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Alquimia Tântrica para Casais que se Amam

Trecho de “Terapia do Amor”, do Dr. Rahasya Fritjof Kraft

O que segue é um ensinamento de algumas possibilidades que Nura e eu


costumamos mostrar no curso que oferecemos aos casais, “Alquimia tântrica
para casais que se amam”. Sendo o casal o núcleo das relações inter-
humanas, o modo como os dois se comportam quando estão juntos determina
todos os outros relacionamentos. O amor, a intimidade, a confiança e a
satisfação que há entre duas pessoas influenciarão todas as outras formas de
relacionamento.
Num relacionamento, nunca vemos o nosso parceiro com clareza. Só podemos
vê-lo através da mente, através do filtro de todos os nossos desejos e
necessidades insatisfeitos – através da nossa não-totalidade. Esperamos que o
outro complete em nós o que não está completo interiormente. E o outro, tão
incompleto quanto nós, espera que o completemos. Isso não vai acontecer
nunca – é uma situação sem saída. E, porque somos inconscientes,
responsabilizamos o outro por todas essa confusão.
Quando a lua-de-mel termina e estamos convencidos de que o outro não
preencherá a nossa profunda carência, vamos em busca de um novo parceiro
e novamente chegamos ao mesmo lugar. Ou então nos conformamos e
estabelecemos um contrato: “Você me protege e eu protejo você. Nós não
tocaremos nos nossos pontos doloridos, ficaremos estagnados e manteremos
o nosso compromisso”. Existem muitos relacionamentos estagnados neste
mundo, robôs vivendo sob o mesmo teto, medrosos demais para ficarem
sozinhos.
Por outro lado, se a lua-de-mel termina e entendemos que o outro é um mero
espelho que pode nos refletir com mais clareza, surge uma possibilidade
maravilhosa para o amor verdadeiro.
O que mostrarei aqui requer disponibilidade para desaprender por completo a
maior parte do que sabemos sobre o relacionamento entre homem e mulher e
sexualidade. Compartilharei a minha própria exploração com minha amada
Nura. Trata-se de uma possibilidade real, e não um conto de fadas.
Imagine a seguinte situação: vocês desligaram todos os telefones. Você e seu
amor decidiram compartilhar uma meditação de amor. Sentam-se sobre a
cama, nus, um diante do outro e começam a meditar, entrando profundamente
no coração. Talvez a Meditação do Coração dirigida que eu criei. Ficam em
silêncio por cerca de meia hora até a mente se tranqüilizar. Os dois estão
relaxando dentro do ser, permitindo que as coisas sejam como são. Então
vocês ressurgem desse silêncio completamente inocentes, puros, abertos,
disponíveis, presente, vendo com olhos límpidos esse momento novo e
precioso. Você olha para a pessoa amada como se a visse pela primeira vez,
fresca, nova...
Você começa a tocar nos mistérios do corpo do seu amor como se tocasse
numa flor delicada, num pássaro selvagem, num animal assustado. Recebe a

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sutil fragrância desse organismo vivo. Toca no vibrante campo energético da
vida que emana dessa forma misteriosa. Agora pare e espere; sinta a vida e a
sensibilidade reverberando interiormente, beba-as a cada respiração. Não
espere nada, esteja completamente aqui e agora, presente neste momento de
união. Sob o toque delicado, cada célula de seu corpo começa a se abrir e a
responder vividamente. Quando você é preenchido por essa receptividade,
torna-se consciente de todos os sons sutis, dentro e fora do quarto, que vão
abrir ainda mais as suas células para receber a sua amada. Pare e observe
maravilhado como o seu corpo responde e se dilui nessa abertura.
Agora vocês podem entrar um dentro do outro, com suavidade ou não,
simplesmente permitindo a conexão com o chakra da raiz. Sentados ou
deitados, um dentro do outro, esperem. O homem não deve ceder à
necessidade de se mexer, de se estimular, mas observar interiormente como a
conexão energética entre as polaridades dos dois primeiros chakras vai
despertar um fluxo de energia que naturalmente permitirá ao pênis atingir a
completa ereção. Ou então os dois observam o pênis em repouso aninhado no
interior da vagina, sem esperar uma ereção, e apreciam a profunda intimidade
dos corações e dos corpos diluindo-se nesse momento. Só existe este
momento, esta presença e a intimidade amorosa evoluindo para uma
surpreendente atemporalidade.
Como não há nenhuma expectativa, nenhuma meta, nenhum ideal de como as
coisas devam ser, as energias dos corpos e as diferentes polaridades
começam a brincar e abrir-se cada vez mais em seu fluxo natural. Então, os
dois corpos começam a se mover suavemente e a se abrir para mais energia.
Quando mais vida e excitamento começarem e ambos estiverem inundados de
vida e energia, parem e observem como essa nova vida se abre e penetra nas
camadas desconhecidas do ser. A receptividade aumentada faz o amor fluir e
penetrar em regiões que nunca tinham sido tocadas. Vulneráveis, vocês
começam a tremer, a chacoalhar, sem saber. E se entregam ao amor que os
move. Quando a energia cresce e você sente que a excitação vai provocar uma
ejaculação, pare, aceite, relaxe e permita essa energia ser absorvida
interiormente. Não procure um orgasmo nem um relaxamento. Você poderá
desaparecer e “cair no espaço”, sem saber quem é ou onde está. Mesmo
assim confia, aceita...
O Tantra começa aqui e pode leva-lo a dimensões que você jamais imaginou
ser possíveis.

