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47 TÉCNICAS DE REMOÇÃO E

IMOBILIZAÇÃO DE VITIMAS

47.1. IMOBILIZAÇÃO CERVICAL

NOTA:

Esta técnica deve ser executada sempre que haja dúvida sobre a
existência de traumatismo da coluna, após Remoção do Capacete, bem como,
antes de Aplicar um Colete de Extracção, de efectuar um Levantamento e
depois de efectuar um Rolamento.

TÉCNICA

O primeiro elemento fará ou manterá a tracção,


alinhamento e imobilização da Coluna Cervical, utilizando
sempre a chave polegar indicador, e apoios nas Regiões
Malares e na Região Occipital, conforme a posição da
vítima e de acordo com a situação, deixando liberto o
pescoço, para que seja mais fácil a aplicação do Colar
Cervical.

O segundo elemento, procederá à escolha do


tamanho do colar cervical, medindo a distância do ângulo
da mandíbula à base do pescoço. Os passos da aplicação
do colar dependem do tipo de colar e das suas instruções

de colocação. No entanto, e sempre que possível, deve-


se optar por um colar de duas peças e de quatro apoios
cuja regra prática de aplicação procede primeiro ao ajuste
da frente do colar ao pescoço da vítima, fazendo o
mesmo de seguida à parte de trás.

O primeiro elemento manterá sempre a tracção e o alinhamento


segundo o eixo Nariz, Umbigo, Pés durante os movimentos que for necessário
realizar de seguida com a vítima até à sua imobilização definitiva.

Quando do transporte da vítima em plano rígido é obrigatório o uso de:

47.2. ESTABILlZADORES LATERAIS DE


CABEÇA.

TÉCNICA

A base do imobilizador de cabeça deve estar


previamente colocada no plano duro.

O primeiro elemento deve manter a tracção e


o alinhamento da coluna cervical;

O segundo elemento colocará as almofadas


laterais, fazendo encaixar as orelhas da vítima
nos orifícios existentes nas almofadas. As almofadas
deverão ficar justas ao crânio, pelo que o primeiro
elemento deve retirar as suas mãos em simultâneo
com a colocação das almofadas.
Proceder à colocação dos cabrestos de fixação, colocando primeiro,
cruzando, o cabresto do
frontal e posteriormente,
também cruzando, o
cabresto do mento.

47.3 REMOÇÃO DO CAPACETE

RETIRAR O CAPACETE:

• Para observar a calote craniana e a face;

• Para despistar ou controlar hemorragias ou outras lesões;

• Para executar Reanimação Cárdio-Pulmonar;

• Para ter acesso à via aérea;

• Para estabilizar correctamente a coluna cervical.

NÃO RETIRAR O CAPACETE:

• Se não interferir com o acesso à via aérea;

• Se ao retirá-lo provocar agravamento de lesões existentes;


• Se for possível estabilizar correctamente a coluna cervical.

TÉCNICA

O enfermeiro imobilizará a Cabeça e o Capacete da


vítima.

O segundo elemento, procederá à abertura da


viseira na pesquisa de objectos empalados ou que façam
obstrução mecânica da via aérea. De seguida "cortará" a
pré-cinta do capacete e, colocando-se na melhor posição,
lateralmente e olhando para a face da vítima, aplicará as mãos abertas em
chave polegar indicador, uma sob o Maxilar Inferior e a outra em posição
oposta na Região Occipital a fim de fazer a tracção e a imobilização da Cabeça
e da Coluna Cervical.

O enfermeiro abrindo
lateralmente o capacete retirá-Io-á, com muito cuidado
utilizando movimentos suaves mas firmes oscilando o
capacete no seu eixo antero-posterior. É necessário ter
atenção ao nariz e orelhas, a fim de evitar o seu
traumatismo. É fundamental o aviso sobre a saída do
capacete pois o outro elemento deverá estar preparado
para o ressalto final e para suportar o peso da cabeça.

O enfermeiro, aplicando lateralmente à cabeça da vítima, as mãos


abertas também em chave polegar indicador. com os dedos Polegares nas
Regiões Malares e os Indicadores na Região occipital, ou em posição inversa,
ou intermédia conforme a posição em que a vítima se encontre, substituirá o
segundo elemento na imobilização da Coluna Cervical.
O seu posicionamento e a colocação das mãos, devem prever a
aplicação de outras técnicas (rolamento) quando a vítima não se encontra em
decúbito dorsal.

Quando a vítima assume o decúbito dorsal deverá proceder ao


alinhamento definitivo da vítima tendo como pontos de referência Nariz -
Umbigo - Pés.

O segundo elemento procederá à aplicação do colar cervical.

