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Faculdade Pitágoras de Ipatinga Campus Horto Direito Civil (Contratos) 4. FORMAÇÃO DOS CONTRATOS. 4.1. Negociações

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4. FORMAÇÃO DOS CONTRATOS.

4.1. Negociações preliminares e formação dos contratos. 4.2. A oferta e sua vinculação. 4.3. Tempo e lugar da celebração do contrato.

Como visto, contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial (DINIZ, 2010, p. 12). Pelo conceito de contrato, observa-se que o elemento básico para sua constituição é o consentimento. Inexistindo forma especial prevista em Lei, o contrato pode ser celebrado por escrito, seja por escritura pública ou instrumento particular, ou mesmo verbal e tacitamente, pois não exigindo a legislação que a manifestação de vontade seja expressa, pode ela ser apenas tácita. Para o estudo do presente capítulo, é importante não perder de vista as seguintes terminologias:

Proponente ou policitante;

Proposta, que também é denominada de oferta ou policitação;

Aceitação; e,

Oblato, conhecido também como destinatário da proposta ou

aceitante. Em todas as espécies contratuais, até mesmo nos de execução imediata, sejam eles instantâneos ou diferidos, é possível verificar-se a proposta e aceite. A contratação, até sua conclusão efetiva, divide-se em três fases perfeitamente destacadas: a) negociações preliminares; b) proposta; e, c) aceitação. Nesse passo, é importante diferenciar a formação dos contratos entre presentes e entre ausentes. Contrato entre presentes é aquele em que os contratantes, pessoalmente ou por procurador, manifestam suas vontades no momento da proposta, ainda que através de telefone ou outro meio semelhante (art. 428, I do Código Civil). Já o contrato entre ausentes é o celebrado através de instrumentos que auxiliam na manifestação de vontade, como cartas, telegramas, fax, mensageiro ou outros meios semelhantes.

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Faculdade Pitágoras de Ipatinga Campus Horto Direito Civil (Contratos) 4.1. Negociações preliminares e formação dos

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4.1. Negociações preliminares e formação dos contratos.

Em grande parte dos contratos, as negociações sobre seu objeto não avançam abruptamente, bastando que uma parte proponha a celebração de ajuste à outra que prontamente a aceita. A celebração dos contratos, mesmo aqueles de execução imediata ou de adesão, é precedida de tratativas preliminares que servem para a reflexão das partes sobre a melhor oferta, até que se chegue a uma conclusão efetiva sobre o negócio. Essa fase pré-contratual não cria direitos nem obrigações para as partes, visto que ela é caracterizada apenas pela troca de informações, entendimentos prévios, debates e as bases de um futuro contrato, cujas negociações não são dotadas de força vinculante ou geram responsabilidade civil. Mesmo quando as partes passam das meras tratativas preliminares à elaboração de uma minuta, transcrevendo alguns pontos que poderão ser objeto do futuro contrato, não se pode dizer que há vínculo jurídico contratual efetivo entre as partes, que somente surgirá quando as vontades convergirem sobre todos os pontos e quanto ao objeto do contrato. Apesar disso, em alguns casos é possível verificar-se a ocorrência de responsabilidade civil na fase de negociações preliminares, não por conta de culpa contratual, pois ainda não há contrato, mas na hipótese de responsabilidade extracontratual (ou aquiliana). Essa hipótese observa-se quando uma das partes cria expectativa na outra em relação à concretização do negócio, levando-o a ter dispêndios diversos para a realização do contrato, desistir de outras negociações, etc., em violação à cláusula geral da boa-fé objetiva, que deve nortear a prática contratual, gerando a obrigação daquele que causa prejuízo a ressarcir os danos que causar. Incidem nesses casos as normas que regulam a responsabilidade extracontratual (art. 186 e 927 do Código Civil), sendo necessária a demonstração de dolo, negligência ou imprudência pela parte que causa o prejuízo, o que culminará na indenização por perdas e danos, mas não na imposição de celebrar ou cumprir o futuro contrato. Aqui é importante destacar sobre a existência da figura do contrato preliminar, previsto no art. 462 e seguintes do Código Civil, o qual consiste em

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Faculdade Pitágoras de Ipatinga Campus Horto Direito Civil (Contratos) verdadeira promessa de contratar, criando

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verdadeira promessa de contratar, criando direitos e deveres para as partes. Essa espécie não se confunde nem se enquadra no conceito de negociações preliminares, pois se trata de um verdadeiro contrato preparatório que produz efeitos no mundo material e gera o direito às partes de celebrarem o contrato definitivo.

