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CENTRO DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BATISTA

CURSO DE TEOLOGIA

WEVERSON FERRARI

POSIÇÕES ACERCA DO MILÊNIO E DA TRIBULAÇÃO

VITÓRIA
2017
WEVERSON FERRARI

POSIÇÕES ACERCA DO MILÊNIO E DA TRIBULAÇÃO

Trabalho apresentado à disciplina de Teologia Sistemática II,


do Curso de Teologia, do Centro de Educação Teológica
Batista do Espírito Santo.

Professor: Antônio C. G. Affonso

VITÓRIA
2017
3

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................4

2. POSIÇÕES EM RELAÇÃO AO MILÊNIO................................................................5


2.1. PÓS-MILENISMO..................................................................................................5
2.1.1. Conceito..............................................................................................................5
2.1.2. História................................................................................................................5
2.1.3. Fundamentação bíblica.......................................................................................6
2.1.4. Outras características.........................................................................................7
2.2. PRÉ-MILENISMO...................................................................................................7
2.2.1. Conceito..............................................................................................................7
2.2.2. História................................................................................................................7
2.2.3. Fundamentação bíblica.......................................................................................8
2.2.4. Outras características.........................................................................................8
2.3. AMILENISMO.........................................................................................................9
2.3.1. Conceito..............................................................................................................9
2.3.2. História................................................................................................................9
2.3.3. Fundamentação bíblica.....................................................................................10
2.3.4. Outras características.......................................................................................10

3. POSIÇÕES EM RELAÇÃO À TRIBULAÇÃO........................................................11


3.1. PRÉ-TRIBULACIONISMO...................................................................................11
3.2. PÓS-TRIBULACIONISMO...................................................................................13
3.3. POSIÇÕES INTERMEDIÁRIAS...........................................................................14

4. CONCLUSÃO.........................................................................................................15

REFERÊNCIAS...........................................................................................................19
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1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho visa apresentar um resumo do capítulo 57 do livro de Teologia


Sistemática de Millard Erickson sobre as posições teológicas acerca do Milênio e da
Tribulação. O texto bíblico utilizado ao longo desse trabalho é o da Edição Revista e
Atualizada da Sociedade Bíblica do Brasil, edição de 1993.

Ao longo dos anos, tem havido discussões consideráveis na teologia cristã sobre a
relação cronológica dos eventos que envolvem a segunda vinda de Cristo. Há,
especialmente, duas questões principais:

(1) Haverá um milênio, um reinado terreno de Jesus Cristo? E, em havendo, a


segunda vinda ocorrerá antes ou depois desse período?

A corrente que defende a não existência do reinado terreno é denominada


AMILENISMO. Entre as que defendem a existência desse reinado, os que ensinam
que a volta de Cristo dará início ao milênio é denominada PRÉ-MILENISMO. Os que
defendem que a segunda vinda concluirá o milênio denomina-se PÓS-MILENISMO.

(2) O arrebatamento da igreja ocorrerá antes da grande tribulação ou após esta?

A corrente que defende que Cristo irá arrebatar a igreja do mundo antes da grande
tribulação denomina-se PRÉ-TRIBULACIONISTA, enquanto a que defende que
Cristo voltará depois denomina-se PÓS-TRIBULACIONISTA.

A predominância de adeptos de cada uma das correntes varia de acordo com a


época. Hoje em dia os pré-tribulacionistas parecem ser a corrente hegemônica.
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2. POSIÇÕES EM RELAÇÃO AO MILÊNIO

2.1. PÓS-MILENISMO

2.1.1. Conceito

Pós-milenismo é a escola teológica que defende que Cristo virá pela segunda vez
após o milênio. Eles mantêm uma visão otimista sobre o fim dos tempos,
defendendo a ideia de que a pregação do Evangelho terá êxito e o mundo se
converterá. Quando isso acontecer, haverá paz; então, Jesus voltará.

