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GEOVANA SANTOS FERREIRA

LARISSA SANTOS DANTAS ARAÚJO

PABLLO SILVA

NR10 APLICADA EM CANTEIRO DE OBRAS

Eletricidade Aplicada

Vitória da Conquista – BA

2021
GEOVANA SANTOS FERREIRA

LARISSA SANTOS DANTAS ARAÚJO

PABLLO SILVA

NR10 APLICADA EM CANTEIRO DE OBRAS

Eletricidade Aplicada

Trabalho apresentado como requisito


parcial de avaliação da disciplina de
Eletricidade Aplicada da turma
ECIV09, turno diurno de Engenharia
Civil.

Prof. Dr. Diego Habib Santos Nolasco.

Vitória da Conquista – BA

2021
SUMÁRIO

1 PARA QUE SERVE A NR10?…...........................………………..…........................3

2 RISCOS NO CANTEIRO DE OBRAS.................………………..….......................3

3 MEDIDAS DE CONTROLE/PROTEÇÃO………………..….................................6

4 PROJETOS E EXECUÇÃO NO CANTEIRO……..…..........................................10

5 INSTALAÇÕES DESENERGIZADAS E REENERGIZAÇÃO...........................11

5.1 DESENERGIZAÇÃO……..….................................................................................12

5.2 REENERGIZAÇÃO……..…....................................................................................13

6 TREINAMENTO E CAPACITAÇÃO DOS TRABALHADORES.......................14

7 SITUAÇÕES DE IRREGULARIDADES EM OBRAS..........................................16

7.1 SITUAÇÃO 1............................................................................................................16

7.2 SITUAÇÃO 2............................................................................................................17

7.3 SITUAÇÃO 3............................................................................................................18

7.4 SITUAÇÃO 4............................................................................................................18

8 CONCLUSÃO.............................................................................................................20

REFERÊNCIAS............................................................................................................21
3

1 PARA QUE SERVE A NR10?

A eletricidade tornou-se algo indispensável no cotidiano, devido a isso a busca por


serviços ligados a realização de instalações elétricas vêm crescendo a cada dia. Dessa
maneira, o Ministério do Trabalho e Emprego por meio da Portaria nº 3.214, de 08 de
junho de 1978, regulamentou a NR nº 10, que foi reformulada pela Portaria n.º 598, de
07 de dezembro de 2004, e foi intitulada como a NR nº 10 - Segurança em instalações e
serviços em eletricidade.

Como destacado, a NR10 é a Norma Regulamentadora referente à segurança em


instalações e serviços em eletricidade. Essa NR determina as exigências e condições
mínimas necessárias para a implementação de medidas de controle, assim como de
sistemas de prevenção, visando assegurar de maneira eficaz a segurança e a saúde dos
profissionais que trabalham seja de forma direta ou indireta com instalações elétricas e
serviços de eletricidade. Nesse contexto, evidencia-se as fases de aplicação da norma em
questão, sendo essas a de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia
elétrica, fazendo parte desse grupo as fases relacionadas aos estágios de projeto,
construção, montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e qualquer outra
atividade realizada próxima ao local, levando em consideração as normas técnicas oficiais
estabelecidas pelos órgãos competentes e na falta dessas, observar as normas
internacionais cabíveis.

Inúmeras áreas de atuação demandam a manipulação, a transformação ou em alguns


casos até mesmo a produção de energia elétrica. Assim, é possível destacar que a NR10
possui extrema importância com relação a redução do risco de acidentes e óbitos, visto
que determina que os profissionais que atuam nesse ramo devam receber um treinamento
específico e de forma obrigatória acerca das disposições de segurança e prevenção de
acidentes nesse campo. Ademais, caso alguma das condutas seja descumprida pelas
empresas, o profissional tem o direito de reivindicar e exigir a regularização das
condições de trabalho, sendo que a empresa que não cumprir com tais diretrizes, poderá
sofrer penalizações. Portanto, a norma regulamentadora de nº 10 busca assegurar um
ambiente seguro para os profissionais, buscando prevenção e segurança.