4.2. A oferta (proposta) e sua vinculação.

As negociações preliminares não se confundem com a apresentação de proposta efetiva de contratação por uma das partes. A oferta consiste na manifestação definitiva de vontade de uma das partes no sentido de querer contratar com a outra, de acordo com as bases apresentadas. A proposta é o elemento inicial para a formação do contrato, estando sujeita apenas à aceitação para seu aperfeiçoamento, produzindo efeitos jurídicos enquanto

o proponente dela não se retratar, sendo obrigatória e vinculativa até o momento

previsto em Lei ou até quando o destinatário disser se a aceita ou não. É interessante anotar que uma aceitação em que se sugerem modificações consiste em nova proposta ou, como preferem alguns, contraproposta. São características, portanto, da proposta contratual: a) trata-se de declaração unilateral de vontade do proponente, que expressa sua manifestação em querer contratar com o destinatário da proposta; b) tem caráter vinculante em

relação ao proponente, que responde por perdas e danos se retirar injusticadamente

a oferta; c) é um negócio jurídico receptício, pois depende apenas da manifestação

do oblato para sua concretização; d) é necessário que contenha todos os elementos para a contratação; e) é elemento inicial do contrato. Regra geral, a proposta contratual obriga o policitante, consistindo ela no ônus de este mantê-la por certo tempo desde que formulada, não lhe sendo dado revogá-la. A obrigatoriedade da proposta, no entanto, não se trata de regra absoluta, comportando as exceções previstas no art. 427, segunda parte e art. 428 do Código Civil, residindo aqui a importância nos conceitos de contratos entre presentes e entre ausentes. Assim, uma vez havendo manifestação da outra parte no sentido de aceitar

a proposta, teremos a complementação da policitação, culminando no desfecho da formação do contrato.

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Faculdade Pitágoras de Ipatinga Campus Horto Direito Civil (Contratos) De acordo com Caio Mário da

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De acordo com Caio Mário da Silva Pereira são requisitos básicos da aceitação: a) não é necessário obedecer à forma do contrato; b) deve ser oportuna, pois a oferta só tem força vinculante quando respondida tempestivamente; c) a aceitação deve corresponder exatamente aos termos da oferta; d) a aceitação há de ser manifestada quanto a adesão integral à oferta, pois se for aceita em parte ou mediante condições, consistirá em nova proposta.

4.3. Tempo e lugar da celebração do contrato.

A questão referente ao momento da conclusão do contrato é relevante para a verificação da possibilidade de retratação pelos contratantes, de modo que podem elas ser obrigadas a executar o ajuste, sob pena de responderem por perdas e danos.

No que diz respeito aos contratos entre presentes, não há dificuldades para a aferição do momento da conclusão do contrato, pois nesse caso a avença se aperfeiçoa com a aceitação da proposta pelo oblato, ou seja, ao tempo em que as vontades de uma e outra convergirem-se. A questão apresenta-se complexa quando o assunto são os contratos entre ausentes, pois, pela ausência do oblato, não se pode precisar necessariamente o intervalo de tempo entre a aceitação e o conhecimento da manifestação do oblato pelo proponente. Para dirimir a controvérsia, que é de grande importância para a aferição, por exemplo, da capacidade das partes quando da contratação, foram concebidas duas grandes teorias pela doutrina: teoria da cognição e teoria da agnição. Na teoria da cognição, considera-se aperfeiçoado o contrato quando o policitante (proponente) tem conhecimento da aceitação do oblato (destinatário da proposta). Já na teoria da agnição, ou teoria da declaração, o contrato é considerado formado quando o oblato aceita a proposta do policitante. No tocante ao lugar da celebração do contrato, tem-se que, de acordo com o art. 435 do Código Civil, o negócio jurídico contratual reputa-se celebrado no lugar em que foi proposto, isto é, no local em que se deu a oferta.

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Faculdade Pitágoras de Ipatinga Campus Horto Direito Civil (Contratos) O local da contratação é questão

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O local da contratação é questão de extrema relevância, visto que a partir dele é que se determinará o foro competente para solucionar eventuais controvérsias decorrentes do contrato e estabelecer-se-á a legislação aplicável à espécie.

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