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02/11/21, 00:13 Educação não formal: pedagogia social transformadora e motivadora

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PEDAGOGIA


EDUCAÇÃO NÃO FORMAL: PEDAGOGIA SOCIAL
TRANSFORMADORA E MOTIVADORA 2º

A educação não formal pode desenvolver-se em variados espaços. Clique e entenda!



RESUMO

Poucos são os estudos sobre a prática de educação não-formal,



embora diferentes seguimentos da sociedade venham direcionando o
olhar para esta pedagogia social como campos de conhecimento e de Anúncio
ação profissional.

A escola é uma instituição que desenvolve papel central na formação


dos educandos que por ela passam, exercendo principalmente acesso
aos conhecimentos historicamente sistematizados. Porém, a educação Anúncio

vai além do espaço delimitado pelos muros escolares e salas de aula.

O indivíduo ao longo de toda a tragetória de vida adquire conhecimentos concebidos por suas próprias
experiências, por relações socias com outros indivíduos, no âmbito familiar e em instituições educadoras formais
e não formais. Esta última nada mais é que um processo de aprendizagem social centrada no indivíduo, por meio
do desenvolvimento de atividades extra-escolares. É um processo voluntário de aprendizagem e de educação
fora da escola, que acontecem em  ongs, instituições religiosas, iniciativas particulares e programas sociais
públicos.

Essa prática é necessária e importante quando se pensa em um processo educacional que priorize a prática de
atividades que favoreçam atividades culturais, de criação, esportes, rodas de conversas, relações de trocas de
vivências, entre diversas outras atividades educacionais. Tanto as conceitualizações quanto os trabalhos
empíricos, apresentam interdisciplinaridade e flexibilidade como características desta modalidade de educação.
A educação não-formal pode desenvolver-se nos mais variados espaços, sendo uma modalidade crescente no
cenário nacional e pouco explorada nos meios acadêmicos.

PALAVRAS – CHAVES: Educação não-formal; Educador social; Pedagogia social.

INTRODUÇÃO
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No campo educacional existem três práticas diferentes, que acontecem separadas, porém, não independentes

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uma da outra, são elas: educação formal, educação informal e educação não-formal.

Educação formal trata-se do que ocorre dentro de escolas públicas e privadas, cursos de aperfeiçoamento e
treinamento, etc., onde o desenvolvimento das aulas acontece na maioria das vezes dentro de uma sala, por
meio de livros didáticos, lousa e caderno.

A educação informal está diretamente voltada ao comportamento, hábitos, valores não intencionados e não
institucionalizados.

A prática da educação não-formal ocorre no período inverso ao que o aluno frequenta a escola regular.

De acordo com Libâneo (2002), podemos entender que a educação não-formal refere-se às organizações
políticas, profissionais, científicas, culturais, agências formativas para grupos sociais, educação cívica, etc., com
atividades de caráter intencional. A educação não-formal vem apresentando crescimento em nosso país,
principalmente no estado de São Paulo onde obras sociais, organizações não governamentais e instituições
privadas e religiosas, se preocupam com a realidade social de crianças e adolescentes que vivem principalmente
em bairros periféricos e de baixa renda.

A prática da educação não-formal desenvolvidas por diversas instituições, ocupam o aluno com atividades
produtivas e longe do tempo ocioso inverso ao escolar, onde um número grande de crianças ficariam pelas ruas,
sujeitas à conhecerem uma realidade bastante real no país, como drogas, cigarro e bebida. Ao contrário, a
criança ou adolescente frequentadora de projetos sociais, tem a oportunidade de aprenderem uma profissão,
pelo fato de que a maioria das instituições e projetos de educação não-formal desenvolvem seus trabalhos por
meio de oficinas culturais, esportivas e profissionalizantes.

  “Talvez o maior problema para entender a tragédia do desenvolvimento brasileiro, seja compreendê-lo
subordinado à lógica econômica que trata as classes sociais como se tivessem organizadas de forma contínua.
Como se Apartheaid só fosse racial e localizado na África do Sul.” (Cristóvão Buarque).

HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL

“O homem não pode participar ativamente na história, na sociedade, na transformação da realidade se não for
ajudado a tomar consciência da realidade e da sua própria capacidade de transformar [...] Ninguém luta contra
forças que não entende, cuja importância não meça, cujas formas de contorno não discirna; [...] Isto é verdade se,
se refere às forças sociais[...] A realidade não pode ser modificada senão quando o homem descobre que é
modificável e que ele o pode fazer.” (PAULO FREIRE)              

A expressão “educação não-formal” começa a aparecer relacionada ao campo pedagógico simultaneamente a


uma série de críticas ao sistema formalizado de ensino, em um momento em que diferentes setores da
sociedade como serviço social, saúde, cultura, pedagógico e outros, veem o universo escolar e a família,
impossibilitados de representar todas as demandas sociais que lhes são cabíveis, impostas ou ainda desejadas.

O termo educação não-formal apareceu no final da década de sessenta. Neste período surgem discussões
pedagógicas, vários estudos sobre a crise na educação, as críticas radicais a instituição escolar, a formulação de
novos conceitos e seus paradigmas. Assim esta crise é sentida na escola e acaba por favorecer o surgimento do
campo teórico da educação não-formal (TRILLA,1996).

Dentre os fatores considerados importantes para o surgimento da educação não-formal, pode-se citar as
mudanças ocorridas nas estruturas familiares de classe alta, e até mesmo aquelas mudanças que resultaram
devido às modificações nas próprias relações de trabalho, assim como o fato das crianças e jovens na atualidade
não terem espaço seguro para desenvolverem a socialização no mundo moderno e suas transformações, no
sentido de redirecionarem e reorganizarem a estrutura familiar conforme as necessidades de espaço, trabalho e
localidade, e até mesmo a preocupação de deixar os filhos, sendo que os pais,  por opção ou por necessidade,
são direcionados para o campo profissional.

Todas estas modificações, em seus contextos trouxeram a necessidade da sociedade se reorganizar,


respondendo às mudanças inclusive no campo educacional.

  Estes fatores levaram a percepção de que somente os modelos de educação difundidos pela escola e pela
família já não mais davam conta da realidade social atual, entretanto não havia conhecimento, credibilidade e
amadurecimento das propostas para preencher as lacunas existentes.

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tradicional passando a legitimar e valorizar outras maneiras de educar e educar-se e por fim a compreensão e
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tradicional, passando a legitimar e valorizar outras maneiras de educar e educar-se e, por fim, a compreensão e
aceitação de que o meio também educa.

A educação não-formal está sendo difundida, mas não se restringindo somente aos processos de ensino-
aprendizagem nas escolas formais, tem o seu foco em oficinas artesanais, culturais, esportivas e recreativas.

Segundo Gohn (2008), esta modalidade aborda processos educativos que acontecem fora da escola, em
organizações sociais, movimentos não governamentais (ONGs) e outras entidades filantrópicas atuantes na área
social.

Até os anos oitenta a educação não-formal era um campo com menos importância no Brasil, tanto para as
políticas organizacionais quanto  aos educadores.

Afonso (1992) entende a educação formal, como aquela organizada com uma determinada sequência e
proporcionada pelas escolas.

Os pais informalmente em casa, garantem a seus filhos as mesmas oportunidades dos “saberes”, porém a escola
vem trazendo um saber elitizado e em muitas vezes, excluindo os já excluídos pela sociedade. 

A educação transmitida pelos pais na família, na interação com os amigos, no convívio diário em clubes, teatros,
leituras de jornais, revistas, livros, etc; são considerados temas da educação informal, aquela que ocorre nos
espaços de possibilidades educativas no decurso na vida, tendo caráter permanente. O que difere a educação
não-formal da informal, é que na primeira existe a intencionalidade de dados, dispostos a criar, proporcionar ou
buscar determinadas qualidades com objetividade.

