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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA

CAMILA DE SOUZA PEREIRA


LUCIANA DOS SANTOS PERANTONI

A CENTRALIDADE DA FAMÍLIA NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL:


UMA ANÁLISE DOS MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE I COMENDADOR
LEVY GASPARIAN-RJ E PEQUERI-MG.

Juiz de Fora
2014
CAMILA DE SOUZA PEREIRA
2

LUCIANA DOS SANTOS PERANTONI

A CENTRALIDADE DA FAMÍLIA NA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL:


UMA ANÁLISE DOS MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE I COMENDADOR
LEVY GASPARIAN-RJ E PEQUERI-MG.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a


Universidade Salgado de Oliveira como requisito
parcial para a conclusão do Curso de Graduação
em Serviço Social.

Professor Orientador:
Ms. Sandra Gomes da silva

Juiz de Fora
2014
FOLHA DE APROVAÇÃO
3

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________________________________
Prof.Ms. Sandra Gomes da Silva
(Orientadora)

__________________________________________________________________
Prof.Ms. Antoniana Dias Defilippo Bigogno
(Avaliadora)

Examinado em: ____/_____/______.


4

Agradeço, primeiramente, a Deus, e meus


professores do Curso de Serviço Social, pelo
incentivo constante no decorrer de todo esse
tempo de estudo. Agradeço a todos os meus
amigos e familiares que me apoiaram nessa
importante fase de minha vida.
5

Dedico esta obra aos meus familiares,


primeiramente, pelo apoio. E, em
especial, a todos que me ajudaram para
esse projeto se tornar possível.

Colocar frase q tenha a ver com tcc


6

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo, traçar, em linhas gerais, uma análise
7

sintetizada, no que concerne nas mudanças que a família vem sofrendo ao longo
dos anos, isso pode ser justificado pelo desenvolvimento do sistema capitalista no
Brasil. Ao expor as ideias gerais, procurou-se expor as bases histórias de
acontecimentos importantes em nosso país, para compreendermos essas
mudanças na estrutura familiar e qual importância dada à família na política de
Assistência Social. Quanto à metodologia, diversas bibliografias de diferentes
autores para sustentar os estudos aqui analisados. Utilizamos como estratégia
metodológica a entrevista, com o intuito de comparar o trabalho de dois CRAS, um
do município de Pequeri-MG e o outro do município de Comendador Levy
Gasparian-MG, ambos de pequeno porte I segundo a NOB/SUAS.
PALAVRAS-CHAVE: Família; Sistema Capitalista; Política de Assistência Social.

ABSTRACT

The present study aims, to trace, in general, a synthesized analysis regarding the
changes that the family has suffered over the years, this can be explained by the
8

development of capitalism in Brazil. By exposing the general ideas, sought to


expose the foundation stories of important events in our country, to understand
these changes in family structure and what importance given to family on social
assistance policy. Regarding the methodology, several bibliographies of different
authors to support the studies analyzed here. We used the interview as a
methodological strategy, in order to compare the work of two CRAS a municipality
of Pequeri and the other the city of Comendador Levy Gasparian, both of size 1
second to NOB / SUAS.
KEYWORDS: Family; Capitalist System; Social Assistance Policy

SUMÁRIO
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INTRODUÇÃO

No presente trabalho buscamos compreender as causas das mudanças


sofridas no âmbito familiar e seus impactos na sociedade contemporânea e como
a política de Assistência Social vem se desenvolvendo historicamente, e qual a
importância que vem sendo dada a família.
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A questão da família sempre foi alvo de inquietações de ambas


pesquisadoras, porém, o que despertou o interesse por este objeto foi a inserção
de uma de nós, na qualidade de estagiária, no Centro de Referência de
Assistência Social no município de Pequeri-MG, onde todos os atendimentos são
voltados para a família.
As pesquisadoras buscaram analisar as causas e consequências das
mudanças na estrutura familiar ao longo dos anos e como o Estado passa a
responder as demandas que surgem através da política de Assistência Social.
Com a experiência vivida por uma das pesquisadoras em seu campo de
estágio, foi possível identificar a importância do trabalho realizado com as famílias
no CRAS, assim como os desafios constantes. As pesquisadoras optaram em
estruturar o estudo, apresentando no capítulo primeiro uma breve definição sofre
família, identificando as mudanças ocorridas em sua estrutura, no qual relatamos
também o desenvolvimento do sistema capitalista e suas consequências que
impactam fortemente no âmbito da família.
Num segundo momento buscou-se elucidar uma breve análise da política
de Assistência Social no Brasil, mostrando sua historicidade para que possamos
entender todo o seu desenvolvimento e os seus traços que marcam até hoje suas
ações.
Por fim, optamos como estratégia metodológica na coleta dos dados que
compõe o terceiro capítulo, o uso de entrevistas junto aos assistentes sociais dos
supracitados CRAS, como recurso de comparação dos serviços prestados por
ambos, no que concerne ao atendimento às famílias.

CAPÍTULO 1: TECENDO CONSIDERAÇÕES ACERCA DA FAMÍLIA, DO


ESTADO E DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.

O ser humano desde os primórdios se portou e se mostrou de forma


aglomerada, tendo em vista a necessidade de viver em comunidade. A partir de
então, os indivíduos começaram a compor grupos familiares. A ideia de família
surgiu muito antes do direito, dos códigos, da ingerência do Estado e da Igreja na
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vida das pessoas, acompanhando o processo histórico.

Hoje, na maioria dos casos, é o homem que tem que ganhar os


meios de subsistência da família, pelo menos nas classes
possuidoras; e isso dá-lhes uma posição dominadora, que não
exige privilégios legais especiais. Na família, o homem é o burguês
e a mulher representa o proletário (ENGELS, p.?, 1976).

O período colonial no Brasil teve como modelo de organização familiar


predominante o patriarcado, modelo cultural herdado de Portugal, transformando
as formas de organização familiar de negros e índios. Nesta constituição de
família o núcleo conjugal possuía importância central e a figura masculina detinha
a autoridade. A divisão de papéis entre homem e mulher era rígida e hierárquica,
os casamentos eram realizados por conveniência e a mulher ocupava um papel
submisso perante o homem.
Percebemos, portanto a cultura do patriarcado extremamente presente na
fase civilizatória e de constituição do homem burguês. Nos últimos anos tal
característica vem se modificando no qual a mulher assume a função de chefiar as
famílias principalmente entre os sujeitos pauperizados, entretanto a cultura
patriarcal prevalece nos dias atuais.
Petrini (2003) acrescenta que no decorrer da evolução histórica, a família
permanece como matriz do processo civilizatório, como condição para a
humanização e para a socialização das pessoas.
A família foi se modificando, se flexibilizando, apontando, que seu elemento
formador precípuo é antes mesmo que qualquer fator genético é muito mais que
um casamento estabelecido entre um homem e uma mulher. Família é a
comunhão de afetos, troca de amparo e responsabilidade. A transformação na
“família” não é uma transformação atual, pois a família é uma instituição em
constante mudança.
A família encontra novas formas de estruturação que, de alguma maneira, a
reconstituem, sendo reconhecida como estrutura básica permanente da
experiência humana.Petrini (2003)
Podemos constatar que a família é uma das instituições sociais mais
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importantes que existiu e existe. O reconhecimento de tal importância nos remete


à necessária desnaturalização da ideia de família nuclear como modelo ideal.
Independentemente das múltiplas maneiras de se organizar, de se constituir
enquanto família, ela possui um papel de socialização importante e primordial na
vida das pessoas. É um espaço de construção, de iniciação dos afetos e de todo
aprendizado que esses afetos podem trazer a seus membros, Essas construções
rebaterão na constituição dos sujeitos históricos da sociedade.
É preciso levar em conta a família vivida e não a idealizada, ou seja,
aquela na qual se observam diversas formas de organização e de ligações e na
qual as estratégias relacionadas à sobrevivência muitas vezes se sobrepõem aos
laços de parentesco (JOSÉ FILHO, 2007, p.142).
As ações governamentais de alguma forma ou de outra possui medidas de
apoio familiar, dentre elas podemos citar: à atenção dirigida às crianças através de
auxílios e aconselhamentos, apoio aos pais, ampliação de visitas domiciliares,
programas para redução da pobreza infantil, políticas que valorizam mais a vida
doméstica, tentativas de redução dos riscos de desagregação familiar usando de
campanhas de publicidade e conscientização.
Existem hoje muitas políticas que contemplam a família assumindo não só
a obtenção de benefícios e serviços, mas também a criação de fundos públicos
para promover subsídios e isenções fiscais.
A questão familiar passa a ser um importante objeto acadêmico - científico
principalmente ao relacionar o Estado como promotor das políticas públicas.
As transformações ocorridas no mundo a partir da década de 1970 eclodem
no Brasil na década de 80 e nos anos 90 segue-se como cenário das formas de
enfrentamento da crise, a partir da lógica conservadora, orientado pelas regras do
consenso de Washington. A partir desse momento o governo brasileiro coloca em
curso políticas macroeconômicas de estabilização e reformas estruturais
liberalizantes centradas na abertura comercial, financeira, produtiva e tecnológica.
A estabilização monetária passa a ser comandada pelo dólar, abrindo
espaço para a política de privatização, reforma do Estado e a desregulamentação
do mercado de trabalho.
13

A adesão do neoliberalismo no Brasil trouxe como efeito colateral o


aumento do desemprego a precarização e uma redefinição do papel regulador do
Estado. É através do desemprego, do trabalho desqualificado e das remunerações
insuficientes que as famílias passam a ser fortemente impactadas, passando a ser
um elemento importante nas políticas de assistência social.
Segundo Gomes (2003) quando a casa deixa de ser um espaço de
proteção para ser um espaço de conflito, a superação desta situação se dá de
forma muito fragmentada, uma vez que esta família não dispõe de redes de apoio
para o enfrentamento das adversidades, resultando, assim, na sua
desestruturação. A realidade das famílias pobres não traz no seu seio familiar à
harmonia para que ela possa ser a propulsora do desenvolvimento saudável de
seus membros, uma vez que seus direitos estão sendo negados.
Devemos ressaltar, que o termo “família desestruturada” não faz sentido, a
família não pode ser responsabilizada, pois, a verdadeira origem das contradições
sociais e as suas consequências está no sistema capitalista de produção, ou seja,
no capitalismo não é possível a justiça social.

Capítulo 2:

1.1 A transição para “democracia”: O contexto político e econômico dos


anos 1980 e 1990.

Após um longo período de ditadura militar, o Brasil começa na década de


1980 a trilhar o processo pela constituição da democracia. A eleição de 1985 foi
uma conquista dos movimentos populares que lutavam pelas “Diretas já”. Os
Manifestantes eram originários de vários setores da sociedade civil como (...)
partidos, organizações não governamentais, sindicatos e outros movimentos, que
marcaram várias manifestações públicas e pressionaram os militares a
procederem ao processo de transição. (Rojas,2010).
Emanada dos princípios de democracia, ocorreu a primeira eleição, em
1985, para presidente da república pós governos militares ”(Rojas, 2010:141).
14

A nova configuração política adotada no Brasil em 1985 foi orientada pela


democracia, mas também ampliou o processo de desigualdade social. Os níveis
de pobreza foram ampliados, consequência dos períodos anteriores, mas
especificamente dos governos militares, devido às orientações econômicas de
desenvolvimento sendo produzido um país com uma péssima distribuição de
renda, aumentando desta forma o número de pessoas que necessitavam das
políticas sociais.
De fato, o pequeno crescimento verificado foi distribuído segundo um
padrão mais concentrado ainda que o que havia inaugurado a década entre 1981
e 1989, os 10% mais ricos da população, que detinham 46,6% da renda, ampliam
sua participação para mais da metade, alcançando 53,2%. Os mais ricos, que
detinham 13% da renda, aumentaram sua participação para 17,3%. No mesmo
período, os 10% mais pobres passaram a ter, em 1989, apenas 0,6% da renda
nacional, menos ainda do que os 0,9% que lhes cabia em 1981 (o índice de Gini
salta de 0,572 para 0,652 nesse período) (DRAIBE, 1993: 51).

De acordo com Rojas, (2010:142) “Essa situação não é novidade nesse período
histórico, pois, a concentração de renda é característica persistente na história do
Brasil, sendo que as demandas sociais já existiam e eram tratadas de forma
fragmentada.” A partir de 1985 os governos brasileiros buscam administrar o país
via democracia, o discurso dos políticos era romper com as práticas clientelistas e
patrimonialistas do Estado, propondo transformações no sistema político,
econômico e social, para crescimento e desenvolvimento do país.
Para Rojas as tentativas não foram suficientes:

O que pode se observar é que os inúmeros planos econômicos


bem como as construções das legislações sociais, principalmente
da Constituição de 1988, foram insuficientes para cumprir com as
promessas feitas à população no que se refere à melhoria das
condições e de qualidade de vida (ROJAS,2010:142).

