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UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA DE MAPUTO

Faculdade de Ciências de Linguagem, Comunicação e Artes


CURSO DE LICENCIATURA EM DESIGN DE COMUNICAÇÃO
1º ANO - PÓS LABORAL

Disciplina: Métodos de Estudo e Investigação Científica

Projecto de Pesquisa
Tema: CARÊNCIA DE TRANSPORTE PÚBLICO NA CAPITAL MOÇAMBICANA

Discente: Elidio Bento Mungoi

Docente: Dra. Maria Helena Feluane


RESUMO

Esta pesquisa tem como objectivo geral trazer as possíveis soluções para o dilema do
transporte pública na cidade de Maputo.

O que motivo-me a pesquisar sobre este tema, é o sofrimento que os munícipes desta
Urbe tem tido dia após dia para deslocarem-se as suas actividades, sejam elas laborais,
académicas ou até mesmo de simples lazer.

As manhas e tardes (hora de ponta), dos que procuram transportes públicos de segunda
a sexta na Cidade de Maputo tem sido de caos e terror, principalmente para os cidadãos
residentes nos bairros do Distrito Kha Mbukwauane, bairros em vias de expansão e
município da Matola que tem de vir a Cidade para exercer suas actividades.
Índice
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 4
2. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE PESQUISA .................................... 5
3. ABORDAGENS E ANÁLISES GEOGRÁFICAS DO TRANSPORTE PÚBLICO EM
MAPUTO ......................................................................................................................................... 6
4. MEDIDAS PROPOSTAS PARA A MELHORIA DOS TRASPORTES PÚBLICOS NA
CIDADE DE MAPUTO................................................................................................................... 8
5. CONCLUSÃO ............................................................................................................................. 9
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................... 10
1. INTRODUÇÃO
Na última década, os munícipes da cidade Maputo têm vindo a enfrentar dificuldades para
o cumprimento das suas várias actividades quando o dia amanhece por conta da carência
de transporte público, carência essa que tem vindo a agravar-se de forma crescente nos
últimos 6 anos e agora a pandemia da Covid-19 só veio piorar de forma drástica o
problema.
Várias são as teorias da origem da problemática, teorias essas, sustentadas por pesquisas
realizadas ao longo desses 10 anos com intuito de solucionar o problema, no entanto o
problema persiste, o que nos leva à mais uma pesquisa, com ela esperamos que venham
soluções definitivas para ultrapassar essa problemática.
2. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE PESQUISA

Maputo localiza-se na margem ocidental da Baia de Maputo, no extremo sul do pais,


faz fronteira com a África do Sul e, Suazilândia. Maputo não é apenas a capital política e
maior cidade de Moçambique, mas também o principal centro financeiro, corporativo e
mercantil, nela podemos encontrar múltiplas infra-estruturas, actividades económicas,
serviços educacionais, médicos e sede das grandes organizações comercias e políticas de
Moçambique. Esses dados reflectem na produção local, que é responsável por mais de
20% do Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano (GOVERNO DE MOÇAMBIQUE,
2017).

Dessas infra-estruturas, a maioria das diversas industrias, fabricas e multinacionais,


encontraram-se no Distrito da Matola, por outro lado, é na grande capital onde
encontramos os maiores Centros Comercias do pais na sua maioria localizados no centro
da cidade e o resto espalhados pelos 5 distritos municipais que compõem o cidade,
nomeadamente os distritos de Kha Mpfumo, Kha Lhamankulu, Kha Maxaquene, Kha
Mavota e Kha Mbukuane. Destes, distritos, o Kha Mavota é o maior.

