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Direito processual civil

direito processual civil III 1

TEORIA GERAL DA EXECUÇÃO


Conceito de execução

Conjunto de atos praticados pelo estado- juiz, que invade o patrimônio do executado para promover a
satisfação de uma obrigação imposta a ele por sentença (execução de título judicial) ou algum outro título
(execução de título extrajudicial), quando o executado não a cumpre espontaneamente. (GONÇALVES,
2020).

QUEM PODE FAZER UMA EXECUÇÃO? É o estado juiz/ poder judiciário.

Título executivo judiciais: pode ser criado pelo Poder Judiciário, ex.: sentença.

Títulos executivos extrajudiciais: não são criados pelo Poder Judiciário. ex.: contrato de aluguel, contrato
de formatura.

Título excetivo → serve para trazer o direito da pessoa já reconhecido, então não precisa ir na justiça com
uma ação de conhecimento cobrar, vai direto para a execução, bloqueando os bens da pessoa para a pessoa
cumprir suas ações.

o Observações introdutórias;

Diversidade de tipos de processo: se justifica pela variedade de espécies de pretensões que podem ser
formuladas em juízo. O processo classifica-se de acordo com o tipo de tutela postulada.

Divisão sistema processual civil brasileiro

1. Processo de conhecimento:
✓ Conflitos: recai sobre a existência do direito alegado pelo autor em fase do réu.
✓ Objetivo: cognição, reconhecimento e declaração de um direito.
✓ No processo de conhecimento objetiva-se reconhecer o direito do autor e, dependo do caso,
constituir uma nova relação jurídica ou condenar o réu.
✓ Atividade: essencialmente intelectiva, o juiz vai racionalizar, vai analisar os fatos para achar uma
tal verdade, um tal direito.
✓ Em que consiste: o juiz ouve os argumentos do autor e do réu, colhe as provas, pondera as
informações trazidas e emite um comando, declarando se o autor tem ou não o direito
postulado e se faz jus á tutela jurisdicional.

2. Processo de execução:
✓ Conflitos: o conflito é inadimplemento.
✓ Objetivo: Satisfação de direito já reconhecido ao exequente, no titulo judicial ou extrajudicial.
✓ Atividade: a atividade já não é intelectiva, mas de alteração da realidade pratica e material (eu
tenho um direito e quero transformar em fato), na busca da satisfação do direito, que não foi
voluntariamente observado. Simplificando: é uma atividade que vai fazer acontecer o direito de
fato.
✓ Em que consiste: o juiz vai fazer de tudo para efetivar o direito do exequente, assim é
desenvolvida para tornar efetivo o direito do exequente (credor), que o executado (devedor)
resiste em satisfazer por vontade própria.

PROCESSO DE CONHECIMENTO: FATO QUE QUER SE TRANSFORMAR EM DIREITO.

EXECUÇÃO: DIREITO EM FATO.


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Tipos de sentença: Processo de Conhecimento

✓ Declaratória → Cumpre-se automaticamente, ou seja, quando o juiz a declara a decisão se cumpre


automaticamente.
Ex.: reconhecimento de paternidade.

✓ Constitutiva → Cumpre-se automaticamente.


Ex.: casamento/ divórcio.

✓ Condenatória → Enseja a execução Civil, pois com ela vem uma obrigação.
Quando o juiz impõe o ato de alguma coisa.
(Se não cumprem dá para mandar executar).

CONCEITO DE EXECUÇÃO

Executar é satisfazer uma prestação dívida (DIDIER, 2019).

Execução espontânea: o devedor cumpre voluntariamente a prestação.

EXECUÇÃO FORÇADA: o cumprimento da prestação é obtido por meio da pratica de atos executivos pelo
Estado. → essa que vamos estudar.

Quando surge a execução? É quando a parte não cumpre com a determinação do juiz na sentença, poderá
sofrer a coerção de cumpri-la forçadamente através da execução.

Adimplemento → ela cumpriu com a sua obrigação e está adimplente


(Voluntária)
Certificação de um direito
Impedimento → ela não cumpriu com a sua obrigação.
Título executivo
(execução forcada)

Para chegar na execução você tem que atestar que o devedor está inadimplente (quando a obrigação vence
e a pessoa não cumpre).

Exemplo de resposta: “Segundo o art. Tal dispõe que roupa são itens pessoais do executado que em regra
geral, não são levados na execução, mas há situação excepcionais que seria diferente se a roupa tivesse um
elevado valor econômico.

Processo Sincrético

Sincretismo é misturar uma coisa com a outra. Toda vez que há um título executivo judicial, realiza-se uma
execução sincrética, o cumprimento de sentença, de preferência nos mesmos autos em que o título foi
formado.

Por que se fala em processo Sincrético no cumprimento de sentença?

Antes da Lei 11.232/05: Dicotomia no nosso processo civil; o processo de conhecimento e o processo de
execução eram distintos.

Depois da Lei 11. 232/05: consagrou-se o processo sincrético em nosso ordenamento jurídico, tornou
sincrética a maioria das ações judiciais que tenham como objetivo uma obrigação de pagar quantia certa. A
execução dos títulos executivos judicias é apenas mais uma fase do processo de conhecimento.

Petição inicial: para casos que irão nascer.


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Petição incidental: casos já conhecidos.

Ação sincrética: Consubstancia um processo com duas fases procedimentais sucessivas: a primeira de
conhecimento e a segunda de execução.

Ação sincrética ajuda na econômica judicial e a celeridade processual.

Então, regra geral é que pode engatar no mesmo processo.

Modalidade de execução

CUMPRIMENTO DE SENTENÇA PROCESSO DE EXECUÇÃO


Deriva de título judicial; Deriva do título extrajudicial; (é judicial porque não
é o poder judicial que cria, é as relações, ex.
contrato de aluguel.)
Acontece nos mesmos autos (processo sincréticos); Processo novo; cria com a petição inicial, assim o
executado é citado.
O executivo é intimado. O executado é citado;
Não existe processo de conhecimento anterior.

Obs.: processo sincrético só existe em execução de título judicial, porque para eles nascerem precisa
acontecer a fase de processo de conhecimento.

O que seria PROCESSO SINCRÉTICO, MISTO ou MULTIFUNCIONAL? (sinônimos)

• Processo Sincrético é aquele que admite, simultaneamente, cognição e execução.


• A execução de título executivos judiciais (cumprimento de sentença) é processada nos mesmos
autos do processo principal, sem nova citação do devedor.

Existe 2 tipos de execução:

Cumprimento de Título executivo judicial:


sentença Art. 515, CPC
EXECUÇÃO
Ação Título executivo Extrajudicial:
Autônoma/ processo Art. 784, CPC
de execução

Há execução sem processo autônomo de execução, mas não há execução sem processo? CORRETO.

Como localizar, no CPC, os dispositivos que tratam da execução civil?

➢ PROCESSO DE EXECUÇÃO POR TÍTULO EXTRAJUDICIAL: Livro II da Parte Especial.


➢ CUMPRIMENTO DE SENTENÇA: Livro I da Parte Especial, a partir do art. 513 do CPC

CESPE/Cebraspe – 2018 - PGM - Procurador do Município: Foi considera INCORRETA: A execução de título
executivo judicial se dá em fase processual posterior à sua formação, denominada processo de execução.

Princípios gerais da execução


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Além dos princípios comuns a todo processo, como o devido processo legal, o contraditório, a ampla
defesa, etc, a execução também possui princípios específicos.

Princípios gerais do processo civil.

1. Princípio da autonomia

Desde a edição da Lei 11.232/05, apenas a execução por título extrajudicial implica a formação de um
processo autônomo, assim como a de título judicial, quando este for sentença arbitral, estrangeira ou penal
condenatória.

O cumprimento de sentença não implica mais processo autônomo, mas uma fase subsequente. Nem por
isso perdeu autonomia, porquanto a fase executiva não se confunde com a cognitiva. A autonomia persiste,
se não com um processo novo, ao menos com o desencadeamento de uma nova fase processual.

2. Princípio da patrimonialidade

A execução recai sobre o patrimônio do devedor, sobre os seus bens, não sobre sua pessoa. É o que dispõe
o art. 789 do CPC:

“O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações,
salvo as restrições estabelecidas em lei”.

Esse princípio é uma grande conquista, e já vai longe a época em que o inadimplemento podia gerar
prisões, capturas ou torturas.

EXCEÇÃO: Atualmente, só há um caso de prisão civil em nosso ordenamento jurídico: a do devedor de


alimentos decorrentes do direito de família, isto é, de casamento, união estável e parentesco.
Direito de alimentos gira em torno da dignidade da pessoa humana.
Caso a pessoa seja presa, isso não acaba com a dívida, a prisão é uma forma de força a pessoa a cumprir a
obrigação.
Obs.: Outros meios de coerção, como a multa, a busca e apreensão e a tomada de bens isso tudo não
violam o princípio da patrimonialidade, já que dizem respeito aos bens do devedor, não à sua pessoa.

3. Princípio do resultado ou da satisfatividade:

O devedor deve arcar com todo o ônus financeiro que decorra do processo de execução. Após ele arcar
com todo o ônus financeiro (dívida, juros, correção monetária, honorários advocatícios, custas processuais),
essa obrigação será considerada satisfeita.

Art. 831. A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal
atualizado, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios.

4. Princípio do exato adimplemento

O credor deve, dentro do possível, obter o mesmo resultado que seria alcançado caso o devedor tivesse
cumprido voluntariamente a obrigação. A execução civil será mais eficiente se alcançar esse resultado, e a
legislação tem aparelhado o juiz.

Só em duas situações a obrigação específica será substituída pela de reparação de danos:

✓ quando o credor preferir, ou;


✓ quando o cumprimento específico se tornar impossível, podendo converter em dinheiro.
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I. Primeiro: tutela especifica.


II. Segunda: se não for possível a tutela especifica, busca-se um resultado prático equivalente.
III. Terceiro: conversão da prestação em uma indenização.

5. Princípio da disponibilidade do processo pelo credor

Significa dizer que o exequente simplesmente desiste de cobrar executivamente seu direito naquele
momento, naquele processo especifico, podendo, entretanto, ingressar posteriormente com ação idêntica,
desde que comprove o pagamento das custas processuais da primeira ação.

A execução é feita a benefício do credor, para que possa satisfazer o seu crédito. Ele pode desistir dela a
qualquer tempo, sem necessidade de consentimento do devedor.

É o que dispõe o art. 775 do CPC: “O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas
alguma medida executiva”.

Será possível ao exequente desistir de toda a execução ou apenas de alguma medida executiva especifica
em execução, nas quais há uma pluralidade de meios à disposição do exequente.

Ela se distingue do processo de conhecimento, em que a desistência dependerá do consentimento do réu,


quando ele já tenha oferecido contestação, o que se justifica porque este pode desejar um pronunciamento
do juiz, que impeça o autor de voltar a juízo para rediscutir a questão.

Só há um caso em que a desistência da execução demanda a anuência do devedor:

➢ Se houver impugnação ou embargos, que não versarem apenas sobre questões processuais, mas
matéria de fundo(fundamental), caso em que o executado-embargante poderá desejar o
pronunciamento do juiz a respeito.

Obs.: Ao extinguir a execução, por desistência, o juiz condenará o credor ao pagamento das custas e
honorários advocatícios.

6. Princípio da utilidade

A execução só se justifica se trouxer alguma vantagem para o credor, pois a sua finalidade é trazer a
satisfação total ou parcial do crédito. Não se justifica que não o faça, mas provoque apenas prejuízos ao
devedor.

A penhora não vai se realizar se o produto execução dos bens for totalmente absorvido pelas custas, isso
significa que o juiz quando ele manda penhorar um bem ele já pensa em pelo menos grande parte das
obrigações se esse for totalmente absorvido pelas custas processuais ele nem toca nesse bem, porque não
vale a pena, pois deve ser levado um bem de elevado valor.

Art. 836 do CPC deixa expresso: “Não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da
execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução”.

Se os bens encontrados forem suficientes para fazer frente a alguma parte, ainda que pequena, do débito,
a execução prosseguirá.

7. Princípio da menor onerosidade

Vem estabelecido no art. 805 do CPC:


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“Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo
menos gravoso para o executado”.

Esse princípio precisa ser conjugado com os anteriores, do exato adimplemento e da patrimonialidade da
execução. Ele não autoriza que o executado escolha sobre quais bens à penhora deva recair, nem permite
que se livre da obrigação. A escolha do bem penhorável é do credor, e o devedor não pode exigir a
substituição senão por dinheiro.

Pode haver dois modos equivalentes para alcançar o resultado almejado pelo credor. Em casos assim, há de
prevalecer o menos gravoso ao devedor.

EXEMPLO: pode ser que ele tenha dois bens imóveis próximos, de igual valor e liquidez, cada qual suficiente
para garantia do débito. Não há razão para que o credor exija que a penhora recaia sobre um deles, só
porque o devedor o utiliza para alguma finalidade. Ainda que a execução seja feita em benefício do credor,
não se pode usá-la para impor ao devedor desnecessários incômodos, humilhações ou ofensas.

O juiz deve conduzir o processo em busca da satisfação do credor, sem ônus desnecessários ao devedor,
cabendo a este quando invocar o art. 805, indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de
manutenção dos atos executivos já determinados.

8. Princípio do contraditório

O contraditório não é um princípio específico da execução, mas do processo em geral. Chegou a existir
controvérsia sobre sua incidência na execução civil, e havia quem sustentasse que, como o executado não
oferece resposta no bojo da execução, mas por meio da ação autônoma de embargos, esse princípio estaria
ausente.

Ainda que com mitigações, que se justificam pela natureza da execução, o contraditório há de estar
presente. O executado deve ser citado (quando a execução for fundada em título extrajudicial) e intimado
de todos os atos do processo, tendo oportunidade de manifestar-se, por meio de advogado. Quando há
cálculos de liquidação, penhora e avaliação de bens, ou qualquer outro incidente processual, ele terá
oportunidade de manifestar-se.

O executado ainda poderá apresentar defesa no bojo da execução, como as exceções e objeções de pré-
executividade ou a impugnação, no cumprimento de sentença.

O art. 5º, LV, da CF assegura o contraditório a todos os procedimentos jurisdicionais e administrativos.

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

9. Princípio da adequação:

Os meios executórios devem ser adequados aos fins que se destinam.

Exemplo:

✓ Execução de alimentos (direito de grande quilate).


✓ Execução contra a Fazenda Pública (impedimento de penhora dos bens).

10. Princípio do ônus da execução:

O devedor que está em mora com o credor deve suportar todos os ônus decorrentes da execução além da
obrigação que deu ensejo à execução. Ex: art. 831, CPC.
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Art. 831. A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal
atualizado, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios.

11. Princípio da Efetividade:

O processo deve ser efetivo, porém deve ser compreendido com garantias em face do Estado. A busca pela
efetividade deve decorrer de um devido processo legal.

12. Princípio da Boa-fé Processual

Está atrelado ao princípio da cooperação.

Os atos tanto do credor, quanto do devedor devem ser destinados a satisfação estrita da dívida.

As partes não tem direito de criar embaraços ao procedimento executivo (art. 774, CPC – atos
atentatórios à dignidade da justiça).

Art. 776, CPC: conduta do exequente que cause danos ao executado.

Art. 776. O exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada em
julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução.

13. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana

A Execução Civil não pode ser utilizada como instrumento de tortura e de ruína para o executado. Exs: regras
sobre impenhorabilidade de determinados bens (bem de família). Salário impenhorável, salvo execução de
alimentos.

CARACTERÍSTICAS DA EXECUÇÃO

Substitutividade: na execução, a atuação do Estado-juiz para o cumprimento da obrigação


prevista no título judicial substitui a atividade da parte, aplicando-se meios coercitivos e sub-
rogatórios para o cumprimento da obrigação.
Definitividade: efeito da coisa julgada material da sentença executiva (existe coisa julgada no
processo de execução)
Subsidiariedade: admite-se a aplicação subsidiária das regras do processo de conhecimento à
execução como processo autônomo na forma do art. 771, parágrafo único, do CPC, no que for
compatível.

CONCLUSÃO

Não há atividade judicial que prescinda da cognição.

Se se pretende a execução, envolverá as questões que dizem respeito à efetivação da obrigação, ou seja,
os pressupostos de admissibilidade e a sobrevivência da obrigação executada.

Conceito de Execução: Conjunto de atos praticados pelo Estado-juiz, que invade o patrimônio do
executado para promover a satisfação de uma obrigação quando o executado não a cumpre
espontaneamente.

Divisão do Sistema Processual Civil Brasileiro: Processo de Conhecimento e Execução.

Modalidades de Execução: cumprimento de sentença (processo sincrético) e processo de execução


autônomo.
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PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO: 1) Princípio da autonomia; 2) Princípio da patrimonialidade; 3) Princípio do


resultado ou da satisfatividade; 4) Princípio da utilidade; 5) Princípio da menor onerosidade; 6) Princípio
do exato adimplemento; 7) Princípio da disponibilidade do processo pelo credor; 8) Princípio do ônus da
execução; 9) Princípio do contraditório.

Competência
➢ Cumprimento de sentença: Art. 516, CPC.
Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:

I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; (onde o processo nasceu)


Regra geral
II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;

Exceção→ III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença
arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.

As duas primeiras hipóteses são de competência funcional, pois a execução civil está sempre atrelada a um
processo de conhecimento que a antecedeu, sendo isso a regra geral.

