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FILOSOFIA – 11.

º ANO

- A DIMENSÃO ESTÉTICA DA ACÇÃO

HUMANA E DOS VALORES -

- A EXPERIÊNCIA E O JUÍZO ESTÉTICOS


- A CRIAÇÃO ARTÍSTICA E A OBRA DE ARTE

 Aprendizagens essenciais:
 A criação artística e a obra de arte
 O problema da definição de arte.
 Teorias essencialistas: a arte como representação, a arte como expressão e a arte como
forma.
 Teorias não essencialistas: a teoria institucional e a teoria histórica.

 «Estética é uma palavra que encontra no termo grego, aisthêsis, a sua génese
etimológica, explicitante da sensibilidade ou faculdade de sentir. A sua etimologia
enraíza-a, pois, no campo do sensível, da sensação, dos sentidos, da percepção e
do sentir. Desde a sua origem, a estética foi entendida como a capacidade humana
para a captação dos objectos que nos rodeiam, por intermédio dos nossos
sentidos, bem como da afectação que nos provoca. Somente no século XVIII, (…)
especificamente com Baumgarten (1714-1762), na sua obra denominada Aisthetika
(…) é que a palavra “Estética” começou a constituir um domínio filosófico
específico. Porém, era ainda entendida como o estudo da perfeição do
conhecimento sensitivo.»
Maria Gabriela Azevedo e Castro, Estética e Teorias da Arte

 A estética visa os objectos da sensação e da imaginação. Esta ideia vem das


primeiras reflexões estéticas dos gregos, de onde lhe vem o nome e, também, do
empirismo inglês (todo o conhecimento, excepto a matemática e a lógica,
provem dos sentidos). O conhecimento sensível, que será a estética, será
revalorizado, passando a integrar também a arte e o belo. A estética torna-se um
discurso autónomo sobre o conhecimento sensível, uma nova área da filosofia.
Reconhece que o conhecimento sensível e a imaginação, não são irracionais e
têm validade cognoscitiva, ao contrário do que defendia o racionalismo
cartesiano. Sensação e imaginação fazem, também, parte do ser humano, seria
a gnosiologia do sensível, tendo por finalidade a beleza, que é a perfeição desse
conhecimento. Esta será a perspectiva do que seja estética em sentido estrito:
o estudo da experiência mental do espectador em presença de determinados
objectos naturais ou obras de arte. É a investigação de conceitos como:
experiência estética, percepção estética, atitude estética e juízo estético. Difere
da filosofia da arte.

 A filosofia da arte, que alguns entendem como parte da estética, será apenas
estética em sentido lato. Preocupa-se com conceitos como: arte,
representação, expressão, forma artística, estética, interpretação, falsificação,
criatividade e valor artístico. Mas não trata da relação do espectador com o
objecto estético, aquele que provoca uma experiência estética, um juízo
estético.

Aristóteles (séc. IV a.C) referiu-se a três dimensões da capacidade racional: teórica,


prática e poética. Cada uma destas dimensões orientava-se para um determinado
objecto de estudo. A razão teórica orientava-se para a contemplação racional; a razão
prática orientava-se para a acção humana (nomeadamente ética); e a razão poética para
a criação e produção. A razão poética dividia-se em duas dimensões: a téchnê (arte
prática) e poiésis (belas artes). Um objecto natural seria aquele que é produzido pela
natureza (physis), não são artísticos, pois são produzidos pela própria natureza. Segundo
Kant, um produto da natureza é um efeito provocado por uma causa, enquanto que o
produto da arte é uma obra. Um objecto artístico é criação humana com intervenção da
imaginação. Um objecto artístico ou um objecto natural, poderão tornar-se um objecto
estético, desde que sejam capazes de provocar no espectador (esteta) uma emoção
estética. Um objecto ansioso (noção criada pelo crítico de arte Rosenberg) será um
objecto em linha de espera, que anseia ser declarado objecto estético, por quem tenha
legitimidade para o fazer. Uma noção polémica é a de categoria estética, ou seja,
aqueles atributos que podemos atribuir a um objecto estético.