É importante sublinhar que, este crescimento é acompanhado pelo aumento das


desigualdades sócias e não concretamente em oportunidades de emprego e renda para
maior parte da população, população essa que dia após dia depara-se com grandes
dificuldades para usufruir de melhores condições de vida. Tal facto, faz-nos constatar
indicadores sócias de Maputo e de Moçambique que mais de 50% da população vive
abaixo da linha da extrema pobreza (PNUD, 2016).
3. ABORDAGENS E ANÁLISES GEOGRÁFICAS DO TRANSPORTE PÚBLICO
EM MAPUTO

Um artigo de João Henrique Santana Stacciarini e Laira Cristina da Silva, publicado


pela Revista Casa da Geografia de Sobral em Outubro de 2016 entende que os problemas
de transporte publico na cidade de Maputo são de difícil resolução e que existem
questões estruturais como a informalidade, corrupção, sucateamento, trafego intenso de
automóveis, vias pouco sinalizadas, esburacadas ou até mesmo não asfaltadas, além de
semáforos que não se entendem e cobradores, motoristas e passageiros que, diariamente,
se colocam em desentendimento e discursões, o que indica um ambiente tenso,
emblemático e segregador.

Os transportes públicos são de longe elemento fundamental o desenvolvimento das


grandes cidades, em Maputo tal conceito não é diferente. Se levarmos em consideração a
conturbação urbana com distritos vizinhos, Matola, iremos constatar que Maputo chega a
quase 2 milhões de habitantes, a população aumenta aproximadamente 1,3% anualmente,
o que exige um atendimento de qualidade e quantidade para atender a grande demanda
(PEMM, 2010).

Mas, infelizmente, a realidade com que nos deparamos é totalmente oposta pois esses
crescimentos significativos não são acompanhados pelo aumento qualitativo e
quantitativo das oportunidades de emprego e, o que chega ser contraditório tendo em
conta o crescimento da população.

A Empresa Municipal de Transporte Rodoviário de Maputo (EMTPM) é responsável


pela oferta do transporte público. No entanto, apesar dos autocarros terem melhores
condições comparados com os outros transportes públicos também são sujeitos a vários
problemas, destes problemas, a falta de um sistema de manutenção preventiva eficaz,
acompanhados pela dificuldade em encontrar peças para reposição, uma vez que grande
parte dos autocarros é proveniente da China, são os principais factores para fraca e lenta
manutenção e consequentemente baixa qualidade na circulação dos veículos.

Apesar de desempenharem um papel importante e de base no seio dos transportes


públicos em Maputo, os autocarros ainda são muito poucos, é certo que comparado com
os anos anteriores, actualmente circulam com pouca limitação dos horários e rotas,
percorrem mais bairros periféricos, o que dinamiza e flexibiliza a circulação de boa parte
dos munícipes, mas o facto de quase tudo estar centralizado em Maputo faz com que o
numero de imigrantes vindo dos outros pontos do pais a procura de melhores condições
de vida aumente e não só, há também imigração por motivos académicos ou profissionais,
todos esses factores tornam difícil o atendimento duma parcela significativa da
população.

Tal facto, faz com que a população busque outras formas de se locomover, ¨Os
Chapas¨, apesar de não serem vistas com bons olhos pela edilidade, até o ponto de serem
proibidos de transitar pelas ruas da capital por algum tempo em 2011, esses são
actualmente a maneira mais popular de se locomover por longas distâncias dentro de
Maputo. Facto que leva a Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários
(FEMATRO), promover com frequência a concessão de rotas e licenças com intuito de
atender a regularização das chapas.

O funcionamento das chapas não obedece um horário pré-determinado, o que por um


lado é bom, mas por outro não tão bom, o facto de o chapa poder sair da terminal (na hora
morta do dia) sem carregar permite que os utentes nas paragens possam ter acesso ao
transporte ainda com espaço, o que de certa forma alivia as enchentes nas paragens.

