Você está na página 1de 56

Cursos Online EDUCA

www.CursosOnlineEDUCA.com.br

Acredite no seu potencial, bons estudos!

Curso Gratuito Introdução


à Psicologia
Carga horária: 60 hs
Conteúdo Programático:

Introdução à Psicologia
Psicologia Científica x Psicologia do Senso Comum
Comportamento, relações funcionais e meio ambiente
O Modelo Atual Biopsicossocial do Homem X Modelo Biomédico
Psicólogos e Psiquiatras
O estudo de animais para entender o homem
A subjetividade
Atribuições e Áreas de Atuação
A Psicologia e as Práticas Não Psicológicas
Ética na Psicologia
Pesquisa: Qual é a Visão das Pessoas sobre a Psicologia?
Introdução à Psicanálise
Descobertas e Inovações de Freud
Principais Descobertas e Acréscimos à Teoria Psicanalítica desde
Freud
O Núcleo do Método Psicanalítico e o Setting
Diferentes Métodos de Tratamento Psicanalítico
Formação Psicanalítica
Pesquisa em Psicanálise
Psicanálise aplicada
Introdução à Hipnoterapia (Hipnose Terapêutica)
Como é Realizada uma Sessão de Hipnoterapia?
Aplicações e Benefícios da Hipnoterapia
Bibliografia
Introdução à Psicologia

é a ciência que estuda o comportamento humano, as


Psicologia
interações dos organismos com o seu ambiente.
Dependendo do enfoque e conhecimento de homem que está
sendo utilizado, a psicologia pode ter vários conceitos, dentre eles:
ciência que estuda os seres humanos e seus processos psíquicos.
Todorov(1999) definiu a psicologia como sendo a ciência que estuda
a mente e o comportamento. Para que a definição seja inteligível,
é necessário saber o que é mente e o que é comportamento.
O conceito “ciência que estuda o comportamento humano” pode
ser completo se entendermos e buscarmos nos aprofundar nos
conceitos de ciência, comportamento e homem. Se soubermos
descrever o que é ciência, o que é comportamento humano e quem
é esse homem estudado pela psicologia (caso mais complexo,
mais filosófico) estaremos entendo o conceito de psicologia aqui
apresentado.

Psicologia Científica x Psicologia do Senso Comum

O tipo de conhecimento que vamos acumulando no nosso


cotidiano é chamado de senso comum, veja os exemplos:
a)a dona de casa, quando usa a garrafa térmica para manter o café
quente, sabe por quanto tempo ele permanecerá razoavelmente
quente, sem fazer nenhum cálculo complicado e, muitas vezes,
desconhecendo completamente as leis da termodinâmica.

b) a professora sabe que se recompensar a boa disciplina do aluno


do curso primário com uma estrelinha no caderno, pode aumentar
a frequência de comportamento obediente desse aluno na sala de
aula.

c)a mesma recompensa da letra “b” pode servir de exemplo para


os outros alunos.

d) a namorada sabe que se marcou um encontro com o namorado


para às 20h e ele chegou às 21h, pode ficar de cara fechada com
intenção de puni-lo por tê-la feito esperar.
Na letra “a” a pessoa sem saber sobre Física sabe conseguir o
efeito esperado no ambiente. Nas letras “b”, “c", “d”, as pessoas
agiram com intenção de modificar o comportamento de alguém,
mas sem saber de leis ou teorias da psicologia.
O conhecimento do senso comum é intuitivo, espontâneo, de
tentativas e erros. É um conhecimento importante porque sem ele
a nossa vida no dia-a-dia seria muito complicada. O senso comum
percorre um caminho que vai do hábito à tradição, que passa de
geração para geração. Integra de um modo o conhecimento
humano.
A utilização de termos como ‘rapaz complexado’, ‘mulher louca’,
‘menino hiperativo’ expressa a comunicação do senso comum
acerca do comportamento humano, que muitas vezes não ocorre
de maneira científica. Os termos podem até ser da psicologia
científica, mas são usados sem a preocupação de definir as
palavras.
Ciência é um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade obtidos
por meio de metodologia científica.

Quando buscamos definir, descrever e prever comportamentos


estamos fazendo ciência. O cientista do comportamento (da
psicologia) não fica satisfeito com conceitos generalizados e
rotulados (complexado, louco, “nasceu assim”) sem compromisso
e apenas baseados em ‘achismos’ e observações superficiais. Ele
quer observações sistematizadas, conhecimento metodológico,
experimentado, testado, comprovado.
Exemplo: ‘mulher louca’ , o que é loucura? Quais os sintomas?
Que tipo de loucura?
Quando fazemos ciência, baseamo-nos na realidade cotidiana e
pensamos sobre ela. Quando bem utilizada, a ciência permite que
o saber seja transmitido, verificado, utilizado e desenvolvido.
B.F. Skinner,
no livro Ciência e Comportamento Humano, diz que ciência é
uma disposição de tratar com os fatos, de preferência, e não com
o que se possa ser dito sobre eles. Aceitar os fatos, mesmo quando
eles são opostos aos desejos.
Então, por que a psicologia é ciência?
O psicólogo contribui para a produção do conhecimento científico
da psicologia através da observação, descrição e análise dos
processos comportamentais.
Algumas características que descrevem a psicologia como ciência
são:
- Objeto específico de estudo = homem (no sentido mais amplo).
Entretanto, é preciso saber que a concepção de homem que o
profissional traz consigo mesmo “contamina” inevitavelmente a sua
pesquisa em psicologia.

- Linguagem precisa e rigorosa = não utiliza termos do senso comum sem


preocupação conceitual.

- Métodos e técnicas específicas = entrevistas estruturais, testes, técnicas


de terapia, dentre outras, obtidas de maneiras programadas,
sistemáticas e controladas, para que se permita a verificação da
validade da ciência e permitindo a reprodução da experiência.

- Processo cumulativo do conhecimento = Um novo conhecimento é


produzido sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido.
Negam-se, reafirmam-se, descobrem-se novos aspectos, e assim
a ciência avança.

- Objetividade = possibilidade de verificação com o máximo de


isenção de emoção possível.

Comportamento, Relações Funcionais e Meio Ambiente

Comportamento:

- Ações – evento público


- Pensamentos – evento privado
- Sentimentos – evento privado
Eventos públicos (agir):

- Conjunto de comportamentos visíveis desenvolvidos pelo


organismo. Ex: escrever, andar, piscar, beijar.
Eventos privados (sentir e pensar):

- Sentir: Emoções, Sensações, Sentimentos


- Pensar: Pensamentos, Conceitos, Fantasias, Imaginações,
Raciocínio, Tomada de decisões
O Sentir:

Sensações: respostas sensoriais aos estímulos ambientais, uma


percepção direta do nosso estado corporal. Ex: sentir fome, sono,
sede, frio, calor.
São respostas as variáveis organísmicas, químicas, como por
exemplo: drogas, alimentos, medicamentos, os processos
metabólicos do organismo, a química cerebral que pode levar a
mudanças comportamentais.
Nossos órgãos sensoriais detectam todo o conhecimento que
temos do mundo.
Ex: temos células fotoelétricas no olho. O comprimento das ondas
é a mesmo que chega aos olhos de todas as pessoas, mas o que
é diferente é como cada um percebe esse ver. Isso é evento
interno e, portanto, subjetivo.
Não podemos sentir o que outro sente, por isso é um
comportamento privado de quem está sentindo. Nesse sentido
somos solitários no mundo. Só você sente o que você sente.
Emoções: é a nossa capacidade de perceber os mais variados
sentimentos. Alegria, tristeza, medo e raiva são as emoções
principais.

Sentimentos:vergonha, ânimo, desânimo, amor, prazer, inquietação,


inadequação, humilhação, importância, satisfação e outros tantos.
Ex: sentir tristeza e vazio quando está em tensão pré-menstrual.
O lado emocional está equilibrado e saudável quando apresenta a
capacidade de perceber os mais variados sentimentos em
conformidade com a situação vivenciada. Quando estou
vivenciando uma perda, me entristeço; quando estou sendo
injustiçada, me enraiveço; quando ocorre a frustração de um sonho
ou de um projeto, fico desanimada; quando meu time ganha, fico
alegre; se algo muito importante para mim se concretiza, exulto.
O Pensar:

Nosso pensar (fantasias, imaginações, raciocínio, etc.) estão


controlados por eventos antecedentes e possuem consequências.
Esses eventos estão no meio ambiente.
Não se pode entender comportamento sem um
Meio ambiente:
contexto, sem a descrição de eventos antecedentes e
consequentes do evento descrito. Por isso os conceitos de
comportamento e ambiente são interdependentes, um não pode
ser definido sem referência ao outro.
O agir, o sentir e o pensar estão em função de variáveis ambientais
(meio ambiente) que são os eventos antecedentes e
consequentes. O comportamento do homem interage
constantemente com os estímulos que antecedem o seu
comportamento, assim como o comportamento está
constantemente gerando consequências no ambiente e sendo
influenciado por elas.
Relação funcional: antecedentes, comportamento, consequentes

Meio ambiente (estímulos):


as influências sobre o organismo que
determinam o comportamento; tudo aquilo que afeta o
comportamento. Um estímulo é um ‘pedaço’ do ambiente que pode
ser interno ou externo ao organismo.

- Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez


são modificados pelas consequências de sua ação (Skinner, 1978).
Assim, além de conhecer o organismo e as suas interações, é
necessário conhecer os diversos ambientes o qual um organismo
pode se interagir.

- O ambiente que o indivíduo interage pode ser analisado sob dois


prismas (Todorov, 1999):

- O ambiente externo, dividido em físico e social,


- O ambiente interno dividido em biológico e histórico.
O ambiente externo é alterado pelo comportamento por meio de
ações mecânicas sobre ele e pelas interações do indivíduo com o
social.
O ambiente interno é formado pelos processos biológicos e as
experiências passadas de cada pessoa, afinal o organismo
transporta consigo os resultados de suas interações passadas.
Obs.:A psicologia às vezes é definida como a ciência que estuda o
comportamento e os processos mentais. Ora, vimos que os
processos mentais fazem parte do comportamento humano. Os
processos mentais dizem respeito ao ‘pensar’. Assim, dizer que a
psicologia estuda o comportamento e os processos mentais é uma
redundância (pleonasmo) desnecessária.

