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RELACIONAMENTOS
oE ALIANÇA
UM MANUAL PARA
INTEGRIDADE E LEALDADE

ASHER INTRATER

9 IMPACTO
IM VU RELACIONAMENTOS
DE ALIANÇA

PA
CTO Copyright© 2016 by Ast1cr lntrater

Título original: COVENANT RELAT IONSHIPS


Rua Tamoio, 226
Santa Catarina
Americana - SP Publicado originalmcnto nos EUA. em inglês,
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Publicado no Brasil por:


IM PACTO PUBLIC AÇÕES
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Tradução:
Elenir Eller Cordeiro
Eliana Walker de Oliveira
Para os textos bíblicos, salvo menção em contrário,

Revisão: foi usada a versão Almeida IBB (Imprensa Bíblica


Eliana Walker de Oliveira Brasileira - de acordo com os melhores textos em
Harold Walker hebraico e grego).
Renata Balarini Coelho

Adaptação da Capa
para o Português:
PEQUENOS TREC HOS DESTE TEXTO
Eduardo C. de Oliveira
PODEM SER CITADOS OU REP RODUZIDOS,
Diagramação: DESDE QUE MENCIONADA A FONTE, COM
Eduardo C. de Oliveira ENDEREÇO POSTAL E ELETRÔNICO.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

ln889r lntrater, Asher

Relacionamentos de aliança/ Asher lntrater. São Paulo:


Impacto, 2019

432 p.

ISBN: 978-85-65419-53-6

1. Aliança 2. Liderança 3. Relacionamento 1. Título

CDU 27-45
SUMÁRIO

Prefácio à Edição Brasileira ................................... 5


Introdução .......... ........ . ..... . ............................... 7

1 Relacionamentos: O Sentido da Vida ................ : ...... 13


2 A Necessidade de Aliança ..................................... 23
3 Como Funciona uma Aliança ................................. 35
4 Cortando a Aliança de Sangue ................................ 47
5 Alianças Interpessoais: Abraão e Abimeleque .............. 55
6 Alianças Interpessoais: Davi e Jônatas ....................... 61
7 Amizade: O Desenvolvimento da Confiança ............... 69
8 Discipulado: Cultivando Amizade ............................ 81
9 Dons versus Caráter ............................................. 91
10 O Conselho de um Amigo (Parte 1) 101
11 O Conselho de um Amigo (Parte 2) 111
12 Confrontação Amorosa ...................................... 119
13 Os Mecanismos de Confrontação .......................... 125
14 Filiação Congregacional .......... . .......................... 143
15 Características da Aliança: Trabalho em Equipe ......... 155
16 A Definição de Caráter ...................................... 169
17 Confrontar ou Não Confrontar.............................. 179
18 Até que Ponto Guardar a Aliança?.......................... 193
19 Cumprindo Nossa Palavra ................................... 203
20 Pactos Sociais ............................ . ..................... 211
21 Patriotismo e Impacto Político e Profético ................ 219
22 O Reino que Cresce .......................................... 231
23 As Esferas de Autoridade do Reino ........................ 243
24 A Doutrina do Trabalho ......... . ........................... 253
25 Prioridades Familiares (Parte 1) ............................. 269
26 Prioridades Familiares (Parte 2) ............................. 281
27 Prioridades Familiares (Parte 3) ............................. 289
28 Governo Congregacional: Presbitério ...................... 301
29 Respondendo à Liderança ................................... 317
30 Delegando: O Dom de Administrar .......... . ............ 331
31 Diaconato: O Dom do ·serviço .............................. 345
32 Responsabilidade Financeira ..... . .......................... 355
33 Aliança Tribal: Um Caso de Ação
Judicial Corporativa ........................................... 373
34 Lealdade Tribal ................................... . ............ 385
35 A Nova Aliança de Neemias ................................. 401
36 Reflexões ........................................................ 415
PREFÁCIO À EDIÇÃO
BRASILEIRA

E
sse não é um livro para você simplesmente ler, achar interes-
sante e encostar na estante. É um manual para ser estudado so-
zinho e em grupos. Fortemente alicerçado nas Escrituras, traz
instruções precisas sobre como enfrentar os mais diversos
aspectos dos relacionamentos entre os cristãos.
Por falta do entendimento básico sobre aliança, a igreja
evangélica no Brasil tem sofrido escândalos sucessivos de divisão.
Quando o mundo olha para a igreja, não fica impressionado com
nosso amor uns pelos outros. Ao contrário, vê competição, luta por
poder, inveja e partidarismo. Isso não prejudica apenas nosso
testemunho, mas tam-bém impede a vida de Cristo de fluir de uns
para os outros.
Quantas vezes se repete a história de irmãos que antes se ama-
vam, por causa de algum problema relacional, se separarem com
ódio e amargura, afetando muitos outros com esses sentimentos.
Quantas pessoas hoje estão fora da igreja por causa desses
problemas!
Deus odeia a quebra de aliança, a deslealdade e a traição.
Apesar de a Bíblia inteira dar testemunho disso, a cultura
evangélica brasileira de modo geral desconhece esse aspecto da
natureza de Deus. Caso contrário, ninguém teria coragem de dividir
uma congregação, começar outra no mesmo bairro e adorar a Deus
lá como se nada tivesse acontecido.
Dificuldades surgem em todo relacionamento. Precisamos
saber como lidar com esses problemas com humildade, verdade e
amor. 5
6 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Nos vários anos que tenho trabalhado na revisão da tradução


desse livro, tive a oportunidade de meditar sobre cada frase e sinto
que poderá ser um divisor de águas na vida de muitas congregações
em nosso país. Tenho lido, relido e sido impactado pelos assuntos
apresentados em cada capítulo.
Vale ressaltar que, conhecendo o autor e sua equipe há mais de
10 anos, posso afirmar que os princípios que ele prega, ele pratica. Os
frutos são visíveis em sua família, seus colegas de equipe, nas igrejas
que supervisiona e em toda a nova geração de discípulos que está se
levantando em Israel.
Que Deus abençoe a você, querido leitor, falando ao seu coração,
trazendo iluminação, arrependimento por erros passados e esperança
para um futuro firmado em aliança!

- Harold Walker
5 de outubro, 2019
Jundiaí, SP - Brasil
INTRODUÇÃO

E
m nosso círculo de irmãos, amigos e colegas de ministério no
reino de Deus, gastamos muito tempo desenvolvendo nossos
relacionamentos mútuos. Às vezes, esse investimento de tempo
e energia parece tão exagerado que se poderia questionar se realmen-
te é a forma mais eficiente de trabalhar em prol do reino de Deus.
Recordo-me de uma reunião marcada com meus queridos colegas,
Eitan Shishkoff e Dan Juster, cujo objetivo era justamente resolver
algumas questões de desentendimento que estavam ocorrendo num
dos ministérios sob nossa supervisão. Como Dan estava um pouco
atrasado por um motivo que acabou revelando-se muito importante,
Eitan e eu ficamos conversando enquanto esperávamos. Começamos
a questionar se realmente valia a pena investir tanto tempo e esforço
em nossos relacionamentos. Afinal, concluímos que, se tivéssemos
optado por seguir nossos caminhos independentemente, cada um
poderia ter construído um ministério maior e mais famoso, teríamos
obtido mais recursos financeiros, alcançado mais pessoas e realizado
muito mais pelo reino de Deus. Entretanto, ali estávamos num mo-
mento muito valioso do nosso dia, esperando o início de uma reunião
na qual discutiríamos, mais uma vez, nossa unidade e nossos relacio-
namentos. Será que tanto esforço valia mesmo a pena?
De repente, percebemos que nossa conversa se tornara improdu-
tiva, e então decidimos orar. Assim que iniciamos o tempo de oração,
fomos visitados por uma poderosa mensagem profética. O Espírito
do Senhor nos disse: "Não estou interessado neste negócio de cons-
truir ministérios, e sim em construir um Corpo". Imediatamente, o
Espírito nos dirigiu a ler Efésios 4.16 (ARA):

7
8 RELACIONAMENOTOS DE ALIANÇA

. . . de quem [jesus] todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo


auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o
seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

Embora a sensação fosse de levar um pequeno puxão de orelhas


por causa de nossas dúvidas, a mensagem foi clara e encorajadora.
Foi a confirmação de que o trabalho de construir relacionamentos
deveria continuar - e temos dedicado muitos anos da nossa vida a
isso. Deus está mais interessado num organismo que tenha potencial de
continuar crescendo indefinidamente do que na formação de uma
grande organização. O grupo de indivíduos que são discípulos de
Yeshua (Jesus) não são membros de uma organização; porém, como
mostra essa passagem bíblica, somos partes interligadas de um único
Corpo. Cada um de nós é uma junta ou ligamento trabalhando e
crescendo juntos em amor; cada um de nós é uma parte inseparável
de qualquer outra parte.
A primeira lição deste livro pode ser resumida no seguinte prin-
cípio: corpo, não ministério. A mentalidade predominante hoje entre
as pessoas que estão servindo na obra do Senhor é a de tentar cons-
truir um ministério como se fosse simplesmente uma organização,
ou construir uma congregação como se fosse mais um projeto a ser
realizado. Se pudéssemos enxergar a obra de Deus como um organis-
mo vivo e dinâmico que alimenta e estimula o crescimento de cada
parte deste corpo, a igreja se encontraria num estado mais saudável.
Em longo prazo, o crescimento quantitativo nas congregações seria
muito maior.

OS VERDADEIROS MEMBROS DE UMA CONGREGAÇÃO

Imaginemos que alaguem possua uma grande igreja com milhares de


membros. A pergunta que deveria ser feita é: quantas pessoas envol-
vidas nesta igreja têm de fato aprendido a confiar umas nas outras em
amor e relacionamento? É provável que, com muito trabalho, oração,
publicidade, projetos e programações, haja uma boa frequência em suas
atividades. Porém, é possível que apenas uma pequena parte do grupo
Introdução 9

tenha aprendido a confiar no próximo. quantas pessoas, portanto,


fazem parte desta igreja? Se considerarmos somente o total de
pessoas que frequenta suas reuniões, teremos de afirmar que se trata
de um número muito alto. Por outro lado, se considerarmos a igreja
como um corpo interligado de pessoas, o número real de membros será
o pequeno grupo que desenvolveu um relacionamento mais íntimo.
Em tempos de provas e tribulações, uma grande quantidade de
pessoas sem relacionamento e compromisso com outros membros
desaparece da igreja. Vimos isso acontecer na história da nossa
congregação. Nos primeiros anos, problemas e divisões causaram
alguns transtornos na igreja. Algumas vezes, até mesmo grande
parte do grupo desistia de frequentar as reuniões por causa de
algum problema ou acontecimento negativo. Com o passar dos
anos, vimos surgir um núcleo cada vez maior de indivíduos mais
profundamente comprometidos uns com os outros. Eram pessoas em
quem podíamos confiar e que se tornaram, de fato, os verdadeiros
membros da congregação.
Não existe outra forma de construir uma comunidade de fé
confiável - somente com muito investimento de tempo e trabalho,
''esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no
vínculo da paz" (Ef 4.3; ARA). Devemos enfatizar a expressão
"esforçando-vos". Esforçar-se significa fazer algo com dedicação e
trabalho. No versículo acima, o alvo desse esforço é o vínculo que
gera unidade e plenitude numa congregação. O vínculo é a ligação ou
conexão entre duas pessoas diferentes. O vínculo, ou ligação, é o
relacionamento. É a confiança. É a aliança experimentada entre os
membros da con-gregação. Portanto, existe nas Escrituras uma ordem
clara de investir tempo e esforço para desenvolver o vínculo existente
entre cada um dos membros do Corpo de Cristo.
Ao longo dos anos, infelizmente temos visto vários ministérios em
nossa nação sendo abalados pelo fato de algum líder famoso ter caído
espiritual ou moralmente. O que causa surpresa não é a existência de
pecado, ganância, imoralidade ou má administração entre os ministros
do Evangelho: homens podem pecar, e faz parte de nosso propósito de
servir juntos a prática de perdoar uns aos outros. O cerne do problema
10 RE I.ACI ON A M ENTOS D E ALIAN ÇA

não foi o pecado, mas a ausência de relacionamento entre os


colegas de ministério. Eles necessitavam de algum nível de
prestação de contas e de apoio mútuo para solucionar suas
dificuldades. Precisavam da ajuda de companheiros fiéis. Qualquer
um pode pecar, e qualquer um pode passar por problemas. Um dos
benefícios de desenvolver relacionamentos interpessoais é proteger
um trabalho ministerial de muitos anos e impedir que sofra uma
queda repentina por ter crescido mais do que a sua base de apoio
relacional.
ORGANICAMENTE INTERLIGADOS
Muitas passagens da Bíblia descrevem o grupo de pessoas que
creem em Jesus de uma forma que envolve obrigatória
interligação entre todas. Um dos exemplos mais vívidos é a
maneira como João nos descreve unidos numa videira.

Eu sou: a videira; vocês são os ramos. Se alguém pennanecer


em mim e eu nele esse dará muito fruto; pois sem mim vocês
não podem fazer coisa alguma. (Jo 15.5; NVI)

Nós, membros do Corpo de Cristo, devemos estar interligados


de forma tão íntima e entrelaçada como os galhos de uma videira.
Que imagem esclarecedora! Funcionamos no Corpo somente estando
ligados com Yeshua, o Messias. Da mesma forma, funcionamos no
Corpo somente estando ligados uns com os outros. Devemos ser
como um ramo da videira ligado ao tronco e também aos outros
ramos.
Todo ser vivo é organicamente interligado. Por exemplo, se
eu trabalhasse numa loja de autopeças, poderia colocar vários
pacotes na prateleira, um ao lado do outro. Talvez, eles fossem
até codificados de acordo com algum critério a fim de que a
organização seguisse uma ordem lógica. Teriam o mesmo tipo
de etiqueta, o mesmo número e a mesma descrição, mas não
estariam organicamente interligados. Não passariam de itens ou
objetos separados, arranjados um ao lado do outro. E, se estão
separados, é óbvio que são objetos inanimados ou mortos! Na
verdade, segundo as Escrituras, morte significa separação. Nossa
separação de Deus significa
Introdução 11

morte espiritual. E o resultado dessa separação é nossa


separação do próximo.
Uma flor cortada do galho é uma flor morta que, mesmo per-
manecendo bela por algum tempo, logo murchará. Tudo o que
tem vida está organicamente ligado. Tudo o que está vivo nunca
para de crescer. O estado normal de um corpo saudável de
cristãos é estar vivo, em crescimento e interligado com todas as
suas partes.
RELACIONAMENTOS:
O SENTIDO DA VIDA

D
e onde vem o sentido da vida? Qual é o alvo da nossa existência
terrena? Para quem crê em Yeshua (Jesus), o sentido da vida
tem origem em nosso relacionamento com Deus. Devemos
lembrar que o relacionamento entre Deus Pai e o Filho Yeshua
precedeu nosso relacionamento com ambos. De certa forma, o signi-
ficado de toda a existência do universo deriva-se do relacionamento
primário entre Deus e Jesus. João 17.22-24 explica essa ideia. No
final do versículo 24, Jesus diz:

...porque me amaste antes da criação do mundo. (jo 17.24; NV1)

É essencial, para um bom entendimento da pessoa de Deus, vê-lo


como alguém envolvido num relacionamento com outra pessoa..
Deus se revela como pai, e seu principal relacionamento é com seu
Filho, Yeshua.

DEUS É RELACIONAL

Nesse sentido, podemos entender que o termo Deus é intrinseca-


mente relacional. É mais fácil compreender esse conceito com a pa-
lavra pai: um pai não pode ser definido sozinho. Ser pai é ser pai de
alguém. Pai implica relacionamento. Paternidade não pode existir em
si mesma. Do começo ao fim, as Escrituras revelam a natureza cen-
tral de Deus como Pai.
Em nossa família, por exemplo, sou pai dos meus filhos, e o que
acontece em nossa vida é uma extensão do relacionamento paterno

13
14 REL ACI ONAM ENT OS D E AL I ANÇA

que mantenho com eles. Meus filhos nem mesmo existiriam se não
fosse pelo meu relacionamento com a minha esposa. Eles são fruto
e extensão desse relacionamento. Além disso, a casa e os carros que
possuímos também são uma extensão do nosso relacionamento. Eu
não os teria comprado se não fossem necessários para a provisão da
família. Meu interesse principal não está na casa nem nos carros,
mas nos membros da família. Do mesmo modo, tudo o que existe no
universo é de alguma maneira consequência do relacionamento de
Deus com seu Filho Yeshua. Embora não seja fácil perceber, a razão
da existência das estrelas, das árvores ou dos oceanos de certa forma
nos remete ao amor que flui do Pai.
Não somente o que temos, mas também o que fazemos é fruto
de nossos relacionamentos. Por exemplo, eu tenho determinado cm-
prego, e parte da razão de tê-lo é sustentar a minha família. O que
fizemos nos fins de semana e como nos sentamos para fazer as nossas
refeições são, mais uma vez, uma extensão de nossos relacionamentos.
Da mesma forma, nossas atividades como crentes deveriam ser uma
extensão do nosso relacionamento com Deus. Por outro lado, tudo o
que Deus faz agindo como Deus expressa algum aspecto de seu rela-
cionamento conosco. Deus não faz nada por capricho. Antes, cada um de
seus atos é uma expressão significativa de seu amor por nós.

O PRIMEIRO RELACIONAMENTO

Portanto, tudo o que existe, quem Deus é e o que Deus faz são resul-
tado de seu relacionamento paterno com Yeshua. Esse relacionamento
existia antes da fundação do mundo, fato que indica algo sobre a
própria natureza de Deus. A Bíblia nos diz que Deus é amor, e essa
declaração significa que, no nível mais fundamental do seu ser, Deus
está comprometido com relacionamentos.

...e os amaste como igualmente me amaste. (Jo 17.23; NV1)

Deus não ama somente Yeshua, mas cada um de nós também


Em termos de relacionamento, seu compromisso é em primeiro lugar
Relacionamentos: O Sentido da Vida 15

com Yeshua e, depois, com igual importância, conosco. O sentido da


existência é fruto do nosso compromisso de relacionar-nos com Ye-
shua e do compromisso de Deus de relacionar-se conosco.

...para que eles selam um, assim como nós somos um.
(Jo 17.22; NVI)

Existe uma rede de relacionamentos comprometidos entre Deus,


Yeshua e todos nós. Essa rede de relacionamentos é o alvo para o
qual todos os nossos esforços e atividades como cristãos devem ser
dirigidos.

O ALVO É A COMUNHÃO

Antigamente, eu pensava que, dentre as várias atividades que temos


como cristãos (oração, estudo bíblico e evangelismo), a comunhão
fosse uma espécie de intervalo ou recesso das atividades mais impor-
tantes. Era como se alguém estivesse trabalhando arduamente em
prol do Reino e, quando ficasse cansado, desse um tempo para des-
cansar e relaxar com outras pessoas. Visto sob esse ângulo, qualquer
compromisso mais forte com a edificação de relacionamentos seria
um desvio das atividades prioritárias do Reino. Entretanto, nós agora
consideramos os relacionamentos como o alvo e como a própria
natureza de Deus. Isso muda radicalmente nossas prioridades. Ao
invés de os nossos relacionamentos serem um simples mecanismo de
apoio, descobrimos que o evangelismo, a oração e o estudo bíblico
são, na verdade, instrumentos para alcançar determinado objetivo
unidade, harmonia e relacionamento mútuo.
Veja o que diz 1 João t3 (NVI):
Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que voes
tam-bém tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o
Pai e com seu Filho Jesus Cristo.

João escreveu sua carta com um único objetivo: que tivéssemos


comunhão com ele e com os outros discípulos e com o Pai e Jesus.
16 RELACIONAMENIOS DE ALIANÇA

Sempre que um ministério se desvia desse alvo de edificar relaciona-


mentos, ele perde o próprio propósito para o qual veio a existir.
A princípio, isso parece limitar o campo de ação dos
ministérios, mas, em longo prazo, este alvo os torna mais eficazes.
Jesus disse que, por meio de nosso amor e compromisso de
relacionar-nos uns com os outros, o mundo saberia que somos seus
discípulos. A edificação dos relacionamentos é a maneira mais
eficiente e eficaz de propagar a mensagem do Evangelho.
As pessoas que não estão bem alicerçadas na segurança de re-
lacionamentos de apoio com frequência se voltam para realizações
externas na tentativa de criar uma aparente segurança. Grande parte
do que é feito no mundo — conquistas à primeira vista tremendas
cm negócios, educação e medicina não passa, de fato, de simples
fruto da insegurança de alguém. Insegurança gera enorme energia
frenética que pode produzir grandes realizações. Essas realizações
são essencialmente falsas.
Em Efésios 3.17, Paulo afirma que devemos ser “arraigados e
alicerçados em amor" (NVI). Nosso relacionamento com Deus e nos-
sos relacionamentos de confiança com outros irmãos nos oferecem
uma sustentação, um fundamento e uma segurança em quem somos.
Quando estamos seguros de nossa identidade, podemos agir em obe-
diência ao Espírito. Se estamos inseguros, nossas ações procedem
de uma energia da alma ou de uma energia de origem psicológica.
Somente quando estamos seguros acerca de quem somos como re-
sultado de nossos relacionamentos, nossas ações são fruto de fé, amor
e direção do Espírito Santo.
Tenho me surpreendido ao encontrar muitos líderes de ministério,
cuja dedicação e zelo por Deus eram uma extensão de sua necessidade
psicológica de aceitação. Seus ministérios não eram
necessariamente inválidos, mas sua motivação principal não era o
Espírito de Deus. Temos de ministrar o Evangelho aos outros sem
sujeitá-los à nossa própria necessidade psicológica de compensar nossa
insegurança. Devemos primeiramente descobrir quem somos em Deus e
obter a segurança em nosso relacionamento com ele e com os outros ao
nosso redor.
Relacionamentos: O Sentido da Vida 17

A SÍNDROME DO "A"

No exercício de aconselhamento, observei determinado padrão


que denomino de síndrome do A síndrome do 'A' funciona da
seguinte forma: por falta de Afeto dos pais, nossa necessidade de
Aprovação nos leva a substituir Aceitação por Ação. Se os nossos
pais tivessem demonstrado suficiente afeição ao relacionar-se
conosco, não teríamos a necessidade de produzir um excesso de
realizações para compensar nosso sentimento de insegurança.
Quando o filho é amado na infância, ele encontra sua motivação
para o trabalho produtivo de forma equilibrada e saudável. Mesmo
que ainda seja movido por realizações, elas provêm de uma fonte
de tranquilidade e gentileza que não desgasta seus relacionamentos.
Se um pastor tenta ganhar a aprovação de sua congregação por
meio de esforços para atingir determinado padrão de realizações, ele
sempre sentirá que está em falta. Por outro lado, se ele souber que
é plenamente aceito por Deus e por alguns amigos confiáveis, logo
perceberá um fruto de alegria e paz fluindo por toda a congregação.
Ele transmitirá, pelo seu espírito e por sua pregação, o mesmo tipo
de confiança que carrega dentro de si.
Se um cristão sente que precisa esforçar-se para ganhar a apro-
vação ou a aceitação de Deus, logo percebe que a sua capacidade
de caminhar no amor divino se desgasta. Somos salvos pela graça e
não pelo nosso desempenho. Deus nos oferece relacionamento; nada
podemos fazer por meio de realizações exteriores para merecer sua
aprovação. Se entendemos que ele é um Deus de amor, podemos
voltar-nos para ele em busca de aceitação e de restauração para um
relacionamento pleno. A salvação pela graça, ou salvação por relacio-
namento, deve ser o centro de todas as nossas ações como cristãos.
Quando conheci o Senhor, fui liberto de um problema sutil de
ansiedade. Sentia uma luta interior para realizar algo espetacular
que me fizesse merecedor de uma aprovação ou aceitação máxima.
Ne-nhuma quantidade de ações pode satisfazer a necessidade de
aceita-ção. Os que não conhecem o Senhor sempre sentem a
necessidade de realizações vivem lutando por aprovação. Para mim, ser
livre desses Esforços estressantes resultou numa constante paz interior.
Devemos
18 RELACIONAMENIOS DE ALIANÇA

continuar a caminhar na aceitação de Deus pela fé; sempre existe a


sutil e perigosa tentação de começar a agir novamente com base no
desempenho.
ACEITO NO AMADO

Em Apocalipse 2.4, Yeshua repreende a igreja de Éfeso: "você


abandonou o seu primeiro amor" (NVI). Os cristãos de Éfeso estavam
repletos de grandes realizações: trabalho, paciência, perseverança,
maturidade e firmeza. Eles estavam fazendo tudo certo. Porém,
haviam-se desviado do alicerce de suas ações. A livre aceitação e a
aprovação de Deus devem permanecer como nosso primeiro amor.
De certa forma, sinto pena daqueles que a Bíblia chama de fa-
riseus. Vê-los como meros hipócritas desagradáveis nos impede de
perceber a profundidade do seu problema. Os fariseus tinham since-
ridade e um zelo forte para agradar a Deus. Paulo diz em Romanos
10.2 que eles agiam com um "zelo por Deus, porém, não com entendi-
mento". Essa falta. de entendimento é a incapacidade de caminhar
com um senso da aceitação e aprovação de Deus. O padrão dos fari-
seus é repetido vez após vez por milhões de pessoas religiosas sinceras
e bem-intencionadas. Muitos ministros de diferentes denominações têm
caído na dolorosa e decepcionante armadilha de esforçar-se mais
e mais para cumprir os propósitos de Deus. Isso pode ser frustrante
e extenuante. Uma renovação do entendimento do líder e de cada
membro da congregação sobre sua plena aceitação da parte de Deus
é a única forma de evitar essa cilada.
A insegurança pessoal e emocional pode causar perigo espiritual.
Uma necessidade psicológica oculta pode ser confundida com a voz
de Deus falando em seu espírito. Uma pessoa ferida pode
justificar sua motivação para compensar suas inseguranças,
dizendo: "O Senhor falou comigo". Pode ser difícil discernir a
confusão dessa pessoa.
O cristão deve ser capaz de perceber a diferença entre a atividade
sadia de alguém diligente e a atividade frenética de alguém que
expressa sua insegurança por meio de proezas e conquistas aparentemente
espirituais. Tentar ser espiritual para impressionar outros a
Relacionamentos de aliança: O Sentido da vida 19

fim de compensar sua necessidade de identidade é uma espécie


de autoengano.
Todo cristão que se posiciona firmemente em favor da Palavra
de Deus é rejeitado pelo mundo ao seu redor. Se quiser ter força
suficiente para resistir, deverá possuir uma medida equivalente do
entendimento de que foi aceito por Deus a fim de ser capaz de
suportar a rejeição de outros. Se alguém cair na armadilha de buscar
aprovação das pessoas, logo se verá mais interessado em agradar aos
homens do que a Deus. Ele perderá sua base de integridade moral e
força espiritual. Por outro lado, muitas vezes é por meio de amigos
íntimos e confiáveis que Deus ministra a cura de rejeições ou
inseguranças do passado. Nossa aceitação vem somente de Deus,
mas é realizada pelo processo de desenvolver confiança nas pessoas.
Relacionamentos de aliança removem os temores que impedem nosso
crescimento espiritual.

A MANIFESTAÇÃO DO AMOR DE DEUS

Alguém pode dizer "Sei que sou aceito por Deus" como desculpa
para esconder-se e não se envolver em relacionamentos comprome-
tidos de amizade. Essa atitude contradiz o que a Palavra afirma em
1 João 4.20 (NVI):
Se alguém afirmar: Eu amo a Deus, mas odiar seu irmão, é men-
tiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê", não pode amar a
Deus, a quem não vê.
Se alguém diz que recebeu o amor e a aceitação de Deus, mas
não sabe receber o amor e aceitação dos amigos, não é verdade que
foi restaurado pelo amor divino. Deus nos ama. Ele é a nossa fonte
de aceitação, e seu amor opera cura em nós. E por meio do amor recí-
proco, tanto dando como recebendo, que o amor de Deus por nós se
manifesta em nossa vida pessoal. A passagem de 1 João 4.12 (ARA)
declara como o amor de Deus é aperfeiçoado em nós.
Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus
permanece em nós, e o seu amor esta aperfeiçoado em nós.
20 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

O sentido da vida tem sua fonte no amor de Deus por nós. So-
mos introduzidos neste amor e o experimentamos ao desenvolver
relacionamentos interpessoais comprometidos. O processo de Deus
em relação ao amor é edificar relacionamentos de aliança. Uma pes-
soa que enfrentou sérios problemas de insegurança ou rejeição pode
fazer um ótimo trabalho com sucesso e talento. Porém, sua capa-
cidade de ministrar aos outros de coração está condicionada à sua
disposição de abraçar a cura da rejeição sofrida no passado.

AMOR DOS PAIS

Ninguém tem pais perfeitos. Alguns conseguem comunicar melhor


o amor de Deus aos filhos. Nunca houve um pai que fizesse um tra-
balho impecável. Portanto, todos nós possuímos áreas, em maior ou
menor escala, que necessitam do amor de Deus para preencher la-
cunas deixadas pelo amor dos nossos pais por nós. Deus é chamado
de pai de órfãos; ele compensará a falta de paternidade em nossa
vida. No novo nascimento, fomos imediatamente introduzidos em
um relacionamento com Deus a fim de experimentá-lo como pai
espiritual. Após o novo nascimento, passamos por estágios de infância
espiritual nos quais voltamos a experimentar a paternidade do
próprio Deus.

Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem


compaixão dos que o temem. (S1 103.13; NVI)

A operação do amor de Deus por nós é semelhante à operação


do amor de nossos pais. Deus nos ministra no espírito da mesma
maneira que nossos pais nos ministraram no físico e nas emoções.
Salmo 27.10 diz: "porque, quando meu pai e minha mãe me desampara-
rem, o Senhor me recolhera" (ARC).
Por mais que nossos pais naturais tenham falhado em nossa cria-
ção, Deus imediatamente preencherá as lacunas e suprirá as carências.
Muitos dos que estão ministrando hoje foram órfãos quando
crianças; eles aprenderam a confiar em Deus como pai desde a mais
tenra idade. Existem outros que talvez tenham tido uma criação
maravilhosa,
Relacionamentos: O sentido da Vida 21

mas, por causa de alguma pequena área de negligência parental, recu-


saram-se a abrir mão de ressentimentos. Na fase adulta, talvez tenham
continuado a rejeitar a paternidade espiritual de Deus. Dessa forma,
pela rebeldia, invalidaram os esforços de paternidade tanto dos pais
terrenos quanto do Pai celestial.
À medida que assumimos nossa função de sacerdotes espirituais,
ministrando a Palavra de Deus a outros, devemos agir tendo como
base uma compreensão da paternidade de Deus. Seja qual for o ta-
manho da falha de nossos pais físicos durante a nossa criação, só
podemos ministrar a outros a partir de uma experiência pessoal da
paternidade espiritual de Deus. No capítulo 7 de Hebreus, encontra-
mos a descrição de. Melquisedeque como o modelo ideal de sacerdo-
te espiritual. O versículo 3 declara:

Sem pai, sem mãe, sem genealogia.... feito semelhante ao Filho de


Deus, ele permanece sacerdote para sempre. (NVI)

Essa descrição, na verdade de Yeshua, também pode ser aplicada á nossa


própria vida a fim de que ministremos como sacerdotes Em seu lugar.
Melquisedeque não tinha pai nem mãe, mas foi feito Semelhante ao
Filho de Deus. Sem levar em consideração seus pais naturais,
Melquisedeque apresentou-se como um filho espiritual de Deus,
apropriando-se da paternidade divina. Nosso ministério sacerdotal
no espírito é um prolongamento da nossa aceitação do relaciona
mento com Deus como nosso pai. Se isso pudesse ser experimentado
por todos os líderes pastorais, os problemas de rejeição e divisão
enfrentados pelos ministérios hoje poderiam ser evitados. Quando
meus filhos eram pequenos, eu tinha o hábito de pega-los, aconchegá-
los nos braços e embalá-los enquanto lhes repetia vez após vez. que os
amava. A constante ministração de amor parental, e uma criança é a
melhor forma de prepará-la para cumprir seu destino no reino de Deus
22 Relacionamentos de Aliança

UNINDO-NOS NOVAMENTE

O medo de rejeição e insegurança é um problema muito pre-


dominante hoje porque a rejeição faz parte de todo o processo de
separação que ocorreu entre o homem e Deus. Fomos separados de
Deus quando Adão foi expulso do jardim do Éden. Fomos separa-
dos uns dos outros, em termos de comunicação, na Torre de Babel.
A desconfiança entrou novamente na raça humana quando Caim
matou Abel. A rejeição, a separação e o desmoronamento de relacio-
namentos formam o padrão universal da condição do homem caído.
É importante reconstruir essas áreas em nossa caminhada como cris-
tãos. O plano final da redenção é restaurar nosso relacionamento não
somente com Deus, mas também com os outros. isso que eu
quero dizer quando afirmo que relacionamentos são tanto o sentido
quanto o alvo da vida. Paulo afirma que o plano de Deus é:

...para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir


em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que
estão na terra. (Ef 1.10)

Assim como o modelo universal do pecado é um desmoronamento


e uma fragmentação dos relacionamentos, da mesma forma veremos,
na plenitude da restauração, todos esses relacionamentos de volta à
unidade por meio da obra de jesus, nosso Messias. Tudo no plano de
Deus e no funcionamento do Corpo de Cristo na Terra visa à res-
tauração da harmonia nos relacionamentos. Qualquer ministério que
avança sem esse alvo não está visando ao cerne dos propósitos divinos.
Em Efésios 4.13, Paulo também afirma que o trabalho dos di-
versos tipos de ministérios tem o propósito de edificar o corpo or-
gânico de relacionamentos em Cristo "até que todos cheguemos à
unidade da fé". A unidade e a harmonia dos nossos relacionamentos
não são um método estratégico para realizar outro objetivo; unidade
e restauração de relacionamentos são o próprio objetivo. Toda o tra-
balho dos ministérios visa "à edificação do Corpo de Cristo" (v.12).
2

A NECESSIDADE
DE ALIANÇA

E
stabeleeida a importância central dos relacionamentos para o
sentido da vida, ternos agora de descobrir as estratégias de Deus
para que esses relacionamentos se tornem realidade.
Como podemos garantir que esses relacionamentos não serão
destruídos? Quais são as bases necessárias para dar início a um
relacionamento? O que fazer para que ambas as partes permaneçam
igualmente comprometidas no relacionamento?
Só existe uma resposta para todas essas perguntas: aliança.
A aliança é o acordo entre as duas partes de comprometer-se com seu
relacionamento. Aliança é o compromisso que sustenta todo relacio-
namento bem-sucedido. Aliança inclui os princípios de integridade
que garantem a preservação de um relacionamento.

UMA VIDA DE HONRA À ALIANÇA

Na antiga mentalidade bíblica, toda ação de um homem era reflexo


de seu caráter. Toda interação humana refletia a qualidade do re-
lacionamento entre os envolvidos. Praticamente qualquer esfera da
vida, grande ou pequena, era considerada um passo de aliança. Por
exemplo, se eu trocasse uma de minhas ovelhas pelo cabrito de um
homem, o significado espiritual dessa ação iria muito além de uma
simples troca de animais. Seria um passo para ajudar a determinar se
eu poderia confiar naquele homem e vice-versa. A minha honra e a
dele estavam em jogo.
Muitas atividades que hoje são consideradas desvinculadas de
aliança, vistas sob uma perspectiva bíblica, envolvem aliança. Um
23
24 Relacionamentos de Aliança

negócio agrícola era um passo de aliança. A circuncisão e a dedica-


ção de uma criança constituíam um passo de aliança. A escolha de
um rei era um passo coletivo de aliança. A invocação particular de
um indivíduo a seu deus era um passo de aliança. Na verdade, cada
palavra dita por alguém e endossada por sua integridade pessoal era
um passo de aliança.
Sendo assim, qualquer ação na vida, desde um simples monos-
sílabo que um homem venha a proferir até uma decisão coletiva de
uma nação para ir à guerra, deve ser vista como uma extensão do
caráter e, portanto, como um ato de preservação de aliança. Sob essa
ótica, nenhuma esfera da vida pode ser considerada simplesmente
mundana ou secular. Tudo é uma expressão de amor; tudo é uma
expressão de consciência e espirito.

HOSPITALIDADE COMO ALIANÇA

Consideremos, por exemplo, a oferta de hospitalidade. Você deve


recordar-se de um incidente registrado em Juízes 19 em que um
homem da tribo de Efraim retornava à sua cidade natal. Ele foi
obrigado a parar numa cidade chamada Gibeá, da tribo de
Benjamim, a fim de passar a noite ali. Esperando sozinho, ele
buscava um lugar de abrigo para onde pudesse levar sua concubina e
seus animais. As pessoas da cidade não eram hospitaleiras.
Segundo as Escrituras, além de hostis, não se comportaram como
um povo que respeita aliança.
Ao cair da noite, um velho retornava de seu trabalho no
campo. Coincidentemente, ele também era de Efraim, mas vivia
naquele lugar distante. Quando viu seu conterrâneo em apuros, seu
senso de lealdade à aliança foi despertado. Insistiu para que o
homem se hos-pedasse em sua casa. Juízes 19.20 declara:
Então, disse o velho: Paz seja contigo; tudo quanto te vier a faltar
,fique a meu cargo; tão-somente não passes a noite na praça. (ARA)
Àquela altura, ele levou o homem até sua casa e providenciou-lhe
tudo de que necessitava para passar a noite. A frase "tão-somente não
passes a noite na praça" expressa mais do que uma simples oferta de
25 Relacionamentos de Aliança

favor social. Demonstra um urgente senso de comprometimento moral do


homem mais velho. Ele estava ciente de que violaria um padrão ético se
permitisse o abandono de seu companheiro de tribo. Fazer uma
refeição juntos é um ato de comunhão entre os dois homens que
expressa o laço espiritual entre eles. Eles possuem um parentesco tribal
embora nunca tivessem se visto antes.
Essa mesma atitude está presente em Gênesis 18.2, que relata como
Abraão ofereceu hospitalidade aos três homens de Deus que lhe
Apareceram. Abraão correu ao encontro deles, insistiu que
permanecessem ali até providenciar-lhes hospitalidade e, depois,
pediu à sua esposa Sara que lhes preparasse alguma comida
apressadamente. Essa hospitalidade representa bem mais do que um
simples gesto de gentileza. Para Abraão, significava uma oportunidade
de manter a aliança. De forma alguma, ele a deixaria escapar.
UMA CULTURA ALIENADA

A nossa sociedade está tão longe da cultura bíblica, que, de modo


geral, as pessoas não conhecem esse conceito abrangente de aliança.
As interações entre as pessoas hoje geralmente funcionam de
acordo com um nível de compromisso mínimo. Elas não são vistas
como oportunidades de alcançar um patamar mais alto de aliança.
Efésios 2.12 descreve esse tipo de pessoas e de sociedade como sendo
"estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no
mundo".
Certamente, o mundo ao nosso redor distanciou-se do conceito eservar
alianças. Quem não entende o significado de aliança não consegue de fato
confiar em seus relacionamentos com as pessoas. Vive no mundo sem
esperança. Deus trabalha com a humanidade por meio de um processo de
aliança. Se uma pessoa ignora os princípios de aliança, ela é incapaz de
aproximar-se de Deus e entender seu anseio por interagir com ela.
Às vezes, as pessoas fazem promessas num contrato de negócios e depois
simplesmente não as cumprem. Elas acreditam que podem sair impunes, pois
não há um meio legal de fazê-las cumprir o prometido. Por outro lado, não
percebem que, no fim das contas, sua
26_ RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

integridade de honrar sua palavra é muito mais importante do que


obter um pouco mais de lucro numa transação.
A falta de conhecimento das normas da aliança pode ser per-
cebida nas atitudes relacionadas à fidelidade conjugal. Nos últimos
anos, a. sociedade passou a aceitar casais que vivem juntos sem ser
casados. Estes casais usam a desculpa. de que estão se conhecendo
para ver se são sexualmente compatíveis. Quando decidem casar-se,
o nível de compromisso é tão frágil que o casamento só dura enquanto
ambos se sentem confortáveis. Se os sentimentos envolvidos na
relação diminuem, qualquer um dos dois está livre para desmanchar
o casamento e ir embora. Isso é visto pela maior parte da sociedade
como mero senso comum. Os indivíduos não conseguem perceber
que existe um compromisso e uma responsabilidade de proteger a
intimidade compartilhada com outra pessoa.
QUEBRA DE ALIANÇA

Em Romanos 1.31, Paulo enumera diversos aspectos de um caráter


perverso e de uma sociedade perversa. Ele menciona de modo especial
o pecado da quebra de aliança. Num sentido, a quebra de aliança é a
raiz de todo pecado. Um homem que se torna pai e depois abandona
a família é um traidor. Ele destruiu a confiança da esposa e dos filhos;
não assumiu a responsabilidade de aliança que tinha com a família.
Quebra de aliança ou traição de confiança é o maior de todos os
pecados. Isso é que torna a traição de judas contra Yeshua um crime
tão hediondo. Judas pertencia ao círculo íntimo de amigos de Jesus.
Fora-lhe confiado um acesso especial à pessoa de Yeshua. Na verdade,
ele o traiu com um beijo (Mt 26.49; 2 Sm 20.9. Muito mais do que
um fracasso pessoal de sua parte, a quebra da aliança de judas com
Jesus representa a traição da própria alma de um amigo de aliança.

VULNERABILIDADE

A profundidade de um relacionamento pessoal produz a beleza da


intimidade entre duas pessoas. A própria sentimentalidade desse
Á Necessidade de Aliança 27

envolvimento íntimo traz consigo a possibilidade de ferir a outra


pessoa. Intimidade sempre resulta em vulnerabilidade. Intimidade
vulnerável faz parte da santidade.
A fim de que haja proteção da vulnerabilidade, deve existir o
compromisso que anda de mãos dadas com a intimidade. Quanto
mais intimidade, maior deve ser o nível de comprometimento. Se um
Homem conduz uma mulher a um nível de intimidade maior do que o
compromisso que tem com ela, ele a está violando como pessoa.
Permitir que alguém assuma um compromisso quando você mesmo
não tem intenção de fazê-lo é irresponsabilidade.

CIÚME

Uma das características principais da natureza de Deus é ser um


Deus ciumento. Quando os dez mandamentos foram introduzidos
(Ex 20.5 e Dt 5.9), o Senhor afirmou: 'Eu sou um Deus ciumento' .
Em Êxodo 34.14, o próprio nome e a natureza do Deus Jeová
estão intimamente ligados à sua característica de ser ciumento:

Porque não deverás adorar nenhum outro Deus; pois o Senhor se chama
ciumento: ele é um Deus ciumento. (Editora Vozes Ltda 1982 e
2001)

No contexto de Êxodo 34, o Senhor esta renovando sua aliança


com a nação de Israel. Ele proclama seu nome e sua natureza
por meio da palavra "ciumento". Assim, ao exercer seu papel como
parceiro dessa aliança, Deus se revela como um parceiro de
aliança ciumento.
A visão de Deus sobre ser ciumento se opõe à forma egoísta como
costumamos usar tal palavra. Ciúme é geralmente relacionado à
possessividade. Ser ciumento pela aliança é diferente de ser possessivo

1. Nota do editor: Troduçõo do New King James Version em inglês. O sentido da


palavra original em hebroico nada tem a ver com a palavra usada nas traduções
em português: "zeloso". É usado seis vezes no Velho Testamento, sempre em
referência o Deus, e tem o sentido de intolerância a qualquer rival e vingador
de todos que o abandonam (Genesius's Lexicon).
A Nessscidade de Aliança 28
e egoísta em relação à outra pessoa. Ser ciumento pela aliança é, na
verdade, a maneira mais nobre de respeitar o outro.
Ser ciumento, de acordo com as Escrituras, é agir de maneira
apaixonada para proteger a intimidade da aliança. Sou muito ciu-
mento da aliança que tenho com a minha esposa, mas sem ser pos-
sessivo e egoísta em relação a ela. Uma mulher não gostaria que o
marido não sentisse esse ciúme por ela. O marido que não se importa
que sua esposa tenha intimidade com outro homem desvaloriza a
preciosidade da própria intimidade que mantém com ela.
Ciúme é uma determinação intensa de proteger a intimidade
dos parceiros de aliança. O ciúme bíblico exige empenho igual dos
dois lados da aliança. É o zelo pela aliança. Assim como tenho ciúme
da fidelidade sincera da minha esposa, também sou zeloso do meu
compromisso com ela. Ciúme é uma reação apropriada diante da
preciosidade do relacionamento do casal. O ciúme entra em ação
para exigir lealdade e vingança da forma mais terrível diante de qual-
quer traição da aliança.

VINGANÇA

A Bíblia declara que Deus é vingador (Sl 94.1; NVI). Isso não
significa que Deus é uma pessoa irritadiça ou desagradável. Antes,
seu compromisso de fidelidade com a aliança é tão absoluto que
ele é obrigado a fazer as mesmas exigências ao outro participante da
alian-ça. A entrega e a disposição total de Deus para nos amar
exigem vingança daquele que vem a. quebrar a aliança. O traço
vingativo do caráter de Deus deve produzir em nós grande conforto e
segurança. Ele jamais será infiel.
Números 5 relata o processo de julgamento que deve ocorrer
quando um sentimento de ciúme vem sobre um marido que sus-
peita ter havido traição por parte da esposa. Numa primeira leitura
do texto, a lei parece injusta com a pobre mulher que se vê à mercê
das emoções do marido. Diante da suspeita de ter agido errado, ela_ é
chamada para passar por julgamento. Quando ela bebe a "água amarga do
ciúme", todos os tipos de maldições terríveis são dirigidas
A Necessidade de Aliança 29

a ela. Tais maldições certamente se cumpririam se de fato ela tivesse cometido


traição.
O significado dessa passagem se torna claro se
compreendemos que o marido aqui representa Deus, e a mulher, o povo de
Deus. A fidelidade divina não é posta em jogo na lei. A lei existe para
aplicar punições extremas para a traição da aliança. Seu proposito é
garantir a fidelidade do povo a Deus, fidelidade divina não é posta em
jogo na lei. A lei existe para aplicar punições extremas para a traição da
aliança. Seu propósito é garantir a fidelidade do povo de Deus, seu
marido espiritual. As fortes acusações da lei são medidas de segurança para
garantir a nossa fidelidade à aliança. Mesmo as mais terríveis
maldições e os castigos são, na verdade, garantias reconfortantes do
amor de Deus por nós.
O perigo de viver numa região com alto índice de criminalidade produz
medo nos moradores locais. Eles se sentiriam muito mais seguros se
os agentes defensores da lei fossem íntegros e bem arma- dos, e
se comparecessem ao local anunciando que haveria tolerância zero com
crimes. Essas proclamações legais seriam uma fonte de
paz e proteção. De modo semelhante, as maldições e os castigos da lei de
Moisés são medidas de preservação para garantir a segurança do povo.

FIDELIDADE

Portanto, o propósito da aliança é garantir que haja fidelidade e


compromisso a esses relacionamentos tão preciosos aos olhos de Deus.
Vivemos num mundo onde muitos falam sobre o amor de um jeito
sensual e sem sinceridade. A introdução do conceito de aliança é um
desafio inovador para sustentar as reivindicações do amor. Um versículo
que confirma fortemente esse ponto é Provérbios 20.6 (NVI): "Muitos se
dizem amigos leais, mas um homem fiel, quem podem achar?".
Aqui, fidelidade não significa confiança ou coragem, mas a prática
perseverante de manter uma aliança sem infringi-la. Que significado
profundo esse verso tem para nós hoje! Muitas pessoas se declaram tão cheias
de amor, mas são raras as que agem com verdadeira lealdade às alianças.
30 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Jesus afirmou algo semelhante no final da parábola sobre o juiz iníquo.


Em Lucas 18.7,8 (ARC), ele diz:

E Deus não fará justiça aos seus escolhidos...? Digo-vos que


depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem,
porventura achará fé na terra?

Em sua vinda com poder, Yeshua exercerá a justiça da aliança sobre


todo aquele que traiu a confiança do seu relacionamento espiritual. Aqui,
ele pergunta se as pessoas que se auto intitularem cristãs nos dias da sua
vinda serão de fato fiéis, íntegras e responsáveis por sua aliança. Em outras
partes da Bíblia, fé significa o exercício da confissão bíblica e a
permanência no poder de Deus. Nessa passagem, porém, significa
principalmente ser fiel e responsável pelos relacionamentos de aliança.
O pecado, então, consiste em trair outra pessoa; ninguém pode pecar de
forma abstrata. O pecado não é o fracasso em cumprir certa ação. O pecado é
pessoal, relacional. Nós pecamos contra um irmão ou pecamos contra Deus.
A esposa que queima uma torrada não necessariamente peca contra
o marido. Mesmo que ela tenha um desempenho ruim em todas as
áreas, não comete pecado contra o marido enquanto lhe permanece
fiei. Deus nunca exigiu de seu povo certo nível de desempenho. Ele
ordenou que fôssemos totalmente leais e dignos de sua confiança e da
confiança dos outros.

O INÍCIO DA DESCONFIANÇA

O pecado gera o medo de que uma possível e futura traição à confiança


venha a ocorrer. Amando um cônjuge comete adultério, o maior
problema não é lidar com o ato em si. A dificuldade é restabelecer, em
cada uma das partes envolvidas, a certeza e a confiança de que não haverá
outra traição. Se ninguém nunca tivesse pecado, não haveria necessidade
de proteger-se contra a recorrência do Pecado. A lei é um conjunto de
normas que oferece proteção contra novas rupturas da aliança. Se não fosse
pelo pecado, não haveria necessidade de lei.
A Necessidade de Aliança 31

Se nunca houvesse existido roubo ou assassinato, não existiria uma


lei que proibisse tais práticas. Se nunca tivesse acontecido um caso de
infidelidade conjugal, não haveria necessidade de uma garantia mútua
de que o homem e a mulher seriam fiéis no futuro. Quanto mais o
pecado crescia, mais a lei era ampliada para prover novas medidas ou
sanções a fim de prevenir a ocorrência de novos tipos de crime.
No início, quando Adão e Eva se tornaram marido e mulher, não
houve necessidade alguma de uma cerimônia para proclamar a Aliança e
fazer votos de fidelidade. Naquela época, não havia outros homens ou
mulheres. Mas, à medida que o pecado aumentou, paralelamente ocorreu
um desmoronamento da confiança das pessoas nas palavras proferidas. Se
nunca houvesse existido nem um pecado, as palavras ditas por alguém
seriam tomadas como garantia de cumprimento. Já que vivemos num
mundo esfacelado pelo colapso da Aliança, precisamos de um processo
que funcione como garantia de a promessa de alguém será de fato
mantida.

COMO DEUS PODE NOS GARANTIR?

Como é triste perceber que, por causa da nossa natureza perversa,


deixamos de acreditar na integridade de qualquer pessoa a ponto de ter
dificuldade para crer quando Deus oferece à humanidade uma promessa de
aliança. Embora Deus nunca tenha mentido nem quebrado uma aliança, ele
se vê obrigado a tentar nos dar uma garantia de que sempre será fiel em
cumprir sua parte no acordo. Isso é extremamente irritante quando se
compreende que Deus é a fonte da verdade e da fidelidade. Ele não tem
aonde ir para provar sua fidelidade já que é ele mesmo a fonte que a
originou. Eis o paradoxo de tentar desenvolver um diálogo entre uma
pessoa que sempre disse a verdade e outra que sempre mentiu. Como o
mentiroso ficara convencido de que pode confiar nas palavras daquele que
é verdadeiro? Como pode aquele que é verdadeiro comparar-se
ou diferenciar-se, em qualquer detalhe da vida cotidiana do mentiroso,
quando o mentiroso não sabe ser digno de confiança?
32 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Essa é a situação que Deus nos apresenta em Hebreus 6.13-19. O


versículo 13 (NVI) declara:

Quando Deus fez a sua promessa a Abraão, por não haver ninguém
superior por quem jurar, jurou por si mesmo.

Abraão não se assemelha a um homem que sempre mentiu. Ele era


a pessoa mais fiel à aliança de sua época. Mas, até no diálogo de Deus
com Abraão, vemos que o Senhor luta para assegurar-lhe a absoluta
infalibilidade da sua promessa. O versículo 17 (ACF) afirma:

Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade


do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento.

Deus se empenha para provar a nós, como ouvintes de sua palavra,


que ele não voltará atrás no que disse. O que ele prometeu ou falou é
confirmado por uma garantia. Ele faz questão de demonstrar que não
tem duas palavras, mas que suas palavras permanecerão as mesmas no
futuro. O versículo 18 diz:

...para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que
Deus minta, tenhamos poderosa consolação.

A consolação aqui se baseia em nossa própria certeza de que


aquilo que Deus prometeu certamente se cumprirá. Recebemos tal
consolo por meio da garantia dupla de Deus de que, no fim das contas,
seu lado do acordo de fato se realizará.
Quais são as duas coisas imutáveis nas quais é impossível que
Deus minta? Uma é a própria promessa e a outra é o juramento de
confirmação que veio a seguir. Essas duas coisas se assemelham ao
contrato de compra de um produto que vem anexado à garantia dada pelo
vendedor de que, caso necessário, será feita a devolução do dinheiro.
O contrato é reforçado pela garantia; o contrato e a garantia são as
duas coisas imutáveis. Nesse caso, a promessa de Deus é totalmente
valida e digna de confiança. Mas ele ainda acrescenta
A Necessidade de Aliança 33

um juramento: jura por si mesmo que a promessa feita no princípio por


ele é verdadeira. O juramento se torna a segunda coisa depois da
promessa inicial. A promessa e o juramento são a nossa garantia de que sua
palavra é verdadeira.
Deus não tem a quem mais recorrer a fim de garantir sua própria
integridade. Tudo o que ele pode fazer é prometer mais uma vez ou
jurar novamente por si mesmo reforçando o que havia dito. Ele confirma
o que já era verdadeiro anteriormente.

Os homens juram por alguém superior a si mesmos, e o juramento


confirma o que foi dito, pondo fim a toda discussão. (Hb 6.16;
NVI)

A cena aqui é de dois homens discutindo; um deles declara não


acreditar no outro. Num dado momento, na tentativa de comprovar seu
argumento, um deles declara: "Eu juro que isso é verdade". Mesmo
homens ímpios e indignos de confiança ficam impressionados
quando um deles faz um juramento. Por causa de um vestígio de honra
ainda existente neles, tendem a aceitar a veracidade da declaração, nesses
casos. Certamente, ninguém poderia fazer um juramento a respeito do
que acabara de dizer e mesmo assim estar mentindo. Tamanha falta de
integridade seria terrível demais para suspeitar, mesmo que viesse de
um inimigo.

FÉ SIMPLES

Deveríamos ficar chocados com tamanha incredulidade da nossa


parte, a ponto de Deus ser obrigado a tomar uma atitude tão extrema.
Deus nos ofereceu uma aliança. Ele nos prometeu ser fiel a essa aliança. E
mais, ele jurou por si mesmo a fim de nos garantir que poderíamos
confiar na aliança que ele nos ofereceu.
Se não fosse pelo nosso pecado, nossa resposta a qualquer
declaração de Deus teria sido muito mais simples e plena em fé. A
morte e a ressureição de Yeshua, como seu Filho amado, foi o recurso final
de Deus para garantir sua disposição de restaurar a humanidade a
34 um relacionamento de confiança

um relacionamento de confiança consigo mesmo, Deus se


esforça para nos resgatar da nossa desconfiança por meio de um
processo que torna a nossa alma mais e mais segura nele. Nosso
modo de pensar é renovado para confiar na aliança. É por meio da
aliança que a nossa alma. vence a incredulidade para entrar em
intimidade com Deus.

Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual


adentra o santuário interior, por trás do véu. (v.19; NVI)

Que grande esforço o Senhor tem feito para nos restaurar


a uma posição em que ele possa compartilhar conosco sua mais
íntima presença! A confiabilidade é o propósito de se
estabelecer uma aliança.
3

COMO UMA
ALIANAÇ FUNCIONA?

V
imos que o propósito de uma aliança é garantir a preservação
de um relacionamento. Na verdade, uma aliança nada mais é
do que um conjunto de palavras proferidas para definir a na-
tureza de um relacionamento e estabelecer os princípios de seu com-
promisso. Uma aliança pode ser considerada um juramento que sela o
relacionamento entre duas pessoas.
Por exemplo: no caso do casamento, um homem e uma mu-
lher se envolvem num relacionamento. Um sentimento profundo e
um entendimento implícito podem ser compartilhados pelos dois.
A aliança de casamento acontece quando os termos dessa relação
são firmados de forma verbal e clara a fim de que ambos assumam
um compromisso. A aliança conjugal torna explícito em forma de
palavras o significado do relacionamento dos dois. De modo geral, o
casamento é o relacionamento do casal. A aliança do casamento são
os termos do compromisso, feito sob juramento, que ocorre entre o
homem e a mulher na cerimônia de casamento, quando o compro-
misso é selado para sempre.

AS PALAVRAS DA ALIANÇA

O homem declara legalmente diante de testemunhas, diante de


Deus e diante da esposa: "Eu serei seu marido". Ele mesmo sela,
com sua palavra de honra, o voto de que será fiel ao relacionamento
que assumiu. A aliança, então, são as palavras proferidas um ao outro.
Em 1 Crônicas 16.15, temos uma descrição da aliança de Deus com
Israel:

3
36 Relacionamentos de Aliança

Lembrai-vos perpetuamente do seu pacto (aliança), da


palavra que prescreveu para mil gerações.

A aliança se refere à palavra que Deus falou. E por isso que nos
referimos à Bíblia como um testamento ou uma aliança. Temos um
relacionamento com Deus. As palavras faladas por ele são as Escri-
turas que são a base do nosso relacionamento.
Uma aliança é algo para ser lembrado. O propósito da aliança é
a contínua repetição dos termos estabelecidos para o bom funcio-
namento do relacionamento entre duas pessoas. A aliança é firme e
permanente; portanto, ajuda a manter a estabilidade e a solidez do
relacionamento. As pessoas podem mudar, mas a palavra da aliança
permanece estável.
Outro aspecto da palavra da aliança é a sua longevidade. O versículo
afirma que essa palavra teria valor por mil gerações. Uma aliança pode
continuar depois da morte das duas pessoas que a iniciaram.
Há vários aspectos gerais de uma aliança. Os mais importantes
são: (1) o relacionamento pessoal que a aliança procura confirmar; (2) a
aliança propriamente dita ou as palavras de juramento que selam a
relação; (3) os sinais da aliança, que são os elementos que servem de
símbolo visível para relembrá-la; (4) as bênçãos ou recompensas que
resultam do ato de guardar a aliança; e (5) as maldições ou punições
resultantes de se quebrar a aliança.

OS SINAIS DA ALIANÇA

Os sinais da aliança podem ser representados de várias maneiras. Um


anel de casamento serve para trazer à memória a aliança entre um ho-
mem e sua esposa. O ritual da circuncisão é um sinal da aliança entre
Deus e os descendentes de Abraão. Todas as festas cerimoniais e os sá-
bados do Israel antigo eram sinais para renovar a memória das pessoas
acerca do relacionamento de aliança entre Deus e a nação de Israel.
Na Nova Aliança, o partir do pão, referindo-se ao corpo de Ye-
shua, e o tomar do cálice, referindo-se ao sangue de Yeshua, servem
como sinais para relembrar a aliança de salvação. Essa aliança foi
ativada pela morte e ressurreição de Jesus.
Como uma aliança funciona? 37

Os sinais de uma aliança só tem valor se refletem a realidade de


um relacionamento de intimidade de coração, cumprindo assim o
objetivo para o qual foram criados. O sinal só será significativo. se
refletir algo significativo aliança, o sinal não significa quase
nada. Por exemplo de que adianta ao homem usar seu anel de casamento
com orgulho se traiu a esposa? O anel de casamento não pode valer mais
do que o relacionamento que ela representa.
O poder da ceia na vida do cristão depende do nível de revelação que ele
possui sobre a sua identificação com a morte e a ressurreição de Jesus.
Se ele participa da ceia sem entender a dimensão dessa realidade, ela
não produzirá qualquer efeito positivo em sua vida.

SACRIFÍCIOS DE JUSTIÇA

Essa perspectiva pode ajudar-nos a entender a lei de Moisés e


os comentários dos autores do Novo Testamento sobre a atitude das
pessoas em relação à lei. Não podemos esquecer que os sacrifícios do
templo eram um sistema de sinais e lembretes do relacionamento de
aliança entre Deus e Israel. Quando esses sacrifícios eram realizados
no verdadeiro espírito da aliança, possuíam muito significado. Do
contrário, tornavam-se superficiais e sem sentido. Há várias passa-
gens das Escrituras que mostram isso. Por exemplo, Provérbios 21.3
declara:

Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que


oferecer-lhe sacrifício.

Fazer justiça e julgar com retidão era uma parte integral e uma
consequência direta do relacionamento do povo com Deus. O sacri-
fício é um sinal desse relacionamento. O objeto que um sinal repre-
senta é mais importante do que o próprio sinal. isso não significa que
devemos rejeitar os sinais que representam a aliança quando ela está
de fato em vigor. Esse princípio é enfatizado em muitas outras pas-
sagens como 1 Samuel 15.22, Provérbios 15.8, Isaías 1.11 e Oseias
6.6. Um dos temas do livro de Hebreus é que os símbolos ritualistas
38 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

da lei são sombras e figuras de coisas celestiais que realmente existem


(Hb 8.5; 9.23; 10.1).
Essa ligação entre os sinais da aliança e o relacionamento sincero
da aliança é demonstrada de maneira bem clara em Salmos 51. O
versículo 16 diz:

Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse holocaus-


tos, tu não te deleitarias.

Vemos aqui que os sacrifícios que agiam como lembretes da aliança


não tinham valor algum por si mesmos. O versículo 17 afirma:

O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração


quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

O versículo aponta para a realidade interior do coração, a parte


mais fundamental da aliança que o sinal do sacrifício tinha o propó-
sito de apenas representar. O pensamento do salmista não para aí.
Ele prossegue no versículo 19:

Então te agradarás de sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das


ofertas queimadas; então serão oferecidos novilhos sobre o teu altar.

Temos aqui uma síntese esclarecedora das duas visões. Se a pes-


soa tem uma atitude de coração correta, os sinais da aliança tornam-se
então uma expressão válida, bela e aceitável da verdadeira realidade.

O SINAL DO SÁBADO

Tanto os ensinos de Jesus quanto os de Paulo são fortes e incisivos


ao destacar o propósito espiritual da lei. Em Êxodo 31, o sábado é
mencionado como um sinal para recordar a obra miraculoso de Deus
na criação do universo. O versículo 13 (NVI) declara:
Diga aos israelitas que guardem os meus sábados. Isso sera um sinal
entre mim e vocês, geração após geração, a fim de que saibam que eu
sou o Senhor, que os santifica.
Como uma Aliança Funciona? 39

O versículo 17 também afirma:

Isso (o sábado) será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas, pois


em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, e no sétimo dia ele não
trabalhou e descansou.

O sábado, como uma expressão de ações de graça ao nosso Cria-


dor, é uma bela forma espiritual de celebrar nosso relacionamento
com Deus. Fora desse contexto de relacionamento pessoal com o
Criador, perde o sentido. É isso que Jesus, alguém que guardava o
sábado no melhor sentido da palavra, quis dizer em Mateus 12.8:
"Pois o Filho do homem é Senhor do scibado" (NVI), No versículo 12, ele
também diz: “Portanto, é permitido fizer o bem no sábado”.

CIRCUNCISÃO DO CORAÇÃO

É também importante ver essa ideia no ensino sobre a circuncisão nas


Escrituras em geral. Os profetas do Velho Testamento entendiam que a
circuncisão era um sinal exterior que se referia ao relacionamento
entre Deus e Abraão no passado. Todas as pessoas espirituais enten-
diam que o significado da circuncisão tinha a ver com uma atitude de
coração. Moisés declarou em Deuteronômio 10.16 (ARC):

Circuncidai pois o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais


a vossa cerviz.

Moisés não estava dizendo que a circuncisão física não poderia


ser realizada como um sinal válido da aliança. Jeremias 4.4
(ARC) também declara:

Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso


coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém.

O fato de o sinal de uma aliança ter ligação com as atitudes do


coração era uma revelação claramente conhecida de todos os
homens de Deus desde o inicio.
40 Relacionamentos de Aliança

Paulo escreve em Romanos 2.29 (ARC)

Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração,


no espirito.

Ele não está apresentando uma nova doutrina que descreve uma
mudança da lei na Nova Aliança. Ele está expondo o verdadeiro sen-
tido do mandamento da lei conforme seu significado original. Ele
está defendendo a verdadeira natureza da circuncisão contra a hipo-
crisia religiosa e superficial de seus dias. Até seu cooperador, Timó-
teo, foi circuncidado.
Um hipócrita religioso, que enfatiza o sinal exterior como algo
ele valor em si mesmo, ameaça e. coloca em dúvida o procedimento
daqueles que desejam andar na aliança de forma sincera. É por isso
que a hipocrisia ritualista pode ser um grande inimigo de quem
gostaria de usar os sinais da aliança. Paulo diz em Gálatas 5.2: se vos
deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitara" (ARC). O
apostolo não era contra a circuncisão em si. Ele ainda
afirma no versículo 6:
Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão valor algum,
mas sim a fé que opera pelo amor.

Ele não esta se colocando contra todo o fluir das Escrituras referente à
dinâmica entre os relacionamentos de aliança e seus sinais. Pelo
contrario, ele está lutando para resgatar alguns crentes que correm
perigo de desviar-se de seu relacionamento espiritual com Deus; para
entrar numa forma superficial de ritualismo. Se alguém pensa que, por
meio de qualquer cumprimento de rituais, pode obter mérito diante de
Deus, é óbvio que não compreende a essência do significado da
aliança com Deus. Ritualismo superficial leva à morte espiritual. Mas os
sinais da aliança podem ser usados para expressar nosso amor por
Deus.
Como uma Aliança Funciona? 41

O RESGATE HERÓICO

Os principais aspectos de uma aliança são o relacionamento por de-traz


dela, as palavras da aliança, seus sinais, recompensas e castigo. Há muitos
outros aspectos da aliança como as condições, as testemunhas e os selos.
Muitas vezes, existe um grande ato de redenção ou heroísmo por parte da
figura de um salvador em torno do qual a aliança é construída. Esses atos
heroicos podem ser vistos como um ato de fé, de amor ou salvação da
parte da figura resgatadora. Nas Escrituras, o ato de criação da parte da
figura resgatadora. Nas Escrituras, o ato de criação, o êxodo, os
livramentos de Israel de seus inimigos, a morte e a ressurreição de Jesus
e muitos outros acontecimentos são vistos como intervenções
redentoras e poderosas de um rei onipotente e benevolente.
No modelo bíblico de casamento, o marido simboliza Deus, e
mulher o povo de Deus. O momento em que o marido toma a
mulher como esposa é visto como uma espécie de resgate bondoso,
sa1vando, num sentido figurado, a noiva de seu estado de extrema
miséria. Em Ezequiel 16, há uma bela parábola descrevendo o ato de
amor redentor de Deus pelo seu povo na figura de um homem pie
resgata uma jovem. Deus retrata Jerusalém como uma criança recém
nascida que foi abandonada, sem receber piedade de ninguém, deixada
sozinha para morrer em seu próprio sangue. Deus, na figura de um
herói, a faz viver e prosperar. Sob seus cuidados, ela se torna be1a,
amadurecendo para tornar-se uma mulher atraente e graciosa. A
linguagem de resgate, aliança e noivado é especialmente comoven-te no
versículo 8 (NVI):

Mais tarde, quando passei de novo por perto, olhei para você e vi que já tinha idade
suficiente para amar; então estendi a minha capa sobre você e cobri a sua nudez. Fiz
um juramento e estabeleci uma aliança com você, palavra do Soberano Senhor, e
você se tornou minha.

A seguir, o salvador veste a noiva com extravagância e luxo,


presenteando-a com todo tipo de adornos para realçar sua beleza e
realeza. Depois disso, ela o trai, e ele vai atrás dela para restaurar e
reconquistar sua noiva rebelde.
42 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

O ponto principal da parábola é que, em nosso relacionamento


com Deus, nossa aliança não começa em pé de igualdade. Para Deus,
nosso relacionamento de aliança deve ser precedido por um ato so-
brenatural de resgate e restauração. Nossa aliança de salvação com
Deus não é iniciada em co-igualdade. Nossa aliança foi fundamenta-
da num ato poderoso de intervenção misericordiosa. Éramos a parte
desamparada que necessitava de resgate. A oferta de qualquer tipo de
aliança é um ato de graça condescendente da parte do nosso resgata-
dor, Deus. O fato de ele nos oferecer depois um acordo nupcial em pé
de igualdade por meio do casamento é graça incrivelmente generosa.

O CASAMENTO DE DEUS COM SEU POVO

O uso da alegoria do casamento é útil para entender a natureza da


nossa aliança de salvação com Deus por meio de Jesus. Mesmo que a
santidade do matrimônio tenha sido fortemente abalada neste país,
ela ainda é a forma mais conhecida de aliança na mente da sociedade
ocidental. A imagem do casamento é a única que ajuda a maioria das
pessoas de nossa cultura a ter algum entendimento intuitivo sobre as
questões espirituais ligadas à aliança.
Examinemos rapidamente a famosa passagem de Jeremias 31
que descreve a chegada de uma nova aliança. O versículo 31 (A RC)
declara:

Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com
a casa de Israel e com a casa de Judá.

Vemos aqui a figura de um homem (Deus) casado com uma


mulher (Israel) que se perdeu. Ela infringiu a aliança de casamento,
anulando-a. E a mesma mensagem do livro de Oseias. Deus vai atrás
de seu povo que está agindo como uma esposa rebelde. Ele tem a
esperança de restaurar seu casamento e renovar seu relacionamento
de aliança.
Aqui, o Senhor promete que um dia restaurar seu casamento com Israel,
fazendo Com eles uma Aliança
Como uma Aliança Funciona? 43

Haverá uma renovação dos votos e da confiança mútua. O versículo 32


declara que esta nova ou renovada aliança de casamento será:

...não conforme a aliança que fiz com seus pais.

Qual foi o problema básico da primeira aliança de casamento?


Será que o marido planejou um casamento errado? Não. O problema
com o primeiro casamento foi que a esposa quebrou e traiu a aliança.
O versículo 32 prossegue:

...porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver


desposado, diz o Senhor.

De que forma a nova aliança será realmente nova se o marido


restaurando o seu relacionamento com a mesma esposa? A no-
vidade desta aliança é que a atitude de coração e o espírito da mulher
foram radicalmente transformados para permitir que ela fosse fiel ao
relacionamento de aliança que o marido sempre desejara. O versículo
33 declara:

Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois


daqueles dias... Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no
seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.

Examinadas nesse contexto, as complicações teológicas sobre a


da lei com a Nova Aliança tornam-se bem mais fáceis de ser
compreendidas.

AS REGRAS DA ALIANCA

O conjunto de leis ou regras de uma aliança são as condições pelas


quais os parceiros definem seu comportamento para facilitar a pre-
servação da confiança e do prazer mútuos. Nesse ponto, a alegoria do
torna-se útil novamente. Digamos que eu desse à minha
lista de regras para o bom funcionamento da casa. Para
mim, seria ótimo se ela obedecesse às regras, pois isso produziria
RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA 44

mais alegria em nosso relacionamento. Por outro lado, se ela me fos-


se infiel e cometesse adultério, quebrando o próprio fundamento da
nossa confiança e do nosso relacionamento, que importância teria
para mim se ela cumprisse as regras da casa da maneira mais perfeita
e eficiente possível? Por melhor que fosse seu desempenho ou obe-
diência à lei depois da quebra da aliança, isso não seria suficiente para
que um dia houvesse uma restauração da confiança. Mesmo que ela
preparasse minha refeição favorita infinitas vezes, ainda assim nosso
relacionamento não poderia ser curado.
Não é possível efetuar a reconciliação entre parceiros de alian-
ça apenas pela obediência à lei. Reconciliação e salvação só podem
acontecer por meio de um ato pessoal de arrependimento, expiação e
restituição. Porém, mesmo que o cumprimento da lei não possa tra-
zer a reconciliação da aliança, isso não invalida o papel e a importân-
cia da lei. Os acordos e as condições que regem o comportamento são
perfeitamente válidos desde que ocupem seu devido lugar no qua-
dro geral do relacionamento de aliança. Comunicar as expectativas
que um tem do outro a partir dos termos da aliança é sempre válido
quando a aliança é de natureza recíproca. Reciprocidade significa que
ambos têm um papel a ser desempenhado.
As leis das Escrituras têm seu papel se usadas adequadamente.
Elas não devem ser consideradas fora do contexto da aliança no qual
surgiram. Veja o que Paulo escreveu para Timóteo:

Sabemos que a lei é boa, se alguém a usa de maneira adequada.


(I Tm 1.8; NVI)

Há centenas de mandamentos no Novo Testamento. Eles são


aplicações das leis do Velho Testamento. Devem ser obedecidos por
todos que se consideram cristãos e seguidores de Jesus. O fato de
devermos obedecer o que Jesus disse não anula a graça pela qual en-
tramos num relacionamento com Deus. Uma atitude de aliança sabe
que as leis são boas. As leis impedem que a aliança seja destruída.
Elas não se tornam um obstáculo de forma alguma, porque andamos
na graça de nosso relacionamento pessoal com Deus. Temos o poder
do seu Espírito em nossa natureza radicalmente nova.
Como uma Aliança Funciona? 45

Vamos resumir o funcionamento da aliança da seguinte maneira:


em primeiro lugar, há um ato interventor de redenção da parte do
salvador. Depois, há uma oferta graciosa de relacionamento da parte
do salvador à pessoa resgatada. Esse relacionamento é o âmago e o
alvo de todo o assunto. As palavras e as promessas de uma aliança são
apresentadas para definir a natureza do relacionamento. Os sinais são
dados para imprimir, de forma bem viva na mente dos participantes
da aliança, que ela foi feita para durar. As expectativas expressas pelas
duas partes são elaboradas em forma de lei. As consequências positi-
vas (ou bênçãos) pela preservação da aliança são declaradas. Os cas-
tigos (ou maldições) diante da quebra dos artigos da aliança também
são anunciados para garantir seu cumprimento. As diversas partes
das Escrituras funcionam em conjunto para formar um quadro com-
pleto daquilo que chamamos de aliança.
4
CORTANDO A
ALIANÇA DE SANGUE

E m hebraico, a palavra para aliança é brita Brit significa cortar


para que haja um fluxo de sangue; portanto, podemos
expressão "cortar a aliança" ou "aliança de sangue". Os
conceitos de corte, sangue e aliança se encontram na palavra brit.
Os judeus hoje muitas vezes usam a palavra brit para referir-se
à cerimônia de circuncisão. Sozinha, a palavra brit sig-
nifica simplesmente aliança. A palavra que designa aliança de circun-
cisão seria brit milab. Circuncisão é um corte para retirar o excesso
de pele do órgão masculino. E geralmente realizada oito dias após o
nascimento da criança.

IRMÃOS DE SANGUE

Na circuncisão, há um corte na carne e um fluxo de sangue. Ela é


realizada como um sinal e selo da continuidade da aliança abraâmaica.
A palavra brit também se tornou popular por meio da famosa or-
ganização social judaica conhecida como Bnai Brith ou B´nai B´rith.
B´nai B´rith literalmente significa "filhos da aliança". B´nai B´rith é uma
organização cultural moderna criada para promover a identidade e as
causas sociais judaicas. A B´nai B´rith não adota a ideia patriarcal de
cortar uma aliança de sangue em favor da unidade tribal. O uso do
termo, porém, ainda faz ligação com a identidade judaica que tem seu
ponto comum de origem na aliança de Deus com Abraão.
Em suas dimensões mais terrenas, a aliança de sangue talvez seja
mais identificada na mente moderna com a imagem dos irmãos de
sangue dos índios norte-americanos ou com a mistura de sangue das

47
48 Relacionamentos de Aliança

alianças tribais da África. Essas duas formas


são pagãs em seu modelo e origem. Mas, no mínimo, transmitem o mesmo
impacto profundo e o temor de vida e morte com os quais as alianças da
Bíblia são introduzidas.
Vale a pena observar aqui que a Bíblia proíbe claramente fazer
cortes na carne humana ou beber qualquer tipo de sangue. Qualquer
forma de aliança de sangue pagã em que houvesse corte de carne hu-
mana ou em que uma das partes precisasse beber sangue seria total-
mente antibíblica. A circuncisão de uma criança do sexo masculino
vem a ser, nesse caso, uma pequena exceção, pois ali um pouco de
sangue é derramado. Permanece o fato de que existem fortes proi-
bições na Bíblia sobre o uso de sangue: o sangue deve ser derrama-
do somente no sacrifício substitutivo de um animal, e, mesmo nesse
caso, ele é derramado na terra.
Há algo intrínseco em uma aliança de sangue que deixa uma
impressão mais profunda na psique do que qualquer outra coisa.
Mesmo na sociedade moderna, a visão de sangue provoca um senso
de horror e uma inquietação no nível consciente e inconsciente da
mente. Em parte, o objetivo de se usar sangue para confirmar um
acordo é que o corte da aliança deixaria uma marca tão indelével e
terrível em ambos os lados envolvidos que ficariam comovidos no
mais íntimo de seu ser.

ABRÃO E EL SHADDAI

O modelo de todas as alianças de sangue é encontrado em Gênesis


15, ocasião na qual Deus aparece a Abrão numa visão. Depois que a
promessa da aliança é feita, o Senhor instrui Abrão sobre como pro-
ceder numa cerimônia de cortar aliança. Abrão deveria trazer vários
animais diferentes e cortar a alguns deles ao meio. A seguir, deveria
colocar cada metade em frente à outra numa fileira, formando desse
modo um corredor simples entre os pedaços. A carne dos animais era
cortada, e o sangue era derramado na terra.
Ao contemplar aquela cena, Abrão caiu num sono profundo, e
um pavor veio sobre ele (v. 12). Esse pavor era um assombro diante da
Cortando a Aliança de Sangue 49

aliança causava um impacto aterrorizante


por causa de sua seriedade e inviolabilidade. No versículo 17, a presen-
ça da Shekinah de Deus aparece como uma tocha flamejante que passa
por entre os pedaços cortados dos animais. O Senhor acabara de cortar
a aliança com Abrão. As implicações de que o próprio Deus passou
os pedaços da aliança são de longo alcance. O Deus de toda a
criação se prendeu a um relacionamento com um ser humano.
Em Génesis 17, Deus confirma esta aliança com Abraão. Lemos
no versículo 4 (AC):

Quanto a mim, eis minha aliança contigo: serás o pai de uma


multidão de nações

A expressão-chave aqui são as palavras “quanto a mim”. Deus se


apresenta como uma das partes de um contrato de dois lados. Ele diz:
“Essa é minha parte da aliança, e ainda foi deixada uma parte para
você”. Isso é confirmado depois no versículo 9 (ARC):

...Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua


descendência depois de ti, nas suas gerações.

Abraão não perdeu o direito de escolha e a liberdade individual


cle decidir. Uma aliança, mesmo quando uma das partes é o próprio
Deus, tem dois lados distintos. A aliança tem um lado da escolha de
Deus; ela também tem um lado separado da escolha de Abraão.

OS DOIS LADOS DA ALIANÇA

Em todas as formas pelas quais Deus lida com a humanidade, existe


uma cooperação de duas vias. O ser humano, insignificante se com-
parado ao Deus Todo-poderoso, deve fazer a escolha de apresen-
tar-se como um parceiro diante do Senhor. A aliança tem grande
impacto no nosso entendimento sobre fé. Deus nos oferece um tipo
de negócio ou acordo. Para que esse acordo entre em ação na vida de
alguém, ambos os lados devem concordar. A intervenção de Deus
nos negócios do homem requer um primeiro passo do indivíduo para
50 Relacionamentos de Aliança

fazer um acordo com ele. Deus não surge do nada,


o curso dos acontecimentos humanos. Ele segue uma lógica e
sistema nos seus caminhos.
Como um parceiro de aliança, Abraão teve permissão de partici-
par das deliberações acerca do julgamento que estava para acontecer
sobre Sodoma e Gomorra. Moisés, como parceiro de aliança com
Deus, pôde interceder junto ao Senhor pela preservação do povo de
Israel no deserto. Amós 3.7 (ARC) diz:

Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter


revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.

Todas as ações de Deus na Terra são realizadas por meio do pro-


cesso de aliança. E necessário que um ser humano tome uma posição
profética de entrar em acordo com o Senhor. Por meio dessa auto-
ridade conjunta, a intervenção divina acontece. Sem essa autoridade
compartilhada, não há nenhuma interferência divina.
O entendimento de que um ser humano comum pode estabelecer
uma aliança de cooperação com Deus é algo capaz de destruir a clássica
e falsa imagem do homem como uma criatura passiva nas mãos de um
Criador excêntrico e inconstante. A proposta de Deus de uma alian-
ça bilateral é algo que deveria motivar todo ser humano a correspon-
der profundamente às expectativas de Deus. Todos serão despertos se
compreenderem claramente as opções que lhes são oferecidas. A Bíblia
não apresenta a humanidade como marionetes de Deus. O homem
tem agido como um filho delinquente. Ele agora está sob as exigências
de um pai que o chama para agir com maturidade e integridade.
Como parceiros de aliança e cooperadores de Deus, temos de
assumir nosso papel de mordomos do jardim criado por ele. Somos
vice-regentes das obras de suas mãos. Esse é o projeto planejado
por Deus desde o início para Adão; esse é o plano do qual nos
desviamos. E para isso que estamos sendo restaurados por meio de
Yeshua, nosso Messias.
No episódio em que Jesus repreende o vento e as ondas durante
uma tempestade, os discípulos reagem à sua demonstração de poder
com medo e assombro. Poderíamos pensar que esse assombro tenha
Cortando a Aliança de Sangue 51

sido uma atitude apropriada de humildade religiosa em relação a Jesus.


Ele mostra, porém, que eles nada entenderam. Yeshua lhes pergunta:

Por que sois assim tímidos? Ainda não tendes fé? (Mc 4.40)

Jesus estava exigindo que o reverenciassem. Ele ficou surpre-


so com a falta de entendimento que tinham em relação à parceria e
com Deus. Ele esperava que, àquela altura, já tivessem
compreendido que possuíam autoridade suficiente para dar ordens
vento e às ondas. Deus desafia o homem com a liberdade de pra-
ticar ações moralmente responsáveis.
O próprio Deus desce ao local de encontro para andar por entre
os pedaços cortados da aliança. A morte de um animal e o derrama-
mento de seu sangue eram uma mensagem implícita de que, se um
dos parceiros viesse a violar ou trair a aliança, a morte que o animal
acabara de sofrer sobreviria ao traidor. E como se um homem e uma
mulher ao fazer os votos de casamento, declarassem que, se um deles
viesse a cometer adultério, deveria ser imediatamente executado e ter
sangue derramado sobre a terra.

A MALDICÃO DA ALIANCA

Em Jeremias 34, os líderes de Israel realizaram uma cerimônia de


aliança de sangue perante Deus e passaram por entre os pedaços do
animal. Lemos no versículo 18 (ARC):

E entregarei os homens que transgrediram a minha aliança, que


não cumpriram as palavras da aliança que fizeram diante de mim,
com o bezerro, que dividiram em duas partes, e passaram pelo
meio das suas porções.

Esses líderes passaram pelo meio da aliança feita com pedaços


do animal, fizeram promessas de obedecer a um acordo contratual
e depois não o cumpriram. Eles transgrediram e traíram a aliança.
Por terem jurado em falso, mereciam vingança de sangue. Lemos no
versículo 20:
52 Relacionamentos de Aliança

Entregá-los-ei, digo, na mão de seus inimigos, e na mão dos que


procuram a sua morte, e os cadáveres deles servirão de alimento para
as aves dos céus e para os animais da terra.

A mesma ação realizada com o bezerro agora aconteceria com


eles. A execução judicial para esse crime tão grande seria aplicada. O
juramento de aliança teria seus devidos efeitos.
Deus estava dizendo que nos fez determinadas promessas, e, se
não as cumprisse, ele mesmo ficaria sujeito à execução judicial. Evi-
dentemente, isso nunca poderia acontecer. Deus leva a sério sua deci-
são de manter e cumprir as promessas que fez à humanidade.
Por outro lado, Deus nos chamou e disse que era a nossa vez de
andar por entre os pedaços. Fomos feitos parceiros de uma aliança de
sangue. Nós mesmos selamos um vínculo sagrado de lealdade, inti-
midade e total cooperação com Deus. Se um dia viéssemos a violar
algo tão profundamente sagrado, correríamos o risco de morte.

BEBENDO SEU SANGUE

Nesse contexto, podemos perceber que participar da ceia em nome


de Jesus é um assunto muito sério. Paulo diz em 1 Coríntios 11.27-
30 (ARC):

Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Se-


nhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e
beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e
bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Se-
nhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos
que dormem.

Quando tomamos o cálice e comemos o pão da ceia, passamos


pelo meio dos pedaços de uma aliança de sangue com Jesus. Ele
está totalmente comprometido em lealdade conosco, e nós somos
totalmente vinculados em lealdade a ele. Se traímos essa lealdade
que nos foi oferecida com tanto amor e provada com um preço tão
Cortando a Aliança de Sangue 53

alto, corremos o risco de enfrentar um julgamento terrível por culpa


de sangue. Entrar numa aliança de sangue com o Messias Jesus é
algo extremamente sério.
Beber de seu sangue significa tornar-se um com ele numa parce-
ria de vida e morte e de ligação de alma com alma. Nos exércitos do
Israel antigo, os aliados juravam fidelidade a ponto de considerar-se
um só no campo de batalha. Em 2 Crônicas 18.3 (ARC), Acabe, rei
de Israel, e Jeosafá, rei de Judá, fazem uma aliança de guerra. Seu
acordo verbal foi o seguinte:

Como tu és, serei eu; e o meu povo, como o teu povo; iremos contigo
à guerra.

Nesse acordo, eles colocaram a vida em jogo conjuntamente e


selaram um único destino.
Em 1 Crônicas 11.1, encontramos Davi separado de Israel e cor-
rendo risco de morrer. Um grupo de soldados vai até ele para selar
compromisso de aliança. Dizem a Davi: “Eis que somos teus ossos
e carne”. Isso significa que eles se tornam um com ele por meio
de uma lealdade militar. Eles usam a linguagem de ser uma só carne
como acontece num compromisso de casamento. Eles unem,
no sentido espiritual, em carne por meio de aliança.
Mais tarde no mesmo capítulo, os homens estão numa situação
de guerra, e Davi comenta que gostaria de beber água de um poço que
se encontrava do outro lado da linha inimiga. Alguns de seus podero-
sos heróis rompem a linha, tiram um pouco de água do poço e levam
para ele beber. Quando Davi recebe a água, ele se recusa a bebê-la. Em
vez disso, ele a derrama na terra. Esse derramamento da água é uma
declaração de aliança semelhante ao derramamento do sangue de um
animal na terra. A água simbolizava aquelas vidas. Quando pergunta-
ram a Davi a razão de ter feito aquilo, ele respondeu:

Longe de mim, ó meu Deus, fazer tal coisa; beberia eu o sangue


dos homens que lá foram com perigo de sua vida? Pois, com perigo
de sua vida, a trouxeram. De maneira que não a quis beber. (v. 19)
54 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

A linguagem é semelhante à linguagem da nova aliança quando


tomamos a ceia. Para Davi, beber a água seria como beber o sangue
daqueles homens. Dessa forma, ele mostra que eles arriscaram a vida
por ele. Ele sabe que está vinculado àqueles homens por meio de alian-
ça, e que também poderá colocar a própria vida em risco por eles. Eles
beberam o sangue uns dos outros no sentido de que estão comprome-
tidos nesse tempo de guerra a dar a própria vida uns pelos outros.

LEALDADE DE VIDA OU MORTE

Jesus disse que, para entrar na nova aliança, temos todos de beber de
seu sangue e comer de sua carne. Dessa forma, ele mostrou que todos
nós devemos ligar a nossa vida em total unidade de aliança com ele
— a nossa vida pela sua e a sua vida pela nossa.
Uma aliança de sangue exige uma total lealdade de vida ou mor-
te. Em Apocalipse 12, há uma visão de alguns homens que deram
a vida em favor do reino de Deus. O versículo 11 (N VI) descreve a
totalidade do seu compromisso de aliança:

Eles o venceram (o acusador) pelo sangue do Cordeiro e pela


palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a
própria vida.

O sangue do Cordeiro refere-se à parte de Jesus na aliança. A


palavra do testemunho dada por eles é a palavra do juramento de
aliança com Jesus. A disposição em dar a própria vida pela aliança é
cumprimento pleno de sua própria lealdade. A aliança tem dois lados
de compromisso de cooperação.
Essa responsabilidade e lealdade de sangue absolutas são os princípios
que fundamentam uma visão bíblica sobre os relacionamentos
humanos. Nosso ponto de vista sobre como tratar o próximo deveria
ser radicalmente mudado. Isso dá uma dimensão completamente
nova à afirmação do apóstolo João: "Como eu os amei, vocês devem
amar-se uns aos outros" (Jo 13.34; NVI),
5

ALIANÇAS INTERPESSOAIS:
ABRAÃO E ABIMELEQUE

O exemplo de Jesus, de dar a vida pela humanidade, deve ser o


referencial para todas as nossas interações com outras pessoas.
Seu ato de dar a própria vida deveria ser imitado de alguma
forma em tudo o que fazemos que afeta outra pessoa. Cada uma de
nossas ações deveria refletir um aspecto de seu grande ato de amor.

AMOR ÁGAPE

O amor é o principal mandamento das Escrituras; ele governa todas


as relações humanas. O amor bíblico difere do que a maioria pensa
sobre amor: o amor bíblico é a prática da fidelidade de aliança com
outra pessoa.
No Novo Testamento grego, há três termos usados para designar
a palavra "amor". A palavra grega eros, que dá origem ao adjetivo
"erótico", refere-se à atração física, ao amor sensual e às e relações
sexuais. A palavra philo, ou amor fraternal, indica todas as áreas de
amor emocional, romântico, humanista e natural. A terceira palavra,
agane, significa um amor que se origina em Deus. O amor ágape
busca o melhor para o outro. O amor ágape funciona pela prática
de aliança. Agimos no amor de Deus se agimos de acordo com o
princípio divino de relacionamento. Esse princípio é o princípio de
aliança. Portanto, sempre que falamos sobre o mandamento de amar
ao próximo nas Escrituras, devemos entender que isso significa tratar
a outra pessoa de acordo com os princípios de aliança.
Em nossa própria vida, devemos entender o mandamento de
Jesus em João 13.34 da seguinte maneira: trate as pessoas segundo

55
56 ELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

os princípios de fidelidade de aliança assim como eu os tratei. De


agora em diante, neste livro, não pretendemos enfatizar o nosso rela-
cionamento pessoal com Deus, mas como este relacionamento afeta
nossos relacionamentos com as outras pessoas. A passagem de 1 João
4.20 declara que não podemos dizer que amamos a Deus, a quem
não vemos, se não conseguimos amar o povo de Deus, pessoas que
enxergamos. Provamos a Deus que o amamos quando amamos seus
outros filhos. Manifestamos a mesma espécie de amor que Deus sente
quando praticamos seu amor pelos que nos rodeiam.
Se o nosso amor e os nossos relacionamentos devem ser fruto e
expressão de nosso amor por Deus e de seu amor por nós, temos de
estudar as Escrituras para saber como viver no mundo amando à ma-
neira de Deus. Nosso relacionamento com Deus funciona com base
no princípio de aliança. Estudemos, então, alguns exemplos nas Es-
crituras que demonstram o funcionamento da aliança entre pessoas.

