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Universidade Federal do Piauí

Centro de Educação Aberta e a Distância

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
E DO DESENVOLVIMENTO
INFANTIL II

Algeless Milka Pereira Meireles da Silva


Ronaldo Matos Albano
Paulo Henrique Paspardelli
Ministério da Educação - MEC
Universidade Aberta do Brasil - UAB
Universidade Federal do Piauí - UFPI
Universidade Aberta do Piauí - UAPI
Centro de Educação Aberta e a Distância - CEAD

PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO E DO
DESENVOLVIMENTO INFANTIL II

Algeless Milka Pereira Meireles da Silva


Ronaldo Matos Albano
Paulo Henrique Paspardelli
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REVISÃO GRÁFICA: Profª. Iracildes Maria de Moura Fé Lima
Prof. Dr. João Renór Ferreira de Carvalho

S586p Silva, Algeless Milka Pereira Meireles da.


Psicologia da educação e do desenvolvimento infantil II / Algeless Milka
Pereira Meireles da Silva, Ronaldo Matos Albano, Paulo Henrique Paspardelli.
– Teresina : CEAD/EDUFPI, 2014.
120 p.

ISBN: 978-85-7463-789-1

1. Psicologia da Educação. 2. Educação a Distância. I. Albano, Ronaldo Matos.


II. Paspardelli, Paulo Henrique. III.Título.

CDD 370.15

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distribuição deste material.
SUMÁRIO

UNIDADE I 13

FREDERIC SKINNER: TEORIA BEHAVIORISTA E EDUCAÇÃO

Vida e obra................................................................................................................ 13
Influências teóricas aos estudos de Skinner..............................................................16
Conceitos fundamentais............................................................................................ 19
Comportamento operante........................................................................................ 20
Reforço...................................................................................................................... 22
Modelagem do comportamento............................................................................... 24
A teoria de Skinner e a educação.............................................................................. 25

UNIDADE II 35

JEAN PIAGET: TEORIA PSICOGENÉTICA E EDUCAÇÃO


Vida e obra................................................................................................................ 35
Visão interacionista do desenvolvimento cognitivo e da aprendizagem...................37
Estágios do desenvolvimento cognitivo....................................................................40
Construtivismo piagetiano e educação.....................................................................46

UNIDADE III 55

L. S. VYGOTSKY: ABORDAGEM SOCIOCULTURAL DO


DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM
Vida e obra................................................................................................................ 55
Visão sociocultural do desenvolvimento e da aprendizagem....................................56
Atualidades na abordagem sociocultural: interatividade e mecanismos de influencia
educativa segundo César Coll.................................................................................... 62
Implicações às práticas educativas............................................................................ 64
Algumas reflexões sobre o sócio-construtivismo e a educação................................66

UNIDADE IV 75

Vida e obra................................................................................................................ 75
Conceitos fundamentais............................................................................................ 78
As teorias do aparelho psíquico................................................................................ 78
Conceitos de libido e de pulsão................................................................................. 82
Mecanismos de defesa.............................................................................................. 86
Teoria do desenvolvimento psicossexual..................................................................89
Psicanálise e educação: algumas reflexões...............................................................91
UNIDADE IV
SIGMUND FREUD E A TEORIA
PSICANALÍTICA
Resumo

Na presente unidade iremos abordar alguns conceitos centrais que fundamentam a


teoria psicanalítica de Sigmund Freud, bem como a relação destes com o contexto
educacional. Para tanto, faremos uma breve apresentação de sua vida e obra,
conceitos importantes da sua teoria que viabilizam a sua compreensão acerca
do desenvolvimento e aprendizagem como as teorias do aparelho psíquico, a
teoria do desenvolvimento psicossexual, os mecanismos de defesa, dentre outros,
que possibilitam uma reflexão entre esta teoria e suas relações com a educação.
Na construção deste estudo nos fundamentaremos em obras clássicas do
próprio Freud bem como estudiosos que fazem uma releitura de seus estudos na
contemporaneidade.

Vida e obra

Sigmund Freud (1856-1939)

Sigmund Freud nasceu em Freiberg, atual


Pribor, região da Morávia, no Império Austríaco
na República Tcheca em 6 de maio de 1856
(LUSTOSA e SILVA, 2009). Sigismund Scholomo Fonte: Museu Freud –
Freud, aos 21 anos de idade, abrevia seu prenome Londres (http://www.freud.
org.uk)
para Sigmund.
De familia judaica, aos quatro anos de idade sua família muda-se
para Viena em busca de melhores condições de vida onde vive até 1938.
Em 1882, conheceu Martha Bernays com quem viria a se casar em 1886
e com quem teve seis filhos: Mathilde, Jean-Martin, Olivier, Ernst, Sophie
e Anna. Esta última, a caçula, torna-se secretária, enfermeira e discípula
do pai.

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 79


Freud e dois dos seus filhos, Ernest e Mártin (1916)

Fonte: Museu Freud – Londres (http://www.


freud.org.uk)

Freud e sua filha Sophie que faleceu de gripe em 1920

Fonte: Museu Freud – Londres


(http://www.freud.org.uk)

Freud formou-se em medicina na Universidade de Viena atuando,


sobretudo, nas áreas de neurologia e psiquiatria. De acordo com Figueiredo
e Santi (2010, p. 82) ao evidenciarem a evolução histórica da psicologia e
seus principais marcos, nos apontam o momento em que Freud direciona
seus estudos da medicina para a psicologia:

Freud teve sua formação em neurologia. Ao receber em


sua clínica certos pacientes – denominados histéricos
– com sintomas de paralisias e anestesias localizadas,
ele se defrontou com a falta de instrumental neurológico
para responder ao sofrimento deles. Seus mestres
não reconheciam a existência de uma doença nesses
pacientes, na medida em que não podiam identificar
neles lesões orgânicas – se não havia lesão, não poderia

80 UNIDADE IV
haver doença. Além do que, esses pacientes eram
altamente dramáticos e as paralisias de que reclamavam
não correspondiam ao mapeamento nervoso ou
muscular do corpo, o que fazia com que os médicos
simplesmente não reconhecessem como legítimo seu
sofrimento. Tendo que lidar com o sofrimento desses
pacientes, Freud não pode se contentar com a atitude de
seus colegas médicos e chegou à compreensão de que
a “lesão” de que se tratava na histeria não incidia sobre
um nervo, mas sobre a ideia relativa a determinada
parte do corpo. Freud articula um evento corporal –
uma conversão histérica – ao universo representativo
da pessoa. Num certo sentido, ele atravessa a distinção
simples e clássica entre mente e corpo. A história que
se seguiu é extensa e a retomamos apenas em linhas
gerais. Os sintomas histéricos passaram a ser tomados
como resultado de uma dinâmica psíquica composta
por: conflito, repressão e retorno do reprimido. [Grifos
do autor]

Neste contexto Freud amplia cada vez mais os seus estudos sobre
os fenômenos psíquicos na dimensão clínica por meio da sua teoria e
prática psicanalítica sob influência dos estudos com o psiquiatra francês
Jean Charcot e também com o médico Josef Breuer. Sua obra sobre
Psicanálise iniciada a partir de 1886 contempla um total de 24 livros e 123
artigos, tendo sido traduzida para uma média de trinta línguas diferentes

