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Fundamentos da

nEuropsicomotricidade

Wallon
INSTITUTO EDUCACIONAL
WALLON FUND. DA NEUROPSICOMOTRICIDADE
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APRESENTAÇÃO.
Prezado (a) Aluno (a);
Henri Wallon nasceu na França em 1879. Antes de chegar à psicologia passou
pela filosofia e medicina e ao longo de sua carreira foi cada vez mais explicitada à
aproximação com a educação. Em 1902, com 23 anos, formou-se em filosofia pela
Escola Normal Superior, cursou também medicina, formando-se em 1908. Viveu
num período marcado por instabilidade social e turbulência política.
Henry Wallon além de elaborar uma teoria sobre o desenvolvimento humano,
em virtude de sua preocupação com a educação, escreveu também sobre suas
ideias pedagógicas apontando bases que a psicologia pode oferecer À atuação
pedagogia e o uso que a pedagogia pode fazer dessas bases, além de se nutrir da
experiência pedagógica.
Wallon deixou-nos uma nova concepção ao da motricidade, da emotividade, e
da inteligência humana, sobretudo, uma maneira original de pensar a Psicologia
Infantil e reformular os seus problemas. Dessa forma, o INSTITUTO WALLON, não
apenas faz uma homenagem a este tão importante ícone da educação, mas,
também, reforça a necessidade de buscarmos uma educação cada dia melhor.
Você está recebendo este material didático, na certeza de contribuirmos para
sua formação acadêmica e, consequentemente, propiciando oportunidade para
melhoria de seu desempenho profissional. Todos nós, da equipe WALLON,
esperamos retribuir a sua escolha, reafirmando o compromisso desta Instituição
com a qualidade, por meio de uma estrutura aberta e criativa, centrada nos
princípios de melhoria contínua.
O presente material didático foi produzido criteriosamente, por meio de
coletâneas, compilações e pesquisas, pelos Professores e Coordenadores do
Instituto Wallon, para que os referidos conteúdos e objetivos sejam atingidos com
êxito. Esperamos que este seja-lhe de grande ajuda e contribua para ampliar o
horizonte do seu conhecimento teórico e para o aperfeiçoamento de sua prática.
Leia com muita atenção as orientações a seguir e um ótimo estudo!

Abraços!

Direção Geral

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ORIENTAÇÕES PARA O AUTOESTUDO

Este é seu material didático para o auto estudo, que você administrará de acordo com a sua
disponibilidade, respeitando-se naturalmente as datas dos encontros presenciais programados
pela Coordenação Pedagógica do Instituto Wallon. Leia e siga rigorosamente as instruções abaixo
pontuadas.

 Todo mês você receberá seu material didático em formato PDF com 10 dias de
antecedência da aula presencial relacionada à disciplina.
 Esse material didático será enviado ao e-mail da turma e ao coordenador de polo.
 No dia da aula presencial, todo aluno deverá ter este material impresso ou ter-me mãos
um notebook, tablete, ipad, smartphone ou outra tecnologia que possa acompanhar a
leitura e resolução de atividades.
 Leia atentamente o conteúdo do material didático (antecipadamente), imprima e
responda os exercícios da ultima página e entregue ao professor no dia da aula
presencial. Não poderá ser entregue fora da data das aulas.
 As duvidas serão sanadas nos dias das aulas presenciais.
 Seu auto estudo e a resolução das atividades equivalem à pontuação de 3,0 (três pontos)
 A soma das três avaliações é equivalente a 10,0 (10 pontos), e compreendem-se da
seguinte forma.

N-1 Autoestudo do material didático, resolução e entrega das atividades da última 3,0
página.
N-2 Trabalhos em grupos, seminários, participação, apresentações, atividades (entre 2,0
outras), realizadas em sala de aula.
N-3 Avaliação escrita realizada no último período de aula 5,0,
TOTAL 10,0

Nenhuma atividade poderá ser entregue posteriormente aos professores (salvo somente
em caso de atestado médico) os mesmos fecharão seus diários na semana subsequente à
aula presencial. Caso o aluno fique com nota abaixo da média que tem o valor equivalente
a 7,0 (sete), este deverá procurar a coordenação pedagógica do Instituto Wallon e agendar
sua recuperação.

Desejamos a você, dias maravilhosos de aprendizagem e um ótimo estudo!

Coordenação Pedagógica.

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Sumário
UNIDADE 1 – HISTÓRIA, CONCEITOS E ÁREAS DE ATUAÇÃO .....................................................6
1.1 História da psicomotricidade .........................................................................................6
1.2 O Surgimento da psicomotricidade do Brasil .......................................................................8
- Noções e conceitos de psicomotricidade ................................................................................9
1.6 – Corpo ...............................................................................................................................11
................................................................................................................................................ 11
1.6.1 – Movimento....................................................................................................................12
1.6.2 - Cognição .......................................................................................................................12
1.6.3 - Afetividade ....................................................................................................................13
1.7 - Áreas de atuação da psicomotricidade ............................................................................13
1.7.1- Reeducação psicomotora ..............................................................................................13
1.7.2 - Educação psicomotora ..................................................................................................14
1.7.3. Terapia psicomotora ......................................................................................................14
UNIDADE2 - O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR E APRENDIZAGEM ..................................... 16
2.1-Aspectos motores: .............................................................................................................16
Aspectos sensoriais ..................................................................................................................16
2.2.1 - Visão..............................................................................................................................17
2.2.2 - Audição .........................................................................................................................18
2.2.3 - Tato ...............................................................................................................................18
2.2.4 - Olfato ............................................................................................................................18
2.2.5 - Paladar ..........................................................................................................................18
2.2.6 - Cinestésico ....................................................................................................................19
Aspectos perceptivos ...............................................................................................................19
2.3.1 - Percepção visual ...........................................................................................................20
2.3.2 - Percepção auditiva........................................................................................................21
2.3.3 - Percepção tátil-cinestésica ...........................................................................................21
2.4 - Aspectos cognitivos .........................................................................................................22
2.5 - Aspectos afetivos .............................................................................................................24
2.6 –Desenvolvimento neuropsicomotor ................................................................................25
2. 7 – Padrões do desenvolvimento psicomotor .....................................................................26
2.8 - Desenvolvimentos cronológicos psicomotor ...................................................................27
2.8.1 – Estágios do desenvolvimento psicomotor ...................................................................30

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2.8.2 - Gênese do conhecimento .............................................................................................30


2.8.3 - Estágios do desenvolvimento segundo Piaget..............................................................32
2.8.4 - As principais contribuições de Wallon ..........................................................................33
2.8.7 - As principais contribuições de Jean Le Boulch..............................................................35
2.8.8 - As principais contribuições de Vitor da Fonseca ..........................................................36
UNIDADE 3 - PSICOMOTRICIDADE E ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL DO CÉREBRO .................. 37
3.1. – O Córtex e a complexidade da psicomotricidade ..........................................................37
3.2 - Psicomotricidade e organização funcional do cérebro (unidades de Luria) ....................37
3.2.1 Primeira unidade funcional Luriana ................................................................................39
3.2.2 - Segunda Unidade Funcional De Luria ...........................................................................44
3.2.3 – Terceira Unidade Funcional De Luria ...........................................................................50
UNIDADE4 - A PSICOMOTRICIDADE NA PREVENÇÃO DAS DIFICULDADES DE
APRENDIZAGEM ...............................................................................................................54
4.1 – Tonicidade .......................................................................................................................54
4. 2 – Equilíbrio ........................................................................................................................55
4.3 - Noção corporal ................................................................................................................55
4.4 - Lateralidade .....................................................................................................................56
4.5 – Estruturação espacial ......................................................................................................56
4.6 - Estruturação Temporal ....................................................................................................57
4.7 - Praxia (coordenação motora) global ...............................................................................57
4.8- Relação: psicomotricidade - dificuldades de aprendizagem ............................................58
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................ 59
REFERÊNCIA ………………………………………………………………………………………………61
ATIVIDADE AVALIATIVA 1………………………………………………………………………………..63

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UNIDADE 1 – HISTÓRIA, CONCEITOS E ÁREAS DE ATUAÇÃO

1.1 História da psicomotricidade

O processo histórico da Psicomotricidade está vinculado à história do corpo. Esta


vinculação baseia-se na valorização que os antigos povos davam ao corpo humano, por
meio da exposição de um físico musculoso, que na época representava a força da
masculinidade.
Este percurso histórico foi marcado pelas diferentes concepções que o homem
tinha a respeito de um tecido de membros que protegia a alma e o espírito do homem.
As transformações sobre a ideia de corpo perpassaram desde a civilização oriental
até a ocidental, tendo ainda como parte deste contexto a civilização grega e a idade
média, com discussões sobre a cultura do corpo, entendendo sua importância e dando
destaque para o corpo nos grandes eventos em estádios, nos mármores lapidados e nos
altares de culto da época.
O filósofo Platão em suas defesas de educação do espírito e do corpo afirmava que
havia uma separação entre corpo e alma. Porém apontava ser o corpo apenas um lugar
de transição do mundo real, ou seja, morada para uma alma imortal.
Para Aristóteles o corpo era o lugar da matéria lapidada pela alma, tendo como
tarefa apenas colocar o corpo em movimento. Nesta linha de pensamento, também
defendia a ideia de que a alma tinha a forma do corpo, sendo este o primeiro estudo
sobre o aspecto psicomotor. Estudo este que trazia a ginástica como prática de atividade
física que tinha como objetivo promover o desenvolvimento do corpo. A melhoria então
daria ao espírito maior plenitude, graça e vigor. Assim de acordo com suas ideias, os
exercícios físicos deveriam ser praticados até a adolescência de forma leve para não
prejudicar o desenvolvimento do espírito.
É no século XVIII, que Descartes traz em suas pesquisas alguns princípios sobre
corpo, com uma dualidade de corpo. Diferenciado na definição de a matéria corpo como
algo somente externo e alma como parte mais substancial, pensante reflexivo e que não
seria participante das atividades que o corpo executava.

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No século XIX, com as contribuições de estudos sobre neurofisiologia, percebeu-se


que seria impossível haver uma disfunção física séria, sem uma lesão localizada no
cérebro. Nestas evoluções sobre a temática abordada, são descobertos distúrbios na
atividade gestual como parte de uma área do sistema nervoso, surgindo então às
primeiras pesquisas sobre o campo psicomotor ligado ao aspecto neurológico.
O francês Dupré, no ano de 1907 trouxe muitas contribuições a partir de seus
estudos clínicos, principalmente com a definição de debilidade motora composta por
sincinesias (movimentos involuntários), paratomias (incapacidade de relaxar a
musculatura voluntariamente) e as inabilidades sem danos ou uma lesão extrapiramidal.
As pesquisas trouxeram pressupostos que esclarecem que os aspectos neurológicos e as
perturbações motoras infantis o conhecimento que direciona para a noção de
psicomotricidade relacionada com o desenvolvimento da inteligência e afetividade.
O médico, psicólogo e pedagogo Henri Wallon (1879-1962) marcou de forma
veemente estudos sobre a psicomotricidade e como parte da construção do psiquismo.
Wallon relacionou o movimento como parte do afeto, da emoção, ao meio ambiente e aos
hábitos do indivíduo. Defendia em seus estudos o entendimento de que o movimento é o
pensamento em ação, sendo que a linguagem e o pensamento caminham juntos e são
indissociáveis.
As obras de Piaget(1896-1980) se preocupou com estudos sobre as interrelações
sobre a percepção e a psicomotricidade por meio das experiências. Seus relatos apontam
que o período sensório motor é de suma importância para o desenvolvimento da
motricidade e consequentemente estimula a inteligência.
Nesta contextualização histórica, por volta de 1960, Ajuriaguerra, juntamente com
Wallon e Piaget deixam um legado substancial para outros autores que dão a
psicomotricidade uma redefinição sobre o seu objeto de estudo. Estas definições
enfatizaram especialmente a inter-relação, a emoção e o movimento do sujeito como um
todo. Definições que influenciam também na formação dos conceitos do campo da
psicanalise relativo à afetividade.
Na década de 70, surgem definições sobre a psicomotricidade como uma
motricidade de relação. A definição aponta para a delimitação do campo, fazendo
diferença entre a postura reeducativa e a postura terapêutica. Aconteceu aí, uma
despreocupação com as técnicas que lançavam mão do uso de instrumentos
padronizados, para a preocupação com o corpo como parte do sujeito pensante. Com a

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definição
vista comosobre
uma psicomotricidade houve
disciplina, mas com umauma diferenciação
especificidade, e assim passou
fundamentada a não clara
de forma mais ser

que os transtornos psicomotores perpassam entre o aspecto neurológico e o psiquiátrico.


Portanto, a narrativa histórica sobre a Psicomotricidade e o seu desenvolvimento
parte das contribuições daqueles que se lançaram na construção de definições e
conceitos. Tais definições dão a Psicomotricidade suas principais áreas de atuação
definidas como: educação, reeducação e terapia psicomotora com características próprias
em cada um deles.

1.2 O Surgimento da psicomotricidade do Brasil

A história da psicomotricidade no Brasil vem acontecendo de maneira semelhante


à história mundial. Os primeiros documentos registram seu nascimento na década de 50.
Gruspun, psiquiatra da infância, mencionava atividades psicomotoras indicadas no
tratamento de distúrbios de aprendizagem e enfatizaram o movimento para os processos
terapêuticos da criança excepcional.

Em Porto Alegre/RS, segundo a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade ( SBP),


foi criado serviço de Educação Especial, dentro da Secretaria de Educação do Estado,
dirigido por Rosat, psicóloga, inserindo no atendimento a Ortopedia mental e a Educação
Física para os excepcionais.

No Rio de Janeiro/RJ, em 1951 foi criado o primeiro curso de formação de


professores para deficientes auditivos, onde eram incentivadas as atividades de
Educação Física com jogos, dramatizações, mímica, rítmica e dança.

A princípio, a psicomotricidade foi introduzida nas escolas especializadas como um


recurso pedagógico que tinha como objetivo corrigir distúrbios e preencher lacunas de
desenvolvimento das crianças excepcionais. Portanto a Educação Especial foi o elo de
surgimento e ligação da psicomotricidade na Europa e no Brasil

Considera-se que a partir de 1968, é que realmente foi difundida no Brasil, através
de cursos e cadeiras de psicomotricidade em universidades de diversos estados
brasileiros. Em 1970, a primeira formação acontece no Rio de Janeiro com a vinda, da
França, de Mademoiselle Ramain Thiers e Germain Farjado. Posteriormente iniciaram-se
os cursos de formação pelos franceses André Lapierre e Francoise Desobeau.

Foi fundado em 1977 o GAE, Grupo de Atividades Especializadas, que veio a


promover a partir de 1980 vários encontros nacionais e latino-americanos. O 1º Encontro
Nacional de psicomotricidade foi realizado em 1979. O GAE é responsável pela parte

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clínica e o ISPE, Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação, destinado a


formação de profissionais em psicomotricidade, se dedica ao ensino de aplicações da
psicomotricidade em áreas de saúde e educação.

A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade foi fundada em 19 de abril de 1980, e


teve presidente Beatriz do Rego Saboya com a participação de Francoise Desobeau,
conseguindo que fosse integrada a Sociedade Internacional de Psicomotricidade, que era
sediada em Paris/França, entidade de caráter científico cultural sem fins lucrativos.

Em 1982, a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP), organizou seu


primeiro congresso no Rio de Janeiro. Nessa época começaram a surgir as primeiras
publicações brasileiras na área da psicomotricidade.