Na hipótese do inciso III do art. 516, a competência não é funcional, porque não há nenhum prévio
processo de conhecimento, nessa forma não é possível dizer onde o processo nasceu, pois não houve fase
de cognição civil desses processos, todos eles iniciaram em uma vara que não é civil, tiveram outras varas
criminais, e por isso devemos identificar as regras de competências gerais, como se fosse realmente iniciar o
processo.

Cumprimento de sentença:

Regra: o cumprimento de sentença ocorrerá no local onde o título se formou, ou seja, onde o título nasceu.
Trata-se de regra de competência funcional e absoluta.

No entanto, admitem-se três alternativas: que ela seja ajuizada no domicílio do executado, ou no local em
que se encontram os bens, caso em que o juízo que proferiu a sentença remeterá os autos ao juízo da
execução.

As exceções referem-se aos títulos executivos judiciais especiais (sentença estrangeira, decisão
interlocutória estrangeira, sentença arbitral e sentença penal condenatória). Nesses casos, o cumprimento
de sentença não ocorre onde o título se formou, mas no juízo cível competente. As demais exceções estão
no parágrafo único do art. 516.
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O parágrafo único do art. 516 dispõe que: “Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo
juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à execução ou
pelo juízo onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos
do processo será solicitada ao juízo de origem”.

Tudo isso para tornar mais rápido o cumprimento da sentença.

O juízo escolhido receberá a petição desacompanhada dos autos do processo, cumprindo-lhe verificar se é
mesmo competente para o cumprimento da sentença. Em caso afirmativo, fará a solicitação ao juízo de
origem, que os remeterá. Ao final, os autos serão arquivados no juízo onde correu a execução.

Execuções de alimentos provenientes de direito de família (não de ato ilícito), além dos foros
concorrentes já mencionados, o credor poderá optar pelo foro de seu próprio domicílio, ainda que a
sentença tenha sido proferida em outro foro. É o que dispõe o art. 528, § 9º, do CPC.

§ 9º Além das opções previstas no art. 516, parágrafo único, o exequente pode promover o cumprimento
da sentença ou decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio.

Títulos executivos judiciais especiais

Sentença penal condenatória:

Pode executar uma sentença penal condenatória do direito civil? SIM, aquilo que repercute na esfera do
direito civil, exemplo: indenização de algum crime.

Cumprirá verificar qual é o juízo competente, de acordo com as regras gerais de competência dos arts. 46 e
seguintes do CPC. A competência será absoluta ou relativa, conforme a regra aplicável ao caso concreto.

Por exemplo: quando se tratar de execução de sentença penal condenatória por acidente de trânsito, a
vítima poderá propô-la no foro do seu domicílio ou no do local do acidente, conforme art. 53, V, do CPC.

Exemplos de sentença penal condenatória: quando ocorre o crime de estupro praticado pelo próprio pai
contra a filha(o), ele perde o poder familiar do filho, como consequência Civil.

Porque não entra na regra geral executar uma sentença penal condenatória? Porque se for entrar na regra
geral, de cumprir a sentença onde o processo nasceu, será uma vara criminal. E no caso seria aqui o juízo
civil competente para executar a sentença penal condenatória.

Onde posso encontrar? no Art. 46 e seguintes do CPC.

Por exemplo: quando se tratar de execução de sentença penal condenatória por acidente de trânsito, a
vítima poderá propô-la no foro do seu domicílio ou no do local do acidente, conforme art. 53, V, do CPC.

Execução de sentença arbitral: a competência será a do foro em que se realizou a arbitragem.

Ex.: sentença arbitral foi promovida em Cuiabá, então em Cuiabá será o foro competente para promover o
cumprimento de sentença arbitral, se houver descumprimento da obrigação.

Não possui uma fase de conhecimento anterior, pois foi o arbitro que inventou e não o juiz, mesmo assim é
considerada como título extrajudicial.

Sentença estrangeira, homologada pelo STJ: a execução será processada perante a Justiça Federal de
primeira instância, na forma do art. 109, X, da CF. A seção judiciária competente será apurada de acordo
com as normas de competência da CF e do CPC.
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Competência opcionais

O parágrafo único do art. 516 dispõe que: “Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo
juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à execução ou
pelo juízo onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos
do processo será solicitada ao juízo de origem”.

Tudo isso para tornar mais rápido o cumprimento da sentença.

Supondo que você tenha entrado com ação indenizatória em Brasília, por exemplo, o valor de R$ 10.000.
Em tese, será executado nos mesmos autos. No entanto, o executado mudou-se para Goiânia assim como
seus bens. Nesse caso, trabalha-se com foros concorrentes, executa-os nos mesmos autos em Brasília onde
se formou o título, no atual domicílio do executado ou no local onde se encontram os bens que é a parte
mais interessante na execução. O parágrafo único dispõe, portanto, dos chamados foros concorrentes. A
escolha é do exequente.

O juízo escolhido receberá a petição desacompanhada dos autos do processo, cumprindo-lhe verificar se é
mesmo competente para o cumprimento da sentença. Em caso afirmativo, fará a solicitação ao juízo de
origem, que os remeterá. Ao final, os autos serão arquivados no juízo onde correu a execução.

Se o juízo onde ocorreu o processo de conhecimento não quiser remeter os autos, por entender que o
solicitante não é competente, deverá suscitar conflito positivo de competência.

Execuções de alimentos provenientes de direito de família (não de ato ilícito), além dos foros
concorrentes já mencionados, o credor poderá optar pelo foro de seu próprio domicílio, ainda que a
sentença tenha sido proferida em outro foro. É o que dispõe o art. 528, § 9º, do CPC.

§ 9º Além das opções previstas no art. 516, parágrafo único, o exequente pode promover o cumprimento
da sentença ou decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio.

➢ Competência para execução de título extrajudicial


A competência para o processo de execução de título extrajudicial é relativa (depende de onde o título
executivo foi criado, depende da criação do foro de eleição) e deve ser apurada de acordo com as regras
gerais, estabelecidas no art.781 do CPC.

Onde promover a execução autônoma?

Art. 781. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo competente,
observando-se o seguinte:

I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante do título ou,
ainda, de situação dos bens a ela sujeitos; (Há competência concorrente apenas entre o foro do domicilio do
réu e o da situação dos bens).

II - tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles; -
Pluralidade de domicílios.

III - sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta no lugar
onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente; (incerto: vários lugares, vive em vários
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domicílios/ desconhecidos: não faz ideia de onde a pessoa está, então pode buscar no interesse de dados,
exemplo: ciganos).

IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será proposta no foro de
qualquer deles, à escolha do exequente;

V - a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em que ocorreu o fato que
deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado.

Obs.: Tudo isso irá ocorrer se caso não tiver foro de eleição, pois sempre prevalece à vontade unilateral do
exequente.

Regra geral é o foro de domicílio do executado

É preciso verificar:

1. Se há foro de eleição, pois, tratando-se de competência relativa, as partes podem fixa-lo, o que
deverá constar do título. É possível, por exemplo, que, em contrato de locação- Titulo extrajudicial –
conste o foro escolhido pelas partes para cobrança ou execução dos alugueres.
2. Se não houver eleição, deverá prevalecer a regra de competência do foro do domicilio do executado
ou de situação dos bens sujeitos a execução.
Nas execuções fiscais, a competência é dada pelo art. 46, §5, CPC.

São três as regras:


a. se houver foro de eleição, a
execução será nele proposta;
EXECUÇÃO POR TÍTULO EXECUTIVO b. se não houver, no do domicílio
EXTRAJUDICIAL do executado ou de situação dos
bens sujeitos à execução.
➔ Tais regras são de competência
relativa.

Legitimidade
Os sujeitos que figuram as demandas executivas são partes – demandante e demandado, chamados de
credor e devedor ou mias tecnicamente, de exequente e executado.

Das partes na execução:

Pode ser:

Originaria: demanda em nome próprio, direito próprio. Podendo ser:

Primaria/ originária/direita: são os sujeitos indicados no próprio título executivo (como credor ou como
devedor). São eles que dão início a execução- tanto ao processo de execução como ao cumprimento de
sentença.

Extraordinária: demanda em nome próprio direito alheio ou interesse alheio.

❖ Quem possui legitimidade ativa e passiva.


a. ATIVA: exequente, aquele que sempre legitimidade a propor o processo executivo ou a dar inicio a
fase de cumprimento de sentença, esse é ´credor originário.
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LEGITIMINADADE ATIVA

1. O CREDOR

O CPC, no art. 778, enumera quem são os legitimados ativos para promover a execução:

Art. 778. Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título executivo. → Esse é o
legitimado ativo por excelência. É preciso que ele figure como tal no título executivo. A legitimidade é
ordinária, pois ele estará em juízo em nome próprio, postulando direito próprio.

§ 1º Podem promover a execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário:

2. MINISTÉRIO PÚBLICO:

I - o Ministério Público, nos casos previstos em lei;

A legitimidade será sempre extraordinária, porque ele não postula interesse próprio, mas, em nome
próprio, com interesse alheio.
Entre outras hipóteses, podem ser citadas:

a. aquelas em que ele postula indenização civil em favor da vítima de crime ou seus herdeiros, que
não tenham condições econômicas para fazê-lo (art. 68, do CPP). A legitimidade para esse tipo de
ação passou a ser, em regra, da Defensoria Pública, mas onde ela não tiver sido criada, o MP poderá
promovê-la, postulando os direitos da vítima ou seus herdeiros até a fase executiva;
b. as ações de reparação de danos decorrentes de lesão ao meio ambiente, previstas no art. 14, § 1º,
da Lei n. 6.938/81 – Código ambiental.
c. as ações que versem sobre interesses difusos ou coletivos, na forma do art. 82 do Código do
Consumidor;
d. as ações populares, em que caberá ao Ministério Público promover a execução “caso decorridos
sessenta dias da publicação da sentença condenatória, sem que o autor ou terceiro promova a
respectiva execução” (art. 16 da Lei n. 4.717/65);
e. a execução de condenações impostas pela Lei de Improbidade Administrativa, conforme art. 17 da
Lei n. 8.429/92;
f. a execução de título extrajudicial consistente no termo de ajustamento de conduta, firmado por ele
com o causador do dano.

3. O SUCESSOR “CAUSA MORTIS”.

II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o
direito resultante do título executivo;

A legitimidade será ordinária, porque, com o falecimento do credor, o direito passou aos sucessores.
Enquanto não tiver havido o trânsito em julgado da sentença homologatória de partilha, a legitimidade será
do espólio, representado pelo inventariante; após, o credor será sucedido pelos herdeiros.

Espolio: conjunto de bens que formam o patrimônio do morto, a ser partilhado no inventário entre os
herdeiros ou legatários; herança. O espólio é a massa patrimonial deixada pelo autor da herança e, apesar
de não ter personalidade jurídica, não passando de uma universalidade de bens, tem capacidade de
demandar e de ser demandado, sendo representado, nesses casos, pelo inventariante e excepcionalmente
pelos herdeiros (art. 75, VII, § 1º, CPC). É natural que a legitimidade do espólio dure tão somente até o
13

momento de partilha dos bens, resultado final do inventário, que dependendo das circunstâncias concretas
poderá até mesmo se realizar sem a intervenção do Poder Judiciário.

Inventariante: alguém próxima ao falecido, de confiança, que será aceito pelo juiz, terá de administrar
todos os bens e obrigações do falecido.

Os requisitos legais para a admissão dessa legitimidade são diferentes a depender do momento da
sucessão:

a. antes de iniciada a execução, basta a demonstração por provas suficientes da legitimidade;


b. já iniciada a execução, em tese deverá ser instaurado um processo de habilitação incidente, com a
consequente suspensão do processo principal.

Obs.: Se o falecimento ocorrer no curso da execução, a sucessão processual far-se-á na forma do art. 110
do CPC, ou, se necessário, por habilitação, na forma dos arts. 687 e seguintes.

4. CESSIONÁRIO

III - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos;

A legitimidade é ordinária, porque, com a cessão, ele tornou-se titular do direito, consubstanciado no título
executivo.

Se ela ocorrer antes do ajuizamento da execução, cumprirá ao cessionário instruir a inicial com o título e
com o documento comprobatório da cessão; e, se ocorrer depois, bastará ao cessionário, comprovando sua
condição, requerer a substituição do exequente originário por ele, sem necessidade do consentimento do
devedor.

5. SUB-ROGADO

IV - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional.

Ocorre quando um terceiro (sub-rogado) paga a dívida ao credor e esse terceiro assume o direito de cobra-
la do devedor.

Sub-rogação LEGAL (Art. 346, CC): Quem determina a substituição é a lei, independente da vontade das
partes. Exemplo, fiador que paga a dívida do afiançado.

Sub- rogação convencional (art. 347, CC): Decorre da vontade das próprias partes. Ex.: quando terceira
pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o
mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.

O art. 778, IV, do CPC atribuiu legitimidade para promover execução tanto ao sub-rogado legal como ao
convencional.

A sub-rogação a que se refere a lei processual é, segundo Clóvis Beviláqua, a transferência dos direitos do
credor para aquele que solveu a obrigação ou emprestou o necessário para solvê-la. Essa definição deixa
claro que a sub-rogação presta-se apenas para conceder legitimidade ativa àquele que paga;

OBS.: não há sub-rogação no polo passivo da execução.

A legitimidade é ordinária porque aquele que paga, por sub-rogação torna-se o novo credor, assumindo a
qualidade jurídica do seu antecessor.
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6. ADVOGADO

O art. 23 da Lei n. 8.906/94 estabelece:

“Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência,


pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta
parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu
favor”.

O advogado tem legitimidade para, em nome próprio, executar os honorários


advocatícios de sucumbência, fixados pelo juiz. Mas pode preferir que eles sejam
incluídos no débito principal, e executados em conjunto, em nome da parte vitoriosa.

Há duas possibilidades:

✓ que tanto o principal como os honorários do advogado sejam executados em nome da parte: o
exequente será legitimado ordinário para a execução do principal, mas extraordinário, para a dos
honorários do seu advogado;

✓ que o principal seja executado em nome da parte, e os honorários pelo advogado, em nome
próprio. Tanto a parte quanto o seu advogado serão legitimados ordinários, para a execução daquilo
que lhes cabe.

Contratos de honorário de advocacia e os honorários de sucumbência são


títulos executivos.

Honorário de sucumbência de advogados→ são títulos


judiciais.

Contratos de honorários advocacias → são títulos executivos


extrajudiciais.

b. PASSIVA: executado

§ 2º A sucessão prevista no § 1º independe de consentimento do executado.

Tem legitimidade ativa para ajuizar ação de execução, EXCETO:


Ministério Público, nos casos previstos em lei.
a. espólio, herdeiros ou sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito
resultante do título executivo.
b. o responsável tributário.
c. o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos.
d. o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional.

LEGITIMINADADE PASSSIVA

Quem pode sofrer a execução? (polo passivo)

Estão enumerados no art. 779, CPC.

1. O DEVEDOR, RECONHECIDO COMO TAL NO TITULO EXECUTIVO.


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I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo;

Por devedor deve-se entender todo sujeito que esteja, a luz da lei, obrigado a solver a obrigação.

Esse é o legitimado passivo primário, desde que figure como tal no título executivo.

✓ Se a execução é fundada em título judicial, é legitimado passivo aquele a quem foi imposta a
condenação;
✓ Se em título extrajudicial, o que figura no título como devedor.

2. ESPÓLIO, HERDEIROS E OS SUCESSORES DO DEVEDOR.

II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;

Se houver a extinção de pessoa jurídica, é preciso verificar se o patrimônio da empresa foi transferido para
outra, caso em que esta assume o passivo; do contrário, os legitimados serão os sócios da empresa extinta.

Quem vai sofrer a execução no lugar do falecido? DEPENDE:

✓ Na fase do inventário → espolio.


✓ Fase depois da partilha → herdeiros.
✓ Se for um legado que alguém recebeu por herança → sucessores.

OBS.: os herdeiros só entram após o trânsito em julgado da partilha.

Os herdeiros não são obrigados a pagar a dívida toda se a herança que eles receberam não de
para pagar.
Sucessão causa mortis: Ao falecer, os herdeiros recebem créditos, mas também as dívidas. O espólio
responde o benefício de inventário. A responsabilidade dos herdeiros é limitada às forças da herança. a
execução não pode ultrapassar as forças da herança.

Chamado de: BENEFÍCIO DE INVENTARIO → Art. 796, CPC.

3. NOVO DEVEDOR

III - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título
executivo;

A legitimidade ordinária superveniente por ato inter vivos. Essa transferência da dívida a um novo sujeito,
que não o devedor originário, exige a concordância expressa do credor (art. 299 do CC) porque a partir do
momento em que se modifica o devedor, automaticamente modifica-se o patrimônio que responderá pela
dívida. Seria um verdadeiro convite à fraude permitir a assunção de dívida sem a exigência de concordância
do credor.

O novo devedor, que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo.
A assunção de débito exige prévia anuência do credor. Afinal, é o patrimônio do devedor que responde pela
dívida, e o credor poderá não concordar que terceiro possa assumi-la, se tiver um patrimônio menor do que
o do devedor originário.

Tendo havido anuência do credor, a execução será proposta diretamente contra o novo devedor; se a
cessão ocorrer no curso da execução, o devedor originário será substituído pelo novo.
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Exemplo: Uma pessoa não está conseguindo finalizar o pagamento de um financiamento de carro. Uma
outra pessoa vai assumir a dívida e ficar com o carro. É preciso ir à financeira e comunicar essa troca de
devedores, mediante o consentimento expresso do credor. O devedor que assume a dívida denomina-se
assuntor de dívida.