ABRAÃO E ABIMELEQUE

Em Gênesis 21, Abraão faz uma aliança com um homem chamado


Abimeleque. Uma aliança interpessoal é conhecida no mundo se-
cular como um contrato ou acordo contratual. Mesmo sendo uma
espécie de acordo contratual, ela significa muito mais do que isso do
ponto de vista espiritual. Uma aliança envolve também um relacio-
namento com Deus.
Abimeleque, ao reconhecer as bênçãos de Deus sobre a vida de
Abraão, chegou à conclusão de que Deus estava de fato com ele. O
versículo 22 (NVI) diz:

Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do


seu exército, disse a Abraão: Deus está contigo em tudo o que fazes.

A primeira característica de um relacionamento interpessoal nos


princípios divinos é que o fator que nos atrai à outra pessoa é a pro-
fundidade de sua vida com Deus. Sua vida interior Deus atrai
os outros a ela. Toda aliança interpessoal de Jesus
deve ser centrada em Deus.
Alianças Interpessoais: Abraão e Abimeleque 57

Quando nos casamos, minha esposa e eu fomos atraídos um ao


outro porque vimos que nossa prioridade principal era caminhar sob
a direção de Deus. O alvo comum de nosso relacionamento conjugal
cra auxiliar um ao outro a cumprir a vocação de Deus para nós.
Abimeleque disse então para Abraão:

Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a


mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te
acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei.
(v.23)

Abimeleque desejava estabelecer um relacionamento firme com


Abraão. Por isso, ele insistiu que o patriarca transformasse esse rela-
cionamento em um compromisso verbal, específico e confirmado em
juramento. Abimeleque o fez "jurar diante de Deus". Essa frase em
hebraico também poderia ser traduzida como "permitir-se ser ligado
por juramento".

AGINDO COM HONESTIDADE

Abimeleque desejava que Abraão prometesse que não o "enganaria".


frase pode também ser traduzida como "não vais mentir para
Uma forma de quebrar uma aliança é por meio de mentira
ou engano. Satanás, nosso acusador, é conhecido como enganador e
'mentiroso porque ele é por natureza um traidor de aliança.
Se alguém é verdadeiro com você, mesmo quando o assunto é
doloroso, você não corre o perigo de ser traído. Quando o engano,
desculpas evasivas ou a mentira entram em cena, há grande perigo de
quebra de aliança.
Paulo nos exorta a "falar a verdade em amor" (Ef 4.15). Falar a ver-
dade é um ato de amor. Pronunciar uma palavra dissimulada, mesmo
pareça positiva e lisonjeira, é o contrário de amor. O início da que-
bra de uma aliança acontece quando alguém confia numa pessoa falsa.
A frase "não vais enganar-me" também pode significar agir com
de forma verdadeira ou honesta, nas nossas transações com ou-
O item principal de uma aliança interpessoal é que as
têm de agir corretamente uma com a outra. Suas ações.
58 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

devem ser baseadas em claros princípios morais. No mundo dos ne-


gócios, isso equivale a cobrar preços justos por produtos honestos, a
descrever honestamente, nos rótulos e nas embalagens, os ingredientes
dos produtos e a pagar um preço justo de acordo com o serviço pres-
tado. Uma balança que agrada a Deus é uma balança bem regulada.
A aliança de Abimeleque inclui um compromisso de transmitir
a bondade para os filhos e netos. Uma aliança, diferentemente da
maioria dos contratos, passa de uma geração para outra. Essa é a
prova de que alianças são fundamentadas em Deus. Deus vive através
das gerações, e a aliança deve refletir essa fidelidade incessante.

ELEMENTOS DA ALIANÇA

Quatro elementos da aliança interpessoal são: (1) uma atração por


seguir uma direção de Deus; (2) a definição da aliança por meio de
palavras de juramento; (3) o compromisso de agir com honestidade
e integridade um com o outro; (4) a manutenção da aliança com os
descendentes dos parceiros envolvidos. Em nosso círculo de amigos,
certamente temos experimentado um senso de compromisso com os
filhos de nossos parceiros de aliança. Nossos filhos são amigos ínti-
mos dos filhos de nossos amigos. Fazemos rodízio para cuidar dos
filhos uns dos outros. Existe de modo geral um compromisso de ver
os nossos filhos e os de nossos amigos sendo criados sob os cuidados
do Senhor.
Abraão então concordou em fazer um juramento com Abimeleque.
Porém, antes disso, algo importante aconteceu.

Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço


que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força. (v. 25)

Quando existe uma ofensa ou obstáculo que atrapalhe o relacionamento,


uma das partes deve dirigir-se à outra para conversar sobre problema.
E necessário mostrar o erro da outra pessoa e corrigi-la. O propósito da
correção não é só apontar a falha da pessoa, mas antes remover qualquer
elemento que esteja prejudicando o desenvolvimento saudável da relação.
Alianças Interpessoais: Abraão e Abimeleque 59

Abraão apresentou um problema específico criado pelos servos


de Abimeleque. Este afirmou, por sua vez, que não sabia da exis-
léncia daquela situação. A lealdade à aliança não é uma questão de
comportar-se de determinada maneira, mas de não trair a confiança
ao outro. A justificativa de Abimeleque de que não estava ciente da
ofensa era suficiente naquele momento até que ele pudesse resolver
o problema.
Depois que o desentendimento foi resolvido, eles finalizaram a
aliança. Abraão, então, estabeleceu um sinal da aliança para que o
acontecimento ficasse gravado na mente de ambos. Ele escolheu e
sete cordeiros de seu rebanho. O nome do lugar, Berseba,
denominado por causa da aliança entre Abraão e Abimeleque,
representa um jogo de palavras na língua hebraica. "Ber" significa
“fonte de água", mas "seba" pode significar "sete" ou "juramento". Re-
sumindo "Berseba" significa "o poço do juramento dos sete". Os sete
cordeiros funcionariam como um lembrete de que eles haviam feito
juramento naquele lugar perto do poço.
Depois que os sete cordeiros foram separados, os dois se apresentaram
para a troca de promessas. Esse ato de juramento é a aliança em si. Eles foram
embora com o sentimento de que certamente seriam traídos um pelo outro.

ISAQUE E ABIMELEQUE

Em Génesis 26.26-31, encontramos uma renovação dessa aliança


Isaque e Abimeleque. Os mesmos elementos da aliança estão
presentes: uma atração divina, um juramento verbal, uma responsa-
bilidade de integridade e um compromisso com os descendentes de
os participantes. Fazer uma segunda aliança é de certa forma
e um cumprimento de um dos termos da primeira aliança. Abraão e
Abimeleque tinham uma promessa anterior de guardar a fidelidade à
para seus descendentes.
A celebração de uma aliança entre Abimeleque e Isaque repre-
sentou o comprimento do termo jurado na aliança original. Isaque e
Abimeleque compartilharam uma refeição de comunhão de aliança
60 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

juntos. "Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e bebe-


ram” (v.30; NVI).
Esse ato de comer e beber não é algo insignificante ou corri-
queiro. Antes, pode ser visto como o comer da carne de um sacrifício
(semelhante ao cordeiro pascal ou ao sacrifício pacífico no templo).
A intimidade envolvida no partir do pão e no compartilhar da hos-
pitalidade está revestida pela proteção da aliança. Os elementos da
aliança entre Abimeleque e Isaque estão presentes para confirmar e
garantir o que é basicamente um assunto bem simples. O conteúdo
da aliança é claro: eles teriam de agir com integridade e sem falsidade
um com o outro.
6
ALIANÇAS INTERPESSOAIS:
DAVI E JÓNATAS

D todas as alianças interpessoais na Bíblia, a mais bela e pessoal


foi a aliança entre Davi e Jônatas. O amor dos dois serve de
modelo para aqueles que desejam a mesma profundidade de
amizade e confiança. Vamos analisar alguns aspectos dessa aliança
tornaram tão especial.
I Samuel 18.1, Jônatas conhece Davi como o jovem herói que
acabara de derrotar o gigante Golias. As Escrituras dizem: "a
alma de Jônatas se ligou com a de Davi" (ARA)
Dois cristãos sempre são um em espírito por causa da fé em
Deus. Porém, há um chamado especial quando duas pessoas sentem
um grau muito elevado de entrelaçamento de alma e identidade pes-
soal. Elas se apreciam e completam uma à outra com tamanha afi-
nidade de visão e pensamento que serão vistas como uma só pessoa.

ENTRELAÇANDO ALMAS

Em 1 Samuel 20.17, lemos: “Jônatas o [Davi] amou como à sua própria


alma” (ARA). Vemos aqui o amor de Jônatas tão comprometido com
suas próprias emoções, seus pensamentos e desejos torna-
ram-se de fato um com os dele. Meu amigo Paul Wilbur e eu temos
uma amizade como a de Davi e Jónatas. Certa vez, Paul recebeu uma
benção e uma profecia muito significativas para a sua vida. Enquanto
eu observava e escutava aquilo, minha alma sentiu-se unida com a
dele na alegria do momento. Corremos um ao encontro do outro e
começamos a cantar, tocar violão e louvar o Senhor juntos. Para mim,

61
RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA 62

foi algo tremendo experimentar em minha alma a mesma alegria


que ele estava experimentando! Uma das vantagens de possuir uma
afinidade como a de Davi e Jônatas é que os momentos de vitória de
um podem ser festejados plenamente pelo outro.
Em Romanos 12.15 (ARA), Paulo diz: "alegrai-vos com os que se
alegram, e chorai com os que choram".
A alma de alguém pode desejar o bem da alma do outro como
se desejasse o seu próprio. Essa atitude é o cumprimento do manda-
mento em Levítico 19.18: "mas amarás o teu próximo como a ti mes-
mo" (ARA). Ou nesse caso, você deve ficar tão comprometido com o
bem-estar da outra pessoa como com o seu próprio.

GARANTIA VERBAL

A beleza da intimidade entre Davi e Jônatas tomou tal proporção


que ambos sentiram a necessidade de expressar seu compromisso de
forma verbal.

E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jónatas o amava como à


sua própria alma. (I Sm 18.3; ARC)

O amor entre Jônatas e Davi fez brotar um desejo de expressá-


-Io. Eles queriam que seu compromisso mútuo fosse confirmado e
declarado. Uma amizade tão grande exigia uma aliança para selar a
confiança que havia entre eles. Essa aliança seria repetida e reconfir-
mada várias vezes. Em 1 Samuel 23.18 (ARC), Jônatas confirmou
novamente seu compromisso com Davi um pouco antes de os dois se
separarem para sempre.

E ambos fizeram aliança perante o Senhor; Davi ficou no bosque,


e Jônatas voltou para a sua casa.

Aparentemente, o amor de Jônatas e a intimidade santa que ti-


nha com Davi eram tão fortes que ele quis fortalecer ainda mais a
fidelidade existente por meio da garantia da aliança.
Em 1 Samuel 20.17, Jónatas fez Davi jurar: “Então Jonatas fez Davi jurar de
novo,
Alianças interpessoais: Davi e Jônatas 63

Porquanto o amava; porque o amava com todo o amor da sua alma". O


juramento é mencionado novamente em 1 Samuel 20.42 (ARA)
quando Jônatas diz a Davi: "Vai-te em paz, Porquanto juramos ambos
em nome do Senhor".
A própria aliança e a dupla garantia do juramento traziam paz
para ambos. Por piores que fossem as circunstâncias, sempre teriam
certeza da lealdade mútua. Um dos benefícios de possuir um com-
promisso de aliança com um amigo é que você pode relaxar e não ter
medo de uma possível rejeição por parte dele. A força do vínculo de
aliança liberta os dois de qualquer ansiedade em relação ao futuro do
relacionamento.

CENTRALIDADE EM DEUS

A amizade entre Davi e Jônatas era certamente centralizada em


Deus. O coração de ambos estava em pleno acordo porque os dois
estavam voltados para o Senhor. A aliança que havia entre eles não
era algo humano ou fraterno entre dois colegas; era uma ligação or-
denada por Deus de dois servos do Senhor.
A passagem de 1 Samuel 20.23 afirma: "eis que o Senhor está en-
tre mim e ti eternamente" (ARC). A aliança entre eles não envolvia
os dois; ela incluía Deus como a terceira pessoa. Meu rela-
cionamento com a minha esposa é um relacionamento triangular em
Deus está intimamente envolvido com cada um de nós assim
estamos um com o outro. Se o Senhor for a parte central de
aliança, seja amizade seja casamento, haverá sempre uma fonte
de unidade. Se ele não fizer parte do relacionamento, sempre que as
duas pessoas discordarem a respeito de uma direção a ser tomada,
haverá possibilidade de divisão. Se ambos os lados estiverem com-
prometidos com a vontade do Senhor em primeiro lugar, a fonte de
estará presente, e as duas partes não precisarão se separar.
O que atraiu Jónatas a Davi, e vice-versa, e o que viram um no
foi a dedicação heroica e ousada a Deus que ambos possuíam.
Quando Jónatas viu em Davi a disposição de desafiar com ousadia e
fé o gigante Golias em nome do Senhor, foi atraído a ele. Certamente,
64 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Davi também tinha ouvido falar sobre as vitórias heroicas de Jônatas


contra os filisteus. A única forma de duas pessoas entrarem de fato
numa aliança como a de Davi e Jônatas é quando uma enxerga na
outra um coração totalmente desejoso de seguir a Deus independen-
temente dos riscos ou obstáculos. Somente uma entrega tão ousada
e despojada para fazer a vontade de Deus pode incitar esse tipo de
devoção pessoal e afinidade.

PREFERINDO UM AO OUTRO

E Jonatas se despojou da capa que vestia, e a deu a Davi.


(1 Sm 18.4)

Essa capa que ele tirou e deu a Davi não era uma simples peça
de vestuário, nem apenas um item caro de seu guarda-roupa. Sua
capa era símbolo de sua posição como filho do rei e como herdeiro
do trono de Israel. O gesto de Jônatas, de despir-se de sua capa de
príncipe e dá-la a Davi, demonstra sua disposição de abrir mão da
própria posição secular em favor de seu irmão de aliança.
Jônatas sentiu um grande desejo de compartilhar suas posses e
sua posição com seu melhor amigo. Isso soa ilógico para a mente
egoísta, mas qualquer um que tenha um amigo muito íntimo conhece
o prazer de compartilhar o que possui com o outro. Da mesma forma
que uma criança pode experimentar um grande prazer ao trocar seus
brinquedos com um amiguinho, adultos também podem sentir sa-
tisfação ao ver os amigos mais íntimos usando itens compartilhados.

O versículo 4 conclui que Jônatas "a deu a Davi, como também a


sua armadura, e até mesmo a sua espada, o seu arco e o seu cinto". Para
Jônatas, o valor espiritual daquela amizade excedia o valor daque-
les itens materiais. Sabemos que, quando alguém pode dar dinheiro,
providenciar uma refeição ou doar algo a um amigo em necessidade,
maior é a alegria de quem dá. Quanto maior o sacrifício daquele que
dá, maior é a chance de receber uma bênção pessoal por causa do seu
ato generoso.
Alianças Interpessoais: Davi e Jônatas 65

Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber. (At 20.35)

Além de doar aqueles objetos a Davi, Jônatas fez uma bela decla-
ração de humildade e lealdade. Em 1 Samuel 23.17, ele diz: 'Porém tu
reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo". Aqui vemos o mara-
vilhoso princípio de preferir o outro a si mesmo.

Preferindo-vos em honra uns aos outros. (Rm 12.10)

Jónatas não estava apenas preferindo Davi e cedendo seu lugar


a ele, mas se mostrava decidido a honrá-lo mesmo que isso custasse
seu próprio rebaixamento. Isso foi um grande ato de fé da parte de
Jónatas. Além de promover a honra de Davi declarando-o rei, tam-
bém lhe afirmou as seguintes palavras: "Eu serei contigo o segundo".
Para qualquer homem, levantar-se e declarar sua submissão a outro é
um passo de grande coragem e humildade.

COMPROMISSO LEVA A AUTORIDADE

Mesmo que ambos demonstrassem o mesmo nível de intimidade


e amor na aliança, uma autoridade maior foi concedida a Davi no
desenvolvimento daquele relacionamento. Quanto maior o nível de
Intimidade, mais evidentes se tornam as dinâmicas de autoridade
dentro da relação. Quando um homem e uma mulher iniciam uma
amizade superficial, não é necessário que cheguem a um acordo sobre
tipo de autoridade que deve existir entre um marido e sua esposa.
Mas, se planejam casar-se e viver juntos num ambiente de coopera-
ção para o resto da vida, os dois devem entender como a autoridade
funciona. Eles precisam entrar em acordo sobre o nível de hierarquia
no relacionamento.
Se um grupo de ministros mantém uma comunhão ocasional e
superficial, não há necessidade de estabelecer algum tipo de lideran-
ça e autoridade no grupo. Mas, se eles pretendem fazer uma aliança
e assumir o compromisso de trabalhar juntos regularmente para o
reino de Deus, precisam buscar no Senhor um entendimento sobre
tipo de liderança e autoridade que ele deseja estabelecer entre ele.
66 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Se alguém dispensa autoridade nos relacionamentos de aliança,


ele mantém esses relacionamentos num nível mínimo de compro-
misso. Em geral, a atitude de "somos todos iguais" em relação à au-
toridade no grupo é uma desculpa para evitar um compromisso que
leve a uma intimidade mais profunda. Quando estamos ligados uns
aos outros por meio de uma aliança de intimidade, precisamos de
humildade e quebrantamento para permitir que Deus use as pessoas
como autoridades sobre nós no relacionamento. Intimidade exige
compromisso. Compromisso — se for em primeiro lugar com Deus
— com o tempo produzirá uma liderança que levará o grupo a alcan-
çar os propósitos de Deus.
Nessas passagens, Jônatas se revela um grande homem de alian-
ça. Sua atitude é semelhante à de João Batista, que, quando viu Jesus,
disse: "E necessário que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.30; ARC).
Nem João nem Jônatas estava rebaixando-se ao tomar essa ação
de fé. A entrega, a doação e a submissão de ambos aperfeiçoaram de
forma tremenda seu próprio caráter.

LEALDADE E RESPONSABILIDADE (PRESTAÇÃO DE CONTAS

Mais um aspecto da aliança interpessoal é ter expectativa de que o


parceiro de aliança exija total prestação de contas moral.

Usa, pois, de misericórdia para com o teu servo, porque o fizeste


entrar contigo em aliança do Senhor; se, porém, há culpa em mim,
mata-me tu mesmo. (1 Sm 20.8)

Mesmo que não seja sempre necessário nos negócios diários ter
um amigo de aliança pronto para matá-lo, ele se torna responsável
por alertá-lo de qualquer ato moralmente errado que tenha prati-
cado. Se temos irmãos de aliança que cobram de nós responsabili-
dade moral, estamos livres de errar sem ser avisados do problema.
Há grande segurança em poder dizer: "Estou cercado por grupo
confiável de amigos de aliança que certamente me conli'0iitará sem-
pre que eu errar".
Alianças Interpessoais: Davi e Jónatas 67

Espera-se que um amigo de aliança se mantenha sempre leal,


sejam quais forem as circunstâncias, a não ser que seu parceiro de
aliança cometa uma falha moral. Davi afirmou que, se ele nada de
errado tivesse feito, então não haveria motivo para entregá-lo a seus
inimigos.
Jónatas respondeu à declaração de Davi esclarecendo que ele es-
tava desejando protegê-lo. Ele diz em 1 Samuel 20.9 (N VI):
Se eu tiver a menor suspeita de que meu pai está decidido a ma-
ta-lo, certamente eu o avisarei!
O propósito de Jônatas em proteger Davi quando ele não tinha
feito nada moralmente errado é um nível de compromisso mais alto
do que a lealdade familiar.
O desejo de um irmão de aliança é promover uma boa reputação
e um bom nome para seu parceiro.

Jónatas falou bem de Davi a Saul, seu pai. (1 Sm 19.4; NVI)

Jónatas aproveitou cada oportunidade que teve para falar bem


de Davi e defender sua reputação até entre os que não gostavam do
salmista. Em qualquer lugar onde estiver um irmão de aliança, ele
sempre falará bem de seu amigo. Irmãos de aliança consideram de
importância cuidar da reputação uns dos outros.

FÉ EM PRIMEIRO LUGAR

Jônatas se viu num dilema ao ver sua lealdade dividida entre Saul e
Davi. Davi representa Yeshua, o Rei Messias ungido. Saul representa
compromisso com um membro da família que se tornara duro de
coração, hipócrita e havia traído o Senhor. Havia pressão dos colegas
e pressão social para que Jônatas ficasse ao lado de Saul.
Jónatas fez a escolha errada de permanecer com seu pai. As
alianças precisam ter como base a permanência na vontade de Deus.
submeter-se a uma exigência de "lealdade de aliança" manipulado-
dora ou baseada num espírito religioso, na estrutura organizacional ou
compromisso Inumano, sem avançar com a vontade de
68 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Deus, é um erro trágico. Jônatas saiu da vontade de Deus, e isso lhe


custou a própria vida.
Pode ser que, às vezes, você se depare com o mesmo dilema.
Aqueles que têm o espírito de "Saul" frequentemente rejeitam o novo
mover de Deus e exigem submissão motivados por inveja e insegu-
rança. Os Jônatas de hoje não devem submeter-se a essas exigências
carnais, mas devem avançar em obediência à vontade de Deus para
a sua vida.
7

AMIZADE: O DESENVOLVIMENTO
DA CONFIANÇA

T alvez você deseje uma amizade tão íntima quanto a de Davi e


Jônatas. A Bíblia nos ensina a não permanecer sozinhos e iso-
lados dos outros. Por outro lado, ela nos exorta a não depositar
nossa confiança e intimidade em pessoas que possam pisoteá-las e
esmagá-las. Jesus afirmou:

...nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as


pisem com os pés, e, voltando-se, vos dilacerem. (Mt 7.6; ARA)

Sua vida é uma pérola que não deve ser confiada a uma pessoa
infiel.
É possível que você tenha medo de entrar num relacionamento
muito íntimo. "E se a pessoa me rejeitar? E se eu for traído? Como
posso ter certeza de que não serei ferido? "Estas são perguntas que
talvez você faça a si mesmo. Amizade profunda resulta em intimida-
de, e intimidade produz vulnerabilidade. Vulnerabilidade envolve o
risco de ser ferido. Desenvolver uma amizade íntima exige que tanto
você quanto a outra pessoa se tornem confiáveis a fim de que nin-
guém se machuque.

CONFIANÇA VS. AMOR

Quem deseja amizade íntima e profunda deve demonstrar integri-


dade de caráter para evitar qualquer chance de ferir ou ser ferido.
Encontramos uma declaração surpreendente sobre Jesus em João
2.24,25 (ARA):
70 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a to-


dos, e não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito
do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.

A palavra "confiar" também pode ser traduzida como "entregar'


ou "depositar". O próprio Jesus não confiou sua vida às mãos de to-
dos os homens. Ele não confiava em qualquer um. Ele agiu assim
porque sabia que a maioria das pessoas não era confiável. Ele queria
confiar em todos, mas sabia que não podia. Jesus teria confiado em
qualquer um que fosse digno de confiança, mas não conseguiu en-
contrar alguém em quem pudesse confiar.
Sendo assim, Jesus escolheu algumas pessoas que demonstravam
algum potencial de tornar-se dignas de confiança. Ele dedicou seu
tempo treinando-as a serem confiáveis. Jesus não só estava disposto a
entregar-se a qualquer um que fosse confiável, mas também se dispu-
nha a treinar quem demonstrasse essa disposição ou potencial. Todo
o trabalho e alvo do discipulado consiste em escolher alguém que
demonstre o potencial de tornar-se um amigo confiável e ajudá-lo na
edificação de uma amizade fidedigna.

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigénito. (Jo 3.16; ARA)

Como pode Deus amar o mundo todo? Ele amou cada pessoa
no mundo. Como isso pode ser verdade se as Escrituras afirmam
que Jesus não confiava em ninguém? Há uma diferença entre amar
alguém e confiar sua vida a ela.
A essência do amor é dar. Eu posso dar algo a alguém; posso
até me dedicar a essa pessoa durante um período de tempo. Posso
ajudá-la e ministrar a ela. Porém, se eu me abrir e expuser as minhas
vulnerabilidades a alguém que não seja confiável, poderei destruir o
meu potencial de continuar amando outras pessoas.
Amizade: O Desenvolvimento da Confiança 71

BLOQUEANDO DARDOS INFLAMADOS

Posso amar e ajudar uma pessoa hostil, traiçoeira ou não confiável,


mas devo sempre fazer isso usando a armadura espiritual.

...tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis


apagar todos os dardos inflamados do Maligno. (Ef 6.16; AR C)

Esse escudo da fé é um escudo espiritual que nos protege do ataque de


espíritos malignos e de pensamentos negativos.
O escudo da fé serve também para nos proteger de palavras negativas e
desagradáveis proferidas contra nós. A pessoa que fala algo
desagradável não é o Maligno, mas, no momento em que permite
sua língua seja usada para dizer algo negativo, os dardos infla-
mados do Maligno são lançados por meio dela. O modo principal
pelo qual as setas inflamadas do inimigo nos atingem é pelas palavras
ou escritas por outras pessoas. Ataques verbais demoníacos têm
como veículo a língua humana.
Se algo vil é dito por uma pessoa que ocupa uma posição privilegiada e
vulnerável em nossa vida, aquela seta inflamada pode atingir nosso
coração diretamente. Isso pode impedir-nos de amar outros. somos
chamados a amar todos. Se a pessoa é confiável, passamos a confiar
nela. Se a pessoa não é confiável, continuamos a amá-la do mesmo
jeito, mas devemos agir usando firmemente o escudo da fé para nos
proteger de toda palavra negativa.

NADA DE GRACEJOS INDECENTES

Os dardos inflamados do Maligno são dirigidos a nós principalmen-


te por meio de outras pessoas.

Como o louco que lança fogo, flechas, e morte, assim é o homem


que engana a seu próximo, e diz: Fiz isso por brincadeira. (Pv
26,18,19; ARA)
72 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

As setas inflamadas vêm de outros seres humanos. Os dardos


inflamados de um conhecido geralmente vêm por meio de brinca-
deiras. O que torna a maioria das brincadeiras engraçada é que elas
nos levam a rir dos defeitos ou da dor alheia. Nem sempre é assim,
mas na maioria das vezes isso acontece. Uma risada pode significar
um sentimento de alívio intenso a respeito de algo que poderia ter
sido muito doloroso. Quando alguém assiste a uma cena de comédia
pastelão em que o comediante escorrega, cai e faz de conta que está
machucado, todos acham o fato muito engraçado. Por que não con-
seguimos deixar de rir quando alguém escorrega e cai perto de nós?
Muitas vezes, a risada tem ligação com a dor de outra pessoa.
Todos que participam de ministérios ou exercem posições que
influenciam os sentimentos de muitas pessoas deveriam evitar todo
tipo de gracejos indecentes (Ef 5.4). Muitas vezes, isso pode ser con-
fundido com falta de senso de humor. Porém, há diferença entre bom
humor e determinadas brincadeiras. Quando alguém faz um gracejo
à custa de outra pessoa, todos podem rir e dizer: "Não nos leve a mal,
estamos apenas brincando". Além de ir embora ferida, a pessoa que
foi alvo da brincadeira terá dificuldade de remover o pensamento
negativo de sua mente.
Outro versículo sobre os dardos do diabo por meio de palavras
de uma pessoa é Provérbios 25.18 (ARC):

Martelo, espada e flecha aguda é o homem que profere falso teste-


munho contra o seu próximo.

Observe mais uma vez que as palavras falsas de uma pessoa ami-
ga são usadas como uma flecha aguda para atacar alguém. Provérbios
25.19 também diz:

Como dente quebrado, e pé deslocado, é a confiança no desleal, no


Tempo da angustia.

Deus não nos chama para depositar nossa confiança pessoal nas
mãos de alguém infiel e indigno de confiança.
Amizade: O desenvolvimento da Confiança 73

DEFINIÇÃO BÍBLICA PARA AMIGO

No início de seu ministério, Jesus compreendeu que não poderia


confiar sua vida aos homens, porque não eram dignos de confiança.
Porém, bem no fim de seu ministério, ele fez esta declaração aos seus
discípulos:

Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria


vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que
eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o
que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo
quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. (Jo 15.13-15;
ARA)

Eis um resumo dos resultados finais dos anos de ministério e dis-


cipulado de Jesus com os doze. O processo de discipulado teve início
com um grupo de pessoas não confiável que tinha a possibilidade de
tornar-se confiável um dia. Jesus as fez passar por um período de trei-
namento, e o resultado foram pessoas dignas de confiança. Elas tive-
ram de passar por três estágios: possibilidade, treinamento e amizade.
A palavra "amigo" na Bíblia possui um significado muito mais
profundo do que o uso que fazemos hoje. Nossa mente deveria subs-
tituir a palavra "amigo" pela expressão "amigo de aliança" ou "com-
panheiro de aliança" ou "parceiro fiel". No versículo 14, Jesus mostra
que os discípulos se tornaram seus parceiros de aliança porque ele
os treinou para fazerem tudo que lhes ordenasse. No versículo 15,
Jesus diz que nem sempre considerou os discípulos como seus ami-
gos. No princípio, eram desconhecidos; depois, tornaram-se servos;
finalmente, por meio do processo de treinamento e discipulado, tor-
naram-se amigos. Uma pessoa tem de passar por esse processo antes
de merecer a posição de amigo confiável. O processo de desenvolver
a confiabilidade é o discipulado da Nova Aliança.
Deus se refere a "Abraão, meu amigo" em 2 Crônicas 20.7, Isaías 41,8 c
Tiago 2.23. Perceba novamente a profundidade do compromisso de
aliança contida na palavra "amigo". Parece que Deus está dizendo:
“Eis Abraão, meu amigo de aliança em quem confio". Essa
74 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

amizade de aliança entre Deus e Abraão foi demonstrada em Gê-


nesis 18 quando o Senhor compartilhou com o patriarca que estava
pronto para destruir Sodoma e Gomorra. Abraão recebeu a permis-
são de dialogar com Deus sobre o julgamento. Seu caráter aprovado
e sua fidelidade de aliança fizeram dele um amigo de Deus.

PAIS, AMIGOS E DISCÍPULOS

O processo de discipulado de Jesus foi trabalhar com um grupo de


homens até vê-los transformados em amigos de confiança. Pessoal-
mente, esse é o modelo que sigo no exercício de paternidade com
os meus próprios filhos. Entendo paternidade como uma espécie de
discipulado, e discipulado como o treinamento de alguém para tor-
nar-se um amigo íntimo. Olho para os meus filhinhos e sinto muito
amor por eles. Mas é claro que, enquanto são pequenos, não posso
abrir minha Vida totalmente a eles; isso seria uma tolice.
Eu não deixo de demonstrar meu amor por eles mesmo que não possa
confiar-lhes muitas coisas agora. Demonstro-lhes meu afeto porque,
num ato de fé, vejo neles o potencial invisível de um dia tornar-se
meus melhores amigos. Isso me ajuda muito a ter a atitude certa em
relação ao amor e à paternidade. Não treino meus filhos
simplesmente para fazer com que obedeçam a todas as minhas or-
dens. O alvo do meu treinamento é que aprendam a ser obedientes
para, um dia, tornar-se meus melhores amigos. Sempre que estou
com eles, procuro enxergá-los como adultos que no futuro serão
meus companheiros mais chegados e dignos de confiança.
Ter a amizade como alvo ajuda os pais a criar os filhos sem legalismo.
Você não está treinando robôs, mas cultivando amigos. Priorizar o
objetivo de amizade também pode ajudar-nos a evitar a ênfase
exagerada na realização de projetos no processo de discipulado. De-
vemos sempre olhar para os novos discípulos como pessoas que no
futuro poderão transformar-se em amigos íntimos. Nós os treinamos
tendo em vista o propósito de comunhão e relacionamento. Pensar
assim acrescenta a vantagem de tornar todo o processo de discipula-
do bem mais prazeroso.
Amizade: O Desenvolvimento da Confiança 75

Nesse contexto, um ato de disciplina ou correção significa um


ato de amor que estende a mão e atrai a pessoa para um relaciona-
mento mais íntimo. Corrigimos um mau hábito ou uma área fraca
do discípulo, sem enfatizar a correção em si, mas porque aquilo re-
presenta uma pedra de tropeço que nos impede de ter uma amizade
mais íntima. Não queremos afastar a pessoa, mas nos oferecer em
humildade na esperança de atraí-la para mais perto de nós.
Essa atitude produzirá um espírito diferente nas congregações e nas
amizades. "Seguindo a verdade em amor" (Ef 4.15. Uma verdade,
mesmo que seja uma palavra dura de correção, será mais prontamen-
te ouvida quando falada com amor e com o propósito de atrair a
pessoa para um relacionamento mais íntimo.

TREINANDO PARA SER CONFIÁVEL

O discipulado deve seguir o modelo de desenvolver fidelidade num


grupo de amigos.

e que de mim ouviste diante de muitas testemunhas, transmite-o


homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os ou-
tros. (2 Tm 2.2)

O processo de discipulado tem o objetivo de treinar esses homens a


serem confiáveis. O primeiro passo do discipulado é discernir quem tem
o potencial de tornar-se fiel. O segundo passo é escolher e treinar essas
pessoas. Há quatro gerações de discípulos em 2 Timóteo 2.2. Paulo
depois Timóteo, em seguida os homens fiéis e finalmente outros
homens com a possibilidade de serem fiéis. Se não enxergar- mos o
discipulado como um processo de desenvolver amizades leais, ele se
tornará um mero mecanismo de linha de produção desprovi- do de
intimidade. Paulo desenvolveu uma amizade de intimidade e com
Timóteo. Ele pediu que Timóteo reproduzisse esse mesmo
tipo de companheirismo nos futuros discípulos.
Timóteo 2.2, os elementos que estão sendo entregues
e esses homens fiéis são palavras: “o que de mim ouviste”. O processo de
discipulado consiste em transmitir ensinamentos a novas
76 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

pessoas. O treinamento de homens fiéis consiste em compartilhar


palavras que expressem verdades e em observar como reagem a tais
verdades. A maneira como uma pessoa lida com uma mensagem de
intimidade demonstra claramente seu nível de fidelidade. Quan-
to mais alguém cresce no discipulado, mais podemos compartilhar
com esse indivíduo verdades mais íntimas.

REVELAÇÕES SECRETAS

Yeshua ensina sobre o uso de parábolas no discipulado em Mateus


13.10-13:

E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes


falas por parábolas? Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado
conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;
pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não
tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por
parábolas; porque eles, vendo, não veem; e ouvindo, não ouvem nem
entendem.

Os discípulos notaram que Jesus falava com eles de uma forma


diferente da que usava quando se dirigia à multidão. Certamente, ele
era mais direto e franco com seus discípulos. Ao notar isso e perceber
que tinha significado no processo de fazer discípulos, seus seguidores
quiseram saber por que ele agia assim.
Jesus lhes explicou que, por terem sido escolhidos, tinham o di-
reito de conhecer os mistérios do reino. Por terem adquirido deter-
minado nível de confiança, aqueles homens poderiam então conhe-
cer aspectos mais profundos da revelação.
Jesus afirma que, ao que tem, mais lhe será dado. Isso significa
que a comunicação de novos níveis de revelação confidencial depen-
de da reação da pessoa às revelações anteriores. Ele diz que, àqueles
com quem compartilha verdades mais íntimas sobre si mesmo e que se
mostram dignos de confiança ao lidar com palavras, mais será dado. Se
Jesus compartilha uma verdade alguém, e essa pessoa o trai, a ela não
serão acrescidas novas verdades
Amizade: O Desenvolvimento da Confiança 77

confidenciais. Se uma pessoa se mostra indigna de confiança, até a


revelação que recebeu lhe será tirada. Tanto o processo de discipu-
lado quanto a compreensão dos ensinamentos de Jesus podem ser
vistos como um desenvolvimento gradual de confiança.
A concessão de revelação espiritual também é uma questão de
confiança.

Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e
ouvindo, não ouvem nem entendem. (Mt 13.13)

Quanto mais fiéis formos a Deus, mais os nossos olhos espiri-


tuais serão abertos para novas revelações. Se formos infiéis, a nos-
sa mente poderá continuar enchendo-se de supostas verdades das
Escrituras, mas sem muita profundidade. Quanto mais indignos de
confiança nos tornamos, mais os nossos olhos espirituais se fecham para os
sentidos mais profundos da Palavra.
A revelação de Deus nas Escrituras possui vários níveis de signi-
ficado. Quem tem um coração duro pode ler as mesmas palavras sem
receber a revelação mais profunda. As maiores revelações das Escri-
turas são aquelas que revelam mais da intimidade de Deus e Jesus. É
necessário experimentar intimidade e confiança para compreender
revelações de intimidade.
Paulo diz em 1 Coríntios 4.1-2 (N VI):

Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encar-


dos mistérios de Deus, O que se requer destes encarregados
é que sejam fiéis.

Paulo considerava um privilégio ter recebido grandes revelações


da parte de Deus. Ele diz que quem quiser receber mistérios e se-
gredos deve ter seu caráter provado fiel. As verdadeiras revelações de
Deus são precedidas de uma confiabilidade do mesmo nível.
Em João 16.12, Jesus declara: "Tenho ainda muito que lhes di-
ser, mas vocês não o podem suportar agora" (NVI). Jesus não quis di-
zer que eles eram inteligentes nem corajosos o suficiente, mas
que ainda tinham muito a aprender sobre confiança e intimidade.
78 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Quando nosso coração se abre para Deus a ponto de expor nossa


própria vulnerabilidade, seu Espírito vem habitar em nós. A intimi-
dade e a revelação vêm juntas como complemento da presença do
Espírito de Deus em nosso espírito. A resposta de Jesus ao desafio
dado aos discípulos foi dizer: "Mas quando o Espírito da verdade
vier, ele os guiará a toda a verdade" (v. 13).
Quando o Espírito da verdade vem, ele passa a habitar a parte
mais íntima do ser humano, o coração. O Espírito de Deus começa
um processo de se mesclar com o nosso espírito. Como marido e
mulher se unem para tornar-se um só, assim nós nos tornamos um
com Deus em perfeita intimidade. O discipulado é um processo que
desenvolve amizade de confiança. A transmissão de verdades das Es-
crituras e a abertura a novas revelações de Deus só são possíveis den-
tro de um ambiente de confiança em que novos níveis de intimidade
podem ser alcançados.
Há uma diferença entre ser amigável e ser confiável. O que o
mundo chama de amigável significa muitas vezes um envolvimento
carnal, emocional ou social e uma aparência exterior de amizade. A
diferença entre esse tipo de relacionamento e a verdadeira amizade
de aliança é o que as Escrituras mostram em Provérbios 18.24 (AC):

O homem que tem muitos amigos, deve agir deforma amigável, e


há um amigo que é mais chegado do que um irmão.

Exibir uma aparente amizade não significa ter uma amizade


verdadeira. E preciso discernir quem se tornará um companheiro
confiável com o passar do tempo. O discernimento enxerga além da
mera socialização.
Numa comunidade de cristãos, há muitas vezes alguém que pa-
rece ser "a alegria da festa". A introdução sutil de um espírito leviano
disfarçado de comunhão pode ser um perigo. Essa pessoa pode atrair
para si uma grande quantidade de amigos; pode tornar-se uma força
dinâmica de integração na comunidade. Um sinal de isso talvez
seja um tipo de amizade falsa é que essa pessoa de agir durante
os períodos mais amenos de intensa comunhão, mas de algum modo murcha
ou se distrai em momentos de intensa adoração ou devoção.
Amizade: O desenvolvimento da Confiança 79

O perigo que esse tipo de pessoa pode causar à comunidade é


reunir ao seu redor um grupo que pratica lealdade na carne. Se ela
vier a ofender-se com alguma coisa na congregação, poderá cau-
sar uma divisão capaz de deixar feridos muitos membros novos.
O oposto de uma amizade superficial é apegar-se ao amigo mais
até do que se fosse um irmão de sangue. A verdadeira amizade
de aliança não tenta dar um show de socialização para um grande
número de amigos. Ela está mais preocupada em ser fiel e compro-
missada com os relacionamentos que Deus lhe deu. Dentre muitos
amigos, apenas alguns permanecerão próximos e leais por um longo
período de tempo.
Há diferença entre intimidade e socialização. Há diferença entre
amizade e fraternidade. Eu sou uma pessoa íntima e que gosta de
confiar nas pessoas. Fui abençoado com pais que demonstraram afeto
intimidade. Meus amigos íntimos sabem que sou compromissado
com a nossa amizade. Eles têm liberdade de abordar as partes mais
intimas da minha vida. Por outro lado, nem sempre projeto a imagem
de alguém que promove muita socialização e conversas levianas. Minha
preferência por amizades compromissadas acaba afastando-me de qualquer
superficialidade ou intrigas sociais.
Provérbios 16.29-30 (AC) descreve como perigoso um homem
elementos carnais na comunhão de aliança. Os ver-
siculos se referem a um homem violento, mas pode ser aplicado a
alguém que faz intrigas sociais.

O homem violento [ou manipulador social] persuade seu com-


panheiro, e guia-o por um caminho que não é bom. Fecha os olhos
para imaginar perversidades; mordendo os lábios, efetua o mal.

Pessoas de espírito festeiro gostam de dar tapinhas nas costas e


Dizer, “Oi, cara!”, ou piscar o olho aparentando algum tipo de cum-
plicidade secreta. Elas podem conduzir pessoas a uma direção ruim.
O discernimento de espírito é importante para encorajar comunhão
saudável e sincera entre os crentes. Discernir essa sociabilidade levia-
na evita futuras divisões.
80 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Paulo, em sua carta para Tito, exorta-o a treinar seus discípulos a


serem sóbrios. Tito 2.2 diz: "Exorta os velhos a que sejam temperantes,
sérios, sóbrios". O versículo 3 encoraja: "as mulheres idosas, semelhan-
temente, que sejam reverentes". O versículo 5 exorta as mulheres mais
jovens "a serem moderadas, castas". O versículo 6 diz: "Exorta seme-
lhantemente os moços a que sejam moderados. "
Esses versículos promovem a amizade sincera e desencorajam a
socialização falsa. Descrevem um discipulado amoroso. Essas exorta-
ções saudáveis não devem ser mal interpretadas como se Deus fosse
contra diversão e entretenimento na vida. Há diferenças entre um es-
pírito alegre e um espírito leviano. E possível ser sóbrio sem deixar de
ser alegre. Você pode ter um entusiasmo contagiante sem, contudo,
possuir a verdadeira alegria interior. Devemos evitar ser feridos pelo
tipo errado de pessoas durante nossa busca por desenvolver amizades
mais profundas e confiáveis.
8
DISCIPULADO:
CULTIVANDO AMIZADE

D
iscipulado é o processo de cultivar amigos com o potencial de
serem confiáveis. O treinamento consiste em fazer uma série
de experiências com um discípulo, confiando-lhe tarefas prá-
ticas que cresçam em importância de acordo com seu desempenho
anterior. Se for fiel em determinada área, estará apto para respon-
sabilidades maiores. Se for fiel no pouco, é provável que será fiel no
muito. Um líder com potencial promissor deve primeiramente ser
responsável por uma pequena tarefa.

ESTÁGIOS DE RESPONSABILIDADE

Entrega-se a uma pessoa uma área de serviço como teste de qualifi-


cação para receber outra tarefa de maior responsabilidade. Essa tare-
fa, por sua vez, serve de treinamento para a próxima. Yeshua ensinou
sobre essa progressiva responsabilidade na parábola dos talentos:

Muito bem, meu bom servo! , respondeu o seu senhor. Por ter sido
confiável no pouco, governe sobre dez cidades.
(Lc 19.17; N VI)

A mesma declaração é expressa de forma um pouco diferente em


Mateus 25.23:

Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco
foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

81
82 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

A pessoa progride de algo menor para algo maior. Cada tarefa


representa um teste para o próximo passo. O nível de responsabilida-
de cresce em qualidade durante o processo.
Observe o uso da palavra "servo" nessas passagens. Em João
15.15, Jesus disse que antes chamava seus discípulos de servos, mas
eles superaram aquele estágio e se qualificaram para ser seus amigos
de aliança. Na parábola dos talentos, Jesus declarou: "Muito bem,
meu servo fiel. Entra no gozo do teu Senhor". E como se as duas
passagens dissessem: "Muito bem, você provou ser fiel no estágio de
cumprir suas tarefas. Venha agora para um estágio melhor de alegria
e relacionamento comigo. Você entrará numa esfera maior de serviço,
responsabilidade e autoridade".
Um novo tipo de responsabilidade é concedido. A primeira fase
de serviço se relaciona com objetos, dinheiro e aspectos práticos. O
estágio posterior lida mais com autoridade, pessoas, governo e ensi-
no. O discípulo é um servo que lida primeiro com coisas materiais.
Depois, pode ser promovido para supervisionar pessoas. As pessoas
são descritas na parábola como uma cidade, o que nos permite fazer
hoje um paralelo com um grupo caseiro ou congregação. Algumas
pessoas têm um chamado mais voltado a atividades práticas do que
ao aconselhamento ou ensino. Isso não as impede de crescer em au-
toridade e intimidade na sua esfera de unção. Há possibilidades ili-
mitadas de crescimento em qualquer das duas áreas.

DISCERNINDO EM QUEM INVESTIR

Quando trabalhamos com um novo grupo de pessoas a fim de dis-


cernir quem se destacará como os despenseiros mais confiáveis, é
aconselhável atribuir tarefas pequenas e semelhantes de serviço prá-
tico a todos os envolvidos. A maneira como os diferentes membros
do grupo realizam as tarefas práticas é um dos fatores que podem
revelar sua motivação. Se houver dedicação ao serviço, é provável que
serão fiéis no ensino.
Um pastor precisa ser capaz de discernir seu
tempo. Provavelmente, muitas pessoas no grupo desejam ter com-
Discipulado: Cultivando Amizade 83

versas particulares com ele. Se, desde o início, ficar bem claro para
todos os membros da equipe que cada um é responsável por realizar
Uma pequena parte do serviço, o líder perceberá claramente quais
membros buscam aconselhamento com motivações erradas. Alguns
desejam entrar no ciclo destrutivo de autocomiseração, menos res-
ponsabilidade e mais conselho. Se uma pessoa reage positivamente a
uma simples tarefa de serviço, é provável que busque aconselhamento
pastoral com a motivação correta. Ela usa o conselho para o propósi-
to de produzir e melhorar, e não para usufruir mais atenção do pastor.
Uma pessoa assim não suga a energia do pastor. Focar a atenção da
equipe em serviço positivo e construtivo faz com que todos cami-
nhem para o alvo certo. Isso torna o trabalho de aconselhamento do
pastor mais eficaz e produtivo para todos os membros.
Essa progressão de responsabilidade protege um futuro líder de
exercer autoridade sobre as pessoas com motivação errada. Se uma
pessoa se recusa a fazer serviço prático, mas quer governar sobre ou-
tros, há algo errado em sua atitude. Tanto o exercício de autoridade
sobre pessoas quanto a realização de um serviço prático devem ser
feitos com a mesma motivação de ser útil aos outros.
Se alguém aconselha outra pessoa com o objetivo de ajudá-la,
experiência tem o mesmo valor de realizar uma tarefa. Expulsar
demônios e aconselhar pessoas com problemas são semelhantes a
colocar o lixo na rua e limpar um vaso sanitário. Se alguém se acha
digno de aconselhar pessoas, mas não quer ser um servo útil realizan-
do tarefas práticas, seu aconselhamento não passa de uma forma de
engrandecer a si mesmo. Se o indivíduo se orgulha porque a pessoa
aconselhada se submete aos seus conselhos, ele perdeu a motivação
principal, que deve ser de ajudar o outro.

IMPOSIÇÃO DE MÃOS

Paulo escreveu a Timóteo dizendo: “A ninguém imponhas


precipitadamente as mãos” (1 Tm 5.22; ARA). A imposição de mãos
pode ser vista aqui como o ato de ordenar alguém à sua próxima esfera de
responsabilidade e autoridade. Quando a imposição de mãos é feita antes
da hora certa, pode criar problemas no exercício de autoridade,
84 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

A imposição de mãos representa a prova de que um servo fiel


está pronto para a próxima etapa de responsabilidade. Portanto, tra-
ta-se de uma prática que deve ser feita somente após um período de
serviço prático finalizado com sucesso. E durante esse período que
atitudes corretas são desenvolvidas pela pessoa, capacitando-a para o
próximo nível de autoridade. E o treinamento de serviço prático que
a ensinará a aproximar-se das necessidades das pessoas com a mesma
motivação de ser útil sempre. Isso ajudará o novo líder a não ser ten-
tado por bajulação e orgulho ao dar direção e conselhos.
Se a pessoa não foi preparada para evitar a mais sutil tentação do
diabo de inflar seu orgulho, ela ficará sujeita à "cilada do diabo" (1 Tm
3.7). Se ela recebe a imposição de mãos prematuramente, a mesma
ordenação que lhe acrescenta autoridade em vez de abençoá-la pode
tornar-se uma pedra de tropeço e uma fonte de problemas em sua
vida. Melhor teria sido que nem tivesse sido ordenada.

INTIMIDADE E CONFIDENCIALIDADE

O primeiro passo do discipulado é engajar o candidato a parceiro


de aliança em áreas de serviço prático. O segundo passo é observar
como ele se comporta diante de palavras de intimidade.
Não existe melhor maneira de testar a fidelidade de alguém do
que compartilhar com esse indivíduo algumas informações íntimas.
Se ele faz questão de espalhar o que sabe, é provável que não seja um
bom candidato em quem se confiar novamente. Por outro lado, se é
capaz de guardar confidências, é quase certo que a confiança deposi-
tada nele crescerá rapidamente.
Todos nós já tivemos a experiência de ouvir algo íntimo e confi-
dencial de um amigo bem próximo. Imediatamente, surge dentro de
nós a tentação de espalhar aquela informação por todos os meios de
comunicação possíveis. Vale a pena o esforço de controlar esse ímpe-
to e manter a confidencialidade do amigo aconselhado.
Quando alguém compartilha algo confidencial conosco, é ób-
vio que as informações não devem ser a ninguém. Mais tarde, quando a
pessoa perceber o fato não foi compartilhado,
Discipulado: Cultivando Amizade 85

talvez fique surpresa. Porém, assim que a surpresa passar, a confiança


será imediatamente estabelecida. "Quer dizer que você não contou
nada a ninguém?" é a pergunta costumeira. Então, você poderá dizer:
"Não foi o que você me pediu?". A resposta geralmente é: "Sim, foi"
Quando as pessoas compreendem que temos uma atitude firme de
manter a palavra e guardar assuntos confidenciais, nasce uma certeza
de que somos confiáveis e capazes de guardar a aliança.
Paulo disse, em 2 Timóteo 2.2, que Timóteo deveria encontrar
amigos que fossem fiéis e dignos de confiança para receber e guardar
as palavras que fossem compartilhadas com eles. Em Mateus 13, Je-
sus disse aos seus discípulos que havia mistérios nas parábolas que ele
não poderia revelar às multidões, mas somente.ao grupo de amigos
mais confiáveis. A capacidade de manter em sigilo uma palavra que
lhe foi confiada é semelhante à capacidade de guardar uma aliança.
Na mesma proporção em que alguém tem forças para guardar um
segredo, também tem forças para não quebrar uma aliança. A mesma
força exigida para guardar uma palavra no seu interior é necessária
para cumprir a palavra no exterior.
Orientar a maneira como a pessoa reage às palavras é o princi-
pal método de desenvolver fidelidade de caráter. Sansão foi um grande
homem de força e fé de aliança. Sua força física usada para destruir
os filisteus e sua força para manter a promessa de aliança com Deus
eram exatamente iguais a sua à sua força para não contar seu segredo a Dalila.
Por outro lado, se usarmos as palavras de Sansão para testar o caráter de
Dalila, veremos que ela fracassou no teste. Mal as palavras de intimidade,
confidencialidade e vulnerabilidade haviam saído da boca de
Sansão, Dalila já tramava revelá-las aos inimigos dele em troca de uma
recompensa financeira pela traição. Depois disso, ela ainda se regozijou
com a destruição daquele que poderia ter sido seu parceiro de aliança.
Contudo, Sansão também falhou no teste porque não conseguiu resistir
suficiente à insistência de Dalila para que lhe revelasse seu segredo.
Sua força para resistir à insistência dela foi proporcional à sua força
para vencer uma tentação pessoal e agir na aliança com feitos heroicos
de fé. Num episódio anterior da vida de Sansão, quando matara mui-
tos filisteus, ele justificou suas ações dizendo que os filisteus haviam.
86 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

descoberto seu enigma sobre o mel dentro do leão ao violar as in-


formações confidenciais que compartilhara com a esposa. A menta-
lidade moderna pode não considerar razoável sair matando pessoas
por ter seu enigma revelado, mas, do ponto de vista- de Sansão, ele
teve toda a razão de matar aqueles homens que violaram uma confi-
dencialidade de aliança. Eles demonstraram ser infiéis, indignos de
confiança e, portanto, dignos de morte.

RECEBENDO INSTRUÇÃO

A capacidade de corresponder de maneira correta às palavras que


lhe são confiadas é a parte principal do caráter que deve ser desen-
volvida a fim de preparar alguém para ser fiel à amizade de aliança.
Em Provérbios, temos muitas instruções sobre o uso dos lábios e da
língua e sobre o efeito que as nossas palavras causam-nos relaciona-
mentos com outras pessoas. Todos que buscam crescer no caráter
que mantém alianças devem sempre meditar sobre livro de Pro-
vérbios. Ele possui orientações divinas sobre cormo nos relaciona
mentos com as pessoas.
Vejamos alguns exemplos de como o livro de Provérbios pode
ser usado. Eis uma amostra de provérbios sobre a confiabilidade de
um amigo. Provérbios 1.8; 2.1; 3.1; 4.1; 4.20; 6.20 e 7.1 comparti-
lham o mesmo conceito: que o filho deve guardar as palavras do pai:

Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensino de


tua mãe. (Pv 1.8)

Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e entesourares contigo os


meus mandamentos. (Pv 2.1)

Ouvi, filhos, a instrução do pai. (P v 4.1)

A maneira de desenvolver o caráter é adquirindo sabedoria. A


maneira de adquirir sabedoria é guardando as palavras dos pais ou
de figuras paternas. Como diretor de uma escola de ensino médio,
tive muitas oportunidades para analisar as motiuações dos adoles-
centes. Um método excelente é reuni-los no lugar, falar com
Discipulado. Cultivando Amizade 87

sinceridade aos seus corações usando palavras de sabedoria e corre-


ção e depois dar-lhes certa liberdade para fazer escolhas. Eles têm
de optar por seguir aquelas palavras de sabedoria ou rejeitá-las. Du-
rante o momento de escolha, você consegue perceber como os ado-
lescentes reagem às palavras de instrução. Alguns são tolos e nada
compreendem. Outros seguem o mínimo absoluto, obedecendo às
ordens ao pé da letra. Outros se rebelam e desobedecem ao ensino.
Mas existem os que buscam entender o que lhes foi dito e cumprir
o alvo principal da sabedoria contida nas palavras.
E o esforço feito para entender as palavras de ensino, para com-
preender o espírito da instrução, que demonstra um alto nível de
motivação e caráter. Quando um jovem cresce meditando nas pala-
vras e buscando cumpri-las, ao entrar na fase adulta provavelmente
se torna o candidato perfeito para ser um amigo de aliança confiável.
Sua veação às palavras de instrução é o seu teste de caráter.
A Bíblia descreve o que é ter nobreza de caráter usando como
exemplo as pessoas de Bereia por causa de sua disposição a enfrentar
a luta interior de meditar e estudar as palavras que lhes foram com-
partilhadas por Paulo:

Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque re-


ceberam a palavra com toda a avidez, examinando diariamente as
Escrituras para ver se estas coisas eram assim. (At 17.11)

Receber ensino muito facilmente de alguma nova fonte pode


indicar ingenuidade e falta de convicção da parte do ouvinte. Uma
resposta irritada a uma palavra de direção pode indicar um coração
rebelde ou obstinado. Uma reação de investigar com o compromis-
so de chegar a um acordo sobre o que é certo reflete o coração de
alguém que tem um espírito receptivo. Uma vez tomada a decisão,
ele. ficará firme em suas convicções pessoais diante das dificuldades.
A sabedoria para receber palavras de ensino demonstra potencial de
caráter no interior da pessoa.
88 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

NADA DE FOFOCA

Certa vez, pediram-me para fazer um pequeno resumo dos princí-


pios contidos neste livro. Eu disse: "Posso resumi-lo em três palavras:
nada de fofoca". Temos esta declaração em Provérbios 11.13:

O que anda mexericando revela segredos; mas o fiel de espírito


encobre o negócio.
O que é "fiel de espírito" ou tem um caráter confiável é capaz de
manter o sigilo de palavras compartilhadas na confiança da amizade.
Um fofoqueiro possui um caráter oposto ao do amigo de aliança.
Na mesma proporção em que alguém revela segredos, é capaz de
quebrar uma aliança. Referindo-se ao mesmo assunto, Provérbios
17.9 declara:

O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a


questão, afasta amigos íntimos.

Se alguém guarda a confidencialidade de uma palavra compar-


tilhada, é sinal que guarda uma aliança. E é possível fazer ainda mais
do que isso, buscando de fato preservar os pontos fracos da outra
pessoa. Dessa forma, ele está empenhado em cultivar amor de aliança
e estabelecer confiança. O fofoqueiro, além de ser incapaz de guardar
uma aliança, também pode causar divisão entre pessoas que já pos-
suem amizade de aliança.

BOA REPUTACÃO

Um importante conceito de uma comunidade é manter a boa reputa-


ção das pessoas e não disseminar uma imagem ruim. Todos os mem-
bros de um grupo deveriam fazer um acordo de proteger a reputação
dos outros membros. Eles deveriam comprometer-se a não espalhar
boatos. Deveriam também assumir o compromisso de que, quando
acontecesse algo negativo, mesmo que houvesse alguma verdade en-
volvida, não deveriam sair por aí divulgando o fato. Notícias ruins e
fofocas se espalham sem a ajuda de ninguégn e encontram
ouvidos prontos para escutá-las,
Discipulado: Cultivando Amizade 89

concordar em nunca propagar tais notícias ainda mais para não agra-
var uma situação já difícil. O nome disso é aliança de boa reputação.

ASSASSINATO ESPIRITUAL

Se um grupo deseja ter um relacionamento de aliança, toda fofoca


precisa ser expurgada. Do ponto de vista das Escrituras, as pala-
vras são extremamente poderosas. O velho ditado que afirma: "Paus e
pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras não me machucam"
não é necessariamente verdade. No mundo, as palavras são a força
mais poderosa que existe. Dizer algo negativo sobre outra pessoa é
quebrar a aliança com ela e até mesmo assassiná-la espiritualmente.
Jesus diz que o mandamento "não matarás" também inclui a proi- bição
de dizer palavras negativas ou de zombaria a respeito de outra
pessoa.

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás, mas qualquer que
matar será réu de juízo. Digo-vos, porém, que qualquer que, sem
motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; qualquer
que disser a seu irmão: Raca [ou cabeça oca], será réu do sinédrio;
e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno. (Mt
5.21-22; AC)

O mandamento da Lei diz: "Não matarás" (Êx 20.16). Jesus se


volta para os seus seguidores e declara: "Para vocês, isso significa nada
de zombar uns dos outros". Nós ensinamos nossos filhos desde cedo
e não provocar o outro com voz de deboche ou de zombaria. Tendo
em vista o poder espiritual das palavras, toda aliança deve estabelecer
um entendimento firme de que palavras negativas a respeito do outro
nunca devem ser proferidas.
Eclesiastes 10.20 recomenda:

Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes o rei; nem tampouco na


tua recamara amaldiçoes o rico; porque as aves dos céus levarão a
voz, e uma criatura alada dará notícia da palavra.
90 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Na Segunda Guerra Mundial, havia uma expressão naval que


dizia: "Língua solta afunda navios" A ideia é praticamente a mesma.
Certa vez, contei a um membro da equipe uma piada sobre uma pes-
soa que eu não encontrava havia meses. A porta do escritório estava
trancada, não havia ninguém por perto, e tudo estava quieto. Quando
abri a porta para ir embora, a pessoa que fora alvo da minha brinca-
deira estava em pé perto da porta. A chance de aquilo acontecer era
de uma em um milhão. Fiquei chocado, constrangido e convencido
de meu pecado. Fiz uma promessa de nunca mais falar algo negativo
sobre alguém pelas costas, mesmo que tivesse certeza de que nin-
guém estivesse ouvindo. As palavras criam asas. Nossas palavras pre-
cisam ser totalmente íntegras independentemente das circunstâncias.

PALAVRAS DE PODER

Marcos 11.23 declara que s e alguém "crer que acontecerá o que diz,
assim lhe será feito" (NVI). Poder sobrenatural é liberado por meio do
Espírito quando sabemos cada palavra que sai de nossa boca é
sustentada pela integridade absoluta da aliança.
A medida que formos treinados em nossos relacionamentos a
ser íntegros com as nossas palavras elas alcançarão uma nova dimen-
são de liberação de poder no Senhor. A medida que formos fieis em
treinar a nossa língua para não violar a aliança de nossos relaciona-
mentos interpessoais, Deus Liberará então o poder da fé por meio da
nossa própria língua. A fé para milagres vem por meio de nossa
capacidade de não trair a aliança espiritual que temos com Deus.
Quando somos fiéis n as pequenas palavras do dia a dia, Deus nos
garante maior poder de: fé nas grandes palavras de autoridade
espiritual.
"Fé opera pelo amor", diz. Gálatas 5.6. O poder da fé opera pelo
amor de aliança. O poder sobrenatural da fé verdadeira opera por
meio de nós quando somos leais ao caráter e à aliança em nossos
relacionamentos.
9

o
DONS VERSUS CARATER
cristão vive num estado permanente de tensão saudável entre caráter e
dons. Pela palavra "dons", refiro-me a todos os aspecto da revelação
do poder de Deus e da unção espiritual; pela palavra "caráter"
refiro-me a toda a esfera de integridade pessoal e santidade a ser
desenvolvida em cada pessoa. Dons, por exemplo, pode incluir a
liberação de todos os dons do Espírito ao passo que caráter inclui o
crescimento de todos os frutos do Espírito.
A tendência da maioria das pessoas é tomar posição a favor de
um lado em detrimento do outro. Em geral, as pessoas se voltam
mais para os dons ou mais para o caráter. Seja qual for a preferência,
a tendência é abraçar um lado e desprezar o outro. Os dois lados são
total e igualmente necessários. A atitude saudável do cristão envol-
ve sentir-se atraído às duas direções. Não que ele tenha uma mente
dividida, mas esse é o paradoxo de ser uma criatura nascida de novo
vivendo na Terra com outras pessoas.

AS DUAS PRESSÕES

Paulo experimentou essa sensação de pressão dos dois lados quando


disse em Filipenses 1.21-25 (NVI):

Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Caso continue


vivendo corpo, terei fruto do meu trabalho. E já não sei o que
escolher! Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com
Cristo, o que é muito melhor; contudo é mais necessário, por causa de vocês,
que eu permaneça no corpo. Convencido disso, sei que
vou permanecer e continuar com todos vocês, para o seu progresso e alegria
na fé.

91
92 Relacionamentos de Aliança

A atração pelos dons flui do amor de Deus. Expressa o desejo


espiritual de estar com Deus e experimentar seu Espirito e todas as
suas manifestações. A atração pelo caráter, por outro lado, origina-se
de um desejo de amar as pessoas conforme ordena a Palavra. O caráter
considera algo sem valor o amor a Deus sem a demonstração desse
amor pelas pessoas.
É necessário que todo cristão desenvolva plenamente tanto o
aspecto dos dons quanto o do caráter em sua vida. Cada pessoa deve
examinar a si mesma para ver em que área se encontra deficiente para
descobrir o que fazer a fim de suprir tal deficiência.

HÁ NECESSIDADE TANTO DE DONS QUANTO DE CARATER

Paulo declarou que ansiava por estar com Deus em espírito e,


enquanto estivesse no corpo, desejava amar e ajudar outros. É isso o
que deve acontecer. Somos ordenados a amar a Deus e a amar ao
próximo; o apóstolo vivenciou ambas as práticas. Uma pessoa que se
sente mais atraída pelos dons cria justificativas para não desenvolver
o caráter. Ela pode justificar-se por uma área de irresponsabilidade
pessoal apontando para a graça de Deus. Talvez, considere o desen-
volvimento de caráter como algo secular, emocional ou humanista.
Por outro lado, a pessoa que se sente atraída pelo caráter talvez
enfatize que fé sem amor e sem obras não tem valor. Ela pode pensar
inconscientemente que pessoas que praticam os dons carismáticos o
tempo todo são volúveis e não confiáveis. Por isso, talvez desconfie
da validade dos dons e até pense que alguns dons do Espírito
são falsos. Quando recebe uma exortação para liberar mais do
poder do Espírito, ela reage dizendo que conhece pessoas que
praticam os dons do Espírito e que são hipócritas.
E necessário que desenvolvamos plenamente os dois lados em
nossa vida. Se alguém pratica os dons de Deus sem integridade, é
falso como um címbalo que retine. se busca experiência sobrenatu- ral
sem os princípios de caráter moral, pode rapidamente se envol- ver
com profecias falsas e autoengano. Se alguém deseja crescer nos
princípios da fé para obter prosperidade sem possuir os princípios
Dons versus Caráter 93

de prestação de contas e de ética nos gastos, pode tornar-se presa


fácil do diabo e entrar no engano de gastar dinheiro com os próprios
prazeres e luxos.

SÓ O CARATER NÃO É SUFICIENTE

Por outro lado, se um homem diz que o desenvolvimento do caráter é


mais importante do que os dons, seu caráter possivelmente não esteja
cheio da vida e do amor de Deus. Ele pode afirmar que o amor é mais
importante do que a fé, mas o amor ao próximo tem origem no amor a
Deus, que vem em primeiro lugar.
A prova de que o caráter de alguém se encontra de fato
desenvolvido é que ele estará cada vez mais consciente de sua
absoluta incapacidade de fazer qualquer coisa sem o pleno
funcionamento do poder espiritual de Deus. Seu caráter e sua
integridade o farão perceber que necessita muito mais do que apenas
caráter. Se o seu caráter é verdadeiramente genuíno, ele sentirá um
forte impulso de ser inundado pela vida do Espírito com os seus dons.
Se alguém sempre defende o caráter e se posiciona contra os dons,
esse caráter ou não é genuíno ou não foi totalmente desenvolvido
como deveria. O verdadeiro caráter ultrapassa o limite natural para
entrar na dependência do poder miraculoso de Deus. Esse é um
aspecto a que Jesus se referiu quando disse a Nicodemos:

O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é


espírito. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: E
necessário que vocês nasçam de novo. O vento sopra onde
quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem
para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do
Espírito. (Jo 3.6-8; NVI)

Jesus estava conversando com um homem nobre, muito erudito


e disciplinado, de grande destaque na sociedade. Ele tinha um co-
nhecimento sólido das Escrituras e uma integridade de caráter bem
madura. Essencialmente, Jesus estava dizendo-lhe que mesmo sua
alta qualidade moral não seria suficiente para atingir a meta. Em
algum momento, ele teria de ultrapassar a linha do natural para ser
94 Relacionamentos de Aliança

introduzido na esfera miraculosa do Espírito de Deus; seria necessá


rio "nascer de novo".
Jesus afirma que aquilo que alguém desenvolve a partir do pró-
prio caráter não passa disto: seu próprio caráter. O desenvolvimento
do caráter de Deus exige a graciosa intervenção do Espírito de Deus.
O caráter renovado e santificado sempre atrairá a pessoa a se apro-
fundar cada vez mais na esfera do Espírito. Jesus disse que as obras
do Espírito vão além do que os limites da lógica e do caráter humano
podem alcançar. O Espírito é semelhante ao vento; podemos per-
ceber que está agindo, mas a forma como sopra está além da nossa
capacidade de compreensão.
Dom sem caráter é algo vazio, falso e enganoso. Caráter sem
dom é algo sem vida, infrutífero e carente do verdadeiro caráter de
Deus. Dom sem caráter não tem legitimidade. Caráter sem dom não
procede do Espírito de Deus. Dom sem caráter não é de fato dom, mas
uma imitação do dom verdadeiro. Caráter sem dom não é de fato
caráter, mas uma forma de humanismo.
Estamos usando a palavra "dom" para nos referir a toda revelação
do poder dunamis ou sobrenatural de Deus. Caráter inclui todas as
disciplinas de uma pessoa compromissada com Deus. O dom da pa-
lavra de sabedoria está incluído em nosso conceito de "dom" ao passo
que caráter envolve a disposição e a humildade de receber sabedoria e
conselho. O dom da palavra de conhecimento é sobrenatural ao pas-
so que caráter inclui o estudo para mostrar-se aprovado no conheci-
mento da Palavra de Deus. Pelo dom, podemos receber a revelação de
que nos tornamos a justiça de Deus. Caráter inclui a prática de justiça
e honestidade para com as pessoas.

O CARÁTER PRECISA DO DOM

Apesar de ser o propósito deste livro enfatizar o desenvolvimento


do caráter de aliança no cristão, essas qualidades devem ser vistas no
contexto de total união com o poder do Espírito de Deus.
Permita-me dar um exemplo usando a minha experiência de re- ceber
o dom de falar em línguas. Naquela época, eu enfrentava vários
Dons versus Caráter 95

obstáculos que me impediam de desfrutar esse dom do Espírito. Eu


frequentava uma igreja que, embora fosse evangélica e cresse na Bí-
blia, não encorajava os dons do Espírito. Eu nem sabia que deveria
buscá-los. Em segundo lugar, minha própria formação acadêmica
incluía estudos de linguística. Essa área de habilidade analítica tor-
nou-me inclinado a criticar tudo o que parecesse muito irracional.
Em terceiro lugar, eu havia conhecido alguns falsos carismáticos que
me causaram uma má impressão. Mesmo com esses obstáculos, ficou
claro para mim, por meio da leitura das Escrituras, que o dom de lín-
guas estava presente nos evangelhos, no livro de Atos e nas epístolas.
Eis como o caráter me conduziu até os dons. Naquele tempo, fiz
um estudo metódico da Bíblia que me levou a perceber que falar em
línguas era algo praticado nas Escrituras. Em segundo lugar, eu tinha
o compromisso de separar um tempo diário para a oração interces-
sória, e este momento abriu espaço para a manifestação do dom de
línguas. O principal motivo, porém, que me levou a falar em línguas
foi a aliança de amor e lealdade com meus pais. Eu estava dedicando
um longo período de oração e jejum pela salvação de ambos. Foi du-
rante esse período de intercessão que surgiu dentro de mim o desejo
de orar por eles com mais intensidade.
Um mandamento das Escrituras, baseado em aliança, levou-me
a honrar e a amar os meus pais. O caráter de amor e compromisso
me impulsionou a orar por eles. A disciplina de intercessão contí-
nua despertou em mim o desejo de mais poder espiritual em minha
vida de oração. Surgiu dentro de mim, a partir do anseio sincero por
vê-los salvos, uma urgência muito maior do que as palavras podiam
expressar.
Esse desejo produziu um gemido em meu espírito (Rm 8.26).
Esse gemido me levou a emitir sílabas que eram articuladas, mas que
minha mente racional não conseguia interpretar. Embora meu orgu-
lho intelectual lutasse contra a liberação daquela forma de linguagem
por um bom tempo, o compromisso em relação a meus pais e a in-
tensidade do meu desejo de vê-los salvos derrubaram essas barreiras,
permitindo que o dom de línguas fluísse em mim.
96 Relacionamentos de Aliança

O VERDADEIRO DOM PRODUZ O FRUTO DO CARATER

Quando experimentei a graça sobrenatural de Deus para falar em


línguas, foi então gerado em mim um desejo redobrado de aperfeiçoar
meu caráter, minha disciplina e meu estudo da Bíblia para me adequar
àquela realidade recém descoberta. Caráter produz dons Os quais, por
sua vez, produzem mais aperfeiçoamento do caráter na vida da
pessoa. E assim que deve ser.
Uma árvore com boas raízes produz bons frutos. Uma árvore
com bons frutos deve possuir boas raízes. Dons verdadeiros sempre
exigirão mais caráter, e o verdadeiro caráter sempre produzirá mais
dons. O caráter que não produz os dons como fruto não é caráter de
forma alguma. Os dons que não se originam das raízes do caráter não
são dons de forma alguma.

O EXEMPLO DE DANIEL

A vida do profeta Daniel demonstra a presença desses dois elemen-


tos. Ele era um homem de caráter irrepreensível. Foi capaz de exercer
disciplina em relação a seus próprios hábitos alimentares. Foi bem- -
sucedido ao aplicar-se às tarefas de seu treinamento acadêmico. De-
senvolveu uma vida de oração disciplinada, orando três vezes ao dia
em horários regulares. Lia e meditava nas Escrituras de forma tão
detalhada que reconheceu promessas específicas que estavam para
cumprir-se no livro do profeta Jeremias. Ocupou um cargo de alta
importância e de muita responsabilidade no mundo. Foi treinado nas
habilidades de administração, lei e governo.
Daniel foi um homem em quem mesmo seus inimigos, após uma
busca diligente, não conseguiram encontrar nem uma falha de
impropriedade moral. Foi um homem de coragem e integridade, dis-
posto a arriscar a própria vida para não abrir mão de suas convicções
religiosas. Manteve a integridade diante da oposição pessoal e pos-
sível desgraça pública. Foi um homem que mostrou eterna lealdade e
submissão às autoridades superiores. Foi um funcionário público
patriota e dedicado.
Dons versus Caráter 97

A este homem de incontestável caráter de aliança, foram con-


cedidas algumas das experiências mais carismáticas e miraculosas de
toda a história do Velho Testamento. Ele recebeu uma visão nítida e
sobrenatural de Jesus nos céus (Dn 7). Teve revelações de um futuro
bem distante que incluía muitas gerações (Dn 2). Recebeu a visita e
falou com alguns dos mais importantes comandantes da hierarquia
dos anjos (Dn 8, 9 e 10). Por meio de uma intervenção miraculosa,
conseguiu vencer as leis da natureza e ser resgatado das garras de
leões famintos (Dn 6). Sua vida revela com nitidez a necessidade
natural e complementar de caráter e dons.

AMOR E DONS

A exposição mais clara da interação entre relacionamentos de aliança


e manifestações sobrenaturais encontra-se em 1 Coríntios 12-14. Os
nove dons ou manifestações do Espírito de Deus são listados em 1
Coríntios 12, um capítulo cujo tema geral são a unidade, a coopera-
ção e as interrelações na comunidade cristã. Toda a apresentação dos
dons do Espírito é feita no contexto da vida em comunidade. Isso
não acontece por acaso. O próprio propósito dos dons é edificar o
Corpo. A própria forma como os dons operam é de natureza coope-
rativa. O exercício dos dons carismáticos como uma expressão inde-
pendente de alguém, ainda que tenha vida espiritual, é inadequado e
injustificado. O propósito dos dons do Espírito é promover amor,
unidade e edificação.

A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o


proveito comum. (1 Co 12.7)

Embora cada um receba de Deus individualmente, o que re-


cebe deve ser expresso por meio da comunidade e para o bem da
comunidade.
No original grego, o texto não contém divisões de capítulo. O
capítulo 13 de 1 Coríntios está intimamente ligado com os capítulos
12 e 14. O ensinamento sobre os dons do Espírito no capítulo 12
98 Relacionamentos de Aliança

e sobre o dom de línguas no capítulo 14 são entrelaçados por


magnífica exposição do amor de Deus em 1 Coríntios 13. Os dons do
Espírito não podem ser separados do nosso amor pelos irmãos Nem,
por outro lado, um ensinamento sobre o amor pode ser Separa- do da
expressão dos dons do Espírito e do falar em línguas. Os dons
sobrenaturais são manifestações deste amor. O contexto dos dons do
Espírito em 1 Coríntios 12 é a cooperação entre os diferentes
membros de uma congregação. O contexto de amor em 1 Coríntios
13 são o entendimento e o exercício do dom de profecia. O contex-
to para falar em línguas em 1 Coríntios 14 é ordem e disciplina na
congregação local.
As manifestações miraculosas do Espírito e a natureza coopera-
tiva dos relacionamentos da congregação estão interligadas. Tentar
praticar ordem e disciplina em uma congregação onde não há mani-
festação de línguas e profecia é incoerente. O propósito da autorida-
de no meio da congregação é promover e facilitar o fluir do Espírito,
não apagá-lo. Dizer que se crê em ordem congregacional, mas
no exercício dos dons do Espírito, é uma declaração ilógica. O ensino
de ordem e decência para o fluir de profecia e línguas na reunião da
igreja foi feito para facilitar o fluir, não para levantar justificativas a
fim de desqualificar e eliminar tais manifestações.
Por outro lado, qualquer manifestação dos dons pode e deve es-
tar sob o controle do caráter.

. .pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. (1 Co


14.32)

Embora o Espírito seja como o vento que sopra onde quer,


sempre que o Espírito se manifestar por meio de uma pessoa, estará
sujeito ao controle da vontade da própria pessoa. Por definição, o
Espírito pode estar sempre sujeito à capacidade da pessoa de agir em
cooperação com as outras pessoas ao seu redor. Um espírito que
domina a pessoa é do diabo, não de Deus.
Dons VERSUS Caráter 99

MAU USO, FALTA DE USO E USO APROPRIADO

Desequilíbrios de fato ocorrem na manifestação do sobrenatural,


no exercício do discipulado e em outros aspectos da vida do Novo
Testamento. A resposta para o mau uso é o uso apropriado, e não falta
de uso. Em outras palavras: "Não jogue o bebê fora juntamente com a
água suja do banho".

...mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom. (1 Ts 5.21)

Se existe algum aspecto da vida no Espírito que esteja sendo


exercido de forma inadequada, nossa reação não deve ser abandoná-lo,
mas descobrir uma maneira mais genuína e apropriada de expressá-lo.
Sem essa atitude, facilmente rejeitaremos algo que Deus verdadeira-
mente deseja incorporar em nossa vida simplesmente pelo fato de ver
uma imitação demoníaca daquele dom. Se fizermos isso, perderemos
justamente aquilo que a falsificação quer destruir ou perverter.
Se alguém errou no exercício dos dons miraculosos de Deus,
cabe a nós demonstrar seu uso genuíno. Se algumas pessoas abu-
saram da autoridade no discipulado, cabe a nós ser um exemplo do
uso adequado de autoridade e disciplina. Precisamos de autoridade
sadia, e não de sua rejeição. Esse é um caminho que requer coragem,
paciência e sinceridade. A aliança exige que abracemos as qualida-
des boas tanto das manifestações miraculosas do Espírito quanto das
qualidades de integridade.
10
O CONSELHO DE UM AMIGO
(PARTE l)

Q ando compreendemos que as palavras proferidas pela boca de


um ser humano possuem poder sobrenatural, nossa perspectiva
sobre quem devemos permitir que fale ao nosso coração muda
drasticamente. Do ponto de vista bíblico, palavras são como a lâmina
de uma faca. Nas mãos de um inimigo, a lâmina da palavra pode ser
letal. Nas mãos de um cirurgião confiável e experiente, o próprio fio
da lâmina é capaz de torná-la um instrumento que corta com preci-
são qualquer crescimento maligno em nosso corpo. Precisamos blo-
quear com um escudo espiritual qualquer palavra dirigida a nós com
o propósito de nos causar dano. Por outro lado, palavras que vêm de
Deus podem ser afiadas a ponto de discernir aspectos obscuros dos
nossos pensamentos e da nossa imaginação. Devemos submeter-nos
o tempo todo à cirurgia delicada que vem para remover elementos
errados da nossa vida.
Nem todos devem ter acesso ao nosso coração. O papel do ami-
go pode ser descrito como uma posição de confiança adquirida por
ele para nos transmitir palavras afiadas de precisão cirúrgica. O ami-
go é aquele que ganhou o privilégio de nos dar conselhos íntimos.
Uma pessoa adquire ferramentas e instrumentos de poder à
medida que demonstra maturidade e responsabilidade para usá-los.
Uma criança ganha um triciclo e depois uma bicicleta. Quando se
torna adulta, se passar num teste, receberá licença ou permissão para
dirigir um automóvel. Esta licença será um sinal da aliança das au-
toridades civis com o motorista. As exigências de idade e da carteira
de motorista são uma forma de acordo pactual evidenciando que al-
guém está habilitado para dirigir.

101
102 Relacionamentos de Aliança

Uma criança pode ganhar uma arma de brinquedo dc plástico


Um adulto, sob certas condições, pode receber licença para possuir
uma arma de fogo. Um soldado tem autoridade para portar armas com
o propósito pactual de defender os cidadãos inocentes de seu país.
Um criminoso é preso e levado para a justiça por porte ilegal de
arma.

ACEITAÇÃO OU REJEIÇÃO DE PALAVRAS

Quando uma palavra nos é dirigida, temos a opção de recebê-la ou


rejeitá-la. Nem toda palavra ouvida deve ser recebida. Temos o direito
de decidir até que ponto devemos acatá-la em nosso interior. Mesmo
palavras tão poderosas como um voto de casamento podem ser rejei-
tadas ou desconsideradas assim que são pronunciadas. Números 30.5
(N VI) declara a respeito de palavras proferidas num acordo nupcial:

Mas, se o pai a proibir quando souber do voto, nenhum dos


votos ou dos compromissos a que se obrigou será válido; o
Senhor a livrará porque o seu pai a proibiu.

Esse pedacinho de lei antiga contém o princípio espiritual de que


palavras produzem um efeito sobre nós de acordo com a nossa
aceitação ou rejeição.
As palavras do voto matrimonial são proferidas. Se o pai,
representante da autoridade espiritual, permitir que os votos sejam
confirmados, eles terão um efeito poderoso. Se o pai optar por
desconsiderá-los, a autoridade de tais palavras será anulada.
Maldições e bênçãos podem ser quebradas ou validadas de acordo
com a vontade das pessoas. Temos autoridade para aceitar ou
rejeitar palavras que nos são ditas por outras pessoas.
A expressão bíblica "falar ao coração" significa uma palavra
compartilhada de maneira confidencial para tocar o íntimo da outra
pessoa. O amigo de aliança é alguém que tem a permissão e o
privilégio de falar ao nosso coração. Não se deve receber conselho de
qualquer um. A função do amigo é dar o conselho que atinge o
coração.
O conselho de um amigo (Parte I) 103

O óleo e o perfume alegram o coração; assim é doce o


conselho do homem para o seu amigo. (Pv. 27.9)

E importante desenvolver a habilidade dc discernir qual conse-


lho deve ser rejeitado. Não devemos receber conselhos dc determina-
dos tipos de pessoas. Também devemos aguçar nosso discernimento
sobre quais pessoas estão aptas a nos aconselhar.

DANDO E RECEBENDO CONSELHO

Devemos crescer em humildade e prontidão para receber opiniões


e conselhos de outros. Um amigo de aliança deve também adquirir
a sabedoria para discernir como e quando dar conselhos e opiniões
confiáveis. Conhecer os prós e contras sobre dar e receber conselhos
nos capacita a crescer em confiança e intimidade.
Algumas pessoas são boas para dar conselho, mas fechadas para
recebê-lo. Outras são muito abertas para receber a opinião de qual-
quer pessoa e ainda não encontraram o equilíbrio. Outras necessitam
adquirir a coragem e a paciência necessárias para ser capazes de dar
conselhos sábios. Ainda há outras que precisam aprender simples-
mente a manter a boca fechada e os ouvidos abertos.
Como Provérbios 27.9 declara, um dos aspectos mais encanta-
dores de uma amizade íntima são os momentos em que somos capa-
zes de dar e receber conselhos. O versículo pode significar também
que a doçura de uma amizade íntima é desenvolvida no processo de
dar e receber conselhos sábios.

Muitos se dizem amigos leais, mas um homem fiel, quem poderá


achar? (PV 20.6; NVI)

Há muitas pessoas dispostas a opinar sobre o que devemos fazer,


mas há poucas que adquiriram a prudência de saber oferecer a ver-
dadeira e confiável sabedoria. Leva tempo para encontrar e cultivar
a amizade de conselheiros sábios, mas certamente é um esforço
vale a pena.
104 Relacionamentos de Aliança

Do ponto de vista secular, receber direção de outra pessoa é


muitas vezes considerado um sinal de fraqueza. Isso não é verdade.
Uma pessoa fraca e insegura tem facilidade de manter uma postura
defen-siva e cautelosa que a impede de receber ajuda. Aquele que
adquiriu a habilidade de aceitar a correção de outros deve ser· visto
como uma pessoa forte e autoconfiante. Ele não pensa que está
prejudicando sua autoimagem porque aceita conselho. Quem tem
facilidade de receber correção sem se abater pode ser admirado
pelos amigos por sua notável autoconfiança e desenvoltura.

REPREENSÃO AMOROSA

Quem tem coragem de tomar a iniciativa para repreender alguem


é muitas vezes considerado uma pessoa arrogante, agressiva ou do-
minadora. Isso nem sempre é verdade. Em geral, é uma experiência
desconfortável corrigir outra pessoa, pois não se sabe qual será
sua reação. É muito mais fácil, cômodo e covarde evitar ou adiar o
con-fronto. É necessário superar o medo de ser rejeitado pelo outro
para mostrar-lhe uma mudança de direção.

Como brinco de ouro e enfeite de ouro fino é a repreensão dada


com sabedoria a quem se dispõe a ouvir. (Pv 25.12; NVI)

Saber dar e receber conselho é como um brinco de ouro fino. É


algo muito precioso, que deve ser refinado e colocado delicadamen-
te na orelha. A arte do conselho sábio requer dois jogadores. Deve
haver aquele que consegue repreender com sabedoria, e deve
haver também aquele que sabe ouvir e obedecer. Se vamos brincar
de bola juntos, arremessando-a e agarrando-a, precisamos aprender
as habi-lidades de repreender com sabedoria e também de ouvir e
obedecer. Da mesma maneira, é assim que aprendemos a arte de
ser e de ter um amigo de aliança.
O conselho de um amigo (Parte I) 105

REJEITANDO PALAVRAS INCORRETAS

Certa vez, a esposa de um líder ligou para a minha esposa e disse fora
ferida por palavras proferidas por alguém. Ela afirmou que, durante
o ano anterior, essa pessoa demonstrara claramente irresponsável e
e egoísta. Ela sabia que não deveria tê-la escutado, mas mesmo assim
permitiu que ela a ferisse. Após um momento precioso de oração e
consolo, minha esposa lhe ensinou algumas dicas para evitar acesso
indevido ao seu coração. Se ela, uma esposa de líder, permitira que
alguém indiscutivelmente indigno de confiança lhe causasse uma
ferida tão terrível, isso significa que também estava dando a Satanás
algum acesso a toda a congregação. Portanto, é importante aprender
esse princípio de aliança de não receber conselhos tolos.
Em outro exemplo, um jovem recentemente me ligou e pediu
minha opinião porque se sentia confuso em relação a uma palavra
profética que recebera. Um falso profeta estivera presente num mo-
mento de adoração da congregação. O presbitério da congregação
sabiamente não permitiu que essa pessoa, conhecida por causar di-
visão, interrompesse o culto. Mais tarde, porém, outro indivíduo que
auxiliava esse falso profeta compartilhou uma suposta palavra profé-
tica com meu amigo. O jovem disse que podia discernir claramente o
espírito errado do falso profeta, mas havia um aspecto daquilo que
claramente o auxiliar lhe dissera que parecia esclarecedor. Ao
julgar tal palavra profética, começou a refletir se a mensagem de fato
vinha de Deus e sentiu-se confuso. Mais uma vez, foi necessário
explicar-lhe os princípios de receber e rejeitar conselhos.

CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL

Outro jovem contou que Deus lhe havia orientado a começar seu
próprio ministério. Preocupados com seu bem-estar, os irmãos
próxi-mos a ele perceberam algo confuso e meio rebelde
relacionado àquela decisão. Tentaram aconselhá-lo dizendo que
aquilo não era a vontade perfeita de Deus para a sua vida. Como o
conselho só funciona se for aceito, os amigos compreenderam que
não estavam sendo ouvidos.
106 Relacionamentos de Aliança

No fim, o jovem foi liberado para seguir sua direção e


responsabilizar-se pelas consequências.
Cada um deve conscientizar-se de que, no final, terá de
responsa-bilizar-se por suas ações. O conselho, quando dado, seja
para confirmar, seja para confrontar, é apenas um tipo de ajuda. Às
vezes, uma pessoa recebe um chamado especifico de Deus
para ser exercido de forrna independente, e este
chamado é incompreendido até mesmo por seus amigos. Aquele
chamado deve ser acatado com obediência. Muitas ve-zes,
porém, um espírito independente, causado por feridas do passado,
pode levar a pessoa a perder a vontade perfeita de Deus para sua
vida.