Inicialmente a educação não-formal era vista como um conjunto de processos delineados para alcançar a
participação de indivíduos a determinados grupos:

• De alcance rural;

• De envolvimento comunitário;

• De educação básica ou planejamento familiar.

As mudanças econômicas, sociais, principalmente com relação ao mundo do trabalho, ocorrentes nos anos
noventa trouxeram grandes destaques a educação não-formal. Os processos de aprendizagens em grupos
passaram a serem valorizados, dando importância aos valores culturais que articulam as ações dos indivíduos.
Passou-se, ainda, a falar de uma nova cultura organizacional que, em geral exige aprendizagem de habilidades
extra-escolares. Mas, o novo campo para a educação não-formal não se formou apenas pelas mudanças
econômicas e pelos apelos da mídia que utilizava atividades e projetos desenvolvidos em entidades sociais
como pano de fundo para incentivos fiscais ou abatimentos em deduções fiscais.

Garcia (2007), cita Philip Coombs, como um dos primeiros autores a considerar a educação não-formal no amplo
contexto educacional sendo reconhecido por outros autores como a origem da educação não-formal e informal,
aplicados a área da educação.

Alguns estudiosos e organismos internacionais como a ONU e a UNESCO também têm contribuído para as
discussões que giram em torno do assunto.

Em 09/03/1990 na Tailândia, foi realizada uma Conferência Mundial sobre eduação para todos, dando origem a
dois documentos denominados “Declaração mundial sobre educação para todos e plano de ação para satisfazer
as necessidades básicas de aprendizagem” onde as experiências das ONGs em programas de educação foram
consideravelmente delineadas como possibilidade efetiva de trabalho na área educacional.

É possível concluir que, partindo deste documento, a educação-formal começa a ser formalizada como campo
pertencente ao setor educacional. Parece ser este o momento do nascimento, não da ação da educação-não
formal, como área conceitual.

Mesmo existindo uma aceitação, ao menos por pesquisadores e estudiosos da terminologia “educação não-
formal” e de quais ações e propostas estão presentes neste campo, os textos estudados nos mostram que há um
processo de aceitação de tudo isso, e que em alguns aspectos, ele é bastante lento, ainda sem muita clareza
sobre qual  relação da educação não-formal com outras áreas de conhecimento, como também uma “definição”
do termo, fato que ainda aponta discussões e necessidades de estudos e pesquisas.
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Entende-se como projeto social o conjunto de valores crenças propostas e diretrizes que explicam e organizam
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Entende se como projeto social o conjunto de valores, crenças, propostas e diretrizes que explicam e organizam
a práxis de um movimento, grupo ou organização social.

Este conjunto de idéias revela a opção política do grupo através de sua forma de conhecer e atuar socialmente
de forma concreta, de determinar suas metas, objetivos e estratégias devendo ser extraído e compartilhado pelo
coletivo (GOHN, 2005).

A Organização não Governamental – ONG – é definida como uma organização que não seja parte do governo,
nem tenha sido fundada pelo Estado, dispondo de autonomia administrativa e atuando sem fins lucrativos em
áreas específicas, como as de natureza social, cultural e com objetivos essencialmente não comerciais. Parte de
seus recursos tem origem privada. Geralmente é associada à Organização das Nações Unidas.

Gohn (2008), ao estudar a educação não-formal, desenvolvida junto a grupos sociais organizados ou movimentos
sociais, chama nossa atenção para as questões das metodologias e modos de funcionamento, por ser um dos
aspectos mais relevantes do processo de aprendizagem, mas lembra que é preciso aprofundar as pesquisas ao
redor dos movimentos sociais e seus processos de encaminhamento.

Garcia, em palestra ministrada no GEMEC – Campinas em 09/08/2008, fala que a educação não-formal tem que
ser compreendida pela sociedade como um direito e não como assistencialismo, embora este olhar de
assistencialismo para com as ONGs e os projetos sociais esteja impregnado da visão de sociedade, até mesmo
nas comunidades inclusas e nas entidades. Isso acontece, segundo a estudiosa, porque muitas vezes a
sociedade deixa de cobrar do poder público, suas devidas obrigações, embora, mais a frente ela afirme que em
alguns casos realmente não se trata de projetos, mas sim de assistencialismo, o que muitas vezes encontra-se
guiado pela mídia ou pelo enaltecimento pessoal.