2 RISCOS NO CANTEIRO DE OBRAS


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Ao abordar questões sobre instalações elétricas e segurança do trabalho é possível


encontrar diversos problemas e irregularidades a serem resolvidos. Nessa perspectiva,
nota-se que vários dos problemas que podem ser provocados ocorrem principalmente
porque a corrente e a tensão elétrica não são visíveis aos olhos dos profissionais, dessa
maneira quando as diretrizes voltadas para a segurança profissional não são seguidas da
forma correta, a probabilidade de que se ocorra um acidente de trabalho no campo da
eletricidade torna-se maior.

No setor da construção civil, evidencia-se que dentre as principais causas de acidente


de trabalho, a presença de energia elétrica, assim como os riscos que esta traz ao ser
humano encontra-se em destaque. Dentre os maiores responsáveis por acidentes com
instalações elétricas em canteiros de obra, destacam-se a ausência de mão de obra
qualificada para executar de forma correta a instalação, a ausência de um projeto, assim
como de uma manutenção adequada.

A instalação elétrica de canteiro de obras é um tipo de instalação temporária, mas


isso não significa que deve ser realizada sem os devidos cuidados, sem projeto, sem um
profissional capacitado e adequado para sua execução ou com a presença de dispositivos
e equipamentos que não respeitem a norma em questão, sendo assim, a instalação deve
ser feita de maneira adequada, levando em consideração a segurança e saúde do
trabalhador.

As instalações elétricas provisórias, necessárias para a


execução de obras de construção civil, não devem ser tratadas
de forma negligente. Provisório não quer dizer precário. É
preciso sempre levar em consideração a segurança dos
trabalhadores que se utilizam dessas instalações (SAMPAIO,
1998, p. 341).

Com relação aos locais com existência de maior risco de acidentes com energia
elétrica no canteiro de obras, é possível destacar:

● Quadros de Distribuição, Terminal e Medição:

Esses são os primeiros instrumentos da instalação onde acontece a entrega da


energia elétrica provinda da concessionária para o canteiro de obras. Esses quadros
compõem uma estrutura, no qual os quadros de distribuição são constituídos por
dispositivos de proteção e manobra para os quadros terminais que possuem os terminais
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tipo tomadas e plugs para a ligação correta e segura dos equipamentos. Dentre os
principais riscos existentes com relação a estes quadros, é possível evidenciar choque
elétrico, curto circuitos, assim como queda por conta de choques elétricos em quadros.

● Instalações Aéreas:

Nesse caso, o sistema deve ser projetado e executado levando em conta a altura
das máquinas que irão circular pelo canteiro e a localização correta dos postes de
sustentação para que não atrapalhe o trânsito de profissionais, materiais e equipamentos.
Os principais riscos encontrados em instalações aéreas são os choques elétricos e os
acidentes.

● Instalações Subterrâneas:

Nesse tipo de instalação são necessários determinados cuidados, especialmente


quando situados em canteiro de obras. No que se refere aos principais riscos encontrados
em instalações subterrâneas, notam-se curto circuitos devido à má conservação dos
condutores ou eletrodutos que promovem a proteção da instalação e acidentes associados
às escavações nos locais da instalação.

● Dispositivos de Proteção e Manobra:

Dentre esses dispositivos, os disjuntores termomagnéticos são considerados os mais


usados atualmente. Os disjuntores termomagnéticos possuem a capacidade de desarme
quando ocorre uma sobrecarga de corrente, seja de modo térmico ou magnético. Com
relação aos principais riscos que são encontrados ao manusear tais dispositivos,
destacam-se o choque elétrico, curto circuitos devido à má conservação dos dispositivos,
assim como acidentes.

● Iluminação Provisória:

Em um canteiro de obras a iluminação é realizada de maneira provisória, posto que


com o término da obra a iluminação será retirada, bem como toda a instalação presente
no local. Dentre os principais riscos encontrados em instalações de iluminação,
evidenciam-se curto circuitos por conta da má conservação de soquetes, reatores e
condutores, assim como acidentes.

