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Universidade do Minho

Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica

Apontamentos da UC Órgãos de Máquinas I

3º ano 1º semestre

2019/2020

Alberto Costa (a88112)


Universidade do Minho
Escola de Engenharia

COLEÇÃO DE EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO


PROPOSTOS PARA ANÁLISE E
RESOLUÇÃO NAS AULAS
TEÓRICO-PRÁTICAS DE

ÓRGÃOS DE MÁQUINAS I
DO MESTRADO INTEGRADO EM
ENGENHARIA MECÂNICA

José Gomes
Nuno Dourado
Paulo Flores

Departamento de Engenharia Mecânica

- 2019 / 2020 –
PREÂMBULO

Este documento reúne um conjunto de exercícios que se consideram pertinentes no


domínio de estudo dos Órgãos de Máquinas, que é parte integrante de uma formação
sólida em Engenharia Mecânica. Os mesmos constituem uma base de apoio à análise e
discussão, no âmbito das aulas Teórico Práticas, dos conteúdos programáticos da unidade
curricular de Órgãos de Máquinas I, do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica da
Universidade do Minho.
A resolução destes exercícios requer a consulta de um formulário, bem como de um
conjunto de Tabelas e de Ábacos, que constam da Sebenta da unidade curricular de
Órgãos de Máquinas I, ou então de um documento de apoio às aulas Teórico Práticas, que
é distribuído aos alunos.
ÍNDICE

1. PARAFUSOS……………………………………………………………... 7

1-a. PARAFUSOS DE TRANSMISSÃO DE MOVIMENTO…………... 7

1-b. PARAFUSOS DE LIGAÇÃO………………………………………. 11

2. MOLAS…………………………………………………………………… 17

3. VEIOS…………………………………………………………………….. 23

4. CHAVETAS……………………………………………………………… 27

5. UNIÕES DE VEIOS……………………………………………………… 29

6. CHUMACEIRAS DE ROLAMENTOS…………………………………. 31

7. FREIOS E EMBRAIAGENS…………………………………………….. 33

8. VOLANTES DE INÉRCIA………………………………………………. 39
Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica
1. PARAFUSOS
1-a. PARAFUSOS DE TRANSMISSÃO DE MOVIMENTO
EXERCÍCIO 1.1
Um parafuso de transmissão de movimento (Figura 1.1) apresenta uma rosca quadrada de
dupla entrada, diâmetro nominal de 25 mm e passo aparente de 4 mm. Este parafuso
equipa uma prensa, sendo que se conhecem os coeficientes de atrito dos pares de contacto:
parafuso-porca e parafuso-colar ( f  f c  0,08 ). Sabe-se, igualmente, que o diâmetro

médio do colar é igual a 32 mm e que o parafuso transmite uma força axial F de 6800 N.
Nestas condições, determine:
a) As dimensões características do parafuso: profundidade da rosca ( ht ), largura da
rosca ( wt ), diâmetro médio ( d m ), diâmetro interior ( d i ) e passo real ( l ).
b) O binário necessário no parafuso para aplicar a força F (i.e., o binário de aperto).
c) O binário de desaperto.
d) O rendimento do parafuso (  ).
e) O ângulo de hélice.
c

F/ 2 F/ 2

Colar

tr t
a

tr t 
a

Porca

F/ 2 F/ 2

Figura 1.1

Soluções:
a) ht  2 mm ; wt  2 mm ; d m  23 mm ; d i  21 mm ; l  8 mm
b) T  23,75 N m
c) T  6,32 N m
d)   36,5%
e)   3,2

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EXERCÍCIO 1.2
O parafuso de transmissão de movimento representado na Fig. 1.2 é de rosca quadrada,
apresenta uma entrada, tem um diâmetro nominal de 36 mm e um passo de 6 mm. Sabe-
se que transmite uma potência de 3 kW a 1 rps, e que os coeficientes de atrito dos pares
de contacto: parafuso-porca e parafuso-colar são iguais a 0,14 e 0,09, respetivamente. O
diâmetro médio do colar d c é igual a 90 mm.

Colar

T F
dc

Porca

Figura 1.2

a) Determine a carga axial resistente ( F ) aplicada ao parafuso.


b) Determine o rendimento do parafuso-colar ( ).
c) Indique se o parafuso pode ser considerado auto imobilizado ou não. Justifique
devidamente a resposta.
Soluções:
a) F  65,04 kN
b)   13%
c) Sim

EXERCÍCIO 1.3
a) Mostre que, no caso de atrito de contacto do colar nulo, o rendimento de um
parafuso de rosca quadrada é dado pela expressão:

1  f tg
  tg
tg  f

b) Com base na equação anterior, represente graficamente a variação do rendimento


com o ângulo , com este a variar entre 0 e 45º, admitindo que o coeficiente de
atrito (f) é de 0,08.

