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FAEL – FACULDADE EDUCACIONAL DA LAPA

CIÊNCIAS CONTÁBEIS

DECLARAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA

Março
2021
Caro Aluno (a)

A Receita Federal do Brasil, todo ano, publica as regras a serem seguidas pelos
contribuintes que apresentarem uma renda anual superior ao limite estipulado legalmente.
A partir desta obrigatoriedade, o contribuinte deve elaborar e apresentar sua
Declaração de Ajuste Anual (DAA) mais comumente chamada de IRPF – Imposto sobre a
Renda da Pessoa Física.
O Contribuinte então, deverá separar todos os documentos necessários para que
possa lançar no sistema disponibilizado pela Receita Federal do Brasil, após o lançamento
ele irá descobrir se os rendimentos apresentados e suas retenções, geraram um valor a
pagar ou restituir parte ou integralmente do valor que lhe foi retido ou descontado naquele
ano base.
Com objetivo de trazer a você os conhecimentos básicos para o preenchimento de
sua declaração, da sua família ou dos seus amigos ou até mesmo como uma fonte de renda
extra, apresentamos esta Cartilha para lhe dar o suporte necessário para o preenchimento
correto.

Bom trabalho!!

Ana Maria Murbach Bortolanza


Cassio da Silveira Carneiro

2
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ..............................................................................................4
QUEM ESTÁ OBRIGADO A DECLARAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA ....4
QUEM NÃO PRECISA DECLARAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA ............5
QUANDO DEVEMOS OPTAR PELO DESCONTO SIMPLIFICADO...............6
COMO ELABORAR A DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL ..........................7
QUANDO PODEMOS UTILIZAR A DECLARAÇÃO PRÉ-PREENCHIDA.......7
COMO DECLARAR OS BENS E DIREITOS ..................................................7
COMO DECLARAR AS DÍVIDAS E OBRIGAÇÕES .......................................8
COMO DECLARAR OS RENDIMENTOS DE FONTES GOVERNAMENTAIS
DO EXTERIOR ...............................................................................................9
QUAL O PRAZO DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO .....................................9
QUANDO APURAMOS SALDO DO IMPOSTO A PAGAR .............................9
QUAIS AS FORMAS DE PAGAMENTO DO IMPOSTO ...............................10
QUANDO O IMPOSTO FOR INFERIOR A R$10,00 .....................................12
QUANDO TEM VALOR A RESTITUIR .........................................................12
QUANDO A DECLARAÇÃO É APRESENTADA FORA DO PRAZO ............13
QUANDO RETIFICAR A DECLARAÇÃO .....................................................13
QUAIS AS PENALIDADES PREVISTAS APÓS O PRAZO DE ENTREGA ..13
QUAIS AS PROIBIÇÕES NO USO DO APLICATIVO...................................14
QUEM É OBRIGADO A USAR O CERTIFICADO DIGITAL NA ENTREGA DA
DECLARAÇÃO .............................................................................................15
CONCLUSÃO ...............................................................................................16
REFERÊNCIAS ............................................................................................17

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1 – Introdução
O objetivo desta Cartilha é trazer a você as informações necessárias sobre as regras
determinadas pela Receita Federal do Brasil, mais especificamente apresentadas na
Instrução Normativa RFB nº 2.010/2021. Essas orientações são necessárias à elaboração
e entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física,
referente ao exercício1 de 2021, ano-calendário de 2020, pela pessoa física residente no
Brasil.
Vamos conhecer na sequência as principais informações necessárias para o
preenchimento, vamos lá:

2 – Quem está obrigado a declarar o Imposto sobre a Renda?


Na Instrução Normativa, mas especificamente no Capítulo I, ela determina que a
pessoa física obrigada a declarar é aquela que:
i. recebeu rendimentos tributáveis2, cuja soma foi superior ao valor de R$
28.559,70 (vinte e oito mil, quinhentos e cinquenta e nove reais e setenta
centavos);
ii. recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na
fonte3, cuja soma foi superior ao valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais);
iii. Obteve, em qualquer mês do ano ganho de capital4 na alienação de bens ou
direitos, sujeito à incidência do imposto, ou que realizou operações em bolsas
de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas;
iv. Quanto a atividade rural:
a. receita bruta com valor superior a R$ 142.798,50 (cento e quarenta e
dois mil, setecentos e noventa e oito reais e cinquenta centavos);