● Plugs e Tomadas:
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Todas as máquinas e equipamentos que precisam de energia elétrica para


funcionar devem ser ligados à rede de energia elétrica por meio de plugs e tomadas. Sendo
assim, para segurança dos profissionais, as tomadas devem ser protegidas de modo a não
molhar em períodos de chuva e além disso não é recomendado ligar dois equipamentos
na mesma tomada. Com relação aos principais riscos encontrados em plugs e tomadas,
observam-se choques elétricos e curtos circuitos.

● Máquinas e Equipamentos:

É comum encontrar diversas máquinas e equipamentos em um canteiro de obras.


Dessa forma, os principais riscos encontrados com relação ao manuseio de máquinas e
equipamentos nesse local são os choques elétricos, assim como curto circuitos por conta
de um ruim estado de conservação das instalações internas à máquina ou equipamento e
acidentes.

3 MEDIDAS DE CONTROLE/PROTEÇÃO

A Segurança de Trabalho se trata de um conjunto de medidas preventivas


empregadas com intuito de minimizar os acidentes, bem como resguardar a integridade e
a capacidade de trabalho do trabalhador. Essa segurança é tratada na Norma
regulamentadora NR 18, que dita as Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria
da Construção, contudo quando o assunto é a segurança em instalações elétricas de
canteiros de obra, atualmente, deve-se ter como apoio a NR 10.

Sendo instalações elétricas temporárias ou permanentes, elas devem seguir as


necessidades impostas pela norma. Dentre as obrigatoriedades, se tem a implementação
de Dispositivos Diferencial Residual (DR), Sistemas de Proteção contra Descarga
Atmosférica (SPDA) nos canteiros, Sinalizações como cartazes e placas, equipamentos
de proteção individual (EPI) e coletiva (EPC), Proteção contra Incêndios, Análise
Preliminar de Riscos (APR), Treinamento e Conscientização dos Funcionários, além da
organização e limpeza da obra.

A título de um conhecimento mais palpável, pode-se enumerar possíveis medidas


de controle e proteção, para minimizar os impactos causados à obra e a todos os
envolvidos, pelos riscos citados no item anterior desta pesquisa:

● Quadros de Distribuição, Terminal e Medição:


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Uma das maneiras de se precaver nesse item é ter controle sobre a constituição
desses quadros que devem ser resistentes à corrosão e, definitivamente, não podem ser
materiais combustíveis. Além disso, todos esses dispositivos precisam ser aterrados para
evitar choques devido ao contato indireto (Carcaça do Quadro Possivelmente
Energizada).

Outra forma de melhorar a segurança, é a sinalização, por meio de placas para


advertir sobre os riscos elétricos, juntamente com dispositivos para cadeados, para que
durante manutenções dos circuitos elétricos o quadro que alimentará o circuito desligado
mantenha fechado evitando manobras indesejadas e inesperadas pelos trabalhadores da
revisão.

Figura 1. Manutenção das instalações elétricas com segurança.

Fonte: SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO CIVIL: Instalações elétricas temporárias, p. 10

10.3.1 É obrigatório que os projetos de instalações elétricas especifiquem


dispositivos de desligamento de circuitos que possuam recursos para
impedimento de reenergização, para sinalização de advertência com indicação
da condição operativa. (NR 10: 2019, p.3)

● Instalações Aéreas:

Uma obrigação desse tipo de instalação é ter os cabos a uma altura mínima de
cinco metros e em casos em que as máquinas ou trabalhadores, mesmo com a rede nessa
altura, não estiver em uma distância segura deve-se instalar barreiras isolantes sinalizadas
para que não ocorra o contato acidental com as linhas aéreas.
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Além disso, é de suma importância que, em nenhum local abaixo dos cabos aéreos,
seja feita queima de materiais ou utilização de altas temperaturas, visto que essas podem
danificar os cabos ou ionizar o ar e causar um curto-circuito por arcos elétricos.