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Solução:
b) 100%  
[°] (%)
80%
0 0%
Rendimento, 
60% 5 52%
10 68%
40% 15 75%
20 80%
25 82%
20%
30 84%
35 85%
0%
40 85%
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 45 85%

Ângulo de hélice, °

EXERCÍCIO 1.4

A Fig. 1.3 ilustra uma máquina de ensaios mecânicos constituída por um motor elétrico,
uma união de veios, uma engrenagem cilíndrica de dentes retos helicoidais, duas
engrenagens cilíndricas de dentes retos, dois veios, cinco chumaceiras de rolamento, uma
estrutura de suporte em construção soldada, dois fusos verticais com colar e um travessão.
Sabe-se que a geometria da rosca dos fusos é quadrada, tem uma única entrada, diâmetro
nominal de 75 mm, e passo de 20 mm. O travessão movimenta-se por ação dos dois fusos
em contacto conjugado com porcas em bronze, com coeficiente de atrito conhecido
( f  0,06 ). Determine o valor mínimo do rendimento dos fusos, admitindo que a
capacidade de carga do equipamento é de 50 kN. Considere o diâmetro do colar 30%
superior ao diâmetro nominal dos fusos, e o coeficiente de atrito colar-apoio igual a 0,07.
y

Motor
UMinho

Un. veios

Rolamento Veio 1

Engr. cil. dentes helic.

Veio 2 A x

Engr. cil. dentes retos Engr. cil. dentes retos

Porca em bronze Porca em bronze

UMinho

Fuso
Travessão

Colar

Figura 1.3
Solução:   23%

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1-b. PARAFUSOS DE LIGAÇÃO

EXERCÍCIO 1.5
Considere a Equação (1.27) assinalada nos Apontamentos Teóricos. Para essa equação
expresse km / (Ed) em função de l/d, e compare o resultado obtido com o valor determinado
pela Equação (1.29) dos mesmos Apontamentos Teóricos, admitindo d/l = 0,5. Estime a
diferença () de resultados, considerando o aço como material de referência.

Solução:
  2,7%

EXERCÍCIO 1.6
A Fig. 1.4 ilustra um cilindro de pressão fabricado em aço ao carbono, dotado de uma
tampa em ferro fundido (ff), com 10 parafusos de fixação, de passo normal, e de uma
junta de vedação contínua. Sabe-se que o diâmetro efetivo de vedação é igual a 150 mm
e que A  100 , B  200 , C  300 e D  E  20 (mm) . Sabe-se que o cilindro é usado
para encerrar gás a uma pressão estática de 6 MPa. Os parafusos selecionados são de
configuração sextavada exterior (ISO 4014-Grau A), de rosca métrica, classe 8.8, com 12
mm de diâmetro nominal. Calcule o fator de carga que resulta da seleção destes parafusos,
considerando os dados contidos na Tabela 4 dos Apontamentos Teóricos, bem como as
propriedades elásticas dos dois materiais: E Aço  207 GPa e E ff  100 GPa. Considere,
igualmente, que a ligação é de carácter não permanente.

Tampa (ff)
Junta de vedação
D
E

Cilindro (Aço)
A

Figura 1.4
Solução:
n  4,0

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EXERCÍCIO 1.7
Relativamente ao cilindro de pressão ilustrado na Fig. 1.4, considere que a ligação se faz
com os mesmos 10 parafusos M12, de cabeça sextavada exterior (ISO 4014-Grau A),
classe 8.8, bem como para o mesmo diâmetro efetivo de vedação (150 mm) e pressão
estática (6 MPa). Admitindo que A  100 , B  200 , C  300, D  20 e E  25 (mm) ,
calcule o fator de carga para esta nova situação.

EXERCÍCIO 1.8
Considere de novo o cilindro de pressão da Fig. 1.4, mas alterado de forma a reduzir o
diâmetro efetivo de vedação para 120 mm, o que permite reduzir o diâmetro B, bem como
o diâmetro exterior C. Admitindo que se usam 8 parafusos de cabeça sextavada exterior
M12 (ISO 4014-Grau A), classe 8.8, a roscar diretamente no bordo inferior do cilindro, e
sabendo que B  160 e C  260 ( mm) , e que os restantes dados estão presentes no
enunciado do Exercício 1.5, determine o fator de carga.

EXERCÍCIO 1.9
A Fig. 1.5 ilustra uma peça em ferro fundido que vai ser aparafusada ao teto de uma
estrutura em aço. Na referida fixação usar-se-á um total de quatro parafusos de cabeça
sextavada exterior M20 (ISO 4017-Grau A), da classe 8.8, de passo normal, e anilhas com
4 mm de espessura, para serem colocadas junto à cabeça do parafuso e da porca.

Figura 1.5

Considerando que as flanges de ligação têm 20 mm de espessura, que A  20 mm , que o


módulo de elasticidade da peça em ferro fundido é de 135 GPa e que os parafusos são
lubrificados, calcule o binário de aperto necessário para garantir uma ligação permanente.
Solução:
T  476,3 N m

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EXERCÍCIO 1.10
O suporte em aço representado na Fig. 1.6 vai ser aparafusado a uma viga com um par de
parafusos iguais aos do Exercício 1.9, nas mesmas condições que ali se indicaram, ficando
submetido a uma carga estática W de 40 kN. A espessura total da zona de ligação é de 48
mm (incluindo a espessura do membro na viga em aço, a espessura das sapatas do suporte
e a espessura das anilhas). Nessas condições, determine:

a) A carga resultante em cada parafuso e nos membros, admitindo que o suporte e


a viga têm a mesma espessura e são fabricados em aço ao carbono
E Aço  207 GPa .
b) O coeficiente de segurança contra a separação do suporte da viga.

