Você está na página 1de 4

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Escola de Ciências Humanas e Sociais


1º ano no Mestrado em Psicologia Clínica
Avaliação e Intervenção Clínica em Psicologia da Saúde
Docente: Professora Doutora Sónia Remondes-Costa

Ficha de Leitura
Discentes: Mara Gomes (60359), Cátia Teixeira (57726), Daniela Martins (59059),
Sandra Assunção (60177), Solange Azevedo (18717) (Grupo II)
Ficha Técnica
Título do Capítulo Promoção da Saúde Psicossocial na Diabetes Tipo 2

Título do livro Promoção da Saúde Psicossocial na Doença: Aspetos


Teóricos e Intervenção
Autora Maria da Graça Pereira
Editora PsicoSoma
Ano da publicação 2011
ISBN 9789728994211
Cota (nº de páginas) 66 páginas (345-410)
Datas de leitura 14 de abril a de 18 abril
Maria da Graça Pereira
Professora Associada de Psicologia na Universidade do Minho.
Realizou o Mestrado na área da Terapia de Casal, na Montana State
Notas de autor University, e a dissertação de Doutoramento em Medicina Familiar
Sistémica e a Prática da Terapia Familiar Médica, na Florida State
University. É psicotraumatologista e as suas áreas de investigação
assentam na Família, Saúde e Doença ao nível da doença crónica e
da promoção da saúde bem como na área do Stress Traumático.

Resumo
A diabetes é uma doença que necessita de autovigilância diária realizada através
da auto monotorização dos níveis de glicemia capilar, por uma alimentação saudável,
prática de exercício físico e cuidados com os pés, bem como, pela adesão à medicação.
A incidência da diabetes tem aumentado na população mundial, sendo uma das
principais causas de morbilidade e mortalidade. Em Portugal, a diabetes tipo 2 é a mais
prevalente.
A diabetes é uma doença crónica que poderá ter origem numa deficiência
genética ou ser adquirida na produção de insulina ou pela ineficácia desta, resultando
num aumento de glicemia. Independentemente da sua origem, apresenta uma progressão

1
por estádios clínicos, podendo haver necessidade de injeção de insulina para a
sobrevivência do indivíduo.
O surgimento dos sintomas associados à diabetes é lento, sendo o diagnóstico da
patologia tardio e realizado apenas quando surge uma das complicações da diabetes ou
em análises de rotinas. Alguns fatores identificados para o surgimento desta patologia
são, o estilo de vida sedentário, a par com a obesidade e ausência de exercício físico.
O objetivo do tratamento é manter os níveis de glicemia no sangue dentro do
intervalo normal, prevenindo as complicações associadas a esta patologia. A
intervenção varia de acordo com o sujeito e o tipo de diabetes, estando a adesão ao
processo terapêutico dependente da consciencialização do sujeito sobre a doença.
A intervenção mais adequada é o modelo cognitivo-comportamental, por forma
a alterar crenças disfuncionais e pensamentos negativos que prejudicam a adesão ao
tratamento. A diabetes pode ser conceptualizada em cinco dimensões: causa (ideia do
indivíduo sobre a origem da doença); controlo (percepção do indivíduo do controlo do
seu tratamento); tempo (compreensão da duração e progressão da doença);
consequências (consciência da gravidade) e identidade (perceção dos sintomas). Estas
são as representações sobre a doença, que ativam os mecanismos de coping e podem
alterar-se.
Um fator importante no controlo da doença, é o stress, o seu efeito sob o
controlo glicémico pode ocorrer diretamente (efeitos no sistema endócrino) e
indiretamente (alteração comportamental, adesão ao tratamento, consumo tabágico ou
hábitos alcoólicos). Técnicas simples de gestão de stress, têm um efeito significativo no
controlo glicémico a longo prazo, uma vez que o stress influencia a adesão ao regime
terapêutico.
Técnicas de gestão de stress, como o relaxamento, o biofeedback, a modelagem,
a resolução de problemas, o apoio dos pares e o treino de competências sociais são uma
mais valia na manutenção positiva da doença. Baixos níveis de stress propiciam o
desenvolvimento de estratégias de coping eficazes para uma melhor gestão da doença.
Sendo a diabetes uma doença crónica é importante que o diabético se ajuste às
exigências e desafios impostos pela doença, por forma a diminuir as implicações e
problemas associados. É importante que adotem uma visão positiva e aceitem o
diagnóstico da doença.
No que diz respeito, à influência de outras variáveis destaca-se a morbilidade
psicológica e estratégias focadas na resolução de problemas, como a aceitação, o

