Você está na página 1de 80

LIVRO DE

TESTES

SENTIDOS
12
PORTUGUÊS
is
r ais
Materi
ANA CATARINO veis,
s
disponív
ANA FELICÍSSIMO m a too
em form
r
ISABEL CASTIAJO l,
i ável, e m
edit
MARIA JOSÉ PEIXOTO

• MATRIZES DE CONTEÚDOS
• TESTES DE AVALIAÇÃO
• CENÁRIOS DE RESPOSTA
Índice
1. Matrizes de Conteúdos ..........................................................3

2. Testes de Avaliação* ............................................................ 11

Testes de Avaliação 1 ................................................................. 12


Testes de Avaliação 2 ................................................................. 16
Testes de Avaliação 3 ................................................................. 20
Testes de Avaliação 4 ................................................................. 24
Testes de Avaliação 5 ................................................................. 28
Testes de Avaliação 6 ................................................................. 32
Testes de Avaliação 7 ................................................................. 36
Testes de Avaliação 8 ................................................................. 40
Testes de Avaliação 9 ................................................................. 45
Testes de Avaliação 10 .............................................................. 49
Testes de Avaliação 11 ............................................................... 53
Testes de Avaliação 12 ............................................................... 58
Testes de Avaliação 13 ............................................................... 63
Testes de Avaliação 14 ............................................................... 68

3. Cenários de Resposta ...................................................... 73

*Grelhas de correção disponíveis, em formato editável, ®Excel, em


1.
MATRIZES DE
CONTEÚDOS

Materiais disponíveis, em formato editável, em

SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" 3
1. MATRIZES DE CONTEÚDOS

TESTES DE AVALIAÇÃO N.OS 1 e 2 (pp. 12 e 16), Fernando Pessoa, poesia do ortónimo

Domínios e GRUPOS
Conteúdos
I II III

EDUCAÇÃO LEITURA EXPRESSÃO


LITERÁRIA E GRAMÁTICA ESCRITA

Teste n.o 1 Teste n.o 1 Teste n.o 1


Item A Valor aspetual Texto de opinião
Fernando Pessoa, Funções sintáticas
poesia do ortónimo Classes/subclasses de
+ palavras
Item B Mecanismos de coesão Cotação /
Luís de Camões, Orações subordinadas
pontos
Rimas Formação de palavras

Teste n.o 2 Teste n.o 2 Teste n.o 2


Item A Processos fonológicos Texto de opinião
Fernando Pessoa, Classes/subclasses de
poesia do ortónimo palavras
+ Mecanismos de
Item B coesão
Eça de Queirós, Reprodução do
Os Maias discurso no discurso
Tipologia Orações subordinadas
de itens Funções sintáticas

II
Escolha múltipla 1. a 7. 35
(7 itens x 5 pontos)

II
Resposta curta 8., 9. e 10. 15
(15 pontos)

I–A
1. a 3. 60
(3 itens x 20 pontos)
Resposta restrita
I–B
4. e 5. 40
(2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa (30 + 20) 50

COTAÇÃO 100 50 50 200

EDITÁVEL
4 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
1. MATRIZES DE CONTEÚDOS

TESTES DE AVALIAÇÃO N.OS 3 e 4 (pp. 20 e 24), Fernando Pessoa, heterónimos e Bernardo Soares

Domínios e GRUPOS
Conteúdos
I II III

EDUCAÇÃO LEITURA E ESCRITA


LITERÁRIA GRAMÁTICA

Teste n.o 3 Teste n.o 3 Teste n.o 3


Item A Valor lógico dos Texto expositivo
Álvaro de Campos conectores
Orações subordinadas
Item B Funções sintáticas
Padre António Vieira Valor modal Cotação /
Formação de palavras
pontos
Teste n.o 4 Teste n.o 4 Teste n.o 4
Item A Formação de palavras Apreciação crítica
Bernardo Soares Funções sintáticas
+ Classes de palavras
Item B Mecanismos de
Alberto Caeiro coesão
Orações subordinadas

Tipologia
de itens

II
Escolha múltipla 1. a 7. 35
(7 itens x 5 pontos)

II
Resposta curta 8., 9. e 10. 15
(15 pontos)

I–A
1. a 3. 60
(3 itens x 20 pontos)
Resposta restrita
I–B
4. e 5. 40
(2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa (30 + 20) 50

COTAÇÃO 100 50 50 200

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 5
1. MATRIZES DE CONTEÚDOS

TESTES DE AVALIAÇÃO N.OS 5 e 6 (pp. 28 e 32), Fernando Pessoa, Mensagem

Domínios e GRUPOS
Conteúdos
I II III

EDUCAÇÃO LEITURA ESCRITA


LITERÁRIA E GRAMÁTICA

Teste n.o 5 Teste n.o 5 Teste n.o 5


Item A Sinais gráficos de Texto de opinião
Fernando Pessoa, pontuação
Mensagem Funções sintáticas
Orações subordinadas
Item B Mecanismos de
Cotação /
Luís de Camões, Coesão
Os Lusíadas Valor aspetual
pontos
Valor modal

Teste n.o 6 Teste n.o 6 Teste n.o 6


Item A Classes/subclasses de Texto expositivo
Fernando Pessoa, palavras
Mensagem Funções sintáticas
Orações subordinadas
Item B Formação de palavras
Luís de Camões, Sinais gráficos de
Os Lusíadas pontuação
Tipologia Valor modal
de itens

II
Escolha múltipla 1. a 7. 35
(7 itens x 5 pontos)

II
Resposta curta 8., 9. e 10. 15
(15 pontos)

I–A
1. a 3. 60
(3 itens x 20 pontos)
Resposta restrita
I–B
4. e 5. 40
(2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa (30 + 20) 50

COTAÇÃO 100 50 50 200

EDITÁVEL
6 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
1. MATRIZES DE CONTEÚDOS

TESTES DE AVALIAÇÃO N.OS 7 e 8 (pp. 36 e 40), Contos

Domínios e GRUPOS
Conteúdos
I II III

EDUCAÇÃO LEITURA E ESCRITA


LITERÁRIA GRAMÁTICA

Teste n.o 7 Teste n.o 7 Teste n.o 7


Item A Orações subordinadas Texto de opinião
“Sempre é uma Funções sintáticas
companhia”, de Sequências textuais
Manuel da Fonseca Valor aspetual
Valor lógico dos
Item B articuladores Cotação /
Cesário Verde Formação de palavras pontos
Relações lexicais/
semânticas entre
palavras

Teste n.o 8 Teste n.o 8 Teste n.o 8


Item A Orações subordinadas Texto de opinião
“George”, de Maria Funções sintáticas
Judite de Carvalho Valor modal
Formação de palavras
Item B Mecanismos de
Antero de Quental coesão/referentes
Tipologia Sequências textuais
de itens Classes de palavras

II
Escolha múltipla 1. a 7. 35
(7 itens x 5 pontos)

II
Resposta curta 8., 9. e 10. 15
(15 pontos)

I–A
1. a 3. 60
(3 itens x 20 pontos)
Resposta restrita
I–B
4. e 5. 40
(2 itens x 20 pontos)

50
Resposta extensa (30 + 20)

COTAÇÃO 100 50 50 200

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 7
1. MATRIZES DE CONTEÚDOS

TESTE DE AVALIAÇÃO N.OS 9 e 10 (p. 45 e 49), Poetas contemporâneos

Domínios e GRUPOS
Conteúdos
I II III

EDUCAÇÃO LEITURA ESCRITA


LITERÁRIA E GRAMÁTICA

Teste n.o 9 Teste n.o 9 Teste n.o 9


Item A Relações lexicais/ Texto de opinião
Eugénio de Andrade semânticas entre
palavras
Item B Funções sintáticas Cotação /
Antero de Quental Orações subordinadas
pontos
Mecanismos de coesão
Valor modal
Valor temporal

Teste n.o 10 Teste n.o 10 Teste n.o 10


Item A Mecanismos de coesão Apreciação crítica
Miguel Torga Funções sintáticas
Valor dos conectores
Item B Formação de palavras
Poesia trovadoresca Orações subordinadas
Tipologia Valor modal
de itens

II
Escolha múltipla 1. a 7. 35
(7 itens x 5 pontos)

II
Resposta curta 8., 9. e 10. 15
(15 pontos)

I–A
1. a 3. 60
(3 itens x 20 pontos)
Resposta restrita
I–B
4. e 5. 40
(2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa (30 + 20) 50

COTAÇÃO 100 50 50 200

EDITÁVEL
8 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
1. MATRIZES DE CONTEÚDOS

TESTE DE AVALIAÇÃO N.OS 11 e 12 (pp. 53 e 58), Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis

Domínios e GRUPOS
Conteúdos
I II III

EDUCAÇÃO LEITURA ESCRITA


LITERÁRIA E GRAMÁTICA

Teste n.o 11 Teste n.o 11 Teste n.o 11


Item A Valor modal Texto de opinião
José Saramago, Valor aspetual
O ano da morte Mecanismos de coesão
de Ricardo Reis Funções sintáticas
Etimologia
Cotação /
Item B Relações lexicais/
Cesário Verde semânticas entre
pontos
palavras

Teste n.o 12 Teste n.o 12 Teste n.o 12


Sinais gráficos de Apreciação crítica
Item A pontuação
O ano da morte Funções sintáticas
de Ricardo Reis Orações subordinadas
Mecanismos de coesão
Item B Processos fonológicos
Poetas do século XX, Valor modal
Tipologia Manuel Alegre Deixis
de itens Valor temporal

II
Escolha múltipla 1. a 7. 35
(7 itens x 5 pontos)

II
Resposta curta 8., 9. e 10. 15
(15 pontos)

I–A
1. a 3. 60
(3 itens x 20 pontos)
Resposta restrita
I–B
4. e 5. 40
(2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa (30 + 20) 50

COTAÇÃO 100 50 50 200

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 9
1. MATRIZES DE CONTEÚDOS

TESTE DE AVALIAÇÃO N.OS 13 e 14 (p. 63 e 68), Saramago, Memorial do convento

Domínios e GRUPOS
Conteúdos
I II III

EDUCAÇÃO LEITURA ESCRITA


LITERÁRIA E GRAMÁTICA

Teste n.o 13 Teste n.o 13 Teste n.o 14


Item A Processos fonológicos Síntese
José Saramago, Orações subordinadas
Memorial do convento Valor aspetual
Modos de relato do
Item B discurso Cotação /
Padre António Vieira Mecanismos de coesão pontos
Funções sintáticas
Etimologia

Teste n.o 14 Teste n.o 14 Teste n.o 14


Item A Dêixis Apreciação crítica
José Saramago, Orações subordinadas
Memorial do convento Intertextualidade
Sequências textuais
Item B Etimologia
Fernão Lopes, Valor temporal
Tipologia Crónica de D. João I
de itens

II
Escolha múltipla 1. a 7. 35
(7 itens x 5 pontos)

II
Resposta curta 8., 9. e 10. 15
(15 pontos)

I–A
1. a 3. 60
(3 itens x 20 pontos)
Resposta restrita
I–B
4. e 5. 40
(2 itens x 20 pontos)

Resposta extensa (30 + 20) 50

COTAÇÃO 100 50 50 200

EDITÁVEL
10 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2.
TESTES DE
AVALIAÇÃO

Materiais disponíveis, em formato editável, em


2. TESTES DE AVALIAÇÃO

1. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto.

Um piano na minha rua...


Crianças a brincar...
O sol de domingo e a sua
Alegria a doirar...
5

A mágoa que me convida


A amar todo o indefinido...
Eu tive pouco na vida
Mas dói-me tê-lo perdido.

10 Mas já a vida vai alta


Em muitas mudanças!
Um piano que me falta
E eu não ser as crianças!
25-2-1917
Fernando Pessoa, Poesia do Eu (edição de Richard Zenith),
Porto, Assírio & Alvim, 2014, pp. 102-103.

1. Indique o local, o tempo e a situação registados pelo sujeito poético na primeira estrofe.

2. Descreva o estado de espírito do sujeito poético, confrontando-o com o experienciado no pas-


sado.

3. Refira, justificando à luz das aprendizagens realizadas, o tema predominante no poema.

EDITÁVEL
12 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia o soneto.

Ditoso seja aquele que somente


se queixa de amoras esquivanças;
pois por elas não perde as esperanças
de poder n’algum tempo ser contente.

5 Ditoso seja quem, estando ausente,


não sente mais que a pena das lembranças;
porqu’, inda que se tema de mudanças,
menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado


10 onde enganos, desprezos e isenção
trazem o coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoado


d’ erros em que não pode haver perdão,
sem ficar n’alma a mágoa de secado.
Luís de Camões, Rimas (texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão),
Coimbra, Almedina, 2005, p. 138.

4. Divida o soneto em duas partes lógicas, justificando essa segmentação.

5. Explore o valor expressivo da anáfora presente nos versos 1, 5 e 9.

GRUPO II

Responda às questões. Na resposta aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

A quarta revolução
A quarta revolução industrial está aqui, mesmo quando não percebida porque encoberta no
velho lodo de um Mundo desigual, onde a pobreza extrema se agrava e as alterações climatéricas
bradam a desordem de um modelo de desenvolvimento insustentável, do qual as migrações massi-
vas e desesperadas são um sinal, entre outros. Mas a “revolução” está aqui e agora, na sua mutabi-
5 lidade permanente, na vertiginosa capacidade de adaptação e integração, unindo polos longínquos
do Planeta, comunicando na mesma língua, à velocidade da Internet, uma fabriqueta do Burundi
com um escritório de Manhattan.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 13
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Na base da quarta revolução industrial está a transação acelerada e cada vez mais direta do
conhecimento e da inovação tecnológica para a economia, serviços, administração e governo das
10 sociedades (países, instituições, aldeias,..) inserindo alterações radicais no modo de organização
dos mercados e do trabalho, a uma escala mundial, sistémica e total.
O Fórum Económico Mundial, reunido este ano em Davos, prevê que sejam extintos cinco mi-
lhões de postos de trabalho nos próximos anos. Há funções e trabalhos que rapidamente se tornarão
irrelevantes e obsoletos face a novos processos mais avançados de produção, novas necessidades
15 e estilos de vida. Mas, de igual modo, há novas profissões a nascer de forma surpreendentemente
rápida.
Como nos situamos neste processo? De que modo podem um país, uma instituição, uma pes-
soa, serem nele atores reivindicando para si o estatuto de sujeito − que interfere na decisão, no
seu sentido e rumo − e não mero elo anónimo da cadeia produtiva? Ou seja, que tipo de revolução
20 desejamos, nos seus fins e meios?
O conhecimento e a inovação, em si, não conhecem cores políticas ou preconceitos ideológicos.
Pelo contrário: são filhos do pensamento criativo, da liberdade. Mas o mesmo poderemos dizer da
sua aplicação? Da forma fluída e irresponsável como fluem, transformados em mercadorias sem
barreiras éticas ou compromissos contratualizados?
25 A verdade é que precisamos de pensar no futuro que queremos, para fazermos no presente as
ações que o constroem.
Uma das ideias utópicas mais recorrentes na filosofia política ou na literatura é o sonho de um
futuro, onde liberto pelo saber das tarefas mais duras, o homem poderia gozar o lazer, usufruindo
num Éden feliz uma relação de paz com a Natureza.
30 Não há Éden no Mundo dos homens. Temos de nos governar e a crítica é a arma indispensável
de toda a construção.
Rosário Gambôa, in JN, edição online de 07 de outubro de 2016 (consultado em novembro de 2016).

1. A quarta revolução industrial relaciona-se com


(A) a transação rápida e direta do conhecimento e da inovação tecnológica.
(B) a capacidade imutável e vertiginosa de adaptação e de integração.
(C) a transformação social e a desordem ao nível do desenvolvimento.
(D) o aumento da riqueza e a diminuição da pobreza num mundo global.

2. Na atualidade, assiste-se a profundas transformações ao nível


(A) da estratificação das sociedades.
(B) dos mercados e do trabalho.
(C) das transações à escala mundial.
(D) da visão economicista dos governos.

3. A simbiose homem-natureza é
(A) uma ideia concretizável no futuro.
(B) possível no jardim do Éden.
(C) uma utopia veiculada pela literatura e pela filosofia.
(D) uma tarefa dura, mas concretizável pelo saber.

EDITÁVEL
14 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. A forma verbal presente em “onde a pobreza extrema se agrava” (l. 2) tem um valor aspetual
(A) perfeito.
(B) iterativo.
(C) habitual.
(D) genérico.

5. O segmento “Na base da quarta revolução industrial” (l. 8) desempenha a função sintática de
(A) sujeito.
(B) predicativo do sujeito.
(C) modificador do grupo verbal.
(D) modificador apositivo do nome.

6. A forma verbal “se tornarão” (l. 13) pertence à subclasse dos verbos
(A) copulativos.
(B) transitivos predicativos.
(C) transitivos indiretos.
(D) intransitivos.

7. A conjunção “Mas” (l. 15) assegura a coesão


(A) lexical.
(B) referencial.
(C) interfrásica.
(D) frásica.

8. Classifique a oração “que sejam extintos cinco milhões de postos de trabalho nos próximos
anos” (ll. 12-13).

9. Indique o referente do pronome “que” (l. 26).

10. Identifique o processo de formação da palavra “saber” (l. 28).

GRUPO III

O desenvolvimento do conhecimento e das tecnologias, responsável por aquilo que se designa por
“quarta revolução industrial”, parece não estar a ser canalizado para o bem da Humanidade.
Escreva um texto de opinião, de 170 a 200 palavras, no qual defenda um ponto de vista sobre o modo
como o ser humano usa os conhecimentos e os avanços tecnológicos na sociedade.
Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com,
pelo menos, um exemplo significativo.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 15
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

2. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto.

Contemplo o lago mudo


Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

5 O lago nada me diz,


Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos


10 Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?
4-8-1930

Fernando Pessoa, Poesia do Eu (edição de Richard Zenith),


Porto, Assírio & Alvim, 2014, pp. 204-205

1. Comprove que o “lago” é o ponto de partida para uma análise introspetiva, levada a cabo pelo
sujeito poético.

2. Explicite de que modo se podem articular as temáticas “sonho e realidade” e “a dor de pensar”.

3. Evidencie o recurso à personificação e explique a sua expressividade.

EDITÁVEL
16 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia o excerto.

Carlos pensara em arranjar um vasto laboratório ali perto no bairro, com fornos para trabalhos
químicos, uma sala disposta para estudos anatómicos e fisiológicos, a sua biblioteca, os seus apa-
relhos, uma concentração metódica de todos os instrumentos de estudo...
Os olhos do avô iluminavam-se ouvindo este plano grandioso.
5 – E que não te prendam questões de dinheiro, Carlos! Nós fizemos nestes últimos anos de Santa
Olávia algumas economias...
– Boas e grandes palavras, avô! Repita-as ao Vilaça.
As semanas foram passando nestes planos de instalação. Carlos trazia realmente resoluções
sinceras de trabalho: a ciência como mera ornamentação interior do espírito, mais inútil para os
10 outros que as próprias tapeçarias do seu quarto, parecia-lhe apenas um luxo de solitário: desejava
ser útil. Mas as suas ambições flutuavam, intensas e vagas; ora pensava numa larga clínica; ora na
composição maciça de um livro iniciador; algumas vezes em experiências fisiológicas, pacientes e
reveladoras... Sentia em si, ou supunha sentir, o tumulto de uma força, sem lhe discernir a linha de
aplicação. “Alguma coisa de brilhante”, como ele dizia: e isto para ele, homem de luxo e homem de
15 estudo, significava um conjunto de representação social e de atividade científica; o remexer profun-
do de ideias entre as influências delicadas da riqueza; os elevados vagares da filosofia entremeados
com requintes de sport e de gosto; um Claude Bernard que fosse também um Morny... No fundo
era um diletante.
Eça de Queirós, Os Maias: episódios da vida romântica (fixação de texto Helena Cidade Moura) Lisboa,
Livros do Brasil, 28.a ed., capítulo IV.

4. Mostre que, tal como Fernando Pessoa, Carlos também sonhou e os seus sonhos não se con-
cretizaram.

5. Justifique a afirmação “Os olhos do avô iluminavam-se ouvindo este plano grandioso.” (l. 4).

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

Ainda o apanhamos!

O suplemento Atual do último Expresso traz um artigo extremamente interessante de Carlos


Reis, intitulado “Os Maias depois de Eça”. Carlos Reis é, sem dúvida, um dos maiores especialistas
contemporâneos da obra de Eça de Queirós e coordena a edição crítica das suas obras, em curso na
Imprensa Nacional – Casa da Moeda, sendo autor de vários textos definitivos sobre o romancista. O
5 propósito evidente do artigo é o de “legitimar” (o que talvez não fosse tão necessário quanto isso...)
a iniciativa que o Expresso tomou ao convidar seis notáveis autores a escreverem uma “continua-
ção” do romance queirosiano até 1973, ano da fundação do semanário.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 17
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

A questão fulcral parece ser a de saber se Os Maias são um romance “definitivamente ‘fechado’”
e o que é que explica a sua fulgurante permanência no cânone, para além de leituras mais ou me-
10 nos superficiais a que a obra foi dando lugar durante mais de cem anos. E Carlos Reis afirma que
“Os Maias parecem ter sido escritos para serem continuados”, apontando passagens que poderiam
indiciá-lo e vendo em Carlos Fradique Mendes, na esteira de António José Saraiva, a consubstan-
ciação de um prolongamento de Carlos da Maia.
Sem estar inteiramente de acordo com Carlos Reis, acho que a ideia de propor a continuação da
15 obra de Eça constitui um desafio interessantíssimo quer para os autores quer para os leitores. Não
estou inteiramente de acordo com o professor de Coimbra porque, na última página do romance,
a célebre exclamação de Carlos da Maia e de João da Ega, “– Ainda o apanhamos!”, enquanto se
esfalfam a correr para o americano, de modo a não faltarem ao jantar combinado no Bragança,
não envolve apenas o desmentido da conversa que eles acabam de ter sobre a falta de sentido de
20 qualquer esforço: reduz também a tragédia amorosa e familiar por que Carlos passou a uma mera
trivialidade e está nisso uma poderosa manifestação, tanto da ironia de Eça, como do cinismo com-
portamental que ele confere a essas duas personagens.
Ora, partindo desta leitura, parece-me que seria difícil conceber uma continuação, não obstante
a obra parecer suficientemente “aberta”... Todavia, nada há que a impeça: a ideia em si é aliciante
25 e há precedentes ficcionais com Os Maias e outras obras de Eça, sem falar em adaptações ao teatro
e ao cinema: por exemplo, em Madame, Maria Velho da Costa põe em cena Maria Eduarda, perso-
nagem de Eça, e Capitu, personagem de Machado de Assis, ocorrendo-me também, embora neste
caso sem relação direta com Os Maias, o romance Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa, que em
1997 “prolonga” a correspondência de Fradique Mendes, fazendo-o reviver e escrever em exóticas
30 paragens.
Vasco Graça Moura, in DN, edição online de 31 de julho de 2013
(consultado em janeiro de 2017, com supressões).

1. O texto tem marcas de


(A) exposição sobre um tema.
(B) discurso político.
(C) memórias.
(D) artigo de opinião.

2. A ideia de dar continuação a Os Maias


(A) merece algumas reservas a Vasco Graça Moura.
(B) foi do professor Carlos Reis e de mais seis autores.
(C) entusiasmou o autor do texto e os envolvidos na iniciativa.
(D) nasceu da natureza do romance, já que a obra é aberta.

3. Para o autor do texto parece difícil dar continuidade a Os Maias


(A) recordando adaptações falhadas do romance.
(B) embora acabe por aceitar essa possibilidade.
(C) porque a forma como termina é conclusiva.
(D) dada a inexistência de outros finais ficcionais.

EDITÁVEL
18 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. Os processos fonológicos que se verificam na evolução de OPERA para “obra” (l. 3) são
(A) prótese e epêntese.
(B) síncope e sonorização.
(C) crase e apócope.
(D) dissimilação e sinérese.

