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Prof.

ª Mariana Mendes

03
Aluna: MariaClara Welker

ANÁLISE
HARMÔNICA
Para que serve a análise?
A análise, seja ela qual for, é uma ferramenta para auxiliar em algo.
Geralmente analisamos uma música para que possamos interpretá-la
melhor (dentro de uma concepção) - como na análise harmônica.
Entretanto, é importar lembrar que não existe apenas um tipo de análise e
somente uma resposta correta.
Podemos analisar uma obra a partir de sua harmonia, melodia, ritmo,
espectro, performance, gravação, etc. Para se chegar a uma resposta
'correta', para além dos dados obtidos pela ferramenta análitica, deve-se
considerar também o olhar, ou linha de raciocínio, do analista. Por isso é
comum que junto com os dados obtidos pela ferramenta tenha-se
também um texto explicativo, escrito pelo analista, que apresente o
contexto da análise realizada e quaisquer outras explicações
complementares.
Análise Harmônica
No campo da análise harmônica duas linhas se destacam: a análise
funcional e a análise tradicional - ambas geralmente acompanhadas
também pela cifragem do acorde.
Importante lembrar que ao analisar uma obra harmonicamente, algumas
notas da melodia não deverão ser consideradas. Isso acontece porque
algumas delas são as chamadas 'notas estranhas ao acorde', como por
exemplo as notas de passagem, apojaturas, retardos, etc.
É comum também que em alguns trechos fiquemos em dúvida em relação
a qual tonalidade estamos diante. Isso acontece devido às transições, na
qual a harmonia pode ficar instável. Nesses casos, a melhor escolha é
fazer a análise considerando as duas tonalidades (a original e a da
transição), uma abaixo da outra. Quando a nova tonalidade se firmar,
segue-se analisando apenas ela.
Análise Harmônica
Mesmo que ao analisarmos uma obra harmonicamente
geralmente nos apoiamos somente na partitura, também é muito
importante que escutemos a obra (seja por gravação ou
executando ao vivo). A escuta nos ajudará a entender a harmonia
da obra.
Análise Funcional
Na análise funcional apresenta-se a função daquele acorde, ou seja, se é Tônica (T),
Dominante (D) ou Subdominante (S) e suas respectivas relativas, quando for o caso.
Ex:

Quando o acorde for invertido ou tiver a sétima, acrescentaremos à função o grau que está
no baixo e/ou a nota que foi acrescentada. Por exemplo, se a dominante for com sétima e
estiver na segunda inversão, colocaremos o número 7 no lado superior direito da função e o
número 5 (quinta do acorde, que é o baixo na segunda inversão) no lado inferior direto da
função, como podemos ver no segundo compasso do exemplo acima.
Análise Funcional
A cifra da função deverá ser maiúscula quando o acorde a que ele se refere for Maior e
minúscula quando o acorde for menor. Entretanto, pode-se também utilizar a primeira
letra maiúscula e o 'r' minúsculo ao lado para representar aqueles acordes com função
relativa, no contexto do campo harmônico Maior, e o inverso quando estivermos no campo
harmônico menor. Para representar os acordes diminutos, utiliza-se o D (já que também
exercem função de Dominante), mas com um corte horizontal e o número 7 ao lado. Para
facilitar, segue a cifragem funcional dos campos harmônicos Maior e menor:

Maior: T - Sr - Dr - S - D - Tr - D 7

|
s - Ta Ambas as formas estão corretas. No caso do terceiro
grau, há quem o considere como Dominante relativa e há
quem o considere Tônica Antirelativa.

menor: t - s6 - tR - s - D - sR - D 7

|
Análise Tradicional
Na análise tradicional apresenta-se o grau do acorde dentro do campo harmônico que
ele pertence, ou seja, se é I, ii, iii, IV, V, vi ou viii° - no caso do campo harmônico Maior.
Ex:

Diferente da cifragem funcional, na análise tradicional o número ao lado do grau diz respeito
ao 'baixo cifrado'. No baixo cifrado calcula-se o intervalo do baixo para a fundamental e,
quando for o caso, também até a sétima. Utiliza-se os números romanos para representar os
graus e quando o acorde for menor utiliza-se letra minúscula.
Análise Tradicional
Para facilitar o entendimento, segue os símbolos do baixo cifrado nas tríades e tétrades e
também a relação dos graus nos campos harmônicos Maior e menor.
Análise Tradicional
CAMPO HARMÔNICO MAIOR

CAMPO HARMÔNICO MENOR


Acordes secundários
É comum que o compositor utilize acordes secundários, que são aqueles retirados de outro
campo harmônico. Um caso bem comum é a utilização da Dominante da Dominante, ou V do
V. Para ilustrar, se a obra estiver no tom de Dó Maior, temos o acorde de Sol Maior como V
(Dominante). Se eventualmente aparecer o acorde de Ré Maior, sobretudo se estiver
precedendo o Sol Maior, provavelmente estaremos diante de uma 'Dominante Secundária',
ou seja de um V do V, uma vez que o Ré Maior é Dominante do Sol Maior.
Para representar esses acordes secundários, na
cifragem funcional colocamos a função entre
parênteses e na tradicional inserimos o grau do
campo harmônico correspondente logo abaixo.
Segue ao lado um exemplo da aplicação dessas
notações:
Cadencial seis quatro / sexta quarta cadencial
Estamos diante de um 'seis quatro cadencial' quando a tríade da tônica encontra-se na
segunda inversão (quinta no baixo) e precede o acorde do V. Também é comum que após o V
tenha-se uma progressão de V-I.
Funcionalmente entende-se que o acorde da tônica assume a função de Dominante, mas com
duas notas suspensas, que se resolverão na terça e quinta do acorde do V.
A nomenclatura "seis quatro" se refere à cifragem da segunda inversão das tríades, segundo a
teoria do baixo cifrado.
Na cifragem tradicional notamos o 'cadencial seis quatro' da seguinte forma:
Já na cifragem funcional notamos
Perceba que, apesar de identificar os dois
da seguinte forma: graus (I e V), ambos são entendidos como V,
por isso o uso do colchete
Como entendemos que o primeiro acorde não é a tônica, mas sim uma
dominante com duas notas suspensas, na análise funcional colocamos o D,
com o intervalo correspondente às duas notas suspensas do acorde de
dominante (seis quatro), que mais adiante se resolverá na quinta e na terça no
acorde, formando o acorde da dominante completo.
Cadencial seis quatro / sexta quarta cadencial
Exemplos:
Acordes com função de dominante
A função "dominante" se refere àquele acorde que apresenta certa tensão/dissonânica, e que
'pede' a resolução na tônica.
Para se conseguir essa tensão característica, os acordes com função de dominante utiliza a
sensível (sétima nota da escala) ou as notas do trítono (que é o intervalo formado por três
tons).
Chamamos de 'acorde da dominante' àquele que se encontra no quinto grau (V) do campo
harmônico - seja ele a tríade ou a tétrade (que nesse caso é um acorde Maior com sétima
menos, ex: G7). A inserção da sétima ao acorde reforçará a tensão, visto que terá o intervalo
do trítono
Alguns acordes com função dominante: V7, V+, vii°, vii°/
Impromptu, Op. 142 n.3 - F. Shubert (1797-1828)
RESUMO:
Tonalidade: Si bemol Maior
Ano: 1827
Forma: Tema com variação
Tema: Dois períodos + codetta
Variação I: Bb
Variação II: Bb
Variação III: Bbm (homônima menor do tom principal)
Variação IV: Gb (subdominante da relativa Maior de Bbm ou bVI)
Variação V: Bb

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