O governo José Sarney teve no início de seu mandato pouca sustentação


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política e popular, pois a população aguardava por Tancredo Neves na


presidência, este sim com apoio da população. O apoio popular foi conquistado a
partir da implantação do plano cruzado e a promulgação da Constituição de 88.
No que se refere ao Plano Cruzado, as medidas de congelamento dos
preços, dos salários e do câmbio geraram um clima favorável junto à população,
especialmente a assalariada, que respondeu aos apelos do próprio governo para
ser fiscalizadora dos abusos dos preços. E, quanto ao processo constituinte,
instalado a partir da aprovação pelo congresso Nacional da emenda nº. 26, de 27
de novembro de 1985 (Coelho,1988), o mesmo assinalou um novo horizonte para
o processo político democrático no Brasil.
Concluímos então que o governo José Sarney foi o governo da transição
democrática, que teve como resultante a Constituição de 1988. Todos os
governos posteriores promoveram o desmonte de todas as conquistas alcançadas
na Constituição de 1988.
“Durante o processo de promulgação da Constituição de 1988 o Brasil
tornou-se “signatário do acordo firmado com organismos financeiros
internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI),
por meio das orientações contidas no Consenso de Washington” (ROJAS,
2010:144).
As orientações contidas no Cosenso tinham como inspiração o
neoliberalismo. O receituário neoliberal foi adotado em quase todos os países do
mundo na década de 80. Dentre as indicações estava a desestruturação dos
sistemas de proteção social financiados pelo Estado e a orientação era para que
os mesmos passassem a ser direcionados pela iniciativa privada. Todas estas
indicações se opunham aos direitos garantidos na Constituição. ”No entanto, essa
linha teórica coaduna-se com a herança oligárquica, patrimonialista e autoritária
dos governos de compreensão do papel do Estado brasileiro.” Conforme aponta
Sader (2000) o Estado sempre foi máximo para os interesses privados e mínimo
para as demandas por políticas sociais para o povo.
Conforme pontua Behring (ano), na década de 80 “já está em curso, no
plano internacional, (...) uma reação burguesa a crise do capital iniciada nos anos
16

1970” (BEHRING, pág130).


Em face às transformações no mundo do capital, concluímos que a adesão
brasileira as orientações conservadoras esteve condicionada ao processo de
transição democrática. “Mais uma vez fortemente controlado pelas elites para
evitar a constituição de uma vontade popular radicalizada (SADER,1990:1),
configurando o que O’Donnel (1987) denominou como “transição transada”, e
Fernandes chamou de transição conservadora sem ousadias e turbulências (1986:
18-9); e de outro,à resistência ao desmonte de uma estrutura produtiva de
ossatura sólida construída no período substitutivo de importações, mantendo-
se,evidentemente, a heteronomia como marca estrutural, identificada por
Fernandes.
Após o fracasso do plano cruzado e a derrota política da coalizão que
estava comprometida com os avanços democráticos conquistados na Constituição
de 1988, “a agenda político-econômica passa a assumir o perfil desejado pelas
agências multilaterais: reformas liberais, orientadas para o mercado” (BEHRING,
ano, p.138).
A eleição para presidente da república em 1989, colocou em questão o
processo antagônico posto a sociedade brasileira desde a década de 80, por uma
pequena diferença de votos venceu o candidato, Fernando Collor de Mello, político
não conhecido a nível nacional, diante as novas orientações econômicas, aliadas
ao processo de recessão e a inúmeros escândalos envolvendo as várias
denúncias de corrupção o então presidente sofre um impeachement após dois
anos de mandato. Seu plano de governo defendia de forma explícita “as
“reformas” orientadas para o mercado, que implicariam um forte enxugamento do
Estado, como saída para a crise econômica e social brasileira ( ROJAS, pág,145).
Collor defendia a moralização na política com a “caça aos marajás”, o
receio quanto ao crescimento política de Luiz Inácio Lula da silva, fez com que
Collor recebesse apoio de diferentes partidos tanto de centro como de direita. O
discurso eleitoral de Collor afinava- se com um projeto de Estado social democrata
(Pereira,2000), mas suas iniciativas de governo foram contraditórias, pois foram
implementadas de acordo com o projeto neoliberal. As propostas de campanha,
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que continham retóricas como “amigo dos pobres”, “descamisados” e “perseguidor


das elites econômicas ou dos marajás” (Pereira, 2000), a proposta de governo era
um resgate social, o que na realidade não se concretizou durante seu governo.

1.2- A era Collor: Iniciativas que colocaram o Brasil na ordem neoliberal:

Durante o período de 1990 a 1992 o governo Collor conseguiu através dos


planos Collor I e Collor II intervir na economia, neste período aconteceu a abertura
do mercado brasileiro, o governo teve como principais características o caráter
populista, clientelista e assistencialista dos programas sociais do deu governo.
O “Plano Collor I” foi lançado no início do seu governo, este, teve como
iniciativa, “o confisco dos ativos financeiros e o congelamento de preços e salários
(Rojas,2010:146). Todas as iniciativas do plano foram em nome dos
descamisados, o que causou grande apoio popular e dos parlamentares.
No que se refere as políticas sociais, este período caracterizou-se pelo
desmonte das garantias constitucionais de 1988, principalmente com relação à
seguridade social. Segundo Pereira, 2000:163:
Rejeição explícita do padrão de seguridade social. (...) Em vista disso, o
governo reiterou a tentativa da administração passada de desvincular os
benefícios previdenciários e da Assistência Social do valor do salário mínimo;
relutou em aprovar os planos de benefícios e a organização do custeio da
seguridade social; vetou integralmente o projeto de lei que regulamentava a
assistência social; represou, por vários meses, a concessão de benefícios
previdenciários.
O governo Collor marcou a História da democracia política no Brasil. Todas
as medidas restritivas tomadas pelo seu governo ajudaram a destruir o apoio
popular a seu governo e as várias denúncias de corrupção nos altos escalões do
seu governo levaram as ruas de todo o país a mesma população que apoiou sua
eleição agora exige seu impeachement o retirando do poder, as forças
conservadoras que o apoiaram no projeto inicial também se retiraram.
Durante os dois anos de governo, Collor buscou intervir na economia
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através do plano Collor I e Collor II.


Nesse período, o país apresentava um quadro que pode ser resumido por
meio de: a) alavancagem do processo de privatização das empresas nacionais; b)
abertura econômica para capitais estrangeiros; c) retomada do processo
inflacionário; d) minimização dos gastos públicos governamentais na área social,
entre outras características, o que aponta seu perfeito alinhamento com as
indicações feitas pelos organismos internacionais (Rojas, 2010:147).

1.3- Governo Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso:

Após o Impeachement de Collor, assume o vice- presidente Itamar Franco,


o então presidente prosseguiu dando centralidade ao projeto econômico, com o
intuito de conter o déficit público e a inflação. Para tal intenção, foi projetado na
área econômica o Plano Real pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique
Cardoso. Através do plano real o governo almejou alcançar um conjunto de metas
conforme apontam Reis e Prates (1999):
Estabilidade de preços, incorporando alternativas de crescimento do
mercado, bem como investimentos e avanços tecnológicos setorizados;
modernização como redefinição da estrutura produtiva nacional, tendo como
referência as novas tecnologias disponíveis no mercado internacional; integração
econômica no cenário globalizado; e, por fim, desregulamentação do setor
produtivo público, redefinindo seu papel como administrador de políticas
macroeconômicas e de produção de bens sociais e de políticas sociais
compensatórias.
Todas as metas acima mencionadas entraram em choque com o exposto
na Constituição de 1988, ou seja, com o caráter universalista e de direito social
garantido na Carta Magna, este processo ocorreu tanto no governo de Itamar
Franco como no de Fernando Henrique Cardoso.
No governo Itamar Franco, foi aprovada a Lei Orgânica da Assistência
Social, nº 8742\93. Esta conquista foi alcançada devido ao resultado do
movimento de parcela da sociedade civil e de organismos de classe e também da
19

ação do ministério público, que ameaçava processar a União por conta do


descuido com a área social (Rojas, 2010).
Apesar do avanço o governo manteve as características do governo
anterior, como o caráter clientelista, assistencialista e populista. Dentre os
programas sociais destacamos o Plano de combate à fome e a miséria pela vida,
iniciados em 1993, estes programas contaram com o apoio do Estado e da
sociedade civil, e tiveram como características: a solidariedade privada, a parceria
entre Estado, mercado e sociedade.(Rojas,2010).
Para desenvolvimento deste plano, foi criado o Conselho Nacional de
Segurança Alimentar, administrado pelo então sociólogo Herbert de Souza,
Betinho. Apesar da grande mobilização social exigindo do governo mais atenção
ao social o programa acabou sendo esvaziado, pois ocorreu uma utilização
clientelista do mesmo em vários pontos do país, e uma despriorização política do
governo central, que não disponibilizou os recursos necessários a um programa
de tal monta (ROJAS,148).
Por conta destes acontecimentos o governo Itamar Franco não se
diferenciou dos governos anteriores em relação ao âmbito social, ou seja, poucas
foram as iniciativas para garantir os direitos implícitos na Constituição de 1988. O
ato mais importante do seu governo foi o Plano Real, que potencializou a vitória de
Fernando Henrique Cardoso nas eleições para presidência do Brasil em 1994
(ROJAS, 2000).
Com a posse do então Presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso,
priorizou o controle da inflação e o controle da estabilidade da moeda,
encaminhando o país, como plataforma política, a necessidade de reformar o
Estado alinhando-o ao receituário neoliberal. De acordo com Fiori (1998) desde
1991, esta já parecia ser a definição construída por Fernando Henrique Cardoso,
pois desde então este foi o projeto de FHC, ou seja, um projeto de modernização
neoliberal por um bloco de sustentação centro- direita.
Durante o processo de campanha, FHC definiu em sua plataforma de
campanha a prioridade em: saúde educação, emprego, agricultura e segurança.
Se estas definições fossem cumpridas, o governo estaria cumprindo o exposto na
20

Constituição de 1988, mas o caminho seguido favoreceu ao mercado, a prioridade


do governo era a estabilidade econômica.
Conforme aponta (Draibe, 1993; Fiori, 1995; Fagnani, 1999; Pereira, 2000),
esta meta foi apontada por todos os governos democráticos pós-45.
Como estratégia para governar, FHC, utilizou os recursos da Medida
Provisória, o que afastou a população das decisões do governo. A utilização de
tais medidas foi trabalhada, no Congresso no sentido de garantir todos os projetos
vindos do executivo, com isso o governo teve como características a troca de
favores, contrariando a proposta de dar fim ao clientelismo dando fim à era Vargas
como prometido (LESBAUPIN, 1999; Pereira, 2000).
Foi com o apoio do Congresso, que o então presidente conseguiu aprovar
várias modificações na carta constitucional com o intuito de dar condição para
implementação do seu plano econômico. Com relação ao campo social, em 1995
foi criado o programa Comunidade solidária, este tinha por finalidade estabelecer
a forma de atuação do governo na área social.
Segundo (ROJAS, 2000:151): “Os esforços governamentais nessa área
foram ínfimos, a ponto de, em 1995, o Relatório do Tribunal de Contas da União
(TCU) ter denunciado o descaso do governo Fernando Henrique Cardoso com as
políticas sociais.

(...) Nesse relatório o TCU com base em análises das ações e das
contas do governo, indicou que os gastos governamentais com o
combate à pobreza, com investimentos na educação e com o
programa de reforma agrária eram menores do que os de 1994, do
governo Itamar” (PEREIRA, 2000:170).

É neste momento que temos o retorno do discurso da solidariedade,


incentivando a população a exercer trabalhos voluntários, transferindo à
responsabilidade dos programas sociais para a iniciativa privada. Esta ideologia
tinha por prioridade afastar o Estado de sua responsabilidade, conforme o exposto
na Constituição de 1988, na garantia desses direitos.
Segundo LESBAUPIN (1999) no balanço social do período do governo de
Fernando Henrique Cardoso, é possível apontar que, do ponto de vista do quadro
21

social, os resultados são desastrosos.


Após o final do governo identificou-se um aumento da concentração de
renda, característico da história política do Brasil (GONÇALVES, 1999) e também
um alto índice de desemprego (MATTOSO,1999); Para Netto, em 1999 houve uma
tentativa constante em desmontar os direitos trabalhistas conquistados ao longo
de várias décadas. O governo Fernando Henrique Cardoso promoveu no país um
processo de privatização intenso e várias reformas na Constituição de 1988,
principalmente no campo dos direitos sociais (COMPARATO, 2000).
As consequências destes fatos levaram o Brasil a se tornar dependente dos
ditames dos mercados internacionais, colocando o país na condição de
dependente dos capitais especulativos, mas devido a crise asiática de 1997 e da
russa de 1998, se retiraram drasticamente, prejudicando a viabilidade do plano
(SINGER, 1999).
O Plano Real de 1994 inicialmente reduziu a inflação, expandiu a economia
e reduziu o desemprego. Mas a partir do segundo semestre de 1996 houve
reversão, o desemprego, o desemprego aumentou e os salários caíram a uma
média de 7% ao ano. Segundo um estudo recém- publicado pela Unicamp, mas
com base em informações do IBGE, a desigualdade social agravou-se no Brasil
entre 1992 e 1998, enquanto a massa salarial que era de 44% do PIB em 1993,
caiu para 36% no final da década. A participação dos lucros no PIB, durante o
mesmo período, passou de 35% para 44% do PIB. O desemprego aumentou, com
cifras que variam em torno de 16% em todas as metrópoles, e a renda per capita
cresceu quase nada, ou mesmo caiu 6%, no último ano, quando medida em
dólares, como aparece nos Indicadores Mundiais de Desenvolvimento do Bird”
(FIORI,2003:2).
De acordo com a pesquisa de (FIORI,2003) conseguimos qualificar qual foi
a prioridade do governo FHC, ou seja, a financeirização da economia através da
especulação financeira, tendo o índice na participação nos lucros demonstrado
nos indicadores que mediram o governo. Através desse balanço é possível
verificar o papel secundário das políticas sociais. Através do estudo dos governos
brasileiros desde a ditadura militar é possível identificar que, o discurso sempre foi
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o mesmo, ou seja, através do crescimento econômico o país aumentaria o


desenvolvimento social. Como podemos constatar as melhorias na condição social
no impacto dos diversos programas foi passageira (ROJAS, 2010).
O sistema de proteção social criado a partir de 1985 é muito frágil. ”Do
ponto de vista institucional, os programas referendaram ações pontuais, com
destaque para programas que pretendiam erradicar a fome e a miséria” (ROJAS,
2010:151).
Com base nos direitos garantidos na Constituição de 1988, os governos
tiveram a tendência de desconstituir o sistema. ”o que pode ser observado pela
reforma da Previdência Social, por meio da emenda nº 20, encaminhada pelo
governo Fernando Henrique Cardoso e aprovada pelo Congresso Nacional.”
(Rojas, 2010:151).
Todos os governos à partir de 1985, construíram um projeto político firmado
na centralização da estabilidade econômica e no desejo de reformar a
Constituição de 1988, pois segundo eles, esta era um peso para o país e um
entrave ao projeto de crescimento. As políticas sociais nestes governos: “(...) tem
sido caudatárias de atributos que por longo período constataram como denúncia
nos programas eleitorais, qual seja, a retomada das práticas clientelistas” (ROJAS,
2010:153).
Este fato pode ser comprovado nas alterações feitas na Constituição de
1988, exigindo maioria no Congresso, transformando o Brasil em um balcão de
negócios, transformando o voto em mercadoria muito valorizada (ROJAS, 2010).
Em relação às demandas da população, o governo respondeu de forma
fragmentada (...) ”assistemáticos e seletivos, como o do leite de José Sarney; o da
participação; o da participação comunitária, de Collor de Mello, e o da
Comunidade Solidária, de Fernando Henrique Cardoso”. Os governos reportaram-
se a programas com forte apelo popular, com medidas pontuais, buscando sempre
o apoio da população mais pobre.