 Hoje em dia, a noção de beleza é polémica na estética. Para expressionistas como


Tolstoy, o belo não é uma categoria estética nem a arte tem que ser bela.

 Hoje em dia a estética assume que a arte é o seu objecto de estudo principal. Para
Souriau as categorias estéticas continuam a fazer sentido a nível da afectividade,
como instrumentos de apreciação da obra de arte. Grandes categorias que levam à
contemplação: o belo, o disforme, o sublime, o cómico e o trágico; pequenas
categorias: o bonito, o suave, o engraçado, o giro ou o elegante. Todas dependem
da intensidade emotiva que provocam.

 Como já vimos no 10.º ano, há juízos de facto e juízos de valor. E os juízos de valor
podem ser económicos, éticos religiosos, estéticos, etc. Os juízos de facto ajuízam
das propriedades físicas dos objectos e, normalmente, conduzem a um acordo geral,
a partir do momento em que são estabelecidos determinados critérios quantitativos.
Os juízos de valor ajuízam propriedades qualitativas dos objectos que não podem ser
mensuradas matematicamente. Daí o desacordo a que conduzem muitas vezes.
 Uma das discussões mais importantes é sobre a qualidade da experiência estética e
dos juízos estéticos.

Uma experiência estética centrada no sujeito, conduzirá a juízos subjectivos. Se


for centrada no objecto, conduzirá a juízos objectivos.

FILOSOFIA – 11.º ANO

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA CENTRADA NO SUJEITO (STOLNITZ):

A experiência estética depende de uma atitude estética

Uma atitude estética é baseada numa:

atenção desinteressada no objecto (sem outros interesses envolvidos);

atenção complacente (deixar-se levar pelas propriedades do objecto);

Isto leva a a uma atitude de contemplação.

Esta teoria procura explicar os desacordos que vários sujeitos revelam


na experiência estética. E também explica o porquê de qualquer objecto
poder levar a uma atitude estética (por exemplo, os objectos “ansiosos”)

FILOSOFIA – 11.º ANO

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA CENTRADA NO SUJEITO (STOLNITZ):

George Dickie critica esta teoria da experiência estética baseada no


sujeito.

Segundo ele, não existe nenhuma atitude estética que seja uma atenção
desinteressada: quem não tem uma atenção desinteressada, não
significa, automaticamente, que tem uma atenção interessada.
Para a experiência estética, bastam as noções comuns de motivação,
simples atenção ou desatenção.

Também pode haver uma contradição entre atenção desinteressada e


atenção complacente.

A experiência estética centrada no sujeito, está ligada ao subjectivismo estético


(a experiência estética traduz-se em meros juízos de gosto subjectivos).

FILOSOFIA – 11.º ANO

SUBJECTIVISMO ESTÉTICO

O subjectivismo estético está ligado à experiência estética centrada no


sujeito: os juízos estéticos não passam de juízos de gosto subjectivos,
expressões das nossas emoções, das nossas impressões internas.

O seu grande argumento tem a ver com a tomada de consciência dos


profundos desacordos que as pessoas mostram perante os mesmos
objectos estéticos.

O argumento do desacordo pode ser criticado, mostrando que as


pessoas ao exprimirem desacordo, apenas mostram o seu sentimento
interior, o que não significa que o objecto não tenha determinadas
propriedades. Apenas significa que diferentes pessoas avaliam de
formas diferentes.

FILOSOFIA – 11.º ANO

SUBJECTIVISMO ESTÉTICO

Outra crítica que se lhe faz tem a ver com a forma como aprendemos a
reconhecer as propriedades estéticas.
Normalmente, aprendemos por ostensão, ou seja alguém nos mostra
alguma coisa e atribui-lhe um nome. Será assim que aprendemos a
reconhecer, também, as propriedades estéticas dos objectos. De outro
modo, não saberíamos de que estávamos a falar.

Os conceitos estéticos, tal como os outros, têm que ser entendidos de forma
comum, mesmo que depois mostremos as nossas divergências. Por exemplo,
todos reconhecemos sem polémica a cor vermelha ou verde. Também, quando
falamos de um objecto “elegante”, todos temos que entender do que estamos a
falar, mesmo que as nossas opiniões sobre o objecto sejam diferentes.

