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AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM
AVALIAÇÃO EM PROCESSO
DA APRENDIZAGEM EM PROCESSO
10

Língua
Língua Portuguesa
Portuguesa
1ª série do Ensino Médio Turma ___________________
1ª série do Ensino Médio Turma _________________________
3º Bimestre de 2018 Data ______ /______ /______
3º Bimestre de 2018 Data _______ / _______ / _______
Escola ________________________________________________
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Leia o texto e responda às questões 01, 02, 03 e 04.

Por Um Pé de Feijão
Antônio Torres

Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas
jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (nossa terra, feinha, cheia de altos e
baixos, esconsos1, areia, pedregulho e massapé2) estava explodindo em beleza. E nós
todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e
cantando e logo depois do pôr do sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos
contentes da vida.

Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo.
Agora dava gosto trabalhar.

Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os


pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda
a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma
festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?

E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva3 tão grande que nós,
os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastantes
para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana
e aí é que ia ser o grande pagode4. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo,
para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas
apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinquenta, outros
falavam em oitenta.

No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos.
Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu
pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse
que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando
deu meio-dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as
tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem
vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o

1 esconso. Característica do que é inclinado, ou escorregadio. Aulete digital. Disponível em: <http://
www.aulete.com.br/esconso>. Acesso em: 25 maio 2018.
2 massapé. substantivo masculino. [Geologia] Terra preta argilosa, muito fértil Dicionário Pribe-
ram da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013. Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/
massap%C3%A9>. Acesso em: 25 maio 2018.
3 seva. substantivo feminino. Ação ou efeito de sevar, de ralar a mandioca para fazer farinha. Dicioná-
rio Online da Língua Portuguesa. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/seva/>. Acesso em: 25
maio 2018.
4 Pagode: Pavilhão de construção típica, onde alguns povos do Oriente rendem culto a seus deuses.
Disponível em: https://www.dicio.com.br/pagode/. Acesso em: 25 maio 2018.

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nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior
desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma
nuvem preta, subindo do chão para o céu, como um arroto de Satanás na cara de Deus.
Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão.

Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe.

E eu vi os olhos da minha mãe ficarem muito esquisitos, vi minha mãe arrancando os


cabelos com a mesma força com que antes havia arrancado os pés de feijão:

– Quem será que foi o desgraçado que fez uma coisa dessas? Que infeliz pode ter sido?

E vi os meninos conversarem só com os pensamentos e vi o sofrimento se enrugar na


cara chamuscada do meu pai, ele que não dizia nada e de vez em quando levantava o
chapéu e coçava a cabeça. E vi a cara de boi capado dos trabalhadores e minha mãe
falando, falando, falando e eu achando que era melhor se ela calasse a boca.

À tardinha os meninos saíram para o terreiro e ficaram por ali mesmo, jogados, como uns
pintos molhados. A voz da minha mãe continuava balançando as telhas do avarandado.
Sentado em seu banco de sempre, meu pai era um mudo. Isso nos atormentava um
bocado.

Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta
da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando
voltei, papai estava falando.

– Ainda temos um feijãozinho de corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda
temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar, despalhar,
bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos.

E disse mais:

– Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou.

Então eu pensei: O velho está certo.

Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de


feijão.

TORRES, Antônio. Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, Editora Objetiva – Rio de Janeiro,
2000, pág. 586. Disponível em:<http://contobrasileiro.com.br/por-um-pe-de-feijao-conto-de-antonio-tor-
res/>. Acesso em: 12 maio 2018. (adaptado)5

5 Publicado originalmente em Meninos, Eu Conto, Editora Record – Rio/São Paulo, 1999, o texto
acima foi selecionado por Ítalo Moriconi e consta do livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do
Século, Editora Objetiva – Rio de Janeiro, 2000, pág. 586.

