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GEOVANA SANTOS FERREIRA

LARISSA SANTOS DANTAS ARAÚJO

PABLLO SILVA

DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO

Eletricidade Aplicada

Vitória da Conquista – BA

2021
GEOVANA SANTOS FERREIRA

LARISSA SANTOS DANTAS ARAÚJO

PABLLO SILVA

DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO

Eletricidade Aplicada

Trabalho apresentado como requisito parcial de


avaliação da disciplina de Eletricidade
Aplicada da turma ECIV09, turno diurno de
Engenharia Civil.

Prof. Dr. Diego Habib Santos Nolasco.

Vitória da Conquista – BA

2021
SUMÁRIO

1 DISJUNTOR TERMOMAGNÉTICO………………………….……....................................4

1.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO…….............................................................................4

1.1.1 Proteção Magnética………….........………..…………………………………………......4

1.1.2 Proteção Térmica…………….........………..………………………………………….....4

1.2 CLASSIFICAÇÃO E APLICAÇÃO DOS DISJUNTORES DTM………………..................5

1.2.1 Quantidade de polos...………..…………………………………………….………....…...5

1.2.2 Curvas de Atuação………………………………………………………….……....……..6

1.3 DIMENSIONAMENTO………………………………………………..…...………….…….9

1.3.1 Sobrecarga…………………………………………………………...…….........................9

1.3.2. Curto-circuito…………………………………………………………...….…...……….10

2 DISPOSITIVO DIFERENCIAL RESIDUAL - DR….…………………….……...….……12

2.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO...................................................................................15

2.2 CLASSIFICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DR..........…………………..…………....……..19

2.2.1 Modo de funcionamento…………..…………………………………………....……….19

2.2.2 Sensibilidade….……………...........………………………………....…………………..19

2.2.3 Tipos de correntes de falta detectáveis…….……………..……………………………..21

2.2.4 Características de atuação…......………...….………..……………………....………….22

2.3 APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DR……...........……………………………….……..24


2.4 FORMA DE DIMENSIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DR.…………....…………...25

3 DISPOSITIVO DE PROTEÇÃO CONTRA SURTOS ELÉTRICOS - DPS……....…….27

3.1 SURTO ELÉTRICO…..…...………………………………………………………………...27

3.2 CONCEITO E FUNCIONAMENTO..……………………………………………………...28

3.3 CLASSIFICAÇÃO.…..…...………………………………………………………………...29

3.4 UTILIZAÇÃO E DIMENSIONAMENTO.………………………………………………...30

3.4.1 Formas de Conexão……...………..…………………………………………....……….30

3.4.2 Dimensionamento…………...........………………………………....…………………..32

4 CONCLUSÃO………................…………………………………………………………......34

REFERÊNCIAS………...............………………………………………………………….......35
4

1 DISJUNTOR TERMOMAGNÉTICO

O Disjuntor Termomagnético tem a função de proteger as instalações elétricas no


que se refere a possíveis problemas associados a sobrecargas e curtos-circuitos. Seu papel
é acompanhar de forma monitorada e controlar a corrente elétrica, interrompendo de
maneira imediata sua circulação de energia elétrica em caso de picos que extrapolem o
considerado adequado com relação ao dimensionamento realizado previamente.

1.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

1.1.1 Proteção Magnética

Acerca da proteção magnética, o disjuntor apresenta uma bobina elétrica, e no


centro dessa existe um pistão. A bobina e o pistão não interagem entre si, no entanto,
quando acontece um curto circuito, um contato entre ambos é estabelecido. Nesse
contexto, nota-se que o disjuntor tem uma corrente nominal, sendo assim ele foi
preparado para atuar respeitando tal corrente. Assim como a bobina, que também foi
preparada para possuir um campo magnético, que não deve desempenhar nenhum tipo de
influência sobre o pistão nos casos em que corrente for menor ou igual à corrente nominal.

Dessa maneira, em situações em que ocorre um curto-circuito, a corrente que


passa pela bobina sofre um significativo aumento, bem como o campo magnético da
bobina, que aumenta de modo proporcional ao aumento da corrente. Isso promove uma
indução no pistão e o “transforma” em uma espécie de ímã. Nessa perspectiva, evidencia-
se que a indução magnética faz com que o pistão se movimente, disparando o instrumento
que abre o circuito do disjuntor e assim o disjuntor é desarmado, seccionando a corrente
e cumprindo sua finalidade de proteção.

1.1.2 Proteção Térmica

Já no que se refere a proteção térmica, o disjuntor apresenta uma chapa


bimetálica e essa é a principal encarregada da proteção térmica que o disjuntor realiza.
Essa chapa bimetálica realiza a proteção por meio da aplicação do efeito joule, que ocorre
quando uma corrente elétrica passa pela chapa, promovendo um aquecimento e a
liberação de energia na forma de calor, que em determinadas proporções, dependo da
intensidade da corrente, pode promover a deformação da chapa. Nessas condições,
5

observa-se que a chapa bimetálica foi desenvolvida para se “transformar” em situações


nas quais a corrente ultrapasse o valor nominal do disjuntor, quando essa deformação
acontece é porque a mesma sofreu um aquecimento elevado, sendo assim a chapa se curva
e aciona o mecanismo que desarma o disjuntor, seccionando a corrente e promovendo a
proteção esperada.