Há sem dúvida incapacidade efectiva com relação à oferta/demanda, as grandes filas


de passageiros nas terminais e a superlotação são a prova disso. E para poderem ¨ganhar
escala¨, como costumam dizer os motoristas, esses fazem verdadeiras corridas entre duas
ou mais chapas, buscando antecipar-se no próximo ponto, como também recorrem a
pratica da obstrução do caminho de umas pelas outras, além de outras inflações de
transito, onde a lei do mais esperto se aplica diariamente, tal irresponsabilidade,
actualmente não só presenciamos frente aos motoristas dos chapas bem como dos
autocarros públicos e muitas das vezes quando são pegos em flagrante recorrem a pratica
do suborno para safarem-se e escaparem da multa, o que emerge um outro problema,
problema de má condução que muita das vezes terminam em acidentes fatais.

O encurtamento de rota esta cada vez mais a diminuir, o que de certa forma permite
que os cidadãos nas terminais também possam ter acesso ao transporte, um dos principais
motivos é a subida do preço dos transportes e em parte a fiscalização da polícia municipal
e de trânsito.
4. MEDIDAS PROPOSTAS PARA A MELHORIA DOS TRASPORTES
PÚBLICOS NA CIDADE DE MAPUTO

André Rodrigues Antunes Araújo em sua Dissertação de Mestrado de 2010 defende que
a solução vigente a mobilidade em Maputo baseia-se, sobretudo, na utilização dos
¨chapas¨, empregues no transporte colectivo pelo sector privado informal, pois estes
asseguram 92% das deslocações dos transportes rodoviários colectivos na Área
Metropolitana de Maputo e portanto os autocarros da empresa pública têm uma
dimensão muito mais reduzida (8%).

É notório que a mobilidade na Cidade de Maputo ainda está dependente de dois


sectores rodoviários principais: os autocarros públicos e os minibus privados (chapas) e
até hoje a concorrência entre eles é presente e ambos têm merecido a atenção do governo
e em particular do município no esforço pela melhoria destes serviços. Este reconhece a
importância dos transportes semicolectivos, porem utiliza os autocarros como salvaguarda
para não ficar dependente das chapas.

Por enquanto não existe um plano de resolução geral e definitiva como tal, porem, tem
se notado que o governo no uso das suas competências de regulador, tem optado por
politicas independentes, que não privilegiam de forma absoluta nenhuma das soluções,
mas que adaptando e mantendo este equilíbrio em função das novas exigências, por
exemplo: A compra de novos autocarros para EMTPM e, ao mesmo tempo a concessão
de rotas aos operadores das chapas; A maximização de ligações ferroviárias e fluvias,
com o intuito de minimizar o congestionamento e pressão nos transportes rodoviários.

O ideial seria clarificar o papel de cada interveniente na resolução do problema. Nesse


caso a primeira opção passa pela utilização generalizada das chapas, dando-lhes a
exclusividade nas rotas principais, mas disciplinando-os, assim sendo, as ligações mais
longas ficariam com os autocarros. A segunda opção seria distribuição de grandes
autocarros mas também podem estar inclusos os mini-bus, estes podem ser públicos ou
privados.
5. CONCLUSÃO

O transporte publico na cidade de Maputo ainda é um dilema, no entanto, um dilema


que pode ser solucionado, solução que requer capital financeiro, técnicos e ou
profissionais comprometidos com a causa e acima de tudo determinação por parte da
edilidade. Para tal é importante que haja uma espécie de restruturação dos serviços dos
transportes no geral, como aumento e padronização dos veículos e sistemas de segurança
acompanhadas por lei reguladoras, qualidade dos serviços, melhorias de acessibilidade,
formalização e outras medidas que podem assegurar maior comodidade e menor
sofrimento aos milhares de usuários do transporte publico.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

STACCIARINI, J.H.S e SILVA, L.C. O Transporte Publico na Capital Maputo


(Moçambique): Abordagens e Analises Geográficas Através do Intercâmbio de
Conhecimentos e Troca de Saberes. Brasil, Revista Casa da Geografia, 2018.

ARAÚJO, A.R.A. Estudo do Funcionamento dos Transportes Públicos em Maputo e


Desenvolvimento de Acções de Melhoria. Porto, Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto. 2010

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