O Modelo Atual Biopsicossocial do Homem X Modelo


Biomédico

O organismo que é objeto de estudo da psicologia é o homem,


ainda que para se compreender o comportamento humano seja
necessário estudar outras espécies.
As interações não são as que fazem parte do organismo (estão
dentro), pois estas são estudadas pela biologia, e não são entre
grupos de indivíduos, pois estes são estudados pelas ciências
sociais. Entretanto, a biologia e as ciências sociais podem auxiliar
estudos na área da psicologia e por isso surgiram áreas
denominadas de psicofisiologia, psicobiologia, psicologia social,
dentre outras.
Como já descrito, a concepção de homem que o profissional traz
consigo mesmo “contamina” inevitavelmente a sua pesquisa em
psicologia. Há diferentes concepções de homem em termos
filosóficos. O homem pode ser visto, por exemplo, como um ser:
- puro e que foi corrompido pela sociedade (concepção de homem
natural para Rousseau);
- abstrato, com características definidas e que não mudam, a
despeito das condições sociais a que esteja submetido (visão
determinista);
- datado, determinado pelas condições históricas e sociais que o
cercam (visão histórico-social);
- que influencia e é influenciado pelo seu meio (visão analítico-
comportamental).
Conforme a definição de homem adotada, teremos uma
concepção de objeto da psicologia que combine com ela.
O modelo biomédico:

O modelo biomédico baseia-se em grande parte numa visão


cartesiana do mundo. Este sistema de pensamento defendeu que
o mundo podia ser comparado a uma máquina, mais
concretamente a um relógio, e que o conhecimento do universo
passaria assim pelo “conhecimento detalhado das peças do
relógio”. O que interessa seria então os fenômenos observáveis, e
por assim dizer, o corpo, ficando desta forma o homem reduzido
aos seus aspectos biológicos ou orgânicos, e assim a suas
estruturas e processos biológicos e físico-químicos. Todos os
outros aspectos são negligenciados.
Para o modelo biomédico, a doença é encarada como um defeito
mecânico (avaria na máquina temporal ou permanente) localizável
numa máquina física e bioquímica. Este defeito pode ser reparado
por meio de meios físicos (cirurgia) ou químicos (farmacologia). A
parte doente pode ser tratada isolada de todo o resto do corpo.
Assim, a cura equivale à reparação da máquina.
De acordo com o modelo biomédico, uma pessoas está bem com
a saúde mental quando existe ausência de doença. Essa visão
reducionista biológica tem sido fortemente criticada a partir dos
anos 70 do séc. XX.
O modelo biopsicossocial:
O homem moderno deve ser entendido sob um aspecto
biopsicossocial. Toda história de vida deve ser analisada sob
influências biológicas, psicológicas e sociais, aspectos esse que
são interligados.
O homem recebe influências do seu organismo internamente
(genética, vírus, bactérias, doenças congênitas, defeitos
estruturais), da sua percepção própria, experiências e vivências de
mundo (ações, pensamentos e sentimentos) e da sua interação
com os diversos grupos (família, amigos), a sociedade e sua
cultura.
Também o homem biopsicossocial recebe diferentes influências do
meio ao longo de sua vida. Muitas áreas são importantes para a
análise do comportamento humano, tais como: afetiva, familiar,
conjugal, sexual, interpessoal (amizades), lazer, social, escolar,
religiosa, trabalho, biológica (doenças), ambiente cultural,
questões morais, regras sociais, costumes.

Psicólogos e Psiquiatras

Psicólogos clínicos e psiquiatras muitas vezes ocupam empregos


semelhantes. Ambos os profissionais podem trabalhar em campos
ligados à saúde mental, diagnosticando e tratando de pessoas com
problemas psicológicos leves e graves. A grande diferença entre
esses especialistas deriva de sua formação.
Os psicólogos clínicos geralmente passam cerca de cinco anos na
faculdade aprendendo sobre comportamento normal e anormal,
diagnóstico e tratamento de vários comportamentos humanos.
Após se formarem devem, por uma questão ética, se especializar
e aprofundar sua formação em uma ou algumas áreas e teorias da
psicologia.
Os psiquiatras, ao contrário, completam a faculdade de medicina
e dela saem com um diploma de doutor em medicina. Em seguida,
para se qualificarem como psiquiatras servem aproximadamente
três anos como residentes em uma instituição de saúde mental,
mais comumente um hospital. Aí recebem treinamento para
detectar e tratar de distúrbios emocionais, utilizando medicação
(farmacoterapia), cirurgia, eletroconvulsoterapia, dentre outros
processos médicos, e às vezes métodos psicológicos. Uma vez
que a formação do psiquiatra é médica, seu foco para a cura de
problemas está no corpo, no orgânico, no biológico. Para eles, a
causa de distúrbios comportamentais está, principalmente, em
alterações bioquímicas, neurológicas, etc.
Segundo a CBO 2002 – Classificação Brasileira de Ocupações –
do Ministério do Trabalho, o psiquiatra realiza consultas e
atendimentos médicos, tratam pacientes com medicação,
implementam ações para a promoção da saúde, coordenam
programas e serviços de saúde, efetuam perícias, auditorias e
sindicâncias médicas.
Além disso, o psiquiatra está apto a prescrever medicamentos ou
atestados (em virtude da formação médica), algo que está fora da
alçada do psicólogo.

Para diversas queixas, qualquer um destes profissionais poderá ser


procurado, ambos estarão aptos a fazer orientações do
direcionamento do tratamento. Mas, basicamente, o médico
psiquiatra deve ser procurado inicialmente quando as queixas estão
vinculadas principalmente a sintomas físicos tais como:

• taquicardia, sudorese, preocupação excessiva (relacionados à


ansiedade),

• perturbações no sono,

• choro recorrente, baixa autoestima, fadiga, desmotivação


(relacionados a depressão),

• sentimento de vazio, pensamentos suicidas,

• alterações na alimentação (diminuição ou aumento de apetite),

• alucinações (visuais, auditivas ou olfativas),

• delírios ou labilidade emocional.

O psicólogo deve ser procurado principalmente quando as queixas


estão vinculadas a problemas emocionais, como por exemplo:
• perdas (sejam elas de um relacionamento, um ente querido ou
emprego),

• traumas recentes ou do passado (assalto, sequestro, acidente,


desastres naturais, violência),

• sensação de paralisia para tomada de decisões (mudança de


emprego, término de relacionamento, escolha profissional),

• conflitos (familiares, relacionados a orientação sexual),

• dificuldades nos relacionamentos interpessoais (timidez, baixa


autoestima).

Vale ressaltar que a mente e o corpo funcionam em parceria, sendo


necessário, em muitos casos, tanto o acompanhamento psicológico
como psiquiátrico. Da mesma forma que o psiquiatra não substitui o
psicólogo, o psicólogo não substitui o psiquiatra, havendo a
necessidade de conciliar ambos os tratamentos para beneficiar tanto
a saúde física como mental.

O Estudo de Animais para Entender o Homem

O homem é o objeto de estudo da psicologia, mas por que estudar


animais na psicologia? Apesar de existir vários experimentos
psicológicos que utilizam animais, o enfoque está nos processos
psicológicos básicos que acontece tanto em animais não-humanos
como nos humanos. Ex. medo.
Os animais não-humanos mais utilizados nas pesquisas
psicológicas: peixinhos de aquário, baratas, vermes, caranguejos,
morcegos, ratos, pombos, tatus, cães, gatos, macacos, etc.
E por que trabalhar com organismos mais simples?
1° Por uma questão ética. Muitas pesquisas não podem ser
realizadas com seres humanos por razões éticas;
2° Por uma questão de praticidade. Os animais não-humanos são
cooperativos, cômodos e estudados com facilidade durante longos
períodos e;
3° Por uma questão de facilidade de detectar processos básicos
comportamentais e mentais em animais não-humanos e transpor
os achados para os animais humanos, tais como: fome, sede,
sono, movimento motor.

A Subjetividade

A subjetividade é a síntese singular e individual que cada um de


nós vai constituindo conforme vamos nos desenvolvendo e
vivenciando as experiências da vida social e cultural. A
subjetividade é a maneira de sentir, pensar, fantasiar, sonhar,
amar e fazer de cada um, enfim o que constitui o nosso modo de
ser.
A subjetividade humana é medida em todas as suas expressões
visíveis ou invisíveis, singulares (porque somos o que somos) ou
coletivas (porque somos todos assim).
Cada um é dono do seu sentir e do pensar. Isso é a subjetividade.
“Eu vejo que você vê, mas nunca vou saber como é o seu ver.
Você tem a sua subjetividade.”
O indivíduo não nasce com a sua subjetividade. Ele a constrói aos
poucos, apropriando-se do material do mundo social e cultural.
Criando e transformando o mundo externo, o homem constrói e
transforma a si próprio.
A subjetividade, dependendo da abordagem psicológica, também
é vista como a “individualidade”. Ainda como “personalidade”, mas
personalidade é um conjunto de comportamentos, que podem se
repetir em várias pessoas. Quando falamos de individualidade
estamos falando de unicidade, de comportamentos únicos naquela
pessoas. Quando falamos de personalidade estamos falando de
um repertório de comportamentos que uma pessoa tem e outras
também, estamos falando de semelhanças, de comportamento
médio emitido por um grupo de indivíduos.
Citando Guimarães Rosa em “O Grande Sertão: Veredas”:

