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UFES – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CT – CENTRO TECNOLÓGICO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

SAMUEL DEOTERONIO DA SILVA

EFEITO DO TRATAMENTO TÉRMICO PÓS-SOLDAGEM


NO COMPORTAMENTO EM CORROSÃO E NAS
PROPRIEDADES MECÂNICAS DO AÇO INOXIDÁVEL
DUPLEX UNS S32304.

VITÓRIA
2010
SAMUEL DEOTERONIO DA SILVA

EFEITO DO TRATAMENTO TÉRMICO PÓS-SOLDAGEM


NO COMPORTAMENTO EM CORROSÃO E NAS
PROPRIEDADES MECÂNICAS DO AÇO INOXIDÁVEL
DUPLEX UNS S32304.

Dissertação apresentada como parte dos requisitos para


obtenção do título de Mestre em Engenharia Mecânica pela
da Universidade Federal do Espírito Santo, área de
Materiais e Processos de Fabricação.

Orientador: Prof. Dr. Marcelo Camargo Severo de Macêdo.

VITÓRIA
2010
Samuel Deoteronio da Silva

EFEITO DO TRATAMENTO TÉRMICO PÓS-SOLDAGEM NO


COMPORTAMENTO EM CORROSÃO E NAS
PROPRIEDADES MECÂNICAS DO AÇO INOXIDÁVEL
DUPLEX UNS S32304.

Dissertação apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de


Mestre em Engenharia Mecânica pela da Universidade Federal do Espírito Santo,
área de Materiais e Processos de Fabricação.

Entregue em 31 de agosto de 2010.

Aprovada em:
BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Marcelo Camargo Severo de Macêdo – Orientador


UFES – Universidade Federal do Espírito Santo

Prof. Dr. Sergio Souto Maior Tavares – Co-orientador


UFF – Universidade Federal Fluminense

Prof. Dr. Cherlio Scandian – Membro interno


UFES – Universidade Federal do Espírito Santo

Prof. Dr. Antonio Jose Ramirez Londono – Membro externo


LNLS - Laboratório Nacional de Luz Síncrotron

VITÓRIA
2010
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
(Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)

Silva, Samuel Deoteronio da, 1981-


S586e Efeito do tratamento térmico pós-soldagem no
comportamento em corrosão e nas propriedades mecânicas do
aço inoxidável duplex UNS S32304 / Samuel Deoteronio da
Silva. – 2010.
74 f. : il.

Orientador: Marcelo Camargo Severo de Macêdo.


Co-Orientador: Sergio Souto Maior Tavares.
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Espírito
Santo, Centro Tecnológico.

1. Aço inoxidável. 2. Aço - Tratamento térmico. 3. Aço -


Soldagem. 4. Aço - Corrosão. 5. Soldagem. 6. Resistência de
materiais. I. Macêdo, Marcelo Camargo Severo de. II. Tavares,
Sérgio Souto Maior. III. Universidade Federal do Espírito Santo.
Centro Tecnológico. IV. Título.

CDU: 621
Dedico este trabalho aos meus Pais,

Antonio Gregório da Silva e

Silhoa Cardoso da Silva;

e à minha esposa Jaqueline Sampaio, que

estiveram sempre presentes,

incentivando-me na

realização deste sonho.


Agradecimentos
A DEUS, Supremo Criador, que tornou possível a realização deste trabalho, minha
máxima homenagem e o mais profundo reconhecimento.

À minha mãe, Silhoa Cardoso da Silva e ao meu Pai, Antonio Gregório da Silva,
responsável pela minha alfabetização e pela minha formação acadêmica. Por todo o
apoio e incentivo, minha gratidão.

À minha esposa Jaqueline Sampaio que sempre me incentivou nos momentos mais
afanosos de estudo e trabalho, não deixando que eu esmorecesse perante as
dificuldades.

À empresa Flexibrás Tubos Flexíveis LTDA pelo apoio prestado na realização deste
trabalho, tanto em relação à liberação de carga horária quando ao fornecimento de
materiais e processos.

Ao Prof. Dr. Cherlio Scandian pela infatigável e impecável orientação, pela sua
amizade e serenidade ao passar seus conhecimentos e experiências, visto que,
foram de grande valia para o meu crescimento profissional e pessoal.

Ao Prof. Dr. Marcelo Camargo Severo de Macêdo, que em seus lampejos de


iluminação, identificou com muita perspicácia a origem de diversas dificuldades,
propondo soluções para o problema, e, assim, evitando horas de investigação
adicionais.