No pensamento pós-milenista, o reino de Deus é visto como uma realidade presente


aqui e agora, e não como um domínio celestial futuro. Entretanto, a natureza do
Reino se espalhará gradualmente até alcançar toda a terra, tal qual o fermento
leveda toda a massa. À medida que for avançando a sociedade será transformada.
Esse avanço é lento e não uniforme, embora possa ocorrer alguns reveses.
Atualmente, em virtude da degradação moral e da dificuldade que tem sido levar o
Evangelho ao mundo todo, conclui-se, pela visão pós-milenista, que a volta de Cristo
parece estar ainda distante.

Para os pós-milenistas, o sucesso da pregação do Evangelho é possível porque a


Grande Comissão é realizada com base na autoridade de Cristo (Mt 28.18-20).
Agostinho, ao defender a visão pós-milenista citou Marcos 3.27: “Ninguém pode
entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só
então lhe saqueará a casa”. Neste texto, o valente é Satanás e os bens roubados
seriam as pessoas que estavam sob o controle dele e agora são cristãs. Como
Satanás fora amarrado por ocasião da primeira vinda de Cristo e encontra-se
incapacitado para enganar as pessoas, o Evangelho prosperará.

2.1.2. História

Foi proposto por Ticônio, um donatista, no séc. IV. Ela foi predominante na Idade
Média, impulsionado pelo êxito político da conversão do imperador Constantino e
por ter “subjugado” o Império Romano a ponto de ser considerada a religião oficial.
6

Como defendiam inicialmente um período literal mil anos, tal doutrina teve que ser
revisada após o fim do primeiro milênio da igreja cristã e o não cumprimento da volta
de Cristo. O reino milenar passou a ser entendido não como um período de mil anos,
mas como a história da própria igreja.

Como ela se baseia na difusão bem-sucedida do Evangelho, a cada período de


aparente avanço da igreja, ela volta a ter força. Foi assim que ela se tornou
novamente a ser popularizar no final do século XIX, devido à grande eficiência nas
missões mundiais, visto que parecia razoável acreditar que logo o mundo seria
ganho para Cristo.

Atualmente, frente às condições desoladoras do século XXI, embora seus adeptos


argumentem que estamos passando por um período de instabilidade temporária, a
posição pós-milenista tem recebido bem menos apoio. Como a visão pós-milenistas
em relação ao futuro é otimista com respeito à proclamação do evangelho, ela
parece ser sem sentido, tendo em vista o declínio no êxito evangelístico e
missionário, especialmente nos países muçulmanos, apesar de na África o
cristianismo tenha obtido êxito.

2.1.3. Fundamentação bíblica

Os textos bíblicos que costumam ser utilizados para defender esta teoria são
aqueles que deixam claro que todas as nações conhecerão a Deus, tais como
Salmo 72, Isaías 45.22-25, Oséias 2.23 e Mateus 24.14:

Domine ele de mar a mar e desde o rio até aos confins da terra. Curvem-se
diante dele os habitantes do deserto, e os seus inimigos lambam o pó.
Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá
lhe ofereçam presentes. E todos os reis se prostrem perante ele; todas as
nações o sirvam. […] Bendito para sempre o seu glorioso nome, e da sua
glória se encha toda a terra. Amém e amém! (Salmos 72.8-11,19)

Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou
Deus, e não há outro. Por mim mesmo tenho jurado; da minha boca saiu o
que é justo, e a minha palavra não tornará atrás. Diante de mim se dobrará
todo joelho, e jurará toda língua. De mim se dirá: Tão-somente no SENHOR
há justiça e força; até ele virão e serão envergonhados todos os que se
irritarem contra ele. Mas no SENHOR será justificada toda a descendência
de Israel e nele se gloriará. (Isaias 42.22-25)
7

Semearei Israel para mim na terra e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e


a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus!
(Oseias 2.23)

E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho
a todas as nações. Então, virá o fim. (Mateus 24.14)

2.1.4. Outras características

Duas outras características de formas mais recentes do pensamento pós-milenista


são o reconstrucionismo e o preterismo. O primeiro defende a aplicação do
ensinamento bíblico a todas as áreas da vida, inclusive à esfera pública, enquanto a
segunda elabora uma abordagem às profecias bíblicas afirmando que muitas delas
estão se cumprindo na história da igreja, até mesmo aplicando as que tratam da
grande tribulação à perseguição dos cristãos no primeiro século.

