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ECONOMIA

Unidade 4 - Análise microeconômica

GINEAD
Fávero, Márcia Huppe; Cabral, Raquel
SST Unidade 4 - Análise microeconômica /
Márcia Huppe Fávero; Raquel Cabral
Ano: 2020
nº de p.: 17

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Unidade 4 - Análise microeconômica

Objetivos específicos
• Estudar os principais conceitos e teorias microeconômicas.
• Entender como funcionam as políticas microeconômicas.

Apresentando a Unidade
A microeconomia é a teoria econômica mais importante para a sua formação tanto
profissional quanto pessoal, pois nessa teoria você será capaz de entender como
são formados os preços dos produtos e como os consumidores e as empresas
interagem no mercado. Dessa forma, é necessário que você, aluno, conheça
os principais conceitos e teorias e possa aplicá-los em seu cotidiano a fim de
compreender melhor como funciona a microeconomia no mundo.

Nesta unidade, conheceremos os principais conceitos e teorias microeconômicas,


além de entender como a oferta e a demanda influenciam no mercado e quando
ocorre o equilíbrio de mercado. Outro conceito bastante relevante é entender sobre
o que é e quais os tipos de elasticidades da demanda e da oferta. Agora que você
sabe o que vamos estudar, bons estudos!

Conceitos básicos
A microeconomia (ou teoria dos preços, como também é conhecida), segundo
Vasconcelos e Garcia (2012), é uma teoria econômica que analisa a formação de
preços do mercado e o comportamento dos consumidores e das empresas que
interagem nele.

A relação entre os que produzem (as empresas) e as pessoas que estão dispostas a
pagar para adquirir um bem ou um serviço dessas empresas para atender as suas
necessidades (consumidores) é estudada pela microeconomia.

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Figura 4.1: Análise da formação de preços no mercado

Fonte: Plataforma Deduca (2018).

A microeconomia preocupa-se mais com uma análise parcial, enquanto a economia


faz uma análise geral do mercado; já a macroeconomia estuda os grandes
agregados econômicos.

No âmbito econômico fala-se que os recursos são escassos e as necessidades


individuais são ilimitadas. Por isso, é necessário o estudo da economia e suas
teorias para tratar os assuntos econômicos da sociedade.

A análise da microeconomia se baseia em diversos fatores, como os preços


relativos dos produtos no mercado, os objetivos econômicos das empresas e
também na hipótese de coeteris paribus que tem por finalidade isolar os fatores
adversos em uma análise específica de um mercado.

Nos processos de produção das empresas, são empregados alguns fatores


denominados fatores de produção, que são eles: recursos naturais, pessoas,
tecnologia e capital. É necessário entender sobre os fatores de produção, pois são
eles que interferem na relação de oferta e demanda no mercado.

Devido à escassez dos recursos, que é o principal objeto de estudo da economia, a


produção passa a ser limitada para atender as necessidades dos indivíduos que são
ilimitadas.

Na microeconomia, os preços relativos são mais importantes do que os preços


absolutos. Os preços relativos são aqueles obtidos em relação ao mesmo mercado
do bem que está sendo analisado. Já os preços absolutos são aqueles específicos
de um bem, sem utilização de comparativos de mercado dos mesmos bens.

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O objetivo econômico da empresa está pautado no princípio da racionalidade, em
outras palavras, a empresa sempre caminha em função da maximização do lucro,
otimizando ao máximo os recursos produtivos de que dispõe.

Saiba mais
A racionalidade econômica é um dos princípios que explica a razão
do agente em fazer as suas escolhas econômicas. Para saber mais,
acesse o link em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0101-41612014000400007>. Acesso em: 12 fev.
2018.

A hipótese coeteris paribus, segundo Vasconcelos e Garcia (2012), é uma expressão


de origem latina que significa “tudo o mais constante”. Ou seja, para analisar um
mercado de forma isolada, todos os demais são constantes não influenciando e
nem sendo afetado pelo estudo daquele mercado.

