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1. Tipos de Vínculo – Função, emprego e cargo

Função pública significa o exercício de atividades da competência da


Administração, em nome desta e de acordo com as suas finalidades, ou seja, para
atender ao interesse público. Para o desempenho da função pública, pode ser atribuído à
pessoa um cargo público. Assim, a função pública pode ser exercida sem estar revestida
de cargo público, já que nem toda função pública implica cargo público. Nesse aspecto,
a expressão “função pública” é utilizada para designar o tipo de vínculo de trabalho que
as atividades são exercidas.
Vale salientar que os “temporários” exercem função pública, porém sem
atribuição de um cargo. A relação com o Estado é contratual, mas não é regida pela
CLT. Assim, eventuais demandas contra a Administração são julgadas pela Justiça
Comum (estadual ou federal), e não pela Justiça do Trabalho.
Segundo o STF, é possível a contratação de temporários para funções de caráter
permanente em órgãos públicos, desde que indispensáveis ao atendimento de
necessidade temporária de excepcional interesse público. O fato de a contratação
ocorrer para desempenho de funções similares às de cargo efetivo não impede a
contratação, com base no art. 37, IX, da CF, desde que atendidos os requisitos previstos
na Constituição.
Toda função é atribuída e delimitada pela norma legal. Essa atribuição e essa
delimitação configuram a competência do órgão, do cargo e do agente. O art. 61, § 1º,
II, da CF, exige lei de iniciativa do Presidente da República para a criação de cargos,
empregos e funções no âmbito do Poder Executivo Federal. Quando a função é exercida
com base em contrato de trabalho regido pela CLT, o vínculo denomina-se emprego
público. Nesse caso, a pessoa tem função (no sentido de tarefa, atividade), mas não
ocupa cargo.
Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades, criado por lei, em
número determinado, com nome certo e remuneração específica. Os cargos públicos
podem ser isolados ou de carreira. Nos cargos isolados, não há o sistema de progressão
ou promoção, sendo que o servidor permanece no mesmo cargo ou na mesma situação
funcional até a extinção do vínculo com o cargo. Já nos cargos de carreira, o servidor
percorre diversas classes/categorias da carreira com mudança da condição funcional e,
normalmente, com acréscimo de remuneração e responsabilidades.
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Classe/categoria representa o agrupamento de cargos da mesma natureza, como


as categorias da carreira da Defensoria Pública da União (DPU) – 1ª, 2ª e categoria
especial. O concurso de ingresso na carreira é para o cargo de Defensor Público de 2ª
categoria e, posterior- mente, realiza-se concurso de promoção, por antiguidade e
merecimento, no qual o servidor alcançará a 1ª categoria e, por fim, a categoria especial.
A lei de cada cargo deve estabelecer se o cargo é isolado ou de carreira e, nesse último
caso, os critérios de promoção/progressão.
Todo cargo implica o exercício de função pública. O ato administrativo que
atribui a uma pessoa exercício inicial de um cargo é a nomeação. O titular do cargo
caracteriza-se como servidor público estatutário, na medida em que a relação entre o
servidor e a Administração será definida por meio da lei.
O art. 37, II, da CF, exige o concurso público somente para a investidura em
cargo ou emprego. Nos casos de função, a exigência não existe, porque podem exercê-la
os contratados temporariamente para atender às necessidades emergentes da
Administração ou os ocupantes de funções de confiança, para as quais não se exige a
realização do certame.

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