Freud e o Comitê

Fonte: Museu Freud – Londres (http://www.freud.


org.uk)

Sua obra, porém foi alvo de muita polêmica e por vezes de rejeição.
Os nazistas, por exemplo, eram contrários às suas ideias, tendo queimado
suas obras em praça pública. Quatro de suas irmãs foram deportadas
para campos de concentração, onde morreram. Sua filha Anna Freud

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 81


foi inclusive presa pela Gestapo e isto motiva Freud a buscar exílio na
Inglaterra onde vai morar em 1938. (LUSTOSA e SILVA, 2009).
Diante de sua vasta produção, destacamos aqui algumas obras
de Freud que ganharam grande evidência: Projeto para uma psicologia
científica (1895), A interpretação dos sonhos (1899), Três ensaios sobre
a teoria da sexualidade (1905), Um estudo autobiográfico (1925), O mal-
estar na civilização (1929), dentre outras.
Em 1902 Freud foi nomeado professor da Universidade de Viena
e foi desenvolvendo seus estudos com outros colaboradores fundando
em 1908 a Associação Psicanalítica de Viena. Ao longo dos anos produz
inúmeros trabalhos de fundamental relevância para o campo da psicologia
e da psicanálise. Morre aos 83 anos em Londres, no dia 23 de setembro
de 1939, decorrente da aplicação de dose excessiva de morfina dada por
seu médico, com a permissão de Anna Freud, em função de um câncer
bucal que o acompanhou por dezesseis anos. A casa em que morreu em
Londres funciona o Museu Freud. (LUSTOSA e SILVA, 2009)

Freud e sua filha Anna em 1913

Fonte: Museu Freud – Londres


(http://www.freud.org.uk)

Conceitos fundamentais

Para que possamos refletir sobre as ideias de Sigmund Freud


na teoria psicanalítica e suas relações com a teoria do desenvolvimento
psicossexual torna-se necessário discutirmos alguns conceitos

82 UNIDADE IV
fundamentais da sua teoria. Nos tópicos que seguem evidenciaremos: as
suas duas teorias do aparelho psíquico; o conceito de libido e de pulsão e
os mecanismos de defesa.

As teorias do aparelho psíquico

Ao debruçar o eixo dos seus estudos sobre a dimensão psíquica do


homem e os seus desdobramentos no funcionamento da mente e do corpo
humano, Freud desenvolve duas teorias do aparelho psíquico nas quais
buscava compreender a estrutura e o funcionamento da personalidade
humana.
Na primeira teoria Freud estrutura psíquica em três instâncias: o
inconsciente; o pré-consciente e o consciente. Esta teoria foi apresentada
por ele por volta de 1900 no livro A interpretação dos sonhos. Para
uma melhor organização e consequente compreensão desta teoria
estruturaremos os seus conceitos centrais no quadro a seguir:

PRIMEIRA TEORIA DO APARELHO PSÍQUICO

INSTÂNCIAS PSÍQUICAS DEFINIÇÕES

“Conjunto dos conteúdos não presentes


no campo atual da consciência”.
(LAPLANCHE; PONTALIS, s/d, 306)

“É constituído por conteúdos reprimidos,


que não têm acesso aos sistemas pré-
consciente/consciente, pela ação de
Inconsciente censuras internas. Estes conteúdos
podem ter sido conscientes, em algum
momento, e ter sido reprimidos, isto é,
“foram” para o inconsciente, ou podem
ser genuinamente inconscientes”
(BOCK et al, 2005, p. 73)

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 83


“Diz respeito aos fatos, ideias
ou lembranças que, embora não
estivessem disponíveis, poderiam
assomar2 à consciência desde
que a pessoa fizesse um pequeno
esforço”. (LUSTOSA, 2010, p. 30)
Pré-consciente
“Refere-se ao sistema onde
permanecem aqueles conteúdos
acessíveis à consciência. É aquilo
que não está na consciência, neste
momento, e no momento seguinte
pode estar”. (BOCK et al, 2005, p. 74)

“É representado pelos aspectos a que


se tem acesso livremente, sejam eles
vindos do exterior, sejam do mundo
interior”. (LUSTOSA; SILVA, 2009, p. 26)

Consciente “Na consciência, destaca-


se o fenômeno da percepção,
principalmente a percepção do
mundo exterior, a atenção, o
raciocínio”. (BOCK et al, 2005, p. 74)

Posteriormente, por volta de 1920. Freud amplia sua teoria inicial


e apresenta a segunda teoria do aparelho psíquico e insere três conceitos
para sistematizar a estrutura e funcionamento da personalidade humana:
id, ego e superego. Da mesma forma, iremos organizar tais conceitos no
quadro que segue como forma de facilitar a nossa apreensão sobre tais
conceitos:

2
Assomar: Subir ao cume; mostrar-se, aparecer em ponto elevado; surgir; deixar-se ver;
mostrar-se. (Fonte: http://www.dicionariodoaurelio.com)

84 UNIDADE IV
SEGUNDA TEORIA DO APARELHO PSÍQUICO

INSTÂNCIAS PSÍQUICAS DEFINIÇÕES

“É a instância que contém os


impulsos inatos, as inclinações mais
elementares do indivíduo. O id é
composto por energias – denominadas
por Freud de pulsões – determinadas
biologicamente e determinantes
de desejos e necessidades que
não reconhecem qualquer norma
socialmente estabelecida. O id não é
socializado, não respeita convenções,
e as energias que o constituem
buscam a satisfação incondicional do
ID organismo. Ao passo que o id é inato,
as duas outras partes da personalidade
desenvolvem-se no decorrer da vida
da pessoa”. (CUNHA, 2008, p. 1)

“É irracional, alógico, impulsivo, não


conhecendo nem a moral, nem a ética.
Deseja satisfação imediata para os
seus desejos e não tolera frustações.
Sua linguagem são as imagens e
encontra-se quase que inteiramente no
inconsciente”. (LUSTOSA, 2010, p. 30)

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 85


“É regido pelo princípio da realidade.
É ele o responsável pela conduta
consciente do indivíduo e que tenta
conciliar as exigências (desejos)
do Id com as proibições excessivas
do Superego, de forma que exerce
controle sobre os instintos, impulsos
do Id, conseguindo realiza-los de forma
realista. Nele estão os mecanismos
EGO de defesa”. (LUSTOSA, 2010, p. 30)

“O ego, que significa literalmente


“eu”, é o setor da personalidade
especializado em manter contato com
o ambiente que cerca o indivíduo. Ele
é a porção visível de cada um de nós,
convive segundo regras socialmente
aceitas, sofre as pressões imediatas
do meio e executa ações destinadas a
equilibrar o convívio da pessoa com os
que a cercam”. (CUNHA, 2008, p. 2)

“O superego, por sua vez, é um


depositário das normas e princípios
morais do grupo social a que o indivíduo
se vincula. Nele se concentram
as regras e as ordenações da
SUPEREGO sociedade e da cultura, representadas,
inicialmente, pela família e,
posteriormente, internalizadas
pela pessoa”. (CUNHA, 2008, p. 2)

