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PROJETO APLICADO – QUALIDADE NA ENERGIA ELÉTRICA

INTITUTO POLITÉCNICO – Centro Universitário UNA

DISTORÇÕES HARMÔNICAS E FILTRO HARMÔNICO


CURSO: Engenharia Elétrica Professor P.A.: Gustavo Luiz
Breno Henrique, Carlos Magno, Helio Albuquerque, Junio Cesar, Matheus Lasse, Pedro Cassano,
Walisson Severiano, Vinicius Loureiro

Resumo  Harmônicas são ondas que possuem frequências múltiplas da


fundamental, que aparecem quando o sinal de tensão ou corrente não é puramente
senoidal. No Sistema Elétrico Brasileiro a frequência fundamental é 60Hz.
O presente artigo apresenta uma pesquisa sobre componentes harmônicas e propõe
o desenvolvimento de filtros, simulados através do software PSIM (programa de
simulação especialmente projetado para eletrônica de potência), para a atenuação e
ou eliminação das distorções harmônicas presentes na rede elétrica.
Palavras-chaves  Qualidade de Energia, Distorção Harmônica, Filtro Harmônico.

1. Introdução

Alguns problemas vêm sendo diagnosticados na qualidade da energia elétrica que é


entregue ao consumidor final ao longo dos anos, e a Distorção Harmônica é um
desses problemas presentes na rede elétrica.
Uma distorção da forma de onda é dita harmônica quando a sua deformação se
apresenta de forma similar em cada ciclo da componente fundamental. Todas as
formas de onda periódicas no tempo são na verdade, uma composição da única
forma de onda pura existente na natureza: a onda senoidal. Uma senóide pura não
possui nenhuma harmônica [1], apresentando assim uma freqüência única e bem
definida.
Qualquer outra forma de onda, que não seja a senoidal pura é uma somatória de
infinitas ondas senoidais. A primeira onda senoidal é conhecida como sendo a
fundamental e as outras são suas componentes harmônicas.
Existem ainda as sub-hamônicas que são frequências múltiplas da fundamental não
inteiras, mas estas não serão foco neste artigo.

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2. Revisão Bibliográfica

Os principais equipamentos que geram harmônicos estão nas indústrias, tais como:
inversores de freqüência, variadores de velocidade, acionamentos tiristorizados,
acionamentos em corrente contínua ou alternada, retificadores, "drives", conversores
eletrônicos de potência, fornos de indução e a arco, "no-breaks" e máquinas de
solda a arco. Todos estes equipamentos têm em comum a eletrônica de potência.
O controle das harmônicas é uma das partes mais complexas na análise de uma
rede elétrica. Vários são os motivos para tal, porém dois são determinantes:
- A geração das harmônicas acontece simultaneamente em várias partes do
sistema;
- Existem harmônicas com várias freqüências.
O primeiro procedimento no tratamento das harmônicas é identificar os circuitos que
possuem excesso dessas componentes e, a partir daí conseguir ver a quantidade de
harmônicas de tensão e de correntes presentes na rede, com isso determina-se o
espectro harmônico de tensão e corrente dos circuitos.
Seguem alguns motivos que justificam a necessidade de se eliminar harmônicas:
 Capacitores: Queima de fusíveis e redução da vida útil.
 Motores: Redução da vida útil e impossibilidade de atingir sua potência
máxima devido ao aumento das perdas nos enrolamentos e no entreferro.
 Fusíveis/Disjuntores: Operação falso-errônea (atuação indevida dos
equipamentos de proteção).
 Transformadores: Aumento de perdas no núcleo e nos enrolamentos além,
e redução de capacidade de potência.
 Medidores: Medições errôneas e possibilidade de falhas de cálculo.
 Telefones: Interferências.
 Acionamentos/Fontes: Operações errôneas devido a múltiplas passagens
da corrente por zero e falha na comutação de circuitos.
 Cabos: Sobreaquecimento [2].
Existem várias técnicas para reduzir os sinais harmônicos de corrente e/ou tensão.
Estas podem ser agrupadas nas estratégias abaixo caracterizadas:
 Uso de filtros passivos conectados em paralelo e/ou em série com o
sistema elétrico [3];

