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Prefácio

Caro Professor

É com imenso prazer que colocamos nas suas mãos os Programas do Ensino Secundário Geral.

Com a introdução do Novo Currículo do Ensino Básico, iniciada em 2004, houve necessidade de se
reformular o currículo do Ensino Secundário Geral para que a integração do aluno se faça sem
sobressaltos e para que as competências gerais, tão importantes para a vida continuem a ser
desenvolvidas e consolidadas neste novo ciclo de estudos.

As competências que os novos programas do Ensino Secundário Geral procuram desenvolver,


compreendem um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para a
vida que permitam ao graduado do Ensino Secundário Geral enfrentar o mundo de trabalho numa
economia cada vez mais moderna e competitiva.

Estes programas resultam de um processo de consulta à sociedade. O produto que hoje tem em
mãos é resultado do trabalho abnegado de técnicos pedagógicos do INDE e da DINEG, de
professores das várias instituições de ensino e formação, quadros de diversas instituições públicas,
empresas e organizações, que colocaram a sua sabedoria ao serviço da transformação curricular e
a quem aproveitamos desde já, agradecer.

Aos professores, de que depende em grande medida a implementação destes programas,


apelamos ao estudo permanente das sugestões que eles contêm e que convoquem a vossa e
criatividade e empenho para levar a cabo a gratificante tarefa de formar hoje os jovens que
amanhã contribuirão para o combate à pobreza.

Aires Bonifácio Baptista Ali.

Ministro da Educação e Cultura

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1. Introdução

A Transformação Curricular do Ensino Secundário Geral (TCESG) é um processo que se enquadra


no Programa Quinquenal do Governo e no Plano Estratégico da Educação e Cultura e tem como
objectivos:

 Contribuir para a melhoria da qualidade de ensino, proporcionando aos alunos


aprendizagens relevantes e apropriadas ao contexto socioeconómico do país.
 Corresponder aos desafios da actualidade através de um currículo diversificado, flexível e
profissionalizante.
 Alargar o universo de escolhas, formando os jovens tanto para a continuação dos estudos
como para o mercado de trabalho e auto emprego.
 Contribuir para a construção de uma nação de paz e justiça social.

Constituem principais documentos curriculares:


 O Plano Curricular do Ensino Secundário (PCESG) – documento orientador que contém os
objectivos, a política, a estrutura curricular, o plano de estudos e as estratégias de
implementação;
 Os programas de ensino de cada uma das disciplinas do plano de estudos;
 O regulamento de avaliação do Ensino Secundário Geral (ESG);
 Outros materiais de apoio.

1.1. Linhas Orientadoras do Currículo do ESG

O Currículo do ESG, a ser introduzido em 2008, assenta nas grandes linhas orientadoras que
visam a formação integral dos jovens, fornecendo-lhes instrumentos relevantes para que
continuem a aprender ao longo de toda a sua vida.

O novo currículo procura por um lado, dar uma formação teórica sólida que integre uma
componente profissionalizante e, por outro, permitir aos jovens a aquisição de competências
relevantes para uma integração plena na vida política, social e económica do país.

As consultas efectuadas apontam para a necessidade de a escola responder às exigências do


mercado cada vez mais moderno que apela às habilidades comunicativas, ao domínio das
Tecnologias de Informação e Comunicação, à resolução rápida e eficaz de problemas, entre outros
desafios.

Assim, o novo programa do ESG deverá responder aos desafios da educação, assegurando uma
formação integral do indivíduo que assenta em quatros pilares, assim descritos:

Saber Ser que é preparar o Homem moçambicano no sentido espiritual, crítico e estético,
de modo que possa ser capaz de elaborar pensamentos autónomos, críticos e formular os
seus próprios juízos de valor que estarão na base das decisões individuais que tiver de
tomar em diversas circunstâncias da sua vida;

Saber Conhecer que é a educação para a aprendizagem permanente de conhecimentos


científicos sólidos e a aquisição de instrumentos necessários para a compreensão, a
interpretação e a avaliação crítica dos fenómenos sociais, económicos, políticos e naturais;

Saber Fazer que proporciona uma formação e qualificação profissional sólida, um espírito
empreendedor no aluno/formando para que ele se adapte não só ao meio produtivo actual,
mas também às tendências de transformação no mercado;

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Saber viver juntos e com os outros que traduz a dimensão ética do Homem, isto é,
saber comunicar-se com os outros, respeitar-se a si, à sua família e aos outros homens de
diversas culturas, religiões, raças, entre outros.
Agenda 2025:129

Estes saberes interligam-se ao longo da vida do indivíduo e implicam que a educação se organize
em torno deles de modo a proporcionar aos jovens instrumentos para compreender o mundo, agir
sobre ele, cooperar com os outros, viver, participar e comportar-se de forma responsável.

Neste quadro, o desafio da escola é, pois, fornecer as ferramentas teóricas e práticas relevantes
para que os jovens e os adolescentes sejam bem sucedidos como indivíduos, e como cidadãos
responsáveis e úteis na família, na comunidade e na sociedade, em geral.

1.2. Os desafios da Escola

A escola confronta-se com o desafio de preparar os jovens para a vida. Isto significa que o papel
da escola transcende os actos de ensinar a ler, a escrever, a contar ou de transmitir grandes
quantidades de conhecimentos de história, geografia, biologia ou química, entre outros. Torna-se,
assim, cada vez mais importante preparar o aluno para aprender a aprender e para aplicar os seus
conhecimentos ao longo da vida.

Perante este desafio, que competências são importantes para uma integração plena na vida?

As competências importantes para a vida referem-se ao conjunto de recursos, isto é,


conhecimentos, habilidades atitudes, valores e comportamentos que o indivíduo mobiliza para
enfrentar com sucesso exigências complexas ou realizar uma tarefa, na vida quotidiana. Isto
significa que para resolver um determinado problema, tomar decisões informadas, pensar critica e
criativamente ou relacionar-se com os outros um indivíduo necessita de combinar um conjunto de
conhecimentos, práticas e valores.

Naturalmente que o desenvolvimento das competências não cabe apenas à escola, mas também à
sociedade, a quem cabe definir quais deverão ser consideradas importantes, tendo em conta a
realidade do país.