Em 1983,no Rio de Janeiro, aconteceram o curso de Pós Graduação em


Psicomotricidade, na Universidade Estácio de Sá e no Instituto Brasileiro de Medicina de
Reabilitação IBMR,

Foi aberto o curso de formação de Psicomotricista em julho de 1984, com duração


de quatro anos, em nível de graduação, hoje já aprovado pelo MEC.

Ocorreram no Brasil, vários congressos promovidos pela Sociedade Brasileira de


Psicomotricidade abordando diversos temas, sendo o mais recente o X Congresso com o
tema “Interfaces da Psicomotricidade”, em 2007, realizado em Fortaleza/CE.
A Sociedade Brasileira em Psicomotricidade (1999), define psicomotricidade como
ciência que tem, como objetivo de estudo, o homem através do seu corpo em movimento
em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber,
atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada ao processo
de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.

Portanto, a evolução da Psicomotricidade Brasileira foi norteada pela escola


francesa e se deu como na França, com a reeducação psicomotora, e mais tarde com a
educação, terapia e clínica psicomotora.

Neste processo evolutivo, o trabalho com a Educação Especial foi o elo entre o
surgimento da psicomotricidade na Europa e no Brasil. Hoje este tema tem relevância nos
cursos de graduação, Pós Graduação, e cursos de pequena duração e em especial neste,
o curso de práticas pedagógicas.

- Noções e conceitos de psicomotricidade

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Como vimos anteriormente na trajetória histórica da Psicomotricidade, encontramos


várias definições acerca de sua definição. Percebemos que seu estudo está em constante
discussão e evolução. O termo evoluiu seguindo uma trajetória primeiramente teórica,
depois prática, até chegar a um meio-termo entre essas duas, estabelecendo pouco a
pouco seu marco conceitual e de atuação prática.

A evolução da Psicomotricidade, teve em seu início um foco no aspecto motor e


neurofisiológico da criança, partindo da análise da relação entre o atraso do
desenvolvimento motor e o atraso intelectual. Os estudos também se seguiram em torno
das habilidades e aptidões motoras em função da melhoria do desenvolvimento motor,
relacionando a idade cronológica até chegar a posição atual a psicomotricidade. Aspecto
que permite o entendimento de que a psicomotricidade ultrapassa os problemas motores
e direciona também a relação entre o gesto e a afetividade associada a investigação
destes.

Neste sentido, a psicomotricidade relaciona de forma globalizada os aspectos


sociais afetivos cognitivos e motores como resgate da qualidade de vida.

Alguns conceitos de Psicomotricidade:

É a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em
movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao
processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas,
afetivas e orgânicas... (Sociedade Brasileira de Psicomotricidade)

É a relação entre Motricidade e Inteligência permitindo relacionar o movimento ao


afeto, à emoção, ao ambiente e os hábitos da criança. (Wallon - 2005).

É uma terapia que, agindo por intermédio do corpo sobre as funções mentais
perturbadas, considera a pessoa na sua totalidade, melhorando as qualidades de
atenção, representação e relacionamento visando, pelo movimento, uma
organização mental cada vez maior. (Victor Fonseca - 2008).

Segundo André Lapierre (1989), a psicomotricidade considera o ser físico e social


em transformação permanente e em constante interação com o meio, modificando-o e
modificando-se. Na psicomotricidade é trabalhado a vivencia corporal, o campo semiótico
das palavras e a interação entre objetos e o meio para realizar uma atividade. (Apud
BUENO, 1998 p19).

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O desenvolvimento psicomotor acontece num Maturacionalmente:


processo conjunto de todos os aspectos (motor, Desenvolvimento do
intelectual, emocional e expressivo), iniciando no ser humano a partir de

nascimento e completando-se maturacionalmente por experiências vividas


e/ou adquiridas ao longo da vida.
volta dos oito anos de idade.

1.6 – Corpo

O corpo é o meio de comunicação, expressão, movimento e ação por onde o


homem exprime toda a sua capacidade emocional e intelectual baseadas em suas
experiências vividas.
Segundo Fonseca (2008, p. 410), O corpo surge, portanto, mais uma vez, como o
componente material do ser humano, que, por isso mesmo, contém o sentido concreto de
todo o comportamento sócio histórico da humanidade. O corpo não é, assim, o caixote da
alma, mas o endereço da inteligência. O ser humano habita o mundo exterior pelo seu
corpo, que surge como um componente espacial e existencial, corticalmente organizado,
no qual e a partir do qual o ser humano concentra e dirige todas as suas experiências e
vivencias.

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É através do corpo que a psicomotricidade tem seu material de estudo, sobre onde
acontecem as representações corpóreas, que se modificam seguindo um ritmo e por sua
vez fazendo com que cada sujeito tenha uma vivencia corporal significativa.

1.6.1 – Movimento

Movimento é uma noção muito complexa que designa uma realidade sumamente
diversificada, e cujos diferentes aspectos só se articulam em torno desta definição:
chama-se movimento todo o deslocamento de um corpo ou de um objeto no espaço. Para
o corpo humano, trata-se de todo e qualquer deslocamento de um ou vários segmentos,
ou do corpo em seu conjunto.

O movimento assim considerado permite ao indivíduo “sentir-se” e “situar-se”, a


fim de melhor aplicar o investimento da sua corporalidade face ao espaço, ao
tempo e ao mundo dos objetos. (Fonseca)

Os comportamentos que a situação escolar exige, porém em destaque a


inseparabilidade da motilidade e da inteligência, já que é pelo movimento que o
pensamento se vai estruturando. (Fonseca)

Portanto, a ausência do movimento e da experiência corporal da criança


compromete a organização do cérebro.

1.6.2 - Cognição
Cognição é a aquisição de um conhecimento, que permite a compreensão e
estabelece o conhecimento intelectual. É por meio dos processos e estruturas cognitivas
que se elabora e torna efetiva a aprendizagem. Essa será formada uma parte pela carga
genética e uma parte pela influência do meio, desta estrutura é que favorece a
inteligência. Bruno – Neto (2007, p. 160) escreve “que a inteligência é o produto da
exploração de inúmeras informações visuais, táteis, auditivas, olfativas e gustativas
processadas e armazenadas pelo cérebro”.
A inteligência fornece coerência interna ao processo de pensamento, e é preciso
ressaltar que as emoções atuam fortemente sobre a vida cognitiva. Os processos

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cognitivos estão intrinsecamente ligados à vida emocional e social dos indivíduos a partir
de suas vivencias.
Bruno-Neto, (2007, p 161), sugere-se que a inteligência deve ser influenciada pela
experiência. E pode-se dizer que pessoas educadas em ambientes estimulantes
maximizariam seu desenvolvimento intelectual, e as pessoas criadas em ambientes
empobrecidos não atingiriam seu potencial intelectual.

1.6.3 - Afetividade

A afetividade é um estado psicológico do ser humano que pode ou não ser


modificado a partir das situações. Segundo Piaget, tal estado psicológico é de grande
influência no comportamento e no aprendizado das pessoas juntamente com o
desenvolvimento cognitivo. Faz-se presente em sentimentos, desejos, interesses,
tendências, valores e emoções, ou seja, em todos os campos da vida.
Diretamente ligada à emoção, a afetividade consegue determinar o modo com que as
pessoas visualizam o mundo e também a forma com que se manifesta dentro dele. Todos
os fatos e acontecimentos que houve na vida de uma pessoa traz recordações e
experiências por toda a sua história. Dessa forma, a presença ou ausência do afeto
determina a forma com que um indivíduo se desenvolverá.
Alguns transtornos ocorrem devido à ausência ou pouco recebimento de afeto,
onde os mais evidenciados são depressão, fobias, somatizações e ansiedade
generalizada. Pessoas com recordações e experiências ruins e/ou tristes se tornam
apáticas, ou seja, pessoas que excluem a afetividade de sua vida e que se tornam frias e
ausentes de emoção.
Afetividade influencia no desenvolvimento geral, ou seja no comportamento e no
desempenho cognitivo, pois é uma sensação de estrema importância para todos os seres
humanos.

1.7 - Áreas de atuação da psicomotricidade

1.7.1- Reeducação psicomotora

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O trabalho da reeducação privilegia a princípio, três situações: o alívio do


problema, a redução do sintoma e a adaptação ao problema, através de jogos e
exercícios psicomotores.
Na redução deve-se privilegiar a expressão livre e harmoniosa do corpo.
A metodologia se apoia na sistematização, no nível de idade e nos riscos – reforço
do problema. As conclusões, ou seja, os resultados do exame dependem dos sintomas
apresentados e da qualidade da relação estabelecida.

1.7.2 - Educação psicomotora


É dirigida basicamente a crianças normais pretendendo favorecer ao máximo, o
desenvolvimento psicomotor e evitar as desviações da personalidade.
É uma atividade preventiva que através da prática psicomotora propicia o
desenvolvimento das capacidades básicas, sensoriais, perceptivas e motoras,
favorecendo a uma organização mais adequada ao desenvolvimento global.
Segundo Lapierre: “A atividade espontânea é uma porta aberta à criatividade sem
fronteiras, à expressão livre das pulsões, ao imaginário e simbólico, ao desenvolvimento
livre da comunicação.”
Uma atividade através do movimento, visando um desenvolvimento de
capacidades básicas – sensoriais, perceptivas e motoras, propiciando uma
organização adequada de atitudes adaptativas, atuando como agente profilático
de distúrbios da aprendizagem. (Regina Morizot – 1979 – p16)

1.7.3. Terapia psicomotora

Tem como objetivo a utilização do corpo, com seus movimentos e sua


expressividade, através de uma linguagem pré-verbal, que mostram os conflitos e
dificuldades na relação EU – OUTRO – OBJETO, a serem resolvidos ou minimizados.

É através do corpo e seus movimentos, que se diagnosticam os atrasos


psicomotores, ou disfunções apresentados pelo sujeito. É uma terapia a nível corporal
que tende a modificar uma organização psicopatológica.

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O cliente vive situações afetivas e emocionais. É abordado o sintoma diretamente,


o sujeito revive situações passadas através de jogos regressivos, no corpo a corpo
através da ludicidade e dos jogos simbólicos, o trabalho acontece no contexto relacional e
afetivo – verbal, corporal, corporal-verbal, vivenciado.
O relaxamento também é usado como práticas terapêuticas, assim como atividades
livres, lúdicas e ordenadas.
A Terapia Psicomotora é destinada a indivíduos normais ou portadores de
deficiências físicas ou mentais que apresentam dificuldades de comunicação, de
expressão corporal e de vivência simbólica (Fonseca, 2008).
Objetivos da Terapia psicomotora: Atingir a pessoa em sua globalidade,
aprimorando as predicados de atenção, representação e relacionamento, apontando, pelo
movimento, um arranjo intelectual cada vez mais acrescentada; Melhorar a atividade
mental que preside à elaboração, transmissão, execução e controle do movimento;
Promover a consciência e integração do corpo; Afirmar a lateralidade; Autocontrole
corporal, orientação espaço temporal; Inibir as pulsões motoras; Melhorar a
representação do movimento; Valorizar o aspecto simbólico e expressivo do movimento;
Educar o movimento/ desenvolvendo as estruturas cognitivas e afetividade;

Depois de conhecer a história e conceitos da Psicomotricidade, vamos agora


entrar no tema desenvolvimento psicomotor e aprendizagem.

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UNIDADE 2 - O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR E APRENDIZAGEM

Para falar em desenvolvimento psicomotor e aprendizagem, teremos que falar nos


aspectos que se distinguem pelo aparato biológico individual que cada criança traz na sua
carga genética e por outros que são adquiridos pela intenção com o meio do qual se faz
parte. Serão abordados aspectos motores, sensoriais, perceptivos, cognitivos e afetivos,
presentes no desenvolvimento psicomotor da criança.

Estes aspectos quando estimulados e combinados entre si, levam a aquisição de


competências indispensáveis a aprendizagem escolar e da vida diária.

O que você entende por aprendizagem?

Aprender é modificar o cérebro com a experiência. Quanto mais você esforça, mais
aprende e melhor fica naquilo que pratica. Portanto, segundo Ohweiler (2006) -
aprendizagem é processo complexo que resulta em modificações estruturais e funcionais
permanentes do Sistema Nervoso Central. Representa uma das fases da memória:
aquisição.
Segundo Piaget (1987) “...as crianças não nascem com conhecimento, nem o
conhecimento é lançado sobre elas, mas a criança deve construir arduamente sua formas
de conhecimento ao longo do tempo.”
A prática de exercícios pode resultar numa melhora do desempenho cognitivo. Os
exercícios aprimoram uma série de habilidades valorizadas nos ambientes de ensino.

2.1- Aspectos motores:

Aspectos sensoriais

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Antes do nascimento a criança já percebe os estímulos sensoriais dentro do útero


materno. O que permite a sua adaptação ao novo meio. Assim, os sentidos tornam-se os
canais condutores desses estímulos, que podem ser:

Exteroceptivo - Este Sistema sensorial tem seus órgãos sensoriais localizados na


periferia corporal (olhos, orelhas, pele, nariz e boca). Agem a partir das informações
transmitidas por células sensitivas que por sua vez, são estimuladas por sensações que
ocorrem no ambiente circundante, isto é, fora do corpo (ex.; estímulos visuais ou
auditivos).
Proprioceptivo – Este sistema é que direciona as informações relacionadas aos
movimentos corporais e a posição do corpo. Os receptores proprioceptivos localizados
nos músculos (fuso neuro-muscular), no tendão, nas cápsulas articulares (complexos de
Golgi) e no labirinto (sistema vestibular). Fornecem informações referentes à posição e ao
movimento dos membros do corpo (Fonseca, 2008, p. 577).
Interoceptivo – O sistema sensorial rege as informações emocionais ligadas ao
controle de todo equilíbrio fisiológico. Este sistema sensorial permite que o indivíduo se
aproprie das estimulações recebidas dos aparelhos digestivos, respiratório e circulatório.
A criança aprende desde o nascimento por meio dos sentidos de seu corpo, a
conhecer o mundo a sua volta e a se mover nele. Alguns dos canais sensoriais mais
utilizados pela espécie humana são:

2.2.1 - Visão
É pela motricidade e pela visão que a criança descobre o mundo dos objetos, e é
manipulando-os que ela muda (Ajuriaguerra, 1983, p. 210)).

É considerado o mais eficiente canal sensorial, é veloz, preciso e perfeito na


comunicação e relacionamento com o outro. A criança nasce com a visão difusa. Primeiro
ela explora o objeto com a mão e, mais tarde, com a visão, acontecendo a interação com
o meio. Com a maturação cerebral e o ajustamento da visão binocular, a informação
visual será controlada e categorizada com a informação motora.
A criança conhece o mundo dos objetos e das pessoas, por meio da estimulação
visual, ela vai criando imagens do mundo.

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2.2.2 - Audição
É por meio da audição que se percebe uma gama infinita de sons, principalmente
das vozes humanas. Representa um canal importante de aprendizagem. É determinante
para o conhecimento do mundo, discriminando choros, risos, tosses, balbucio,
expressões, localizações, entre outros. A audição é um sistema sensorial básico para a
compreensão da fala humana, indispensável à estruturação simbólica.