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Questão 01

O texto lido é um conto porque é uma

(A) narrativa concisa, cuja estrutura apresenta introdução, desenvolvimento,


clímax e desfecho.
(B) dissertação em defesa de uma tese, que apresenta introdução,
desenvolvimento e conclusão.
(C) narrativa fictícia que relata em versos livres, situações dramáticas vividas
por seus personagens.
(D) descrição da vida dos habitantes do campo que vivem dos rendimentos
proporcionados pela agricultura.
(E) narrativa cujos personagens, geralmente fictícios, vivem diferentes conflitos
em uma ampla sequência de tempo.

Questão 02

Na frase “E vi os meninos conversarem só com os pensamentos e vi o sofrimento


se enrugar na cara chamuscada do meu pai, ele que não dizia nada e de vez
em quando levantava o chapéu e coçava a cabeça”, os verbos grifados estão
conjugados no pretérito imperfeito do indicativo, pois indicam uma ação

(A) momentânea e não habitual, ocorrida no passado.


(B) que acontecerá em um momento qualquer, num futuro próximo.
(C) que se passa repetidas vezes no passado e que se prolonga até o presente
momento.
(D) que ocorreu antes de outra ação passada, ou um acontecimento que se deu
de forma incerta no passado.
(E) inacabada, acontecida em um determinado momento passado, expressando
ideia de continuidade e de duração no tempo.

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Questão 03

A atitude do pai do narrador, ao final do conto, transmite

(A) a crença de que o ditado popular “Deus põe e o diabo dispõe” está claramente
comprovada no conto.
(B) a mensagem de que nem sempre se pode contar com os vizinhos para
recuperar a plantação de feijão.
(C) a dúvida sobre um futuro promissor cultivando bananeiras, milho e feijãozinho
de corda no quintal.
(D) a ideia de que se deve acreditar na capacidade de persistência e de
reconstrução do homem.
(E) A certeza de que o ócio contribui para trazer prosperidade, riquezas e
felicidades.

Questão 04

No texto “Por Um Pé de Feijão”, o narrador expressa sua opinião sobre a lavoura


em:

(A) “Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa
a cerca que separa o nosso pasto da estrada.”
(B) “Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um
destino comum, uma festa comum, feito gente.”
(C) “E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos
o dia trabalhando e cantando [...]”.
(D) “Sentado em seu banco de sempre, meu pai era um mudo. Isso nos
atormentava um bocado.”
(E) “Em seu lugar, o que havia era uma nuvem preta, subindo do chão para o
céu [...]”.

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Leia os Textos I e II e responda às questões 05 e 06.

Texto I
POEMA DOS OLHOS DA AMADA
Rio de Janeiro, 1959.
Vinicius de Moraes

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus...

Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...

Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.

Ah, minha amada


De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

MORAES, Vinicius de. Novos poemas II. Rio de Janeiro, São José: Edições Euterpe LTDA., 1959.
Disponível em: <http://www.viniciusdemoraes.com.br/poesia/livros/novos-poemas>. Acesso em: 04 jun.
2018. (adaptado)

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Texto II

Charlie Brown – Dia dos namorados

Disponível em: <goo.gl/sQqJm8>. Acesso em: 04 jun. 2018. (adaptado)

Questão 05

Os dois textos têm como inspiração a temática amorosa. Entretanto, nota-se que

(A) no poema, o eu lírico expressa seus sentimentos à maneira romântica, ao


passo que, na tirinha, o autor usa a ironia para abordar a questão amorosa.
(B) na tirinha, os olhos do garoto chamado Schroeder transmitem seu profundo
amor por Lucy, a garotinha e, no poema, os olhos da amada são os
responsáveis pelo amor do poeta.
(C) na tirinha, percebe-se que o amor de Lucy não é correspondido e que
Schroeder está mais interessado em tocar piano e, no poema, o eu lírico
também manifesta sua indiferença.
(D) na tirinha, a alegria de Lucy, no último quadrinho, revela o otimismo do autor
que crê no sentimento amoroso, do mesmo modo que, no poema, esse
otimismo aparece em meio às descrições realistas.
(E) no poema, há apenas uma preocupação com os mistérios ocultos nos
olhos da mulher amada, enquanto na tirinha, Lucy, a garota, só procura,
desesperadamente, atrair o olhar de seu amado.

