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Capítulo I – Introdução

Com o crescimento acelerado da população na cidade de Nacala e do consumo de produtos


industrializados e com o surgimento de produtos descartáveis, o aumento excessivo do lixo
tornou-se um dos maiores problemas actuais da sociedade Nacalesa. Isso ainda é agravado pela
falta de áreas ou outros factores determinantes para o seu acondicionamento ou destino final do
lixo. A sujeira despejada no meio ambiente aumenta a poluição do ar, da água e do solo,
piorando as condições de saúde do planeta.
O presente projecto serve de guião para a realização de um trabalho de investigação
(monografia) como requisito principal para a conclusão do curso de licenciatura em engenharia
ambiental, cuja linha de pesquisa é: ambiente e desenvolvimento sustentável, tendo como tema:
Resíduos Sólidos Urbanos - Reflexão sobre os modelos de diagnóstico na gestão dos
resíduos sólidos nos municípios. Caso: Município de Nacala-Porto (2016-2019), tendo como
objectivo Reflectir sobre os resultados na aplicação dos modelos de gestão de resíduos sólidos no
município de Nacala-Porto.
O homem colocando o lixo para a lixeira, ou jogando-o em terrenos baldios, resolve o seu
problema individual não se dando conta que as áreas de depósito de lixo das cidades estão cada
vez mais escassas e que o lixo jogado nos terrenos baldios favorece o desenvolvimento de
insectos e ratos transmissores de doenças.

Para a preservação do meio ambiente o tratamento do lixo deve ser considerado como uma
questão de toda a sociedade e não um problema individual.

Algumas técnicas de tratamento ou beneficiamento do lixo têm sido muito importantes na busca
de soluções para esse problema. Como exemplos de métodos utilizados, tem-se a reciclagem e a
compostagem dos resíduos, uma vez que segundo Bley Jr. (2001) apud Junkes (2002), os
resíduos sólidos domiciliares são compostos por uma fração orgânica significativa, em média
50% do peso total, cerca de 35% por resíduos industrialmente recicláveis e o restante cerca de
15% é efectivamente rejeitado, devendo ser descartado em aterros licenciados.

Mudar alguns hábitos incorporando pequenas atitudes que envolvem consciência ambiental
pode ter um grande impacto na preservação do meio ambiente. Um exemplo disso é a separação
do lixo doméstico. No começo, pode parecer trabalhoso, pois envolve uma mudança de postura e
um cuidado diferencial com os resíduos, como enxaguar as caixinhas de suco e leite, por
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exemplo. Mas depois do primeiro passo essa ação passa a ser automática. Quando a população
torna-se ciente do seu poder e seu dever de separar o lixo, passa a contribuir mais ativamente,
havendo com isso um desvio cada vez maior dos materiais que outrora iam para os aterros é uma
economia de recursos naturais.

A escolha deste tema é pelo facto da autora estar a verificar problemas sérios de erosão em quase
a maioria dos bairros municipais e com um acúmulo de lixo que poderia ser usado na luta contra
a erosão, permitindo assim um grande desequilíbrio do relevo nas vias de acesso, visto que
encontramos grandes covas como resultado desta da drenagem das águas das chuvas,
comprometendo queda da casa, tendo em consideração que a cidade portuária de Nacala localiza-
se na zona costeira da província de Nampula e, no tempo chuvoso, as águas correm em grandes
quantidades e alta velocidade para esta zona.
Na elaboração desse projecto antes de avançar qualquer detalhe procurou se actualizar acerca do
tema em estudo procurando autores que já abordaram sobre do assunto, onde a autora verificou
que para o caso de Moçambique, o tema foi pouco falado (pesquisadores da UEM) para além de
investigadores europeus e principalmente os brasileiros.
O presente projecto de pesquisa está estruturado da seguinte maneira: Capitulo I: a introdução
(onde se faz a menção do que vai se pesquisar); o tema (refere-se o assunto a investigar na
pesquisa); a justificativa (fala-se das razões que levaram a autora a se interessar na pesquisa); a
problematização (onde se aborda de como surge o problema da pesquisa); objectivos (fala-se das
finalidades a atingir durante a pesquisa); hipóteses (abordam-se das possíveis respostas da
pesquisa, que podem coincidir ou não com as esperadas); Capítulo II: a Revisão da Literatura
(aborda um pouco daquilo que se investigou sobre o tema em estudo permitindo a aquisição de
referências bibliográficas); Capítulo III: A metodologia da pesquisa (aqui se fala das técnicas a
serem usadas para alcançar os objectivos definidos para a pesquisa e é onde se aborda o tipo de
pesquisa a ser desenvolvida assim como os melhores procedimentos a serem desenvolvidos a fim
dos objectivos); orçamento (aqui se fala dos possíveis custos a serem usados para a pesquisa);
cronograma (esta é a parte da previsão do tempo para a realização da pesquisa em todas fases) e
as referências bibliográficas (onde se anunciam os autores de alguns trabalhos que serão usados
no desenvolvimento da pesquisa).
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1.1. Tema:
Segundo Lakatos & Marconi (2003:218), Tema é o assunto que se deseja provar ou desenvolver.
Pode surgir de uma dillculdade prática enfrentada por uma sociedade ou comunidade, da sua
curiosidade científica, de desaftos encontrados na leitura de outros trabalhos ou da própria teoria.
É neste contexto que, para a presente pesquisa, tem se como tema: Resíduos sólidos urbanos.
Reflexão sobre os modelos de gestão dos resíduos sólidos urbanos nos Municípios. Caso:
Município de Nacala-Porto (2016-2019).

1.2. Delimitação do tema

De acordo Lakatos & Marconi (2003:218), a delimitação do tema está doptado necessariamente
de um sujeito e de um objecto, o tema passa por um processo de especillcação. O processo de
delimitação do tema só é dado por concluído quando se faz a sua limitação geográftca e espacial,
com vistas na realização da pesquisa.