Figura 1.6
Soluções:
a) Fb  136,7 kN e Fm  116,7 kN
b) n  8,47

EXERCÍCIO 1.11

A Fig. 1.7 exibe um gancho solidário com uma chapa quadrada (membro 1) em aço ao
carbono ( Ec  207 GPa ), com 20 mm de espessura (t), ligada por parafusos a outra chapa
(membro 2), também em aço ao carbono, com as mesmas dimensões da anterior. As duas
chapas são mantidas em contacto uma com a outra, por um conjunto de parafusos de
cabeça sextavada exterior (ISO 4014-Grau A), da classe 10.9 (M16  2), em aço de liga
tratado termicamente ( Ep  210 GPa) . O conjunto é mantido em equilíbrio estático

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através de um cabo (cabo 1) ligado por um olhal rígido e 3 cerra-cabos, da forma


que se ilustra. Na extremidade do cabo 2 encontra-se suspensa uma carga W de 200 kN.
Nestas condições:

(a) Determine o binário de aperto T a aplicar aos parafusos M16, considerando a


ligação não permanente, sabendo que se usaram parafusos sem revestimento.

(b) Determine o número mínimo de parafusos que é necessário utilizar de modo


a garantir que as duas chapas (membros 1 e 2) permaneçam em contacto uma
com a outra. Utilize um coeficiente de segurança igual a 2,5.

Cabo 1
Cerra cabos

Olhal
M16 2
A
2
2 Chapas
t
t

Cabo 2
1 Gancho

Detalhe A
Escala: Não especificada
W

Figura 1.7
Soluções:
a) T  548 N m
b) N  4

EXERCÍCIO 1.12
Considere que no Exercício 1.6 a pressão encerrada no cilindro (Fig. 1.4) varia entre 0 e
6 MPa. Nessas condições determine o coeficiente de segurança à fadiga pelos critérios
de:
a) Goodman.
b) Gerber.
c) ASME-elítico.
Soluções:
a) nf  2,73 ; b) nf  4,12 ; c) nf  3,52

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EXERCÍCIO 1.13
Ainda em relação à Fig. 1.4, considere A  0,9 m , B  1 m , C  1,1 m , D  20 mm e
E  25 mm. Tenha agora em conta que o cilindro é construído em ferro fundido (com
Eff  96 GPa ), que a tampa é fabricada em aço com baixo teor de carbono
E Aço  207 GPa  , que existem 36 parafusos de cabeça sextava exterior (ISO 4014 – Grau
A) M10  1,5, classe 10.9, apertados a 75% da carga de prova, e que o diâmetro efetivo
de vedação é igual à cota A. Durante a sua utilização, a pressão no interior do cilindro
varia agora entre 0 e 550 kPa. Nestas condições determine o coeficiente de segurança à
fadiga de acordo com os seguintes critérios:
a) Goodman.
b) Gerber.
c) ASME-elítico.

Soluções:
a) nf  2,89 ; b) nf  4,45 ; c) nf  4,35

EXERCÍCIO 1.14
A Fig. 1.8 ilustra uma barra de aço de secção retangular de 20015 mm2, aparafusada a
um perfil U normalizado, também em aço. Sabendo que a força exterior aplicada na
extremidade livre da barra é igual a 16 kN, calcule:
a) O esforço atuante em cada parafuso.
b) A tensão de corte máxima instalada nos parafusos.
c) A tensão de contacto máxima (esmagamento).
d) A tensão de flexão crítica instalada na barra.
F = 16 kN
60

200
60

75 75 50 300

250
10

15

M 16

Figura 1.8

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Engenharia Mecânica
Soluções:
a)
FA  11,07 iˆ  17,81 ˆj FB  11,07 iˆ  17,81 ˆj
FC  11,07 iˆ  9,81 ˆj FD  11,07 iˆ  9,81 ˆj

b)  máx  146 MPa


c)  máx  131 MPa
d)  xx  68 MPa

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2. MOLAS Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 2.1

Duas molas helicoidais de compressão ( G  80 GPa ) são colocadas uma dentro da outra,
permanecendo com os eixos coincidentes. Admitindo que o comprimento livre de ambas
é o mesmo, e que se encontram sujeitas à ação de uma carga estática de 2450 N, calcule:
(a) A carga máxima suportada por cada mola.
(b) A deformação axial total produzida em cada mola.
(c) A tensão máxima instalada na mola exterior.
(d) A constante de cada mola, bem como do agrupamento de molas.
Considere os dados adicionais contidos na Tabela 2.1.