● Instalações Subterrâneas:

É muito comum ter escavações, perfurações ou até mesmo máquinas de grande


porte, em canteiros de obras, e, por isso, é preciso projetar o posicionamento dessas
instalações com muita cautela. Além de seguir regras específicas, como, por exemplo, é
obrigatório o uso de eletrocalhas e eletrodutos que servirão de proteção mecânica para os
cabos de energia, ademais é preciso, também, a sinalização dos locais por onde esses
cabos subterrâneos estiverem passando.

Outro fator é que, em relação às escavações, a rede de energia elétrica subterrânea


deverá ser colocada de forma que as possíveis escavações fiquem, no mínimo, a 1,5
metros (um metro e meio) de distância da mesma, com o intuito de garantir que nenhum
equipamento utilizado atinja os circuitos elétricos.

● Dispositivos de Proteção e Manobra:

É de grande importância, haver cadeados ou dispositivos que só permitam o


acesso de pessoas autorizadas a esses equipamentos, para evitar acionamentos
indesejados de máquinas e equipamentos ou, até mesmo, de uma instalação que esteja
passando por manutenções. Visto que é habitual os trabalhadores despreparados ou
desatentos irem até os quadros de distribuição para ligar ou desligar disjuntores e chaves
elétricas sem autorização para tal.

● Iluminação Provisória:

Os circuitos de iluminação devem ter o dispositivo de proteção e manobra nos


quadros terminais. Quando em instalações aéreas, ela deve estar, no mínimo, a 2,5 metros
(dois metros e meio) do nível do solo, contudo, se julgada insegura, essa distância deve
aumentar.

O circuito para a iluminação é exclusivo, sendo proibida a instalação de luminárias


em circuitos de distribuição ou de qualquer outro fim.
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10.3.3.1 Os circuitos elétricos com finalidades diferentes, tais como:


comunicação, sinalização, controle e tração elétrica devem ser identificados e
instalados separadamente, salvo quando o desenvolvimento tecnológico
permitir compartilhamento, respeitadas as definições de projetos. (NR 10:
2019, p.3)

Além disso, em locais em que as lâmpadas podem sofrer qualquer tipo de colisões,
estas devem ser protegidas por luminárias anti-impactos. Outro fator importante é que em
espaços onde se encontram máquinas com movimentos giratórios não podem ser
instaladas lâmpadas fluorescentes todas na mesma fase da instalação para evitar o efeito
estroboscópico.

● Plugs e Tomadas:

De acordo com a Fundacentro (2001, RTP 05, p.33) as tomadas industriais, mais
utilizadas em canteiro de obras, possuem suas cores padronizadas para cada nível de
tensão, ajudando, assim, o trabalhador a identificar os diferentes tipos antes da ligação.
Além de facilitar na hora de reconhecer o nível de tensão naquele condutor sem precisar
sempre portar um equipamento de medição. São exemplos da relação entre os níveis e as
cores:

a. 20 a 25 V - Violeta
b. 40 a 50 V - Branca
c. 110 a 130 V - Amarela
d. 220 a 240 V - Azul
e. 380 a 440V - Vermelha

● Máquinas e Equipamentos:

Já que essas máquinas e equipamentos de um canteiro de obras, normalmente,


possuem potências muito altas comparando com trabalhos cotidianos, cada operador deve
ter um treinamento específico para a máquina que irá manejar, com o objetivo de
minimizar os riscos de acidentes e perdas na construção.

É importante que toda máquina e equipamento do canteiro possua dispositivos de


acionamento, parada e bloqueio (botão de pânico). Outro fator é que a utilização de
máquinas de grande porte deve ser planejada, visto que, caso não, podem danificar
instalações elétricas ou até causar graves acidentes.
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10.3.2 O projeto elétrico, na medida do possível, deve prever a instalação de


dispositivo de seccionamento de ação simultânea, que permita a aplicação de
impedimento de reenergização do circuito. (NR 10: 2019, p.3)

Ademais, deve-se atentar sempre se o equipamento está ligado à rede elétrica


quando for fazer a sua manutenção. É muito comum, trabalhadores realizarem tal feito
enquanto as máquinas ainda estão energizadas e este ato deve ser proibido. Manutenções
preventivas também são extremamente necessárias, para evitar paradas inesperadas,
problemas com aceleração e desaceleração dos motores ou, até perda de controle dos
aparelhos por parte dos operários.

