Você está na página 1de 3

IGREJA CRISTÃ - CRISTIANISMO

Introdução
A Igreja começou com a promessa dada por Deus a Adão e Eva de que seu Filho traria
salvação. A partir dali, o ser humano passou a adorar a Deus sempre mediante a fé nessa
promessa.
Quando Cristo esteve aqui na terra, reuniu um grupo de discípulos e, momentos antes de
subir ao céu, deu-lhes a tarefa de continuarem com a sua obra, levando o Evangelho da
salvação a todos os lugares da terra. Leia João 20.21-22 e Atos 1.8 e comente como
Cristo queria que a sua obra continuasse. Observe especialmente o caráter de "sair" que
Cristo dá à sua obra, continuada pela Igreja.

História
Quando da ascensão de Cristo, a Igreja era um pequeno grupo de pessoas. Mas ela logo
começou a crescer, o que mostra que os discípulos levaram a sério a ordem missionária
de Cristo. No Pentecostes, cerca de três mil pessoas foram batizadas (Atos 2.41). Logo
depois, o número de cristãos chegou a cinco mil (Atos 4.4). E o crescimento continuou,
como podemos ver em Atos 5.14 e At 9.31.
Mas, ao mesmo tempo em que a Igreja crescia, crescia também a perseguição a ela. Os
líderes da Igreja judaica quiseram agir para destruir a Igreja, proibindo Pedro e João de
falarem a respeito de Cristo. (Atos 4.5-21) Logo após, os apóstolos foram presos e
libertados por um anjo do Senhor. (Atos 5.17-32) Surgiram então os mártires, aquelas
testemunhas cristãs que morreram pela sua fé em Cristo. O primeiro deles foi Estêvão
(Atos 7), seguido por Tiago (Atos 12).
Com a conversão de Saulo (Atos 9) e a ida de Pedro a Cesaréia (Atos 10), a Igreja
começava a sair de Jerusalém e a anunciar o Evangelho também aos gentios, aos que
não eram judeus de nascimento. Através de suas três viagens missionárias, o apóstolo
Paulo levou o nome de Cristo a muitos lugares da Ásia Menor e da Europa, fundando
congregações em diversas cidades, às quais também enviou várias das cartas que temos
no Novo Testamento. Paulo foi perseguido pelos judeus e, preso, acabou morrendo em
Roma por causa de sua fé.
Muitos outros foram mortos pela sua fé cristã, principalmente por causa da perseguição
das autoridades romanas. Quando um incêndio destruiu Roma, no ano de 64, o imperador
romano Nero colocou a culpa nos cristãos. Trinta anos mais tarde, Domiciano insistiu em
ser adorado como deus, e como os cristãos se recusaram a fazê-lo, tornou-se crime
confessar o nome de Cristo.
A primeira perseguição geral à Igreja Cristã ocorreu no ano 250, quando o imperador
Décio publicou um edito de perseguição, com o objetivo de forçar os cristãos, pela tortura
e pelo medo, a cultuar os deuses romanos. Essa perseguição e o martírio continuaram
por vários anos; às vezes, com mais força, outras vezes, deixando os cristãos em relativa
paz.
No ano de 313, o imperador Constantino proclamou plena liberdade de consciência,
dando ao Cristianismo igualdade de condições com as outras religiões existentes no
Império. Tendo conseguido unificar o Império Romano, procurou também unificá-lo em
termos de fé, dando caráter estatal ao Cristianismo. A partir de então, a Igreja tornou-se
Igreja oficial do Estado e, com isto, começaram a surgir muitos problemas relativos à
doutrina cristã.
Nos séculos seguintes, a Igreja foi se afastando cada vez mais da doutrina da Palavra de
Deus. Vários cristãos sinceros e preocupados tentaram trazer a Igreja de volta ao ensino
de Cristo. Entre eles, podem ser citados Agostinho (354-430), João Wycliffe (1320?-1384)
e João Hus (1369-1415). Mas pouco conseguiram fazer. O erro e os interesses
persistiram. E parecia que eles cresciam sempre mais.