A educação não-formal vai além do assistencialismo. Visa ao desenvolvimento de valores, acreditando que a
aprendizagem se dá por meio das práticas sociais, respeitando as diferenças existentes para a absorção e
elaboração dos conteúdos implícitos ou explícitos no processo ensino e aprendizagem.

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A flexibilidade é bastante presente no estabelecimento dos conteúdos que permeiam a educação não-formal,
assim como a criação e organização de seus espaços, sendo criados e recriados conforme os modos de ação
previstos nos objetivos maiores que dão sentido ao fato de determinadas necessidades de grupos sociais
pertencentes à comunidade estarem se reunindo.

Os espaços de educação não-formal, segundo Simson e Park (2001), deverão ser desenvolvidos segundo alguns
princípios como:

• Apresentar caráter voluntário;

• Proporcionar elementos para a socialização e solidariedade;

• Visar o desenvolvimento social;

• Favorecer a participação coletiva;

•  Proporcionar a investigação e, sobretudo proporcionar a participação dos membros do grupo de forma


descentralizada.

Assim, devem ser considerados os desejos e anseios da comunidade com a qual se pretende trabalhar e
partindo de estudos, do conhecimento da realidade em questão, fazer uma integração com as ações a serem
desenvolvidas.
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consideração a comunidade, pois é muito difícil o envolvimento voluntário e de doação das pessoas com algo a
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que não se sintam pertencentes. Por estas razões, atualmente muitos projetos foram fundados e contam não
somente com voluntários, mas também com funcionários contratados de acordo com as leis trabalhistas, dentre
eles, professores, secretários, assistentes sociais, psicólogos, etc. Em determinados municípios esses projetos ou
instituições recebem auxílio financeiro para o pagamento de seus funcionários.

Quando a escola é vista como um espaço social, levando em conta os constantes processos de construção de
identidade, sendo eles de caráter pessoal e social, automaticamente temos que pensar em práticas que o tempo
todo nos faça manter parceiros da sociedade, favorecendo processos, onde a mesma possa integrar e
transformar.

Muitas entidades e projetos sociais, organizam as suas atividades enriquecendo seus espaços com atividades
comumente denominadas de oficinas.

Para Silva (2007), oficinas são espaços organizados por um grupo social, onde são direcionadas propostas ligadas
ao fazer, a aplicabilidade de determinadas atividades que possibilitem o ato de aprender, não somente aquilo
que é ensinado, como também o que o meio lhe possibilita, levando em consideração o espaço, materiais,
memória, enfim, aquilo que esteja sendo vivenciado e efetuado no momento dessas vivências.

A oficina que conscientiza e promove a transformação é aquela que propicia ao sujeito a importância de sentir-se
parte, parte das ações envolvidas e desenvolvidas, que tem como foco de visão construir perspectivas de
maiores descobertas e potencialidades, que age como órgão facilitador de expressão. Nesta idéia destacam-se
algumas oficinas em evidência no cenário das obras sociais.

O EDUCADOR SOCIAL

O educador, ou ainda, o educador social, segundo Caro e Guzo (2004), são denominações dadas ao profissional
que se insere em projetos sociais e ou em ações existentes em projetos.

Segundo as autoras acima, o nome educador apareceu denominando este profissional por falta de nomenclatura
cabível, sendo que neste campo educacional existem pedagogos ou estagiários e existe também um número
considerável de voluntários atuantes neste campo da educação sem formação na área pedagógica, os “leigos”,
como muitas vezes são chamados, porém, em diversos casos, portadores de habilidades artesanais e culturais,
que dispõem de seu tempo para repassar seus conhecimentos à todos os alunos frequentadores da entidade
onde o mesmo (a) colabora.