1.4- Projeto “Social-liberal” em Bresser Pereira:


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De acordo com o formulador do Plano Diretor da Reforma do Estado,


Bresser Pereira, o Brasil e a América Latina foram atingidos na década 80 por uma
grave crise fiscal, em consequência da crise da dívida externa e pelas práticas do
populismo econômico. Por conta desse cenário, é necessário que aja uma
disciplina fiscal, com a privatização e a liberalização comercial.
Bresser nota também o caráter cíclico e mutável da intervenção do Estado,
ou seja após o Estado mínimo, o Estado social- burocrático e o revival neoliberal,
caminhar-se-ia para uma experiência social-liberal, pragmática e social-
democrática. Este modelo, segundo Bresser, não pretende atingir o Estado
mínimo, mas reconstruir um Estado que mantém suas responsabilidades na área
social, acreditando no mercado, do qual contrata a realização de serviços,
inclusive na própria área social (1994:14).
Os argumentos do então ministro da Fazenda do governo Fernando
Henrique Cardoso, caminhavam no sentido de diferenciar a sua proposta social-
liberal e a neoliberal, (...) porém, assumindo como necessária a crítica neoliberal
do Estado (BEHRING,2008:172).
Os motivos da crise se encontram no Estado desenvolvimentista, no estado
comunista e no Welfare State, devemos lembrar que o Brasil não vivenciou um
Estado de bem estar social, cujas experiências são diferentes para serem
colocadas numa mesma ótica com os países que passaram por este processo.
(BEHRING,2008:173).
O papel do Estado é o de coordenador suplementar, ou seja, se a crise se
encontra na insolvência, no excesso de regulação e na rigidez e ineficiência do
serviço público, é necessário que ocorra uma reforma no Estado, com o objetivo
de recuperar a governabilidade (...) “(legitimidade e a governance (capacidade
financeira e administrativa de governar) (BEHRING,2008:173).
Busca-se com a reforma, garantir taxas de poupança e investimentos,
alocação de recursos com a distribuição de renda mais justa,ou seja, o lugar da
política social no Estado Social-liberal é desviado, os serviços de saúde,
educação, dentre outros, terão que ser contratatos por empresas públicas não
estatais competitivas.
24

Para Bresser Pereira (1996:21):

É um Estado social-liberal porque está comprometido com a


defesa e a implementação dos direitos sociais definidos no século
XIX, mas é também liberal porque acredita no mercado, porque se
integra no processo de globalização em curso, com o qual a
competição internacional ganhou uma amplitude e uma
intensidade históricamente novas, porque é resultado de reformas
orientadas para o mercado.

O então projeto elaborado pelo MARE e aprovado em setembro de 1995


pela câmara da Reforma do Estado,(...) um órgão interministerial criado para esse
fim e que orientaram, dentre outros processos e legislações, a Emenda
constitucional nº19, de 19\6\98, que trata da “reforma” da administração pública”
(BEHRING, 2008:177).
Logo na apresentação do documento, Fernando Henrique Cardoso enfatiza
os argumentos de que a crise brasileira da última década foi uma crise do Estado,
pois este se desviou de suas funções básicas, comprometendo os serviços
públicos, mais o agravamento da crise fiscal e da inflação.
“Trata-se para ele, de fortalecer a ação reguladora do Estado numa
economia de mercado, especialmente os serviços básicos e de cunho social”
(BEHRING, 2008:177).
Para Fernando Henrique, o Estado brasileiro é rígido, lento, ineficiente e
sem memória administrativa, sendo necessária a reforma gerencial voltada para o
controle dos resultados e baseada na descentralização, visando qualidade e
produtividade no serviço público. A partir de então o presidente justifica a proposta
da reforma voltada para o cotrole dos resultados e baseada na descentralização,
para melhorar a qualidade e a produtividade no serviço público, ou seja, o plano é
o referencial para as reformas constitucionais, Fernando Henrique Cardoso
convoca toda a população no desafio de implementar a reforma,como intuito de
criar um “novo modelo de justiça social” (BEHRING,2008:177).
25

1.5 A implementação do Projeto neoliberal no Brasil e os impactos sobre a


família:

O processo de reestruturação do capital vivenciado a partir da década de


70 no mundo se dá de forma diferente nos países da América Latina e no Brasil.
Particularmente em nosso país, o caminho seguido foi diferente do europeu e
também do norte americano.
Para entendermos o processo do neoliberalismo em nosso país, devemos
levar em consideração a constituição do Estado brasileiro, “(...) produto do
desenvolvimento social e histórico desta nação, tem, portanto, suas
particularidades” (MONTÃNO, 2010:30).
Em toda América Latina, a transição para o sistema capitalista, se difere
dos países centrais devido a duas características:
Elas determinam, para o nosso subcontinente, a constituição de um
capitalismo oligárquico-dependente, que, ainda no século XIX e início do XX,
estava baseado no latifúndio tradicional e num esquema colonial de exportação de
matérias-primas e importações de produtos industrializados (cf.CUEVA, 1983: 81
ss).
Por conta disso o capitalismo não é implantado no Brasil através de uma
revolução burguesa, o que ocorre é o contrário, em nosso país o desenvolvimento
se dá no setor agrário, (...) “principal polo, junto com o mineiro, do
desenvolvimento capitalista latino-americano” (MONTÃNO, 2010:30).
Por conta deste processo, mesmo modificando as estruturas econômicas,
não foi possível atingir plenamente a superestrutura, o que manteve no
capitalismo latino-americano, características ideológicas, culturais, relações
sociais e produtivas próprias com base nos sistemas latifundiário, servil e
escravocrata.
A partir dos anos 90, há uma rigorosa adesão do Brasil ao modelo
neoliberal e os direitos sociais sofrem uma derrocada, num movimento “que, sem
ruído, atingem os próprios fundamentos da construção constitucional” (VIANNA,
2002: 175).
26

O neoliberalismo no Brasil não só encontra terreno fértil para intensificar o


processo de barbárie, intensificando também as refrações da questão social.
A partir dos anos noventa, o Brasil passou por diversas mudanças econômicas e
políticas que resultaram em um alto índice de desemprego e precarização do
trabalho, onde o Estado passa por uma redefinição em seu papel regulador
atingindo assim estrategicamente na reprodução dos trabalhadores urbanos e
suas famílias.
Nesse sentido, o Estado transfere para a família a responsabilidade de seu
próprio sustento, sem, contudo, lhe oferecer meios para essa sobrevivência. A
família sofre escancaradamente os efeitos da política neoliberal, sendo cada vez
mais responsabilizada pelo bem-estar de seus membros assim, a proteção social
não é vista mais como responsabilidade coletiva e sim individualista.
Estudos mostram que a função da família na sociedade capitalista passa a
ter um papel de unidade de renda e consumo.
Para Telles (1992; 1996), na sociedade brasileira, caracterizada pela lógica
da destituição e privação de direitos, a família é uma espécie de garantia ética,
moral e material, caracterizada pela lógica da destituição e privação de direitos.
O reconhecimento das políticas públicas é um fator decisivo para atingir os
objetivos de prioridade no desenvolvimento humano, tais como a minimização da
pobreza, o acesso à educação, saúde, alimentação, moradia e proteção integral
às suas crianças e adolescentes. Para Mioto, Silva e Silva (2007).

(...) a crise do Estado de Bem Estar implicou na adoção de uma


“solução familiar” para a proteção social, quando se conciliou no
sentido de reduzir a dependência em relação aos serviços públicos
e “redescobrir” a autonomia familiar enquanto capacidade de
resolver seus problemas e necessidades (Autor, ano e p?).

A Política Nacional de Assistência Social está implantando, uma política que


tem a proposta de um trabalho onde o foco será na família, mas para que isso
aconteça devemos ver a realidade das várias possibilidades e “configurações”
familiares que podem aparecer para serem atendidas nos Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS) e nos Centro de Referência Especializado de
27

Assistência Social (CREAS). A família é apenas uma das instâncias de resolução


dos problemas individuais e sociais. Os serviços públicos devem ser flexíveis,
respondendo de forma diferenciada às várias formas de apresentação dos
problemas locais.
A Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) vem estabelecer que “a assistência
social é um direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade
Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um
conjunto integrado de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o
atendimento às necessidades básicas”.
A Assistência Social, a partir da LOAS em sua constituição, inserida no
processo de Estado de Bem-Estar-Social remete-nos a um tripé de Proteção
Social, juntamente com a Saúde e a Previdência Social. No âmbito da assistência
social, a segurança social de renda é uma das garantias compõe o campo de
atribuições dessa política, se amplia para além daqueles impossibilitados.
Na impossibilidade de garantir direito ao trabalho, seja pelas condições que
ele assume contemporaneamente, seja pelo nível de desemprego, ou pelas
orientações macroeconômicas vigentes, o Estado capitalista amplia o campo de
ação da assistência social (Mota, 2008:16). [A] hipótese explicativa da sua
expansão é a de que o trabalho teria perdido sua capacidade de integrar os
indivíduos à sociedade, razão pela qual os programas de assistência social,
particularmente os programas sociais de renda mínima, poderiam fazê-lo em
contrapartida à desregulamentação da proteção social e do trabalho (Idem: 43)
As famílias brasileiras, nas últimas décadas vêm se modificando e se
reconfigurando, sendo assim não podemos pensar a família como um modelo
único ou ideal. As alterações na família fazem parte e estão relacionadas às
transformações contemporâneas da sociedade. Goldani (1994, p. 12) destaca a
características de uma nova configuração das famílias brasileiras, que teve início
nos anos 1990: a redução do número de filhos; o predomínio das famílias
nucleares; o aumento significativo das famílias monoparentais, com
predominância das mulheres como chefes; o aumento das famílias recompostas; e
o aumento de pessoas que vivem sós. Portanto, não é mais coerente falar de
28

família, mas de “famílias”.


Conhecer a família da qual se fala e para a qual muitas vezes dirigimos
nossa prática profissional é muito importante; também é imprescindível
compreender sua inserção social e o papel que a ela está sendo atualmente
destinado; e, da mesma forma, é necessária a mobilização de recursos da esfera
pública, visando implementação de políticas públicas de caráter universalista que
assegurem proteção social. Entretanto, o mais fundamental é que o indivíduo e
sua família tenham efetivas condições para prover sua autonomia, sejam
respeitados em seus direitos civis e sociais (acesso à educação, à saúde, à justiça
e ao trabalho) e contem com a possibilidade de elevação do nível de qualidade de
vida, aspectos estes inerentes à construção da cidadania. (GUEIROS, 2002, p.
119-120)
O Estado usa como enfrentamento da pobreza programas de renda mínima
ou de transferências condicionadas de renda como o Bolsa Escola em 2001 e o
bolsa família em 2003, onde as famílias que se encontravam vulneráveis recebiam
uma determinada quantia. Com isso, ocorre uma grande perda no sentido da
seletividade e universalidade.

(...) a seletividade apoiada na equidade, visando identificar


necessidades particulares para melhor atende-las, foi substituída
por uma seletividade injusta, centrada na defesa dos gastos
sociais, que exige das políticas sociais, a criação de estratégias de
rebaixamento das necessidades humanas à sua expressão
emergencial, visando, assim, diminuir as despesas do Estado.
(STEIN, 2009, p.215).

A família passa a ser vista com grande importância no que se refere à


proteção social justamente através dessa focalização de direitos.
A Política Nacional de Assistência – PNAS tem como parte central na
política de assistência a família e o Estado defende que “a família deve ser
apoiada e ter acesso a condições para responder ao seu papel no sustento, na
guarda e na educação de suas crianças e adolescentes, bem como na proteção
de seus idosos e portadores de deficiência”(p.89).
29

Na Constituição Federal de 1988 a família é vista como a estrutura


essencial da sociedade, existe aí uma contradição enorme, pois, a focalização é
justamente o inverso da universalidade explícita na Constituição de 88 e nas
legislações que complementam a assistência como na PNAS e na NOB/SUAS.