1
Exercício: ano de apresentação da Declaração de Ajuste Anual ou Declaração do Imposto de Renda;
Ano-Calendário: ano em que acontecem os fatos que serão declarados.
2 Rendimentos Tributáveis são aqueles sobre os quais o Imposto de Renda incide, ou seja, aqueles

que você recebeu ao longo do ano e que tiveram retenção do Imposto de Renda (exemplo: salário, aluguel,
pensão, dentre outras).
3 Rendimentos Isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, são os valores

recebidos pela Pessoa Física, mas eles não estão sujeitos a incidência da tributação do Imposto de Renda
(exemplo: rendimentos da caderneta de poupança, de herança, dividendos).
4
Ganhos de Capital é a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição do
respectivo bem, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 599/2005, artigo 2º, parágrafo 9º e na Instrução
Normativa SRF nº 84/2001, artigo 2º.
4
b. pretenda compensar, no ano-calendário de 2020 ou posteriores,
prejuízos de ano-calendário anteriores ou do próprio ano-calendário de
2020;
v. teve, em 31 de dezembro do ano calendário, a posse ou a propriedade de
bens ou direitos, inclusive terra nua5, no valor total superior a R$ 300.000,00
(trezentos mil reais);
vi. passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês do ano e nessa
condição encontrava-se em 31 de dezembro do ano calendário;
vii. fez a opção pela isenção do Imposto sobre a Renda que incide sobre o ganho
de capital recebido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda
tenha sido aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no País,
dentro de 180 (cento e oitenta dias), contado da celebração do contrato de
venda, de acordo com o art. 39 da Lei nº 11.196 de 21/11/2005.
viii. recebeu auxílio emergencial6 para o enfrentamento à pandemia do
Coronavírus – COVID 19, de qualquer valor, e outros rendimentos tributáveis
em valor anual superior a R$ 22.847,76 (vinte e oito mil, oitocentos e quarenta
e sete reais e setenta e seis centavos).

3 – Quem não precisa declarar o Imposto sobre a Renda?


Assim como temos os casos em que existe a obrigatoriedade de declarar seus
rendimentos, também temos aqueles casos em que a pessoa física está isenta de declarar,
portanto, não precisa apresentar a declaração nos seguintes casos:
i. nos casos que os bens comuns, na constância da sociedade conjugal ou da
união estável, tenham sido declarados pelo outro cônjuge ou companheiro,
desde que o valor total dos bens privativos não exceda o valor de R$
300.000,00 (trezentos mil reais);

5 Terra nua é o imóvel rural, por natureza, compreendendo o solo como superfície e respectiva floresta
nativa, não podendo apresentar construções ou instalações, florestas plantadas, plantações, ou seja, que
possam ser classificadas como investimento do declarante do imposto de renda.
6 Auxílio Emergencial é o valor recebido por trabalhadores informais, pelos microempreendedores

individuais (MEI), pelos autônomos, e, também pelos desempregados. Já o Benefício Emergencial é o valor
recebido pelos empregados utilizando-se acordos com seus empregadores, suspendendo ou reduzindo a
jornada de trabalho, e consequentemente o valor dos seus salários, conforme a Lei 14.020 de 06/07/2020 e
do Decreto 10.517 de 13/10/2020, ambos foram utilizados durante a crise vivida por conta da pandemia do
coronavírus – COVID19.
5
ii. estar enquadrado em qualquer um dos itens previstos na obrigação de
entrega e estiver como dependente na declaração de outra pessoa física,
tendo sido informados seus rendimentos, bens e direitos (caso os possua);
Tem alguns casos em que a pessoa física está desobrigada de apresentar sua
declaração, desde que as suas informações, como dependente, não estejam constando na
declaração de outra pessoa física.
Alguns casos previstos na Lei 7.713/1988, também estão dispensados de apresentar
a declaração, são eles: os militares da reserva, os aposentados e pensionistas do serviço
público e da iniciativa privada.
Já os contribuintes portadores de doenças graves, possuem direito à isenção do
Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), mas para isto, eles precisam comprovar a
existência da doença listada na Lei apresentando laudo médico.
Cabe aqui uma observação importante, para que a pessoa possa ter isenção, ela
precisa receber do fundo de aposentadoria, ela não pode receber de uma empresa normal
e outro detalhe, ela está isenta do pagamento do imposto de renda, mas não,
necessariamente, da entrega da declaração.