Para Lakatos & Marconi (2003:161), delimitar a pesquisa é estabelecer limites para a
investigação. A pesquisa pode ser limitada em relação:

a) ao assunto - selecionando um tópico, a fim de impedir que se torne ou muito extenso ou


muito complexo;
b) à extensão - porque nem sempre se pode abranger todo o âmbito onde o fato se desenrola;
c) a uma série de fatores - meios humanos, econômicose de exigüidade de prazo - que
podem restringir o seu campo de ação.

Neste contexto, a pesquisa será desenvolvida na cidade de Nacala, no bairro de Nicandavala,


arredores da baixa da cidade.um estudo observatório que a autora vem observando ao longo dos
anos, tendo então escolhido o intervalo de tempo entre os anos 2016-2019.

1.3. Objectivos
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Para LAKATOS & MARCONI (2001: 219) os objectivos estão ligados a uma visão geral e
abrangente do tema. Relacciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenómenos e inventos,
quer das ideias estudadas. O objectivo geral e os objectivos específicos expressam os propósitos
do pesquisador, seu percurso de produção académica e o que pretende atingir com a realização
da investigação. Sendo assim, os objectivos segundo Gonsalves (2001), oferecem indicações
sobre o processo de trabalho metodológico, porque orientam os métodos e as técnicas de
pesquisa que serão utilizadas.

Os objectivos devem ser plausíveis e potencialmente realizáveis. Isto é, com plenas condições de
serem alcançados na prática do trabalho de campo. Com o problema anunciado acima, visto que
é de interesse comum para todo munícipe residente ou visitante na cidade, a pesquisa visa
alcançar os seguintes objectivos:

1.3.1. Objectivo geral

Para LAKATOS & MARCONI (2001: 219), o objectivo geral está ligado a uma visão global e
abrangente do tema. Relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenômenos e eventos,
quer das idéias estudadas. Vincula-se directamente à própria significação da pesquisa proposta
pelo projecto. Daí que, para a presente pesquisa tem se como objectivo geral:

 Reflectir sobre os modelos de diagnóstico usados no Município de Nacala-Porto no


processo de gestão dos resíduos sólidos urbanos.

1.3.1.1. Objectivos específicos

Para LAKATOS & MARCONI (2001: 219), os objectivos específicos Apresentam caráter mais
concreto. Têm função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objectivo
geral e, de outro, aplicá-lo a situações particulares. Para a pesquisa em causa, temos como
objectivos específicos os seguintes:
 Perceber a partir do auxílio dos órgãos municipais, os modelos de diagnóstico na
gestão dos resíduos sólidos urbanos aplicados no município de Nacala-Porto;
 Comparar os resultados adquiridos com a realidade a partir da aplicação desses
modelos na gestão dos resíduos sólidos urbanos no município de Nacala-Porto;
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 Sugerir um modelo de gestão dos resíduos sólidos urbanos que visa amenizar o
problema de escavação de vias de acesso na cidade.

1.4. Justificativa
A justificativa, segundo LAKATOS & MARCONI (2001: 219), é o último item do projecto que
apresenta respostas à questão por quê? De suma importância, geralmente é o elemento que
contribui mais directamente na aceitação da pesquisa pela(s) pessoa(s) ou entidades que vão
manciá-Ia. Consiste numa exposição sucinta, porém completa, das razões de ordem teórica e dos
motivos de ordem prática que tomam importante a realização da pesquisa.

O Município de Nacala-Porto, devido ao seu potencial de industrialização e a sua localização


geográfica faz com que muitos investidores empresariais escolham este município e para tal
instalarem suas empresas, movendo assim muita população que entram na cidade a procura de
emprego. É neste contexto que o nível de organização das actividades ligadas a população devem
que seguem o ajustamento das necessidades dessa população que luta para o seu bem-estar. A
situação de gestão de resíduos sólidos em Nacala-Porto é um assunto de grande importância visto
existem várias formas de obtê-los.

Dai que, seria da obrigação dos munícipes fazerem uma reflexão concisa quando as dificuldades
que infligem suas vidas e pensar em criar mecanismos de como ultrapassá-las. A situação de
erosão em Nacala não é um problema de hoje ou ontem, é um problema característico a
localização da cidade. E por ser um problema permanentemente constante, sabendo que
produzimos “lixo” dia após dia, que pode nos ser útil para algumas situações, devemos pensar na
reutilização do mesmo para um fim necessário, que, para este trabalho é a erosão provocada
pelas águas das chuvas desfalcando ruas ou vias de acesso, criando cavidades e tornando a via
inacessível, pode servir como uma das formas de reutilização dos resíduos sólidos gerados no
Município.

Estes casos, motivaram a autora a integrar-se num bem comum, primeiro entrando análise a
partir da observação directa daquilo que o município tem levado a cabo para a situação da gestão
dos resíduos sólidos no município e enquadrando o que está previsto nas lei municipal sobre a
gestão dos resíduos sólidos tem dado efeito no campo real e a partir desses resultados propor
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uma ideia com o intuito de atenuar a situação que não só de ajudara no enchimento nas cavidades
das vias de acesso, mas também diminuirá o acúmulo do lixo nas ruas da cidade.

A preservação do meio ambiente começa com pequenas atitudes diárias, que fazem toda a
diferença. Uma das mais importantes é a reciclagem do lixo. As vantagens da separação do lixo
doméstico ficam cada vez mais evidentes. Além de aliviar os lixões e aterros sanitários,
chegando até eles apenas os rejeitos (restos de resíduos que não podem ser reaproveitáveis),
grande parte dos resíduos sólidos gerados em casa pode ser reaproveitada.
Tendo em vista a enorme quantidade de lixo espalhado pelas ruas, principalmente nos bairros e
interior do município, cada vez mais, é importante a conscientização para que cada indivíduo
promova em sua residência a separação do lixo, para posteriormente a colecta ser feita.

A maioria dos munícipes da cidade dispõem seus resíduos sólidos domiciliares sem nenhum
controle, uma prática de graves conseqüências como: contaminação do ar, do solo, das águas
superficiais e subterrâneas, criação de focos de organismos patogénicos, vectores de transmissão
de doenças, com sérios impactos na saúde pública. A problemática vem se agravando com a
presença de resíduos industriais e de serviços de construção civil, assim de arrastamento de terras
no período chuvoso em muitos depósitos de resíduos domiciliares, e, não raramente, com pontos
de descargas clandestinas ou públicas.