1.6: Trajetória histórica da política de assistência

A assistência social no Brasil durante sua trajetória inicial não era de


responsabilidade do poder público. O Estado era visto como um distribuidor de
isenções clientelistas para grupos religiosos e privados que repassavam parte
dessa "ajuda" a população vulnerável. A pobreza era compreendida como
fatalidade e a Igreja se responsabilizava pela assistência aos necessitados. A
configuração da assistência social no país ocorre durante o período de
desenvolvimento e consolidação do denominado capitalismo monopolista.
Ao compararmos o Brasil com os países desenvolvidos notamos o quanto
por aqui se constituiu um histórico de dependência. Neste sentido é preciso
destacar que o período colonial pode ser considerado um forte influenciador da
cultura na qual foram construídas as políticas sociais em nosso país, em função
dos traços marcantes a exemplo o clientelismo, conhecido até hoje como “troca de
favores”.
Conforme afirma Iamamoto:

As desigualdades que presidem o processo de desenvolvimento


do país tem sido uma de suas particularidades históricas. O
“moderno” se constrói por meio do “arcaico”, recriando elementos
de nossa herança histórica colonial e patrimonialista [...] O novo
surge pela mediação do passado, transformando e recriando em
novas formas de processos sociais do presente (IAMAMOTO,
2010, p.128).

Com a lenta substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre, o país


inicia sua adaptação ao capitalismo. A industrialização no séc. XIX começa a se
30

desenvolver juntamente com o modo de produção capitalista. Nesse período, a


assistência se limitava a questões de higiene, buscando uma reforma social e
moral dos indivíduos.
No final do séc. XIX, a industrialização foi impulsionada e a classe
trabalhadora sofre com a exploração e as condições precárias de trabalho, a
questão social então, já era algo visível nos centros urbanos. É neste sentido que
podemos compreender a política social e seu surgimento como estratégia de
resposta as expressões da questão social, geradas pela contrariedade existente
entre capital e trabalho.Para Iamamoto e Carvalho (2000, p.77):

A ‘questão social’ não é senão as expressões do processo de


formação e desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso
no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento
como classe por parte do empresariado e do Estado. É a
manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o
proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de
intervenção, mais além da caridade e da repressão.

As expressões da questão social são fruto da exploração do trabalho pelo


capital, da desigualdade de apropriação do produto social, assim observamos o
desemprego, o analfabetismo, a fome, a precariedade da saúde, a violência,
dentre outros. O reconhecimento da questão social só de dá perante a luta da
classe trabalhadora, ganhando força no séc. XIX. A classe trabalhadora ganha
grande importância no âmbito político através dos sindicatos e partidos políticos
dos proletários. Neste sentido, o Estado inicia muito fragilmente a sua intervenção
social.

Aos poucos, alguns setores dominantes e os governos são


levados a reconhecer que a questão social é uma realidade. Ainda
que utilizem outras denominações e preconizem a violência contra
as reivindicações e os protestos, ainda assim se começa
reconhecer que algo pode mudar, que alguma negociação pode
haver, sem que o status quo seja abalado. Tanto assim que ao
31

longo das décadas de 1920 e 1930 os governantes e setores


dominantes começaram a admitir que a questão social poderia
deixar de ser um problema de polícia, e começar a ser tratada
como um problema político (IANNI, 2004, p.104).
Na primeira metade do século XX, houve conforme afirma Behring e Boschetti
(2008, p. 104):

[...] expressões de organização sindical no país, com as primeiras


greves. Andava-se a passos firmes na direção de uma consciência
de classe para si, com o incremento da organização política dos
trabalhadores, sobretudo após 1907, quando se reconhece o
direito de livre organização sindical, naquele momento com total
autonomia do Estado.

Nos países periféricos as políticas sociais se anteciparam, ou seja,


surgiram antes dos movimentos da classe trabalhadora. Conforme afirma
Vasconcelos (1989, p.71),

O caso brasileiro é também aqui sugestivo quando se enfoca a


história da legislação trabalhista brasileira. As primeiras medidas
legais no Brasil aconteceram quando a classe operária, no sentido
clássico do termo, constituía menos de 10% da população. Se
compararmos com a experiência britânica, a legislação emerge
naquele país com uma população operária comparativamente
muito maior.

Devemos ressaltar que essa característica das políticas sociais está


associada ao desenvolvimento tardio do capitalismo nos países periféricos. E
segundo Vasconcelos (1989, p.70)

Essa característica tem implicações no campo das P.S.: os atores


políticos e econômicos dos países periféricos tem à sua disposição
um conjunto de experiências que podem sugerir cursos de ação
mais vantajosa, e que permitem a previsão e antecipação de
alguns resultados possíveis. Deste modo, as ações e reações de
todos os atores sociais significativos podem ser influenciadas por
ideias e comportamentos advindos do mundo central. As elites
nacionais, por exemplo, puderam copiar soluções, políticas e
institucionais que, segundo seus pontos de vista, mostraram-se
32

eficientes no centro.

A política social brasileira em 1923 aprova a Lei Eloy Chaves, assim as


Caixas de Aposentadoria e Pensão (CAP’s) se constituem nas instituições
privadas, ou seja, empresas sem vínculo com a esfera pública estatal. Assim os
objetivos das CAP’s são:
garantir parte do fluxo da renda normalmente auferida pelo
empregado, no momento em que ele se desligasse da produção -
por velhice, invalidez ou por tempo de serviço -, ou a seus
dependentes em caso de morte, além da assistência médica.
Instaurava-se o esquema clássico, onde o empregado abre mão
de parte de sua renda presente, enquanto dela ainda participa do
processo de acumulação, a fim de obter parte dela, no futuro,
quando já estiver ausente. Não se tratava de um direito de
cidadania, inerente a todos os membros de uma comunidade
nacional, quando não mais em condições de participar do
processo de acumulação, mas de um compromisso a rigor privado
entre os membros de uma empresa e seus proprietários
(SANTOS, 1987, p. 21-22).

A preocupação essencial do Estado era com o processo de acumulação do


capital e a questão social. As instituições privadas eram usadas para amenizar os
reflexos gerados pelo modo de produção capitalista através de um seguro que
comprometia os empregadores com os seus empregados.

A responsabilidade estava clara e nitidamente dividida: ao Estado


incumbia zelar por maior, ou melhor, justiça no processo de
acumulação, enquanto que as associações privadas competia
assegurar os mecanismos compensatórios das desigualdades
criadas por esse mesmo processo (SANTOS, 1979, p.28).

Já nos anos 30 observamos que o Brasil se expandiu na industrialização,


na economia, no campo social, político e cultural e o Estado é considerado o
grande precursor do desenvolvimento urbano-industrial do país.

Foi decisivo o papel do Estado nos caminhos trilhados pela


modernização pelo alto, em que as classes dominantes se
33

antecipam às pressões populares, realizando mudanças para


preservar a ordem. Evitam qualquer ruptura radical com o
passado, conservando traços essenciais das relações sociais e a
dependência ampliada do capital internacional. Os traços elitistas e
antipopulares da transformação política e da modernização
econômica se expressam na conciliação entre as frações das
classes dominantes com a exclusão das forças populares, no
recurso frequente aos aparelhos repressivos e à intervenção
econômica do Estado (IAMAMOTO, 2010, p. 132).

O investimento industrial que teve início na era Vargas trouxe um grande


desenvolvimento econômico para o nosso país. Ocorre assim um aumento
significativo da população e urbanização do Brasil. “A revolução de 1930 marca o
fim de um ciclo e o início de outro na economia brasileira: o fim da hegemonia
agrário-exportadora e o início da estrutura produtiva de base urbano-industrial”
(OLIVEIRA, 2003 p.35).

Com a chamada Revolução de 30, o Estado terá que assumir as


funções maiores, superando a função apenas de coerção. Terá
papel de regulamentação, organização, coordenação,
intermediação e até de educação, enquanto promotor de uma nova
cultura, afinada a diferentes exigências. Terá que desempenhar
funções econômicas, políticas e administrativas bastante amplas
para produzir efeitos revolucionários na sociedade, ainda
dominada pelas velhas oligarquias latifundiárias (MESTRINER,
2011, p. 67).

O aumento da urbanização no país trouxe muitas consequências devido à


falta de estrutura, o Brasil não estava preparado para essa mudança, assim, se
torna precário os setores da educação, habitação, saneamento básico, da infra-
estrutura dentre outros. Analisamos, portanto, que quando mais se desenvolvia a
industrialização em nosso país, mais se agravava as desigualdades sociais e
consequentemente a questão social.
34

Nesse quadro, durante o primeiro período Vargas, a intervenção


estatal caracterizou-se pelo início da estruturação do chamado
Estado desenvolvimentista. Ou seja, diferentemente do que
ocorreu nos casos clássicos de transição capitalista, nos quais a
industrialização e, portanto, as ampliações das relações
capitalistas precederam a construção do Estado interventor, no
Brasil, foi o Estado que, a partir de 1930, impulsionou e estimulou
o processo de desenvolvimento urbano-industrial e, em
consequência, a ampliação das relações capitalistas, através do
processo de industrialização restringida (SOUZA FILHO, 2011,
p.103).

No período imperial da República Velha, a política social adere uma cultura


patrimonialista e coronelista, introduzindo elementos corporativistas e de
cooptação da classe operária.

Difunde-se não só a constatação de que estávamos nos tornando


uma sociedade moderna, em que havia, portanto a emergência
explícita de interesses múltiplos e diversificados, frequentemente
conflitantes, mas também a consciência de que, de certo modo,
seria necessário e legítimo criar mecanismos de representação
desses interesses; mas se afirmava também que a maneira correta
de construir tal representação era no interior do Estado. Isto é
muito claro no caso da tentativa de incorporar ao aparelho do
Estado o movimento sindical que tivera uma autonomia bastante
grande ao longo dos anos 20, ou mesmo até o início dos anos 30
(COUTINHO, 1993, p.81).

Segundo Chico de Oliveira:

O decisivo é que as leis trabalhistas fazem parte de um conjunto de


medidas destinadas a instaurar um novo modelo de acumulação.
Para tanto, a população em geral, e especificamente a população
que afluía às cidades, necessitava ser transformada em "exército
de reserva". Essa conversão de enormes contingentes
populacionais em "exército de reserva", adequado à reprodução do
capital, era pertinente e necessária do ponto de vista do modo de
acumulação que se iniciava ou que se buscava reforçar, por duas
razões: de um lado, propiciava o horizonte médio para o cálculo
35

econômico empresarial, liberto do pesadelo de mercado de


concorrência perfeita, no qual ele devesse competir pelo uso dos
fatores; de outro lado, a legislação trabalhista igualava reduzindo -
antes que incrementando - o preço da força de trabalho
(OLIVEIRA, 2011, p. 33).

O Estado nesse período se fortalece na estrutura burocrática, ampliando-se e


desenvolvendo-se em busca da expansão das relações capitalistas.

[...] Nesse quadro o Estado se fortalece para ser o protagonista


central da expansão capitalista de base industrial, numa
perspectiva de incorporação seletiva e regulada da classe
operária, através de uma coalizão da oligarquia agrária com a
burguesia industrial. Tal coalizão necessitará, para objetivar sua
dominação, de uma ordem administrativa mantenedora da
estrutura genética da administração pública brasileira
(bifrontalidade), variando apenas em tonalidades: a burocracia
passa a se sobrepor, paulatinamente, à dimensão patrimonialista,
possuindo como característica central o autoritarismo e a negação
política [...] (SOUZA FILHO, 2011, p.104).

Os institutos de aposentadoria e Pensão (IAP’s) foram criados em 1933 e


eram considerados como direitos sociais dos trabalhadores que tinham a carteira
assinada e a profissão regulamentada por lei. Esses direitos sociais e o acesso a
eles eram regulamentados pelo Estado, é através dos IAP’s que a “cidadania
regulada” se estrutura.

A organização institucional para materializar os serviços


previdenciários e a assistência médica, via IAP’s, apresenta-se
como uma estrutura exemplar que articula organicamente as
dimensões burocráticas e patrimonialistas da ordem administrativa
brasileira, além de formatar a estrutura pela qual se fará a
incorporação seletiva da classe trabalhadora no processo de
industrialização e urbanização do país (SOUZA FILHO, 2011,
p.111).
36

Para que possamos compreender a política econômico-social pós-1930


segundo Wanderley Guilherme dos Santos é muito importante saber definir a
cidadania regulada:

São cidadãos todos aqueles membros da comunidade que se


encontram localizados em qualquer uma das ocupações
reconhecidas e definidas em lei. A extensão da cidadania se faz,
por via regulamentação de novas profissões e/ou ocupações, em
primeiro lugar, e mediante ampliação do escopo dos direitos
associados a estas profissões, antes que por expansão dos
valores inerentes ao conceito de membro da comunidade. A
cidadania está embutida na profissão e os direitos do cidadão
restringem-se aos direitos do lugar que ocupa no processo
produtivo, tal como reconhecido por lei. Tornam-se pré-cidadãos,
assim, todos aqueles cuja ocupação a lei desconhece (SANTOS,
1989, p.68).

Santos ressalta ainda que:

Quando, após reestruturar nestes moldes a esfera da produção, o


Estado se volta para a política social strictu sensu, a ordem de
cidadania regulada assim gerada irá condicionar o sistema de
desigualdades decorrentes da política oficial de previdência, por
um lado, e o desenvolvimento de um conflito ao mesmo tempo
político e intraburocrático, por outro (SANTOS, 1989, p. 69).