Atribuições e Áreas de Atuação

Objetivo primordial:
Promover a saúde do ser humano por meio do respeito à dignidade
e integridade, proporcionando condições satisfatórias de vida na
sociedade. Segundo a OMS (ONU): "Saúde é um estado de
completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a
ausência de doença ou enfermidade."
O Psicólogo, dentro de suas especificidades profissionais, atua no
âmbito da educação, saúde, lazer, trabalho, segurança, justiça,
comunidades e comunicação com o objetivo de promover, em seu
trabalho, o respeito à dignidade e integridade do ser humano.
Atribuições Profissionais:
- Estuda e analisa os processos intrapessoais e relações
interpessoais, possibilitando a compreensão do comportamento
humano individual e de grupo, no âmbito das instituições de várias
naturezas, onde quer que se deem estas relações.
- Aplica conhecimento teórico e técnico da psicologia, com o
objetivo de identificar e intervir nos fatores determinantes das
ações e dos sujeitos, em suas histórias pessoais, familiares e
sociais, vinculando-as também a condições políticas, históricas e
culturais.
- Analisa a influência de fatores hereditários, ambientais e
psicossociais sobre os sujeitos na sua dinâmica intrapsíquica e nas
suas relações sociais, para orientar-se no psicodiagnóstico e
atendimento psicológico;
- Promove a saúde mental na prevenção e no tratamento dos
distúrbios psíquicos, atuando para favorecer um amplo
desenvolvimento psicossocial;
- Elabora e aplica técnicas de exame psicológico, utilizando seu
conhecimento e práticas metodológicas específicas, para
conhecimento das condições do desenvolvimento da
personalidade, dos processos intrapsíquicos e das relações
interpessoais, efetuando ou encaminhando para atendimento
apropriado, conforme a necessidade
- Formula hipóteses e à sua comprovação experimental,
observando a realidade e efetivando experiências de laboratórios
e de outra natureza, para obter elementos relevantes ao estudo
dos processos de desenvolvimento, inteligência, aprendizagem,
personalidade e outros aspectos do comportamento humano e
animal.
Locais e áreas de atuação:
Além da área clínica, a cada dia é observável a emergente atuação
do profissional psicólogo em áreas como organizações, hospitais,
escolas, tribunais de Justiça, marketing, esportes, aviação,
engenharia, etc. Devido a essa ampliação e as formas diferentes
de atuação exigidas, torna-se necessário cada vez mais uma
atenção focalizada para os valores e princípios fundamentais ao
exercício ético da profissão. Esse exercício ético tem como base
filosófica conduzir o indivíduo ao bem-estar evitando ao máximo o
sofrimento psíquico.
O psicólogo desempenha suas funções e tarefas profissionais
individualmente e/ou em equipes multiprofissionais. Abaixo alguns
locais e áreas de atuação profissional, o título do psicólogo que
atua nessa área com uma breve descrição das atividades.
A Psicologia e as Práticas Não Psicológicas

A Psicologia não consegue explicar muitas coisas sobre o homem,


pois é uma área da ciência relativamente nova (com pouco mais
de cem anos). Além disso, sabe-se que a ciência não esgotará o
que há para se conhecer, pois a realidade está em permanente
movimento e novas perguntas surgem a cada dia.
Alguns dos “desconhecimentos” da Psicologia têm levado os
psicólogos a buscarem respostas em outros campos do saber
humano. Com isso, algumas práticas não-psicológicas têm sido
associadas às práticas psicológicas, como por exemplo, o tarô, a
astrologia, a quiromancia, a numerologia, entre outras práticas
adivinhatórias/místicas. Estas não são práticas psicológicas! São
outras formas de saber – de saber sobre o humano – que não
podem ser confundidas com a Psicologia, pois não são construídas
no campo da ciência, a partir de métodos e princípios científicos e
estão em oposição aos princípios da psicologia que vê o homem
não como um ser com destino pronto, mas sim como um ser que
constrói seu futuro ao agir sobre o mundo e receber as influências
deste mundo.
É preciso ponderar que esse campo fronteiriço entre a psicologia
científica e a especulação mística deve ser tratada com o devido
cuidado. Quando se trata de pessoa, psicóloga ou não, que
decididamente usa do expediente das práticas místicas como
forma de tirar proveito pecuniário ou de qualquer outra ordem,
prejudicando terceiros, temos um caso de polícia e a punição é
salutar. Portanto, não se deve misturar a psicologia com práticas
adivinhatórias ou místicas que estão baseadas em pressupostos
diversos e opostos ao da psicologia. Por outro lado, é preciso estar
aberto para o novo, atento a novos conhecimentos que, tendo sido
estudados no âmbito da ciência, podem trazer novos saberes, ou
seja, novas respostas para perguntas ainda não respondidas.

Ética na Psicologia

A ideia crucial da Ética na Psicologia gira em torno da questão da


dinamicidade do ser humano. É uma importante consideração
quando sabemos que o psicólogo deve buscar atender ao ser
humano, o qual está em constante mudança sendo influenciado
por épocas, culturas e meios diferentes.
A deontologia da profissão do psicólogo considera a
transitoriedade própria do homem na busca do aperfeiçoamento.
Os psicólogos não podem deixar de lado essa preocupação pela
atualização e desenvolvimento constante na profissão, a qual
poderá promover um engajamento maior para voltar a realidade do
ser humano e assim realizar o verdadeiro papel social. O ideal não
é apenas saber os grandes princípios, ser um expert em psicologia,
mas sim aplicar este grande saber na prática do cotidiano.
Todavia, não basta pensar de modo ético, deve-se agir. Não basta
apenas pensar bem e honestamente, mas também deve-se
procurar agir de modo claro e visível na sociedade. “Juntar o útil
ao agradável”, sendo útil promovendo o bem-estar das pessoas de
acordo com uma realidade contemporânea e agradável ajudando
de maneira criativa, mas dentro de normas que não desrespeitem
o cliente como ser humano.
O respeito a pessoa humana é assunto subjetivo e a partir desse
enfoque cabe uma reflexão: até que ponto as singularidades de
cada psicólogo são úteis e confiáveis no tratamento de cada
indivíduo? Até que ponto a criatividade, liberdade e
espontaneidade de cada psicólogo pode ser útil para o cliente
enquanto ser humano que busca soluções para seus problemas?
A pessoa em sofrimento psíquico deposita toda sua esperança em
um psicólogo. Acha que ele irá solucionar todos os seus
problemas.
Cabe ao psicólogo discriminar que ninguém pode viver ao sabor
de suas paixões e desejos momentâneos de onipotência. Nenhum
psicólogo pode “brincar” com a vida pela qual ele está sendo
responsável naquele momento. Ninguém pode viver sem regra ou
lei. Por isso, o código de ética do psicólogo estará sendo pouco
ético se não determinar normas de conduta para que, mesmo com
a subjetividade de cada psicólogo, ele saiba discriminar que acima
da sua ética existe a ética do homem. É esta ética que fará do
psicólogo um profissional engajado social e politicamente no
mundo, e não um profissional a serviço exclusivamente do
indivíduo.
O código de ética dos psicólogos não deve ser visto como uma
prisão de condutas a serem seguidas, mas como um caminho para
a boa conduta tentando minimizar o conflito entre os valores
pessoais de cada psicólogo e o verdadeiro agir enquanto
psicólogo.
Hoje, mais do que nunca, a atitude dos profissionais em relação às
questões éticas pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso
de suas carreiras. Basta um deslize e a imagem do profissional
pode ganhar, no mercado, a mancha vermelha do demérito.
Ser ético é mais que agir corretamente, proceder bem, sem
prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranquilo com a
consciência pessoal. Ser ético é também, agir de acordo com os
valores morais de uma determinada sociedade. Essas regras
morais são resultado da própria cultura de uma comunidade. Elas
variam de acordo com o tempo e espaço. Ser ético é ter coragem
para assumir as decisões adequadas, mesmo que seja preciso ir
contra a opinião da maioria. Ser tolerante e flexível, íntegro e
humilde a fim de sempre ouvir o outro.
Se o comportamento ético fosse simplesmente seguir as regras,
poder-se-ia programar um computador para ser correto. A ética
gera questões extremamente delicadas e, na maioria das vezes,
de foro íntimo. Não existe uma receita universal, pronta e
completamente eficaz para resolvê-las. A decisão sempre varia de
pessoa para pessoa, de consciência para consciência, por isso
cabe ao psicólogo medir quais são seus limites éticos dentro de
sua profissão e avaliar os riscos de cada decisão que tomar.
Muitos são os desafios do profissional de psicologia em seus vários
campos de atuação, mas sempre deve estar focada no indivíduo
em sua forma completa e complexa. O papel do psicólogo não é
apenas tratar problemas ou tentar resolver todas as situações da
vida de uma pessoa, mas sim criar condições para prevenir o
aparecimento de sofrimentos psíquicos bem como fornece
possibilidades para a mudança de comportamentos.
O respeito ao indivíduo está bem contemplado no Código de Ética
do Psicólogo em vários de seus artigos entre eles os que citam a
importância de exercer o seu trabalho baseados nos fundamentos
científicos eximindo-se do uso de práticas não comprovadas
empiricamente e as citações sobre a questão do sigilo profissional.
O princípio fundamental para o começo de uma atuação
profissional é a reflexão de que os psicólogos do Brasil pertencem
a um país que já foi subdesenvolvido, mas que hoje procura fazer
parte dos países emergentes. O psicólogo deve se inserir no
contexto brasileiro o qual é diferente dos outros países. O Brasil
tem um quadro de violência sob todas as formas, mortalidade
infantil, desnutrição, baixo nível de escolaridade, péssimas
condições habitacionais, elevado grau de endividamento,
aviltamento monetário, desarticulação social, corrupção, amplo
processo de prostituição de todos os tipos, inclusive infantil, falta
de solidariedade nacional, vandalismo, falta de confiança no futuro.
A quase totalidade da população vive na miséria, mas a pobreza
não é um fenômeno novo, apenas agora está fabricada, como
consequência das decisões de modernização. A desigualdade
social deriva das decisões econômicas para viabilizar a
modernização criando assim “abismos” sociais maiores entre as
classes. O “ter” está se sobressaindo em relação ao “ser”. É
importante esta análise se compararmos aos países desenvolvidos
que já superaram alguns problemas sociais básicos e podem
atualmente se dedicar mais ao “estudo da alma”. Estamos
atrasados! Como tratar do emocional de uma pessoa se suas
necessidades básicas não estão sendo sanadas?
A Psicologia é um trabalho muito sutil de extrema responsabilidade
e na qual, a atuação do profissional pode construir ou destruir uma
pessoa pois, o psicólogo lida com aspectos como a autoestima das
pessoas, suas frustrações e conflitos, bem como fatos alegres,
histórias do cotidiano e dados da vida individual, podendo atuar
adequada e inadequadamente utilizando-se da condição de poder
reformular os conceitos sobre a vida do indivíduo.
Enfim, a partir de uma reflexão filosófica e simplista feita sobre a
atuação do psicólogo de uma maneira ética como profissional,
constata-se que em quaisquer campo de trabalho, este profissional
deve voltar-se para a melhoria da vida do indivíduo em sua
subjetividade promovendo o seu bem-estar.