5. O termo sublinhado em “saber se Os Maias” classifica-se como


(A) conjunção subordinativa condicional.
(B) conjunção subordinativa completiva.
(C) pronome possessivo.
(D) pronome pessoal.

6. Ao utilizar o nome “Carlos Reis” (l. 14) e “o professor de Coimbra” (l. 16), o autor assegura a coesão
(A) interfrásica.
(B) temporal.
(C) lexical.
(D) frásica.

7. A utilização das aspas em “Ainda o apanhamos” (l. 17), justifica-se por se tratar de uma
(A) citação.
(B) opinião de uma autor do texto.
(C) frase em discurso indireto livre.
(D) frase em discurso direto.

8. Classifique, delimitando, as orações presentes em “que a ideia de propor a continuação da obra


de Eça constitui um desafio interessantíssimo” (ll. 14-15).

9. Indique o referente do pronome pessoal presente em “Todavia, nada há que a impeça” (l. 24).

10. Identifique a função sintática do constituinte sublinhado em “põe em cena Maria Eduarda” (l. 26).

GRUPO III

Tal como Vasco Graça Moura reconhece, são muitas as adaptações cinematográficas ou teatrais de
obras literárias.
Num texto de opinião, de 170 a 250 palavras, refira-se à importância ou à transgressão decorrentes
dessas adaptações, utilizando, no mínimo, dois argumentos e, pelo menos, um exemplo significativo,
para cada um deles, de modo a defender convenientemente o seu ponto de vista.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 19
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

3. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto.

Não estou pensando em nada


E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia.

5 Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
10 O fluxo e o refluxo da vida...

Não estou pensando em nada.


Só, como se me tivesse encostado mal
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
15 É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada.
6-7-1935
Álvaro de Campos, in Fernando Pessoa, Poesia dos Outros Eus,
(edição de Richard Zenith), Lisboa, Assírio & Alvim, 2007, p. 425.

1. Caracterize o sujeito poético, considerando o estado emocional em que se encontra.

2. Explique o sentido dos versos 6 e 7.

3. Refira a expressividade decorrente do emprego da anáfora presente em “Não estou pensando


em nada” (v. 5).

EDITÁVEL
20 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia o excerto. Se necessário, consulte a nota.

Ah Peixes, quantas invejas vos tenho a essa natural irregularidade! Quanto melhor me fora não
tomar a Deus nas mãos, que tomá-Lo tão indignamente! Em tudo o que vos excedo, peixes, vos re-
conheço muitas vantagens. A vossa bruteza é melhor que a minha razão, e o vosso instinto melhor
que o meu alvedrio. Eu falo, mas vós não ofendeis a Deus com as palavras; eu lembro-me, mas vós
5 não ofendeis a Deus com a memória; eu discorro, mas vós não ofendeis a Deus com o entendimen-
to; eu quero, mas vós não ofendeis a Deus com a vontade. Vós fostes criados por Deus, para servir
ao homem, e conseguis o fim para que fostes criados: a mim criou-me para O servir a Ele, e eu
não consigo o fim para que me criou. Vós não haveis de ver a Deus, e podereis aparecer diante Dele
muito confiadamente, porque O não ofendestes; eu espero que O hei de ver; mas com que rosto hei
10 de aparecer diante do Seu divino acatamento, se não cesso de O ofender? Ah quase que estou por
dizer que me fora melhor ser como vós, pois de um homem que tinha as mesmas obrigações, disse
a Suma Verdade1 que melhor lhe fora não nascer homem: Si natus non fuisset homo ille. E pois os
que nascemos homens, respondemos tão mal às obrigações de nosso nascimento, contentai-vos,
Peixes, e dai muitas graças a Deus pelo vosso.
Padre António Vieira, Obra completa (dir. José Eduardo Franco e Pedro Calafate), tomo II, vol. X,
Lisboa, Círculo de Leitores, 2014, pp. 164-165.

1
Deus.

4. Indique duas razões justificativas da inveja que o orador diz ter dos peixes.

5. Apresente duas estratégias argumentativas utilizadas neste momento textual.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

Ser mais com menos

Se aquilo que possui traz danos à sua vida, a solução é simplificar e adotar princípios mini-
malistas.

Por trás de cada grande decisão há sempre uma história. Imagine alguém que, aos 28 anos, atinge
o topo do sucesso no mundo empresarial e, nessa mesma altura, fica sem o casamento e perde a
5 mãe, questionando-se então acerca do que realmente conta na sua vida. Ou coloque-se na pele de
um jovem executivo exemplar, confrontado com o seu despedimento.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 21
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Dois cenários que podiam fazer parte da sinopse de um filme. Mas não são. Aconteceram mesmo
a dois amigos de infância. Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus tinham a mesma idade quan-
do passaram pelo avesso do sonho americano. Foi então que decidiram simplificar: reduziram ao
10 mínimo os hábitos de consumo, venderam ou doaram tudo o que não acrescentasse valor ao seu
quotidiano e as vidas deles mudaram. Tornaram-se mais ricas. O lema de Os Minimalistas, que
vivem em Missoula, no Estado de Montana, pode resumir-se a três ideias-chave:
− “Viver com menos é mais”
− “Desapegue-se e siga em frente”
15 − “Ame as pessoas e use as coisas porque o contrário não funciona”.

Parece fácil mas não é. Eles explicam tudo numa conferência TED e no documentário lançado
este ano e intitulado Minimalism: A Documentary About the Important Things. Porque é que não é
fácil? Por ser preciso passar à prática e confiar que vai valer a pena. Por ser preciso reprogramar a
ideia que se tem de abundância.
20 O emprego milionário, a casa à altura com carro a condizer e outros sinais exteriores de riqueza
podem parecer uma meta cativante que todos querem alcançar (e que eles alcançaram). Só que,
pouco tempo antes de a vida ter surpreendido Joshua e Ryan, já eles tinham percebido que manter
esse estilo de vida não lhes dava a satisfação sonhada. E, para infelicidade de ambos, o consumo
compulsivo só ampliava a sensação de vazio e os níveis de stresse, medo, desgaste e depressão.
25 Em síntese, não era Vida. Não os tornava mais livres nem lhes fazia sentido. Seis anos passados,
a dupla tem um site, um blog, um podcast, alguns livros e mais de quatro milhões de seguidores.
Clara Soares, in Visão, edição online de 23 de novembro de 2016 (consultado em dezembro de 2016).

1. Nos dois parágrafos iniciais, referem-se


(A) duas situações hipotéticas.
(B) dois casos verídicos.
(C) hipóteses de vida distintas.
(D) soluções para minimizar danos.

2. Com a expressão “avesso do sonho americano” (l. 9), pretende-se salientar


(A) as dificuldades surgidas na vida dos dois amigos.
(B) a nacionalidade dos dois amigos de infância.
(C) a pobreza que se abateu sobre os americanos.
(D) a realidade de muitos jovens americanos.

3. De acordo com o sentido do texto, ser “minimalista” é


(A) mais fácil do que parece.
(B) a filosofia de vida dos pobres.
(C) mais complicado do que parece.
(D) alhear-se de tudo e de todos.

EDITÁVEL
22 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. O termo “Se” que inicia o texto tem valor


(A) reflexo.
(B) recíproco.
(C) apassivante.
(D) condicional.

5. A oração subordinada presente na frase “Imagine alguém que, aos 28 anos, atinge o topo do
sucesso no mundo empresarial” (ll. 3-4) é
(A) adverbial consecutiva.
(B) adjetiva relativa restritiva.
(C) adjetiva relativa explicativa.
(D) substantiva completiva.

6. O segmento frásico sublinhado “coloque-se na pele de um jovem executivo exemplar, confron-


tado com o seu despedimento” (ll. 5-6) desempenha a função sintática de
(A) complemento oblíquo.
(B) complemento direto.
(C) modificador do grupo verbal.
(D) modificador restritivo do nome.

7. A afirmação “Dois cenários que podiam fazer parte da sinopse de um filme” (l. 7) exemplifica
a modalidade
(A) epistémica com valor de certeza.
(B) epistémica com valor de probabilidade.
(C) deôntica com valor de obrigação.
(D) deôntica com valor de permissão.

8. Indique o valor lógico do articulador que introduz o último período do primeiro parágrafo.

9. Classifique a oração “que vivem em Missoula” (ll. 11-12).

10. Identifique o processo de formação da palavra “ideias-chave” (l. 12).

GRUPO III

Viver a vida de forma minimalista foi a opção dos dois jovens cuja desgraça os fez apreciar a vida de
forma diferente.

Num texto de 170 a 200 palavras, produza um texto expositivo sobre o modo como podemos ou deve-
mos viver, considerando as consequências decorrentes da nossa opção de vida.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 23
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto. Se necessário, consulte a nota.

Paira-me à superfície do cansaço qualquer coisa de áureo que há sobre as águas quando o sol
findo as abandona. Vejo-me como ao lago que imaginei, e o que vejo nesse lago sou eu. Não sei
como explique esta imagem, ou este símbolo, ou este eu em que me figuro. Mas o que tenho por
certo é que vejo, como se de facto visse, um sol por trás de montes, dando raios perdidos sobre o
5 lago que os recebe a ouro escuro.
Um dos malefícios de pensar é ver quando se está pensando. Os que pensam com o raciocínio
estão distraídos. Os que pensam com a emoção estão dormindo. Os que pensam com a vontade
estão mortos. Eu, porém, penso com imaginação, e tudo quanto deveria ser em mim ou razão, ou
mágoa, ou impulso, se me reduz a qualquer coisa indiferente e distante, como este lago morto entre
10 rochedos onde o último do sol paira desalongadamente.
Porque parei, estremecem as águas. Porque refleti, o sol recolheu-se. Cerro os olhos lentos e
cheios de sono, e não há dentro de mim senão uma região lacustre1 onde a noite começa a deixar
de ser dia num reflexo castanho escuro de águas de onde as algas surgem.
Porque escrevi, nada disse. Minha impressão é que o que existe é sempre em outra região, além
15 de montes, e que há grandes viagens por fazer se tivermos alma com que ter passos.
Cessei, como o sol na minha paisagem. Não fica, do que foi dito ou visto, senão uma noite já
fechada, cheia de brilho morto de lagos, numa planície sem patos bravos, morta, fluida, húmida e
sinistra.
Bernardo Soares, Livro do desassossego, Edição de Jerónimo Pizarro, Lisboa, Tinta da China, 2014, pp. 461-462.

1
Relativo a “lago”.

1. Comprove a presença de um registo descritivo e reflexivo como uma das marcas deste texto.

2. Interprete a metáfora do lago, tendo em conta a referência aos raios de sol.

3. Identifique um recurso expressivo presente no segmento “Os que pensam com o raciocínio
estão distraídos. Os que pensam com a emoção estão dormindo. Os que pensam com a vontade
estão mortos.” (ll. 6-8), explicitando o seu valor.

EDITÁVEL
24 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia o poema.

II

O meu olhar é nítido como um girassol.


Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
5 E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que teria uma criança se, ao nascer,
10 Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a grande novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,


Porque o vejo. Mas não penso nele
15 Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...


20 Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,


25 E toda a inocência é não pensar...
Alberto Caeiro, “O guardador de rebanhos”, Fernando Pessoa,
Poesia dos Outros Eus (ed. de Richard Zenith), Lisboa, Assírio & Alvim, 2007, pp. 35-36.

4. Explicite a importância do olhar, relacionando-o com o modo como Caeiro encara a Natureza.

5. Comprove a defesa da filosofia do “não pensar”, característica deste heterónimo.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 25
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

Ver o filme? Já li o livro…

A ligação entre cinema e literatura é bem antiga, e nem sempre corre bem. Na próxima
semana, estreia em Portugal o filme Uma história americana, de Ewan McGregor, realizado a
partir do romance Pastoral americana, de Philip Roth. O que se perde pelo caminho?

5 No prefácio do seu romance O negro do narciso, publicado em 1897, Joseph Conrad escrevia algo
como isto: “o objetivo que eu tento atingir é, pelo poder da palavra escrita, fazer o leitor ouvir, sentir
e, acima de tudo, ver”. É uma frase que não só sublinha o poder da literatura como tem inspirado
um batalhão de realizadores, ao longo da história do cinema, a transformar grandes romances em
filmes. Fazendo, literalmente, ver e ouvir o que outros, antes deles, escreveram. É, muitas vezes, um
10 trabalho armadilhado… E ao longo do tempo foi nascendo a convicção de que a grande literatura
resulta, demasiadas vezes, em filmes falhados. A frase “Ah, mas o livro é muito melhor…” tornou-se
um lugar-comum.
A discussão, muito prática e académica, é velha, e não faltam exemplos para sustentar diversas
teorias. O tema vem agora a propósito da adaptação para cinema de um dos mais celebrados ro-
15 mances do escritor norte-americano Philip Roth, Pastoral americana.
McGregor guiou-se por várias regras clássicas, by the book, da adaptação de um romance ao ci-
nema. No seu site, o guionista português João Nunes explicita algumas, a partir da sua experiência
pessoal, começando por uma constatação mais ou menos óbvia: “é preciso cortar, eliminar muita
coisa, porque afinal a literatura é uma forma muito mais ‘livre’ do que o cinema”. McGregor passou
20 no teste da “dissecação e simplificação”, mas falhou ao manter o espírito das páginas assinadas por
Philip Roth.
Muitos dos mais celebrados filmes de Alfred Hitchcock baseiam-se em romances, quase sempre
livros menos conhecidos e celebrados do que os filmes a que deram origem. Na longa entrevista
que o cineasta britânico deu ao realizador francês François Truffaut, aproveitou para explicar um
25 pouco do seu método: “O que eu faço é ler a história só uma vez e se gostar da ideia básica esqueço
tudo sobre o livro e começo a criar cinema. Hoje, seria incapaz de contar a história que Daphne du
Maurier escreveu no seu conto Os pássaros. Só o li uma vez, e muito rapidamente.”
Talvez esta fleuma britânica, de mestre, seja o segredo certo para manter o “espírito” das obras,
fazendo cinema sem tentar filmar literatura.
Pedro Dias de Almeida, in Visão, n.o 1236, de 10 a 16 de outubro de 2016 (com supressões).

1. Com a afirmação “É, muitas vezes, um trabalho armadilhado…” (ll. 9-10), o autor deixa claro
que fazer a adaptação de obras literárias ao cinema é
(A) uma tarefa inglória para o realizador.
(B) uma tarefa por vezes votada ao fracasso.
(C) um trabalho fascinante, mas desgastante.
(D) uma forma de afirmar o poder da literatura.

EDITÁVEL
26 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

2. A afirmação “a literatura é uma forma muito mais ‘livre’ do que o cinema” (l. 19) demonstra que
a literatura
(A) confere ao leitor uma maior liberdade na medida em que a leitura não implica o confinamento
a um determinado lugar.
(B) é uma forma de expressão mais acessível do que o cinema.
(C) permite ao leitor maior criatividade, tendo por base a leitura que realiza.
(D) possibilita o tratamento de temas mais variados do que o cinema.

3. A frase “McGregor passou no teste da ‘dissecação e simplificação’, mas falhou ao manter o


espírito das páginas assinadas por Philip Roth.” (ll. 19-21)
(A) significa que McGregor sintetizou o conteúdo da obra de Philip Roth, mas realizou um bom filme.
(B) destaca a qualidade cinematográfica e literária de ambas as obras.
(C) comprova a importância da ligação da literatura e do cinema.
(D) produz um juízo de valor negativo relativamente à obra cinematográfica em causa.

4. O método usado por Alfred Hitchcock, que garantiu o êxito de tantos dos seus filmes
(A) consistia em adaptar fielmente a obra literária que lhe servia de base.
(B) constava da leitura rápida da obra literária, que esquecia logo, assim que concebia o filme.
(C) baseava-se na filmagem de cenas que retirava de obras literárias.
(D) era partilhado pelo realizador francês François Truffaut.

5. O processo de formação da palavra “site” (l. 17) é


(A) empréstimo. (C) amálgama.
(B) truncação (D) acrónimo.

6. O sujeito da forma verbal “baseiam-se” (l. 22) é


(A) “filmes de Alfred Hitchcock”
(B) “Muitos dos mais celebrados filmes de Alfred Hitchcock”
(C) “Muitos filmes”.
(D) sujeito subentendido.

7. O termo sublinhado em “para explicar um pouco o seu método” (ll. 24-25) classifica-se como
(A) conjunção subordinativa completiva. (C) conjunção subordinativa final.
(B) preposição. (D) locução prepositiva.

8. Classifique a oração “que o cineasta britânico deu ao realizador francês François Truffaut”. (l. 24)

9. Identifique a função sintática desempenhada pelo constituinte sublinhado em “O que eu faço é


ler a história só uma vez”. (l. 25)

10. Indique o antecedente do pronome pessoal presente em “Só o li uma vez”. (l. 27)

GRUPO III

Redija uma apreciação crítica de uma obra literária que tenha lido e da sua adaptação para o cinema.
Como sugestão, poderá apresentar o seu ponto de vista relativamente ao excerto do Filme do desassossego
proposto na página 103 do manual, adaptação da obra de Bernardo Soares, cujos fragmentos conhece.
O seu texto deverá conter entre 130 a 170 palavras.
EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 27
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

5. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto.

Ocidente
Com duas mãos – o Ato e o Destino –
Desvendámos. No mesmo gesto, ao céu
Uma ergue o facho trémulo e divino
E a outra afasta o véu.

5 Fosse a hora que haver ou a que havia


A mão que ao Ocidente o véu rasgou,
Foi a alma a Ciência e corpo a ousadia
Da mão que desvendou.

Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal


10 A mão que ergueu o facho que luziu,
Foi Deus a alma e o corpo Portugal
Da mão que o conduziu.
Fernando Pessoa, Mensagem
(ed. Fernando Cabral Martins),
Porto, Assírio & Alvim, 2012, p. 56.

1. Demonstre a interdependência e a importância do Ato e do Destino na realização das desco-


bertas.

2. Interprete o simbolismo das mãos na consecução do objetivo de afastar o véu.

3. Integre, justificadamente, o poema na estrutura da obra a que pertence.

EDITÁVEL
28 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia as estâncias 99 e 100 do canto V de Os Lusíadas.

[99] Às Musas agardeça o nosso Gama


O muito amor da pátria, que as obriga
A dar aos seus1, na lira, nome e fama
De toda a ilustre e bélica fadiga;
Que ele, nem quem na estirpe seu se chama,
Calíope não tem por tão amiga
Nem as filhas do Tejo2, que deixassem
As telas d’ ouro fino e que o cantassem.

[100] Porque o amor fraterno3 e puro gosto


De dar a todo o Lusitano feito
Seu4 louvor, é somente o pros[s]uposto
Das Tágides gentis, e seu respeito.
Porém não deixe, enfim, de ter disposto
Ninguém a grandes obras sempre o peito5:
Que, por esta ou por outra qualquer via,
Não perderá seu preço e sua valia.
Luís de Camões, Os Lusíadas
(leitura, prefácio e notas de A. Costa Pinhão),
Lisboa, Instituto de Camões, MNE, 2000, pp. 237-238.

1
À Família de Vasco da Gama ou aos portugueses, consoante as interpretações.
2
Tágides.
3
De irmão (as Tágides são aqui consideradas irmãs dos Portugueses).
4
Devido.
5
Vontade.

4. Confirme que os portugueses são o povo eleito e protegido.

5. Explicite o apelo expresso pelo poeta nos últimos quatro versos da estância 100.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

“O que em mim sente está pensando” é uma afirmação de Fernando Pessoa que implica uma
complementaridade ou acordo entre o pensamento e a emoção. Ela exprime, dentro do contexto do
nosso Modernismo, uma reação ao subjetivismo não raro levado ao extremo quando, nas primeiras
décadas do século passado, muitos poetas não se furtavam a um derramamento emocional que se
5 diria vindo do Ultrarromantismo. Sem dúvida que, conforme nos aproximamos dos nossos dias,
a situação vai-se tornando diferente. Mas a “intelectualização das emoções” e a “emocionalização
EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 29
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

das ideias”, a que Pessoa também se referia, não deixa de estar presente quando é sobre a poesia
que se reflete.
Jorge de Sena esteve sempre atento a esta questão. Ele pertence a uma geração, geração essa
10 onde sobressaem Ruy Cinatti, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade ou Carlos de
Oliveira, cuja obra começa a ser publicada nos anos 40, mas que ganha toda a sua força nas déca-
das seguintes. Depois de Poesia 1, que inclui todos livros de Sena publicados em vida do autor, sai
agora Poesia 2 que colige a sua obra poética póstuma. Ficam, assim, recolhidos finalmente todos os
poemas de Jorge de Sena, numa edição preparada por Jorge Fazenda Lourenço.
15 Considerada na sua totalidade, a poesia de Sena manifesta uma força expressiva que vai ao en-
contro de um lirismo especulativo onde logo vêm à superfície tensões dramáticas muito marcadas,
como ele disse, por “um comprometimento humano da poesia pura”. Há na sua escrita um sentido
extremamente lúcido - porque a poesia de Sena é também pensada - que se torna vigilante, muitas
vezes voltada para uma realidade angustiante e adversa.
20 Talvez seja a partir deste tónus que se terá desenvolvido uma certa direção que ganha corpo nes-
te segundo volume agora publicado. Poesia 2 estende-se por 900 páginas e obedece a uma ordena-
ção cronológica que principia numa juvenília, seguida de um alargado conjunto de outros poemas
cuja escrita corresponde ao tempo de publicação dos seus livros, desde Peregrinação até Exorcismos
e Conheço o Sal, mas que não foram incluídos neles. Há ainda outros conjuntos de poesias, nomea-
25 damente as que correspondem ao livro póstumo Dedicácias e vários novos inéditos.
Diga-se desde já que esta Poesia 2 assume um caráter que se diria mais documental, por vezes
quase memorialístico, na medida em que muitos dos poemas são uma direta ou espontânea reação
a momentos de natureza circunstancial ou uma transposição desabusadamente temperamental
que se tornam extremamente cortantes, cruzando-se com um confessionalismo por vezes amargo
30 e desencantado.
Fernando Guimarães, in Visão, edição online de 17 de setembro de 2015
(consultado em outubro de 2016).

1. O verso pessoano citado, no contexto modernista, pode ser interpretado como


(A) expressão da complementaridade entre razão e emoção.
(B) reação ao subjetivismo romântico que urgia extinguir.
(C) uma crítica aos poetas ultrarromânticos do século XIX.
(D) subjacente à produção poética de Jorge de Sena.

2. No texto dá-se especial ênfase


(A) à poesia modernista, e em particular à de Fernando Pessoa.
(B) ao retrocesso percecionado na nova publicação de Jorge de Sena.
(C) ao livro que colige a poesia póstuma de Jorge de Sena, Poesia 2.
(D) à obra da geração a que pertenceram Jorge de Sena e Ruy Cinatti.

3. De acordo com o que se afirma nas linhas 15 a 17, a poesia de Jorge de Sena mantém
(A) alguma proximidade com a de Fernando Pessoa.
(B) um caráter totalmente inovador em relação à da sua geração.
(C) uma grande proximidade com a lírica romântica, de caráter subjetivo.
(D) muitos pontos de contacto com a produção lírica dos românticos.

EDITÁVEL
30 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. O recurso ao travessão duplo (l. 18) justifica-se dado que aí se introduz


(A) um facto distinto do que é dito anteriormente.
(B) um comentário de Jorge de Sena.
(C) uma ideia contrária à expressa antes.
(D) uma justificação para a expressão anterior.

5. O constituinte “tensões dramáticas muito marcadas” (l. 16) desempenha a função sintática de
(A) complemento direto.
(B) sujeito.
(C) predicativo do sujeito.
(D) complemento oblíquo.

6. A oração “que ganha corpo neste segundo volume agora publicado” (ll. 20-21) é subordinada
(A) substantiva relativa.
(B) adverbial consecutiva.
(C) adjetiva relativa restritiva.
(D) substantiva completiva.