Se você é um meditador, já deve saber que o seu centro é vazio. Isso é algo
que a mente tem dificuldade de entender porque ela só se liga ao que é
tangível, substancial. Se você investigar, verá que você é um espaço puro e
infinito, com um corpo-mente dentro dele.
Quando duas pessoas com dois corpos e duas mentes diferentes meditam
juntas, ambas se conectam com esse vazio no centro. Tal como na
matemática, se somamos zero com zero o resultado será zero. A nossa maior
aspiração é nos tornarmos um. Essa é a profunda atração que sentimos pelo
outro. Queremos nos diluir, queremos nos tornar um. Queremos voltar pra

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casa. No nível físico, na união sexual, isso só é possível momentaneamente.
Através do Tantra a união sexual pode ser a base para o despertar, a
atmosfera para recuar à fonte e tornar-se um com todos e com tudo, uma união
mística.
Voltemos à anatomia sutil, agora sob a perspectiva das polaridades masculina
e feminina.

O primeiro chakra masculino


A unicidade não pode se apaixonar por si mesma. Quando você reconhece o
seu verdadeiro ser como sendo um, reconhece-o como sendo sem-forma. Para
que a unicidade seja capaz de amar a sim mesma, tem que haver a aparência
de dois, de homem e mulher. Os sistemas de energia física masculino e
feminino se complementam perfeitamente: um só coração, dois corpos-mentes.
Energeticamente, esses dois corpos-mentes têm polaridades opostas. Uma
incrível obra da existência! Se olharmos praticamente, os genitais do sistema
corpo-mente masculino no primeiro chakra apontam para fora do corpo. Os
testículos estão pendurados do lado de fora e o pênis tem capacidade de
esticar e manter-se ereto. O homem tem uma carga positiva no primeiro chakra
e a carga positiva é onde está a vida. O pênis é um aventureiro em busca de
vida! Como o primeiro chakra está diretamente conectado ao corpo físico, o
homem sente-se em casa em seu corpo. O corpo masculino é geralmente mais
forte que o feminino; é constituído para a atividade física. A energia é prática e
é física.

O primeiro chakra feminino


O primeiro chakra da mulher é feito, energética e fisicamente, para receber
energia. Os órgãos genitais femininos estão dentro do corpo. Energeticamente,
a vagina é receptiva, tem carga negativa. A vida não se expressa
principalmente na carga negativa e isso significa que na polaridade feminina a
mulher não é naturalmente ativa em seu primeiro chakra. O corpo da mulher é
naturalmente mais delicado e precisa de proteção. O primeiro chakra é mais
passivo, é como a terra que recebe a semente e proporciona um ambiente
seguro para ela germinar e crescer.

O segundo chakra feminino


Se dermos um passo em direção ao segundo chakra, para a região da barriga,
a polaridade se inverte. O segundo chakra feminino tem carga positiva. A
mulher sente-se em casa em seus sentimentos, em sua sensibilidade, em sua
barriga. Ela é uma pessoa sensível. Ela repousa em seu útero, seu filho cresce
dentro do útero. A vida se expressa naturalmente através de seu segunda
chakra. E a mulher se expressa através da beleza e da sensibilidade. É ela que
geralmente traz a beleza para a sua casa. Seu segundo corpo responde
diretamente às influências sensoriais, como as estimulações visuais,
sinestésicas, auditivas, olfativas e gustativas. Ela ama as cores, o toque, a
música, as fragrâncias e a boa comida. A abertura dos sentidos passa pela
delicadeza de um candelabro iluminando um jantar delicioso, uma música
suave, incenso, palavras amorosas e carícias delicadas: é um convite à sua

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sensualidade e ao seu segundo corpo. O seu segundo chakra responde
imediatamente.

O segundo chakra masculino


O segundo chakra masculino é receptivo, passivo e tem carga negativa. O
homem é vulnerável em seus sentimentos, em sua barriga. Sentir não é sua
linguagem natural. Ele é inseguro e indefeso quando se trata de sentir. Não é
onde ele se sente naturalmente à vontade, e assim como a mulher precisa de
tempo para se abrir em seu primeiro chakra, ele também precisa para
despertar a sensibilidade em seu segundo chakra. Com tempo, compreensão,
relaxamento, presença e amor, o homem será receptivo em seu segundo
chakra.

