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A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero, quando através

da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, protestou contra diversos
pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, propondo uma reforma no catolicismo romano. Os princípios fundamentais da
Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas. Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus
provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido,
Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana
foi o movimento conhecido como Contra-Reforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento. O resultado da Reforma
Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o
Protestantismo e o início de massacres e perseguições por parte da Igreja Católica Romana como por exemplo a noite de Massacre
da noite de São Bartolomeu.

Pré-Reforma

 A Pré-Reforma foi o período anterior à Reforma Protestante no qual se iniciaram as bases ideológicas que posteriormente
resultaram na reforma iniciada por Martinho Lutero. A Pré-Reforma tem suas origens em uma denominação cristã do século XII
conhecida como Valdenses, que era formada pelos seguidores de Pedro Valdo, um comerciante de Lyon que se converteu ao
Cristianismo por volta de 1174. Ele decidiu encomendar uma tradução da Bíblia para a linguagem popular e começou a pregá-la ao
povo sem ser sacerdote. Ao mesmo tempo, renunciou à sua atividade e aos bens, que repartiu entre os pobres. Desde o início, os
valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua, considerando ser a fonte de toda autoridade
eclesiástica. Eles reuniam-se em casas de famílias ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à perseguição da Igreja Católica
Romana, já que negavam a supremacia de Roma e rejeitavam o culto às imagens, que consideravam como sendo idolatria.

 Protestos de Dentro da Igreja

Muitas vezes chamado de “estrela da manhã da Reforma”, João Wycliffe (1330?-84) era sacerdote católico e professor de teologia
em Oxford, Inglaterra. Bem ciente dos abusos na Igreja, ele escreveu e pregou contra coisas tais como corrupção nas ordens
monásticas, taxação papal, a doutrina da transubstanciação (a afirmação de que o pão e o vinho usados na Missa literalmente se
transformam no corpo e no sangue de Jesus Cristo), a confissão, e o envolvimento da Igreja em assuntos temporais. Wycliffe era
especialmente franco quanto à negligência da Igreja em ensinar a Bíblia. Disse ele certa vez: “Queira Deus que toda paróquia de
igreja neste país tenha uma boa Bíblia e boas explicações do evangelho, e que os sacerdotes os estudem bem, e que realmente
ensinem o evangelho e os mandamentos de Deus ao povo!” Com esse fim, Wycliffe, nos últimos anos de sua vida, dedicou-se à
tarefa de traduzir a Bíblia Vulgata latina para o inglês. Com a ajuda de seus associados, especialmente Nicolau de Hereford, ele
produziu a primeira Bíblia completa no idioma inglês. Esta foi, sem dúvida, a maior contribuição de Wycliffe à causa da busca de
Deus, por parte da humanidade. Os escritos de Wycliffe e partes da Bíblia foram distribuídos por toda a Inglaterra por um grupo de
pregadores muitas vezes chamados de “Sacerdotes Pobres” porque iam de vestes simples, descalços e sem bens materiais. Eram
também desdenhosamente chamados de Lolardos, que provém da palavra do holandês médio Lollaerd, ou “aquele que murmura
orações e hinos”. (Dicionário de Frases e Fábulas, de Brewer [em inglês]) “Em poucos anos, o seu número era considerável”, diz o
livro The Lollards (Os Lolardos). “Calculou-se que pelo menos um quarto da nação estava real ou supostamente inclinado em favor
desses sentimentos.” Tudo isso, naturalmente, não passou despercebido pela Igreja. Devido à sua notoriedade entre as classes
dominante e erudita, permitiu-se que Wycliffe morresse em paz no último dia de 1384. Os seus seguidores foram menos
afortunados. Durante o reinado de Henrique IV, da Inglaterra, eles foram tachados de hereges e muitos deles foram presos,
torturados ou queimados vivos. Fortemente influenciado por João Wycliffe havia o boêmio (tcheco) João Huss (1369?-1415),
também sacerdote católico e reitor da Universidade de Praga. Como Wycliffe, Huss pregou contra a corrupção da Igreja Romana e
frisou a importância de ler a Bíblia. Isto prontamente trouxe sobre ele a ira da hierarquia. Em 1403, as autoridades ordenaram-lhe
que parasse de pregar as idéias antipapais de Wycliffe, cujos livros também queimaram publicamente. Huss, porém, passou a
escrever algumas das mais pungentes acusações contra as práticas da igreja, incluindo a venda de indulgências. Ele foi condenado e
excomungado em 1410. Huss não transigia no seu apoio à Bíblia. “Rebelar-se contra um papa faltoso é obedecer a Cristo”, escreveu.
Ensinou também que a verdadeira igreja, longe de ser o papa e a instituição romana, “é o conjunto de todos os eleitos e o corpo
místico de Cristo, cuja cabeça é Cristo; e a noiva de Cristo, a quem à base de seu grande amor ele remiu com o seu próprio sangue”.
(Compare com Efésios 1:22, 23; 5:25-27.) Por tudo isso, ele foi julgado no Concílio de Constança e condenado como herege. Dizendo
“ser melhor morrer bem do que viver mal”, ele recusou-se a retratar-se e foi queimado vivo na estaca, em 1415. O mesmo concílio
ordenou também que os ossos de Wycliffe fossem desenterrados e queimados, embora já estivesse morto e sepultado há mais de 30
anos! Outro Reformador primordial foi o monge dominicano Girolamo Savonarola (1452-98) do mosteiro de São Marcos, em
Florença, Itália. Embalado pelo espírito da Renascença italiana, Savonarola falou contra a corrupção tanto na Igreja como no Estado.
Afirmando ter como base as Escrituras, bem como visões e revelações que dizia ter recebido, ele tentou fundar um estado cristão, ou
ordem teocrática. Em 1497, o papa excomungou-o. No ano seguinte, ele foi preso, torturado e enforcado. Suas últimas palavras
foram: “Meu Senhor morreu pelos meus pecados; não devia eu gratamente dar esta pobre vida por ele?” Seu corpo foi queimado e
as cinzas lançadas no rio Arno. Apropriadamente, Savonarola autodenominou-se “precursor e sacrifício”. Poucos anos depois, a
Reforma irrompeu com plena força em toda a Europa.

Uma Casa Dividida


Quando a tormenta da Reforma finalmente irrompeu, ela destroçou a casa religiosa da cristandade na Europa Ocidental. Tendo estado sob o
domínio praticamente total da Igreja Católica Romana, ela tornou-se então uma casa dividida. O sul da Europa — Itália, Espanha, Áustria e
partes da França — permaneceu na maior parte católico. O resto acomodou-se em três principais divisões: Luterana, na Alemanha e
Escandinávia; Calvinista (ou Reformada) na Suíça, Países-Baixos, Escócia e partes da França; e Anglicana na Inglaterra. Entremeados entre estas
havia grupos menores, porém mais radicais, primeiro os anabatistas e mais tarde os menonitas, huteritas e puritanos, que com o tempo
levaram as suas crenças para a América do Norte. No decorrer dos anos, essas principais divisões fragmentaram-se adicionalmente em
centenas de denominações atuais — Presbiteriana, Episcopal, Metodista, Batista, Congregacional, apenas para mencionar algumas. A
cristandade deveras se tornou uma casa dividida. Como foi que ocorreram tais divisões?

