Você está na página 1de 29

Faculdade s de C ampin as

Curso de Economia

Relatório Final de Monografia II

A industrialização sul-coreana: o Governo e os Chaebol nas


décadas de 1960 a 1990.

Guilherme Sampaio Saba

Campinas, novembro de 2010

1
Faculdade s de C ampin as
Curso de Economia

Relatório Final de Monografia II

A industrialização sul-coreana: o Governo e os Chaebol nas


décadas de 1960 a 1990.

Guilherme Sampaio Saba

Relatório Final da disciplina Monografia II do Curso de


Economia das Faculdades de Campinas (FACAMP),
realizado sob a orientação da Profa. María Piñón Pereira
Dias.

Campinas, novembro de 2010

2
“A inerência da vida é lembrar-se de esquecê- la.

Aos inerentes!”

3
RESUMO

A República da Coreia apresenta-se como um exemplo exitoso de industrialização


tardia, no qual a conjunção de um Estado interventor e um modelo de grandes empresas fez
com que o país apresentasse acelerado crescimento nos níveis de renda per capita e viesse a
ocupar posição de destaque no mercado internacional. No entanto, o modelo adotado possuía
limitações que foram se explicitando com o desenvolvimento da economia capitalista sul-
coreana. Este artigo trata do processo de industrialização na Coreia do Sul no período de
1960 a 1995 – seu estabelecimento e maturação, da relação de proximidade entre os setores
privado e público, assim como os limites de tal modelo frente uma mudança na realidade
política e econômica no final dos anos 1980. Por fim, será tratada sua viabilidade em um
impulso de abertura de mercado nos anos 1990 e suas conseqüências que vieram a culminar
com o estouro de uma crise financeira que se abateu sobre o Leste Asiático no ano de 1997.

O primeiro item deste artigo delineia e descreve o modelo adotado e suas diretrizes
político-econômicas nas décadas de 1960 e 1970, abrangendo os processos de
industrialização básica e pesada. O segundo item trata dos anos 1980, do processo de
redemocratização e das ações tomadas pelo Governo para adequar-se à nova realidade sócio-
econômica do período, percorrendo a primeira metade dos anos 1990 e observando de que
modo as medidas governamentais nessa nova realidade contribuíram para aumentar a
sensibilidade do país a choques externos, especialmente a crise financeira asiática de 1997.
Este artigo foi formulado através de pesquisa bib liográfica em livros e periódicos sobre o
assunto, sendo utilizados trabalhos de autores como Amsden (1989), J. S. Chang (2003),
Wong (2004) e Song (2003).

PALAVRAS-CHAVE

Coreia do Sul, industrialização, chaebol, redemocratização, industrialização tardia,


desenvolvimento.

4
ABSTRACT

The Republic of Korea is presented as a successful example of late industrialization in


which the conjunction of an interventionist state and a model of large companies has made
the country engage in accelerated growth, increase per capita income levels and occupy a
prominent position in the international market. However, the model utilized has limitations
that have become clearer with the development of South Korean capitalism. This article
discusses the process of industrialization in South Korea from 1960 to 1995 - its development
and maturation of the close relationship between the private and public sectors, as well as the
limits of such a model facing changes in political and economic reality in the late
1980s. Finally, it will question its feasibility in a push for market opening in the 1990s and its
consequences – culminating with the burst of a financial crisis that hit East Asia in 1997.

The first item of this article outlines and describes the model adopted and its po litical-
economic policies in the 1960s and 1970s, covering the processes of basic and heavy
industrialization. The second item is about the 1980s, the democratization process and the
actions taken by the government to adapt to the new socio-economic reality of the period,
covering the first half of the 1990s and observing how governmental measures have
contributed to increase the country‟s sensitivity to external shocks, especially the Asian
financial crisis of 1997. This article was formulated through research on books and
periodicals on the subject, and used the works of authors such as Amsden (1989), J. S. Chang
(2003), Wong (2004) and Song (2003).

KEYWORDS

South Korea, industrialization, chaebol, democratization, late industrialization,


development.

5
SUMÁRIO

Introdução..........................................................................................................................6

Item 1: A tardia industrialização sul-coreana

1.1 As consequências da ocupação japonesa e a origem dos chaebol...................8

1.2 Os anos 1960 e os primeiros Planos Quinquenais........................................10

1.3 Os anos 1970: Terceiro e Quarto Planos Quinquenais..................................14

Item 2: Anos 80, redemocratização e pré-crise

2.1 Os anos 1980 e a redemocratização...............................................................18

2.2 Os anos 1990 até o pré-crise financeira.........................................................21

Considerações finais........................................................................................................25

Referências bibliográficas...............................................................................................26

6
INTRODUÇÃO

A Coreia do Sul é um país que pode ser caracterizado como de industrialização tardia.
Amsden (1989) caracteriza tal grupo de nações como “um subconjunto de países em
desenvolvimento que iniciaram o século XX economicamente atrasados e cuja economia se
baseava em matérias-primas, ao passo que obtiveram um dramático aumento na renda per
capita nacional ao investir seletivamente na indústria” 1 . Dentro deste grupo, a Coreia se
destaca, ao apresentar peculiaridades que resultaram em um exemplo bastante exitoso de
nação tardiamente industrializada. O traço em comum que todos os países tardiamente
industrializados apresentam, segundo Amsden (1989), é a industrialização tendo como base o
aprendizado – ou seja, utilização de tecnologia estrangeira ao invés de geração de novos
produtos ou processos – um fator diferencial do processo de industrialização de nações
previamente industrializadas.

Tratando-se de uma nação tardiamente industrializada, foi necessário um Estado


interventor e ativo que viesse a acelerar o desencadeamento do processo de industrialização e
desenvolvimento econômico, através de medidas disciplinadoras para com as empresas e o
estabelecimento de planos qüinqüenais que direcionavam o foco de investimento em áreas
tidas como essenciais a tornar o país competitivo no mercado internacional. Através de uma
conjunção entre tal Estado interventor e disciplinador e um modelo específico de indústria
selecionado como aquele a ser seguido (especificamente, o grande conglomerado, ou
chaebol, a ser discutido) e que gozava de ampla ajuda para promover seu crescimento, a
economia sul-coreana apresentou performance favorável, principalmente após o golpe militar
que levou o general Chung-Hee Park ao poder.

Como aponta E. M. Kim (1997), o direcionamento dos investimentos para setor es


considerados estratégicos se mostrou essencial para o crescimento do setor privado e da
economia coreana como um todo:

1
“Late industrializat ion applies to a subset of developing countries that began the twentieth century in an
economically backward state based on raw materials, and dramatically raised national inco me per cap ita by
selectively investing in industry” (Amsden, 1989, prefácio).