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 Aumento da quantidade de pulsos em unidades conversoras, com o uso
de transformadores defasadores [3];
 Técnicas de compensação de fluxo magnético [4];
 Filtros ativos de potência conectados em paralelo e/ou em série com o
sistema elétrico [5].
Dentre as alternativas relacionadas como possíveis estratégias para a
eliminação/redução das correntes harmônicas, aquelas associadas aos filtros ativos
e passivos são as mais empregadas. Isto porque são mais fáceis de serem
implementados, além de possuírem menores custos.
Utilizaremos nesse projeto o filtro passivo conectado em paralelo (derivação, ou
shunt). Os filtros passivos são formados a partir de várias combinações dos
elementos tipo R, L e C, podendo ser conectados em paralelo ou em série ao
sistema elétrico.
Os filtros são instalados no sistema com a finalidade de absorver os harmônicos de
corrente, proporcionando um caminho de baixa impedância para os mesmos. Com
isto, consegue-se o principal objetivo que é o de reduzir a amplitude de uma ou mais
frequências de correntes e/ou tensões harmônicas. Além disto, os filtros de
harmônicos, podem também compensar a energia reativa do sistema com a
melhoria do fator de potência da planta.

Filtro passivo de 2ª ordem (LC) em conexão Shunt


O filtro é ligado em paralelo com o sistema, de forma a propiciar um caminho de
baixa impedância para as frequências harmônicas evitando com isso a sua
circulação no resto do sistema. Na prática, é o filtro mais utilizado pela sua menor
complexidade e menor custo.
A Figura 1 apresenta a conexão e o circuito típico de um filtro shunt.

Figura 1 – Conexão e circuito típico de filtro shunt

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O filtro “shunt”, em geral, é dimensionado para suportar somente a corrente
harmônica para a qual está sintonizado somado a uma corrente fundamental muito
menor que aquela do circuito principal. Portanto, o filtro “shunt” possui um custo
muito menor que um filtro série da mesma eficácia.
Outra vantagem dos filtros “shunt”, sobre os filtros série, é que na frequência
fundamental os filtros “shunt” fornecem a potência reativa necessária para correção
do fator de potência.
Nesse caso, a indutância (LP) e a capacitância (CP) são escolhidas de modo que a
impedância do filtro seja zero para a freqüência que se deseja eliminar. Dessa
forma, a relação entre as reatâncias e a freqüência é:


1
(1)  f 
1
(2)
LPxCP 2 LPxCP
Na condição de sintonia do filtro, as reatâncias do ramo LC são iguais. Portanto, a
impedância total do ramo LC é igual a zero e a corrente nessa freqüência flui apenas
entre a fonte poluidora e o filtro, não afetando as demais cargas da planta.
As principais vantagens da utilização dos filtros passivos LC são: simplicidade,
confiabilidade, flexibilidade de instalação da indutância LP, desempenho bastante
satisfatório (chega a uma DHTI menor que 5%), aumento do FP da instalação devido
à introdução do capacitor CP, entre outras.
A forma mais simples, e mais comum, de caracterizar o comportamento de um filtro
é através do cálculo da sua função de transferência T(S)=Vo(S)/Vi(S), no domínio da
freqüência, utilizando-se da transformada de Laplace. O estudo do bloco pode ser
feito diretamente a partir da relação entre o sinal de saída e o sinal de entrada. Este
princípio básico da análise de sistemas lineares e invariantes no tempo permite
simplificar e generalizar o estudo de qualquer circuito, independentemente da
arquitetura interna utilizada para implementar o filtro.
A figura 3 representa um filtro genérico, definido no domínio da frequencia.

Figura 2 – Representação de um filtro genérico através da sua função de


transferência no domínio da frequência.

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Os zeros de um filtro correspondem aos valores de S que anulam o numerador da
função de transferência, representados na seguinte equação por z1, z2.... zM. Já os
pólos do filtro, são os valores de S que anulam o denominador de T(S),
representados por p1, p2 ... pN.
Vo ( S  z1 )  ( S  z 2 )    ( S  z M )
T (S )  (S )  A  (3)
Vi ( S  p1 )  ( S  p 2 )    ( S  p N )
Resposta em frequência de um filtro passivo de 2ª ordem
A equação abaixo corresponde à função de transferência.

(4)
A expressão anterior é escrita segundo a seguinte forma:

(5) que define em (6)


A constante A representa o ganho estático, que neste caso é unitário.
O estudo dos pólos e zeros da função de transferência revela a existência de dois
pólos, dado que se trata de um polinómio de segunda ordem.
O valor dos pólos depende do valor do fator de qualidade representado na equação
por Q. Dependendo do valor deste parâmetro, pode resultar que os pólos sejam
ambos reais, ou que sejam um par de pólos complexos conjugados.