PROFECIA E LIVRE ARBÍTRIO

O apóstolo Paulo foi uma pessoa que recebeu de Deus um


chama-do autêntico e independente para seguir uma nova direção,
embora muitas vezes tenha sido incompreendido por pessoas
próximas a ele. Quando saiu para anunciar o Evangelho
principalmente entre os gentios, a maioria dos cristãos em
Jerusalém não entendeu por que ele estava afastando-se da
ênfase que o próprio Jesus praticara de ministrar prioritariamente
aos judeus.
Paradoxalmente, quando Paulo retornou a Jerusalém para
dar testemunho diante de seu próprio povo segundo os preceitos
judaicos, houve novo desentendimento. As pessoas pensaram que
ele tivesse se desviado da liberdade do Evangelho e cedido à
influência cultural e religiosa dos judeus. Assim como os judeus
do tempo de Paulo tiveram dificuldade de entender o chamado
universal do apostolo às nações gentias, da mesma forrna a
maioria dos teólogos tem dificuldade de entender o testemunho
de Paulo em Jerusalém. Eles não conseguem vê-lo como um
judeu com um chamado e compromisso com seu povo. Conselho
profético e influência precisam ser equilibrados com a liberdade
para permitir que cada pessoa ouça de Deus por sua própria conta.
Os amigos de Paulo, liderados pelo profeta Ágabo,
acreditaram que sua ida a Jerusalém era um erro, e tentaram
dissuadi-lo da ideia. Veja como o evento é narrado em Atos
21.11-14 (NV1):
0 Conselho de um amigo (parte I) 107

Vindo ao nosso encontro, [Ágabo] tomou o cinto de Pau1o e,


amarrando as suas próprias mãos e pés, disse: ''Assim diz
Espírito Santo: "Desta maneira os judeus amarrarão o dono
deste cinto em Jerusalém e o entregarão aos gentios".
Quando ouvimos isso, nós e o povo dali rogamos a Paulo
para que não subisse a Jerusalém. Então Paulo respondeu:
"Por que vocês estão chorando e partindo o meu coração?
Estou pronto não apenas para ser amarrado, mas também
para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus ''. Como
não pudemos dissuadi-lo, desistimos e dissemos: "Seja feita a
vontade do Senhor".
Inspirado pelo Espírito Santo, Ágabo disse a Paulo que
enfrentaria grandes dificuldades quando fosse testemunhar em
Jerusalém. Note que o Espírito Santo não inspirou Ágabo a dizer
que Paulo não deveria ir. Após entregar a palavra profética,
Ágabo e os outros irmãos se uniram em compaixão humana e
fraternal em favor de Paulo e naturalmente deduziram que o aviso
significava que o apóstolo não deveria ir. No entanto, essa
suposição ou dedução não era verdadeira. A única palavra que o
Espírito Santo disse foi que haveria problemas em Jerusalém.
Os irmãos então se acercaram de Paulo e suplicaram que
não fosse. Numa tentativa de aconselhá-lo como amigos,
insistiram que desistisse daquele plano. Deixemos de lado por um
momento a questão de quem estava certo nessa situação. Depois de
muita insistência, eles compreenderam que Paulo tinha plena
convicção em seu íntirno de que deveria ir.
Note que eles insistiram com a confrontação de aliança
somente até determinado ponto. Não tentaram fazê-lo obedecer
nem o ameaçaram com algum tipo de disciplina. Eles trataram o
assunto como um caso de conselho ou opinião sobre que direção
ton1ar, e não como um caso de repreensão por pecado. Quer Paulo
fosse para Jerusalém quer deixasse de ir, isso nada teria a ver com
uma transgressão de um preceito bíblico. Ele tinha plena
liberdade para fazer uma coisa ou outra. O conselho deles apenas
expressava o que sentiam a respeito de qual das duas escolhas
pensavam ser a melhor.
108 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Há certas coisas que são pecaminosas e não devem ser permiti-


das. Há outras que pertencem à liberdade de escolha do indivíduo.
Embora provavelmente haja opções melhores ou piores, até tnesmo
Deus respeita a liberdade que o indivíduo tem de escolher. Se nem
Deus necessariamente nos dita cada detalhe do que devemos fazer,
mas deixa espaço para escolha numa gama de atividades permitidas,
nós também, como conselheiros, devemos estar dispostos a ceder em
determinado momento.
Os amigos de Paulo compreenderam isso e, por fim, cederam.
Só lhes restava dizer que a única coisa que fariam seria orar para
que a vontade perfeita de Deus fosse feita na vida dele. Já que não
podiam concordar sobre qual seria a melhor direção, o mais sábio a
ser feito era deixar a decisão a cargo do próprio Paulo. A percepção
deles do que seria a melhor opção havia sido comunicada ao apóstolo
em amor; sendo assim, tinham exercido sua lealdade de aliança a ele.
Como não era um caso no qual houvesse certo ou errado absolu-
to, nem uma direção clara de Deus, os amigos conselheiros de Pau-lo
teriam sido presunçosos se continuassem insistindo. Precisamos
discernir quando estamos lidando com uma ordem bíblica moral e
quando estamos lidando com sabedoria para decidir qual a melhor
escolha entre várias opções não pecaminosas.

O TESTEMUNHO DE PAULO EM JERUSALÉM

E então? Quem estava certo em Atos 21? Uma prática espiritual


para crescer em sabedoria é a habilidade de colocar-se no lugar da
pessoa que você está aconselhando. Os teólogos têm subestimado o
compromisso pessoal de Paulo com o povo judeu, a importância de
seu testemunho de orientação judaico-ortodoxa em Jerusalém sobre
o Messias, e a natureza da vocação judaica na vida do apóstolo em
seu ministério aos gentios. Paulo disse que desejaria ser amaldiçoado
se alguns de sua raça pudessem ser salvos (Rm 9.3). Afumou que
tinha de testemunhar para os que estavam debaixo da lei como se ele
mesmo também estivesse sujeito à lei (1 Co 9.20). Além disso, Paulo
declarou que sua motivação para ministrar aos gentio era enfatizar
O Conselho de um Amigo (Parte 1) 109

o seu sucesso no meio deles a ponto de causar repercussão sobre


seu testemunho aos judeus (Rm 11.13-14).
Deus realmente instruiu Paulo a fazer isso? Atos
20.22-24 (NVI) diz:

Agora, compelido pelo Espirito, estou indo para Jerusalém ,


sem saber o que me acontecerá ali, senão que, em todas as
cidades, o Espirito Santo me avisa que prisões e sofrimentos
me esperam. Todavia, não me importo, nem considero a minha
vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder
terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus
me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.

Você consegue enxergar isso da perspectiva de Paulo? O


Espírito não estava falando com ele para não ir, mas apenas o
avisando do preço a ser pago por seu testemunho. Alertar Paulo
sobre o preço de seu ministério é uma ação apropriada do Espírito
Santo, pois as Escrituras nos ensinam que, quando vamos realizar
um empreendi-mento, devemos avaliar e pesar os custos para
verificar se conseguire-mos terminá-lo ou não (Lc 14.31). O
Espírito de Deus estava comu-nicando ao apóstolo o custo da sua
tarefa. Paulo refletiu sobre isso e determinou que seria capaz de
terminá-la. A decisão pertencia a ele.
No versículo 24, Paulo descreve seu testemunho em
Jerusalém não apenas como um final de sua corrida, mas
também como um run1primento do ministério que recebera
diretamente do Senhor Jesus em uma visão. Além de ter recebido
uma visão antes de ir a Jerusalém, o apóstolo recebeu mais tarde
outra visão diretamente de Jesus que confirmava que ele havia
feito a coisa certa.
Na noite seguinte o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: "Coragem! Assim
como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, devera testemunhar
também em Roma". (At 23.11 - NVI)
Paulo analisara o custo e completara seu testemunho em
Jerusalém. O próprio Jesus colocou-se então ao lado dele e
conversou com ele. Note que Jesus disse: "como você
testemunhou [ ...] em
110 Relacionamentos de Aliança

Jerusalém", indicando que tanto a forma quanto o


conteúdo do testemunho haviam sido aprovados por
ele. Jesus declarou então: "deverá testemunhar" também,
indicando que, da forma como acabara de agir em
Jerusalém, assim desejava que ele prosseguisse fazendo.
Podemos concluir, então, que foi a vontade perfeita
de Deus para Paulo que desse testemunho em Jerusalém do jeito
que fez. Os amigos de Paulo não captaram essa
percepção e chegaram a uma conclusão humanista. Eles
acrescentaram algo pessoal à palavra do Espírito Santo. Os
teólogos não entendem Paulo porque têm difi-culdade de
deixar de lado seus próprios pressupostos culturais para
enxergar o apóstolo em seu contexto judaico. No
aconselhamento e comunicação de impressões proféticas
para um amigo, deve-se dar espaço para que a pessoa siga sua
própria consciência para obedecer ao Espírito Santo.
ll
O CONSELHO DE UM AMIGO
(PARTE 2)

T
emos visto como amigos de aliança devem aconselhar uns aos
outros. É importante estudar bem esse assunto porque, nas con-
gregações onde pessoas estão tentando andar en1 aliança umas
com as outras, muitas vezes há confusão entre os irmãos por causa
de conselhos contraditórios. Esse desencontro no fluir do conselho
pode causar dano entre os mais sinceros irmãos. Se entendermos os
princípios de quando se deve aconselhar, quem deve fazer isso e até
que ponto se deve insistir no conselho dado, talvez seremos capazes
de eliminar muita dor e confusão entre nossos mais queridos amigos.

RESPEITANDO AS LINHAS DE AUTORIDADE DO


CONSELHO

E importante que o conselho flua obedecendo a determinadas linhas


de autoridade, e que respeitemos as linhas de comunicação previa-
mente estabelecidas. O aconselhamento geralmente prossegue por
um período de tempo. Você deve estar atento para não interferir no
conselho que já está em andamento a fina1 de que, involuntariamente,
não gere um conflito com o conselho inicial. Mesmo que o segundo
conselho não seja substancialmente diferente do primeiro, ele pode
interromper o fluir anterior e ser interpretado ou entendido
erroneamente fora do contexto. Esse desentendimento pode fazer
com que aquele que está sendo aconselhado comece a desconfiar
da pessoa que já investiu tanto tempo dando-lhe conselhos sábios.
Se alguém que está sob o cuidado pastoral de outra pessoa vem
até nós pedindo conselho, devemos recusar-nos a fazê-lo a não ser
que haja um convite muito claro do seu pastor. Pastores, lideres e
111
112 Relacionamentos de Aliança

conselheiros precisam ficar muito atentos para não se permitirem


ser manipulados a dar uma segunda opinião que talvez seja
entendida pela pessoa aconselhada como algo contraditório.
Quem está em busca de uma boa desculpa para não fazer a von-
tade de Deus geralmente deseja uma segunda opinião com o objetivo de
ouvir o contrário daquilo que já lhe foi dito. Ele usa essa
técnica manipuladora para poder mais tarde afirmar que o segundo
conselho invalidou o primeiro e, portanto, nenhum dos dois era
vontade de Deus. Dessa forma, ele consegue eximir-se de praticar a
sabedoria em sua vida e encontra uma bela desculpa para não fazer
exatamente que sua consciência lhe pede que faça. Na maioria das
vezes, os dois conselhos não são essencialmente contraditórios ou
inconsistentes, mas o simples fato de ter havido um segundo conselho
abre espaço para que a pessoa aconselhada o interprete a seu bel prazer,
manipulando-o para que pareça inconsistente. Além de frustrar a
operação de Deus na vida daquela pessoa, essa prática criará um motivo de
divisão e mágoa entre os dois pastores.

FÉ PARA OUVIRR O CONSELHO DE DEUS POR MEIO DE


OUTROS

Nossa busca por conselho piedoso deve ser feita com uma atitude de fé.
Precisamos de fé para crer que Deus usará o diálogo com nosso
conselheiro para con1unicar sua vontade. Não estamos apenas
bus-cando conselho humano, mas crendo que o próprio Deus
usará a situação para falar conosco por meio daquela pessoa. As
vezes, pode até acontecer de o conselho humano ser exatamente o
contrário do que o Senhor está falando, mas a natureza do diálogo confirma,
em nossa própria consciência, a certeza de que a direção de Deus é seguir
outro caminho. Deus pode usar aquele conselho para tornar claros os
obstáculos circunstanciais que a nossa fé precisa superar. Nossa fé consiste
em crer que Deus usará a outra pessoa como canal de sua comunicação
conosco. Se cedermos à tentação de que precisamos ouvir muitas outras
opiniões, isso poderá ser um sintoma de que na verdade não confiamos em
nossa capacidade de ouvir de Deus. A busca de conselhos não deve ser
pautada por um simples
Conselho de um amigo (parte 2) 113

consenso humanista; a fonte principal de toda a sabedoria vem do


próprio Deus.
Buscar muitos conselheiros pode ser um sinal de incredulida-de,
como se duvidássemos de nossa capacidade de ouvir a direção de
Deus. Quando começamos a pressionar nosso conselheiro de um modo
desesperador, manipulador e suplicante, isso demonstra que estamos
colocando fé excessiva em um ser hun1ano ao invés de crer cn1 nossa
própria capacidade de ouvir a orientação de Deus por n1eio daquela
pessoa.
Não devemos cair no extremo de orgulhosamente duvidar da
capacidade de uma pessoa nos aconselhar e da possibilidade de ela
ser usada por Deus para nos ministrar. Também não devemos cair no
outro extremo de lançar-nos desesperadamente aos seus pés como
se ela fosse a nossa única salvação. Quando buscan1os
conselho de alguém, devemos, em primeiro lugar, orar e estar
seguros do fato de que podemos ouvir Deus por meio dele. A
Bíblia diz que o Senhor inclina o coração do rei
para a direção que ele deseja (Pv 21.1), e que seus desígnios estão nos
lábios de un1 rei (Pv 16.10). Se há em mim um sentimento de
dúvida em relação à capacidade de uma pessoa de aconselhar-me, eu
devo orar antes de conversar com ela para que Deus use
soberanamente seu coração e seus lábios a fim de trazer-lhe a
resposta certa, mesmo que não seja um conselho que ela normal-
mente daria. Quando pedimos sabedoria a Deus, não devemos faz-
lo com a mente vacilante. Sair em busca de uma segunda opinião
pode ser um sinal de mente dividida que não crê que Deus seja
capaz de controlar a situação. Tiago escreveu sobre como buscar
sabedoria e conselho:
Ora, se alguém de vós tem fal ta de sabedoria, peça a Deus [...]/
e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém com fé, não duvidando... (Tg. 1.5-6).
Tiago ainda diz que, se uma pessoa buscar sabedoria com
mente dividida ou de forma inconstante e vacilante, ela acabará
não recebendo nada.
114 Relacionamentos de Aliança

Por outro lado, a Bíblia claran1ente nos orienta a buscar


conselho de várias maneiras. Quanto mais conselhos houver no
estágio de planejamento, menor será a probabilidade de ocorrer
erros imprudentes. "Na multidão de conselheiros há segurança".
(Pv 11.14). Tambem em:

Onde não ha conselho frustam-se os projetos, mas com a multidão


de conselheiros se estabelecem. (Pv 15.22)

Não se trata de orientação para buscar várias opiniões humanistas


com a mente dividida; mas trata-se de um alerta claro para evitar uma
espécie de espírito independente, o qual diz que Deus não pode falar
comigo por meio de outras pessoas.

OUVINDO DE DEUS JUNTOS

Lembro-me bem de uma ocasião em que estava reunido com um grupo


ele irmãos de aliança buscando direção para certo projeto ministerial.
Durante a oração, Deus falou conosco de modo aparentemente unânime
por meio do Espírito Santo acerca de determinada direção. Após a
palavra ser compartilhada em oração e novamente na comunhão após a
oração, estávamos confiantes de ter chegado a uma conclusão sobre a
vontade de Deus. Surpreendentemente, um dos líderes falou: "Parece
que tudo que dissemos é bom, mas não sei se procede de Deus. Preciso
ouvir por mim mesmo. Mas agora que vocês já compartilharam tudo
isso, nunca saberei se realmente Deus falou comigo ou se vocês apenas
colocaram o pensamento de vocês em minha mente".
Esse tipo de resposta demonstra uma falta de entendimento sobre
como ouvir a sabedoria de Deus quando se busca uma decisão no corpo.
Nas decisões em conjunto, o Senhor fala durante a oração coletiva para o
grupo como um todo. Em segundo lugar, temos de ter fé que é possível
receber um sentimento claro de concordância e confirmação
proveniente da mente de Cristo (1 Co 2.16). Finalmente, ouvir a palavra
de Deus por meio de outra pessoa é de fato uma forma válida de ouvir a
palavra de Deus. A passagem de 1 tessalonicenses 2.13 declara:
O Conselho de um amigo (Parte 2) 115

...porquanto vós, havendo recebido a palavra de Deus que de nós


ouvistes, a recebestes, não como palavra de homens, mas {segundo
ela é na verdade} como palavra de Deus, a qual opera tambem em
vós que credes.

A atitude de opor-se ao conselho ungido dizendo: "Acho


que ainda não sei se ouvi de Deus. Terei de ouvir por mim
mesmo" é muitas vezes uma cortina de fumaça que esconde um
espírito independente e indisposto a cooperar. Deus está falando e de
fato já falou. Uma pessoa com um espírito independente não é capaz
de lidar com as implícações de que aquilo que Deus disse e como ele
disse exigem a interação com outros.
Algumas pessoas que se denominam carismáticas podem ter
uma dificuIdade surpreendente em ouvir de Deus mesmo quando se
trata de um simples problema que envolve trabalho em equípe e
rela cionamento. O uso de uma máscara carismatica pode ser apenas
uma desculpa para justificar a decisão de seguir o próprio caminho e
fazer o que é certo aos próprios olhos. Uma pessoa verdadei-
ramente carismática aprecia buscar a vontade de Deus de forma
coletiva, pois assim pode ouvir o Senhor juntamente com outros
irmãos com quem se relaciona. Essas ocasiões se tornam momen tos de
grande unção e revelação.

SOLUÇÕES ESPIRITUAIS

Uma prova de que talvez estejamos procurando uma solução


humanista no aconselhamento, ao invés de confiarmos na própria
capacidade de ouvir Deus por meio dos conselhos, é quando
exigimos detalhes práticos da solução em vez de apenas acatar os
princípios espirituais de orientação que estão por trás da pergunta
que estamos fazendo. Em geral, a unção da sabedoria vem para
atrair a pessoa à dinâmica espiritua1 que se encontra por trás de seu
problema. O espírito de Deus não deseja apenas entregar uma resposta
detalhada na mão de alguém; ele está mais interessado em
equipar o cristão com princípios espirituais de sabedoria que o
capacitarão a lidar com situações semelhantes no futuro. Uma
pessoa impaciente que deseja
116 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

apenas saber o resultado final e prático da decisão demonstra que necessita de


um coração sábio desejoso de aprender por que e como chegar à solução. O
conselho envolve uma versão espiritual do ditado popular que diz: "É
melhor ensinar um homem a pescar do que lhe dar um peixe". O
princípio espiritual da sabedoria é o anzol; a questão específica é o peixe.
Ao aconselhar, o conselheiro deve dar preferência a comunicar
um princípio espiritual, não a tomar uma decisão em nome da pessoa
que recebe o conselho. Efésios 4.12 diz que devemos equipar os crentes
com sua própria habilidade para fazer a obra seja qual for o ministério
envolvido. Não diz que devemos agir por eles. Tomar uma decisão por outra
pessoa é tratá-la como uma criança. Direcioná-la para a solução é tratá-la
como um adulto. A tentação sutil de decidir sozinho em nome do
aconselhado é um tipo de orgulho que faz o conselheiro sentir-se
superior àquela humilde pessoa que necessita de seu conselho. E um ato de
amor não permitir que a pessoa aconselhada fique atolada na posição
infantil de inutilidade. É um ato de fé incentivá-la a entrar num nível de
maturidade no qual aprenda a tomar sua própria decisão. Um verso
profundo de aplicação ampla sobre o assunto é Provérbios 20.5:

Como águas profundas é o proposito [ ou conselho] no


coração do homem; mas o homem inteligente o descobrirá.

Porque o cristão já tem o Espírito de Deus habitando em seu


interior, o conselho e a solução para qualquer tipo de problema já estão
ali. Jesus se tornou nossa fonte interior de toda a sabedoria (1 Co
1.30). O alvo de um conselheiro é ajudar a pessoa aconselhada a
extrair, dos recursos do Espírito Santo no seu interior, a sabedoria de
que precisa para resolver seus próprios problemas. Essa é uma
tremenda técnica para aconselhar um amigo de aliança. Mesmo que
conselheiro saiba de antemão a solução que a pessoa ainda não
enxergou, ele não deve ter pressa de revelá-la para que ela chegue à
sua própria conclusão a respeito da solução do problema. Isso leva
muito mais tempo do que simplesmente lhe oferecer a resposta, mas, a
longo prazo, muito tempo será economizado.
O conselho de um amigo (Parle 2) 117

O conselheiro que ajuda o amigo a chegar à solução do problema por si


só promove sua edificação ao invés de engrandecer a si mesmo aos olhos
do irmão aconselhado. Dessa forma, o irmão recebe treinamento nas
práticas de como agir da próxima vez. Se esse processo não acontece, o
amigo pode tornar-se dependente, e o conselheiro fica preso num
círculo vicioso e improdutivo. Sempre que uma pessoa toma uma
decisão, ela deve estar totalmente convencida de que é sua vontade
fazer aquilo, mesmo que a solução tenha sido a princí-pio apresentada
pelo amigo conselheiro. Do contrário, o conselheiro pode vir a ser
responsabilizado por qualquer coisa que dê errado no futuro mesmo que
não seja resultado direto do conselho dado por ele. Essa prática
de gentilmente levar a pessoa a elaborar sua própria solução para
o problema é uma habilidade que demonstra grande sabedoria por
parte do conselheiro.
Uma grande quantidade de princípios profundos sobre a dinâmica
de fazer amizades é encontrada no livro de Provérbios. Vários
provérbios podem ser utilizados a fim de nos ensinar técnicas especí-
ficas para desenvolver níveis de aliança mais profundos.

HUSAI, AMIGO DE DAVI


Analisemos agora a figura de um típico conselheiro e amigo do rei Davi:
Husai. Ele foi um homem que passou pelo processo de edificar confiança
com o rei. Ele provou sua lealdade a Davi e conquistou sua intimidade. A
grandeza de Husai é comprovada pelo fato de ele ter ganhado o título
cobiçado mas simples de "amigo de Davi" (2 Sm 15.37) e de
"companheiro do rei" (1 Cr 27.33). Que belo testemunho essa breve
descrição nos oferece!
Quando Davi foi forçado a abandonar o trono por causa da in-
surreição liderada pelo próprio filho Absalão, ele tinha dois conse-
lheiros muito bem classificados na hierarquia da corte. O primeiro se
chamava Aitofel, que o traiu, e o segundo era Husai, que lhe perma-
neceu leal. Davi enviou seu amado amigo Husai para o acampamento de
Absalão e pediu que fingisse ter aliança com eles a fim de derrotar
o conselho de Aitofel. Husai ganhou o respeito de Absalão em
118 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

detrimento de Aitofel, frustrando, assim, a tentativa de Absalão de


matar Davi. Aitofel enforcou-se por causa de sua desgraça. Absalão
foi derrotado na guerra, e Davi finalmente foi restaurado ao trono.
A confiança e dependência de Davi em seu amigo Husai é algo
muito significativo nessa história. Contudo, também é muito impor-
tante notar a batalha espiritual que ocorre no momento em que o
conselho é dado. Conselho e sabedoria representam muito mais
do que simples opiniões humanas. Constituem a liberação da unção
de Deus que vence batalhas espirituais ao derrotar poderes e principa-
dos malignos (Ec 9.15,18). O ministério do conselho e da
sabedoria é fundamentado no relacionamento de aliança entre amigos
e libera uma unção poderosa e eficaz no reino espiritual.

QUANDO TUDO FICA DIFÍCIL

O ministério de um amigo e conselheiro de aliança brilha nos mo-


mentos de dificuldade. Há um provérbio que diz: "Um amigo na
necessidade é um amigo de verdade". As pessoas também gostam de
dizer: "É na hora difícil que se conhece quem são os verdadeiros ami-
gos". Provérbios 17 .17 declara: "O amigo ama em todo o tempo; e para a
angústia nasce o irmão". Em outras palavras, quando a adversidade
vem, você sabe que pode contar com um irmão de aliança.
Quando vejo alguém que desejo ter como amigo, espero a opor-
tunidade de desenvolver confiança e intimidade com ele. Coloco-me em
seu lugar e tento imaginar quando ele pode precisar mais da ajuda de
um amigo. Bem mais que nos momentos alegres ou normais, são nos
momentos de grande dificuldade que você consegue estabelecer uma
ligação mais profunda com os amigos. Devemos alegrar-nos com as
oportunidades que nos obrigam a sair de nossa zona de conforto para
ajudar um amigo. Devemos nos preocupar em mostrar-nos fiéis na
hora de maior necessidade.
Quanto mais cresce a confiança, mais a intimidade pode ser des-
frutada, e isso faz com que a confiança se amplie ainda mais. Essa
confiança espiritual estabelecida entre duas pessoas abençoa todos ao
redor. De fato, o conselho de um amigo de confiança é muito doce.
CONFRONTAÇÃO AMOROSA

O
paradigma geral para entender o que queremos dizer pelo
"estado pecaminoso da humanidade" é que nosso relaciona-
mento com Deus foi quebrado. Nossas iniquidades, ou nossos
pecados, separaram-nos de Deus (Is 59.2). Portanto, podemos
de-finir o pecado como algo que gera quebra de relacionamento
entre nós e Deus.
Sendo assim, todo pecado cometido contra um ser humano
produz uma quebra de relacionamento entre duas pessoas. Meu
pecado contra outro ser humano é qualquer ato que cause uma
ofensa, bar-reira ou separação entre nós.

RESTAURANDO RELACIONAMENTOS QUEBRADOS

Um resultado da nossa total separação de Deus por causa do


peca-do é a ruptura de todos os relacionamentos entre os seres
humanos. Basicamente, o pecado consiste na destruição dos
relacionamentos. O amor é o oposto do pecado; o amor é a
reparação da brecha entre duas pessoas; é a restauração do
relacionamento quebrado. O amor neutraliza os efeitos do
pecado. O amor faz com que nos posicione-mos de tal forma em
relação a uma outra pessoa que o relacionamento é totalmente
preservado.
A Bíblia diz que toda a Lei pode ser resumida no
mandamento de "amar o próximo". Todas as outras leis das
Escrituras derivam deste único mandamento. O amor só pode
ser entendido como o resumo dos princípios das Escrituras se,
em contrapartida, o pecado é definido como nada mais nada
menos do que a quebra dos relacionamentos.
119
120 RELAC I O N A M E N TO S D E ALIANÇA

Todavia, se estais cumprindo a lei real segundo a escritura:


Amarás ao teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem. Mas se
fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso
condenados pela lei como transgressores ... Porque o mesmo que
disse: Não adulterarás, também disse: Não matarás. Ora, se não
cometes adultério, mas és homicida, te hás tornado transgressor
da lei. (Tg 2.8,9,l l)

O pecado, então, não é um ato em si, mas é algo feito contra outra
pessoa. É semelhante à palavra "débito". Um débito não existe no
vácuo; um débito é uma dívida para com alguém. Uma pessoa não
apenas comete transgressão; ela transgride ou viola a aliança com
Deus ou com um ser humano. Portanto, independentemente de co-
meter adultério contra alguém ou assassinar alguém., em qualquer dos
dois casos a lei da aliança é violada ou quebrada.
Em condições ideais, o amor seria um estado de bem-aventu�an-
ça pelo qual a perfeição de nossos relacionamentos seria preservada e
protegida. Mas porque não vivemos num estado ideal, o amor se torna
uma ação que vai à procura do relacionan1ento quebrado com
o propósito de restaurá-lo. O amor é o inverso de rompimento. O
amor busca a parte separada. O amor restaura a aliança. O amor vai
direto ao item que causou a quebra de relacionamento e trata com ele.
O amor procura saber o motivo da ofensa e co1no consertá-lo. O amor
busca a outra pessoa e faz restituição pela cláusula da aliança que foi
quebrada.

A MISSÃO DE BUSCAR E RESTAURAR


O primeiro passo do amor é buscar a outra parte. Jesus disse que veio
para buscar e salvar o que estava perdido. Ele veio pessoaln1ente para
todos nós, que estávan1os alienados e separados pelo pecado, e
ofereceu restaurar-nos ao relacionamento que mantínhamos com ele
mesmo. Essa atitude afeta nossa .maneira de tratar as outras pessoas.
Paulo faz un1a bela definição de amor ao mencionar o exemplo
de Onesíforo.
Confrontação Amorosa 121

O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque [ ... ]


quando veio a Roma , diligentemente me procurou e me achou.
(2Tm 1.16,17)

Esse é um bom exemplo do primeiro estágio de amor diligente:


buscar a outra parte.
Num mundo de relacionamentos destruídos, o amor enfrenta e
trata os motivos que acabam com os relacionamentos. O amor, por
sua própria natureza, exige certo nível de confronto. Por mais que
isso pareça estranho à mente moderna, a essência do amor
envolve confrontação. A confrontação com o objetivo de remover
pedras de tropeço é a principal ação do amor.
O propósito do amor é sempre a cura da quebra no relaciona-
mento de aliança. Por isso, o amor deve tratar a raiz do problema;
deve atacar a fonte. O amor busca a parte separada para conversar
sobre como remover tua ofensa. O amor é um ato de
comunicação cujo assunto principal é aquele ponto que feriu uma
das partes do relacionamento.
O amor é dominado pelo desejo de restaurar
relacionamentos. Portanto, o amor, com grande dor e pesar, mas
movido por compai-xão, é forçado a realizar confrontos. O amor,
com cuidado e abnegação, dispõe-se a comunicar à outra parte
aquilo que muitas vezes a pessoa menos quer ouvir. Como um
médico precisa tratar a doença, e como um cirurgião deve usar seu
bisturi na área infectada, também o amor com sensibilidade e firmeza
lidar com o erro.
O amor é obrigado a lidar com buscar perfeição no
relacionamento. O amor não pode aceitar que uma manchinha sequer
de infidelidade viole a confiança mútua. Eu amo minha esposa de tal
forma que não poderia suportar que a menor falha nos separasse.
Nosso relacionamento deve ser íntegro, completo e perfeito. Não sou
um perfeccionista que exige padrões legalistas de comportamento.
Longe disso. Porém, meu amor por minha esposa não consegue
suportar nada que cause separação entre nós. Por isso, eu busco
ren1over qualquer elemento que cause divisão ou desconfiança
independentemente de ser grande ou pequeno. Podemos ter n1uitas
divergências sobre gostos
122 Relacionamentos de Aliança

e opiniões, mas a confiança que temos um no outro não pode ser


prejudicada. Minha esposa e eu somos pessoas totalmente
diferentes, mas somos absolutamente unidos e ligados. O amor
busca manter essa união a todo custo. A própria força do desejo
de amar outro não pode tolerar qualquer violação da confiança.

REPREENSÃO: A ESCOLHA DO AMOR

O grande mandamento de amar um ao outro é originalmente decla-rado


em Levítico 19.17,18 (NVI):

Não guardem ódio contra o seu irmão no coração; antes repreendam


com firmeza o seu próximo para que, por causa dele, não sofram
as consequências de um pecado. não procurem vingança, nem guardem
rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu
próximo como a si mesmo. Eu sou o Senhor.

O amor não se vinga nem guarda ressentimento. A única opção do


amor é a confrontação amorosa. Nos evangelhos, Jesus parecia
confrontar e repreender seus discípulos e outras pessoas com muito
rigor. No entanto, ele era movido por ternura e compaixão para
tratar com franqueza e convicção qualquer coisa que pudesse causar
separação entre ele e seus amados. Em Levítico 19.17,18, a frase
correspondente a ''amarás a teu próximo como a ti mesmo" é a frase
"não deixarás de repreender o teu próximo". A repreensão ao
próximo é o cumprimento do mandamento para amá-lo. O amor em ação
é um passo de confrontação de aliança.
Quem não ama de verdade nunca terá coragem de correr o risco
de ser rejeitado ou hostilizado pelo simples motivo de desejar a
restauração da outra pessoa. Há dois tipos de erros que podemos
conectar quando não agimos com amor de aliança. O primeiro
seria uma falsa confrontação amorosa: o ato de fazer uma crítica
mesquinha e desagradável à outra pessoa sem o objetivo de restaurá-la
ao relacionamento, mas apenas de infligir dor ou condenação. Esse tipo
de crítica só serve para provocar mais separação. Um espírito crítico
é o contrário de amor de aliança.
Confrontação Amorosa 123

O segundo erro é evitar qualquer tipo de confrontação de aliança


simplesmente por medo. Adiar um confronto de aliança pode levar
um relacionan1ento passível de restauração a terminar mais adiante
com separação possivelmente definitiva. A falta de amor
verdadeiro permite que o medo impeça alguém de procurar a pessoa
que precisa ser confrontada. A esperança de restaurar o
relacionamento impulsiona aquele que ama a vencer a barreira do
medo.
Gálatas 5 .6 diz que o único ato neste mundo que tem valor é
a "fé que opera pelo amor". É necessário ter fé para realizar o ato de
amar. É preciso coragem para superar a barreira o medo de rejeição
e tomar a iniciativa de procurar a outra pessoa. E necessário crer na
possibilidade invisível de um relacionamento restaurado para ir até o
outro. Fé exige amor, e amor exige fé. E a confrontação amorosa requer
coragem.
Na função de diretor de uma escola cristã de ensino médio, sem-
pre tive de confrontar adolescentes por causa de desrespeito ou mau
comportamento. Em geral, era um momento de desconforto. Seria
tão bom se pudesse evitar a situação. Mas a lembrança do quanto
realmente amava e me importava com aqueles jovens me dava co-
ragem para passar pelo processo de confrontar o espírito rebelde. Se
não me preocupasse com o bem-estar deles, eu simplesmente evitaria
desgaste e o esforço de desafiar aquelas atitudes.

QUEM DEVE TOMAR A INICIATIVA?

A responsabilidade de tomar iniciativa do diálogo é sempre das


duas partes do relacionan1ento sem levar em consideração quem
errou pnmeuo.
Portanto, se voce estiver apresentando sua oferta diante do
altar e ali se lembrar de que seu irmao tem algo contra voce,
deixe sua oferta ali, diante do altar, e va primeiro reconciliar-
se com seu irmao; depois volte e apresente sua oferta. (Mt
5.23-24; NVI)
124 Relacionamentos de Aliança

Se acontecer de você ter errado com alguém, você deve parar


qualquer atividade espiritual e buscar a reconciliação com a pessoa. O
amor é a mais importante de todas as atividades espirituais. Você não
consegue prosseguir em sua caminhada com Deus se houver necessi-
dade de reconciliar-se com alguém. As Escrituras dizem claramente: "se
seu irmão tem algo contra você". Isso não significa necessaria-mente
que você fez algo errado, mas que a pessoa pensa que você fez. As
Escrituras não dizem: "se você errou com alguém, vá até ele". Mas diz:
"se ele tem algo contra você".
O problema não é se a acusação contra você é válida ou não, mas
resultado da quebra de relacionamento é muito mais sério do que a
ofensa ou a percepção de ofensa em si. Seja como for, quando alguém
está ofendido com você, cabe a você tomar a iniciativa de ir até ele para
começar o processo de reconciliação. Por outro lado, Mateus 18.15
(NVI) declara:

Se o seu irmão pecar contra você, vá a sós com ele, mostre-lhe o erro.
Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão.

Nesse versículo, as Escrituras mencionam uma situação oposta à


anterior; mesmo assim, a responsabilidade de iniciar o diálogo é sua.
Ainda que o erro fosse da outra pessoa, é você quem deve tomar a
iniciativa de buscar a reconciliação. Talvez, você pense que a culpa seja
dela, e na verdade ela não fez nada contra você. Ou quem sabe a pessoa
nem tenha consciência de que pecou contra você. Seja como for, a
questão principal em jogo é a restauração do relacionamento.
Não importam quais acontecimentos levaram à quebra da confiança de
aliança. Se existe um rompimento, qualquer uma das partes en-
volvidas tem a responsabilidade moral urgente de procurar a outra
pessoa para conversar sobre o problema.
l3
OS MECANISMOS
DE CONFRONTAÇÃO

M
ateus 18.3-20 é a passagem principal das Escrituras que
descreve o processo de confrontação, disciplina e reconcilia-
ção. Suas aplicações práticas na vida de uma comunidade de
cristãos são abrangentes e envolvem quase todas as áreas da
vida. A Bíblia está impregnada com o tema do amor, mas
essa passagem de Mateus 18 ilumina o processo prático a
fim de que ocorra a reconciliação de aliança. Encontramos
nela as engrenagens que fazem girar o mecanismo do amor
de aliança. Mateus 18 pode ser aplicado a um indivíduo, a
um grupo de indivíduos, a uma comunidade ou até mesmo
a uma nação.
Sou grato a meu amigo Thurlow Switzer que me deu uma
nova luz sobre a confrontação de aliança. Na verdade, aprendi
mais sobre essa passagem com seu exemplo de vida do que
com seu ensino.
VENCENDO O EGOÍSMO

Antes de iniciar um diálogo de aliança, acontece uma batalha espiri-


tual no interior da pessoa. Só de imaginar a hora da confrontação, a
mente egoísta se preocupa em defender seus direitos. Se o diálogo de
aliança é visto apenas corno um momento de proteger os próprios di-
rei tos ou de ganhar sua recompensa, perde-se o alvo de reconciliar-se
com a outra pessoa. O diálogo de aliança nada tem a ver com ganhar
algo para si mesmo. Sua motivação é restaurar o relacionamento e
buscar o bem da outra pessoa. Sem entender isso, um diálogo de
aliança não passa de uma discussão. É preferível permitir que você
saia injustamente prejudicado se de alguma forma isso redundar no
bem maior de promover a reconciliação entre as partes envolvidas.
125
126 Relacionamentos de Aliança

Em 1 Coríntios 6, Paulo trata de um problema que acontecia na


congregação de Corinto. Parece que dois irmãos se encontravam em
tal desacordo que recorreram à justiça secular por meio de uma ação
judicial. Paulo ouviu falar da reivindicação segundo a qual cada um
defendia a sua própria justiça. Ele tentou explicar-lhes que o pro-
blema central não era quem estava certo naquela situação, mas que a
prioridade era fazer cessar a divisão entre eles.
O fato de haver litígios entre vocês já significa uma completa
derrota. Por que não preferem sofrer a injustiça? por que
não preferem sofrer o prejuízo... (1 Co 6.7; NVI)
Que princípio desafiador! Paulo nos exorta que é melhor ser
acusado i justamente de um erro ou sofrer algum dano do que pros-
seguir sem reconciliação com a outra pessoa. Em quase toda situação
de divisão que já vivenciamos, se estivéssemos dispostos a admitir
nosso erro e a assumir a responsabilidade pela culpa, provavelmente
a divisão logo teria sido encerrada e solucionada.
Recentemente, um irmão ficou ofendido comigo. Olhando aque-
la circunstância do seu ponto de vista, consegui entender como ele se
sentia. Porém, eu também sab.ia que ele era culpado por alguns aspec-
tos da situação. Ele não conseguia entender algumas das minhas ati-
tudes. Na verdade, o problema surgiu por falta de comunicação, o que
não era culpa de alguém. D o meu ponto de vista, havia um problema
maior acerca da verdade sobre o qual eu tinha certeza de que ele não
conseguia enxergar. Eu pensava que, se ele continuasse incapaz de
perceber meu ponto de vista, a verdade não prevaleceria. Se meu lado
do problema não fosse valorizado, não encontraríamos a vontade de
Deus para nós (ou assim meu orgulho me fazia argumentar).
Quando eu soube que esse irmão estava magoado comigo,
busquei ter contato com ele, e pudemos chegar a um certo nível
de reconciliação. Depois de um tempo, porém, descobri que ele
ainda estava magoado, e tivemos de rever a situação com a ajuda
de uma terceira pessoa. Dentro de mim, havia um forte desejo de
provar que eu estava certo, mas entendi que o melhor para todos
era chegar a uma reconciliação sem a preocupação de definir quem
estava certo.
Os Mecanismos de Confrontação 127

Quando tirei um tempo de oração, senti o Espírito do Senhor me


dizer: "Por que você não aceita perder nesta situação? Por que não
prefere levar a culpa se isso promove a paz?".
Depois de mais oração e luta interior, em que me sentia como se
estivesse invisivelmente mordendo a língua para não abrir a boca e
despejar tudo o que se passava dentro de mim, fui para a próxima re-
união. Esforcei-me ao máximo para me colocar no lugar daquele
irmão, admiti que estava errado e aceitei a culpa por tê-lo magoado. A
partir desse momento, nosso diálogo tornou-se mais leve, sem tensão,
e uma nova atitude de boa vontade surgiu entre nós. Continuamos
nossa conversa, e houve uma renovação de nossa aceitação e
apoio mútuos. Discutimos maneiras de melhorar nossa comunicação
no futuro. Quando nos despedimos, percebemos que havia surgido
entre nós um vínculo maior do que o que existia antes do
desentendimento. Com essa nova reafirmação, cresceu a cooperação
entre nossos ministérios. Conquistamos muito território de Satanás.
O princípio é que a reconciliação interpessoal é mais importante do
que os nossos direitos pessoais. Se pudermos compreender isso, o corpo
de cristãos como um todo se tornará livre e capaz de realizar grandes
conquistas para o reino de Deus.
A LEI DA PERSPECTIVA
Mateus 7.1-5 é uma descrição clara do tipo de preparação interior que
deve ocorrer antes de qualquer diálogo de aliança. Mateus 7 serve
como uma introdução para a explicação mais detalhada de Mateus 18.
Mateus 7.1-5 (NVI) diz:
Não julguem, para que vocês não stjam julgados. Pois da
mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida
que usarem, também será usada para medir vocês. Por que rocê
repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá
conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode
dizer ao seu irmão: "Deixe-me tirar o cisco do seu olho",
quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do
seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do
olho do seu irmão.
128 Relacionamentos de Aliança

Essa passagem nos instrui a não julgar nosso irmão. Isso significa
que não devemos ter um espírito crítico. Não podemos ficar olhando
as pessoas de cima para baixo. Não devemos permitir que uma atitu-
de de condenação prejudique nosso diálogo de aliança. Isso não quer
dizer que não devamos usar nosso discernimento, nem que depois de
um longo processo de confrontação não possamos ministrar a discipli-
na. Temos de usar o discernimento. Temos de disciplinar depois que
houve um processo completo de diálogo. Não devemos ser críticos; não
devemos julgar as pessoas nem condená-las. Um espírito de crítica e de
julgamento é a falsificação satânica do discernimento piedoso.
De uma perspectiva centrada em si mesma, uma pessoa conse-
gue enxergar apenas seu ponto de vista sobre uma situação. Natu-
ralmente, ela sempre tenderá a pensar que está certa, e que o outro
está errado. Se duas pessoas estão a certa distância uma da outra, é
óbvio que cada uma tem uma visão mais próxima e mais nítida do
seu lado da situação. Os fatores que afetam cada pessoa mais de perto
lhe parecerão maiores e mais importantes. Dois objetos do mesmo
tamanho parecerão maiores ou menores dependendo da distância e
da perspectiva de que são vistos.
Ao observarmos a falha do outro, descrita no versículo como
"cisco no olho", nossa tendência é enxergá-la como a principal causa
do problema. Ao considerarmos nossa parte da falta ou o que se en-
contra no nosso próprio olho, nossa tendência é minimizar, justificar
e racionalizar. A questão aqui não é quem tem mais culpa, mas que
a percepção de cada pessoa sobre o que é certo e errado depende do
ângulo pelo qual vê a situação.

RESPONSABILIZANDO-SE PELO ERRO

Uma regra útil é que cada pessoa se torne 100% responsável por sua
parcela de culpa no problema. Mesmo que a outra pessoa esteja 99%
errada e eu apenas 1%, meu 1% é 100% responsabilidade minha. Mi-
nha atitude deve ser assumir que sou 100% responsável por minha
culpa. Não tenho a ver com a parcela de culpa da outra pessoa. É
problema dela e não meu.
Os mecanismos de confrontação 129

Existem alguns comentários usuais que adolescentes adoram fa-zer


quando são confrontados por causa de algum erro. "Isso não é justo.
Todo mundo estava fazendo a mesma coisa. Por que só eu vou ter
problema? Eles que começaram tudo. Eu só fiz o que todo mundo estava
fazendo. Você me pegou para bode expiatório. Eu não tive culpa. Não
tinha a intenção de fazer nada errado. Você não me entende. Você
sempre acha que eu sou culpado de tudo". Isso lhe soa familiar? Livrar-se
da culpa é uma tentação que afeta todos nós. Assumir a
responsabilidade de aliança nos ajuda a vencer essa inclinação.
Sempre ofereço um exemplo aos adolescentes: o que aconteceria se
estivessem dirigindo um carro em alta velocidade e fossem pegos e
multados pela polícia? Se dissessem ao policial que todos os outros carros
também estavam ultrapassando o limite de velocidade, ele
simplesmente lhes responderia que isso não tinha relação alguma com a
questão. O policial só consegue lidar com um carro de cada vez. Não é
uma questão de tratamento igualitário; é uma questão de justiça. Se uma
pessoa ultrapassa o limite de velocidade, ela é 100% responsável por
sua falta. O fato de outras 99 pessoas ultrapassarem o limite de
velocidade não torna cada um apenas 1% culpado do problema. Cada um
é 100% responsável por seu próprio ato de dirigir em alta velocidade.
Cada um pode ser 100% responsabilizado pela má conduta mesmo que
nenhuma outra pessoa tenha sido confron-tada por seu erro.Se o policial
pedisse para ver os documentos do motorista, e esses não estivessem
disponíveis no momento, uma multa mais severa ainda poderia ser
aplicada. A desculpa de que os documentos estavam em ordem, mas
foram esquecidos na mesa da cozinha não influenciaria em nada o
policial. A multa seria por estar dirigindo sem os documentos em mãos. É
irrelevante se o motorista os esqueceu por acidente ou de propósito.

SOMOS NÓS OS PRIMEIROS A MUDAR

A Bíblia nos ensina a julgar e examinar a nós mesmos e a mudar o que


estiver errado em nós.
130 Relacionamentos de Aliança

Examinai-vos a vós mesmos e permanecei na fé (2 Co l 3.5)

Mas se nós nos julgássemos a nos mesmos não seríamos julgados.


(1 Co 11.31)

Antes de iniciarmos uma confrontação de aliança com outra


pessoa, devemos primeiramente julgar a nós mesmos e mudar qual-
quer atitude errada. Esse é o significado de Mateus 7.5 (NVI) quan-
do Jesus disse:
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá
claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.
Jesus não diz que nunca devemos tratar da falta do outro. O
que ele afirma é que, se não tratarmos em primeiro lugar das nossas
próprias atitudes erradas, não teremos a percepção ou a graça ne-
cessária para lidar com a situação de forn1a justa. Por outro lado, se
aprendermos a julgar a nós mesmos, teremos a promessa de receber
sabedoria divina para julgar bem os problemas da outra pessoa. Jesus
não diz que devemos ficar atolados em injustiça e auto-
condenação. Ele declara o princípio de que há dois estágios para
discernir o erro. O primeiro estágio é lidar com as próprias faltas de
modo total e absoluto. O segundo estágio é prosseguir tratando a
outra pessoa com sensibilidade.
CONFRONTAÇÃO DEVE LEVAR À RECONCILIAÇÃO

A forma e o espírito com que nos aproximarmos de um diálogo de


aliança fazem toda a diferença. Toda a passagem de Mateus 18 enfa-
tiza gentileza, sensibilidade, perdão, paciência e reconciliação. Nesse
contexto, poden1os perceber claramente as dinâmicas de confronta-
ção e possível disciplina. Essa confrontação deve ser firme e decisiva
quando necessária, mas deve sempre ser compreendida no contexto
do quadro maior de amor reconciliador.
Os dois mandamentos morais que devem ser estabelecidos em
nossas congregações são: (1) Que haja entendimento e disposição
Os Mecanismos de Confrontação 131

por parte dos membros para cooperar com confrontação de


aliança e disciplina; e (2) que todos os nossos relacionamentos
permaneçam calorosos, afetuosos, encorajadores e pessoais. Os
dois respectivos perigos que devemos evitar são: (1) que haja
um ambiente tão descompromissado de comunhão que
impossibilite o confronto de atitudes carnais ou a ren1oção de
imoralidade de nosso meio; e (2) que a confrontação em defesa
dos valores de aliança venha a tornar-se mecânica, sem amor,
legalista e insensível. Uma congregação sem disciplina ou
autoridade não é de fato uma congregação. É um grupo avulso
e descompromissado. Por outro lado, a congregação cuja
autoridade se torna defensiva, impessoal, com ênfase em
resultado, transforma-se em uma congregação morta carente do
próprio amor que no início lhe proporcionou vida.
Os mecanismos práticos de confrontação de aliança são
simples e diretos. Mateus 18.15-17 (ARC) declara:

Ora, se teu irmão pecar contra ti, ,vai, e repreende-o entre ti e ele só;
se te ouvir, ganhaste a teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda
contigo outros dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas
toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e,
se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e
publicano.

O primeiro principio é que você deve literalmente se levantar e


procurar a pessoa para conversar. "Vá e repreende-o" (v. 15). Ge-
ralmente, é nesse ponto que somos omissos, e o processo nunca se
inicia. Você pode dar um telefonema, marcar um encontro, ir até a
casa da pessoa, enviar um e-mail. De qualquer maneira, um ato claro de
iniciativa e um convite ao diálogo devem ocorrer.
Muitas vezes, Deus nos diz que devemos buscar alguém para
conversar antes mesmo que saibamos todo o conteúdo da conversa. Se
surge um problema entre mim e outra pessoa, talvez eu não saiba que
dizer ou como conversar sobre o problema. Mas sei que tenho uma
responsabilidade urgente de pelo menos fazer contato e deixar que o diálogo
transcorra de forma espontânea. Se não faço contato, acabo cometendo outra
violação da aliança além do erro inicial que
132 HEI.ACIONAMENTOS DE i\1.1:\NÇA

deu início à divisão. Não buscar contato con1 um irmão depois de


uma ofensa é na verdade outra ofensa.
En1 1 Reis 18.1 (ARC), Deus leva o profeta Elias a iniciar un1a
confrontação de aliança com o rei Acabe .

.11 palallm do SEl\/FJOR 1Jeio a Elias, 110 terceiro <1110, dizendo:


vái, 111ostra-te a A.cabe; porq11e darei c/11wa sobre a term.

Elias ainda não sabia o que estava para acontecer no Monte Car-
1nelo. Ele não sabia qual seria a resposta de J\cabe nen1 o resultado da
conversa; sabia apenas que choveria no fim . Por causa da hostilidade
dos lideres do governo a Elias, não foi fácil para ele obedecer a esse
sin1ples comando de ir e apresentar-se perante eles. Foi preciso cora-
gen1 e resolução finne para obedecer à vontade de Deus de ir e fazer
contato com o .inin1igo. ,ando un1 indivíduo inicia uni diálogo de
aliança co111 algué111, ele deve rejeitar os pensan1entos de que a outra
pessoa é seu ini1nigo ou adversário. Precisa lutar contra os sentimen-
tos de medo e antagonis1110. Teni de superar a própria insegurança.

PRIVACIDADE

O primeiro estágio do diálogo deve ser realizado se.111envolver outras


pessoas. "Entre ti e ele só" (Nit 18.15). Não deve haver outra pessoa
presente no primeiro encontro. Boatos não deven1 ser propagados.
Uma defesa da própria posição não deve ser feita a u1na terceira pes-
soa. Nenhunia conversa sobre a falha da outra pessoa deve ser pernii-
tida sen1 que se tenha conversado com ela antes.
A privacidade deste priniciro encontro li111ita o problenia, em
seu estágio inicial, a uni grupo niíninio de pessoas. Se unia variedade
de versões sobre o incidente se espalha por entre outros niembros
da comunidade, é bem difícil aniarrar todas as pontas soltas. De-
ve-se evitar que o problema fique conhecido. A aliança concede à
outra pessoa o direito de ser a prinieira a ouvir sobre sua falha. Se
ela descobre que outras pessoas já estão sabendo de tudo, isso gera
outra ofensa.
Os �lccanismos de Confronla(ào 133

É claro que se uma das pessoas envolvidas desconhece o pro-


cesso de aliança, ela tem direito de buscar o conselho de uni dos
pastores para saber a coisa certa a ser feita. Procurar conselho, em
particular, corn um pastor, é diferente de contar seu lado da história
para um anügo qualquer numa tentativa de receber apoio. Em geral,
as pessoas tentam convencer os outros de sua posição para
justif icar :1 s1 mesmas.
O próxirno passo é conversar claramente com a outra pessoa
:iobre o problema. "Vai, e repreende-o" (Mt 18.15) indica certa fran-
queza e honestidade sern a atitude de dar indiretas ou rodear o
:tssunto sen1 ir diretan1ente ao ponto. Qyanto mais objetividade e
rlareza, melhor. A sin1ples transnüssão de informações pode encur-
tar o caminho para esclarecer desentendimentos. Converse com a
outra pessoa sobre o problema.
São esses os passos do prin1eiro estágio de confrontação da alian-
t;a. Haverá um destes dois resultados: a pessoa poderá ou não receber
a correção. Se ela aceitá-la, as duas partes deverão reconciliar-se ime-
diatamente, e quaisquer mágoas deverão ser perdoadas e esquecidas.
Se a pessoa recusar a correção, a confrontação deverá passar para
o segundo estágio. Não há 111enção de limite de duração de ten1po
para o primeiro estágio. As pessoas geralmente precisam de um pou-
ro de tempo para receber a correção antes que venham a arrepender-
sc. Só devemos passar para o segundo estágio quando todas as pos-
sibilidades de reconciliação <lo prin1eiro estágio foren1 esgotadas. As
duas partes poden1 perrnanecer no primeiro estágio por um período
de tempo relativan1ente longo, desde que ainda haja disposição de
dialogar e sinais de progresso. Uma mudança pren1atura do processo
para o segundo estágio pode produzir mais ofensas. A paciência evita
11111a atitude de julgarnento.

En1 qualquer estágio de confrontação, o único objetivo é ga-


11har o irmão a fim de que haja reconciliação. Podemos abrir mão de
qualquer outra parte do mecanismo se as pessoas estão dispostas a
r ·conciliar-se.
POR MEIO DE DOIS OU TRÊS

O segundo estágio de Mateus 18 (; introduzir uma terceira


pessoa no dialogo. Espera-se que esta pessoa seja alguén1 aceito
por an1bas as partt;s. Podt: ser ta1nbén1 algué,n que tenha algo
para acrescentar cotno tcste1nun ha e convencer o indivíduo que
errou da necessidade de reconhecer sua falta. Portanto, a terceira
pessoa pode ser tanto un1 ,ned.iador neutro quanto un1a
testen1unha. Mais uma ou duas pessoas poden1 ser acrescentadas
se isso for considerado necessário e apropriado.

JV/as, se n ã o te 01111ir, lc11a ainda co11tigo Ili// º" dois. (M t 18.'l 6)


O acréscin10 de u111 ou dois n1ediadores ou testen1unhas propor-
ciona certa seriedade ao diálogo. Deve-se fazer o possível para evitar
o clin1a de tribunal. Ao n1esn10 ten1po, é necessário transmitir a se-
riedade de uni problen1a de reconciliação. As tcsten1unhas ajuda,n a
outra parte a conscientizar-se da in1portância de continuar o diálogo.
Un1 indivíduo não aliançado talvez não considere n1uito in1portante
o processo de reconciliação e possivelmente nern cornpareça ao en-
contro. Ele pode tentar desconsiderar o fato de que ainda não houve
reconciliação e fazer de conta que, de acordo co1n seu ponto de vista,
a reconciliação já ocorreu.1 ticas evasivas feren1 o esforço de proteger
a aliança. A tein1osia ou a tentativa de passar por cin1a do problen1a
podern iinpedir que o processo de aliança alcance o final desejado.
Deve-se ter cuidado para não transn1itir uni espírito de bullyirzg
ou de intin1idação. O diálogo deve ressaltar as quali.dades positivas
da outra pessoa a firn de que ela não se sinta insegura ou tenha uma
atitude defensiva. O diálogo não deve ter um tom de vingança pes-
soal, fazendo o indivíduo sentir-se urna pessoa ruim. O foco deve ser
a busca de un1a solução, de n1odo que os do.is lados se unan1 com o
propósito de ajudar um ao outro a fazer o que é certo.
Antes de partir para o terceiro estágio de confrontação, devem.-
-se esgotar as possibilidades de reconciliação no segundo estágio.
°-11ando a confrontação alcança o terceiro estágio, é provável que o
problen1a tenha-se tornado n1uito n1ais co1nplicado do que no início.
Os lct:anismos de Confro11L1 ·üo 135

Porém, será evidente que, no fundo, o problema não é o pecado co-


1netido no princípio, e sin1 a falta de disposição da outra parte de re-
conciliar-se. Geralmente, a ofensa original já deixou de ser discutida.
É prováveJ que existan1 várias desculpas para evitar uma verdadeira
reconciliação. A maior parte do diálogo agora será a respeito das difi-
culdades e falhas ocorridas durante o processo de reconciliação.
A tática de evitar a reconciliação por parte da pessoa que está
sendo confrontada revela que o verdadeiro problema é a falta de en-
tendimento acerca da integridade nos relacionamentos de aliança. A
quebra de aliança é ,mais séria do que o pecado; ela é a própria
raiz do pecado. Qualquer ato pecaminoso pode ser perdoado e
esquecido, n1as, se não existe a disposição de manter a aliança, as
pessoas não podem ser reconciliadas.

FALHA TÉCNICA

No sisten1a judiciário de n1uitos países, a maior parte de um ju1-


gan1ento infelizn1ente não trata a questão se o crime foi cometido
ou não. O julgamento se torna urna grande batalha para saber se o
processo de jurisprudência e acusação foi correto ou não. A razão
para isso é sin1ples. Qyando a pessoa é culpada, sua única maneira de
(;Scapar da punição é tentar achar un1a falha técnica no processo de
acusação para invalidá-lo. Mesmo que o criininoso seja culpado, se
lc>.r provado que o governo violou algu,na tecnicalidade no processo
de prisão, o caso será encerrado, e o réu será liberado sem fiança.
l•:ncontramos aqui unia chave para descobrir se un1a pessoa pecou.
Qyando confrontada con1 qualquer tipo de justiça, a atitude de
t11na pessoa culpada é reagir de modo legalista. Apontar uma "falha
ll\ nica" ou "violação técnica" é o único ,nodo de escapar. Qye.m é
r11lpado tenta desviar a atenção do que fez. A natureza intrínseca da
1,ipocrisia religiosa é focar o legalismo, o detalhe e o ritual. Os fari-
'•l'llS voltavam sua atenção ao dia da semana e à higiene das n1ãos dos

discípulos cm vez de cn..,xergar o perdão e a cura.


1'.,nfatizar tccnicalidades desvia a atenção do problema principal:
. , : 1 ti tudc do cora,·ão. Até Satanás sabe que errou; ele te.m consciência
136 HEI.ACIONAMENTOS DE ALIANÇA

de que Deus sabe que ele errou e entende que o julgamento o aguarda.
Enquanto isso, a única coisa que pode fazer é buscar uma falha téc-
nica na esperança de que seu caso possa ser desqualificado diante da
justiça universal. De n1odo semelhante, a reação de qualquer coração
que não está correto diante de Deus é buscar un1a violação técnica no
procedimento quando confrontado com problemas de certo e errado.
Se a pessoa está evitando a reconciliação, ela provavelmente des-
penderá muita energia na tentativa de provar que houve violação de
al g u m ponto do procedin1ento por parte daqueles que conduzian1 a
confrontação. Desse modo, ela os tornará desqualificados para fazer
qualquer julgamento n1oral a seu respeito. Geralmente, as autorida-
des da congregação fazem tudo que é possível para ajudar a facilitar
a reconciliação, mas não conseguen1 levar a outra parte a entender e
enfrentar os problemas de forn1a clara. u·n1a pessoa convicta de sua
inocência está aberta a qualquer tipo de investigação. Seus pensa-
mentos e ações estão livres e abertos. Um coração inocente nunca é
defensivo ou reacionário.

LIDERANÇA CONGREGACIONAL

No terceiro estágio da confrontação, a única questão é a recusa a


enfrentar o problema e ser reconciliado. A recusa a agir com base
na aliança é um problema mais grave do que o pecado que iniciou a
ofensa. Mateus 18.17 diz: ''E, se não as escutar, dize-o à igreja".
Agora o problema deve ser levado à autoridade da congregação
a fin1 de que seja .resolvi o. Ele é relatado e explicado aos presbí-
teros na esperança de que alguma solução seja encontrada. Se não
for possível un1a reconciliação, os presbíteros deverão informar aos
membros da congregação.

DESLIGAMENTO

Se a pessoa insistir em continuar com uma atitude de quebra de


aliança, sua presença será uma ameaça à própria .estrutura das in-
ter-relações da congregação. O veneno de orgulho e ressentimento
Os Mecanismos de Confron1:1(ào 137

deverá ser removido. Se a pessoa não se render e ouvir a autoridade


de toda a congregação, ela deverá ser removida da comunhão com
essa congregação. Ela deverá ser desligada para não se associar ao
n.:sto do povo. O desligamento não é a execução de um castigo, mas
o reconhecimento de un1 fato já ocorrido. A pessoa se recusa a ser
reconciliada à aliança do corpo de membros da congregação. O des-
ligan1en to é uma declaração que rnostra esse fato a fim de que nin-
guérn pense que a pessoa não reconciliada faz parte do corpo.

E, se ta111bé111 não eswtar a igreja, co11sidem-o como 11111 ge11tio e


p11blica110. (Mt 18.17; ARC)

Isso significa que esse .indivíduo deve ser considerado como


qualquer pessoa que não está aliançada e unida à congregação. Ele
atraiu para si essa definição porque se recusou a cooperar com o pro-
cesso de reconciliação. Se ele se recusou a reconciliar-se, então não
está reconciliado. O desligamento é uma declaração clara e oficial
para preservar a unidade dos membros em geral.
Os membros devem ser convencidos de que colocar tal pessoa
para fora das fronteiras da congregação é algo bíblico. Tito 3.10-11
(NVI) diz:

Qua11to àquele que provoca divisões, ad,,irta-o uma primeira e uma


scg1111da vez. Depois disso, rejeite-o. Você sabe que tal pessoa se
perverteu e está em pcrado; por si mesma está condenada.

Temos aqui, de uma forma bem resumida, basican1ente o mes1no


processo descrito en1 Mateus 18. Há várias tentativas de reconcilia-
\·ão por meio de estágios de confrontação. Se esse processo falha, a
pessoa deve ser removida da comunidade.
A passagem de 1 Coríntios 5 .4,5 tambén1 se refere aos mesmos
passos de disciplina:

Em 110111ede 11osso Senhor Jesus, co11gregados vós e o 111e11espírito,


pelo poder de 11osso Se11hor Jesus, seja c11tregue a Sata11ás para
destruição da rame, para que o espírito seja safoo 110 dia do Senhor
Jesus.
13 8 H E U CI O ;-.; ,\ .\1 E N TO S 1) E i\ 1.1 A N ; :\

No versículo 4, ern que ele diz a palavra "congregados", está re-


ferindo-se ao fin1 do terceiro estágio de confrontação de Nlateus 18.
A frase "entregue a Satanás" significa remover das fileiras da con-
gregação con1 suas respectivas cobertura e bênção. Não pode haver
dúvidas de que a ação de desligamento é uma disciplina biblican1ente
fundan1entada. Tambén1 diz 1 Coríntios 5.12,13:

Pois, q11c 111c importa j11((t<11' os q11c estão de fora? 1\7ão )11/,_ais 11ós
os q11c estão de dentro? 1\llas Dc11s j11(í?,a os que estão de fora. Tirai
esse iHíq110 do 111cío de vós.

O propósito do desligan1cnto é ren1over as pessoas não reconci-


liadas do corpo maior das que estão reconciliadas.

DESLIGAMENTO VISANDO À RECONCILIAÇÃO

Apesar de ser um passo de natureza drástica, ele é realizado na espe-


rança de que 1nais tarde a pessoa venha a reconciliar-se. Se ela é con-
siderada com alguém fora da igreja, um novo processo para trazê-la
de volta pode ser iniciado, sen1elhante ao de evangelizar un1a pessoa
não convertida. Fora da congregação, o ofensor terá condições de
lidar con1 a realidade de quen1 ele é e de quais são as consequências
de seu pecado. Isso lhe oferece espaço para arrepender-se, protege
a integridade daqueles que estão aliançados com a congregação e
pennite Luna futura reconciliação quando o ofensor sentir-se pronto
para solicitá-la. J \ passage1n de 1 Coríntios 5.5 diz que lidar con1 as
consequências destrutj.vas do pecado pode proporcionar ao homen1 a
oportunidade de .mudar sua atitude e ser restaurado: "entregue a Sata-
nás, para destruição da carne, para que o espírito si!Ja salvo".
Se.m estar reconciliada con1 os princípios de aliança, un1a pessoa
não pode ser tolerada na vida da co1nunidadc. Un1a vez, porén1, que
está fora da congregação, ela não an1eaça n1ais o princípio de integri-
dade da aliança.1:odos os n1e1nbros agora estão livres para alcançá-la
como se fosse incrédula e trazê-la de volta à con1unhão. A beleza do
dcsliga1nento é que ele pern1ite reiniciar o processo de a111ar o ir-
n1ão apóstata. Se ele não for cortado da con1unhão, não haverá como
Os lecanismos de Confro111a ·üo 139

alcançá-lo. Se nenhun1 desligamento acontecer, todo inundo ficará


travado nu1na situação de injustiça, e não haverá esperança para un1
futuro relacionamento.
Desligado do corpo, o ofensor passa a ser semelhante a urn in-
crédulo e pode ser ganho pelo testemunho de amor. Ele não é pior
do que ninguém e ainda pode ser objeto de nossa oração e arnor. Tão
somente não pode ser considerado parte da congregação, porque na
verdade não o é. Não se deve fingir que existe aliança com alguém
que não te1n aliança. Isso seria tratar con1 desprezo o funda1nento de
nossa .integridade.

1\1/as ª om es/011 escrcve11do q11c 11iio dc11c111 associar-se com qual-


quer que, dizc11do-sc irmão, seja imoral, avarc1Lto, idólatra, rnlu11ia-
d01; alcoólatra 011 ladriio. Cu111 tais pessoas vocês 11c111 devem co111c1:
(1 Co5.11;NVI)

Esse procedimento só acontece enquanto a pessoa é cha1nada de


"irmão". O propósito do desligan1ento é desclassificá-lo como irn1ão.
'Un1a vez que ele deixou de ser irn1ão, os rnembros da congregação
estão livres para alcançá-lo pelo testcn1unho. Paulo escreve en1 1 Co-
ríntios 5.9-10:

Já disse por rnrta que llocês não devem associar-se com pessoas
imorais. C o m isso 11ãu me refiro aos imorais deste 1111111do, 11cm aos
m1arc11tos, nos ladn>cs 011 aos idólatras. Se assim fosse, uocês prccisn-
ría111 sair deste 111111,do.

O fato de ser um pecador não apresenta nenhuma ameaça à con-


gregação já que ele não faz n1ais parte do grupo de irmãos aliançados.
Paulo diz que son1os livres para nos relacionar com pessoas que estão
fora da congregação a firn de dar-lhes testernunho do an:1or de Deus.
Contanto que não nos enganen1os sobre quen1 de .fato tcn1 aliança,
não há problema algun1.

A p1111íção que foi imposta pela maioria é s1!ficie11tc. Agora, ao


contrário, uocês de11e111 verdoar-lhc e ro11snlá-ln. n 1 1 r n 11111' pfp 1 1 n n
140 HEI . \CION,\MENTOS llE AI.IAN 1\

seja do111i1tado por excessi,,a tristeza. Portauto, cu rccomc11do que


reafirmem o amor que têm por ele. (2 Co 2.6-8; 1\TVJ)

A "punição quef o i imposta pela maioria" refere-se ao ato de desli-


ga.menta do corpo aplicado ao hon1e1n n1encionado em 1 Coríntios.
U n1a vez que ele foi desligado do corpo, a integridade da aliança foi
restaurada, e todos poden1 voltar a reafinnar o an1or que têm por ele.
E.mbora esses tempos de disciplina de aliança sejam dolorosos
para todas as pessoas envolvidas, poden1 ser ta.m bén1 ten1pos de tre-
menda dedicação, pureza, con1promisso, graça e hun1ildade. Todo
aquele que estiver envolvido nesse processo precisará depender to-
taln1.ente da nüsericórdia e da sabedoria de Deus. Após o térn1ino
desse processo de disciplina, haverá un1 agradável e leve sentimento
de alívio na congregação e uma liberação do Espírito de Deus. Um
novo senso de segurança para o rebanho surgirá para o remanescente
fiel que foi capaz de passar pelo difícil processo de disciplina. Não há
1nais nada que Satanás possa fazer contra o ren1anescente que está
tão con1promissado à sua aliança uns con1 os outros. Desse momen-
to em diante, a congregação con1eçará a crescer novan1ente de uma
forn1a viva.
En1bora os casos en1 que o desligan1ento de fato acontece seja1n
ben1 raros, o entendimento sobre autocidade espiritual e disciplina
congregacional gera segurança para todos os envolvidos.

AUTORIDADE ESPIRITUAL

O fa111oso versículo sobre ligar e desligar faz parte dessa passagen1.


No contexto adequado, o ato de ligar e desligar na verdade tem a ver
com a autoridade da congregação para exercer disciplina sobre os
n1e.mbros. Há un1 paralelo entre a autoridade na Terra e a autoridade
nos lugares celestiais. Tanto Satanás quanto o pecado precisam ser
vencidos. l\1ateus 18.18 (NVl) declara:

.Digo a verdade: Ti,do o q11e l!ocês ligare111 11a terra terá sido ligado
110 cé11, e t11do o q11e uocês desligarc111 11a terra terá sido desligado

110 CCII.
Os lccanismos de Confronla(;io 141

J \ concordância entre duas pessoas ten1 poder ilin1itado. A au-


toridade espiritual de Yeshua é n1anifesta onde dois ou três estão
reunidos con10 uma congregação en1 seu non1e. Todo o poder sobre-
natural de concordar, ligar e desligar está .relacionado à autoridade da
congregação para praticar disciplina. Autoridade espiritual se refere
tanto ao ligar e desligar de demônios invisíveis quanto tan1bén1 à
autoridade de exercer confrontação de aliança e disciplina dentro do
corpo de crentes.
14

FI:LI1\ÇÃO CONGREGACIONAL

A
existência de princípios claramente definidos para ren1over al-
guén1 da lista de rnen1.bros de un1a congregação deve ser pre-
. cedida pelo fato de que há algun1 tipo de filiação oficial. Não
poderia haver definições tão claras en1 1 Coríntios 5 sobre quem es-
lava dentro e quen1 estava fora da igreja se eles não tivcsscn1 pelo 1ne-
nos algun1a ideia sobre o significado de filiação. Na época do Novo
'lestan1ento, uma forte identificação e unidade eram geradas quando
o novo convertido passava pelas águas. Os me1nbros da congrega-
t."iio que tcsten1unhavan1 o batisrno ou a pessoa que o oficializava
rram os receptores da lealdade daquele indivíduo. A filiação do novo
ronvcrtido acontecia no Corpo universal de Cristo, 1nas tan1bém na
t·on1unidade local de fé.
E.1n 1 Coríntios 1.12-16, Paulo percebe que alguns cristãos es-
1ava1n afirn1ando identificar-se pessoalmente co1n detern1inado n1i-
11 istro (en1bora, nesse caso, isso den1onstrasse unia atitude incorreta).

l•:ssc ministro era a pessoa que os havia batizado. A passage1n de 1


( 'oríntios 10.2 (N\fJ) descreve o povo que passou pelo Ivlar Ver-
111dho corn l\lloisés como u1n povo que foi batizado. Esse batisn10
•,irnbólico não ocorreu son1ente en1 Deus, n1as foi tan1bén1 un1a iden-
tificação con1 lVloisés:

E111 j\,Joisés, todos eles fom111 batizados 11a 1111ve111e 110 1/lm:

No n1on1ento e1n que alguén1 passa pelas águas, ele é introduzi-


do 1 1 a aliança da congregação como un1 novo n1en1bro unido e corn-
1,n Hll issado.

143_
144 I\EI.ACIONt\)IENTOS OF. ALIANÇA

FILIAÇÃO FORMAL

Muitas pessoas acreditam não ser muito espiritual ter uma lista for-
mal dos membros da congregação. Está majs próximo a uma orga-
nização do que a um organismo. Parece carecer de certa espontanei-
dade na identificação do indivíduo com o grupo. Porém, podemos
considerar a filiação como algo semelhante ao con1promisso de alian-
ça feito no dia do casamento. Duas pessoas podem morar juntas,
gostar da cornpanhia uma da outra e ter o plano de casar-se um dia.
Podem até se considerar informalmente casadas. Contudo, enquanto
não fizerem un1a declaração pública e forn1al de seu compromisso,
nenhuma aliança terá sido de fato realizada. O compromisso do re-
Jacionamento só passa a existir no momento em que é claramente
assumido. Se não vemos um compromisso de filiação publicamente
declarado, então os congregantes podem vir a praticar um tipo de
relacionamento sem aliança.
Mesmo que um casal vivesse junto antes do casamento, haveria
uma diferença entre o tempo em que moravam juntos e o tempo
após a realização da aliança de casamento. Fisicamente, seu relacio-
namento pode ser o mesmo, mas os votos de casamento acrescentam
profundidade e estabilidade ao seu con1promisso. As pessoas podem
frequentar os cultos e participar das atividades da congregação, mas
há uina nítida diferença de atitude quando declaram seu compromis-
so de filiar-se à congregação.
Filiar-se a uma congregação não é ter seu nome na ljsta de mem-
bros, mas é abraçar o compromisso de integridade da aliança. Um
aspecto dos relacionamentos de a]jança é que as partes envolvidas
se esforçam para comunicar e definir o significado de seu relaciona-
mento. O que significa, então, tornar-se membro de uma congrega-
ção? O que uma aliança congregacional representa?
A filiação congregacional envolve cinco elementos: frequência,
serviço, dízimo, visão e liderança.
Filia('ào Congregacional 145

FREQUÊNCIA

Frequência é o comproniisso de participar das reuniões nonnais da


igreja e de qualquer outra reunião marcada pela congregação. A fre-
quência de cada n1embro a uni evento não soniente o edifica, nias
també.m encoraja os outros 1nembros. Há uma percepção de maior
unção e força quando um. número maior de pessoas se reúne. A au-
sência de cada indivíduo é de fato sentida. Hebreus 10.25 (NVI) nos
exorta: "Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costurne de
alguns, 1nas encorajerno-nos uns aos outros".
Fidelidade à frequência revela claramente a forrna como cada um.
planeja seu tempo livre e seus compromissos. Geralmente, uma con-
gregação proniove alg u mas ocasiões especiais durante o ano a fim de
que os 1nenibros passem u1n ten1po .maior juntos - talvez um retiro
ou uma série de reuniões evangelísticas. E importante que os mem-
bros reservem esses dias em suas agendas. Se houver uma conferência
itnportante com alg u ns dias de duração, os membros deverão estar
dispostos a consebruir alguns dias de folga para comparecer ao evento.
Por exemplo, se uma congregação tem unia reunião toda quarta-
-feira à noite, e as outras noites são livres, e un1 men1bro .marca unia
reun.ião de negócios ou uma consulta m.édica justamente naquela
noite, isso dem.onstra que ele não acha iniportante ajustar sua agenda
em função dos con1promissos com a igreja. Nosso co1npromisso de
frequência significa que agendamos prin1eiramente as datas da igreja
c1n nosso calendário e tenta1nos niarcar os de1nais conipromissos eni
função dos eventos da congregação.
Uma pessoa cresce espiritualniente quando estabelece um con1-
promisso firnie com uma congregação. Algumas pessoas pulani de
uma igreja ou reunião para outra. Pensam que, participando de di-
ferentes tipos de ministérios, crescem mais no Senhor. Essa atitu.de
dcn1onstra falta de entendin1ento de aliança. Adquirin1os verdadeira
força espiritual quando encontramos nosso lugar preparado por Deus
e crescemos em con1promisso e aliança coni as pessoas dessa congre-
gação. Isso não nos in1pede de receber a contribuição de diferentes
rninistérios por n1eio de livros, vídeos, conferências e outras formas.
14 6 H E L,\ CIO NA M EN TOS D E 1\ LI,\ N Ç ,\

SERVIÇO

'Iodo n1en1bro da congregação deve estar envolvido ein algun1 ser-


viço prático. Todos deve1n ajudar con1 as tarefas da con1unidade. O
n1ais in1portante não é a quantidade de trabalho, n1as que a pessoa se
responsabilize por un1a tarefa específica. Assun1ir a responsabilidade
pelo serviço gera o fortalccin1ento da aliança.
Alguns tên1 a ideia de que o serviço deve ser realizado somen-
te por aqueles que estão há n1ais ten1po na congregação. Isso não é
verdade. 'Todos deven1 servir. Servir é un1a forn1a prática de construir
relacionan1entos mais íntin1os. C2.11ando alguén1 ten1 algo para fazer,
ele se sente mais encaixado na cornunidade. Ao in1pedir un1 novo
participante de realizar qualquer tarefa, não o estan1os ajudando,
apenas fazendo que se sinta alienado. As pessoas queren1 fazer parte
do grupo. Elas f ican1 111ais felizes quando sentern que tên:1 algo para
fazer. Elas qucren1 poder participar do trabalho da congregação. J\s
pessoas precisan1 sentir-se úteis.
Se todos os n1en1bros colaboran1 e servern, o pastor ten1 1nais
ten1po livre para oração e evangelisn10. :Delegar o serviço a todos tor-
na a congregação n1ais tranquila e atraente aos visitantes. Eles perce-
bcn1 rapidan1ente que existe u1n. espírito de cooperação entre todos.
As tarefas e os detalhes práticos da congregação não deven1 estressar
- e sobrecarregar son1ente algun1as pessoas.
Serviço prático é un1a área in1portante de crescin1ento espiritual
na vida de cada indivíduo. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, nos
ensinou que cada un1 deve estar disposto a servir o outro. O serviço
prático faz crescer o fruto da generosidade, do an1or e da hu1nildade
en1 nossa vida.

DÍZIMO

'Ioda pessoa deve ter o con1pro1nisso de contribuir regulannente e


incondicionalrnente corn o orçan1ento da congregação. Nós ado-
ra1nos a Deus con1 nossos bens (Pv 3. 9). I-Iá várias n1aneiras de
contribuir.
Filia(ÜO Congregacional 147

Uma forn1a de contribuir é semelhante à oferta da viúva. Alguém


niuito pobre pode exercer grande fé ao dar uma pequena quantia que
representa unia grande parte de suas necessidades pessoais. Tirar de
seu sustento pessoal para dar libera grande força espiritual.
A segunda fornia de dar é o próprio dízimo. Dízirno significa dar
dez por cento de sua renda à congregação. Deven1os saber a diferença
entre esmolas, ofertas e dízimos. Jesus disse em Mateus 6.3 (NV1):

Nlas q11mulo 11ocê der es1110/a, que a sua mão esquerda Hão saiba o
que está faze11do a direita.

:Dar esmolas é oferecer secretamente unia quantia relativamente


pequena diretamente a uma pessoa pobre. É feita em segredo para
não ferir a dignidade do pobre. A esmola não tern a ver con1 a provi-
são substancial do trabalho cotidiano da congregação.
A oferta, por outro lado, é uma doação voluntária. A oferta é algo
além do conipromisso do dízimo. A oferta não é obrigatória, mas é
dada por livre vontade e generosidade. A oferta pode ser para um
niinistério extra-local, uma causa particular ou urn projeto especial
da congregação.
O dízimo não é algo necessariamente feito em secreto. Não fere
a dignidade de ningué1n como no caso das esniolas. Certan1ente,
ninguém deve dar o dízimo publicamente para tentar .inipressionar
as pessoas. Por outro lado, o 'dízimo é urna prática clara de conipro-
misso congregacional. Ao contrário da oferta voluntária, o dízimo
geralmente não deve ser un1a dádiva coni finalidade preestabelecida.
O dízimo expressa a fé de que o dinheiro pertence a Deus e é
entregue voluntariamente para os propósitos gerais do reino de Deus.
Uma doação condicionada é uma oferta voluntária além do dízimo. O
propósito do dízinio é sustentar as obrigações normais e as necessida-
des orçan1entárias do local de culto e de ensino. Na Lei de Moisés, o
dízimo era dado para sustentar os levitas locais. Eles erani espalhados
pelo país para realizar a tarefa de ensinar e de liderar o culto.
D.izimar regularn1ente exige disciplina. Dar o dízimo sem de-
l'crnünar sua finalidade exige humildade. Dar o dízimo para as
1,10 Hr.1.,,r10 1'\ H 1rx ro s 1>r. A1.1.,N(,\

necessidades cotidianas da congregação n1ostra un1a responsabili-


dade de aliança por apoio f inanceiro.

GRANDES DOAÇÕES

Alén1 da esmola, da pequena oferta da viúva, do dízin10 e da oferta


voluntária, há o extraordinário passo de fé de doações de grandes
quantias. Isso pode ser chan1ado de "a doação da nova aliança" no
sentido de que não é exigida na Lei, 111as é uma resposta de fé à graça
de Deus. Atos 4.34,35 (NV1) declara:

Não luwia pessoas llcccssitadas entre eles, pois os que poss11ía111


terras 01-1casas as vc11dia111, trazia111 o dinheiro da venda e o coloca-
11a111aos pés das apóstolos, q11e o distrilmíam scg,mdo a necessidade
de cada u111.

É un1 grande teste111unho de :Deus quando as pessoas se desfa-


zern de grandes bens e doam o dinheiro da venda ao nünistério. No
aviva1nento de Atos 4, indivíduos prósperos deran1 quase tudo que
possuían1 ao nünistério. Eles pegaran1 o dinheiro e o depositaran1 aos
pés dos apóstolos. Alén1 de dar, concederan1 aos apóstolos total auto-
ridade para en1pregar o dinheiro con10 desejassen1. Eles não tentaran1
1.nanipular ou influenciar o 1ninistério con1 o tan1anho das doações.
Muitas vezes no Velho T'estan1ento, con10 na construção do ten1plo,
pessoas ricas doara.111 grande parte de suas posses. Nun1 ten1po de
grande derran1an1ento do Espírito Santo, pode1nos crer que hon1ens
e n1ulheres providos de bens e riquezas serão tocados até n1esn10 para
vender o que tên1 e entregar o dinheiro para o ministério.
Ten1os visto, então, cinco forn1as de dar: a pequena oferta da
viúva, a esn1ola, a oferta voluntária, o dízin10 e a doação de grandes
quantias. Lucas 8.3 (NVI) registra que algun1as n1ulhe.res ricas segui-
ran1 o n1inistério de Jesus e o sustentara1.n co1n seus recursos pessoais.

Jomw, 11rnlher de C11za, ad111i1tistmdor da casa de 1-lerodes; Susana


e 11111itas 011/ras. Essas 11111/heres ajudavam a s11ste11.tá-los co111 os
se11s be11s.
Filiaç.io Congregacional 149

Dar dinheiro está relacionado com o compromisso do coração.


Se alguém estiver co1nprometido com urna causa, ele certa1nente
doará a esta causa. O contrário também é verdade: se alg u én1 doa
:1 tuna causa, então seu con1promisso com ela cresce. Jesus disse en1

l\1ateus 6.21 (NVI): "Pois onde estiver o seu tesouro, a í tambérn estará o
- "
sc:u coraçao .
Dar dinheiro para o reino de Deus é uma expressão do compro-
misso de coração. É tan1bém un1a forn1a de exercer don1ínio sobre
( >S ataques de ganância ou 1nedo de insegurança financeira. Qyando

alguén1 doa dinheiro, seu potencial de crer para receber n1ais dinhei-
ro cresce. Jesus disse em Lucas 6.38 (NV1): ''Dêem, e lhes ·será dado".

CRENDO PARA RECEBER

/\s pessoas não precisan1 ser apenas obedientes para dar, mas tan1-
hé1n para exercer fé para receber. O dar envolve duas partes: a pri-
meira é dar; a segunda é crer para receber. Um dia, n1inha esposa e
(;li con1preenden1os que dizi1návamos e doávan1os havia muitos anos,

mas nunca tínhamos praticado a oração da fé para receber uma por-


<;ão n1ultiplicada con1 base no que déra.1nos. Hoje, quando damos
dízimos ou ofertas, proclan1an1os sobre eles as bênçãos da aliança
V
relacionadas à prosperidade. Deuteronôn1io 8.18 (N1 ) declara que
é Deus "que lhes dá a capacidade de produzir riqueza, conftnnando a
aliança que jurou aos seus antepassados". Nós receben1os de volta pela
fc cem vezes mais para sern1os mais generosos.
E1n Marcos 10, Pedro a.finna ter dado tudo o que tinha em prol
do Evangelho. Jesus lhe responde dizendo que, quando damos, de-
vcn1os tan1bém crer que reccberen10s de volta cen1 vezes mais. Jesus
ta,nbé.m n1ostra que haverá unia batalha espiritual relacionada a re-
ceber recursos .financeiros pela fé. Marcos 10.29,30 (NVI) declara:

Respondeu Jesus: "J)igo-lltes a verdade: i\Tiiiguém que teiilia dei-


xado casa, irmão ir111ãs, mãe, pai,filltos, 011 campos, por ca11sa de
mim e do e11aHgclho, deixará de receber ce111 vezes mais já 110 te111po
prcsc11tc rnsas, irmãos, ir111ãs, mães,filhos e campos, e co111 eles per-
s 11iç,10; ,·, na era f11t11ra, a vida eter11a".
/\o nos aproximarn1os dos ten1pos difíceis vistos no livro de
Apocalipse, é in1portantc desenvolver no coração de nossos n1embros
a fé na provisão de Deus. Nosso povo precisa aprender a dar; nosso
povo precisa saber co1110 receber de volta cem vezes rnais; nosso povo
precisa aprender a lutar a guerra espiritual. As perseguições virão
para dificultar o fluir das finanças para a obra do n1inistério.
Grande parte do sisten1a do anticristo dos últin1os dias será rela-
cionada às finanças (Ap 13). E.111bora os crentes possarn usar alguns
dos sisternas financeiros rnundiais, eles devern depender somente de
Deus. Nã.o devem deixar que o poder do sisten1a n1undial de crédito
exerça controle sobre a sua vida. Deus deseja fortalecer a fé de todos
para a provisão financeira.

VISÃO

Outro aspecto da filiação à congregação é a visão. Há n1uitas coisas


que as congregações de fé ao redor do inundo tê1n e1n con1un:1. Po.r
outro lado, cada cornunidade de fé ten1 deternünada identidade, cha-
n1ain.ento e destino em Deus. A visão para a congregação deve ser
expressa de forn1a adequada pela liderança. O men1bro vern con1 o
propósito e sustentar a visão da congregação. C211ando a congrega-
ção cresce en1 nún1ero, n1uitas pessoas con1eçan1 a frequentá-la por
gostar da música ou do ensino. Os participantes que gostarn do que
receben1 não são necessarian1ente co111pron1etidos con1 a congrega-
ção a firn de que ela cun1pra seu destino. Esses participantes não
contribuen1 para o progresso da congregação. O n1en1bro deve estar
certo de entender a visão da congregação e ser chan1ado por Deus
para auxiliar a sustentar tal visão.
No antigo Israel, o povo se reunia ao redor da bandeira de sua
tribo específica. A bandeira era o sünbolo que representava o chama-
n1ento e a identidade daquela tribo. Os aspectos principais da visão
de un1a congregação podem ser con1unicados por n1eio de len1as e
frases faciln1.ente assin1ilados e n1en1.orizados.
En1 qualquer congregação, deve haver un1 conjunto de valores
co1npartilhados regularn1ente escrito no coração das pessoas. Por
Filiaç;io Co11gregacio11al 151

cxen1 plo, en1. nossas congregações n1essiânicas, con1partilhan1os os


valores do pleno poder do Espír.ito Santo, da fidelidade aos relacio-
11an1entos de aliança e da restauração das raízes judaicas da fé. Se
111na pessoa discorda de unia parte essencial da visão de un1a con-
gregação, ela deve provavel1ncnte buscar outro lugar ao qual se filiar.
'lornar-se un1 n1en1bro aliançado de uma congregação é equivalen-
i-e a assinar seu no1ne para confirn1ar sua concordância con1 a visão
principal daquela comunidade.

RECEPTIVIDADE AOS PRESBÍTEROS

() quinto aspecto da filiação congregacional é a receptividade à au-


toridade, à unção e ao conselho do presbitério dessa congregação.
() presbitério é a principal estrutura de governo da congregação. O
presbítero presidente ou principal é cha1nado de pastor. Por n1eio do
pastor e dos presbíteros, deve haver un1 fluir de unidade espiritual
que pern1eia toda a congregação. O!iando alguén1 se une à congrega-
ção, está dizendo que confirn1a pela fé o chan1ado dos hon1ens que
no n10111ento exercen1 a liderança. Ele crê que será edificado por sua
liderança. Seu ato de con1pron1isso con1 a congregação é tan1bén1 u111
ato de subn1issão à autoridade espiritual daquela congregação.
Receptividade à p alavra pastoral é un1 ato de fé da parte do 111en1-
hro. Não ten1 sentido alguén1 se filiar a unia congregação e depois re-
cla111ar que não está recebe1ido nenhun1 alitnento do ensino. A n1esn1a
fê exercida para se assun1ir un1 con1pron1isso con1 a congregação ta111-
hém é exercida para receber a unção e a autoridade dos pastores.
tanto n1ais fé os 1nembros tên1 en1 seus presbíteros, n1ais tran-
quilos e confiantes eles se sentem para ouvir do Senhor e con1parti-
lhar a palavra con1 os n1e111bros. Se os n1ernbros não são receptivos,
torna-se n1uito 1nais difícil para a liderança agir en1 fé e fluir na un-
ão de Deus.

Obedcça111 aos seus líderes e s11b111ctm11-se à autoridade deles. Eles


c11ida111 de 1Jocês co1110 q11e111 dc11e prestar co11tas. Obedeça,11-lhes,
para que o trabalho deles seja 11111aalegria e 11ão 11111peso, pois isso
não seria pro11citoso para rJOcês. (l [b 13.17; N V [ )
152 HEI.ACION,\ME TOS DE ;\1.1.\N<,:A

A subn1issão cooperativa irradia um espírito confiante de alegria


para os presbíteros, que, por sua vez, contagia tarnbém os n1embros.
Isso forma um ciclo positivo por meio do qual todos crescem em
alegria, fé e autoridade.
A congregação é um centro de treinamento, e o novo membro é
alguém que veio alistar-se no progran1a a f in1 de ser treinado para o
reino de Deus. Efésios 4.12 (NVI) declara que a obra dos diferentes
ministérios ten1 o objetivo de: "preparar os santos para a obra do n ú -
nistério, para que o corpo de Cristo seja edificado". O papel da liderança
é preparar os 1ne.mbros. Se o trabalho dos líderes é treinar, então
o membro é alguén1 que está sendo treinado. Esse treinan1cnto diz
respeito a realizar a obra do ministério. U n1 membro deve ser alguém
que deseja servir o reino de Deus.
A participação na obra do .ministério não é un1 trabalho de tem-
po integral. Não há diferença entre o clero e o leigo. Todo cristão
deve trabalha para o ministério. Ao tornar-se n1e1nbro da congre-
gação, o novo congregante está declarando que deseja entrar para a
obra ministerial. Efés.ios 4.12 afirn1a que a tarefa dos líderes é treinar
e fortalecer a co1nunidade de crentes a f im de que faça a obra do
ministério. A con1unidade é edif icada por cada um dos n1embros in-
dividualmente e pelo grupo coletivamente.
A pessoa que se une à congregação é semelhante a alguén1 que
se alista no exército ou se matricula num.a escola dizendo: "Por favor,
aceite-me, treine-n1e e .me faça prosseguir para o alvo''. O propósito
da filiação é apresentar a si mesmo para ser edificado em todas as
áreas a fim de tornar-se um soldado do reino de Deus. Se essa for a
atitude dos .membros da congregação, os problen1as internos serão
mínimos.

PARTICIPAÇÃO

Cada membro deve considerar a si mesmo con10 uma junta ou li-


gamento específico do corpo. Todas as partes necessitam umas das
outras para funcionar. Efésios 4.16 (N.VI) diz:
fi Iiaçüo Co ngrcga e io nal 15 3

Dele todo o corpo, ajustado e ,mido pelo a11xflio de todas as j11111as,


f
cresce e ed{ i w -sc a si mesmo em amor, ,w medida em q11e wda
parte realiza a sua f1111ção.