7
“No escopo de políticas desenvolvimentistas, o Estado oferece incentivos
para empresas investirem em setores designados pelo próprio. Esse Estado tem
capacidade de direcionar empresas em certos setores, mesmo quando estas estão
relutantes devido a projeções de mercado desfavoráveis, se este é capaz de
compensar os riscos oferecendo um substancial pacote de incentivo. Nesse caso, os
objetivos do Estado não são diferentes daqueles das empresas . Tanto o Estado
quanto as empresas querem que essas últimas floresçam e prosperem”. (E. M. Kim,
1997, pg. 32-33, tradução livre) 2

Ademais, o autor assinala o caráter cooperativo entre os setores público e privado:

“A relação engendrada entre o Estado e as empresas tende a ser mais


cooperativa. Apesar de “chicotes” estarem envolvidos para forçarem a cooperação,
o Estado usa mais freqüentemente “cenouras” para atrair empresas. Duas coisas são
importantes aqui: o Estado e as empresas tendem a trabalhar em relações
cooperativas e o Estado direciona empresas a investirem em certos setores com
generosos pacotes de incentivo”. (E. M . Kim, 1997, pg. 33, tradução liv re) 3

S. J. Chang (2003) aponta que, de 1945 a 1980, o governo sul-coreano ajudou os


chaebol através de subsídios e medidas de proteção do mercado doméstico. Após 1980 e a
desregulamentação econômica, no entanto, estes internalizaram seus meios de financiamento.

Ao longo deste artigo, será discutida a relação de proximidade entre o setor público e
as grandes empresas sul-coreanas, em um processo de desenvolvimento embasado em
exportações e em uma política de baixos salários (garantindo assim competitividade). Serão
estudados os planos quinquenais, assim como o processo de crescimento e estabelecimento
dos chaebol, especialmente a partir da década de 1960. Ademais, serão discutidas as
mudanças na dinâmica da relação entre o setor público e as grandes empresas através das
décadas de 1960 a 1990, culminando com as bases para que o Estado coreano enfrentasse
dificuldades de adaptação à nova realidade democrática do momento, tornando-o, na década
de 1990, especialmente sensível a crises, como a que assolou o Leste Asiático em 1997.

2
“Under developmental policies, the state provides incentives for businesses to invest in state -designated
sectors. The state is able to lead businesses into certain sectors, even when businesses are reluctant to do so due
to poor market projections, if the state is able to offset the risks with a substantial incentive package. In this
case, the state´s goals are not dissimilar fro m the businesses‟. The state and businesses both want businesses to
flourish and prosper”.
3
“The relationship that is engendered between the state and businesses tends to be more cooperative. Although
“sticks” are involved to force cooperation, the state more often uses “carrots” to entice businesses. Two things
are important here: the state and businesses are likely to work in cooperative relations and the state leads
businesses to invest in certain sectors with generous incentive packages”.

8
ITEM 1: A TARDIA INDUSTRIALIZAÇÃO SUL-COREANA

1.1 As consequências da ocupação japonesa e a origem dos chaebol

A ocupação japonesa da Coreia do Sul se deu no período entre 1905 e 1945: Amsden
(1989) aponta que esse foi um período que serviu de incubadora para um crescente
sentimento de nacionalismo que veio a ser importante para o estabelecimento de uma visão
da Coreia como nação única, e ajudou a posteriormente impulsionar o processo de
industrialização:
“[...] Contudo, na Coreia, o nacionalis mo achou um clima ideal no qual
crescer. Considerando que muitas outras colônias foram reunidas com unidades
geográficas que eram radical, tribal, ou relig iosamente distintas, a Coreia existiu por
séculos como uma nação de incomu m homogeneidade ling üística, étnica e cultural.
Apesar de ter se passado quase um século para a idéia de nação-estado triunfar
sobre a realidade pretérita, estes primeiros movimentos de reforma são notáveis –
apesar de falharem no curto prazo – para u ma visão de uma Coreia que era, em
última instância, responsável por avançar o processo de industrialização”. (A msden,
1989, pg. 28, t radução livre ) 4

A autora observa ainda que a limitação de uma autoridade central é justamente algo
que posou como um dos maiores desafios do país através do século XX 5 . Além disso, ao
longo dos anos 1910 e 1920, o Governo japonês desfavorecia abertamente a indústria coreana
a favor da agricultura. Mesmo assim, uma restrita elite empreendedora surgiu; não usufruía
de qualquer tipo de assistência governamental, porém era uma classe numerosa o suficiente
para se firmar na elite sul-coreana. Seu tamanho, no entanto, não era comparável ao do
capital nipônico, e Amsden (1989) aponta que estes, ao instalarem uma indústria pesada em
território coreano a fim de preparar-se para a guerra, o fizeram na base de investimentos
provindos dos zaibatsu. S. J. Chang (2003, pg. 45) aponta que nesse período aos coreanos era
permitido somente se ocuparem com atividades de agricultura, mineração ou pequenos

4
“[…] Nevertheless, in Korea, nationalis m found an ideal climate in which to grow. Whereas many other
colonies were pieced together from geographical units that were radically , tribally, or relig iously distinct, Korea
had existed for centuries as a nation with an unusual homogeneity of language, ethnicity, and culture. Although
it took almost a century before the idea of the nation-state was to triumph over the previous reality, these early
reform movements are noteworthy – in spite of their short-term failure – for a vision of Korea that was
ultimately responsible for pushing industrialization through ”.
5
Amsden (1989, pg. 30).

9
negócios, ao passo que as sociedades comerciais nipônicas controlavam todo o restante do
comércio.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a rendição dos japoneses, houve a retirada
das tropas do território coreano. Apesar de um declínio nos níveis absolutos de padrão de
vida, o período de ocupação nipônica trouxe avanços e modernização em alguns setores
(como finanças e transportes), assim como uma nova capacidade de competir na base de
produção de manufaturados. Ademais, os níveis de investimento em educação eram elevados,
devido à prática nipônica de educação dos coreanos a fim de assimilá- los à sociedade
japonesa em níveis sociais mais baixos – algo que incitava a revolta entre os colonos 6 . É
importante assinalar também a criação de uma burocracia centralizada e modernizada e uma
relativa estabilidade econômica. No entanto, socialmente o país encontrava-se em frangalhos.
Amsden (1989) aponta que camponeses contrariavam donos de terra, ao passo que aqueles
que apoiavam o sistema colonialista contrariavam aqueles que o repudiavam.
E. M. Kim (1997, pg. 89) aponta ainda como alguns resultados do período colonial
japonês um Estado disciplinador e interventor e uma organização industrial semelhante aos
zaibatsu7 . Segundo o autor, esses resultados vieram a moldar o caráter do Estado, dos
chaebol e de sua relação. S. J. Chang (2003) discute o país dividido resultante da retirada
japonesa e conseqüente guerra civil:
“[...] Após a retirada dos japoneses, no entanto, havia vazios institucionais.
Todos os sistemas legais, regulações, regras de negócios, e práticas que foram
estabelecidas e desenvolvidas pelos japoneses não mais existiam. O Estado coreano
em fo rmação não era capaz de constituir instituições políticas, sociais e econômicas
com velocidade. Ademais, entre 1950 e 1953, a Guerra da Coreia d estruiu
praticamente toda a base industrial construída pelos japoneses e deixou a Coreia
dividida em dois países: a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Enquanto ocupava a
Coreia, o Japão concentrou o desenvolvimento industrial ao norte do país, ao passo
que o sul era usado para o cultivo”. (J. S. Chang, 2003, pg. 46, tradução liv re) 8

6
Amsden (1989), pg. 33).
7
Os zaibatsu eram conglomerados industriais e financeiros japoneses que exerciam grande influência, situados
no cerne das atividades industriais e econômicas do Império Japonês . Tais grupos eram administrados por
famílias e possuíam h ierarqu ia bastante verticalizada. Ademais, prosperavam em plena época de depressão
mundial através de especulação financeira. Resquícios da estrutura de tais conglomerados ainda são observados
em algu mas empresas e instituições modernas japonesas, assim co mo nos chaebol aqui estudados.
8
“[…] After the japanese left, however, there were institutional voids. All the legal systems, regulations,
business rules, and practices that were established and developed by the Japanese no longer existed. The
fledging Korean government was not able to build political, social, and economic institutions swift ly. Moreover,
between 1950 and 1953, the Korean War destroyed virtually the entire industrial base built by the Japanese and
left Korea d ivided into two countries, North Korea and South Korea. While it occupied Korea, Japan had
concentrated industrial develop ment in northern Korea and used southern Korea to g row crops”.