7. O nome “livros” (l. 23), relativamente aos títulos enumerados, é um elemento que garante a
coesão
(A) lexical.
(B) interfrásica.
(C) referencial.
(D) temporal.

8. Indique o valor aspetual configurado no segmento “Ficam, assim, recohidos […] Jorge Fazenda
Lourenço” (ll. 13-14).

9. Identifique a modalidade expressa na afirmação “Talvez seja a partir deste tónus que se terá
desenvolvido uma certa direção” (l. 20).

10. Indique o referente do elemento sublinhado em “nomeadamente as que correspondem ao livro


póstumo” (ll. 24-25).

GRUPO III

O uso do pensamento ou da razão é uma faculdade inerente ao ser humano que o pode impedir de viver
a vida ou, pelo menos, de não saber passar por ela sem pensar. Essa atitude pode trazer-lhe benefícios
mas também prejuízos.

Escreva um texto de opinião, de 200 a 300 palavras, no qual apresente o seu ponto de vista sobre os
comportamentos humanos resultantes do uso excessivo da razão ou da emoção, referindo os aspetos
positivos e/ou negativos daí decorrentes.

Fundamente a sua opinião recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo
menos, um exemplo significativo.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 31
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

6. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto.

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,


Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer −
5 Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.


Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
10 (Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!
Valete, Fratres.

Fernando Pessoa, Mensagem (ed. Fernando Cabral Martins),


Porto, Assírio & Alvim, 2012, p. 91.

1. Caracterize Portugal de acordo com o conteúdo do poema, fundamentando com citações tex-
tuais pertinentes.

2. Descodifique a simbologia do título, relacionando-o com o conteúdo do poema.

3. Explicite a funcionalidade do último verso.

EDITÁVEL
32 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia as estâncias 145 e 146 do canto X de Os Lusíadas.

[145] Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho


Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dũa austera, apagada e vil tristeza.

[146] E não sei por que influxo de Destino


Não tem um ledo orgulho e geral gosto,
Que os ânimos levanta de contino
A ter pera trabalhos ledo o rosto.
Por isso vós, ó Rei, que por divino
Conselho estais no régio sólio posto,
Olhai que sois (e vede as outras gentes)
Senhor só de vassalos excelentes.
Luís de Camões, Os Lusíadas (leitura, prefácio e notas de A. Costa Pimpão)
Lisboa, Instituto Camõe , MNE, 2000, p. 476.

4. Identifique, justificadamente, um eixo temático comum aos dois textos (Grupo I A e B).

5. Sintetize o lamento do sujeito poético.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

A importância estratégica do mar para Portugal


Portugal confronta-se hoje com uma conjuntura internacional marcada por dois fatores princi-
pais: a globalização e o aprofundamento da integração europeia, inevitável com o alargamento da
União aos países do Leste da Europa.
A globalização, um fenómeno evolutivo, vem exigindo uma abertura cada vez maior da nossa
5 economia, e significa mais concorrência externa e mais homogeneidade cultural dos países e re-
giões do mundo. O aprofundamento da União Europeia e o seu crescimento para as áreas interiores
do continente europeu acaba por traduzir-se numa versão à escala regional (europeia) e muito mais
acelerada da globalização, pelo menos, na medida em que também significa mais concorrência
externa e que, até certo ponto, implicará maior uniformidade cultural na Europa.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 33
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

10 Geograficamente o nosso país torna-se ainda mais periférico face a um epicentro europeu mais
longínquo e desviado para Leste.
Esta posição periférica, física mas também psicológica, é incontornável e acarreta custos políti-
cos e económicos. Por isso, o presente acentuar do “síndroma” deveria despertar-nos e levar-nos
a repensar o posicionamento de Portugal no sentido, não de perspetivarmos uma via de sentido
15 único que desagua sempre no centro do continente europeu, muitas montanhas e rios depois, mas
no sentido de analisar o posicionamento geoestratégico nacional no seu todo – e logo incluindo o
oceano que nos rodeia – para dele procurar beneficiar.
Na lógica de procurarmos beneficiar da localização geográfica nacional, torna-se necessário re-
descobrir um país que é uma parcela da costa ocidental atlântica da Europa, que é um país quase
20 arquipelágico, projetado sobre o oceano, e que é um país de fronteira entre três continentes: Europa,
África e América.
Para além desse “reposicionamento”, é também expectável que o desenvolvimento do país passe
por investir em áreas de especialização que deem resposta à competitividade acrescida no quadro
global em geral e no quadro europeu em particular.
25 Finalmente, face à referida envolvente internacional atual, é ainda apropriado encontrar me-
canismos de reforço de uma imagem nacional, aqui entendida simultaneamente como “marca”
distintiva do país no exterior, mas também como perceção que os portugueses têm de si próprios
enquanto país e nação. Se o país não interiorizar e não conseguir projetar uma marca distintiva,
tornar-se-á inevitavelmente cada vez menos relevante no panorama internacional.
Tiago de Pitta e Cunha, A importância estratégica do mar para Portugal, in Nação e Devesa – Portugal e o Mar,
revista do Instituto Nacional de Defesa, nº 108, verão de 2004, p. 43 (com supressões).

1. Atualmente colocam-se ao nosso país desafios que implicam


(A) a consciência da necessidade de interagir quer a nível mundial quer a nível europeu.
(B) o reconhecimento das vias marítimas como elo entre a Europa e o resto do mundo.
(C) o desenvolvimento da sua intervenção junto dos países de Leste.
(D) a promoção da autossuficiência em termos económicos.

2. O autor do texto aponta como caminho possível


(A) a seleção da Europa como único parceiro de desenvolvimento.
(B) a redescoberta do mar como ligação ao velho continente.
(C) a consciência da localização geográfica do país como fronteira com três continentes.
(D) os contactos urgentes com os países de Leste.

3. O desenvolvimento do país pode ainda centrar-se


(A) na construção de uma imagem de marca.
(B) na redefinição da nossa situação na Europa.
(C) na comercialização de produtos genuinamente portugueses.
(D) na consolidação de meios que promovam a competitividade e a imagem nacional.

4. A forma verbal “torna-se” (l. 10) pertence a um verbo


(A) copulativo.
(B) transitivo indireto.
(C) transitivo predicativo.
(D) intransitivo.

EDITÁVEL
34 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

5. A função sintática do pronome em “despertar-nos” (l. 13) é


(A) sujeito.
(B) complemento direto.
(C) complemento indireto.
(D) complemento oblíquo.

6. O processo de formação do termo “geoestratégico” (l. 16) decorre da


(A) derivação não afixal.
(B) conversão.
(C) composição morfológica.
(D) composição morfossintática.

7. O segmento “que nos rodeia” (l. 17) integra uma oração subordinada
(A) adverbial concessiva.
(B) adjetiva relativa restritiva.
(C) adjetiva relativa explicativa.
(D) adverbial consecutiva.

8. Justifique o emprego dos dois pontos na linha 2.

9. Indique o valor modal expresso na frase “o presente acentuar do ‘síndroma’ deveria despertar-nos
e levar-nos a repensar o posicionamento de Portugal” (ll. 13-14).

10. Indique a classe/subclasse do constituinte sublinhado em “é também expectável que o desen-


volvimento do país passe por investir em áreas de especialização” (ll. 22-23).

GRUPO III

Os três textos lidos apresentam diversas perspetivas sobre Portugal.

Escreva um texto expositivo, entre 170 e 200 palavras, no qual apresente as características geográfi-
cas, culturais e turísticas da nação portuguesa.

Planifique previamente o seu texto, considerando as seguintes orientações:


– estrutura tripartida (introdução, desenvolvimento e conclusão);
– discurso objetivo e elucidativo;
– uso da 3.a pessoa;
– seleção vocabular criteriosa, articulação coerente, correção linguística, sintática e ortográfica.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 35
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

7. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto.

Depois, o sol desanda para trás da casa. Começa a acercar-se a tardinha. Batola, que acaba de
dormir a sesta, já pode vir sentar-se, cá fora, no banco que corre ao longo da parede. A seus pés,
passa o velho caminho que vem de Ourique e continua para o sul. Por cima, cruzam os fios da ele-
tricidade que vão para Valmurado, uma tomada de corrente cai dos fios e entra, junto das telhas,
5 para dentro da venda.
E o Batola por mais que não queira, tem de olhar todos os dias o mesmo: aí umas quinze casinhas
desgarradas e nuas; algumas só mostram o telhado escuro, de sumidas que estão no fundo dos cór-
regos. Depois disso, para qualquer parte que volte os olhos, estende-se a solidão dos campos. E o
silêncio. Um silêncio que caiu, estiraçado por vales e cabeços, e que dorme profundamente. Oh, que
10 despropósito de plainos sem fim, todos de roda da aldeia, e desertos!
Carregado de tristeza, o entardecer demora anos. A noite vem de longe, cansada, tomba tão va-
garosamente que o mundo parece que vai ficar para sempre naquela magoada penumbra.
Lá vêm figurinhas dobradas pelos atalhos, direito às casas tresmalhadas da aldeia. Nenhuma
virá até à venda falar um bocado, desviar a atenção daquele poente dolorido. São ceifeiros, exaustos
15 da faina, que recolhem. Breve, a aldeia ficará adormecida, afundada nas trevas. E António Barras-
quinho, o Batola, não tem ninguém para conversar, não tem nada que fazer. Está preso e apagado
no silêncio que o cerca.
Ergue-se pesadamente do banco. Olha uma última vez para a noite derramada. Leva as mãos à
cara, esfrega-a, amachucando o nariz, os olhos. Fecha os punhos, começa a esticar os braços. E abre
20 a boca num bocejo tão fundo, o corpo torcido numa tal ansiedade, que parece que todo ele se vai
despegar aos bocados. Um suspiro estrangulado sai-lhe das entranhas e engrossa até se alongar,
como um uivo de animal solitário.
Quando consegue dominar-se, entra na venda, arrastando os pés. E, sem pressentir que aquela
noite é a véspera de um extraordinário acontecimento, lá se vai deitar o Batola, derrotado por mais
25 um dia.
“Sempre é uma companhia”, in Manuel da Fonseca, O fogo e as cinzas, Lisboa, Editorial Caminho, 2011, pp. 150-151.

1. Descreva o espaço físico e social em que se desenrola a ação, tal como é perspetivado por Batola.

2. Enuncie três traços caracterizadores dos habitantes de Alcaria, fundamentando a resposta


com citações textuais pertinentes.

3. Identifique o recurso expressivo presente na expressão “Carregado de tristeza, o entardecer


demora anos” ”(l. 11), comentando o seu valor simbólico.
EDITÁVEL
36 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia as seguintes estrofes de um poema de Cesário Verde

Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!


Que vida tão custosa! Que diabo!
E os cavadores descansam as enxadas,
E cospem nas calosas mãos gretadas,
5 Para que não lhes escorregue o cabo.

Povo! No pano cru rasgado das camisas


Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes, agonizas:
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
10 E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!

D’escuro, bruscamente, ao cimo da barroca,


Surge um perfil direito que se aguça;
E ar matinal de quem saiu da toca,
Uma figura fina, desemboca,
15 Toda abafada num casaco à russa.

D’onde ela vem! A atriz que eu tanto cumprimento;


E a quem, à noite, na plateia, atraio
Os olhos lisos como polimento!
Com seu rostinho estreito, friorento,
20 Caminha agora para o seu ensaio.
“Cristalizações”, in Cesário Verde, Cânticos do Realismo. O livro de Cesário Verde
(coord. Carlos Reis, introdução e nota biobibliográfica de Helena Carvalhão Buescu),
Lisboa, INCM, 2015.

4. Identifique e caracterize os tipos sociais referenciados.

5. Explicite os sentimentos do sujeito poético expressos nas frases exclamativas dos versos 1 e 2.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

O lápis já não é o que era

Volto ao excelente filme Eu, Daniel Blake. A propósito de um pormenor (será?) na cena final da
despedida do carpinteiro. Lá estavam os fiéis amigos, os jovens vizinhos que representavam a nova
geração com novos sonhos e novos pesadelos, a funcionária da Segurança Social que, ali, simbolizava
a coragem e o afeto de ter coração e de se ser solidário, desafiando as normas e os regulamentos (e,
5 por isso, é repreendida pela chefe). E a mãe solteira que acompanhara Daniel na sua última tentativa
para ver o seu processo de invalidez deferido. É ela que abre um papel amarrotado escrito por Blake e

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 37
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

no qual exprimiu a sua paradoxalmente serena e inconformada revolta diante do júri de reavaliação. O
essencial está no que lá escreveu, o pormenor no modo como o manuscreveu. Com um singelo lápis.
O lápis, o velho companheiro de vida de tantas pessoas, é o lado antigo e oposto da face super-
10 lativamente nova de vidas subordinadas à miríade de instrumentos tecnológicos. Não se trata aqui
de uma visão reacionária ou conservadora face ao progresso material e comunicacional. Haverá,
por certo, alguma nostalgia no detalhe do lápis. Mas o que representa, essencialmente, é um dualis-
mo funcional e geracional que pode conduzir a uma insuportável exclusão de uns e a uma pretensa
superioridade de outros, que, não raro, não sabem o que é um lápis ou essa “união de facto” do
15 lápis encimado por uma borracha, nunca escreveram com uma caneta de tinta permanente, igno-
ram o que seja um compasso e quase erradicaram a prática (física e intelectual) de manuscrever.
Evidentemente que o progresso técnico é uma importante condição necessária para o desen-
volvimento, mas nunca será, só por si, uma condição suficiente se às tecnologias não estiverem
associados o bem comum, a justiça social e geracional, o respeito pelo outro.
20 Na era da “cidadania eletrónica”, os “netizens” são, hoje, uma expressão eloquente do saber mais
democratizado (embora, neste contexto, sempre me lembre do que escreveu Jean Guitton: “se o
livro tivesse sido inventado depois do computador teria sido uma grande invenção”). Mas quantas
vezes, ao lado desse progresso, vamos deparando com uma acrescida aridez relacional, em alguns
casos mesmo com uma diferente expressão da solidão, senão mesmo de isolamento e abandono.
25 Nas situações mais extremadas, de um lado um novo cárcere, do outro uma velha exclusão.
António Bagão Félix, in Público, edição online de 13 de dezembro de 2016
(consultado em novembro de 2016, com supressões).

1. A referência ao filme Eu, Daniel Blake justifica-se


(A) por ser um filme sobre as novas tecnologias.
(B) já que se trata de um filme sobre a solidariedade.
(C) uma vez que o texto é uma reflexão sobre a importância da evolução tecnológica.
(D) porque um pormenor de uma cena é o mote para o desenvolvimento do texto.

2. No texto apresenta-se uma perspetiva pessoal de discordância relativamente à


(A) multiplicidade de instrumentos tecnológicos à disposição das novas gerações.
(B) inutilidade de antigos objetos de escrita nos tempos modernos.
(C) discrepância de saberes entre as gerações mais novas e as mais antigas, o que pode criar falsos
juízos sobre competências.
(D) atitude dos mais novos face aos saberes rudimentares dos mais antigos.

3. O autor é da opinião que


(A) paralelamente ao desenvolvimento tecnológico, definham as relações interpessoais.
(B) as novas tecnologias funcionam como uma prisão para os mais velhos.
(C) a maior aptidão tecnológica das novas gerações é proporcional ao incremento nas relações pes-
soais.
(D) a utilização crescente do computador leva os mais jovens a abandonar os mais idosos.

EDITÁVEL
38 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. No contexto em que surge, o termo “miríade” (l. 10) pode ser substituído por
(A) idealização.
(B) virtualidade.
(C) imensidade.
(D) centena.

5. A oração subordinada presente no segmento “que representavam a nova geração com novos
sonhos e novos pesadelos” (ll. 2-3) designa-se subordinada
(A) adjetiva relativa restritiva.
(B) adjetiva relativa explicativa.
(C) substantiva relativa.
(D) adverbial consecutiva.

6. O segmento “por Blake” (l. 6) desempenha a função sintática de


(A) predicativo do sujeito.
(B) complemento agente da passiva.
(C) modificador da frase.
(D) modificador do grupo verbal.

7. O último parágrafo do texto constitui uma sequência dominantemente


(A) descritiva.
(B) dialogal.
(C) explicativa.
(D) argumentativa.

8. Refira o valor aspetual configurado no complexo verbal do segmento “ao lado desse progresso,
vamos deparando com uma acrescida aridez relacional” (l. 23).

9. Indique o valor lógico do articulador “se” (l. 18)

10. Indique o processo de formação do termo “netizens” (l. 20)

GRUPO III

Ao contrário do que seria de supor, por se tratar de redes sociais, a utilização deste meio de comunica-
ção e interação tem vindo a acentuar a timidez, o isolamento e a solidão entre as pessoas, sobretudo
as mais jovens.

Num texto de opinião, bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras, apre-
sente o seu ponto de vista sobre o tema atrás enunciado.

Fundamente a sua opinião recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo
menos, um exemplo significativo.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 39
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

8. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto.

Queria estar sempre pronta para partir sem que os objetos a envolvessem, a segurassem, a obri-
gassem a demorar-se mais um dia que fosse. Disponível, pensava. Senhora de si. Para partir, para
chegar. Mesmo para estar onde estava.
Os pais não sabiam compreender esse desejo de liberdade, por isso se foi um dia com uma velha
5 mala de cabedal riscado, não havia outra lá em casa. Mas prefere não pensar nos primeiros tempos.
E as suas malas agora são caras, leves, malas de voar, e com rodinhas.
A outra está perto. Se houve um momento de nitidez no seu rosto, ele já passou, George não deu
por isso. Está novamente esfumado. A proximidade destrói ultimamente as imagens de George,
por isso a vai vendo pior à medida que ela se aproxima. É certo que podia pôr os óculos, mas sabe
10 que não vale a pena tal trabalho. Param ao mesmo tempo, espantam-se em uníssono, embora o
espanto seja relativo, um pequeno espanto inverdadeiro, preparado com tempo.
− Tu?
− Tu, Gi?
Tão jovem, Gi. A rapariguinha frágil, um vime, que ela tem levado a vida inteira a pintar, primeiro
15 à maneira de Modigliani, depois à sua própria maneira, à de George, pintora já com nome nos
marchands das grandes cidades da Europa. Gi com um pregador de oiro que um dia ficou, por tuta
e meia, num penhorista qualquer de Lisboa. Em tempos tão difíceis.
− Vim vender a casa.
− Ah, a casa.
20 É esquisito não lhe causar estranheza que Gi continue tão jovem que podia ser sua filha. Quieta,
de olhar esquecido, vazio, e que não se espante com a venda assim anunciada, tão subitamente,
sem preparação, da casa onde talvez ainda more.
− Que pensas fazer, Gi?
− Partir, não é? Em que se pode pensar aqui, neste cu de Judas, senão em partir? Ainda não me fui em-
25 bora por causa do Carlos, mas... O Carlos pertence a isto, nunca se irá embora. Só a ideia o apavora, não é?
− Sim. Só a ideia.
− Ri-se de partir, como nós nos rimos de uma coisa impossível, de uma ideia louca. Quer comprar
uma terra, construir uma casa a seu modo. Recebeu uma herança e só sonha com isso. Creio que é a
altura de eu...
30 − Creio que sim.
− Pois não é verdade?
− Ainda desenhas?

EDITÁVEL
40 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

− Se não desenhasse dava em maluca. E eles acham que eu tenho muito jeitinho, que hei de um dia
ser uma boa senhora da vila, uma esposa exemplar, uma mãe perfeita, tudo isso com muito jeito para
35 o desenho. Até posso fazer retratos das crianças quando tiver tempo, não é verdade?
− É o que eles acham, não é?
− A mãe está a acabar o meu enxoval.
− Eu sei.
Maria Judite de Carvalho, “George” in Conto português. Séculos XIX-XXI – Antologia crítica, vol. 3
(coord. Maria Isabel Rocheta, Serafina Martins), Porto, Edições Caixotim, 2011, pp. 115-120.

1. Explicite duas perspetivas de vida presentes no texto.

2. Demonstre que Gi é uma recordação de George e não uma figura fisicamente real.

3. Aponte as razões que levaram Gi a terminar o relacionamento com o namorado, fundamentando


a resposta com citações textuais pertinentes.

Leia o seguinte poema.

O palácio da ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

5 Mas já desmaio, exausto e vacilante,


Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:


10 Eu sou o Vagabundo, o Deserdado
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…


Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!
Antero de Quental, Poesia completa (org. e pref. de Fernando Pinto do Amaral),
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001, p. 248.

4. Demonstre que o tom eufórico da composição alterna com o tom disfórico.

5. Identifique o recurso expressivo do verso 2 da primeira estrofe, explicitando o seu valor


simbólico.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 41
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

A solidão é o que resta da impossibilidade da partida

O islandês Jón Kalman Stefánsson (n. 1963) escreveu uma trilogia – Paraíso e Inferno (2013),
A Tristeza dos Anjos (2014), e agora O Coração do Homem, todos publicados pela Cavalo de Ferro – e
cuja ação decorre em vários lugares da costa islandesa, em finais do século XIX, em pequenas
comunidades piscatórias na orla de uma baía que, dizem, é “tão larga que a vida não a consegue
5 atravessar”. O frio, o gelo, a escuridão, as tempestades sombrias, o vento e o mar ártico, parecem
acompanhar todos os pensamentos das personagens. Como se ao lado dos peixes e dos compa-
nheiros afogados que lhes habitam os sonhos, e lhes acenam na madrugada com barbatanas em
vez de mãos, houvesse sempre lugar para um contrapeso que os prendesse à cruel realidade.
Vivem em aldeias submersas na miséria, na fome, nas doenças, nas duríssimas condições cli-
10 máticas – lugares onde tudo parece ter sido negado aos habitantes, menos o amargo sofrimento.
Como se Stefánsson quisesse aventurar-se em descobrir quanto sofrimento é que afinal o coração
humano consegue suportar, e fá-lo amparado pelas vozes fantasmagóricas dos mortos. Escrever
sobre quão difícil é estar vivo.
Mais do que histórias em que os gritos dos mortos se misturam com os dos vivos, compondo
15 um coro trágico que não cessa de evocar a inevitável desolação da existência, a irremediável solidão
dos homens, esta trilogia é sobretudo um hino ao poder redentor das palavras e também da ami-
zade. Toda a trilogia parece querer sublinhar esse poder salvífico da palavra.
Os romances da trilogia ambientam-se naquela singular atmosfera de elementos naturais fe-
rozes e opressivos, de uma Natureza não subjugada pelo Homem (de fogo e de vento, de gelo e de
20 rios indomáveis), tão característica da Islândia, e que ao mesmo tempo nos remete sempre para a
memória lírica do mito, para um tempo dominado por uma sombria e avassaladora solidão onde
ecoam as sagas e os seus heróis trágicos. Essa solidão é um elemento essencial em O Coração do
Homem (bem como nos outros dois volumes da trilogia).
O volume agora publicado, O Coração do Homem, poderia ser lido como uma espécie de mani-
25 festo (em forma de romance) sobre a fragilidade da vida, e também sobre como por vezes permiti-
mos que a vida estagne, que se torne mais difícil.
O leitor segue a tristeza e privação, a vida e a morte, acompanhando as descobertas do rapaz,
e os três livros podem ser entendidos como uma espécie de trilogia de “romances de formação”,
mas que ao mesmo tempo se misturam com “livros de viagem” através de uma natureza hostil, de
30 enormes paisagens desoladas, austeras e terrivelmente frias, que os homens enfrentam rudemente
de maneira quase obstinada até à exaustão.
Com o autor islandês atravessamos o desespero silencioso da condição humana, numa despu-
dorada cartografia afetiva das nossas angústias. E também de muitos dos nossos demónios.
José Rico Direitinho, in Público, edição online de 07 de outubro de 2016
(consultado em novembro de 2016, com supressões).