Tabela 2.1
Molas Exterior Interior
Número de espiras ativas 6 10
Diâmetro do arame (mm) 12,7 6,35
Diâmetro médio da mola (mm) 89 57

Soluções:
a) Fi  317, 7; Fe  2132, 3 (N) b) y  42 mm
c)  max e  286,1 MPa d) ki  7,55; ke  50,72; k  58, 27 (N mm)

EXERCÍCIO 2.2

Para os dados apresentados na Tabela 2.2, referentes a uma mola helicoidal de


compressão, usada numa embraiagem, determine a tensão instalada e calcule a constante
da referida mola.

Tabela 2.2
Parâmetro Medidas / Outros
Diâmetro de enrolamento 21 mm
Diâmetro do arame 4 mm
Comprimento livre 58 mm
Comprimento de montagem 48 mm
Curso da embraiagem 2,5 mm
Número de espiras 5
Módulo de resistência ao corte 80 GPa

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Solução: Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

  407, 47 MPa ; k  26, 4 N mm

EXERCÍCIO 2.3

A Figura 2.1 ilustra o princípio de funcionamento de um regulador centrífugo, constituído


por uma mola helicoidal de compressão ( C  8 e G  80 GPa ), duas massas esféricas,
e um conjunto de barras inextensíveis, articuladas nas extremidades. O conjunto é posto
a rodar em torno do eixo da mola, da forma que se ilustra, assumindo duas posições
distintas: (a) e (b) em função da velocidade angular imposta ao conjunto. Sabe-se que na
posição (a) a mola helicoidal fica sujeita a uma força axial F de 190 N, passando para 575
N, quando colocado na posição (b).

75 5 75
12

F F
125

75

Massa
75

5
12
125

125 37,5 175 37,5

(a) (b)
Figura 2.1

Nas condições apresentadas:


a) Calcule a constante de mola.
b) Determine os diâmetros médios da mola e do arame, considerando  adm  350 MPa.
Sirva-se da Tabela 2.3 para proceder à seleção do diâmetro do arame da mola.
c) Calcule o número de espiras ativas Na da mola que são necessárias ao regulador
centrífugo.
d) Calcule o comprimento livre da mola L0, sabendo que o número de espiras inativas
é igual a 2, e que na posição (b) a mola está completamente fechada. Considere a
que a mola tem as extremidades retificadas, encontrando-se à esquadria.

Órgãos de Máquinas I Molas 18


Soluções: Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

a) k  8,9 N mm b) d  6,5; D  52 (mm) c) N a  12,1 d) L0  156 mm

EXERCÍCIO 2.4

Uma mola helicoidal de aço-carbono revenido em óleo, não grenalhada, é submetida a


um carregamento que varia entre 750 e 2000 N. Sabendo que o diâmetro médio da mola
é de 50 mm e que o aço de que é constituída apresenta uma tensão de cedência ao corte
( ced ) de 690 MPa, determine o diâmetro do arame para uma fiabilidade de 99%,
admitindo um fator de segurança igual a 1,3. Admita que a mola trabalha a uma
temperatura inferior a 70°C. Consulte as Tabelas 2.4 e os elementos de apoio
das aulas Teórico-Práticas para obtenção de parâmetros necessários ao dimensionamento
à fadiga.

Solução:
d  8,5 mm

EXERCÍCIO 2.5
Um corpo de peso igual a 4000 N cai livremente de uma altura de 1 m sobre uma mola
helicoidal de compressão, colocada na posição vertical, provocando nesta uma
deformação axial máxima de 250 mm. Em sequência dessa solicitação, sabe-se que a
tensão máxima instalada no arame da mola foi de 345 MPa. Admitindo que
G  82,68 GPa , e que o índice de mola é igual a 7, determine o diâmetro do arame, o
diâmetro médio e o número de espiras ativas dessa mola.

Soluções:
d  50 mm; D  350 mm; N a  7,76

EXERCÍCIO 2.6

Na Figura 2.2 representa-se um detalhe de um motor de combustão interna. Para além do


bloco do motor, representado em corte, é visível uma mola helicoidal de compressão, uma
válvula, um balancim, uma haste impulsora e uma came (excêntrico produzido no eixo
comando de válvulas). O movimento de abertura e de fecho da válvula é comandado por
acionamento da haste impulsora, dirigido pela came, cuja rotação imprime o movimento
da válvula num curso total de 8 mm. Sabe-se que a força de fecho da válvula (posição
representada na Figura 2.2) é de 60 N. A mola tem 8 espiras ativas, tendo sido fabricada
em arame de aço cromo-vanádio, grenalhado (‘peened’), com 4 mm de diâmetro. O índice
de mola é igual a 6. Para o módulo de resistência ao corte G  80 GPa :
a) Calcule a tensão de corte (estática) máxima a que fica sujeito o arame da mola.

Órgãos de Máquinas I Molas 19


Mestrado Integrado em
b) Determine o fator de segurança à fadiga da mola helicoidal, Engenharia Mecânica

considerando uma fiabilidade de 99,9% e que a temperatura no


ambiente de trabalho da mola rondará os 80 ºC (176°F).