Percebe-se, na maioria dos municípios do país, o circuito dos resíduos sólidos apresenta
características muito semelhantes, da geração à disposição final, envolvendo apenas as
actividades de colecta regular, transporte e descarga final, em locais quase sempre selecionados
pela disponibilidade de áreas e pela distância em relação ao centro urbano e às vias de acesso,
ocorrendo a céu aberto, em valas etc.

Estes e outros factores levaram a autora a se interessar com o problema e com isso procurar
formas de como reduzir os impactos causados para os munícipes da cidade de Nacala de modo a
terem um bem-estar ambientalmente adequado e com uma cidade acolhedora.

O projecto proposto, alcançando qualidade e profundidade necessárias, poderá contribuir para a


definição de novos pensamentos e atitudes voltadas para um bem estar geral dos moradores da
cidade de Nacala e da comunidade do seu entorno. Essa pesquisa poderá servir ainda como ponto
de partida para que a reciclagem, a sustentabilidade através dos recursos renováveis, a
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colaboração individual sejam ainda mais firmes com relação ao devido fim que ocasionara uma
maior interação dos cidadãos com os aspectos ambientes.

1.5. Problematização

Segundo Lakatos e Marconi (2003:220), a formulação do problema prende-se ao tema proposto:


ela esclarece a dificuldade específica com a qual se defronta e que se pretende resolver por
intermédio da pesquisa.

Problema é uma dificuldade, teórica ou prática, no conhecimento de alguma coisa de real


importância, para a qual se deve encontrar uma solução, Lakatos e Marconi (2003:158).

O problema deve ser levantado, formulado, de preferência em forma interrogativa e delimitado


com indicações das variáveis que intervêm no estudo de possíveis relações entre si. É um
processo contínuo de pensar reflexivo, cuja formulação requer conhecimentos prévios do assunto
(materiais informativos), ao lado de uma imaginação criadora.

Devido a observação directa da autora sobre a situação do “lixo” e a escavação de vias de acesso
muito em particular as não pavimentadas, provocada pelas águas das chuvas, e havendo a
necessidade de minimização dessa problemática a partir do material já existente, surge a seguinte
questão: Quais são os modelos de diagnóstico na gestão dos resíduos sólidos urbanos no
Município de Nacala-Porto?

1.6. Hipóteses

Para Lakatos e Marconi (2003:220), as hipóteses são o ponto básico do tema, individualizado e
especificado na formulação do problema, sendo uma dificuldade sentida, compreendida e
definida, necessita de uma resposta, "provável, suposta e provisória", isto é, uma hipótese. A
principal resposta é denominada hipótese básica, podendo ser complementada por outras, que
recebem a denominação de secundárias.
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Hipótese é uma proposição que se faz na tentativa de verificar a validade de resposta existente
para um problema. É uma suposição que antecede a constatação dos fatos e tem como
característica uma formulação provisória: deve ser testada para determinar sua validade. Correta
ou errada, de acordo ou contrária ao senso comum, a hipótese sempre conduz a uma verificação
empfrica.

A função da hipótese, na pesquisa científica, é propor explicações para certos fatos e ao mesmo
tempo orientar a busca de outras informações, Lakatos e Marconi (2003:160).

A partir de uma observação prévia feita pela autora a partir de situações observadas em alguns
bairros da cidade e das vivências dos munícipes ao logo dos últimos quatro (4) anos e, a autora
como munícipe residente na mesma cidade de estudo, e frequentando o curso de licenciatura em
Engenharia Ambiental, prevê que este processo de gestão dos resíduos sólidos urbanos no
município pode apresentar alguns impasses que provavelmente estão ligados com:

 A falta de transportes que permitiria a transferência permanente dos resíduos para locais
necessitados ou adequados;
 A falta de fiscalização por parte dos responsáveis indicados no Município no sentido de
verificar a realidade de aplicação dos modelos de gestão dos resíduos sólidos urbanos no
município;
 A falta de um modelo adequado de gestão que permite a reutilização imediata do resíduo
produzido pelo próprio Munícipe;
 A falta de fundos para a compra não só de transportes para o efeito, mas também na
compra de combustíveis para o deslocamento dos resíduos sólidos para locais
necessitados ou adequados.
 A falta de conhecimento sobre os modelos de Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos
aplicados por outros Municípios dentro ou fora do país.
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Capítulo II – Revisão da Literatura

2.1. Definições
2.1.1. Lixo

Para Seibert (2014:15), a palavra lixo, originária do latim LIX, significa “cinza”. Para Branco
(1995) apud Lopes (2003 p. 87), essa forma de compreender o significado da palavra lixo vem
de uma época em que a maior parte dos resíduos de cozinha era formada por cinzas e restos de
lenha carbonizados dos fornos e fogões.

Para Rocha (1993), o vocábulo ‘lixo’ deriva do latim lix, que significa cinza ou lixívia, ou ainda,
uma derivação do verbo lixare, do latim medieval, que indica o acto de polir.

No Mini Dicionário Aurélio (2000, p. 430) a palavra lixo é definida como “o que se varre da
casa, da rua e se joga fora” ou “coisa imprestável”.

No desenvolvimento desta pesquisa considerou-se lixo como tudo “aquilo que é descartado sem
que seus valores sociais, econômicos e ambientais sejam preservados”. (LOGAREZZI, 2006 p.
96). A imagem abaixo mostra a última definição de lixo.

Fig:1. Lixo
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Fonte: Adaptado pela autora

2.2. Resíduo

Resíduo compreende tudo aquilo que sobra de uma atividade qualquer. Ou seja, aquilo que
popularmente é chamado de “lixo”. No entanto, há que se compreender que nas atividades
humanas são gerados resíduos e não lixo. Como resíduos tais materiais possuem valores sociais,
econômicos e ambientais que podem ser preservados, a partir do descarte e coleta seletivos e
conseqüente envio para reciclagem, ou até mesmo para a geração de energia. Mas, se descartado
de forma comum os resíduos podem virar lixo. (LOGAREZZI, 2006 p. 95) citado em Para
Seibert (2014:15). A figura abaixo mostra a definição de resíduo.