Mas antes de estudarmos os tipos de mercados, precisamos entender o que é


o mercado. Segundo Vasconcelos e Garcia (2012), mercado é o local onde são
realizadas as transações das atividades econômicas. Nele as pessoas produzem,
vendem, trocam e compram, havendo assim a interação entre consumidores e
produtores.

Estudar microeconomia é aprender a identificar como os preços dos bens e serviços


são formados. Para isso, é necessário entender a formação de preços que é
baseada, segundo Rossetti (2002), em dois tipos de mercados.

• Mercado de bens e serviços: esse tipo de mercado é formado pelos preços de


bens e/ou serviços.

• Bens são os produtos tangíveis (palpáveis, tocáveis). Por exemplo:


alimentos, utensílios domésticos, eletrônicos, roupas etc.

• Serviços são os produtos intangíveis (não palpáveis, não tocáveis).


Por exemplo: serviços de limpeza, segurança, construção,
administrativos, entre outros.
• Mercado de serviços dos fatores de produção: esse tipo de mercado é for-
mado pelos salários que pagam a mão de obra, capital como aquisição de

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máquinas e equipamentos, móveis e imóveis, capacidade tecnológica, entre
outros.
Figura 4.2: Fatores de produção

Fonte: Plataforma Deduca (2018).

Neste tópico podemos compreender os principais conceitos básicos


microeconômicos que são utilizados no campo econômico. Agora, vamos estudar
as teorias microeconômicas para aprofundar ainda mais os conceitos aprendidos.

Teorias microeconômicas
Para entendermos melhor sobre os aspectos microeconômicos, é necessário
conhecermos as teorias microeconômicas. Mas antes precisamos entender
os conceitos dos elementos que interferem no mercado, que são, segundo
Vasconcelos e Garcia (2012), a demanda e a oferta.

• Demanda (ou procura) é a quantidade de determinado bem ou serviço que os


consumidores estão dispostos a adquirir e a pagar por ele, dada a sua renda
e os preços de mercado.
• Oferta é a quantidade de determinado bem ou serviço que é vendido pelos
próprios produtores ou vendedores em determinado período de tempo para
obter uma renda.

As teorias microeconômicas são estudos desenvolvidos em torno da demanda,


oferta e do mercado, e como esses elementos inter-relacionam.

Segundo Vasconcelos e Garcia (2012), as principais teorias microeconômicas são:

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• A teoria da demanda (ou da procura) abrange o comportamento da
demanda e os fatores que a influenciam. A análise da demanda está
fundamentada na teoria do valor da utilidade e na teoria do valor
do trabalho.

A utilidade é o valor particular, ou a satisfação pessoal, que um consumidor atribui a


um bem ou serviço. Como é subjetiva, a utilidade difere de um indivíduo para outro
(alguns preferem chá, por exemplo, outros, café). De acordo com a teoria valor-
utilidade, o valor de um bem é formado por sua demanda, ou seja, pela satisfação
que ele pode proporcionar ao consumidor.

A teoria do valor da utilidade está relacionada com a satisfação que aqueles que
compram bens ou serviços no mercado (consumidores) possuem ao adquiri-los.
Essa utilidade pode ser de dois tipos: total ou marginal.

• Utilidade total: quanto maior for o consumo de um bem ou serviço, maior


será a sua utilidade total. Essa utilidade é crescente.
• Utilidade marginal: é a utilidade adicional do consumo de um bem ou um
serviço, pois quanto mais o consumidor consume um bem, vai se saturando
dele e passa a consumir outro. Essa utilidade é decrescente.

UT Vasconcelos e Garcia (2012), é representa pela


A utilidade marginal, segundo
Umg =
seguinte fórmula: q , ou seja, é igual à utilidade total dividida pela
quantidade a ser consumida do bem ou serviço.

Nos gráficos a seguir, você poderá compreender a diferença entre as duas


utilidades, sendo a utilidade total representada por uma curva crescente, e a
utilidade marginal por uma reta decrescente.

Figura 4.3: Utilidade total e marginal

Unidade
total

Quantidade consumida

Unidade
marginal

Quantidade consumida
Fonte: Vasconcelos e Garcia (2012, p. 33).