Lutero e Suas Teses

Se necessário fosse indicar um ponto inicial decisivo na Reforma protestante, este seria 31 de outubro de 1517, quando o monge agostiniano
Martinho Lutero (1483-1546) pregou as suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, no estado alemão da Saxônia. Contudo, o
que provocou esse dramático evento? Quem era Martinho Lutero? E contra o que protestou? Como Wycliffe e Huss, antes dele, Martinho
Lutero era um monge erudito. Era também doutor em teologia e professor de estudos bíblicos na Universidade de Wittenberg. Lutero ficou
famoso por sua compreensão da Bíblia. Embora tivesse fortes opiniões sobre o assunto da salvação, ou justificação, por meio de fé em vez de
obras ou de penitência, ele não intencionava romper com a igreja de Roma. De fato, a emissão de suas teses foi sua reação a um incidente
específico e não uma revolta planejada. Ele protestava contra a venda de indulgências. Nos dias de Lutero, as indulgências papais eram
publicamente vendidas não apenas em favor dos vivos mas também em favor dos mortos. “Assim que a moeda no cofre cai, a alma do
Purgatório sai”, dizia um ditado popular. Para o povo, uma indulgência era quase que uma apólice de seguro contra a punição por qualquer
pecado, e o arrependimento saía pela tangente. “Em toda a parte”, escreveu Erasmo, “vende-se a remissão do tormento purgatorial; não é
apenas vendida, mas forçada aos que se recusam a comprá-la”. Em 1517, João Tetzel, um frade dominicano, foi a Jüterbog, perto de
Wittenberg, para vender indulgências. O dinheiro arrecadado visava em parte financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, em Roma.
Visava também ajudar Alberto de Brandenburgo a repor o dinheiro que tomara emprestado para pagar à Cúria Romana pelo cargo de
arcebispo de Mainz. Tetzel usava toda a sua perícia de vendedor, e o povo afluía a ele. Lutero indignou-se, e recorreu ao que lhe parecia ser a
maneira mais rápida de expressar publicamente a sua opinião sobre esse espetáculo circense — pregar 95 pontos de discórdia na porta da
igreja. Lutero chamou suas 95 teses de Disputa Para Esclarecer o Poder das Indulgências. Seu objetivo não era tanto desafiar a autoridade da
igreja, como apontar os excessos e abusos da venda de indulgências papais. Pode-se ver isto das seguintes teses: “5. O papa não tem a
intenção nem o poder de remir qualquer penalidade, exceto as que ele impôs por sua própria autoridade... 20. Por conseguinte, quando o
papa fala da plena remissão de todas as penalidades, isso não significa realmente de todas, mas apenas daquelas impostas por ele mesmo...
36. Todo cristão que sente verdadeira compunção tem direito à plena remissão da punição e da culpa, mesmo sem cartas de indulto.”
Ajudado pela então recém-inventada imprensa, essas explosivas idéias não demoraram a atingir outras partes da Alemanha — e Roma. O que
começou como debate acadêmico sobre a venda de indulgências logo se transformou numa controvérsia sobre assuntos de fé e autoridade
papal. De início, a Igreja de Roma envolveu Lutero em debate e ordenou-lhe que se retratasse. Quando Lutero se recusou, tanto o poder
eclesiástico como o político foram acionados contra ele. Em 1520 o papa emitiu uma bula, ou edito, que proibia Lutero de pregar e ordenou
que seus livros fossem queimados. Em desafio, Lutero queimou a bula papal em público. O papa excomungou-o em 1521. Mais tarde naquele
ano, Lutero foi convocado à dieta, ou assembléia, em Worms. Foi julgado pelo imperador do Santo Império Romano, Carlos V, um católico
fanático, bem como pelos seis eleitores de colegiado dos estados alemães, e por outros líderes e dignitários, religiosos e seculares. Ao ser
novamente pressionado a retratar-se, Lutero fez a sua famosa declaração: “A menos que eu me convença pelas Escrituras e pela razão
evidente... não posso e não vou retratar-me de coisa alguma, pois ir contra a consciência não é direito nem seguro. Que Deus me ajude.
Amém.” Consequentemente, o imperador declarou-o fora-da-lei. Contudo, o governante de seu próprio estado alemão, o eleitor Frederico de
Saxônia, veio em seu auxílio e ofereceu-lhe abrigo no castelo de Wartburg. Essas medidas, porém, não impediram a disseminação das idéias
de Lutero. Por dez meses no refúgio de Wartburg, Lutero dedicou-se a produzir escritos e à tradução da Bíblia. Traduziu as Escrituras Gregas
para o alemão, do texto grego de Erasmo. As Escrituras Hebraicas vieram mais tarde. A Bíblia de Lutero revelou ser justamente o que o povo
necessitava. Consta que “foram vendidos cinco mil exemplares em dois meses, duzentos mil em doze anos”. Sua influência sobre o idioma e a
cultura alemã é muitas vezes comparada à da Versão Rei Jaime sobre o inglês. Nos anos que se seguiram à Dieta de Worms, o movimento da
Reforma ganhou tanto apoio popular que em 1526 o imperador concedeu a cada estado alemão o direito de escolher sua forma de religião,
luterana ou católica romana. Contudo, em 1529, quando o imperador reverteu a decisão, alguns dos príncipes alemães protestaram; assim,
cunhou-se o nome protestante para o movimento da Reforma. No ano seguinte, 1530, na Dieta de Augsburgo, o imperador empenhou-se
em sanar as diferenças entre as duas partes. Os luteranos apresentaram suas crenças num documento, a Confissão de Augsburgo, produzido
por Philipp Melanchthon, mas à base dos ensinos de Lutero. Embora o documento tivesse um tom mui conciliatório, a Igreja Romana
rejeitou-o, e a brecha entre o protestantismo e o catolicismo tornou-se intransponível. Muitos estados alemães aliaram-se a Lutero e os
estados escandinavos logo seguiram o seu exemplo.

Reforma ou Revolta?

Quais eram os pontos fundamentais que dividiam os protestantes dos católicos romanos? Segundo Lutero, havia três. Primeiro, Lutero cria
que a salvação resulta da “justificação apenas através da fé” (latim, sola fide) e não da absolvição sacerdotal ou de obras de penitência.
Segundo, ele ensinava que o perdão é concedido apenas devido à graça de Deus (sola gratia) e não pela autoridade de sacerdotes ou papas.
Por fim, Lutero sustentava que todos os assuntos doutrinais deviam ser confirmados pelas Escrituras apenas (sola scriptura) e não por papas
ou concílios de igreja. Apesar disso, diz The Catholic Encyclopedia, Lutero “reteve das antigas crenças e liturgia tudo aquilo que era possível
ajustar a seus conceitos peculiares sobre o pecado e a justificação”. Sobre a fé luterana, a Confissão de Augsburgo diz que “nada existe que
seja discordante das Escrituras, ou da Igreja Católica, ou mesmo da Igreja Romana, conforme essa Igreja é conhecida à base de escritores”. De
fato, a fé luterana, conforme delineada na Confissão de Augsburgo, incluía doutrinas antibíblicas como a Trindade, a alma imortal e o
tormento eterno, bem como práticas tais como o batismo de bebês e feriados e festas religiosas. Por outro lado, os luteranos exigiram certas
mudanças, tais como que se permitisse ao povo receber tanto o vinho como o pão na Comunhão e que fossem abolidos o celibato, os votos
monásticos e a confissão compulsória. Como um todo, a Reforma, conforme defendida por Lutero e seus seguidores, teve êxito em livrar-se
do jugo papal. Mas, como Jesus declarou em João 4:24, “Deus é Espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade”. Pode-
se dizer que, com Martinho Lutero, a luta da humanidade em busca do verdadeiro Deus tomou apenas um novo rumo; o caminho estreito da
verdade ainda estava distante. — Mateus 7:13, 14; João 8:31, 32.

A Reforma de Zwingli na Suíça

Enquanto Lutero se mantinha ocupado batalhando contra os emissários papais e as autoridades civis na Alemanha, o sacerdote católico
Ulrich Zwingli (1484-1531) iniciou seu movimento de reforma em Zurique, Suíça. Sendo esta uma região de língua alemã, o povo já estava
influenciado pela maré de reformas vinda do norte. Por volta de 1519, Zwingli começou a pregar contra as indulgências, a mariolatria, o
celibato clerical e outras doutrinas da Igreja Católica. Embora Zwingli afirmasse ser independente de Lutero, ele concordava com Lutero em
muitos aspectos e distribuía os panfletos de Lutero por todo o país. Em contraste com o mais conservador Lutero, porém, Zwingli defendia a
remoção de todos os vestígios da Igreja Romana — imagens, crucifixos, batina, e até mesmo música litúrgica. No entanto, uma controvérsia
mais séria entre os dois Reformadores dizia respeito à Eucaristia, ou Missa (Comunhão). Lutero, insistindo numa interpretação literal das
palavras de Jesus: ‘Este é meu corpo’, cria que o corpo e o sangue de Cristo estavam milagrosamente presentes no pão e no vinho servidos
na Comunhão. Zwingli, por outro lado, argumentava, em seu tratado On the Lord’s Supper (Sobre a Ceia do Senhor) que a declaração de
Jesus “deve ser tomada ilustrativa ou metaforicamente; ‘isto é meu corpo’, quer dizer ‘o pão significa meu corpo’, ou ‘é uma representação do
meu corpo’”. Por causa dessa diferença, os dois Reformadores se apartaram. Zwingli continuou a pregar as suas doutrinas de reforma em
Zurique e fez muitas mudanças ali. Outras cidades logo seguiram seu exemplo, mas a maioria das pessoas nas áreas rurais, mais
conservadoras, apegaram-se ao catolicismo. O conflito entre as duas facções tornou-se tão grande que irrompeu uma guerra civil entre
suíços protestantes e católicos romanos. Zwingli, servindo como capelão de exército, foi morto na batalha de Kappel, perto do lago Zug, em
1531. Quando finalmente veio a paz, concedeu-se a cada distrito o direito de decidir sua própria forma de religião, protestante ou católica.

Anabatistas, Menonitas e Huteritas

Alguns protestantes, porém, achavam que os Reformadores não foram suficientemente longe em renunciar às falhas da igreja católica
papista. Criam que a igreja cristã devia compor-se apenas dos fiéis praticantes que se tornavam batizados, em vez de todo o povo numa
comunidade ou nação. Assim, eles rejeitavam o batismo de bebês e insistiam na separação entre Igreja e Estado. Secretamente rebatizavam
seus concrentes e, por isso, ganharam o nome de anabatistas (ana significa “de novo” em grego). Visto que se recusavam a portar armas,
fazer juramentos ou aceitar cargos públicos, eles eram encarados como ameaça à sociedade e eram perseguidos tanto por católicos como
por protestantes. De início, os anabatistas viviam em pequenos grupos espalhados por partes da Suíça, Alemanha e Países-Baixos. Sendo que
pregavam suas crenças onde quer que fossem, suas fileiras aumentavam rapidamente. Um grupo de anabatistas, levados por seu fervor
religioso, abandonou seu pacifismo e capturou a cidade de Münster, em 1534, e tentou estabelecê-la como comunal e polígama Nova
Jerusalém. O movimento foi logo derrubado, com grande violência. Isto estragou a reputação dos anabatistas e eles foram praticamente
eliminados. Na verdade, a maioria dos anabatistas eram pessoas religiosas simples que tentavam levar uma vida separada e tranqüila. Entre
os mais bem organizados originários dos anabatistas havia os menonitas, seguidores do Reformador holandês Menno Simons, e os huteritas,
liderados pelo tirolês Jacob Hutter. Para fugir da perseguição, alguns deles migraram para a Europa Oriental — Polônia, Hungria e até mesmo
Rússia — outros para a América do Norte, onde pôr fim surgiram como comunidades huterita e amish.