Neste contexto, reserva-se à escola o papel de desenvolver, através do currículo, não só as


competências viradas para o desenvolvimento das habilidades de comunicação, leitura e escrita,
matemática e cálculo, mas também, as competências gerais, actualmente reconhecidas como
cruciais para o desenvolvimento do indivíduo e necessárias para o seu bem estar, nomeadamente:

a) Comunicação nas línguas moçambicana, portuguesa, inglesa e francesa;


b) Desenvolvimento da autonomia pessoal e a auto-estima; de estratégias de aprendizagem e
busca metódica de informação em diferentes meios e uso de tecnologia;
c) Desenvolvimento de juízo crítico, rigor, persistência e qualidade na realização e
apresentação dos trabalhos;
d) Resolução de problemas que reflectem situações quotidianas da vida económica social do
país e do mundo;
e) Desenvolvimento do espírito de tolerância e cooperação e habilidade para se relacionar bem
com os outros;
f) Uso de leis, gestão e resolução de conflitos;
g) Desenvolvimento do civismo e cidadania responsáveis;
h) Adopção de comportamentos responsáveis com relação à sua saúde e da comunidade bem
como em relação ao alcoolismo, tabagismo e outras drogas;

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i) Aplicação da formação profissionalizante na redução da pobreza;
j) Capacidade de lidar com a complexidade, diversidade e mudança;
k) Desenvolvimento de projectos estratégias de implementação individualmente ou em grupo;
l) Adopção de atitudes positivas em relação aos portadores de deficiências, idosos e crianças.

Importa destacar que estas competências encerram valores a serem desenvolvidos na prática
educativa no contexto escolar e extra-escolar, numa perspectiva de aprender a fazer fazendo.

(...) o aluno aprenderá a respeitar o próximo se tiver a oportunidade de experimentar situações em


que este valor é visível. O aluno só aprenderá a viver num ambiente limpo se a escola estiver limpa e
promover o asseio em todos os espaços escolares. O aluno cumprirá as regras de comportamento se elas
forem exigidas e cumpridas por todos os membros da comunidade escolar de forma coerente e sistemática.
PCESG:27

Neste contexto, o desenvolvimento de valores como a igualdade, liberdade, justiça, solidariedade,


humildade, honestidade, tolerância, responsabilidade, perseverança, o amor à pátria, o amor
próprio, o amor à verdade, o amor ao trabalho, o respeito pelo próximo e pelo bem comum,
deverá estar ancorado à prática educativa e estar presente em todos os momentos da vida da
escola.

As competências acima indicadas são relevantes para que o jovem, ao concluir o ESG esteja
preparado para produzir o seu sustento e o da sua família e prosseguir os estudos nos níveis
subsequentes.

Perspectiva-se que o jovem seja capaz de lidar com economias em mudança, isto é, adaptar-se a
uma economia baseada no conhecimento, em altas tecnologias e que exigem cada vez mais novas
habilidades relacionadas com adaptabilidade, adopção de perspectivas múltiplas na resolução de
problemas, competitividade, motivação, empreendedorismo e a flexibilidade de modo a ter várias
ocupações ao longo da vida.

1.3. A Abordagem Transversal

A transversalidade apresenta-se no currículo do ESG como uma estratégia didáctica com vista um
desenvolvimento integral e harmonioso do indivíduo. Com efeito, toda a comunidade escolar é
chamada a contribuir na formação dos alunos, envolvendo-os na resolução de situações-problema
parecidas com as que se vão confrontar na vida.

No currículo do ESG prevê-se uma abordagem transversal das competências gerais e dos temas
transversais. De referir que, embora os valores se encontrem impregnados nas competências e
nos temas já definidos no PCESG, é importante que as acções levadas a cabo na escola e as
atitudes dos seus intervenientes sobretudo dos professores constituam um modelo do saber ser,
conviver com os outros e bem fazer.

Neste contexto, toda a prática educativa gravita em torno das competências acima definidas de tal
forma que as oportunidades de aprendizagem criadas no ambiente escolar e fora dele contribuam
para o seu desenvolvimento. Assim, espera-se que as actividades curriculares e co-curriculares
sejam suficientemente desafiantes e estimulem os alunos a mobilizar conhecimentos, habilidades,
atitudes e valores.

O currículo do ESG prevê ainda a abordagem de temas transversais, de forma explícita, ao longo
do ano lectivo. Considerando as especificidades de cada disciplina, são dadas indicações para a sua
abordagem no plano temático, nas sugestões metodológicas e no texto de apoio sobre os temas
transversais.

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O desenvolvimento de projectos comuns constitui-se também com uma estratégias que permite
estabelecer ligações interdisciplinares, mobilizar as competências treinadas em várias áreas de
conhecimento para resolver problemas concretos. Assim, espera-se que as actividades a realizar
no âmbito da planificação e implementação de projectos, envolvam professores, alunos e até a
comunidade e constituam em momentos de ensino-aprendizagem significativos.

1.4 As Línguas no ESG

A comunicação constitui uma das competências considerada chave num mundo globalizado. No
currículo do ESG, são usados a língua oficial (Português), línguas Moçambicanas, línguas
estrangeiras (Inglês e Francês).

As habilidades comunicativas desenvolvem-se através de um envolvimento conjugado de todas as


disciplinas e não se reserva apenas às disciplinas específicas de línguas. Todos os professores
deverão assegurar que alunos se expressem com clareza e que saibam adequar o seu discurso às
diferentes situações de comunicação. A correcção linguística deverá ser uma exigência constante
nas produções dos alunos em todas as disciplinas.

O desafio da escola é criar espaços para a prática das línguas tais como a promoção da leitura
(concursos literários, sessões de poesia), debates sobre temas de interesse dos alunos, sessões
para a apresentação e discussão de temas ou trabalhos de pesquisa, exposições, actividades
culturais em datas festivas e comemorativas, entre outros momentos de prática da língua numa
situação concreta. Os alunos deverão ser encorajados a ler obras diversas e a fazer comentários
sobre elas e seus autores, a escrever sobre temas variados, a dar opiniões sobre factos ouvidos ou
lidos nos órgãos de comunicação social, a expressar ideias contrárias ou criticar de forma
apropriada, a buscar informações e a sistematizá-la.

Particular destaque deverá ser dado à literatura representativa de cada uma das línguas e, no caso
da língua oficial e das línguas moçambicanas, o estudo de obras de autores moçambicanos
constitui um pilar para o desenvolvimento do espiríto patriótico e exaltação da moçambicanidade.

1.5. O Papel do Professor

O papel da escola é preparar os jovens de modo a torná-los cidadãos activos e responsáveis na


família, no meio em que vivem (cidade, aldeia, bairro, comunidade) ou no trabalho.

Para conseguir este feito, o professor deverá colocar desafios aos seus alunos, envolvendo-os em
actividades ou projectos, colocando problemas concretos e complexos. A preparação do aluno para
a vida passa por uma formação em que o ensino e as matérias leccionadas tenham significado
para a vida do jovem e possam ser aplicados a situações reais.