4 PROJETOS E EXECUÇÃO NO CANTEIRO

Geralmente, os projetos elétricos seguem três diretrizes principais: a avaliação das


necessidades dos clientes, o estudo preliminar e, por fim, a conclusão e entrega do projeto
como um todo.

10.3.8 O projeto elétrico deve atender ao que dispõem as Normas


Regulamentadoras de Saúde e Segurança no Trabalho, as regulamentações
técnicas oficiais estabelecidas, e ser assinado por profissional legalmente
habilitado. (NR 10: 2019, p.3)

Ainda de acordo com a NR 10, é preciso que o projeto elétrico precisa definir a
configuração do esquema de aterramento, além de seguir outras regras impostas pela
própria norma, com o objetivo de tornar o projeto mais seguro e eficiente. Ademais, é
dever dos projetos assegurar que as instalações proporcionem aos trabalhadores
iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, seguindo as recomendações
presentes na NR 17 - Ergonomia.

10.4.1 As instalações elétricas devem ser construídas, montadas, operadas,


reformadas, ampliadas, reparadas e inspecionadas de forma a garantir a
segurança e a saúde dos trabalhadores e dos usuários, e serem supervisionadas
por profissional autorizado, conforme dispõe esta NR. (NR 10: 2019, p.4)

Já é sabido que para uma obra segura, é necessário que o projeto seja bem
ponderado, ressaltando a precisão de cada cliente, individualmente. Contudo, além do
planejamento, a execução também será importante. Logo, é fundamental que todos os
trabalhadores estejam preparados, visto que grande parte de erros em canteiros ocorrem
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devido a falhas humanas, sendo elas por desatenção, despreparo, inexperiência e, até
arrogância.
Então, qualquer trabalho executado que envolva riscos diretos ou indiretos de
danos acarretados pela eletricidade, deve ser conduzido com total seriedade, treinamento
específico e com EPI, EPC e outras medidas de controle e proteção. Vale ressaltar,
também que, para cada atividade, é fundamental a realização da Análise de Risco,
Autorizações de Serviço, Permissões de Trabalho e, ainda, Procedimentos de Segurança
adequados.

10.4.2 Nos trabalhos e nas atividades referidas devem ser adotadas medidas
preventivas destinadas ao controle dos riscos adicionais, especialmente quanto
a altura, confinamento, campos elétricos e magnéticos, explosividade,
umidade, poeira, fauna e flora e outros agravantes, adotando-se a sinalização
de segurança. (NR 10: 2019, p.4)

Outro fator importante é que os equipamentos e ferramentas utilizados na obra


devem estar em ótimo estado, armazenados de maneira correta e serem constantemente
inspecionados, com o intuito de evitar que percam a eficácia. Portanto, a fiscalização
desses pertences também vai influenciar na segurança das atividades e, por conseguinte,
do canteiro.
É importante lembrar que, em canteiros de obras, vai haver instalações elétricas
provisórias e/ou permanentes. Mesmo se tratando de equipamentos diferentes, os dois
tipos devem ser planejados e executados da maneira correta, como se ambos fossem
definitivos. Logo, as duas instalações devem obedecer aos mesmos requisitos e mínimas
condições de medidas preventivas para evitar situações prejudiciais.