Dilema
Essa pequena diferença nas polaridades dos dois primeiros chakras masculino
e feminino criou uma situação incrivelmente complicada no que diz respeito à
união sexual.
O homem, que se sente em casa no seu primeiro chakra, quer penetrar a
mulher imediatamente. Ele já está pronto quando tem a ereção. Entretanto, ela
não está pronta, porque a energia em seu primeiro chakra ainda não se abriu
naturalmente. Como ele quer penetrá-la imediatamente, ela o achará insensível
e egoísta.
No nível do segundo chakra, o homem se assusta quando a mulher torna-se
emocional Ele não se sente em casa na sua barriga. Está vulnerável, tem medo
de sentir, tem medo de ser dominado emocionalmente. Ele tenta controlar a
mulher na sua expressão dos sentimentos para não se sentir inseguro.
Isso pode acontecer nas seguintes situações: o homem quer penetrar a mulher
e ela dia “não, ainda não”. Ele se sente rejeitado e castrado. Sente culpa pela
sua pressa natural. A mulher tem medo de não estar pronta se ele a penetrar
muito rápido. Para não se sentir violentada, decide que não quer mais e o
rejeita. Ou então, ela se “faz de morta” e deixa que ele se comporte como “um
animal”. Ele se sente culpado por querer sexo. Uma terceira possibilidade é ela
ficar emocionada, começar a culpa-lo de ser insensível e ele perder a ereção.
Ele tem pavor de uma agressão emocional e se sente emocionalmente
violentado. Então ele foge e vai jogar futebol, assistir a televisão. A mulher
começa a chorar. Outra possibilidade também é, se as duas pessoas morrem
de medo de serem violentadas, dominadas e incompreendidas, buscarem uma
fantasia, um sonho em que possam se refugiar. O homem fantasia sobre o
sexo e a relação, e a mulher sonha com romance e intimidade. E a realidade
não atende a nenhuma dessas fantasias, a nenhum desses sonhos – que
dilema!
Nós criamos todas essas distorções no nosso fluxo de energia porque não
entendemos a polaridade negativa e masculina e feminina.

Cura
A boa notícia é que o que parece ser irremediável pode ser, na realidade, a
base de uma cura profunda. A natureza criou essa atração natural entre
homem e mulher não só para gerar os filhos, mas também para se alcançar a

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consciência através da transformação dos parceiros em budas. A energia
sexual básica são os alicerces do despertar para a unicidade. Quando há uma
base de confiança, quando há um encontro no coração e disponibilidade para
estar com o que é, o fluxo de energia sexual pode ser um meio para o
despertar.

O fluxo natural da energia sexual


Quando homem e mulher meditam juntos e não fazem nada, eles podem
relaxar. Naturalmente, as suas energias começam a entrar em sintonia.
Ninguém é compelido a agir de acordo com padrões conhecidos. Os dois estão
simplesmente presentes! É aqui que todas as nossas fantasias e idéias podem
se dissolver. A energia começa a mover-se naturalmente. Quando a mulher
tem tempo de repousar e relaxar, o que é tão importante para ela, o homem
pode esperar para se abrir à sua própria receptividade e aos seus próprios
sentimentos. De repente a energia cresce e se abre por si mesma,
simplesmente porque a eletricidade começa a fluir entre as polaridades positiva
e negativa. O sexo desce da mente e percorre os corpos quando a energia
maravilhosa flui entre os primeiros chakras das duas pessoas. É fantástico
observar isso interiormente.
Para a mulher estar aberta e receptiva em seu primeiro chakra, ela precisa ser
aceita e recebida em sua polaridade positiva, em sua sensibilidade, no seu
segundo chakra. Nessa abertura, o seu primeiro chakra torna-se receptivo e
está pronto para aceitar o homem. Se ele entender isso, aprenderá a ser mais
receptivo ao segundo corpo de seu amor e suas nuanças.
Voltemos ao ensinamento dos chakras e lembremos que cada chakra tem
frente, costas e um centro vazio. A frente representa a qualidade de energia
movendo-se para fora. Representa como a energia se expressa no mundo. As
costas representam a parte receptiva, como a energia é recebida e
reconhecida interiormente. O centro é vazio como um canal aberto.
Quando homem e mulher se abrem e são receptivos ao que está acontecendo
interiormente (em vez de se preocuparem em agir certo para o outro), há a
possibilidade de um encontro incrível. O homem pode penetrar a mulher,
esperar e relaxar. Isso permite que ela sinta a presença saneadora do primeiro
chakra masculino sem ser imediatamente dominada. Então aquela energia
vermelha natural do primeiro chakra masculino age como um bastão de cura.
Pode proporcionar a presença, a firmeza e a segurança que a mulher precisa
para abrir o seu corpo sensível e ser ainda mais receptiva em seu primeiro
chakra. A parte de trás desse primeiro chakra se abre e a energia masculina
preenche essa abertura. O homem, ao ser recebido, expande-se naturalmente.
Para ele, é como se o pênis se transformasse num bastão de energia que se
expande cada vez mais e preenche toda aquela receptividade. A energia aos
poucos inundará todo o primeiro chakra feminino e escorrerá naturalmente pra
o segundo chakra.
Quando o homem é todo recebido em seu primeiro chakra, naturalmente torna-
se receptivo na barriga. Ele fica vulnerável e se abre. Agora, pode permitir que
a mulher entre e sinta que a torrente de energia que emana da barriga dela e
de seu segundo corpo o abra ainda mais. A alergia é como a água, que arrasta
para longe os velhos nós energéticos e dos medos. Por fim, ele sentirá uma

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abertura atrás do seu segunda chakra através da qual a energia escorrerá para
o canal central e novamente inundará o seu primeiro chakra. Forma-se então u
círculo energético, o primeiro círculo tântrico entre a raiz e o segundo chakra
dos dois amantes.
Como esse círculo energético continua se abrindo e aumentando, seu nível
subirá até transbordar para o terceiro chakra ou diretamente para o coração.