Pesquisa: Qual é a Visão das Pessoas sobre a


Psicologia?

Recentemente, uma pesquisa rápida feita nas redes sociais,


procurou trazer um pouco da visão sobre os psicólogos e a
psicoterapia na visão de quem não é estudante de psicologia ou
psicólogo. O questionário foi feito sem levar em consideração uma
metodologia científica, ou seja, foi feito no objetivo de levantar
visões para debater a maneira como a psicologia é vista pelas
pessoas que não sejam da área.
O questionário continha perguntas quantitativas sobre dados
demográficos dos participantes e duas perguntas qualitativas e
dissertativas: “o que faz um psicólogo?” e “o que é psicoterapia?”,
permitindo que respostas fossem livres e variadas (e muito difíceis
de mensurar!). O questionário foi colocado em alguns grupos no
Facebook, além de ter sido compartilhado nos perfis pessoais de
algumas pessoas.
Foram 315 respostas analisadas no total. O questionário foi
compartilhado no perfil do Facebook de alguns psicólogos, o que
pode fazer com que as respostas sejam mais próximas da
realidade da profissão, pois, essas pessoas possuem,
minimamente, um contato maior com a profissão. O questionário
também foi colocado em alguns grupos aleatórios do Facebook.
Sobre o resultados demográficos: 78% das respostas foram dadas
por mulheres, 82% possuíam ao menos o Ensino Superior
Incompleto (21% possuíam pós-graduação completa), 51% faziam
ou já fizeram psicoterapia, 26% acreditam que psicoterapia é caro
e 78% residia no Sudeste do país.
Vamos às perguntas com suas respostas recebidas:
1ª Pergunta: “Na sua visão, o que faz um psicólogo?”
Uma grande maioria respondeu, das mais diversas maneiras, que
psicólogos ajudam na resolução de problemas e conflitos. Outra
resposta que apareceu com bastante frequência foi em relação ao
autoconhecimento, e que leva respostas a situações
problemáticas. Em menor quantidade, houve respostas dos
possíveis resultados de uma ajuda psicológica, como equilíbrio,
mostra uma diferente perspectiva das coisas e melhora da
qualidade de vida. Apareceram poucas respostas em relação a
distúrbios e transtornos psiquiátricos. Outras coisas que foram
respondidas e que chama a atenção:
– Salva vidas
– Ajuda a resolver problemas de caráter;
– Medica;
– Aconselha;
– Ouve (várias respostas com apenas isso!);
– Amiga que você paga para te ouvir e te acalmar;
– Cura;
– Tenta compreender;
– Avalia;
– Estuda o comportamento e o psicológico;
–“Inverdades (…) pragmatismo técnico infundado;
– Bater papo;
– Críticas como “Opera um conluio de inverdades. Um fazer com
pragmatismo técnico infundado”, “Torra dinheiro dos outros e para
piorar influencia negativamente principalmente adolescentes” e
“Poucos são profissionais de verdade e eu até agora não encontrei
nenhum, apenas tenho fé de que existem”;
– Uma crítica sobre psicólogos que não possuem objetivos, prazos
e não se atualizam;
– Referências psicanalíticas como “ajuda a externar sentimentos
castradores”.
2ª Pergunta: “Na sua visão, para que serve a psicoterapia?”
Muitas pessoas responderam que não sabem o que é psicoterapia;
alguns consideraram que já tinham respondido na pergunta
anterior; apareceram mais respostas relacionadas a distúrbios e
uma grande maioria dissertou sobre ser o profissional que ajuda
no autoconhecimento e resolução de problemas. A resposta “bater
papo” e “salvar vidas” se repetiram, além de ter aparecido que
psicoterapia é “o mesmo que uma boa dose de whisky”, “para
nada” e “para ganhar dinheiro”.
Acreditava-se que haveria muito mais respostas sobre tratamento
de transtornos psiquiátricos.. Apesar disso, boa parte das
respostas foi referente a algum tipo de ajuda frente à resolução de
um problema. Dessa maneira, pode-se referir que a psicologia
ainda carrega o caráter de “apagar incêndio” e a clínica, o que
demonstra que, de alguma forma, a profissão ainda está atrelada
a doença. Isso demonstra a necessidade de algum tipo de
divulgação de que o psicólogo pode atuar em frente à promoção
de saúde de uma maneira profilática. E além disso, a possibilidade
do psicólogo se inserir em praticamente todos os contextos além
da clínica.
Apesar de ter aparecido bastante, o termo ajuda, por si só, é
bastante vago. Como o psicólogo pode ajudar? Quais os
benefícios que as pessoas podem obter? O que vem a ter
autoconhecimento e aprender a lidar com suas emoções?
É interessante as respostas que falam sobre opinar e aconselhar,
ainda paira no senso comum a ideia de que psicólogos irão dar
alguma resposta pronta. Também há a forte expectativa de cura,
de salvar vidas e até de sanar problemas de caráter (e o que vem
a ser isso, exatamente?). Dessa maneira, muitas pessoas podem
ter essa fantasia e se frustrar diante de um profissional que lhe
lança muitas perguntas, e poucas respostas.
É bastante pertinente como apareceram respostas em que houve
“reclamação” e falta de reconhecimento sobre a psicologia. É um
profissional para bate-papo, ciência pautada em inverdades,
“amiga que você paga para te ouvir”, “como uma boa dose de
whisky”, “não serve para nada”, “serve para torrar dinheiro”; foram
algumas das coisas que surgiram.
A amostra foi, em sua maioria, respondida por pessoas que
estavam, pelo menos, cursando o Ensino Superior. É preocupante
que as pessoas que mais possuem informação no país possuam
essa visão sobre a psicologia. Para essa amostra, o psicólogo
pode não estar sendo associado, necessariamente, com
tratamento da loucura, mas ainda se tem uma ideia pautada em
resolver problemas e psicologia clínica, que é de fato muito
inacessível para muita gente. Apesar de a amostra ser de uma
classe mais alta, 26% consideram muito caro. É caro por que vai
pesar no bolso no fim do mês ou por que é algo em que não merece
ser gasto o suado dinheiro? Além disso, as pessoas possuem uma
ideia muito confusa sobre o que necessariamente esse profissional
pode fazer. Os próprios psicólogos, muitas vezes, não sabem
responder o que fazem, de uma maneira mais didática e entendível
para a sociedade. Torna-se um conhecimento muito
intelectualizado e elitizado.
O objetivo dessa pesquisa não foi ser um estudo acadêmico, até
porque os dados deveriam levar em conta uma amostra com
estudos estatísticos, com um “n” maior de participantes, e com
grupos bastante específicos, dado a pluralidade – e desigualdade
– do Brasil.
Não se tratou tampouco de respostas certas ou erradas. A ideia do
questionário foi recolher, de maneira bastante simplificada, alguns
dados sobre como as pessoas enxergam o psicólogo e a
psicoterapia. Não é culpa das pessoas se elas riem, colocam uma
grande expectativa ou possuem uma ideia rasa sobre a área. A
culpa muitas vezes é dos próprios profissionais! É preciso repensar
estratégias, tanto no nível micro e macro, de acesso à informação
quanto as diversas possibilidades de atuação e benefícios que as
pessoas poderiam obter com a psicologia. Demanda não falta, há
pessoas que precisam dos profissionais da área e vice-versa, mas
elas não sabem que precisam disso, e, dessa forma, não se
consegue alcança-las.

Introdução à Psicanálise

Afinal, o que é psicanálise?


Psicanálise é uma teoria da mente humana e uma prática
terapêutica. Foi fundada por Sigmund Freud entre 1885 e 1939 e
continua sendo desenvolvida por psicanalistas ao redor do mundo.
A psicanálise tem quatro áreas principais de aplicação:

1) como uma teoria de como a mente trabalha;


2) como um método de tratamento para problemas psíquicos;
3) como um método de pesquisa, e;
4) como uma forma de observar os fenômenos culturais e sociais,
como a literatura, arte, cinema, performances, política e grupos.
Para que é o tratamento psicanalítico?
A psicanálise e a psicoterapia psicanalítica são para aqueles que
se sentem aprisionados em problemas psíquicos recorrentes que
impedem seu potencial para experimentar felicidade com seus
parceiros, famílias e amigos assim como sucesso e satisfação em
seu trabalho e tarefas normais da vida diária.
Ansiedades, inibições e depressões frequentemente são sinais de
conflitos internos. Estes levam a dificuldades nos relacionamentos
e, quando não tratados, podem ter um impacto considerável nas
escolhas pessoais e profissionais. As raízes destes problemas
frequentemente são mais profundas do que a consciência pode
alcançar, que é o motivo porque não podem ser resolvidos sem
psicoterapia.
É com a ajuda de um analista capacitado que o paciente pode
obter novos conhecimentos (insights) sobre as partes inconscientes
destes distúrbios. Conversar com um psicanalista em uma
atmosfera segura levará o paciente a tornar-se cada vez mais
consciente de partes de seu mundo interno previamente
desconhecido (pensamentos e sentimentos, memórias e sonhos),
aliviando dessa maneira a dor psíquica, promovendo o
desenvolvimento da personalidade e oferecendo uma
autoconsciência que fortalecerá a confiança do paciente para
perseguir seus objetivos na vida. Estes efeitos positivos da
psicanálise deverão durar e levar a novos desenvolvimentos
mesmo após a análise ter terminado.