EDITÁVEL
42 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

1. O texto lido pertence ao género “apreciação crítica” porque


(A) se expõe, argumentando, características da obra de um escritor.
(B) se trata de um texto narrativo sobre um tema, escrito em linguagem objetiva e na terceira pes-
soa do singular.
(C) se faz um comentário crítico sobre um escritor e a sua obra, o seu interesse e a sua consistên-
cia, usando uma linguagem valorativa.
(D) se argumenta em favor da obra de um autor islandês.

2. A obra em apreço
(A) versa diversos temas dos aldeãos islandeses do século XIX.
(B) tem como cenário as costas islandesas e as suas inóspitas características geográficas.
(C) elogia os homens atormentados por seres ferozes e opressivos.
(D) conta uma história de pescadores islandeses atormentados por fantasmas de mortos.

3. O Coração do homem é o terceiro livro de uma trilogia


(A) sobre a desesperança e a fragilidade da condição humana.
(B) que conta a vida miserável de um rapaz pescador.
(C) de obras sobre relatos de viagens na Islândia.
(D) sobre o modo como devemos lidar com os demónios.

4. O segmento sublinhado em “tão larga que a vida não a consegue atravessar (ll. 4-5) integra
uma oração subordinada
(A) substantiva relativa.
(B) adverbial concessiva.
(C) adjetiva relativa restritiva.
(D) adverbial consecutiva.

5. O segmento “que lhes habitam os sonhos” (ll. 7-8) desempenha a função sintática de
(A) sujeito.
(B) modificador do nome restritivo.
(C) vocativo.
(D) modificador do nome apositivo.

6. A frase “Toda a trilogia parece querer sublinhar esse poder salvífico da palavra.” (l. 17) confi-
gura a modalidade
(A) epistémica com valor de probabilidade.
(B) deôntica com valor de obrigação.
(C) apreciativa.
(D) deôntica com valor de permissão.

7. O processo de formação de palavras do termo “cartografia” (l. 33) é


(A) parassíntese.
(B) derivação por sufixação.
(C) composição morfológica.
(D) composição morfossintática.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 43
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

8. Transcreva o referente do pronome presente no segmento “que a vida não a consegue atraves-
sar” (ll. 4-5).

9. Indique o tipo de sequência dominante nas linhas 9-10.

10. Refira a classe de palavras a que pertence o termo “que” (l. 30).

GRUPO III
A busca da felicidade e a necessidade de realização pessoal têm sido, desde sempre, dois dos projetos
nos quais o ser humano coloca mais premência.

Num texto de opinião, bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras, apre-
sente o seu ponto de vista sobre esta temática.

Fundamente a sua opinião recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo
menos, um exemplo significativo.

EDITÁVEL
44 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

9. TESTE DE AVALIAÇÃO
Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o o poema.

Apenas um corpo

Respira. Um corpo horizontal,


tangível, respira.
Um corpo nu, divino,
respira, ondula, infatigável.

5 Amorosamente toco o que resta dos deuses.


As mãos seguem a inclinação
do peito e tremem,
pesadas de desejo.

Um rio interior aguarda.


10 Aguarda um relâmpago,
um raio de sol,
outro corpo.

Se encosto o ouvido à sua nudez,


uma música sobe,
15 ergue-se do sangue,
prolonga outra música.

Um novo corpo nasce,


nasce dessa música que não cessa,
desse bosque rumoroso de luz,
20 debaixo do meu corpo desvelado.
Eugénio de Andrade, in Poesia de Eugénio de Andrade,
s/l, Fundação Eugénio de Andrade, 2000, p. 75.

1. Esclareça o significado das mãos referidas na segunda estrofe.

2. Explique o valor simbólico dos termos “rio” e “sol”, relacionando-o com o conteúdo da estrofe.

3. Interprete a referência à música nas últimas estrofes do poema.


EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 45
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Leia o poema. Se necessário, consulte a nota.

Poema VII

Oh! o noivado bárbaro! o noivado


Sublime! aonde os céus, os céus ingentes1,
Serão leito de amor, tendo pendentes
Os astros por dossel e cortinado!

5 As bodas do Desejo, embriagado


De ventura, afinal! Visões ferventes
De quem nos braços vai de ideias ardentes
Por espaços sem termo arrebatado!

Lá, por onde se perde a fantasia


10 No sonho da beleza; lá, aonde
A noite tem mais luz que o nosso dia;

Lá, no seio da eterna claridade,


Aonde Deus à humana voz responde,
É que te havemos de abraçar, Verdade!
Antero de Quental, Poesia completa
(org. e pref. de Fernando Pinto do Amaral),
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001, p. 263.

1
Enormes; desmedidos.

4. Esclareça o sentido da forma deítica “Lá” (v. 9), em paralelismo anafórico nos tercetos, carac-
terizando o espaço que poderá retratar.

5. Identifique o recurso expressivo que inicia e finaliza o soneto, explicitando o seu valor semântico.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto de Manuel S. Fonseca, editor da obra de Jorge de Sena.

Amor pela literatura

Este livro, reunindo o carteio de Jorge de Sena e Eugénio de Andrade, publicado embora pela
Guerra e Paz Editores, não é da Guerra e Paz por ser inteiramente de um grande editor, José da Cruz
Santos, figura maior do meio editorial português há mais de meio século. Foi ele quem dinamizou
a organização deste livro, trabalhando sucessivamente com Jorge Fazenda Lourenço, que anotou
5 todas as cartas, e com Isabel de Sena, que agora passou a ser responsável pela conservação, divul-
gação e publicação de Jorge de Sena.
EDITÁVEL
46 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Mas José da Cruz Santos não é apenas um editor externo desta obra. Nas cartas de Eugénio e
de Sena multiplicam-se as referências – tão elogiosas – à sua ação de editor e à sua sensibilidade
poética. Dele diz Sena, numa carta a Eugénio, enviando-lhe um volume de traduções: “Passá-lo-ás
10 depois ao Cruz Santos, a quem Deus e Mercúrio deem vida, saúde e dinheiro.”
Foi Cruz Santos, num gesto de confiança que muito me toca, que decidiu entregar-me, e à Guerra
e Paz, a missão desta publicação, que agora chega às livrarias. Reúne uma correspondência de cerca
de trinta anos, de 1949 a 1978. Por estas cartas e postais passa Portugal. As grandes batalhas literá-
rias, os conflitos estéticos, o rumor pesado da Academia contra o qual Eugénio e Sena se batem,
15 mas também a vida política, a falta de liberdade, a explosão dela no 25 de abril, as esperanças e as
frustrações que se lhe seguiram, que Eugénio, primeiro denuncia: “… a esquerda revolucionária já
está a ser aproximada pelos bem pensantes do país, incluindo os comunistas, da mais sinistra reação”
e a que logo Sena responde “… revolução, que cada vez me parece mais um conluio de continuistas e
de arranjistas, com alguns revolucionários parvos pelo meio, e muitos demagogos a agarrar os tachos
20 com muita pressa…” de tudo isto há testemunho, vibrante, nestas cartas.
Esta é também, e sobretudo, a Correspondência de uma profunda e íntima amizade. São cartas
de amor pelo tão emocionado amor que Sena e Eugénio têm pela literatura, pelo labor poético, pela
forma como cantam e procuram a luz que cega da Beleza que pode haver num verso.
Manuel S. Santos, Jornal de Letras, Artes e Ideias, Ano XXXVI, n.o 1203, de 9 a 22 de novembro de 2016.

1. A frase “Mas José da Cruz Santos não é apenas um editor externo desta obra.” (l. 7) significa que
(A) Cruz Santos ajudou a Guerra e Paz na presente publicação.
(B) foi ele o impulsionador desta publicação, organizando-a.
(C) Cruz Santos foi incumbido de o fazer por Jorge de Sena.
(D) parte da correspondência lhe é dirigida.

2. Com a expressão “Por estas cartas e postais passa Portugal”(l. 13), o autor pretende destacar
(A) a importância da obra como documento literário e sociopolítico da época.
(B) a relevância desta obra para a compreensão dos movimentos estéticos portugueses.
(C) os géneros textuais que a obra abarca.
(D) a importância de que, na época, se revestia a correspondência escrita.

3. O título do texto justifica-se pelo facto de se tratar de uma obra que


(A) revela o amor dos dois escritores pela literatura em geral.
(B) revela o amor dos dois escritores pela literatura em geral e pela poesia em particular.
(C) demonstra a amizade que uniu estas duas figuras, fruto do amor que ambos tinham pela poesia.
(D) demonstra o amor de Jorge de Sena e do editor Cruz Santos pela literatura.

4. A expressão “agarrar os tachos” (l. 19) é sinónima de


(A) poupar dinheiro para fazer frente às adversidades.
(B) tentar cativar alguém para a causa revolucionária.
(C) defender a igualdade de oportunidades para todos.
(D) procurar cargos bem pagos e atrativos.

5. O constituinte “José da Cruz Santos” (ll. 2-3) desempenha a função sintática de


(A) sujeito.
(B) predicativo do sujeito.
(C) modificador apositivo do nome.
(D) vocativo.
EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 47
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

6. A oração “que anotou todas as cartas” (ll. 4-5) é subordinada


(A) adjetiva relativa explicativa.
(B) adjetiva relativa restritiva.
(C) substantiva completiva.
(D) subordinada adverbial causal.

7. O referente do pronome pessoal integrado na forma verbal “Passá-lo-ás” (l. 9) é


(A) “um editor externo”.
(B) “um volume de traduções”.
(C) “editor”.
(D) “um editor externo desta obra”.

8. Indique a modalidade expressa na afirmação “Foi Cruz Santos, num gesto de confiança, que
muito me toca […] que agora chega às livrarias.” (ll. 11-12)

9. Refira o processo de coesão assegurado pelo pronome pessoal “lhe”, em “enviando-lhe” (l. 9).

10. Identifique a relação temporal que se estabelece entre as ações referidas no segmento frásico
presente na questão anterior.

GRUPO III

Redija um texto de opinião, de 200 a 300 palavras, sobre a importância da amizade e do amor enquanto
sentimentos estruturantes da felicidade individual.

Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles
com, pelo menos, um exemplo significativo.

EDITÁVEL
48 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

10. TESTE DE AVALIAÇÃO


Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o poema.

S. Leonardo da Galafura
À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
5 S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
10 É num antecipado desengano
Que ruma em direção ao cais divino.

Lá não terá socalcos


Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
15 Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
20 Até onde se extinga a cor da vida.

Por isso, é devagar que se aproxima


Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
25 E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!
“Diário IX [1964]”, in Miguel Torga, Antologia poética,
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2014, p. 352.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 49
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

1. Explique o sentido dos três últimos versos da primeira estrofe, relacionando-o com o verso 8.

2. Identifique o recurso expressivo presente no verso 14, explicitando o seu valor semântico.

3. Comprove que o apego à terra é uma ideia que percorre todo o poema.

Leia a seguinte cantiga de amigo. Se necessário, consulte a nota.

Sedia-m’eu1 na ermida de San Simión


e cercaron-mi-as ondas que grandes son.
Eu atendend´2 o meu amigu´! E verrá?

Estando na ermida, ant’3 o altar,


5 cercaron-mi-as ondas grandes do mar.
Eu atenden[d´ o meu amigu´! E verrá?]

E cercaron-mi-as ondas que grandes son:


non ei4 [i] barqueiro nen remador.
Eu [atendend´ o meu amigu´! E verrá?]

10 E cercaron-mi-as ondas do alto mar:


non ei[ ]i barqueiro nen sei remar.
Eu aten[dend´ o meu amigu´! E verrá?]

Non ei i barqueiro nen remador:


morrerei [eu], fremosa, no mar maior.5
15 Eu aten[dend´ o meu amigu´! E verrá?]

Non ei [i] barqueiro nen sei remar:


morrerei eu, fremosa, no alto mar.
Eu [atendend´ o meu amigu´! E verrá?]
Mendinho, B 852/V 438
Mercedes Brea (coord.), Lírica profana galego-portuguesa,
Santiago de Compostela, Xunta de Galicia, 1996.

1
Estava eu.
2
Esperando.
3
Diante.
4
Tenho.
5
Alto.

4. Refira o assunto da cantiga.

5. Caracterize o estado de espírito do sujeito da enunciação.

EDITÁVEL
50 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

Pensar o ambiente

“Ambiente é uma área ao mesmo tempo fascinante e deprimente.” Esta duplicidade, só aparen-
temente paradoxal, define em grande medida o registo em que se desenvolve o pensamento de So-
fia Guedes Vaz ao longo das páginas do seu ensaio “Ambiente em Portugal”, recentemente editado
pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
5 Sofia Guedes não trai a expectativa dos leitores que querem obter no seu ensaio uma informa-
ção geral, em escrita clara e lúcida, sobre o estado do ambiente no nosso país. Essa tarefa é realiza-
da tanto no plano histórico como num plano analítico. A autora identifica as principais etapas de
formação da consciência ambiental, o papel dos movimentos sociais, a construção das primeiras
instituições e políticas públicas, sem esquecer de passar em revista o atual estado do ambiente do
10 país, seguindo o fio condutor dos macroindicadores (da água e resíduos, às alterações climáticas
e mar). Mas aquilo que considero mais criativo neste livro reside na perspetiva crítica em que ele
está perspetivado. A autora confessa-se em movimento de aprendizagem constante num domínio
de grande complexidade. Não hesita em chamar a atenção para consensos mitológicos e potencial-
mente anestesiantes, como o da “sustentabilidade”. E sobretudo insiste na tarefa de alargar a refle-
15 xão sobre a transição ambiental a áreas tão inovadoras como o teatro, o humor, a arte, a literatura,
o cinema, sem esquecer o papel das ciências.
O ambiente fascina, pelo desafio enorme da sua compreensão. Pela sua perturbante comple-
xidade, que nos percorre o corpo e a alma, envolvendo todas as faculdades. O ambiente deprime,
porque o que está em jogo é demasiado alto para perdermos a batalha da transição. Mas o combate
20 trava-se no meio de um espesso nevoeiro de incerteza. Sabemos o que devemos fazer. Mas não
sabemos mais nada.
Viriato Soromenho Marques, in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano XXXVI, n.o 1203, de 9 a 22 de novembro de 2016
(com supressões).

1. A “duplicidade” a que o autor se refere no início do texto tem a ver com


(A) o facto de se tratar de um tema desafiante, mas gerador de frustrações.
(B) o facto de se tratar de um paradoxo.
(C) a atitude da investigadora e a reação do leitor.
(D) a atitude da investigadora e das instituições que gerem o ambiente.

2. Na opinião de Soromenho Marques, Sofia Guedes


(A) fornece aos leitores informação relevante e credível, mas redutora, porque se debruça apenas
sobre a água, os resíduos, as alterações climáticas e o mar.
(B) informa sobre o estado do ambiente no nosso país, mas admite que se encontra ainda num
processo de aprendizagem.
(C) elabora um estudo acessível, em linguagem clara, mas ignora a questão da sustentabilidade
ambiental.
(D) dá a conhecer outras das suas paixões, como é o caso do teatro, da arte, da literatura e do cinema.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 51
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

3. A referência a “Sofia Guedes Vaz” (ll. 2-3), “Sofia Guedes” (l. 5) e “A autora” (l. 7) configura a
coesão
(A) lexical. (C) interfrásica.
(B) referencial. (D) frásica.

4. O constituinte sublinhado no segmento frásico “Sofia Guedes não trai a expectativa dos leitores…”
(l. 5) desempenha a função sintática de
(A) complemento direto. (C) sujeito.
(B) complemento do nome. (D) modificador.

5. O referente do determinante possessivo em “sua compreensão” (l. 17) é


(A) “ambiente”. (C) “complexidade”.
(B) “desafio”. (D) “compreensão”.

6. Na frase “que nos percorre o corpo e a alma” (l. 18) encontra-se


(A) um sujeito, um complemento direto e um complemento indireto.
(B) um complemento direto e um complemento indireto.
(C) um complemento direto, um complemento indireto e um complemento oblíquo.
(D) um sujeito e um complemento direto.

7. O conector usado em “Mas não sabemos mais nada.” (ll. 20-21) tem um valor de
(A) consequência. (C) conclusão.
(B) adição. (D) oposição.

8. Indique o valor modal expresso na frase “Ambiente é uma área ao mesmo tempo fascinante e
deprimente.” (l. 1).

9. Identifique o processo de formação da palavra “incerteza” (l. 20).

10. Classifique a oração subordinada na frase: “Sabemos o que devemos fazer.” (l. 20)

GRUPO III

A observação do mundo que nos rodeia e a capacidade de refletir sobre


ele leva-nos a apreciá-lo melhor.

Redija um texto de apreciação crítica da pintura de Claude Monet, de


150 a 180 palavras, atentando aos seguintes aspetos:
− contraste claro/escuro;
− fusão humano/Natureza;
− sensações sugeridas pelo espaço e pelas figuras humanas.

Mulheres no jardim, 1866-67,


Claude Monet, Museu d’Orsay.

EDITÁVEL
52 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

11. TESTE DE AVALIAÇÃO


Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia com atenção o excerto de O ano da morte de Ricardo Reis. Se necessário, consulte as notas.

Ricardo Reis aconchega a gabardina ao corpo, friorento, atravessa de cá para lá, por outras ala-
medas regressa, agora vai descer a Rua do Século, nem sabe o que o terá decidido, sendo tão ermo e
melancólico o lugar, alguns antigos palácios, casas baixinhas, estreitas, de gente popular, ao menos
o pessoal nobre de outros tempos não era de melindres, aceitava viver paredes meias com o vulgo,
5 ai de nós, pelo caminho que as coisas levam, ainda veremos bairros exclusivos, só residências, para
a burguesia de finança e fábrica, que então terá engolido da aristocracia o que resta, com garagem
própria, jardim à proporção, cães que ladrem violentamente ao viajante, até nos cães se há de notar
a diferença, em eras distantes tanto mordiam a uns como a outros.
Vai Ricardo Reis descendo a rua, sem nenhuma pressa […], e agora nesta rua, apesar de tão sos-
10 segada, sem comércio, com raras oficinas, há grupos que passam, todos que descendo vão, gente
pobre, alguns mais parecem pedintes, famílias inteiras, com os velhos atrás, a arrastar a perna,
o coração a rasto, as crianças puxadas aos repelões pelas mães, que são as que gritam, Mais de-
pressa, senão acaba-se. O que se acabou foi o sossego, a rua já não é a mesma, os homens, esses,
disfarçam, simulam a gravidade que a todo o chefe de família convém, vão no seu passo como
15 quem traz outro fito ou não quer reconhecer este, e juntamente desaparecem, uns após outros, no
próximo cotovelo da rua, […]. Diante de Ricardo Reis aparece uma multidão negra que enche a rua
em toda a largura […]. Ricardo Reis aproxima-se, pede licença para passar, […] alcançou o meio da
rua, está defronte da entrada do grande prédio do jornal O Século, o de maior expansão e circulação,
a multidão alarga-se, mais folgada, pela meia-laranja que com ele entesta, respira-se melhor, só
20 agora Ricardo Reis deu por que vinha a reter a respiração para não sentir o mau cheiro, ainda há
quem diga que os pretos fedem, o cheiro do preto é um cheiro de animal selvagem, não este odor
de cebola, alho e suor recozido, de roupas raro mudadas, de corpos sem banho ou só no dia de ir
ao médico, qualquer pituitária1 medianamente delicada se teria ofendido na provação deste trân-
sito. À entrada estão dois polícias, aqui perto outros dois que disciplinam o acesso, a um deles vai
25 Ricardo Reis perguntar, Que ajuntamento é este, senhor guarda, e o agente de autoridade responde
com deferência, vê-se logo que o perguntador está aqui por um acaso, É o bodo2 do Século, Mas
é uma multidão, Saiba vossa senhoria que se calculam em mais de mil os contemplados, Tudo
gente pobre, Sim senhor, tudo gente pobre, dos pátios e barracas, Tantos, E não estão aqui todos,
Claro, mas assim todos juntos, ao bodo, faz impressão, A mim não, já estou habituado, E o que é
30 que recebem, A cada pobre calha dez escudos, Dez escudos, É verdade, dez escudos, e os garotos
levam agasalhos, e brinquedos, e livros de leitura, Por causa da instrução, Sim senhor, por causa da
instrução, Dez escudos não dá para muito, Sempre é melhor que nada, Lá isso é verdade, Há quem
esteja o ano inteiro à espera do bodo, deste e dos outros, olhe que não falta quem passe o tempo a
correr de bodo para bodo, à colheita, o pior é quando aparecem em sítios onde não são conhecidos,
35 outros bairros, outras paróquias, outras beneficências, os pobres de lá nem os deixam chegar-se,
cada pobre é fiscal doutro pobre, Caso triste, Triste será, mas é bem feito, para aprenderem a não ser

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 53
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

aproveitadores, Muito obrigado pelas suas informações, senhor guarda, Às ordens de vossa senho-
ria, passe vossa senhoria por aqui, e, tendo dito, o polícia avançou três passos, de braços abertos,
como quem enxota galinhas para a capoeira, Vamos lá, quietos, não queiram que trabalhe o sabre.
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis, 21.a ed., Lisboa, Editorial Caminho, 2013, pp. 87-88, 90-91.

1
Membrana mucosa que reveste as cavidades nasais. 2 Distribuição solene de alimentos, e, por extensão, de dinheiro e roupas,
a necessitados.

1. Demonstre que neste excerto se assiste a uma deambulação geográfica.


2. Explicite de que forma o bodo do Século a que Reis assiste espelha o Portugal de 1936.
3. Evidencie a relação intertextual que se pode estabelecer com Cesário Verde.

Leia os excertos de “Num bairro moderno”, de Cesário Verde.

Dez horas da manhã; os transparentes Há colos, ombros, bocas, um semblante


Matizam uma casa apalaçada; Nas posições de certos frutos. E entre
Pelos jardins estancam-se as nascentes, As hortaliças, túmido, fragrante,
E fere a vista, com brancuras quentes, Como d’alguém que tudo aquilo jante,
5 A larga rua macadamizada. 35 Surge um melão, que me lembrou um ventre.
[…]
Como é saudável ter o seu conchego, E, como um feto, enfim, que se dilate,
E a sua vida fácil! Eu descia, Vi nos legumes carnes tentadoras,
Sem muita pressa, para o meu emprego, Sangue na ginja vívida, escarlate,
Aonde agora quase sempre chego Bons corações pulsando no tomate
10 Com as tonturas d’uma apoplexia. 40 E dedos hirtos, rubros, nas cenouras.
[…]
E rota, pequenina, azafamada, E enquanto sigo para o lado oposto,
Notei de costas uma rapariga, E ao longe rodam umas carruagens,
Que no xadrez marmóreo d’uma escada, A pobre afasta-se, ao calor de agosto,
Como um retalho de horta aglomerada, Descolorida nas maçãs do rosto,
15 Pousara, ajoelhando, a sua giga. 45 E sem quadris na saia de ramagens.
[…] […]
Subitamente, – que visão de artista! – E pitoresca e audaz, na sua chita,
Se eu transformasse os simples vegetais, O peito erguido, os pulsos nas ilhargas,
À luz do sol, o intenso colorista, D’uma desgraça alegre que me incita,
Num ser humano que se mova e exista Ela apregoa, magra, enfezadita,
20 Cheio de belas proporções carnais?! 50 As suas couves repolhudas, largas.
[…]
E eu recompunha, por anatomia, E, como as grossas pernas d’um gigante,
Um novo corpo orgânico, aos bocados. Sem tronco, mas atléticas, inteiras,
Achava os tons e as formas. Descobria Carregam sobre a pobre caminhante,
Uma cabeça numa melancia, Sobre a verdura rústica, abundante,
25 E nuns repolhos seios injetados. 55 Duas frugais abóboras carneiras.

As azeitonas, que nos dão o azeite, Lisboa, verão de 1877


Negras e unidas, entre verdes folhos, “Num bairro moderno”, in Cesário Verde, Cânticos do
São tranças d’um cabelo que se ajeite; Realismo. O livro de Cesário Verde, Lisboa, INCM, 2015.
E os nabos – ossos nus, da cor do leite,
30 E os cachos d’uvas – os rosários d’olhos.