4 – Quando devemos optar pelo Desconto Simplificado?


A declaração pode ser entregue de forma simplificada, e podemos utilizar o desconto
concedido pela Receita Federal (RFB), e sua dedução corresponde a 20% (vinte por cento)
do valor total dos rendimentos tributáveis, sendo limitado ao valor de R$ 16.754,34
(dezesseis mil, setecentos e cinquenta e quatro reais e trinta e quatro centavos).
Agora, se a pessoa física possuir prejuízo da atividade rural ou imposto pago no
exterior e pretende utilizar para compensação, ela não poderá optar pelo desconto
simplificado.
Quanto à declaração simplificada, ela é considerada mais indicada para a pessoa
física que não tem dependentes, pois ela apresenta poucas despesas dedutíveis e tem
apenas uma fonte de renda.
Outro ponto a ser destacado é de que na entrega da declaração simplificada, o
desconto não poderá ser utilizado para justificar variação patrimonial, ou seja, quando seu
patrimônio aumenta ou diminui.
Geralmente o modelo de declaração completa é o mais indicado para a pessoa
física quem tem dependentes, esta opção permite utilizar muitas despesas dedutíveis,
como as de saúde e educação, e por ela também ter mais de uma fonte de renda.
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5 – Como elaborar a Declaração de Ajuste Anual?
A declaração deve ser preenchida:
i. no Programa Gerador da Declaração (PGD) fornecido pela Receita Federal
(RFB) na internet, disponível no endereço http://www.gov.br/receitafederal/pr-
br, para instalação em computador;
ii. acesso ao serviço “Meu Imposto de Renda (extrato da DIRPF)” do Centro
Virtual de Atendimento (e-CAC) na página da RFB, desde que não esteja
vedada;
iii. dispositivos móveis, como tablets e smartphones, acessando o aplicativo
“Meu Imposto de Renda”, disponível nas lojas de aplicativos Google Play –
para sistema operacional Android, ou App Store, para o sistema operacional
iOS, desde que não esteja vedada.

6 – Quando podemos utilizar a Declaração Pré-Preenchida?


O contribuinte poderá utilizar os dados da declaração pré-preenchida para a
elaboração de uma nova, desde que se enquadre na condição de que as fontes pagadoras
tenham entregado a DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte), DMED
(Declaração de Serviços Médicos e de Saúde) e DIMOB (Declaração de Informações sobre
Atividades Imobiliárias) referentes ao ano-calendário de 2020.
A declaração já traz alguns dados referentes a rendimentos, deduções, bens e
direitos e dívidas e ônus reais, sendo do contribuinte a responsabilidade de verificar e
corrigir dados incorretos, podendo incluir e excluir, se for o caso, portanto, sendo sua a
obrigação de validação dos dados.
O acesso a declaração pré-preenchida, pode ser feito por meio do programa
instalado no computador pela opção “Iniciar Declaração a partir da Pré-preenchida, ou, pelo
serviço “Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)”, a partir da tela inicial do e-CAC, e do
acesso à conta gov.br., caso tenha.
Aqui cabe uma observação, o que tratamos neste item não se aplica nos casos de a
declaração ser preenchida por meio do serviço "Meu Imposto de Renda".

7 – Como declarar os Bens e Direitos?


O contribuinte pessoa física que está sujeita a apresentação da declaração, deve
relacionar os seus bens e direitos que, no Brasil ou no exterior, constituíram, em 31 de
dezembro de 2019 e em 31 de dezembro de 2020, seu patrimônio e o de seus dependentes
7
relacionados na declaração, e os bens e direitos adquiridos e alienados no decorrer do ano
calendário de 2020.
Dentre as informações a serem prestadas, para o melhor detalhamento dos bens,
serão solicitadas informações complementares, tais como, número de registro, área,
localização do bem, CNPJ de empresas e/ou instituições financeiras.
Exemplos:
i. imóveis: data de aquisição, área do imóvel, registro de inscrição no órgão
público (IPTU) e registro no cartório de imóveis (matrícula do imóvel e nome
do cartório);
ii. veículos, aeronaves e embarcações: número do Renavam e/ou registro no
correspondente órgão fiscalizador;
iii. contas correntes/aplicações financeiras: CNPJ da instituição financeira.
Os bens e direitos listados abaixo estão dispensados, ou seja, não precisam ser
informados na declaração:
i. saldos de contas correntes bancárias e demais aplicações financeiras, cujo
valor unitário não exceda a R$ 140,00;
ii. bens móveis, exceto veículos automotores, embarcações e aeronaves, bem
como os direitos, cujo valor unitário de aquisição seja inferior a R$ 5 mil;
iii. conjunto de ações e quotas de uma mesma empresa, negociadas ou não em
bolsa de valores, bem como ouro, ativo financeiro, cujo valor de constituição
ou de aquisição seja inferior a R$ 1 mil.

