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Eu sou parte do Brasil

Denise Bastos*

Frente aos inúmeros episódios que poderíamos classificar como “surreais” (relatos de
improbidades de nossos governantes, violência, indícios de manipulação da população
em diferentes níveis), não raro ouvimos alguém dizer que gostaria ter nascido em outro
país, ou que na Suíça seria diferente.
Isso me fez lembrar de fatos marcantes da história da família que formei, que
representa a história de outras tantas. O avó de meu esposo, partindo do Líbano, mudou
o rumo em sua vida em busca de condições melhores. As razões que motivou a
mudança foram : deixar um ambiente mental opressor, encontrar o "el dourado" em
terras tupiniquins . Não obstante, encontrou um tesouro: o acolhimento ao recém-
chegado.

Tratar bem a quem chega parece ser uma vocação do nosso povo, afinal temos no
sangue um fragmento do mundo. Entretanto, convivemos com o jeitinho brasileiro,
talvez uma forte herança do pensamento que deu início à formação de nosso pais, o
enriquecimento de outras nações que antecedeu a vinda de muitas famílias que
empreenderam mudanças em suas vidas, contamos com um inicio muito conturbado,
cujo o motivo de vinda ao pais era para retirar as riquezas Assim, vivemos momentos de
grande provação no campo da moral e da ética. . Ao ter notícia das distorções moral dos
governantes atuais prejudicando seus governados, percebo o mesmo pensamento do
Brasil colônia, de "nós e eles". Mas quem são os políticos? Não são uma parte
representativa de todos nós? Não fazemos todos parte da mesma cultura, cultivando e
cultuando os mesmos pensamentos?

Isso me mostra que Brasil é um grande adolescente. Por vezes fala grosso e em atitudes
"de homem". Por outras a vontade se enfraquece e o futuro é turvado frente às
adversidades. Penso: Qual é minha parcela de responsabilidade diante desse mar de
dificuldades? Posso fazer diferente? Posso atuar de forma que os valores morais sejam
uma realidade "vivente" e não somente uma matéria de escola ou de reportagem de TV?

Cada vez mais me sinto parte do Brasil. Esse mesmo, com seus altos e baixos, que
configura muito bem em alguns rankings e pessimamente em outros. Esse mesmo Brasil
que conta com muitos seres honrados e comprometidos com o futuro. O Brasil que um
dia acolheu com tanto amor os nossos antepassados. Por uma dívida de gratidão devo
fazer minha parte. Melhorar, pouco a pouco a cultura do país, que não é formada pela
assinatura de leis e sanções, mas principalmente, pelos pensamentos que permeiam a
população. Como parte integrante, , aos poucos estou promovendo uma nova forma de
experimentar essa transformação cultural individualmente. Esse é um dos legados que
gostaria de deixar para minha família. Talvez o futuro ateste que vivemos momentos
onde a moral era um item opcional e que a ética era apenas uma leve recordação dos
bancos de escola.
Eu sou parte do Brasil. Não somente o de hoje, mas principalmente o do futuro.

 Denise Bastos é pedagoga e docente da Fundação Logosófica

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