“É constituído pelos valores, normas


e padrões morais e costumes da
sociedade e pelos ideais valorizados
por ela, internalizados pela criança a
partir dos pais. Nesse sentido, entra em
constante conflito com o Id, que busca
a todo custo realizar seus instintos
impulsivos”. (LUSTOSA, 2010, p. 30)

Sobre essa sistematização de Freud em relação a dinâmica de


funcionamento e estruturação da personalidade humana, Cunha (2008)
ressalta a necessidade da articulação entre as instâncias e, especialmente,
o que vem a ser o cerne da questão para Freud, a fim de que não sejam

86 UNIDADE IV
feitas interpretações equivocadas no que tange aos objetivos do teórico
em relação a construção teórica da Psicanálise. Nas palavras do próprio
autor:

Podemos visualizar a dinâmica entre essas três


instâncias da seguinte maneira: energias determinantes
de desejos, originárias do id, devem chegar ao nível do
ego para que este possa articular ações supressoras
das necessidades então impostas. Se o ego irá dar conta
de fazê-lo ou não, este é um problema que diz respeito
às possibilidades reais de que dispõe o indivíduo. Não
é esse o tema prioritário da teoria de Freud. O foco
de atenção da Psicanálise dirige-se à relação entre
as energias oriundas do id e os impedimentos que o
superego lhes impõe. A Psicanálise mostra que há uma
vasta gama de desejos que são impedidos de chegar
ao nível do ego, isto é, desejos cuja existência o “eu”
sequer toma ciência devido à censura das barreiras
morais internalizadas pela pessoa. O superego atua
como protetor do ego, pois sem ele as pulsões tornariam
insuportável a vida do indivíduo em sociedade. Constitui-
se, desse modo, uma região da personalidade habitada
por pulsões reprimidas, que não são conscientes para
o ego. Esta região é chamada inconsciente. Está no
inconsciente tudo aquilo que o ego não sabe que existe,
tudo aquilo que foi reprimido com base nas concepções
morais internalizadas pelo indivíduo. (CUNHA, 2008, p.
2) [Grifos do autor]

Percebemos, portanto, que o eixo central de investigação que


norteia a teoria freudiana é a instância do inconsciente, não descartando
é claro, as outras instâncias e os outros conceitos essenciais para a
compreensão das suas ideias. Porém, o inconsciente surge como uma
estrutura que engendra todas as demais dimensões que constituem os
fundamentos da teoria psicanalítica. É a partir dele, pois, que todo o
funcionamento psíquico se dá e que todo o fundamento psicanalítico se
debruça na tentativa de compreender o desenvolvimento humano.
Nesta tentativa de compreensão, ampliaremos nossa discussão a
seguir com dois outros importantes conceitos desta teoria tão complexa: o
conceito de libido e de pulsão.

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 87


Conceitos de libido e de pulsão

Na teoria psicanalítica muitos foram os conceitos desenvolvidos


por Sigmund Freud, e dentre estes, os conceitos de libido e pulsão
caracterizam-se de forma bastante significativa e possibilita-nos uma
articulação com a compreensão deste autor sobre as teorias do aparelho
psíquico bem como com a perspectiva de desenvolvimento humano
defendida por Freud.
O conceito de libido teve grande relevância na estruturação das
ideias freudianas. Tal conceito, porém, provocou bastante polêmica à
época da sua propagação pelo autor, desencadeando também, entre o
final do século XIX e início do século XX, sentimentos de hostilidade,
repulsa e indignação, por parte da sociedade que não aceitava a base
a qual fundamentava as suas convicções. Vale ressaltar inclusive que
sentimentos como estes de rejeição à obra freudiana muitas vezes até
os dias atuais permanecem, por esta trazer perspectivas que acessam
conteúdos e temas muitas vezes considerados tabus em vários segmentos
das diversas sociedades. Sobre essa questão Palacios (2004) afirmam
que os postulados de Freud representam uma descoberta surpreendente
no início do século XX ao mesmo tempo que constituem uma revolução
cultural, principalmente, nos ambientes puritanos. A essência do conceito
de libido, por exemplo, facilitará a nossa compreensão do por que de tais
polêmicas.
Para Freud, a compreensão do conceito de libido de certa forma
está articulada com a compreensão do conceito de pulsão, os quais ele
estruturou nas chamadas teoria da libido ou das energias psíquicas e teoria
das pulsões, respectivamente. De acordo com Carvalhaes e Fulgencio
(2008, p. 3)

Freud vai dizer que a pulsão seria uma força psíquica e


a libido seria uma energia psíquica de caráter sexual. A
libido está vinculada com os tipos de investimentos que
o individuo realiza com seu mundo, seja ele interno ou
externo.

Sobre o conceito de pulsão, Gomes (2001, p. 251) evidencia que
este foi construído por Freud em dois momentos: na primeira teoria das
pulsões e ampliado no segundo conceito de pulsão. Nas suas próprias
palavras, sobre a primeira teoria:

88 UNIDADE IV
O termo “pulsão” (“Trieb”) aparece em Freud, pela
primeira vez, no “Projeto” de 1895 (e não em 1905, nos
“Três Ensaios sobre a Teoria Sexual”, como afirmam
Laplanche e Pontalis, 1967/1970, p. 507). No “Projeto”,
Freud ([1895]/1975, parte I, item 10, pp. 324-325) propõe
a idéia de que o sistema psi está exposto a quantidades
de excitação provenientes do interior do corpo (os
estímulos endógenos) “e nisto se encontra a mola
pulsional [Triebfeder] do mecanismo psíquico”. A vontade
(“Wille”), diz ele, é “o derivado das pulsões [Triebe]”.
[...] É em 1915, em “Pulsões e Destinos das Pulsões”,
que Freud (1915/1982a) expõe sistematicamente esta
sua primeira teoria das pulsões. Situa a pulsão “como
um conceito de fronteira entre o psíquico e o somático”
(p. 85). Ser de fronteira não implica aqui em qualquer
indefinição. Significa simplesmente que se trata de uma
estimulação que vem do somático e atinge o psíquico,
atravessando portanto a
fronteira entre o soma e o SAIBA MAIS
aparelho psíquico. [Grifos
O termo somático deriva da
do autor]
palavra somatização que se
refere quando os sintomas
Já na ampliação deste conceito, no que envolvidos dizem respeito aos
órgãos e sistemas (cardíaco,
corresponde à segunda teoria das pulsões, muscular, respiratório, genital,
Freud caracteriza em dois tipos as pulsões: a etc.), mas não se encontra uma
correspondência de alteração
pulsão de vida e a pulsão de morte. fisicamente comprovada, ou
seja, considerada uma resposta
A partir de “Além do física a um extremo sofrimento
psicológico.
Princípio do Prazer”, de
1920, surge não só uma Fonte: Ballone e Ortolani (2007)
nova teoria das pulsões,
mas um novo conceito
de pulsão. As pulsões – pulsão de vida e pulsão de
morte – passam a ser princípios gerais que regem o
funcionamento, não só da vida psíquica, mas de toda a
vida orgânica, presentes nos animais, nas plantas e nos
organismos unicelulares. A pulsão de vida é concebida
como a tendência à formação de unidades maiores, à
aproximação e à unificação entre as partes dos seres
vivos. A pulsão de morte, ao contrário, é vista como
a tendência à separação, à destruição e, em última
análise, à volta ao estado inorgânico. O conceito de
pulsão, aqui, é portanto muito mais amplo. Ao invés de
uma exigência de trabalho feita pelo soma ao aparelho
psíquico, temos duas tendências gerais que se aplicam
a toda a matéria viva. [Grifos do autor] (GOMES, 2001,
p. 253)