8 – Como declarar as Dívidas e Obrigações?


O contribuinte que apresentar declaração deverá relacionar suas dívidas e
obrigações (ônus) reais existentes em 31.12.2019 e 31.12.2020, e de seus dependentes,
bem como os constituídos e os extintos no decorrer do ano-calendário de 2020.
Estão dispensados de incluir as seguintes dívidas e ônus:
i. cujo valor seja igual ou inferior a R$ 5 mil;
ii. financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) ou sujeitos às
mesmas condições, ou seja, aqueles nos quais o bem é dado como garantia
do pagamento (alienação fiduciária, hipoteca, penhor);
iii. bens adquiridos por consórcio;
iv. atividade rural.

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9 – Quando recebemos rendimentos de Fontes Governamentais do
Exterior?
O contribuinte que receber rendimentos do trabalho assalariado de autarquias ou
repartições do Governo brasileiro situadas no exterior, além das opções apresentadas em
“Forma de pagamento”, pode ser efetuado mediante remessa de ordem de pagamento com
todos os dados exigidos no DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), no
respectivo valor em reais ou em moeda estrangeira, a favor da RFB, por meio do Banco do
Brasil S/A, Gerência Regional de Apoio ao Comércio Exterior Brasília-DF (Gecex - Brasília-
DF), prexo 1608-X.

10 – Qual o prazo de entrega da declaração?


A declaração deverá ser apresentada durante o período de 1º de março a 30 de abril
de 2021 até as 23h59min58s.
Em alguns casos a RFB prorroga o prazo de entrega, como ocorreu no exercício de
2020 em virtude da pandemia do Coronavírus – COVID19.
Após ela ser transmitida, o recibo da declaração ficará registrado no computador do
contribuinte, em mídia removível ou no dispositivo móvel, podendo ser impresso no
programa gerador da declaração.
A escolha da forma de tributação é uma opção do contribuinte, ela se torna definitiva
com a apresentação da Declaração de Ajuste Anual (DAA).
Também é permitida a retificação da declaração de rendimentos, se o contribuinte
resolver trocar por outra forma de tributação daquela que ele havia escolhido, somente até
30 de abril de 2021, após essa data ele só poderá retificar os dados da declaração, mas
não pode mais mudar a forma de tributação.

11 – Quando apuramos saldo do imposto a pagar?


Quando finalizamos a inclusão de todas as informações na declaração, encontramos
o saldo do imposto apurado, ele poderá ser pago em até oito quotas, devendo ser o
pagamento mensal e sucessivamente, nas seguintes condições:
i. valor de cada quota não pode ser inferior a R$ 50,00;
ii. o saldo do imposto com valor inferior a R$ 100,00 não pode ser dividido em
quota, devendo ser pago em quota única;

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iii. o prazo de pagamento da 1ª quota ou da quota única deve ser até a data final
de entrega da declaração de ajuste anual;
iv. as outras quotas terão como prazo o último dia útil de cada mês, subsequente
ao prazo de entrega da declaração de ajuste anual, devendo sofrer acréscimo
de juros Selic, acumulada mensalmente, calculados a partir da data da
apresentação da declaração até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% no
mês do pagamento, acompanhe no quadro abaixo:

Ordem Vencimento %
1ª quota ou quota única 30/04/2021 -
2ª quota 31/05/2021 1%
3ª quota 30/06/2021 Selic de maio e de 1%
4ª quota 30/07/2021 Selic de maio a junho e de 1%
5ª quota 31/08/2021 Selic de maio a julho e de 1%
6ª quota 30/09/2021 Selic de maio a agosto e de 1%
7ª quota 29/10/2021 Selic de maio a setembro e de 1%
8ª quota 30/11/2021 Selic de maio a outubro e de 1%