2.2.3 - Tato
O tato é um sentido que é percebido pela pele. Percebe a temperatura, pressão,
dor, postura, movimento, entre outros. São processados por sensores táteis e
cinestésicos, levando os seres humanos a percepção e discriminação de estímulos se
tornando num importante meio de comunicação.
O bebê quando ainda rodeado pelo líquido amniótico, já recebe uma infinidade de
estímulos e, mais tarde, sua pele se condicionará como órgão de comunicação e de
interação. É pelo tato, que o bebê começa a exploração do meio externo, através dos
cuidados que recebe e, também, ele próprio, com o seu corpo e com seu Tato. È um
sentido que possui uma grande superfície corporal voltada para o exterior, sendo receptor
de vários estímulos.
Quando o bebê é amamentado, quando suga o peito, provoca na mãe a liberação
de hormônios de prazer (ocitocina e prolactina), há neste momento uma interação e uma
comunicação tátil, que ficará marcada e projetada no desenvolvimento emocional dessa
criança.

2.2.4 - Olfato
Este sentido associado a situações de prazer e desprazer torna-se um importante
meio de comunicação. O olfato tem o nariz como principal órgão receptor dos estímulos, é
responsável por sentir os odores, os cheiros.

Contribui na orientação espacial quando a visão não puder ser utilizada. O bebê
reconhece sua mãe pelo olfato e a discrimina de outras pessoas..

2.2.5 - Paladar

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É pelo paladar que reconhecemos os gostos das substâncias colocadas sobre a


língua. Na língua estão localizadas as papilas gustativas, que são estruturas compostas
por células sensoriais que nos permitem identificar os gostos básicos: o amargo, o azedo,
o salgado, e o doce. O paladar também é influenciado pelo olfato, auxiliando o cérebro a
reconhecer a discriminar os sabores dos alimentos levados à boca.
Durante a alimentação acontece uma interação não só nutritiva, mas afetiva e
emocional. Este momento pode determinar em um importante canal de comunicação e
aprendizagem.

2.2.6 - Cinestésico
Este sentido depende de receptores dos músculos, tendões, cápsulas, ligamentos
e articulações. Ele registra a posição do corpo e ajuda a equilibrar os movimentos, o
posicionamento, a velocidade e a força das partes do corpo durante o movimento. É um
sentido com ações voluntárias, pois se alguém se move é porque assim deseja. Se
fecharmos os olhos e mexermos os membros, o sentido cinestésico nos torna consciente
do movimento.

Aspectos perceptivos
Quando os bebês nascem, já possuem uma boa quantidade de mecanismos
perceptivos e cognitivos para enfrentar o mundo. Durante o primeiro anos de vida, sua
ação motora é ainda mais limitada, através da percepção vai assimilando o meio que a
cerca. Por meio do sistema sensorial, o bebê vai recebendo dados vindos do meio
exterior (exteroceptivos), por meio dos músculos, tendões e articulações em movimento
(proprioceptivos) e vindos também dos órgãos internos (interoceptivos), levando-os a
desenvolver uma capacidade de reconhecimento e identificação das informações –
percepção – para, assim, compreender e se relacionar com o meio que o envolve.
A percepção é de grande relevância no processo de aquisição de competências
indispensáveis nas aprendizagens escolares, pois desde muito cedo, a criança é colocada
em situações que propiciam o contato com o mundo das sensações, sendo estimuladas
em seu meio, transformando experiências em aprendizagem e, esta, em inteligência. Com
base nisso, Bee (2003, p. 168) escreve:

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De fato, conseguir que a colher entre com segurança na boca não é tarefa fácil
para a criança pequena, Isso obviamente envolve habilidades motoras, uma vez
que ela precisa agarrar a colher e mover a mão e o braço em direção a boca. (...)
Ela também precisa utilizar uma ampla variedade de informações perceptivas.
Acriança tem de enxergar a colher e\ou senti-la em sua mão, calcular a distancia
em relação à boca e determinar a trajetória apropriada, enquanto coordena as
informações visuais e cinestésicas conforme vai prosseguindo, a fim de mudar de
direção caso precise. (Bee - 2003, p. 168)

A aprendizagem acontece em um ambiente complexo, cheio de estímulos e


sensações vividas da interação com o meio familiar, onde o bebê lança mão de um
mundo sonoro, visual, tátil-cinestésico, para melhor percebê-lo e compreendê-lo.
Alguns canais perceptivos mais disponíveis e utilizados nas aprendizagens infantis
são:

2.3.1 - Percepção visual


É um meio de interação entre o homem e seu ambiente. É por meio da percepção
visual que se percebe os sensações captadas do mundo e do próprio corpo e ainda as
discrimina, seleciona e identifica, relacionando-as com as experiências anteriores
reconhecendo-as. A percepção visual representa primeiro degrau das funções cognitivas,
pois constitui um dos principais meios de estimulação cognitiva garantindo a
representação mental, que analisa a distancia, a visão e o reconhecimento do objeto.
Algumas capacidades psicomotoras devem ser estimuladas, como:

Coordenação visomotora– É a capacidade de coordenar à visão com a produção


da escrita (representação gráfica), do desenho, da cópia, e até mesmo, das atividades
lúdicas de manipulação e de jogos que utilizam objetos como bolas, tacos, bambolês e
bastões, utilizando a coordenação olho e ação motora.

Figura fundo – É a capacidade de distinguir uma figura em espacial dentro de um


fundo de outras informações. Esta competência é essencial para análise e síntese dos
estímulos, sejam eles auditivos ou visuais. É importante para a distinção entre palavras,
na leitura e escrita, e nas mais variadas atividades.

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Posição no espaço – É a habilidade em reconhecer e perceber qualquer forma,


em qualquer posição no espaço. É a capacidade adquirida com a consciência da
lateralização do espaço corporal. Esta habilidade permiti a diferenciação, a discriminação,
a seleção e distinção de igual e diferente, mesmo que em posições invertidas, revertidas
ou rodadas, por exemplo: b,d,q e p.

Relações espaciais: É a capacidade em reconhecer e perceber as posições


espaciais como, na frente\trás, embaixo\ em cima,\entre\ao lado de, em objetos, figuras,
pontos, letras e números entre si, em sua relação com o indivíduo. a escrita é utilizada
para reconhecer uma sequência de letras em uma palavra ou uma sequência de palavras
em uma frase.
A percepção visual deve-se processar antes das primeiras exigências gráficas.
Com uma estimulação psicomotora adequada, pode-se desenvolver todas as
competências de uma forma lúdica e prazerosa, tornando a aprendizagem integrada e
contextualizada.

2.3.2 - Percepção auditiva

A percepção auditiva tem como atender a direções verbais, processar e discriminar


as ordens verbais, ajustando-se a situação e respondendo motoramente ou não a elas.
Permite Integrar, memorizar e reproduzir ritmos e também a traduzir músicas em
movimentos, diferenciar os variados sons de instrumentos de percussão, reter e
integralizar sons, timbres e volumes, mudar expressões motoras de acordo com o som.
Pode promover a integração intersensorial auditivo-motora.

2.3.3 - Percepção tátil-cinestésica

É o meio pelo qual o indivíduo projeta, registra, analisa, armazena e integra no


cérebro as informações captadas pelos receptores táteis e cinestésicos, isso acontece por
manipulação e experimentação do movimento no espaço ao redor de si próprio. É
facilitada principalmente pelos receptores localizados em toda pele e pela percepção da
modalidade muscular, provocada pela reação de músculos, tendões e articulações. O

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verdadeiro conhecimento corporal se dá pelas sensações do movimento (percepção


cinestésica) que atingem o corpo; mover é sentir e sentir é saber. Esta percepção quando
eficiente propicia à criança o ajuste automático as situações posturais, espaciais,
temporais e coordenativas necessárias e exigidas para as competências escolares e da
vida diária.

2.4 - Aspectos cognitivos

O que o bebê tem ou faz que permita perceber que ele “pensa” ou “sabe”
algo sobre as coisas?

As funções cognitivas representam o processo pelo qual um organismo recebe


informações e as elabora para pautar seu comportamento.
Por meio do movimento e atuando no ambiente, o bebê vai vivendo e criando
novas experiências para si mesmo, estas experiências são atraentes e interessantes ao
bebê, pois vão além do que ele pode compreender no momento. Os seus esforço vão se
consolidado em aprendizagens, em acúmulos de novos entendimentos. O prazer em
realizar novas ações que vão sendo significativas pelo outro experiente, as quais vão
sendo reforçadas, leva o bebê a repetir a ação, repetir a incerteza, repetir incontáveis
possibilidades de ação novamente e, finalmente apropriar-se deste conhecimento e
melhorando os níveis de cognição.
Seu tipo de cognição é inteiramente inconsciente, não simbólica e não
simbolizável (pelo bebê); é o tipo de inteligência que exibimos quando realizamos
ações que são caracteristicamente não simbólica e não pensantes, em virtude de
terem sido tão aprendidas e automatizadas, como por exemplo, escovar os
dentes, (FLAVEL; MILLER & MILLER, 1999,p.44).

Na visão Piagetiana (1970), a linguagem, por meio da imitação tem sua origem na
função simbólica (no final do estágio sensório-motor), desenvolvendo-se dependência
com a inteligência. Paralelamente às ideias de Piaget, existem outros estudos que
atribuem às aquisições cognitivas da criança, durante p primeiro ano de vida, como
resultado de uma relação com o mundo de objetos e, também, como a criação da

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compartilhada de estruturas produtivas em um mundo de pessoas que se comunicam


(Wallon, 2005).
Gera cognição, quanto maior for a estimulação e a interação social e comunicativa
da criança com seu ambiente, maior será sua capacidade de criar esquemas que
antecipem o resultado de sua ação.
Cognição – ato ou ação de conhecer ou adquirir conhecimentos. Explica como a
criança pensa e aprende. Pressupõe a estimulação de:
Percepção e discriminação – capacidade de receber, discriminar, analisar e
interpretar sensações recebidas. Ocorre quando se opera uma estimulação sensorial.
Memória – capacidade de receber, registrar e fixar estímulos. Envolve: memória
visual, auditiva, viso-motora.
Segundo (Fonseca, 1995), a memória ocupa uma função importantíssima na
aprendizagem. Ao eleger e chamar o conhecimento assimilado e concretizado, o cérebro
combina-a, relaciona-a, classifica-a e organiza-a de uma forma sequencializada e
classificada para resultados de atendimento, de integração e de expressão.
Atenção – constitui-se no modo como a mente seleciona e fixa determinados estímulos
mantendo as funções de alerta e vigília por um período de tempo.

A atenção depende de outras variáveis como motivação, entusiasmo, curiosidade


para mobilização e estabilização da atenção necessária a aprendizagem consciente.
Raciocínio – formas de pensar graças às quais busca solucionar problemas.
Raciocínio e pensamentos estão relacionados, pois é através do raciocínio que o
pensamento se organiza.
Linguagem “Linguagem é todo sistema de signos que serve como meio de
comunicação entre indivíduos e que pode ser percebido pelos órgãos dos sentidos”
(MEC, Diretrizes n. º 2).
Vocabulário – (conjunto de palavras de uma língua) – oferecendo oportunidade
para que o aluno possa ampliar e enriquecer o vocabulário.
Fluência e codificação – (facilidade de expressar e comunicar-se). É através da
expressão e comunicação que a criança irá adquirir o domínio linguístico (ex:
dramatização, música, poesias, histórias etc.).

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Compreensão da leitura – Segundo Fonseca para que a criança possa ler é


necessário associar “o símbolo gráfico (que se vê) a um componente auditivo que se lhe
sobrepõe e lhe confere um significado”.
Escrita – É a representação simbólica, gráfica da expressão verbal. “Consiste em
saber o desenho dos símbolos, o que decorre da capacidade de decodificar as
correspondências entre os sinais gráficos – grafemas (entendimentos visual das palavras
na língua escrita) e os fonemas (entendimento auditivo na língua oral)”.

2.5 - Aspectos afetivos

Quando a criança nasce, ela já esta equipada com um repertório de condutas


afetivas que lhe permite expressar suas necessidades básicas de sono, alimentação,
repouso, entre outras. Portanto, podemos considerar que as primeiras formas de
comunicação estão ligadas aos seus desejos, seus desconfortos, suas necessidades.
Desce muito cedo, a criança já é capaz de interagir afetivamente a objetos e pessoas,
usando sorrisos e outras manifestações de formas reflexas.
A criança se realiza gestos, expressões faciais e sinais linguísticos, como atitudes
voluntárias, se apropria destas ações buscando novas aprendizagens.
Portanto, as condutas afetivas não podem ser consideradas apenas uma reação a
uma experiência; elas também são formadoras de experiências, já que as trocas entre o
bebê e seus pais e os que estão a sua volta, criam situações e experiência novas para
ambos os lados, proporcionando-lhe um diálogo próprio.
É provável que o aspecto mais importante dessas interações para a compreensão
do nascimento da linguagem, seja referente ao fato das condutas da criança
deixar supor que ela percebe muito cedo que o circulo humano do qual ela faz
parte, é composto por seres sociais; por sujeitos com intenções, capazes de
experiências e de interpretação dos significados e, definitivamente, por agentes
autônomos de seu comportamento. (CHEVRIE-MULHER; NARBONA. 2005,p.77).

A criança vai aprendendo a conhecer as próprias emoções e a identificar os


sentimentos dos outros em relação a ela, reconhecendo antecipadamente, o que certos
comportamentos podem causar aos outros e prevendo, então, experiências positivas ou
negativas.

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2.6 – Desenvolvimento neuropsicomotor

Durante a fecundação, o desenvolvimento da criança prossegue de estágio a


estágio, em uma evolução sequenciada e ordenada, sendo que cada estágio representa
um grau ou nível de maturidade. Cada nível de maturidade diz respeito a períodos
integradores e mudanças fundamentais no foco e nos centros de organização,
demonstrando a progressão do desenvolvimento fisiológico, resultado da atividade
reflexiva, da qual ele dispõe para introduzir-se neste novo meio, Isto é, fora do útero.
O bebê é frágil, incapaz de resolver suas necessidades básicas de sobrevivência.
Ela é dependente de um espaço acolhedor, representado na figura dos pais, para sua
nutrição, higiene e cuidados pessoais que possam suprir todas as necessidades urgentes
no início de sua vida.
Quanto mais a criança for estimulada a vivenciar experiências novas e apropriadas
para sua faixa etária, tanto maior e melhor será seu desenvolvimento. Com a maturação e
o desenvolvimento neurológico da criança, todas as informações resultantes de suas
experiências ficam registradas no cérebro e se tornam gradativamente especializadas. Os
neurônios comunicam-se cada vez mais eficaz e rapidamente, por meio do processo de
mielinização, isto é, uma bainha formada de uma substancia gordurosa chamada mielina,
que recobre o axônio (prolongamento do neurônio que leva as informações até o núcleo
da célula), isolando-os eletricamente uns dos outros e melhorando a condutividade. Todas
as aquisições requerem uma atividade completa do Sistema Nervoso. O corpo responde a
um estímulo cerebral voltado a um fim determinado (psicomotricidade). O córtex, por meio
das informações sensoriais e afetivas, realiza a percepção do meio, que só pode ser
adquirida com a ajuda das experiências motoras e que integram o espaço, o tempo e as
relações com o mundo dos objetos e das pessoas.
A motricidade tem a função de levar as experiências concretas, ao cérebro que
fará a decodificação de cada estímulo sensorial e afetivo e armazenará toda a gama de
informações perceptivas e, mais tarde, simbólicas, que tais vivências trouxeram ao
indivíduo. Finalmente o córtex motor, devolverá, também por meio da motricidade, a
resposta adaptativa, necessários a cada exigência do meio.
Durante o desenvolvimento psicomotor da criança, seu cérebro vai modificando a
estrutura física, em razão de seu aprendizado. O cérebro humano realiza novas conexões

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de acordo com as exigências do meio, levando-o a se reorganizar continuamente. Ele é


flexível, capaz de aprender e de se adaptar, de melhorar e aperfeiçoar as habilidades
mais utilizadas em consequência da estimulação.
O desenvolvimento da inteligência é, pois, em grande medida, função do contexto
social e histórico cultural, isto é, da qualidade e do tipo de interações que os
outros exercem sobre o indivíduo; ou seja, é fruto da incorporação ou integração
do que esta fora dele ou, melhor dito, de como o extra corporal ou extra biológico
que consubstanciam a cultura são transmitidos pelos outros mais experientes e
são apropriados pelo próprio indivíduo. (Fonseca, 2008, p.40).