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 89


Diante dessa reflexão sobre o conceito de pulsão, podemos retomar
a discussão sobre o conceito de libido, articulando-os entre si bem como
com outros conceitos da teoria freudiana. Nessa perspectiva, ao discutir
esse conceito de libido, Cunha (2008, p. 9) faz a articulação deste com a
teoria do aparelho psíquico e reflete sobre o seu desdobramento na teoria
do desenvolvimento humano de Freud:

Para compreender melhor o que Freud dizia sobre


o conflito entre id e superego, e suas consequências
para o ego, vejamos uma de suas mais desafiadoras
afirmações. Segundo Freud, entre as pulsões que
compõem o id, destacam-se as energias de natureza
sexual. É contra elas que se erguem as barreiras
morais que, internalizadas pelo indivíduo, formam o
superego. [...] O problema era que se imaginava a
sexualidade como algo que surge bem mais adiante, na
adolescência, e que os bebês e as crianças pequenas
eram totalmente imunes a sentimentos desse tipo.
Freud trouxe uma concepção diferente de infância e
por isso foi mal aceito durante décadas, especialmente
em certos meios intelectuais. [...] Deu o nome de libido
a essa energia e considerou-a como a energia que
move o ser humano na direção do prazer, seja ele uma
criança pequena ou um homem feito. A libido, portanto,
é uma energia de natureza sexual, componente do id,
presente no ser humano desde o nascimento, e é ela
que impulsiona a pessoa em busca de satisfação. Para
Freud, o “princípio do prazer” dita a vida humana, logo
este é a motivação maior para todos nós. Mas esse
princípio, como já vimos, é interditado pelo superego,
norteado por outro referencial, o “princípio da realidade”,
originário das ordenações culturais e sociais. O que
interessa no conceito de libido, no momento, é que ele
permite entender a personalidade como profundamente
marcada por forças de natureza sexual. As energias
envolvidas no conflito que gera o ego – seus traços
característicos e seus distúrbios – são energias
libidinais, isto é, sexuais. Assim, o desenvolvimento da
libido, energia que assume diversas formas, fundamenta
a teoria de desenvolvimento elaborada por Freud. No
corpo dessa teoria, veremos como são constituídos
os afetos primordiais que formam a personalidade da
pessoa. [Grifos do autor]

Percebemos, portanto, que o conceito de libido, bem como o de


pulsão, são essenciais para que compreendamos a perspectiva freudiana
sobre o psiquismo humano, uma vez que engendra outros conceitos

90 UNIDADE IV
essenciais que constituem e fundamentam a base da sua teoria. Podemos
perceber nas palavras acima, alguns dos motivos pelos quais sua
teoria recebeu também críticas e resistências. Palacios (2004, p. 26) ao
refletir sobre essa questão da polêmica em relação as ideias de Freud,
evidenciando também os conceitos de pulsão e libido afirma que:

Na teoria psicanalítica, o bebê perde sua alma inocente


e imaculada, porque Freud a preenche de instintos,
alguns dos quais, em forma de pulsões, estão no centro
da gênese da personalidade e são o objeto de estudo
da teoria psicanalítica: são as pulsões sexuais, de uma
energia (libido) que busca satisfazer-se e que não se
limita aos órgãos genitais. [Grifos dos autores]

Percebemos, portanto, que tanto o conceito de libido como o de


pulsão caracterizam-se de forma complexa na obra freudiana e que, ambos
foram sendo aprimorados com o passar dos anos em meio às pesquisas
e aos estudos desenvolvidos por Freud. Tal evolução nos conceitos foi
delineando e constituindo os eixos que conduzem a perspectiva de homem
e de mundo defendida por Freud. Nesse bojo, antes de discutirmos a teoria
freudiana do desenvolvimento em si, refletiremos sobre outro importante
conceito de sua obra: os mecanismos de defesa.

Mecanismos de defesa

“Os mecanismos de defesa representam as negações inconscientes


ou distorções da realidade, mas que são adotados para proteger o
ego contra a ansiedade” (SCHULTZ e SCHULTZ, 2005, p. 374). Nessa
definição percebemos que o aparelho psíquico humano, na perspectiva
freudiana, desenvolve uma dinâmica protetora de funcionamento entre
as suas instâncias estruturais. Tal proteção surge em decorrência de
sentimentos de ansiedade que geram angustia no indivíduo e, torna-se
necessária para que o funcionamento mental ocorra de forma harmônica
e equilibrada.
Nas palavras do próprio Freud (1974, p. 97) ao definir tais
mecanismos:

[...] como a satisfação do instinto equivale para nós à


felicidade, assim também um grave sofrimento surge
em nós, caso o mundo externo nos deixe definhar, caso
se recuse a satisfazer nossas necessidades. Podemos,

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 91


portanto ter esperanças de nos libertarmos de uma
parte de nossos sofrimentos, agindo sobre os impulsos
instintivos. Esse tipo de defesa contra os sofrimentos
procura dominar as fronteiras internas de nossas
necessidades.

Essa tentativa psíquica de domínio dessas fronteiras internas de
nossas necessidades, portanto, denomina-se de mecanismos de defesa,
em prol do alívio da ansiedade que promove a angustia decorrente do
sofrimento psíquico. Na dinâmica das instâncias psíquicas o ego busca o
equilíbrio por meio da exclusão dos conteúdos indesejáveis geradores de
sofrimento, desenvolvendo as estratégias de defesa.
Freud apontou vários tipos de mecanismos de defesa, dos quais
iremos nos fundamentar na classificação e definição feita destes por
Lustosa e Silva (2009), que para fins de melhor compreensão, organizamos
no quadro a seguir:

MECANISMOS DE DEFESA DEFINIÇÃO


“Considerado o principal mecanismo
de defesa, a repressão impede que
sentimentos, lembranças, ideias
REPRESSÃO ou desejos inaceitáveis surjam no
consciente. É a repressão que dá
origem a todos os outros mecanismos
de defesa”. (Ibid, p. 29)
“Implica em negar as sensações,
pensamentos e lembranças dolorosas,
sendo facilmente reconhecida no
cotidiano. [...] De acordo com Freud,
a negação ocorre nas circunstâncias
NEGAÇÃO em que o sujeito tende a eliminar
alguma exigência do mundo externo
em relação a si mesmo, por considera-
la aflitiva, a ponto de não conseguir
perceber adequadamente a realidade
que o rodeia. (Ibid, p. 29