O Corpo é unido e interligado. Deve haver uma conexão en-


tre todos os me.mbros. O compromisso com a congregação é o com-
promisso de estar entrelaçado, ligado e vinculado com os outros. O
versículo 16 diz: ''pelo auxílio de todas as juntas". Tornar-se membro
significa oferecer suporte e auxílio ao Corpo. A filiação significa o
ron1pro1nisso de ajudar co1n aquilo que possui. O versículo 16 afirma
<1uc "cada parte realiza a suafiazção". A filiação não é passiva. Tem a ver
co1n assumir uma participação ativa que pode beneficiar todo o grupo.
Essa participação vai produzir o "crescimento do Corpo". A filia-
1;ão é o compromisso de contribuir para o crescimento da congrega-
\·ão. Al g u ém ajuda con1 evangelismo para ver o número de membros
rrcscer. Outro participa da oração e da adoração para ver a qualidade
espiritual da comunidade crescer. Finalmente, o versículo 16 diz que
o Corpo ''edifica-se a si 1nesnw e,n atnor". A filiação é o compromisso
que faz você ser edi.ficado até atingir a mais alta capacidade de an1ar
outros. Estamos todos crescendo em força juntos. Contribuímos para
a paz e unidade da comunidade espiritual.

CHAMADO, NÃO CONFORTO

/\. filiação congregacional deve ser vista como um chamado de Deus.


Não é como escolher um restaurante. A questão não é: "Onde desejo
frequentar?", mas: "O que Deus me chamou para fazer? Onde Deus
1nc chamou para fazer um compromisso?". Não escolhemos o lugar
onde possamos nos sentir mais confortáveis. Escolhemos o lugar que
1)cus ordenou para nossa participação.
l5

CAR1\CTERÍS1,ICA.S DA. 1\LIA,NC.A: l

rf llA:B1\LHO EM l QUIPE

D
eus nos vê coletivan1ente cotno uni corpo, e cada un1 de nós
individualmente con10 uma junta ou un1 ligan1ento do cor-
po. Existem conexões espirituais entre nús. O corpo como um
todo não pode fazer nada sen1 a cooperação de cada parte. E cada
parte de um corpo não pode fazer nada sen1 estar conectada ao corpo.
Em João 5.19, Yeshua (Jesus) disse que não podia fazer nada
fora de sua conexão corn o Pai.

O Fi/110 de si 111cs1110 11ada pode Jazer, senão o que vir o Pai Jazer;
porque w d o q11a11to ele Jaz, o F i l h o o J a z ig11al111e11te.

1oda ação espiritual é resultado de relacionamento. Nosso rela-


cionarnento n1ais in1portante é o que n1anten1os com o próprio Deus.
Cada um de nós e.leve ser totalrnente dependente de Deus. Nós ta1n-
bén1 ten1os relacionan1entos con1 outras pessoas. Assim como Yeshua
era completan1en te vinculado a seu Pai, da n1esn1a forn1a estamos
vincuJados a ele e uns aos outros.
) eshua condena un1 espírito independente. Ele disse: Filho 'o
de si mesmo nada pode fazer". Ele não se esforçava para fazer algo
especialn1ente singular ou original, n1as procurava cooperar com o
n1odelo do Pai. Corno fiJJ10, Jesus son1ente agiu "igualmente" ao Pai.
U1n hon1em que entende a aliança se enxerga con10 un1 jogador de
un1 tin1e.
1Cada pessoa é totalrnente responsável pelas próprias ações. Ela
deveria servir e proclarnar o reino de Deus ao n1undo inteiro rnesn10
que ninguén1 n1ais a ajudasse. Mas já que existen1 outros cristãos,

155
156 IIEl.1\CIO AMEi\TOS OE Al.li\NÇA

,
devemos ter a atitude de um jogador que faz parte de um time.
Qtando alguén1 se vê como um jogador de ur.n time, essa pessoa é
in1buída de um espírito de trabalho em equipe. Qualquer un1 que já
tenha participado de um esporte coletivo e competitivo entenderá
esse tipo de espírito.

ESPORTES DE EQUIPE

Qtando estava na faculdade, eu con1petia num esporte chamado


"tripulação" nun1 barco en1 fonna de concha cotn oito hornens e um
timoneiro. O casco do barco era 1nuito afiado. Ele poderia ton1bar
co.111 o mais leve 1novin1ento lateral. No início, enquanto aprendía-
mos a reinar juntos, era tudo muito estranho. Os reinos batian1 na
água de um lado para o outro balançando o barco. Depois de meses
de prática, fomos capazes de sair do lugar e ren1ar er.11 perfeito equi-
líbrio; a quilha do barco ficava nivelada, e o barco deslizava e111 alta
velocidade pela água.
J\pesar de cada indivíduo remar com uma força muito violenta, a
sincronização e a cooperação eran1 tão perfeitas que não havia sequer
un1 n1ovimento lateral do barco. Qyando atingíarnos a velocidade de
corrida, o casco co1neçava a levantar-se levernente para fora da água.
Experimentávamos momentos de beleza poética devido a força, ve-
locidade, equilíbrio, sincronia e ritn10.
Parte da beleza era produzida pelo senso intuitivo de trabalho
en1 equipe e de unidade entre os hon1ens. O n1ais leve erro de m.o-
vimento por parte de un1 dos oito ren1adores poderia arruinar um.a
corrida. Nós gastávamos meses de preparação extenuante para pou-
cos n1inutos de corrida. Dependían1os totaln1ente uns dos outros.
Alén1 da alegria de ganhar a corrida e de competir be1n, o privilégio
de experitnentar a perfeição do trabalho ern equipe era, por si só, uma
recompensa estética e espiritual.
O mesmo pode ser dito sobre qualquer trabalho de equipe ou
atividade esportiva coletiva. Servir no reino de Deus deve significar
a doce e espiritual recompensa de ser membro de um tin1e. Há uma
alegria de co1npanheirisn10 e fraternidade no trabalho conjunto.
Carartcrísticas da Alian ·a: Trahalho cm Equipe 157

Num trabalho com espírito de equipe ninguém procura tanto


:1 própria realização individual, mas visa o bem de todo o grupo.

(1c1n já jogou basquete deve lembrar-se de quantas vezes algum


amigo desejava arremessar a bola toda vez que a segurava. Sua von-
1 ade era aumentar seu próprio placar. Mesmo que ele se beneficiasse
ron1 um placar individual nlaior, o time poderia sofrer uma derrota
110 placar geral.

Qyando um time de basquete investe tempo treinando para


ro1npetir num campeonato, procura desenvolver o espírito de equi-
pe. Grande parte do tempo de treinamento é gasto não tanto para
aprender habilidades individuais, mas para aprender a interagir com
os outros jogadores do time. À medida que cada un1 aprende a con-
l rolar o próprio corpo, todos aprendem na prática a desenvolver a
roordenação do corpo da equipe.
No Corpo de Cristo, tan1bém existem diferentes tipos de joga-
dores. Num time de basquete, temos armadores, laterais, pivôs, téc-
nicos, gerentes, gandulas e membros da administração do clube. Até
mesmo o proprietário e os fãs podem ser considerados como parte da
identidade do time. No Corpo de Cristo, te.mos diáconos, presbíte-
ros, líderes de louvor, administradores, auxiliares de lin1peza, obreiros
da Escola Dominical, auxiliares do berçário, membros da equipe de
son,, recepcionistas etc.
Efésios 4.11 (NVI) descreve cinco tipos de rninistérios: ''E ele
tl,:signou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evange-
listas, e outros para pastores e 1nestres". Esses cinco ministérios devem
ser considerados como n1e1nbros de um time. Podem ser compara-
dos a cinco jogadores de um time de basquete. Os ministros devem
trabalhar num espírito de equipe. Hoje, há uma consciência cada vez
maior da inter-relação entre esses cinco ministérios.

MEMBROS UNS DOS OUTROS

Todos os membros de uma equipe possuem talentos, dons,


unção e motiva ·ão diferentes. Ron1anos 12.6-8 lista os dons de
profecia, scrvi\·o, t·nsino, exortação, contribuição, adrninistração e
158 HEL\CION,\MENTOS DE i\l.L\N(A

rnisericórdia. Esses dons deven1 ser exercidos no espírito de traba-


lho em equipe.
Todos os dons espirituais são dados para o benefício do Corpo
eni geral. Cada doni é unia ajuda no funcionamento geral do grupo.
Os dons de Ron1anos 12 são introduzidos pelas declarações dos ver-
sículos 4 e 5 (N VI):

Assim co1110 cada 11111 de 11ós tem 11111corpo com 11111itos 111c111hros e
esses 111e111bros 11ão cxc1·cc111 todos a mesma f1111ção, assim ta111bé111
e111 Cristo nós, que so111os 11111itos,fomw111os 11111corpo, e cada 111c111-
bro está /( ado a todos os 011tros.

Os três aspectos de trabalho en1 equipe são: eni prin1eiro lugar,


devemos ter a atitude interior de uni jogador do time. Inalan1os o
n1esmo ar do espfrito do tinie. Son1os 1notivados pela atitude de tra-
balho eni equipe.
Eni segundo lugar, nosso alvo deve ser o beni de todo o time.
Não aspiramos por uma real.ização individual; nossos olhos estão fi-
tos no alvo n1aior que é a vitória coletiva. Nosso objetivo é o beni do
grupo, não o sucesso individual.
Em terceiro lugar, nós nos con1pro1netemos a aprender como
interagir uns con1 os outros. Precisa.1nos desenvolver a habilidade de
passar a bola para frente e para trás. Deve1nos gastar ten1po para
treinar inter-relação, con1unicação e jogo en1 equipe. Não basta ter
un1 espírito de equipe; é necessário desenvolver as técnicas do jogo
en1 equipe.
Os três aspectos do trabalho eni equipe são o espírito de equipe,
o alvo da equipe e as técnicas do jogo de equipe. Un1 honien1 voltado
para aliança é un1 jogador de equipe.

O PRINCÍPIO DE CONCOR DÂNCIA

O trabalho ern equipe está relacionado co1n o princípio de con-


cordância. Na n1aten1ática, urn .mais un1 é igual a dois; 111as no n1un-
do espiritual, u.rn n1ais uni pode ser igual a dez. No princípio de
concordância, há muito niais poder quando trabalhamos juntos do
Caraclcrísticas da Aliança: Trabalho cm Equipe 159

que quando somamos partes separadas e isoladas. Alé1n de haver uni


poder espirin1al exponencial, há ta1nbé.1n o acréscin10 da autoridade
da concordância da segunda ou terceira pessoa.
1Vlateus 18.16 (NVI) declara que, se o testernunho de alguérn
não possui autoridade suficiente, ele deve levar n1ais al g u é1n consigo.

J\ílas se ele 11ão o 011vit leue co11s( o 111ais 11111 011 dois outros, de
111odo que 'qualquer ac11saçe10 seja co,ifi.rmada pelo depoi111e11 to de
duas 011 três testc1111111/ws'.

Nesse caso, não houve suficiente peso espirin1al ou autoridade


nas palavras da pessoa. Urn ponto de vista de alguém pode ser apenas
sua opinião subjetiva. Q_yando uma segunda ou terceira testemunha
(; introduzida, existe unia autoridade que transforn1a a situação nun1
fato válido e legaln1ente garantido. No tribunal, o testen1unho de
tuna pessoa pode ser rejeitado; n1as se duas testen1unhas de 1nodo
separado e independente concordam entre si, o primeiro testemunho
(; confirn1ado.
Uln único olho hun1ano pode apenas transn1itir in1agens num
plano bidimensional. 1 \ perspectiva dupla do segundo olho cria u1na
i1nagen1 tridiJnensional na mente. 1 \ percepção de profund.idade ven1
somente quando arnbos os olhos agem e1n conjunto.
Na oração, acrescenta-se unia din1ensão de autoridade quando
uma segunda pessoa entra en1 concordância. Mateus 18.19 declara:

Ta111bé111 lhes d( o que se dois de 11ocês co11cordare111 11a terra e111


q11alq11er ass1111to sobre o q11al pedirem, isso lhes será Jeito por 111e11
Pai q 11e está 110s céus.

Se dois cristãos atingern unia unidade de n1ente e espírito acer-


ca da vontade de Deus, eles podern exercer grande autoridade para
confirn1ar suas orações. Nlateus 18.20 ( 1 \ R A ) acrescenta a essa auto-
ridade o poder dinân1ico do Espírito de Deus.

Porque, 011dc esti11crc111 dois 011 três re1111idos c111 111e11110111c, ali
csf 011 110 meio deles.
1 U un,a di,ncnsão n1aior de unção, oração e adoração quando
dois ou três entram em concordância espiritual. O Espírito de Jesus
está presente ern poder no meio deles.

DE DOIS EM DOIS

ando Ycshua enviou os 70 discípulos, ele os enviou e1n grupos


de dois:

Depois disto, designou o Senhor outros sete11ta; e os e1111iou de dois


em dois, para que o prccedcsse111 c111 cada cidade e lugar ao11de ele
estai;a para ir. (Lc 10.1; A'RA)

A presença espiritual do Senhor atua de n1odo especial quando


dois ou três estão em concordância. Jesus os envia de dois em dois
para que possan1 usar o princípio de concordância en1 seus ministé-
rios. A concordância pela fé aumenta a eficácia da guerra espiritual.
Deuteronôrnio 32.30 (NVI) questiona: "Como poderia utn só ho1ne1n
))
perseguir mil, ou dois pore1n ern fuga dez mil? .
O princípio de concordância opera por intermédio de um poder
exponencial. Se alguém persegue mil, e outro homen1., mais n1il, eles
conseguem derrotar um inin1igo de duas mil pessoas. Se lutaren1 jun-
tos, os dois poderão afugentar dez mil. Se trabalharmos juntos, po-
deremos realizar n1ais do que trabalhando separadan1ente. Colocar
dez n1il para correr exige fé. ando duas pessoas se comprometem
a trabalhar juntas, isso pode não parecer mais eficaz do ponto de vista
natural. A fé se faz necessária para saber que, no n1undo espiritual,
duas pessoas trabalhando juntas realiza1n exponencialmente muito
mais do que realizariam sozinhas.

PROTEÇÃ O MÚTUA

A proteção mútua de aliança funciona de ,nodo semelhante ao traba-


lho em equipe e ao principio de concordância. ando duas ou mais
pessoas trabalham juntas, elas podem cuidar umas das outras. Usa-
n1os a expressão "dar cobertura". No exército israelense, assim como
Características da A l i a n p : Trabalho e111 l'.q11ipt· 161

c,n outros exércitos, um soldado dá cobertura ao parceiro enquanto


de avança sob o tiroteio. Não tcn1os olhos atrás da cabeça; não há
romo perceber o que está acontecendo atrás de nós. É provável que
tcnhan1os sido criados para trabalhar juntos.
Há um exemplo de proteção militar mútua em 1 Crônicas 19.
Joabe, o chefe do exército de Davi, sai com seus homens para lutar
contra os amonitas, que haviam contratado os sírios para ajudá-los. Os
amonitas e os sírios se posicionaram em dois lados opostos ao exército
de Israel. Ao perceber que estava cercado, Joabe divide o exército em
duas partes e coloca uma metade sob o comando de seu irmão Abisai.
/\s duas n1etades do exército ton1an1 posições opostas, uma de costas
para a outra, e enfrentam seus oponentes.Joabe diz para Abisai:

Se os sírios forem 11,aís fortes do q11e eu, l11 virás socorrer-me; e, se


os a11w11itas forem mais fortes do q11e t11, e11úfo, e11 te socorrerei a
ti.(1 Cr19.12)

Cada parte está compron1etida en1 primeiro lugar a lidar com sua
,nctade do problen1a, 1nas há um acordo a ser observado de ajudar
o parceiro de aliança se necessário. De modo semelhante, duas na-
<;ões podem tornar-se aliadas.Um aliado é uma nação que faz aliança
com a outra. Na Segunda Guerra 111undial, o grupo de nações que
se aliançaram para derrotar os nazistas foi chamado de "Os Aliados".
A proteção mútua foi outro motivo pelo qual Yeshua enviou os
discípulos de dois en1 dois. Além de concordar em oração, eles es-
taria111 lutando juntos e protegendo un1 ao outro co1110 irmãos de
aliança. Seriam como dois dos valentes do exército de Davi, guer-
reando sozinhos, de costas um para o outro, nu111 can1po inimigo e
derrotando uma brigada inteira das tropas dos filisteus (2 Sm 23).

COOPERAÇÃO

Outro aspecto do trabalho en1 equipe é a cooperação de aliança.


1Tá uma bela passagen1 descrevendo essa cooperação en1 Eclesiastes
4. 9-12 (NVI):
162 li El.:\CI01'i\.\l ENTOS D E i\ l.l.\1\ÇA

É melhor ter co111JHlllhia do que estar sozi11/w, porq11c maior é a


rcco111pc11sa do trabalho de d11as pessoas. Se 11111 cait; o a111igo pode
aj11dá-lo a lcua11tar-sc. J\1as pohre do /10111c111 que rni e não tem
q11e111 o ajude a lc11a11tar-se! E se dois don11irc111 juntos, 11ão 111a11-
tcr-sc aquecidos. Co1110, poré111, 11w11tcr-sc aquecido sozinho? U111
Ílo111c111 sozi11l10 pode ser 11e11cido, 111as dois co11seg11c111 defc11dcr-sc.
U111 cordão de três dobras 11ão se ro111pc com facilidade.

O cordão de três dobras e a sua força deven1 ser un1 te1na comum.
entre innãos de aliança.
O verso 9 declara que, se dois estivererr1 juntos, terão un1a "boa
recon1pensa de seu trabalho". Essa boa recon1pensa é a n1aior eficácia
do trabalho en1 equipe. É possível realizar n1ais quando dois cooperam.
Se alguén1 ten1 un1 proble1na, o outro pode ajudá-lo. A possibili-
dade de confiar en1 u1n anügo de aliança nun1 n1on1ento de fraqueza
é un1a bênção da cooperação. 1\juda n1útua é o ensino específico do
verso 10: "Se u1n cai?; o aniigo pode c judá-lo a levantar-se". No n1es-
n10 versículo, há um alerta sério contra u1n espírito in<lependente
ou solüário: "/Vlas pobre do h01nem que cai e não te111 que,n o ajude a
te·vantar-se
I •
./ " .
Não somos chan1ados para ser "Lone Rangers" (Cavaleiros So-
litários) no n1inistério. Orgulho fataln1ente leva à queda. O orgulho
pode levar alguén1 a tentar fazer tudo sozinho, n1as no fim talvez
ele se encontre desprotegido contra o inirnigo. Se, após anos de in-
dependência, um hon1e1n vier a cair, é porque não desenvolveu um
relaciona1nento de confiança coin. algué1n capaz de ajudá-lo.
Fazem parte da cooperação o conforto e o encorajan1ento 1nú-
tuos. O versículo 11 declara: ''E se dois donnirem juntos, vão manter-se
aquecidos". Isso não se refere apenas ao aqueci1nento físico de duas
pessoas nu1na noite fria. 1antos n1aridos e esposas são totalmente
renovados após un1 dia difícil ao receber u.111abraço reconfortante de
seu cônjuge? Se você ten1 uma pessoa que lhe proporciona conforto
e apoio, não existe tarefa difícil demais a ser enfrentada. Nenhuma
dificuldade ou desânimo pode derrotá-lo.
Entre <luas pessoas, pode haver uma afeição ou arnor caloroso
que renove e reacenda o entusiasmo espiritual. Urna encor; ja a outra
Caractcrístira� da ,\lia11p: rrahalho 1·111F.q11ip1· 16:1

para que não sejan1 derrotadas pelo diabo. Unia encoraja a outra por
,neio da confiança do con1panheirismo que faz an1bas crescer na gra-
<;a de Deus. Mesmo que essa passagem possa ser aplicada a marjdo e
mulher, também pode ser usada para a relação entre amigos de alian-
ça. Q.iaisquer pessoas compron1etidas a apoiar-se en1 sua amizade
podem ser un1a fonte recíproca de encorajamento e conforto.
Eclesiastes 4.12 nos pro1nete vitória na batalha espiritual: "Uni
honzem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se". Como
cristãos, lutamos contra forças satânicas. Jesus se refere ao diabo
como um homen1 forte que precisa ser derrotado. Q.1ando traba-
lhamos juntos en1 aliança, poden1os conquistar forças demoníacas.
Podemos resistir a qualquer dia mau. Poden1os resistir a qualquer
ataque das forças das trevas quando permanecen1os unidos.

CORDÃO DE TRÊS DOBRAS

O versículo 1.2 declara: "Uni cordão de três dobras não se ronzpe com
ji,cilidade". O que se destaca nessa descrição é a imagem da corda. À
medida que uma corda é trançada, os três fios são alternadamente
·ntrelaçados. Esse entrelaçamento produz grande força. Un1a corda
grossa de três dobras usada no convés de u1n navio é u1na boa ima-
gcn1 da confiança dos relacionamentos de aliança.
Certa vez, estava praticando alpinisn10 con1 um amigo. Num
trecho be1n difícil, meu pé escorregou, minhas 1nãos se soltaram, e
t:u con1ecei a cair, afastando-rne da superfície da rocha. IVleu compa-
11hciro, que estava aci1na de mim, tinha a corda em volta da cintura.
Co1n uma manobra difícil e vigorosa, ele conseguiu trazer-1ne de
volta a uma saliência, onde pude apoiar os pés e n1e equilibrar. Foi
a fidelidade de meu companheiro, juntamente com a segurança da
corda, que salvou a minha vida.
f\lgumas cordas são feitas de material leve, e outras são feitas de
fibras grossas e rústicas. Quanto n1ais forte a corda, mais peso pode
a ucntar. Precisan1os desenvolver nossos relacionan1entos de aliança
a partir de fios fracos para tornar-se uma corda robusta capaz de su-
portar qualquer quantidade de tensão e luta.
1ó ,1 lt 1.l.,\t'ION,\.\11.NTOS DE i\1.IANÇ,\

DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO

Muitas vezes, as pessoas têm dúvidas e receios de assumir co1npro-


nüsso umas com as outras. Primeiro, temos de saber quem nós so-
Lnos e o que Deus nos chamou para fazer. Só então, podemos tratar
diretan1ente com outra pessoa. Muitas pessoas não têm de fato a in-
tenção de cumprir o que prometen1. O assunto de fazer aliança deve
levar-nos a sondar o nosso coração para ver se de fato podemos ficar
firn1es nos compromissos que assumimos.
O capítulo 10 de 2 Reis é un1a bela passagern que mostra o en-
contro de dois poderosos ho1nens de Deus, Jeú e Jonadabe. Jeú está
prestes a trazer julgamento sobre a família perversa do rei Acabe; é
uma crise que requer grande coragem e determinação. Jeú precisa
saber, de homem para hon1em, de coração para coração, se Jonadabe
está mesmo con1 ele. Qyando o encontra,Jeú lhe pergunta:

Reto é o te11 coração para comigo, co1110 o 111e11 o é para contigo?


E disse Jo11adabe: E. E11tiio, se é, dá-111e a mão. E dc11-/l,e a mão,
e j e â fê-lo subir consigo ao carro. E disse: vái co111igo, e 11erás o
111e11 zelo para co111 o Sc1Lh0t: E o p11sem111 110 se11 carro. (2 R.s
10.15, 16;AllC)

Qye diálogo emocionante! Mexe com as entranhas do 1neu ser.


Meu desejo é servir ao Senhor e permanecer en1 aliança com irmãos
coraJosos.
É preciso coragen1 para agir con1 lealdade e integridade. É pre-
ciso coragen1 para ser detern1inado a não agir de modo infiel. O co-
ração de n1uitas pessoas é tão vacilante que elas nunca conseguem
assumir um compronüsso firme. É preciso corage1n para decidir em
seu coração que será perfeito com uma outra pessoa. A palavra per-
feito não significa ser infalível em sua conduta. Perfeito significa ser
fiel a un1a aliança.
Davi foi descrito con10 sendo perfeito de coração con1 Deus.
Ele não foi un1 ho1nem sem falhas em sua conduta. Todavia, foi
insistentemente fiel en1 sua aliança co1n o Senhor. Precisa1nos ser
perfeitos no nosso coração con1 Deus. Precisamos ser perfeitos no
Características da 1\liança: Trahalho cm Equipe 165

11osso coração co.m. os outros. Uma conduta in1pecável não é o n1ais


importante. Ten1os de nos esforçar para elinünar todo vestígio de
in fi delidade dos nossos corações. Temos de ser hon1ens e mulheres
t 1c caráter temperado como o aço para guardar a aliança.

OLHO N O OLHO

Existe algo sobre olhar alguém diretamente nos olhos que revela a
atitude de coração da pessoa. Se a atitude de uma pessoa está er-
rada, ela geralmente não consegue fazer contato visual. A culpa, a
vergonha ou a an1argura faze1n com que desvie o olhar. O n1edo de
rejeição e a baix:a autoestin1a poden1 tan1bén1 in1pedir a pessoa de
dirigir seu olhar para a outra. Os olhos são a janela da alma. :rvluitas
vezes, os olhos n1anifestan1 o que se passa no coração de alg u
l Jn1. dependente quí1nico geral1nente apresenta un1a descoloração na
én1
parte branca do olho. Obtén1-se 1nuito discernin1entó do que está
acontecendo no interior da pessoa olhando en1 seus olhos.

A candeia do COl]JO são os olhos; ide sorte que, se os teus olhos forem
bons, todo o teu co,po terá l11z; Se, porém, os te11s olhos forem 111a11s,
o te11 cotpo será tenebroso. (Mt 6.22,23; AllC)

Outras versões descreven1 os olhos bons con10 li1n pos, saudáveis


ou singelos. Por intern1édio dos olhos, a nossa al1na se eleva para
1·ocar a aln1a do próxin10. Deven1os aprender a olhar nos olhos dos
outros. Não estou falando sobre con1petir para ver quen1 abai,xa os
olhos prin1eiro. Isso seria perverter grotescamente a honestidade de
manter contato visual. A habilidade de olhar nos olhos de alguém,
quando praticada co1n un1a atitude correta, pode refletir sin1plicida-
dc, cuidado e sinceridade. Devemos ser pessoais e objetivos um com
o outro. A incapacidade de uma geração de olhar nos olhos indica
11 ,na falta' generalizada de g u ardar aliança.

Se a n1inha n1otivação é correta en1 relação a você, posso olhar


nos seus olhos. Desviar o olhar quando alguén1 conversa con1 você é
urn sinal de desrespeito. Se estou falando algo in1portante con1 meus
lilhos, exijo que olhem para nüm a f in1 de que as nünhas palavras
166 I\ELACIO ,\ME TOS DE :\LL\ Ç.\

penetren:1 no coração deles. Faço questão de olhar nos olhos das


pessoas para transmitir-lhes respeito e apoio.
Se alguén1 está falando, precisan10s olhar en1 seus olhos para
mostrar que estan1os dando atenção total a suas palavras. Uni olhar
distante e distraído pode significar que a pessoa está pensando e.m
outra coisa. Precisan1os priorizar nossos relacionan1entos co1n as
pessoas de n1odo que nossos pensamentos não nos leven1 longe dali
quando ten1os a oportunidade de passar urn te1npo precioso con1
elas. Olhar o outro nos olhos con1 u1n espírito de encorajamento
amoroso e de afirn1ação positiva faz con1 que ele se sinta in1portante
por 111erecer nossa total atenção.

ELISEU E HAZAEL

En1 2 l eis 8, o profeta Eliseu confronta I-Iazael, urn alto oficial


do rei Ben-Hadade da Síria. Eliseu discerne no espírito que I--lazael
planeja assassinar Ren-1-Iadade e usurpar o trono. 1-Iá urna confron-
tação entre os dois hon1ens, que fixan1 os olhos uni no outro.

Elisc11 ficou ollu111do_fixm11c11tc para 1-:lazacl até deixá-lo co11stra11-


gido. E11tí10 o ho111c111 de f)c11s w11u.:ço11 a chora,: E pe1g1111ío11 1-:fa-
zacl: Por que meu se11/Jor está c/10ra1ulo? Ele rcspo11deu: Porq11c sei
das coisas terríveis que uocêfará aos israelitas. (vv. l J, J2 - N'VI)

Ao olhar longa1nente para ele, o profeta desa fi a o caráter e as


n1otivações daquele homen1 n1au. f{azael era tão descarado, que não
sarnente planejava fazer o n1al, n1as tan1bén1 estava disposto a devol-
ver o olhar.
Pessoas agressivas e n1anipuladoras gosta1n de encarar os outros.
Isso é errado. Já uma pessoa derrotada, indecisa ou culpada não con-
segue elevar os olhos para a outra. Isso tambén1 é errado. O correto é
olhar os outros nos olhos con1 tuna atitude :íntegra, atenta e desejosa
de relacionamento. J \ luz dos nossos olhos projeta an1or para a alma
do outro.
Caracleríslica da Alian ·a: Trabalho em Equipe 167

CONTATO VISUAL

Na sala de aula, uma técnica in1portante de ensino é 111anter a


obediência e a atenção da e.Lasse por n1eio do olhar. Ao dirjgir-sc à
t· lasse, o professor deve, de forn1a clara, firme e gentil, cativar a aten-

,·ão dos alunos promovendo un1 contato visual con1 eles.

Asse11ta11do-se o rei 110 trono do juízo, co111 os seus olhos dissipa


todo o mal. (Pv 20.8; NVI)

Con10 diretor de uma escola de ensino n1édio, descobri que, ao


resolver un1 problen1a de disciplina, é necessário n1anter o contato
visual con1 o aluno para transmitir autoridade e reprovação. Os olhos
l'0t11unican1 por .meio de seu brilho o que a boca con1unica com suas
1>alavras.
Jovens pregadores e professores precisam aprender a olhar as
1>cssoas nos olhos enquanto transn1iten1 sua mensagem. E uma ex-
periência enfadonha ouvir alguén1 palestrar se1n fazer contato visual.
( )s líderes de grupos caseiros devem cativar as pessoas por meio do
brilho de interesse pessoal en1 seus olhos. Olhar para as pessoas da
:n,diência, fixando os olhos nos seus, faz parte da linguagen1 corporal
de quem domina a arte de falar en1 público.
16

A DEFINIÇÃO
DE CARÁTER

CARÁTER

Um aspecto central para o entendimento de aliança é o


desenvolvi-mento do caráter. A nossa aliança só pode existir até
onde há caráter em nós. Só é possível ter aliança entre nós até
onde vai o nosso cará-ter. A rajz da palavra caráter significa gravar
ou entalhar, semelhante ao ato de ferrar uma marca de propriedade
num animal. C2.!,iando se refere à personilidade, ela é a soma de
todas as qualidades interiores de uma pessoa. O dicionário
Webster traz a seguinte definição de caráter: "o selo da
individualidade impresso pela natureza, educação e hábito; vigor
moral e firmeza adquiridos por meio de autodisciplina".
Como cristãos, devemos ser reconhecidos por nosso alto
padrão de caráter moral. Paulo descreve seu ministério aos
tessalonicenses dizendo que não lhes entregou a Palavra de Deus
so1nente com po-der espiritual, mas também:
. . . e111 11111ita certeza, COfllO be,,, sabeis quais fornos entre 11ós, por
a111or de 11ós. (1 Ts 1.5; ARC)

Parte da evidência do Evangelho é a demonstração de caráter


do pregador. O testemunho da nu!:>sa conduta moral deve confirmar
o testemunho da Palavra. Continua 1 Tessalonicenses 2.10 (ARC):

Vós e Deus sois teste1111111has de quão santa, e j11sta, e irrepree11si­


ve/111e11te 110s ho1111e111os para convosco, os q11c crestes.

169
1111 Ili 1 \t lll�, \.\li .\ 111\ lJL .\1.1.\�(,'.\

O caráter não é formado da noite para o dia. É adquirido com


o te1npo por meio de autodisciplina e hábito. Ele é se1nelhante ao
fruto do Espírito. O caráter ta1nbén1 envolve nobreza e consciência.
A passagen1 de 2 Coríntios 1.12 fala sobre ". . . o testeniunho da nossa
consciência, de que em. santidade e sinceridade de Deus, não ern sabedoria
carnal, 1nas na graça de Deus, tenzos vivido no ,nundo... "
O caráter une nossa consciência interior ao nosso con1porta­
n1ento exterior. Pensar que o perdão gratuito de Deus dispensa o de­
senvolvin1ento do caráter e da integridade en1 nossa vida den1onstra
un1 entendi,nento errado da graça.
1-:lá un1a lenda grega sobre un1 velho filósofo que viajou o n1undo
todo à procura de un1 homen1 honesto.

J\111itos há que procla111m11 a sua própria bo11dade; mas o ho111c111


.fiel, q11c111 o achará? (Pv 20.6; AA)

O ho1nen1 fiel é aquele cujo caráter foi forjado. Há un1a


enonne falta de líderes 1noralmente confiáveis no mundo hoje. J\
n1aioria das pessoas pensa que os líderes religiosos fan1osos e os
políticos nacio-naln1ente conhecidos estão n1anchados por
adultério, desonestidade e ganância. Grande parte de nossos
líderes é considerada con1posta por ladrões e corruptos, vigaristas
e trapaceiros.

INTEGRIDADE
Integridade é tuna qualidade relacionada a caráter. Integridade
ven1 de un1a palavra que significa inteiro ou con1pleto. En1
n1aten1áti-ca, uni nún1ero inteiro é aquele que não foi dividido
ern frações. O dicionário \.Vesbter define integridade con10
"estado in tato, solidez n1oral, retidão e pureza". Un1 dos motivos
da degradação do caráter e da integridade na sociedade atual é que
a educação púbHca priorizou a proficiência técnica en1
detrirnento da rnoralidade. Se os valores judaico-cristãos forern
eün1inados da escola, a educação pública pro-duzirá líderes
empresariais e políticos con1 intelecto brilhante, mas com
172 HEI.ACIONAMENTOS DE A LIANÇi\

Uma n1ente autodisciplinada pode começar a sonhar e plane­


jar soluções positivas. Autodisciplina produz diligência e paciência.
0!:1em não é autodisciplinado n1ergulha na preguiça e não é capaz de
exercitar o autocontrole para ser paciente. Uma pessoa indisciplinada
é apressada e co111ete erros. A diligência, a paciência e a autodiscipli­
na ca111inham juntas.
Un1 exen1plo de autodisciplina nas Escrituras é o profeta Da­
niel. Ele den1onstrou disciplina em sua rotina de estudos na escola
da Babilônia. Ele den1onstrou disciplina e.1n sua decisão de n1anter
un1a dieta saudável e frugal rnes.mo quando lhe foi oferecido o rico
cardápio do rei. Ele demonstrou disciplina en1 sua vida espiritual ao
orar três vezes por dia. Daniel den1onstrou tanta disciplina en1 seu
trabalho no governo que nunca puderan1 achar u1na falha e1n tudo
o que fazia.

EXCELÊNCIA

O exercício da autodisciplina deve produzir o fruto da excelência. A


excelência deve fazer parte do vocabulário de todo cristão. Não somos
charnados para executar nenhu111 trabalho de segunda classe. O velho
ditado que diz: "O que vale a pena ser feito vale a pena ser ben1-feito"
certan1ente é un1 conceito bíblico. l\1uitas vezes, os cristãos usam un1a
fonna falsa de espiritualidade para defender un1 serviço de segunda
classe e un1 trabalho de 1nú quali<la<le. Sornos cria'3-'.ãO de Deus; por­
tanto, tudo o que fazernos deve refletir un1a obra de excelência. Nossa
rnotivação deve ser fazer tudo da n1elhor forma possível.
O profeta Daniel tinha un1 coração voltado para a excelência.
Sua autodisciplina produziu a excelência. Tudo o que Daniel fazia
era dez vezes n1elhor do que as ações de qualquer pessoa ao seu redor.
Daniel 1.20 declara:

E cm toda matéria de sabedoria e discerni111e11to, a respeito da qual


lhes pergui1tou o rei , este os achou dez 11czes mais doutos do que
todos os 111agos e c11ca11tadorcs que havia cm todo o seu reino.
A Ocfiniçfw de Car;íl er 173

Os n1agos e os encantadores aqui eram. os conselheiros profis­


sionais do rei. Eles seriam equivalentes hoje aos cientistas n1odernos
e líderes de governo. Deverían1os agir de acordo co1n o padrão de
Daniel. Nosso nível de excelência precisa ser dez vezes superior ao
melhor padrão que o mundo tem a oferecer.
A excelência é demonstrada em todos os aspectos da vida. De­
ven1os den1onstrar excelência en1 nossos currículos escolares, nas
apresentações musicais, no modo de vestir-nos, no uso de gran1ática
e vocabulário, na posn1ra e no comportan1ento, na manutenção do
quintal e da casa, na clareza de raciocínio, nas relações conjugais,
na cortesia ao volante, na contabilidade, no trabalho realizado para
nosso superior, na habilidade de controlar o estresse, na prontidão, no
ânimo e assi1n por diante.1t1do o que fazen1os deve conter um "selo
de qualidade".
Na parábola do adn1inistrador desonesto, Jesus o elogiou por
V
agir co1n astúcia. Lucas 16.8 (N I) declara:

O senhor clogío11 o ad111í1tístmdor desonesto, porque agiu ast11ta-


111ente. Pois os filhos deste m111ulo são mais astutos no trato c1tlrc
si do que os filhos da luz.

Nlesn10 nas questões seculares, deve1nos demonstrar un1 alto ní-


vel de excelência. Não deve1nos ser tolos, 01as ter a 1nente
aguçada. Tudo o que fazen1os deve ter um "estilo" que reflita
nobreza de cará-ter. Não deve1nos enfatizar a aparência exterior,
n1as a importância de
nossas ações precisa ser evidenciada por um alto padrão de
qualidade.
Em 2 Coríntios 5.20, Paulo afirn1a: "sonzos enibaixadores por
Cristo.". Se somos embaixadores, então tudo o que fazen10s deve
dc.monstrar a qualidade e a excelência de u1n en1bai.,xador.

DOMÍNIO PRÓPRIO

Se precisan1os ter caráter, te1nos de desenvolver tambérn o do1nínio


próprio, que é un1 dos frutos do Espírito Santo (Gl 5.22). Os frutos
do Esp.írito são un1a forma simbólca de definir o caráter divino. Fruto
174 HEL.\CIO�M,IENTOS DE ,\I.IAXÇ.\

divinas são reveladas por interoJédio do nosso próprio espírito. O fruto


do Espírito é a evidência do caráter de Deus refletido por meio de
nosso próprio caráter. O don1ínio próprio é uni dos frutos rnais irnpor­
tantes do Espírito.

1\;Je/hor é o lo11gâ11i1110 do que o 11a/c11te; e o que do111i11a o seu


espírito do que o que 10111a 11111a cidade. (Pv 16.32)

O versículo usa a ilustração de um líder do exército que con­


quista uma cidade fortificada e se torna seu governador. Certamente,
ele é uni homem de grande força. Poré1n, é preciso n1ais força para
governar seu próprio ser do que para realizar um grande feito 1nilitar.
Ser capaz de controlar as próprias emoções é a chave para o suces­
so espiritual. Temos de controlar a ira. Temos de dorninar a língua.
Te1nos de governar os próprios pensan1entos. Exercitar autodomínio
sobre nossos sentimentos, nossas palavras e nossos pensarnentos é
andar em. vitória no Espfrito de Deus.
rfodo o universo deve sujeitar-se à autoridade do nome de Je­
sus. A priineira prioridade da autoridade do reino de Deus é fazer
com que o espírito de un1a pessoa seja vivificado. A segunda é que a
pessoa seja cheia do Espírito de Deus. Depois dessas duas grandes
prioridades, o alvo principal é obter domínio sobre a própria alma.
A extensão da autoridade do nome de Jesus deve ser na área do au­
tocontrole. O domínio próprio é o senhorio de Jesus sobre nossos
sentimentos, palavras e pensamentos. En1 seguida, a extensão do rei­
no de Deus invade a saúde do nosso corpo, a harn1onia dos nossos
relacionamentos e a prosperidade das nossas finanças. O reino de
Deus engloba todas as áreas da vida.
Don1fnio próprio é o senhorio de Jesus sobre a nossa alma. O
exercício de autocontrole acontece sob o governo geral de Jesus. Pau­
lo diz em 2 Coríntios 10.5 que temos de exercitar domínio próprio
en1 nosso intelecto, ". . . levando cativo todo pensa1nento à obediência a
Cristo". T iago nos diz no capítulo 3 que devemos colocar freio na
própria língua assim como colocamos freio na boca de um cavalo ou
usamos o leme para dirigir uni barco.
1\ Definiç;io de Car.íter 175

DOMÍNIO PRÓPRIO E LIDERANÇA

Pelo fruto do don1ínio próprio, o governo de Deus e·m nossa vida vai
avançar en1 direção a outras pessoas. Do111ínio próprio é a expressão
do governo de Deus na vida de cada indivíduo. Toda autoridade que
alguén1 exerce sobre outras pessoas é un1a extensão do governo que ela
exerce sobre si n1esn1a sob o don1ínio de Jesus. Un1a pessoa só lidera
e governa outros à n1edida que ela n1esn1a te1n don1ínio próprio. Toda
autoridade espiritual é resultado do governo de Jesus e1n nossa vida por
, ncio do fruto do don1ínio próprio. Qianto mais don1ínio próprio a
pessoa possuir, n1aior será a sua capacidade para governar outras vidas.
lVIansidão é u1n tipo de don1ínio próprio. lVloisés foi u1n ho­
rnen1 de grande autoridade con10 nenhun1 outro. Ele foi un1 dos
melhores líderes e un1 exen1plo clássico de autoridade governan1en­
tal. 11.loisés conquistou tal autoridade porque aprendeu domínio
próprio e mansidão.

Ora, 1\foisés era ho111c111 11111i 111a11so (llll111ildc), 111ais do que todos
os '10111c11s que havia sobre a terra. (1Vm J 2.3)

Essa mansidão e don1ínio próprio cra111 o segredo da sua habili­


dade para governar outros.
11loisés nen1 sen1pre possuiu todo esse domínio próprio. No in.í­
cio, ele era un1 homen1 in1petuoso e irritadiço. Deus o fez passar 40
anos no deserto de 111.idiã a fim de que aprendesse a ter mansidão. Na
única vez cn1 que não exerceu domínio próprio, ele foi desqualificado
a entrar na Terra Pron1etida. Em Nún1eros 20, 1!loisés perdeu seu
dornínio próprio e feriu a rocha duas vezes a fim de fazer jorrar água
para o povo en1 Cadcs. A reação do Senhor está no versículo 12:

Porq11a11to não 111c crestes a 111i111, para 111c santifiwrdcs dialltc dos
_filhos de lsmcl, por isso não introduzirás esta co11grc,gação na terra
que lhes dei.

O limite de governo exterior é detern1inado pelo nível interior


de do1nínio próprio.
176 HEI.ACIONAMENTOS OE ALIANÇA

Qyando algu ém está na liderança, tem de enfrentar n1uitas pres­


sões e ataques na vida _pessoal. Esses ataques do ininügo são uma
tentativa de fazê-lo perder o controle. As pessoas toman1 o líder
como exen1plo e precisam que ele não perca a paciência nem "as es­
tribeiras". Un1 rebanho não pode ver seu pastor perdendo a calma. O
descontrole explosivo de un1 líder pode prejudicar rnuitos 1nembros
da congregação. Liderança é orientação; não é possível gu iar outros
quando se perde o próprio rumo. Urn líder com dom . ínio próprio
co1nunica estabilidade, segurança e equilíbrio a seu rebanho.

O TOLO

O contrário de don1ínio próprio é agir co.rno um tolo. Provérbios 25 .28


(NVI) declara: "Co,no a âdade co,n seus muros derrubados, assi,n é quelll
não sabe do,ninar-se. "Aquele que se descontrola é un1 tolo. O tolo de
Provérbios 25.28 faz contraste com o hon1e1n forte e .manso de Provér­
bios 16.32. Un1a pessoa que não don1.ina o próprio espírito é como al-
gu ém cujos n1uros de defesa estão derrubados. E ur.na pessoa fraca que
pode ser faciln1ente derrotada. Qyalquer ataque ou tentação a vence.
Algu ns adolescentes entrarn em apuros mesmo sem ter feito
algo malicioso. Eles agem de forma tola e quase não conseguern ex­
plicar por que pratican1 tais tolices. Ao pensar no que fizerarn de
errado, dizem: "Não sei por que fiz isso. Eu não pude evitar". Eles
não consegu em resistir à pressão do grupo ou à necessidade de atrair
a atenção dos colegas. Seus atos insanos são urna tática barata para
obter a aprovação mon1entânea das risadas dos colegas. A falta de
dornínio próprio torna a pessoa incapaz de resistir à tentação de fazer
algo errado ou tolo.
Se un1a jovem não possui .muros de domínio próprio espiritual,
talvez não consiga resistir aos assédios românticos e sensuais de um
rapaz. Os muros de dornínio próprio dentro de uma joven1 são cons­
truídos por intermédio da afeição dos pais. Se uma jovem for criada
com amor e disciplina, terá toda a força espiritual necessária para
dizer "não". Do contrário, sua carência afetiva abrirá brechas em sua
defesa, tornando-a un1a presa fácil para a imoralidade sexual.
A D e fi n i �· ;j o d e C a r ;í I e r l 77

Em Cantares 8.9 (NVI), os irmãos da Sulamita a confrontam:

Se ela for 11111 muro, co11stmiremos sobre ela 11111a torre de prata. Se
ela for 11111a porta, nós a reforçaremos com táb11as de cedro.

Seus innãos achavam que, se ela tivesse muros de domínjo pró­


prio suficientes para não se envolver em imoralidade, seria digna de
grande honra. Se ela permitisse que seus muros de discrição fossen1
invadidos, seria forçada a viver em desgraça. As bênçãos da graça,
honra e favor se acumulam sobre aquele que é sábio o bastante para
desenvolver o fruto do domínio próprio.

RESPEITO

Respeito é tratar todos com dignidade. O respeito pelos outros nasce


do temor de Deus. Tratamos outras pessoas com respeito por reve­
rência a Deus. Porque foram criadas à imagem de Deus, nós também
as tratamos com respeito. Qyando desrespeitamos alguém, estamos
desrespeitando o próprjo Deus.
Nunca devemos desrespeitar o pobre.

O q11e oprime ao pobre i11s11lta ao seu Criador; mas honra-o aq11clc


que se compadece do 11ecessitado. (Pv 14.31)

Quem zomba dos pobres mostra desprezo pelo Criador dele�. (Pv
17.5; NVI)

O rico e o pobre têm isto em co1111011: O Se11hor é o Criador de


ambos. (Pv 22.2; NVI)

A referência ao rico e ao pobre aqui vai muito além de finanças.


LJrna pessoa emocionalmente ferida ou desagradável pode ser consi­
derada pobre. Devemos respeitá-la mesmo se pertence ao nível mais
baixo da sociedade. Se existir alguém que você considere indigno
de respeito, ainda assim, você tem a obrigação de respeitá-lo pois é
criação de Deus.
A Dcfi 11 i(;·10 de Ca dl rr 171

O profeta Sin1eão, ao profetizar sobre o 111enino Jesus, disse à


Maria:

Este 111cnino está destinado a cn11sar a queda e o socrg11imcnto de


11111iros cm lsmcl, e a ser um sinal de contmdição. l Na versão King
James em. inglês diz: ".. . a ser 11111 sinal q11c sofrerá críticas".) (Lc
2.34; NVI)

Se um jovem for treinado em seu caráter e integridade, ele será


capaz de enfrentar a rejeição dos outros. Integridade é manter-se fiel
à sua consciência sem ser levado pela opinião popular. Precisamos de
uma geração que defenda o que é certo mesmo quando criticada e
difamada pela mídia.

DISCIPLINA

O caráter só pode ser desenvolvido por meio de autodisciplina. Uma


criança pequena precisa ser disciplinada externamente pelos pais. À
medida que ela cresce e amadurece, a disciplina física dos pais é in-
ternalizada. Por meio de um mecanismo de consciência e força de
vontade, ela i1npõe disciplina sobre si n1esn1a. Esse mccanisn10
inter-no é chamado de autodisciplina.
A palavra disciplina está ligada à palavra discípulo. Corno pode-
remos ser discípulos de Jesus se não forn1os disciplinados por ele?
Corno poderemos ser discípulos sem exercitar a autodisciplina ne-
cessária para segui-lo? Autodisciplina envolve un1 esforço para con-
trolar a própria vontade a fim de fazer aquilo que saben1os ser o certo.
É não permitir que a preguiça e a lascívia da carne nos guien1. Sem
autodisciplina, nossa consciência é incapaz de comandar nosso ser.
Autodisciplina é o don1ínio da vontade sobre o corpo e a n1ente para
que obedeçam à liderança do Espírito.
A autodisciplina nos conduz a uni estilo de vida produtivo. Pro-
vérbios 21.5 declara:

Os pla11os cio clil�{!<'llle co11duzc111 à nlm11dância; 111as todo precipi­


tado n1m·ss,1-s1· 1wrt1 " pc111íria.
1 78 1\ E 1..\ C I O N t\ M E N TO S D E i\ 1. 1 ,\ � Ç ,\

Todos os seres humanos foram criados por Deus. Tratamos


cada pessoa com respeito, porque Deus merece respeito.
Nossa atitude de respeitar alguém não depende de um valor
humano relativo. Demonstrar respeito é um ato de caráter de
aliança proveniente da fé em Deus.
Como diretor de uma escola de ensino médio, eu procurava
chamar os alunos pelo sobrenome com o prefixo Sr. ou Srta. Eles
sabian1 que eu tinha um compromisso de tratá-los com respeito
o tempo todo. Eu os tratava com dignidade mesmo quando não
agiam de forma digna. Colhen1os o que planta,nos. Eles sabia1n
intuitivamente que, se eu os tratav� com respeito, deverian1 agir
da n1esma maneira.
Respeitar os outros e falar co,n educação são inerentes a
un1a atitude de aliança. Sempre agin1os con1 dignidade.
Tratamos a nós mesn1os e aos outros con1 o mesmo respeito e
dignidade. Não estou tàlando para usar bajulações sociais. Pela fé,
ten1os de viver de acordo con1 a consciência de que fomos
criados segundo a image1n de Jesus. Pela fé, deven1os tratar as
pessoas como seres divinos.
O profeta J eren1ias descreveu o desrespeito aos idosos con10 in-
dicação da destruição de uma nação. Lamentações 5.12 (NVI)
diz:
"Os líderesfora1n pendurados pelas rnãos; aos idosos não se 1nostra
nenhuni respeito". O desrespeito dos jovens aos idosos, bern
con10 o desres-peito entre adultos, indica unia quebra de aliança.
R.espeito aos pais é un1 ato de preservação de alianç�. Os
filhos deverian1 chamar a mãe de bem-aventurada (Pv 31.28).
Grande honra deve ser dada na presença de pessoas idosas (Lv
19.32). Você nunca deve dizer u,na palavra negativa sobre o seu
pai ou a sua n1ãe (Êx 21.17).
Deven1os tratar as pessoas com educação e cortesia porque
nos-sas ações vên1 de um coração que deseja .manter a aliança. Se
agirmos com reverência, experimentaren1os as bênçãos da
aliança de Deus. Provérbios 28.14 declara: "Feliz (abençoado) é
17

CONFRONTAR OU
NÃO CONFRONTAR

E
mbora seja necessário confrontar um ao outro em amor, é igual-
mente importante aprender quando não confrontá-los. Se os
irmãos de aliança acharem que devem confrontar-se o tempo
todo, em pouco tempo seus relacionamentos ficarão
desgastados e sem alegria. Nosso alvo não é fabricar um produto,
mas aprender a amar uns aos outros. O confronto só deve acontecer se
contribui para que o relacionamento melhore. Na maior parte do
tempo, podemos ignorar os problemas, cobrindo com graça a vida do
irmão.

PROGREDINDO

Ao aconselhar alguém, enquanto a pessoa estiver avançando em de-


terminada área da vida, a postura do conselheiro deve ser de encora-
jamento e apoio. Se ela progredir naquela área, estará numa posição
melhor para lidar com as outras áreas. Não precisamos confrontar
todas as áreas ao mesmo tempo. Contanto que a pessoa esteja pro-
gredindo, não é necessário corrigi-la. Podemos até pensar que seu
progresso seja tão lento a ponto de parecer imperceptível. Entretanto,
o grau de melhora depende de como a pessoa envolvida enxerga o
obstáculo: como algo grande ou pequeno.
O que pode parecer um desafio insignificante para um talvez seja
algo enorme para outro. Qyalquer progresso é um sinal de que os olhos
da pessoa estão voltados para frente, e que seu coração está movendo-
--se para a direção certa. Mudar um mau hábito pode exigir tempo e es-
íorço. Realizar essa mudança uma vez é uma decisão. Tomar a mesma
decisão por um mês produz um novo hábito. Permanecer no mesmo

179
11ffi Ik i G o IONAMI.NniN 91., A L I A N Ç A

liàbito por um ano torna-se parte do caráter de urna pessoa. Não de-
vemos menosprezar o esforço de ninguém para melhorar. Ele sempre
parecerá pequeno para nós e enorme para a pessoa.

IGNORANDO AS OFENSAS

Provérbios 19.11 declara um princípio muito significativo:

A discrição do homem fi-lo tardio em irar-se; e sua ,f,ihiria está cm


esquecer ofensas.

Um ato de amor é ignorar uma transgressão ao invés de confron-


tá-la. Às vezes, é melhor oferecer a outra face do que lidar com o pro-
blema diretamente. É necessário ter caráter para aguentar um com-
portamento irritante. Viver de acordo com o padrão divino sustentado
pelo poder da oração pode ser urna forma eficaz de mudar a atitude de
uma pessoa. Romanos 12.20 cita Provérbios 25.21,22 dizendo:

Se o teu ittinu:o tiver finne, dá-lhe de comer,- se tiver sede, dá-lhe


de beber;porque,.fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a
sua cabeça.

Se alguém o ofende, você tem a opção de dar-lhe pequenas


bênçãos e prestar-lhe favores práticos. Podemos praticar o amor, e
o amor nunca falha. Amar uma pessoa que se sentiu ofendida pode
exercer uma influência espiritual positiva sobre sua consciência. Uma
ação pode falar mais alto do que palavras, principalmente se ela for
reforçada por oração. Um método de confronto amoroso é servir al-
guém com amor em suas necessidades práticas.

PRESENTEANDO

Uni segundo método de promover reconciliação é presentear alguém


com dinheiro. pando o dinheiro é dado com amor e um coração
humilde, pode ser espiritualmente muito eficaz. Provérbios 21.14
diz: "Opresente dado em segredo aplaca a ira» (ARC).
Confrontai" 1)11Não confronldr 181

I >ode ter uma conotação positiva usar o dinheiro para expressar amor
por alguém. Se urna pessoa ficou ofendida, você pode orar, pedindo
a Deus que prepare urna oportunidade para abençoá-la com um
presente ou urna quantia em dinheiro. Uma forma simples e fácil de
abençoar alguém é presenteá-lo com uma refeição para duas pessoas
num restaurante; assim, a pessoa poderá desfrutá-la com o cônjuge.
Esse tipo de presente abençoa o casal com uma noite memorável que
talvez eles não pudessem ter em outras circunstâncias.
Observe a recomendação que Jesus deu ao mordomo injusto de
,ucas 16.9:

Eu vos digo ainda: Granjeai anu(;os por meio das riquezas da


ii?justiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos
tabernácidos eternos.

Tabernáculos eternos fazem parte dos relacionamentos positivos


que ternos com as outras pessoas. Podemos usar o dinheiro, embora
não signifique nada por si só, para promover um bom clima entre
amigos. Urna amizade de aliança vaie muito. As vezes, podemos in-
vestir dinheiro, que tem Pouco valor, para promover reconciliação,
que tem um valor infinito.

O R AN D O

O confronto amoroso sem a correção verbal pode ser feito por meio
de uma conduta submissa sustentada por oração. Pedro aconselhou
as mulheres a usar esse método com os maridos obstinados. Se con-
seguirmos ser submissos, demonstrando boa conduta e orando in-
tensamente, será possível ganhar urna pessoa por meio da influência
piedosa. 1 Pedro 3.1 (NVI) declara:

1)0 mesmo modo, mulheres, sujeitem-se a seus maridos, a fim de


que, se deles não obedecem à palavra, stjam <a///os sem
palavras, pelo procedimento de sua mulher.
182 Ri \Ho\ imr\ () \ i k \Ç k

Se um amigo desobedece às Escrituras, podemos ganhá-lo por


meio de uma atitude silenciosa. Isso é especialmente apropriado
quando se trata de alguém que exerce autoridade sobre nós. Pode ser
um marido, pai, patrão, pastor ou uma pessoa mais velha. Quando
alguém não está em condições de ouvir uma palavra de correção, sua
consciência pode ser tocada por um exemplo vivo. O alvo do con-
fronto amoroso é sempre produzir reconciliação pessoal.

C O MO F A Z E R A E S C O L H A

Quando é mais apropriado ignorar uma transgressão do que con- ,¡


(Pv 19.11)? Algumas vezes, precisamos desafiar a pessoa l '
a mudar; outras,precisamos suportar seus problemas. lemos duas
escolhas. Se alguém peca contra mim, tenho a opção de corrigi-lo.
Também tenho a opção de ignorar o assunto. Se é provável que seu 41
pecado não se repita futuramente nem prejudique nosso relaciona- 1
mento, posso decidir perdoar e esquecer. Se um ato de perdão elimina
o problema, não existe motivo para confronto e correção.
Algumas pessoas alegam que, para sermos honestos, temos de
dizer ao outro que ele nos feriu. Eu discordo disso. Se houver um
padrão na vida dele, por meio do qual a ferida possa repetir-se, en-
tão deve haver um diálogo para resolver o problema. Se for apenas
urna f -alha pontual, devemos ser fortes o suficiente no Senhor para
perdoar, receber cura e prosseguir corno se nada tivesse acontecido.
A pergunta a ser feita é: qual dos dois caminhos é o melhor para
fortalecer o relacionamento? Nosso relacionamento não avançará se
eu continuar sendo ferido. Podemos usar o poder de cura e perdão
recebidos diretamente de Deus. Gálatas 6.1,2 (NVI) apresenta de
forma bem clara essas opções:

irmãos, se (ilguém fir surpreendido em algum pecado, voces, que


são espirituais deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém,
cada uni para que também não seja tentado. Levem os _ lardos pesa-
dos uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.
t onf ron [ar 011Nã O tOnroniar 183

O processo de confronto de aliança deve ser feito numa atitude


mansidão. O confronto de aliança pode levá-lo a cair na armadilha
de julgamento, orgulho e tentação. Podemos suportar ou carregar
thrdo da pessoa a fim de cumprir a 1.ei. do amor.
O amor pode cobrir uma multidão de pecados. A nossa preocu-
pação deve ser o crescimento da outra pessoa, O confronto serve para
ajudar e proteger a comunidade da fé. Nossa motivação principal não
e sentir-nos mais confortáveis. Na psicologia secular, as pessoas discu-
tem seus problemas simplesmente para desabafar. Não ficamos fasci-
nados por nossos pecados ou pelos pecados dos outros. Não se trata de
um jogo psicológico para expor o lixo interior de cada um. Se for para
ajudar a resolver o problema, devemos conversar com a pessoa. Senão,
devemos evitar o confronto, relevar o problema e prosseguir com fé.
Ignorar uma transgressão pode ser um ato de caráter, fé e amor,

SEM SENSIBILIDADE EXCESSIVA

A aliança é, tanto cara quanto delicada. A aliança custa caro por-


que a confiança mútua é extremamente sensível. As pessoas se ofen-
dem muito facilmente. Algumas vezes, os discípulos de Jesus se ofen-
dian-1 por ações ou declarações de um colega. Se um deles tivesse uma
atitude arrogante, o restante ficava ofendido. E o orgulho que infla o
ego e o torna demasiadamente sensível. Se as pessoas não fossem tão
orgulhosas, elas não se ofenderiam tão facilmente.
E importante ser liberto dessa tendência de ficar ofendido por
qualquer coisa. Não deveríamos nos ofender se outra pessoa nos in-
sulta. Não deveríamos nos ofender se alguém nos corrige. A passa-
gem de 1 Corintios 13.4,5 declara:

O amor é sofredor, é benigno; o autor não é invejoso; o amor não


se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente,
não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal.

Podemos parafrasear o inicio desse versículo dizendo que o amor


nao se oftilde ficihnente. (bem se deLxa ficar ofendido não consegue
progredir espiritualmente. Se uma pessoa diz que é muito sensível e
184 Ihi..-kcioN:\NlENTOS DEALIANÇA

se magoa à toa, ela pode parecer humi.lde. Na verdade, contudo, seu


orgulho está afastando as pessoas com a seguinte mensagem: "Eu.
não admito que ninguém me corrija".
Recentemente, certo irmão recebeu uma correção firme, porém
amorosa. Mais tarde, ele voltou e respondeu que havia .ficado magoa-u!
do com o que lhe fora dito. Ele falou isso com um ar dequem estava
sendo aberto e receptivo ao compartilhar o fato de ter .ficado magoa--- 1
do. Sua reação, porém, era inaceitável. Embora sua atitude parecesse
tão humilde e sensível, era, na verdade, o oposto disso.

NADA DE FICAR OFENDIDO .,

Ao invés de tornar o relacionamento mais aberto, essa falsa sensibi-i


lidade cortou qualquer possibilidade de diálogos futuros. Chegamosl

1 a um impasse. Urna reação emocional à correção amorosa é uma


rejeição ao relacionamento de aliança. suando alguém diz que se •
sentiu magoado por causa de uma correção no passado, está afir-
mando que não quer ser corrigido no futuro. Pela fé, não seremos
pessoas que reagem por emoção; pela fé, não ficaremos ofendidos à
toa; pela fé, não diremos que estamos magoados com as pessoas que
tentam nos ajudar.

O irmão ofendido é mais dijkil de conquistar do que unia cidade


forte; e as contendas são como os ferrolhos de uni palácio. (Pv
18.1.9;ACF)

Se não nos ofendemos, o diálogo de aliança se torna fácil. Se


nos ofendemos, o diálogo de aliança se torna difícil. Devemos ter
cuidado para não ofender um ao outro. Quando uma pessoa se sente
ofendida, é difícil tirá-la dessa condição pelo amor. Um antigo pro-
vérbio diz: "É melhor prevenir do que remediar". Dá menos trabalho
evitar a ofensa do que consertar o estrago depois. Quando alguém
fica ofendido, é necessário muito esforço espiritual para restaurá-lo.
Devemos nos aproximar de um irmão ofendido com diálogo e ora-
ção. Nossa tendência é subestimar o quanto as pessoas se ofendem.
Confronlar ou Não ConfroWar 18 5

As vezes, o processo de reconciliar um irmão ofendido exige


que tratemos seriamente os motivos pelos quais ele se permitiu ficar
ofendido. Provérbios 21.22 declara:

O sábio escala a cidade dos valentes, e derriba a fortaleza em que


ela confia.

Se um irmão ofendido é como urna cidade sitiada, talvez a única


forma de ajudá-lo seja derrubar as fontes de atitudes erradas que
o levaram a ofender-se. isso exige delicadeza e firmeza. Um irmão
ofendido está apoiado em alguma fortaleza de carnalidade ou egoís-
mo. Com sabedoria, essas áreas podem ser derrubadas e removidas.
Se não forem removidas, é provável que ele se ofenda novamente. Se
isso acontecer, será difícil conduzi-lo a urna reconciliação.

QUEBRA DE COMUNICAÇÃO

Uma das tarefas que mais consomem energia é a de se comunicar. A


comunicação demanda um esforço tremendo. O processo de aliança
exige comunicação e mais comunicação. Portanto, a aliança requer
esforço. A prática de se comunicar vale a pena porque evita que as
pessoas fiquem feridas, confusas e incompreendidas. Temos de nos
esforçar para estar sempre nos comunicando.
Em geral, a raça humana está num estado de falha de comuni-
cação. Nós nem sequer falamos a mesma língua. Antigamente, a raça
humana falava uma única língua, mas ela foi dividida quando não
soube fazer bom uso desse privilégio na Torre de Babei. Desde então,
a linguagem tem sido fragmentada. Estamos num estado de entropia
linguistica. Toda vez que tentamos comunicar algo, precisamos supe-
rar o colapso das habilidades de linguagem.
Se um jogo de cartas for espalhado pelo chão, elas não retornarão
para o baralho sozinhas. A comunicação não acontece por si. só. Graças
aos efeitos da Torre de Babei, todo ato de comunicação gasta esforço
para unificar as duas mentes envolvidas. Comunicar-se é como orga-
nizar um quarto bagunçado. A comunicação é uma tarefa complicada.
Não acontece do nada; requer energia e deve ser repetida vez após vez.
186 IIELicioNANIENTos DE MIAM

Em Efésios 4.3 (ARA), Paulo diz que os cristãos deveriam "es-,


forçar-se diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo
da paz". Temos de nos esforçar para manter a harmonia dos nossos
relacionamentos. A aliança custa caro. Ela exige .vigilância para guar-
dar os vínculos dos nossos inter-relacionamentos. Devemos empe-
nhar-nos para manter a unidade. Temos de dispor de energia para
assegurar os vínculos de aliança. Guardar a aliança pode custar caro,
mas é o assunto central da redenção.
Minha esposa Betty e eu procuramos tirar um tempo para con-
versar sobre o que aconteceu durante o nosso dia. Isso não é muito .
fácil. Maridos e esposas mais jovens enfrentam a dificuldade de ter
um bom momento para conversar só depois de colocar as crianças 'II
na cama e cuidar de todas as tarefas da casa. Nessa hora, eles já estão i
bem cansados. A m.en.or tentativa de comunicação nessas circuns-_ j
tâncias parece extenuante. O casal. não deve permitir que ambos se
distanciem. O único jeito de evitar tal distanciamento é pela comu- -]
nicação. Para manter um bom casamento, é preciso dedicar esforço e .1.
tempo à comunicação de aliança.ENTRE PASTORES

Pastores de diferentes congregações devem construir bons relacioll


namentos. Geralmente, os líderes são muito ocupados e têm mui-_,,
ta dificuldade de achar tempo para desenvolver relacionamentos de .11
qualidade. Reunir um grupo de pastores para desfrutar de comunhão
uns com os outros parece um milagre. Uma reunião desse tipo precisa /.
ser marcada com antecedência, e as pessoas devem ser persuadidas a:1
comparecer. Divisões antigas devem ser superadas. A comunicação '11
e n t r e o s m i n i s t r o s c u s t a c a r o . 7 J 1
Em nossas congregações locais, marcamos reuniões regulares -
para os pastores e líderes de ministérios de evangelismo passarem
-li
tempo juntos. Essas reuniões são principalmente destinadas a oração
e comunhão. Desenvolver confiança é um grande investimento no
reino de Deus. Cada líder deve abrir mão da própria área de envolvi- 4
mento. Deve convencer a si mesmo da prioridade de investir tempo
de qualidade com os outros.
onfronlar {.-1111..linfri}iiiar 187

PERSUASÃO PACIENTE

Evortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos,


consoleis os desanimados, ampareis os _fracos e sejais longinimos
para CO!?' todos. (1 --R 5.14: AP,A.)

O confronto deve ser feito num espírito de amor construtivo.


'Femos de confrontar, mas com gentileza. Paulo nos encoraja a
manter a comunicação de aliança. Precisamos exortar aqueles que
são rebeldes, duros de coração ou preguiçosos. Devemos confortar,
animar e dar apoio a todos que se sentem desanimados. Devemos
ter paciência para continuar trabalhando com pessoas mesmo que
demorem para progredir.
Paciência é o segredo para conseguir aconselhar pessoas que
exercem autoridade. É necessário paciência para continuar persua-
dindo alguém a ter atitudes de aliança. Provérbios 25.15 (ARC) diz:
"Pela longanimidade [paciência] se persziade o príncipe".
Todo crente pode ser visto como um príncipe por direito próprio.
Todos são dignos de paciência para serem persuadidos a respeito do
que é certo. Persuasão é um belo conceito das Escrituras. Persuasão
é a arte do diálogo cont.ín.uo durante um período de tempo com o
intuito de que o espírito de urna pessoa se una ao espírito de outra. A
persuasão não deseja apenas que a pessoa aceite sua visão se.m ques-
tionar. Ela busca oferecer perspectiva e visão suficientes para que a
outra pessoa consiga enxergar por conta própria.
O príncipe ou governante também pode ser visto como um
líder de uma congregação ou apenas um amigo querido. Po.r exis-
tirem muitos fatores que influenciam a vida de alguém, geralmente
são necessárias várias exortações para fazê-la mudar de direção.
Muitas vezes, alguém sugere urna boa ideia, mas, por estar envolvido
em tantas atividades, você não tem oportunidade de executá-la.
Cbem fez a sugestão pode se.ntir-se ignorado ou rejeitado. Mas isso
não é verdade. É preciso tempo para conduzir outra pessoa a uma
nova perspectiva.
188 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

TEMPO PARA DISCIPLINA

A aliança exige paciência, porque queremos dar ao outro todas as


oportunidades possíveis para mudar. Às vezes, algumas pessoas ficam
frustradas se sentem que alguém que errou não é corrigido rápido
o suficiente. Porém, se elas estivessem sendo disciplinadas, talvez
achassem o processo abrupto demais. A disciplina leva tempo, por-
que queremos apenas o melhor para cada um.
Em Lucas 13, Jesus contou uma parábola sobre uma árvore que
não estava dando fruto. Acharam que ela deveria ser cortada porque
estava infrutífera. Corno o agricultor queria dar à árvore toda a chan-
ce para crescer, ele solicitou um pouco mais de tempo. Nos versículos
8 e 9 (i-X_CF), o agricultor declara:

Senhor; deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; E, se der


_fruto,ficará e, se não, depois a mandarás cortar.

Num processo de disciplina, deve ser dado tempo suficiente para


que a pessoa mude. Se já foram dadas oportunidades suficientes para
mudar, a árvore ruim deve ser tratada de forma decisiva.
Há uma tensão dinâmica entre o desejo de dar à pessoa outra
chance e a necessidade de disciplinar rapidamente com o intuito de
proteger o restante do rebanho. Eclesiastes 8.11 (ARA) diz:

Visto como se não executa logo a sentença sobre a nufr ohm, o coração
dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal.

A disciplina deve ser realizada sem demora. Senão, a força do


mal começará a contagiar os outros. Uma pessoa carnal influenciará
outras a tornar-se carnais. Por outro lado, o processo de disciplina
realmente leva tempo. As pessoas não devem ficar frustradas com
a quantidade de tempo necessária para administrar justiça. Nos tri-
bunais, um caso pode durar anos até que todas as evidências sejam
apresentadas. Desejamos ver cada evidência em detalhes e não agir
precipitadamente. Mesmo que tenhamos de fazer justiça, há sempre
a ardente esperança de que a pessoa vá melhorar.
Coniron[ar ou Não Confronlm 1 U"?

TRANSFORMADOS POR OUTRAS PESSOAS

Miando nos relacionamos com outras pessoas em aliança, somos


afetados por elas. Somos transformados por esses relacionamentos.
Muitas vezes, as pessoas não querem passar por mudanças. Ao en-
trarmos num relacionamento com alguém, seremos influenciados
por ele. A área cru que uma pessoa me irrita pode ser exatamente a
maneira pela qual Deus a está usando para mudar algum aspecto em
minha vida.
A mudança causa desconforto. Um relacionamento de aliança
desafiador também pode ser desconfortável. O desconforto geral-
mente é a evi dência de mudança! Provérbios 27.17 declara:

Afia-se o ferro com o krro; assim o homem afia o rosto do Seti

Somos afiados pelo atrito que experimentamos durante o de-


senvolvimento dos nossos relacionamentos. Nós desafiamos uns aos
outros, provocamos faíscas uns nos outros, amolecemos uns aos ou-
tros, fortalecemos uns aos outros e desfazemos as carnalidades uns
dos outros. Todas as pessoas envolvidas em relacionamentos devem
amadurecer e tornar-se mais santificadas.
Urna pessoa que não quer se relacionar fica muito presa em suas
próprias ideias. Um pastor que se recusa a relacionar-se com outros
pastores pode ficar restrito demais às próprias ambições. Uma busca
egoísta ou uma luta por realização pessoal levará a pessoa a isolar-se
e a evitar relacionamentos.

Aquele que vive isolado busca seu próprio desejo. (Pv 18.1. )

Se desejam.os o bem comum, não temos necessidade de ficar iso-


lados. Se estamos tentando alcançar uma meta que é só nossa, traba-
lhar com outros vai parecer uma distração.
Uma pessoa com o caráter de aliança quer ser moralmente res-
ponsável. Um homem íntegro aprecia ter pessoas ao seu redor que o
responsabilizem por fazer o que é certo. Deveríamos desejar prestar
190 BELACIONAMENTOS DE AMANO

contas dos nossos atos ao invés de evitar tal. atitude, Devemos valorizar
aqueles que têm a coragem de nos responsabilizar por nossa conduta,

NINGUÉM ESTÁ ISENTO

Algumas pessoas pensam que, quando alguém atinge certo nível de


maturidade espiritual, não precisa mais prestar contas do que faz.
Nada pode estar mais longe da verdade. Quanto mais alguém cresce
em liderança, mais precisa de pessoas que lhe cobrem responsabili-
dade por seus atos. A medida que as possibilidades de sucesso au-
mentam, maiores são as tentações. Mesmo urna figura proeminente
muito efetiva em seu trabalho ainda assim não está acima da neces-
sidade de prestar contas. Os líderes estão especialmente sob o ataque
de Satanás. Por causa disso, precisam da proteção de estar cercados
por pessoas que exigem que prestem contas pelo que fazem.

AMIGOS FORTES

Há urna tentação sutil de justificar pequenos erros em favor do que


parece ser o bem maior. Quanto mais bem-sucedido o ministério se
torna, mais forte é a tentação de que os fins justifiquem os meios.Te-
mos de acabar com a mentira de que alguém pode não precisar mais
prestar contas. Quanto mais alta a posição da liderança espiritual,
mais necessário se torna sua prestação de contas. Uma pessoa espiri-
tualmente madura aprecia ser responsabilizada por sua conduta.

O que repreende a um homem adiará depois mais ..favor do que


aquele que lisonjeia com a língua. (13v 28.23)

Certa vez, fui convidado para fazer parte do conselho de uma or-
ganização. Por ser novo na equipe, estava receoso de tocar nas dificul-
dades por medo de ofender alguém. Contudo, percebi que as pessoas
envolvidas apreciavam poder lidar com os problemas de forma franca
e aberta. Urna pessoa sábia valoriza um amigo que o responsabiliza
por seus atos. O receio de sermos rejeitados por nossa correção ho-
nesta é infundado. A correção amorosa obtém mais favor das pessoas.
Confronlar ou Não Confronlar 191

Que possamos livrar-nos do medo de tratar o outro com franqueza.


Se nos comportarmos com firmeza, outras pessoas se tornarão fortes.
Se todos nos tornarmos fortes, seremos capazes de amar uns aos ou-
tros com liberdade e honestidade revigorantes.
Aqueles que guardam a aliança desejam a amizade de pessoas
fortes. Não devemos evitar pessoas fortes, mas acolher a sua compa-
nhia. Ser espiritualmente forte não é, de forma alguma, ser obstinado
ou voluntarioso. Pessoas com muita força de caráter e coragem nos
desafiam a aumentar o nível da nossa capacidade. Crer em Jesus não
é sinal de fraqueza, mas de força. Somos fortes pela fé e nos alegra-
mos com a força da fé de outros.

Leais são as Ienidasfeitas pelo que anui, porém os beijos de quem


odeia são enganosos. (Pv 27.6; ARA)

Não é necessário coragem para ser um bajulador. As pessoas que


cobram de nós responsabilidade pelo que fazemos são aquelas em
quem verdadeiramente podemos confiar. Aquele que está disposto a
corrigi-lo é quem o ama de fato. Alguém que não chama sua atenção
pelas suas atitudes erradas não está profundamente comprometido
com o relacionamento. Guardar a aliança requer coragem. Cobrar
responsabilidade exige força. Que sejamos suficientemente fiéis uns
aos outros para que cada um torne o outro responsável por manter os
padrões da aliança.
ia

ATÉ QUE PONTO


GUARDAR A ALIANÇA?

amor é a lei fundamental do universo de Deus. Se vivêssemos


num estado de perfeita harmonia, o amor nos levaria a desfru-
tar e a cultivar relacionamentos uns com os outros. Já que vive-
'lios num mundo em que a perfeita harmonia foi quebrada, o amor
leve procurar restaurar os possíveis relacionamentos. O amor res-
'Jura relacionamentos harmoniosos estabelecendo aliança. O amor
›dronta a pessoa com quem buscamos firmar uma aliança, comu-
nicando-lhe quais áreas de sua vida estão atrapalhando a relação. O
Amor tenta reestabelecer um relacionamento mais perfeito.
Efésios 4.15 descreve essa ação corno "filando a verdade em
dimor" [traduzido da versão King James em inglês]. QIie declaração
&Ir longo alcance! Se amamos alguém, devemos falar a verdade sobre
Ilido o que possa prejudicar a pessoa ou o próprio relacionamento. A
verdade que não é dita em amor não é legítima.
O amor deve falar a verdade. O amor deve falar. A verdade é dita
com o propósito de restaurar os relacionamentos. A verdade precisa
ser dita de forma amorosa. A verdade promove a aliança. Falar e ou-
vir promovem a aliança. O amor opera por meio da aliança.

E V AN G E LI SM O CO M O A LI A N ÇA

Evangelisn -lo é um ato de amor no sentido de que busca a restauração


de um relacionamento quebrado. Urna pessoa não convertida está
:ilhstada de seu relacionamento com Deus. O evangelismo a confron-
ta com a aliança do sangue vertido por Jesus. Esse confronto amoroso
a convida a reatar seu relacionamento com Deus e com os outros
cristãos espalhados pelo mundo.

193
194 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Todas as ações de Deus na Terra são redentoras. O método que o


Senhor usa para redimir e restaurar os relacionamentos é fazendo aliança.
As obras de Deus na Terra são realizadas por meio de alianças. A
postura de Deus em relação a nós é de oferecer e manter alianças.
Deuteronômio 7.9 (ACF) descreve Deus como:

...o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia, até mil


gerações, aos que o amam e guardam os seus mandamentos.

Deus é fiel para guardar a aliança com aqueles que também são fieis
na aliança com ele. Seu amor por nós corresponde ao nosso amor por
ele. Não há motivo para Deus realizar qualquer ação sem ser por parceria.
Uma ação sem aliança não serve para reestabelecer um relacionamento de
compromisso. Se Deus agir fora do contexto de aliança, ele anulará seu
próprio propósito. Uma ação sem aliança seria autodestrutiva e desprovida
de integridade. Deus nunca age assim.
Não apenas Deus se recusa a agir fora da aliança, mas também, em
certo sentido, é legalmente impedido de fazê-lo. A aliança carrega consigo
uma restrição a atividades que aconteçam à parte dela. Eze- guiei 20.37
declara que o desejo de Deus em relação a Israel é: "vos farei passar
debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo da aliança".
Numa aliança, a pessoa se compromete a nunca agir fora dos limites
desse relacionamento. Num casamento, o homem e a mulher se
comprometem a não ter relações com outras pessoas. A restrição a tais
atividades fora da aliança garante a liberdade das atividades realizadas com
base na aliança.

PROFECIA COMO ALIANÇA

Deus não agirá fora da sua aliança com o ser humano. Amós 3.7 afirma:

Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter


revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.
Até que Ponto Guardar a Aliança? 195

Não se trata de uma pré-estreia sigilosa na qual um filme é exibido a


um grupo seleto de críticos antes de ser liberado para o público em geral.
Os profetas, nessa passagem, são os parceiros representativos da aliança de
Deus. Deus não agirá a menos que entre em acordo com seu parceiro de
aliança na Terra. Em Amós 3.3, uma pergunta é feita: "Acaso andarão
dois juntos, se não estiverem de acordo?".
A resposta retórica é não!
Deus não pode caminhar nesta Terra a não ser que o faça em cooperação
com um cidadão terreno. Para caminharem juntos, eles precisam entrar num
acordo de aliança. O entendimento de que Deus se restringe a agir dentro
dos limites da aliança ajudará a esclarecer muitas dúvidas sobre por que o
Senhor, aparentemente, não intervém p;tra impedir vários acontecimentos
ruins. O propósito da oração é estabelecer uma ação na Terra com base num
acordo de aliança entre Deus e seu parceiro humano. A oração em si é um
ato de exercitar a aliança. Davi declara em Salmo 25.14 (ACF):

O segredo do Senhor é com aqueles que o temem; e ele lhes mos-


trará a sua aliança.

Deus concede revelação a um grupo de seres humanos em resposta à


sua aliança com eles e com o objetivo de firmá-la e desenvolvê-la.
Se tudo o que Deus faz envolve a preservação da aliança, assim também
deveria ser a vida de quem deseja segui-lo. Temos um parentesco com todos
os seres humanos porque fazemos parte da mesma raça. Por causa desse
vínculo, temos a obrigação de confrontar aqueles que agem de maneira
infiel. Nós buscamos restaurar o relacionamento. Somos embaixadores de
Deus. Somos agentes da nova aliança. No evangelismo, somos testemunhas
legais responsáveis por dar um depoimento oficial que influencie a
condição de outras pessoas diante do tribunal do céu. Compartilhamos o
Evangelho com outros indivíduos por causa do compromisso com o
relacionamento que temos com eles. Assim como procuro um irmão em
Cristo para que possamos nos reconciliar, da mesma forma procuro outro ser
humano na esperança cie que ele seja reconciliado com Deus.
196 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Sob essa luz de restauração da aliança, leia esta passagem clássica sobre
evangelismo em 2 Coríntios 5.18-20:

Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo


mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois
que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não
imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da
palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores por
Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por
Cristo que vos reconcilieis com Deus.

Porque "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo", a maneira


de Deus salvar por meio de Jesus pode ser vista como um ato de aliança. A
cruz nos confronta com a nossa necessidade de reconciliação. O evangelismo é
um chamado para a reconciliação da aliança com uma segunda parte, que é
Deus.

ORAÇÃO COMO ALIANÇA

As orações oferecidas a Deus em fé são feitas com base na concordância de


aliança. Em Mateus 18.19, Jesus declara:

Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso
lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.
Se dois cidadãos da terra entrarem num acordo de aliança, ela será
estabelecida por Deus, porque ele é seu parceiro de aliança no céu. A oração é
um acordo entre um parceiro terreno e o Parceiro celestial.

P R O SP E R I D A D E C O M O A L I A N Ç A

Os altos e baixos das finanças terrenas são baseados nas alianças de Deus com a
humanidade. Deuteronômio 8.18 (ARC) afirma:

Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, que ele é o que te dá força


para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a
teus pais, como se vê neste dia.
Até que Paina Guardar a Aliança? 197

Alguns homens enriquecem. Boa parte de sua riqueza passa para os


filhos. Seus filhos podem usar o dinheiro de forma produtiva e
benevolente, ou podem desperdiçá-lo. A economia de uma nação cresce e
diminui. Embora não seja perceptível para a maioria, todas as tendências
da economia podem ser identificadas como resultado de algum aspecto
da aliança de Deus (fidelidade ou infidelidade). A origem de todas as
riquezas está em Deus, e somente aqueles que estão em aliança com ele
têm o direito de possuí-las.
Até que ponto a responsabilidade de guardar aliança com os se- res
humanos nos afeta? Ao fugir da justiça de Deus depois de ter assassinado
seu irmão Abel, Caim alegou não ser responsável por seu irmão (Gn
4.9). Até que ponto precisamos ser responsáveis por nossos irmãos?
Um tema que percorre as Escrituras é o do parente remidor. A figura
do parente remidor é um símbolo de Jesus. Pode também ser aplicada às
relações humanas. Levítico 25.25 (ACF) declara:

Quando teu irmão empobrecer e vender alguma parte da sua pos-


sessão, então virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que
vendeu seu irmão.

Se um homem se endividasse e não fosse capaz de reerguer-se


financeiramente, seu parente mais próximo tinha o dever de cons- ciência
de redimi-lo daquela escravidão financeira. Deus quer que cresçamos em
nosso compromisso e na confiança a ponto de dis- ponibilizarmos nossas
propriedades e nossos recursos para servir ao outro. No livro de Atos,
alguns dos cristãos ricos venderam suas terras e disponibilizaram o
dinheiro para que os irmãos de aliança mais pobres não passassem
necessidade. Não devemos estabelecer novas políticas sobre ter tudo em
comum, mas devemos levar suficiente- mente a sério nosso compromisso
com os outros a ponto de estarmos dispostos a "tirar o outro de apuros"
em tempos de necessidade. Somos parentes remidores uns dos outros,
coerdeiros e parceiros de aliança no reino de Deus.
198 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

A imagem de aliança engloba toda a nossa visão das Escrituras.' As


próprias Escrituras são um testamento, um documento de teste- munho de
aliança. No templo antigo, os animais eram mortos, e seu sangue era
derramado quando a aliança era cortada. As Escrituras falam sobre o
sangue e o sal da aliança, os sinais e a arca da aliança, as maldições, as
bênçãos e as promessas da aliança, o povo e o Deus da aliança. A Bíblia
é um livro de aliança.

ESTÁGIOS DO AMOR

O amor, em seu estado ideal, é de perfeita harmonia. É o estágio do


paraíso. Se essa harmonia é quebrada, o amor deve entrar numa fase de
ações restauradoras. Esse é o estágio redentor no qual se busca es-
tabelecer relacionamentos por meio de compromissos firmes; pode- mos
chamá-lo de estágio de aliança. O estágio da aliança tem como finalidade
restaurar o estágio do paraíso. Onde o pecado abunda, o amor precisa
entrar num estado de proteção no qual as interações pessoais são
protegidas e mantidas por sanções punitivas. Esse é o estágio da lei. A
harmonia é o ideal do amor. A aliança busca res- tabelecer essa harmonia.
A lei pune violações contra essa harmonia.
O nível profundo de intimidade deve ser acompanhado de um nível
profundo de compromisso correspondente. No caso do matri- mônio, há
uma intimidade humana completa, e deve haver também um
compromisso absoluto. Como o casamento é a única forma de aliança
com a qual nossa cultura está familiarizada, ele serve como modelo para
entendermos a salvação e a lei.
Antes da queda, no Jardim do Éden, o homem e a mulher foram
projetados para viver em unidade perfeita, sem qualquer suspeita ou
desconfiança. Mais tarde, quando a possibilidade de desconfiança entrou
no coração deles, sua intimidade precisou ser governada pelo
compromisso a um juramento. Mais tarde ainda, por causa da dureza de
coração dos homens, uma legislação específica para o processo de
divórcio e sanções contra o adultério tiveram de ser elaboradas. Mateus
19.4-8 (ARA) diz:
Até que Ponto Guardar a Aliança? 1 99

Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o prin-
cípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o
homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só
carne? De ',iodo que já não são mais dois, porém urna só carne.
Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Replicaram-
lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e
repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso
coração é que Móis& vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto,
não foi assim desde o princípio.

Ajuntar-se diz respeito à intimidade compartilhada entre um homem e


uma mulher. Tornar-se uma só carne é o mandamento: se já foram ajuntados,
devem comprometer-se a ser um. A ideia de que são uma só carne é uma
exigência moral de Deus. Porque foram unidos em intimidade, devem ter o
compromisso de aliança de permanecer juntos sem trair sua aliança. A
aliança de casamento é a maneira pela qual Deus fez deles uma só carne; e
ela não deve ser quebrada.

O ESTÁGIO DO AMOR CHAMADO LEI

O estágio da lei foi implementado quando as pessoas não conseguiam mais


manter a atitude de coração de fidelidade no casamento. Como as pessoas
não estavam mais sendo fiéis no casamento, a única opção amorosa e de
aliança foi adotar o processo legal de divórcio. O divórcio foi uma ação de
Deus em resposta à dureza do coração humano. Jesus não disse que não
existia mais o processo legal de divórcio.
A harmonia conjugal é o estágio "A" (amor de paraíso). Um ju- ramento de
compromisso ao casamento é o estágio "B" (amor de aliança). Procedimentos
na justiça para o divórcio legalizado são o estágio "C" (amor legal). Jesus
ensina que o ideal na mente de Deus é a confiança perfeita entre um homem
e uma mulher. Uma pessoa pode quebrar o espírito de uma aliança de
casamento pelo adultério no coração mesmo que não tenha exteriormente
quebrado a lei. Os procedimentos legais de divórcio não são o ideal de Deus.
Jesus descreve a necessidade de Deus de prosseguir para o estágio C de
aplicação da lei para proteger a intimidade conjugal. Se o amor do
200 RE LA C IO NA ME NT OS DE ALIANÇA

estágio A e do estágio B não funcionam, a única medida moral a ser tomada


é operar pelo estágio C.
Quando a aliança é quebrada, a única coisa amorosa a se fazer é adotar
procedimentos legais. Caso contrário, a pessoa estará promovendo tanto a
imoralidade quanto a ilegalidade. O divórcio foi criado por Deus como
reação à dureza do coração humano. O divórcio é urna medida de amor em
relação a essa dureza. O divórcio equivale, no casamento, ao desligamento
de um membro da congregação. Deus não quer o divórcio tanto quanto não
deseja que um membro seja afastado da congregação. Se a situação exigir,
porém, uma ação legal será a única medida apropriada, amorosa e de aliança
a ser tomada. Se alguém comete um crime sem arrependimento, o único
gesto amoroso a ser aplicado é a punição ao indivíduo.
O divórcio deve ser visto como uma medida de punição legal, ge-
ralmente contra o homem, por ter quebrado a aliança de casamento com a
esposa. Os procedimentos do divórcio protegem a parte inocente de um
tratamento cruel e injusto. O divórcio é o último passo de um confronto de
aliança contra o cônjuge ofensor. O processo de oficialização do divórcio
evita uma situação de confusão e abandono. Dizer que não existe algo
como o divórcio é fingir que alguém está no relacionamento do estágio B
quando a realidade é que ele precisa da proteção legal de uma ação do
estágio C.
Jesus não contradiz o ensino de Moisés sobre o divórcio. Jesus descreve a
diferença entre sanções legais, compromisso de aliança e fidelidade de
coração. Jesus não quebraria as Escrituras dadas anteriormente e ordenadas
por Deus. O divórcio deve ser visto como o procedimento legal e justo no
caso de haver o rompimento da aliança. Caso contrário, a parte inocente,
geralmente a esposa, seria deixada praticamente indefesa diante da má
conduta do cônjuge infiel.