Descobertas e Inovações de Freud

Freud, trabalhando com pacientes histéricas, compreendeu que os


sintomas dos quais elas sofriam representavam de forma concreta
um significado que era simultaneamente escondido e revelado.
Com o decorrer do tempo ele aprendeu que todos os sintomas
neuróticos eram mensageiros que carregavam - ainda que
inconscientemente - conteúdos psíquicos reprimidos. Isto o levou
a desenvolver sua “cura pela fala”(“talking cure”), que revolucionou a
interação entre paciente e terapeuta. Freud via seus pacientes seis
vezes por semana, ouvindo e respondendo ao que eles lhe diziam
enquanto estavam deitados em um divã. Convidados a falar
qualquer coisa que passasse em suas mentes, os pacientes
ofereciam a Freud livre associações que os levavam de volta a
experiências infantis reprimidas, desejos e fantasias que haviam
resultado em conflitos inconscientes; uma vez trazidos à
consciência, esses conflitos poderiam ser analisados e os
sintomas, então, dissolvidos. Este procedimento tornou-se não
apenas um potente método de tratamento, mas também uma
ferramenta eficiente para o estudo do psiquismo humano, levando
ao desenvolvimento de uma teoria psicanalítica cada vez mais
sofisticada a respeito da forma como a mente funciona e, nos anos
recentes, aos estudos comparativos conjuntos com o novo campo
da neuropsicanálise.

As descobertas iniciais de Freud levaram-no a novos conceitos


revolucionários:
O inconsciente: a vida psíquica vai além do que estamos conscientes,
também além do que é pré-consciente no sentido daquilo que
podemos tomar consciência na medida em que o possamos
pensar. Uma parte importante de nossa mente é inconsciente, e
esta parte é acessível apenas com psicanálise.

são um amálgama de fantasia e realidade;


Experiências infantis iniciais
elas são caracterizadas por desejos apaixonados, impulsos
indomados, e ansiedades infantis. Por exemplo, a fome estimula
um desejo de engolir tudo, e também o medo de ser engolido pelos
demais; o desejo de estar no controle e independente é ligado ao
temor de ser manipulado ou abandonado; o separar-se de um
cuidador importante pode levar a permanecer desprotegido,
desamparado e sozinho; amar um dos pais pode oferecer o risco
de perder o amor do outro. Assim, desejos e medos iniciais
resultam em conflitos que, na medida em que não podem ser
resolvidos, são reprimidos e tornam-se inconscientes.
Desenvolvimento psicossexual:
Freud reconheceu que a maturação
progressiva das funções corporais centrada nas zonas erógenas
(boca, ânus e genitais) ocorre junto com prazeres e temores
experimentados na relação com os objetos cuidadores, e estes
estruturam o desenvolvimento da mente da criança.

O complexo de Édipoé o complexo nuclear de todas as neuroses.


Uma criança na idade de quatro a seis anos torna-se consciente
da natureza sexual da relação de seus pais, da qual ela está
excluída. Surgem sentimentos de ciúmes e rivalidade que tem que
ser resolvidos, junto a questões de quem é homem e quem é
mulher, quem pode amar e casar com quem, como são feitos e
nascem os bebês, e o que uma criança pode ou não fazer,
comparada com um adulto. A resolução dessas questões
desafiadoras moldará o caráter da mente adulta e o Superego (ver
abaixo em o Ego, o Id e o Superego).

Repressão éa força que mantém inconscientes fantasias perigosas


relacionadas a partes não resolvidas de conflitos infantis.

Frequentemente eles expressam a


Sonhos são satisfações de desejos.
satisfação de desejos ou fantasias sexuais infantis. Uma vez que
aparecem disfarçados (como cenas absurdas, estranhas ou
incoerentes) eles requerem análise para revelar seus significados
inconscientes. Freud chamou a interpretação dos sonhos o
caminho real para o inconsciente.

Transferênciaé a tendência ubíqua da mente humana a ver e


identificar novas situações dentro dos moldes das experiências
iniciais. Em psicanálise a transferência ocorre quando um paciente
vê o analista como uma figura parental, com quem ele pode
reexperimentar os principais conflitos ou traumas infantis como se
dentro da relação pais-filho original.

Associação descreve o surgimento de pensamentos,


livre
sentimentos e fantasias quando elas não estão inibidas pelas
restrições do medo, culpa e vergonha (ver abaixo em O Núcleo do
Método Psicanalítico e o Setting)
O Ego, o Id e o Superego:
- O Ego é o principal lugar da consciência, o agente da mente que
exerce as repressões e integra e consolida vários impulsos e
tendências antes que elas sejam postas em ação.

- O Id é a parte inconsciente da mente, o lugar dos traços de


memória reprimidos e incognoscíveis da mente inicial.

- O Superego é o guia e consciência da mente, um detentor das


proibições a aderir, e ideais a perseguir.

Principais Descobertas e Acréscimos à Teoria


Psicanalítica desde Freud

Freudianos clássicos e contemporâneos


Sigmund Freud (1856-1939) criou um modelo da mente com
poucas hipóteses básicas: a vida psíquica é ativada pela energia
de dois impulsos primitivos (em sua primeira teoria dos impulsos o
sexual e o de autopreservação; em sua segunda teoria dos
impulsos, o de vida e o de morte, ou sexualidade e agressão).
Estes impulsos representam demandas do corpo na mente e
tornam-se conhecidos mediante desejos e necessidades que
procuram pelo objeto específico para alcançar satisfação. Os
traços de memória destas interações (incluindo as representações
de objetos e relações importantes) estruturam toda a mente,
construindo formações cada vez mais complexas, que são por fim
divididas em três seções principais.
Em seu primeiro modelo topográfico Freud denominou os
sistemas: Inconsciente, Pré-consciente e Consciente; em seu
segundo modelo estrutural ele referiu Ego, Id e Superego.
As estruturas da mente regulam as energias dos impulsos de
acordo (homeostático) com o princípio do prazer. Metapsicologia é
a teoria da mente que expressa funções psíquicas considerando
seus aspectos dinâmico (impulsos), econômico (energias) e tópico
(estrutural).
Sándor Ferenczi(1873-1933) e a escola de psicanálise de Budapeste
ressaltaram a importância de considerar e reconhecer traumas
reais na infância, os específicos da relação inicial da mãe com o
bebê, e os da “confusão de línguas” (uma confusão entre a ligação
afetiva da criança e as necessidades sexuais do adulto), que
impacta severamente no desenvolvimento psíquico e na
psicopatologia posterior. Ferenczi enfocou nos mútuos processos
intersubjetivos entre o paciente e o analista, e no papel primoroso
da honestidade e trabalho interno do analista (autoanálise) no
encontro analítico. Mais recentemente seu trabalho tem sido
reavaliado e tornou-se um novo foco na psicanálise na França
assim como na Escola Relacional (ver Psicanálise Francesa e
“Psicanálise Relacional”, abaixo).

Psicologia do Ego.
Anna Freud (1895-1982), Heinz Hartmann (1884-
1970) e outros, focaram sua atenção no trabalho do ego
consciente e inconsciente, seu papel particular nas defesas
inconscientes e seu efeito inibitório nos processos psíquicos.
Hartmann postulou uma área do ego livre de conflito, que
desempenha importantes tarefas como consciência (awareness),
controle motor, pensamento lógico, discurso, percepção sensorial
e teste da realidade - todas essas, funções vitais que,
secundariamente, podem ser envolvidas no conflito neurótico. Ao
analisar sistematicamente as defesas do paciente, a psicanálise
objetiva fortalecer o ego no sentido de aumentar o controle de
impulsos, a resolução do conflito e a capacidade de tolerar a
frustração e afetos dolorosos. Hartmann adicionou aos quatro
pontos de vista metapsicológicos Freudianos, os aspectos
genético e o adaptativo.

Kleinianos clássicos e contemporâneos. Melanie Klein (1882-1960)


conceituou a infância como começando com impulsos primitivos
experimentados dentro de relações objetais. A pulsão de morte
dirigida para o interior é experimentada como uma força que ataca
despertando ansiedades persecutórias e o medo de
aniquilamento, que é localizado (projetado) fora do self e leva a
impulsos destrutivos em direção ao objeto frustrador (seio mau),
seguido pelo temor de retaliação. Em contraposição, o objeto que
satisfaz (seio bom) é idealizado e de forma protetora excindido (split
off) do mau objeto. Esta primeira fase é chamada posição esquizo-
paranóide, “PS”, caracterizada por splitting, negação, onipotência e
idealização, assim como projeção e introjeção. A capacidade
crescente do ego para integração levará a ansiedades depressivas
de que os impulsos destrutivos tenham danificado o objeto/seio
bom e despertam o desejo por reparação. Esta segunda fase é
chamada de posição depressiva, “D”. Kleinianos contemporâneos
reconheceram que estas fases não estão limitadas à infância mas
formam uma dinâmica contínua dentro da mente, a alternância
PS⇔D.

