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Mycoplasma synoviae: UM DESAFIO NA

PRODUÇÃO DE OVOS(1)
INTRODUÇÃO
A micoplasmose é um dos principais problemas sanitários que acometem as aves de postura
comercial, sendo o micoplasma um importante agente etiológico envolvido nos quadros de
doenças respiratórias que acometem os plantéis de galinhas poedeiras, nas variadas fases de
produção. Acarreta prejuízos para o setor, não sendo apenas um problema nacional, mas em nível
mundial. É uma das enfermidades inseridas no Programa Nacional de Sanidade Avícola, criado
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 1994, que monitora os plantéis
visando à produção de aves para abastecer o mercado interno e externo.

A DOENÇA
A micoplasmose é uma doença crônica das aves e a alta ocorrência da espécie Mycoplasma
synoviae (Ms) nos plantéis de aves de postura tem sido constatada e comprovada por estudos
realizados. A infecção por Ms pode ter manifestações articulares, que foram amplamente
observadas em frangos de corte e matrizes em períodos anteriores, sendo que, recentemente, a
manifestação mais comum é a ocorrência da forma respiratória, principalmente aerossaculite,
que pode estar associada ou não ao Mycoplasma gallisepticum (Mg) e a outros agentes como
Escherichia coli, fungos e vírus, complicando os quadros clínico e patológico da micoplasmose.

Figura 1: Achado de necropsia comum, aerossaculite. Os sacos aéreos ficam cheios de


exsudato caseoso fibrinoso. (2)

Outra descrição ainda mais atual é o diagnóstico e isolamento de cepas de Ms que apresentam
uma predileção pelo sistema reprodutor, infectando o ovário e oviduto das aves produtoras
causando lesões na casca dos ovos (figura 2). Além dos mecanismos para o desenvolvimento da
doença, o micoplasma pode adquirir a forma latente, com capacidade de localização e
sobrevivência intracelular, vindo a apresentar patogenicidade em momentos de debilitação do
hospedeiro.
Figura 2: Ovos com anormalidade em seu ápice causada pela infecção de Ms no sistema
reprodutor. Fonte: (3)

A doença respiratória pode ocorrer de forma assintomática, ou por manifestações no trato


respiratório superior com sintomas semelhantes aos causados pela infecção por Mg, como
dificuldades respiratórias, fraqueza, retardo no crescimento, elevação na mortalidade e declínio da
produção de ovos. A transmissão de Ms pode ocorrer de forma horizontal, por contato direto com
secreções respiratórias, ou vertical. A disseminação na forma horizontal geralmente é muito rápida
entre as aves de um mesmo galpão, podendo infectar a totalidade das aves em poucas semanas.
O período de incubação é variável, dependendo da virulência da cepa, dos fatores ambientais e de
manejo das aves.

DIAGNÓSTICO E CONTROLE
No monitoramento sanitário dos plantéis, testes sorológicos são realizados periodicamente. A
soroaglutinação rápida para Mg e Ms, inibição da hemaglutinação e o teste de ELISA são os
mais utilizados. No entanto, os testes sorológicos são incapazes de diferenciar as cepas vacinais
dos isolados virulentos de campo. Além disso, podem ocorrer reações cruzadas nos testes de
soroaglutinação rápida, dificultando a interpretação laboratorial. É visto que aves infectadas com
Ms podem não produzir resposta imunológica intensa.

Figura 3: Coleta de amostra de sangue em ave. Fonte: (4)

Em decorrência da gravidade da doença, com consequentes perdas econômicas, os produtores do


setor avícola exercem intensos esforços para o controle e erradicação da micoplasmose. Medidas
adequadas de manejo e desinfecção, terapia com antibióticos e vacinações com cepas vacinais
atenuadas ou inativadas são aplicadas para minimizar os efeitos adversos da doença.
O tratamento de aves com antimicrobianos, apesar de diminuir o índice de manifestações clínicas e
também a taxa de transmissão transovariana, não erradica o Ms do plantel, sendo um
procedimento recomendado para poedeiras e frangos de corte. As terapias com drogas
antimicrobianas, que se acumulam em altas concentrações nas membranas mucosas do trato
respiratório, como tiamulina e enrofloxacina, podem prejudicar o diagnóstico etiológico das
micoplasmoses aviárias por inibir ou reduzir a resposta imune e por indisponibilizar o Ms do
trato respiratório superior, dificultando também o isolamento do agente. Quando o tratamento é
suspenso, geralmente algum tempo após, pode ocorrer a reversão do quadro. O declínio ou
ausência da reação sorológica e da taxa de isolamento pode ser devido à localização intracelular
do micoplasma, por pressão de agentes antimicrobianos, onde não há reconhecimento do sistema
imunológico do hospedeiro.

Em granjas de poedeiras comerciais com sistemas de produção de idades múltiplas, torna-se mais
difícil o controle da infecção sendo que as aves infectadas cronicamente transmitem o Ms para as
aves mais jovens, que são muito susceptíveis. A aquisição de aves de reposição livres da infecção
e medidas de biossegurança são fatores fundamentais para o controle, sendo importante ressaltar
que, apesar do micoplasma ser bastante sensível aos desinfetantes de uso comum, em locais mal
ou não desinfectados ele pode permanecer viável por vários dias.

Bibliografia

1. Buim, Marcos Roberto. Mycoplasma synoviae: um desafio na produção de ovos . Instituto


Biológico - Governo do Estado de São Paulo. [Online] 10 de Janeiro de 2011. [Citado em: 27 de
Maio de 2014.] http://www.biologico.sp.gov.br/artigos_ok.php?id_artigo=151.
2. Dinev, Ivan. Diseases of Poultry. The Poultry Site. [Online] 2000-2014. [Citado em: 31 de Maio
de 2014.] http://www.thepoultrysite.com/publications/6/diseases-of-poultry/183/mycoplasma.
3. Bruch, David G. S. Review ot the Activity of Antibiotics against Mycoplasma spp and their Use in
Prevention of Vertical Transmission in Breeder Layers. Octagon Services. [Online] 6 de Outubro de
2009. [Citado em: 31 de Maio de 2014.] http://www.octagon-
services.co.uk/articles/poultry/antibiotics.htm.
4. Jackson, Richard. poultrykeeper.com. New Respiratory Disease Study In Backyard Flocks.
[Online] [Citado em: 31 de Maio de 2014.] http://poultrykeeper.com/poultry-news/study-into-
respiratory-disease-in-backyard-flocks-by-chickenvet.

PRAZO
AMOSTRA COD/EXAMES
DIAS
Sangue total ou soro,
A24 - MYCOPLASMA GALLISEPTICUM E
Ovos, órgãos, swab de 15
MYCOPLASMA SYNOVIAE (ELISA)
traquéia
A61- MONITORIA SANITARIA CONTRATADA DE
20 amostras de Sangue MATRIZES - DIA ZERO
05
Total ou Soro + 20 Pintos Exames: MG (S.A.R), MS (S.A.R),
PUL (S.A.R) e Pesquisa de salmonela
A02-MYCOPLASMA GALLISEPTICUM SORO
Sangue total ou soro 03
AGLUTINAÇÃO RÁPIDA - S.A.R – MG

A38-MG - MYCOPLASMA GALLISEPTICUM –


Sangue total ou soro 04
ELISA
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