2.2. PRÉ-MILENISMO

2.2.1. Conceito

Pré-milenismo é a escola teológica que defende a ideia de que Jesus Cristo virá e
reinará fisicamente na Terra durante o período de mil anos, juntamente com os
santos, que serão ressuscitados para reinar com Cristo.

Esse período vindouro será de grande abundância e renovação da Terra e


contemplará a construção de uma Jerusalém glorificada. Haverá uma ruptura
drástica das condições até então existentes na Terra, que era o da “tribulação”. O
mal será praticamente eliminado e a paz, que parecia tão distante, será instituída no
milênio.

2.2.2. História

O pré-milenismo foi predominante durante os 3 primeiros séculos da igreja, devido à


expectativa do breve retorno de Cristo. Porém, o fato de Agostinho adotar a posição
pós-milenista contribuiu bastante para o declínio desta crença, que na Idade Média
praticamente desapareceu.
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Depois desse período inicial, o pré-milenismo só voltou a ganhar popularidade no


séc. XIX entre grupos conservadores. Isso se deu, grande parte devido ao fato dos
conservadores adotarem posição contrária aos liberais, os quais tendiam a ser pós-
milenistas. Outro fator foi a popularização do sistema de interpretação e da
escatologia dispensacionalista.

2.2.3. Fundamentação bíblica

A passagem central utilizada pelos pré-milenistas é Apocalipse 20.4-6:

Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada


autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do
testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos
quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não
receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo
durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se
completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado
e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a
segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de
Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos. (Apocalipse 20.4-6)

Neste texto, observa-se a menção a duas ressurreições. Os pré-milenistas


interpretam estes versículos de forma literal. Já os pós-milenistas e amilenistas
argumentam que a primeira trata-se da regeneração e somente a segunda de uma
ressurreição propriamente dita. Neste caso, quem participar da primeira,
necessariamente deverá participar da segunda. Entretanto, a palavra usada em
ambos os casos é a mesma: ezêsan o que parece indicar que elas serão do mesmo
tipo. Além disso, visto que entre elas nada do contexto sugere alguma mudança de
significado, a interpretação feita pelos pós-milenistas e amilenistas requer uma
exegese bastante flexível. Além disso, pelo fato delas estarem separadas por mil
anos e pelo uso da expressão “os outros mortos”, dá a entender que envolve grupos
de pessoas diferentes.

2.2.4. Outras características

Para os pré-milenistas, Israel terá uma posição especial no milênio. Para os


dispensacionalistas haverá uma aliança eterna e incondicional entre Deus e Israel,
Jesus Cristo sentará no trono de Davi e governará o mundo a partir de Israel. Além
disso, todas as profecias e promessas concernentes ao povo de Israel serão
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cumpridas no milênio. Já os não-dispensacionalistas reduzem a relevância do Israel


nacional, uma vez que espiritualmente seu papel é visto na igreja, embora defendam
que muitos de Israel se converterão e integrarão a igreja.

2.3. AMILENISMO

2.3.1. Conceito

Amilenismo é a escola teológica que rejeita a ideia de um reinado milenar de Cristo


na Terra, uma vez que o Juízo Final se dará imediatamente após a segunda vinda
de Cristo.

Para os amilenistas, em oposição os pós-milenistas, a condição moral e espiritual na


Terra não tende a melhorar, mas sim a piorar, visto que não esperam que o Reino
se estabeleça antes da vinda do Rei. Entretanto, eles não se confundem com os pré-
milenistas, por não acreditarem no estabelecimento de um reino físico.