Observamos, portanto, que a assistência social tinha suas ações voltadas a


filantropia e a caridade e eram destinadas as pessoas que não trabalhavam ou
que não tinham sua profissão regulamentada por lei. A relação do Estado para
com as pessoas que precisavam da assistência era segundo Fleury uma
“cidadania invertida”:

Tratava-se, portanto de uma relação de cidadania invertida, já que


37

o indivíduo passa a ser beneficiário do sistema pelo motivo mesmo


do reconhecimento de sua incapacidade de exercer plenamente a
condição de cidadão. Nesta condição política de cidadania
invertida, o indivíduo entra em relação com o Estado no momento
em que se reconhece como um não cidadão. Os seus atributos
jurídicos e institucionais são, respectivamente, a ausência de uma
relação formalizada de direito ao benefício, o que se reflete na
instabilidade das políticas sociais nesta área, e uma base
institucional inspirada em um modelo de voluntariado das
organizações de caridade, mesmo quando são instituições estatais
(FLEURY, 1989, p.44).

Com breve constituição de 1934, ocorre pela primeira vez na Constituição


um capítulo de ordem econômica e social.

Reconhecendo a existência de direitos sociais, que competia à


União preservar, ao mesmo tempo em que, também inovando,
delegava aos poderes públicos competência para intervir e regular
os contratos, anteriormente privados, que se processavam na
esfera da produção (SANTOS, 1989, p. 29).

Logo depois, foi criado o Conselho nacional de serviço Social (CNSS) que
para Mestriner “foi a primeira grande regulamentação da assistência social no
país” (2011, p.58).
Neste mesmo período a Legião Brasileira de Assistência (LBA) é criada, e
juntamente com o CNSS vai expandir a ação Estatal no setor da assistência
social, mas, sem reconhecê-la como política pública.

A proposta de Vargas, embora se manifeste como tentativa de


atualizar a modernidade prometida pela república de 1889, não se
constituirá numa ruptura revolucionária, que venha a alterar os
fundamentos estruturais da sociedade, mas numa ruptura
reformista,... O mesmo acontece com a assistência social, que a
primeira vista parece ser tratada com área de inclusão, mas na
realidade será influenciada e determinada pelo caráter seletivo do
pensamento liberal, que considera proteção social do âmbito
privado e não público. Portanto, embora o governo varguista tenha
inovado ao instalar o CNSS (Conselho Nacional de Serviço
38

Social), ao final cria apenas uma política de incentivo ao amparo


social privado e filantrópico, por meio de mecanismos de
subvenção... E lembre-se [...]ao criar a legião Brasileira de
Assistência, Vargas funda no Brasil o atrelamento do social ao
primeiro-damismo – na figura de Darci Vargas – , do qual até hoje
o país não se desembaraçou [...] (MESTRINER, 2011, p.71).

Em 1945 no pós segunda guerra mundial os países da Europa, os mais


desenvolvidos adotaram o estado de Bem-Estar Social que acabou se tornando
uma grande referência em todo mundo. Com a grande crise do capital no período
de 1929 a 1932 o aparelho estatal foi regulado para seu enfrentamento e o que se
esperava era uma maior redistribuição de renda e dos lucros da produção.

Demonstrou-se a possibilidade de implementar políticas sociais


como instrumento de regulação do mercado, estabelecendo-se um
conjunto de direitos sociais universais (emprego, moradia,
educação, saúde, transporte, etc.) reivindicados pelos
trabalhadores e garantidos pelo Estado, de modo a tornar o
capitalismo menos devastador (FILGUERAS, GONÇALVES, 2007,
p.154).

Assim analisamos os anos de 1930 a 1945 como um período em que o


Estado busca sua legitimidade, tentando controlar os conflitos sociais. Após 1945,
observamos que o governo brasileiro adota outro comportamento perante as
políticas sociais, dentre as mudanças que ocorreram podemos citar, a adesão do
salário-mínimo, a jornada de 8 horas de trabalho, as férias remuneradas, a
estabilidade no emprego, a indenização por dispensa sem justa causa, a proteção
no trabalho da mulher e do menor, à assistência a maternidade, à saúde dentre
outros serviços assistenciais e educacionais. Na realidade o Estado de Bem-Estar
Social não chegou a ser implantado totalmente no Brasil. O Estado passa a ser o
principal instrumento de acumulação do capitalismo, mantendo a classe
trabalhadora sobre controle através da coesão social, da assistência e de uma
política centralizada. Os benefícios sociais tinham como objetivo manter a ordem
social.
39

A vinculação da política social, sentido estrito, a política de


acumulação não poderia ser mais óbvia e apenas repetia o que
ficara claro, já desde 1933, a saber, que a política social do
governo estava essencialmente ligada á política de acumulação e
todo o problema do ponto de vista governamental, consistia em
conciliar uma política de acumulação que não exacerbasse as
iniquidades sociais a ponto de torná-las ameaçadoras, e uma
política voltada para o ideal da equidade que não comprometesse,
e se possível ajudasse o esforço de acumulação (SANTOS, 1989,
30-31).

Neste sentido, segundo Santos no período de 1930 a 1964 a política estatal


desenvolvida em sua historicidade usa a cidadania regulada assim como a noção
de cidadania invertida.

[...] através do conceito não expresso de cidadania regulada que


permitia administrar ao mesmo tempo, os problemas da
acumulação e da equidade no contexto de uma escassez,
primeiro, aguda e, depois, crônica de recursos. O sistema foi
rapidamente montado nos primeiros quatro anos da década de
1930 e solidamente institucionalizado. É ele que condiciona a
estrutura do conflito social desde o fim do Estado Novo até o
movimento de 1964, com uma única, embora ponderável,
modificação legal: a promulgação da Lei Orgânica da Previdência
Social, em 1960, que uniformizou, sem unificar, os serviços e
benefícios prestados pelo sistema previdenciário brasileiro (1989,
p.71-72).

Assim, neste mesmo período analisamos que a política social brasileira:

[...] será constituída tendo como base as concepções de


“cidadania regulada”, na perspectiva da política previdenciária –
destinada aos trabalhadores urbanos que possuíssem sua
profissão reconhecida legalmente –, a qual será implementada
com base na lógica corporativa-estatal, e a “cidadania invertida”
como expressão da ação assistencial – destinada aos demais
segmentos da população –, configurando-se como recurso de
clientelismo do poder central (SOUZA FILHO, 2011, p.114).

O acesso à assistência social neste período era dada aos indivíduos que
40

não tinham suas profissões legalizadas pelo Estado. Já no período de 1956 a


1961 o Brasil passa por um profundo processo de desenvolvimento de sua forma
capitalista através de um processo de industrialização avançado.

[...] o período Kubitschek forçará a aceleração da cumulação


capitalística, com seu programa de avançar "cinquenta anos em
cinco". Do lado da definitiva conversão do setor industrial e das
suas empresas em unidades-chave do sistema, a implantação dos
ramos automobilísticos, construção naval, mecânica pesada,
cimento, papel e celulose, ao lado da triplicação da capacidade da
siderurgia, orientam a estratégia; por seu lado, o Estado,
cumprindo o papel e atuando na forma já descrita, lançar-se-á num
vasto programa de construção e melhoramento da infraestrutura
de rodovias, produção de energia elétrica, armazenagem e silos,
ao lado de viabilizar o avanço da fronteira agrícola "externa", [...] o
Estado opera através de uma estrutura fiscal primitiva e
extremamente regressiva, com o que fatalmente incorrerá em
déficits crescentes, numa curiosa forma de aumentar até o limite
sua dívida interna sem mutuários credores (OLIVEIRA, 2011, p. 71
e 72).

Oliveira (ano) ressalta ainda que neste período o país passa a produzir em
seu processo de industrialização bens de consumo duráveis, uma necessidade da
produção e acumulação.

De acordo com Fernandes, esse período como sendo o de início


da irrupção do capitalismo monopolista no Brasil e mostra, com
precisão, como esse processo se desenvolve no país mantendo a
“dupla articulação”. Ou seja, para impulsionar o salto
industrializante, a burguesia industrial subordinou-se ao capital
estrangeiro e articulou-se aos setores tradicionais. Portanto, “o
novo padrão de desenvolvimento capitalista terá de gerar, em
termos estruturais, funcionais e históricos, novas modalidades de
dependência em relação ás economias centrais e novas formas
relativas de subdesenvolvimento” (SOUZA FILHO, 2011, p.115).

Em relação à assistência social, Jucelino Kubitschek incentivava a


filantropia e em seu governo não havia uma grande preocupação com o social. Em
1960, foi criada a Lei Orgânica da previdência Social que assegurava a todos os
41

trabalhadores que fossem reconhecidos e regulados pelo Estado.

Ficaram desassistidos de qualquer atenção pública, tanto os


trabalhadores rurais, quanto, na área urbana, as empregadas
domésticas e os profissionais autônomos, muito embora já
constituíssem parcela considerável da população economicamente
ativa, prestando serviços indiretos ao esforço da acumulação
(SANTOS, 1989, p.31).

O golpe militar de 1964 pode ser considerado um marco para a população


brasileira devido à grande presença do autoritarismo. Logo no pós 1964 o poder
ditatorial passa a investir no crescimento da economia em geral através de
empresas estatais ou de associações com capital privado e estrangeiro, fazendo
com que a dependência para com os países industrializados aumentasse ainda
mais. Com a expansão capitalista na ditadura militar foram desenvolvidos diversos
planos econômicos com o intuito de se alcançar o desenvolvimento econômico do
país.

O regime político instaurado pelo movimento militar de março de


1964 tem como programa econômico, expresso no Plano de Ação
Econômico de Governo - PAEG -, a restauração do equilíbrio
monetário, isto é, a contenção da inflação, com recriação do clima
necessário à retomada dos investimentos públicos e privados.
[...]os instrumentos dessa política foram uma reforma fiscal
aparentemente progressiva mas de fundo realmente regressiva,
em que os impostos indiretos crescem mais que os direitos, um
controle salarial mais estrito, e uma estruturação do mercado de
capitais que permitisse o "descolamento" - na feliz expressão de
Maria da Conceição Tavares - do capital financeiro e que desse
fluidez à circulação do excedente econômico contido no nível das
famílias e das empresas e representativo da distribuição da renda
que se gestara no período anterior (OLIVEIRA. 2011, p.93-94).

Em 1967, entra em vigor a Lei nº200 que propunha as diretrizes para uma
reforma administrativa, seguia as linhas gerais e específicas do projeto autoritário,
o objetivo era adequar o Estado às exigências do desenvolvimento.
42

(...) em sua aparência, a reforma administrativa de 1967, se


expressará como um novo modelo de gestão a ser desenvolvido
no Brasil. No entanto, em sua essência, ele apenas potencializará
os elementos advindos da década de 1950, através da
normatização e institucionalização de seus mecanismos, para
consolidar o processo de monopolização capitalista no quadro da
estratégia desenvolvimentista (SOUZA FILHO, 2006, p. 225).

Ocorre, portanto, na assistência social, uma burocratização com normas,


regras e critérios para atender a população excluída. Neste mesmo período ocorre
à ampliação da previdência social, cria-se o Funrural para dar assistência aos
trabalhadores do campo.
A política social neste período se caracteriza pela unificação dos institutos
existentes até então através da criação do Instituto Nacional de Previdência
Social, que unificou o sistema de assistência médica e previdenciária. Logo
depois, os trabalhadores da zona rural, as empregadas domésticas e os
autônomos passam a ter acesso à cobertura previdenciária. O governo militar teve
uma tendência à universalização dos serviços sociais, mas a qualidade era muito
baixa. Não podemos nos esquecer que nessa fase ditatorial os direitos civis e
políticos foram suspensos.
A unificação, uniformização e centralização da previdência social
no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), em 1966,
retiraram definitivamente os trabalhadores da gestão da
previdência social, que passa a ser tratada como questão técnica e
atuarial [...] Ao lado disso, a previdência foi ampliada para os
trabalhadores rurais, por meio do Funrural, política que adquiriu,
neste caso, um caráter mais redistributivo, já que não se fundava
na contribuição dos trabalhadores, mas numa pequena taxação
dos produtores apesar do seu irrisório valor do meio salário
mínimo (1971). [...] O Ministério da Previdência Social foi criado
em 1974, incorporando a LBA, a Fundação Nacional para o Bem-
estar do menor (Funabem, criada em 1965) (BEHRING,
BOSCHETTI, 2008, p. 136).

A ditadura militar tinha como propósito alcançar a sua legitimidade e ao


mesmo tempo dispunha de espaços para saúde, a previdência e a educação
43

privadas, ou seja, uma duplicidade no sistema de acesso as políticas sociais,


separando quem podia pagar para ter acesso de quem não tinha condições
financeiras para pagar. Acaba desencadeando o que chamamos de
americanização da proteção social, que nada mais é que a combinação do privado
com o público.

O Autoritarismo militar rompeu com o padrão de proteção social


construído nos anos 30. Antes de 64, a manipulação dos
benefícios oferecidos pelo Estado se restringia a uma clientela
que, embora pequena e estratificada, estava incorporada ao
universo da cidadania, participando, politicamente inclusive, de
decisões importantes através de suas lideranças. Tratava-se de
um clientelismo de horizontes limitados movendo-se num leito de
mão-dupla que, se dificultava o aumento do número de cidadãos
plenos, vinha sendo aos poucos corrigidos por novas demandas
propiciadas pelo jogo democrático. A modernização iniciada com a
criação do INPS desmontou mecanismos de integração e inibiu a
trajetória alemã do sistema previdenciário. Expandiu a população
contribuinte (e beneficiária) mas desintegrou os esquemas
associativos que lhe asseveravam a voz; e impondo a política
social ao mesmo tempo uma racionalidade privatizantes –
tecnicamente justificada – e um papel de moeda de troca no
mercado político, desencadeou a sua (perversa) americanização.
(VIANNA, 2008, p.145)

Para Porfírio (2001), com a retirada dos direitos civis e políticos na ditadura
militar, os direitos sociais que foram implementados através das políticas sociais.