92 UNIDADE IV
“Refere-se a uma explicação lógica,
consistente ou eticamente aceitável
para uma atitude, ação, ideia ou
sentimento que, na verdade, é
RACIONALIZAÇÃO inaceitável e causadora de angústia
no próprio sujeito. Nesse sentido,
o indivíduo busca desvincular a
afetividade dessa explicação racional”.
(Ibid, p. 30)
“O indivíduo desloca de si para o
outro sentimentos e desejos que tem
dificuldade em reconhecer como seus.
PROJEÇÃO A projeção, portanto, é um mecanismo
de defesa que lida com conteúdos
reprimidos quando estes se tornam
conscientes, atribuindo-os à realidade
externa, ao outro”. (Ibid, p. 31)
“Trata-se de um retorno a estágio
anterior do desenvolvimento, no qual
a pessoa se sente mais segura. Ao
regredir, o sujeito alivia a ansiedade,
REGRESSÃO pois evita o confronto com a realidade,
com o momento atual, revivendo
comportamentos que, em anos
anteriores, provocavam redução de
sua ansiedade”. (Ibid, p. 31)
“Sua função consiste em reorientar
os objetivos sexuais de maneira que
eliminem a frustração do mundo
SUBLIMAÇÃO externo. A sublimação consiste na
canalização da inclinação sexual que
não pode ser realizada em atividades
socialmente construtivas”. (Ibid, p. 32)
“Se expressa na mudança de exigência
do Id, normalmente agressiva, da
pessoa ou objeto considerado perigoso
DESLOCAMENTO por um que não é. Segundo Freud, o
deslocamento revela uma admirável
aptidão para disfarçar desejos do
sujeito”.(Ibid, p. 32)

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 93


“Segundo Freud, o homem, como
sabemos, faz uso de sua atividade
imaginativa a fim de satisfazer os
desejos que a realidade não satisfaz.
Tal condição proporciona à vida mental
FORMAÇÃO REATIVA ocasiões em que forças motivadoras
promovem a substituição pelo oposto
da realidade e, assim, um impulso
indesejável é mantido inconsciente,
por conta de forte adesão ao seu
contrário, através do mecanismo de
formação reativa”. (Ibid, p. 32)
“[...] é conhecida pela psicanálise
como a mais remota expressão de laço
emocional com outra pessoa [...]. Ele
IDENTIFICAÇÃO afirma que a identificação pode surgir
a partir da percepção da qualidade
comum partilhada com alguma outra
pessoa que não é objeto de instinto
sexual”. (Ibid, p. 33)

Diante dos vários mecanismos de defesa, estes apontados


na classificação de Lustosa e Silva (2009), evidenciam uma série de
estratégias psíquicas que a dinâmica mental pode desenvolver diante de
situações de angústia enfrentadas pelo indivíduo, nas quais a sua solução
real seja de solução difícil ou impossível.
As instâncias do ego, id e superego se articulam na busca do
equilíbrio comportamental e psíquico do indivíduo e, mediante os conflitos
inevitáveis desta dinâmica, os mecanismos de defesa surgem como uma
importante alternativa para garantir o funcionamento psíquico saudável.
Vale ressaltarmos ainda, que o uso excessivo dos mecanismos de defesa
compromete o desenvolvimento ótimo da personalidade do indivíduo,
uma vez que este não lida diretamente com os conflitos e as angustias
advindas destes e isto limita as possibilidades de suas experiências reais
e, consequentemente, sua evolução psíquica.
Após essas discussões acerca de alguns conceitos da teoria
psicanalítica, no tópico a seguir refletiremos sobre a perspectiva de
desenvolvimento humano defendida por Freud.

94 UNIDADE IV
Teoria do desenvolvimento psicossexual

Ao desenvolver suas teorias do aparelho psíquico, onde evidencia


a dinâmica de funcionamento das instâncias deste, Freud desenvolve uma
das peças consideradas essenciais da concepção psicanalítica sobre o
ser humano e seu funcionamento psíquico. Outra ideia desenvolvida por
ele e que foi configurada na sua teoria do desenvolvimento psicossexual
caracteriza-se como um elemento de grande destaque na sua obra.
Segundo Palacios (2004, p. 26) “a base dessa teoria é a
consideração de que, à medida que as crianças crescem, vão aparecendo
novas zonas erógenas, isto é, novas áreas corporais cuja estimulação
provoca prazer”. Estas zonas vão sendo deslocadas para diversas partes
do corpo, o que vai caracterizando a delimitação em um estágio ou
outro. Não é a cronologia da vida do indivíduo que determina, portanto,
estas fases, devido às características singulares de cada experiência
do indivíduo ao longo do seu desenvolvimento, mas sim, a fixação da
libido em determinada região do corpo é que delineia a fase/estágio
correspondente. A sinalização das idades por Freud corresponde a uma
média das fases em que geralmente, seus estudos apontaram, acontecem
as respectivas fixações da energia sexual. Esta estruturação acontece de
forma gradativa desde a infância até a vida adulta. Sobre a relação entre
esta teoria psicossexual e as instâncias do aparelho psíquico

Freud vê, então, o desenvolvimento psicológico


como uma sucessão de estágios que levarão das
manifestações iniciais do id, por meio de uma libido não-
genitalizada e ainda apenas sujeita às mediações do ego,
até a conquista da sexualidade genital adulta submetida
ao controle do superego. [...] O desenvolvimento normal
progride de estágio em estágio, a não ser que a ausência
ou o excesso de satisfação em um deles dê lugar a
uma fixação nos traços típicos desse estágio, deixando
sua marca em posteriores traços de personalidade
que permitirão falar de sujeitos adultos orais, anais ou
fálicos. (PALACIOS, 2004, p. 26)

A fim de compreendermos cada estágio que constitui esta teoria


psicossexual de Freud evidenciaremos uma síntese de caracterização da
mesma, estágio por estágio, organizada no quadro a seguir:

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 95


Estágios do desenvolvimento psicossexual segundo Freud
Estágio oral (0 a 1 ano): a atividade de sucção não-nutritiva é a primeira
manifestação da libido e a primeira conduta com marca sexual. O aparecimento
dos dentes permitirá, depois, o desenvolvimento de uma segunda vertente da
atividade oral, nesse caso, com componentes sádicos.
Estágio anal (1 a 3 anos): a energia libidinal irá voltar-se em seguida para os
esfíncteres, por onde são eliminadas as fezes e a urina, estando, então, o
prazer ligado às funções excretoras que logo poderão também ser utilizadas
sadicamente pela criança como uma ferramenta de agressão para expressar
hostilidade.
Estágio fálico (3 a 6 anos): a fonte de obtenção de prazer se desloca agora para
os genitais e sua manipulação. Aparecem também fantasias relacionadas com
qualquer forma de atividade sexual com o progenitor do sexo oposto (Complexo
de Édipo: o menino com a mãe; complexo de Electra: a menina com o pai). A
tensão que significa essa situação para o ego e a progressiva interiorização das
normas e dos valores sociais darão lugar à formação do superego, consciência
que procurará governar a vida psíquica.
Estágio de latência (6 a 11 anos): os impulsos se aplacam. O superego se
desenvolve e amplia seus conteúdos, que não serão somente as limitações e
imposições procedentes dos pais, mas se estenderão também às aprendidas na
escola e nas relações com os amigos.
Estágio genital (adolescência): com as mudanças biológicas da puberdade,
os impulsos reaparecem, e a libido é reativada. A sexualidade adquire agora
a genitalização própria da idade adulta e, superadas as fases exclusivamente
auto-eróticas, volta-se para a relação heterossexual, que, de acordo com Freud,
é característica dos adultos.