4. O FIADOR DO DÉBITO CONSTANTE EM TÍTULO EXTRAJUDICIAL

IV - o fiador do débito constante em título extrajudicial;

O contrato de fiança é sempre acessório de uma obrigação principal. Se ela é dada como garantia de uma
obrigação consubstanciada em título executivo extrajudicial, terá a mesma natureza. Por exemplo: o
contrato de locação tem força executiva. Se dele constar fiança, haverá título também contra o fiador, que
poderá ser executado diretamente.

Mas há aqui mais um detalhe: o fiador pode ter benefício de ordem, estabelecido no art. 827 do CC, o que
lhe dá o direito de primeiro ver excutidos os bens do devedor, antes dos seus.

Suponha-se que há, no contrato, uma cláusula com benefício de ordem. O devedor 1 tem uma dívida com o
credor 1. Porém, o devedor 1 não tem bens, ou seja, é sem patrimônio ou tem patrimônio insuficiente.
Nesse caso, o credor 1 tenta receber então do fiador. Há uma ordem de preferência: em um primeiro
momento, alcança-se o patrimônio do devedor; em um segundo momento, o patrimônio do fiador.

✓ Se o fiador não renunciou a ele, só poderá ser executado se o devedor principal tiver sido incluído no
polo passivo; do contrário, o fiador não teria como nomear bens dele à penhora, o que o impediria de
exercer o benefício de ordem. Se este existir, o fiador só pode ser executado em litisconsórcio com o
devedor principal.
✓ Mas se ele tiver renunciado ao benefício, a execução poderá ser dirigida só contra o fiador, que não
sofrerá nenhum prejuízo já que, pagando o débito, sub-rogar-se-á nos direitos do credor, e poderá
executar o devedor nos mesmos autos.

Benefício de ordem

Art. 827. CC O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide,
que sejam primeiro executados os bens do devedor. Esse é o chamado benefício de ordem, pois a
responsabilidade do fiador é subsidiária (posterior) à do devedor principal.

Tanto o fiador convencional quanto o judicial poderão, na execução, valer-se do benefício de ordem
(beneficium excussionis), indicando à penhora bens do devedor antes que seus próprios bens sejam objeto
de constrição judicial (art. 794, caput, CPC).

O direito ao benefício de ordem é de natureza disponível, sendo legítima a sua renúncia por parte do
fiador.

Segundo previsão do art. 794, § 2º, do Novo CPC, ocorrendo o pagamento, o fiador - convencional ou
judicial - poderá executar o afiançado no mesmo processo em que ocorreu o pagamento.

5. O RESPONSÁVEL TITULAR DO BEM VINCULADO POR GARANTIA REAL AO PAGAMENTO DO DÉBITO

V - o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do débito;

O adimplemento das obrigações pode ser garantido por hipoteca, penhor, anticrese e alienação fiduciária
em garantia.
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Aquele que deu o bem em garantia real de uma dívida torna-se responsável, até o limite do valor do bem,
pelo pagamento da dívida, ainda que não seja ele o devedor. A garantia real pode ser oferecida em razão de
dívida própria ou de terceiros. O terceiro que prestou a garantia real, entretanto, não é devedor e nem
figurará como tal no título executivo extrajudicial (contrato principal).

Se for dada em garantia de dívida de terceiro, o titular do bem torna-se responsável pelo pagamento,
respeitado o valor do bem.

Quando o bem é totalmente absorvido pela obrigação acaba a obrigação.

Exemplo:

Em casos em que, o carro e o valor da obrigação são iguais, extingue a obrigação. Mas se caso a obrigação
for 80 mil e o carro for 60 mil, vão vender o carro e paga os 60 mil, e assim fica livre da obrigação, mesmo
que falte 20 mil.

Em outros casos em que a garantia é maior que a própria dívida, exemplo o carro é 80 mil e a obrigação 20
mil, então o carro será vendido por 80 mil e será pago 20 mil da obrigação e os 60 mil é devolvido para o
dano do veículo.

Obs.: esse terceiro pode entrar em uma ação de conhecimento regressiva das perdas de danos. Tendo 5
anos para pedir o reembolso, art. 205, CC.

6. O RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO

VI - o responsável tributário, assim definido em lei.

Foi incluído no rol dos legitimados passivos à execução, no art. 779, VI, do CPC. Cumpre à legislação
tributária definir quem são os responsáveis, as pessoas que responderão pelo pagamento do débito, caso o
devedor principal não o faça.

7. AVALISTA

É aquele que presta garantia do pagamento de título de crédito, caso o devedor principal não pague. O aval
deve constar do título, geralmente com a assinatura do devedor no anverso, acompanhada de expressão
que identifique o ato praticado. Dada a autonomia do aval, a execução poderá ser dirigida tão somente
contra o avalista, não sendo necessária a inclusão do avalizado. Nada impede, porém, que se inclua, caso em
que haverá um litisconsórcio passivo na execução. Se o avalista pagar a dívida, sub-rogar-se-á no crédito, e
poderá reaver o que pagou, nos mesmos autos, voltando-se contra o avalizado.
LITISCONSÓRCIO NA EXECUÇÃO
Tanto no cumprimento de sentença quanto na execução por título extrajudicial será possível o
litisconsórcio, ativo, passivo ou misto, dependendo do que conste do título.

Se no processo de conhecimento havia litisconsórcio, poderá também haver na execução. Se mais de um


réu foi condenado, ela poderá dirigir-se contra todos; e se foi dada em benefício de mais de um autor, todos
poderão promovê-la.

INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
As formas de intervenção de terceiros previstas na Parte Geral do CPC:

 não são admissíveis na execução.: A denunciação da lide e o chamamento ao processo.


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A denunciação da lide, também o chamamento ao processo não é admitido na demanda executiva. O art.
132 do Novo CPC prevê que o chamamento ao processo tem por objetivo que o juiz declare, numa mesma
sentença, as responsabilidades dos obrigados, o que já seria suficiente para demonstrar a incompatibilidade
dessa espécie de intervenção de terceiro com a execução. Na execução não se declaram responsabilidades,
apenas satisfazem-se direitos.

 são possíveis: As demais formas de intervenção, a incidente de desconsideração da personalidade


jurídica, assistência e o amicus curiae.

Nos termos do art. 134 do Novo CPC, o incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do
processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo
extrajudicial.

Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no


cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial.

Além disso, existem situações próprias da execução, em que se admitirá o ingresso de terceiro no
processo, e que não se enquadram entre aquelas hipóteses previstas na Parte Geral.

Podem ser citados:

✓ a adjudicação, requerida pelo credor com garantia real, pelos credores concorrentes, ou pelo
cônjuge, descendentes ou ascendentes, na forma do art. 876, § 5º;
✓ a arrematação, feita em leilão judicial, por terceiro;
✓ o concurso de preferências, quando credores preferenciais intervêm na execução para assegurar a
prioridade de pagamento, em caso de alienação judicial do bem.
CUMULAÇÃO DE EXECUÇÃO
Sua admissibilidade está condicionada observância dos seguintes requisitos em obediência aos art. 771,
parágrafo único, e 327, CPC.

Art. 780. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, quando o
executado for o mesmo e desde que para todas elas sejam competentes o mesmo juízo e idêntico o
procedimento.

Uma pessoa tem vários contratos com o mesmo devedor e todos estão inadimplidos. São contratos
diferentes. É possível cumular as execuções em um único processo.

a. O credor deve ser o mesmo nos diversos títulos, não se admitindo a reunião em um único processo de
credores diversos com base em títulos diferentes;
b. O devedor deve ser o mesmo em todos os títulos.
c. O mesmo juiz deverá ser competente para todas as execuções;
d. Deve haver identidade da forma do processo, não se admitindo, por exemplo, cumulação da
obrigação de dar com a de fazer.

❖ Essa legitimidade pode ser


a. ORIGINÁRIA: nasceu com o título judicial ou extrajudicial.
b. SUPERVENIENTE: e quando acontece alguma situação judicia que aquele legitimada originário, não é
mais legitimado.

Requisitos da execução
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São dois os requisitos para que haja interesse do credor na execução: o inadimplemento do devedor, e o
título executivo, que assegure grau suficiente de certeza da existência da obrigação. A falta de um deles
implicará a carência da execução.

1º Título executivo: título extrajudicial, como um cheque, uma nota promissória, um contrato assinado pelo
devedor e por duas testemunhas, que verse sobre uma obrigação certa (em que é identificado o vínculo
entre o credor e devedor); exigível (possível exigir o adimplemento obrigacional); líquida (sabe-se a
quantificação da quantia a ser adimplida pelo título).

2º Inadimplemento da obrigação: se refere ao não cumprimento de uma obrigação de entregar coisa,


fazer, não fazer ou pagar quantia, ou seja, o devedor não cumpre o estabelecido na relação obrigacional
avençada, a qual está lastreada em título executivo.

Inadimplemento do devedor

Enquanto não caracterizado o inadimplemento, a execução não é necessária, porquanto há a possibilidade


de que, na data aprazada, ocorra a satisfação voluntária do débito. Haverá inadimplemento quando o
devedor não cumpre a obrigação no tempo, local e forma convencionados.

Art. 788 do CPC. O credor não poderá iniciar a execução, ou nela prosseguir, se o devedor cumprir a
obrigação, mas poderá recusar o recebimento da prestação se ela não corresponder ao direito ou à
obrigação estabelecidos no título executivo, caso em que poderá requerer ao juiz a execução forçada,
ressalvado ao devedor o direito de embargá-la”.

Para que haja interesse na execução, não é preciso inadimplemento absoluto: basta a mora do devedor,
então tanto no caso de mara quanto no de inadimplemento absoluto, será possível promover a execução.

Haverá mora quando o devedor não cumpre a obrigação na forma convencionada, mas ainda há
possibilidade e utilidade de que ele a cumpra.

No inadimplemento absoluto, o devedor não cumpriu a obrigação na forma convencionada, nem poderá
mais cumprir.

a. Tempo: tem data certa de vencimento ou não.


b. Lugar: As obrigações devem ser cumpridas no lugar convencionado.
c. Forma: forma estabelecida pelas partes.

Prova do pagamento

Compete sempre ao devedor, já que não se pode exigir do credor prova negativa. Faz-se com a
apresentação de recibo ou da devolução do título correspondente à obrigação.

Título executivo
É requisito indispensável para qualquer execução, junto com o inadimplemento.

Trata-se de um ato jurídico com aptidão para permitir a incidência da responsabilidade patrimônio para
viabilizar a realização de um credito. CÂMARA, 2018.

Existem duas espécies de título executivo: judicial e extrajudicial.


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O título executivo judicial é formado pelo juiz, por meio de atuação jurisdicional, enquanto o título
executivo extrajudicial é formado por ato de vontade das partes envolvidas na relação jurídica de direito
material.

CARACTERÍSTICAS:

 Taxatividade e tipicidade do título executivo: Sendo o título o ato-documento que abre as portas à
sanção executiva, não é dado criá-lo, sem expressa previsão legal. Somente a lei pode cria-lo. Além
dos previstos no CPC, há aqueles criados por legislações especiais (como honorários advocatícios).
Nesta forma cumpre ao legislador estabelecer quais são os títulos e o rol legal é taxativo

 Típicos: A lei não se limita a enumera-los, mas fornece modelos, padrões, tipos, que devem ser
respeitados por aqueles que queiram cria-los. Exemplo: nota promissória.

EFICÁCIA DO TÍTULO EXECUTIVO

Ao deferir o processamento da execução, o juiz se limitará a verificar se há titulo executivo, judicial ou


extrajudicial, formalmente em ordem. Não lhe cabe, nesse momento, averiguar a existência do credito,
matéria que deverá ser objeto de apreciação nos embargos ou impugnação.

APRESENTAÇÃO DO TÍTULO EXECUTIVO

Deve ser apresentado com a petição inicial, sob pena de ser indeferida.

Admite-se cópias? Em regra, as copias fazem a mesma prova que o original (art.425, III, do CPC), mas nas
execuções, há uma questão de segurança jurídica que obriga à juntada no original, salvo em determinadas
circunstâncias.

Mas essa regra não é absoluta e cede quando se prova que o original não pode ser juntado por razões
alheias à vontade do credor, então:

Em quais circunstancias admitir-se-iam copias?

1. Quando o original estiver instruindo outro processo, o que deverá ser


comprovado pelo exequente por certidão juntado com a inicial, exemplo, um
cheque furtado.
2. Para cumprimento provisório de sentença, quando os autos principais forma
remetidos à instancia superior, em razão de recurso, recebido apenas no efeito devolutivo.

REQUISITOS DO TÍTULO EXECUTIVO

 ART.783 do CPC: estabelece que o titulo devera ser de obrigação liquida, certa e exigível.

783 do CPC: “A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida
e exigível”.

O art. 803, I, estabelece que “é nula a execução se o título executivo extrajudicial não corresponder a
obrigação certa, líquida e exigível”.

Obrigação certa: O título deve corresponder a uma obrigação, indicando-lhe a existência. É indispensável
para identificar quais os legitimados ativo e passivo e o tipo de execução a ser ajuizada.

Para Cândido Rangel Dinamarco, a certeza deve ser entendida como a necessária definição dos elementos
subjetivos (sujeitos) e objetivos (natureza e individualização do objeto) do direito exequendo representado
21

no título executivo. A certeza, portanto, teria por finalidade identificar os legitimados ativos e passivos na
execução,

Obrigação liquida: O título executivo extrajudicial haverá de ser sempre liquido. O título judicial poderá ser
liquido, em princípio, caso em que, para iniciar a execução, far-se-á uma liquidação previa (art. 509, CPC).

Para Daniel Neves, A liquidez não é a determinação, mas a mera determinabilidade de fixação do quantum
debeatur, ou seja, o "quanto se deve" ou "o que se deve''.

Obrigação exigível: (art.786 a 788, CPC), É preciso que a obrigação se tenha tornado exigível, sem o que não
terá para credor interesse em promover a execução. Nas obrigações a termo ou condição suspensiva, a
exigibilidade depende da verificação de um e outro.

Da Exigibilidade da Obrigação

Art. 786. A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível
consubstanciada em título executivo.
Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez
da obrigação constante do título.

Art. 787. Se o devedor não for obrigado a satisfazer sua prestação senão mediante a contraprestação do credor, este
deverá provar que a adimpliu ao requerer a execução, sob pena de extinção do processo.
Parágrafo único. O executado poderá eximir-se da obrigação, depositando em juízo a prestação ou a coisa, caso em que
o juiz não permitirá que o credor a receba sem cumprir a contraprestação que lhe tocar.

Art. 788. O credor não poderá iniciar a execução ou nela prosseguir se o devedor cumprir a obrigação, mas poderá
recusar o recebimento da prestação se ela não corresponder ao direito ou à obrigação estabelecidos no título
executivo, caso em que poderá requerer a execução forçada, ressalvado ao devedor o direito de embargá-la.

 ART. 803, I, CPC: comina de nulidade a execução, sempre que ela não preencher os requisitos.

ASSINATURA DO DEVEDOR:

Via de regra, o devedor precisa participar da formação do título executivo.

Exceção: Certidão de dívida ativa.

Observação: o devedor não assina uma sentença/decisão, porém participa da


construção daquela decisão judicial.

O QUE É DÍVIDA ATIVA?

A dívida ativa nada mais é que o cadastro que todo governo - federal, estadual e municipal - tem para
reunir as informações das pessoas que possuem algum tipo de débito com ele.
22

Todas as contas que devem ser pagas ao governo, como impostos (IPVA ou IPTU), multas de trânsito,
multas ambientais e taxas de ocupação, quando não pagas, podem se transformar em uma dívida ativa.

Nesse caso, o CPF ou CNPJ da pessoa que está inadimplente é registrado pelo órgão do governo em uma
espécie de cadastro devedor. Isso acontece para que o governo tenha condições legais de cobrar pelo valor
não pago.

Título executivo judicial e extrajudicial

• Se o título for judicial, haverá apenas uma fase de cumprimento de sentença;


• Quando o título for extrajudicial, a execução formará um novo processo.

Título executivo judicial


O título executivo judicial é aquele fruto de um procedimento ou processo jurisdicional. Exemplos: uma
sentença condenatória de alimentos, uma sentença condenatória de pagar quantia, uma indenização que o
sujeito foi condenado, uma sentença penal condenatória transitada em julgado.

São aqueles previstos em lei (art. 515) e produzidos no exercício da jurisdição.

1. Decisões proferida no processo civil que reconheça a exigibilidade de uma obrigação de pagar quantia,
de fazer, de não fazer ou de entregar coisa.

Espécies de decisões: sentença, acordão, decisão interlocutórias. De certa forma, essas decisões possuem
um aspecto condenatório pois demandam alguém praticar uma obrigação.

2. Decisão homologatória de autocomposição judicial.

Autocomposição é forma consensual de solução de conflitos, de forma que nesse caso as partes resolvem
o conflito pelo exercício de suas vontades, cabendo ao juiz a tarefa de homologá-la, formando-se assim um
título executivo judicial.

O acordo tem a mesma força de titulo executivo.

3. Decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza.

Esse título executivo judicial só pode ser formado havendo acordo de vontades entre as partes, distinto
daquele que permitiu a produção do documento que se leva ao Poder Judiciário. Uma coisa é concordar em
celebrar um acordo extrajudicial, outra bem diferente é concordar em tornar esse acordo um título
executivo judicial.