Aplicação
1. Leia João 13.34 e 35. De acordo com essa palavra de Cristo, o que identifica a Igreja
Cristã? De acordo com a tradição, os gentios afirmavam a respeito dos primitivos cristãos:
"Vede como eles se amam!" Esta é ainda hoje uma das coisas que identifica a Igreja
Cristã? O que você pode fazer para se identificar da maneira como os primeiros cristãos
se identificavam?
2. Com a perseguição aos cristãos, eles passaram a se identificar pelo símbolo de um
peixe. As letras da palavra grega para peixe são as iniciais da confissão: "Jesus Cristo,
Filho de Deus, Salvador". Qual o símbolo que identifica os cristãos hoje?
O PEIXE

Ιησούς Χριστός Θεού Υιός του Σωτήρα


Jesus Cristo Filho de Deus Salvador

Santa Trindade

As três cruzes dentro do triangulo representam as personagens da Trindade:


o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

3. Com a oficialização do Cristianismo como religião do Estado romano, no ano 313,


cresceram os erros doutrinários. Muitos se tornaram cristãos do dia para a noite, sem
terem conhecimento da Palavra de Deus. O que isso trouxe de conseqüência para a
Igreja Cristã? O que podemos aprender disso para a Igreja de hoje?
4. A resposta da Igreja Cristã aos erros que estavam surgindo foi a expressão de sua
identidade através de afirmações de fé. No ano de 325, foi realizado um Concílio na
cidade de Nicéia, que elaborou o conhecido Credo Niceno. No Concílio de
Constantinopla, realizado em 381, recebeu pequenas mudanças. É o credo mais antigo
da Igreja Cristã. Seu uso está relacionado à participação da Santa Ceia, visto expressar
com exatidão a fé da Igreja Cristã em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem,
fé necessária para tornar dignos os participantes da Ceia. Confessem sua fé cristã em
conjunto com o Credo Niceno e comentem seus pontos principais:
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, tanto das coisas
visíveis como das invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos
os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não
criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; o qual
por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo
na virgem Maria e foi feito homem; foi também crucificado por nós sob Pôncio Pilatos,
padeceu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressuscitou segundo as Escrituras, e subiu aos
céus, e está sentado à direita do Pai, e virá novamente em glória a julgar os vivos e os
mortos, cujo Reino não terá fim.
E no Espírito Santo, Senhor e Doador da vida, o qual procede do Pai e do Filho, que
juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou pelos profetas. E numa
única santa Igreja Cristã e Apostólica. Confesso um só Batismo para remissão dos
pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo vindouro.
Amém.

Exemplos de vida
No ano de 155, Policarpo de Esmirna foi levado ao procônsul para ser interrogado. O juiz
pediu que pensasse em sua idade avançada e que adorasse o imperador. Mas Policarpo
respondeu:
- Vivi oitenta e seis anos servindo a Cristo, e nenhum mal me fez. Como poderia eu
maldizer o meu rei, que me salvou?
Quando o juiz o ameaçou, primeiro com as feras e depois com a fogueira, Policarpo
respondeu que o fogo que o juiz podia acender duraria somente um momento, e logo se
apagaria, mas que o castigo eterno nunca se apagaria.
Assim, Policarpo foi levado à fogueira e, já atado, elevou os olhos ao céu e orou em voz
alta:
- Senhor Deus soberano, dou-te graças porque me consideraste digno deste momento,
para que, junto a teus mártires, eu possa ser parte no cálice de Cristo… Por isso, te
bendigo e te glorifico. Amém.
(Gonzalez, Justo L. "A Era dos Mártires". In: Uma História Ilustrada do Cristianismo, v.1,
pp. 70-72.)
João Hus atacou a corrupção na Igreja, causada de forma especial pela venda de
indulgências, invenção de milagres e ensino de superstições. No dia 6 de julho de 1415,
foi condenado à fogueira, onde teria dito:
- Hoje assais um ganso magro (Hus), mas daqui a cem anos, ouvireis cantar um cisne
(brasão de Lutero) que se erguerá das minhas cinzas.
(Schüler, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teologia, pp. 239-240.)