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Hipotálamo

Guyton e Berne

Hormônio sintetizado pelo hipotálamo e liberado pela pituitária posterior,


aumenta a reabsorção de água pelos rins e causa vaso constrição e aumenta a
pressão sanguínea. ADH também é conhecido por vasopressina e controla a
taxa de água excretada na urina, portanto auxiliando o controle da
concentração de água nos fluidos corporais.

Como visto em aulas, vários mecanismos regulam a formação de urina,


seja ela a longo ou a curto prazo; entre eles podemos citar fatores neurais
(sistema nervoso autônomo) e hormonais (ADH, aldosterona, renina). A
regulação entre a quantidade de água que entra e a que sai de água é
necessária para manutenção da homeostase e a fim de liberar ou guardar a
água serão ativados tais mecanismos, conforme a necessidade do momento.

O ADH é um hormônio que é secretado pela pituitária posterior e que


controla a concentração urinária. Embora sua secreção seja a nível de hipófise,
sua produção ocorre no hipotálamo (os terminais nervosos que se encontram
na hipófise posterior são dele e se originam no núcleo supra-óptico e
paraventricular). Por que se diz que o ADH controla a concentração urinária?
Porque ele é o principal fator que permite que ocorra excreção de água
independentemente da excreção de soluto, condição necessária para a
sobrevivência quando a ingestão de líquido é limitada (mecanismo
provavelmente selecionado evolutivamente). Quando impulsos nervosos são
transmitidos pelas fibras nervosas para os núcleos supraópticos e
paraventriculares, o hormônio é liberado imediatamente, por exocitose e
absorvido pelos capilares adjacentes.

Controle Osmótico da secreção de ADH

Variações da osmolalidade dos fluidos corporais desempenham o papel


mais importante na regulação da secreção do ADH. Para se ter uma ideia,
pequenas variações (como de 1%) já são eficazes para alterar a secreção
desse hormônio significativamente. Embora os núcleos paraventriculares e
supraópticos respondam às variações de osmolaridade, os osmorreceptores
(células distintas no hipotálamo anterior) são bem mais efetivos para essa
percepção. Eles respondem apenas a osmóis efetivos, tendo portanto,
pequeno efeito sobre a secreção de ADH as concentrações plasmáticas de
ureia por si só. Quando a osmolalidade aumenta, os osmorreceptores enviam
sinais para as células sintetizadoras e secretoras de ADH localizadas nos
núcleos supraóptico e paraventricular do hipotálamo e a síntese e secreção de
ADH são estimuladas. Inversamente, quando a osmolalidade efetiva do plasma
é reduzida, a secreção é inibida. Os níveis de ADH podem inclusive ser zero,
dentro de minutos, após a secreção ser inibida. Como resultado, o sistema do
ADH pode responder rapidamente a flutuações da osmolalidade.

Essa é a principal forma de controle da secreção de ADH, porém uma


diminuição no volume sanguíneo ou da pressão também estimula a secreção
de ADH. Os receptores responsáveis por essa resposta estão em ambos os
lados de pressão baixa (átrio esquerdo e grandes vasos) e de pressão alta
(arco aórtico e seio carotídeo). Os sinais desses receptores são enviados pelas
fibras aferentes dos nervos vago e glossofaríngeo para o tronco cerebral que é
a parte do centro que regula a frequência cardíaca e a pressão arterial. Esse
sinal, porém, também é emitido para as células secretoras de ADH. Como
exemplos, temos substâncias como a bradicinina e a histamina que diminuem a
pressão arterial e estimula a secreção de ADH; a norepinefrina aumenta a
pressão arterial e inibe a secreção de ADH.