Fonte: Palacios (2004, p. 27)

Mediante essa caracterização acerca do desenvolvimento humano,


Freud evidencia as dimensões psíquica e sexual como sendo eixos que
possibilitam um desenvolvimento saudável à medida que o indivíduo
vivencia de forma tranquila todo o desenvolvimento característico de cada
fase.
Em outros termos, ao atingir a maturidade sexual e psíquica,
as dimensões fisiológicas e mentais possibilitam, respectivamente, a
reprodução e a vivência sem culpa do prazer, desde que o indivíduo tenha
se desenvolvido de forma tranquila em cada fase pelas quais passou
(LUSTOSA, 2010).
Essas vivências, na perspectiva freudiana, em meio à estruturação
do aparelho psíquico e ao desenvolvimento a cada fase da maturação
psicossexual, vêm constituir o humano e a forma através da qual o
indivíduo se relaciona com o mundo que o cerca. Nesta perspectiva,
dentre tantos contextos que compõem o universo humano, articularemos

96 UNIDADE IV
a seguir as relações entre esta teoria freudiana e o contexto educacional,
espaço extremamente significativo e importante na constituição do sujeito
na nossa sociedade.

Psicanálise e educação: algumas reflexões

Diante das reflexões desenvolvidas até


aqui acerca da teoria psicanalítica de Sigmund SAIBA MAIS
Freud, por meio dos conceitos centrais que Acorreram – 3ª pessoa do
fundamentam as suas ideias, iremos neste plural do Pretérito Perfeito do
Indicativo do verbo acorrer, que
momento ampliar nossa reflexão numa tentativa significa vir apressadamente;
de articulação destas ideias freudianas com a acudir; sair ao encontro.
educação. Uma proposta complexa uma vez Fonte: www.dicionáriodoaurélio.
que direciona para uma aproximação de dois com
eixos de discussão e compreensão igualmente
complexos: a psicanálise e a educação.

Foram pelo menos três as direções tomadas pelos


teóricos interessados no casamento da Psicanálise com
a Educação. A primeira foi a tentativa de criar uma nova
disciplina, a Pedagogia Psicanalítica, empreendida
principalmente por Oskar Pfister e Hans Zulliger, na
Suíça, no início do século XX. A segunda consistiu
no esforço a que se dedicaram alguns analistas para
transmitir a pais e professores a teoria psicanalítica,
imaginando que estes, de posse desse conhecimento,
pudessem evitar que as neuroses se instalassem em
seus filhos e alunos. Anna Freud, a filha de Freud, foi a
principal representante desse grupo, não tendo medido
esforços no sentido de levar aos professores o modo
psicanalítico de ver a criança. Na Inglaterra, Melanie
Klein e seus discípulos dedicaram-se também a obras
de divulgação da Psicanálise para pais. A terceira
direção, mais recente, não diz respeito exatamente ao
casamento da Psicanálise com a Educação. Trata-se,
sobretudo, de uma tentativa mais difusa de transmitir
a Psicanálise a todos os representantes da cultura
interessados em ampliar sua visão de mundo. Nesse
movimento, que se iniciou principalmente na França
dos anos 60 e se estendeu de modo menos vigoroso
ao Brasil, intelectuais de diversas procedências, entre
eles alguns educadores, acorreram aos seminários e
cursos de divulgação da Psicanálise, consumiram livros,
ouviram programas de rádio e televisão, buscando com
isso um instrumento a mais com que elaborar, cada

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 97


um em sua área, o trabalho que tinham a desenvolver.
(KUPFER, 1989, p. 63)

Dez anos depois, sem descartar os novos modos de conceber e


desenvolver, no campo educacional, práticas orientadas psicanaliticamente,
inclusive atenta às críticas sobre a impossibilidade dessa relação, Kupfer
revisita essa discussão e aponta para reflexões que deixam claro os limites,
mas também as possibilidades, da relação entre psicanálise e educação:

[...] dez anos da publicação de Freud e a educação


em nosso meio, em que medida as idéias [...] mantêm-
se firmes hoje como balizas para psicanalistas e
educadores? Nesse intervalo de tempo, surgiram
na França, Argentina e Brasil, entre outros países,
experiências que, à primeira vista, parecem contradizer
aquelas afirmações, pois visam a algo mais do que
uma iluminação intelectual da Psicanálise sobre a
Educação. Essas experiências permitem demonstrar
que há formas de pensar a Educação de modo
psicanaliticamente orientado. Porque visam ao sujeito
na criança que aprende, essas formulações acabam por
provocar inflexões no campo das práticas educacionais
conhecidas, fazendo pensar inclusive que se pode
conceber o ato educativo de outro modo. [...] Do
ponto de vista teórico-epistemológico, sabemos que a
Pedagogia e a Psicanálise são duas disciplinas que se
opõem em estrutura. São e foram vãs as tentativas de
criar pedagogias psicanalíticas. (KUPFER, 1999, p. 15)

Percebemos, pois, mediante as reflexões da autora, após


significativo tempo de estudo sobre esse campo do saber, que não devemos
esperar uma pedagogia psicanalítica nem uma psicanálise pedagógica,
mas sim, se utilizar de tais conhecimentos para promover uma articulação
entre as duas áreas de forma a rever as possibilidades de como construir
o ato educativo bem como promover a criança à condição de sujeito.
Ainda de acordo com Kupfer (1989, p. 97), ao refletir sobre essa
aproximação entre esses dois campos, esta nos alerta para os limites
desta relação:

A Psicanálise pode transmitir ao educador (e não à


Pedagogia) uma ética, um modo de ver e de entender
sua prática educativa. É um saber que pode gerar,
dependendo, naturalmente, das possibilidades
subjetivas de cada educador, uma posição, uma filosofia

98 UNIDADE IV
de trabalho. Pode contribuir, em igualdade de condições
com diversas outras disciplinas, como a Antropologia, ou
a Filosofia, para formar seu pensamento. Cessa aí, no
entanto, a atuação da Psicanálise. Nada mais se pode
esperar dela, caso se queira ser coerente com aquilo de
que se constitui essencialmente a aventura freudiana.