O ensino - aprendizagem das diferentes disciplinas que constituem o currículo fará mais sentido se
estiver ancorado aos quatro saberes acima descritos interligando os conteúdos inerentes à
disciplina, às componentes transversais e às situações reais.

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Tendo presente que a tarefa do professor é facilitar a aprendizagem, é importante que este
consiga:

 organizar tarefas ou projectos que induzam os alunos a mobilizar os seus conhecimentos,


habilidades e valores para encontrar ou propor alternativas de soluções;
 encontrar pontos de interligação entre as disciplinas que propiciem o desenvolvimento de
competências. Por exemplo, envolver os alunos numa actividade, projecto ou dar um
problema que os obriga a recorrer a conhecimentos, procedimentos e experiências de
outras áreas do saber;
 acompanhar as diferentes etapas do trabalho para poder observar os alunos, motivá-los e
corrigi-los durante o processo de trabalho;
 criar, nos alunos, o gosto pelo saber como uma ferramenta para compreender o mundo e
transformá-lo;
 avaliar os alunos no quadro das competências que estão a ser desenvolvidas, numa
perspectiva formativa.

Este empreendimento exige do professor uma mudança de atitude em relação ao saber, à


profissão, aos alunos e colegas de outras disciplinas. Com efeito, o sucesso deste programa passa
pelo trabalho colaborativo e harmonizado entre os professores de todas as disciplinas. Neste
sentido, não se pode falar em desenvolvimento de competências para vida, de interdisciplinaridade
se os professores não dialogam, não desenvolvem projectos comuns ou se fecham nas suas
próprias disciplinas. Um projecto de recolha de contos tradicionais ou da história local poderá
envolver diferentes disciplinas. Por exemplo:
- Português colaboraria na elaboração do guião de recolha, estrutura, redacção e
correcção dos textos;
- História ocupar-se-ia dos aspectos técnicos da recolha deste tipo de fontes;
- Geografia integraria aspectos geográficos, físicos e socio-económicos da região;
- Educação Visual ficaria responsável pelas ilustrações e cartazes.

Com estes projectos treinam-se habilidades, desenvolvem-se atitudes de trabalhar em equipa, de


análise, de pesquisa, de resolver problemas e a auto-estima, contribuindo assim para o
desenvolvimento das competências mais gerais definidas no PCESG.

As metodologias activas e participativas propostas, centradas no aluno e viradas para o


desenvolvimento de competências para a vida pretendem significar que, o professor não é mais
um centro transmissor de informações e conhecimentos, expondo a matéria para reprodução e
memorização pelos alunos. O aluno não é um receptáculo de informações e conhecimentos. O
aluno deve ser um sujeito activo na construção do conhecimento e pesquisa de informação,
reflectindo criticamente sobre a sociedade.

O professor deve assumir-se como criador de situações de aprendizagem, regulando os recursos e


aplicando uma pedagogia construtivista. O seu papel na liderança de uma comunidade escolar
implica ainda que seja um mediador e defensor intercultural, organizador democrático e gestor da
heterogeneidade vivencial dos alunos.

As metodologias de ensino devem desenvolver no aluno: a capacidade progressiva de conceber e


utilizar conceitos; maior capacidade de trabalho individual e em grupo; entusiasmo, espírito
competitivo, aptidões e gostos pessoais; o gosto pelo raciocínio e debate de ideias; o interesse
pela integração social e vocação profissional.

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O Ensino-aprendizagem na disciplina de Física

Os programas de Física concebidos para o ciclo, oferecem aos alunos os elementos essenciais do
quadro físico do mundo para que possam ser capazes de desenvolver a sua identidade como
indivíduos criativos, sociais e possuidores de atitudes, hábitos, habilidades e conhecimentos úteis a
si mesmo e à sociedade e para a continuação com os estudos.

Estes programas abordam os conteúdos relacionados com os fenómenos mecânicos, térmicos,


luminosos, eléctricos e electromagnéticos. A sua estruturação permite continuar a formação
paulatina dos alunos, centrada na aquisição de elementos fundamentais do conhecimento e do
desenvolvimento de habilidades e atitudes.

Na concepção da estrutura da disciplina, parte-se do ponto de vista macroscópico dos fenómenos


do mundo circundante mais próximo dos alunos, portanto, mais acessível aos órgãos sensoriais,
para depois tratar-se das noções elementares sobre a estrutura da substância, que servirá de base
para analisar os fenómenos térmicos, os relacionados com a estática dos fluidos e os
electromagnéticos a um nível microscópico.

A lógica que segue o ordenamento do sistema de conhecimentos baseia-se na análise de um


fenómeno que, do geral, passa-se para a caracterização qualitativa deste, seguindo-se a
determinação quantitativa do mesmo (o valor e as suas unidades) e por último, a lei
fenomenológica que relaciona as grandezas físicas.

Em consequência, como métodos de ensino prevalecem o indutivo, dedutivo e de analogias,


apoiados numa forte base experimental, de tal modo que se reduz o volume de informação teórica
secundária em muitos dos conteúdos tratados. Pretende-se fortalecer o trabalho com os conceitos
fundamentais e incrementar o tempo para o desenvolvimento de habilidades, tanto intelectuais
como práticas, que permitam aos alunos participar activamente e com certo grau de independência
na aquisição de conhecimentos, assim como serem capazes de utilizá-los na explicação dos
fenómenos que os rodeiam.

O trabalho com gráficos (sua leitura, interpretação e construção), e a resolução de problemas


(com o uso obrigatório do Sistema Internacional de Unidades, sendo possível o uso das unidades
derivadas) e o desenvolvimento de actividades práticas e experimentais constitui aspectos
essenciais no desenvolvimento dos programas, pois contribuem no desenvolvimento e
consolidação das competências definidas para o ciclo.

Com a inclusão de alguns elementos de enfoque histórico nos programas pretende-se, em


particular, que os alunos conheçam aspectos da vida, obra, actividade e pontos de vista de
eminentes cientistas e desenvolvam valores morais adequados.

Devem também formar parte importante dos conteúdos da disciplina no ciclo e, portanto,
constituir objecto específico de aprendizagem, as implicações da Física para outras ciências assim
como a sua relação com as mesmas (tais como, a Matemática, Química, Geografia, etc.), seu
vínculo com a tecnologia, à sociedade e em geral com a cultura integral.