Após a apuração do saldo do imposto, o contribuinte pode antecipar o imposto ou as


quotas, total ou parcial, não sendo necessário apresentar declaração de retificação para
alterar a forma de pagamento.
O número de quotas determinado na entrega da declaração pode ser alterado, caso
o contribuinte queira aumentar esta quantidade até o máximo permitido. Neste caso deverá
apresentar declaração retificadora ou acessar a página da RFB na internet, na opção " Meu
Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)", até data de vencimento da última quota pretendida.
Cabe aqui uma informação importante, quando a base de cálculo do imposto for
superior a R$ 22.847,76, o programa da RBF verifica automaticamente na tabela
progressiva anual em reais, a classe de renda que corresponde à base de cálculo e a
respectiva alíquota e, consequentemente, o valor da dedução do imposto devido.

12 – Quais as formas de pagamento do imposto?


Podemos pagar o imposto, total ou em quotas, acrescido dos respectivos juros, das
seguintes formas:
i. transferência eletrônica utilizando os sistemas eletrônicos das instituições
financeiras autorizadas pela RFB a operar com essa modalidade de
arrecadação;

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ii. Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), em qualquer
agência bancária integrante da rede arrecadadora de receitas federais, no
caso de pagamento efetuado no Brasil;
iii. débito automático em conta corrente bancária.
Quanto ao débito automático em conta corrente, é permitido somente para a
declaração original ou retificadora que foi apresentada até a data de 10/04/2021 para quota
única ou a partir da 1ª quota, e entre 11/04/2021 e 30/04/2021, para o débito da 2ª quota
em diante.
A indicação da opção de autorização do débito em conta corrente se dá pela
indicação no programa gerador da declaração ou no serviço “Meu Imposto de Renda
(Extrato da DIRPF)”, e sendo formalizado no recibo de entrega da declaração.
A opção pelo débito em conta corrente poderá ser cancelada nas seguintes
hipóteses:
i. apresentar declaração retificadora após o prazo final de entrega;
ii. ser apresentado informações bancárias com dados incorretos;
iii. o número do CPF informado na declaração ser diferente do cadastro da conta
corrente bancária;
iv. a conta corrente informada é do tipo não solidária, ou seja, exige que as
transações sejam aprovadas por todos os titulares para serem efetivadas,
diferente da conta solidária, quando ela pode ser movimentada em conjunto
ou isoladamente pelos titulares.
Em casos que seja comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, a conta
corrente informada em outra declaração pode ser estornada, a pedido da pessoa física
titular da conta corrente.
Podemos utilizar a opção " Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)", no site da
RFB, nos casos em que seja necessário efetuar inclusões, cancelamentos ou modificações
referentes ao débito em conta corrente, após a apresentação da declaração de ajuste anual:
i. no próprio mês, se realizado até 23h59min59s (horário de Brasília) do dia 14
de cada mês;
ii. no mês seguinte, se realizado após o dia 14 de cada mês.
Com referências as formas de pagamento apresentadas, a Coordenação-Geral de
Arrecadação e de Direito Creditório (Codar) pode editar normas complementares
necessárias à regulamentação do pagamento por intermédio de débito automático em conta
corrente bancária.

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13 – Quando o imposto for inferior a R$ 10,00?
Se ao finalizarmos a declaração e o imposto apurado resultar em valor inferior a R$
10,00, o pagamento poderá ser adicionado ao imposto que será apurado nos exercícios
seguintes, até que o total seja igual ou superior ao valor de R$ 10,00.
Quando o valor acumulando ultrapassar o valor de R$ 10,00, então, ele deve ser
pago ou recolhido no prazo estabelecido na legislação.

14 – Quando a declaração tem valor a restituir?