O ramo Bioniano da escola kleiniana. Wilfred Bion (1897-1979),


relacionado com e partindo de Freud e Klein desenvolveu uma
nova linguagem para sua teoria do pensar. Ele introduziu a ideia
de que a mente do bebê inicialmente experimenta um ataque
violento de impressões sensoriais e emoções cruas, chamadas
elementos beta, que não portam significado e necessitam ser
evacuadas. É essencial que o objeto cuidador (continente) aceite
estes elementos beta (conteúdos), os metabolize e transforme em
elementos alfa, e os devolva para o bebê como tais. A mente do
bebê os introjeta junto com a função alfa transformadora, assim
construindo sua própria função alfa, um aparelho capaz de
simbolizar, memorizar, sonhar e pensar pensamentos; isto
também desenvolve os conceitos de tempo e espaço e permite a
discriminação entre o consciente e o inconsciente. Distúrbios
psíquicos estão relacionados a perturbações nestas funções
básicas deste aparelho para pensar.
O ramo de Winnicott da Teoria das Relações de Objeto.
Donald Winnicott
(18961971) delineou a forma como o ambiente de holding de uma
mãe suficientemente boa capacitará a mente do bebê a criar
representações de si e do outro. No espaço intermediário entre a
mãe e o bebê a criança encontra e cria o que ele chama um objeto
transicional (cheirinho) que é e não é a mãe. É este espaço
intermediário ou potencial entre a realidade interna subjetivamente
criada e a realidade externa objetivamente percebida que
permanecerá disponível como um espaço interno para
experienciar vida, criar novas ideias, imagens, fantasias e arte, e
formar as muitas apresentações da cultura. Se a mãe pode
responder empaticamente ao gesto espontâneo do bebê, esse
construirá a representação de um verdadeiro self com capacidade
para brincar e ser criativo. Entretanto, se a mãe continuamente
traduz mal os gestos do bebê de acordo com as necessidades
dela, o verdadeiro self da criança permanecerá escondido sob o
escudo de um falso self que é criado para sobreviver e pode levar,
mais tarde na vida, a um sentimento de não ser capaz de ser
verdadeiro.
Psicanálise Francesatem-se desenvolvido delineada a partir de e em
disputa com Jacques Lacan (1901-81) e suas ideias (o significado
da linguagem, o phallus, desejo e o outro, e seus conceitos do
imaginário, do simbólico e o [inacessível] real). Seu chamamento
por um retorno a Freud iniciou um sério debate e elaboração dos
conceitos nucleares de Freud e, finalmente, estabeleceu o papel
primordial da metapsicologia Freudiana na compreensão da
psique humana. Isto, por sua vez, foi particularmente frutífero no
avanço de uma nova concepção da teoria da sedução, a ênfase
nas pulsões de vida e de morte e a teoria do narcisismo em suas
várias apresentações. O reconhecimento da importância da teoria
dos impulsos, pressionou por uma ênfase na sexualidade,
subjetividade, a linguagem do desejo e a função estrutural do
Complexo de Édipo, em particular a respeito da posição do terceiro
e terceira idade. Isto, então, levou à ideia de um processo terciário,
em que os processos inconscientes (primários) e conscientes
(secundários) coexistem e são criativamente combinados.
foi fundada nos Estados Unidos por Heinz Kohut
Psicologia do Self
(1913-81), que enfocou no sentido de self do indivíduo, em
particular considerando o desenvolvimento e regulação do
narcisismo. Ele salientou o papel necessário dos pais cuidadores
(e posteriormente do analista) para espelhar de forma empática os
estados do self da criança e permitir a idealização de
transferências alter-ego/gemelares, assim dando suporte à criança
(o paciente posteriormente) como um self-objeto, até que essa
tenha internalizado suas funções reguladoras. Com o passar do
tempo, Kohut veio a rejeitar o modelo estrutural de Ego, Id e
Superego, assim como a teoria dos impulsos propostos por Freud,
e sugeriu em lugar destes o seu modelo de self tripartido.
Psicanálise Relacional,
fundada por Steven Mitchell (1946-2000) nos
Estados Unidos, rejeita a biologicamente enraizada teoria dos
impulsos de Freud, sugerindo em seu lugar uma teoria do conflito
relacional, que combina interações reais, internalizadas e
imaginadas com outros significativos. A personalidade deriva de e
é construída a partir de estruturas que refletem interações
aprendidas e expectativas com os cuidadores primários. Uma vez
que a motivação primária do indivíduo é estar em relacionamentos
com outros, ele tenderá a recriar e encenar estes padrões
relacionais através da vida. A Psicanálise, então, consiste em
explorar estes padrões e confrontá-los com o que é
espontaneamente e autenticamente co-criado no setting
psicanalítico entre analista e paciente.

O Núcleo do Método Psicanalítico e o Setting

Método.
A Psicanálise é a cura pela fala, baseada no método da livre
associação. Em sua regra fundamental o paciente é convidado a
dizer qualquer coisa que venha a sua mente, sem restrições do
tipo considerações de contexto, decência, sentimentos de
vergonha ou culpa e outras objeções. Ao aderir a esta regra os
processos de pensamento do paciente farão ligações
surpreendentes, revelarão conexões conscientemente
indisponíveis com desejos e defesas, e levarão às raízes
inconscientes de conflitos até então não resolvidos que moldam as
situações transferenciais. Ouvindo estas associações, os analistas
irão entregar-se a um processo mental similar chamado atenção
livremente flutuante, pelo qual seguirão as comunicações do
paciente assim como perceberão - as vezes como se em um
sonhar acordado - suas próprias associações que emergirão na
contratransferência. A integração destas várias espécies de
informação é um trabalho principalmente interno para o analista
moldar uma visão das situações transferênciais-
contratransferenciais que finalmente se agrupam em uma gestalt
emergente (uma fantasia inconsciente), que pode ser
experimentada por ambos, analista e paciente.
Com o auxílio das intervenções do analista - frequentemente
interpretações transferenciais do que transpira no aqui e agora da
sessão - uma nova compreensão do sofrimento do paciente
emergirá. A aplicação repetida destes novos insights em muitas
situações similares, nas quais o mesmo tipo de conflito surge, é o
processo de elaboração, que torna o paciente cada vez mais capaz
de reconhecer os processos de pensamento que movimentam
seus conflitos. Resolver estes conflitos e colocá-los em
perspectiva, ou em repouso liberará a mente do paciente de velhas
inibições e abrirá espaço para novas escolhas.
Setting.
O método descrito acima é melhor aplicado no setting clássico: o
paciente está confortavelmente deitado no divã, dizendo o que lhe
vier à mente, sem ser distraído por ver o analista, que usualmente
está sentado atrás do divã. Isto permite, a ambos parceiros do
empreendimento analítico, ouvir e refletir completamente acerca
do que transpira na sessão: o paciente se sentirá imerso em seu
mundo interno, reviverá memórias, revisitará experiências
importantes, falará acerca dos sonhos e criará fantasias, tudo isto
que, fazendo parte da jornada analítica, lançará novas luzes na
vida, história e elaborações da mente do paciente.
A sessão de análise comumente dura de 45 a 50 minutos. Com o
objetivo de continuamente aprofundar o processo analítico, as
sessões de psicanálise preferentemente ocorrem em três, quatro
ou cinco dias por semana. Uma menor frequência de sessões
semanais ou o uso da poltrona em lugar do divã poderão às vezes
ser necessários. Todos os acordos acerca do setting (incluindo os
horários, o valor da sessão e a política de cancelamentos) serão
contratados por ambos, paciente e analista, e terão que ser
renegociados se mudanças forem necessárias. A duração de uma
análise é difícil de predizer; uma média de três a cinco anos pode
ser esperada, embora qualquer caso individual possa necessitar
de mais ou de menos tempo para o encerramento. Paciente e
analista são, contudo, livres para a qualquer momento decidir
interromper ou terminar a análise.

Diferentes Métodos de Tratamento Psicanalítico

A Psicanálise é aplicada de várias maneiras. O tratamento


psicanalítico clássico (ver lição anterior) foi desenhado para melhor
acomodar as capacidades de um paciente adulto neurótico que
está razoavelmente bem adaptado às demandas da vida e
trabalho. Entretanto, tratamento psicanalítico de alta frequência
também é utilizado para uma gama maior de psicopatologias
(escopo ampliado), como por exemplo, transtornos de
personalidade borderline e narcisista severa.

é usualmente
Psicoterapia psicanalítica ou psicodinâmica com adultos
utilizada com frequência menor (uma ou duas sessões por
semana) e em uma disposição sentada, face a face.
Frequentemente seus objetivos são mais focados na resolução de
um tipo particular de problema (por ex., dificuldades nos
relacionamentos ou no trabalho), depressão ou transtornos de
ansiedade. Embora transferências e contratransferências ocorram,
como na psicanálise, elas frequentemente ficam no background e
permanecem não interpretadas, dando espaço para dirigir-se a e
resolver mais diretamente os problemas da vida do paciente.
Algumas vezes, ambos participantes em uma psicoterapia
psicanalítica decidem aprofundar seu trabalho, em um momento
posterior do tratamento, e embarcam em psicanálise de alta
frequência.

podem experimentar
Crianças (da infância em diante) e adolescentes
problemas duradouros (depressão, ansiedade, insônia, agressão
extrema e crueldade, pensamento obsessivo, comportamento
compulsivo, dificuldades de aprendizado, distúrbios alimentares,
etc.) que podem pôr em perigo seu desenvolvimento psíquico e
causar preocupações em seus pais, professores e amigos. Para
eles, têm sido desenvolvidos métodos de tratamento psicanalítico
modificados de acordo com a idade (incluindo brincar com
bonecos, brinquedos, e desenhar) que permitem à criança ou
adolescente expressar o que os está incomodando. Analistas de
crianças são especialistas em perceber as porções inconscientes
das comunicações de seus pacientes e responder a elas de forma
apropriada, assim ajudando a criança a resolver conflitos e
problemas emocionais que repousam sob seus sintomas
manifestos e interferem com seu posterior desenvolvimento
emocional.

foi desenvolvido (principalmente nos EUA e


Psicodrama psicanalítico
na França) para pacientes com inibições massivas, que precisam
suporte para representar, expressar e elaborar suas dificuldades
no sentido de estruturar seu mundo interno. O setting inclui um
líder ou diretor da representação, que auxilia o paciente a sugerir,
entrar e desenvolver uma cena (por ex., uma lembrança, um
sentimento, uma situação ocorrida), que é o material para o
trabalho terapêutico. O paciente encena com vários co-terapeutas
ou atores que assumem papéis atribuídos a eles pelo paciente. A
função dos co-terapeutas é compreender empaticamente estes
papéis como partes do paciente (por ex., diferentes lados de um
conflito) ou seus objetos significativos, e traduzir o significado
latente destes papéis representando seus processos
(principalmente defensivos) inconscientes subjacentes. O líder da
peça pode interromper e interpretar a cena em qualquer ponto. A
peça permite o desdobramento de questões anteriormente difíceis
para o paciente e facilita sua integração e internalização. O objetivo
é desenvolver o insight do paciente em sua vida interna
(pensamentos, sentimentos, fantasias, sonhos e conflitos), e
estimular sua ativação, assim expandindo o espaço (teatro interno)
psíquico (intermediário), em que seus vários componentes podem
ser considerados e compreendidos.

aplica os insights da
Psicoterapia psicanalítica de Casais e Família
psicanálise para a dinâmica encontrada entre os parceiros de
casais e famílias, que estão presos em conflitos recorrentes. Com
o auxílio de um psicanalista, aspectos de posições e transferências
incompatíveis, projeções mútuas, e as encenações repetidas de
fantasias inconscientes, podem ser interpretadas e analisadas,
considerando as ideias inconscientes que prevalecem a respeito
do que o casamento e a vida familiar pode ou deve significar, assim
aliviando tensões e abrindo caminhos para novas escolhas
autodeterminadas.