Como essa espécie de título só pode ser obtida pela atuação jurisdicional, caso as partes concordem com a
formação do título executivo judicial, serão obrigadas a levar a juízo o acordo celebrado extrajudicialmente.

4. Formal e certidão de partilha

É o resultado do processo de inventário. O pronunciamento judicial que encerra o processo de arrolamento


ou inventário, contendo a adjudicação do quinhão sucessório aos herdeiros, é considerado título executivo
pelo diploma processual, apesar de não ser, naturalmente, sentença condenatória.

Após o julgamento da partilha, será expedido um formal ou certidão, que indicará os bens cabentes a cada
um. A particularidade desse título é que ele tem eficácia executiva exclusivamente em relação ao
inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título universal ou singular.
23

5. Créditos de auxiliares da justiça aprovados por decisão judicial.

São títulos executivos judiciais os créditos dos auxiliares da justiça aprovados por decisão judicial. Os
auxiliares abrangem, entre outros, os serventuários da justiça, o perito, o intérprete ou tradutor.

6. Sentença penal condenatória transitada em julgado;

Para que a sentença penal possa ser executada, é indispensável que tenha transitado em julgado.

A condenação criminal pode gerar vários tipos de obrigação na esfera cível: a de indenizar prejuízos das
vítimas ou de seus herdeiros, a de restituir coisas ou de fazer ou não fazer.

Então é para isso que entra a sentença penal condenatório na execução civil, não é para mandar prender o
criminoso, mas sim para mandar receber indenização decorrente daquele crime.

7. Sentença arbitral;

É o único título judicial que não é criado por um juiz, mas pelo árbitro.

A sentença arbitral, entendida como o provimento final do árbitro que resolve um conflito de interesses
(sobre direitos patrimoniais disponíveis) entre particulares que optaram pela resolução extrajudicial do
conflito em que se viram envolvidos.

8. Sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;

A sentença estrangeira, para ser eficaz no Brasil, depende de homologação pelo Superior Tribunal de
Justiça, ou seja, para que produza efeitos em território nacional, a sentença estrangeira – judicial ou arbitral
- deve obrigatoriamente passar por um processo de homologação perante o Superior Tribunal de Justiça

9. Decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior
Tribunal de Justiça.

A decisão interlocutória estrangeira pode ser executada no Brasil por meio de carta rogatória.

Também a decisão interlocutória estrangeira, que reconheça obrigação, valerá como título executivo
judicial, desde que seja homologada ou seja concedido o exequatur pelo Superior Tribunal de Justiça.

Obs.: honorários sucumbenciais.

Títulos executivos extrajudiciais


Há os enumerados no art. 784 do CPC e outros previstos em lei especial. Como não é precedido de fase
cognitiva, o grau de certeza que dele deflui é menor do que o do título judicial.

CONCEITO: são aqueles documentos que, pela forma com que são constituídos e pelas garantias de que se
revestem, gozam, segundo o legislador, de um grau de certeza tal que justifica se prescinda de um prévio
processo de conhecimento. A execução fundada em título extrajudicial implica sempre um novo processo.

O legislador, ciente do menor grau de certeza que deles deflui, autoriza a apresentação de embargos em
que o devedor possa apresentar qualquer defesa que possa ter (CPC, art. 917, VI).

1. Letra de câmbio, nota promissória, duplicata, cheque, debêntures;

Todos esses se tratam de pagar contia certa, sendo títulos de créditos, que também são tratados em
legislação própria, considerados pela lei processual civil como executivos extrajudiciais.
24

• A Letra de Câmbio é um investimento de renda fixa que oferece boas perspectivas de segurança e
rentabilidade.
• Nota promissória é uma promessa de pagamento de uma dívida.
• Duplicata permite adquirir bens e serviços para pagamento feito a prazo.
• Cheque uma ordem de pagamento.
• Debêntures é um valor imobiliário, um título de dívida de empresa que oferece direito de crédito ao
investidor, você empresta dinheiro para empresas.

2. Escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor;

Tanto a escritura pública ou documento público demonstram a vontade do devedor na relação obrigacional
o qual deve assinar essa manifestação volitiva.

A diferença entre escritura pública e documento público é que a primeira é espécie do segundo.

O art. 784, II, do Novo CPC trata da confissão de dívida, que pode ser realizada por meio de escrita pública
ou documento público assinado pelo devedor.

Escritura pública é criada nos cartórios, pelo tabelião e serve para muita coisa, a escritura pública é ato
privativo do tabelião de notas, o documento público pode ser produzido por qualquer agente público no
exercício de suas funções.

Exemplo de escritura pública, procuração, compra e venda, doação, permuta, pacto antenupcial, pacto de
convivência (união estável), emancipação, hipoteca, instituição de usufruto, testamento e muitas outras.

Os demais documentos públicos são criados pela administração pública, somente serão considerados
títulos executivos se contiverem a declaração escrita e assinada do devedor reconhecendo a dívida.

3. Documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas.

O documento particular deve ser assinado pelo devedor e por duas testemunhas presentes, fato muito
comum na prática entre contratantes. As testemunhas deverão ser pessoas capazes, isentas, idôneas e
identificadas no título, sendo dispensada a autenticação de suas assinaturas.

4. Instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela
Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado pelo
tribunal.

Esse instrumento ocorre em casos de autocomposição. Transações são acordos, ex. TAC.

Em vez de homologada pelo juízo, for referendada pelo Ministério Público, Defensoria Pública, Advocacia
Pública, pelos advogados dos transatores ou pelo conciliador ou mediador credenciado por tribunal, o título
será extrajudicial.

5. Contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele
garantido por caução;

São contratos de garantia, confundindo o legislador o gênero "caução" com algumas de suas espécies.
Assim, havendo caução em razão de contrato, seja ela real (hipoteca, penhor ou anticrese) ou fidejussória
(fiança), será possível a execução forçada da dívida.

Os contratos que contenham direito real de garantia passam a ser títulos executivos.
25

As garantias podem ser de bens imóveis (hipoteca), ou de bens móveis (penhor), ou os furtos como
garantias (anticrese), ou caução (um favor em determinado dinheiro).

O que se executa não é o direito real, mas a dívida garantida por ele. É título executivo o documento que
contém obrigação de pagar dívida líquida, quando garantida por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito
real de garantia. Poderá haver execução se a garantia real constar do mesmo instrumento em que ficou
consignada a dívida, ou de documento distinto. Já as cauções são garantias que visam assegurar ao credor o
pagamento.

6. Contrato de seguro de vida em caso de morte;

Segundo a literalidade do dispositivo legal, o único contrato de seguro a ser título executivo é o de seguro
de vida., título executivo decorrente do evento morte do segurado.

O contrato de seguro de vida é aquele em que o segurador se compromete a, em caso de falecimento do


segurado, pagar determinada indenização ao beneficiário por ele instituído. A inicial da execução deve vir
instruída com a apólice de seguro e com o comprovante do falecimento do segurado.

7. Crédito decorrente de foro e laudêmio

O foro e o laudêmio são espécies de rendas imobiliárias, decorrentes da enfiteuse, regulados por leis de
direito material.

• O foro é a pensão anual certa e invariável que o enfiteuta paga ao senhorio direto pelo direito de
usar, gozar e dispor do imóvel objeto do direito real de enfiteuse.
• O laudêmio é a compensação que é devida ao senhorio direto pelo não uso do direito de
preferência, quando o enfiteuta aliena onerosamente o imóvel foreiro.

8. Aluguel e encargos acessórios.

O aspecto mais importante do inciso VIII do art. 784 do Novo CPC diz respeito à desnecessidade de contrato
escrito de locação, sendo suficiente a existência de uma prova documental que ateste a existência da
locação e dos encargos.

Esse é um crédito comprovado por documento que expressa à relação estabelecida entre locador e
locatário. Os acessórios se referem a taxas e despesas relativas ao condomínio.

9. Certidão de dívida ativa;

São os encargos a serem cobrados pelos Entes Políticos mencionados, por meio de execução fiscal.

10. Crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas em


convenção de condomínio ou aprovadas em assembleia-geral, desde que documentalmente
comprovadas;

O inciso supramencionado se refere à relação estabelecida entre o condomínio edilício e condômino,


previstas por meio daquelas reuniões (nas quais quase não há discussão... para não dizer o contrário!), onde
as deliberações ocorrem).

11. Certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais
despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei;

Relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados.

12. Todos os demais títulos, aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva;
26

• Os prêmios de seguro;
• Decisões do Tribunal de Contas da União, de que resulte imputação de débito ou multa (art. 71, IX, §
3º, da CF).
• Honorários Advocatícios (art. 24 da Lei n. 8.906/94).

Não é necessário que venha assinado por duas testemunhas, nem que tenha qualquer outra formalidade,
mas é preciso que seja líquido, que consigne todos os elementos necessários para a apuração do quantum
debeatur.

Não poderão ser executados diretamente aqueles honorários cujo valor não foi fixado, e dependam de
arbitramento, ou cujo valor não pode ser apurado por simples cálculo aritmético.

Ex.: honorários cotalícios, cujo valor corresponde a uma porcentagem sobre os benefícios patrimoniais que
o resultado trouxer para o vencedor.

Para a execução do contrato, é preciso que o advogado o faça acompanhar das provas de que o serviço foi
efetivamente prestado e das peças e manifestações em que atuou em favor do executado no processo para
o qual foi contratado.

ATENÇÃO!!!

SÚMULA N. 233, STJ: O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da
contracorrente, não é título executivo.

SÚMULA 300, STJ: O instrumento de confissão de dívida, ainda que originário de contrato de abertura de
crédito, constitui título executivo extrajudicial.

Pode o credor, munido de título extrajudicial, valer-se do processo de conhecimento, para obter um
título judicial?

Art. 785. A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de
conhecimento, a fim de obter título executivo judicial.

O artigo 785 da Lei de Ritos assevera que, mesmo com o título, o credor (legitimado para execução) poderá
ingressar com uma ação pelo processo de conhecimento com o intuito de obter um título executivo judicial,
caso isso seja mais interessante para ele.

Responsabilidade patrimonial
Sujeição do patrimônio de alguém ao cumprimento de uma obrigação.

O responsável é aquele que poderá ter a sua esfera patrimonial invadida para que seja assegurada a
satisfação do credor.

A responsabilidade patrimonial é indiscutivelmente instituto de direito processual, compreendida como a


possibilidade de sujeição de um determinado patrimônio à satisfação do direito substancial do credor. A
responsabilidade patrimonial para o caso de inadimplemento, ou seja, quando a dívida não é satisfeita
voluntariamente pelo devedor.

• REGRA: QUEM RESPONDE PELOS PAGAMENTOS DAS DÍVIDAS É O PRÓPRIO DEVEDOR.


• EXCEÇÃO: o CPC enumera situações em que a responsabilidade se estenderá a OUTRAS PESSOAS.
Bens sujeitos à execução
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 BENS SUJEITOS À EXECUÇÃO, art. 789 CPC: bens presentes e futuros.

Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas
obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.

Bens presentes é aqueles existentes à época do surgimento da dívida e bem futuros todos os que forem
adquiridos até a satisfação do direito do credor.

Bens não sujeitos à execução


 Comporta exceções (previstas em lei): arts. 833 e 832 do CPC.
1. os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;

A inalienabilidade pode ser tanto direta, quando proveniente da lei, como ocorre com os bens fora de
comércio e os bens públicos, como indireta, quando decorrente de um acordo de vontade entre as partes e
eficaz perante terceiros, como ocorre com os bens doados ou alienados com cláusula de inalienabilidade,
comuns em testamentos.

Os bens inalienáveis são os bens público como praias, mares, praças etc.

Os bens declarados por ato voluntario seriam as coisas adquiridas pela doação, por testamento, são causas
restritas e não poderão ser empenhorados.

2. Os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo


os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio
padrão de vida;

Deve-se garantir a manutenção do padrão de vida do executado, o que não se admite é a agressão
demasiada à própria dignidade humana do executado, e tão somente isso.

São corretas as decisões que excluem da penhorabilidade geladeira, fogão, televisões e aparelhos de som,
desde que tais bens não se mostrem com a característica de suntuosidade (grande desperdício de dinheiro),
como televisores de tela plana que atingem valores estratosféricos ou ainda aparelhagem de som típica de
casas noturnas, e não de residências. Diante de tais situações, e levando-se em conta o alto valor de tais
bens, não resta dúvida de que a penhora deve ser realizada.

Exceção se trata aos bens de elevado valor, como por exemplo, em uma casa que tem três ou quadro
televisões, poderá ser penhorada uma. Uma pessoa que tem mais de um carro, poderá ser penhorado um.

3. Vestuários e pertencentes de uso pessoal;

A impenhorabilidade de vestuários e de pertences de uso pessoal certamente se preocupa com as roupas e


bens necessários à própria sobrevivência digna do devedor. Sem roupas, escovas de dente, produtos de
higiene pessoal em geral etc., é realmente difícil garantir-se uma manutenção digna do devedor.

Exceção se trata aos bens de elevado valor. Tudo aquilo que não for essencial à manutenção da dignidade
mínima do devedor deve ser objeto de penhora para garantir o direito fundamental do credor à satisfação
de seu crédito.

Exemplo: Bolsa da Armani, Gucci, ou um relógio de elevado valor.

4. Ganhos aptos a manter a subsistências dos executados;


 Vencimentos pagamento pelo trabalho do servidor público.
 Subsídios são pagamentos com acrescimentos.
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 Soldo são os vencimentos dos militares, regulados por leis próprias.


 Salário é o pagamento de uma pessoa que trabalho no regime da CLT.
 Remunerações, é o salário mais acréscimos ele.
 Proventos de aposentadoria
 Quaisquer pensões de forma geral como alimentícias, por morte, etc.
 Pecúlios abrangem as verbas referentes à previdência social, refere a um determinado montante de
dinheiro que uma pessoa poupou com o intuito de utilizá-lo em uma eventualidade ou no futuro.
 Montepios é intercedente por pensão por morte.
 A impenhorabilidade das quantias recebidas por liberalidade de terceiros, como ocorre, por
exemplo, com contratos de constituição de renda, mesadas de pais para o filho ou do auxílio de
homem ou mulher casada para mulher ou homem diversa do marido ou esposa.

Exceção: o art. 833, § 2º, do Novo CPC, que prevê a inaplicabilidade da impenhorabilidade tratada pelo
inciso IV desse dispositivo legal para o pagamento das prestações alimentícias", havendo decisão do
Superior Tribunal de Justiça admitindo a penhora em execução por exemplo de honorários advocatícios em
razão de sua natureza alimentar.

2º O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação
alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta)
salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8º, e no art. 529, § 3º.

Resumindo: quando se tratar de dívida alimentar: não importa o valor do salário, desde que se respeite 50%
do montante líquido percebido pelo executado.

(CESPE) Apesar do caráter alimentar e da sua consequente impenhorabilidade, admite-se a penhora de


honorários advocatícios, quando o valor seja exorbitante e acima do que seria razoável para o sustento
próprio e de sua família. C. Certo E. Errado.

De acordo com o CPC, se, em processo de execução de contrato inadimplido, ocorrer a penhora judicial de
dinheiro depositado em conta bancária do executado, o juiz poderá cancelar o ato de penhora caso acolha o
pedido de impenhorabilidade sob o argumento de que a quantia bloqueada
a. pertence a terceiro
b. decorreu de venda de imóvel.
c. corresponde à salário do executado e não ultrapassa cinquenta salários mínimos.
d. estava vinculada ao pagamento de conta exclusivamente em débito automático.
e. acarretará enriquecimento ilícito.

5. Bens necessários ou úteis ao exercício profissional;

Mais uma vez, a preocupação do legislador é com a manutenção de meios para que o executado possa
continuar a viver com mínima dignidade humana. Os instrumentos primeiramente devem ser utilizados no
dia a dia profissional do executado, e não apenas de forma esporádica e rara.

Esse inciso leva em conta que o trabalho deve ser a principal meio de sustento do devedor.

6. Seguro de vida

O seguro de vida se presta a criar em favor do beneficiado um fundo alimentar, sendo decorrência dessa
natureza a sua impenhorabilidade.
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OBS.: A impenhorabilidade dos valores recebidos pelo beneficiário do seguro de vida limita-se ao montante
de 40 (quarenta) salários mínimos, por aplicação analógica do art. 833, X, do CPC/2015, cabendo a
constrição judicial da quantia que a exceder. STJ. 3ª Turma. REsp 1.361.354-RS.

7. Materiais necessários para obras em andamento;

A impenhorabilidade desse bem exige que o material já esteja afetado à obra, ou seja, que haja
demonstração clara e inequívoca de que os materiais serão utilizados naquela obra.

Existe exceção no próprio art. 833, VII, do Novo CPC, admitindo-se a penhora desse material sempre que a
própria obra tenha sido objeto de penhora.

Além disso, também se aplica ao dispositivo o art. 833, § 1º, do Novo CPC, admitindo-se a penhora na
execução de dívida contraída na própria aquisição do material.

§ 1º A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela
contraída para sua aquisição.

8. Pequena propriedade rural trabalhada pela família;

Pequena propriedade rural vai até 25 equitares. "propriedade familiar" o imóvel rural que, direta e
pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-lhes
a subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de
exploração, e eventualmente trabalho com a ajuda de terceiros.

9. Recursos públicos ligados à aplicação compulsória em educação, saúde e assistência social;

Trata-se dos recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em
educação, saúde ou assistência social, o que demonstra uma escolha do legislador entre dois valores.