A RECONCILIAÇÃO É MELHOR DO QUE A LEI

Devemos procurar andar em perfeita unidade de coração com cada irmão


na fé. Para isso, nossas ações devem ter como base os princípios dos
relacionamentos de aliança. A reconciliação pessoal é mais
Até que Ponto Guardar a Aliança? 201

vantajosa para os dois lados do que os procedimentos da lei. A aliança lida


com a dinâmica dos relacionamentos pessoais. A lei trata de um contrato
escrito no papel. Os mecanismos da lei operam de acordo com detalhes
exatos mesmo que impliquem em desvantagem para ambas as partes. Uma
vez que se inicia o mecanismo da lei, ele deve ser levado até o fim. Lucas
12. 58-59 (AS21) declara:
Quando, pois, fores com o teu adversário ao magistrado, procura a
conciliação com ele no caminho; para que não aconteça que ele te
arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao carcereiro, e o carcereiro te
coloque na prisão. Eu te digo que não sairás dali enquanto não
pagares o último centavo.

Fazer todo o esforço possível ao longo do caminho para conciliar-se


com alguém com quem estamos em desacordo é o processo de diálogo de
aliança. Nós conversamos e procuramos estabelecer a reconciliação. Se não
conseguimos nos reconciliar, talvez tenhamos de recorrer ao mecanismo
impessoal da lei. A lei afirma que, quando seu julgamento é feito, cada
centavo deve ser pago de acordo com a letra. A lei é um mecanismo da
letra. A lei não lida com o coração da reconciliação pessoal. Quando duas
pessoas se voltam para o mecanismo da lei, elas estão admitindo que não
conseguem agir na base da reconciliação do coração. É sempre melhor
resolver discordâncias no nível pessoal e de aliança do que apelar ao sistema
legal.
Certa vez, um grupo de vizinhos apelou a uma agência local do governo
para tomar medidas legais contra uma de nossas congregações. Como não
nos informaram com antecedência, não tivemos oportunidade de dialogar
pessoalmente com eles para resolver a questão. Uma vez que o mecanismo
da lei já havia sido acionado, nenhum dos dois lados podia mais
interrompê-lo. As autoridades examinaram os documentos e tomaram
algumas decisões. Essas decisões não concediam aos vizinhos o que
queriam, pois não havia base legal para suas reivindicações. Por outro
lado, as autoridades nos impuseram algumas restrições que não
beneficiaram os vizinhos, mas nos custaram uma grande soma de
dinheiro e tempo.
202 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Se tivesse sido possível nos reunirmos e discutirmos o problema, teríamos


conseguido chegar a uma solução mais vantajosa para os dois lados.
No fim, a lei foi aplicada, e nenhuma das partes obteve o que queria. A
decisão da lei foi perfeitamente justa de acordo com a letra do código.
Contudo, o verdadeiro cerne do problema por trás dessa situação não havia
sido resolvido.
Devemos nos esforçar para resolver, antecipadamente, um problema com
um irmão por meio da comunicação pessoal antes que se degenere para
uma ação legal. A maioria das congregações possui algum tipo de código
legal ou estatuto social. Se uma divisão entre os membros atinge um ponto
em que os dois lados exigem que sua própria interpretação desses
documentos seja executada, eles já saíram da esfera de diálogo de aliança.
Esse seria o momento de parar a discussão e voltar-se para o Senhor em
oração e arrependimento até que fosse restaurada uma atitude de aliança no
coração de todos. Insistir no código escrito provavelmente destruiria o
grupo. O propósito da lei é o seu cumprimento; o propósito da aliança é a
reconciliação.
19

CUMPRINDO NOSSA PALAVRA

A
aliança proporciona compromisso aos nossos relacionamentos pessoais.
Esse compromisso é expresso por palavras. As palavras são a aliança
propriamente dita. As palavras da aliança descrevem o compromisso
do relacionamento. Qualquer compreensão de aliança deve ser baseada na
responsabilidade de cumprir as palavras proferidas. O valor das palavras de
compromisso num relacionamento só vai até onde a pessoa é capaz de
mantê-las. Em Mateus 21, Jesus conta a história de um homem que tinha
dois filhos. Numa determinada ocasião, um deles disse que atenderia o
pedido do pai, mas não o fez, e o outro falou que não lhe obedeceria, mas
obedeceu. Palavras de compromisso que não são mantidas não têm valor
algum. Jesus atribuiu a condição de justo ao segundo filho.
Portanto, uma das chaves da aliança é a pessoa cumprir aquilo que
prometeu. Ser fiel à sua palavra é essencial para (1) manter os
relacionamentos de aliança, (2) ser uma pessoa de integridade e (3)
proclamar uma fé miraculosa. Nossa integridade só tem valor à proporção
que as pessoas podem confiar que manteremos a nossa palavra. As
expressões "Ele vale tanto quanto as suas palavras", "Sua palavra tem valor"
e "Ele é um homem de palavra" mostram uma perspectiva de aliança.

CONTRATO VERSUS ALIANÇA

Legalmente, um acordo entre duas pessoas só é validado após ser escrito e


assinado. Isso é chamado de contrato. Um contrato é o equi- valente legal a
uma aliança, embora não sejam a mesma coisa.

203
204 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Todavia, nas culturas antigas, um acordo verbal entre duas pessoas era
considerado obrigatório. Geralmente, esse acordo era testemunhado e
comunicado a mais pessoas. Se envolvesse dois indivíduos em particular,
era chamado de acordo de "cavalheiros". Entre dois cavalheiros, um
homem se sentia obrigado a cumprir sua palavra, que era mais sagrada do
que a lei. Os acordos verbais eram aceitos na lei comum da Inglaterra e
dos Estados Unidos nos séculos 17 e 18. Hoje, quase sempre são usados
documentos escritos. Um acordo por escrito torna a transação mais formal,
concedendo-lhe maior autoridade legal e espiritual. As pessoas podem ser
menos vacilantes quando o problema em questão é mais definido.
Por outro lado, essa mudança na lei também reflete a tendência de que
as pessoas não consideram a palavra do outro válida ou confiável. Passamos
a agir apenas amparados por contratos legais e não mais pela confiança de
aliança. Passar para o papel uma aliança baseada na confiança do caráter é
diferente de iniciar um contrato legal que depende da lei para o seu
cumprimento.

SENDO FIÉIS ÀS NOSSAS PALAVRAS

O poder das palavras é central para o entendimento espiritual. As próprias


Escrituras são um conjunto de palavras. Os mestres da pa- lavra da fé não
ensinam apenas que Deus usou as palavras para criar o mundo, mas
também que as nossas palavras são imbuídas de poder e autoridade. Do
ponto de vista da fé, um homem vale tanto quanto sua palavra. Se ele
faltasse à sua palavra, estaria destruindo todo o seu senso de identidade e
integridade. O Salmo 15.4 descreve um ho- mem justo como "o que jura
com dano próprio e não se retrata"(ARA).
Se um homem jurava fazer algo, ele sempre se certificava de que suas
palavras se cumpririam. Mesmo que representassem prejuízo a si
mesmo, seria melhor sofrer algum dano externo do que todo o seu valor
como pessoa ser destruído. Quando alguém vê sua própria pessoa como
penhor de suas palavras, ele se torna um homem de aliança. Temos de
colocar nossa vida como garantia de cada palavra que proferimos.
�0 0 H EL \ C I O N H I EN TOS DE i\ 1. I.HÇA

Antigan1ente, quando alguém me dizia: "Por favor, len1bre-se de orar


por fulano", minha resposta era: "Claro, vou orar por ele". En1-
bora n1inha resposta fosse sincera, eu não sabia se conse g u iria cum-
prir a pron1essa. Se eu tiver o comprornisso de longo prazo de orar
por alg u ém, então farei isso corn prazer. Em outros casos, é melhor
d.irigir-se à pessoa .i.n1ediatan1ente, segurar sua n1ão e dizer: "Vamos
orar por isso agora". Uma oração de fé decisiva na hora oportuna é
n1elhor do que u.n1 cornpromisso vago de fazê-lo e1n algum momen-
to no futuro.

SENDO PONTUAIS

Muitas das nossas interações co111 outros irmãos envolvem combinar


o local e o horário para nos encontrarn1os. Aqui estão três sugestões
para ajustarmos nossas atitudes relacionadas a ir às reuniões:

1. Quando for a uma reunião con1 horário n1arcado, planeje


chegar bem antes da hora. 1em chega n1ais cedo pode usar
o ten1po a fim de preparar-se para a reunião. en1 planeja
chegar em cima da hora enfrenta a ansiedade quanto a um
possível atraso. Quem está um pouco atrasado gera frustra-
ção e pressa para tentar ir contra o relógio. Acredito que
esses momentos de frustração e correria não são saudáveis.
Prefiro investir ten1po em chegar cedo e pern1itir que n1inha
alma fique tranquila naquela situação.

2. Tanta gente costu1na se atrasar que a pessoa pode ficar frus-


trada quan<lo é a única a chegar na hora para a reunião. A
prontidão e a pontualidade nada têm a ver com os outros.
É uma questão de integridade das nossas próprias palavras
e do nosso caráter diante de Deus. A pontualidade deve ser
feita como uma oferta a Deus e é aceita por ele independen-
temente de como os outros agem.

3. As pessoas 1nuitas vezes nos pedem para fazer pequenos fa-


vores ou ir a lugares que não se encaixam c.,n nossa rotina
( I n f l u i n d o N o s s a 1),11,1.1

particular de prioridades. Há urna pressão social para dizer


que você atenderá ao pedido apenas para dar urna resposta
positiva ao amigo. Urna opção melhor é indicar que terá de
refletir a respeito do assunto. Não se comprometa de forma
leviana com algo que talvez não seja capaz de cumprir.

Esses exemplos mostram os tipos cie detalhes com os quais temos


de lidar para cumprir cada palavra que sai da nossa boca. Embora pa-
reçam insignificantes, a exatidão do discurso e a preocupação com a
integridade são assuntos que envolvem consciência e santidade.

UMA ALIANÇ A ERRAD A

O ato de fazer aliança nem sempre é realizado por motivos nobres.


As vezes, os homens fazem promessas e acabam jurando para o seu
próprio mal quando têm más intenções. Atos 23 descreve uma cons-
piração de um grupo de homens para matar o apóstolo Paulo. Atos
23.12-13 (M r1) declara:

Na manhã seguinte os judeus tramaram uma conspiração Ouraram


solenenlenic que não Comeriam iiem beberiam enqUa1110 11(10 Ma-
tassem Paulo. Mais de quarenta homens estavam envolvidos nessa
conspiração.

Havia urna hostilidade no primeiro século entre os líderes da


estrutura religiosa judaica e os líderes do movimento dos judeus que
criam em Jesus. Em todas as épocas, as pessoas que se apegam às suas
posições religiosas geralmente são contrárias àqueles que represen-
tam um movimento de avivamento espontâneo.
Esses homens fizeram de fato urna aliança. Eles tinham um pro-
pósito estabelecido. Fizeram um juramento juntos, com bênçãos e
maldições. Havia mais que dois ou três envolvidos nessa aliança — na
verdade, mais de 40 pessoas. Apesar de essa aliança em particular ter
sido feita com más intenções, ela ainda reflete urna cultura familiari-
zada com o conceito de guardar aliança. A visão radical que tinham
de um juramento é extraída (h) mesmo contexto no qual toda a
110 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

foi escrita. O entendimento de que guardar as palavras da aliança é


um assunto sério de vida ou morte forma a base para compreender as
Escrituras. Homens e mulheres daquela época arriscariam a própria
vida por palavras proferidas em aliança.

SUSTENTADOS POR NOSSA INTEGRIDADE

Se os homens não cumprem as palavras de uma aliança, Deus os


chama para prestar contas disso. Se uma pessoa não faz um compro-
misso de aliança para .realizar algo, não há responsabilidade moral
para executá-lo. Uma vez que as palavras são pronunciadas, temos
a responsabilidade de ser fiéis a elas. Homens e mulheres de aliança
creem que cada palavra que sai de seus lábios é urna declaração de
integridade. O que sai da nossa boca procede do que está no nosso
coração. Nosso coração deve estar cheio de uma santidade que nos
faz querer cumprir as palavras que proferimos. Tudo o que dizemos
deve ser uma expressão do nosso Deus guarda.dor de aliança que ha-
bita em nosso coração.
Uma expressão correta é: "Diga o que quer dizer e cumpra o
que disser". Devemos ter o compromisso de sustentar cada uma das
nossas palavras. Se as oferecemos cm forma de promessa, devemos
comprometer-nos ainda mais a cumpri-las. Como povo com caráter
de aliança, temos de aprender a limitar nosso discurso e evitar .fazer
promessas superficiais. Em Mateus 5.37 (A.RC), Jesus disse:

Seja o seu "sim", "sim", e o seu "mio", "tao"; o que passar disso
M i l do Malino.

Não devemos precipitar-nos afizer promessas levianas. Leve-


mos nossas palavras a sério. Resistamos à tentação de exagerar ao
relatar um evento ocorrido. É uma tarefa desafiadora conduzir nossas
palavras a um estado de simplicidade, exatidão e honestidade. O trei-
namento e o controle da língua são parte essencial da autodisciplina
para alcançar santidade.
20

PACTOS SOCIAIS

á muitos tipos diferentes de aliança que os homens podem fa-


zer. Muitas vezes, essas alianças envolvem uni grupo maior de
pessoas. Q14ando abrange uma sociedade inteira, é chamada
de aliança nacional, constituição, ou pacto social. Um pacto social é
unia aliança feita com toda a sociedade de um país. E um contrato
entre grupos de pessoas que atuam nas esferas da sociedade, dos ne-
gócios e do governo.
O melhor tipo de pacto social acontece quando uma sociedade
i.ntei.ra se une para servir a Deus. Implementar uma aliança que afeta
toda urna sociedade compete à sua liderança representativa. Conce-
der autoridade aos líderes para fazer aliança é necessário se deseja-
mos que ela englobe um grupo extremamente grande de pessoas. As-
sim como uma mulhe.r pode entregar-se a urna aliança de casamento
com um homem, uma sociedade inteira também pode submeter-se
a urna aliança com Deus. Se isso acontecer, ela se tornará unia nação
temente a Deus. As épocas em que sociedades inteiras foram capazes
de fazer um compromisso de aliança com Deus representam os pon-
tos altos da 'História.

A ALIANÇA DE JOIADA

Encontramos nas Escrituras um compromisso especial de Deus em


relação ao povo de Israel, porque, ao longo da sua história, muitas ve-
zes os israelitas se apresentaram ao Senhor como nação inteira para
fazer aliança com ele. Quando não conseguiam guardar a aliança,
ficavam sujeitos a julgamento. Mas, de modo geral, as outras na
ções do mundo não tinham a menor preocupação em fazer qualqurr

'II
111:1ACIONAMENT11S DE ALIANÇA

aliança com Deus. Em Êxodo 19.5-8, Moisés e os anciãos de Israel


se apresentam para fazer uma aliança com Deus antes de receber os
Dez Mandamentos no Monte Sinai. Em Josué 24, Josué leva todas
as famílias da nação diante de Deus e as convoca a testemunhar sob
juramento o compromisso de ser fiéis a ele. Em 2 Crônicas 23.16-21,
é feita uma aliança com o sumo sacerdote, o povo em geral e o rei:

joiada fez aliança entre si mesmo, o povo e o rei, para serem eles o
povo do SENHOR. (2 Cr 23.16; ARA)

Nessa aliança, Joiada representa o sacerdócio, a autoridade re-


ligiosa da época. O jovem rei representa o governo e a autoridade
secular. O povo reunido estava representado por seus anciãos. Nessa
aliança, o povo não está apenas reformando a sociedade e o governo,
mas está se consagrando a Deus. Deus é um parceiro da constituição
nacional deles. Ele é um parceiro e parte da própria nação.

A ALIANÇA DE JOSIAS

Outra aliança nacional foi feita pelo rei Josias; seu relato se encontra
em 2 Crônicas 34.29-33 (ARA). Todos os elementos de urna aliança
nacional estão aqui:
Então, der«vdcm o rei, e todos os anciaos de Judó e de _Jerusa-
lém se (limitaram. O rei subiu à Casa do SENHOR, e todos os
homens de Judo, todos os moradores de Jerusalém, os sacerdotes,
os levitas e todo o povo, desde o menor até ao maior; e leu diante
deles todas as palavras do Livro da Aliança que_fora encontrado na
Casa do SENHOR. O rei se pôs no seu lugar e_fez aliança ante
o SENHOR, para o seguirem, c_çltardarenz os seus mandamentos,
os seus testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda
a alma, cumprindo as palavras desta aliança, que estavam escritas
naquele livro.lbdos os que se adiaram CHI Jerusalém e em Benja-
mim anuíram a esta aliança; e os habitantes de Jerusalém fizeram
segundo a aliança de Deus, o Deus de seus paisjosias tirou
todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de
Israel,. e a todos quantos se adiaram em Israel os obrigou servissem ou a que
servisse ao
SENHOR, seu Deus. Enquanto ele viveu, não se desviaram de
seguir o SENHOR, Deus de seus pais.

É importante examinar passagens como essa para entender (r


princípios bíblicos de governo e aliança nacional. Eles podem guiar
nossas atitudes a respeito de governo, economia, eventos atuais, pa-
drões morais, legislação, história, .força militar, padrões educacionais
e política. Até que ponto devemos envolver-nos? De que forma de-
vemos ser urna influência de santidade na sociedade à nossa volta?
Como a aliança de josias foi realizada no final. da história da
primeira comunidade de Israel., isso nos dá a oportunidade de ver
como os princípios anteriores de aliança de sangue dos patriarcas
foram aplicados à constituição de uma nação. No antigo Israel, reli-
gião e governo estavam completamente interligados. O propósito de
examinar a aliança de Josias é mostrar como os princípios de aliança
podem ser implantados na sociedade de uma nação.
Há vários grupos de pessoas envolvidos nessa aliança nacional.
Primeiramente, tem o rei, que é o único líder do poder executivo do
governo. A função do rei é praticamente igual à de um presidente
moderno. Segundo, há os anciãos do povo. Esses homens são os líde-
res representativos dos prin.cipais setores da nação. Numa república
representativa moderna, eles seriam semelhantes a governadores de
estado ou membros de um parlamento, congresso ou senado. O ter-
ceiro grupo é a população em geral., descrita no verso 30 como "todo
o povo, desde o menor até ao maior". Eles têm uma posição igualitária
perante a lei. Não há parcialidade caso pertençam a um status social
ou financeiro elevado. Embora isso não seja uma democracia, cada
pessoa possui um papel participativo na formação da aliança.
Outro grupo de pessoas descrito no verso 30 são "os sacerdotes e
os levitas". Os sacerdotes e levitas são uma tribo especial ordenada
para ser constituída de ministros, guardiões e líderes de adoração no
santuário religioso central. Esses homens não são exatamente equi-
valentes aos líderes religiosos ordenados da nossa nação por causa da
formação tribal_ singular que sustentava o templo antigo. Por outro
lado, líderes religiosos estão claramente envolvidos como grupo de
influência e autoridade no estabelecimento dessa aliança nacional.
)1,1 RELACIONAMENIOS DE ALIANÇA

Nessa aliança do rei josias, o povo se baseava no documento


original. do pacto da lei formulado no tempo de Moisés. Eles não
estavam compondo urna nova filosofia de governo, mas reafirmando
os princípios sobre os quais a nação havia sido fundada. Os docu-
mentos das Escrituras eram tanto sua Bíblia quanto sua constituição.
Devemos examinar os documentos originais sobre os quais a nação
está fundamentada, assim como as Escrituras, quando tentamos de-
terminar princípios corretos de governo a ser adotados hoje. O go-
verno dos Estados Unidos, dentre outros, tem sido bem-sucedido,
.porque a Constituição deu certa base de aliança à estrutura legal e
governamental.
Em 2 Crônicas 34.30, o rei "leu diante deles todas as palavras do
Livro da Aliançri". Todos os cidadãos de uma nação deveriam ser bem
instruídos nos estatutos constitucionais que originalmente definiram
os propósitos do seu governo. dando estudamos as Escrituras para
entender os componentes de um governo temente a Deus, devemos
estar cientes dos documentos constitucionais básicos do governo in-
dependentemente da nação onde vivamos. Uma constituição deve ser
baseada na Bíblia, e um governo deve ser baseado numa constituição.

GOVERNO CONSTITUCIONAL

Devemos buscar que o nosso governo esteja em conformidade com


as funções e os propósitos descritos na sua constituição) dc fundação.
O rei Josias chamou o povo a "cumprir as palavras desta aliança, que
estavam escritas naquele livro". O governo não é uma série progressiva
de ações legislativas; é urna autoridade que opera sujeita à constitui-
ção ou ao pacto nacional principal que decretou a sua existência. Um
governo de aliança está sujeito a um documento original de acordo
instituído pelas pessoas que o fundaram. Um governo bíblico é es-
.
sencralmentc um governo constitucional.
Um governo e uma legislatura são baseados numa constituição
fundadora. A constituição fundadora é baseada nos princípios das
Escrituras. Uma constituição é um esboço dos princípios bíblicos
que melhor se aplicam à nação em questão. Se a constituição é ba-
111', I Si

soada em princípios bíblicos, e o governo adere à sua eowtituiti.ii


então o sistema de governo é o mais próximo ao padrão bíblico. A
constituição dos Estados Unidos foi. escrita por homens com alto
conhecimento das Escrituras e bem versados em como aplicar seus
conceitos ao governo.
Nós, COMO cristãos, devemos estar cientes dos princípios bíblicos
que se aplicam ao governo e até que ponto uma constituição está
alicerçada nestes princípios. Devemos conhecer bem os documen-
tos fundadores da nossa nação. Entender nossa constituição e seu
contexto nos ajudará a saber quais funções nosso governo foi. dc fato
planejado para desempenhar.
Assim como urna visão bíblica do relacionamento entre homem
e mulher é definida pela certidão de casamento, uma visão bíblica
de governo é definida pelo documento constitucional. nacional. O
antigo Israel considerava a To.rá de Moisés como sua constituição de
governo. Hoje, o Israel moderno ainda está trabalhando para elabo-
rar a legislação dc uma lei. constitucional básica.

PROMETENDO APOIO

Em 2 Crônicas 34.32, os líderes e o povo leram a aliança e anuíram


publicamente a ela. Esse posicionamento era um ato de ratificar a
aliança feita por josias. Era o compromisso de apoiá-la. Essa pos-
tura dc apoio não era um voto, mas uma promessa dc lealdade à
aliança. A assinatura da Declaração de independência (dos EUA) foi
igualmente um pacto dc lealdade dos signatários para apoiar o esta-
belecimento do seu governo independente. Assinar essa declaração
foi urna atitude perigosa e arriscada. Aqueles patriotas americanos
possuíam um profundo senso de pacto nacional. Seu compromisso à
aliança era maior do que a maioria hoje poderia imaginar. u a n dc
os assi.nan.tes da declaração colocaram o nome no documento, com-
prometeran-l-se a ser leais à nova nação até a morte.
Observe a linguagem e o entendimento de aliança revelados na
última frase da Declaração de Independência:
216 wIoNANIENTos ALiANÇA

E em apoio a esta declaração, com utnafirme confiança na proteção


da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas,
nossas fortunas e nossa sagrada honra.

Poucas congregações têm esse nível de compromisso de aliança.


O pacto dos assinantes era baseado num conjunto claro de palavras
escritas na declaração. Era baseado na confiança e fé no poder mira-
culoso de Deus para intervir em suas vidas. Tratava-se de urna pro-
messa mútua entre as partes envolvidas na aliança. Por meio dessa
aliança, estavam comprometendo a própria vida, seus bens financei-
ros e até mesmo sua reputação como homens de honra. Que declara-
ção linda! O que aconteceu no caso de Josias também aconteceu no
caso dos que assinaram a Declaração de Independência. Homens se
apresentaram e assumiram uma posição de compromisso de aliança.
Eles se comprometeram a estabelecer urna nação temente a Deus.

AVIVAMENTO CAUSA REFORMA

A passagem de 2 Crônicas 34.33 afirma: Yosias tirou todas as abo-


minações de todas as terras que eram dos filhos de Israel". Josias liderou
uma reforma radical dos valores sociais, morais e espirituais da nação.
No antigo Israel, os padrões civis e religiosos estavam interligados. A
aliança de Josias gerou reformas morais profundas em toda a nação.
Decadência, injustiça e práticas ocultas foram eliminadas da sociedade.
As reformas sociais não produziram a realização da aliança; foi a
realização da aliança que resultou nas reformas sociais. O avivamento
espiritual gera atitudes de aliança, que, por sua vez, promovem justi-
ça social. O avivamento produz reforma; reforma não produz aviva-
mento. Reformas radicais de justiça social muitas vezes são precedi-
das por avivamentos espirituais, que inspiram uma mudança moral
no coração das pessoas.
Alguns dos grandes eventos históricos nos Estados Unidos foram
precedidos por urna onda de arrependimento, evangelismo, leitura
bíblica e oração. Eventos históricos seriam compreendidos sob outra
perspectiva se sua relação com movimentos espirituais fosse conside-
rada. Por trás dos acontecimentos da Guerra Revolucionária (EUA),
tVr, 11111 1,111

estavam o arrependimento e o avivamento generalizado conlirk


como o "Grande Despertamen to". A emancipação dos negros noi e •
-americanos, conquistada durante a Guerra Civil, foi motivada pela
pregação e pelo evangelismo de homens como Charles Finncy.
intercessão intensa nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha provocou
guerra espiritual enquanto as forças militares dos Aliados lutavam na
Segunda Guerra Mundial. O avivamento produz reforma, e a oração
muda o curso dos acontecimentos históricos. Urna visão pactuai da fé
levará crentes em Jesus a influenciar o curso da História e a sociedade
ao seu redor.

LIBERDADE DE RELIGIÃO

Alguns cristãos acreditam que não é espiritual ser uma força de in-
fluência no mundo secular. Desistir de influenciar o mundo à nossa
volta é uma forma de misticismo pietista. A verdadeira espirituali-
dade conduz a atitudes de aliança, que, em seguida, levam à justiça
social. Com o coração voltado para a oração e a meditação, os cristãos
deveriam ser uma força de influência divina e luz morai para a socie-
dade da qual fazem parte.
A separação entre a Igreja e o Estado pretendeu promover o
livre exercício de crenças religiosas; não limitá-las por meio de um
governo secular ímpio. .A liberdade da fé das pessoas deve ser pro-
tegida da interferência do governo. O governo secular deve ser visto
como um patrono ou protetor benevolente do livre exercício da fé
bíblica. Quanto mais valores bíblicos existem em meio ao povo, mais
saudável e próspera é a base da sociedade. A força moral e espiritual
entre as pessoas propiciará força e estabilidade no governo. O livro
de Provérbios diz: "com justiça se estabelece o trono" (Pv 16.12; veja
também Pv 25.5 e 29.4).
A passagem de 2 Crônicas 34.33 declara que o rei iosias "a todos
(mantos se acharam em Israel os obrigou a que servissem ao SENHOR, seu
Deus". O governo foi concebido para promover e facilitar a propagação
da fé bíblica; não apenas deixar de restringi-la. Os pioneiros originais
dos Estados Unidos eram homens de devoção e comprometimento
IILI.A.cloNANILNTOS DE ALIANÇA

intenso com a fé cristã evangelística. Eles viam a descoberta e a colo-


nização dos Estados Unidos como um esforço para estabelecer uma
nação baseada em verdadeiros valores bíblicos judaico-cristãos.

O GOVERNO DE DEUS

Precisamos recuperar uma visão espiritual do governo e do nosso


papel em exercer domínio sobre a Terra. O reino de Deus é a auto-
ridade de Deus expressa em todas as áreas da vida. O reino de Deus
é o reinado ou governo do Senhor. Ele começa dentro do espírito do
homem e flui para fora, atingindo seu corpo, suas posses, seus rela-
cionamentos e todas as áreas da sociedade. Precisamos treinar nossas
congregações para ter uma atitude de domínio em relação ao mundo
à nossa volta. Rejeitamos o pietismo e o misticismo. Nossos valores
espirituais incluem influenciar a sociedade a assumir uma forma mais
temente a Deus. O Messias Yeshua é o cabeça e a autoridade sobre
todo tipo de principado, poder e governo. Ele é Rei sobre todos os
outros reis. Ele é o Governador e Presidente supremo sobre todos os
outros governadores e presidentes.
21

PATRIOTISMO E IMPACTO
POLÍTICO E PROFÉTICO

\
-- ao devemos permitir que a necessidade de ser urna influência
profética na sociedade enfraqueça a vida espiritual da con_,
gregação. O impacto social não deve afastar as pessoas das
prioridades de estudo bíblico, oração e evangelismo. Por outro lado,
não devemos evitar as questões de moralidade social. A condição do
mundo à nossa volta afeta nossa capacidade de anunciar o Evan-
gelho. O impacto profético na ação social pode criar um desejo in-
tenso de oração entre os crentes. Exercitar urna influência espiritual
no mundo ao nosso redor promoverá um grau maior de eficácia no
evangelismo.

ORAÇÃO, POLÍTICA E EVANGELISMO

Há uma relação triangular entre impacto social, vida devocional da


comunidade e evangelismo eficaz. Os três andam juntos e comple-
mentam um ao outro. O evangelismo e o impacto social tornam nossa
vida devocional saudável e realista. Se o impacto social se desligar da
vida devocional da comunidade ou do evangelismo, ele será dese-
quilibrado, e não espiritual. Demonstramos nossa fé por nossas obras.
Somos pessoas espirituais cujos padrões morais se manifestam numa
influência sobre a sociedade.
A relação entre oração, política e evangelismo é descrita em 1
Timóteo 2.1-4:

Exorto, pois, antes de tudo que se _façam suplicas, orações, interces-


sões, e ações de graças por todos Os homens, pelos reis, e por todos Os

219
220 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e


sossegada, em toda a piedade e honestidade. Pois isto é bom e agra-
dável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os
homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

Nossas orações e intercessões têm urna ordem estratégica. Uma


das principais prioridades da oração é interceder por aqueles que
exercem autoridade. Essa intercessão promoverá urna ordem social
com o mínimo de distúrbios e transtornos. Essa condição de paz so-
cial é o cenário mais adequado à propagação do Evangelho a fim de
que todas as pessoas que fazem parte dessa sociedade tenham a opor-
tunidade de serem alcançadas. Quando ocorrem revoluções e crises
políticas numa nação, o evangelismo enfrenta dificuldades. As ora-
ções pelos líderes do governo produzem condições sociais favoráveis
para que um maior número de pessoas seja salvo. A vida devocional
afeta a ordem social que, por sua vez, afeta o evangelismo.

PATRIOTISMO

A questão do patriotismo tem gerado urna lealdade dividida entre os


cristãos. Devemos ser patriotas ou não? Existe urna contradição entre
ser leal a Deus e ser leal a urna nação terrena?

Mas a nossa pátria está nos céus. (Fp 3.20)

Devemos ter mais lealdade aos céus e ao seu governo espiritual


do que a qualquer outra nação terrena. Se um governo terreno faz
oposição direta ao Evangelho, podemos ser forçados a desobedecer à
sua autoridade. Quando se trata do nosso direito de pregar o Evan-
gelho, devemos defender nossa cidadania celestial.
Por outro lado, Pedro nos diz que é a vontade de Deus que coo-
peremos com as instituições governamentais.

Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor; quer


ao rei, como soberano; quer aos governadores Honrai a todos.
Amai aos irmãos. Temei a Deus. .Honrai ao rei. (1 Pe 2.1.3,17)
Patriotismo e Impacto Polilico r P11)101411

Nossa lealdade básica é com o céu. Nossa identificação 111


tima não é com uma nação temporal, mas com o próprio céu. "I
uma lealdade secundária com a nação onde vivemos.
O patriotismo é de Deus à medida que constitui a expressão
de um coração de aliança submisso à autoridade de Deus. Devo ser
mais leal a Deus do que à minha família. No entanto, as prioridades
de Deus me levam a ser leal a ela como parte do reino divino. Deus
é meu Pai principal no céu, mas, ao mesmo tempo, sou chamado a
respeitar e obedecer meus pais na terra.

O JURAMENTO À BANDEIRA

O patriotismo é, de modo geral, uma atitude positiva para os cristãos.


Por exemplo, os Estados Unidos têm um "Juramento à Bandeira",
que diz:
Eu prometo lealdade à bandeira dos Estados Unidos da América
e à República que ela representa, uma nação sob Deus, indivisível,
com liberdade e justiça para todos.
O patriotismo à nossa nação é um compromisso de lealdade se-
cundária sob a égide geral da lealdade à aliança com Deus. Somos
submissos à autoridade de Deus e, portanto, somos submissos a toda
autoridade que ele permite existir na Terra (Rm 13.1-7).
Na lealdade ao país onde vivemos, temos a obrigação de aliança
de buscar seu bem-estar. Em Jeremias 29, o profeta escreve aos
israelitas que foram levados cativos para morar na Babilônia. Eles
pensavam que talvez devessem rebelar-se contra o rei da Babilônia e
tentar retornar imediatamente a Israel. Jeremias lhes disse que, por
enquanto, deveriam viver em prosperidade e buscar o bem daquela
nação estrangeira. Embora sua fidelidade principal não fosse com
a Babilônia, deveriam mostrar lealdade, cooperação e certo grau de
patriotismo. Eles sabiam que a Babilônia não era o reino de Deus;
entretanto, porque eram um povo de aliança, agiram com integridade
e foram leais ao país onde habitavam.
222 linAcioNANiENTos Dr. ALIANÇA

Edificai casas e habitai nelas; plantai pomares e comei o seufruto.


1.1 Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por
ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz. ar 29.5,7;
ARA)

Depois de muito tempo, os israelitas seriam resgatados daquela


nação pagã. Enquanto isso, eles teriam de cooperar com as autorida-
des em seu cenário histórico e localização física.
Patriotismo não é urna lealdade cega que diz: "Certo ou errado;
é meu país". Da mesma forma que expressamos compromisso e sub-
missão a toda organização humana, também demonstramos nossa
integridade manifestando patriotismo ao nosso país. Curiosamente,
há uma batalha legal muito difícil em Israel quanto a exigir ou não
um juramento básico de lealdade à nação por parte dos membros ára-
bes muçulmanos ou judeus ultra-ortodoxos do Knesset (parlamento
israelense), ambos os quais se recusam a fazê-lo. Em contrapartida,
há urna aliança especial dos cristãos que acreditam na Bíblia com o
Estado de Israel hoje.

FIDELIDADE À NAÇÃO DE ISRAEL

Assim como o crente mostra urna fidelidade secundária à sua nação,


assim também todo judeu c cristão expressam certa lealdade à nação de
Israel. Nem o judeu nem o cristão confunde o Estado de Israel com o
verdadeiro reino de Deus. Contudo, temos urna identificação histórica
com essa nação. Todos os crentes são espiritualmente enxertados na
oliveira de Israel. Aquele que crê em Jesus tem sua cidadania principal
no céu e uma cidadania secundária na comunidade de Israel.

Portanto, lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios por


nascimento e chamados incircuncisão pelos que se chamam circun-
cisão, feita no avim por mãos humanas, e que naquela época vo-
cés estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo
estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem
Deus no Inundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes es-
lavam lome,firam aproximados mediante o sangue de Cristo. (Ef
2.11-13; NVI)
t' 111111,1th) POillit (' 1'111111H t ∎

Embora essa passagem se refira à cidadania espiritual


do crente, ela também indica que uma aliança não esta scpatail,1
do seu desenvolvimento histórico específico. Deus é um Deus de
história, de pessoas. As alianças da promessa oferecidas no mundo
tiveram locais e envolvimentos históricos. Embora nossa cidadania
esteja no céu, temos lealdade às alianças históricas feitas com a
nação de Israel.
Quando alguém passa a crer em Jesus, ele se torna espiritual-
mente participante das alianças da comunidade de Israel. Um cris-
tão não deve ver a si mesmo como um estrangeiro em relação à
nação de Israel. Ele é um cidadão espiritual dessa nação. Por meio
da reconciliação com Deus, Jesus também reconciliou cada cristão
com o povo histórico de Israel natural. Embora muitos judeus se-
jam inimigos do Evangelho, eles são amados por causa dos seus pa-
triarcas (veja Rm 11). Os cristãos devem ser leais a Israel pelo fato
de constituir a comunidade onde foram feitas as alianças bíblicas da
Fé. O sangue do Messias introduz qualquer pessoa na aliança não
somente com Deus, mas também com a nação que Deus estabele-
ceu por aliança.
Zacarias 14.2 declara: "Reunirei todos os povos para lutarem contra
lerusalém"(NV1). Zacarias está profetizando de um tempo futuro em
que todos os governos do mundo se voltarão em inimizade contra
a nação de Israel. Seu ataque a .Jerusalém é visto corno um ataque a
Deus. Urna nação que se torna um inimigo) militar direto de Israel
se posiciona como traidora das alianças históricas de Deus na terra.
Todo cristão deve orar para que sua nação se mantenha como aliada
da nação de Israel.
Não cremos que a nação de Israel seja moral ou espiritualmente
perfeita. De fato, temos urna fidelidade de aliança ao povo judeu que
( )eus tem reunido de forma miraculosa em nossos dias. Ser um forte
aliado militar de Israel deve ser uma das prioridades instituídas pela
política externa de qualquer nação. O cristão deve orar para que sua
nação seja uma exceção à profecia de Zacarias 14.
RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

RESPEITANDO AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS

Em 1 Pedro 2, somos instruídos a honrar e respeitar a pessoa que


ocupa o cargo mais elevado do nosso país. Os repórteres e comen-
taristas politicos às vezes mostram desrespeito, sarcasmo e desdém
quando falam sobre um presidente ou primeiro-ministro. Em alguns
momentos, são até indelicados ao dirigir-lhes uma pergunta durante
uma entrevista coletiva da imprensa. O desrespeito a um presidente
ou primeiro-ministro por parte de um apresentador de televisão re-
vela uma falta de entendimento da natureza de autoridade e aliança.
A questão não é se você concorda com todas as políticas de um chefe
de governo. Você deve respeitar uma pessoa que carrega tamanho
peso de responsabilidade sobre tantos outros.
Você também deve demonstrar respeito, porque a autoridade de
Deus está sobre e por detrás de qualquer cargo de autoridade. Um
jornalista que exibe seu desrespeito na televisão nacional demonstra
uma atitude de quebra de aliança. Pedro disse que essas pessoas: "se-
gundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as
autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignida-
des"(2 Pe 2.10; ACF). Judas também falou desse tipo de gente como
aqueles que: "contaminam a carne, como também rejeitam governo e di-
famam autoridades superiores" ( Jd 8; ARA).

OPOSIÇÃO LEAL

Está dentro dos limites da aliança assumir uma postura de oposição


direta às políticas do governo. A aliança permite confronto e oposi-
ção. No entanto, não permite desrespeito e deslealdade. Alguns paí-
ses até se referem ao partido politico de oposição como a "oposição
leal". Propostas de mudança e diferenças de opinião são bem-vindas.
A oposição leal deve ser aceita. Desprezo à autoridade, contudo, não
é admissível. O apóstolo Paulo, em Atos 23, por exemplo, expressa
oposição severa ao Sinédrio, mas evita falar de forma desrespeitosa.
Ideias contrárias podem ser apresentadas sem quaisquer inten-
ções rebeldes de minar a autoridade do governo. Falar a verdade
profética contra a injustiça social deve ser considerado um ato de
Palriolismo C Impacto Publico e 1'11111ft I,

responsabilidade moral. Há uma obrigação espiritual na conninidade


dos crentes de falar como urna voz profética à sociedade. Cot ti i.ol
irregularidades no governo é semelhante a falar a verdade em amor
no nível. individual. Somos chamados a ser urna comunidade profé
tica que fala com a voz de Deus à consciência coletiva da nação. Nós
desafiamos a sociedade como um todo a manter os valores de aliança.
Somos o sal. da terra.

PROFETAS E REIS

Moisés confrontou Faraó não somente a respeito de liberdade reli-


giosa, mas também de justiça para um povo escravizado. Todos os
profetas aconselharam seus respectivos líderes governamentais a ade-
rirem aos princípios morais e éticos. João Batista desafiou o rei He-
rodes a não cometer adultério. O profeta Natã desafiou o rei Davi; o
profeta Elias desafiou o rei Acabe. O profeta Jeremias foi ordenado a
destruir e edificar nações e reinos (Jr 1.10).
A comunidade dos crentes fala com urna voz profética que
representa uma autoridade superior ao governo. A comunidade
profética deve respeitar as funções do governo para conduzir as
atividades civis. O governo deve, por sua vez, respeitar a voz dos
verdadeiros crentes, chamando a sociedade para adotar padrões es-
pirituais e morais. As esferas de autoridade trabalham em equilí-
brio mútuo. No Israel antigo, o rei tinha o sacerdote de um lado e
o profeta de outro.
O rei Saul ultrapassou sua autoridade como executivo civil e ten-
tou usurpar a autoridade do sacerdote e do profeta. Embora Saul
talvez não estivesse conscientemente tentando ser rebelde, ele violou
um princípio básico das esferas de autoridade espiritual. Samuel o
desafiou como um profeta desafia um rei. Saul agira em desobediên-
cia ao Deus que o havia colocado lá como rei. Ele estava agindo por
motivações egoístas, ignorando as linhas de autoridade de aliança.
Samuel confrontou Saul publicamente por seu mau comportamento.
A passagem de 1 Samuel 13.13,14 afirma:
PaIriolismo e Impacto Político e Prolrlit ti .*

registra que o Senhor instruiu o profeta a desafiar o rei a as pessoa!,


a não ter mais escravos. A escravidão é um exemplo clássico tia ire
justiça da humanidade contra o homem. Escravizar homens e agir
tiranicamente sobre eles é um subproduto do pecado. A lei de Moi-
sés exigia restrições morais aos abusos da escravidão. A lei de Moisés
exigia a libertação dos escravos após um período de sete anos. Os
profetas anunciavam visões de igualdade e irmandade dos homens
sob o governo de Deus. Jeremias profetiza aos líderes da nação:

E vos havíeis hoje arrependido, e tínheis frito o que é reto aos


meus olhos, proclamando liberdade cada um ao seu próximo; e
tínheis frito diante de mini uni pacto, na casa que se chama pelo
meu nome; mudastes, porém, e profanastes o meu nome, e.fizestes
voltar cada um o seu escravo, e cada um a sua escrava, que havíeis
deixado ir livres a vontade deles; e os sujeitastes de novo à servidão.
(Jr 34.15-16)

Libertar os escravos era um ato de manter aliança. Essa reforma


social foi o resultado de um arrependimento espiritual entre as pessoas.
O arrependimento espiritual precede a verdadeira reforma social. O
avivamento leva a padrões de aliança, que levam à justiça social e à
ordem legal. O conceito de libertação dos escravos tem origem nos
mandamentos proféticos das Escrituras, não no secularismo moderno.
A injustiça social é vista como uma profanação do nome do Se-
nhor. Como a escravidão era um ato de quebra de aliança, o castigo
justo era que as maldições da aliança caíssem sobre a nação e seus
líderes. Um animal era morto para confirmar a aliança. Então, ao in-
fringi-la, a mesma morte e o derramamento de sangue sofridos pelo
animal aconteceriam com eles.

Farei aos homens que transgrediram a minha aliança e não cum-


priram as palavras da aliança Ide libertar os escravos/ que fizeram
perante mim como eles _fizeram com o bezerro que dividiram eu:
duas partes, passando eles pelo meio das duas porções... entregá-los-
ei nas mãos de seus inimigos e nas mãos dos que procuram a sua
morte. (J r 34.18, 20; ARA)
228 limcioNAmENTos DE ALIANÇA

Em algumas nações modernas corno o Reino Unido, Estados


Unidos e Israel, foram feitas alianças com Deus na ocasião de sua for-
mação. Nós, o povo, somos obrigados a manter as alianças nacionais
feitas no início diante de Deus. Se não o fizermos, o julgamento virá
sobre a nossa nação. Assim como os patriarcas sacrificavam um ani-
mal para confirmar suas alianças, assim também nossos inimigos nos
destruirão se não permanecermos fiéis às nossas alianças nacionais.

UMA ALIANÇA ETERNA

Deus nos apresenta a promessa de aliança eterna como indivíduos


e como nações. Em Jeremias 42, depois da destruição de Israel pela
Babilônia e da insurreição contra o rei. Gedalias, o povo se apresentou
diante do profeta Jeremias. Os israelitas pretendiam fazer uma reno-
vação da aliança nacional para obedecer ao Senhor. Jeremias sabia
que eles não tinham caráter para manter a aliança com Deus e os
acusou de ser incapazes de fazê-lo.
Finalmente, por causa de sua insistência, ele lhes permitiu entrar
numa aliança plenamente confirmada por testemunhas. Imediata-
mente, eles quebraram a aliança, e Jeremias teve de enfrentar o desa-
fio profético de confrontar sua atitude errada. Ele lhes disse:

Porque vós vos enganastes a vós mesmos; pois me enviastes ao


Senhor vosso Deus, dizendo: Roga por nós ao Senhor nosso Deus,
e confirme tudo o que disser o Senhor Deus nosso, declara-no-lo
assim, e o faremos. Ur 42.20)

jeremias os chamou de hipócritas e infratores da aliança. Agora


o juízo de Deus certamente cairia sobre eles.
Por outro lado, Jeremias, mais tarde, profetizou uma visão de res-
tauração e beleza. Ele previu um dia em que as pessoas viriam diante
de Deus e renovariam uma aliança eterna que nunca será quebrada.
Ele disse que haveria um povo santo:
Patriotismo e Impacto Político t.Prolct HII

Acerca de Suão indagarão, tendo o rosto voltado para lá, dizendo:


Vinde e uni-vos ao Senhor num pacto eterno que nunca será es-
quecido. (Jr 50.5)

A comunidade internacional está numa encruzilhada importante.


Se ela continuar a quebrar suas alianças com Deus, o julgamento virá, e
nações serão destruídas. Se voltarmos o coração a Deus e restaurarmos
Os padrões de aliança, Deus receberá nossas nações de volta e fará com
que cumpram o seu destino glorioso proposto por ele. Que possamos
orar e buscar ser uma influência em direção a esse alvo!
22

O REINO QUE CRESCE

reino de Deus dentro do coração de cada pessoa cresce exte-


riormente para cobrir toda a Terra. O reino de Deus pode ser
visto como urna série de círculos concêntricos ou como esferas
cada vez maiores de autoridade. A esfera mais interior é o espírito de
cada pessoa, e a mais exterior é o mundo inteiro. O reino de Deus é
um reino que se expande continuamente.

O QUE É O REINO?

Há diversos ângulos pelos quais podemos enxergar o reino de Deus.


Existem opiniões diferentes sobre o que ele é. Alguns veem o reino
como uma realidade celestial que está pouco ligada aos acontecimentos
aqui na Terra. Outros veem o reino de Deus como urna presença
espiritual no coração humano. Alguns veem o reino de Deus como
urna manifestação do poder e da autoridade divina para curas e mi-
lagres. Outros o veem como a restauração da Igreja em sua plenitude
gloriosa. Alguns veem o reino de Deus como uma comunidade de
nações que se estende a partir da nação de Israel. O reino de Deus
também pode ser visto em seu estágio final como o reino dos céus
descendo para a terra.
Todas essas visões assimilam certo aspecto da verdade. Elas po-
dem formar um todo coerente se entendermos que a natureza do
reino é como urna semente que cresce até atingir uma expansão
completa nos seus estágios finais. A natureza expansiva do reino de
Deus nos permite compreender seus diversos aspectos descritos nas
Escrituras.
232 nri..xcioNAmv.vros nr„\LiANçA

REUNIÕES DE ESTRATÉGIA

Em Atos 1, Jesus passa 40 dias com seus discípulos depois da sua


ressurreição. Ele os está preparando para o ministério ao qual dariam
início. Ele está estabelecendo a direção correta para o futuro da igreja
que surgiria pelo ministério dos discípulos. Atos 1.3 descreve Jesus:
"aparecendo-lhes por e'spaç'o de quarenta dias, e lhes filando das coisas con-
cernentes ao reino de Deus".
Ele usou esses últimos 40 dias para ensinar e explicar aos discí-
pulos a natureza do reino de Deus. Há muito a se conhecer sobre o
reino de Deus. Há muito a se entender sobre como ele opera. Jesus
acabara de vencer a batalha principal contra os poderes da morte e
de Satanás. Agora ele esta instruindo seus emissários acerca da na-
tureza do novo reino que eles inculcariam no coração dos homens e
implantariam sobre a terra.
Como teria sido maravilhoso fazer parte daquelas reuniões de
estratégia! Mas Os pontos mais importantes estão registrados para
nós nas Escrituras. As Escrituras são nosso manual de estratégia para
promover o reino de Deus.
Depois desses 40 dias de instruções, quando Jesus estava prestes
a partir, seus discípulos lhe perguntaram: "Senhor, restaurards tu neste
tempo o reino a Israel?" (At 1.6; ACF). Os discípulos ainda viam o
reino de Deus como algo futuro, relacionado a Israel e com uma
manifestação visível. Eles não estavam errados quanto a esses três
aspectos. O reino de Deus é futuro, de fato está relacionado à nação
de Israel e realmente possui uma manifestação exterior.
O que Os discípulos não perceberam foram Os aspectos do reino
de Deus concernentes à sua origem espiritual, ao seu revestimento
de poder por meio do Espírito Santo, ao seu processo de desenvolvi-
mento e à sua abrangência de incluir todas as raças da humanidade.
Jesus lhes respondeu dizendo:

/1 vós não vos compete saber os tempos OH as épocas, que o Pai


reservou à Sia própria autoridade. Alas recebereis poder, ao descer
sobre VOS O Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto cm
Jerusalém, como em toda a Judéia e &lutaria, e ate os confins da
terra. (At 1.7,8)
() Reino qu e ( r■ t 't I

Os tempos e as épocas indicam o período de tempo necessário


para desenvolver o reino de Deus. A vinda do Espírito Santo sobre
eles indica a origem celestial e a natureza espiritual. do reino. O poder
que receberiam está ligado à manifestação do reino por meio da fé e
de milagres. Seu início em Jerusalém está relacionado ao foco israelita
do reino de Deus. Os confins da terra indicam o alcance universal cio
reino.

CONQUISTANDO A TERRA

Apesar de muitos cristãos hoje compreenderem a natureza universal.


e espiritual do reino de Deus, eles podem, em contrapartida, não
entender algumas das suas manifestações terrenas e cumprimentos
presentes que os discípulos haviam entendido. A terra é importante
para Deus. Ele profetizou que Os mansos herdariam e conquistariam
a terra (SI 37). Ao criá-la, Deus afirmou que ela era boa (Gn 1). Ele
nos ensinou a orar para que seu reino se manifestasse aqui nesta terra
(Mt 6). O alvo final do reino não é que cheguemos ao céu, mas que a
Jerusalém celestial desça para a terra (A..p 21).
Existe um lugar real chamado céu, e o reino de Deus é plena-
mente manifesto lá neste exato momento. Jesus governa como rei ao
lado do Pai no reino dos santos e seres angelicais no céu. Qpando
Pilatos perguntou a Jesus se ele era um rei no sentido natural., polí-
tico e militar com o qual Pilatos estava familiarizado, Jesus lhe deu a
seguinte resposta:

O 111CII IV1 110 lho é deste inundo; se o meu reino fosse deste Inundo,
.

pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos ju-
deus; irias agora O meu reino não é daqui. ao 1 8.36; A.CF)

Jesus fez essa declaração para traçar um forte contraste entre os


impérios políticos terrenos e seu reino messiânico espiritual. Jesus não
era apenas outro Alexandre, o Grande ou Júlio Cesar. Há uma grande
diferença entre Jesus e os imperadores terrenos. Para os gregos e os
romanos, um rei era como um imperador militar e político; já os judeus
tinham em mente um rei messiânico corno Davi e Salomão.
234 ICIONANIEN'IOS I», AI I INÇA

O fato de Jesus estabelecer um contraste entre esses outros rei-


nos e o seu não significa que o seu reino não possua nenhuma ma-
nifestação exterior política ou governamental. Jesus declara que seu
"reino não é daqui" (em inglês, a tradução literal da NKJV é "não
provém daqui"). O reino de Deus não tem origem terrena. Sua fonte
de poder não é da Terra. Ele não opera de acordo com as táticas deste
mundo. No final, todavia, ele dominará todo o planeta.

DENTRO DO CORAÇÃO

A visão do reino dos céus nasce no coração daqueles que passaram


pelo novo nascimento. João 3.3 declara: "aquele que não nascer de novo,
não pode ver o reino de Deus" (ACF). Quando uma pessoa nasce de
novo, ela pode ver o reino de Deus. O reino de Deus está em seu
coração.

Porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, riras 11(1


_justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo. (1Zm 14.17)

A presença do reino de Deus no coração de alguém produz os


resultados benditos de justiça, paz c alegria em seu interior. Isso faz
com que o nosso coração seja, segundo disse o salmista, "como um
cálice que transborda". Não há dúvida alguma de que o reino de Deus
é urna presença espiritual interior. Essa presença espiritual interior
também pode fluir para outras pessoas. O reino de Deus não é apenas
o poder para obter paz e alegria; esse mesmo poder pode manifestar-
se com força milagrosa para curar outros.

MANIFESTO EM MILAGRES

Um milagre deve ser visto como uma manifestação da autoridade


do reino de Deus. Um milagre não é um rompimento acidental do
poder de Deus. E um momento de vitória em que a autoridade de
Deus resgata urna vida do reino inimigo das trevas. Um milagre é
uma conquista intencional do governo de Deus. E uma manifestação
do reino do amor de Deus. Em Mateus 12.28, Jesus diz: Se é pelo
O R eino que (Irst

Espírito de Deus que eu expulso os demônios, logo é chegado a vós o reino


de Deus".
Os demônios costumavam morar dentro dessa pessoa. Jesus os
expulsa e resgata a pessoa do domínio dos demônios. Ele a traz de
volta para o reino de Deus.

Ele nos libertou' do império das trevas e nos transportou para o


reino do Filho do seu amor. (Cl 1.13; ARA)

O reino de Deus é a autoridade de Deus. O milagre é a manifes-


tação do poder de Deus para mudar o mundo físico, curar o corpo de
alguém ou expulsar uma entidade demoníaca.

MANIFESTO NA IGREJA

Se o reino de Deus é manifesto no poder de milagres, quanto mais na


vida coletiva cio corpo de irmãos na fé. O reino de Deus se manifesta
na Terra hoje pela presença da Igreja. A Igreja a que me refiro aqui
não é uma denominação específica ou qualquer estrutura institucio-
nal, mas o conjunto das vidas que estão verdadeiramente andando
no Espírito e crendo em Yeshua. O reino de Deus é manifesto agora
neste planeta por meio da assembleia das pessoas que se submetem
a esse reino.
Abraão e sua casa, embora poucos em número, representaram
o estágio inicial do reino de Israel. Eles não foram a plenitude do
reino que seria manifesto muitos séculos depois. Entretanto, foram a
realidade e a presença desse reino enquanto viveram. Os crentes aqui
na Terra são a realidade do reino de Deus embora não constituam a
plena manifestação do reino que ocorrerá um dia. Eles são a realida-
de, não a totalidade.
A natureza do governo de Deus deve ser manifesta por meio da
liderança governamental dentro da Igreja. A vitória, o vigor e a vita-
lidade da vida do reino devem manifestar-se em nossa geração pela
vida dos crentes. Nossa adoração deve ser uma amostra da própria
adoração celestial. Tudo o que fazemos como um corpo de irmãos na
fé deve conquistar esferas crescentes de autoridade para o reino de
6 RELACIONANIENTOS 1)1'. ALIANÇA

Deus. A nossa vida em termos individuais e coletivos deve manifes-


tar cada vez mais o estilo de vida do céu.
Quando a Igreja atingir a plenitude da sua restauração, o reino
de Deus será manifesto na Terra. A restauração da Igreja, ou da co-
munidade da fé, é urna das revelações mais empolgantes no que se
refere à vida dos cristãos hoje.

UNIDADE E RESTAURAÇÃO

Os ministérios de apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre são


parte do florescimento da Igreja restaurada. A restauração da Igreja é
um estágio da expansão do reino de Deus. Da mesma forma que um
milagre individual manifesta a glória de Deus ao derrotar o poder do
mal, assim também o milagre coletivo do corpo de crentes manifesta a
glória de Deus derrotando grandes domínios de principados malignos.

...para que agora, pela igreja, a multifOrme sabedoria de Deus seja


conhecida dos principados (' potestades nos céus. (Ef 3.1 O; A RC)

E por meio da comunidade da fé que a multiforme sabedoria de


Deus é manifesta. A Igreja na Terra é o desenvolvimento do plano de
Deus que começou no céu. É por uma -Igreja totalmente restaurada
que o mundo conhecerá a glória do reino de Deus. O Senhor não es-
creve suas mensagens no céu usando nuvens de fumaça. Seu método
é fizer com que seu glorioso reino seja manifesto aqui na Terra pela
vida do seu povo, a quem ele chama de Edésia.
Yeshua disse que, quando alcançássemos a unidade e uma con-
dição mais plena de perfeição e restauração, o mundo conheceria a
glória de Deus. A unidade é um aspecto central da restauração. João
17.21 declara:

...para que todos Ajam um; assim como tu, o Pai, ('s cm mim, e eu
em ti, que também eles Alam um em nos; para que O 1111111do creia
que tu In(' enviaste.
() Reino que

E por meio da unidade e da restauração da Eclésia que o inundo


vai ver e crer. Quando o corpo de crentes expressar sua glória e au-
toridade em plenitude, acontecerá um avivamento mundial. A nação
de Israel também está passando por um processo de restauração, o
qual começou com a primeira imigração para Israel em 1881, segui-
do pela criação do Estado em 1948 e pela reunificação de Jerusalém
em 1967. Desde então, o remanescente messiânico em Israel criou
raízes e está crescendo. Esses são os dias pelos quais os primeiros
apóstolos de Yeshua oraram.

RESTAURAÇÃO PARALELA COM ISRAEL

A restauração da Eclésia inclui essa restauração do remanescente de


judeus que crê em Yeshua. Acreditamos que o remanescente de ju-
deus messiânicos será fundamental para trazer um avivamento nos
últimos dias em Israel e ao redor do mundo. Esse avivamento será
a última etapa antes da plena inauguração do reino de Deus e da
segunda vinda de Yeshua.
A restauração paralela entre a Igreja e Israel é descrita em Ro-
manos 11. A restauração da Eclésia resultará num remanescente de
judeus messiânicos. Esse remanescente judaico-messiânico produ-
zirá um avivamento mundial. Esse avivamento dará início ao reino
de Deus.
O fato de que urna Eclésia restaurada dará origem a um rema-
nescente de judeus que crê em Jesus é indicado por Paulo em Roma-
nos 11.13-14 (AS21):

E, uma vez que sou apóstolo dos gentios,,elorifico o meu ministério,


para ver se de algum modo posso provocar ciúmes nos da minha
raça e salvar alguns deles.

A princípio, não é a maioria do povo judeu que será salva, mas


somente "alguns deles". À medida que o ministério de Paulo aos
gentios for glorificado, a Eclésia ao redor do mundo atingirá a sua
plenitude.
238 IMACIONANIEVIOS DE ALIANÇA

A igreja gentia restaurada e o catalisador judaico messiânico re-


sultarão num avivamento generalizado em Israel. Romanos 11.25,26
declara: "até que a plenitude dos gentios baia entrado; e assim todo o Is-
mel será salvo". A plenitude dos gentios inclui a restauração total da
Eclésia internacional. Essa plenitude deve ser seguida por um grande
avivamento no qual todo o Israel será salvo. O padrão dos últimos
dias inclui a restauração da Igreja, depois o remanescente messiânico
e finalmente o avivamento mundial.
O avivamento geral em Israel será um catalisador para o reino de
Deus. Romanos 11.15 afirma:

Porque, se a sua njeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua


admissão, senão a vida dentre os mortos?

A reconciliação do mundo é a pregação do Evangelho a todos os


confins da Terra. A admissão dos judeus é o recebimento da salvação
pelo conjunto geral do povo judaico. A vida dentre os mortos é a
ressurreição que acompanha a vinda do reino de Deus.

A SEMENTE QUE CRESCE

A parábola que descreve o reino de Deus como urna semente que


cresce de tamanho é dada em Mateus 13, Marcos 4 e Lucas 13. Mar-
cos 4.30-32 diz:

A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola


o representaremos? E como um grão de mostarda que, quando se
semeia, é a menor de todas as sementes que há na terra; usas, temido
sido semeado, cresce e faz-se a maior de todas as hortaliças e cria
grandes ramos, de tal modo que as aves do céu podem aninhar-se
à sua sombra.

Yeshua usa essa parábola como o modelo a partir do qual ele


retrata todo o reino de Deus.
O reino de Deus, no princípio, é muito pequeno e é plantado como
urna semente. Após ser semeado na terra, ele passa por um processo de
() Rcino que (iest ., 1

crescimento que é contínuo e prolongado. Esse crescimento tem dit.('


rentes estágios de broto, ramo, folha e assim por diante. Com o tempo,
a planta cresce e produz ramos cada vez maiores. No fim, os animais
conseguem achar abrigo sob a proteção e a sombra que urna planta tão
grande assim oferece. Todas as parábolas a respeito do reino de Deus
podem ser encaixadas em algum aspecto do crescimento dessa planta
de mostarda que cresce a partir de urna pequena semente. A planta
produz fruto num determinado estágio, ramos em outro e semente em
outro, mas tudo faz parte da mesma unidade.
A Eclésia é uma manifestação da presença e da autoridade de
Deus na Terra, mas o reino de Deus não se origina aqui. O reino de
Deus é um governo conectado com a comunidade de Israel, mas se
expressa pelo poder milagroso de uma cura ou libertação.

A PEDRA QUE CRESCE

A revelação de que o reino de Deus está constantemente crescendo


também se encontra na interpretação que Daniel faz do sonho do rei
Nabucodonosor. A interpretação de Daniel engloba vastos períodos
de tempo. No sonho, o rei vê urna imagem gigantesca feita de ouro,
prata, bronze, ferro e barro. Daniel fala ao rei:

Estavas vendo isto, quando unia pedra foi cortada, sem auxílio de
mãos, a qual feri!! a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiu-
çou. (I)n 2.34)

A pedra feita sem mãos humanas é urna figura do reino de Deus.


O fato de ter sido feita sem o auxílio de mãos humanas é um paralelo
à declaração de Jesus de que seu reino não é deste mundo. O poder
desse novo reino vem e destrói os outros reinos. Daniel dá a sua con-
clusão sobre esse sonho:

.11as, nos dias desses reis, o Deus do céu suscitará 11111 reino que não
será jamais destruído; nem passará a soberania deste reino a outro
povo; mas esmiuçará e consumirá todos esses reinos, e subsistirá para
240 Uri 1CIONANIFNIOS ALIAM

O reino de -Deus tem urna origem diferente e única. Ele irrompe


no curso da história e das políticas humanas. O reino possui uma na-
tureza essencialmente espiritual, mas avançará para derrubar e subs-
tituir os outros reinos. No versículo 35, Daniel declara:

A pedra, porém, (pie ,kriu a estátua se tornou uma grande monta-


nha, e encheu toda a terra.

O reino de Deus começa como uma pedra e termina corno urna


grande montanha. Começa como uma pequena semente e se torna
urna grande árvore. O reino de Deus está constantemente crescendo
e se expandindo. O reino de Israel era, no início, uma simples pro-
messa de Deus a Abraão guardada no coração do patriarca. Essa pro-
messa cresceu passando por vários estágios durante quase mil anos
até que o reino de Salomão se estendesse sobre boa parte do mundo
conhecido.
O reino de Deus é marcado por sua origem espiritual, seus di-
ferentes estágios, seu crescimento contínuo e, finalmente, por sua
conquista do mundo. A bela profecia messiânica de isaias 9.7 fala
sobre o menino extraordinário: "Do aumento do seu governo e da paz
não haverá Alimento significa crescimento e expansão constan-
tes. Governo é a autoridade de domínio do reino. Sem fim abrange a
visão final da conquista do mundo.
Em resumo, a evidência da natureza expansiva do reino inclui:

1. os aspectos variáveis e contrastantes do reino de Deus;


2. a passagem de Romanos 11 que descreve o relacionamento
entre a Igreja e Israel;
3 a parábola do crescimento do grão de mostarda;
4. a visão de Daniel de urna pedra que cresce até se tornar uma
grande montanha;
5. a profecia messiânica sobre o aumento do governo do
Messias;
O Reino que tinur 141

6. a história da expansão do reino de Israel desde Abram) a


Salomão;
7. as sessões de estratégia que Jesus teve com seus discípulos
sobre ministrar o reino de Deus;
8. as revelações registradas no livro de Efésios sobre a restaura-
ção da Eclésia, com o reino manifesto nela agora;
9. as inúmeras alianças nacionais que foram feitas com o povo
de Israel;
10. a proclamação de Apocalipse 11 de que os reinos deste
mundo se tornarão o reino do Messias.
23

AS ESFERAS DE
AUTORIDADE DO REINO

O
reino de Deus possui dez esferas crescentes de influência e

autoridade. 1. ESPÍRITO

A primeira esfera se encontra no espírito de uma pessoa. A autoridade


de Deus no espírito de um indivíduo faz com que ele experimente o
novo nascimento. Ao nascer de novo, o Espírito Santo pode habitar em
seu interior. Quando a pessoa é cheia até o ponto de alcançar um poder
incrível e de estar imersa no Espírito de Deus, o reino atingiu sua
extensão total no espírito dela.

2. ALMA

A segunda esfera é a alma do indivíduo. A alma inclui o intelecto,


a vontade e as emoções. Quem se submete ao governo de Deus tem
seu intelecto e sua mente renovados.Todas as suas faculdades passam
a funcionar perfeitamente. Sua força de vontade se torna focada, não
mais vacilante. Ele fica ativo ao invés de passivo. Suas emoções refle-
tem os frutos do Espírito em paz, alegria e domínio próprio.

3. CORPO

A terceira esfera de influência é o corpo físico do indivíduo. O reino

á
reflete a ordem de Deus, e a ordem de Deus reflete o seu pia
O corpo de uma pessoa está sujeito ao domínio do reino es-

andeDas
244 RELAcioNAsiEvros 1)1 AliANçA

quando funciona corno Deus o projetou para funcionar. Quando um


corpo físico se submete à autoridade do reino, ele deve experimentar
saúde perfeita. A doença é por definição um desvio do plano original
de Deus para o corpo físico. A doença é uma aberração, uma contra-
dição à ordem do reino. Saúde e cura são as manifestações do reino
de Deus no corpo físico.

4. FINANÇAS

A quarta esfera de autoridade são as finanças e os bens de urna pessoa.


A própria natureza de Deus é ser um provedor. Quando urna pessoa
se submete ao reino de Deus, suas finanças manifestam a natureza do
Deus provedor. A ordem do reino na vida financeira de qualquer pes-
soa são prosperidade, provisão e ausência de dívidas. Dívida é falta de
provisão; falta de provisão é uma ruptura com a fonte de sustento. A
dívida é urna falta de ligação entre o devedor e seu Deus provedor. A
dívida por definição é um rompimento na ordem do reino de Deus
na vida do cristão. O resultado da ordem e da autoridade de Deus
refletidas nas finanças de um indivíduo é que haverá recursos sufi-
cientes para suprir cada necessidade no seu devido tempo.

5. FAMÍLIA

A quinta esfera do reino inclui os relacionamentos entre os membros


de uma família. A relação entre marido e mulher deve refletir a har-
monia e a ordem existentes no paraíso divino. Deve haver amor, afei-
ção, disciplina e respeito entre pais e filhos. Respeito e honra devem
ser nutridos em relação aos avós. A família é uma minicongregação,
uma subdivisão do corpo de irmãos na fé em geral. A família é uma
unidade dentro do quadro mais amplo do reino de Deus.
A família é parte do reino de Deus e uma subdivisão da con-
gregação. Uma congregação é composta por grupos caseiros. Um
grupo caseiro, ou célula, é formado por famílias. Um grupo caseiro
é uma família de famílias. Urna congregação é urna família de gru-
pos caseiros.
As Esferas de ,Ititoridade du IIs iu,i j 4

Se a família é vista corno urna unidade à parte do reino de I )rt s..,


ela não possui prioridade alguma. Se, no entanto, ela é vista como
uma das esferas dentro do reino de Deus, tempo com a família é
tempo dedicado a servir a Deus. O tempo com a família é tempo
destinado a essa parte da Eclésia. A família é uma manifestação do
reino de Deus. Investir tempo para que haja mais harmonia nos re-
lacionamentos familiares é investir tempo no ministério. Se a família
fosse uma categoria separada do reino de Deus, então deveríamos
ignorá-la totalmente. Como uma expressão do reino de Deus, ela
passa a ter alta prioridade. Em Mateus 10.37, Jesus declarou:

Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é kno de


mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é
digno de mim.

Jesus também afirmou em Lucas 14.26:

Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e


filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também a própria vida, não pode
.

ser meu discípulo.

Todo nosso amor deve ser dirigido a Deus e ao seu reino. Se, por
acaso, a família não estivesse entre as principais prioridades do reino
dc Deus, deveríamos rejeitá-la. Uma família por si só não tem valor
algum; uma família como expressão da vontade de Deus possui um
valor imenso. Depois que abrimos mão de tudo no mundo e abando-
namos todos os desejos além do reino dc Deus, descobrimos como é
esse reino. Deus coloca ênfase nos relacionamentos de aliança, e uma
parte central da aliança é a família.
Nossa família deve ser um alvo importante da nossa motivação
para servir a Deus. Aquele que deixa tudo nesta vida, inclusive seus
relacionamentos familiares, para servir o reino, logo descobre que Deus
estabeleceu sua família corno urna de suas prioridades mais importan-
tes. Não há espaço para a mente vacilante ou a lealdade dividida. Assim
como o reino de Deus tem diferentes esferas em seu domínio, da
mesma forma nós temos diferentes esferas de influência e ministério.
As Esferas dc ilutoridadr dl) Rem('

8. SOCIEDADE

A oitava esfera é o domínio do reino de Deus num setor inteiro da


sociedade, como um município ou estado. Quando uma área da so-
ciedade é totalmente influenciada pelo Evangelho, seu sistema edu-
cacional é conduzido por valores cristãos, e suas ruas ficam livres do
crime. Quando toda uma região é afetada por um avivamento gene-
ralizado, o reino de Deus é manifesto ali. Grandes avivamentos ocor-
reram em diversos momentos da História. Para quem mora numa
área onde a maior parte das pessoas é incrédula, isso pode parecer
quase impossível de acontecer. Mas um avivamento pode atingir um
setor inteiro da sociedade e mudá-lo radicalmente de cima a baLxo.

9. NAÇÃO

A nona esfera da expansão do reino de Deus é uma nação inteira, seu


governo e sua economia. Se a população de uma nação fosse forte-
mente influenciada pelo Evangelho, o reino dc Deus seria manifesto
naquele país. Isso aconteceu no Israel antigo em tempos de grandes
avivamentos.
O que poderia ser mais precioso aos olhos de Deus do que toda
uma nação se voltar para ele? Vários países na história moderna che-
garam perto disso. A Inglaterra e os Estados Unidos tiveram, cada
um, dois ou três períodos assim. Esta geração testemunhou aviva-
mentos em nações corno a Coreia, Guatemala, China, Indonésia e
outros. A passagem de 2 Crônicas 7.14 declara:

Se o meu povo, que se chama pelo Mell 110111C, se humilhar, orar,


e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então
eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

Todo um país pode ser curado e restaurado a Deus. Uma total


disseminação do Evangelho pode produzir sucesso na economia da
nação, prosperidade na agricultura e reforma no seu governo. Altos pa-
drões educacionais, exércitos fortes, uso da mídia na defesa de valores
cristãos, uma economia próspera e erradicação do crime organizado
248 RELAcioNANiENTos DE ALIANÇA

seriam algumas das evidências da rendição de urna nação ao domínio


do reino de Deus.

10. CENÁRIO INTERNACIONAL

A décima esfera de influência do reino de Deus é o cenário interna-


cional. Cada esfera de autoridade possui uma manifestação externa
que mais reflete a ordem e a saúde espiritual do reino de Deus. Num
corpo físico, por exemplo, a autoridade do reino de Deus é refletida
pela ausência de doenças e enfermidades. Prosperidade nas finanças,
harmonia na família e avivamento numa nação são todas expressões
do propósito de Deus. A comunidade das nações também tem uma
ordem e um padrão que refletem melhor o plano de Deus.
No simbolismo bíblico, há 70 nações gentias, e a nação de Israel
está no centro delas. A cada nação, foi designado um lugar geográfico
na terra para habitar (At 17.26). A nação de Israel foi projetada para
ser a cabeça das nações e um centro de evangelismo e adoração. Se
a ordem do reino de Deus for estabelecida no cenário internacional,
Israel começará a levantar-se como urna liderança mundial. O fato
de a ONU agir com tanta frequência como um fórum para denun-
ciar Israel mostra a batalha espiritual que está sendo travada contra a
ordem do reino de Deus.
A ordem do reino de Deus no cenário internacional represen-
taria urna derrota das forças malignas da "besta" e da "Babilônia" es-
piritual. Os problemas da fome e da doença seriam resolvidos. Paz e
prosperidade reinariam. É exatamente isso que os profetas previram
(Is 2; Mq 4).

O REINO DE SALOMÃO

Os primeiros anos do rei Salomão foram os que mais se aproxima-


ram do modelo da ordem de Deus no cenário internacional.

E dominava Salomão sobre todos os reinos, desde o Rio até a terra


dos_ filisteias e até o termo do Egito; eles pagavam tributo, c serviram
As Esferas de Autoridade do nein()

a Salomão todos os dias da sua vida. Pois dominava ele sobre toda
a região e sobre todos os reis daquém do Rio, desdeTifsa até Gaza;
e tinha paz por todos os lados em redor (1. Rs 4.21,24)

A rainha de Sabá disse a respeito de Salomão:

Bendito seja o Senhor teu Deus, que se agradou de ti e te colocou no


trono dc Israel! Porquanto o Senhor amou Israel para sempre, por isso
te estabeleceu rei, para executares juízo e justiça. (1. Rs 1.0.9)

A passagem de 1 Reis 4.34 também declara:

De todos os povos vinha gente para ouvir a sabedoria de Salomão,


e da parte dc todos os reis da terra que tinham ouvido da sua
sabedoria.

José governou a maior parte do mundo conhecido no tempo do


império egípcio. Daniel governou a maior parte do mundo conhecido
durante o império persa.
Precisamos alargar nossa fé para ver um avivamento de propor-
ções internacionais. Houve períodos de grandes impérios que trou-
xeram muitos benefícios ao mundo, incluindo Grécia, Itália, Espa-
nha e Grã-Bretanha. Embora esses impérios estivessem repletos de
corrupção, decadência e violência, também houve momentos de paz
e prosperidade, assim como extensas missões cristãs. Vamos crer que
haverá um avivamento e uma reforma ainda maiores!

ORDEM INTERNACIONAL

Sob uma ordem bíblica internacional, Israel se tornaria a cabeça das


nações. Isso não significa que o povo judeu seja melhor do que outros
povos. Deus não favorece um povo ou uma raça. A ordem interna-
cional é um efeito do plano de Deus de demonstrar sua soberania ao
longo do fluxo da História. Quando Israel voltar a assumir um papel
central entre as nações, será um sinal dos últimos dias para mostrar a
capacidade infinita de Deus de controlar o curso dos eventos humanos.
Embora Israel não tenha uma justiça em si mesmo, Deus o usa
no gi 1(10N1NII NIOS 111, ALIANÇA

COMO um sinal entre as nações. O reajuntamento do povo judeu e o


restabelecimento da nação de Israel são evidências da legitimidade
sobrenatural das Escrituras. O fato de as pessoas identificarem a na-
f

ção de Israel com as promessas bíblicas antigas permitirá que Deus


conduza as forças da História em direção a um ponto culminante
que glorificará seu nome.

A ERA MESSIÂNICA

Assim corno houve uma Pax Romana que cobriu o globo por dois
séculos, da mesma maneira haverá nos últimos dias uma Pax Messiâ-
nica responsável por gerar um período de paz ao mundo. Isso acon-
tecerá quando Yeshua voltar. O que os judeus chamam de os Dias do
Messias e o que os cristãos denominam Reino Milenar são exata-
mente a mesma coisa. Miqueias 4.1-3 declara:

Alas nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor


será estabelecido como o mais alto dos montes, e se exalçará sobre Os
outeiros, e a ele concorram os povos. E irão muitas nações, e dirão:
Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de _Jacó,
para que nos ensine os seus caminhos, de sorte que andemos nas
suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de _Jerusalém a palavra
do Senhor E julgará entre muitos povos, e arbitrará entre nações
poderosas e longínquas; e converterão as suas espadas em relhas de
arado, e as suas lanças em podadeiras; uma nação não levantará a
espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.

Um monte se refere a uma nação e a um governo. O fato de que


a lei sairá de Sião indica que Jerusalém será o centro mundial do
governo, da religião e da pesquisa e ensino acadêmico. As pessoas da
Igreja Católica sempre consideraram Roma como seu centro espiri-
tual. Contudo, a ordem correta no cenário internacional é que Jeru-
salém mais urna vez seja estabelecida como centro espiritual nesta
Terra. Quando o Messias voltar, ele governará o planeta num reino
de paz e prosperidade com Jerusalém como sua capital.
!Is Esferas de Autoridade do Reino 251

A AUTORIDADE DE DEUS

O reino de Deus pode ser manifesto em diversas esferas da vida.


Essas esferas começam desde o interior do espírito humano e cres-
cem exteriormente até alcançar toda a Terra. Um reino é a esfera de
governo de um rei. Hoje, usaríamos a palavra autoridade no lugar da
palavra reino. O reino de Deus é a autoridade de Deus expressa em
cada área da vida. Tanto interna quanto externamente, o reino de
Deus manifesta a autoridade amorosa e poderosa de Deus de todas
as formas possíveis e imagináveis. Cada canto e recanto de toda a
criação será preenchido pelo Espírito de Deus. O governo e a ordem
de Deus serão refletidos em cada situação. A paz e o amor de Deus
encherão toda a terra como as águas cobrem o mar.

...A ,0ória do Senhor encherá toda a terra. (Mn 14.21)


24

A DOUTRINA
DO TRABALHO

O
reino de Deus começa no interior do homem e cresce para
afetar cada área de sua vida. Os princípios de aliança podem ser
aplicados a qualquer tipo de empreendimento. Uma das áreas
mais importantes da aplicação bíblica é a que diz respeito ao "local de
trabalho". Quase todas as pessoas gastam a maior parte do seu tempo
e de sua energia produtiva com a profissão. Se essa área da vocação
não puder alinhar-se com os propósitos do reino de Deus, o cristão
descobrirá no fim que desperdiçou a maior parte de sua vida. Mesmo
que alguém seja razoavelmente disciplinado em manter seu tempo
devocional e participe das atividades congregacionais, isso nem se
compara ao esforço que ele investe em seu trabalho.
Para muitos cristãos, e particularmente para os jovens que estão
iniciando a carreira profissional, a atitude em relação ao trabalho é
crucial. A autoimagem masculina e seu senso de autoestima estão
profundamente relacionados com o que ele faz para ganhar seu sus-
tento. É no local de trabalho que o homem aprende mais sobre os as-
pectos práticos da vida. Seu caráter é forjado pelas realidades que ele
enfrenta no trabalho. Não importa quão elevados sejam seus ideais
bíblicos; se não tiver êxito em aplicá-los no ambiente de trabalho,
terá fracassado na vida. No discipulado, é importante que a pessoa
saiba o significado do trabalho e seja capaz de abordá-lo com um
senso de convicção bíblica.
Muitos pastores estão constatando a ligação inerente entre
o discipulado espiritual e as atitudes corretas no local de trabalho.
Se alguém estiver desalinhado em sua vida profissional, certamente
também estará desalinhado em relação à vontade de Deus para a sua
vida em geral.
254 ELACIONAM EN O S DE ALIANÇA

AGENDA DE TRABALHO DE DEUS

O conceito bíblico de trabalho começa com a personalidade de Deus.


Gênesis 2.2 diz:

Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha


feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera.

Há um equilíbrio entre trabalho produtivo e descanso restaura-


dor. Esse equilíbrio é um tema que percorre as Escrituras, especial-
mente na lei de Moisés. Os rabinos deram muita ênfase ao entendi-
mento do Sábado.
O ritmo de trabalho e descanso pode ser visto em toda a criação
de Deus. Há um padrão de trabalho e descanso nos biorritmos da
natureza. O ser humano, feito à imagem de Deus, encontra em si
mesmo uma inclinação inerente para o padrão de trabalho e lazer.
Tanto a preguiça complacente e indulgente, por um lado, quanto a
compulsão estressante e inquieta por trabalho, por outro lado, são
aberrações do plano divino.
É preciso ter fé tanto para trabalhar quanto para descansar. Mui-
tas pessoas ficam sobrecarregadas com seus padrões de trabalho e
com sua agenda. A síndrome de esgotamento ou "burnout" não deve
ser considerada uma forma de martírio cristão. E preciso ter fé para
crer que você deve descansar durante determinados períodos e que,
mesmo assim, seu trabalho será produtivo. Marcos 4.27 declara que,
depois de trabalhar para lançar sua semente na terra, o homem de fé
deve acreditar que: "quer esteja ele dormindo à noite, quer acordado de
dia, a semente acaba brotando e crescendo, sem ele saber como" (AS21).

O PRINCÍPIO DO SÁBADO

Parte da aliança que Deus fez com a humanidade é fornecer provisão


para os períodos de descanso. Há muitos tipos de sábados na Bíblia
além do sétimo dia da semana. Há luas novas, festas anuais e anos
de jubileu. Foi Deus que inventou o princípio dos finais de semana e
das férias. E um ato de fé deixar o trabalho de lado por um tempo e
A Doutrina do Trabalho 255

concentrar-se na adoracao e na Palavra de Deus. A origem da palavra


"holiday" ("feriado" em ingles) é "holy day" ("dia Santo", em ingles),
ou seja, urn dia separado para Deus.
Alan dos periodos destinados ao descanso, o principio do sa-
bado tambem inclui o conceito de que voce pode trabalhar e sex
continuamente renovado pelo Espirito de Deus. Enquanto traba-
lhamos, entramos num espirito de descanso, porque temos confianca
no Senhor. As garantias divinas de sucesso removem de nos todos os
temores e estresse. A seguranca de que Deus trabalha junto conosco
nos capacita a enfrentar qualquer situacao corn uma facilidade e
graciosidade que podem superar todo obstaculo. A produtividade do
nosso espirito durante os momentos de dificuldade é urn importante
aspecto do nosso testemunho para todos ao nosso redor.
Isaias 40.31 declara: "os que esperam no Senhor renovarao as suas
forfas". 0 Espirito de Deus nos refrigera enquanto trabalhamos a fim
de nos ajudar a ter vitOria sobre a fraqueza e a fatiga. Hebreus 4.9,10
afirma:

Portanto resta ainda um repot's° sabatico para o povo de Deus.


Pois aquele que entrou no descanso de Detis, esse tambem descan-
sou de suas obras, assim como Detis das suas.

Aqueles que nasceram de novo deveriam experimentar constan-


temente uma atitude de descanso e de sabado interior. Quando Je-
sus foi questionado por estar supostamente quebrando o sabado, ele
respondeu:

Meu Pal trabalha ate agora, e en trabalho tambem. (Jo 5.17)

E o corpo fisico que precisa de descanso. 0 Espirito de Deus e o


espirito humano, que serve de morada para o Espirito de Deus, nao
tern necessidade de descanso. 0 proprio Deus continua trabalhando
sustenta toda a criacdo o tempo todo. Quando estamos sob a uncao
divina, recebemos vida e energia do Espirito de Deus para que nunca
precisemos experimentar o cansaco.
256 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

ESGOTAMENTO

O esgotamento é perigoso. E importante entender que a simples fa-


tiga raramente é o problema de fato. O esgotamento é causado mais
pelo estresse gerado pelo medo e pela frustração do que pela própria
fatiga. Lembro-me de participar de jogos extenuantes de futebol e
basquete por horas a fio quando garoto. Embora a fatiga física pare-
cesse quase insuportável, eu me sentia tão feliz por dentro que o meu
espírito ficava completamente renovado. Quanto mais jogávamos,
mais felizes nos sentíamos.
Medo e frustração são meios pelos quais o diabo ataca urna pes-
soa com estresse. Se ela puder identificar a fonte do seu estresse como
medo, fatiga ou frustração, talvez seja capaz de direcionar a atenção
espiritual a essa área e obter vitória sobre o problema. Assim, pode-
mos ficar livres para servir ao Senhor com mais vigor e alegria.

TRABALHO PRODUTIVO

Em contraste com o princípio de descanso sabático, somos chama-


dos a nos dedicar ao trabalho. O trabalho produtivo, mesmo longo e
cansativo às vezes, é unia característica positiva do reino de Deus. É
preciso fazer uma distinção entre trabalho produtivo e labuta inútil.
O trabalho é a experiência positiva de urna pessoa que está ativamente
engajada na função que lhe foi designada. A labuta inútil é a imitação
deturpada do trabalho; é sem propósito e frustrante, e ocorre quando
o homem está desalinhado com os planos de Deus.
Trabalhar para o homem é como voar para um pássaro. Toda
pessoa deve sentir-se satisfeita e realizada como resultado de seus
esforços. Gênesis 2.15 diz:

Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o


lavrar e guardar.

O papel do homem é cuidar da criação de Deus como um ad-


ministrador nomeado pelo próprio Deus. Antes da queda, durante
o estado de perfeição do Éden, Adão estava trabalhando feliz cm
A 1)outrina do Trabalho

cooperacao corn Deus. 0 homem foi feito para ser ativo. 0 homem
deseja envolver-se e participar. 0 trabalho nao e resultado da queda
humana. Nao é urn meio de o homem tentar tracar seu carninho de
volta para Deus. 0 trabalho transformou-se em fadiga e suor corn a
queda do homem. Quando somos salvos, os aspectos frustrantes da
maldic5o da labuta deveriam ser anulados. Deveriamos retornar a
uma experiencia positiva de trabalho.
Nosso verdadeiro estado final de paraiso nao sera de passividade,
inatividade ou preguica... Nao tern a ver corn ficar sem fazer nada, as-
sistindo as atividades celestials numa tela de video. A atividade pro-
dutiva e prazerosa faz parte do piano pre-queda e pos-restauracao
de Deus. 0 padrao de trabalho e descanso humano pode ser visto
como parte da sinfonia graciosa dos ciclos e das estacoes do universo.
Salmo 104.21-24 (AS21) declara:

Os Vacs flows rugen: pela presa, c dc Deus buscan: sett sustento.


Ao nasccr do sol, logo se recolhem e se delta'', em setts csconderijos.
Entao o homem sai para sett labor, para o sett trabalho, ate o fim
da tarde. 0 &mho' gtte varicdade hn nas tuas obras! Fizeste todas
cow sabedoria; a terra esta cheia das mas riquezas.

Entramos em harmonia corn Deus quando nosso padrao e nosso


estilo de trabalho estao alinhados corn seu piano.
Ha duas formas de distorcer a atividade equilibrada do trabalho
produtivo. A primeira é a inercia preguicosa; a outra é a hiperativi-
dade penosa. 0 piano de Deus para nos é que o trabalho seja uma
expressao da sua grata. Devcmos scr diligentes, exercer dominio e ser
muito bem-sucedidos.

DOMINIC)

0 piano geral de Deus para o papel da humanidade em relacao ao


mundo criado pode ser expresso pela palavra dominio. 0 mandato
de dominio do homem foi originalmente revelado em Genesis
1.28:
258 HELACIONANIENTOS DE ALIANÇA

Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e ►►ltiplicai-vos;


encher' a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as
aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.

Esse domínio é o propósito que rejeitamos quando abandona-


mos a graça de Deus por meio do pecado. Nosso objetivo na vida é
ser uma extensão da autoridade benevolente de Deus. Fomos criados
para ser a imagem que representa a majestade de Deus sobre toda
a criação. A grande comissão pela qual somos chamados a pregar
o Evangelho a todas as nações na Terra deve ser vista como parte
desse mandato original de domínio. Como raça humana, havíamos
nos afastado desse domínio gracioso de Deus; agora, por meio da
mensagem de senhorio do novo rei messiânico, conclamamos todos
em todo lugar a retornar à autoridade de Deus.
O trabalho faz parte da intenção original de Deus para cuidar-
mos de seu jardim e governarmos a Terra. Devemos conseguir recon-
ciliar cada uma de nossas tarefas individuais a fim de que se encaixem
nesse plano geral de domínio e administração. Quando um fazendeiro
trabalha em sua propriedade, ele está ao mesmo tempo cuidando da
terra e exercendo domínio sobre ela. Quando alguém ocupa um
cargo no governo, ele está ao mesmo tempo cuidando do rebanho de
pessoas da nação e exercendo a autoridade do governo de Deus por
meio de sua posição. Se uma pessoa trabalha na educação, ela deve
encarar seu trabalho como um meio de treinar jovens para retornar à
sua função principal de administradores sábios e instruídos.

ÁREAS DE EMPREENDIMENTO

O reino de Davi em Israel foi um vislumbre do reino messiânico de


Jesus. No reino de Davi, os homens foram encarregados de diferentes
áreas de trabalho e responsabilidade. A passagem de 1 Crônicas
27.25-34 dá uma amostra do leque de atividades que podem ser uma
expressão do domínio de Deus:

Sobre os tesouros do rei estava A zmavete,filho de Adiei; sobre Os


tesouros dos campos, das cidades, das aldeias e das torres, lônatas,
A Doutrina do l'raballto 259

filho de Uzias; sobre os que faziam a obra do campo, iia lavoura


da terra, Ezri,filho de Quelubc; sobre as vinhas, Sinici, o ramatita;
sobre o prodiito das vides nas adegas do vinho, Zabdi, o sifmita;
sobre os olivais e sicomoros que havia eras campinas,
o gederita; sobre os armazens do azeite, jotis; sobre o gado que
pastava em Sarom, Sitrai, o saronita; sobre o gado dos vales, Safate,
filho de Adlai; sobre os camelos, Obil, o isniaclita; sobrc as jumen-
tas, jedelas, o meronotita; e sobre o gado mit'ido, Jaziz, o liagrita.
Todos esses eram os intendentes dos bens do rei Davi. jonatas, do
de Davi, era conselheiro, homem entendido, c escriba; ele e Jeiel,
filho de Hacmoni, assistiam os fillips do rei;Aitofel era conselheiro
do rei; Husai, o arquita, era amigo do rei; dcpois de Aitotel,jeoiada,
filho de Benatas, c Abiatar foram conselheiros; c joabe era chefs do
exercito do rei.

Muitas areas diferentes de empreendimentos foram incluidas.


Negocios, agricultura, educacao, inthistria, governo e militar, tudo
isso fazia parte do reino de Davi.
Tenho urn amigo que é um genio no piano. Ele sabe como cons-
truir, consertar, afinar e tocar piano corn uma preocupacao intensa
por qualidade em cada area. Ele conseguiu absorver em seu espirito
a essencia do piano. Temos conversado sobre o papel dos pianos no
reino de Deus. 0 Senhor designara pessoas para responsabilizar-se
por cuidar e produzir instrumentos musicals de qualidade.
Tenho outro amigo corn uma profunda preocupacao pelos ocea-
nos. Ele fez mestrado em oceanografia, corn enfase em politicos
governamentais. Trabalha corn a Guarda Costeira e tern uma vasta
nocao da importancia filosofica e criativa dos mares. Se Davi pode
nomear homens para cuidar da administracao de seus campos, sera
que Jesus nao atribuitia a alguem a supervisilo dos oceanos? No reino
de Deus, ainda havera vida de verdade. Deus esta usando as experien-
cias da nossa vida atual como treinamento para assumirmos nosso
papel ainda maior de administradores no futuro.
A parabola dos dez talentos explica que o que fazemos nesta vida
uma preparacao para a ampliacao da nossa autoridade no reino de
Em Lucas 19.17 (ARA), Jesus se dirige a alguem que havia
sido produtivo cm seu trabalho ao dizer:
260 ItilAcIoN,‘NIENTos DF. ALIANÇA

Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade
sobre dez cidades.