Figura 3 – Diagrama de Bode de um filtro passivo de 2ª ordem

3. Materiais e Métodos

Na realização da simulação a seguir, utilizou-se um circuito que gera distorções


harmônicas de várias ordens. Toda modelagem e simulações foram realizadas

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utilizando software PSIM. O uso da simulação é uma ferramenta indispensável na
formação de técnicos e engenheiros, principalmente fase de elaboração de projetos.
Para realizar o calculo definiu-se qual a freqüência harmônica a ser eliminada,
inserindo também a freqüência fundamental da rede, em seguida estipulou-se um
valor para o capacitor ou para o indutor e através da manipulação das equações (1)
e (2) obtêm-se os valores dos componentes que constituem o filtro.

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Figura 04 - Circuito com filtros
Foram projetados filtros para harmônicas de 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª e 7ª ordens (120Hz,
180Hz, 240Hz, 300Hz, 360Hz e 420Hz), respectivamente como pode ser visto na
Figura 4. Através de chaves seletoras é possível escolher qual a distorção será
filtrada.
Na Figura 05 tem-se o gráfico que mostra as formas de onda contidas no circuito
sem o uso dos filtros. Podemos perceber que temos a forma de onda senoidal da
freqüência fundamental (rede) e temos as formas de ondas distorcidas pela
presença de harmônicas de várias ordens.

Figura 05 – Forma de ondas do circuito sem filtro

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A Figura 06 apresenta as harmônicas geradas pelo circuito. Observa-se que o
circuito gera harmônicas de várias ordens.

Figuras 06 – Harmônicas do circuito


Após verificar as formas de onda e distorções harmônicas no circuito, utilizamos o
filtro para harmônica de 3ª ordem.
Nas Figuras 07 e 08 observa-se que a forma de onda gerada na saída do circuito
apresenta forma de onda diferente da obtida sem o uso do filtro, mostrando que a
harmônica de 3ª ordem foi eliminada do circuito e que o filtro utilizado atingiu o
objetivo proposto.

Figuras 07 – Forma de onda com filtro

Figuras 08– Harmônicas de 3ª ordem eliminada

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4. Resultados Experimentais

Realizaram-se simulações a fim de verificar a eficiência do filtro projetado. Foram


testados todos os filtros e os mesmos apresentaram os resultados esperado. As
distorções harmônicas foram eliminadas do circuito de acordo com o filtro escolhido,
evitando com isso a circulação de harmônicas no resto do sistema elétrico.
Conforme pode ser visto na Figura 08 é claro que o desempenho do filtro é eficaz, já
que o objetivo proposto pelo projeto foi alcançado e as harmônicas foram
eliminadas.

5. Conclusão

Este trabalho apresentou uma metodologia para o projeto de um filtro paralelo


aplicado para a correção/ eliminação de harmônicas de corrente. Demonstrou uma
solução relativamente simples e de baixo custo frente ao benefício obtido.
O assunto abordado foi de grande importância, pois trouxe para os alunos
envolvidos um maior interesse e conhecimento sobre o controle da qualidade da
energia elétrica. Sendo evidente nossa necessidade cada vez maior de obtermos
uma energia de boa qualidade e de eliminarmos custos do nosso sistema.
Com a simulação dos filtros para eliminação de harmônicas, pode-se afirmar que o
projeto dos filtros proposto foi eficaz e alcançou os resultados esperados na teoria.

6. Referência Bibliográfica

[1] CHAPMAN, D. Qualidade de Energia – Harmônicos.


Schneider Electric Workshop, 2005.

[2] ANEEL (2010), Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema


Elétrico Nacional – PRODIST. Módulo 8 – Qualidade da Energia Elétrica

[3] LAWRANCE W. B., “Michalic, G. Mielczarski, W Szczepanik, J., “Reduction of


Harmonic Pollution in Distribution Networks”, IEEE Catalogue Nº. 95TH8130, pp.
198-202, 1995

[4] KEY, T., LAY, J-S., “Analysis of Harmonic Mitigation Methods for Building Wiring
Systems”, IEEE Transactions on Power Systems, Vol. 13, Nº 13, Nº. 3, pp. 890-897,
Aug. 1998.

[5] ALVES, A. C. B., “Análise de Problemas e Procedimentos na Terminação de


Filtros Harmônicos”, Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Uberlândia,
1991.

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