47.4. ROLAMENTO

NOTAS:

Para realizar correctamente são necessários, pelo menos, quatro


elementos. Devem ser evitados movimentos desnecessários.

CONTRA-INDICAÇÕES:

• Fracturas da cintura pélvica;

• Eviscerações;

• Objectos empalados;

• Politraumatismos bilaterais.

TÉCNICA

O enfermeiro fará ou manterá a imobilização e a tracção e o alinhamento


possíveis da coluna cervical, segundo o eixo Nariz, Umbigo, Pés e comandará
os movimentos que se seguem, sempre com atenção ao alinhamento e ao local
de chegada da vítima, durante e após o rolamento.
Se a vítima estiver em decúbito dorsal o segundo elemento colocar-se-á
lateralmente, de joelhos, com o Plano Duro entre si e o corpo daquela,
inclinado, encostado às suas coxas, para que um topo fique ao nível superior
da cabeça da vítima.

O terceiro e o quarto elementos, no lado oposto,


colocarão correctamente os membros da vítima de
forma a permitir o rolamento e, sempre a comando do
enfermeiro, com a ajuda do segundo elemento e
eventualmente de mirones orientados, rolarão para
eles o corpo, mantendo o alinhamento e a imobilização
da coluna, para que o segundo elemento ajuste o Plano Duro à região dorsal.
De seguida, enquanto este segundo elemento vai diminuindo a
inclinação do Plano Duro o terceiro e o quarto vão rolando o corpo da vítima
para cima dele, acompanhando o movimento, até à horizontal.

Se a vítima estiver em decúbito ventral o segundo elemento ajustará o


Plano Duro ao corpo da vítima, do lado da região occipital enquanto o terceiro e
o quarto elementos ficarão do lado oposto. Farão o rolamento do corpo da
vítima para cima do Plano, tendo em atenção o braço do lado do plano que, se
for possível, deverá ficar rodado para o lado da cabeça.

A comando do enfermeiro, a vítima é centrada no plano duro e aplicado


o Colar Cervical.

47.4. LEVANTAMENTO

NOTA:

Para realizar um Levantamento correcto são necessários, pelo menos,


quatro elementos, até número ideal de seis.
TÉCNICA

Deve fazer-se ou manter-se a tracção, alinhamento


e imobilização cervical, e, após retirar o capacete, se for
caso disso, aplicar o Colar Cervical antes de realizar o
Levantamento. O enfermeiro manterá a imobilização e o
alinhamento segundo o eixo Nariz, Umbigo, Pés e

comandará os movimentos.

O segundo e o terceiro elementos, de um e do


outro lado da vítima, com o mesmo joelho no chão,
colocarão correctamente os membros da vítima de forma
a permitir o Levantamento, o quarto pegará no Plano
Duro, que a seu tempo introduzirá debaixo da vítima.
"Ajoelhar!" "Plano Duro!"

Colocarão alternadamente as mãos sobre a vítima


a primeira ao nível da cintura escapular, a terceira ao nível
da cintura pélvica e a quarta ao nível dos membros. Se um
mirone, orientado, pegar no Plano Duro, o quarto
elemento, ao lado do segundo, colocará a sexta mão ao
nível dos membros."Colocar mãos!"

Introduzirão as mãos debaixo da vítima, sem


perturbar o alinhamento, com movimentos de
deslizamento. "Introduzir!"

Farão o levantamento em bloco. "Levantar!"

Plano Duro será introduzido por baixo da vítima,


pelo lado dos pés, para que um topo do plano fique ao
nível superior da cabeça da vítima, com atenção aos
joelhos dos outros elementos. "Plano Duro!"

Na ausência de Plano Duro, existindo Maca de vácuo, esta, previamente


endurecida, pode ser utilizada como plano duro inicial. A
Maca de vácuo pode ainda ser usada, enrolada da parte
que ficara para a cabeça em direcção aos pés, colocada
do lado dos pés da vítima e desenrolada na direcção da cabeça, deslizando-a
se necessário para que fique bem colocada.

Farão de seguida o abaixamento em bloco. "Baixar!"

Continuando com atenção à coluna cervical, para que o transporte seja


mais cuidado, se a vítima estiver num Plano Duro, não havendo apoio da
cabeça, poderá ser colocada em cima de uma Maca de vácuo, sendo feito
depois novo levantamento, para retirar o Plano, e ajustar de seguida a Maca.

Para se proceder ao levantamento com economia de meios humanos e


de esforço, pode recorrer-se à utilização da MACA SCOOP.

47.5 MACA SCOOP

NOTA:

A maca scoop só pode ser utilizada estando a vítima em decúbito dorsal,


não devendo ser utilizada como maca de transporte.