Fig:2. Resíduo

Fonte: Adaptado pela autora

2.3. Resíduo sólido

Até meados da década de 1970 os resíduos sólidos foram generalizados como lixo, ou seja, sem
qualquer valor económico. Por esse motivo, muitos pesquisadores da área não consideram o
termo apropriado na actualidade, visto que seu aspecto económico não era considerado. O mais
utilizado na comunidade científica, portanto, é o termo resíduo, que serve como matéria-prima na
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fabricação de outro produto. LOPES (2003, p. 2). A figura abaixo mostra a definição de Resíduo
sólido.

Fig 3: Resíduo sólido

Fonte: Adaptado pela autora

O Regulamento de Gestão de Resíduos, Decreto nº 13/2006 de 15 de Julho, Moçambique, define


resíduos "como quaisquer substâncias ou objectos que são descartados, destinados a serem
descartados ou que são obrigados a ser descartado por lei".
O regulamento classifica os resíduos em duas categorias, resíduos perigosos e não perigosos.
Define os resíduos perigosos como "resíduos que exibem características de risco por estes serem
inflamáveis, explosivos, corrosivos, tóxicos, infecciosos ou radioactivos, ou por exporem
quaisquer outras formas que podem representam perigo para a vida ou saúde das pessoas e outros
seres vivos e para a qualidade do ambiente". Resíduos não perigosos são definidos como
"resíduos que não contêm características de risco".
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Para Moreira et al (1994) a comunidade económica europeia (CEE), de acordo com as directrizes
75/442 e 78/319, define o lixo como “qualquer substância ou objecto cujo detentor se desfaz
segundo a legislação vigente”.

2.4. Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos – GRSU

Em virtude da problemática dos RSU, há necessidade da adopção de medidas para o controle


destes, desde a geração até a sua destinação final.

Para Magalhães (2008:21), a GRSU compreende todas as ações adoptadas no sistema de limpeza
urbana, sendo assim, integrada pelas etapas de geração, acondicionamento, colecta, transporte,
transferência, tratamento e destinação final do lixo urbano, além da limpeza de logradouros
públicos.

2.4.1. Geração e acondicionamento

A quantidade de resíduos produzida por uma população é bastante variável e depende de uma
série de fatores, como renda, natureza das atividades econômicas, época do ano, hábitos de
consumo, movimento da população nos períodos de férias e fins de semana e métodos de
acondicionamento de mercadorias, com a tendência mais recente de utilização de embalagens
descartáveis. Essa informação é considerada fundamental para a proposta da gestão sustentável
dos RSU, Magalhães (2008:21).

Os métodos de acondicionamento de resíduos utilizados incluem a utilização de tambores


metálicos ou plásticos contendo o lixo solto, caixas de papelão e o predominante descarte em
receptáculos plásticos, como sacolas de supermercado e sacos de lixo, Magalhães (2008:21).

Alguns resíduos requerem métodos especiais de acondicionamento, como os oriundos de


serviços de saúde, e aqueles de caráter perfurocortante, devido ao seu potencial risco de prejuízo
á saúde dos coletores e catadores de lixo, Magalhães (2008:21).

2.5. Resíduos Sólidos Urbanos

Segundo D’Almeida (2000), apud Junkes (2002), Resíduo Sólido Urbano – RSU é o conjunto de
detritos gerados em decorrência das atividades humanas nos aglomerados urbanos. Incluem-se
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nesta denominação os resíduos domiciliares, os originados nos estabelecimentos comerciais,


industriais e de prestação de serviços, os decorrentes dos serviços de limpeza pública urbana,
aqueles oriundos dos estabelecimentos de saúde, os entulhos de construção civil bem como os
gerados nos terminais rodoviários, ferroviários, portos e aeroportos. Soares (2006) define lixo
como “todo material sólido resultante das atividades domiciliares, comerciais e públicas de zonas
urbanas e não mais utilizável”.

2.6. Classificações dos RSU

A classificação dos resíduos sólidos é bem diversificada, deste modo, D´Almeida et al (2000)
classificam os resíduos sólidos de acordo com a natureza física em seco e molhado; e por sua
composição química: matéria orgânica e matéria inorgânica.

Segundo a ABNT (1987), os resíduos sólidos, estão definidos de acordo com a NBR 10004, que
os classifica quanto a seus riscos ao meio ambiente e à saúde pública. A fonte distingue três
classes para os resíduos: Classe I – resíduos perigosos, Classe II – não-inertes e classe III –
inertes.

 Classe I (Perigosos): Apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente,


caracterizando-se por possuir uma ou mais das seguintes propriedades: inflamabilidade,
corrosibilidade, reactividade, toxicidade e patogenicidade.
 Classe II (Não-inertes): Podem ter propriedades como: combustibilidade,
biodegradabilidade ou solubilidade, porém, não se enquadram como resíduo I ou III.
 Classe III (Inertes): Não têm constituinte algum solubilizado em concentração superior
ao padrão de potabilidade de águas.

A origem é o principal elemento para a caracterização dos resíduos sólidos. De acordo com
Monteiro (2003), a partir deste critério, os diferentes tipos de lixo podem ser agrupados da
seguinte maneira:

 Doméstico ou residencial: São os resíduos gerados nas actividades diárias em casas,


apartamentos, condomínios e demais edificações residenciais.
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 Comercial: São os resíduos gerados em estabelecimentos comerciais, cujas


características dependem da actividade ali desenvolvida. Nas actividades de limpeza
urbana, o tipo "doméstico" e "comercial" constituem o chamado "resíduo domiciliar",
que, junto com o resíduo público, representam a maior parcela dos resíduos sólidos
produzidos nas cidades.
 Público: São os resíduos presentes nos logradouros públicos, em geral resultantes da
natureza, tais como folhas, galhadas, poeira, terra e areia, e também aqueles descartados
irregular e indevidamente pela população, como entulho, bens considerados inservíveis,
papéis, restos de embalagens e alimentos.
 Domiciliar: Especial Grupo que compreende os entulhos de obras, pilhas e baterias,
lâmpadas fluorescentes e pneus. Observe que os entulhos de obra, também conhecidos
como resíduos da construção civil, só estão enquadrados nesta categoria por causa da
grande quantidade de sua geração e pela importância que sua recuperação e reciclagem
vêm assumindo no cenário nacional.