5 INSTALAÇÕES DESENERGIZADAS E REENERGIZAÇÃO

Primeiro precisamos definir o que é uma instalação desenergizada: A


desenergização pode ser considerada uma sequência de ações ordenadas em conjunto para
promover uma ausência de tensão num determinado circuito durante todo o tempo de
montagem ou manutenção realizadas pelos trabalhadores. Enquanto a reenergização pode
ser considerada a retomada do estado que o circuito se encontrava antes da
desenergização.
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5.1 DESENERGIZAÇÃO

Já quanto às normas que implicam proteção aos trabalhadores podem ser encontradas
no item 10.5 da NR 10 que se refere à segurança nas instalações desenergizadas. Onde
no item 10.5.1 especificamente são explicitados os passos para desenergizar as
instalações e torná-las seguras para se trabalhar, são eles:

a) seccionamento

É a descontinuidade entre circuitos ou dispositivos através de algum elemento com


essa finalidade (seja ele um disjuntor, interruptor etc.) de forma a interromper o possível
caminho para o fluxo da corrente elétrica.

b) impedimento de reenergização

Consiste em garantir que o circuito não será acidentalmente energizado, seja através
de travamentos mecânicos, fechaduras, cadeados, entre outros, de forma a garantir a
proteção do trabalhador.

c) constatação da ausência de tensão

Usando medidores calibrados, fazer a aferição para descobrir se ainda há alguma


tensão nos condutores.

d) instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores


dos circuitos

Uma vez que não há mais tensão nos condutores é realizado um aterramento
temporário, onde algumas hastes de aterramento são fincadas ao chão e ligadas
primeiramente ao neutro do sistema caso houver, e em seguida ligada aos condutores de
fase, para garantir uma equipotencialização.

e) proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada (Anexo 1)

Caso haja algum elemento que ainda esteja energizado dentro da zona segura (zona
onde o trabalho está sendo realizado), o mesmo deve ser devidamente isolado com
mantas, calhas, capuz de material isolante ou outro material similar.

f) instalação da sinalização de impedimento de energização


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Se faz necessária uma sinalização de segurança que informe aos possíveis usuários
do sistema o fato da instalação estar desenergizada, o responsável técnico por essa ação
e o motivo para a desenergização do circuito. Tais informações necessitam estar muito
visíveis e claras para evitar confusões e acidentes.

5.2 REENERGIZAÇÃO

Uma vez realizado o serviço no canteiro de obras, se faz necessário reenergizar as


instalações elétricas e para tanto, assim como o processo anterior devemos seguir alguns
passos ditados pela NR 10, mas agora em seu item 10.5.2, são eles:

a) retirada das ferramentas, utensílios e equipamentos.

Consiste em tirar todas as ferramentas usadas do local a ser energizado.

b) retirada da zona controlada de todos os trabalhadores não envolvidos no processo


de reenergização.

Consiste em tirar todos os trabalhadores que não estão responsáveis por reenergizar a
zona.

c) remoção do aterramento temporário, da equipotencialização e das proteções


adicionais

É a retirada dos materiais utilizados no aterramento, hastes, condutores provisórios e


etc. Vale ressaltar que esse processo deixará o sistema pronto para energizar mas não
energizado, apenas desligado. é importante que haja um controle e que seja realizado um
teste no circuito para evitar que alguma haste seja esquecida e cause uma fuga de corrente
para o solo.

d) remoção da sinalização de impedimento de reenergização.

Será removida toda placa, sinais e avisos de não reenergização do local, tomando os
cuidados e proteções para instalações energizadas.

e) destravamento, se houver, e religação dos dispositivos de seccionamento.


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Por fim, deve-se retirar todo tipo de empecilho, cadeado, bloqueio e até mesmo uma
eventual reinserção de condutores que haviam sido removidos e só então proceder com a
energização das instalações.

Ainda nesse item 10.5 vale ressaltar que podem haver algumas mudanças nesses
passos diante as peculiaridades de cada situação, podendo ir desde a não realização de
alguns dos passos até a substituição deles, claro que qualquer mudança deve manter o
mesmo nível de segurança e deve ser feita por um profissional capacitado legalmente e
com justificativa técnica razoável.

6 TREINAMENTO E CAPACITAÇÃO DOS TRABALHADORES

É senso comum, que para um trabalhador exercer uma determinada função, o


mesmo deve ser capaz de realizá-la plenamente. A parte da NR 10 que foca no
treinamento e capacitação dos profissionais é o item 10.8. No início o item trata sobre a
diferença entre qualificação, habilitação e capacitação.