Quando se trata de ter como foco o educador dentro das instituições, entidades, ONGs, centros comunitários
muitos profissionais optam por esta área da educação por restrições do mercado de trabalho nas escolas
formais, questionando o ingresso na educação não-formal como opção ou necessidade (TRILA, 2006).

Simson, palestrando para um grupo de educadores do GEMEC Campinas em 14/06/2008, aborda a relação do
educador social com as práticas na educação não-formal, afirmando serem uma constante busca de
transformação entre o negativo e positivo, procurando entender o peso do excluído, sem fazer diferenças, pois as
diferenças impossibilitam um espaço de convivência, no sentido de poder captar e perceber as demandas e as
dificuldades dos educandos.

Esse autor também identifica, como falha, o fato do educador querer ver os educandos de forma homogênea,
sem levar em consideração que as crianças inseridas neste campo educacional têm suas particularidades, (assim
como as demais), carregando consigo suas singularidades e seus problemas de convívio social.

O educador social tem que mediar interesses, levando o educando a querer buscar caminhos para a
aproximação com o entendimento da vida em sociedade, conhecendo suas histórias sem negar suas memórias,
resgatando-as de forma contínua.

As crianças e adolescentes, muitas vezes, levam consigo angústias e sentimentos de injustiça para as oficinas, e
suas expectativas são unicamente serem ouvidos, cabendo ao educador utilizar-se de várias estratégias para
que o diálogo aconteça, buscando a compreensão e transformando-a em valorização, fazendo da sua ação um
multiplicador, capaz de transformar o estigma em qualidade, reintegrando o educando ao caráter colocado
socialmente.

                O ato do educador volta-se à busca da compreensão das mudanças políticas e sociais que ocorrem
independente de nossas vontades, cabendo a ele descobrir nos educandos a corda que vibra, como dizia Dom
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Todo educador deve ser um profissional reflexivo, ou seja, aquele que está sempre se questionando, revendo,
aperfeiçoando sua prática e se auto-avaliando, este é o profissional crítico, aquele que leva o aluno a pensar.
Dessa forma, há uma troca, pois enquanto o educador está ensinando, ele também está aprendendo.

Gadotti (2007, p.42) enfoca a constante preocupação do educador Paulo Freire voltado para a formação do
professor e destaca: “o professor precisa saber muitas coisas para ensinar, mas o mais importante não é o que é
preciso saber, mas como devemos ser para ensinar. O essencial é não matar a criança que existe ainda dentro de
nós. Matá-la seria matar o aluno que esta à nossa frente”.

Alguns educadores chegam até a educação não-formal por acaso, outros por opção, e outros, ainda, por
identificação com as lutas sociais, levando em consideração que na visão dos movimentos sociais, a educação,
seja ela formal, não-formal ou informal é vista como uma luta de classes.

Os educadores que atuam neste contexto tem funções diferentes, não como um quebra cabeça com peças
prontas, mas como um encontro de peças que se encaixam com a prática, com a vivência de cada um, com suas
diferenças, seus questionamentos.

Fator de grande importância na prática não-formal, é a flexibilidade que se apresenta, que se faz necessária
nesta educação, pois não é a atividade que vai dizer o que ou quem é a educação não-formal, mas sim o projeto
político adotado e vivenciado pelo educador e consequentemente pela criança.

Assim, o educador social pode ver as possibilidades de contribuição para a transformação, olhando para si e se
vendo como agente transformador, fugindo às propostas ideológicas que há por trás de tudo, fugindo da visão
salvadora de querer inserir a criança na sociedade sendo que ela já nasce parte de uma sociedade.

                Com base na vivência diária, o educador não deve usar o desânimo, cruzar os braços ou dizer que não
adianta contribuir, pois o cotidiano é que faz a educação acontecer, quando se está com a criança e os
adolescentes, os valores e crenças também estão juntos.

Freire (1996, p.53 ) nos diz que como educador precisamos olhar para o que os grupos com os quais trabalhamos
trazem consigo não simplesmente para o que falam deles, assim, “a leitura do mundo precede a leitura da
palavra” e continua, dizendo que um bom educador é aquele que sabe provocar inquietudes, que aguça a
curiosidade, mas que permite que o educando busque com autonomia.