Surge o Calvinismo

A obra de reforma na Suíça prosseguiu sob a liderança de um francês chamado Jean Chauvin, ou João Calvino (1509-64), que entrou em
contato com ensinamentos protestantes durante seus dias de estudo na França. Em 1534, Calvino deixou Paris por causa de perseguição
religiosa e fixou-se em Basiléia, na Suíça. Em defesa dos protestantes, publicou Institutes of the Christian Religion (Preceitos da Religião
Cristã), em que resumiu os conceitos dos primitivos pais da igreja e de teólogos medievais, bem como os de Lutero e Zwingli. Esse trabalho
veio a ser considerado como fundamento doutrinal para todas as igrejas Reformadas fundadas mais tarde na Europa e nos Estados Unidos.
Em Preceitos, ele apresentou a sua teologia. Para Calvino, Deus é o soberano absoluto, cuja vontade determina e governa tudo. Em contraste,
o homem decaído é pecaminoso e totalmente imerecedor. A salvação, portanto, não depende das boas obras do homem, mas de Deus —
resultando disso a doutrina da predestinação, de Calvino, sobre a qual ele escreveu: “Afirmamos que, por um eterno e imutável desígnio,
Deus determinou de uma vez por todas, tanto a quem Ele concederá a salvação, como a quem Ele condenará à destruição. Afirmamos que
este desígnio, no que tange aos eleitos, é fundado em Sua gratuita misericórdia, totalmente independente de mérito humano; mas que
àqueles a quem Ele entrega à condenação, o portão da vida é fechado por um julgamento justo e irrepreensível, porém incompreensível.” A
austeridade de tal ensino reflete-se também em outras áreas. Calvino insistia que os cristãos devem levar uma vida santa e virtuosa,
abstendo-se não somente do pecado, mas também do prazer e da frivolidade. Ademais, ele argumentava que a igreja, composta dos eleitos,
deve ser poupada de todas as restrições civis e que apenas através da igreja é possível estabelecer uma sociedade realmente piedosa. Pouco
depois de publicar Preceitos, Calvino foi persuadido por William Farel, outro Reformador francês, a radicar-se em Genebra. Trabalharam
juntos para pôr o calvinismo em prática. Seu objetivo era transformar Genebra numa cidade de Deus, uma teocracia de governo divino
combinando as funções de Igreja e Estado. Instituíram regulamentos estritos, com sanções, que abrangiam tudo, desde instrução religiosa e
serviços eclesiásticos à moral pública e até mesmo assuntos tais como saneamento e prevenção de incêndio. Certo livro de história conta que
“certa cabeleireira, por exemplo, por arrumar o cabelo de uma noiva duma maneira considerada indecorosa, foi encarcerada por dois dias; e a
mãe, junto com duas amigas, que haviam ajudado no processo, sofreram a mesma penalidade. Dançar e jogar baralho também eram punidos
pelo magistrado”. Dispensava-se um tratamento duro aos que divergiam de Calvino em teologia, o caso mais famoso sendo a queima do
espanhol Miguel Servet. Calvino continuou a aplicar o seu tipo de reforma em Genebra até a sua morte, em 1564, e a igreja Reformada ficou
firmemente estabelecida. Reformadores protestantes, fugindo da perseguição em outras terras, afluíram a Genebra, assimilaram os conceitos
calvinistas e serviram de instrumentos em iniciar movimentos de reforma em seus respectivos países de origem. O calvinismo logo chegou à
França, onde os huguenotes (como eram chamados os protestantes calvinistas franceses) sofreram severa perseguição às mãos dos católicos.
Nos Países-Baixos, os calvinistas ajudaram a estabelecer a Igreja Holandesa Reformada. Na Escócia, sob a zelosa liderança do ex-sacerdote
católico João Knox, a Igreja Presbiteriana da Escócia foi estabelecida segundo a linha calvinista. O calvinismo desempenhou um papel
também na Reforma na Inglaterra, e de lá seguiu com os puritanos para a América do Norte. Neste sentido, embora Lutero tivesse acionado a
Reforma protestante, Calvino teve em muito a maior influência no seu desenvolvimento.
Reforma na Inglaterra

Bastante distante dos movimentos de reforma na Alemanha e na Suíça, a Reforma inglesa pode remontar suas raízes aos dias de João
Wycliffe, cuja pregação anticlerical e ênfase na Bíblia gerou o espírito protestante na Inglaterra. Seu empenho em traduzir a Bíblia para o
inglês foi seguido por outros. William Tyndale, que teve de fugir da Inglaterra, produziu seu Novo Testamento em 1526. Mais tarde foi traído
na Antuérpia e estrangulado na estaca, e seu corpo foi queimado. Miles Coverdale terminou a obra de tradução de Tyndale, e a Bíblia
completa surgiu em 1535. A publicação da Bíblia na língua do povo foi sem dúvida o mais poderoso fator que contribuiu para a Reforma na
Inglaterra. A ruptura formal com o catolicismo romano ocorreu quando Henrique VIII (1491-1547), chamado de Defensor da Fé pelo papa,
proclamou o Ato de Supremacia, em 1534, nomeando a si mesmo chefe da Igreja da Inglaterra, ou Igreja Anglicana. Henrique também
fechou os mosteiros e dividiu os bens destes entre a pequena nobreza. Além disso, ordenou que se colocasse um exemplar da Bíblia em
inglês em todas as igrejas. Contudo, a ação de Henrique era mais política do que religiosa. O que ele queria era independência da autoridade
papal, especialmente sobre seus assuntos conjugais. No aspecto religioso, ele continuou católico em todos os sentidos, menos no nome. Foi
durante o longo reinado (1558-1603) de Elisabete I que a Igreja da Inglaterra tornou-se protestante na prática, embora permanecesse
largamente católica na estrutura. Aboliu o dever de obediência ao papa, o celibato clerical, a confissão e outras práticas católicas, não
obstante, reteve uma forma episcopal de estrutura eclesiástica em sua hierarquia de arcebispos e bispos, bem como ordens de monges e
freiras. Este conservadorismo causou considerável descontentamento, e surgiram vários grupos dissidentes. Os puritanos exigiam uma
reforma mais cabal para purificar a igreja de todas as práticas católico romanas; os separatistas e os independentes insistiam que os assuntos
da igreja deviam ser cuidados por anciãos locais (presbíteros). Muitos dissidentes fugiram para os Países-Baixos ou para a América do Norte,
onde fundaram adicionalmente suas igrejas Congregacional e Batista. Também surgiu na Inglaterra a Sociedade de Amigos (Quakers) sob
George Fox (1624-91) e os Metodistas sob João Wesley (1703-91).

Reforma (alternativamente chamada de Reforma Protestante ou Reforma Europeia)[1] foi um movimento importante dentro do cristianismo


ocidental na Europa do século XVI que representou um desafio religioso e político para a Igreja Católica e em particular para a autoridade papal, decorrente do
que eram percebidos como erros, abusos e discrepâncias cometidos pela Igreja. A Reforma foi o início do protestantismo, além de ser considerada um dos
eventos históricos que marcam o fim da Idade Média e o início do período moderno na Europa.[2]
Houve movimentos de reforma anteriores a Martinho Lutero. Embora a Reforma seja geralmente considerada como tendo começado com a publicação
das Noventa e cinco teses de Martinho Lutero em 1517, ele não foi excomungado até janeiro de 1521 pelo Papa Leão X. O Édito de Worms de maio de 1521
condenou Lutero e baniu oficialmente os cidadãos do Sacro Império Romano de defender ou propagar suas ideias.[3]
A disseminação da prensa móvel de Gutenberg forneceu os meios para a rápida disseminação de materiais religiosos no vernáculo. Lutero sobreviveu após
ser declarado fora da lei devido à proteção de Frederico, o Sábio. O movimento inicial na Alemanha se diversificou e surgiram outros reformadores
como Huldrych Zwingli e João Calvino.
Os principais eventos do período incluem: a Dieta de Worms (1521), a formação do luterano Ducado da Prússia (1525), a Reforma Inglesa (1529 em diante),
o Concílio de Trento (1545-63), a Paz de Augsburgo (1555), a excomunhão de Elizabeth I (1570), o Edito de Nantes (1598) e a Paz de Westfália (1648).
A Contrarreforma, também chamada de Reforma Católica ou Reavivamento Católico, foi o período de reformas católicas iniciadas em resposta à Reforma
Protestante.[4] O período histórico que representa o fim da era da Reforma ainda é contestado entre os estudiosos.

Antecedentes
Ver artigos principais: Hussitas, Lollardismo, Valdenses e Arnoldistas
Execução de Jan Hus em Constança (1415). O cristianismo ocidental já estava formalmente comprometido nas Terras da Coroa da Boêmia muito antes de Lutero, com os Pactos de

Basiléia (1436) e da Paz Religiosa de Kutná Hora (1485). O hussitismo utraquista foi permitido junto com a confissão católica romana. Na época em que a Reforma chegou, o Reino da

Boêmia e o Margraviato da Morávia já tinham populações de maioria hussita há décadas.