2.3.2. História

Conforme veremos adiante, o Amilenismo, em alguns pontos, confunde-se com o


pós-milenismo, visto que compartilham de pontos em comum. Por conta disso,
vários teólogos são apontados, tanto por amilenistas como por pós-milenistas, como
defensores de sua visão a respeito do milênio e, é provável que nos primeiros 19
séculos da igreja, o Pós-milenismo e o Amilenismo simplesmente não tenham sido
diferenciados.

Pelo fato dos amilenistas não esperarem uma vinda do reino antes da vinda do Rei
(pelo contrário, acreditam na degradação moral), a defesa ao amilenismo aumentou
no século XX, após a Primeira Guerra Mundial em substituição ao pós-milenismo.
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2.3.3. Fundamentação bíblica

O Amilenismo, segundo a opinião de seus proponentes, se fundamenta em uma


série de textos escatológicos mais simples e claros, enquanto o pré-milenismo se
baseia numa única e obscura passagem: Ap.20.4-6.

Ao interpretar essa passagem os amilenistas têm em vista o livro do Apocalipse


como um todo. Para eles, o livro consiste em diversas seções que não tratam de
períodos sucessivos, mas de recapitulações do mesmo período: o tempo entre a
primeira e a segunda vinda de Cristo, sendo que a cada seção, o autor bíblico
aprofunda o desenvolvimento do tema. Neste caso, Apocalipse 20 não se refere
somente ao último período da história da igreja, mas é um panorama especial de
toda a sua história.

Além de interpretar o livro todo de forma simbólica e não-literal, os amilenistas


ressaltam que o milênio não é citado em outra passagem das Escrituras.

A respeito do milênio, os amilenistas rejeitam o argumento pré-milenista de que o


texto se refere a duas ressurreições físicas envolvendo dois grupos distintos. Uma
interpretação aceitável é a de que elas sejam espirituais. Neste caso Apocalipse
20.4-6 é uma descrição de almas desencarnadas no estado intermediário e que o
verbo ezesan deva ser interpretado não como “eles vieram à vida/reviveram”, mas
“eles viveram e reinaram com Cristo por mil anos”. Aqueles que participam dessa
ressurreição são os mortos “vivos". Os mortos “mortos", ao contrário, não têm parte
na primeira ressurreição e sofrerão a segunda morte (a morte espiritual), ou seja,
eles não viverão durante os mil anos, nem depois. Já a “segunda ressurreição", é
apenas hipotética e também de natureza espiritual.

2.3.4. Outras características

Conforme já mencionado, o milenismo e pós-milenismo possuem algumas


características em comum, tais como a interpretação simbólica de Apocalipse 20 e a
afirmação de que o milênio é a era da igreja. A diferença, neste ponto, é que os pós-
milenistas defendem um reinado terreno. Além disso, a visão amilenistas é mais
11

negativa, ao defender que as condições no mundo não tendem a melhorar, mas sim
a piorar: Embora também creem que o Evangelho possa alcançar todo o mundo, tal
êxito não necessariamente alterará, num contexto geral, as condições morais e
espirituais da Terra.

Outra característica do amilenismo é a menor importância da profecia no


pensamento amilenista do que no pré-milenista: Enquanto os amilenistas adotam
uma concepção mais geral tratando-a como histórica ou simbólica e não futurista, os
pré-milenistas interpretam a profecia bíblica de forma literal.

Já em relação aos pré-milenistas, os amilenistas se diferem destes, por não se


envolverem na busca incessante por sinais da segunda vinda, que é uma
característica marcante dos pré-milenistas. Tal característica dos amilenistas se dá
pelo fato de crerem que não haverá milênio precedendo a segunda vinda, e assim, a
volta do Senhor pode estar próxima.