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Um exemplo clássico para demonstrar a diferença entre utilidade total e utilidade
marginal é o paradoxo da água e do diamante. A água é um bem de grande
abundância na natureza e o seu valor é barato e acessível na maior parte do mundo.
Por isso, a água possui alto valor de utilidade total, por ela ser renovável, ela vai
se repondo na natureza, e assim quanto mais se usa mais se tem, além disso ela
possui baixo valor marginal por ser barata.

Já o diamante é um bem caro e escasso, sendo difícil de encontrar. Dessa forma,


ele possui alta utilidade marginal, pois seu consumo é baixo devido ao alto valor e
baixa utilidade total, pois nem todas pessoas podem adquiri-lo.

A teoria do valor do trabalho está relacionada ao valor do bem incorporado pelos


custos do trabalho, como por exemplo, os custos de produção que são aqueles
relacionados ao que foi gasto no chão de fábrica, no processo de produção da
empresa.

• A teoria do consumidor analisa como a demanda se fundamenta


no comportamento dos compradores. Demandar é diferente
de comprar. Portanto, demandar se refere à quantidade que os
consumidores desejam e são capazes de consumir a determinado
preço. Comprar é o ato de adquirir um dado produto. Os compradores
determinam apenas as quantidades a serem compradas e não o
nível de preços. O preço do bem é uma variável determinante para
teoria do consumidor.
• Na análise da oferta, é aplicada a Teoria da Produção, que analisa as quanti-
dades produzidas em relação aos fatores de produção. Ela se subdivide em
oferta individual e oferta de mercado. De modo igual à demanda, a oferta in-
dividual diz respeito à oferta de um vendedor. E a oferta de mercado é a soma
das ofertas de todos os vendedores.

A teoria da produção é fundamental para a análise do preço e do emprego dos


fatores de produção. Na prática, essa teoria é responsável pela análise das relações
existentes entre a produção e seus custos.

Produção é o processo de transformação dos fatores de produção adquiridos em


mercadorias. A produção abrange tanto mercadorias quanto os serviços financeiros
e de transporte, por exemplo. Esse processo é o resultado da combinação de
diferentes fatores. A ordem ou fórmula com que estes fatores são adicionados no
produto é chamado de processo produtivo.

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A combinação dos fatores de produção pode resultar em um processo de produção
simples ou duplo, tudo dependerá do produto resultante. Se for um único bem, será
um processo produtivo simples. Já, se forem vários produtos, os resultantes serão
considerados um processo de produção múltiplo

A função de produção mede a quantidade física de fatores de produção em dado


momento em relação à quantidade produzida. A função de produção considera que
a produção é realizada utilizando os fatores de produção da forma mais eficiente
possível, conforme se observa no gráfico em que se tem um insumo X’ para um
produto y’.

Assim, temos a função de produção y = f (x) produzida de modo eficiente, pois se


situa em cima da Curva de Produção, ou seja, com eficiência.

Quando uma empresa realiza sua atividade produtiva seu objetivo é maximizar os
resultados, que podem ser o de maximizar a produção, em relação a um custo total
ou minimizar o custo para um nível de produção. Quando uma empresa consegue
se utilizar de uma dessas duas formas, ela atinge o que se chama de equilíbrio da
firma, sem ser considerados apenas os custos contábeis, mas também os custos
de oportunidade.

• A análise das estruturas de mercado, segundo Rossetti (2002), compreende


como estão organizados os mercados, e como é determinada a formação de
preços dos bens e serviços.

As estruturas de mercado verificam os efeitos da oferta e da demanda, através dos


preços e quantidades para determinar se esse mercado é competitivo. As estruturas
de mercado, segundo Vasconcelos e Garcia (2012), englobam dois tipos: as de bens
e serviços e as de fatores de produção, como veremos a seguir.

As estruturas de mercado de bens e serviços são concorrência perfeita ou pura,


concorrência imperfeita ou monopolística, monopólio e oligopólio. Já as estruturas
de mercado de fatores de produção são: concorrência perfeita, concorrência
imperfeita, monopsônio e oligopsônio. Essas estruturas serão definidas e
aprofundadas na Unidade 8 deste livro.