Fontes especiais: São resíduos que, em função de suas características peculiares, passam a
merecer cuidados especiais em seu manuseio, acondicionamento, estocagem, transporte ou
disposição final. Dentro da classe de resíduos de fontes especiais, merecem destaque: resíduo
industrial, radioactivo, de portos, aeroportos e terminais rodo-ferroviários, agrícola e resíduos de
serviços de saúde.

Para Fonseca (1999), os resíduos podem ser classificados segundo a possibilidade de


degradação:

Resíduos orgânicos: estes podem ser degradados por acção biológica e decompõem-se
com o tempo, sendo que tem a possibilidade de integração ao solo. Sua origem é do tipo
animal, vegetal e todos aqueles materiais que contém carbono, hidrogénio, oxigénio e
nitrogénio. O seu inadequado maneio pode conduzir à contaminação do solo, da água e
do ar, podendo gerar focos infecciosos e atrair vectores de enfermidades.
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Fig 4: Resíduos orgânicos

Fonte: Adaptado pela autora

Resíduos inorgânicos: são formados por todas as substâncias pouco alteráveis por acção
biológica, considerados na forma ampla como “não biodegradáveis”; nomeadamente,
plástico, vidro, cerâmica, materiais sintéticos, metais, entre outros.

2.7. Os problemas causados pelos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU)


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Entrelaçadas com a problemática do lixo, os RSU estão variadas modalidades de poluição, pois
existem factores de interdependência entre as mesmas. Mota (1981:65), nos exemplifica dizendo
que o lançamento do lixo em terrenos baldios resulta na poluição do solo e pode ocasionar a
poluição da água superficial ou subterrânea, através do escoamento ou infiltração da água da
chuva percolada através dos resíduos. A queima do lixo exposto resulta na poluição do ar. A
poluição visual, aspecto estético desagradável, é outra consequência dos depósitos a céu aberto.
Para coelho (1994:47), o lixo doméstico pode gerar contaminações decorrentes de uma variedade
de bactérias, muitas delas patogénicas, tais como estreptococos, estafilococos, bacilos do tétano,
salmonelas etc. O lixo atrai ainda insectos e ratos que, dada sua elevada taxa de reprodução,
propagam rapidamente estas bactérias patogénicas.
Os urubus também podem trazer problemas, pois abrigam o vírus da toxoplasmose, e os cães que
frequentam nas lixeiras podem transmitir a sarna. O lixo é um meio propício, ainda para a
ocorrência da hepatite a, transmitida através das fezes humanas.

Mota (1981:68), também confirma a problemática dos resíduos argumentando sobre estes
aspectos. Ele acredita que quando o lixo é depositado em aterros a céu aberto, a poluição do solo
pode resultar em: Aspecto estético desagradável; Maus odores resultantes da decomposição de
detritos; Proliferação de insectos e roedores, transmissores de doenças; Possibilidade de acesso
de pessoas, podendo ocasionar doenças por contacto directo; Poluição da água subterrânea ou
superficial, através da infiltração de líquidos e carregamento de impurezas por escoamento
superficial; Possibilidade de queima de resíduos, com incómodos à população e causando
poluição do ar; Desvalorização de áreas próximas ao depósito dos resíduos sólidos.
O mesmo autor complementa dizendo que:
As consequências do lançamento de resíduos no solo estão bastante relacionadas
com o ambiente que o cerca. A partir dos resíduos colocados no terreno podem
originar-se líquidos de percolação, os quais atingirão colecções superficiais ou
subterrâneas de água. Existem ainda problemas relacionados com o aspecto
estético (poluição visual) e com maus odores (Mota, 1981, p. 72).

Figueiredo (1995), acredita que nas sociedades actuais, particularmente nas industrializadas,
observa-se que, a despeito das reais preocupações com relação aos resíduos, são frequentes as
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práticas que, longe de aprofundar na discussão servem apenas de camuflagem ou de esquiva aos
problemas fundamentais associados à questão, com a intenção de manter e reproduzir a estrutura
e a dinâmica vigente.

Contudo, Coelho (1994) confirma que muitas nações industrializadas compartilham de uma
abordagem oficial, no que diz respeito a uma hierarquia de estratégias, para o tratamento do lixo.
Esta hierarquia vem de uma lista de opções administrativas em ordem de prioridades, sendo as de
3R’s a mais dominante:

a) Redução das fontes de produção de lixo (evitando em primeiro lugar a produção de


detritos);
b) Reutilização directa de produtos;
c) Reciclagem de resíduos;
d) Incineração com recuperação de energia;
e) Como ultimo recurso, o aterro sanitário.
Devido a factores como negligência das autoridades responsáveis, custos elevados, problemas
tecnológicos e outros, os resíduos são frequentemente processados de forma inadequada. A
disposição dos resíduos a céu aberto, tão difundida nos países subdesenvolvidos, traz sérias
implicações sociais, ambientais e de saúde pública.
São raras as acções públicas referentes a gestão e destinação correcta dos RSU. Este é um
problema que existe, mas que é fácil de ser escondido dos cidadãos, pois geralmente a colecta
dos resíduos se da de forma satisfatória, porém a colecta é apenas o início de todo o processo de
gestão. Então o que quase sempre acontece é a remoção dos RSU dos centros urbanos, locais de
maior aglomeração residencial ou visitação para um outro local de menor relevância social e
política. Muda-se o local do problema, mas ele permanece.
Assim acredita-se que:
O lixo urbano por ser inesgotável, torna-se um sério problema para os órgãos
responsáveis pela limpeza pública, pois diariamente grandes volumes de resíduos
de toda a natureza são descartados no meio urbano necessitando de um destino
final adequado. Entretanto a escassez de recursos técnicos e financeiros vem
limitando os esforços no sentido de ordenara disposição dos resíduos, que
terminam por ser lançados directamente no solo, no ar e nos recursos hídricos.
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Isso acarreta a poluição do meio ambiente e reduz a qualidade de vida do


homem. (Lima, 1995, p. 7).