EDITÁVEL
54 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. Identifique, comentando o seu valor semântico, o recurso expressivo presente em “E fere a


vista, com brancuras quentes, / A larga rua macadamizada” (vv. 4-5).

5. Explique, justificando com elementos textuais, por que razão se pode afirmar que neste poema
se assiste à transfiguração poética do real.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia atentamente o texto.

Campo ou cidade?

O mito da Natureza
Até que ponto será o mundo rural sinónimo de bem-estar e a grande urbe uma fábrica de stress
e de solidão? A ecopsicologia está a mudar as noções preconcebidas sobre estas duas opções de
vida.
Em novembro [de 2010], morria João Manuel Serra, mais conhecido como “o senhor do adeus”,
5 o homem que acenava a toda a gente que passava de noite pela praça do Saldanha, em Lisboa.
Foi depois da morte da mãe que esta figura popular da capital teve consciência da solidão urbana,
o que o levou a “dar as boas-noites” às pessoas e a acenar aos condutores, todas as noites, até às
três da manhã. O fenómeno da solidão urbana – assim como o número de pessoas que morrem
sozinhas nas cidades – sempre foi um motivo de interesse para os psicólogos. Bibb Latané e John
10 Darley, da Universidade do Estado do Ohio, estudaram, há décadas, aquilo que designaram por
“efeito de espetador”: quanto mais pessoas observam um incidente, maior a probabilidade de ne-
nhuma intervir. A responsabilidade dilui-se na multidão, e nenhuma testemunha de uma tragédia
se sente obrigada a dar uma mão. Todas esperam que as restantes o façam.
Segundo estes especialistas, recorremos a três estratégias mentais para não metermos prego
15 nem estopa: assumimos que a vítima é responsável pelo que está a acontecer, desconfiamos, no
caso de nos abordar, das suas intenções, e sobrestimamos a probabilidade de ter alguma rela-
ção com o atacante, quando se trata de uma agressão. Torna-se mais fácil enganarmo-nos a nós
próprios com estes argumentos se vivermos em centros muito populosos, pois não conhecemos,
geralmente, a pessoa afetada nem as suas circunstâncias. Podemos ser egoístas sem nos sentirmos
20 culpados. Daí a imagem de ausência de solidariedade gravada no imaginário coletivo.
Nos últimos anos, porém, a noção de metrópole como local inóspito está a ser reavaliada. Mui-
tos especialistas defendem que os anteriores estudos focavam sobretudo aspetos circunstanciais,
sem dados reais que confirmassem essa visão dantesca. Atualmente, trabalha-se com dados mais
globais. Segundo a ecopsicologia, os meios rurais e urbanos são, simplesmente, habitats distintos
25 que potenciam diferentes capacidades. Em princípio, nenhum dos dois é melhor do que o outro.
Stanley Milgram, psicólogo teórico da Universidade de Yale, falecido em 1984, foi um dos pri-
meiros a adotar esta perspetiva. A tese que defendia propunha que a maior diferença entre os dois
âmbitos é o nível de estimulação. Assim, segundo Milgram, a cidade bombardeia-nos com uma
torrente de mensagens sensitivas que ultrapassa a capacidade humana de processar informação.
30 Isto é: há demasiadas coisas e não podemos dar atenção a tudo. Por isso, colocamos em funciona-
mento um mecanismo de adaptação: ignorar tudo o que não seja relevante.
Superinteressante, n.o 162, outubro de 2011, edição online (consultado em novembro de 2016).

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 55
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

1. Segundo o autor do artigo,


(A) é um facto incontornável que o mundo rural é sinónimo de bem-estar e que a vida urbana pro-
move o stress e a solidão.
(B) as atitudes de João Manuel Serra demonstram que o fenómeno da solidão é transversal à vida
urbana e rural.
(C) há muito que a ecopsicologia mantém a mesma visão sobre as diferenças entre a vida rural e a
urbana.
(D) estudos recentes têm vindo a provar que a vida rural e urbana são diferentes e, por isso, poten-
ciam experiências também elas diferentes.

2. O “efeito de espetador”, mais visível (ll. 10-11), nos meios urbanos do que nos rurais, resulta
do facto de as pessoas
(A) que assistem a um incidente se sentirem coagidas a intervir.
(B) não intervirem em incidentes por estarem sempre à espera que outros o façam.
(C) sentirem mais solidariedade pelo próximo nesse ambiente.
(D) se deixarem mais facilmente enganar pelas vítimas de um incidente.

3. A modalidade configurada em “A ecopsicologia está a mudar as noções preconcebidas sobre


estas duas opções de vida” (ll. 2-3) é
(A) epistémica (valor de probabilidade).
(B) epistémica (valor de certeza).
(C) apreciativa.
(D) deôntica (valor de permissão).

4. O valor aspetual da forma verbal presente em “o homem que acenava a toda a gente” (l. 5) é
(A) perfetivo.
(B) imperfetivo.
(C) genérico.
(D) habitual.

5. No contexto em que surge, a palavra “esta”, em “esta figura” (l. 6), funciona como
(A) deítico.
(B) mecanismo de coesão referencial.
(C) mecanismo de coesão temporal.
(D) mecanismo de coesão interfrásico.

6. O segmento sublinhado em “O fenómeno da solidão urbana” (l. 8) desempenha a função sintá-


tica de
(A) modificador do nome apositivo.
(B) modificador do nome restritivo.
(C) complemento do nome.
(D) complemento do adjetivo.

7. No contexto em que surge, a palavra “inóspito” (l. 21) significa


(A) hostil.
(B) suspeito.
(C) ideal.
(D) habitável.

EDITÁVEL
56 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

8. Sabendo que rural provém do étimo latino RURE- que significa “campo”, explique o significado
literal do adjetivo português.

9. Escreva duas frases que evidenciem o campo semântico da palavra “capital” (l. 6).

10. Identifique o referente retomado pelo pronome pessoal sublinhado em “o façam” (l. 13).

GRUPO III

Escreva um texto de opinião, entre 170 e 200 palavras, sobre as vantagens/desvantagens da vida rural
e urbana, tomando partido por uma dessas opções.
Planifique previamente o seu texto, considerando as seguintes orientações:
– estrutura tripartida (introdução, desenvolvimento e conclusão);
– explicitação de um ponto de vista (discurso valorativo);
– inclusão de argumentos e respetivos exemplos;
– seleção vocabular criteriosa, articulação coerente, correção linguística, sintática e ortográfica.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 57
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

12. TESTE DE AVALIAÇÃO


Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia com atenção o excerto de O ano da morte de Ricardo Reis. Se necessário, consulte a nota.

Ricardo Reis não saiu para jantar […]. Já passava das onze horas, desceu ao jardim para olhar os
barcos uma vez mais, deles viu apenas as luzes de posição, agora nem sequer sabia distinguir entre
avisos1 e contratorpedeiros. Era o único ser vivo no Alto de Santa Catarina, com o Adamastor já não
se podia contar, estava concluída a sua petrificação, a garganta que ia gritar não gritará, a cara mete
5 horror olhá-la. Voltou Ricardo Reis para casa, certamente não vão sair de noite, à ventura, com risco
de encalhe. Deitou-se, meio despido, adormeceu tarde, acordou, tornou a adormecer, tranquilizado
pelo grande silêncio que havia na casa, a primeira luz da manhã entrava pelas frinchas da janela
quando despertou, nada acontecera durante a noite, agora que outro dia começara parecia impos-
sível que alguma coisa pudesse acontecer. Recriminou-se pelo despropósito de dormir vestido, só
10 descalçara os sapatos e tirara o casaco e a gravata, Vou tomar um banho, disse, baixara-se para
procurar os chinelos debaixo da cama, então ouviu o primeiro tiro de peça. Quis acreditar que se
enganara, talvez tivesse caído qualquer objeto muito pesado no andar de baixo, um móvel, a dona
da casa com um desmaio, mas outro tiro soou, as vidraças estremeceram, são os barcos que estão
a bombardear a cidade. Abriu a janela, na rua havia pessoas assustadas, uma mulher gritou, Ai
15 que é uma revolução, e largou a correr, calçada acima, na direção do jardim. Ricardo Reis calçou-se
rapidamente, enfiou o casaco, ainda bem que não se despira, parecia que adivinhava […]. Quando
Ricardo Reis chegou ao jardim havia já muitas pessoas, morar aqui perto era um privilégio, não há
melhor sítio em Lisboa para ver entrar e sair os barcos. Não eram os navios de guerra que estavam
a bombardear a cidade, era o forte de Almada que disparava contra eles. Contra um deles. Ricardo
20 Reis perguntou, Que barco é aquele, teve sorte, calhou dar com um entendido, É o Afonso de Al-
buquerque. […]
Durante toda a tarde, Lídia não apareceu. Na hora da distribuição dos vespertinos Ricardo Reis
saiu para comprar o jornal. Percorreu rapidamente os títulos da primeira página, procurou a conti-
nuação da notícia na página central dupla, outros títulos, ao fundo, em normando, Morreram doze
25 marinheiros, e vinham os nomes, as idades, Daniel Martins de vinte e três anos, Ricardo Reis ficou
parado no meio da rua, com o jornal aberto […]. É quase noite. Diz o jornal que os presos foram
levados primeiro para o Governo Civil, depois para a Mitra, que os mortos, alguns por identificar,
se encontram no necrotério. Lídia andará à procura do irmão, ou está em casa da mãe, chorando
ambas o grande e irreparável desgosto.
30 Então bateram à porta. Ricardo Reis correu, foi abrir já prontos os braços para recolher a lacrimosa
mulher afinal era Fernando Pessoa, Ah, é você, Esperava outra pessoa, Se sabe o que aconteceu,
deve calcular que sim, creio ter-lhe dito um dia que a Lídia tinha um irmão na Marinha, Morreu,
Morreu. Estavam no quarto, Fernando Pessoa sentado aos pés da cama, Ricardo Reis numa cadeira.
Anoitecera por completo. […]. Fernando Pessoa tinha as mãos sobre o joelho, os dedos entrela-
35 çados, estava de cabeça baixa. Sem se mexer, disse, Vim cá para lhe dizer que não tornaremos a

EDITÁVEL
58 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

ver-nos, Porquê, O meu tempo chegou ao fim, lembra-se de eu lhe ter dito que só tinha para uns
meses, Lembro-me. Pois é isso, acabaram-se. Ricardo Reis subiu o nó da gravata, levantou-se, ves-
tiu o casaco. Foi à mesa-de-cabeceira buscar The god of the labyrinth, meteu-o debaixo do braço,
Então vamos, disse, Para onde é que você vai, Vou consigo, Devia ficar aqui, à espera da Lídia, Eu
40 sei que devia, Para a consolar do desgosto de ter ficado sem o irmão, Não lhe posso valer, E esse
livro, para que é, Apesar do tempo que tive, não cheguei a acabar de lê-lo, Não irá ter tempo, Terei
o tempo todo, Engana-se, a leitura é a primeira virtude que se perde, lembra-se. Ricardo Reis abriu
o livro, viu uns sinais incompreensíveis, uns riscos pretos, uma página suja, Já me custa ler, disse,
mas mesmo assim vou levá-lo, Para quê, Deixo o mundo aliviado de um enigma. Saíram de casa,
45 Fernando Pessoa ainda observou, Você não trouxe chapéu, Melhor do que eu sabe que não se usa
lá. Estavam no passeio do jardim, olhavam as luzes pálidas do rio, a sombra ameaçadora dos mon-
tes. Então vamos, disse Fernando Pessoa, Vamos, disse Ricardo Reis. O Adamastor não se voltou
para ver, parecia-lhe que desta vez ia ser capaz de dar o grande grito. Aqui, onde o mar se acabou
e a terra espera.
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis, 21.a ed., Lisboa, Editorial Caminho, 2013, pp. 573-575, pp. 580-582.

1
Navios de guerra, pequenos e velozes.

1. Exponha a situação política de Portugal em 1936, baseando-se no excerto e no conhecimento


que possui da obra.

2. Identifique, explicando o seu sentido, as relações intertextuais estabelecidas com Camões.

3. Explique a metáfora subjacente ao título do livro que Ricardo Reis faz questão de levar consigo.

Leia o poema.

Trova do vento que passa


A António Portugal

Pergunto ao vento que passa Se o verde trevo desfolhas


notícias do meu país pede notícias e diz
e o vento cala a desgraça 15 ao trevo de quatro folhas
o vento nada me diz. que morro por meu país.

5 Pergunto aos rios que levam Pergunto à gente que passa


tanto sonho à flor das águas por que vai de olhos no chão.
e os rios não me sossegam Silêncio – é tudo o que tem
levam sonhos deixam mágoas. 20 quem vive na servidão.

Levam sonhos deixam mágoas Vi florir os verdes ramos


10 ai rios do meu país direitos e ao céu voltados.
minha pátria à flor das águas E a quem gosta de ter amos
para onde vais? Ninguém diz. vi sempre os ombros curvados.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 59
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

25 E o vento não me diz nada 45 Ninguém diz nada de novo


ninguém diz nada de novo. se notícias vou pedindo
Vi minha pátria pregada nas mãos vazias do povo
nos braços em cruz do povo. vi minha pátria florindo.

Vi meu poema na margem E a noite cresce por dentro


30 dos rios que vão pró mar 50 dos homens do meu país.
como quem ama a viagem Peço notícias ao vento
mas tem sempre de ficar. e o vento nada me diz.

Vi navios a partir Mas há sempre uma candeia


(Portugal à flor das águas) dentro da própria desgraça
35 vi minha trova florir 55 há sempre alguém que semeia
(verdes folhas verdes mágoas). canções no vento que passa.

Há quem te queira ignorada Mesmo na noite mais triste


e fale pátria em teu nome. em tempo de servidão
Eu vi-te crucificada há sempre alguém que resiste
40 nos braços negros da fome. 60 há sempre alguém que diz não.
“Praça da canção [1965]”, in Manuel Alegre,
E o vento não me diz nada 30 anos de poesia (prefácio de Eduardo Lourenço),
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997, pp. 74-75.
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

4. Apresente a situação denunciada pelo sujeito lírico neste poema, tendo em conta o contexto
histórico da sua escrita. Justifique a sua resposta com elementos textuais.

5. Analise a estrutura métrica, estrófica e rimática do poema.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia atentamente o texto.

Se a liberdade tivesse dono era uma ditadura

“Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os
estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a
que chegámos” foram as últimas palavras de Salgueiro Maia às suas tropas antes da partida rumo a
Lisboa na madrugada de 25 de abril de 74.
5 Ontem comemorámos mais um aniversário da Revolução dos cravos, celebrámos o 42º ano que
vivemos em liberdade, recordámos um dos momentos de maior coragem e ação cidadã que a nossa
pátria já conheceu.
Na “casa da democracia” ouvimos o Presidente da República apelar ao diálogo, à procura de
maior consenso político entre os partidos, apelou a menos campanha eleitoral e a mais realismo
EDITÁVEL
60 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

10 na ação. Curiosamente, ou não, um discurso oportuno, proferido por um Presidente que é cada vez
mais o Presidente de todos os portugueses, mas que acaba por repetir os apelos presidenciais já
feitos no passado, mas agora com outro tipo de “aceitação”.
O discurso presidencial provocou diferentes sensações aos vários grupos parlamentares, de
apoio ou repúdio, conforme cada parágrafo. No fundo, foi um discurso sem preferências partidá-
15 rias, mas sobretudo com vários recados ao governo mas também à oposição, que cada um tentou
interpretar à sua maneira. Os recados foram dados, o caminho definido, a democracia continua viva.
Um fator que teima em marcar esta, como anteriores cerimónias, pelo seu protesto ou apoio,
tem sido a participação ou não dos “capitães de Abril” nas cerimónias oficiais na Assembleia da
República. Na verdade, alguns capitães, mas em particular o presidente da Associação 25 de Abril,
20 teimam em confundir o seu preconceito ideológico com a própria democracia, violando constan-
temente aquilo porque lutou Salgueiro Maia, o grande capitão de Abril, eleições livres e funciona-
mento pleno do sistema democrático.
A humildade de Salgueiro Maia, o seu caráter e o seu espírito de missão em função do interesse
nacional, mas jamais em função da sua crença ideológica, fazem dele o verdadeiro herói símbolo
25 da nossa democracia e da nossa liberdade. É por respeitar as instituições democráticas e os resul-
tados da democracia, que Salgueiro Maia, mas jamais Vasco Gonçalves ou Otelo, tem o significado
que tem para a nossa história.
A terminar, não podia deixar de relatar aqui a oportunidade que me foi dada de participar na
mais emocionante cerimónia que testemunhei nestas comemorações anuais, a homenagem que
30 o Presidente da República, a autarquia e a cidade de Santarém prestaram a Salgueiro Maia na terra
que o adotou como o seu mais ilustre habitante. Marcelo fez questão de estar presente para de
forma simples, bonita e muito honesta, no meio do povo, junto à viúva de Salgueiro Maia, a Pro-
fessora Natércia Maia, homenagear o nosso herói. Jamais esquecerei o momento, simples, mas
cheio de significado, em que a sua neta Daniela leu um poema que terminou dando a mão ao seu
35 avô personificado na estátua que tornou eterna a sua presença física, porque da memória jamais se
sumirá, na capital da liberdade.

Obrigado, Capitão Salgueiro Maia!


Duarte Marques, in Expresso, edição online de 26 de abril de 2016
(consultado em novembro de 2016, adaptado e com supressões).

1. Neste texto, o autor


(A) relata objetivamente a cerimónia das comemorações do 25 de Abril.
(B) emite uma opinião valorativa sobre o discurso do Presidente da República.
(C) elogia a atitude dos “capitães de Abril”.
(D) critica a homenagem feita pelo Presidente da República a Salgueiro Maia.

2. Na opinião de Duarte Marques, Salgueiro Maia


(A) não deveria ter estado presente nas cerimónias do 25 de Abril.
(B) assume, na história portuguesa, um papel tão preponderante como Vasco Gonçalves.
(C) é o grande responsável pela democracia e a liberdade em Portugal.
(D) violou a própria democracia por causa dos seus preconceitos ideológicos.

3. O uso de aspas nas primeiras linhas do texto justifica-se


(A) por se usar o discurso indireto.
(B) por se tratar de uma citação.
(C) pela ênfase dada às palavras proferidas.
(D) por se declarar um facto.
EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 61
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

4. O segmento “Meus senhores” (l. 1) desempenha a função sintática de


(A) sujeito.
(B) predicativo do sujeito.
(C) vocativo.
(D) complemento oblíquo.

5. A oração presente em “que a nossa pátria já conheceu” (ll. 6-7) classifica-se como subordinada
(A) adverbial comparativa. (C) substantiva completiva.
(B) adverbial consecutiva. (D) adjetiva relativa restritiva.

6. Em “No fundo, foi um discurso sem preferências partidárias, mas sobretudo com vários recados
ao governo” (ll. 14-15), o vocábulo sublinhado contribui para a coesão gramatical
(A) temporal. (C) frásica.
(B) referencial. (D) interfrásica.

7. O processo fonológico ocorrido na passagem de LIBERTATE- para “liberdade” (l. 25) é


(A) sonorização. (C) vocalização.
(B) palatalização. (D) metátese.

8. Identifique a modalidade presente em “Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a
que chegámos” (ll. 2-3).

9. Classifique os deíticos presentes em “Ontem comemorámos mais um aniversário da Revolução


dos cravos” (l. 5).

10. Refira a relação temporal que se estabelece entre o segmento seguinte e o momento de enun-
ciação “Jamais esquecerei o momento” (l. 33).

GRUPO III
Elabore uma apreciação crítica da imagem apresentada, entre 150 a 200 palavras, atendendo aos
seguintes aspetos, entre outros, que deve previamente planificar:
− descrição sucinta da imagem;
− intencionalidade;
− relação da imagem com O ano da morte
de Ricardo Reis;
− comentário valorativo.

Censura, wordpress.com

EDITÁVEL
62 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

13. TESTE DE AVALIAÇÃO


Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia com atenção o excerto de Memorial do convento.

Uma vez por outra, Blimunda levanta-se mais cedo, antes de comer o pão de todas as manhãs,
e, deslizando ao longo da parede para evitar pôr os olhos em Baltasar, afasta o pano e vai inspecio-
nar a obra feita, descobrir a fraqueza escondida do entrançado, a bolha de ar no interior do ferro,
e, acabada a vistoria, fica enfim a mastigar o alimento, pouco a pouco se tornando tão cega como
5 a outra gente que só pode ver o que à vista está. Quando isto fez pela primeira vez e Baltasar depois
disse ao padre Bartolomeu Lourenço, Este ferro não serve, tem uma racha por dentro, Como é que
sabes, Foi Blimunda que viu, o padre virou-se para ela, sorriu, olhou um e olhou outro, e declarou,
Tu és Sete-Sóis porque vês às claras, tu serás Sete-Luas porque vês às escuras, e, assim, Blimunda,
que até aí só se chamava, como sua mãe, de Jesus, ficou sendo Sete-Luas, e bem batizada estava,
10 que o batismo foi de padre, não alcunha de qualquer um. Dormiram nessa noite os sóis e as luas
abraçados, enquanto as estrelas giravam devagar no céu, Lua onde estás, Sol aonde vais.
Quando calha, vem o padre Bartolomeu Lourenço experimentar aqui os sermões que compôs,
pela bondade do eco que as paredes têm, o bastante apenas para ficar redonda a palavra, sem a
ressonância excessiva que encavala os sons e acaba por empastar o sentido. Assim é que deviam
15 soar as imprecações dos profetas no deserto ou nas praças públicas, lugares sem paredes ou que
as não têm próximas, e por isso inocentes das leis da acústica, está a graça no órgão que profere
a palavra, não nos ouvidos que a ouvem ou nos muros que a devolvem. Porém, esta religião é de
oratório mimoso, com anjos carnudos e santos arrebatados e muitas agitações de túnica, roliços
braços, coxas adivinhadas, peitos que arredondam, revirações dos olhos, tanto está sofrendo quem
20 goza como está gozando quem sofre, por isso é que não vão os caminhos dar todos a Roma, mas ao
corpo. Esforça-se o padre na oratória, tanto mais que logo ali está quem o ouça, mas, ou por efeito
intimidativo da passarola ou por frieza egoísta dos auditores, ou por faltar o ambiente eclesial, as
palavras não voam, não retumbam, enredam-se umas pelas outras, parece impróprio que tenha
o padre Bartolomeu Lourenço tão grande fama de orador sacro, ao ponto de o terem comparado
25 ao padre António Vieira, que Deus haja e o Santo Ofício houve. Aqui ensaiou o padre Bartolomeu
Lourenço o sermão que foi pregar a Salvaterra de Magos, estando lá el-rei e a corte, aqui está pro-
vando agora o que pregará na festa dos desponsórios de S. José, que lho encomendaram os do-
minicanos, afinal não lhe desaproveita muito a fama que tem de voador e extravagante, que até
os filhos de S. Domingos o requestam, de el-rei não falemos, que sendo tão moço ainda gosta de
30 brinquedos, por isso protege o padre, por isso se diverte tanto com as freiras nos mosteiros e as vai
emprenhando, uma após outra, ou várias ao mesmo tempo, que quando acabar a sua história se
hão de contar por dezenas os filhos assim arranjados, coitada da rainha, que seria dela se não fosse
o seu confessor António Stieff, jesuíta, por lhe ensinar resignação, e os sonhos em que lhe aparece
o infante D. Francisco com marinheiros mortos pendurados dos arções das mulas, e que seria do
35 padre Bartolomeu Lourenço se aqui entrassem os dominicanos que o sermão lhe encomendaram,

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 63
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

e dessem com esta passarola, este maneta, esta feiticeira, este pregador a burilar palavras e talvez a
esconder pensamentos, que esses não os veria Blimunda nem que jejuasse um ano inteiro.
José Saramago, Memorial do convento, 53.a ed., Lisboa, Editorial Caminho, 2013, cap. IX, pp. 121-123.

