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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO


ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRATICA
REGISTRADO(A) SOB N°

ACÓRDÃO I miii mil mil mil um um mu um mi mi


*03386085*
Vistos, relatados e discutidos estes autos de
Habeas Corpus n° 990.10.331521-9, da Comarca de São Paulo,
em que é paciente NELSON BRASILIO e Impetrante ELISEU
TERUFUMI MIYASHIRO.

ACORDAM, em 2* Câmara de Direito Criminal do


Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte
decisão: "CONCEDERAM A ORDEM PARA JULGAR EXTINTA A
PUNIBILIDADE DO PACIENTE NELSON BRASILIO PELA OCORRÊNCIA
DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA, QUANTO À CONDENAÇÃO
OBJETO DO PROCESSO/ CONTROLE N° 1657/2004, DA PRIMEIRA
VARA CRIMINAL CENTRAL DA COMARCA DE SÃO PAULO,
DETERMINANDO-SE A EXPEDIÇÃO INCONTINENTI DE CONTRAMANDADO
DE PRISÃO (OU DE ALVARÁ DE SOLTURA CLAUSULADO, SE FOR O
CASO) , OFICIANDO-SE ÀQUELE JUÍZO E AO JUÍZO DA VARA DAS
EXECUÇÕES CRIMINAIS DA COMARCA DE SÃO PAULO PARA
CUMPRIMENTO (EXECUÇÃO N° 788.249). V.U.", de conformidade
com o voto do(a) Relator(a), que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos


Desembargadores ANTÔNIO LUIZ PIRES NETO (Presidente), IVAN
MARQUES E ALMEIDA SAMPAIO.

São Paulo, 13 de dezembro de 2010.

ANTÔNIO LUIZ PIRES NETO


PRESIDENTE E RELATOR
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

HABEAS CORPUS N° 990.10.331521-9 - SÃO PAULO


PACIENTE: NELSON BRASILIO
RELATOR: A. L. PIRES NETO

VOTO: 19.110

NELSON BRASÍLIO impetrou "habeas corpus" em


seu próprio benefício, apontando como autoridade coatora a Dr3. Juíza
de Direito da Quinta Vara das Execuções Criminais da Comarca de
São Paulo, visando ao reconhecimento da prescrição da pretensão
executória com relação a condenação que lhe foi imposta, ao
cumprimento de um ano de reclusão, pena substituída por restritivas
de direitos, pretensão indeferida pelo Juízo impetrado por despacho
que, além disso, revogou aquela substituição e determinou o
cumprimento da pena em regime aberto, com expedição de mandado
de prisão.

Foram prestadas as informações de fls. 12/13 e a


ilustrada Procuradoria Geral de Justiça opinou pelo não conhecimento
por falta da assinatura do impetrante/paciente na inicial da impetração,
ou pela concessão da ordem, acaso conhecida (fls. 53/55).

É o relatório.

Muito embora da inicial não tenha constado a


assinatura do impetrante, não se pode perder de vista que a referida
petição inicial foi enviada a esta Corte por via eletrônica, anexada a "e-

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maif do remetente - o que define a sua origem para qualquer


eventualidade e explica a falta da assinatura reclamada pela
Procuradoria Geral de Justiça. Entretanto, como se trata de pedido de
"habeas corpus", o pedido deve ser conhecido, seja porque daí não
advirá prejuízo algum para o paciente, seja porque, em situações
dessa natureza, dispensa-se o rigor da forma em benefício da
celeridade do julgamento (sem se esquecer que, nos bons tempos do
Tribunal de Alçada Criminal do Estado de São Paulo já havia disciplina
interna para recebimento de "habeas corpus" dessa forma mais célere
e mais econômica).

Por outro lado, em tese e em princípio, como foi


destacado no r. parecer de fls. 53/55, o "habeas corpus" não se presta
para o reexame de decisões judiciais que tenham indeferido pleitos
formulados no curso da execução, matéria inserida na competência
originária do juiz da execução e sujeita a reexame por meio de agravo.

Entretanto, no julgamento do "mandamus" não há


como desprezar-se o enfrentamento da alegação de existência de
constrangimento ilegal decorrente de decisões contrárias à letra da lei
em situações específicas, o que justifica, no caso destes autos, o
conhecimento da impetração.

O fundamento invocado pela Dr3. Juíza de Direito


da Vara das Execuções Criminais para afastar o reconhecimento da
prescrição foi a circunstância de o prazo respectivo ter início a partir
do trânsito em julgado para ambas as partes, citando, para tanto,
decisão do Superior Tribunal de Justiça nesse sentido (v. fl. 83).

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Entretanto, sem embargo dos elevados


entendimentos em contrário, essa não é a melhor interpretação do art.
112, inciso I, do Código Penal, onde está expresso: "No caso do art. 110
deste Código, a prescrição começa a correr do dia em que transita em
julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a
suspensão condicional da pena ou o livramento condicionar. E no referido
art. 110 está escrito: "A prescrição depois de transitar em julgado a
sentença condenatória regula-se pela pena aplicada..."

Portanto, a prescrição da pretensão executória tem


como marco inicial a data do trânsito em julgado para a acusação (o
que, com a devida vênia, não pode ser modificado por via
jurisprudencial); e, todavia, começa a correr desde que tenha havido o
trânsito em julgado para ambas as partes. Essa também é a
orientação pacificada na doutrina nacional (Nucci, Damásio, César
Bitencourt, por exemplo). E também se orienta nesse sentido a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, didaticamente: "A
prescrição da pretensão executória verifica-se após o efetivo trânsito em
julgado da sentença, para ambas as partes (CP, art. 110). Começa a fluir,
entretanto, da data do trânsito em julgado para a acusação (CP, art. 110, $
I o ). Regula-se pela pena concretizada na sentença" (HC 81150/MG, Rei.
Min. Nelson Jobim, j . 04/09/2001). No mesmo sentido, HC 77519/SP,
Rei. Min. Carlos Velloso, j . 20/10/98.

No caso destes autos, a sentença transitou em


julgado para a acusação em 17/01/2006 (fl. 15) e o V. Acórdão que
deu provimento parcial ao apelo da defesa transitou em julgado em
05/05/2008 (v. fl. 83). Portanto, tendo havido o trânsito em julgado
para ambas as partes depois do julgamento desse recurso, o marco
inicial da prescrição da pretensão executória, ou seja a data do
trânsito em julgado para a acusação, deu-se em 17/01/2006^pelo que
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em igual data de 2010, sem que antes disso houvesse se iniciado a


execução da pena aplicada, operou-se a prescrição como causa de
extinção da punibilidade.

Pelo exposto e em suma, concede-se a ordem para


julgar extinta a punibilidade do paciente NELSON BRASÍLIO pela
ocorrência da prescrição da pretensão executoria, quanto à
condenação objeto do processo/controle n° 1657/2004, da Primeira
Vara Criminal Central da Comarca de São Paulo, determinando-se a
expedição incontinenti de contramandado de prisão em favor dele (ou
de alvará de soltura clausulado, se for o caso), oficiando-se àquele
Juízo e ao Juízo da Quinta Vara das Execuções Criminais da
Comarca de São Paulo para imediato cumprimento (Execução n°
788.249).

Antonío Lu£5piRES NETO


^ RELATOR
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