físico ainda é recomendado, especial-
dade coletiva, com vistas ao controle da Covid-19. Podem investir mente evitando locais com aglomeração em espaços fechados, ou
em campanhas e estratégias de incentivo à vacinação entre seus mesmo ao ar livre,, sempre que possível. Temos um cenário mais
funcionários, esclarecendo as dúvidas e divulgando informações favorável, mas a pandemia não acabou.
fidedignas. Entre as estratégias possíveis, pode-se criar um plano de Havendo ainda a possibilidade das instituições e empresas
comunicação, com o compartilhamento de mensagens curtas e contarem com trabalhadores que, embora vacinados, sejam mais
diretas, por meio de pôsteres em locais específicos, e-mails e outros vulneráveis a adoecerem gravemente (gestantes ou pessoas com
canais de grande difusão. É importante sempre enfatizar os benefí- comorbidades ou idosas, por exemplo), vale identificá-los e realocá--
cios de proteger a si mesmo, suas famílias, crianças, colegas de los para ambientes e execução de atividades com menor exposição.
trabalho e a comunidade. Os conteúdos devem abordar a importân- Por fim, merece ser enfatizada a importância das ações de comu-
cia da vacinação contra a Covid-19, bem como os locais e os meios nicação. Ao promover mudanças e estabelecer novas rotinas, empre-
de acesso para se obter a vacina. gadores devem atentar para que seus trabalhadores sejam comuni-
É fundamental ainda incentivar a vacinação junto a todos os cados e entendam que as medidas visam à segurança no ambiente
trabalhadores, independentemente de sua condição de contrato, de trabalho e à proteção da saúde de todos.

1. https://valorinveste.globo.com/objetivo/empreenda-se/noticia/2021/03/29/risco-de-covid-19-e-maior-para-20percent-do-mercado-de-trabalho.ghtml
2. https://preview.mailerlite.com/u5i4v6
3. https://www.cnnbrasil.com.br/saude/gravida-nao-vacinada--
contra-covid-tem-5-vezes-mais-chances-de-morrer-pela-doenca/#:~:text=Gestantes%20e%20pu%C3%A9rperas%20sem%20qualquer,ter%C3%A7a%2Dfeira%20(19).
4. O acesso ao VigiMed pode ser realizado através do link https://primaryreporting.who-umc.org/BR
5. WHO, 2 ‎ 021‎. Roadmap to improve and ensure good indoor ventilation in the context of COVID-19. World Health Organization.
https://apps.who.int/iris/handle/10665/339857

EXPEDIENTE | Boletim Observatório Covid-19é uma publicação do Observatório Covid-19 /Fiocruz.


Presidente: Nísia Trindade Lima • Assessoria de Relações Institucionais: Valcler Rangel Fernandes • Observatório Covid-19: Carlos Machado de Freitas, Christovam
Barcellos, Daniel Antunes Maciel Villela, Gustavo Corrêa Matta, Lenice Costa Reis, Margareth Crisóstomo Portela, Diego Ricardo Xavier, Raphael Guimarães, Raphael
de Freitas Saldanha, Isadora Vida Mefano • Coordenação de Comunicação Social - Coordenação: Elisa Andries • Edição: Regina Castro • Revisão: Gustavo de Carvalho
• Estagiária de Comunicação: Ana Flávia Pilar • Edição de Arte: Guto Mesquita

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