O Superior Tribunal de Justiça tem precedente no sentido de impenhorabilidade de recurso público


recebido por instituição de ensino privada vinculado ao programa Fundo de Financiamento Estudantil (FIES),
considerando que nesse caso os créditos são utilizados para a concretização de programa de política pública
voltado a promover a educação de ensino superior para a população de menor renda.

Além das crestes comunitárias.

10. Valares depositados em caderneta de poupança;

O valor de até 40 salários-mínimos mantido em caderneta de poupança é impenhorável.

A impenhorabilidade, mencionada no inciso acima, salvaguarda o pequeno poupador. Contudo, não é


aplicada em caso de prestação alimentícia.

Exemplo, considerando que o salário mínimo é mil reais, e na minha caderneta de poupança tem 44mil, é
assegurado 40mil, e os 4 mil é penhorado.

Exceção: Nos termos do§ 2° do art. 833 do Novo CPC, a impenhorabilidade ora analisada não se aplica na
execução de alimentos, independentemente da origem da obrigação alimentar, bem como para
importâncias excedentes a 50 salários mínimos mensais.

Nos termos do§ 2° do art. 833 do Novo CPC, a impenhorabilidade ora analisada não se aplica na execução
de alimentos, independentemente da origem da obrigação alimentar, bem como para importâncias
excedentes a 50 salários mínimos mensais.
30

Exemplo: Só tenho 4mil reais na caderneta de poupança, esse valor será penhorado todo, em se tratando
de execução de alimentos.

11. Recursos públicos do fundo partidário recebidos, nos termos da lei, por partido político;

Os recursos públicos recebidos pelos partidos políticos do fundo partidário não perdem a natureza pública,
porque teoricamente são empregados para o funcionamento dos partidos políticos, organismos essenciais
ao bom funcionamento do Estado democrático de Direito.

12. Créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária,
vinculados à execução da obra;

A incorporadora recebe os pagamentos para a execução e regularização da construção no Registro de


Imóveis, sendo assim vinculados tais créditos a essas finalidades.

Diante dessa realidade, uma eventual penhora desse crédito levaria a interrupção da obra ou a
inviabilidade de sua regularização, em detrimento dos interesses dos consumidores adquirentes que em
nada contribuíram para a dívida exequenda da incorporadora.

OBSERVAÇÕES:

O art. 833, § 1º, do Novo CPC abre exceção à regra de impenhorabilidade absoluta ao admitir a penhora em
execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição.

§ 1º A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela
contraída para sua aquisição.

Ocorre quando a pessoa não paga a dívida, exemplo: quando o indivíduo compra um carro, e não paga a
parcela do carro, então o carro pode ser penhorado.

O art. 833, § 2º, do Novo CPC abre duas exceções ao permitir a penhora no tocante à execução de
alimentos, em percentual que possibilite a subsistência do executado-alimentante e no valor excedente a 50
salários mínimos mensais.

§ 2º O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de
prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50
(cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8º, e no art.
529, § 3º.

De acordo com o CPC, se, em processo de execução de contrato inadimplido, ocorrer a penhora judicial de
dinheiro depositado em conta bancária do executado, o juiz poderá cancelar o ato de penhora caso acolha o
pedido de impenhorabilidade sob o argumento de que a quantia bloqueada: A. pertence a terceiro. B.
decorreu de venda de imóvel. C. corresponde a salário do executado e não ultrapassa cinquenta salários
mínimos. D. estava vinculada ao pagamento de conta exclusivamente em débito automático. E. acarretará
enriquecimento ilícito.

Bens de família
O bem de Família (Lei 8.009/90)

• REGRA: o imóvel de família é IMPENHORÁVEL.

O que é um bem de familiar?


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Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por
qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges
ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei.

• EXCEÇÕES: art. 3º, da Lei 8009/90.

Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária,


trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:

II - Pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel,


no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato;

III – pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que,
com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela
dívida;

IV - Para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel
familiar;

V - Para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade
familiar;

VI - Por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a
ressarcimento, indenização ou perdimento de bens.

VII - por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação.

Súmula 549 do STJ: “É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação”.

➔ Alegação de impenhorabilidade: A impenhorabilidade do bem é matéria de ordem pública e deve ser


conhecida pelo juízo de ofício a qualquer tempo. Se ele não o fizer, caberá ao devedor alegá-la, por
simples petição nos autos, ou pelos meios de defesa tradicionais.

Responsabilidade primária e secundária


 Responsabilidade Patrimonial Primária: o patrimônio sacrificado para o pagamento do débito é do
próprio devedor.
 Responsabilidade Patrimonial Secundária: um terceiro responde com o seu patrimônio por dívida que
não assumiu (art. 790 do CPC).

É o patrimônio do devedor que geralmente responde por sua dívida, mas em algumas situações específicas,
mesmo aquele que não participou da relação de direito material obrigacional se vê responsável por sua
satisfação. A responsabilidade patrimonial do devedor é primária, enquanto nas situações previstas em lei, a
responsabilidade do sujeito que não é obrigado (plano do direito material) é secundária.

Observações:
EFEITOS DA ALIENAÇÃO
1. Transferência do domínio.
2. Intercorrência de domínio: o bem sai da esfera patrimonial do antigo dono.
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Sujeitos à execução
O artigo 790 do novo Código elenca os sujeitos cujos bens podem ser objeto de execução, isto é, a
responsabilidade será estendida a outras pessoas que não correspondem ao devedor primitivo, quais sejam:

1. Sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação


reipersecutória;

Trata-se de fraude à execução. Essa espécie de obrigação é objeto de um processo no qual se pleiteia a
restituição de bens que estejam fora do patrimônio do autor, ou em poder de terceiros. Trata-se de ação
que tende a pedir a restituição daquilo que é do autor ou do que é devido a ele, e se ache fora de seu
patrimônio.

Trata-se de um bem que estava comprometido e foi vendido para um terceiro.

✓ Obrigação real: bem imóvel, exemplo: caso de hipoteca.


✓ Obrigação reipersecutória: bem móvel.

Nesse caso, em relação aos efeitos o primeiro ocorreu, mas o segundo não, pois o bem ainda estava na
esfera patrimonial do antigo dono.

2. Bens do sócio

A responsabilidade primária pelas dívidas da sociedade empresarial é naturalmente da própria sociedade, e


somente de forma excepcional responderão seus sócios por tais dívidas com os seus próprios patrimônios.

Segundo o art. 790, II, do Novo CPC, o sócio responde com o seu patrimônio pela satisfação da dívida da
sociedade empresarial nos termos da lei.

Responsabilidade contraídas pela sociedade

• Limitadas: mais seguras, só perde aquilo que você investiu.


• Ilimitadas: menos segura, pode perder o que foi investido e o que não foi.

Nas leis societárias é possível a criação de regras que criem a responsabilidade patrimonial do sócio,
existindo atualmente determinadas espécies de sociedade, nas quais o sócio responde com o seu patrimônio
pelas dívidas da sociedade em qualquer situação de inadimplemento. É o caso da sociedade em nome
coletivo (art. 1.039 do CC) e do sócio comanditado na sociedade em comandita simples (art. 1.045, caput, do
CC).

3. Bens do devedor, ainda que em poder de terceiros.

O bem não foi vendido, mas está na posse de outra pessoa, o que é absolutamente desnecessária porque o
local ou com quem estejamos bens não interfere na sua propriedade. Assim sendo, os bens permanecem-no
patrimônio do devedor, respondendo por suas obrigações, esteja onde estiver e com quem estiver.

Exceção: Súmula 486 do STJ: “É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a
terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua
família”.

4. Bens do cônjuge e do companheiro, nos casos em que os seus bens próprios, reservados ou de sua
meação, respondem pela dívida.

Dívida contraída pelo cônjuge em proveito da família → ambos respondem.


33

Art. 1.664. Os bens da comunhão respondem pelas obrigações contraídas pelo marido ou pela mulher
para atender aos encargos da família, às despesas de administração e às decorrentes de imposição legal.

Trata-se da dívida contraída para compra de coisas necessárias à economia doméstica ou de empréstimos
para a aquisição de tais coisas, ambos são devedores.

5. Bens alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução.

O art. 790, V, do Novo CPC prevê hipótese de fraude à execução, espécie de fraude patrimonial.

6. Bens cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em
ação autônoma, de fraude contra credores.

Trata-se de fraude contra credores.

7. Bens do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica.

O responsável secundário o responsável pela dívida da sociedade empresarial na hipótese da


desconsideração de sua personalidade jurídica.

DIREITO DE RETENÇÃO (art. 793, CPC)

Art. 793. O exequente que estiver, por direito de retenção, na posse de coisa pertencente ao devedor não
poderá promover a execução sobre outros bens senão depois de excutida a coisa que se achar em seu
poder.

Se o exequente estiver em posse de bem de propriedade do devedor, o referido bem será prioritário no
processo de execução. Afinal, como destaca Didier, o executado já se encontra privado da posse desse bem.
Então, somente após a sua execução, poderá o credor promover a execução sobre outros bens.

Ex: contrato de depósito.

BENEFÍCIO DE ORDEM DO FIADOR (art. 794, CPC)

Art. 794. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados os bens do
devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à
penhora.

§ 1º Os bens do fiador ficarão sujeitos à execução se os do devedor, situados na mesma comarca que os
seus, forem insuficientes à satisfação do direito do credor.

§ 2º O fiador que pagar a dívida poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo.

§ 3º O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem.

BENEFÍCIO DE ORDEM DO SÓCIO (art. 795, CPC)

Há a possibilidade do exercício do direito do benefício de ordem (art. 795, § 1º, do Novo CPC), podendo o
sócio indicar bens da sociedade para que respondam à satisfação da dívida antes que seus bens sejam
atingidos.

Art. 795. Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, senão nos casos
previstos em lei.

§ 1º O sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, tem o direito de exigir que
primeiro sejam excutidos os bens da sociedade.
34

§ 2º Incumbe ao sócio que alegar o benefício do § 1º nomear quantos bens da sociedade situados na
mesma comarca, livres e desembargados, bastem para pagar o débito.

§ 3º O sócio que pagar a dívida poderá executar a sociedade nos autos do mesmo processo.

§ 4º Para a desconsideração da personalidade jurídica é obrigatória a observância do incidente previsto


neste Código.

RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL DO ESPÓLIO (art. 796, CPC)

O espólio responde pelas dívidas do falecido, mas, feita a partilha, cada herdeiro responde por elas dentro
das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube.

Fraude contra credores e fraude à execução


Existem duas formas comuns de fraude que o devedor pode perpetrar para tentar furtar-se ao
cumprimento de suas obrigações:

 Fraude contra credores e;


 Fraude à execução.

Ambas têm em comum fato de o devedor desfazer-se de um bem, ou de parte de seu patrimônio, em
detrimento do credor.

FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO


Vício social do negócio jurídico (Direito Material), Ato atentatório à dignidade da Justiça (instituto
gera anulabilidade do negócio jurídico. processual e de criação tipicamente nacional) –
Encontra-se na CC. gera a ineficácia do ato perante o credor.
Encontra-se no CPC.
Requisitos: eventus damni: OBJETIVO e consilium Intenção fraudulenta do devedor é presumida, mas
Fraudis: SUBJETIVO (este é presumido quando o deve haver a prova do eventus damni (com
ato praticado pelo devedor for a título gratuito) - algumas ressalvas: Artigo 792, I, II e III, CPC) Súmula
Presunção absoluta. 375 STJ (não aplicável à execução fiscal).
Atos Onerosos – Ciência do terceiro adquirente.
Ação Pauliana (revocatória), ação de natureza Petição simples (interessado), ou reconhecimento
pessoal, com litisconsórcio passivo necessário. de ofício pelo juiz Exceção: fraude à execução após
Prazo decadencial de 04 anos. a alienação judicial do bem (ação anulatória).
Sentença desconstitutiva ou constitutiva negativa. Sentença torna o ato ineficaz perante o credor.
(caráter declaratório com efeitos ex tunc).
Não existe ação em curso ajuizada pelo credor Existe ação ajuizada pelo credor contra o devedor.

Fraude contra credores


É instituto de direito material, e, ocorre quando o executado, dolosamente, aliena
a integralidade de seu patrimônio para frustrar o pagamento dos credores.

Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os


praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o
ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus
direitos.
§ 1º Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente.
35

§ 2º Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles.

Nos termos do art. 158, caput, do CC, somente o devedor pode praticar atos de fraude contra credores, de
forma que a alienação que vela ou acentua a insolvência do alienante só se constitui fraude se realizada após
o inadimplemento da obrigação.

ELEMENTOS QUE CARACTERIZAM A FRAUDE CONTRA CREDORES

O elemento objetivo qualquer pessoa pode atestar observando os fatos, e o subjetivo depende da ciência
de uma determinada pessoa.

 OBJETIVO (eventus damni): reflete o prejuízo ao credor, que decorre da insolvência do devedor. Se
continua tendo em seu patrimônio bens suficientes para fazer frente ao débito, não existirá prejuízo.
A alienação tenha conduzido a uma diminuição patrimonial do devedor que tenha piorado ou criado
um estado de insolvência.
 SUBJETIVO (consilium fraudis): necessidade de prova da má-fé do adquirente. O caráter subjetivo
está ligado à intenção do devedor de provocar sua redução patrimonial até o estado de insolvência.
Se o terceiro estava de boa-fé, se não há elementos que permitam concluir o contrário, não se
reconhecerá a ineficácia do negócio (art. 159, CC).

Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência
for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante.

Para dizer que existe fraude contra credores, é necessário que tenha os dois requisitos.

Observação: Quanto a esse segundo requisito, quando o ato for praticado a título gratuito (doação), o
intuito fraudulento presume-se de forma absoluta, sendo presumida fraude.

Já nos casos de atos onerosos é preciso demonstrar que o devedor tinha ao menos o potencial
conhecimento de que seu ato o levaria à insolvência que o terceiro adquirente tinha conhecimento - efetivo
ou presumido - de que a alienação levaria o alienante a esse estado

Objetivo, eventus damni Subjetivo, consilium fraudis,


A própria insolvência, que constitui o ato É a má-fé do devedor, a consciência de prejudicar
prejudicial ao credor. terceiros.

RECONHECIMENTO

O reconhecimento da fraude contra credores ocorre por meio da Ação Pauliana, na qual o autor (credor)
tem o ônus de demonstrar a existência de tais requisitos, não se presumindo sua existência.

AÇÃO PAULIANA: consiste numa ação pessoal (só o credor da obrigação é que pode entrar contra ela)
movida por credores com intenção de anular negócio jurídico feito por devedores insolventes com bens que
seriam usados para pagamento da dívida numa ação de execução.

A ação paulina é um preparo para a execução.

AÇÃO PAULIANA:

São dois momentos distintos:

✓ para que haja a fraude, basta que a dívida tenha sido contraída;
✓ Para a Ação Pauliana, é preciso que a dívida esteja vencida.
36

Ex.: Lara está devendo Ana e dia 20de abril ela irá pagar, Ana ouviu dizer que Lara estava vendendo tudo.
Ana não pode entrar com Ação Pauliana, porque hoje ainda é 12 de abril, então ela deve esperar a dívida
vencer, porque pode ser que nos últimos segundos do 2º tempo, Lara consegui dinheiro para pagar sua
dívida, então por isso a divida deve está vencida para entrar com a ação Pauliana.

Antes do vencimento não pode entrar com ação pauliana.

Ação pauliana é quando o mal foi feito, e será desfeito.

Obs.: tutela provisória cautelar de urgente, para o juiz confiscar bens suficientes para garantia uma futura
execução.

Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, sequestro,
arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bens e qualquer outra medida idônea para
asseguração do direito.

A tutela provisória de urgência pauta-se na necessidade da prestação da tutela jurisdicional evitar um


prejuízo à parte.

LEGITIMIDADE

Polo ativo: é o credor

Polo Passivo: devedor e terceiro adquirente (verificar a boa-fé). Em transmissões gratuitas, presume-se a
má-fé. O polo passivo da ação pauliana, com a adoção desse entendimento, será formado exclusivamente
pelo devedor, não havendo nenhum interesse do terceiro em tal decisão.

VI - Cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação
autônoma, de fraude contra credores;

✓ Ação sendo conhecida PROCEDENTE: o juiz declara a ineficácia do negócio.

Entendendo ser válido o ato praticado em fraude contra credores, mas ineficaz perante o credor que obtém
sentença favorável na ação revocatória (ou pauliana), o devedor não pode de maneira nenhuma ser
favorecido por tal sentença.

Mantém-se a validade do negócio jurídico entre o devedor e o terceiro adquirente, mas sem nenhuma
eficácia perante o credor, que poderá, após tal sentença, invadir o patrimônio do terceiro para satisfazer seu
direito. Gerando somente ineficácia, e não anulação, o bem não retorna ao patrimônio do devedor, sendo,
portanto, o credor autor da ação pauliana o único beneficiado com a decisão.

✓ Ação sendo conhecida IMPROCEDENTE: quando os requisitos da Ação Pauliana não forem
verificados. A Juíza não reconheceu a fraude.

Fraude na execução
Constitui vício mais grave, que afeta diretamente a autoridade do Estado concretizada no exercício
jurisdicional.

A fraude à execução pode acontecer no processo de conhecimento e na execução.