Essa passagem pode ser entendida como se referindo a minis-


tério, fé e evangelismo, mas também se refere à nossa fidelidade nas
tarefas práticas do trabalho. Jesus examina nosso serviço para de-
terminar que tipo de pessoas espirituais nós somos. O versículo 15
(ACF) declara:

E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse


que lhe chamassem aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro,
para saber o que cada um tinha ganhado, negociando.

Quando somos chamados para sair pelo mundo e exercer do-


mínio, nossa profissão faz parte desse chamado. Temos de assumir
posições de autoridade e influência no mundo. Temos de ser forças
de ocupação nas áreas reais da vida enquanto aguardamos a vinda do
reino. O versículo 13 expõe uma ordem de Jesus: "Negociai até que
eu venha". Devemos negociar e exercer domínio divino por meio do
nosso trabalho.

S U C E S S O E P R O MO Ç Ã O

Em qualquer campo de atuação relacionado à sua vocação, o cris-


tão deve ter a expectativa de chegar ao topo. Devemos ser sempre
os melhores trabalhadores da função que exercemos. Quando temos
uma aliança com Deus, temos não apenas a promessa futura de vida
eterna, mas também a certeza da vitória nesta vida presente. Atingir
o ápice de urna profissão é urna promessa central da aliança que te-
mos com Deus.
Deuteronômio 28.13 diz que o Senhor nos porá "por cabeça, e
não por cauda" (ARA). Essa não é uma promessa vaga e etérea, mas
uma aliança contratual pela qual. Deus nos promete ajudar a estar no
topo das áreas práticas dos negócios e da vida. A passagem de Deu-
teronômio 28 fala sobre questões como nosso trabalho na cidade,
nosso trabalho no campo, nosso trabalho em casa e nosso trabalho
A Doutrina do Trabalk° 261

no exercito. Urn homem de alianca deve ter o desejo de destacar-se


cm seu trabalho.
A promocao vem do Senhor (Si 75.7). Se urn homem anda em
alianca, Deus o fard sobressair-se em seu trabalho. Essa excelencia o
levara ao sucesso. Proverbios 22.29 (ACF) declara:

Viste o homem diligente na siia obra? Perante refs sera posto; tido
permaneceth entre os de posicao it!ferior.

Tanto o Salmo 1 quanto Josue 1 prometem que, se meditarmos


continuamente na Palavra de Deus, ele nos fara prosperar e ter su-
cesso em tudo o que fizermos. Uma visdo das Escrituras que nao seja
baseada em alianca dird que esse sucesso acontece apenas na esfera
mistica. Um entendimento de alianca introduz as bencaos de Deus
no carater e na vida do ser human° e, portanto, em seu trabalho c no
mundo ao seu redor.
0 cristao deve compreender a relacao entre trabalho e fe .
atitude de alianca no coracao produzini uma qualidade excelente no
local de trabalho. Essa excelencia tram promocilo c benciio. Preci-
samos desenvolver nossa fe para que, por mei() de perseverany.a c
grata, possamos ser promovidos no ambiente de trabalho. Temos urn
exemplo dessa grata e favor na vida do patriarca Jose. Genesis 39.2-4
(AS21) afirma:

Alas o Senhor estava con: Jose, e ele tornou-se prospero [...] E o sett
senhor vitt que Deus estava coin ele e fazia prosperar em sua ludo
ludo quanto ele empreendia. Por isso, Jose achou favor aos olhos
dele e tornou-se sett assessor; de mod° que cle o fez mordomo da
sna casa e entregou em siias ;tidos tudo o que possula.

A prova de que Jose caminhava em alianca corn Deus é que ele


era bern-sucedido em tudo o que fazia no seu trabalho. A qualidade
do que realizamos no trabalho é o principal testemunho que a maioria
das pessoas vera sobre nossa fe em Deus.
262 iaLACIONAMENTOS DE ALIANÇA

FÉ NA VIDA REAL

Há urna conexão importante entre como aprendemos a usar autori-


dade nos negócios naturais da vida e como desenvolvemos a capa-
cidade de lidar com a autoridade espiritual nos lugares celestiais. É
pelo processo de aprender a conduzir as pessoas e de submeter-nos
a outros indivíduos no exercício da autoridade no local de trabalho
que vamos crescer na prática real e na compreensão de como a fé
funciona. Sobre o centurião, Jesus falou que ele possuía tamanha fé
como jamais encontrara igual. Ao descrever como adquiriu sua fé,
o centurião simplesmente afirmou que foi da mesma maneira que
aprendera a exercer autoridade em seu trabalho no exército. Lucas
7.8 declara:

Pois também eu sou homem sujeito a autoridade, e tenho soldados


às minhas ordens; e Ao a este: Irai, e ele pai; e a outro: Vem, e ele
vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz.

Às vezes, os jovens alegam ter zelo espiritual e fé, mas demons-


tram medo, evasão e irresponsabilidade no trabalho. Se o caráter
de urna pessoa não for trabalhado a partir do aprendizado do am-
biente de trabalho, sua fé espiritual poderá ser apenas uma bravata
exagerada para compensar a sensação de fracasso. A fé é real, e o
trabalho é real. Um dos pré-requisitos para o ministério de tempo
integral deveria ser demonstrar competência numa área da vida
profissional.
Urna das principais virtudes para ter sucesso no local de traba-
lho é a diligência. Diligência é a capacidade de manter o esforço e
a concentração voltados para um alvo. É o contrário da preguiça. A
diligência é a utilização da vontade humana. Provérbios 10.4 e 13.4
afirmam que quem possui diligência se torna próspero. Provérbios
12.24 afirma que diligência faz com que um indivíduo se torne um
líder ou um governador. Provérbios 21.5 diz que diligência alinha Os
pensamentos de urna pessoa numa direção produtiva. Seus pensa-
mentos conduzirão à abundância.
A Dontrina do Trabalho 263

LABUTA

0 oposto do trabalho é a labuta. Labuta e o trabalho improdutivo,


ineficiente e frustrante. E a versdo pecaminosa do trabalho. Labuta
6 urn produto da scparacao entre Ada° e Deus. E uma indicacao
de que seu trabalho nao esti fluindo em bendita harmonia corn
Deus. Labuta 6 urn resultado da maldicao do Eden. Genesis 3.171 8 .

declara:

A terra sera maldita por trill «nisa; tiraras dela o sustento coin
trabalhos penosos todos Os dias dll tua villa. Ela to produzira espi-
nhos e abrolhos. ITraduc5o da Vulgata pelo Pe. Matos Soares,
Edicoes l'aulinasi

Antes da qucda, nao havia labuta (trabalhos penosos); apenas


trabalho produtivo. Depois da queda e fora do contexto de alianca, o
trabalho abencoado deixou de existir e passou a ser labuta amaldicoa-
da. Quando *item e redimido por Jesus e restaurado a alianca corn
Deus, sua labuta dove ser transformada de volta a urn estado positivo
de trabalho. A evidencia da labuta causada pelo pecado c trabalhar
muito e collier pouco. A evidencia do trabalho protegido pela alianca
plantar a semente e ve-la retornar cem vexes mais. Na labuta, o
homcm se esforca para conquistar algo, mas nunca consegue.

vi en que 10(10 o trabalho, e toda a destreza cm ohms, traz


(10 homent a inveja do sell proximo.Tnbem isto vaidade e aflicao
de espirito. (Ec 4.4; ACF)

Quando urn homem trabalha debaixo da alianca, ele alcanca


promocao e lideranca. Mas quando se esforca na labuta, ele afunda
em estados cada vez mais baixos de atividade degradante. Eclesiastes
2.26 declara:

Porque ao homem que The a'rada, Deus (la sabedoria, c conhcci-


motto, c aleqria; mas ao pecador da trabalho, para que ele Ointc e
amontoe„ a Jim de da-lo &pick que agrada a Deus:limtbem isso e
vaidade e deseio vao.
264 RELACIONAMENTOS DEALIANÇA

Todos os tipos de trabalho são bons. Não devemos desprezar


os cargos inferiores nem aqueles de maior responsabilidade admi-
nistrativa. Às vezes, a falta de cooperação entre funcionário e patrão
dá início a um ciclo decadente de crescente frustração. Uma pessoa
disposta a assumir responsabilidade geralmente receberá mais e mais
oportunidades.

APRECIANDO SEU TRABALHO

Uma grande vitória de fé é andar num espírito de alegria ao realizar


o seu trabalho. Embora seja desafiador, as recompensas são signifi-
cativas. Salomão disse em Eclesiastes que um sinal de sabedoria era
ser capaz de apreciar o próprio trabalho. Eclesiastes 2.24, 3.13 e 3.22
declaram que não há maior realização do que poder alegrar-se com
o que se faz.

Pelo que vi não haver coisa melhor do que alegrar-se o homem nas
suas obras, porque essa é a sua recompensa. (.Ec 3.22; ARA)

Para ter prazer no trabalho diário, é necessário que o homem


reconcilie sua vida com o plano dc Deus. Talvez, seja mais fácil ser
espiritual numa reunião de louvor e adoração. O maior desafio é se
alguém consegue trazer essa alegria e paz ao local de trabalho dia-
riamente.
Os trabalhos ligados ao ministério ou à congregação também
exigem grande esforço. O apóstolo Paulo dispendia enorme esforço
em seu trabalho. A graça e o trabalho se complementam.

E a sua graça para contigo não foi vã, antes trabalhei muito mais
do que todos eles; todavia não eu, mas a graça dc Deus que está
comigo. (1. Co 15.10)

A graça inspira o trabalho árduo. A graça opera no interior do


homem à medida que ele trabalha para o ministério. Quem com-
preende que o ministério demanda grande esforço e trabalho pode
preparar seu coração e sua fé para enfrentar esse desafio. Ninguém
:1 Doutrina do Trabalho 26

deve cometer o erro de desconectar trabalho de ministério como se


fossem atividades completamente diferentes: uma atividade espiri-
tual e uma atividade não espiritual. Seja qual for o esforço investido
no ministério, precisamos crer que colheremos uma grande recom-
pensa. Como cristãos, nós nos firmamos na promessa de que nada do
que fizermos será em vão. Diz 1 Coríntios 15.58:

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre


abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não
é vão no Senho,:

Algumas vezes, depois de trabalhar duro e ser atacado pela dúvi-


da da produtividade do que fiz, uso esse versículo para pronunciar su-
cesso sobre meu trabalho. Nenhum dos nossos esforços pode ser feito
em vão. Tudo o que fizermos produzirá, pela fé, resultados valiosos.

REMUNERAÇÃO DO MINISTÉRIO

O ministério de tempo integral, de meio período ou bivocacional


deve ser reconhecido como trabalho árduo e digno de boa remu-
neração. Devemos pagar bem nossos ministros como faríamos com
qualquer profissional bem treinado.

Os anciãos que governam bem sejam tidos por dimos de duplicada


honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino. 1...1
I)imo é o trabalhador do seu salário. (1 Tm 5.17,18)

Os membros da congregação devem ter um coração generoso


para abençoar seu pastor e aliviá-lo de encargos financeiros a fim
de que possa focar sua energia espiritual no reino de Deus. Quanto
mais os membros o abençoarem materialmente, mais receberão dele
espiritualmente.
Outra opção viável para um pastor, evangelista ou presbítero é
continuar trabalhando numa área secular enquanto exercita seus dons
espirituais. A vantagem disso é dar um bom exemplo para toda a con-
gregação de como ter um emprego e ao mesmo tempo participar do
266 ItH.AtIoNAmvros ALIANc..%

ministerio da congregacao. Esse modelo cria uma atmosfera entre os


membros de que cada urn devc fazer sua parte do servico tanto quanto
o ministro. Akin do mais, isso libera um fluxo financeiro para ser
direcionado aos projetos do ministerio.
0 pastor e os congregantes podem considerar-se num relacio-
namento saudavel como partes integrantes de um mesmo time. Eles
compartilham as responsabilidades para ver o ministerio ser bem-su-
cedido. Ha menos espaco para reclamacao, e todos os membros podem
scr convocados para tarefas cspecificas. Diz 1 Tessalonicenses 2.9:

Porque vos lembrais, irmaos, do nosso labor e .fiuliga; pois, traba-


lhando noite e dia, para nao sermos pesados a nenhum de vvs 'vs ,

prcomos 0 evangelho de Deus.

A passagem de 2 Tessalonicenses 3.8,9 declara de modo seme-


lhante:

Non comemos de grao o pao de ni►guem, antes con labor e fiuliga


traballthpamos tioite e (ha para sermos pesados a nenhum de
l'os. Nao porque ndo tivessemos direito, was para vos dar em nos
mes►os exemplo, para nos Unimak's.

Estabelecer urn padrao correto na area de trabalho e urn aspecto


central do discipulado.

PROSPERIDADE DA FE

Quando estamos fora da vontade de Deus para a nossa vida, nos-


so trabalho pode ser improdutivo. Quando andamos na vontade de
Deus, nosso trabalho deve ser abencoado. Ageu 2.18-19 contem urn
dcsafio para examinar a eficacia do nosso servico como urn teste para
ver se cstamos ou nao andando na vontade de Deus. 0 Senhor res-
salta que, sem a sua benciio, toda obra de nossas maos e incapaz de
realizar coisa algurna. Quando nos voltamos a ele, devemos perceber
uma melhora imediata e visivel: "Considerai, pois, en vos rogo, desde este
dill em diante [..] Desde este dia bei de vos abencoar". Deus quer que
Doutrina do lrabalho 26/

estejamos cientes de que nosso trabalho será muito mais frutífero


quando a nossa vida for dedicada a ele.
Há duas forças complementares que dão suporte para a nossa
prosperidade financeira. A primeira é a confissão positiva dos lábios;
a segunda é o esforço diligente das mãos. Provérbios 12.14 afirma:

Do fruto das suas palavras o homem se farta de bem; e das obras


das suas mãos se lhe retribui.

Precisamos tanto da confissão de fé quanto do trabalho. A con-


fissão de fé sem a ética do trabalho será superficial e desprovida da
perseverança que traz a verdadeira prosperidade. Por outro lado, a
ética do trabalho sem o poder espiritual da confissão de fé carecerá
da graça e da unção para produzir toda a prosperidade que Deus
deseja nos dar. Se combinarmos fé e diligência, estaremos operando
debaixo da aliança de Deus e receberemos todas as suas bênçãos.
25

PRIORI DADES FAMILIARES


(PARTE 1)

O ELO TRANSGERACIONAL

D
e todas as alianças interpessoais, a de maior importância é o
casamento. A família possui a maior prioridade, porque pas-
samos mais tempo com ela do que com qualquer outra pessoa.
Deve haver um nível de comprometimento correspondente a cada
nível de intimidade. Como marido e mulher têm intimidade abso-
luta, devem ter também aliança absoluta. A aliança é o vínculo do
amor; quanto maior o amor, maior deve ser a aliança. Há uma inti-
midade e confiança de longo prazo entre os membros de uma família.
Portanto, deve existir uma aliança adequada que esteja à altura desses
relacionamentos.
Jamais devemos considerar que dar ênfase à nossa família seja
um desvio do compromisso com o reino de Deus. Se enxergarmos a
família como uma esfera separada do ministério, sempre existirá uma
dicotomia em nossas prioridades. Se virmos o compromisso com o
reino de Deus em termos de fidelidade à aliança, então o compro-
misso com a família se tornará uma expressão direta de priorizarmos
o reino de Deus. A família pode ser vista como uma pequena congre-
gação que tem o pai como seu pastor.

FIDELIDADE NO CASAMENTO

O casamento e os filhos são de suma importância no reino de Deus.


Malaquias 2.14-15 declara:

Porque o Senhor tem sido testemunha entre ti e a mulher da tua


mocidade, para com a qual procedeste deslealmente, sendo ela a tua

269
270 Ilak cioNANilvios .1i I A N Ç A

companheira e a mulher da tua aliança. E nãolez ele somente um,


ainda que 11w sobejava espírito? E por que somente um? Não é que
buscava descendé►cia piedosa? Portanto guardai-vos em vosso espí-
rito, e que ninguém seja infiel para COM a mulher da sua mocidade.

A mulher da mocidade se refere à fidelidade durante o longo


período desde a juventude até a velhice. Por conhecer a esposa desde
o tempo em que se casaram na sua juventude, o homem deve ser fiel
a ela no decorrer dos anos. Foi por aliança que essa mulher se tornou
sua esposa. Deus está chamando o homem para ser leal aos seus vo-
tos matrimoniais. Seu casamento não se baseia nos sentimentos de
atração romântica, mas no compromisso sólido e firme da aliança.
Não devemos violar os votos da nossa aliança de casamento. Ao
trairmos nosso cônjuge, estamos violando uma aliança fundamental
e manchando nossa integridade diante de Deus. Se desejamos ter
sucesso na vida espiritual, temos de dar atenção à fidelidade do nosso
relacionamento conjugal.

DESCENDÊNCIA DIVINA

O propósito declarado por Deus para o casamento é gerar urna des-


cendência santa (1\11 2.15). E de tremenda importância criar filhos
que venham a seguir os passos da aliança. As alianças bíblicas depen-
dem do compromisso transgeracional. Elas exigem um elo pelo qual
Deus pode transferir sua aliança para a próxima geração (Gn 17.7).
Os homens vivem urna geração por vez, mas Deus vive por muitas
gerações. Para ter urna aliança com a humanidade, o Senhor precisa
fazer com que essa aliança se estenda por mais de urna geração. Uma
aliança que dura apenas uma geração é incapaz de desenvolver um
relacionamento com Deus, porque ele é eterno. Todas as alianças de
Deus com a humanidade devem prover meios para que cada um des-
ses pactos perdure por ilimitadas gerações no futuro. A passagem de
1 Crônicas 16.15-17 diz:

I xnibrai-vos perpetuamente do seu pacto, da palavra que prescreveu


para mil ,►e►ações; do pacto que fez COM Abraão, do seu juramento
Prioridades Familiares IP -mie 11 271

a Isaque, o qual também a Jacó corrfirmou por estatuto, e a Israel


por pacto eterno.

De acordo com Deus, sua aliança abrange mil gerações. A alian-


ça que ele fez com Abraão teve de ser renovada com Isaque, e, mais
tarde, novamente com Jacó. Urna aliança é eterna da parte de Deus,
porque ele não muda. A fim de que seja eterna para as próximas
gerações da humanidade, a aliança deve ser renovada por cada novo
grupo de pessoas.

FILHOS DA ALIANÇA

Se Satanás conseguir destruir os filhos da aliança, ele poderá frustrar


o plano de Deus na Terra. Os ataques de Satanás sempre são contra
os filhos da aliança. Faraó tentou matar os bebês do sexo masculino
na época de Moisés. Herodes tentou matar os bebês do sexo mascu-
lino na época de Jesus. As antigas religiões pagãs tentaram misturar
suas mulheres com os homens da aliança para impedir que os filhos
seguissem o Senhor. Nos tempos modernos, fenômenos como o Ho-
locausto, o uso excessivo de drogas e o aborto têm como alvo destruir
os futuros progenitores da aliança eterna.
As alianças entre as pessoas precisam durar somente o tempo em
que estiverem vivas. Uma aliança com Deus deve ultrapassar o tempo
de vida de um indivíduo, porque Deus permanece vivo. Estabelecer
um vínculo entre as gerações é essencial para firmar uma aliança com
o Senhor. Quando Deus procura um homem com quem possa fazer
uma aliança, ele busca a qualidade de caráter com a qual esse homem
possa comprometer-se a treinar e criar seus filhos na aliança. Gênesis
18.19 (ACF) diz a respeito de Abraão:

Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus


_filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do
Senho►; para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir
sobre Abraão o que acerca dele temfãlado.
2/2 RELACIONAMENTOS DEALIANÇA

Abraão é nosso pai na fé. Seguimos as pegadas de Abraão. Ele


entendia como funcionam as alianças. Deus escolheu Abraão para
ser o pai de todos os que fazem aliança porque sabia que Abraão não
abandonaria seus filhos. Como o caráter de Abraão garantia que ele
se comprometeria com os filhos que viriam, Deus pôde dar início,
por meio dele, a um padrão de aliança que abençoaria todas as gera-
ções seguintes.

O ELO ENTRE AS GERAÇÕES

A chave para fazer aliança com Deus é entender a ligação entre uma
geração e a outra. A questão é a ligação em si. A aliança atua em
ambas as direções, para trás e para frente. Deus está comprometido
com as gerações passadas e com as gerações futuras. Devemos estar
igualmente comprometidos tanto com os nossos ancestrais quanto
com os nossos descendentes. Essa revelação nos ajudará a compreen-
der a linguagem de aliança na Bíblia. Preciso estar comprometido
com meus filhos e com meus antepassados. Deus está comprometido
com meus filhos e com meus antepassados, porque fiz aliança com
ele. Deus está comprometido comigo, porque meus antepassados fi-
zeram aliança com ele. Se tenho uni amigo que é um parceiro íntimo
de aliança, devo estar igualmente comprometido com seus filhos, e
ele com os meus. Há um poder espiritual na concordância entre duas
pessoas. Há também uma autoridade espiritual inerente à ligação entre
uma geração e outra.
Deus disse em Malaquias 2.15 que ele procura uma descendência
santa. Deus sempre está numa busca intensa de uma descendência na
geração seguinte com quem possa estabelecer sua aliança. A
descendência santa é necessária para que a aliança eterna continue.
Outra razão pela qual Deus busca uma descendência com quem
possa se aliançar é que todas as alianças seguem o modelo do relacio-
namento entre Deus e seu filho Yeshua. As bênçãos de uma aliança
são manifestas por uma promessa de fé. A manifestação da promessa
de fé vem pela figura do Filho. Deus desejava trabalhar com a huma-
nidade na Terra; ele fez isso por meio de Yeshua. Há poder espiritual
Prioridades Familiares (Parte 1) 273

nas palavras de urna promessa. Urna promessa é urna série de pala-


vras com cumprimento futuro. Ela exige o exercício de esperança e
fé para vê-la realizada. Deus faz urna promessa a um homem, e ela é
manifesta pelo filho dele. O homem exercita esperança e fé de que as
palavras da promessa serão cumpridas no futuro em seu filho.

PROMESSAS CUMPRIDAS NA GERAÇÃO SEGUINTE

Deus tinha uma aliança com o rei Davi. Davi desejou construir um
templo. Deus prometeu que ele seria construído. No espírito, o tem-
plo foi estabelecido no momento da promessa entre Deus e Davi.
Na terra, a sua construção foi concretizada durante o período do rei
Salomão. Embora seja conhecido corno o templo de Salomão, ele
era, de fato, o templo de Davi. O templo foi edificado aqui na Terra
corno um cumprimento da promessa entre Deus e Davi. O papel
do filho é gerar a manifestação de urna promessa de aliança feita
anteriormente.
Deus fez promessas a Abraão. Elas deveriam ser cumpridas por
seus filhos e pelos filhos de seus filhos. Urna geração faz uma aliança
com Deus. A aliança carrega consigo promessas de bênçãos futuras.
As bênçãos são plenamente manifestas na geração seguinte. A se-
gunda geração vai mais fundo na aliança com Deus e recebe promes-
sas ainda maiores. Essas promessas são então cumpridas e manifestas
na próxima geração. Sempre que a fé pode ser sustentada por mais
de uma geração, o poder e a magnitude da visão do reino de Deus
crescem para dimensões cada vez maiores.
Nós, crentes, seguimos os passos daqueles que nos antecederam.
Pessoas que viveram em gerações anteriores nos ensinaram - por
meio de seus livros. Talvez, tenham levado a vida toda para ter um
vislumbre da revelação de Deus em certa área. Nós, desta geração,
como seus herdeiros espirituais, recebemos essas revelações em de-
terminado momento e prosseguimos para crer em coisas até maiores.
Se lermos as revelações de fé dos que vieram antes de nós, estaremos
prontos para receber ainda mais revelação. Eu posso ler numa ques-
tão de horas o que um homem de Deus em gerações passadas pode
274 14.1..xclo\.‘NtENTos

ter levado a vida toda para aprender e compilar. O coração de aliança


aprecia aqueles que o antecederam, preparando o caminho.

A REVELAÇAO SOBRE RESPEITAR OS PAIS

Podemos obter revelação sobre o nosso próprio destino quando res-


peitamos e honramos nossos pais. Muitas vezes, é pelo ato de apreciar
nossos pais que os chamados sobre a nossa vida se tornam claros para
nós. Lembro-me de uma vez, logo que me converti, quando cheguei
a um impasse na minha fé. Eu orava c orava, mas parecia não existir
uma porta de entendimento. Eu me sentia travado. Queria servir ao
Senhor, mas não encontrava revelação sobre qual direção seguir. A
única impressão que continuava a vir ao meu coração durante esse
período era que eu precisava respeitar e honrar os meus pais. Não
entendia como isso seria uma resposta às minhas orações. Contudo,
já que não conseguia pensar em mais nada para fazer, prossegui bus-
cando novas maneiras de honrá-los de forma mais profunda.
Assim que comecei a apreciar mais meus pais, tive uma com-
preensão cada vez maior de quem eu era como pessoa. À medida que
eu observava os meus pais, mais claro ficava para mim o propósito para
o qual Deus me criara. Pude ver neles elementos que Deus havia colo-
cado no íntimo do meu ser. Quanto mais eu os valorizava, mais eu era
capaz de entender os chamados e os instintos inerentes que Deus es-
tabelecera em minha própria vida. Quanto mais eu os apreciava, mais
óbvio ficava a direção para a qual estava sendo chamado na vida.
Muitos cristãos dizem não saber para qual direção Deus está
guiando a vida deles. Se procurassem remover as barreiras entre eles e
seus pais, as respostas aos seus questionamentos se tornariam eviden-
tes. Muitas vezes, a confusão sobre o chamado de alguém tem origem
na falta de compromisso de aliança com os pais. E liberado poder
espiritual quando os pais voltam o coração para os filhos e vice-versa.

Eis que eu VOS enviarei o profeta Elias, antes que venha o ,erande e
terrível dia do Senhor; e ele converterá o coração dos pais aos filhos,
e o coração dos filhos a seus pais. (Ml 4.5,6)
Prioridades Familiares (Parte 1 I 275

Nossa geração carece desesperadamente de uma reconciliação


mundial entre pais e filhos. Essa reconciliação pode liberar muito po-
der espiritual. Os filhos receberão revelação sobre o propósito de sua
geração aqui na Terra nos últimos dias. A autoridade da aliança será
exercida, e o Corpo de Cristo será capaz de orar efetivamente para tra-
zer o reino de Deus e introduzir a segunda vinda. Os filhos da aliança
serão uma geração profética no espírito de Elias e de João Batista.
Converter o coração dos pais e dos filhos é a última grande pro-
fecia das Escrituras Hebraicas. É o mandato para o nosso tempo. É a
última bandeira profética a ser levantada antes que venha o "grande
e terrível dia de YHVH". Esse é o estágio final da reconciliação de
aliança que introduzirá a Segunda Vinda de Yeshua.
Mefibosete era filho de Jônatas, o filho do rei Saul. Ele era coxo
e vivia em obscuridade e desgraça. Quando Davi e Jônatas fizeram
sua famosa aliança, eles se comprometeram a ser leais aos filhos um
do outro. Depois da morte de Jônatas, Davi procurou saber se um dos
filhos de Jônatas ainda estaria vivo. Quando Mefibosete foi trazido a
Davi, ele pensou que o rei tinha a intenção de matá-lo. Em 2 Samuel
9.7, Davi diz a Mefibosete:

Não temas, porque decerto usarei conto de benevolência por amor


de jô►atas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai,
e tu sempre comerás pão à minha mesa.

Davi diz a Mefibosete que será bondoso com ele, não por amor
ao próprio Mefibosete, mas por causa da aliança que tinha com o
pai dele, Jônatas. E importante notar a frase "por amor de teu pai".
A questão não era se Mefibosete era digno ou não. Davi dirigiu-lhe
uma atenção especial, porque possuía um caráter de guardar a alian-
ça. Mefibosete, por sua vez, teve de escolher se entraria por conta
própria numa lealdade de aliança com Davi. Se Mefibosete desejasse,
poderia tornar-se parceiro de aliança de Davi. Porém, se não o de-
sejasse, Davi ainda assim exerceria bondade para com ele por causa
de sua aliança anterior com Jônatas. Há uma diferença entre fazer
aliança com alguém e mostrar bondade aos descendentes de uma
pessoa com quem você já tem uma aliança.
276 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Quando olho para trás, depois de décadas de relacionamentos de


aliança com meus parceiros e amigos, posso ver o comprometimento
que temos com os filhos uns dos outros. Esse é o estágio final para
o qual a aliança conduz. Todos os nossos filhos consideram nossos
irmãos e irmãs de aliança como seus "tios e tias" espirituais.

Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR:


o meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus
na tua boca, não se apartarão dela, nem da de teus _filhos, nem da
dos filhos de teus filhos, não se apartarão desde agora e para todo o
sempre, diz o SENHOR. (Is 59.21)

O testemunho que temos com nossa família estendida das redes


ministeriais Tikkun International, Revive Israel, Tents of Mercy, e
Gateways Beyond é de urna multidão de filhos e filhas espirituais ao
redor do mundo. Esse é o fruto do que temos ensinado ao longo de
todos esses anos.

CÍRCULO DE CONFIANÇA

Há um encontro profundamente tocante e significativo na cruz entre


Jesus, sua mãe, Maria, e seu melhor amigo, João.

Vendo Jesus sua mãe Omito a ela o discípulo amado, disse: Mulher,
eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa
hora em diante, o discípulo a tomou para casa. (Jo 19.26,27)

Isso não é simplesmente uma cena de compaixão e caridade. É


uma expressão de profunda intimidade e lealdade de aliança. João é o
parceiro de aliança mais próximo de Jesus. A aliança exige que João,
como um parente-resgatador espiritual, seja o provedor dos mem-
bros da família de Jesus. Ele está despido, surrado e pendurado na
cruz em vergonha. É um momento de vulnerabilidade excruciante.
Esse é o seu círculo mais íntimo de calor e proximidade de aliança.
Eles estão preparados para entregar-se uns nas mãos dos outros. A
beleza da confiança mútua é impressionante.
Prioridades Familiares (Parte I) 277

Vale a pena rever aqui, à sombra da cruz, o princípio básico do


discipulado que discutimos anteriormente. Embora Jesus amasse o
mundo inteiro e estivesse disposto a morrer por todos, ele não po-
deria confiar a vida nas mãos dos homens, pois sabia que não eram
dignos de confiança. Jesus, então, escolheu um grupo de homens, a
quem chamou de discípulos, para treiná-los a manter uma confiança
de aliança. Esse treinamento ocorreu ao longo de um período de
três anos. Primeiro, ele os escolheu; então, tornaram-se seus servos;
em seguida, passaram a ser seus amigos de confiança. João 15.15
declara:

Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu
senhor,. mas chamei-vos ann:qos, porque tudo quanto ouvi de meu
Pai vos dei a conhecer.

O grupo de discípulos passou a ser os amigos de aliança de


Jesus, porque ele pôde confiar-lhes suas revelações mais íntimas.
Dentre esses discípulos, estava Judas, que mais tarde traiu a con-
fiança do Senhor. João, por outro lado, foi aquele que se tornou o
mais próximo de Jesus. Na cruz, o relacionamento de aliança entre
João e Jesus foi demonstrado. Além de acolher a mãe de Jesus em
sua casa, João teve também o privilégio de guardar em seu coração
algumas das revelações mais importantes das Escrituras transmiti-
das a um homem.

ALIANÇA E A HISTÓRIA JUDAICA

Manter aliança com Deus requer um compromisso com um elo


transgeracional. As maneiras pelas quais Deus sempre lidou com o
povo judeu ao longo de toda a História envolvem uma aliança que se
estende por muitas gerações. No exemplo de Mefibosete, Davi mos-
trou-lhe atenção e bondade especiais por ele ser filho de Jônatas. Não
dependia do mérito próprio de Mefibosete, mas, como disse Davi:
"Por causa de seu pai". Em Romanos 11.28,29, Paulo fala a respeito
do povo judeu que não crê em Jesus:
278 RELACIONANI•NTOS In: ALIANÇA

Quanto ao evangelho, são eles ininu,gos por vossa causa; quanto,


porém, à eleição, amuados por causa dos patriarcas; porque Os dons e
a vocação de Deus são irrevogáveis.

Há uma prioridade de aliança especial em transmitir amor ao


povo judeu por causa da aliança que seus antepassados fizeram com
Deus. O Evangelho deveria ser pregado primeiramente a eles (Rm
1.16). A oração de intercessão em favor deles deveria ser intensa (Rm
10.1). A restauração do povo judeu nos últimos dias traz consigo a
promessa da plenitude do reino de Deus que virá (Rrn 11.12,15).
Não temos um preconceito racial a favor nem contra o povo
judeu. Todos os indivíduos são criados em igualdade perante Deus
e igualmente amados por ele. Esse amor é baseado no fundamento
legal adquirido ao se guardar a aliança. O compromisso à aliança
é o que permite que o amor exista aqui. É o desejo dos propósitos
de Deus na Terra que nos conduz a urna compaixão transbordante
especial em relação ao povo judeu. Assim como o compromisso de
lealdade à nossa família traz validade aos nossos ministérios, assim
também o compromisso de lealdade ao povo judeu torna válida a
pregação do Evangelho. O amor e a fé são gerados pela fidelidade a
todas as alianças anteriores.

MINHA HISTÓRIA DE FAMÍLIA

A ascendência da minha família vem da Europa Oriental. Ao estu-


dar a nossa história genealógica, pude obter um entendimento mais
completo de quem sou e de onde vim. O povo judeu cujas raízes
estão no Leste Europeu não sabe coisa alguma sobre seus antepassa-
dos de mais de duas ou três gerações atrás. O passado está obstruído
pela sombra negra do Holocausto. Os sobreviventes são aqueles que
emergiram desse poço escuro. Não existe passado anterior a isso. Desde
então, as linhagens familiares são constituídas a partir da memória
daqueles que escaparam.
Recebi meu nome por causa do meu bisavô, Asher David, que
nunca conheci. Ele vivia num pequeno vilarejo na fronteira entre o
(pie hoje são os territórios da Rússia e da Polônia. A vida no vilarejo
Prioridades Familiares (Parte 1 I 279

era semelhante à vida retratada popularmente no filme "Um violi-


nista no telhado". Meu bisavô era comparativamente bem de vida no
sentido de que possuía um lote de terra e até empregava alguns tra-
balhadores poloneses. Ele era um ancião na comunidade e também
um shochet (alguém que faz o trabalho de açougueiro de acordo com
as leis judaicas de pureza ritual tradicional).
Aparentemente, havia uma grande família com o sobrenome In-
trater, cujos parentes viviam espalhados por vários vilarejos daquela
região. Todos que tinham esse sobrenome faziam parte da mesma
raiz familiar. Somente alguns, porém, sobreviveram ao Holocausto.
Meu avô, Yehezkel Intrater, decidiu imigrar para os Estados Unidos
depois da Primeira Guerra Mundial, seguindo a premonição de um
desastre iminente no Leste Europeu. Meu filho mais velho recebeu
seu nome. Yehezkel é o nome em hebraico para Ezequiel. Meu avô
foi sozinho para os Estados Unidos e, poucos anos depois, providen-
ciou a vinda da esposa.
Meu avô trabalhou como "cantor" e "mohel". "Cantor" é o líder
de adoração e louvor numa sinagoga tradicional; "mohel" é aquele
que realiza o ritual judaico da circuncisão. Ele trabalhou em várias
cidades dos Estados Unidos antes de estabelecer-se em Washington
D.C. Contaram-me que ele tinha uma voz magnífica, e que as pes-
soas amavam ouvi-lo entoar as melodias tradicionais. No oitavo dia
após meu nascimento, ele me circuncidou de acordo com a aliança
dos nossos antepassados.
Meu pai, Samuel, cresceu nesse lar judaico ortodoxo. Durante
sua infância, ele foi criado para ser um "cantor" seguindo os passos do
meu avô.Tenho uma fotografia do meu avô e do meu pai conduzindo
o coral masculino da sinagoga. Meu avô parece alto e ereto com um
ar digno e sóbrio de autoridade. Meu pai está de pé na frente como
soprano mirim usando um xale de oração com franjas.
Após se formar no Ensino Médio, meu pai foi para a Segunda
Guerra Mundial como oficial da Força Aérea, voando em missões de
combate sobre a Alemanha. Os eventos da Segunda Guerra Mun-
dial provocaram mudanças em suas crenças religiosas e no seu estilo
de vida ortodoxo. Ele foi um aluno brilhante e, depois da Segunda
280 RELAcioNANIENTOS DEA L I A N Ç A

Guerra, matriculou-se na Faculdade de Harvard, onde se graduou


com honra. Mais tarde, meu pai se tornou um famoso advogado de
tribunal e promotor civil. na região de Washington D.C.
Tenho admiração pela história da minha família e do meu povo.
A aliança nos chama para respeitar nossos ancestrais tanto físicos
quanto espirituais. Devemos muito do que somos a eles. Meu senso
dos propósitos e do destino de Deus sobre mim e sobre meus fi-
lhos desabrocha à medida que tomo conhecimento da maneira como
Deus trabalha em aliança ao longo dos séculos. Nós servimos o reino
de Deus no contexto do momento histórico em que vivemos. Che-
gamos aonde estamos como fruto da paternidade e da manutenção
da aliança que nos precedeu.
26

PRIORI DADES FAMILIARES


(PARTE 2)

MARIDOS

S
e olharmos para a vida familiar do ponto de vista de aliança,
seremos capazes de reconciliar nossas prioridades com Deus. A
unidade familiar e a "célula" mais próxima e imediata do corpo
do Messias. Nossa família é nosso ministério. Ela é urna subdivisão
do reino de Deus. E um grupo de pessoas unidas em aliança.
Nossa primeira prioridade no ministério deve ser a de promover
a unidade com nosso cônjuge. Marido e mulher se tornaram unia só
carne. A mesma atenção que alguém dá à sua própria edificação no
Senhor deve ser dedicada à edificação do seu cônjuge. Somos partes
de urna unidade dupla diante de Deus. Qpando um marido ou esposa
tenta ultrapassar espiritualmente seu parceiro, é como um corredor
que exercita mais os músculos de urna perna do que os da outra. A
perna exercitada pode parecer mais forte, mas não ajuda em nada na
hora da corrida.

COERDEIROS

O marido deve ver a esposa como sua coerdeira ou coparceira das


bênçãos que Deus planejou conceder aos dois. A passagem de 1 Pe-
dro 3.7 descreve marido e mulher como sendo: "coerdeiros da graça da
vida"(ACF).
Cada família é uma subdivisão da congregação; o marido é o pas-
tor da familia, e a esposa, a copastora. Ser pai ou mãe é um ministério.
A paternidade é o ministério central do reino de Deus. O marido e a
esposa exercem juntos um ministério espiritual como copastores.

281
282 RELACIONANIENTOS DE ALIANÇA

O marido deve tratar a esposa como seu discípulo mais impor-


tante. Jesus tinha diferentes níveis de discípulos. Alguns eram mais
próximos a ele do que outros. O marido deve ver a esposa como seu
discípulo mais íntimo. O discipuiado é o processo de construir con-
fiança que leva à intimidade. Nosso discipulado de maior confiança
deve ser com nosso companheiro mais íntimo. Como a esposa é a
parceira mais próxima do marido, ela é justamente sua maior priori-
dade para desenvolver confiança e discipulado.
Quando o marido estabelece a visão para a sua família, ele não
pode deixar de comunicá-la à esposa, atraindo-a para a unidade com
essa visão. A esposa deve conhecer todas as diretrizes para a família
e para o ministério do marido. Ela deve ser um exemplo vivo dos
valores que ele possui.
Se a esposa não quer submeter-se à autoridade do marido, difi-
cilmente alguém de fora da família também o desejará. Se a esposa
não prospera nem frutifica sob o cuidado pastoral do marido, é bem
provável que ninguém mais se sinta atraído a ser seu discípulo. Tenho
muito orgulho da minha esposa; ela é o depósito de toda a atenção
amorosa que está no meu coração. Sou abençoado não apenas por
sua natureza submissa, colaboradora e diligente, mas também por
sua caminhada pura e dedicada com o Senhor. Além de delicada e
sensível, ela é também uma companheira forte e corajosa nas bata-
lhas espirituais.
Todas as áreas da vida devem ser uma extensão de como guar-
damos as alianças. A aliança de casamento é nossa maior prioridade
dentre os relacionamentos interpessoais. Portanto, o ministério pú-
blico de um homem é uma extensão da sua fidelidade à aliança com
a esposa. O trabalho e o ministério que não respeitam os limites da
lealdade de aliança ao cônjuge não são válidos.

A DIFERENÇA ENTRE HOMENS E MULHERES

Homens e mulheres são extremamente diferentes, muito mais do


que podemos imaginar. Gênesis 2.18 (AS21) revela o desejo de Deus
ao criar a mulher como uma companheira para o homem:
Prioridades Familiares (Parle 2) 283

Não é bom que o homem esteja só; eu lhefa- rei unia ajudadora que
lhe seja adequada.

As palavras "ajudadora que lhe seja adequada" no hebraico são


ezer k'negdo. Essa expressão significa literalmente uma ajudadora
oposta a ele. De muitas maneiras, homens e mulheres são opostos.
Deus vê o marido e a esposa como dois membros de urna mesma
equipe. Deus costuma unir um homem e uma mulher cujas qua-
lidades pessoais sejam diretamente contrastantes. Dessa forma, um
cônjuge preencherá as lacunas complementares de personalidade do
outro. Os dois juntos refletirão todo o caráter de Deus.
Pelo fato de homens e mulheres serem tão diferentes, não é de se
surpreender que um casamento bem-sucedido exija muitas horas de
comunicação. A passagem de 1 Pedro 3.7 orienta: "Da mesma forma,
maridos, vivei com elas [suas esposas] a vida do 'ai; com entendimento"
(AS21) .
Os homens precisam aproximar-se da esposa com muito enten-
dimento. Já que o modo de pensar da esposa é tão diferente, é neces-
sário sabedoria para superar as falhas de comunicação. Muitas vezes,
o homem pode ficar aborrecido com os padrões de pensamento, as
respostas emotivas e motivações da esposa. A ciência nos diz que, em
cada célula de cada órgão do corpo masculino, há um cromossomo
"X" e um "Y". Em cada célula de cada órgão do corpo feminino, há
dois cromossomos "X". Homem e mulher são praticamente de espé-
cies diferentes.
O homem, muitas vezes, precisa deixar de lado sua inclinação a
agir com base em metas objetivas para entender a orientação rela-
cional e pessoal da esposa. O homem tende a conversar para tratar
de um assunto específico, enquanto a mulher prefere conversar para
desenvolver um intercâmbio relacional.
No início do nosso casamento, cometi todos os erros clássicos
de um marido novato. Um dia, minha esposa se aproximou e disse:
Querido, gostaria de ter um tempo para conversar com você".
"

Interrompi o que estava fazendo naquele momento e disse numa


voz normal: "Bem, sobre o que quer conversar?".
Prioridades Familiares (Parte 2) 285

esposa. Quanto mais ela o anima, mais ele se sente corno um cam-
peão. Quanto mais confiante ele estiver, mais poderá descansar. O
ego de um homem possui um equilíbrio delicado, e é sua esposa que
o determina.

PERSPECTIVA SAUDÁVEL SOBRE SEXUALIDADE

As dinâmicas espirituais entre homem e mulher se manifestam de


forma semelhante no seu relacionamento sexual. A resposta sexual da
mulher depende de sentir-se relaxada. Ela só poderá sentir-se assim
se estiver segura e protegida. A resposta sexual do homem depende
de experimentar uma sensação de poder e domínio. O homem pre-
cisa sentir-se confiante para que possa estar relaxado. Sua confiança
vai até o ponto em que a esposa demonstra submissão e apoio a ele.
A passagem de 1 Pedro 3.5,6 descreve mulheres atraentes e santas
como: "estando submissas a seus próprios maridos, como fazia Sara, que
obedeceu a ilbraão, chamando-lhe senhor". A resposta sexual é de certa
forma uma expressão do fluxo de autoridade entre homem e mulher.
Gênesis 3.16 declara: "O teu desejo serd para o teu marido, e ele te
dominará".
As dinâmicas da sexualidade são mais espirituais e psicológicas do
que físicas. Se o marido transmite segurança para a esposa, ela conse-
gue relaxar. Tudo o que diz respeito a seu casamento melhora, inclu-
sive seu relacionamento sexual. Se a mulher se rende à autoridade do
marido, ele se sente mais confiante, e há uma harmonia maior no lar.
O relacionamento sexual é o privilégio da intimidade adquirida
pelo compromisso com a aliança de casamento. Nosso relacionamento
sexual é urna renovação periódica dos nossos votos matrimoniais.
Assim como a ceia do Senhor é urna comunhão que renova nossa
aliança com Jesus, a intimidade física é uma comunhão que renova
a aliança entre marido e mulher. No casamento entre cristãos, Deus
deve ser visto como o mediador da aliança conjugal. O Espírito de
Deus deve ser o terceiro integrante intimamente envolvido em todas
as interações do matrimônio. Nosso casamento é um triângulo que
inclui o próprio Deus. Deus está conosco quando falamos, quando
286 HELACIONAN►►NTOS DE ALIANÇA

oramos, quando comemos juntos e até quando compartilhamos in-


timidade sexual.
O entretenimento mundano vê a sexualidade corno um desejo
incontrolável. A hipocrisia religiosa a vê corno suja e degradante. As
Escrituras assumem o ponto de vista da aliança de que a sexualidade
é uma expressão saudável de intimidade física desde que esteja
protegida pelo compromisso de casamento. Hebreus 13.4 declara:
"Honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mdcula".
O sentimento de que as relações conjugais são impuras não é
bíblico. Podemos viver na liberdade e pureza do perdão de Deus. O
espírito de condenação pode fazer com que urna pessoa se sinta suja
mesmo que Deus não a veja assim. Provérbios 5.18,19 (AS21) diz
ao marido:

Que teu manancial seja bendito. Alegra-te com a esposa que tens
desde a mocidade. Como corça amorosa e gazela graciosa, que Os
seios de tua esposa sempre te saciem e que te sintas sempre embria-
gado pelo seu amor.

As Escrituras consideram o prazer sexual como urna bênção fí-


sica positiva quando é restrito aos parceiros de casamento. O fato
de Deus ter criado a comida para ser saborosa e apreciada não torna
aceitável um espírito de glutonaria. O fato de Deus ter feito o sexo
para o prazer e a satisfação não significa que um espirito de luxúria
ou adultério seja admissivel. Mesmo dentro do casamento, as rela-
ções sexuais devem manter-se honrosas (1 Ts 4.4).

PARCEIROS DE ORAÇÃO

O chamado mais importante do casal é orar e ministrar juntos. A


passagem de 1 Pedro 3.7 incentiva a harmonia entre marido e mu-
lher: "porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para
que não se interrompam as vossas orações".
Somos chamados para ser coerdeiros e coministros do evange-
lho. Recebamos juntos a herança gloriosa do reino de Deus. As ora-
ções do marido e da esposa, trabalhando em cooperação, têm um
Prioridades Familiares (Parle 2) 287

poder exponencial de concordância. Se houver divisão entre os dois,


suas orações serão impedidas. O marido não pode ser eficaz no reino
de Deus se estiver em discordância e em desarmonia com a esposa. A
chave para um bom casamento é ser capaz de orar juntos e conversar.
Minha esposa e eu muitas vezes planejamos momentos para orar
juntos. Saímos para urna caminhada pelo bairro, damos as mãos e
oramos em linguas. A oração é um momento de intimidade para nós.
É a fonte e o núcleo da nossa vida todos os dias. Tudo o que fazemos
é gerado a partir desse momento.

Pois, se alguém mio sabe governar a sua própria casa, como cuidará
da :gaja de Deus? (1 Tm 3.5)

O ministério congregacional deveria ser urna expressão exterior


da harmonia que há dentro do lar. O fruto da vida e do trabalho de
um homem está ligado à produtividade do seu relacionamento com
sua esposa.

MATURIDADE POR MEIO DE RELACIONAMENTOS

A fé de um homem passa por uma fase juvenil em que ele se vê como


uma estrela solitária, realizando grandes feitos para Deus. Numa fase
de mais maturidade, ele abandona seus pensamentos anteriores e
passa a ver a sua vida como urna expressão de seus relacionamentos
pessoais. As verdadeiras conquistas de fé são motivadas pclo desejo
de ajudar os outros. Declara 1 Coríntios 13.11 (AS21):

Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança,


raciocinava (0►110 criança; mias, assim que cheguei a idade adulta,
acabei caiu as coisas de criança.

Não importa o quanto uma pessoa pareça ser famosa ou bem-


-sucedida; se a sua mensagem de ensino ou pregação não for baseada
em relacionamentos de aliança, começará a soar falsa e superficial.
Diz 1 Coríntios 13.1:
288 1.1 1 \t 10 N \\UNTOS DE ALIANÇA

Mesmo que ett..fa- lasse as línguas dos homens e dos anjos, mas não
tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o prato que retine.

Quando entendemos o que são relacionamentos de aliança, pa-


ramos de medir um homem de fé por suas realizações. Mesmo mi-
lagres poderão deixar de ser impressionantes se não houver relacio-
namentos significativos que os façam valer a pena. Nossa avaliação
das pessoas não deve basear-se naquilo que alcançam, mas em como
se relacionam.

Ainda que tivesse todafé, de maneira tal que transportasse os mon-


tes, e não tivesse amor, nada seria. (1 Co 13.2)

Devemos ansiar por ver todos os milagres e todo o poder de


Deus. Devemos buscar ativamente a capacidade de fé para explodir
com o poder ardente do Espírito Santo. Porém, precisamos fazê-lo
tendo como prioridade o desenvolvimento de relacionamentos de
aliança. A passagem de 1 Coríntios 12.31 afirma: "Mas procurai com
zelo os maiores dons. Ademais, eu vos mostrarei um caminho sobremodo
excelente". Diz 1 Coríntios 13.13: "Mas o maior deles é o amor".
O caminho mais excelente para conduzir nosso trabalho, nossa
família e as congregações é tornar os relacionamentos de aliança o
centro da vontade de Deus em nossa vida. O amor nos leva a lançar
mão do poder de Deus para libertar as pessoas. Declara 2 Coríntios
5.14: "Pois o amor de Cristo nos constrange".
27

PRI O RID AD ES FA M MA RES


(PA RT E 3)

PATERNIDADE

D
eus é pai. Não existe um chamado maior na vida do que ser
pai. Pelo fato de Deus ser pai, a paternidade é uma expressão
central de sua natureza. A paternidade imprime a personali-
dade de Deus e inculca valores espirituais numa criança. Por meio da
paternidade, representamos para os jovens a imagem física de Deus a
fim de que possam experimentar sua presença. O ministério pastoral
e o discipulado são urna expressão da paternidade de Deus. Paulo
descreve seu ministério em 1 Tessalonicenses 2.11,12:

E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um


de vós, exortamos, consolamos e admoestamos.

O pai deve encorajar, desafiar, repreender, abraçar, instruir, orde-


nar e confortar os filhos. Como pais, somos chamados a impedir que
os nossos filhos façam o que é errado e a consolá-los e confortá-los
quando se ferem. Traçamos metas para desafiar os jovens a realizar
seu potencial.
Os pais moldam os filhos pela pressão constante de suas palavras
e de sua presença. Diante dos olhos da criança, o pai é o exemplo do
que ela deve tornar-se quando crescer. baías 45.9,10 declara:

Porventura dirá o barro ao que °firmou: Qtle faties?... Ai daquele


que diz ao pai: Que é o que deras? e à mulher: Que dás tu ti luz?

Os pais são a imagem de Deus para os filhos. Exercer a paterni


Jade é como modelar o barro úmido.
290 REtAcioNAmENTos DEALIANÇA

HISTÓRIAS DA BÍBLIA

Urna técnica usada ao criar os filhos é contar-lhes histórias bíblicas.


Você se aconchega com eles no sofá e faz a leitura das histórias da
Bíblia. Os filhos podem fazer perguntas, e você pode acrescentar co-
mentários e dar conselhos paternos durante a história. Quando os
nossos filhos eram mais novos, eu costumava gravar alguns desses
momentos juntos. Assim, eles poderiam ouvir as mesmas histórias
vez após vez. Dessa forma, as Escrituras eram ensinadas aos filhos
ao mesmo tempo em que eram tocados pela voz do pai ou da mãe.
O tempo pessoal de compartilhar a Bíblia com a mãe ou com o
pai ajuda a escrever a Palavra de Deus no coração dos filhos e a trans-
mitir-lhes seus valores. Ouvir as gravações antes de dormir também
tem o benefício adicional de ajudá-los a pegar no sono. .Deuteronõ-
mio 6.6-7 diz:

E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no leu coração; e as en-


sinarás a tens filhos, e delas /alarás sentado em tua casa e andando
pelo cantinho, ao deitar-te e ao levantar-te.

Esses versículos fazem parte do mandamento que Jesus afirmou


ser o mais importante de todas as Escrituras (Mc 12.29). Ensinar os
filhos requer um grande investimento de tempo, energia e dinheiro.
A palavra hebraica para "e as ensinarás a teus filhos" é shinantam, que
significa repetir uma segunda vez ou gravar com uma ponta afiada.
As palavras devem ser repetidas frequentemente até ficarem gravadas
de forma indelével no coração e na memória das crianças. As palavras
serão memorizadas pelo uso e pela repetição diária.

INVESTINDO EM NOSSOS FILHOS

Os pais investem suas esperanças para o futuro na vida dos filhos.


João 3.16 diz que Deus deu seu Filho ao mundo a fim de que todos
pudessem ser salvos por ele. Todo o destino do reino de Deus foi
depositado em Jesus. O único meio de Deus resgatar o planeta Terra
era crer que seu Filho seria bem-sucedido em sua tarefa. Jesus, por
Prioridades Familiares (Parte 3) 291

sua vez, decidiu confiar toda a sua missão nas mãos de um pequeno
grupo de homens que eram seus filhos espirituais.
Adão também foi chamado filho de Deus (Lc 3.38). Deus in-
vestiu nele todo o domínio e a autoridade sobre o universo que havia
criado. A raça humana, como descendência divina, não cumpriu o
plano de Deus para ela. Deus, como pai, está trabalhando com seus fi-
lhos desobedientes para redimir a nossa vida. O amor e o investimento
nos filhos são um projeto arriscado, mas não existe outro caminho.
É preciso ter fé para crer que nossos filhos serão santos e bem-
-sucedidos quando crescerem. Provérbios 22.6 declara:

Instrui o menino no caminho em que deve andar; e até quando


envelhecer não se desviará dele.

Abraão foi escolhido para ser o pai da fé, porque Deus sabia
que ele treinaria seus filhos para seguir os caminhos do Senhor (Gn
18.19). O investimento de tempo, dinheiro e esforços que um pai de-
dica aos filhos parece avassalador. Amar é doar. A paternidade é urna
parte essencial da demonstração do amor de Deus na Terra.
Muitas congregações hoje enfrentam o desafio e a oportunidade
de começar e manter uma escola fundamentada em princípios bíbli-
cos para seus filhos. Embora haja muitos obstáculos práticos e admi-
nistrativos para se fundar urna escola, é necessário garantir um am-
biente puro para o crescimento das crianças. Não podemos entregar
nossos filhos a um sistema educacional que deliberadamente nega
os valores divinos. Não se pode esperar que um jovem corresponda à
mensagem bíblica nos finais de semana se ele recebe uma mensagem
mundana durante a semana inteira.
A aliança exige que nossos filhos sejam matriculados em alguma
escola com orientação bíblica. Há muitas opções diferentes. Se urna
escola pública possui um número suficiente de pais, alunos e pro-
fessores com valores cristãos, podemos escolhê-la como lugar onde
matricular os nossos filhos. Contudo, se o sistema público de educa-
ção tem fortes influências contrárias aos padrões bíblicos, devemos
buscar matriculá-los em outra escola ou até mesmo fundar a nossa
própria escola se for necessário.
292 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

CONSTÂNCIA

O pai deve demonstrar constância em relação ao tempo que passa.


C( ) 111 os filhos. Eles precisam desfrutar sua
presença em intervalo s
regulares. Meu pai era muito metódico com relação à hora de voltar
para casa do trabalho e com sua presença conosco nos finais de sema-
na. Corno um advogado bem-sucedido, longas horas extras poderiam
significar urna renda muito mais elevada. Meu pai decidiu resistir a
essa tentação para ter períodos regulares de tempo com a família.
Essa constância produziu em mim um senso subconsciente de sua
confiabilidade e fidelidade. Os pais devem usar a constância como
ferramenta para criar segurança na vida dos filhos.
Meu pai conseguia ter uma renda estável, e nunca nos faltou
nada em nossa fase de crescimento. A segurança da provisão finan-
ceira é outra forma pela qual. o pai. transmite confiança à sua família.
A esposa e os filhos não precisam ver a entrada de grandes somas
de dinheiro. O que precisam experimentar é a constância e a regu-
laridade da provisão. Alguns homens, especialmente vendedores e
investidores, tendem a agarrar-se a grandes esquemas do tipo "enri-
queça rápido". Às vezes, ganham muito dinheiro e, outras vezes, vão
à falência. Isso não traz segurança à esposa e aos filhos. Esses homens
pensam que, se apenas conseguirem a galinha dos ovos de ouro, serão
capazes de proporcionar segurança ao seu lar. Essa ilusão os impede
de prover a simples confiança de que a família precisa.
Esquemas do tipo "enriqueça rápido" podem ser um engano.
Eles são como um tipo de jogo de azar.

A herança que Iro princrpro e adquirida às pressas, não será aben-


çoada no seu /im. (Py 20.21)

O que lavra a sua terra se Ja- rtará de pão; mas o que segue OS

ociosos se encherá de pobreza. O homem fiel gozará de abundan-


tes bénçãos; mas o que se apressa a enriquecer não _ficará impune.
(Pv 28.19,20)

A frivolidade de fantasias financeiras não realistas gera medo e


insegurança na família. O homem constante e fiel em seu emprego
Prioridades Familiares (Parle 3) 293

permite que sua família receba bênçãos em abundância. O homem


que se ilude com a ideia de que está prestes a realizar um grande
negócio pode estar evitando a responsabilidade de ser consistente em
longo prazo. As famílias necessitam de segurança, não de bonanças.
AFEIÇÃO E DISCIPLINA
O pai deve oferecer aos filhos um equilíbrio entre afeição física e
disciplina firme. Com as crianças menores, esse equilíbrio consiste de
90% de afeição e 10% de disciplina. Meus filhos tinham o ditado de
que o papai gosta de três coisas: abraços, beijos e palmadas. Qliando
voltava do trabalho, eu os pegava no colo e os abraçava, beijava e
batia de leve no seu traseiro com palmadas de brincadeira. Os mais
novos diziam: "Papai, faça aquela brincadeira de não me soltar". Nós
acreditamos em abraços, abraços e mais abraços. A afeição paterna
nunca é demais.
Disciplinar os filhos também deve ser um ato praticado como urna
medida do amor de aliança por eles. As Escrituras são claras quanto
à correção física ser urna ferramenta apropriada de disciplina. Dar
palmadas é um método comprovado pelo tempo para impedir que os
filhos façam o que é errado, especialmente nos primeiros anos de vida.

Aquele que poupa a vara aborrece a seu mas quem o ama, a


seu tempo o casta. (Pv 13.24)

Corriçe a teu filho enquanto há esperança; mas não te incites a


destruí-lo. (Pv 19.18)

Não retires da criança a disciplina; porque,fustOndo-a tu com a


vara, nem por isso morrerá. (1)v 23.13)

A disciplina não deve ser motivada por ira ou punição. A dis-


ciplina é urna medida de aliança (correção) para ensinar à criança a
diferença entre o certo e o errado. Se o castigo físico é realizado com
frustração ou descontrole emocional, seu propósito redentor se perde.
A palmada é um ato generoso de amor da parte dos pais de inves-
tir tempo e energia para educar o filho. Ela não é um espancamento
94 ICION1MEN'IOS In ALIANÇA

vingativo aplicado por um adulto emocionalmente descontrolado. A


disciplina é urna forma calma e determinada de instruir a criança,
acompanhada do castigo físico gentil e moderado. O humor do pai
deve comunicar ao espírito da criança que ele se importa com ela a
ponto de tomar essa posição firme. O castigo físico serve para ajudar
a criança e evitar que ela prossiga no erro.
A palmada é uma oportunidade positiva de transmitir autoridade
firme e amorosa à vida da criança. Devemos controlar qualquer
sentimento de raiva ou frustração antes de começar a discipliná-la.
Se estivermos aborrecidos, só provocaremos urna reação de vingança
na criança. Efésios 6.4 declara:

E vós, pais, não provoqueis à ira vossos. filhos, mas criai-os na dis-
ciplina e admoestação do Senhor

Nunca devemos agir com ira. Não estamos tentando ferir nossos
filhos, mas buscando conduzi-los em direção ao comportamento cer-
to e a valores corretos. Provocar raiva no processo de disciplina plan-
tará sementes de ira e vingança na criança. A disciplina que envolve
castigo físico, instrução verbal e afirmação afetuosa treinará a criança
a inclinar-se de forma positiva em direção ao Senhor.
Dar palmadas requer autocontrole e coragem da parte dos pais.
Eles devem controlar as próprias emoções e não deLxar de agir por
temer uma reação negativa da criança. E mais fácil evitar a disci-
plina apropriada ou disciplinar de forma abrupta sem o respaldo do
autocontrole e da instrução. A verdadeira disciplina de aliança leva
tempo e esforço.
Antes de tudo, o pai deve ter certeza de que está calmo e tem suas
emoções sob controle. Em seguida, deve fazer urna breve verificação
para garantir que está ciente de todos os fatos da situação. Não há
nada mais constrangedor do que disciplinar urna criança pelo motivo
errado. Certa vez, num restaurante, perdi a paciência com o meu filho.
Ele havia escorregado para debaixo da mesa, e pensei que estivesse
mascando um pedaço de chiclete que achara ali. Quando comecei a
levantar a voz e a fazer uma cena, ele conseguiu me explicar, chora-
mingando, que eu não havia entendido o que estava acontecendo. Ele
Prioridades Familiares (Parte 3) 295

tirou uma caixinha de uvas passas do bolso e disse que a mamãe as


tinha dado para servir de lanche. Sempre vale a pena gastar um pouco
mais de tempo para reunir todos os fatos de uma situação antes de
iniciar a disciplina.
Toda vez que erramos com os nossos filhos ou perdemos o con-
trole, temos de ir até eles e pedir desculpas. Mesmo que a mente
deles não consiga compreender tudo o que aconteceu, seu espírito
percebe que houve uma reconciliação. As crianças nunca esquecem
quando são injustiçadas. Um pedido de perdão dos pais removerá
qualquer base para o ressentimento e estabelecerá um bom exemplo
para o filho.
A palmada em si deve estar cercada antes e depois por palavras
de instrução e reconciliação. A parte física da palmada deve durar
apenas um breve momento dentro de um longo tempo de diálogo de
aliança. A criança é ministrada com instruções e correções das quais
somente uma pequena parte é a palmada. A correção é amorosa e faz
parte da aliança. O tempo logo após o castigo físico é um momento
muito apropriado para ternura e reafirmação. Todo o processo, desde
a descoberta do fato até a instrução, a palmada e o tempo de consolo,
pode levar aproximadamente 20 minutos. Pai (ou mãe) e filho expe-
rimentam aproximação e intimidade após o momento de correção. A
paz é restaurada no lar no período seguinte.

TRANSIÇÕES DA ADOLESCÊNCIA

Quando o filho atinge a adolescência, devemos mudar a maneira de


corrigi-los. Um adolescente não é uma criança nem um adulto. A
palavra adolescente significa "tornando-se adulto". Essa fase de tor-
nar-se adulto é cheia de transições aparentemente estranhas. Certas
dinâmicas dadas por Deus são acionadas no interior de um jovem ou
uma jovem quando atinge os 12 anos. Os pais precisam adaptar-se
para lidar com essas mudanças. Muitos não compreendem o novo
conjunto de reações que passa a surgir dentro dos filhos nesse pe-
ríodo. Os pais devem ajustar suas técnicas para aplicar a disciplina
a um adolescente.
296 hiAcioNANIENTos DEALIANÇA

Mais uma vez, devo ao meu amigo Thurlow Switzer o que en-
tendo sobre transições da adolescência. Lucas 2.40-52 contém uma
passagem clássica sobre as interações entre pais e adolescentes: a re-
lação entre Jesus e sua mãe. No versículo 40, Jesus é chamado de
criança. Durante esse primeiro estágio de sua vida, el.e cresce em
graça e estatura. O versículo 42 mostra que Jesus alcançou a fase de
transição dos 12 anos de idade. Lucas 2.40,42 (AS21) declara:

E o menino crescia e se fortalecia [...1 Quando Jesus completou


doze anos, eles [seus pais" subiram para Jerusalém, de acordo com
o costume da festa.

No versículo 43, Jesus é descrito como um menino, e não mais


como urna criança. O estágio de menino é a transição da adolescên-
cia, entre a criança e o homem. Lucas 2.43 afirma:

/10 regressarem,_ cou Omenino Jesus Jerusalém sem o saberem


seus pais.

Jesus agora age naturalmente em sua recém-descoberta indepen-


dência. Ele segue sua própria direção sem contar a seus pais. Com seu
senso de identidade adolescente, ele não sente que precisa da permis-
são dos pais para agir independentemente. Em geral, os adolescentes
se consideram bem maduros e esperam ser tratados como adultos.

E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, sentado


110 meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. (Lc 2.46)

Urna nova dimensão de curiosidade se abre durante os anos da


adolescência. Um mecanismo é ativado no adolescente que o faz
sentir necessidade de saber o motivo pelo qual certas coisas ocor-
rem. Isso é uma função de habilidade de análise mental dada por
Deus. O adolescente pergunta por que o mandam fazer algumas
tarefas. Ele não deve, contudo, usar seu pedido de explicação como
urna justificativa para rebelião ou desobediência. Por outro lado, os
pais não podem simplesmente negar o desejo do adolescente de
Prioridades Familiares (Parte .3)

saber e entender. Não se pode mandá-lo obedecer apenas porque


deve obedecer sem lhe dar uma explicação.
Em nossa escola de ensino médio, damos aos nossos adolescen-
tes oportunidades para questionar as razões existentes por detrás das
regras. Eles nunca devem desobedecer a um professor nem agir des-
respeitosamente. Se o adolescente viola essa atitude de respeito, ele
perde o privilégio de ser ouvido. Por outro lado, procuramos oportu-
nidades para atrai-lo à perspectiva central. das razões por detrás das
regras. Além de exigir obediência, também os convidamos a concor-
dar com o espírito da lei. Se os pais se recusam a lidar com as per-
guntas do adolescente, eles forçam tal curiosidade a se transformar
em rebelião. Lucas 2.47,48 diz:

E todos os que o 01Wiaill se admiravam da sua intekOncia e das


suas respostas. Quando o viram, ficaram maravilhados, e disse-lhe
sua mãe: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que teu
pai e eu ansiosos te procurávamos.

Os pais muitas vezes ficam chocados com as mudanças bruscas


da adolescência. Talvez, possamos encontrar um pouco de consolo no
fato de que mesmo Maria e José se sentiram assim. O texto bíblico
declara que eles ficaram admirados, maravilhados e ansiosos. Agir por
ansiedade não é o caminho para conquistar a lealdade ou a obediência
de um adolescente. Maria interpretou a independência natural de Jesus
como um ataque pessoal. a ela e sentiu-se magoada. O período da ado-
lescência inclui um grande avanço na capacidade mental; não podemos
agir defensivamente diante dos desafios intelectuais dos adolescentes.
Deus usa esse tempo para aperfeiçoar suas habilidades mentais a fim
de enfrentar desafios para o reino de Deus em sua própria geração. O
adolescente pode apresentar urna análise brilhante num momento e,
de repente, logo em seguida, urna necessidade ou atitude infantil.
Devemos dizer às crianças exatamente o que fazer. Os adoles-
centes também precisam de regras e orientações claras, mas essas de-
vem incluir níveis cada vez maiores de liberdade de escolha à medida
que crescem. O propósito de treinar adolescentes é prepará-los para
tomar as decisões certas quando forem adultos. Devemos atraí-los
')Y8 Ri 1 x m o m i t MOS DE Ai [ANO

para a perspectiva de desenvolver suas próprias convicções sobre o


que é certo. Temos que ajudar nessa transição para se tornarem adul-
tos tementes a Deus. O adolescente precisa continuar a obedecer à
autoridade dos pais. Ele deve, porém, ter cada vez mais poder de
escolha dentro do conjunto de regras estabelecidas.
Em Lucas 2.49, Jesus responde a seus pais, perguntando:

Por que nu' procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de
Pai?

E durante a adolescência que o jovem começa a descobrir seu


próprio chamado soberano em Deus. A necessidade de identidade
e independência dos adolescentes pode encontrar satisfação no seu
destino singular cm Deus. De uma forma impetuosa, eles podem
estar recebendo seus primeiros vislumbres do propósito especial de
Deus para a sua vida.
Enquanto estiver desenvolvendo seu próprio entendimento so-
bre o destino de Deus para a sua vida e enquanto estiver crescendo
em sua liberdade de tomar decisões adultas, o adolescente deve con-
tinuar submetendo-se à autoridade dos pais. Lucas 2.51 declara:

Então, descendo Uestisl com eles (seus paisijoi para Nazaré, e


era-lhes sujeito.

Até mesmo Jesus reconhecia a autoridade dos pais sobre a sua


vida. O equilíbrio entre independência e submissão é uma dinâ-
mica complexa na vida do adolescente. O equilíbrio entre exigir
obediência e conceder liberdade é uma dinâmica divina para os pais
de adolescentes.

PALAVRAS DE FÉ

O pai estabelece intimidade com os filhos por meio de suas pa-


lavras. Devemos conversar com os nossos filhos como Deus con-
versava com Jesus. Mateus 3.17 declara: "Este é meu filho amado, de
quem me agrado"(AS21).
Prioridades Familiares (P ►rle 11 29Y

Podemos usar essa mesma expressão com os nossos filhos. Po-


demos segurá-los nos braços e dizer: "Você é meu(minha) filho(a)
amado(a), de quem me agrado". Exercer a paternidade requer confis-
são de fé. Devemos profetizar sobre nossos filhos e declarar que serão
as pessoas fortes, espirituais e amáveis que Deus deseja. O propósito
do pai não é entreter, mas estabelecer fundamentos de constância e
confiabilidade na criança.

NADA DE EXCESSO DE ENTRETENIMENTO

Certa vez, levei meus filhos a um restaurante especializado em en-


tretenimento, jogos e festas infantis. Eles se tornaram excepcional-
mente rebeldes numa atmosfera tão desenfreada. O entretenimento
que bombardeia todos os sentidos de uma vez aumenta o desejo ele
mais. Urna dose exagerada de entretenimento produz insatisfação e
inquietação. Os pais precisam desenvolver estabilidade e paz no in-
terior da criança. Um marido ausente que aparece de vez em quando
com presentes extraordinários para os filhos só piora a situação. As
crianças podem sentir-se atraídas a uma hiperatividade de diversão,
mas ficam sem urna base de solidez e confiança sobre a qual possam
construir a própria vida. Se a criança estiver cercada por urna cos-
movisão bíblica em casa, na igreja e na escola, ela terá um conjunto
consistente de valores para levar à vida adulta.
Os elementos da paternidade conforme os padrões de Deus in-
cluem: intimidade verbal, afeição física, disciplina firme, constância
de tempo e presença, integridade moral e fé jubilosa. Nós, adultos,
devemos servir de bons exemplos da vida de Yeshua aos nossos filhos.
Temos de permanecer na brecha e pastorear nossos jovens com fir-
meza de mãos e estabilidade de espírito. A paternidade requer força,
coragem e paciência. A paternidade exige uma atitude de fidelidade
de aliança.
28

GOVERNO CONGREGACIONAL:
PRESBI TÉRIO

O
s presbíteros são para a congregação o mesmo que o pai é para
a sua família. O governo principal de uma congregação é atri-
buído ao presbitério. O presbitério é o órgão responsável por
tomar decisões numa comunidade de fé local. No presbitério, há um
presbítero, que atua como líder ou cabeça e geralmente é o pastor. O
presbítero líder é o "primeiro entre iguais".

LIDERANÇA COM PLURALIDADE

Há várias maneiras de entender o relacionamento entre um pastor,


os presbíteros, os ministérios dos dons e outras lideranças no Corpo
de Cristo. O princípio fundamental da autoridade pastoral no rela-
cionamento com outros é a liderança com pluralidade. Liderança com
pluralidade significa que a autoridade final é de um grupo de pessoas
trabalhando juntas. Esse grupo tem um líder definido, e os mem-
bros da equipe de liderança se submetem a sua visão e direção. Não
deve haver pluralidade sem liderança nem liderança sem pluralidade.
Numa congregação grande, as decisões não devem ser tomadas pela
maioria, dando a cada indivíduo o direito de voto. Quem é responsá-
vel por tomar decisões na congregação é o grupo de líderes confiáveis.
Há um relacionamento de submissão mútua entre o pastor e
o grupo de presbíteros do qual ele faz parte. Os líderes devem ter
humildade suficiente para reconhecer que um deles foi claramente
agraciado por Deus com uma unção de liderança. Há urna unidade
de autoridade porque a direção principal da congregação local flui do
pastor. A visão geral, é claro, vem de Deus e é discernida pela oração.
IR MIA(' ioN,xm i.vros .11.1.1NO

Mateus 20.25 e Marcos 10.42 contêm o mesmo ensino de Jesus.


Domínio egocêntrico sobre outras pessoas é a imitação carnal da li-
derança altruísta.
Aquele que mais deseja liderar deve ser o mais disposto a servir.
Os políticos costumavam ser chamados de servidores públicos. Um
servidor público era alguém que havia desistido das grandes riquezas
do mundo dos negócios para dedicar-se a servir generosamente aos
cidadãos da sua comunidade. Ele havia-se doado ao serviço público.
O líder é aquele que mais se dispõe a servir. O tipo de pessoa a
quem devemos submeter-nos é a que trabalha e serve ao reino. Todos
nós devemos estar preparados para nos submeter com alegria aos
líderes que trabalham arduamente em nosso meio. A passagem de 1
Coríntios 16.16 (NVI) nos desafia:

Que se submetam a pessoas como eles e a todos os que cooperam e


trabalham conosco.

CORAGEM PARA PERMANECER FIRME

Exercer liderança já é difícil o bastante quando as pessoas cooperam.


Devemos esforçar-nos para ser urna alegria a quem nos lidera.

Obedecei a vossos líderes, sendo-lhes submissos, pois eles estão


cuidando de vós, como quem há de prestar contas; para que o la -
çam com alegria e não geme►do., pois isso não vos seria útil. (Hb
13.17; AS21)

As pessoas subestimam a aflição que faz parte de ser um líder.


Como as pessoas costumam ofender-se quando recebem ordens, a
liderança enfrenta sentimentos de mágoa e rejeição. As pessoas con-
centram suas reclamações e irritações em quem está no comando.
Às vezes, o líder recebe ingratidão em troca do esforço dedicado a
ajudar alguém. Ele pode sentir-se corno o homem do conto popular
que achou uma cobra machucada na estrada e a trouxe para casa a
fim de cuidar dela até que se recuperasse. Assim que se sentiu melhor,
a cobra se virou e picou o homem que a ajudara. Algumas vezes, as
Respondendo à Lidentou

pessoas focam seu negativismo e ressentimento em quem está ten-


tando ajudá-las.
O líder pode ter de resistir a uma onda de antagonismo ao in-
troduzir urna nova ordem. A liderança pode ser uma posição des-
confortável. Além de se esforçar bastante para ajudar alguém, ainda
deve enfrentar ataques de ingratidão ao fazê-lo. Falta de apreciação
não deve impedir um líder disposto a servir. A liderança que serve é
um ato de amor altruísta. A liderança que serve é um ato de coragem
e aliança.

NADA DE FICAR OFENDIDO

Já que o orgulho é um ingrediente central da natureza humana peca-


minosa, as pessoas se ofendem facilmente com quem exerce autori-
dade. Até os discípulos de Jesus lutaram com esse problema. Quando
a mãe de Tiago c João pediu a Jesus que desse a seus filhos um lugar
especial de honra, os outros dez discípulos se ofenderam muito. Ma-
teus 20.24 relata sua resposta:

E ouvindo isso os dez„ indignaram-se contra os dois irmãos.


Marcos 10.41 descreve de modo semelhante:

E ouvindo isso OS dez, começaram a indignar-se contra Tiago e


João.

A tendência natural do orgulho humano é sentir-se indignado,


irritado e ofendido quando outra pessoa está numa posição de lide-
rança sobre nós. Temos de reconhecer essa tendência rapidamente
e eliminá-la antes que estrague os nossos relacionamentos. Alguém
que se ofende com um líder acredita ter um bom motivo para isso.
A questão não é se há um bom motivo ou não; orgulho e ofensa
constituem um espírito errado e devem ser removidos de nós a todo
custo. Não há desculpa alguma para ceder a um espírito de ofensa e
falta de perdão.
320 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Existe a tentação de investigar minuciosamente a vida de quem


está na posição de autoridade e ampliar qualquer falha que possa ser
encontrada. Temos de resistir entrar em fofocas sobre o que um líder
fez de errado. Há um fascínio maligno acerca de relatos negativos a
respeito das autoridades. A passagem de 1 Timóteo 5.19 (NVI) alerta:

Não aceite acusação contra uni presbítero, se não for apoiada por
duas ou três testemunhas.

Os membros da nossa congregação não devem aceitar comen-


tários negativos sobre alguém que está à frente de um ministério.
Devemos valorizar e ser leais àqueles que estão na liderança. O líder
de um grupo é o ponto central de unidade. Se as pessoas apoiarem o
líder, haverá unidade no grupo como um todo. A presença de outros
pontos centrais dividirão a atenção do grupo. Um grupo é unificado
quando segue a direção do líder.

EXPERIÊNCIA E GUERRA ESPIRITUAL

Geralmente, foi o líder que começou a trabalhar em determinado


projeto ou visão antes dos outros no grupo. Muitas áreas, que pa-
recem fáceis agora, foram conquistadas com muita dificuldade nos
anos anteriores. A empolgação de urna pessoa recém-chegada que
contempla a visão pela primeira vez não foi provada pelo longo pe-
ríodo de dedicação e empenho para vê-la concretizada. Muitas bata-
lhas já foram travadas. Há beleza nas mãos calejadas de um trabalha-
dor veterano e experiente.
Há também um ataque espiritual maior que acontece contra
quem lidera urna área do ministério. Existem diferentes níveis e po-
sições de espíritos satânicos, e eles se organizam para tentar deter o
reino de Deus. Uma força inimiga mais poderosa é designada para
impedir aqueles que estão sendo mais eficazes para o reino de Deus.
Um espírito demoníaco da parte de Satanás foi enviado para
atacar Paulo a fim de prejudicar seu ministério, pois ele havia rece-
bido tremendas revelações. Satanás teve de concentrar ataques cada
Respo n(len(1 o ç. 1.'1

vez maiores a esse homem que estava conduzindo os santos contra o


reino das trevas. Paulo diz em 2 Coríntios 12.7:

E, para que me mio exaltasse demais pela excelência das revela-


ções,fii-me dado um espinho na carne, a sabes; um mensageiro de
Satanás para me esbofetear, a fiar dc que eu não me exalte demais.

Quando as pessoas começam a identificar defeitos no líder, elas


devem entender que provavelmente não alcançariam nem metade do
êxito que ele alcançou se tivessem de passar pela mesma intensidade
de oposição satânica.

OS CUIDADOS DO MINISTÉRIO

Além de ataques satânicos, os líderes também suportam o peso


psicológico das preocupações com o ministério. Embora devamos
lançar nossas preocupações e nossos fardos sobre o Senhor, quando
alguém é sincero em desejar o melhor para a congregação, tende a
identificar-se com os problemas enfrentados:

Além dessas coisas exteriores, há o que diariamente pesa sobre mim,


o cuidado dc todas as 'grelas. (2 Co 11.28)

Três aspectos pesam sobre os líderes do ministério:

1. as necessidades de aconselhamento das pessoas;


2. o acúmulo de tarefas administrativas;
3. o desafio da provisão financeira.

Se um líder não for forte, essas preocupações começarão a esma-


gá-lo. A pessoa receberá mais liderança à medida que sua fé puder
suportar e ter vitória sobre os cuidados e as necessidades das pessoas,
da administração e das finanças.
I NtIONANIENTOS ALIANÇA

DESEJO

Deus quer que busquemos níveis mais elevados de liderança. Ele de-
seja que ampliemos nossa capacidade para esferas cada vez maiores
de responsabilidade.

Se alguém aspira ao episcopado 1presbitério1, excelente obra de-


seja. (1. Tm 3.1)

Estar disposto a abraçar o esforço extra de responsabilidade adi-


cional é uma boa qualidade. O capítulo 4 de 1 Crônicas contém o
breve relato de um homem chamado Jabes.

jabes invocou o Deus de Israel, dizendo: Oxalá que me abençoes


e estendas os meus termos; que a tua mão Aja comigo e faças que
do mal eu não seja afligido! 12 Deus lhe concedeu o que lhe pedira.
(1 Cr 4.10)

O nome Jabes significa "ele causará dor". Por isso, Jabes lutou
com uma autoimagem negativa e com sentimentos de rejeição por
parte de sua família. Ele queria servir a Deus e aumentar sua área de
responsabilidade a fim de que pudesse ser uma bênção para outros.
Ele tinha de livrar-se de toda falta de autoestima. Ele buscou a Deus
para que fosse curado das feridas de seu histórico familiar. Seu desejo
de ter seus termos estendidos foi visto por Deus como uma atitude
honrosa. Talvez, parecesse ser o de menor potencial entre os irmãos,
mas se esforçou para ter motivação com o intuito de realizar mais
para o reino de Deus.
Deus quer que superemos nossas limitações pessoais pela fé para
abraçar os desafios da liderança no reino de Deus. O verso 9 de 1
Crônicas 4 contém esse comentário sobre a história de Jabes:

Jabes foi mais ilustre do que seus irmãos (sua mãe lhe pusera o
nome de jates, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz).

(banto mais alguém se dispõe a ser ousado e a crescer em sua


autoridade espiritual, mais honrado se torna aos olhos de Deus. Deus
Respondendo à Liderança :12►

procura pessoas agressivas para atacar o reino de Satanás. Ele procura


aqueles que possam arrancar a autoridade do inimigo e conquistar
território para o reino de Deus. Ele busca os que venham a tomar o
reino à força (Mt 11.12).

LIDERAR: ESTAR NA FRENTE

Tanto no exército do Israel antigo quanto do Israel moderno, aquele


que lidera o ataque nas áreas mais perigosas da batalha é o que recebe
maior autoridade. Deus procura pessoas de iniciativa, desenvoltura e
criatividade para trazer vitória ao seu reino em nome de Jesus. Davi
conquistou a lealdade do povo ao liderar os ataques de guerra, saindo
e entrando diante deles. Joabe conquistou seu lugar como comandante
em chefe dos exércitos de Israel ao liderar o ataque contra a cidade--
fortaleza dos jebuseus, que mais tarde se tornou Jerusalém (1 Cr 11.6).
A tribo de Judá ganhou a posição de líder entre as tribos embora o
patriarca Judá não fosse o primogênito. Judá adquiriu o direito de ser a
tribo da linhagem do futuro rei messiânico, porque se dispôs a liderar a
batalha contra os cananeus (Jz 1.1; 1 Cr 5.2). Ela se tornou a tribo pela
qual Jesus viria por causa de sua ousadia de estar à frente na batalha. É
louvável desejar ser líder quando se tem motivações corretas.

DINÂMICAS DE LIDERANÇA

No livro de Eclesiastes, Salomão oferece muitos conselhos para en-


tender as dinâmicas de liderança. Vejamos alguns exemplos. Ecle-
siastes 5.8 (AS21) declara:

Se vires opressão de pobres e a perversão violenta do direito e da


justiça em alguma província, não te surpreendas com isso. Pois
quem está em posição elevada tem uns superior sobre ele; e sobre
ambos há outros eu: posição mais elevada.

As pessoas ficam chateadas quando testemunham algo injusto.


Pensam que quem ocupa cargo de chefia sai impune com o mal sem
ter de dar satisfação a ninguém. Salomão diz que não devemos ficar
:324 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

aborrecidos com esse tipo de coisa, porque existem níveis mais eleva-
dos de supervisão dos quais podemos não estar cientes. Todos pos-
suem um chefe, um superior, em alguma esfera. Todos um dia serão
responsabilizados pela forma como exerceram autoridade. Não temos
de ficar frustrados ou reclamar de alguém que está fazendo o mal
numa posição de autoridade, pois sabemos que ele tem um chefe em
algum lugar. Nofim das contas, Deus está supervisionando e conside-
rando todos responsáveis perante ele.
Também não devemos ficar frustrados ou reclamar se alguém
sob nossa liderança faz críticas desagradáveis a nosso respeito. Ecle-
siastes 7.21,22 declara:

Não escutes a todas as palavras que se disserem, para que não ve-
nhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te, pois tu sabes também que
muitas vezes tu amaldiçoaste a outros.

Um líder escuta pessoas reclamando dele o tempo todo. Essas


reclamações são muito desencorajadoras. Seu senso de confiança
pode ser abalado pela murmuração. Ele pode querer vingar-se de
quem que está reclamando dele. Depois de um tempo, o líder começa
a relaxar um pouco e não se sente tão ameaçado.
A maior parte dos comentários negativos é bem superficial. Ge-
ralmente, são feitos em momentos de frustração e não representam
de fato uma rebelião. Se o líder adquirir a prática de não se preocupar
com as reclamações contra si, conseguirá passar por cima de pro-
blemas insignificantes e lidar com as questões mais objetivas. Não
devemos ficar demasiadamente tensos se as pessoas se queixam da
nossa liderança. As reclamações fazem parte do pacote.
A pessoa que assume uma nova posição de autoridade pode sen-
tir-se ameaçada. Sua atitude defensiva pode levá-la a agir de forma
um pouco ríspida ou dura. Depois de um tempo, porém, seu esforço
para se defender diminuirá, e ela demonstrará mais bondade em suas
interações com as pessoas.

A sabedoria do homem faz brilhar o seu rosto, e com ela a dureza


do seu rosto se transforma. (Ec 8.1)
.
Respondendo à Liderança 32.%

Quando alguém adquire experiência em exercer autoridade, a


expressão em seu rosto se torna um pouco mais suave. O líder inex-
periente pode encarar cada situação corno um desafio à sua autoridade;
pode agir de modo severo e autoritário. Com sabedoria, contudo,
aprende a resolver situações com as pessoas sem transformar todos os
casos em rebelião. Os líderes novos devem tentar permanecer tran-
quilos e calmos. Eles devem reconhecer que existe a tendência a ficar
na defensiva no período inicial de urna nova posição.
As vezes, o chefe perde a calma e lança uma enxurrada de reações
iradas sobre quem está tentando submeter-se a ele. Nesse momento,
a pessoa que está tentando ser obediente experimenta uma turbulência
interior. Ela não sabe se deve fugir, defender-se, desculpar-se ou
explodir de raiva. Eclesiastes 10.4 declara:

Se levantar contra ti o espírito do governador, não deixes o teu


lugar; porque a deferência desfaz grandes *lisas.

Se o nosso superior se descontrola, devemos permanecer firmes


e manter nossa posição até que a onda de emoção passe. E preciso
manter a calma, responder lentamente e medir as palavras. Não se
deve fugir ou tentar defender-se no meio desse tipo de turbulência.
Se alguém conseguir manter seu posto sem expressar urna rea-
ção exagerada, ganhará grande confiança de seu líder. É preciso res-
pirar profundamente e esperar a tempestade passar. Ele deve usar
esse momento de turbulência como urna oportunidade para provar e
demonstrar sua resistência sob fortes ataques. Ao reagir emocional-
mente nessa hora, ele pode jogar fora anos preciosos de trabalho e
esforço. Permanecer calmo será um grande ato de fidelidade.
Como, então, um líder responsável deve agir? E como as pessoas
que desejam cooperar com ele devem reagir à sua liderança? O líder
precisa ser capaz de dar direções firmes e ao mesmo tempo de ser
flexível. As pessoas devem ser tanto fortes quanto submissas. Os dois
lados devem colaborar um com o outro.
O rei Davi possuía uma grande capacidade de liderança pessoal.
Ele tinha um jeito de relacionar-se com as pessoas que as tornava
leais a ele. Um dos momentos mais alegres da história de Israel
326 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

ocorreu quando Davi foi reconfirmado rei e fez reconciliação com


as tribos israelitas. A passagem de 1 Crônicas 13.1-4 (ARA) é um
exemplo de liderança magistral e responsiva.

Consultou Davi Os capitães de mil, e os de cem, e todos os prín-


cipes; e disse a toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e
se vem isso do Senhor, nosso Deus, enviemos depressa mensageiros
a todos os nossos outros irmãos em todas as terras de Israel, e aos
sacerdotes, e aos levitas com eles nas cidades e nos seus arredores,
para que se retinam conosco; tornemos a trazer para nós a arca do
nosso Deus... Então, toda a congregação concordou em que assim se
_fizesse; porque isso pareceu _justo aos olhos de todo o povo.

Davi dá uma direção clara para um plano específico de ação. São


enviadas por toda a terra notificações informando as pessoas de uma
assembleia. Ele faz urna mudança importante na estrutura religiosa
ao ordenar que a arca seja trazida. Ele consulta os líderes próximos
para obter sua confirmação. Davi conquista o coração das pessoas,
que passam a apoiar seu plano. Ele apela à consciência dessas pes-
soas propondo urna ação de justiça e convicção morai. Ele busca a
vontade de Deus em oração para receber sabedoria e direção divinas.
Ele exerce enorme autoridade, mas é muito gentil e respeitoso du-
rante o processo.
Davi demonstrou aqui os três princípios de urna liderança res-
ponsiva:

1. um plano claro de ação ("enviemos depressa" e "tornemos


a trazer");
2. confirmação das pessoas ("se bem vos parece");

3. direção liderada pelo Espírito ("se vem isso do Senhor").


As pessoas, por sua vez, respondem à liderança de Davi com uma
atitude verdadeira de aliança. O trecho de 1 Crônicas 12.38 declara:

7i)dos estes, homens de guerra, que sabiam ordenar a batalha, vie-


►am a 1-lebrom com inteireza de coração, para constituir Davi rei
Respondendo a Liderança

sobre todo O Israel; e também todo o resto de Israel estava de um só


coração para constituir Davi rei.