Balancim

Mola
Haste impulsora

Válvula

Came

Pistão

Figura 2.2

Soluções:
a)  max  248, 6 MPa b) n  3, 33

Tabela 2.3. Diâmetros de arame para mola


Primeira Segunda Terceira
preferência preferência preferência
0,10
0,11
0,12
0,14
0,16
0,18
0,20
0,22
0,25
0,28
0,30
0,35
0,40
0,45
0,50
0,55
0,60
0,65
0,70
0,80
0,90

Órgãos de Máquinas I Molas 20


1,0 Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica
1,1
1,2
1,3
1,4
1,6
1,8
2,0
2,1
2,2

Primeira Segunda Terceira


preferência preferência preferência
2,4
2,5
2,6
2,8
3,0
3,2
3,5
3,8
4,0
4,2
4,5
4,8
5,0
5,5
6,0
6,5
7,0
7,5
8.0
8.5
9.0
9.5
10.0
11.0
12.0
13.0
14.0
15.0
16.0
(Extraída de Associated Spring-Barnes Group, 1987)

Tabela 2.4. Fatores de fiabilidade para um desvio médio de 8% na resistência à fadiga


Fiabilidade, % Variável normalizada Fator de fiabilidade
50 0 1,000
90 1,288 0,897
95 1,645 0,868
99 2,326 0,814
99,9 3,091 0,753
99,99 3,719 0,702
99,999 4,265 0,659
99,9999 4,753 0,620
(Extraída de Shigley, 2006)

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3. VEIOS Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 3.1

A Figura 3.1 representa um veio maciço (enchavetado) em aço ao carbono comercial,


apoiado em duas chumaceiras de rolamento A e B, acoplado a um pinhão e a uma polia
nas secções C e D, respetivamente. A polia, com 500 mm de diâmetro, transmite potência
por intermédio do veio, a um pinhão de 200 mm de diâmetro primitivo, acionando uma
engrenagem.
(Ramo bambo)
1 960 N
200

A C D B Fr
500
(Ramo tenso)
5 880 N


200 350 250 Ft F

Figura 3.1

Sabe-se que o veio é fabricado em aço ao carbono, estirado a fria (  ced  497 MPa ,
 rot  595 MPa ), e que a massa da polia é igual a 150 kg. Admitindo que se pretende usar
um coeficiente de segurança igual a 2,5, determine o diâmetro mínimo do veio:
a) no cálculo à solicitação estática.
b) de acordo com o critério de Soderberg, considerando que o veio foi maquinado,
que a fiabilidade é de 99%, e que a temperatura de serviço é inferior a 70°C.
c) de acordo com a ASME, considerando que a solicitação aplicada ao veio é súbita
e leve.
Despreze as massas do pinhão e do veio.

Soluções:
a) d  46,6 mm b) d  68,5 mm c) d  76,8 mm

EXERCÍCIO 3.2
Na Figura 3.2 representa-se um veio oco, apoiado em duas chumaceiras de rolamento (A
e B), fabricado em aço ao carbono comercial, de 6800 kg, acoplado sem chaveta a uma
hélice de um navio. A carga correspondente ao impulso do navio foi estimada em 55

Órgãos de Máquinas I Veios 23


Mestrado Integrado em
toneladas. Admitindo que a hélice do navio roda a 100 rpm, que a potência do Engenharia Mecânica

motor é de 6 MW, e que a carga sobre o veio é gradualmente aplicada, determine


a tensão de corte máxima instalada no veio, utilizando o critério da ASME.

e= 500; i= 300
A B

6 000

Figura 3.2

Solução:
  27,5 MPa

EXERCÍCIO 3.3

Determine o diâmetro de um veio maciço sujeito à torção, tendo como limite a


deformação angular máxima de 0,28º/m, considerando  adm  56 MPa . Despreze o efeito
do rasgo da chaveta e considere G  82 GPa .

Solução:
d  279,3 mm

EXERCÍCIO 3.4

A Figura 3.3 exibe uma união de veios rígida imobilizada em dois veios maciços (A e B)
através de um pino fusível e de uma chaveta. O contacto do pino fusível com o veio A
encontra-se assegurado por uma mola de compressão e por um perno roscado. Sabe-se
que a intensidade da força aplicada ao veio pelo pino fusível é função do deslocamento
imposto ao perno roscado. Numa secção do veio B encontra-se acoplada uma came (i.e.,
um excêntrico), que é mantido em contacto permanente com uma haste impulsora, através
de outra mola de compressão.

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Dimensione o veio A para que este possa ser submetido a regimes de Engenharia Mecânica

funcionamento com carregamentos cíclicos, de natureza súbita e forte, admitindo


que este se encontra submetido a uma carga axial P  20 kN , momento fletor máximo
M  0,1 kNm e binário motor T  0,15 kNm . Sabe-se que o veio será construído em aço
comercial, não enchavetado, com 1 m de comprimento. No processo de cálculo iterativo,
considere apenas um valor de d  40 mm ( I   d 4 64).