O terceiro chakra masculino


Se a energia sobe para o terceiro chakra e o casal está aberto, presente e
consciente, a energia no homem pode se transformar numa chama tão ardente
quanto o próprio sol. A polaridade masculina no terceiro chakra é positiva e a
energia é expansiva e impetuosa. O homem sente-se naturalmente à vontade
para agir.

O terceiro chakra feminino


O terceiro chakra feminino é novamente receptivo. Quando a mulher está
ciente e deixa o homem entrar, permitirá que o fogo dele a abra ainda mais.
Quando ela recebe plenamente o outro poder, eles podem se transformar em
dois animais selvagens. Aqui os parceiros tocam nas delícias e nos temores de
perder o controle, de ser selvagens e indomáveis. A energia é alegre, é
brincalhona, é cheia de vida.

O quarto chakra feminino


Agora a energia sobe para o coração e abre-se num incrível jorro de amor. No
chakra do coração, a mulher é positiva e a energia é naturalmente dar. Até no
nível físico os seios estão voltados para fora. Do seu coração ela naturalmente
alimenta e espalha o amor.

O quarto chakra masculino


Quando a energia está no coração e o homem se abre para esse jorro de
amor, o seu coração responderá. Assim que o homem se rende à energia que
jorra dos seios dela, o seu coração se abre completamente. Nessa
receptividade, a energia forma um grande círculo entre o primeiro chakra e o
coração. É o segundo círculo tântrico de energia entre os dois amantes.
Com consciência e presença, o amor tântrico é uma viagem fantástica. O casal
imerge nesse grande círculo de energia, espera apaixonadamente e permite
que a energia encontre o seu caminho. Isso é algo muito misterioso. Se a
energia continuar a se abrir e a evoluir, poderá entrar no quinto chakra ou
então dissolver-se no centro vazio. Os dois parceiros cairão num profundo
nada que eles não conhecem. Podem achar que adormeceram por um
momento. Mas não é sono, e sim um profundo estado meditativo. Eles saíram
do conhecido, do visível, do tangível, e entraram no desconhecido. Se a
energia voltar a ascender a partir desse nada, ela vai se acumular na garganta
e se expressar como uma tremenda criatividade. O casal se torna incrivelmente
criativo e expressivo. Os dois começam a cantar, a murmurar, a emitir sons.
Como o despertar para o ser parece acontecer na garganta, eles se
reconhecem como um todo ilimitado, como se o céu inteiro fizesse amor
consigo mesmo.

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Daqui para a frente torna-se muito difícil traduzir em palavras o que acontece,
embora seja mais real do que qualquer outra maneira de se fazer amor.
Quando a energia preenche e abre o quinto chakra, ela acaba subindo para o
terceiro olho. Os parceiros tornam-se profundamente intuitivos e absolutamente
claros. É como se todo o universo se amasse através deles: a energia flui
através do chakra da coroa, vai até as raízes e volta. Os dois se dissolveram
no amor. É a mais mística das experiências.

