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RESUMO – T.

ADORNO

EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO

ARTIGO 1 –

Educação e emancipação na teoria crítica da sociedade de Theodor W. Adorno.


Educação e emancipação na teoria crítica da sociedade de Theodor W. Adorno

Griot: Revista de Filosofia, vol. 19, núm. 2, pp. 194-217, 2019

Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

1ª QUESTÃO – Qual a relação entre educação e emancipação do homem?

Para isso Adorno faz uma análise sobre as consequências do capitalismo, a barbárie pós
2ª guerra, a crise da cultura, os problemas da inovação tecnológica, as raízes do
fascismo, como ser ético diante da intolerância.

Escreveu sobre a barbárie nos campos de concentração de Auschwitz e a necessidade de


um novo imperativo moral que norteie o trabalho educativo. Defesa de uma educação
contra a violência.

 E como podemos perceber a violência na educação?

Por que ele afirma que há uma crise da cultura? Porque gera uma mentalidade
homogênea e linear em todos os grupos.

Theoria - Revista Eletrônica de Filosofia

EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO: Reflexões a partir da filosofia de Theodor Adorno


Paulo César de Oliveira

Theodor Adorno – Filósofo

 Qual a ideia geral


 O que ele entende por educação – Importância
 O que ele entende por sociedade
 O que ele entende por sujeito

Elementos – História da Sociedade (dialética), cultura, industrialização (Capitalismo), a


moral, violência.

Evitar o que ele chama de “barbárie” e buscar a emancipação da pessoa. Entende-se, por
barbárie, o impulso de destruição que o homem traz consigo. Esse impulso manifesta-se
nas diversas formas de agressividade que percebemos no cotidiano e pode chegar a
situações extremas, como os campos de extermínio da Segunda Grande Guerra
Mundial.

A educação “emancipatória” de Adorno é contra a educação autoritária. Esse modelo


educacional evita a repressão, se distancia da reprodução tecnicista e focaliza o aspecto
produtivo da vida humana.

A educação emancipatória pensa a sociedade e a educação distanciando-as do caráter


industrial a que é submetido a cultura.

A importância da educação – Formar Sujeitos capazes de “domesticar” o impulso


destrutivo que lhes é inerente.

Pensamento de Adorno do ponto de vista Filosófico – Contrário a ideia Hegel de uma


ciência positiva. É ilusão o filósofo querer captar a totalidade do real, porque a realidade
tem contradições. Ex: O sistema capitalista e suas contradições. Por mais que Hegel
tenha praticado uma dialética o fez mal.
Ele apresenta a “dialética negativa”, ou seja, consciência da não identidade. A dialética
negativa não identifica real e racional, teoria e práxis, sujeito e objeto,
conceito e coisa. “negação da negação, é a afirmação”.

Tanto a filosofia quanto a educação precisam ser repensadas. Uma racionalidade que
não exclua o diferente e, paradoxalmente, o ilógico.

A questão da Indústria cultural

A análise sobre a indústria cultural está presente em, praticamente, todas as


obras de Adorno; porém, é mais desenvolvida na Dialética do Iluminismo. Segundo
Adorno, uma das características da atual sociedade tecnológica é a criação de
um gigantesco aparato da indústria cultural. A indústria cultural é um instrumento de
manipulação das consciências, usada pelo sistema para se conservar, se manter ou
submeter os indivíduos.

Por isso, diz Adorno, os veículos de comunicação não são instrumentos neutros;
eles estão plenos de conteúdos ideológicos. O imperativo da sociedade tecnológica é
que o homem deve adaptar, sem especificar a que coisa; adaptar àquilo que, sem a
reflexão, como reflexo da potência e onipresença do existente, constitui a mentalidade
comum. Mediante a ideologia da indústria cultural, a adaptação toma o lugar da
consciência. Na indústria cultural, tudo se torna mercadoria.

Essa ruptura entre cultura e sociedade é conseqüência da


organização capitalista da vida social que, segundo Adorno, é superada somente a nível
político e social.

O Papel da Educação

A barbárie continuará existindo enquanto persistirem as condições que levaram àquele


fato e a tantos outros que presenciamos no cotidiano de nossas consciências.

É como se ele, temendo uma nova guerra colocasse a educação como um fator
importante para blindar esse tipo de barbárie. Porém, será que não estamos vivendo
outros tipos de barbárie mais sutis. Deste modo, a educação tem um caráter político e
social, gerador de consciências no indivíduo para se ter uma sociedade melhor.
No entanto, trata-se de uma educação dirigida à autorreflexão e centrada na
primeira infância.

Não devemos esquecer que o papel da educação é formar sujeitos. Formando-os para
que sejam contra a barbárie, para que escolham, por exemplo, na atualidade os livros ao
invés de armas.