Figura 1. Região interna do disjuntor termomagnético

Fonte: <https://eletriccaseind.wixsite.com/eletricidademoderna/>

1.2 CLASSIFICAÇÃO E APLICAÇÃO DOS DISJUNTORES DTM

1.2.1 Quantidade de polos

Os disjuntores apresentam diferentes quantidades de polos, o número de fases que


é utilizado na alimentação da residência deve ser igual ao número de polos do disjuntor,
sendo assim se o sistema de alimentação for bifásico, deve ser utilizado um disjuntor
bipolar para proteção, para um sistema bifásico, um bipolar e para um sistema trifásico,
um disjuntor tripolar.
6

1.2.2 Curvas de Atuação

Os disjuntores são diferenciados por faixa de atuação, podendo ser classificados


entre B, C ou D e essa nomenclatura está associada à curva que caracteriza o seu desarme.
Nessa perspectiva, evidencia-se que fundamental diferença entre as curvas encontra-se
no tempo de atuação do disparador magnético com relação ao curto-circuito, que é a área
de atuação imediata do equipamento.

Os disjuntores de norma IEC ou DIN nome comumente conhecido possuem três


curvas de atuação que são com características distintas, estas curvas são conhecidas como
curvas B,C e D, (NERY 2014, p 2014).

Figura 2. Característica tempo-corrente típica de disjuntor termomagnético.

Fonte: <https://wiki.sj.ifsc.edu.br/>
7

Figura 3. Gráfico com curvas de atuação de curvas B, C e D.

Fonte: <https://wiki.sj.ifsc.edu.br/>

Os disjuntores de curva B são mais apropriados para residências e cargas de baixas


intensidades. É designado à proteção dos condutores que alimentam cargas de natureza
resistiva como por exemplo aquecedores, chuveiros e lâmpadas incandescentes, e
possuem atuação de 3 a 5 vezes de sua corrente nominal.

No caso dos disjuntores de curva C são aqueles mais usados em indústrias. É


designado à proteção de condutores que alimentam cargas de natureza indutiva como por
exemplo compressores, motores, lâmpadas fluorescentes e eletrobombas. O disparador
magnético possui atuação de 5 a 10 da sua corrente nominal.

Já os disjuntores de curva D são aqueles que apresentam a curva de ruptura mais


alta e atuam entre 10 e 20 vezes a sua corrente nominal. É designado à proteção de
condutores que alimentam cargas de natureza fortemente indutivas como transformadores
e grandes sistemas.
8

Figura 4. Gráfico com curvas de atuação de curvas B e C.

Fonte: <https://www.voltimum.pt/artigos/noticias-do-sector/proteccao-das>

O disjuntor termomagnético é ligado apenas ao condutor de fase e o disjuntor


diferencial residual, aos condutores de fase e neutro dos circuitos. Nota-se que o neutro
não pode ser aterrado após o DR, nem seccionar o condutor de proteção.

O interruptor diferencial residual deve ser usado, no circuito que necessita de


proteção, auxiliando e complementando o disjuntor termomagnético, que promove a
proteção de sobrecorrente, com o DTM instalado antes do interruptor DR.

Os disjuntores devem ser identificados de maneira correta, para certificar e


garantir a proteção contra sobrecarga e curto-circuito, seguindo de maneira rigorosa as
normas existentes, destacando:

• NBR NM 60898 – Normatiza os disjuntores especialmente projetados para


serem manipulados por usuários leigos, sem realizar manutenções (normalmente
instalações residenciais ou semelhantes).

• NBR IEC 60947-2 – Normatiza os disjuntores manipulados por pessoas


qualificadas, com formação especializada, de modo a realizar ajustes e manutenções
(normalmente para instalações industriais ou semelhantes).
9

1.3 DIMENSIONAMENTO

No dimensionamento. em concordância com a NBR 5410 é preciso observar os


seguintes parâmetros:

● Tipo de curvas: B, C ou D;

● Corrente Nominal;

● Capacidade de interrupção de corrente;

● Número de polos;

● Tensão e frequência;

● Integral de Joule ou tempo de disparo;

1.3.1 Sobrecarga

Em concordância com a NBR 5410, destaca-se que "devem ser previstos


dispositivos de proteção para interromper toda corrente de sobrecarga nos condutores dos
circuitos antes que esta possa provocar um aquecimento prejudicial à isolação, às
ligações, aos terminais ou às vizinhanças das linhas".

Para que a proteção dos condutores contra sobrecargas fique assegurada, as


características de atuação do dispositivo destinado a provê-la devem ser tais que:

a)𝐼𝑏 ≤ 𝐼𝑛 ≤ 𝐼𝑧

b) 𝐼2 ≤ 𝛼 . 𝐼𝑧, pela NBR IEC 60898, 𝛼 = 1,45

Sendo:

● Ib: corrente de projeto do circuito;

● Iz: máxima capacidade de condução de corrente dos condutores;

● In: corrente nominal do dispositivo de proteção (ou corrente de ajuste, para


dispositivos ajustáveis);

● I2: corrente convencional de atuação;


10

● 𝛼 vale: – pela NBR IEC 60947-2: 1,30 a quente a 30 °C;


– pela NBR 5361: 1,35 a frio a 25 °C;
– pela NBR IEC 60898: 1,45 a quente a 30 °C; – pela NBR 11840: 1,60.