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1. Competências a desenvolver no 1º Ciclo

Ao nível do primeiro ciclo o ensino da Física visa desenvolver, nos alunos, competências que lhes
permitam:
 Descrever fenómenos naturais em linguagem cientifica, relacionando-os a descrições na
linguagem corrente;
 Utilizar terminologia Física adequada e elementos de sua representação simbólica;
 Realizar uma experiência, descrever o procedimento e apresentar os resultados usando
conhecimentos físicos de forma adequada;
 Emitir juízos de valor em relação a situações sociais que envolvam aspectos físicos;
 Desenvolver o espírito de inter-ajuda durante a realização dos trabalhos em grupo

2.Objectivos gerais da disciplina


Pretende-se que a aprendizagem da Física no ESG contribua para a formação de uma cultura
de ciência e tecnologia efectiva, que permita ao aluno:

 fazer a interpretação dos factos, fenómenos e processos naturais;


 compreender a evolução dos meios tecnológicos e sua relação dinâmica com a
evolução do conhecimento cientifico
 compreender os procedimentos técnicos e tecnológicos e ajusta-los a uma realidade
socio-cultural e ambiental;

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V. Visão geral dos conteúdos da 8ª a 10ª classe

8a Classe
Unidade I: Estrutura da Matéria
Unidade II: Cinemática:
Unidade III : Dinâmica :Leis de Newton
Unidade IV : Trabalho e Energia

9ª Classe
Unidade I- Fenómenos Térmicos
Unidade II : Estática dos Sólidos
Unidade III : Estática dos Fluidos
Unidade IV :Óptica Geométrica

10ª Classe

Unidade I: Corrente Eléctrica


Unidade II: Oscilações e Ondas Mecânicas
Unidade III: Electromagnetismo
Unidade IV: Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado

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4.O Ensino da Física na 10ª classe:

A 10ª classe constitui a última classe do 1º ciclo. Assim sendo, é fundamental que o aluno adquira
uma visão geral da estrutura da Física. É também importante que se crie no aluno a base para o
seu ingresso na vida laboral assim como para a continuação dos estudos nos níveis subsequentes.
Nesta classe serão abordados conteúdos relacionados com a corrente eléctrica, magnetismo,
electromagnetismo, oscilações e ondas mecânicas e movimento rectilíneo uniformemente variado.
Estes conteúdos serão abordados em 72 aulas, nas quais se incluem aulas de actividades
experimentais, resolução de exercícios e avaliações.
No estudo da corrente eléctrica, na unidade 1, o enfoque é dado noções de corrente eléctrica,
resistência, intensidade da corrente, tensão e potência de uma corrente eléctrica, assim como à
aplicação das Leis de Ohm e Joule-Lenz, em situações concretas. Nesta unidade, dá-se especial
atenção ao uso dos instrumentos de medição tais como o amperímetro e o voltímetro para avaliar
as características da corrente eléctrica nos circuitos eléctricos.
Na unidade 2 introduz-se pela primeira vez o estudo dos movimentos periódicos – as oscilações e
ondas mecânicas. Por isso, é importante que o aluno adquira uma visão simples da ligação entre
as oscilações e ondas, suas características e propriedades, enfatizando a interpretação gráfica.
Na unidade 3, relativamente ao electromagnetismo, destaca-se a noção do campo magnético e sua
origem. Esta noção é adquirida com base na experiência de Oersted e sua aplicação no
funcionamento de vários aparelhos.
Na unidade 4 que se refere ao movimento rectilíneo uniformemente variado o aluno adquire
conhecimentos muito vinculados à sua vida diária, nomeadamente o movimento das pessoas, dos
carros, etc.
O conhecimento da proporcionalidade directa e inversa e a dedução de fórmulas, constituem o
grande elo de ligação entre a Matemática e a Física em todas as unidades temáticas da classe. A
análise gráfica de duas grandezas físicas é fundamental na corrente eléctrica contínua e alternada
assim como nas oscilações e ondas mecânicas.
O tratamento das noções de carga eléctrica, electrização dos corpos e corrente eléctrica, exige do
aluno as noções da estrutura atómica dos elementos químicos aprendidos na Química.
Os fenómenos magnéticos e eléctricos estão na origem do campo magnético terrestre e dos
relâmpagos nos dias de mau tempo. Por isso, é importante estabelecer a ligação com a disciplina
de Geografia.
Os fenómenos eléctricos, mecânicos, magnéticos e electromagnéticos têm uma grande aplicação
no dia a dia da vida dos alunos. Constituem exemplos:
- Iluminação eléctrica.
- Fontes de corrente eléctrica.
- Circuitos eléctricos nas casas, aparelhos electrodomésticos, etc.
- Motores eléctricos.
- Relógios de pêndulo.
- Transformador.
Sugere-se aos professores a abordagem dos conteúdos a partir de situações problemáticas, que
podem ser criadas através de experiências simples ou a partir dos conhecimentos empíricos do
aluno.
Este é o último ano do ciclo em que o aluno tem contacto com a Física, por isso é importante
continuar motivando o aluno através de:

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 aulas experimentais, para aumentar a destreza e a habilidade dos mesmos no
trabalho prático,
- círculos de interesse, para tornar o processo de aprendizagem do aluno mais independente
e criativo;
- visita a indústrias, fábricas, instituições, por forma a prepará-los para o trabalho no futuro.

5.Objectivos da disciplina na 10ª classe


A disciplina de Física na 10ª classe está dirigida a:
 Contribuir na formação da concepção científica do mundo mediante o tratamento do
material didáctico, em particular sobre a base da relação causa – efeito existente entre todo o
processo e fenómeno e da relação entre a teoria e a prática no estudo dos fenómenos.
 Formar um sistema de conhecimentos físicos e desenvolver habilidades que preparam o aluno
para que seja capaz de:
- explicar e interpretar os fenómenos eléctricos, magnéticos e mecânicos, mediante a
caracterização das suas qualidades externas e a precisão das condições em que ocorrem.
- descrever e desenvolver as experiências fundamentais que evidenciem a manifestação dos
fenómenos eléctricos, magnéticos e mecânicos.
- Interpretar, em situações concretas: a Lei Qualitativa das Interacções Eléctricas, a Lei de
Ohm, e a Lei de Joule-Lenz.
- Realizar experiências, seleccionando adequadamente os instrumentos de medição
correspondentes, suas escalas e unidades.
 Construir e interpretar gráficos da dependência entre grandezas físicas como:
- Deslocamento em função do tempo no Movimento Harmónico Simples (M.H.S.)
- Deslocamento em função do tempo para oscilações amortecidas.
- Interpretar o gráfico da onda.
 Resolver problemas qualitativos e quantitativos até ao nível de reprodução com variante nas
quais não intervenham mais de duas grandezas, incluindo a dedução de qualquer das
grandezas que intervêm na fórmula relacionados com:
- Campo eléctrico criado por uma carga pontual num ponto dado.
- Lei de Ohm.
- Associação de resistências (em série e em paralelo).
- Lei de Joule-Lenz.
- Características das oscilações e ondas mecânicas.
- Equações de Thompson.
 Exemplificar os fundamentos de alguns processos tecnológicos de carácter geral e importante
para o nosso desenvolvimento económico, em particular os relacionados com os fenómenos
eléctricos, magnéticos e mecânicos.