Mas ai você pode estar se questionando? E se, no indivíduo, há algo na psiquê que o
leva a ser violento? Adorno vai buscar essas respostas em Freud para dizer que mesmo
assim, como algo que é “natural” que pode vir a ter nos sujeitos, temos que
compreender o papel da educação para “blindar” essas características, já que o impulso
de destruição é mais construído socialmente do que inato.

A educação pautada pela severidade e pela disciplina extrema é condição propícia para
a barbárie. A dureza significa indiferença em relação à dor. Será uma crítica ao ensino
militar?

Que tipo de educação devemos fomentar para não chegarmos à barbárie?

A insensibilidade é uma das características das pessoas desprovidas de autoconsciência


e, portanto, autoritárias. Os indivíduos desprovidos de autoconsciência constituem o
caráter manipulador. São pessoas desprovidas de emoções, detentoras de consciência
“coisificada” transformando a si mesmas e aos outros em “coisas”.

Contra a repetição de Auschwitz será necessário estudar a formação do caráter


manipulador; identificar o motivo que levou indivíduos em condições iguais a ter
comportamentos diferentes. É um equívoco entender isso como resultado da natureza
humana e não como um processo de formação. O caráter não é algo natural, mas é
formado culturalmente.

Considerações Finais

Ao fixar e reproduzir internamente os pilares do capitalismo, sobretudo, a competição, o


culto ao mérito, ao desempenho, a escola se tornou um ambiente da exclusão e de
preparação de futuros autoritários. Isso é preocupante, pois a violência avança
consideravelmente e Auschwitz pode se repetir!

Implica em romper com a visão tecnicista e positivista que


estabelece hierarquias no conhecimento e privilegia a competição e o mérito.

****

LIVRO – EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO

Introdução – Adorno e a Experiência Formativa

A educação não é necessariamente ura fator de emancipação. Numa época em que


educação, ciência e tecnologia se apresentam — agora "globalmente", conforme a moda
em voga — como passaportes para um mundo "moderno" conforme os ideais de
humanização, estas considerações de Theodor W Adorno podem soar como um
melancólico desânimo.

Incorre-se no erro, ou deslumbramento dos professores, de que, em um processo


educacional pautado meramente na estratégia de esclarecer os conteúdos, passar os
conteúdos, se perdem o conteúdo ético formativo.

“quanto mais a educação procura se fechar ao seu condicionamento social, tanto mais
ela se converte em mera presa da situação social existente” Adorno.

É preciso fixar alternativas históricas tendo como base a emancipação de todos no


sentido de se tornarem sujeitos refletidos da história. Aqui ele, de certa forma, faz uma
leitura de Marx.

O que dizer, por exemplo, de um mundo em que a fome é avassaladora, quando a partir
de um ponto de vista científico-técnico já poderia ter sido eliminada? Pg.14.
o inverso: como pode um mundo tão desenvolvido cientificamente apresentar tanta
miséria? Este é o problema central, insiste o nosso autor: o confronto com as formas
sociais que se sobrepõem às soluções "racionais".

Assim como o desenvolvimento científico não conduz necessariamente à emancipação,


por encontrar-se vinculado a uma determinada formação social, também acontece com o
desenvolvimento no plano educacional.

O quadro mais avassalador dessa situação é o capitalismo tardio de nossa época,


embaralhando os referenciais da razão nos termos de uma racionalidade produtivista
pela qual o sentido ético dos processos formativos e educacionais vaga à mercê
das marés econômicas.

A crise da formação é a expressão mais desenvolvida da crise social da


sociedade moderna.

A educação já não diz respeito meramente à formação da consciência de si, ao


aperfeiçoamento moral, à conscientização. É preciso escapar das armadilhas de um
enfoque "subjetivista" da subjetividade na sociedade capitalista burguesa.

A crise da formação é a expressão mais desenvolvida da crise social da


sociedade moderna.

EDUCAÇÃO PARA QUÊ?

Significa dizer, para onde a educação deve conduzir. Porque saber a Educação por ela
mesma já não responde as demandas da sociedade.

Até a ideia de “homem emancipado” segundo Becker é preciso ter cuidado para não
convertê-lo em um ideal orientador. De
um certo modo, emancipação significa o mesmo que conscientização, racionalidade.
Mas a realidade sempre é simultaneamente uma comprovação da realidade, e esta
envolve continuamente um movimento de adaptação.

A educação seria impotente e ideológica se ignorasse o objetivo de adaptação e não


preparasse os homens para se orientarem no mundo. Porém ela seria igualmente
questionável se ficasse nisto, produzindo nada além de well adjusteã people, pessoas
bem ajustadas, em consequência do que a situação existente se impõe precisamente no
que tem de pior.

A importância da educação em relação à realidade muda historicamente.

EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO

Superar a ideia de Talento, que é determinante na educação. De acordo com a psicologia


e sociologia o Talento depende do desafio a que cada um é submetido. Isso quer dizer
que é possível conferir talento a alguém, levando-o a aprender através da motivação,
que por sua vez, converte-se em uma forma particular de emancipação. A motivação é
baseada na oferta de uma aprendizagem diversificada. Que se dê em todos os níveis,
desde a pré-escola até o aperfeiçoamento permanente.

Porém, isso só se dá em instituições não classistas em que haja a superação das barreiras
e das desigualdades de classes.

Crítica de Adorno – Não se encontra na literatura pedagógica a tomada de posição em


favor da emancipação. (Paulo Freire?).

E a falta de emancipação implica a falta de democracia.

E o que seria a escola não emancipatória?

Rompimento com a autoridade.

“Se atualmente ainda podemos afirmar que vivemos numa época de


esclarecimento, isto tornou-se muito questionável em face da pressão inimaginável
exercida sobre as pessoas, seja simplesmente pela própria organização do mundo, seja
num sentido mais amplo, pelo controle planificado até mesmo de toda realidade interior
pela indústria cultural”.

A sociedade mantém o homem não-emancipado e quando há qualquer tentativa séria de


conduzir à sociedade a emancipação vemos algum tipo de resistência.
Luciana ZAMBEL1
Luiz Antônio Nabuco LASTÓRIA

A indústria cultural, como veremos, constituirá um dos principais elementos que


a todo o momento tentará impossibilitar ao indivíduo o pensamento crítico. (slide 3).

A indústria cultural determinará aquilo que o indivíduo deverá ou não consumir, como
também aquilo que ele deverá ou não pensar.

Fazer a pergunta sobre a emancipação na educação já constitui uma reflexão crítica.

A teoria crítica visa submeter o próprio sistema educacional ao âmbito da crítica, isto é:
perguntar em que medida a própria educação estaria proporcionando a emancipação dos
indivíduos. E nisso cabe a reflexão do papel histórico dos sistemas educacionais e o
envolvimento dos indivíduos.

A educação na era da indústria cultural

A educação jamais pode fixar-se em modelos pré-estabelecidos, isto é, em


modelos de ensino. Quando a escola não está aberta para refletir-se criticamente, ela se
comporta tal como as fábricas, colocando-se distante do aluno e tratando estes como se
fossem “objetos”. Esse “modelo” de educação que se pauta pela formalidade impede ao
aluno de emancipar-se, que é pautada no autoritarismo. A partir dele, o aluno é visto
como aquele que não sabe, portanto, um ser passivo; e, o professor, como àquele que
tem a posse do saber, ou seja, um ser ativo.

O Problema da Formalização - Naturalmente a formalização possui laços


estreitos com a instrumentalização, ou seja, com a crença de que a constituição de
instrumentos de pesquisa altamente elaborados garante por si a objetividade
(ADORNO, 2008, p. 168).
A formalização faz com que os alunos vejam o mundo somente a partir daquilo
que a escola julga ser o verdadeiro, enquanto instituição onde se concretizam as
políticas do Estado para a educação, destruindo a capacidade imaginativa tão importante
para o desenvolvimento da criança. a sala de aula, por sua vez, se apresentará como
espaço de afirmação de verdades e não como lugar de construção e desconstrução de
ideias.

Portanto, tanto a semiformação quanto a padronização


são geradas pela própria indústria cultural, para que os indivíduos ao consumirem
determinados produtos, se esqueçam de que são eles que, na verdade, são também
consumidos. Há, na realidade, uma inversão na relação sujeito e objeto. O consumidor
passa a ser objeto do consumo e o produto, o sujeito.

Para o filósofo, portanto, não podemos esquecer que em tempos de indústria


cultural os produtos são cuidadosamente planejados para adequarem-se às possíveis
necessidades imediatas dos consumidores, e, com as mensagens televisivas, não ocorre
algo diferente.

E, como veremos a seguir, somente uma educação voltada para a emancipação e


que seja capaz de desenvolver a autonomia dos alunos conseguiria se colocar de modo
reflexivo diante da sociedade organizada sob a égide indústria cultural. Uma educação
em que todos dela participem de modo efetivo; uma educação reflexiva e crítica de si
mesma na qual tanto os professores quanto os alunos possam ser os verdadeiros
protagonistas.

Mas, como é possível na sociedade atual proporcionar-se uma educação voltada


à emancipação? Tal questão pode ser efetivada a partir do momento em que a escola
distancie-se daquelas práticas autoritárias e daqueles discursos pedagógicos voltados à
padronização dos alunos, como se estes fossem peças numa linha de montagem.

Este papel faz com que ela se volte para a destruição das
ideologias vigentes e proporcione uma reflexão crítica sobre a própria realidade na qual
está inserida. Ao contrário disso, a educação deve se voltar para a crítica dela mesma,
analisando seus métodos e propostas de ensino.

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