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30/10/2018

Propriedades mecânicas:
por que estudar?
1. Determinação e/ou conhecimento das propriedades
mecânicas é muito importante para a escolha do material
para uma determinada aplicação.

2. Definem o comportamento do material quando sujeito


a esforços mecânicos.

PROFª VALDÊNIA PORTO 3. Evitar que ocorram níveis inaceitáveis de deformação


e/ou falhas.

Como determinar as propriedades


mecânicas? Os mais amplamente utilizado:

▪ A determinação das propriedades mecânicas é TRAÇÃO


feita através de ensaios mecânicos. • materiais metálicos e poliméricos
▪ Utilizam-se normalmente corpos de prova COMPRESSÃO
(amostra representativa do material) para o • materiais cerâmicos
ensaio mecânico, já que por razões técnicas e • Ensaio relativamente simples e rápido.
econômicas não é praticável realizar o ensaio na
• No Brasil, a norma utilizada para materiais é a ABNT NBR-
própria peça, que seria o ideal. 6152.
▪ Usam-se normas técnicas para o procedimento
das medidas e confecção dos corpos de prova
para garantir que os resultados sejam
comparáveis.

Ensaio de tração

Resistência à tração

É medida submetendo-se o material à


uma carga ou força de tração,
paulatinamente crescente, que promove
uma deformação progressiva de aumento
de comprimento.

É obtida através da curva


tensão-deformação.

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Como se definem tensão e


deformação?
• Tensão Sendo:

F  = tensão (Pa);
= F = carga instantânea aplicada (N) e
Ao Ao = área da seção reta original antes
da aplicação da carga (m2).

Como efeito da aplicação de uma tensão, tem-se


a deformação (variação dimensional).

• Deformação Sendo:

li − lo l  = deformação (adimensional);
= = li = comprimento instantâneo e
lo lo lo = comprimento original.

Comportamento mecânico dos *Deformação elástica Deformação plástica


*Antecede à
metais deformação plástica.
• É provocada por tensões
que ultrapassam o
Limite de resistência à
tração - LRT
*É reversível. limite de elasticidade.
*Desaparece quando a • É irreversível, ou seja,
Fratura do material
tensão é removida. não desaparece quando
Comportamento
típico da curva
*É proporcional à a tensão é removida.
Tensão ()

tensão-deformação
tensão aplicada.
de engenharia até a
fratura do material
(ponto F). Os
detalhes circulares
representam a
geometria do corpo
de prova deformado
Deformação ()
em vários pontos ao
longo da curva.
Fonte: Callister, 2002.

MÓDULO DE ELASTICIDADE
OU MÓDULO DE YOUNG

Deformação elástica
Deformação plástica • É o quociente entre a tensão
• Corresponde à quebra de aplicada e a deformação elástica
• É manifestada por resultante – Lei de Hooke.
ligações com os átomos vizinhos
pequenas alterações no
originais e em seguida formação • Está relacionado com a rigidez do
espaçamento interatômico
de novas ligações com novos material ou à resistência à
e na extensão de ligações
átomos vizinhos, uma vez que deformação elástica.
interatômicas.
um grande número de átomos ou
• Está relacionado diretamente com
moléculas se move em relação as forças das ligações interatômicas.
aos outros; com a remoção da

E =  /
tensão, eles não retornam às
suas posições originais.

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Determinação do Módulo de Elasticidade


MÓDULO DE ELASTICIDADE
OU MÓDULO DE YOUNG
• Módulo de Elasticidade  é
determinado pela inclinação
(coeficiente angular) do
 = E  Esta relação é conhecida por lei de Hooke segmento linear na região
elástica da curva tensão x
deformação.
 - é o processo de deformação no qual a tensão
e a deformação são proporcionais, deformação  Existem alguns materiais (ex. ferro fundido cinzento,
elástica. Unidade (%). concreto e muitos polímeros) para os quais a porção inicial da
curva tensão x deformação não é linear.
E - é a constante de proporcionalidade (Gpa ou
psi), módulo de elasticidade ou módulo de Para este comportamento não linear, utiliza-se
normalmente um módulo tangencial ou módulo secante.
Young. Unidades : kgf/mm2, kgf/cm2, GPa, etc.

• Módulo tangencial  é
Módulo de elasticidade (E) tomado como sendo a
inclinação da curva
tensão x deformação em
Máxima tensão que o material
suporta sem sofrer deformação
um nível de tensão
permanente. específico.

• Módulo secante 
 representa a inclinação de
A lei de Hooke é válida
uma secante tirada desde a
Tensão ()

até este ponto. origem até algum ponto


específico sobre a curva
tensão x deformação.
=E
•Para a maioria dos metais  45 GPa para o Mg e 407
GPa para o W.
Deformação () •Cerâmicas  50 GPa para Al2O3 e 1000 GPa para o
diamante.