2. 7 – Padrões do desenvolvimento psicomotor

Os dois padrões de desenvolvimento Psicomotor , são:


Lei céfalo-caudal: as partes do corpo que estão mais próximas da cabeça são
controladas antes, sendo que o controle estende-se posteriormente para baixo. A criança
mantém sua cabeça ereta antes do tronco e utiliza-se dos membros superiores antes dos
membros inferiores. Com base nisso, observa-se que o bebê segura a cabeça, arrasta,
senta, vira, engatinha para, depois, colocar-se em pé.
Lei próximo-distal: são controladas primeiro as partes que estão mais próximas do
eixo corporal, em seguida as que se encontram mais afastadas. Percebe o eixo corporal e
seus hemilados, partindo o controle do centro para as extremidades. Controla primeiro a
articulação do ombro, depois do cotovelo e depois da mão e dedos, que serão os últimos
a se especializarem.
O movimento da criança vai integrando e controlando voluntariamente um maior
número de grupos musculares (coordenação global), e vai se tornado progressivamente
mais precisa (coordenação fina), permitindo incorporar repertórios psicomotores mais
especializados e complexos, favorecendo uma maior percepção do meio e a busca de
maneiras mais ajustadas de agir sobre ele. Com a maturação a criança vai passando por
todas as fases de fortalecimento tônico, até ficar em pé e equilibrar (céfalo-caudal) e, a
partir daí começar a individualizar com a locomoção. Com a exploração do espaço e dos
objetos, a criança incorpora novos esquemas de ações e coordenações bilaterais,
tornando-se conscientes de sua existência e da interação com o universo ao seu redor
(próximo-distal).

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De etapa em etapa, a psicogênese da criança mostra, através da complexidade


dos fatores e das funções, através da diversidade e das oposições das crises
que a assinalam, uma espécie de unidade solidária, tanto em cada uma como
entre elas. É contra a natureza tratar a criança fragmentariamente. Em cada
idade ela constitui um conjunto indissociável e original. Na sucessão das suas
idades, ela é um único e mesmo ser em curso de metamorfoses. Feita de
contrastes e de conflitos, a sua unidade será, por isso, ainda mais suscetível de
desenvolvimentos e de novidade. (Wallon, 2005, p.215).

Daí em diante as condições funcionais ideais de estimulação recebida pela criança


é que vai sustentar o seu desenvolvimento cognitivo, motor e emocional.

2.8 - Desenvolvimentos cronológicos psicomotor

Durante o processo de maturação e desenvolvimento da criança os ganhos


funcionais, cognitivos e relacionais se entrelaçam e se suportam, definindo um perfil
psicomotor individual ao sujeito. Porém, mesmo que existem padrões de
desenvolvimento, os quais definem que certas competências são adquiridas em um
determinado período, as experiências individuais que a criança troca com o seu meio é
que vão definir a qualidade e eficiências destas aquisições. A criança passa por estágios
maturacionais que segundo Piaget (1970), estas aquisições são cumulativas, ou seja, as
habilidades adquiridas nos estágios anteriores não são perdidas a caminho do novo
estágio.
O Recém-nascido: Não realiza movimento voluntário organizado, ele apresenta
reações automático-reflexivas. É necessário perder estes automatismos para readquiri-los
de modo intencional através de informações sensoriais e manobras exploratórias geradas
pelo desejo.

Ao nascer, os movimentos são de reflexos, alguns desaparecem e outros


evoluem até a adolescência. A partir do primeiro mês, começa a distinguir
cores e formas e até mesmo o olhar do outro. É capaz de parar de chorar
quando alguém se aproxima, havendo uma reação entre a criança e o
ambiente humano, fazendo com que a socialização seja situada precocemente.

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O deslocamento de pessoas é percebido pelo bebê aos dois meses, fazendo-o


sorrir. Faz brincadeiras com as mãos examinando-as e com isso surge o interesse pelas
pessoas e por si mesmo.
Aos três meses, mantém a cabeça ereta quando sentada, involuntariamente
sacode um chocalho, por fazer sorri para o outro e seus sons vocálicos são mais
prolongados estabelecendo a primeira comunicação através do sorriso recíproco e sai do
estágio de reflexo mesmo se ainda não faz gestos intencionais.
Aos quatro meses: Consegue tocar objetos, aproximando-os, ri alto, esconde o
rosto nos lençóis e já se volta com a cabeça quando alguém o chama, fazendo com que
sua orientação espacial seja trabalhada e conseguida.
Com cinco meses: tendo um objeto que ela consegue pegar, manipula-o. Com
apoio, conserva-se sentada. A exploração espacial começa a constituir-se e consegue ver
o conjunto do corpo do outro, portanto, a apreensão é desenvolvida.
Aos seis meses: a criança passa à alimentação sólida e usa a colher. Ela utiliza o
seu corpo e os objetos.
No oitavo mês: provoca os objetos caídos e começa a brincar de esconde-
esconde e de jogar para longe os objetos. Reage negativamente à ausência da mãe ou
mesmo a um rosto estranho quando não a satisfaz. Sua mãe já é personalizada e
identificada.
Aos nove meses: mantém-se em pé com apoio. Sua linguagem é composta de
uma palavra de duas sílabas e essa palavra serve para dar nome a tudo. Colocando-se
em pé sozinha bebendo com um copo, repetindo um som escutando e parando o que faz,
ao ouvir uma ordem, acontece aos dez meses.
Com um ano, a criança anda com ajuda e sua linguagem passa a ser constituída
por três palavras. Mais tarde, com um ano e três meses anda sozinha, seu vocabulário
passa a ser de nove palavras, sendo uma linguagem de ação. As frases são construídas,
adquire a noção de totalidade corporal dando nome a duas imagens, com um ano e nove
meses, isto é adquirido.
Aos dois anos: começa a realizar exercícios diariamente, conseguindo a fixação
através deles e, mais tarde, o funcionamento dos movimentos aprendidos recentemente
como, por exemplo, o andar e a habilidade manual. Articula palavras e frases e há o
controle dos esfíncteres, continuam os movimentos associados, manifestando as

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sincinesias manuais e digitais. São marcados pelo fortalecimento da posição de pé, e


depois o andar. Durante este período, é normal que ocorra imprecisão geral de
movimentos e de controle manual deficientes.
Com dois anos e dois meses: já consegue nomear as partes do corpo através de
um desenho.
Aos três anos: a coordenação dinâmica manual está progredida e existe exatidão
nas atividades manuais, como segurar o lápis com preensão e os gestos mais
diversificados, permitindo o aperfeiçoamento da coordenação visomotora. A criança já
consegue imitar um desenho sem muitos traçados e tenta fazer um boneco mais
aperfeiçoado.
A coordenação ocular desenvolvida torna possível à criança com esta idade
construir uma ponte com três cubos ou uma torre com mais cubos com equilíbrio no
movimento fino.
Com quatro anos: o conhecimento da criança para vestir-se e despir-se sozinha,
manusear a tesoura, o lápis abotoar e desabotoar, amarrar e desamarrar o sapato e dar
laços já é evidenciado. Os movimentos de preensão ocorrem em forma de pinça, mas não
há ainda a dissociação manual.
Esses movimentos de pinça são alcançados através de tarefas onde os dedos são
mais valorizados. Essas tarefas são bem realizadas na pré-escola, onde ocorre a
maturação intelectual e motora, na qual se apoiam as duas funções esboçadas nos três
primeiros anos.
A criança de quatro a cinco anos, no começo do pré-escolar, adquire a precisão
de movimentos lentamente, e é através de atividades de pouco deslocamento. Por si
mesma, a criança de cinco a seis anos inicia a realização de certas tarefas,
independentemente, adquirindo assim um sentido de responsabilidade.
Já há controle nos exercícios complexos, pois através dos movimentos exigidos
solicitará dela um esforço enorme de caráter psicomotor. A atenção será importante neste
momento, onde facilitará a capacidade motora de uma acomodação postural para o ato
da escrita e o manejo bimanual dos movimentos que deve usar. Nesse momento, as
dissociações manuais e digitais já se afirmam e a flexibilidade dos músculos da mão,
juntamente, com a dissociação manual permite o manejo simultâneo e correto do lápis e
do caderno.

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Esses mecanismos são desenvolvidos com a integração da coordenação


visomotora, da dinâmica manual e da atenção estabilizada ao nível suficientemente para
poder fixar e sustentar a aprendizagem, permitindo à criança realizar complicadas
aquisições, naturalmente, e desenvolvendo os aspectos intelectuais e motor. Um ritmo
normal em todos os movimentos e uma precisão marcada dos gestos é percebido quando
a criança está no final dos seis anos.

2.8.1 – Estágios do desenvolvimento psicomotor


O ato de conhecer é tão vital como o ato de comer ou dormir, e se eu não posso
comer nem dormir por alguém... assim a busca do conhecimento não é
preparação para nada, e sim para a vida, aqui e agora”. (FREIRE, M., 1983, p.15).

Contribuições de alguns autores:


Para Piaget (1983) a cada ocasião que alguma pessoa ensina prematuramente a
uma criança algo que a criança poderia deparar por conta própria, essa criança está
perdendo a ocasião de cumprir a sua capacidade criadora e de envolver totalmente o que
foi instruído.
Cognitivista que mostrou necessariamente a concepção entre um princípio vivo e
seu espaço, e que o elemento para tal relação existir é o equilíbrio.
Qualquer organismo vivo deve produzir alterações tanto de seu desempenho
(adaptação) como de sua estrutura interna (organização) para continuar a ser estável e
não desaparecer. “Esta categoria se dá tanto a nível biológico como no equilíbrio entre o
sujeito e o meio”. (Apostila organizada pelos Prof. de Psicomotricidade da UCB-
2004/2005).

Como o homem constrói seu conhecimento?

2.8.2 - Gênese do conhecimento


A própria ação não é continuidade ou ponto final do conhecimento: A ação é a
primeira etapa para a fase da abstração reflexiva.

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O conhecimento é a estrutura da ação: O processo de cognição nada mais é que


como a criança aprende, conhece e atribui significado ao real. Caracteriza o
conhecimento como a compreensão do modo de construção ou transformação de objetos
e acontecimentos.
A essência do processo cognitivo é como uma reequilibração com novas
combinações, cujos elementos são retirados do sistema anterior, que se caracteriza como
uma abstração reflexiva.
A estrutura da ação é generalizante antecipadora: A partir do aprendizado de
qualquer ação está se reproduz sempre (a partir da recepção de uma bola, recebe-se
qualquer objeto);
A mesma estrutura, ex: lançar ou receber um objeto pode ser feito através de
diferentes ações. Com a repetição a criança antecipa sua ação sabendo o que deve fazer
para realizar o desejado. Na construção do espaço, primeiramente, o que vê e toca é a
referência da existência do objeto no espaço. Vai atrás do objeto e descobre a sua
existência, até que generaliza e antecipa onde o objeto irá parar.
Piaget também diz que todo conhecimento começa, tem sua origem em uma ação
– ação objetal. O sujeito constrói um modelo (esquema, estrutura) mental das ações –
quebrar e recriar os objetos – realidade.
Generalização – após a construção das estruturas mentais você tem várias
possibilidades de orientação e atuação.
Antecipação – modelar o resultado de uma ação antes do seu acontecimento.
Generalização e antecipação definem o que é conhecimento. Conhecer é construir
um modelo, uma estrutura mental generalizada e antecipatória.
Para Piaget, a inteligência refere-se ao modo como o ser humano constrói seu
conhecimento e assim se adapta a situações novas, onde para a criança ser capaz de
fazer abstrações, é necessário, entre outras coisas, que ela tenha experiências concretas
acerca das coisas, por isso o movimento será de grande importância para a cognição
Existem dois mecanismos básicos que são importantes na adaptação do ser
humano ocasionando mudanças de comportamento.
São eles:

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Assimilação: através da organização dos atos,


assimila os componentes motores das diversas
situações oferecidas pelo meio;

Acomodação: tentativa de se ajustar a uma nova


experiência ou a um novo objeto, modificando
esquemas já existentes.

2.8.3 - Estágios do desenvolvimento segundo


Piaget

Sensório-motor (0 a 2 anos) - A partir de reflexos neurológicos básicos o bebê


começa a construir esquemas de ação para assimilar o meio. A inteligência é prática. As
noções de espaço e tempo, por exemplo, são construídos pela ação. O contato com o
meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. O pensar e agir estão
estritamente ligados entre si. Os objetos só podem ser reconhecidos na medida em que o
indivíduo pode lidar com os mesmos, agindo.

Figura fonte:
http://static.enotes.com/images/psychology/psyt
_0001_0002_0_img0044.jpg

Pré-operatório (2 aos 7 anos) - A criança se torna capaz de representar


mentalmente pessoas e situações. Já pode agir por simulação, “como se”. Sua percepção
é global, sem discriminar detalhes. Deixa-se levar pela aparência, sem relacionar
aspectos. É centrado em si mesmo, pois não consegue colocar-se abstratamente, no
lugar do outro. O período Pré-operatório é caracterizado pela interiorização dos esquemas
de ações construídas no estágio anterior, aperfeiçoados e transformados em
manipulações internas das realidades, dando lugar, progressivamente à inteligência
representativa. A criança passa a atingir domínio do simbolismo, associando sempre um
objeto a alguém ou a alguma coisa. É este simbolismo que capacita a criança a
desenvolver a linguagem matemática e a linguagem verbal. O estágio em que a criança
está muito voltada para si mesma.

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Operatório (7 aos 12 anos) - Nesta fase a criança é capaz de relacionar diferentes


aspectos e abstrair dados da realidade. Não se limita a uma representação imediata, mas
ainda depende do mundo concreto para chegar a abstração. Desenvolve também a
capacidade de refazer um trajeto mental, voltando ao ponto inicial de uma determinada
situação. A criança já consegue usar a lógica para chegar às situações de maior parte dos
problemas concretos. Entretanto sua dificuldade aumenta quando se trata de lidar com
problemas não concretos.
A sequência da maturação e a influência do ambiente físico e social levam a
criança a uma importante acomodação: a operação. Mesmo que as ações externas
tenham grande importância neste estágio, a criança enriquece profundamente a
capacidade de ação interna. Uma das características da ação é a reversibilidade. A
criança acompanha a ação com um trabalho mental sendo capaz de tirar suas próprias
conclusões. Neste estágio raciocina a partir de ângulos diversos e está dentro do quadro
geral de flexibilidade que caracteriza a inteligência operacional. É capaz de colocar
objetos em série, classificá-los, etc.... O desenvolvimento ocorre a partir do pensamento
pré-lógico para as soluções lógicas de problemas concretos.
Formal (acima de 12 anos) - A representação agora permite abstração total. A
criança não se limita mais a representação imediata, nem somente as relações
previamente existentes, mas é capaz de pensar em todas as relações possíveis
logicamente. A operação formal realiza-se através da linguagem, sem relação necessária
com o dado concreto, apenas através do raciocínio. O indivíduo independe dos recursos
concretos ganhando tempo e aprofundando o conhecimento. O pensamento lógico já
consegue ser aplicado a todos os problemas que surgem, o que não significa que todo
adolescente é totalmente lógico nas ações.