(usualmente com 6 a 9 membros) utilizam-se da


Grupos psicanalíticos
tendência universal que encontros não estruturados de indivíduos
em pequenos ou grandes grupos, sem uma tarefa definida, têm de
experimentar regressões a níveis primitivos de funcionamento
psíquico, p. ex., dependência e submissão de um líder idealizado
ou frustrador, reações agressivas de luta-fuga, pareamentos e
cisões em subgrupos, assim como defesas contra esses
processos. Enquanto alguns grupos focam na participação e
interação individual, no aqui e agora da dinâmica de grupo, outros
se dirigem aos processos globais do grupo e à cultura particular
que emerge através das discussões livremente-flutuantes
(equivalente da livre associação). O trabalho de grupo psicanalítico
pode servir a vários propósitos: há grupos psicoterapêuticos,
grupos que estimulam o desenvolvimento pessoal, grupos de
discussão clínica para médicos (Grupos Balint, Conferências-
Tavistock), assim como grupos que encorajam autorreflexão e
resolução de problemas em organizações maiores.
Formação Psicanalítica

O treinamento para tornar-se psicanalista é regulado pela


Associação Psicanalítica Internacional (IPA) e suas organizações
constituintes. Em muitos países qualquer um com as capacidades
e experiência necessárias pode praticar para ser um psicanalista,
embora em alguns países a prática é limitada a profissionais
licenciados tais como médicos, psicólogos e assistentes sociais.
Há três modelos diferentes de formação (chamados o modelo
Eitington, o Francês e o Uruguaio), todos requerendo análise
pessoal do candidato, a frequência a seminários clínicos, teóricos
e técnicos, e a supervisão do trabalho do candidato. A formação
psicanalítica dura uma média de cinco a dez anos e termina com
a graduação ou a aceitação como associado.

Pesquisa em Psicanálise

Freud descobriu que o melhor método para aprender como a


mente humana trabalha é estudar cuidadosamente a sequência de
suas expressões, a saber, pensamentos e sentimentos, sonhos e
fantasias, como eles surgem em contextos particulares. O método
da livre associação provou ser uma ferramenta central da pesquisa
psicanalítica. Um paciente que permite ao analista (de forma tão
irrestrita quanto possível) traçar o surgimento de suas ideias
exporá sua versão individualmente moldada dos princípios gerais
do trabalho da mente - por exemplo, impulsos e desejos que
provocam medos, esses últimos estimulando defesas contra os
primeiros; a interpretação idiossincrática das percepções
presentes sob a influência de conflitos inconscientes não
resolvidos do passado; ou formas de manejar fantasias e
sentimentos com objetivo de manter uma sensação básica de
segurança e balanço interno. Desta maneira, a compreensão da
mente humana individual trabalhando é simultaneamente o
método de cura assim como o método de pesquisa psicanalítica.
A pesquisa em psicanálise, seguindo o caminho descrito acima,
tem através de muitos anos desenvolvido novos insights a respeito
do funcionamento mental articulado nas várias linhas e escolas de
psicanálise. Além disso, a pesquisa científica tem estabelecido e
obtido sucesso em mostrar através de estudos comparativos, de
longo prazo e follow-up a eficácia da Psicanálise e Psicoterapia
Psicanalítica. Vários elementos da cura, como o estilo das
intervenções, a frequência das sessões, a relação paciente e
analista/terapeuta, ou a aplicabilidade do tratamento psicanalítico
para diferentes tipos de patologias mentais tem sido
cientificamente estudado, levando a modificações e ajustes nos
planos de tratamento, assim como (em alguns locais) à aceitação
de formas de tratamento psicanalítico para reembolso por planos
de saúde. Também incursões têm sido feitas em projetos que
objetivam compreender a interação e interdependência da mente
e do funcionamento mental.
A IPA apoia pesquisa em psicanálise treinando psicanalistas em
métodos de pesquisa básica, construindo bases de dados sobre
achados de pesquisas, iniciando grupos de trabalho (working parties)
e grupos de discussão, concedendo prêmios a propostas de
pesquisa sobre uma ampla gama de tópicos clínicos,
experimentais e conceituais, assim como estimula ao redor do
mundo a conexão com universidades e instituições de pesquisa.

Psicanálise Aplicada

Freud reconheceu que a compreensão psicanalítica da mente


também oferece uma compreensão mais profunda da cultura e
sociedade. As mais famosas são suas análises de Oedipus Rex de
Sófocles e Hamlet de Shakespeare. Ele analisou trabalhos de
literatura e arte, comportamentos sociais como piadas, humor,
lapsos, atos falhos e, de forma mais geral, fenômenos como
civilização, movimentos de massa, guerra e religião. A riqueza
desta abordagem estimulou uma ampla gama de interesse em
aplicar o pensamento psicanalítico em literatura, arte e cinema e
suas análises críticas, assim como em antropologia e ciências
sociais.
A IPA, sua organização e normas éticas
A Associação Psicanalítica Internacional ( a “IPA”), foi fundada em
1910 por Sigmund Freud. É a organização centralizadora para 72
organizações constituintes com mais de 12 000 membros plenos
em 63 países. Sua missão é propagar a psicanálise ao redor do
mundo (p. ex., ao encorajar trocas inter-regionais e organizar
congressos internacionais) e assegurar o vigor continuado e o
desenvolvimento de sua ciência. É o principal corpo regulatório e
de acreditação para psicanalistas do mundo (para mais detalhada
informação veja "About us" no site da IPA).
O Comitê de Ética da IPA formulou regras éticas básicas que são
obrigatórias para todas as organizações constituintes e cada um
de seus membros e candidatos. Elas refletem valores
humanitários, princípios psicanalíticos e obrigações profissionais.
De maneira mais importante elas demandam que todas as
comunicações do paciente ao analista sejam mantidas
estritamente confidenciais, e que o analista não deva engajar-se
em relações sexuais ou transações financeiras privadas com o
paciente. Em caso de irregularidades ou transgressões destas
regras, o paciente tem o direito de queixar-se ao Comitê de Ética
da sociedade do analista. Cada sociedade componente da IPA tem
estabelecido regras e procedimentos para assegurar um alto
standard ético dos tratamentos efetuados por seus membros e
para regular medidas pelas quais queixas formais são
processadas.
Aonde encontrar psicanálise?
Eventos psicanalíticos têm há tempo cruzado as fronteiras dos
institutos e sido abertos ao público em geral. Encontros e
congressos psicanalíticos têm convidado, para participarem em
seus programas, a comunidade de saúde mental mais ampla,
incluindo não analistas, tais como cientistas, estudantes, políticos,
escritores e artistas. As sociedades psicanalíticas oferecem
palestras e painéis abertos ao público, que ocorrem nos institutos,
universidades, bibliotecas e livrarias. Em alguns lugares, exibições
de arte, produções de teatro e projeções de filmes são introduzidas
ou seguidas por discussões com o público, sob a orientação de
psicanalistas. Há muitas oportunidades para dar uma rápida
olhada sobre as ideias da psicanálise e encontrar um psicanalista.
Todos os institutos de Psicanálise provêm informação, se
solicitados, possibilitando a qualquer um que tenha interesse,
encontrar oportunidades para estar em contato com a psicanálise.

Introdução à Hipnoterapia (Hipnose Terapêutica)