2.8. Ética e educação ambiental

Para Logarezzi (2004, p. 237), a Educação Ambiental apresenta alguns aspectos que devem ser
considerados no gerenciamento dos resíduos sólidos. Dessa forma, o autor apresenta:

 a Educação não escolar - governantes: mediante a promoção de capacitação referente à


questão ambiental, em específico, sobre resíduos sólidos à equipes que actuam nas
secretarias municipais envolvidas e discussão dos objetivos e dificuldades da questão em
pauta;
 Educação não escolar – catadores: participação dos catadores em atividades educativas
que também lhes ofereçam oportunidade de desenvolver-se pessoalmente, com o
objectivo de auxiliar na promoção de sua cidadania. Assim primeiramente deve ser
enfocado o resgate da auto-estima do catador. As abordagens utilizadas devem se pautar,
entre outros aspectos, na concepção que o catador tem sobre o seu papel, direcionando-o
a se admitir como um “agente ambiental”, que se sinta motivado, não apenas pela
necessidade de sobrevivência, mas também por sua contribuição às adequadas soluções
ambientais para o problema da destinação dos resíduos sólidos;
 Educação não escolar – cidadãos: considerando cidadão comum todos os moradores do
município, considera-se que os programas devem adotar o princípio do 3Rs, ou seja,
trabalhar com o público alvo a necessidade das mudanças de hábito em relação ao
descarte de resíduos e principalmente a necessidade de mudanças de valores em relação
ao consumo de produtos e serviços com vistas à minimização de resíduos;
 Educação escolar: deve ser tratada de modo transversal às diversas atividades escolares e
interdisciplinares, procurando integrar as várias áreas do conhecimento na compreensão e
no tratamento dos problemas, unindo pessoas dos diversos campos de atuação
profissional. Faz-se necessário também, o desenvolvimento de conhecimentos teóricos de
modo a fazerem sentido prático para o aprendiz, motivando e dando sentido à
aprendizagem, além da abordagem de aspectos relacionados à sua participação política no
23

encaminhamento de ações que visem um mundo “socialmente mais justo e


ambientalmente mais sustentável”. LOGAREZZI, (2004, p. 237-240).

A educação ambiental tenta resgatar a recuperação do horizonte histórico entre o homem e a


natureza. Pode-se dizer que a educação ambiental procura romper a centralização da idéia
mecanicista, onde a natureza se faz inserida, porém, perde-se em qualidade, num mundo
globalizado que parece ser apenas quantitativo.

Por essa razão, a idéia mecanicista mostra-se centralizadora e fundamental, mas em termos de
informação, torna-se insuficiente por não contribuir pela escassez de esclarecimentos em relação
aos problemas transversais que hoje ocorre com mais frequência, na natureza. E essa idéia
mecanicista referenciada está intimamente ligada à idéia de uma natureza sem vida, porque não,
mecânica. Nesse sentido, Grun (1996), argumenta: “a natureza de cores, tamanhos, sons, cheiros
e toque hoje é substituído por um mundo sem qualidades”.

E é através dessa óptica, que a educação ambiental deve assumir uma posição de promoção no
que tange aos conhecimentos dos problemas existentes e interligados ao meio ambiente.
Pergunta-se: Como se pode desenvolver esse projecto como ações educativas, para que se possa
permitir a tomada de consciência à realidade? E como análise, qual o tipo de relação existente
nesse impasse, como intervenção, entre o homem e a natureza? No entanto, a educação
ambiental abordada nesse contexto social pode se permitir a compreensão das características
complexas do meio ambiente, como também, compreender e interpretar a sua interdependência
entre os diversos elementos envolvidos que se interagem, mutuamente, com os seres vivos.
24

Capítulo III: Metodologia

Para Ander-Egg (1978:28) citado em Lakatos e Marconi (2003:155), a pesquisa é um


"procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou
dados, relações ou leis, em qualquer campo do conheciIpento". A pesquisa, portanto, é um
procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que requer um tratamento científico
e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais.

De acordo com Lakatos e Marconi (2003:220), a especifIcação da metodologia da pesquisa é a


que abrange maior número de itens, pois responde, a um só tempo, às questões como?, com
quê?, onde?, quanto?

Metodologia é o conjunto de métodos e técnicas utilizadas para a execução de uma pesquisa;


nesta secção é apresentada a abordagem e o nível de pesquisa e do respectivo processo de
seleção, dos métodos/técnicas de recolha de dados, Lakatos & Marconi (2003:220).

Segundo a definição de Lakatos & Marconi (2003:83) afirma que: O método é o conjunto das
actividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o
objectivo - conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a ser seguido, detectando
erros e auxiliando as decisões do cientísta.

3.1. Tipo de pesquisa


3.1.1. A pesquisa quanto aos objectivos

A pesquisa será descritiva visto que este, tem como principal objectivo descrever, analisar bem
como identificar características de determinada população, fenómeno ou estabelecimento de
relações entre variáveis. Nessa perspectiva, a autora vai avaliar a partir de análises dos modelos
25

de gestão de resíduos sólidos urbanos no município de Nacala-Porto permitindo comparar o


ambiente que se vive com os munícipes na implementação desses modelos de gestão.