John Wycliffe questionou o status privilegiado do clero católico que havia reforçado seu poderoso papel na Inglaterra e o luxo e pompa das paróquias locais e
suas cerimônias.[5] Ele foi, portanto, caracterizado como a "estrela da tarde" da escolástica e como a "estrela da manhã" ou stella matutina da Reforma Inglesa.
[6]
 Em 1374, Catarina de Siena começou a viajar com seus seguidores por todo o norte e centro da Itália defendendo a reforma do clero e aconselhando as
pessoas de que o arrependimento e a renovação poderiam ser feitos por meio do "amor total a Deus".[7] Ela manteve uma longa correspondência com o Papa
Gregório XI, pedindo-lhe para reformar o clero e a administração dos Estados Pontifícios. As igrejas protestantes mais antigas, como a Igreja dos Irmãos
Morávios, datam suas origens em Jan Hus no início do século XV. Por ser liderada por uma maioria nobre da Boêmia e reconhecida, por algum tempo, pelos
Pactos de Basiléia, a reforma hussita foi a primeira "reforma magisterial" da Europa porque os magistrados governantes a apoiaram, ao contrário da "Reforma
Radical", que o Estado não apoiou.[carece  de fontes]
Fatores comuns que desempenharam um papel durante a Reforma e a Contrarreforma incluíram o surgimento da imprensa, do nacionalismo, da simonia, da
nomeação de cardeais-sobrinhos e de outras corrupções da Cúria Romana e outras hierarquias eclesiásticas, o impacto do humanismo, o novo aprendizado
da Renascença versus escolástica e o Cisma Ocidental, que corroeu a lealdade ao papado e gerou guerras entre príncipes, revoltas entre os camponeses e
uma preocupação generalizada com a corrupção na Igreja, especialmente de John Wycliffe na Universidade de Oxford e de Jan Hus na Universidade
Carolina em Praga.[carece  de fontes]
Hus se opôs a algumas das práticas da Igreja Católica Romana e queria devolver à igreja da Boêmia e da Morávia as práticas anteriores: a liturgia na
linguagem do povo (ou seja, o povo tcheco), fazendo com que os leigos recebam a comunhão em ambas as espécies (pão e vinho—isto é, em
latim, communio sub utraque specie), que padres possam casar e eliminando as indulgências e o conceito de purgatório. Algumas delas, como o uso da língua
local como língua litúrgica, foram aprovadas pelo papa já no século IX.[8]
Os líderes da Igreja Católica Romana o condenaram no Concílio de Constança (1414-1417), queimando-o na fogueira apesar da promessa de salvo-conduto.
[9]
 Wycliffe foi postumamente condenado como herege e seu cadáver foi exumado e queimado em 1428.[10] O Concílio de Constança confirmou e fortaleceu a
concepção medieval tradicional da Igreja e do império, semabordar as tensões nacionais ou teológicas provocadas durante o século anterior e não pôde evitar
o cisma e as Guerras Hussitas na Boêmia.[carece  de fontes]
O Papa Sisto IV (1471-1484) estabeleceu a prática de vender indulgências aos mortos, estabelecendo assim um novo fluxo de receita com agentes em toda a
Europa.[11] O Papa Alexandre VI (1492-1503) foi um dos papas mais controversos da Renascença. Ele era pai de sete filhos, entre eles Lucrécia e César
Borgia.[12] Em resposta à corrupção papal, particularmente a venda de indulgências, Martinho Lutero escreveu as Noventa e Cinco Teses.[13]

Reforma Magisterial
Ver artigos principais: Martinho Lutero, 95 teses e Protestantismo
Martinho Lutero publicou as Noventa e cinco teses em 1517

O início da Reforma é geralmente datado em 31 de outubro de 1517 em Wittenberg, Saxônia, quando Lutero enviou suas Noventa e Cinco Teses sobre o
Poder e a Eficácia das Indulgências ao Arcebispo de Mainz. As teses debatiam e criticavam a Igreja e o papado, mas concentravam-se na venda de
indulgências e políticas doutrinárias sobre o purgatório, o julgamento particular e a autoridade do papa. Mais tarde, no período entre 1517 e 1521, ele
escreveria obras sobre a devoção à Virgem Maria, a intercessão e devoção aos santos, os sacramentos, o celibato clerical obrigatório e, mais tarde, sobre a
autoridade papal, a lei eclesiástica, a censura e a excomunhão, o papel dos governantes seculares em questões religiosas, a relação entre o cristianismo e a
lei, as boas obras e o monaquismo.[14] Algumas freiras, como Katharina von Bora e Ursula de Munsterberg, deixaram a vida monástica quando aceitaram a
Reforma, mas outras ordens adotaram a Reforma, pois os luteranos continuam a ter mosteiros. Em contraste, as áreas reformadas tipicamente secularizaram
propriedades monásticas.[carece  de fontes]
Os reformadores e seus oponentes fizeram uso intenso de panfletos baratos, bem como de Bíblias vernáculas, usando a relativamente nova tecnologia de
impressão, de modo que houve um movimento rápido de ideias e documentos.[15][16]

Martinho Lutero na Dieta de Worms, onde se recusou a retratar suas obras quando solicitado por Carlos V. (pintura de Anton von Werner, 1877, Staatsgalerie Stuttgart)

Paralelamente aos eventos na Alemanha, um movimento começou na Suíça sob a liderança de Huldrych Zwingli. Esses dois movimentos concordaram
rapidamente na maioria das questões, mas algumas diferenças não resolvidas os mantiveram separados. Alguns seguidores de Zwingli acreditavam que a
Reforma era muito conservadora e se movia independentemente em direção a posições mais radicais, algumas das quais sobrevivem entre
os anabatistas modernos.[carece  de fontes]
Após este primeiro estágio da Reforma, após a excomunhão de Lutero no Decet Romanum Pontificem e a condenação de seus seguidores pelos éditos da
Dieta de Worms em 1521, a obra e os escritos de João Calvino foram influentes no estabelecimento de um consenso vago entre várias igrejas na
Suíça, Escócia, Hungria, Alemanha e em outros lugares.[carece  de fontes]
Embora a Guerra dos Camponeses Alemães de 1524-1525 tenha começado como um protesto contra impostos e anticorrupção, seu líder Thomas
Müntzer deu a ela um caráter radical.[17] Em resposta aos relatórios sobre a destruição e violência, Lutero condenou a revolta em escritos como Contra os
assassinos, ladrões de hordas de camponeses; o aliado de Zwínglio e Lutero, Philipp Melanchthon, também não tolerou o levante.[18][19] Cerca de 100 mil
camponeses foram mortos até o final da guerra.[20]

Reforma Radical
Ver artigo principal: Reforma Radical

Panfleto dos Doze Artigos dos Camponeses de 1525

A Reforma Radical foi a resposta ao que se acreditava ser a corrupção tanto na Igreja Católica Romana quanto na Reforma Magisterial. Começando na
Alemanha e na Suíça no século XVI, a Reforma Radical desenvolveu igrejas protestantes radicais por toda a Europa. O termo inclui Thomas Müntzer, Andreas
Karlstadt, os profetas de Zwickau e anabatistas, como os huteritas e menonitas. Em partes da Alemanha, Suíça e Áustria, a maioria simpatizou com a Reforma
Radical, apesar da intensa perseguição.[21] Embora a proporção de sobreviventes da população europeia que se rebelou contra as igrejas católicas, luteranas
e zwinglianas fosse pequena, os reformadores radicais escreveram abundantemente e a literatura sobre a Reforma Radical é desproporcionalmente grande,
em parte como resultado da proliferação dos ensinamentos da reforma radical nos Estados Unidos.[22]
Apesar da diversidade significativa entre os primeiros reformadores radicais, alguns "padrões repetidos" surgiram entre muitos grupos anabatistas. Muitos
desses padrões foram consagrados na Confissão de Schleitheim (1527) e incluem o batismo dos crentes (ou adultos), visão memorial da Ceia do Senhor,
crença de que a Escritura é a autoridade final em questões de fé e prática, ênfase no Novo Testamento e o Sermão da Montanha, interpretação da Escritura
em comunidade, separação do mundo e uma teologia de dois reinos, pacifismo, comunalismo e compartilhamento econômico, além da crença na liberdade de
vontade, no não juramento, na "rendição" (Gelassenheit) para a própria comunidade e para Deus, na salvação por meio da divinização (Vergöttung), na vida
ética e no discipulado (Nachfolge Christi).[23]

Alfabetização

A Bíblia de Lutero, de 1534, foi traduzida para o alemão. A tradução de Lutero influenciou o desenvolvimento do alemão padrão atual.

A Reforma foi um triunfo da alfabetização e da nova imprensa.[24][15][25] A tradução de Lutero da Bíblia para o alemão foi um momento decisivo na disseminação
da alfabetização e também estimulou a impressão e distribuição de livros e panfletos religiosos. De 1517 em diante, panfletos religiosos inundaram a
Alemanha e grande parte da Europa.[26]
Em 1530, mais de 10 mil publicações são conhecidas, com um total de dez milhões de cópias. A Reforma foi, portanto, uma revolução de mídia. Lutero
reforçou seus ataques contra Roma, retratando uma igreja "boa" contra uma "má". A partir daí, ficou claro que a impressão poderia ser usada para propaganda
de agendas particulares, embora o termo propaganda derive da Congregatio de Propaganda Fide (Congregação para a Propagação da Fé)
da Contrarreforma católica. Os redatores da reforma usaram estilos, clichês e estereótipos existentes que eles adaptaram conforme necessário. Especialmente
eficazes foram os escritos em alemão, incluindo a tradução da Bíblia de Lutero, seu Catecismo Menor para pais ensinarem seus filhos e seu Catecismo
Maior para pastores. Usando o vernáculo alemão, eles expressaram o Credo dos Apóstolos em uma linguagem trinitária mais simples e pessoal. As ilustrações
na Bíblia alemã e em muitos folhetos popularizaram as ideias de Lutero. Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), o grande pintor patrocinado pelos eleitores
de Wittenberg, era um amigo próximo de Lutero e ilustrou a teologia de Lutero para um público popular. Ele dramatizou as visões de Lutero sobre a relação
entre o Antigo e o Novo Testamento, enquanto permanecia atento às cuidadosas distinções de Lutero sobre os usos adequados e impróprios de imagens
visuais.[27]

Causas

Erasmo foi um padre católico que inspirou alguns dos reformadores protestantes

Os seguintes fatores do lado da oferta foram identificados como causas da Reforma:[28]

 A presença de uma prensa móvel em uma cidade por volta de 1500 tornou a popularização do protestantismo por volta de 1600 muito mais
provável;[15]
 A literatura protestante foi produzida em níveis maiores em cidades onde os mercados de mídia eram mais competitivos, tornando essas cidades
mais propensas a adotar o protestantismo;[25]
 As incursões otomanas diminuíram os conflitos entre protestantes e católicos, ajudando a Reforma a criar raízes;[29]
 Maior autonomia política aumentou a probabilidade de que o protestantismo fosse adotado;[15][30]
 Onde os reformadores protestantes desfrutavam do patrocínio principesco, eles tinham muito mais probabilidade de sucesso;[31]
 A proximidade de vizinhos que adotaram o protestantismo aumentou a probabilidade de adoção da Reforma;[30]
 As cidades com maior número de alunos matriculados em universidades heterodoxas e menor número de alunos matriculados em universidades
ortodoxas eram mais propensas a adotar o protestantismo.[31]
Os seguintes fatores do lado da demanda foram identificados como causas da Reforma:[28]