2.8.4 - As principais contribuições de Wallon

“Wallon inicia seus estudos pela cócega promovida


pelo outro. Esta gargalhada leva a uma descarga de
energia de tal forma que o indivíduo responde através do:

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tremor, lassidão muscular, rigidez, incerteza, distúrbio de julgamento e espasmos


viscerais”.

A emoção tem a capacidade de contaminar o outro. No momento do perigo o


automatismo antecipa a emoção, o indivíduo reage e passada a reação deixa-se levar
pelos sintomas da emoção, ou a emoção supera o automatismo e não deixa o indivíduo
reagir. (Apostila organizada pelos Prof. de Psicomotricidade da UCB-2004/2005).
Figura fonte:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e2/
Henri_Wallon.jpg/220px-Henri_Wallon.jpg

Wallon dizia que o desenvolvimento do pensamento não é organizado, ele é


conflituoso e regressivo.
Ele organizou vários estudos sobre a importância da tonicidade no
desenvolvimento do ser humano. Um deles foi o estudo sobre o diálogo tônico entre a
mãe e o bebê, onde o estado de fusão entre ambos dependerá das modulações tônicas
de seus corpos além da respiração. O bebê e a mãe se comunicam através desse
diálogo.
“Segundo Wallon, o movimento é o elemento primordial que contribui para a
elaboração do pensamento da criança. O movimento é de natureza social, pois é por ele e
através dele que se processa, provoca e detona a maturação do sistema nervoso. A
motricidade humana começa pela atuação sobre o meio social para depois modificar o
meio físico”. (Apostila organizada pelos Prof. de Psicomotricidade da UCB-2004/2005).
Wallon dividiu em estágios o desenvolvimento psicomotor:
Corpo vivido - estágio impulsivo expressivo emocional (0 – 3 meses), existe a
dependência total em relação a família; O bebê apresenta descargas ineficientes de
energia muscular através de espasmos movimentos desorganizados.
Corpo percebido - estágio emocional – (3 – 9 meses): A emoção é o meio de
comunicação do bebê. É o período da relação afetiva mais contundente desempenhando
papel importante para a comunicação.
Corpo representado - estágio sensitivo-motor – (1 - 3 anos): A criança descobre o
mundo dos objetos e com o simbolismo, ela transforma esse objeto em uma imaginação.
Surge a marcha, a imitação e a linguagem são ampliadas.

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Para o estágio projetivo - (faixa etária aproximada não definida pelo autor): A
criança age sobre o objeto, projetando-se nas coisas para se perceber.
Na participação em diferentes grupos, ela assume vários papeis facilitando sua
entrada no meio social.
E no estágio da adolescência, a afetividade será o centro de interesse e a
maturidade virá com o acesso aos valores sociais e morais, inicialmente abstratos numa
preparação para a vida social do adulto.

2.8.7 - As principais contribuições de Jean Le Boulch

Le Boulch formulou uma teoria geral do movimento, a Psicocinética, a partir da


qual propõe aos educadores meios práticos para utilizar o movimento como uma das
bases fundamentais da educação global da criança. Na educação infantil e no ensino
fundamental a Psicocinética toma a forma de uma verdadeira educação psicomotora
fundada sobre o conhecimento das leis do desenvolvimento, qualificando a ação
educativa global e integradora. A educação psicomotora deve ser considerada como uma
educação básica para a escola primária. Ela condiciona todas as aprendizagens pré-
escolares e escolares, estas não podem ser conduzidas a bom termo se a criança não
tiver conseguido tomar consciência de seu corpo, lateralizar-se, situar-se no espaço,
dominar o tempo, se não tiver adquirido habilidade suficiente e coordenação de seus
gestos e movimentos.

A Psicocinética considera o ser humano em um ser em situação num meio físico e


cultural, abandonando a ideia do corpo como objeto.
A obra “O corpo na escola no século XXI”, escrita por Jean Le Boulch é o
resultado de 40 anos de pesquisa desse estudioso francês, que dedicou seu trabalho à
compreensão da motricidade humana, sua complexidade, suas especificidades e de suas
demais relações com o desenvolvimento e a aprendizagem.

Le Boulch é professor de Educação Física, doutor em Medicina, especialista em


Reabilitação Funcional e Psicomotricidade.

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2.8.8 - As principais contribuições de Vitor da


Fonseca

Figura
fonte:http://www.waece.org/EscueladeVerano
2012/imagenes/VitordaFonseca.jpg

É especialista em psicomotricidade pela Organização Internacional de


Psicomotricidade (OIP) e pela Associação Ibero-americana de Psicomotricidade Infantil,
em dificuldades de aprendizagem e em programas cognitivos, nomeadamente no
Programa de Enriquecimento Instrumental, de R. Feuerstein, no Programa PASS, de J.
Das, J. Naglieri e J. Kirby e no Programa de Desenvolvimento Cognitivo para a Pré-
Escola Bright Start, de C. Haywood, onde desenvolve trabalhos de pesquisa e de
formação de mediatizadores.
Fonseca (2003,2008), pontuou que para cada unidade funcional Luriana, algumas
bases psicomotoras são adquiridas, isto acontece a cada fase do desenvolvimento infantil
de 0 a 7 anos.
Para Vitor da Fonseca a Psicomotricidade é a evolução das relações recíprocas,
incessantes e permanentes dos fatores neurofisiológicos, psicológicos e sociais que
intervêm na integração, elaboração e realização do movimento humano.

O homem é seu corpo e ao mesmo tempo um espírito, todo um corpo e todo


um espírito. As duas experiências são inseparáveis: eu existo subjetivamente e eu existo
corporalmente, é uma só e mesma experiência. (Fonseca, 2008, p.125).

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UNIDADE 3 - PSICOMOTRICIDADE E ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL DO CÉREBRO

A organização do córtex é função da complexidade da motricidade que organizada,


por sua vez, em comportamentos, resulta da generalização e da associação de dados
sensoriais vindos da periferia (olhos, ouvidos, pele, músculos, tendões, ligamentos e
articulações). Entre o mundo exterior (o ambiente ou os ecossistemas naturais e sociais)
e o córtex, diz-nos Lúria, existe um processo sensorial e neural que transforma o estímulo
vindo do exterior em um estímulo significativo integrado mentalmente. Dos órgãos
sensoriais à medula ou ao tálamo para os centros corticais, a sensação é transmitida
sucessivamente em percepção, imagem, simbolização.

3.1. – O Córtex e a complexidade da psicomotricidade

Corresponde à camada mais externa do cérebro, sendo rico em neurônios, e é o


local do processamento neuronal mais sofisticado. Nele estão armazenadas as
representações simbólicas que permitem ao sujeito responder com uma ação às
solicitações do meio. O córtex recebe, analisa, sintetiza e armazena os estímulos
exteriores, organizando-os, categorizando-os e ordenando-os em função de uma
significação ou uma função específica.
O córtex cerebral é responsável pelas funções mentais mais complexas e
desenvolvidas, como a linguagem, percepção, cognição, memória e emoção. Foi a partir
da evolução do córtex que se criou a cultura e com isso a consciência.

3.2 - Psicomotricidade e organização funcional do cérebro (unidades de


Luria)

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Aleksandr Luria, um dos psicólogos russos de grande renome internacional, foi um


dos pioneiros no estudo da neuropsicologia. Contemporâneo e seguidor dos trabalhos de
Vygotsky, Luria estudou os mecanismos do cérebro e seus sistemas funcionais adquiridos
ao longo do processo sócio histórico da espécie humana. Para esse autor, um dado
comportamento ou conduta é resultado da coordenação das áreas de interação no
cérebro, isto é, da criação de várias conexões entre muitos grupos de células que se
encontram posicionadas em distantes áreas do mesmo. Luria traduziu o funcionamento
cerebral em sistemas funcionais e os dividiu em três unidades funcionais. Cada unidade
funcional desempenha uma função específica na realização das ações, porém, elas são
indissociáveis no processo funcional cerebral, ou seja, uma depende da maturação da
outra para organizar e integrar novas aprendizagens.

Figura fonte:http://images.slideplayer.com.br/10/2734523/slides/slide_14.jpg

Em cada unidade funcional Luriana, (Fonseca 2004, p. 75), agrupou algumas


bases psicomotoras, facilitando o estudo e o entendimento desse complexo sistema,
estruturando assim o desenvolvimento humano.
As bases psicomotoras agrupadas por Luria são as seguintes:

3.2.1 Primeira unidade


funcional Luriana

A primeira unidade funcional está localizada nas estruturas subcorticais do cérebro,


que suportam os dois hemisférios. Ela integra um conjunto de estruturas que são
responsáveis pela modelação do alerta cortical, pela vigilância tônico-postural e pela

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filtragem e integração das informações sensoriais recebidas do meio externo. É


compreendido pela medula, tronco cerebral, cerebelo, sistema límbico e tálamo. Esta
unidade entra em atividade já no desenvolvimento intrauterino e desempenha um papel
decisivo no parto e nos primeiros processos de maturação motora antigravitacional.
Segundo Fonseca (2008, p.432), sem esta unidade funcional, o cérebro é incapaz de
responder aos estímulos do mundo ao redor, pondo em risco não só a integração
sensório-motora do organismo total do indivíduo com o seu exterior.
Esta unidade corresponde, basicamente, à aquisição da persistência motora,
mantendo nosso cérebro no estado de alerta e atenção, necessários as desempenho de
qualquer atividade. Esses estados têm funções específicas, porém, são funcionalmente
interdependentes: Selecionam, filtram, focalizam e refinam a integração dos estímulos.
Essa unidade é composta por bases psicomotoras de Tonicidade e Equilibração.

Tonicidade- É a atividade primitiva e permanente do músculo, formando o fundo


para as atividades motoras e posturais, O tônus muscular é o que assegura a preparação
da musculatura para a maioria dos movimentos e atividades práxicas (coordenação
voluntária de movimentos orientados por um fim).
O tônus exerce a função de alerta, atenção e vigilância, assegurando o bom
andamento da atividade mental. Ele determina a atitude e, também, comanda o gesto, as
expressões e as mímicas, refletindo e exteriorizando a expressão única relativa a um
sujeito, reflete, ainda, as emoções, apresentando não uma ação puramente muscular de
cada indivíduo. Por meio da atividade tônica, mantemos a estática e a equilibração,
favorecendo a base de sustentação para todas as nossas ações, além de controlarmos a
preensão, capacidade que nos favorece na maioria das atividades escolares e da vida
diária. Um bom controle Tonico facilita o freio corporal (freio inibitório), que nos permite
mudar e controlar a posição do corpo nas atividades motoras globais e distais.

Corpo espaço e objeto entram em fusão, porque o campo motor que surge do
corpo equilibrado e seguro se inter-relaciona com o campo visual que copta o
espaço e os objetos; mão e visão mutuamente guiadas e vigiadas por efeitos da
tonicidade sustentadora estabelecem um acordo funcional entre postura e as
praxias, cuja minuciosa conexão e sucessão integradas de etapas constitui o
paradigma maturacional do desenvolvimento psicomotor da criança. (Tran-Thong,
aput Fonseca, 2008, p.44).

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Um tônus equilibrado permite à criança desfrutar da autonomia e da autoestima


necessárias para todo e qualquer processo de aprendizagem.
O tônus de suporte com base na extensibilidade e na passividade permite definir a
propensão à hipotonia ou a hipertonia, cuja significação psiconeurológica é, de grande
significação.

A criança hipotônica é mais extensível, calma e termos de atividade, o seu


desenvolvimento postura é normalmente é mais lento que o das crianças hipertônicas, a
sua predisposição motora centra-se mais frequentemente na preensão e nas praxias finas
e, consequentemente, as suas atividades mentais surgem mais elaboradas, reflexivas e
controladas. Um perfil adequado de extensibilidade e hipotonia surgem mais
frequentemente no sexo feminino.

A criança hipertônica é menos extensível, ativa, com um desenvolvimento


postural mais precoce, daí sua predisposição para a marcha e para a exploração do
espaço envolvente, consequentemente, as suas atividades mentais surgem mais
impulsivas, dinâmicas e, por isso fato também, mais descoordenadas e inadequadas.
Este perfil surge com maior frequência sexo masculino. No caso extremo de hipertonia
temos e da hipoextensibilidade temos as crianças espásticas com paralisia cerebral.

Características Da Tonicidade:

Hipotonia - Movimentos mais soltos, mais leves, mais coordenados, com menor desgaste
muscular.

Hipertonia - Multiplicidade de reações, exagerada produção motora, maior iniciativa,


adquire mais rapidamente aquisições motoras fundamentais ao desenvolvimento.

Catatonia - Se encontra nos esquizofrênicos – persistência de atitudes durante bastante


tempo, sem fadiga aparente.

Paratonia - A paratonia, definida por Ajuriaguerra, traduz a incapacidade ou a


impossibilidade de descontração voluntária.

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Sincinesias - Traduzem, segundo Ajuriaguerra e Soubiran, reações parasitas de imitação


dos movimentos contralaterais e de movimentos peribucais ou linguais.

Diadococinesia - Compreende a função motora que permite a realização de movimentos


vivos, simultâneos e alternados.

Equilibração- Segundo Fonseca (1995), A equilibração é uma condição básica da


organização psicomotora, visto que envolve uma multiplicidade de ajustamentos posturais
antigravídicos, que dão suporte a qualquer resposta motora. A equilibração reflete
consequentemente, a resposta motora vigilante e integrada face à força gravitacional que
atua permanentemente sobre o indivíduo.

A equilibração reúne um conjunto de aptidões estáticas e dinâmicas, abrangendo o


controle postural e o controle e o desenvolvimento sobre o indivíduo.
O nível de organização neurológica da equilibração envolve essencialmente o
tronco cerebral, o cerebelo e os gânglios da base, estruturas que cabem dentro da
primeira unidade funcional do modelo de Luria.
Segundo Quirós&Schranger (1979) do ponto de vista biológico a possibilidade de
se manter posturas, posições e atitudes, indicam a presença de equilíbrio. Em
psicomotricidade chamamos de equilibração a área básica para o automatismo da
movimentação da criança, seja ela estática ou dinâmica. Uma das principais aptidões da
equilibração é o controle postural (domínio da gravidade) e o desenvolvimento das
aquisições de locomoção (marcha). O sistema vestibular, por meio de informações
tônicas, tátil-cinestésicas, visuais e auditivas, organiza-se, dando ao indivíduo um controle
postural que interage com a ação permanenteda gravidade (Quirós, 1979). A Partir do
desenvolvimento da tonicidade e da equilibração, o indivíduo adquire a postura bípede,
possibilitando a liberação das mãos que, juntamente com a capacidade de exploração
ocular e a aquisição da marcha, inaugura um momento de grande aprendizagem
sensório-motora e de atividade simbólica.
A equilibração é possibilitada em dois estados.
Equilíbrio Estático: capacidade de manter certa postura sobre uma base de
sustentação.

Equilíbrio Dinâmico: Orientação controlada do corpo em situação de


deslocamento no espaço com os olhos abertos.