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6.Visão geral dos conteúdos da 10ª classe

1º Trimestre

Unidade I – Corrente Eléctrica .........................................................................18


 Carga eléctrica
 Corrente eléctrica
 Lei de Ohm
 Lei de Joule-Lenz
 Avaliação e Revisão....................................................................................6

2º Trimestre

Unidade II – Oscilações e Ondas Mecânicas.......................................................11


 Oscilações mecânicas
 Movimento oscilatório de um pêndulo simples
 Onda mecânica

Unidade III – Electromagnetismo..........................................................................10


 Campo magnético
 Lei qualitativa das interacções magnéticas
 Experiência de Oersted

Avaliação e Revisão................................................................................ ...7

3º Trimestre

Unidade IV –Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado................................12


 Equações do Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado
 Gráficos do Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado

Avaliação e Revisão............................................................................................. 8

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7.Plano Temático

1º Trimestre
Unidade I: Corrente Eléctrica
Objectivos Conteúdos Competências Carga
Horária
 Identificar a presença de cargas  Carga eléctrica  Identifica parâmetros
eléctricas através de um pêndulo  O pêndulo eléctrico relevantes na avaliação dos
eléctrico ou electroscópio e o electroscópio fenómenos electrostáticos no
 Identificar o tipo de carga eléctrica  Lei qualitativa das dia a dia
que os corpos adquirem em cada interacções  Usa a lei qualitativa das
processo de electrização; eléctricas interacções eléctricas para
 Identificar o tipo de interacção que  Noção de Campo explicar fenómenos eléctricos,
ocorre entre corpos electricamente eléctrico. no dia a dia e em outros
carregados contextos relevantes para a 24
vida.
 Explicar a existência da corrente  Corrente eléctrica  Aplica conhecimentos
eléctrica Contínua e tecnológicos associados a
 Distinguir a corrente contínua Alternada e sua corrente eléctrica em
da alternada detecção contextos relevantes para a
 Explicar a função das fontes de  Características da vida
corrente eléctrica corrente alternada  Identifica existência de
 Fontes de corrente eléctrica continua ou
corrente/de tensão alternada em situações reais.
 Distinguir intensidade da  Intensidade da  Interpreta o conceito de
corrente da tensão eléctrica corrente eléctrica intensidade de corrente e
 Aplicar a definição da  Unidade da tensão eléctrica no
intensidade da corrente eléctrica Intensidade da contexto tecnológico
na resolução de exercícios corrente eléctrica  Interpreta os valores
concretos  Tensão eléctrica nominais de intensidade da
corrente e da tensão em
aparelhos eléctricos
 Identificar os elementos de um  Noção de circuito de  Explica a constituição de
circuito eléctrico. corrente eléctrica. circuitos eléctricos
 Representar esquematicamente  Identifica parâmetros
um circuito eléctrico. relevantes na avaliação de
circuitos eléctricos;

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 Explicar a causa da resistência  Noção de resistência  Usa o conceito de
eléctrica de um condutor. eléctrica de um Resistência eléctrica na
condutor analise de aparelhos
 Unidade da eléctricos.
resistência eléctrica
 Mencionar os factores de que  Factores de que  Identifica parâmetros
depende a resistência de um depende a relevantes na avaliação
condutor. resistência eléctrica dos condutores eléctricos
 Distinguir os condutores em de um condutor no contexto tecnológico.
função da resistência eléctrica
 Explicar a dependência da  Lei de Ohm  Interpreta a relação
resistência eléctrica da  Gráfico da funcional entre grandezas
intensidade e da tensão intensidade da Intensidade da corrente e
eléctrica corrente eléctrica Resistência eléctrica nos
 Interpretar o gráfico da em função da tensão aparelhos e equipamentos
intensidade da corrente eléctrica  Exercícios de eléctricos
que atravessa um condutor em aplicação  Interpreta códigos
função da tensão. presentes nos aparelhos e
 Aplicar a lei de Ohm na equipamentos eléctricos.
resolução de exercícios
concretos.
 Analisar qualitativamente as  Associação de  Explica as diferentes
características dos circuitos resistências formas de ligação dos
eléctricos; eléctricas em série e elementos consumidores
 Explicar a característica da em paralelo nos circuitos eléctricos.
Intensidade de corrente e da  Aparelhos de  Usa conceitos de
resistência eléctrica nos medição: associação em série e
circuitos eléctricos. voltímetro e o associação em paralelo
 Inserir o voltímetro e o amperímetro.. para intervir na resolução
amperímetro num circuito de situações-problema do
eléctrico. quotidiano

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 Determinar a resistência total  Exercícios de  Usa conceitos de
ou equivalente de uma Aplicação associação em série e
associação de resistências em associação em paralelo
série. para explicar os diferentes
 Determinar a resistência total tipos circuitos eléctricos;
ou equivalente de uma  Relacciona resistência
associação de resistência em eléctrica, tensão e
paralelo. intensidade da corrente
para explicar como
funcionam os circuitos
eléctricos no contexto
tecnológico.
 Aplicar a definição da potência  Noção de potência  Usa o conceito de potencia
eléctrica na resolução de eléctrica. eléctrica para explicar o
exercícios concretos;  Unidade da Potencia consumo de energia em
 Explica o funcionamento de eléctrica aparelhos electrónicos no
alguns aparelhos  Lei de Joule-Lenz. quotidiano
electrodomésticos com a sua  Aplica a lei de Joule-Lenz
potencia eléctrica para avaliar o consumo de
 Aplicar a lei de Joule-lenz na energia em aparelhos
resolução de exercícios domésticos e industriais
concretos

Sugestões Metodológicas

A partir de experiências simples e fazendo referência à estrutura do átomo, o professor introduz o conceito de electricidade e de
carga eléctrica. O professor poderá estabelecer a ligação com a disciplina de Química especialmente na formação de iões
positivos e negativos, para explicar de que depende o estado de electrização de um corpo e daí estabelecer a relação Q = n . e.
A Lei Qualitativa das interacções eléctricas poderá ser discutida a partir de experiências simples, sobre pêndulo eléctrico e
electroscópio de folhas, que os alunos vão realizar.
O conceito de campo eléctrico vai ser abordado unicamente como uma região do espaço onde se manifestam forças eléctricas
(fazer analogia com outros tipos de campo; campo de futebol, etc.)
É importante explicar que a condição fundamental para o movimento das cargas (corrente eléctrica), é a diferença de potencial
entre dois pontos e que o sentido da corrente eléctrica usado é o convencional, porque as cargas positivas não se movem.
A noção de circuito eléctrico pode ser introduzida com base na própria palavra “Circuito” no dia a dia. Partindo de diferentes
diagramas que o professor apresenta os alunos vão explicar o significado de um circuito eléctrico, seus elementos e
instrumentos de medição.