1. Explique a simbologia associada aos nomes Sete-Sóis e Sete-Luas.

2. Estabeleça o contraste entre a relação do rei e da rainha e de Baltasar e Blimunda, justificando a


sua resposta com elementos textuais.

3. Explique por que razão se pode afirmar que o padre Bartolomeu Lourenço é uma figura controversa.

Leia o excerto seguinte do “Sermão de Santo António aos peixes”. Se necessário, consulte as notas.

Vos estis sal terrae (Mt 5).


“Vós”, diz Cristo Senhor nosso, falando com os Pregadores, “sois o sal da terra”; e chama-lhes sal
da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas
quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela, que têm ofício de sal,
qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra
5 se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os Pregadores não pregam a verdadeira doutrina;
ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina, que lhes dão, a
não querem receber; ou é porque o sal não salga, e os Pregadores dizem uma coisa, e fazem outra;
ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer
o que eles dizem; ou é porque o sal não salga, e os Pregadores se pregam a si, e não a Cristo; ou
10 porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites.
Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Suposto pois que, ou o sal não salgue, ou a terra se não deixe salgar; que se há de fazer a este
sal, e que se há de fazer a esta terra? O que se há de fazer ao sal, que não salga, Cristo o disse logo:
Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras, et conculcetur ab
15 hominibus [Mateus 5, 13]. Se o sal perder a substância, e a virtude, e o Pregador faltar à doutrina, e ao
exemplo, o que se lhe há de fazer é lançá-lo fora como inútil, para que seja pisado de todos. Quem
se atrevera a dizer tal coisa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja
mais digno de reverência, e de ser posto sobre a cabeça, que o Pregador, que ensina, e faz o que
deve; assim é merecedor de todo o desprezo, e de ser metido debaixo dos pés, o que com a palavra,
20 ou com a vida prega o contrário.
Isto é o que se deve fazer ao sal, que não salga. E à terra, que se não deixa salgar, que se lhe há de
fazer? Este ponto não resolveu Cristo Senhor nosso no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução
do nosso grande Português Santo António, que hoje celebramos, e a mais galharda, e gloriosa re-
solução, que nenhum Santo tomou. Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino, contra
25 os Hereges, que nela eram muitos; e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar, não
só não fazia fruto o Santo, mas chegou o Povo a se levantar contra ele, e faltou pouco para que lhe
não tirassem a vida. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos
sapatos, como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não podia fazer
esta protestação, e uns pés, a que se não pegou nada da terra, não tinham que sacudir. Que faria
30 logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a
prudência, ou a covardia humana; mas o zelo da glória divina, que ardia naquele peito, não se ren-
deu a semelhantes partidos. Pois que fez? Mudou somente o púlpito, e o auditório, mas não desistiu
da doutrina. Deixa as praças, vai-se às praias, deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas

EDITÁVEL
64 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

vozes: “Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes”. Oh maravilhas do Altíssimo!
35 Oh poderes do que criou o mar, e a terra! Começam a ferver as ondas, começam a concorrer os
peixes, os grandes, os maiores, os pequenos, e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora
da água, António pregava, e eles ouviam.
Padre António Vieira, Obra completa (dir. José Eduardo Franco e Pedro Calafate), tomo II, vol. X, Lisboa,
Círculo de Leitores, 2014, pp. 137-138.

4. Explique a intencionalidade da estrutura paralelística e anafórica presente no primeiro pará-


grafo do texto.

5. Evidencie a intenção persuasiva e a exemplaridade do discurso de Vieira.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia atentamente o texto.

Todos os sermões

Mais do que um livro de pregação, que o próprio não quis fazer, os Sermões do padre António
Vieira estão cheios de referências biográficas. A inveja e a ingratidão da pátria, a defesa dos índios
e dos judeus, a missionação e a diplomacia exercidas pelo jesuíta do século XVII estão presentes ao
longo desta obra, que a partir de hoje terá uma nova edição crítica a “Sermão de Santo António aos
5 Peixes”, “Sermão do Bom Ladrão”, “Sermão da Sexagésima”. Peças ditas e escritas pelo padre Antó-
nio Vieira, exemplos eloquentes da oratória barroca. Sim? Sim e não. A edição crítica dos Sermões,
tal como o padre jesuíta os organizou no século XVII, permitiu trazer ao de cima uma faceta até
agora menos vista: os Sermões, cujo primeiro volume é hoje apresentado, relacionam-se mais com
a vida pessoal de Vieira do que pareciam. Por exemplo, dão conta das perseguições e maus-tratos
10 que o jesuíta sofreu na sua própria pátria.
Padre jesuíta, missionário, defensor dos índios e dos judeus, diplomata, perseguido pela Inqui-
sição, mas que obteve do papa Clemente X a suspensão do Tribunal do Santo Ofício em Portugal,
António Vieira nasceu a 6 de fevereiro de 1608 em Lisboa. Aos seis anos, o pequeno António vai
para a Baía, no Brasil, aos 15 entra no noviciado jesuíta e, um ano depois, é encarregue de escrever
15 o relatório anual da missão para o geral da Companhia de Jesus.
Ordenado padre em 1633, com 25 anos, já dois anos antes começara a fazer sermões. Desde cedo
reproduz, na sua pregação, as causas em que se empenhava: a defesa dos índios e dos judeus, os
vícios da pátria − a inveja nacional era violentamente criticada −, a oposição à escravatura (tema
em que hesita por vezes).
20 Autor de 203 sermões (204, incluindo um texto que alguns consideram apenas um comentário)
e 700 cartas, muitas das quais relativas a missões diplomáticas, Vieira vê-se perseguido pela Inqui-
sição por defender os judeus. Em 1649, o Santo Ofício quer expulsá-lo dos jesuítas. O apoio do rei
D. João IV, que pedira ao missionário ajuda diplomática na causa da restauração da independência,
adia os intentos dos inquisidores. Em 1660, depois da morte de D. João e com o pretexto da publi-
25 cação de Esperanças de Portugal, V Império do Mundo, é instaurado um processo ao padre jesuíta:
Vieira é “escandoloso”, “ofensivo”, “fátuo com sabor a heresia e injurioso para a Igreja”, acusam.
Interrogado em 1662, é preso no domicílio a partir de 1665. A sentença inquisitorial mandava que
fosse “privado para sempre da voz ativa e do poder de pregar”.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 65
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Em 1668, com a subida de D. Pedro ao trono, Vieira é libertado e inicia uma batalha pela supres-
30 são da Inquisição em Portugal. Argumenta junto do papa Clemente X que a instituição portuguesa
é mais violenta que a espanhola. Consegue a suspensão por alguns anos, até que Clemente XI
permite a restauração.
A vida de missionário, viajante incansável, combatente feroz da Inquisição, diplomata, estrate-
go político ou defensor dos mais desprotegidos, está presente ao longo dos sermões de Vieira. Um
35 dos mais notórios temas pessoais, recorda Arnaldo Espírito Santo, está referido logo na rubrica (a
introdução) do “Sermão de Santo António aos Peixes”, de 1652: “Este sermão (que todo é alegórico)
pregou o autor três dias antes de se embarcar ocultamente para o Reino, a procurar o remédio da
salvação dos índios, pelas causas que se apontam no Sermão da Sexagésima.”
No “Sermão de Santo António”, de 1670, Vieira dizia que “sem sair [de Portugal] ninguém pode
40 ser grande”. E acrescentava: “Nascer pequeno, e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos
deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas terras para a sepultura. Para nascer, pouca
terra: para morrer, toda a terra: para nascer, Portugal: para morrer, o mundo.”
Assim foi. A 18 de Julho de 1697, na Baía, morreu Vieira no mundo. Tinha 89 anos e uma vida
cheia.
António Marujo, in Público, edição online de 6 de fevereiro de 2008 (consultado em dezembro de 2016, com supressões).

1. A nova edição dos Sermões do padre António Vieira


(A) foi publicada sem o consentimento do autor.
(B) é uma mera reprodução de outras edições anteriores.
(C) é uma novidade no que diz respeito à abordagem do pendor biográfico dos sermões.
(D) não privilegia a dimensão biográfica dos sermões do padre António Vieira.

2. O padre António Vieira


(A) tornou-se jesuíta em Portugal, tendo optado, depois, por ser missionário no Brasil.
(B) servia-se dos seus sermões para denunciar as causas que defendia.
(C) foi perseguido pela Inquisição, mas nunca sofreu qualquer punição por ser protegido pelos reis
portugueses.
(D) não conseguiu concretizar o seu desejo de morrer em Portugal.

3. O recurso expressivo presente em “Para nascer, pouca terra: para morrer, toda a terra” (ll. 41-42)
éa
(A) personificação.
(B) sinestesia.
(C) hipálage.
(D) antítese.

4. Os processos fonológicos ocorridos na passagem de PATER para padre, são


(A) assimilação e metátese.
(B) sonorização e assimilação.
(C) sonorização e metátese.
(D) palatalização e sonorização.

5. A oração “cujo primeiro volume é hoje apresentado” (l. 8) classifica-se como subordinada
(A) substantiva completiva.
(B) adjetiva relativa restritiva.
(C) adjetiva relativa explicativa.
(D) substantiva relativa.
EDITÁVEL
66 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

6. O valor aspetual da forma verbal presente em “que pedira ao missionário ajuda diplomática na
causa da restauração da independência” (l. 23) é
(A) perfetivo.
(B) imperfetivo.
(C) habitual.
(D) genérico.

7. O modo de relato do discurso presente em “Nascer pequeno, e morrer grande, é chegar a ser
homem […]” (l. 40) é
(A) discurso direto.
(B) discurso indireto.
(C) discurso indireto livre.
(D) citação.

8. Identifique o mecanismo de coesão verificado entre os termos “padre António Vieira” (ll. 1-2)
e “jesuíta” (l. 3).

9. Indique a função sintática desempenhada pelo segmento sublinhado em “Peças ditas e escri-
tas pelo padre António Vieira” (ll. 5-6)

10. Sabendo que a palavra eloquente deriva do verbo latino LOQUOR, que significa ‘falar’, apresente
duas outras palavras que mantenham o mesmo étimo.

GRUPO III
Faça a síntese do texto presente no grupo II, reduzindo-o a um quarto da sua extensão, ou seja, a cerca
de 175 palavras.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 67
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

14. TESTE DE AVALIAÇÃO


Nome: ______________________________________________________ N.O: _____________ Turma: _____________ Data: ___________________

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

Leia o texto. Se necessário, consulte as notas.

Foram as ordens, vieram os homens. De sua própria vontade alguns, aliciados pela promessa
de bom salário, por gosto de aventura outros, por desprendimento de afetos também, à força quase
todos. Deitava-se o pregão nas praças, e, sendo escasso o número de voluntários, ia o corregedor
pelas ruas, acompanhado dos quadrilheiros1, entrava nas casas, empurrava os cancelos dos quin-
5 tais, saía ao campo a ver onde se escondiam os relapsos, ao fim do dia juntava dez, vinte, trinta
homens, e quando eram mais que os carcereiros atavam-nos com cordas, variando o modo, ora
presos pela cintura uns aos outros, ora com improvisada pescoceira, ora ligados pelos tornozelos,
como galés ou escravos. Em todos os lugares se repetia a cena, Por ordem de sua majestade, vais
trabalhar na obra do convento de Mafra, e se o corregedor era zeloso, tanto fazia que estivesse o
10 requisitado na força da vida como já lhe escorregasse o rabo da tripeça2, ou pouco mais fosse que
menino. Recusava-se um homem primeiro, fazia menção de escapar, apresentava pretextos, a mu-
lher no fim do tempo, a mãe velha, um rancho de filhos, a parede em meio, a arca por confortar, o
alqueive3 necessário, e se começava a dizer as suas razões não as acabava, deitavam-lhe a mão os
quadrilheiros, batiam-lhe se resistia, muitos eram metidos ao caminho a sangrar.
15 Corriam as mulheres, choravam, e as crianças acresciam o alarido, era como se andassem os
corregedores a prender para a tropa ou para a Índia. Reunidos na praça de Celorico da Beira, ou
de Tomar, ou em Leiria, em Vila Pouca ou Vila Muita na aldeia sem mais nome que saberem-no
os moradores de lá, nas terras da raia ou da borda do mar, ao redor dos pelourinhos, no adro das
igrejas, em Santarém e Beja, em Faro e Portimão, em Portalegre e Setúbal, em Évora e Montemor,
20 nas montanhas e na planície, e em Viseu e Guarda, em Bragança e Vila Real, em Miranda, Chaves e
Amarante, em Vianas e Póvoas, em todos os lugares aonde pôde chegar a justiça de sua majestade,
os homens, atados como reses4, folgados apenas quanto bastasse para não se atropelarem, viam as
mulheres e os filhos implorando o corregedor, procurando subornar os quadrilheiros com alguns
ovos, uma galinha, míseros expedientes que de nada serviam, pois a moeda com que el-rei de Por-
25 tugal cobra os seus tributos é o ouro, é a esmeralda, é o diamante, é a pimenta e a canela, é o mar-
fim e o tabaco, é o açúcar e a sucupira5, lágrimas não correm na alfândega. E se para isso tiveram
tempo, quadrilheiros houve que se gozaram das mulheres dos presos, que a tanto se sujeitaram as
pobres para não perder os seus maridos, porém desesperadas os viam depois partir, enquanto os
aproveitadores se riam delas, Maldito sejas até à quinta geração, de lepra se te cubra o corpo todo,
30 puta vejas a tua mãe, puta a tua mulher, puta a tua filha, empalado sejas do cu até à boca, maldito,
maldito, maldito. Já vai andando a récua6 dos homens de Arganil, acompanham-nos até fora da
vila as infelizes, que vão clamando, qual em cabelo, ó doce e amado esposo, e outra protestando,
ó filho, a quem eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha, não se
acabavam as lamentações, tanto que os montes de mais perto respondiam, quase movidos de alta
35 piedade, enfim já os levados se afastam, vão sumir-se na volta do caminho, rasos de lágrimas os

EDITÁVEL
68 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

olhos, em bagadas caindo aos mais sensíveis e então uma grande voz se levanta, é um labrego de
tanta idade já que o não quiseram, e grita subido a um valado que é púlpito de rústicos, Ó glória
de mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça, e tendo assim clamado, veio dar-lhe o
quadrilheiro uma cacetada na cabeça, que ali mesmo o deixou por morto.
José Saramago, Memorial do convento, 53.a ed., Lisboa, Editorial Caminho, 2013, cap. XXI, pp. 400-402.

1
Soldados que faziam a ronda das ruas. 2 Ter idade avançada. 3 Terra que se lavra e se deixa em pousio, para que descanse.
4
 Animais quadrúpedes. 5 Árvore leguminosa do Brasil. 6 Fileira de bestas de carga.

1. Demonstre de que forma este excerto espelha a prepotência e a megalomania do rei D. João V,
contextualizando-o na estrutura da obra.

2. Justifique a relação de intertextualidade estabelecida com o episódio do “Velho do Restelo” de


Os Lusíadas.

3. Explicite a importância da personagem povo em Memorial do convento.

Leia o excerto seguinte do capítulo 148 da Crónica de D. João I. Se necessário, consulte as notas.

Das tribulações que Lixboa padecia per mingua de mantiimentos

Na cidade nom havia triigo pera vender, e se o havia, era mui pouco e tam caro que as pobres
gentes nom podiam chegar a ele; ca1 valia o alqueire quatro livras; e o alqueire do milho quareenta
soldos; e a canada2 do vinho tres e quatro livras; e padeciam mui apertadamente, ca dia havia i que,
ainda que dessem por uũ pam ũa dobra, que o nom achariam a vender; e começarom de comer
5 pam de bagaço d’azeitona, e dos queijos3 das malvas e raizes d’ervas, e doutras desacostumadas
cousas, pouco amigas da natureza; e taes i havia que se mantiinham em alféloa4. No logar u5 cos-
tumavom vender o triigo, andavom home~ es e moços esgaravatando a terra; e se achavom alguũs
grãos de triigo, metiam-nos na boca sem teendo outro mantimento; outros se fartavom d’ervas, e
beviam tanta agua, que achavom mortos homees ~ e cachopos jazer inchados nas praças e em outros
logares.
10 Das carnes, isso meesmo, havia em ela grande mingua6; e se alguũs criavom porcos, mantii-
nham-se em eles7; e pequena posta de porco, valia cinco e seis livras, que era ũa dobra castelãa; e
a galinha quareenta soldos; e a duzia dos ovos, doze soldos; e se almogáveres8 tragiam alguũs bois,
valia cada uũ sateenta livras, que eram catorze dobras cruzadas, valendo entom a dobra cinco e seis
livras; e a cabeça e as tripas, ũa dobra; assi que os pobres per mingua de dinheiro, nom comiam
15 carne e padeciam mal; e começarom de comer as carnes das bestas, e nom soomente os pobres e
minguados, mas grandes pessoas da cidade, lazerando9, nom sabiam que fazer; e os geestos mu-
dados com fame10, bem mostravom seus encubertos padecimentos. Andavom os moços de tres e
de quatro anos pedindo pam pela cidade por amor de Deos, como lhes ensinavam suas madres, e
muitos nom tiinham outra cousa que lhe dar senom lagrimas que com eles choravom que era triste
cousa de veer; e se lhes davom tamanho pam come ũa noz, haviam-no por grande bem. Desfalecia
20 o leite aaquelas que tiinham crianças a seus peitos per mingua de mantiimento; e veendo lazerar
seus filhos a que acorrer nom podiam, choravom ameúde sobr’eles a morte ante que os a morte
privasse da vida. Muitos esguardavom as prezes11 alheas com chorosos olhos, por comprir o que a
piedade manda, e nom teendo de que lhes acorrer, caíam em dobrada tristeza.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 69
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

Toda a cidade era dada a nojo12, chea de mezquinhas querelas, sem neuũ prazer que i houvesse:
25 uũs com gram mingua do que padeciam; outros havendo doo dos atribulados; e isto nom sem ra-
zom, ca se é triste e mezquinho o coraçom cuidoso13 nas cousas contrairas que lhe aviinr podem,
veede que fariam aqueles que as continuadamente tam presentes tinham? Pero14 com todo esto,
quando repicavom, neuũ nom mostrava que era faminto, mas forte e rijo contra seus ~emigos15.
Fernão Lopes, in Teresa Amado (apresentação crítica), Crónica de D. João I de Fernão Lopes
(textos escolhidos), ed. Revista, Lisboa, Editorial Comunicação, 1992, cap. 148.

1
Porque. 2 Antiga medida para líquidos. 3 Bolbos. 4 Melaço cristalizado. 5 Onde. 6 Falta. 7 Viviam deles (dos porcos). 8 Negociantes
de gado. 9 Passando fome. 10 Fome. 11 Preces. 12 Tristeza, aborrecimento. 13 Preocupado. 14 Contudo. 15 Inimigos.

4. Faça a contextualização deste excerto na estrutura da obra.

5. Demonstre de que forma o excerto evidencia a consciência coletiva do povo.

GRUPO II

Responda às questões. Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Leia o texto.

Ser português

Nunca fomos coletivamente capazes de fazer deste pequeno país à beira-mar plantado o oásis de
prosperidade que os poetas afirmaram sermos; mas somos o povo que vem de longe e continua cá.
Mas quem são os portugueses? O que são, como são, quem são?
Quem somos?
5 Portugal dos mitos, das tradições laboriosamente inventadas (na asserção clássica de Eric
Hobsbawm), raízes identitárias ancoradas em passados sem mácula. Uma fortíssima invenção,
aliás, com Afonso Henriques e Camões e Gama, um país de heróis, que o arrancaram à atração cen-
trípeta1 de Castela e o libertaram da presença ameaçante dos “mouros” (como se o tivessem feito
sozinhos), uma imagem que se quis Universal porque escorada na imortal saga dos Descobrimen-
10 tos. Raízes (lusitanos), heróis (Dom Henrique), mitos (o Encoberto), feitos universais (as caravelas),
um Império (ultramar) e uma língua que é global. Que é a pátria, como escreveu outro poeta.
E neste Portugal mirífico, Estado-nação “inventado”, perguntam-se os portugueses, que são
quem verdadeiramente interessa, o que falta cumprir para que se cumpra o essencial: a promessa
afinal tão antiga, tão profeticamente inevitável, do Quinto Império. Mas o Império que buscamos,
15 sejamos entre nós sinceros e diretos, não é o de um novo poder territorial ou dominação sobre
outros, mas antes a promessa de um país (pelo menos) próspero e justo. Só isso: um país onde os
portugueses vivam com a tranquilidade de se saberem capazes de se alimentar e alimentar os seus;
em que o desemprego não seja mais do que uma figura da ciência económica e um espantalho do
passado; e no qual todos caibam, uns ricos outros remediados, sem fossos profundos a separá-los,
20 desigualdades que ameaçam rasgar o frágil tecido social da nação.
Um país que não existe. Sejamos outra vez sinceros connosco próprios: que nunca existiu. Os
portugueses, que são quem interessa, sabem ler para além dos mitos fundadores e sabem por isso

EDITÁVEL
70 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

que Portugal, a nossa velha nação lusitana, foi quase sempre pobre; e que, quando cornucópias2
ocasionais fizeram cair sobre o país especiarias orientais, ouro de minas gerais ou fundos estruturais,
25 foi sempre para alimentar vaidades de reis fracos, presunções de elites besuntadas de pó-de-arroz,
pomposidades para estrangeiro ver, rotundas e viadutos escusados. Nunca verdadeiramente para
criar as estruturas indispensáveis ao desenvolvimento harmonioso e ao bem-estar geral das pes-
soas – que são quem interessa.
Mas o mais extraordinário de tudo, o que gostaria de sublinhar hoje é a forma como esta gente,
30 os portugueses, as pessoas que verdadeiramente interessam, vivam dentro ou vivam fora, nasçam
cá ou morram lá, continuam a acreditar neste país de poetas. Da saudade que é a um tempo dor e
prazer. A acreditar no futuro de si próprios. O mais extraordinário é o amor pela pátria – o patriotis-
mo que salta das gargantas a qualquer pretexto e canta o orgulho de ser português.
Nunca fomos coletivamente capazes de fazer deste pequeno país à beira-mar plantado o oásis
35 de prosperidade e equilíbrio que os poetas e os fazedores de mito, seja prometeram, seja (pior)
afirmaram sermos; mas somos o povo que vem de longe e continua cá, distante dos centros onde
convergem os cabedais e a fama, um povo (outra vez, porque é verdade) resiliente e teimoso, que
existe, resiste e persiste; temos direito a ter orgulho em nós, em sermos portugueses, sem nunca
esquecer o que está por fazer e que é muito.
Paulo de Almeida Sande, in Observador, edição online de 16 de junho de 2016,
(consultado em dezembro de 2016, com supressões).

1
Fontes de abundância.
2
Que procura o centro.

1. Segundo o autor do texto,


(A) o povo português não defraudou as expectativas dos poetas.
(B) a imagem que o povo português traçou da sua história é exagerada.
(C) o povo português acredita estar a viver a idade do Quinto Império.
(D) o povo português vive numa situação de pobreza nunca antes observada.

2. Na opinião de Paulo Almeida Sande,


(A) o país nunca soube investir devidamente os seus recursos financeiros.
(B) apesar da existência de reis vaidosos e caprichosos, era feita uma boa gestão dos bens públicos
do país.
(C) o investimento em redes viárias era indispensável para o desenvolvimento harmonioso da nação
portuguesa.
(D) Portugal oferece boas oportunidades para quem vive no país e para quem o visita.

3. Para o autor do texto,


(A) Portugal nunca será o oásis de prosperidade e de equilíbrio que os poetas e os fazedores de mito
prometeram.
(B) o povo português é orgulhoso.
(C) os portugueses devem ser patriotas mas, simultaneamente, ter consciência das imperfeições
do país.
(D) é um mito que o povo português seja resiliente e teimoso.