2
reenquadramento positivo e o refúgio na religião e espiritualidade. Estas estratégias
promovem o coping ativo e o suporte emocional do indivíduo.
Concluindo, a forma como os diabéticos lidam com a doença influencia o
autocuidado e as estratégias de coping ativas/ focadas nos problemas, estas estão
associados a uma melhor gestão e resultados da diabetes.
O processo de adaptação à doença restringe a vida do indivíduo, podendo
quando mal vivenciado constituir um choque/negação inicial seguindo-se as restantes
fases deste processo, tais como, revolta, compromisso/negociação, depressão e por fim
aceitação. É importante ajudar o doente a ver a sua doença como fazendo parte da sua
vida. Padecer de diabetes acarreta sentimentos de ansiedade e depressão, podendo o
doente sentir dificuldades em manter o controlo dos níveis de glicemia ou ter
complicações associadas.
A rede de apoio social do indivíduo é uma variável psicossocial importante na
gestão da doença. Destacamos a família como principal fonte de suporte (quanto maior
for o seu apoio melhor será o seu ajustamento psicológico) e o apoio do cônjuge
(ajustamento marital e elevados níveis de intimidade levam a uma maior adaptação à
doença).
Sintetizando, um bom controlo glicémico e a adesão às recomendações
terapêuticas (regime alimentar e prática de atividade física), propiciam uma melhor
qualidade de vida e bem-estar geral. A ausência deste controlo compromete o
funcionamento físico (desenvolvimento de complicações), estado psicológico
(depressão) e relações sociais (conflito interpessoal).
Em suma, é importante a implementação de programas educacionais e de
intervenções comportamentais dirigidas ao diabético e respetiva família, no sentido de
aumentar o conhecimento sobre a doença e os cuidados necessários a prestar ao
diabético.
O capítulo finaliza com a caracterização de um programa de controlo e da gestão
da diabetes tipo 2.

Análise Crítica
O capítulo apresenta-se bem estruturado, uma vez que os conteúdos são
organizados numa ordem lógica, contudo não foram definidos objetivos.
Um aspeto a ter em conta é que as autoras não tiveram enviesamentos a retratar
o tema, apresentando uma linguagem clara, mas com termos demasiadamente técnicos.

3
É um capítulo sintético e não exaustivo, conseguindo transmitir uma ideia geral
sobre a componente psicossocial da saúde na diabetes tipo 2.
O capítulo levou-nos a refletir sobre os fatores que podem contribuir para o
aparecimento da diabetes, tais como, o estilo de vida sedentário, a obesidade e o stress.
Desta forma percebemos a complexidade do indivíduo com diabetes se adaptar à sua
doença e que o apoio social é fundamental para a gestão da doença e para o aumento da
capacidade de lidar com esta.
É importante referir que as formas de intervenção variam de acordo com o tipo
de diabetes e o sujeito, sendo o conhecimento destas importante para a prática do
psicólogo na intervenção com doentes portadores de diabetes.
Contudo, salientamos que alguma terminologia utilizada neste capítulo ainda
está em conformidade com a atualidade. Relativamente à prevalência, atendendo a
dados de 2015, verifica-se a existência de 13,3% na população em geral, sendo 95%
destes, diabéticos do tipo 2.

Referência bibliográfica
Costa, V., Pedras, S., & Pereira, M. G. (2011). Promoção da saúde psicossocial na
diabetes tipo 2. In M. G. Pereira, Promoção da saúde psicossocial na doença:
Aspectos teóricos e intervenção (pp. 345-410). Viseu: PsicoSoma.

Você também pode gostar