 Cidades com fortes cultos de santos eram menos propensas a adotar o protestantismo;[32]
 As cidades onde a primogenitura era praticada eram menos propensas a adotar o protestantismo;[33]
 Regiões que eram pobres, mas tinham grande potencial econômico e instituições políticas ruins eram mais propensas a adotar o protestantismo;[34]
 A presença de bispados tornou a adoção do protestantismo menos provável;[15]
 A presença de mosteiros tornou a adoção do protestantismo menos provável.[34]
Um estudo de 2020 vinculou a disseminação do protestantismo a laços pessoais com Lutero (por exemplo, correspondentes de cartas, visitas, ex-alunos) e
rotas comerciais.[35]

Disseminação
Sacro Império, Suíça e França
No início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero, abraçando as ideias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e
1517. Em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Catedral de Wittenberg, com um convite aberto a uma disputa escolástica sobre
elas.[36] Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante.[37] Essas teses condenavam a "avareza e o paganismo" na Igreja, e pediam um debate
teológico sobre o que as indulgências significavam. As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês se
haviam espalhado por toda a Europa.[38]
Após diversos acontecimentos, em junho de 1518 foi aberto um processo por parte da Igreja Romana contra Lutero, a partir da publicação das suas 95 Teses.
Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em heresia. Depois disso, em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória.
[39]
 Finalmente, em junho de 1520 reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em janeiro de 1521, a bula "Decet Romanum
Pontificem" excomungou Lutero. Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde permaneceu por cerca de um
ano. Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro
de 1522.[40]

Extensão da Reforma Protestante na Europa

Enquanto isso, em meio ao clero saxônio, aconteceram renúncias ao voto de castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos
monásticos. Entre outras coisas, muitos realizaram a troca das formas de adoração e terminaram com as missas, assim como a eliminação das imagens nas
igrejas e a ab-rogação do celibato. Ao mesmo tempo em que Lutero escrevia "a todos os cristãos para que se resguardem da insurreição e rebelião". Seu
casamento com a ex-monja cisterciense Catarina von Bora incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Com estes e
outros atos consumou-se o rompimento definitivo com a Igreja Romana.[41] Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms que teve um papel importante na
Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas teses; no entanto, ele defendeu-as e pediu a reforma.[42] Autoridades de várias regiões
do Sacro Império Romano-Germânico pressionadas pela população e pelos luteranos, expulsavam e até assassinavam sacerdotes católicos das igrejas,
substituindo-os por religiosos com formação luterana.
Toda essa rebelião ideológica resultou também em rebeliões armadas, com destaque para a Guerra dos Camponeses (1524-1525). Esta guerra foi, de muitas
maneiras, uma resposta aos discursos de Lutero e de outros reformadores. Revoltas de camponeses já tinham existido em pequena escala
em Flandres (1321-1323), na França (1358), na Inglaterra (1381-1388), durante as guerras hussitas do século XV, e muitas outras até o XVIII. A revolta foi
incitada principalmente pelo seguidor de Lutero, Thomas Münzer, que comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha uma
sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade privada, Lutero por sua vez defendia que a existência de "senhores e servos" era vontade
divina, motivo pelo qual eles romperam,[43] sendo que Lutero condenou Münzer e essa revolta.[44]

O Muro dos Reformadores. Da esquerda à direita, estátuas de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox

Em 1530, foi apresentada na Dieta imperial convocada pelo imperador Carlos V, realizada em abril desse ano, a Confissão de Augsburgo, escrita por Felipe
Melanchton[45] com o apoio da Liga de Esmalcalda. Os representantes católicos na dieta resolveram preparar uma refutação ao documento luterano em agosto,
a Confutatio Pontificia (Confutação), que foi lida na dieta. O imperador exigiu que os luteranos admitissem que sua confissão havia sido refutada. A reação
luterana surgiu na forma da Apologia da Confissão de Augsburgo, que estava pronta para ser apresentada em setembro do mesmo ano, mas foi rejeitada pelo
Imperador. A Apologia foi publicada por Felipe Melanchton no fim de maio de 1531, tornando-se confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com
a Confissão de Augsburgo, em Esmalcalda, em 1537.[46]
Ao mesmo tempo em que ocorria uma reforma em um sentido determinado, alguns grupos protestantes realizaram a chamada Reforma Radical. Queriam uma
reforma mais profunda. Foram parte importante dessa reforma radical os anabatistas, cujas principais características eram a defesa da total separação entre
igreja e estado e o "novo batismo"[47] (que em grego é anabaptizo). Enquanto no Sacro Império a reforma era liderada por Lutero, Na França e na Suíça a
Reforma teve como líderes João Calvino e Ulrico Zuínglio.[48]
João Calvino foi inicialmente um humanista. Foi integrante do clero, todavia não chegou a ser ordenado sacerdote romano. Depois do seu afastamento da
Igreja romana, este intelectual começou a ser visto como um representante importante do movimento protestante.[49] Vítima das perseguições
aos huguenotes na França, fugiu para Genebra em 1533[50] onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se um centro do protestantismo europeu e João Calvino
permanece desde então como uma figura central da história da cidade e da Suíça. Calvino publicou as Institutas da Religião Cristã,[51] que são uma importante
referência para o sistema de doutrinas adotado pelas Igrejas Reformadas.[52]
Os problemas com os huguenotes somente concluíram quando o rei Henrique IV, um ex-huguenote, emitiu o Édito de Nantes, declarando tolerância religiosa e
prometendo um reconhecimento oficial da minoria protestante, mas sob condições muito restritas. O catolicismo romano se manteve como religião oficial
estatal e as fortunas dos protestantes franceses diminuíram gradualmente ao longo do século seguinte, culminando no Édito de Fontainebleau de Luis XIV,
que revogou o Édito de Nantes e fez de Roma a única Igreja legal na França. Em resposta ao Édito de Fontainebleau, Frederick William
de Brandemburgo declarou o Édito de Potsdam, dando passagem livre a franceses huguenotes refugiados e isentando-os de impostos durante 10 anos.[carece  de
fontes]

Ulrico Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas suíças. Zuínglio não deixou igrejas organizadas, mas as suas doutrinas
influenciaram as confissões calvinistas. A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo magistrado e pela população de Zurique, levando a mudanças significativas na
vida civil e em assuntos de estado em Zurique.[53]

Inglaterra
Ver artigo principal: Reforma Inglesa

Henrique VIII, por Hans Holbein, o Jovem, 1537, Museu Thyssen-Bornemisza

O curso da Reforma foi diferente na Inglaterra. Desde há muito tempo que havia uma forte corrente anticlerical, tendo a Inglaterra já visto o
movimento Lollardo, que inspirou os hussitas na Boémia. No entanto, ao redor de 1520 os lollardos já não eram uma força ativa, ou pelo menos um movimento
de massas. Embora Henrique VIII tivesse defendido a Igreja Romana com o livro Assertio Septem Sacramentorum (Defesa dos Sete Sacramentos), que
contrapunha as 95 Teses de Martinho Lutero, Henrique promoveu a Reforma Inglesa para satisfazer as suas necessidades políticas. Sendo este casado
com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, Henrique solicitou ao papa Clemente VII a anulação do casamento.[54] Perante a recusa
do papado, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da Igreja inglesa. O Ato de Supremacia, votado no parlamento em novembro de 1534, colocou
Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja, nascendo assim o anglicanismo. Os súditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados,
perseguidos[55] e executados, tribunais religiosos foram instaurados e católicos foram obrigados à assistir cultos protestantes,[56] muitos importantes opositores
foram mortos, tais como Thomas More, o bispo John Fischer e alguns sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuxos. Quando Henrique foi sucedido pelo
seu filho Eduardo VI em 1547, os protestantes viram-se em ascensão no governo. Uma reforma mais radical foi imposta diferenciando o anglicanismo ainda
mais do catolicismo romano.[57]
Seguiu-se uma breve reação romana durante o reinado de Maria I (1553–1558). De início moderada na sua política religiosa, Maria procura a reconciliação
com Roma, consagrada em 1554, quando o parlamento votou o regresso à obediência ao papa.[54] Um consenso começou a surgir durante o reinado de Isabel
I. Em 1559, Isabel I retornou ao anglicanismo com o restabelecimento do Ato de Supremacia e do Livro de Orações de Eduardo VI. Através da Confissão dos
Trinta e Nove Artigos (1563), Isabel alcançou um compromisso entre o protestantismo e o catolicismo romano: embora o dogma se aproximasse do calvinismo,
só admitindo como sacramentos o Batismo e a Eucaristia, foi mantida a hierarquia episcopal e o fausto das cerimônias religiosas. A Reforma
na Inglaterra procurou preservar o máximo da Tradição Romana (episcopado, liturgia e sacramentos). A Igreja da Inglaterra sempre se viu como a ecclesia
anglicanae, ou seja, A Igreja cristã na Inglaterra e não como uma derivação da Igreja de Roma ou do movimento reformista do século XVI. A Reforma
Anglicana buscou ser a "via média" entre Roma e o protestantismo.[58]
Em 1561, apareceu uma confissão de fé com uma Exortação à Reforma da Igreja modificando seu sistema de liderança, pelo qual nenhuma igreja deveria
exercer qualquer autoridade ou governo sobre outras, e ninguém deveria exercer autoridade na Igreja se isso não lhe fosse conferido por meio de eleição.
Esse sistema, considerado "separatista" pela Igreja Anglicana, ficou conhecido como congregacionalismo.[59] Richard Fytz é considerado o primeiro pastor de
uma igreja congregacional, entre os anos de 1567 e 1568, na cidade de Londres. Por volta de 1570, ele publicou um manifesto intitulado As Verdadeiras
Marcas da Igreja de Cristo.[60] Em 1580, Robert Browne, um clérigo anglicano que se tornou separatista, junto com o leigo Robert Harrison, organizou
em Norwich uma congregação cujo sistema era congregacionalista,[61] sendo um claro exemplo de igreja desse sistema. Na Escócia, John Knox (1505-1572),
que tinha estudado com João Calvino em Genebra, levou o Parlamento da Escócia a abraçar a Reforma Protestante em 1560, sendo estabelecido
o presbiterianismo. A primeira Igreja Presbiteriana, a Igreja da Escócia (ou Kirk), foi fundada como resultado disso.[62]