3. POSIÇÕES EM RELAÇÃO À TRIBULAÇÃO

Outra questão é a relação entre a volta de Cristo e o conjunto de eventos conhecido


como Grande Tribulação. Os pré-milenistas afirmam que haverá uma grande
desordem nos anos antes da vinda de Crista A pergunta é se a igreja passará pela
tribulação ou se haverá uma vinda de Cristo para arrebata-la antes.

As duas posições mais importantes são o pré-tribulacionismo (que defende que


Cristo tomará a igreja para si antes da tribulação) e pós-tribulacionismo (Cristo
arrebatará a igreja depois da tribulação). Há também algumas posições
intermediárias

Todos esses posicionamentos estão relacionados aos pré-milenistas, os quais


dedicam mais atenção aos detalhes do fim dos tempos do que os pós-milenistas e
os amilenistas.
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3.1. PRÉ-TRIBULACIONISMO

Os pré-tribulacionistas defendem que, a despeito da igreja sempre ter enfrentado


perseguições, a grande tribulação será algo praticamente sem paralelos na história;
um período de transição que concluirá o tratamento de Deus com os gentios antes
da chegada do milênio. A tribulação não deve ser entendida como uma disciplina
para os crentes nem como uma purificação da igreja, uma vez que Cristo arrebatará
a igreja antes da tribulação (1Ts 5.19; 1.10).

O verso chave para entender o arrebatamento é 1Tessalonicenses 4.16,17:

Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do


arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em
Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos,
seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro
do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.
(1Tessalonicenses 4.16-17)

De acordo com os pré-milenistas, Cristo não descerá totalmente à Terra, como


ocorrerá quando vier com a igreja no final da tribulação. Por conta disso, essa vinda
será secreta para os incrédulos, visto que eles não verão a Cristo. Eles defendem
um a interpretação literal das profecias. Dessa forma, o período da tribulação de de
exatamente 7 anos, segundo Daniel 9.27, e o milênio durará os mil anos, o qual se
dará início quando Jesus tocar com os pés no Monte das Oliveiras, conforme está
escrito em Zacarias 14.4:

Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana,
fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das
abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada,
se derrame sobre ele. (Daniel 9.27)

Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está
defronte de Jerusalém para o oriente; o monte das Oliveiras será fendido
pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande;
metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade, para o sul.
(Zacarias 14.4)

O pré-tribulacionismo argumenta que haverá duas fases na vinda de Cristo e haverá


também três ressurreições: A primeira será a ressurreição dos mortos justos no
arrebatamento; no final da tribulação haverá a ressurreição dos santos que
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morreram durante a tribulação, e finalmente, ao término do milênio, haverá a


ressurreição dos incrédulos.

Além disso, haverá ao menos dois julgamentos: a igreja será julgada no tempo do
arrebatamento e serão distribuídas as recompensas pela fidelidade de cada um.
Entretanto, ela não estará envolvida na separação das ovelhas e bodes no fim do
milénio. Sua condição já terá sido determinada.

Finalmente, há no pré-tribulacionismo uma grande ênfase na volta iminente do


Senhor: como a sua volta precederá a tribulação, nada resta a ser cumprido antes
do arrebatamento, que pode ocorrer a qualquer instante. Vários textos da Bíblia são
utilizados para defender essa ideia:

[Jesus disse:] Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora. (Mateus
25.13)

[Jesus disse:] Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os
anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. Pois assim como foi nos dias de
Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos
dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em
casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam,
senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda
do Filho do Homem. (Mateus 24.36-39)

[Jesus disse:] Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o senhor


confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-
aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo
assim. Em verdade vos digo que lhe confiará todos os seus bens. Mas, se
aquele servo, sendo mau, disser consigo mesmo: Meu senhor demora-se, e
passar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com ébrios,
virá o senhor daquele servo em dia em que não o espera e em hora que não
sabe e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro
e ranger de dentes. (Mateus 24.45.51)

3.2. PÓS-TRIBULACIONISMO

Os pós-tribulacionistas defendem a ideia de que, ao contrário do creem os pré-


tribulacionistas, Cristo não voltará para buscar sua igreja antes do fim tribulação. Ou
seja, a igreja passará pela tribulação. Eles argumentam que o termo arrebatamento
sequer existe na Bíblia.
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Ao contrário dos pré-tribulacionistas, os pós-tribulacionistas interpretam as profecias


de forma menos literal, por isso, não determinam um tempo para a duração da
tribulação e do milênio.