Você sabia que a história da hipnose remete a uma técnica


terapêutica milenar?
Hoje, a Hipnoterapia é considerada uma das maneiras mais
eficientes de restabelecer a saúde emocional para viver uma vida
equilibrada.
Ao contrário de algumas terapias que podem levar anos para
apresentar resultado, a grande maioria dos tratamentos com
hipnose depende de poucas sessões para o paciente comprovar
as melhorias.
A hipnoterapia é ideal para tratar mazelas como depressão,
ansiedade, fobias, vícios, tiques, obesidade e dificuldades de
aprendizagem. A história da hipnose tem origem há milhares de
anos.
História da hipnose nas primeiras culturas
Há muito tempo, no Egito Antigo, por volta de 1500 A.C. ,
sacerdotes recorriam a procedimentos hipnóticos para a cura de
doenças e dores.
Embora na época ainda não se chamasse hipnose, ou existisse
algum termo técnico para definir tais procedimentos, houve
registros que relatavam o alívio a pessoas enfermas.
Na Grécia Antiga, o diagnóstico e a cura dos doentes ocorria por
meio de técnicas de relaxamento do corpo. A esse estado onírico,
os gregos dos templos de Asclépia chamavam de sono divino.
As imagens que surgiam no estado de semiconsciência, entre a
vigília e o sono, sugeriam a cura para determinados males que o
paciente estivesse enfrentando.
A partir daí, sábios e filósofos desse período acreditavam que a
imaginação tinha poderes de cura.
A história da hipnose, na antiguidade, tinha um quê de mistério e
misticismo. Isso só passou a ser desmistificado a partir do século
18, com as primeiras experimentações científicas.
História da hipnose com a ciência
O médico austríaco Franz Anton Mesmer (1734-1815), chamado
de “pai da hipnose”, acreditava que astros e corpos são
interligados por um fluido magnético.
Após várias experiências com ímãs, percebeu que o próprio ser
humano possuía um magnetismo próprio. Então, dispensou o uso
de ímãs para privilegiar o poder do organismo.
O procedimento era usado para curar dores e anestesiar corpos
em cirurgias.
Em homenagem ao próprio médico, foi batizado de Mesmerismo.
Os pacientes entravam em transe hipnótico, e tal método reunia
falhas e sucessos.
A repercussão desse trabalho obrigou a Comissão da Sociedade
Real de Medicina e da Academia de Ciências, em 1784, a estudar
o fenômeno.
Os mais renomados médicos e cientistas fizeram experiências e
concluíram que não existia magnetismo humano. Todo o processo
de cura era fruto da imaginação.
Apesar de ter caído em descrédito, o trabalho de Mesmer inspirou
outros médicos. Entre eles, o escocês James Braid, considerado o
iniciador da Hipnose Científica, que atuou no século 19.
Braid classificou a hipnose como se fosse o “sono do sistema
nervoso”. Essa constatação deu origem ao termo usado hoje,
“hipnose”.
Mais tarde, o próprio médico descobriu que estava equivocado,
pois é no estado hipnótico que o sistema nervoso mais trabalha
nos sentidos psíquico e mental.
De fato, não há relação entre o estado de sono e aquele
encontrado na hipnose.
Braid utilizou da hipnose para manter seus pacientes anestesiados
durante cirurgias e ensinou a alguns como se auto-hipnotizar.
As Escolas de Charcot e de Nancy
A hipnose continuou a ser estudada, embora seus fenômenos
muitas vezes fossem mal interpretados.
Na verdade, a Hipnoterapia gera opiniões controversas entre a
comunidade médica e descrença por parte da sociedade graças
aos muitos mitos da hipnose.
São verdadeiros clichês que impedem as pessoas de alcançarem
uma vida plena por desconsiderarem o verdadeiro valor
terapêutico da técnica.
Na França, duas escolas seguiam linhas distintas sobre a hipnose.
A escola de Salpêtrière, liderada por Jean-Martin Charcot (1835-
1893) e a escola de Nancy, comandada por Auguste A. Liebeault
(1823-1904) e Hipolyte Bernheim (1840-1919).
A escola de Charcot relacionava a hipnose a comportamentos
histéricos.
Por sua vez, a escola de Liebeault e Bernheim retomou o ponto de
vista de Braid, defendendo a hipnose como um estado de
consciência natural do ser humano.
De acordo com os estudos da dupla, a indução hipnótica ocorria
por sugestão das imagens. Braid já tinha descoberto, porém,
relacionava ao uso de magnetismo.
Hipnose no Brasil
Apesar de bastante antiga no mundo, a história da hipnose no
Brasil é recente.
Desde o ano 2000, foi aprovado e regulamentado o uso de hipnose
como “recurso auxiliar do psicólogo” pelo Conselho Federal de
Psicologia – CFP.
No entanto, a formação em hipnoterapia não está restrita a
psicólogos e psiquiatras. Médicos, pedagogos, fisioterapeutas,
fonoaudiólogos, terapeutas holísticos e muitos outros profissionais
podem se formar hipnólogos.
Você sabia que as técnicas de Hipnose podem ser utilizadas
inclusive em um tratamento para emagrecimento?
Diversas dessas categorias contam com artigos em seus códigos
de ética que instruem seu uso.
Além da finalidade terapêutica, também é útil para pesquisa e
ciência.

Como é Realizada uma Sessão de Hipnoterapia?

Uma sessão de hipnose pode ser descrita em 5 etapas:


1ª Etapa: Entrevista
Na primeira sessão é feita uma pequena investigação do problema
do cliente, ou seja o hipnoterapeuta tem que identificar as
possíveis causas que levam ao desenvolvimento do problema ou
dificuldade. Isso é feito a partir de uma entrevista em que será
transmitido ao terapeuta todas as informações necessárias para o
tratamento, para que este possa assim decidir qual o melhor
caminho a seguir durante a terapia. A partir destas informações o
terapeuta organiza toda a estrutura do tratamento e elabora a
sessão, que será feita à medida para cada cliente.
Depois de estabelecida a relação inicial de confiança e segurança
entre terapeuta e cliente e estabelecidos todos os objetivos
terapêuticos, todas as dúvidas relativamente à hipnose são
esclarecidas e o cliente poderá experimentar a maravilhosa
sensação de entrar num transe hipnótico.
Algumas pessoas terão mais facilidade em entrar em transe e
outras tem que aprender. Nesta etapa o hipnoterapeuta poderá
fazer alguns testes ou exercícios com o objetivo de ensinar a
mente do cliente a entrar mais facilmente no estado terapêutico de
hipnose pretendido.
2ª Etapa: Indução ao Relaxamento

Em sessão, o cliente coloca-se de forma confortável, fecha os


olhos e passa por um relaxamento em que há uma sensação de
paz, calma e tranquilidade. Baixa-se a frequência mental, fixando-
se um nível, a que chamamos de sono terapêutico
Este é um procedimento flexível, em que a história pessoal do
cliente determina a forma como será personalizada a indução ao
relaxamento.
Existem duas grandes vantagens no relaxamento: a primeira é
que, ao relaxar, a pessoa pode ver e entender de uma forma cada
vez mais clara os seus problemas; a segunda vantagem, é ser uma
preparação para o estado mais profundo de transe.
3ª Etapa: Aprofundamento

O processo de aprofundamento do relaxamento irá conduzir a um


transe mais profundo onde é deixado de lado o filtro crítico da
mente consciente. Uma vez que isto seja alcançado, existe a
comunicação direta com a mente inconsciente, feita pelo
hipnoterapeuta. Isto é importante, porque o aspecto principal da
hipnose é exatamente conseguir com que a mente inconsciente
aceite e concorde com as mudanças que serão propostas.
A mente fica mais tranquila e permite observar os assuntos em
questão com uma nova e clara visão. Existem vários níveis de
transe, e aqui a condução pode ser feita até o estado de analgesia
e de anestesia se for o caso.
Este tempo em que o cliente permanece em sono terapêutico
equivale a 8 horas de sono fisiológico, tal é a profundidade do
relaxamento.
4ª Etapa: Sugestões
Quando o cliente estiver em estado de transe, inicia-se a terapia.
Chegou a hora de trabalhar a questão que motivou a sessão.
Novas ideias e “sugestões” combinadas antes de iniciar a hipnose,
são dirigidas diretamente ao inconsciente com o objetivo de efetuar
as mudanças pretendidas. Durante o transe hipnótico, o cliente
ficará consciente e ouvirá tudo que for dito. As sessões podem ser
gravadas.
Também será ensinada a auto hipnose para a prática e treino
individual fora da consulta.
5ª Etapa: Saída do transe
No final do trabalho, o cliente é tirado do estado de transe e volta
ao seu estado normal. Qualquer sugestão utilizada para produzir o
estado hipnótico será então removida.
Segue-se uma conversa final e a conclusão da sessão.
Quantas sessões são necessárias para um tratamento efetivo?
Os resultados são relativos e dependem sempre do cliente, mas
normalmente os resultados são visíveis a partir da primeira sessão.
Algumas pessoas podem necessitar de duas ou três sessões para
obterem resultados mais evidentes. A média é de 6 a 8
atendimentos.
Qual a duração das sessões?
Cada sessão tem aproximadamente a duração de 1h dependendo
das técnicas utilizadas.
O ideal é que as sessões sejam realizadas uma vez por semana,
pois a sessão anterior beneficia a continuação da próxima. Assim
sendo, se o intervalo for maior, pode ser necessário um esforço
maior para se obter o mesmo resultado.
Enfim, a hipnose oferece inúmeras aplicações que podem torná-
lo(a) uma pessoa melhor em qualquer área da sua vida, seja nos
seus relacionamentos, na sua saúde, no âmbito profissional ou
intelectual.
Através da hipnose poderá ter fácil acesso aos seus recursos
internos e com isso promover a sua melhoria, resolver os seus
problemas e realizar as suas metas.
Aplicações e Benefícios da Hipnoterapia

A Hipnose é indicada no tratamento da depressão, ansiedades,


fobias, síndrome do pânico, stress pós-traumático, tiques,
obesidade, tabagismo, dificuldade de aprendizagem, transtornos
do sono, baixa autoestima, compulsões, tartamudez (gaguez)
entre outros. Pode ser aplicada como apoio ao tratamento do
cancro e da SIDA; nos processos dolorosos, principalmente nas
dores crónicas; na cardiologia no controle da hipertensão e outras
cardiopatias; na ginecologia, na obstetrícia e no parto sem dor,
como um acompanhamento pré-natal; na preparação de pacientes
com indicação cirúrgica, tanto no aspeto emocional como na
potencialização da recuperação; na odontologia como apoio nos
tratamentos de pessoas com fobias, traumas e como opção à
anestesia.
Também auxilia as pessoas sadias que desejam mudar à sua
maneira de agir para melhorar os seus desempenhos sociais,
profissionais ou de relacionamentos; os candidatos submetidos a
provas e concursos; atletas na melhora do seu desempenho em
geral e muitas outras aplicações.
A sua utilização tem-se expandindo a um número cada vez maior
de profissionais e de especialidades, onde os avanços nos
conhecimentos aumentam a segurança e eficiência de sua
aplicação, como forma terapêutica de apoio, dentro de uma
filosofia moderna de tratamento multidisciplinar.
Contra-indicações
Não é possível utilizar a hipnoterapia em casos de esquizofrenia,
epilepsia, psicoses e senilidade.
A eficácia da Hipnose
A Hipnoterapia é uma técnica eficaz que apresenta, normalmente,
uma redução no tempo de tratamento:
- Psicanálise, após 600 sessões (aprox. 11 anos e meio),
apresenta 38% de recuperação;
- Terapia Comportamental, após 22 sessões (aprox. 6 meses),
apresenta 72% de recuperação;
- HIPNOTERAPIA, após 6 sessões semanais (aprox. 1 mês e
meio), apresenta 93% de recuperação.
Portanto, a Hipnoterapia para além de não apresentar quaisquer
efeitos secundários, é uma terapia:
- Eficaz: 93% de recuperação;
- Breve: Curta, necessita de 6 sessões semanais – Um mês e meio;
- Completamente Natural;
- Segura;
- Financeiramente acessível: Devido ao reduzido número de
sessões necessárias para a recuperação.

Bibliografia

Cris Carvalho, Coaching, PNL e Hipnose


Lisboa, Portugal
Níquel Núcleo de Autoconhecimento: JBC
ATKINSON, R.L. et al Introdução à Psicologia. Artes Médicas, 1995.
(Cap. 1 - Natureza da Psicologia, pp. 10-29).
BOCK, Ana Mêrces Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de
Lourdes. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São
Paulo: Editora Saraiva, 1999.
SKINNER. Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins
Fontes, 1998.

Você também pode gostar