Enquanto a fraude contra credores é instituto tratado pelo Código Civil, sendo o único prejudicado pelo ato
fraudulento o credor, a fraude à execução – criação tipicamente nacional - é instituto tratado pelo Código de
Processo Civil. Trata-se de espécie de ato fraudulento que, além de gerar prejuízo ao credor, atenta contra o
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próprio Poder Judiciário o ato fraudulento prejudica por um lado o credor, e por outro a própria função
jurisdicional do Estado-juiz, sendo tal ato considerado atentatório à dignidade da justiça.

A fraude à execução pressupõe processo pendente, conforme o art. 792 do CPC.

Pode ser reconhecida nos próprios autos, através de mera petição, sendo desnecessária a ação pauliana,
exigida no caso da fraude contra credores.

Não é necessário o ingresso de qualquer ação judicial por parte do credor bastando uma mera petição no
processo já pendente para que o juiz reconheça a fraude.

Art. 179, CP.


Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando
dívidas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa.

REQUISITOS

1. Existência de processo pendente (OBJETIVO). Ocorre no instante em que se considera pendente o


Processo: citação do devedor, antes da citação não há de se falar em fraude na execução, mas sim
fraude contra credores.
A necessidade de citação do demandado em ação judicial dá-se em razão da necessidade de que
tenha ciência da demanda judicial.
2. Prejuízo que decorre da insolvência da DEVEDOR (OBJETIVO). Verificado somente na fase de execução.
3. Má-fé do adquirente (SUBJETIVO): Registro da Penhora ou outra prova de má-fé do terceiro
adquirente.
Intenção fraudulenta presumida;
- Afinal, o devedor tinha ciência do processo de execução no momento que praticara o ato de
alienação, quer na fase de conhecimento, quer na fase de execução.
– Prova do eventus damni;
- Prova do prejuízo (surgimento da insolvência ou agravamento da insolvência).

Prova da má-fé do terceiro adquirente.

SÚMULA 375, STJ: o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem
alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente.

Ou seja, ou você prova da má-fé do adquirente por qualquer outro meio ou prova pelo registro da penhora
do bem alienado.

O credor precisa tomar providências para quê?

Providências farão presumir a má-fé do terceiro adquirente e de outros adquirentes sucessivos, diante da
eficácia erga omnes do registro. Sem elas, o credor terá o ônus de provar a má-fé, o que nem sempre será
fácil.

PROVIDÊNCIAS A SEREM TOMADAS PELO EXEQUENTE

 Providência 1 - Art. 828, CPC: averbação pré-monitória: acontece na execução.


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Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação
das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos ou de outros bens
sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade.

Averbação premonitória é o ato pelo qual se concede publicidade à execução, após o juiz ter proferido o
despacho inicial recebendo esse procedimento, a fim de impedir que o executado esvazie o seu patrimônio a
ponto de se tornar insolvente.

Resumindo, é você juntar algum documento em algum registro constitutivo de um terminado bem. Averbar
é comunicar/registrar algo em cartório, premonitória tem a ver com premunição, então ela serve para
EVITAR a fraude na execução, e presume a má-fé do terceiro.

Ex.: o carro: registro no DETRAN casa: no cartório de imóvel. → O tabelião ou o funcionário do DETRAN vai
avisar para o terceiro sobre o bem, em relação a execução.

A medida exigirá do credor uma pesquisa prévia a respeito dos bens do devedor, sujeitos a registro, para
que possa saber onde efetuá-la.

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:


II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art.
828;

Obs.: O prazo para a retirada da averbação na Secretária, na pratica é de 3 dias.

Se você com o processo de execução admitido e você fez tudo conforme 828 a questão da averbação
premonitória qualquer pessoa que comprar esse bem em fraude execução já está presumido essa fraude.

Qual é o bem? TODOS OS BENS DO EXECULTADO.

 Providência 2 - Processo na fase cognitiva: acontece na fase de conhecimento.

Será possível registrar a citação nas ações que versam sobre direito real imobiliário, ou seja, sobre
propriedade de um determinado bem imóveis.

Aqui réu sabe do processo, a providência 1 e a mesma coisa da providência 2, porém a providencia 1
abrange a execução e a 2 abrange a fase de conhecimento e é um bem especifico, cuja ação que versa sobre
direito real imobiliário. Então nas duas providências posso pegar determinada certidão, no caso na primeira
certidão para fins de averbação premonitória e na segunda registro de citação.

Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução:


I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que
a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo registro público, se houver;
Então só vai presumir fraude na execução se esse bem litigioso que está na justiça, for averbado a citação
no respectivo registro público.

Diferença

Providencia 1 Na execução
Providencia 2 Na fase de conhecimento
Providencia 3 Na fase de execução

 Providência 3 - art. 799, IX, CPC: averbação da penhora: acontece na execução


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Art. 799. Incumbe ainda ao exequente:


IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da execução e dos atos de constrição
realizados, para conhecimento de terceiros.
Art. 790: São sujeitos à execução os bens:
V - alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução.

O 790, V fala sobre de um terceiro que compra um bem, na fase de execução, e esse terceiro sofre a
execução, pois ele adquiriu de má-fé.

Penhora é o ato executivo que ocorre na fase de execução em que o juiz mandar confiscar um bem do
executado.

O executado continua na posse do bem e ainda sim, com o bem comprometido, ele tenta vender assim
mesmo.

Para que a providência? Para provar a fraude na execução.

O parágrafo primeiro fala sobre a consequência da fraude na execução

Art. 792, §1º, CPC: a alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente.

• O bem do terceiro adquirente ficará ainda na responsabilidade patrimonial do executado.


• O terceiro adquirente se for reconhecido que comprou em fraude vai perder aquele, pois a alienação
é ineficaz.

BENS NÃO SUJEITOS A REGISTROS

Se o bem não for daqueles sujeitos a registro, como acontece com a maior parte dos bens móveis? Como
pode o exequente proteger-se da alienação, pelo devedor, de bens que não podem ser registrados?

Na verdade, não é o exequente que vai se proteger de nada, mas sim o teceria pessoa que vai comprar, ou
seja, o terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias.

RESPOSTA: Art. 792, § 2º, CPC: Se o terceiro adquirente não fizer a comprovação de que tomou tais
cautelas, presumir-se-á que adquiriu o bem de má-fé, e o juiz declarará a fraude à execução.

HIPÓTESES QUE CARACTERIZAM A FRAUDE À EXECUÇÃO: art. 792 do CPC

Em qualquer desses casos há presunção de prejuízo ao credor e de má-fé do devedor.

Observação: Para o reconhecimento de fraude à execução não é necessário ação própria (basta petição
nos autos).

RECONHECIMENTO DA FRAUDE À EXECUÇÃO

O juiz reconhece a fraude na execução quando se verifica, na execução, que o:

1. Processo pendente (objetivo)


2. devedor está insolvente;(objetivo)
3. que alienou de má-fé bens após a citação na fase de conhecimento ou execução. (subjetivo)

Isso é feito na própria execução, por decisão interlocutória, que não encerra no processo, o juiz chama o
terceiro adquirente de má-fé. Essa decisão interlocutória traz uma resolução incidental.
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E se o juiz não conhecer a fraude? Ele também vai também na decisão interlocutória dizer que não
reconheceu os requisitos da fraude na execução, e vida que segue.

Súmula 375 do STJ, o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem
alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente.

Consequências do reconhecimento da fraude na execução:

Constatada a insolvência, o juiz determinará a ineficácia das alienações ocorridas após a citação, na fase de
conhecimento ou durante na fase execução.

Se várias alienações tiverem ocorrido, o juiz não precisará determinar a ineficácia de todas, se apenas a
das últimas for suficiente para garantir os direitos do credor.

Ex.: ele tinha um patrimônio de 100 mil e a execução é de 80 mil, ele vendeu todo o patrimônio, será
declarado ineficaz o valor correspondente da execução., 80 mil.

INTIMAÇÃO DO ADQUIRENTE ANTES DA DECLARAÇÃO DE FRAUDE À EXECUÇÃO

Reconhecida a fraude à execução, o terceiro adquirente não se tornará parte, mas o bem por ele adquirido
responderá pela dívida.

Diante da necessidade de observar o princípio do contraditório, determina o art. 792, § 4º, que, antes de
declará-la, o juiz mande intimá-lo.

Como ele não é parte, caso queira defender-se, deverá opor embargos de terceiro, nos quais buscará
demonstrar que a alienação não foi fraudulenta.

Os embargos de terceiro, nesse caso, deverão ser opostos no prazo de 15 dias, a contar da intimação (Art.
792, § 4º, CPC).

➔ EMBARGOS DE TERCEIRO ACOLHIDOS: A penhora pode ser afastada por meio de embargos de terceiro,
opostos por possuidores que presumem boa-fé.
➔ SE OS EMBARGOS DE TERCEIRO NÃO FOREM ACOLHIDOS? Será concluída a penhora e a alienação
judicial do bem. O credor será pago, e o saldo devolvido ao terceiro adquirente.

Alienação de bem penhorado


A alienação ou oneração do bem penhorado, embora não referida expressamente na legislação
processual, é considerada pela maior parte da doutrina uma “espécie” de fraude à execução, ainda mais
grave do que aquelas previstas no art. 792, porque o bem alienado já estava constrito, vinculado à execução.

O que diz a Lei dos Registros Públicos? (6015/73)

Art. 240: o registro da penhora faz prova quanto à fraude de qualquer transação posterior.

A penhora registrada gera presunção absoluta de que terceiros tinham conhecimento da fraude.

Ex.: Cartório de Registro Geral de Imóveis, automóveis, via inscrição administrativa (Detran).

Ano: 2018 Banca: VUNESP - Prova: Procurador do Estado Nível I :Em relação à fraude de execução, assinale
a alternativa correta.
A.É sempre do exequente o ônus da prova da fraude de execução quando ocorrer a venda de bens não
sujeitos a registro após a citação, na execução civil, ou após a intimação, no caso do cumprimento de
sentença.
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B. O simples fato de alguém ter alienado seus bens após a citação, no processo de conhecimento, já
caracteriza plenamente a fraude de execução, sejam os bens passíveis de registro ou não.
C. Quanto aos bens imóveis, ônus de provar sua existência pode ser satisfeito mediante averbação na
matrícula do imóvel, prévia à alienação, da existência de uma ação, ainda que de natureza penal, dentre
outras, que pode reduzir o devedor à insolvência.
D. Caracteriza-se exclusivamente quando, após o início do cumprimento de sentença ou da execução civil,
ocorre a alienação de bens por parte do executado, dispensados outros requisitos.
E. Os atos praticados em fraude de execução são juridicamente inexistentes, independentemente de o
executado ter ficado insolvente ou não.
Ano: 2019 Banca: CESPE/Cebraspe Procurador Municipal: A pedido do exequente, o juízo deferiu a penhora
de um imóvel de propriedade do executado. No entanto, o exequente não procedeu à averbação do ato no
respectivo cartório de registro de imóveis. Após a penhora, o executado alienou o imóvel penhorado. Nessa
situação, o ato de alienação do imóvel caracteriza fraude à execução.
CERTO ERRADO
42

2ª PARTE

Liquidação de sentença
Liquidação de sentença significa calcular, determinar um valor. Chama-se liquidação de sentença, porém, é
possível liquidar qualquer título executivo judicial.

A liquidação de sentença é um preparo para a execução de um título executivo judicial que nasceu ilíquido.

Liquidar uma sentença significa determinar o objeto da condenação, permitindo-se assim que a demanda
executiva tenha início com o executado sabendo exatamente o que o exequente pretende obter para a
satisfação de seu direito.

Art. 509 a 512, CPC.

Um dos requisitos fundamentais da execução é que esteja fundada em título líquido.

Não há como iniciá-la, se não se conhece com precisão o quatum debeatur. Os títulos executivo judiciais
podem nascer ilíquidos, mas não podem ir para sentença assim.

 TÍTULO JUDICIAIS: Admite o nosso ordenamento que o juiz, em determinadas circunstâncias, profira
sentença ilíquida. Para que ela adquira força executiva, terá de passar por previa liquidação, na qual se
apurará o quantum debeatur.
 TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS: Perde a executividade o título extrajudicial que não for dotado de liquidez,
quando não permita quantificar o objeto da obrigação diretamente, ou por simples cálculos aritméticos.

Não existe liquidação de título extrajudicial. Títulos executivos extrajudiciais devem nascer líquidos, porque
caso contrário a ele faltará um elemento indispensável para ser título.

Exemplo: o caso de Brumadinho e Mariana.

JUDICIAIS
Podem ser ilíquidos

TÍTULOS EXECUTIVOS EXTRAJUDICIAIS


Devem ser líquidos

Prova: FGV - OAB - Advogado - XXIX Exame de Ordem Unificado: Em virtude do rompimento de uma represa, o
Ministério Público do Estado do Acre ajuizou ação em face da empresa responsável pela sua construção, buscando a
condenação pelos danos materiais e morais sofridos pelos habitantes da região atingida pelo incidente. O pedido foi
julgado procedente, tendo sido fixada a responsabilidade da ré pelos danos causados, mas sem a especificação dos
valores indenizatórios. Em virtude dos fatos narrados, Ana Clara teve sua casa destruída, de modo que possui interesse
em buscar a indenização pelos prejuízos sofridos. Na qualidade de advogado(a) de Ana Clara, assinale a orientação
correta a ser dada à sua cliente.
A. Considerando que Ana Clara não constou do polo ativo da ação indenizatória, não poderá se valer de seus efeitos.
B. Ana Clara e seus sucessores poderão promover a liquidação e a execução da sentença condenatória.
C. A sentença padece de nulidade, pois o Ministério Público não detém legitimidade para ajuizar ação no lugar das
vítimas.
D. A prolatação de condenação genérica, sem especificar vítimas ou valores, contraria disposição legal.

Ano: 2020 Banca: - FGV Questões inéditas OAB - Advogado - 2º Simulado OAB – XXXI: O Ministério Público propôs ação
civil pública em face de uma indústria, à qual se atribuía a conduta de derramamento de produto tóxico em um rio,
matando os peixes e inviabilizando a utilização da água para qualquer fim. Ocorre que a população local vivia
43

essencialmente da pesca, e a água do aludido rio era ainda utilizada para abastecimento e para irrigação em outras
quatro cidades vizinhas. Após a tramitação normal da ação coletiva, restou evidenciada a responsabilidade da ré,
todavia foi proferida sentença ilíquida. Considerando tais fatos, marque a alternativa correta.
A.As vítimas podem promover imediatamente o cumprimento da sentença, por ser está um título executivo judicial.
B. A decisão do julgador padece de nulidade absoluta, uma vez que ilíquida.
C.Caso as vítimas não promovam a liquidação e cumprimento da decisão, em número compatível com a gravidade do
dano, o Ministério Público, ou outro legitimado, pode promover a liquidação e a execução, cujo valor será revertido a
um fundo específico.
D.Caso as vítimas queiram promover a execução do título, deverão promover primeiramente a liquidação, que poderá
ser pelo procedimento comum, por arbitramento ou por mero cálculo aritmético.

CONCEITO: Liquidação de sentença é uma fase intermediaria entre a de fase de conhecimento e de execução, que se
destina à apuração do quantum quando o título judicial foi ilíquido.

Fase de Fase de Fase de


conhecimento conhecimento execução

Título Ilíquido é aquele que indica a quantidade de bens ou valores que constituem a obrigação. Será
ilíquido quando indicar a quantidade, seja expressamente, seja permitindo apurá-la por simples cálculo
aritmético.

RELEMBRANDO

Sentença líquida: sentença que condena uma das partes a pagar dívida de R$10.000, mais juros de 1% ao
ano, contados a partir de 11 de novembro de 2017.

Sentença ilíquida: sentença que condena uma das partes por litigância de má-fé, mas sem estabelecer a
indenização devida pelo ato, uma vez que não é o seu objeto.

Sentença parte líquida, parte ilíquida: sentença reconhece o dano e condena uma das partes apagar o
prejuízo causado em acidente de trânsito. Parte da sentença estipula o valor causado por danos ao veículo
(perda total do veículo:80 mil reais). A outra parte da sentença que condena a pagar as demais despesas
médicas que a vítima teve no decorrer do processo ainda estão ocorrendo.

Desde a edição da LEI Nº 11.232/2005 (lei do processo sincrético) a liquidação deixou de ser considerada
um processo autônomo e se tornou uma fase do processo único, antecedida pela fase de reconhecimento da
obrigação e sucedida pela de cumprimento de sentença.

Não existe mais processo autônomo de liquidação, salvo se o título executivo for sentença penal, arbitral
ou estrangeira.

Só podem ser objeto de liquidação as sentenças que reconheçam obrigação, isto é, aquelas que podem ser
executadas. Dos títulos executivos judiciais podem ser objeto de liquidação, seja e ele sentença civil, penal
ou de homologação de transação.

FASE DE LIQUIDAÇÃO
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Sentença penal, arbitral ou estrangeira: será necessária a citação do devedor. Nos demais casos: a parte
contraria será intimada do requerimento de liquidação, na pessoa de seu advogado.

• LEGITIMIDADE PARA A LIQUIDAÇÃO: As duas formas de liquidação previstas no CPC podem ser
requeridas pelo credor ou pelo devedor. Este tem legitimidade porque é seu direito conhecer o
montante exato do débito, para poder requerer o pagamento, liberando-se da obrigação.
• DESNECESSIDADE DE LIQUIDAÇÃO (art. 509, §2º, CPC): Quando a apuração do valor depender apenas
de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo o cumprimento da sentença.

Ex.: sentença que condena o devedor a pagar 10.000 reais, com juros de 1% ao mês. Juros a partir de 11 de
novembro de 2017, apenas com um cálculo aritmético você descobrirá o valor a obrigação.