Países Baixos e Escandinávia


A Reforma nos Países Baixos, diferente de alguns outros países, não foi iniciado pelos governantes das Dezessete Províncias, mas sim por vários movimentos
populares que, por sua vez, foram reforçados com a chegada dos protestantes refugiados de outras partes do continente. Enquanto o
movimento anabatista gozava de popularidade na região nas primeiras décadas da Reforma, o calvinismo, através da Igreja Reformada Holandesa, tornou a fé
protestante dominante no país desde a década de 1560 em diante. No início de agosto de 1566, uma multidão de protestantes invadiu a Igreja de Hondschoote
na Flandres (atualmente Norte da França) com a finalidade de destruir as imagens católicas,[63][64][65] esse incidente provocou outros semelhantes nas províncias
do norte e sul, até Beeldenstorm, em que calvinistas invadiram igrejas e outros edifícios católicos para destruir estátuas e imagens de santos em toda
a Holanda, pois de acordo com os calvinistas, estas estátuas representavam culto de ídolos. Duras perseguições aos protestantes pelo governo espanhol
de Felipe II contribuíram para um desejo de independência nas províncias, o que levou à Guerra dos Oitenta Anos e finalmente, a separação da zona
protestante (atual Holanda, ao norte) da zona católica (atual Bélgica, ao sul).[62]
Teve grande importância durante a Reforma um teólogo holandês: Erasmo de Roterdã. No auge de sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar
partido nas discussões sobre a Reforma. Inicialmente, Erasmo se simpatizou com os principais pontos da crítica de Lutero, descrevendo-o como "uma
poderosa trombeta da verdade do evangelho" e admitindo que, "É claro que muitas das reformas que Lutero pede são urgentemente necessárias.".[66] Lutero e
Erasmo demonstraram admiração mútua, porém Erasmo hesitou em apoiar Lutero devido a seu medo de mudanças na doutrina. Em seu Catecismo
(intitulado Explicação do Credo Apostólico, de 1533), Erasmo tomou uma posição contrária a Lutero por aceitar o ensinamento da "Sagrada Tradição" não
escrita como válida fonte de inspiração além da Bíblia, por aceitar no cânon bíblico os livros deuterocanônicos e por reconhecer os sete sacramentos.[67] Estas
e outras discordâncias, como por exemplo, o tema do Livre arbítrio fizeram com que Lutero e Erasmo se tornassem opositores.[carece  de fontes]

Catedral luterana em Helsinque, Finlândia

Na Dinamarca, a difusão das ideias de Lutero deveu-se a Hans Tausen. Em 1536[68] na Dieta de Copenhaga, o rei Cristiano III aboliu a autoridade dos bispos
católicos, tendo sido confiscados os bens das igrejas e dos mosteiros. O rei atribuiu a Johann Bugenhagen, discípulo de Lutero, a responsabilidade de
organizar uma Igreja Luterana nacional.[69] A Reforma na Noruega e na Islândia foi uma conseqüência da dominação da Dinamarca sobre estes territórios;
assim, logo em 1537 ela foi introduzida na Noruega e entre 1541 e 1550[68] na Islândia, tendo assumido neste último território características violentas.
Na Suécia, o movimento reformista foi liderado pelos irmãos Olaus Petri e Laurentius Petri. Teve o apoio do rei Gustavo I,[70] que rompeu com Roma em 1525,
na Dieta de Vesteras. O luteranismo, então, penetrou neste país estabelecendo-se em 1527.[68] Em 1593, a Igreja sueca adotou a Confissão de Augsburgo.
Na Finlândia, as igrejas faziam parte da Igreja sueca até o início do século XIX, quando foi formada uma igreja nacional independente, a Igreja Evangélica
Luterana da Finlândia.[carece  de fontes]

Outras partes da Europa


Na Hungria, a disseminação do protestantismo foi auxiliada pela minoria étnica alemã, que podia traduzir os escritos de Lutero. Enquanto
o luteranismo ganhou uma posição entre a população de língua alemã, o calvinismo se tornou amplamente popular entre a etnia húngara.[71] Provavelmente, os
protestantes chegaram a ser maioria na Hungria até o final do século XVI, mas os esforços da Contrarreforma no século XVII levaram uma maioria do reino de
volta ao catolicismo romano.[72]
Fortemente perseguida, a Reforma praticamente não penetrou em Portugal e Espanha. Ainda assim, uma missão francesa enviada por João Calvino se
estabeleceu em 1557 numa das ilhas da baía de Guanabara, localizada no Brasil, então colônia de Portugal. Ainda que tenha durado pouco tempo, deixou
como herança a Confissão de Fé da Guanabara.[73] Por volta de 1630, durante o domínio holandês em Pernambuco, a Igreja Reformada Neerlandesa (Igreja
Protestante na Holanda) instalou-se no Brasil. Tinha ao conde Maurício de Nassau como seu membro mais ilustre. Esse período se encerrou com a Guerra da
Restauração portuguesa.[74] Na Espanha, as ideias reformadas influíram em dois monges católicos: Casiodoro de Reina, que fez a primeira tradução da Bíblia
para o idioma espanhol, e Cipriano de Valera, que fez sua revisão,[75] originando a conhecida como Biblia Reina-Valera.[76]

Legado
Não há acordo universal sobre a data exata ou aproximada em que a Reforma terminou. Várias interpretações enfatizam datas diferentes, períodos inteiros ou
argumentam que a Reforma nunca terminou realmente. No entanto, existem algumas interpretações populares. A Paz de Augsburgo em 1555 encerrou
oficialmente a luta religiosa entre os dois grupos e tornou a divisão legal do cristianismo permanente dentro do Sacro Império Romano-Germânico, permitindo
que os governantes escolhessem o luteranismo ou o catolicismo romano como a confissão oficial de seu estado. Pode-se considerar que termina com a
promulgação das confissões de fé. Outros anos finais sugeridos estão relacionados à Contrarreforma ou à Paz de Vestfália em 1648. De uma perspectiva
católica, o Concílio Vaticano II pediu o fim da Contrarreforma.[77]
Os seis príncipes do Sacro Império Romano-Germânico e governantes de quatorze Cidades Livres Imperiais, que emitiram um protesto (ou dissidência) contra
o edito da Dieta de Speyer (1529), foram os primeiros indivíduos a serem chamados de protestantes.[78] O edito reverteu as concessões feitas
aos luteranos com a aprovação do Imperador Romano-Germânico Carlos V três anos antes. O termo protestante, embora inicialmente de natureza puramente
política, mais tarde adquiriu um sentido mais amplo, referindo-se a um membro de qualquer igreja ocidental que aderisse aos principais princípios protestantes.
[78]
 Hoje, o protestantismo constitui a segunda maior forma de cristianismo (depois do catolicismo), com um total de 800 milhões até 1 bilhão de adeptos em
todo o mundo; ou cerca de 37% de todos os cristãos.[79][80] protestantes desenvolveram sua própria cultura, com grandes contribuições na educação, nas
humanidades e nas ciências, na ordem política e social, na economia e nas artes e em muitos outros campos.[81] Os seguintes resultados da Reforma com
relação à formação de capital humano , a ética protestante, o desenvolvimento econômico, a governança e os resultados "sombrios" foram identificados por
estudiosos:[28]

Guerra dos Trinta Anos: 1618-1648


Ver artigo principal: Guerra dos Trinta Anos

O Tratado de Vestfália permitiu que o calvinismo fosse exercido livremente, reduzindo a necessidade do cripto-calvinismo


Os conflitos da era da Reforma e da Contrarreforma são chamados de guerras religiosas europeias. Em particular, a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648)
devastou grande parte da Alemanha, matando entre 25% e 40% de toda a sua população.[82] A católica Casa de Habsburgo e seus aliados lutaram contra os
príncipes protestantes da Alemanha, apoiados em vários momentos pela Dinamarca, Suécia e França. Os Habsburgos, que governaram a Espanha, Áustria,
a Coroa da Boêmia, Hungria, Terras Eslovenas, Holanda espanhola e grande parte da Alemanha e Itália, foram defensores ferrenhos da Igreja Católica.
Alguns historiadores acreditam que a era da Reforma chegou ao fim quando a França católica se aliou aos Estados protestantes contra a dinastia dos
Habsburgos.
Dois princípios principais da Paz de Vestfália, que encerrou a Guerra dos Trinta Anos, foram:

 Todas as partes agora reconheceriam a Paz de Augsburgo de 1555, pela qual cada príncipe teria o direito de determinar a religião de seu próprio
Estado, as opções sendo o catolicismo, o luteranismo e agora o calvinismo (o princípio do cuius regio, eius religio);
 Os cristãos que viviam em principados onde sua denominação não era a igreja estabelecida tinham garantido o direito de praticar sua fé em público
durante as horas designadas e em particular conforme sua vontade.
O tratado também acabou com o poder político pan-europeu do papado. O Papa Inocêncio X declarou o tratado "nulo, inválido, iníquo, injusto, condenável,
réprobo, fútil, vazio de significado e efeito para todos os tempos" em sua bula Zelo Domus Dei. Soberanos europeus, católicos e protestantes, ignoraram seu
veredicto.[83]

Contrarreforma
Ver artigo principal: Contrarreforma

Massacre de São Bartolomeu

Uma vez que a Reforma Protestante desconsiderou e combateu diversas doutrinas e dogmas católicos, e provocou as maiores divisões no cristianismo,[84]
[85]
 a Igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento (1545-1563),[86] que resultou no início da Contrarreforma ou Reforma Católica,[87] na qual
os jesuítas tiveram um papel importante.[88] A Inquisição e a censura exercida pela Igreja Romana foram igualmente determinantes para evitar que as ideias
reformadoras encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália, países católicos.[89] As igrejas protestantes por sua vez, ao mesmo tempo em que
propagavam a bíblia e suas ideias graças a invenção da máquina tipográfica de Johannes Gutenberg, também tornaram proibidos uma série de livros católicos
e outros que contrariavam suas doutrinas.[90] Edward Macnall Burns observou que "do câncer maligno da intolerância", "não escaparam católicos nem
protestantes".[91]
O biógrafo de João Calvino, o francês Bernard Cottret, escreveu:
Com o Concílio de Trento (1545-1563)… trata-se da racionalização e reforma da vida do clero. A Reforma Protestante é para ser entendida num sentido mais
extenso: ela denomina a exortação ao regresso aos valores cristãos de cada "indivíduo".