Haste impulsora
Face de embebimento
Perno roscado

Pino fusível Came


Veio A
Chaveta

Veio B
União de veios

Figura 3.3

Solução:
d  39,1 mm

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4. CHAVETAS Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 4.1

A Figura 4.1 representa uma roda dentada que se pretende acoplar a um veio por
enchavetamento livre. Considerando que o veio transmite uma potência de 16 kW a 1400
rpm, selecione uma chaveta de configuração retangular a usar neste acoplamento (Tabelas
em [1]), sabendo que esta é construída em aço ao carbono (  r  537 MPa ,
 ced  455 MPa , E  207 GPa ).

Admita um coeficiente de segurança cs  2,8 .


50

200
85
50

75

Fig. 4.1

Solução:

Secção Comprimento (l )
Tipo de chaveta [1]
b h1 Dim. ao corte Dim. ao esmagamento

A 14 9 17,33 19,97
B 14 9 3,33 5,97
(mm) (mm)
[1] Anexos dos Elementos de Apoio às Aulas Teórico-Práticas da Unidade Curricular
de Órgãos de Máquinas I (Ano letivo de 2019-2020).

EXERCÍCIO 4.2

Selecione uma chaveta de configuração retangular a usar no acoplamento ilustrado na


Fig. 3.3, admitindo o binário motor indicado no Exercício 3.4 (i.e., T  0,15 kNm ),
servindo-se da informação contida nas mesmas Tabelas do Exercício 4.1, considerando

Órgãos de Máquinas I Chavetas 27


que a chaveta será fabricada em aço ao carbono (  r  537 MPa ,
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Engenharia Mecânica

 ced  455 MPa , E  207 GPa ).

EXERCÍCIO 4.3

A Figura 4.2 ilustra um pormenor de uma transmissão de uma máquina ferramenta,


constituída por um motor elétrico (5,3 kW às 1000 rpm), uma união de veios, uma
engrenagem de dentes retos (C) e um veio liso apoiado em duas chumaceiras de rolamento
(A e B). Para assegurar a transmissão da roda dentada ao veio motor (secção C), decidiu-
se embeber radialmente um perno de comprimento hp a meia altura (do veio). Dimensione
esse perno (corte e esmagamento) considerando que o mesmo será fabricado em aço ao
carbono (rot = 535 MPa,  ced  450 MPa e E = 210 GPa). Considere um coeficiente de
segurança igual a 2,5, admitindo que o veio tem um diâmetro de 48 mm. Tenha presente a
potência debitada pelo motor, bem como a frequência angular de rotação máxima que se
indicaram em cima.

Pinhão Un. veios Motor

Roda

hp
A Veio B C dp

120

Fig. 4.2

Solução:
d p  8,04 mm

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5. UNIÕES DE VEIOS Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 5.1

Pretende-se selecionar uma união de veios capaz de assegurar a transmissão de potência


gerada por um motor elétrico de 3 kW/800 rpm, a uma bomba hidráulica recíproca de
simples efeito, de 2 pistões/cilindros, sabendo que os dois veios a ligar têm o diâmetro de
15 mm, e estão na posição horizontal. Para o feito, forneça as características: (a) de uma
união rígida e (b) de uma união elástica. Utilize o Catálogo que lhe foi fornecido.

Soluções:
a) Disco simples  Re f. ª : PHEW4S-015×0MM×15×15
Disco duplo  Re f. ª : PHEW4D-015×30MM×15×15
Disco deslizante  Re f. ª : PHEW4FH-015×59,2MM×15×15
b) Re f. ª : PHEF60RSBFLG

EXERCÍCIO 5.2
Selecione uma união de veios rígida para o acoplamento representado na Figura 4.2, para
as características do motor indicadas no Exercício 4.3 (i.e., 5,3 kW às 1000 rpm). Tenha
presente de que a transmissão se destina a uma máquina ferramenta.
Admita que o diâmetro do veio é igual a 48 mm, e que se tolera um desalinhamento
angular máximo de 1°. Utilize o Catálogo que lhe foi fornecido.

EXERCÍCIO 5.3
A Figura 5.1 exibe um detalhe da transmissão de potência de um motor elétrico que
equipa uma máquina têxtil, em operação contínua. É visível o acoplamento entre os veios
(1) e (2), assegurado por uma união flexível, bem como uma polia, instalada a meio vão
entre os apoios A e B do veio (2), submetida aos esforços indicados. Sabe-se, igualmente,
que o motor debita uma potência de 37 kW às 900 rpm, e que os veios (1) e (2) têm 30
mm de diâmetro. Forneça as características de uma união elástica que considere mais
adequada a esta transmissão de potência, admitindo que os veios apresentam uma folga
axial inferior a 2,5 mm e um desalinhamento angular máximo é de 0,5°.

Órgãos de Máquinas I Uniões de Veios 29


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y Polia
y
(1) (2) C
P2
A B  z
x
d
P1
C

Acoplamento Secção C-C


150 150

Figura 5.1

Órgãos de Máquinas I Uniões de Veios 30


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6. CHUMACEIRAS DE ROLAMENTO Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 6.1
A Figura 6.1 representa uma transmissão constituída por um pinhão cónico de 15 dentes
retos, engrenado numa roda cónica de 45 dentes retos (Módulo = 5 mm). Sabe-se que o
pinhão cónico gira a 600 rpm no sentido retrógrado, transmitindo uma potência de 4 kW.
As distâncias, as localizações dos apoios e os raios médios do pinhão e da roda
encontram-se indicados na Figura 6.1, sendo que por simplificação se decidiu substituir
os dentes pelos cones primitivos. Os apoios A e C suportam os impulsos axiais.