Marcaram o início do desmonte do aparato de regulação da


cidadania, unificando, uniformizando e ampliando os serviços
sociais, com certa tendência universalizante. Porém não foram
alteradas as bases de financiamento das políticas sociais, o que
gerou uma ampliação de serviços de baixa qualidade (PORFÍRIO
et all, 2001, p.20).

Na década de 70 começamos a observar os rastros da crise deixada pelo


regime político ditatorial, a previdência se expandiu pacificamente fazendo umas
alterações na sua estrutura administrativa, a sua organização passa a ser
universalizada através de uma ordem política fechada. Já no final dos anos 70
44

para o início dos anos 80 as lutas sociais se intensificaram, ou seja, ocorre neste
momento uma organização da sociedade civil e o Estado acaba ficando sem o
controle total da situação. O modo de produção capitalista em seu
desenvolvimento acaba trazendo consigo uma grande mudança na estrutura
social, os interesses passam a ser diversificados ampliando assim as
organizações sociais. No setor econômico,

Um dos pontos críticos da economia brasileira, neste estágio,


coloca-se além da esfera da produção. O fato é que, para as
necessidades de sua expansão dentro do modelo em que se
desenvolve concentracionista e excludente, a capacidade de
poupança da economia capitalista brasileira excede as
necessidades de acumulação real; [...] assim, a própria expansão
da economia capitalista no Brasil, no último decênio, conduziu-se a
uma situação em que os riscos de crise são mais latentes e mais
fortes que nunca: a combinação do crescimento parcialmente
voltado para "fora" que alimenta a demanda dos setores chamados
"tradicionais" a concentração da renda nos estratos mais riscos da
população que alimenta um processo produtivo de caráter
intrinsecamente inflacionário (OLIVEIRA, 2011, p.115 e 117).

Neste sentido, os movimentos sociais estavam em extrema agitação


juntamente com a nova configuração do movimento sindical (Novo Sindicalismo) e
a criação do partido político ligado a massa trabalhadora (Partido dos
Trabalhadores).

Se 1968 marcou uma inflexão para cima do ciclo autocrático


burguês, 1974 marcou-a para baixo: abre o momento derradeiro
da ditadura, centralizado pelo aprofundamento da crise do
“milagre” e por uma particular estratégia de sobrevivência
implementada pelo mais alto núcleo militar do regime – estratégia
expressa claramente por Geisel e sua equipe, autodenominada
“processo de distensão”[...] (NETTO, 2007, p. 41).

Devemos destacar ainda que mesmo com a ruptura no sistema político, os


movimentos sociais vinham em oposição com o regime autoritário, sendo contrário
à política patrimonialista adota historicamente no Brasil. Para Coutinho (2000),
45

esse processo democrático no país é uma transição “fraca”, porque não pode ser
considerada como uma renovação democrática radical.
Na década de 80 a economia brasileira encontrava-se instável, o sistema
capitalista já vinha sofrendo crises sucessivas e o país viveu um período de alta
inflação, devido esses e outros fatores essa década é conhecida como década
perdida. O contexto dos anos de 1980 é marcado pela crise do capital;

Uma crise financeira mundial (aumento das despesas com serviços


da dívida), que, aliada à recessão econômica, à crise da
previdência social [...] e as mudanças na organização industrial
[...], provocam uma crise fiscal do Estado (os gatos públicos
aumentam em maior volume que a receita (SOUZA FILHO, 2011,
p.149).

Behring (1998, p. 169) afirma,

[...] a continuidade do sucesso da estratégia keynesiana encontrou


limites estruturais. A busca de superlucros associada a uma
revolução tecnológica (e sua generalização) permanente, a
ampliação da capacidade de resistência – mesmo que corporativa,
conforme a acertada avaliação de O’Connor – do movimento
operário e,ainda, a intensificação do processo de monopolização
do capital, com seus “acordos” de preços, foram elementos que
estiveram na base do novo período depressivo que se abre em fins
da década de 60. O custo da estratégia keynesiana foi o “mar de
dívidas” (públicas e privadas) [...].

Esse cenário marca a luta para transição democrática e o objetivo era de


evitar que as classes populares radicalizadas se estruturassem, essa transição é
controlada, pois, representa um fator de riscos para os interesses da burguesia.
Vale ressaltar ainda que nesse período havia uma disputa entre dois projetos
societários de estruturação do poder e representações de interesses, o “liberal-
corporativismo” ou “modelo americano” e o de “democracia de massas” ou
“modelo europeu”.
46

O projeto baseado no “liberal-corporativismo” é caracterizado pela


presença de partidos frouxos, representantes de múltiplos
interesses sem organicidade, aliada a uma forma de
representação de interesses extremamente pulverizada, com a
atuação por meio de lobbies específicos. O projeto baseado na
“democracia de massas”, ao contrário, seria caracterizado pela
presença de partidos orgânicos e com programas de base
homogênea, pelo sindicalismo classista que busca representar a
classe trabalhadora e não apenas a corporação, e no qual a
representação de interesses possui canais articulatórios para a
formação de unidade na pluralidade (COUTINHO apud SOUZA
FILHO, 2011, p.157).

Esses projetos influenciaram a Constituição de 1988, pois, houve a adesão


do “modelo europeu” cuja base era do Estado de Bem-Estar, um grande avanço.
Porém, a presença dos traços conservadores foi de acordo com o “modelo
americano”, o que era mais adequado para a conservação do capitalismo. A
Constituição de 1988 foi fruto de muita luta da classe trabalhadora, foi elaborada
através da Assembleia Constituinte e a população participou através de emendas
populares.
No que se refere à ordem econômica e alguns aspectos
significativos da ordem política (como o maior peso dos votos do
Norte e Nordeste, áreas em que há maior possibilidade de
manipulação de eleitores, em comparação com o Sul e o Sudeste)
– dimensões fundamentais para viabilizar a efetivação de um
Estado de Bem Estar Social – a Constituição Federal de 1988 foi
extremamente conservadora (SOUZA FILHO, 2011, p. 157).

Ao fazer uma análise percebemos que a Constituição de 88, foi


extremamente importante, nesse momento ocorre uma ampliação dos direitos
sociais e a proteção social passa a ser reconhecida como um direito do cidadão e
um dever do estado. A proteção social pela primeira vez passa a ser destinada a
aqueles que não contribuíam com a previdência e a saúde passou a ser universal
e gratuita. Os artigos 203 e 204 presentes na Constituição Federal são
designados a assegurar que a partir de então a assistência social é um direito de
todos os brasileiros.
47

Art.203 A Assistência Social será prestada a quem dela necessitar,


independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por
objetivos:
I- a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e
à velhice;
II- o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III- a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV- a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de
deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;
V- a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir
meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua
família, conforme dispuser a lei.
Art.204 As ações governamentais na área da assistência social
serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade
social,previstos no art.195,além de outras fontes, e organizadas
com base nas seguintes diretrizes:
I–descentralização político-administrativa,cabendo a coordenação
e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execução
dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem
como a entidades beneficentes e de assistência social;
II–participação da população, por meio de organizações
representativas, na formulação das políticas e no controle das
ações em todos os níveis ( BRASIL, 2003, p. 130).

A Seguridade Social como um padrão de proteção social, como é


estabelecida na Carta Magna, é composta pelo tripé: saúde, previdência e
assistência social. Sendo assim, a Constituição estabelece um orçamento para
esse sistema com diferentes fontes de arrecadação, com o objetivo de arcar com
as despesas para viabilizar tais serviços. Portanto, foi a partir da Constituição de
1988, que a assistência social passa a ser reconhecida como uma política pública,
onde o Estado tem o dever de provê-la como um direito social. É importante frisar
que essa nova Constituição não seguiu a linha de cidadania invertida, onde a
política de assistência social era destinada apenas aos que não eram
considerados cidadãos, seja por não estarem trabalhando ou por estarem
48

trabalhando em profissões não legalizadas pelo Estado. Assim, a assistência


social em sua nova estrutura visa atender aos que não tiveram condições ou
capacidade de garantir sua subsistência.

No entanto, conforme ocorrera, também, com as políticas sociais,


são inseridas, na carta constitucional, propostas democráticas para
a administração pública voltadas para o fortalecimento de sua
dimensão burocrática: reforço dos procedimentos para garantir
impessoalidade e o mérito na estruturação do quadro de pessoal
(contratação através de concurso público); [...] definição de
ordenamento para contratar obras, serviços e compras, garantia
de direitos trabalhistas.[...] Dessa maneira prioriza-se a
administração direta esse expandem essas regras para a
administração indireta. Por outro lado, como vimos, são também
criados mecanismos democratizadores e de controle social e
público para acompanhar a formulação e a implementação de
políticas: participação da população e o fortalecimento do
ministério público (SOUZA FILHO, 2011, p.158-159).

O Brasil passa a ter uma perspectiva de um Estado de Bem Estar Social e


a Seguridade Social é caracterizada por três tipos dos quais, social-democrata
(saúde/universal), conservador (previdência/contributiva) e liberal (assistência
social/ destinada a quem dela necessitar).

A constituinte foi um processo duro de mobilizações e contra


mobilizações de projetos e interesses específicos, configurando
campos definidos de forças. O texto constitucional refletiu a
disputa de hegemonia, contemplando avanços em alguns
aspectos, a exemplo dos direitos humanos e políticos, pelo que
mereceu a caracterização de “Constituição Cidadã”, de Ulisses
Guimarães. Mas manteve fortes traços conservadores, com a
ausência de enfrentamento da militarização do poder no Brasil [...],
a manutenção de prerrogativas do Executivo, como medidas
provisórias, e na ordem econômica (BEHRING, BOSCHETTI,
2008, p.142-143).

Já a partir dos anos de 1990, emerge em nosso país o sistema neoliberal,


49

como uma estratégia de enfrentamento da crise 1989-90 e do fim do Estado


Desenvolvimentista.

A expressão máxima do esgotamento do Estado


Desenvolvimentista deu-se ao final do governo Sarney, quando
culminou o processo de transição democrática em que, apesar da
evidente hegemonia conservadora na condução, também
encontrávamos movimentos sociais ativos e propostas alternativas
de gestão pública em alguns níveis e setores de governo. A erosão
da autoridade governamental com a ausência crescente de
legitimidade, enfrentando uma sociedade carente de consensos e
hegemonias, sem parâmetros de ação coletiva, sofrendo os
impactos de uma economia destrutiva pela hiperinflação, tudo isso
levou a instabilidade da situação política e econômica e a um
sentimento generalizado de necessidade de uma mudança radical
de rumo. (TAVARES, 2000, p.38).

Essa adesão ao sistema neoliberal ocorre na gestão do presidente


Fernando Collor de Mello, onde se priorizou a “diminuição dos gastos sociais” e a
privatização de empresas públicas. Os juros foram elevados e os impostos
diminuídos para as vendas mais altas.

Nesse conjunto de proposições que compõem o modelo neoliberal


encontra-se ainda a ideia de que com a privatização e a redução
do tamanho do Estado, de modo geral, se estaria reduzindo o
gasto público, com o que se eliminaria o déficit público, os dois
grandes “males”, sobretudo o da inflação (TAVARES, 2000, p. 40).

Para os neoliberais o Estado não deve intervir na economia e a diminuição


dos gastos sociais seria essencial para estabilização da moeda. Os direitos sociais
acabam sendo esquecidos e ficando cada vez mais precários, o desemprego
aumenta e o salário é reduzido devido a grande oferta de mão de obra.
Com o ideário neoliberal a intenções previstas na Constituição de 88
diminuem, a exemplo, a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) aprovada
somente em 1993, após o impeachment de Fernando Collor, pelo então presidente
Itamar Franco. Com a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) ocorre a
50

regulamentação dos artigos da Constituição Federal de 88 sobre a assistência


social, com isso o modelo de gestão e de controle social passa a ser
descentralizado e participativo.Com a criação da LOAS, o Conselho Nacional de
Serviço Social (CNSS) teve seu fim, sendo instituído o Conselho Nacional de
Assistência Social (CNAS) que era responsável pela fiscalização da política de
assistência social, possuindo um caráter deliberativo e uma função histórica de
representar a participação popular na assistência social.

A LOAS introduz um novo significado a Assistência Social enquanto


Política pública de seguridade, direito do cidadão e dever do
Estado, prevendo-lhe um sistema de gestão descentralizado e
participativo, cujo eixo é posto na criação do Conselho Nacional de
Assistência Social – CNAS” (MESTRINER,2001, P.206).

Mesmo assim, a LOAS necessitava de respostas aos desafios que


garantiam o equilíbrio entre o poder de decisão que cada governo passou a ter,
tendo assim uma convivência entre o regional e o nacional. A LOAS instituiu os
conselhos, planos e fundos de assistência social, garantindo o acesso aos
recursos da União. No seu artigo 30, a LOAS define que os municípios, os estados
e a União devem constituir, conselhos planos e fundos, de assistência social,
participando, portanto, do sistema descentralizado e participativo. Para que os
municípios pudessem ter acesso aos recursos do Fundo Nacional de Assistência
Social, tinham que criar o Conselho.
A LOAS surge reafirmando a assistência social como uma política pública e
dever do Estado. Os objetivos da LOAS é a universalização dos direitos sociais,
prestando serviços de qualidade através de um sistema descentralizado e
participativo e a participação da população era através dos conselhos
deliberativos. A constituição da LOAS é feita através de três aspectos: filosófico
doutrinário, político e institucional. Assim,

A legislação que a regulamenta (Lei Orgânica de Assistência Social


nº 8.742, de 07/12/93; Política Nacional de Assistência Social e
Norma Operacional Básica, publicadas no Diário Oficial da União
51

de 16/4/99), imprimiu-lhe princípios como seletividade e


universalidade na garantia dos benefícios e serviços, gratuidade e
não contributividade no que tange à natureza dos direitos;
redistributividade, no que se refere aos mecanismos de
financiamento; e descentralização e participação, quanto à sua
forma de organização político institucional (BOSCHETTI,
2000, p.139).