10
No entanto, o autor ainda aponta: “Apesar destes impedimentos, os chaebol tiveram
oportunidades de crescimento entre 1945 e 1960. Sem nenhuma instituição estabelecida,
muitas importantes decisões do Governo foram tomadas por um punhado de pessoas. Um
evento que facilitou grandemente o desenvolvimento dos chaebol foi a venda dos ativos de
posse anterior do Governo e firmas japonesas 9 ”.
O período após a Guerra da Coreia (a segunda metade da década de 1950) marcou a
busca do Governo coreano por ajuda externa, buscando a reconstrução. Syngman Rhee, o
primeiro presidente eleito no país, contava com essa ajuda de modo fundamental, pois a única
outra fonte de financiamento do Governo na época provinha do comércio de recursos naturais
(como tungstênio e ouro). Ademais, o won era inconversível e a alocação de capital em
moedas estrangeiras se dava somente àqueles de posse de uma licença de importação. Na
busca de apoio econômico estrangeiro, a política macroeconômica do período Rhee, aponta
Amsden (1989, pg. 39), utilizava de baixas taxas de juros, cambio valorizado, um déficit
orçamentário financiado por empréstimos do Banco Central quando as receitas provindas dos
juros não eram suficientes, assim como o financiamento de crédito de bancos comer ciais ao
setor privado por parte do Banco Central.
O período Syngman Rhee marcou o surgimento de importantes chaebol como
Samsung, LG e SK. No entanto, foi também marcante a corrupção generalizada, que levou à
queda de Rhee 10 . As relações entre os chaebol e o Governo eram de proximidade; no entanto,
ligações políticas entre membros dos conglomerados e membros do Governo resultava em
alto crescimento e distribuição desigual dos rendimentos, resultando em grande concentração
de capital. Essas empresas de rápido crescimento no período buscavam ampliação em
qualquer setor que fosse rentável, explicitando uma característica fundamental dos chaebol: a
diversificação em setores não relacionados.

9
“Despite these impediments, chaebols did have opportunities to grow between 1945 and 1960. Without any
institutions set up, many important government decisions were made by a handful of people. An event that
greatly facilitated the development of chaebols was the sale of the assets owned by Japan‟s government and
firms” (S. J. Chang, 2003, pg. 46, tradução livre).
10
S.J. Chang (2003, pg. 47).

11
1.2 Os anos 1960 e os primeiros Planos Quinquenais

Com o declínio do governo Rhee no ano de 1960 (através de uma Revolução


Estudantil 11 ) e após um breve período de governo democrático, um golpe militar foi mestrado
no dia 16 de maio de 1961 por Park Chung-Hee, um militar de origem simples e cuja
justificativa de legitimidade provinha de uma priorização do desenvolvimento econômico.
Foi estabelecido ao longo da década um Estado desenvolvimentista e fortemente interventor,
ao passo que E. M. Kim (1997) aponta que “as mudanças nos anos 1960 foram claramente
lideradas pelo Estado”12 .
É importante destacar a importância da influência americana na performance
econômica coreana, ao passo que após a guerra civil, a Coreia do Sul tornou-se baluarte do
capitalismo no leste asiático: devido à ameaça comunista representada por países próximos
como Coreia do Norte e China, os EUA empreenderam em maciços volumes de ajuda
financeira e militar. Isso facilitou o desempenho da economia coreana, ao passo que esta não
dependia de IEDs por parte de empresas privadas, o que viria a limitar a austeridade em
relação a onde investir.
Tendo escolhido as exportações como motor do crescimento econômico no período,
embasado em um modelo de grandes conglomerados industriais atuando em diversos setores
distintos, o Governo Park criou os Planos Q uinquenais, ministrados pela Diretoria de
Planejamento Econômico (Economic Planning Board, ou EPB). Durante esse drive
desenvolvimentista, a Diretoria de Planejamento Econômico se tornou o mais importante
ministério do governo na coordenação do desenvolvimento econômico, sendo montado a
partir da junção de variados setores e departamentos de planejamento presentes na estrutura
burocrática governamental, como aponta E. M. Kim (1997). Segundo Whang (1991, pg. 87),
eram quatro os principais mecanismos de intervenção da autoridade planejadora: o orçamento
nacional, empresas públicas, regulação, e incentivos. O orçamento nacional passava pelo
crivo do general Park antes de ser implementado, e o pragmatismo praticado facilitou a

11
A Revolução Estudantil de abril de 1960 fo i u m levante por parte de grupos estudantis e trabalhistas que veio
a resultar na deposição de Syngman Rhee. O estopim para tal Revolução se deu quando foi descoberto no porto
de Hasan o corpo de um estudante morto durante reivindicações contra as eleições de março daquele ano.
12
“[...] the changes in the 1960s were clearly led by the state.” E.M. Kim (1997, pg. 97).

12
implementação de políticas sem estarem viesadas a nenhum interesse ideológico particular.
Diretrizes eram formuladas de acordo com as ambições de cada Plano Quinquenal por alguns
ministros e não refletiam a opinião pública, e a concentração do poder decisório por parte do
Governo facilitava uma mais rápida tomada de decisões por parte da burocracia
governamental, além de ajustar com maior flexibilidade o direcionamento de políticas em
andamento 13 .
As empresas estatais incorriam em investimentos em indústrias básicas, obras de
infra-estrutura intensivas em capital, além de auxiliar no estabelecimento de negócios
empresariais de grande escala, e suporte a empresas substituidoras de importações de modo a
melhorar o balanço de pagamentos (Whang, 1991, pg. 88). A regulação e os incentivos
provavam-se importantes, pois em conjunto ajudavam a ditar os rumos tomados pelos
chaebol de modo que, dentro de um ambiente econômico controlado, o fornecimento de
incentivos a estes ajudava a direcionar investimentos em áreas que o Governo considerava
importantes (em concordância com o Plano em vigência) de modo mais eficiente e rápido.
O primeiro dos Planos Qüinqüenais, anunciado em janeiro de 1962, dizia respeito à
construção de uma infra-estrutura eficiente e à promoção de uma estratégia de substituição de
importações. Esta última, com o objetivo de eliminar a cultura rentista proveniente da década
de 1950 e da enorme dependência do país de ajuda estrangeira no período 14 .
O objetivo de longo prazo era o de tornar a Coreia do Sul uma economia independente
– no sentido de independência de ajuda externa para levar o desenvolvimento adiante, não
isolamento do restante da economia global. Este lema (“Chalip Kyǒngje”) se mostrou
presente ao longo de toda a década de 1960, estampado inclusive em placas e outdoors.
Para atingir tal objetivo, foi escolhido o impulso através de volume de exportações, ao
passo que, como menciona S.J. Chang (2003), a burocracia forte e centralizada mostrou-se
essencial na alocação ótima de recursos.
O ambiente era favorável à estratégia de exportações, devido ao grande mercado
estadunidense disponível aos produtos sul-coreanos, dado que em meio à Guerra Fria os EUA
enxergavam a Coreia do Sul pós-guerra civil como um modelo de capitalismo a ser
estabelecido, pois a ameaça comunista se mostrava presente na forma da China; portanto,
ajudas econômicas e militares, assim como abertura de seu mercado aos produtos coreanos se