Os resíduos do corpo de dor no sexo


A jornada mística começa com aquela coisa básica e “animalesca” chamada
sexo. A natureza nos deu os alicerces, o início da jornada. Naturalmente,
sentimos atração pelo outro e queremos nos completar com ele. Há muitos
jogos em torno do sexo, muita brincadeira de esconde-esconde. No que diz
respeito à natureza, ela nos induz a fazer amor para produzir filhos. A
consciência não é necessária nesse caso. Infelizmente, os padres da maioria
das religiões organizadas fazem questão de nos manter presos nesse estágio,
ensinando-nos que o sexo é pecado se não for para procriar. É mais uma
artimanha para controlar a nossa vitalidade básica, para controlar a nossa vida.
O nosso condicionamento sexual forma nós energéticos no nosso corpo de dor
que irão bloquear o fluxo natural das nossas energias até nos tornarmos
conscientes.
No caso de uma mulher que sofreu violência sexual e não acolheu nem curou
conscientemente o sentimento causado por essa violência, essa energia está
parada sem solução no corpo de dor, na parte da frente da vagina. E então,
quando o homem quer entrar na mulher, ele toca nessa energia, que tende a
empurra-lo para fora. Como isso corresponde ao encontro entre dois pólos
positivos, será como uma parede. É bem provável que ele ejacule muito
rapidamente. Se a mulher sente-se amada e tem espaço para perceber essa
energia que está presa na frente, deixando que ela se dissolva, pode de
repente voltar a sentir o medo e a dor que sentiu ao ser violentada ou ter medo
de se abrir. Quando ela se abre, a energia estagnada se dissolve, o bloqueio
se desfaz e a cura acontece. Sua receptividade se abre. Isso só pode
acontecer através da presença amorosíssima dos dois parceiros. O coração é
importantíssimo.
Um dos anseios mais profundos da mulher é receber a energia masculina
completa e plenamente. É também o anseio mais profundo do homem ser
recebido e abraçado completamente pela mulher. O homem, quando é
recebido, expande-se naturalmente em sua energia e perde a necessidade de
ejacular.
Quando a energia ascende ao segundo chakra, o resíduo dos traumas
emocionais do passado do homem pode ser liberado. Instintivamente, ele que
manter a mulher longe da barriga para não ter que enfrentar esse medo e se
lembrar das brigas que teve com sua mãe para afirmar a si mesmo. A maioria
das mães envia mensagens duplas aos filhos. Por um lado elas querem que o
filho seja homem, o seu herói; por outro lado, inconscientemente elas querem
que ele fique menino.
Numa relação tântrica, quando essa forte corrente da barriga da mulher entra
na barriga do homem, ele se sente menino outra vez. Isso pode trazer à tona o

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medo masculino de ser dominado pela mulher. Se ele não se fechar, não fugir,
não fizer o que sempre faz, algo milagroso poderá acontecer. Com amor no
coração, ele convida essa energia que flui naturalmente da barriga da mulher a
abrir a sua própria barriga. E pode aprender novamente a linguagem do sentir.
Quando a energia ascende ao terceiro chakra e há um identificação com o
corpo de dor, a dificuldade é maior. Os amantes podem estar vivendo uma
ótima relação sexual e de repente, de um momento para o outro, a energia
muda e se contrai. O que aconteceu? A energia do terceiro chakra atinge todos
os mecanismos de controle e o medo de ser dominado. O homem quer
dominar, a mulher torna-se vítima, ou vice-versa.
A tendência inconsciente no terceiro chakra é julgar, culpar, dominar, projetar e
defender. Isso machuca. Quando os dois amantes estão bem abertos através
de um belo fluxo de amor, a dor é ainda maior. Eles podem se culpar e se
ofender verbalmente e até fisicamente. Quando o corpo de dor toma conta,
prevalece a profunda inconsciência.
Aqui, a primeira coisa a se lembrar quando se está consciente é que o parceiro
só está refletindo o que você ainda não viu interiormente. Fique aberto nesse
momento, não interrompa o que você sentirá. Você irá ao encontro. Você vai
sentir amorosamente a infelicidade e a velha dor que foram acionadas pelo
outro e recebê-las dentro de si. Então essa mesma energia começa a fluir pelo
seu terceiro chakra e o abre. O corpo de dor pode ser transmutado. Se você
continua respirando, abrindo, sentindo e assumindo a plena responsabilidade
pelo que foi acionado em você, o seu parceiro estará livre para assumir a
responsabilidade de seu lado. Ele também pode se tornar mais consciente.
Ambos poderão transcender o dilema. O humor é uma boa maneira de se
desidentificar da representação habitual. E os dois rirão muito da sua condição
humana.
Então, quando o homem é recebido em seu poder, pode compartilhá-lo
livremente e assim dar poder à mulher. Há uma alegria súbita quando o terceiro
chakra se abre. A energia sobe para o coração.
Quando os dois estão dispostos a ir além da sua natureza animal e ficam
conscientes, um fluxo do amor tântrico se seguirá. Basta ter disponibilidade
para usar o que o outro tocar em você, para abri-lo e recebê-lo com presença
amorosa.
Nesse jeito de estar com o outro você perderá muitas coisas. Perderá o poder
de controlar. Perderá o poder de se queixar. Perderá o poder de julgar. Perderá
o poder de sentir-se superior ou inferior. Perderá o poder de resposabildizar o
outro pelo que você sente. A nossa projeção preferida num relacionamento não
é “você me faz sentir muito bem”? A maioria das canções românticas enfatiza
isso. E no fim tudo acaba em “Você me faz sentir muito mal”.
O que você ganhará é o insight de que não existe nenhum “outro”. O outro é
apenas um espelho para você se abrir para o amor, para acordar. O que você
ganha é uma imensa gratidão pela dádiva de compartilhar com a pessoa
amada.