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Questão 06

No poema (Texto I), Vinícius de Moraes fez uso de uma figura de linguagem
denominada metáfora em:

(A) “De verem um dia/O olhar mendigo/Da poesia/Nos olhos teus”.


(B) “Ah, minha amada/De olhos ateus/Cria a esperança/Nos olhos meus”.
(C) “Ó minha amada/Que olhos os teus/São cais noturnos/Cheios de adeus”.
(D) “Quantos saveiros/Quantos navios/Quantos naufrágios/Nos olhos teus...”
(E) “Pois não os fizera/Quem não soubera/Que há muitas eras/Nos olhos teus”.

Leia o texto e responda à questão 07.

Competição entre robôs e humanos afetará salários’, diz economista

O pesquisador dos efeitos do avanço da inteligência artificial sobre economia,


educação e mercado de trabalho está no Brasil, onde afirma que uma forma de
contornar o impacto negativo na renda seria que os trabalhadores também fossem
donos das máquinas.

Richard Freeman, economista e professor da Universidade Harvard

PUBLICADO EM 14/11/17 - 03h00

SÃO PAULO. A competição entre seres humanos e robôs por empregos qualificados e bem
remunerados já começou e deverá se acirrar no futuro. Como as máquinas serão mais
produtivas em todas as profissões, a renda do trabalho deverá crescer muito lentamente
e corre o risco até de encolher. O prognóstico é feito pelo economista Richard Freeman,
da Universidade Harvard, que pesquisa os efeitos do avanço da inteligência artificial sobre
economia, educação e mercado de trabalho.

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[...]

A preocupação de que os robôs vão substituir os humanos é legítima?


A preocupação não é que os humanos não vão ter mais trabalho, mas que perderão
empregos bons e bem pagos. Médicos, por exemplo. Já se pode fazer muita coisa com
inteligência artificial que dispensa os médicos. As máquinas conseguem ver coisas que os
médicos muitas vezes não conseguem e conseguem chegar a uma conclusão melhor. Isso
está todos os dias nas revistas científicas.

[...]

Mas, por outro lado, há muito pouca pesquisa sobre qual é o impacto das máquinas
sobre o trabalho, não? Uma das poucas, de (Daron) Acemoglu e (Pascual) Restrepo,
mostra um efeito não tão grande.
Sim, muitos países hoje estão com pleno emprego. Mas a renda está crescendo cada vez
mais devagar. O sinal desse efeito das máquinas não será no emprego, mas nos salários:
não vamos mais conseguir o tipo de emprego que paga bem. A forma como fazemos as
coisas está mudando e não há como impedir isso.

Como esse crescimento mais lento da renda se relaciona com a robotização?


Há muito pouca evidência. Mas o trabalho de Acemoglu mostra que, nas cidades em
que os robôs entraram, os salários caíram. Algumas das funções de vocês hoje já são
desempenhadas por jornalistas robôs. Os robôs, por enquanto, só escrevem sobre esporte,
este time ganhou daquele por tanto, nada muito complexo, mas a inteligência artificial os fará
cada vez melhores. Portanto, se você for pleitear aumento de salário, precisará entender
que haverá robôs cada vez melhores e mais baratos que poderão substituí-lo.

É possível evitar isso? Ou devemos esquecer os empregos e comprar alguns robôs?


Sim, podemos comprar os robôs. Isso será ótimo.

É inclusive sua recomendação, não?


Sim. Antigamente, nos Estados Unidos, você tinha seu próprio negócio, o da família, ou
era um artesão e tinha seu equipamento. Vamos pensar em um encanador. Ele entende
de canos, tem habilidades mecânicas. Se ele tiver um robô com conhecimento específico,
poderá fazer um trabalho melhor.

[...]

O que as novas gerações podem fazer para se preparar?