4. Na frase “Nunca fomos coletivamente capazes de fazer deste pequeno país à beira-mar plan-
tado o oásis de prosperidade que os poetas afirmaram sermos” (ll. 1-2) estão presentes deíticos
(A) espaciais, temporais e pessoais. (C) pessoais e espaciais.
(B) pessoais e temporais. (D) espaciais e temporais.
EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 71
2. TESTES DE AVALIAÇÃO

5. A oração presente em “o que falta cumprir” (l. 13) classifica-se como subordinada
(A) adjetiva relativa restritiva.
(B) substantiva completiva.
(C) adverbial causal.
(D) adverbial concessiva.

6. O tipo de intertextualidade verificado em “o que falta cumprir para que se cumpra o essencial”
(l. 13) é
(A) citação.
(B) paródia.
(C) alusão.
(D) plágio.

7. A sequência textual que predomina no texto é


(A) narrativa.
(B) descritiva.
(C) dialogal.
(D) argumentativa.

8. Sabendo que “povo” (l. 2) provém do latim POPULU-, indique duas outras palavras que integrem
o mesmo étimo.

9. Classifique as palavras “mácula” (l. 6) e mancha quanto ao étimo de que provêm, sabendo que
o termo latino MACULA- os originou.

10. Refira a relação temporal que se estabelece entre o enunciado seguinte e o ponto de referência
textualmente criado: “E neste Portugal mirífico, Estado-nação “inventado”, perguntam-se os
portugueses, que são quem verdadeiramente interessa, o que falta cumprir para que se cum-
pra o essencial”. (ll. 12-13).

GRUPO III
Faça uma apreciação crítica, de 150
a 200 palavras, da imagem apresen-
tada, atendendo aos seguintes aspe-
tos, que deve previamente planificar:
– descrição sucinta da imagem;
– simbologia das personagens;
– intencionalidade;
– relação da imagem com
Memorial do convento;
– comentário valorativo.

Caricatura do Zé Povinho

EDITÁVEL
72 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

CENÁRIOS DE RESPOSTA TESTE DE AVALIAÇÃO 2 (p. 16)


GRUPO I
TESTE DE AVALIAÇÃO 1 (p. 12)
1. É ao observar o lago, a realidade concreta, que o sujeito
GRUPO I se evade através do pensamento e inicia uma reflexão de
A índole existencial. Questiona o modo de ser feliz e a irrea-
lização dos sonhos nos quais fundou a sua vida e, portanto,
1. O sujeito poético, em jeito de evocação, convoca um do-
mingo solarengo e a sua rua, aquela onde morou e onde as não viveu porque a construiu com base nos sonhos. Esta ideia
crianças brincavam alegremente, tal como se pode ver ao depreende-se dos dois últimos versos (“Por que fiz eu dos
longo da primeira estrofe. sonhos / A minha única vida?”) que constituem uma espécie
de lamento e de autorreprovação. Por isso, mesmo inserido
2. No presente, o “eu” sente-se magoado, triste, inseguro, mas numa realidade física concreta, o “eu” não encontra aquilo
certo de que a vida pouco lhe deu e nem esse pouco soube apro- que o motive e o faça sair da angústia existencial em que vive.
veitar. Por isso, as transformações por que passou fazem-no Por isso lamenta o ter vivido uma vida fundada em sonhos.
valorizar o tempo da infância que, por corresponder à incons-
ciência, se pode associar à alegria de viver à despreocupação, 2. Logo na primeira quadra surgem duas realidades distin-
que contrastam com a racionalização excessiva no presente. tas: a do lago (física e concreta) e a do “eu” que pensa,
sendo esta a sobrepor-se à primeira, uma vez que afirma
3. O poema tem como tema “a nostalgia da infância”, uma vez
“Não sei se penso em tudo / Ou se tudo me esquece”, onde
que todo ele se baseia na reflexão que o “eu” adulto, no pre-
claramente se percebe que o pensamento perturba a razão
sente, faz sobre o passado, o tempo que viveu, mas de que não
e os sentimentos, facto que remete para a dor de pensar.
disfrutou e que teria sido marcado pela alegria só alcançada
por quem vive sem consciência ou sem noção da realidade. Já na última estrofe, o relevo é dado ao sonho, expres-
sando-se aí a ideia de que a vida do sujeito poético foi feita
B de sonhos que o impediram de viver: a realidade acabou por
4. O soneto pode dividir-se em duas partes, sendo que a pri- conflituar com o sonho, fazendo com que os sentimentos
meira corresponde às três primeiras estrofes e a segunda à úl- disfóricos se apossassem deste “eu” que revela descon-
tima. Ao longo das duas quadras e do primeiro terceto, o sujeito forto, tristeza e angústia por não saber viver.
poético chama “ditoso”, ou seja, feliz, àquele que sofre por amor, 3. A personificação é visível em vários versos já que são atri-
saudade, engano ou indiferença, dado que para estes males buídas características humanas ao lago, à brisa e à água.
poderá ainda haver remédio. Porém, na segunda parte, o “eu” Assim, expressões como “o lago mudo” (v. 1), “uma brisa que
afirma que isso não acontecerá com ele, sendo a sua dor maior, estremece” (v. 2) ou “água adormecida” (v. 10) são ilustrati-
por resultar de erros seus e para os quais não haverá solução. vos deste recurso expressivo, sugerindo o modo como o sujeito
5. A anáfora está ao serviço da enumeração das situações poético perceciona a realidade física que o rodeia. Ao mesmo
avaliadas como mais positivas pelo sujeito poético. Assim, tempo, permite perceber o alheamento dos elementos natu-
reforça a ideia de que todos os outros sofredores sentirão rais face ao estado de espírito do “eu”, parecendo até contribuir
uma dor bem mais leve do que a sua, porque, ao contrário do para acentuar ainda mais o negativismo que o domina.
“eu”, todos podem ter a esperança de alterar a dor.
B
GRUPO II
4. Carlos da Maia, depois da formatura em medicina, tem,
1. (A); 2. (B); 3. (C); 4. (C); 5. (B); 6. (A); 7. (C) efetivamente, vários sonhos, como se percebe no primeiro
8. Oração subordinada substantiva completiva. parágrafo do excerto. Porém, também se infere que “As
9. “as ações”. semanas foram passando” e as “resoluções sinceras de
trabalho” que trazia foram-se dissipando e sendo substi-
10. Conversão.
tuídas pelas preocupações de decoração luxuosa porque,
GRUPO III no fundo, Carlos era um diletante, ou seja, alguém que se
Introdução – Definição do ponto de vista a defender: o ser dispersa por várias iniciativas sem concretizar nenhuma.
humano usa a tecnologia para o bem comum. Sendo assim, podem estabelecer-se aproximações entre
Carlos e Pessoa, porque também este sonhou em demasia
14444444244444443

1º argumento – os avanços científicos ao e não concretizou os seus sonhos.


serviço do bem-estar das populações. 5. A afirmação traduz a adoração de Afonso da Maia pelo neto e
Ex: novas técnicas e aparelhos usados no é reveladora do orgulho e da satisfação que os projetos de Car-
diagnóstico ou tratamento de doenças até los lhe proporcionavam, vendo nestas iniciativas uma força e
agora incuráveis;
uma vontade de agir, de triunfar que não vira no seu filho Pedro.
Desenvol- 2º argumento – os avanços científicos ao É como se o velho realizasse os seus sonhos através do neto
vimento serviço da comunicação entre as pessoas que criara e educara segundo os seus princípios.
e do desenvolvimento económico e social.
II
Ex: desenvolvimento de tecnologias que
permitem um contacto mais fácil entre as 1. (D); 2. (A); 3. (B); 4. (B); 5. (B); 6. (C); 7. (A)
pessoas a nível social (redes sociais) ou a 8. “que a ideia / de propor a continuação da obra de Eça /
nível laboral (plataformas que permitem o constitui um desafio interessantíssimo” e são ambas su-
trabalho ou a aprendizagem à distância). bordinadas substantivas completivas.
Conclusão – Necessidade de usar as tecnologias para o 9. O pronome pessoal “a” refere-se a “uma continuação”.
bem comum. 10. Complemento oblíquo.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 73
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

III Desenvolvimento – as sociedades capitalistas e o incen-


Introdução – Tendência para adaptações de obras literá- tivo ao consumo; as dificuldades económicas de muitos ci-
rias e razões subjacentes. dadãos e o aumento da pobreza em países desenvolvidos,…
Conclusão – a opção por determinado estilo de vida é uma
1444442444443
1º argumento: vantagens das adaptações – decisão pessoal ainda que esta seja condicionada pela so-
contacto mais aliciante e motivador ciedade em que nos inserimos.
Exemplo: versão cinematográfica e teatral de
Os Maias para o público escolar TESTE DE AVALIAÇÃO 4 (p. 24)
Desenvol- 2º argumento: desvantagens decorrentes GRUPO I
vimento das adaptações – alteração do conteúdo e
A
consequente interpretação errada
Exemplo: a novela brasileira baseada no ro- 1. Configura-se um registo descritivo nos momentos em
mance queirosiano ou a versão cinematográ- que se referem os elementos da Natureza (montes, sol,
fica de A tempestade rochedos), como acontece no 1º parágrafo, ou mesmo no
final, com o recurso à múltipla adjetivação na caracteriza-
Conclusão – Os aspetos ficcionais ou a fidelidade à obra ção do lago); daí decorre um registo reflexivo de caráter
não reduzem o valor à obra, mesmo que adaptada. existencial, marcado pelo recurso ao verbo ser, de que é
TESTE DE AVALIAÇÃO 3 (p. 20) exemplo o segmento “Um dos malefícios de pensar é ver
quando se está pensando.” e todo o 2º parágrafo. No en-
GRUPO I tanto, é através do presente do indicativo, inicialmente,
A e depois, do pretérito perfeito, que o leitor tem acesso à
1. O sujeito poético sente-se bem, feliz, por não estar a pen- evolução do estado de espírito do enunciador, pois estes
sar em nada, afirmando que isso é “ter a alma própria e tempos verbais permitem a apresentação de pequenos
inteira” e “viver intimamente”. Refere ainda que tem uma eventos alinhados temporalmente (Paira-me – parei – re-
dor nas costas e “um amargo de boca” na alma, o que não fleti – cerro – escrevi – cessei).
o impede de se sentir liberto, apenas porque, naquele mo- 2. O lago representa a componente emocional do sujeito −
mento, não está a pensar em nada. inicialmente recebe os raios de sol, mas, de seguida, passa
2. Os versos referidos são reveladores da satisfação do “eu” a ser um “lago morto”; a evolução desta reflexão repre-
por não pensar, o que lhe permite sentir a alma liberta, ou senta a passagem para um estado de alma de inquietação
seja, sentir-se despreocupado. Estes versos deixam antever e angústia, ilustrado no último parágrafo.
que o pensamento atormenta a alma e esta só é em sentida 3. Para além da repetição paralelística da construção “os
como inteira, liberta, se o pensamento não atormentar o su- que…”, está presente uma gradação (“… estão distraídos…
jeito poético, tal como acontece no momento da enunciação. estão dormindo… estão mortos”), que põe em destaque a
3. Com esta anáfora, consegue acentuar-se o estado de ata- oposição entre o “eu” e os outros.
raxia em que o “eu” se encontra e reforçar o prazer que advém B
de não usar o pensamento, sugerindo que o pensar atormenta 4. No poema defende-se a primazia do olhar, do ver:
o sujeito poético e, por isso, o não estar pensando naquele mo- “Creio no mundo como num malmequer, / Porque o vejo.”
mento é motivo de grande satisfação e algo incomum, que o (vv. 13-14), o que se coaduna com a valorização da Na-
levam a reforçar positivamente esse atual estado de espírito. tureza por parte deste heterónimo. Por isso, o poema
B apresenta um caráter deambulatório: “Tenho o costume
4. Os peixes são alvo da inveja do orador uma vez que se de andar pelas estradas / Olhando para a direita e para a
revelam superiores a ele em quase tudo, destacando-se o esquerda” (vv. 2-3). É através dos sentidos, sobretudo da
facto de não ofenderem a Deus, nomeadamente porque não visão, que o poeta acede à felicidade que a Natureza lhe
têm razão, não têm memória e não têm vontade. Por outro proporciona: ”Se falo na Natureza não é porque saiba o que
lado, cumprem o fim para que foram criados por Deus (servir ela é, / Mas porque a amo, e amo-a por isso” (vv. 20-21).
os homens), enquanto o orador não cumpre o fim para que 5. O poeta defende a preponderância dos sentidos sobre
foi criado (moralizar os homens, impedindo-os de pecar). o pensamento: “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...”
5. Em termos de estratégias argumentativas, destacam-se (v. 19), o que o leva a concluir: “Amar é a eterna inocência,
as construções frásicas paralelísticas e anafóricas (“eu / E toda a inocência é não pensar...”. Esta atitude é confir-
lembro-me, mas vós não ofendeis a Deus com a memória; mada pelo facto de se referir sempre ao pensar através de
eu discorro, mas vós não ofendeis a Deus com o entendi- vocabulário de conotação negativa: “Porque pensar é não
mento”), as interrogações, através das quais se capta a compreender...” (v. 15), “(Pensar é estar doente dos olhos)”
atenção do auditório, a que se associa também o uso do (v. 17), aliando, neste caso, o pensamento à ideia de doença.
vocativo, que permite identificar o interlocutor do orador. GRUPO II
GRUPO II 1. (B); 2. (C); 3. (D); 4. (B); 5. (A); 6. (B); 7. (A)
1. (B); 2. (A); 3. (C); 4. (D); 5. (B); 6. (A); 7. (B). 8. Oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
8. Valor disjuntivo ou alternativo. 9. Sujeito.
9. Subordinada adjetiva relativa explicativa. 10. “(n)o seu conto ‘Os pássaros’”.
10. Composição morfossintática. GRUPO III
GRUPO III Introdução: o diálogo entre diferentes formas de expres-
Introdução – obrigação de cada um aproveitar a sua pas- são artística é potencialmente benéfico e enriquecedor do
sagem pelo planeta, respeitando as opções dos outros. ponto de vista cultural.

EDITÁVEL
74 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

Desenvolvimento: a articulação entre cinema e literatura TESTE DE AVALIAÇÃO 6 (p. 32)


pode ou não ser bem conseguida; apresentação de um caso GRUPO I
de sucesso ou de um caso de fracasso e as respetivas ra-
zões justificativas (argumentos). A
Conclusão: necessidade de valorização da arte em geral, 1. O país encontra-se numa crise de identidade e de frag-
independentemente de casos em que a articulação cinema/ mentação (“tudo é disperso, nada é inteiro”), num estado
literatura possa desvirtuar a obra literária. de desalento e de indefinição, onde a ausência de sentido
e de força anímica imperam (“ninguém sabe que coisa
TESTE DE AVALIAÇÃO 5 (p. 28) quer”). Destacam-se as ausências de brilho e de alma (“ful-
GRUPO I gor baço”, “brilho sem luz”) capazes de o “rejuvenescer”.
A 2. O título remete para um estado de falta de clareza e in-
1. Sem a ação do homem, o Ato, e a intervenção de Deus, definição. O conteúdo do poema, além de desenvolver esta
o Destino, os Descobrimentos não teriam ocorrido. Tal ideia, enuncia as razões pelas quais o estado de Portugal
como se evidencia no poema, Deus teve de erguer “o facho pode ser considerado “nebuloso”: falta de vontade e de
trémulo e divino” para iluminar o Homem e, deste modo, ânimo dos seus habitantes.
afastar o “véu” que ocultava o desconhecido. Assim, os 3. Atendendo ao caráter exortativo, tratar-se-á de um apelo
portugueses foram protagonistas no desvendar o desco- e de um incentivo à ação. Perante a constatação do estado
nhecido graças à Ciência e à Coragem (“a alma a Ciência e de “tristeza” em que Portugal se encontra, o sujeito poético
corpo a Ousadia”) de que se muniram. exorta à ação, pois é chegada a hora de os portugueses des-
2. As mãos representam simbolicamente o Ato e o Destino pertarem e transformarem o “fulgor baço” em brilho claro.
e é graças a elas que o mistério é desvendado. Com efeito, B
se uma das mão, remete para a intervenção divina na ação 4. A caracterização do estado anímico de Portugal (e dos
do homem português; a outra relaciona-se com a ação do portugueses) é o tema comum aos dois textos. Embora
Homem que age, desbravando o caminho agora iluminado separados por quatro séculos, ambos traçam o mesmo
pela força do Destino.
retrato do país: sem iniciativa, abatido e desgostoso. In-
3. O poema “Ocidente” integra-se na Parte II de Mensagem, teressante caracterização desta “tristeza” anímica é apre-
intitulada “Mar Português” onde se apresentam os heróis en- sentada na obra camoniana através da tripla adjetivada:
volvidos nos Descobrimentos e que adquirem uma dimensão “austera, apagada e vil”. Contudo, os dois textos defendem
mítica na conquista do mar. Esta segunda parte tem uma epí- a tese de que o estado deveria ser outro: enquanto no
grafe latina (“Possessio Maris” – posse do mar) que justifica poema camoniano se reconhece “um ledo orgulho e geral
plenamente a inserção do poema “Ocidente” nesta parte. gosto/que os ânimos levanta”, na Mensagem invoca-se a
B chegada da hora da mudança!
4. Na estância 99 faz-se referência ao amor que as musas 5. O eu lírico lamenta o esforço e a persistência para ele-
têm à pátria e na 100 também se afirma que as deusas têm var o nome de Portugal e dos portugueses, já que esses,
pelos portugueses um amor fraterno, colocando em pari- que são objeto de louvor, são “gente surda e endurecida”.
dade os lusitanos, ou seja, atribuindo-lhes o mesmo caráter Lamenta que os que deveriam incentivar a criação e a arte
divino. Assim, esta aproximação das deusas aos portugue- não o façam, uma vez que estão preocupados com a sua
ses pode ser lida como sinal de eleição do povo português. própria ambição e ganância.
5. Os versos sintetizam toda a reflexão do poeta na qual cri- GRUPO II
tica o facto de os portugueses desprezarem as artes. Daí que 1. (A); 2. (C); 3. (D); 4. (A); 5. (B); 6. (C), 7. (B)
o poeta sinta necessidade de animar aqueles que, perante
a atitude de indiferença pelas artes, possam deixar de em- 8. Introduz uma sequência enumerativa.
preender ações gloriosas. Por isso, incentiva-os a não esmo- 9. Modalidade deôntica com valor de obrigação.
recer porque as grandes obras nunca perderão o seu valor. 10. Conjunção subordinativa completiva.
GRUPO II GRUPO III
1. (A); 2. (C); 3. (A); 4. (D); 5. (B); 6. (C); 7. (A) Resposta de caráter pessoal; no entanto, o aluno pode
8. Valor perfetivo. abordar/desenvolver os seguintes tópicos:
9. Epistémica com valor de probabilidade. − situação geográfica de Portugal e vantagens daí decor-
10. “poesias”. rentes para o desenvolvimento turístico: o mar, as praias,
GRUPO III o relevo…;
Introdução – Diferentes formas de viver: pela emoção ou – tradições seculares, monumentos grandiosos, museus…;
pela razão – gastronomia;
144424443

1º argumento – quem vive pelo sentimento – recetividade e simpatia das gentes.


ou emoção pode ser mais feliz
Ex: Caeiro recusa o pensamento e até Fer- TESTE DE AVALIAÇÃO 7 (p. 36)
Desenvol- nando Pessoa procura libertar-se dele
vimento GRUPO I
2º argumento – quem racionaliza em ex-
cesso vive em sofrimento A
Ex: Pessoa e a temática da dor de pensar 1. A ação desenrola-se num espaço semidesértico, num lu-
garejo muito pobre (“casinhas desgarradas e nuas”); os cam-
Conclusão – Aliar a razão e a emoção permitirá alcançar pos áridos não trazem mais-valias em termos sociais,
o equilíbrio. “plainos sem fim” e “desertos”. Além disso, a vida é um

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 75
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

constante marasmo, influenciado também pela ausência 2. O modo como é descrito o “aparecimento” da figura re-
de perspetivas (“Um silêncio que caiu, estiraçado por vales mete-nos para a “elaboração” mental de alguém, com re-
e cabeços, e que dorme profundamente”, l. 9). curso à memória: a figura aparece ora nítida ora esfumada.
2. As “figurinhas” que regressam “dobradas” dos campos tra- Por outro lado, a referência ao pregador de oiro usado por
zem ainda, “exaustos da faina”, a postura que durante todo o Gi, que “ficou por tuta e meia num penhorista” é uma evoca-
dia mantiveram para desempenhar as suas funções laborais; ção da vida difícil de George quando abandonou a vila. Final-
além do cansaço, não apresentam sequer vontade de convi- mente, a ausência de determinante possessivo para o nome
ver, já que ninguém “virá até à venda falar um bocado”; por “mãe”, na frase “A mãe está a acabar o meu enxoval”, permite
fim, as “trevas” que envolvem a aldeia remetem para a tris- concluir que se trata da progenitora de ambas as figuras.
teza e para a dor da sua vida monótona e sem ambição. 3. A divergência no modo de pensar existente entre Gi e
3. A personificação do tempo, apresentado como uma per- o namorado, Carlos, leva-a a terminar o namoro. O noivo
sonagem, ajuda a caracterizar a vida “triste” dos ceifeiros; tinha um sonho que se opunha ao de Gi; queria “comprar
a morosidade da passagem do tempo evidencia o estado uma terra, construir uma casa a seu modo”, o que contra-
psicológico e a monotonia que envolve o dia a dia lento, riava a vontade da jovem de partir, determinação que o na-
repetitivo e rotineiro destas pessoas. morado não compreendia, daí a sua afirmação “Creio que
B está na altura de eu…”.
4. São referenciados dois tipos sociais que se opõem; por um
B
lado, “o povo”, classe trabalhadora, representado pelos ca-
vadores, cuja vida se pode considerar difícil e “custosa”, em 4. Os primeiros versos evidenciam a euforia, o entusiasmo e
virtude da posição a que continuamente estão sujeitos para exaltação do sujeito poético que acredita poder encontrar a
desempenhar a sua atividade; por outro lado, a “atriz”, cuja felicidade desejada, percorrendo o “mundo” noite e dia, “por
caracterização se opõe à dos cavadores, é uma figura “fina”, desertos, por sóis, por noite escura”. No entanto, “naufraga”
protegida do frio por um casaco “à russa” que a agasalha. durante o percurso, embora recupere o ânimo quando avista
5. As frases exclamativas revelam por parte do “eu” lírico, o “palácio encantado da Ventura”. Nos dois últimos versos
simultaneamente, perturbação, em virtude da constatação do poema é notório o abatimento e a frustração, fruto da
do sofrimento e da vida difícil da classe trabalhadora, que desilusão provocada pela sua incessante busca.
compara com seres irracionais pela dureza do trabalho; 5. Trata-se de uma enumeração e evidencia as dificuldades
revelam também simpatia e gratidão, porque enaltecem o que o sujeito lírico tem encontrado ao longo da sua busca.
seu esforço e a sua resignação. Esta ideia é reforçada pela carga semântica negativa dos
GRUPO II termos “desertos”, “noite” e “escura”, o que reforça a difi-
1. (D); 2. (C); 3. (A); 4. (C); 5. (A); 6. (B), 7. (D) culdade e ingratidão daquela empresa.
8. Iterativo. GRUPO II
9. Condicional. 1. (C); 2. (B); 3. (A); 4. (D); 5. (B); 6. (A); 7. (C)
10. Empréstimo. 8. “uma baía”.
GRUPO III 9. Descritiva.
Introdução – A comunicação via internet é um ato solitário,
10. Pronome relativo.
que não implica a proximidade física, nem a saída de casa.
Desenvolvimento – Interagir através da escrita não é GRUPO III
espontâneo nem imediato; entre a receção de uma frase Introdução: a vontade e a necessidade de o ser humano en-
e a resposta ou comentário a essa frase existe um lapso contrar situações de conforto e de motivação para a sua vida.
de tempo que permite a reflexão, o que implica que o con- Desenvolvimento: a importância da felicidade
tacto visual e a comunicação não-verbal se percam (por
não existirem), gerando solidão. − na esfera pessoal – a nível das relações humanas e da vida
familiar influencia o modo como se reage às adversidades;
A timidez de muitos jovens e a ausência deste tipo de co-
municação vai-os inibindo e debilitando no que se refere − na esfera profissional − propicia um desempenho das ta-
ao contacto com os outros, que, progressivamente, se vão refas com mais facilidade, o que condiciona o modo como
isolando e perdendo a vontade de conviver fisicamente. se veem os desafios e a superação de obstáculos.
Conclusão – ler o que os outros escrevem e responder-lhes, Conclusão: a perceção de que somos felizes reflete-se no
a maior parte das vezes com símbolos, não é um ato de modo como encaramos a vida e nos níveis de produtividade
comunicação, pois não permite o conhecimento do outro e de serenidade que evidenciamos.
nem o seu abraço, por exemplo, em momentos de dor.
TESTE DE AVALIAÇÃO 9 (p. 45)
TESTE DE AVALIAÇÃO 8 (p. 40)
GRUPO I
GRUPO I
A
A
1. As mãos movimentam-se em direção ao peito e tremem
1. A perspetiva de vida ambicionada por George é oposta à dos
pais. A primeira evidencia uma ânsia de viajar, correr o mundo; de desejo; poderão, por isso, ser entendidas como símbolo
a personagem não vê com bons olhos “criar raízes” naquela desse desejo, e representantes da união física dos amantes.
vila; esta maneira de pensar não é bem vista pelos pais, por 2. Tendo em conta a simbologia erótica da água (“Um rio
essa razão, a mãe está a fazer o enxoval de Gi. Além disso, a interior”), o sentido remete para a presença ansiada
vocação da jovem para a pintura é vista como uma arte para (“aguarda/Aguarda”) de um outro corpo, em harmonia,
a qual “ela tem jeitinho”, mas nada mais do que isso. ideia subjacente à referência ao sol-luz.