FILOSOFIA – 11.º ANO

SUBJECTIVISMO ESTÉTICO

Outra crítica é que há que reconhecer a diferença entre simples juízo de


gosto e juízo estético. O juízo de gosto é meramente subjectivo,
depende de cada pessoa, mas não tem a ver com a qualidade estética do
objecto.

Se não reconhecermos esta diferença entre juízo de gosto e juízo


estético, então nunca podemos afirmar que não gostamos de
determinada pintura ou filme, apesar de reconhecermos que são
grandes obras de arte.

FILOSOFIA – 11.º ANO

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA CENTRADA NO CONTEÚDO (BEARDSLEY):

Temos que ser capazes de captar as propriedades estéticas que estão,


efectivamente, presentes nos objectos. E saber avaliá-las consoante a
sua unidade, diversidade e intensidade.
Estas propriedades não se captam como meras emoções subjectivas: há
emoções e causas de emoções, que não são estéticas. Então, como se
distinguem?

A experiência estética é a experiência de qualidades estéticas que são


diferentes das propriedades físicas dos objectos, mas não existem sem
eles: relação de superveniência.

FILOSOFIA – 11.º ANO

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA CENTRADA NO CONTEÚDO (BEARDSLEY):

Há dois argumentos que jogam a favor desta teoria:

Não é necessária nenhuma atitude estética que se caracterize como


atenção desinteressada (Stolnitz). Basta, simplesmente, prestar
atenção.

Quando nos referimos a uma experiência estética que tivéssemos tido


(ler um romance, ouvir uma música, ver um filme…), estamos a
referir-nos, exactamente, a esse livro ou música ou filme concretos, e
não a nenhuma experiência subjectiva. Não estamos a falar das nossas
emoções.

FILOSOFIA – 11.º ANO

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA CENTRADA NO CONTEÚDO (BEARDSLEY):

Também há críticas que se fazem a esta teoria:

A primeira é a que afirma que se há propriedades concretas no objecto


estético que podem ser captadas, então todos as devíamos captar por
igual. Quando um objecto é vermelho, p. ex., todos o vemos com essa
cor, desde que vejamos bem. Logo, se um objecto é “elegante”, por ex.,
todos o deveríamos “ver” assim. E isso não acontece.

A segunda é sobre a atenção que devemos prestar aos elementos


formais do objecto. Segundo os críticos, isto é exactamente o que
preconiza Stolnitz, com a sua atenção desinteressada e complacente.
Afinal, onde está está a diferença entre as duas teorias?

FILOSOFIA – 11.º ANO

OBJECTIVISMO ESTÉTICO

Para esta teoria, a verdade dos juízos estéticos não depende das
emoções subjectivas de quem os formula. As propriedades estéticas
encontram-se nos próprios objectos, numa relação de superveniência,
apenas têm que ser reconhecidas.

Os objectivistas defendem a sua tese com um argumento por analogia:


todos reconhecemos a mesma cor num objecto; e reconhecemos porque
o objecto tem determinadas propriedades cromáticas supervenientes;
por sua vez, o sujeito espectador tem determinadas capacidades físicas e
psicológicas, próprias da espécie humana, que lhes permitem ver aquela
cor. Só não a vê quem tem determinados problemas de visão.

FILOSOFIA – 11.º ANO

OBJECTIVISMO ESTÉTICO

Os críticos entendem que essa analogia com as cores padece da falácia


da falsa analogia. As cores e as tais propriedades estéticas não têm
qualquer semelhança (analogia). E a prova disso, são as muitas opiniões
diferentes que existem nos juízos de gosto e que não existem quando se
trata das cores.

Também afirmam que o facto de (quase) todos apreciarmos uma obra


de arte da mesma maneira, não significa a presença de propriedades
objectivas na obra. Pode apenas significar que estamos culturalmente
condicionados (ensinados, treinados) para ter aquela opinião.

A própria existência de tantos desacordos na apreciação estética parece


demonstrar, para os críticos do objectivismo, que não há nenhumas
propriedades objectivas, mas apenas meras projecções do sujeito.