• A Teoria do equilíbrio geral e do bem-estar, segundo Vasconcelos e


Garcia (2012), é aquela que estuda a interação de todos os mercados,
além de compreender como o equilíbrio econômico gera impacto no
bem-estar social, visando assegurar o pleno emprego da economia
na sociedade.

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Curiosidade
O bem-estar social é um ramo da economia que utiliza das
técnicas microeconômicas para estudar a renda, visando alocá-
las eficientemente na sociedade.

• As imperfeições são estudadas pelo mercado, pois nem sempre é


possível uma perfeita alocação dos recursos devido à escassez e o
pleno emprego dos recursos.

Neste tópico, abordamos as teorias microeconômicas que estudam a formação de


preços de mercados. E no tópico a seguir estudaremos sobre a demanda, a oferta e
o equilíbrio de mercado e suas variações econômicas.

Oferta, demanda e equilíbrio de


mercado
A oferta é definida como as várias quantidades de um bem ou serviço que os
vendedores desejam e são capazes de vender, durante dado período de tempo,
a todos os possíveis preços alternativos, coeteris paribus. Assim, mostra as
quantidades máximas ofertadas no mercado que o vendedor está disposto a vender
a diferentes preços.

A oferta, segundo Vasconcelos e Garcia (2012), é representada pela seguinte


função: qis = f ( pi ,π m , pn , T , A) . Essa função também admite a condição coeteris
paribus, ou seja, todas as outras variáveis são constantes.

Em que:

qis = quantidade oferta de um bem i/t

pi = preço do bem i/t

π m = preço dos insumos ou fatores de produção (mão de obra, matéria-prima...)

pn = preço de outros bens

T = tecnologias

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A = fatores climáticos e/ou ambientais.

E quando:
∆qis
> 0 , por exemplo, se o preço de um bem aumentar, a quantidade ofertada
∆pi
também irá aumentar.

∆qis
< 0 , por exemplo, se o fator de produção (matéria-prima) aumentar, a
• ∆π m
oferta tende a diminuir, pois o bem sairá mais caro.
∆qis
< 0 , por exemplo, se o preço de outro bem aumentar, tende a diminuir a
• ∆pn
sua oferta e aumentar do outro bem substituto.
∆qis
> 0 , por exemplo, se a tecnologia avançar, tende a aumentar a oferta de
• ∆T
um bem, ao reduzir custos e tempo na sua produção.
∆qis
> 0 , por exemplo, se o fator climático (tempo) mudar, começar a chover
• A
demais, tende a aumentar a oferta de um bem.

Como vimos em uma breve definição anteriormente, a demanda (procura) é a


quantidade de um bem ou serviço a ser consumido, dada a sua renda ou preço de
mercado.

A demanda pode ser afetada por diversos fatores, tais como: renda, preço, gostos,
hábitos ou preferências do consumidor, entre outras. É difícil dizer quais são todas
as variáveis que a demanda pode afetar, pois nem sempre todas a influenciam, ou
nenhuma delas. Os fatores que influenciam a demanda variam de acordo com o
mercado em que estão inseridos.

A função geral da demanda é representada por: qid = f ( pi , Ps , Pc , R, G )


Em que:
qid = quantidade procurada (demandada) do bem i/t (t significa num dado período)

Pi = preço do bem i/t

Ps = preço dos bens substitutos ou concorrentes/t

Pc = preço dos bens complementares/t

R = renda do consumidor/t

G = gostos, hábitos e preferências do consumidor/t

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De acordo com a lei geral da demanda, há uma relação inversa entre o preço do bem
e a quantidade demandada: a quantidade demandada do bem varia inversamente
ao comportamento do seu preço, ou seja, se o preço do bem aumentar, a quantidade
demandada diminuirá, e se o preço do bem diminuir, a quantidade procurada do
bem se elevará.

Essa relação inversa ocorre devido a dois efeitos: efeito substituição e efeito renda.