Observação: A condição da alínea b) é aplicável quando for possível assumir que a


temperatura limite de sobrecarga dos condutores (observar tabela 35 NBR 5410/2004)
não venha a ser mantida por um tempo superior a 100 h durante 12 meses consecutivos,
ou por 500 h ao longo da vida útil do condutor. Quando isso não ocorrer, a condição da
alínea b) deve ser substituída por: 𝐼2 ≤ 𝐼𝑧. (NBR 5410/2004)

Todos os circuitos devem possuir um tipo de proteção e no mínimo um polo. A


NBR 5410/2004 exige que todo circuito terminal tenha proteção contra sobrecorrente por
dispositivo que assegure o seccionamento simultâneo de todos os condutores da fase.

Figura 5. Condições de proteção contra sobrecarga.

Fonte: NBR 5410/90

1.3.2 Curto-Circuito

É importante destacar que as consequências do curto-circuito podem ser


extremamente prejudiciais ao sistema elétrico em questão, caso não sejam eliminadas de
forma rápida e eficiente por dispositivos de proteção.

A NBR 5410/2004 evidencia que “A integral de Joule que o dispositivo deixa


passar deve ser inferior ou igual à integral de Joule necessária para aquecer o condutor
11

desde a temperatura máxima para serviço contínuo até a temperatura limite de curto-
circuito”
𝑡
∫0 𝑖 2 𝑑𝑡 ≤ 𝑘 2 𝑆 2
Sendo:
𝑡
● ∫0 𝑖 2 𝑑𝑡: a integral de Joule (energia) que o dispositivo de proteção deixa
passar;
● 𝑘 2 𝑆 2 : a integral de Joule (energia) capaz de elevar a temperatura do condutor
desde a temperatura máxima para serviço contínuo até a temperatura de curto-
circuito, supondo-se aquecimento adiabático. S é a seção do condutor.

O fator K vai ser determinado a partir do material do condutor e o tipo de isolação.


Geralmente, em instalações residenciais, é utilizado o cobre; dessa forma, por exemplo:
K = 115 para cobre com PVC e K = 135 para cobre com EPR ou XLPE. Esses valores
constam na NBR 5410/2004, inseridos na tabela 30 da norma citada. Portanto, duas
condições devem ser satisfeitas, sendo essas:

Primeira condição:

𝐼𝑟 ≥ 𝐼𝑐𝑐

Sendo:

● Ir: corrente de ruptura do DTM;


● Icc: a corrente de curto-circuito presumida no ponto da instalação.

Segunda condição:

𝑆𝟐 𝐾 2
𝑇𝑑𝑑 ≥ 𝑡, 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑡 =
𝐼𝑐𝑐 𝟐

Sendo:

● Tdd: o tempo de disparo do DTM;


● t: tempo-limite de atuação do DTM;
12

● S: seção nominal do condutor;


● K: constante relacionada ao material do condutor.

Figura 6. Condições de proteção contra curto-circuito.

Fonte: <http://www.jorgestreet.com.br/>

2 DISPOSITIVO DIFERENCIAL RESIDUAL - DR

Existe uma corrente diferencial residual que representa a soma fasorial das
correntes que percorrem um circuito em determinado ponto, em que, teoricamente, o
valor 𝐼𝐷𝑅 será nulo, a não ser que existam correntes de fuga ou de falta para a terra.
Explicando melhor, uma fuga de corrente elétrica ocorre quando a corrente encontra outro
caminho para seguir à terra, que não o condutor neutro, como, por exemplo, em choques
elétricos e condutores mal isolados. Sabe-se que é praticamente impossível um modelo
prático seguir, fielmente, um ideal, portanto, pode-se inferir que os circuitos reais
apresentarão correntes de fuga, limitadas a valores mínimos, visto que não existe uma
real isolação perfeita.

O Dispositivo Diferencial Residual serve para detectar essas fugas em um circuito


e desligá-lo imediatamente. Logo, esse dispositivo serve para garantir a segurança de
instalações elétricas, evitando que alguma pessoa sofra um choque elétrico provocado por
contato direto e/ou indireto com partes energizadas. Ademais, também protege os
condutores dos circuitos contra sobrecarga, curto-circuito e riscos de incêndio acarretados
13

pelos possíveis efeitos de circulação dessa corrente. Dessa forma, o dispositivo DR


supervisiona a existência da 𝐼𝐷𝑅 e atua sempre que o seu valor for maior que um pré-
estabelecido, 𝐼∆𝑁 , que é a corrente diferencial residual nominal de um dispositivo,
geralmente é próxima de 30 mA. Esse valor se dá porque é a intensidade máxima que um
ser humano pode suportar em seu organismo por um curto período de tempo sem danos
permanentes.

É muito comum observar uma confusão na nomenclatura dos dispositivos de


proteção DR, como acontece com os termos DR e IDR. O primeiro é um nome genérico
para qualquer dispositivo que atua contra correntes residuais. Já o segundo é um
dispositivo que protege a instalação, exclusivamente, contra fuga de corrente, isto é,
detecta as correntes de falta e para o sistema antes que cause danos fatais aos usuários.

Figura 7. Exemplo de um Interruptor Diferencial Residual

Fonte: <https://www.guiadaengenharia.com/dispositivos-seccionamento/>

Os interruptores DR devem ser utilizados nos circuitos em conjunto com


dispositivos como disjuntores ou fusíveis, colocados antes do interruptor. Um tipo de IDR
é o tetrapolar (ilustrado acima), podendo ser usado também o bipolar.