Segundo Bernard Cottret, diferente da pregação romana que defende a salvação na igrejaː[92]
A reforma cristã, em toda a sua diversidade, aparece centrada na teologia da salvação. A salvação, no cristianismo, é forçosamente algo de individual, diz
mais respeito ao indivíduo do que à comunidade. [93]

Seguiram-se uma série de importantes acontecimentos e conflitos entre as duas religiões, como o Massacre da noite de São Bartolomeu, ocorrido como parte
das Guerras Francesas, organizada pela casa real francesa contra os calvinistas franceses (huguenotes), em 24 de agosto de 1572 e duraram vários meses,
inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas. Números precisos para as vítimas nunca foram compilados,[94] e até mesmo nos escritos dos
historiadores modernos há uma escala considerável de diferença,[95] que têm variado de 2 mil vítimas, até a afirmação de 70 mil, pelo contemporâneo e
apologista huguenote duque de Sully, que escapou por pouco da morte.[96][97]
Nos países protestantes por sua vez, foi feita a expulsão e o massacre de sacerdotes católicos,[98] bem como a matança em massa de aproximadamente
30 000 anabatistas, desde o seu surgimento em 1535, até os dez anos seguintes. Na Inglaterra, por sua vez, católicos foram executados em massa, tribunais
religiosos foram instaurados e muitos foram obrigados à assistir cultos protestantes,[99] forçando assim sua conversão ao protestantismo mediante o terror.[99]

Formação de capital humano


 Taxas mais altas de alfabetização;[100]
 Menor diferença de gênero nas taxas de escolarização e alfabetização;[101]
 Maior número de matrículas no ensino fundamental;[102]
 Maior gasto público com escolaridade e melhor desempenho educacional dos recrutas militares;[103]
 Maior capacidade em leitura, matemática, redação de ensaios e história.[104]

Ética protestante
Ver artigo principal: Ética protestante do trabalho

 Mais horas trabalhadas;[105]


 Atitudes de trabalho divergentes de protestantes e católicos;[106]
 Menos referendos sobre lazer, intervenção estatal e redistribuição nos cantões suíços com mais protestantes;[107]
 Menor satisfação com a vida quando desempregado;[108]
 Atitudes pró-mercado;[109]
 Diferenças de renda entre protestantes e católicos;[100]

Desenvolvimento econômico
Katharina von Bora desempenhou um papel na formação da ética social durante a Reforma.

 Diferentes níveis de receita de imposto de renda per capita, % da força de trabalho na indústria e serviços e rendimentos de professores do ensino
fundamental;[100]
 Crescimento das cidades protestantes;[110][111]
 Maior empreendedorismo entre as minorias religiosas nos estados protestantes;[112][113]
 Éticas sociais diferentes;[114]
 Industrialização.[115]

Governança
 A Reforma foi considerada um fator-chave no desenvolvimento do sistema estatal;[116] [117]
 A Reforma foi considerada um fator-chave na formação de movimentos de defesa transnacionais;[118]
 A Reforma impactou a tradição jurídica ocidental;[119]
 Estabelecimento de igrejas estaduais. [120]
 Regimes de assistência e bem-estar social fracos;[121] [122]
 James Madison observou que a doutrina dos dois reinos de Martinho Lutero marcou o início da concepção moderna de separação entre igreja e
Estado;[123]
 A doutrina calvinista e luterana do magistrado menor contribuiu para a teoria da resistência no início do período moderno e foi empregada
na Declaração da Independência dos Estados Unidos.

Resultados negativos
 Os julgamentos de bruxas tornaram-se mais comuns em regiões ou outras jurisdições onde protestantes e católicos contestavam o mercado
religioso;[124]
 Os protestantes tinham muito mais probabilidade de votar nos nazistas do que seus colegas católicos alemães;[125] Christopher J. Probst, em seu
livro Demonizing the Jewish: Luther and the Protestant Church in Nazi Germany (2012), mostra que um grande número de clérigos e teólogos
protestantes alemães durante o Terceiro Reich nazista usaram as publicações hostis de Lutero contra os judeus e o judaísmo para justificar, pelo menos
em parte, as políticas antissemitas dos nacional-socialistas.[126]
 Maior taxa de suicídio e maior aceitabilidade de suicídio.[127][128]

10 fatos que você (talvez) não saiba sobre Martinho Lutero

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Há 500 anos Martinho Lutero lançou duras críticas à Igreja Católica que desencadearam mudanças profundas que levaram à
divisão da cristandade em protestantes e católicos. A revolução causada por Martinho Lutero, contudo, não foi planejada.
Iniciada em 1517, ela se desdobrou em questões não somente religiosas mas também políticas e sociais que exigiram de
Lutero respostas imediatas e nem sempre coerentes. Veja abaixo, 10 coisas pouco conhecidas do líder da Reforma. 1.
Formação religiosa Martinho Lutero era católico e, aos 22 anos decidiu tornar-se um monge agostiniano por promessa feita à
Santa Ana, a quem rogou que lhe salvasse de uma violenta tempestade. Foi ordenado sacerdote em 1507. Estava, então
com, 24 anos. Em 1512, concluiu o doutorado em Teologia e se tornou professor na Universidade de Wittenberg, na
Alemanha. 2. Visão teológica Como profundo estudioso, Martinho Lutero desenvolveu uma visão teológica particular que
transmitiu aos seus alunos, muito antes do célebre episódio das 95 teses. Ela baseava-se em quatro princípios: A Bíblia é a
única referência da verdade. A Igreja católica, na época, também se baseava em textos adicionais escritos pelo papa e pelo
sínodo. A salvação só vem por meio da graça de Deus e não pelas boas ações. Essa crença tornava a venda de indulgências
obsoleta. Jesus Cristo, através de sua morte na cruz, pagou a pena por todos os pecados e é a única ponte entre os homens
e Deus. Isso acaba com a função do clero e dos santos como ligação entre o crente e Deus. As pessoas são salvas somente
pela fé, isto é, a salvação não depende das indulgências, nem da confissão, da peregrinação a lugares santos ou de qualquer
outra exigência da Igreja. 3. Venda de indulgências Diferente do que muitos pensam (e os livros didáticos repetem), Martinho
Lutero não era contra as indulgências, como ele mesmo afirma em sua tese 71: “Seja excomungado e amaldiçoado quem
falar contra a verdade das indulgências apostólicas”. Na verdade, ele era contra a venda das indulgências por inescrupulosos
como era o caso do frade dominicano Johann Tetzel com quem Martinho Lutero entrou em atrito direto. Aliás, Tetzel acabou
sendo condenado (embora mais tarde, perdoado) por ter cometido fraudes e desfalques. Venda de indulgências, baseada em
xilogravura de Jorg Breu, o Velho (c.1475-1537). Conta-se que o frade dominicano Johann Tetzel anunciava, durante o
negócio: “Assim que as moedas tilintam no fundo da caixa, a alma do fiel voa direto para o Paraíso”. 3. As célebres 95 Teses
Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero enviou uma carta a Alberto de Brandenburgo, o arcebispo de Mainz, sob cuja
autoridade as indulgências estavam sendo vendidas. Na carta, Lutero se dirigiu ao arcebispo por um leal desejo de alertá-lo
para os problemas pastorais criados pelos sermões de indulgência. Anexou à carta as célebres 95 Teses denominadas
Disputação do Doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências. Tratava-se de uma lista de proposições
para serem levadas a uma discussão acadêmica, mas tal evento nunca ocorreu. Nessas teses, Lutero apresentou sua
posição contra o que ele denunciou como práticas abusivas dos pregadores na venda de indulgências. O episódio dele ter
pregado as 95 Teses, com um martelo, na porta da igreja do castelo de Wittenberg, nunca foi provado. Pode ter acontecido
conforme os estatutos da Universidade de Wittenburg que exigia que as teses fossem impressas pela imprensa universitária
e fixadas em cada porta da igreja da cidade. Contudo, não há certeza se isso aconteceu de fato e nem da data, caso tenha
acontecido. De qualquer forma, o 31 de outubro de 1517 é considerado o início da Reforma Protestante. 5. Reformar a
religião Martinho Lutero não pretendia criar uma nova religião. Pretendia apenas reformar a Igreja e a fé junto às autoridades
religiosas, e não contra elas. Ele via o Papa como o intercessor de Cristo na terra, como se lê nas suas teses 61, 69 a 81, 83,
84, 87 a 91.  Martinho Lutero só passou a hostilizar a Igreja depois de ter sido expulso dela, ao ser excomungado pelo papa
Leão X em 3 de janeiro de 1521. Os poderosos príncipes alemães viram neste conflito uma oportunidade de apoderar-se do
imenso patrimônio da Igreja e daí terem sido eles os que mais incitaram Martinho Lutero a romper com o Papa. 6. Tradução
da Bíblia Martinho Lutero não foi a primeiro a traduzir a Bíblia. Desde 1466, existiam 17 traduções católicas da Bíblia, três em
baixo-alemão e quatorze em alto-alemão – fato que contesta a ideia corrente de que Igreja proibia o povo ler a Bíblia.
Martinho Lutero foi, porém, o primeiro a usar o grego como texto original, e não a tradução latina. Ele traduziu o Novo
Testamento para o alemão em apenas 11 semanas. Sua tradução superou todas as traduções para o alemão anteriores pela
qualidade linguística, poesia e simplicidade. A primeira edição da Bíblia luterana foi publicada em outubro de 1522. 7.
Encontro com o diabo Há uma lenda sobre o castelo de Wartburg onde Martinho Lutero ficou escondido. Conta-se que no
quarto em que ele passou grande parte do tempo traduzindo a Bíblia, o diabo se escondeu atrás da lareira de azulejos e
atirou seu tinteiro contra ele manchando a parede com a tinta. Hoje, o local é visitado por milhares de turistas que ainda
perguntam sobre a mancha de tinta na parede. Quarto de Martinho Lutero no castelo de Wartburg. A Bíblia, a mesa e a
poltrona são apenas réplicas. Conta-se que a mesa original foi desmontada aos poucos pelos peregrinos, que levavam
pedacinhos.  8. Celibato e casamento Muito antes de seu casamento com Katharina von Bora, uma ex-freira cisterciense,
Martinho Lutero tinha uma opinião clara sobre a sexualidade de monges e freiras. Ele acreditava que o celibato exigia
poderes sobre-humanos e que apenas uns poucos entre milhares poderiam abster-se de sexo, mesmo com a ajuda de Deus.
Para Martinho Lutero, a sexualidade e o casamento eram parte da ordem divina. A freira cisterciense Katharina von Bora
tomou contato com os escritos de Martim Lutero que chegaram escondidos dentro do convento. Ela e outras onze freiras,
convertidas pelas ideias do reformador, fugiram do convento em 1523 e foram para Wittenberg atrás de Martinho Lutero. Dois
anos depois, Katharina von Bora casou-se com Martinho Lutero. Martinho Lutero e sua esposa, de Lucas Cranach, o Velho,
1529. 9. Revoltas camponesas Durante a revolta dos camponeses contra a aristocracia e o clero católico, de 1524 a 1526,
Martinho Lutero inicialmente conclamou todas as partes a buscarem a paz. Mais tarde, porém, escreveu que os camponeses
eram “hordas salteadoras e assassinas” e pediu às autoridades que usassem contra eles suas espadas em nome de Deus.
Martinho Lutero achou inaceitáveis as reivindicações políticas e sociais dos camponeses e exigiu a obediência aos seus
senhores. Mais tarde, no século XIX, suas ideias serviriam de base para governos autoritários alemães. Entre 1524 e 1526,
cerca de 300 mil camponeses alemães se sublevaram contra os privilégios e a corrupção da Igreja Católica. Cerca de 100 mil
morreram nos combates; os líderes foram condenados à morte, como mostra a gravura, e os sobreviventes foram multados e
obtiveram poucos ou nenhum de seus objetivos. 10. Antissemitismo Até 1536, Martinho Lutero era um entusiasta na
conversão de judeus ao cristianismo luterano. Mas, diante da dificuldade, publicou, em 1543, uma resposta ao fracasso
pessoal intitulada “Contra os judeus e as suas mentiras” em que demonstrou forte oposição à religião judaica. Chegou a pedir
que ateassem fogo às sinagogas e escolas judaicas, além de afirmar que os judeus deveriam ter as casas destruídas, assim
como os bens e livros religiosos apreendidos. Mas Martinho Lutero não era o único antissemita entre os cristãos. Outros
teólogos reformadores, bem como representantes da Igreja Católica e humanistas famosos, como Erasmo de Roterdã,
ofendiam a religião judaica.