Quando for apurado na declaração que o imposto pago durante o ano-calendário foi
maior que o devido, esse valor será restituído por intermédio dos bancos integrantes da
rede arrecadadora da RFB autorizados a receber as declarações, conforme a Instrução
Normativa SRF n° 76/2001.
A RFB fornecerá aos bancos:
i. relação dos contribuintes, com o número da conta corrente ou de poupança e
da agência (informados na declaração de ajuste) para crédito do valor a
restituir;
ii. valor em reais a ser restituído a cada contribuinte, acrescido de juros Selic
acumulada mensalmente a partir do mês de maio do exercício previsto para
entrega das declarações de ajuste, até o mês anterior àquele em que os
recursos forem colocados em disponibilidade, em estabelecimento bancário,
em favor do contribuinte, e de 1% no mês da referida disponibilização.
A restituição do imposto de renda apurado será feita em cinco lotes, no período de
maio a setembro. O valor será disponibilizado na agência bancária informada na
declaração, porém as declarações que ficarem retidas para análise os valores serão
restituídos após a liberação em lotes residuais durante o ano.
Para o exercício de 2021, os lotes de restituição estão dispostos no Ato Declaratório
Executivo RFB n° 2/2021, conforme quadro abaixo:

Ordem Vencimento %
1º lote 31/05/2021 1%
2º lote 30/06/2021 Selic de maio e de 1%
3º lote 30/07/2021 Selic de maio a junho e de 1%
4º lote 31/08/2021 Selic de maio a julho e de 1%
5º lote 30/09/2021 Selic de maio a agosto e de 1%

Quanto a prioridade para o recebimento da restituição do imposto de renda são:

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i. idosos maiores de 80 anos; (Lei n° 10.741/2003, artigo 3°, § 2°)
ii. pessoa com idade igual ou superior a 60 anos; pessoa portadora de
deficiência, física ou mental; e pessoa portadora de tuberculose ativa,
esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, paralisia irreversível e
incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose
anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da
doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome
de imunodeciência adquirida, ou outra doença grave, com base em conclusão
da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após o
início do processo (Lei n° 9.784/99, artigo 69-A);
iii. contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério (Lei n° 9.250/95,
artigo 16, parágrafo único, inciso II).

15 – Quando a declaração é apresentada fora do prazo?


A declaração apresentada depois do prazo previsto, deve ser realizada:
i. pela internet, utilizando o programa gerador da declaração;
ii. utilizando o serviço “Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)”;
iii. em mídia removível, nas unidades da RFB, durante o seu horário de
expediente.

16 – Quando retificar a declaração?


Naqueles casos em que o contribuinte verificar que sua declaração não foi
preenchida de forma correta, que apresenta algum dado com erro, ou se foi omitido ou,
ainda, informado incorretamente, deverá ser elaborada uma declaração de retificação.
Devemos prestar atenção que quando a declaração for retificada, a natureza da
declaração deve ser a mesma da declaração original, substituindo-a integralmente.
Portanto, ela deve conter todas as informações corretas, as alteradas, as excluídas e as
adicionadas, quando for o caso.

17 – Quais as penalidades previstas após o prazo de entrega da


declaração?

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O contribuinte pessoa física será cobrado, pela RFB, de multa de 1% ao mês-
calendário ou fração de atraso, sendo calculada sobre o total do imposto devido nela
apurado, ainda que integralmente pago.
A multa apresentada é objeto de lançamento de ofício7 e terá o valor mínimo de R$
165,74 e o máximo de 20% do Imposto sobre a Renda devido:
i. a data de início da cobrança será o 1º dia subsequente ao término fixado para
a entrega da declaração;
ii. a data final para apuração da multa será o mês da entrega ou, no caso de não
apresentação, do lançamento de ofício.
Quando a declaração for entregue em atraso e a declaração apresentar valor de
imposto de renda a restituir, e a multa devida não for paga na data de vencimento da
notificação (depois de acrescido os juros devidos pelo não pagamento da multa), o valor da
multa será deduzido do valor do imposto a ser restituído.
Já nos casos de não haver imposto de renda devido, a multa cobrada será no valor
mínimo de R$ 165,74.

18 – Quais as proibições no uso do Aplicativo?


É proibido utilizar o aplicativo nas declarações de contribuintes ou dependentes, nos
seguintes casos:
i. ter recebido rendimentos tributáveis com valor superior a R$ 5.000.000,00
(cinco milhões de reais);
ii. ter recibo rendimentos do exterior;
iii. ter recebido os seguintes rendimentos sujeitos à tributação exclusiva ou
definitiva:
a. soma superior a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais);
b. ganhos de capital na alienação de bens ou direitos;
c. ganhos de capital na alienação de bens, direitos e aplicações
financeiras em moeda estrangeira;
d. ganhos de capital na alienação de moeda estrangeira mantida em
espécie;

7
O lançamento de ofício é realizado pela autoridade fazendária, portanto, ele acontece
independentemente da ação do contribuinte sobre a constituição do crédito tributário.