A política de Assistência Social imprimiu, ainda, princípios como


seletividade e universalidade na garantia dos benefícios e serviço, gratuidade e
não-contributividade no que tange à natureza dos direitos; redistributividade, no
que se refere aos mecanismos de financiamento; e descentralização e
participação, quanto a sua forma de organização político institucional. A LOAS
instituiu a prioridade da responsabilidade por parte do Estado na conduta da
política em cada esfera de governo, assegurando assim as condições financeiras,
institucionais e políticas necessárias à sua materialização. Os direitos previstos
legalmente são materializados em programas, projetos, benefícios e serviços pela
LOAS e apresentam características diferenciadas.
Segundo Boschetti ;

Estes princípios estão na base de reordenamento dos dois grandes


eixos de sustentação da estrutura organizacional da assistência
social como política pública: 1) a redefinição da relação entre
poder público central (Governo Federal) e os poderes públicos
locais (Estados e municípios); e 2) a recomposição da relação
entre Estado e sociedade, que envolve duas dimensões: o papel
das entidades não-governamentais prestadoras de assistência
sócia e o papel dos Conselhos, Conferências e Fóruns na gestão
democrática da política de assistência social (BOSCHETTI, 2000,
p.143).

Assim, observamos que a assistência social foi marcada historicamente


pelo assistencialismo, filantropia e por ações que não tinham continuidade. Com a
Lei Orgânica de Assistência Social ocorre um complemento da Constituição de 88
e assim, um novo paradigma da assistência social mesmo com a adoção do
sistema neoliberal. Para ser reconhecida como um direito a assistência social
52

enfrentou e enfrenta até os dias atuais inúmeros obstáculos, havia uma grande
resistência por parte do Estado e da classe burguesa.

O processo de construção e aprovação da LOAS foi acompanhado


de tensões, posto que o projeto original não foi aprovado, vindo a
sofrer inúmeras alterações que deformaram, em muitos aspectos,
a proposta original que contemplava as históricas demandas da
sociedade por Assistência Social. [...] no governo FHC, através de
medidas provisórias, inúmeras alterações à LOAS culminaram na
sua manipulação” (MOTA, 2008, p.187).

No governo de Fernando Henrique Cardoso é consolidado de forma mais


clara e real o ideário do sistema neoliberal no país. Assim, o Estado reduz e muito
sua intervenção nas políticas sociais, privatizando também empresas públicas e
desregulamentando as atividades econômicas.

A retirada do Estado ou a sua renúncia como agente econômico


produtivo e empresarial é outra das propostas integrantes do
projeto. Daqui se derivam as propostas de privatização das
empresas estatais, o que contribui para a redução (estratégica) do
setor público, bem como o rearranjo de toda a máquina estatal,
situado na proposta mais ampla de Reforma do Estado. [...] Um
dos componentes ideológicos por trás desse tipo de proposta é a
idéia de que o setor público caracteriza-se, por princípio, em
qualquer circunstância, como ineficiente e ineficaz, ao contrário do
setor privado, o único a possuir uma “racionalidade” e uma
“vocação” capazes de levar ao crescimento econômico. As
possibilidades de sucesso da proposta privatizante estariam assim
garantidas desde que o Estado não interferisse (TAVARES, 2000,
p. 39-40).

Através de recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do


Consenso de Washington, estabelece-se o “Estado Mínimo” onde a prioridade é
dada na construção de uma infra-estrutura, que é considerada necessária ao
desenvolvimento econômico. Deve-se reduzir os gastos sociais, privatizar
empresas públicas, liberação comercial e desregulamentação das relações entre
capital e trabalho. O Programa Comunidade Solidária foi adotado pelo governo
53

FHC para combater à fome e pobreza, na verdade uma estratégia de ação, com
intuito de trazer benefícios imediatos para certa parte da população. Ainda no
governo de FHC foram implementados programas no âmbito da assistência social
tais como o Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Vale- Gás, dentre outros,
destinados à população mais vulnerável.

A proposta neoliberal e conservadora de renda mínima parte da


concepção de redução do papel do Estado e de política social,
“pensada de modo residual e complementar àquilo que os
indivíduos não puderem solucionar via mercado ou através de
recursos familiares e da comunidade”. Neste sentido, o Estado
deverá concentrar na renda mínima o seu papel social, reservando
aos seguros sociais, constituindo-se, portanto, a renda mínima,
uma estratégia de reorganização dos sistemas de proteção social
(SANTOS, 1995, p.24).

No governo de Luis Inácio Lula da Silva em 2002, é criada uma expectativa


de efetivação de um sistema público de proteção social condizente com as reais
demandas da população, resgatando o sentido de reforma, desvirtuado pelo
conservadorismo da política neoliberal. Para Silva (2004), as expectativas
relacionadas à posse presidencial de Lula, no princípio de 2003, eram
relacionadas a um tempo mais longo e a um contexto mais vasto e complexo de
transformação, muito além da troca de nomes frente a condução do país.
A ascensão de um partido de esquerda na direção do Brasil representava
um compromisso primordial de mudança tanto no setor econômico quanto no
social. O governo já apresentava tendências demarcadas a partir dos
compromissos sociais assumidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em seu
programa de governo, que por sua vez estava embasado na inserção que esse
partido teve na história brasileira, além do comprometimento de mudança que
54

firmou com a sociedade nas últimas eleições. De acordo com estudos realizados,
nota-se uma continuidade da política neoliberal adotada pelo governo de FHC. Em
geral, as políticas sociais são as maiores vítimas da prática neoliberal e são
atropeladas pelos programas de ajuste estrutural negociados com o Fundo
Monetário Internacional (FMI), tendo seus recursos essenciais severamente
cortados.

O governo Lula foi identificado como democrático e popular, e a


sua gestão manteve a linha econômica do governo anterior, que
não priorizou ações efetivas para enfrentar o gravíssimo quadro de
pobreza e de exclusão social. Em vez de iniciarmos uma nova era,
de desmontagem do neoliberalismo, atolamos e chafurdamos na
continuidade do nefasto projeto de desertificação social e política
do país, iniciada por Collor, desenvolvida por FHC e agora mantida
pelo governo do PT (ANTUNES, 2004, p.155).

Entre as várias frentes de atuação das políticas sociais, o governo Lula


priorizou a fome e a miséria, instituindo o Ministério da Segurança Alimentar para
coordenar o Programa “Fome Zero”. O programa se destacou devido sua
combinação de intervenções emergenciais, uma delas foi a iniciativa destinada a
aumentar a oferta de empregos. Em seu segundo ano, o Fome Zero teve sua ação
mais visível no “Bolsa Família”, programa que unificou os quatro programas de
transferência de renda: cartão-alimentação, bolsa-alimentação, bolsa-escola e
vale-gás. Depois de um ano e oito meses de funcionamento do Fome Zero,
instala-se um grupo de trabalho – integrado à Câmara Setorial de Políticas Sociais
e composto por 11 ministérios e pela Assessoria Especial da Previdência – para
concentrar as políticas de combate à fome e de inclusão social espalhadas entre
várias pastas.
Mesmo com a necessidade de certos ajustes o “Fome Zero” estava
55

articulado a políticas mais eficientes de reforma agrária e de geração de emprego,


pois na maioria dos municípios ele consiste somente na introdução do Bolsa
Família. É visível portanto, que as políticas de assistência do governo Lula foram
mais perceptíveis que as do governo FHC. Além do Fome Zero, os quatro
programas de transferência de renda citados anteriormente foram alvo de
inúmeras críticas, motivo pelo qual todos eles evoluíram para a unificação no
Bolsa Família.

Os programas de transferência de renda inauguraram um debate,


que se aprofundou durante toda a década de 1990, passando a se
constituir, nesse início do século XXI, que já se pode considerar a
estratégia principal no eixo da Política de Assistência Social do
Sistema Brasileiro de proteção Social na atualidade (SILVA et alli,
2004:33).

Como estratégia de construção de uma nova estrutura da Política de


Assistência Social no Brasil, constitui-se, ainda no governo de Lula o Sistema
Único de Assistência Social (SUAS), considerado um avanço devido à sua
concepção e sua proposta para operacionalização da política de assistência
social.
O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é o responsável, na
atualidade, pela articulação em todo território nacional das responsabilidades,
vínculos e hierarquia, do sistema de serviços, benefícios e ações de assistência
social, de caráter permanente ou eventual, executados e providos por pessoas
jurídicas de direito público sob critério de universalidade, de ação em rede
hierarquizada e em articulação com iniciativas da sociedade civil.
Assim, as principais características do Governo de Lula são:

[...] o fim do programa Comunidade Solidária e a rearticulação do


Conselho Nacional de Assistência Social; a unificação dos
programas de transferência de renda no denominado Bolsa
Família; a centralização das ações da política de assistência social
no Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a fome
(MDS); e, por fim, a aprovação da Política Nacional de Assistência
Social (PNAS), em setembro de 2004, consubstanciando as
56

diretrizes da IV Conferência de Assistência Social (PNAS), que


teve como principal deliberação a implementação do Sistema
Único de Assistência Social (SUAS) (SOUZA FILHO et all, 2012, p.
29).

Em 2004 é aprovada a Política Nacional de Assistência Social perante


(PNAS) um quadro de estagnação do crescimento econômico, precarização e
instabilidade do trabalho, desemprego, rebaixamento do valor da renda e do
trabalho, ampliação e aprofundamento da pobreza, sendo estes frutos do ajuste
econômico preconizado pelo ideário neoliberal. Portanto é óbvio, neste cenário,
que o público ao qual ela se destina constitui-se de: “famílias e indivíduos com
perda ou fragilidade de vínculos afetivos, pertencimento e sociabilidade; ciclos de
vida; identidades estigmatizadas em termos étnicos, cultural e sexual;
desvantagem pessoal resultantes de deficiências; exclusão pela pobreza e , ou, no
aceso as demais políticas públicas; uso de substancias psicoativas; diferentes
formas de violência advinda do núcleo familiar, grupos e indivíduos; inserção
precária ou, não inserção no mercado de trabalho formal e informal; estratégias e
alternativas diferenciadas de sobrevivência que podem representar risco pessoal e
social” de acordo com a própria PNAS. Desta forma, presencia-se a seletividade
de ações em grupos vítimas de situações de vulnerabilidade social, abrangendo o
universo a que a LOAS preconiza no que tange o atendimento àqueles que
necessitam da assistência social.

É justamente na PNAS/2004 que são definidas as bases para o


novo modelo de gestão para a política pública de assistência
social, o SUAS. O sistema se constitui na regulação e organização
em todo território nacional do atendimento às necessidades de
proteção e seguridades sociais por meio de um conjunto articulado
de serviços continuados, benefícios, programas e projetos,
objetivando assegurar e afiançar o disposto na LOAS (LOPES,
2006, p.83).

Para atendimento a tais usuários, a PNAS estabelece dois tipos de


proteção social: a proteção social básica e a proteção social especial. A primeira
objetiva prevenir situações de riscos por meio do desenvolvimento de
57

potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos familiares e


comunitários, destinando-se à população que vive em situação de vulnerabilidade
social decorrentes da pobreza, privação e, ou, fragilização de vínculos afetivos.
Esses serviços são realizados pelo “Centro de Referência de Assistência Social”
(CRAS) e em outras unidades básicas e públicas de assistência social, bem como
de forma indireta pelas entidades de sua área de abrangência. Já a proteção
social especial refere-se ao atendimento assistencial destinado às famílias e
indivíduos que se encontram em situações de risco pessoal e social, por
ocorrência de abandono, maus-tratos físicos e/ou, psíquicos, abuso sexual, uso de
substâncias psicoativas, cumprimento de medidas socioeducativas, situação de
rua, situação de trabalho infantil, dentre outras.
Assim são priorizados os serviços que possibilitam a organização de um
novo projeto de vida, visando criar condições de adquirirem referências na
sociedade brasileira, enquanto sujeitos de direitos.
Além disso, a PNAS tem como objetivo realizar-se de forma integrada às políticas
setoriais, considerando desigualdades socioterritoriais, visando seu
enfrentamento, à garantia de mínimos sociais, ao provimento de condições para
atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais.
Um dos eixos estruturantes da PNAS é a matricialidade sócio-familiar,
partindo do pressuposto de que a centralidade da família e a superação da
focalização, no âmbito da política de assistência social, repousam no princípio de
que para a família prevenir, proteger, promover e incluir seus membros se faz
necessário primeiramente, garantir condições de sustentabilidade para tal.
No conteúdo da PNAS ao que se refere ao trabalho a ser desenvolvido com as
famílias pelos CRAS, essas modificações ocorridas na estruturação familiar são
levadas em consideração, pois aponta que “qualquer forma de atenção e, ou, de
intervenção no grupo familiar precisa levar em conta sua singularidade, sua
vulnerabilidade no contexto social, além de seus recursos simbólicos e afetivos,
em como sua disponibilidade para se transformar e dar contar de suas atribuições”
(BRASIL, 2004:29).
Neste sentido, a Política de Assistência Social, ao constituir-se como
58

política de seguridade social, objetiva de forma gratuita e desmercadorizada,


contribuir para melhoria das condições de vida e de cidadania da população
através de procedimentos básicos como o provimento público de benefícios e
serviços básicos como direitos de todos; inclusão no critério de bens, serviços,
estímulo ao acesso a patamares mais elevados de vida e de cidadania, mediante
o desenvolvimento de ações integradas no âmbito das políticas públicas.
Em 2005 é criada a nova Norma Operacional Básica NOB/SUAS (substituição da
NOBs de 1997 e 1998), dentre as mudanças ocorridas, destacam-se:
- definição da Assistência Social como política de proteção social;
- delimitação das proteções que ela deve assegurar;
- territorialização da ação;
- instituição do Sistema Único de Assistência Social (SUAS);
- novas bases de financiamento (Ipea, 2005).