• Efeito substituição: na medida que o bem ou serviço é consumido, ele fica


mais barato e aumenta a chances de se ter produtos substitutos.
• Efeito renda: se o preço do bem ou serviço cair, mas o consumo tende a au-
mentar, gerando assim o aumento de renda.

No entanto, para que seja possível estudar a influência de cada uma dessas
variáveis na demanda do bem x, é necessário que façamos algumas simplificações.

A curva da demanda, segundo Vasconcelos e Garcia (2012), que representa a


d
relação inversa da demanda e do preço é dada por: qi = f ( pi ) , sendo qi > 0 . E as
d

 pi
demais variáveis sejam constantes ( Ps , Pc , R, G ) , ou seja, coeteris paribus.

• Bens substitutos: são bens que podem ser consumidos um no lugar do outro.
Por exemplo: carne de frango e carne de boi, manteiga e margarina, açúcar e
adoçante, viagem de avião e ônibus, entre outros.

A curva da demanda de um bens substituto é representada por: qi = f ( ps ) ,sendo


d

qid
> 0 . Supondo que as demais variáveis sejam constantes ( Pi , Pc , R, G ) .
 ps
Gráfico 4.1 Bens substitutos
Carne de frango
p

$12,00

50 100 q
Fonte: Elaborado pela autora (2018).

O gráfico demonstra o aumento do consumo da carne de frango supondo que houve


um aumento dos preços da carne de boi e os consumidores passaram a consumir a
carne de frango, que é mais barata. O deslocamento da curva da demanda desloca-

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se para cima que indica que houve um aumento do consumo (demanda) da carne
de frango.

• Bens complementares: são bens que podem ser consumidos juntos. Por
exemplo: café com leite, pão com manteiga, açaí e granola, meia e tênis,
entre outros.

A curva da demanda de um bem complementar é expressa por: qi = f ( pc ) ,sendo


d

qid
> 0 . Supondo que as demais variáveis sejam constantes ( Pi , Ps , R, G ) , ou seja,
 pc
coeteris paribus.

No gráfico a seguir, ilustraremos a demanda por bens complementares tênis e meia.

Gráfico 4.2: Bens complementares


meias
p

$6,00

meias
50 100 q

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Observa-se que a curva da demanda de um bem substituto desloca-se para baixo,


pois na medida que o consumo de tênis cai, o consumo de meias tende a cair, por
ser o seu bem complementar.

A renda é outra variável que influencia a demanda, sendo a sua curva representada
q d
pela função qi = f ( R ) , sendo i > 0 . Supondo que as demais variáveis sejam
d

 ps
( P
constantes i s c , P , P , G ) , ou seja, coeteris paribus.

Segundo Vasconcelos e Garcia (2012), a renda dos consumidores pode ocorrer de


três formas distintas.

• Bem normal é aquele que aumenta a renda, quando aumenta a demanda de


q d
um bem. Essa variação é maior que zero, ou seja, i > 0 .
R
• Bem inferior é aquele que o aumento da renda leva à queda de consumo de
q d
um bem. Essa variação é menor que zero, ou seja, i < 0
R
• Bem neutro ou bem de consumo saciado é aquele que quando a renda au-
qid
menta, independente da demanda do bem. = 0 . Por exemplo, alimentos
R

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básicos como arroz, feijão, que possuem a mesma quantidade de consumo
mensalmente pelo consumidor independente se sua renda aumentar ou não.

E a outra variável que influencia a demanda são os gostos ou preferências


ou hábitos dos consumidores, sendo a sua curva representada pela função
d
qid = f (G ), sendo qi
> 0 . Supondo que as demais variáveis sejam constantes
G
( Pi , Ps , Pc ,G ) , ou seja, coeteris paribus.

De acordo com Vasconcelos e Garcia (2012), o equilíbrio de mercado é o ponto


único determinado pela mesma quantidade demanda e ofertada de um bem.
Ou seja, a quantidade que os consumidores desejam comprar é igual aos que
vendedores têm para ofertar de um bem.

Reflita
Como você imagina o equilíbrio de mercado?