Para ser considerado um trabalhador qualificado é necessário que ele tenha


alguma forma de comprovar a conclusão de algum curso, reconhecido pelo sistema oficial
de ensino, específico da área. De acordo com o item 10.8.1. Já para que seja considerado
um trabalhador habilitado é preciso que ele tenha sido qualificado previamente e que
tenha sido registrado formalmente no conselho de classe a quem compete esse registro,
por exemplo em um conselho regional ou federal que se encarregará de passar as
atribuições e responsabilidades a cada profissional. Segundo com o item 10.8.2.

Quanto a capacitação está mais ligada com a ação de se tornar capaz de realizar
uma determinada tarefa, para tanto a norma, em seu item 10.8.3 divide a capacitação em
2 etapas:

a) receber a capacitação sob orientação e responsabilidade de profissional habilitado


e autorizado.

É importante que o trabalhador seja capacitado por um profissional habilitado e


autorizado pela empresa para treiná-lo, por essa razão o profissional deve definir os
limites de atuação do trabalhador.
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b) trabalhar sob a responsabilidade de profissional habilitado e autorizado.

O trabalhador que foi capacitado somente pode exercer sua função sob a
responsabilidade de um profissional habilitado, sendo ou não o que deu o treinamento.

Vale ressaltar que a capacitação só é válida dentro da empresa e mediante as


condições propostas pelo profissional que capacitou o trabalhador.

Do item 10.8.4 até o 10.8.7 da Norma Regulamentadora tratam-se dos


trabalhadores autorizados a realizar os serviços. São autorizadas todas as pessoas
qualificadas, capacitadas ou habilitadas, com a anuência formal da empresa para exercer
a atividade. Esses indivíduos precisam ter algum sistema de identificação para a zona de
abrangência de autorização que cada trabalhador tem, tal informação também deve estar
presente no sistema de registro de empregados da empresa. Por fim, a norma exige que o
trabalhador autorizado se submeta a exames de saúde, tanto físicos como mentais, que
atestem que ele pode desempenhar as atividades sem riscos altos, conforme a NR 7.

Quanto ao treinamento necessário para que o trabalhador autorizado realize suas


atividades temos o item 10.8.8 da NR 10;

10.8.8 Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem


possuir treinamento específico sobre os riscos decorrentes do emprego da
energia elétrica e as principais medidas de prevenção de acidentes em
instalações elétricas, de acordo com o estabelecido no Anexo III desta NR.
(NR 10: 2019)

Uma vez treinado, a autorização é dada na forma da NR 10 e deve haver uma


reciclagem bienal quando em algumas situações específicas:

a) troca de função ou mudança de empresa


b) retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por período superior a três
meses
c) modificações significativas nas instalações elétricas ou troca de métodos,
processos e organização do trabalho

Os trabalhos nas áreas sujeitas a ocorrência de atmosfera explosiva tem sempre


que ser precedidos de uma preparação, pois nessas áreas classificadas tem grandes
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restrições para realização de qualquer atividade elétrica, por isso ficam impedidos
trabalhos com instalações elétricas energizadas.

7 SITUAÇÕES DE IRREGULARIDADES EM OBRAS

7.1 SITUAÇÃO 1

Figura 2. Quadro elétrico fora da norma.

Fonte: O próprio autor

Na figura acima é possível observar um Quadro elétrico sem a devida proteção,


por exemplo, a barreira contra contato direto, e, além de os cabos estarem sem a
identificação, o dispositivo ainda está sem a sinalização, como uma placa para alertar os
indivíduos.

Solução: para resolver a situação apresentada se faz necessário a realização da marcação


dos fios de acordo com seus respectivos circuitos por uma maior organização e prevendo
possíveis manutenções futuras. Para tanto deve ser analisado o projeto elétrico e em caso
de dúvidas um profissional habilitado com os devidos EPIs e medidas de segurança, fazer
a testagem dos condutores. Além do mais é necessário que se faça o fechamento
apropriado do QDFL, com a tampa própria do quadro, para prevenir acidentes.
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7.2 SITUAÇÃO 2

Figura 3. Conexão de fios fora da norma.