Ao Prof. Dr. Sergio Souto Maior Tavares pela sua grande contribuição científica o
que foi essencial para o desenvolvimento deste trabalho.

Aos Professores Temistocles Sousa Luz, Flavio José da Silva, Washington Martins,
Antonio Cezar Bozzi e todos os outros professores pela compreensão e incentivo
durante todo o curso.

A todos os colegas, hoje amigos, do Programa de Pós-Graduação da Engenharia


Mecânica da Universidade Federal do Espírito Santo, que mesmo não percebendo,
contribuíram positivamente na conclusão deste trabalho.
Resumo
Foram avaliadas a microestrutura, propriedades mecânicas e a resistência a
corrosão de juntas soldadas de aço inoxidável duplex UNS S32304, submetidas a
diferentes Tratamentos Térmicos Pós-Soldagem (TTPS).

Fitas de aço inoxidável duplex UNS S32304, com 72 mm de largura e 1,8 mm de


espessura, foram soldados pelo processo GTAW “Gas Tungsten Arc Welding” com
corrente pulsada e sem metal de adição. Posteriormente foram tratadas
termicamente por indução nas temperaturas de 950, 1050, e 1150°C durante 10 e 30
segundos.

Através da microscopia ótica, utilizando-se diferentes ataques eletroquímicos, foram


estudadas as microestruturas obtidas nas diferentes condições. As frações
volumétricas de ferrita e austenita foram avaliadas por metalografia quantitativa e
permeabilidade magnética. Foram realizados ensaios de tração para comparação
das propriedades mecânicas. A resistência a corrosão foi investigada através de
curvas de polarização anódica, medições dos potenciais de pite Ep e da temperatura
crítica de pite (CPT).

Os tratamentos térmicos pós-soldagem melhoraram tanto as propriedades


mecânicas quanto a resistência a corrosão das juntas soldadas de aço inoxidável
duplex UNS S32304. Evidenciou-se que fato citado está relacionado com a
dissolução de precipitados de nitreto de cromo e o equilíbrio das frações
volumétricas de ferrita e austenita no aço inoxidável duplex.
Índice
Introdução ........................................................................................................ 15
1. Revisão Bibliográfica .................................................................................... 16
1.1. Aços inoxidáveis ........................................................................................ 16
1.1.1. História dos Aços Inoxidáveis ................................................................. 16
1.1.2. Os Aços Inoxidáveis Ferríticos ............................................................... 17
1.1.3. Os Aços Inoxidáveis Austeníticos .......................................................... 18
1.1.4. Os Aços Inoxidáveis Duplex ................................................................... 19
1.2. Aços Inoxidáveis Duplex: Aspectos Metalúrgicos ..................................... 20
1.2.1. Precipitação de fases deletérias ............................................................. 22
1.3. Diagramas de fase .................................................................................... 30
1.4. Corrosão................................................................................................... 32
1.4.1. Corrosão por pites .................................................................................. 32
1.4.2. Sensitização ........................................................................................... 35
1.4.3. Testes de Corrosão ................................................................................ 36
1.4.4. Ensaios de Reativação Eletroquímica Potenciodinâmica (EPR) ............ 37
1.4.5. Aspectos gerais sobre os testes EPR .................................................... 39
1.5. Soldabilidade dos aços inoxidáveis duplex ............................................... 41
2. Materiais e Métodos ..................................................................................... 44
2.1. Avaliação Microestrutural .......................................................................... 46
2.1.1. Microscopia ótica .................................................................................... 46
2.1.2. Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) .......................................... 46
2.1.3. Percentual de Ferrita medido por permeabilidade magnética ................ 47
2.2. Avaliação Mecânica .................................................................................. 47
2.2.1. Ensaios de Tração ................................................................................. 47
2.3. Ensaios de Corrosão ................................................................................. 48
2.3.1. Ensaios DLEPR ...................................................................................... 49
2.3.2. Avaliação do potencial de pite ................................................................ 49
2.3.3. Temperatura critica de pite ..................................................................... 49
3. Resultados e Discussão ............................................................................... 50
3.1. Avaliação Microestrutural .......................................................................... 50
3.1.1. Microscopia ótica .................................................................................... 50
3.1.2. Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) .......................................... 54
3.1.3. Percentual de Ferrita medido por permeabilidade magnética ................ 55
3.2. Avaliação Mecânica .................................................................................. 56
3.2.1. Ensaios de Tração ................................................................................. 56
3.3. Ensaios de Corrosão ................................................................................. 60
3.3.1. Ensaios DLEPR ...................................................................................... 61
3.3.2. Curvas de polarização cíclica para avaliação da resistência ao pite ...... 62
3.3.3. Temperatura crítica de pites ................................................................... 64
3.3.4. Sumário dos ensaios eletroquímicos de corrosão .................................. 65
4. Conclusão .................................................................................................... 67
Sugestões para trabalhos Futuros ................................................................... 68
Bibliografia........................................................................................................ 69
Lista de Figuras
Figura 1: Secção vertical com Fe constante 68% do diagrama ternário Fe-Cr-Ni
(ATAMERT e KING 1991) ......................................................................................... 21