Usualmente, os dispositivos DR são fornecidos em módulos acoplados elétrica e


mecanicamente a disjuntores termomagnéticos, formando um único dispositivo. Assim,
não somente as estruturas do circuito são protegidas (módulo termomagnético), como
também as pessoas contra choques elétricos (módulo DR). E esse equipamento é
denominado Disjuntor Diferencial Residual, DDR. Basicamente, o DDR é um IDR mais
completo e com a função de um disjuntor, que são as proteções contra curto-circuito e
sobrecarga através da detecção térmica e magnética. Logo, o funcionamento é similar e
ele pode substituir o interruptor em uma instalação.
14

Figura 8. Exemplo de um Disjuntor Diferencial Residual tetrapolar

Fonte: <https://www.guiadaengenharia.com/dispositivos-seccionamento/>

O DDR pode ser utilizado como disjuntor geral de uma instalação, mesmo não
sendo recomendado, já que pode prejudicar na identificação de problemas no circuito,
portanto, indica-se que este dispositivo seja usado somente como disjuntor de circuitos
parciais. Os disjuntores DR devem ser ligados aos condutores fase e neutro, sendo que o
neutro não pode ser aterrado após o DR. Os tipos mais utilizados de disjuntores residuais
de alta sensibilidade (máximo de 30 mA) são:

Figura 9. Exemplos de Disjuntor Diferencial Residual bipolar e tetrapolar.

Fonte: Instalações Elétricas Residenciais (2003, p. 61)

Algo interessante é que os DR’s possuem um botão de teste, em sua parte frontal,
que serve para uma simulação interna de fuga de corrente para fazer com que o dispositivo
desarme sempre que for pressionado. É recomendado que esse teste seja feito pelo menos
uma vez por mês e caso não aconteça o desarme, é importante fazer mais testes e uma
verificação mais aprofundada.
15

Figura 10. Exemplo de Polos para ligação do IDR

Fonte:<https://www.mundodaeletrica.com.br/como-testar-idr-como-usar-o-botao-de-
teste/>

Na imagem acima, o circuito verde destacado, mostra quais polos, internamente


ligados no IDR, devem estar ocupados para que o teste funcione.

2.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

Figura 11. Construção interna de um DR

Fonte:<https://abracopel.org/blog/tecnologia/conceitos-e-aplicacoes-de-dispositivos-de-
corrente-diferencial-residual-dr/>

Um dispositivo diferencial residual é constituído, essencialmente, por: contatos


fixos e móveis, transformador diferencial e disparador diferencial (relé polarizado).
16

Figura 12. Partes Principais de um Dispositivo DR


Fonte: Projetos de Instalações Elétricas Prediais - Domingos Leite (2001, p. 203)

Os contatos permitem a abertura e o fechamento do circuito e são dimensionados


de acordo com a corrente nominal do dispositivo (𝐼∆𝑁 ).

O transformador é composto por: um núcleo laminado, cujo material possui alta


permeabilidade; tantas bobinas primárias quanto forem os polos do dispositivo, por
exemplo, em um dispositivo bipolar, vão haver duas bobinas primárias; uma bobina
secundária destinada a detectar a corrente diferencial residual. Enquanto as bobinas
primárias são iguais e enroladas, para que, normalmente, não exista fluxo resultante no
núcleo, a bobina secundária tem a função de perceber um eventual fluxo resultante. O
sinal na saída dessa bobina é encaminhado a um relé polarizado que aciona o mecanismo
de disparo para a abertura dos contatos principais.

O disparador diferencial é um relé polarizado formado por um ímã permanente,


uma bobina ligada à bobina secundária do transformador e uma peça móvel fixada de um
lado por uma mola e ligada mecanicamente aos contatos dos dispositivos. Em condição
de repouso, a peça móvel permanece na posição fechada, encostada no núcleo e
tracionando a mola.
17

Figura 13. Esquema do Disjuntor Diferencial


Fonte: Instalações Elétricas - Hélio Creder (2007, p. 116)

Normalmente, o fluxo resultante no núcleo do transformador, produzido pelas


correntes que percorrem os condutores de alimentação, é nulo e na bobina secundária não
é gerada nenhuma força eletromotriz (𝐼𝐷𝑅 < 0,5・𝐼∆𝑁 ). A parte móvel do disparador
diferencial está em contato com o núcleo (Figura 14), tracionando a mola, atraída pelo
campo do ímã permanente.

Figura 14. Ausência de falta para a terra


Fonte: Instalações Elétricas - Hélio Creder (2007, p. 116)

Quando o fluxo resultante no núcleo do transformador for diferente de zero


(Figura 15), será gerada uma força eletromotriz na bobina secundária e uma corrente
percorrerá a bobina do núcleo do disparador (𝐼𝐷𝑅 ≥ 0,5・𝐼∆𝑁 ). O fluxo criado no núcleo
do disparador provocará a desmagnetização do núcleo, abrindo o contato da parte móvel
e, por conseguinte, os contatos principais do dispositivo.
18

Figura 15. Condição de falta para a terra


Fonte: Instalações Elétricas - Hélio Creder (2007, p. 116)

Além do funcionamento elétrico do dispositivo, também é importante notar o


funcionamento mecânico:

Figura 16. Funcionamento Mecânico de um Dispositivo DR


Fonte: Projetos de Instalações Elétricas Prediais - Domingos Leite (2001, p. 203)
19

2.2 CLASSIFICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DR

2.2.1 Modo de funcionamento

O funcionamento de um relé diferencial residual pode ser direto, sem aporte de


energia auxiliar, sendo puramente eletromagnético; ou demandar a amplificação do sinal,
precisando, nesse caso, de aporte de energia auxiliar, sendo eletrônico ou misto.

