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A CRISE DO ATUAL MODELO EDUCACIONAL E O PENSAMENTO FREIRIANO

Joelmir Pinho
Em que pese os avanços acorridos nas últimas décadas no tocante à ampliação do número de
matrículas na Rede Pública de Ensino na maioria dos municípios brasileiros, inclusive entre a
população adulta, ainda há um enorme abismo no campo da aprendizagem.
Os baixos índices de desempenho entre educandos do ensino fundamental, especialmente em
português e matemática, os altos índices de evasão na educação de jovens e adultos e a falta
de entendimento dos agentes públicos e da própria sociedade quanto à importância da educa-
ção infantil, escancaram o fracasso de um modelo de educação centrado na mera reprodução
de conteúdos, quase sempre desvinculados da realidade dos educandos e sem qualquer com-
promisso com a formação ética e cidadã dos mesmos.
Assim, temos reproduzido ao longo dos tempos e por diversos meios, uma prática educativa
que desencoraja a criatividade e a reflexão crítica e fortalece a exclusão, o preconceito e todos
os males decorrentes do modelo de desenvolvimento sobrejacente, gerando desencantamen-
to e frustração para boa parte dos envolvidos nos processos de educação formais.
O desafio de repensar a escola e as práticas educativas a partir do lugar onde vivemos, colo-
cando-as como ferramentas indispensáveis à formação de um novo modelo de sociedade,
pautado na ética cuidadosa e solidária, no respeito à diversidade e no reconhecimento dos
saberes e valores individuais e coletivos, pressupõe a disposição para o diálogo e para o reco-
nhecimento de entraves institucionais e pessoais arraigados em nossa compreensão de educa-
ção como prática unilateral, linear e, por vezes, autoritária. E mais, exige disposição para uma
nova práxis, ao mesmo tempo amorosa, coerente, comprometida e competente.
Uma boa referência para esse repensar da educação formal no Brasil do Século XXI é a contri-
buição do educador pernambucano Paulo Freire, cujo aniversário de nascimento se comemora
no dia 19 de setembro.
Autor de muitas obras, entre elas: Educação: prática da liberdade (1967), Pedagogia do opri-
mido (1968), Cartas à Guiné Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992) e À sombra desta
mangueira (1995), Paulo Freire foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa atra-
vés de numerosas homenagens. Além de ter seu nome adotado por muitas instituições, é ci-
dadão honorário de várias cidades no Brasil e no exterior. A Paulo Freire foi outorgado o título
de doutor Honoris Causa por vinte e sete Universidades.
A data pode ser uma ótima oportunidade para promovermos uma séria de diálogos, reflexões
e aprendizagens sobre questões referentes à pratica docente e aos processos educativos em
andamento em cada município, tendo por base o pensamento freiriano e sua contribuição
para construção de uma práxis cuidadosa e inclusiva na educação.
Trata-se, em última análise, de ampliar, aprofundar e nutrir nossas teorias, práticas, vínculos e
sonhos concretos de construção de um mundo justo, solidário e amoroso à luz do legado do
educador Paulo Freire.