13
Whang (1991, pg. 92).
14
E. M. Kim (1997, pg. 103).

13
tornaram estratégias adotadas pelos EUA de modo a tornar a Coreia do Sul um modelo de
capitalismo na região.
O controle do Governo sobre o mercado, as empresas e o rumo que cada uma deveria
tomar mostrou-se presente na nacionalização dos bancos – estes podiam somente levantar e
alocar fundos conforme os planos estabelecidos pelo EPB 15 . Investimentos eram selecionados
conforme as diretrizes de cada plano, assim como seu destino. Sendo assim, o Governo sul-
coreano obtinha um forte controle ao apoiar e disciplinar as e mpresas; direcionava os
investimentos, assim como as estratégias de diversificação dos chaebol; oferecia apoio na
forma de incentivos econômicos àquelas empresas que julgava competente para empreender
projetos específicos, ao passo que punia aquelas que não atingissem determinados objetivos
negando- lhes ativos específicos 16 .
Como aponta S.J. Chang (2003), “ao desempenhar alocação de recursos e funções de
governança tipicamente feitas pelo mercado, o Governo estimulou o sucesso econômico
coreano”17 .
E. M. Kim (1997) afirma que “apesar do primeiro Plano Quinquenal ter que ser
revisado devido a variadas imperfeições no plano em si assim como imprevistos problemas
econômicos domésticos e externos, este foi um sucesso fenomenal” 18 .
O segundo Plano Quinquenal foi apresentado em 1967 e procurava promover as
exportações como modo de financiamento de pagamento da dívida externa contraída através
da década de 1950 e do início da década de 1960. Os objetivos do segundo Plano Q uinquenal
eram a modernização da estrutura industrial e a aceleração da obtenção da independência
econômica buscada, através das exportações 19 . Este plano buscava a vitalização de aspectos
microeconômicos do governo, como uma mais eficiente alocação de recursos através de
infra-estrutura social, industrial, agronômica e comercial, como aponta Song (2003, pg. 160).

15
S. J. Chang (2003), pg. 48.
16
Ibid.
17
“[…] by performing the resource allocation and governance functions normally done by the market, the
government spurred Korea‟s economic success”. S. J. Chang (2003, pg. 49).
18
“Although the first Five-Year Plan had to be revised due to many imperfections in the plan itself as well as to
unforeseen domestic and international economic problems, it was a phenome nal success”. E. M. Kim (1997, pg.
105).
19
E. M. Kim (1997, pg. 105).

14
S. J. Chang (2003, pg. 49) discute a importância do empreendedorismo de alguns
donos de chaebol; apesar de vitais, o autor acredita que estes foram instrumentos de planos
grandiosos de ambiciosos burocratas que selecionavam indústrias para investir e alocavam
fundos para as companhias determinadas. A proximidade de alguns donos de chaebol com
políticos, ou seja, a força de seu lobbying, também foi notável no período e serviu de
impulsionador para o sucesso destes.
Os dois planos iniciais obtiveram sucesso, e vieram a cristalizar a posição do Governo
Park como um Estado interventor: os ganhadores eram selecionados pelo Estado, ao passo
que alguns setores específicos eram bloqueados pelo Estado a e mpresas estrangeiras, dando
maior espaço de manobra aos chaebol e facilitando seu crescimento; ademais, era encorajado
o endividamento por parte destes, aumentando a percepção de um Estado paternalista e
encorajando os detentores do capital a empreenderem em investimentos de maior risco.
A tabela 1.1 apresenta um resumo dos dois primeiros Planos Quinquenais.

Tabela 1.1: Resumo dos dois primeiros Planos Quinquenais

Plano Período Taxa de Objetivos Principais


crescimento diretrizes de
política
econômica
Primeiro 1962-6 7.1a (7.9)b 1. Rompimento 1. Segurança de 4. Mobilização
Plano do círculo vicioso fontes de eficaz de
Quinquenal da pobreza. suprimento de recursos
2. energia. ociosos.
Estabelecimento 2. Correção 5. Melhora da
de bases para um desequilíbrios posição do
desenvolvimento estruturais. balanço de
econômico auto- 3. Expansão de pagamentos.
sustentável. indústrias básicas 6. Promover
e infra-estrutura. tecnologia.
Segundo 1967-71 7.0 (9.7) 1. Modernização 1. Auto- 4. Criação de
Plano da estrutura suficiência empregos,
Quinquenal industrial. alimentícia, planejamento
2. Promoção de desenvolvimento familiar e
desenvolvimento da pesca e da controle
econômico auto- silvicultura. populacional.
sustentável. 2. 5. Crescimento
Estabelecimento da renda
das bases para a familiar rural.
industrialização. 6. Melhora da
3. Melhora da tecnologia e da
posição do produtividade.
balanço de
pagamentos.
a. Taxa de crescimento almejada.

15
b. Taxa de crescimento alcançada.

Fonte: Song (2003, pg. 156).

A tabela 1.1 apresenta-se como o “ponto de partida” do drive desenvolvimentista e


industrializante do projeto de Park, ao promover o estabelecimento de bases sólidas para que
o processo de industrialização se desse de modo eficiente, ao mesmo tempo em que apresenta
objetivos mais gerais de autonomia econômica e crescimento estável.

É evidente a observação da importância de um movimento de modernização industrial


que viesse a “preparar o terreno” para o acelerado crescimento da economia sul-coreana ao
longo das décadas seguintes.

1.3 Os anos 1970: Terceiro e Quarto Planos Quinquenais

A década de 1970 é marcada no processo industrializante da Coreia como aquela em


que se depositou grande importância no desenvolvimento das indústrias química e pesada, de
modo que representa um amadurecimento de tal processo e explicita sua crescente demanda
por empréstimos estrangeiros por parte da Coreia, pois as necessidades de investimento
superavam em muito as reservas disponíveis, como aponta Song (2003, pg. 163). Ao mesmo
tempo, a interdependência entre o Estado e os chaebol aumentou, ao passo em que estes
possuíam grande alavancagem proveniente de sua performance através da década pregressa.
E. M. Kim (1997) discute a importância da conjunção Estado-chaebol nesse período
em que “aqueles que conformaram com a iniciativa estatal para o desenvolvimento das
indústrias química e pesada cresceram mais rapidamente e chegaram a ultrapassar alguns
chaebol mais antigos e maiores”20 . Ainda durante esse período, no campo da tributação
praticava-se a tributação indireta como a principal fonte de receita do Governo
(especialmente frente os aumentos na taxação de combustíveis e a implementação de um
sistema de imposto sobre o valor agregado, como aponta Whang (1991, pg. 89).
O terceiro Plano Q uinquenal assentava-se, portanto, no foco às indústrias química e
pesada, e suas principais políticas econômicas de fomento eram provisões de mais
empréstimos financeiros às empresas, amortizações especiais, baixas taxas de juros, um
20
“Those that conformed to the state‟s initiative for the development of heavy and chemical industries grew
most rapidly and displaced some of the older and larger chaebol” (E. M. Kim, 1997, pg. 137).