Na perspectiva de Cunha (2008, p. 4) ao também buscar refletir


sobre essa aproximação, o mesmo enfatiza que:

Os ensinamentos psicanalíticos dirigem nossa atenção


para o vasto e complexo mundo subjetivo oculto no
interior de professor e aluno, cada qual sofrendo
constantemente a pressão de seus respectivos desejos,
muitos dos quais atingidos pela repressão. O professor
psicanaliticamente orientado deve observar as atitudes
conscientes de seus alunos, como também as suas,
procurando desvelar os desejos escondidos por trás
delas. O professor que aceita o paradigma psicanalítico
está sempre interessado em ir além de ministrar uma boa
aula – no sentido técnico da expressão. Seu olhar volta-
se constantemente para os motivos desconhecidos que
o levam a estar ali, as possíveis razões que o motivam
a relacionar-se com seus alunos desta ou daquela
maneira. Ele é um profissional que tende a valorizar
menos a manutenção do bom comportamento de seus
educandos e mais a livre expressão das crianças e dos
jovens que estão sob os seus cuidados. O professor
que conhece a Psicanálise sabe que o conhecimento
está sempre permeado pelo desejo. Se os fenômenos
que dizem respeito ao ensino e à aprendizagem
possuem, por um lado, componentes inscritos no
campo intelectual, possuem também toda uma carga
emocional, em grande parte inconsciente. E isso tem a
ver tanto com o universo psíquico do professor, detentor
e transmissor dos saberes formalizados, quanto com o
do aluno, para quem estes saberes são destinados.

Percebemos que o que vem a ser o centro desta inter-relação entre


psicanálise e educação é a subjetividade dos agentes envolvidos nesse
processo educativo, especialmente o aluno e professor. A constituição
e desenvolvimento da subjetividade destes, portanto, reflete o universo
psíquico e suas relações com o contexto do indivíduo. Articular tais
aspectos com os fundamentos da psicanálise pode vir a ser um importante
instrumento de compreensão do mundo e do outro e, consequentemente,
de intervenções sobre o fazer e sobre o ser no universo escolar.

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 99


Trata-se especialmente de uma prática educativa cuja orientação
se dê de acordo com a perspectiva teórica da psicanálise, ou seja, auxiliar
em aspectos como: a contribuição na aquisição de controle dos instintos
pela criança; as relações de transferência entre aluno e professor e vice-
versa, e ainda a relação entre o mundo objetivo e o mundo subjetivo tanto
dos educadores como dos alunos (LUSTOSA e SILVA, 2009).
Esperar, portanto, da psicanálise mais do que um tipo de técnica
de aplicabilidade prática no contexto educacional torna-se uma espécie de
objetivo aos adeptos ao uso dos fundamentos da psicanálise na educação.
Segundo Kupfer (1999, p. 19)

Quando um educador opera a serviço de um sujeito,


abandona técnicas de adestramento e adaptação,
renuncia à preocupação excessiva com métodos de
ensino e com os conteúdos estritos, absolutos, fechados
e inquestionáveis, como já se afirmava na conclusão de
Freud e a educação. Ao contrário disso, apenas coloca
os objetos do mundo a serviço de um aluno-sujeito
que, ansioso por fazer-se dizer, ansioso por se fazer
representar nas palavras e objetos da cultura, escolherá
nessa oferta aqueles que lhe dizem respeito. [...] uma
Educação psicanaliticamente orientada pode ir além
das leituras do ato educativo (bem) iluminadas pela
Psicanálise. (KUPFER, 1999, p. 19)

Assim, nesta perspectiva de um aluno sujeito e de uma prática


educativa que se amplia para além dos métodos didáticos evidenciamos
talvez, a partir dos estudiosos desta temática, a grande contribuição
que a teoria psicanalítica tem dado e pode vir a dar para a realidade
educacional e suas práticas. Compreender esse desdobramento subjetivo
do desenvolvimento do indivíduo à luz da psicanálise pode ampliar as
formas de se pensar o homem e as suas ações, no caso, no contexto
educacional.

100 UNIDADE IV
LINKS SUGERIDOS

• Link 1: <http://www.psicoloucos.com/Psicanalise/>

Neste site encontram-se disponíveis inúmeras discussões sobre


temas relacionados à Psicologia e, dentre outras correntes teóricas, também
nos traz várias reflexões sobre conceitos e temas muito importantes para
a Psicanálise. Assim, podemos encontrar sínteses, sugestões de filmes,
curiosidades sobre temas da Psicanálise bem como sobre seu criador,
Sigmund Freud e outros estudiosos desta corrente. Abaixo segue uma
lista de alguns destes artigos disponíveis para acesso:

Artigos Relacionados com a Psicanálise


• Método de tratamento - Psicanálise de Freud
• Histeria - Psicanálise de Freud
• A Evolução da Psicanálise
• As Teorias da Mente Inconsciente
• A hipnose - Psicanálise de Freud
• Biografia de Sigmund Freud parte I
• Neurose - Psicanálise de Freud
• O Caso de Anna O. - Psicanálise de Freud
• Os Fatores Sexuais da Neurose - Psicanálise de Freud
• Os Estudos sobre a Histeria - Psicanálise de Freud
• A Controvérsia sobre a Sedução Infantil - Psicanálise de Freud
• A Análise dos Sonhos - Psicanálise de Freud
• A Psicanálise como um Método de Tratamento - Psicanálise de Freud
• Os Instintos - Psicanálise de Freud
• A Ansiedade - Psicanálise de Freud
• As contribuições da psicanálise - Psicanálise de Freud
• As Críticas à Psicanálise - Psicanálise de Freud
• A teoria das relações entre objetos - Psicanálise de Freud
• Recalque - Afinal o que é Recalque
• Os lugares psíquicos: Sistema Ics - Psicanálise de Freud
• Os lugares psíquicos: Id, Ego e Superego - Psicanálise de Freud
• Outras Teorias de Freud
• Mecanismos de Defesa
• Sublimação - Psicanálise de Freud
• Psicologia analítica: Uma perspectiva histórica

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 101


• Freud e Jung
• Livros de Freud
• O Inconsciente

• Link 2: <http://psicanalisefs.blogspot.com.br/>

O blog traz também reflexões acerca da psicanálise e seus


principais expoentes, utilizando-se de links de vídeos, artigos, fotografias
que possibilitam acessar conhecimentos variados no universo psicanalítico.

• Link 3: <http://www.freud.org.uk/>

Este link corresponde ao site do Museu Freud em Londres, o qual


funciona na casa em que Freud morou nos últimos anos de sua vida.
Navegando você poderá encontrar curiosidades sobre a vida e obra
de Sigmund Freud, fotografias suas e de sua família, biblioteca virtual,
arquivo catálogo, dentre outros.

• Link 4: <http://www.ufrgs.br/psicoeduc/blog/categoria/psicanalise/
freud/>

Este link corresponde ao Blog da Psicologia da Educação da


Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o mesmo possui reportagens,
links de artigos da mídia, vídeos, arquivos de obras ou textos em formato
pdf disponíveis para downloads, eventos, dentre outros, todos com
temática referente à psicanálise e/ou Freud.

• Link 5: <http://febrapsi.org.br/>

Este link corresponde ao site da Federação Brasileira de


Psicanálise no qual várias informações sobre formação na área, eventos,
biografias, publicações e outros links acerca da psicanálise no Brasil
podem ser encontrados.

• Link 6: <http://rbp.org.br/>

Este link corresponde ao site da Revista Brasileira de Psicanálise,


o qual está vinculado ao link da Federação Brasileira de Psicanálise como

102 UNIDADE IV
órgão oficial desta e apresenta links sobre os volumes já publicados na
Revista, normas para publicação, como fazer a assinatura da mesma, e
assim, aproximar o internauta do universo das produções acadêmicas
sobre a Psicanálise.