Esses eram homens fortes, disciplinados e experientes na guerra.


Eles sabiam lutar e manter seu posto quando eram atacados. Eles fo-
ram até Davi com um coração leal. Lealdade e fidelidade são essen-
ciais para uma atitude de aliança. Estavam determinados a fazer Davi
rei. Não apenas estavam dispostos a submeter-se à sua autoridade,
mas buscavam consolidá-la para o bem maior da nação. Graças a
essa atitude, conseguiram chegar a uma unidade total de pensamen-
to. Precisamos aprender a ser fortes e leais para apoiar a autoridade e
buscar unidade. É assim que um povo de aliança deve corresponder à
liderança com um espírito positivo e de cooperação.

A MENTE DE CRISTO

Unidade de pensamento é o fator principal para tomar decisões em


aliança. Um grupo de homens pode alcançar a unidade de pensa-
mento se cada um abre mão de insistir no seu próprio ponto de vista.
Buscamos a vontade de Deus para o bem maior do grupo como um
todo. Cada um deve buscar o ponto de vista de Deus, porque ele en-
xerga todas as partes ao mesmo tempo.

Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa


instruí-lo? Alas nós tentos a ',leni(' de Cristo. (1 Co 2.16)

Deus tem apenas um pensamento e uma vontade em determinada


situação. Quando estamos em desacordo, deve ser porque nos falta
algum aspecto dos pensamentos de Deus sobre o assunto. E possível
um grupo de pessoas discernir o pensamento e a vontade de Deus se
buscá-lo em oração. Quando nos despojamos dos interesses próprios,
a mente de Cristo se torna mais e mais óbvia. A chave é buscar a sua
vontade em vez da nossa e olhar para o quadro geral e não apenas a
parte que ocupamos nele.
Dan Juster costumava ensinar que os líderes não deveriam to-
mar decisões pelo voto da maioria. Nós sempre buscávamos ter uma
liLLACIONAMENTOS DE ALIANÇA

concordância unânime em cada decisão. Na verdade, a palavra unâ-


nime significa "urna alma". Uni significa um, e anime (de onde vêm
as palavras animado e animal) significa alma. E possível pela fé ter
uma única mente juntos. Essa única mente tem de ser a de Cristo.
Dan descreveria esse processo de tomar decisão como: orar, conver-
sar, orar, conversar, orar...
O que precede uma política de concordância unânime é um
compromisso com a unidade, a aliança e a vontade de Deus. Algumas
decisões levam horas de oração ou discussão antes de chegar a um
acordo. Urna decisão completamente dirigida pelo Espírito alcançará
a unanimidade. O ato de tomar decisões espirituais se baseia em
obter a vontade de Deus ao invés de agarrar-se à própria vontade. A
sabedoria de Deus e sua perspectiva estão disponíveis para nós. Se
estivermos dispostos a fazer a vontade de Deus, nós a conheceremos
(Jo 7.17). Se realmente é a sabedoria divina que estamos buscando,
podemos encontrá-la (Tg 1.5).

COMPARTILHANDO RECOMPENSAS

Ao sermos leais e submissos à autoridade de outra pessoa, devemos


crer que participaremos da recompensa do ministério dela. Se der-
mos a nossa vida para servir a um ministério, nós a receberemos de
volta. No Israel antigo, urna pessoa que só vigiava a bagagem recebia
urna porção igual dos espólios da guerra (1 Sm 30.24). Se alguém for
leal à liderança de outra pessoa, será promovido no devido tempo.
O que se planta, também se colhe. Quem é leal e submisso à autori-
dade de outra pessoa, com o tempo, terá pessoas leais e submissas à
sua autoridade. Se renunciarmos ao nosso egocentrismo para servir,
poderemos ter certeza de que Deus nos recompensará com uma he-
rança espiritual.
Um herói bíblico pouco conhecido é o servo egípcio _fará. O tre-
cho de 1 Crônicas 2.34,35 diz sobre ele:

Sesã mio teve _filhos, nfasfilhas. E tinha Sesã um servo egípcio, cujo
nome era jará: Deu„ pois, Sesã sua filha por mulher a lará, seu
servo; e ela lhe deu a luz Atai.
Respondendo à Liderança

Jará aparentemente não tinha herança, possessões nem recom-


pensa. Ele abriu mão de sua vida para servir a seu mestre Sesã. Ele
serviu na obscuridade sem mesmo pertencer à família ou ao nome
da família. Como Sesã não teve filhos, ele permitiu que sua filha se
casasse com Jará. Esse casamento fez de Jará o equivalente a um filho
e o novo herdeiro de toda a propriedade de Sesã. Deus recompensou
o serviço de Jará com promoção, honra e grandes possessões. Ele
recebeu um novo nome.
Deus conhece tudo o que fazemos e certamente nos dará urna
recompensa graciosa. Deus é capaz de tirar-nos da obscuridade para
o reconhecimento a qualquer momento. Ele pode levar-nos dos tra-
pos para a riqueza, da desgraça para a glória. Assim corno tirou José
da masmorra e Daniel do cativeiro, Deus é capaz de promover-nos à
proeminência e à autoridade. Provérbios 22.29 exorta:

Vis um homem hábil na sua obra? Esse perante reis assistira; e mio
assistirá perante homens obscuros.

Aprendemos a ser líderes responsivos ao apoiar a liderança de


outros. Deus deseja abençoar-nos por meio de nós abençoarmos uns
aos outros.
3O

DELEGANDO:
O DO M DE AD M I NIS T R AR

os círculos religiosos tradicionais, um clérigo profissional é


contratado para realizar o trabalho da congregação. Ele de-
sempenha a função sacerdotal, cujas cerimônias e rituais são
assistidos semanalmente pelos membros da congregação. Num am-
biente de aliança, no entanto, todos os membros são encorajados a
participar das atividades espirituais. O ministro busca repartir o tra-
balho da congregação com o máximo de pessoas possível.

S E M C L ERO E L E IGO

Não deve haver distinção entre clero e leigo. A figura pastoral deve
ser vista corno um líder entre iguais; ele apenas coordena e dirige a
participação de todos. O líder tenta maximizar a capacidade de cada
membro de participar no trabalho do ministério. Efésios 4.12,13 de-
clara que a razão de existirem apóstolos, profetas, evangelistas, pastores
e mestres de tempo integral é:

Tendo C111 vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do minis-


tério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à
unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado
de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

QUEM REALIZA O TRABALHO?


O propósito de um ministro não é fazer o trabalho do ministério,
mas preparar, equipar, capacitar e envolver os membros da congre-
gação para que eles o façam. O trabalho da congregação deve ser
332 laLACIONANIENTOS DF: ALIANÇA

realizado por seus membros. O papel do ministro é ser um facilitador


desse trabalho. Assim, a congregação como um todo é edificada pela
força que vem de dentro. Se o ministro faz o serviço pelos membros,
ele os impede de participar. Cada membro que faz sua parte é for-
talecido pela prática e pelo exercício do trabalho espiritual. Dessa
forma, toda a comunidade desenvolve uma maturidade bem funda-
mentada. A identidade coletiva da união dos membros individuais
cresce para tornar-se um homem na medida da estatura perfeita de
Jesus. Efésios 4.16 declara:

Do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de to-


das as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu
crescimento para edificação de si mesmo em amor.

O corpo todo deve desenvolver-se, não apenas o líder. À medida


que o corpo cresce, ele deve ficar mais e mais interligado. Isso acon-
tece porque cada parte e cada junta são atuantes. Todas participam
do trabalho efetivo. Os membros do corpo não estão bem ajustados e
ligados por causa daquele que ministra a eles ou de quem ministra no
lugar deles. O corpo deve exercer o ministério de edificar a si mesmo
em amor. Os diferentes membros produzem o crescimento de todos
ao ministrar uns aos outros.
O papel do ministro é direcionar o trabalho dos membros de
ministrar uns aos outros. Uma congregação cujo ministro faz todo o
trabalho se encontra num estado debilitado. Se o ministro conseguir
tirar o peso do trabalho de si mesmo e reparti-lo com outros, o mi-
nistério começará a se fortalecer.
O líder não deve realizar o trabalho da congregação, mas preparar
outros para fazê-lo. Ele precisa desenvolver um mecanismo para
transferir esse trabalho para as mãos dos membros. E necessário ha-
ver uma motivação espiritual a fim de que as tarefas sejam comparti-
lhadas, um processo de passar a responsabilidade do serviço a outras
pessoas. A unção para delegar autoridade espiritual aos cuidados de
outros é uma parte essencial da liderança de aliança. Delegar é uma
função primária da liderança.
Del ealn do: O Dom de Administra' VII

A NECESSIDADE DE DELEGAR

A habilidade de delegar é mencionada corno o dom de administração


ou o dom de liderança. E um dom espiritual. sobrenatural, urna expres-
são da habitação da graça de Deus em nós. Romanos 12.6,8 declara:

De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos


dada o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte,
_filça-o com liberalidade; o que preside, CO!!! zelo.

Se alguém deseja ser líder, deve manifestar o carisma de liderar


por delegação. O dom de administração é necessário para que haja
crescimento da congregação. Se uma congregação é muito grande, o
pastor principal não é capaz de fazer todo o trabalho. A menos que
ele desenvolva o dom da administração pelo qual possa distribuir o
trabalho do ministério, a congregação ficará limitada em tamanho. Se
o pastor conseguir desenvolver a habilidade de delegar esferas de res-
ponsabilidades para outros, a congregação poderá crescer sem limites.
Muitos ministros se encontram no meio de um redemoinho de
atividades. Todo o trabalho da congregação parece estar amontoado
em cima deles. Trabalham horas e horas, mas não conseguem sair do
buraco. A medida que se tornam esgotados, a vitalidade espiritual. da
congregação também começa a desvanecer.
Sobrecarga pastoral era urna experiência familiar até mesmo para
o grande líder Moisés. Pelo conselho de seu sogro, etro, ele foi capaz
de mudar seu estilo de ministério. Pela delegação, ele resgatou a con-
gregação. Êxodo 18.13-26 (ARA) representa uma grande virada na
carreira de Moisés. Os princípios de delegar responsabilidade podem
lançar um ministério numa reprodução bem-sucedida e eficaz.

No dia Kointe, assentou-se Moisés para julgar o povo; e o povo


estava em pé diante de Moisés desde a manhã- até ao pôr do sol.
(Êx 18.1.3)

Eis aqui urna agenda típica de um pastor sobrecarregado. Sua


jornada começa bem cedo e vai até o anoitecer. Ele não consegue
334 HELACIONAMENTOS DF ALIANÇA

fazer nada produtivo nem avançar, porque passa todo o tempo li-
dando com a fila de emergências de aconselhamento que está diante
dele. Com um rápido olhar, Jetro é capaz de obter urna perspectiva
de senso comum sobre o modus operandi de Moisés. A partir desse
novo ponto de vista, Jetro enxerga o problema com clareza. Ele diz a
Moisés em Êxodo 18.14:

Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo
está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr-do-sol?

Jetro percebe que Moisés está fazendo todo o trabalho pelo povo.
Moisés não está fazendo as pessoas servir umas às outras. Ele se senta
sozinho, e ninguém mais se envolve no ministério. Moisés alega que
o povo precisa ser ministrado por ele. Ninguém mais parecia ter con-
tato suficiente com Deus para atender às necessidades do povo. Em
Êxodo 18.15,16, Moisés responde:

E por que o povo vem a mim para consultar a Deus. Quando eles
réu: alguma questão, vim a mim; e eu julgo entre um e outro e lhes
declaro os estatutos de Deus e as suas leis.

O ministro pode cair na tentação de pensar que ele é a única pessoa


capaz de ajudar o povo. Se qualquer pessoa com problema souber que
pode falar com o chefe principal, não vai querer conversar com
ninguém mais. Moisés pensava que estava sendo sincero, mas estava
agindo sem sabedoria.

A TIRANIA DA URGÊNCIA

Não existe emergência de aconselhamento. As pessoas sentem que


seu problema é mais urgente que o de qualquer um. Afirmam que
não podem esperar outra hora. Entretanto, durante décadas, têm
convivido com os mesmos problemas até aquele momento. Elas con-
tinuarão a viver suas vidas pelo menos até a semana seguinte.
Aconselhamento e deveres administrativos parecem acumular-
se sozinhos. Eles exigem cada vez mais atenção. Um líder não pode
Delegando: O Dom de Administrar 33%

permitir que cada passo seja governado pela tirania das necessidades
urgentes. Se deixar que a tirania do imediato o domine, ele se desviará
daquilo que o Senhor lhe deu para realizar. Qualquer tarefa adminis-
trativa ou problema de aconselhamento será tão urgente quanto ele
permitir que seja. Pela fé, o líder deve sobrepor-se às urgências do mo-
mento presente. Ele deve ser a cabeça, não a cauda, no que diz respeito
à sua agenda diária. Jetro responde a Moisés nos versículos 17 e 18:

Não é bom O que fazes, certamente desfalecerás, assim tu, como este
povo que está contigo; porque isto te é pesado demais; tu só não o
podes fazei:

A opinião de Deus sobre esse estilo de trabalho é considerá-lo


errado. Embora possa resultar de intenções sinceras, carece de co-
nhecimento c é ineficaz. O líder que se recusa a delegar e não tem
coragem de parar de tentar suprir as necessidades de todos sozinho
prejudicará a congregação. Ele ficará exausto, e todo o grupo será
enfraquecido. Hoje, escreve-se muito sobre estresse psicológico e a
síndrome de esgotamento. Se um ministro não usar a sabedoria de
Deus, não estará isento das mesmas pressões e perigos.

O PLANO DE JETRO: AUTORIDADE DELEGADA

Juro transmite uma palavra profética de Deus a Moisés. Jetro lhe


apresenta uni piano simples dividido em três partes. A primeira parte
do plano é que Moisés deveria permanecer diante de Deus em ora-
ção. À medida que ganhasse entendimento dos princípios de uma
vida santa, deveria ensinar o povo na grande assembleia. Dessa for-
ma, Moisés seria capaz de manter sua perspectiva e criatividade sobre
toda a situação. Ao ensinar o grupo como um todo os princípios de
uma vida piedosa ao invés de realizar aconselhamento pessoal, ele
poderia maximizar sua própria eficácia. O papel exclusivo de Moisés,
que ninguém mais poderia executar, era receber a visão primária de
Deus e comunicá-la ao grupo em geral. Ele deveria estar disposto a
especializar-se nessa função.
1:1?) RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

A segunda parte do plano de Jetro é estabelecer líderes de caráter


aprovado sob a liderança de Moisés e conceder-lhes autoridade para
lidar com as questões envolvendo a congregação. Êxodo 18.21,22
(ARA) declara:

Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens


de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes
de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez; para que
julguem este povo CM todo tempo.

Esses homens correspondem aos presbíteros e diáconos de hoje.


A breve lista das qualificações desses homens capazes é paralela à
descrição mais completa de 1 Timóteo 3. E Moisés, como pastor
principal ou apóstolo, que tem a autoridade de apontar e ordenar os
líderes abaixo dele. Os líderes são subdivididos em várias camadas de
esferas crescentes em autoridade. Eles lidam com o povo em grupos
de dez, 50, cem e mil. O princípio é que haja uma série de autorida-
des superiores a quem se possa recorrer no caso de questões mais di-
fíceis. Esses homens recebem autoridade para agir com determinação
nos assuntos do povo.
E necessário rcdirecionar as necessidades de aconselhamento
pessoal para o nível mais inferior de autoridade capaz de resolvê-las
de forma eficaz. É preciso coragem para exigir que as pessoas perma-
neçam numa esfera delegada; elas não podem tentar pular um nível
prematuramente. Cada assunto deve ser tratado na esfera mais infe-
rior possível. O acúmulo de problemas deve ser mantido longe dos
cargos mais elevados. Se o comandante de um navio estiver sempre
na cozinha, ele não será capaz de dirigi-lo.
O lides deve ministrar aos seus membros mais fortes a fim de
que estes possam, por sua vez, ministrar aos mais fracos. Se o líder
dedicar todo o seu tempo aos membros mais debilitados, os que são
potencialmente mais fortes também enfraquecerão, e a congregação
ficará estagnada. Se ministrar aos fortes, eles se fortalecerão mais
ainda. Se os fortes ministrarem aos mais fracos, estes serão fortaleci-
dos. Com esse fluxo de conselho e autoridade divinos, cada membro
maximizará seu próprio potencial. Ao tentar alcançar um número
Delegando: O Dom de Adminisilat :t.t

cada vez maior de pessoas, devemos estabelecer como nossa primei


ra prioridade equipar aqueles que têm potencial. para ajudar outros.
Dessa forma, o ministério se multiplicará.
A terceira parte do plano de Jetro é que qualquer questão que
não pudesse ser resolvida num nível inferior teria permissão de subir
a escala de autoridade. Qualquer situação que necessitasse da atenção
de Moisés poderia ser transmitida a ele por seus colíderes. Êxodo
18.22 declara:

Que a ti tragam toda causa grave, Inas toda causa pequena eles
mesmos a jillguern.

O líder não deve desejar ficar livre das necessidades das pessoas.
Quando os problemas tiverem passado pelo processo pastoral, deve-
rão ser recebidos com alegria pelo líder. Ele poderá então olhar para
cada situação que lhe for apresentada como uma oportunidade posi-
tiva de tocar a vida de um dos membros da congregação. O propósito
da delegação pastoral não é evitar os problemas das pessoas, mas dis-
tribuir o trabalho com o objetivo de ministrar de forma mais eficaz.
A estrutura nunca é estabelecida visando a ela mesma. Ela é ins-
tituída apenas para facilitar o cuidado pessoal e a atenção amorosa.

MACAQUINHOS

As tarefas administrativas receberam o apelido de "macaquinhos".


Os macaquinhos gostam de subir até o topo da escada. As tarefas ad-
ministrativas e as necessidades de aconselhamento tentarão subir até
os níveis mais altos da congregação. Temos de tratar cada problema
no nível mais baixo possivel. Os macaquinhos devem ser segurados
firmemente pela coleira a fim de que não corram para o topo. Um
macaquinho precisa ser alimentado; caso contrário, começará a guin-
char e reclamar. Quando alguém tem uma tarefa em sua esfera de
responsabilidade, deve resolvê-la e não simplesmente deixá-la para
depois. Se a tarefa não for concluída, ela criará problemas no futuro.
E irresponsável deixar um serviço pela metade.
RELACIONANIENTOS DE ALIANÇA

Por outro lado, um macaquinho quer ser superalimentado. Um


líder não deve dar à tarefa mais atenção do que merece. Se uma si-
tuação está sugando tempo e energia, pode ser urna distração para o
progresso da congregação. Uma responsabilidade maior deixa de ser
um macaquinho e se torna um "gorila".
Algumas vezes, é necessário matar um macaquinho. Se uma ta-
refa administrativa não é mais digna do esforço para resolvê-la, não
deve consumir mais tempo. Ela deve ser oficialmente concluída e
removida da lista de coisas para fazer. Se uma tarefa precisa ser finali-
zada, o supervisor que a atribuiu deve receber urna notificação direta.
Seria inapropriado encerrar urna tarefa designada por um superior
sem informá-lo, pois ele ficaria com a impressão de que ela ainda está
sendo executada.

ACOMPANHAMENTO E PRESTAÇÃO DE CONTAS

É preciso paciência e sensibilidade para transferir responsabilidade


para outras pessoas. Primeiramente, ternos de compartilhar a visão
com elas e envolvê-las no trabalho. Mais tarde, devem ser orientadas
a arcar com toda a responsabilidade pela área que lhes foi designada.
Existe um processo de aprendizado pelo qual alguém é treinado a
realizar urna tarefa. Em primeiro lugar, a pessoa recebe a instrução do
que fazer; depois, é autorizada a tentar efetuá-lo sozinha sob supervi-
são direta. Finalmente, a pessoa é liberada para comandar sua própria
esfera sob fiscalização periódica de prestação de contas. Essa foi a
forma de Jesus ministrar. João 4.2 declara: "se bem que Jesus mesmo não
batizava, e sim os seus discípulos" (ARA).
Jesus se reunia com seus discípulos antes de ministrar e con-
versava com eles sobre o que deveriam fazer. Quando terminava de
pregar, seus discípulos o ajudavam a ministrar ao povo. As pessoas
vinham à frente para ser batizadas, receber oração c ser curadas. Às
vezes, Jesus ministrava sozinho. Outras vezes, ele ficava de lado, ob-
servando e orientando seus discípulos. Depois da ministração, ele ia
embora com Os discípulos e, a sós com eles, continuava lhes ensinando
como ministrar.
Delegando: O Dom de Adminislial

Os discípulos eram aprendizes de Jesus. Ele passou os anos de


seu ministério preparando-os para continuar seu trabalho depois de
sua partida. Ele dedicou mais tempo ministrando aos 12 do que en-
sinando as multidões. Dentre os 12, Tiago, Pedro e João receberam
uma atenção especial de Jesus. Além dos 12, havia outros 70 discípu-
los que também foram treinados por Jesus. Os três receberam mais
atenção do que os 12; os 12 receberam mais atenção do que os 70; e
os 70 receberam mais atenção do que a multidão.
Depois disso designou o Senhor outros setenta, e os enviou
adiante de si, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele
havia de ir. (Lc 10.1)
Nesse processo de aprendizado, esus enviava os discípulos de dois
em dois a fim de que se ajudassem e se responsabilizassem uns pelos
outros. Jesus tinha um itinerário determinado para suas viagens minis-
teriais. Ele enviava suas equipes de precursores para a cidade onde pre-
tendia pregar. Esses precursores preparavam a região para o ministério
de Jesus. Anunciavam ao povo que ele estava chegando, oravam com as
pessoas e compartilhavam ensinamentos introdutórios.
Depois do seu ministério preliminar, as duplas de precursores
prestavam relatório a Jesus. Eles lhe contavam os sucessos do seu
ministério e também suas falhas. Jesus avaliava seus feitos e com-
partilhava novas técnicas com eles. Ele lhes transmitia seus discer-
nimentos e percepções espirituais. Ele os capacitava com mais en-
sinamentos a fim de que saíssem e ministrassem novamente. Lucas
10.17-20 declara:

Voltaram depois os setenta com alegria, dizendo: Senhot, em teu


nome, até os demônios se nos submetem. Respondeu-lhes ele: Eu
via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dei autoridade
para pisar serpentes c escorpiões, e sobre todo o poder do ininngo;
e nada vos.fará dano algum. Contudo, não vos alegreis porque se
VOS submetem OS espíritos; alegrai-vos antes por estarem os VOSSOS
nomes escritos nos Céus.

Os 70 aprendizes retornaram a Jesus e compartilharam o su-


cesso da sua missão. Em resposta, Jesus lhes deu algumas instruções
:HO RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

sobre o efeito que a missão deles estava causando no mundo espiri-


tual ao destruir a autoridade de Satanás. Jesus então prosseguiu, ofe-
recendo-lhes um ensino que os equipasse a aumentar sua autoridade
para expandir o ministério de libertação. Ele acrescentou urna área
de correção. Eles precisavam tomar cuidado com a tentação sutil de
focar mais no ministério do que em Deus. Ele os avaliou, capaci-
tou, encorajou e alertou. Ele os preparou para seguirem adiante no
futuro. O processo de aprendizado requer paciência e treinamento
prolongado. Urna pessoa só pode delegar autoridade na medida em
que conduz alguém a assumir compromisso por sua esfera de auto-
ridade. A transferência e a reatribuição de responsabilidade devem
ser observadas e avaliadas.

ESCOLHENDO DISCÍPULOS

Uma das prioridades mais altas do ministério de Jesus foi treinar os


discípulos para dar continuidade ao seu trabalho. Jesus investiu sua
vida e sua obra nas mãos desses homens. Não pode haver decisão
mais importante do que determinar quais pessoas representam as
melhores escolhas de Deus para serem treinadas como discípulos. Se
errarmos na escolha de um discípulo, desperdiçaremos uma enorme
quantidade de tempo, esforço e amor. Por ser um investimento tão
alto, é preciso muita oração para identificar as pessoas certas. Lucas
6.12-13 (A..1b-1) diz:

Naqueles (lias, retirou-se para o monte, a .fim de orai; e passou a


noite orando a Deus. E, quando amanheceu, chamou a si os seus
discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o
nome de apóstolos.

Jesus passou urna noite inteira em oração, talvez dez horas de


intercessão profunda. Pelo que ele orava? O que era tão importante a
ponto de exigir uma luta espiritual tão intensa? Assim que terminou
de orar, ele escolheu seus 12 principais aprendizes. Em oração, Jesus
recebeu a revelação de delegar autoridade a grupos de sublíderes. Em
oração, ele alcançou discernimento sobre quais homens seriam seus
Delegando: O Dom de Administra; 141

principais discípulos. Em oração, ele recebeu a sabedoria de como


agiria para treiná-los e transferir seu ministério às suas mãos.
Um dos discípulos escolhidos por Jesus foi Judas Iscariotes, que
mais tarde o traiu. Um jovem a quem dediquei tempo para discipular
mais tarde traiu o Senhor e tornou-se um anti-missionário profissio-
nal. Alguns jovens que discipulei engajaram-se em ministérios bem-
-sucedidos. Reproduzir a vida de Deus por meio de outros homens
dignos de confiança é o trabalho principal do ministério. A passagem
de 2 Timóteo 2.2 afirma:

E o que de 1111111 ouviste diante de muitas testemunhas, transmi-


te-o a homens _fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os
outros.

EMPENHO NA GESTÃO

Delegar, administrar e coordenar pessoas requer esforço. Romanos


12.8 diz que, quando exercemos o dom da administração, temos de
fazê-lo com diligência. O carisma da administração vem com a con-
dição de que exige diligência. Gerir e delegar segundo os padrões de
Deus demanda tempo e energia. Precisamos dedicar-nos a planeja-
mento, comunicação, avaliação, motivação e ao processo de tomar
decisões. A liderança é espiritual.
Investimos no trabalho espiritual de gerenciar crendo que pro-
duzirá bons frutos na eficácia do ministério. A relação entre esforço e
gestão também é descrita em Provérbios 12.24 (ARA):

A mão diligente dominará, mas a remissa será sujeita a trabalhos


forçados.

As exigências da administração requerem iniciativa própria e


disciplina. Um administrador preguiçoso ou acomodado prejudicará
toda a organização.
342 RELACIONANIENTOS DE ALIANÇA

COMUNICAÇÃO

Uma área da administração que exige muito esforço é a comunica-


ção. A comunicação deve ser repetida e reenfatizada até que penetre
na consciência dos ouvintes. A mensagem deve ser repetida até que
seja transferida gradualmente dos líderes para a realidade da vida de
todos os membros.
Os avisos numa reunião congregacional são o meio pelo qual
o dom da administração efetua a sua "pregação". Eles informam ao
povo como devem entrar em ação a fim de cumprir a visão espiritual
da congregação. Os avisos são um tempo de mobilização espiritual.
Devemos ouvir as direções práticas dos avisos com a mesma atenção
que damos às exortações espirituais da pregação.
Na época da Torre de Babel, o povo era extremamente organiza-
do. Sua administração excepcional produziu tamanha unidade entre
os homens que ameaçaram a própria autoridade do céu. O potencial
é forte, mesmo para o mal, no uso das habilidades de comunicação.
Imagine quanto mais poderoso seria se usado cm harmonia com Deus.

Eis que o povo é uns, e todos têm a mesma linguagem. Isto é ape-
nas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam
_fazer. Vinde, desçamos e confundamos ali a slia linguagem, para
que um não emenda a linguagem de outro. (Gn 1 1 .6,7; ARA)

O propósito da administração c da comunicação é produzir uni-


dade. Em Babel, as pessoas possuíam urna só mente e uma só língua. A
linguagem é um sistema de comunicação. A unidade produz eficiên-
cia ilimitada. Como as pessoas eram tão bem coordenadas, não havia
o que não pudessem realizar. O juízo de Deus sobre a raça humana
foi interromper sua comunicação. Desde então, a comunicação tem
sido difícil entre os seres humanos. Não é apenas complicado entre
duas pessoas que falam línguas diferentes; até mesmo comunicar-se
de forma significativa com alguém que fala a mesma língua é difícil.
Quando nos convertemos, a maldição de Babel deveria ser que-
brada. Na verdade, ela é revertida ao falarmos em línguas; é revertida
ao amarmos uns aos outros, e também é revertida quando o dom da
Delegando: () Dom de :Administrar :14 1

administração exerce de forma ungida as habilidades de comunica-


ção. Toda comunicação exige empenho, pois precisa superar a "bar-
reira de Babel". É necessário comunicar repetidas vezes para trans-
mitir com segurança até mesmo as orientações mais simples.
As instruções devem ser bem claras e explícitas. Devemos es-
forçar-nos para entendê-las rapidamente e atendê-las sem demora.
Quando estamos comunicando algo a alguém, devemos andar a se-
gunda milha e repetir as orientações até que a pessoa as assimile.

PADRÕES

Outra área da gestão é exigir responsabilidade das pessoas de acordo


com padrões objetivos de desempenho. Ao realizar algo para o reino
de Deus, os cristãos não devem contentar-se com uma qualidade in-
ferior quando sabem que esse padrão não seria aceitável em seu local
de trabalho. Embora o trabalho no reino de Deus seja voluntário, os
cristãos não devem aceitar um padrão de qualidade inferior ao pro-
fissional. Se estamos fazendo algo para o Senhor, devemos fazê-lo
com base em padrões ainda superiores. Devemos esperar e exigir o
melhor de nós mesmos. Devemos ter descrições claras do trabalho,
padrões de desempenho e métodos de prestação de contas. Devemos
ter objetivos mais altos que os do mundo ao nosso redor.
Daniel recebeu urna avaliação "dez vezes melhor" do que todos os
profissionais e especialistas do rei (Dn 1.20). Quando um oficial mi-
litar romano foi a Jesus e disse que aprendera a dar às pessoas diretri-
zes administrativas e torná-las responsáveis por executar uma tarefa,
Jesus respondeu que não tinha achado tamanha fé e entendimento
entre os que pertenciam à aliança (Lc 7.8,9).
Não devemos inventar desculpas para aceitar a incompetência
e a irresponsabilidade. Os cristãos precisam esforçar-se para abraçar
os padrões administrativos de excelência e de controle de qualidade.
Precisamos acompanhar nossas propostas e realizá-las. Deus vela por
suas palavras e as vigia para garantir que se cumpram (Jr 1.12).
Yeshua nos deu seu nome; ele nos delegou autoridade para sair
ao mundo à nossa volta e reproduzir quem ele é e o que ele faz.
344 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Utilizamos os princípios de delegação e transferimos autoridade a


fim de que a vida de Yeshua possa ser reproduzida nos outros. Pro-
duziremos nos outros não apenas o que dizemos, mas quem somos.
Tudo o que fizermos, deveremos fazer com todo o nosso coração e
com a mais alta qualidade, porque representamos o próprio Senhor.
31

DIACONATO:
O DOM DO SERVIÇO

O
dom da administração busca liberar as pessoas para cumprir
sua vocação divina. A delegação espiritual requer o discerni-
mento para perceber a unção divina específica de uma pessoa.
As pessoas são mais eficientes quando estão fazendo o que Deus as
chamou para fazer. Elas são mais motivadas quando estão liberando
a força dinâmica dos dons e da vocação que Deus lhes deu.
Uma congregação de aliança é aquela em que todos fazem sua
parte. Cada membro deve participar de algum aspecto da atividade
espiritual. Todos devem experimentar a vida de Deus e exercer os
dons concedidos por ele. Se todos precisam estar envolvidos, então
cada um deve descobrir quais são seus dons e chamamentos.

TODOS POSSUEM DONS

Deus deu a cada pessoa uma medida de fé e determinado dom. So-


mos todos parceiros colaboradores na congregação. A maneira como
cooperamos é permitindo que cada um libere seu dom. Romanos
12.3-8 (ARA) discute o relacionamento entre a cooperação congre-
gacional e a liberação dos dons motivacionais:

Digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do


que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé
que Deus repartiu a cada um. Porque assim como num só corpo
temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma
função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo
em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes
dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo

3 4 .s
1111ACIONAMENTOS DF ALIANÇA

a proporção da _fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o


que ensina esmere-se no _fazê-lo; ou o que exorta faça-o com
dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com
diligência; quem exerce misericórdia, CO??! alegria.

Essa passagem apresenta uma lista de sete dons. Deus deu a cada
pessoa um encargo espiritual principal para cumprir. No interior de
cada indivíduo, existem aspectos da personalidade de Deus que de-
sejam ser expressos.
Os sete dons motivacionais são:

1. profecia: ouvir de Deus em oração e anunciar as direções


com grande preocupação por justiça;
2. serviço (ministério): cooperar com detalhes práticos e ne-
cessidades físicas; fazer o que precisa ser feito;
3. ensino: apresentar a verdade das Escrituras de forma siste-
mática para a renovação do intelecto;
4. exortação: encorajar e motivar os outros para que deem o
melhor de si e cumpram seu potencial;
5. contribuição: ter fé e generosidade tanto para receber di-
nheiro quanto para doá-lo com a finalidade de abençoar in-
divíduos e ministérios;
6. administração (liderança): coordenar pessoas por delegação
a fim de que todos ajudem e estejam envolvidos;
7. misericórdia: perceber os sentimentos feridos de outros e
ministrar-lhes compaixão e consolo.

O DOM DO SERVIÇO

O dom do serviço é especialmente importante a fim de que cada


membro do corpo faça sua parte (Ef 4.16). Por exemplo, num culto
de adoração, enquanto apenas uma pessoa ministra a Palavra, há de-
zenas envolvidas em trabalhos práticos de serviço. O dom do serviço
Diaconai o: 1)oin do Serviço
() ,'

é o dom fundamental para a vida em comunidade. Cada membro


deve assumir uma área de responsabilidade.

O DIACONATO

O crescimento de urna congregação é acompanhado por muitas


tarefas e serviços práticos. A congregação deve possuir um sistema
eficiente para que essas tarefas sejam realizadas. Atos 6.2-4 contém
diretrizes apostólicas para estabelecer uma equipe de diaconato:

Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos


às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa
reputação, cheios do Espírito Santo c de sabedoria, aos quais en-
carreguemos deste serviço. Mas nós perseveraremos na oração e no
ministério da palavra.

 diaconato possui três objetivos principais:

1. garantir que as atividades práticas da congregação sejam


realizadas;

2. envolver todos os membros da congregação nas obras de


serviço;
3. liberar a liderança pastoral para oração e ministério da Pa-
lavra.

 diaconato possibilitou a realização mais tranquila do trabalho


da congregação, permitindo assim que os apóstolos fossem mais efe-
tivos. O resultado da atuação desse diaconato foi gerar mais evange-
lismo na cidade. Atos 6.7 declara:

E divulgava-se a palavra de Deus, de sorte que se multiplicava


muito o número dos discípulos em Jerusalém e muitos sacerdotes
obedeciam à R.

 resultado de um diaconato sábio e prestativo é avivamento


na comunidade. Os diáconos fazem com que todos se envolvam
:148 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

no serviço prático. As pessoas são edificadas por sua participação


nas atividades da congregação. Os diáconos permitem que os líderes
pastorais preparem melhor a pregação da Palavra, que também
edifica a congregação. Os diáconos liberam os presbíteros para en-
volver-se mais no evan.gelismo, produzindo assim o crescimento da
comunidade. Os diáconos são o elo entre as necessidades práticas da
congregação e a visão espiritual dos presbíteros.
Os diáconos não devem ser vistos apenas como homens de ex-
periência prática, mas também corno pessoas de espiritualidade forte.
Os diáconos de Atos 6 eram cheios do Espírito Santo, de fé e sabe-
doria. Tanto no caso de Estêvão quanto n.o de Filipe, há relatos nas
Escrituras de testemunhos sobre suas pregações e seus milagres. Os
diáconos devem ser tanto práticos quanto espirituais. Se possuírem
somente inclinações espirituais, não terão sabedoria para lidar com
os assuntos cotidianos. Se possuírem somente inclinações práticas, os
trabalhos da congregação assumirão um estilo mundano.
O diaconato pode ser um campo de treinamento para futuros
presbíteros. Nem todos os diáconos se tornarão presbíteros. Os pres-
bíteros precisam ter passado no teste da sabedoria prática e do serviço
de diaconato da congregação. Sem isso, sua visão para a congregação
talvez careça de realidade e plausibilidade. A sabedoria espiritual. in-
clui também senso comum. Os diáconos são descritos como pessoas
de sabedoria prática e de unção espiritual. Eles também possuem
caráter aprovado e reputação irrepreensível.

ORDENANDO DIÁCONOS

Os diáconos foram escolhidos para atender necessidades específicas do


povo. A congregação estava crescendo, mas a falta de uma organização
diaconal causou negligência na administração prática. isso provocou
ressentimentos e murmurações entre as pessoas. Atos 6.1 declara:

Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve unia


murmuração dos liclenistas contra os hebreus, porque as viúvas da-
queles estavam sendo esquecidas na distribuição diária.
D iaconato: D om do Scrv iço
() :14V

Os presbíteros tinham a obrigação de tomar a iniciativa e propor


um plano. Eles oraram e apresentaram uma visão à comunidade. Eles
responderam às reclamações do povo, mas mantiveram sua liderança
no processo. Urna equipe de diáconos deve ser estabelecida sob a
supervisão dos presbíteros. Atos 6.2 diz: "E os doze, convocando a mul-
tidão dos discípulos, disseram". A visão e a direção determinadas pelos
presbíteros foram transmitidas numa assembleia congregacional.
A primeira prioridade da equipe diaconal não era resolver a si-
tuação prática, mas facilitar o cumprimento da visão do presbitério.
Questões práticas não podem guiar a congregação. O trabalho diaco-
nal deve adequar-se às definições estabelecidas pelos presbíteros. Os
apóstolos haviam demonstrado suas prioridades:

Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus. (At 6.2)

Toda ação da comunidade deve ser realizada com a prioridade


de buscar o reino de Deus em primeiro lugar. Os detalhes práticos
devem ser atendidos de acordo com o propósito da visão.
Os apóstolos então ouviram as sugestões e o discernimento dos
membros. Eles queriam o envolvimento do povo no processo. O
parecer das pessoas confirmaria aqueles que haviam adquirido uma
boa reputação entre eles. Os membros revelaram aos apóstolos quais
homens o grupo reconhecia ter um caráter moral aprovado. A con-
tribuição do povo não era tanto para escolher os diáconos, mas para
verificar quem havia conquistado e merecido confiança entre eles.
Atos 6.3 afirma:

Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação.

Os presbíteros devem dar urna resposta às sugestões dos mem-


bros. Após ouvir a opinião do povo, os apóstolos usaram sua autori-
dade para fazer as nomeações. Atos 6.3 descreve a escolha dos diáco-
nos feita pelos presbíteros: "aos quais encarreguemos deste serviço". Os
membros então escolheram dentre eles mesmos e indicaram para o
diaconato sete homens que eram dignos de confiança. Atos 6.5 afir-
ma: "elegeram a Estevão [..J Filipe [..]
350 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Esses diáconos escolhidos foram então colocados perante os


presbíteros para sua aprovação: "e os apresentaram perante os apóstolos"
(At 6.6). O grupo, em seguida, iniciou um período de oração coletiva
bem no meio do processo de nomeação. Atos 6.6 declara: "Estes, tendo
orado". É importante orar para obter discernimento a fim de que as
pessoas adequadas sejam escolhidas. Decisões políticas devem ser
evitadas. O envolvimento em oração é obrigatório. Se alguém não
deseja orar para buscar a vontade de Deus, sua opinião não deve ter
muita influência na determinação da escolha certa.
A ordenação é concluída quando os presbíteros impõem as mãos
sobre os diáconos. A imposição de mãos mostra que as futuras de-
cisões dos diáconos serão tomadas sob a autoridade dos presbíteros.
A ordem correta é estabelecida na congregação, fazendo com que
haja harmonia. O povo fica satisfeito com essa nova organização e
delegação de autoridade.

O parecer agradou a todos. (At 6.5)

Os membros ficam satisfeitos; a comunidade é edificada pelo


ensino da Palavra, e o evangelismo se propaga pela vizinhança. Outro
benefício da ordenação de diáconos é a liberação de futuros dons mi-
nisteriais. Estêvão, Filipe e outros dentre os sete vieram a tornar-se
pastores, profetas e evangelistas.

NOMEAÇÃO E CONFIRMAÇÃO

Vemos em Atos 6 um padrão que pode ser aplicado à designação de


líderes em outras áreas do ministério.

1. Membros individuais recebem dos diáconos responsabilida-


de para o serviço.
2. Os diáconos são designados pelos presbíteros em resposta às
necessidades das pessoas.
3. Busca-se a confirmação dos membros no processo de no-
meação.
Iliaconalo: O llom do %(.1%14,11 1%1

4. Os presbíteros são ordenados pelo pastor sob a supervisou


do ministério apostólico (Tt 1.5).
5. Os apóstolos são estabelecidos no ministério pelo mandato
profético direto do Espirito Santo com a confirmação, ora-
ção e ordenação dos pastores e profetas (At 13.1-3).

Cada etapa da ordenação envolve a busca da vontade de Deus


em oração, a autoridade de nomeação pelo supervisor imediato e a
contribuição dos membros como um todo para que haja confirmação.

APRECIANDO OS DONS DOS OUTROS

Pessoas diferentes possuem dons e habilidades diferentes. Precisa-


mos submeter-nos ao potencial de outras pessoas. Devemos apreciar
o fato de outros indivíduos terem dons complementares nas áreas
em que não temos. Alguém com o dom de administração não teria
quem coordenar se não houvesse uma grande quantidade de pessoas
exercendo o dom do serviço. Quem tem dom de misericórdia não
deve ficar ofendido com a rispidez das palavras diretivas que podem
vir pelo dom de profecia. Uma pessoa com inclinações proféticas
não deve desprezar o ministério de misericórdia que proporciona o
ambiente de amor no meio de uma comunidade. Quem contribui
financeiramente não deve achar-se mais importante do que outros
que contribuem menos do que ele.
Os membros da comunidade devem considerar quem tem cha-
mado para finanças e negócios tão espiritual quanto aquele cujo mi-
nistério principal é o ensino. A contribuição de dinheiro é um cha-
mado espiritual para alguns assim como o ensino é para outros.
Alguns sermões serão ministrados por aqueles cuja unção é enco-
rajar e motivar as pessoas em relação aos fundamentos da fé. Outros
sermões serão dados por aqueles cuja unção é estabelecer a verdade
sistemática para eliminar a confusão sobre a doutrina. Ambos são
igualmente necessários. A medida que valorizamos uns aos outros,
a grande liberdade que criamos permite que toda uma variedade de
dons espirituais seja liberada.
352 RELAcIoNANIENTos DEALIANÇA

OFICIAIS TRIBAIS

O ministério do diácono inclui tanto a supervisão administrativa


quanto o serviço prático. A palavra para o dom de serviço em
Romanos 12.7 possui a mesma raiz no grego que a palavra diáco-
no. O diaconato é essencialmente o ato de serviço. Por outro lado,
o equivalente em hebraico para a posição de diácono é shoter, ou
"oficial". Números 11.16 refere-se a anciãos e oficiais. Deuteronômio
16.18 refere-se a juízes e oficiais. Os níveis de autoridade espiritual
no Novo Testamento são derivados do modelo militar do antigo Is-
rael. A estrutura dentro da igreja pode ser vista corno uma aplicação
espiritual ou alegórica das formações tribais de batalha. A liderança
congregacional e apostólica pode ser vista corno urna série de coman-
dantes sobre diferentes tamanhos de grupos de pessoas.

"[inflei, pois, os cabeças de vossas tribos, honwns sábios e experi-


mentados, e os constituí por cabeças sobre vós, chefes de mil, chefes
de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez, por oficiais, segundo as
vossas tribos. (1)t 1.15)

O líder de um grupo caseiro é o líder de um grupo de famílias.


O presbítero é o líder de um grupo de grupos caseiros. O apóstolo
é o líder de um grupo de pastores. O corpo de crentes não é urna
milícia, nem a igreja é urna instituição. Por outro lado, todo cristão
deve estar pronto para mobilização e obediência à autoridade como
se fosse um soldado numa milícia espiritual. O trecho de 2 Timóteo
2.3-4 declara:

Sofre comigo como bom soldado de Cristo _Jesus. Nenhum soldado


em serviço se embaraça com !modos desta vida, a fim de (Nradar
àquele que o alistou para a ,çuerra.

Um exército tem soldados, sargentos, tenentes e capitães. Nós


nao desprezamos a autoridade, mas nos regozijamos com a ordem
que ela proporciona. Possuímos a dedicação espiritual de um soldado
(1,, exército do Senhor. Não é urna coincidência que as legiões de
de I )cus sejam retratadas como um exército — o exército dos céus.
Diaconato: () Dom do Serviço 3!) 3

O diácono é um oficial (comandante) de nível médio da nossa


equipe espiritual. A formação tribal do antigo Israel combinava os
diferentes aspectos da vida. A esfera militar, o sacerdócio, a família e
o processo judicial estavam todos entrelaçados. Não havia separação
entre a Igreja e o Estado. Não havia divisão entre o que era espiritual
e o que era secular. Tudo na vida era dedicado a Deus, e a autoridade
divina estava envolvida em cada área da vida.

P ROC E SS O JUD IC IAL

Um dos aspectos do sistema tribal era o processo judicial aplicado


a casos religiosos, civis e criminais. Deuteronômio 16.18,19 (ARA)
estabelece a autoridade de juízes para executar justiça:

juízes e oficiais constituirás em todas as tuas cidades que o SE-


NHOR, teu Deus, te der entre as tuas tribos, para que _julguem
o povo com reto juízo. Não torcerás a justiça, não farás acepção de
pessoas.

Deuteronômio 17.8,9 continua o mandato para o processo ju-


dicial:

Se alguma causa te for difícil demais em juízo, entre sangue e san-


gue, entre demanda e demanda, entre ferida e _fe- rida, tornando-se
motivo de controvérsia nas tuas portas, então te levantarás e subirás
ao lugar que o Senhor teu Deus escolher; virás aos levitas sacerdotes,
e ao juiz que houver messes dias, e inquirirás; e eles te anunciarão
a sentença de juízo.

Uma passagem semelhante que estabelece a autoridade judicial


pode ser encontrada em Deuteronômio 1.16. Deuteronômio 20.1
descreve a investigação feita pelos anciãos de um assassinato não re-
solvido. O capítulo 19 de 2 Crônicas descreve as reformas judiciais e
o avivamento do rei Jeosafá. Esdras 7 registra o estabelecimento do
governo justo em Israel sob o comando de Esdras. Jesus se refere à
autoridade religiosa judicial em Mateus 23.3 quando ordena que o
povo obedeça à autoridade dos fariseus.
354 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Há uma enorme diferença entre o processo judicial de aliança


e a condenação legalista. Num mundo pecaminoso, o processo
judicial de aliança traz a justiça de Deus. A condenação legalista é
uma perversão da autoridade espiritual. O legalismo transforma o
avivamento em religião decadente. Quando há atividade criminal no
mundo, é um ato divino estabelecer um sistema justo de processo
judicial. Testemunhas, investigações e equilíbrio ajudam a assegurar a
justiça. Até mesmo na igreja, enquanto as pessoas ainda estão sujeitas
à tentação, um entendimento do processo judicial pode proteger-nos
de divisões.
Deus é um juiz justo. O julgamento divino com sabedoria e dis-
cernimento não é sinônimo de condenação e espírito crítico hipó-
crita. Os cristãos devem ter amor e apreciação pela justiça e pelo
julgamento correto. Como o julgamento justo tem sido confundido
com espírito crítico, muitas congregações têm erroneamente evita-
do qualquer conceito de processo judicial em seu meio. Sem julga-
mento justo, não há processo algum para reconciliar diferenças nem
remover elementos de divisão. Sem o processo judicial de aliança,
uma congregação não tem como se proteger de grandes cisões e di-
visões. A justiça de aliança fornece um recurso divino contra rebelião
e transgressão. O julgamento justo é o exercício da sabedoria e do
discernimento espirituais.
32

RESPONSABILIDADE FINANCEIRA

U
ma das maiores causas de ofensa entre as pessoas é a discor-
dância em relação ao dinheiro. Assim como o amor ao dinheiro
é a raiz de todos os males, a tentação de ficar chateado com
o uso do dinheiro também é uma fonte comum de ofensa. As pessoas
são muito sensíveis à concepção de como as finanças devem ser dis-
tribuídas numa congregação. Elas ficam facilmente ofendidas com o
salário de um pastor ou um líder.

A SÍNDROME DE TRAIÇÃO POR GANÂNCIA

Pouco antes de Jesus ser crucificado, veio uma mulher e derramou


um frasco de perfume valioso sobre ele. Os discípulos de Jesus con-
sideraram esse ato extravagante e ficaram ofendidos. Mateus 26.8
declara:

Quando os discípulos viram isso, indioaram-se, e disseram: Rira


que este desperdício?

Embora o dinheiro tivesse sido usado para honrar Jesus, seus


próprios discípulos ficaram ofendidos com ele. Quem mais se ofen-
deu foi Judas Iscariotes.

Mas Judas Iscariotes„ um dos seus discípulos, aquele que o havia


de trair disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos
denários e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não porque
tivesse cuidado dos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa,
subtraía o que nela se lançava. ao 1 2.4-6)

355
356 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

A ganância e o desejo de dinheiro fazem com que seja mais fácil


alguém se sentir ofendido com o dinheiro gasto para o ministério.
Todos nós somos atacados pela tentação de irritar-nos e ofen-
der-nos com a forma como o dinheiro é usado. Uma área de ofensa
é o salário que um pastor de tempo integral recebe. Se dermos al-
guma brecha ao diabo, ele provavelmente nos lançará sementes de
ressentimento em relação a qualquer pessoa que receba dinheiro do
orçamento da congregação.
Na conclusão do episódio sobre a unção com o óleo valioso, Ma-
teus 26.14-16 registra:

Então um dos doze, chamado judas Iscariotes, foi ter com os prin-
cipais sacerdotes, e lhes disse: Que me quereis dar e eu vo-lo entre-
garei? Eles lhe pesaram trinta moedas de prata. .Desde então Judas
buscava oportunidade para o entregar.

Foi urna reação de ofensa com o uso de dinheiro que levou Judas
à decisão de trair Jesus. É profundamente significativo para nós que
a causa do pior caso de traição de aliança da História tenha sido uma
discordância a respeito de como gastar os recursos financeiros do mi-
nistério. Corno os outros discípulos não sofriam da mesma ganância
que Judas, puderam resistir à tentação e aos pensamentos malignos
em relação ao dinheiro.
Fica evidente que a ganância foi o motivo da traição de Judas,
porque pediu aos sumos sacerdotes que lhe dessem prata pelo ato
de traição. A síndrome de traição por ganância acontece da seguinte
forma: primeiro, existe a ganância no coração de urna pessoa. Essa
ganância abre espaço para que o diabo a tente. A tentação é alimen-
tada por pensamentos de inveja em relação ao dinheiro gasto com o
ministério. Os sentimentos ruins se transformam em indignação. A
parte ofendida acredita ter motivos bem justificados para sentir-se
assim. O traidor então busca oportunidades para ganhar dinheiro
para si mesmo. Finalmente, visto que possui em sua mente justifi-
cativas morais para seus atos, ele trai o ministro original. Ganância
produz ofensa; ofensa produz traição.
Responsabilitkult. Finam vi ►►

MANUTENÇÃO DE REGISTROS

Já que o dinheiro é urna fonte de tropeço para outros, os ministros


devem fazer o máximo para que suas finanças sejam controladas
segundo um sistema externo de prestação de contas. Pedro, como
membro da equipe do ministério de Jesus, certa vez foi questionado
se Jesus cooperaria pagando os impostos.

Ao entrar Pedro em casa,Jcsus se llw antecipou, peiguntando: Que


te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra imposto ou tri-
buto? dos seus filhos, ou dos alheios? Quando ele respondeu: Dos
alheios, disse-lhe Jesus: Logo, são isentos Os filhos. Mas, para que
não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro
peixe que subir e, abrindo-lhe a boca, encontrarás uni estiiter; toma-
o, e dá-lho por mim e por ti. (Mt 17.25-27)

As finanças do ministério de Jesus eram administradas de acor-


do com a burocracia de tributação secular. Jesus disse a Pedro que,
embora eles não fizessem parte do sistema monetário do mundo,
ainda assim deveriam agir de acordo com ele para não causar ofensa
aos crentes ou aos incrédulos. Espiritualmente, estavam isentos de
tributação e prestação de contas financeira; porém, eles se submetiam
para evitar qualquer impedimento à pregação do Evangelho.
Jesus acreditava que Deus supriria suas necessidades quaisquer
que fossem as exigências financeiras. Ele não queria que qualquer as-
sunto relacionado à prestação de contas financeira impedisse as pes-
soas de receber a mensagem. O aspecto das finanças do ministério
era importante para Jesus.
O ideal é que os ministros sejam dispensados de qualquer in-
cumbência financeira. Nossa prioridade é o avanço do Evangelho.
Buscar honestamente a "justiça" do reino de Deus em primeiro lugar
requer o nível mais alto de garantias de integridade e responsabilida-
de financeira a fim de reduzir as pedras de tropeço.
Ninguém está livre das tentações de ganância. Mesmo que um
pastor comece com urna atitude de coração correta, ele pode aca-
bar caindo em tentação caso não precise prestar contas das finanças.
Quanto mais prestação de contas financeira, menor será a chance de
358 ItELAcioNAmENTos DE ALIANÇA

um pastor ou evangelista ser levado a gastar dinheiro com suas pró-


prias cobiças. Qualquer um pode cometer um erro. Nenhum líder de
ministério pode ficar isento da prestação de contas financeira.
Nos dias de hoje, é uma questão de integridade de aliança abrir
as finanças para serem examinadas. Devemos desejar prestar contas
para demonstrar nossa convicção moral de que os ministérios devem
funcionar com retidão. Não estamos submetendo nossas congrega-
ções a autoridades seculares; estamos exibindo os padrões íntegros
que mantemos com disciplina por nossa própria conta. Outros minis-
térios podem agir com desonestidade. Faz parte de nosso testemunho
que nossas práticas de negócios sejam realizadas com honestidade e
integridade. Estamos fazendo uma declaração moral da nossa crença
em pesos e medidas honestos ao exigir responsabilidade financeira.

HONESTIDADE E PROSPERIDADE

Se nossa conduta financeira for correta, Deus certamente nos aben-


çoará com tudo de bom. Salmo 84.11 declara: "não negará bem algum
aos que andam na retidão". Há quatro princípios gerais de prosperi-
dade financeira:

1. traba lho diligente ;


2. confissão positiva (a partir de um coração agradecido);
3. contribuição generosa;
4. prestação de contas honesta.

Se faltar alguma dessas áreas, haverá uma lacuna no nosso cum-


primento do plano bíblico. Se esses quatro pés não estiverem no lugar
certo, a mesa de prosperidade preparada para nós pelo Senhor ficará
desequilibrada. Pelo trabalho diligente, produzimos e colhemos os
resultados do nosso esforço. Pela confissão de fé positiva, usamos a
bênção sobrenatural de Deus para fazer com que as nossas sementes
multipliquem cem vezes mais. Pela contribuição generosa, colocamos
em ação o mecanismo de medir para dar a outros; o que dermos será
Responsabilidade I inanteir,i '1.1Y

medido de volta para nós num fluxo cíclico de generosidade. Pela


prestação de contas honesta, usamos a lei da justiça para nos proteger
das tentações da ganância.

Não terás na tua bolsa pesos diferentes, um grande e um pequeno.


Não terás na lua casa (luas c:/as, uma grande e urna pequena. lerás
peso inteiro e justo; terás efa inteira e justa; para que se prolonguem
os teus dias na terra que o Senhor teu Urus te dá. Porque é abo-
minável ao Senhor teu Deus todo aquele que.faz tais coisas, todo
aquele que pratica a injustiça. (Dt 25.13-16)

O princípio bíblico dos negócios é que devem ser conduzidos


com honestidade e integridade. Numa empresa segundo os padrões de
Deus, não há diferença para um crente ou um incrédulo. As práticas
cristãs de negócios são simplesmente práticas honestas de negócios.
Em matéria de finanças, o cristão deve agir com mais hones-
tidade do que o não cristão. Se ele for convertido, seu coração será
transformado, e ele desejará agir com honestidade em relação aos
negócios. O simples fato de um homem ter nascido de novo não
sobrepõe honestidade a um negócio desonesto. Algumas vezes, o não
cristão é mais justo em suas práticas comerciais do que o cristão. Isso
não deveria acontecer, mas o cristão às vezes inventa desculpas para
justificar seu desempenho negligente.

SANTIDADE

Onde houver fortes convicções morais sobre honestidade nos relató-


rios financeiros, haverá maior santidade na comunidade de adorado-
res. Em Atos 5, um homem chamado Ananias e sua esposa, Safira,
agiram com desonestidade em relação ao valor de uma contribuição
considerável que estavam fazendo para a congregação. Eles evitaram
a transparência financeira e tentaram fazer com que os registros in-
dicassem que tinham dado uma porcentagem maior do que a que de
fato deram. A santidade daquela comunidade era tão forte que um
espírito de juízo veio sobre eles, c Ananias e Safira morreram instan-
taneamente. O resultado desse juízo tão poderoso foi que o temor de
360 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Deus recaiu sobre a congregação. Sinais e prodígios miraculosos se


multiplicaram no meio deles. Atos 5.11,12 declara:

Sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram


estas coisas. E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo
pelas mãos dos apóstolos.

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS TRANSPARENTES

A falta de integridade financeira é reprovável aos olhos de Deus. Seja


no ministério, seja nos negócios, pesos e medidas injustas são uma
abominação para Deus. Devemos manter uma prestação de contas
total das nossas finanças por acreditar ser moralmente correto diante
do Senhor conduzi-las com honestidade. Usamos a demonstração
financeira para dar testemunho de que somos honestos.
O primeiro princípio da prestação de contas é emitir demons-
trações financeiras claras. Manter registros exatos evita confusão. O
Senhor deseja ordem em nossos negócios, não bagunça. E necessário
haver uma demonstração financeira mensal exata. Ela deve conter
categorias claramente identificadas e de fácil entendimento. Todos
os gastos devem vir à luz. E uma verdade do reino de Deus que nada
seja feito nas trevas ou às escondidas. Não há motivo algum para que
qualquer despesa não conste nos relatórios.
Quando o sacerdote e escriba Esdras retornou com o remanes-
cente para reconstruir a terra de Israel, foi-lhe confiada urna grande
soma de dinheiro para ser levada da Babilônia. O dinheiro deveria
ser depositado no tesouro corno doação ao ministério. Quando che-
gou a Jerusalém, Esdras fez questão de que cada item fosse clara
e perfeitamente registrado corno tendo sido entregue. Esdras 8.25
declara que Esdras procurou os sacerdotes:

E pesei-lhes a prata, o ouro e os vasos, a oferta para a casa do nosso


Deus, que o rei, os seus conselheiros, os seus príncipes e todo o Israel
que estava ali haviam oferecido.
Responsabilidade Financeira 361

Esdras estava tão preocupado com a integridade da transação


que fez a transferência pessoalmente:

Entreguei-lhes 11(15 111a0S SeiSCelitOS e cinquenta talentos dc prata, e


cm vasos dc prata cem talentos; e cem talentos de ouro... (Ed 8.26)

Depois de transferir os fundos, Esdras alertou os trabalhadores


para prestar atenção aos seus registros e manter declarações exatas
dos seus gastos. O trecho de Esdras 8.29 afirma:

Vigiai, pois, e uardai-os ias doações] até que os peseis na presen-


ça dos principais dos sacerdotes... nas cântaras da casa do Senhor.

Esdras pediu um recibo formal das doações transferidas. Ele so-


licitou urna lista detalhada dos artigos doados e o total oficial da
contabilidade. Esdras 8.30 afirma:

Então os sacerdotes e os levitas receberam O peso da prata, e do


ouro, e dos vasos, afim dc os trazerem para Jerusalém, para a casa
do nosso Deus.

Pessoas diferentes têm tipos de unção diferentes. Algumas pos-


suem urna sabedoria especial para os negócios mesmo que não sejam
chamadas para pregar ou para o presbitério. Embora os ministros de-
vam ser maduros nas questões empresariais, acontece, às vezes, que,
preocupados com a oração e a pregação, percam certa perspicácia
na gestão financeira. Os líderes espirituais devem estar abertos para
receber conselho de pessoas experientes nos negócios.

ORÇAMENTO

Além de manter registros exatos de despesas passadas, devem ser


elaboradas declarações transparentes de intenções financeiras para o
próximo período fiscal. As projeções orçamentárias devem ser esta-
belecidas e confirmadas. As porcentagens de gastos devem coincidir
com a visão e o propósito do ministério. As projeções orçamentárias
362 ItELA('IONANILN1 .0ti In. ALIANÇA

são uma forma de declarar em termos práticos qual é a visão da con-


gregação. Essas declarações orçamentárias devem estar disponíveis
para os membros principais ou para a equipe de liderança de uma
forma que possam ser facilmente lidas e compreendidas.
O dinheiro para despesas imprevistas deve ser orçado e disponi-
bilizado para o uso dos líderes à medida que surgirem necessidades
e gastos. Quando essas despesas excedem o limite aprovado, devem
ser confirmadas por mais de uma pessoa. O líder deve ter liberdade
para gastar esse dinheiro a seu próprio critério, mas apenas dentro
dos limites e das categorias aprovadas no orçamento.
Seria sábio estabelecer um comitê consultivo formado por diá-
conos ou deLxar que o presbitério fique responsável por todas as deci-
sões financeiras. Se um comitê financeiro for constituído pelos pres-
bíteros, ele deverá ter três propósitos:

1. aconselhar o pastor e os presbíteros sobre questões de sabe-


doria empresarial e práticas financeiras reconhecidas;
2. executar de forma prática as prioridades financeiras estabe-
lecidas pelo pastor e pelos presbíteros conforme a visão deles
para a congregação;
3. certificar-se de que os registros estão sendo mantidos cor-
retamente e que os gastos não ultrapassam os limites orça-
mentários estabelecidos pelos presbíteros.

O comitê financeiro é designado para ajudar a implementar, com


perspicácia nos negócios, a visão estabelecida pelos presbíteros e ga-
rantir a responsabilidade moral. Sua função não é redirecionar ou
mudar as prioridades dos gastos definidas pelo presbitério.
Qualquer ação do comitê financeiro deve estar sujeita à aprova-
ção dos presbíteros. O propósito de um comitê financeiro, corno de
qualquer outra função diaconal, é liberar os presbíteros para atuar
mais no ministério de ensino, oração e evangelismo. Os membros do
comitê financeiro devem evitar manobras e manipulações políticas
dos fundos.
Responsabilidade Financeira 363

SABEDORIA SECULAR

Membros prósperos e generosos da congregação podem ser uma


grande bênção ao ajudá-la com suas contribuições financeiras e com
seus conselhos sobre como gerir os fundos com mais tino comercial.
Por outro lado, membros prósperos e generosos também podem tor-
nar-se uma ameaça à congregação quando não entendem as dinâmi-
cas da autoridade espiritual. As congregações não podem ser gover-
nadas por doações. A habilidade para fazer grandes doações não é
sinônimo de exercer autoridade espiritual. Quando alguém faz uma
doação expressiva, não deve pensar que, em função do valor de sua
contribuição, sua opinião deva ter mais peso sobre como gastá-lo ou
dirigir o ministério. Contanto que as porcentagens e projeções orça-
mentárias sejam claramente conhecidas, qualquer pessoa que oferta
pode saber como o dinheiro é gasto.
Os presbíteros de uma congregação devem ouvir a sabedoria di-
vina que homens de experiência empresarial adquiriram no mundo.
Por outro lado, esses homens experientes no mundo dos negócios de-
vem reconhecer que parte do que sabem veio de um ambiente com-
petitivo e com fins lucrativos, não necessariamente apropriado para
as operações congregacionais. Lucas 16.8 afirma:

E louvou aquele senhor ao injusto mordomo por haver procedido


com sagacidade; porque Os filhos deste mundo são mais sagazes
para com a sua geração do que os filhos da luz.

Muito da sabedoria divina pode ser aprendido no mundo dos


negócios. Os lideres de ministérios não devem ser ingênuos em re-
lação a suas práticas de negócios. A garra e a sagacidade de indi-
víduos que lutaram para vencer no mundo empresarial podem ser
justamente aquilo de que um ministério precisa para alcançar seus
objetivos para o reino de Deus. Jesus está dizendo, em Lucas 16.8,
que os ministros não devem recusar-se a aprender as táticas sagazes
dos empreendimentos contemporâneos. Se os empresários estiverem
dispostos a submeter-se à autoridade espiritual do pastor, e se os pas-
tores estiverem dispostos a aprender com a sabedoria e a experiência
I(..1 Ili 1 X( ION1NIEVI OS DE A1.1.1N(;.1

de seus amigos empresários, haverá um equilíbrio saudável que bene-


ficiará o reino de Deus. Reuniões para apresentar a situação financei-
ra e receber sugestões devem ser agenciadas regularmente.
Se o pastor tiver cometido ações ilegais ou antiéticas, as questões
podem ser levadas ao conselho de presbíteros. Se as infrações não
forem corrigidas, pode-se apelar a um conselho de pastores ou a uma
equipe apostólica.

VISÃO DE PRIORIDADES ORÇAMENTÁRIAS

Cada congregação deve determinar porcentagens de doação con-


gregacional. Os princípios bíblicos podem ser aplicados a situações
atuais para atingir uma distribuição adequada dos recursos. Por
exemplo, no Israel antigo o povo dizimava aos levitas. Os levitas, por
sua vez, davam o dízimo dos dízimos ao sumo sacerdote. Uma apli-
cação do dízimo dos dízimos seria a congregação doar dez por cento
de seu orçamento ao seu ministério apostólico extra local.
Esse ministério apostólico pode ser um conselho de pastores que
cooperem entre si, um ministério liderado por um apóstolo ou urna
equipe apostólica que tenha envolvimento com a congregação local.
Da mesma forma que a congregação usa seu dinheiro para pasto-
reamento c evangelismo local, o dízimo dos dízimos pode ser usado
para promover o movimento mais amplo do qual a congregação faz
parte. O movimento apostólico pode lidar com questões nacionais
e internacionais relacionadas à igreja e à sociedade. O dízimo apos-
tólico ajuda cada congregação a estar comprometida com uma visão
mundial e ao mesmo tempo com sua comunidade local.
A congregação pode também separar dinheiro do orçamento
para um fundo de investimento. No Israel antigo, o dinheiro levado
aos levitas não era usado somente para suas despesas, mas também
para ser depositado em uma tesouraria central para o templo. O fun-
do de investimento da congregação poderia ser destinado à compra
de um terreno, a um fundo de construção ou a urna conta poupança.
Se unia congregação desenvolve o hábito de poupar dinheiro, não
passará por pressões financeiras quando despesas maiores tiverem
Responsabilidade Financeira 3 ,1)

de ser feitas. Devemos reservar regularmente pequenas quantias de


dinheiro para fazer uma poupança que possa ser usada no futuro. O
trecho de 1 Coríntios 16.2 afirma:

No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o (pie


puder, cotOrme tiver prosperado, guardando-o, para que se nãoja- -
çam coletas quando eu chegar

Nesse caso, as economias planejadas eram para urna doação ao


ministério apostólico.

EMPRÉSTIMOS SEM JUROS PARA REABILITAÇÃO

Outra possível área do orçamento é o estabelecimento de um fundo


para emprestar dinheiro sem juros a membros da congregação que
estejam passando necessidade. Levítico 25.35-37 declara:

Timbém, se teu irmão empobrecer ao teu lado, e llw enfraquecerem


OS mãos, sustentá-lo-ás; (-0,110 estrangeiro e peregrino viverá contigo.
Não tomarás dele juros nem ganho, illaS ielileráS o teu Deus, para
que teu irmão viva contigo. Não lhe darás teu dinheiro a juros, nem
Os teus viveres por lucro.

É um ato de bondade não cobrar juros de um irmão de aliança.


As vezes, é prudente dar o dinheiro como empréstimo em vez de
doação. Dessa forma, podemos ajudar nossos irmãos que estão
passando necessidade sem encorajar um ciclo de dependência de as-
sistência social. O dinheiro pode ser disponibilizado por meio de
empréstimos sem juros com o apoio financeiro da congregação e ad-
ministrado pelos diáconos.
Quando o dinheiro é oferecido sem cobrar juros, a pessoa neces-
sitada não sofre com um peso opressor. Por ser emprestado, isso lhe
dá a oportunidade de devolver o valor e ficar livre da dependência de
outros. O fato de ser um empréstimo transmite a ideia de que a pes-
soa deve voltar a andar com as próprias pernas num ciclo de ganho
produtivo. Dar o dinheiro corno empréstimo também evita o ciúme
de outras pessoas da congregação.
366 R E L A c i o N A M E N T O S DE LL

Empréstimos livres de juros para pessoas capazes de ganhar di-


nheiro não invalida ofertas voluntárias de caridade àqueles que não
têm condições de devolver o dinheiro. A congregação deve sentir-
se livre para fazer doações conforme a direção de Deus. Há muitas
oportunidades de ajudar os pobres e necessitados, as viúvas e os ór-
fãos. Deve haver discernimento para identificar o verdadeiro nível de
necessidade envolvida. Por exemplo, 1 Timóteo 5.3, 9 diz:

Honra as viúvas que são verdadeiramente viúvas 1_1 Não seja


inscrita C01110 viúva nenhuma que tenha menos de sessenta anos.

A família possui a responsabilidade principal de cuidar das viú-


vas e dos órfãos. Se alguém foi de fato abandonado, é incapaz de cui-
dar de si mesmo e está sinceramente comprometido com o Senhor,
pode receber o cuidado direto da comunidade. Geralmente, porém,
a igreja deve submeter a questão à família do necessitado. Declara 1
Timóteo 5.4-5:

Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam eles primeiro


a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar
seus pwenitores; porque isto e agradável a Deus. Ora, a que e
verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus.

A congregação deve estar preparada para enfrentar a ampla


questão de benevolência ao pobre com generosidade e prudência.
Devem existir diretrizes para determinar se uma pessoa tem direito
a receber ajuda. Ela deve apresentar total transparência financeira
antes que o dinheiro seja emprestado ou doado. As vezes, não é apro-
priado emprestar ou dar dinheiro a alguém. Se a pessoa se recusa a
trabalhar, ou a reconciliar-se com sua família natural, ou a abandonar
alguma área de pecado do qual não se arrependeu, o empréstimo ou
a doação de dinheiro pode ser espiritualmente prejudicial. Por outro
lado, o desejo geral do nosso coração é dar o dinheiro aos necessita-
dos simplesmente como um ato de misericórdia. Os termos para a
doação devem ser estabelecidos caso a caso dentro dos parâmetros de
integridade e sabedoria.
Responsabilidade Financeira 367

A EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS

Outra área importante do orçamento é a educação das crianças.


Como criar filhos é responsabilidade individual dos pais, eles devem
custear a educação das crianças por iniciativa privada. Por outro lado,
uma das funções dos levitas era ensinar princípios bíblicos à comu-
nidade em geral. Tendo em vista que os levitas e a comunidade da
fé têm uma parcela de responsabilidade de oferecer educação bíblica
às crianças, é justo que uma parte das despesas de urna escola cristã
(correspondente ao ensino bíblico ministrado por ela) seja paga por
dízimos c ofertas da comunidade.
Já que esses dois princípios contrastantes se aplicam à situação,
a medida apropriada seria dividir os custos de uma educação cristã
entre os dízimos da comunidade em geral e as ofertas adicionais de
cada um dos pais. Dessa forma, a comunidade como um todo assu-
miria sua responsabilidade de educar a próxima geração segundo os
princípios bíblicos, e os pais assumiriam sua responsabilidade indivi-
dual de garantir a educação dos próprios filhos.
O custo voltado à educação é bem alto. As necessidades da equi-
pe de professores, administração, instalações de sala de aula e des-
pesas operacionais são muito caras. Item por item, são mais caros
do que as necessidades equivalentes da congregação no que se re-
fere a adoração e pregação. Temos de preparar-nos para investir na
educação das nossas crianças e adolescentes. Urna escola de ensino
fundamental, de ensino médio ou um programa de reforço depois
do horário escolar que sejam baseados em princípios bíblicos são um
grande empreendimento.

EVANGELISMO LOCAL

Fundos para custear o evangelismo local também devem ser estabe-


lecidos no orçamento. O dinheiro dado aos evangelistas que atuam
em outros locais ou à equipe apostólica não substitui a necessidade
de saturar, de maneira sistemática, a comunidade local com mensa-
gens do Evangelho.
:1 ó ti 1 .1(10N.INIENTOS ;i1.IANÇA

Designar dinheiro no orçamento para o evangelismo local ex-


pressará a prioridade de evangelizar e testemunhar. O evangelismo
local deve ter mais prioridade do que as missões estrangeiras. Jesus
disse em Atos 1.8:

Ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, corro em toda a lu-


dela e Samária, e até os confins da terra.

A congregação deve começar com evangelismo local e continuar


expandindo seu programa até alcançar lugares mais remotos. As mis-
sões distantes são uma extensão do compromisso com o evangelismo
local. Evitar a responsabilidade de evangelizar os que estão ao nosso
redor não pode ser justificado enviando dinheiro a um desconhecido
num campo missionário estrangeiro.
Se a comunidade enfatizar o evangelismo local, alguns membros
se destacarão com um dom especial de evangelismo. Se a unção de
Deus estiver sobre eles, a congregação talvez sinta o desejo de inves-
tir na vida deles e sustentá-los num projeto missionário em lugares
distantes. As missões são o resultado do compromisso da comunida-
de local com um evangelismo efetivo. Se urna pessoa não se mostra
zelosa e eficaz com a evangelização de sua cidade, não tem sentido
enviá-la a um lugar distante.
Tem sido discutido se o dízimo de uma pessoa deve ser total-
mente destinado à sua congregação local ou distribuído entre vários
ministérios. A raiz do problema é que os missionários nunca deve-
riam desvincular-se das congregações locais. O ministério de Paulo
era um evangelismo apostólico, mas ele estava aliançado com as con-
gregações de Antioquia, Roma, Éfeso, Filipos e Corinto.
Se os missionários estivessem ligados a urna base congregacional,
e se as congregações locais assumissem o compromisso de sustentar
os esforços missionários, não haveria desacordo algum. Um indiví-
duo daria seu dízimo para a congregação local, e parte desse dinheiro
seria usado para sustentar os missionários aliançados com ela.
Muito dinheiro deve entrar rio orçamento para a contratação
de mais integrantes para a equipe pastoral e evangelística. Esses
Responsabilidade financeira :3e) y

indivíduos serão capazes de nutrir o rebanho atual e evangelizar,


atraindo, assim, novos membros. A medida que essas novas pes-
soas forem trazidas para a congregação, a base financeira da igreja
crescerá.
Se a congregação gastar muito na fase inicial com custos opera-
cionais, prédios e equipamentos, ela poderá sobrecarregar seu peque-
no rebanho c esgotar seus recursos. Se os membros ficarem esgotados
espiritualmente e financeiramente, os números na congregação tam-
bém diminuirão. O crescimento geral da comunidade será lento, e as
finanças ficarão prejudicadas. A ênfase deve ser o cuidado pastoral
e o evangelismo. As despesas operacionais devem ser acrescentadas
somente à medida que o crescimento da comunidade as justifique.

DESPESAS ADMINISTRATIVAS

Muitas vezes, uma boa secretária ou alguém responsável pelo setor ad-
ministrativo pode ser um investimento melhor do que outro ministro.
Um administrador ou uma secretária eficiente pode tornar a equipe
pastoral e os voluntários da congregação mais produtivos. Contratar
uma pessoa para cuidar da administração pode liberar o ministro para
atuar mais diretamente no pastoreamento e evangelismo.
O pastor precisa participar de várias conferências durante o ano.
O custo de transporte, refeições e hospedagem para essas conferên-
cias pode ser surpreendentemente alto. Os presbíteros devem com-
binar antecipadamente com o pastor quais conferências serão prio-
ridades e orçar a quantia necessária para enviá-lo a tais eventos. A
escolha das conferências deve ser feita com antecedência a fim de que
o valor orçamentário apropriado seja separado.
Há também certos projetos que um grupo de congregações locais
deve apoiar junto. Centros de apoio a grávidas, grupos de impacto
social, organizações cristãs de serviços legais, missões destinadas aos
pobres, dentre outros, são especialmente adequados para cooperação
entre várias congregações. Uma única congregação não tem condi-
ções de assumir sozinha uma questão importante de justiça social
que afete a comunidade mais ampla. Vale a pena separar dinheiro do
orçamento para apoiar questões e projetos como esses.
'()
RI I %i 10\ \MS i ► A LIA N ÇA

FÉ EM RELAÇÃO ÀS FINANÇAS

'rodos enfrentam desafios na área de provisão financeira. Precisamos


desenvolver urna fé forte e generosa para receber grandes somas de
dinheiro com o intuito de financiar o reino de Deus. A partir do
momento em que colocamos nossa casa em ordem, organizando ade-
quadamente a contabilidade financeira, podemos convocar os mem-
bros da congregação a tomar uma posição séria sobre sua contribui-
ção. Para a maioria dos ministérios, o ponto principal é o dinheiro.

Ofestini fiz-se para rir, o vinho alegra a vida, e o dinheiro atende


a tudo. (Ec 10.19; ARA)

No que se refere à habilidade prática de expandir operações, de


fato parece que o dinheiro atende a quase tudo. O motivo pelo qual
as comunidades de crentes têm sido fracas na área de finanças é que
não temos buscado suficientemente o Senhor para obter sabedoria
sobre a natureza do fluxo financeiro. A Bíblia tem muito a dizer so-
bre economia e prosperidade. Se dedicarmos bastante atenção em
oração para obter revelação e unção para a provisão de Deus nas
finanças, nossos ministérios serão muito mais eficazes. Se insistirmos
em evitar a sabedoria divina sobre finanças, seremos sempre impedi-
dos pela falta de fé nessa área. A prata e o ouro deste mundo devem
ser usados para o financiamento do Reino e a pregação do Evange-
lho. Deuteronômio 8.18 declara:

Ele (Deus] é o que te dá firça para adquirires riquezas; a fim de


coidir►ar O seu pacto.

Em tempos de avivamento, há um derramamento de fundos


para dar ao ministério liberdade de avançar. Esdras 1.6 diz:

E todos os seus vizinhos os (Oficiaram com utensílios de imita, com


ouro, com bens, com animais e CO??? coisas preciosas, afora tudo o que
se ofereceu voluntariamente.
Responsabilidade Financeira

No tempo do retorno do remanescente para Israel, o coração (h)


povo foi movido por generosidade. Afirma 2 Reis 12.15 (ARA):

Tunbém não pediam lo povo no tempo de Joásj contas aos


homens em cujas mãos entregavam aquele dinheiro, para o dar aos
que faziam a obra, porque procediam com.fidelidade.

No tempo da restauração do templo sob a administração de Joás,


houve uma entrada de dinheiro mais do que suficiente para financiar
todo o trabalho. Confiança, generosidade e entusiasmo eram tão abun-
dantes que nenhuma prestação de contas financeira foi solicitada.
Em 2 Reis 22.7, há o registro de um avivamento semelhante sob
o governo do rei Josias e Hilquias, o sumo sacerdote. Novamente,
entrou dinheiro mais do que suficiente para financiar o ministério,
e nenhuma contabilidade foi necessária. Houve unia fidelidade ex-
traordinária do povo. Em Atos 2.45 e 4.34, grandes somas de di-
nheiro referentes à venda de casas, terras e propriedades foram sim-
plesmente colocadas aos pés dos apóstolos. Em tempos de tamanho
derramamento de graça, o padrão moral é tão alto que a integridade
não é questionada.
O ideal é que experimentemos uma onda de avivamento o tempo
todo. Há um equilíbrio entre a lei da demonstração financeira e a
graça da oferta voluntária. A integridade de aliança exige confia-
bilidade de consciência da parte de cada indivíduo. A integridade de
aliança também exige padrões de prestação de contas .financeira para
os que estão de fora.
Que Deus nos conceda a sabedoria necessária para caminhar
nesse equilíbrio entre lei e graça. Uma pessoa de aliança está com-
prometida a fazer com que a ordem das finanças do ministério reflita
suas próprias convicções de integridade.
33

ALIANÇA TRIBAL: UM CASO DE


AÇÃO JUDICIAL CORPORATIVA

A
integridade de aliança exige prestação de contas moral em
todos os níveis: entre indivíduos, na família, no governo da
congregação e na contabilidade financeira dos ministérios. De
vez em quando, um confronto judicial surge entre congregações ou
dentro de um movimento nacional. Congregações inteiras têm caído
em erros doutrinários e imoralidade. Às vezes, uma divisão separa ao
meio um movimento nacional.
Esses são alguns dos momentos mais difíceis para os cristãos.
A História mostra o quanto essas controvérsias podem ser prejudi-
ciais. Se ocorrerem erros fundamentais e irreconciliáveis num grupo
grande, precisará haver divisões para que o remanescente justo possa
sobreviver. A passagem de 1 Coríntios 11.18-19 (ARA) declara:

Estou ir formado haver divisões entre vós quando vos reunis na


igreja; e eu, em parte, o creio. Porque até mesmo importa que haja
partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhe-
cidos em vosso meio.

CONTROVÉRSIAS NACIONAIS

No Israel antigo, houve momentos em que tribos inteiras entraram


em grandes controvérsias entre si. Houve até mesmo cisões no reino
nacional quando necessário. As passagens sobre controvérsias tribais
contêm princípios bíblicos sobre como lidar com grandes confrontos
judiciais dentro de grandes setores do Corpo de Cristo.
Juízes 20 envolve um caso em que todas as outras tribos en-
traram numa ação judicial corporativa contra a tribo de Benjamim.

373
1/.1 Ri I mo\ 1\11\ IOS DI: ,1111NÇ.1

Uma questão de responsabilidade moral tornou-se tão intensa que


elas realmente tiveram de ir à guerra por causa disso. Um ato crimi-
noso de estupro coletivo, ataque homossexual e assassinato foi come-
tido contra um cidadão da tribo de Efraim por moradores da cidade
de Gibeá, em Benjamim.
O habitante de Efraim enviou um aviso da ação criminal dos
benjamitas a todas as outras tribos. Ele as convocou para preservar
a integridade de aliança na nação de Israel e para resolver o assunto
por meio de processo judicial corporativo. Juízes 19.30 declara:

i\iunca tal coisa se frz, nem se viu, desde o dia em que os .filhos
de Israel subiram da terra do Egito até o dia de hoje; ponderai isto,
consultai, e dai o vosso parecer.

Todas as tribos sabiam que tinham a responsabilidade moral de


tratar esse problema. Elas não poderiam ignorá-lo; a própria inte-
gridade da nação estava em jogo. Nenhuma tribo queria lidar com
o assunto sozinha. Era uma questão com a qual deveriam trabalhar
como nação, juntas.

Então saíram todos osfilhos de Israel, desde Der até Berseba, e des-
de a terra de Gileade, e a congregação, como se_fc)ra um só homem,
se ajuntou diante do Senhor em Alizp(i. Oz 20.1)

Esporadicamente, um problema de imoralidade envolve o líder


de um grande ministério. Nenhuma congregação sozinha deseja ou
consegue abordar o problema. E urna situação que exige a reunião
dc líderes de várias congregações a fim de buscar a reconciliação de
aliança. A maioria dos lideres congregacionais carece de entendimen-
to sobre o processo bíblico do confronto de aliança. Se trabalhassem
em cooperação para lidar com urna questão grave de imoralidade,
seria estabelecido um padrão com o objetivo de melhorar os valores
morais em todos os lugares. A prestação de contas corporativa ajuda
a evitar grandes transgressões.
Aliança Tribal: Caso de Açào Judicial Corporativa 3 /!)

Os homens principais de todo o povo, de todas as tribos de Israel,


apresentaram-se na assembleia do povo de Deus. (Jz 20.2)

O peso da responsabilidade está sobre Os líderes representantes


de cada tribo ou congregação. Os pastores de uma localidade preci-
sam ser capazes de reunir-se em oração quando há grandes dificul-
dades que afetem o Corpo de Cristo de forma geral.

ORDEM JUDICIAL CORRETA

O primeiro passo de urna ação judicial corporativa é fazer um levan-


tamento completo dos fatos. Juízes 20.3 declara:

L disseram os filhos de Israel: Dizei-nos, de que modo se cometeu


essa lilaldade?

E prudente coletar o máximo possível de informações sobre os


fatos antes do confronto.
Como o problema envolvia uma cidade inteira, e também mem-
bros de duas tribos diferentes, não havia outro recurso a não ser apre-
sentar o caso a um conselho intertribal. O homem submeteu a deci-
são ao conselho de líderes tribais. Juízes 20.7 diz:

Eis aqui estais todos 1)65, ófilhos de Israel; dai a vossa palavra e
conselho neste caso.

Uma questão intercongregacional deve ser julgada por urna equi-


pe de líderes intercongregacional. Se toda a congregação cai em erro
ou se há urna divisão entre dois pastores, a situação deve ser apresen-
tada a um grupo representativo e diversificado de líderes regionais.
Quando veio à tona o problema do desentendimento de Paulo
com o Sinédrio, ele pediu que seu caso fosse levado à mais alta corte
disponível, que era uma audiência com o próprio imperador (At
25.10). Esse apelo foi feito, porque Paulo era um cidadão romano do
território separado de Tarso. Já que a questão envolvia dois territórios
diferentes, ele podia recorrer à corte federal.
Aliança Tribal: Um Caso tle Ação Judicial ( pot ;lin a

corno urna comunidade de adoração se existem áreas que precisam de


restituição. Jesus disse em Mateus 5.23-24:

Portanto, se estiveres apresentando a tua *rta /adoração] no alta?,


e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa
ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu
irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.

Perdoar de coração não é a ênfase aqui. A reconciliação e a resti-


tuição à parte ofendida devem ser efetuadas antes que o culto de ado-
ração a Deus possa continuar. Recebemos urna ordem nas Escrituras
para interromper nossa oferta divina a fim de garantir que a ofensa
interpessoal seja liquidada.
E importante que um problema intercongregacional seja abor-
dado por uma ação conjunta. Caso contrário, poderá ocorrer mais
divisão ainda. Juízes 20.11 declara:

Assim se ajuntaram contra essa cidade todos Os homens de Israel,


unidos como um só homem.

A unidade das outras tribos em seu compromisso com o pro-


cesso judicial criou uma base de aliança a partir da qual uma solução
final poderia surgir. Quando há uma ação unida, a atenção pode ser
concentrada nas verdadeiras implicações do problema moral e na ne-
cessidade de reconciliação espiritual. Se não há ação unida, a atenção
pode ser desviada para interpretar o problema corno um choque de
personalidade ou uma diferença de estilo. A ação unida mantém o
processo de aliança focado nos aspectos objetivos.
O primeiro passo, ao abordar a tribo infratora, foi pedir uma
exposição completa do que acontecera.

Então as tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de


Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se.fez entre
vós? (Jz 20.12).
Aliança Tribal: Caso de Ação Judicial Corporativa 379

Quando um grupo nega qualquer jurisdição de aliança, ele agrava


um problema que poderia ser facilmente resolvido. A natureza do
problema mudou completamente naquele momento. A questão
deixou de ser o abuso sexual inicial dos marginais de Gibeá para
tornar-se a recusa, por parte da liderança de urna tribo inteira, a sub-
meter-se à autoridade dos líderes reunidos de outros locais. Nenhum
grupo, independentemente do tamanho, e ninguém, por mais impor-
tante que seja, tem o direito de negar qualquer prestação de contas
moral a um órgão apropriado.

CHAMADO DIVINO

Há momentos em que um homem recebe um chamado tão sobre-


natural em sua vida que, mesmo se um conselho de líderes altamente
reconhecidos lhe dissesse para cessar suas atividades, ele teria de
obedecer à sua consciência e passar por cima dessa decisão. Pedro,
Tiago e João, por exemplo, não pararam de pregar quando o Sinédrio
exigiu que assim o fizessem. Paulo disse que recebera urna ordem do
Senhor por revelação para pregar o Evangelho aos gentios. Ele não
poderia alterar esse encargo mesmo se os apóstolos o orientassem a
não pregar aos gentios.

E subi devido a uma revelação, e lhes ¡aos apóstolosi expus o


evangelho que ptrgo entre os gentios, mas C111 particular aos que
eram de destaque, para que de algum modo não estivesse correndo
ou não tivesse corrido em vão 1...1 aos quais ¡falsos irmàosj nem
ainda por uma hora cedemos CM sujeição, para que a verdade do
evangelho permanecesse entre vós. Ora, daqueles que pareciam ser
alguma coisa (quais outrora tenham sido, nada me importa; Deus
não aceita a aparência do homem}, esses, dtgo, que pareciam ser
alguma coisa, nada me acrescentaram. (G1 2.2,5,6)

Paulo, Pedro, Tiago e João se sentiam felizes em apresentar sua


revelação diante de qualquer autoridade ou grupo de pessoas. Se al-
guém tem de fato um chamado de Deus, sente prazer em fazer uma
exposição completa e uma explicação total sempre que possível. Se,
111(► III I 1( ION MEN ros nr ari.XNÇ.\

após a pessoa explicar completamente a sua posição, ainda tiver em sua


consciência a convicção de que não deve submeter-se nesse assunto a
seus irmãos de aliança, ela deverá prosseguir fazendo o que acredita ser
certo. Se estiver trabalhando em favor da justiça, sempre se mostrará
disposta a esclarecer os fatos de sua posição. Se urna pessoa ou um
grupo não quiser reunir-se com irmãos de aliança para fornecer toda a
informação, estará pecando por rejeitar o processo de aliança.
Recusar desviar-se do seu chamado divino não é sinônimo
de recusar-se a conversar com os irmãos de aliança sobre supostas
transgressões. Por exemplo, a discordância sobre a teologia de cura
não equivale a uma acusação de pecado sexual. Todo homem pode
obedecer ao seu chamado de acordo com a própria consciência. Por
outro lado, é nosso dever, como irmãos de aliança, exigir responsa-
bilidade moral uns dos outros mesmo quando a outra parte é uma
personalidade de fama nacional ou mesmo quando a questão envolve
uma congregação inteira.

DIFICULDADES PARA LIDAR COM O PROBLEMA

Se a controvérsia atingir um grande número de pessoas, prova-


velmente não será confortável lidar com a questão. Tempos de con-
trovérsia requerem profunda oração intercessória. Devemos buscar o
conselho de Deus. Juízes 20.18 diz:

Então, levantando-se os filhos de Israel, subiram a Betel, e co►sul-


tara ► a Deus.