Fonte: Rede social Instagram do Universo da Elétrica.

Na Figura 3 pode-se perceber que a conexão é muito instável e insegura, visto que
lhe falta a isolação além de um conector apropriado.

Solução: na situação evidenciada, nota-se o risco de choque elétrico, assim como de


curtos-circuitos devido à má instalação, sem a utilização de um conector. Sendo assim,
para sua resolução e diminuição dos riscos é necessário a realização de uma soldagem
atrelado ao isolamento dessa fiação, ou pode ser substituída por meio da aplicação de um
conector.

Figura 4. Exemplo de conector de emenda.


Fonte: <https://www.lojaskymaster.com.br/>
18

7.3 SITUAÇÃO 3

Figura 5. Condutor sem isolamento.

Fonte: O próprio autor

Na figura acima são perceptíveis fios expostos, sem o isolamento correto,


causando um grande risco de choque elétrico.

Solução: nessa situação evidencia-se fiação exposta que pode ser solucionada para
redução de riscos e acidentes por meio da isolação das partes expostas ou caso seja
preferível pelo consumidor a realização de uma nova conexão, de modo que esse processo
deverá ser realizado apenas por um profissional da área capacitada para tal atividade.

7.4 SITUAÇÃO 4

Figura 6. Fiação com isolação comprometida

Fonte: O próprio autor


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A Figura 6 representa uma situação de comprometimento da isolação do condutor


acarretada por uma falha humana no momento da colocação da capa metálica (que não
está presente na imagem), isso causou a energização do ambiente.

Solução: em situações como a evidenciada para reduzir ou sanar os riscos existentes é


importante alterar os fios que estão danificados, de maneira que tal ação deve ser realizada
por um profissional habilitado. Ademais, é necessário realizar a vedação correta da caixa
em questão.
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8 CONCLUSÃO

Como foi possível evidenciar, a norma regulamentadora - NR10 busca garantir


um ambiente seguro no que se refere às instalações elétricas, visando conservar a
segurança e integridade física dos profissionais que atuam nesse campo e manuseiam
equipamentos ligados à rede elétrica de forma frequente, destacando os procedimentos
realizados em canteiro de obras. Dessa forma, nota-se que é de extrema importância a
aplicação de forma adequada das diretrizes evidenciadas pela norma.
Ainda nessa regulamentação, são apresentadas diversas medidas de controle e
prevenção de acidentes no setor elétrico, incluindo como utilizar, identificar e organizar
corretamente os equipamentos no canteiro de obra. Entretanto, a partir desta pesquisa, foi
possível compreender que as preocupações vão muito além de somente executar, visto
que o planejamento é tão importante quanto. Algumas pessoas ficariam surpresas da
quantidade de problemas que poderiam ser evitados se houvesse uma cautela maior nessa
etapa. Logo, fica claro que é preciso ficar atento desde a preparação até o cumprimento
do projeto.

Todo cuidado é pouco quando se lida com energia elétrica, por isso a norma traz
passo a passo como desenergizar e reenergizar as instalações, dessa forma promovendo
um ambiente muito mais seguro para se trabalhar. Sendo assim vemos como é importante
o conhecimento na prevenção de acidentes, uma vez que todos os funcionários são
capacitados ou estão qualificados e habilitados a exercer suas funções o número de
casualidades por erro humano se torna muito pequeno.
21

REFERÊNCIAS

Alves Cabral, Samuel. “SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO CIVIL: Instalações


elétricas temporárias.” p. 20.

Antônio Carlos. “Resumo NR 10: Segurança Em Instalações e Serviços Em


Eletricidade.” SEGURANÇA DO TRABALHO ACZ, 2021,
https://segurancadotrabalhoacz.com.br/resumo-nr-10/. Acesso em 17 Agosto 2021.

ARAUJO, Patrícia Moraes de Araújo; JÚNIOR , Luiz Rodrigues P. Domingues;


Segurança do Trabalho na Construção Civil: Medidas de Proteção em Canteiro de
Obras. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08,
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