• Link 7: http://www.appoa.com.br/

Este link corresponde ao site da Associação Psicanalítica de


Porto Alegre - APPOA e apresenta acesso a grupos temáticos, oficinas,
filmografia, livros, atendimento clínico, núcleos de estudo, revista, bem
como atividades em geral desenvolvidas pelo Instituto APPOA.

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 103


FILMES SUGERIDOS

“Duas vidas” (The Kid) - A imagem abaixo, a


sinopse em inglês e mais informações a respeito
do filme podem ser encontradas através do link:

<http://www.imdb.com/title/tt0219854/?ref_=nv_
sr_3>

Russ Duritz (Bruce Willis) é um executivo de 40 anos,


bem-sucedido financeiramente, porém com uma vida
emocional e familiar comprometida. Vive resistente à
possibilidade de se relacionar afetivamente, mantém
uma postura arrogante e hostil em relação aos outros,
não se dá bem com o pai e vive afastado da família,
Porém um dia, Russ é surpreendido pela presença de
um menino desconhecido em sua casa, o que depois
constata que vem a ser ele próprio aos oito anos de
idade. Neste “reencontro” ele acaba fazendo uma
verdadeira viagem no tempo e dentro de si próprio
FICHA TÉCNICA:
para “rever” e reavaliar experiências importantes
que aconteceram na sua vida e que acabaram por
Direção: Jon Turteltaub
direcionar um olhar distorcido sobre ele mesmo e
Elenco: Bruce Willis,
sobre a sua história, assim, teve a possibilidade de
Chi McBride, Emily Mortimer,
redescobrir os valores e os sentidos que estavam
Jean Smart, Lily Tomlin,
ocultos e que foram decisivos na reconstrução de si
Spencer Breslin.
mesmo. O filme pode proporcionar uma possibilidade
Ano de Produção: 2000
de reflexão sobre o desenvolvimento psíquico do
indivíduo em meio a alguns conceitos importantes
contidos na teoria psicanalítica.

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104 UNIDADE IV
“Máfia no Divã (Analyse this)” - A imagem abaixo,
a sinopse em inglês e mais informações a respeito
do filme podem ser encontradas através do link:

<http://www.imdb.com/title/tt0122933/?ref_=fn_al_
tt_1>

Paul Vitti (Robert De Niro) é um poderoso gângster de


Nova York que vem desenvolvendo crises de pânico,
ansiedade e insônia e teme que isso comprometa
o andamento de suas atividades. Ben Sobol (Billy
Crystal) é um psiquiatra que conhece Paul por
acaso e o mafioso acaba contratando os serviços
do terapeuta. Porém o terapeuta não terá facilidade
para cuidar de Paul uma vez que este sempre tenta
resolver tudo ao estilo das atividades da máfia além FICHA TÉCNICA:
de querer que o terapeuta trabalhe para ele por tempo
integral. O filme traz a possibilidade de percebermos, Direção: Harold Ramis
através do processo terapêutico retratado, elementos Elenco: Robert De Niro,
que evidenciam conceitos advindos da psicanálise Bill Macy, Billy Crystal,
freudiana, e seus desdobramentos no psiquismo do Leo Rossi, Lisa Kudrow,
indivíduo. Rebecca Schull.
Ano de Produção: 1999

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SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 105


“Divã” - A imagem abaixo, a sinopse e mais
informações a respeito do filme podem ser
encontradas através do link:

<http://www.academiabrasileiradecinema.com.br/
site/index.php?option=com_content&task=view&id
=1079&Itemid=531>

Conta a história de Mercedes, uma mulher de 40


anos que vive às voltas com as alegrias e desafios
da sociedade contemporânea. Casada e mãe de
dois filhos, Mercedes decide, mesmo sem saber o
porquê, procurar um psicanalista. E, assim, o que
antes era apenas uma curiosidade, se transforma
em uma experiência devastadora, que provoca uma
série de mudanças em sua vida cotidiana. No divã,
Mercedes questiona o seu casamento, a realização
profissional e seu poder de sedução. A melhor amiga
Mônica, a companheira de todos os momentos, vê
de perto a transformação de Mercedes e participa
FICHA TÉCNICA: de suas novas experiências e descobertas, apesar
de nem sempre concordar com suas escolhas. As
Direção:José Alvarenga Jr. revelações de Mercedes para o analista, assim como
Elenco: Lilia Cabral, José as conversas com a melhor amiga, dão novo rumo à
Mayer, Alexandra Richter, vida de Mercedes que a princípio parecia boa, estável,
Reynaldo Gianecchini. mas sem grandes emoções. É só o princípio de uma
Ano de produção: 2009 grande transformação. No filme podemos perceber
aspectos da perspectiva clínica da teoria psicanalítica
de Sigmund Freud bem como conceitos inerentes a
esta teoria abordados no presente estudo.

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106 UNIDADE IV
“Freud além da alma” - A imagem abaixo, a
sinopse em inglês e mais informações a respeito do
filme podem ser encontradas através do link:

<http://www.imdb.com/title/tt0055998/?ref_=fn_al_
tt_1>

O filme retrata uma espécie de autobiografia do


psicanalista Freud numa periodização de 5 anos onde
o estudioso desenvolve atendimento a pacientes
histéricas através da técnica da hipnose. A partir
do filme podemos perceber alguns conceitos e
terminologias características da psicanálise que FICHA TÉCNICA:
foram amplamente estudas e desenvolvidas por seu
autor no contexto clínico e da pesquisa. Direção: John Huston
Elenco: Montgomery Clift,
Susannah York, Larry Parks,
Susan Kohner.
Ano de produção: 1962

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SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 107


EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. De acordo com o texto, de que forma Freud passa a direcionar seus


estudos do campo da medicina para a psicologia?
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2. De que forma Freud caracteriza a primeira e a segunda teorias do


aparelho psíquico?
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3. Por que podemos dizer que o eixo central de investigação que norteia
a teoria freudiana é a instância do inconsciente?
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4. Baseado na leitura do texto caracterize o conceito de libido e de pulsão


desenvolvido por Sigmund Freud.
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108 UNIDADE IV
5. Estabeleça a diferença entre os dois tipos de pulsão caracterizadas
por Freud em sua teoria: pulsão de vida e pulsão de morte.
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6. Por que podemos dizer que algumas ideias de Sigmund Freud foram
alvo de polêmica e de resistências ao serem propagadas?
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7. Como podemos definir os mecanismos de defesa? Cite quatro tipos de


mecanismos apontados no texto e caracterize-os.
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8. Como se caracteriza a base lógica da teoria do desenvolvimento


psicossexual de Freud?
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9. Aponte os estágios que compõem a teoria do desenvolvimento


psicossexual caracterizando de forma sintetizada cada um deles.

SIGMUND FREUD E A TEORIA PSICANALÍTICA 109


10. De acordo com a leitura do texto, como você percebe a relação entre
a teoria psicanalítica de Freud e a educação?
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110 UNIDADE IV

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