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O caminho da Meditação e o caminho do Tantra
É possível acordar pela meditação ou pelo Tantra. O Tantra é infinitamente
rico. Na minha opinião, é o caminho real para o despertar. Para Nura e para
mim, as nossas explorações do Tantra têm sido incrivelmente proveitosas.
No caminho da meditação, você vê através da ilusão da forma. Vai pelo
caminho do “Nem, nem – nem isso, nem aquilo. Eu não sou o meu corpo, não
sou a minha mente, não sou os meus sentimentos, não sou a matéria, não sou
a forma...” E finalmente, “sou o observador, sou o sem-forma de onde surgem
todas as formas”. O homem sente necessidade de sentar-se no deserto ou no
alto do Himalaia para meditar, o mais distante possível da civilização,
especialmente das mulheres. Ele morre de medo das mulheres! Só se sente
em paz se está em um mosteiro no alto do Himalaia. De repente chega uma
mulher e ele se incomoda, sente-se atraído, sente medo. Ou quer conquistá-la
ou se sente um garotinho. A paz desaparece. Os religiosos que sucumbiram a
esse medo inventaram os mosteiros para separa os homens das mulheres. Ali
o ambiente é de paz, mas também há a possibilidade de o sexo ser pervertido.
Pedofilia, sodomia, perversão sexual de todo tipo surgiu nessa separação
forçada. É impossível reprimir a energia sexual. É a energia mais vital que há.
Se ela não se expressar naturalmente, encontrará um outro meio de fazê-lo.
A meditação faz com que essa energia ascenda interiormente e toque o
terceiro olho. Os esforços do observador, da testemunha, culminarão no
despertar da consciência e da presença sem nenhum esforço.
O caminho do Tantra é o caminho do amor. Com amor, o amante e o bem-
amado se diluem e só permanece o observador. Esse caminho abraça todas as
experiências oferecidas pela vida e as transforma.

Receptividade
– Até que ponto a receptividade é importante no Tantra?
A receptividade é a chave da transformação tântrica. A Meditação do Coração
é apenas um meio de nos tornarmos receptivos. É um meio de nos abrirmos
para o que é e aceitarmos amorosamente a vida em todas as suas dimensões.
Se não formos receptivos, não podemos nos abrir. E se não nos abrimos, não
podemos ver o que é. A menos que possamos ver o que é, continuaremos a
olha através das lentes tingidas pelo nosso passado. Existem na vida muitas
situações em que é possível exercer a receptividade até que ela se torne a
nossa natureza. Na verdade, podemos praticá-la a todo momento. É comum
não estarmos presentes, por exemplo, quando comemos. Na mente, estamos
em qualquer outro lugar. Mas quando comemos podemos ser receptivos à
comida que ingerimos. Quando respiramos, podemos ser receptivos ao ar que
entra no nosso corpo. Podemos voltar a atenção para dentro e sentir
diretamente a resposta do corpo ao ar e à vida fluindo dentro de nós.
Um lugar maravilhoso para ser receptivo é na cama com a pessoa que você
ama. A receptividade proporciona uma nova base para o amor e a relação
sexual. Aquele que faz desaparece. O fazer pára, mas a ação não pára. Com a
receptividade desaparecem as idéias de como as coisas deveriam ser.
O sexo é uma atividade carregada de idéias sobre como as coisas devem
acontecer. O sexo está presente em todas as mídias. Existem tantos ideais e

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tantos “deveria-ser” em relação ao sexo. Tudo isso dificulta relaxar e tornar-se
receptivo. Embora o relaxamento, a receptividade e a presença sejam as
únicas possibilidades de um encontro verdadeiro.
Esteja junto com o seu amor da mesma maneira que você recebe uma flor, um
raio de sol. Estenda essa receptividade ao outro, à pessoa amada. Isso o
levará direto ao desconhecido, ao espaço onde o “eu”, aquele que tanto quer
assumir o controle, fica incapacitado. A receptividade é um dos maiores
segredos do Tantra.
Deite-se em uma banheira de água quente e relaxe. Relaxe tudo, solte tudo. E
ao relaxar você se conectará com a fonte infinita. Einstein formulou a sua teoria
da relatividade dentro de uma banheira. Ele tentou em seu escritório, mas não
conseguiu. Quando relaxou, soltou-se dentro da fonte, que já tem tudo. Ele
relaxou e uma janela do além se abriu. A fonte se expressou por seu
intermédio.
O mesmo acontece quando você está na cama com a sua amada. Quando
você se solta, relaxa e se torna receptivo, conecta-se com a fonte inesgotável
da energia desconhecida que o move. Talvez ela não mova o seu corpo. O seu
corpo pode ficar como está, mas você estará se movendo interiormente de
maneira muito sutil. Vocês trocam e recebem energia mesmo que seus corpos
estejam completamente imóveis. No fim a energia os moverá. Vocês permitem
que seus corpos dancem na receptividade e experimentam o grande mistério
da fonte que o tempo todo está fornecendo energia.
Quando aprendemos a ser receptivos à pessoa amada podemos estender às
outras situações da vida. Deite-se na areia sob o sol e seja receptivo ao céu, às
nuvens, ao vento, ao mar. Depois de ter praticado a receptividade com a
pessoa amada e com a natureza, você estará pronto para ampliar os seus
experimentos em situações mais desafiadoras, como aquelas que
habitualmente costuma resistir por tocarem em experiências passadas e
padrões reprimidos. Se alguém pisa no seu calo... por que não ser receptivo?
Por que não permitir que a energia do outro se mova suavemente através de
você, assim como você permite que ela flua na meditação do coração?
Isso tem fortes implicações, porque, se alguém agredir você, não irá encontrar
um “adversário”. Não há ninguém lá para resistir. Então, ou o outro foge,
porque isso dá muito medo, ou se abre. A sua receptividade tem um incrível
efeito transformador em seu ambiente. E só o que você faz é permitir a
abertura mesmo em situações de desafio.
A receptividade faz com que você desapareça, porque aquele que você
pensava ser é pura resistência, é puro “não!” Você pára de resistir e esse eu
desaparecerá.
Demorei a entender quando o Osho dizia que os budas são, na verdade,
femininos. A menos que nos tornemos femininos, não acordaremos. A minha
identificação com o masculino não gostou! Mas depois entendi que o masculino
também pode se tornar completamente aberto e receptivo. Nessa receptividade
ele está totalmente aberto e receptivo. Nessa receptividade ele está totalmente
presente aqui e agora. Abrir-me para a receptividade não prejudicará
absolutamente o meu lado masculino. Quando faço amor, ficar presente e
receber a minha amada permite que a energia encontre seu próprio caminho.