Figura 2: Estruturas de aço inoxidável duplex UNS S31803 após ataque com
reagente Groesbeck (4g KMnO4 + 4g NaOH em 100 ml de água destilada). (a)
temperada em água a 1050°C, (b) tratada por 10 h a 675 ° C, (c) tratada por 3 h at
900 ° C (LOPEZ, CID e PUIGGALI 1999). ................................................................ 24

Figura 3: Diagrama Tempo x Temperatura x Transformação do Aço Inoxidável


Duplex UNS S31803 (DESESTRET e CHARLES 1990). .......................................... 25

Figura 4: Perfil de cromo na interfase α/σ/γ do Aço Inoxidável Duplex UNS S31803
tratado termicamente a 675° C durante 10 horas mostrando as áreas empobrecidas
em cromo devido a precipitação da fase σ (LOPEZ, CID e PUIGGALI 1999). .......... 25

Figura 5: Esquema da corrosão galvânica após a decomposição espinodal da ferrita


em AID. (a) amostra solubilizada e (b) amostra envelhecida (PARK e KWON 2002).27

Figura 6: AID UNS S32304, em (a) diagrama de fase pseudo-binário, onde a linha
tracejada indica a composição da liga; (b) variação da fração molar das fases em
equilíbrio com a temperatura (RAMIREZ-LONDONO 2001). .................................... 31

Figura 7: AID UNS S32205, em (a) diagrama de fase pseudo-binário, onde a linha
tracejada indica a composição da liga; (b) variação da fração molar das fases em
equilíbrio com a temperatura (RAMIREZ-LONDONO 2001). .................................... 31

Figura 8: Relação entre o índice de resistência à corrosão por pites (PRE) e a


temperatura crítica de corrosão por pites (CPT) de alguns aços inoxidáveis duplex e
austeníticos (NILSON 1992)...................................................................................... 35

Figura 9: Esquema de curvas de polarização com reativação potenciodinâmica, um


ciclo (A) e duplo ciclo (B); Qr = Energia de reativação; Qp = Energia de ativação; Ir =
Corrente de reativação; Ia = Corrente de ativação; (ISO TC 156/WG 9 1998). ........ 38

Figura 10: Resultados de teste DL-EPR do aço 03Cr13Ni6Mo (CÍHAL,


HUBÁCKOVÁ, et al. 1984). ....................................................................................... 40

Figura 11: Curvas DL-EPR do aço 03Cr13Ni6Mo temperado e revenido: (a)


625°C/6h/ar; (b) 575°C/6h/ar e (c) 1050°C/2 h/ar (CÍHAL e STEFEC 2001). ............ 41

Figura 12: Diagrama de Schaeffler: regiões problemáticas típicas na soldagem de


aços inoxidáveis. ....................................................................................................... 43

Figura 13: Esquema do processo de soldagem GTAW semi-automático com corrente


pulsada e sem metal de adição. ................................................................................ 45
Figura 14: Esquema do Tratamento Térmico Pós Soldagem. ................................... 45

Figura 15: Dimensões dos corpos de prova de tração segundo a norma ASTM E8 –
04. ............................................................................................................................. 47

Figura 16: Chapa soldada e usinada por Eletro-Erosão a fio. ................................... 48

Figura 17: Potenciostato Autolab®. 1-Computador para tratamento de dados, 2-


Potenciostato, 3-Rack conversor de dados, 4-Termômetro, 5-Célula Eletroquímica e
6-Banho Maria. .......................................................................................................... 48

Figura 18: Aço inoxidável duplex UNS S32304 no estado como recebido.
Microscopia ótica: (a) ataque de Groesbeck; (b) ataque de Beraha. ........................ 50