15
O professor faz menção das classes dos instrumentos de medição (analógicos e digitais) bem como a sua colocação no circuito
eléctrico.
Para uma melhor retenção da lei de Ohm, os alunos vão resolver alguns exercícios de cálculo mental. Os alunos devem resolver
também alguns exercícios usando a relação R=U/I, fazer interpretação gráfica e de tabelas.
Com base em exemplos da vida diária os alunos vão identificar os factores de que depende a resistência eléctrica de um
condutor, estabelecendo a relação de proporcionalidade entre grandezas envolvidas. Fazendo preenchimento de tabelas os
alunos vão exercitar a relação de dependência da resistência em relação ao comprimento e a área transversal do condutor.
Partindo das condições que se impõem às grandezas I e U em cada associação os alunos vão estabelecer a diferença entre a
associação em série e em paralelo. Em grupos, os alunos realizam experiências para verificar o comportamento das grandezas
que caracterizam a associação em série e a associação em paralelo, nomeadamente: U  U 1  U 2  U 3 na associação em serie, (
I  I1  I 2  I 3 ) na associação em paralelo. Para determinar a resistência equivalente recorremos a lei de Ohm onde
1 1 1 1
R  R1  R2  R3 + ... + Rn, para associação serie, e    , para a associação em paralelo. Mais do que o calculo os
R R1 R2 R3
alunos deverão comprovar as características de U e I através da montagem de circuitos eléctricos com cada tipo de associação.
A Lei de Joule deve ser enunciada após a definição de potência eléctrica (P=U. I). Por isso, pode-se primeiro deduzir a
expressão P=R.I2, para depois se enunciar a Lei de Joule. A aplicação da Lei de Joule na técnica e no quotidiano poderá ser
evidenciada ligando ao funcionamento de aparelhos electrodomésticos ( por exemplo, ferros eléctricos, fogões eléctricos,
lâmpadas de iluminação, etc).
A importância da energia eléctrica no desenvolvimento social e económico do país poderá ser evidenciada ao abordar a lei de
Joule-Lenz. O professor poderá criar um momento de debate para os alunos reflectirem sobre a importância de electrificação
das zonas rurais através da rede nacional de energia eléctrica e do papel das barragens (por exemplo, barragem de Cahora
Bassa) como fonte de riqueza para os Moçambicanos. Os alunos vão reflectir sobre os gastos monetários referentes ao
consumo da energia eléctrica.

Experiências recomendadas
As experiências aqui recomendadas são para a comprovação de fenómenos e verificação de leis. Assim sugere-se que sejam
executadas pelos alunos, trabalhando em grupos.

 Verificação experimental das leis qualitativas das interacções eléctricas (Electroscópio de folhas, Borboleta electrizada)
 Pêndulo eléctrico.
 O electroscópio.
 Borboleta electrizada
 Montagem de um circuito eléctrico simples
 Pilha de limão
 Pilha de solução salina
 Lei de Ohm.
 Verificação do comportamento da U e I numa associação de resistências em série e em paralelo.

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 Analise da dependência da resistência eléctrica do comprimento, secção e natureza do material.

Indicadores de desempenho
 Analisa os fenómenos eléctricos com o auxílio do modelo da “Carga Eléctrica”.
 Avalia a existência da corrente eléctrica em situações reais;
 Relaciona o sentido da corrente eléctrica com o do movimento de cargas;
 Identifica grandezas relevantes na caracterização da corrente eléctrica;
 Monta e analisa circuitos eléctricos simples;
 Usa instrumentos de medição para analisar U e I nos circuitos eléctricos;
 Distingue associação em série e associação em paralelo;
 Interpreta circuitos eléctricos domésticos ou em outros ambientes, considerando dados sobre intensidade, tensão,
resistência e potencia eléctrica;
 Elabora relatórios de experiências, descrevendo materiais, procedimentos e conclusões;
 Discute com colegas os resultados das experiências realizadas respeitando as opiniões e críticas feitas ao seu trabalho;
 Representa graficamente a relação funcional entre a intensidade e a tensão da corrente eléctrica;
 Interpreta os valores nominais da tensão e da potencia dos aparelhos eléctricos;
 Avalia a potência e o consumo de energia em aparelhos electrodomésticos e industriais;
 Explica a importância social e económica da produção e consumo de energia eléctrica;

17
2º Trimestre
Unidade II: Oscilações e Ondas mecânicas
Objectivos Conteúdos Competências Carga
horária
 Dar exemplos de movimento  Noção de oscilação.  Usa conceito de
oscilatório.  Grandezas que caracterizam as oscilação para
 Caracterizar o movimento oscilatório oscilações mecânicas (elongação, explicar contextos da
 Identificar as grandezas período, amplitude e frequência). vida real
fundamentais que caracterizam o  Identifica as
movimento oscilatório características das
oscilações mecânicas
no contexto cientifico
e tecnológico 11
 Explicar a relação de  Dependência do período das  Aplica a relação
proporcionalidade entre o período oscilações de um pêndulo do funcional entre
e o comprimento de um pêndulo comprimento. grandezas físicas na
simples  Dependência do período das caracterização do
 Explicar a relação de oscilações de um pêndulo de mola movimento oscilatório
proporcionalidade entre o período da massa. no quotidiano
e a massa da um oscilador de
mola
 Explicar o conceito de onda  Noção de onda mecânica.  Usa conceito de onda
mecânica.  Grandezas físicas que caracterizam mecânica para
 Caracterizar o movimento uma onda mecânica (amplitude, explicar contextos da
ondulatório frequência, período, comprimento realidade quotidiana
de onda).  Identifica as
características
fundamentais das
ondas mecânicas no
contexto cientifico e
tecnológico
 Explicar fenómenos  Dependência da velocidade de  Aplica a relação
relacionados com ondas propagação da onda da frequência funcional entre
mecânicas com base na e do comprimento de onda. grandezas físicas que
dependência da velocidade de caracterizam o
propagação destas da movimento
frequência e do comprimento ondulatório para
de onda. intervir em situações-
problema do
quotidiano
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Objectivos Conteúdos Competências Carga
horária
 Distinguir oscilação mecânica  Exercícios de aplicação  Estabelece diferenças
de onda mecânica entre oscilação e onda
para explicar dados
relacionados a
contextos do
quotidiano