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Figura
fonte:

https://www.pfizer.es/docs/images_doc/salud/d-
cun980_02.jpg

Pela equilibração, a criança é capaz de se locomover e então explorar todos os


objetos e relações que necessita para sua aprendizagem. A equilibração dá ao indivíduo a
sua verticalidade e a sua diferenciação como espécie humana. A criança com sua
equilibração adequada executa suas atividades com menor esforço e desgaste, mantendo
uma movimentação harmoniosa e coordenada.
Porém, em qualquer idade, vai sempre existir alterações na equilibração, haverá
uma redução na capacidade de adquirir novas experiências e informações, com todos os
aspectos necessários à aprendizagem. A estabilização do corpo, por meio da
equilibração, em dos fatores que possibilitam a abertura dos canais apropriados para as
aprendizagens diárias.

A postura bípede deve submeter-se às leis do equilíbrio, para isso, inumeráveis


reflexos posturais de origem filogenética devem intervir assim que o deslocamento
e a flutuação do centro de gravidade se observa, exatamente para provocar
mudanças posturais corretivas, desencadeadas pela ação dos receptores
labirínticos, visuais e somaestésicos. (Fonseca,2004, p.67).

A primeira unidade funcional constitui a base sobre a qual as estruturas mais


complexas irão se apoiar (codificação e planificação). Apesar de, nesta unidade, estar a
base para outras aquisições, ela não está completa ao fim da verticalidade do indivíduo,
ela continua, sim, a ajustar o sistema postural, tornando-o prático.

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3.2.2 - Segunda Unidade


Funcional De Luria

É a unidade responsável pela


maioria das aprendizagens precoces,
sejam tônico-emocionais ou posturais
e motoras (quando envolve as áreas
primárias), e mais tarde pelas
aprendizagens pré-escolares e escolares (quando se envolvem as áreas secundárias e
terciárias).
É uma unidade funcional essencialmente constituída pelas zonas hemisféricas
posteriores dos lobos occipitais (visão), temporais (audição) e parietais (tátil-sinestésica),
e é composta por áreas primárias, secundárias e terciárias.
Áreas primárias – são áreas de recepção sensorial que estão em estreita conexão
com a periferia corporal e com os órgãos sensoriais, predeterminadas geneticamente e
sem diferenciação hemisférica, cuja disfunção causa cegueira ou surdez cortical, dado
que representam o início da integração cortical.
Áreas secundárias – são áreas de análise, síntese retenção e de integração da
informação intrasensorial específica, recebida das áreas primárias com base em
processos perceptivos simultâneos e sequenciais já especializados hemisfericamente,
onde se verifica a ocorrência de múltiplos processos de discriminação e de identificação,
de associação e de categorização de dados intra e intersensoriais.
Áreas terciárias – essencialmente localizadas no lobo parietal de ambos os
hemisférios, são áreas responsáveis pela integração sensorial crosso-modal e simultânea,
em oposição à integração sequencial característica das áreas secundárias.
A segunda unidade compreende a lateralidade, noção de corpo e estruturação
espaço temporal.
A Lateralização, basicamente inata (ZANGWILL, 1975) é governada por fatores
genéticos, embora treinamentos e os fatores de pressão social a possam influenciar.

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Razão por que é muito importante pesquisar os antecedentes da preferência manual,


principalmente quando em presença de crianças com preferência manual esquerda.
Os dois hemisférios são conectados pelo “corpo caloso”, formado por milhares de
fibras nervosas que permitem que os dois hemisférios compartilhem a aprendizagem e a
memória. Cada hemisfério tem funções muito claras e diferenciadas, e a troca de
informações entre eles é um facilitador e mantenedor da aprendizagem.
Os bebês ainda não possuem uma dominância cerebral e suas aprendizagens são
próximas às dos animais (mamíferos superiores), porém, com a maturação cortical e com
seu meio, ele passa a atribuir um valor simbólico a um dos seus hemisférios. Esta
atribuição permitirá o desenvolvimento da linguagem e a aquisição da leitura e da escrita
diferenciando-o, então, como espécie humana. O hemisfério esquerdo monitora as áreas
da lógica e da linguagem, é analítico e avalia os dados de uma maneira racional, além de
reconhecer letras, palavras e números, por isso é chamado de hemisfério simbólico. O
hemisfério direito é intuitivo: reconhece informações de imagens, por meio da linguagem
corporal, do teor emocional e do tom de voz, especializou-se na percepção espacial,
reconhecendo lugares, rostos, e objetos, por isso é chamado de hemisfério não simbólico.
O hemisfério direito comanda as funções do lado esquerdo do corpo.

A lateralização manual surge no fim do primeiro ano, mas só se estabelece


fisicamente por volta dos 4 a 5 anos, independentemente de muitas crianças
atravessarem a ambilateralidade e vários episódios de flutuação, antes de obterem
a lateralização direita ou esquerda. No nascimento, os dois hemisférios são
equipotenciais, como provam estudos de crianças com lesões no hemisfério
esquerdo que posteriormente desenvolvem a linguagem no direito fenômeno esse
observável em um cérebro maduro. (Fonseca 2012, p.151).

A lateralidade é função da dominância lateral, tendo um dos hemisférios à iniciativa


da organização do ato motor e, o outro, a função de apoio e auxilio que incidem no
aprendizado e no desempenho das praxias. Até os seis anos a criança já está apta a
perceber seu eixo corporal e seus hemilados. Mais tardiamente, quando a prevalência
hemisférica já estiver bem definida (por volta de 7 a 8 anos), a criança começa a
compreender o conceito de direita e esquerda em si mesmo, no outro e na relação com o
todo.

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Dominância Lateral é a utilização predominante de um dos lados nos quatros


segmentos corporais (olho, ouvido, mão e pé), é a utilização não isolada de um dos lados,
sendo complementada pelo outro. O lado dominante apresenta maior organização, força e
precisão, é ele que inicia e executa a ação principal e o outro lado auxilia esta ação,
sendo igualmente importante.

Destra – Significa o predomínio de utilização do lado direito;

Canhota – Significa a utilização predominante do lado esquerdo;

Ambidestra - significa a falta de um predomínio lateral estabelecido podendo o


sujeito utilizar com o mesmo desempenho, os dois lados.

Lateralidade Cruzada - quando o indivíduo utiliza pelo menos dois lados com
predomínio diferente dos dois restantes. É também função da lateralização a integração
bilateral necessária ao controle postural e perceptivo-visual.

Em termos práticos, a lateralização se processa a partir de um reconhecimento do


próprio corpo que age no mundo exterior e interior. Uma lateralização bem definida se
apoia na construção da noção de corpo, seu esquema e imagem corporal. Por meio da
motricidadea criança vai conhecendo e integralizando seu corpo. Observa-se domínio na
utilização de um dos lados, primeiro nos membros superiores e inferiores. Este processo
vai determinar a lateralização, que mais tarde já deve estar totalmente definida. Quando a
criança percebe no seu corpo o seu eixo corporal e seus lados (direito e esquerdo) ela
consegue transpor esse conhecimento para além do seu corpo, isto é, para a linguagem
oral e, finalmente para a linguagem escrita. Perceberá por exemplo, que “p” é diferente de
“q” e “b”, de “d”.

Noção de corpo - o desenvolvimento de uma criança é o resultado da interação de


seu corpo com os objetos de seu meio, com as pessoas com quem convive e com o
mundo onde estabelece ligações afetivas e emocionais. (Oliveira,1999,p. 47).

A evolução da criança é sinônima de conscientização e conhecimento cada vez


mais profunda do seu corpo, ou seja, do seu eu total. É com o corpo que a criança
elabora todas as suas experiências vitais e organiza toda a sua personalidade...
(Ajuriaguerra,1972).

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Esquema corporal -Segundo Quirós (1979) a descrição do esquema corporal


baseia-se na informação que se tem a nível cortical do próprio corpo. É a representação
relativamente global, científica e diferenciada que o indivíduo tem do seu próprio corpo em
um contexto concreto, isto é, a capacidade de reconhecer e nomear as partes do corpo e
as funções que elas desempenham. A criança, por meio da captação do seu corpo, isto é,
pelas explorações sensoriais com a boca e com as mãos, vai se percebendo e realizando
esquemas, num conhecimento não verbal, e com as interferências do meio, a criança vai
formando a representação do seu corpo.
Alguns aspectos que compõem o esquema corporal: Conhecimento do corpo e de
suas partes interligadas (segmentação);Consciência do corpo enquanto realidade
vivenciada (ação);Construção de esquemas (experiências sensório-motoras);Construção
concreta dos limites corporais (o corpo no espaço físico).
Os seres humanos só podem chegar ao desenvolvimento simbólico e á
construção de relações interpessoais desde que integrem o sistema postural e a
noção de corpo. (Fonseca, 2004, p. 71).

Imagem corporal - relaciona-se com os aspectos emocionais e com as


necessidades biológicas e relacionais, que também irão compor a noção decorpo.
Segundo L. Bender (1956 apud Quirós,1979). Caracteriza-se pela imagem que se tem do
próprio corpo, em um contexto psíquico e subjetivo. A criança descobre seu corpo,
conhece-o e faz uma imagem dele em função da utilização e dos significados que lhe são
atribuídos, por meio dos resultados de experiências psicomotoras e da relação com o
outro.

Lacan (apud Bernardinho, 2006,p290) teoriza que acriança constitui sua própria
imagem no momento em que ela a contempla no espelho e ali se reconhece, ressalta,
também, o papel do olhar do outro, o materno, isto é, a confirmação fornecida pelo adulto
por meio de olhares e palavras atuando como possibilitadora identificação da criança.

A imagem corporal perde seu sentido de imagem fragmentada em partes ou


pedaços, para surgir como uma globalidade, eu unidade, a que se associa, já é
também o sentimento do ser alguém. (Ajuriaguerra, apud Fonseca,2008, p149).

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Alguns aspectos que compõem a imagem corporal são: percepção


e organização do eu individual; percepção da imagem total no espelho;
percepção dos limites corporais.

Na prática, o bebê inicia seu autoconhecimento pela sua boca, depois pela
exploração de suas mãos. Até poder ver sua imagem total refletida num espelho e
perceber-se como imagem refletida. Ele se identifica com a própria imagem, a partir da
confirmação fornecida pelo adulto por meio de palavras, olhares e gestos repletos de
significação. Então a verdadeira imagem que fazemos de nós mesmos é resultado de
todas as nossas experiências vividas, permeadas pela carga de satisfação e insatisfação
que trazemos com elas.

A criança deve ter a possibilidade de experimentar o seu corpo para que conheça
seus limites, para que perceba esse corpo como ocupante de um espaço único. A noção
de corpo traz a consciência do ser como vivente e pertencente a um meio particular. A
criança com uma boa noção de corpo executa suas ações apoiando-se nos segmentos
corporais, atribuindo a cada um deles a sua porcentagem de responsabilidade por um
movimento bem executado. A criança precisa viver os conceitos de limites, espaço,
capacidade e desejo, em seu corpo, para depois ser capaz de transmitir esses conceitos
para fora dele. O corpo deve ser a primeira referência para que a criança possa decifrar o
universo das imagens e dos símbolos falados e escritos.
Estruturação espaço temporal – A Estruturação espaço temporal envolve
basicamente a integração cortical de dados espaciais, mais referenciados com o sistema
visual (lobo occipital), e de dados temporais,
rítmicos, mais referenciados com o sistema auditivo (lobo temporal). Dessa forma,
a estruturação espaço temporal, mais a noção de corpo, completam o estudo dos fatores
psicomotores da segunda unidade funcional, cujas propriedades funcionais estão
adaptadas à capitação, análise, síntese e armazenamento de estímulos recebidos pelos
analisadores sensoriais, visuais e auditivos.

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A estruturação espaço temporal é a capacidade de situar o próprio corpo no


espaço, em relação a referenciais e obstáculos fixos e móveis, de localizar outros objetos
com base em tais referenciais, de perceber a velocidade de deslocamento do próprio
corpo e de objetos, assim como a trajetória de seus movimentos. Essa capacidade de
localização possibilita antecipar o ponto do espaço que será ocupado pelo próprio corpo
ou por outro objeto móvel, num determinado momento futuro (alguns segundos à frente),
permitindo regulares seus próprios deslocamentos em função de seus objetivos e das
situações ambientais. A integração das informações visuais, auditivas e tátil-cinestésicas
é que possibilita o desenvolvimento da orientação espaço-temporal, a partir dos
movimentos próprios e da observação cuidadosa do ambiente.
A estruturação espacial estável, permite a criação de relações com o envolvimento,
isto é, a criação de uma estruturação espacial operacional e dinâmica com a qual nos
localizamos e orientamos mentalmente, face ao espaço e face aos objetos, podendo
assim descobrir semelhanças e diferenças nos objetos e entre os objetos.
A estruturação temporal proporciona ao indivíduo a capacidade de se situar em
relação a sucessão de acontecimentos (início, meio e
fim), à renovação cíclica de certos períodos (um dia,
uma semana, um mês, etc.) e ao caráter irreversível
do tempo (ontem, hoje, amanhã). Esta se refere ao
ritmo, que é, por sua vez, ditado pelo próprio
dinamismo do ser vivente. Desde o útero, o feto já
entra em contato com os ritmos do seu corpo e da
sua mãe, demonstrando regularidade do movimento

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em relação ás informações sonora.

Alguns ritmos próprios do ser citados por Le Boulch (1982) auxiliam na


estruturação temporal, são eles: ritmo cardíaco, respiratório, de fome, de alternância
vigília-sono, da atividade muscular, da locomoção, da palavra, das atividades viscerais e
endócrinas.

É devido á segunda unidade funcional luriana que o indivíduo consegue processar


os sons (timbre, ritmo, etc.) de fonemas e monemas, processa, também as noções de
espaço (locação, posição, orientação, etc) auxiliados pelo sentido da visão, que determina
a coordenação visomotora da figura-fundo, da cor, da forma, da espessura, das figuras,
dos signos, das letras, dos números, etc., é ainda, a responsável pelo processamento das
posturas e das praxias globais e distais, pela localização do corpo e pela integração
emocional e experiencial de gestos e ações espaço-temporais organizadas, por meio do
sentido tátil-cenestésico (Luria apud Fonseca, 2008).

Quaisquer disfunções que se verificarem nessa unidade funcional podem causar


desordens de processamento ou reconhecimento da informação, ora omitindo e
substituindo dados, ora adicionando e distorcendo outros. Essas desordens vão culminar
em dificuldades de aprendizagem comuns hoje em dia nas escolas, tais como distúrbios
de leitura e escrita, detectadas na linguagem escrita.

3.2.3 – Terceira Unidade Funcional De Luria

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Esta unidade representa o nível mais elaborado do desenvolvimento do cérebro e


está localizada no lobo frontal, de onde saem as ordens que concretizam, realizam e
executam qualquer tipo de praxia – macro, micro, oro ou grafomotora. É também
estruturada em áreas primárias, secundárias e áreas terciárias que antecedem a
produção de competências de aprendizagem. As três áreas, mais uma vez, operam
interligadas e sistematicamente. Para que a aprendizagem humana ocorra de forma
adequada, ou qualquer outra função psíquica superior, como ler, escrever ou resolver
problemas, as três áreas contribuem de forma harmônica para a sua expressão.
Nas áreas pré-frontais, por designação psicomotora, emergem as funções
executivas de planificação, de auto regulação, de suporte à decisão, de avaliação, de
continuidade temporal, de controle inibitório, de atraso e distância interiorizada, de
gratificação adiada, de atenção voluntária, de criatividade, etc.
Esta unidade é composta pelas bases psicomotoras: Praxia Global e praxia fina.
A Praxia global (coordenação motora global) tem como objetivo a realização e a
automação dos movimentos globais durante certo tempo, além da exigência da atividade
conjunta de vários grupos musculares. Por intermédio do estudo desta praxia. Pode-se
observar a perícia postural e a macromotricidade relativas à coordenação dinâmica geral.
Uma ação coordenada voltada a um fim determinado (praxia) é, antes de tudo, uma ação
antecipada mentalmente, ou seja, foi programada, regulada e verificada, para então ser
executada. Por exemplo, para a realização de um salto á distância, é necessário antecipar
o trajeto que se deve correr antes de saltar, a velocidade que se deve impor na corrida e

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começar a saltar, a capacidade de executar o salto, a confiança para fazê-lo bem, dentre
outras. Uma ação práxica é, então, a expressão da informação do córtex motor, como
resultado da recepção de informações sensoriais táteis, visuais e vestibulares
acumuladas durante anos, por meio da nossa experiência e relação no meio humano.