O SUAS vem se consolidando, e a gestão do trabalho na


Assistência Social carece de uma atenção maior devido a sua
importância para a consolidação do Sistema. Atende-se, neste
momento, à reivindicação para a construção de uma Norma
Operacional Básica de Recursos Humanos para o SUAS (NOB-
RH/SUAS), conforme apontada na PNAS/2004. É importante
lembrar que esta Norma surge num contexto de reestruturação e
requalificação do setor público no Brasil, com um decisivo
investimento na máquina administrativa estatal e nos servidores
públicos federais. Somente no Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome (MDS), em 2006, foram admitidos mais de 200
(duzentos) novos servidores ingressantes por concurso público. Tal
providência reconfigura, no âmbito federal, a área da gestão do
trabalho nesse campo no setor público, com a compreensão da
necessidade de propostas para a estruturação de carreiras próprias,
essenciais para a consolidação das políticas sociais do MDS.
(MDS)

Se analisarmos o cenário atual, percebemos que a maioria dos programas


de assistência social não apresentaram importantes alterações e significativos
resultados em nome do SUAS, a situação pode ser vista quase estável.
Entretanto, alguns programas de responsabilidade federal merecem destaque pelo
59

seu crescimento e ampliação de cobertura que nem sempre deve ao SUAS. Nota-
se que o principal deles foi o Benefício de Prestação Continuada (BPC) que em
2004, sofreu grande abrangência em sua cobertura graças à introdução de novas
regras em sua legislação e entrou em vigor no Estatuto do Idoso no mesmo ano. A
idade mínima para solicitar o BPC é 65 anos e a família deixou de ser a base de
cálculo para obter o benefício do idoso.
Chega-se a conclusão de que o SUAS enfrenta constantes desafios, um
deles é a construção de uma identidade que se paute pelas particularidades da
assistência como política de conteúdo próprio.

CAPÍTULO 2 – A CENTRALIDADE DA FAMÍLIA NA POLÍTICA DE


ASSISTÊNCIA SOCIAL: APONTAMENTOS SOBRE AS EXPERIÊNCIAS DE
PEQUERI-MG E LEVY GASPARIAM-RJ.

O município de Pequeri é localizado na Zona da Mata mineira e de acordo


com o IBGE a população do município é de 3.165 habitantes. Já o município de
Comendador Levy Gaspariam é localizado no estado do Rio de Janeiro e segundo
o IBGE a população é de 8.180 habitantes.
Tais municípios foram escolhidos pois estão classificados com base na
NOB/SUAS em cidades de pequeno porte I.
No que diz respeito à Lei Orgânica da Assistência Social, o CRAS Thallys
Côrrea dos Santos tem todas as suas ações voltadas na centralidade da família.

Todas nossas ações do CRAS de Pequeri são pensadas para o


amplo bem estar e proteção social familiar. Entendemos, sim, que
a família é concebida, perante a lei e a sociedade, como espaço
de proteção e socialização primárias, provedora de cuidados aos
seus membros. Privilegiada e insubstituível neste papel é, ao
mesmo tempo, reconhecida como merecedora da proteção do
Estado. Neste sentido foram criados e implementados os projetos,
programas e serviços para as famílias (crianças, adolescentes,
deficientes, famílias e idosos) pequerienses” ( CRAS/Pequeri).

O CRAS Fonseca Almeida do município de Comendador Levy Gasparian


60

assim como o CRAS de Pequeri prioriza a centralidade da família em suas ações.

Entendemos que todos os membros de uma família que tem perfil


para o trabalho no CRAS deverão ser acompanhadas, seja através
de atendimento individual ou coletivo” (CRAS/C. Levy Gasparian).

No que diz respeito às ações que as instituições desenvolvem para atender


às famílias, no CRAS de Pequeri são:

Os grupos socioeducativos desenvolvidos tem características


singulares idades especificas: Grupo Bem Querer – famílias,
Grupo Alegria de Viver – idosos, Brinquedoteca – crianças (3 a 9),
Projeto Afetivo Social – adolescentes PAISINHO. Além das ações
do Projeto Cidadania que tem a finalidade de proporcionar
orientações e organizar qualquer tipo de pendencias para a
aquisição de documentos pessoais. Para que essas ações sejam
avaliadas positivamente utilizamos os seguintes instrumentos:
escuta qualificada, busca ativa acolhimento, visita domiciliar,
atendimentos individuais e/ou familiar, entre outros
(CRAS/Pequeri).

Já no CRAS do Município de Comendador Levy Gasparian temos:

Serviços de convivência e fortalecimento de vínculos (grupos


socioeducativos): crianças, adolescentes, mulheres e idosos;
atendimento individual(orientações, encaminhamentos, etc),
relatórios, acolhida, visitas domiciliares busca ativa, mapeamento
da rede, visitas institucionais e participação em conselhos”
(CRAS/C.Levy Gasparian).

Na questão dos desafios enfrentados o CRAS de Pequeri relata que além das
dificuldades encontradas no sistema de proteção social, a família não colabora em alguns
casos.

Na medida do possível realizamos um trabalho com a rede de


proteção social do município, mas nem sempre conseguimos uma
contra referencia eficaz e às vezes, a própria família não contribui
61

para isso (CRAS/Pequeri).

Nesse ponto observamos que o CRAS do município de Comendador Levy


Gasparian apresentou-se mais desafiador no que concerne ao desenvolvimento
de um trabalho de qualidade. Devemos ressaltar, porém, que o número de
habitantes de Levy é mais que o dobro de Pequeri, assim, as demandas acabam
sendo maiores, assim como as dificuldades.

Conseguir acompanhar todas as famílias cadastradas; falta de


veículo próprio do CRAS; equipe mínima; influencias políticas;
espaço físico; má compreensão da gestão quanto à política de
assistência; falta de capacitação profissional (CRAS/C.Levy
Gasparian).

Diante de desafios, perguntamos quais as possibilidades encontradas como


profissionais diante de tais situações, no qual o CRAS de Pequeri apresentou a
necessidade de:

Insistência, perseverança e muita inquietude, pois só assim


poderemos realizar o que efetivamente nos propusemos: foco na
família (CRAS/Pequeri).

A resposta do CRAS de Levy Gaspariam apresentou maior consistência


com a conjuntura política da atualidade, tendo em vista que não depende das
“vontades” particulares dos profissionais. Neste sentido apontam que a:

Adaptação à realidade do município; a equipe tem feito reuniões de


estudo sobre a Política de Assistência Social para o fortalecimento
e respaldo no enfrentamento das questões políticas do município;
planejamento anual das ações, pensando no bom funcionamento
do trabalho; Articulação com a rede de atendimentos do município”
(CRAS/C.Levy Gasparian).

No que diz respeito à interpretação da LOAS, o CRAS de Levy Gaspariam


não consegue atender as necessidades das famílias usuárias devido os desafios
apresentados, já a instituição de Pequeri diz que consegue atender as
62

necessidades postas pelas famílias, pois, conhecem bem a população usuária,


assim, utilizam das ferramentas adequadas de intervenção.

Não em sua totalidade, devido aos desafios acima colocados


(CRAS/C.Levy Gasparian).

Sim, as famílias são o foco dos atendimentos desse CRAS.


Atuamos com base no conhecimento da população com que
trabalhamos, para então estabelecermos as estratégias
adequadas ao enfrentamento das vulnerabilidades sociais,
promovendo ações integradas entre os serviços oferecidos, a rede
socioassistencial e outras políticas setoriais (CRAS/Pequeri).

Os profissionais que compõem a atenção às famílias em Levy Gaspariam:

Um Coordenador do Serviço (formação em Serviço Social) -


Coordenar e planejar as ações; Coordenador administrativo (Cargo
de Confiança) – 1 Monitorar as questões administrativas, bem
como os colegas; 1 Assistente Social; 1 Psicóloga; 1 Técnico
Administrativo - Ações administrativas do serviço (digitação,
entregas de relatórios, dentre outros);1 Oficinista de artes (para os
dois CRAS do município) - Acompanhar os grupos educativos
através do trabalho lúdico;1 Orientador Social (para os dois CRAS
do município) - Acompanhar os grupos de criança e adolescente
(CRAS/C.Levy Gasparian).

No município de Pequeri são:

Três Assistentes Sociais, duas psicólogas, uma coordenadora e


uma pedagoga (CRAS/Pequeri).

Diante deste elemento, notamos que em Levy Gaspariam a equipe conta


com Técnico Administrativo, Oficinista de artes e Orientador Social, cargos estes
que não tem na instituição de Pequeri, mas ao mesmo tempo observamos que a
quantidade de assistentes sociais e psicólogos são maiores na cidade de Pequeri,
cujo o número de habitantes é bem menor do que de Levy Gaspariam.
Logo, a próxima pergunta seria referente às atribuições de cada profissional
63

na instituição, no qual em Pequeri as ações de todos são voltadas para a família.

Todos são encarregados de realizar intervenções junto às famílias,


dentro de suas especificidades: orientações e acompanhamento
familiar junto ao Programa Bolsa Família e Benefício de Prestação
Continuada; encaminhados para benefícios eventuais a Secretaria
de Promoção Social; acompanhamento de forma integral as
famílias atendendo as orientações do PAIF (CRAS/Pequeri).

Em Levy:

Todos trabalham em conjunto, claro que cada técnico tem suas


intervenções adequadas para cada situação, mas, o foco é sempre
a família (CRAS/C.Levy Gasparian).

Diante da centralidade da família como prioridade nos atendimentos nas duas


instituições, o perfil das famílias atendidas no município de Pequeri:

Em sua maioria suas famílias chefiadas por mulheres, com renda


mensal de aproximadamente até 2 salários mínimos, com baixa
escolaridade com um média de 3 filhos (CRAS/Pequeri).

E o de Levy Gaspariam:

Mulheres em sua maioria; alto índice de desemprego; diversos


arranjos familiares (CRAS/C.Levy Gasparian).

Na comparação dessas duas instituições observamos que ambas possuem


muitos aspectos comuns assim como algumas contrariedades.
No que se refere as demandas apresentadas pelas famílias, Pequeri
aponta:

questões relacionadas à violência doméstica; descumprimento do


PBF (Programa Bolsa família); desemprego; orientações quanto ao
BPC; emissão de documentos pessoais; busca por grupos
socioeducativos e esclarecimentos sobre tarifas
sociais”(CRAS/Pequeri).

Já Levy Gaspariam:
64

Aquisição de cesta básica; orientações quanto ao INSS;


acompanhamentos junto ao Conselho Tutelar e Dependência
Química (CRAS/C.Levy Gasparian).

Ao compararmos essas instituições observamos que em Pequeri as


demandas são mais informativas, apesar de ter como fator relevante a violência
doméstica. Levy Gaspariam apresentou também uma demanda complexa, que é a
dependência química. Neste sentido observamos que cada município é impactado
fortemente e ao mesmo tempo, por diferentes e semelhantes expressões da
“questão social”.
Em relação a quantidade de famílias atendidas, em Pequeri são atendidas
150 famílias já em Levy Gaspariam são 570 famílias cadastradas e 146 famílias
referenciadas (dados da última pesquisa).
Através desta entrevista podemos perceber que mesmo com o número
superior de habitantes Levy Gaspariam realiza um trabalho muito parecido com a
instituição de Pequeri, sendo que o que mais nos chamou a atenção é a questão
da quantidade de profissionais em serviço Social e em Psicologia de Levy
Gaspariam ser inferior ao de Pequeri, contraditoriamente desproporcional ao
número de demandas.
65

À GUISA CONCLUSÃO

A crescente demanda no desenvolvimento por novas políticas públicas


voltadas a atenção à família, nos levou através deste estudo a analisar as
mudanças ocorridas no âmbito da família, entendendo o porquê da família estar
no centro de atenção das políticas públicas. Assim, buscamos analisar o Brasil
desde a primeira eleição democrática em 1985 passando pela era Collor até o
governo de Fernando Henrique Cardoso, responsável pela concretização do
neoliberalismo no país. Com A adesão do Estado ao sistema neoliberal,
percebemos o desmonte das políticas públicas, contrariando o que foi promulgado
na Constituição de 1988.
Essas transformações recaem sobre a família e sua estrutura conservadora
é perdida, ou seja, os valores são invertidos, a mulher que historicamente na
sociedade burguesa ocupa o âmbito do privado, passa a ser chefe de família,
tendo que se inserir amplamente no mundo do trabalho para sustentar seu lar.
66

Neste sentido observamos as consequências trazidas para família ao


adotar o sistema neoliberal. Com esses impactos sobre a família a política de
Assistência Social vem se desenvolvendo historicamente para atender aos mais
pauperizados, e é notório que até hoje a política Assistencial possui traços
conservadores.

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