3.2. A pesquisa quanto aos procedimentos


Para Lakatos & Marconi (2003:186), Pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de
conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma
resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou
as relações entre eles.
Consiste na observação de factos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na colecta de
dados a eles referentes e no registro de variáveis que se presume relevantes, para analisá-los. A
pesquisa de campo propriamente dita "não deve ser confundida com a simples colecta de dados
(este último corresponde à segunda fase de qualquer pesquisa).
Este projecto prevê uma pesquisa de campo, onde a pesquisadora fará a observação e colecta de
dados directamente nas áreas ligadas ao trabalho (conselho municipal e a cidade no geral).
Nesses locais, a pesquisadora pretende observar as condições de implementação dos modelos de
diagnóstico dos resíduos sólidos urbanos, a natureza do problema, as fontes de informação, os
recursos humanos, os instrumentos financeiros disponíveis, a capacidade do órgão gestor e as
consequências de sócio-ambientais advindas do problema. A autora apoiar-se-á na pesquisa não
experimental, concretamente na forma de estudo de caso, uma vez que a autora fará o estudo
sobre a implementação dos modelos de diagnóstico na gestão de resíduos sólidos urbanos.
Como auxilio, a autora usou e usará a pesquisa bibliográfica, que conforme o Cervo e Bervian
(1983: 69), este método procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas
em documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte da pesquisa descritiva ou
experimental. Em ambos casos, busca conhecer e analisar as contribuições culturais ou
científicas do passado.

3.3. Pesquisa quanto à abordagem


Já quanto à abordagem do problema a pesquisa é classificada como qualitativa. Segundo
Richardson (1999: 80), os seus estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem
descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interacção de certas variáveis,
26

compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais. É de salientar que, ao
longo da realização da pesquisa o autor também em algum momento pode recorrer a abordagem
quantitativa na representação e interpretação de alguns dados que vão ser colectados no terreno
caso necessário.

3.4. Método de pesquisa


O método para abordagem do fenómeno será Indutivo ou Indução, uma vez que a pesquisadora
irá considerar um número suficiente de casos particulares na gestão dos resíduos sólidos urbanos
e concluir para uma verdade geral, particularidades essas que levaram a autora a se interessar na
elaboração do projecto para posteriormente poder velar os aspectos de forma generalizada.
Também usar-se-á o método Dedutivo - Hipotético, na qual a autora parte de simples
suposições (hipóteses) e pretende validar ou refutar mediante a realidade no terreno.

3.4.1. Instrumentos e Técnicas de recolha de dados


Técnica é um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma ciência ou arte; é a
habilidade para usar esses preceitos ou nonnas, a parte prática. Toda ciência utiliza inúmeras
técnicas na obtenção de seus propósitos, Lakatos & Marconi (200:173).

As principais técnicas e instrumentos de recolha de dados a usar no presente estudo são: A


consulta bibliográfica, a observação, a entrevista e o questionário. A escolha de cada um dos
instrumentos ou técnicas dependeu do tipo e da finalidade da investigação a ser realizada, das
abordagens e das fontes de informações ligadas directamente com a observação da autora.

3.4.1.1. Observação

A observação é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos
na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas
também em examinar factos ou fenómenos que se desejam estudar. A observação ajuda o
pesquisador a identificar e a obter provas a respeito de objectivos sobre os quais os indivíduos
não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. Desempenha papel importante nos
27

processos observacionais, no contexto da descoberta, e obriga o investigador a um contacto mais


directo com a realidade, Lakatos & Marconi (200:190).

3.4.1.1.1. Observação assistemática

A técnica da observação não estruturada ou assistemática, também denominada espontânea,


informal, ordinária, simples, livre, ocasional e acidental, consiste em recolher e registrar os fatos
da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais ou precise fazer perguntas
diretas. É mais empregada em estudos exploratórios e não tem planejamento e controle
previamente elaborados.

O que caracteriza a observação assistemática "é o fato de o conhecimento ser obtido através de
uma experiência casual, sem que se tenha determinado de antemão quais os aspectos relevantes a
serem observados e que meios utilizar para observá-los" (Rudio.1979:35) citado em Lakatos &
Marconi (2003:192).

3.4.1.2. Consulta bibliográfica


A consulta bibliográfica é utilizada na pesquisa de determinado tema para elaboração de um
trabalho escrito. O objectivo desta técnica é documentar o trabalho, mostrando que as opiniões
que constam no trabalho são sustentadas pelas fontes consultadas. Sua fmalidadeé colocar o
pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou fIlmado sobre determinado
assunto, inclusive conferencias seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma
fonna, quer publicadas, quer gravadas, Lakatos & Marconi (2003:183).

3.4.1.3. Entrevista

A entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a
respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. Para
Goode e Hatt (1969:237) citado em Lakatos & Marconi (2003:196), a entrevista "consiste no
desenvolvimento de precisão, focalização, fidedignidade e validade de certo ato social como a
conversação". Trata-se, pois, de uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica;
proporciona ao entrevistado, verbalmente, a informação necessária.
28

Para a presente pesquisa, usar-se-á a Entrevista Padronizada ou Estruturada que é aquela em


que o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido; as perguntas feitas ao indivíduo
são predeterminadas. Ela se realiza de acordo com um formulário elaborado e é efetuada de
preferência com pessoas selecionadas de acordo com um plano.

3.4.1.4. Questionário

Questionário é um instrumento de colecta de dados, constituído por uma série ordenada de


perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Em geral, o
pesquisador envia o questionário ao informante, pelo correio ou por um portador; depois de
preenchido, o pesquisado devolve-o do mesmo modo.

Nele, usar-se-ão Perguntas abertas, também chamadas livres ou não limitadas, são as que
permitem ao informante responder livremente, usando linguagem própria, e emitir opiniões. E
Perguntas fechadas ou dicotômicas, também denominadas limitadas ou de alternativas fIxas, são
aquelas que o informante escolhe sua resposta entre duas opções: sim e não.

3.5. Etapas do desenvolvimento da pesquisa


3.5.1. Coleta dos dados

Etapa da pesquisa em que se inicia a aplicação dos instrumentos elaborados e das técnicas
selecionadas, a fIm de se efetuar a coleta dos dados· previstos. É tarefa cansativa e toma, quase
sempre, mais tempo do que se espera. Exige do pesquisador paciência, perseverança e esforço
pessoal, além do cuidadoso registro dos dados e de um bom preparo anterior, Lakatos & Marconi
(2003:165).