6.3.3.2.7. Admite-se o uso de dispositivos DR com fonte auxiliar que não


atuem automaticamente no caso de falha da fonte auxiliar se a instalação na
qual o dispositivo for utilizado tiver sua operação, supervisão e manutenção
sob responsabilidade de pessoas advertidas (BA4) ou qualificadas (BA5) [...].
(NBR 5410, 2004, p.126)

A tabela a seguir relaciona os tipos de dispositivos DR quanto ao modo de


funcionamento e indica as aplicações, na proteção contra choques, a que eles estão
habilitados.

Tabela 1. Condições de utilização dos dispositivos DR segundo o modo de funcionamento


Fonte: Guia EM da NBR 5410 (2001, p. 65)

2.2.2 Sensibilidade

É definida como a menor corrente de fuga que o dispositivo é capaz de perceber


e, imediatamente, desligar o circuito. Essa corrente é denominada Corrente Diferencial
Residual nominal de atuação (𝐼∆𝑁 ) e é o primeiro fator a ser verificado para saber se o DR
20

poderá ser utilizado. Essa sensibilidade varia de 30 a 500 mA e deve ser dimensionada
com cuidado, correndo risco de prejudicar a própria qualidade da instalação.

O grupo de dispositivos com 𝐼∆𝑁 ≤ 30 mA são classificados como de


alta sensibilidade, enquanto aqueles com 𝐼∆𝑁 > 30 mA são classificados
como de baixa sensibilidade. Pode-se, ainda, classificar de acordo com sua corrente de
atuação e sua finalidade:

● Proteção contra contato direto (30mA): ideal para a proteção de seres humanos,
já que esse valor garante que os usuários não sofrerão danos fisiológicos.
● Proteção contra contato indireto (100mA a 300mA): no caso de uma falta
interna em algum equipamento ou falha na isolação, peças de metal podem se
tornar energizadas.
● Proteção contra incêndio (500mA): correntes para a terra com este valor podem
gerar arcos/faíscas e provocar incêndios.

5.1.3.2.1.1 O uso de dispositivos de proteção a corrente diferencial-residual


com corrente diferencial-residual nominal 𝐼𝛥𝑛 igual ou inferior a 30 mA é
reconhecido como proteção adicional contra choques elétricos. NOTA A
proteção adicional provida pelo uso de dispositivo diferencial-residual de alta
sensibilidade visa casos como os de falha de outros meios de proteção e de
descuido ou imprudência do usuário. (NBR 5410, 2004, p.49)

Figura 17. Identificação da sensibilidade do dispositivo DR


Fonte: <https://heitorborbasolucoes.com.br/dispositivo-diferencial-residual-dr/>
21

2.2.3 Tipos de correntes de falta detectáveis

Outra forma de classificar os DR’s é pela sua “capacidade de detecção”, isto é,


pelos tipos de corrente de falta que eles são capazes de detectar e realizar o disparo. A
normalização IEC (International Electrotechnical Commission) distingue três tipos:

● tipo AC: sensível apenas para corrente alternada;


● tipo A: sensível a corrente alternada e corrente contínua pulsante;
● tipo B: sensível a corrente alternada, a corrente contínua pulsante e a corrente
contínua pura (lisa).

6.3.3.2.1 Em circuitos de corrente contínua só devem ser usados dispositivos


DR capazes de detectar correntes diferenciais-residuais contínuas. Eles devem
ser capazes, também, de interromper as correntes do circuito tanto em
condições normais quanto em situações de falta. 6.3.3.2.2 Em circuitos de
corrente alternada nos quais a corrente de falta pode conter componente
contínua só devem ser utilizados dispositivos DR capazes de detectar também
correntes diferenciais-residuais com essas características. 6.3.3.2.3 Em
circuitos de corrente alternada nos quais não se prevêem correntes de falta que
não sejam senoidais, podem ser utilizados dispositivos DR capazes de detectar
apenas correntes diferenciais-residuais senoidais. Tais dispositivos podem ser
utilizados também na proteção de circuitos que possuam, a jusante,
dispositivos DR capazes de detectar as correntes de falta não-senoidais que os
circuitos por eles protegidos possam apresentar. (NBR 5410, 2004, p.125 -
126)
22

Figura 18. Esquema de dispositivo diferencial capaz de detectar correntes de falta CA, CC
pulsantes e CC lisas.
Fonte: Guia EM da NBR 5410 (2001, p. 73)

2.2.4 Características de atuação

A normalização IEC determina limites tempo-corrente para a atuação dos


dispositivos diferenciais.

Tabela 2. Limites tempo-corrente para a atuação dos dispositivos diferenciais, conforme a IEC
61008 e IEC 61009.
Fonte: Guia EM da NBR 5410 (2001, p. 77)
23

De acordo com a tabela acima, é possível perceber que as normas IEC estabelecem
limites definidores de dois tipos de DR. O tipo G, em que são definidos os limites
máximos, ou seja, o tempo máximo que o dispositivo deve efetuar o desligamento do
circuito protegido (tempo máximo de interrupção 𝑡𝑜 ). E o tipo S, em que são definidos os
tempos mínimos de não atuação (𝑡𝑛𝑜 ), isto é, ele só pode atuar depois de decorrido esse
tempo.