16
melhor suporte administrativo e melhores serviços públicos às mesmas 21 . Ademais, como
esclarece Song (2003, pg. 163), com o crescimento rápido das indústrias, as disparidades
entre as condições de vida no campo e na cidade aumentaram; ademais, o Governo incorria
em déficits desde o final da década de 1960. Para amenizar tal situação, este praticou uma
política de subsídios agrícolas aliada a extensas políticas de melhora da renda e das condições
de vida da população rural, sendo, junto com o fomento às indústrias química e de
equipamento pesado, as principais medidas de âmbito nacional para aumento de renda da
população coreana através da década de 1970 22 .
O quarto Plano Q uinquenal se deu após o primeiro “choque do petróleo”, que veio a
desestabilizar a economia coreana e ocasionar aumento significativo da inflação – esta
excedendo 40% em 1974, como aponta Song (2003, pg. 164). Durante essa época, os níveis
de importação cresceram enormemente, pois apesar de possuírem infra-estrutura industrial, as
empresas coreanas tinham dificuldades em estabelecer contatos com fornecedores internos,
incorrendo em movimentos de importação de partes essenciais. A partir do período de
vigência do quarto Plano, tentativas foram feitas de modo a se formular diretrizes econômicas
focadas no setor privado, em conjunção com especialistas de variadas áreas do setor privado.
Porém, o Estado mostrava-se indisposto a ceder poder econômico, como aponta D. J. Kim
(1996, pg. 26).
Os choques do petróleo, aliados à atitude paternalista do Governo, vieram a criar um
precedente de aparente proteção ilimitada às empresas. Estes choques, aliados à ausência de
fornecedores para empresas coreanas e ao tratamento especial de que algumas firmas
gozavam (de modo que fossem atingidas economias de escala), fizeram com que algumas
dessas empresas quase fossem à falência. Porém, o Governo não tardou a tomar atitudes de
bail-out, como troca de empréstimos por ações ou provisão de empréstimos a taxas menores
que o usual. Como explicita Chang (2003, pg. 54), “tais resgates criaram um perigoso
precedente, de modo que os chaebol pressupuseram que o Governo estaria sempre lá para
pegar o cheque caso elas falhassem”23 . De qualquer modo, após as ações de bail-out o país
incorreu em acelerado crescimento na segunda metade da década de 1970. Como discute
Amsden (1989), já no ano de 1973 a economia coreana encontrava-se de volta ao caminho do

21
Song (2003, pg. 163).
22
Ibid.
23
“These rescues created a dangerous precedent, as chaebols assumed the government would be always there to
pick up the check if they failed” (Chang, 2003, pg. 54).

17
crescimento, diversificando seus investimentos (crescendo de 26% a 32% do PIB no período
1973-197424 ). O Governo decidiu adotar uma estratégia de pesados empréstimos externos e
endividamento; a dívida externa do país aumentou em 42% entre 1973 e 1974, e a
porcentagem da dívida no total do PIB passou de 32% em 1974 a 40% em 1975 25 .
A mudança na orientação das políticas econômicas, conforme a economia nacional e o
processo de industrialização atingiam maior maturidade, é resumida de modo sucinto por
Cole e Lyman (1971, pg. 167): “[...] Na década e meia após o fim da guerra, os objetivos
econômicos coreanos passaram de múltiplas preocupações com reconstrução, defesa, e
manutenção de padrões mínimos de consumo para uma única concentração no
crescimento”26 . Os níveis de inflação ao fim da década ainda eram considerados altos para os
padrões pós-Guerra da Coreia, sendo no período 1970-1979 um índice médio de 19.3%,
como demonstra Amsden (1989). Ainda segundo a autora,
“A busca de crescimento rápido não foi restringida por algu m interesse de
estabilidade de preços. De fato, u m padrão de inflação relativamente alto era
tolerado pela maioria dos países tardiamente industrializados, salvo aqueles da
América Lat ina” (A msden, 1989, pg. 100, tradução livre) 27 .

A tabela 1.2 apresenta um resumo do terceiro e quarto Planos Quinquenais.

24
Amsden (1989, pg. 98).
25
Ibid.
26
“[…] In the decade and a half since the end of the war, Korean economic objectives have shifted from the
mu ltip le concerns of reconstruction, defense, and maintenance of minimu m consumption standards to a more
single-minded concentration on growth” (Cole e Ly man, 1971, pg. 167, tradução livre).
27
“The pursuit of fast growth was not restrained in the interest of price stability. In fact, a relatively high rate of
inflation was tolerated by the standards of most backwards countries, save those in Latin A merica”.

18
Tabela 1.2: Resumo dos terceiro e quarto Planos Quinquenais

Plano Período Taxa de Objetivos Principais


crescimento diretrizes de
política
econômica
Terceiro 1972-6 8.6a (10.2)b 1. Harmonizar 1. Auto- 4. Melhora da
Plano crescimento, suficiência em ciência, tecnologia
Quinquenal estabilidade e alimentos básicos. e recursos
igualdade. 2. Melhora das humanos.
2. Buscar uma condições de vida 5.
economia auto- em áreas rurais. Desenvolvimento
sustentável. 3. Promoção de de recursos
3. indústrias naturais nacionais e
Desenvolvimento químicas e distribuição
agrário nacional pesadas. espacial eficiente
abrangente e das indústrias.
desenvolvimento 6. Melhora dos
regional padrões de vida e
balanceado. bem-estar nacional.

Quarto 1977-81 9.2 (5.7) 1. Realização de 1. Auto- 5. Expansão de


Plano uma economia suficiência em empregos e
Quinquenal auto-sustentável. capital de desenvolvimento
2. Promoção de investimento. de mão-de-obra.
igualdade através 2. Busca de um 6. Melhora das
de balanço de condições de vida.
desenvolvimento pagamentos 7. Expansão do
social. equilibrado. investimento em
3. Promoção de 3. Reestruturação ciência e
tecnologia e industrial e tecnologia.
melhora da promoção de 8. Melhora da
eficiência. competitividade administração e
internacional. instituições
4. Reestruturação econômicas.
industrial e
melhora na
competitividade
internacional.
a. Taxa de crescimento almejada.
b. Taxa de crescimento alcançada.

Fonte: Song (2003, pg. 156-157).

A tabela 1.2 apresenta propostas do Governo para correção de assimetrias regionais,


ao passo que buscava a conjunção entre crescimento econômico e estabilidade econômica,
19
em uma fase mais avançada e estabelecida do processo de industrialização sul-coreano. Os
objetivos buscados englobam modernização científica e tecnológica, assim como
reestruturação industrial visando o aumento de competitividade no mercado internacional.