TÉCNICA:

O enfermeiro deve proceder à tracção e alinhamento

da coluna cervical;

O segundo e o terceiro elementos, abriram a maca


scoop dividindo-a em duas partes após o que as
devem adaptar à altura da vítima;

O segundo elemento aliviará ligeiramente o peso


da vítima, rolando-a para si, de modo a facilitar a
introdução da metade da maca scoop pelo terceiro
elemento. O segundo e terceiro elementos alternam a
manobra entre si de modo a se colocarem ambas as
partes da maca.
O segundo e terceiro elementos procedem ao fecho da maca, unindo-a
primeiro em cima e depois junto aos pés da vítima;

O segundo e terceiro elementos, pegando pelos apoios laterais e à


ordem do enfermeiro, procedem ao levantamento da
vítima.

Após a colocação da vítima no local definitivo, o


segundo e terceiro elementos abriram a maca e
executando um movimento para fora e para cima retirarão
alternadamente as partes da maca.

47.6. APLICAÇÃO DO COLETE DE


EXTRACÇÃO

NOTAS:

Verificar se surge dificuldade respiratória;

Vigiar correctamente os Sinais Vitais;

Devem ser evitados movimentos desnecessários.


TÉCNICA

A vítima já se encontra com o Colar Cervical mantendo um elemento a


imobilização e o alinhamento segundo o eixo Nariz, Umbigo, Pés.

Abre-se o colete guardando os "cabrestos" e a almofada em local


propício à sua próxima utilização. Segura-se o colete, à frente do nosso corpo,
pelas "abas inferiores".

Introduz-se lateralmente o Colete de extracção, fazendo-o deslizar pelas


costas da vítima para que as abas e as precintas passem para o outro lado.
Ajustam-se as abas às axilas e ao tórax e fixa-se primeiro a precinta do
meio e de seguida a precinta inferior. O ajustamento inicial faz-se segurando a
precinta a meio do tórax com uma mão e traccionando com a outra na parte da
precinta logo a seguir ao fecho, sempre com atenção a possíveis lesões da
vítima nesta área do corpo.

Dobra-se a almofada de forma a preencher a curvatura cervical e coloca-


se no espaço entre o Colete de extracção e a Coluna Cervical. Aplicam-se de
seguida os "cabrestos", começando pelo frontal, para que este prenda em
baixo, e depois o do mento que prende em cima.

Por fim, segurando sempre antes do fecho com uma mão e


traccionando com a outra na parte a seguir aquele, ajustam-se todas as
precintas.
47.7 CHAVE DE RAUTEK

Notas:

É uma manobra que só poderá ser usada em situações de life saving,


para retirar vítimas de viaturas ou espaços fechados, ou para colocar vítimas
inconscientes em decúbito dorsal, quando está presente apenas um elemento,
não havendo tempo para aplicar as técnicas mais adequadas.
TÉCNICAS

VÍTIMA SENTADA

Na vítima sentada o elemento que vai aplicar a técnica deverá colocar-


se lateral à vítima, olhando na mesma direcção.

O seu membro superior do lado do acidentado entrará por trás do ombro


mais afastado da vítima. Passará por baixo da axila e fixará a mão nos dois
punhos do acidentado. (Quando não é possível fixar a mão nos dois punhos,
fixa-a apenas no punho contra lateral da vítima, ou no outro punho, ou no cinto,
ou em vestuário...).

O seu outro membro superior entrará, também, por trás do outro ombro
da vítima passará por baixo da axila e subirá para fixar a Coluna Cervical e a
Cabeça contra o seu corpo, com a mão aberta em chave polegar indicador
aplicada por baixo no maxilar inferior.

Retirará então o acidentado apoiado contra o seu corpo, sem perder a


atenção à coluna cervical, fazendo-o deslizar e colocando-o no solo ou sobre
um plano duro.

VÍTIMA DEITADA

Na vitima deitada o elemento que vai aplicar a técnica deverá colocar-se


lateral à vitima, do lado da nuca, olhando na mesma direcção.

O seu membro superior do lado do acidentado fixará a região occipital


da vitima em chave polegar indicador, com o polegar do lado do acidentado.

O seu membro superior do lado contrário do acidentado entrará por


baixo da axila e fixará com a mão aberta em chave polegar indicador aplicada
por baixo no maxilar inferior a coluna cervical do acidentado.

Não deve aliviar a tracção da coluna cervical. Para tal utiliza o antebraço
do lado do acidentado, que se encontra encostado ao tórax deste, para a
manter.

Retirará então o acidentado apoiado contra o seu corpo, sem perder a


atenção à coluna cervical, fazendo-o deslizar e colocando-o no solo ou sobre
um plano duro.