Relação entre temperatura de fusão e


módulo de elasticidade
Temperatura de Módulo de
MÓDULO DE ELASTICIDADE Metal fusão (oC) elasticidade (MPa)
[E]
Alumínio 660 70.000
GPa 106 Psi Quanto maior o
Magnésio 45 6.5 módulo de elasticidade Cobre 1085 127.000
AlumÍnio 69 10 mais rígido é o
Latão 97 14 material ou menor é a Ferro 1538 210.000
Titânio 107 15.5 sua deformação
Cobre 110 16 elástica quando O módulo de As forças de ligação entre os átomos,
Níquel 207 30
aplicada uma dada elasticidade é e consequentemente o módulo de
Aço 207 30
tensão. fortemente dependente elasticidade, são maiores para metais
Tungstênio 407 59 das forças de ligação com temperaturas de fusão mais
Fonte: Callister, 2002.
entre os átomos. elevadas.

Fonte: Garcia, Spim e Santos, 2000.

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Deformação Plástica  é uma deformação permanente e não Deformação plástica (a) Curva tensão x
recuperável. É irreversível. É o resultado de um deslocamento
deformação para um
permanente dos átomos
material típico. A transição
Elástico Plástico do comportamento elástico
A transição do comportamento elástico para o para o plástico é uma
Limite de
plástico é uma transição gradual; existe a ocorrência escoamento transição gradual para a
superior maioria dos metais.
de uma curvatura no ponto de surgimento da
deformação plástica, a qual aumenta mais
rapidamente com o aumento da tensão. Limite de Tensão de escoamento
Limite de

Tensão ()
proporcionalidade escoamento (y)

Tensão ()
• Corresponde à quebra de ligações com os átomos inferior
vizinhos originais e em seguida formação de
novas ligações com novos átomos vizinhos, uma (b) Curva tensão x
vez que um grande número de átomos ou deformação típica para o
moléculas se move em relação uns aos outros. aço. A transição
Com a remoção da tensão, eles não retornam às Deformação () elastoplástica é muito
suas posições originais. Deformação () bem definida (ocorre de
forma abrupta).
(a) (b)
Fonte: Callister, 2002.

A deformação plástica corresponde ao Após o escoamento, a tensão necessária para continuar


movimento de discordâncias a deformação plástica aumenta até um valor máximo, o
ponto M, e então, diminui até a fratura do material, no
ponto F.
Limite de resistência à
tração - LRT

Fratura do
material
Tensão ()

Fonte: Callister, 2002. Outras


Sistemas de escorregamento informações
O plano de escorregamento é aquele que obtidas da
As discordâncias não se movem
com o mesmo grau de possui empacotamento atômico mais curva  x .
facilidade sobre todos os planos denso e a direção de escorregamento
cristalográficos de átomos e em corresponde à direção, neste plano, que
todas as direções. se encontra mais densamente Deformação ()
compactada com átomos.

Limites de resistência de
alguns metais

✓ Alumínio – 50 MPa

✓ Aços de elevada dureza – 3000 MPa

• Escoamento  é uma transição heterogênea entre a fase


elástica e a plástica, caracterizada por um aumento
considerável da deformação, com uma tensão praticamente
constante.

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Esboço da curva obtida no ensaio de tração


Encruamento
• AO – região de
comportamento elástico. • A necessidade de aumentar-se a tensão para dar
• AB – região de escoamento continuidade à deformação plástica do material decorre de
– se caracteriza por um um fenômeno denominado de encruamento.
aumento relativamente
grande na deformação, • Esse fenômeno resulta em função da interação entre
acompanhado por uma discordâncias e das suas interações com outros obstáculos,
pequena variação da tensão.
como solutos e contornos de grãos, que impedem a livre
• BF – região de
movimentação das discordâncias. É preciso uma energia
comportamento plástico - a
partir de B o material entra cada vez maior para que ocorra essa movimentação, e,
na região plástica, que é consequentemente deformação plática, até o limite no qual a
caracterizado pela presença fratura tem início.
de deformações
permanentes.
•UF – estricção – região
ocorre o empescoçamento do
Fonte: Garcia, Spim e Santos, 2000.
corpo de prova, até a fratura.
Fonte: Garcia, Spim e Santos, 2000.

Então, até aqui vimos quais informações Além destas, outras informações ainda
podem ser obtidas a partir da curva tensão x
deformação.
podem ser obtidas da curva tensão x
deformação:
1. Módulo de elasticidade

2. Tensão de escoamento
Ductilidade
3. Limite de resistência à tração

4. Limite de ruptura

5. Deformação elástica e plástica Tenacidade


6. Estricção
Resiliência

Ductilidade

Representa uma
medida do grau de
deformação plástica
que foi suportado
quando da fratura.

Corresponde à
elongação total do
material devido à
deformação plástica. Fonte: Callister, 2002.

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A ductilidade pode ser expressa


Tenacidade
quantitativamente como:
 l f − lo 
▪ Alongamento AL% =   x100 Representa uma medida
percentual (AL%)
 lo  da habilidade de um
material em absorver
energia até a sua fratura.

▪ Estricção (RA%)  Ao − A f 
RA% =   x100 Para que um material
seja tenaz, este deve
 Ao  apresentar tanto
resistência como
A maioria dos metais possui pelo menos um grau moderado ductilidade.
de ductilidade à temperatura ambiente.
É a área sob a curva tensão
x deformação até o ponto
Materiais relativamente dúcteis são tidos como generosos. de fratura.