Ao falar do educador social, Caro e Guzo (2004) destacam a satisfação pessoal como sendo um grande
diferencial, além das qualidades adquiridas independentemente de conhecimentos adquiridos na academia.

Este educador social também possui a consciência de sua pouca valorização e da importância de sua relação
com os educandos, sendo ciente da responsabilidade social que o segue. Além disso, a competência técnica
científica precisa ser compatível com a amorosidade necessária as relações educativas (FREIRE, 1996). 

O educador precisa ser coerente em seu discurso e em sua ação prática. Só há oportunidade de educar para a
vida se a escola estiver imersa na realidade e na vida cotidiana dos educandos, de suas famílias, comunidade,
município e país.

Park (2005) realizou uma pesquisa envolvendo educadores do ensino formal responsáveis por possíveis pontes
com projetos desenvolvidos por ONGs, a perceber como enxergam os projetos vivenciados pela educação não-
formal e suas estratégias de ação. Foi interessante perceber no relato de uma vice-diretora, ao falar das
parcerias com as ONGs e outras entidades, considerando-as importantes, porém abordava questões como falta
de práticas diárias nas relações, apontando também para questões como o autoritarismo frequente. Apesar
disso, enalteceu o trabalho das ONGs como realmente necessários, principalmente onde o poder público não
atuava.

Já na fala de outra educadora do ensino formal, fica clara a falta de credibilidade, da inconstância em muitas
atividades exercidas pela educação não formal, citando como exemplo o reforço escolar relacionado aos modos
de compensarem as carências socioeconômicas dos atendidos e as dificuldades estruturais das próprias
organizações.

Mas, de forma geral, podemos observar que os educadores, sejam aqueles que trabalham no ensino formal,
sejam aqueles que trabalham nos projetos considerados de educação não-formal, acreditam que todos poderão
beneficiar-se de um trabalho que acompanha as duas propostas educativas.

Segundo Trilla
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No contexto educação não-formal, o trabalho do educador e dos oficineiros, necessitam de   muita dedicação,
criatividae e amor, pois para os educandos manterem-se participativos diariamente, as atividades devem ser
prazerosas e dinâmicas, capazes de deixá-los envolvidos e compreendendo que aquele espaço onde
frequentam, é de grande valia para torná-los bons cidadãos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos: para que?. São Paulo: Cortez, 2002.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

TRILLA, J. A pedagogia da felicidade. Porto Alegre: Artmed, 2006.

GOHN, M. Educação não-formal e cultura política. São Paulo: Cortez, 2007.

AFONSO, Almerindo Janela. Sociologia da educação não-formal. In: Park, Margareth Brandini; FERNANDES,
Renata Sieiro. Educação não-formal: contextos, percursos e sujeitos. Campinas: Setembro, 2005.

GARCIA, Valéria Aroeira. Educação não formal do histórico ao trabalho local. In: PARK; FERNANDES; CARNICEL
(Org.). Palavras- chave em Educação não- formal. Holambra: Setembro; Campinas/CMU, 2007.

SILVA, Carla Regina. Oficinas. In: PARK; FERNANDES; CARNICEL (Org.). Palavras- chave em Educação não-
formal. Holambra: Setembro; Campinas/CMU, 2007.

CARO, S.M.P. GUZZO, R.S.L. Educação social e psicologia. Campinas: Alínea, 2004.

SIMSOM, Olga Rodrigues de Moraes von .; PARK, Margareth Brandini ; FERNANDES, Renata. Sieiro. Educação não-
formal: Cenários da Criação, (Orgs). Campinas: Unicamp, 2001.

PARK, M. B.; FERNANDES, R. S. Educação não-formal: contextos, percursos e sujeitos. In: PARK; FERNANDES;
CARNICEL (Org.). Palavras- chave em Educação não- formal. Holambra: Setembro; Campinas/CMU, 2007.

Publicado por: Marcela Fernanda Ramos

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil
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