Sugestões metodológicas
Com o estudo das oscilações e ondas mecânicas se aprofundam os conceitos aprendidos na mecânica, tais como o movimento e
a energia.
Os alunos apresentam vários exemplos do quotidiano e a partir deles o professor introduz a definição de oscilação mecânica.
Com base em experiências simples com um pêndulo matemático o professor poderá mostrar as grandezas amplitude,
elongação e medir o período. Para introduzir o conceito de frequência e a sua relação com o período vai-se usar a fórmula, T=
t/n.
Com a experiência dos pêndulos acoplados, o professor pode elucidar, de forma simples, a Lei de Conservação de Energia
Mecânica. A partir da experiência do pêndulo simples os alunos vão deduzir a dependência do período em função do
comprimento e da massa.
Com o auxílio de uma corda os alunos vão produzir ondas mecânicas e identificar as suas características (amplitude e
transversalidade). Os alunos poderão colectar um maior número de exemplos de ondas mecânicas.
Numa tabela os alunos sistematizam as grandezas relevantes na caracterização da oscilação e da onda mecânica.
É importante o professor explicar que a onda é a propagação das oscilações.

Experiências recomendadas
As experiências aqui recomendadas são para a comprovação de fenómenos e verificação de leis e estudadas. Assim sugere-se
que sejam executadas pelos alunos, trabalhando em grupos.
 Pêndulo gravítico e elástico;
 Oscilação de pêndulos acoplados
 Produção de ondas mecânicas.

Indicadores de desempenho
 Distingue oscilação e onda mecânica;
 Relaciona as grandezas físicas que caracterizam a oscilação e a onda mecânica;
 Descreve as formas e transformações de energia que ocorrem nos movimentos periódicos (Oscilatório e Ondulatório)
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 Identifica movimentos oscilatórios que ocorrem em contextos do dia a dia;
 Identifica movimentos ondulatórios que ocorrem em contextos do dia a dia;
 Calcula a frequência de uma oscilação e de uma onda;
 Calcula a velocidade de propagação de uma onda mecânica;
 Analisa qualitativamente dados quantitativos relacionados a movimentos oscilatórios e ondulatórios em situações reais
 Elabora relatórios de experiências, descrevendo materiais, procedimentos e conclusões;
 Discute com colegas os resultados das experiências realizadas respeitando as opiniões e críticas feitas ao trabalho;

20
Unidade III: Electromagnetismo
Objectivos Conteúdos Competências Carga
horária
 Identificar a presença  Campo magnético.  Explica a existência do campo magnético
de um campo nos diferentes contextos científicos-
magnético. tecnológico
 Explicar as interacções  Lei Qualitativa das  Usa a lei das Interacções magnéticas para
magnéticas; Interacções intervir na resolução de situações- 10
 Aplicar a Lei Qualitativa Magnéticas. problemas da técnica.
das Interacções  Pólos magnéticos de  Usa a relação entre os campos
Magnéticas na resolução um íman gravitacional, eléctrico e magnético para
de exercícios concretos.  Exercícios de explicar fenómenos naturais
aplicação

 Explicar a utilização da  A bússola e o campo  Explica a aplicação da bússola na


bússola para orientação magnético terrestre navegação aérea, marítima e terrestre
geográfica;  Usa a bússola para determinar a
orientação geográfica de um dado lugar
 Explicar o  Experiência de  Usa os resultados da experiência de
funcionamento do Oersted. Oersted para intervir na resolução de
electroíman.  O electroíman. situações-problema no quotidiano
 Identificar aplicações do  Aplica o conceito de electroíman para
electroíman explicar funcionamento de aparelhos
tecnológicos.

Sugestões metodológicas
Utilizando exemplos concretos que os alunos vão apresentar sobre acção de ímans e outros corpos com propriedades
magnéticas, o professor começa por fazer uma introdução histórica do fenómeno do magnetismo.

Utilizando o íman ou objectos semelhantes os alunos vão realizar experiências simples, como aproximar o íman de pedaços de
ferro, de madeira, etc. Com base nos resultados das experiências realizadas pelos alunos o professor apresenta a Lei
Qualitativa das interacções magnéticas.
A bússola será apresentada como um instrumento que auxilia na orientação geográfica, cujo funcionamento se deve a acção do
campo magnético terrestre.

21
A experiência de Oersted constitui um marco de viragem no estudo dos fenómenos físicos, bem como da ciência e da
tecnologia, pois dela se derivaram muitas outras descobertas. Recorrendo a materiais de baixo custo os alunos vão realizar a
experiência de Oersted, fazem anotações dos factos observados para de seguida apresentarem uma conclusão sobre a criação
do campo magnético pela corrente eléctrica.

Os alunos vão montar um simples electroíman, para verificar que as propriedades magnéticas não são somente dos imanes
permanentes.

Experiências recomendadas

As experiências aqui recomendadas são para a comprovação de fenómenos e verificação de leis estudadas. Assim sugere-se
que sejam executadas pelos alunos, trabalhando em grupos.

 Demonstração da existência do Campo magnético e linhas de força (por exemplo: colocar nas proximidades de
um íman alguns pregos ou pedaços de ferro observa-se que os pregos são atraídos pelo íman e à medida que se vai
afastando os pregos do íman deixa de se manifestar atracção; colocar por cima de um íman uma folha de papel e de
seguida espalhar sobre a folha de papel limalhas de ferro, observa-se que as limalhas formam uma configuração
curvilínea, o que indica a orientação das linhas de força do campo magnético criado pelo íman).

 Experiência de Oersted;

 O Electroíman (por exemplo, enrolar um prego por fio condutor e ligar o fio aos terminais de uma pilha, de seguida
aproximar pedaços de ferro, observa-se que os pedaços de ferro são atraídos pelo prego enrolado no fio condutor. Isto
mostra que as propriedades magnéticas não são somente dos imanes permanentes).