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Isso nos leva a um espaço mais profundo de diluição e fusão. É um milagre!
Nessa receptividade os blocos de energia se abrem naturalmente e se
desfazem. Não precisamos fazer nada. Simplesmente acontece. Quando nós
dois estamos mais receptivos, somos duas aberturas que se fundem
infinitamente. O nosso coração se abre muito mais do que possamos imaginar.
– O que fazer quando sinto que estou presente para o meu homem, mas ele
não está psicologicamente presente?
O que você costuma fazer?
– Eu corto.
É uma reação normal. Você também não está aqui. Age a partir do seu corpo
de dor habitual. Internamente, você diz ao seu homem: “Não vou dar isso a
você”. Eu desconfio que você interrompa porque tem medo de ficar só, tem
medo de ser abandonada. Isso pode acontecer com todos nós, porque se o
outro não estiver psicologicamente presente, refletirá o profundo medo que
temos de ser abandonados. Imagine por um momento que você se permita
abrir completamente para essa dor que tem dentro de si. Provavelmente sentirá
algum pânico. Você deixa o homem na periferia e recebe o que está tocando
em seu interior.
Para experimentar é preciso que você e seu parceiro estejam dispostos a
experimentar a sua resposta interior, e não tornar o outro responsável. Por
exemplo, se o seu homem não está psicologicamente presente, e você se
queixa, talvez ele se force a estar. Ele se obrigará a estar presente. Isso não é
natural.
A experiência que tenho em uma situação similar é que, quando Nura se
permite sentir plenamente o que está acontecendo, algo muda em mim. Nesse
momento, mesmo que o que ela sinta seja pânico, eu fico presente ao lado
dela. Essa é uma maneira de se lidar. A outra possibilidade é dizer muito
claramente a ele o que você está precisando, mas sem nenhuma expectativa
do resultado.
Para um homem é realmente muito agradável estar presente. A mulher testa a
sua presença o tempo todo. No momento em que ele diz “sim, agora estou
aqui” ela o testa. Ela puxa o tapete. “Você ainda está aí?” Basta o macho
querer descansar em seu bando para a fêmea desafiá-lo. Ela quer saber se ele
ainda está presente. A mulher não confia no homem que não sabe o que quer.
Ela confia quando você está presente – não como um machão, mas como você
é. Mesmo que você ainda se sinta uma criancinha. Se é assim que você está
presente, ela aceita.
A psique feminina tem a tendência de manipular e querer mudar o homem. E
isso não dá certo. O homem se fecha. Ambos se fecham. E os dois sofrem.
Como mulher, só o que você tem a fazer nesse momento é reconhecer a si
mesma como o amor e deixar que esse amor se abra na sua mais profunda
vulnerabilidade. Se você já experimentou o que estou dizendo, deve saber que
se for muito fundo no seu medo, encontrará a suprema felicidade. Essa é a
grande surpresa. Se a mulher se move através de seus medos, de repente ela
encontra a felicidade. E o homem simplesmente se encanta.
– Meu medo é que a minha explosão emocional o assuste e o afaste.

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Você não está aqui para protegê-lo. As mulheres têm a tendência de querer
proteger o homem. Isso tem um preço. Se quiser protegê-lo de si mesma, irá
odiá-lo por isso. O convite que fazemos aqui é você se permitir estar inteira em
seus sentimentos e reconhecê-los. Se ele for embora, deixe que vá. A minha
experiência é que se a mulher reconhece as suas emoções, se ela as
reconhece em vez de descarregá-las, o homem pode continuar ali, se for um
homem que não teme a sua própria dor. É incrivelmente belo fazer amor com
uma mulher que está aberta para os seus sentimentos. É uma sublime
experiência para um homem estar ali como um farol durante a tempestade.
Então o coração masculino desabrocha. A energia masculina se enche de
júbilo. É preciso coragem para a mulher ousar ser ela mesma. Esse é também
o seu anseio mais profundo. Você não pode proteger o seu homem de si
mesma. Não é possível.
Nessa deliciosa brincadeira a dois, podemos nos tornar conscientes do Um.
Esse é realmente o nosso maior anseio, ainda maior do que nos diluirmos na
pessoa amada. A fusão tântrica é a porta para a redescoberta do Um. E então
o relacionamento e o sexo se tornam a porta para o Samadhi.