§ 3º O Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e colocará à disposição dos interessados programa de


atualização financeira.

Obs.: O CNJ nunca criou esse programa.

• PRINCÍPIO DA FIDELIDADE AO TÍTULO: Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a


sentença que a julgou. Visa respeitar a coisa julgada. Significa dizer que qualquer matéria que seja alheia
ao valor da prestação reconhecida em sentença condenatório ilíquida ao objeto da liquidação.
Ex.: o juiz concedeu 8% de honorários sucumbências, a lei fala de 10 a 20% (art.85, §2, CPC), não pode
discutir esse problema no mesmo processo.

509, §4º Na liquidação é vedado DISCUTIR de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou.

• LIQUIDAÇÃO PARCIAL DE SENTENÇA: Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao
credor é lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação
desta. É possível. Isso é comum quando há cumulação de pedidos na inicial. Para que o credor ganhe
tempo, a lei autoriza que ele promova a execução do que já é líquido e a liquidação do que ainda não é,
simultaneamente.

§ 1º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover
simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta.

Isso tudo é para evitar tumulto processual, manda a lei que a liquidação se faça em autos apartados.

• Natureza: A liquidação tem natureza cognitiva. A sua função é solucionar uma incerteza em relação ao
quantum, uma dúvida sobre o montante do débito. Quando a liquidação encerra, ela terminada por
decisão interlocutória que não põe fim ao processo.
Obs.: à decisão interlocutória cabe agravo de instrumento, então se a parte não tiver satisfeita com o
cálculo feito na fase liquidação de sentença, ela pode entrar com agravo.

Fase cognitiva Fase de liquidação Fase de cumprimento de


sentença.

➢ Natureza da decisão proferida na fase de liquidação: constitui decisão interlocutória, e o ato que
aprecia a liquidação, contra ela poderá ser interposto recurso de agravo de instrumento.

REGRA: INTIMAÇÃO: é preciso que se faça (art. 510 e 511 do CPC): Se a parte contrária é revel, não há
necessidade de intimação, por força do disposto no art. 346 do CPC.
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EXCEÇÃO: CITAÇÃO: Caso a liquidação seja de sentença penal condenatória, estrangeira ou arbitral, como
não há fase cognitiva precedente no juízo cível, formar-se-á um novo processo, e a citação da parte
contrária será indispensável.

ESPECIES DE LIQUIDAÇÃO

Existe a liquidação por arbitramento e liquidação pelo procedimento comum. Como identificar cada uma?
Quando o enunciado da prova apresentar “precisa fazer uma liquidação e precisa provar um fato novo”.
Quando usar a expressão “fato novo”, a liquidação é pelo procedimento comum. O arbitramento é utilizado
quando há necessidade de prova técnica, normalmente, perícia.

Liquidação por arbitramento

É a modalidade mais comum. São três as hipóteses de cabimento:

• Determinação pelo próprio Juízo na sentença de mérito;


• Convenção entre as partes;
• Em razão da natureza do objeto da liquidação.

É a que se faz para apurar o valor de um bem ou serviço. Nenhum fato novo precisa ser verificado, bastando
a avaliação.

Arbitramento é quando alguém vai trazer o valor, pode ser o próprio juiz, pode ser as partes, quando elas
trazem pareceres jurídico que o juiz acolhe, ou pode ser o perito.

Ex.: em ação com pedidos de reintegração de posse e reparação de danos, o réu é condenado a pagar, pelo
tempo de ocupação indevida, quantia correspondente ao valor de aluguel do imóvel.

Apura um valor de um bem, ou pode ser apuração de um valor de serviço.

Nenhuma questão nova se põe, a não ser a referente ao valor do bem ou do serviço. Às vezes não bastam
cálculos aritméticos para apurar o valor, sendo necessários conhecimentos técnicos.

Sempre que se fizer necessária a elaboração de uma perícia para se obter o quantum debeatur, o caminho
será a liquidação por arbitramento. m

O art. 509, I, do CPC, estabelece que se fará a liquidação por arbitramento quando determinado pela
sentença, ou convencionado pelas partes, ou exigido pela natureza do objeto da liquidação.

I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela
natureza do objeto da liquidação;

Ano: 2018 Banca: Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista – VUNESP Prova: VUNESP - TJ SP - Juiz
Substituto Quando a sentença contiver condenação ilíquida ao pagamento de quantia,
A. será inviável ao credor promover o cumprimento de sentença, ainda que parte da decisão seja líquida.
B. terá lugar liquidação por cálculo, caso o credor não apresente o demonstrativo do débito atualizado.
C. terá lugar o arbitramento, se assim exigir a natureza do objeto da liquidação.
D.na decisão será inválida porque a condenação deve ser sempre líquida, ainda que o pedido do autor seja genérico .

Procedimento

O juiz intimará as partes para, no prazo que fixar, apresentarem pareceres ou documentos elucidativos, a
respeito do valor do bem ou serviço e, se possível, decidirá de plano. Se isso não for possível, nomeará um
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perito, que o calculará, o que permitirá apurar o quantum debeatur, observando-se o procedimento da
prova pericial.

Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a apresentação de pareceres ou
documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, caso não possa decidir de plano, nomeará perito,
observando-se, no que couber, o procedimento da prova pericial.

O arbitramento se fará com a apresentação dos pareceres e dos documentos e, se necessário, com a
nomeação de um perito. A prova oral é inadmissível, é tudo documental.

Se nomeado perito, ambas as partes poderão formular quesitos e indicar assistentes técnicos, seguindo-se
as regras do CPC sobre a prova pericial.

Ao nomear o perito, o juiz fixará prazo para o laudo. Após a entrega, correrá o prazo de 15 dias para as
partes se manifestarem e apresentarem os pareceres de seus assistentes técnicos.

Depois disso, o juiz proferirá a decisão.

Requisitos para ocorrer liquidação por arbitramento:

1. Título judicial ilíquido;

2. Requerimento para a liquidação;

3. Intima as duas partes para querendo, apresentarem elucidativos.

Procedimento comum

É aquela em que há necessidade de alegação e comprovação de um fato novo, ligado ao quantum


debeatur. Esses fatos novos podem ocorrer antes, durante ou depois da demanda judicial. Por fato novo
deve-se entender aquele que não foi objeto de análise e decisão no processo no qual foi formado o título
executivo que se busca liquidar.

Art. 509, II, do CPC: Será feita a liquidação pelo procedimento comum, quando houver necessidade de
alegar e provar fato novo.

II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo.

Por fato novo entende-se não necessariamente aquele que tenha ocorrido depois da sentença, mas o que
não foi objeto de decisão na sentença e esteja relacionado ao quantum.

Ex.: caso Mariana, caso Brumadinho.

Art. 324, § 1º, II, do CPC: será possível ao autor formular pedido genérico, quando não for possível precisar,
de modo definitivo, as consequências do ato ilícito. Poderá ele postular que o réu arque com todas as
despesas de seu tratamento, e indenize a vítima de todos os prejuízos.

Ex.: Imagine-se, por exemplo, que alguém foi vítima de danos decorrentes de erro médico.

Nos termos do art. 324, § 1º, II, do CPC, será possível ao autor formular pedido genérico, quando não for
possível precisar, de modo definitivo, as consequências do ato ilícito. Poderá ele postular que o réu arque
com todas as despesas de seu tratamento, e indenize a vítima de todos os prejuízos.

Requisitos para ocorrer liquidação por procedimento comum

1. Requerimento de uma das partes;


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2. Fazer uma petição inicial, narrando dos fatos, e correlacionar cada fato com o valor, e trazer o valor para
ser analisado.

3. Contestação.

LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO LIQUIDAÇÃO FEITA POR PROCEDIMENTO COMUM


Ocorrerá quando houver a necessidade do Quando houver a necessidade de se
conhecimento técnico de alguém para atribuir um valor alegar e provar fatos novos, ou seja, novas provas.
à lide. Ex.: acidente de trânsito. Fatos da sentença e fatos
Quando determinado pela sentença, convencionado novos.
pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da
liquidação.
Ex.: negociação de honorários de forma oral.

Vale destacar: a liquidação pode ser feia a requerimento tanto do credor quanto do devedor.

Ao acolher o pedido, o juiz condenará o réu a ressarcir, mas será necessário apurar, em liquidação, quais os
danos e despesas de tratamento.

São fatos novos os diversos itens que compõem o rol de despesas e prejuízos e que não foram apurados na
fase condenatória.

Para a apuração do quantum, não basta um cálculo do contador, nem uma avaliação, porque não existe
apenas a quantificação de um valor ou serviço.

As sentenças penais condenatórias, títulos executivos judiciais, exigirão sempre prévia liquidação, em regra
pelo procedimento comum, porque não se discute no processo criminal o valor do dano da vítima.

Na petição inicial, o autor enumerará os fatos novos. O juiz, ao prolatar a decisão, deverá ater-se a eles, que
constituem a própria causa de pedir da liquidação.

O requerido será intimado, na pessoa de seu advogado ou sociedade de advogados, para apresentar
contestação, no prazo de 15 dias, sob pena de revelia (art. 511, CPC).

Todos os meios de prova são admitidos na liquidação pelo procedimento comum, dada a necessidade de
comprovação dos fatos novos. Se necessário, o juiz determinará a prova técnica e colherá prova oral, em
audiência.

Ao final, prolatará DECISÃO INTERLOCUTÓRIA, verificando se foram ou não provados os fatos novos. Em
caso afirmativo, declarará líquida a obrigação, indicando o quantum debeatur. Se não houver recurso, ela se
tornará preclusa, não podendo mais ser alterada.

Ano: 2018 Banca: Fundação Carlos Chagas – FCC Prova: FCC -Promotor de Justiça Substituto: Em relação à liquidação
de sentença,
A. na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a citação do requerido, pessoalmente, para oferecer
contestação no prazo de quinze dias.
B. quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, os autos serão remetidos pelo juiz, de ofício, ao
Contador Judicial, sem necessidade de oitiva prévia das partes.
C. na liquidação é possível discutir de novo a lide, mas não modificar a sentença que a julgou.
D. quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover simultaneamente a
execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta.
E. a liquidação não poderá ser realizada na pendência de recurso, somente podendo ocorrer com o trânsito em julgado
da lide.
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LIQUIDAÇÃO PROVISÓRIA

Quando há uma decisão e essa ainda está sujeita a recurso é possível que ocorra uma execução provisória.
Isso ocorrerá independentemente de um eventual recurso ter efeito suspensivo, pois a liquidação não é
necessariamente a execução. Assim, o previsto no art. 512do CPC é o que se chama de “liquidação
provisória”.

Ao longo do processo, as partes também podem se valer de situações de liquidação. Ex.: a petição inicial
requer a entrega de um carro. Entretanto, trata-se de um carro clássico de coleção, cujo valor ainda não foi
determinado. Assim, ao longo do processo e a requerimento das partes, o juiz pode se valer do
procedimento de liquidação para a apuração de valores.

Art. 512 do CPC: a liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando-se em autos
apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais
pertinentes (recurso COM ou SEM efeito suspensivo).

Jamais se poderá dar início à execução provisória pendente recurso de efeito suspensivo, mas já se autoriza
a liquidação provisória.

Na prática a liquidação provisória é muito rara. Porque: o procedimento de liquidação pode ser demorado,
custoso e pode ser inútil.

Se há a liquidação de uma sentença que é revertida em grau recursal, a liquidação não servirá mais.

Ano: 2019 Prova: CESPE CEBRASPE - TJ BA - Juiz de Direito Substituto: Caso o juiz julgue parcialmente o mérito,
reconhecendo a existência de obrigação ilíquida, a parte vencedora
A. poderá promover de pronto a liquidação, mediante o depósito de caução.
B. poderá promover de pronto a liquidação, ainda que seja interposto recurso pela parte vencida.
C. deverá aguardar a extinção do processo para promover a liquidação.
D. deverá promover a liquidação nos mesmos autos, em vista do princípio da eficiência.
E. poderá promover a liquidação somente após transcorrido o prazo para interposição de recurso pela parte vencida.

Espécies de execução
Execução especifica: Objetiva fazer o devedor cumprir exatamente aquilo o que foi convencionado,
sem conversão em perdas e danos. Essas obrigações já nascem definitivamente determina.

Obs.: Só faz sentido nas obrigações de fazer, não fazer (art. 497, CPC) ou entregar coisa (art. 498, CPC).

Quando o processo judicial será eficiente? O processo de execução será eficiente quando der ao credor
satisfação exata ou a mais próxima possível daquilo que ele teria caso o devedor tivesse cumprido
espontaneamente a obrigação.

TÉCNICAS DE QUE SE VALE O LEGISLADOR PARA A EXECUÇÃO: Sub-rogação e coerção.

O uso delas poderá varias, conforme a obrigação seja fungível ou infungível. Será aplicada primeiro

SUB-ROGAÇÃO COERÇÃO
Significa substituição: um terceiro poderá cumprir Meios que compelem o devedor a cumprir a
a obrigação no lugar do devedor. O juiz poderá obrigação. Ex.: multa, prisão civil, incentivo para o
tomar medidas para que a obrigação seja cumprida. cumprimento da obrigação.
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Aplica-se somente nas obrigações fungíveis Aplica-se tanto nas obrigações fungíveis quanto
nas infungíveis.
São aquelas que além do devedor, É personalíssima: somente o devedor
qualquer pessoa poderá cumprir. Ex.: poderá cumprir. Ex.: uma pintura de um
pintar uma parede. determinado pintor famoso.

IMPORTANTE: a coerção sempre será aplicada primeiro, que o juiz aplica a pressão psicológica, se não
funcionar o juiz aplica a sub-rogação, caso a obrigação seja ou fungível. Se a obrigação por infungível e a
técnica de coerção não der certo, será conferido perdas e danos.

Se fungível, as duas técnicas poderão ser utilizadas: a de coerção e a de sub-rogação. Ex.: se alguém é
contratado para pintar um muro e não o faz, ao promover a execução o credor poderá requerer que o juiz
fixe uma multa diária, que sirva para pressiona-lo a cumprir o prometido (coerção); ou pedir ao juízo que
determine que a obrigação seja cumprida por terceiro, as custas dele (sub-rogação).

Ex.: a penhora é um exemplo de sub-rogação.

Quando a obrigação for infungível, só se poderá fazer uso dos meios de coerção, já que não é possível que
outrem a realize no lugar do devedor. Não pode haver a sua substituição (sub-rogação), no cumprimento do
terminado.

MECANISMOS PARA COMPELIR O DEVEDOR A CUMPRIR A OBRIGAÇÃO:

A multa, e sua finalidade é coercitiva, não repressiva ou punitiva ela não


constitui sanção ou pena.

Obs.: aplica-se a todas as espécies de execução (entrega de coisa, obrigação


de fazer e não fazer, obrigação de pagar quantia), é um mecanismo universal.

Nos cumprimentos de sentença: a multa é fixada pelo juiz. Se caso o valor da


multa já estiver estabelecido no contrato, o juiz pode mudar o valor da multa,
tanto para mais quanto para menos, sendo esse valor razoável para compelir o devedor a cumprir a
obrigação.

Art. 53, § 1º O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa
vincenda ou excluí-la, caso verifique que:
I - se tornou insuficiente ou excessiva;
II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da obrigação ou justa causa para o
descumprimento.

O juiz só terá essa liberdade se a multa não tiver sido convencionada pelas partes no título executivo
extrajudicial. Mesmo assim o juiz terá o poder de reduzi-la, se verificar que é excessiva; mas não de
aumentá-la, caso a repute insuficiente (art.814, parágrafo único, CPC).

Art. 814. Na execução de obrigação de fazer ou de não fazer fundada em título extrajudicial, ao despachar a
inicial, o juiz fixará multa por período de atraso no cumprimento da obrigação e a data a partir da qual será
devida.

Parágrafo único. Se o valor da multa estiver previsto no título e for excessivo, o juiz poderá reduzi-lo.
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Execução estiver fundada em título extrajudicial: o juiz também poderá fixar livremente a multa, ao
despachar a inicial (art. 806, §1º, do CPC).

§ 1º Ao despachar a inicial, o juiz poderá fixar multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação,
ficando o respectivo valor sujeito a alteração, caso se revele insuficiente ou excessivo.

QUEM RECEBE A MULTA? Reverte sempre em proveito do credor, prejudicado pelo atraso ou
inadimplemento.

Art. 537, § 2º O valor da multa será devido ao exequente.

Qual o momento para fixar a multa? Depois de impor ao réu o cumprimento da obrigação de fazer, não
fazer ou entregar coisa. Isso pode ocorrer logo no início do processo, se ele deferir tutela provisória ou
então, na sentença condenatória.

Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em
tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a
obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito.

Na execução de título extrajudicial, o juiz a fixará quando despachar a inicial. Se não fizer, poderá fixa-la
posteriormente, a qualquer momento no curso da execução, quando se fizer necessária.

Procedimentos das diversas espécies de execução

OBRIGAÇÃO CUMPRIMENTO DE EXECUÇÃO DE TITULO


SENTENÇA EXTRAJUDICIAL
Obrigação de fazer e não Art. 814 a 823 Art. 536 e 537
fazer
Obrigação de entrega de Art. 806 a 813 Art. 538
coisa certa e incerta
Obrigação de pagar Art. 824 a 903 Art. 523 a 527
quantia certa contra
devedor solvente
Observação: há, ainda um critério especial, que leva em conta a pessoa do executado, no caso da execução
contra a Fazenda Pública.