É muito importante que as crianças aprendam linguagem de computador. Não precisam
virar programadores, mas entender o que as máquinas são capazes de fazer, para poder
funcionar nesse novo mundo. A Universidade de Illinois passou a unir todas as carreiras com
ciências da computação. Se você estuda jornalismo, também estuda ciência da computação
e tem uma dupla graduação, para ter uma ideia do que é preciso na sua área em relação à
tecnologia. Para estar preparado e se ajustar. [...]

Jornal O Tempo. Disponível em: <https://www.otempo.com.br/interessa/tecnologia-e-games/


competi%C3%A7%C3%A3o-entre-rob%C3%B4s-e-humanos-afetar%C3%A1-sal%C3%A1rios-diz-econo-
mista-1.1542367>. Acesso em: 05 jun. 2018. (adaptado)

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Questão 07

O texto lido é uma entrevista porque apresenta

(A) introdução, desenvolvimento, conclusão, descrições das ações dos


personagens, marcas de oralidade.
(B) linguagem subjetiva, descrições das ações dos personagens, entrevistado e
entrevistador, foto ilustrativa, título secundário.
(C) texto informativo e opinativo, diálogo entre duas pessoas, argumentos
contrários à tese apresentada, desenvolvimento, conclusão.
(D) marcas do discurso direto, linguagem dialógica e oral, título principal,
informações e opiniões, entrevistado e entrevistador.
(E) título e subtítulo, introdução, personagens principais e secundários,
linguagem subjetiva, argumentos favoráveis à tese apresentada.

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Leia o trecho do romance O cortiço e responda à questão 08.

[...]
Afinal, já lhe não bastava sortir o seu estabelecimento nos armazéns fornecedores,
começou a receber alguns gêneros diretamente da Europa: o vinho, por exemplo, que
ele dantes comprava aos quintos nas casas de atacado, vinha-lhe agora de Portugal às
pipas, e de cada uma fazia três com água e cachaça; despachava faturas de barris de
manteiga, de caixas de conservas, caixões de fósforos, azeite, queijos, louça e muitas
outras mercadorias.
[...]
E toda a gentalha daquelas redondezas ia cair lá, ou então ali ao lado, na casa
do pasto, onde os operários das fábricas e os trabalhadores da pedreira se reuniam
depois do serviço, e ficavam bebendo e conversando até às dez horas da noite, entre
o espesso fumo dos cachimbos, do peixe frito em azeite e dos lampiões de querosene.
Era João Romão quem lhes fornecia tudo, tudo, até dinheiro adiantado, quando
algum precisava. Por ali não se encontrava jornaleiro, cujo ordenado não fosse inteirinho
parar às mãos do velhaco. E sobre este cobre, quase sempre emprestado aos tostões,
cobrava juros de oito por cento ao mês, um pouco mais do que levava aos que garantiam
a dívida com penhores de ouro ou prata.

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Martins, 1959. p. 30-31. (adaptado)

Questão 08

O trecho, aqui reproduzido, apresenta uma das figuras centrais, João Romão,
cujo caráter se revela e que , sendo um personagem marcante, nos é apresentado
como um tipo humano

(A) divertido e rico.


(B) desonesto e gentil.
(C) caridoso e beberrão.
(D) trabalhador e religioso.
(E) ambicioso e inescrupuloso.

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Leia os textos e responda às questões 09 e 10.

Texto I

SERVIÇO: Espetáculo “Galileu Galilei” entra em cartaz no Teatro João Caetano


Estrelada pela atriz Denise Fraga, peça é adaptação da obra de Bertolt Brecht
16:04 04/10/2016