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e. ganhos líquidos em operações de renda variável realizados em bolsa
de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, exceto para
operações no mercado à vista de ações e com fundos de investimento
imobiliário.
iv. ter recebido os seguintes rendimentos isentos e não tributáveis:
a. soma superior a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais);
b. relativo à parcela isenta correspondente à atividade rural;
c. relativo à recuperação de prejuízos em operações de renda variável
(em bolsa de valores, mercadorias, de futuros e assemelhados, exceto
no caso de operações no mercado à vista de ações e com fundos de
investimentos imobiliário);
d. lucro na venda de imóvel residencial para aquisição de outro imóvel
residencial;
e. lucro na alienação de imóvel residencial adquirido após o ano de 1969.
v. ter se sujeitado ao:
a. imposto pago no exterior ou ao recolhimento de Imposto de Renda
Retido na Fonte (IRRF) de que tratam o §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº
11.033 de 21/12/2004;
b. preenchimento dos demonstrativos referentes à atividade rural, ao
ganho de capital ou à renda variável, exceto, neste último caso, no caso
de operações no mercado à vista de ações e com fundos de
investimento imobiliário.
vi. Pagamento de rendimentos a pessoas físicas ou jurídicas com valor superior
a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais);

19 – Quem é obrigado a usar o Certificado Digital na entrega da


declaração?
Tem a obrigatoriedade de transmitir a declaração com a utilização do certificado
digital o contribuinte que:
i. recebeu rendimentos:
a. tributáveis sujeitos ao ajuste anual, cuja soma foi superior a R$
5.000.000,00 (cinco milhões de reais);
b. isentos e não tributáveis, cuja soma tenha sido superior ao valor de R$
5.000.000,00 (cinco milhões de reais);
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c. sujeitos à tributação exclusiva ou definitiva, cuja soma tenha sido
superior a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais);
ii. realizou pagamentos de rendimentos a pessoas físicas ou jurídicas, cuja soma
tenha sido superior a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), em cada caso
ou no total;
iii. caso a declaração de espólio seja entregue (inicial ou intermediária), ou a
Declaração Final de Espólio, nas condições acima deve ser apresentada, em
mídia removível, em uma unidade da RFB, durante o seu horário de
expediente, não havendo a necessidade de utilizar o certificado digital8;
Deve ser informado o número do recibo de entrega da última declaração apresentada
para a transmissão da declaração retificadora.
Lembrando também, que após o prazo de entrega não é permitido a alteração da
forma de tributação, exemplificando: de completa para simplificada e vice-versa.

20 - Conclusão
Este curso de extensão possibilitou a aprendizagem relativa à elaboração da
declaração de ajuste anual (DAA) ou imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), que
ela é obrigatória àqueles contribuintes que receberam seus rendimentos acima do limite
previsto legalmente, como também os casos especiais que estão desobrigados da sua
apresentação.
Também possibilitou o conhecimento dos pontos mais importantes para o correto
preenchimento da declaração, detalhes que devemos estar atentos e interpretar
detalhadamente as informações, pois a declaração é utilizada em muitos casos para a
obtenção de créditos bancários, empréstimos, financiamento para adquirir bens móveis e
imóveis, dentre outras.
É importante lembrar que quando a declaração é preenchida corretamente ela
demonstra fielmente a situação financeira e patrimonial do contribuinte, pois nela constam
todos os rendimentos recebidos, a situação dos seus bens, direitos e obrigações.
Esperamos ter contribuído com o seu aprendizado!

8 O disposto neste item não se aplica nos casos de a declaração ter sido preenchida por meio do
serviço “Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)”.

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Referências

BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 2.010, de 24 de fevereiro de 2021. Disponível em:


http//www.normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=
115476. Acessado em: 10/03/2021.

COAD. Assessora Tributária Contábil. IR/CL. Ano 55 – 2021. Fechamento: 11/03/2021.


Expedição: 14/03/2021. Pág. 106/097. Fascículo 10.

ECONET. Boletim do Imposto de Renda nº 05 – 1ª Quinzena. Publicado em 02/03/2021.

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