As praxias implicam, por um lado que o movimento seja resultado de uma


aprendizagem operada dentro de um contexto sócio histórico, e não resultante da
conjugação de reflexos ou de uma simples maturação neuromotora e, por outro,
que haja uma intenção consciente e dirigida, pressupondo a elaboração de um
plano ou de um programa visando a obtenção de um fim a atingir. (Ajuriaguerra
apud Fonseca, @008, p. 443).

A praxia global traduz a organização da


atividade consciente, da ação antecipada pelo
pensamento, pois coordena o conhecimento
integrado do corpo, por meio das informações
cognitivas e emocionais resultantes das
experiências anteriores e dos estímulos externos,
recebidos por vias perceptivas e sensoriais.

Praxia fina(Coordenação motora fina) - Ela integra todas as competências


adquiridas na praxia global, com maior complexidade e diferenciação, compreende a
micro motricidade e a perícia manual (velocidade dos movimentos finos). Deste a
preensão reflexa nos bebês até a preensão equilibrada do lápis as escreve, a praxia fina
vive uma dimensão operada e experimentada, para ajustar-se até poder ser integrada,
conhecida e pensada, tornando-se uma ação econômica, precisa e cada vez mais
automatizada. A mão é o instrumento central da praxia fina, pois é o maior órgão
exploratório existente e o grande diferencial da espécie humana. A mão, desde os
primeiros meses de vida do bebê, já explora o corpo, descobrindo-se como um ser no
mundo. A partir da postura bípede, a mão se liberta totalmente, permitindo à criança a
exploração e a manipulação do mundo dos objetos, das pessoas e do próprio corpo e,
com isso, o acesso à aprendizagem e ao desenvolvimento da inteligência.

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Até a mão do homem conseguir trabalhar a primeira pedra lascada em forma de


faca, passou-se uma imensidão de tempo, diante do qual é insignificante o tempo
que conhecemos historicamente. Mas o passo decisivo já se havia dado: a mão já
se havia liberado, estando em condições de ir adquirindo novas aptidões. (Engels,
1961, p 159).

Esta Unidade funcional constitui as ações com sequência de movimentos e


procedimentos planejados e ordenados em função de um resultado a ser atingido ou um
fim, ou ainda uma intenção a ser conseguida ou obtida. Segundo Fonseca (2008), a
planificação implica cinco dimensões: Identificar a ação desejada; sequenciar
procedimentos; recuperar dados relevantes; buscar recursos cognitivos; decidir e executar
ações. Para realizar todas essas funções complexas, a terceira unidade funcional se
apóia na maturação das áreas motoras primárias e secundárias (primeira e segunda
unidades funcionais de Luria) e depende delas, porque irão sempre operar interligadas e
integradas sistematicamente. Segundo Luria (1981, p. 218).
Uma lesão na área da terceira unidade, isto é, no lobo frontal, leva o indivíduo a
uma capacidade de formular intenções ou tarefas motoras, ficando completamente
passivo quando a situação exige um plano apropriado de ação. Qualquer disfunção pode
levar a terceira unidade funcional a déficits nas praxias, na leitura, na escrita e nos
cálculos, competências altamente complexas e diferenciadas, peculiares à espécie
humana.
A terceira unidade funcional traduz, em termos práticos, o mundo exterior, o real,
os objetos e os outros que foram manipulados, operados, provados e experimentados
corporalmente, sensorialmente, perceptivamente e relacionalmente, para depois serem
integrados, conhecidos e pensados
mentalmente.
Fator UNIDADE FUNÇÃO
Psicomotor

Segue um paralelo entre os


• Tonicidade Primeira Atenção,alerta e
fatores psicomotores citados por • Equilíbrio Unidade vigília

Fonseca, as Unidades funcionais de • Noção corporal Análise,


•Lateralidade Segunda síntese
Luria e suas funções: •Estruturação unidade armazenamen-
espaço temporal to

Terceira Organização
• Praxia global unidade planejamento e
• praxia fina planificação

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UNIDADE4 - A PSICOMOTRICIDADE NA PREVENÇÃO DAS DIFICULDADES DE


APRENDIZAGEM

No cotidiano escolar, por vezes, o professor realiza o seu trabalho de forma


mecânica e automática e deixa de explorar o aspecto lúdico e os elementos que
compõem a psicomotricidade, reduzindo assim os estímulos e deixando de lado
interesses e necessidades dos alunos.
Os conteúdos a serem trabalhados com os alunos se forem explorados através de
jogos e brincadeiras que propiciem a experiência através da manifestação corporal, terão
muito mais significado e serão muito mais apreendidos, contribuindo dessa forma para a
sua formação integral.
Sendo assim, torna-se importante o aprofundamento do tema psicomotricidade no
sentido de relacioná-lo às possíveis dificuldades de aprendizagem, visando com isso
auxiliar o professor na sua práxis pedagógica, bem como um trabalho integrado com o
profissional de Educação Física.
Entendendo que os elementos da psicomotricidade estão relacionados entre si e
interagem na formação do indivíduo, abaixo, temos um pequeno resumo, exemplificando
alguns tipos de dificuldades escolares associadas à esses elementos e algumas
atividades interventivas:

4.1 – Tonicidade

A Tonicidade reflete no estado geral da Postura;Na Organização de base; A


estruturação tônico-muscular (hipotonicidade e hipertonicidade); Nível reação tônico-
emocional e no Estado de atenção, alerta e vigília.
Dificuldades motoras: Dificuldade com postura correta; Tensão muscular, rigidez,
sincinesias, causando dificuldade na execução; A criança não consegue ficar quieta
(desengonçada); Letra com traço forte ou leve.
Comportamento: Desatenção; Apatia; Impulsividade; Baixa autoestima; Ansiedade
e Insegurança.

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Atividades: Músicas\danças, jogos e brincadeiras; Jogo Twister;


Atividades de contração e descontração; Exercícios de respiração, alongamento,
relaxamento e descontração; Pique pegue com comando; Deslocamentos variados.

4. 2 – Equilíbrio

O Equilíbrio é responsável pelos ajustes posturais antigravitários, estabelecendo


autocontrole nas posturas estáticas e no desenvolvimento de padrões locomotores (Luria,
1981; Fonseca, 1995). Equilíbrio estático e dinâmico.

Dificuldades motoras: Quedas constantes; Coordenação prejudicada;- Postura


inadequada e instável.

Comportamento: Medo; Insegurança; Desatenção.

Atividades: Equilibrar-se em um só pé, na ponta dos pés; Deslocamentos em um


só pé, com os dois juntos; Brincadeiras de pique pega com comando (pique avião);
Amarelinha; Andar sobre linhas retas ou curvas.

4.3 - Noção corporal


A evolução integral da criança é sinônima de conscientização e conhecimento cada
vez mais profundo do seu corpo, a criança é seu corpo, pois é através dele que ela
elabora todas as suas experiências vitais e organiza toda a sua personalidade.
Esquema Corporal: conhecimento intelectual das partes do corpo e suas funções;
Noção do Eu, conscientização corporal, percepção corporal e condutas de imitação;
Reconhecimento e conceito de Direita e esquerda; Imagem Corporal: é a impressão que a
pessoa tem de si mesma; Desenho do corpo.
Dificuldades motoras: movimentos descoordenados; lentidão; postura
inadequada; Dificuldades em nomear as partes do corpo; falta de controle de em
determinadas partes do corpo; Dificuldades na percepção da posição dos membros;
Problemas de orientação espaço temporal; Desenho da figura humana pobre; Má
caligrafia; leitura inexpressiva, não harmoniosa.

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Comportamento: Timidez e retraimento; Dificuldade de se expressar; Mau humor;


Dificuldade de ajuste ao meio; Desatenção.
Atividades: Músicas infantis; Twister; Brincadeiras de rodas; Imitação de gestos;
Circuitos de atividades motoras; Rolamentos e deslocamentos variados; Atividades de
mímicas e expressão corporal.

4.4 - Lateralidade
É a propensão que o ser humano possui de utilizar preferencialmente mais um lado
do corpo do que o outro. O lado dominante apresenta maior força, precisão e rapidez,
inicia e executa a ação principal.
Dominância lateral- Direita e Esquerda; Em nível de olho, ouvido pé e mão a
dominância poderá ser: Homogênea, Cruzada e Ambidestra;
Dificuldades motoras: Dificuldade de reconhecimento direita esquerda;
Dificuldade na estruturação espacial; Má postura; Dificuldade na discriminação visual;
Dificuldade de linguagem; Dificuldade de seguir direção gráfica (ex: leitura iniciando pela
esquerda);Comum escrita de letras e números “em espelhos”.
Comportamento: Insegurança, indecisão; Desajuste emocional: Baixa estima.
Atividades: Músicas\coreografias (Xuxa, A direita);Twister (jogo), jogo sobe e
desce; Atividade Comando (Chic-Chic,Boca de forno);Atividades com bolas exercitando a
direita e esquerda; Jogos e brincadeiras ( amarelinha);

4.5 – Estruturação espacial


Embora o acesso ao espaço seja proporcionado pela motricidade, a visão é o
sistema sensorial mais preparado para estruturar as questões espaciais. Consciência da
situação de seu corpo no espaço, do seu corpo em relação as pessoas e aos objetos e a
relação dos objetos entre si; Possibilita a organização da pessoa perante o mundo que
a rodeia, de organizar as coisas entre si; É fundamental para possibilitar a criança
alcançar a abstração;
Dificuldades motoras: Dificuldade na discriminação visual; Dificuldade de
respeitar ordem de sucessão de letras nas palavras e das palavras nas frases;
Dificuldades em respeitar limites da folha, acumula letras; Dificuldade para organizar –
espalha as coisas; Dificuldade em orientar-se no espaço; Não distingue direita e

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esquerda; Confunde b/d, on/ou, 12/21, 69/96;Dificuldades em reconhecer termos


espaciais como longe perto, alto baixo, frente trás.
Dificuldades de Comportamento: Desorganização; Inibição; Dificuldade de
relacionamento.
Atividades: Músicas\coreografias (Xuxa,À direita); Twist (jogo); Quebra cabeça;
Atividade Comando (Chic-Chic,Boca de forno);Pique Pega; Montar quebra cabeças; Jogo
Sobe Desce; Deslocamentos contornando objetos; Diversos jogos e brincadeiras; Ditado
topológico;

4.6 - Estruturação Temporal


Pelo ritmo das ações e dos acontecimentos num contexto de rotinas, é que a
criança adquire noção temporal necessária para conviver com antes e depois, com o
passado e o presente; Ordem e sucessão de acontecimentos; Ritmos corporais;
Dificuldades motoras: Dificuldade de descobrir ordem e sucessão dos
acontecimentos; Dificuldade de perceber intervalos, dif. na leitura; Dificuldade de seguir
ritmo regular; Não se situa “antes” e “depois”; Não tem noção de hora – não se organiza
no tempo; Ações desorganizadas; Não consegue relatar fatos; Leitura interrompida;
Dificuldades em matemática.
Comportamento: Desorganização; Atrasos.
Atividades: Músicas\coreografias (Xuxa, À direita);Brincadeiras de roda cantadas;
Atividade Comando (Chic-Chic,Boca de forno);Ouvir e sentir ritmos corporais; Chutar,
quicar bolas ou jogar para o alto, Sobe desce; Contar e recontar história observando a
sequência; Montar jogos de sequência lógica.

4.7 - Praxia (coordenação motora) global:

A maturação motora e neurológica da criança é que concretiza esta conduta


motora de base. Para vencê-la haverá um refinamento das sensações e percepções:
visual, auditiva, cinestesica, tátil. Comprovadamente ela ocorre devido a grande
solicitação motora e muscular que as atividades infantis requerem.

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A Praxia Global depende: Equilíbrio corporal; Noção do eixo corporal; Coordenação


dos movimentos; Conscientização de seu corpo e das posturas; Economia de movimento;
Dissociação de movimento; Resistência e força muscular;

Dificuldadesmotoras: Desequilíbrio falta de coordenação; Dificuldades no


conhecimento integrado do corpo; Dificuldade de controle dos gestos; Dificuldade no
desenvolvimento da coordenação visomotora; Postura incorreta ao sentar: inclinada ou
deitada, prejudicando a execução das atividades; Incapacidade de formular intenções ou
tarefas motoras; Dificuldade na leitura, escrita e nos cálculos; Dificuldades em executar
uma ação que exija planejamento e complexidade; Movimentos esteticamente feios,
bruscos, sem ritmo;
Comportamento: Apatia; Dificuldade de relacionamento.
Atividades: Exercícios de dissociação de quadris, ombros e membros;
Movimentos cruzados; Corridas, danças, coreografias; Pular corda; Atividades óculo
manuais (visomotora).
Praxia fina: É a boa utilização de nossas extremidades, com destreza e habilidade
manual; Essa conduta abrange também a coordenação visuomotora, sendo necessário
também um controle ocular acompanhado com os gestos da mão. É necessário que haja
uma independência dos braços com os ombros e das mãos com os dedos.
Dificuldades motoras: Dificuldade na leitura, escrita e nos cálculos; Dificuldades em
executar uma ação que exija planejamento e complexidade; Dificuldades no
conhecimento integrado do corpo; Rotação da folha, dif. em copiar do quadro; Braço
curvo.
Comportamento: Perturbação psicológica- não concentra; Ansiedade e
insegurança.
Atividades: Alinhavo; Jogo de bolina de gude, baliza; Colagem, recorte, pintura,
segurar objetos e folhear; Construir torres de seis a oito cubos com 3cm de lado e
tampinhas de garrafas; Fecha zíper; Tira os próprios sapatos (dar laços).

4.8- Relação: psicomotricidade - dificuldades de aprendizagem


Muitas das dificuldades escolares não se apresentam em função do nível da turma
a que as crianças chegaram, mas segundo Le Boulch (1983), e Meur & Staes (1984) em

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relação à elementos básicos ou "pré-requisitos", condições mínimas necessárias para


uma boa aprendizagem, que constituem a estrutura da
educação psicomotora. Nesse sentido, é de suma importância a atividade lúdica,
realizada através de atividades psicomotoras direcionam o desenvolvimento integral da
criança para que ela possa sedimentar bem esses "pré-requisitos", fundamentais em sua
vida escolar. Segundo Freire (1989, p.76) [...] "causa mais preocupação, na escola da
primeira infância, ver crianças que não sabem saltar que crianças com dificuldades para ler
ou escrever". Descobrir as habilidades de saltar, correr, lançar,etc. é importante para o
desenvolvimento pleno do aluno, como um organismo integrado, levando-se em conta que
tais habilidades são consideradas como formas de expressão de um ser humano.
A escola não deve se preocupar em ensinar essas habilidades apenas para que o
aluno saiba executá-las bem ou para facilitar a execução das tarefas escolares, mas sim
direcionar a aprendizagem para a formação integral do aluno.