Freqüentemente, materiais dúcteis são mais tenazes do


que materiais frágeis.

Embora, o material frágil tenha maior limite de


escoamento e maior limite de resistência à tração,
possui menor tenacidade do que o material dúctil, em
virtude da sua falta de ductilidade (comparar as áreas
ABC e AB’C’).

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Falha ou fratura

✓ Consiste na separação do material em duas ou


mais partes devido à aplicação de uma carga
estática a temperaturas relativamente baixas em
relação ao ponto de fusão do material.

A fratura pode ser dúctil


ou frágil
• Dúctil – o material se
deforma plasticamente
até a sua ruptura.

• Frágil – o material não


se deforma
plasticamente e rompe
sem avisar.

Não ocorre deformação


plástica, requerendo menos
energia que a fratura dúctil
que consome energia para
o movimento de Fratura frágil
Fratura dúctil
discordâncias.
Fonte: Callister, 2002.

Mecanismo da fratura dúctil

(a) Formação do pescoço.


(b) Formação de cavidades.
(c) Coalescimento das
cavidades para promover
uma trinca ou fissura.
(d) Formação e propagação
da trinca.
(e) Rompimento do material
por propagação da trinca.

Fonte: Callister, 2002.

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Fratura e aspecto macroscópico


Fratura dúctil – Tipo taça e cone Fratura frágil

Alumínio Aço doce

Fonte: Callister, 2002.

Agora, vamos falar


sobre Fadiga
É a forma de falha ou ruptura que ocorre nas
estruturas sujeitas à forças dinâmicas e cíclicas.
Ex: arame quando torcido para um lado e para
outro repetidas vezes.
Nessas situações o material rompe com tensões
muito inferiores à correspondente à resistência à
tração (determinada para cargas estáticas).

A falha por fadiga é geralmente de natureza frágil,


mesmo em materiais dúcteis.

É comum ocorrer em estruturas como pontes.

Fadiga
A fratura ou rompimento do material por fadiga
geralmente ocorre com a formação e propagação
de uma trinca.

A trinca inicia-se em pontos onde há imperfeição


estrutural ou de composição e/ou de alta
concentração de tensões (que ocorre geralmente
na superfície).

Esforços alternados de tração, compressão, flexão,


torção podem levar à fadiga.

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Dureza Ensaios de dureza

É uma medida da resistência de um material a


uma deformação plástica localizada (uma pequena
impressão ou um risco).

A dureza depende diretamente das forças de


• ABNT NBR-6671 e ASTM E18-94
ligação entre os átomos, íons ou moléculas.
• ABNT NBR-6672 e ASTM E92-82

Os principais ensaios de dureza são: Brinell,


Rockwell, Vickers e Knoop.

Um penetrador é forçado contra a superfície do


metal a ser testado.
• ABNT NBR-6394 e ASTM E10-93
Fonte: Garcia, Spim e Santos, 2000.

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Limite de Limite de Ductilidade,


•1- Por que estudar as propriedades mecânicas nos
Material escoamento resistência à AL%
materiais?
(MPa) tração (MPa)
•2- Quais os ensaios mais utilizados?Explique
Alumínio 35 90 40
•3- Faça um esboço da curva obtida no ensaio de
Cobre 69 200 45 tração, explicando cada região.
•4- O que é Ductilidade, Tenacidade e Resiliência?
Latão
(70Cu-30Zn) 75 300 68 •5- Que tipos de fratura podemos obter na ruptura?
Explique
Ferro 130 262 45
•6- Explique o que é fadiga e fluência ?
Aço (1020) 180 380 25 •7- O que é dureza? Quais os principais ensaios para
Fonte: Callister, 2002. obter a dureza de um material?

1- Um cilindro de concreto com 150 mm de diâmetro e 300


mm de comprimento de referência é testado sob
compressão. Os resultados do ensaio são apresentados na
tabela como carga em relação à contração. Desenhe o 1- Qual a extensão nominal sofrida por um corpo de
diagrama tensão-deformação usando escalas de 10 mm = 2 prova de 50 mm de comprimento e seção de reta
MPa e 10 mm = 0,1 (10-3 ) mm/mm. Use o diagrama para 12,7 mm x 0,4 mm, submetido a um ensaio de
determinar o módulo de elasticidade aproximado. tração no instante que a distancia entre as marcas de
referencia for 62mm?

 l f − lo 
AL% =   x100
 lo 

2- Um pedaço de cobre originalmente com 305mm de


comprimento é puxado em tração com uma tensão de
276MPa. Se sua deformação for inteiramente elástica
 l f − lo  qual será o alongamento resultante? (Deformação
AL% =   x100 elástica do cobre – 110GPa)

 lo  3- Um corpo de prova de alumínio que possui uma


seção reta retangular 10mm X 12,7mm é puxado em
tração com uma forca de 35500 N, produzindo apenas
l f − l50
62 o  deformação elástica. Calcule a deformação resultante
AL% =   x100
lo 
dado E=69x109 N\m2
 50

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