Ninguém deve impor a própria vontade em disputas perigosas e


difíceis. Todos precisam colocar de lado suas opiniões pré-concebi-
das e buscar a justiça do Senhor. Precisamos buscar no Senhor não
somente a solução correta, mas a maneira de abordar o problema
para resolvê-lo.
O custo de lidar com uma grande disputa parece tão grande que
somos tentados a pensar que não vale a pena. Quem se levanta em
favor dos princípios de justiça de aliança encontra sofrimento. Juízes
20.21. declara:
Aliança Tribal: Lm Coso de Ação judicial Corporal iva 381

Então os filhos de Benjamim saíram de Gibeá, e derrubaram por


terra naquele dia vinte e dois mil homens dc Israel.

Quando uma controvérsia atinge certas proporções e ultrapassa


o espaço da própria congregação, é tarde demais para ser tratada sem
dor e perda para os envolvidos. Se a questão tivesse sido abordada
antes, o custo teria sido menor. Se ela for tratada num estágio poste-
rior, o procedimento será mais dispendioso, mas o movimento' ainda
será recuperado. Se a controvérsia não for tratada nem mesmo nos
estágios avançados, todo o movimento poderá ser perdido.
Ministérios nacionais podem ser destruídos se problemas de re-
conciliação de aliança não forem resolvidos. Se conseguirmos enten-
der esses princípios de ação judicial corporativa, provocaremos um
forte avanço tanto moral quanto espiritual nos lugares celestiais. O
processo de aliança exige coragem, consagração e perseverança.

Mas os homens de Israel procuraram animar-se uns aos outros,


e novamente ocuparam as mesmas posições do primeiro dia. Os
israelitas subiram e choraram perante o Senhor até a tarde, e con-
sultaram o Senhor. (J z 20.22,23; NVI)

O avivamento num nível nacional ocorrerá quando o povo de


Deus for despertado com um zelo para interceder diante de Deus a
fim de que a injustiça seja removida. Um espírito de arrependimento
e dedicação pode alcançar os cristãos do mundo inteiro como ocor-
reu na igreja dc Corinto:

Pois vêde quanto cuidado não produziu em vós isto mesmo, o


serdes contristados segundo Deus! Sim, que defesa própria, que
indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em
tudo provastes estar inocentes nesse negócio." (2 Co 7.1 1)

O contexto de 2 Coríntios 7 é que as pessoas foram chamadas


para ter coragem de defender a disciplina em sua congregação. Que

2. Movimento como rede de igrejas ou conjunto de congregações locais - NT


382 :1CIONAMENTOS DE ALIANÇA

onda e mover do Espírito estarão à nossa disposição se entendermos


Os princípios de aliança!

ATITUDE DE RECONCILIAÇÃO

A única motivação adequada para lidar com um confronto dessa


magnitude é o amor por todo o povo de Deus. Devemos ser movidos
pelo desejo de ver a restauração total da verdadeira Igreja. Devemos
afligir-nos profundamente por qualquer parte que esteja faltando no
Corpo de Cristo do mundo todo. Juízes 21.6 (ARA) declara:

Os filhos de Israel tiveram compaixão de seu irmão Beida►►i► e


disseram: Foi, hoje, eliminada uma tribo de Israel.

Nosso único desejo, do princípio ao fim, deve ser a reconciliação.


Queremos curar as lacunas e as brechas, não criar novas. É nosso amor
pelo corpo de crentes que nos leva a pôr em prática o processo de
aliança. O menor traço de justiça própria deve desaparecer. Devemos
lamentar a perda que outros irmãos possam sofrer. Devemos entriste-
cer-nos quando qualquer outra parte do corpo de crentes é ferida.
A reconciliação produz paz entre duas partes do Corpo de Cristo.
Em cada aspecto do processo judicial, oferecemos um convite de paz
à outra parte. Juízes 21.13 afirma:

Toda a congregação, pois, enviou' mensageiros aos,fillws de Benja-


mim e lhes proclamaram a paz.

Devemos constantemente reafirmar nosso amor pelos outros ir-


mãos durante o diálogo. Devemos declarar abertamente que busca-
mos a restauração dos relacionamentos.
Numa tentativa de resolver o conflito, devemos oferecer medi-
das adicionais de afirmação à outra parte. Podemos abrir exceções a
nossas regras quando necessário num esforço de agir com gentileza.
Juízes 21.22 (ARC) diz:

Por amor de nós, tende compaixão deles [povo cie Benjamim


pois nesta guerra não tomamos mulheres para cada um deles.
Aliança Tribal: l m ('aso de Ação Judicial Corporaii∎it 3H

Se houver uma maneira de ajudar as pessoas com seus problemas


pessoais ou necessidades familiares, deveremos fazê-lo. O processo
de aliança de Deus é cheio de graça do início ao fim.
Não estamos buscando derrubar nenhum outro grupo, mas edi-
ficá-lo. Se houver perda por causa do processo de aliança, deverá ser
nosso desejo buscar a rápida reconstrução do ministério anterior.

E .fbram-se los filhos de Benjamim', e voltaram a sua herança, e


reedificaram as cidades e habitaram nelas. (Jz 21.23)

Toda comunidade de fé tem uma herança espiritual de Deus. Se


um irmão se desviou do caminho, devemos buscar restaurá-lo ao seu
chamado original. Quanto mais um irmão entrar no pleno sucesso
do seu próprio destino, mais deveremos alegrar-nos.
Uma grande ação judicial pode levar anos para ser concluída. Pa-
rece exaustiva e interminável. Isso não é verdade. Os finais felizes são
planejados por Deus. Grandes controvérsias podem ser reconciliadas
após manter uma atitude de aliança por anos.
Nós lidamos com questões profundas e complexas de reconci-
liação entre judeus messiânicos e cristãos árabes em Israel. E um
processo que leva décadas. Cremos que a solução desses problemas
entre nós resultará em grandes avanços históricos e internacionais.
Deus nos deu o processo de aliança; devemos crer que ele fun-
cionará. Em algum momento, é possível haver uma restauração para
todos os envolvidos. Juízes 21.24 declara:

Nesse mesmo tempo os filhos de Israel partiram dali, cada um para


a sua tribo e para a sua limdlia; assim voltaram cada um para a
sua herança.

Existia a noção de parentesco de aliança entre as tribos do antigo


Israel. Elas se enxergavam ligadas umas às outras por laços de sangue
e água, família e fé. Que Deus possa incutir em nós hoje um senso
interior de parentesco espiritual e lealdade tribal!
34

LEALDADE TRIBAL

A
lgumas das passagens mais difíceis de entender nas Escrituras
são as que se referem à antiga lealdade tribal. O compromisso
dos lideres do antigo Israel em manter a lealdade de aliança
entre as tribos fornece um pano de fundo para a nossa fé na plena
restauração do Corpo do Messias ao redor do mundo.
Há uma ligação simbólica e de aliança entre Israel e a Igreja. A
restauração de Israel ocorre paralelamente à restauração da Igreja.
Elas estão entrelaçadas como corpo e alma. Examinaremos alguns
exemplos que nos mostram como compreender algumas passagens
do Velho Testamento à luz da lealdade de aliança e perguntar quais
princípios podem ser aplicados a nós hoje.

ABRAÃO RESGATA LÓ

Em Gênesis 14, quatro reis de nações do Oriente Médio atacam a


região de Sodoma e Gomorra. Em seu ataque, levam cativo o sobri-
nho de Abrão, Ló, e todas as suas posses. Quando Abrão ouve que
seu sobrinho foi capturado, reúne sua milicia familiar, particular, para
perseguir a força militar dos quatro reis. Ele os derrota e resgata Ló
com todos os seus pertences. Gênesis 14.16 declara:

Assim [Abrão] tornou a trazer todos os bens, e tornou a trazer


também a 14 seu irmão, e os bens dele, e também as mulheres e
o povo.

Abrão se arriscou nessa missão, porque seu sobrinho Ló estava


numa posição de parentesco tribal com ele. Abrão tinha a responsa-
bilidade, pela aliança de sangue, de resgatá-lo.

385
386 1{H.AcioNAmENTos DE ALIANÇA

O INCIDENTE COM DINÁ

Em Gênesis 34, Siquém, o príncipe da tribo vizinha dos heveus,


apaixona-se por Diná, a única filha de Jacó. Siquém dorme com Diná
e vai até Jacó e seus filhos pedir permissão para casar-se com ela. Os
irmãos de Diná planejam uma armadilha para Siquém e seu povo.
Eles dizem que permitirão o casamento se os homens da tribo esti-
verem dispostos a circuncidar-sc. Depois da circuncisão, enquanto os
homens ainda estão incapacitados, os irmãos atacam a tribo, matam
todos os homens, levam seus bens e retornam com Diná. Quando
Jacó toma conhecimento do que seus filhos fizeram, ele fica chocado.
Eles mentiram, roubaram e assassinaram. Quando Jacó os confronta
sobre o incidente, eles lhe respondem em Gênesis 34.31: "Devia ele
[Siquém] tratar a nossa irmã como a uma prostituta?".
Diante desse comentário, Jacó fica sem resposta. Na verdade,
eles afirmam ter uma lealdade tribal de aliança de sangue em rela-
ção à sua irmã Diná. Tinham que defender a honra da sua lealdade
tribal. Quando Siquém dormiu com Diná, ele violou a base da
lealdade tribal que fundamentava a visão de mundo deles. O fato
de Siquém amar Diná ou de ela estar disposta a casar com ele não
poderia desfazer esse senso de que a lealdade de sangue tribal havia
sido violada.
Do ponto de vista dos irmãos, a honra da aliança tribal deles
era mais importante do que o fato de terem enganado, assassinado e
saqueado o povo de Siquém. O objetivo da história não é justificar
as ações perversas dos filhos de Jacó, mas enfatizar a visão de mundo
baseada na "lealdade de sangue" das antigas tribos de Israel.

JUDÁ E TAMAR

Em Gênesis 38, a nora viúva de Judá, Tamar, pede a ele que lhe en-
contre um novo marido. (bando Judá deixa de fazê-lo,Tamar se dis-
farça de prostituta, engana Judá para que durma com ela e engravi-
da. Judá estava totalmente alheio à sua trama. Quando descobre que
Tamar está grávida, ele assume que ela praticou imoralidade e está
prestes a mandar executá-la. Nesse momento, ela revela a Judá que
Lealdade *I riba) is

ele era o pai da criança. Ao perceber o que aconteceu, ele diz: "Ela é
mais justa do que eu, porquanto não a dei a meu filho Seld" (Gn 38.26).
Tatuar mentiu e cometeu imoralidade. Contudo, Judá a decla-
rou justa. Judá tinha a responsabilidade de aliança de encontrar um
marido para Tamar, de dar continuidade à população da tribo e de
preservar a semente messiânica. Judá violara sua responsabilidade de
aliança e Tamar o chamou de volta à lealdade tribal. Suas ações foram
justificadas por causa da sua lealdade à aliança.

TRIBOS DA TRANSJORDÂNIA

Em Números 32, as tribos de Gade e Rúben apelam a Moisés pela


permissão de estabelecer-se a leste do Jordão sem atravessar para a
terra de Canaã com as outras tribos. Moisés reage com grande in-
dignação e as acusa de estar cometendo um crime hediondo. O que
poderia ser tão terrível em estabelecer-se pacificamente a leste do
Jordão? O crime é que as outras tribos estavam prestes a avançar e
enfrentar uma guerra na terra de Canaã. As tribos de Gade e Rúben
tinham uma dívida de lealdade de aliança com elas que as obrigava
a lutar ao seu lado mesmo que não estivessem planejando herdar a
terra naquela área. Os gaditas e rubenitas respondem a Moisés:

Nós, porém, nos armaremos, apressando-nos adiante dos filhos de


Israel, até os levarmos ao seu lugar 1...1 Não voltaremos para nossas
casas até que os filhos de Israel eskjam de posse, cada 11111, da sua
herança. (Nm 32. 17,18)

Eles concordam em permanecer leais à sua aliança tribal atra-


vessando o Jordão juntamente com as outras tribos armados para a
batalha. Eles lutariam com as outras tribos em prol de sua terra e só
retornariam aos seus próprios lares quando sua lealdade tribal tives-
se sido provada. Ao ouvir essa resposta, a atitude de Moisés muda
abruptamente e lhes concede a permissão. A questão não era o lugar
onde se estabeleceriam, nem a guerra, nem a sua coragem. Desde que
permanecessem leais às suas responsabilidades de aliança, Moisés
não se importaria com o local que escolhessem para morar.
:388 RELE•IoNANiEN'yos DEA LI A N Ç A

CIDADES DE REFÚGIO

Em Deuteronômio 19, Moisés ordena que cidades de refúgio sejam


construídas na terra prometida. Em Josué 20, Josué toma medidas
para que esse plano seja instituído. No mundo antigo, a segurança de
cada indivíduo era garantida pelo fato de que os outros membros da
tribo perseguiriam e destruiriam quem quer que ferisse um de seus
parentes. Esse sistema de vingança era urna forma de justiça bruta,
mas eficaz. O parente que executasse a retaliação era conhecido como
o "vingador de sangue". Josué 20.2,3 afirma:

Designai para vós as cidades dc refigio [...J afim de que_fuja para


ali o homicida, que tiver matado alguma pessoa involuntariamente,
e não CO,?! intento; e elas vos servirão dc reftigio contra o vingador
do sangue.

Como proteção contra os desequilíbrios da vingança tribal, as


Escrituras estabelecem uma forma de processo judicial em que um
apelo poderia ser feito num tribunal rudimentar. Foram as Escrituras
que introduziram o conceito de processo judicial igualitário num
mundo tenebroso repleto de crimes.
O vingador de sangue agia a partir de um senso de lealdade tri-
bal para encontrar o homicida e executar julgamento sobre ele. Essa
busca não era vista como urna reação de ressentimento, mas de res-
ponsabilidade moral. O vingador defendia a honra e o nome da pes-
soa ferida ou assassinada. Ele era um promotor criminal incumbido
pelo sangue da vida da vítima. Ele vinha com justiça para punir a
transgressão.
A comunidade estabelecia essas cidades de refúgio como urna
proteção de aliança para um réu possivelmente inocente. Tanto o
vingador de sangue quanto os juízes da cidade estavam exercendo
lealdade tribal. Baseada no equilíbrio entre o advogado de acusação
e o advogado de defesa, por assim dizer, a justiça de aliança prevale-
ceria. Somente numa nação onde a lealdade tribal fosse intensa é que
poderia existir urna instituição como as cidades de refúgio.
Lealdade Tribal 31l9

A ALIANÇA DE RAABE

A lealdade tribal era baseada não somente na descendência familiar,


mas também no contrato. Portanto, urna pessoa fora da família po-
deria entrar no parentesco da tribo se fossem tomadas providências
especiais. Em Josué 2, a prostituta Raabe protege os dois espias de Is-
rael de seus conterrâneos. Ela crê que os israelitas estão prestes a con-
quistar e destruir a cidade. Então, Raabe pede que os dois espias fa-
çam uma aliança com ela. A prostituta protegeria a vida deles naquele
momento se eles a protegessem posteriormente. Essa parceria para
proteção mútua era uma ação de aliança. Os dois espias respondem:

A nossa vida responderá pela vossa, se não denta:ciardes este nosso


negócio; e, quando o Senhor nos entregar esta terra, usaremos para
contigo de bondade e de fidelidade. Os 2.14)

Antes de partir, eles selaram seu acordo de aliança com um ju-


ramento. Depois que o exército de Josué cumpriu sua obrigação de
aliança resgatando Raabe, ela entrou numa aliança mais profunda
com as tribos de Israel e habitou com eles como parte da assembleia
de aliança. Josué 6.25 declara:

Assim _Josué poupou a vida à prostituta Raabe, à família de seu


pai, e a todos quantos lhe pertenciam; e ela_ficou habitando no meio
de Israel até o dia de hoje, porquanto escondera os mensageiros que
Josué tinha enviado a espiar a Jericó.

Sua aliança verbal com Israel a colocou numa posição de igual-


dade com qualquer membro da tribo. Ela se tornou um ancestral do
rei Davi e, portanto, até mesmo do próprio Jesus (Mt 1.5). A aliança
é mais uma questão de lealdade do que de parentesco físico.

O TRATADO DOS GIBEONITAS

Após as conquistas de Jericó e Ai, uma cidade chamada Gibeão se


encontrava não muito a frente do exército de Josué. A população de
Gibeão temia ser massacrada. Estavam cientes de que Josué e o povo
390 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

de Israel eram fortes e leais às suas alianças. Os gibeonitas sabiam


que, se conseguissem convencê-los a fazer urna aliança com eles,
mesmo usando de engano, os israelitas não violariam essa aliança.
Sendo assim, os gibeonitas se disfarçaram e fingiram ser viajantes de
um país distante. Enganaram Josué para que fizesse urna aliança com
eles c lhes assegurasse a promessa de não os ferir.
Quando Josué finalmente descobriu o engano, ele sabia que não
poderia voltar atrás na sua promessa. Se Josué tivesse orado a Deus
antes de entrar na aliança, o Senhor lhe teria dito que aquele povo era
impostor. Josué 9.18-20 declara:

Mas osfilhos de Israel não os mataram los gibeonitasl, porquanto


os príncipes da congregação lhes haviam prestado juramento pelo
Senhor, o Deus de Israel; pelo que toda a congregação murmurava
contra os príncipes. Mas os príncipes disseram a toda a congrega-
ção: Nós lhes prestamos juramento pelo Senhor; o Deus dc Israel,
e agora não lhes podemos tocar. Isso cumpriremos para CO??! eles,
poupando-lhes a vida, para que não haja ira sobre nós, por causa
do juramento que Iheslizemos.

Para as tribos dc Israel., tudo girava em torno de preservar a


aliança. Estratégia militar, assentamento de terra c moralidade se-
xual: tudo dependia da lealdade à aliança de sangue.
Anos mais tarde, houve fome na terra de Israel no reinado de
Davi, e ele perguntou ao Senhor por que a nação não estava sendo
abençoada. Esses mesmos gibeonitas estavam morando na terra
durante todo esse tempo. Durante o reinado de Saul, ele tentou ex-
terminar os gibeonitas. As ações de Saul constituiam uma violação
à aliança entre Israel e Gibeão, estabelecida por Josué. Havia fome
na terra, porque essa quebra da aliança não fora corrigida. Embora a
aliança tivesse sido feita muitos anos antes sob a liderança de Josué,
c apesar de Saul, o homem que a infringiu, estar morto, os resultados
espirituais da quebra dessa aliança ainda estavam surtindo efeito. A
fome permaneceria até que Davi tornasse medidas para corrigir a
violação à aliança com os gibeonitas.
Davi foi falar com os gibeonitas e disse:
Ic11(1,1(Ir I t1),1I 1

0110quereis que eu ros faça? E corno hei deja- zer expiação, para
que abençoeis a herança do Senhor? (2 Sm 21.3)

Davi estava à mercê dos gibeonitas para definir os termos de


reconciliação da aliança. Ele sabia que deveria restabelecer a lealdade
de aliança com os gibeonitas a qualquer custo. Os gibeonitas propu-
seram que sete homens da descendência de Saul fossem executados.
Davi lhes disse no versículo 6: "Eu os darei".
Nenhum preço seria alto demais. A única prioridade era restabe-
lecer a aliança. Ql.fando Davi entregou sete dos descendentes de Saul,
ele isentou M.efibosetc, o filho de jôn.atas, devido à sua aliança anterior
com jônatas. Ele não queria violar uma aliança por causa de outra.

A LEALDADE DE DAVI

O rei Davi era um homem que entendia profundamente a lealdade


de aliança. Durante o tempo em que Saul buscava tirar-lhe a vida,
Davi se refugiou com o rei. Áquis de Cate e tornou-se um general
no exército filisteu. Os filisteus estavam em guerra contra Israel, e
era obrigação de Davi atacar os israelitas. Ele obviamente tinha um
problema de lealdade dividida. Davi desenvolveu um plano segundo
o qual desviaria a divisão cio exército sob seu comando para atacar
os amalequitas. Os amalequitas eram uma das nações que Deus
mandara Moisés destruir. A política de Davi era matar todo homem,
mulher e criança a fim de que ninguém pudesse escapar para dar um
relatório contraditório. Declara 1 Samuel 27.10:

E quan do Áquis peig►ntava: Sobre que parte fizestes incursão


hoje? Davi respondia: Sobre o Negebe dcludá; ou: Sobre o Negebe
dos jerameelitas: ou: Sobre o Ntwebe dos queneus.

Davi não poderia trair sua lealdade tribal ao seu povo. Ele rea-
lizava ataques bons o suficiente para agradar ao rei Áquis, mas os
redirecionava a uma região diferente. Aquis estava certo de que os is-
raelitas agora consideravam Davi um verdadciro traidor. A passagem
(le 1 Sauim.] )7.12 revela a convicção de Áquis a respeito de Davi:
392 ItH.AtiosAmENTos ALIANÇA

"Fez-se de por certo aborrecível para com o seu povo em Israel; pelo que me
serd por servo para sempre". As linhas de lealdade tribal deixam marcas
muito profundas.
Os outros generais do exército filisteu não estavam tão conven-
cidos da conversão de Davi. (bando chegou o tempo de um ataque
massivo dos filisteus contra os israelitas em Jizreel, os outros líderes
filisteus exigiram que Davi deixasse a cena da batalha para que não
se lembrasse da lealdade ao seu próprio povo e os traísse no meio da
luta. Quando Davi insistiu em sua lealdade a Aquis, o rei lhe asse-
gurou sua confiança pessoal. Em 1 Samuel 29.6, asse-
, diz a Davi:

Como vive o Senhor; tu és reto, e a sua entrada e salda comigo no


arraial é boa aos meus olhos, pois nenhum !►al tenho achado em ti,
desde o dia em que vieste ter comigo, até o dia de hoje; porém aos
chefes mio (macias.

O conselho dos generais filisteus prevaleceu, e Davi foi enviado


de volta. Eles sabiam muito bem que Davi devia ser muito leal em
seu coração aos seus companheiros de tribo. Concluíram que a alian-
ça militar que Davi tinha com eles não poderia ser tão forte quanto
sua relação dc aliança dc sangue com o próprio povo.

BATALHA ESPIRITUAL E LEALDADE DE ALIANÇA

Quando o exército filisteu derrotou os israelitas, e o reino de Saul foi


destruído, Davi estava pronto para retornar a Judá a fim de liderar o
país. Ele tomou conhecimento da morte dc Saul e de Jônatas pelo
relatório de um jovem refugiado amalequita. Sabendo da guerra en-
tre Saul e Davi, o rapaz amalequita tinha certeza de que Davi ficaria
feliz em ouvir sobre o falecimento de Saul.
O amalequita não entendia o senso de compromisso de aliança
de Davi com qualquer que fosse o rei ordenado de Israel e também
ao seu parceiro de aliança Jônatas. Embora houvesse inimizade en-
tre Saul e Davi, Davi era completamente leal a ele e só desejava seu
bem-estar. Davi ficou chocado que o amalequita pudesse pensar que
a morte de Saul e Jônatas seria uma notícia boa para ele. Depois de
Lealdade Tribal t)

chorar, lamentar e jejuar, Davi ordenou a execução do amalequita. A


passagem de 2 Samuel 1.14 cita Davi:

não temeste estender a Pilão para matares O ungido do


C01110
Senhor?

No meio da batalha espiritual do reino de Deus, grande parte dos


nossos esforços é voltada a manter relacionamentos de aliança com
nossa .família, congregação e amigos. Parece que cada ato da vida é um
passo para preservar a integridade de aliança. Reforçamos nossos re-
lacionamentos aqui; fortalecemos nossa integridade lá. Nós provamos
nossa lealdade num lugar, e exercemos nossa aliança em outro.

A LIDERANÇA DE ABNER

Um último exemplo, o de Abner, deve ser suficiente para demonstrar


as dinâmicas da lealdade tribal. Abner tinha um desafio específico:
ele era um homem de grande integridade, mas também o comandan-
te do exército inimigo. Podemos aprender com as boas intenções de
Abner, e também com seus erros, como os líderes devem aliançar-se
para estabelecer autoridade unida dentro do reino de Deus.
O exército de Davi estava agora guerreando com o exército de
Saul, e Abner era o comandante do remanescente das tropas de Saul.
Isbosete, um dos filhos de Saul, tornou-se rei das tribos do Norte no
lugar do pai. Embora Isbosete fosse um homem sem caráter, Abner
continuou a liderar seu exército com fidelidade. Declara 2 Samuel 3.6:

Enquanto havia guerra entre a casa de Sou! e a casa de Davi,


Abner ia se tornando poderoso na casa de San!.

Isso significa que Abner estava solidificando sua posição como


líder indiscutível entre as tribos do Norte, e também que estava
trabalhando intensamente em favor do fortalecimento do reino de
Isbosete. Davi admirava Abner por ser um homem de grande força.
Se desejamos ser pessoas de caráter de aliança, devemos também
ser pessoas fortes. Se vamos lidar com outras pessoas de caráter de
394 ityl.AÇIONAmENTOS DE ALIANÇA

aliança, especialmente aquelas que estão na liderança, não devemos


ficar intimidados pela força dos outros. Gosto de ver a força de
caráter e convicção de outros homens mesmo quando temos dife-
renças de opinião. A batalha espiritual pelo reino de Deus pode ser
assustadora às vezes e requer homens e mulheres de fibra.
Isbosete, mesmo sendo rei sobre Abner, era um homem de fibra
moral fraca. Ele ficou com ciúme de Abner e buscou prejudicá-lo. Ao
invés de conversar com Abner, Isbosete espalhou um falso rumor sobre
um ato de imoralidade de Abncr. Arquitetar manobras políticas, sus-
peitas e comentários negativos que destroem a honra dc um líder é si-
nal de fraqueza e covardia. Diálogo paciente e honesto é sinal de força.
Abner ficou indignado com as insinuações e suspeitas de Isbo-
sete e lhe disse:

Sou eu cabeça de cão, que pertença a judá? Ainda hoje uso de be-
nevolência para com a casa de Saul, teu pai 1..1 e não te entreguei
nas mãos de Davi; contudo tu hoje queres culpar-une no tocante a
essa mulher. (2 Sm 3.8)

Até então, Abner havia sido leal a Isbosete. Ele permanecia fiel
ao rei pelo fato de ser filho de Saul, apesar dc saber que essa fideli-
dade fazia dele um inimigo de Davi e das tropas de Judá. Ele conti-
nuaria a lutar por Isbosete, embora o curso da guerra estivesse vol-
tando-se contra eles. Abncr havia arriscado a vida e a própria honra
para apoiar o jovem que, em troca, não teve sequer o caráter para não
o trair. Nesse momento, Abner decidiu apoiar Davi.
Em sua consciência, Abner sabia o tempo todo que Davi era o
homem melhor. Estava ciente de que ele era o escolhido dc Deus
para ser o novo rei. Agora, ele tinha a oportunidade de transferir seu
apoio para o que acreditava ser a vontade de Deus. Em 2 Samuel
3.9,10, Abner diz que agora pode comprometer-se com Davi:

Como o Senhor jurou a Davi 1... trans ferindo o reino da casa de


Saul, e estabelecendo o trono de Davi sobre Israel, e sobre Judá.
Lealdade Tribal 395

Deus havia jurado e prometido tornar Davi rei de Israel. Abner


agora usaria sua influência pessoal para ajudar a estabelecer esse rei-
nado. Um homem de aliança examina sua consciência para apoiar
a vontade de Deus. Um homem de aliança está disposto a ajudar a
estabelecer a autoridade de outra pessoa.

APOIANDO A LIDERANCA DE OUTRA PESSOA

Abner busca estabelecer o trono de Davi por meio de três ações. Em


primeiro lugar, ele anuncia seu apoio pessoal a Davi e oferece seus
próprios esforços para ajudar. Em segundo lugar, Abner se dirige aos
outros líderes que estão alinhados com ele para conversar e persuadi-
los a apoiar Davi em prol da unidade. Declara 2 Samuel 3.17,18:

Falou Abner COM os anciãos de Israel, dizendo: De há 1111ái0 procu-


rais.fazer com que Davi reine sobre vósLfazei-o, pois, agora.

Abner usa sua influência para conquistar apoio em favor de um


líder cuja causa ele considera justa. Ele faz um apelo para que os
outros líderes executem a vontade de Deus. Abner os persuade a não
insistir em sua própria autoridade independente, mas a apoiar Davi.
Ele lhes mostra que seu ato de submissão a Davi criaria uma unidade
no reino que beneficiaria a todos. Persuadir líderes a submeter-se
uns aos outros em favor da unidade é um ato de coragem e integri-
dade. Abner sabe que a autoridade unida sob a liderança de Davi
acarretaria em grande bênção para todo o povo. Os líderes de Israel
demonstram ter caráter suficiente para cessar essa divisão e transferir
seu apoio à liderança de outro homem. A disposição de assim agir
interrompe o que, em outras circunstâncias, poderia ter sido muitos
anos de guerra civil destrutiva.
A terceira atitude de Abner é reunir o povo que está debaixo
da sua influência para fazê-lo mudar de opinião e apoiar o plano de
unidade sob a liderança de Davi. A passagem de 2 Samuel 3.21 cita
Abner dizendo a Davi:
396 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Eu me levantarei, e irei ajuntar ao rei meu senhor todo o Israel,


para que jaça aliança contigo; e tu reinarás sobre tudo Oque desejar
a sua alma.

Abner é um homem de ação; ele está pronto para levantar-se e


dirigir-se ao povo pela própria iniciativa. Abner é um homem cujo
coração deseja unidade; ele reúne o povo em torno de um alvo co-
mum no reino. Abner é um homem de humildade; ele está disposto a
usar sua influência para apoiar a autoridade de outro homem. Abner
é um homem de convicção moral; ele convoca o povo a fazer urna
aliança de lealdade a Davi.
Abner quer dar a Davi apoio suficiente a fim de que se sinta
seguro para agir tranquilamente conforme a orientação do Espírito.
Ele tranquiliza Davi e lhe diz para reinar conforme seu coração
desejar. Dessa forma, Abner lhe oferece liberdade de ação em sua
autoridade. A maioria dos líderes espirituais não se sente confiante
e livre para agir com a autoridade e na direção para a qual Deus os
está dirigindo.
Há um ataque espiritual de medo do homem que tenta paralisar
a espontaneidade no Espírito de um líder. As pessoas fazem com que
ele se sinta vigiado e julgado o tempo todo. Se os que estiverem ao
seu redor vierem e transmitirem seu apoio incondicional, isso será de
grande ajuda para o líder combater a paralisia que vem do temor de
homens. Os líderes precisam que suas mãos sejam fortalecidas e sua
autoconfiança seja reforçada pelas pessoas à sua volta.

Então enviou Abner da sua parte ► e ► s(Nciros a Davi, dizendo:


De quem é a terra? Conngo faze a tua aliança, e eis que a minha
mão será contigo, para fizer tornar a ti todo o Israel. (2 Sm 3.12)

Uma das atividades mais poderosas no reino de Deus é quando


líderes se unem em aliança para apoiar uma autoridade unificada.
Abner não está apenas disposto a apoiar Davi, mas também a trans-
formar esse apoio num compromisso de aliança. Ele oferece cortar
uma aliança com Davi. Que momento glorioso! A integridade desse
homem, por si só, produz unidade, paz e autoridade ao reino.
Lealdade [riba'

Davi está entusiasmado em fazer aliança com Abner, mas afirma


que só a fará com uma condição: se Abner trouxer de volta sua esposa
Mical, que lhe fora ilegalmente tirada pelo rei Saul. Em 2 Samuel
3.13, Davi diz a Abner:

Está bentjarei aliança contio; mas unta coisa te exijo; não verás
a minha face, se primeiro não me trouxeres Mical, filha de Saul,
quando vieres ver a minha face.

Mesmo que Davi desejasse fazer aliança com Abner, havia uma
questão moral não resolvida que o impedia de fazê-lo. Davi sentia
que seus direitos haviam sido violados pela separação forçada da es-
posa. Sua integridade não permitiria uma aliança com Abner até que
essa obrigação moral fosse satisfeita.
As alianças devem ser feitas na base da retidão moral. Não pode-
mos fazer alianças por conveniência, não importa quanto elas pare-
çam nos beneficiar. Se houver uma questão moral pendente, a aliança
deve esperar até que ela seja resolvida. 2 Samuel 3.18 afirma:

Porque o Senhor falou de Davi, dizendo: Pela mão do meu servo


Davi livrarei o meu povo da mão dos filisteus e da mão de todos
os seus inimios.

A autoridade de Davi vinha do próprio Deus. A nação sabia


que o chamado e a unção de Deus estavam sobre a vida de Davi.
Não somos chamados para sustentar a autoridade do homem, mas
a autoridade de Deus. Se buscamos apoiar a autoridade do homem,
nossa unidade de aliança se degenerará para urna forma de coalisão
política. A autoridade do homem leva à estrutura organizacional que
sufoca a vida espiritual. Sempre que agimos em favor da autorida-
de de alguém, devemos fazê-lo com oração e discernimento divino.
Estamos realizando um ato de submissão e apoio a Deus e à sua
autoridade por meio de determinada pessoa. Não estamos subme-
tendo-nos a um homem por seu próprio mérito.
Devemos nos fazer a pergunta que Jesus fez aos fariseus a respeito
da unção profética de João Batista. Em Marcos 11.29-30, Jesus disse:
38 r I C I O N I M E N T O S D E Al [ A N O

Eu vos perguntarei tuna coisa; respondei-me, pois, e eu vos direi


com que autoridade faço estas coisas. O batismo dejoão era do céu,
ou dos homens? Respondei-mime.

Quando encontramos uma liderança, devemos indagar-nos se


a autoridade está vindo do homem ou de Deus. Para fazer aliança,
pressupõe-se que a pessoa seja capaz de discernir o tipo de unção c
autoridade divinamente ordenado. O sucesso de nossa unidade de-
pende da nossa capacidade de perceber as manipulações humanas e
de entrar no fluir da pureza e da autoridade de Deus.

A SÍNDROME DE JOABE

Uma aliança sem discernimento espiritual pode ser corrompida e


tornar-se uni espírito opressivo militarista. Essa perversão da aliança
foi demonstrada no caráter de Joabe. Todos nós precisamos proteger-
nos da síndrome de Joabe. Ele era o comandante-chefe do exército
de Davi. De muitas maneiras, ele era o defensor mais corajoso e leal
que Davi já possuíra. Joabe tinha uni extremismo maravilhoso quan-
do se tratava de compromisso à lealdade de aliança. Seu problema,
porém, era permitir que seu compromisso radical se tornasse carnal
e severo. Sua lealdade possuía um aspecto arrogante e exigente que
Davi percebia ser perigoso.
Joabe era um soldado excepcional e absolutamente destemido na
guerra. Numa batalha, ninguém poderia ter sido um general melhor
do que ele. Por outro lado, ele carecia de sensibilidade espiritual e
compaixão. Com o tempo, sua suposta lealdade extrema o levou à
traição e à rebelião.
Cristãos bem-intencionados que se entregam a um compromis-
so radical de aliança precisam vigiar para não desenvolver um espíri-
to de Joabe. A coragem de aliança nada tem a ver com autoritarismo
e machismo. O caráter de aliança é paciente, sensível e submisso e, ao
mesmo tempo, mantém sua firmeza de convicção.
Joabe não percebeu as verdadeiras questões de espiritualidade
por detrás do fluxo de autoridade. Erroneamente, confundiu auto-
Lealdade Tribal 399

ridade espiritual com poder militar e político. Ele sempre defendeu


sua própria causa e forçou sua própria vontade. Acabou assassinando
Abner, Absalão e Amasa. No fim, entrou cm rebelião contra o filho de
Davi, Salomão. A síndrome e o espírito de Joabe são uma perversão
perigosa do verdadeiro ato de aliança. Devemos reconhecê-los como
uma falsificação, limpá-los do nosso meio e não nos desviarmos do
compromisso sadio e divinamente orientado de lealdade de aliança.
O amor de Deus pode ser maravilhosamente expresso quando os
líderes se submetem mutuamente para apoiar um fluxo unificado de
autoridade espiritual.
35

A NOVA ALIANÇA
DE \TEMIAS

A
s promessas de Deus de trazer um rei Messiânico que ofereceria
uma aliança de salvação e vida eterna estavam intrinsecamente
ligadas às suas promessas de restaurar um reino temen-
te a Deus à nação de Israel. O rei Messiânico c o reino Messiânico
estão interligados. Yeshua veio como o Rei dos judeus recém-nascido
e divinamente ordenado.
O reino de Israel trazia a promessa da vinda do reino de Deus.
Ele atingiu seu ápice no tempo de Davi e de Salomão no qual esteve
prestes a dar à luz o reino Messiânico. Em seguida, o reino de Israel
passou por uma etapa em que ficou dividido em dois, quando houve
a separação entre Roboão e Jeroboão. Israel então passou por uma
terceira etapa, a do exílio, em que profetas ungidos falaram sobre
os valores espirituais do reino. Esses profetas ensinaram a diferença
entre um reino mundano e um reino celestial. Eles prometeram uma
restauração futura de Israel. O povo retornaria à sua terra em unidade.
Prometeram um novo tipo de rei, um Messias, que lideraria esse reino
espiritual e daria vida eterna ao seu povo.

A VISÃO DE JEREMIAS

Jeremias foi um dos profetas que anunciaram esses valores espirituais


aos filhos de Israel. Jeremias 31.31 (ARA) declara:

Eis aí vén► dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança


com a casa de Israel e com a casa de judá.

401
402 ItruAcioNAmENTos ur Ai.iANÇ

A nova aliança é urna aliança entre Deus e o povo de Israel e


Judá. As promessas da nova aliança envolvem a reunificação das tri-
bos de Israel com as tribos de Judá. A nova aliança de salvação en-
volve a restauração da cidade física de Jerusalém e da nação de Israel.
Jeremias 31.38 diz:

Eis que vêm dias, diz o SENHOR., em que esta cidade Uerusa-
lemj será reedificada para o SENHOR, desde a Torre de Hananel
até à Porta da Esquina.

Vamos voltar no tempo para ver o desdobramento do significado


da nova aliança. Vamos observar esse processo do ponto de vista do
povo histórico de Deus. Deixe de lado por um momento sua percep-
ção da nova aliança e da história de dois mil anos do cristianismo
ocidental. Vamos observar pelos olhos de um povo tribal antigo que
viu seu Deus, El Shaddai, esculpir e moldar para eles, durante a His-
tória, o cumprimento das promessas que fizera aos seus ancestrais.
Vamos ver, com os olhos dos profetas, o surgimento da revelação des-
se novo tipo de reino celestial, que transcenderia e ao mesmo tempo
estaria intimamente envolvido com a restauração de seu povo.

O REINO DE DAVI

Na época do rei Davi, o reino de Israel estava tão perto da justiça que
Deus pôde apresentar-lhes a promessa de um rei eterno. O profeta
Natã foi até Davi com uma profecia de duplo significado. O primeiro
nível da promessa se referia ao filho de Davi, Salomão; o outro nível
da promessa estava ligado ao maior filho de Davi, o Messias que vi-
ria, Yeshua. Declara 2 Samuel 7.12-17 (ARA):

Quando teus dias se cumprirem e descamisares com teus pais, então,


_farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e
estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e
eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino. Eu lime serei por
pai, e ele me será por filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com
varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha
No\aAliançii de Neemias 403

misericórdia se não apartará dele, corno a retirei de Sauí, a (piem


tirei de diante de ti. Porém a tua casa e O teu reino serão firmados
para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.
Segundo todas estas palavras e conforme toda esta visão, assim
falou Natã a Davi.

Essa profecia foi dada a Natã por revelação direta e continha


vários níveis de significado. O primeiro sentido duplo era a sobrepo-
sição da visão do rei Messiânico Yeshua à figura do filho e sucessor
imediato de Davi, o rei. Salomão. Essa imagem fotográfica dupla no
Espírito é comum no conjunto de profecias sobre o reino de Deus.
Yeshua era um homem, o filho de Davi e o Rei dos judeus. Além
disso, ele nasceu como o Filho divino de Deus. Ele era a Palavra de
Deus que se tornou carne, o cumprimento de todas as profecias re-
lacionadas ao reino de Deus. Essas palavras convergiram num único
homem e foram manifestas na Terra.
Durante o governo do rei Salomão, o reino de .Israel atingiu pro-
porções fantásticas. O nome Salomão vem do termo hebraico Shlomo,
do qual também se origina a palavra shalom. O nome dele significa
o pacífico)). No reinado do rei. Salomão, que é uma representação ou
"

um precursor do Messias, havia paz, prosperidade e adoração ma-


jestosa. Abundância fluía em todas as áreas da vida. Tragicamente, a
fartura de bênçãos transformou-se em decadência nas mãos cio povo.
As pessoas se deslumbraram com o esplendor cia provisão de Deus e
começaram a adorar sua própria prosperidade ao invés de prostrar-se
àquele que a concedeu.

O REINO DIVIDIDO

No tempo do filho do rei Salomão, Roboão, o reino foi dividido em


dois por causa de um julgamento de Deus. As dez tribos do Norte
foram entregues nas mãos de Jeroboão. As duas tribos do Sul e os
sacerdotes do templo permaneceram sob o governo de Roboão. Di-
vidir urna nação em duas partes é uma forma clássica de julgamento
divino. Essa divisão foi mencionada pelos profetas quando disseram
que. Deus usaria o fio de um prumo. O fio de prumo é um cordão
4 0 4 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

com um peso na ponta usada para traçar urna linha vertical. ou para
dividir urna área ao meio. A Alemanha foi. dividida em dois depois
da Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos quase foram divi-
didos ao meio no período da Guerra Civil. A divisão entre o reino do
Norte e o reino do Sul de Israel durou muitos séculos. Foi. o juízo de
Deus que os manteve assim.
Essa divisão durou anos e anos. O mesmo julgamento assolou
a antiga Babilônia no governo do rei Belsazar, quando a mão que
escrevia na parede veio e grafou as palavras: "MENE, MENE, TE-
QUEL e PARSIM" (Dn 5.25; ARA). A inscrição pode ser traduzida
corno: "MEDIDO, MEDIDO, PESADO E DIVIDIDO". O ter-
mo "Parsim" é um trocadilho entre duas raízes diferentes que pode
significar "dividido" e também "persa". O reino foi dividido e dado
aos persas.
Que estado lastimável no qual, por séculos, o reino de Israel per-
maneceu dividido em dois! Há um paralelo simbólico com o corpo
mundial. de crentes que também foi dividido em dois. As Escrituras
voem essa divisão principal como sendo entre judeus e gentios. Efé-
sios 2.14-17 (ARA) diz:

Porque ele e a nossa paz, o qual de amboslez uni; e, tendo derriba-


do (1 parede da Aparação (pie estava no meio, a inimizade,
na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para
que dos dois criasse, em si mesmo, uni novo homem,jiizendo (1paz,
e reconciliasse ambos em um so rompo com Deus, por intermédio da
cruz, destruindo por ela O inimizade. E, vindo, evamclizou paz a
vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto.

Assim corno a esperança clássica cio -Israel antigo era a recon-


ciliação entre as tribos do Norte e do Sul do mesmo modo há a
,

esperança e constante expectativa da Igreja pela reconciliação entre


judeus e gentios. O surgimento de milhares de judeus que creem em
Yeshua nos últimos anos é um sinal da restauração cada vez mais
próxima do povo de Deus.
Nos a Aliança d Nremus 4

A VISÃO DE EZEQUIEL PARA RESTAURACÃO

A divisão na nação de Israel representava um desafio espiritual


crucial para o reino de Deus. Pode ser comparada ao que um divórcio
ou urna separação entre marido c mulher produz na estrutura de uma
família. A cura da grande divisão que começou no tempo de Roboão
e Jeroboão teria significado profético para o reino Messiânico vin-
douro. Ezequiel profetizou sobre a vinda do reino da nova aliança
conforme registrado nos capítulos 36 c 37. Essa profecia abrangente
contém três grandes categorias:

1. uma renovação espiritual do coração;

2. um novo ajuntamento dentre as nações do povo de -Israel;


3. a cura da divisão entre judá e Israel.

A promessa do reino de Deus e da vida eterna estava intima-


mente ligada a esses três ternas. Ezequiel 36.24-28 afirma:

Pois vos tirarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países,


e vos trarei para a vossa terra. Então asJ)erçJir('i água pura sobre vós,
e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os
vossos (dolos, vos purificarei. Tunbém vos darei uni coração novo, e
porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne O cora-
ção de pedra, e vos darei um coração de carne. :inala porei dentro de
vós O M e t i Espirito, efirei que andeis nos meus estatutos, e guardeis
as minhas ordenanças, e as observeis. E habitareis na terra que eu
dei a vossos pais, e vós sereis O 111C11 pOVO , e eu serei o vosso Deus.

Essa profecia contém a promessa do renascimento espiritual.


Deus afirma que nos dará um novo coração e um novo espírito. Ele
fará até mesmo com que seu próprio Espírito habite dentro de nós.
O renascimento de nosso próprio espírito e o recebimento do Espí-
rito de Deus são os dois primeiros passos da caminhada de um crente
em Jesus.
Essa promessa de vida espiritual eterna está inserida, como re-
cheio de um sanduíche, entre as promessas do rejuntamento do
4O ó liFlAcIONANIENTOS DE ALIANÇA

povo de Israel e da restauração da terra de Israel. Deus chama dois


povos para tornar-se um em Efésios 2; ele chama judeus e gentios
para serem unidos. Deus une, nessa nova aliança, a promessa do
renascimento interior com a promessa da restauração da terra de
Israel. Essas duas andam de mãos dadas. A restauração da Igreja e
a restauração de Israel fluem juntas em direção à plenitude cio reino
de Deus.
Sob a ótica dos profetas antigos, não poderia haver uma separa-
ção entre a renovação espiritual e a restauração nacional. Conforme
Ezequiel profetizou ao povo no exílio, a esperança da vinda do reino
Messiânico combinava esses elementos. Assim como corpo e alma,
o reino Messiânico não podia ser concebido sem ambos os aspectos
espiritual e nacional. Ezequiel 37.12-14 declara:

Eis que eu vos abrirei as vossas sepulturas, sim, das vossas sepultu-
ras vos. farei sair, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E quando
eu vos abrir as sepulturas, e delas voslizer saiu; ó povo meu, sabereis
que eu sou o Senhor E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos
porei na vossa terra; e sabereis que eu, o Senhor, ()filei e o cumpri,
diz O Senhor

Os ossos da nação de Israel deveriam ser reunidos. O Espírito


de Deus seria soprado sobre eles assim como Deus soprara vida no
corpo de barro de Adão. A promessa do sopro de vida é equivalente
à promessa do rejuntamento dos ossos.

O REINO UNIDO

Os profetas antigos viam as revelações de Deus no contexto de suas


alianças com Israel. Os juízos de Deus eram manifestos pelos acon-
tecimentos desastrosos que atingiam a nação de Israel. Esses juízos
incluíam a divisão do reino em dois no tempo de Jeroboão e, mais
tarde, o exílio na Babilônia. Enquanto os filhos de Israel estavam no
exílio, Deus lhes prometeu, por meio dos profetas, uma renovação
da aliança. A aliança de Deus com Israel seria restaurada, c o reino
celestial surgiria por meio dessa restauração.
:1 Nova Aliança de Neemias 407

De alguma forma, o povo seria reunificado e, de algum modo, a


divisão entre o Norte e o Sul seria reparada. Simultaneamente a essa
restauração, haveria o nascimento do reino Messiânico espiritual.
Em Ezequiel 37.16, 17 e 22, lemos:

lir, pois, o filho do homem, toma um pau, e escreve nele: Por Judá
e pelos filhos de Israel, seus companheiros. Depois tonta outro pau,
e escreve nele: Por José, vara de Efrai►, e por toda a casa de Israel,
seus companheiros; e ajunta um ao outro, para que se unam, e se
tornem M n só na lua mão. E deles farei unia nação na terra, nos
montes de Israel, e uni rei será rei de todos eles; e nunca mais serão
duas nações, nem de maneira alguma se dividirão para OfilfIr0 CM
dois rei►ios.

No reino da nova aliança, o grande julgamento que Deus infligiu


sobre a nação no tempo de Jeroboão e Roboão seria curado. O rei
Messiânico era visto corno o rei que governaria no tempo da reuni-
ficação e restauração. A grande esperança da nova aliança era que,
depois de tantos séculos, as duas varas seriam uma.
Com base na profecia de Ezequiel, também oramos e cremos na
restauração plena e dupla tanto de Israel quanto da Igreja, e contem-
plamos seu desdobramento diante dos nossos olhos nesta geração.

O RETORNO DO REMANESCENTE

Durante o tempo do exílio, os profetas começaram a profetizar que


o remanescente dos exilados de Israel retornaria à terra. Esse retorno
aconteceu em três ondas de "aliyah", a palavra hebraica para imigra-
ção, que significa "subir". A primeira onda de aliyah foi liderada por
Zorobabel no governo do rei Ciro. A segunda onda foi conduzida
por Esdras no tempo de Artaxerxes. A terceira onda de retorno foi
liderada por Neemias. Nessas ondas de imigração, o povo cujo cora-
cão estava sensível a Deus retornou à terra. Esse grupo de famílias e
seus filhos logo receberia o futuro rei Messiânico.
Todas as 12 tribos de Israel, assim como os levitas, foram dili-
gentes em manter registros minuciosos de suas genealogias durante
.108 RELACIONAMENTOS DE ALIAM

OS anos do exílio. Seu antigo senso de aliança de sangue conservou


fortemente na mente deles a identidade que possuíam com cada tribo.
Embora essas pessoas soubessem à que tribo pertenciam, os anos de
exílio e os obstáculos difíceis que enfrentaram no retorno a Israel as
fizeram esquecer qualquer inimizade entre as tribos. Esses indivíduos
eram o remanescente escolhido a dedo e de coração quebrantado de
cada tribo. Eles haviam sido peneirados, refinados e humilhados. Esta-
vam retornando agora não para estabelecer um reino carnal, como seus
pais haviam feito, mas para ser pioneiros de urna nova comunidade
com amor no coração e oração nos lábios. Eles tinham um novo senso
de aliança com Deus que os fazia adorá-lo em espírito e em verdade.
Esse remanescente que retornou pode ser comparado aos pri-
meiros pioneiros que se estabeleceram nos Estados Unidos. Esses
pioneiros escaparam do velho mundo da Europa para começar um
novo mundo e urna nova vida que Deus lhes prometera. Os primei-
ros peregrinos acreditavam que os Estados Unidos eram um lugar
onde poderiam viver uma verdadeira fé cristã com sinceridade e
amor, depois de terem escapado das instituições religiosas decaden-
tes da Europa. Eles enfrentaram empecilhos tremendos, mas levaram
consigo as promessas de Deus para uma nova grande nação. Tiveram
de superar urna oposição quase esmagadora e, embora lhes parecesse
que iriam fracassar, conseguiram fundar urna nação que estava desti-
nada a tornar-se a mais próspera, a mais poderosa e a mais cristã que
o mundo moderno já conheceu.
A situação era semelhante para os exilados que estavam voltando
da Babilônia para Israel. Eles enfrentaram obstáculos naturais e opo-
sição de homens maus. Nem parecia que teriam sucesso, mas de fato
conseguiram fundar a nação que carregava a promessa da restauração
de Israel e da vinda do rei Messiânico. Essas pessoas e suas gerações
seguintes infundiram nos filhos a crença de que um grande Messias
nasceria em breve no meio deles. A solidez dessa fé começou a au-
mentar cada vez mais. A esperança Messiânica se tornou ainda mais
forte no coração deles. A expectativa de uma comunidade espiritual
gloriosa lhes parecia tangível. Para os filhos dessas famílias, Yeshua
nasceria cerca de 400 anos depois.
A Nova Aliança de Neemias 409

AS DOZE TRIBOS

O restante do povo que retornou a Israel. incluía membros de todas


as 12 tribos. (Esse fato pode ser visto nos seguintes versículos: 2 Cr
10.17; 11.3,16; 1.5.9; 30.21,25; 31.6; Ed 2.2,59,70; 6.16,21; 7.7; 9.1;
10.1,25; Ne 7.7,73; 9.2; 11.3,20 e 13.3.) Depois da divisão entre as
tribos do Norte e do Sul, em vários períodos de avivamento, pessoas
das tribos do Norte desceram para viver em Judá. Quando Judá foi.
levada ao cativeiro, essas pessoas preservaram sua identidade tribal.
Ao retornar a Israel. após o exílio, elas continuaram registrando suas
genealogias. Na época do Novo Testamento, o povo sabia à qual tri-
bo pertencia e quem eram seus antepassados até mesmo de muitas
gerações anteriores. Dizer que existem dez tribos perdidas de Israel
espalhadas por aí é claramente antibíblico.
Em Lucas 2.36, a profetiza Ana é citada como sendo da tribo de
Aser, uma das tribos mais ao Norte e menos populosa. Em grandes
porções dos livros de Esdras e Neemias, há listas de genealogias. Elas
são subdivididas em categorias. Uma dessas categorias é formada pe-
las pessoas que vieram das tribos de Israel. Além disso, o apóstolo
Tiago escreve sua carta, no Novo Testamento, para todas as 12 tribos
hoje conhecidas como judeus.
A família de Yeshua certamente manteve registros genealógicos
claros tanto do lado paterno quanto do materno. Por todo o Novo
Testamento, não há menção alguma a qualquer tribo perdida de Is-
rael. O povo a quem Yeshua se dirigia como judeus era tido como um
grupo que incluía o remanescente das tribos do Norte.
A primeira onda de ahjyah da Pérsia aconteceu sob a liderança de
Zorobabel. Ele era da linhagem imediata dos reis de Judá. Zorobabel
pode ser considerado o rei de Judá daquela época. Ele dividia a li-
derança com um homem descendente direto de Arão, o sumo sacer-
dote. Seu nome era Yeshua (Josué), o mesmo nome traduzido como
Jesus no período do Novo Testamento. O nome de Jesus no Novo
Testamento poderia facilmente ter sido registrado como Jeshua ou
Yeshua. Esse Jeshua do tempo de Zorababel era o sumo sacerdote de
sua geração.
408 RELACIONAMENTOS DEALIANÇA

os anos do exílio. Seu antigo senso de aliança de sangue conservou


fortemente na mente deles a identidade que possuíam com cada tribo.
Embora essas pessoas soubessem à que tribo pertenciam, os anos de
exílio e os obstáculos difíceis que enfrentaram no retorno a Israel as
fizeram esquecer qualquer inimizade entre as tribos. Esses indivíduos
eram o remanescente escolhido a dedo e de coração quebrantado de
cada tribo. Eles haviam sido peneirados, refinados e humilhados. Esta-
vam retornando agora não para estabelecer um reino carnal, como seus
pais haviam feito, mas para ser pioneiros de urna nova comunidade
com amor no coração e oração nos lábios. Eles tinham um novo senso
de aliança com Deus que os fazia adorá-lo em espírito e em verdade.
Esse remanescente que retornou pode ser comparado aos pri-
meiros pioneiros que se estabeleceram nos Estados Unidos. Esses
pioneiros escaparam do velho mundo da Europa para começar um
novo mundo e uma nova vida que Deus lhes prometera. Os primei-
ros peregrinos acreditavam que os Estados Unidos eram um lugar
onde poderiam viver uma verdadeira fé cristã com sinceridade e
amor, depois de terem escapado das instituições religiosas decaden-
tes da Europa. Eles enfrentaram empecilhos tremendos, mas levaram
consigo as promessas de Deus para uma nova grande nação. Tiveram
de superar uma oposição quase esmagadora e, embora lhes parecesse
que iriam fracassar, conseguiram fundar uma nação que estava desti-
nada a tornar-se a mais próspera, a mais poderosa e a mais cristã que
o mundo moderno já conheceu.
A situação era semelhante para os exilados que estavam voltando
da Babilônia para Israel. Eles enfrentaram obstáculos naturais e opo-
sição de homens maus. Nem parecia que teriam sucesso, mas de fato
conseguiram fundar a nação que carregava a promessa da restauração
de Israel e da vinda do rei Messiânico. Essas pessoas e suas gerações
seguintes infundiram nos filhos a crença de que um grande Messias
nasceria em breve no meio deles. A solidez dessa fé começou a au-
mentar cada vez mais. A esperança Messiânica se tornou ainda mais
forte no coração deles. A expectativa de uma comunidade espiritual
gloriosa lhes parecia tangível. Para os filhos dessas famílias, Yeshua
nasceria cerca de 400 anos depois.
A Nova Aliança d. Neenlia,,

A S D O Z E T RI B O S

O restante do povo que retornou a Israel incluía membros de todas


as 12 tribos. (Esse fato pode ser visto nos seguintes versículos: 2 Cr
10.17; 11.3,16; 15.9; 30.21,25; 31.6; Ed 2.2,59,70; 6.16,21; 7.7; 9.1;
10.1,25; Ne 7.7,73; 9.2; 11.3,20 e 13.3.) Depois da divisão entre as
tribos do Norte e do Sul, cm vários períodos de avivamento, pessoas
das tribos do Norte desceram para viver em Judá. Quando Judá foi
levada ao cativeiro, essas pessoas preservaram sua identidade tribal.
Ao retornar a Israel após o exílio, elas continuaram registrando suas
genealogias. Na época do Novo Testamento, o povo sabi.a à qual tri-
bo pertencia e quem eram seus antepassados até mesmo de muitas
gerações anteriores. Dizer que existem dez tribos perdidas de Israel
espalhadas por aí é claramente antibíblico.
Em Lucas 2.36, a profetiza Ana é citada como sendo da tribo de
Aser, uma das tribos mais ao Norte e menos populosa. Em grandes
porções dos livros de Esdras e Neemias, há listas de genealogias. Elas
são subdivididas em categorias. Urna dessas categorias é formada pe-
las pessoas que vieram das tribos de Israel. Além disso, o apóstolo
Tiago escreve sua carta, no Novo Testamento, para todas as 12 tribos
hoje conhecidas corno judeus.
A família de Yeshua certamente manteve registros genealógicos
claros tanto do lado paterno quanto do materno. Por todo o Novo
Testamento, não há menção alguma a qualquer tribo perdida de Is-
rael. O povo a quem Yeshua se dirigia como judeus era tido como um
grupo que incluía o remanescente das tribos do Norte.
A primeira onda de aliyah da Pérsia aconteceu sob a liderança de
Zorobabel. Ele era da linhagem imediata dos reis de Judá. Zorobabel
pode ser considerado o rei de Judá daquela época. Ele dividia a li-
derança com um homem descendente direto de Arão, o sumo sacer-
dote. Seu nome era Yeshua (Josué), o mesmo nome traduzido como
Jesus no período do Novo Testamento. O nome de Jesus no Novo
Testamento poderia facilmente ter sido registrado como Jeshua ou
Yesh.ua. Esse Jeshua do tempo de Zorababel. era o sumo sacerdote de
sua geração.
dl1() ,x( NTos 1)1 ,11.1.1NÇ I

Embora o remanescente que havia retornado fosse pequeno, a


estrutura nacional estava intacta com o rei, o sumo sacerdote e os
líderes de todas as tribos de Israel. Esdras 2.2 declara:

Os quais vieram CO?)! Zombabel,Jesuá, Neemias, &ralas 0


numero dos homens do povo de Israel.

Esse remanescente foi também acompanhado pelos profetas


Ageu, Zacarias e outros. O rei e os anciãos, profetas, sacerdotes e
representantes de todas as 12 tribos estavam presentes. Era o rema-
nescente Messiânico restaurado preparando-se para a revelação do
Rei Messias e para a restauração do reino Messiânico a Israel.

A PROMESSA ME SSIÂ NICA

A esse pequeno grupo de pessoas pertenciam todas as promessas da


nova aliança. Eles eram os herdeiros do rejuntamento de Israel, da
união das tribos do Norte e do Sul, da prometida renovação espiri-
tual e do Messias vindouro. Os livros históricos do Velho Testamento
concluem sua narrativa com o remanescente do povo reunido, sob a
liderança de Neemias, com o objetivo de fazer uma aliança de servir o
Deus de Israel. A história do Velho Testamento termina com a aliança
de Neemias. Ela mostra o povo em expectativa em relação aos aconte-
cimentos narrados no início dos evangelhos de Mateus e Lucas.
O remanescente que voltara do exílio fez urna aliança renovada
com o Deus de Israel. Eles tinham abandonado as atitudes carnais
do reino anterior. Tinham morrido no tempo do exílio e estavam
sendo levantados novamente para estabelecer urna comunidade de
pessoas devotas. As esperanças e as promessas das gerações passadas
repousavam sobre seus ombros.
Os últimos profetas do período do Velho Testamento profeti-
zaram que em breve um grande derramamento do Espírito de Deus
viria sobre seus descendentes. Essas pessoas renovaram seu compro-
misso com Deus; fizeram urna nova aliança. Elas se viam como her-
deiras de um novo tipo de reino conforme as profecias de Jeremias
e Lzequiel. Acreditavam que Deus faria uma nova aliança com elas.
A Nova Aliança de Neemias 411

Uniram os corações em arrependimento e esperança, vasculhando as


Escrituras para encontrar pistas sobre a vinda do Messias.

A NOVA ALIANÇA DE NEEMIAS

Nos capítulos 9 e 10 do livro de Neemias, o povo se reuniu para orar,


jejuar e comprometer-se com Deus numa nova aliança. Neemias 9.3
diz:

E, levantando-se no seu lugar; leram no livro da lei do Senhor seu


Deus, unia quarta parte do (lia; e outra quarta parte.fizeram con-
fissão, e adoraram ao Senhor seu Deus.

Em oração, jejum e confissão das promessas da aliança de Deus,


eles permaneceram diante do Senhor. Invocaram a Deus para fazer
essa nova aliança com eles. Neemias 9.32 declara:

Agora, pois, ó nosso Deus, Deus grande, poderoso e temível, que


guardas o pacto e a beneficência, não tenhas em pouca conta toda
a aflição que nos alcançou a nós, a nossos reis, a nossos príncipes, a
nossos sacerdotes, a nossos profetas, tas, a nossos pais e a todo o teu povo.

Eles criam que Deus estava perdoando-lhes os pecados passados


cometidos ao longo da história do seu povo. Todos os pecados que
resultaram no julgamento duplo de divisão e exílio estavam agora
sendo perdoados. A idolatria e a bruxaria tinham sido abandonadas.
Eles haviam sido miraculosamente preservados como um remanes-
cente e conduzidos de volta à terra de Israel. Estavam seguros de
que Deus ouvia suas orações. Tinham certeza de que Deus faria uma
nova aliança com eles, porque era muito evidente que ele havia per-
doado a seus pecados. Eles criam que um grande derramamento do
Espírito de Deus estava próximo. Neemias 9.38 declara:

Contudo, por causa de tudo isso firmainos uni pacto e o escreve-


mos; e selam-no os nossos príncipes, OS nossos levitas e OS nossos
sacerdotes.
.1 1 .' ■
1 11 .1( I(1N \ NIFN FOS 1)1'. ALIANÇA

Eles estabeleceram a aliança, formalizaram-na, pediram a seus


líderes que a confirmassem e se comprometeram com ela.

ESPERANDO A NOVA ALIANÇA

Em meio ao tumulto e aos transtornos do período intertestamentá-


rio, os filhos e os filhos dos filhos desse remanescente mantiveram
urna constante vigília de oração. Eles intercediam pela vinda do avi-
vamento prometido da nova aliança. Durante 400 anos, esse povo
passou dias e noites intercedendo diante de Deus no átrio do templo
em Jerusalém.

Houve nos (lias do Rei Herodes, rei da judéia, um sacerdote cha-


mado Zacarias, da turma de Abias; e sua mulher era descendente
de Ardo, e chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus,
andando irrepreensíveis em todos os mandamentos e preceitos do
Senhor. (Lc 1.5,6)

Certamente, muitos dos sacerdotes e israelitas que viviam na terra


naqueles dias não eram verdadeiramente devotos embora muitos
deles fossem. Esse sacerdote piedoso entrou para oferecer incenso
em favor da multidão. Enquanto oferecia o incenso, ele intercedia cm
oração. Bem no meio de suas orações, o anjo Gabriel apareceu en-
viado da parte de Deus. O anjo lhe disse em Lucas 1.13: "Não temas,
Zacarias; porque a tua oração foi ouvida".
Em resposta às orações dessas gerações, o anjo prometeu a Za-
carias um filho que seria o último grande profeta e apresentaria o
Messias, cujo nascimento estava próximo. O anjo apareceu a Za-
carias em resposta às orações das gerações anteriores. Lucas 1 dá
continuidade a partir do ponto em que Neemias 9 termina. Em
Neemias 9, o povo cortou a aliança numa atitude de esperança. Eles
e seus filhos intercederam por todo o período intertestamentário. A
resposta a essas orações foi anunciada a eles por meio do apareci-
mento miraculoso do anjo Gabriel. Gabriel falou com um dos seus
sumos sacerdotes no momento da oferta do sacrifício e do incenso
sagrado no altar.
Nova Aliança de Nerm1.1. 11

Quando o anjo apareceu a Zacarias no interior do templo, unia


multidão de pessoas estava em pé no átrio, intercedendo de todo o
coração. Lucas 1.10 declara:

E toda a multidão do povo Oralia da parte defora, à hora do incenso.

Tudo aconteceu conforme deveria acontecer. O incenso estava


sendo oferecido como símbolo pactuai das orações. Ao mesmo
tempo, o povo estava orando em intercessão sincera. Essas pessoas
estavam espiritualmente afinadas com o que se passava. Quando Za-
carias saiu do santuário, elas perceberam que ele havia tido urna visão.

Quando saiu, porém, não lhes podia e perceberam que tivera


uma visão no santuário. (Lc 1..22)

O NASCIMENTO DO REI

Sinais e milagres maravilhosos começaram a irromper no meio do


povo. Homens e mulheres recebiam visitações miraculosas de anjos.
Mulheres passavam por partos sobrenaturais, e pastores tinham visões
enquanto cuidavam de seus rebanhos. Pescadores passavam os dias
consertando suas redes e conversando sobre as promessas das Escritu-
ras acerca da vinda do Messias. A opinião popular estava despertando
para o fato de que grandes vitórias espirituais estavam acontecendo.
Batalhas espirituais intensas estavam sendo travadas. As autori-
dades seculares começavam a assassinar os filhos da aliança. Homens
sábios de países distantes eram atraídos a Israel por visões gloriosas.
Pessoas lotavam as ruas, orando e lendo as Escrituras. O povo dei-
xava casa e trabalho para ir ao deserto ouvir a pregação de profetas.
Cidadãos comuns paravam nas ruas e discutiam sobre a cidade de
onde o Messias viria.
Foi nessa mistura explosiva de gás e ar que nasceu a faísca de Ye-
shua, o Messias. A explosão resultante abalou o mundo e mudou o
curso da História para sempre. Deus havia sido fiel às suas promessas.
A nova aliança fora cumprida, e o reino de Deus agora está sendo pre-
gado por todo o mundo.
3

REFLEXÕES

A
proximadamente três décadas se passaram desde que come-
çamos tentar tratar nossos relacionamentos de acordo com os
princípios de aliança. Fico feliz em dizer que todos os valores
básicos de integridade e lealdade compartilhados neste livro deram
fruto e parecem mais verdadeiros hoje que nunca. De fato, na geração
Y, na qual a mídia social arremessou os relacionamentos a dimensões
inéditas, há uma necessidade maior do que em qualquer outra época
dessas verdades eternas.
E claro que, à medida que a pessoa se torna mais madura e sábia,
ela aprende a ser um pouco mais flexível com as regras e os regula-
mentos que estabelece para si mesma. Relacionamentos de aliança
são nosso modelo ideal. Mantemos esse ideal corno nosso padrão
embora tenhamos de lidar pela graça com nossos muitos erros.

FIDELIDADE

Dan Juster definiu "aliança" como "compromisso com relacionamen-


tos de longo prazo". Na minha opinião, essa é urna excelente síntese.
Esse é nosso objetivo.
Uma qualidade de caráter essencial para relacionamentos de
longa duração é a fidelidade. Fidelidade é nossa resposta à fé. Cre-
mos em Deus porque ele é fiel. Em contrapartida, buscamos ser fiéis
como ele. Somos "conformados à sua imagem".
A fidelidade, assim corno a paciência, possui um elemento de
tempo. Fidelidade e paciência, como um bom vinho, devem ser cul-
tivadas ao longo do tempo — por muito tempo. Deus é eternú.
como seus filhos, podemos ao menos demonstrar um pouco amai
fidelidade e paciência.
416 RELACIONAMENTOS DE fkLIANÇA

Há um romance inspirador na história de um casal jovem prestes


a casar-se. Contudo, quando você encontra um entusiasmo seme-
lhante num casal mais velho junto há décadas, identifica algo ainda
mais precioso. Os relacionamentos devem melhorar com o passar
do tempo. Maturidade é outra qualidade que exige tempo. Existe
uma riqueza na fé e nos relacionamentos maduros que não pode ser
obtida no início.
Portanto, princípios de aliança devem produzir um fruto visível:
evidência de relacionamentos que ainda estão juntos após várias dé-
cadas. Isso é amor maduro. Com relação a isso, também tenho prazer
em dizer que, em quase todas as nossas equipes de liderança, casa-
mentos e famílias, o fruto de relacionamentos de longa data pode ser
visto. Espero que esse fruto traga credibilidade às ideias apresentadas
neste livro.

SEU DESTINO, NOSSA UNIÃO

Aqui está outra maneira de definir os princípios de aliança: RA =


SD + NU > TG. Essa fórmula significa: Relacionamentos de Aliança
(R.11) é igual a Seu .Destino (SD) mais Nossa Unidade (NU) que leva à
Transmissão Geracional (TG).
Seu Destino: amor significa que você deseja o melhor para a
outra pessoa. A verdadeira motivação do nosso coração deve ser:
Quero o Seu Destino". Em termos bíblicos, isso quer dizer que você
"

deseja que o outro cumpra o destino que Deus lhe deu (Rm 8.28-30).
Nossa Unidade: até o ponto em que é possível. e bom para você,
quero estar ao seu lado. Quero que estejamos juntos. Em alguns ca-
sos, devo reconhecer que é melhor um amigo estar em outro lugar.
Talvez, seria preferível que ele estivesse numa congregação diferente,
ou num emprego diferente, ou em outro lugar. Sendo assim, eu dese-
jo o que é bom para ele. Mas, contanto que seja bom, quero que meu
amigo esteja comigo, que esteja próximo a mim, que faça parte do
grupo ao qual pertenço.
A diferença sutil entre a prioridade de querer o sucesso do outro
e querer que ele fique com você será testada com bastante frequência.
Reflexões 41/

Estamos constantemente convencidos de que nossa maneira de agir


é a melhor; nosso grupo é o melhor; nossa visão é a melhor... Logo,
ficamos convencidos de que qualquer um que possua dons, habilida-
des e atratividade deve estar conosco. No entanto, isso nem sempre
é verdade.
Certamente, o amor deseja que o amigo esteja junto conosco.
Entretanto, muitas vezes, o caminho traçado por Deus para essa pes-
soa cumprir seu destino exige que ela esteja em outro lugar por um
tempo. Ao deparar-nos com esses momentos de teste, devemos cer-
tificar-nos de não tentar manipular o outro e convencê-lo a ficar, mas
de dar-lhe a liberdade de fazer o melhor.
Transmissão Geracional: fazemos amigos quando somos jo-
vens e solteiros. Depois, nós nos casamos. Em seguida, temos filhos.
Então, nossos filhos crescem. Eles, por sua vez, casam-se e têm os
próprios filhos. Deus faz aliança conosco e diz que será fiel aos "filhos
dos nossos filhos" (Gil 17.7, Is 59.21). O compromisso correspon-
dente da nossa parte com os nossos amigos é agir com lealdade de
aliança em relação aos seus filhos e netos.

O MANDATO DAS GERAÇÕES

Deus fez um compromisso com Abraão e seus filhos. Davi entendeu


esse princípio e, por isso, demonstrou misericórdia a Mefibosete, o
filho aleijado do seu parceiro de aliança Jônatas (2 Sm 9). Essa tam-
bém é a razão por que a Igreja deveria mostrar lealdade à casa de
Israel. apesar dos anos difíceis de história entre os dois. Os que acre-
ditam no Messias de Israel serão fiéis aos seus familiares. Deus age
com lealdade à casa de Israel por causa da sua aliança com Abraão.
Ser fiel aos filhos uns dos outros é o que chamamos do princípio
do "tio". O que desejo para todos os filhos dos meus parceiros de
aliança é que me vejam como um pai substituto, um tipo de tio. Fico
feliz em contar que quase todos os filhos dos nossos amigos sabem
que os parceiros de aliança dos seus pais irão tratá-los de forma espe-
cial. Os filhos sabem que nossa atitude em relação a eles é: "Por causa
da minha amizade com sua mãe e seu pai, sempre estarei aqui para
você. Sempre serei seu tio espiritual".
418 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Com o passar dos anos, a importância da Transmissão Gera-


cional tem-se tornado cada vez mais fundamental. Essa é a "Última
Profecia". Na última profecia dos "últimos profetas", encontramos o
chamado para "converter os corações dos pais aos filhos" (Ml 4.6).
Esse "mandato das gerações" tornou-se então a primeira profe-
cia dos Evangelhos proclamada por João Batista para "converter os
corações dos pais aos filhos" (Lc 1.17). Porém, tanto Lucas quanto Ma-
laquias associaram essa profecia ao tempo logo antes do "grande e
terrível Dia do SENHOR" (Ml 4.5).
O "mandato das gerações" é a última grande profecia; é o com-
promisso de aliança final; é a última profecia "emblemática" do fim
dos tempos.

PESSOAS ANTES DE PROJETOS

A mensagem do reino de Deus é um projeto enorme. Ele engloba


todos os grupos étnicos. Leva a criação física e a história humana ao
seu ponto culminante. Como discípulos de Yeshua, somos chamados
a fazer parte desse grande projeto. Somos chamados a mudar o mun-
do inteiro, e isso começa por uma transformação em nós mesmos.
Yeshua nos convida e nos ordena a estar ativamente envolvidos em
seu "projeto".
Contudo, vemos que o sistema de Yeshua para mudar o mundo
consistiu em escolher um pequeno grupo de 12 pessoas. Ele investiu
sua vida neles. Com base no exemplo de Yeshua com os Doze, deri-
vamos o princípio de "pessoas antes de projetos".
Nós também possuímos grandes sonhos. Qieremos cumprir
nosso destino. Desejamos mudar o mundo. Temos projetos que de-
sejamos realizar. No entanto, a forma pela qual alcançamos nossos
objetivos no reino de Deus é "priorizando as pessoas". Investimos em
pessoas e as ajudamos a atingir seu destino. Contribuímos para que
outros possam "dar fruto".
Eu gostaria de produzir o máximo de fruto espiritual possível
elo 15). A maneira de conseguir isso é fazendo menos por conta
própria e ajudando mais outros. Ao invés de "dar fruto", podemos
Reflexões 4IY

multiplicá-lo exponencialmente treinando, equipando, capacitando,


cultivando e mentoreando outras pessoas. Somos mais semelhantes
a jardineiros do que trabalhadores de linha de produção. Quando
temos de escolher entre pessoas e um projeto, devemos sempre optar
pelas "pessoas" como uma prioridade superior.

BONÉ DE TREINADOR

Para "priorizar" as pessoas, muitas vezes devemos exercer o domínio


próprio e não insistir num projeto que pareça ter oportunidades ur-
gentes e excelentes. Devemos manter o projeto "na prateleira" até que
a pessoa certa possa ser treinada para executá-lo.
Nós, que somos líderes, devemos adotar uma atitude de treina-
dor. Lembro-me, anos atrás, de quando David Rudolph me disse que
eu deveria sair e comprar um boné de treinador. Esse é um ponto
significativo dos princípios de aliança maduros. A minha geração fi-
cou conhecida como a geração do "eu". Somos egocêntricos. Nós nos
vemos como heróis.
Queremos ser o centro das atenções. Em termos de esporte, de-
sejamos ser a estrela do jogo. Entretanto, um bom líder precisa ser
mais como um técnico do que como um jogador. Isso exige uma mu-
dança sutil de identidade. Requer humildade. E uma troca de papel
com ramificações profundas.
Parece estranho que tantos "roqueiros" da minha geração ainda
queiram subir no palco, pular ao som da música sensual, com mul-
tidões de adolescentes os aplaudindo mesmo depois dos 70 anos de
idade. É constrangedor. É vergonhoso também quando grandes líde-
res espirituais não sabem como passar da posição de "melhor joga-
dor" para "técnico do time vencedor".
Na verdade, ser um treinador espiritual é muito mais gratifi-
cante do que ser "o grande homem de Deus do momento". Quando
você se sente realizado por meio das pessoas que ama, a alegria e a
satisfação são completas e puras, sem a interferência do ciúme e da
competição.
420 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

AVÔS

Um pai hoje será um avô dentro de 30 anos. A transição de pai para


avô chega como uma surpresa. No início, parece um pouco estranho.
A pessoa pensa: "Que triste, estou envelhecendo!". Mas, depois, vem
a maior surpresa, a parte agradável, que é segurar nos braços o pri-
meiro neto.
É urna satisfação total. Corno costumamos brincar, tem todos
os prazeres de ser pai sem nenhuma das responsabilidades. Também
dizem: "Se eu soubesse que ser avô era tão divertido, teria começado
por aí". A questão aqui não tem a ver simplesmente com ser avô, mas
com líderes congregacionais fazendo a transição do papel de líder
principal para supervisor consultivo. Há uma grande necessidade de
pessoas exercendo a função de avôs no Corpo de Cristo.
É lamentável que a maioria das congregações ou ministérios
opere a partir de um modelo de negócio corporativo ao invés de um
modelo tribal familiar. Numa empresa, o CEO chega à idade de apo-
sentar-se. Ele se aposenta. E deixa a empresa. Ele não contribuiu
com a preparação do seu sucessor. E não participou em nada da con-
tinuidade da empresa. Coloca-se um anúncio nos "classificados" e,
em seguida, o novo líder é contratado. Não há compromisso pessoal
algum do novo líder em relação ao anterior, e vice-versa.
Acredito que todo líder deveria começar a preparar novos líderes
e até mesmo seu próprio sucessor desde o primeiro dia de serviço.
Damos início com nosso "plano de saída" já em vigor. Mas, quando
chega a hora, não saímos de vez da empresa. Permanecemos como
parte da família. Fazemos a transição da função de pai para a de avô.
Cito abaixo algumas das diferenças entre esses dois papeis.
De autoridade para honra — quando o filho cria seus próprios fi-
lhos, ele possui a autoridade de pai sobre eles. É a sua casa. O avô não
tem mais a autoridade, mas mantém o lugar de honra. A autoridade
funcional diminui depois da idade de "aposentadoria", mas a posição
de honra só cresce.
De programação para conselho — o líder está acostumado a
definir a programação. Entretanto, à medida que treina e transfere
a autoridade a seus filhos espirituais, estes, por sua vez, assumem
Ri I l n o u N

a tarefa de definir a programação. Ainda assim, devem continuar a


ouvir o conselho do líder.
De posição para influência — embora cargos e posições sejam
transferidos etapa por etapa aos líderes mais jovens, os mais velhos
continuam a ocupar um lugar de influência. Com o passar dos anos,
a habilidade física diminui, mas a sabedoria e a experiência acumula-
das são mais valiosas do que nunca.
Portanto, desejamos ver líderes de congregação e ministério
acompanhados de seus "avôs" espirituais, que possam dar-lhes conse-
lhos e sabedoria. O líder mais jovem permanece numa posição de ali-
nhamento perfeito honrando aqueles que o antecederam e recebendo
deles sabedoria e conselhos. Desse modo, um servo sábio do reino
tirará do tesouro o que é novo e o que é velho (Mt 13.52). Assim,
nossas congregações serão mais parecidas com famílias estendidas do
que com uma organização corporativa.

L I DE RA N ÇA QUE T RA B AL HA E M E QU IPE

Relacionamentos de aliança exigem cooperação não apenas vertical-


mente entre as gerações, mas também horizontalmente entre amigos,
e sobretudo entre líderes. Chamamos isso de "liderança que trabalha
em equipe". Sou abençoado por fazer parte de vários grupos de lide-
rança — em Tiferet Yeshua, nossa congregação em Tel Aviv; no Re-
vive Israel, nossa equipe ministerial dc Yad Hashmonah; em Ahavat
Yeshua, nossa congregação em Jerusalém; e no Tikkun International,
nossa rede mais ampla de líderes. Urna das nossas maiores bênçãos é
ter desenvolvido uma equipe que trabalha junto em todos os grupos
ou esferas de atividade.
Trabalhar juntos em equipe não é algo que acontece natural-
mente para as pessoas, nem mesmo para as que nasceram dc novo,
sobretudo para os líderes e muito menos para nós, "judeus messiâni-
cos". Tivemos de aprender a trabalhar juntos. Precisamos aprender a
funcionar como grupo. Leva muito mais tempo no início para desen-
volver urna postura de equipe. Mas, no fim, há muito mais potencial
para a multiplicação.
422 RELACIONAMENTOS DE ALIANÇA

Não apenas há mais potencial para crescimento corno também


há segurança. Alguém pode cometer um erro. Se estamos trabalhan-
do juntos, podemos corrigir uns aos outros. Quando nos abrimos
para outros membros de equipe, alguém pode apontar possíveis pro-
blemas morais. A liderança que trabalha em grupo encoraja presta-
ção de contas e humildade.
Se não trabalharmos em equipe, trabalharemos sozinhos. Neste
caso, há o perigo de "esgotamento". Cada líder tende a sentir-se
competindo com os outros. Existe urna tendência natural à divisão.
Quando operamos em equipe, tanto internamente quanto entre con-
gregações, há uma proteção contra divisão.

O MODELO DOS CINCO MINISTÉRIOS

Para que líderes trabalhem juntos, precisamos reconhecer diferen-


tes tipos de dons nos diversos tipos de líderes. O melhor modelo
para essa diversidade entre líderes seniores é encontrado em Efésios
4.11,12, trecho no qual estão listados: "apóstolos, profetas, evangelistas,
pastores e mestres". A distinção entre esses tipos de funções de lide-
rança é essencial para que haja trabalho em equipe. Para trabalhar
juntos, precisamos reconhecer corno somos diferentes.
Efésios 4.11,12 descreve as várias funções dos líderes seniores.
Romanos 12.3-8 descreve os diversos dons e chamados de todos os
membros das nossas congregações. Reconhecer as diferenças é a cha-
ve para trabalhar juntos em qualquer nível de cooperação. A estrutu-
ra dos "cinco ministérios" de Efésios 4 é o modelo ideal para o bom
funcionamento da liderança e, portanto, o estágio final dos relacio-
namentos de aliança.
Relacionamentos de aliança levam à amizade pessoal, depois à
cooperação entre a liderança e, finalmente, às funções de apóstolos
e profetas. Infelizmente, há muita guerra espiritual ligada à ques-
tão de apóstolos e profetas. Existe também muita confusão e mau
uso dessas posições. Uma leitura cuidadosa de 2 Coríntios 10-12
mostra que Paulo dedica esses três capítulos inteiros à guerra espi-
ritual e aos mal-entendidos a respeito da autoridade apostólica nas
423

congregações. [Pessoalmente, sou testemunha da guerra intensa e


da falta de entendimento ligadas à própria ideia de ministério de
equipe apostólica aqui em Jerusalém.]
Para ajudar a explicar esse ponto, gostaria de fazer uma com-
paração. Atualmente, há muitas igrejas e congregações inovadoras e
alternativas que não creem em nenhum tipo de presbitério. Existem
algumas vantagens nisso: há liberdade e flexibilidade. Mas, em longo
prazo, uma congregação na Nova Aliança precisa de algum tipo de
presbitério e autoridade espiritual. Em outras congregações, todos os
presbíteros ocupam a mesma posição sem um líder ou pastor. Existem
também vantagens nesse modelo: um senso de fraternidade e igualda-
de. Contudo, a experiência revela que uma congregação funciona com
mais eficiência se um dos presbíteros se torna o "primeiro entre iguais".
O mesmo pode ser dito sobre os ministérios apostólico e proféti-
co: a maioria das congregações no mundo hoje opera sem eles. Exis-
tem também algumas vantagens nisso; parece menos complicado sem
a contribuição apostólica e profética. No entanto, um estudo minu-
cioso do livro de Atos e das epístolas de Paulo mostraria que todas as
congregações no primeiro século estavam ligadas à liderança apostólica.
Eu não vejo nenhuma congregação da Nova Aliança na Bíblia sem
apóstolos e profetas. Certamente, é possível administrar congregações
sem presbíteros, pastores, apóstolos ou profetas; entretanto, o modelo
bíblico parece indicar a vantagem de todas essas posições.

PEÇAS DE QUEBRA-CABEÇA

Quando trabalhamos juntos em relacionamentos de aliança funcio-


nando em equipes, devemos reconhecer não apenas nossos dons e
chamados diferentes, mas também nossas diferentes forças e fraque-
zas. Usamos o exemplo de encaixar peças num quebra-cabeça. Qual-
quer peça de quebra-cabeça tem quatro lados. Em cada lado, a peça
se projeta ou recua. Isto é, ela tem uma parte saliente ou um buraco
para dentro. Comparo isso com as forças e fraquezas de cada pessoa.
A parte que se sobressai é o ponto em que a pessoa é forte e talentosa;
a parte com recuo é o ponto no qual ela é fraca.
424 REI ACIONANIENTOS Dl.A L I A N Ç A

Geralmente, nas áreas em que somos deficientes, reconhecemos


a necessidade da ajuda de outros. Onde somos fortes, achamos que
conseguiremos sozinhos. A ironia do trabalho em equipe é que o
lugar em que constatamos nossa fraqueza é onde nos ligamos às pes-
soas. Nossos pontos fracos são nossos pontos de ligação com ou-
tros. Portanto, onde admitimos nossa fragilidade, nosso trabalho em
equipe é forte; onde achamos ser capazes, nosso trabalho em equipe
normalmente é fraco.
E preciso humildade e coragem para reconhecer nossos pontos
fracos e os pontos fortes do outro. Todavia, é assim que aprendemos a.
ser jogadores de equipe e parceiros de aliança. Don Finto costumava
dizer que, quando nos sentimos feridos ou ofendidos, queremos de-
sencaixar nossa peça do quebra-cabeça e "tirá-la da mesa". Porém, em
relacionamentos de aliança, quando estamos machucados ou ofen-
didos, não devemos retirar nossa peça, mas empurrá-la adiante e ver
corno nossas fraquezas podem encaixar-se com os pontos fortes de
outra pessoa; e vice-versa.

UN ID ADE DO CO RPO

O último estágio de maturidade espiritual, relacionamentos de alian-


ça e cinco ministérios é a unidade do "Corpo". Essa é a oração de
Yeshua em João 17.21; para que "todos sejam um". É o objetivo da li-
derança em cooperação como descrito por Paulo: "com vistas ao aper-
feiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação
do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da es-
tatura da plenitude de Cristo" (Ef 4.12,13; ARA).
Temos de lutar pela unidade o tempo todo: a unidade da nossa
fé, a unidade das nossas famílias, dos nossos amigos, parceiros e con-
gregações. Satanás busca dividir-nos (Lc 11.17), assim como Yeshua
busca unir-nos ( Jo 17.21-23). Hoje, com o surgimento das mídias
sociais e o crescimento da igreja no leste asiático, temos a oportuni-
dade de ver a unidade de toda a Eclésia, o Corpo Internacional do
Messias, como nunca antes.
Rellexóvs 42'.)

Em Israel, também ternos urna oportunidade especial de unir


árabes e judeus que creem em Yeshua. Esse é um terna que renderia
um livro inteiro. A cisão entre árabes e judeus vem desde a primeira
divisão na família de Deus entre Isaque e Ismael, os dois filhos de
Abraão. Essa divisão continua na história horrível entre o Islã e o
cristianismo até o fenômeno do terrorismo da Jihad hoje.
Judeus messiânicos e cristãos árabes no Oriente Médio com-
preendem que somos irmãos e irmãs. Somos fisicamente "primos"
corno descendentes de Abraão; e somos espiritualmente da mesma
família pela nossa fé em Yeshua, o maior filho de Abraão. Apesar
de todas as dificuldades políticas, religiosas, históricas, étnicas, eco-
nômicas e culturais, temos buscado aproximar-nos uns dos outros.
Reconhecemos que somos família. Estamos num relacionamento de
aliança pela nossa fé. Nós nos amamos. Embora pareça impossível,
estamos determinados a superar todas as dificuldades para manter
nossa unidade.
Por favor, ore por essa unidade entre judeus e árabes por meio de
Yeshua. Cremos que esse testemunho por si só impactará o mundo.

ISRAEL E A IGREJA

Nós, como comunidade messiânica em Israel, também ocupamos


urna posição singular de elo entre Israel e a Igreja. Corno judeus
e israelenses, somos 100% parte do nosso povo; como crentes em
Yeshua, somos 100% parte da Eclésia internacional, a comunidade
universal da fé. Ezequiel 37 fala sobre o profeta pegando duas árvores
ou varas nas mãos e unindo-as numa só.
No contexto, a passagem está referindo-se a unificar a divisão
histórica entre o reino do Norte de Israel e o do Sul de Judá. Tam-
bém a interpretamos como uma parábola espiritual sobre a união de
Israel com a Igreja no fim dos tempos. Cremos que Deus deseja curar
a divisão entre os dois.
A Eclésia foi projetada para ser a comunidade estendida de Is-
rael (Ef 2.12). Israel deveria servir como a comunidade central ou
básica para todos os cristãos ao redor do mundo (Rm 11.17-26). No
426 REL1CIONAMENTOS DE ALIANÇA

fim, ambas chegarão à sua "plenitude" (Rm 11.12, 15, 25). A unidade
entre Israel e a Igreja será achada no Messias Yeshua, que é tanto o
Rei de Israel (Jo 12.13) quanto o Cabeça da Igreja (Ef 1.22).
Dan Juster descreve isso como uma nova identidade para Israel
e para a Igreja. Israel faz parte da Igreja, e a Igreja faz parte de Israel.
Ambos dirão: "Somos um". Eles se identificarão um com o outro.
Nos dois mil anos de Abraão a Yeshua, houve o desenvolvimento
de Israel como nação. Nos dois mil anos desde o tempo de Yeshua
na Terra, houve o desenvolvimento da Eclésia Internacional. Hoje,
estamos testemunhando a restauração dupla de Israel e da igreja.
Quando Israel e a Igreja chegarem, respectivamente, à sua pleni-
tude e unidade, um novo estágio acontecerá no reino de Deus. Ha-
verá um grande derramamento do Espírito de Deus, Yeshua voltará,
os mortos ressuscitarão, e o reino milenar do Messias começará com
sua capital em Jerusalém (Is 2.2-4).
Eu me refiro a isso usando a formula simples: I + Ec = RD. Israel
mais a Eclésia é igual ao Reino de Deus na Terra. Esse é o estágio
final dos relacionamentos de aliança. Ele leva Israel e a Igreja à uni-
dade. É a partir da parceria de aliança entre Israel e a Igreja que o
reino Messiânico surgirá na Terra. O reino de Yeshua será um, e seu
nome será um (Zc 14.9).
Relacionamentos de aliança nos mostram como viver por prin-
cípios de integridade e lealdade. Esses relacionamentos de aliança,
entre nós e Deus e uns com os outros, preparam o caminho para um
mundo de paz e harmonia, cheio de pessoas dignas de confiança.
Afinal, essa era a intenção de Deus desde o início.
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