Considerar o gesto ou a linguagem corporal como forma de expressão do


ser humano é um caminho para reconhecer a importância da atividade
corporal no processo ensino aprendizagem. Antes dos homens se
comunicarem através de símbolos, a expressão corporal se constituiu na
primeira forma de linguagem.

Coste (1981, p.46), ressalta que, "O corpo é, de fato, um lugar original de
significações específicas e, por ser parte integrante de nosso universo de símbolos, é
produto e gerador, ao mesmo tempo, de signos".
Fonseca (1996) ressalta o caráter preventivo da psicomotricidade, afirmando ser a
exploração do corpo, em termos de seus potenciais uma "propedêutica das
aprendizagens escolares". Para ele as atividades desenvolvidas na escola como a leitura,
o ditado, a redação, a cópia, o cálculo, o grafismo, a música e enfim, os movimentos estão
ligados à evolução das possibilidades motoras e as dificuldades escolares que
diretamente envolvem os aspectos psicomotores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Reconhecendo a existência de outros fatores que se manifestam nas crianças,

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relação à elementos básicos ou "pré-requisitos", condições mínimas necessárias para


originando dificuldades de aprendizagem, tais como, dificuldades de sociabilidade e no

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campo afetivo/emocional, fadiga, impossibilidades físicas e dificuldades em relação à


estrutura escolar, esse estudo ficou centrado na importância da educação psicomotora
como base para as aprendizagens escolares, no sentido de reforçar o caráter preventivo e
a importância de sua existência nas instituições escolares, visando o desenvolvimento
integral dos alunos.
Também se faz relevante, ressaltar a importância de um trabalho integrado entre
professores, orientadores (educacional e pedagógico), coordenadores e o profissional de
Educação Física, para uma avaliação criteriosa do aluno e contribuição na superação das
dificuldades apresentadas.
Em virtude de situações complexas, por vezes se faz necessária a intervenção de
outros profissionais, como, psicólogos e médicos, nesse processo de avaliação e
superação.
Deve-se ter o cuidado em não "rotular" os alunos que apresentam algumas
características específicas, sob a pena de discriminá-los no grupo e dificultar ainda mais a
sua superação. Assim, uma reflexão profunda sobre a aprendizagem humana deve ser
feita periodicamente, na escola, baseado em métodos e práticas pedagógicas que
envolvam as diversas áreas e que de forma coerente esteja relacionada ao caráter
preventivo das dificuldades de aprendizagem.

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REFERÊNCIAS:

ALVES, Fátima. Como aplicar a Psicomotricidade-uma atividade multidisciplinar com


amor e união. Rio de Janeiro: Wak editora, 2004.
SILVA, Daniel Vieira da.Psicomotricidade. Curitiba: IESDE (Inteligência Educacional e
Sistemas de Ensino), 2005.
TAILLE, Yves de la; OLIVEIRA, Marta Kohl; DANTAS, Heloisa Piaget, Vygotsky,
Wallon – teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo, Summus,1992,
VIEIRA, J. L.: BATISTA, M. I.; LAPIERRE, A. Psicomotricidade relacional: a teoria de
uma prática. 2. ed. Curitiba: Filosofart / CIAR, 2004.
BRUNO NETO, R. et al. Anatomia Humana - Aprendizagem dinâmica. 2006. ed.
gráfica clichetec - Maringá -PR.2006
AJURIAGUERRA. J. A Escrita Infantil ñ EvoluÁ„o e Dificuldades. Porto Alegre: Artes,
1988.
Fonseca, Vitor da.Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto
Alegre:Artmed,2008.
Fonseca, Vitor da.Manual de Observação Psicomotora: Significação Psiconeurológica
dos Fatores Psicomotores, 2ª Ed. Rio de janeiro, 2012.
Fonseca, Vitor da. V. Psicomotricidade: Filogênese, Ontogênese e Retrogênese. 2ª
ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
Fonseca, Vitor da. Terapia Psicomotora- Estudo de Casos. Petrópolis, Editora Vozes,
2008.
GONÇALVES, Fátima. Psicomotricidade e Educação física: Quer brincar põe o dedo
aqui. São Paulo: Edição MMX Cultural RBL Editora Ltda.
LE BOULCH, Jean: O desenvolvimento Psicomotor: do nascimento aos 6 anos. Trad.
por Ana Guadiola Brizolara. 7 ed. Porto Alegre Artes Médicas, 1982.
OLIVEIRA, G. de C.: Psicomotricidade educação e reeducação num enfoque
psicopedagógico. 8ª. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
Oliveira G. de C.: Avaliação Psicomotora à Luz da Psicologia e da Psicopedagogia. 4
ed. Petrópolis, RJ: Vozes 2002.

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Fonseca, Vitor da. Psicomotricidade. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
Fonseca, Vitor da Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2 ed. Porto Alegre:
Artes Médicas, 1995.
Fonseca, Vitor da & MENDES, N. Escola, escola, quem és tu? Porto Alegre: Artes
Médicas, 1987.
Freire, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação física.
São Paulo: Editora Scipione, 1991.
Le Boulch Jean. A educação pelo movimento: a psicocinética na idade escolar. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1983..

Disponível em:
http://pereirapsicomotorescolar.blogspot.com.br/acesso em 13/04/15 as 16:15

http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/37485/aspectos-cognitivos-
psicomotricidade##ixzz3VoKaeQa5 acesso em10/04/2015 as 20:03
http://www.psicomotricidade.com.br/sp/texto_psicomotricidade.htm, acesso em
10/04/2009 as 13:52.
http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrid=807 , acesso em 13/04/2015
as 19:02

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ATIVIDADE AVALIATIVA1

Aluno (a):
Curso:
Cidade:
Disciplina:

QUESTÃO (1)
O PERIODO DENOMINADO CORPO HABIL É MARCADO:
I - POR UM REFERENCIAL TEORICO PRODUZIDO, SOBRETURO, NO CAMPO DA NEUROLOGIA.
II – PELA IDEIA DE QUE HÁ UMA ESTREITA LIGAÇÃO ENTRE CEREBRAÇÃO E MOVIMENTO – PARALELISMO PSICOMOTOR.
III – POR UMA CONCEPÇÃO E ABORDAGEM MECANICISTA DO CORPO.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.


A)- A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
B)- A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
C)- AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
D)- A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (2)
NO PERÍODO DO CORPO CONSCIENTE, O CORPO ERA CONCEBIDO COMO:
I – RECEPTOR.
II – RECEPTÁCULO DA TRADIÇÃO.
III – MÁQUINA.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:


A) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
B) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
C) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
D) A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (3)
OS OBJETIVOS DA REEDUCAÇÃO PSICOMOTORA, PRINCIPAL SISTEMATIZAÇÃO OFERECIDA POR EDOUARD GUILMAIN
AOS ESTUDOS CORPO HÁBIL, EM 1.935, SÃO:

I – REEDUCAR A ATIVIDADE TÔNICA (EXERCICIOS DE ATITUDE, EQUILIBRIO E DE MÍMICA).


II – MELHORAR A ATIVIDADE DE RELAÇÃO (EXERCICIOS DE DISSOCIAÇÃO E DE COORDENAÇÃO MOTORA COM APOIO
LÚDICO)
III – DESENVOLVER O CONTROLE MOTOR (EXERCICIOS DE INIBIÇÃO PARA OS INSTAVEIS E DE DESINIBIÇÃO PARA OS
EMOTIVOS).

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:


A) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
B) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
C) AS AFIRMATIVAS I E II ESTÃO CORRETAS.
D) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (4)
O PERIODO HISTÓRICO REFERENTE AOS ESTUDOS DO CORPO CONSCIENTE, SEGUNDO O PROFESSOR LE CAMUS, FOI:
I – FINAL DO SÉCULO XIX – 1945
II – 1.945 – 1973
III – 1973 – ATÉ OS DIAS DE HOJE.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.


A) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
B) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
C) A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.

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D) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (5)
AS PRINCIPAIS COLABORAÇÕES DE HENRY WALLON A PSICOMOTRICIDADE REFEREM-SE ÀS SEGUINTES
FORMULAÇÕES:
I – DIÁLOGO TÔNICO: A RELAÇÃO CORPORAL AFETIVA NO CENTRO DE DESENVOLVIMENTO DEO CARATER DA CRIANÇA.
II – ESTREITA RELAÇÃO EXISTENTE ENTRE TONO POSTURAL E TONO EMOCIONAL.
III – EMOÇÃO COMO ELO DE LIGAÇÃO ENTRE O ORGANICO E O SOCIAL.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.


A) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
B) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
C) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
D) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.

QUESTÃO (6)
LEIA ABAIXO:
“...PARA CRIAR OS AUTOMATISMOS INDISPENSÁVEIS, A CONSCIENCIA DEVE PASSAR A UM SEGUNDO TERMO;
HABITUALMENTE A PARTICIPAÇÃO VOLUNTÁRIA DO SUJEITO É CONDIÇÃO PARA A EDUCAÇÃO OU REEDUCAÇÃO
PSICOMOTORA, ESTANDO PRESENTE EM TODOS OS INSTANTES, OUTORGANDO-LHE CARATER. O MOVIMENTO EM SI NÃO
É EDUCATIVO. PARA QUE O EXERCICIO POSSA INTERVIR NA VIDA PSIQUICA E CONTRIBUIRPARA SEU DESENVOLVIMENTO,
É NECESSÁRIO QUE SEJA VOLUNTARIO, PENSANDO, PRECISO E CONTROLADO.” (TRADUÇÃO)
A CITAÇÃO ACIMA PERTENCE A:
I – PICQ E VAYER E FAZ REFERENCIA AOS PRINCIPIOS DO CORPO CONSCIENTE.
II – PHILIPE TISSIÉ E FAZ REFERENCIA AOS PRINCIPIOS DO CORPO HABIL.
III – PERTENCE A SIGMUND FREUD E FAZ ALUSÃO AOS PRINCIPIOS DO CORPO SIGNIFICANTE.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVACORRETA.


A) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
B) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
C) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
D) A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (7)
NUMA PERSPECTIVA DE TOTALIDADE, SEGUNDO SILVA, O CONCEITO DE PSICOMOTRICIDADE É:
I – “CIENCIA DO MOVIMENTO MECANICO DO INDIVIDUO NO MEIO TERRESTRE E AQUATICO.”
II – “[ÁREA] DO CONHECIMENTO QUE TEM POR OBJETO O CORPO E O MOVIMENTO EM SUAS RELAÇÕES SOCIAIS E DE
PRODUÇÃO.”
III – “CIENCIA QUE TEM POR OBJETO O ESTUDO DO HOMEM, POR MEIO DO SEU CORPO EM MOVIMENTO, NAS RELAÇÕES
COM O SEU MUNDO INTERNO E EXTERNO.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A CORRETA:


A) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
B) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
C) A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.
D) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.

QUESTÃO (8)
A PSICOMOTRICIDADE DO CORPO CONSCIENTE PODE SER CHAMADA DE A CIENCIA:
I – DO ESQUEMA CORPORAL.
II – DA IMAGEM CORPORAL.
III – DA EXPRESSÃO CORPORAL.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.


A) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
B) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
C) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
D) A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (9)
“[...] TODOS SABEM DA IMPORTANCIA QIE WALLON CONCEDEU AO FENOMENO TONICO POR EXCELENCIA, QUE É A
FUNÇÃO POSTURAL DE COMUNICAÇÃO, ESSENCIAL PARA A CRIANÇA PEQUENA, FUNÇÃO DE TROCA POR MEIO DA QUAL

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A CRIANÇA DA E RECEBE.” (AJURIAGUERRA, 1962). NESTE SENTIDO, PARA WALLON, UM DOS ASPECTOS DA RELAÇÃO DA
CRIANÇA COM SEUS PARES HUMANOS, SOBRETUDO AQUELES CUIDANTES, É:
I – O DIALOGO TONICO.
II - A PRONUNCIA CORRETA DAS PALAVRAS.
III – A COR E A TEXTURA DAS ROUPAS.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.


A) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
B) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
C) A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.
D) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (10)
A PARTIR DOS ESTUDOS DA ATIVIDADE TONICA, A CRIANÇA QUE APRESENTA UMA MULTIPLICIDADE DE REAÇÕES,
EXAGERADA PRODUÇÃO MOTORA, QUE SOCIALMENTE PROVOCA, POR PARTE DAS PESSOAS, REAÇÕES E ATITUDES DE
REJEIÇÃO E QUE, GRAÇAS À SUA EXCESSIVA MOTRICIDADE, POR OUTRO LADO, ACUSA MAIOR PODER DE
TENTATIVA, ADQUIRINDO POR ESSE FATO, PELOS SEUS PROPRIOS MEIOS, AS AQUISISÇÕES MOTORAS FUNDAMENTAIS
AO SEU DESENVOLVIMENTO, DENOMINA-SE POR:

I – HIPERTÔNICA.
II – NORMOTONICA.
III – HIPOTONICA.

DE ACORDO COM AS AFIRMATIVAS ACIMA ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.


A) AS AFIRMATIVAS I, II E III ESTÃO CORRETAS.
B) A AFIRMATIVA III ESTÁ CORRETA.
C) A AFIRMATIVA I ESTÁ CORRETA.
D) A AFIRMATIVA II ESTÁ CORRETA.

QUESTÃO (11)
ESQUEMA CORPORAL ENQUANTO,
“CONHECIMENTO PROGRESSIVO DAS PARTES E FUNÇÕES DO CORPO, CONSTITUIDO A PARTIR DE ETAPAS SUCESSIVAS,
SEMELHANTES EM CRIANÇAS DA MESMA IDADE, DETERMINADO PELOS PROCESSOS DE AUTOREGULAÇÃO E ADAPTAÇÃO
AO MEIO EXTERIOR” PODE SER UM CONCEITO ATRIBUIDO A:
A) SIGMUND FREUD.
B) HENRY WALLON.
C) ANTONIO GRAMSCI.
D) JEAN PIAGET

QUESTÃO (12)
CONCEBENDO O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO COMO DESCONTINUO,
(___________) SE CONTRAPÕE ÀS TEORIAS ELABORADAS SEGUNDO REGRAS DE MATURAÇÃO UNIVOCA E DE
ENCADEAMENTO DE OPERAÇÕES SUCESSIVAS DO PENSAMENTO. EM SUAS FORMULAÇÕES, O DESENVOLVIMENTO
ADVÉM DE UM PROCESSO DE SUPERAÇÃO, POR INCORPORAÇÃO DE ANTIGAS ATITUDES E FORMAS DE PENSAMENTO,
MOTIVADAS PELAS CONTRADIÇÕES PRESENTES NAS NOVAS RELAÇÕES QUE SE ESTABELECEM ENTRE A CRIANÇA E O
MEIO HUMANO. À MODA DE GRAMSCI, PODEMOS DIZER QUE PARA (_______), O ?HOMEM É PROCESSO [HISTÓRICO],
PRECISAMENTE O PROCESSO DE SEUS ATOS [DE SUAS RELAÇÕES].? (COLCHETES NOSSOS)
O NOME QUE PREENCHE AS LACUNAS ACIMA, A QUEM O TEXTO REFERE TAIS FORMULAÇÕES É:
A) HENRY WALLON.
B) ANTONIO GRAMSCI.
C) SIGMUND FREUD.
D) JEAN PIAGET.

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