Afastada a vítima da hipótese de correr algum risco, explosão ou outro,


poderão depois ser realizadas as técnicas que se seguirem nomeadamente o
levantamento.

47.8 LEVANTAMENTO A 3
Este levantamento é feito quando não há suspeita
de lesão da coluna cervical ou trauma. É feito por três
elementos em simultâneo, é chamado “Ponta 3”.

47.9 LEVANTAMENTO EM PRISÃO DE


BRAÇOS
É um levantamento utilizado também quando não há suspeita de trauma
ou lesão da coluna cervical. É usado frequentemente quando a vítima
encontra-se sentada ou o espaço até a maca é de difícil manobra.

47.10 TRANSPORTE PARA O HOSPITAL

Notas:

Verificar se surge dificuldade respiratória

Vigiar correctamente os Sinais Vitais

Devem ser evitados movimentos desnecessários.


TÉCNICAS:

EM MACA DE VÁCUO

Neste tipo de equipamento a vítima encontra-se


totalmente imobilizada e com a coluna vertebral protegida.

Este equipamento ainda permite o retirar de vítimas


de locais apertados pois permite o transporte, por breves

instantes, com a vítima na posição horizontal. Em caso de


vómito, este equipamento permite voltar a vítima de lado em
bloco, mantendo a imobilização da coluna, evitando assim
uma aspiração de vómito.

A Maca de vácuo, previamente estendida e


distribuindo de forma equilibrada o seu conteúdo, depois de
nela ser colocada a vítima, com ou sem Colete de
Extracção, deverá ser ajustada com cuidado, com atenção
às zonas a imobilizar, à cabeça, aos membros inferiores e
aos membros superiores que não devem ficar de fora.

Extrai-se de seguida o ar da maca de vácuo, com a


ajuda do aspirador ou com a bomba própria, mantendo o
ajustamento cuidado, após o que se podem aliviar as
precintas do

Colete de Extracção, se for o caso.


NO PLANO DURO

Este equipamento constitui um óptimo auxiliar para remover vítimas de


viaturas ou de locais onde não é possível efectuar um levantamento para uma
maca de vácuo.

Se necessário a vítima poderá seguir em Plano Duro com


estabilizadores da cabeça, até ao Hospital, mantendo sempre a imobilização
cervical, devendo ser fixadas as precintas do Plano Duro e ajustadas e fixadas
as precintas da Maca da Ambulância.

Centrar a vítima no plano duro;

Colocar os estabilizadores de cabeça;

Proceder à colocação das precintas,


Não esquecer que a vítima no plano duro, consegue escorregar para um
lado e para o outro pelo que, o transporte terá de ser muito suave para não
agravar lesões.

NOUTRO PLANO

A vítima poderá ainda ser transportada até ao Hospital na Maca da


Ambulância apenas no Colete de Extracção, devendo ser sempre ajustadas e
fixadas as precintas da Maca da Ambulância.

O transporte deverá ser sempre calmo e seguro, com as precintas da


Maca da Ambulância ajustadas e fixadas.

47.11. MUDANÇA NO HOSPITAL

NOTA:

Uma vítima poderá ser sujeita a RX na Maca de vácuo e ou com o


Colete de Extracção.
TÉCNICAS

A vítima deve ser mudada na Maca de vácuo, ou no Plano Duro, da


maca da Ambulância para a maca Hospitalar, que terá de ser um Plano Duro.

Antes de retirar a vítima da Maca de vácuo, ou do Plano Duro, no


Hospital, devem reajustar-se as precintas do Colete de Extracção, se for esse o
caso.

Com atenção ao tipo de imobilização que foi feita e mantendo o apoio da


Cabeça e Coluna (Tracção e alinhamento), para retirar o Plano Duro aplica-se
a técnica de levantamento.

De igual forma, com atenção ao tipo de imobilização que foi feita e


mantendo o apoio da Cabeça e Coluna (tracção e alinhamento), também
através da aplicação da técnica de Levantamento, após abrir a válvula, a fim de
que o ar entre, pode retirar-se a Maca de vácuo.

Também o Colete de Extracção, após libertar as precintas, remover os


"Cabrestos" e a Almofada, com atenção ao tipo de imobilização que foi feita e
mantendo o apoio da Cabeça e Coluna (tracção e alinhamento), pode ser
retirado, lateralmente, para a parte superior, segurando juntamente todas as
extremidades das precintas, no mesmo lado e através da aplicação da técnica
de Levantamento.

Mantendo a tracção e alinhamento pode trocar-se o Colar Cervical.

NOTA:

Em relação à imobilização de fracturas, esta técnica já foi referida no


capítulo sobre traumatismos das extremidades.