De Secretaria Especial de Comunicação

A partir da próxima quinta-feira, dia 6 de outubro, o Teatro Municipal João Caetano


recebe o espetáculo “Galileu Galilei”. Estrelada pela atriz Denise Fraga, a peça
é uma adaptação da obra “A Vida de Galileu”, de Bertolt Brecht. Na trama, o
cientista precisa mentir para se livrar da Santa Inquisição.
Com direção de Cibele Forjaz, a montagem traz um jogo teatral divertido por meio
de muitos atores em cena que manipulam o cenário e fazem a contrarregragem6.
A trilha sonora de Lincoln Antônio e Théo Werneck cria novas canções, ambientes
sonoros e reinventa músicas originais de Hanns Eisler para a obra de Brecht.
Os figurinos, de Marina Reis, passam pela Renascença chegando até o futuro
próximo, ora identificando épocas, ora sugerindo a atemporalidade das questões.
A peça “Galileu Galilei” fica em cartaz no Teatro João Caetano até o dia 16 de
outubro. Os ingressos serão vendidos na própria bilheteria do teatro, uma hora
antes do início da cada sessão.
SERVIÇO:
“Galileu Galilei”
Local: Teatro Municipal João Caetano - Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino.
Datas: de 6 a 16 de outubro.
Horário: 5ª a sábado, às 21h | domingo, às 19h.
Ingressos: R$ 20,00 – estudantes e idosos pagam meia.
Os ingressos serão vendidos na própria bilheteria do teatro, uma hora antes do
início da cada sessão. Sujeito à lotação do espaço.

Disponível em:<http://www.capital.sp.gov.br/noticia/servico-espetaculo-201cgalileu-galilei201d-entra-em-cartaz-no-teatro-joao-caetano>.
Acesso em: 07 jun. 2018.

6 contrarregragem – Função exercida pelo contrarregra. Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.
Disponível em:<http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=contrarregragem> Acesso em: 07 jun. 2018.
contrarregra – Técnico cujo trabalho consiste em acompanhar o desenvolvimento de um espetáculo teatral, show, filmagem
ou programa de televisão, cabendo-lhe cuidar das peças móveis do cenário e demais elementos cênicos, das entradas
e saídas dos atores, da supervisão do trabalho da equipe técnica, da aplicação dos efeitos sonoros complementares etc.
Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=
0&palavra=contrarregra>. Acesso em: 07 jun. 2018.

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Texto II

Disponível em: <https://esquadraodoconhecimento.files.wordpress.com/2011/12/lei-da-gravidade.png>.


Acesso em: 07 jun. 2018. (Adaptado)

Questão 09

Comparando os textos, é correto afirmar que:

(A) Ambos os textos, dentro da especificidade de seus gêneros, revelam


aspectos relevantes das vidas desses cientistas.
(B) O Texto II pressupõe que os alunos conhecem bem as teorias de Newton e
o texto I traz a vida de Galileu para o teatro.
(C) Tanto o Texto I como o Texto II têm como foco principal sábios que
desenvolveram importantes teorias científicas.
(D) O Texto I, assim como o Texto II, trata o cientista Galileu Galilei de forma
irreverente, cômica e ao mesmo tempo dramática.
(E) O Texto I descreve, com detalhes, o cenário, os figurinos e as músicas da
peça e o Texto II apenas faz menção à teoria de Newton.

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Questão 10

Considerando todo o contexto do Texto I, o verbo destacado na frase “A peça


“Galileu Galilei” fica em cartaz no Teatro João Caetano até o dia 16 de outubro”
indica uma ação que

(A) foi realizada em um passado recente.


(B) será realizada em um futuro próximo.
(C) ocorre no momento exato em que é relatada.
(D) acontecia de modo habitual em um passado distante.
(E) tem possibilidade de acontecer no presente, passado ou futuro.

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Leia o texto e responda à questão 11.