Figura 19. Curvas de atuação dos dispositivos diferenciais tipo G e tipo S, conforme a IEC
61008 e IEC 61009.
Fonte: Guia EM da NBR 5410 (2001, p. 77)

Esses dados explicam o porquê do tipo G, formalmente “de uso geral”, é referido
como instantâneo. E o tipo S, analogamente, como seletivo.

6.3.6.3.1 A seletividade entre dispositivos DR em série pode ser exigida por


razões de serviço, notadamente quando a segurança estiver envolvida, de modo
a manter a alimentação de partes da instalação não diretamente afetadas pela
ocorrência de uma falta. 6.3.6.3.2 Para assegurar a seletividade entre dois
dispositivos DR em série, estes dispositivos devem satisfazer,
simultaneamente, as seguintes condições: a) a característica tempo–corrente de
não-atuação do dispositivo DR a montante deve se situar acima da
característica tempo–corrente de atuação do dispositivo DR a jusante; e b) a
corrente diferencial-residual nominal de atuação do dispositivo DR a montante
deve ser superior à do dispositivo DR a jusante. No caso de dispositivos DR
conforme a IEC 61008-2-1 e a IEC 61009-2-1, a corrente diferencial-residual
nominal de atuação do dispositivo DR a montante deve ser pelo menos três
vezes o valor da corrente diferencial-residual nominal de atuação do
dispositivo DR a jusante. (NBR 5410, 2004, p.138)
24

2.3 APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DR

Como já foi dito, os dispositivos DR podem ser instalados na proteção geral da


instalação, mas recomenda-se o seu uso nas proteções individuais de circuitos terminais.
Quando esses dispositivos estiverem na proteção geral e nos circuitos terminais, será
preciso fazer uma coordenação em busca de seletividade de atuação. O dispositivo de
maior sensibilidade de atuação (menor 𝐼∆𝑁 ) deverá ser instalado no circuito terminal e o
de menor sensibilidade no circuito de distribuição.

É evidente que para poder perder instalar um dispositivo DR na proteção de um


circuito ou instalação (proteção geral), as respectivas correntes de fuga deverão ser
inferiores ao limiar de atuação do dispositivo. Dessa forma, antes de instalar um
dispositivo DR, é necessário efetuar uma medição preventiva destinada a verificar a
existência, pelo menos, de correntes de fuga superiores a um certo limite. Caso o resultado
seja favorável (não existam correntes de fuga significativas fluindo para a terra), pode-se
instalar um dispositivo DR como proteção geral contra contatos indiretos. Caso contrário,
só poderão ser instalados dispositivos DR nas derivações da instalação.

O item 5.1.3.2.2 da NBR 5410 define alguns casos onde o uso desse dispositivo é
obrigatório:

a. circuitos que sirvam a pontos de utilização situados em locais com banheira ou


chuveiro;
b. circuitos que alimentam tomadas de corrente em áreas externas;
c. circuitos que alimentam tomadas de corrente internas que podem ser usadas para
alimentar equipamentos no exterior;
d. circuitos que, tanto em locais de habitação quanto em edificações não-
residenciais, sirvam a pontos de utilização pelas áreas molhadas em uso normal
ou sujeitas a lavagem.

Vale ressaltar, que é preciso estar atento aos esquemas de ligação, padronizados
pela norma ABNT NBR 5410 itens 4.2.2.2.1, 4.2.2.2.2 , 4.2.2.2.3.

Também é lícito destacar, a título de conhecimento, que, geralmente, o dispositivo


DR bipolar é utilizado quando o circuito é monofásico ou bifásico exclusivos, ou seja, sai
do quadro elétrico e vai em direção a alimentação é pontual, como, por exemplo, para um
chuveiro elétrico. Já o dispositivo DR tetrapolar, normalmente, é utilizado em um circuito
25

onde a carga será distribuída, como, por exemplo, tomadas de uso geral, ademais, também
pode-se utilizar esse dispositivo para integrar vários circuitos.

2.4 FORMA DE DIMENSIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DR

Dimensionar o dispositivo DR é determinar o valor da corrente nominal (𝐼𝑁 ) e da


corrente diferencial residual nominal de atuação (𝐼∆𝑁 ), de modo que se garanta a proteção
do ser humano contra choques elétricos.

Já é sabido que, no caso de um DR de alta sensibilidade, o valor máximo para a


corrente diferencial residual nominal de atuação é de 30 mA. E, de modo geral, as
correntes nominais típicas para dispositivos DR são 25, 40, 63, 80 e 100 A.

Dessa forma, existem duas possibilidades:

● Disjuntor DR: deve ser escolhido com base na tabela a seguir. Pode-se notar que,
nela, não é permitido utilizar um DDR de 25 A, por exemplo, em circuitos que
utilizem condutores de 1,5 e 2,5 mm². Nesses casos, a solução é fazer uso de uma
combinação de disjuntor termomagnético (DTM) + interruptor diferencial
residual (IDR).
26

Tabela 3. Dimensionamento de dispositivos DR


Fonte: Instalações Elétricas Residenciais (2003, p. 101)

Geralmente, em uma instalação, todos os condutores de cada circuito possuem a


mesma seção, contudo, a norma permite a utilização de condutores de proteção com seção
menor.
27

Tabela 4. Relação entre seção dos condutores de fase e dos condutores de proteção
Fonte: Instalações Elétricas Residenciais (2003, p. 102)

● Interruptor DR: deve ser escolhido com base na corrente nominal dos
disjuntores termomagnéticos.