Apesar de passar pela tribulação, a igreja será protegida pelo Senhor, ao invés de
retirada (tal qual ocorrera com os israelitas no egito). Nesse sentido, defendem que
a tribulação já tem sido a experiência da igreja ao longo dos séculos, fazendo
apenas distinção entre os termos “tribulação” e “grande tribulação”, os quais diferem
entre si pela intensidade da perseguição.

Com relação à passagem de 1Tessalonicenses 4.10, os pós-tribulacionistas têm


uma interpretação diferente dos pré-milenistas: Eles defendem a ideia de que Cristo,
ao aparecer nos céus e se encontrar com os salvos, não os levará para o céu, mas,
sim, retornara com eles para a Terra, para dar início ao milênio. A defesa dessa
interpretação está baseada na parábola das virgens prudentes e das insensatas.
Neste texto, as prudentes saem para se encontrar com o noivo e não partem com
ele; ao invés disso, elas saem para se encontrar com ele e retornam para o
banquete de casamento.

Como consequência dessa interpretação, os pós-tribulacionistas têm uma visão


mais simples dos eventos finais. Por exemplo, há no pós-tribulacionismo somente a
segunda e não uma terceira e, em relação à ressurreição, não há necessidade de
haver três, mas apenas duas: (1) a ressurreição dos crentes no final da tribulação e
no fim do Milênio e (2) a ressurreição dos ímpios no final do Milênio.

Finalmente, outra grande diferença entre os pré e os pós-tribulacionistas está nos


próximos eventos que estarão por acontecer à igreja: para os pré-tribulacionistas é a
vinda de Cristo, para os pós-tribulacionistas, é a Grande Tribulação.

3.3. POSIÇÕES INTERMEDIÁRIAS

Há ainda algumas posições intermediárias ao pré e ao pós-tribulacionismo. As três


principais estão descritas a seguir.
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A primeira, chamada de mesotribulacionista, afirma que a igreja passará pelo


período menos severo da tribulação que seria a sua primeira metade (três ano e
meio), mas depois será retirada do mundo.

O segundo tipo de posição intermediária é a perspectiva do arrebatamento parcial.


Ela cré que haverá uma série de arrebatamentos: sempre que um grupo de crentes
estiver pronto, será removido da Terra.

A terceira posição intermediária é o pós-tribulacionismo iminente. Embora o retorno


de Cristo só aconteça depois da tribulação, ele pode ser esperado a qualquer
momento, pois a tribulação já estaria acontecendo.

4. CONCLUSÃO

Após entender e ser capaz de diferenciar os três posicionamentos a respeito do


Milênio, este seminarista tende a ser adepto ao AMILENISMO. As explicações
oferecidas por Erickson ao defender o pré-milenismo frente ao amilenismo não me
pareceram convincentes, conforme descrevo a seguir.