165,1 76,2
98,6

76,2
D
63,5 18,4° T x
37,5
92,1 A B
C
Pinhão de 15 dentes
Roda de 45 dentes
228,6

Figura 6.1

Admita que a engrenagem em causa se encontra instalada numa máquina ferramenta que
opera 8 horas por dia (totalmente utilizadas) e que as reações nos apoios C e D são iguais
a: RCx = 1,1 kN; RCy = 1,3 kN; RCz = 2,2 kN; RDx = 0,65 kN; RDy = 0 e RDz = 1,4 kN.
Servindo-se do Catálogo de Rolamentos que lhe foi disponibilizado, e tendo presente a
possibilidade de o diâmetro do veio se encontrar no intervalo de 15 e 30 mm:

a) Selecione, para o apoio D:


(i) um rolamento rígido de esferas.
(ii) um rolamento de rolos cilíndricos.
b) Selecione o rolamento que julgue mais adequado para o apoio C.

Soluções:
a) (i) Re f. ª : 6302; 6303; 6204; 6005; 16006 . (ii) Re f. ª : NU202EC; NU203EC;
NU204EC; NU1005; NU1006

Órgãos de Máquinas I Chumaceiras de rolamento 31


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b) Re f. ª : 30302; 30203; 32004X; 32005X; 32006X Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 6.2
Servindo-se do Catálogo de Rolamentos que lhe foi disponibilizado, selecione o
rolamento que considere mais apropriado para o apoio A do Exercício 5.3 (Figura 5.1),
tendo presente que as reações nesse apoio são: RAx = 1,9 kN; RAy = 2,4 kN; e RAz = 2,3
kN.

Solução:
Re f. ª : 32206 .

Órgãos de Máquinas I Chumaceiras de rolamento 32


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7. FREIOS E EMBRAIAGENS Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 7.1
A Figura 7.1 ilustra um freio de tambor, atuado por uma alavanca, apoiada num dos pivots
(1 ou 2), formando um apoio duplo. Sabe-se que o tambor tem 250 mm de diâmetro, roda
com uma frequência angular de rotação de 100 rpm, transmitindo uma potência de 3,7
kW. O coeficiente de atrito no contacto do calço com o tambor é igual a 0,3, sendo a
largura do calço igual a 60 mm. Nestas condições, determine:

a) A força P necessária para parar o tambor (considerar as posições (1) e (2) do pivot),
partindo do princípio de que o tambor roda no sentido retrógrado.
b) A pressão de contacto necessária à travagem do tambor.
c) A energia dissipada por rotação.
y

a b

(2)
c Fa
N
(1)
x

60°

(a  120 mm ; b  250 mm ; c  60 mm) .


Figura 7.1

Soluções:
a) P(1)  2,60 ; P(2)  3,06 (kN)
b) Pa  1, 2 MPa
c) E r  2, 22 kJ

EXERCÍCIO 7.2

Na Figura 7.2 representa-se um freio de tambor de raio r, constituído por dois calços
articulados nos apoios (pinos) A e B, atuados por uma força horizontal F de igual
intensidade. Sabe-se que os calços são idênticos, tendo uma largura b de 32 mm, sendo
que o material usado nos calços proporciona um coeficiente de atrito com o interior do

Órgãos de Máquinas I Freios e Embraiagens 33


tambor de 0,32. Admitindo o sentido de rotação do tambor que se indica na Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

Figura 7.2, bem como uma pressão de contacto máxima de 1 MPa, determine:
a) A força F atuante em cada calço.
b) A capacidade do freio.
c) As reações nos apoios (pinos) A e B.

e e
F F

i r

j

A B
m m

r  150 mm ; e  62 mm ; i  100 mm ; j  112 mm ; m  50 mm


  30 ;   126 ;   24 .

Figura 7.2

Soluções:
a) F  2, 28 kN
b) T  527,89 Nm
c) R A  4 kN

EXERCÍCIO 7.3

O travão de expansão interna representado na Figura 7.3 é atuado por uma só sapata de
35 mm de largura. Sabe-se que os materiais utilizados no tambor e na sapata geram um
coeficiente de atrito de 0,3, sendo que e o material da sapata tolera uma pressão máxima
de contacto de 1,2 MPa. Considerando r  150 mm e r1  120 mm , bem como o sentido
de rotação do tambor indicado na Figura 7.3,

a) Determine a força máxima de atuação, F.

Órgãos de Máquinas I Freios e Embraiagens 34


b) Estime a capacidade máxima de travagem do freio, T. Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

c) Calcule a resultante das força aplicadas no pivot A, RA.

Considere que este freio equipa um veículo com uma massa de 1000 kg, com rodas de
500 mm de diâmetro, com 2 travões deste tipo. Nestas condições,
d) Avalie a distância de imobilização do veículo, quando este se desloca a uma
velocidade de 50 km/h, usando o valor a trás estimado para a capacidade máxima
de travagem.