EDITÁVEL
76 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

3. A referência à música sugere o movimento ritmado dos GRUPO II


corpos (“Se encosto o ouvido à sua nudez, / uma música 1. (A); 2. (B); 3. (A); 4. (C); 5. (A); 6. (A); 7. (D)
sobe”), indiciando a harmonia da relação amorosa, ideia re-
8. Modalidade apreciativa.
forçada pelo facto de se destacarem no poema as formas
verbais “respira”, “aguarda”, “nasce”, esta última aliada à 9. Subordinada substantiva completiva.
música: “nasce, / nasce dessa música que não cessa”, o que 10. Derivada por prefixação.
poderá sugerir o progresso/evolução dessa união. GRUPO III
B (Proposta de produção escrita)
4. “Lá” conota o indefinido, mas é apresentado como um
A pintura representa uma cena primaveril em que se desta-
espaço de felicidade, beleza e luz. A sua repetição no início
cam as figuras femininas, num ambiente natural, colhendo
dos tercetos sugere o desejo de alcançar a “verdade”.
flores no jardim.
5. Trata-se da apóstrofe, que transmite a ideia de determi-
É de realçar o pormenor das flores nas mãos das figuras
nação e que confere ao soneto um caráter circular, o que
humanas, dos trajes, nomeadamente dos vestidos volumo-
poderá significar que o poeta está próximo de encontrar as
respostas que procura. sos e bordados, a sombrinha, o chapéu, o laço no cabelo, a
sugerirem o estatuto social elevado das personagens.
GRUPO II
O contraste evidenciado entre o tom escuro da Natureza e
1. (B); 2. (A); 3. (B); 4. (D); 5. (C); 6. (A); 7. (B) a tonalidade clara dos vestidos permite destacar as figuras
8. Modalidade apreciativa. humanas e, simultaneamente, um ambiente agradável
9. “a Eugénio”. O quadro sugere a harmonia entre o ser humano e a Natureza.
10. Relação de anterioridade.
GRUPO III
TESTE DE AVALIAÇÃO 11 (p. 53)
Resposta de caráter pessoal. Poderão, no entanto, ser re- GRUPO I
feridos os seguintes aspetos: A
Introdução: contributo das vivências afetivas para a feli- 1. A deambulação geográfica é visível no facto de Ricardo
cidade e realização do indivíduo. Reis ir percorrendo as ruas da cidade de Lisboa, ao mesmo
Desenvolvimento: tempo que se detém na observação de alguns aspetos, dei-
− a amizade e o amor combatem a solidão e atenuam o xando transparecer as suas impressões (“atravessa de cá
sofrimento em situações pessoais difíceis (exemplo…); para lá, por outras alamedas regressa, agora vai descer a
− sentimentos que contribuem para uma visão do mundo Rua do Século, nem sabe o que o terá decidido, sendo tão
mais positiva e integradora, que beneficia a pessoa em si ermo e melancólico o lugar, alguns antigos palácios, casas
e aqueles com quem se relaciona (exemplo). baixinhas, estreitas, de gente popular”).
Conclusão: reforço do ponto de vista veiculado. 2. Em 1936, vigorava em Portugal a ditadura de Salazar.
Nesta época, no geral, o povo vivia com escassos recursos
TESTE DE AVALIAÇÃO 10 (p. 49) e, muitas vezes, em situações de extrema miséria. Assim
sendo, a pobreza era uma realidade instalada no país, sendo
GRUPO I
que, para fazer face a esta situação, organizavam-se even-
A tos de caridade, como é o caso do bodo do Século, a que
1. Perante a beleza da terra duriense, pela qual se sente Ricardo Reis assiste, onde foi distribuída uma esmola a
atraído, S. Leonardo ruma em direção à eternidade com a mais de mil pobres.
certeza de que essa vida eterna (“cais divino”) será um de- 3. A intertextualidade com Cesário é evidente não só no
sencanto. Esta ideia dá continuidade ao verso anterior em facto de, à semelhança do poeta, também Ricardo Reis ir
que manifesta a saudade da terra que vai deixar. deambulando pela cidade de Lisboa e registando as suas
2. Trata-se da hipálage, pois verifica-se uma transposição impressões e sensações, mas também é percetível na alu-
de sentido, na medida em que se atribui o deslumbramento são ao poema “Num bairro moderno” quando o narrador,
aos olhos e não a quem observa. Desta forma, intensifica-se a propósito dos desequilíbrios sociais, afirma “ai de nós,
a beleza da Natureza descrita ao longo do poema. pelo caminho que as coisas levam, ainda veremos bairros
3. O recurso a vocabulário de valoração positiva perten- exclusivos, e só residências, para a burguesia de finança e
cente ao campo lexical da Natureza é uma constante no fábrica, que então terá engolido da aristocracia o que resta,
poema (“penedos”, “doce mar”, “ondas”, “socalcos”, “vinhe- com garagem própria, jardim à proporção, cães que ladrem
dos”, “terra”, “rosmaninho”). Além disso, a expressividade violentamente ao viajante, até nos cães se há de notar a
das metáforas enfatiza a beleza que se pretende destacar: diferença, em eras distantes tanto mordiam a uns como a
“navio de penedos”, “doce mar de mosto”, “charcos de luz outros”. Além disso, o facto de o narrador denunciar a mi-
envelhecida”. séria do povo remete também para muitos dos poemas de
B Cesário Verde, como “O sentimento dum ocidental”.
4. A composição tem como assunto o encontro amoroso, B
que não chega a acontecer. A donzela encontra-se na er- 4. Trata-se da sinestesia, uma vez que estamos perante a
mida, aguardando a chegada do amigo que tarda. confluência de sentidos diferentes (a visão – “brancuras” – e
5. A donzela está ansiosa e preocupada, pois sente-se só, o tato – “quentes”), que serve aqui para destacar a acentuada
em perigo, cercada pelas ondas, sem ninguém que venha perceção sensorial do sujeito lírico, que se serve de todos
socorrê-la, chegando a antever a própria morte. os sentidos para captar a realidade à sua volta.

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 77
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

5. A transfiguração poética do real é visível no facto de o repressivo (“a garganta que ia gritar não gritará”, l. 4). No
sujeito lírico partir de uma realidade concreta – o cesto de final, volta a aludir-se ao grito preso do Adamastor como
hortaliças da vendedeira – transformando-a e recriando-a, estando prestes a fazer ouvir-se, metáfora de um tempo de
quando decide (re)compor os vegetais com a forma de um mudança que se espera e cuja ideia é corroborada também
corpo humano (“Se eu transformasse os simples vege- através da alteração do verso de Camões – “Onde a terra
tais, […] / Num ser humano que se mova e exista / Cheio se acaba e o mar começa” – para – “Aqui, onde o mar se
de belas proporções carnais?!” (vv. 19-20). Assim, dando acabou e a terra espera” (ll. 48-49).
asas à imaginação e adotando uma atitude surrealista, o
sujeito lírico descobre nos vários elementos existentes na 3. O título do livro acaba por refletir o estado labiríntico vi-
giga “um novo corpo orgânico, aos bocados” (v. 22). vido por Ricardo Reis ao longo do tempo em que esteve em
Lisboa e em que tentou singrar como figura autónoma. Mas
GRUPO II
a verdade é que, não tendo encontrado saída nem conse-
1. (D); 2. (B); 3. (B); 4. (D); 5. (B); 6. (C); 7. (A) guindo dar um rumo à sua vida, facto que implicaria forço-
8. O que é próprio ou relativo ao campo. samente que passasse a adotar uma atitude ativa, Ricardo
9. A capital de Portugal é Lisboa. / É de capital importância Reis acaba por desistir e opta por seguir Fernando Pessoa
valorizarmos a nossa História. em direção à morte.
10. “dar uma mão.” B
GRUPO III 4. O sujeito lírico denuncia a opressão vivida em Portugal,
Introdução: apresentação sucinta da tese (preferência durante a época de ditadura (“Silêncio − é tudo o que tem
por uma das opões de vida – urbana ou rural) e explicitação / quem vive na servidão”, vv. 19-20). Esta situação, que ele
sumária das diferenças entre a vida urbana e a vida rural classifica como uma desgraça que assola o país (“e o vento
(positiva e/ou negativa). cala a desgraça”, v. 3), afeta sobretudo o povo, que sofre
Desenvolvimento: fundamentação da opinião com argu- grandes carências (“Eu vi-te crucificada / nos braços ne-
mentos e exemplos. Poderão ser abordados, entre outros gros da fome”, vv. 39-40), ao mesmo tempo que contribui
os seguintes aspetos: para a estagnação do país (“Vi minha pátria parada / à beira
¤ nos meios urbanos: de um rio triste”, vv. 43-44) e para a submissão da popu-
lação (“em tempo de servidão”, v. 58). No entanto, como o
− as pessoas têm acesso a um conjunto muito mais variado
de dispositivos, infraestruturas (como hospitais e univer- próprio sujeito lírico declara “há sempre alguém que re-
sidades…) e acontecimentos (culturais, desportivos..); siste / há sempre alguém que diz não”, versos que funcio-
nam como metáfora da esperança de que os resistentes ao
− a vida é mais stressante, decorrente de uma concen-
regime possam um dia triunfar.
tração muito grande de pessoas, o que potencia, por
exemplo, um maior afluxo de trânsito; 5. Trata-se de uma trova, constituída por 15 quadras, todas
¤ nos meios rurais: elas com versos heptassilábicos (redondilha maior). A rima
é sempre cruzada, exceto na sexta estrofe, em que o pri-
− as pessoas têm uma vida mais saudável, uma vez que,
meiro e o terceiro versos são brancos.
à partida, estão inseridas num ambiente menos poluído;
GRUPO II
− há menos empregos disponíveis, sobretudo em deter-
minadas áreas. 1. (B); 2. (C); 3. (B); 4. (C); 5. (A); 6. (D); 7. (A)
− há mais solidariedade e convívio. 8. Deôntica (valor de obrigação).
Conclusão: retoma da posição defendida e fecho. 9. “Ontem”, deítico temporal; “comemorámos”, deítico tem-
poral e pessoal.
TESTE DE AVALIAÇÃO 12 (p. 58) 10. Posterioridade.
GRUPO I GRUPO III
A Sugere-se a seguinte abordagem:
1. Em 1936, vivia-se em Portugal um sistema ditatorial li- Introdução: a imagem representa uma mão a segurar um
derado por Oliveira Salazar. O regime controlava quaisquer lápis com o qual vai escrevendo numa folha em branco. No
opositores à sua ideologia, recorrendo à censura e à opres- entanto, os seus movimentos são limitados, pelo facto de
são, através da então criada Polícia de Vigilância e Defesa
estar algemada.
do Estado. Neste excerto, estamos perante uma das ten-
tativas de revolução protagonizada por um conjunto de Desenvolvimento: Destacar os seguintes aspetos:
marinheiros, nos quais se incluía o irmão de Lídia, mas que − a imagem denuncia a falta de liberdade de expressão, a ma-
rapidamente foi abortada pelas forças repressoras, que se nipulação das palavras, o controlo total, a opressão;
serviram, para o efeito, de bombardeamentos aos barcos
− o tom cinzento remete para a ideia de obscurantismo, de
revoltosos a partir do forte de Almada.
silenciamento, de censura.
2. A primeira relação intertextual estabelecida com Camões
surge a propósito da estátua do Adamastor que se ergue Conclusão: a imagem adequa-se, assim, perfeitamente ao
no Alto de Santa Catarina. Através da alusão e da descri- enredo de O ano da morte de Ricardo Reis, já que, na obra,
ção do gigante, o narrador pretende, por um lado, denun- é recorrente a convocação de situações que espelham a
ciar o estado de latência e inércia de Portugal (e daí estar censura que vigorava durante a ditadura de Salazar, refle-
“concluída a sua petrificação”, l. 4) e, por outro, indiciar já tida, por exemplo, no silêncio que se abate sobre a cidade
o fracasso da tentativa de revolta iminente por parte dos de Lisboa ou a manipulação dos jornais, tantas vezes lidos
marinheiros, que acabará por ser travada por um regime por Reis.

EDITÁVEL
78 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

TESTE DE AVALIAÇÃO 13 (p. 63) GRUPO II


GRUPO I 1. (C); 2. (B); 3. (D); 4. (C); 5. (C); 6. (A); 7. (D)
8. Coesão lexical (por substituição).
A
9. Complemento agente da passiva.
1. O par espelha a plena completude existente entre o
casal, visível no contraste Sol (símbolo do dia, da força fí- 10. Locução, locutor, loquaz.
sica, do trabalho)/Lua (símbolo da noite, do transcendente, GRUPO III
do mundo onírico). Reflete ainda a ideia de renovação e Proposta de síntese:
de totalidade, inerente ao número sete e que, no caso do
casal, se traduz no facto de ambos representarem não só A última edição dos Sermões do Padre António Vieira expõe
a comunhão total e perfeita mas também de remeterem uma nova faceta na sua abordagem – a do pendor biográ-
para a ideia de transgressão e mudança relativamente ao fico evidenciado nos textos.
regime absolutista e inquisitorial vigente. Nascido em Lisboa, Vieira foi para o Brasil ainda em criança
e, mais tarde, entrou no noviciado jesuíta. Aos 23 anos já
2. Enquanto a relação de Baltasar e Blimunda se pauta pela fazia sermões, que espelhavam as causas que defendia.
espontaneidade, cumplicidade e intimidade resultantes da vi- Uma delas, a da defesa dos judeus, valeu-lhe a perseguição
vência de um amor profundo e verdadeiro (“Dormiram nessa do Santo Ofício que queria expulsá-lo dos jesuítas, mas o rei
noite os sóis e as luas abraçados, enquanto as estrelas gi- D. João IV conseguiu protegê-lo. No entanto, após a morte
ravam devagar no céu, Lua onde estás, Sol aonde vais”, ll. do monarca, Viera foi preso no domicílio, tendo sido libertado
10-11), o rei e a rainha revelam ter uma relação estritamente três anos mais tarde, com a ascensão de D. Pedro ao trono.
protocolar e convencional, sem amor, nada mais sendo do que Nessa altura, inicia uma luta contra a Inquisição em Portugal.
um casamento de conveniência. Desta feita, o rei mantém Muitos destes aspetos da sua vida, a par de outros, estão
relações extraconjugais e a rainha tenta ultrapassar a sua presentes nos sermões do Padre, como, no “Sermão de
frustração, recorrendo aos serviços religiosos e sonhando, Santo António aos peixes”, onde o autor confessa a sua luta
de forma libidinosa, com o cunhado (“de el-rei não falemos, pela salvação dos índios.
que sendo tão moço ainda gosta de brinquedos, por isso pro- Acabou por morrer aos 89 anos, na Baía, longe de Portugal,
tege o padre, por isso se diverte tanto com as freiras nos fazendo assim jus às palavras usadas no “Sermão de Santo
mosteiros e as vai emprenhando, uma após outra, ou várias António”, de 1670.
ao mesmo tempo, que quando acabar a sua história se hão
de contar por dezenas os filhos assim arranjados, coitada da (175 palavras)
rainha, que seria dela se não fosse o seu confessor António
TESTE DE AVALIAÇÃO 14 (p. 68)
Stieff, jesuíta, por lhe ensinar resignação, e os sonhos em que
lhe aparece o infante D. Francisco com marinheiros mortos GRUPO I
pendurados dos arções das mulas”, ll. 28-34). A
3. Apesar de ser padre e pertencer a uma classe social 1. Os eventos relatados acontecem no seguimento da de-
conivente com um regime absolutista e promotora do obs- cisão do rei em inaugurar o convento no dia em que com-
curantismo e da perseguição, através do Santo Ofício, Bar- pletasse 41 anos, facto que revela quer a sua vaidade quer
tolomeu Lourenço distancia-se desses princípios da Igreja a sua megalomania e prepotência já que, apesar de saber
Católica. Está disposto a concretizar um projeto que pode- que o estado em que a construção se encontrava não per-
ria ser considerado uma heresia aos olhos da Inquisição, mitia tal resolução, o rei, que reunia em si todos os poderes,
contando, para isso, com a ajuda de elementos que, à par- impõe o seu desejo e ordena que sejam enviados para Mafra
tida, estariam condenados à fogueira, como Blimunda, ou todos os homens válidos dos quatro cantos do reino, for-
que eram, em termos sociais, marginalizados, como era o çando-os a isso, muitas vezes de forma violenta, sobretudo
caso de Baltasar. em relação aos que se recusavam a ir. Assiste-se, assim, ao
B desfile de dezenas de homens arrancados às suas terras
4. É através da estrutura paralelística e anafórica que o e famílias, agrilhoados e obrigados a cumprirem o capricho
pregador apresenta, em posição antagónica, as duas úni- de um rei.
cas possibilidades e respetivas justificações para o facto 2. Esta relação intertextual é uma forma de o narrador ridi-
de a terra se apresentar tão corrupta: ou os pregadores (“o cularizar e estabelecer um contraste entre a situação que
sal”) não estão a cumprir com a sua missão ou os fiéis (“a está a descrever e a que ocorre em Os Lusíadas. Assim,
terra”) não estão a adotar a doutrina que lhes é transmitida. embora nos dois casos surja a voz de um velho a contes-
5. A intenção persuasiva é visível através de vários me- tar o acontecimento a que está a assistir, são grandes as
canismos, como a assunção da primeira pessoa do plural, diferenças entre as duas situações. De facto, enquanto,
como forma de o pregador se irmanar com o interlocutor na epopeia camoniana, um velho experiente e de aspeto
(“mas quando a terra se vê tão corrupta como está a venerando se insurge contra uma empresa grandiosa de
nossa”, ll. 2-3); o levantamento de questões para as quais um reino em expansão e, embora a sua voz seja discor-
são apresentadas possibilidades de resposta ou o uso dante, não há qualquer censura ao seu discurso. No caso
de recursos expressivos como a anáfora, a antítese ou de Memorial do convento, o narrador serve-se de forma jo-
a gradação que contribuem para um discurso eloquente cosa de um labrego para condenar uma situação que nada
(“Começam a ferver as ondas, começam a concorrer os tem de grandiosidade, pelo contrário, que é um símbolo da
peixes, os grandes, os maiores, os pequenos”, ll. 35-36). prepotência e da opressão. Neste caso, a voz do velho é aba-
Já a exemplaridade decorre do facto de Vieira, para me- fada com a sua morte, o que reflete a época de obscuran-
lhor fundamentar a sua posição e conferir autoridade, se tismo em que se vivia.
socorrer de palavras proferidas por Cristo ou do exemplo 3. Na conceção de Saramago, o povo é o verdadeiro pro-
de Santo António. tagonista da sua obra. Por isso, quer prestar-lhe o tributo

EDITÁVEL
SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4" FOTOCOPIÁVEL 79
3. CENÁRIOS DE RESPOSTA

e a homenagem que a História lhe nega. Faz questão de, Título


simbolicamente, tentar nomear todos os homens envolvi- Sentidos 12
dos na construção do convento, percorrendo as letras do Livros de Testes
alfabeto, não se coibindo de denunciar as atrocidades, o
sofrimento infligido e os sacrifícios por que tiveram de pas- Português 12.º Ano
sar os verdadeiros obreiros desta empresa megalómana,
Autoras
elevando-os assim à categoria de heróis.
Ana Catarino
B
Ana Felicíssimo
4. Este excerto decorre durante o cerco da cidade de Lisboa
por parte do exército castelhano, que entrou em Portugal Isabel Castiajo
para combater contra o Mestre de Avis, como forma de rei- Maria José Peixoto
vindicar a coroa portuguesa. Por questões de legitimidade
e tendo em conta o testamento de D. Fernando, o reino por- Execução Gráfica
tuguês deveria ser entregue, assim que tivesse idade para CEM, Artes Gráficas, S.A.
isso, ao neto, filho de D. Beatriz e de Juan de Castela.
Depósito Legal
5. A consciência coletiva é visível no facto de o povo se
manter unido e em uníssono defender a mesma causa: a 420 966/17
soberania da nação. Assim sendo, estavam sempre todos
ISBN
disponíveis para forte e corajosamente defenderem a ci-
dade (“quando repicavom, neũ nom mostrava que era fa- 978-888-89-1024-6
minto, mas forte e rijo contra seus ẽmigos”, l. 28), apesar
Ano / Edição / Tiragem / N..º Exemplares
de as muitas privações por que estavam a passar, dada a
escassez de alimentos. 2017 / 1.a Edição / 1.a Tir. / 6500 Exs.
GRUPO II
1. (B); 2. (A); 3. (C); 4. (A); 5. (B); 6. (C); 7. (D).
8. População, populismo, popular
9. Palavras divergentes.
10. Simultaneidade.
GRUPO III
Resposta aberta, classificada segundo os critérios do exame
nacional.
Sugere-se o plano seguinte:
Introdução – A imagem representa a figura do Zé Povinho –
metáfora das classes mais desfavorecidas portuguesas – que,
como se tratasse de um cavalo, carrega às costas um homem
imponente e pesado, bem vestido e de charuto na boca –
símbolos de riqueza – ao mesmo tempo que é conduzido e
chicoteado por um outro homem representativo do poder.
Desenvolvimento – Destacar os seguintes aspetos:
A imagem denuncia a exploração e a tirania infligidas ao
povo por parte dos mais poderosos, que revelam uma ati-
tude de supremacia e prepotência.
Conclusão – A imagem adequa-se, assim, perfeitamente
ao enredo de Memorial do convento, obra em que é denun-
ciada a opressão e a repressão exercida sobre os mais des-
favorecidos por parte de D. João V – um rei déspota que se
serviu do seu povo para concretizar um capricho.

www.sentidos12.asa.pt

EDITÁVEL
80 FOTOCOPIÁVEL SENTIDOS 12t-JWSPEF5FTUFTt"4"

Você também pode gostar