Não concordo com a dificuldade, alegada por Erickson, dos amilenistas em explicar
o texto de Apocalipse 20. Se trocarmos o termo milênio por Eternidade (ou um
sinônimo), a interpretação oferecida por Hughes fará bastante sentido:

Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada


autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do
testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos
quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não
receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo
durante [mil anos] [toda a Eternidade]. Os restantes dos mortos não
reviveram [até que se completassem os mil anos] [eternamente]. Esta é a
primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na
primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade;
pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele [os
mil anos] [para sempre] (Apocalipse 20.4-6 - grifo nosso)

Também, apesar da defesa sugerida pelo autor ao pré-milenismo no texto de


1Coríntios 15.25, ao analisar o contexto, me parece mais natural interpretá-lo como
se a vinda de Cristo fosse seguida do julgamento:
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Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias


dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um
homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão,
todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um,
porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de
Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao
Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda
potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos
os inimigos debaixo dos pés. (1Coríntios 15.20-25)

A bíblia afirma que Cristo já reina soberano os principados e potestades (Efésios


1.20-22). Sendo assim, faz bastante sentido o texto de 1Coríntios, de que Cristo
devolverá o poder do reino ao Pai, após subjugar as forças do mal (na sua vinda).
Não é necessário ter um reinado terreno para que isso aconteça, visto que ele já
esteja ocorrendo.

Outros textos citados por Erickson aludindo à existência de ressurreições são os


seguintes (em alguns deles foram adicionados, por mim, o contexto imediato, para
melhor entendimento):

Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar ou uma


ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes,
nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e
sejas recompensado. Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os
aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, pelo fato de não
terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a
receberás na ressurreição dos justos. (Lucas 14.12-14 – grifo nosso)

No texto acima, o termo “ressurreição dos justos” não quer dizer necessariamente
que será diferente da dos “ímpios”. Aliás, não há nas Escrituras uma alusão
específica a nenhuma “ressurreição dos ímpios”. Neste texto, Jesus apenas enfatiza
que haverá uma recompensa para aqueles que se encontrarem entre os justos por
ocasião da ressurreição.

Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se


em casamento; mas os que são havidos por dignos de alcançar a era
vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em
casamento. Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são
filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição. E que os mortos hão de
ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao
Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Ora, Deus
não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem. (Lucas
20.34-38)
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No texto acima de Lucas 20, também não há uma alusão de que haja uma
ressurreição específica dos justos. Apenas está dizendo que na Eternidade, os que
estiverem no céu não se casarão, pois viverão eternamente.

Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do


conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas
as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado
nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante
a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o
conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus
sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo,
alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido
ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o
que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não
julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas
que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo
para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se,
porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá.
(Filipenses 3.8-15)

O texto acima de Filipenses, também não parece indicar que haja tipos de
ressurreição. Paulo limita-se (da mesma forma que Jesus em Lucas 14.14) a dizer
que existe uma recompensa para os que fazem a vontade de Deus.

Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que
dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm
esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também
Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora,
ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que
ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que
dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida
a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os
mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que
ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o
encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o
Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.
(1Tessalonicenses 4.13-18)

Neste texto de 1Tessalonicenses, Paulo ensina à igreja sobre o destino dos mortos,
visto que muitos pareciam estar tristes provavelmente pela a perda de algum ente
querido (vs 13). Nesse sentido, Paulo diz que os mortos não estão esquecidos por
Deus. Pelo contrário, o fato de Paulo colocar a ressurreição deles antes dos que
estiverem vivos, parece indicar a importância deles para Deus, tanto quanto os que
estiverem vivos.
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Obviamente, cada uma dessas considerações carece de análise exegética mais


profunda. Entretanto, conforme já mencionado, a análise natural do contexto não
parece indicar que haja ressurreições distintas, motivo pelo qual eu reitero a minha
posição AMILENISTA.

Quanto à posição em relação à tribulação, uma vez que defendo a posição


amilenista, não faz sentido crer em outra possibilidade que não seja a de que a
Igreja passará pela tribulação, isto é, se é que ela de fato já não esteja acontecendo.
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REFERÊNCIAS

BÍBLIA, Português. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Tradução de João


Ferreira de Almeida. Edição rev. e atualizada no Brasil. Brasília: Sociedade Bíblia do
Brasil, 1993.

ERICKSON, Millard J.. Teologia Sistemática. São Paulo: Edições Vida Nova, 2015.

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