Até que ponto o sexo é importante em um relacionamento?


É muito importante! Mas se vocês vivem juntos e o desejo sexual estiver
lentamente desaparecendo para ambos, isso é natural, principalmente se
vocês estiverem na meia-idade e forem meditadores. A atração hormonal que o
excita quando você olha para o parceiro já não é mais tão evidente. Vocês não
são mais tão movidos a hormônios e a necessidade biológica começa a
desaparecer.
Nesse caso, ajuda muito marcar um encontro para uma Meditação de Amor.
Esse foi o nome que Nura e eu demos. Mesmo sem estarmos excitados,
mesmo sem sentirmos necessidade de uma união sexual, marcamos um
encontro. Primeiro nos sentamos em meditação, depois nos deitamos e
esperamos. A mágica é que a energia encontrará o seu caminho e começará a
fluir. Então o sexo não será algo criado pela mente, por uma idéia ou pela
esperança de liberação. A base é um profundo encontro íntimo.
Sentem-se ou deitem-se juntos com o pênis dentro da vagina. Mesmo que não
esteja ereto, apenas introduza e espere. Pode não existir nenhuma sensação
sexual no início. Talvez não esteja acontecendo nada. Mas depois de um
tempo, a natureza e a polaridade entre homem e mulher começarão a
despertar a energia. Ela naturalmente começa a fluir. Nem sempre isso levará
necessariamente a uma relação sexual. Talvez leve a uma abertura energética
como a que acontece no satsang. Juntos, vocês encontram o que está aqui e
agora, sem ter idéia de onde vão chegar, sem pensar que termine em uma
relação sexual apaixonada. Basta estarem ali presentes um com o outro para
criar uma intimidade que é muitíssimo delicada – a intimidade com o seu amor
e consigo mesmo.
O primeiro chakra é necessário para esse fluxo começar. A conexão genital é a
base de onde a energia começa a ascender naturalmente por si mesma. Às
vezes não acontecerá mais nada, outras vezes haverá uma bonita relação
sexual. Mas em ambos os casos você vais sentir como se saísse de um
profundo e bonito satsang. De certa maneira, é um satsang com a pessoa

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amada. A energia sexual é uma energia muito forte; é a sua energia vital
básica. Portanto, uma conexão nesse nível é incrivelmente salutar.
Isso requer uma decisão de ambos os parceiros: “Vamos nos retirar por duas
horas. Faremos uma meditação de amor sem nenhum objetivo, sem esperar
nada, sem querer que o outro seja diferente – sem expectativas. É só uma boa
desculpa para estarmos intimamente próximos e presentes”. Quando praticada,
vocês verão que essa meditação de amor mantém o fluxo de amor entre o
casal por vários dias. Por estarmos num corpo físico e sermos abençoados por
viver com um parceiro, a troca de energia masculina e feminina será
incrivelmente saudável. Nossos bloqueios energéticos serão facilmente
desfeitos num encontro sexual.
A energia básica consegue desfazer os nós do corpo de dor naturalmente. A
mulher talvez tenha mais mágoas e sofrimentos no primeiro chakra. É onde ela
é mais receptiva e pode ter sido mais violentada. Os homens geralmente
sentem medo no segundo chakra. É aí que nós somos receptivos. Nossas
mães devem ter nos dominado tanto que sentimos necessidade de nos
defender. Esses medos habituais em locais que podemos identificar facilmente
com o corpo de dor se diluem quando a energia sexual passa por eles.
Então, se vocês têm um relacionamento, mesmo que não sintam vontade de
fazer sexo, eu recomendo que façam a meditação de amor regularmente. Para
isso o sexo é muito importante. Se você não tem um relacionamento, a
meditação permite que a energia se mova dentro de você e faça amor com o
universo. Se tiver um parceiro, permita que ele seja o universo. O seu parceiro
é a sua chave para a união com o divino. A união tem início no primeiro chakra,
mas não termina aí.
A beleza de continuar mantendo o relacionamento sexual com um parceiro,
mesmo que a necessidade biológica não seja mais tão forte, é que a
experiência pode ser muito mais profunda. Pode se tornar uma união espiritual
com muito mais facilidade.
Agora que os seus hormônios não o regem mais, você está realmente se
aprofundando no amor.
E então, quando estiver no meio de uma profunda experiência de diluição no
amor, de repente tudo pode desaparecer num imenso nada. Antes nós
diríamos: “Você não está mais aqui comigo”. Confie nesses momentos de total
desaparecimento e verá a vida ressurgindo do nada de maneira que é nova,
fresca, pura e desconhecida. É fantástico!

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