Figura 19: Aço inoxidável duplex UNS S32304 no estado como recebido.
Microscopia ótica: (a) 10% KOH, 3V, 15s; (b) 10% de ácido oxálico, 8V, 60s. ......... 51

Figura 20: Aço inoxidável duplex UNS S32304 no estado soldado (SST).
Microscopia ótica: (a-b) ataque de Behara; (c-d) Ataque com ácido oxálico. ............ 52

Figura 21: Microestrutura da amostra TTPS1 atacada com reagente de Behara. .... 53

Figura 22: Microestrutura da amostra TTPS6 atacada com reagente de Behara. .... 53

Figura 23: Microestrutura da amostra TTPS1 atacada eletroliticamente com solução


10% de ácido oxálico. ............................................................................................... 53

Figura 24: Microestrutura da amostra TTPS6 atacada eletroliticamente com solução


10% de ácido oxálico. ............................................................................................... 54

Figura 25: Foto de MEV mostrando a Zona Fundida do AID UNS S32304 Soldado
com Tratamento Térmico Pós Soldagem a 1150°C durante 30 segundos. ............... 54

Figura 26: Micrografia obtida em MEV nas proximidades da ZF do AID UNS S32304
submetido ao TTPS6. ................................................................................................ 55

Figura 27: Ensaios de tração nas diferentes condições testadas.............................. 57

Figura 28: Corpos de prova fraturados após o teste de tração, mostrando que as
fraturas se deram no metal de solda: (a) material como soldado (SST); (b) TTPS3;
(c) TTPS6; (d) TTPS5. .............................................................................................. 58

Figura 29: Análise das superfícies de fratura no MEV: (a) Como recebido; (b) SST.
Foi utilizado o mesmo aumento nas duas imagens para comparação do tamanho
das micro-cavidades. ................................................................................................ 59

Figura 30: Evolução da fração volumétrica de ferrita e alongamento nas diferentes


condições testadas. ................................................................................................... 60
Figura 31: Curvas do teste DL-RPR do aço UNS S32304: (a) Como Recebido,
(b)SST, (c) TTPS 1, e (d)TTPS 6. ............................................................................. 61

Figura 32: Curva de polarização anódica do aço UNS S32304 comparando o


material Como Recebido e SST (Zona Fundida) em solução 3,5% NaCl à
temperatura ambiente. .............................................................................................. 63

Figura 33: Pites de corrosão na amostra SST........................................................... 63

Figura 34: Curva de polarização cíclica do aço UNS S32304 (a) TTPS 1 (Zona
Fundida) e (b) TTPS 2 (Zona Fundida) em solução 3,5% NaCl à temperatura
ambiente.................................................................................................................... 64

Figura 35: Curvas Temperatura Critica de Pite (CPT) do aço UNS S32304: (a) Como
Recebido, (b) SST, (c) TTPS 1, e (d) TTPS 6. .......................................................... 65
Lista de Tabelas
Tabela 1: Aço Inoxidável Duplex UNS S32304: Composição Química. .................... 44

Tabela 2: Tratamentos Térmicos Pós Soldagem. ..................................................... 45

Tabela 3: Análise química na ZF dos principais elementos do AID UNS S32304


submetido ao TTPS6. ................................................................................................ 55

Tabela 4: Fração volumétrica de ferrita na ZF nas diferentes condições. ................. 56

Tabela 5: Ensaios de tração nas diferentes condições testadas. .............................. 57

Tabela 6: Resumo das propriedades do aço UNS S32304 ....................................... 66


Lista de Abreviaturas
AID: Aços Inoxidáveis Duplex

GTAW: Processo de Soldagem “Gas Tungsten Arc Welding”

TTPS: Tratamento Térmico Pós-Soldagem

AIF: Aços Inoxidáveis Ferríticos

AIA: Aços Inoxidáveis Austeníticos

MEV: Microscópio Eletrônico de Varredura

CPT : Temperatura Critica de Pite - “Critical Pitting Temperature”

EPR: Reativação Eletroquímica Potenciodinâmica - “Electrochemical


Potentiodynamic Reactivation”

SLEPR: Simples Varredura de Reativação Eletroquímica Potenciodinâmica - “Single


Loop Electrochemical Potentiodynamic Reactivation”

DLEPR: Dupla Varredura de Reativação Eletroquímica Potenciodinâmica - “Double


Loop Electrochemical Potentiodynamic Reactivation”

ZF: Zona Fundida da solda

ZTA: Zona Termicamente Afetada