Indicadores de desempenho

 Identifica parâmetros relevantes para avaliar presença do campo magnético em situações do quotidiano;

 Identifica as tecnologias associadas ao electromagnetismo em diferentes contextos da vida social

 Relaciona campo gravitacional, eléctrico e magnético na explicação dos fenómenos electromagnéticos;

 Reconhece a importância do electromagnetismo no desenvolvimento tecnológico;


22
 Interpreta resultados de experiências cientificas e tecnológicas relacionadas ao electromagnetismo;

 Aplica as leis interacções magnéticas para explicar funcionamento de aparelhos electrónicos;

 Reconhece a natureza electromagnética dos fenómenos científicos-tecnologicos no mundo contemporâneo


 Elabora relatórios de experiências, descrevendo materiais, procedimentos e conclusões;
 Discute com colegas os resultados das experiências realizadas respeitando as opiniões e críticas feitas ao trabalho

23
3º Trimestre
Unidade IV: Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado
Objectivos Conteúdos Competências Carga
horária
 Caracterizar o Movimento  Movimento Rectilíneo  Usa leis do Movimento
Rectilíneo Uniformemente Uniformemente Variado Rectilíneo Uniformemente
Variado  Leis do Movimento Variado para intervir na
 Explicar as leis do Movimento Rectilíneo Uniformemente resolução de situações –
Rectilíneo Uniformemente Variado problema do dia a dia
Variado 12
 Identificar as equações do  Equações do Movimento  Aplica equações do
Movimento Rectilíneo Rectilíneo Uniformemente Movimento Rectilíneo
Uniformemente Variado Variado Uniformemente variado
para caracterizar
movimentos em situações
do quotidiano
 Aplica as equações do
Movimento Rectilíneo
Uniformemente Variado
em diferentes contextos
relevantes para a sua vida
pessoal
 Construir gráficos do Movimento  Gráficos do Movimento  Utiliza gráficos para
Rectilíneo Uniformemente Rectilíneo Uniformemente descrever movimentos do
Variado Vaiado dia a dia
 Interpretar gráficos do
Movimento Rectilíneo
Uniformemente Variado
 Aplicar as equações do  Exercícios de aplicação  Usa as leis e equações do
Movimento Rectilíneo Movimento Rectilíneo
Uniformemente Variado na Uniformemente Variado
resolução de exercícios para explicar os
concretos. movimentos do dia a dia;
 Representar graficamente o  Usa gráfico para descrever
Movimento rectilíneo movimentos do dia a dia e
uniformemente Variado para explicar situações-
problema do dia a dia

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Sugestões metodológicas
O professor poderá partir de exemplos do quotidiano para abordar o Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado. Nessa
abordagem o professor faz uma breve revisão dos movimentos estudados para estabelecer uma relação com o movimento
agora a ser estudado.

Partindo de vários exemplos de movimentos observados os alunos vão identificar algumas características do Movimento
Rectilíneo Uniformemente Variado.
Na interpretação dos conceitos de velocidade e aceleração do movimento é importante estabelecer comparação com a
linguagem corrente.
Os alunos deverão fazer a discrição do movimento nas três formas, nomeadamente, através de equações, tabelas e gráficos.
Partindo da analise das grandezas que caracterizam o Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado, vai-se introduzir as
equações do movimento e as respectivas leis.
Na utilização das equações a linguagem matemática deve estar vinculada ao seu significado físico. Os alunos deverão justificar
com algum detalhe o processo utilizado na resolução dos exercícios e explicar significado do resultado obtido.

Indicadores de desempenho
 Identifica os movimentos presentes no dia a dia segundo suas características (trajectória, velocidade e aceleração);
 Identifica as grandezas relevantes para avaliação do movimento de um corpo;
 Analisa qualitativamente dados quantitativos relacionados a movimentos do dia a dia;
 Descreve deslocamentos e representa velocidade e aceleração em diferentes linguagens e formas de representação
 Representa graficamente a relação funcional das grandezas que caracterizam o Movimento Rectilíneo Uniformemente
Variado;
 Utiliza as leis do Movimento Rectilíneo Uniformemente Variado para interpretar e para avaliar movimentos de veículos,
corpos celestes e outros objectos;
 Descreve e compara características físicas de movimentos de carros, corpos celestes e outros objectos;
 Discute com colegas dados sobre observações feitas respeitando as opiniões apresentadas e assume de forma
responsável comentários feitos as suas ideias durante a discussão.

25
Estratégias para tornar o programa mais relevante.
A seguir são apresentadas algumas propostas de estratégias que o professor poderá fazer uso, durante
o processo de ensino-aprendizagem, para tornar a implementação do programa mais relevante.
 Construir modelos a partir da necessidade explicativa dos fatos;
 Abordar as leis e princípios físicos a partir dos elementos próximos, práticos e da vida diária;
 Promover um conhecimento contextualizado e integrado à vida dos alunos;
 Estimular a observação, classificação e organização dos factos e fenómenos observados no
quotidiano segundo os aspectos físicos;
 Promover realização de experiências simples para explicação dos fenómenos;
 Promover realização de visitas de estudos.
 Estimular o acompanhamento de notícias científicas,

27
Avaliação

A avaliação é uma tarefa didáctica necessária, contínua e sistemática do trabalho do professor, em


todo o processo de ensino e aprendizagem na escola.
É através desta que se pode acompanhar passo a passo o domínio das matérias pelos educandos e
obter resultados que vão surgindo no decorrer do trabalho interactivo professor -aluno e vice-versa.
Avaliação é uma tarefa muito complexa que não pode ser entendida e nem resumida simplesmente
com provas e atribuição da nota ao aluno.
A Avaliação deve ser orientada para o ensino centrado no aluno e deve ser uma componente essencial
e sistemática, tendo como finalidade avaliar o grau de assimilação da matéria pelos alunos através de
perguntas orais, realização de experiências, testes escritos (sistemáticos ou finais).
A avaliação deve ser realizada de forma tal que evite estimular o estudo memorizado, deve-se
estimular conhecimentos sistemáticos, essenciais, transcendentes bem como desenvolvimento de
competências. Para desenvolver competências é preciso propor tarefas e desafios que incitem os
alunos a mobilizar seus conhecimentos, habilidades e valores. A realização de projectos deve ser uma
das formas para avaliação dos alunos.
Recomenda-se que a ênfase da avaliação seja sobre os indicadores de desempenho definidos ao longo
programa, tendo mais em conta os aspectos qualitativos e fenomenológicos do que os aspectos
quantitativos.

Quando se realizam avaliações deve-se garantir que os alunos estejam conscientes da validade da
classificação obtida.

28
Bibliografia

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29