Nem uma, nem outra


Machado de Assis

Numa tarde do mês de março, entrava no Hotel Ravot um velho mineiro que, nesse
mesmo dia chegara de Mar de Espanha7. Trazia um camarada consigo e alojou-se num
dos apartamentos do hotel, tendo o cuidado de restaurar as forças com um excelente
jantar.
O velho representava ter cinquenta anos, e eu peço perdão aos homens que têm
essa idade, sem, todavia, estarem velhos. O viajante de quem se trata, posto viesse de um
clima conservador, estava alquebrado. Via-se pela cara que não era homem inteligente,
mas tinha nos traços severos do rosto os sinais positivos de uma grande vontade. Era alto,
um pouco magro, tinha os cabelos todos brancos. No entanto, era alegre, e desde que
chegara à corte divertia-se muito com os espantos do criado que pela primeira vez saía da
sua província para vir ao Rio de Janeiro.
Quando acabaram de jantar, amo e criado entraram a conversar amigavelmente e
com aquela boa franqueza mineira tão apreciada pelos que conhecem a província. Depois
de rememorarem os incidentes da viagem, depois de comentarem o pouco que o criado
conhecia do Rio de janeiro, entraram ambos no principal assunto que trouxera o amo ao
Rio de Janeiro:
- Amanhã, José, disse o amo, precisamos ver se descobrimos meu sobrinho. Não vou
daqui sem levá-lo comigo. [...]

ASSIS, Machado de. Nem uma, nem outra. Contos fluminenses. São Paulo: Clube do livro, 1960. p. 85.
(adaptado)

Questão 11

No texto, o narrador revela sua opinião em:

(A) “[...] eu peço perdão aos homens que têm essa idade, sem todavia estarem velhos.”
(B) “O viajante de quem se trata, posto viesse de um clima conservador, estava
alquebrado.”
(C) “[...] divertia-se muito com os espantos do criado que pela primeira vez saía da sua
província para vir ao Rio de Janeiro.”
(D) “Numa tarde do mês de março, entrava no Hotel Ravot um velho mineiro que,
nesse mesmo dia chegara de Mar de Espanha.”
(E) “Trazia um camarada consigo e alojou-se num dos apartamentos do hotel, tendo o
cuidado de restaurar as forças com um excelente jantar.”
7 Mar de Espanha, cidade município e comarca do Estado de Minas Gerais, na zona cafeeira da mata,
e servida pela Estrada de ferro Leopoldina. (Nota do “Clube do Livro”).

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Leia o texto e responda à questão 12.

XLI
Cantem outros a clara cor virente8
Do bosque em flor e a luz do dia eterno…
Envoltos nos clarões fulvos9 do oriente,
Cantem a primavera: eu canto o inverno.

Para muitos o imoto10 céu clemente11


É um manto de carinho suave e terno:
Cantam a vida, e nenhum deles sente
Que decantando12 vai o próprio inferno.
Cantam esta mansão, onde entre prantos
Cada um espera o sepulcral punhado
De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos…

Cada um de nós é a bússola sem norte.


Sempre o presente pior do que o passado.
Cantem outros a vida: eu canto a morte...

GUIMARAENS, Alphonsus de. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1960. p. 351.

Questão 12

No poema, nota-se o uso de uma figura de linguagem, caracterizada pela repetição do


fonema nasal /ã/ em palavras como: cantem, manto, canto(s), cantam, decantando,
prantos. Essa figura de linguagem é a

(A) metáfora.
(B) aliteração.
(C) assonância.
(D) metonímia.
(E) sinestesia.

8 virente: Verde, viçoso, que verdeja. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em: <https://www.
priberam.pt/dlpo/virente>. Acesso em: 02 jul. 2018.
9 fulvo: Ruivo, de cor meio avermelhada; amarelo-tostado, louro-dourado. Dicionário Online da Língua
Portuguesa. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/fulvo/>. Acesso em: 02 jul. 2018.
10 imoto: Que não se consegue mover; desprovido de movimento; imóvel. Dicionário Online da Língua Portuguesa.
Disponível em:<https://www.dicio.com.br/imoto/>. Acesso em: 02 jul. 2018.
11 clemente: que tem clemência; indulgente, bondoso, benigno. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.
Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/clemente>. Acesso em: 02 jul. 2018.
12 Decantar: Exaltar, engrandecer, celebrar. Dicionário Online da Língua Portuguesa. Disponível em: <https://
www.dicio.com.br/decantar/. Acesso em: 02 jul. 2018.

16 Avaliação da Aprendizagem em Processo ∙ Prova do Aluno – 1ª série do Ensino Médio

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