Mas como o ADH atua? A ação primária do ADH sobre os rins é


aumentar a permeabilidade do ducto coletor à água. Além disso, ele também
aumenta a permeabilidade da porção medular do ducto coletor à ureia. Outro
modo de atuação é estimular a reabsorção pelo ramo ascendente espesso da
alça de Henle, pelo túbulo distal e ducto coletor. E como reconhece esse
hormônio? Existe um receptor, do tipo V2 que está na membrana basolateral
da célula. Acoplado à adenilato ciclase, via uma proteína G estimulatória, ele
aumenta a síntese de AMPc, tornando, assim, mais ativa uma PKA. Essa, por
sua vez, acaba ocasionando a inserção de canais de aquaporina 2 na
membrana apical (além de sintetizar mais). Assim, água poderá entrar na
célula e sair efetivamente do lúmen, visto que a membrana basolateral também
possui canais de aquaporina (porém, do tipo AQP3 e AQP4). O ADH atua
também aumentando a permeabilidade da porção medular do ducto coletor à
ureia (PKa fosforila o canal de reabsorção de ureia UT-A1, aumentando a
permeabilidade). Assim, há maior reabsorção e o fluido intersticial medular
aumenta em osmolaridade, contribuindo para a reabsorção de água na alça de
Henle. Além disso tudo, o ADH estimula a reabsorção de NaCl pelo ramo
ascendente espesso da alça de Henle, pelo túbulo distal e segmento cortical do
ducto coletor. Isso porque aumenta a quantidade de transportadores de íons
sódio, respectivamente 1Na+-1K+-2Cl- na alça de Henle espessa, simporte de
Na+Cl- no túbulo distal e canal epitelial de Na+ no túbulo distal e ducto coletor.

A sede atua juntamente com o ADH para a homeostasia do organismo.


No caso, variações de osmolalidade e de volume ou pressão sanguínea levam
a alterações na sensação de sede. Se a osmolalidade está aumentada, ou o
volume/pressão sanguínea reduzidos, o indivíduo percebe a sede. Como nos
estímulos para secreção de ADH, a hipertonicidade é o mais potente. Os
centros neurais envolvidos nessa regulação estão também na mesma região
que a de secreção de ADH (embora não esteja claro se as mesma células
fazem as duas funções). O limiar de secreção de ADH, em geral, é ligeiramente
menor que o limiar da sede. Se houver restrição hídrica, é provável que o grupo
de estudo sinta sede e secrete ADH, como ficará evidente com o trabalho na
secção de resultados.

Em casos de secreção de ADH, haverá formação de urina


hiperosmótica. O processo de formação dessa urina envolve a remoção de
água do fluido tubular, sem o soluto. O interstício na medula renal forma um
compartimento hiperosmótico e, assim, há absorção de água. Em especial, o
ramo ascendente espesso é importante para gerar essa hiperosmolaridade
(sendo para esse processo de gradiente hiperosmótico fundamental o ADH,
visto que ele estimula a reabsorção de NaCl no segmento ascendente
espesso). Assim, o fluido que chegará ao ducto coletor será hipo-osmótico em
relação ao fluido intersticial. Na presença do ADH, que aumenta a
permeabilidade da última metade do túbulo distal e do ducto coletor, sairá água
do lúmen do ducto e dará início à concentração da urina. A osmolalidade
máxima da urina na parte cortical do ducto coletor é de 290 mOsm/H2O
(mesma do plasma), com menos sódio e mais uréia. A osmolalidade à papila é
cerca de 1200 mOsm/kg de H2O. Assim, existe gradiente osmótico entre o
fluido tubular e o fluido intersticial ao longo de todo o ducto coletor medular. A
urina produzida quando os níveis de ADH estão elevados tem osmolalidade de
1200mOsm/kgH2O e contém altas concentrações de ureia e outros solutos. O
volume da urina pode ser tão baixo quanto 0,5L/dia. A recirculação da uréia do
ducto coletor para a alça de Henle também contribui para a hiperosmolaridade
Medular Renal

O que ocorre quando os níveis de ADH são baixos ou zero? O fluido


tubular que entra no segmento descendente fino da alça de Henle, vindo do
túbulo proximal, é até então isosmótico (a reabsorção no túbulo proximal
ocorre de maneira a manter a osmolaridade). Porém, o segmento descendente
fino é muito permeável à água e muito menos a solutos como NaCl e ureia.
Assim, à medida que o fluido vai passando por esse segmento, entrando na
medula hiperosmótica, a água é reabsorvida, visto que há gradiente. O fluido
tubular fica com osmolaridade igual ao interstício medular. O segmento
ascendente fino é impermeável à água, porém permeável ao NaCl. Assim,
conforme o fluido sobe no segmento ascendente, NaCl é reabsorvido de
maneira passiva, porém sem que haja mudança no volume do fluido tubular.
Chegando à parte espessa da alça de Henle, há impermeabilidade à água e à
ureia. Como a concentração de NaCl já diminuiu passivamente, a reabsorção
no segmento espesso ascendente desse ocorre por via ativa, diluindo
novamente o fluido. O túbulo distal e a parte cortical do ducto coletor
reabsorvem ativamente NaCl e são impermeáveis à ureia. Sem ADH, também
são impermeáveis à água. Logo, se os níveis de ADH são zero ou baixos, a
osmolalidade do fluido diminuirá ativamente ainda mais, pois o NaCl é
reabsorvido sem água. A urina tem osmolalidade tão baixa quanto cerca de
50mOsm/kgH2O, possuindo para baixos níveis de NaCl altas quantidades de
água.