Aspectos comuns a todas as espécies de execução por título extrajudicial.

Em todas, o credor formulará o seu requerimento por meio de uma petição inicial, que deve vir
acompanhada de título executivo; se estiver em termos, o juiz determina a citação do executado, do que
decorrerão numerosas consequências.

✓ Petição inicial: deve preencher os requisitos tradicionais dos art. 319 e 320 do CPC e indicar os
fundamentos da execução, a causa de pedir. Isto é, o título executivo em que a dívida se consubstancia
e a causa que tornou a execução necessária (impedimento do devedor).

Além deles, o art. 798 do CPC indica quais os requisitos específicos da inicial da execução.

Nessa petição inicial o credor deve:

1. indicar o tipo de pretensão que pretende ver satisfeita, o que variará conforme a obrigação contida
no título. O objeto da execução há de ser liquida, certa e exigível.
2. Deve ainda indicar o valor da causa, que deve corresponder ao conteúdo econômico da pretensão.
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3. Além dos documentos indispensáveis: título executivo extrajudicial; além dele, de procuração e do
comprovante do recolhimento das custas iniciais.

Petição inicial incompleta: art. 801, CPC.

Art. 801. Verificando que a petição inicial está incompleta ou que não está acompanhada dos documentos
indispensáveis à propositura da execução, o juiz determinará que o exequente a corrija, no prazo de 15
(quinze) dias, sob pena de indeferimento.

✓ Citação do executado: em todas as hipóteses de execução fundada título extrajudicial, o executado


será citado, pois, como não houve fase precedente, será necessário dar-lhe ciência do processo e dos
termos da petição inicial.
Todas as formas de citação previstas no CPC são admitidas na execução, inclusive a por carta.
✓ Efeitos da citação válida: art. 240, CPC.
a. Indução de litispendência: terá grande relevância para caracterização da fraude à execução. A
partir da citação não poderá ter outro processo igual da mesma causa, mesmo titulo executivo
e discutindo a mesma matéria, isso se chama litispendência.
b. Interrupção da prescrição: valem as mesmas regras que para o processo de conhecimento. É o
despacho que ordena a citação que interrompe o prazo de prescrição.
c. Constituição do devedor em mora: importante para que possam incidir os encargos da mora,
como juros e multa. Mas a citação só constituirá o devedor em mora se já não o estiver
anteriormente. As obrigações a termo, haverá mora desde a data do vencimento.

Espécies de execução por título extrajudicial


I. Entrega de coisa certa: é a individualizada, determinada, no momento da propositura da
execução;

Distingue-se da “coisa incerta”, que não está determinada, mas é determinável pelo gênero e pela
quantidade. O procedimento da execução para entrega de coisa certa, fundada em titulo extrajudicial vem
tratado nos art. 806 a 810 do CPC.

PROCEDIMENTO

Art. 806, CPC: mandado de citação para entrega da coisa, no prazo de 15 dias.

Art. 806. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título executivo extrajudicial, será
citado para, em 15 (quinze) dias, satisfazer a obrigação.

Apesar de o art. 806, § 1°, do Novo CPC prever que o juiz poderá, ao despachar a petição inicial, fixar multa
por dia de atraso no cumprimento da obrigação, e essa multa - que na realidade não precisa ser diária - só
passará a ser exigida após o vencimento do prazo legal concedido pela lei para que o executado cumpra a
sua obrigação'. Ainda que não tenha fixado a multa no despacho da petição inicial, diante da inércia do
executado poderá determiná-la a qualquer momento do processo. Além da fixação da multa caberá ao juiz a
expedição de mandado de busca e apreensão - bens móveis - ou de imissão de posse - bens imóveis.

§ 1º Ao despachar a inicial, o juiz poderá fixar multa por dia de atraso no cumprimento da
Coerção obrigação, ficando o respectivo valor sujeito a alteração, caso se revele insuficiente ou
excessivo.
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§ 2º Do mandado de citação constará ordem para imissão na posse ou busca e apreensão,


Sub-rogação conforme se tratar de bem imóvel ou móvel, cujo cumprimento se dará de imediato, se o
executado não satisfizer a obrigação no prazo que lhe foi designado.

Segundo o art. 807 do Novo CPC, após a entrega do bem "será lavrado o termo respectivo e considerada
satisfeita a obrigação, prosseguindo-se a execução para o pagamento de frutos ou o ressarcimento de
prejuízos, se houver".
Entrega a coisa, para satisfazer a obrigação

Art. 807. Se o executado entregar a coisa, será lavrado o termo respectivo e considerada satisfeita a
obrigação, prosseguindo-se a execução para o pagamento de frutos ou o ressarcimento de prejuízos, se
houver.

EMBARGO À EXECUÇÃO

Art. 915. Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze) dias, contado, conforme o caso, na forma
do art. 231.

Se não houver embargos, ou eles forem julgados improcedentes, a busca e apreensão ou a imissão na
posse tornar-se-ão definitivos.

Na hipótese de a coisa devida estar no patrimônio de terceiro e de ter sido desviada de forma fraudulenta,
será ali buscada, sendo que o terceiro que a adquiriu somente será ouvido pelo juízo depois de depositá-la
em juízo, ou seja, após a garantia do juízo.

Art. 808. Alienada a coisa quando já litigiosa, será expedido mandado contra o terceiro adquirente, que
somente será ouvido após depositá-la.

O bem deteriorado, ou que não poder ser localizados, deve-se observar o disposto no art. 809, CPC.

É possível que o bem não seja localizado, tendo se deteriorado ou desaparecido, além de não ser
reclamado do poder de terceiro adquirente, situações que ensejarão a conversão da execução para a
entrega de coisa em execução por quantia certa para cobrança do valor da coisa, além do montante devido
como reparação de perdas e danos e eventualmente o valor da multa aplicada

Art. 809. O exequente tem direito a receber, além de perdas e danos, o valor da coisa, quando essa se
deteriorar, não lhe for entregue, não for encontrada ou não for reclamada do poder de terceiro adquirente.

Caso o exequente entenda que a execução para a entrega de coisa deixou de ser interessante em razão de
a coisa estar no patrimônio de terceiro, poderá converter a execução de entrega em execução de pagar
quantia certa.

BENFEITORIAS: Art. 810.

Havendo benfeitorias na coisa, deve ser instaurado um processo de liquidação de sentença antes do
processo de execução. O art. 810 do Novo CPC dispõe que, no caso de benfeitorias indenizáveis feitas pelo
executado ou terceiros, sua liquidação prévia é obrigatória. Existindo saldo em favor do executado, o
exequente depositará o valor ao requerer a entrega da coisa; havendo saldo em favor do exequente, este
poderá cobrá-lo nos autos do mesmo processo.

Art. 810. Havendo benfeitorias indenizáveis feitas na coisa pelo executado ou por terceiros de cujo poder
ela houver sido tirada, a liquidação prévia é obrigatória.
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Parágrafo único. Havendo saldo:


I - em favor do executado ou de terceiros, o exequente o depositará ao requerer a entrega da coisa;
II – em favor do exequente, esse poderá cobrá-lo nos autos do mesmo processo.

II. Entrega de coisa incerta: é determinável pelo gênero e pela quantidade.

O processo de execução de entrega de coisa incerta seguirá basicamente as mesmas regras procedimentais
analisadas anteriormente, sendo que a única diferença diz respeito ao procedimento de individualização da
coisa, que deverá ocorrer no início do processo executivo. Após a escolha, a coisa passa a ser certa e o
procedimento seguirá as mesmas regras.

Exemplo: contratos de compra e venda de gêneros alimentícios. Uma indústria de papel compra “X”
toneladas de eucalipto, ou seja, ainda não há o eucalipto. Mas já há um gênero, quantidade. É um objeto
determinável.

Art.811, CPC: mandado de citação. Segundo o art. 811 do Novo CPC, tal execução tomará lugar sempre que
recair sobre coisa determinada pelo gênero e pela quantidade

Art. 811. Quando a execução recair sobre coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o executado
será citado para entregá-la individualizada, se lhe couber a escolha.

Parágrafo único. Se a escolha couber ao exequente, esse deverá indicá-la na petição inicial.

Art. 812, CPC: Possibilidade de impugnação da escolha da coisa.

Art. 812. Qualquer das partes poderá, no prazo de 15 (quinze) dias, impugnar a escolha feita pela outra, e o
juiz decidirá de plano ou, se necessário, ouvindo perito de sua nomeação.

III. Entrega de fazer: art. 814 a 823, CPC.

São aquelas em que o devedor se compromete a realizar uma prestação, consistente em atos ou serviços,
de natureza material ou imaterial. O interesse concentra-se na atividade dele, e suas qualidades pessoais
podem adquirir grande importância.

Coerção e • Fungíveis: são aquelas que, embora assumidas pelo devedor, podem ser
sub-rogação cumpridas por qualquer pessoa, pois não levam em conta qualidades pessoais
dele.
Sub-rogação • Infungíveis: São aquelas que só o devedor pode cumprir.

PROCESSO DE EXECUÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER: art. 815, CPC

O executado é citado para cumprir sua obrigação no prazo estabelecido pelo titulo executivo, e na ausência
de indicação de prazo no título, caberá ao juiz tal fixação, devendo levar em consideração a complexidade do
ato a ser praticado.

Art. 815. Quando o objeto da execução for obrigação de fazer, o executado será citado para satisfazê-la no
prazo que o juiz lhe designar, se outro não estiver determinado no título executivo.

PETIÇÃO INICIAL CITAÇÃO PRAZO

MULTA MANDADO DE
CITAÇÃO
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Com a citação, correrão dois prazos independentes, cuja contagem far-se-á na forma do art. 231, CPC.

✓ Aqueles assinalado no título ou fixado pelo juiz para que a obrigação seja cumprida: conta da
ciência.
✓ O de quinze dias para o devedor opor embargos: corre independentemente de ele cumprir ou não a
obrigação: Conta da juntada do mandado.

CONDUTAS POSSÍVEIS do executado quando recebe o mandado de citação:

1. Cumprir com a obrigação;


2. Ficar inerte;
3. Opor embargos à execução.

Obs.: ele só pode faz uma escolha entre as três.

CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO: ART. 816 a 821.

❖ Obrigação fungível (não personalíssima):


1. Perdas e danos Tem o direito de
2. Realização da prestação por terceiros. escolher

Art. 816. Se o executado não satisfizer a obrigação no prazo designado, é lícito ao exequente, nos próprios
autos do processo, requerer a satisfação da obrigação à custa do executado ou perdas e danos, hipótese
em que se converterá em indenização.

Parágrafo único. O valor das perdas e danos será apurado em liquidação, seguindo-se a execução para
cobrança de quantia certa.

Sendo fungível a obrigação de fazer é possível ao exequente preferir que a obrigação seja cumprida por
terceiro, à custa do executado. Tal forma de satisfação, embora num primeiro momento represente o
cumprimento efetivo da obrigação em sua natureza originária (fazer), também se resolverá futuramente em
perdas e danos, já que os valores despendidos com o terceiro serão cobrados do executado por meio de
execução por quantia certa, nos próprios autos, pelo procedimento do cumprimento de sentença.

NA PRATICA: O procedimento para o cumprimento da obrigação por terceiro é mais complexo, caro e
demorado, daí a sua pouca aplicação prática.

NAS ORBIGAÇÕES SENDO SATISFEITAS POR TERCEIROS

Segundo o art. 817 do Novo CPC, podendo a obrigação ser satisfeita por terceiro - obrigação fungível -, a
requerimento do exequente o juiz autorizará que aquele a satisfaça à custa do executado, sendo nesse caso
necessário que o exequente adiante das quantias previstas na proposta que o juiz tiver aprovado.

Art. 817. Se a obrigação puder ser satisfeita por terceiro, é lícito ao juiz autorizar, a requerimento do
exequente, que aquele a satisfaça à custa do executado.
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Parágrafo único. O exequente adiantará as quantias previstas na proposta que, ouvidas as partes, o juiz
houver aprovado.

Direito de preferência:

Qualquer que seja o sujeito responsável pela apresentação da proposta do terceiro em juízo, a aprovação
de seus termos dependerá da oitiva das partes, em respeito ao contraditório (art. 817, parágrafo único, do
Novo CPC). Nesse momento, caberá ao exequente, no prazo de 5 dias após aprovada a proposta do terceiro,
exercer o seu direito de preferência,

Art. 820. Se o exequente quiser executar ou mandar executar, sob sua direção e vigilância, as obras e os
trabalhos necessários à realização da prestação, terá preferência, em igualdade de condições de oferta, em
relação ao terceiro.

Parágrafo único. O direito de preferência deverá ser exercido no prazo de 5 (cinco) dias, após aprovada a
proposta do terceiro.

O art. 818 CPC diz que, realizada a prestação, o juiz ouvirá as partes no prazo de 10 dias.

Art. 818. Realizada a prestação, o juiz ouvirá as partes no prazo de 10 (dez) dias e, não havendo
impugnação, considerará satisfeita a obrigação.

Parágrafo único. Caso haja impugnação, o juiz a decidirá.

Apesar do parágrafo único prever que, não havendo impugnação, se dará como cumprida a obrigação, o
juiz não está vinculado à omissão das partes, podendo, desde que tenha elementos para tanto, dar a
obrigação como cumprida. Havendo, porém, impugnação de uma ou de ambas as partes, caberá ao juiz
resolvê-la por meio de decisão interlocutória recorrível por agravo de instrumento, após instrução
probatória, se necessária.

A impugnação mais tradicional será a do exequente alegando que o terceiro não prestou o fato, o fez fora
do prazo, de forma incompleta ou defeituosa.

Art. 819. Se o terceiro contratado não realizar a prestação no prazo ou se o fizer de modo incompleto ou
defeituoso, poderá o exequente requerer ao juiz, no prazo de 15 (quinze) dias, que o autorize a concluí-la ou
a repará-la à custa do contratante.

Parágrafo único. Ouvido o contratante no prazo de 15 (quinze) dias, o juiz mandará avaliar o custo das
despesas necessárias e o condenará a pagá-lo.

Segundo o art. 819, caput, do Novo CPC, nesse caso o exequente poderá requerer ao juiz, no prazo de 15
dias, a autorização para que conclua ou repare a prestação à custa do contratante, que deverá ser ouvido no
prazo de 15 dias. Sendo acolhida a impugnação do exequente, o juiz avaliará o custo das despesas
necessárias e condenará o terceiro a pagá-lo.

❖ Obrigação infungível (personalíssima):


1. Perdas e danos

Nas obrigações infungíveis só tem uma saída, converter em perdas e danos.

Art. 821. Na obrigação de fazer, quando se convencionar que o executado a satisfaça pessoalmente, o
exequente poderá requerer ao juiz que lhe assine prazo para cumpri-la.
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Parágrafo único. Havendo recusa ou mora do executado, sua obrigação pessoal será convertida em perdas
e danos, caso em que se observará o procedimento de execução por quantia certa.

Sendo infungível a obrigação de fazer e não funcionando a pressão psicológica imputada pela aplicação da
multa, a ÚNICA SAÍDA ao exequente será a conversão da execução de fazer em execução por quantia certa.

IV. Entrega de não fazer:

Só se pode falar em execução de obrigação de não fazer quando o devedor pratica o ato do qual, por força
do titulo executivo, estava obrigado a abster-se.

A obrigação, que tem conteúdo negativo, acaba adquirido caráter positivo, porque se o devedor a
descumprir, será obrigado a desfazer aquilo a que, por força do título, não deveria ter realizado.

O procedimento de execução das obrigações de não fazer é utilizado quando o devedor já descumpriu a
obrigação de não fazer.

Esse ato de desrespeito a uma obrigação de não fazer surge ao credor o direito de desfazer o fato ou de ser
indenizado quando os efeitos forem irremediáveis. Assim, não há propriamente uma execução de obrigação
de não fazer, e sim uma obrigação de fazer invertida, ou seja, de desfazer aquilo que não deveria ter sido
feito. Tal conclusão é reforçada pela redação do art. 822 do Novo CPC, que expressamente dispõe que o
pedido do exequente será para o juiz assinar prazo para o executado desfazer o ato já praticado.

Nessa espécie de execução busca-se uma tutela jurisdicional REPARATÓRIA, procurando desfazer-se aquilo
que já foi feito.

PROCEDIMENTO: Art. 822 e 823

PETIÇÃO INICIAL CITAÇÃO PRAZO

MULTA MANDADO DE
CITAÇÃO
Possíveis condutas do executado:

a. Desfazer o ato: cumprindo a execução.


b. Recusa ou mora: cabe o art.823 (sub-rogação).
c. Opor embargos à execução: da mesma forma que na execução de fazer.

❖ QUANDO FOR POSSÍVEL DESFAZER:

Art. 823. Havendo recusa ou mora do executado, o exequente requererá ao juiz que mande desfazer o ato à
custa daquele que responderá por perdas e danos.

1. Perdas e danos.
2. Desfazimento realizo por terceiro.

Se o desfazimento for possível, o juiz mandara citar o devedor, fixando um prazo para que ele desfaça o
que realizou indevidamente, sob pena de multa; se o desfazimento puder ser feito por terceiro, e o
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exequente o requerer, o juiz deferira, utilizando o mesmo procedimento previsto para as obrigações de
fazer.

❖ QUANDO NÃO FOR POSSÍVEL DESFAZER:

Parágrafo único. Não sendo possível desfazer-se o ato, a obrigação resolve-se em perdas e danos, caso em
que, após a liquidação, se observará o procedimento de execução por quantia certa.

1. Perdas e danos.

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