ITEM 2: ANOS 80, REDEMOCRATIZAÇÃO E PRÉ-CRISE

2.1 Os anos 1980 e a redemocratização

A década de 1980 apresenta um importante marco no processo de avanço industrial e


econômico sul-coreano, pois eram fortes as pressões por parte de chaebol e trabalhadores
para que fosse reestruturado o modelo desenvolvimentista nacional – compreendendo uma
estreita aliança entre o setor privado e o Governo, aliada à uma mão-de-obra barata – ao
passo que o setor privado ganhara enorme poder e não mais apresentava (ou necessitava de)
tanto apoio estatal. E. M. Kim (1997) descreve de forma sucinta as mudanças trazidas com o
desenvolvimento do setor privado à autonomia do Governo:
“[...] Embora o Estado desenvolvimentista global tenha um do mín io
independente dos serviços quando o setor privado encontra-se em sua infância, este
Estado irá cada vez mais se deparar com co mpetição com o setor privado ao passo
que o desenvolvimento econômico cap italista progride. Essas limitações na
autonomia do Estado são fatores importantes na explicação do por que o Estado
desenvolvimentista global será forçado a mudar, apesar de sua inércia inerente
contra mudanças drásticas” (E. M. Kim, 1997, pg. 18, tradução liv re). 28

Os três primeiros anos da década de 1980 foram caracterizados por crescimento lento,
expansão acelerada da dívida externa, e altos índices inflacionários 29 . Sendo assim, mais uma
vez foi dado valor especial às exportações. Este renovado drive exportador aliou-se a uma
busca por diversificação de mercados, além de reduções a tarifas de importação de matérias-
primas e empréstimos associados a exportações de bens manufaturados e de maior valor
agregado 30 . Ademais, buscava-se uma eficiente gestão da dívida externa e aumento do
volume de divisas, além do desenvolvimento do mercado financeiro. Uma tendência à

28
“[…] Although the comprehensive developmental state may have an independent domain of services when
the private sector is in its infancy, the comprehensive developmental state will increasingly face competit ion
fro m the private sector as capitalist economic development progresses. These limitations on the state‟s
autonomy and institutions are important factors in explaining why the comprehensive developmental state will
be forced to change, despite its built-in inertia against drastic changes”.
29
Song (2003, pg. 164).
30
Ibid.

20
reconfiguração das funções econômicas por parte do Governo coreano mostrou-se presente
na configuração do quinto Plano Quinquenal, plano este que englobava as diretrizes
discutidas acima.
A nova realidade externa e interna fazia-se cada vez mais presente através da década;
internamente, após o assassinato de Park em 1979 era cada vez maior a pressão pela
democratização, havendo levantes violentos por parte da população em 1986 e 1987 31 ,
culminando com a implosão do Estado autoritário e a redemocratização no ano de 1987,
através de eleições diretas. Por fim, Roh Tae Woo foi eleito presidente e prosseguiu com a
reestruturação da autoridade planejadora. Além disso, os chaebol gozavam de mais poder do
que nunca, devido à enorme alavancagem que obtiveram após um período de crescimento
alto e estável. No âmbito internacional, mudanças trazidas pelos avanços tecnológicos,
especialmente em setores de comunicação, aliadas à globalização financeira, trouxeram
mudanças à dinâmica do capitalismo. Ademais, a performance da economia coreana nas duas
décadas pregressas fez com que o país ganhasse mais visibilidade no mercado internacional,
intensificando a competitividade com economias como os EUA, que no processo de
desenvolvimento capitalista coreano disponibilizou volumosos empréstimos. S. J. Chang
(2003, pg. 57) argumenta que a desregulamentação, marca chave das políticas econômicas do
período, foi acelerada por pressões por parte do Governo estadunidense. Ademais, a mão-de-
obra do país não mais sofria repressão estatal como no regime de Park, adquirindo assim
muito mais autonomia e poder de militância.
Após a redemocratização, o país gozava de altas taxas de crescimento e economia
estável, incorrendo em uma nova fase de crescimento 32 . Assim sendo, o sexto Plano
Quinquenal visava a manutenção dos níveis de crescimento e aumento na competitividade no
mercado internacional, aliadas a uma política de fomento a uma economia de mercado,
reduzindo assim o escopo de ação do Governo na economia. Isto incorreu em privatizações,
além de redução no nível de empréstimos estrangeiros e busca de superávits no balanço de
pagamentos, como apresenta a tabela 2.1. Ademais, os produtos sul-coreanos não mais eram
considerados de baixa qualidade, e passaram a ter maior competitividade internac ional
(explicitando o alto grau de maturidade atingido pela indústria sul-coreana, em conjunto com
pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento); a economia coreana então disfrutava
de taxas de crescimento consideravelmente mais altas comparativamente a outros países em

31
E. M. Kim (1997, pg. 168).
32
Song (2003, pg. 165)

21
desenvolvimento. O EPB, nesse momento, passava a preconizar o fair trade através de
medidas garantidoras da competitividade e leis antitrustes (como a Fair Trade Law de 1981)
após o estabelecimento do novo governo na década, explicita ndo uma mudança no modus
operandi do órgão regulador e planejador 33 . Os Planos Quinquenais de número cinco e seis
são apresentados resumidamente na tabela 2.1.

Tabela 2.1: Resumo dos quinto e sexto Planos Quinquenais

Plano Período Taxa de Objeti vos Principais


crescimento diretrizes de
política econômica
Quinto Plano 1982-6 7.5a (8.7)b 1. Estabelecer bases 1. Errad icação de 7. Solidificação
Quinquenal para a estabilidade um co mportamento de um sistema
de preços e uma econômico orientado competitivo e
economia auto- pela inflação. promoção de
sustentável. 2. Au mento da políticas de
2. Melhora da competitiv idade em “portas abertas”.
tecnologia. indústrias pesadas. 8.
3. Melhora da 3. Melhora da Desenvolvimento
qualidade de vida. política agrícola . da mão-de-obra e
4. Reestruturação 4. Superação de promoção de
das funções constrangimentos de ciência e
econômicas do ordem energética. tecnologia.
Governo. 5. Melhora das 9.
instituições Estabelecimento
financeiras. de novas relações
6. Reajuste de trabalhistas.
funções 10. Expansão do
governamentais e desenvolvimento
racionalização da social.
administração fiscal.
Sexto Plano 1987-91 7.3 (9.9) 1. Estabelecimento 1. Expansão das 4. Reestruturação
Quinquenal de um sistema oportunidades de industrial e
socioeconômico. emprego. melhora da
Pro moção de 2. Solidificação de tecnologia.
iniciativa e bases para preços 5. Crescimento
potencial criat ivo. estáveis. rural e urbano
2. Reestruturação 3. Realização de equilibrados.
industrial e melhora balanço de 6. Melhora do
da tecnlogia. pagamentos bem-estar através
3. Melhora do bem- superavitário e de melhora na
estar nacional redução da dívida igualdade social.
através de externa. 7. Pro moção de
desenvolvimento um sistema de
regional e economia de
distribuição de mercado e
renda equilibrados. reajuste das
funções
governamentais.
a. Taxa de crescimento almejada.
b. Taxa de crescimento alcançada.