3.5.2. Análise e interpretação dos dados

Após a coleta dos dados, realizada de acordo com os procedimentos indicados anterionnente,
eles são elaborados e classificados de forma sistemática. Antes da análise e interpretação, os
dados devem seguir os seguintes passos: seleção, codificação, tabulação.

Uma vez manipulados os dados e obtidos os resultados, o passo seguinte é a análise e


interpretação dos mesmos, constituindo-se ambas no núcleo central da pesquisa.
29

Para Best (1972:152) citado em Lakatos & Marconi (2003:167), "representa a aplicação lógica
dedutiva e indutiva do processo de investigação". A importância dos dados está não em si
mesmos, mas em proporcionarem respostas às investigações.

Análise e interpretação são duas actividades distintas, mas estreitamente relacionadas e, como
processo, envolvem duas operações, que serão vistas a seguir.

 Análise (ou explicação). É a tentativa de evidenciar as relações existentes entre o


fenômeno estudado e outros factores. Essas relações podem ser "estabelecidas em função
de suas propriedades relacionais de causa-feito, produtor-produto, de correlações, de
análise de conteúdo etc. (Trujillo, 1974:178).

Na análise, o pesquisador entra em maiores detalhes sobre os dados decorrentes do trabalho


estatístico, a ftm de conseguir respostas às suas indagações, e procura estabelecer as relações
necessárias entre os dados obtidos e as hipóteses formuladas. Estas são comprovadas ou
refutadas, mediante a análise.

 Interpretação. É a actividade intelectual que procura dar um significado mais amplo às


respostas, vinculando-as a outros conhecimentos. Em geral, a interpretação significa a
exposição do verdadeiro significado do material apresentado, em relação aos objetivos
propostos e ao tema. Esclarece não só o signiftcado do material, mas também faz ilações
mais amplas dos dados discutidos. Na interpretação dos dados da pesquisa é importante
que eles sejam colocados de forma sintética e de maneira clara e acessível.

Para esta pesquisa, a análise será feita combinando as abordagens qualitativas e quantitativas e
interpretando os respectivos quadros e gráficos.

3.6. Universo
O universo da presente pesquisa é toda comunidade abrangida pela pesquisa e residente em
Nacala-Porto e que vive dia-a-dia da problemática levantada na pesquisa (intransitabilidade das
vias de acesso ao bairros devido a descarga da água das chuvas).

3.6.1. Amostra
Constitui como amostra da pesquisa uma parte do seu universo. Neste caso, a pesquisa em causa
usará uma escolha aleatória de 100 envolvidos, sendo 95 no bairro mencionado que servira como
30

foco da pesquisa e a menção sexual também será aleatória, deste que o/a envolvido/a resida na
cidade durante ou mais que o período de estudo mencionado, três (3) técnicos do conselho
municipal ligados ao meio ambiente e urbanização, um gestor ambiental do município e o
vereador para a área de planificação e construção.

3.7. Cronograma
Para Lakatos e Marconi (2003:226), a elaboração do cronograma responde à pergunta quando? A
pesquisa deve ser dividida em partes, fazendo-se a previsão do tempo necessário para passar de
uma fase a outra. Não esquecer que, se determinadas partes podem ser executadas
simultaneamente, pelos vários membros da equipe, existem outras que dependem das anteriores,
como é o caso da análise e interpretação, cuja realização depende da codifIcação e tabulação, só
possíveis depois de colhidos os dados.

Tabela 1: Cronograma das actividades de pesquisa


Período/ Meses (2018/2019)

Nº Actividades Dezembro Janeiro Fevereiro Março Março


01 Levantamento
Bibliográfico X X

03 Elaboração do
Projecto de X
Pesquisa
04 Colecta e
Análise de X
dados
05 Elaboração do
relatório X X
06 Revisão do
trabalho X X
07 Entrega do
31

trabalho final X
Fonte: Adaptado pela autora

3.8. Orçamento

Para Lakatos e Marconi (2003:226), respondendo à questão com quanto?, o orçamento distribui
os gastos por vários itens, que devem necessariamente ser separados.

Tabela 2: Orçamento previsto para o desenvolvimento das actividades de pesquisa


Fase Tipo de Material ou Actividade Preço Unitário Custo Total
Planeamento 1 Resmas de papel A4 140, 00 140, 00
e preparação 10 Esferográficas 10, 00 100, 00
do projecto 2 Lápis HB 5, 00 10, 00
de pesquisa 2 Borrachas 5, 00 10, 00
65 Cópias de guião de entrevista 3, 00 195, 00
Execução da Transporte __________ 1000, 00
pesquisa
Alimentação __________ 1.000,00
Imprevistos __________ 1.500,00

Redacção do
relatório Digitação e Impressão _________ 3.000, 00

Cópia e Encadernação _________ 1.500,00

Total 8.255,00
Fonte: Adaptado pela autora
32

Referência bibliográfica
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BELLEN, Hans Michael Van, Indicadores de sustentabilidade: Uma análise comparativa, 2º
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DIAS, Aníbal Valentim Costa, Gestão Ambiental: Estudo de Caso do estado Pará - CDP, UFSC,
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LIMA, C. R. Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos – Apresentado ao curso de


capacitação em limpeza pública para profissionais de prefeituras. ES. Vitória: 2002.

MARCONI, Maria de Andrade e LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa. 5ªed., Atlas, São
Paulo, 2002.
MAGALHAES, Deborah Neide de; Elementos para o diagnóstico e Gestão dos resíduos sólidos
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33

MINAYO, M. C.S. Saúde e ambiente sustentável: estreitando nós. FIOCRUZ. Rio de Janeiro:
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MONTEIRO, J.H.P. Manual de gerenciamento integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro.


IBAM, 2001. Disponível em: << 1 5 H http://www.resol.com.br Acesso em: 23/03/2020.

APÊNDICES
34

ANEXOS

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