Partindo da hipótese de que o mercado está em concorrência perfeita (nem


empresas e nem consumidores individuais têm poder para influenciar o preço de
mercado), o preço de equilíbrio (ponto em que a quantidade demandada se iguala
à quantidade ofertada) no mercado será determinado pelas forças de oferta e
demanda. Caso haja um excesso de demanda, ou uma escassez do produto, haverá
uma competição entre os consumidores, e o preço do bem tenderá a subir. Isso
acarretará uma queda de demanda, e o mercado ficará equilibrado.

De forma análoga, se houver um excedente de produção (um aumento não


programado de estoques), haverá uma competição entre os produtores para
desovar esse estoque elevado. Assim, o preço tenderá a cair, levando o mercado
para o equilíbrio.

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Gráfico 4.3: Equilíbrio de mercado
P

Po

D
Q
Qo
Fonte: Elaborado pela autora (2018).

O Gráfico 4.3 ilustra o equilíbrio do mercado de um bem. Dado um bem X, no ponto


azul é representado o equilíbrio entre a demanda e a oferta de um bem, que ocorre
quando os consumidores compram ou os vendedores desejam vender. Ou quando
os vendedores produzem para atender às necessidades de seus clientes. Dessa
forma, não ocorre excesso nem de demanda e nem de oferta.

Agora já estudamos algumas definições da demanda, oferta e equilíbrio de


mercado. No tópico a seguir, abordaremos sobre as elasticidades da demanda e da
oferta.

Elasticidades
E elasticidade, em Economia, mede a sensibilidade na quantidade demandada
ou ofertada do bem com relação à mudança em quaisquer dos fatores da função
demanda, quando os demais permanecem constantes.

Nós já vimos que o aumento de preços deve levar à diminuição da demanda do bem
x, mas, por exemplo, se o preço subir 10%, quanto deverá ser a queda nas unidades
demandadas?

Se analisarmos sob o ponto de vista da renda, sendo x um bem normal, qual


deverá ser o aumento na sua quantidade demandada, se a elevação na renda
do consumidor foi de 15%? São justamente a essas questões que o cálculo da
elasticidade nos ajuda a responder.

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Reflita
Você já ouviu falar em elasticidades? Como você imagina que seja
uma elasticidade de uma demanda e uma oferta?

Agora vamos conhecer os tipos de elasticidade, que, segundo Vasconcelos e Garcia


(2012), são quatro.

• Elasticidade – preço da demanda é a variação percentual entre a quantidade


demandada e o preço do bem, coeteris paribus. Considerando que são inver-
samente proporcionais.

O valor da elasticidade-preço da demanda é sempre negativo. E por isso o seu


resultado é dado em módulo | |.

• Elasticidade – renda da demanda é a variação percentual entre a quantidade


demandada de um bem e a renda, coeteris paribus.
• Elasticidade – cruzada da demanda é a variação percentual na quantidade
demandada e o preço de outro bem, coeteris paribus;
• Elasticidade – preço da oferta é a quantidade ofertada e o preço de um bem,
coeteris paribus.

Nesta unidade estudamos alguns conceitos básicos microeconômicos, bem como


as suas teorias. Entendemos que a microeconomia é o estudo da formação dos
preços no mercado. E por isso, precisamos como funciona o mercado, a oferta de
bens e serviços dos produtores e vendedores e a demanda dos consumidores.

É preciso entender como ocorre o equilíbrio de mercado para que não haja excesso
e escassez da demanda ou oferta. O equilíbrio é o ponto certo de uma economia
eficiente. Por isso, é importante o estudo da microeconomia para que você aluno
saiba diferenciar conceitos e encontrar o ponto certo a economia, que pode ser
utilizada tanto na sua vida profissional como pessoal.

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Referências
FERNANDEZ, B. P. M.; BERNI, D. de A. Sobre o estatuto epistemológico da
racionalidade econômica segundo Karl Popper. Estudos Econômicos, São Paulo,
v. 44, n. 4, p. 847-880, Dec. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S010141612014000400007&lng=en&nrm=iso>. Acesso
em: 8 fev. 2018.

ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

VASCONCELOS, M. A. S. de; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 2. ed. São


Paulo: Saraiva, 2012.

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