33
Choi (2007, pg. 106).

22
Fonte: Song (2003, pg. 157-158).

É importante ressaltar o impulso dado ao refinamento da tecnologia industrial,


pois a indústria sul-coreana havia atingido um ponto de maturidade. Sendo assim,
tornava-se necessária e condizente com os interesses buscados pelo Governo a
internalização da geração de tecnologia, ao passo que resultou em um aumento da
competitividade coreana em produtos de alta tecnologia e alto valor agregado. Ademais, a
busca por igualdade entre as condições de vida de habitantes do campo e da cidade ainda
se mostrava presente.

2.2 Os anos 1990 até o pré-crise financeira

No início da década de 1990, o poder dos chaebol era tão grande que estes já
exerciam maior influência política e possuíam lobby ainda mais forte no Governo, havendo
até mesmo escândalos envolvendo propinas a oficiais estatais 34 . A relação entre os setores
privado e público mudara fundamentalmente, pois os chaebol não eram mais agentes
passivos no processo, agindo agora abertamente a favor de seus interesses específicos 35 . Os
movimentos de desregulamentação e privatização foram intensificados; no entanto, como
aponta W. Lim (2007), “o próprio sucesso [pregresso] do sistema fez com que se tornasse
difícil que formuladores de políticas reformistas introduzissem mudanças fundamentais que
teriam colocado a Coreia em uma trajetória de desenvolvimento mais sustentável e que
tendesse menos à crise”.
Atitudes paternalistas e que incentivavam o moral hazard 36 eram praxe, fazendo com
que os agentes econômicos tendessem a buscar a continuidade deste sistema e tornando mais

34
S. J. Chang (2003, pg. 62).
35
S. J. Chang (2003, pg. 62) exemp lifica essa nova atitude dos chaebol com dois exemp los: o primeiro uma
situação ocorrida em 1988, quando o presidente do grupo Daewoo ameaçou deixar a empresa Daewoo
Shipbuild ing – anteriormente de posse estatal – ir à falência caso um emp réstimo não fosse concedido pelo
Governo. Este, apesar de negá-lo inicialmente, acabou por concedê-lo. Outro exemp lo apresentado pelo autor é
o do presidente do grupo Samsung que em 1995 desqualificou abertamente o Governo sul-coreano. Apesar do
presidente mais tarde haver pedido perdão formal pela atitude, tal situação mostrava de forma clara o declínio
no poder do Estado coreano após sua reconfiguração nos moldes democrát icos.
36
O conceito de “risco moral” (mo ral hazard) refere-se a u m caso especial de informações assimét ricas – uma
situação onde um dos agentes em uma certa transação possui mais informações sobre esta d o que o outro – e diz
respeito ao comportamento de um certo agente quando este encontra-se isolado dos riscos. Co mo este não o
afeta diretamente, o agente tende a tomar atitudes sem maiores considerações totais sobre as consequências das

23
complicada uma mudança de caráter fundamental. Com a financeirização e globalização dos
mercados, os chaebol buscavam maior poder no mercado financeiro, adquirindo empresas
financeiras não-bancárias e incorrendo em movimentações de maior risco inerente ao passo
que aliavam montantes cada vez mais significativos de dívidas com uma estável
disponibilidade de crédito. Essa dificuldade de mudança, afirma W. Lim (2007), apresentou-
se como um obstáculo ao avanço da economia coreana.
No cenário de crescimento, ganho de notoriedade internacional (com a e ntrada do país
no rol das Nações Unidas 37 , por exemplo) e aumento da importância do setor privado na
economia nacional, o EPB formulou o sétimo Plano Quinquenal adotado em 1992, porém
este foi abandonado logo no ano seguinte em favor da formulação do Novo Plano
Quinquenal, que viria a compreender os anos de 1993 a 1997. O Novo Plano reiterava a
retirada dos controles governamentais sobre a economia sul-coreana, enfatizando seu
embasamento na participação e criatividade do povo coreano. Ademais, preconizava reformas
de ordem administrativa, tributária e ética, entre outras, com o objetivo de alçar o país à
condição de nação industrializada avançada até 1997 38 . Como discute Wong (2004, pg. 354),
“o Estado desenvolvimentista pós- industrial no Leste Asiático teve que aprender a lidar com
incerteza e imprevisibilidade inerentes à inovação tecnológica, e o „grande‟ papel de
liderança estatal [...] tem diminuído consideravelmente” 39 . Os dois últimos Planos
Quinquenais e suas diretrizes e objetivos são apresentados de forma resumida na tabela 2.2.

mes mas, agindo de modo mais descuidado do que normalmente o faria. Assim sendo, um outro agente acaba por
arcar co m os riscos.
37
Song (2003, pg. 1650).
38
Song (2003, pg. 166).
39
“The postindustrial develop mental state in East Asia has had to learn to deal with the unpredict ability and
uncertainties inherent to technological innovation, and the state‟s “big” leadership role […] has dimin ished
considerably.

24
Tabela 2.2: Resumo dos dois últimos Planos Quinquenais

Plano Período Taxa de Objetivos Principais


crescimento diretrizes de
política
econômica
Sétimo 1992-6 7.5a (7.1)b 1. Promoção de 1. Reorganização 6. Alívio de
Plano uma economia da educação e do problemas
Quinquenal eficiente e sadia treinamento ambientais e
através de auto- profissional. habitacionais.
regulação e 2. Promoção de 7. Expansão do
competição inovação e bem-estar social e
organizada. informação. desenvolvimento
2.Inovação 3. Expansão da da cultura nacional.
administrativa e infra-estrutura e 8. Promoção da
estabelecimento de transporte auto-regulação e
éticas civil e eficiente. reestabelecimento
trabalhista sãs. 4. Organização das funções
industrial e governamentais.
administrativa 9. Expansão da
eficiente e abertura
fortalecimento de econômica.
empresas de 10. Preparação
pequeno e médio para a unificação e
porte. promoção da
5. Melhora da cooperação Norte-
estrutura agrícola Sul.
e crescimento
regional
equilibrado.
Novo Plano 1993-7 6.9 (6.8) 1. Elevação do 1. Fortalecimento 3. Melhora das
Quinquenal nível da economia do potencial de condições de vida.
àquele de países crescimento da 6. Reforma de
avançados. economia. instituições e da
2. Fortalecimento 2. Expansão do ética administrativa
da base econômica marketing próprio e trabalhista.
em preparação à a nível
unificação. internacional.
a. Taxa de crescimento almejada.
b. Taxa de crescimento alcançada.

Fonte: Song (2003, pg. 158-159).

A tabela 2.2 referente aos últimos Planos Quinquenais explicita elementos pertinentes
à reforma do Estado sul-coreano e seu papel, frente uma nova realidade político-econômica
nacional de grande poder dos chaebol e uma nova democracia dentro de um novo paradigma
econômico internacional de globnalização e interconexão.