Tabela 5. Dimensionamento de Interruptor DR


Fonte: Instalações Elétricas Residenciais (2003, p. 100)

3 DISPOSITIVO DE PROTEÇÃO CONTRA SURTOS ELÉTRICOS - DPS

3.1 SURTO ELÉTRICO

Antes de falar sobre DPS precisamos abordar o que é um surto elétrico. O surto
elétrico é um fenômeno que vem de uma onda transitória de tensão, em outras palavras,
28

uma corrente ou potência que causa uma taxa de variação elevada em um pequeno período
de tempo. Podendo causar a queima de algum equipamento elétrico e eletrônico, tendo
chances de iniciar incêndios.

Existem diversas causas, entre elas a que mais se destaca é a descarga atmosférica,
ou seja, um raio que atingiu a rede elétrica. Mas também pode ter origem em manobras
de rede, partida de grandes motores, ou movimento de liga e desliga em máquinas.

3.2 CONCEITO E FUNCIONAMENTO

O DPS ou Dispositivo de Proteção contra Surtos é em poucas palavras, um


dispositivo capaz de detectar sobretensões transitórias no circuito (com possível origem
em descargas atmosféricas ou partidas de grandes motores e etc.) e direcioná-las para o
aterramento evitando assim que essa sobrecarga atinja equipamentos elétricos e
eletrônicos evitando que os mesmos queimem, abaixo um exemplo de um DPS:

Figura 20. imagem de um DPS com suas especificações

Fonte:<https://newalfaluz.com.br/dispositivo-de-protecao-de-surto-dps-45ka-89789792>

Tal dispositivo funciona de forma a desviar o surto para a barra de proteção (terra)
evitando danos no sistema, em suma isso se dá por conta de um elemento presente no
29

DPS, chamado varistor, responsável por gerar, em uma fração de segundos, um curto
circuito entre a fase afetada e o PE ou terra.

O varistor nada mais é do que um resistor elétrico que varia sua resistência de
acordo com a tensão que está submetido, onde quanto maior a tensão, menor a resistência
oferecida pelo mesmo. E o mais importante é que esse processo de mudança do valor da
resistência ocorre de forma extremamente rápida evitando danos à rede elétrica da casa.

E como o DPS usa essa característica? Podemos evidenciar isso colocando em


prática. Supondo que uma grande descarga elétrica provocada por um raio percorra uma
das fases, o varistor vai detectar tal sobretensão que tende ao infinito e diminuir sua
resistência tendendo a 0 dessa forma o curto vai se fechar entre a fase e o aterramento
(potencial= 0 Volts aproximadamente) sendo assim essa sobrecarga vai se dirigir ao solo
em um tempo muito curto, tão curto que o disjuntor não consegue perceber a fuga de
corrente, logo, não desarma, tornando o DPS muito eficiente.

Vale ressaltar que os DPS comumente têm em seu corpo plástico uma tarja verde
que indica o bom funcionamento do dispositivo, uma vez que essa tarja se torne vermelha
ou acenda alguma luz vermelha, é a indicação de que se deve trocar o aparelho. Conforme
Figura 20

3.3 CLASSIFICAÇÃO

Os Dispositivos de Proteção contra Surtos podem ser divididos em 3 classes. São


elas:

● Classe I: essa é a classe que engloba os dispositivos mais robustos pois são usados
na proteção contra descargas diretas (geralmente associado ao SPDA), por isso é
colocado logo no ponto de entrada da instalação.

● Classe II: nessa classe estão os dispositivos, responsáveis por lidar com descargas
indiretas, por isso geralmente é instalado no quadro de distribuição. Tal
dispositivo é usado em residências e pequenos imóveis comerciais,
complementando o trabalho do DPS de classe 1, como também na prevenção de
sobretensões de manobra.
30

● Classe III: essa classe tem dispositivos com uma proteção mais sensível, por isso
são considerados apenas como complementares. São instalados internamente,
próximos aos equipamentos que se deseja uma proteção extra.

3.4 UTILIZAÇÃO E DIMENSIONAMENTO

3.4.1 Formas de conexão

A norma que trata da utilização do DPS é a NBR 5410:2004 item 6.3.5, e nela
temos uma exemplificação das formas de ligação dos dispositivos DPS no circuito da
casa devido a alguns fatores conforme a Figura 21.:
31

Figura 21. exemplos de esquemas de conexão


Fonte: NBR 5410:2004

Além disso é importante que o comprimento dos condutores destinados a realizar


a conexão do DPS (seja, do fase-DPS, neutro-DPS, DPS-PE e/ou DPS-neutro) precisa ser
o mais curto possível e não ter nenhum tipo de curvas ou laços, idealmente.

Figura 22. Formas de ligação do DPS a)em série e b)em paralelo com a instalação elétrica.
Fonte: NBR 5410:2004

Como apresentado na Figura 22a) a soma do comprimento do conector fase-DPS


(a) e o conetor DPS-PE (b) deve ser menor ou igual a 0,5 m. Caso não seja possível a
instalação a essa distância, a melhor alternativa é realizar a ligação em paralelo, Figura
22b), dessa forma o valor de b deve ser menor que 0,5 m.