Embora para a regulação renal também sejam importantes a renina, a


aldosterona e o sistema nervoso, eles serão apenas brevemente descritos,
visto que nas condições dos experimentos não parecem exercer papel crucial
(curto prazo). As células da mácula densa são células que estão no fim
do segmento espessor e absorvem o filtrado como as outras células do túbulo
e que possuem cílios imóveis quimiossensíveis e mecanossensíveis. Situações
como uma Diminuição da Pressão Arterial, dieta pobre em sódio, depleção de
volume, alta ingestão de proteínas e aumento da glicemia causam a diminuição
de cloreto de sódio na mácula densa. A diminuição produz um sinal que se
origina na mácula densa e que tem dois efeitos: diminui a resistência das
arteríolas aferentes (elevando a pressão hidrostática glomerular e ajudando a
normalizar a filtração glomerular) e também aumenta a secreção de renina
pelas células justaglomerulares. A renina liberada por essas células atua,
então, como enzima, aumentando a formação de angiotensina I, que é
convertida em angiotensina II. Por fim, a angiotensina II provoca constrição das
arteríolas eferentes, aumentando, assim, a pressão hidrostática glomerular e
normalizando a Filtração Glomerular (feedback tubuloglomerular). No caso, em
restrição hídrica não ocorreria o estímulo das células justaglomerulares não
secretando renina, não produzindo mais angiotensina II. A angiotensina II teria
as seguintes funções fisiológicas: vasocontrição arteriolar, que aumenta a
pressão arterial; estimulação da secreção do ADH e da sede; aumento da
reabsorção de NaCl pelos túbulo proximal, ramo ascendente espesso da alça
de Henle, túbulo distal e ducto coletor; estimulação da secreção de aldosterona
pelo córtex da suprarena.

A aldosterona, hormônio secretado pela supra-renal, aumenta a


reabsorção de sódio, sobretudo nos túbulos coletores corticais. O aumento da
reabsorção de sódio está associado ao aumento da reabsorção de água e da
excreção de potássio. Por conseguinte, o efeito final da aldosterona é fazer os
rins reter sódio e água, mas aumentar a excreção de potássio na urina. Está
associada à renina como sistema renina-angiotensina-aldosterona: Com a
redução da ingestão de sódio, os níveis elevados de angiotensina II que
ocorrem estimulam a secreção de aldosterona, que por sua vez, contribui para
a redução da excreção urinária de sódio e, assim, para a manutenção do
equilíbrio do sódio. A aldosterona aumenta a permeabilidade das células ao
NaCl, interferindo na expressão gênica, quando entra no núcleo. Dessa forma,
a aldosterona aumenta a atividade da bomba Na+ - K+, incorpora mais canais
de Na+ e K+ na membrana luminal (promovendo a reabsorção de Na+ e a
secreção de K+) e de forma indireta como conseqüência desses fatores,
aumenta reabsorção de Cl- entre as células.

Sensores em toda parte do corpo (sendo os mais importantes os


sensores do volume vascular de alta e baixa pressão) monitoram o volume
circulante efetivo. Sinais neurais e hormonais modulam a excreção renal do
NaCl para igualá-la à ingestão. Durante a euvolemia, a excreção de Na+ pelos
rins é igual à quantidade de Na ingerida na dieta, visto que os rins reabsorvem
praticamente todo o Na+ filtrado. O ducto coletor ajusta a excreção urinária de
NaCl para efetuar o balanço de Na. O fator mais impactante na regulação de
reabsorção do Na+ no ducto coletor é a aldosterona, que estimula a
reabsorção de Na+. Na expansão do volume do LEC, os sensores de volume
iniciam uma resposta que resulta no aumento da excreção de Na+. Os
componentes desta resposta incluem diminuição da estimulação simpática nos
rins, supressão do sistema renina-angiotensina-aldosterona e diminuição da
liberação do PNA pelos átrios cardíacos. Nos rins, a Taxa de filtração
glomerular aumenta, com elevação da carga filtrada de Na+. A reabsorção de
Na+ pelo TCP e ducto coletor diminui. Juntas, essas mudanças no manuseio
renal de Na+ intensificam sua excreção. Na contração de volume, ocorre o
inverso.