25
No entanto, como apresenta W. Lim (2007), o alto grau de endividamento externo por
parte das empresas sul-coreanas – mesmo quando aplicado em investimento de longa
maturação – gerou um problema agravado pela taxa líquida de retorno, que se encontrava
efetivamente abaixo do custo de oportunidade do capital há anos. Ademais, Wong (2004)
enumera os principais fatores de pressão interna que explicitavam a necessidade de uma
reformulação das autoridades econômicas e seu modo de ação.
Primeiramente, as mudanças demográficas observadas no país ao longo do processo
de industrialização; o aumento na porcentagem da população não economicamente ativa
vinha de encontro com as propostas produtivistas do modelo adotado no país, tendo o
Governo que se readaptar a uma realidade na qual os gastos com assistência social não eram
negligenciáveis. Em segundo lugar, a relação cooperativa entre Estado e empresas
particulares veio a degenerar-se, transformando-se em relações de rentismo improdutivo e
especulativo. Esta transformação veio a explicitar as limitações do próprio modelo, de modo
que, ao estabelecer as bases para o crescimento e desenvolvimento do setor privado, o setor
público acaba por minar suas bases de controle e expansão a partir do ponto que o setor
privado adquire maturidade. Por fim, a onda democrática que se deu no Leste Asiático
iniciada na década de 1980, manifestando-se através de levantes por parte da população para
que se desse um aprofundamento da democracia sul-coreana, por exemplo. Como aponta
Wong (2004, pg. 356), em uma realidade econô mica globalizada e interconectada, a
burocracia perde poder e desvincula-se do partido no poder. Sendo assim, ao dissolver
Estados autoritários e interventores, houve a necessidade de uma profunda reconfiguração de
instituições e diretrizes, assim como redefinição de agendas desenvolvimentistas, tendo o
Estado que adaptar-se à realidade democrática. Ademais, como aponta S. J. Chang (2003, pg.
244, tradução livre);
Amsden (1989,1994) retratou a experiência coreana co mo u ma onde o
Estado desempenhou um papel crucial e crit icou aqueles que apóiam a disciplina
básica liberal de mercado. Ela argu mentou porque é certo fixar preços „errados‟, em
outras palavras, introduzir distorções de mercado. A intervenção de Estado ajudou a
Coreia a ganhar momento em seu estágio inicial de desenvolvimento. A recente
crise coreana, no entanto, mostrou que os custos potenciais de se distorcer o
mercado podem ser severos. Ademais, mostrou que uma transição de u ma economia
controlada pelo Estado por uma economia controlada pelo merc ado não foi
automática ou fácil 40 .

40
“Amsden (1989, 1994) depicted the Korean experience as one in which the state played a critical role and
criticized those who endorse basic liberal market discipline. She argued why it is right to make prices “wrong”
or, in other words, to introduce market distortions. State intervention helped Korea gain mo mentum in its early
stage of development. The recent crises in Korea, however, showed that the potential costs of distorting the
markets could be severe. Furthermore, it demonstrated that a transition from a st ate-controlled economy to a
market-based economy was neither automat ic nor easy”.

26
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo busca uma maior compreensão, de modo objetivo, do processo de


industrialização coreana no período 1960-1995 e da mudança fundamental na relação entre o
Estado coreano e o setor privado, especialmente após a redemocratização. Foi apresentada a
origem dos chaebol, assim como sua exitosa trajetória e transformação ao longo do processo
de desenvolvimento capitalista da economia sul-coreana. Levanta-se a questão, no entanto, se
o modelo industrial seguido (o modelo da grande empresa capitalista) seria de fato o mais
eficiente aliando-se a um Estado interventor, pois esse, na medida em que foi garantido
crescimento e mais poder econômico e político à grande empresa, corroeu as bases de seu
próprio crescimento, ao passo que um processo de liberalização apressada veio a complicar
ainda mais a situação, fazendo com que o órgão planejador perdesse parte de sua legitimidade
e confiança por parte da população. Por fim, indicadores macroeconômicos foram se
deteriorando, culminando com um déficit comercial de US$23.7 bilhões no período
imediatamente anterior ao estopim da crise financeira que assolou os países da região 41 .
Foram apresentados os Planos Quinquenais ministrados pela Diretoria de
Planejamento Econômico (EPB) assim como mudanças em suas orientações conforme o
desenvolvimento sócio-econômico do país se dava. De um sólido ponto de partida (nos dois
primeiros Planos), o desenvolvimento industrial foi amadurecendo; os terceiro e quarto
Planos visavam corrigir desequilíbrios regionais, na tentativa de aliar crescimento com
estabilidade; os quinto e sexto Planos focavam no desenvolvimento tecnólogico e sua
internalização, com uma indústria suficientemente madura; por fim, os dois últimos Planos
explicitaram elementos que tornavam aparente a reformulação do papel do Estado sul-
coreano frente uma nova realidade no campo político e econômico, decorrentes do
amadurecimento e desenvolvimento do setor privado, de uma economia global interconectada
e da redemocratização.
Observa-se, portanto, que o próprio sucesso do sistema sul-coreano de
industrialização e desenvolvimento acabou por posar dificuldades a policy-makers
reformistas em introduzir mudanças fundamentais que viriam a fazer com que a Coreia
embarcasse em uma trajetória desenvolvimentista mais sustentável e menos suscetível a

41
Song (2003, pg. 301).

27
crises. 42

42
W. Lim (2007).

28
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AKTOUF, Omar. Coréia do Sul: uma variante do “milagre” do sudeste asiático. In:
AKTOUF, O. A administração entre a tradição e a renovação. São Paulo: Atlas, 1996.

AMSDEN, Alice H. Asia’s next giant: South Korea and late industrialization. New York:
Oxford University Press, 1989. Capítulo 1.

CANUTO, Otaviano. Brasil e Coréia do Sul: os (des) caminhos da industrialização tardia.


São Paulo: Nobel, 1994. Capítulo 4.

CHANG, Se-Jin. Financial Crisis and transformation of Korean business groups: the rise
and fall of chaebols. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. Introdução / Capítulo 2.

CHOI, Byung Sun. The Structure of the Economic policy- making institution in Korea and the
strategic role of the Economic Planning Board. In: CAIDEN, Gerald E. e KIM, Bun Woong.
A Dragon’s Progress: development administration in Korea. West Hartford: Kumarian Press,
1991.

KIM, Dae Jung. Mass participatory economy: Korea’s road to world economic power.
Lanham: Harvard University Press, 1996. Capítulo 3.

KIM, Eun Mee. Big business, strong state: collusion and conflict in South Korean
development, 1960-1990. Albany: State University of New York Press, 1997. Capítulos 2 e 3.

LIM, Wonhyuk. Origin and evolution of the Korean economic system. In: LEE, Hyun-Hoon.
The Korean economy at the crossroads: triumphs, difficulties and triumphs again. New
York: Rutledge, 2007.

SONG, Byung-Nak. The Rise of the Korean Economy. New York: Oxford University Press,
2003. Capítulo 8.

WHANG, Joung. Government Direction of the Korean economy. In: CAIDEN, Gerald E. e
KIM, Bun Woong. A Dragon’s Progress: development administration in Korea. West
Hartford: Kumarian Press, 1991.

WONG, Joseph. The adaptive developmental state in East Asia. Journal of East Asian
Studies, volume 4, 2004. Pg. 345-362.

29