Quanto a bitola dos fios a NBR 5410:2004 no item 6.3.5.2.9 diz o seguinte:
32

Em termos de seção nominal, o condutor das ligações DPS-PE, no caso de DPS


instalados no ponto de entrada da linha elétrica na edificação ou em suas
proximidades, deve ter seção de no mínimo 4 mm2 em cobre ou equivalente.
Quando esse DPS for destinado à proteção contra sobretensões provocadas por
descargas atmosféricas diretas sobre a edificação ou em suas proximidades, a
seção nominal do condutor das ligações DPS±PE deve ser de no mínimo 16 mm2
em cobre ou equivalente. (NBR 5410, 2004, p.136)

3.4.2 Dimensionamento

Os dispositivos de proteção ainda podem ser divididos de forma a considerar a


corrente máxima de descarga, como apresentado pelo livro Instalações Elétricas Prediais,
do autor Cavalin em sua 14ª edição:

DPS 20 kA: recomendado como proteção única ou primária em instalações


situadas em zonas de exposição a raios classificadas como AQ1 (desprezível).
Deve ser instalado no circuito elétrico no qual o equipamento está conectado.

DPS 30 kA: recomendado como proteção única ou primária em redes de


distribuição de baixa tensão situadas em áreas urbanas e densamente edificadas,
expostas a raios classificadas como indiretas (AQ2). Deve ser instalado junto
com o quadro de distribuição central de rede elétrica.

DPS 45 kA: recomendado como proteção única ou primária em redes de


distribuição de baixa tensão situadas em áreas rurais ou urbanas com poucas
edificações, em zonas expostas a raios classificadas como diretas (AQ3) e com
histórico frequente de sobretensão. Deve ser instalado junto com o quadro de
distribuição central de rede elétrica.

DPS 90 kA: recomendado como proteção única ou primária em redes de


distribuição de baixa tensão situadas em áreas rurais ou urbanas com poucas
edificações, em zonas expostas a raios classificadas como diretas (AQ3) e com
histórico frequência elevada de sobretensões. Deve ser instalado junto com o
quadro de distribuição central de rede elétrica.

(CAVALIN e CERVELIN. Instalações Elétricas Prediais, 14ª edição, p. 381)

Ainda fazemos a correlação das correntes máximas de descarga (corrente máxima


que o DPS consegue descarregar) com a corrente nominal de descarga (corrente de
descarga indicada para se trabalhar com o DPS) e o nível de proteção de corrente nominal
para facilitar o dimensionamento, segundo a Tabela 6.
33

Tabela 6. Relação entre Imax (kA), In (kA) e VP (kV)


Fonte: Instalações Elétricas Prediais –Cavalin e Cervelin- 14ª edição (2006, p 381)

Quanto ao esquema de aterramento a NBR 5410:2004 item 6.3.5.2.4 explica qual


esquema de conexão pode ser usado e qual tensão estará submetida cada tipo de
aterramento (TT, TN-C, TN-S, IT com neutro distribuído e IT sem neutro distribuído).
segundo a Tabela 7.

Tabela 7. Tabela com a relação do aterramento com a conexão


Fonte: NBR 5410:2004
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4 CONCLUSÃO

Utilizar dispositivos de proteção da rede elétrica de maneira correta e eficiente é


de extrema importância para a proteção tanto do sistema, como dos indivíduos que fazem
o uso desse instrumento. Nesse contexto, evidencia-se a relevância do disjuntor
termomagnético, que realiza uma proteção de duas formas, de modo que o seu princípio
de funcionamento está ligado à proteção contra sobrecarga, assim como contra curtos-
circuitos, assegurando a atividade adequada das instalações elétricas, visando a redução
de acidentes e possíveis danos na rede.

Em relação ao Dispositivo Diferencial Residual (DR), por meio desta pesquisa, é


possível defini-lo como um equipamento capaz de garantir a segurança de instalações
elétricas, evitando que alguém sofra um choque por contato direto e/ou indireto com
partes energizadas do sistema. Para isso, ele supervisiona a corrente diferencial residual
(𝐼𝐷𝑅 ) e atua, desligando o circuito, sempre que o seu valor for maior que a corrente
diferencial residual nominal do dispositivo (𝐼∆𝑁 ). Os equipamentos DR podem ser
Interruptores (IDR), que protegem a instalação, exclusivamente, contra fuga de corrente
e evitam danos fatais aos usuários, ou, Disjuntores (DDR) que são, basicamente,
interruptores DR mais completos e com a função de um disjuntor.

Assim como os demais, o Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS), tem


grande relevância, pois o equipamento é capaz de detectar uma sobretensão (oriunda de
descargas atmosféricas na rede elétrica, partida de grandes motores ou manobras de rede
por exemplo), e em uma fração de segundos direcioná-la para o aterramento, antes mesmo
que outro dispositivo sequer perceba a fuga de corrente e desarme, garantindo assim uma
maior proteção aos equipamentos elétricos e eletrônicos da instalação.

Diante disso, é lícito declarar que, nessa pesquisa, ficou evidente o quão
importantes esses dispositivos são para uma boa e segura instalação elétrica. Vale
lembrar, também, que muitas outras informações acerca da aplicação, funcionamento,
características específicas e, até mesmo, curiosidades desses instrumentos foram
apresentadas, sempre, é claro, sendo buscado em diversas fontes, para evitar ao máximo
divergências e inexatidões. Outro fator significativo, foi o uso, como base para muitas
questões, da norma técnica NBR 5410, que aborda, justamente, instalações elétricas de
baixa tensão.
35

REFERÊNCIAS

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações


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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações


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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações


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