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Martinho Lutero denuncia a venda de indulgência

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Em 31 de outubro de 1517, o monge alemão e professor de teologia, Martinho Lutero enviou uma carta ao arcebispo de
Mainz, denunciando as práticas abusivas dos pregadores de venda de indulgência. A data é considerada o fator
desencadeador da Reforma Protestante e comemorada anualmente como o Dia da Reforma Protestante. Anexada à carta,
estavam as célebres 95 Teses ou Disputação do doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências – uma
lista de proposições para serem levadas a uma discussão acadêmica. Não tinham a intenção de iniciar uma revolução contra
o papa e a Igreja. No cabeçalho do documento, Lutero convidava estudiosos interessados de outras cidades para
participarem da discussão. A realização de tal debate era uma forma comum de investigação acadêmica. Poucos meses
antes, em abril de 1517, Andreas Karistadt, também professor de teologia da Universidade de Wittenberg , apresentara suas
teses para discussão sob o mesmo tema, porém mais radicais em termos teológicos do que as de Lutero. CONTEÚDO A
polêmica da fixação das 95 Teses O escândalo das 95 Teses O conteúdo das 95 Teses Fonte Saiba mais A polêmica da
fixação das 95 Teses Há controvérsias se Lutero, de fato, pregou as 95 Teses, com um martelo, na porta da igreja do castelo
de Wittenberg. Era uma atitude comum e Andreas Karistadt, por exemplo, fizera isso com as suas teses.  Ao propor uma
discussão acadêmica, era costume publicar as teses na imprensa universitária e anexá-las publicamente. Entretanto, não
existem cópias da primeira publicação das 95 Teses pela Universidade de Wittenberg. Isso não é surpreendente, visto que
Lutero não era famoso e a importância do documento não foi reconhecida na época. O próprio papa Leão X, ao ser informado
do que acontecia, teria dito que Lutero não passava de um “alemão bêbado” afirmando que “quando estivesse sóbrio mudará
de opinião”.  Não obstante, entre a elite intelectual de Wittenberg, as 95 Teses tornaram-se bem conhecidas. As 95
Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Ao cabo de duas semanas se haviam
espalhado por toda a Alemanha e, em dois meses, por toda a Europa. Pela primeira vez na História, a imprensa teve papel
fundamental, pois facilitou a distribuição simples e ampla do documento. O escândalo das 95 Teses A carta de Lutero com as
Teses chegou ao arcebispo de Mainz no final de novembro. Este buscou conselhos junto aos teólogos da Universidade de
Mainz que recomendaram que ele proibisse Lutero de pregar contra as indulgências. O arcebispo solicitou ao papa Leão X
que tomasse tal atitude. Este, por sua vez, ordenou ao superior dos agostinianos, a ordem religiosa de Lutero, que mandasse
o monge parar de difundir suas ideias. A partir daí as 95 Teses foram ganhando dimensão dando início a uma guerra
panfletária entre Lutero, seus simpatizantes e opositores. Johan Tetzel, o pregador de indulgências que inspirou as 95 Teses,
propôs que Lutero fosse queimado por praticar heresia e encomendou ao teólogo Konrad Wimpina da Universidade de
Frankfurt que escreve 106 Teses para contrapor às de Lutero. A resposta de Lutero ao panfleto de Tetzel, por outro lado, foi
outro sucesso de publicação. Outros acusaram Lutero de heresia e estupidez. Lutero respondeu com maior virulência. Os
superiores de Lutero exigiram que ele se retratasse, mas ele insistia que o caso fosse exposto aos teólogos universitários. O
pedido foi negado e Lutero, então, apelou diretamente ao papa. A resposta de Leão Xl foi uma ameaça: ou Lutero se
retratava ou seria excomungado. Lutero queimou a bula pontifícia e foi excomungado em janeiro de 1521. O conteúdo das 95
Teses Embora as indulgências tenham inspirado as 95 Teses marcando o início da Reforma Protestante, Lutero as
considerava insignificantes em relação a outras questões teológicas que eram mais graves. Segundo ele, as Teses apenas
denunciavam que a Igreja estava se desviando do verdadeiro pensamento cristão e isto colocava os leigos em grave perigo.
Lutero escreveria, posteriormente que, quando formulou as Teses, ele ainda se mantinha fiel à doutrina católica e não
imaginava que suas ideias levassem à uma ruptura com o papa e a Igreja. Teses 1-4: Os pecados são perdoados por Cristo
mediante o arrependimento espiritual interior em não através de uma confissão sacramental externa celebrada pelos
sacerdotes. Teses 5–7: O papa não pode redimir culpa alguma, mas apenas declarar que foi perdoada por Deus. Teses 14–
29: Estão erradas ou distorcidas as crenças sobre o purgatório. A pessoa não é absolvida de todas penas e salva pelas
indulgências do papa (21). “A maior parte do povo está sendo ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de
absolvição da pena” (24). Pagar pela indulgência do papa só pode aumentar o lucro e a cobiça da igreja (29). Teses 30–40: A
carta de indulgência não é garantia de salvação. Não há como saber se uma pessoa está verdadeiramente arrependida e,
portanto, nenhum documento mesmo assinado pelo papa garante a salvação e nem a carta de indulgência torna o
arrependimento desnecessário. Teses 41–47: As cartas de indulgências desencorajam obras de misericórdia por aqueles que
as compram. Praticar a caridade é incomparavelmente mais importante do que comprar indulgências, já que a compra de
uma indulgência sem dar nada aos pobres provoca a ira de Deus. Uma pessoa torna-se melhor ao praticar boas obras, e não
por compras indulgências. Teses 56-66: o verdadeiro tesouro da Igreja são os Evangelhos de Jesus Cristo. Os Evangelhos
são “as redes com que outrora se pescavam homens ricos” enquanto as indulgências são “redes para pescar a riqueza dos
homens”. Teses 67-80: discorrem sobre os problemas causados pela forma como as indulgências estavam sendo pregadas.
Teses 81-91: apresentam as objeções feitas pelos fiéis para as quais não há respostas e que ignorar estas questões significa
expor a igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes. Teses 92-95: exortam os cristãos a se
esforçarem por seguir Cristo, seu cabeça.

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