F


r1 r
A

 

  120 ;   30

Figura 7.3

Soluções:
a) F  2,96 kN
b) T  425,3 Nm
c) R A  6,3 kN
d)   28,35 m

EXERCÍCIO 7.4

A Figura 7.4 ilustra um freio de cinta atuado por uma alavanca articulada no apoio A.
Sabe-se que o coeficiente de atrito entre a cinta e o tambor é igual a 0,25. Determine a
intensidade da força F a aplicar à alavanca de modo a produzir um binário resistente de
500 Nm, para o sentido de rotação da roda indicado. Considere: a  150 mm , b  500 mm
c  50 mm e r  100 mm .

Órgãos de Máquinas I Freios e Embraiagens 35


Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

P1 F
y P2
A x

c a b

Figura 7.4

Solução:
F  260 N

EXERCÍCIO 7.5

O freio de cinta representado na Figura 7.5 tem um coeficiente de atrito de 0,30, sendo a
largura da cinta igual a 50 mm. Para uma pressão máxima de funcionamento de 1 MPa,

a) Calcule o valor limite da força F.

b) Estime a capacidade de travagem do freio.

 r

a
F
y P2
A x

c d

r  125 mm ; a  200 mm ; c  125 mm ; d  275mm


Figura 7.5

Órgãos de Máquinas I Freios e Embraiagens 36


Soluções: Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

a) F  621,5 N
b) T  532,7 Nm

EXERCÍCIO 7.6

Uma embraiagem de discos tem quatro pares de superfícies de atrito com diâmetro
exterior de 127 mm e um diâmetro interior de 76 mm, sendo o coeficiente de atrito igual
a 0,1. Para uma pressão de contacto máxima de 827 kPa, calcule a força axial aplicada e
a capacidade da embraiagem, para as condições que se indicam a seguir:

a) Desgaste uniforme das superfícies de atrito.

b) Pressão de contacto uniforme.

Soluções:
a) F  5,04 kN; Ttotal  102, 2 Nm
b) F  6,73 kN; Ttotal  139,38 Nm

EXERCÍCIO 7.7

A Figura 7.6 exibe um detalhe de um redutor de velocidade constituído por um pinhão


cónico (secção B) e uma roda de dentes retos (secção A), montados num veio, apoiado
em duas chumaceiras de rolamento (secções O e C). Na extremidade oposta, o mesmo
veio encontra-se acoplado a um tambor (secção D), sendo parte integrante de um travão
de expansão interna equipado com uma sapata articulada no eixo G (fixo), atuado por

uma força horizontal F (i.e., F  F kˆ ). Sabe-se que esta transmissão se destina a um
guindaste (“cranes and hoist”), que opera com períodos de funcionamento intermitentes.
O pinhão cónico roda a 1000 rpm no sentido retrógrado, transmitindo uma potência de 8
kW. Determine o coeficiente de atrito gerado pelo contacto entre os materiais que
constituem o tambor e a sapata, considerando uma pressão de contacto máxima igual a
1,2 MPa, quando se aplica uma força F de 3,6 kN. Considere igualmente que a largura da
sapata é igual a 40 mm, o raio interior do tambor igual a 160 mm,
DG  135 mm ,   110 e   35 .

Órgãos de Máquinas I Freios e Embraiagens 37


y Mestrado Integrado em
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Tambor

G l

D m 
 O F2
n 
 F1

Sapata
A
z
Roda B
Pinhão
C
x

Figura 7.6

Órgãos de Máquinas I Freios e Embraiagens 38


8. VOLANTES DE INÉRCIA Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica

EXERCÍCIO 8.1

A Figura 8.1(a) representa um par de transmissões (engrenagem de dentes retos e


corrente) destinado ao acionamento de um compressor, através do veio (c). Sabe-se que
o motor elétrico acoplado ao veio (a) debita uma potência de 5,52 kW às 2 875 rpm , sendo
que as relações de transmissão i1 2 e i3 4 são iguais a 2 e 2,5, respetivamente. O binário
resistente por ciclo (i.e., entre 0 e 2 ) do referido compressor encontra-se representado
na Figura 8.1(b). Obtenha as dimensões do volante de inércia necessário ao sistema, em
termos de momento de inércia e de veio a que deve ser acoplado, admitindo os momentos
de inércia de cada veio iguais a: I a  1,15  10 3 Nms 2 , I b  2,5  10 3 Nms 2 e
3
I c  8  10 Nms . 2
Considere o volante construído em ferro fundido
(   7,2  10 kg m ) , com largura igual a 50 mm, em forma de disco.
3 3

(c)

1500
(a)
1

(b)
A B

3
2

50 150 30

Br (a)
[Nm]

60

40

20

0
/2  3/4 2  [rad]
-20

-40 Figura 8.1


(b)

Órgãos de Máquinas I Volantes de Inércia 39


Solução: Mestrado Integrado em
Engenharia Mecânica
d  129 mm

Órgãos de Máquinas I Volantes de Inércia 40

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